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R E VI S TA

DEZEMBRO/2013 EDIÇÃO 05

www.revistasocial1.com.br

MODA

TOTAL WHITE MODA SUSTENTÁVEL A MODA CHIC E VERDE

CONCRETE JUNGLE NOVA YORK POR CAMILA COUTINHO

GENTE

GENINHA ROSA BORGES

A ROSA DO TEATRO PERNAMBUCANO

CORPO & SAÚDE

RECEITA DE VERÃO

EXERCÍCIOS E NUTRIÇÃO PARA A ESTAÇÃO DO SOL

ARTE

NINA PANDOLFO

UMA ARTISTA DO UNIVERSO LÚDICO E COLORIDO

GOING TO TORONTO

UMA CIDADE COSMOPOLITA COM O CHARME DO PASSADO

Bárbara Paz

ENTREVISTA

“Ser atriz é crescimento diário como ser-humano, é ter uma observação constante da vida.”


índice 03 LIFESTYLE

- Sorveterias de luxo: literalmente, crème de la crème

REVISTA

DEZEMBRO 2013

58 MUST HAVE

- Estampa pixel: chegue mais perto

60 REPORTAGEM 06 -TAKE A LOOK - Seu lugar é na cozinha Dicas de leitura, filmes e músicas 67 FORMAS E CORES 08 HOT LIST 12 JUST IN CASE

- Bolsa de mulher - Aplicativos que faltavam na minha vida

18 GENTE

- Escritório. A sua segunda casa

75 GOING TO - Toronto

85 -GASTRÔ As nuts da estação

24 CORPO & SAÚDE

90 -ARTE Nina Pandolfo

30 CAPA

100 COLUNA

- Geninha da Rosa Borges

- Receita de verão: exercícios e nutrição para a estação do sol

- Bárbara Paz

36 LOOK AT

96 -DESTAQUES Eventos Sociais - Mirella Martins – Mais tempo por favor

- Laser na dermatologia

46 MODA

30 expediente

- Total White -Moda sustentável: a moda chique e verde -Concrete Jungle

Editora de Redação: Nadezhda Bezerra – nadezhda_bezerra@yahoo.com.br (81.91087798) Projeto Gráfico: André Porto Editor de Arte: Ricardo Rosso Redação: Ana Elisa Marrone, Larissa Lins, Mônica Tavares, Sergio Mendonça Colaboradores: Camila Coutinho, Giovani Pinardi, Julia Salgueiro, Mirela Martins, Patrícia Brito,Virgínia Bastos Colaboradores Fotografia: Carlos Júnior, Bruna Valença, Felipe Hellmeister Consultores: Alexandre Oliveira, Cláudio de Castro, Cláudio Torresini Revisão: Dalton Braz PUBLICIDADE: Rua da fundição, 257 – Santo Amaro - Recife /PE - 50040-100 Fone (81) 3413.6549 / 6810 Impressão: Gráfica FacForm Tiragem: 3.000 exemplares - A Revista Social1 é uma publicação trimestral - Os textos e artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Revista Social1. É proibida a reprodução de textos e fotos sem autorização expressa.

Nossa capa Bárbara Paz Foto Felipe Hellmeister


Sorveterias de luxo: literalmente, crème de la crème Por Larissa Lins

expressão crème de la crème aguça, até mesmo os sentidos de audição e paladar menos treinados, a toda uma cartela de conceitos relacionada diretamente ao que há de melhor, mais luxuoso, mais elitizado, mais nobre, mais elaborado. E não sem razão. Representa a nata, a camada superior, a parcela diferenciada, a fração sofisticada do todo. E se essa nata vier disposta sobre um casquinho crocante, sendo saborosa e refrescante, melhor ainda. Afinal, foi-se o tempo em que os sorvetes eram resultado de uma combinação de ingredientes tão infalível quanto uma receita de bolo. Quando se trata de luxo no mercado consumidor moderno, ser docinho e cremoso não basta: é preciso voltar ao começo do parágrafo e ser mesmo crème de la crème. Nos bastidores, há chefs especializados em produzir tais sorvetes luxuosos, cuja função não se resume a refrescar o corpo, mas se estende ao encantamento pleno do paladar. A seleção de ingredientes e a composição e apresentação do produto final tornam-se sensivelmente mais refinadas do que aquela comum, à qual estamos acostumados desde a primeira infância. Os especialistas na teoria e na prática do assunto, aos quais é concedido o título de Mestre Gelatier, recorrem justamente àquilo que, frente à modernidade, se faz mais valioso: o requinte da fabricação artesanal. Em meio a máquinas, fábricas, indústrias e repetições sistemáticas de mais do mesmo, a exclusividade vintage de um serviço caseiro luxuoso é o que agrega valor ao produto final.

GELATERIAS Inspiradas na tradição italiana da fabricação de sorvetes por meio da mistura de frutas

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LIFESTYLE

e laticínios, as gelaterias de luxo remetem à própria história da criação do sorvete. Afinal, as mais antigas referências ao produto vêm justamente de Roma, na época do imperador Nero, que teria encomendado neve e gelo das montanhas, a fim de misturá-los a frutas da estação. Apesar de haver ainda referência ao imperador chinês King Tang, que teria desenvolvido um método de mistura de leite com água do rio, a tradição foi irrevogavelmente associada às terras europeias. E por lá permanece, até hoje, concentrando o principal contingente de formação de Mestres Gelatiers. Aqui no Brasil, a tendência é recente, se considerada sua trajetória atávica do outro lado do oceano, mas vem ganhando espaço de modo exponencial. Em São Paulo, há poucos meses, os empresários – vindos, conforme a cartilha da tradição, da Itália – Massimo Borrelli, Stefano Pugin, Valentino Raffaelli e Fabio Spinelli inauguraram a gelateria premium Casa Elli, no Jardim Paulista. Por lá, são servidas

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vinte receitas de sorvetes artesanais, criados, em sua maioria, pelo Mestre Gelatier Pietro Maria Bianchetto, compostas apenas por ingredientes estritamente naturais. Entre os pedidos mais requisitados, está o Granita Siciliana, feito de frutas frescas, água e açúcar, em estado semicongelado. O cenário, claro, é composto por móveis italianos legítimos, da década de 1950. Isso porque, naquela época, artesãos de sorvetes tinham o costume de promover reuniões em suas casas, para que os convidados degustassem suas receitas. O empreendimento procura recriar esse clima, tendo sido, inclusive, citado em matéria na Forbes. Também em São Paulo, a Sódoces, comandada pelo chef confeiteiro Flávio Federico, investe no mesmo estilo artesanal de produção: a textura e concentração de matérias-primas em seus sorvetes são as qualidades mais exaltadas pela clientela. O destaque é o sabor tradicional de chocolate, cujo cacau é produzido em plantação particular, custando R$9 a bola. Para dar um toque ufanista aos produtos, Flavio investe em ingredientes típicos da flora brasileira, como o próprio cacau, além do coco e do cupuaçu.

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Bardot Bars - Com inspiração na atriz francesa Brigitte Bardot, produziram picolés com estampas femininas, sensuais, provocantes e refinadas.


No Rio, a chef Renata Saboya coordena a Mil Frutas, que figura na lista das mais tradicionais sorveterias cariocas, oferecendo sabores excêntricos como melão com gengibre, taperebá com saquê, chocolate com whisky, amora com champanhe e caju com cachaça. A criatividade e a ousadia na elaboração de misturas exóticas rende à casa uma frequência e fidelização de compradores digna das gelaterias tradicionais da Europa. Luxo que é luxo também precisa ser inovador.

SELOS DE LUXO Marcas como a Häagen-Dazs também integram o hall do crème de la crème dessa especialidade gastronômica. Aqui no Brasil, detêm lojas nas principais capitais, além de uma poderosa rede de distribuição em estabelecimentos comerciais. A sofisticação, mais uma vez, vez da combinação inusitada e caseira de ingredientes refinados. Sabores como Mascarpone, Passion Fruit & Truffles – associação entre o queijo italiano mascarpone e um leve toque de maracujá, com pedaços de frutas e chocolate – e Raspberry & Summer Berries Smoothis – combinando sorvete de frutas vermelhas com espirais de sorbet de framboesa – se destinam à conquista do paladar com refinamento e sofisticação, fugindo a quaisquer atributos clichês de um sorvete comum. Experimentá-los é o caminho para quase desacreditar a história da culinária: quem diria que, no passado, sorvetes se resumiam à mistura de gelo e frutas sazonais?

Quem entende de luxo, poderia atestar que percorreram o caminho certo: refinamento não é apenas uma qualidade exterior. Afinal, da estética à essência, do Império Romano ao Brasil moderno, de uma ponta do Atlântico à outra, o luxo é sempre o ingrediente fundamental. Para ser crème de la crème, mais do que tecnologia, é necessário sensibilidade para saber equilibrar o retrô e o contemporâneo, a moda e a exclusividade. Em se tratando de sorvetes, vale a analogia: é preciso não passar do ponto, porque luxuoso é se manter na nata.

Para arrebatar irremediavelmente a atenção e a preferência do consumidor, selos como a Häagen-Dazs e semelhantes investem ainda em propaganda massiva, porém sofisticada. Os sorvetes e picolés da Bardot Bars, por exemplo, viraram case no assunto após identificarem uma vertente de luxo em seu mercado: não bastando investir em design arrojado de embalagem, apostaram no design criativo do próprio produto. Com inspiração na atriz francesa Brigitte Bardot, produziram picolés com estampas femininas, sensuais, provocantes e refinadas. Os palitos, claro, não foram excluídos da inovação: ganharam roupagem em preto e vermelho. E na cartela de sabores, variedades como doce de leite, mix de cream cheese e morango, queijo mascarpone e outros deleites à degustação.

Na Casa Elli são servidas vinte receitas de sorvetes artesanais, criados, em sua maioria, pelo Mestre Gelatier Pietro Maria Bianchetto

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Take a Look Por Virgínia Bastos

UM DIA O Brasil é um dos países com a maior diversidade cultural do mundo em termos de música popular e nos últimos 50 anos não houve uma cantora que pudesse ser comparada com a eterna Elis Regina. Sua potência vocal, originalidade e interpretação visceral transformou seus shows em verdadeiros espetáculos e Um dia revive um desses dias inesquecíveis. Em 1979, no Montreux Jazz Festival, Elis interpreta alguns clássicos como Madalena, Upa Neguinho, Corcovado, Maria Maria e Garota de Ipanema, mas nos traz releituras quase que exclusivas na sua trajetória como Cobra Criada, Cai Dentro, Mancada e Samba Dobrado. Um Dia é o 7º álbum ao vivo de Elis e o 1º póstumo, lançado em 1982.

INTOCÁVEIS Não é à toa que Intocáveis é o filme mais rentável na história cinematográfica francesa. Para além de contar a história real de Philippe Pozzo di Borgo, um tetraplégico multimilionário, e sua relação com seu auxiliar de enfermagem fora do comum, o filme retrata com muita sensibilidade e humor o poder das diferenças, como uma relação completamente improvável foi capaz de transformar a vida deles para sempre.

Lady Gaga, Kate Perry, Miley Cirus e até as sumidas Avril Lavigne e Celine Dion apimentam o mercado fonográfico mundial com seus lançamentos, mas a hora da vez é da já crescidinha Kate Perry. O Teenage Dream ficou pra trás na primeira semana de lançamento do CD Prism, que de 22 a 31 de Outubro de 2013, já vendeu 300 mil cópias, quase o dobro em relação ao anterior. Apesar das vendas não estarem lá essas coisas, o CD agradou aos fãs e críticos, que reconhecem a maturidade e sex appeal da cantora, que conquistou seu espaço no ranking da Billboard.

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PRISM


EU SOU MALALA Eis que surge uma voz na multidão. É de uma menina de 16 anos, mas ressoa que nem trovão em uma sociedade que vive há quase 20 anos sob as trevas do Talibã. Malala Yousafzai seria mais uma adolescente vítima do terrorismo no Paquistão não fosse sua ousadia de lutar pelo direito de estudar e a bala disparada à queima-roupa contra a sua cabeça em Outubro de 2012. O milagre da sobrevivência permitiu que seu discurso fosse ouvido pelo mundo através ONU, o que lhe concedeu os títulos de símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a concorrer ao Prêmio Nobel da Paz. Ela não ganhou o Nobel, mas fez com que sua história vivesse e atravessasse gerações no livro Eu sou Malala, escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb. Além de uma bela história de sobrevivência, o livro é uma oportunidade de conhecer pelos olhos de uma adolescente paquistanesa a realidade de uma região em que sociedade, política, economia e cultura são regidas pela organização terrorista do Talibã.

MISTRESSES Seguindo os passos da saudosa série Sex and The City, Mistresses estreou na ABC em junho de 2013 e tem tudo pra conquistar você, que adora uma comédia romântica apimentada acerca das vidas escandalosas de um grupo de amigas. Uma advogada bem sucedida e tradicional, uma agente imobiliária liberal, uma empresária viúva e uma terapeuta peculiar tinham tudo para nunca terem esbarrado uma na outra, mas suas histórias se entrelaçam com muito drama e muito humor nesta nova série.

MINÚSCULOS ASSASSINATOS E ALGUNS COPOS DE LEITE Quem não conhece Fal Azevedo logo se apaixona por ela; e quem já a conhece de outras pérolas jogadas no Blog Drops da Fal ou no seu último livro lançado pela Rocco em 2012, Sonhei que a neve fervia, fica maravilhado com a sensibilidade e originalidade dessa escritora paulistana que tem conquistado seu espaço na cena literária contemporânea. Minha indicação pra hoje, porém, não poderia deixar de ser Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, que curioso como é o próprio título, é uma das deliciosas surpresas literárias dessa nova geração de escritores brasileiros. Fal consegue emocionar da originalidade da narrativa, ritmada em dois tempos, sujeitando a narradora a condição de biógrafa e biografada, paciente e analista, até à oportunidade que dá ao leitor de sentar no sofá da casa de Alma, a protagonista da história, e escutar sua trajetória de perdas, feridas e cicatrizes de uma forma leve, bem-humorada e nada piegas.

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Tecnologia no combate ao envelhecimento Corello Em comemoração aos 52 anos da revista CLAUDIA, a Corello criou uma sandália especial com tiragem limitada. A diretoria criativa da marca, Carla Silvarolli e a equipe de CLAUDIA, desenvolveram a sandália de salto alto com tornozeleira e tiras entrecortadas transparentes. O modelo foi criado para estar em sinergia com as mais de 2 milhões de leitores de CLAUDIA. A sandália já está nas lojas do Recife e no shop online da grife http://shop.corello.com.br/. Quem sabe em breve não sai uma sandália da Revista Social 1, né?

O Multi-Wrinkle Repair – Reparador Múltiplo de Rugas, da Bar Minerals atua nas múltiplas camadas da pele com ingredientes minerais e peptídeos, revitalizando cada uma delas para um resultado impressionante. Sua fórmula permite que cada região do rosto absorva os nutrientes de acordo com as suas necessidades.

Pele preparada para os tratamentos faciais

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A VEER Cosméticos, lança Peel Skin Prepare, um kit pré-tratamento de uso profissional, que maximiza a eficácia de diversos tratamentos, como peelings médicos, clareamentos, estrias, prevenção do envelhecimento e laser.

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Quem Disse Berenice? Revlon em Crô, o filme A REVLON, marca norteamericana e líder global de cosméticos, apoia Crô - O filme inspirado no personagem da novela Fina Estampa, da TV Globo. Com duração de até 11 dias*, os esmaltes ColorStay™ Longwear Nail Enamel proporcionam cor e brilho prolongados, acabamento profissional e efeito de unhas de gel. Possui pincel duplo que garante uma aplicação suave, sem bolhas e manchas, e está disponível em 26 cores, além do Base Coat e do Top Coat.

Superga

por Cantão A centenária marca italiana de tênis Superga conhecida por parcerias internacionais como com a House of Holland, DC Comics, as irmãs Olsen e a estilista britânica Giles Deacon, firma sua primeira união inédita no Brasil com a marca carioca Cantão. São quatro modelos diferentes, a novidade fica por conta das estampas étnicas, detalhes no solado e cadarços coloridos. A cartela é bem alegre, assim como a coleção de verão da marca e trabalha o azul, o laranja, o verde, além de um tom de bege claro.

Quem disse, Berenice? traz uma novidade incrível para o verão: praiana. A maior coleção da marca, traz 16 produtos e inclui entre os produtos o perfume “a menina que passava de biquini goiaba”, que vem na versão de 75ml e de 10ml.


JUST IN CASE Bolsa de mulher

Fifty-one Loving – Divas na nova coleção de joias de Kristhel Byancco Fifty-one Loving é a décima primeira coleção da atriz e designer Kristhel Byancco e relembra as divas da década de 20, com suas pérolas barrocas, pashminas, máxis colares e os big anéis.

Erotika por Chilli Beans A Chilli Beans investe na sensualidade e no mundo do fetiche para lançar sua nova coleção de acessórios, a linha Erotika, dividida em quatro sugestivos temas: G, Sado, Sutra e Cabaret. Cabaret vem carregada de madrepérolas e brilhantes, assim como os figurinos burlescos, e aparece em luxuosos relógios com pulseira dourada de mesh e em armações solares, que também ganham metais trabalhados nas hastes.


Jorge Bischoff reedita o Chanel Um dos modelos mais clássicos do closet feminino é revisitado pelo traço elegante e feminino do designer Jorge Bischoff. A grife que leva seu nome apresenta um mix de produtos Chanel, com todo frescor e charme que a estação do sol pede. O modelo foi criado por Mademoiselle Gabrielle “Coco” Chanel na década de 60, para que seus pés parecessem menores, tornando-os mais delicados e femininos. Originalmente bicolorao longo da história, acabou por se transformar em um dos símbolos máximos de elegância e feminilidade

De encher os olhos

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As peças do joalheiro mineiro Edson Xavier, participante do caderno de tendências da Swarovski Gem , o Gemvisons Preview , com lançamento anual e distribuído pela Swarovski Gems para referências em moda no mundo inteiro.

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JUST IN CASE

Aplicativos que faltavam na minha vida Por Ana Elisa Marrone

Para quem faz parte da geração saúde, esse aplicativo vai ajudar a acompanhar a evolução a cada treino de corrida, bicicleta, caminhada, etc. Na corrida, o aplicativo marca a distância percorrida e a velocidade alcançada, ajudando a atingir metas que podem ser determinadas no próprio aplicativo. Disponível para iOS e Android, grátis.

MINT.COM Se o orçamento apertou, está na hora de conhecer esse aplicativo. Ele vai permitir que você organize seus gastos em categorias, para que sejam gerados gráficos e relatórios. Você também pode estabelecer metas financeiras e programar alertas sobre os vencimentos de suas contas. Disponível para iOS, e Android grátis.

EASY TAXI Chega de ficar procurando taxi ou de pegar taxi sem segurança. Com esse aplicativo você chama o seu táxi gratuitamente com apenas um toque. É seguro, simples e rápido de usar. Basta confirmar a sua localização no mapa e clicar em “Pedir Táxi”. Você ainda pode ajudar o taxista a localizá-lo ao incluir uma referência de onde está. Todos os taxistas e passageiros são cadastrados. Além disso, o aplicativo mostra a foto, o nome do taxista e os detalhes do carro que irá buscá-lo. Por fim, com a Easy Taxi você é rastreado o tempo todo, aumentando a sua segurança. É conveniente, pois enquanto espera pelo táxi, você pode acompanhá-lo pelo mapa em tempo real, sabendo exatamente em quanto tempo o táxi chegará. E caso deseje falar com o taxista, é possível ligar para ele com apenas um toque na tela. O serviço é gratuito. Não há taxa de chamada nem adesão e o taxímetro só começa a rodar quando você entra no carro. Disponível para iOS, grátis.

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RUNKEEPER


GENTE

Apernambucano Rosa do teatro A SALA NÃO É MAIS SUA, MAS DO APARTAMENTO DO FILHO. COM A IDADE DE 91 ANOS, A MUDANÇA PARA O NOVO ENDEREÇO TORNOU-SE NECESSÁRIA. AO ATENDER AO TELEFONE, A DONA DA VOZ DOCE E AO MESMO TEMPO SEGURA SE QUESTIONA QUANTO À DATA DA ENTREVISTA. SERÁ AMANHÃ MESMO? SORRINDO, DIZ QUE APESAR DA EXCELENTE SAÚDE, A MEMÓRIA NÃO É MAIS A MESMA. NO DIA MARCADO, ESTÁ BEM ARRUMADA SENTADA EM UM SOFÁ. NA MESA, VÁRIAS FOTOS ANTIGAS. “IMAGENS QUE REMETEM AOS MELHORES ANOS DA MINHA VIDA”. POR GIOVANI PINARDI / NADEZHDA BEZERRA FOTOS CARLOS JÚNIOR

As mãos enrugadas e com anéis em praticamente todos os dedos pegam as fotos e um brilho surge no olhar de Geninha da Rosa Borges. A memória então torna-se perfeita e ao falar da própria vida, a senhora é tomada por um sorriso contagiante de menina nova. Geninha nasceu em 21 de junho de 1922 com o nome de Maria Eugênia Franco de Sá. Ela diz que já veio ao mundo artista e desde muito pequena era presença obrigatória nos palcos e atividades culturais do Colégio de São José.

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Aos 91 anos, Geninha pode ser considerada um patrimônio vivo de Pernambuco. Conhecida (embora discorde) como a grande dama do teatro no Estado, a atriz já participou de cerca de 70 peças, além de ter dirigido 21 encenações. É um dos nomes mais importantes do Teatro de Amadores de Pernambuco estando presente desde a primeira apresentação do grupo, em 1941, com a peça Primarose. Em uma agradável tarde de novembro, Geninha recebeu o repórter a Revista Social1 para uma conversa sobre a carreira, a vida e as melhores lembranças da veterana atriz.


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GENTE 1ª dama do teatro pernambucano Pelo menos o povo acha (risos). Eu nunca aceitei porque este título era de Diná de Oliveira, que era a minha cunhada e esposa do Dr. Waldemar de Oliveira. Diná era maravilhosa em cena e conhecida como a grande dama do teatro pernambucano. Mas eu morria de vergonha quando ela brincava dizendo que não podia ter um título desses já que eu estava ao lado dela. E as pessoas ainda hoje me chamam de dama do teatro, mas eu sempre digo que a grande dama foi Diná. Vitalidade É claro que tenho as limitações naturais da idade, mas minha saúde é boa. Não sei se isto acontece pelo fato de me doar inteiramente a cada coisa que eu faço ou se é o fato de eu ter aprendido desde muito mais moça que a gente deve se cuidar em todos os sentidos. Eu tenho apenas que agradecer muito a Deus porque é uma vitalidade que eu mesma me espanto. Eu não posso ouvir uma música que eu fico louca para dançar, mas ninguém tira mais gente velha para dançar (risos). Relação com os palcos De prazer e organização. Alguns atores chegam em cima da hora da peça começar. Eu não sei fazer isso. Sempre chego ou chegava com duas horas antes e então eu passo a vista na minha contra regra inteira, dou uma olhada no cenário para ver se está tudo em ordem e depois é que eu subo para mudar minha roupa e colocar a maquiagem. É costume, comecei assim e assim vai. 1941 e a estreia no TAP Eu não tinha essa ideia de me tornar uma atriz. Tudo aconteceu em um evento de caridade no Teatro de Santa Isabel. Bom, naquela época, as senhoras e senhorinhas da sociedade não se apresentavam em teatros, com a única exceção de algum evento beneficente. Foi então quando aconteceu o espetáculo Noite de Estrelas, em 1941, cujo dinheiro arrecadado iria para os filhos de pacientes internados com hanseníase. Foi a minha madrinha Zezita que me chamou por conta do jeito animado que eu tinha. Quem também estava no teatro naquela noite foi o Dr. Valdemar de Oliveira. Após a apresentação, ele me perguntou se eu gostaria de tomar parte no Teatro de Amadores, que era um grupo que ele iria fundar. Eu fiquei louca com o convite e logo marcou-se hora para ele falar com meus pais e pedir permissão. Eu acho que se fosse outra pessoa, meus pais não teriam deixado, mas o Dr. Valdemar era um médico e advogado muito famoso e de respeito. Aí meus pais deixaram e em 1941, eu já fiz Primarose. Peças Pelas minhas contas, eu já fiz 80 personagens até hoje. Eu destacaria peças como A Casa de Bernarda Alba, Arsênico e Alfazema, Vestido de Noiva, O Marido Domado, Bob e Bobete, Um Sábado em 30. Ah, como não falar de Um Sábado em 30, onde já fiz diferentes papéis. Ano passado fiz a minha despedida 22

“Põem meu rosto em um cartão, deramme até um número, colocam a cor dos meus olhos, a cor da minha pele, medem a minha altura e o logotipo do polegar encerra o cartão. Ah, existe também um espaço para colocar o nome da cidade onde nasci, mas nada dizem do essencial de mim, não falam da casa branca, da rosa entrelaçada na janela. Onde estão os meus sonhos catalogados? Onde está o sol amarelo que me aquece? Onde está o rio que atravessando me atravessa? Olha, no papel eles colocam apenas os simples dados de que me terço, mas nada dizem do essencial de mim. Da urdidura de dor que me constrói e fora do cartão, imensurável, eu permaneço, eu permaneço...”

Identidade, da amiga irmã Maria do Carmo Barreto Campelo.

depois de quase 30 anos interpretando Dona Mocinha. Eu passei o papel para outra atriz. Esta passagem foi em plena cena, onde entrego a chave da casa para a atriz que passa a fazer meu personagem. Também não posso esquecer de Yerma, de Garcia Lorca, que foi um dos meus grandes papeis. Ah, são tantas peças e personagens. Posso passar o dia inteiro falando deles... Ser atriz amadora Sempre fui e vou morrer amadora. Foi assim que comecei. Nunca recebi um centavo pelas peças do TAP. O cachê sempre foi revertido para instituições. Quando não estou no TAP posso então receber cachê. Mas eu sou tão amadora, que morro de vergonha quando alguém me pergunta quanto é o meu cachê. Você não pode imaginar o constrangimento especialmente quando perguntam quanto eu quero receber por uma peça. Eu fico morta de vergonha. A minha filha outro dia me passou um carão porque fico com esta vergonha de falar do cachê. Eu sou formada em letras anglo-germânicas e trabalhei como professora. Teatro pernambucano As pessoas falam que no Rio e em São Paulo os teatros sempre enchem, mas você precisa ver a camada de turistas então eles vão aos teatros procurando nomes famosos. É de certa forma como um passeio turístico ir ao Rio e assistir alguma peça. Dizem que o problema é o poder aquisitivo do povo que não pode mais ir ao teatro, mas os grupos locais cobram R$ 10,00, enquanto grupos do Sul R$ 50, R$ 70 e sempre lota. Acho que o pernambucano não valoriza a prata da casa. Timidez Eu costumo dizer que eu passei toda a minha vida falando o que as pessoas escreviam para eu dizer. Quando chega na hora de eu falar o que eu quero, eu fico um pouco errada. Quando me convidam para dar uma aula ou palestra eu informo logo que com estes dois nomes eu não vou. Mas se for chamada para dar depoimentos ou responder perguntas fica mais fácil.


Geninha por Geninha

Desejo

Eu sempre fui uma menina danada, metida.

Ah, eu não posso pedir mais nada da vida. Porém existe algo que eu gostaria de ter em mãos novamente antes de morrer. O caderno do meu nascimento, que foi escrito pela minha mãe. Eu emprestei para uma jornalista que eu não lembro nem o nome ou de onde era e ela nunca me devolveu. É uma das coisas mais importantes da minha vida. Eu imploro a esta pessoa que tenha um pouco de dó e de respeito. Por favor, me devolva. E quem ler esta entrevista,

Poesia Adoro declamar poesias e poemas. Tenho inclusive um CD chamado Uma Voz em Cena Aberta com minhas poesias favoritas. Este CD é de 1996.

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GENTE se puder comentem com amigos jornalistas. Foi uma falta de respeito e de educação muito grande ela nunca ter devolvido algo que foi EMPRESTADO. Cinema Eu participei como atriz do primeiro filme falado de Pernambuco, O Coelho Sai de 1942, dirigido por Firmo Neto. Também participei de Paraíba Mulher Macho, de 1983, dirigido pela Tisuka Yamasaki. Acho que o meu filme mais importante foi Baile Perfumado, de 1997, dirigido por Paulo Caldas e Lírio Ferreira. Também participei de curtas, como O Pedido e A Partida. Mas a minha paixão mesmo é o teatro. Família Meu futuro marido, Otávio da Rosa Borges, era irmão de Diná de Oliveira. Ele ia sempre ao teatro levar recados para Diná ou para Dr. Valdemar. De principio nem reparava nele, apesar de ser lindo. Mas fomos nos aproximando, conversando e quando vi, já estava noiva. Tivemos quatro filhos. Destes, apenas Ana Maria seguiu carreira de atriz de teatro. Tenho 19 netos e quatro bisnetos. Novelas Eu participei de duas novelas da Globo. Da Cor do Pecado e A Favorita. Foram pequenas participações, mas foi uma experiência muito interessante. O único inconveniente foi ter que viajar para gravar as cenas. Homenagens Eu já ganhei prêmios de melhor atriz, mas de uns tempos para cá, eu passei a receber homenagens pela minha contribuição para a cultura pernambucana. Medalhas e títulos e imagine que até uma biblioteca ganhou meu nome. Eu fiquei tão feliz, porque significa que algo que eu fiz foi representativo e ficou. Fui convidada para ser tema de um carro alegórico do Batutas de São José no carnaval de 2014. Eu adoro frevo e se estiver viva, estarei lá com certeza com a minha sombrinha de frevo na mão. E se já tiver morrido, espero que seja uma festa bem bonita. Despedida Eu que agradeço. Sou a última de um tempo que já passou. A maioria das pessoas queridas com as quais trabalhei no começo do TAP já se foram. Eu fico feliz de olhar para trás e ter tantas boas memórias. Lembranças queridas, que espero fiquem sempre comigo. Claro que outras pessoas surgiram e nunca gostei de ficar presa ao passado. Sempre olhei para frente, embora a saudade permaneça. E quando eu também me for, as minhas lembranças ficarão com meus amigos e familiares, mas também nas entrevistas e matérias, como esta de hoje.

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No palco com Geninha Por André Lobo

Meu nome é André Lobo, tenho 30 anos e sou fã de Geninha da Rosa Borges desde a primeira vez que a vi em cena com Bob e Bobete, no final da década de 1990. Desde então, nunca deixei de ir ao teatro assistir a grande dama pernambucana em cena. Já perdi a conta de quantas vezes vi a Um Sábado em 30. E por ser uma pessoa extremamente acessível, consegui encontrá-la algumas vezes seja em eventos culturais ou mesmo no final de suas peças. Não por acaso tenho os livros Geninha da Rosa Borges – A Dama do Teatro, de 1997 e Geninha Total, de 2008, além do CD de poesias todos autografados. Uma curiosidade é que quando pedi para Geninha autografar o livro de 1997, ela não apenas assinou como também fez questão de corrigir todos os erros de informação ou de português da publicação. Ou seja, o livro além de autografado, também ficou todo riscado e com uma observação de que a publicação precisava ser corrigida. Curiosamente nunca tirei uma foto ao lado de Geninha. Mas a minha história favorita ao lado da dama dos palcos aconteceu no Teatro de Santa Isabel. Na ocasião, era a única apresentação de Leão do Norte – Geninha da Rosa Borges, 85 anos em cartaz. Tratava-se de uma peça na qual Geninha iria comemorar no palco seus 85 anos. Comprei a poltrona da primeira fila e como bom fã, segui acompanhado a apresentação. Eis que Geninha fala que nunca havia assistido a si mesma em cena e de repente é interrompida por outros atores que surgem no palco e pedem para a dama se sentar na única poltrona vazia do teatro, que também era na primeira fila. A ideia era que Geninha iria ver os atores interpretando os principais papeis dela. Insegura, ela olhou para mim e pediu ajuda para descer do palco. Eu prontamente me levantei, dei a mão para ela e a conduzi para baixo. No último degrau ela se desequilibrou e quase caiu, mas nada grave ou claramente perceptível. No entanto ao descer, ela se sentou na minha poltrona e me deixou sem lugar. Como a cadeira era a do corredor, eu me sentei no chão ao lado dela e enquanto a peça seguia, Geninha começou a conversar comigo. Falou que estava nervosa e perguntou se eu estava gostando da peça. Respondi que sim e continuamos conversando. Ela falou que errou a primeira parte eu a confortei dizendo que ninguém havia notado. A apresentação seguiu e não parávamos de conversar. Ela na minha poltrona e eu no chão. Pensando nisto hoje em dia, eu deveria ter ido sentar na outra cadeira vaga, mas acho que inconscientemente gostei da ideia de ficar ao lado dela. Cerca de 15 minutos e muitos papos depois e a apresentação dos atores terminou. As luzes do Santa Isabel foram acesas sendo esta a deixa para a dama voltar ao palco. Geninha então perguntou se eu poderia levá-la de volta. Me levantei, tomei a dama pelo braço e subimos juntos ao palco. Ao deixá-la no seu lugar, me despedi. Ela agradeceu, olhei para o prédio, que estava lotado e fui aplaudido enquanto descia para o meu lugar. Anos se passaram, voltei a ver Geninha em cena outras vezes, mas como superar esta experiência de assistir parte de uma peça ao lado dela. Tagarela, a dama conquistou ainda mais a minha admiração e respeito.


CORPO & SAÚDE

RECEITA DE VERÃO POR NADEZHDA BEZERRA

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Quando o verão chega traz com ele o sol, os shortinhos, vestidinhos, biquínis e aquela necessidade de estar com o corpo todo em dia. Aí a mulherada se mete em dietas e exercícios “milagrosos” para resultados rápidos e acaba causando danos a saúde. Cuidado! Exercícios físicos e nutrição são aliados e devem ser usados com cautela para o seu bem-estar.

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A estação do sol já bate à nossa porta e pede algumas mudanças de hábito na nossa alimentação e na prática de exercícios físicos, não só por questões de estética e vaidade, mas também de saúde, já que tendemos a perder mais líquido por conta do calor. A Social1 conversou com profissionais de educação física e nutrição para saber como tirar o melhor proveito da estação do céu azul, dos mergulhos no mar e banhos de piscina. A prática de exercícios é sem dúvida uma necessidade em qualquer época do ano, mas a gente sabe que é no verão que ela se intensifica e abre espaço para ser feita ao ar livre, saindo um pouco dos ambientes fechados de academias e condomínios. O melhor horário para se exercitar a céu aberto é antes das 9h da manhã e após as 16h, quando os efeitos nocivos do sol são minimizados, mas atenção, o protetor solar ainda assim é necessário. Nesse horário a intensidade dos raios solares é menor e não causa tanto desconforto como um sol de meio-dia por exemplo. Quanto ao local para prática, fica a gosto da praticante, podendo ser no calçadão da praia, em parques ou praças, desde que com tênis apropriado e roupas leves, um boné também é bem vindo. Como no verão o calor se intensifica e suamos mais, é sempre bom se reidratar, tendo por perto uma garrafa de água para ir bebendo aos poucos, a cada cinco ou dez minutos. Caminhadas, corridas (desde que bem assessoradas por um profissional) e passeios

Um corpo saudável e bonito não é sinônimo de uma modalidade específica da academia e um bronzeado homogêneo. Um corpo saudável é uma filosofia de vida em que se deve pensar desde um exercício saudável até nas horas de sono passando por uma dieta balanceada e obviamente sem exageros.” 27


CORPO & SAÚDE

de bicicleta são exercícios aeróbicos que, além da queima de calorias, ajudam a relaxar o corpo e a mente e não exigem grandes esforços, mas pedem um bom alongamento antes. A pressa é inimiga da perfeição A proximidade do verão muitas vezes causa ansiedade e uma urgência de modificar um corpo construído através de hábitos ruins durante um ano inteiro. A pressa leva a dietas malucas e exageros nos exercícios, causando malefícios ao invés de dos benefícios que se deseja alcançar. Para Cláudio de Castro, professor de Educação Física, especialista em qualidade de vida, “um corpo saudável e bonito não é sinônimo de uma modalidade específica da academia e um bronzeado homogêneo. Um corpo saudável é uma filosofia de vida onde se deve pensar desde um exercício saudável até nas horas de sono, passando por uma dieta balanceada e obviamente sem exageros”, diz. O contrário desse modo de pensar e agir leva ao famigerado efeito sanfona, em que se engorda e se emagrece em uma espécie de círculo vicioso, até distúrbios que causam desequilíbrios hormonais. Quando se exagera na malhação, tende-se a exagerar também na alimentação, havendo um desequilíbrio na ingestão de nutrientes que são essenciais para o bom funcionamento do organismo.

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Não há uma chave de liga/desliga para se ter um corpo entendido como bonito, é preciso disciplina e cuidados. É muito comum durante uma prática exagerada de exercícios ocorrer lesões musculares e articulares que podem, com o tempo, causar degenerações crônicas, entre elas a artrose precoce de ombros e joelhos. O ideal é fazer da prática de exercícios uma atividade rotineira e prazerosa combinando exercícios de força (musculação é o mais conhecido), resistência (caminhada ou corrida, por exemplo) e alongamentos. Se o inverno passou e agora é correr contra o prejuízo, o ideal é consultar um profissional de educação física para saber qual o exercício ideal para a pessoa, já que existe a individualidade biológica onde cada pessoa vai responder de forma diferenciada a um treinamento. “Não existe receita de bolo”, ressalta Cláudio de Castro. Alimentação x vida saudável E por falar em bolo, o nutricionista Claudio Torresini nos explica que com a chegada do verão e das altas temperaturas, nosso organismo tende a “desviar” energia de algumas funções (inclusive a digestiva) para fazer a manutenção da temperatura corporal interna, que geralmente está mais elevada. Com isto,


a digestão pode se tornar mais lenta e trabalhosa. Portanto, devemos facilitar ao máximo o trânsito e absorção dos alimentos, escolhendo aqueles que são considerados leves (baixo teor de gordura e calorias) e que dão menos trabalho ao nosso metabolismo, como proteínas magras (peixes, frango sem pele, soja, clara de ovo, queijos sem gordura); dentre os carboidratos prefira os cereais integrais, raízes e tubérculos (inhame, macaxeira, batata doce), frutas e legumes. Frutas, legumes e verduras são, inclusive, responsáveis pelo nosso aporte de vitaminas e minerais, imprescindíveis para manter a imunidade alta, ajudando a evitar as viroses e contaminações comuns de verão. Tendo isto em vista, abuse das saladas, frutas (diabéticos devem ter cuidado aqui!) e preparações que contenham estes alimentos. E para as sobremesas, procure ingerir picolés de fruta ao invés de sorvetes e chocolates. E em tempos de calor excessivo, a ingestão de líquido é sempre importante. Nesta época do ano a temperatura do ambiente e a do nosso corpo está aumentada. Isto leva a uma sudorese maior causando a perda de água e sais minerais.

Mexendo o corpo Para começar, você deve primeiro consultar um médico a fim de fazer um check-up e saber se está tudo bem. Depois um nutricionista é imprescindível para montar uma dieta balanceada focando nos exercícios que vai realizar e por fim, um profissional de educação física que deverá fazer uma avaliação física para medir o percentual de gordura e estabelecer o quanto precisa reduzir além de verificar a capacidade cardiorrespiratória para determinar a frequência de treino ideal e principalmente estabelecer metas para serem alcançadas. Se você não sabe como está, não pode ter certeza de onde quer chegar. Muitas vezes a pessoa tem uma meta preestabelecida que não corresponde ao ideal e consequentemente não será realizada de forma saudável.

Ao acordar, já devemos tomar um copo d’água para o organismo começar o dia trabalhando com mais eficiência e, ao longo do dia, tomar de 2 a 3 litros, o que pode variar de pessoa para pessoa dependendo das atividades exercidas. Mas atenção para duas coisas: primeiro, não pensar que os sucos substituem a água, devemos sim ingerir os sucos, mas a quantidade de água permanece a mesma. O suco é um “bônus” sempre bem vindo; segundo, a quantidade de líquidos deve ser aumentada sim no verão, mas a escolha dos líquidos é importante. “A água, naturalmente, é o mais importante, água de coco e chás naturais gelados também são ótimos pedidos, os sucos devem ser da fruta ou no mínimo polpas. A ingestão de sucos industrializados (de caixa) não é recomendada devido ao alto teor de açúcar e baixo teor vitamínico, bem como os refrigerantes e bebidas alcoólicas.” Os riscos das dietas milagrosas

Segundo Claudio Torresini, os riscos para a saúde são grandes, pois as chamadas “dietas milagrosas” que prometem eliminar peso e gordura em pouco tempo expõem o organismo da mulher à condições indesejáveis e quase sempre são insustentáveis a longo prazo. Geralmente a tendência é surgir uma carência de nutrientes que leva a uma baixa nos níveis de energia para as atividades corriqueiras e uma baixa na imunidade, o que pode fazer surgir o aparecimento de alguma patologia relacionada à carência nutricional específica (ex: anemia, carência de ferro). Além disto, mesmo que não ocorra nenhuma destas situações, há a possibilidade das pessoas que perdem peso muito rápido e ao menor descuido ou mudança de rotina (seja por

FOTOS CARLOS JR.

Já falamos que a pressa é inimiga da perfeição, mas não custa reforçar, ainda mais no que tange às dietas malucas que prometem milagres para desfazer meses e até anos de maus hábitos alimentares.

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CORPO & SAÚDE problemas pessoais, profissionais, de saúde ou até mesmo psicológicos), tendem a recuperar mais rápido ainda o peso perdido, e por muitas vezes, mais peso do que se perdeu. Para bons e duradouros resultados, mesmo que em curto prazo (os melhores são de médio e longo prazos), devem-se praticar atividades físicas e procurar um nutricionista apto a detectar suas necessidades e que introduza um plano alimentar sustentável na sua rotina, atendendo às suas expectativas estéticas e suprindo possíveis carências. E para os períodos em que as mulheres ficam mais “sensíveis” devido às alterações hormonais e recorrem aos doces para se tranquilizar? O que fazer? Os doces, especialmente o chocolate, têm o poder de estimular a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e prazer e que fica em nível muito baixo durante a menstruação. Para não exagerar na ingestão de açúcar e gorduras provenientes das guloseimas, deve-se dar preferência por chocolates meio amargos, com teor de cacau mais elevado e até mesmo alternativas mais saudáveis, como oleaginosas e frutas (em especial preparações com banana, rica em triptofano, aminoácido precursor da serotonina). O ideal é não haver exageros, mas para aquelas que já exageraram e querem compensar, o melhor a se fazer é retomar uma atividade física (no mesmo dia se possível!) e já se programar para comer algo saudável a partir da próxima refeição dentro de um plano alimentar personalizado, ao invés de tentar regimes milagrosos de improviso. Com equilíbrio e o acompanhamento de profissionais, se fica leve, saudável e com o corpo desejado. Bom verão!

Dica nutricional No grupo dos carboidratos, evitar os açúcares (doces em geral) e preferir os cereais e biscoitos integrais, raízes, tubérculos e leguminosas.

Comer bastante frutas e saladas variadas, já que são fontes de vitaminas e minerais, que ajudam em quase todos os processos orgânicos.

No grupo das proteínas, as carnes devem ser magras, de preferência as carnes brancas (peixes, frango), a proteína da clara do ovo é muito nutritiva, bem como a soja e os laticínios.

Ingerir 2 unidades de castanha do Pará por dia ajuda na melhoria do cabelo, unhas, pele etc. Isto porque ela é rica em zinco e selênio, minerais antioxidantes que atuam “limpando” nosso organismo.

Evitar as gorduras saturadas encontradas principalmente em carnes gordas, frituras e laticínios integrais; e ingerir uma boa quantidade de gorduras mono e poli-insaturada encontradas na sardinha, atum, azeite extra virgem, castanha do Pará, nozes etc.

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Gelatina é uma boa fonte de colágeno, proteína que ajuda na elasticidade da pele e na saúde das articulações. Pegar um bronze, os raios solares reagem com substâncias na nossa pele para produzir

vitamina D, essencial para a saúde óssea e dental. Ingerir bastante líquidos além da água, como sucos naturais e água de coco. Evitar alimentos com condições higiênicas duvidáveis


CAPA

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Bรกrbara Paz Uma mulher forte, que supera suas maiores dificuldades com alto astral e um belo sorriso no rosto, vive um grande momento em sua carreira. POR NADEZHDA BEZERRA / ANDRร‰ PORTO FOTOS FELIPE HELLMEISTER

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árbara Paz é antes de tudo uma guerreira. Passa com força e dignidade por qualquer obstáculo que a vida lhe imponha. Feliz consigo e com a vida, celebra o privilégio de ser atriz, de fazer arte e viver várias pessoas e personalidade em cada personagem que interpreta. Tendo sido modelo, sabe posar para uma lente e mostrar o seu melhor, interpretando a si mesma ou o que for preciso, é íntima das câmeras. Em 2003 recebeu o prêmio de melhor atriz de curta-metragem no 31º Festival de Gramado, pela atuação em Produto descartável.  O curta fala de dois vizinhos que se desejam, e se rendem a esse desejo

ao se encontrarem no elevador, abrindo espaço para abordagem das várias faces do comportamento humano, desde os rótulos criados para si mesmos pelos próprios personagens, até a visão que um realmente tem do outro. O grande sucesso como atriz veio em 2002 como protagonista na novela Marisol, no SBT. De lá pra cá acumulou bons papéis, rendendo admiração de colegas, diretores e público. No ar em Amor à vida, na Rede Globo, como Edith, uma mulher com um amor doentio pelo marido homossexual, ela vem mostrando talento dramático e levantando questionamentos no público. A Revista Social1 conversou com Bárbara Paz para conhecer um pouco mais dessa grande atriz.

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CAPA

“Ser atriz é uma dádiva! É viver muitos em um só corpo. Ser atriz é crescimento diário como ser-humano...” SOBRE SER ATRIZ 36


Qual o limite da vaidade, mesmo para quem lida com a imagem, como você? O limite de cada um. É preciso ter, mas não ser escrava dela. Ser atriz te preenche como mulher, além da profissão? Ser atriz é uma dádiva! É viver muitos em um só corpo. Ser atriz é crescimento diário como ser-humano, é ter uma observação constante da vida. A que se permite por um personagem, e quais seus limites, tem algum? Não imponho limites. Por eles mergulho de cabeça... sem olhar o fim do poço. Sua personagem em Amor à Vida tem várias facetas. Conseguiria definir a Edith? Edith é uma mulher em busca de reconstruir uma vida imposta por uma mãe obsessiva e sedenta por dinheiro. Uma mulher que se apaixonou por um homossexual e viveu essa dualidade na pele. Uma mulher que ainda guarda muitos segredos. Como ver o amor dela por Félix, mesmo sabendo de sua homossexualidade, de suas maldades? Será mesmo amor? É amor. Amor doentio. Amor cúmplice. Amor bandido. Mas é amor. O núcleo familiar da sua personagem é cheio de segredos, interesses, mentiras e o Amor à vida passa um pouco longe, sendo o poder algo mais apreciado entre eles. Como vê a família do século XXI?  Uma mistura de tudo isso. O mundo contemporâneo que vivemos guarda seus segredos e as pessoas vivem com máscaras para poder sobreviver. Não está distante dessa família não. Pensa em filhos? Sim, penso.  Carreira ou amor? Por muito tempo as mulheres tiverem que escolher e hoje ainda não parece fácil essa equação. Qual sua opinião a respeito disso? Carreira e amor. Juntos então, a receita perfeita!  O que te tira do sério? E o que te deixa em paz? Infidelidade. Quando se olha no espelho, tem orgulho de quem vê?

Ser amada

Tenho, muito. Teatro, TV, cinema, onde mais pensa em estar? Em todos os Você passou por momento difíceis em sua vida ainda

veículos onde posso exercer meu oficio. Atriz!

muito jovem, hoje a espontaneidade do seu sorriso é algo marcante. As dores foram superadas? Todas. Transformei

Para finalizar, o que espera de 2014? Mudanças, saúde,

o sofrimento em criação. Arte!

trabalho e amor, muito amor!!

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LOOK AT

LASER NA

DERMATOLOGIA

POR CAROLINA COELHO

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O QUE SERIA DO MUNDO MODERNO SEM O LASER? ESTE FEIXE DE LUZ CONCENTRADA PROVOCOU UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO E SE TORNOU IMPRESCINDÍVEL EM VÁRIAS ÁREAS DO CONHECIMENTO HUMANO, MAS FOI NA MEDICINA QUE ELE FEZ OS MAIORES AVANÇOS.


LOOK AT

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SADO AMPLAMENTE EM VÁRIAS ESPECIALIDADES MÉDICAS, O LASER PERMITE QUE A PELE, MÚSCULOS E OSSOS SEJAM CORTADOS COM PRECISÃO E POUCO SANGRAMENTO, REDUZINDO O TEMPO DE CIRURGIA E DE RECUPERAÇÃO DOS PACIENTES. O LASER É USADO AINDA PARA MELHORAR E DIAGNOSTICAR PROBLEMAS NA VISÃO, TRATAR ALGUNS TIPOS DE CÂNCER E SUBSTITUIR MEDICAMENTOS EM ALGUMAS DOENÇAS. HOJE, ELE SE TORNOU A PRIMEIRA OPÇÃO EM NADA MENOS QUE 50% DOS PROCEDIMENTOS MÉDICOS.

Amigo da Pele Mas dentre todas as especialidades médicas, a Dermatologia foi a que mais se beneficiou com este avanço tecnológico e atualmente não se consegue pensar em tratamentos de pele sem pensar em Laser. Atualmente ele é indicado em até 90% dos tratamentos antienvelhecimento, com função de produzir um colágeno novo e consequente apagamento de rugas e estimular a firmeza da pele. Com o aperfeiçoamento das técnicas e a associação de tratamentos a Laser com aplicação de Toxina Botulínica (Botox), Preenchimento e Radiofrequência, se consegue rejuvenescer um paciente em 5 anos ou mais sem cirurgias. De uma forma rápida e segura, o paciente ficará mais jovem com a face harmoniosa e uma aparência natural. Dentro da Dermatologia os lasers têm várias indicações de tratamento além do rejuvenescimento. São usados para o tratamento de cicatrizes de acne (também de queimadura e pós-cirúrgica), vasos, estrias, depilação definitiva, remoção de tatuagens, de sinais e até de alguns tipos de câncer de pele. Também são coadjuvantes no tratamento de algumas doenças como vitiligo, psoríase e micose das unhas.

A evolução do laser O laser constitui uma única fonte de luz que se propaga de forma organizada em uma mesma direção e em um mesmo cumprimento de onda. Isso faz com que eles sejam grandes fontes de energia e de fácil manuseio. Contudo, na década de 60 quando foram criados, provocavam muitos danos à pele e órgãos. Foi na década de 90 que veio a grande revolução do uso do laser através de aparelhos que passaram a funcionar através de intervalos de pulsos (“tiros”). Desta forma, se podem usar energias bastante altas de forma segura, sem tantos danos aos tecidos e com melhores resultados. 40

Como foi dito antes, uma das áreas mais beneficiadas com o uso do laser é a dermatologia. Os lasers se tornaram cada vez mais seletivos e eficientes com o poder de destruir “alvos” específicos, sem danificar toda a área a ser tratada. Assim, o tempo de recuperação e as complicações diminuíram muito. Os aparelhos fracionados (feixes de energia subdivididos em microfeixes) são os mais utilizados atualmente por conseguirem atingir maior profundidade na pele, com menor dano superficial.


Vantagens, aplicação e cuidados A vantagem em realizar um tratamento estético com laser ao invés das técnicas convencionais, é a comodidade, discrição e excelentes resultados. O paciente que faz um laser fracionado não-ablativo (não destrói epiderme) no rosto, por exemplo, terá um tempo de recuperação médio de 24 às 48hs, com pouca vermelhidão, nenhuma descamação e ele poderá trabalhar normalmente após o término da sessão de tratamento. Os resultados começam a ser vistos a partir da primeira semana após aplicação, tendo sua melhor resposta em 30 dias. O profissional habilitado para realizar todo e qualquer tipo de tratamento estético com laser é o médico. É muito importante o conhecimento médico e treinamento adequado para se operar as máquinas de laser, evitar e tratar possíveis complicações. Lembrem-se, todo laser tem potencial destrutivo e utilizado por um profissional não habilitado pode provocar queimaduras e até deixar sequelas permanentes. A especialidade médica mais indicada para realizar tais procedimentos é a dermatologia, por ser o especialista em pele, cabelos e unhas. Cirurgiões plásticos treinados também utilizam tais técnicas para rejuvenescimento e cirurgiões vasculares para tratamento de microvarizes das pernas.

Contraindicações As contraindicações para a realização de tratamentos a laser são na maioria relativas e não absolutas, ou seja, em alguns casos se devem ter maior cuidado, mas ainda sim podem ser feitos: Grávidas: em geral não são utilizados em grávidas por não haver estudos que comprovem segurança para tal. Crianças: são evitados em crianças, mas em casos de Hemangiomas (manchas vermelhas de nascença) eles são o tratamento de escolha. Peles negras: devem-se usar menores potências nas peles negras. Adolescentes: evita-se fazer a depilação definitiva em adolescentes, pela questão hormonal e maior chance de insucesso do tratamento.

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LOOK AT O cuidado principal para quem vai fazer qualquer tratamento a laser é usar um bom filtro solar indicado pelo seu médico. Evitar bronzear a área a ser tratada e hidratá-la bem. Cada tipo de aparelho e tratamento de laser tem um protocolo e para determinálo é importante uma consulta prévia para o médico especialista avaliar bem a pele do paciente e prepará-la corretamente para o procedimento.

A ação do laser Através do aquecimento controlado das estruturas da pele o laser vai promover diversas mudanças. Na camada mais superficial (epiderme), ele provoca a destruição da melanina em excesso e o desparecimento de manchas, além da sua renovação. O que se vê principalmente é uma melhora na cor, qualidade, textura, luminosidade e viço da pele. Na derme (superficial e profunda) ele vai provocar a produção de um colágeno novo e reestruturação desta camada, promovendo o desaparecimento total ou parcial de rugas e cicatrizes, além da melhora da firmeza e controle da flacidez. O laser para microvarizes provoca uma inflamação e consequente desaparecimento das mesmas. No caso da depilação definitiva, a energia é convertida em calor e explode a raiz do pelo, promovendo sua “morte”.

Aplicação A aplicação dos lasers é relativamente simples. No caso de alguns aparelhos ou pacientes sensíveis à dor, são aplicados antes do procedimento cremes anestésicos e gelo para diminuir possível desconforto. As sessões duram em média 20 a 30minutos, dependendo da área a ser tratada. Em geral não há sangramentos, mesmo nos lasers ablativos, pois eles têm ação coagulante. Ao término da sessão, são aplicados cremes calmantes para reduzir vermelhão e ardência local. Os cuidados principais no pós-laser são: higienização com sabonetes neutros, uso de filtro solar de alta proteção a cada 3 horas e cremes regeneradores para acelerar recuperação da pele e resultados. Pode- se usar maquiagem e o paciente deve retornar ao consultório médico depois de uma semana para acompanhamento; mas atenção, grandes exposições solares (praia/piscina/esportes ar livre) estão proibidas por 30 dias, mesmo com uso de filtro solar. É muito importante que o paciente que deseja fazer tratamento estético com laser, procure informações sobre a clínica, aparelhos e profissionais. É essencial que a clínica ou consultório possua alvará de funcionamento da prefeitura e licença da Vigilância Sanitária atualizada para funcionar. Outro detalhe, os aparelhos devem obrigatoriamente ter registro na ANVISA, do contrário foram comprados ilegalmente. O paciente deve pedir o nome completo e CRM do profissional médico que realizará seu tratamento, entrar no site do Conselho Regional de Medicina e/ou Sociedade de Classe e verificar se ele realmente é especialista. Tudo isso é muito importante para garantir a saúde e dos pacientes. Cuidado, pois o barato pode sair muito caro depois. Em se tratando de tratamentos a laser, o importante não é preço e sim qualidade e segurança.

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MODA

TOTAL WHITE POR JULIA SALGUEIRO

O branco total deixa de ser uniforme de fim de ano e entra pela temporada de verão 2014 fazendo muito sucesso com pegada minimalista. O branco é uma cor chique e atemporal que se encaixa muito bem em visuais românticos, clássicos e até os mais moderninhos. A tendência Total White já se tornou queridinha da próxima estação e traz pro guarda roupa um ar moderno, super chic e fácil de usar. Além de tudo, a cor valoriza o bronzeado. Ela começou a aparecer nos desfiles de verão 2014 em Londres e logo agradou aos olhares fashion mais atentos. Chanel, Stella McCartney, Hermès e Lanvin investiram forte em suas coleções nas produções monocromáticas. No Brasil marcas como a Tufi Duek, Colcci, Alexandre Herchcovitch e Iódice também trouxeram a tendência pra suas coleções. Super democrático, o branco funciona de dia ou de noite. Aposte em peças em tecido com texturas diferentes para dar mais bossa à produção. Abuse de transparências localizadas e brilhos leves. Se optar por peças minimalistas, opte por modelagens com recortes gráficos, que também serão fortes na próxima temporada, junto com acessórios mais pesados para equilibrar. Aplicações de rendas florais também podem fazer a diferença na hora da escolha da peça. Mas não caia em clichês pra não parecer uma noiva. Escolha peças com toques diferentes. A graça é misturar a delicadeza e jovialidade que o branco traz com uma pitada mais marcante, como um maxi brinco, um super colar ou ainda um acessório de cor forte com a cara do verão. Branco está definitivamente proibido pra quem está acima do peso? Claro que não! O monocromático total até alonga a silhueta se escolher o tecido e a modelagem certos para te valorizar. Busque peças que disfarcem o que você pretende esconder e evite roupas largas demais, que acabam multiplicando os quilinhos extras. Tecidos mais encorpados também ajudam a não marcar e acabar destacando as gordurinhas. Estar confortável com você mesma é o primordial. Julia Salgueiro é Jornalista, também com formação em Relações Públicas e Publicidade. Tem MBA em moda, é produtora de moda, stylist e editora do site ModaModaModa (modamodamoda.com.br)

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DICAS Misture com acessórios coloridos e tenha um look fashion instantaneamente. Acessórios metálicos dão ar futurista ao look. Detalhes geométricos dão modernidade às peças.

Experimente tudo e olhe no espelho de frente e de costas pra se sentir confortável.

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Opte por modelagens que valorizem seu tipo físico.

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MODA

MODA SUSTENTÁVEL

A moda chique e verde POR PATRÍCIA BRITO

Unir o termo moda à sustentabilidade pode parecer contraditório, e em parte é. Enquanto a sustentabilidade sugere o ciclo de vida do produto prolongado, a moda caracteriza-se como novidade e mudança periódica. A Sustentabilidade na moda abrange não apenas o aspecto ambiental dos produtos, mas também suas questões sociais, econômicas, políticas e culturais, analisando desde o processo produtivo até o consumo e descarte desses bens. Ou seja, a moda pode sim, adotar práticas de sustentabilidade, criando produtos que demonstrem sua consciência diante das questões sociais e ambientais que se apresentam hoje em nosso planeta, e pode, ao mesmo tempo, expressar as ansiedades e desejos de quem a consome. Grandes redes de lojas internacionais adotaram essa nova “moda verde” nas araras, foi o caso das inglesas Topshop e Monsoon, que fecharam várias parcerias com marcas de moda sustentável. E, no Brasil, marcas como Osklen, Eden, Green Co., 2 Primas e Refazenda aderiram a este conceito Eco Fashion. A Osklen está entre as pioneiras da moda sustentável no mundo. Trabalha com algodão orgânico e fibras recicladas. E levando a questão da sustentabilidade muito a sério, o proprietário Oskar Metsavath, firmou parcerias com diferentes organizações ligadas a ecologia, garantindo a origem de sua matéria-prima por estabelecer um acordo com cooperativas de regiões produtoras, promovendo a melhoria da qualidade de vida das famílias. No caso da marca pernambucana Refazenda, ela trabalha em sistema de parceria com cooperativas e prima pela escolha de tecidos naturais, como algodão. Na busca de evitar desperdícios, cada pedaço de pano que sobra de cortes é transformado em matéria-prima para outra peça.

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De forma básica e didática, ser sustentável é aproveitar o que o mundo/natureza oferece sem comprometer a disponibilidade para as futuras gerações, ou seja, saber usar sem desperdiçar e sem destruir. Outra marca pernambucana de caráter sustentável é a 2 Primas, que utiliza na sua gestão o conceito do “vestir consciente”, onde toda a linha de produção é bem pensada e analisada a visar o social, ambiental, cultural e economicamente viável. Suas roupas são produzidas com tecidos ecológicos e naturais, prezando sempre a durabilidade da peça em seu design atemporal e priorizando a qualidade. Fortalecendo parcerias com mão de obras formalizadas, cooperativas e associações tecendo esse crescimento global do segmento. Ou seja, quantidade nem sempre é qualidade. E a forma como consumimos vai decidir o futuro do planeta. Entre comprar as roupas chamadas fast fashion ou moda sustentável, é muito mais elegante e duradouro escolher uma marca boa, que tenha procedência conhecida, e comprar apenas uma, que vai durar mais e deixar sempre elegante com estilo, com um benefício: estará contribuindo para tornar um planeta melhor. Afinal, a moda não apenas nos espelha - ela nos expressa.

ATITUDES SUSTENTÁVEIS -Reciclar -Separar o lixo -Usar lâmpadas fluorescentes -Fechar a tampa da panela – economiza o uso de gás -Fechar bem a porta da geladeira -Imprimir somente o que for de extrema necessidade -Usar transporte coletivo / revezar carona -Usar pilhas recarregáveis -Usar ecobags nas compras -Controlar o uso da água

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MODA

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VISITANDO NOVA YORK PELA PRIMEIRA VEZ, CONFIRA O QUE USAR NAS MUITAS ATIVIDADES QUE A CIDADE OFERECE.

CONCRETE

jungle FOTOS BRUNA VALENÇA POR CAMILA COUTINHO

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MODA

Calรงa Santa Vitoria R$ 265 T-Shirt Riachuelo R$ 29 Jaqueta BCBG (acervo) Spatilha Chanel (acervo) 52


Camisa Riachuelo R$ 129,90 Blusa Riachuelo R$ 69,90 Short jeans Riachuelo R$ 89,90 Sandรกlia Arezzo R$ 219,90

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Camisa Mรกrcia Mello R$ 429 Calรงa Mรกrcia Mello R$ 289 Colar Collcollect R$ 958


Camisa Levis R$ 189 Calรงa Levis R$ 289 Keds R$ 199,90 Colar Closet 667 R$ 304

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MODA

Blusa Santa Vit贸ria R$ 450 Short Afghan R$ 226,80 Colar Caio Vinicius R$ 610 56


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Blusa paetĂŞs S. Label (sob consulta) Short Eqqus R$ 169,90 Brinco Collect R$ 186 Scarpin Schutz (acervo) 58


Fotografia: Bruna Valença | Tratamento: Louise Vas | Styling: Flávia Brunetti | Beleza: Rodrigo Costa |Produção e Direção: Camila Coutinho | Modelo: Annie Montgomery

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MUST HAVE

ESTAMPA PIXEL CHEGUE MAIS PERTO POR LARISSA LINS FOTOS DIVULGAÇÂO

assim por diante. Destrinchando desse modo, fica até fácil compreender o fascínio que unidades de imagem tão pequenas, porém tão potentes, podem provocar. Vesti-las, entretanto, tem parecido à moda uma utilidade ainda mais fascinante. DO VIRTUAL AO REAL m 0,27 segundos, são encontrados pelo Google cerca de 271.000.000 de resultados imediatos para a palavra pixel. Na mesma fração de tempo, há necessariamente um múltiplo milionário dessa unidade mínima sendo decifrado pelo nosso cérebro, enquanto nossos olhos decodificam a informação exposta na tela. Isso porque, em qualquer dispositivo de transmissão da imagem, um pixel define-se pelo menor elemento ao qual seja possível atribuir-se uma cor. Qualquer tela virtual, portanto, está completamente repleta deles, os pixels, que, em resumo, são a aglutinação de duas palavras já bem conhecidas no nosso vocabulário globalizado: Picture e Element. Trocando em miúdos, são, literalmente, elementos de imagem. Em um monitor colorido básico, por exemplo, cada pixel contém informações de três cores distintas: verde, vermelho e azul. Em resoluções mais avançadas, as infinitas combinações dessa tríade de tonalidades produz uma série de cores derivadas, chegando aos 480 mil tons numa resolução de 800x600 pixels, 786.432 tons em 1024x768, e

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Transportar os pixels do universo virtual ao nosso mundo palpável, tornando-os todos tangíveis, parece, logo de cara, uma missão além das nossas possibilidades. Mas no amor e na guerra – ou na moda - vale tudo, e os desdobramentos daquilo que é possível tornam-se tão fascinantes quanto a combinação de cores de milhares de pixels. Bastou uma viagem ao exterior do país, uma vitrine chamativa, um objeto inspirador e uma estilista habilidosa, para que o destino cuidasse do resto: os picture elements viraram must have da temporada. “Eu estava passeando em New York com meu marido, e sócio, Eduardo, pelo bairro de West Village, garimpando novidades e tendências fashion”, conta Flávia Azevedo, estilista à frente da grife pernambucana Club Noir, “quando me deparei com uns óculos em formato de pixel.” E é assim que termina a história sobre seu roteiro turístico fashion, e tem início o enredo de seu processo criativo para uma coleção inteiramente inspirada nas tais unidades imagéticas. “Cheguei a experimentar a peça, fotografei-a e segui adiante com o passeio”, recorda, “mas aquilo ficou gravado em minha mente, me deixando inquieta durante dias.” O resultado veio,


meses depois, em forma de peças nas quais o universo digital e suas cores e assimetrias convivem em perfeita harmonia com nossas pretensões estéticas reais. INVERSAMENTE PROPORCIONAL Compondo essencialmente qualquer imagem digital reproduzida em cores, os pixels são de inegável importância à difusão e construção da própria arte contemporânea. Como dizem sobre os menores frascos de perfumes, essas minúsculas unidades detêm um poder inversamente proporcional ao seu tamanho, visto que deles depende a formação virtual de quaisquer imagens, vídeos ou gráficos aos quais estamos acostumados numa rotina em que mal se observa o gigantesco à nossa frente – que dirá o microscópico. Trazer os pixels à tona e à vista, nessa maré de pressas e tecnologias camufladas, foi a grande cartada da estação. “O principal desafio foi planejar a cartela de cores”, explica Flávia Azevedo, “para que as estampas pixeladas não parecessem apenas um xadrez comum.” Encontrar esse equilíbrio, especialmente nas mãos de uma estilista que preza pelo minimalismo elegante em suas peças, foi tão instigante quanto recompensador: “Com o mix de cores, contemplei minhas clientes que ansiavam por itens mais coloridos”, revela, remetendo à sua coleção anterior, pautada essencialmente na clássica combinação do preto com branco. Em relação ao universo da moda, os pixels adquirem, novamente, valor exponencialmente maior do que o aparentado em suas medidas irrisórias. “Representam tecnologia, inovação, sustentabilidade, modernidade e atemporalidade”, elenca a estilista que, para dar contexto à inspiração, investiu em tecidos tecnologicamente inteligentes para compor suas peças. As roupas da coleção Pixel da Club Noir não precisam ser passadas a ferro, exibindo ainda modelagens atemporais, quesitos imediatamente aprovados pelo seu público. Sobre consciência ambiental, Flávia também não deixa passar: “reutilizo as sobras dos tecidos para criar objetos menores, como porta-celulares, por exemplo.” LENTE DE AUMENTO As consequências da inspiração e do investimento de esforço e criatividade debruçados sobre os pixels foram tão generosas para a moda quanto a tal vitrine de West Village foi para Flávia Azevedo: deixaram marcas. Até mesmo a Miss Pernambuco 2013, Helena Rios, se envolveu nesse romance entre real e virtual, posando para o lookbook da coleção. “A fim de dar ainda mais vida ao universo digital, transformamos a modelo em uma espécie de robô pixelado”, relata a estilista, que contou também com os serviços do maquiador Laércio AZ e do styling Nestor Mádenes, para dar corpo e vida ao desafio temático. Os cliques oficiais da coleção têm assinatura do fotógrafo Renato Filho, cujas imagens resumem perfeitamente bem

o significado de seu elemento inspirador: desde as telas da câmera, ainda durante o ensaio fotográfico, todas as cenas capturadas eram, necessariamente, reproduzidas em forma de pixels. Pensando dessa forma, soa como algo quase mágico. Essas pequenas unidades, quando agregadas, se tornam chamariz à nossa atenção e aos nossos sentidos, nas telas e na moda. Além de emprestarem seu colorido autêntico às peças que protagonizam, os pixels sintetizam justamente o tão almejado charme da elegância clássica: discretamente, convidam a visão a uma observação mais atenta. Mansinhos, miudinhos, juntinhos, parecem sussurrar: chegue mais perto.

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REPORTAGEM

Seu lugar ĂŠ na cozinha

Chefs mulheres pilotam seus talentos nos bastidores da gastronomia POR LARISSA LINS

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Há anos, o pressuposto era o de que os hormônios masculinos, essencialmente ferozes e enérgicos, comandassem os bastidores de uma grande cozinha. A ideia era justamente temperar o dia a dia à frente de uma equipe em ebulição com pitadas generosas – e por que não enérgicas? - de disciplina e liderança. Nessa época, mulheres eram apenas cozinheiras, jamais chefs. E por apenas, subentende-se não a desvalorização da arte de cozinhar em si, mas a impossibilidade de assumirem o comando. Lugar de mulher era na cozinha, mas na cozinha de casa, frise-se bem. Com a modernização dos tempos, da atividade gastronômica e do arcaico pensamento de segregação dos sexos, a sensibilidade e o talento femininos impuseram-se frente à hegemonia da testosterona. Mulheres - aquelas mesmas, antes delegadas restritamente à função de cozinheiras deixaram a pilotagem de seus fogões caseiros e assumiram as rédeas da gastronomia refinada, profissional, erudita, aclamada. Foram reverenciadas também. Temperaram o ambiente com seu toque feminino pessoal. E porque é preciso ser muito “macho” para comandar um time inteiro de profissionais com prazos apertados e exigências altíssimas, elas assim fizeram. Sem descer do salto.

COMANDANDO Derivado do latim caput, a palavra chefe designa o cabeça de um grupo, o líder, o mandachuva. Nos bastidores gastronômicos, o vocábulo ganha roupagem francesa, chef. A função de um sujeito com este título é, basicamente, a de elaborar pratos e supervisionar seu pré-preparo, preparo e finalização – observando, claro, os métodos e controle de qualidade adotados pela equipe. Uma chef mulher, segundo opiniões de mercado, pode ser capaz de cumprir tais deveres com dose extra de atenção aos detalhes e de delicadeza no trato com seus subordinados. Tudo isso no melhor estilo like a boss. “A delicadeza, inteligência e intuição femininas, com certeza, fazem toda a diferença”, garante a chef Tatiana Bandeira, do Empório Central, no Recife. Para ela, essas características contribuem para uma rotina de convivência mais saudável nos bastidores da cozinha que comanda. O gênero, porém, não lhe parece motivo suficiente para determinar o grau de sucesso de um chef competente. Sendo homem ou mulher, o fundamental é a dedicação ao serviço, somada à disciplina, ao comprometimento e, claro, ao amor à função. “Independente de profissão e sexo, desde que você goste do que faz e o faça com empenho e determinação, o gênero é o que menos importa”, afirma Tatiana.

tia, mãe e, por mim, meu irmão e grande incentivador, o também chef Douglas Van Der Ley”, conta. Segundo Tatiana, Douglas foi o responsável por lhe ensinar a ver a gastronomia de um modo completamente novo, mais brilhante, repleto de possibilidades e, por isso mesmo, irresistível. E como o destino não costura pontos sem nós, ela ainda contou com a sorte de ser criada numa fazenda, onde seu pai, Raul Bandeira, criava vacas holandesas, gansos, patos, peixes, e cultivava plantações de milho e feijão. “Graças à isso, a brincadeira à mesa sempre foi bem diversificada. Cozinhar e receber visitas para apreciar os pratos sempre foi e é um prazer”, revela. E quando perguntada sobre o que mais gosta na profissão que escolheu, Tatiana não hesita: “De poder criar, surpreender e ser surpreendida com a reação de cada pessoa que experimenta os pratos.” O quesito mistério, claro, tem a ver com a paixão que a gastronomia desperta naqueles que se envolvem com ela. Homens ou mulheres, todos se deixam afetar pelos sabores, odores e elementos surpreendentes que resultam de sua combinação inusitada. Ser chef é ser também um amante da culinária, afinal de contas. E essa capacidade de assumir e transmitir paixão, claro, o cromossomo X domina com maestria, desde que o mundo é mundo.

COORDENANDO O que poucos sabem, porém, é que para ser chef não é preciso estar necessariamente nos bastidores da cozinha de um restaurante. A jovem e promissora chef Fabrisa Silva, do La Vague comandado por Joca Pontes, é uma prova viva – feminina, gentil e pulsante – dessa verdade. Pós-graduada em Gestão em Gastronomia, Fabrisa integra a vertente administrativa de sua área profissional, cuidando de manter ordenadas as várias etapas de funcionamento de seu ambiente de trabalho. “No papel de gerente, uma chef deve ser capaz de verificar desde a compra de mercadorias até a gestão direta de funcionários”, explica a moça. O que mais gosta nessa especialidade? O contato direto com os clientes. Afinal, quando se está infiltrada no comando da

Fabrisa Silva, do La Vague

Sendo considerada um dos grandes talentos da gastronomia pernambucana, a moça é gabaritada para falar no assunto. Seu interesse por culinária é praticamente genético, sendo passado geração após geração, desde sua bisavó. “Minha bisavó já apreciava a gastronomia, assim como minha avó, 63


REPORTAGEM

Tatiana Bandeira, do Empório Central

de um restaurante, adquirir esse conhecimento de administração, isso é fundamental para o bom desenvolvimento da carreira”, pondera.

RECEITA

cozinha em tempo integral, esse feedback nem sempre é tão palpável. Circulando pelas mesas, porém, é fácil perceber o que atrai ou desagrada o público e, assim, adaptar cardápios e aprimorar serviços. “Quando eu trabalhava nos bastidores de uma cozinha, meu temperamento era mais arredio, devido à correria da função, aos horários apertados, à urgência dos pedidos, à administração da produção dos pratos”, explica Fabrisa, “mas, agora, consigo ser mais serena, e até a comunicação com o cliente flui tranquilamente, mesmo que eu não seja extrovertida por natureza.” Desse modo, a gestão serviu de escola profissional e pessoal, na qual os dois maiores desafios, segundo ela, são as expectativas – às vezes inalcançáveis – dos consumidores e a administração do quadro de funcionários. É necessário manter todos organizados e em sintonia, agradando o paladar e suprindo as necessidades de dezenas de pessoas diferentes em torno de suas mesas. Tudo ao mesmo tempo. Tudo a níveis altíssimos. Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás, diria Frida. E essa é mesmo a intenção: uma firmeza dotada de traços gentis. “Enquanto mulher, sinto necessidade de me provar, me firmar, sempre lidando com a característica multitarefas do cérebro feminino, que vive a mil, cumprindo e delegando funções”, explica Fabrisa. Assim como no caso de Tatiana Bandeira, e de outros milhares de profissionais em milhares de áreas diferentes, a paixão de Fabrisa por seu trabalho começou desde cedo. Devido a algumas restrições alimentares em sua dieta, a moça aprendeu a adaptar receitas e tomou gosto pela coisa. Ainda hoje, é requisitada pela família e amigos a criar e recriar pratos inusitados. Formada em 2009 pelo Centro Universitário Senac, em São Paulo, ela não pretendia desde o início seguir os rumos que hoje tem como seus. Porém, abraçou a artéria gestora de sua realidade profissional como uma chance de amadurecimento. “Entender o funcionamento 64

Como todo líder cujo gênero masculino ou feminino é – e deve mesmo ser – sobreposto pelo talento, Fabrisa Silva dá a receita: “Encaro minha profissão como um aprendizado. Me sinto segura. Mas jamais ao ponto de me acomodar.” E bem sabe ela, bem sabem todos, que foi justamente essa a “receita de bolo” (ou seria de vida?) seguida por tantas mulheres antes de Fabrisa, antes de Tatiana, antes de quem vos escreve, antes de todas nós: não cair nas armadilhas da acomodação. Foi graças a uma, a dez, a cem, a milhares de mulheres não-conformadas que todo o gênero feminino garantiu direitos antes restritos aos homens. Pilotar um fogão – e toda a sorte de equipamentos afins - longe de casa e à frente de uma equipe de profissionais qualificados ao seu comando foi um desses direitos. Não o primeiro, nem o último. Mas aquele que tem, literalmente, um gostinho especial. E a cada suspiro de prazer gerado pelo paladar satisfeito de alguém, esse direito se legitima outra vez.

“Graças à isso, a brincadeira à mesa sempre foi bem diversificada. Cozinhar e receber visitas para apreciar os pratos sempre foi e é um prazer”


FORMAS E CORES

Escritório. A sua segunda casa. Passamos muitas horas do nosso dia no escritório trabalhando e produzindo. Mas será que esse ambiente que nos abriga tanto quanto a nossa casa está preparado para nos receber? Conheça as tendências de decoração de escritórios e como fazê-lo um lugar com a sua cara. POR SERGIO MENDONÇA FOTOS DIVULGAÇÃO

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FORMAS E CORES

A

geração dos baby boomers, pessoas nascidas entre 1945 e 1975, foi ensinada a colocar o trabalho no centro das suas vidas para aproveitar as benesses do capitalismo e só curtir a vida depois da aposentadoria. Passar a maior parte da vida no escritório não era, por assim dizer, um problema para eles. Mas o mundo mudou, e as gerações que se seguiram pensam um pouco diferente. Trabalho é importante, mas não é tudo. Viver para o trabalho não dá mais. Viver agora e a juventude são mais importantes. Porém, trabalhar faz parte dos desafios da vida e todos estão buscando a melhor forma de encaixar o trabalho nas suas expectativas de carreira e hábitos. E isso passa muito pelo ambiente onde gastamos boa parte do nosso dia produzindo, o escritório. Os ambientes de trabalho hoje em dia procuram ter a identidade da empresa e de seus funcionários. Desenvolver um projeto arquitetônico para escritórios é antes de qualquer coisa traduzir o tipo de trabalho que está sendo executado ali em móveis, circulação, decoração, iluminação, cores, etc. Bom gosto continua sendo essencial, claro. A personalização do ambiente de trabalho passa por esses pormenores em busca do que realmente importa: fazer os profissionais se sentirem bem para executarem suas tarefas. O mundo do trabalho de hoje é bem diverso. O escritório padrão, com pouca personalidade ou que não reflita a identidade da empresa, parece estar com os dias contados. A ideia é dar liberdade para aqueles que vão trabalhar ajudar a construir o ambiente. Se a empresa é de tecnologia, formado por jovens, certamente terá prateleiras para miniaturas de super-herois e personagens de gibi. Um escritório de advocacia exige um espaço para uma vasta biblioteca, 70

para consulta de códigos e livros de doutrina para ajudar o advogado. Já numa agência de publicidade, não pode faltar descontração e caminhos que ajudem ao trabalho fluir por todos os departamentos. Comunicação é fundamental. Para cada área, uma forma diferente de se construir o espaço. Anualmente, em junho, na cidade de Chicago, EUA, acontece a NeoCon, uma feira de design de interiores que antecipa tendências de móveis para escritórios e outros tipos de ambiente. Os maiores fabricantes e designers se reúnem lá para apresentar suas produções, mas também para interagir, trocar experiências e informações para novas criações. Eventos como esse ajudam


a formar um panorama mais amplo do que virá pela frente em termos de decoração para escritórios. Mas nem sempre essas criações se encaixam para você. Afinal, seu local de trabalho é um espaço pessoal e deve ter um toque seu. Por isso, como dizem os especialistas, você deve se inspirar nas criações para construir algo seu. Tendências para o seu escritório ­ – O desenho animado dos Jetsons sempre nos incentivou a ver o escritório do futuro, em que a tecnologia parecia fazer tudo por nós. Pois bem, esse futuro chegou e devemos pensar agora no escritório do presente. Não podemos mais considerar estações de trabalho sem pelo menos um computador. O que se produzia em pranchetas e máquinas de 71


FORMAS E CORES escrever antigamente (nem tanto assim) agora são convertidos em bytes, e a máquina tem seu lugar cativo na nossa mesa. Não é só isso, claro. O conceito basilar é o da mobilidade. Tudo é portátil e móvel e deve ser carregado para todos os cantos. Uma estação de trabalho deve considerar isso e abrir espaço para um notebook, um tablet e um smartphone funcionarem integrados para ajudar os profissionais a executarem as suas tarefas (não se esqueça de pontos de energia, ok?). Esses mesmos aparelhos vão para casa ocasionalmente e para viagens, se transformando no próprio escritório. Mas o escritório não se resume a isso. É preciso pensá-lo como um ambiente. Vale a pena investir em pontos como iluminação, mobiliário e decoração. Por menor que seja o espaço, o conforto do ambiente precisa ser preservado. Para começar, escolha uma cor preponderante, que salte aos olhos assim que você entrar. Branco, preto, tons pastel e madeira são bem vindos (dê prioridade a cores frias e frescas). Mas não exagere. A monocromia, além de dar identidade, também fornece conforto visual e uma continuidade no ambiente. Sem quebras, percebemos o escritório como um só e até maior. O contraste pode ser facilmente conseguido com a decoração. Opte por objetos mais cleans e de cores que contrastem com a principal. Também não exagere na quantidade nem no tamanho. Objetos grandes e lotando a sala podem tirar

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A monocromia, além de dar identidade, também fornece conforto visual e uma continuidade no ambiente. Sem quebras, percebemos o escritório como um só e até maior”


FORMAS E CORES a sua atenção e foco do que realmente importa, o seu trabalho. Posta a cor, é hora de escolher os móveis. Aqui entra de novo a sua personalidade. Alguns profissionais não são tão exigentes e topam um mobiliário mais formal, fácil de se encontrar em várias lojas do ramo. Outros já preferem uma coisa mais autoral, de designers. Não há regras, só diversos caminhos a se seguir. Linhas retas e conjugadas são de agrado geral e proporcionam conforto para as suas horas de trabalho. Outra forma de valorizar o seu ambiente é investir em luz natural. Faça essa opção. Deixe que o sol se encarregue de iluminar a sua sala e suprir a planta que fica ali no cantinho (sim, vida é fundamental em um escritório). Para isso, racionalize os espaços e observe a incidência do sol em cada estação do ano, para que ele forneça luz e conforto, em vez de calor e mal estar. E para a noite, luminárias que distribuam a luz uniformemente e que se ajustem à medida da necessidade dos olhos. Um bom profissional da área ajuda muito nesse quesito. Home Office – Trabalhar em casa é tudo de bom, não é? O sonho de muitas pessoas, mas só realizado por poucos. Será mesmo? O sistema de home office é certamente uma tendência, principalmente com o aumento do empreendedorismo individual e das facilidades de tecnologia e comunicação. É mais prático e menos custoso trabalhar em casa do que montar uma base em alguma sala de edifício empresarial. Mas nem tudo são flores. O home office mistura dois ambientes que sempre estiveram separados e muitas vezes é difícil identificar as fronteiras de espaço e dedicação a cada um deles. Parar o trabalho

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para resolver uma demanda doméstica ou estender a produção de relatórios até tarde por estar em casa pode atrapalhar mais do que ajudar. Difícil encontrar a solução? Talvez não. O home office deve ser encarado como um escritório em casa, como seu espaço próprio e delimitações claras. Uma vez nele, você não está mais em casa. Abrir o notebook na escrivaninha do seu quarto definitivamente não é ter um home office. Reserve algum cômodo para criar seu espaço de trabalho e também horários para que seja usado. E decore-o como um ambiente de trabalho. Isso é ter um escritório em casa. As tendências de decoração de home office são múltiplas e vai depender muito dos seus gostos e necessidades. O que os especialistas recomendam é não tornar o ambiente frio e impessoal, optando primeiramente pela iluminação natural e tons leves em móveis e cortinas. Como os espaços geralmente são reduzidos, os arquitetos de interior indicam mesas amplas para se ter uma visão panorâmica do trabalho e estantes para arquivamento, racionalizando o espaço das paredes. E não deixe de decorar com fotos, quadros e acessórios que reflitam a sua personalidade, afinal, o escritório é um pedaço do seu lar. O home office também pode ser um cômodo flexível. Ele pode servir de espaço para o trabalho mas também de quarto de hóspede (aquele em que só é usado de vez em quando e seu convidado só aparece para dormir mesmo). Afinal, você não vai trabalhar o dia inteiro só porque seu escritório é em casa. Essa flexibilidade pode ajudar a resolver problemas de espaço, uma vez que você não precisa “eliminar” um quarto da sua casa para construir o escritório. Opte pela praticidade.


GOING TO

Toronto A CIDADE CANADENSE MISTURA O COSMOPOLITANISMO DA ATUALIDADE COM O CHARME DO SEU PASSADO, SE TRANSFORMANDO EM UM DOS DESTINOS MAIS INTERESSANTES DA AMÉRICA DO NORTE. VENHA CONOSCO NESTE PASSEIO NADA ÓBVIO POR TORONTO. POR SERGIO MENDONÇA

Já é comum usar a frase do ator inglês Peter Ustinov ao se referir a Toronto. Ele disse certa vez que a cidade é como Nova York, mas governada por suíços. Talvez a insistência ao citar Ustinov é porque ele tinha razão. Toronto parece ter tudo o que uma cidade cosmopolita tem, como Nova York, mas funcionando com a precisão que deu fama aos suíços e seus produtos. Essa é uma impressão de uma das cidades mais importantes do Canadá, que queremos que você conheça conosco. À beira do imenso lago Ontário, fronteira natural do Canadá com os Estados Unidos e que dá nome à província onde a cidade se localiza, Toronto respira um cosmopolitanismo típico dos grandes centros urbanos mundiais. A paisagem

humana revela rostos de muitas etnias, com a leva de imigrantes que ajuda a construir a cidade e sua tolerância com o novo e o diferente. Um comportamento típico de uma sociedade liberal, sensível a temas marginalizados em outras partes do mundo, como homossexualidade, imigração e até mesmo a liberação do consumo de drogas. O retalho cultural humano forma uma colcha que pode ser visitada nos seus diversos bairros, como Little Italy, Little Portugal, Greektown, Little India, Chinatown e por aí vai. Aliás, essa diversidade de cultura e comportamento parece ser uma característica dos canadenses, que assim vão desenvolvendo suas cidades de altíssimos padrões de vida para todos, como a capital Ottawa, Montreal, Vancouver e a própria Toronto.

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GOING TO

Seria possível elencar aqui o Top 10 de Toronto, aquelas atrações principais da cidade que ninguém pode deixar de ir. Muito óbvio. Uma cidade tão diversa e grande tem muito mais coisas do que mostra o guia turístico. A noite pode ser explorada de diversas formas, assim como o dia, além das estações do ano, que transformam a cidade. A natureza, a arquitetura, a vida urbana, os esportes, os negócios, enfim, cada um pode revelar uma faceta de Toronto. Que tal começar na downtown? No cruzamento das ruas Yonge e Bloor, surge a cidade grande, de arranha céus onde negócios são fechados, e de calçadas fervilhantes de pessoas apressadas, a maioria emergindo das saídas das estações de metrô. O comércio reluzente faz o dinheiro circular e a prosperidade chegar. Um cenário comum nas principais business cities do mundo. Mas esse local é também onde a juventude se encontra com seus gadgets, looks modernos e comportamentos peculiares. A Yonge Street, considerada a maior rua do mundo (se estendendo até o norte do Canadá, já no ártico), vai mudando de identidade a cada vizinhança ou cidade a que chega. Na área de Toronto, há bairros de compras, outros que são para programas com a família e para a comunidade criativa e também o Financial District, onde os negócios acontecem. São 1930 km de muitas coisas para se descobrir.

St. Lawrence Market – A fachada do St. Lawrence Market revela a arquitetura do passado de Toronto.

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A Yonge Street, considerada a maior rua do mundo, vai mudando de identidade a cada vizinhança ou cidade a que chega.


Não tão longe dali, mas também fazendo parte da experiência urbana da cidade, está a Dundas Square, um largo muito bem visitado onde diversas atrações buscam a atenção dos passantes. De frente para o Eaton Centre e cercada por megalojas, a praça é um ponto central de artistas de rua e feiras, principalmente nos meses quentes, quando os canadenses costumam aproveitar demais as ruas. Mas o frio acaba não sendo um limitador para as pessoas. Toronto tem toda a estrutura para suportar as baixíssimas temperaturas e os muitos centímetros de neve que vêm com o inverno. O próprio Eaton Centre, um complexo de lojas que fatura 476 dólares por pé quadrado (o equivalente deles para o nosso metro quadrado) tem uma estrutura subterrânea de dar inveja ao melhor dos formigueiros. Para se ter uma ideia, o complexo se estende ao longo de duas estações de metrô. Que tal pegar o trem inbound para ir de um lado a outro do shopping? Longe do frio, os canadenses continuam normalmente com suas vidas, indo ao cinema, a restaurantes e, por que não, consumindo.

que o sol aparece por lá. E nada melhor que fazer isso na beira do lago Ontário. O Harbourfront é a margem urbanizada do lago onde se encontra de tudo no verão. Os cidadãos promovem pequenos eventos que vão de uma feira de produtos orgânicos, à festivais de jazz e música country, até lançamento de livros de autores locais. Ao andar pelos vários quilômetros das calçadas do waterfront, o que não vai faltar é coisa para fazer, acredite. Outro ponto forte nessa região é a cultura náutica. O lago Ontário é realmente imenso, maior do que muitos países até. Toronto foi erguida às suas margens, e sua influência não poderia faltar na cidade. Várias marinas se intercalam na costa do lago, e os veleiros parecem se multiplicar infinitamente na paisagem. Numa latitude em que qualquer água congela no inverno e o vento se torna um mal a se evitar, aproveitar para velejar enquanto é possível não é lá uma má ideia. Mas você pode também apenas atravessar o lago num ferry boat e em 10 minutos

No verão e na primavera, a coisa muda de figura. O povo está mesmo nas ruas aproveitando o pouco tempo

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chegar à Toronto Island, uma ilha imensa repleta de locais para fazer churrascos e piqueniques, caminhar e aproveitar o ar fresco em meio a tanto verde. Duas boas atrações da ilha são o Centreville, um parque temático para as crianças, e tirar uma bela fotografia do horizonte, vendo a curvatura da Terra se mostrar na imensidão do lago. Vale muito a pena. O maior monumento de Toronto está nessa região também. E maior não é uma metáfora. A CN Tower reinou sozinha como a mais alta torre de TV do mundo, com seus 553 metros de altura. Até que vieram chineses e japoneses duelarem por uma maior e vencerem. Lamento dos canadenses, que perderam o título. Mas não o prazer de subir (de elevador) a torre e apreciar uma vista panorâmica de Toronto. De um lado, a cidade e seus arranha-céus no centro e casas de madeira no subúrbio. Do outro, o lago Ontário perdendose na linha do horizonte e a belíssima Toronto Island. E no chão... Sim, no chão. Uma das coisas mais legais de subir na CN Tower é ficar em cima do mundialmente famoso piso de vidro e olhar para baixo, imaginando como às vezes somos pequenos perto das realizações do próprio homem. Não achou desafiador? Então, é só se aventurar no Edge Walk, a caminhada externa de 356 metros suspenso apenas por cabos de aço (isso, sem segurar em nada). Se o coração não aguentar tantas aventuras, recomendamos então um jantar num dos três restaurantes do topo da torre. Fique à vontade para escolher. Logo ali em baixo, no pé da CN Tower, outra grande realização canadense. Em 1989, eles construíram o Skydome, hoje rebatizado de Rogers Centre, o primeiro estádio de beisebol com teto retrátil do mundo. Uma beleza. Se o tempo está ruim ou se vai abrigar algum show, a cobertura se fecha. Se o sol saiu, é só abrir e mandar ver no jogo do Toronto Blue Jays. Toronto, aliás, é uma cidade muito esportiva. Os times levam o nome da cidade e participam das maiores ligas esportivas norte americanas. Além dos Blue Jays, Toronto está na NBA com os Raptors (onde já jogou o brasileiro Leandrinho) e na NFL, a liga de futebol americano, com os Argonauts. Mas nenhum deles sequer trisca em popularidade no Toronto Maple Leafs, o time de hóquei no gelo. Mal comparando, o hóquei no gelo está para o Canadá assim como o futebol está para o Brasil. É quase uma religião. Eles são fanáticos pelo esporte e na cidade quem domina é o Maple Leafs, time que cumpre uma jornada quixotesca diante de sua torcida. Pai fundador da liga de hóquei, a equipe foi uma potência no passado, mas seu último título da liga foi no longínquo 1967. Não importa, a apaixonada torcida cumpre o ritual a cada jogo e se veste de azul para torcer pelo Leafs, lotando o ginásio e esperando a glória no rink, que não vem há quase cinquenta anos. O que importa é mesmo a paixão.

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“Toronto é Nova York governada por suíços.” Peter Ustinov, ator inglês


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Toronto Island – A ilha no Lago Ontário é um convite a um piquenique e para curtir um pouco a natureza.

A noite cai e Toronto, cosmopolita como tem que ser, não dorme. Mas não vamos atribuir à noite a imagem da escuridão. No verão, o sol é bem presente e pode chegar facilmente perto da meia noite. A essa hora, a juventude já está nas ruas, em busca de diversão. E o point certamente é o The Guvernment Nightclub Complex. De tão grande e suntuoso, é difícil dizer o que esse lugar não tem. Uma imensa boate com sete ambientes diferentes, cada um com sua própria estrutura de som e luz. No centro, o que é considerado um dos melhores dances da América do Norte, uma espécie de templo em que tocam os melhores DJs do mundo. A boate parece agradar todos os gostos e tem espaço para todo tipo de evento e entretenimento. Se você der sorte, pode estar no Guvernment no dia de um desfile de moda ou quem sabe sua empresa pode marcar um evento corporativo lá. Mas também para um show de uma banda super badalada ou para curtir uma noite trivial de um fim de semana qualquer. A noite é quem manda, então é só entrar no ritmo dela. UMA TORONTO MAIS INTIMISTA - A cidade grande também pode ser percebida de uma outra maneira. Nas suas entrelinhas é possível encontrar atrações menos monumentais, mas igualmente marcantes. Imagine um distrito industrial do século XIX, com construções típicas de tijolos aparentes, abrigando uma grande destilaria. O tempo tratou de abandoná-lo quando ficou obsoleto, mas o homem buscou outro uso, e o Distilery Historic District hoje é um centro de entretenimento, lazer e negócios bem diferente do que encontramos na downtown. Datado de 1832, o local só abriga a arquitetura como lembrança da velha Toronto. A antiga vila industrial hoje oferece aos seus visitantes mais de oitenta butiques de designers emergentes, restaurantes 82

Casa Loma

Um verdadeiro castelo no estilo europeu dentro de Toronto. A Casa Loma é um suntuoso palácio de 98 quartos que pertenceu ao financista Sir Henry Pellat e abre o ano inteiro para visitas. Se você já assistiu ao filme X-Man, vai reconhecê-la como a escola de Charles Xavier para jovens mutantes.


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premiados, lojas de artesanato e galerias de arte. É um lado bem cool da cidade, onde se pode escutar jazz, tomar um bom vinho e refletir sobre o que arte nos questiona. Vale muito a pena. Histórico também é o Saint Lawrence Market, um prédio centenário que abriga um pouco do passado do comércio popular da cidade. Localizado no coração da Old Toronto, é onde você pode saborear iguarias preparadas para encantar, como patas de caranguejos gigantes (bem comuns lá, mas exótica para nós) e um saboroso minestrone de vegetais. São mais de 50 boxes de comidas gourmet para despertar a gula dos visitantes. A depender da época do ano em que você visitar o mercado, poderá se deparar com eventos muito diversos, comemorando chegada do outono com comidas quentes e delicadas ou celebrar os morangos de Ontário quando estiver na época da colheita. É só seu paladar contar com a sorte. A qualidade lá em cima fez a revista Food and Wine classificar o Saint Lawrence Market como um dos 25 melhores mercados de comida do mundo. Para fechar nossa passagem por Toronto, é necessário sair um pouco dela. Em uma hora e meia de estrada, chegamos a Niagara Falls, a cidade que abriga as cachoeiras mais famosas da América do Norte. O rio que corre desde os Estados Unidos desemboca em uma garganta que forma uma fronteira natural entre os dois países. O spray d’água da queda forma uma nuvem que impressiona tanto pelo tamanho e pela beleza, valendo a pena adentrar nele num passeio de barco. Não chega a ser uma aventura, mas uma boa pedida pode ser aportar em um dos vários bares e restaurantes da região e apreciar a vista das Cataratas do Niágara tomando um bom aperitivo. Recomendamos muito. 84

Toronto respira um cosmopolitanismo típico dos grandes centros urbanos mundiais. Nuit Blanche

Um dos eventos mais aguardados do ano em Toronto, a Nuit Blanche (noite branca) é o encontro da cidade com a arte durante a noite. O metrô funcionando de graça madrugada a dentro e todas as galerias de arte contemporânea da cidade abertas para as pessoas terem suas experiências de arte e performance até o nascer do sol. Vale a pena ficar acordado.


GASTRÔ

As Nuts da Estação POR NADEZHDA BEZERRA FOTOS DIVULGAÇÃO

Elas estão por aí durante todo o ano, mas é quando ele está acabando que elas começam a surgir mais fartamente em supermercados, delicatessens e lojas especializadas. Estamos falando das nuts, um jeito simpático de falar das nozes, castanhas, frutas secas e afins que dão colorido, sabor e charme nas ceias natalinas e em outros eventos.

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GASTRÔ No jargão científico elas são chamadas de frutas oleaginosas e são sementes comestíveis de plantas como, amêndoa, avelã, castanha de caju, castanha-do-pará, macadâmia e nozes, entre outras. São queridinhas para lanches em dietas nutricionais por serem ricas em nutrientes importantes para nosso corpo como proteínas, fibras, vitamina E, selênio, zinco, cobre e magnésio. Além disso, a maior parte de gordura da composição dessas frutas é do “bem” e são guerreiras importantes no combate ao colesterol ruim (LDL) graças a grande concentração de ômega 3, 6 e 9. Sem falar que também fazem bem para o coração, desde que, claro, sejam consumidas de forma equilibrada.

CASTANHA DO PARÁ

A castanha do Pará é rica em selênio, tão rica que só deve ser consumida no máximo 3 por dia! O selênio ajuda a proteger a saúde das células e eliminar substâncias tóxicas. Cuidado, duas castanhas-do-pará por dia fornecem mais selênio do que a necessidade diária, o excesso pode levar a intoxicação.

CASTANHA DE CAJÚ

Importante e rica fonte de ferro, a castanha supera o bife bovino na quantidade desta vitamina e ajuda a carregar oxigênio pelas células do sangue, aliviando o cansaço e melhorando a concentração. 88


PISTACHE

Rica em vitamina E, uma dieta que usar essa nut oleaginosa é de grande proteção contra o câncer de pulmão.

AVELÃ

Avelã é uma ótima fonte de vitamina E, zinco, fibra, magnésio, ácido fólico, cálcio e biotina, além de gorduras monossaturadas, que são amigas do coração.

NOZES

As nozes são as oleaginosas que apresentam a maior concentração de ômega 3 e 6, excelentes para a memória e combate a depressão. Ainda tem ação antioxidante que pode atuar na redução das chances de desenvolver diabetes, doenças cardíacas e algumas formas de câncer.

AMENDOIM

O consumo de amendoim ajuda a prolongar a sensação de saciedade por conta de suas gorduras, fibras e proteínas, ou seja, é uma excelente ajuda pra manter a dieta e reduzir o peso. O amendoim ainda ajuda a retardar o envelhecimento por conta da presença de resveratrol e a reduzir os riscos de derrame

AMÊNDOA

Como contém salicilato que diminui a tensão muscular e aumenta a circulação sanguínea na cabeça é considerada um bom analgésico. Ela contém ainda magnésio, ajudando a regular o açúcar no sangue. As amêndoas também são ricas em fibra e não possuem carboidratos

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GASTRÔ ALÉM DA SAÚDE, OS NUTS TAMBÉM FAZEM BEM PARA O PALADAR E SÃO EXCELENTES OPÇÕES PARA APERITIVOS, SOBREMESAS E GUARNIÇÕES. A SOCIAL 1 SEPAROU ALGUMAS RECEITINHAS PRA VOCÊ FAZER BONITO NOS ENCONTROS DE FIM DE ANO.

Purê de Castanhas Ingredientes: 15 castanhas-do-pará; 3 cenouras cortadas em rodelas; 1 cebola; 2 colheres (sopa) de requeijão light; 1 colher (chá) de adoçante culinário ou açúcar; sal a gosto. Modo de Fazer Retire a casca das castanhas e cozinhe-as em uma panela. Cozinhe as cenouras separadamente. No liquidificador, bata as castanhas e as cenouras cozidas. Retire a mistura e coloque em uma panela. Junte o sal, o requeijão e o adoçante (ou açúcar) e leve ao fogo. Misture bem com uma colher de pau até encorpar. Tire do fogo e sirva como acompanhamento de peru ou chester.

Crocante de Nozes Ingredientes 1 xícara de nozes 1 xícara de açúcar cristal Modo de fazer Pique as nozes. Coloque o açúcar em uma frigideira média e deixe caramelizar, sem mexer, até chegar a 170°C, entre 6 e 8 minutos. Nessa temperatura o caramelo não ficará tão doce e terá um leve amargor, o que é bem gostoso para dar o contraste com os figos maduros da salada e não ficar tudo tão doce. Coloque as nozes picadas por cima do caramelo e misture tudo. Jogue a mistura em cima do mármore (ou outra superfície lisa e resistente) e deixe amornar. Pique o crocante ainda morno para não ficar tão duro e difícil de picar. Você pode guardar o crocante por 5 dias em geladeira em saco plástico bem fechado e pode usá-lo em recheios e coberturas de tortas, servir com sorvete de creme ou frutas, ou preparar chocolate.

Mix de Nuts Ingredientes Macadâmia, amêndoa “natural”, amêndoa levemente salgada, uva passa clara, uva passa escura, nozes pecãs, castanhas de caju, passas, damasco e cranberries desidratadas.

PORQUE CHAMAMOS TUDO DE “NUTS”?

Isso vem da forma inglesa de escrever essas delícias de frutas oleaginosas, como por exemplo: brazil nut = castanha do Pará cashew nut = castanha de caju, chestnut = castanha portuguesa, hazelnut = avelã peanut = amendoim pine nut = pinoli 90

Modo de fazer Misture tudo e sirva em pequenas tigelas de louça, petisqueiras ou se a festinha for informal, cones de papel individuais.


ARTE

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“A arte nasceu comigo” Nina Pandolfo:

Segundo as normas do calendário gregoriano, o ano de 1977 foi estritamente comum: 365 dias, 52 semanas, iniciado e concluído em um sábado. Reza a sorte, porém, que pessoas incomuns nasçam em anos triviais, a fim de torná-los extraordinários a ponto de, no futuro, serem citados em todas as matérias e referências textuais relacionadas à pessoa em questão. Neste caso, 1977 merece - e deve - ser levado em conta como o ano de nascimento de Nina Pandolfo. Brasileira, natural de Tupã (SP), é uma das principais artistas responsáveis por levar a grafitagem a galerias de arte e museus de prestígio internacionais. E, no rastro desta última frase, o ano de 77 escorre das métricas gregorianas tradicionais e carimba, automaticamente, seu passaporte a reportagens e menções a uma de suas crias mais famosas ao redor de todo o mundo. Inclusive aqui. POR LARISSA LINS

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ARTE sentimentos inocentes. A percepção do olhar adulto, treinado, adestrado, sobre tal expressão de caráter nitidamente puro e infantil faz parte do jogo artístico da obra. Essa interação de opostos é uma das peculiaridades mágicas no trabalho de Nina. Cada observador lê um olhar diferente. Todas as bonecas, porém, costumam transmitir sensações em comum: sinceridade, liberdade, curiosidade, impulsividade, credulidade. São várias Ninas, na mesma tentativa de ir além. A própria autora das criaturas, inclusive, se apaixonou pela arte ainda muito pequena. “Desde criança, eu gostava muito de pintar”, conta Nina Pandolfo, “e, com o passar do tempo, fui aperfeiçoando as minhas técnicas.” E quando perguntada sobre o motivo de preservação tão evidente desse universo lúdico em suas criações, ela não hesita: “Enquanto crianças, todos nós temos um universo lúdico dentro de nós. Mas, infelizmente, muitos o perdem quando crescem. Eu sempre tive este universo dentro de mim. A vida é mais alegre, mais leve, as coisas ficam mais bonitas, o chato fica mais engraçado quando preservamos o lúdico dentro de nós.”

INSPIRAÇÃO

Em 2011 – outro ano gregorianamente comum que, coincidentemente, contabilizou 365 dias iniciados e concluídos em um sábado, assim como 1977 – Nina Pandolfo lançou, em 3 de outubro, um livro autobiográfico que estampa seu nome e sua arte na capa. Dentro, a história de sua vida e de sua carreira, contada através de textos e imagens, reunindo mais de 200 páginas de desenhos e passagens ilustrando uma retrospectiva de sua trajetória. Por não gostar de rótulos, a grafiteira e artista plástica vai muito além do que essas definições profissionais poderiam lhe impor. Ir além, aliás, parece um mote de todo o percurso artístico de Nina, que começou a grafitar pelas ruas no ano de 1992, sendo uma das figuras pioneiras da street art brasileira. Usando paredes de concreto, murais e telas como plano de fundo para a pintura, Nina Pandolfo utiliza ainda materiais como látex, resina, plástico e tecido para compor suas esculturas. Do inesperado, surge poesia. Do feio, nasce uma beleza delicada que parece ter estado sempre ali.

INFÂNCIA O lúdico, o imaginário, o fantástico, o poético, são alguns dos elementos claramente percebidos em toda a obra de Nina, que é permeada por referências à natureza e à infância. Meninas de grandes olhos expressivos são uma de suas marcas registradas – muito provavelmente, a principal - remetendo ao velho, porém válido, clichê das janelas da alma, espelhando uma profusão de 94

Quando se observa uma obra de arte capaz de nos tocar a sensibilidade em suas trincheiras mais íntimas, é comum vislumbrar uma espécie de ritual mágico, quase místico e transcendental, cumprido pelos autores daquele objeto durante seu processo de criação. Se esquece, porém, que a inspiração necessária ao desenvolvimento de qualquer ofício é, por necessidade, bastante pessoal. Tão íntima e única quanto o efeito que a arte provoca em cada admirador. Para Nina, inspirações vêm tanto de dentro quanto de fora. “Minhas inspirações são internas e externas. Muito vem de mim mesma, do que eu gosto, do que admiro, dos meus sentimentos. Outros elementos vêm de fora: uma estampa, uma pessoa que vi na rua, um local ao qual fui, um mix de inspirações”, explica. “Não existe uma fonte na qual eu busque sempre a inspiração. Ela está no ar, ao meu redor e também dentro de mim.” Quanto à produção de sua obra, Nina procura não ser tão rígida, afinal, como ela mesma faz questão de lembrar: a arte não tem regras. Sua única rotina é uma programação diária de horários e afazeres, com maleabilidade para respeitar sua propensão. “Às vezes me programo para desenhar, mas estou mais propensa a pintar, e vice-versa”, confidencia. E, às vezes, fora do horário planejado para suas produções, Nina Pandolfo se sente inspirada e inicia um novo trabalho, uma pintura, uma nova peça.

SERENDIPIDADE As inspirações e a produção artística de Nina Pandolfo já lhe renderam exposições nos mais diferentes polos de reconhecimento ao redor de todo o mundo. Na lista de projetos e exposições internacionais da qual fez parte, entram: Beyond Streetart, Düsseldorf, Alemanha (2007); The Graffiti Project, Glasgow, Escócia (2007); Wholetrain, Rio de Janeiro, Brasil (2006); 9º Bienal de Havana, Havana, Cuba (2006); OutSide, Wuppertal, Alemanha (2006); Ruas, Itaú Cultural, São Paulo, Brasil (2006); Sub-Glob, Örebro Museum, Örebro, Suécia (2005); Lead Poisoning, New Image Art Gallery, Los Angeles, EUA (2005); Art Meeting in Tokyo, Japão (2005); Art Meeting, Atenas, Grécia (2005); Kusthpark, Munique, Alemanha (2005).


ARTE Uma de suas coletâneas mais comentadas e aclamadas, Serendipidade, evoca o termo Serendipty, criado pelo escritor britânico Horace Walpole, em 1754. A expressão refere-se a um conto persa infantil, no qual três príncipes de Serendip realizam grandes descobertas acidentalmente, numa trama que os conduz a revelações fascinantes e instigantes, alcançadas por força do acaso. Segundo Nina, o descobrimento casual da inspiração faz parte do processo criativo da arte e, por isso, tem tudo a ver com a serendipidade. No caso, o resultado estético das obras expostas seria uma revelação casual, alcançada através de perseverança e senso de observação por parte da artista. Em Serendipidade, Nina agregou instalações robóticas ao seu universo lúdico, além de um imenso gato capaz de ronronar ao receber carinho, um gigantesco ninho de João de Barro – contendo uma surpresa reservada aos seus visitantes - e uma caixa de música de mais de um metro de altura – com direito a trilha sonora composta pelos DJs Tony Beatbutcher e Roger Dee. Nesse cenário encantado, a mostra evidencia não apenas as meninas de olhos expressivos e inocentes, embora com toque de feminilidade sensual, mas também a presença de criaturas da natureza, como pássaros, peixes, felinos e até mesmo insetos. É um mergulho lúdico, poético, semelhante a uma imersão instantânea no mundo das fábulas e contos de fadas. Sobre a aplicação do termo Serendipidade à sua carreira – a arte fora descoberta em sua vida por acaso? – Nina é certeira: “Não, a arte não foi descoberta. A arte nasceu comigo. Mas, dentro deste universo, faço muitas descobertas ao acaso.” Grata pelo feedback positivo recebido tanto nas ruas – onde seus grafites estampam muros e espantam o cinza metropolitano comum – quanto no meio artístico internacional, Nina acredita que sua natureza feminina e sua sensibilidade decorrente dela influenciam diretamente no resultado de seu acervo. “Nos traços, nas pinceladas, nos sentimentos, em tudo”, resume. E para completar, se define, modesta: “Sou uma artista em constante busca por algo novo para seu trabalho.” Não há dúvidas, porém, de que Nina Pandolfo já tenha apresentado algo de novo ao mundo. Mais que isso: numa serendipidade, assim ao acaso, não há dúvida de que a cada vez que se observa os olhares penetrantes de uma de suas criações, algo de novo é (re)descoberto dentro de cada um de nós.

“Não, a arte não foi descoberta. A arte nasceu comigo. Mas, dentro deste universo, faço muitas descobertas ao acaso.” 96


DESTAQUE

OKA SUMMER TRENDS

SAMBAO DO EU ACHO É POUCO

KING FESTIVAL

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DESTAQUE

LANÇAMENTO NA CARLA AMORIM

CASAMENTO JULIANA E BRUNO

POSSE DE MARIA LECTÍCIA CAVALCANTI NA APL

TARDE DE JOIAS DA H STERN

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COLUNA Mirella Martins

MAIS

TEMPO, POR FAVOR

inal de ano. Hora da prestação de contas. Hora de refletir e passar alguns minutos com a sua consciência. Cumpri todas as promessas? Fui uma pessoa melhor? Perdoei mais? Emagreci como queria? Estudei como devia? Dediquei-me a família como sonhei? Dei o meu melhor pelo trabalho? Quem nunca fez esses questionamentos? Todo dezembro é a mesma coisa. Não sei quem inventou essa danada da culpa natalina. Digo culpa porque não sei vocês, mas sempre acho que minhas resoluções de final de ano ficam aquém da expectativa. Não por falta de querer, nem de tentar. Sem ter uma resposta clara e objetiva, é melhor colocar a desculpa no tempo. Ele já é o vilão em tantas cenas do dia a dia, que não custa nada ganhar mais uma marcação. Muito melhor colocar a culpa nele do que em si próprio. Mais fácil e menos doloroso. “Tentei, mas não tive tempo”. Pronto. E para se sentir melhor: “Prometo que agora vai. Em 2014, estou sentindo que vai dar certo”. Tempo hoje em dia é objeto de luxo. Tão importante quanto saúde e paz. Na virada do ano, deveríamos acrescentar no nosso mantra “mais tempo para todos”. Aposto que não haverá uma só pessoa neste planeta que não queira receber essa graça. Não sei vocês, mas tenho a impressão de que os anos estão passando mais rápido. Quem não gostaria de mais tempo para curtir a família, os amigos, dormir, malhar, viajar, namorar, terminar aquele trabalho. Tempo para conseguir chegar naquela reunião ou na consulta médica. Tempo para ver seu filho nas apresentações da escola, para almoçar com sua mãe, fazer sua avó rir, socorrer um amigo que perdeu o emprego, abraçar uma amiga que teve uma decepção amorosa. Tempo para comer um sushi, tomar um drinque, relaxar. Tempo para dizer que ama, para ajudar o próximo e fazer o bem. Tempo, tempo, tempo. Por favor, vire um aliado. Que em 2014 possamos tê-lo como parceiro. Para desfrutarmos, com prudência e resiliência, cada minuto das nossas vidas e assim concluirmos, com êxito, cada tópico da nossa lista resoluções e terminarmos o ano com a sensação de dever cumprido. Até próximo ano!

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COLUNA Mirella Martins

Revista Social1 - Ed.05