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APAE em destaque

APAE de Andradina Publicação da FEAPAES-SP - Federação das APAEs do Estado de São Paulo

Ano 2018 • Edição 20

REVISTA APAE EM DESTAQUE ANO 2018 • EDIÇÃO 20

INCLUSÃO EM EVIDÊNCIA: ATIVIDADES EM TODO O ESTADO DE SÃO PAULO MARCARAM A CAMPANHA

SETEMBRO VERDE 2018 GRUPO DA APAE DE BERTIOGA ENCANTA COM ESPETÁCULOS DE DANÇA CONTEMPORÂNEA APAE_v20_capa.indd 1

CONFIRA OS PREPARATIVOS PARA O XV FESTIVAL NOSSA ARTE 2019 03/12/2018 14:33:03


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SUMÁRIO

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CAPA

SETEMBRO VERDE 2018

6 GALERIA DE FOTOS

9 NOTAS APAE

50 VALE CAP

52 ENTREVISTA FERNANDA ORSATI

61 JURÍDICO INFORMA

APAE EM DESTAQUE

PARIQUERA-AÇU

11 12 14 16 18 19 21 22 23

SANTA BÁRBARA D’OESTE

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SÃO CAETANO DO SUL

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TAQUARITUBA

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ADAMANTINA AMPARO ARAÇATUBA BERTIOGA CAPELA DO ALTO DRACENA ITÁPOLIS JABOTICABAL

SUMARÉ MONGAGUÁ APARECIDA MACATUBA MIRANDÓPOLIS

FEAPAES EM REVISTA 6º CICLO DO FUNDO DE PROJETOS

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I JORNADA DE EDUCAÇÃO

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EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA SUPERAÇÃO NO ESPORTE

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FEAPAES-SP PRESENTE NOS 22 CONSELHOS EM 2018

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CONCURSO ESTADUAL DE CARTÕES DE NATAL

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EVENTOS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

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XV FESTIVAL NOSSA ARTE

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ALIMENTOS ARRECADADOS PARA APAE DE FRANCA

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ARTIGO GERAÇÃO DE RENDA PRÓPRIA CONSTRUINDO SISTEMAS EDUCACIONAIS INCLUSIVOS

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EXPEDIENTE DIRETORIA EXECUTIVA

EDITORIAL

Presidente Cristiany de Castro Vice-presidente José Marcelo Campos Alduíno 1º Diretor Secretário Paulo Rogério Geiger 2º Diretor Secretário Celso Roberto Pegorin 1º Dir. Financeiro Salvador Anésio Ruiz Aylon

CONSELHO FISCAL

D

ezembro chegou e com ele a 20ª edição da Revista APAE em Destaque, repercutindo inúmeros projetos desenvolvidos pelas APAES do estado e muitas ações da FEAPAES-SP em prol das 305 filiadas. Demos destaque especial nesta publicação ao Setembro Verde, uma importante campanha que visa fomentar o debate sobre a importância da inclusão social da pessoa com deficiência. E, já pensando em 2019, trouxemos um pouquinho do que está sendo preparado para o XV Festival Nossa Arte, que, a exemplo das Olimpíadas Especiais realizada em 2018, promete ser um grande evento, recheado de emoção e de apresentações surpreendentes. Ainda nesta edição dedicamos um espaço para falar de alguns projetos inovadores, como a Exposição de Fotografias Superação no Esporte, realizada em Franca. O trabalho desenvolvido pelos fotógrafos Wilker Maia e Marcos Limonti, durante as Olimpíadas, permitiu que a sociedade presenciasse a luta da pessoa com deficiência para superar todas as barreiras, não apenas as físicas. Por falar em projetos inovadores, na sessão APAE em Destaque, o leitor poderá conferir o projeto da APAE de Dracena, que criou a TVhd APAE Dracena, transmitida por um canal no YouTube, tornando-se assim um excelente meio de divulgação do trabalho da APAE. Seguindo a mesma linha de inovação, a APAE de Macatuba, em vez de uma TV, desenvolveu um jornal, em que são divulgados os eventos e as promoções da entidade. Esta edição ainda conta com uma entrevista com a psicóloga e PhD em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade de Educação da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, Fernanda Orsati, sobre autismo. Desejo uma excelente leitura! Thaís Demacq Jornalista – Mtb 44568/SP comunicacao@feapaesp.org.br

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APAE EM DESTAQUE • ANO 2018 • EDIÇÃO 20

Titulares Celso Bueno de Oliveira Carlos Eduardo Torres Vera Lúcia Ferreira Lima

2º Dir. Financeiro Luis Roberto Roson Diretor Social Paulo Arantes Diretor de Patrimônio José Roberto Guimarães Autodefensor Stephanie Lima Ferreira Autodefensor Wellington Clementino

Suplentes Cézar Sousa Vilela Celso Fujioka Silvio Filippini

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Antônio Pio Francisco Innocencio Pereira Hélio Tadeu Zago Jorge Martins Salgado José Avanilson da Silva José Carlos da Silva Josiane Claudia da Silva Jacob Lucia Helena Gonçalves Senteio Márcia Cardoso Luqueti Gianoti Márcio Anselmo Rodrigues de Oliveira Márcio Nardo

Maria Aparecida Gomes Sampaio Maria Carolina Paoliello Maria de Fátima Dalmédico de Godoy Maria José de Souza Nunes Meiri Aparecida Sant’ana Rodrigues Moacyr Fonseca Júnior Nelson Bassanetti Norma Tavares Vieira Consani Paulo César Zeni Sayma Pimentel Zeraik Viduedo Sonia Aparecida Martins Bento de Oliveira

PROCURADORIA JURÍDICA Acir de Matos Gomes

EQUIPE TÉCNICA | FEAPAES-SP Superintendência Fernanda Gomes superintendencia@feapaesp.org.br Coordenação Administrativa Cíntia Faccirolli coordadm@feapaesp.org.br

Equipe da Qualidade Aline Lima Ketully Fernanda Ascêncio Cadorim Lucila Castro Elaine Lemos coordqualidade@feapaesp.org.br

Financeiro Fátima Melo Eduardo Carloni Stephany Gouveia (estagiária)

Ouvidoria Karla Pereira Sílvio Balan Paulo José da Silva Nogueira Fábio Rodrigues Johnny Barbosa auxiliaradm@feapaesp.org.br

Comunicação Thaís Demacq - Mtb 44568/SP Débora Simões - Mtb 81427/SP Arthur Borges (estagiário) comunicacao@feapaesp.org.br

Administrativo Adriana Queiroz Amanda Cristina da Silva Souza Letícia Lilian Rosa Batista (jovem aprendiz) faleconosco@feapaesp.org.br

Jurídico Thiago Mellem Thales Araújo juridico@feapaesp.org.br

Desenvolvimento Institucional Flaviana Carvalho institucional@feapaesp.org.br

Tecnologia da Informação Anderson Mesquita tecnologia01@feapaesp.org.br

Cursos Lays Alves Eventos01@feapaesp.org.br

Coordenação Financeira Lucas Almeida financeiro@feapaesp.org.br

Edição concluída em dezembro de 2018 Federação das APAES do Estado de São Paulo Rua Tomaz Pedro do Couto, 471 | Polo Industrial Abílio Nogueira | Franca/SP CEP: 14406-065 | Fone: 16 3403-5010 | Fax: 16 3403-5015 E-mail: feapaes@feapaesp.org.br www.feapaesp.org.br

Revista APAE em Destaque

Redação: Débora Simões e Thaís Demacq. Edição: Thaís Demacq Revisão e Diagramação: Zeppelini Publishers / Instituto Filantropia


PALAVRA DA PRESIDENTE

É

hora de dar adeus a 2018 e recarregar as energias para começar o próximo ano com ânimo e entusiasmo, mas não podemos deixar de citar algumas vitórias que tivemos nesse ano que se encerra. Fizemos história com a XIX Olimpíadas Especiais das APAES, em que mobilizamos mais de 700 pessoas, entre atletas, técnicos e acompanhantes. Foram momentos únicos para os nossos usuários, que puderam vivenciar instantes de alegria e emoção. O ano de 2018 também ficará marcado pelos grandes eventos de capacitação promovidos pela FEAPAES-SP, entre cursos, jornadas, simpósios e mesas-redondas. Realizamos mais de cem eventos, com o objetivo de atualizar nossos profissionais, para que continuem a inovar em seus serviços e nos manter como referência no atendimento às pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Até setembro de 2018, capacitamos mais de 3.200 pessoas. Também realizamos pelo quarto ano consecutivo, em parceria com a APAE de Valinhos, o Setembro Verde. Ficamos muito felizes com o resultado, pois o mês destinado a fomentar o debate sobre a luta pelos direitos e pela inclusão social da pessoa com deficiência ganhou espaço em todo o estado, haja vista que nossas APAES abraçaram a ideia e mobilizaram por meio de várias ações as suas comunidades. Encerro desejando a você, leitor, um 2019 de muito amor e conquistas. Que o novo ano seja repleto de triunfos e vitórias para todos! Um grande abraço. Cristiany de Castro Presidente da FEAPAES-SP

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GALERIA DE FOTOS

SETEMBRO VERDE

DINA

RA AND

GUARATIN

GUETÁ

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ITAPIRA

NOVA ODES

SA

RA-AÇU

E PARIQU

MIRASSOL

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ITÁPOLIS

FRANCA

CONCHAL

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NOTAS APAE

APAE DE OURINHOS É REFERÊNCIA NO PROGRAMA DE INCLUSÃO NO MERCADO DE TRABALHO

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á dez anos a APAE de Ourinhos realiza o Programa de Inclusão no Mercado de Trabalho, iniciativa que visa dar autonomia e incluir as pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla na sociedade. Durante todo o programa, a instituição realizou mais de cem inclusões de usuários no mercado de trabalho. Com a formalização do programa e busca ativa de vagas por meio de pesquisa sobre empregabilidade da pessoa com deficiência, foi possível mostrar o potencial do deficiente intelectual no trabalho. Dessa forma, as empresas viram na APAE uma parceira para contratações via Lei de Cotas (Lei nº 8.213, de 1991). O programa conta com uma equipe multidisciplinar composta de coordenador, assistente social, terapeuta ocupacional, psicólogo e duas educadoras sociais. A APAE possui hoje seis empresas parceiras no programa, além de órgãos públicos que proporcionam vagas de estágio remunerado aos usuários. Atualmente, há 65 usuários incluídos.

PROFISSIONAL DA APAE DE CRAVINHOS É HOMENAGEADA NA CÂMARA MUNICIPAL

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o dia 13 de setembro, o vereador João Aurélio Bis (Gil Bis) apresentou uma moção de apoio assinada por todos os vereadores em homenagem à educadora física da APAE de Cravinhos Iane da Silva Moreira Bionês, na Câmara Municipal de Cravinhos, em Sessão Solene. A Moção de Apoio nº 614/2018 foi apresentada por conta do engajamento social da profissional da educação física. Iane é atuante e dedicada profissional, tem experiência na APAE de Cravinhos, onde trabalha desde maio de 2015 atendendo em média a cem usuários, os quais frequentam o ensino fundamental I e II, e também o socioassistencial, em que desenvolve um trabalho adaptado para as habilidades de todos os alunos. “Tenho a plena confiança de dar meus filhos para você cuidar, porque você flui amor. Nós precisamos, entre esse meio em que estamos agora, de muitas ‘Ianes’. Que nós sejamos a ponte para essas pessoas estarem aqui, porque não somos eternos, nós estamos políticos, e na pior fase da política. Agradeço a oportunidade, com seu exemplo, Iane, e de fazer essa moção de homenagem”, disse o autor da propositura, Gil Bis.

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USUÁRIOS DA APAE DE PRESIDENTE BERNARDES CONHECEM O CANTOR DANIEL

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o dia 13 de julho, a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida realizou em Presidente Bernardes o show com o cantor Daniel, evento que movimentou toda a cidade. Daniel, como embaixador das APAES, não poderia deixar de fora a APAE do município. A paróquia, que é parceria da APAE de Presidente Bernardes, disponibilizou sete ingressos para que os usuários da instituição pudessem curtir o show do cantor no camarote do evento. Além disso, os usuários também puderam ir ao camarim conhecer pessoalmente o Daniel. “Nós realizamos um sorteio entre os 67 usuários da APAE de Presidente Bernardes. Eles ficaram extremamente felizes e emocionados com o encontro e durante o show. Foram muito bem recepcionados com comidas, refrigerantes e água”, conta a coordenadora da APAE Ariani Bíscaro.

APAE DE PRESIDENTE VENCESLAU PRODUZ SHOWMÍCIO PARA CANDIDATOS À AUTODEFENSORIA APRESENTAREM PROJETOS

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ara abrir a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, a APAE de Presidente Venceslau realizou no dia 21 de agosto um showmício. O evento faz parte da campanha eleitoral para os cargos de autodefensores da instituição. Ao todo, dez candidatos apresentaram suas propostas para gestão 2018–2021. O evento também contou com o show da banda da APAE, em homenagem a gestão de 2015-2018 dos autodefensores. As eleições foram realizadas no dia 29 de agosto, e com o showmício os eleitores puderam analisar as propostas dos candidatos.

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Os eleitos foram Vitor Lucas da Silva Fernandes e Janaina da Silva, juntamente com os suplentes Rodrigo Rodrigues da Silva e Camila Gonçalves Lima. O programa de autodefensoria visa valorizar as capacidades da pessoa com deficiência.


APAE EM DESTAQUE

APAE DE ADAMANTINA INAUGURA NOVA SEDE DO PROJETO TERAPÊUTICO VIDA NOVA

Projeto completa 12 anos e realiza atendimento especializado em transtornos globais do desenvolvimento e deficiência intelectual

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projeto terapêutico Vida Nova, desenvolvido pela APAE de Adamantina, está em novo espaço. Agora funciona em uma estrutura de 700 m2, na chácara da instituição, conquista que contou com o apoio da comunidade, da igreja e dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Inaugurado no dia 7 de maio, o local foi construído com o objetivo de proporcionar uma estrutura mais adequada aos pacientes com transtornos globais do desenvolvimento e deficiência intelectual, oferecendo conforto e melhoria na qualidade dos atendimentos. O projeto iniciou-se em 2006, porém a antiga sede era improvisada. Por meio do Projeto Vida Nova, a APAE propicia atendimento especializado por meio de uma equipe interdisciplinar, enfatizando a importância do tratamento para alívio do paciente e de seus familiares, diminuindo o risco de evolução incapacitante da doença e sequelas invalidantes. A equipe é composta de profissionais da terapia ocupacional, enfermagem, psicologia, assistência social, educação física e fonoaudiologia, além do apoio de auxiliares de enfermagem. Atualmente, o projeto atende a 30 usuários, com idade superior a 14 anos, porém, devido a expansão do espaço, a APAE pretende ampliar o número de atendimentos. “O novo espaço veio para melhorar a qualidade do atendimento. A estrutura foi planejada de acordo com as atividades realizadas. Trabalhamos atividades da vida diária e da vida prática, para que eles utilizem no dia a dia”, conta Lilian Christianini Germano Parra, enfermeira e coordenadora do projeto.

O projeto terapêutico Vida Nova é conveniado com o Sistema Único de Saúde (SUS); todos os atendimentos são financiados pelo sistema. Os atendimentos são diários, das 7h30 às 16h30, e também há o trabalho de socialização, em que os usuários realizam passeios externos em locais de grande circulação, que fazem parte do cotidiano da população, como restaurantes, lanchonetes, shopping centers, entre outros. O trabalho ainda engloba a família dos usuários, para que eles reforcem em casa as atividades desenvolvidas no projeto, como por exemplo, a escovação dentária e a alimentação de forma autônoma. APAE EM DESTAQUE • ANO 2018 • EDIÇÃO 20

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APAE EM DESTAQUE Equipe da APAE e usuários após a apresentação da peça

APAE DE AMPARO

FAZ RELEITURA DO MÁGICO DE OZ PARA FALAR SOBRE INCLUSÃO SOCIAL A peça teatral Incluir é Construir Melhores Caminhos reuniu público de 250 pessoas e emocionou a cidade de Amparo

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arte possui papel fundamental na sociedade, afinal ela faz parte da cultura e da história de um povo. Auxilia na comunicação, no convívio das pessoas e no crescimento humano e social. E por que não utilizar a arte também como um instrumento de inclusão? A APAE de Amparo apostou nessa ideia e o resultado não poderia ter sido melhor: um público de 250 pessoas para prestigiar a peça teatral Incluir é Construir Melhores Caminhos, apresentada por dez usuários que ensaiaram por aproximadamente três meses.

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A peça é fruto de uma Oficina de Teatro que começou em fevereiro de 2018, com o objetivo de trabalhar a autoestima dos usuários e valorizar as potencialidades de cada um. Porém, o interesse dos aprendizes de atores surpreendeu a direção da APAE, que decidiu realizar apresentações internas. No entanto, o projetou não parou de crescer, e a peça foi apresentada para toda a cidade em setembro, aproveitando o gancho da campanha Setembro Verde. O enredo se passa em uma escola, onde uma aluna má, que no decorrer da peça se transforma na Bruxa Má do Oeste, personagem da história do Mágico de Oz, maltrata os amigos, também personagens


do clássico de L. Frank Baum. “Escolhemos pelo tema inclusão, para mostrar as diferenças e a importância de cada um aceitar que ninguém é igual a ninguém, respeitando as individualidades e promovendo a equidade”, explica Elaine Aparecida Rodrigues Dorigatti, diretora da APAE.

EMOÇÃO E GRATIDÃO Após a apresentação, que ocorreu no Buffet Prime Center, em Amparo, os dez atores expressaram toda a emoção vivida em função do evento. “Eles contaram como ficaram nervosos, mas que no fim tudo deu certo”, fala Elaine. A experiência foi positiva também para os pais e familiares, que se surpreenderam ao ver o quanto são capazes. “Nossa, não sei como me expressar, mas a palavra é gratidão, pois sei o quanto vocês fizeram e fazem por nossos filhos, muitas vezes mais até do que nós da família. Eu jamais colocaria minha filha a frente de um

“ESCOLHEMOS PELO TEMA INCLUSÃO, PARA MOSTRAR AS DIFERENÇAS E A IMPORTÂNCIA DE CADA UM ACEITAR QUE NINGUÉM É IGUAL A NINGUÉM, RESPEITANDO AS INDIVIDUALIDADES E PROMOVENDO A EQUIDADE.”

palco, achando que ela não seria capaz, e foi”, conta Sônia Maria de Oliveira Parladore, mãe de participante da peça. De acordo com a diretora, a obra teatral ainda está sendo aperfeiçoada para o Festival Nossa Arte, que acontece a cada três anos e que tem o objetivo de incluir a pessoa com deficiência na sociedade por meio da arte. E a convite do prefeito de Amparo, Luiz Oscar Vitale Jacob, o espetáculo será encenado na Concha Acústica da cidade.

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APAE EM DESTAQUE

DO ÍNTIMO PARA O RITMO: AUTISTAS DA APAE DE ARAÇATUBA COMPÕEM MÚSICAS SOBRE O COTIDIANO Projeto Improvisar Cantando estimula a criatividade e a socialização de crianças com autismo

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música como mecanismo de linguagem tem por essência estruturar e apresentar informações. As rimas e o ritmo organizam a informação auditiva e podem ajudar a memorizar sequências

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de atividades, rotinas ou até conteúdos escolares. Além disso, a música é um meio motivador e criativo que favorece as relações sociais. Pensando  nisso, a APAE de Araçatuba implantou o projeto Musicalização Infantil, que atende a usuários da instituição do setor de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O maestro do projeto é o instrutor de música Marcelo Nellis, que desde 2017 atende a cerca de 50 usuários do espaço dedicado para pessoas com TEA. Segundo ele, as aulas de expressão musical têm como objetivo estimular a musicalidade nos usuários por meio de instrumentos musicais, de forma individual, em dupla ou em grupo, além de desenvolver a coordenação motora e estimular os movimentos do corpo, o raciocínio, a linguagem musical, a memorização, a concentração, a comunicação, a criatividade, a autonomia e o bem-estar. Em 2018, durante os atendimentos surgiu o Projeto Improvisar Cantando, que atende a aproximadamente 15 usuários com TEA, com faixa etária de oito e dez anos. A iniciativa incentiva composições musicais por parte dos participantes com temas do cotidiano. “Em alguns atendimentos individuais, eu passei a sugerir temas para as crianças escolherem e a partir disso nós conversávamos sobre a temática e eu anotava o que eles diziam. Criei uma melodia com o violão e gravei com o celular. Quando vi, já tinha 20 músicas”, explica Marcelo.


COMPOSIÇÕES “QUI QUI QUI QUI QUI A calopsita (3X). Ela faz assim, ela faz assim, ela faz assim: QUI QUI QUI...” Esse trecho faz parte da música A Calopsita, de autoria da usuária da APAE de Araçatuba Vitória Roldão e do instrutor Marcelo Nellis. A canção surgiu durante atendimento. Ao observar que a usuária falou várias vezes a palavra calopsita, pois ela tinha ganhado uma, o instrutor perguntou como a calopsita cantava, e ela respondeu “qui qui qui”. As letras das canções são simples, porém refletem temas importantes da vida do usuário, como família, escola, hobbies, fé, alimentação, entre outros. Segundo o instrutor Marcelo, por meio da música os usuários conseguem expressar sentimentos que muitas vezes ficam apenas no seu íntimo. Lucas Alves, usuário do espaço de TEA, compôs com Marcelo, a música Meu Pai. Segundo a sua mãe, Aline de Souza Alves, por intermédio da música ele conseguiu dizer ao pai que o amava, algo que, de acordo com ela, nunca havia falado. “Falava ainda que entendia os momentos de ausência do pai. Assim, coisas que nem sabíamos que ele tinha no coração”, diz Aline, ressaltando que a criança, hoje com dez anos, foi diagnosticada com autismo aos oito.

APRESENTAÇÃO Em comemoração ao Setembro Verde, campanha que visa tornar o mês de setembro referência na inclusão social da pessoa com deficiência, a APAE de Araçatuba realizou no dia 5 de setembro uma apresentação para os familiares, em que os usuários cantaram juntamente com Marcelo suas composições. Mais de 200 pessoas estiveram presentes para prestigiar os compositores. Fazer uma apresentação para um grande público representa a superação da maior dificuldade de pessoas com autismo: a

Vitória Roldão, compositora da música Calopsita

“EM 2018, DURANTE OS ATENDIMENTOS, SURGIU O PROJETO IMPROVISAR CANTANDO, QUE ATENDE A APROXIMADAMENTE 15 USUÁRIOS COM TEA, COM FAIXA ETÁRIA DE OITO E DEZ ANOS. A INICIATIVA INCENTIVA COMPOSIÇÕES MUSICAIS POR PARTE DOS PARTICIPANTES COM TEMAS DO COTIDIANO.” interação social. A conclusão é da psicóloga Andreia Carvalho Castro Barcelos, coordenadora o programa do TEA. “O que vimos hoje na apresentação foi a concretização de tudo o que é feito desde o começo do ano. Foi uma forma de colocar em prática tudo aquilo que nós trabalhamos, com os técnicos e com as terapias”, finaliza a psicóloga. APAE EM DESTAQUE • ANO 2018 • EDIÇÃO 20

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APAE EM DESTAQUE

PROJETO TEATRAL DA APAE DE BERTIOGA COMEMORA 15 ANOS

Grupo Da Intenção ao Gesto emociona e encanta o público desde 2003

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uz, ação e emoção! Entra em cena o grupo Da Intenção ao Gesto, idealizado em 2003 pelo professor de artes dramáticas Tiago Pereira Lins, que há 15 anos emociona e encanta o público com espetáculos de dança contemporânea e teatro. O projeto, realizado pela APAE de Bertioga, é voltado para a área socioeducativa da instituição e atende a 13 usuários, com faixa etária de 18 a 45 anos. Cada ano, o grupo desenvolve um espetáculo, que envolve técnicas da dança contemporânea,

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teatro de gestos e teatro físico. Os usuários participam de todo o processo de criação, desde a escolha da peça até a produção dos cenários, figurinos e maquiagem, além, é claro, da atuação. Os ensaios acontecem diariamente na sede da APAE de Bertioga. “Os usuários adoram participar. A maioria está no projeto desde o início, outros entraram há sete anos. O grupo é bem integrado”, afirma o professor Tiago. O projeto tem como missão criar mecanismos de produção cultural, bem como montagens de espetáculos, performances, além da busca incessante pelo aprimoramento do trabalho artístico.


“PARA 2018, OS PREPARATIVOS PARA O ESPETÁCULO MEU GESTO REVELA... O QUE EM MIM VOCÊ NÃO ENXERGA, ESTÃO A TODO O VAPOR.”

Assim, possibilita à pessoa com deficiência o protagonismo, a inclusão, a desconstrução do estigma e, finalmente, sua participação na sociedade de forma plena e cidadã. “Todos os espetáculos que nós produzimos seguem a tradição. Geralmente uma peça teatral e uma apresentação de dança têm duração de 40 a 50 minutos. Nossas produções têm a mesma duração”, conta Tiago.

ESPETÁCULOS Em 2016, o espetáculo desenvolvido foi Transeuntes, peça que dialoga com aquilo que está de passagem, com o exagero das formas e a efemeridade das coisas, utilizando como linha os sonhos que nos invade pelas pequenas frestas. A população pôde conferir o espetáculo na Casa da Cultura de Bertioga. Já em 2017 o palco para o espetáculo Estrada pra Lugar Algum foi no espaço técnico do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bertioga. A mostra baseia-se no atual cenário de refugiados, norteando-se pelos atuais e antigos acontecimentos acerca da situação opressiva dos países do Oriente Médio e da África, evidenciando por meio do ato simbólico o jogo bárbaro e perverso cometido contra milhares de inocentes que fatalmente precisam se deslocar, abandonar suas terras em busca de refúgio, pois ali a vida se tornou insustentável. Para 2018, os preparativos para o espetáculo Meu gesto revela... O que em mim você não enxerga, estão a todo o vapor. A peça traz para a cena as máscaras forjadas por todos nós, para estarmos em sociedade. A junção dos três espetáculos traz para a APAE de Bertioga algo inédito: uma composição de repertório e produção de espetáculos em dança contemporânea.

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APAE EM DESTAQUE

PROJETO DA APAE DE CAPELA DO ALTO INCENTIVA A

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E A AUTONOMIA DOS USUÁRIOS

Horta Educacional e Pedagógica promove a qualidade de vida dos usuários por meio da alimentação saudável

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Usuários aprendem os cuidados com a terra

uito se tem falado da importância da alimentação saudável nos dias atuais, incluindo o consumo de frutas e verduras. Isso porque a ingestão adequada desses alimentos traz inúmeros benefícios à vida das pessoas, entre eles o controle de calorias e do peso, além de evitar doenças causadas pela falta de nutrientes. Tendo o incentivo à alimentação saudável como um dos objetivos, a APAE de Capela do Alto desenvolveu o Projeto Horta Educacional e Pedagógica. Além de promover a boa alimentação, o projeto ainda possibilita a integração por meio do trabalho coletivo, levando os participantes a terem conhecimentos sobre o cultivo de hortaliças de várias espécies e a se responsabilizarem por suas próprias tarefas, desenvolvendo assim a independência e a autonomia nas atividades do cotidiano. Desenvolvido com recursos do Super Cap Paulista, o projeto teve início em março de 2018

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“ALÉM DE PROMOVER A BOA ALIMENTAÇÃO, O PROJETO AINDA POSSIBILITA A INTEGRAÇÃO POR MEIO DO TRABALHO COLETIVO, LEVANDO OS PARTICIPANTES A TEREM CONHECIMENTOS SOBRE O CULTIVO DE HORTALIÇAS DE VÁRIAS ESPÉCIES E A SE RESPONSABILIZAREM POR SUAS PRÓPRIAS TAREFAS, DESENVOLVENDO ASSIM A INDEPENDÊNCIA E A AUTONOMIA NAS ATIVIDADES DO COTIDIANO.”

e atende a 15 usuários da instituição. No decorrer do projeto, eles aprendem os cuidados com a terra, para que a hortaliça tenha condições adequadas para crescer, prepararam os canteiros e eliminam todas as ervas daninhas que podem prejudicar o cultivo. Também realizam as regas de água e aprendem o momento certo de fazer a colheita.

CARDÁPIO SAUDÁVEL NA APAE Parte dos alimentos cultivados é revertida para o consumo na APAE, e outra parte é comercializada. “Nós fazemos a venda da alface, por exemplo, e revertemos os valores para a compra de novas mudas”, explica David Caíque de Jesus Machado, monitor da Horta Educacional e Pedagógica. Entre os alimentos plantados, dentro de um espaço na própria APAE, estão alface, couve e repolho, além dos condimentos tradicionais da culinária brasileira, como cebolinha e salsinha.


APAE EM DESTAQUE Fernando José, Fernando Vieira, Luan, Luzia, Maria de Fátima e Aline

ESTÁ NO AR A TVHD APAE DRACENA! Criada em 2011, a TV da APAE de Dracena estimula a criatividade dos usuários e ainda divulga o trabalho da APAE “Quem não se comunica, se trumbica!”. A frase, eternizada pelo grande comunicador Chacrinha, faz sentido ainda hoje, muitos anos após sua morte, e os usuários da APAE de Dracena concordam com o Velho Guerreiro sobre a importância de uma comunicação de qualidade. Tanto que criaram em 2011, juntamente com o professor de arte da instituição, a TVhd APAE Dracena, que é transmitida por meio de um canal no YouTube. Fernando Vieira Moraes, um dos usuários da APAE, foi o idealizador da TV, que nasceu após ganhar o apoio de Gervásio de Farias, professor de arte da instituição. “Teve um dia que eu falei para o Gervásio: vamos fazer uma reportagem? Foi aí que

Repórter Fernando Vieira e o professor Gervásio de Farias

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eu me soltei, foi aí que começou a TVhd”, explica Fernando, em um vídeo postado no YouTube sobre a história da TV. Navegando pelo canal, o telespectador encontra várias reportagens, coberturas das oficinas de culinária e de dança, chamadas para os eventos da APAE, vinhetas e até entrevistas. Por meio do Projeto de Vídeo, já foram feitas 210 gravações. O estúdio é montado pela própria equipe, todas as sextas-feiras, no período da manhã. De acordo com o professor, os temas surgem de várias maneiras. “Às vezes, a gente pensa antes, faz uma pauta, elabora as perguntas. Quando vêm pessoas visitar APAE, a gente já pega a câmera e faz a matéria”, explica Gervásio.

Fernando Vieira entrevistando o jogador do São Paulo Futebol Clube, Rodrigo Caio

A jornalista Léia Oliva Nogueira durante a gravação

Repórter Luan Santana entrevistando o usuário João Marcelo

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DA APAE DE DRACENA PARA O MUNDO A iniciativa da APAE de Dracena trouxe muitos benefícios: deu voz aos usuários, que podem expressar suas ideias e mostrar para a sociedade do que são capazes, e possibilitou para a instituição um excelente canal de divulgação dos eventos e do trabalho desenvolvido. Além disso, por meio da TV, os usuários trabalham a habilidade de expressão, potencializam o diálogo no ambiente escolar e libertam o espírito criativo, que, segundo o próprio professor, foi um dos pontos em que se notaram grandes avanços. “Eles gostam demais. É inexplicável. Eles participam mesmo, dando ideias. Hoje mesmo estou editando um vídeo e eles estão perguntando: o meu vídeo está pronto? Quando você vai colocar no YouTube?”, conta Gervásio. Os ganhos não param por aí. Os usuários ainda são estimulados a buscar novas maneiras para a preparação de um vídeo, de roteiros, cenários, iluminação, ensaio de cenas, tempo de gravação, treino de fala e postagem na internet. Engana-se quem pensa que o trabalho é feito de maneira desorganizada; cada pessoa da equipe tem sua função definida: Fernando Vieira Moraes é o repórter-chefe; Aline Cassiana e Léia Oliva Nogueira são as jornalistas; Luan Santana e Maria de Fátima, repórteres; Fernando José atua como assistente de produção; Douglas Moura, como câmera; e o professor Gervásio de Farias é o responsável pela edição. Para assistir às reportagens, basta entrar no YouTube (www.youtube.com) e buscar por TVhd APAE Dracena.


APAE EM DESTAQUE

COMER BEM PARA VIVER BEM Projeto Alimentação da APAE de Itápolis aborda a importância da alimentação saudável

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niciado em abril de 2018, o projeto Alimentação da APAE de Itápolis atende a cerca de 160 usuários pela área de educação da instituição e visa à implantação de hábitos alimentares saudáveis na rotina deles, mostrando na prática os benefícios da alimentação rica em nutrientes. Para isso, os usuários participaram de visitas técnicas, como feiras livres, em que puderam ver de perto a comercialização de alimentos e aprender sobre os processos pós-colheita, além de estarem em contato direto com uma variedade de verduras e legumes. Os usuários também visitaram a Central Municipal de Alimentos de Itápolis, para aprender como são feitas as refeições distribuídas nas escolas do município. A visita foi acompanhada pela nutricionista Gisele Butarello. Em sala de aula, o projeto foi trabalhado de forma multidisciplinar. Os usuários, por meio de desenhos, realizaram atividades sobre o aprendizado das visitas técnicas. Idealizado pela coordenação pedagógica em conjunto com o corpo docente, o projeto Alimentação resultou também na oficina de culinária, em que, após o conhecimento adquirido com as diversas atividades desenvolvidas, os usuários tiveram aulas práticas, em que fizeram salada de frutas e bolos, além de cozinharem mandioca, aprendendo também a utilidade das cascas de diversos alimentos. “Nossa intenção é desenvolver hábitos alimentares sadios nos usuários e, consequentemente, nos familiares, além de conscientizar os alunos da importância da boa alimentação e de promover a reeducação alimentar”, conta Vilma Elaine Sousa Seravo, coordenadora pedagógica da APAE de Itápolis. Os usuários também visitaram a horta da instituição, momento em que aprenderam sobre sementes e mudas e como são feitos os canteiros. Após a teoria, veio a parte prática; os usuários plantaram muitas mudas de alface e de outras verduras.

“O PROJETO ALIMENTAÇÃO BUSCA MOSTRAR NA PRÁTICA OS BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO RICA EM NUTRIENTES.”

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PROJETO CULTURAL MOVIMENTOU APAE DE JABOTICABAL

Grandes artistas do cenário nacional e internacional foram interpretados pelos usuários, que estudaram suas biografias, gostos e obras

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arte é uma das formas que o ser humano encontrou para se expressar no decorrer dos séculos. Por meio dela, o homem manifesta suas emoções e seus sentimentos. Representada de diversas maneiras, por meio da pintura, da escultura, do cinema, do teatro, da dança, da música, entre outros, tem papel fundamental na cultura de um povo. E foi com os objetivos de proporcionar aos seus usuários acesso à cultura e à arte, em suas várias manifestações,

“O GRUPO QUE ESCOLHEU O TONY RAMOS FEZ AQUELA DANÇA DA NOVELA CAMINHOS DA ÍNDIA. ESTUDARAM DESDE A ALIMENTAÇÃO, CONHECERAM AS COMIDAS TÍPICAS, OS COSTUMES DAQUELE PAÍS, E FIZERAM UM COMPARATIVO COM A VIDA DELES, O QUE COMEM LÁ E O QUE COMEMOS AQUI.”

Usuários antes da apresentação

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e apoiar as atividades curriculares que a APAE de Jaboticabal desenvolveu o Projeto Cultural. A turma, de aproximadamente 90 usuários, foi dividida em grupos, e, entre eles, foi decidido um artista para ser estudado, desde o seu estilo artístico, carreira, costumes do seu país até seus pratos preferidos. Entre as escolhas dos grupos, estavam Willian Shakespeare, Roberto Carlos, Tony Ramos, Gisele Bündchen e James Brown. Todo esse empenho resultou em uma apresentação teatral da obra Romeu e Julieta, interpretações musicais, composição de um funk e muito mais. “O grupo que escolheu o Tony Ramos fez aquela dança da novela Caminhos da Índia. Estudaram desde a alimentação, conheceram as comidas típicas, os costumes daquele país, e fizeram um comparativo com a vida deles, o que comem lá e o que comemos aqui”, explica Patrícia Lessi, coordenadora pedagógica da APAE de Jaboticabal.

INSPIRAÇÃO EM GRANDES ARTISTAS PLÁSTICOS Além de escolherem artistas que ganharam destaque nos palcos do teatro, na música e até nas passarelas de moda, os usuários também tiveram a oportunidade de mergulhar no mundo das artes plásticas e de conhecer uma parte da rica lista de brasileiros reconhecidos nesse campo, como Heitor dos Prazeres, Aldemir Martins, Beatriz Milhazes e Romero Britto. O projeto ainda contribuiu para o desenvolvimento integral dos alunos e usuários e cooperou para a melhoria da qualidade de vida deles, favorecendo o desenvolvimento pessoal, as relações interpessoais e a inclusão social por meio da cultura. “Eles gostaram muito, quiseram levar para suas escolas, porque os meninos da Educação Especial para o Trabalho vão na escola da rede comum, e é no contraturno que eles vêm para cá. Eles queriam apresentar na escola deles”, conclui Patrícia.


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APAE DE PARIQUERA-AÇU REALIZA PROJETO DE EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO Baseada no Currículo Funcional Natural, iniciativa visa dar mais autonomia aos usuários

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ealizado sempre no Dia Nacional do Trânsito, 25 de setembro, o Projeto Trânsito na Escola da APAE de Pariquera-Açu existe há alguns anos, para conscientizar os usuários da instituição sobre as leis de trânsito, tanto para pedestres quanto para motoristas. Idealizado pelos professores e pela coordenação pedagógica da APAE de Pariquera-Açu, o projeto conta também com profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional. Ao todo, participaram 29 usuários do programa socioeducativo da instituição, na faixa etária de 15 a 30 anos neste ano de 2018. Durante o projeto, os usuários foram orientados a respeito dos principais aspectos do trânsito e dos comportamentos seguros, como, por exemplo, desembarcar dos veículos sempre pelo lado da calçada, atravessar a rua sempre na faixa de pedestre, olhar para os dois lados da rua ao atravessar, o significado de cada cor do semáforo, entre outros.

O projeto conta com a parte teórica dentro da sala de aula e também com a parte prática, momento em que os usuários fazem um passeio a pé em torno da sede da APAE de Pariquera-Açu para aplicar técnicas do Currículo Funcional Natural (CFN). “Ha grande preocupação em realizar atividades fora da sala de aula, levando usuários para os passeios, a pé, em torno do prédio da instituição, para que desenvolvam independência e autonomia ao andarem sozinhos pelas ruas do município”, explica Maria Aparecida Gomes Sampaio e Silva, diretora da APAE de Pariquera-Açu.

“DURANTE O PROJETO, OS USUÁRIOS FORAM ORIENTADOS A RESPEITO DOS PRINCIPAIS ASPECTOS DO TRÂNSITO E DOS COMPORTAMENTOS SEGUROS.”

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APAE DE SANTA BÁRBARA D’OESTE RECEBE PRÊMIO JUDITH LEBLANC DE INCLUSÃO NA VIDA O prêmio foi criado pelo Instituto de Pesquisa Ann Sullivan com o objetivo de apresentar à sociedade atividades de pessoas, instituições e empresas que sobressaiam na busca de caminhos para a construção de um mundo mais inclusivo

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Instituto de Pesquisa Ann Sullivan (IPAS), em parceria com o Centro Ann Sullivan del Perú (CASP), realizou no dia 15 de setembro, na cidade do Rio de Janeiro, a premiação dos vencedores do Prêmio Judith LeBlanc de Inclusão na Vida. A APAE de Santa Bárbara d’Oeste foi classificada em segundo lugar, com o tema A Atividade Instrumental de Vida Diária e o Currículo Funcional Natural: a Prática na APAE de Santa Bárbara d’Oeste. “Nós ficamos muito felizes com o segundo lugar, deu uma injeção de ânimo nos profissionais. Foi muito importante para a APAE de Santa Bárbara d’Oeste ter participado. É um reconhecimento do trabalho e reflete nas famílias e nos usuários”, conta a coordenadora geral Lídia Imaculada Bicoto Gonçalves de Oliveira. O primeiro lugar ficou com a APAE de Canoinhas, de Santa Catarina, com o tema Currículo Funcional Natural: Trilhando um Caminho para a Independência, e o terceiro lugar para a APAE de Belo Horizonte, com o trabalho A Lógica Funcional Natural e Qualidade de Vida.

PROJETO O trabalho premiado da APAE de Santa Bárbara d’Oeste é executado pela união multidisciplinar entre equipe pedagógica e equipe técnica de saúde, encabeçada pelo setor de terapia ocupacional em parceria com as demais áreas. Tal projeto se desenvolveu com usuários do setor de egressos da educação acima de 30 anos. Todas as equipes da instituição realizam o Currículo Funcional Natural (CFN), porém para a inscrição no prêmio a instituição definiu uma área de atuação. Segundo Lídia, a APAE de Santa Bárbara d’Oeste há alguns anos está implantando o CFN em todos os setores da entidade. “Em 2016 e 2017 nós realizamos cursos de 72 horas com a especialista Maryse Suplino, em Currículo Funcional, para toda a equipe. Hoje o programa é obrigatório na APAE”, conta. Atualmente a APAE de Santa Bárbara d’Oeste atende a 563 usuários e todos eles participam do programa de CFN. Os resultados do trabalho são expressivos na autonomia e independência das atividades instrumentais de vida diária e nas atividades básicas de vida diária, envolvendo alimentação, higiene pessoal e ambiental, ampliação da socialização e participação efetiva nos diversos ambientes sociais, além do favorecimento de fatores cognitivos e motores, do uso de novos equipamentos, do aprimoramento da utilização de equipamentos cotidianos (facas, produtos de limpeza, entre outros) e da ampliação do rol de conhecimentos gerais a respeito da alimentação.

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APAE DE SÃO CAETANO DO SUL FAZ PARCERIA COM

TIRO DE GUERRA PARA VOLUNTARIADO

Pelo segundo ano consecutivo, parceria trouxe frutos positivos para a instituição e para os próprios voluntários, que puderam conhecer diferentes realidades

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trabalho voluntário não agrega apenas valores para a organização, mas também para a sociedade, que recebe cidadãos mais humanos e conscientes, e para a própria pessoa que presta o serviço, pois se torna mais solidária e com mais capacidade de empatia. Diante de todos esses benefícios, o primeiro-sargento Wanderley Pereira dos Santos, do Tiro de Guerra de São Caetano do Sul (TG-02-069), procurou a APAE do município no ano passado para que seus atiradores pudessem colaborar com a instituição. “No ano passado, nós tínhamos um usuário servindo o tiro de guerra, o que despertou o interesse no sargento em inserir os meninos na vivência desse soldado”, conta Meire Evelyn Vasconcelos, responsável pelo Departamento de Captação de Recursos. Antes de dar início às atividades dentro da APAE — que nos dois anos aconteceram de junho a setembro —, os atiradores visitaram o local, conheceram os serviços que são executados e puderam interagir com os usuários, que os receberam com muito entusiasmo. “É muito interessante ver o apreço que os usuários têm pela figura do soldado. Eles foram muito bem recebidos, tomaram café junto com os usuários, conheceram a instituição e foram até aplaudidos”, explica Meire. Com a parceira, os atiradores são convidados a auxiliar nas festas da instituição e em outros serviços administrativos, quando necessário. Além disso, por sugestão da própria APAE, eles também

fazem a digitação da Nota Fiscal Paulista, que são revertidas à instituição. “O trabalho deles na digitação das notas é muito relevante para a APAE de São Caetano do Sul e era realizado uma vez por semana, por quatro horas”, fala a responsável pelo departamento de Captação de Recursos.

O TIRO DE GUERRA O Tiro de Guerra é uma instituição militar do exército brasileiro encarregada de formar soldados e/ou cabos de segunda categoria (reservistas) para o exército e é estruturado de modo que o convocado possa conciliar a instrução militar com o trabalho ou estudo. A origem dos Tiros de Guerra remonta ao ano de 1902, com o nome de Linhas de Tiro, quando se fundou no Rio Grande do Sul uma sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares. Em 1916, no impulso da pregação de Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório, transformou-se no Tiro de Guerra, com o apoio do poder municipal, nesse tipo de organização militar destinada à formação de reservistas brasileiros.

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APAE DE TAQUARITUBA

COMPLETA 40 ANOS

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Uma história de batalhas e conquistas em prol da pessoa com deficiência intelectual e/ou múltipla

esde 19 de setembro de 1978, a APAE de Taquarituba presta serviços de qualidade para pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla do município e da região. Para comemorar os 40 anos de história, no dia 6 de setembro foi realizada a cerimônia de celebração do aniversário da instituição. O evento, que aconteceu às 13 horas, na nova sede da APAE de Taquarituba, contou com a participação de autoridades da cidade e de municípios vizinhos, além dos usuários e da população local. Durante a cerimônia, as autoridades pronunciaram-se a respeito da importância da instituição para Taquarituba. Rosângela Maria da Silva, diretora da APAE, contou, emocionada, a história de fundação da APAE de Taquarituba e todas as dificuldades percorridas para manter a prestação do serviço. “Há 40 anos, algumas pessoas muito

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queridas de nossa comunidade se incomodaram com a falta de um atendimento adequado para pessoas com deficiência em nosso município, decidiram se organizar e começar o trabalho, inicialmente na casa de uma das fundadoras, e somente com voluntários para fazer todo o trabalho com garra e determinação”, conta Rosângela. Para valer-se do momento de festa, a APAE de Taquarituba aproveitou para inaugurar o refeitório da nova sede. O espaço foi conquistado graças ao apoio de toda a comunidade, que participou de diversos eventos em prol da instituição e também auxiliou com mão de obra para a construção. Quebrando o protocolo, o usuário Carlos Eduardo Cardozo interrompeu a solenidade para fazer uma homenagem a Rosângela, profissional que atua há 30 anos na instituição. “APAE é movimento de acolhimento, defesa e garantia de direitos da pessoa com deficiência e


suas famílias. APAE de Taquarituba é um desafio a cada dia, é um sonho que se realiza a cada instante. Os obstáculos tornam-se escada para alcançar os nossos objetivos”, conta Rosângela. Para encerrar a solenidade, ao som da fanfarra da APAE de Taquarituba, não puderam faltar os parabéns, com direito a bolo para todos os presentes.

A APAE A APAE atualmente atende a 180 pessoas com deficiência diariamente. Ao longo dos seus 40 anos, a instituição foi se especializando e conseguindo algumas parcerias. Para a manutenção do serviço, a instituição sempre contou com voluntários, que, desde sua fundação, fazem de tudo para que a instituição cresça. “A APAE significa para mim um porto seguro. Digo isso por ser mãe de filho com deficiência e usuário da APAE. É um lugar onde fui acolhida, aprendi muito sobre a vida e como melhorar a vida do meu filho, e, com isso, nasceu no meu coração um amor pelas famílias e pelos usuários. Senti então um imenso desejo de colaborar com essa causa, doando um pouco do meu tempo e experiências como mãe e empresária”, conta a presidente da APAE de Taquarituba, Josiane Cláudia da Silva Jacob.

Em meados dos anos 1980, a diretoria sentiu a necessidade de uma sede própria. Com muita luta, conseguiu adquirir um terreno e, com a realização de alguns eventos para arrecadar dinheiro, começou a construção do prédio. Finalmente em 1991 inaugurou sua sede própria. Com o passar dos anos, o número de atendimentos aumentou e o espaço ficou pequeno para a quantidade de usuários. Em 2013 a instituição conseguiu adquirir o novo terreno, e desde então a APAE de Taquarituba vem construindo, aos poucos, espaços necessários para os atendimentos oferecidos. “A falta de estrutura física foi meu primeiro desafio. Um lugar projetado para 30 usuários estava acolhendo 120, e isso nos levou à luta para a construção da nova sede, que hoje conta com uma equipe multidisciplinar completa com excelentes profissionais, um centro de equoterapia, oito salas de aula, refeitório, pátio, um centro de reabilitação e um amplo espaço para que os usuários possam ter a liberdade de estar em contato com a natureza, por meio do cultivo na horta, pomar e muitas atividades ao ar livre. Tudo isso só foi possível graças ao apoio e à contribuição da diretoria e da comunidade taquaritubense”, explica Josiane.

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APAE DE SUMARÉ PARTICIPA DO PROGRAMA MUNICIPAL ANTIDROGAS DA GUARDA MUNICIPAL Objetivo do projeto é trabalhar com os usuários a prevenção para o uso de drogas lícitas e ilícitas

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APAE de Sumaré firmou uma nova parceria no segundo semestre de 2018: a implantação do Programa Municipal Antidrogas (PROMAD) com a guarda civil do município. A coordenação de educação da instituição buscou a parceria com o objetivo de trabalhar a prevenção com os usuários alertando-os sobre o mundo com o qual eles podem deparar, com oportunidades nem sempre benéficas, como por exemplo o contato com as drogas lícitas e ilícitas, haja vista muitos viverem em áreas de risco. A primeira turma que participou do projeto contou com 21 participantes da Escola de Educação Especial e do Serviço do Centro Dia, com faixa etária acima dos 16 anos. O projeto vem sendo desenvolvido nas escolas municipais da cidade a cada semestre e foi idealizado pelo guarda civil municipal e coordenador do PROMAD, Hemenegildo Sampaio.

UM DIA DIFERENTE DE APRENDIZADO No primeiro dia do projeto houve a participação das famílias dos envolvidos para explicar como seria

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a realização do programa. Esse dia também teve a participação especial do canil, com o cachorro Scott, da raça Border Collie, o que deixou os usuários encantados. “Nosso primeiro dia de aula foi emocionante e muito gratificante. Foi um dia de aprendizado para eles e para nós também. Assim que chegamos, alguns estavam quietos, mas no decorrer dos nossos trabalhos notamos a aproximação, pois estivemos lá para oferecer a nossa amizade, bem como construir uma amizade com cada um”, disse a instrutora do PROMAD Silvania Luiz das Neves Reis. No dia 7 de setembro os protagonistas do projeto, juntamente com profissionais da instituição e guardas municipais, participaram do desfile de Sete de Setembro realizado no centro da cidade. “Foi um dia especial, em que puderam vivenciar o quanto é importante a questão do civismo, do resgate à história brasileira, pois hoje vivemos num país onde algumas questões culturais estão sendo deixadas de lado, sendo muitas vezes esquecidas pela sociedade”, diz a coordenadora pedagógica Sandra Helena Fagnani de Paula. O projeto caminha na busca de melhores perspectivas de qualidade de vida em uma sociedade que ainda tem dificuldade de entender a inclusão. Nas aulas é possível ver a interação dos alunos mediante os assuntos abordados e a satisfação em aprender sobre temas atuais. “O projeto tem sido de grande valia na vida de cada um dos nossos alunos. Percebo a empolgação e curiosidade a cada nova aula e mudanças significativas no pensamento, fazendo com que a cada dia se tornem mais independentes, compreendendo a responsabilidade dos cuidados para com a sua vida, tornando-se protagonistas da sua própria história”, conclui a professora da sala participante do PROMAD e que atua na guarda municipal Raquel Tognin Rossati.


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ULTRAMARATONISTA ARRECADA FUNDOS PARA A APAE DE MONGAGUÁ

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Projeto 250 km Apaexonado busca, por meio do esporte, incentivar a solidariedade

ntre os dias 29 de julho e 3 de agosto, o ultramaratonista Bruno Luís Ribeiro participou da prova de 250 km no meio do deserto de Gobi, na Mongólia, e, para transformar a experiência em solidariedade, o atleta criou a campanha 250km Apaexonado. Por meio de uma plataforma de crowdfunding (arrecadação online), o ultramaratonista “vendeu” os quilômetros percorridos para arrecadar fundos para a APAE de Mongaguá. As pessoas interessadas investiam a partir de R$ 10 para comprar 10 km. Ao todo, foram 17 investidores. O atleta conseguiu arrecadar R$ 1.170 durante 35 dias de crowdfunding. “O mais importante do projeto não foi apenas a arrecadação do dinheiro em si, mas a possibilidade de levar o nome da APAE de Mongaguá para fora do país, pois os ultramaratonistas carregam bandeiras durante o percurso, e o Bruno levou a nossa, e ele foi o único brasileiro na competição. Além do exemplo para os usuários, pois viram alguém que não está diretamente ligado à causa, lutar por eles, assim eles também são incentivados a praticar esportes”, conta Evelyn Benites, oficial administrativa da APAE. As contribuições não foram direcionadas para nenhum custo das despesas do atleta; ele mesmo foi responsável por todos os seus custos (viagem, inscrição, equipamentos, alimentação, etc.). Os recursos arrecadados serão utilizados para a construção do jardim sensorial da APAE de Mongaguá, espaço que visa proporcionar aos usuários a possibilidade de ter contato com as plantas, por intermédio do olfato, do paladar e do tato, estimulando-os de forma globalizada. Em todo trajeto do jardim sensorial, haverá diversas plantas com texturas e aromas diferentes, que poderão ser tocadas pelos usuários. Ainda, será instalada uma pequena fonte para produzir som de água em movimento, que auxilia na redução da ansiedade.

ULTRAMARATONA Durante a ultramaratona, Bruno Luís Ribeiro teve de ser capaz de carregar seus mantimentos e pertences para sobreviver os seis dias sem auxílio de outras pessoas. Essa prova faz parte de uma das quatro etapas da Série 4 Deserts, que consiste em quatro ultramaratonas de 250km nos desertos mais extremos do planeta: Atacama, no Chile (o mais alto e mais seco); Gobi, na Mongólia (o mais ventoso); Saara, no Egito (o mais quente); e Antártida (o mais frio). Bruno ficou classificado em 22º lugar na Gobi March 2018 e foi o único atleta brasileiro a participar do circuito. “Para essa edição, eu tive pouco tempo de preparação. Eu achei que iria me sair pior do que na competição de Atacama, em que fiquei em 32º, pois a corrida é 80% mente e 20% corpo, e eu lutei contra uma depressão um tempo antes, mas por incrível que pareça fui melhor. Acho que voltei com mais força e fiquei em 22º em uma competição com 240 atletas do mundo inteiro”, explica Bruno Luís Ribeiro. APAE EM DESTAQUE • ANO 2018 • EDIÇÃO 20

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USUÁRIOS DA APAE DE APARECIDA APRENDEM SOBRE A CULTURA DA CIDADE EM PROJETO DE ARTE Entender a história e a cultura da cidade onde se vive, além de permitir o contato com o universo artístico, foram os objetivos do projeto de arte

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arte, em suas várias manifestações, cinema, música, literatura e pintura, proporciona para as pessoas, entendimento mais amplo do mundo. Pensando nisso, a APAE de Aparecida desenvolveu o projeto Em Jesus, com Maria, Restauramos a Vida! O objetivo do trabalho foi colocar os usuários em contato com o universo artístico de forma participativa, além de desenvolver habilidades de percepção e imaginação, ampliando o seu universo cultural. Além disso, a elaboração do projeto permitiu que os participantes tivessem a oportunidade de entender a história e a cultura da cidade em que vivem, tornando-os concientes do momento festivo que mobiliza toda a sociedade aparacidense, haja vista tratar-se de uma cidade turística de caráter histórico-religioso e sua cultura estar ligada à religiosidade. “Iniciamos o projeto com uma visita ao Memorial da Devoção Nossa Senhora Aparecida, onde os alunos puderam ver e ouvir a história da padroeira”, explica Márcia Lúcia de Paula Ferreira Silva, professora de arte da APAE Aparecida.

POTENCIALIZANDO A CRIATIVIDADE Respeitando as habilidades e limitações, foi proposto que os participantes do projeto, após a visita

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ao complexo turístico, que fica anexo ao Santuário Nacional, desenhassem a imagem de Nossa Senhora Aparecida em folha sulfite, sempre com orientação e organização da professora de artes. Na primeira etapa do projeto, trabalharam-se as cores, as linhas, os desenhos, a geometrização, a composição, as formas humanas e a harmonia cromática. Na sequência, foram desenvolvidas outras habilidades, como: identificar os traçados dos alunos no preenchimento dos espaços determinados com o uso de pincel e tinta, posição de segurar, limpeza do material utilizado, troca de tinta, entre outros. Após concluída essa etapa, os alunos de cada sala elegeram um desenho para representar a turma, somando seis desenhos finalistas. Os professores, a coordenação e a direção elegeram o desenho vencedor, que foi estampado em camisetas usadas na recepção da Imagem Peregrina e no dia da participação da APAE na novena. Além disso, os desenhos selecionados foram ampliados e colocados em molduras para serem apreciados. “As 12 obras realizadas pelos 120 usuários na faixa etária de 6 a 60 anos serão ainda expostas em agências bancárias, na Basílica Nacional, na sede da APAE e em vários outros locais públicos, para que as pessoas percebam a intuição, a capacidade de percepção e as habilidades que podem ser manifestadas se um estímulo for oferecido”, conclui a professora.


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USUÁRIOS DA APAE DE MACATUBA TRANSFORMAM-SE EM JORNALISTAS E PRODUZEM JORNAL Reuniões de pauta e pesquisas na internet são algumas das atividades para a produção do APAE em Jornal

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om o objetivo de promover a interação social, a inclusão e o contato com a informática e com o mundo online e suas tecnologias, a APAE de Macatuba criou em janeiro de 2017 o informativo APAE em Jornal. De periodicidade mensal, ele envolve todos os usuários da APAE e é distribuído dentro da própria instituição, além de ser disponibilizado no site e na rede social da entidade. Por meio do projeto, quatro usuários atuam de maneira direta na produção do jornal, desde as reuniões de pauta para decidir o conteúdo do informativo até a execução das entrevistas propriamente ditas. Também são eles que digitam as matérias, enquanto a montagem final fica por conta da professora de informática. Com o jornal finalizado, um dos jornalistas distribui os exemplares pela entidade. Os demais usuários participam sugerindo reportagens e entrevistas, além de enviarem fotos. De acordo com a professora de informática e responsável pelo projeto, Isabela Caroline de Carvalho, quando os usuários buscam matérias na comunidade e na própria APAE, eles também se mantêm informados sobre o que ocorre em seu círculo de convivência. Além de entrevistas, o jornal reproduz uma coluna de aniversariantes, curiosidades e receitas culinárias. Tem também a editoria Giro pela APAE, que mostra as fotos dos acontecimentos do mês. “A ideia era fazê-los conhecer melhor alguns lugares da cidade e alguns setores da escola (APAE). Então, surgiu a ideia do informativo, que depois cresceu para a ideia de incluir entrevistas e entretenimento”, explica a professora. Ainda segundo Isabela, o periódico também é usado em sala como ferramenta de ensino e estímulo, fazendo, assim, com que todos os usuários da entidade sejam

Prefeito pousou para foto junto com usuários e funcionários da APAE de Macatuba beneficiados pelo projeto. “As professoras utilizam o jornal como material pedagógico. Elas o leem, perguntam o que acharam mais legal, ou o que não acharam”.

DIVULGAÇÃO DA APAE O APAE em Jornal, além de ser uma ferramenta para o desenvolvimento de várias habilidades dos usuários, também tem o objetivo de dar visibilidade ao trabalho desenvolvido na APAE em todas as suas áreas, bem como divulgar os eventos, promoções e outras novidades que estão acontecendo naquele mês. “Ele também vai para as redes sociais da nossa entidade e para o nosso site. Então, toda a população da cidade tem acesso”, explica Isabela. Nas páginas do informativo já foram veiculadas entrevistas com várias autoridades do município, entre elas, o padre do município, Fernando Gusson Maróstica, e o prefeito Marcos Olivatto. Além deles, também contribuíram para o jornal por meio de entrevistas, o presidente, a advogada, a diretora e alguns funcionários da APAE.

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PROJETO INSERÇÃO NO

MERCADO DE TRABALHO DA APAE DE MIRANDÓPOLIS COMPLETA DEZ ANOS O trabalho para os usuários da APAE de Mirandópolis proporciona muito mais que renda financeira, promove a autonomia e a independência

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e acordo com dados do censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Mesmo com esses números, a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ainda é um desafio no país e um tema pouco discutido, porém a APAE de Mirandópolis não cruzou os braços e há dez anos criou o Projeto Inserção no Mercado de Trabalho. O objetivo é inserir no ambiente profissional os usuários da entidade, haja vista que o trabalho traz inúmeros benefícios sociais, psicológicos e físicos. Estar inserido no mercado do trabalho permite que

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a pessoa com deficiência se integre melhor à sociedade, tenha recursos próprios para investir na sua qualidade de vida, seja economicamente ativo e conquiste sua independência. Atualmente, a instituição possui oito alunos empregados com carteira assinada. De acordo com a coordenadora pedagógica da entidade, Maria Ivone de Jesus, o projeto deu certo, porque os empresários da cidade aderiram à proposta e apostaram na capacidade laborativa dos usuários. “O empregador só elogia, diz que tem problemas com outros funcionários e com os nossos não. Os nossos são problemas pequenos, às vezes numa questão de comunicar, coisas que não são prejudiciais para a empresa”, fala a coordenadora. O sucesso desses usuários nas suas atividades profissionais não aconteceu por acaso. Isso porque a APAE de Mirandópolis os acompanha, orientando e preparando-os para se portarem no ambiente profissional. “Eles estão no mercado de trabalho, mas eles vêm para dentro da instituição e qualquer problema nós acompanhamos, nós estamos na rede de trabalho, e a gente faz essa busca de saber com o patrão como que está, como que não está”, explica Maria Ivone. Os frutos desse projeto já são notados na vida desses usuários, que estão muito mais seguros, aprenderam a superar os seus obstáculos e dificuldades. “Quando eles foram para o mercado de trabalho, foi um avanço. Tem um aluno com dificuldade de fala, mas o dono do mercado falou que todo mundo já o entende, e ele fala, acabou a timidez”, conclui Maria Ivone.


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CAPA

SETEMBRO VERDE 2018

MOBILIZOU AS APAES DO ESTADO DE SÃO PAULO A campanha tem como objetivo tornar o mês de setembro referência na luta pelos direitos e pela inclusão social da pessoa com deficiência

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ficialmente aberta no dia 31 de agosto, a campanha Setembro Verde 2018 mobilizou diversas APAES de todo o estado de São Paulo. Tendo início em 2015, instituída pela Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), em parceria com a APAE de Valinhos, a campanha tem como objetivo tornar o mês de setembro referência na luta pelos direitos e pela inclusão social da pessoa com deficiência. “A campanha Setembro Verde é importante para conscientizar a população sobre o que é deficiência e ampliar a inclusão social da pessoa com deficiência”, afirma a assistente social da APAE de Brodowski, Andreia Aparecida Soares. Em 2018, o intuito foi envolver novamente a população em atividades voltadas à inclusão social e dar mais visibilidade à causa da pessoa com deficiência. “A FEAPAES vem promovendo desde 2015 o movimento Setembro Verde como forma de fortalecer a inclusão social da pessoa com deficiência. Precisamos despertar na sociedade o reconhecimento de que todos os cidadãos, mesmo com limitações, têm o direito de estar nos espaços em geral. Só assim teremos uma sociedade justa e solidária”, comenta Fernanda Gomes, superintendente da FEAPAES-SP.

ABERTURA No dia 31 de agosto, às 13h30, aconteceu a cerimônia de abertura da campanha Setembro Verde. O evento foi realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), no

Auditório Paulo Kobayashi, e contou com a presença das APAES do estado, de autoridades, de parceiros, de entidades e de toda a comunidade que apoia a causa. “A campanha é importante para tornar pública a luta pela inclusão social, para que saia dos muros das APAES”, afirma o presidente da APAE de São Vicente, Antônio Iris Mazza. Dando início, a superintendente da FEAPAES-SP, Fernanda Gomes, fez uma breve apresentação do trabalho da instituição e da campanha. Logo após, a mesa foi composta pelos autodefensores estaduais Wellington Clementino e Stephanie Lima Ferreira, pelo diretor financeiro da FEAPAES-SP e presidente da APAE de Valinhos, Luís Roberto Rozon, pelo conselheiro regional de Várzea Paulista, Luiz Antônio Lopes, e pela representante, no ato, do conselho de Praia Grande, Nilza Ribeiro Fernandes Afonso. “Nós, da APAE de Valinhos e da FEAPAES-SP, somos responsáveis pela criação da campanha Setembro Verde, que chega a sua quarta edição. A campanha tem como objetivos sensibilizar a população e ampliar o debate sobre a necessidade da inclusão social da pessoa com deficiência”, conta Luís Rozon. Logo depois, Lucas da Silva e Silva ministrou a palestra Nunca Pare de Lutar. Lucas possui tetraparesia, uma deficiência que provoca a perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores, e atualmente é funcionário público. Lucas contou sua história e suas lutas diárias contra o preconceito e as limitações pessoais. A palestra emocionou o público presente.

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Palestra Nunca Pare de Lutar de Lucas da Silva e Silva

PROGRAMAÇÃO

“ATINGIMOS NOSSO OBJETIVO, QUE FOI CONSCIENTIZAR AS PESSOAS SOBRE O SIGNIFICADO DO SETEMBRO VERDE.”

Na expectativa de atingir o maior número de pessoas, a FEAPAES-SP lançou o calendário oficial, com atividades que tinham por objetivo promover a inclusão social. No dia 7 de setembro, a sugestão foi de que as APAES e instituições participassem do desfile cívico vestidas de verde e portando faixas, e que entre os dias 10 e 14 de setembro promovessem o evento Zumba na Praça, em parceria com escolas de dança locais. De 17 a 21 foi sugerida a visita a escolas e a universidades, e entre os dias 14 e 28 de setembro, a realização do Piquenique da Inclusão. Para deixar a campanha ainda mais forte, a FEAPAES-SP disponibilizou para as APAES e instituições parceiras alguns materiais de divulgação. Os modelos dos materiais gráficos da campanha deste ano ficaram disponíveis na área de downloads do site da FEAPAES-SP (www.feapaesp.org.br).

NAS APAES

Apresentação dos usuários da APAE de Valinhos

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Diversas APAES participaram de ações do Setembro Verde. A APAE de Lorena seguiu a programação sugerida pela FEAPAES-SP e no dia 7 de setembro participou do desfile cívico do município. O evento contou com a participação de colaboradores, usuários e familiares, que, vestidos de verde e com cartazes, divulgaram a campanha da inclusão social.


1º Passeio Ciclístico Setembro Verde da APAE de Paranapanema

APAE de Lorena participa do desfile cívico de 7 de setembro

Já a APAE de Paranapanema fez diferente. No dia 9 de setembro, em parceria com a equipe ciclista Galera do Pedal, realizou o 1º Passeio Ciclístico Setembro Verde. Cerca de 150 ciclistas participaram do evento. “Atingimos nosso objetivo, que foi conscientizar as pessoas sobre do significado do Setembro Verde, que fala sobre a inclusão social da pessoa com deficiência”, conta o presidente da instituição, Humberto Ugolini. A APAE de Pereira Barreto também realizou atividades em comemoração ao Setembro Verde. No dia 12 de setembro, promoveu a IV Gincana Especial, promovendo o intercâmbio social entre escolas de educação especial entre a APAE local e de cidades vizinhas. O evento foi realizado no Veteranos Esporte Clube, das 9 às 14h, e contou com a participação das

“PRECISAMOS DESPERTAR NA SOCIEDADE O RECONHECIMENTO DE QUE TODOS OS CIDADÃOS, MESMO COM LIMITAÇÕES, TÊM O DIREITO DE ESTAR NOS ESPAÇOS EM GERAL. SÓ ASSIM TEREMOS UMA SOCIEDADE JUSTA E SOLIDÁRIA.”

APAES de Suzanápolis e Ilha Solteira. Além das atividades da gincana, os participantes tiveram direito a café da manhã, almoço, premiação com medalhas e troféus e ganharam um copo de brinde. As ações desenvolvidas pelas APAES do estado de São Paulo podem ser conferidas no Facebook da FEAPAES-SP, no endereço: /feapaesp/

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FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES/SP DIVULGA AS APAES CONTEMPLADAS NO 6º CICLO DO FUNDO DE PROJETOS Iniciativa da FEAPAES/SP em parceria com o Vale Cap investiu cerca de R$ 230 mil nesse ciclo

Cristiany de Castro, presidente da FEAPAES, em entrega simbólica de cheques do Fundo de Projetos, em 2017

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES/ SP) realizou na manhã do dia 29 de outubro o sorteio das APAES habilitadas no 6º Ciclo do Fundo de Projetos, plataforma de financiamento de projetos das APAES do estado de São Paulo, no valor de até R$ 20 mil. O Fundo de Projetos é fruto da parceria entre a FEAPAES/SP e o Vale Cap, produto comercializado na região do Vale do Paraíba. Ao todo, 69 APAES inscreveram-se para participar do edital do 6º Ciclo, com projetos que abrangem as áreas de assistência social, educação, gestão e saúde das APAES. Dessas, 29 foram habilitadas a participar do sorteio. O valor do recurso disponível nesse ciclo foi de R$ 239.155 e beneficiou 12 APAES.

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“Essa é uma importante iniciativa que possibilita o financiamento de projetos das APAES do estado de São Paulo, nas áreas de assistência social, educação, gestão e saúde. Por meio do fundo, as APAES conseguem viabilizar projetos que não teriam como arcar sem essa ajuda. É uma vitória que vai melhorar significativamente o atendimento oferecido, em um momento tão difícil para as APAES do estado”, comenta Cristiany Castro, presidente da FEAPAES/SP. As 29 APAES habilitadas foram: Araçatuba, Auriflama, Avaré, Cesário Lange, Cordeirópolis, Cosmópolis, Dracena, Espírito Santo do Pinhal, Estrela d’Oeste, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Itapira, Itápolis, Itatiba, Jacareí, Jales, Jarinu, Jaú, Mairinque, Mirandópolis, Ourinhos, Pedro de Toledo, Pirangi, Ribeirão Bonito, Roseira, Santa Cruz do Rio Pardo, Várzea Paulista, Votuporanga e Vargem Grande do Sul.

APAES CONTEMPLADAS Para maior transparência, o sorteio foi realizado via transmissão ao vivo na página do Facebook da FEAPAES/SP, por meio da plataforma online Sorteador. As APAES contempladas e seus respectivos projetos foram: Araçatuba, Inclusão Digital por meio de Tecnologias Assistivas; Auriflama, Compra de Materiais Permanentes; Cesário Lange, Reforma Elétrica; Estrela d’Oeste, Construção e Aquisição de Equipamentos; Guaratinguetá, A Reabilitação através da Estimulação Sensorial; Ilha Solteira, Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla acima de 30 anos; Itapira, Mais Espaço; Ourinhos, Sala de Integração Sensorial; Pirangi, Custeio de Recursos Humanos; Vargem Grande do Sul, Intensificando Atendimentos da Saúde; Várzea Paulista, Serviço Social no Acolhimento Familiar; e Votuporanga, Inclusão Digital.


FEAPAES EM REVISTA

I JORNADA DE EDUCAÇÃO

EM PIRASSUNUNGA PROPORCIONOU NOVOS CONHECIMENTOS PARA AS APAES Evento promovido pela FEAPAES-SP aconteceu em Pirassununga e fomentou a discussão sobre educação especial

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) realizou, nos dias 11 e 12 de setembro, a 1ª Jornada de Educação, na cidade de Pirassununga. O evento reuniu profissionais da educação e áreas correlatas que atuam de modo direto ou indireto na educação

especial. O objetivo da jornada foi o de disseminar conhecimentos às APAES e para as demais instituições do terceiro setor. No primeiro dia de evento, o público participou da palestra Educação, Deficiência e Novas Tecnologias, com Adriana Garcia Gonçalves, que é graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e em Fisioterapia

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Adriana Garcia Gonçalves no primeiro dia de evento

pela Universidade de Marília. Ela também é mestre e doutora em Educação. De acordo com Adriana, as novas tecnologias são alternativas que podem auxiliar no desenvolvimento do público-alvo da educação especial. “As tecnologias são consideradas um meio para que nossos alunos se beneficiem desse processo de ensino-aprendizagem porque são ferramentas que trazem um contexto de multimídia”, explica Adriana. No período da tarde, Miryan Cristina Buzetti, que possui pós-doutorado em Educação, mestrado e doutorado em Educação Especial, falou sobre o tema Adaptação Curricular para Educação Especial. Logo após, Célia Maria MontiVian Rocha, coordenadora da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB), falou sobre os Aspectos Gerais da Parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e as APAES. Na sequência, ela concedeu uma entrevista sobre esse assunto. “Sim, a parceria será prorrogada por termo de aditamento, com as mudanças as APAES poderão contar por aluno e não mais por salas e as classes poderão ter alunos do município e do estado”, falou Célia.

EVENTO DISCUTIU SISTEMAS EDUCACIONAIS E TREINAMENTO DE PAIS Flávia Catanante, coordenadora estadual de educação da FEAPAES-SP, abriu o segundo dia de evento, com a palestra Construindo Sistemas Educacionais Inclusivos. Ela é pedagoga com habilitação em Deficiência Mental, Deficiência da Audiocomunicação, mestranda em Educação

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Flávia Catanante durante sua palestra

“O TREINAMENTO DE PAIS VEM COM ESSAS DUAS PROPOSTAS, TANTO A INTERVENÇÃO VOLTADA PARA O PROBLEMA DE COMPORTAMENTO QUANTO A INTERVENÇÃO VOLTADA À AQUISIÇÃO DE NOVAS COMPETÊNCIAS.”

Universitária pela Universidade Nacional do Rosário e possui vasta experiência na educação especial. Fechou o evento, com a palestra Treinamento de Pais, a psicóloga e mestre em Educação Especial, Maria Isabel Pinheiro. “O Treinamento de Pais vem com essas duas propostas, tanto a intervenção voltada para o problema de comportamento quanto a intervenção voltada à aquisição de novas competências”, explica Maria Isabel. Durante todo o evento, foram abordados temas relevantes no que tange o contexto das escolas de educação especial das APAES, aprimorando o conhecimento dos profissionais e possibilitando desenvolver e aperfeiçoar as atividades adequadas às necessidades de cada aluno. De acordo com Alexandra Helena de Medeiros, o evento foi produtivo e contribuiu para o seu conhecimento. “Gostei bastante, foi muito produtivo o dia de ontem, deu para levarmos bastante coisa em nossa bagagem”, conclui.


FEAPAES EM REVISTA

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA SUPERAÇÃO NO ESPORTE ABRIU A SEMANA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO ESTADO DE SÃO PAULO Mostra fotográfica exibiu momentos de emoção e superação durante as competições da edição estadual das Olimpíadas Especiais das APAES

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) promoveu em Franca, entre os dias 21 e 28 de agosto, a exposição fotográfica Superação no Esporte. As  imagens foram captadas pelas lentes dos

fotógrafos Marcos Limonti e Wilker Maia, durante a XIX Olimpíadas Especiais das APAES, que aconteceu em Franca no mês de julho. Além de transmitir para a sociedade a capacidade das pessoas com deficiência, a mostra de fotografias abriu, no estado de São Paulo, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que tem como

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“PARA NÓS, PROMOVER ESSA EXPOSIÇÃO FOI UM FATO HISTÓRICO, POIS ELA ABRIU UMA SEMANA QUE FOI CRIADA PARA DEFENDER OS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, PARA CHAMAR A ATENÇÃO DA COMUNIDADE, DO PODER PÚBLICO, PARA QUE TODAS AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA POSSAM SER INCLUÍDAS, DE FATO, NO CONTEXTO SOCIAL.”

objetivo promover ações de prevenção de deficiências e de inclusão social. As imagens retrataram momentos de emoção, garra e superação por meio do esporte dos atletas de 80 APAES que participaram das competições em Franca. Ao todo, foram nove modalidades disputadas: natação, vôlei adaptado, dama, dominó, atletismo, futebol de 7, basquetebol, futsal e tênis de mesa.

PURA EMOÇÃO Quem passou pelo Poliesportivo de Franca na semana das competições não pôde deixar de notar a determinação, a alegria e o grande entusiasmo dos atletas

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quando a bola encontrava a rede ou quando caia na área do adversário. E essa impressão também foi sentida e retratada pelo fotógrafo Marcos Limonti. “A alegria e o espírito de união desses atletas são contagiantes, buscamos documentar alguns desses momentos em nossas fotografias”, explica o profissional. “Para nós, promover essa exposição foi um fato histórico, pois ela abriu uma semana que foi criada para defender os direitos da pessoa com deficiência, para chamar a atenção da comunidade, do poder público, para que todas as pessoas com deficiência possam ser incluídas, de fato, no contexto social”, disse a superintendente da FEAPAES-SP, Fernanda Gomes. Além disso, a exposição mostrou a luta diária de milhares de pessoas com deficiência intelectual e múltipla de todo o estado de São Paulo em superar limites e barreiras, tanto físicas quanto sociais, e ainda apresentou para a sociedade o trabalho que é desenvolvido pela FEAPAES-SP e pelas APAES em prol das pessoas com deficiência. “Nós tivemos o privilégio de receber uma das etapas das Olimpíadas Especiais das APAES e nós pudemos ver de perto, aqui no Franca Shopping, o trabalho que é feito por essas instituições”, disse o superintendente do Franca Shopping, Erickson Eduardo Scarapicchia, em seu pronunciamento na abertura do evento.


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP PRESENTE NOS

22 CONSELHOS EM 2018

Mais de 500 pessoas, entre diretores das APAES, conselheiros, profissionais e pais de usuários, estiveram no FEAPAES nos Conselhos

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (­ FEAPAES-SP) implantou em 2018 um programa inovador para estar ainda mais próxima das APAES e dos Conselhos Regionais, trata-se do FEAPAES nos Conselhos. As visitas da Federação às 22 sedes dos conselhos tiveram início no mês de março, com o objetivo de levar às filiadas todo o conhecimento necessário para aperfeiçoar o trabalho de cada APAE, e reuniu 512 pessoas envolvidas com o movimento apaeano paulista. Em cada visita, a superintendente da ­FEAPAES-SP, Fernanda Gomes, apresentou detalhadamente as ações, serviços e parcerias desenvolvidas pela instituição em benefício das APAES. Além disso, foram abordados temas importantes para a gestão das APAES como governança, responsabilidade e autoridades dos dirigentes, estrutura organizacional e transparência. “Foi muito mais que encontros para apresentar os serviços da Federação. Foram momentos importantes de troca de experiências e serviu para aproximar as APAES e fortalecer nossa luta pelos direitos da pessoa com deficiência”, explica Fernanda. Ainda de acordo com Fernanda, o feedback que ela recebeu dos participantes foi muito positivo, haja vista que participantes tomaram conhecimento de todo o apoio que a Federação oferece em vários quesitos, desde a ajuda na divulgação de um evento até orientações na área jurídica. Prova disso foi o número crescente de solicitações recebidas pela FEAPAES. “Quando eu começava a apresentar o trabalho da Federação e detalhadamente cada departamento, eles ficavam surpresos com todo o respaldo que podem ter da Federação em suas atividades e problemas diários”, completou.

FEAPAES nos Conselhos na cidade de Araçatuba

Cabreúva também recebeu o FEAPAES nos Conselhos

PESQUISA DE SATISFAÇÃO No fim de cada encontro, os participantes responderam a uma avaliação geral do evento, sem a necessidade de se identificarem, em que eram questionados sobre a organização do evento, a qualidade do material de apoio, bem como os pontos positivos e às sugestões de melhorias. A troca de experiência, a atualização sobre diversos assuntos de interesse das APAES e o fortalecimento do trabalho foram alguns dos itens positivos citados. “Importantes esclarecimentos sobre o dia a dia das APAES. A atuação da Federação tem sido de muita importância para o desenvolvimento da entidade”, diz uma das avaliações respondidas. Em outra pesquisa, um participante destaca como um ponto a ser melhorado a quantidade dos encontros. Segundo ele, o FEAPAES nos Conselhos deveria acontecer com mais frequência. “Encontro como este deve acontecer semestralmente”.

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FEAPAES EM REVISTA

MOGI DAS CRUZES CONQUISTOU O PRIMEIRO LUGAR NO CONCURSO ESTADUAL DE CARTÕES DE NATAL Disputa promovida pela FEAPAES-SP contou com a participação de 15 conselhos regionais

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o dia 19 de setembro, foi realizado o Concurso Estadual de Cartões de Natal. O evento aconteceu no Centro Cultural de Mogi das Cruzes, às 9 horas, e contou com a participação de 15 conselhos regionais. O concurso faz parte do calendário permanente da Coordenadoria de Artes da Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) e tem por objetivo estimular a produção artística da pessoa com deficiência intelectual e múltipla. O tema foi Natal, e os critérios avaliados foram: composição, originalidade, domínio técnico e trabalho de acordo com o tema. Aceitou-se apenas uma inscrição por Conselho Regional da FEAPAES-SP. “O tema Natal remete à elaboração de cartões que contextualizam conceitos adquiridos e aprendidos pelo usuário ao longo da vida, favorecendo por meio do desenho a expressão da concepção de uma ideia, materializando esse pensamento de forma criativa. O usuário dedica-se a

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criar algo que represente sua percepção de mundo, nesse caso, o contexto do tema abordado”, explica a coordenadora estadual de artes, Simone Follador. Participaram do Concurso Estadual de Cartões de Natal os Conselhos Regionais de: Araçatuba, Batatais, Cabreúva, Catanduva, Guarulhos, Laranjal Paulista, Lençóis Paulista, Lorena, Martinópolis, Monte Alto, Nova Odessa, Pirassununga, São Caetano do Sul, Várzea Paulista e Votuporanga. O objetivo do concurso foi classificar os três primeiros colocados. O cartão de Lucas Donizeti, da APAE de Mogi das Cruzes (Conselho de Guarulhos), ficou com o primeiro lugar; na sequência a APAE de Valinhos (Conselho de Várzea Paulista), com o cartão de João Lucas da Silva Melo; e o terceiro lugar ficou com Eliezer Carlos dos Santos, da APAE de Salto (Conselho de Cabreúva). O trabalho de Lucas Donizeti vai representar as APAES do estado de São Paulo na etapa nacional, que tem por finalidade escolher dez trabalhos para ilustração de cartões produzidos pela Federação Nacional das APAES (FENAPAES).


FEAPAES EM REVISTA Presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, em abertura de curso realizado na OAB Franca

MAIS DE CEM EVENTOS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL FORAM REALIZADOS PELA FEAPAES-SP EM 2018 Com o objetivo de aprimorar os conhecimentos dos profissionais das APAES, a federação promoveu em 2018 diversas palestras, cursos, jornadas e mesas-redondas

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primoramento, atualização e novos conhecimentos são itens fundamentais para qualquer profissional que queira alcançar resultados positivos e ser produtivo no ambiente profissional. Por isso, a Federação

das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP), com o objetivo de oferecer capacitação para as 305 APAES do estado, organizou em 2018 mais de cem eventos de capacitação, entre eles cursos, palestras, treinamentos, mesas-redondas e jornadas. Os eventos foram programados para acontecer em localidades que abrangessem o maior número

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“EM 2018 FORAM ABORDADOS MAIS DE 15 TEMAS NAS CAPACITAÇÕES REALIZADAS PELA FEAPAES-SP, NA ÁREA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, EDUCAÇÃO, GESTÃO E SAÚDE. A FEAPAES-SP CAPACITOU ATÉ SETEMBRO DE 2018 MAIS DE 3.200 PESSOAS.”

educação é o alicerce de qualquer sociedade, e ela nunca foi tão discutida e cobrada, fazendo com que os profissionais não só estejam aptos à prática de suas funções, mas também a vencer os novos desafios e obstáculos que fazem parte do complexo cotidiano das APAES”, comenta Cristiany de Castro, presidente da FEAPAES-SP.

DIVERSIDADE DE TEMAS

Bianca Monteiro palestrando na I Jornada da Legislação do Terceiro Setor

Em 2018 foram abordados mais de 15 temas nas capacitações realizadas pela FEAPAES-SP, na área de assistência social, educação, gestão e saúde. Além dos cursos focados nas áreas de autuação, também foram desenvolvidos o treinamento Argus, para os profissionais entenderem todas as novas funcionalidades do sistema, e o FEAPAES-SP nos Conselhos, momento em que a superintendente Fernanda Gomes apresentou todos os serviços que a Federação presta para as APAES (Confira mais detalhes na página 43).

APRIMORAMENTO

Concentração dos participantes da 1º Simpósio de Mobilização de Recursos

de filiadas. A FEAPAES-SP capacitou até setembro de 2018 mais de 3.200 pessoas. Todos os eventos tiveram seus temas cuidadosamente selecionados para atender às três áreas de atendimento das APAES — assistência social, saúde, educação —, além da gestão. “Um cuidado da nossa administração foi oferecer temas que de fato viessem a aprimorar os conhecimentos dos profissionais que exercem nossa atividade-fim. Acreditamos que a

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A participação em palestras e outros cursos de capacitação proporciona novas experiências e perspectivas diversas, permitindo momentos de reflexão e de aprendizado, além de fornecer ferramentas significativas que contribuem para o desenvolvimento de novas competências. “Eu achei o evento superprodutivo. Nós saímos com novas informações, e vamos passar para os nossos colegas”, comenta Dalila Lemos de Freitas, secretária da APAE de Águas de Lindoia, sobre a Jornada de Legislação, realizada em março. “É muito bom saber de todas as formas de mobilizar recursos, que são tantas. Vão além do dinheiro. Muitas vezes pode ser um trabalho voluntário, um material de que precisamos ou até mesmo uma ação que desenvolva nossa marca. Eu gostei bastante!”, avalia Cristina Brandão, coordenadora regional de Mobilização de Recursos do Conselho de Batatais, sobre o 1º Simpósio de Mobilização de Recursos, promovido em agosto.


FEAPAES EM REVISTA

Última edição do Festival Nossa Arte emocionou o público

RESPEITÁVEL PÚBLICO, VEM AÍ O

XV FESTIVAL NOSSA ARTE

Evento acontecerá em São Carlos e reunirá artista das APAES do estado em quatro dias de apresentações

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Federação das APAES do Estado de São ­(FEAPAES-SP), em parceria com a APAE de São Carlos, já está correndo com a organização do XV Festival Nossa Arte, que já tem data para acontecer. De 11 a 14 de julho de 2019, o Teatro Municipal Dr. Alderico Vieira Perdigão, localizado na cidade de São Carlos, sediará o maior evento artístico do movimento apaeano paulista. O festival, que ocorre a cada três anos, promete apresentar, além das danças, peças teatrais e exposições artísticas, momentos de emoção e superação. De acordo com a coordenadora estadual de artes da FEAPAES-SP, Simone Follador, a expectativa é de que na edição de 2019 a adesão das APAES seja

tão boa quanto a da última edição, que se deu em Taubaté, oportunizando a participação de um grande número de artistas das APAES. “Espera-se a adesão da maioria dos conselhos. De forma geral, nas atividades culturais, em eventos oficiais promovidos pela FEAPAES-SP, nós temos adesão de mais de 50%. Então, espera-se que todos os conselhos tenham representatividade no Festival”, explica Simone. Enquanto os conselhos realizam a fase regional do evento, que se encerra com a inscrição para a fase estadual, no dia 30 de abril de 2019, a FEAPAES-SP trabalha na organização da fase estadual. No dia 31 de agosto de 2017, a comissão de organização do evento visitou São Carlos para conhecer a estrutura da cidade, como hotéis, as unidades médicas e o próprio teatro municipal, que abriga 450 pessoas.

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“AINDA HOJE, A ARTE ESTÁ MUITO DISTANTE DAS PESSOAS, POUCAS TÊM ACESSO, E NO NOSSO PAÍS, INFELIZMENTE, QUANDO SE TRATA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, É AINDA PIOR. AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA SÃO PRIVADAS DE VISITAR MUSEUS OU FREQUENTAR TEATROS, PORQUE OS ÓRGÃOS AINDA SE PREOCUPAM MUITO POUCO COM A ACESSIBILIDADE E COM O DIREITO DESSAS PESSOAS.” Para a presidente da FEAPAES-SP, Cristiany de Castro, o Festival Nossa Arte é uma oportunidade para que as pessoas com deficiência tenham acesso à arte e à cultura e também para que sejam protagonistas, e não apenas espectadoras. “Ainda hoje, a arte está muito distante das pessoas, poucas têm acesso, e no nosso país, infelizmente, quando se trata da pessoa com deficiência, é ainda pior. As pessoas com deficiência são privadas de visitar museus ou frequentar teatros, porque os órgãos ainda se preocupam muito pouco com a acessibilidade e com o direito dessas pessoas”, fala a presidente.

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O FESTIVAL Tendo como objetivo principal o incentivo às práticas artísticas, recreativas e culturais, o festival visa ainda à troca de experiências entre os participantes, promovendo a integração e o enriquecimento da cidadania. A edição de 2016 reuniu 497 participantes no total, sendo 351 artistas e 146 técnicos e acompanhantes. Dos 22 Conselhos Regionais da FEAPAES-SP, 15 estiveram presentes na competição artística, representada por 44 APAES. O evento é composto dos seguintes gêneros artísticos: artes visuais (desenho, fotografia, pintura, gravura, colagem, escultura, instalação, computação gráfica e vídeo), artes cênicas (mímica, teatro, dublagem, dramatização), dança (moderna, clássica, contemporânea, danças urbanas — hip-hop e street dance — e dança de salão), artes literárias (poesias e textos), artes musicais (instrumental e vocal), dança folclórica (regional, nacional e internacional) e artesanato. Ainda, estão sendo programadas várias atividades recreativas para os artistas nos intervalos, e uma festa temática também está sendo pensada para a ocasião. Segundo a organização, a programação da abertura não está completamente fechada, porém a ideia é que haja shows e apresentações artísticas para marcar o início do grande evento.


FEAPAES EM REVISTA

FEAPAES-SP ENTREGOU PARA APAE DE FRANCA ALIMENTOS ARRECADADOS NA ABERTURA DAS OLIMPÍADAS Os alimentos foram destinados para as aproximadamente 70 famílias dos usuários atendidos na APAE

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Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) entregou no dia 15 de agosto para a APAE de Franca os alimentos arrecadados na abertura da XIX Olimpíadas Especiais das APAES. Os convites para participar da abertura do evento foram retirados mediante a troca por alimentos não perecíveis. Os donativos foram destinados às famílias dos usuários da APAE de Franca. A ação conseguiu arrecadar duas toneladas de alimentos, haja vista que muitas pessoas doaram mais de um quilo. Com isso, aproximadamente 70 famílias foram beneficiadas. Entre os donativos, estavam arroz, feijão, açúcar, macarrão, entre outros. A distribuição foi feita pelo serviço social da APAE de Franca, considerando que já possuem acompanhamento com as famílias e já sabem quais são as mais vulneráveis. “Nós queremos agradecer a todos que doaram os alimentos e a Federação também, que está fazendo essa doação para a APAE”, falou Agenor Gado, presidente da APAE de Franca, em seu pronunciamento na cerimônia de entrega dos alimentos. O evento contou ainda com a presença de Salvador Aylon, diretor financeiro da FEAPAES-SP; Fernanda Gomes, superintendente da FEAPAES-SP; Alexandre Alonso, presidente do Fundo Social de Solidariedade, que na ocasião representou o prefeito Gilson de Souza e a primeira-dama Maria Aparecida Belquior de Souza; Paulo Henrique Ferreira, diretor da APAE de Franca; e Flávia Lancha, secretária de Desenvolvimento de Franca.  

Fernanda Gomes, Salvador Aylon, Agenor Gado e Paulo Henrique Ferreira

Também prestigiaram o evento Rodrigo Henrique, diretor executivo do Grupo GCN Comunicação; a colunista Mônica Pais, do jornal Comércio da Franca; e Bia Garcia, da Rádio Vida Nova FM.

APOIO DA SOCIEDADE DEU MAIS BRILHO AO EVENTO A solidariedade da população francana marcou a cerimônia de abertura da XIX Olimpíadas Especiais das APAES, no dia 17 de julho, no entanto o público também foi presenteado com uma bela festa, que teve a entrada das 17 delegações que competiram no evento juntamente com a equipe do Sesi Franca Basquete, o acendimento de tocha e as apresentações da Escola de Dança Vem Dançar, dos usuários da APAE de Franca e da Escola de Samba Ases do Ritmo, além dos shows das bandas Quintal 16 e Detonautas Roque Clube. APAE EM DESTAQUE • ANO 2018 • EDIÇÃO 20

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VALE CAP

APAE SOROCABA

CONFECCIONA ÓRTESES E ADAPTAÇÕES PARA USUÁRIOS

Órteses e adaptações de equipamentos terapêuticos são confeccionados de forma individualizada

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e acordo com a Organização Internacional de Normalização (International Standards Organization), órtese é um dispositivo aplicado externamente ao corpo, nos membros superiores (ombro, cotovelo, punho e mão) ou nos membros inferiores (quadril, joelho, tornozelo e pé), utilizado para modificar as características estruturais ou funcionais do sistema musculoesquelético. Em caso de deficiências permanentes, as

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órteses podem manter as funções e prevenir ou reduzir a deformidade. Graças ao Fundo de Projetos, uma iniciativa da Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) e do Vale Cap, a APAE de Sorocaba recentemente inaugurou para os usuários a Oficina de Confecção de Órteses e Adaptações, conduzida pela terapeuta ocupacional Elaine Kelly Bergara, com apoio do fisioterapeuta James Nifa dos Santos e também das terapeutas ocupacionais Ana Paula Souza e Carolina Lopes Rodrigues.


“É GRATIFICANTE REALIZAR UMA OFICINA COMO ESTA, POIS ESTAMOS CONTRIBUINDO COM O PROCESSO DE REABILITAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA.”

Os usuários passam por uma avaliação pela equipe de saúde da APAE Sorocaba para verificar o modelo adequado que trará mais funcionalidade ao seu cotidiano. Em seguida, são encaminhados para a oficina, e, no local, o profissional molda e confecciona gratuitamente a órtese conforme a necessidade de cada pessoa. Além das órteses, os terapeutas confeccionam dispositivos de tecnologia assistiva, que auxiliam nas atividades diárias dos usuários, tais como: adaptadores de lápis e pincel, engrossadores de talheres, copos adaptados e ponteiras de digitação. Para a produção das órteses, são utilizadas placas de termoplástico, totalmente moldáveis à alta temperatura, o que facilita os ajustes e as adaptações no próprio corpo do usuário. O material também agrega leveza e conforto, contribuindo para o ganho de qualidade de vida. Elaine Bergara destaca que as órteses também são personalizadas na fabricação. “Já confeccionamos mais de 80 dispositivos e, para estimular o uso, colocamos adesivos das personagens preferidas dos atendidos, como, por exemplo, da Minnie, do Mickey, do Hulk, entre outros”, frisa. Sarah Troiano, coordenadora técnica de saúde da APAE Sorocaba, ressalta que o principal objetivo da oficina é ajudar os usuários que necessitam das órteses e adaptações, com o propósito de promover funcionalidade. “É gratificante realizar uma oficina como esta, pois estamos contribuindo com o processo de reabilitação da pessoa com deficiência. Os resultados clínicos estão cada vez melhores!”, ressalta.

FUNDO DE PROJETOS Fruto de uma parceria entre a FEAPAES-SP e o Certificado de Contribuição Vale Cap, o Fundo de Projetos é uma plataforma de financiamento de projetos das APAES do Estado de São Paulo que tem como objetivo contribuir para a melhoria contínua dos serviços prestados pelas APAES aos seus usuários. A iniciativa financia projetos de até R$ 20 mil. O Fundo de Projetos finalizou seu 6º ciclo, ao todo foram mais de 90 APAEs comtempladas, e mais de R$ 1,5 milhão repassado para as filiadas.

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ENTREVISTA

AUTISMO:

TRATAMENTO, CAUSAS E A PERSPECTIVA NA VIDA ADULTA Fernanda Orsati fala sobre a importância do diagnóstico precoce do autismo e sobre a importância da participação dos pais na vida das crianças

R

esponsável por ministrar o curso Diagnóstico de Deficiência Intelectual e Transtornos do Espectro do Autismo, promovido pela Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) em diversas APAES, Fernanda Tebexreni Orsati destaca nesta entrevista a importância de uma equipe multidisciplinar e dos familiares no desenvolvimento da autonomia dos autistas e explica o que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Fernanda atua atualmente na utilização da comunicação alternativa para a ampliação dos repertórios de comunicação em pessoas com autismo. É professora do Programa de Pós-graduação em Psicopedagogia da Universidade Presbiteriana

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Mackenzie, pesquisadora colaboradora do Hussman Institute for Autism, em Baltimore, nos Estados Unidos, e PhD em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade de Educação da Universidade de Syracuse, também nos Estados Unidos. Possui mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento, pela Universidade Mackenzie.

Primeiramente, qual é a definição de autismo e como é classificado o grau de comprometimento? Há uma explicação sobre o que causa o autismo? Fatores genéticos, hereditários, influência do ambiente ou outros fatores? Hoje em dia, a gente fala de TEA, que é o transtorno do espectro autista. A gente define e classifica o autismo por dois critérios gerais. Então, são


crianças e adultos que experenciam e processam o mundo e estímulos a sua volta de maneira atípica e, por isso, interagem com esse mundo de maneira atípica também. Para o diagnóstico, utilizamos critérios baseados na presença de dificuldades persistentes em duas áreas específicas: na comunicação e na interação social, aparecendo em contextos múltiplos. O segundo critério geral é a presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. Nessas dificuldades gerais existem critérios específicos tanto para interação e comunicação social, como por exemplo a presença de linguagem verbal e não verbal, assim como para comportamentos, como a presença de estereotipias, por exemplo, e hiper ou hipossensitividade sensorial. Temos essas duas dificuldades globais para o diagnóstico, com critérios específicos para cada uma delas, e esses sintomas devem aparecer no período de desenvolvimento e acarretar prejuízos clinicamente relevantes. Ainda, os médicos classificam o grau de comprometimento. O comprometimento vai depender do grau das dificuldades nessas duas áreas de maneira geral, e atualmente ele é classificado em três níveis: apoio, apoio substancial e apoio muito substancial. Esses apoios são baseados no DSM-5, que é o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que usamos para fechar o diagnóstico clínico. Não sabemos uma causa única para o autismo, mas atualmente sabemos que fatores genéticos e hereditários compõem 50% do risco, e os fatores ambientais como um todo mais 50%. Os sinais apresentados começam antes dos 12 meses, e os que conseguimos identificar são: dificuldade de dividir com o adulto o prazer de uma atividade, atraso na linguagem, choro sem causa aparente, corpo rígido, dificuldade na interação com os outros, além de usar brinquedos e jogos de maneira estranha, de às vezes não demonstrar sensibilidade à dor, entre muitos outros sinais. Todas essas características vão aparecendo em graus e combinações diferentes, e é isso que demonstra os variados tipos de comprometimento.

Quais são as principais características do autismo? Pode estar associado a outros transtornos, síndromes ou deficiências? Todos os sintomas do autismo têm de ser clinicamente relevantes para fechar o diagnóstico de autismo, então uma dificuldade de interação não classifica o autismo. Precisamos ter nessa criança uma característica que gere prejuízos clinicamente significativos

nos seus ambientes, uma dificuldade mais generalizada de se relacionar, de conseguir responder a uma tentativa de interação do outro, de desenvolver amizades. São essas as características gerais na parte de interação e comunicação. Também falamos sobre os comportamentos, por exemplo, presença de movimentos repetitivos, sensibilidade, ou seja, uma hiper ou hipo-reatividade a estímulos sensoriais. Além disso, podem aparecer preferências por alguns interesses específicos, muitas vezes repetição de atividades, de comportamentos ou de temas, preferência por livros, vídeos ou de outras atividades. Temos uma discussão que fala sobre o autismo como neurodiversidade, o que significa que o cérebro está arranjado de maneira atípica e que gera uma forma diferente de  entrar em contato com o ambiente ao redor da pessoa e de processá-lo, e isso vai determinar a maneira como ela responde, interage e desenvolve padrões de comportamento. Existem algumas comorbidades, ou seja, outras características que se desenvolvem com o autismo, como, por exemplo, o Transtorno Obsessivo Compulsivo. Alguns transtornos de déficits de atenção e hiperatividade, ansiedade e transtornos depressivos são algumas das comorbidades que aparecem em adolescentes. Devemos estar atentos a eles, pois isso determina os nossos suportes e intervenções.

Ainda não sendo possível a cura, quais intervenções e tratamentos são recomendáveis? Existem, hoje em dia, princípios de intervenção baseados em evidências que são recomendados. Ou seja, há pesquisas realizadas que demonstram que alguns princípios devem guiar as intervenções, pensando, por exemplo, no treino de habilidades sociais. O arranjo do ambiente, o uso de reforçamento positivo, a incorporação de motivação da criança na atividade, o treino por tentativas discretas, a prática da comunicação funcional e alternativa, o treinamento de pais, a utilização de hierarquia de dicas, a videomodelagem, entre outras são estratégias que podem ser combinadas para o ensino e treinamento em diversas áreas da criança. O importante é pensarmos sempre em uma equipe multidisciplinar que vai trabalhar com essa criança, com base em tratamentos fundamentados em pesquisas e evidências científicas. Nessa equipe multidisciplinar estão o psicólogo e um médico, inicialmente, para a realização de tratamento medicamentoso, a fim de tratar alguma característica dessa criança, como, por exemplo, um comportamento agressivo. Há o fonoaudiólogo,

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que é muito importante, tanto para a criança que não fala, ou que fala com uma linguagem mais ecolálica e com menos amplitude no vocabulário; um terapeuta ocupacional, para o treino das atividades de vida diária; o fisioterapeuta, para tratar do componente motor, que também é importante no autismo; e tem o papel da escola, do professor e do educador, que são parte essencial no desenvolvimento das habilidades das crianças e dos jovens.

Como a relação com os pais interfere na vida dos autistas? Como foi falado, treinamento de pais é essencial e tem muita eficácia no tratamento. Quanto mais cedo começar o trabalho com os pais, eles vão estar mais bem preparados para lidar com as questões que vão aparecendo e para estimular diversas habilidades, como, por exemplo, a linguagem nas crianças pequenas. Os pais são parceiros dos profissionais na estimulação de aspectos da aprendizagem, nas questões do dia a dia, nas atividades de vida diária e na promoção da independência e da autonomia. Eu trabalho com os pais, dando, por exemplo, as mesmas ferramentas para a expansão da comunicação com seus filhos. Eu raramente atendo a crianças ou jovens sem os pais, pois, como psicóloga, fico algumas horas por semana com a criança ou o jovem, e os pais e cuidadores estão o tempo todo se comunicando e interagindo com essas crianças e podem potencializar e generalizar as habilidades para todos os ambientes dessa criança. Os pais trabalham com os profissionais e com a escola como parte desse time, e aí é parte do nosso papel, como profissional, trazer os pais para trabalhar com a gente.

Quando é possível concluir um diagnóstico de TEA e quais são os impactos de um diagnóstico tardio? Hoje em dia, objetivamos um diagnóstico precoce, quanto mais cedo melhor, porque se a gente conseguir identificar os primeiros sinais vamos conseguir estimular essas crianças mais cedo e às vezes começamos a trabalhar com prevenção. Quando a criança começa a ter algumas dificuldades com relação à comunicação e interação, já se consegue pensar em treinar esses pais e professores para estimular essas habilidades, mesmo que não tenhamos o diagnóstico fechado. É possível fechar o diagnóstico com o apoio de toda a equipe multidisciplinar, até antes dos 2 anos de idade,

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e eu acho importante não só fechar o diagnóstico pelo diagnóstico em si, mas principalmente para começarmos a estimular essa criança a aprender e a compensar diferentes habilidades. Se o diagnóstico é mais tardio, acabamos tendo menos possibilidades para a intervenção e adaptação dos nossos ambientes para essa criança. Com isso, podemos estar perdendo uma janela importante do desenvolvimento dela, que é quando há maiores possibilidades de aprendizagem. Mas nunca é tarde. Todas as crianças e jovens aprendem, e diferentes intervenções são possíveis em diversos momentos do desenvolvimento dessa pessoa.

Quais são as perspectivas da pessoa com autismo na vida adulta? Quanto mais conseguirmos incluir esse jovem, depois o adulto, nos nossos ambientes educacionais, conseguiremos mais ainda incluí-lo nos ambientes comunitários. Então, começamos a pensar numa transição desse jovem depois da escola para os ambientes de trabalho, ambientes sociais e comunitários. Precisamos dar suporte para esse jovem treinar e desenvolver habilidades preparatórias para a comunidade e o mercado de trabalho e para uma vida o mais independente possível. É importante pensar em moradias assistidas, para que esses adultos tenham o seu espaço e a sua independência. Além disso, é preciso planejar um ambiente de trabalho que propicie o melhor desenvolvimento e aproveitamento das potencialidades dessa pessoa, um trabalho supervisionado e com apoio, para que ela possa estar no mercado de trabalho, fazendo trabalho voluntário, para que todos estejam inseridos em suas comunidades e tenham atividades com propósito.

Qual é o papel das APAES na vida dos autistas? As APAES como um todo são instituições muito importantes. Eu tenho viajado pelo estado de São Paulo, promovendo os cursos pela FEAPAES-SP, e vejo a importância dessa instituição para a vida da pessoa com deficiência e, cada vez mais, de pessoas com autismo. Eu acho que o desenvolvimento de habilidades no contraturno para crianças, o treinamento de aprendizagem e oficinas voltadas para a habilidade de trabalho ou pré-trabalho, atividades de lazer, de música e de arte e a luta pela inserção dessas pessoas na comunidade são o grande papel das APAES como um todo, para todas as pessoas com deficiência.


Natal

UM MARAVILHOSO

E feliz 2019


ARTIGO

GERAÇÃO DE RENDA PRÓPRIA

A

s 820 mil organizações da sociedade civil (OSCs) buscam diariamente recursos da sociedade para a sua manutenção. O envio de projeto para editais ao governo, a fundações e a institutos empresariais é uma das estratégias mais utilizadas. Outra muito comum consiste na busca de doações de pessoas físicas e jurídicas, realizada de diversas formas. Neste artigo vamos abordar a estratégia primária, denominada de geração de renda própria (GRP), ou seja, empreendimentos capazes de gerar receita e resultados financeiros positivos para a organização. Uma característica importante dessa estratégia, além da inovação social, é a contribuição à sustentação financeira da organização por meio da geração de recursos desvinculados de projetos (portanto, de recursos “carimbados”), os quais podem ser aplicados livremente, tanto no operacional como em investimentos. Algumas características e observações sobre as oito estratégias secundárias englobadas na GRP são: 1. Venda de produtos: feita pelo assim chamado terceiro setor ou OSCs, produz diversas controvérsias. Em primeiro lugar nos faz pensar sobre o próprio estatuto dessas organizações. Elas são definidas como sem fins lucrativos ou econômicos. Podemos vender e ter lucro? Sim. A relação de venda padrão, associada ao segundo setor, representa outra coisa: interesses privados utilizando meios privados. Nesse setor, o padrão é a venda vinculada a lucro.

Quando falamos de terceiro setor, entretanto, devemos ter em mente a palavra superávit, e não lucro, mais associada ao resultado de receitas menos despesas e que pode ser reinvestida no negócio ou ir para o bolso dos proprietários e acionistas do negócio. As OSCs podem obter superávit gerado pela mesma subtração de receitas menos despesas. Esse superávit apenas não pode ser destinado aos seus diretores e conselheiros. Essa é a proibição.

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MICHEL FRELLER

Empreendedor social, vice-presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR) e fundador da Criando Consultoria Ltda Ao contrário do lucro, o superávit é essencial a qualquer empreitada de venda — mesmo àquelas das OSCs. Isso quer dizer que, para uma atividade de venda de produtos fazer sentido, enquanto estratégia de mobilização de recursos, é essencial que haja superávit (ou previsão de superávit). A particularidade da venda de produtos no terceiro setor é que esse superávit, em sua totalidade, deve ser utilizado para ajudar no cumprimento da missão da organização. Se, por exemplo, a missão da organização é levar alegria para crianças internadas na unidade de terapia intensiva (UTI) por meio da arte do palhaço, o superávit da venda dos produtos (digamos, nariz de palhaço) deve servir para cobrir todos os custos dessa operação, além de colaborar com as demais despesas institucionais. Pode servir, por exemplo, para comprar produtos de maquiagem, pagar salários ou qualquer outra atividade essencial para se alcançar a missão da organização. O produto do exemplo mencionado relaciona-se com a causa, porém é possível vender produtos que nada têm a ver com causas institucionais, sendo simplesmente a diversificação de fontes de receitas da OSC. Como exemplo, podemos citar o Instituto Ramacrisna,


de Betim (MG), que produz telas de arames e, com o resultado da operação, mantém 30% da capacitação de jovens para o mercado de trabalho, que é a sua missão. Tudo isso com o mesmo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e no mesmo terreno; 2. Venda de serviços: assim como a venda produtos, os serviços vendidos aqui podem ou não estar ligados à causa. Como exemplo temos a Derdic, ligada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que atua como escola e clínica voltadas aos surdos. Entre suas atividades de captação de recursos, a Derdic oferece cursos de língua brasileira de sinais (libras) para pessoas ouvintes e cobra pelas aulas. Para as famílias dos surdos, as aulas são gratuitas. São mais de mil alunos por ano. Outro exemplo é a Associação Desportiva para Deficientes (ADD), que desenvolve atividades de basquete para pessoas em cadeira de rodas e vende palestras motivacionais para empresas. Há ainda mais algumas observações válidas tanto para a venda de produtos como para a venda de serviços. Os produtos e serviços vendidos para compor a renda das OSCs são produzidos/implementados pela própria organização, por terceiros ou, ainda, pelos beneficiários, como parte de programas terapêuticos, por exemplo. Recomendo que os recursos obtidos pela venda nos três casos sejam da organização. Mais detalhes podem ser encontrados na dissertação de mestrado (FRELLER, 2014). Muitas pessoas preferem comprar em determinado bazar, porque sabem que estão comprando um produto cuja renda vai ajudar uma OSC, que está também vendendo uma causa juntamente com os produtos. O mesmo vale para os serviços: o fato de eles serem fornecidos por uma organização social faz com que ganhem diferencial importante no momento da venda. Deve-se ter sempre em mente que, juntamente com os produtos e serviços, se está vendendo uma causa. Esse desafio pode ser explicado contando-se uma historinha. O tag, que deve estar amarrado, etiquetado ou anexado no produto, é essa história que conecta a causa ao produto. O local e as estratégias de vendas devem estar presentes em um plano de negócio, que contém todas as etapas de um planejamento de longo prazo, similar ao que as empresas realizam, definindo objetivos, metas e demais itens, como impacto social e diferencial, além de dados específicos do produto e da organização, mercado, marketing, equipe

gerencial, planejamento financeiro, riscos e oportunidades e plano de implementação. Essas operações podem evoluir para um negócio social; 3. Licenciamento (royalties): nesta estratégia, ­cria-se uma personagem ou marca, cujas imagens são oferecidas para outros utilizarem em seus próprios produtos. A organização não se envolve na execução. Ela elabora o planejamento de marketing, escolhe os parceiros que venderão os produtos e as empresas que têm sinergia com a imagem da OSC. A Casa Hope tinha uma camiseta com o boneco Hopinho vendida nos supermercados Carrefour, além de outros produtos, como lancheiras, garrafas térmicas, cadernos e mochilas. O Carrefour pagava de 5 a 10% para utilizar a personagem da organização. O Instituto Ayrton Senna atua de forma semelhante, com a personagem Senninha; 4. Marketing de causas (MRC): por meio desta estratégia, empresas e OSCs formam uma parceria para comercializar uma imagem, um produto ou um serviço em benefício dos dois lados. Ou seja, a empresa ganha agregando mais qualidade ao seu produto, ampliando as estratégias de marketing e vendendo mais, e as OSCs mobilizam recursos financeiros e humanos e ganham mais visibilidade. É uma ferramenta interessante para a divulgação da marca da organização e, também, para a captação de recursos livres. De acordo com a especialista na área Jocelyne Daw (2006), quando os primeiros programas de MRC fizeram sucesso, a relação entre as empresas e o terceiro setor passou por uma mudança radical. Iniciado há mais de 25 anos, mais precisamente em 1984, com a campanha da reforma da Estátua da Liberdade, hoje o MRC representa uma nova forma de relacionamento, que auxilia nos resultados esperados e nas políticas de responsabilidade social das empresas. Para colocar em prática uma iniciativa de MRC, a organização deve observar os critérios éticos relacionados à natureza da atividade da empresa (histórico da atitude da empresa quanto à comunidade, aos funcionários, ao meio ambiente, ao governo e aos demais stakeholders), além de estar atenta a que tipo de produto a imagem institucional estará associada. Existem vários modelos vitoriosos que podem ser estudados previamente, como as parcerias APAE EM DESTAQUE • ANO 2018 • EDIÇÃO 20

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Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e Alpargatas (Havaianas), Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer (GRAACC) e McDonald’s (McDia Feliz), GRAACC e Editora MOL e Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), Casas Bahia e Pontofrio. O Instituto Ayrton Senna é hoje uma referência nessa estratégia; 5. Eventos: para mobilização de recursos, é uma estratégia secundária da GRP que grande parte das OSCs utiliza. Infelizmente, quando mal planejados, os eventos podem absorver muito trabalho e arrecadar pouco ou nada, o que é frustrante para todos os envolvidos. Os eventos podem ter várias funções: divulgar a causa, captar recursos, divulgar a missão e as atividades da organização, bem como dar reconhecimento a doadores, membros de renome, diretores e voluntários (homenagens). Os eventos são também ótimos para a ampliação do banco de relacionamento institucional, com geração de informações importantes sobre os participantes. Recomenda-se, ao final dos eventos, o envio de carta de agradecimento e de convite para participação do quadro de mantenedores. Eventos específicos para captação de recursos exigem planejamento de longo prazo, principalmente quando são definidos metas e resultados arrojados. Na maioria das vezes, eles também exigem busca de patrocínio, envolvimento de pessoal capacitado, parcerias, venda de convites, utilização da tática de cotas etc. 6. In kind: obter produtos necessários, em vez de comprá-los, pode ser uma estratégia muito interessante à obtenção de recursos. Não gastar também é captar. Todas as compras da OSC poderiam passar por uma tentativa de obtenção a custo zero ou abaixo do preço de mercado. Para  a diminuição de custos, podem-se buscar computadores, mobiliário e, principalmente, alimentos. Pode ser utilizada com a estratégia do evento, buscando a cessão de espaço ou a participação gratuita de uma celebridade no dia do evento. Também é possível pensar na possibilidade de buscar outros produtos que colaborem no dia a dia da OSC ou que deem um up nas atividades, como, por exemplo, oferecer livros, sorvetes e chocolates especiais ao público-alvo atendido;

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7. Aluguéis: existem OSCs que alugam espaços ociosos. Elas possuem uma sede onde, por exemplo, há um auditório, e este é alugado para terceiros, ou locais em que as aulas ocorrem só em um período, e as salas, quando não em uso, são locadas. Algumas organizações conseguem sobreviver, ou pelo menos diversificam uma parte de suas receitas, por meio de aluguéis de imóveis doados por um de seus fundadores ou associados; 8. Fundos patrimoniais; também chamada de endowments, consiste em criar um fundo de recursos financeiros, aplicados de forma conservadora, atendendo a diversas finalidades, desde situações de emergência à eliminação de riscos, como, por exemplo, a aplicação do valor referente a um, dois ou três anos do orçamento institucional. Pode ser também um fundo destinado à campanha capital, com foco na construção ou reforma da sede ou na realização de pesquisas, por exemplo. A constituição desses fundos é muito comum nos países mais desenvolvidos, em que as organizações aplicam no mercado financeiro, gerando juros para pagar as despesas do dia a dia, despesas difíceis de serem cobertas por projetos ou outras estratégias. Segundo Paula Jancso Fabiani (IDIS, 2012), os fundos patrimoniais são estruturas criadas para dar sustentabilidade financeira a uma OSC. Em sua maioria, nascem com a obrigação de preservar perpetuamente o valor doado (chamado de principal), utilizando apenas seus rendimentos para a manutenção da organização. Além do conhecimento técnico sobre o mercado financeiro e a contabilidade, a estruturação de um fundo patrimonial requer o estabelecimento de uma governança robusta e processos que promovam a tomada de decisão e o monitoramento eficazes.

REFERÊNCIAS DAW, Jocelyne. Cause marketing for nonprofits. Nova Jersey: John Wiley & Sons, 2006. FABIANI, Paula Jancso. Fundos patrimoniais de filantropia. São Paulo: Editora Filantropia e Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, 2012. FRELLER, Michel. Mobilização de recursos para organizações sem fins lucrativos por meio da geração de renda própria. Dissertação (Mestrado em Administração) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014.


ARTIGO

CONSTRUINDO SISTEMAS EDUCACIONAIS

INCLUSIVOS

O

momento é de construção... Construção de sistemas educacionais inclusivos! Na década de 1990, as declarações de Jomtien (1990) e Salamanca (1994) chamaram a atenção para as pessoas que se encontravam invisíveis para a sociedade, trazendo à luz questões até então consideradas tabus, obrigando a sociedade mundial a rever suas ações com relação àqueles que se encontravam excluídos da sociedade. Mulheres, crianças e pessoas com deficiência, antes desconsiderados nas políticas públicas, começaram a ser alvo de preocupação para a construção de espaços em que pudessem exercer cidadania. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD) (nº 9.394/1996) apresentou os reflexos dessas declarações, apontando no inciso I, artigo 59, a necessidade de “currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender” (BRASIL, 1996) às necessidades das pessoas com deficiência. Em 2001, a Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE)/Câmara de Educação Básica (CEB) nº 2 reforçou o dever de matricular todos os alunos no sistema de ensino e a educação de qualidade para todos. Em seu artigo 8º, orienta as escolas a organizarem suas classes comuns prevendo e provendo a distribuição dos alunos com necessidades educacionais especiais pelas várias classes do ano escolar, para que todos os alunos possam se beneficiar com a convivência na diversidade; serviços de apoio pedagógico especializado em salas de recursos, aperfeiçoados atualmente com a regulamentação do Atendimento

FLÁVIA CATANANTE GONZAGA DE CASTRO

Coordenadora estadual de Educação e Ação Pedagógica da FEAPAES-SP e mestranda em Educação Universitária Educacional Especializado; condições para reflexão e elaboração teórica da educação inclusiva, com protagonismo dos professores; sustentabilidade do processo inclusivo, mediante aprendizagem cooperativa em sala de aula, trabalho de equipe na escola e constituição de redes de apoio, com a participação da família e de outros agentes e recursos da comunidade, para citar os mais relevantes. No artigo 10º, orienta que os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais e que necessitam de adaptações curriculares tão significativas que a escola comum não consegue prover podem ser atendidos em escolas especiais de

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“AOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO, A BUSCA POR CAPACITAÇÕES E QUALIFICAÇÕES CONSTANTES, ASSOCIADA À PRÁTICA DE ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DIFERENCIADAS, BASEADA NUM CURRÍCULO FUNCIONAL, QUE COLABORE PARA A FACILITAÇÃO DA INCLUSÃO PLENA NA SOCIEDADE, NÃO PODE SER DESCONSIDERADA, EM NENHUM DOS ÂMBITOS EDUCACIONAIS.”

maneira articulada com as áreas de saúde, trabalho e assistência social, ressaltando, assim, a importância do trabalho desenvolvido pelas escolas mantidas pelas APAEs. De lá para cá, a legislação vem se aperfeiçoamento na regulamentação dos atendimentos, que podem beneficiar cada vez mais o aluno com deficiência, seja na escola comum, seja na escola especial. O mais importante é a mobilização de saberes diversos, a escuta da família e da própria pessoa com deficiência, que vem se tornando autônoma e autodefensora de seus direitos, ajudando a dar o tom do atendimento que querem ter. Aos profissionais da educação, a busca por capacitações e qualificações constantes, associada à prática de estratégias educacionais diferenciadas, baseada num currículo funcional, que colabore para a facilitação da inclusão plena na sociedade, não pode ser desconsiderada, em nenhum dos âmbitos educacionais. A construção do sistema educacional inclusivo deve partir de eixos norteadores bastante simples, mas que considerem o indivíduo como ator do seu próprio projeto de aprendizagem: olhar individualizado; prática flexível e ação pedagógica planejada, fundamentada em estudo de caso, com a participação da família, equipe de saúde, assistência social e outros parceiros envolvidos com o aluno, para atender ao objetivo da educação preconizado no artigo 2º da LDB nº 9.394/1996: “O pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1996). Para tanto, cabe à equipe escolar identificar o aluno com deficiência, preparar-se para

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acolhê-lo, familiarizar-se com as características da deficiência, capacitar-se para lidar com ele em todas as instâncias escolares. À equipe gestora, cabe coordenar o desenvolvimento de estudo de caso, encaminhar o aluno para diagnóstico, elaborar o Plano de Ensino Individualizado (PEI) com a participação da equipe multidisciplinar e da família, prestar a assistência necessária para assegurar ao aluno desempenho satisfatório, o alcance dos objetivos educacionais constantes do plano de ensino para ele desenvolvido e estimular o professor a buscar de formas diferenciadas o progresso do aluno. O segredo para uma construção eficiente? O trabalho colaborativo, com a participação de todos — pessoa com deficiência, família, poder público, sociedade — e o estudo constante, sempre e que gere dúvida, e que essa dúvida nos leve a crer que há muito mais a aprender para transformar!

REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasil: Ministério da Educação, 1996. ______. Resolução CNE/CEB nº 2. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasil: Ministério da Educação, 2001.


JURÍDICO INFORMA

DA APOSENTADORIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

D

e acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência. Ou seja, quase 24% da população brasileira é composta de pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Os movimentos de defesa e garantia dos direitos das pessoas com deficiência há tempos vêm lutando para que essa parcela da sociedade ganhe igualdade e visibilidade nos direitos estabelecidos pela Constituição Federativa de 1988 e demais legislações, inclusive no que tange à aposentadoria das pessoas com deficiência. Diante disso, a Emenda Constitucional nº 47, de 5 de julho de 2005, deu nova redação ao parágrafo 1º do artigo 201 da Constituição Federal, assim dispondo: Art. 201 - A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: [...] § 1º - É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar (BRASIL, 2005).

O dispositivo garantiu, em tese, tratamento diferenciado para concessão de benefícios previdenciários às pessoas com deficiência, condicionando-se à edição de legislação complementar para regulamentar o tema. A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência assegura em seu artigo 28

a igualdade de acesso das pessoas com deficiência a programas e benefícios de aposentadoria. Vale lembrar que o Brasil ratificou a referida convenção, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), bem como seu protocolo facultativo. O documento obtém, assim, equivalência de emenda constitucional e destaca em seus princípios a independência individual, a liberdade das pessoas, a não distinção e a igualdade de oportunidades, garantindo às pessoas com deficiência a promoção da dignidade enquanto sujeitos de direitos civis e sociais. Coube à Lei Complementar nº 142/2013, que entrou em vigor em 8 de novembro de 2013, a regulamentação da concessão dos benefícios especiais às pessoas com deficiência. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.   Desse modo, a promulgação da referida lei estabeleceu o direito à aposentadoria por tempo de contribuição e por idade às pessoas com deficiência por meio do Regime Geral da Previdência Social, regulamentando ainda o tempo de contribuição mediante a adoção de requisitos e critérios diferenciados, além dos graus de deficiência (grave, moderada e leve). De acordo com os níveis de deficiência, tempo de contribuição e idade, o legislador criou as seguintes possibilidades de aposentação: aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência, em grau leve, moderado ou grave; e aposentadoria por idade da pessoa com deficiência. A avaliação da deficiência será médica e funcional, e o grau de deficiência, atestado por perícia própria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de instrumentos desenvolvidos para esse fim. Assim, o INSS avalia a deficiência e seu grau, fundamentado em documentos (atestados médicos, laudos de exames, entre outros) que subsidiem a avaliação médica e a funcional.

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A avaliação tem uma conotação mais social, fazendo-se necessário o estabelecimento de um mecanismo que constate a presença dos três elementos novos do conceito de pessoa com deficiência: o impedimento de longo prazo, as barreiras e a desigualdade de oportunidades como resultado da interação do primeiro com o segundo elemento. Em relação à aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência, é preciso que, além de ser pessoa com deficiência no momento do pedido, sejam comprovadas as seguintes condições: • 25 anos de tempo de contribuição, se homem, e 20 anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência grave; • 29 anos de tempo de contribuição, se homem, e 24 anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência moderada;  • 33 anos de tempo de contribuição, se homem, e 28 anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência leve. Se o segurado, após a filiação ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), tornar-se pessoa com deficiência, ou tiver seu grau de deficiência alterado, os parâmetros de tempo de contribuição serão proporcionalmente ajustados, considerando o número de anos em que o segurado exerceu atividade laboral sem deficiência e com deficiência e o grau de deficiência correspondente, admitindo-se, portanto, a conversão de períodos. A conversão leva em conta o grau de deficiência em que o segurado cumpriu maior tempo contributivo, a chamada deficiência preponderante. A deficiência anterior à lei complementar será certificada, até mesmo quanto ao seu grau, por ocasião da primeira avaliação, sendo obrigatória a fixação da data provável do início da deficiência. Deve ainda o perito identificar a ocorrência de variação no grau de deficiência e indicar os respectivos períodos em cada grau, não se admitindo prova exclusivamente testemunhal. Cumpre ressaltar que o segurado que contribuiu com 5 ou 11% do salário mínimo terá de complementar a diferença da contribuição sobre os 20% para ter direito à aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência. Já a outra espécie é a aposentadoria por idade da pessoa com deficiência, a qual será concedida com redução de cinco anos no quesito etário, ou seja, quando observada a seguinte condição:  • 60 anos de idade, se homem, e 55, se mulher, independentemente do grau de deficiência, desde

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que cumprido tempo mínimo de contribuição de 15 anos e comprovada a existência de deficiência durante igual período. É necessário, ainda, o preenchimento de dois requisitos, que são: o recolhimento mínimo de 180 contribuições e a existência de deficiência durante igual período. Quanto à carência, o parágrafo único do artigo 182 do Decreto nº 3.048/99 exclui a possibilidade de aplicação da tabela de transição que dispõe sobre a majoração progressiva, decorrente da edição da Lei nº 8.213/91. Em relação à existência de deficiência, considerando que não há diferenciação de níveis, conforme ocorre na aposentadoria por tempo de contribuição, essa deficiência pode ser em qualquer grau, inclusive leve, durante todo o período contributivo, desde que existente durante o período definido para carência. Ou seja, deve-se comprovar a existência da deficiência pelo mesmo número de meses, simultaneamente com a respectiva contribuição. Confirmadas a existência da deficiência (leve, moderada ou grave) e a sua concomitância com as contribuições exigidas para o cumprimento da carência mínima (180 contribuições), a aposentadoria por idade será concedida ao segurado. É oportuno destacar que, após aposentar-se, a pessoa poderá permanecer em atividade laboral. Entendemos que os direitos das pessoas com deficiência estão sendo amoldados gradativamente, e ainda há muito para avançarmos na garantia efetiva dos direitos das pessoas com deficiência, seja na inclusão social, seja na educacional, seja no mundo do trabalho, seja nas garantias previdenciárias.

REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto nº 3.048/1999. Brasil, 1999. ______. Emenda Constitucional nº 47, de 5 de julho de 2005. Brasil, 2005. ______. Lei Complementar nº 142/2013. Brasil, 2013. Aline Lima da Silva CRESS: 53964 Técnica Especializada, membro da equipe da Qualidade da FEAPAES-SP – Assistente Social Thiago Carvalho Mellen OAB: 368.400 OAB/SP Analista Jurídico da FEAPAES-SP


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