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APAE em destaque

Publicação da FEAPAES-SP - Federação das APAEs do Estado de São Paulo

Ano 2020 • Edição 24

REVISTA APAE EM DESTAQUE

O Vale Cap está de volta

ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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APAES PAULISTAS SE REINVENTAM E ATENDIMENTOS CONTINUAM A DISTÂNCIA RECORDE: MAIS DE 450 PESSOAS PARTICIPARAM DA CAPACITAÇÃO PARA DIRIGENTES

FEAPAES-SP INOVA ASSESSORAMENTO DURANTE PANDEMIA


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SUMÁRIO

APAES INOVAM NOS ATENDIMENTOS DURANTE PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS

6 GALERIA DE FOTOS

9 NOTAS APAE

53 VALE CAP

55 ENTREVISTA DAVID CÉSAR

APAE EM DESTAQUE

FEAPAES EM REVISTA

AGUDOS

11

CAPACITAÇÃO PARA DIRIGENTES

34

AVARÉ

12

SEMANAS TÉCNICAS

37

BERNARDINO DE CAMPOS

13

MULTIPLICADORES DO BEM

38

CATANDUVA

14

40

CRUZEIRO

15

CARTILHA SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FUNDO DE PROJETOS

41

REPASSES DE JANEIRO E FEVEREIRO

43

PESQUISA DE SATISFAÇÃO

44

NOTA FISCAL PAULISTA

45

DOAÇÃO DE COMPUTADORES

47 49 51

FERNANDÓPOLIS

17

IBITINGA

19

ILHABELA

20

ITAPETININGA

21

LIMEIRA

23

SÃO ROQUE

25

ASSESSORAMENTO A DISTÂNCIA

SOROCABA

26

TECNOLOGIA A FAVOR DAS APAES

JUNIDIAÍ

27

VALINHOS

28

LARANJAL PAULISTA

29

ARAÇATUBA

30

ARTIGO EDUCAÇÃO ESCOLAR, EDUCOMUNICAÇÃO E CIÊNCIA

58

CAPA

32


EXPEDIENTE DIRETORIA EXECUTIVA

EDITORIAL

Presidente Cristiany de Castro Vice-presidente José Marcelo Campos Alduíno 1º Diretor Secretário Paulo Rogério Geiger 2º Diretor Secretário Celso Roberto Pegorin 1º Dir. Financeiro Salvador Anésio Ruiz Aylon

CONSELHO FISCAL

É

bom estar aqui novamente e poder apresentar para o público da Revista APAE em Destaque todas as ações da FEAPAESSP para que as APAES paulistas não ficassem sem o assessoramento durante o período de pandemia e consequente isolamento social. Inovação foi a palavra de ordem para a instituição, que, com sua equipe e diretoria, não mediu esforços para que suas filiadas continuassem a oferecer o atendimento de excelência que sempre marcou a rede apaeana. O ciclo de lives e webinars, que faz parte da Série Saberes e Práticas sobre a Pessoa com Deficiência – Conhecer para Transformar, é uma das ações realizadas pela federação e que teve destaque nesta edição. Também fazem parte da série as Semanas Técnicas, que ocorrerão durante o ano de 2020 e que você, leitor, também terá mais detalhes nas páginas a seguir. Também abordamos com destaque a Capacitação para Dirigentes, que ocorreu em fevereiro deste ano e reuniu mais de 450 pessoas, de 180 APAES paulistas, o recorde de público de um evento organizado pela FEAPAES-SP. E, como não poderia deixar de ser, apresentamos, na editoria APAE em Destaque, projetos e ações das APAES em prol da promoção da qualidade de vida e da inclusão social da pessoa com deficiência. Dedicamos ainda duas páginas para mostrar a atuação das APAES durante a quarentena, mas seria possível destinar todas as páginas desta edição às nossas filiadas, de tão inovadoras que foram as suas ações. Não deixe de conferir e, assim como eu, se emocionar com o amor com que as APAES desempenham os seus trabalhos. Espero encontrá-lo na próxima edição! Um grande abraço! Thaís Demacq Jornalista — Mtb 44568/SP comunicacao@feapaesp.org.br

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APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

Titulares Celso Bueno de Oliveira Carlos Eduardo Torres Vera Lúcia Ferreira Lima

2º Dir. Financeiro Luis Roberto Rozon Diretor Social Paulo Arantes Diretor de Patrimônio José Roberto Guimarães Autodefensora Rita de Cássia Leal Autodefensor Wellington Clementino

Suplentes Cézar Sousa Vilela Celso Fujioka Silvio Filippini

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Nilza Ribeiro Fernandes Afonso Francisco Innocencio Pereira Hélio Tadeu Zago Jorge Martins Salgado José Avanilson da Silva José Carlos da Silva Josiane Claudia da Silva Jacob Leila Barban Radaelli Lucia Helena Gonçalves Senteio Márcia Cardoso Luqueti Gianoti Márcio Anselmo Rodrigues de Oliveira Márcio Nardo

Maria Aparecida Gomes Sampaio Maria Carolina Paoliello Maria de Fátima Dalmédico de Godoy Maria José de Souza Nunes Meiri Aparecida Sant’ana Rodrigues Moacyr Fonseca Júnior Nelson Bassanetti Norma Tavares Vieira Consani Paulo César Zeni Sayma Pimentel Zeraik Viduedo Sonia Aparecida Martins Bento de Oliveira

PROCURADORIA JURÍDICA Acir de Matos Gomes

EQUIPE TÉCNICA | FEAPAES-SP Coordenação técnica: Cláudia Fragoso coordenadoratecnica@feapaesp.org.br Financeiro e Mobilização de Recursos Lucas Almeida (coordenador) Fátima Melo Eduardo Carloni Camila Archetti financeiro@feapaesp.org.br Comunicação: Thaís Demacq (coordenadora) Débora Simões Sabrina Aparecida comunicacao@feapaesp.org.br Jurídico: Thiago Mellem Thales Araújo juridico@feapaesp.org.br Equipe da Qualidade: Cíntia Faccirolli (coordenadora) Aline Lima Elaine Lemos Patrícia Dupim Ricardo Alexandre Pereira coordqualidade@feapaesp.org.br

Ouvidoria: Karla Pereira Bruno Faria Fábio Rodrigues Paulo José da Silva Nogueira Sílvio Balan auxiliaradm@feapaesp.org.br Administrativo: Adriana Queiroz Lyvia Eduarda Kênia Santana Joseane da Silva Poli feapaes@feapaesp.org.br Tecnologia da Informação (TI) Lucas Henrique Nascimento suportetecnologia@feapaesp.org.br Cursos FEAPAES-SP e Uniapae-SP Denise Costa (coordenadora) Aline Barnabé Amanda Cristina da Silva Souza coorduniapaesp@feapaesp.org.br

Edição concluída em agosto de 2020 Federação das APAES do Estado de São Paulo Rua Tomaz Pedro do Couto, 471 | Polo Industrial Abílio Nogueira | Franca/SP CEP: 14406-065 | Fone: 16 3403-5010 | Fax: 16 3403-5015 E-mail: feapaes@feapaesp.org.br www.feapaesp.org.br

Revista APAE em Destaque

Thaís Demacq (Mtb 44568/SP) e Débora Simões (Mtb 81427/SP) Edição: Thaís Demacq Revisão e Diagramação: Zeppelini Publishers Errata: Na edição anterior (edição 23), na matéria da página 21 intitulada “Energia que vem do sol”, no 2º parágrafo foi escrito “analista jurídica da APAE” quando era para ser escrito “analista financeira da APAE”.


PALAVRA DA PRESIDENTE

I

novação e reinvenção são palavras que descrevem o trabalho realizado pela FEAPAES-SP e por suas filiadas no primeiro semestre de 2020. Fomos surpreendidos por uma crise sanitária mundial, por causa da pandemia do novo coronavírus, e vimos a rotina e o que conhecemos por normalidade se transformarem, tivemos de nos adaptar, o abraço teve de esperar, os encontros são on-line, bem como as aulas e alguns atendimentos realizados por nós e nossas filiadas. Sabemos das necessidades do nosso público, pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla, e muitos atendimentos individuais na área da saúde, como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional não poderiam ser realizados a distância. Seguindo todas as normas de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS), as APAES mantiveram sua missão e estão trabalhando arduamente para atender e defender os direitos daqueles que mais precisam. Apesar de difícil e doloroso, pois muitos perderam pessoas queridas, esse momento nos mostrou o quanto o movimento apaeano paulista é eficiente e qualificado. Os atendimentos a distância revelaram o quanto as famílias estão dispostas a trabalhar com os profissionais em prol da qualidade de vida das pessoas com deficiência. A FEAPAES-SP, a fim de cumprir sua missão, intensificou o assessoramento às filiadas, investiu em tecnologia para realizar os atendimentos on-line, nosso departamento jurídico ficou atento a cada novo decreto ou normativa, para repassar as informações completas as filiadas, a comunicação diariamente enviou informativos importantes para as APAES e as famílias, as equipes da qualidade e ouvidoria realizaram atendimentos individuais remotamente, e todos trabalharam incessantemente para que os direitos das pessoas com deficiência não fossem violados. Esperança é a palavra que fica para o restante de 2020, na certeza de que tudo isso vai passar. Sei que os influenciadores do bem, por sempre buscarem a evolução e a inovação, sairão melhores e ainda mais determinados a lutar pela inclusão social. Cristiany de Castro Presidente da FEAPAES-SP

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GALERIA DE FOTOS

APAES EM AÇÃO NA QUARENTENA

O

RINCÃ

ITUPEVA

COLINA

MORRO A

GUDO

6

IPERÓ

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PALMEIRA D’OESTE


PENÁPOLIS

ROSEIRA

SÃO V

ICENT

E

É TAUBAT

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7


DRACENA

TAQUA R

ITUBA

8

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RIA

RANCHA

S

CRAVINHO


NOTAS APAE

APAE DE ATIBAIA PRODUZ HORTA SUSTENTÁVEL COM OS USUÁRIOS

N

o segundo semestre de 2019, a APAE de Atibaia passou a desenvolver uma nova atividade no currículo pedagógico, o Projeto Horta Sustentável, que tem como objetivo proporcionar aos usuários a oportunidade de aprender a cultivar hortaliças e conscientizá-los sobre a importância de consumir um alimento nutritivo e orgânico. Os usuários participam de todo o processo de produção: o preparo da terra, a plantação das mudas e o seu desenvolvimento com regas diárias, a limpeza dos canteiros retirando as ervas daninhas, bem como o acompanhamento do processo da colheita. “Eles trabalham de forma terapêutica nessa horta, colhem e se alimentam desses alimentos, então, também estamos trabalhando de forma pedagógica essa questão alimentar, pois muitos rejeitam legumes e verduras”, diz a coordenadora da saúde, Eliane Ugliano. Uma parte da produção é utilizada no consumo da própria entidade, outra os usuários levam para casa e o excedente é colocado à venda nos eventos internos da APAE. “Com essa venda, nós compramos as próximas mudas. Por isso que chamamos de horta autossustentável”, conclui Eliane.

APAE DE AMERICANA PROMOVE COLÔNIA DE FÉRIAS PARA USUÁRIOS

D

urante as férias de janeiro deste ano, a equipe da assistência social da APAE de Americana manteve-se atuante. Por meio do Programa de Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência, a APAE promoveu o Projeto Colônia de Férias. A Colônia de Férias contou com o envolvimento de 12 usuários, que participaram das atividades durante o período de 6 a 22 de janeiro. Os objetivos foram diminuir a sobrecarga do cuidador, desenvolver ações com foco nas habilidades sociais e na interação entre os usuários, proporcionando diferentes vivências para eles. As atividades realizadas contaram com oficinas de culinária, o que proporcionou aos usuários a participação em todo o processo de produção dos alimentos (pão caseiro, torta de frango e bolachinhas de manteiga com goiabada) e nas atividades de limpeza e organização dos ambientes utilizados, tendo como foco a autonomia e a qualidade de vida. Além dessas atividades internas, foram desenvolvidas práticas de interação social e reconhecimento corporal para a melhoria das habilidades sociais, além de uma visita ao Jardim Botânico. “Essa programação diferenciada fez toda diferença para eles, vê os sorrisos, a participação, foi um ganho muito grande”, diz Lúcia Helena Maciel Cézar Ferreira, diretora de desenvolvimento social.

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APAE DE PEREIRA BARRETO INAUGURA NOVO PRÉDIO

A

APAE de Pereira Barreto deu um importante passo no início deste ano, isso porque a instituição inaugurou seu novo prédio no dia 31 de janeiro, reunindo colaboradores, diretoria e autoridades. Por mais de quatro décadas, a instituição funcionou em um antigo prédio cedido pelo Estado, porém, após anos de existência, o prédio já não se encontrava em boas condições de uso. Segundo a diretora administrativa, Cecília Maria dos Reis, uma parte da madeira já estava deteriorada, instalações hidráulicas e elétricas comprometidas. “A outra parte de alvenaria, já estava com muitas rachaduras, o forro estava todo quebradiço. Era um prédio bem velho, sem condições de reforma”, explica. Após anos de luta e dedicação, a APAE conseguiu o novo espaço, local esse que no passado abrigou uma creche. “Quando percebemos que o prédio estava desativado, e só deteriorando com o tempo, nós entramos com um pedido na Prefeitura. Foi um ano de conversa com o poder público, até que em abril de 2018, o prefeito fez a documentação e passou o prédio para uso da APAE”, continua a diretora. A instituição reformou todo o prédio com a ajuda de doações da comunidade e dos eventos promovidos. A Fundação Raízen — empresa brasileira com presença nos setores de produção de açúcar e etanol, transporte e distribuição de combustíveis e geração de bioeletricidade — foi uma das colaboradoras da reforma, e a maior contribuição veio de um doador anônimo. Para a diretora, a sensação é de alívio por terem conquistado esse sonho. “É uma sensação de vitória. Uma alegria muito grande, nossa presidente ficou tão feliz que fica difícil de explicar”, conclui Cecília Maria.

NOVA ODESSA PROMOVE 1º CICLO DE ESTUDOS COM AS FAMÍLIAS

C

om objetivo de melhorar a qualidade de vida, prevenir, ensinar, ajudar e conscientizar as famílias dos usuários, a APAE de Nova Odessa promoveu, no dia 20 de fevereiro de 2020, o primeiro encontro de estudo, tendo como tema da discussão: O que é deficiência? O encontro faz parte do 1º Ciclo de Estudos com as Famílias e foi conduzido pelo médico da instituição, Silvyo David Araújo Giffoni, es-

pecialista em neuropediatria e genética. O encontro contou com a participação de 80 pais, que puderam esclarecer dúvidas, além da equipe de profissionais envolvidos, que discutiram e debateram sobre como lidar com os problemas diários e as atividades práticas funcionais para a vivência. Durante sua explanação, Silvyo David ressaltou sobre as mudanças de comportamento, rotinas diárias, treino com repetições de ações, bem como sobre criar alternativas para desenvolver autonomia, sempre colocando a família como responsável em proporcionar todo o cuidado com a pessoa com deficiência. “A APAE precisa da família como base fundamental na vida de seus filhos e assim caminharem juntas”, conclui a diretora-geral, Maria Tereza Casazza.

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APAE EM DESTAQUE

APAE DE AGUDOS TEM PROJETO DE

ESTIMULAÇÃO PRECOCE ITINERANTE APROVADO PELO PRONAS/PCD

O projeto, aprovado pelo PRONAS/PCD, será realizado nos Postos de Saúde do município, no período de 2020 a 2021

A

APAE de Agudos, a partir do seu Programa de Estimulação Precoce/Oportuna, identificou a resistência das famílias em comparecer à instituição, pois sentem que isso significa o reconhecimento da deficiência do filho, o que nem sempre corresponde e, em muitos casos, ainda colabora para um atraso no desenvolvimento da criança. Diante disso, a APAE teve a ideia de realizar o trabalho de forma itinerante, levando o atendimento a ambientes mais comuns à comunidade. O projeto, aprovado pelo PRONAS/PCD na categoria de prestação de serviços médico-assistenciais, será realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Agudos, por equipe contratada pela instituição. Para isso, o município foi dividido em cinco regiões, as quais a equipe percorrerá para efetuar o atendimento, entendendo a itinerância como uma estratégia para aproximar o serviço da comunidade, bem como para trabalhar o preconceito que algumas famílias nutrem. “Acreditamos que com a ida da equipe aos postos de saúde, que são ambientes mais comuns a essas famílias, aos poucos elas vão se habituando com os profissionais da APAE e até os casos de deficiência que são identificados lá na unidade básica, na hora do encaminhamento eles vão estar mais tranquilos, vamos enfrentar menos resistência”, explica Adriana Fortes Déo, diretora técnica na APAE de Agudos. Com duração de 24 meses, o projeto tem como objetivo colaborar para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde física, mental, intelectual

e social do bebê nos primeiros anos de vida, especificamente bebês em situação de risco e crianças com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (ADNPM) que tenham o seu desenvolvimento típico comprometido. Por intermédio do projeto pretende-se detectar e intervir precocemente nas alterações do desenvolvimento global da criança, por meio de ações terapêuticas que visam minimizar atrasos que possam ser evitados e sequelas possíveis de serem abrandadas, em uma intervenção de orientação com a família, realizando acompanhamento interdisciplinar. Ainda segundo a diretora, a criança passa a maior parte do seu tempo com a família, sendo um fator importante capacitá-la para realizar a estimulação em casa. “O projeto em si está com a filosofia de ser focado na família. Quem trouxe essa abordagem para a gente foi a professora Olga Rolim, da Unesp Bauru, que na atualidade é o que tem sido mais visto nas linhas de pesquisa, inclusive ela está indo para Portugal para acompanhar um trabalho transdisciplinar focado na família”, conclui Adriana.

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APAE EM DESTAQUE

APAE DE AVARÉ CONSCIENTIZA CRIANÇAS SOBRE A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE POR MEIO DE PEÇA TEATRAL

E

Mais de dois mil alunos da rede municipal da cidade assistiram ao espetáculo

m uma sociedade que visa o lucro e o dinheiro, muitos valores são deixados de lado em prol da ganância humana, e a natureza é a principal vítima. Contudo, muitas vezes, a riqueza que estamos buscando não é material, mas sim ética, mesmo que não saibamos; essa é a moral da história contada pelos usuários da APAE de Avaré na peça teatral Além do Arco-íris. Realizada pelos professores Vera Veppo e Valter Melenchon, a mostra contou com nove atores, com faixa etária de 20 a 40 anos, todos eles usuários da instituição. A peça, voltada para o público infantil, foi realizada entre os dias 5 e 8 de novembro de 2019. A fim de promover a inclusão, a APAE encaminhou um ofício para a rede municipal de ensino convidando as escolas municipais a levarem os alunos. Ao todo, foram realizadas 10 apresentações durante os cinco dias e participaram mais de 2 mil crianças. “Realizamos a peça todos os anos, há mais ou menos cinco anos, geralmente durante a Semana

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Nacional da Pessoa com Deficiência em agosto, porém a APAE estava com problemas financeiros e tivemos que realizar um evento para arrecadação de recursos, por isso realizamos a peça em novembro”, explica a professora Vera Veppo. A peça conta a história de um homem que destruía a natureza e queria chegar ao fim do arco-íris para pegar o ouro. Os duendes que cuidavam da floresta resolveram deixá-lo chegar ao seu destino, pois sabiam que tipo de riqueza ele encontraria. Ao voltar do arco-íris, o homem estava modificado: passou a ser bondoso e a preservar a natureza. “Realizar esse tipo de trabalho com os usuários é importante pois eles se veem como agentes de transformação, pois sabem que estão passando informações importantes para as crianças e, assim, contribuindo para uma sociedade mais sustentável e ecológica”, conta a professora. Além do cenário da peça teatral, a APAE também transformou uma sala na casa dos duendes, espaço em que o público podia interagir com os personagens e entrar na história.


APAE EM DESTAQUE

CUIDADO É MARCA PRINCIPAL DO PROJETO

CAVALGANDO ESPERANÇA

APAE de Bernardino de Campos aperfeiçoa projeto que nasceu em 2015 e permite que mais usuários usufruam do contato com os cavalos

G

randes e robustos, os cavalos podem até assustar no primeiro momento e por isso é difícil visualizar o quanto eles são fundamentais para o desenvolvimento de pessoas com deficiências. Mas, por meio da equoterapia, método terapêutico que utiliza o animal, os avanços na qualidade de vida dessas pessoas são significativos. E foi pelos inúmeros benefícios trazidos pela terapia, como bem-estar e diminuição da agressividade, que a APAE de Bernardino Campos implantou o Projeto Cavalgando Esperança. As sessões de equoterapia do projeto foram inseridas as terapias ofertadas aos usuários da instituição. São realizadas semanalmente cerca de trinta sessões, dentro das modalidades hipnoterapia e educação/reeducação. “As sessões de equoterapia promoveram a ampliação da aquisição de autonomia dos nossos usuários. Pouco a pouco, eles vão amadurecendo suas habilidades e ampliando sua autoestima, autoconfiança e socialização. Esses benefícios garantem maior qualidade de vida para os praticantes e seus familiares”, conta a psicóloga e equoterapeuta Rita Ferreira da Silva. O contato com os cavalos deu tão certo que Maria Aparecida Tani Rodrigues, fisioterapeuta e equoterapeuta, teve a ideia de ampliar os atendimentos para outros usuários, por meio da interação horsemanship. “Vamos semanalmente possibilitar que alunos e usuários da APAE, não participantes dos programas de hipnoterapia e educação/reeducação, possam interagir com os cavalos. A intervenção terapêutica ocorrerá em pequenos grupos, onde o cavalo será o facilitador da autoconfiança, da socialização e da estimulação motora”, conclui Maria. Os cavalos Okara e Bradok, da raça quarto de milha, e o simpático Rambo, um petiço que é a alegria da instituição, são os terapeutas principais do Centro de Equoterapia. O cuidado com os cavalos

e a condução deles durante as sessões ficam a cargo da equitadora e pedagoga Lais Cristina Palugan, que destaca a importância da terapia para os usuários. “Trabalhar com equoterapia é gratificante, pois, por meio da interação com o cavalo, podemos auxiliar a habilitação e reabilitação dos nossos usuários”. O coordenador geral da APAE de Bernardino de Campos, Marcelo Alexandre Batista, também ressalta os benefícios trazidos pela equoterapia para os usuários da instituição. “Cada vez mais, os cavalos são utilizados como apoio terapêutico para as pessoas com deficiência. Nos últimos anos, vimos a implementação de vários centros de equoterapia, nas APAES, devido às evidências científicas cada vez mais concretas e aos benefícios que esta terapia promove. Sendo assim, a APAE de Bernardino de Campos não poderia deixar de promover aos nossos usuários esta modalidade terapêutica”, finaliza.

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APAE EM DESTAQUE

SACOLAS DO BEM: CONSCIENTIZAÇÃO EM PROL DO MEIO AMBIENTE

APAE de Catanduva criou projeto para despertar nos usuários o interesse pela preservação da natureza, além de trabalhar as habilidades motoras

S

ão consumidas anualmente, em todo o mundo, entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas. E o Brasil contribui significativamente para esses dados: cerca de 1,5 milhão de sacolinhas são distribuídas por hora no país tupiniquim. E foi pensando em conscientizar os seus usuários sobre o destino correto das sacolas plásticas que a APAE de Catanduva criou o projeto Sacolas do Bem. Tão comuns no cotidiano do brasileiro em suas idas a padarias e supermercados, as sacolas plásticas têm um custo ambiental muito alto, isso porque além de serem fabricadas com recursos não renováveis, a sua produção gera rejeitos poluentes. A APAE, que já buscava um projeto com foco no meio ambiente, achou nessa temática uma forma de desenvolver a consciência ambiental em seus usuários. “A gente começou a buscar projetos que visavam o meio ambiente e começamos a pensar em algo para trabalhar a parte socioeducacional e algo que seria possível os alunos realizarem”, explica Anna Lygia de Oliveira, professora de educação especial da APAE de Catanduva. O projeto, que resulta na produção de sacolas permanentes feitas de algodão cru, visa também conscientizar sobre o consumo sustentável, de forma a despertar nos participantes a relevância do uso da sacola permanente, ampliar movimentos motores e habilidades artísticas dos usuários, entre outros. Ainda, de

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acordo com a professora, o projeto tem agradado. “Eu vejo que quando eles começam a pintar sorriem e ficam felizes quando a sacola fica pronta. Eles se sentem satisfeitos com os resultados. Alguns não falam, mas percebemos pela expressão”, conta Anna Lygia.

SACOLA ECOLOGICAMENTE CORRETA Para produzir as sacolas permanentes, são utilizados vários materiais: tintas, pinceis, moldes e tecidos. Os desenhos são feitos a partir de carimbos orgânicos e de estêncil, que são os moldes, feitos de radiografias e outros materiais. A ideia é que empresas parceiras da instituição adquiram a produção feita pelos usuários, seja para comercializar ou para distribuir entre os seus funcionários, incentivando, assim, o projeto bem como o uso consciente das sacolas plásticas. “Ou até mesmo a própria APAE utilizar como brindes para contribuintes e parceiros”, completa a professora.


APAE EM DESTAQUE

USUÁRIOS DA APAE DE CRUZEIRO PRODUZEM LIVRO SOBRE INCLUSÃO SOCIAL Fruto do projeto de comunicação e linguagem, a obra Tartaruga Skatista contou com 2.500 exemplares

A

rgumentação, improviso e criatividade são elementos fundamentais para uma boa comunicação. Pessoas com deficiência intelectual, muitas vezes, têm dificuldades para se fazer entender, e trabalhar a comunicação é fundamental para o seu desenvolvimento e sua autonomia. Com o objetivo de estimular e promover a fala e a linguagem, bem como seus aspectos cognitivos, a fonoaudióloga Andréia Gomes Ferreira realiza o projeto de contação de histórias com usuários da APAE de Cruzeiro, com idade superior a 30 anos, que fazem parte da oficina ocupacional, em que por meio de objetos os incentiva a contar histórias que tenham uma sequência lógica, com começo, meio e fim. A ideia de criar um livro partiu da professora Valéria Augusta, que assistiu as histórias e viu potencial nos usuários. Acompanhada da

professora Elisângela de Paiva, Andréia começou a transcrever a história contada pelos usuários. “O foco do projeto não é a alfabetização, mas estimular a criação e a sequência, cada um contou uma parte da história, muitas vezes tivemos de fazê-los entrar em consenso, houve algumas discussões, mas estimulou a argumentação”, explica a fonoaudióloga. As ilustrações ficaram por conta do professor Thiago Hellinger, e os usuários as coloriram. O livro contou com oito autores, são eles: Bárbara Aparecida, Carlos Rômulo, José Márcio, Michele Pereira, Renan Augusto, Renata Silva, Silvio Cordeiro e Tâmara Cristina Simões.

HISTÓRIA O livro produzido pelos usuários da APAE de Cruzeiro chama-se Tartaruga Skatista e conta a história de uma menina que encontra uma tartaruga que não tinha uma pata e se encanta pelo animal, porém, ao levar o bichinho para casa, ela

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“O FOCO DO PROJETO NÃO É A ALFABETIZAÇÃO, MAS ESTIMULAR A CRIAÇÃO E A SEQUÊNCIA, CADA UM CONTOU UMA PARTE DA HISTÓRIA”, - Andréia Gomes Ferreira -

se depara com preconceito e bullying de seus amigos. Seu pai, que é cadeirante e que antes de um acidente era skatista, realiza algumas adaptações para que a tartaruga possa se locomover melhor utilizando um skate e, assim, a tartaruga se torna popular. O livro traz diversas morais, entre elas a de que todos podem fazer parte da sociedade, à sua maneira, e a que adaptar os espaços e objetos pode transformar a vida de quem tem alguma dificuldade.

LANÇAMENTO A viabilização para a publicação do livro Tartaruga Skatista foi por meio do patrocínio da empresa Maxion Cruzeiro, fabricante de peças automotivas, que custeou toda a produção pela editora Canal 6. A maior parte dos exemplares ficou com a Maxion, que distribuiu entre os funcionários;

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já a outra parte a APAE realizou uma pré-venda para custear algumas despesas do evento de lançamento, festa que aconteceu no dia 11 de dezembro de 2019 e contou com cerca de cem pessoas. A instituição não teve nenhum gasto com o evento. “A professora Valéria ficou responsável por organizar todo a cerimônia, a APAE não teve nenhum gasto, conseguimos tudo por meio de parcerias, desde o buffet, fotógrafo, até o DJ. Com o valor que arrecadamos com a pré-venda compramos alguns brindes para os usuários e também para alguns homenageados, como canecas, canetas e chaveiros”, finaliza Andréia. Os usuários foram vestidos com roupa de gala e realizaram uma noite de autógrafos, a edição foi vendida por R$ 25,00 e está esgotada. Segundo os organizadores, foi uma noite inesquecível para os usuários.


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APAE DE FERNANDÓPOLIS IMPLANTA PROJETO VOLTADO À

INCLUSÃO NO MERCADO DE TRABALHO Projeto Mãos Talentosas, por meio de parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescentes, capacita os usuários para atuarem no segmento de estamparia

O

Brasil tem evoluído muito com relação à inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, o que é um direito de todos, garantido pela Constituição Federal Brasileira. A Lei de Cotas, criada em 1991, foi também um importante incentivo para aumentar a participação desses profissionais no mercado de trabalho. Porém, mesmo com todos os avanços, apenas 0,9% das 45 milhões de

pessoas com deficiências ocupam uma vaga, segundo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pensando em contribuir para a mudança dessa realidade, a APAE de Fernandópolis criou o Projeto Mãos Talentosas. De iniciativa da diretora, Ester Pereira de Queiroz, e do professor de arte, Djalma Dias de Barros, o projeto permitirá que 20 usuários tenham uma oportunidade melhor no ambiente profissional. “O objetivo do projeto é que o aluno possa competir no mercado de trabalho”, explica Ester.

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“É UM TRABALHO DE INCLUSÃO E FORMAÇÃO EDUCACIONAL E PROFISSIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E/OU MÚLTIPLA QUE BUSCA SUPERAR FATORES DE EXCLUSÃO E DISCRIMINAÇÃO SOCIAL, FORTALECENDO O COMPROMISSO DO PROFESSOR EM CONSTRUIR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE COM ÊNFASE NA EDUCAÇÃO ESPECIAL PROFISSIONAL”. - Djalma Dias Barros -

INCLUSÃO

Usuários durante aula de estamparia

O projeto começou em março de 2019, por meio da parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), e tem como intuito proporcionar aos usuários a melhoria no processo de ensino-aprendizagem da arte, a formação e a educação para o trabalho, além de promover o aperfeiçoamento e a qualificação profissional. Diante de tantos pontos positivos propostos, a instituição já colhe os frutos da iniciativa. “Eu já tenho um aluno preparado para o mercado de trabalho. Eu tenho outros bons, mas que ainda não possuem a idade”, destaca a diretora.

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Além de ser uma mão de obra qualificada e que contribuirá para a economia do país, a inserção dessas pessoas no mercado laboral tem um impacto social muito relevante. É uma oportunidade para pessoas com deficiências exercerem uma atividade remunerada e digna, um caminho para se tornarem independentes e construírem uma autoestima saudável, o que ainda permite todo o processo de sociabilidade desses indivíduos. “O projeto tem um impacto social positivo, inovador, em que os adolescentes se dedicam totalmente, ultrapassando os resultados esperados, fomentando habilidades essenciais para uma inclusão verdadeira”, fala Ester. “É um trabalho de inclusão e formação educacional e profissional da pessoa com deficiência intelectual e/ou múltipla que busca superar fatores de exclusão e discriminação social, fortalecendo o compromisso do professor em construir uma educação de qualidade com ênfase na educação especial profissional”, completa o professor Djalma. Para Mary Tanaka de Moraes, gestora da parceria, o projeto tem superado as expectativas da prefeitura local. “O Projeto Mãos Talentosas, financiado pelo Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, é inovador em nosso município e vem superando as expectativas, atingindo as metas e principalmente alcançando excelentes resultados. Por meio das ações de monitoramento percebe-se a qualidade na execução das atividades e a satisfação dos beneficiários. A boa ideia somada aos excelentes profissionais que executam o projeto vem trazendo impactos sociais significativos”, conta.


A peça teatral O Bosque Encantado da APAE reuniu mais de 160 usuários da instituição, divididos em 18 histórias

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ra uma vez um bosque encantado repleto de árvores, flores e animais, além de seres místicos, princesas, príncipes e brinquedos falantes, lugar em que a magia é abundante, a inclusão social é posta em prática e o preconceito é abominado. Esse foi o cenário do espetáculo O Bosque Encantado da APAE, realizado pela APAE de Ibitinga no dia 20 de novembro de 2019. A mostra reuniu mais de 160 usuários da instituição, distribuídos em 18 adaptações de histórias de contos de fadas e apresentações diversas, como a Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela, Rei Leão, Frozen, Peter Pan, Toy Story e Bela e a Fera. Os ensaios começaram no início de 2019, e a divisão dos espetáculos foi realizada conforme as habilidades dos usuários. De acordo com a coordenadora de artes da APAE Flávia Longhini, foram trabalhados vários elementos artísticos, como dança, música e teatro, e a distribuição foi por meio das atividades que cada um mais gostava. “Trabalhamos as histórias durante todo o ano, por meio de livros, filmes e músicas, e cada usuário criava sua versão do que entendia da história, não tinha um roteiro, eles que faziam sua adaptação do personagem”, conta Flávia. Desde 2007, a APAE de Ibitinga anualmente realiza espetáculos que envolvem todos os usuários da instituição. Em 2019, a mostra foi realizada no Clube de Campo Andreza, reunindo aproximadamente mil pessoas, esgotando todos os convites. “Foi um sucesso, trocamos os convites por produtos

Foto: Junior Prado

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ESPETÁCULO DA APAE DE IBITINGA É SUCESSO DE PÚBLICO E ESGOTA CONVITES

de limpeza, arrecadamos bastante. Tivemos de limitar os convites devido à capacidade do espaço”, explica a coordenadora de artes. O figurino foi produzido por um grupo de mães, o material foi adquirido por meio de auxílio da comunidade e de empresários locais. Segundo a instituição, os usuários sentiram-se extremamente felizes, motivados e com capacidade de apresentar-se socialmente levando emoção às pessoas e a suas famílias. “Os usuários amam participar do espetáculo, sempre me cobram, ficam o ano todo perguntando quando vai ser a apresentação, como o evento já é uma tradição na APAE eles ficam ansiosos”, finaliza Flávia.

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BITUCAS RECICLADAS TRANSFORMADAS EM ARTE

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Projeto da APAE Ilhabela transforma bitucas de cigarros em materiais de artesanato

las são pequenas apenas no tamanho, mas o seu impacto ambiental pode ser gigantesco: as famosas bitucas de cigarro, quando descartadas incorretamente, podem gerar problemas à saúde das pessoas e ao meio ambiente. De acordo com informações da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), cerca de 12,3 bilhões de bitucas são descartadas diariamente, contudo já existem diversas soluções para esse problema, e a APAE de Ilhabela confirmou isso ao implantar o projeto Da bituca à arte. Desenvolvido pelos usuários do Centro de Convivência, o projeto, além de ajudar o meio ambiente, ainda os conscientiza para a prática da reciclagem e da preservação dos diferentes ecossistemas. “A ideia foi trabalhar além das habilidades manuais, então a gente consegue trabalhar as potencialidades e as habilidades dos alunos, a conscientização ambiental e fazer um trabalho sustentável, a gente consegue, dentro disso, auxiliar o meio ambiente”, explica Lara Aline Batista do Nascimento, assistente social da APAE. A ideia de criar o projeto surgiu após a Prefeitura de Ilhabela firmar parceria com a empresa Poiato Recicla, que é a responsável pelo recolhimento e processamento inicial das bitucas. “Nós recebemos esse projeto em meados do segundo semestre, se

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não me engano em setembro, porque a Prefeitura fechou com a empresa Poiato”, completa a assistente social.

DAS BITUCAS ÀS ARTES A empresa Poiato Recicla é a responsável por todo o processo que transforma as bitucas em massa de celulose: elas passam por uma espécie de triagem para retirada de outros dejetos que possam ter sido trazidos na coleta. Em seguida, são fervidas em uma solução com água e produtos químicos para anular as substâncias tóxicas. Depois, o material é filtrado e amostras do líquido produzido são analisadas, para controle ambiental do processo. O que sobra é prensado e vira a massa de celulose, que é enviada à APAE. Com a massa celulósica em mãos, a APAE confecciona cadernos, agendas, vasos de flores, plaquinhas. “A gente coloca água com outros produtos, peneira na tela e põe para secar, e essa tela no sol se transforma no papel e com esse papel a gente consegue fazer materiais, como cadernos, agendas”, conta Lara. A APAE de Ilhabela tem um espaço para a venda no Centro Histórico do município e é lá que os artesanatos deverão ser comercializados. “A ideia é levar os cadernos, as agendas e todo esse material para a lojinha da APAE”, conclui a assistente social.


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TERAPIA HOLANDESA MULTISSENSORIAL É UTILIZADA NA APAE DE ITAPETININGA

Por meio de cores, texturas e elementos que estimulam o relaxamento e o desenvolvimento global, o Snoezelen é aplicado nos usuários da instituição

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rabalhar os cinco sentidos — visão, audição, olfato, tato e paladar — é fundamental para o desenvolvimento de todo ser humano, e estimular esses sentidos em pessoas com deficiência intelectual faz total diferença para sua evolução. Algumas terapias são focadas nesse tipo de trabalho, e foi com o objetivo de estimular os sentidos dos usuários que a APAE de Itapetininga investiu no Snoezelen/Multi Sensory Environment (MSE), abordagem de estimulação multissensorial que surgiu na Holanda na década de 1970 e foi criada por dois terapeutas, Jan Hulsegge e Ad Verheul. O nome Snoezelen vem da junção de duas palavras: “Snuffelen” (explorar) e “Doezelen” (relaxar). O MSE propõe um ambiente munido com rico material multissensorial. Equipada de forma a oferecer luzes, sons, cores, texturas e aromas, na sala de atendimentos os objetos são coloridos e disponibilizados para serem tocados, vistos e admirados, diminuindo e/ou eliminando a agressividade e qualquer forma de estresse, entre outras condições. Assim, os sentidos são estimulados, o que proporciona sensação de prazer e favorece o desenvolvimento global do indivíduo. “Os resultados são variados de acordo com cada usuário; podemos perceber, de modo geral, que a noção temporal melhorou muito, pois, por ser uma sessão prazerosa, eles ficam ansiosos e guardam o

dia e horário que irão participar, também auxilia na interação social, principalmente com os autistas, pois a maioria dos trabalhos é realizada em grupo”, conta a fisioterapeuta da APAE, Tatiana Naraya Puzzi de Campos.

NA APAE O projeto da terapia teve início em 2012. Como a despesa com os equipamentos e com o curso eram elevados, a instituição realizou uma Ação entre Amigos, que arrecadou cerca de R$  25  mil, porém o custo geral era maior e a APAE pagou uma parte com recursos próprios e

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“TODOS OS USUÁRIOS DA INSTITUIÇÃO PARTICIPAM, DESDE CRIANÇAS DE 6 ANOS ATÉ ADULTOS DE QUASE 60 ANOS. CADA UM PARTICIPA UMA VEZ POR SEMANA” - Tatiana Naraya Puzzi de Campos -

realizou alguns eventos. A capacitação foi realizada na APAE de Bauru, instituição credenciada para realizar a qualificação. A sala foi inaugurada em novembro de 2013 e atualmente 132 alunos com deficiência intelectual, múltipla e Transtorno do Espectro Autista (TEA), distribuídos em atendimentos individuais e grupais, usufruem dessa terapia. “Todos os usuários da instituição participam, desde crianças de 6 anos até adultos de quase 60 anos. Cada um participa uma vez por semana”, explica Tatiana. A sala é utilizada para que o indivíduo desenvolva plenamente seu cérebro, a estimulação sensório-perceptivo-motora é de grande valia no processo de aquisição de competências indispensáveis no aprendizado.

AS SALAS Na APAE de Itapetininga duas salas são utilizadas, a branca e a negra. Na branca alguns dos equipamentos empregados são: tubo de bolhas, que é composto de água em seu interior e foi desenvolvido para emitir, simultaneamente, iluminação

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colorida e vibrações; piscina de bolinhas, que tem a função de gerar estímulos globais ao paciente, tornando viável a sensibilização corporal como um todo, além da estimulação visual devido à possibilidade de mudança de cores; tapete sensorial, que tem diferentes texturas, buscando estimulação visual e tátil do usuário, entre outros. Já na sala negra o objetivo é estimular muito o visual. O ambiente conta com: sputnik, uma peça inflável em formato de estrela que ganha destaque em meio à escuridão intensa do ambiente, local em que a visualização do produto é capaz de promover uma atmosfera lúdica, ativando não só o sentido visual, mas também a imaginação do usuário; luzes led coloridas — a variação de cores proporciona contraste, estimulando o sistema visual e perceptual, ampliando o foco de atenção e o papel de parede/espelho promove a sensação de profundidade do ambiente e estimula a imaginação. Além dos equipamentos, as salas também têm kits de massagens, bolinhas de diferentes texturas e tamanhos, creme hidratante e materiais diversos para que a estimulação multissensorial ocorra da maneira mais ampla e harmoniosa possível.


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MAIS DE 800 PESSOAS NA SEGUNDA EDIÇÃO DA APAE RUNNING LIMEIRA Além de incentivar as práticas esportivas, evento promoveu a inclusão social entre a comunidade local

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falta de tempo devido à rotina apertada de trabalho, estudo, cuidados com a casa, faz com que muitas pessoas não façam nenhuma atividade física. Essencial à saúde, a prática de exercícios traz bem-estar físico e mental, melhora o funcionamento do coração e a circulação sanguínea, além de ser uma excelente

ferramenta de inclusão social. E foi pensando em tudo isso que a APAE de Limeira promoveu, em dezembro de 2019, a segunda edição da APAE Running Limeira. Com o objetivo de promover a inclusão entre a sociedade e a pessoa com deficiência por meio da prática esportiva, o evento reuniu aproximadamente 800 participantes de Limeira e região. Foram realizadas corridas de 5 e 10 km, além da caminhada de 3 km. O percurso foi em torno de ruas e avenidas

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próximas à APAE. Após 15 minutos da largada, o participante Samuel Souza do Nascimento, que correu 5 km, cruzou a linha de chegada. Animado com o resultado, o participante elogiou a iniciativa. “Se trata de uma ação importante. Estou feliz em ter participado e gostei do percurso. Melhorou em relação ao ano passado”, comentou. E não foi só o Samuel que prestigiou o evento. Aos 60 anos de idade, Márcia Espinelli também participou da corrida de 5 km e, além de recomendar, elogiou a estrutura organizada pela APAE. “A organização e estrutura foram ótimas. O evento é para toda a família”, disse. A coordenadora da corrida, Denise Guimarães, disse que o evento contribuiu, também, ao incentivo ao esporte. “Muitas pessoas participaram e estamos satisfeitos com esta segunda edição. A atividade física agrega benefícios, sempre”, frisou. Os participantes receberam kits ao realizar as inscrições, e toda a verba arrecadada foi revertida aos trabalhos desenvolvidos na entidade. “O  recurso será destinado ao atendimento terapêutico de nossas crianças, que necessitam de muitos cuidados”, lembrou Fernando Mattos, gerente-geral da APAE.

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“MUITAS PESSOAS PARTICIPARAM E ESTAMOS SATISFEITOS COM ESTA SEGUNDA EDIÇÃO. A ATIVIDADE FÍSICA AGREGA BENEFÍCIOS, SEMPRE”. - Denise Guimarães Os primeiros colocados de cada categoria receberam troféus e kits com prêmios. Medalhas foram entregues a todos os participantes. Além de correr e caminhar, o público aproveitou as atrações concentradas, de música a opções gastronômicas, dentro da APAE. Para o presidente da APAE de Limeira, Luiz Carlos Marquesin, a atividade superou as expectativas. “O número de inscritos aumentou em relação à primeira edição. Para nós isso é muito importante, pois desejamos divulgar o que é feito aqui. Agradeço a todos que contribuíram para que a corrida fosse realizada pelo segundo ano consecutivo”, conclui.


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APAE DE SÃO ROQUE COMBINA LITERATURA E MÚSICA EM

INICIATIVA EDUCACIONAL

Com objetivo de estimular o desenvolvimento e aprendizado, a instituição realizou o projeto Histórias Cantadas

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ontar histórias faz parte da identidade da humanidade. Há milhares de anos, a prática é realizada para repassar valores praticados no convívio humano e em condutas que norteiam a sociedade e a cultura em que vivemos. A contação de histórias para crianças é uma prática milenar que as ajudam a compreender o mundo à sua volta, além de estimular a criatividade e o senso crítico. Na esfera da educação especial esse recurso é ainda mais eficaz, pois, muitas vezes, a pessoa com deficiência intelectual não consegue ser alfabetizada e ao participar de atividades que estimulam o contato com a leitura e utilizar outros elementos culturais pode ser bem enriquecedor, como a música. Com esse objetivo, a APAE de São Roque criou o projeto Histórias Contadas, em que os profissionais de educação contaram histórias e utilizaram recursos musicais para aproximar os usuários e promover o desenvolvimento por meio de estimulação sensorial. A iniciativa teve início em setembro de 2019, e em outubro do mesmo ano aconteceu a

apresentação, marcando a semana da criança. As histórias cantadas foram O grande rabanete e O duelo mágico, e tiveram por objetivo ampliar a percepção auditiva dos usuários por meio de sons distintos, explorar os sons emitidos pelo corpo humano, como assobio e palmas, e estimular a expressão corporal. “Nossa intenção foi trabalhar a cultura da leitura, a criatividade e o costume de ouvir histórias, tentamos aproximar ao máximo esses elementos, pois a grande maioria dos nossos usuários não é alfabetizada e a oratória é o melhor caminho para terem acesso à literatura”, explica a coordenadora Joselaine Lima Dias Wadermur. O projeto foi interdisciplinar: durante as histórias foram trabalhados conceitos de português e matemática, como o alfabeto e os numerais. Ao todo, 58 usuários viram o espetáculo, e 6 profissionais da educação foram os responsáveis pelo projeto: Camila Cristiane Chimento, Jisleide da Cruz Nascimento, Patrícia Vieira Albuquerque, Patrícia Aparecida Squarça Sanches, Vanessa Cristina Negro e Valério Da Silva Andrade. APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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USUÁRIA DA APAE SOROCABA GANHA PARAPODIUM CONSTRUÍDO POR VOLUNTÁRIO Equipamento é utilizado para manter a criança com deficiência em pé

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parapodium é um dos equipamentos que auxiliam a criança com deficiência a manter-se em pé, o que favorece no crescimento e na postura correta. Esse instrumento de reabilitação é utilizado em sessões de fisioterapia, com valor médio aproximado de R$ 3 mil. Pensando em ajudar os usuários que frequentam a APAE Sorocaba e suas famílias, o voluntário Emerson Camargo, de 48 anos, que acompanhou oficina de “Órteses e Adaptações”, construiu o primeiro parapodium com o apoio das empresas ANFER, GMAD Madcentro e MC Components, que doaram todo o material para a montagem. O dispositivo foi entregue, no dia 4 de fevereiro, na sede da APAE, à usuária da instituição, Emily dos Santos Pizani, de 7 anos, diagnosticada com deficiência intelectual e múltipla. O voluntário Emerson explica que, após conversar com a fisioterapeuta da APAE Sorocaba, Vanessa Veras, ele observou que quase 40% dos usuários precisam do equipamento para dar continuidade ao procedimento de reabilitação em casa, porém as famílias não têm condição financeira de comprá-lo. “Diante dessa situação, fiz um projeto do parapodium parecido com os modelos já

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existentes no mercado e consegui o apoio de três empresas que doaram madeiras e peças metálicas para a fabricação”, conta. De acordo com a fisioterapeuta Vanessa Veras, são inúmeros os benefícios trazidos à criança pelo uso do parapodium. Facilita a respiração, permitindo que a expansão pulmonar; promove um desenvolvimento ósseo e muscular adequado; proporciona um correto alinhamento anatômico do tronco e dos membros inferiores, minimizando o encurtamento muscular e os desvios ósseos, com maior atenção para o quadril e coluna; e, ainda, é muito importante para a formação da fossa do acetábulo (parte da articulação) no quadril”. A mãe da Emily, Elzi dos Santos, ficou muito feliz pela filha com a doação e agradeceu a todos. “Estou muito emocionada! Agora, vou conseguir fazer em casa todos os exercícios de coordenação motora com ela e, assim, o desenvolvimento será mais eficiente e seu quadro clínico evoluirá”, afirma. O voluntário pretende construir e entregar um parapodium por mês aos usuários que necessitam. “É gratificante fazer o bem ao próximo. Tenho certeza de que esse instrumento será muito útil no desenvolvimento da Emily e quero continuar ajudando as famílias que frequentam a APAE Sorocaba”, finaliza.


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SEMANA DE ESTUDO DE CASOS DA APAE DE JUNDIAÍ ALINHA METODOLOGIA DE ENSINO COM A REDE MUNICIPAL São 15 dias de estudo que tem como foco a inclusão da pessoa com deficiência e a melhor aprendizagem do aluno

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acesso à educação é um direito de todos. Porém, o grande desafio da educação na atualidade é trabalhar a diversidade, considerando que cada aluno tem informações, limitações e valores distintos. Diante disso, a APAE de Jundiaí, na busca pela inclusão do aluno na rede escolar municipal, desenvolve, todos os anos, a Semana de Estudo de Casos, que, no primeiro semestre deste ano, aconteceu entre os dias 26 de fevereiro e 9 de março: duas semanas de muito trabalho e troca de informações sobre os usuários. Alinhar a metodologia de ensino está entre os objetivos da Semana de Estudo de Casos, uma atividade que sempre fez parte do planejamento da APAE. De acordo com Tatiana Cruz, coordenadora da Educação Municipal, em 2019, as duas instituições sentiram a necessidade de ter mais tempo para o estudo de cada aluno. “Este ano, o Estudo de Casos aconteceu fevereiro e a ideia era promover novamente no segundo semestre. Mas, por conta da pandemia pelo novo coronavirus, estamos definindo a nova data. Em fevereiro o processo teve a duração de 15 dias, contemplando usuários do Núcleo de Estimulação Precoce Específico, Global e do Programa de Atendimento Complementar. Em média, são 600 usuários que passam pela APAE de Jundiaí e que estudam na rede pública municipal”, explica. Na Semana de Estudo de Casos, os profissionais da rede pública municipal vão à instituição e se encontram com os terapeutas que atendem os usuários. A psicopedagoga da APAE, Maria Aparecida Ferreira, se reuniu com as coordenadoras pedagógicas Vânia Santa Brito e Sonia Aparecida Fantatto Sigoli, da EMEB Prof. Antônio Adelino Marques da Silva Brandão, no dia 27 de fevereiro. Elas relataram avanços e mudanças no

Estudo de casos coloca os profissionais da APAE e das escolas frente a frente. comportamento dos usuários, após a troca de informação. “Este momento é muito importante. Conversamos sobre o desempenho dos usuários, sua conduta em sala de aula e, na APAE, sobre os atendimentos pelos quais passam, se fazem uso de alguma medicação, comportamento e assiduidade. Conseguimos, muitas vezes, orientar a família também com as informações colhidas a partir deste feedback”, explica Sônia. A preocupação com o desempenho e a evolução dos usuários também foi levantada pela psicopedagoga. “Aproveitamos esta troca de informação para nortear a mudança no relacionamento com este aluno, orientando, inclusive, os profissionais que os atendem tanto na escola, quanto na APAE e, muitas vezes, adequamos atividades para que este aluno se sinta cada vez mais incluído”, completa Maria Aparecida. O Departamento de Educação Inclusiva, da Unidade de Gestão de Educação de Jundiaí, também considera valiosos esses encontros. “São momentos em que as unidades escolares e as instituições conseguem dialogar sobre os atendimentos aos estudantes, seus avanços, dificuldades encontradas, orientações pontuais, dúvidas entre outros aspectos”, conclui Karina Verardo Teodoro de Godoi, diretora do departamento.

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APAE DE VALINHOS TRABALHA A AUTOESTIMA DAS FAMÍLIAS COM OFICINAS DE

GERAÇÃO DE RENDA

Projeto começou com as visitas domiciliares para aplicação do Plano de Acompanhamento Familiar às famílias atendidas pelo programa de assistência social

Oficina de culinária com a realização da massa fresca.

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rabalhar é condição essencial não apenas pelos ganhos financeiros, mas também pela realização pessoal, pelo sentimento de ser útil e de encontrar sentido para a vida. Por isso, o serviço de assistência social da APAE de Valinhos criou um projeto que envolve as famílias, oferecendo oficinas de geração de renda com aulas de artesanato e culinária. O objetivo é dar oportunidades para que as famílias desenvolvam em casa um trabalho que possa gerar retorno financeiro e também ofereça momentos prazerosos às famílias. Para a coordenadora de assistência social Andréia Gomes Araújo, esses encontros têm sido muito importantes não só como uma oportunidade de geração de renda, mas também para trabalhar o empoderamento e a autoestima. “É um momento de encontro, as participantes riem, interagem e se apoiam, e isso acontece uma vez no mês, de forma intercalada, uma

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vez artesanato e outra culinária, assim, elas podem escolher a atividade que mais se identificam”, conta. Para ministrar os encontros, a APAE buscou voluntários e, entre os colaboradores, aqueles que tinham habilidades para desempenharem as oficinas. O último curso de culinária, de massa fresca, foi ministrado pela assistente social Bianca Silva, que também tem formação em gastronomia. “Estamos procurando explorar o que os participantes gostam e sabem fazer, trabalhamos economia doméstica, planejamento e o momento de aprendizado se transforma numa terapia em grupo, melhorando os relacionamentos. Muitas vezes, recebemos mães depressivas pela carga emocional que carregam e quando elas vêm para as oficinas elas se transformam”, disse Bianca Silva. “O nosso objetivo é trabalhar a autoestima dessas pessoas. Primeiro, vamos na casa das famílias assistidas pela APAE, entendemos a rotina, onde moram, verificamos em relação à deficiência, as necessidades de adaptação para melhorar a mobilidade, procuramos entender quem compõe o núcleo familiar, as vulnerabilidades, acionamos a rede de proteção, porque entendemos que se a família não estiver bem, o aluno também não estará”, disse a psicóloga Larissa Ângelo Pereira. Neste ano de 2020, mesmo com o isolamento social, o projeto continua acontecendo, porém de forma remota. A APAE grava e envia as orientações, as atividades e as receitas para as famílias via WhatsApp, a última foi de nhoque. Paralelamente, a APAE de Valinhos desenvolve o Projeto de Fortalecimento de Vínculos, que no ano de 2019 resultou na colcha de retalhos, uma ação que apresentou bons resultados, com muitas transformações.


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APAE DE LARANJAL PAULISTA IMPLANTA PROJETO PARA DESENVOLVER AUTONOMIA

DE USUÁRIOS

Projeto financiado pelo Fundo Nacional de Solidariedade incentiva a autonomia e independência dos usuários

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ensando na melhoria da qualidade de vida de seus usuários, a APAE de Laranjal  Paulista, no ano de 2019, elaborou o projeto  APAE Superando Limites!,  cujo foco principal foi equipar o refeitório e a sala de desenvolvimento de atividades da instituição para a realização de atividades de vida diária e comunicação alternativa, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento social, incentivando a autonomia e a independência dos seus usuários. Foi por meio de edital da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, no segundo semestre de 2019, a APAE conseguiu ser contemplada pelo Fundo Nacional de Solidariedade. “Com  a  aquisição de equipamentos como refresqueira, buffet térmico, bebedouro e tablets, nossa instituição está proporcionando conforto, autonomia, independência e entretenimento para todos que estão inseridos nos serviços”, destaca a diretora pedagógica Mirela Henrique de Campos Luvisotto.  A aprovação do projeto aconteceu em boa hora, pois a APAE necessitava dos equipamentos para atender, preferencialmente, os autistas, os usuários com deficiência intelectual e múltipla ou com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Os tablets, por exemplo, contribuem para a comunicação alternativa por meio de imagens ilustrativas e incentivo da escuta, haja vista que a maioria não tem domínio da leitura e escrita. Além disso, os equipamentos tecnológicos tornaram o aprender mais divertido. “Eles gostam. É a tecnologia hoje está sendo essencial para trabalhar com os autistas, está dando certo”, explica Flavia Jorge, assistente social da APAE.

Já os equipamentos como bebedouro, refresqueira e buffet térmico facilitaram as atividades que incentivam a busca da autonomia, para que consigam, de forma independente, retirar seu próprio alimento, suco, água. Esse estímulo para a autonomia é um dos principais objetivos para os usuários que têm potencialidades, mas que encontram dificuldades no manuseio com equipamentos convencionais. “Até então, a APAE não contava com equipamentos adequados no refeitório e não possuía equipamentos suficientes de comunicação alternativa. Nossa meta é melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiências, buscando sempre elevar sua autoestima e desenvolver suas potencialidades”, finaliza Flávia Jorge.

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ATENDIMENTOS REMOTOS DA EDUCAÇÃO REALIZADAS PELA APAE DE ARAÇATUBA SÃO DESTAQUE DURANTE A PANDEMIA

Por meio de um relatório circunstanciado, a instituição definiu o passo a passo das atividades realizadas com cada usuário

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o dia 23 de março, o estado de São Paulo entrou em quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus, em razão de ser o estado a registrar os primeiros casos da doença. A ação inicial das APAES paulistas foi a suspensão das aulas para as instituições que ofertam o serviço de educação.

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Na APAE de Araçatuba (SP), os atendimentos da educação voltaram no dia 15 de abril remotamente. O tempo de pausa foi necessário para que a instituição pudesse criar planos para os atendimentos não presenciais, com o objetivo de não deixar as pessoas com deficiências e suas famílias sem suporte. A entidade produziu um relatório circunstanciado, atualizando o calendário escolar e descrevendo todas as ações planejadas durante o período de pandemia.


O modelo de referência foi o relatório da APAE de Miracatu enviado no grupo de coordenadores regionais de educação pela coordenadora estadual de educação e ação pedagógica Flávia Catanante. “Me inspirei no relatório da APAE de Miracatu, comecei a construir e ­passei-o para a supervisora de ensino da minha região. Ele apresentava alguns pontos a melhorar, foram uns 15 dias de construção em conjunto”, conta Selma Alves, diretora pedagógica da APAE de Araçatuba e coordenadora regional de educação do conselho Tietê Vivo. O relatório conta com 72 páginas e apresenta todas as ações fundamentadas em material técnico, calendário de atividades, rotinas propostas, dados estatísticos sobre as entregas das atividades de cada sala e, quando não entregue, a justificativa de cada ausência, além de um resumo geral das ações realizadas. Ao todo, a área da educação da APAE de Araçatuba conta com 29 salas e 260 alunos, entre convênios com o Estado e Município, e atende a nove cidades vizinhas. “A APAE de Araçatuba, nesses tempos de pandemia, cuidou para que o estreitamento dos laços existentes entre a APAE e as famílias contribuísse para o processo de aprendizagem da pessoa com deficiência. Reflexão, reinvenção e formação continuada são as bases para essa nova forma de ensinar e aprender”, afirma a coordenadora Flávia Catanante.

ATENDIMENTOS No primeiro mês após a volta dos trabalhos, as atividades passaram a ser enviadas semanalmente, e nos meses seguintes, de 15 em 15 dias. As atividades foram elaboradas de acordo com a realidade de cada usuário, algumas impressas, outras permanentes (plastificadas), além da gravação de vídeos orientadores. A entrega dos materiais pedagógicos produzidos por meio do Plano Educacional Individualizado (PEI) e as orientações aos pais ou responsáveis estão sendo oferecidas, presencialmente, pelos professores em plantão semanal/ quinzenal na unidade escolar e monitoradas por eles pelo aplicativo WhatsApp. “Apesar de ser um momento difícil, as APAES agiram rapidamente para continuar atendendo aos usuários e às famílias. São diversas as ações em todo o estado de São Paulo. A APAE de Araçatuba sempre realizou um trabalho de excelência em prol da pessoa com deficiência e agora não é diferente, toda a

equipe é muito qualificada e preparada. O relatório circunstanciado e todas as ações são um case de sucesso”, afirma a presidente da Federação das APAES do Estado de São Paulo, Cristiany de Castro. Segundo Selma, os gastos com os materiais didáticos aumentaram bastante, e os pedagogos criaram diversas atividades que utilizam papel, espuma vinílica acetinada (EVA), entre outros materiais, o que está gerando despesas altas, pois são individuais. Para reverter a situação e também avaliar a satisfação das famílias com os atendimentos já realizados, a APAE de Araçatuba criou um formulário online para definir para quais usuários as atividades podem feitas por equipamentos tecnológicos. “Nós temos algumas famílias que são analfabetas, então pensamos em um formulário mais fácil. Assim, utilizamos figuras que ilustrassem as alternativas, como emoticons, para saber o grau de satisfação. Em razão do aumento de casos da COVID-19 no nosso município, também estamos planejando outras formas de entrega dos materiais. Por isso, as respostas do formulário são importantes para a APAE”, finaliza a diretora pedagógica.

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CAPA

APAES DE SÃO PAULO

REINVENTAM-SE

E CONTINUAM COM ATENDIMENTOS A DISTÂNCIA

Para impedir que milhares de usuários e suas famílias ficassem sem os serviços, APAES adotaram novas formas de atendimento

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pesar da pandemia desencadeada em função da COVID-19 e do isolamento social que se fez necessário para conter a proliferação do vírus, as APAES paulistas não cruzaram os braços. Elas se reinventaram para que os mais de 70 mil usuários e suas famílias não

Bruna Graciela Pereira de Almeida (fisioterapeuta) e Sabrina Mascarenhas Vieira da Silva (psicóloga) em visita domiciliar em Iperó.

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ficassem sem o atendimento nesse período. Cada uma adotou um formato diferente para manter os serviços, sendo as ligações telefônicas, as orientações via aplicativo de conversa, o envio de vídeos e as visitas domiciliares os mais utilizados. A APAE de Franca foi uma das instituições que tiveram de se adaptar nesse período de pandemia mundial. De acordo com Viviane Vaz, coordenadora da assistência social da instituição, esse momento exigiu inovação de todos os profissionais, principalmente na construção de estratégias para chegar às famílias mais necessitadas. “Sabemos que grande parte do nosso público vive em situação de vulnerabilidade social, mas não devemos nos esquecer de acolher também famílias que não necessariamente estão nessa situação. O atendimento não deve ser pensado apenas na dispensação de benefícios eventuais, pois há famílias que demandam orientações sobre programas de transferência de renda, auxílio emergencial, organização do serviço de saúde do município, atendimentos jurídicos, emergências odontológicas, entre outros”, explica. Para acolher as famílias, as assistentes sociais, em conjunto com os psicólogos e os terapeutas ocupacionais da APAE de Franca, organizaram, pelo WhatsApp, grupos por serviços. “No primeiro momento entramos em contato por telefone com as famílias que já eram acompanhadas de forma mais sistemática, posteriormente foram contatadas as demais; em casos emergenciais, foram realizadas visitas domiciliares, tomando todos os cuidados de proteção recomendados pelos órgãos oficiais de


“DESDE QUE COMEÇOU A PANDEMIA, A GENTE EM NENHUM MOMENTO PAROU, HOJE SABEMOS QUE SOMOS PROFISSIONAIS DA LINHA DE FRENTE. TIVEMOS DE NOS REINVENTAR VIA WHATSAPP, TELEFONE, FAZENDO VISITAS DOMICILIARES.” - Daniela Gonçalves Cunha -

Usuária da APAE de Caçapava realiza atividade em casa, em Caçapava. saúde. Os educadores sociais gravaram vídeos de orientação, de atividades, com ações simples que podem ser realizadas no domicílio dos usuários”, explica Viviane. A equipe da assistência social da APAE de Caçapava também passou a adotar uma nova forma de trabalho para que os seus usuários não ficassem desamparados durante o isolamento social. A tecnologia também ajudou bastante a instituição nesse momento. “Desde que começou a pandemia, a gente em nenhum momento parou, hoje sabemos que somos profissionais da linha de frente. Tivemos de nos reinventar via WhatsApp, telefone, fazendo visitas domiciliares”, explica Daniela Gonçalves Cunha, assistente social da APAE.

EDUCAÇÃO E SAÚDE Além dos atendimentos na área da assistência social, as APAES também mantiveram os atendimentos nas áreas de educação e saúde. A APAE de Iperó, por exemplo, não mediu esforços para que os usuários mantivessem uma rotina de atividades para serem executadas em casa. A equipe técnica da saúde tem feito visitas aos usuários em suas residências, orientando sobre vários assuntos que dizem respeito à quarentena, como, por exemplo, realizar a prevenção durante a pandemia, usar

corretamente as medicações. “Sempre tem orientação para fazer, como vacina da gripe, entre outros. Nosso público tem famílias que é difícil a compreensão e nós damos essa assistência a essas famílias”, explica Joelma Adriana Lima Pereira de Camargo, diretora da APAE. “Nossa entidade vem trabalhando, pois não podemos parar, os nossos assistidos precisam de carinho e atenção. E nossa equipe da saúde vem fazendo os atendimentos domiciliares e os resultados são ótimos, só temos a agradecer a Deus, aos pais, à equipe APAE, aos parceiros que sempre nos apoiam e a todos os envolvidos”, completa Jaime Aparecido de Camargo, presidente da APAE de Iperó. As Escolas Especiais das APAES também estão a todo vapor nesta quarentena. A APAE de Jaú tem feito videoaulas, kits impressos foram entregues as famílias com as orientações sobre como realizar as atividades em casa e, em alguns casos, a equipe faz visitas domiciliares. Segundo a diretora pedagógica, Maria Helena Polonio Lima, o momento tem sido de aprendizado não apenas para os usuários e famílias. “Estamos tendo um bom resultado, as mães estão enviando os vídeos, estão retornando, enviando as atividades de volta. Está sendo gratificante o nosso trabalho. Estamos aprendendo muito com tudo isso, nós também estamos evoluindo bastante”, conclui a diretora. Para mostrar para a sociedade o impacto do trabalho das APAES nesta quarentena, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) está publicando diariamente em suas mídias sociais fotos das APAES em ação. Para acompanhar, basta seguir as mídias sociais da entidade.

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FEAPAES EM REVISTA

RECORDE DE PÚBLICO:

MAIS DE 180 APAES PARTICIPARAM DA CAPACITAÇÃO PARA DIRIGENTES São Pedro, sede do evento, recebeu 450 pessoas, entre presidentes e gestores do movimento apaeano paulista

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ela primeira vez na sua história, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) recebeu, em um único evento, mais de 184 APAES. Entre os dias 14 e 16 de fevereiro, a cidade de São Pedro (SP) — localizada a 190 km da capital paulista — foi palco de um importante evento do movimento apaeano paulista, a II Capacitação para Dirigentes. Mesmo após o encerramento das inscrições, muitas pessoas foram pessoalmente até o local em busca de uma vaga. Com um plenário lotado, composto de aproximadamente 450 pessoas, o evento foi aberto com uma bonita cerimônia, que contou com a presença de diversas autoridades, como o senador Flávio Arns, o vice-prefeito de São Pedro Thiago Silvério da Silva, a presidente da FEAPAES-SP e secretaria executiva da Frente Parlamentar em Defesa das APAES Cristiany de Castro e a diretora de patrimônio da APAE de Nova Odessa e 2ª diretora secretária da APAE Brasil Maria de Fátima Dalmédico Godoy, , que na ocasião representou o presidente da APAE Brasil, José Turozi. Usuários da APAE de São Pedro também participaram da abertura, ocasião em que puderam mostrar aos presentes do que são capazes, por meio de duas apresentações executadas no palco do evento: Time of my life (dança) e Pra ser feliz (Coral). “Esse evento superou nossas expectativas, havíamos feito a previsão de lotar apenas um hotel, porém ainda no período de inscrição tivemos de bloquear um segundo hotel para atender todas as APAES. Isso é fruto do trabalho sério que temos desempenhado, com total transparência, dinamismo e atenção às demandas de nossas filiadas”, explica a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro.

CAPACITAÇÃO E NETWORKING Além de ser um importante espaço para a troca de experiências entre membros de diferentes APAES, a capacitação é uma oportunidade para se atualizarem diante dos cenários que se modificam constantemente. O encontro teve por objetivo orientar e ampliar a performance dos novos e antigos presidentes das APAES do Estado, para isso, a FEAPAES-SP reuniu um time de palestrantes e especialistas em gestão, governança e marketing do terceiro setor. A programação, recheada de grandes especialistas no terceiro setor, agradou aos dirigentes das APAES, entre eles, Bianca Monteiro Silva,

Cristiany de Castro, presidente da FEAPAES-SP, durante pronunciamento na abertura

“ESSE EVENTO SUPEROU NOSSAS EXPECTATIVAS, HAVÍAMOS FEITO A PREVISÃO DE LOTAR APENAS UM HOTEL, PORÉM AINDA NO PERÍODO DE INSCRIÇÃO TIVEMOS DE BLOQUEAR UM SEGUNDO HOTEL PARA ATENDER TODAS AS APAES. ISSO É FRUTO DO TRABALHO SÉRIO QUE TEMOS DESEMPENHADO, COM TOTAL TRANSPARÊNCIA, DINAMISMO E ATENÇÃO ÀS DEMANDAS DE NOSSAS FILIADAS” - Cristiany de Castro -

assessora e consultora jurídica, especializada em Organizações da Sociedade Civil (OSCs) desde 2002 e coautora do livro Roteiro do Terceiro Setor: Associações, Fundações e Organizações Religiosas, juntamente com Tomaz de Aquino Rezende e André Costa Resende. Danilo Tiisel, advogado graduado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), e especialista em legislação do terceiro setor, gestão e sustentabilidade, também agradou com sua palestra, que abordou a importância da diversificação de fontes na captação de recursos. David César também passou pelo palco da Capacitação de Dirigentes e deixou uma mensagem de superação e alegria. David nasceu com a síndrome de Hanhart, deficiência genética rara que ocorre na fase embrionária e acarreta a falta de membros superiores e inferiores. Mas isso não o impediu de seguir em frente e, mais do que isso, fazer parte da transformação do mundo onde vive. APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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CONFIRA A OPINIÃO DOS PARTICIPANTES “Foi uma oportunidade fantástica de aprendizado para os dirigentes, que receberam ferramentas para o gerenciamento profissional de suas APAES. Também foi um importante momento de relacionamento com pessoas multiplicadoras do bem, vindas de todas as regiões do estado de São Paulo”. Maria de Fátima Dalmédico Godoy, diretora de patrimônio da APAE de Nova Odessa

“Eu achei o evento de suma importância para os novos presidentes e gestores, e me incluí nisso, chegamos crus, sem saber por onde começar, sem entender muito do dia a dia da APAE, então para nós é de suma importância, e foram abordados assuntos de extrema relevância para conhecermos melhor por dentro da APAE”. Marcio Anselmo Rodrigues de Oliveira, presidente da APAE de Batatais

“O evento Capacitação para Dirigentes é uma iniciativa que considero das mais importantes para a gestão das APAES. É uma oportunidade única onde os presidentes podem ter noção exata do seu papel junto à instituição. Tenho participado, junto com nossos presidentes, de todas edições e cada vez mais percebo a rapidez e evolução das informações atualizadas que chegam a todos nós através das capacitações”. Maria Aparecida Sampaio, diretora-geral da APAE de Pariquera-Açu

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP REALIZARÁ VÁRIAS SEMANAS TÉCNICAS EM 2020 Semanas fazem parte da Série Saberes e Práticas sobre a Pessoa com Deficiência — Conhecer para Transformar

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) promoverá, durante o ano de 2020, Semanas Técnicas com temas que abrangerão várias áreas e diferentes temas. O objetivo é fomentar o debate acerca de conteúdos relevantes ao universo da pessoa com deficiência e ao terceiro setor. Os eventos acontecerão ao vivo, de forma virtual. As participações nos eventos são gratuitas, porém, é necessário realizar a inscrição previamente no site do UNIAPAE-SP, braço educacional da FEAPAES-SP. Segundo a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, as Semanas Técnicas serão um canal de diálogo para fomentar o debate sobre diversos temas que abarcam o universo da pessoa com deficiência. “É com o intuito de estimular os diálogos que a FEAPAES-SP criou as Semanas Técnicas, que fazem parte da Série Saberes e Práticas sobre a Pessoa com Deficiência — Conhecer para Transformar. A busca pela promoção do debate e o compartilhamento de informações devem ser constantes para que consigamos, de fato, promover a inclusão social e a defesa dos direitos da pessoa com deficiência”, explica a presidente da FEAPAES-SP.

FGV-SP, Marcelo Straviz, fundador e ex-presidente da ABCR, e Ricardo Falcão, consultor internacional com 50 anos dedicados à responsabilidade social. Em agosto, nos dias 4, 5 e 6, foi realizada a Semana da Saúde, com as palestras: O serviço da saúde nas APAES, Paciente clinicamente estável para atendimento ambulatorial e Intervenção dos casos de TEA na área da saúde. “As Semanas Técnicas buscam promover o diálogo e o compartilhamento de informações relevantes aos profissionais das APAES paulistas e demais interessados”, finaliza Denise Costa, professora doutora em serviço social e coordenadora do UNIAPAE-SP.

SEMANA DA EDUCAÇÃO DATA: 15 A 17 DE SETEMBRO DE 2020 1º dia 2º dia 3º dia

SEMANA DO AUTISMO DATA: 6 A 8 DE OUTUBRO DE 2020 1º dia 2º dia 3º dia

SEMANAS REALIZADAS As três primeiras semanas — assistência social, mobilização de recursos e saúde — já foram realizadas com temas relevantes para o movimento apaeano. Na Semana da Assistência Social, que aconteceu entre os dias 23 e 25 de junho, foram discutidos os temas: o serviço da assistência social para a pessoa com deficiência; o trabalho multiprofissional da assistência social; e a participação social e seus impactos na efetivação de direitos. Entre os dias 14 e 16 de julho, foi realizada a Semana da Mobilização de Recursos, com a participação de renomados profissionais do setor, como João Paulo Vergueiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), administrador e mestre em Administração Pública pela

Contextualização da educação nas APAES Reflexões sobre o atendimento educacional na escola comum e na escola especial Plano educacional individualizado como instrumento de estratégia pedagógica diferenciada

Abertura com Coordenadoras da Educação Atendimento educacional especializado TEA e Saúde Práticas pedagógicas inovadoras

SEMANA DA GESTÃO DATA: 20 A 22 DE OUTUBRO DE 2020 1º Dia

Abertura Estruturação da Instituição para Captação de Recursos

2º Dia 3º Dia

Indicadores de Resultado Social Governança e Compliance

SEMANA DA SÍNDROME DE DOWN DATA: 17 A 19 DE NOVEMBRO DE 2020 1º dia 2º dia 3º dia

Abertura As contribuições do processo educacional para autonomia da pessoa com Síndrome de Down Ver com Cátia um título Autonomia da pessoa com Síndrome de Down A inclusão escola da pessoa com Síndrome de Down

*Programação sujeita a alteração. APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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FEAPAES EM REVISTA

CAMPANHA

MULTIPLICADORES DO BEM CRESCE E GANHA NOVA IDENTIDADE

Ação publicitária incentiva as pessoas a conhecerem as APAES e a se tornarem parceiras ou voluntárias das instituições paulistas

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campanha Multiplicadores do Bem, criada pela Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) nasceu tímida, mas aos poucos foi crescendo e ganhando, cada vez mais, o apoio das APAES paulistas. A ação, que é muito mais que uma campanha publicitária, ganhou em sua segunda etapa, uma nova roupagem: de multiplicadores passou a ser influenciadores e a cor rosa foi substituída pela azul. De acordo com o publicitário e responsável pela criação da campanha, João Ângelo Aguila Diniz, a campanha segue o fluxo das grandes empresas que inovaram suas logomarcas para atender novas demandas. “Novos tempos exigem novas atitudes, grandes empresas como Apple e Magalu e até

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mesmo programas de TV se renovaram para atender aos anseios de um público cada vez mais conectado com seus influenciadores”, explica. Contudo, o foco da campanha continua o mesmo: para ser um influenciador do bem e fazer a diferença na vida das pessoas com deficiência intelectual e múltipla, são necessárias ações bem simples, como: doações para as APAES paulistas, trabalhos voluntários em eventos que a APAES promoverem, a solicitação de melhorias em instituições públicas e privadas para melhor acessibilidade e comodidade da pessoa com deficiência, entre outros. A presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, acredita que a campanha é uma importante ferramenta de promoção das APAES paulistas. “No momento em que vivemos, a comunicação se faz fundamental para que as APAES ganhem visibilidade


“NO MOMENTO EM QUE VIVEMOS, A COMUNICAÇÃO SE FAZ FUNDAMENTAL PARA QUE AS APAES GANHEM VISIBILIDADE E COM ISSO, ATRAIAM O OLHAR DE NOVOS PARCEIROS. O FACEBOOK ANUNCIOU EM 2017, QUE O BRASIL TEM 117 MILHÕES DE USUÁRIOS. E NÃO PARA POR AÍ, O BRASIL POSSUI 50 MILHÕES DE USUÁRIOS ATIVOS NO INSTAGRAM, A SEGUNDA MAIOR BASE DE USUÁRIOS DA REDE. ESSES DADOS FALAM POR SI SÓ A IMPORTÂNCIA DE ESTARMOS PRESENTES NA REDE COM UMA CAMPANHA ATRAENTE E ESTRUTURADA ” - Cristiany de Castro -

e com isso, atraiam o olhar de novos parceiros. O Facebook anunciou em 2017, que o Brasil tem 117 milhões de usuários. E não para por aí, o Brasil possui 50 milhões de usuários ativos no Instagram, a segunda maior base de usuários da rede. Esses dados falam por si só a importância de estarmos presentes na rede com uma campanha atraente e estruturada”, destaca. Após a realização da Capacitação para Dirigentes, que aconteceu em fevereiro deste ano, o interesse das APAES pela campanha cresceu. “Apresentamos no primeiro dia do evento, a importância de ações de comunicação para a visibilidade das APAES e apresentamos como a campanha pode auxiliá-las a se destacarem na busca por recursos e parceiros”, afirma Cristiany de Castro.

CELEBRIDADES NA CAUSA Além de conscientizar as pessoas sobre a importância de apoiarem as APAES paulistas por meio de posts que explicam o trabalho das instituições e de suas atuações, bem como sobre a relevância da defesa dos direitos das pessoas com deficiência, a FEAPAES-SP buscou o apoio, na primeira fase da campanha, de diversas celebridades do segmento artístico e esportivo. “São pessoas com alto poder de influência, e essa militância social dos famosos pode ser uma fonte de inspiração para seus seguidores e fãs. Além disso, pode estimular a participação de outros famosos, aumentando o número de engajados e possíveis apoiadores e patrocinadores da causa”, explica a presidente da FEAPAES-SP. Guilherme e Santiago, Dilsinho, Enzo Rabelo, Zé Felipe, Denílson Show, Edu Dracena, Amaral, Thiago Brava, Jerry Smith, Bruno Bevan, Eri Johnson, Dudu Braga, Gui Santana e Luís Ricardo são as celebridades que apoiaram a campanha. “Pretendemos em breve aumentar essa lista, inclusive com a ajuda de toda a rede apaeana

paulista. Muitas estão empenhadas e já conseguiram o apoio de artistas locais e até mesmo com nome reconhecido no cenário nacional”, explica a presidente. A APAE de Penápolis é uma das filiadas que compraram a ideia e saiu em busca de celebridades para fazer parte da campanha. Além dos influenciadores locais, também foram os responsáveis por conseguir o apoio do comediante Gui Santana, que já atuou no Programa Pânico. “A gente achou muito interessante [a campanha], uma forma de estar divulgando mesmo, de estar multiplicando o nome da APAE”, explica Iara Alves de Lima, diretora administrativa. A diretora ainda explica que outras ações foram feitas a partir da campanha Multiplicadores do Bem. “Conseguimos divulgar entre um grupo de jovens que participam dos Demolays, que fizeram arrecadação de alimentos na cidade e multiplicaram o bem, e esse bem foi multiplicado mais de uma vez quando a gente conseguiu, com esses alimentos, fazer as cestas emergenciais para esse período de pandemia e isolamento, que nossos alunos ficaram sem a principal refeição, que era a merenda”, conclui. APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP LANÇA CARTILHA

SOBRE OS DIREITOS

DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS

Publicação voltada para as famílias responde, de forma clara e objetiva, as principais perguntas sobre as legislações que garantem os direitos das pessoas com deficiências no Brasil

Thiago Carvalho Mellem e Thales Araújo Dias no dia do lançamento da cartilha, em São Pedro

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dia 15 de fevereiro foi um dia importante para a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) e para os dois autores e advogados, Thales Araújo Dias e Thiago Carvalho Mellem, pois nessa data a cartilha Os Direitos das pessoas com deficiências:

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perguntas e respostas foi lançado para uma plateia de mais de mais de 450 pessoas, durante a Capacitação para Dirigentes, ocorrida em fevereiro de 2020, na cidade de São Pedro (SP). O objetivo do material é empoderar e informar, de forma clara e objetiva, as famílias dos usuários atendidos pelas APAES filiadas à instituição. A publicação foi coordenada pela advogada e presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, e organizada pelo doutor e procurador jurídico da FEAPAES-SP, Acir de Matos Gomes, e pela assistente social e advogada Roberta Piotto. “Com a cartilha as pessoas vão tomar conhecimentos de seus direitos, e assim poderão exigir mais, tornando, assim, a sociedade mais justa, igualitária e principalmente mais inclusiva para todos”, afirma Acir de Matos Gomes. O conteúdo da cartilha responde a 37 perguntas sobre as realidades da pessoa com deficiência, abordando direitos como educação, saúde, trabalho, cultura, lazer esporte, cidadania, entre outros, e será distribuída gratuitamente para as APAES filiadas. “Atualmente o Brasil tem uma das legislações mais avançadas referente aos direitos das pessoas com deficiências, porém de nada adianta se não conseguirmos tirá-las do papel. A cartilha vem como instrumento para que as pessoas com deficiência e suas famílias conheçam e defendam seus direitos”, explica Cristiany de Castro. A versão on-line está disponível no acesso restrito do site da FEAPAES-SP <www.feapaesp.org.br>.


FEAPAES EM REVISTA

MAIS DE CEM APAES SÃO CONTEMPLADAS COM O FUNDO DE PROJETOS DA ASSISTÊNCIA SOCIAL A FEAPAES-SP repassou mais de 2 milhões de reais para as APAES realizarem projetos voltados a área de assistência

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om objetivo de fortalecer as ações realizadas pelas APAES na área de assistência social, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) criou, em 2019, o Fundo de Projetos da Assistência Social, plataforma de financiamento, em até R$ 20 mil, de projetos realizados pelas APAES filiadas. O programa contou com dois ciclos e ao todo foram 134 APAES contempladas com o recurso, somando um total de R$ 2.623.281,61 repassados. Os projetos vão desde a contratação de recursos humanos até a compra de equipamentos ou a reforma de espaços. “As APAES são instituições preponderantemente de assistência social, porém a área muitas vezes não recebe a atenção necessária das parcerias com o poder público e os recursos são escassos. Visando impulsionar o trabalho realizado por nossas filiadas na assistência social, nossa diretoria decidiu viabilizar a realização deste fundo. Acredito que irá auxiliar no atendimento aos milhares de usuários da APAES paulistas”, explica Cristiany de Castro, presidente da FEAPAES-SP.

PROJETOS As ações realizadas pelas APAES são diversas e em sua vasta maioria visam a inclusão social e a promoção de uma melhor qualidade de vida dos usuários. Por exemplo, o projeto “No ritmo da dança”, da

APAE de Cajuru, tem por objetivo o desenvolvimento e a ampliação das capacidades físicas (coordenação motora/equilíbrio) e cognitivas das pessoas com deficiência intelectual e múltipla usuárias do programa socioassistencial, resgatando sua autoestima e proporcionando momentos de lazer e socialização. O projeto consiste na inserção de aulas de dança com profissionais capacitados no programa socioassistencial voltado para adultos, ao todo 32 usuários são beneficiados. Além do pagamento da professora de dança, o projeto também engloba a compra de equipamentos como caixas de som, camisetas, microfones, iluminação, entre outros. O projeto teve início em fevereiro de 2020 e, mesmo durante a quarentena ocasionada pela pandemia do novo coronavírus, as aulas estão sendo realizadas por vídeo. “Os usuários adoram o projeto, dançar é com eles mesmo. E esse projeto nos surpreendeu pela participação de todos. Nós temos usuários que não

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Projeto no Ritmo da Dança, da APAE de Cajuru

queriam participar das atividades, mas da dança todos querem participar e ficam ansiosos pelos dias das aulas, às quartas e sextas-feiras. E agora que as atividades são via WhatsApp nós temos o retorno deles realizando as atividades que a professora passa”, explica Adalgisa Aparecida Silva Conceição, responsável pelo projeto. Na APAE de Mairinque o projeto foi diversificado: foram adquiridos equipamentos para várias oficinas voltadas para o mercado de trabalho, como a da padaria artesanal, a de sublimação e a de marcenaria, além da aquisição de tendas para a realização de eventos. Os equipamentos da padaria artesanal e da marcenaria serão utilizados tanto pelos usuários quanto pelas famílias. “Nossa preocupação é também com a renda das famílias, ainda mais depois da pandemia, e as oficinas são uma saída para as mães e os pais aprenderem algo novo e venderem os produtos em casa. Além de ser um espaço para o fortalecimento de vínculos entre o usuário e as famílias, pois eles fazem juntos”,

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Equipamento da padaria artesanal da APAE de Mairinque

explica Gilda Maria dos Santo, responsável pelo projeto. Devido à pandemia, as atividades das oficinas estão paralisadas, mas os equipamentos já foram adquiridos e as salas já estão montadas. A oficina de sublimação tem por objetivo oferecer oportunidade de qualificação em silk-screen e transfer para que os usuários sejam inseridos no mercado de trabalho. A APAE já tinha adquirido a máquina e os produtos a serem produzidos (canecas, chaveiros, bonés, camisetas, lixeirinha para autos, entre outros), além da contratação profissional qualificado para fazer o treinamento, mas ainda faltavam a licença do software CorelDraw Graphics, a mesa gráfica, o computador, a impressora e a mesa digitalizadora, equipamentos comprados via fundo de projetos. “O projeto atingiu toda a área da assistência social, conseguimos adquirir a tenda que vai auxiliar nos atendimentos e nos eventos, pois o nosso espaço é pequeno. Além das oficinas, que vão beneficiar o público mais velho, usuários de 20 a 40 anos, visando à inserção no mercado de trabalho”, finaliza Gilda.


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP REPASSA MAIS DE 3 MILHÕES PARA APAES NOS PRIMEIROS DOIS MESES DO ANO Recursos mobilizados pela FEAPAES-SP permitem que as APAES continuem aprimorando o atendimento prestado às pessoas com deficiências

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ais de 150 APAES do Estado de São Paulo ganharam, no início do ano, um folego a mais para continuar prestado o atendimento — nas áreas da saúde, educação e assistência social — a centenas de pessoas com deficiências. Isso porque a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) repassou, em janeiro e fevereiro de 2020, o equivalente a R$ 3.270.007,72, referente a diferentes parcerias e projetos. No total foram beneficiadas 159 APAES, 107 no Fundo de Projetos da Assistência Social com o repasse de R$1.919.748,44. As demais por meio das parcerias: Vale Cap (19 APAES do Vale do Paraíba), EDP (12 APAES), Coop (10 APAES), Algar Telecom (4 APAES). Também foram repassados valores referentes a títulos comercializados pela APAE Brasil: Troco Bom (1 APAE), Supercap (3 APAES), Cap Litoral (2 APAES), Cap Legal/ABC Cap (1 APAE), totalizando R$ 1.350.259,28. Para a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, o objetivo é continuar buscando parcerias na inciativa privada que atendam a todas as filiadas. “Estamos constantemente articulando e buscando novas opções de mobilização de recursos para que as APAES tenham, cada vez mais, condições para prestar os serviços de excelência e tão relevantes na vida de milhares de pessoas”, explica.

FUNDO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL O Fundo de Projetos — plataforma de financiamento de projetos criada pela FEAPAES-SP com recursos do Vale Cap — vem, desde 2016, auxiliando as APAES paulistas a promover melhorias no

“ESTAMOS CONSTANTEMENTE ARTICULANDO E BUSCANDO NOVAS OPÇÕES DE MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS PARA QUE AS APAES TENHAM, CADA VEZ MAIS, CONDIÇÕES PARA PRESTAR OS SERVIÇOS DE EXCELÊNCIA E TÃO RELEVANTE NA VIDA DE MILHARES DE PESSOAS”. - Cristiany de Castro -

atendimento, seja por meio de benfeitorias ou ampliações realizadas em suas infraestruturas, compra de equipamentos, contratação de profissionais, entre outros. Em 2019, a federação estadual lançou o Fundo de Projetos — Assistência Social. Para esse edital, os projetos, no valor de até R$ 20 mil, deviam ser exclusivamente voltados para a área da assistência social. As APAES passaram por duas fases de aprovação: a primeira foi a entrega dos documentos exigidos no edital e a segunda, análise dos projetos e orçamentos. Foram contempladas 122 APAES, das quais 107 receberam os recursos em 2020, representando o valor de R$ 1.919.748,44. O montante de R$ 3.270.007,72 é a soma entre os valores do Fundo de Projetos da Assistência Social e os das parcerias. “Trata-se de um valor histórico e que muito contribuirá para que as APAES ponham em prática seus projetos sociais e, com isso, proporcionem, de fato, a pessoa com deficiência, inclusão social e qualidade de vida”, finaliza Cristiany.

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FEAPAES EM REVISTA

PESQUISA DE SATISFAÇÃO 2019:

95% DAS APAES

RECOMENDAM O TRABALHO REALIZADO PELA FEAPAES-SP Levantamento foi realizado durante o mês de novembro de 2019; ao todo, 226 APAES paulistas preencheram o questionário

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), com o intuito de avaliar a satisfação das APAES com o trabalho realizado, promoveu a Pesquisa de Satisfação de 2019. O resultado foi mensurado por meio do método Net Promoter Score (NPS), ferramenta que analisa o grau de satisfação e fidelidade dos clientes de qualquer tipo de empresa ou organização. A FEAPAES-SP solicitou que as APAES avaliassem cada área de atuação da instituição bem como o trabalho realizado de modo geral. Ao todo, 226 filiadas preencheram o questionário. A pesquisa apontou que seis áreas estão na zona de qualidade

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e uma das áreas está na zona de excelência, assim com a satisfação geral quanto aos serviços prestados pela Federação. Utilizando o modo analítico, método que aponta a porcentagem das respostas, a pesquisa mostrou que 95% das APAEs que preencheram o questionário recomendariam a FEAPAES-SP para outra APAE. “A pesquisa de satisfação é uma importante ferramenta para avaliarmos como nossos clientes avaliam a qualidade do serviço prestado pela FEAPAES-SP, além de apontar os pontos que devemos aperfeiçoar. O resultado mostra o aprimoramento da equipe, que buscará sempre a melhoria contínua” avalia a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro.


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP CRIA CAMPANHA PARA APAES DIVULGAREM

NOTA FISCAL PAULISTA Programa é um importante meio de mobilização de recursos para as APAES do estado de São Paulo

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riado em 2007, o Programa Nota Fiscal Paulista permite que consumidores destinem para entidades de assistência social parte dos impostos gerados em suas compras. Trata-se de um importante recurso para a sustentabilidades das

organizações do Estado. Ciente disso, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), com o intuito de contribuir para que as APAES arrecadem pelo programa, criou uma campanha de divulgação para que elas tenham ferramentas para mobilizarem suas comunidades locais a fazerem a doação. Foram criados post para mídias sociais,

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MÊS

PESSOAS FÍSICAS E CONDOMÍNIOS

ENTIDADES BENEFICENTES

SIMPLES NACIONAL

Janeiro

R$ 11,2 milhões

R$ 10,7 milhões

R$ 221,4 mil

Fevereiro

R$ 11,8 milhões

R$ 11,2 milhões

R$ 242,4 mil

Março

R$ 12,7 milhões

R$ 12,2 milhões

R$ 236 mil

*Secretaria da Fazenda e Planejamento cartaz, panfleto e um informativo para as APAES dispararem via WhatsApp. No material, constam as etapas para que o consumidor direcione sua doação de forma automática, assim, toda vez que ele informar seu CPF em uma compra, o valor é destinado automático para a APAE de sua escolha. “Estamos atendendo os pedidos das próprias APAES, que nos solicitaram esse apoio para divulgarem a Nota Fiscal Paulista. E nós, sabendo que se trata de uma importante fonte de recursos, atendemos de pronto a solicitação”, explica a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro. Todo o material encontra-se disponível no acesso restrito do site da FEAPAES-SP (www.feapaesp.org. br) para as APAES baixarem, na pasta “Campanha Nota Fiscal Paulista”. A impressão dos materiais deverá ser feita em cada APAE.

Fiscal do Governo do Estado de São Paulo, que distribui até 30% do ICMS efetivamente recolhido pelos estabelecimentos comerciais aos consumidores que solicitam o documento fiscal e informam CPF ou CNPJ, proporcional ao valor da nota. A devolução é feita em créditos que podem ser acompanhados pela internet e utilizados para pagamento do IPVA ou resgatados em dinheiro. O consumidor também pode solicitar o documento fiscal sem a indicação do CPF/CNPJ e doá-lo a uma entidade cadastrada no programa Nota Fiscal Paulista, se assim desejar. O programa conta com mais de 20 milhões de participantes cadastrados e, desde seu início, soma mais de 74 bilhões de documentos fiscais processados. No total, a Nota Fiscal Paulista devolveu aos participantes do programa R$ 16,5 bilhões, sendo R$ 14,7 bilhões em créditos e R$ 1,7 bilhão em prêmios nos 136 sorteios já realizados.

IMPACTO DO PROGRAMA A Secretaria da Fazenda e Planejamento disponibilizou, no dia 16 de março de 2020, R$ 25,2 milhões aos participantes da Nota Fiscal Paulista na liberação de créditos do mês de março de 2020, segundo notícia divulgada no portal do órgão nessa mesma data. Desse montante, R$ 12,7 milhões foram destinados para pessoas físicas. Já as instituições filantrópicas tiveram à disposição R$ 12,2 milhões para utilização em seus projetos. Os créditos são referentes às compras e às doações de documentos fiscais realizadas em novembro do ano passado. Em 2020, com a liberação de março, a Secretaria da Fazenda e Planejamento já liberou mais de R$ 70,7 milhões aos participantes cadastrados no programa.

SOBRE O PROGRAMA NOTA FISCAL PAULISTA A Nota Fiscal Paulista, criada em outubro de 2007, integra o Programa de Estímulo à Cidadania

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CONFIRA AS ETAPAS PARA DIRECIONAR DE FORMA AUTOMÁTICA OS RECURSOS DA NOTA FISCAL PAULISTA PARA UMA APAE: • Acesse o site www.nfp.fazenda.sp.gov.br pelo seu computador, ou baixe o aplicativo em seu celular por meio da Play Store ou Apple Store; • Após efetuar o seu cadastro ou login, acesse a aba “Entidades”; • Selecione “Doações de Cupons com CPF (automática)”, pesquise e insira o CNPJ da APAE que você quer contribuir; • Selecione a entidade e clique em “Confirmar Doação Automática”; • Depois, é só informar o seu CPF a cada compra e contribuir para o atendimento a diversas famílias!


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP DOA

303 COMPUTADORES PARA APAES DO ESTADO

A ação, que só foi possível graças à parceria com o Vale Cap, tem como um dos objetivos aprimorar o assessoramento da FEAPAES-SP oferecendo um equipamento com webcam para reuniões e aulas on-line

Talita Ramos Campos Sarlo, administradora APAE de Laranjal Paulista, e o presidente Marcio Nardo.

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o mundo moderno, a utilização do computador se faz cada vez mais relevante devido as suas funções multitarefas. Diante dessa realidade e reconhecendo que nem todas as APAES paulistas dispunham de

um equipamento atualizado e que lhes permitissem todas as atividades exigidas pela modernidade, a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) doou um computador para cada filiada, totalizando 303 máquinas. “Foi uma proposta que apresentei para o conselho de administração e para a diretoria e que foi aprovada por unanimidade. Os equipamentos permitirão que as APAES acompanhem os cursos do UNIAPAESP, reuniões a distância, lives e webinars. E nesse momento, com certeza, a utilização será muito maior, porque em tempos de pandemia fica como a única alternativa esse contato on-line”, explica Cristiany de Castro, presidente da FEAPAES-SP. Os kits, compostos por um computador equipado com o Windows 10 Pro, mouse, teclado e webcam, foram entregues para os conselhos, que repassaram para suas APAES. “Esperamos que todas as APAES utilizem muito bem e que seja realmente um equipamento para que a gente encurte a distância para um novo conhecimento”, completa a presidente, Cristiany de Castro. Para Marcio Nardo, presidente da APAE de Laranjal Paulista e responsável pelo Conselho Raízes do Interior Paulista, a iniciativa da FEAPAES-SP em destinar os computadores para as APAES do Estado foi de extrema relevância, principalmente considerando o cenário mundial atual. “Achei uma excelente ideia por parte da Federação a aquisição dos computadores para serem doadas para as APAES do Estado. No mundo atual, eu acho que muitas reuniões, palestras e cursos serão

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Eduardo Altomani, presidente da APAE de Águas de Lindóia, recebendo o computador da responsável do Conselho Baixa Mogiana, Roseli Marinho de Souza.

feitos por meio digital, e esses computadores ajudarão muito as APAES”, fala. A APAE de Águas de Lindoia também recebeu o seu computador e comemorou a conquista. “Achei uma ferramenta de grande valor, parabéns pela iniciativa de nos doarmos estes computadores”, destaca Eduardo Altomani, presidente da APAE de Águas de Lindoia.     

RECURSOS DO VALE CAP O Vale Cap — título de capitalização comercializado na região do Vale do Paraíba — faz-se cada vez mais importante para a sustentabilidade das APAES e para o aprimoramento do assessoramento

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que a FEAPAES-SP presta a suas filiadas. A compra dos 303 computadores é resultado da parceria com o título de capitalização. De acordo com o coordenador financeiro da FEAPAES-SP, Lucas Almeida, a escolha do modelo do computador foi feita com critério. “Os computadores são o que há de melhor no mercado, equipados com placa de vídeo dedicada, boa memória e processador, além da webcam e garantia de três anos. O intuito é que os kits contribuam ainda mais com o Programa de Tecnologia que a FEAPAES-SP já disponibiliza para as APAES, composto por site, programa de gestão Argus e pacote de e-mail personalizável”, conclui o coordenador financeiro.


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP INOVA DURANTE O PERÍODO DE PANDEMIA E REALIZA ASSESSORAMENTO A DISTÂNCIA Reuniões de diretoria e de conselhos regionais, lives, webinars e atendimentos individuais marcaram algumas das ações realizadas pela instituição APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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pandemia do novo coronavírus modificou a forma de trabalho. Por causa das recomendações de isolamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS), as empresas tiveram de fazer adaptações para continuarem trabalhando. No terceiro setor não foi diferente, as APAES precisaram adaptar os atendimentos e a Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) também, por ser uma instituição de assistência social de assessoramento, investiu em plataformas para realizar o trabalho a distância, como o Google Meet, plataforma de videoconferência que permite salas de até 250 pessoas ao mesmo tempo. Com o Google Meet a FEAPAES-SP realizou reuniões da diretoria executiva, além de encontros com os conselheiros regionais. Também foi utilizada para as reuniões de cada conselho regional e suas respectivas APAES. “Em um momento tão difícil que a humanidade vem passando, com o isolamento social por conta da COVID-19, quando temos de atuar profissionalmente, e por que não dizer em nossa área como voluntários na APAE de Cotia, fazer as reuniões que são necessárias através da internet com os Conselhos respectivos da cada região da Federação das APAES é muito importante. Foi excelente o trabalho via on-line através das reuniões virtuais”, conta Paulo Generoso, presidente da APAE de Cotia. A plataforma também foi aplicada para reuniões entre as equipes da instituição e para os atendimentos individuais com as APAES, realizados pela

“TAMBÉM TIVEMOS QUE INOVAR PARA CONSEGUIR MANTER OS ATENDIMENTOS, POIS A NOSSA CAUSA NÃO PARA, MESMO EM MEIO A UMA PANDEMIA MUNDIAL A LUTA PELA DEFESA E GARANTIA DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA CONTINUA” - Cristiany de Castro -

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equipe da qualidade e ouvidoria — sete atendimentos foram realizados. “A Aline Lima, técnica especializada, e o Fábio Rodrigues, ouvidor, estão dando uma assistência imensa para nós, nos ajudaram a resolver problemas que não estávamos conseguindo, eles abriram os caminhos para a gente. Tivemos duas reuniões por vídeo e foi muito legal, foi muito positivo”, conta a presidente da APAE de Peruíbe, Vania Pandori Mariano. Além das reuniões, a equipe da FEAPAESSP trabalhou incessantemente para informar as APAES sobre os procedimentos durante a pandemia: foram enviados oficios e cartilhas informativas. Além disso, as unidades contaram com webinars e lives sobre temas relacionados às ações durante o período de pandemia, como o comprimento do calendário escolar e a legislação trabalhista em tempos de coronavírus. Para que todas as APAES pudessem ter infraestrutura para participar das reuniões, lives e webinars, a FEAPAES-SP realizou a doação de computadores de última geração e webcams para todas as APAES filiadas. A equipe de comunicação criou o APAE em Ação, publicações de divulgações das ações realizadas pelas APAES durante a pandemia que diariamente são postadas nas redes sociais da FEAPAES-SP, além de constantemente divulgar ações em benefícios das APAES ou das famílias atendidas pelas filiadas, como saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), Auxílio Emergencial, programa Merenda em Casa, Nota Fiscal Paulista, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e doações via Imposto de Renda. “A pandemia pegou todos nós de surpresa e, como instituição de assessoramento, tivemos de agir rápido. No início cada dia era uma nova recomendação, e nossa equipe trabalhou incessantemente para que as informações corretas chegassem o mais rápido possível às nossas filiadas. Também tivemos de inovar para conseguir manter os atendimentos, pois a nossa causa não para, mesmo em meio a uma pandemia mundial a luta pela defesa e garantia dos direitos das pessoas com deficiência continua. Acredito que a excelência do trabalho foi mantida, mas vamos avançar muito mais, estamos investindo em tecnologia para ofertar o melhor para as APAES”, explica a presidente da FEAPAESSP, Cristiany de Castro.


FEAPAES EM REVISTA

TECNOLOGIA

A FAVOR DAS APAES

FEAPAES-SP, com o UNIAPAE-SP, inova na maneira de capacitar as suas filiadas por meio de lives e webinars

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internet mudou a maneira como o mundo se comporta: transformou a maneira de estudar, de trabalhar, de se relacionar. Porém, agora, mais do que nunca, o planeta teve de se reinventar diante da pandemia mundial desencadeada pela COVID-19. A Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), que já adotava as lives como uma ferramenta de capacitação desde 2018, aumentou o número de transmissões para que mais pessoas tivessem acesso a mais tipos de conteúdo. Do Planejamento Estratégico da FEAPAES-SP, fechado em janeiro de 2020, já constava como uma das ações a serem executadas no decorrer do ano, a realização de dez transmissões on-line (webinars ou

lives). Mas, diante dos problemas trazidos pelo coronavírus, como os cancelamentos de eventos presenciais, a entidade percebeu que as transmissões virtuais seriam uma maneira eficaz e segura de continuar a instruir suas filiadas com informações relevantes, mesmo em tempos de isolamento social. “Com a chegada do vírus no Brasil, tivemos pouco tempo para nos reinventar, havíamos feito uma previsão que precisou ser ampliada de maneira muito rápida. O que antes era uma alternativa, talvez até pouco explorada, tornou-se agora a única opção de continuarmos na ativa, capacitando e sendo capacitados. Trata-se de um fenômeno mundial que veio para ficar. Ou a gente se adapta ou ficaremos de fora, nada mais voltará a ser como antes e isso vale, inclusive, para o terceiro setor”, afirma a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro.

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“COM A CHEGADA DO VÍRUS NO BRASIL, TIVEMOS POUCO TEMPO PARA NOS REINVENTAR, HAVÍAMOS FEITO UMA PREVISÃO QUE PRECISOU SER AMPLIADA DE MANEIRA MUITO RÁPIDA. O QUE ANTES ERA UMA ALTERNATIVA, TALVEZ ATÉ POUCO EXPLORADA, TORNOU-SE AGORA A ÚNICA OPÇÃO DE CONTINUARMOS NA ATIVA, CAPACITANDO E SENDO CAPACITADOS. TRATA-SE DE UM FENÔMENO MUNDIAL QUE VEIO PARA FICAR. OU A GENTE SE ADAPTA OU FICAREMOS DE FORA, NADA MAIS VOLTARÁ A SER COMO ANTES E ISSO VALE, INCLUSIVE, PARA O TERCEIRO SETOR.” - Cristiany de Castro -

interesse de todos) e as webinars (para temas mais específicos às APAES). “Levantamos as principais demandas das APAES junto à equipe da FEAPAESSP que atua diretamente com elas. Também fizemos uma enquete nas mídias sociais da FEAPAES-SP buscando oportunizar a todas a chance de sugerir temas de seus interesses”, conclui Denise Costa, professora doutora em serviço social e coordenadora do UNIAPAE-SP. No mês de julho, o calendário de webinar sofreu alteração: passou a ser quinzenal, sempre às terças-feiras. As lives continuarão a acontecer de maneira semanal, às quartas-feiras. O horário das duas modalidades de transmissão é sempre às 13h30.

TEMAS FOCADOS POR ÁREA Com o objetivo de atender de forma completa todos os anseios e dúvidas das APAES, a FEAPAESSP buscou diversificar os temas das lives e webinars, apresentando desde assuntos relacionados ao cotidiano de atendimentos de suas filiadas até aqueles ligados ao período de pandemia. Entre os meses de abril, maio e junho foram realizadas 22 transmissões. “Selecionamos temas que atendessem todas as filiadas de uma forma geral, não apenas com assuntos relacionados ao cotidiano normal, buscamos informá-las e trazer soluções sobre os problemas trazidos pela pandemia, sobre como agir frente aos vários empecilhos que nos foi imposto neste momento”, conta a presidente da FEAPAES-SP. As transmissões aconteceram duas vezes na semana: as lives (para assuntos mais amplos e de

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WEB TV Outra ferramenta importante lançada pela FEAPAES-SP durante a pandemia, foi a Web TV FEAPAES-SP, que possui em sua grade, três programas: FEAPAES Acontece, APAE em Foco e Do Bem Show. O intuito é proporcionar as APAES, um novo canal de informação, haja vista que o FEAPAES Acontece traz notícias atualizadas sobre as articulações realizadas pela entidade estadual, leis e decretos que dizem respeito a pessoa com deficiência e ao terceiro setor. Já o APAE em Foco, é uma nova proposta para que as APAES paulistas divulguem suas ações e projetos. O Do Bem Show tem o formato de talk show, onde os convidados são personalidades do movimento apaenao paulista ou pessoas que fazem o bem.


VALE CAP

APAE DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO AMPLIA SEU LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA

COM FUNDO DE PROJETOS Recursos do Vale Cap financiaram a compra de computadores e agora as turmas não precisam ser divididas para assistir às aulas

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avegar é preciso, viver não é preciso”, já dizia o grande poeta português Fernando Pessoa. Mal sabia ele o quanto essa citação, mesmo que agora não remeta à exploração dos mares, seria tão relevante no século XXI. É com o intuito de inserir os seus 200 usuários no mundo digital que a APAE de Santa Cruz do Rio Pardo, por meio do Fundo de Projetos — plataforma que patrocina projetos das APAES com recursos do Vale Cap —, equipou o seu laboratório de informática com novos computadores.

O laboratório de informática, que funciona 24 horas por semana, com aulas de 45 minutos cada, conta com a presença de um professor especializado, que propõe atividades diferenciadas e adequadas às necessidades dos usuários, proporcionando inclusão digital, lazer e desenvolvimento da criatividade, bem como capacitando aqueles que mostram habilidades para a inclusão no mercado de trabalho. As aulas acontecem com a presença também dos professores de sala de aula, um estímulo a mais que possibilita que desenvolvam com maior rapidez as habilidades e capacidades. Segundo a coordenadora

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“FOI DE MUITA IMPORTÂNCIA, ANTES TÍNHAMOS DE DIVIDIR A TURMA, MAS AGORA NÃO, TODOS VÃO PARA A SALA. E ELES ADORAM, ENTÃO FOI DE MUITA VALIA, O RECURSO VEIO PARA ACRESCENTAR NO NOSSO ENSINO.” - Edilaine de Fátima Nogueira -

da educação Edilaine de Fátima Nogueira, a experiência concreta no laboratório de informática evidencia ganho significativo para a maioria dos usuários nos aspectos relacionados à coordenação motora, à memória, à atenção, à coordenação visual espacial e temporal, além de avanços quanto à autonomia, à valorização do pessoal, à colaboração mútua e ao pensar coletivo. “O fundamental I trabalha a faixa etária dos 6 aos 10 anos. Tudo o que o professor ensina em sala é trabalhado também no laboratório, porém de forma mais lúdica. Foram trabalhados a convivência,

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como compartilhar, atividades de vida diária: arrumar a cama, como escovar os dentes corretamente, tudo por meio de vídeos”, explica. Com os usuários da faixa etária dos 15 anos, que já têm compreensão com a escrita, é trabalhada a digitação. “Eles fazem pesquisas de diferentes textos, o professor também trabalhou bastante com compras, pesquisando valores de produtos nos supermercados daqui da cidade, e também com pesquisas na internet, e depois eles digitaram essa lista no Excel”, completa a coordenadora. Para Edilaine, os recursos do Fundo de Projetos e Vale Cap são essenciais para a melhoria na qualidade do atendimento prestado pela APAE. “Foi de muita importância, antes tínhamos de dividir a turma, mas agora não, todos vão para a sala. E eles adoram, então foi de muita valia, o recurso veio para acrescentar no nosso ensino”, conclui Edilaine.


ENTREVISTA

AUTODEFESA E AUTONOMIA:

DAVID CÉSAR

VOZ QUE INSPIRA E ROMPE PRECONCEITOS David é palestrante e nasceu com a síndrome de Hanhart, sua história motiva e incentiva a inclusão social APAE EM DESTAQUE • ANO 2020 • EDIÇÃO 24

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síndrome de Hanhart é uma deficiência genética rara que ocorre na fase embrionária, acarretando a ausência de membros superiores e inferiores. Mas, para David César, a deficiência não o impediu de seguir seus sonhos. Já adulto, ele tem uma rotina repleta de compromissos e atribui a conquista da autonomia à criação que recebeu de sua mãe, que sempre o incentivou a atingir seus objetivos. David é estudante de direito e teatro e é fundador do projeto “SuperAção”, que conscientiza sobre o cuidado e o respeito à vida. Com muito bom humor e vivacidade, marcas registradas de David, o palestrante revela suas dificuldades de vida e prova que os sonhos são exatamente do tamanho da nossa força de vontade. Ele foi um dos palestrantes da II Capacitação para Dirigentes, realizada em fevereiro, na cidade de São Pedro, e reservou um tempo para falar com a redação da Revista APAE em Destaque. Confira o bate-papo:

Por exemplo, quando eu vou a algum lugar que não tem acessibilidade para uma cadeira de rodas, mas que tem um atendimento preparado, que coloque a minha condição em segundo plano e o indivíduo em primeiro plano, o David em primeiro lugar, aí eu acho que a gente fez a quebra da barreira atitudinal.

David, você fala muito em romper barreiras atitudinais. Para você, qual a melhor forma de romper barreiras atitudinais?

Eu encaro de forma natural, na minha adolescência naquela fase de conhecimento de corpo, ainda mais um corpo diferente para uma realidade que nós vivemos, tive o aprendizado. Mas agora, com 30 anos, eu encaro de uma forma natural e é convivência, a pessoa tem que se permitir conviver, quando eu tive meus relacionamentos, por exemplo, é só um corpo, um corpo diferente do que as pessoas conhecem, mas está vivo e funcional.

É no convívio, para mim o que eu entendo por quebrar barreira atitudinal é se permitir ao convívio, dentro de escolas, do mercado de trabalho. O mercado de trabalho, hoje, é completamente preconceituoso, ainda mais quando a deficiência é muito aparente, na deficiência estética.

“O ESTRANHAMENTO POR CAUSA DO MEU CORPO, ISSO ACONTECE MUITO. E A SÍNDROME DO SHOPPING CENTER ACONTECE QUANDO AS PESSOAS PERGUNTAM: O QUE ACONTECEU COM VOCÊ? COMO SE EU FOSSE FRUTO DE UMA TRAGÉDIA, AS PESSOAS JÁ IMAGINAM O PIOR. EU NASCI COM UMA DOENÇA CONGÊNITA, E MEU CORPO É NATURAL É IGUAL AO SEU QUE ESTÁ AÍ, MEXENDO”.

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Você aborda a síndrome do shopping center, explica ela para a gente? Essa é uma brincadeira que eu tenho, porque quando eu vou ao shopping as pessoas olham para mim como se eu fosse de outro planeta. O estranhamento por causa do meu corpo, isso acontece muito. E a síndrome do shopping center acontece quando as pessoas perguntam: o que aconteceu com você? Como se eu fosse fruto de uma tragédia, as pessoas já imaginam o pior. Eu nasci com uma doença congênita, e meu corpo é natural é igual ao seu que está aí, mexendo.

Existem muitos tabus sobre a sexualidade da pessoa com deficiência, como você encara?

Você diz que quando entrou na escola ouviu muito que iria sofrer preconceitos, mas fez grandes amigos. Você acredita que o preconceito está mais nos adultos do que nas crianças? Com certeza, por não se permitir conhecer o novo. Eu me lembro de uma vez que alguém disse: “o David dentro dessa escola vai conviver com pessoas sem deficiência elas vão achar diferente, pois ele vai estar ao lado de crianças perfeitas”. Mas o que é ser perfeito? Talvez nós já nascemos com essa obrigação de ser perfeito, e quando a gente não é podemos frustrar os nossos pais. Olha a obrigação que estamos passando para a nossa geração, da perfeição. Isso, para mim, é só uma imaturidade.


Sua mãe te criou sozinha, como você viu o processo dela para te dar autonomia? Muito corajosa, uma mãe nova, enfrentamos muito preconceitos, minha mãe é uma mulher solteira dentro de um país que é, sim, machista, e ainda com uma criança com deficiência. Então você pode imaginar a luta dela carregando várias bandeiras. A pessoa mais forte que eu vejo é a minha mãe, por ter criado adaptações, meios e mecanismos, para me dar a possibilidade hoje, por exemplo, de viver sozinho. Ela desenvolveu em mim o que a Lei Brasileira da Inclusão tanto fala: até onde vai a autonomia da pessoa com deficiência? A minha mãe me provocou, provocou esse corpo e nós encontramos essa minha autonomia do meu jeito.

Como foi a busca pelo primeiro emprego, quais dificuldades encontrou? Eu precisava trabalhar novo, com 18 anos de idade, para ajudar minha mãe. Eu tenho uma irmã, e essa minha irmã, com idade parecida, conseguiu um emprego muito rápido que pagasse um salário mínimo, que era o que a gente precisava. Eu disparei o meu currículo, não consegui nenhum emprego, com um currículo de um estudante iniciando um curso de direito, com um currículo de alguém que fala inglês e espanhol. Foi aí que eu percebi que o mercado é capacitista, ele vai olhar para sua condição física, ele vai olhar para a sua aparência muitas vezes, e que o mercado de trabalho é preconceituoso. Quando eu percebi isso, foi aí que surgiram as minhas palestras, apresentações e a minha empresa. Hoje trabalho no Estádio Mineirão em Belo Horizonte, justamente por conta das minhas palestras. Eu percebi que meu corpo é minha bandeira, e que ele seria minha ferramenta de trabalho. Por conta dos estranhamentos, eu resolvi quebrar o gelo.

Você acredita que o ensino superior no Brasil está preparado para a inclusão social? Está se preparando, tanto as universidades federais quanto as particulares. Mas eu acho que a discussão tem de ser no ensino básico, na infância. Nós estamos inserindo as pessoas com deficiência na escola? Seja em escola regular, seja em escola especializada.

“EU DISPAREI O MEU CURRÍCULO, NÃO CONSEGUI NENHUM EMPREGO, COM UM CURRÍCULO DE UM ESTUDANTE INICIANDO UM CURSO DE DIREITO, COM UM CURRÍCULO DE ALGUÉM QUE FALA INGLÊS E ESPANHOL. FOI AÍ QUE EU PERCEBI QUE O MERCADO É CAPACITISTA, ELE VAI OLHAR PARA SUA CONDIÇÃO FÍSICA, ELE VAI OLHAR PARA A SUA APARÊNCIA MUITAS VEZES, E QUE O MERCADO DE TRABALHO É PRECONCEITUOSO.”

Nós estamos dando, de fato, o ensino? Uma experiência muito desagradável que eu tive quando estava na escola, eu tenho dislexia, e antes de descobrir a minha dislexia eu repeti de ano duas vezes, e eu vi que tinha alguma coisa errada porque eu estudava e chegava na prova não conseguia concentrar e os professores me passavam de ano, até que eu reivindiquei: eu estou vendo que eu estou sendo passado de ano, meu ensino está defasado. E aí começaram a me repetir de ano. Quando eu me lembro disso eu penso em todas as outras crianças com deficiência. Será que elas estão sendo passadas? “Ah, ele já faz muito de estar aqui”, acredito que tem de ser cobrado de acordo com a realidade daquela pessoa. Pois no futuro a pessoa será prejudicada.

Atualmente você mora sozinho, como está sendo essa experiência para você? É um desafio diário, cada hora eu encontro uma coisa para ter de me adaptar, mas uma coisa que eu aprendi é que eu não sou sozinho no mundo e que eu convivo com pessoas neste planeta, e eu não tenho problema nenhum em pedir ajuda. Eu tenho 95% de autonomia dentro de casa, mas eu tenho os anjos que trabalham no meu prédio e, graças a Deus, não falta nada para mim na minha realidade.

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ARTIGO

EDUCAÇÃO ESCOLAR,

EDUCOMUNICAÇÃO E CIÊNCIA

FLÁVIA CATANANTE Coordenadora Estadual de Educação e Ação Pedagógica da FEAPAES, Diretora de Escola Pública, Palestrante, Professora de Pós-Graduação, Mestranda em Educação Universitária, Especialista em Educação Especial, Gestão Escolar e Gestão Empreendedora, Pedagoga habilitada em Deficiência Intelectual e da Audiocomunicação. Atua no movimento apaeano e na esfera pública há 30 anos.

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á muito vimos debatendo sobre a necessidade de atualização das estratégias didático-pedagógicas dentro do universo educacional, em todos os níveis de ensino. Os recursos utilizados no século passado vão aos poucos se distanciando do cotidiano escolar atual, porém a instalação da pandemia causada pela COVID-19 obrigou as equipes escolares a uma atualização radical, em tempo recorde. As carteiras sistematicamente dispostas na sala de aula, o material visual cuidadosamente preparado para dar suporte ao processo diário de

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ensino e aprendizagem, a rotina organizada de acordo com os estudos de caso realizados pela equipe escolar, foram repentinamente substituídos pelo espaço disponível na residência do aluno, no cantinho organizado pela família ou na casa toda, incluindo o quintal, pelos produtos disponíveis na despensa, utensílios domésticos, mobiliário residencial: o ambiente residencial transformou-se em ambiente escolar. Interessante pontuarmos como as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) exerceram papel primordial nas relações entre a equipe escolar, o aluno e sua família (SÃO PAULO, 2020). Sem poder realizar a mediação física no processo


educacional, buscou-se orientar o aluno na realização das atividades propostas e os pais para realizarem a mediação/monitoria do processo, por meio das redes sociais em grupos privados ou abertos à coletividade. O resultado foi a construção de uma rede solidária, participativa e que vem se atualizando diariamente com tantas publicações inovadoras. Nas Escolas Especiais, especificamente nas APAEs, a atualização metodológica que imaginávamos dentro de alguns anos aconteceu instantaneamente, praticamente do dia para o outro dia. Os estudos de Pallof e Pratt (1999) já apontavam para o sucesso do processo educacional quando a comunicação entre professores e alunos estivesse em igualdade de condições. Aliamos, hoje, a esse processo comunicativo e mediador toda a rede de profissionais envolvida na educação especial e os pais, que nos surpreenderam com a sua dedicação e a compreensão do seu papel neste momento. Precisamos, de um dia para outro dia, reconhecer e valorizar a subjetividade e a autonomia de cada ator desse processo educação a distância, tele-educação, atividade não presencial, ou qualquer outro nome que quiserem atribuir. O fato é que a educação escolar ampliou o seu campo de atuação, transpôs os muros escolares e a carga horária vigente, para um mundo virtual, no qual cada um constrói o seu conhecimento de acordo com o seu próprio espaço-tempo, autonomia e motivação. Todos nos transformamos em cidadãos “de um mundo em mutação” (SOARES, 2020). Nada disso é novidade, apenas o processo foi encurtado. Fomos obrigados a aprender a nos comunicar de forma clara, sucinta e eficiente, para alcançarmos os objetivos educacionais propostos para a escola, como um todo, e para cada aluno, de acordo com o seu Plano Educacional Individualizado (PEI), transformando o mundo ao redor em estratégia pedagógica. As Escolas Especiais das APAEs fizeram a lição de casa de forma perfeita. Atenderam a toda a legislação escolar específica e foram além das orientações recebidas dos órgãos reguladores. O roteiro de estudos que seria proposto ao estudante e mediado pelas famílias transformou-se em aula virtual por meio dos grupos de WhatsApp dos alunos mais velhos, videoaula para os alunos menores, atividade impressa para os que não têm acesso à internet, utilização de apps específicos e plataformas educacionais. Tudo sem fugir do conceito do

NAS ESCOLAS ESPECIAIS, ESPECIFICAMENTE NAS APAES, A ATUALIZAÇÃO METODOLÓGICA QUE IMAGINÁVAMOS DENTRO DE ALGUNS ANOS ACONTECEU INSTANTANEAMENTE, PRATICAMENTE DO DIA PARA O OUTRO DIA

PEI, estratégia pedagógica específica utilizada pelas Escolas Especiais das APAEs. O resultado está publicado nas mesmas mídias utilizadas para a mediação do processo de educação a distância/atividade não presencial. Sem planejar, utilizamos a educomunicação (ABADIA, 2015) como base para a democratização da educação especial, em um ambiente virtual, no qual os saberes e fazeres se misturaram, colocando educadores, educandos e famílias no mesmo nível de comunicação. Passada a pandemia, retornando à educação em sua forma presencial, com certeza estaremos mais seguros de que somos especialistas em educação e de que, como qualquer outra profissão, precisamos estar abertos à inovação, estudando teorias, experimentando práticas e, principalmente, registrando os resultados. Isso é ciência! Contribuir com seu saber e fazer para que outros continuem a partir de você.

REFERÊNCIAS ABADIA, J. M. Directrices Generales para la creación de proyectos edu-comunicativos. UAB: Gabinete de Comunicación, 2015. PALLOF, R.; PRATT, K. Building Learning Communities in Cyberpace. San Francisco: JosseyBass, 1999. SÃO PAULO. Comunicado COPED de 17 de março de 2020. Documento orientador: atividades a distância e de conscientização sobre a prevenção ao coronavírus. São Paulo, 2020. SOARES, I. O. Educomunicação: um campo de mediações. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 19, p. 12-24, set./dez. 2000. https://doi. org/10.11606/issn.2316-9125.v0i19p12-24

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SEJA UM

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ESSA CAUSA


ENTREVISTA

“CREIO QUE EM BREVE TEREMOS OPÇÕES MELHORES, SEJA DE MEDICAMENTOS, IMUNOGLOBULINAS E VACINAS”, DIZ HOMERO ROSA Epidemia inédita colocou o planeta em alerta e em uma corrida contra o tempo para encontrar soluções que freiem a doença

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mundo tem tido de, a passos largos, buscar soluções para frear o avanço do coronavírus. Em uma união de forças, a ciência tem se empenhado em resolver esse problema mundial, seja na busca imediata por uma vacina que breque a disseminação do vírus, seja na descoberta de um medicamento que, de fato, cure a doença. E foi sobre esse tema tão debatido nos últimos meses, a COVID-19, que falou o médico pediatra e coordenador técnico da Vigilância Sanitária de Franca desde 2004, docente do curso de medicina do Uni-FACEF e da Universidade de Franca, Homero Antônio Rosa Júnior. Além de falar sobre a possibilidade de uma vacina ainda para 2021, ele destaca na entrevista que o coronavírus não deve ser encarado apenas como uma doença respiratória, trata-se de uma doença sistêmica que atinge o epitélio de vários órgãos e sistemas do nosso corpo, em especial os pulmões, os rins, o coração ou o cérebro.

Em sua análise, como está o avanço da pandemia no Brasil? Estamos enfrentando uma epidemia inédita e sem precedentes quanto à enorme velocidade de disseminação do vírus e ao rápido agravamento em algumas pessoas. Até menos de um ano atrás, nenhum ser humano teve contato prévio com o vírus, fazendo com que todos os povos sejam suscetíveis a contrair essa infecção viral. Pelas características próprias de comportamento do povo brasileiro, estamos percebendo que muitos não estão se comportando como recomendado para o enfrentamento da epidemia, o que pode desencadear um longo período de disseminação e maior virulência do novo coronavírus que pode traduzir em muitos pacientes graves e, por consequência, muitas mortes pelo agravamento da infecção viral.

A COVID-19 não deve ser pensada apenas como uma doença respiratória? Até cerca de três meses atrás, essa era a impressão dos pesquisadores, mas hoje claramente se classifica como uma doença sistêmica que atinge o epitélio de vários órgãos e sistemas do nosso corpo em especial pode atingir os pulmões, os rins, o coração ou o cérebro. As lesões inflamatórias disseminadas decorrentes de respostas do nosso sistema imunológico podem comprometer os vasos sanguíneos e causar perigosos trombos sanguíneos que podem levar à insuficiência de alguns órgãos e ao óbito.

Como o senhor vê os relatos de que teria muita gente morrendo em casa por medo de ir ao hospital, mesmo quando apresenta sintomas sérios? Isso não deveria ocorrer porque, independentemente da doença, quando apresentar sinais ou sintomas de gravidade, a pessoa deve se dirigir a um serviço de saúde de urgência para avaliar individualmente a condição clínica. Por exemplo, há alguns sintomas de maior importância, como falta de ar, variações

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bruscas de pressão arterial, fraqueza intensa, dor no peito, desmaio, sangramentos importantes, dor de cabeça intensa, mal-estar muito forte, entre outros.

O Brasil está adotando uma postura de regionalizar o isolamento social. Um lugar faz, o outro não faz. Isso é positivo? Como somos um país de dimensões continentais, temos diferentes características de evolução da pandemia de acordo com a dinâmica de cada município ou região. As grandes metrópoles, por motivos óbvios, têm números muito maiores de soropositivos e de mortes pela COVID, e por isso têm muito mais dificuldade em conter o avanço da disseminação viral, provocando o temido avanço da epidemia para as cidades do interior, o que pode levar ao colapso do sistema de saúde e fazer com que muitos pacientes não tenham acesso a leitos de UTIs e a respiradores mecânicos. Ninguém no mundo estava preparado para enfrentar uma pandemia com essas características avassaladoras e com tantos doentes ao mesmo tempo. Estamos procurando um equilíbrio entre minimizar os danos na saúde da população e ao mesmo tempo não deixar a engrenagem da economia parar, que seria tão ou mais devastador para as pessoas, pois promoveria o caos na saúde pública e privada, na segurança, no estado mental das pessoas, entre outras consequências possíveis.

As pessoas têm falado muito que o uso das máscaras deverá permanecer por um longo período, o senhor acredita nisso também? Qual é a visão da medicina a esse respeito? O uso constante de máscaras deve ser incorporado ao hábito das pessoas até termos uma situação epidemiológica favorável com pequena parte da população suscetível a contrair coronavírus ou mesmo que possamos ter acesso a uma vacina contra o novo coronavírus que se mostre eficaz e segura. A máscara é uma barreira mecânica fundamental contra a dispersão do vírus em duas vias, tanto para quem possa estar com a COVID-19 (mesmo desconhecendo) quanto para a outra pessoa que possa se infectar pelas portas de entrada — os olhos, a boca e as narinas.

Já podemos falar em vacina? O senhor acredita que teremos uma em breve? Temos informações que pelo menos 10 empresas estão em fase avançada de pesquisa clínica que

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envolve testes em seres humanos; isso está sendo possível devido à tecnologia atual, ao compartilhamento de avanços científicos e aos grandes investimentos. Creio que no próximo semestre ou mais tardar no primeiro semestre de 2021 devemos ter no mercado mundial vacinas específicas com segurança e eficácia.

Se a vacina é a principal aposta para a COVID, isso significa que, até o surgimento dela, as sociedades todas terão de administrar algum tipo de isolamento? Como a ciência de pesquisas está avançando a passos largos na busca de soluções, creio que em breve teremos opções melhores seja de medicamentos, imunoglobulinas ou vacinas. No atual momento necessitamos aguardar essas soluções acontecerem e a melhor estratégia consistem no distanciamento social, uso correto e diário de máscaras, higienização frequente das mãos (com água e sabão ou álcool gel). São medidas desconfortáveis para muitas pessoas, mas são necessárias para contermos a fase pior da epidemia e ganharmos tempo para um dia termos novamente nossos hábitos seguros e podermos não mais nos preocupar com esse vírus importado da China.

O senhor acha que o Brasil começou a flexibilizar o isolamento na hora certa? Penso que as grandes metrópoles, em especial as que têm aeroportos ou portos com grande demanda de passageiros oriundos do exterior, deveriam ter tomado ações preventivas ou de restrições à circulação antes do ocorrido, pois o Hemisfério Sul foi acometido após o Hemisfério Norte, tivemos tempo de analisar os erros e acertos de outros países antes de sermos atingidos pela pandemia. A flexibilização de restrições se deve por necessidades essenciais da comunidade, como manutenção de empregos, abastecimento de alimentos ou combustíveis, oferta de medicamentos, manutenção da segurança e outras atividades, o que complica é a insuficiente fiscalização do cumprimento dos decretos governamentais e também a insuficiente comunicação de informes técnicos à população instruindo tecnicamente como se comportar diante de uma epidemia como esta. Leia a entrevista completa no site da FEAPAES-SP: www.feapaesp.org.br.


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