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UMA REVIS TA DO SEU MOD O Decoração Estilo Gourmet Viagem Consumo Nº 28 R$ 10,00

CASA E ESTILO MORAR MAIS POR MENOS. CONHEÇA OS AMBIENTES DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MOSTRA NO ESTADO 24 PERFIL O CANTOR E COMPOSITOR TOM ZÉ ABRE SEU UNIVERSO 76 CENÁRIO FEMININO CADERNO ESPECIAL DA JORNALISTA SÔNIA CALDART TRAZ RECEITAS E DICAS DE ARTESANATOS 128 VIAGEM THE LEELA PALACE UDAIPUR LUXO E REALEZA PARA MIL E UMA NOITES 140

Humberto Espíndola O ARTISTA SUL-MATO-GROSSENSE QUE FAZ PARTE DA HISTÓRIA DA ARTE BRASILEIRA E MUNDIAL

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CAPA

O artista sul-mato-grossense Humberto Espíndola e sua trajetória na história da arte brasileira e mundial

66 LEITORES "Vi a matéria e fiquei muito feliz. Grande abraço." Eduardo Baroni, por email, a respeito da seção Design, ed. 28.

26 Tome nota Literatura, teatro, música. Uma fina seleção de cultura e entretenimento 12 Feira Hype Ideias para vestir sua casa 18 Casa e Estilo Morar Mais por Menos. Conheça os ambientes da primeira edição da mostra no Estado 24 Design Fernando Jaeger cria peças que unem cor, materialidade e sustentabilidade 54 Mistura Fina As novidades em moda, design e luxo que fazem nosso desejo de consumo 60

57 Perfil O cantor e compositor Tom Zé abre seu universo 76 Comportamento A vida de solteiro depois dos quarenta 78

140 Eu sou Repleto de bom humor, Joel Silva fala de sua paixão pelo jornalismo esportivo 88 Lounge Helenita Brum vive um novo momento com a maternidade 90

Vox Regis Guimarães aponta sobre o comportamento entre homens e mulheres no momento de montar uma casa 80

Vida de artista Lauren Cury e seus passos na música, moda, design e artes plásticas 118

Jean Michel Marsala, sócio-proprietário da Maxi Incorporadora, fala do mercado imobiliário e dos novos projetos de moradia 82

Cultura Google Art Project permite passeios virtuais ao MAM e à Pinacoteca 120

Portfólio Leticia Rocha e os caminhos na arquitetura 84

Cenário Feminino Caderno especial da jornalista Sônia Caldart traz receitas e dicas de artesanato 128

Sócia-proprietária da Transrest, Marta Albuquerque fala de sua trajetória 86

DECORAÇÃO | ESTILO | GOURMET | VIAGEM | CONSUMO

CONTATO Envie comentários e sugestões para a seção informando o seu nome completo. A revista MOOD Life se reserva o direito de resumir e adaptar os textos publicados, sem alterar o conteúdo. editor@moodlife.com.br redacao@moodlife.com.br www.twitter.com/revistamoodlife www.moodlife.com.br


Expediente

U

ma casa que contempla todos os gostos reunindo sofisticação, elegância, ideias criativas e soluções acessíveis. Apresentamos a primeira edição do Morar Mais por Menos Campo Grande, onde 93 profissionais idealizaram 55 ambientes, distribuídos em 5.350 m². Cada espaço e seu conceito de bem morar podem ser vistos em nossa seção Casa e Estilo. Por anos, um dos imóveis da mostra foi a residência de um dos artistas-plásticos mais importantes do Estado, Humberto Espíndola. O espaço reúne memórias de celebrações de uma família facilmente reconhecida pelo sobrenome. Pioneiro com arte em muitos aspectos, transportou o cidade em bienais pelo mundo. “Sulmatogrossense da gema”, como gosta de se definir, aceitou o convite para compor nossa matéria de Capa e contar sobre sua trajetória com os pinceis. Hoje, com quase três mil trabalhos, Humberto divide suas memórias e poesias que agora fazem parte do universo virtual. Longe da pintura, mas também um artista, o cantor e compositor Tom Zé fala de seu trabalho e suas ideias na seção Perfil. Em Comportamento, o tema é: “a vida de solteiro depois dos 40”. Buscamos o entendimento de especialistas e relatos de um dos 74 milhões de brasileiros solteiros para entender a decisão de ficar só. Partindo para Viagem, apresentamos The Leela Palace Udaipur, um hotel indiano de luxo e realeza para mil e uma noites. Para o verão que está chegando, apontamos uma das principais tendências de beleza para a estação: o azul é aposta de vários maquiadores. E como dezembro é período de troca de presentes, nossas seções de consumo são uma inspiração. Carros, gadgets, acessórios do universo feminino e masculino você confere em Mistura Fina. Se o desejo é renovar o mobiliário da casa, Feira Hype traz os últimos lançamentos do mercado, assim como Goumet UD, com itens essenciais para nossa cozinha. Aprecie!

CAPA Humberto Espíndola Foto: Estúdio Sim Produção executiva: Cidiana Pellegrin

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Diretor Josué Sanches josue@moodlife.com.br Conselho Editorial Josué Sanches Linda Benites Luis Pedro Scalise Melissa Tamaciro Jornalista responsável Cidiana Pellegrin (MTB 687/MS) redacao@moodlife.com.br Editor de arte Odirley Deotti arte@moodlife.com.br Fotógrafos Estúdio Sim, Jean Vollkopf, Marcos Vollkopf Revisão Dáfini Lisboa dafini.lis@gmail.com PARA ANUNCIAR LIGUE (67) 3304-8504 Distribuição e assinatura Gabriela Galante atendimento@moodlife.com.br Colaboraram nesta edição Texto Adriana Estivalet, Alexandre Furquim, Carla Gavilan, Cidiana Pellegrin, Douglas Mamoré Junior, Maria Adélia Menegazzo, Paulo Cruz, Thereza Christina Silva, Thiago Andrade, Valquíria Oriqui. Ilustração Diogo Santiago Revista MOOD Life é uma publicação mensal. Rua Bahia, 10 – Itanhangá Park. Campo Grande/ MS CEP 79003-032. A Revista MOOD Life não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constam no expediente não tem autorização para falar em nome da Revista MOOD Life. Impressão e acabamento Idealiza Gráfica e Editora.


regio n a l UMA FINA SELEÇÃO DE CULTURA E ENTRETENIMENTO

Depois de se aventurar pela dança e pela música romântica, seguindo os passos do pai, Zezé di Camargo, Wanessa mudou de estilo até chegar ao que foi apresentado em “DNA”, de 2011, um álbum focado no electropop e com canções em inglês. Com esse trabalho na bagagem e tendo ganhando o epíteto de musa do público GLBT, ela se apresenta na Non Stop Club - Rua Pimenta Bueno, 127 – no dia 8 de dezembro, às 23h. Os ingressos estão à venda na boate. O segundo lote custa R$ 70 e os camarotes R$ 150. Informações: www.nonstopclub.com.br

Comédia em pé Os comediantes Marcelo Marrom e Rodrigo Capella montaram o espetáculo “Comédia em Preto & Branco”, que reúne improviso, esquetes e música, tendo como único objetivo fazer o público se divertir da melhor maneira possível. Explorando temas cotidianos, o duo apresenta um espetáculo de uma hora e vinte minutos de duração, que nunca se repete. Ambos passaram pela Cia. Humor DEZnecessários, um importante grupo de humoristas. Eles se apresentam no dia 24 de novembro, às 21h30, no Teatro Glauce Rocha. Os ingressos estão à venda no Shopping Campo Grande, com preços entre R$ 100 e R$ 60. Informações: 3326-0105

ARTES

Cores e formas Em sua 4ª edição, o Salão de Arte de Mato Grosso do Sul reúne obras de 20 artistas plásticos brasileiros em exposição no Museu de Arte Contemporânea (Marco) – Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – até fevereiro de 2013. São trabalhos que dialogam com diversas vertentes das artes visuais. Instalações, esculturas, pinturas, fotografias e outros suportes estão presentes no museu e oferecem um rápido panorama da arte contemporânea. Preste atenção nos trabalhos de José Henrique Yura, Roberto Góes Müller e Camila Jordão. A visitação é aberta de segunda-feira a domingo, com entrada gratuita. 12 MOOD

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"SE JOGA"

TEATRO

TEXTO THIAGO ANDRADE

SHOW


naci o n a l

TEXTO THIAGO ANDRADE

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UMA FINA SELEÇÃO DE CULTURA E ENTRETENIMENTO

TELEVISÃO

A VEZ DO JORNALISMO Âncoras de jornal sempre foram figuras imponentes na cultura norte-americana (e, até mesmo, no Brasil). Tendo como principal referência o jornalista Edward R. Murrow, que enfrentou o senador Joseph McCarthy, surge Will McAvoy, que declara guerra contra os absurdos cometidos pelo Tea Party americano. Ele mesmo é um republicano descontente com o seu partido. Esse é o personagem central de “The Newsroom”, série norte-americana produzida pela HBO, que encerrou a primeira temporada nos Estados Unidos, sendo aplaudida por crítica e público. Foi exibida no Brasil pelo canal e, atualmente, pode ser vista em sites como o Netflix.

GASTRONOMIA

Arte gelada TEATRO

Experimentar em cena Reformada, a Praça Roosevelt, em São Paulo, ainda abriga grupos teatrais independentes que equilibram sobre a corda bamba experimentalismo e boas histórias. Um deles, o mais antigo, é o Satyros, que, atualmente, é responsável por eventos como as “Satyrianas”. Durante todo um fim de semana, inúmeros espetáculos são apresentados, sem intervalo. Nas duas salas do grupo, estão em cartaz peças como “Cabaret Stravaganza”, “Inferno na Paisagem Belga” e “Suburra”, uma festa eletrônica em que teatro e diversão se confundem. Fica na Praça Roosevelt, 214.

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Unir técnicas de pâtisserie francesa e os sabores dos gelatos italianos foi o caminho para Ana Gaspary, da Arte Freddo, em Porto Alegre, encontrar a originalidade que tornou sua loja conhecida em todo o país. Ana criou sabores que vão dos mais simples, como frutas vermelhas, aos mais curiosos, como os sorvetes de gorgonzola, azeitona preta, tomate seco e manjericão – que podem ser degustados com a salada verde servida pela casa. Não deixe de conferir os inusitados tiramisù de figo com nozes e o de manjericão com calda de morango. Fica na rua Giordano Bruno, 13. Informações: www.artefreddo.com.br


naci o n a l UMA FINA SELEÇÃO DE CULTURA E ENTRETENIMENTO

MUSICAL

Selva no palco

TEXTO THIAGO ANDRADE

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O espetáculo “O Rei Leão” será encenado no Teatro Abril e tem a estreia marcada para março de 2013. No entanto, a história hamletiana de Simba, na savana africana, já tem ingressos à venda no site da Tickets For Fun. Depois de pré-venda exclusiva para clientes do banco Bradesco, os ingressos foram disponibilizados para o público em geral. Serão sete sessões por semana, de quarta-feira a domingo. Com canções adaptadas para o português pelo músico Gilberto Gil, o espetáculo almeja sucesso no Brasil. Os preços variam entre R$ 50 e R$ 280.

SHOW

Pop ou Indie

GAMES

PÁSSAROS ESTRELARES A franquia de jogos “Angry Birds” dá um passo além e vai parar dentro da saga “Star Wars”. Geeks de plantão bateram o record de dois milhões de downloads, logo depois do lançamento, em novembro. O game custa US$ 4,95 e pode ser baixado no site oficial (www. angrybirds.com). Misturando o universo já explorado em “Angry Birds Space”, a nova aventura traz os personagens clássicos da franquia de George Lucas. Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Princesa Leia e, até mesmo, C3PO e R2-D2 estão lá para enfrentar os porcos que, dessa vez, ganham o apoio de Darth Vader.

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De um lado, Madonna, que se apresenta dia 1º, no Rio de Janeiro (Parque dos Atletas), dias 4 e 5, em São Paulo (Estádio do Morumbi), e 9, em Porto Alegre (Estádio Olímpico). De outro, Fiona Apple, nos dias 27, em Porto Alegre (Pepsi On Stage), 29, em São Paulo (Credicard Hall), e 30, no Rio de Janeiro (Vivo Rio). Cantoras tão diferentes quanto se pode imaginar, mas que prometem shows desafiadores e inesquecíveis. Resta escolher sua musa e partir para o show. Os ingressos para Madonna, à venda desde abril, podem ser adquiridos no site da Tickets For Fun, com preços entre R$ 120 e R$ 850. Os preços para Fiona são mais modestos: de R$ 50 a R$ 350.


IDEIAS PARA VOCÊ VESTIR SUA CASA

TOM

Africano

E

m parceria com o estúdio brasileiro de design Nada se Leva, a Missoni Home lançou as banquetas Afrique, uma coleção limitada, feita com retalhos de tecidos da grife italiana – recurso que garante padronagem original e única para cada peça. Além da referência étnica, tradicionalmente incorporada nos produtos da marca, os itens foram inspirados em bancos típicos da África, o que torna o móvel contemporâneo e criativo. A produção foi feita pela empresa brasileira Larco. Por R$ 4.700, na Missoni Home. Informações www.larcohome.com.br

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FOTOS DIVULGAÇÃO TEXTO CIDIANA PELLEGRIN

IDEIAS PARA VOCÊ VESTIR SUA CASA

Estilosos Originalidade O designer Sérgio J. Matos foi buscar na manifestação folclórica de Pernambuco a inspiração para criar o tapete Marakatú By Kamy. A peça, exibida no Salão Satélite, em Milão, remete ao desenho das flores que estampam as vestimentas tradicionais do Maracatu. Feito de cordas confeccionadas artesanalmente, de fios de nylon entrelaçados, o produto é comercializado em módulos e sua montagem é feita de acordo com a preferência do cliente. Preço sob consulta no site www.bykamy.com

Sem desperdício

Desde 2010, o estilista Ronaldo Fraga assina coleções exclusivas para a Tok&Stok. Um dos seus recentes lançamentos é a linha Croquis Festa, composta por vasos, jogos americanos, louças de mesa, almofadas, telas e luminária, tudo revestido com modelos em quatro variedades de vestidos e fundos que replicam seus estilosos óculos de grau. Os preços de cada item variam de R$ 34,90 a R$ 215. Informações no site www.tokstok.com.br

Lavanda no jardim Perfumada e delicada, a lavanda, também conhecida como alfazema, tem tomado espaço nos jardins. Esta planta é considerada ornamental e pode ser cultivada em canteiros extensos. Suas flores púrpuras são pequenas e graciosas, e ajudam a compor cenários bucólicos. Por serem resistentes, também florescem com perfeição em jardineiras e vasos. Disponível na Califórnia Mudas. Endereço Av. Afonso Pena, 4348. Tel.: 3349-0302

A Jödja possui uma coleção de vasos com sistema autoirrigável, que dispensa o uso de cachepô e a rega frequente. Os produtos possuem dois compartimentos e três fios de nylon que saem da parte superior e vão até à base. O nylon absorve a água do reservatório – que não apresenta risco de proliferação de larvas – e cria um fluxo para a terra. Feitos de vidro e em diversas cores, os vasos agregam charme em qualquer canto da casa. Por R$ 79,90 no site www.jodja.com.br

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IDEIAS PARA VOCÊ VESTIR SUA CASA

Cinema em casa A Sony apresenta seu novo home-theater com blu-ray player, o BDV-N990W, que reúne alta performance de imagem e áudio, design compacto e elegante, além de tecnologia 3D. Pensado para quem tem estilo, sofisticação e modernidade, o equipamento tem 5.1 canais e permite acesso aos conteúdos da internet. Por meio da tecnologia DLNA, permite, ainda, acessar pastas direto de um computador, a partir de uma conexão sem fio. Outro destaque é a função Media Remote, que possibilita que um smartphone ou tablet seja transformado em controle remoto. Por R$ 3.219,20 no site www.americanas.com.br

ENGAIOLADA A típica casa de passarinhos se transformou em luminária, na coleção da Sierra Empório. Em dois tamanhos, os modelos possuem pintura que remete ao aço corten e combinam com ambientes externos, como varandas, em que há maior contato com a natureza. Preço sob consulta. Informações no site www.sierra.com.br

Evolução "For You"

SINUOSA O arquiteto e designer Porfírio Valadares costuma enfatizar e tornar explícitas as técnicas construtivas, tornando-as elemento integrante em suas peças. A namoradeira Zaha, por exemplo, é construída em compensado laminado, recortado, colado e prensado, com acabamento em verniz poliuretano (PU) e semibrilho. A peça participou da mostra Geração Casa Brasil, que integrou a IV Bienal Brasileira de Design, realizada em outubro no Museu de Minas e Metais. Por R$ 12.278 na loja Dpot. Informações: www.dpot.com.br

Produzida por brasileiros, 4U é uma cadeira fabricada pela Tecnoflex, com materiais de última geração, que possui inúmeras regulagens de altura e de profundidade do assento, inclinação do encosto, regulagem do apoio lombar e uma curvatura envolvente, que garante mais conforto no trabalho. O produto atende a todos os parâmetros de ergonomia, modernidade, durabilidade, sustentabilidade e reciclagem. Informações no site www. tecnoflex.com e na Movstore, localizada na av. Zahran, 1337. Tel.: (67) 3027-7330 campogrande@tecnoflex.com; comercial@movstore.com.br TEXTO CIDIANA PELLEGRIN

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Morar Mais por Menos Campo Grande Conforto, sustentabilidade e elegância. O evento apresenta soluçþes para decorar a casa com personalidade e economia Por Cidiana Pellegrin

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O

s ambientes são sofisticados, criativos, com a utilização de materiais sustentáveis e, ainda, neles, priorizam-se produtos brasileiros na decoração. Tudo isso, com alguma redução de custo e soluções “amigas do bolso”. Este é o cenário da mostra Morar Mais por Menos, que ficará de portas abertas até 30 de novembro, apresentando 55 ambientes, distribuídos em 5.350 m² - área que contempla duas casas localizadas na rua da Paz, n° 342. Nomes consagrados, novos talentos e até quem nunca participou de uma mostra no segmento compõem o time formado por 93 profissionais, entre decoradores, designers de interiores, arquitetos e paisagistas. Apresentando as mais diferentes interpretações do bem morar, eles estão empregando toda a sua originalidade e o seu bom gosto, para idealizar quartos, salas de estar e de jantar, cozinhas, banheiros, varandas, jardins, ambientes comerciais, sociais e de eventos que vão impressionar o público. Para a diretora-executiva da mostra, Iara Diniz, Mato Grosso do Sul tem aumentado sua capacidade de investimento no setor de moradia e, com isso, “todos querem soluções para viver bem e, principalmente, esperam custos acessíveis. O evento traz em seu conceito

isso: os recursos corretos, aplicados por quem entende. Brasilidade, inclusão social, sustentabilidade, customização, tecnologia e inovação, tudo gera propostas inovadoras, inteligentes, conscientes e sofisticadas”, acrescenta. Os visitantes irão encontrar diversos espaços com produtos ecologicamente corretos, revestimentos desenvolvidos com itens reciclados e móveis de madeira de demolição, comprovando que é possível aliar o conceito de sustentabilidade com conforto e requinte. Arte regional, produtos criados por artesãos locais, assim como de projetos sociais, estarão, também, compondo vários ambientes.

Idealizada por Ângelo Arruda, a Fachada Rua 14 de Julho resgata o patrimônio arquitetônico e cultural de uma das principais ruas da Capital. Também, faz-se uma homenagem ao Bar Bom Jardim, um dos mais frequentados pela sociedade, na década de 1930. A ideia foi criar um cenário em que os campo-grandenses pudessem se identificar com a mostra e com a história, já que tudo o que acontecia na cidade passava, primeiramente, pela rua 14

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Origem A ideia surgiu a partir de uma necessidade manifestada pela filha da publicitária Lígia Shuback, uma das idealizadoras do evento. Ela quis instalar uma hidromassagem em sua casa e tomou um susto com os altos custos do equipamento. Dali, surgiram questionamentos: como ter um lar aconchegante e sofisticado, sem gastar quantias exorbitantes? Em 2004, a Morar Mais por Menos foi criada no Rio de Janeiro. De lá para cá, o evento cresceu e conquistou outras dez cidades, além da capital carioca.

Foco Em todo o país, a Morar Mais por Menos se sustenta pelos pilares da sustentabilidade, agregando soluções e materiais alternativos, recicláveis e/ou certificados, ou, ainda, preocupando-se com a racionalização de energia e água; inclusão social, em que o profissional deve incluir no projeto algum produto artesanal de ONGs, cooperativas ou trabalhadores informais; brasilidade, que valoriza itens de produção nacional para ornamentar o ambiente; tecnologia e inovação, aplicando no segmento residencial o que há de mais moderno em diversos setores da economia; customização, apostando no lado “artista” dos profissionais, pois exploram toda a criatividade para tornar os projetos únicos e autorais; e vendas, que possibilita livre interação entre os visitantes, profissionais e fornecedores.

Diferencial Na Morar Mais por Menos, o preço dos itens em exposição e o valor de todo o projeto ficam à vista do visitante. Além disso, cada ambiente disponibiliza formulários para que o cliente relate seu desejo por alguma peça, fazendo, assim, uma reserva do produto. As empresas participantes podem entrar em contato com os interessados e até promover descontos para finalizar a compra. Visitar a mostra também é ter a certeza de que, com a ajuda de um profissional, é possível deixar a decoração acessível ao bolso e visualmente atrativa.

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A Sala de Boas-Vindas foi projetada pelos profissionais Adelia Calache Zaccur Haddad e Silvio Zaccur Haddad, que buscaram receber os visitantes em dois momentos distintos, criando um espaço de contemplação, com espelho d’água, e outro, com estar ambientado por poltronas confortáveis, destaca-se pela iluminação setorizada, que transmite sensação de aconchego

Assinada por Tríssia Moraes, a Sala de Visitas mostra que chique é receber visitas com conforto e descontração. Para gerar uma atmosfera acolhedora para uma simples conversa, ou a leitura de um livro, a profissional buscou o estilo contemporâneo, misturando objetos que remetem a épocas passadas, com itens novos, e o uso da madeira, símbolo do aconchego Thaline Queiroz, Thaylise Queiroz e Luciano Dourado exploram a ergonometria, procurando atender ao desafio do evento, o chique que cabe no bolso. No Estar Mais por Menos, houve aproveitamento máximo da área, na qual o trio reuniu, no pequeno espaço, os nichos de estar, copa, cozinha e jantar, sem perder a área de circulação

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Os projetos Bilheteria e Varanda Morena (acima) foram pensados para ter baixo custo, inclusão social, brasilidade e sustentabilidade. O trabalho da arquiteta Bruna Rezende foi desenvolvido em parceria com a Escola Pau-Brasil, programa de formação profissional em marcenaria e design, para jovens de baixa renda, realizado pela ONG GIRA Solidário. Além disso, a varanda tem pinturas elaboradas por crianças que participam de projetos sociais


A Sala de Entrada, assinada por Érique Moreira, tem os estilos clássico e contemporâneo. O espaço mescla reaproveitamento de materiais, tais como MDF, madeira de demolição e couro ecologicamente correto, feito de plástico. Crochê e livros antigos encapados decoram o ambiente, mostrando como é possível reutilizar produtos e ter um efeito de grande estilo O Espaço Carandá, assinado por Kamala Escalante, combina sala de televisão, de estar e de jantar com minicopa, em um só local. O piso de porcelanato polido é a união de todos os espaços, contando com um tapete para demarcar a sala de TV. Outra maneira de diferenciar as várias atividades foi colocar painel em madeira de reflorestamento ao lado de um pórtico em MDF

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Leticia Rocha projetou o Escritório do Advogado em homenagem ao profissional Paulo Tadeu Haendchen, autor de vários livros na área de direito. O ambiente foi desenvolvido mesclando-se tecnologia e custo-benefício, resultando em um espaço aconchegante e moderno. Além disso, une em um mesmo conceito, área externa e interna, proporcionando outras formas de usufruir do espaço de trabalho

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No espaço Estar Correio do Estado, foi adotada uma paleta de cores sóbrias e móveis modernos. É um ambiente corporativo que visa à tranquilidade e serve tanto para reuniões e entrevistas, como, também, para contemplar um café da manhã ou almoço de negócios. Remetendo ao quesito sustentabilidade, a profissional Sandra Madeira optou por utilizar rodapé de PVC e lâmpadas de LED

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Amplo, bem iluminado e decorado, com mobiliário aconchegante e sofisticado, o Estar da Família, projetado por Mirna Conti, possui uma cortina d’água com a finalidade de permitir uma temperatura agradável e para que o ar não fique seco. Destaque, também, para o suntuoso revestimento 3D – atrás do sofá – feito de fibra de cana-de-açúcar

Na Sala de Estar da Caixa, Vanessa Froeder, Samária Rosa, Melissa Paula Godoy e Thais de Lima Franco envolvem os visitantes em uma caixa de madeira flutuante, que transmite o conceito de conforto e consciência social por meio de materiais sustentáveis e soluções modernas. O resultado é a mistura do rústico com o contemporâneo

‹ Pensado para um jovem casal despojado, que prioriza o morar com requinte, o Estúdio Atalaia, assinado por Arthur Jorge Santos Lima e Carla Barbosa, reúne mobiliário diferenciado, obras de arte, cores e texturas em madeira que promovem a sensação de espaço acolhedor. Como solução para redução de custos, foram utilizados no projeto tecidos de algodão cru e luminárias spots simples

› A Sala de Imprensa de Gisele Romeiro, Henrique Miranda e FOTOS MARCOS VOLLKOPF

Arthur Jorge Santos Lima retrata a história das mídias e busca, na escolha dos materiais, a tarefa de reduzir os custos. Os profissionais optaram pelas cores preta e branca, para exaltar o impresso e dar um clima de nostalgia ao espaço repleto de fotografias antigas

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Luis Pedro Scalise transformou a Circulação em uma galeria de arte. O ambiente faz uma retrospectiva de todo o trabalho do arquiteto. A ideia foi interferir minimamente no espaço, e a palavra de ordem foi reaproveitar. Para baratear custos, foi usada tubulação aparente, para não precisar cortar as paredes que não foram rebocadas, tirando partido da textura e do volume dos tijolos maciços A Sala Íntima, de Luis Pedro Scalise, mantém a mesma linguagem do ambiente Circulação. O espaço se transformou em um local descontraído, em que se pode assistir à TV, trabalhar e receber visitas. Itens do cotidiano, como abajur, cadeiras e poltronas, viraram arte. O artista faz uma retrospectiva de seu trabalho, por meio de exposições de quadros pintados durante 41 anos

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Em busca de novos conceitos para ambientes comerciais, os arquitetos Erica Nantes, Carollyne Cunha, Pedro Perez e Rodolpho Rabelo procuram propostas não convencionais, criando equilíbrio entre o rústico e o sofisticado. Na Joalheria Riquezas Naturais, o foco é a sustentabilidade, fazendo uso de materiais naturais e reaproveitáveis, já que a matéria-prima principal das joias é proveniente da natureza Leve, a partir de cores claras, transmitindo tranquilidade e ao mesmo tempo segurança, o Espaço New Line, de Anapaula Reiter, apresenta o Sistema de Segurança NEW LINE. Poucos móveis e um painel que recebe os monitores dão ao ambiente um estilo contemporâneo, que traduz proteção e serenidade

O espaço presta uma homenagem a J. Barbosa Rodrigues, nome importante na história de Mato Grosso do Sul, tendo sido professor, jornalista, historiador e uma das figuras centrais na divisão do Estado. Para transmitir a seriedade e credibilidade que refletem a história do homenageado, a arquiteta Sandra Madeira usou cores neutras que, também, fazem um contraponto ao quadro pop art, retratando o homenageado

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Grace Bello e Roberto Araujo criaram o Jantar da Família, um ambiente pensado para receber os amigos e desfrutar de uma refeição junto aos familiares. Com estilo contemporâneo e moderno, o ambiente tem mobiliário requintado, feito de madeira maciça extraída de reflorestamento, com manejo ecologicamente correto, o que reforça o conceito de sustentabilidade da mostra

Diferentemente da maioria das adegas que, na maioria das vezes, possuem características masculinas, esse espaço explora elementos femininos. Para isso, Renata França utiliza imagens da polêmica, ousada e sensual Marilyn Monroe, e mescla materiais rústicos com outros contemporâneos

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A Cozinha dos Pequenos Prazeres, de Regina Verardi, caracteriza-se pela intenção de criar um espaço gourmet para a família, de forma a possibilitar o uso universal tanto por adultos quanto por crianças, ou pessoas com deficiência. Trata-se de um módulo autossuficiente, que auxilia usuários da casa aos pequenos prazeres fora de hora


Um ambiente despojado e com atmosfera que remete ao passado. A Cozinha Retrô, criada por Kamala Escalante, traz revestimentos como azulejos com aspecto antigo, que são complementados com acessórios em crochê. O espaço é setorizado em área de cocção e refeição, e foi projetado pensando em estimular sentidos como o olfato

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Lara Cerantola e Thaysa Canale criaram o Espaço Gastronômico para receber os amigos. A proposta é mostrar que é possível misturar peças de baixo custo com itens de design e obter um resultado sofisticado. Para isso, elas aproveitaram sobras da construção civil, como blocos, calhas, tijolo de demolição e concreto, empregando novas soluções para o uso em interiores

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O Restaurante, projetado por Luciana Teixeira e Ana Paula Zahran, apresenta paredes douradas, com placas de OBS, usadas como tapumes de obra. O conceito de sustentabilidade pode ser visto, ainda, com o projeto de eficiência energética. Além disso, o espaço mescla cadeiras de design – assinadas por Philippe Starck – a mesas de madeira de demolição, fabricadas por artesãos locais

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O Lavabo da Artista, criado por Andressa Okumoto e Rayanne Guimarães, utiliza materiais como o tecnocimento – que possui o mesmo conceito do cimento queimado – e itens artesanais e customizados por artistas locais. As profissionais ainda buscaram custo acessível para o projeto, além de trazer um ar mais aconchegante, propondo um jardim ao ambiente O Banheiro Funcional foi idealizado pela equipe de arquitetos da Sociedade em Prol da Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida de Mato Grosso do Sul – SPA/MS, Mayara Cunha, Jéssica Bellincanta, Ângela Gil Lins, Henrique Otto e Quézia Tosta, embasado nas normas de acessibilidade, de forma a chamar atenção da sociedade para a necessidade e a garantia da inclusão social em novos projetos

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Compacto, o Apartamento do Jovem Empreendedor, projetado por Silvia Vieira e Gabriela Diniz, foi criado para ter funcionalidade e conforto. Para decorá-lo, aproveitaram-se os espaços com itens recicláveis, utilizados de forma sofisticada, para que o ambiente se tornasse acessível. O toque de personalidade pode ser visto no grafite aplicado na parede Julieta Novaes Sahib, Kelly Cristina Garcia e Vera Lucia da Silva criaram o Quarto da Moça, pensando em agregar conforto para uma menina romântica. Para refletir sua personalidade, foram usados na decoração trabalhos artesanais como crochê, do grupo de artesãs Vovó Francelina, e bijuterias. Uma luminária de cristal dá leveza e charme especial ao ambiente

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A Suíte dos Bebês Gêmeos, de Larissa Bortoli e Paula Orsi, foi projetada visando à praticidade e ao conforto para os pais, além de cuidados com os bebês. O espaço exalta brasilidade pelas cores do teto e traz itens de customização, como gaiolas encapadas com fitas e decoradas com passarinhos de feltro e tecido – feitos à mão pelas arquitetas. Um diferencial está no piso, que elimina até 99% das bactérias

Anapaula Reiter e Ludéverson Cação assinam o Quarto do Motociclista, um ambiente contemporâneo que busca transmitir sofisticação e aconchego, por meio de cores neutras e escuras. Móveis de personalidade e iluminação sombreada dão uma atmosfera intimista, que garante masculinidade, com muito conforto

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Um espaço que valoriza a cultura regional e proporciona conforto ao morador, por meio da mistura do rústico com o sofisticado. A suíte Pantaneira de Gleiner Rocha traz cores sóbrias e o uso da madeira pinus. Como solução econômica no ambiente, o revestimento de tijolo de demolição foi substituído por adesivo com a mesma aparência no banheiro. Preocupando-se com a questão da inclusão social, alguns objetos, como vaso e moringa, foram feitos por indígenas artesãos

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O Ateliê da Noiva, idealizado por Debora Nunes e Thayla Teixeira, apresenta estilo contemporâneo, sem deixar o romantismo das cerimônias matrimoniais de lado. As profissionais apostaram na reutilização de artigos de acervo próprio e na mistura de objetos e mobiliários atemporais. A customização ainda se fez presente nas luminárias pendentes e no criado-mudo encapado com tecido

Homenageando Manoel de Barros em sua simplicidade, o espaço Recanto do Poeta, dos profissionais Maria Fontoura, Kamylle Perotto, Stephan Hofmann, Hezio de Paula e Fred Lei, incorporou recursos lúdicos para valorizar a sustentabilidade. Materiais cuidadosamente escolhidos foram aliados a produtos gerados de projetos de inclusão social, como a Escola Pau-Brasil, da ONG GIRA Solidário 40 MOOD


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Ana Luiza Elias, Sandy Fontoura, Kelson Carvalho e Claudio Diniz criaram a Sala de Banho do Casal, um refúgio depois de um dia de trabalho, para se aproveitar com tranquilidade e relaxamento. O ambiente preservou os azulejos originais e incorporou elementos que convivessem de forma harmônica, como o reaproveitamento da madeira no mobiliário, que agregou sobriedade ao espaço

O projeto do Quarto de Vestir foi pensado para um casal jovem e dinâmico. Kharla Costa, Maysa Vieira e Leticia Rocha buscaram unir sofisticação, conforto, rusticidade e tecnologia, por meio da mescla de materiais, formas e cores. O projeto ainda preservou o assoalho original, em parquete de madeira, que passou por recuperação A Sala de Vestir do Casal, de Kharla Costa, Maysa Vieira e Leticia Rocha, prima pelas cores elegantes e sóbrias, com roupeiro clássico branco e detalhes de acabamento em madeira de reflorestamento. O azul-turquesa está presente emoldurando o espelho de chão

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Feita de madeira pinus de reflorestamento, tratada, a Casa da Árvore, criada por Lilian Basso e Marcus Antonio Medina, é um espaço de integração com a natureza presente no jardim. Buscando elementos que valorizem a sustentabilidade e o reaproveitamento de materiais, os profissionais projetaram um local aconchegante, em que todo visitante sentirá aflorar uma lembrança da adolescência A Praça da Casa da Árvore, projetada por Jéssica Oliveira e Najua Raiza Felix Fidelli, recebeu caminhos sinuosos para que o passeio e a contemplação ficassem mais agradáveis. Com uso de plantas tropicais, o projeto visa destacar a brasilidade. Remetendo ao conceito de inclusão social, foram usados móveis produzidos por jovens presidiários

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No Jardim dos Sentidos o tema explorado do limoeiro remanescente da casa original inspirou a composição de uma linguagem que remete à nostalgia de momentos vividos, à exploração dos sentidos visuais, auditivos, táteis e do olfato. Regina Verdardi também projetou rampas em madeira de baixo custo, preservando uma área para um jardim seco, com buchinhos e brita O Jardim Aconchego, de Patricia Guimarães e Flávio Mendonça, recebeu um grande ninho central, no qual o morador pode descansar e apreciar o paisagismo, composto por vegetação rasteira, uma espécie frutífera e palmeira. O clima de rusticidade fica por conta da madeira de demolição, utilizada no aparador e na moldura espelhada

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A Horta Vertical, projetada por Priscilla Gonçalves, Aline Sanabria e Fabricia Torquato, foi projetada para o consumidor que aprecia uma horta em casa, sem deixar de lado detalhes de praticidade e beleza em seu pequeno ambiente. Cachepôs, aparador e prateleira de madeira reutilizada, encontrada em entulho de obra, minimizam o custo final do projeto

A proposta do Espaço Sierra Garden, assinado por Christine Zeni e Leticia Fornari, é mostrar que é possível, com o uso de decks e paisagismo, a apresentação de um espaço totalmente permeável e refrescante, em que o estar se torna agradável ao usuário. Cores fortes e ousadas em áreas externas e o uso de materiais de reflorestamento trazem estilo à decoração

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O espaço Piscina foi projetado por Anelise da Riva e Antonio Gelson Oliveira, respeitando elementos arquitetônicos já existentes no imóvel. Em harmonia com o Luau da Praia, os profissionais incorporaram à borda interna da piscina uma fita de LED em tonalidade azul, provocando um grande efeito estético à noite

O Luau da Praia, idealizado por Anelise da Riva e Antonio Gelson Oliveira, faz uma homenagem ao lazer e ao descanso. Do mais sofisticado ao rústico, este grande cenário tropical explora a tendência de cores do verão: turquesa, coral, amarelo e vermelho. A proposta se traduz em um espaço não apenas para ser visto, mas, também, curtido

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Um projeto despojado e urbano, para ser usado pela família inteira. A Garagem é multifuncional, permite armazenar itens, reserva espaço para uma pequena oficina e, também, para a prática de exercícios. O ambiente assinado por Artur Moraes, Joana Moraes e Miralba Moraes utiliza piso de materiais reciclados, mobiliário de madeira reflorestada, telhas translúcidas e projeto luminotécnico

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A Fachada Califórnia, de Gil Carlos de Camillo, reflete o conceito da mostra, ao provar que a boa arquitetura se faz com quaisquer materiais, desde que estejam corretamente contextualizados, independentemente de sua nobreza ou valor. Neste caso, o projeto se torna quase uma instalação, adota soluções sustentáveis, por meio de um jogo de planos em tábuas de pinus A Galeria do Tempo, de Regina Verardi, traz relógios artesanais – feitos por jovens do Instituto Mirim – gravuras e desenhos. Um quadro de interação com os visitantes foi planejado em uma das paredes para manifestação do público. A tendência das cores fortes e sólidas inspira o ambiente e o uso do piso autonivelante em residências – mais comum em espaços comerciais – pela praticidade de aplicação e manutenção

Pensando em um espaço que aguce sensações, as profissionais Bia Meneghini e Ariadne Gonçalves idealizaram um ambiente aconchegante, com muito verde. Na parede principal, um painel da artista plástica local Ana Ruas chama à contemplação. O ambiente também recebeu pergolado, espelho d’água e fonte para refrescar o clima do local

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Para a criação do Espaço de Eventos, Jamil Paroschi e Renata Salmazo adotaram um padrão geométrico simples, porém, com formas que dão ao ambiente um movimento dinâmico. O paisagismo é permeado por um espelho d’água que, além do fascinante efeito estético, ameniza a composição com o reflexo da vegetação na água. A proposta traz consigo a simplicidade e uma identidade exótica

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Ana Ruas apresenta arte, por meio das telas e dos desenhos nas paredes, criando ilusões de sombras reais. Além disso, incorporou objetos descartados e customizados, assumindo novas funções. No Ateliê da Artista, a brasilidade está no crochê, no chitão e na tela de uma bandeira do Brasil. Peças feitas com malotes e o papel artesanal da Pestalozzi reforçam o conceito de sustentabilidade e de inclusão social


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Ao projetar a Varanda Campo Grande, Joisy Nicolatti e Angela Gil Lins não deixaram de incorporar o design inteligente, tecnologias verdes, técnicas construtivas mais sustentáveis e a utilização de materiais que não causem impacto ao meio ambiente, seguindo os princípios do consumo de energia consciente, conforto térmico, redução dos resíduos gerados na obra e o reaproveitamento de materiais

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A Loja Bigolin foi desenvolvida por Charbel Bacha, Rodrigo Khalil e Silvia Lotfi, visando atender às necessidades funcionais de um espaço comercial e o bem-estar de seus visitantes. Uma das novidades tecnológicas no ambiente é o lançamento do piso antibactérias. Soluções de customização também são vistas nas luminárias pendentes, feitas de tela galvanizada e fios elétricos Julieta Novaes Sahib e Maria Luiza Bernardes são responsáveis pelo Empório Interp (ao lado), um espaço com duas áreas comerciais: uma voltada para a Joias do Pantanal e outra para a Uzinga, com o desafio de integrar o regional com o fun design. Para isso, elas utilizaram grafismos, gerando uma comunicação entre formas e cores. A tendência na decoração é visível nos adesivos com textura de couro de cobra

Rubens Leles idealizou a loja da mostra Morar Mais por Menos (página ao lado) contemplando uma arquitetura minimalista. Para reduzir custos, a proposta foi recuperar e customizar, como se pode ver nos móveis feitos de resto de madeira de demolição e, até mesmo, velhos dormentes de trilho. Para baratear custos, foi utilizado tijolo aparente, recuperação do assoalho de madeira e móveis de demolição

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Parceiros oficiais do evento Patrocínio nacional - Caixa Econômica Federal; Patrocínio master - Bigolin Materiais de Construção; Patrocínio local - Festas e Eventos TV, New Line Sistemas de Segurança, Ibratin Tintas e Revestimentos, Califórnia Mudas, TV SBTMS, TV Guanandi, Correio do Estado e Rádio Mega 94. Apoio Institucional - Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU-MS) e Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de Mato Grosso do Sul (IAB-MS); Apoio local - SEBRAE, FIEMS, Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Fundação Manoel de Barros, Vyga Prestadora de Serviços, Revista Mood Life, Diniz Ação em Marketing e Shopping Campo Grande. Realização: DNZ Participações e Negócios, empresa responsável por grandes eventos nos segmentos de varejo, esporte e arquitetura.

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Arte habitada de Fernando Jaeger Designer pioneiro na utilização de madeiras de reflorestamento no processo de produção, ele prioriza móveis funcionais, de traços simples e atemporais Por Carla Gavilan

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carreira começou a partir da comercialização de projetos, tentativa considerada difícil e desvalorizada no mercado. Ainda bem, porque, com essa insatisfação, Fernando passou a desenvolver os primeiros de muitos móveis que tanto desejamos ter em casa. O trabalho evoluiu e, atualmente, Fernando Jaeger administra seis lojas que levam seu nome, comemora 15 anos do sofá-ícone Flipper e é um dos mais importantes nomes do design contemporâneo nacional.

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Inovação e ousadia marcam a trajetória do designer, que foi um dos primeiros profissionais do segmento a utilizar madeira de reflorestamento na produção industrial de móveis. A iniciativa lhe trouxe importantes reconhecimentos, como o prêmio Movesp/IBAMA. “Procuro estar sempre evoluindo e em busca de novidades. Produzimos, por exemplo, novas coleções de tecidos, novas madeiras e cores novas, que mantêm este móvel atual”, afirma. A utilização de madeiras alternativas

e o aguçado interesse em pesquisas sobre técnicas sustentáveis no processo de produção caracterizam seu portfólio. Móveis de traços limpos e atemporais, que atravessam estações afora. Um exemplo é o sofá Flipper, peça ícone da década de 1990 que completou 15 anos, em 2012, e recebeu, do designer, uma reedição de aniversário.

Indicado para sala de jantar, o buffet Mestiço combina diferentes tipos de madeira e fórmica em uma mesma peça


Com formação em desenho industrial pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernando possui 3 ateliês e lojas pronta-entrega, que comercializam uma linha exclusiva de móveis funcionais e primam pela cor. A proposta é que suas coleções sejam consumidas por públicos distintos. “A cultura do design

contemporâneo está bem mais difundida hoje do que quando iniciei minha carreira de designer. Além disso, temos a facilidade de comunicação e informação por meio da internet. Investimos muito em nosso site, justamente, para isso. Um cliente que mora em outro estado pode conhecer nossos produtos e comprar”, comenta o designer.

“Acredito que um bom projeto atravessa o tempo, mas estamos sempre evoluindo e buscando novidades. No caso do Flipper, pintamos os pés em várias cores, que combinam com os tecidos de nossa coleção atual. É possível inovar um produto, mudando sua apresentação e suas cores. Aliás, cor é uma linguagem que sempre valorizamos muito”, explica Fernando

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Sofá Flipper, com pés verdes, em sua reedição de aniversário

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Dono de peças que aliam a arte ao modelo artesanal de produção, Fernado Jaeger costuma pensar na casa como um local funcional. “Uma casa tem de ser acolhedora, um lugar onde as pessoas têm prazer de morar. Uma casa acolhedora não é uma casa para ostentar e, sim, para se usar, com prazer”, fala

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Fernando tem predileção pelas cadeiras e poltronas que desenha, mas confessa que se realiza com todas as criações que desenvolve. Entre os modelos de cadeiras, está a Cadeira Deliciosa, um dos produtos de maior demanda dos ateliês. É produzida com estrutura de aço maciça, assento e encosto em chapa. A pintura é a pó e é possível ter uma Cadeira Deliciosa em várias cores. R$ 390,00. Ateliê FJ, em São Paulo. “Considero a cadeira uma das melhores expressões do design de móveis. Ela está para a decoração assim como o sapato está para a moda. Com ela, é possível uma gama enorme de variações de desenho. Pode ser mais funcional, mais escultural, mais básica, mais exuberante, enfim, expressar sensações das mais diversas”, pontua.

SERVIÇO Site: www.fernandojaeger.com.br Ateliê Pompeia Pronta Entrega Rua Tavares Bastos, 433 • Vila Pompéia São Paulo (SP) – CEP 05012-020 (11) 3675 5383 Pronta Entrega Laranjeiras: Rua Ipiranga, 119 • Laranjeiras A escrivaninha Loft tem tampo e corpo do gaveteiro em MDF laminado com madeira natural

Rio de Janeiro – RJ – CEP 22231-120 (21) 3256 0636 / 2205 2927

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mo t o r NOVIDADES QUE FAZEM NOSSO DESEJO DE CONSUMO • Por Paulo Cruz

SEXTO ELEMENTO Em edição limitada Lancer Evolution X ganha detalhes em fibra de carbono

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inda pouco visto pelas ruas brasileiras e dono de um conjunto mecânico privilegiado, o Lancer Evolution X, sedã esportivo da Mitsubishi, ganhou a versão limitada Carbon Series. Como o próprio nome já sugere, o modelo recebeu diversos elementos de fibra de carbono em toda a carroceria, como o defletor dianteiro, as entradas de ar do capô, espelhos retrovisores, extrator de ar e suporte da placa. Na traseira, a Mitsubishi trocou o imenso aerofólio da

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versão comum por um mais discreto, também feito de fibra de carbono, material que está presente, ainda, na parte interna – bancos, volante, colunas, detalhes das portas, console central e cobertura do painel de instrumentos. Como ficou mais leve, o motor 2.0 turbo, de 295 cv, teve seu rendimento otimizado. O preço é de R$ 218 mil, R$ 7 mil a mais do que o Evolution X tradicional.


O brilho do Onix Compacto é a grande sensação da GM nos últimos 10 anos O compacto é um hatchback com bom espaço interno, design diferenciado e grande apelo tecnológico, no que se refere à conectividade. Além da inovação do sistema multimídia MyLink, que permite ao usuário fazer ligações via Bluetooth, trazer suas músicas, fotos, vídeos e aplicativos do celular para dentro do veículo, como o GPS, o modelo entrega um bom pacote de equipamentos, desde a sua versão de entrada. Tem motores 1.0 e 1.4 litro, e três versões de acabamento: LS, LT e LTZ. Custa a partir de R$ 29.990.

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Nos últimos 12 meses, a General Motors passou por um processo de intensa renovação de sua linha no Brasil. Começou com a chegada do Chevrolet Cruze, em outubro de 2011, passou pela nova S-10, Spin e Sonic. Enquanto isso, a fábrica da montadora em Gravataí (RS), na qual são produzidos os compactos Celta e Prisma, encarava uma gigantesca obra. O resultado foi a ampliação da capacidade de produção em 150 mil unidades por ano, tudo para receber o projeto Onix, considerado pela marca como o lançamento mais importante dos últimos dez anos.

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TEXTO CARLA GAVILAN/CIDIANA PELLEGRIN FOTOS DIVULGAÇÃO

NOVIDADES QUE FAZEM NOSSO DESEJO DE CONSUMO

Só meu Longe de ser um detalhe, as capinhas para Iphones e Ipads estão bombando no universo fashion, produzidas em uma variedade de opções, por grandes marcas. Mas, em meio a tantos modelos, cores e estampas, a moda está pegando para as capas personalizadas. É o que a Casetagram oferece. Por meio do site, é possível utilizar as fotos do Instagram ou Facebook para produzir cases que ficam a cara do dono. A criação sai em torno de U$ 30 (aproximadamente, R$ 60) e é enviada pelo correio, na sua residência. No site www.casetagram.com

Sensação

do Verão

Nostalgia e modernidade marcam a coleção Legacy, da Coach. Produzidas à mão, como reverência ao artesanato e ao design clássico da marca, as bolsas aparecem em tons fortes, como amarelo, azul, verde e vermelho, e de ferragens, no turnlock. A produção é uma reedição da Coach New York de 1960 e, também, traz novos desenhos, que incluem Tanner Tote, Rory Satchel e Pinnacle Duffle. As cores e os efeitos da coleção Legacy tem inspiração vintage, com modelos especiais da estilista Bonnie Cashin, usados em diversos estilos da época.

Curinga das passarelas internacionais, verão 2012, a calça estampada foi a aposta de grifes como Louis Vuitton, Gucci e Marc Jacobs. Para os dias de alta temperatura dos trópicos, a Ellus apresenta opções irreverentes, com os prints na parte superior do corpo. O cropped é o modelo mais comum da calça estampada, aquele que acaba um pouquinho antes da canela. Ele pode ser usado com sapatilhas e, ainda, com ankle boots. As combinações em tons claros e escuros estão em alta e, com a ajuda de um acessório, a composição provoca o efeito que você desejar.

TROPICÁLIA Os óculos da Chilli Beans estão cheios de brasilidade na nova coleção da marca, que homenageia os primeiros habitantes do país. A série Tupiniquim traz, nos acessórios, a impressão de uma pena, em uma clara alusão aos índios nativos. Vale conferir, também, a coleção Sólidos, com oito modelos de óculos megacoloridos, em acetato, e cinco deles, em metal. Preço sob consulta no Shopping Campo Grande.

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NOVIDADES QUE FAZEM NOSSO DESEJO DE CONSUMO

CÍTRICOS Vibrante e carregada na dosagem cítrica, a coleção Fluo, da grife Jorge Bischoff, chega com acabamento luminoso, em modelos monocromáticos, com opções também em cores sutis, em composições de “parte-e-reparte”. O Fluo pode ser explorado com um único elemento, assim como as estampas, para dar vida a um look básico. Antecipando a estação, a temporada Primavera-Verão 2013 da marca é uma leitura do clássico neon em bolsas, sapatos e acessórios. Preço sob consulta na loja Jorge Bischoff - Rua Euclides da Cunha, 664, Campo Grande.

Caveiras Para quem prefere modelos conceituais de relógios, a Chilli Beans traz uma coleção temática dos acessórios com estampa de caveira e design assinado por Farah Bucater. Nas peças, uma referência à cultura mexicana e à celebração “El Día de Los Muertos”. Se as caveiras já estão em alta, imagina a que vem com bigodinho, toda simpática! Por R$ 398,00 no Shopping Campo Grande.

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Descolados Cheios de mimo e ousadia. Assim, estão os canivetes da nova coleção da grife Victorinox. A série Classic Fashion vem com modelos coloridos, produzidos a partir das últimas tendências do universo da moda. Com dez opções vibrantes, os canivetes descolados inovam ao apostarem, também, no público feminino. O xodó da coleção é o modelo Classic Fashion, que vem estampado de All Star.Por R$ 85 no site www.victorinox.com.br

Na energia das

CORES

Com modelos descontraídos e confortáveis, a LACOSTE aposta, pelo segundo ano consecutivo, na coleção “Wish Edition”, uma edição limitada de polos. Desta vez, o modelo na cor branca é mesclado com as quatro cores mais usadas neste período de Natal e Ano Novo. Separe o amarelo para quem você deseja prosperidade; o vermelho é uma ótima pedida a quem espera mais paixão em 2013; se tem alguém na família com desejos de renovação, presenteie com a polo verde; o azul, você reserva para aquele amigo que anda precisando de paz e harmonia. Por R$ 239 no Shopping Campo Grande.


gad g et s NOVIDADES QUE FAZEM NOSSO DESEJO DE CONSUMO

Bom gosto A combinação de couro e alumínio garante o glamour da compacta XF1, da Fuji. A pequena câmera possui um sensor EXR-CMOS de 12 megapixels, grava vídeos em 1.080p a 30 quadros por segundo, com uma lente equivalente a uma 25-100 mm (F1. 8-4.9), que garante um zoom de 4x. Em estilo retrô, o acessório fashion pesa 255g e mede 10,8 por 6,2 por 3,3cm. Por US$ 500 dólares no site www.amazon.com

Som com estilo Ouvir músicas ou filmes com a mais alta qualidade. Essa é a proposta do Beats by Dr. Dre Studio Butterfly, fone de ouvido “bacanudo” lançado pela Monster. Além do design avançado e da tecnologia do alto-falante, o modelo é confortável, reproduz o áudio de forma nítida e equilibrada, com funcionamento à pilha. Por R$ 352, em média. Mais informações no site www.beatsdre-au.com

LEITURA DIGITAL Leitores de livros digitais estão ansiosos pelo lançamento do Txtr Beagle, que promete popularizar os e-readers. Conforme anúncio da Txtr, empresa alemã que criou o modelo, o Beagle deve ser comercializado por nada mais do que 10 euros, o equivalente a 30 reais. O e-reader tem 5mm de espessura, 4GB para armazenamento, tela de 5 polegadas e Bluetooth. Em vez de bateria, o aparelho funciona com duas pilhas AAA que, de acordo com a empresa, tem durabilidade de um ano. Mais informações no site de.txtr.com/beagle

Elaborada para oferecer mais praticidade e eficiência no momento de fazer anotações, desenhos e escrever e-mails, a mesa digitalizadora Genius EasyPen I405X tem área de trabalho de 4x55” para desenhar e escrever, com sensibilidade de pressão de 1024 níveis para controle de todas as formas e espessuras, além de design pen clip para segurança e facilidade de guardar. Por R$ 219 no site www.todaofertauol.com.br

FOTOS DIVULGAÇÃO TEXTOS CARLA GAVILAN/CIDIANA PELLEGRIN

ANOTAÇÃO RÁPIDA

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QUEM NÃO REGISTRA, NÃO É DONO.

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Humberto Espíndola

Do universo pessoal ao talento artístico que exalta um rebanho de significados Por Cidiana Pellegrin

Fotos Estúdio Sim

N

ão é preciso decifrar. Ao mencionar o sobrenome, vem-nos à mente um legado artístico, identidade que ele ajudou a formar. Humberto Espíndola, primogênito de oito filhos – Valquíria, Sérgio, Geraldo, Tetê, Celito, Alzira e Jerry – tem, atualmente, 69 anos de idade, cerca de três mil trabalhos produzidos e seu nome impresso na história da arte brasileira e mundial. Jornalista por formação e autor do conceito bovinocultura, Humberto produziu, em meio a cores fortes ou um tanto discretas, a figura do boi em diferentes roupagens e inusitadas formas. Boi-general, boi-mítico, boi na bandeira do país, boi transformado em rosas... Um símbolo do universo rural que ganhou conceito artístico por seus pincéis. “Peguei o que era visto, apenas, no sentido agrícola e econômico, e dei a conotação de Cultura de Civilização, formada dentro de uma sociedade que nasceu da pecuária”, explica. Carregando o dom desde menino, chegou a desistir da pintura por ter seus trabalhos frequentemente retocados pelo professor, na adolescência. O reencontro com os pincéis aconteceu no final da faculdade, enquanto visitava a família nas férias – época em que a dedicação para as telas se dividia com o apreço pelo teatro e pela poesia. “Sempre me vi artista, e esse foi um período em que não sabia qual das áreas escolher”, revela. Poucos anos depois, já cultuando ao boi reais interpretações políticas e sociais, foi premiado nos mais importantes salões de arte e expositor de Bienais internacionais, a exemplo de Veneza, Paris, Chile e Venezuela. Foi pioneiro ao levar o nome do Estado para países estrangeiros, assim como na criação de instalações e de objetos. Além da admiração de críticos importantes, ganhou citação em uma das obras de José Saramago (in memorian), primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Nobel de Literatura. No romance “Manual de pintura e caligrafia”, um pintor

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Quando você começou a pintar? Fiz várias experiências com a pintura. Quando tinha 13 anos, estudei pintura com um professor em São Paulo e, como ele retocava muito os meus quadros e todo mundo achava lindo, eu pensava: “bom, estou recebendo elogios que não são para mim”. Assim, desisti da pintura por um tempo. Quando fui estudar jornalismo, me apaixonei por história da arte. Nas férias, em Campo Grande, eu pintava alguma coisa moderna e, aos poucos, voltei a pintar. Em 1965, terminei o curso de jornalismo e decidi ficar em Campo Grande por um ano, ajudando meus pais a cuidar das crianças (irmãos). Seus pais eram os grandes incentivadores, já que sua família tem muitos artistas? De onde vem esse dom? Muitas destas coisas artísticas apareceram neste ano que fiquei. A gente brincava muito, fazia teatro e reapresentação. Os meninos (irmãos)

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FOTO ANDERSON ORTIZ

retratista de oficiais, que sonhava trilhar um caminho na arte contemporânea, viaja pela Europa e visita a Bienal de Veneza. Encantado, faz referência aos trabalhos de alguns artistas, o único do país é Humberto. “Cultura Bovina do brasileiro Espíndola, formas de arte ambiental que singularmente me retiveram a visão, o tacto e o olfacto”, expressou o autor português, por meio do personagem. Humberto fez grandes contribuições para o circuito do Centro-Oeste, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, atuou como Secretário Estadual de Cultura e, ainda, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul. Enquanto muitos artistas locais deixaram o Estado para acompanhar o sucesso, Humberto se manteve por aqui. “Sou apaixonado pela cidade, a vida me colocou em Campo Grande por alguma razão e eu acredito nessa sincronização”, revela. Para receber a equipe da Mood, ele abriu as portas de sua residência, na qual também está seu ateliê. Em mais de uma hora de conversa, revisitou as memórias que contam parte da história da arte contemporânea e falou sobre seu momento atual, mais reservado e, também, conectado.

começaram a compor. Na época, Geraldo abriu uma gaveta e encontrou alguns poemas meus – um tempo em que eu me considerava mais poeta do que artista plástico. Aquilo se tornou umas das primeiras composições dele, que está neste último disco. Quarenta e cinco anos depois, ele veio a gravar “A Poesia da Noite”. Ele me apresentou esta poesia cantando e foi, aí, que descobri o talento do meu irmão. Geraldo Roca, Paulinho Simões e Almir Sater frequentaram muito a minha casa. Esse final da década de 1960 foi efervescente de criação, não só minha, mas de todos estes meninos buscando pela música. E o papel dos seus pais nisso? Mamãe sempre cantava pra gente; ela queria ser artista, acho que isso nos incentivou. Vovô foi muito rígido com ela, então, nesse aspecto, ela nos ajudava. Ser artista, nessa época, nos anos 1960, era quase impossível de as pessoas aceitarem. Falavam que artista ia morrer de fome. Em 1966, quando

1 fiquei parado aqui, comecei a produzir e conheci Aline Figueiredo – com quem me casei depois de alguns anos – e ela estava organizando uma exposição no Rádio Clube, que correspondia à primeira semana de arte moderna daqui. O mundo não era global como nos dias de hoje, em que não existe mais limitação de espaço para conhecimento. Com essa era digital, você acha que está mais fácil ou mais difícil para o artista se destacar? Eu não sei, porque eu não vivi meu início, como artista, nesse cenário. Eu acho que cada um tem seu tempo. Sempre faço uma observação: e se Roberto Carlos não tivesse surgido nos anos 1960 com a Jovem Guarda, no momento em que a música brasileira estava em transição? Ele apareceu na hora certa, cantando sobre o amor, e se tornou um artista popular que virou rei. Diferentemente dos movimentos de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que foram a renovação da música brasileira,


"Bovinocultura - Sociedade do boi", Bienal de SP, 1971, 100m2. Crédito da foto: ALINE FIGUEIREDO. FOTO ALINE FIGUEIREDO

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3 1 [1989] Por uma indentidade amerindia [Óleo sobre tela 120x100] 2 [1971] Bovinocultura - sociedade do boi [parcial] 3 [1967] Boi & society [Óleo sobre tela]

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FOTO MARCOS VOLLKOPF

Artista de valor Admiradora de Humberto Espíndola, a artista plástica Ana Ruas prestou-lhe homenagem expondo, no Ateliê da Artista - na mostra Morar Mais por Menos - algumas fotos com o amigo. Na parede dos valores, onde há vários objetos repletos de sentimentos, ainda está impressa uma referência: “Deixo cores e poesia em um cômodo que por alguns anos foi o quarto da sua mãe. Com licença Humberto Espíndola, com licença dona Alba Miranda”.

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com letras que tiveram problemas com a censura. Nós também sofremos a censura de 1968, nos festivais de teatro.

casa, a qual é atualmente a sede da mostra Morar Mais por Menos, meu sogro comprou por 500 vacas.

Aqui você também se envolveu com teatro? Sim. Na primeira vez que o Glauce Rocha acendeu as luzes, foi num musical dirigido por mim, chamado Oxil. Foi algo inesquecível, mas não temos registro devido à falta de tecnologia na época. De 10 anos pra cá, registro tudo o que eu faço.

Sentiu rejeição de suas obras? Naquela época, ninguém queria comprar o boi. Comecei a pintar rosas com orvalho e inventei a rosa-boi, assim, as pessoas assimilaram o boi com a beleza da flor. Foi algo novo, tanto os pintores de rosas quanto os de bois não tinham associado os temas.

Você sofreu censura na pintura? Sim, fui censurado para ir à Bienal de Paris, à Bienal da Bahia, no Salão de Belo Horizonte, por conta das cores verde e amarela nas pinturas. O regime militar achava que as cores da pátria eram sagradas e ninguém podia mexer com elas. Este tabu só foi quebrado quando o Brasil foi tricampeão na Copa de Futebol, em 1970, quando um general ficou tão contente que se embrulhou na bandeira nacional e, assim, o símbolo do país foi liberado. O símbolo da sua pintura sempre foi a bovinocultura? Na Bienal de São Paulo, em 1967, vi uma exposição muito bacana da Pop Arte americana, que trazia a visão do modo de viver americano. A partir disso, pensei: qual é nosso modo de viver? Até que me veio o boi. Peguei o que era visto, apenas, no sentido agrícola e econômico, e dei a conotação de Cultura de Civilização, que se formou dentro de uma sociedade que nasceu da pecuária. Mas eu não pintei o boi ruminante dos pastos. Estudei e vi a relação de boi com dinheiro, poder, enfim... Boi tem uma importância para a humanidade; foi, por exemplo, a primeira forma de moeda no Império Romano. Inclusive, o boi faz parte da minha história, não só pela pintura. Minha primeira

Você se preocupa com o que falam de seu trabalho? Já me preocupei com o que a crítica ia falar. Hoje, não mais. Quando era jornalista, concordava que o artista não era só artista por sua obra, mas deveria ser um agente modificador da sociedade. Eu não só fiz o meu trabalho, como fui um agente. Hoje, me sinto "quite" com a sociedade. Um sul-mato-grossense que apresentou sua arte pelo mundo. A que você atribui essa conquista? Inscrevi meus trabalhos em exposições pelo país e, ao longo dos anos, ganhei muitos prêmios nacionais. Tudo isso refletia nos jornais de destaque no país e, aqui, era reproduzido com muito mais força. Foi um reconhecimento que veio, primeiramente, de fora. Em 1972, ganhei o título de Cidadão Benemérito, por ter levado o nome de Campo Grande para o “estrangeiro”, com a Bienal de Veneza. Artistas do Estado, como Aracy Balabanian, mudaram-se para grandes centros. Por que se manteve em Campo Grande, até hoje? Sou apaixonado pela cidade. A vida me colocou aqui por alguma razão e eu acredito nessa sincronização. Eu encontrei essa identificação aqui, assim como Manoel de Barros permaneceu no Estado, até hoje. Não tenho vontade nem paciência para morar em cidade


A essência de um artista se revela em diversas formas. Além da pintura, Humberto Espíndola reinventa-se em versos curtos. São os Poemas de Twitter, reescritos de antigas poesias que saíram da gaveta, ou inspirações cotidianas, que ganharam espaço no vasto universo virtual. Apaixonado e profundo conhecedor da literatura, o campo-grandense brinca com as palavras em, apenas, 140 toques, que podem ser conferidas ao seguir H_Espíndola no Twitter, ou no blog www.poemasdetwitter.blogspot.com.br. Este último reserva breves histórias sobre a bovinocultura, ilustradas com trabalhos próprios do artista.

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Da série Cupins, 2011, acrílica sobre tela, 75x95cm

Ao rés do chão a rês se abate. Resgato a rês em meu peito com respeito. Uma rês no peito é bem maior que um coração, é um boi, é coração de boi"

grande, acho que a única que gosto de passear é o Rio de Janeiro. E aqui, gosta de sair? Minha casa é meu recanto. O mundo está dentro da minha cabeça e eu me comunico com o ele por meio da pintura. Sou um cara espiritualizado, capaz de ficar sozinho comigo mesmo. Não é qualquer um que gosta de ficar só. Tenho uma grande biblioteca e gosto de ler muito. Já foi a época em que eu saía frequentemente. Entre prêmios e exposições, qual episódio foi o mais marcante? A Bienal de São Paulo, em 1971. Montei uma instalação, algo inédito no mundo.

Era uma exposição de gado, com casca de arroz, cinco mil crachás de pano pendurados, um altar de chifres como se fossem castiçais, enfim, um ambiente chocante. Quis levar o boi vivo, mas não deixaram. Porém, meu destino foi escrito para eu ser pioneiro. Fui o primeiro artista regional a ir para o Museu de Arte Moderna, o primeiro a fazer algo que fugiu totalmente dos padrões acadêmicos. Por 35 anos, você morou na casa que, atualmente, é espaço da mostra Morar Mais por Menos. Que recordações você guarda de lá? Tenho muitas lembranças agradáveis. Todo o jardim, com ipês e árvores

frutíferas, foi plantado por mim. No passado, minha casa foi lugar para muitas festas e visitas ilustres, como a de Marly Sarney, então primeiradama. Na época, eu era secretário de cultura e a recebi em minha residência com um coquetel. Além disso, como mamãe morava comigo, minha família se reunia sempre lá. Frequentemente, Tetê e Alzira vinham de São Paulo, o que era motivo para reunir todos os irmãos e, às vezes, até os sobrinhos. O terraço da casa foi feito para apreciar o pôr-do-sol e o Cometa Halley. Minha avó contava de suas lembranças de criança sobre o cometa. Eu fiquei na expectativa, mas foi uma decepção, ele passou muito distante da Terra.

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FOTO ANDERSON ORTIZ

EXPRESSÃO VIRTUAL


“O mundo está dentro da minha cabeça e eu me comunico com o ele por meio da pintura”

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Caroline Bitencourt é uma das fotógrafas mais requisitadas do país por gravadoras, produtores de festivais e músicos. Começou fotografando bandas de amigos em porões com pouca luz e hoje suas lentes colecionam registros de artistas como Adriana Calcanhoto, Pitty, Marcelo Jeneci e Nina Becker. Para não fugir à regra, em destaque está o cantor Felipe Catto, clicado em maio 2012.

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FOTO DIVULGAÇÃO

TOM ZÉ Que a música fale o que a lógica não percebe Por Thiago Andrade

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“T

ão recentemente criado pelos árabes no século VIII, o zero. Como isso era possível? Como tantas civilizações puderam florir?”, indaga Tom Zé. O cantor e compositor lançou “Tropicália Lixo Lógico” e para explicar o disco, ele afirma, é fundamental entender algumas coisinhas. Dentre elas, o surgimento do zero, a relação entre os árabes e o Nordeste, o analfabetismo em relação à lógica aristotélica e o caminho segue em frente. Em um álbum que tem a tropicália como mote, o labirinto de ideias criado por Tom Zé faz com que o ouvinte se perca. As letras parecem não fazer sentido, as canções chegam ao fim de maneira abrupta, as entrevistas com o músico são misteriosas demais para elucidar algo. E, ao se chegar ao final dos 50 minutos do disco, uma surpresa: tudo é simples e muito divertido. “Não quero o hermetismo não, vou atrás do popular”, afirma Tom Zé, sem deixar de teorizar suas canções ou inventar equações para explicar a tropicália. No final, ou se aceita a viagem ou o aproveitamento não será total. Foi isso que fizeram Rodrigo Amarante, Emicida e Mallu Magalhães, que participam do disco em parcerias especiais sugeridas pela produtoraexecutiva do álbum. Para se aproximar do universo do cantor, vale conhecer um pouco mais de suas ideias: Em 16 faixas, você mistura canções que reforçam a tese sobre o surgimento da tropicália a canções sobre amores e o cotidiano das cidades nordestinas. Por que misturar esses dois lados? Os lados são mais de dois lados. As urbes maiores estão em canções como “O motobói e Maria Clara”, na canção que avisa ao povo de New York para manter-se distante das portas do metrô, aos passageiros de elevadores para que observem o aviso (mal) escrito nas cabines. Além de amores, de reflexão

sobre composição. E das canções sobre a tropicália. Quer caldeirão mais tropicalista do que este? Ao criar um disco calcado em ideias bem definidas, o que você espera do ouvinte? Será que as ideias estão assim tão definidas? Vamos lá: espero que o ouvinte se interesse, devote um mínimo de atenção à música, aos arranjos, às questões propostas, às letras. É expectativa demais, mas eu espero muito, demais, quero a demasia do meu público. Eu o amo. O que significa esse salto da Idade Média à Segunda Revolução Industrial que a tropicália permitiu? A famosa capa da Revista da Civilização Brasileira que citei algumas vezes mostrava um pescador sopesando um peixe único, que não saciaria a fome da população crescente do Brasil. Era o pré, a visão de certa esquerda que se equivocava com o bucólico. Já o olho tropicalista olhava para o cartaz, o computador, a multiplicidade de meios. O pós, que esperava que os novos meios saciassem não só o estômago como a fome de informação. Como toda a pluralidade, há nela o que lamentar e festejar. O que você pensa sobre o momento atual da música popular brasileira? Temos compositores como Luiz Tatit, expert em linguagem paulistana e que descobre, nela, uma poética rara. Há o próprio Emicida, que me mostrou, recentemente, uma letra forte, bem escrita, e Pélico, que Zuza Homem de Mello canta em verso e prosa. Além dos compositores estabelecidos, duma qualidade que enriqueceria a produção de qualquer país. Como surgiram as interrupções abruptas e os efeitos que costumam finalizar as músicas? Eles têm uma função poética? Ó, bênçãos! Obrigado a você por perguntar sobre isso. Pouquíssima gente

pergunta. Foi um dos maiores achados deste disco. Mexe com tempo, com duração, com sincronia. Com a cisão que a tropicália praticou. E, além de tudo, nasceu de uma pergunta que eu vinha me fazendo: o que é um disco? O que pode ser feito nele? Seria proibido ou impossível romper com o hábito de 12 a 16 começos, meios e fins? Não pode a boca de um capítulo entrar pelo rabo do outro? Atualmente, qual é sua relação com os músicos que iniciaram a tropicália, como Caetano, Gal, Maria Bethânia, entre outros? Tenho me comunicado mais frequentemente com Caetano, a respeito de um aspecto do trabalho dele que me surpreende e me interessa muito. É uma convivência adorável, mesmo que a distância. De alguma forma, seus discos sempre chamam a atenção, principalmente, pelo experimentalismo. Como se manter criativo, mesmo depois de mais de 40 anos de carreira? Já chamei o ofício que pratico de “meu diversão”. É o que me diverte, me põe pra trabalhar dia e noite atrás de meia dúzia de compassos, me tira o sono, mas me dá alegria jubilosa; traz o gosto da dificuldade de achar soluções. O prazer do que é difícil. E sonho que minha música seja ouvida nas estações rodoviárias, eu componho pensando nas pessoas que se sentam nos bancos esperando o ônibus para as cidades distantes do país. Não quero o hermetismo não, vou atrás do popular. Deve ser a síndrome de Maiakóvski – a massa comerá do biscoito fino que fabrico. E que nem sei se é fino! Algo a ser adicionado? Por favor, peço que você conte que vendo o “Tropicália Lixo Lógico” autografado, pelo e-mail 1bibi@uol.com.br. Muito obrigado, um abraço para redatores e leitores da Mood Life.

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Antes só A vida de solteiro depois dos 40 Por Thiago Andrade

“E

u acho que não tenho mais paciência para namorar”, considera o publicitário e empresário gaúcho Caio Fernandes Antunes, de 42 anos. A declaração assusta, mas o tom de blague cria dúvidas no ouvinte. De qualquer forma, Caio é um dos 74 milhões de brasileiros solteiros. E, como indica sua afirmação, também faz parte da maioria que está muito bem sozinha. Os motivos? Liberdade é o topo da lista. “Chega uma hora em que os conflitos que a gente tem quando está acompanhado passam a ser um problema muito maior do que se quer aguentar”, completa.

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Depois de revoluções sociais e sexuais, pelas quais o mundo passou durante o século XX, principalmente, em sua segunda metade, percebem-se cada vez mais formas de comportamentos. A verdade é que quem sempre sentiu que poderia passar a vida inteira sozinho ou, pelo menos, envolver-se em relacionamentos “sérios e duradouros”, pôde se assumir. “Existe preconceito. Se você passa dos 40 e é solteiro, sempre vai ter alguém achando que tem algo de errado. O pior é quando aparece alguém querendo dar dicas de como sair dessa”, comenta Caio.


Tendo vivido alguns relacionamentos longos, Caio percebeu que não era aquilo que realmente queria. “Namorei por anos umas duas vezes. Tem seu lado bom, é claro, mas, aos poucos, vai ficando difícil. Tem quem prefira aceitar o que há de ruim para ter companhia e carinho. Eu resolvi que não”, afirma. Com a agenda cheia por conta do trabalho, ele acredita que encontrou o equilíbrio necessário para afastar a solidão que uma vida sem casamento ou longos namoros pode trazer. “Meus amigos sempre estão lá. Tenho vários que são casados e fico feliz por eles. Adoro ser convidado para visita-los, é outra vida”. Para o cientista social e professor Melquisedec Ferreira, graduado pela Universidade Federal da Bahia, que já entrevistou solteiros nessa faixa etária, os relacionamentos mais tradicionais vem sendo, cada vez mais, deixados de lado. “Isso, em todas as idades”, ressalta. Segundo ele, o aumento de solteiros com mais de 30 ou 40 anos se dá por conta das alterações estruturais, nas relações familiares, que se deram após as revoluções sexuais. “O papel social de mulheres e homens, atualmente, tem novas significações”. Em outras palavras, formar uma família deixou de ser o ponto culminante na vida de muitas pessoas. Seja por conta da carreira, dos custos ou mesmo da falta de vontade, encontrar quem rejeite a ideia de se casar já deixou de ser motivo de surpresa. Afastar a solidão que acompanha uma vida desacompanhada também não é tão difícil quanto antes. “Reforçar as amizades é fundamental. Quem tem irmãos ou família, acaba se aproximando deles também, como foi o meu caso”, aponta Caio. Ele afirma que se tornou comum frequentar a casa da irmã mais velha. “Ela me convida sempre. E eu gosto”.

Entretanto, existem riscos que afligem aqueles que decidem levar a vida sem uma companheira ou companheiro. Entre eles, a vontade de ser jovem para sempre. Agir como um adolescente de 18 anos não é uma boa escolha. O mais importante é aceitarse e levar a escolha numa boa. A vida de solteiro tem muito a oferecer e, de pouco em pouco, o mundo inteiro parece dar-se conta disso. Publicações voltadas para esse público surgem a todo instante. Comportamento, consumo e, por que não, moda, passam a frequentar os interesses desse público. Caio conta que não abandonou os relacionamentos. “Eu conheço belas mulheres e não vejo problema em me envolver, só não quero que isso se torne um namoro de oito ou nove anos”. Bares e restaurantes são os lugares que mais costuma frequentar, geralmente, acompanhado de amigos. “Não faço isso por causa de mulheres. Pode acontecer de conhecer alguém assim, mas não é tão comum. Mas, no cotidiano, é importante não deixar um telefone passar sem ser anotado”, confidencia. A imagem do solteiro de idade avançada que perambula pelas ruas áridas de uma cidade qualquer, como no documentário poético de Joaquim Pedro de Andrade sobre Manuel Bandeira, “O poeta do castelo”, de 1959, perde força e abre espaço para uma geração decidida, que entende que pode escolher o que quer da vida. Se, no futuro, acharemos antiquados os tão conhecidos versos de Tom Jobim, em “Wave” – “Fundamental mesmo é o amor/ É impossível ser feliz sozinho” – é uma pergunta sem resposta. Mas, sem dúvida, não podemos deixar de comemorar a forma como cada vez encontram-se mais diferenças que repetições.

FOTO SHUTTERSTOCK.COM

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v ox A boa conversa de sempre Regis Guimarães fala sobre a administração de sua loja, em Campo Grande, as mudanças no perfil do consumidor e o comportamento entre homens e mulheres no momento de montar uma casa. Sereno e com simplicidade, o proprietário da Atalaia Móveis explica como a atenção ao público ainda é uma ferramenta que tecnologia alguma substitui. Por Carla Gavilan

Foto Estúdio Sim

Ao chegar à loja Atalaia Móveis, percebi que o senhor recebia um cliente. Faz questão de participar do atendimento? Eu gosto de ter contato com meus clientes. Atualmente, não é possível priorizar isso, pois não é sempre que tenho essa oportunidade. Mas, quando estou na loja, se chega um cliente, eu faço questão de, pelo menos, recebê-lo, apresentar a loja e, depois, encaminhá-lo ao vendedor. Na loja, os consumidores realmente falam só sobre o que desejam comprar? Com certeza não. As pessoas, cada vez mais, desejam atenção. Aqui, recebemos uma variedade de pessoas e, muitas delas, voltam à loja, tornam-se clientes fiéis, já que, na primeira vez vieram, tiveram uma boa conversa, comigo ou com algum funcionário. Esta conversa, em muitos casos, nem foi sobre móveis, mas sobre a vida, a família. É importante estarmos receptivos, pois as pessoas buscam ser ouvidas. Acredito que temos de oferecer isso. Como é completar 15 anos de mercado, no caso, a Atalaia Móveis, com tanta competitividade no setor? É uma grande realização e, também, uma grande responsabilidade. Visito cinco feiras importantes durante o ano, que são eventos específicos sobre a área que atuo: decoração, móveis e máquinas. Para compreender melhor o setor, ingressei no curso de arquitetura e urbanismo que, embora eu não tenha concluído, foi um período de muito aprendizado, no qual fiz excelentes contatos com outros profissionais. Então, é uma questão de investimento, seja de um lado ou de outro. É importante procurar acompanhar o mercado.

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O consumidor masculino ainda é tímido no setor de móveis e decoração? De forma alguma. Os homens têm participado muito das decisões sobre o que comprar para a residência. Esse público tem alguma característica? Posso afirmar que, nos dias de hoje, em uma residência, a parte externa e a sala são dos homens. Eles decidem os móveis, a cor, o tamanho. Nada mais natural, já que são ambientes em que os homens costumam reunir os amigos; na sala, para o futebol, e na área externa, geralmente, com churrasqueira e uma mesa de sinuca. As mulheres têm concordado com isso? Vejo que há consentimento entre muitos casais, o que é importante, já que a casa é um espaço dos dois. É interessante observar isso. A poucas semanas encerramos o ano. O que o senhor aguarda para 2013? Pretendo reservar uns 15 dias para conhecer a região Norte do Brasil, tenho curiosidade. Mas, com certeza, 2013 é o ano em que desejamos muito ver a chegada de um filho.


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A tônica do morar Jean Michel Marsala é engenheiro civil e sócio-proprietário da Maxi Incorporadora, que constrói e comercializa imóveis de alto padrão. Em apenas quatro anos apostando em condomínios horizontais, a empresa se destacou em Campo Grande e acaba de ampliar o portfólio com empreendimentos verticais. Atualmente, à frente da área comercial, o profissional divide suas percepções sobre o mercado local de imóveis. Por Cidiana Pellegrin

Foto Estúdio Sim

Como você avalia o mercado imobiliário local? Este ano, ele precisou dar uma reorganizada de valores e de público. O pessoal andou vendendo o segmento como se fosse algo para ganhar muito dinheiro e, em pouco tempo, o que é mentira. Historicamente, é um produto tradicional. Investe no mercado imobiliário quem não quer fazer uma poupança, uma renda fixa. É uma renda conservadora. O que a classe A busca, nos dias de hoje, em um imóvel? Ela quer um produto de qualidade, em todos os sentidos: material, acústica, térmico, ventilação, iluminação, funcionalidade, entre outros quesitos. Para isso, criamos uma cadeia de empresas que atendem esse quesito. Meu público espera um produto de qualidade e facilidade na negociação. Como nosso foco é mais de 50% de investidores, temos de prezar para que ele tenha lucratividade. A Maxy lançou, recentemente, o condomínio Morada do Parque. Qual o diferencial deste produto? Quando o criamos, pensamos: se o Brasil vivesse uma crise, quem iria sobreviver? Quem tiver o preço mais competitivo, o produto com mais qualidade e algo diferenciado. Sob estes três pilares, começamos a idealizar. A localização precisa ser privilegiada e, por isso, buscamos o verde do Parque dos Poderes. Optamos por fazer apartamentos baixos e diferentes, para não agredir a natureza. Então, as torres têm seis andares na frente e sete ao fundo. No Morada do Parque, os apartamentos possuem plantas diferentes. Em relação aos estacionamentos, a maioria, nos dias atuais,

possui duas vagas, mas cerca de 80% dos nossos têm três, e todas são cobertas por laje. A piscina tem raia de 25 metros. Como a qualidade de vida é levada em conta na hora de idealizar um projeto como este? A área social dentro de um apartamento, geralmente, é restrita. Nossos empreendimentos têm espaço gourmet, piscina, churrasqueira etc. Além disso, o que você precisa oferecer são ambientes com dimensões apropriadas, para que o morador não fique “se batendo” ao abrir uma porta. Por exemplo, nós focamos em quartos maiores. A que você remete o rápido crescimento da empresa, nesses quatro anos de história? Ela cresceu mais do que a gente esperava. Campo Grande precisa, todos os anos, de 7.500 novos imóveis. A demanda é normal e vai continuar existindo, o que não pode acontecer é construir mais do que precisa. E o que é preciso para ser a melhor construtora do mercado? Muita coisa. Ser educado e paciente, pois se está lidando com o sonho da pessoa. Você ainda cria um elo financeiro, o que envolve confiança e credibilidade. O cliente também deseja que as expectativas não sejam frustradas, o que pode acontecer não cumprindo com a entrega do imóvel e não respeitando prazos secundários. O cliente não exige que você não falhe, ele quer que você não repita o erro. Não queremos ser a maior construtora, mas, sim, a melhor.

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Leticia Rocha Sonho de criança, profissão de adulta Por Valquíria Oriqui

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Foto Estúdio Sim

atural de Campo Grande, Leticia Rocha, 35 anos, formou-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Uniderp, em 2002. Fez curso de aperfeiçoamento em técnicas de decoração de interiores, em Santo Domingo - República Dominicana, onde residiu por dois anos. O desejo de ser arquiteta sempre esteve presente. Desde pequena, sentia curiosidade de entrar na casa dos amigos da família para conhecer detalhes do ambiente em que viviam. "Minha mãe me chamava a atenção, constrangida. Durante as visitas, eu sempre pedia para ir ao banheiro, para poder analisar mais as casas das pessoas", conta, aos risos. Já na faculdade, a então acadêmica buscava ampliar os conhecimentos sobre a área da construção. "Para ter mais tempo com minha filha, optei por estagiar em obras, em que não seria necessário cumprir horário. Dessa forma, acumulei know-how, o que se traduziu, também, na maior facilidade de projetar, prevendo as dificuldades de execução no canteiro de obras", conclui. Técnica responsável e coordenadora de obras da Morar Mais por Menos, onde, também, apresenta seu trabalho com o ambiente Sala do Advogado, Letícia não imaginava estar à frente da primeira mostra da franquia realizada em Campo

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Grande. "Eu me apaixonei pela ideia de cara e quis participar com apenas um espaço, não tinha pensado em coordenar a obra em si. Em seguida, veio o convite, que foi um desafio e me sinto muito feliz e satisfeita com o resultado", diz. Letícia possui, ainda, outros dois ambientes no evento, o Quarto e a Sala de Vestir do Casal, idealizados em parceria com as arquitetas Kharla Costa e Maysa Vieira. Entre as diversas conquistas, está o escritório que acaba de montar com o colega arquiteto e urbanista Erique Moreiro. Ao ser questionada sobre a definição de sucesso, Letícia é categórica ao responder que, para ela, é algo relativo. "Eu me considero uma pessoa de sucesso, mas ainda não cheguei aonde planejo. Com certeza, quero muitas outras realizações", finaliza a profissional.


A Águas Guariroba é uma das

150 melhores empresas para trabalhar

no Brasil. A classificação no Guia 2012 Você S/A é resultado de práticas

modernas na gestão de pessoas e de trabalhadores comprometidos em prestar um serviço de qualidade e sempre buscar a satisfação dos clientes.

Agradecemos aos nossos colaboradores por essa importante conquista.


Marta Albuquerque Aos 18 anos, iniciou por acaso na carreira administrativa. Atualmente, administra duas empresas, uma casa e uma família Por Valquíria Oriqui

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scola de formação? A vida!”. Assim, define a administradora Marta Albuquerque, que cursou técnico administrativo e um ano do curso de direito. Aos 18 anos de idade, casou-se e foi morar na fazenda com o marido para administrar o patrimônio do sogro. Após perder o companheiro repentinamente em um acidente, ainda jovem, Marta teve de assumir os negócios. Responsabilidade que desenvolvia com prazer. Aos 57 anos de idade, descarta de seu vocabulário a palavra aposentadoria. Aos 42 anos, Marta se casou novamente e firmou uma parceria com o marido e companheiro, Dirceu Peters. “Quando eu vim da fazenda, pensei em parar e viver das minhas rendas, mas meu marido me colocou para trabalhar com ele. Eu fui tomando espaço, tomando espaço, e acabei tomando o espaço dele definitivamente. E ele gostou”, relembra, aos risos. Há 21 anos no mercado, Marta administra o próprio negócio, a Transrest, primeira empresa de Mato Grosso do Sul especialista em transporte de resíduos. Para alcançar sucesso profissional, ela destaca que é preciso achar que o impossível só demora mais um pouco. “Luto com todas as minhas forças quando quero alcançar algum objetivo.

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Coloco uma meta e, com determinação, luto por ela”. Ao assistir o projeto de conclusão de curso de um ex-funcionário, sobre reciclagem, Marta utilizou algumas ideias e resolveu colocá-las em prática, em parceria com sua empresa. O projeto, “Entrega voluntária do reciclado”, já está pronto para ir às ruas; consiste em disponibilizar caçambas em bairros em que não há coleta seletiva, vender este material e reverter o dinheiro para o mesmo local. “Este projeto é uma retribuição de tudo o que recebemos da vida. Temos cinco filhos e quatro netos perfeitos e sadios. É uma forma de agradecimento”, revela. Praticante de tai chi chuan há três anos e meio, a empresária busca equilíbrio físico e emocional para conseguir administrar, também, a nova empresa de viagens e eventos, a qual se tornou sócia há dois meses. “Acordo 5h e não venho trabalhar sem praticar o tai chi”. Ao ser questionada se ela se sente realizada, a administradora afirma: “Ainda tenho muitas ideias para serem executadas”.


Joel Silva Bom humor a todo o momento Por Valquíria Oriqui

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ormado em jornalismo e radialista por tempo de profissão, Joel Silva, âncora do programa UCDB Notícias e correspondente da Rádio Globo, é apaixonado por jornalismo esportivo. Sua primeira experiência no ramo se deu puxando fios durante antigos programas de rádio. O desejo de ser locutor sempre esteve presente, porém, Joel era inseguro com a própria voz e não a considerava boa o suficiente para ser ouvida por milhares de pessoas. Após algum tempo atuando nos bastidores, arriscou sua primeira locução e não parou mais. Em Campo Grande, o profissional foi um dos precursores a narrar jogos nacionais de futebol que, até então, não eram veiculados no Estado. Chegou a viajar diversas vezes para cobrir partidas transmitidas pela CBN (Central Brasileira de Notícias). Com uma dose de humor ímpar, Joel imprimiu tal personalidade autêntica em seus trabalhos. "Já passei por cada uma. Mas sempre usei do bom humor e da sátira para tentar me livrar dos imprevistos", conta. Sempre brincalhão, ele relembra que, por diversas vezes, durante um programa, foi obrigado a chamar os comerciais. "Eu aviso aos ouvintes que não vou aguentar continuar o programa e coloco o intervalo". E, quando menos se espera, Joel começa a cantarolar uma música ao vivo. Para obter sucesso, além da determinação, outro fator primordial, na opinião do jornalista, é contar com a sorte. "O sucesso é o encontro da oportunidade com a capacidade. Se você tem oportunidade para fazer alguma coisa, mas não tem capacidade, não adianta". Para desfrutar os momentos de lazer, ele prefere a companhia da TV e de bons filmes. Corinthiano "roxo", também curte acompanhar o andamento do time nos campeonatos. Mas, se estiver em campo, a paixão vira profissão. "É diferente, pela TV, me emociono mais. Em campo, o repórter é repórter mesmo", finaliza.


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Helenita Brum Ferri Determinação e garra Por Valquíria Oriqui

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ona de uma rotina agitada e fazendo “mil” coisas ao mesmo tempo, após a maternidade, Helenita Brum Ferri, proprietária das Lojas O Boticário, puxou o freio de mão e, atualmente, dedica-se exclusivamente a cuidar de sua filha, Anita. Aos 23 anos de idade, acredita que a pequena irá seguir os mesmos passos da mãe e das avós, e dar continuidade aos negócios da família. "Quando meus pais abriram a loja, eu tinha um ano de idade. Sempre os acompanhei e, mais tarde, trabalhei com eles. Acredito que minha filha seguirá o mesmo caminho", destaca. Casada há quase dois anos com Ricardo Moura Ferri, a empresária conta que se preparou para a chegada da filha. "Eu quis estar muito bem. Sabia que seria uma experiência nova e que eu não ia ter controle sobre tudo. Como estamos chegando ao fim de ano, já fiz todo o planejamento para 2013", enfatiza. Caseira, Helenita busca passar o tempo na companhia dos familiares. "Nos fins de semana, gosto de churrasco em família e de ir aos cultos na igreja". Em processo de adaptação constante, após o nascimento de Anita, a empresária curte a nova fase. "Agora, eu vivo para ela. A rotina é ela quem faz", explica. Para relaxar, Helenita não abre mão do tradicional tereré. Em dias quentes, aproveita a piscina da casa da mãe para espairecer e rever os pais, com os quais aprendeu, desde cedo, valores que carrega e pretende repassar para a herdeira. "Não tirar vantagem de nada, nem de ninguém, para conquistar os objetivos. Tudo foi fruto de um trabalho em conjunto com meus pais, e aprendi que, na vida, as aquisições vêm no momento certo", diz.

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ILUSTRAÇÃO DIOGO SANTIAGO

e tiqueta A arte de presentear O presente ideal é aquele que que marca a forma como gostaria de ser lembrado e, principalmente, que faz a pessoa se sentir prestigiada e querida Por Adriana Estivalet*

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resentear alguém é uma demonstração de apreço, carinho, gratidão, e não há quem não goste de ser presenteado. A arte de presentear está em fazer com que as pessoas se sintam prestigiadas e queridas. No entanto, a escolha do presente deve envolver certo cuidado; um presente pode estabelecer um relacionamento, enfraquecê-lo, transformá-lo e até extingui-lo. Cada presente que você oferece torna-se uma extensão do seu gosto, do seu interesse, da sua posição social e de sua personalidade. O presente pode acrescentar um sentido maior a um romance, levar alegria e aquecer celebrações. Por isso, o presente ideal é aquele bem escolhido, que marca a sua imagem e a forma como você gostaria de ser lembrado. Existem presentes que são originais e agradam a quase todos os gostos, como saca-rolhas elegante, toalhas de rosto bordadas com as iniciais de quem está sendo presenteado, livros de receitas, bebidas especiais ou bombons finos. Segundo a psicologia, os presentes podem despertar complexas emoções e um mesmo presente pode ter significados diferentes para quem o recebe. Alguns podem revelar emoções negativas, o que se torna embaraçoso. Existe uma regra social que sugere não presentear estranhos, bem como, não oferecer presentes caros a quem não conhecemos muito bem. Nas situações profissionais, nunca se deve oferecer um presente durante a conclusão de um negócio. Pode-se presentear, porém, depois de concluída a negociação. Quando se tem mais intimidade e se conhece bem a quem quer presentear, é possível saber exatamente o que a pessoa gosta ou gostaria de ganhar. Há situações mais simples, como chá de panela e casamento, quando os noivos deixam uma lista em duas ou três lojas e você escolhe dentro de suas possibilidades financeiras. No entanto, quando não se conhece bem a pessoa ou não se tem intimidade com ela, o ideal são os presentes neutros. Flores para as mulheres ou uma garrafa de vinho de qualidade para os homens resolvem bem algumas situações.

*Adriana Estivalet é Consultora de Imagem www.adrianaestivalet.com.br

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Também valem presentes como um bom livro, um bonito porta-retratos, uma caneta de qualidade, mas devem-se evitar presentes de uso pessoal, como perfumes e roupas. E nunca pergunte se a pessoa gostou do presente; é uma indelicadeza. Diversas lojas disponibilizam um cartão junto ao presente – caso a pessoa queira trocá-lo, por qualquer motivo. Quando se deseja presentear os anfitriões de um jantar, podem ser oferecidos vinhos e chocolates. O vinho deve ser servido durante o jantar, desde que não esteja em conflito com o cardápio, e os chocolates devem ser servidos após o jantar. Outra opção é oferecer flores, desde que se tenha atenção aos seus elementos simbólicos. Flores amarelas e brancas, crisântemos e cravos remetem a funerais e, por isso, não devem ser oferecidas em comemorações. Também se deve evitar presentear com facas e lenços, pois as facas sugerem corte da amizade e os lenços são associados à tristeza e a lágrimas. Certifique-se de que retirou a etiqueta com o preço antes de embalar o presente. As embalagens também fazem parte do presente, por isso, merecem cuidados especiais. Sempre que enviar um presente, faça acompanhar de um cartão pessoal, escrito de próprio punho, desejando felicidades e tudo o mais que você sinceramente sentir pela pessoa. Em alguns casos, é elegante retribuir um presente; por exemplo, um presente de natal. Recomenda a boa educação agradecer, sempre, pelo presente pessoalmente, ou por telefone. Enviar e-mail, mensagens via celular ou virtuais para agradecimentos não é de bom tom. Se não gostou do presente, nada de passá-lo adiante entre amigos comuns. Na verdade, é sempre bom ser lembrado com um presente – por mais simples que seja. Neste fim de ano, desejo que você receba muitos presentes, pois isso significa que você acrescentou coisas boas às pessoas com quem teve algum tipo de contato. Porém, não se esqueça de presentear aquelas que foram especiais para você durante o ano.


SUGESTÕES E TENDÊNCIAS EM BELEZA

TEXTO CIDIANA PELLEGRIN

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Este trio de sombras Natura Una Expressões de primavera-verão 2012 conta com tons de azul, rosé e prata, com acabamentos mate e cintilante. Por R$ 65,80, disponível com as consultoras da marca

Verão Azul Um make com cores vibrantes tem tudo a ver com o verão. Variações de verde, alaranjado, vermelho e cobre são os destaques na próxima estação. Mas a principal tendência, segundo o maquiador oficial da Natura, Marcos Costa, é o azul, que em tons mais abertos combina melhor com pele clara. As morenas devem dar preferência a versões mais frias da cor, como o azul-marinho.

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Dicas Para finalizar o olhar, trace uma linha rente à raiz dos cílios, com delineador preto, e aplique várias camadas de máscara para cílios. Se estiver com receio de exagerar no make colorido, use o azul com menos intensidade, aliado a um batom neutro.


e quilíbri o A serviço da beleza O que pode acontecer após uma cirurgia plástica Por Dr.César Benavides*

A

cirurgia plástica apresenta algumas peculiaridades relacionadas aos mais diversos biotipos, tipos de pele, tendência genética, fatores externos e, acima de tudo, expectativas de cada paciente. Afinal, ela contribui positivamente com o bem-estar físico, mental e social das pessoas. Quando surge o desejo de fazer uma cirurgia, é comum a pesquisa de informações relacionadas ao procedimento que cada um tem interesse e a internet acaba sendo a fonte para informações positivas. A procura por fatos negativos ocorre, na maioria das vezes, quando o paciente vivencia algum tipo de ocorrência e se algum familiar, ou amigo, passam por isso. Assim, é de suma importância que algumas orientações sejam transmitidas para que qualquer evento não satisfatório, após a cirurgia, seja observado como algo que pode acontecer, possui tratamento e deve ser monitorizado de maneira que o paciente possa desfrutar dos resultados de forma natural. Imaginemos pacientes dos mais diversos biotipos, sendo que cada um pode favorecer ou não um determinado tipo de cirurgia plástica. Cabe ao cirurgião esclarecer até onde ela pode se beneficiar - respeitando as limitações da sua anatomia - para prevenir complicações e eliminar falsas expectativas. Agora somemos a cada biótipo, um tipo de pele. Sabemos que a mais clara possui uma cicatrizarão mais favorável e pode se tornar flácida em um tempo mais curto. Já a pele de orientais e negros apresenta mais firmeza e menor tendência à flacidez, mas por outro lado, maior chance de produzir cicatrizes endurecidas, como o quelóide ou a cicatriz hipertrofica, além de manchas escurecidas. A anatomia do ser humano é tão peculiar que em um mesmo paciente temos variações de espessura e tonalidade da pele,

que podem ajudar ou dificultar alguns procedimentos. Lutar contra determinada tendência genética sempre foi um desafio para a ciência, especialmente quando o assunto é "evolução favorável na cirurgia plástica". Assim são os casos de má cicatrização, quelóide, cicatriz hipertrofica, déficit de cicatrização e algumas coagulopatias que podem, tanto aumentar o risco de sangramento, como o risco de trombose ou embolia no pós-operatório. Também pode ser citada a alopecia androgenética, tendência à calvície, onde, mesmo após implantes capilares, podem ser necessárias mais sessões por se tratar de um quadro frequentemente progressivo. Alimentação saudável, exercícios, controle do peso (alterações de peso podem se refletir sobre cicatrizarão e resultados), e de algumas doenças de base, como a hipertensão arterial sistêmica e diabetes, são fundamentais para uma boa cirurgia e pós-operatório tranquilo. Fumar tem feito um número cada vez maior de cirurgiões plásticos desistirem de operar ou postergarem cirurgia nos pacientes, não somente no Brasil, mas em todo o mundo. Isso se deve aos riscos bem maiores de trombose, embolia, necrose, infecção, má cicatrizarão, bem como, maior vulnerabilidade aos efeitos colaterais de medicamentos utilizados em cirurgia e anestesia, aumentando os riscos de complicações. Por fim, quando a paciente quer melhorar determinada área do corpo deve aceitar as cicatrizes como parte do pósoperatório. Elas amadurecem com o tempo e também que podem ser melhoradas com pequenos procedimentos. Podemos ainda dizer, que o resultado possui três pontos determinantes: a cirurgia, a resposta do corpo de cada paciente e os cuidados e orientações que cada um deve seguir.

*Dr.César Benavides. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica CRM4046 / RQE 2215

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por aí O MELHOR DA AGENDA SOCIAL E CULTURAL DE MS

« Nova Coleção Jóias do Pantanal No dia 21 de novembro, a Jóias do Pantanal, empresa participante da Interp – Incubadora de Empresas, realizou uma apresentação de seus produtos da coleção primavera/verão 2013, na primeira edição da Mostra Morar Mais por Menos Campo Grande. As peças artesanais são produzidas com o chifre bovino lapidado. O resultado são acessórios femininos de grande aceitação no mercado, como anéis, pulseiras, brincos e colares.

« Lançamento DECONMS 2013 Foi lançada oficialmente no dia 20 de novembro, a DECONMS 2013, segunda edição da maior feira de decoração e construção de Mato Grosso do Sul. O evento foi realizado no Ondara Buffet e recebeu empresários do segmento, lojistas, representantes, imprensa e convidados. A DECONMS é realizada pela Cia de Ideias Eventos e Marketing Promocional e Neocom Marketing e Propaganda.

« Sistema Fecomércio MS

confraterniza com jornalistas O jantar de confraternização do Sistema Fecomércio MS reuniu 160 profissionais da imprensa no Espaço de Eventos do Morar Mais por Menos, em Campo Grande. Na sexta-feira, 23 de novembro, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos encontraram oportunidade para ouvir boa música, assistir a uma programação cultural preparada exclusivamente para os convidados e o melhor: conversar.

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Lauren Cury Moda para pensar Por Thiago Andrade

Foto Estúdio Sim

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úsica, moda, design, artes plásticas; os caminhos são muitos, mas todos se encontram em Lauren Cury. Segundo ela, a música foi o primeiro, ainda durante a infância, aos quatro anos. A moda veio com a necessidade de cursar uma graduação e, mais tarde, para aprimorar-se, decidiu pelas artes plásticas. “A plasticidade nunca foi meu forte, até brinco com algumas ideias, mas sempre pra mim mesma. O lance é levar a arte em tudo o que faço e me inspirar por meio dela”, afirma. Lauren, atualmente, está à frente da Gaveta, empresa que reúne moda, arte, com uma cara de brechó. A música segue viva com o trabalho junto ao Louva Dub, banda que surgiu em meados de 2000 e se mostrou uma das mais originais da cena autoral de Campo Grande. Segundo ela, o grupo segue em fase de produção, embora tenha reduzido as atividades. Foram eles que inauguraram na Capital o que se conhece como crowdfunding, ou financiamento coletivo, com o show “Louva na Morada”. “Passamos por algumas mudanças de integrantes e decidimos dar uma repaginada. Deixamos os palcos para nos inspirar. Em breve, estaremos de volta”, garante Lauren. Enquanto não voltam, o trabalho se concentra na criação e produção de moda. Quando a Gaveta foi criada, Lauren inovou mais uma vez. A loja nasceu em um espaço da Antiga Rodoviária, em 2011. “Eu consegui encontrar um lugar para agregar minhas ideias, com colaborações de amigos. Sempre estive por lá na infância, meus pais tinham comércio por lá. Mas chegou um momento em que decidi sair, a situação era complicada na época”. A escolha por apostar em suas próprias criações, Lauren tentou entrar no mercado por meio de estágios e trabalhos na área, no entanto, enfrentou dificuldades. Embora a cidade esteja crescendo, Lauren sabe que não é simples encontrar um espaço. “Ainda não tenho tanta estrada para saber ao certo, mas acho que ainda há muitas limitações. Na música, continuo por amor”, acrescenta. Contudo, Lauren percebe o amadurecimento das artes. “Vejo cada vez mais trabalhos legais, em diversas áreas. A coletividade dá a força de que precisamos”. Depois de deixar o prédio da Antiga Rodoviária, Lauren reinaugurou a Gaveta na rua Marcino dos Santos, 511, no bairro Chácara Cachoeira. Além de fazer, ela também ensina, como professora do curso de moda. “É como eu vivo hoje, tudo está ligado à moda de alguma forma”, pontua.

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IMAGENS DIVULGAÇÃO TEXTO THIAGO ANDRADE

Navegar pela arte Projeto do Google permite visita on-line a mais de 150 museus e galerias mundo afora

Q

ue tal visitar o Museu Reina Sofia, em Madrid, o Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, e o Museu d’Orsay, em Paris, em uma única tarde? Passear pelos corredores e observar trabalhos de artistas como os impressionistas franceses, as pinturas de Van Gogh e os trabalhos cubistas de Juan Gris? Poderia parecer impossível há algum tempo; mas, com o Google Art Project, tudo ficou ao alcance de alguns cliques. São cerca de 150 instituições, de 40 países, abrangendo todos os continentes. Estão inclusos alguns dos mais famosos e importantes espaços da arte, como os citados acima e muitos outros. O Brasil participa do projeto desde abril deste ano, com a inclusão de três coleções. Estão lá, obras do Museu de Arte Moderna (MAM), o Panorama de Arte Brasileira e a Pinacoteca, todos de São Paulo. Com esse projeto, a empresa pretende democratizar o acesso à arte, assim como fez com a informação. A possibilidade de ver obras de arte em resoluções magníficas é uma das principais qualidades do projeto. Com sete bilhões de pixels, por meio da tecnologia chamada de “gigapixel”, é possível aproximar detalhes e perceber, por exemplo, as pinceladas de um artista. No Brasil, duas obras foram escolhidas para figurar em tamanha resolução. Um painel da dupla de grafiteiros Os gêmeos (Gustavo e Otávio Pandolfo), na fachada do MAM, e “Saudade”, de Almeida Jr., na Pinacoteca. Testemunhe como é incrível perceber a tonalidade e as concentrações de tinta na lágrima que pende sob o nariz da personagem do quadro de Almeida Jr. Assemelhando-se ao Google Street View, outra ferramenta do projeto permite percorrer corredores de cada andar dos museus, com possibilidade de circular em 360 graus, assim como dar zoom em obras espalhadas por eles. Atualmente, o projeto encontra-se em sua segunda versão, que permite carregamento mais rápido, além de oferecer algumas outras funcionalidades. Confira em www.googleartproject.com

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Painel da dupla de grafiteiros Os gêmeos (Gustavo e Otávio Pandolfo), na fachada do MAM. Uma das duas obras brasileiras escolhidas para figurar em super resolução

Funcionalidades O Google Art Project oferece algumas funcionalidades que têm como objetivo facilitar a navegação pelos museus e galerias disponíveis. Em primeiro lugar, os filtros (coleções, artistas, obras de arte e galerias de usuários) tornam a localização de determinada obra mais rápida e simples. Há possibilidade de realizar pesquisas, por meio de palavras-chave. Quando se opta pelo recurso de “visualização do museu”, tem início o “tour” virtual. Basta clicar sobre as obras, para aproximá-las e, sobre os botões direcionais, para se mover pelos espaços.


ILUSTRAÇÃO DIOGO SANTIAGO

leit uras Na solidão da arte Por Maria Adélia Menegazzo*

T

eórico da literatura muito conhecido no meio acadêmico, Michel Blanchot diz que aprenderíamos mais sobre a arte se intuíssemos o sentido da palavra solidão. Embora tenhamos abusado demais dela, dificilmente, conseguimos definir o que seja. O senso comum afirma, inclusive, que é possível estar só, ainda que no meio de uma multidão. O que significa, então, estar só? Nada melhor para exemplificar do que a sugestão de Cecília Meireles: seja igual “ao camelo que mastiga sua longa solidão”. Ou o impagável “Estou só e socó”, de Manoel de Barros. No entanto, Blanchot também diz que pensar a solidão não deve nos levar a respostas patéticas. Patético, segundo o étimo grego pathétikós e o latino pathéticus, diz respeito à paixão, à comoção da alma. Mas a raiz da palavra é o substantivo pathós, que significa doença. Assim, o patético, enquanto paixão, seria uma forma de extremo sentimento. Em que medida a paixão, que é a comoção da alma, está relacionada com a solidão? Ainda é Blanchot quem afirma: a obra é solitária, o que não significa incomunicável. Mas, sem dúvida, o leitor entra nessa solidão e partilha todos os seus sentimentos (inclusive, os patéticos), assim como, aquele que escreve está sujeito ao risco dessa solidão. Vai por aí. O poeta Manoel diz que prefere e precisa do silêncio. Tem necessidade de errar na solidão, no isolamento. Um amigo escritor prefere pentear seus textos longamente, antes de entregá-los ao leitor. Outro, artista plástico, prefere pintar todos os quadros e, depois, mostrálos ao público. E uma amiga é capaz de ficar dias sem falar com ninguém, lendo e escrevendo. Qual o efeito de toda essa solidão? O que isto pode resultar em termos artísticos? No cinema, onde a sala coletiva e escura provoca o efeito de isolamento, rapidamente, recolheria o personagem principal de Taxi Driver; o anjo apaixonado de Asas do Desejo; Rick Blane de Casablanca; Francesca de As Pontes de Madison; Justine de Melancolia. Todas personagens solitárias e sem saída, pelo menos,

no limite das histórias narradas. Na pintura, os autorretratos de Van Gogh, as tentativas de apreensão do tempo presente de Roman Opalka e On Kawara, as esculturas de Giacometti e os caminhos marcados de Richard Long, para não falar dos brasileiros. Ainda posso identificar alguns momentos de solidão extrema como leitora desses seres silenciosos, começando com Drummond, tão festejado em seus 100 anos, que achava que a ausência era falta, e descobriu, mais tarde, que aí não há falta nenhuma e, que a ausência é um estar em si de forma tão assimilada que ninguém pode dele roubá-la. Também, está em Homero, na figura de Penélope tecendo infinitamente sua solidão, aguardando a volta de Ulisses; em Édipo, que, depois de reconhecer seu terrível destino, isola-se em Colona. Ou, ainda, em Hamlet, que põe em dúvida sua própria humanidade, sem saber também se é possível dormir, dormir e depois sonhar. No Paulo Honório de São Bernardo, de Graciliano Ramos. Ganha outra dimensão em Orides Fontela e Hilda Hilst, poetas brasileiras que viveram em literal isolamento, dissecando palavras, reduzindo-as à flor dos poros, da pele e da poesia. Neste diálogo com a teoria, aprende-se que “escrever é entregar-se ao fascínio da ausência de tempo”, o qual só conseguimos definir quando faz parte de uma ação humana. Na ausência do tempo, o artista chega à solidão essencial, a solidão poética, aquela que lhe permite encontrar a palavra também essencial. Na música popular brasileira, teríamos um exemplo interessante dessa essencialidade, na releitura de Gilberto Gil, quando canta: “e quando escutar o samba canção – eu preciso aprender a ser só – reagir e ouvir o coração responder – eu preciso aprender a só ser”. Entre ser só e só ser, os artistas têm em si todos os sonhos do mundo. O leitor, pateticamente insone, com todas as memórias da alma, partilha tanto dessa solidão quanto de seus sonhos.

*Maria Adélia Menegazzo é Doutora em Teoria Literária com Pós-doutorado em Artes Plásticas, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Academia Sul-Mato-grossense de Letras

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Por Thiago Andrade

Cinema

Música

Literatura

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Duas mulheres negras, Aibileen e Minny, fortalecem o sonho de uma jovem que acaba de se graduar e quer se tornar escritora. Eugenia “Skeeter” Phelan precisa lidar com a resistência da mãe, que quer vê-la casada, para poder correr atrás de seus próprios desejos. Em “Histórias Cruzadas”, três mulheres veem suas trajetórias se encontrarem por acaso e uma improvável e corajosa amizade surge em uma cidade sulista. O olhar sobre o que acontece com as regras e os comportamentos a partir disso é o resultado dessa belíssima obra, dirigida por Taylor Tate.

As paisagens sonoras e o eletrônico letárgico do XX se encorparam e deram origem ao segundo disco da banda, “Coexist”. Nele, os vocais de Romy Madley Croft e as linhas de baixo de Oliver Sim aparecem mais, em meio aos beats que tomam conta do disco. Letras menos românticas, mas, ainda assim, repletas de sentimentos, mostram uma banda que amadurece e que não sofreu da síndrome do primeiro disco. Entre as canções, “Tides”, uma balada que emula o melhor dos anos 1980, é um dos grandes momentos.

Oskar, 12 anos, vive com a mãe e sofre bullying na escola. Tudo em “Deixa ela entrar” se desenrola ao seu redor. O cenário é o subúrbio da fria Estocolmo, em meados da década de 1980. Aos poucos, percebemos que o garoto é obcecado pela violência, colecionando notícias de serial killers e planejando sua vingança. A narrativa se torna mais estranha quando uma misteriosa menina entra na vida do garoto. O livro escrito por John Ajvide Lindqvist ganhou duas adaptações para o cinema, mas acaba de ser lançado no brasil. É uma obra que mostra como a infância pode ser uma fase cheia de pesadelos e tormentos.

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g o ur met

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Manteiga nunca perde a majestade Sinônimo de força e resistência Por Alexandre Furquim

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dolatrada e banida da culinária várias vezes, ao longo dos milênios, ela sempre volta com a força toda. A manteiga nada mais é do que o creme de leite fresco, acrescido ou não de sal, batido vigorosamente, até o ponto em que a matéria gorda e o soro se separam. Quanto mais gordo o creme de leite, melhor. Nesse ponto, o produto brasileiro deixa a desejar: a maioria das grandes marcas crava o teor da gordura no mínimo permitido por lei, 80%. Outros ingredientes também são acrescentados, caso dos fermentos lácteos, que aprimoram a textura, e até do corante natural de urucum, que dá aquela coloração amarelinha ao produto. Vivemos as últimas duas décadas achando que a manteiga era vilã. Com isso, a indústria não se aprimorou. Quando se clarifica uma manteiga nacional, nota-se a enorme quantidade de líquido, o que não acontece com as importadas. Produtores artesanais costumam fugir à regra, colocam o teor de gordura entre os 88% e 90%. Manteiga boa deve derreter na panela sem “chuviscar”, caso contrário, indica que tem água demais. Uma opção ao comprar manteiga artesanal, é comprá-la direto de pequenos produtores. Em qualquer sítio, compra-se uma manteiga maravilhosa, bem amarelinha

e com alto teor de gordura. E, para a maioria dos chefes de cozinha, é difícil abrir mão da presença da manteiga – sem ela, não há como executar uma série de emulsões. Desde que a gordura trans assumiu o posto de inimiga número um da saúde, comer manteiga deixou de ser pecado. Mas o consumo deve ser mais do que moderado, advertem médicos e especialistas em nutrição. Por ser um alimento rico em gorduras saturadas e colesterol, não se deve ingerir mais do que dez gramas ao dia. Para obter o melhor da manteiga na hora de cozinhar, evite que ela fique muito tempo ao fogo, para que não escureça, pois a queima libera substâncias tóxicas que irritam olhos, garganta e nariz, e tem alto potencial cancerígeno. Isso é bem diferente do processo de clarificação, no qual a manteiga é derretida para que sejam removidas todas as partículas sólidas e a água, restando, somente, a gordura. Porém, nunca deixe ferver. Infelizmente, a legislação brasileira proíbe a comercialização de produtos fora das fronteiras estaduais, impedindo, assim, que os melhores produtos cheguem até a mesa do público gourmet. Quem estiver no Nordeste, não deixe de provar a manteiga de garrafa.

*Formado em Marketing e Gastronomia, Alexandre Furquim atua no ramo de restaurantes

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v i n ho s A volta do bom senso Por Douglas Mamoré Junior

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migos, o fim do mês de outubro nos trouxe uma excelente notícia, os amantes do vinho já podem respirar aliviados, comemoramos o fim do mais injusto golpe já pretendido contra o mercado de vinhos finos no Brasil: o equivocado pedido de “salvaguarda”, solicitado por alguns setores do mercado vinícola brasileiro, que ameaçava aumentar o já enorme imposto que incide sobre o vinho importado no Brasil, com instrumentos, inclusive, de restrições quantitativas (cotas) para o vinho importado. A volta do bom senso neste caso fica evidente, já que o pedido de retirada desta petição junto ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) partiu, justamente, de quem começou a confusão, Ibravim, Uvibra, Fecovinho e Sindivinho. Sendo assim, voltamos à sensatez e a nos sentar à mesa, com propostas que favoreçam todo o setor de vinhos no Brasil, produtores brasileiros, lojistas e, também, as importadoras que, por meio de eventos, palestras, degustações e cursos realizados com frequência, em muitas cidades, aumentam muito o interesse e o conhecimento dos brasileiros sobre a bebida, defendendo todos, e não apenas a um único grupo em particular; todos juntos, trabalhando para a divulgação e o crescimento do consumo de vinhos finos em nosso país. Em nosso Estado e, particularmente, em Campo Grande, já são muitos os profissionais que se dedicam, diariamente, a melhorar o conhecimento sobre vinhos e a qualidade dos serviços oferecidos em lojas, restaurantes e hotéis, um mercado ainda pequeno que semeamos com muito carinho. Seria realmente uma pena, caso fossemos “atropelados” por instrumento tão perverso, afinal, nosso compromisso como profissionais do vinho é oferecer o melhor para o cliente, com respeito e diversificação de produtos. Muitos e fantásticos rótulos de vinhos, simplesmente, desapareceriam em um ambiente de negócios tão hostil como o que se propunha; sabemos que o verdadeiro crescimento, em qualquer área, só pode ser vivenciado em um mercado livre e com regras justas. Mas, por falar em vinhos nacionais, outras boas notícias sobre os nossos vinhos nos enchem de orgulho. Atualmente, podemos constatar uma imensa melhoria na qualidade dos vinhos tranquilos* brasileiros. Já sabemos que o espumante nacional obtém muitos prêmios e possui qualidade internacional, pequenas vinícolas gaúchas e catarinenses nos dão o exemplo, investindo muito conhecimento e tecnologia, buscando um autêntico “terroir” brasileiro. Assim, com ações e atitudes positivas, podemos recuperar as esperanças que ficaram brevemente obscurecidas e vislumbrar um belo futuro para o consumo de vinhos no Brasil. Saúde!

*Desde 2005, o enófilo Douglas Mamoré Jr. dedica-se exclusivamente ao universo dos vinhos. Seu e-mail é douglas@mistral.com.br

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VALLONTANO RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2005 Elaborado somente nas safras excepcionais, o Vallontano Reserva Cabernet Sauvignon é um dos melhores e mais autênticos exemplos desta casta preparados no Brasil, combinando aromas generosos de fruta madura e madeira bem integrada, com elegância e tipicidade.

ANGHEBEN CABERNET SAUVIGNON 2006 Um Cabernet Sauvignon diferente e elegante, em um estilo cheio de tipicidade, elaborado por Angheben, um dos melhores artesãos do vinho brasileiro. Um vinho de pequena produção, com taninos macios, perfeito para ser apreciado com comida.

*Vinhos tranquilos: todos os vinhos que não contêm gás, opostos aos frisantes e espumantes, e que também não são fortificados. Eles podem ser brancos, tintos ou rosados.


UD TEXTOS CIDIANA EPLEGRIN/ VALQUÍRIA ORIQUI

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DICAS PARA INCREMENTAR SUA COZINHA

O CORTADOR DE MAÇÃ Proline - Leifheit é fácil de ser manuseado e deixa todas as fatias da fruta com tamanhos iguais. Prático, também, durante a limpeza, o utensílio agiliza na hora do lanche. Por R$ 74,90 no site www.doural.com.br

A Christofle, centenária marca francesa de TALHERES, uniuse ao designer holandês Marcel Wanders para criar a linha de talheres Jardin d’Eden. Feitas em ouro, ou prata, as peças trazem folhas decoradas, flores e cachos inspirados em jardim. Por US$ 3.900 no site www. christofle.com

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O LIQUIDIFICADOR Vela Bugatti possui funcionalidade de primeira classe, aliada à elegância atemporal. O utensílio possibilita adicionar ingredientes por meio da tampa – até a sua capacidade, de 1,5 litros. O produto tem três configurações de velocidade para a preparação ideal de bebidas frescas ou refeições pesadas. Por R$ 725 no site www.doural.com.br

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The Leela Palace Udaipur Luxo e realeza para mil e uma noites Por Carla Gavilan

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em vários espaços do hotel – e o conforto, por excelência, proporcionado pelas instalações de alta tecnologia. Para garantir atendimento personalizado e qualidade nos serviços oferecidos, a estrutura apresenta, apenas, 80 quartos, o que torna o Leela Palace um destino ainda mais cobiçado, com reservas disputadas por indianos e estrangeiros. O que pode ser compreendido pelas refinadas acomodações com vista para o lago, na comodidade de ter um mordomo por andar, à disposição dos clientes, dois restaurantes, bares, adega e um spa. Enquanto os quartos possuem 60m², a suíte Maharaja, a mais luxuosa do hotel, tem uma área de 360m². FOTOS DIVULGAÇÃO

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paisagem idílica de lagos e canais charmosos confere a Udaipur a fama de Veneza do Oriente. Não por menos, é lá, também, na cidade mais rica da Índia, que está o monumental The Leela Palace. Instalado às margens do Lago Pichola, cartão-postal da região, o local faz parte do portfólio requintado da Leelaventure LTDA, tradicional rede hoteleira de Mumbai, fundada em 1983. Construído para ser uma das principais estadias indianas, The Leela Palace foi projetado pelo arquiteto Bill Bensley e pelo designer de interiores Jeffrey Wilkes. A dupla privilegiou uma arquitetura suntuosa, com a presença de elementos ícones do estilo Rajasthani – vistos

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No The Leela Palace Udaipur, o amor é imortal Casais apaixonados estão entre os que mais procuram pelo luxuoso The Leela Palace Udaipur. O hotel tem opções exclusivas, e apaixonantes, para quem está muito bem acompanhado. Os pacotes costumam oferecer, logo na chegada do casal, chocolate e uma garrafa de vinho espumante, banho exótico, com uma hora de aromaterapia ou massagem sueca, passeio romântico de barco, com canapés, e jantar especial, em local exclusivo do hotel.

Entre os serviços que mais agradam o público, está o acesso entre as áreas do hotel, feito por barcos particulares, que ficam à disposição dos hóspedes durante a permanência no Leela Palace

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A opulência e o romantismo do The Leela Palace tem sido cenário para a realização de casamentos. A organização de eventos do hotel planeja com o casal um cardápio personalizado, para cerimônias pequenas e, também, grandes, com até 8.200 pessoas


Passado e presente compõem uma refinada seleção de pratos no The Leela Palace. Em um, a realeza da culinária dos marajás; em outro, o que há de melhor da gastronomia contemporânea

Outro destaque são as refeições servidas ao ar livre, como na majestosa piscina à beira do lago

A arquitetura suntuosa caracteriza o espaço reservado aos vinhos. O ambiente é climatizado e tem iluminação especializada para o armazenamento das bebidas

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Nos quartos, o design de interiores projetado para refletir a realeza dos palácios orientais, com charme indiano. Abaixo o quarto do banho exótico, que inclui aromaterapia

Iluminação pontual, com utilização de lustres, jogo de espelhos e abajures, inseridos em ambientes montados a partir do estilo Rajasthani

SERVIÇO Diárias a partir de R$ 1.334 Telefone: +91 (294) 670 1212 www.theleela.com Reservas: reservations.udaipur@theleela.com

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ILUSTRAÇÃO DIOGO SANTIAGO

a s t ra l O que é ascendente? " Associamos a pessoa ao signo solar, porém, o que enxergamos nela é exatamente o ascendente" Por Thereza Christina Silva*

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odo mundo fala, todo mundo discute, mas será que sabem, de fato, o que é o ascendente? Comumente, vejo as pessoas falando sobre este conceito, porém, quase ninguém sabe realmente o seu significado. O ascendente é o signo do Zodíaco que nasce (ascende) no horizonte leste, no exato momento do nascimento de uma pessoa ou de um evento. Por isso, ele pode ser calculado somente com o horário correto do nascimento. Não é a mesma coisa que seu signo solar, pois este é calculado pela posição que o sol se encontrava. O signo solar vai nos mostrar a natureza da pessoa, seu ego, sua essência, porém, sozinho, não descreverá sua personalidade. O ascendente é a primeira casa do mapa astral, é o começo, portanto, é o carro-chefe de tudo. Parece confuso, não? Mas é simples: temos um signo solar e outro que nasce junto com ele, o qual é o ascendente. O primeiro, fala sobre nossa essência, o outro, fala de nossas qualidades primitivas, aquelas das quais não podemos fingir – é o nosso instinto básico. Geralmente, associamos a pessoa ao signo solar, porém, o que enxergamos nela é exatamente o ascendente. Ele é nosso cartão de visita, a energia que usamos para nos mostrar ao mundo; reflete, também, as nossas características físicas; é a casa um de uma carta natal, a casa do eu. Por estas razões que, muitas vezes, ou na maioria delas, as qualidades não batem com o signo solar, porque, sendo o ascendente uma energia inerente a você, não há como contê-la.

Para a astrologia medieval, o ascendente é muito mais importante do que o signo solar, pois, na verdade, ele é nosso carro-chefe. Para a astrologia moderna, o sol é nossa busca, nosso herói, e o ascendente seria o meio que usamos para encontrar esse ideal. Significados à parte, ele colore nossa personalidade, portanto, terá grande peso e sempre irá refletir em todos os seus momentos de vida. Existe um mito de que, após os trinta anos, seremos mais o ascendente do que o nosso signo solar. Isso é uma inverdade. Seremos sempre o nosso signo solar. Alguém que nasceu na constelação de gêmeos será geminiano para toda vida. Acontece que nem sempre conseguimos lidar com a energia do ascendente e, com a maturidade dos trinta anos, aprendemos a utilizá-la melhor. Mas nunca alguém irá deixar de ser o sol para se tornar o ascendente. Para um resumo bem básico e para não haver mais confusões, pense que o sol é você, e o ascendente, sua vestimenta. A primeira coisa que as pessoas notam é sempre nosso exterior. Então, quando for fazer um juízo da pessoa que você acabou de conhecer, não julgue pelo signo solar, aliás, não julgue. A personalidade é formada por muitas nuances, cada pessoa é um mundo à parte. Se você tem a mania de consultar horóscopos, procure ver também o do seu ascendente, afinal, é com ele que vamos à luta.

*Thereza Christina Silva é jornalista, astróloga, taróloga e professora. E-mail: tecaemaju@hotmail.com Twitter: Teca_Astro Facebook: Tecaemaju

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MoodLife 28  

Edição 28 da revista Mood Life. Capa com o artista plástico Humberto Espíndola.