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r$ 7,90 | n潞 50 | fevereiro de 2012 | ANO 6

3 | Interural - a revista do agroneg贸cio | fevereiro de 2012


w w w. i n t e r u r a l . c o m

expediente

Diretor Comercial Mário Knichalla Neto mario@interural.com

Conselho Editorial Gustavo Ribeiro Paula Arruda Mário Knichalla Neto

Editor Chefe Gustavo Ribeiro redacao@interural.com

Redação Gustavo Ribeiro e Colaboradores

Editorial

Brasil

O gigante do agronegócio

Gustavo Ribeiro Editor

Revisão Aline Defensor alinedefensor@hotmail.com

Paginação Wilson Vilela 34 9225-5950

Coordenação editorial Paula Arruda 34 9174-1377 vendasinterural@gmail.com

Caro leitor, 2012 promete ser mais um grande ano para o agronegócio brasileiro. As perspectivas são boas para diversos segmentos do setor. Com suas produções recordes de grãos e o avanço na área pecuária, os produtores nacionais vêm ocupando uma posição inédita no mercado externo. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, disse que o agronegócio

Consultoras de vendas Liliane Franklin comercialinterural@gmail.com

Marcella RIbeiro

marcellainterural@gmail.com

Muriell Paes Leme contatointerural@gmail.com

Financeiro Ludmilla Pádua financeiro@interural.com

Jurídico

Breno Henrique Afonso de Arruda

Capa Wilson Vilela

brasileiro deve exportar, em 2012 mais de US$ 100 bilhões em produtos, um crescimento de 5,7%.

Nesse cenário, o cinturão verde brasileiro tem gerado frutos prin-

cipalmente para quem vive da economia no campo. As duas matérias de capa da edição de nº 50 da InteRural convida nossos leitores, para uma grande oportunidade de fazer bons negócios. Primeiro é o evento mais importante realizado por uma das principais empresas de Biotecnologia e melhoramento genético do Brasil, a Tropical Genética, realiza em fevereiro, em Uberlândia, o maior evento em oferta de genética leiteira da América Latina, o FestLeite Tropical 2012, que vem recheado de grandes atrações e vai inaugurar o calendário da pecuária leiteira nacional. Você vai conhecer tudo, bem detalhado nas próximas páginas.

Impressão Gráfica Brasil

Tiragem 5.000 exemplares

Anúncio e assinaturas 34 3210 4050

Rua Rafael Marino Neto, 600 - Jardim Karaíba Endereço Ubershoping - Loja 56 contato@interural.com 34 3210-4050

Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião desta revista, assim como declarações emitidas por entrevistados. É autorizada a reprodução total ou parcial das matérias, desde que citada a fonte.

“Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro.” Fl 2,3-4

A outra grande oportunidade de levar genética superior para sua

propriedade é a liquidação do plantel Centrogen, um verdadeiro show do Girolando. Nosso amigo, Herbert abriu as porteiras da Fazenda, e vai disponibilizar todo seu plantel, principais doadoras, prenhezes, bezerras prontas para estrear na pista, enfim, é comprar e ter a certeza de estar fazendo um negócio saudável.

Energias renovadas, as associações tiveram seu período de des-

canso e daqui para frente começa a rotina intensa de leilões, exposições, feiras, enfim, o agronegócio começa a funcionar definitivamente. Não há dúvida, o tempo segue bom nesse celeiro de oportunidades da economia. Desejo a todos uma ótima leitura e grandes negócios Gustavo Ribeiro


índice

Centrogen Agricultura Combate a estiagem em SC............................................ 18 Exportação de Aves............................................................ 19 Soja - Safra 2011/2012...................................................... 20 Licenciamento ambiental............................................... 24 Café de qualidade..................................................................26 Setor cafeeiro......................................................................... 28 Milheto....................................................................................... 30 Micotoxinas.............................................................................32

Pecuária Setor é afetado pelas chuvas........................................ 50 Inseminação artificial........................................................ 51 Pecuária perde insentivador..........................................52

mercado Mais que ouro......................................................................... 54

SHOW 36 Um verdadeiro

do Girolando

Agência ML...............................................................................57 Produção de Boi.................................................................... 58 Febre aftosa............................................................................ 60

Girolando................................................................................... 62 Gir Leiteiro................................................................................ 64 Brahman................................................................................... 66 Senepol.......................................................................................67

equinos Criador de sucesso...............................................................76 Casqueamento...................................................................... 80 Suínocultura........................................................................... 84 Ovinocultura........................................................................... 86 PET............................................................................................... 88 Vida de Jurado...................................................................... 102 Leilões...................................................................................... 106

68

FestLeite Tropical 2012 O FestLeite Tropical chega a sua segunda edição e vai ser o ponto de encontro da pecuária leiteira no mês de fevereir


InteRural

Agricultura

Mendes Ribeiro anuncia pacote de R$ 28,6 milhões para combate à estiagem em Santa Catarina Do montante, R$ 12,6 são investimentos do governo do Estado FONTE: DIÁRIO CATARINENSE

R$ 10 mi do governo federal, valor a ser aplicado na perfuração de

333

divulgação

poços nas comunidades rurais dos 80 municípios atingidos.

Será de R$ 28,6 milhões o pacote de combate à estiagem em Santa Catarina, que foi anunciado, dia 16, pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nês, em Chapecó. Do valor, R$ 12,6 são investimentos do governo do Estado. Além de Mendes, estiveram presentes o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence, o ministro interino de Relações Institucionais, Claudinei Nascimento, e o governador Raimundo Colombo. As perdas na agropecuária do Estado já somam R$ 497 milhões, segundo dados divul-

gados no dia 15, pela Secretaria da Agricultura. Os ministros devem confirmar a liberação de R$ 10 milhões do governo federal, valor a ser aplicado na perfuração de 333 poços nas comunidades rurais dos 80 municípios atingidos. Também será assinado um convênio entre o Ministério, o governo de Santa Catarina e o Banco de Desenvolvimento Econômico do Extremo Sul no valor de R$ 6 milhões, para financiamento de sistemas de captação de água e irrigação. O recurso tem prazo de 12 anos para pagamento e juros de 6,75% ao ano. Do montante de R$ 12,6 milhões a ser investido pelo Estado, R$ 10 milhões são para o Programa Juro Zero da Secreta-

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ria da Agricultura. O valor servirá para subsidiar o juro dos investimentos que os agricultores tomarem para financiar cisternas e outros sistemas de armazenamento de água. Mais R$ 1 milhão será destinado aos municípios em situação de emergência para a compra de distribuidores de água. Cada equipamento custa R$ 13 mil. Além disso, o governo vai anunciar mais R$ 353 mil para os últimos 20 municípios que decretaram situação de emergência, totalizando R$ 1,6 milhão dividido entre as prefeituras para bancar serviços de transporte de água e silagem. Cada município recebe conforme o número de propriedades rurais, o que dá uma média de R$ 20 mil por cidade.


Genética Cer ta !

Fazenda Valinhos e Java Pecuária realizarão seu 4º Leilão Virtual no dia 22/04/2012 às 14 horas, quando abrirãose as portas da passarela do cerrado do Triângulo Mineiro para um grande desfile de pérolas da raça Girolando.

Não percam esse grande evento! Leiloeira

Transmissão

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Agricultura

Perspectivas para o produtor de soja na safra 2011-2012 A área plantada na safra 2011-2012 será de

24,350 0,7 %

milhões de hectares superior à da safra 2010-2011

Após uma safra 2010-2011 excepcionalmente boa, onde o mercado proporcionou bons preços e as condições climáticas a melhor produtividade de soja da história, a safra 20112012 está plantada e o cenário de preços e produtividade a serem auferidos pelo produtor está indefinido até o momento. Embora com aumento da área plantada e do nível tecnológico, as condições climáticas não estão indicando níveis de produtividade médios semelhantes aos alcançados na safra 20102011. Da porteira para dentro, os

produtores em geral terão produtividades e preços menores, o que resultará em uma margem operacional mais apertada que a do ano passado. Permanecendo esse quadro, a sensação de aperto deve aparecer na época da colheita, pois, ao colherem e venderem a safra, os produtores de soja terão um menor faturamento disponível para pagar o financiamento da safra passada e estarão diante de uma relação de troca soja/ insumos mais estreita para financiar a próxima safra 20122013. As condições climáticas

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ocasionadas pelo fenômeno “La Niña” estão afetando algumas das regiões produtoras de soja mais importantes do Brasil. Parte das regiões produtoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Sudeste de Mato Grosso enfrenta desde os meses de novembro e dezembro longas estiagens, o que já está comprometendo o desenvolvimento e a expectativa de produtividade das lavouras. No Paraná, as primeiras lavouras de soja precoce plantadas em setembro já estão sendo colhidas e proporcionando rendimento


15% abaixo do previsto em função de estiagens ocorridas no período posterior ao plantio. Nos demais estados e regiões citadas, os graus de perda de produtividade são variados, mas já se estimam perdas significativas ao nível de 6% no potencial produtivo da safra brasileira. Nos demais estados da região Centro-Oeste, Nordeste e Norte, embora não se percebam ainda impactos negativos causados por estiagens, tem-se observado um regime de chuvas mal distribuído, com microrregiões bem supridas e outras mal supridas dentro da mesma região edafoclimática. Devido à crise econômica europeia, os preços internacionais da soja recuaram bastante, desde os preços obtidos na colheita da última safra. Embora o câmbio tenha expressado uma valorização do dólar perante o real desde que os indícios da crise europeia ficaram mais evidentes, e isso possa internamente ter arrefecido a percep-

ção de queda no preço interno da soja, a relação de troca de soja por insumos já piorou muito, pois os insumos tendem a acompanhar a valorização do dólar. Os especialistas sinalizam que, pelo fato de a Europa não ser uma consumidora de produtos agrícolas brasileiros, seus efeitos sobre a queda dos preços não deve ser muito drástico. Nos mercados agrícolas, especialmente de alimentos, a demografia tem papel de grande relevância para a demanda, que possui como crescimento mínimo a taxa de elevação da população mundial. A produção, porém, é limitada pelo estoque de terras disponíveis, recursos hídricos e tecnologias. Dessa forma os preços da soja em 2012 não devem continuar a tendência de queda iniciada em 2011, pois é necessário incentivar a produção futura. Além disso, o consumo da China e da Índia não deve diferenciar significativamente dos níveis

atuais. Porém, a desaceleração econômica da Europa certamente terá reflexos de alguma magnitude nas economias do mundo todo, incluindo nas dos países asiáticos, que atualmente são os nossos maiores importadores de soja. Embora não se possa afirmar categoricamente qual será o cenário de preços na colheita da safra 2011-2012, é prudente que o produtor se prepare para uma situação mais apertada e se ajuste desde já. Enquanto os preços da soja permaneceram elevados, os possíveis problemas estruturais e de gestão de cada propriedade puderam ser, em boa parte, compensados por um fluxo maior de receitas. Com os preços da soja menores associados aos custos dos insumos maiores, tais problemas tendem a vir à tona. Os agricultores brasileiros colheram 75,324 milhões de toneladas de soja no ano agrícola 2010-2011, representando safra recorde. De acordo com levan-

A previsão para a produção de soja na safra 2011-2012 no Brasil indica um volume de

71,287

milhões de toneladas, que é

5,46%

menor que a safra anterior.

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Agricultura

Sebastião Pedro da Silva Neto, pesquisador Embrapa Cerrado

a previsão para a produção de soja na safra 2011-2012 no Brasil indica um volume de

71,287 mi de toneladas

tamentos da Conab (3ª avaliação, publicada em dezembro de 2011), a área plantada na safra 2011-2012 será de 24,350 milhões de hectares – 0,7 % (169,2 mil hectares) superior à da safra 2010-2011. E a previsão para a produção de soja na safra 2011-2012 no Brasil indica um volume de 71,287 milhões de toneladas, que é 5,46% (4,038 milhões de toneladas) menor que a safra anterior, devido ao cenário climático já citado. As cotações futuras de soja fecharam com ganhos inexpressivos, no dia 23 de dezembro de 2011, na Bolsa Mercantil de Chicago, chegando US$ 26,07 por saco de 60 kg (cotação para maio de 2012, posto Chicago), valor 3 US$/ saco (quase 10%) abaixo do ocorrido em 17 de dezembro de 2010 (um ano atrás). A principal motivação dos compradores futuros da soja foram os comentários sobre previsões climáticas adversas para a Argentina durante a semana útil iniciada em 26 de dezembro de 2011 e preocupações com a possibilidade de o clima mais seco do que o normal se estender naquele país vizinho à fase de pleno desenvolvimen-

to reprodutivo da soja (janeiro de 2012), que se traduziram na manutenção de prêmios de risco climático ora incorporados às cotações futuras da oleaginosa, em Chicago. Diante desse cenário de preços em Chicago, o mercado interno ficará muito dependente das variações cambiais a ocorrerem no primeiro semestre de 2012. Estas, por sua vez, dependerão da evolução ou recuperação da crise europeia. E os produtores devem ficar atentos para aproveitar eventuais momentos de picos de preço e ir travando alguns lotes da soja a ser colhida no primeiro trimestre de 2012, pois, de agora em diante, ao se aproximar a colheita da safra sul-americana, o mercado especulativo de clima deve começar a atuar, juntamente com os humores da crise europeia. Vencida a etapa do plantio, o produtor de soja agora não deve se preocupar somente com o controle da ferrugem-asiática, lagartas, percevejos, etc., em suas lavouras, mas principalmente ficar de olho nas variações dos preços da soja, e na negociação da próxima safra. Especial cuidado

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se deve ter ao negociar os insumos para o plantio da safra 2012-2013, pois estes estão ainda com preços elevados, puxados pela alta da soja e das commodities ocorrida no último ano. Com o dólar elevado, possivelmente o preço dos insumos não deverá cair tão rapidamente. O produtor deve lutar para negociar uma relação de troca similar à que houve na última safra, pois, na ocorrência de quedas ainda maiores do preço da soja, o produtor não conseguirá bancar um patamar de custos tão elevados como os da última safra. A isso devem-se somar as prestações de financiamentos de custeio e investimentos que a grande maioria dos produtores terá para pagar ao longo do ano 2012. À grande maioria dos produtores que não estão capitalizados para custear a próxima safra com recursos próprios, este planejamento será fundamental. Embora não seja o mais provável, um desfecho desordenado da crise europeia, que empurre mais países para a reestruturação forçada de suas dívidas, pode ocorrer. Nessas circunstâncias, o sistema financeiro global seria afetado, produzindo um estrangulamento dos fluxos internacionais de crédito. O crédito para custeio vindo de tradings e empresas de insumos poderia se tornar escasso e ainda mais caro do que já é. No cenário incerto que neste momento se apresenta, o mais importante é o produtor tentar fazer um custo de produção baixo na safra 2012-2013, com especial atenção ao custo financeiro. Fonte: Juliana Caldas, assessora de imprensa da Embrapa Cerrados


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Agricultura

Alckmin dispensa licenciamento ambiental para atividades agropecuárias Governador aposta na relação de confiança com o homem do campo Agência Brasil

Medida que dispensa licenciamento ambiental para atividades agropecuárias de empreendimentos com pequeno potencial poluidor e degradador

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou no dia 27 de dezembro, uma medida que dispensa licenciamento ambiental para atividades agropecuárias de empreendimentos com pequeno potencial poluidor e degradador. A medida pretende desburocratizar o processo e simplificar a regularização das atividades do setor. Os principais beneficiados com a medida serão os produtores rurais que se dedicam ao cultivo de espécies de interesse agrícolas temporárias, semi-perenes e perenes, apicultura em geral e ranicultura e criação de animais, exceto as atividades de avicultura, suinocultura e aquicultura. Para que os produtores consigam a dispensa do licenciamento ambiental será necessário apresentar a Declaração de Conformidade da Atividade Agropecuária, que não deve implicar em intervenção em áreas de preservação permanente ou supressão de vegetação nativa. A declaração deverá ser preenchida pelo produtor e depois entregue à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Já os beneficiários de projetos de reforma agrária e remanescentes de comunidades quilombolas deverão entregar o documento à Secretaria da Justiça. "A pessoa faz uma auto-declaração, encaminha (o documento) a uma Casa de

Agricultura e já está liberado. Depois o governo vai, por meio (da secretaria) do Meio Ambiente, fazer um acompanhamento, um controle", disse Alckmin. Segundo o governador, as medidas serão baseadas principalmente numa relação de confiança entre o governo e os produtores. "Noventa e nove vírgula cinco por cento dos nossos (produtores) cumprem (a lei). Essa história de não confiar é um equívoco. É óbvio que vamos fazer o acompanhamento. Mas enquanto não tinha licença,

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não se podia trabalhar. Agora, se libera (a licença), trabalha (a terra) e nós vamos fazer o acompanhamento. Se tiver algum caso de auto-declaração errada, vamos punir".


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Agricultura

Café de qualidade Dos brasileiros para todos

tínuo aperfeiçoamento. Ainda que este segmento represente uma parcela pequena do consumo total, esta mudança de hábito afeta fortemente o setor cafeeiro nacional. Estima-se que a produção brasileira de cafés especiais é de aproximadamente 1,5 milhões de sacas para atender a crescente demanda desse segmento. Nova Estrutura

Embrapa Café

o segmento de cafés especiais apresentou, nos últimos anos, taxas de crescimento entre

15% e 20% (ABIC)

Não é raro ouvirmos que o café de alta qualidade do Brasil vai todo para fora do país. No entanto, esta afirmação revela uma cultura que vem sendo desconstruída nos últimos anos. O País que tradicionalmente era famoso somente pela quantidade passou a obter maior reconhecimento pela qualidade do café destinado ao mercado externo nas últimas duas décadas. Durante esse tempo se fortaleceu a cultura de que as melhores bebidas de café só eram destinadas ao mercado internacional, mas este contexto está se reformulando novamente, a oferta nacional de cafés desse padrão está aumentando e vem con-

quistando cada vez mais os paladares dos consumidores brasileiros. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) apontam que o consumo total de café no Brasil aumentou aproximadamente 4% ao ano na última década, enquanto o segmento de cafés especiais apresentou, nos últimos anos, taxas de crescimento entre 15% e 20%, estimadas pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Estes reflexos são decorrentes, em grande parte, da mudança de hábito da população. O consumo fora de casa está aumentando, as cafeterias estão cada vez mais sofisticadas e as máquinas de preparo instantâneo do café em con-

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O sistema produtivo de café no Brasil vem passando por mudanças estruturais positivas nos últimos anos. Diversos fatores contribuíram para ocorrência desses ajustes, como por exemplo, o “Selo de Pureza” criado em 1989 pela ABIC, a promoção de inúmeros concursos de qualidade, as certificações de qualidade, as indicações de procedência conquistadas e até adequação regulamentar como a instrução normativa que entrou em vigor no início do ano estipulando padrões de qualidade do café torrado e moído. Em levantamento realizado pela Embrapa Café com produtores de cafés especiais que foram premiados pela Illy Café e pela BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), certificados pela UTZ Certified e pelo Certifica Minas Café, ficou evidente um ponto em comum: o alto nível tecnológico adotado nas propriedades. Importante observar que o termo tecnológico é utilizado em sentido amplo, sendo todo conhecimento


aplicado no processo produtivo, desde a escolha de cultivares adequada até a adoção de boas práticas, como técnicas de plantio e manejo, cuidados no beneficiamento, gestão da atividade produtiva, etc. Nesse ponto vale ressaltar a importância da atuação das instituições do Consórcio Pesquisa Café e outras instituições de extensão e assistência técnica, que desenvolvem a pesquisa agropecuária e compartilham seus resultados contribuindo para a construção do conhecimento tecnológico junto com os cafeicultores. Estes são os protagonistas dessa mudança de paradigma e promoveram o nome Cafés do Brasil, oferecendo um produto de alta qualidade, também para os brasileiros.


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Agricultura

Setor cafeeiro terá direito a crédito de Cofins A vantagem é que o crédito acumulado a cada trimestre poderá ser utilizado para compensação com outros tributos federais ou ressarcimento em dinheiro”, afirma Calcini.

Lex Legis Consultoria Tributária; Valor e CaféPoint

A partir de 1º de janeiro, as empresas que exportam ou compram café não torrado terão direito a crédito presumido de PIS e Cofins. A Receita Federal regulamentou a Medida Provisória nº 545, de 29 de setembro de 2011, que, além do benefício, prevê a suspensão obrigatória da cobrança das contribuições sociais na cadeia produtiva da commodity. Pela Instrução Normativa nº 1.223, publicada nesta segunda-feira, o crédito será

de 0,925% sobre as receitas de exportação direta ou indireta do café não torrado. O benefício não vale para as empresas comerciais exportadores ou nos casos em que há mera revenda do café, ou seja, quando não há alteração física do produto. No mercado interno, o crédito presumido será de 7,4% sobre o valor da aquisição do café não torrado. "Aqui há a compra com suspensão de PIS e Cofins e a geração de crédito pela aquisição. O objetivo é incentivar a produção da commodity", diz o tributarista Fabio Calcini, do Brasil Salomão e Matthes

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Advocacia. Nos dois casos, o crédito presumido não utilizado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses seguintes. "A vantagem é que o crédito acumulado a cada trimestre poderá ser utilizado para compensação com outros tributos federais ou ressarcimento em dinheiro", afirma Calcini. De acordo com Leonardo Almeida, da ASPR Auditoria e Consultoria, o contribuinte deve estar atento à obrigação acessória de discriminar os tipos de crédito presumido na apuração dos tributos.


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Agricultura

Milheto Uma cultura alternativa para cobertura de solo Embrapa com a colaboração de Isaac Leandro de Almeida e Lucas Tadeu Ferreira. Produtores de grande parte do país já estão iniciando este mês o plantio da safrinha. O milheto é uma forrageira de clima tropical muito utilizada nesse período que, além de ser útil na rotação de culturas, possui boa qualidade nutricional quando usada como ração para aves, suínos e ruminantes. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, disponibiliza no mercado sementes da cultivar de milheto BRS 1501 com ótimas características agronômicas. O milheto é uma planta que se adapta bem a vários tipos de solos, tendo boa persistência em solo de baixa fertilidade e déficit hídrico. As

principais características agronômicas da cultura (Pennisetum glaucum) são: baixa exigência hídrica, apresentando vantagem no gasto com água em relação ao milho e ao sorgo; seu cultivo demanda a aplicação de poucos insumos, o que pode reduzir o custo de produção; alta capacidade de ciclagem de nutrientes; crescimento rápido e elevada produção de biomassa, uma vantagem na região tropical, onde se tem muita dificuldade de obter palhada para o plantio direto. Além dessas características, o milheto é importante para a recuperação de pastagem e para a produção de silagem. Tem facilidade de produção de sementes e de mecanização para semeadura. Apresenta ainda resistência às principais pragas, reduzindo a população de nematóides como o Meloidogyne incógnita e javanica, Pratylenchus brachyu-

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rus e Rotylenchulus reniformis, e bom aproveitamento para pecuária, já que é um ótimo complemento aos capins que apresentam baixos teores de carboidrato e proteína. A cultivar BRS 1501, da Embrapa, possui ciclo de florescimento de 50 dias, maturação fisiológica de 80 dias, ótima capacidade de perfilhamento e potencial produtivo de grãos de 2,5 toneladas por hectare. Essa cultivar tem ainda altura média das plantas de 180 cm e grãos semiduros com 12% de teor de proteína. Segundo o Gerente do Escritório de Negócios de Dourados, Huberto Noroeste dos Santos Paschoalick, a cultivar é resultado do programa de melhoramento do milheto desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo e conquistou os produtores brasileiros pela sua adaptação aos solos ácidos e de baixa fertilidade e pela capacidade de extração de nutrientes do solo com um sistema radicular profundo e abundante, promovendo a ciclagem de nutrientes para a camada mais superficial. “Este, talvez, seja o principal motivo para a ampla adoção do milheto nas regiões do Cerrado, onde ocupa cerca de quatro milhões de hectares e ajudou a consolidar o sistema de plantio direto”, finaliza.


Onde têm Boi e Beef Milk Brasil a qualidade é garantida. A dupla de assessores, Boi e Celso a cada dia conquistam mais espaço na agropecuária brasileira, principalmente quando o assunto é Girolando, a partir desta edição, todo mês vamos disponibilizar aos pecuaristas, criadores e selecionadores um cronograma mensal dos leilões assessorados por eles. A Boi e Beef Milk Assessoria levam ao produtor uma proposta inovadora e que apresenta resultados de fato. Primeiro, devido ao grande conhecimento da dupla, o know how, resultado de muitos anos trabalhando com a raça Girolando. Esse trabalho credencia Davi (Boi) e Celso para selecionar os melhores animais, tanto genotipicamente quanto fenotipicamente. Com isso, podem disponibilizar para o mercado animais com um nível superior. Estão sempre compromissados com o pós venda, com os resultados dos animais e com a satisfação dos seus clientes. JANEIRO/2012 DIA 29 DOM às 10:00 – Leilão Virtual – “Reprodutores GIR LEITEIRO” – Fazenda Engenho – Mercado do Leite - Transmissão: Agrocanal L e i l ã o

V i r t u a l leilão

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Alto padrão genético com foco na produção leiteira moderna e auto-sustentável

DIA 05 DOM às 20 horas – 1º Leilão Especial Reprodutores Leiteiros - Transmissão: Agrocanal Leiloeira: Nova Sat

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DIAS 10, 11 e 12 SEX, SAB e DOM – 2º Fest Leite Tropical – Transmissão: Terra Viva Descrição: Maior evento em oferta de genética leiteira da América Latina. Leiloeira: Estância Bahia

Reprodutores registrados, produtos de FIV e Inseminação Artificial de genética consistente para leite e sólidos Tourinhos holandeses PO Gir Leiteiro Girolando

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FEVEREIRO/2012 DIA 05 DOM às 10 horas - 1º Leilão Virtual Fazenda Serrinha e Convidados – Mercado do Leite Transmissão: Agrocanal Leiloeira: Nova Sat

0 5 / fevereiro / 2 01 2 ‘ 2 0 h

DIA 19 DOM – 2º Seleção das Arábias – Mercado do Leite – Transmissão: Agrocanal Leiloeira: Nova Sat 19 | Interural - a revista do agronegócio | fevereiro de 2012


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Agricultura

Micotoxinas

O problema pode estar na ensilagem mal conduzida

Por Lucas José Mari Gerente de Probióticos Katec Lallemand

É provável que alguns dos senhores ou senhoras que leem este artigo já tenham produzido sua silagem. Alguns ainda terão a “safrinha”, outros ainda não colheram e poderão levar em consideração algumas informações deste texto. Micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos que podem ser encontradas na maior parte dos alimentos destinados ao consumo animal, tais como concentrados, forragens conservadas (silagem, especialmente) e, até mesmo, em pastagens. As micotoxinas podem ser produzidas em qualquer etapa de produção de alimento, desde o campo, até o fornecimento no cocho. A adoção de boas práticas de produção agrícola e, neste caso, boas práticas na ensilagem, que auxiliem a redução na contaminação por fungos e, consequentemente, a produção de micotoxinas, são interessantes a serem consideradas. Enquanto os fungos que produzem estes compostos tóxicos podem ser controlados com certos tratamentos, as micotoxinas são quimicamente estáveis e é quase impossível destruí-las. Elas resistem à fervura, à pasteurização, ao congelamento, ao tratamento ácido – uma característica

da ensilagem – dentre outras ações químicas ou físicas. Portanto a prevenção na contaminação de fungos, bem como diminuir seu desenvolvimento é o ponto chave no combate às micotoxinas. As micotoxinas sempre estiveram presentes nos alimentos, entretanto só mais recentemente se fizeram notar ou foram descobertas. Até hoje já foram catalogadas mais de 300 tipos de destes metabólitos tóxicos produzidos por fungos filamentosos. Há cerca de 15 anos os produtores de aves e/ ou suínos já iniciaram ações de prevenção e combate e agora se despertou o interesse em combatê-las também na alimentação dos ruminantes. Os animais ruminantes são reconhecidamente mais resistentes que os monogástricos no tocante às micotoxicoses, todavia, muito se perde na produção de uma maneira geral, se os fungos e as micotoxinas estiverem presentes, pode ser um inimigo silencioso. Além disso, com o melhoramento genético e a maior demanda de energia para a produção de leite, os animais têm consumido mais alimento, assim, a taxa de passagem da ingesta está mais rápida no rúmen destes animais, por conseguinte, diminuiu o tempo de ação dos mi-

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crorganismos ruminais sobre os alimentos e as micotoxinas. Para se ter uma idéia, as micotoxinas são medidas em ppm (partes por milhão) ou ppb (partes por bilhão), ou seja, quantidades bastante pequenas, porém com efeitos na saúde do animal e nos produtos de origem animal que podem ser graves. Este texto tem como objetivo apresentar um pouco mais sobre micotoxinas àqueles que tem como atividade a produção de ruminantes, alertá-los sobre os danos causados por elas e algumas ações para preveni-las. Principais micotoxinas de interesse na produção animal Uma das principais micotoxinas e, talvez, a mais conhecida é o grupo das aflatoxinas (AF). Existem alguns tipos delas como as AFB1, AFB2, AFG1, AFG2 que podem ser identificadas nos alimentos ofertados aos animais. Estas aflatoxinas, após serem metabolizadas no fígado, são transformadas nos tipos AFM1 e AFM2 que podem ser transferidas e encontradas no leite de animais que consumam alimento contaminado. Até mesmo há legislação brasileira para seu limite máximo no leite e este é de 0,5 ppb, tradu-


zindo isso seria 0,5 g de aflatoxina em um milhão de litros de leite. No leite em pó este limite é de 5 ppb, ou 5 g de aflatoxinas em 1 mil toneladas. O LAMIC (Laboratório de Análise de Micotoxinas) da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) realizou, há alguns anos, um levantamento das amostras de leite que chegam anualmente para serem analisadas para AFM1 e os resultados estão demonstrados na Figura 1. Estes dados demonstram claramente que numa época de maior necessidade de fornecimento de alimento no cocho, a maior contaminação da silagem ou do concentrado, há interferência na transferência de AF do alimento para o leite. A taxa de passagem das aflatoxinas do alimento para o leite varia entre 1 a 6%, essa variação depende de vários fatores, tais como: estatus imune e nutricional dos animais, estádio de lactação, produção diária, possivelmente, mesmo a raça, dentre outros. Outra micotoxina bastante importante e que causa prejuízos significativos é a zearalenona (ZEA). Um composto que se assemelha quimicamente ao estrógeno (hormônio feminino), desta forma se a ZEA estiver presente nos alimentos, seus resultados no rebanho estão relacionados, principalmente, a problemas reprodutivos, tais como aborto, repetição de cio, edema de úbere em novilhas, retenção de placenta, cistos de ovário, dentre outros sintomas. Nos machos o consumo de zearalenona está relacionado à queda na fertilidade e da libido. Já foi comentado que os ruminantes têm a capacidade de combater certas micotoxinas e isso é função, principal-

Figura 1 – Percentuais de contaminação de amostras de leite por AFM1 em função da época do ano. Fonte: LAMIC, 2008.

mente, dos microrganismos ruminais. Contudo, para a ZEA isso não ocorre e os microrganismos a convertem em uma substância muito mais prejudicial que a própria molécula original, potencializando seu efeito estrogênico. Existem outra micotoxina chamada deoxinivalenol (DON) ou mais conhecida como vomitoxina. A DON compromete a saúde dos microrganismos no interior do rúmen e do animal

como um todo, comprometendo, por sua vez, a digestão e o desempenho dos animais. Todos sabem da importância de um bom funcionamento do rúmen e de uma população equilibrada de microrganismos ruminais, pois o órgão é o “motor” dos ruminantes e se algo prejudica o bom funcionamento do rúmen, as consequências poderão ser a menor produção de leite ou queda no desempenho e resposta animal.

Foto 1 – Aspergillus sp. em silagem de milho. Fonte: North Dakota State University, 2011.

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Agricultura

Tabela 1 – Valor médio (ppb) e incidência de micotoxinas em cinco bacias leiteiras no Brasil. Região

AFB1

ZEA

OCRA

DON

FB1

FB2

Castro

4 (2/96)

334* (96/96)

4 (5/96)

208 (7/96)

316 (42/96)

199 (15/96)

Toledo

-

75 (34/60)

5 (1/60)

276 (30/60)

273 (31/60)

209 (19/60)

Sudeste GO

-

48 (14/42)

11* (1/42)

221 (12/42)

201 (11/42)

143 (5/42)

Sul MG

-

76 (44/69)

15* (6/69)

264 (36/69)

567 (48/69)

352 (32/69)

Oeste SC

1 (1/60)

92 (49/60)

12* (7/60)

264 (25/60)

277 (27/60)

226 (11/60)

Notas: AFB1 – Aflatoxina B1; ZEA – Zearalenona; OCRA – Ocratoxina A; DON – Deoxinivalenol; FB1 – Fumonisina B1; FB2 – Fumonisina B2; *Valores médios acima do valor aceitável definido pelo CPFOR/UFPR. Fonte: Schmidt et al., 2011.

Ainda há a fumonisina (FB1 e FB2) que apesar de ter sido descoberta recentemente (1988) tem seu efeito e incidência comprovada em alguns alimentos, principalmente nos fermentados, como silagens. Esta micotoxina é especialmente tóxica para equinos. As fumonisinas quando ingerida por estes animais pode causar leucoencéfalomalácia. Levantamento da incidência de micotoxinas A equipe do Prof. Patrick Schmidt da UFPR realizou uma, até então inédita, pesquisa de campo buscando avaliar a prevalência de micotoxinas em silagens de milho em cinco bacias leiteiras no Brasil, percorrendo 109 propriedades nas diversas regiões: Castro e Toledo, no Paraná; sudeste de Goiás: sul de Minas Gerais e oeste de Santa Catarina. Os dados deste levantamento estão demonstrados na Tabela 1. Pode-se verificar na análise da Tabela 1 que a micotoxina de maior incidência verificada no estudo foi a ZEA com quase 73% das amostras apresentando níveis detectáveis desta micotoxina, seguida da FB1 (48,6%), DON (33,6%), FB2 (25,1%), OCRA e AFB1 apresentaram menos de 10% das amos-

Figura 2 - M.G.S. Jones, 1997.

tras contaminadas. Boas práticas de ensilagem A adoção de boas práticas de ensilagem poderá contribuir para a prevenção da contaminação fúngica e diminuição da produção de micotoxinas. Estas práticas são ações que vão deste o campo, até o fornecimento da silagem para os animais, justamente tentando cobrir todas as possibilidades de produção da toxina pelos fungos. Vale lembrar que nem mesmo a adoção destas práticas descartaria completamente a possibilidade de produção de micotoxinas, entretanto elas são importantes para diminuir as chances.

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São elas:  Escolha de variedades ou híbridos adaptados à região em questão e resistente ao ataque de fungos;  Controle de ervas daninhas e pragas;  Aplicação de fungicidas e pesticidas, quando necessários;  Fazer rotação de culturas;  Fazer a fertilização correta, conforme indicação de um profissional habilitado;  Fazer a colheita no momento ideal para a cultura de interesse;  As colhedoras devem estar muito bem ajustadas para o corte preciso e evitar tombamento (acamamento);


 Utilização de inoculante bacteriano adequado que produza ácidos com poder antifúngico como os casos do Lactobacillus buchneri e do Propionibacterium acidipropionici que produzem ácido acético e ácido propiônico;  Enchimento rápido do silo, entretanto com compactação efetiva e eficiente para chegar a atingir densidade mais de 600 kg/m3 de silagem;  Vedação apropriada da massa ensilada com lonas de qualidade;  Manejo adequado da face do silo para minimizar a deterioração após a abertura. No tocante aos inoculantes microbianos, alguns já têm seus efeitos comprovados no controle de fungos e leveduras após a abertura do silo e exposição da massa ensilada ao oxigênio. A Figura 2 demonstra um estudo com silagem de milho com 32% de teor de matéria seca. A silagem inoculada com uma associação contendo Propionibacterium acidipropionici e Lactobacillus plantarum apresentou menor crescimento de fungos e leveduras após a abertura da silagem. Enquanto o crescimento destes microrganismos indesejáveis apresentou comportamento

Foto 2 – Fusarium sp. em silagem de milho. Fonte: North Dakota State University, 2011.

exponencial durante 8 dias de exposição ao oxigênio, a silagem inoculada apresentou um comportamento linear e, ao final, menor contagem. Provavelmente, segundo o autor do estudo, o ácido propiônico produzido pela Propionibacterium acidipropionici inibiu o crescimento de fungos e leveduras, sendo importante fonte de prevenção deste microrganismos indesejáveis.

boas práticas na ensilagem poderá diminuir a contaminação por fungos. Na ensilagem propriamente dita, a prevenção da deterioração aeróbia tem demonstrado bons resultados no controle do desenvolvimento de fungos e, consequentemente, da produção de micotoxinas. Referências bibliográficas LAMIC, 2008. http://www.lamic.ufsm.br/index.html

Considerações finais Micotoxinas têm despertado o interesse também na saúde e nutrição de ruminantes. Como sempre já diz o ditado conhecido: “É melhor prevenir que remediar”. Isso também se aplica às micotoxinas. A adoção de técnicas de

Schmidt, P.; Souza, C.M. de; Novinski, C.O.; Junges, D.; Rezende, D.M.L.C. Níveis de micotoxinas em silagens de milho em cinco bacias leiteiras do Brasil. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 48., Belém, 2011. Anais. Belém: UFRA, 2011.

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Liquidação total do plantel Centrogen 24 | Interural - a revista do agronegócio | Fevereiro de 2012


Um verdadeiro show do

Girolando A maior liquidação de genética da história da raça

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em que surgiu a Associação Nacional dos Criadores de Girolando(Assoleite), a 2010, a produção de leite por vaca Girolando em lactação subiu 239% no período. “A produção que antes era de 1,990 kg/leite por lactação saltou para 4,781 kg/leite. A raça hoje é responsável por 80% da produção de leite do país”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, José Donato Dias Filho. O Brasil produz cerca de 30 bilhões de litros de leite/ano. Trajetória de sucesso

Apresentador Mosquito e um dos lotes vendidos no leilão

Mais uma vez vai ofertar o que existe de melhor em bezerras e novilhas ½ sangue, ¾ , 5/8 e 1/4, além de doadoras Holandesas e Gir Leiteiro. Fêmeas jovens premiadas na temporada 2011 e bezerras para estrear nas pistas em 2012.

Por Gustavo Ribeiro A história do Girolando nas Américas não tem muito tempo. As primeiras notícias do surgimento desse animal datam-se da década de 40. Pelos anseios dos criadores brasileiros, começou a ser praticado intensamente o cruzamento do Gir com o Holandês, procurando fazer com que as duas raças se complementassem com rusticidade e produtividade. Graças a esses ambiciosos pecuaristas e ao cruzamento dessas duas grandes raças, temos o orgulho de dizer que o Girolando é brasileiro. O Zebu foi importado da Índia. O Holandês e outras raças taurinas vieram da Europa. OGirolando foi uma raça criada aqui no Brasil e, por isso, traz a identidade da nossa pecuária. Várias instituições de norte a sul do país investem em pesquisas e técnicas para

o melhoramento genético e a formação ideal para essa raça, nascida e crescida em terras brasileiras. Os números da Embrapa Gado de Leite mostram como os investimentos em melhoramento genético levam ao aumento de produção significativa. De 1989, ano

Jovens doadoras 1/4, filhas da Organza

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Há mais de uma década, uma empresa vem se destacando na produção e comercialização de produtos Girolando de alto valor genético e muita produtividade. A Centrogen surgiu em 2001, era uma fazenda, capitaneada por Hebert Siqueira da Silva, veterinário, formado na Universidade Federal de Uberlândiae com especialização em reprodução. Herbert iniciou o projeto fazendoTransferência de Embriões (TE) para vários clientes criadores de diversas regiões. A propriedade fun-


Lair, Maurício Cabo Verde e Herbert no leilão da Sta Luzia de 2010

cionava como uma Central de Transferência de Embriões, onde recebia doadoras de clientes espalhados por todo o Brasil para fazer coleta dos embriões e congelamento. • Em 2003: a Centrogen faz os seus primeiros produtos de TE para a própria fazenda, iniciando, então, um plantel diferenciado. • 2005: vendidos primeiros produtos em Leilões regionais. Herbert passa a perceber a superioridade dos animais e a diferença de preço que estes conseguiam quando comparados com os outros animais dosleilões. O projeto começava a decolar. • 2005, 2006, 2007: juntamente com o criador Luiz Dias, pai de Herbert, realizou leilões regionais que foram muito bem sucedidos(foto). Após a ótima repercussão desses leilões,eles perceberam a necessidade de divulgar o trabalho para todo o Brasil, deu-se então o início das participações em feiras e exposições, mais um capítulo de muitas alegrias para a Centrogen. • 2008: mais um aliado de peso no time da Centrogen, Lair Dias da Silva, empresário, tio de Herbert,entra como sócio na Centrogen. Lair adquiriu metade dos animais da fazenda. Com isso, aCentrogen especializa-se na produção e criação de bezerras através

da tecnologia de FIV e as doadoras foram transferidas para outra fazenda, de propriedade do novo sócio, onde passaram a ter suas lactações controladas oficialmente. Com isso, além da genealogia comprovada, os animais da Centrogen passam a ter controle de lactação e qualidade do leite, mais um grande passo da empresa. Nomesmo ano,a Centrogen realizou um grande leilão regional, com convidados reconhecidos na pecuária leiteira nacional e que também eram clientes de Herbert em assuntos veterinários e de biotecnologia.Foram comercializados apenas animais produtos de TE e FIV. Neste grande leilão foi comercializada a recordista nacional de produção de leite, Bárbara Teatro Pedra, de propriedade de Rubens Fonseca Santos,que foi vendida para Geraldo Marques. • 2009:a equipe da Centrogen dedicou este ano para participar das grandes exposições do país (Barra Mansa-RJ, Paty do Alferes-RJ, Resende-RJ, Guaratinguetá-SP, Carmo de Minas-MG, Feileite-SP, Megaleite, Castro-PR, Jacareí-SP)e para divulgar os animais que seriam vendidos em 2010 no primeiro Leilão Centrogen, transmitido pela TV. • 2010: Primeiro Grande Lei

Herbert e Eduardo Vaz - Leiloeiro gravando o 2º Leilão Centrogen

Herbert, José Donato e Luis Dias no leilao realizado na cidade de Resende,RJ em 2005

Abertura do 1º Grande Leilão Centrogen e convidados

Eugênio Deliberato, André (Vet. Centrogen), Herbert e Marcelo Cebranelli - premiação da Feileite 2011

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A Centrogen está colocando à disposição dos criadores todo o seu plantel, liquidação total, em que serão vendidas inclusive as grandes doadoras. Um verdadeiro show de qualidade. “ Herbert

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Encerramento do leilão com a equipe da Embral e com o Leiloeiro e parceiro Welerson

lão Centrogen e Convidados Especiais (Presencial e Virtual),o primeiro leilão da empresa transmitido pela TV. Foram ofertados 70 lotes, um total de 113 animais, todos eles resultado dos melhores cruzamentos feitos pelas tecnologias de TE ou FIV. A leiloeira responsável pelo evento foi a Embral Leilões. O confortável Hotel Cegil, em Resende-RJ, foi o palco deste grande leilão, que contou com a participação dos ilustres convidados:Agenor Afonso Amaral, Alambari Agropecuária, Alvaro Carvalho, Antônio C. Carvalho, Cristiano O.Cãnha, Eugênio Deliberato, Jaime Carvalho, Vilarejo Agropecuária, José Donato Dias Filho, Luiz Dias da Silva, Otto Marques,

Ricardo Teixeira, Rubens Fonseca Santos.Foram 28 compradores de 20 cidades diferentes, expandindo a genética Centrogen do Oiapoque ao Chuí. 2011: em fevereiro, foi realizado o 2º Grande Leilão Centrogen e Convidados Especiais, desta vez um leilão apenas virtual e com transmissão pela TV. O ponto de apoio foi o Hotel Cegil. Foram ofertados 68 animais de TE ou FIV, em um total de 54 lotes, todos rigorosamente selecionados. O 2º Grande Leilão teve 16 compradores de 11 cidades diferentes e mais uma vez foi um grande sucesso.

O idealizador Herbert é formado em

2º Leilão Virtual-ponto de apoio: Hotel Cegil Rubens Fonseca, Rogério(Emater), Gustavo Campbel, Luiz Dias, Cristiano Cãnha, Geraldo (HG Vet), Sebastião Leme, Lair Dias

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veterinária na UFU, turma de 1994. Em 1995 voltou para Resende, sua terra natal, onde trabalhou até 1997 como veterinário no Sul Fluminense. Em 1998 foi para Brasília-DF fazer especialização naCenargen-Embrapa(Centro Nacional de Recursos Genéticos). De 1999 a 2006 trabalhou com TE na região do Vale do Paraíba e na Centrogen. No ano seguinte até os dias de hoje, trabalha com FIV em vários estados do Brasil e na Centrogen. A Centrogen em 2008 teve a grata surpresa de contar com uma grande força de trabalho, mais uma cabeça inteligente para definir os projetos da empresa. Lair Dias da Silva, empresário de sucesso na cidade de Resende, e um dos sócios do grupo Cegil. Lair morou em ViscondeMauá, zona rural de Resende, viveu por lá até 1963, quando se mudou paraa cidade. Trabalhou no comércio até 1980,ano em que entrou no ramo da construção civil, atividade onde o empresário teve grande destaque, e segundo ele, nasceu para isso.Foi fundador da Cegil Construtora, que hoje se tornou um grupo muito forte e reconhecido na região, atuando em várias áreas. Em 1986, iniciou na pecuária leiteira. Atividade


em que seu pai, que é avô de Herbert, já desenvolvia com maestria e ensinou os primeiros passos para Hebert e Lair quando ainda eram crianças. A entrada no mercado pecuário foi muito bem sucedida, nesta atividade, já disputou e ganhou diversos torneios leiteiros, com destaque especial para o torneio de Porto Real-RJ, que venceu em 2003 com a incrívelprodução de 81,6 Kg de leite, com a vaca 1/2 sangue Organza, que hoje é uma Doadora trabalhada noplantel da Centorgen. Hoje produz mais de 3.000 Kg de leite por dia em sua propriedade. Como vocês podem perceber, os trabalhos na Centrogen são feitos em família. Lair é Tio de Herbert, ambos iniciaram na pecuária através do avô, uma tradição de anos, que a cada dia é aprimorada e apresenta melhores resultados. Jussara Martins da Silva, é esposa de Herbert, é ela quem cuida de toda parte burocrática da Centrogen.

Jussara, nas atividades do escritório

Organiza os documentos, controla os papéis, os registros, enfim, quando o assunto é escritório, o papo é com ela. Contar com uma pessoa tão fiel e dedicada nos assuntos da empresa, proporcionou mais tempo para Herbert cuidar dos assuntos do campo, fator fundamental para o sucesso da Centrogen.O casal

é pai de dois filhos, Caio e Igor. Maria Inês é a esposa de Lair, juntos eles tiveram cinco filhos, Lair Jr, Leandro, Gilberto (um dos filhos do Lair: futuro Veterinário), Laisiene e Isabel. Uma

Serão ofertados aproximadamente

200 animais

família grande de genética boa e unida pelos negócios da família.

A maior liquidação de genética da história da raça Girolando O 3º Grande Leilão Centrogen vai ser o maior evento de comercialização de genética Girolando da história da raça. Serão ofertados aproximadamente 200 animais, incluindo um grande número de prenhezes, o que é uma grande oportunidade para o criador levar para a sua fazenda a genética Centrogen, registrando em seu nome o produto que irá nascer. Mais uma vez vai ofertar o que existe de melhor em bezerras e novilhas ½ sangue, ¾ e 5/8 e 1/4, além de doadoras Holandesas e Gir Leiteiro.Fêmeas

jovens premiadas na temporada 2011 e bezerras para estrear nas pistas em 2012. A novidade é que, nesse leilão, a Centrogen está colocando à disposição dos criadores todo o seu plantel, liquidação total, em que serão vendidas inclusive as grandes doadoras..Um verdadeiro show de qualidade. O leilão vai ser realizado no dia 3 de março, no Hotel Cegil, a partir das 14h,em Resende-RJ. A leiloeira responsável é a Embral Leilões, os assessores são BMB &Boi e Agnaldo Lellis, o canal Terra

Herbert apresentando Opereta FIV da Centrogen - reservada campeã bezerra mirim da Megaleite 2009, entre 45 bezerras.

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Banho de Leite FeiLeite 2011

São

11 anos

de melhoramento genético, feito usando exclusivamente as biotecnologias da reprodução TE e FIV em Doadoras altamente selecionadas

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Viva faz a transmissão ao vivo do evento. Os lotes serão comercializados em 24 parcelas, divididas da seguinte forma: (2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+1+1). De acordo com Herbert, um dos organizadores do evento, “são 11 anos de melhoramento genético, feito usando exclusivamente as biotecnologias da reprodução TE e FIV em Doadoras altamente selecionadas, à disposição dos compradores. Todos os animais com sanidade 100%,vacinadoscontr a:Brucelose(bezerras), Aftosa, Leptospirose, IBR, BVD, Raiva, Carbúnculo, Diarreias Virais e Bacterianas(bezerras), além de exames de Brucelose e Tuberculose.Todos os animais livro fechado, com DNA comprovando a paternidade e várias gerações conhecidas no pedigree”.

Herbert e Geraldo Marques - Castro, PR - Campeã Bezerra Júnior

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Leite correndo nas veias  Doadoras com lactações controladas oficialmente Origem da Centrogen FIVcampeã torneio leiteiro da Feileite 2011.Novilha 1/4, com 32 Kg de lactação.  Doadoras participantes de torneios leiteiros - (Organza Três Ilhas) Doadora 1/2 sangue campeã do torneio leiteiro de Porto Real-RJ 2003, com 81,6 Kg. Ambas a venda no Leilão.  Animais participantes de pistas Odara da Centrogen FIV em 2010, animal campeã Novilha Júnior Nacional na Megaleite de 2010. Campeã Novilha Junior, Melhor Úbere Jovem, Melhor Vaca Jovem e Grande Campeã da Exapicor-Resende 2010. (Vendida no primeiro leilão Centrogen)  Bezerras para estrear nas pistas em 2012  Jovens doadoras à venda

Doadoras

Gir e Girolando

filhas de consagrados touros

Lista dos touros pais dos produtos à venda  Holandês Aftershock, Atwood,Blitz, Bradley, Braxton, Dundee, Final Cut, Goldroy, Homestead, Kian(V/B), Lavanguard, Mischief, Sanches, Shottle, Top Level, Jatra(V/B),Spirte, Wildman.  Gir Benfeitor,Casper, Castelo, Espelho, Fargo, Hargo, Jaguar,Nobre, Paladino, Paraiso, Sansão, Teatro, Vaidoso, Vale Ouro Silvânia.  Girolando Cowboy, Ozias.

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Foco no trabalho

Faço FIV para vários clientes espalhados pelo Brasil. Como a raça Girolando tem crescido muito graças a esta tecnologia, vejo a necessidade de investir mais tempo e recursos na minha profissão”. Herbert

Herbert nos contou o motivo de liquidar um plantel de tamanha qualidade e de um futuro promissor. “Sou veterinário especializado em reprodução. Faço FIV para vários clientes espalhados pelo Brasil. Como a raça Girolando tem crescido muito graças a esta tecnologia, vejo a necessidade de investir mais tempo e recursos na minha profissão.A fazenda se tornou também um grande negócio, principalmente após os dois últimos leilões televisionados que fizemos. Entretanto, as Biotecnologias da Reprodução, principalmente a FIV, mostram novidades a todo momento, exigindo uma dedicação cada vez maior para se tornar atualizado.Além disso, alguns criadores têm requisitado a minha consultoria em

seus criatórios, o que se torna um bom negócio, considerando os anos de experiência que adquiri na Centrogen, criando os animais de uma forma simples e eficiente." Só o homem do campo conhece a rotina da fazenda, o trabalho corrido, sem hora para terminar, a dedicação e o empenho que essa atividade exige do produtor. Essa infinidade de tarefas quanto mais cresce, mais exige, e as proporções que a Centrogen alcançou exigem tempo integral de trabalho. No entanto, os interesses profissionais e pessoais do idealizador deste projeto foram de encontro à realidade da empresa, por isso os sócios proprietários da Centrogen definiram fazer um grande leilão de liquidação do plantel para que esse

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trabalho sério, de mais de uma década, continue a semear frutos em outros criatórios do país. “Tenho um sócio investidor, Lair Dias da Silva, que é um empresário muito bem-sucedido em Resende e também um homem com a agenda sempre apertada. Como toda a parte operacional da sociedade, incluindo aí todas as etapas do trabalho de FIV, atividades veterinárias em geral, administração, participação em exposições e leilões,é executada por mim, fica clara a dificuldade de se conciliar as duas atividades”. (foto minha aspirando) Bons aliados Todo trabalho de sucesso conta com bons parceiros. Gente honesta, comprometida,


transparente e que realmente luta pelos mesmos objetivos. A Centrogen, ao longo de sua história de mais de uma década de trabalho sempre se preocupou em ter gente boa de trabalho ao seu lado. Um deles é a maior leiloeira do Brasil, a Embral Leilões é a responsável pelos leilões da Centrogen e na maior liquidação da história da raça Girolando não podia ser diferente. De acordo com Leonardo Beraldo, Diretor da Embral, o que a Centrogen está preparando para a liquidação de plantel vai ser um marco na história do Girolando. “São anos de trabalho do Herbert e muita, mas muita genética. Com certeza quem comprar vai estar já alguns anos de avanço genético com animais para família, animais de pista e animais consagrados.Vai ser sem duvida nenhuma um grande sucesso o leilão, pois onde tem qualidade, comprometimento e dedicação não tem como dar errado”, conclui. Outro importante aliado da empresa é o leiloeiro Welerson Silva, este reconhecido leiloeiro no cenário nacional, conhece bem o trabalho da Centrogen. De acordo com ele é uma empresa “de muita competência, dedicação,seriedade e acima de tudo transparência e responsabilidade nos negócios”. Welerson viu a Centrogen ainda como um “embrião” e afirma que desde os primeiros dias a empresa já mostrava sua força dentro da raça Girolando. Junto com a Centrogen participou de grandes leilões no sul Fluminense, até julho de 2010, quando fizeram o primeiro grande Leilão Centrogen, transmitido pela TV. Pouco tempo depois, em fevereiro de 2011 o segundo grande leilão, este só virtual. Nos dois even-

tos sucesso absoluto e satisfação total dos clientes em todo Brasil. Welerson destaca alguns animais produzidos e criados pela Herbert e sua equipe. Fêmeas campeãs de pista como Odara da Centrogen campeã Novilha Júnior MegaLeite 2010, comercializada no mesmo ano no 1º leilão da empresa. Otimismo é a palavra que define as expectativas do leiloeiro para a liquidação de plantel Centrogen. “Essa liquidação será sem dúvidas uma grande oportunidade para criadores e para a raça Girolando. Uma venda total sem reservas. Doadoras, bezerras e embriões de acasalamentos consagrados. A maior liquidação de genética da raça Girolando de todos os tempos. Com uma base forte e muito bem sustentada, tendo como uma grande referência, dentre tantas, a extraordinária Organza, grande doadora e mãe de fêmeas campeãs de pista”. Sebastião Leme é outro que conseguiu grandes resultados em sua parceria com a Centrogen.Proprietário da Fazenda Mascate, o criador já foi vencedor de vários torneios em MG, RJ e SP. Sebastião Leme é um profissional no que faz. De acordo com ele seus negócios com a Centrogen foram sempre muito produtivos. “Comprei oito bezerras nos dois grandes Leilões da Centrogen 2010 e 2011, filhas da Organza, doadora que produziu 81,6 Kg em torneio leiteiro e da Britânia, outra doadora que fechou lactação oficial com 16.800 Kg em 365 dias”. Dia 03 de março a equipe daCentrogen e a Embral Leilões esperam todos os criadores, pecuaristas, entusiastas, investidores e selecionadores para a maior liquidação de genética da história da raça Girolando. O evento será

realizado no Hotel Cegil, em Resende no Rio de Janeiro a partir das 14:00h e terá transmissão ao vivo do canal Terra Viva.É a oportunidade de melhorar seu plantel, com animais de genética superior e alto índice de produção comprovado, não fique de fora desse verdadeiro show do Girolando.

Inauguração novo escritório da Centrogen, setembro de 2011, em Resende-RJ

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Depoimentos Cláudio Cardoso Fazenda Oriente, RJ “Eu adquiri alguns animais ½ e ¼ em diversos leilões da Centrogen. Todos animais diferenciados, com qualidade superior. Tenho animais ½ sangue comprados da Centrogen que na 1ª cria teve lactação superior a 30 kg. Sou cliente deles a bastante tempo, é admirável a transparência e a qualidade dos produtos comercializados pela empresa”. Sebastião Leme Fazenda Mascate - Resende, RJ “Comprei oito bezerras nos dois Leilões da Centrogen, 2010 e 2011. Filhas da Organza, doadora que produziu 81,6 Kg em torneio leiteiro e da Britânia, outra doadora que fechou lactação oficial com 16.800 Kg em 365 dias. Já ganhei dois torneios leiteiros com os animais adquiridos do Herbert. Um trabalho sério, com animais de ponta e resultados oficiais”. Mila de Carvallho de Laurindo e Campos Fazenda Recreio – Resende,RJ “Impossível falar na Centrogen dissociada da pessoa do Herbert, um entusiasta e pioneiro nas técnicas de reprodução e melhoramento genético que muito somou para a evolução da pecuária leiteira nacional. Temos a grata satisfação de contarmos em nosso plantel com uma representante do criatório Centrogen: Sabedoria da Centrogen FIV, filha da doadora Sunnylodge Leader Lorna x Vale Ouro da Silvânia, animal que despensa comentários”. Dr. Roberto de Melo Carvalho – Girolando RBC Cássia-MG “Conheço o trabalho do Herbert há muito tempo. Todos os negócios com ele são feitos de forma clara, liso, é um trabalho sério, sólido e reconhecido. Recomendo a todos os criadores. É uma pessoa que acredita muito em genética e um entusiasta da raça Girolando”.

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Totonho Granja Pilotos, RJ “Nós trabalhamos com o Herbert há mais de cinco anos. Ele fez diversos trabalhos de FIV e TE da Fazenda Granja Pilotos. Além disso, adquirimos alguns animais, ½ sangue outros ¾ do plantel da Centrogen. Algumas dessas doadoras tornaram-se doadoras do nosso plantel. Temos filhas campeãs de pista. Os animais oriundos da Centrogen sempre apresentaram bons resultados. Após a liquidação do plantel será uma pena não tê-lo como criador, é um grande parceiro, está sempre participando das pistas, um dos pioneiros e entusiastas da raça”. Agenor Afonso Amaral Fazenda Jardim, RJ “O Herbert é uma pessoa muito séria, a Centrogen têm um programa de melhoramento genético que é muito bem feito, produz uma genética fora do comum, é um dos lideres do mercado no estado do Rio de Janeiro”. Sérgio Luiz da Silva Porto – Fazenda Esperança – Resende, RJ. “Foi muito bom fazer negócios com a Centrogen, os animais com genética e preço justo, toda negociação feita de forma transparente. Eu adquiri deles a Campeã Nacional na Exapicor, em Resende a doadora 5/8, Odara FIV da Centrogen. Após minha compra ela se sagrou campeã Novilha Júnior Nacional na Megaleite 2010, melhor úbere jovem, melhor vaca jovem e grande campeã da Exapicor-Resende 2010”. Fernando Garcia Estância São José – Avaré,SP “O plantel da Centrogen é de excelente qualidade. Animais acima da média, de genética de ponta. Herbert foi muito feliz no acasalamento dos seus animais e sempre indica as melhores cruzas. A Centrogen conta hoje com um rebanho diferenciado fruto do bom trabalho que eles desenvolvem”.


A CentroGen por meio de seus diretores Herbert Siqueira da Silva e Lair Dias agradecem de forma especial o apoio e colaboração de todos os parceiros pela contribuição ao longo da história da empresa. Em especial o apoio dado para a realização do Leilão de Liquidação Total do Plantel.

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Embral Leilões

Ninguém é líder por acaso A Líder no mercado de leilões de gado de leite do Brasil começa o ano a todo vapor

O que determina o sucesso de uma empresa é a solidez com que ela atua no mercado. A confiabilidade dos atores envolvidos em qualquer negócio é preponderante para determinar uma relação onde todos alcancem seus objetivos. A Embral Leilões executa seu plano de ação com foco nos valores de conduta que adota como os pilares da empresa, no caso, a busca permanente da excelência na qualidade dos serviços que presta, a partir de conduta ética junto a parceiros, clientes e fornecedores e um equilíbrio financeiro nos negócios. A Embral Leilões é uma empresa especializada na organização dos principais leilões de gado de leite do Brasil.

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Contando com uma equipe de colaboradores de alto nível e conhecimento no ramo do agronegócio, a Embral conquistou espaço e se consolida como a principal leiloeira do país, no segmento de venda de gado de leite. Todo esse sucesso não veio por acaso. É fruto do trabalho de 30 anos da Rurália Eventos Rurais, proprietária da marca Embral, fundada pelo saudoso Sebastião Beraldo, que usava um lema importado do esporte para nortear a forma de atuação da empresa: “Temos que remar com sincronismo”, dizia. Seu filho, Leonardo Beraldo apaixonado pelos negócios agropecuários, seguindo a mesma linha do pai, comentou essa frase que faz parte da his-


tória da empresa. “Esse era um lema que meu pai usava muito, você tem que ter um objetivo, e seu time tem que ir com o mesmo principio. Se o objetivo principal é a satisfação do cliente, todos tem que remar para atingir esse propósito. Seguir uma linha para não ficar batendo cabeça ou ‘remando em círculo’”. De acordo com Léo, muita coisa mudou de quando a empresa iniciou seus trabalhos, até hoje. “O melhoramento genético, o avanço tecnológico, que esta cada vez mais aberto aos produtores. O produtor sabe que não pode ficar de fora, pois ficará para traz. Processos como IA, TE, FIV, controle leiteiro, teste de progênie etc, tem trazido benefícios para os pecuaristas, pois antes não tinha acesso ou não se interessavam”. Para ser líder de mercado há tantos anos, é necessário muito trabalho, comprometimento e gente competente ao lado. As palavras de Léo definem muito bem, porque a Embral está à frente na comercialização de animais com aptidão leiteira. “Não temos segredo, apenas comprometimento com os nossos clientes sempre, sendo vendedor ou comprador. Prestamos o serviço com qualidade, fidelidade e seriedade. Temos compromisso com o negócio, dando assessoria do começo ao fim. E nada melhor do que você fazer algo que goste quem entra nesse meio passa a ter “leite correndo nas veias”. Ser a maior leiloeira de gado de leite é um conjunto de fatores, principalmente o trabalho em equipe. Meu pai sempre foi preocupado em defender os produtores, o que nós procuramos, e dar seqüência nesse trabalho que sempre desenvolveu com os produtores, com muita seriedade, comprometimento e

profissionalismo. Pois a nossa maior vitória é a SATISFAÇÃO de nossos clientes. Saírem satisfeitos, e atendermos as suas necessidades, tanto comprando como vendendo, é a nossa obrigação”. A empresa procura manter as relações entre funcionários, prestadores de serviços como uma grande família “Família Embral”. Essa relação sempre acaba se estendendo entre os funcionários, gerentes e proprietários das fazendas as quais visitamos e realizamos os

leilões. É um verdadeiro time, que joga junto, defende o mesmo propósito, com um objetivo em comum: “ver o cliente satisfeito, atender suas necessidades, e com isso dar seqüência nos negócios”, conclui Leonardo Beraldo. A expectativa da empresa é que 2012 seja mais um excelente ano para Embral. “Expectativa e de mais um ano excelente, com bons preços tanto para o comprador como para o vendedor, mantendo o mercado bem aquecido”.

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Pecuária

Pecuária de leite afetada com as fortes chuvas Escoamento da produção leiteira está muito prejudicada com a péssima condição das estradas

Já chega a

50%

as perdas da safra diária do leite em Minas.

As fortes chuvas que atingem Minas Gerais já estão prejudicando a pecuária de leite. As condições críticas das estradas em diferentes regiões do estado, aliada às chuvas, atrapalham a entrega do leite pelos produtores, pois os caminhões de coleta têm dificuldade para chegar até as fazendas. De acordo com a Secretaria de Agricultura de Minas, ainda não se tem um levantamento geral das perdas na agropecuária do estado, no entanto, o governo local já está verificando os pontos mais críticos com o objetivo de pedir ajuda financeira à União para recuperar estradas e prestar socorro às cidades que já decretaram estado de calamidade pública. Situação é grave Muriaé, na Zona da Mata mineira, produz 100 mil litros de

leite por dia. São dois mil produtores, todos, segundo o sindicato da categoria, foram atingidos pelas fortes chuvas de 2011. Nas estradas, o cenário é de muita lama. Na propriedade de Roberto Carvalho, a enchente invadiu a casa e o estábulo. O tanque de expansão chegou a boiar, o que impossibilitou a coleta e o armazenamento do leite. A produção de 400 litros diários reduziu em 40%. O produtor rural ficou cinco dias sem fazer a ordenha. Em um laticínio com média de captação de 20 mil litros de leite por dia, os números foram prejudicados em 15% na primeira semana de 2012. A empresa recebe o leite de 800 produtores. Houve dia em que os caminhões não conseguiram chegar às propriedades rurais, um risco grande do leite azedar e um custo a mais

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com a manutenção dos veículos. A região da Zona da Mata mineira é uma das mais afetadas pelas chuvas no estado. A péssima situação das estradas vicinais e rodovias que cortam o Estado já resultam em prejuízos diários da ordem de R$ 2 milhões, segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg). O maior problema está nas perdas ocasionadas no transporte do produto entre as propriedades rurais e os laticínios. "As estradas estão inacessíveis e o leite tem uma vida útil extremamente curta, o que resulta em sérios prejuízos para os produtores", afirmou o diretor executivo do Silemg, Celso Costa Moreira. Conforme Moreira, já chega a 50% as perdas da safra diária do leite em Minas. "Dos cerca de 2 milhões de litros de leite que são produzidos diariamente, nós estamos contando com apenas metade disso em função das chuvas", revelou. Minas Gerais possui cerca de 300 mil produtores de leite. E, por tratar-se de produto perecível, o leite enfrenta problemas de volume e tempo de estocagem. "Soma-se à dificuldade de acesso às fazendas, os problemas de queda de energia elétrica, que também resultam em prejuízos", avalia Moreira.


SP: inseminação artificial cresce 15% no ano passado A busca por melhor genética no rebanho brasileiro tem permitido uma evolução anual média de 15% na inseminação artificial. Os dados de 2011 não fugiram à regra. Estimativas indicam que o setor comercializou 12 milhões de unidades de sêmen, 15,4% mais do que em 2010. O cenário deste ano também será positivo, principalmente se a produção brasileira de carne e de leite mantiver o crescimento que vem obtendo nos últimos anos, em especial devido ao aumento do consumo interno. A avaliação é de Tiago Carrara, gerente de mercado da Alta Genetics, empresa que atingiu o recorde de vendas em 2011, somando 3 milhões de doses de sêmen bovino. Fonte: Folha de São Paulo

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Pecuária

Pecuária brasileira perde grande incentivador do setor

Dr. Max foi, ao longo de sua carreira, um grande admirador do agronegócio brasileiro e fazia questão de destacar, em todos os momentos, a importância desta atividade para a economia brasileira, para o crescimento do país e das futuras gerações Assessoria de imprensa da Tortuga.

No último dia 5 de janeiro, faleceu aos 39 anos , em consequência de um infarto fulminante do miocárdio, o Dr. Max Fabiani. Formado em Medicina pela PUC Campinas (SP), iniciou sua carreira no agronegócio junto ao seu pai, o imigrante italiano Fabiano Fabiani, fundador da Tortuga Companhia Zootecnia Agrária. Em 2000, atuou no desenvolvimento de produtos e marketing e, depois de algum tempo, assumiu a área de Marketing da Linha Saúde, unidade Santo Amaro (São Paulo/ SP), logo após a gerência. Max também gerenciou as fazendas do Grupo. Em 2004, assumiu o cargo de vice-presidente da Tortuga, permanecendo neste até 2006, período no qual trabalhou e aprendeu muito com a experiência e sabedoria de sua mãe, Dona Creuza Fabiani, atual presidente da empresa. De 2006 a 2010, Max presidiu a empresa e registrou grandes conquistas. “Dr. Max foi, ao longo de sua carreira, um grande admirador do agronegócio brasileiro e fazia questão de destacar, em todos os momentos, a importância desta atividade para a economia brasileira, para o crescimento do país e das futuras gerações”, divulgou em nota a assessoria de imprensa da Tortuga. A missa de sétimo dia foi realizada na quinta-feira, 12 de janeiro, na Igreja São José, localizada na Rua Dinamarca, 32, em São Paulo, capital. Fonte: Agrolink

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16

Dia de campo*

em Barretos - SP

*visita opcional

Em março, acontecerá o Encontro de Confinamento da Scot Consultoria, cujo foco será reunir os principais agentes-chaves da pecuária brasileira para partilhar o que há de mais novo em confinamento de bovinos. O Encontro é uma referência de mercado e vem sendo realizado há vários anos, concentrando profissionais de toda a cadeia pecuária.

Foto original por Renata Campanelli Moreira, do confinamento Monte Alegre

No dia 16, haverá uma visita opcional ao Confinamento Monte Alegre, em Barretos - SP, ganhador do Prêmio Nelson Pineda por Excelência em Confinamento.

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Apoio 41 | Interural - a revista do agronegócio | fevereiro de 2012


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FONTE Paulo Martins Doutor em Economia Aplicada. Pesquisador da Embrapa Gado de Leite e Professor da UFJF.

Mercado

O economista pode migrar facilmente de uma atividade produtiva para outra. Por exemplo, é possível trabalhar com milho e, em outro momento, se dedicar à florestas, ou a serviços de saúde, construção civil ou turismo. Em todas as áreas cabem os pressupostos da ciência econômica. Esta mobilidade é uma virtude da profissão. Em função disso, ao longo de sua vida profissional, o economista agrícola trabalha com diferentes produtos. Todavia, no meu curso de Mestrado em Economia Rural, na Universidade Federal de Viçosa, fui aconselhado por um professor a não desenvolver a dissertação sobre leite. Segundo este professor há uma maldição com o leite, pois quem trabalha com o produto passa a vida inteira somente analisando este produto. “Leite é o cemitério dos economistas”, ele me disse. Ao longo dos meus 28 anos de formado e atuando com leite, eu sou o exemplo acabado desta suposta “maldição”. Entretanto, o tempo me mostrou que há um motivo para o leite prender os poucos economistas que estudam o setor. É que não há atividade agrícola mais complexa, mais instável, mais imprevisível que o setor lácteo. Cada ano é um ano e quem se aventura a fazer previsões tem chances curtas de acertar. Se olhar para frente

é difícil, que tal olharmos para o passado recente? Vamos analisar o comportamento dos preços no ano passado e ver o que eles nos ensinam. Na Figura 1 são apresentados o comportamento dos preços médios recebidos pelos produtores, dado pelo Cepea/ Esalq/USP e o comportamento dos preços médios de um conjunto de nove produtos lácteos, a saber: Leite em Pó, UHT, Condensado, Queijos, Iogurte, Fermentado, Creme de Leite, Manteiga e Leite com Sabor. A fonte dos dados é esta belíssima e séria instituição chamada IBGE. Também é apresentado o comportamento dos preços de todos os produtos e serviços ao consumidor, o conhecido IPCA, que é a medida da inflação brasileira. Comecemos pelo IPCA. No ano passado acumulamos uma inflação de 6,5%, uma taxa elevada para países com economias estáveis. Mas, por volta de abril analistas previram que chegaríamos em dezembro com inflação acumulada de dois dígitos, ou seja, 10% ou mais. Então, com a taxa obtida, a tragédia anunciada não se confirmou e todo mundo respirou com certo alívio. Mas, perceba que os derivados lácteos contribuíram para a contenção da taxa inflacionária somente até abril. Daí em diante os preços correram acima da inflação,

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acumulando uma variação de 8,1% no ano. O pico dos preços no varejo foi em outubro, quando a inflação acumulada dos lácteos bateu em 9,0% no ano. Agora, veja o gráfico dos preços pagos ao produtor. Até setembro os preços acumularam aumento de 23,66%, que foi 2,5 vezes o acumulado pelos lácteos no varejo, até aquele mês (8,45%), e 4,6 vezes a inflação acumulada no período (4,97%). Nos últimos dois meses houve queda de preços, mas os preços ao produtor fecharam o ano com elevação acumulada de 17,36%. Isso é mais do que a elevação do preço do ouro, que foi o ativo financeiro que mais valorizou no Brasil em 2011, e que fechou o ano com uma elevação acumulada de preços de 15,9%. Em outras palavras, se existisse mercado futuro para o leite no Brasil, quem tivesse comprado papéis lastreados em preço de leite ao produtor no início do ano, no final do ano teria acumulado ganhos superiores até à valorização do ouro! Vamos analisar o comportamento dos preços reais de produtos lácteos no varejo. A expressão “preços reais” significa preços nominais, ou seja, os preços verificados na gôndola, descontados da inflação. Para entender os gráficos 2, 3 e 4, não há grande dificuldade. Quando o ponto da curva no gráfico está acima de zero, sig-


nifica que o preço do produto no varejo superou a inflação daquele mês. Se o inverso ocorre, ou seja, se a curva está abaixo de zero significa que o preço do produto subiu menos que a inflação do mês. No Gráfico 2 verifica-se que o Leite UHT perdeu da inflação até março. A partir daí os preços suplantaram a inflação continuamente. Em setembro houve o pico de preços acima da inflação e o ano fechou com os preços cotados a 1,3% acima da inflação. Em termos nominais, os preços cresceram 7,8% de janeiro a dezembro. Comportamento similar teve o Leite em Pó no varejo, embora com menos oscilação, em função da influência dos preços do mercado internacional. Entre janeiro e dezembro a variação acumulada foi de 9,5%. Descontada a inflação, deu 3,02% de acréscimo real. Já no caso do Condensado, 2011 foi mais um ano com um comportamento de pouca expressão, ao contrário do passado. Ao longo do ano o preço oscilou em torno da oscilação de preços do varejo (IPCA), como mostra o Gráfico 2 e fechou em 7,8%, um pouco acima da inflação, portanto. Pelo, visto, o Leite Condensado deixou de ser mesmo um ótimo negócio, com a entrada de vários concorrentes no mercado nos últimos cinco anos. O Gráfico 3 mostra que os preços do Queijo perderam da inflação no primeiro semestre. A partir de julho houve recuperação, mas nada que permita afirmar que foi um ano de ouro para o produto. Em termos nominais, ou seja, sem descontar a inflação, os preços acumularam um crescimento de 8,9%. Já o Iogurte e o Leite com Sabor tiveram um ano pra não deixar saudade. Estes produtos perderam da inflação. Em outras

Gráfico 1. Comportamento de preços em 2011. Fonte: IBGE (IPCA e Lácteos) e Cepea/Esalq/USP (Preço ao Produtor)

Gráfico 2. Comportamento real* de preços de produtos lácteos selecionados em 2011 Fonte: IBGE Obs: * real significa que da variação dos preços obtidos no varejo foi descontada a inflação do mês

Gráfico 3. Comportamento real* de preços de produtos lácteos selecionados em 2011 Fonte: IBGE Obs: * real significa que da variação dos preços obtidos no varejo foi descontada a inflação do mês

palavras, foi mais barato consumir estes produtos ao longo do ano que no início de 2011. Em dezembro a variação de preços acumulada no ano para o Io-

gurte foi de 5,4% e o Leite com Sabor foi de 2,7%, contra uma inflação de 6,5%. No Gráfico 4 percebe-se que a Manteiga teve um primei

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Mercado

ro semestre ruim, compensado pelo comportamento de preços no segundo semestre. Já o Creme e o Leite Fermentado apresentaram comportamento de preços que nós chamamos de serrote, ou seja, de grande oscilação e, o que é pior, perdendo feio da inflação! Em dezembro a Manteiga foi vendida a preços 10,4% superiores a janeiro, enquanto que Fermentado e Creme foram comercializados a preços 3,2% e 2,9% superiores, ou bem abaixo da inflação do período. Para finalizar, vamos comparar a variação mensal dos preços dos produtos lácteos no varejo com o comportamento mensal de preços do leite ao produtor. Não há novidades na interpretação do Gráfico 5, que apresenta a diferença entre as variações mensais dos preços de cada produto lácteo e do preço do leite ao produtor, mês a mês. Se a curva estiver acima de zero significa que o derivado lácteo apresentou variação de preços superior ao preço ao produtor. Se o gráfico estiver na região negativa significa que a variação do preço do produto perdeu para a variação do preço ao produtor. Como se percebe, os preços dos nove produtos lácteos pesquisados perderam continuamente para os preços do leite ao produtor, sem exceção. Com base nos gráficos apresentados, podemos concluir que os produtos lácteos puxaram a inflação para cima em 2011, quando analizados em conjunto. Todavia, cinco produtos foram responsáveis por esse impacto: UHT, Pó, Condensado, Manteiga e Queijos. Os demais produtos contribuiram para controlar ou segurar a inflação. Por outro lado, os preços aos produtores sofreram forte elevação, superando,

Gráfico 4. Comportamento real* de preços de produtos lácteos selecionados em 2011 Fonte: IBGE Obs: * real significa que da variação dos preços obtidos no varejo foi descontada a inflação do mês

em muito, as variações registradas por todos os produtos lácteos no varejo. Registre-se que esta variação ocorreu em cima de um valor de R$ 0,72, que foi o preço médio praticado em dezembro de 2010, um valor inegavelmente alto para os padrões históricos ou mesmo internacionais. Uma variação positiva de 23,7% em doze meses no preço médio ao produtor foi algo que ninguém previu há um ano. Nem os mais otimistas. É evidente que isso impactou a rentabilidade das empresas lácteas, num ano em que, uma vez mais, a regra foi colher prejuizos ou lucros tímidos. A indústria láctea nacional vem se descapitalizando desde o início da crise mundial. Isso não é discutido claramente em função de parte dos laticínios estarem buscando valorização,

pois trabalham com a idéia de serem comprados, por um lado. Por outro, são laticínios que buscaram dinheiro no mercado, abriram capital ou obtiveram recursos públicos facilitados e ninguém quer demonstrar insucesso, claro! Portanto, voltando à origem deste artigo, os economistas não conseguem abandonar o setor não é devido a nenhuma “maldição”. Estudar um setor que tem gráficos típicos de um eletrocardiograma não tem graça. Mas, conviver com gráficos tão estranhos como estes apresentados aqui estimulam qualquer economista. Eles sinalizam que o setor como um todo é frágil e tem um nível muito baixo de organização. Economista gosta de emoção, seupresas, crises e tudo isso é o que não falta neste setor.

Gráfico 5. Comportamento de preços de produtos lácteos em relação ao preço recebido pelo produtor, em 2011. Fonte: IBGE e Cepea/Esalq/USP

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Agência ML Crescimento na medida certa Agência inicia parceira com Central Integrada de Agronegócios em Uberaba O mercado do agronegócio desde junho de 2011 passou a contar com um grande parceiro, a Agência ML é uma empresa com espírito jovem, inovador e ousado que quer encantar com o poder das suas ideias, desenvolvendo para os seus clientes soluções personalizadas nas áreas de design gráfico, web design, assessoria de imprensa, assessoria a eventos e comunicação integrada. Com sede em Uberlândia, a agência funciona no escritório da Revista InteRural e está de portas abertas para receber clientes de todo universo do agronegócio. A grande novidade é a nova filial da ML que está sendo aberta em Uberaba. Em uma reunião realizada na CiA (Centro Integrado de Agronegócios) no dia 12 de Janeiro ficou formalizado o inicio das atividades da Agência ML neste mesmo escritório, localizado na rua Antônio Carlos, 146, Bairro Jardim Alexandre Campos. Reconhecida pelos projetos inovadores, e pela criatividade no desenvolvimento dos trabalhos a empresa visualizou no mercado brasileiro em constante crescimento e cada vez mais competitivo a oportunidade de crescer, aparecer e voar mais alto. A Agência ML – “Criatividade na medida certa”, é formada por uma equipe entrosada e empenhada em desenvolver soluções diferenciadas para cada empresa. A ML trabalha em parceria com seus clientes, valorizando seu ponto de vista, e apresentando para ele novas propostas para assim chegar a um objetivo em comum, a valo-

rização da marca. O sócio proprietário e Diretor de Criação da Agência ML, Luiz Felippe, aposta na nova parceria e acredita que quem ganha mais são os clientes. “Para uma empresa crescer ela precisa de parceiros, parceiros de garra seriedade e comprometimento, não vejo qualidades melhores para o Boi, Celso, e o time da Cia, sempre determinados em seus objetivos. Acredito que esse novo empreendimento terá um futuro promissor para nossos clientes que agora poderão contar com projetos de qualidade e uma estrutura a altura para poder atendê-los”. Para Mário Knichalla Neto, Diretor Comercial da agência é uma proposta que tem tudo para dar certo. “Os produtores agora encontram em Uberaba que é um celeiro do agronegócio, uma agência preparada para atender e criar soluções personalizadas para cada cliente de forma rápida e eficiente”. Centro Integrado de Agronegócios Formado por um grupo de empresas com um amplo cam-

po de atuação ligado ao agronegócio e focado no desenvolvimento do setor agropecuário brasileiro. O objetivo do CIA é reunir várias empresas especificamente do agronegócio, em um único local, compartilhando a estrutura física e operacional, para facilitar o acesso a prestação de serviços e produtos de qualidade, de modo rápido, eficiente e economicamente viável a produtores, criadores e investidores que buscam o incremento de seus negócios. Os integrantes do CIA acreditam que o sucesso de qualquer empresa, independente da área de atuação, depende da mesma coisa: a satisfação dos seus clientes. Através da união, respeito mútuo, interação de propósitos, compartilhando esforços contribuirão significativamente para o sucesso e satisfação de seus clientes, o empresário rural, seja ele pequeno, médio ou grande. Hoje a CiA conta com os seguintes parceiros: Boi e Beef Milk Brasil, Celeiro Produções, Girolando Muquém, Fertnutre, Fertvitro, Ura Online, Vitorino Agronegócios e agora a caçula da turma, Agência ML.

Os produtores agora encontram em Uberaba que é um celeiro do agronegócio, uma agência preparada para atender e criar soluções personalizadas para cada cliente de forma rápida e eficiente Mário Knichalla Neto

Acredito que esse novo empreendimento terá um futuro promissor para nossos clientes que agora poderão contar com projetos de qualidade e uma estrutura a altura para poder atendê-los Luiz Felippe

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Pecuária

Estratégias de Proteção da sua Produção de Boi Peso entre o mínimo de

450 kg

e o máximo de

550 kg

e idade máxima de

42 meses

Na última edição da Revista InteRural foi apresentada a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e como funcionam os contratos futuros. Neste artigo, detalharei sobre os contratos agrícolas de boi gordo. Em seguida, explicarei a estratégia de proteção (hedge) para estes contratos. Os contratos futuros são derivativos do mercado físico. No caso do Boi Gordo, o objeto da negociação é o bovino macho, castrado, bem acabado (carcaça convexa), em pasto ou confinamento, que apresente peso entre o mínimo de 450 kg e o máximo de 550 kg e idade máxima de 42 meses. Existe um contrato para cada mês, com o vencimento no último dia útil. No entanto, o contrato do mês de outubro é o que apresenta maior liquidez. Cada contrato é composto por 330 arrobas e a base de preços no físico é a de Araçatuba-SP. Desta forma, o contrato futuro de boi é utilizado pelos especuladores (é o contrato mais alavancado da BM&F) com o intuito de auferir lucros especulando sobre o preço da arroba do boi, e pelos “hedgers”.

Estes investidores são pecuaristas que, através do mercado financeiro, protegem suas produções agrícolas. O hedge serve como instrumento de proteção contra o risco de variações de preços nos diversos mercados de ativos reais ou financeiros. A ideia de reduzir os riscos é uma constante quando se fala em hedge, pois esta operação neutraliza possíveis choques e impactos não previsíveis que possam ocorrer no futuro. Diferentemente do que ocorre nos EUA, onde cerca de 70% da produção é protegida através dos contratos futuros, a prática de hedge no Brasil é pouco utilizada. Esta estratégia baseia-se na compensação de ganhos e perdas no mercado à vista pelo resultado da operação na BM&F. Assim, o produtor que deseja fixar o preço de venda do seu produto deve vender contratos futuros. Este contrato faz com que, numa data futura, a diferença entre o valor de mercado e valor estabelecido no contrato já esteja pago ou recebido. A liquidação dessa diferença é realizada em termos financeiros, garantindo a segurança da operação. Outra maneira de proteção é o contrato de opção. Nessa estratégia, o produtor que esteja planejando sua colheita para daqui a três ou seis meses, compra contratos de opção de venda, e com isso, garante um preço para uma determinada data. Desta forma, ele protege para uma eventual queda no preço, visto que ele não sabe quanto valerá o produto na-

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quela data. Caso o preço na data futura – na BM&F – esteja maior que o de exercício da opção, o produtor não é obrigado a exercer a operação, perdendo apenas o valor pago na opção. Simplificando, assemelha-se a um seguro para a produção. A decisão de realizar o hedge depende de como o produtor observa o ambiente do agronegócio e de suas expectativas do cenário econômico futuro. Os produtores em melhores condições para enfrentar as adversidades são aqueles que conhecem detalhadamente seus custos e riscos, e por isso, é importante que o produtor saiba que há formas de se proteger e diminuir a possibilidade de ser pego de surpresa por algum revés da economia ou de fatores externos. Investir num mercado promissor que são as commodities agrícolas, às vezes é interessante e pode ser extremamente rentável, mas em casos de incertezas ou de uma busca por maior segurança em retorno, realizar o hedge é a melhor solução. Ao contrário do que muito se fala o produtor que opera nos mercados futuros não está especulando, mas sim está garantindo os preços de uma parte da sua produção. George Lucas Furini – Assessor de Investimentos Ápis Investimentos – (34) 3221-8606


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Pecuária

Combate à febre aftosa

na fronteira do Brasil com o Paraguai O Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, visitou o Mato Grosso do Sul no último dia 6 para acompanhar a fiscalização na região

As atividades de inspeção também estão sendo realizadas em 14 postos fixos e em 10 barreiras volantes em toda a fronteira do estado

O apoio das Forças Armadas às ações de prevenção na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai teve início na quarta-feira, dia 04 de janeiro. Os militares estão atuando em parceria com os fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) em cinco pontos considerados de maior risco para a entrada do novo vírus identificado no país vizinho. As atividades de inspeção também estão sendo realizadas em 14 postos fixos e em 10 barreiras volantes em toda a fronteira do estado. No Paraná, a fiscalização foi reforçada a partir do dia 5 de janeiro, com o funcionamento

de arcolúvios para a desinfecção de veículos procedentes do Paraguai, nas cidades de Guairá, Santa Helena e Foz do Iguaçu. O Rio Grande do Sul implantou quatro barreiras volantes para fiscalizar a fronteira com a Argentina. Todos os postos do Sistema de Vigilância Agropecuária (Vigiagro) do estado também foram fortalecidos. Em Santa Catarina, as atividades de fiscalização já foram ampliadas. Além de intensificar o controle nas unidades do Vigiagro, as autoridades estaduais estão em contato com o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina para rea-

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lizar um trabalho conjunto de controle de trânsito na divisa. O ministro da Agricultura viajou para o Mato Grosso do Sul no dia 6 de janeiro, foi até a cidade de Ponta Porã para fazer visitas aos locais de inspeção e acompanhar o trabalho de fiscalização. Em Campo Grande, Mendes Ribeiro Filho reuni-se com o governador André Puccineli e com representantes da Superintendência Federal de Agricultura e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário para tratar o assunto. Fonte: Ministério da Agricultura/Redação


Ponto de vendas

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InteRural

Girolando Associação Brasileira dos criadores de girolando Rua Orlando Vieira do Nascimento, 74 Vila São Cristovão - Uberaba-MG Fone: (34) 3331-6000 E-mail: girolando@girolando.com.br www.girolando.com.br

Como se inscrever no Serviço de Controle Leiteiro Fonte: ABCG Você criador que participa de nosso quadro de associados possui as mais variadas ferramentas para controlar e selecionar os melhores animais de vosso rebanho. O Serviço de Controle Leiteiro (SCL) pode ser uma importante ferramenta na seleção do animal ideal em termos produtivos. Através da mensuração periódica dos animais fica evidente aqueles que mais se destacam e podem lhe garantir um melhor retorno, seja por meio da produção leiteira ou da venda de embriões selecionados. Participar do SCL é muito fácil além de ser um serviço gratuito para o criador. Basta o interessado entrar em contato conosco para poder receber em seu endereço um Kit de Inscrição. O kit é composto por três itens sendo de suma importância preenche-los corretamente. Abaixo segue cada componente deste Kit de Inscrição juntamente com uma descrição sumária do que deverá ser preenchido e quais campos merecem mais atenção: Formulário de Inscrição: Trata-se de um documento que após ser preenchido deve ser reenviado para o SCL, pois sem o mesmo não há como iniciar as atividades de controle leiteiro

do rebanho. Aqui deverá se informar dados pessoais do criador, os métodos utilizados na pesagem de leite e também os dados pessoais do preposto (a pessoa responsável pelas pesagens do rebanho). Tanto o preposto quanto o criador devem assinar este documento antes do reenvio do mesmo ao SCL. Regulamento do Serviço de Controle Leiteiro: Trata-se do conjunto de normas e procedimentos que regem o SCL. É importante ler o regulamento a fim de compreender melhor o controle leiteiro evitando erros no preenchimento das planilhas de pesagem que possam prejudicar as lactações dos animais. No site da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando se encontram as tabelas com os códigos mais usados na planilha, sendo interessante trata-la como um guia de consulta rápido para informar dados inerentes às pesagens de leite. Planilhas de Pesagem de Leite: Trata-se de um documento onde de fato serão informadas as pesagens de leite. Para cadastrar os animais no SCL basta informar o nome e o número de registro do animal, a data de parto e os valores das ordenhas. Há ainda outros procedimentos que merecem cuidados. Quando um animal tem um parto o criador tem até 60 dias para in-

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formar a primeira pesagem, ou seja, caso a primeira pesagem do rebanho ocorra em março só entrarão animais com parto ocorrido de janeiro para frente (60 dias máximos). As datas para se realizar as pesagens devem ser padronizadas, ou seja, caso se faça a pesagem no dia 05 de um mês é bom que a próxima fique em torno desta mesma data, pois os intervalos entre as pesagens não podem ser inferiores a 15 dias e nem superiores a 45 dias. Dito tudo isto agora cabe a você criador decidir quais as melhores escolhas para seu rebanho. Note que a busca por constantes melhorias têm se tornado objetivo para vários ramos do agronegócio nacional. Neste cenário os melhores resultados e lucros virão para aqueles que souberem gerenciar melhor o próprio negócio. O Serviço de Controle Leiteiro pode ser uma boa opção neste processo, pois com ele se descobrirá como e em quais animais se deve investir. Lembrando que caso ainda persistam dúvidas pode-se entrar em contato conosco para maiores esclarecimentos. Jean Carlos de Oliveira Coord. Proc. Dados do Controle Leiteiro (34)3331-6000 joliveira@girolando.com.br


Novo líder A Criadora Mila de Carvalho Laurindo e Campos, à frente da Fazenda Recreio ( www. fazendarecreio.net) , está liderando o ranking parcial 2011/2012, como melhor criadora/expositora nacional da raça girolando. Segundo a criadora, a liderança se deve a um esforço de toda equipe: funcionários, técnicos, preparadores e amigos incentivadores. O destaque do time de pista é a novilha 5/8H Vitrine FR Recreio, melhor fêmea jovem nacional na Megaleite 2011, soberana nas principais pistas, confirmou o título na Feileite 2011, unificando os títulos Megaleite e Feileite. O plantel das raças Girolando e Gir Leiteiro tem média de produção de 20 kg/dia em regi-

Rações especializadas Com milho floculado, soja Bypass e caroço de algodão  Bezerros recém-nascidos  Linha de pista - corte e leite  Produção leite comercial  Equinos atletas

me semi-intensivo, dados do Controle Leiteiro Oficial da ABCG e ABCZ . A Fazenda Recreio possui o touro girolando 5/8H Apolo FR Recreio participante do Teste de Progênie da raça e com sêmen disponível na Central CRI Genética. Para verificar a classificação completa, acesse: http://www.girolando.com.br/ s ite / a rq dow n / 2 01 2 / Ranking-2011-2012-Criador-Expositor-Geral-parcial.pdf

Mila de Carvalho Laurindo e Campos

Dra. Juliana de Almeida Tomaim Speridião Médica Veterinária

51 | Interural - a revista do 3336-9797 agronegócio | fevereiro Av. Tonico dos Santos, 739 - Jardim Induberaba - Uberaba-MG - (34) | (34) 9112-9797de 2012


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Gir Leiteiro

Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro Av. Edilson Lamartine Mendes, 215 Parque das Américas - Uberaba/MG (34)3331-8400 girleiteiro@girleiteiro.org.br www.girleiteiro.org.br

Gir Leiteiro Gir Villefort abre temporada 2012 com

leilão de 40 touros PO e doses de sêmen O Gir Villefort, de Morada Nova (MG), abrirá o calendário 2012 promovendo o Leilão Top Leite Reprodutores e Sêmen Gir Villefort, agendado para 12 de fevereiro, às 10h (horário de Brasília). O evento terá transmissão ao vivo pelo AgroCanal – Programa do Leite, o remate coloca à venda 40 touros PO, além de pacotes de sêmen de reprodutores consagrados. Entre eles, Radar dos Poções, C.A Sansão e Tabul da Cal. O plantel Gir Villefort reúne as principais linhagens existentes na pecuária nacional, um diferencial que torna os leilões do criatório um dos mais disputados pelos pecuaristas no Brasil. Para este, em especial, foram selecionados apenas reprodutores campeões em produtividade, indicados tanto para planteis puros quanto para cruzamentos leiteiros, cuja maior demanda, atualmente, é para a produção de Girolando. Com o processo de migração das bacias leiteiras para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, muitos produtores encontraram no cruzamento no Gir Leiteiro a solução para produzir leite a pasto com qualidade e melhor relação custo-benefício. Os ganhos ainda se

estendem com a comercialização dos machos para engorda, por apresentarem excelente

desempenho a pasto, com muita precocidade e qualidade da carne.

AGENDE-SE Leilão Top Leite Reprodutores e Sêmen Villefort Data: 12/02/2012 Horário: 10h (horário de Brasília) Transmissão: AgroCanal –Programa do Leite Leiloeira: Nova Sat Leilões Oferta: 40 touros Gir PO e sêmen de Radar do Poções, C.A. Sansão e Tabul da Cal. Cadastros e lances pela Nova Sat Leilões: (34) 3317-7000 Mais informações: (31) 3627 - 1145 ou (31) 9990- 1390, com Paulo Roberto, Marketing Villefort

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Brahman

Associação dos Criadores de Brahman do Brasil Praça Vicentino Rodrigues da Cunha, 110 São Benedito CEP: 38.022-330 - Uberaba (MG) | (34) 3336-7326 www.brahman.com.br brahman@brahman.com.br

ACBB define Conselhos e Diretoria Executiva Conselho de Administração da Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) definiu, em reunião realizada no último dia 10, em São Paulo, o Conselho Fiscal, Técnico e a Diretoria Executiva da ACBB. Eleito durante a VII ExpoBrahman, realizada em outubro, na cidade paulista de São José do Rio Preto, o Conselho de Administração 2012-2014 é composto por Alexandre Coccapieller Ferreira, Ary Marcos de Paula Bárbara, Bruno Aurélio Ferreira Jacintho, César Tomé Garetti, Daniel Teixeira Dias, João Leopoldino Neto, Paulo de Castro Marques, Ricardo Laureano Siqueira e Wil-

son Roberto Rodrigues. Ainda durante a VII ExpoBrahman, foram eleitos Ary Marcos de Paula Bárbara para presidente, Paulo de Castro Marques, vice-presidente, e Ricardo Laureano Siqueira como secretário do Conselho de Administração. O mandato do presidente, vice e secretário termina em 01 de janeiro de 2013. Para o Conselho Fiscal da ACBB foi eleito, durante a ExpoBrahman 2011, Miguel de Paula Xavier Neto. Manoel Afonso de Almeida Filho e Osvaldino Xavier de Oliveira são, junto ao conselheiro eleito, os membros efetivos do Conselho Fiscal da ACBB. Celso Lopes, Circe Massud e Fábio José de Faria Camargos são os

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suplentes. Aldo Silva Valente Junior, Andrés A. Salbavarro Ruata, Fábio Miziara, Luiz Alfredo Garcia Deragon e Moisés Fernandes Campos compõem o Conselho Técnico da associação. Também foi definida, durante a reunião, a Diretoria Executiva da associação, composta por Lydio Cosac de Faria (diretor executivo), Alexandre Coccapieller Ferreira (diretor tesoureiro), Naiana Mariana Moreno e Silva (diretora secretária) e César Tomé Garetti (diretor de marketing). O Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Conselho Técnico e a Diretoria Executiva da ACBB tem mandato 02 de janeiro de 2012 a 01 de janeiro de 2014.


Senepol

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Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol Rua Martinesia 303, sala 602 Aparecida Cep: 38400-606 - Uberlândia - MG | (34) 3210-2324 ou (34) 9962-4357 senepol@senepol.org.br e marketing@senepol.org.br

Gado Senepol completa 11 anos no Brasil Taurino foi desenvolvido há mais de um século nas Ilhas Virgens, no Caribe O gado senepol chegou ao Brasil há 11 anos. O lema dos criadores da raça, "vamos colorir o Brasil de vermelho", é uma referência à cor do couro do animal. O taurino foi desenvolvido há mais de um século nas Ilhas Virgens, no Caribe, e tem feito sucesso na cruza com o nelore. A cor e o tamanho são as características que primeiro chamam a atenção: animais de pele vermelha, em vários tons, baixinhos e troncudos. Mas eles carregam na pele muito mais que uma cor diferenciada, levam também a característica de serem altamente adaptáveis, rentáveis e precoces. Com menos de dois anos atingem as 18 arrobas e estão prontos para o abate. Para os apaixonados pela raça, o Senepol é o gado que mais atende às necessidades de verticalização da pecuária de corte brasileira. Mesmo sendo resultado do cruzamento de duas raças taurinas, ndama e red pol, o senepol se adaptou muito bem ao clima tropical do Brasil por ter grande tolerância ao calor. É tido também como uma das raças com boa resistência a parasitas. Outra característica da raça é a docilidade dos animais. A quali-

dade favorece a maternidade e principalmente o manejo. O Senepol chegou ao Brasil no ano de 2000 e atualmente já são quase cem criadores ligados à associação, que tem sede em Uberlândia no Triângulo Mineiro. A Associação de Senepol estima que em todo o país existam cerca de 15 mil animais registrados. Na cidade também está a fazenda Soledade, que cria aproximadamente 200 animais P.O. para a difusão da

genética. O funcionário da fazenda toca o lote de vacas e bezerrinhos a pé, sem a menor dificuldade. Mas, apesar da docilidade ser uma das características mais marcantes, o criador, Gustavo Vieira, ressalta que economicamente o Senepol também faz bonito. Seja pela valorização do bezerro ou pela qualidade da carne, estudos feitos pela USP comprovam que é uma das mais macias. FONTE: Merce Gregório

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FestLeite Tropical 2012 O maior evento em oferta de genética leiteira da América Latina chega a sua segunda edição Por Gustavo Ribeiro O FestLeite Tropical chega a sua segunda edição e vai ser o ponto de encontro da pecuária leiteira no mês de fevereiro. Realizado pela Estância Bahia e Tropical Genética, empresa destaque no segmento de genética bovina, o evento é o maior do gênero da América Latina. Serão oferecidos 1012 produtos, entre touros, bezerras, novilhas, doadoras e prenhezes da mais alta qualidade das raças Girolando e Gir Leiteiro.Com o apoio do Sindicato Rural, o FestLeite ocorrerá no Parque de Exposições do Camaru, em Uberlândia-MG, onde será montada uma excelente estrutura para receber investidores de várias regiões do Brasil e de outros países. Nos dias 10,11 e 12 de fevereiro, os participantes do FestLeite Tropical poderão comprar produtos de qualidade superior durante o Shopping de Animais e nos Leilões. O Shopping é uma das formas de venda de animais utilizada pela Tropical Genética em que os animais são expostos nos pavilhões do Camaru. Consultores de venda ficam à disposição durante todo o evento para efetuar a comercialização, todos os animais são precificados individualmente. Uma excelente oportunidade para pequenos, médios e grandes produtores. De acordo com o diretor da Tropical Genética, Vicente Nogueira, o Shopping possibilita toda dimensão de negócio. O participante pode comprar uma be-

zerra, uma vaca, uma prenhez. Dessa forma o evento está preparado para atender as expectativas do agricultor familiar, do médio e do grande pecuarista. A programação do FestLeite conta ainda com três leilões, um em cada dia do

1012

produtos de genética superior comprovada disponíveis em três dias de evento festival. O primeiro acontece logo após a abertura oficial do evento, que está marcada para o dia 10 de fevereiro às 19h. Lá estarão presentes produtores, cooperativas, sindicatos, parlamentares, autoridades governamentais, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), enfim, pes-

soas e instituições que têm relevância na formulação de políticas do setor leiteiro. Nesse primeiro leilão, marcado para as 21h no Tatersal de Elite do Camaru, serão ofertados doadoras e produtos Girolando e Gir Leiteiro 100% de Fertilização In Vitro (FIV), com transmissão ao vivo do canal Terra Viva. A assessoria ficará por conta da Beef Milk Brazil (BMB), BOI Assessoria e Braquiara Assessoria. A empresa responsável pelos três leilões é a Estância Bahia e quem bate o martelo é Adriano Barbosa. No sábado, dia 12, além da continuação do Shopping FestLeite de 9h às 18h, será realizado um debate a respeito das “Perspectivas para o Mercado do Leite 2012/2013”, marcado para às 9h. Diversas personalidades do setor, além de representantes governamentais, já confirmaram presença. “Esse é um momento muito importante do evento, pois nós produtores, sindicatos rurais e cooperativas entregaremos uma pauta

Durante este encontro podemos sentir, avaliar e discutir todas essas mudanças, conhecer novas técnicas, trocar experiências, enfim, trocar informações acerca do mercado de leite e conhecer os principais animais do Mega Leilão FestLeite Tropical 2012”. Milton de Almeida Magalhães Junior

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É o evento mais importante do ano realizado pela Tropical Genética, coroa um trabalho que é feito de forma séria, com muita dedicação e sempre em busca de melhores resultados. A Tropical Genética com o FestLeite inaugura o circuito de eventos da cadeia produtiva do leite”. Joaquim Lima

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de reivindicações para essas autoridades que vão estar presentes, com o intuito que eles saibam quais são as demandas da atividade produtiva do leite do Brasil”, conclui o diretor da Tropical. Após o debate, será realizado mais um leilão. Dessa vez a oferta é de touros, reprodutores selecionados do plantel da Tropical Genética das raças Gir Leiteiro e Girolando do mais alto valor genético. Esse leilão terá início às 11h30 e será transmitido ao vivo pelo canal Terra Viva. O diretor técnico administrativo da Tropical Genética, Milton de Almeida Magalhães Neto, fala da importância de ter touros de genética melhorada no rebanho. “São touros filhos das grandes matrizes da Tropical Genética com os melhores reprodutores que existem no mercado. É uma grande oportunidade de adquirir animais de elite que realmente são melhoradores de plantel”. No fim da tarde de sábado acontece o Happy Hour, das 18h às 20h, quando serão apresen-

tados os animais destaques do Mega Leilão FestLeite Tropical 2012. De acordo com o diretor da Tropical Genética, Milton de Almeida Magalhães Júnior, o Happy Hour é um momento de confraternização entre os participantes. “Uma forma de interagir com o pessoal e apresentar os principais animais que serão disponibilizados. Discutir sobre os avanços genéticos que a pecuária vem buscando através de FIV e Transferência de Embriões (TE). Essas tecnologias deram dinâmica e rapidez ao processo de melhoramento. Durante esse encontro podemos sentir, avaliar e discutir todas essas mudanças, conhecer novas técnicas, trocar experiências, enfim, trocar informações acerca do mercado de leite e conhecer os principais animais do Mega Leilão FestLeite Tropical 2012”. O diretor da Tropical Genética, Joaquim Lima, acredita que é uma grande oportunidade para o pecuarista encontrar o melhor da genética leitei-

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ra dos trópicos, em um único lugar. “No FestLeite o amigo produtor encontrará animais provenientes de uma paixão – o melhoramento genético das raças leiteiras. Ele ainda ressalta que o FestLeite é o evento mais importante do ano realizado pela Tropical Genética, coroa um trabalho que é feito de forma séria, com muita dedicação e sempre em busca de melhores resultados. “A Tropical Genética com o FestLeite inaugura o circuito de eventos da cadeia produtiva do leite”. No dia 12 de fevereiro, a Tropical Genética e a Estância Bahia estão preparando para vocês uma verdadeira maratona de comercialização de genética superior comprovada. O Mega Leilão FestLeite Tropical 2012 será realizado no domingo, das 10h às 20h, com transmissão ao vivo do canal Terra Viva. Isso mesmo, são dez horas de leilão ofertando produtos de primeira linhagem, campeãs e futuras vencedoras de torneios leiteiros e pistas de julgamento.


Figura 1

Confira a seleção de peso que a empresa preparou para você: Dracena Fabian MAMJ (X 3677) (Figura 1) Washco Aero Fabian x Brisa Doadora 1/2 sangue bicampeã melhor úbere adulto nacional na Megaleite 2008 e Megaleite 2009. Lactação de 10.462 kg / 340 dias!

Quebra de recorde nacional Na primeira edição do Mega Leilão FestLeiteTropical, realizada em 2011, o sucesso foi absoluto. Um evento marcado pela confraternização e amizade entre os participantes, quebras de recordes de valorização, disputas acirradas e venda de muita genética de qualidade. O leilão teve faturamento de R$ 1.992.000,00. O grande destaque foi a venda de 50% das cotas de Castanhola Herdeiro MAMJ, para Eurípedes José da Silva, Fazenda Uberaba, em Paraopeba-MG, por R$ 245.600,00. Eurípedes passou a ser sócio da Tropical Genética e adquiriu a matriz Girolando mais valorizada da raça. Castanhola é filha de Herdeiro de Brasília x Bandeja Bela Vista, doadora com lactação superior a 11.000 kg. Em sua primeira lactação produziu 9.614,41 kg, com fantástico úbere e muita estrutura. Suas filhas 5/8, todas com lactação superior a 9.000kg. Outro destaque durante o FestLeite de 2011 foi Rendei-

ra Nica Millenium, que bateu o seu próprio recorde de vaca 5/8 mais valorizada do Brasil, sendo vendida pela Tropical Genética e pela Morada Corinthiana por R$ 86.000,00, para Gilberto Francisco Ramos Filho, da Fazenda Gama de Vitória da Conquista- BA. Na raça Gir Leiteiro o grande destaque foi à comercialização de 50% das cotas da doadora Exceção, filha de C.A Paladino x C.A Quartinha, o comprador foi Antonieli Batista Almeida da empresa Antonelli Locações, que desembolsou R$ 51.000,00

Celeste (A 8208) (Figura 2) Regancrest Elton Durhan ET x Laranja Santa Luzia Condomínio Celeste: Tropical Genética/Morada Corinthiana. Melhor vaca jovem e melhor úbere jovem nacional Megaleite 2009. Campeã Novilha do torneio leiteiro da Megaleite, Girolando 5/8 em 2010, ano em que se consagrou recordista nacional da categoria, além de ser reservada melhor vaca jovem Girolando 5/8. Lactação: 14.009,52 kg em 365 dias.

para ser sócio da Tropical Genética com essa excepcional doadora. Para o FestLeite Tropical 2012, a Tropical Genética preparou um time de primeira linhagem, doadoras com alto valor genético, touros melhoradores de plantel, prenhezes, bezerras e novilhas. São 1012 produtos de pedigree comprovado. Vale ressaltar que as doadoras recordistas em valoriFigura 2

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zação no FestLeite 2011 terão produtos ofertados no Festival em 2012.

É uma parceria válida, uma área da nossa competência que visa melhorar a vida do produtor de leite. Estamos muito satisfeitos por sermos parceiros deste evento”. Paulo Ferolla

FestLeite Tropical tem total apoio do Sindicato Rural de Uberlândia O FestLeite Tropical acontece entre os dias 10 e 12 de fevereiro no Camaru. O Sindicato Rural de Uberlândia (SRU) é a entidade que zela por este espaço, além de lutar pelos interesses dos produtores rurais de Uberlândia. Para a realização do FestLeite, a diretoria do Sindicato não poupou esforços e abriu as portas do parque para receber o maior evento em oferta de genética leiteira da América Latina. O presidente do SRU, Paulo Ferolla, pecuarista por paixão e que conhece bem as necessidades do setor, fala da importância de um evento desta magnitude para a pecuária nacional e para a cidade de Uberlândia. “Temos a melhor estrutura física para receber um evento desta natureza: instalação apropriada para tudo, espaço adequado com

conforto, principalmente para leilão. Nosso Tatersal de Elite é um dos melhores em nível nacional, além de termos pavilhão completo para o alojamento dos animais. Temos todos os aspectos necessários para um mega evento. Já é tradição a realização do FestLeite no Camaru. No ano passado, ele foi feito aqui e foi um sucesso absoluto. É uma parceria válida, uma área da nossa competência que visa melhorar a vida do produtor de leite. Estamos muito satisfeitos por sermos parceiros deste evento”. Um evento grande em uma grande cidade Uberlândia é um município no interior do estado de Minas Gerais, localizada no Triângulo Mineiro. Sua população, segundo estatísticas de 2011, é de 611,903 habitantes, sendo o segundo mais populoso de Minas Gerais e o trigésimo do Brasil, além de ser a quarta maior cidade do interior do país, ficando atrás apenas de Campinas, São José dos Campos e

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Quimbanda (CAL 5074) Dalton Te Pati Cal x Liderança da Cal Condomínio Quimbanda: Gabriel Donato de Andrade - Fazenda Calciolândia / Tropical Genética O Cond. Quimbanda oferta produtos da Recordista Mundial de Produção Torneio Leiteiro Vaca Adulta Expozebu/2011, com a incrível média de 49,68 kg, atingindo um pico de 56,165 kg. Doadora recordista que gera filha também recordista. Urutaina foi recordista Mundial de Produção Vaca Adulta Torneio Leiteiro com a média de 49,873 kg de média na Exposete/2011. Lactação de 10.230 kg!

Ribeirão Preto. Para o diretor da Tropical Genética, Vicente Nogueira, o apoio da Prefeitura Municipal de Uberlândia é fundamental para o evento. Segundo Nogueira, o atual prefeito tem sensibilidade para apoiar grandes empreendimentos. “Ao apoiar o FestLeite, o prefeito Odelmo Leão oxigena a economia local, da comercialização de insumos à rede hoteleira”. A cidade é um tradicional reduto do agronegócio brasileiro e sedia diversos eventos relacionados ao setor ao longo do ano. O FestLeite é o primeiro do ano e atrai para a cidade diversos investidores do segmento. Na avaliação do presidente do sindicato e ex-prefeito de Uberlândia o momento é oportuno e promissor. “Vamos receber visitas ilustres, que vão conhecer a realidade da cidade. Em um levantamento feito por representantes da Organização das Nações


Unidas (ONU), a cidade é líder no que tange ao desenvolvimento, qualidade de vida e prosperidade. Esse levantamento colocou a cidade nos holofotes do mundo. Temos uma rede hoteleira excelente, aeroporto com suporte e aparelhagem moderna, garantindo segurança aos visitantes. Segurança, conforto, beleza da cidade, atividades agropecuárias, tudo isso soma para o sucesso do evento”. Olho Clínico A equipe da Tropical Genética escolheu a dupla de assessores que juntos vem conquistando os pecuaristas brasileiros. Davi Oliveira, o Boi, e Celso Menezes são presenças garantidas nos principais grandes leilões do Brasil. Além dos leilões, eles também vêm conquistando resultado nas pistas mais pesadas do país e, a cada grande exposição, quando é apresentada uma grande campeã, muitas vezes foram eles que selecionaram o animal. Para o maior evento em oferta de Genética Leiteira da América Latina, eles começaram os trabalhos em 2011. De lá para cá, muito trabalho, reuniões para que nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro todos os animais estejam preparados. “Num evento desta magnitude temos que trabalhar com planejamento, sendo assim, tivemos a primeira reunião para planejarmos o segundo FestLeite no início de março de 2011. Nessa reunião traçamos metas, datas para execução das aspirações à escolha das doadoras e acasalamentos destas para podermos ter os produtos de qualidade para o segundo evento”, afirma Boi. Acrescenta ainda que os animais selecionados para participar do FestLeite 2012 são os que o público espera encontrar. Muita genética em animais com tipo

leiteiro, estrutura e longevidade. A Boi Assessoria e a Beef Milk Brazil trabalham com a Tropical Genética há três anos. Segundo Celso, “o trabalho está relacionado à sugestão de acasalamentos juntamente com o Milton Neto, seleção dos animais para participarem de julgamentos, torneios leiteiros e a parte comercial”. Para o FestLeite 2012 o objetivo é entrar para a história. “A nossa meta é sempre fazer um evento ser superior ao que passou, sendo assim, estamos a caminho de fazermos mais um grandioso trabalho e, se Deus quiser, estarmos presentes em mais um marco histórico da pecuária leiteira nacional”. A Tropical Genética também conta com a Braquiara Assessoria. Renovando a parceria do ano passado, Adelino Pereira – o Braquiara – apoiará a diretoria da Tropical na organização geral do evento. A TROPICAL GENÉTICA A Tropical Genética surgiu

da união de duas grandes empresas do agronegócio, Gama Pecuária e Curicaca Agropecuária. Respectivamente conceituadas pelo relevante melhoramento genético nas raças Gir Leiteiro e Girolando e pela expressiva produção leiteira proveniente de um rebanho altamente qualificado geneticamente. A larga experiência em biotecnologia de reprodução bovina e a produção de animais Gir Leiteiro e Girolando com alto valor genético fazem parte da identidade da empresa e consolidam sua força na comercialização do rico material genético que desenvolvem. A Tropical Genética se diferencia em sua atuação por fortalecer a genética de alto nível das raças por meio de um banco genético de excelentes doadoras. A raça Gir Leiteiro já ultrapassa 20 anos de seleção e a raça Girolando, disponível em todos os seus graus de sangue, alcançou grande aprimoramento genético.

São touros filhos das grandes matrizes da Tropical Genética com os melhores reprodutores que existem no mercado. É uma grande oportunidade de adquirir animais de elite que realmente são melhoradores de plantel”. Milton de Almeida Magalhães Neto

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TROPICAL LEITE

à criação da raça Gir Leiteiro. Os princípios de seleção que norteiam a produção de leite A Tropical Leite produz A nossa meta de Gir são muito parecidos com leite em dois sistemas. é sempre fazer A empresa também poso sistema de Girolando, em Um deles se dedica esum evento ser sui uma Central de receptoras que são ressaltados produção, pecialmente ao rebanho Girosuperior ao que com mais de 2 mil animais rigosólidos, úbere, pernas e pés e lando voltado para produção rosamente selecionados. Essa passou, sendo longev idade . estrutura está assim, estamos Nos últimos preparada para a caminho de controles, fooferecer todo fazermos mais ram produzisuporte interno um grandioso dos em média trabalho e, se Deus necessário nas O Shopping possibilita toda dimensão de mais de 1.300 técnicas de FIV quiser, estarmos negócio. O participante pode comprar uma litros de leite/ presentes em mais e TE, como tamdia, com probezerra, uma vaca, uma prenhez. Dessa forma um marco histórico bém para levar dutividade de da pecuária leiteira até o cliente toda o evento está preparado para atender as aproximadaa qualidade dos nacional”. expectativas do agricultor familiar, do médio mente 16 litros serviços e segue do grande pecuarista”. por vaca/dia. rança nos proCelso Menezes Os números cessos reproduda Tropical são Vicente Nogueira tivos. ainda maiores, Sempre quando somautilizando a mais alta tecnologia de leite e de sólidos. No melhodos com a produção de leite do mercado e garantindo serramento genético, a Tropical da raça Girolando, a empresa viços diferenciados, a Tropical também valoriza o sistema ultrapassou a marca de 8.000 Genética alcança os excelentes mamário e o aparelho locolitros/dia. índices reprodutivos comprovamotor, principais responsáveis Desses dois sistemas de dos pelos resultados oferecidos pela longevidade. produção são selecionadas as aos seus clientes. O outro sistema se dedica doadoras da Tropical. CENTRAL DE DOADORAS

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gente que comprou, confia e recomenda! Alexandre Saraiva e Galdino José – Fazenda Apipucos, Gravatá, PE

“Os animais adquiridos da Tropical Genética foram uma das melhores compras da Fazenda Apipucos. Todos os animais sucesso absoluto, consagraram-se plenamente na pista e em produção. Compramos animais no grau de sangue ¾ e ½ sangue. Na categoria ¾ somos o segundo melhor expositor do ranking Girolando, os animais adquiridos da Tropical Genética foram os principais responsáveis por esta conquista”. Ronaldo Almeida – Fazenda Fortaleza – Carmo do Rio Claro, MG “A Tropical Genética é uma empresa 100% em todos os aspectos. São muito honestos nos negócios, os animais são de genética superior comprovada, muita produção. Estou muito satisfeito com os negócios feitos com a Tropical, e recomendo a todos os criadores”. Roberto Peres / Rogério Corrêa - Estância Berrante – Jataí, GO

“Nós da 2RJataí - Gir Leiteiro e Girolando, sentimos honrados em ser parceiro de uma empresa da magnitude que é a Tropical Genética. Além da amizade que temos com os proprietários, criamos um vinculo familiar com os mesmos. Nós iniciamos nossa criação com parcerias com a tropical genética, e devo confessar que nos espelhamos muito neles, pois são sinônimos de honestidade, confiança, respeito, qualidade e organização. Tudo isto resume o rápido crescimento e credibilidade que a Tropical Genética tem com seus clientes e parceiros”. Parabéns e um grande abraço a família Tropical Genética! João Carlos Martini – Fazenda Boa Vista - São Paulo, SP “Fazer negócios com a Tropical Genética foi um grande prazer. A qualidade dos animais é indiscutível. Eles entregaram no prazo, o preço foi justo, estou muito satisfeito com a minha compra. Desejo a eles muito sucesso em mais uma edição do FestLeite.”

Hilário de Freitas – Estância Rezende, Portelândia, GO “O primeiro negócio feito com eles, foi intermediado pela Estância Bahia, na oportunidade adquirimos nove animais, todos de genética superior e que vem apre-

sentando ótimos resultados. Fui muito bem atendido, inclusive voltei lá depois e adquiri outros animais. Este ano vamos estar presente mais uma vez, no FestLeite”. Luciana Ochioto - Fazenda Labareda – Uberaba, MG

“Fiquei muito satisfeita com o trabalho da Tropical Genética. Comprei quatro animais, três fêmeas e um reprodutor, dentre eles alguns foram premiados em pista. Além disso, as fêmeas apresentam excelente lactação. Hoje, uma delas está gravida e é um animal de encher os olhos. O atendimento do Vicente Nogueira e toda equipe é feito com muita educação, cordialidade e honestidade. Pretendo continuar fazendo negócios com a Tropical Genética”.

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Equinos

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Por Gustavo Ribeiro O Criador de Sucesso desta edição, fala um pouco da história de um Haras, localizado no Rio Grande do Sul. Uma trajetória passada de pai para filho, resultando em mais de 40 anos de sucesso. Guilherme Fernandes proprietário do Haras São Rafael é especializado na criação de Pôneis, Mini-Horses, Cavalos da raça Crioulo e Muares, apaixonado pela atividade, ele já planeja um 2012 promissor. Conheça agora um pouco mais dessa história singular na criação de cavalos. Como foi o inicio de sua trajetória no agronegócio? Na realidade, eu nasci e cresci no meio do agronegócio, tanto a família de meu pai como a de minha mãe tinham propriedades rurais no município de Viamão, fui estimulado desde cedo pelo meu pai a gostar do negócio, no início ele plantava arroz. Eu ainda usava fraldas quando ele me levava para sua lavoura... Minha trajetória se iniciou na realidade com a criação dos pôneis, iniciada em 1967 pelo meu avô paterno. Minha infância e adolescência foram vividas de forma muito intensa em torno dessa raça e de um sonho construído pelo meu pai, do qual foi o início do Haras São Rafael, com o surgimento do prefixo GARF (Guilherme Antônio Ribeiro Fernandes). Em meados dos anos 90, comecei a participar de exposições pelo Brasil e meu pai, na época, fez vários investimentos que me

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Equinos

proporcionaram ter uma alta qualidade genética em quantidade que se destacou no país. Desde cedo minha paixão pelos pôneis e cavalos foi vista como um futuro negócio, assim criar cavalos, e tornar essa atividade lucrativa foi à sequência. Você trabalha com equinos das raças: Crioulos, Pôneis e Mini-Horses além de Muares? Por que você optou por estas raças? Pônei e Mini-Horses, nasci criador. Crioulo foi uma oportunidade de negócio, quando optei em cruzar as éguas Crioulas registradas com o jumento Pega.

Você trabalha com animais de genética melhorada e padrão racial, qual a importância disso? Meu objetivo, desde cedo, foi o melhoramento genético. É o que torna o negócio mais rentável, agregando valor e qualidade zootécnica aos animais. Você gosta de participar de exposições e pistas de julgamento? Já conquistou algum título? Caso tenha conquistado, qual foi o mais marcante? Sim, porém passei estes dois últimos anos sem participar porque reestruturei meu plantel, e fiz uma reformulação completa do meu time de pista. Esta iniciativa fez com que eu gostasse mais ainda de criar e me fez aumentar minha exigência zootécnica sobre minha manada. Acho que todo criador deve participar de exposições porque dali pode-se fazer uma avaliação da sua criação, agregando valor aos seus animais. Como é formado seu plantel hoje? Meu plantel hoje é formado por éguas de cria, que são mantidas inverno e verão soltas a campo e que são emprenhadas com meus reprodutores em monta natural, com início no dia 1º de setembro até 31 de março. As potras iniciam sua vida reprodutiva

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a partir dos três anos de idade. Meus reprodutores passam o inverno todo juntos soltos em pastagens de azevém, trevo e cornichão, desde cedo são acostumados a isso, quando inicia a temporada de monta, cada reprodutor vai para um potreiro com aproximadamente 40 a 50 éguas. Onde está localizada sua propriedade? Em Viamão e São Lourenço do Sul, no estado do Rio Grande do Sul. Como é a rotina do Haras? Quantos funcionários fazem parte da equipe? Os animais são criados 100% a campo. Nascem no campo com acompanhamento diário no período das parições. Os animais que irão participar de leilões, atividade bastante representativa na minha criação, alimentados duas vezes ao dia com ração em seus potreiros. Os animais de exposição fazem seus exercícios físicos e voltam para seus potreiros, indo somente para cocheira na véspera da exposição. A quantidade de funcionários varia conforme a época e atividades que exercemos. Em época de leilão e exposição trabalhamos com 10 funcionários. Conte um pouco mais do seu projeto de produzir Muares em parceria com o agropecuarista Marco Antônio Andra-


de Barbosa (MAAB). Fale um pouco dos animais produzidos oriundos do cruzamento da raça Pega com a “Raça das Américas”, o cavalo Crioulo? Resolvemos utilizar éguas Crioulas nesse cruzamento por acharmos um cavalo completo tanto morfologicamente quanto funcionalmente. Uma das raças que mais cresce no Brasil. Desse cruzamento nasceram animais muito fortes e caracterizados, e com muita função. Animais que com certeza se destacarão em atividades do meio rural no centro do país, por apresentarem características marcantes e muito procuradas nos dias atuais. O que mais o faz sentir realizado no trabalho? Gosto do que faço, vivo cavalos 24 horas por dia, moro na fazenda. Vejo meus animais e acompanho eles diariamente, sei quem são um por um, administro e vivo o dia-a-dia de minha criação. Qual avaliação você faz do atual mercado de equinos e muares brasileiro?

É um mercado que está evoluindo dia após dia. Com o surgimento dos canais de TV e com a internet a comercialização tornou-se fácil. Há mais ou menos 15 anos atrás o comprador precisava percorrer longas distâncias, ir ao Haras ou em exposições para ver os animais, hoje a TV/internet mostra em casa tudo que existe de melhor e com o poder de compra.

Vem aí o 10º Leilão GARF, dia 07 de março às 21:00h, com transmissão ao vivo do canal Terra Viva, serão ofertados 50 cavalos Crioulos, entre éguas, potras, potros e éguas paridas.

Quais são os objetivos do Haras para 2012? Fazer vários leilões virtuais e participar da Exposição Nacional. Acredito que no ano de 2012 vamos firmar novos animais de pista e mostraremos novos reprodutores. A partir de março o site do Haras São Rafael (www.harassaorafael.com.br) estará totalmente reformulado, com novos animais.

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Equinos

Como fazer o casqueamento dos seus cavalos

Com as dicas abaixo você garante uma longa vida útil aos seus animais Criar e Plantar adaptado pela InteRural

Antes de fazermos correções, devemos ter certeza de que o potro realmente precisa, sendo recomendado que essa análise seja realizada por um ferrador experiente ou por um médico veterinário especializado na Área de Aprumos.

A correção de aprumo significa mudança permanente de conformação e não pode ser feita em cavalos maduros. De fato, essas tentativas de correção em eqüinos adultos causam manqueiras imediatas, assim, como, defeitos permanentes em longo prazo. Alguns problemas de conformação podem ser corrigidos em potros e os que nascem com aprumos corretos podem ser mantidos assim. Muitos potros que possuem boas pernas podem se tornar tortos por negligência ou casqueamento impróprio. O segredo de quando e como tentar corrigir pelo casqueamento é ter conhecimento das estruturas chamadas de Placas de Crescimento, que são localizadas perto do final de cada osso na perna do cavalo. Estas placas produzem células que crescem e se alinham quando se inicia a ossificação, que é a formação óssea. Enquanto as placas estão produzindo cartilagem, são consideradas "abertas", e uma vez que a produção para, são denominadas "fechadas" e o crescimento pára nesse ponto. As forças sobre estas pla-

cas são muito importantes na determinação da conformação e estrutura do cavalo. Pressão normal, equilibrada e constante sobre as placas resultam em um crescimento correto. Portanto, uma pressão desequilibrada possibilita um crescimento errado. Nos casos dos potros com desvio de aprumo, às vezes, é necessário confina-los. Nessas condições, o membro tende a se endireitar por si próprio. Se o potro com desvio for submetido a excessivos exercícios, como, por exemplo, correr atrás da mãe em um pasto grande, a compressão que ocorre sobre as placas excede o normal e o problema se intensifica. Quando se cuida de potros, e extremamente importante manter a pressão natural nas placas de crescimento. Para isso, o trabalho do ferrador é essencial. Antes de fazermos correções, devemos ter certeza de que o potro realmente precisa, sendo recomendado que essa análise seja realizada por um ferrador experiente ou por um médico veterinário especializado na Área de Aprumos. Um detalhe que se deve levar em conta é o fato de que não é natural para os cascos de um po-

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tro apontar direto para frente. Manejo Os cascos devem estar virados para fora entre 10 e 15 graus, bem como alinhados com a face plana do joelho. Isso porque com o desenvolvimento do tórax, as escápulas vão se distanciando uma da outra, fazendo os membros girarem para dentro. O problema é que grande parte dos criadores, veterinários, ferradores, treinadores e juízes querem que os potros estejam retos desde pequenos e fazem correções para endireita-los, o que não é natural. Não é raro, ouvimos por ai, alguns criadores dizerem: "Meu potro tinha aprumos perfeitos, mas quando cresceu, as mãos (membros anteriores) viraram para dentro". O programa para se manter as pernas (membros anteriores e posteriores) ou para se corrigir desvios de conforma-


ção, envolvem três fatores: 1. Deve-se iniciar o casqueamento do potro com poucos meses de idade. Porque o fechamento das placas termina ao redor de seis meses (esse tempo é baseado em radiografias), porém elas podem se fechar antes. O crescimento é muito ativo durante os primeiros cem dias de vida e a produção de cartilagem diminui, conforme se aproxima à época em que ocorre o fechamento das placas. Isso nos leva a crer claramente que a conformação do cavalo pode ser permanente aos seis meses ou menos de idade e, aí, nenhum tipo de casqueamento ou ferrageamento mudará esse quadro. A maioria dos veterinários e ferradores recomenda o casqueamento no primeiro mês em potros normais e nos primeiros 15 dias nos quais apresentam desvios.

2. O casqueamento deve ser feito freqüentemente. Potros com até um ano de idade produzem o dobro de parede do casco que o cavalo maduro. Conforme o casco fica mais comprido, ele se quebra com maior facilidade. Se um lado do casco se quebra, ele terá um desequilíbrio e causará uma pressão desigual nas placas, podendo alterar a conformação. É recomendado casquear os potros normais a cada 15 dias até normalizar os defeitos, quando passam a ser casqueados a cada 30 dias. 3. É preciso haver um equilíbrio apropriado para o casco. Um casco bem equilibrado distribui o peso igualmente e absorve o impacto de uma maneira uniforme. Esse fator é extremamente importante e pode ser obtido em cavalos de qualquer

idade. Note bem a diferença: os aprumos só são corrigidos em potros, porém a forma do casco não tem limite de idade para se efetuar as mudanças. Para se corrigir e manter o casco equilibrado é muito importante sempre deixar os talões na mesma altura, não importando o desvio que tiver. Uma prática antiga, de deixar um talão mais alto para corrigir defeitos, funciona apenas para enganar o olho e deformar o casco. Quando se deixa um talão mais alto, ele recebe mais impacto e isso força a corroa para cima e a pinça em diagonal abre, forçando as lâminas a se romperem. É importante lembrar que o casco é vivo e em constante movimento. Se pegarmos os talões com as mãos, conseguiremos movimenta-los. Imagine os cascos correndo, quanto movimento deve ter nele? Um estudo realizado pela Universidade de Cornell mostra que o casco viaja a uma velocidade

Os cascos devem estar virados para fora entre 10 e 15 graus, bem como alinhados com a face plana do joelho

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Mais de

80%

das manqueiras das partes baixas dos membros e dos cascos são causadas por “negligência e falta de cuidados”. América Farriers Association

Equinos

de aproximadamente 96 km/ hora e bate no chão com o peso de até uma tonelada por centímetro quadrado. Em cavalos selvagens, o choque deste impacto é absorvido pela expansão do casco, a compressão do sangue bombeando o sistema hidráulico dentro do casco e o movimento das pinças, naturalmente arredondadas. Por isso, é ideal manter a integridade das estruturas e equilíbrio do casco. As correções devem ser feitas nas pinças, assim mudando a ponta de quebra, sem mudar o apoio dos talões. Se você mudar a direção do ponto de quebra, conseguirá mudar a direção do crescimento. Deve-se casquear o potro normalmente, deixando os cascos planos e equilibrados. Feito isso, divide-se o casco bem no centro e grosar a pinça em linha reta, passando um (1) cm do centro, na direção que você quer conduzir o casco a crescer. Ou seja, se o casco está virado para dentro, corta-se do lado de dentro e vice-versa. Este tipo de correção funciona na maioria dos casos, se

for feito quando o potro é bem novo. Em casos mais graves, será necessário o uso de ferraduras com extensão. Um casco desequilibrado está predisposto a uma manqueira, e cada vez que se casqueia, deve ser dada atenção especial ao equilíbrio. Muitos ferradores e veterinários deixam as pinças quadradas quando casqueiam potros novos. Isso força um potro de quebra centralizado, um casco mais reto e um vôo (quando o casco deixa de se apoiar no solo durante todo o movimento para frente) e aterrissagem mais balanceado. Este programa afetará as articulações da quartela para baixo. Não há nenhuma evidência de que o casqueamento corretivo influencia as articulações do joelho ou jarrete, porque existem três articulações que absorvem as mudanças antes de atingir o joelho. Os cuidados com os cascos do cavalo Um estudo feito pela América Farriers Association, associação americana que controla o trabalho sobre ferrageamento nos EUA, mostra que mais de 80% das manqueiras das partes baixas dos membros e dos cascos são causadas por "negligência e falta de cuidados". O pior é que a maioria das pessoas teria feito algo para que isso não ocorresse se soubessem que tinham problemas com seus animais. Não importa qual o propósito de se ter um cavalo, ele é um investimento. Sua vida útil ou quanto tempo você usará este animal é um retorno em longo prazo no seu investimento. Se você não se preocupar com os cuidados dos cascos, poderá perder seu investimen-

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to rapidamente. A utilidade, a performance e a resistência podem acabar, isto sem mencionar a perda de vontade de trabalhar e cooperar com você. O animal até poderá se tornar agressivo. Imagine:  Você está com os pés doloridos e mesmo assim gostaria de andar com alguém nas suas costas?  Como proprietário você precisa ter conhecimento suficiente para saber se o seu cavalo está tendo a atenção necessária. A seguir, descreve-se alguns itens para se pensar:  Os cascos crescem constantemente e precisam de atenção regularmente. Muitas pessoas deixam o cavalo sem cuidar durante vários meses e só lembram-se de casqueá-los, quando vão de férias e querem monta-los. Outros mandam ferrar o animal e só trocam as ferraduras quando caem. Você não pode utilizar esse tipo de manejo, sem pagar conseqüências caras no futuro.  Aprenda o máximo que puder sobre cascos. Quanto mais você entender, será melhor para você e seu cavalo.  Eduque seus potrinhos. É importante amansa-los, nas primeiras horas de vida, para que eles fiquem permanentes dóceis. É impossível fazer um bom casqueamento se o cavalo está pulando e dando coices. O ferrador não está sendo pago para amansar cavalos.  Não confunda a responsabilidade do ferrador com a do veterinário. Em casos de doenças, chame o veterinário e, se a doença for relacionada com o casco, o ferrador e o veterinário devem trabalhar juntos.


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Suinocultura

Estados Unidos autoriza exportação de carne suína brasileira Inicialmente, seis empresas receberão autorização para exportar O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) comunicou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) o reconhecimento de equivalência do serviço de inspeção de carne suína do Brasil e autorização para habilitação de matadouros-frigoríficos de Santa Catarina para exportação de carne suína "in natura" para aquele país. Além desse tipo de produto, o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS, sigla em inglês) dos Estados Unidos também ampliou essa autorização de habilitação de carne suína cozida e processada de outros estados brasileiros livres de aftosa com vacinação, desde

que a industrialização ocorra em estabelecimentos com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e habilitados como produtores de matéria-prima. O ministro Mendes Ribeiro Filho apresentou à imprensa, no dia 10 de janeiro, o comunicado que foi enviado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do MAPA. As exportações terão início assim que o Ministério da Agricultura habilitar os estabelecimentos brasileiros, o que aconteceu nesta mesma semana. Inicialmente, seis empresas receberão autorização para exportar. A abertura para o mercado americano, nesse primeiro momento, é resultado da decisão tomada no ano de 2001 pelo

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governo de Santa Catarina de manter o estado livre de febre aftosa sem vacinação. As tratativas com o USDA intensificaram-se em março do ano passado. Todas as respostas e providências foram aceitas pelas autoridades sanitárias norte-americanas e nos próximos dias deverá ser enviado ao Dipoa o documento de conclusão da equivalência dos serviços de inspeção dos dois países. A principal preocupação dos Estados Unidos estava relacionada com a falta de fiscais federais agropecuários nos estabelecimentos habilitados, mas o MAPA já se comprometeu em atender essa exigência. FONTE: MAPA


Produção mundial de carne suína FONTE: Hyberville Neto Médico Veterinário

Figura 1 Participação dos principais produtores de carne suína no total

Entre 2011 e 2011, estima-se que a produção mundial de carne suína tenha aumentado 18,1%. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo o USDA, a produção mundial atingiu 101,13 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec) em 2011, das quais 48,9% foram produzidas na China. Veja a figura 1. Os maiores produtores em 2011 foram China, União Europeia, Estados Unidos e Brasil, respectivamente. Estes países compuseram 84,6% da produção total. Desde 2001, a produção de carne suína chinesa aumentou em 8,98 milhões de tec, o que representa 22,2%. Para 2012 o USDA estima crescimento de 3,6% na produção do país. No período, a produção europeia cresceu 7,5%. A norte-americana e a brasileira aumentaram 18,3% e 44,7% respectivamente. Segundo o USDA, a produção da União Europeia foi de 22,53 milhões de tec em 2011. O departamento estima produções de 10,28 e 3,23 milhões de tec para os Estados Unidos e Brasil, respectivamente.

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Ovinocultura

Ovinocultura brasileira dando seus primeiros passos

Por Raquel Maria Cury Rodrigues Zootecnista pela FMVZ/Unesp de Botucatu e analista de mercado do FarmPoint

O Brasil apresenta vocação para a atividade agropecuária, porém, muitas atividades relacionadas ao agronegócio ainda não gozam da sua máxima eficiência quando pensa-se em produtividade. Com a ovinocultura não é diferente. As pessoas envolvidas na atividade conhecem os desafios que o setor enfrenta e o principal reflexo dos problemas encontrados é que o país continua dependente das importações uruguaias para abastecer o seu mercado. Em 2011, (considerando de janeiro a novembro), o Brasil importou 4.076 toneladas de carne ovina, 15% a menos quando comparamos com o mesmo período do ano anterior (4.824 toneladas). Esse decréscimo nas importações ocorreu devido a uma menor produção ovina uruguaia e a abertura de novos mercados pelo país. Mesmo assim a parcela enviada ao Brasil ainda é significativa.

Em 2011 a ovinocultura brasileira amadureceu. Ainda há muita coisa a ser feita, mas a consciência dos produtores está nitidamente começando a mudar, pois há um crescente interesse na produção de carne de cordeiro e não apenas, na produção de animais de elite. Durante o ano de 2011, pude observar inúmeros projetos e iniciativas que contemplaram essa afirmação, além de novos produtos oriundos da carne ovina lançados por grandes empresas no mercado. A indústria também se fez mais presente, participando de eventos e divulgando os seus serviços aos produtores, que muitas vezes desconhecem o que é oferecido pelo frigorífico e suas estruturas. Dentre os gargalos, dois me chamaram a atenção ao longo do ano e pretendo discuti-los com mais afinco ao longo do artigo.

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Planejamento da atividade A falta de planejamento ainda é uma das principais características de quem inicia a criação. O modismo já foi mais evidente em anos anteriores, mas ele ainda marca presença. O mercado está aquecido sim, mas o produtor precisa ter em mente que iniciar uma produção animal é equivalente à abertura de um novo empreendimento e todos os detalhes e minucias devem ser anotados e contabilizados no papel. Peca-se na falta de profissionalismo e na ansiedade de ver rapidamente os resultados. O planejamento está intimamente relacionado aos custos de produção. E se o produtor não calcula aquilo que entra e aquilo que sai para conhecer o seu lucro e os resultados do seu trabalho, ele pode estar fadando o seu próprio insucesso. Por isso destaco novamente a im-


portância das anotações e da conscientização dos funcionários para com este item. No último mês de dezembro, o FarmPoint lançou uma enquete perguntando aos leitores quais seriam os principais desafios para a ovinocultura em 2012. A maioria deles (16%), respondeu que o principal gargalo será a falta de planejamento da atividade. Leitores de 22 estados participaram da pesquisa, o que demonstra que há um consenso entre as regiões do país quanto a este problema. Carência de mão de obra A mão de obra especializada não é um problema apenas para a ovinocultura. A falta

de profissionalismo é um problema atualmente para toda atividade agropecuária. A cada dia que passa o número de pessoas dispostas a trabalhar no campo diminui e isso sem dúvidas prejudica as cadeias como um todo. Quando se fala em ovinocultura esse problema é agravado pelo fato de o Brasil não possuir uma cultura forte para essa produção. Isso dificulta o encontro de pessoas que conheçam as peculiaridades e detalhes desses animais, o que prejudica a produção de uma forma geral. Os funcionários que já trabalham no campo devem ser incentivados a ficar no mesmo. O proprietário deve

conhecê-los bem e saber como estimulá-los a permanecer em sua propriedade e treinamentos devem acontecer para o aperfeiçoamento daquilo que já existe. Uma sugestão é a união dos produtores que possuem propriedades em localidades próximas para reuniões e treinamentos dos seus funcionários em grupo, abrangendo um número maior de pessoas e reduzindo os custos. Esses gargalos devem ser ajustados para que a atividade se desenvolva. Em 2012 esperamos que a ovinocultura brasileira dê mais um passo de sucesso e que a carne ovina ganhe cada vez mais o gosto dos consumidores brasileiros.

Em 2011, o Brasil importou

4.076 toneladas de carne ovina

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PET

O legítimo caçador Docilidade, lealdade e astúcia na caça fazem do Waimaraner um dos mais populares cães de caça O Weimaraner é um cão bastante antigo, havendo registros da raça já em 1600. A teoria mais aceita quanto à sua origem é de que ele descende de um Braco alemão antigo (não o moderno Braco Alemão de Pelo Curto) e inicialmente encontrava-se exclusivamente nos canis dos duques de Saxônia-Weimar, dos quais herdou o nome. Os Weimaraners foram desenvolvidos para realizar diversas modalidades de caça, desde a esportiva até a caça de

animais de grande porte como javalis e veados. Inicialmente, atuavam em matilhas rastreando e encurralando a presa até a chegada do caçador. Durante várias décadas a criação dos Weimaraners era restrita a regiões da Áustria e Alemanha e não havia ‘comércio’ desses cães. Os criadores trocavam filhotes entre si com o objetivo de fixar um padrão para a raça, que após 1890 foi submetida a uma criação planificada e controlada pelos registros no livro

de origem. Depois que o padrão da raça foi registrado, os cruzamentos com outras raças especialmente o Pointer, passaram a ser evitados. Admite-se hoje que o Weimaraner seja, provavelmente, a raça mais antiga entre os cães de aponte alemães. Apesar de ser um cão extremamente versátil, o Weimaraner começou a popularizar-se apenas após a Segunda Guerra, quando foi intensificada sua concorrência com o moderno Braco Alemão, Kurzhaar. Nos EUA o Weimaraner foi introduzido a partir dos anos 40 e chegou ao Brasil em 1952. O Weimaraner é um cão de aponte, cuja finalidade é sinalizar a caça e posteriormente apanhá-la e devolvê-la ao caçador. Apesar dessa função inicial específica, por sua inteligência e docilidade ganhou muitas outras funções, como cão farejador de drogas, resgate e mesmo cão de companhia. Na Europa e EUA onde a caça é permitida, os Weimaraners têm lugar cativo entre os praticantes do esporte, especialmente por suas características de estrutura e forma de devolver a caça. Ponto Forte Ele conquista admiradores não só pelos olhos de cor âmbar contrastando com a pelagem cinza e por suas formas bem proporcionadas e elegantes.

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O Weimaraner encanta também pela forte devoção ao dono. Essa forte ligação foi desejada desde a formação da raça no final do século 19, na Alemanha, para trabalhar em dupla com o caçador, mantendo-se próximo a ele. Apto a atuar em campos, florestas ou na água, fareja a pista de animal de pelos e a segue com determinação bem como aponta aves ocultas na vegetação, amarra-as (olha fixamente como se fosse atacar, para deixá-las paralisadas diante do perigo iminente) e, ao sinal do caçador, avança para fazê-las levantar vôo. Também busca a caça abatida, sem medo de mata cerrada, pântano ou água gelada. Atlético e sempre disposto a agradar ao dono, o Weimaraner é companheiro animado em caminhadas e em esportes em dupla, como o agility. Essa atividade, aliás, tem tudo a ver com a raça. Atende à necessidade de atividade e aprimora o entrosamento, resultando em melhor aceitação da liderança do dono. “No Brasil, mesmo entre aqueles que conhecem o Weimaraner, poucos sabem do verdadeiro potencial da raça”, observa Regina Penna Rodrigues, do Canil Champion`s Line, Porte Alegre, RS. Criadora há 12 anos e já conviveu com 15 Weimaraners adultos, O maior pólo de criação de Weimaraners está nos Estados Unidos. Em 2003, foram registrados 8.763 filhotes no American Kennel Club (AKC), 29ª posição entre 151 raças. O cão também é utilizado em programas de pet terapia,

aproveitando o bom humor e a sociabilidade da raça para tratar pacientes em hospitais e asilos. No Brasil, o Weimaraner esteve entre as 15 raças mais registradas na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) na década de 80, quando chegou a mais de mil filhotes por ano. Em 2003, houve registros de filhotes de Weimaraner em 12 Estados brasileiros, na CBKC, num total de 293 exemplares, o que deu à raça a 47ª posição.

A pelagem predominante nos Weimaraners é a curta. Desde 1992, o Weimaraner Klub (WK), entidade alemã responsável mundialmente pela raça perante a Federação Cinológica Internacional (FCI), dá ao Weimaraner de pêlo longo tratamento semelhante ao de pêlo curto, tanto no padrão como na logotipia do clube e nas informações prestadas ao público. A cor cinza do Weimaraner pode ir da tonalidade prata (mais clara e brilhante) e cor-

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PET

ça (puxando para o bege) até a cinza-rato (quase chumbo). Pequenas manchas brancas são permitidas no peito e nos dedos. A tradição secular da cauda cortada é ainda bastante adotada no Brasil. O padrão do AKC exige que o corte seja feito para deixá-la com seis polegadas (15,24 centímetros). Na Alemanha, o corte da cauda de cães foi proibido por uma lei protecionista de 1998, para os cães que não são usados na caça. O padrão alemão do Weimaraner, adotado pela FCI e CBKC, exige cauda forte e bem coberta de pêlos. Nos países onde não há restrição legal ao corte de cauda, a praxe é aceitar igualmente a cauda cortada e a íntegra, como acontece no Brasil.

FICHA DA RAÇA Outros nomes Braco de Weimar e Weimaraner Vorstehhund. Classificação CBKC/FCI Grupo 7, Cães Apontadores; seção 1, Cães Apontadores Continentais. Usos Cão de caça por faro e por aponte e de busca, em terra e água. Usado também para companhia e proteção. É bom parceiro em atividades esportivas. Porte Altura na cernelha – 59 a 70 cm, ideal: 62 a 67cm (macho); 57 a 65 cm, ideal: 59 a 63cm (fêmea). Peso: 30 a 40 kg (macho) e 25 a 35 kg (fêmea). Pelagem De dois tipos. Curta – mais longa e espessa que na maioria das raças de mesmo tipo, muito densa e bem aderente. Longa — macia e lisa ou ligeiramente ondulada. Ambiente ideal Externo. Em ambiente interno, praticar pelo menos uma hora de exercício físico diário. Exercício Correr e brincar à vontade.

Problemas comuns à raça Um dos principais pontos fracos do Weimaraners diz respeito à pelagem: Seborréia Seca Descamação da pele. As causas mais comuns são deficiência hormonal e/ou alimentar. O pelo fica ‘esbranquiçado’ e sem vida. O tratamento deve ser feito à base de medicamentos especialmente receitados pelo veterinário. Piodermite Falha nos pelos causada por irritação e/ou sensibilidade a produtos químicos. Otite Infecção do ouvido, facilitada pelo formato das orelhas do cão que propicia o acúmulo de sujeira. A melhor forma de evitar é manter sempre a limpeza dos ouvidos

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Mercado

Produtores Rurais e o Crédito de Carbono Diante do recorrente tema do aquecimento global, há uma crescente preocupação com o meio ambiente, seja pela pressão internacional, para que medidas sejam tomadas e aplicadas nos respectivos territórios, seja por consciência de fato da situação em que nos encontramos atualmente. O tema se mostra de extrema importância para os produtores rurais, uma vez que, no Brasil, sabemos que a maior parte da emissão dos Gases de Efeito Estufa tem origem no desmatamento e nas atividades de agropecuária e agricultura e diante dos tratados e políticas internacionais prevendo a diminuição das emissões dos gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global, os produtores que não seguem as normas e regulamentações ecológicas acabam, por consequência, perdendo lugar no mercado para aqueles cujos produtos possuem um “selo verde”. Além disso, a produção sustentável traz também benefícios econômicos, pois os produtores que adotam técnicas ecológicas de produção ganham espaço no mercado internacional, agregam valor às suas mercadorias, além da pos-

sibilidade de obtenç��o de lucro, por meio do chamado Mercado de Carbono, criado pelo Protocolo de Kyoto com o fim de facilitar a redução das emissões dos gases de efeito estufa pelos países signatários. Com a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, cada tonelada reduzida ou retirada da atmosfera transforma-se em um crédito de carbono, chamado de Redução Certificada de Emissão, que possui valor comercial e pode ser negociado mundialmente, por meio do Mercado de Carbono. Dentre os projetos ligados ao Mercado de Carbono que podem ser desenvolvidos, podemos citar aqueles relacionados ao reflorestamento; os de recuperação de pastagem; de integração de lavoura-pecuária; e o aumento do uso de biocombustíveis. Além da possibilidade de obtenção de créditos de carbono, seja para comercialização no Mercado de Carbono relacionado ao Protocolo de Kyoto, seja para a comercialização no Mercado Voluntário de Carbono, o Governo vem criando diversos incentivos à redução das emissões dos gases de efeito estufa, dos quais os produtores podem se beneficiar, encon-

tramos entre eles o “Programa ABC” (Programa Agricultura de Baixo Carbono), destinado a financiar práticas na lavoura que reduzam a emissão dos gases de efeito estufa. O programa, voltado para a produção sustentável, conta com uma taxa de juros mais baixa, de 5,5%, e com a concessão de crédito de R$ 1 milhão por beneficiário, além de outras inúmeras vantagens, possuindo cinco pilares básicos: o plantio direto na palha, a fixação biológica de nitrogênio, a recuperação de pastagens degradadas e o sistema de integração lavoura-pecuária-florestas. Conclui-se, portanto, que o investimento em projetos de produção sustentável não são apenas necessários como vantajosos. O produtor rural que não se adequar às normas previstas para a produção ecologicamente correta está fadado em ter suas mercadorias desvalorizadas no mercado mundial, além de perder a oportunidade de se beneficiar dos mercados de carbono e dos incentivos propostos pelo Governo. Mais informações Fialdini Advogados www.fialdiniadv.com.br

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Receita das exportações brasileiras de carne bovina é recorde em 2011

A receita recebida em 2011 de US$ 4.169 bi é a maior já recebida pelo país

As exportações brasileiras de carne bovina in natura em dezembro/11 foram de 63,1 mil toneladas com receita de US$313,5 milhões, obtendo como preço médio US$4.970/ ton, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). (Tabela 1) Em relação a nov/11 as exportações de dez/11 foram menores em receita e volume, 17,7% e 13,1% respectivamente. Em novembro a receita foi de US$381 milhões e o volume foi de 72,6 mil toneladas. Apesar dessa queda mensal, comparando o mês de dez/11 com dez/10 houve crescimento nas exportações tanto em receita (9,9%) como em volume (7,7%). A receita das exportações de dez/10 foram de US$285,3 milhões e o volume foi de 58,6 mil toneladas. Observando a taxa de câmbio, o dólar valorizou 2,6% em dez/11 sobre nov/11, de US$1,79 para US$1,84, o que acabou baixando o preço médio do boi gordo em dólares. Em dezembro foi de US$55,4, ficando 6,6% menor do que o preço médio de nov/11 (US$59,3). Por este indicador de preço, em dezembro as exportações deveriam ser maiores do que em novembro por causa do menor preço da carne brasileira no mercado internacional. Porém, essa queda na comercialização

Tabela 1. Receita, volume, preço médio e variações anuais das exportações brasileiras de carne bovina

Gráfico 1. Boi gordo em dólares e dólar

internacional de carne é esperada no final de ano, pela diminuição das compras dos principais países importadores. A Rússia, por exemplo, não importa carne devido ao congelamento de seus portos no inverno. A receita anual das exportações brasileiras de carne bovina está em crescimento

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constante desde 2002, exceto por 2009 por causa da crise econômica mundial e a desaceleração do comércio internacional. A receita recebida em 2011 de US$ 4.169 bilhões é a maior já recebida pelo país, sendo 4,7% maior do que a receita recebida em 2008, de US$ 4.006 bilhões, agora a segunda maior.


Gráfico 2. Receita e volume acumulados ano a ano das exportações brasileiras de carne bovina

Em relação ao volume exportado, este continua em queda desde 2007 quando foi exportado 1,2 milhão de toneladas de carne bovina. Em 2011 foram exportadas 820 mil toneladas. Essa redução do volume exportado vem propiciando um aumento no preço médio recebido por tonelada. O preço em 2011 foi de U$5.083/ton, 25% maior do que o preço médio recebido em 2010 de US$4.049/ton e 55,7% maior o preço médio de 2009, de US$ 3.264/ton. Artigo escrito por Marcelo Whately, analista de mercado do BeefPoint

A receita recebida em 2011 de

US$ 4.169

bilhões é a maior já recebida pelo país


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Duas décadas: o que mudou nas exportações mundiais de carne bovina? Em duas décadas o panorama das exportações mundiais de carne bovina mudou no que diz respeito aos principais exportadores e volume de negócios

Por Jéssyca Guerra Zootecnista e analista Junior da Scot Consultoria

Em 1994 as exportações mundiais totalizaram 5,6 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec). Em 2010 esse volume foi de 7,7 milhões de tec e a estimativa para 2011 é de que sejam comercializadas 7,9 milhões de tec. Se considerarmos 2011, o volume de carne bovina comercializada globalmente aumentou 41,4% na comparação com 1994. Quem eram os maiores

exportadores de carne bovina em 1994? Em 1994, ano de mudanças na economia brasileira, com o início do Plano Real, o Brasil era o sexto exportador de carne bovina. O país exportou naquele ano 312 mil toneladas equivalente carcaça (tec). A União Europeia, que era composta pelos 15 países mais ricos do continente europeu, era a líder do mercado, com 1,2 milhão de tec exportadas ou 21,9% do total comercializado

no mundo. O bloco permaneceu como líder nas exportações de carne bovina até 1996. Em segundo lugar aparecia a Austrália, com 1,1 milhão de tec ou 20,5% do total. De 1997 até 2003, a Austrália se manteve como maior exportadora mundial de carne bovina. Na tabela 1 estão os cinco maiores exportadores de carne bovina em 1994.

Tabela 1. Maiores exportadores de carne bovina em 1994. Países

Volume (em mil tec)

% do total exportado no mundo

União Europeia

1.220

21,9%

Austrália

1.140

20,5%

Estados Unidos

731

13,1%

Nova Zelândia

466

8,4%

Argentina

384

6,9%

Total (cinco maiores exportadores)

3.941

70,8%

Total mundial

5.567

100%

Fonte: USDA / Compilado pela Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

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Tabela 2. Maiores exportadores de carne bovina em 2010. Países

Volume (em mil tec)

% do total exportado no mundo

Brasil

1.558

20,1%

Austrália

1.368

17,6%

Estados Unidos

1.043

13,4%

Índia*

917

11,8%

Nova Zelândia

530

6,8%

Total dos cinco maiores

5.416

69,7%

Total mundial

7.752

100%

*não diferencia carne bovina de bubalina na compilação dos dados. Fonte: USDA / Compilado pela Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

A fatia de mercado dos cinco maiores exportadores de carne bovina, em 1994, era de 70,8%.

números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apareciam a Austrália e os Estados Unidos, com 17,6% e 13,4% do mercado, respectivamente. Na tabela 2 estão os cinco maiores exportadores de carne bovina em 2010. Comparando a fatia de mercado dos cinco maiores ex-

E hoje? Em 2004 o Brasil assumiu a liderança e se manteve na posição até 2010, quando exportou 20,1% de toda carne bovina comercializada no mundo. Na sequência segundo os

portadores em 1994 e em 2010, o cenário pouco mudou. Em 1994 esses cinco países detinham 70,8% do mercado e em 2010 este valor passou para 69,7%. Entretanto, individualmente, a coisa mudou. Países que apareciam como grandes exportadores, em 2010 não estão mais entre os maiores. Tabela 3.

Tabela 3. Maiores exportadores de carne bovina em 1994 e em 2010 e diferença da fatia de mercado (1994 x 2010). Ranking em 1994

Ranking em 2010

Diferença da fatia de mercado (1994 x 2010)

União Européia

-80,4%

Austrália

-14,1%

Países

Estados Unidos

2,3%

Nova Zelândia

-19,0%

Argentina

-44,9%

Brasil

258,9%

Índia 11º 4º Fonte: USDA / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br Os países que mais cresceram foram a Índia, com expansão de 268,7% em relação a 1994, e o Brasil, com aumento de 258,9%. Estes países ocuparam o espaço deixado pela União Europeia, Austrália, Nova Zelândia e Argentina. A Argentina, por exemplo, abateu muitas fêmeas nos últimos anos, o que contribuiu para a diminuição da produção

de carne bovina no país e, consequentemente, das exportações. A Austrália passou por problemas climáticos nos últimos dois anos e possui um rebanho de bovinos de corte estagnado. Os Estados Unidos perderam parte do seu mercado em 2004 devido à ocorrência de encefalopatia espongiforme

268,7% bovina (BSE), o “mal da vaca louca”, mas vem se recuperando e está novamente em crescimento. A desvalorização do dólar aumenta a competitividade da carne norte-americana no mercado. Veja na figura 1 a evolução das exportações de carne bovina do Brasil, da Austrália e dos Estados Unidos.’

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Figura 1. Evolução das exportações de carne bovina do Brasil, Austrália e Estados Unidos de 1994 a 2011 – em milhões de tec.

*estimativas Fonte: USDA / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br De acordo com as estimativas do USDA a Austrália ultrapassará o Brasil nas exportações de carne bovina em 2011. A valorização do real frente ao dólar complicou as exportações brasileiras em 2011. O embargo russo (principal comprador de carne bovina brasileira) também contribuiu para que o volume das exportações diminuíssem.

O que esperar em 2012? É possível que o Brasil volte a liderar as exportações de carne bovina em 2012. Alguns fatores influenciarão positivamente as exportações brasileiras, como: retenção de fêmeas desde 2007 que contribui para o aumento da oferta de animais e, o dólar mais valorizado frente ao real. Entretanto, outros cenários poderão acontecer, como:

estímulo do consumo interno e aumento da renda da população, o que poderá tornar o mercado interno mais interessante; estiagem prolongada em 2011 em algumas regiões, diminuindo a disponibilidade de animais para abate; e a crise mundial que pode influenciar negativamente a demanda. Vamos aguardar para conferir!

Cotações de mercado Milho ( média primeira quinzena de janeiro de 2012) Paranaguá -SC

São Paulo -SP

R$ 26.33

R$ 31.00

Campo Grande - MS Rondonópolis -MT R$ 23.55

Rio Verde - GO

Uberaba - MG

R$ 18.70

R$ 24.90

R$ 17.15

Soja ( média primeira quinzena de janeiro de 2012) Paranaguá -SC

Santos -SP

Campo Grande - MS

Sorriso -MT

Rio Verde - GO

Uberaba - MG

R$ 48.65

R$ 48.75

R$ 40.72

R$ 37.75

R$ 42.30

R$ 44.40

Boi à vista ( média primeira quinzena de janeiro de 2012) Oeste - SC

Barretos - SP

Campo Grande -MS

Alta Floresta -MT

Goiania - GO

Triângulo - MG

R$ 99.10

R$ 98.20

R$ 96.60

R$ 89.20

R$ 89.30

R$ 91.40

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Como recuperar o crédito no mercado do agronegócio Advogado especialista fala sobre o bom momento do setor e de como se livrar da inadimplência rural

Dr. Marcus Reis Especialista em direito do Agronegócio

Uma biodiversidade inigualável, água em abundância, solo fértil e clima privilegiado com estações definidas na maioria do ano em vários estados brasileiros. Este é o cenário que faz do Brasil um dos países mais propícios ao desenvolvimento da agropecuária, agronegócio e agroindústria. Com isso, estes setores têm se tornado um grande celeiro de emprego, atraindo empresas e indústrias do mundo inteiro a investir em terras tupiniquins. Porém, com tantos atrativos e com o ótimo momento, o agronegócio nacional as-

sinala alguns pontos negativos, entre eles, o número crescente de endividados e inadimplentes que hoje somam uma fatia considerável do bolo deste setor. Um grupo significativo de produtores mantêm dívidas antigas, muitas vezes já renegociadas mais de uma vez, que os impedem de contratar novos empréstimos. Com isso, surge a dificuldade do aumento dos negócios e dificulta cada vez mais a recuperação do crédito. Para Marcus Reis, diretor presidente do escritório Reis Advogados, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro - e que esteve

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presente recentemente em um dos maiores fóruns de discussão do setor, o FONAGRO – realizado em Curitiba, o Brasil passa por um momento único no setor de agronegócios, em especial o interior por ser o foco de todo o investimento externo que gira em torno de infraestrutura. “O Brasil é a bola da vez mundialmente neste setor. Isso acontece por vários motivos, entre eles pela escassez mundial de alimentos, pela imensa extensão territorial agricultável e pela abundância de água e tecnologia de ponta. O agronegócio, que hoje representa quase 30% de nosso Produto


Interno Bruto – PIB, experimenta em nosso país, um momento excepcional que deverá perdurar no mínimo pelos próximos três a cinco anos”, analisa. Recuperação do crédito O advogado especialista em direito do agronegócio explica que o setor se expandiu de tal forma que gerou um grande número de credores, devido à facilidade para financiamentos e empréstimos destinado aos produtores para a expansão de seus negócios. Por isso, não há como se obter números exatos do valor desta dívida. “O levantamento de um número de credores demandaria um esforço gigantesco e com resultados incertos, tamanha a gama de negócios espalhados pelo interior do país”, avalia. A recuperação de crédito no agronegócio brasileiro possui uma importância superior à maioria das outras atividades

comerciais. Como traduz o jargão do setor, “a agricultura é uma empresa a céu aberto”, sujeita a sol e chuva em excesso ou escassez, pragas, necessidade de conhecimentos técnicos apurados, além dos demais fatores atinentes à famosa lei da oferta e demanda. Esses e outros fatores trazem uma maior insegurança na concessão de créditos ao financiamento rural. “Eis aí a origem das tensões comuns não só aos concedentes de financiamentos agrícolas como aos tomadores deste”, explica. Por isso, a recuperação de crédito começa quando o débito ainda inexiste, ou seja, inicia-se com os primeiros contatos do setor comercial com o tomador/ comprador de certo empréstimo ou produto. “Nos treinamentos que ministro, faço questão de solicitar a presença de representantes de todos os setores da empresa. Costumo dizer que cada área representa o elo de uma corrente onde a ruptura de apenas um desses elos tornará ineficaz o esforço de todas as partes envolvidas”, diz. O diretor ainda explica que recuperação do crédito tem início em uma boa venda, onde informações sobre quem compra o serviço devem ser colhidas pelo setor comercial, que por sua vez, serão repassadas ao setor de cadastro, cujo risco da operação será analisado pelo setor de análise, que encaminharão para os setores de crédito e financeiro, responsáveis pela aprovação final de crédito. Nesse último caso, é esse setor que fornecerá material e subsídio suficientes aos setores de cobrança ou jurídico, que entrarão em cena nos casos de inadimplência. “Esses setores somente conseguirão êxito na recuperação de crédito se todas as fases anteriores tiverem andando bem. Caso contrário não haverá milagres. Um título mal

formatado, inviabilizará a tomada de medidas judiciais rápidas e eficazes”, diz Reis. Linhas bancárias de negociação O governo federal através de bancos que detém participação, dentre os quais Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia S/A e outros, direciona financiamentos específicos no sentido de fomentar o desenvolvimento de regiões determinadas, atraindo agricultores e empresas interessados em tais benefícios, dentre eles prazos dilatados e juros reduzidos. “Estes programas de incentivo são conhecidos de todo setor agrícola e estão à disposição dos empresários rurais que queiram investir em lugares distantes dos grandes centros econômicos de nosso país”, explica Reis. Houve uma época em que o agricultor tinha no governo uma tábua de salvação, pois entendia que a responsabilidade pelas inconsistências e vicissitudes comuns ao setor eram de responsabilidade deste e nunca de si próprios. “Foi a época das famosas anistias onde os financiamentos federais tinham seus pagamentos prorrogados por décadas a juros baixíssimos”, diz. Marcus Reis explica que hoje em dia, com a mudança de posicionamento do governo, o mercado privado ocupou sua real posição, encarando a agricultura como outro negócio qualquer. “A grande diferença atual entre o governo e o mercado privado é a de que este último tem interesse em financiar a agricultura desde que lhe seja concedido garantias de recebimento de seu crédito devidamente acrescido de um lucro razoável. Em breves palavras este é o cenário do crédito agrícola atual. Profissional, moderno, dinâmico e globalizado”, finaliza o diretor.

Foi a época das famosas anistias onde os financiamentos federais tinham seus pagamentos prorrogados por décadas a juros baixíssimos”,

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Vida de Jurado

Vida de Jurado com

Lucyana Queiroz Por Gustavo Ri’beiro O Vida de Jurado desta edição tem como convidada uma personagem bastante especial. Lucyana Queiroz, uma verdadeira apaixonada pela vida no campo, por animais e pelas pistas de julgamento. Formada em zootecnia, a jovem paulista em fevereiro completa um ano como jurada efetiva da ABCZ. Apesar do curto período trabalhando na instituição, Lucyana já julgou algumas das pistas mais pesadas do Brasil e já teve também uma experiência que superou as fronteiras nacionais. Conheça agora um pouco mais dessa grande mulher do agronegócio. Quais raças você julga? Sou jurada efetiva da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu. Já tive a oportunidade de trabalhar com as raças Gir Lei-

teiro, Guzerá e Nelore. Em 2012 gostaria de iniciar nas raças Tabapuã, Brahman e Sindi. Desde quando você é jurada efetiva? Efetivei como jurada no dia 08 de fevereiro do ano passado (2011), em breve completarei um ano no Colegiado de Jurados das Raças Zebuínas (CJRZ). Como despontou sua vocação para atuar como jurada? Esta é uma pergunta interessante. A paixão pelo ZEBU vem desde a minha infância. Meu pai (meu maior mentor e a quem devo tudo que acontece e aconteceu na minha vida profissional até hoje) é criador e reside no Mato Grosso, tendo como sua principal atividade a pecuária. Com isso, ele despertou meu interesse desde muito novinha. Eu fazia questão de

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acompanhá-lo em suas idas e vindas pelas fazendas, mesmo sem entender muito bem o que acontecia. Essa paixão foi aumentando a cada ano, o que claramente influenciou de forma positiva na escolha da minha profissão, deu continuidade e consolidou-se durante a faculdade. Conclui a graduação em ZOOTECNIA no mês de dezembro de 2009 pela Faculdades Associadas de Uberaba-MG (FAZU), onde também realizei minha Especialização em Exterior e Julgamento de Zebuínos. Tive professores que despertaram de forma geral o meu interesse pelo melhoramento genético e, consequentemente, o encantamento pelas pistas de julgamento. Qual é a maior dificuldade encontrada no seu trabalho?


Por você ser mulher, viver em uma sociedade patriarcal e trabalhar em um universo vamos dizer um pouco “machista”, acredita que as dificuldades foram maiores em algum momento? A primeira dificuldade é a iniciação nas pistas de julgamento. Ter a oportunidade de julgar a primeira exposição e mostrar seu trabalho é complicado. Isto porque existem inúmeras pessoas competentes e principalmente experientes no meio. Com relação ao meio ser “machista”, talvez não seja esta a melhor forma para defini-lo, pois, independente do sexo, se a pessoa for dedicada e criteriosa, o resultado final não será afetado. Atualmente, o que está claro é a diferença significativa na quantidade de homens em relação à de mulheres nas pistas de julgamento, mas isto faz correlação direta ao número das mesmas no quadro de jurados, onde representamos apenas 10% do total. Além de ser jurada, quais outras atividades você desenvolve? Além de ser jurada, trabalho com assessoria na seleção de gado PO e cara limpa, manejo racional de bovinos e acompanho periodicamente as fazendas da família. Conte-nos como foi o seu primeiro julgamento. Meu primeiro julgamento foi muito marcante, aconteceu na cidade de Passos-MG. Foi uma exposição muito importante, com quase 300 animais para avaliação. Fiquei bastante ansiosa e ao mesmo tempo nervosa, mas no decorrer do julgamento fui me soltando e perdendo o nervosismo da es-

treia, afinal fui muito bem recebida por meus colegas, que me deixaram à vontade durante todo o trabalho. São eles Dr. Euclides Prata dos Santos (que, durante a minha formação como jurada, tive oportunidade de auxiliá-lo diversas vezes) e Dr. José Jacinto Junior, que é um dos jurados mais renomados e experientes do meio. Um momento especial que nunca vou esquecer. Para se tornar um jurado, são necessários cursos, treinamento e aperfeiçoamento. Como funciona o treinamento? Qual o segredo para ser um bom jurado? O segredo para ser um bom jurado é conhecer bem os padrões de cada raça, entender os modelos de seleção e estar sempre atualizado. Para isso, o primeiro passo é se formar em agronomia, zootecnia ou medicina veterinária. Depois da graduação, é necessário fazer o curso de julgamento, que, normalmente, acontece uma a duas vezes por ano. Posteriormente, inicia-se a jornada como jurado auxiliar, o que, em minha opinião, é a parte mais importante do curso. O jurado auxiliar deverá acompanhar diferentes jurados e raças, com isso seus conhecimentos são testados a todo o momento. A cada exposição, o jurado efetivo faz uma avaliação do seu auxiliar. Referida avaliação deve ser favorável, caso contrário a exposição não tem validade alguma para o complemento do número de expo-

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Vida de Jurado

sições necessárias para sua efetivação. Por fim, há ainda a prova prática, que finaliza este processo de treinamento, estando o jurado apto a participar e julgar exposições. É importante ressaltar que todo jurado deverá estar sempre atento aos cursos de atualização que são promovidos pelas associações. O que você procura em um animal para consagrá-lo como Grande Campeão? Um Grande Campeão tem que ser o exemplo de tudo que foi buscado durante o julgamento. O animal mais completo em todos os sentidos, a junção ou união das características raciais, produtivas e funcionais avaliadas. Ele é o resultado final de todo o trabalho. Quais julgamentos foram mais marcantes para você? Por quê? É difícil falar de um jul-

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gamento em especial, cada um me ensinou e me preparou para o seguinte. A FeiLeite 2011 foi muito marcante, é uma das feiras mais respeitadas e importantes dentro da raça Gir Leiteiro, consequentemente a qualidade dos animais também é impressionante. Outra exposição que me marcou muito foi a de La Dorada, na Colômbia. Além de julgar as raças Gir e Guzerá, ministrei o curso teórico e prático de Exterior e Julgamento de Zebuínos para jurados Colombianos, criadores e profissionais ligados às áreas de ciências agrárias. Foi uma experiência profissional inédita e maravilhosa, fiquei honrada com o convite. Você faz em média quantos julgamentos por ano? Não posso responder em relação à média, pois, como disse anteriormente, ainda estou completando um ano como ju-


rada efetiva. No ano que se passou, tive muitas oportunidades, julguei 13 (treze) exposições em diferentes estados do Brasil e uma fora do país. O trabalho de juiz é uma profissão de muita responsabilidade. A consagração de uma Grande Campeã passa por suas mãos. Como é conviver com isso? Você sofre algum tipo de pressão? Caso sofra, como você administra isso? Sem dúvida alguma, é uma grande responsabilidade. Faz-se necessário manter respeito e credibilidade aos criadores e tratadores. Ter humildade e ética nas decisões que serão tomadas é fundamental, pois a avaliação na pista de julgamento é um empenho de anos que está sendo avaliado em horas. Este trabalho é importantíssimo e decisivo para o mercado, tendo em vista que envolve grande esforço por parte dos profissionais responsáveis e, principalmente, altos investimentos por parte do criador. Enfim, entender e avaliar essa metodologia envolve

muito conhecimento e foco por parte do jurado. A pressão existe, e muita das vezes é nossa, de realizar o melhor trabalho e observar os mínimos detalhes para, posteriormente, justificá-los com base técnica. Você tem alguém como referência no seu trabalho? Tive muitos professores durante a minha formação, me dediquei um ano inteiro para acompanhar exposições como jurada auxiliar de diferentes raças zebuínas. Finalizei o ano auxiliando 21 delas em todo o Brasil e cada jurado que eu auxiliei agregou muito com seus conhecimentos. Mas não posso deixar de destacar alguns nomes de referência na minha formação. Dr. Fábio Miziara é um mestre pra mim, minha referência, tanto nos julgamentos como em sua conduta; Dr. André Rabelo e Dr. José Otávio Lemos são profissionais a quem tenho o maior respeito e com quem tive o prazer de dividir a pista na ExpoCamaru em Uberlândia-MG. Enfim, são pessoas que têm muito conhecimento, experiência e humil-

dade de ensinar e corrigir para o crescimento profissional dos novos jurados. Para finalizar, o que deixa você mais realizada em seu trabalho? O que sem dúvida me deixa mais realizada é trabalhar com aquilo que eu realmente gosto e me dediquei a fazer. O julgamento é uma paixão, uma conquista pessoal e profissional. Cada comentário realizado desperta aquele friozinho na barriga e termina com o prazer de dever cumprido. É bom sentir isso!

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Leilões

Leilão Beneficente do Instituto Boa Fé Arrecadação do evento vai ajudar no tratamento de 1.250 pacientes O Sindicato Rural de Veríssimo foi o que mais arrecadou animais, perfazendo um total de

67 cabeças

Pelo terceiro ano consecutivo o Leilão Beneficente do Instituto Boa Fé em prol do Hospital Dr. Hélio Angotti – Hospital do Câncer de Uberaba foi sucesso total. O já tradicional evento totalizou R$ 630.000,00 (entre corrente solidária, doações espontâneas e o leilão), 50% a mais que a ultima edição. Esse recurso possibilitará a compra

de medicamentos para o tratamento de aproximadamente 1.250 pacientes ao longo de 2012! Foram 200 lotes comercializados (restando mais de 35 lotes que não foram vendidos e devem ser revertidos em mais de R$50.000,00 a serem comercializados em leilões promovidos durante o ano de 2012. Nestes lotes incluem prenhezes

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e sêmens). O evento realizado em 17 de dezembro, no Tattersal de Elite da ABCZ, recebeu 800 pessoas ao longo do dia. A equipe do Instituto Boa Fé, agradece a todos os envolvidos, lembrando que para a realização deste evento foram mobilizados mais de 100 voluntários, desde a captação de animais e prendas até a operação


do leilão, onde mais de 60 pessoas estavam envolvidas. Além destes voluntários, todos os prestadores de serviços neste dia também doaram seu tempo e conhecimento, como o NovoCanal – cedido pelo SBA – Sistema Brasileiro do Agronegócio, a leiloeira NovaSat Leilões - leiloeira oficial

do Leilão Beneficente do Instituto Boa Fé e a ABCZ que cedeu o tattersal de Elite sem custos. Esse ano o envolvimento do setor rural foi ainda mais intenso, aumentaram as doações por toda a região, além da adesão de criadores e produtores rurais de todo o país. Os Sindicatos Rurais da região doaram

centenas de animais. O Sindicato Rural de Veríssimo foi o que mais arrecadou animais, perfazendo um total de 67 cabeças. "A Certrim, o Sindicato Rural de Uberaba e os Sindicatos Rurais de toda região, foram fundamentais". explica Jônadan Ma, presidente do Instituto Boa Fé.

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Leilões

Foram ofertados no leilão em torno de 300 animais: bovinos, eqüinos, muares e ovinos, além de animais domésticos e centenas de prendas. Para Jônadan Ma esse ano a palavra qualidade marcou as ações do leilão. “Tivemos uma qualidade fantástica das pessoas envolvidas, das parcerias, das doações e do resultado que surpreendeu. Nós do Instituto agradecemos a todos. É esse envolvimento que fortalece nossos passos rumo aos novos leilões que com certeza virão”, comemora Jônadan. Destaque: Toda renda será revertida para o Hospital Dr. Hélio Angotti, o hospital do Câncer de Uberaba. Os 630 mil serão usados para a compra de medicamentos oncológicos destinados ao tratamento dos portadores de câncer. Serão quase 53 mil mensais que permitirão a compra de medicamentos oncológicos para o tratamento de aproximadamente 104 pacientes no mês. Ao longo de 2012, serão comprados medicamentos para o tratamento aproximadamente 1.250 pacientes Resultados de 2010 Arrecadação R$ 435.929,35 parcelados em 12 meses rendeu ao Hospital Dr. Hélio Angotti, uma receita mensal de R$ 36.327,63. Esse valor permitiu a compra de medicamentos para tratamento mensal de 72 pessoas atendidas no Hospital Dr. Helio Angotti – Hospital do Câncer em Uberaba, totalizando cerca de 850 pessoas no ano de 2011.

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Descrição

QT

MÉDIA

TOTAL (R$)

Anelorados

54,00

621,30

33.550,00

Cruzados

117,00

343,93

40.240,00

Equinos

5,00

1.116,00

5.580,00

Gir leiteiro

13,00

2.533,85

32.940,00

2.341,61

72.590,00

Girolando Jersolando

5,00

2.640,00

13.200,00

Muares

2,00

660,00

1.320,00

Nelore

32,00

920,00

29.440,00

Ovinos

3,00

296,67

890,00

Senepol

2,00

10.020,00

20.040,00

Semen

40,00

2.526,00

101.040,00

Prenhezes

6,00

9.300,00

55.800,00

Aspirações

2,00

8.400,00

16.800,00

Prendas diversas

66

1.433,83

94.633,00

Corrente solidária Total 378,00 Mais informações: www.institutoboafe.org

Mais de

600 mil arrecadados

R$

115.035,00 43.153,19

633.098,00

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Leilões

Agenda de Leilões Leilão Anual Gado Holandês Registrado Fazenda Vista Bonita e Convidados Participação Especial: Agropecuária Marajoara Dia: 04/02/2012 Às 14H00. Local: Rod. Dom Pedro (Sentido Campinas Km 61 - Sentido Jacarei Km 65) Estrada Municipal Antonio Ramos Km4 Em Bom Jesus Dos Perdões/Sp. Animais: 180 Fêmeas Sendo: 30 Vacas Em Lactação De 1ª E 2ª Cria 80 Novilhas Prenhas De Semen Sexado 70 Bezerras De Até 15 Meses Parcelamento: 24 Parcelas (2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+1+1) Transmissão: Terra Viva Realização: Embral Leilões 4º Leilão Virtual Fazenda Santo Humberto José Francisco Junqueira Reis - Gir Leiteiro Santo Humberto Inicio: 01/03/2012 Às 21H00. Animais: Altamente Selecionados Realização: Embral Leilões Parcelamento: 24 Parcelas (2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+1+1) Transmissão: Terra Viva Leilão de Liquidação Total Centrogen Inicio: 03/03/2012 às 14h00. Local: Hotel Cegil - Resende - Rj Animais: A Maior Liquidação de Genética Da História Da Raça Girolando Parcelamento: 24 Parcelas (2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+1+1) Transmissão: Terra Viva Realização: Embral Leilões Leilão Anual Fazenda Cayuaba com 26 anos de seleção Inicio: 31/03/2012 às 14h00. Local: Fazenda Cayauba em Entre Rio de Minas/ Mg. Animais: 220 Fêmeas Girolando Média anual do rebanho : 25Kg Parcelamento: 24 Parcelas (2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+2+1+1) Transmissão: Terra Viva Realização: Embral Leilões Leilão Virtual Jóia Rara & Marambaia Raça: Nelore PO Data: 28 de fevereiro 21h00

Local: Virtual Transmissão: Canal Rural e C2Rural Realização: Programa Leilões Leilão Tradição Nelore 2012 Raça: Nelore PO Data: 02 de março 21h00 Local: Parque de Exposições Fernando Cruz Pimentel - Avaré/SP Transmissão: Canal Rural Assessoria: SAP – Assessoria Agropecuária Realização: Programa Leilões 6º Leilão Fazenda São João e Convidados Data: 02 de Fevereiro às 21:00h Local: Umuarama - PR Descrição: Serão ofertados 3.000 animais para cria, recria e engorda. Transmissão: Canal do Boi Informações: (66) 3468-6600 Leiloeiro: Adriano Barbosa Realização: Estância Bahia Leilão Criadores de Primavera Data: 05 de Fevereiro às 14:00h Local: Primavera - MT Descrição: Serão ofertados 5.000 animais para cria, recria e engorda. Transmisão: Canal terra Viva Cadastro e lances: (66) 3468-6600 Leiloeiro: Adriano Barbosa Realização: Estância Bahia Leilão FestLeite 2012 Data: 10,11 e 12 de Fevereiro Local: Camaru - uberlândia-MG Descrição: Serão ofertados 1.012 Animais Gir Leiteiro e Girolando Transmisão: Canal terra Viva Cadastro e lances: (66) 3468-6600 Leiloeiro: Adriano Barbosa Realização: Estância Bahia Leilão Estância Bahia Corte - Água Boa Local: Água Boa - Mt Descrição: Serão ofertados 5.000 animias para cria, recria e engorda Transmissão: Canal terra Viva Cadastro e lances: (66) 3468-6600 Leiloeiro: Adriano Barbosa Realização: Estância Bahia

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