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junho ‘19

# 37

Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso Rua da Misericórdia, 171, 4780-501 Santo Tirso t. + 252 808 260 | f. + 252 808 269 santacasa@iscmst.pt www.misericordia-santotirso.org www.facebook.com/MisericordiaSantoTirso

ENVELHE CERATIV AMENTE


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A Revista da Misericórdia foi um projeto que desde o início abraçamos com todo o entusiasmo e é com satisfação que, passados 18 anos, vemos que se tornou numa voz ativa dos órgãos sociais, colaboradores, utentes e Irmãos da Misericórdia de Santo Tirso. Nela dão-se a conhecer, de forma cada vez mais profissionalizada, as atividades, anseios, projetos e dificuldades de cada Valência ao mesmo tempo que se vai fazendo a história da nossa Misericórdia e de todos aqueles que de uma maneira ou outra contribuíram ou contribuem para o seu engrandecimento e notoriedade. Com ela estamos todos de parabéns em mais um aniversário. Muita gente da área da geriatria, grandes nomes do pensamento e não só, têm escrito e continuarão a escrever ao longo dos tempos sobre este tema antigo, mas sempre atual. Não irei pois abordar coisas que não se saibam, mas gostava de em poucas palavras dizer o que relativamente ao envelhecimento a vida me tem ensinado, ao longo dos meus 70 e poucos anos de vida. Todos ansiamos ser felizes e para isso necessitamos de ter saúde e amigos. Para mim de tudo o que a sabedoria nos proporciona para a felicidade de toda a nossa vida, de longe o mais importante, é o sermos senhores da amizade. Para ter amigos, familiares ou não, temos de dar o melhor de nós e lutarmos por isso. Quando de manhã acordo e vou a correr para a hidroginástica ou andar a pé e conversar, regresso a casa satisfeito e pronto para enfrentar um novo dia. Quando por volta das 18,00 horas saio de casa para ir ter com os meus amigos da tertúlia do café SP já levo as notícias do dia estudadas e uma ou mais histórias para contar. Algumas já contadas antes…, mas que interessa isso se os meus amigos não se importam que as repita? Agradeço aos meus amigos,”amigos dos automóveis antigos“ com quem me encontro uma vez por mês,


os conhecimentos de automóveis, os locais para almoçar e os temas escolhidos para cada encontro. Em cada um destes dias é pedido algo que todos possam partilhar, o que por vezes por esquecimento ou falta de empenho não conseguimos, mas também isso não é problema… Agradeço à família o cuidado que tem para comigo em coisas tão simples como levantar a cabeça, endireitar as costas e cuidar de mim mesmo. Fico feliz quando um amigo me telefona, para dar uma volta de meia hora pela cidade no fim de jantar, pois é certo e sabido que nessa noite irei dormir melhor. Fico tão feliz quando os filhos me dizem para os acompanharmos a este ou àquele espetáculo como quando nos pedem outra coisa qualquer. Agradeço aos meus colegas de escola e do INA os bons momentos que temos passado quando por vezes nos reunimos para conversar, mesmo que voltemos a recordar os mesmos colegas e as mesmas aventuras de juventude. Agrada-me ver os meus colegas do serviço militar, reunirem-se todos os anos e recordarem as façanhas e responsabilidades dos nossos vinte e poucos anos em situação de guerra. Não é de admirar o entusiasmo dos que dedicam parte do seu tempo à Universidade Sénior, ao Voluntariado e ao Grupo Coral da Misericórdia, por exemplo, pois aí também se criam laços de amizade e bem-estar. É bom recordar, é bom falar, é bom rir, é bom felicitar, é bom telefonar a um amigo, é bom ter sentido de humor, é bom compartilhar, é bom cumprimentar, é bom dar um abraço (não um apertão, mas um abraço… ). Há sorrisos e risos que só por si nos enchem de felicidade. Já me lembrei de procurar alguém que nos ensine a rir. E porque não esta casa fazê-lo? Os amigos não são para as ocasiões, são para sempre, pelo que a amizade é um bem tão importante que vale a pena arriscar iniciativas para obtê-la. Atenção, a amizade trás benefícios mas pressupõe reciprocidade… Sejam felizes.


SUMÁRIO /// ATUALIDADES / ENTREVISTA A JÚLIO MACHADO VAZ PSIQUIATRA, SEXÓLOGO, AUTOR P.06 / TOMADA DE POSSE DE NOVOS ÓRGÃOS SOCIAIS - QUADRIÉNIO 2019-2022 P.10 / VISITA INSTITUCIONAL DIRETOR DO CENTRO DISTRITAL DA SEGURANÇA SOCIAL DO PORTO P.11 / PALAVRAS COM MELODIA P.13 / RELATÓRIO E CONTAS 2018 P.14 / FÓRUM DA SOCIEDADE CIVIL - PRIORIDADES NO COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DE GÉNERO P.20 / POUPAR PARA OTIMIZAR P.22 / SEMANA DA INTERCULTURALIDADE 2019 P.24 / ENGENHARIA PARA UM «ENVELHECIMENTO ACTIVO» P.26 / ONDE E COMO VIVER MELHOR P.29 /// AÇÃO SOCIAL E COMUNIDADE / AMOR É... UMA TERAPIA P.32 / ATELIER COMPETÊNCIAS DIGITAIS P.34 / RUGAS QUE DIZEM ALEGRIA P.36 / ÀS VEZES SÃO OS PEQUENOS GESTOS… P.38 / REPENSAR O ENVELHECER P.42 / O MEU CORPO ENVELHECIDO AMA-ME INCONDICIONALMENTE P.44 / MANTER A BOA FORMA P.46 / O RISO É UMA TERAPIA P.48 /// FORMAÇÃO / UM NOVO CICLO FORMATIVO P.49 /// AÇÃO EDUCACIONAL / DIAS DE REFLEXÃO P.50 /// SAÚDE / TERAPIA OCUPACIONAL (ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA UM ENVELHECIMENTO ATIVO) P.52 / ERVAS AROMÁTICAS P.54 /// CULTURA / A PROFISSÃO DE ENVELHECER - UNIVERSIDADE SÉNIOR P.60 / CARTOON P.62 / POEMAS P.64 /// REVELAÇÕES MARIA MANUELA CARNEIRO P.66


Obs: a Revista da Misericórdia obedece ao novo acordo ortográfico.

PROPRIEDADE IRMANDADE DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE SANTO TIRSO // DIRETORA CARLA MEDEIROS // SECRETARIADO HUGO MARTINS // AVELINO RIBEIRO // COLABORADORES ALDA SILVA // ALESSANDRA RUÃO // ANTÓNIO SOUSA CRUZ // ANY TA // BIBIANA RIBEIRO // CARLA CABRAL // CARLA GONDAR // CARLA RUAS // CÉU MACHADO // FÁTIMA CORREIA // GORETI MACHADO // J. LUIS CRISTINO // JOÃO LOUREIRO // LILIANA PINTO // MARTA FERREIRA // MIGUEL DIAS // RAFAEL ARAÚJO // RAQUEL GONÇALVES // RITA FREITAS // RITA MIRANDA // SARA ALMEIDA E SOUSA // SOFIA MOITA // VASCO FERREIRA // TIRAGEM 1100 EXEMPLARES // EDIÇÃO JUNHO 2019 // DEPÓSITO LEGAL 167587/01 PERIODICIDADE SEMESTRAL // IMPRESSÃO NORPRINT // DESIGN SUBZERODESIGN

2010/CEP.3635


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Atualidades

#37

ENTREVISTA A JÚLIO MACHADO VAZ PSIQUIATRA, SEXÓLOGO, AUTOR

Júlio Machado Vaz é psiquiatra, sexólogo, professor e é presença regular na rádio nos últimos 30 anos em programas que passaram também a livros. É natural do Porto e é sem dúvida um comunicador nato, conseguindo captar a atenção de quem o ouve e lê. Fala de forma descomplicada sobre qualquer tema, sempre com um sorriso à espreita. Gosta do diálogo, da partilha de ideias e é generoso nas palavras quando dá a sua opinião. Júlio Machado Vaz tem uma vida preenchida com diversas atividades. É um nome conhecido como clínico, psiquiatra, mas também pelos seus programas de rádio, o mais “recente” chama-se o “Amor é” feito em parceria com Inês Meneses. É autor de mais de uma dezenas de livros. Tempo, amor, afetos, envelhecimento, medos foram alguns dos temas abordados numa conversa breve mas enriquecedora. Júlio Machado Vaz tem uma atividade profissional muito diversificada e intensa. É um bom gestor do seu tempo? Ou o tempo, os horários não o preocupam e tudo flui naturalmente?​ Nem pensar! Sou obrigado, pelo contrário, a cada vez mais planear com dias, semanas até meses de antecedência, a agenda rebenta pelas costuras. O que levanta outra questão – vai sendo tempo de abrandar…

Como ocupa o seu tempo livre e faz as suas escolhas livros e música são o principal motivo de distração e inspiração? A sua atividade principal, a Psiquiatria, condiciona-o de alguma forma? Há escritores /autores e bandas recorrentes? É verdade, a psiquiatria condiciona demasiado as minhas escolhas, acabo envolto em leituras de índole profissional, o que me empurra para a poesia fora delas. Mesmo assim, continuo a ler História e uma ou outra ficção. Há amigos insubstituíveis, claro, como o Eugénio de Andrade e os Beatles. E como é a sua biblioteca lá em casa? É o caos (ri-se) isto porque mudei recentemente de casa. Tenho de tudo um pouco. O meu pai dizia sempre “Je ne lis plus, je relis” e eu na altura não tinha idade para compreender a frase, mas dou por mim a reler e não ler de novo autores, livros. Faço-o porque me deram imenso prazer. Por exemplo leio periodicamente o Cyrano de Bergerac, pois é uma obra notável. Atualmente ando a ler um livro sobre organização e planificação das cidades e a maneira como a saúde pública seja potenciada e não prejudicada. Paralelamente, mas a outro nível, estou a reler “Estamos no Vento” de Fernando Namora porque estão a organizar um volume de homenagem e pediram-me para escrever um dos capítulos.


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Atualidades

A comunicação é uma paixão. E a rádio é provavelmente o meio privilegiado em que se sente mais à vontade. Tudo começou há 30 anos com o Sexo dos Anjos na Rádio Nova e tem-se mantido ligado ao meio de forma regular. O programa o “Amor é” está no ar há 15 anos, ainda há assim tanto para se falar de amor? Sim, a rádio sempre foi a grande paixão. Quanto ao “O Amor é”… foi mudando ao longo do tempo, penso poder afirmar que nos debruçamos hoje em dia muito mais sobre temas de educação para a saúde ou igualdade do que sexo puro e duro, amor e paixão. E depois há a colaboração dos ouvintes, esta semana dois dos temas foram sugeridos por um deles através de email, o que muito me enternece.

Há estereótipos com a idade, com o envelhecimento? Existem diferenças entre homens, mulheres na abordagem deste período de vida e da sua vivência das relações e expectativas? Há estereótipos tão enraizados que atingem a discriminação, por alguma razão se criou o conceito de idadismo. Vivemos numa sociedade que venera a juventude e valoriza pouco a sageza dos mais velhos. As mulheres encontram-se numa situação mais frágil porque o seu encanto está ainda demasiado colado à beleza física, às vezes ainda ouço que as mulheres envelhecem e os homens se tornam interessantes. Veja-se como há algum tempo atrás as atrizes francesas protestaram contra a discriminação de que são alvo à medida que envelhecem, os papéis vão “É importante aprendermos a escasseando, muito mais do que para envelhecer bem e não fingirmos os homens da sua idade.

Disse que o “amor não é imune à ferrugem e à rotina”. Existem que a idade não fórmulas para manter vivo o amor e tornar as relações mais duradouras. É isso que as pessoas procuram? Também já afirmou que o “amor é mais arriscado do que a paixão”. Ainda pensa assim? Claro que penso, foi há um par de semanas que o disse. Na paixão tudo levita, mesmo as zangas. O amor, como projeto de futuro, precisa de sobreviver à realidade, com as suas rotinas e pequenas armadilhas, conhecemos o outro como ele é e não como gostamos de o imaginar ou se apresenta durante o período da sedução. Por alguma razão tanta gente na clínica se queixa dizendo – “ele(a) mudou…”.

passa por nós”

É como se não fosse permitido às mulheres envelhecer... As mulheres são consideradas cuidadoras naturais, sendo este um papel que sempre lhe foi atribuído. Muitas vezes envelhecem a cuidar do envelhecimento dos outros. Esta sociedade mais do que estar virada para envelhecermos bem, está mais concentrada em fingirmos que não envelhecemos e assim enchemo-nos de produtos e de cirurgias plásticas.


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Atualidades

#37

ENTREVISTA A JÚLIO MACHADO VAZ PSIQUIATRA, SEXÓLOGO, AUTOR

Apesar da transformação da sociedade, ainda se associa o envelhecimento a uma perda de uma série de atributos. Enquanto clínico sente que as pessoas mais velhas que o procuram fazem-no pela falta/diminuição de amor, paixão, sexo, ou um pouco de tudo isto? Cada vez menos, felizmente. As pessoas mais velhas reivindicam os seus direitos nessas áreas como noutras, recusam vergar-se a estereótipos e limitar as suas vidas ao dominó e ao tricot. Vivemos numa sociedade paradoxal – rendida à aparência jovem e com mais e mais idosos. Daí que seja importante aprendermos a envelhecer bem e não fingirmos que a idade não passa por nós. “O amor, como

Afirmou que não há felicidade permanente. É pontual? Ou será que ser feliz é mesmo um objetivo audacioso, numa sociedade em que se vive obcecado com a imagem e com os bens materiais? Cada um tem o seu conceito de felicidade. Neguei a permanência de uma espécie de estado beatífico em que tudo parece conspirar para que nos sintamos nas nuvens 24 horas por dia. O que, na minha opinião, só torna mais preciosos os momentos em que não falta uma única peça ao vitral da nossa vida. Para os que equacionam a felicidade com o “ter” é complicado – há sempre mais um objeto a desejar e idealizar.

projeto de futuro, precisa de sobreviver à realidade”

É possível existir um envelhecimento ativo? Durante muito tempo nós falamos da velhice, da 3ª idade como um estado inerte. Nós vamos envelhecer e a qualidade desse envelhecimento não é determinado por aquilo que acontece ou vai acontecer a partir dos 65 anos. A qualidade do nosso envelhecimento faz-se ao longo da nossa vida. Envelhecer ativamente é ter bons hábitos desde sempre. A qualidade do envelhecimento depende muito da educação para a saúde e isto implica políticas transversais, como o urbanismo, por exemplo, em que é importante fazer das nossas cidades propícias a uma qualidade de vida melhor.

Como psiquiatra é um bom “ouvinte”, mas também gosta muito do outro lado, da conversa, do diálogo descomprometido. Encontramos muito desse registo nos seus programas em que a conversa flui de forma espontânea. E no seu dia-adia procura esse convívio, a troca de ideias? A minha vida é um baloiçar entre a absoluta necessidade do silêncio e o enorme gozo das tertúlias que frequento. A tribo é-me tão indispensável como o ar que respiro. E dá mais gozo…


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Atualidades

Como lida com o mediatismo? As pessoas têm o hábito de o abordar na rua, de lhe fazer perguntas ou críticas, ou fazem-no mais discretamente, por email? Das duas formas. Trinta anos volvidos devo dizer que tive sorte - na esmagadora maioria dos casos foram encontros cordiais que me deixaram com um sentimento de gratidão. Em Janeiro de 2006 foi-lhe atribuído o título honorífico de comendador da Ordem Infante D. Henrique. Alguma coisa mudou na sua vida por isso? Qual a importância que lhe atribuiu? Permita-me o luxo de ser politicamente incorreto - nada mudou na minha vida e deu-me mais prazer receber um prémio pela minha defesa das minorias. Neste país distribuem-se condecorações a “torto e a direito” e não concordo com isso. Não duvido da boa-fé de quem me concedeu a comenda, mas não a mereci, limitei-me a fazer o meu trabalho como tantos outros que trabalhavam nas mesmas áreas. • POR CARLA NOGUEIRA (JORNALISTA)

LIVROS PUBLICADOS Sexo dos Anjos O Fio Invisível Domingos, Sábados e Outros Dias Muros À beira do Rio Era uma vez um professor Conversas no Papel Estilhaços Estes Difíceis Amores Olhos nos Olhos - Histórias de Sexo e Vida O Tempo dos Espelhos O Amor é… Aqui entre Nós


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Atualidades

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TOMADA DE POSSE DE NOVOS ÓRGÃOS SOCIAIS QUADRIÉNIO 2019-2022

Mediante o ato eleitoral sucedido no dia 10 de dezembro de 2018, decorreu no dia 7 de janeiro de 2019 a tomada de posse dos novos Corpos Sociais para o quadriénio 2019-2022. A cerimónia que aconteceu às 18h00 no Auditório “Centro Eng. Eurico de Melo” foi presidida pelo Eng.º Luciano Gomes, presidente da Mesa da Assembleia Geral cessante. José dos Santos Pinto, enquanto provedor reeleito, continuará a liderar a Mesa Administrativa da Misericórdia de Santo Tirso durante os próximos 4 anos. Os novos membros que compõem os Corpos Sociais fizeram o juramento em uníssono, seguindo-se a assinatura do auto de posse. A cerimónia encerrou com um discurso do provedor que agradeceu aos elementos cessantes o seu valioso contributo, entrega e esforço ao longo dos últimos 7 anos. Felicitou igualmente os novos elementos, lembrando que a ”partir de hoje, um novo ciclo se abre nesta nobre instituição. Os elementos que hoje tomam posse (…) tenho a certeza que se vão sentir bem e com grande disponibilidade para trabalhar com o mesmo entusiasmo, dedicação, seriedade e transparência para que a nossa Misericórdia continue a crescer, não só em termos de património, mas sobretudo em valores morais e humanos.” A intenção de dar continuidade às 14 obras de Misericórdia, sem esquecer os seus 133 anos de história e grandeza ditam os propósitos desta nova equipa que liderará os desígnios da instituição até 2022.

A lista completa dos Corpos Socias encontra-se disponível para consulta em www.misericordia-santotirso.org. • POR CARLA MEDEIROS (DEP. FORMAÇÃO, IMAGEM E RELAÇÕES EXTERIORES)


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VISITA INSTITUCIONAL DIRETOR DO CENTRO DISTRITAL DA SEGURANÇA SOCIAL DO PORTO

Atualidades

No seguimento do convite endereçado pela Misericórdia de Santo Tirso, o dia 26 de março foi assinalado com a ilustre presença do Diretor do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social do Porto, Dr. Nuno Miguel Cardoso, devidamente acompanhado pela Diretora Adjunta, Dra. Rosário Loureiro, numa visita institucional às valências sociais que se encontram ao serviço da comunidade local. O encontro iniciou pelas 10h00 da manhã no Centro Eng.º Eurico de Melo, marcado com um discurso de boas vindas pelo Provedor da Misericórdia, Sr. José dos Santos Pinto, seguindo-se a apresentação do novo vídeo institucional. Em representação da Mesa Administrativa marcaram igualmente presença o Vice-Provedor, Eng.º Manuel Luciano Gomes e a Mesária responsável pelas valências da Saúde, Dra. Lídia Ramalho. A visita às instalações contou ainda com a representação da Câmara Municipal de Santo Tirso, através do Vereador Dr. José Pedro Machado. A visita às valências sociais foi devidamente orientada pela Diretora de Serviços Sociais, Dra. Liliana Salgado, em direta articulação com as Coordenadoras dos equipamentos sociais da Casa de Repouso de Real, Lar Dra. Leonor Beleza, Centro Comunitário de Geão e Serviço de Apoio Domiciliário. O tempo disponível não foi suficiente para que todas as valências fossem conhecidas, mas foi devidamente contextualizada toda a dinâmica institucional existente.


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Atualidades

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VISITA INSTITUCIONAL DIRETOR DO CENTRO DISTRITAL DA SEGURANÇA SOCIAL DO PORTO

Para a Misericórdia de Santo Tirso estes encontros revertem-se de extrema importância, mediante a lógica de conjugação de esforços e de aproximação com diferentes organismos, permitindo uma compreensão mais profunda sobre o trabalho que desenvolve em prole da comunidade, coincidente com a sua missão. • POR CARLA MEDEIROS (DEP. FORMAÇÃO, IMAGEM E RELAÇÕES EXTERIORES)


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PALAVRAS COM MELODIA

Conscientes que a felicidade organizacional é fundamental para que os colaboradores desempenhem as suas atividades com maior comprometimento, qualidade e eficácia, a Misericórdia de Santo Tirso tem em funcionamento vários grupos de trabalho constituídos por categorias profissionais heterogéneas. O novo grupo de Recursos Humanos, que perspetiva a implementação de ações que visam estimular uma cultura de felicidade e bem-estar nos colaboradores, organizaram a sua primeira iniciativa em 2019: no dia 25 de abril, pelas 21h00, no Auditório “Centro Engº Eurico de Melo”, os colaboradores foram entrando para assistir à dinamização intitulada “Palavras com Melodia”… Sob orientação do Padre Luís Mateus, foi feita uma reflexão “pós-Páscoa”, intercalada pela interpretação de alguns temas de música clássica na voz de Eduardo Cruz, João Valente e do jovem Francisco. Mensagem musical que alimentou a alma, seguindo-se um momento de degustação que permitiu descontrair e quebrar a rotina. • POR RAQUEL GONÇALVES (GRUPO DE “RECURSOS HUMANOS” DA ISCMST)

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RELATÓRIO E CONTAS 2018

O ano de 2018 foi o último de um mandato dos órgãos sociais eleitos para o quadriénio 2015 – 2018. A aposta na modernização dos serviços através do grande investimento na renovação do parque informático, a reabilitação do património, bem como o alargamento da oferta de serviços na área da saúde, foram as apostas destes 4 últimos anos. Neste período foram investidos cerca de €2.300.000,00 com especial relevo para: • Obras de remodelação da Casa de Repouso de Real – 2015; • Inauguração da Clínica de Gastroenterologia – 2016; • Modernização das infraestruturas informáticas e renovação de equipamento; • Obra de remodelação do Lar José Luiz d’Andrade – 2017; • Obra de remodelação do Jardim de Infância – 2017; • Intervenção no Centro Comunitário de Geão - 2018. Continuamos como uma referência no seio das misericórdias portuguesas, não só pela qualidade, inovação e empreendedorismo, mas pela constante inquietude de poder oferecer mais e melhor. Servimos cerca de 2500 utentes/dia, temos 350 colaboradores diretos, o que implica um encargo salarial de cerca de €5.000.000,00 e €1.250.000,00 de impostos sobre o trabalho. Continuamos a dinamizar a economia do nosso concelho. O sucesso dos nossos serviços significa o desenvolvimento da nossa comunidade.

Abraçamos projetos nas nossas áreas de intervenção. No presente ano, destaca-se: • Certificação da Transição na Norma ISO 9001:2008 para o novo referencial de 2015 para todas as valências sociais; • Criação de Grupos de Trabalho transversais à organização sobre “Consumos” e “Recursos Humanos”; • Programa de estimulação cognitiva nas valências residenciais; • Competências digitais - programa dirigido aos nossos utentes – Protocolo com a Câmara Municipal; • Bóccia Sénior – alargamento do tempo da atividade Protocolo com a Câmara Municipal; • Candidatura ao Programa Operacional de Apoio a Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) que consiste na distribuição mensal de alimentos a pessoas sinalizadas pelo Centro Comunitário de Geão; • Candidatura PROCOOP – Gabinete de Intervenção na Violência - GIV; • Curso de alfabetização, promovido pelo Núcleo Local de Inserção; • Formação promovida pelo IEFP (Curso Técnico Auxiliar de Saúde); • Carta Compromisso 13 Vagas de Emergência – Casa Abrigo; • Carta Compromisso Verbas de Autonomização – Casa Abrigo; • Carta Compromisso “A Escola vai à Casa Abrigo”;


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Atualidades

• Candidatura PROCOOP para revisão de acordo Casa Abrigo; • Candidatura SIC Esperança – Projeto CãoViver (terapia assistida por animais); • Tema do Projeto Pedagógico da Instituição “Artes e Expressões” 2018/19; • Atelier de Fotografia “Rugas que dizem…”, Projeto Tecer Afetos (INA), Atelier de Cerâmica, entre outras iniciativas em que mobilizamos o voluntariado; • Candidatura ao PROCOOP para alargamento do Centro de Dia para 12 utentes; • “Felicidário mensal” para as valências residenciais (iniciativas que estimulam prazeres e memórias comuns aos utentes) e definição de “Felicidário Individual” (tendo em conta desejos auscultados de cada utente); • Iniciativa Intergeracional mensal “Avós e Netos”, promovendo a troca de experiências entre valências e utentes. Tal como proposto em Plano de Atividades e Orçamento para 2018 apresentamos candidatura na A.R.S. Norte para a construção de uma Unidade de Cuidados Continuados, com capacidade para 36 camas. Este projeto será objeto de uma proposta de financiamento - IFFRU, já aprovado em Assembleia Geral. Avançamos, no Bairro da Misericórdia, com o projeto de 8 moradias de tipologia T2 e 2 moradias de tipologia T1. Já foram objeto de concurso e adjudicação 4 destas moradias de tipologia T2.

Quanto ao edifício do antigo Liceu, apesar dos contactos encetados por parte da instituição, até à data nada de concreto existe. O abraço às tradições e à nossa cultura mereceram a nossa atenção e, sem qualquer tipo de apoio, o nosso Grupo Coral continua a ser um divulgador do nome da Misericórdia e do concelho de Santo Tirso, dentro e fora do país. Vários eventos foram dinamizados através do nosso Auditório, Sala Multiusos, Centro Comunitário de Geão, Revista e Plataformas Informáticas – Site e página de Facebook. Apresentamos o novo Vídeo institucional. Os valores e princípios orientadores da nossa ação são inspirados nas catorze obras de Misericórdia de proteção e promoção da humanidade, na dimensão espiritual e corporal. Baseamo-nos no respeito pela dignidade humana, ética, responsabilidade e competência profissional; humanização dos serviços prestados; idoneidade, isenção, rigor e sustentabilidade; criatividade, inovação e qualidade.


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Atualidades

RELATÓRIO E CONTAS 2018

RENDIMENTOS 2017

2018

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

3.302.448,11

3.326.961,78

24.513,67

0,74%

SUBS. À EXPLORAÇÃO

2.795.145,69

2.779.221,53

-15.924,16

-0,57%

0,00

0,00

0,00

0,00

TRAB. PRÓP. ENT. REVERSÕES OUT. REND. E GANHOS JUROS REND. OBT. TOTAL

DIF.

DIF. %

0,00

0,00

0,00

0,00

1.175.360,89

1.143.449,16

-31.911,73

-2,72%

2.773,30

2.023,72

-749,58

-27,03%

7.275.727,99

7.251.656,19

-24.071,80

-0,33%

A diminuição quase sem expressão de 0,33% (€24.071,80) no Total do Rendimentos, apesar do aumento das Receitas Próprias evidencia-se pela diminuição de 2,72% (€31.911,73) na rubrica Outros Rendimentos e Ganhos, bem como de 0,57% (€15.924,16) na rubrica Subs. à Exploração. Tal fica a dever-se ao seguinte: • Uma menor comparticipação da componente da Segurança Social e A.R.S. Norte, no valor pago por utente/ /cama na Unidade de Cuidados Continuados, em virtude de, pontualmente, uma maior componente privada/utente; • Uma diminuição dos valores da rubrica Outros Rendimentos e Ganhos dada a contabilização, no exercício anterior, da contrapartida recebida pela entrega do Edifício do Antigo Liceu, por parte da Câmara Municipal de Santo Tirso.

1.143.449,16; 16%

2.023,72; 0% 3.326.961,78; 46%

0,00; 0% 0,00; 0%

2.779.221,53; 38%

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUBS. À EXPLORAÇÃO TRAB. PRÓP. ENT. REVERSÕES OUT. REND. E GANHOS JUROS REND. OBT.


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Atualidades

3.500.000,00 3.000.000,00 2017

2.500.000,00

2018

2.000.000,00 1.500.000,00 1.000.000,00 500.000,00

. BT

S RO JU

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0,00

No que concerne à rubrica de Vendas e Serviços, o aumento de 0,74% (€24.513,67), resulta essencialmente do crescimento do valor da prestação de serviços na área da saúde. GASTOS

2017

2018

DIF.

DIF. %

657.171,30

655.534,47

-1.636,83

-0,25%

F.S.E.

1.250.842,07

1.262.310,28

11.468,21

0,92%

GASTOS C/PESSOAL

4.872.050,37

4.805.934,73

-66.115,64

-1,36%

632.263,39

608.747,77

-23.515,62

-3,72%

PROVISÕES

82.502,70

372.822,91

290.320,21

351,89%

OUTROS GAST. PERDAS

87.057,60

66.982,51

-20.075,09

-23,06%

6 552,46

4 726,69

-1 825,77

-27,86%

7 588 439,89

7 777 059,36

188 619,47

2,49%

C.M.V.M.C.

AMORT.

JUROS E GASTOS SIM. TOTAL


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RELATÓRIO E CONTAS 2018

66.982,51; 1%

4.726,69; 0%

372.822,91; 5%

655.534,47; 8% 1.262.310,28 16%

608.747,77; 8%

4.805.934,73; 62% C.M.V.M.C. F.S.E.

Os GASTOS apresentam um aumento de 2,49% (€188.619,47), devido essencialmente ao aumento de 351,89% (€290.320,21) das Provisões nas valências residenciais. É de especial realce os valores apresentados nas rubricas de C.M.V.M.C., Fornecimentos e Serviços Externos e Gastos c/ Pessoal, que demonstram a exigente e rigorosa política de gestão, onde é desafiado permanentemente o profissionalismo, empenho, transparência e capacidade de sacrifício de todos os colaboradores da instituição. Os valores apresentados na rubrica de Gastos c/ Pessoal devem-se essencialmente à reorganização dos Horários, Equipas e Rotinas diárias/tarefas dos RH introduzidas no ano em análise.

GASTOS C/ PESSOAL AMORT.

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2018

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E. S. F.

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.

2017

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JUROS E GASTOS SIM.

5.000.000,00 4.500.000,00 4.000.000,00 3.500.000,00 3.000.000,00 2.500.000,00 2.000.000,00 1.500.000,00 1.000.000,00 500.000,00 0,00

.V

OUTROS GAST. PERDAS

.M

PROVISÕES

C

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Atualidades

RESULTADOS

Provisões Amortizações Resultado Líquido CASH FLOW

2018 372.822,91

No ano de 2018 foi feito um investimento de €621.454,48, totalizando no último quadriénio o valor de €2.396.263,47.

608.747,77 -525.403,17 456.167,51

CASH FLOW DE €456.167,51 • O RESULTADO LIQUIDO DO PERÍODO é de -€525.403,17, • AMORTIZAÇÕES de €608.747,77, • PROVISÕES de €372.822,21,

EUROS

CASH FLOW

INVESTIMENTO

1.100.000,00 1.000.000,00 900.000,00 800.000,00 700.000,00 600.000,00 500.000,00 400.000,00 300.000,00 200.000,00 100.000,00 0,00

1.021.420,46

264.101,59

2015

REAL VS ORÇADO Mais uma vez é de relevar a confirmação da apologia feita ao rigor orçamental aquando da apresentação do respetivo documento para 2018, efetivamente projetamos com prudência as receitas – há um desvio positivo 4,5% (€312.429,00) e “pessimismo” na projeção de despesas, exceção feita à rubrica de provisões. As rubricas de C.M.V.M.C., Fornecimentos e Serviços Externos, Gastos Com Pessoal e Amortizações, apresentam um desvio favorável de 2,45 % (-€185.872,00) face ao orçado.

2016

2017 ANOS

POR JOÃO LOUREIRO (DIRETOR GERAL)

NOTAS:

621,454,48

489.286,94

2018


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#37

FÓRUM DA SOCIEDADE CIVIL PRIORIDADES NO COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E DE GÉNERO

Nos primeiros dois meses de 2019 morreram dez mulheres e uma criança em contexto de violência doméstica. Em janeiro e fevereiro, apenas… Estas cifras chocaram o país e alarmaram a Sociedade Civil, impelindo-a na urgência de debater prioridades no combate a este flagelo.

doméstica. O objetivo foi de refletir sobre as fragilidades e as falhas no sistema de apoio e proteção às vítimas de violência doméstica e na penalização dos agressores. As ONG’s que gerem respostas de apoio às vítimas debateram sobre necessidades urgentes de seis grandes temas: prevenção; apoio, proteção e segurança das vítimas; procedimentos e práticas profissionais: saúde, justiça e polícias; agressores; legislação; e formação especialização de profissionais para a intervenção.

Aproveitando a criação pelo Governo de Portugal de uma Comissão Técnica Multidisciplinar para a melhoria da prevenção e do combate à violência doméstica (incumbida de apresentar propostas concretas que permitam colmatar as carências identificadas), Elisabete Brasil (UMAR), Alice Frade (P&D Factor), Desta sessão resultaram conclusões e Catarina Furtado (Corações com Coroa) propostas de diretrizes e medidas Porque a violência doméstica e Sandra Correia (Women’s Club) concretas a serem apresentadas às é crime público, lembramos puseram em marcha uma petição entidades públicas e políticas com que é da responsabilidade de pública/carta aberta, apelando e competência para promover mais possibilitando que tod@s pudessem articulação e eficácia na proteção às tod@s: reconhecer, apoiar e afirmar a necessidade de “passar da vítimas de violência doméstica. Estas denunciar. narrativa à ação, lembrando que as medidas discutidas foram unânimes: tirar políticas públicas precisam de ser os agressores de casa (e não as vítimas); articuladas e coerentes, que a justiça tem a articulação das forças de segurança, de ser mais eficaz na proteção e que as vítimas precisam de saúde e magistratura; a atribuição de estatuto de vítima às estar no centro das decisões.” (SIC). crianças que vivem a violência doméstica dos pais; o reforço da assistência e do acompanhamento nas primeiras 48 horas; a Também neste âmbito, promoveram o Fórum da Sociedade formação de crianças enquanto públicos estratégicos (desde o Civil que decorreu a 9 de abril na Faculdade de Ciências pré-escolar, para começar, bem cedo, a luta contra os Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. preconceitos). Durante a manhã estiveram reunidos 58 profissionais de 26 organizações nacionais que trabalham no apoio, na Em sessão pública, da parte da tarde, estiveram presentes proteção e na segurança das vítimas de violência várias personalidades dos meios académico, político e artístico


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num debate conjunto acerca de questões levantadas no período da manhã, promovendo a interação e a reafirmação da posição das 163 personalidades (mulheres) que tinham subscrito a petição pública, “Carta Aberta Violência Doméstica e de Género”, de 8 de Março, remetida ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro, ao presidente do Conselho Superior da Magistratura e à Procuradora-Geral da República. A 9 de abril o número de subscritores da petição atingiu mais 130 personalidades (desta feita, homens) e um total de 5.000 “anónimos/as”. A Misericórdia de Santo Tirso, enquanto entidade da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, participou nos trabalhos desenvolvidos, apresentando propostas concretas e contributos para melhoria do sistema de proteção às vítimas. Mais, assinou a petição pública, reforçando a sua posição de não tolerância à violência. Porque a violência doméstica é crime público, lembramos que é da responsabilidade de tod@s: reconhecer, apoiar e denunciar. No mesmo sentido, apelar a políticas mais robustas, coerentes e articuladas contra a violência doméstica é um direito e um dever… de tod@s. Em Portugal uma em cada 3 mulheres é vítima de violência doméstica.

Em Portugal, só em 2019, a violência doméstica já matou 15 mulheres, uma criança e um homem. • POR SARA ALMEIDA E SOUSA (COORDENADORA DA CASA ABRIGO) E SOFIA MOITA (PSICÓLOGA DA CASA ABRIGO)

Sempre que desconfie ou saiba de um caso de violência doméstica, ligue:

800 202 148

(número verde, anónimo e gratuito)


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#37

POUPAR PARA OTIMIZAR

O desafio foi lançado pela Direção da instituição em Novembro de 2017, no sentido da promoção de abertura e participação nas decisões de gestão aos colaboradores de base, através da criação de grupos de trabalho, envolvendo e motivando todos, na definição de estratégias. Das primeiras reuniões resultaram os inputs para definição de constituição, responsabilidades e objetivos, posteriormente definidos no Manual Orientador dos Grupos de Trabalho, ganhando forma no início de 2018 com a constituição dos primeiros grupos visando a otimização de consumos e na área dos recursos humanos. Os grupos foram constituídos por representantes das diferentes valências/serviços (1 ou 2 elementos por grupo) envolvendo de forma direta 38 colaboradores.

Ao longo do ano efetuaram-se reuniões com periodicidade definida pelos próprios grupos, identificando pontos chave para atuação, ações e avaliação das mesmas.

pelos colaboradores participantes no grupo, que de uma forma pedagógica e lúdica, percorreram a instituição envolvendo utentes e restantes colaboradores. Representando a rubrica de gastos com o pessoal 64% (€4.872.050,37) dos custos globais da instituição, apostou se na análise atenta e debate em grupo, de diversos indicadores nomeadamente taxa de incidência de acidentes de trabalho, baixas e faltas promovendo ao mesmo tempo atividades de relaxamento abertas a todos os colaboradores da instituição, apresentadas na revista anterior.

O grupo de otimização de consumos culminou as ações com atividade no dia 31 de Outubro de 2018 (Dia Mundial da Poupança) com a chamada “Brigada da Poupança” constituída

O balanço foi positivo não só pela poupança (consumo e financeira) alcançada no consumo de água (-17%) e eletricidade em termos de consumo (- 8%) mas principalmente

Com um peso de 28,7% (€359.057,86), conforme dados a fecho de 2017, na estrutura dos fornecimentos e serviços externos da instituição, os consumos de gás, eletricidade e água foram sugeridos como objetivos para 2018 fixando-se as metas de redução em 10%, 5% e 10%, respetivamente.


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pela recetividade de todos os envolvidos, incluindo utentes, tendo mesmo merecido o elogio da equipa auditora da APCER em Abril de 2018 como ponto forte para a organização. O testemunho entretanto passado traz em 2019 novos desafios e inquietudes sempre na promoção da melhoria contínua. • POR GRUPOS DE TRABALHO 2018


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#37

SEMANA DA INTERCULTURALIDADE 2019

A EAPN Portugal tem vindo a desenvolver várias iniciativas no sentido de ativar e mobilizar a comunidade local para o combate à pobreza e exclusão social. As atividades realizadas neste âmbito têm sido bastante diversificadas, contando sempre com uma parceria alargada. O desenvolvimento de ações desta natureza é percebido como tendo um impacto significativo na opinião pública, fomentando, por um lado, uma maior sensibilização para a importância do combate à pobreza e da exclusão e, por outro lado, um maior incentivo ao trabalho em parceria e à criação de sinergias ao nível local. Por isso, mais uma vez, entre 8 e 14 de abril de 2019, a EAPN Portugal dinamizou a Semana da Interculturalidade, iniciativa que permite trabalhar e sensibilizar os cidadãos para a necessidade de uma sociedade intercultural que tenha presente os valores da solidariedade, da igualdade, do respeito pela diferença e pela diversidade, de forma a garantir uma cidadania mais inclusiva e mais igualitária.

A interculturalidade, cada vez mais presente na nossa sociedade, exige um conhecimento mais aprofundado das várias culturas que integra. É através do conhecimento de outras culturas e dos contactos que temos com essas culturas que nos enriquecemos enquanto cidadãos. A interculturalidade passa assim pela aceitação e o respeito pelas diferenças. Apostar na interculturalidade é acreditar que se pode aprender e enriquecer através do diálogo e da convivência com outras culturas. Sensibilizar todos os cidadãos para a importância da construção de uma sociedade mais justa, igualitária e intercultural é o grande objetivo desta iniciativa. Nesta edição de 2019, a Semana contou com quase uma centena de iniciativas em 12 distritos do país, 40 das quais ocorreram no distrito do Porto, coordenadas pelo Núcleo Distrital do Porto da EAPN Portugal, promovendo uma enorme diversidade de atividades, desde exposições de fotografia a tertúlias, passando por visitas guiadas e percursos por equipamentos culturais e ainda tardes de jogos intergeracionais, visualização e debates de filmes , workshops de cultura japonesa, de dança e de intervenção social na


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interculturalidade, apresentações teatrais e muitas outras. No Porto, a Semana contou ainda com a realização de um Sarau Intercultural, realizado a 12 de abril no Museu Nacional Soares dos Reis, com a participação de instituições sociais e outras entidades públicas e privadas, tendo como “atores principais” os Cidadãos do Mundo. Foi uma tarde repleta de Música, Poesia e Dança inspiradas numa enorme diversidade de culturas e povos, contando ainda com um desfile de trajes do mundo e culminando com um lanche intercultural, que trouxe para a mesa todo um Mundo de saberes e sabores. Durante a Semana da Interculturalidade de 2019 no Porto, a realização destas 40 atividades envolveu cerca de 2000 participantes diretos e indiretos, 43 parceiros promotores, entre os quais a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso, e ainda 80 parceiros de apoio. No canal de Youtube da EAPN Portugal podem encontrar alguns vídeos e imagens que contam um pouco mais da história desta iniciativa. Foram dias intensos, que se revestiram de uma importância crucial para o estreitamento de laços entre tod@s @s

envolvid@s e para o reforço do compromisso de tod@s e de cada um@ na promoção de uma cidadania ativa verdadeiramente inclusiva; onde o Ser Humano se eleva na diversidade e no contributo que pode dar, através dela, para um mundo melhor! • POR LILIANA PINTO (EAPN PORTUGAL - NÚCLEO DISTRITAL DO PORTO)


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#37

ENGENHARIA PARA UM «ENVELHECIMENTO ACTIVO»

Há cerca de cinco anos, o médico gerontologista brasileiro Dr. Alexandre Kalache (que preside ao Comité Brasileiro do Centro Internacional para a Longevidade e foi Coordenador, em Genebra, na Suíça, do Programa de Envelhecimento e Curso de Vida, da Organização Mundial de Saúde) afirmava que “o facto de a humanidade ter acrescentado 29 anos à sua expectativa de vida é a maior conquista do século XX e o grande desafio do século XXI”, referindo que, em muitos países, mesmo na Europa, ainda persistia a mentalidade de que a população era predominantemente jovem, para concluir que os sistemas de saúde e as infra-estruturas urbanas não levavam em consideração o aumento acelerado do número de pessoas na Terceira Idade. A esperança de vida atingiu números inimagináveis na geometria das pirâmides populacionais de há duas ou três décadas. No início do século XX, por exemplo, na Europa desenvolvida, a expectativa de vida, ao nascer, rondava os 40 anos. Naquele tempo, homem ou mulher que atingisse essa idade era considerado como estando muito próximo do final da sua vida. Hoje, aos 40 anos, eles são considerados jovens e são muitos os que chegam aos 70/80 anos em condições físicas, às vezes, muito boas, em plena actividade, sem passar pelo processo de decrepitude física e intelectual que tanto nos assusta. Estes ganhos na esperança de vida, porém, não representam só problemas para a sociedade. Constituem, antes, uma fonte de oportunidades e de virtualidades que importa potenciar com respostas inovadoras. Envelhecer

converteu-se num processo dinâmico e, agora que a vida das pessoas se tornou mais longa, a sociedade precisa de o integrar, intervindo com medidas práticas que assegurem que esta problemática seja encarada como uma mudança fundamental que importa que se registe a todos os níveis. O objectivo é encontrar caminhos que levem ao «envelhecimento activo», com saúde, autonomia e independência, o máximo de tempo possível. Significa o produto de várias acções que culminam com a expectativa de vida alongada, em boa condição física e mental, e com a inclusão social que permita ao indivíduo desempenhar todos os papéis que exercia ou gostaria de exercer dentro da sociedade. O século XXI será o século dos idosos e o «envelhecimento activo» constitui o grande desafio do presente e do futuro, um desafio para todos, sem excepção, num quadro de respeito integral pela pessoa humana, considerada na multiplicidade das suas dimensões. Acredita-se que os idosos do futuro serão mais saudáveis, mais activos e produtivos, terão níveis elevados de escolaridade e de desempenho tecnológico e exigirão ter uma participação sócio-económica elevada, a diversos níveis. As respostas sociais institucionalizadas (lares, centros de dia e apoios domiciliários) deixarão de ser a orientação essencial das politicas nas futuras gerações de


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idosos, que terão tendência a manterem-se socialmente integrados nos locais onde sempre residiram, nas suas próprias casas e, consequentemente, em maior equilíbrio emocional, junto dos amigos e familiares. Não me deterei sobre as questões económicas, culturais, sociais ou de saúde - que outros participantes glosarão, seguramente, com mais capacidade e conhecimento do que eu poderia fazê-lo. Permito-me, antes, enunciar alguns aspectos da área técnica em que me enquadro, da Construção e do Urbanismo. Impõe-se que os poderes públicos, designadamente as Autarquias Locais (tanto nas zonas urbanas como nas zonas rurais), considerem as condições de circulação e acessibilidade nas vias públicas, eliminando todo o tipo de barreiras arquitectónicas: árvores (com as respectivas caldeiras desniveladas) e postes de fixação de sinalização colocados no meio dos passeios, assim como a respectiva largura, falta de rampas ou pavimentos desnivelados nas zonas de atravessamento, pavimentos degradados e esburacados, susceptíveis de causar quedas e outros acidentes, condições de acessibilidade a edifícios onde estão instalados Serviços Públicos e em equipamentos sociais, culturais, recreativos e desportivos, instalação de balcões de atendimento correctamente dimensionados, etc.


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#37

ENGENHARIA PARA UM «ENVELHECIMENTO ACTIVO»

Ainda na esfera pública, importa que sejam estruturadas linhas de transporte, servidas por viaturas de acessibilidade total, que permitam aos idosos deslocar-se aos diversos serviços, parques, jardins, comércio, ou em simples visitas a familiares e amigos, sem constrangimentos.

de “idosos”, podermos viver com o máximo de autonomia e independência, numa sociedade global em que é fundamental cultivar as relações sociais e afectivas. A velhice deve ser encarada como uma etapa plena da vida e não, apenas, como um tempo de inquietude, a aguardar o fim dos dias.

Finalmente, impõe-se que seja feito um esforço de O paradigma do «envelhecimento activo» é a chave que modificação cultural e nos proporciona ganhar comportamental, no sentido liberdade de movimentos e, de as habitações serem consequentemente, promover (...) impõe-se que seja feito um esforço de dotadas de condições de uma melhor integração social, modificação cultural e comportamental, acessibilidade total, quer para mais bem-estar e melhor no sentido de as habitações serem dotadas circulação, quer para qualidade de vida. • utilização dos equipamentos, de condições de acessibilidade total, quer POR J. LUÍS CRISTINO (ENG. CIVIL - U.P.) designadamente sanitários para circulação, quer para utilização dos (falo, concretamente, de equipamentos (...) O autor escreve segundo as regras do antigo desníveis entre pavimentos, acordo ortográfico. acessibilidade entre pisos, largura de portas e corredores, banheiras/bases de duche, manípulos de portas, localização de comandos da instalação eléctrica, da rede de gás, etc.). Não tenho a pretensão de ser exaustivo na enumeração das situações que importa ponderar. Está em causa, tão somente, alertar para a necessidade de, gradual e atempadamente, poder fazer-se uma reconversão das nossas casas, veículos e espaços públicos, que possibilite, quando chegarmos à fase


#37

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ONDE E COMO VIVER MELHOR

“Nunca andes pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram” Alexander Graham Bell, (1847-1922) cientista e inventor escocês

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Não admira, portanto, que com o passar dos anos e ao tornarmo-nos mais conscientes disto, nos queiramos manter em nossa casa o máximo tempo possível.

A expressão “agin in place” (envelhecimento em casa) tem, assim, cada vez mais importância. Esta expressão Há uma pergunta pertinente a fazer desde já. Será focaliza a discussão na compreensão das mudanças que que nas idades mais avançadas, mantermo-nos na ocorrem no envelhecimento e no seu meio envolvente, nossa casa, contribui para um envelhecimento activo elegendo a manutenção da pessoa na seu meio natural e positivo? como meio preferencial de vida. Alguns estudos revelam que, com Será a partir desta questão que é o avançar da idade, é cada vez lançado o mote numa demanda Partilhar a habitação é já uma das maior a fidelidade ao conceito e o pelo pensamento acerca do principais tendências do mercado interesse da pessoa em envelhecimento activo, e, mais do que tudo, um desafio permanecer na habitação actual. concretamente quanto ao sítio assumido para o futuro, quer por Tudo num cenário de onde e como se quer viver. jovens, quer por seniores. independência funcional e económica. O tema do envelhecimento tem sido, nos últimos 30/40 anos, Mas o mundo está a meio de uma objecto de investigação nas várias evolução alucinante, com reflexos em todas as vertentes áreas da ciência. Se por um lado é um motivo de sociais, desde logo o da habitação. Hoje, com a preocupação, por outro acaba por trazer desafios volatilidade e globalização do mercado de trabalho, positivos à sociedade, fazendo-nos repensar na solução comprar casa já foi um dado mais adquirido do que se de determinados problemas da população de mais idade. possa pensar. Determinantes como os níveis de rendimento real das famílias, o seu endividamento, o A nossa casa é, provavelmente, o nosso bem material número de casamentos e o de divórcios, a confiança dos mais importante. É o reflexo ou espelho do nosso consumidores relativamente ao futuro, os baixos níveis de universo, onde coabitam o nosso espaço físico, crescimento económico, as particularidades geográficas emocional e psicológico. É lá que somos nós mesmos, e as tendências demográficas e de mobilidade, acentuam representando a nossa base e a nossa estrutura. A a tendência. nossa casa é a nossa identidade.


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#37

ONDE E COMO VIVER MELHOR

Dados recentes do INE mostram que no horizonte temporal de 2010 a 2050, o total de pessoas com mais de 60 anos irá aumentar mais de 40%; já a população com mais de 75 anos sofrerá um acréscimo que rodará os 80%, isto é, já amanhã, os novos velhos, com diferentes tipos de vivências, terão necessidades e exigências divergentes das actuais. O aumento de vida da população não é um fenómeno passageiro. Os avanços da medicina e da biologia mostram que veio para ficar e que é muito provável que se alcance uma elevada longevidade dentro das próximas décadas. É imprescindível, por isso e desde já, pensar em alternativas para que a dimensão física e psíquica, intelectual e emocional, cultural e social da vida de cada pessoa possam por ela ser mantidos sem limitações dos seus direitos fundamentais, como são a identidade e a autonomia. Partilhar a habitação é já uma das principais tendências do mercado e, mais do que tudo, um desafio assumido para o futuro, quer por jovens, quer por seniores. Os reformados de hoje são jovens de espírito, sendo que no mercado imobiliário, tanto na Europa, como nos USA, o conceito de viver numa habitação colaborativa - co-housing - para activos dos escalões etários mais avançados, tem vindo a ser utilizado como uma escolha mais económica, confortável e prática de manter a privacidade sem que as pessoas se sintam sós e amarradas a compromissos.

No nosso país, as exigências impostas pelo poder político, com tendência a agravarem-se, à maioria das tradicionais estruturas de acolhimento de idosos, levarão as pessoas a buscarem também novas formas de viver a velhice, surgindo o co-living como o modelo mais leve e desburocratizado. Apesar das semelhanças com o co-housing, uma solução habitacional autopromovida e autogerida, exigindo dos seus moradores uma actividade sadia na organização comum, o co-living engloba outros factores benéficos - como um senso de comunidade, espaços flexíveis, descomprometidos, onde a palavra partilha ganha uma dimensão sustentável por via de uma economia colaborativa, embora de gestão centralizada. Abrange, pois, uma infinidade de possibilidades, que vão desde pessoas que simplesmente vivem juntas - compartilhando apenas o espaço físico e experienciando outras vivências - até comunidades que quinhoam também valores, interesses e filosofia de vida. A mobilidade reduzida surgindo, farão recurso ao SNS através das suas alternativas, designadamente os recentes Cuidados Continuados e Paliativos. • POR VASCO FERREIRA (PROVEDOR 1986/87 E 2000/05) O autor escreve segundo as regras do antigo acordo ortográfico.


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#37

AMOR É... UMA TERAPIA

Fotos por Tiago Queirós, dia de São Valentim na ISCMST


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#37

ATELIER COMPETÊNCIAS DIGITAIS

Criado no âmbito do Plano Municipal de Competências Digitais da autarquia, este projeto de inclusão social celebrado com as Instituições do Concelho, tem como objetivo principal a aproximação dos seniores às novas tecnologias. Esta aproximação é realizada através de jovens mentores voluntários entre os 16 e os 30 anos, que nos seus tempos livres se disponibilizam para, semanalmente, se deslocarem aos Lares e Centros de Dia e partilharem os seus conhecimentos em torno das novas tecnologias, áreas que dominam com facilidade. O melhor uso do telemóvel, o acesso a uma rede social, a realização de uma video-chamada com os filhos ou netos passaram a ser prática corrente após essas sessões, ficando o “bichinho” de explorarem mais este mundo virtual, até então desconhecido.

QUESTIONÁRIO APLICADO A UTENTES DAS COMPETÊNCIAS DIGITAIS 1. Quando adquiriu o telemóvel? 2. O que faz com o telemóvel para além de receber e fazer chamadas? 3. Tem computador ou tablet? 4. Quando foi a primeira vez que usou? Para quê? 5. Costuma usar a internet? Para quê? 6. Faz parte de alguma rede social? Porquê? 7. O que pensa do Facebook? 8. Já fez alguma videochamada? 9. O facto de ter começado a lidar com as novas tecnologias facilitou o diálogo com os mais jovens? 10. Acham que as novas tecnologias ajudam a poupar tempo? 11. Porquê o interesse no atelier das Competências Digitais? Resposta de Emília Rego, Utente do Centro de Dia (81 anos) 1. Há 20 anos… 2. Para tirar e receber fotos. 3. Tenho um Tablet. 4. Foi há cerca de 1 ano e meio, os meus irmãos ofereceramme para falar com eles no estrangeiro. 5. Para falar com os filhos e irmãos e jogar que é algo que me diverte imenso.


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6. Facebook, porque acho engraçado conhecer pessoas. 7. Tem coisas boas, para ver fotos dos filhos, netos… e tem coisas más, pois acho que vicia a juventude. 8. Já fiz para a minha filha e irmãos. 9. Sim, já entendo melhor a linguagem deles e não me sinto tão ultrapassada. 10. Sim, pois consigo falar com uma pessoa que está longe sem ter que enviar uma carta como fazíamos antigamente. 11. Pelo facto de termos mais idade não quer dizer que não aprendemos coisas novas, eu não quero morrer estúpida, quero modernizar-me e manter-me atualizada enquanto puder! Resposta de Júlia Albuquerque, Utente do Lar José Luiz d’Andrade (70 anos) 1. Há 5anos… 2. Para mensagens e fotos. 3. Não tenho. 4. 5. Só durante o curso, para jogar e fazer amizades. 6. Aderi ao Facebook a partir do curso. 7. Acho que é uma coisa boa para alargar novos horizontes, ter contacto com pessoas que já conhecia físicamente e fazer novas amizades através desta rede social. 8. Ainda não tive oportunidade…

9. Sim, de certa maneira facilita porque compreendemos o mundo deles. 10. Sim, ajudam pois eu tenho uma filha na Inglaterra e para falar com ela bastou um email. 11. Para aprender coisas novas, para ter mais contacto com a minha filha, genro e neto na Inglaterra, para conhecer mais pessoas, fazer jogos, ver vídeos, para me sentir mais enriquecida e mais feliz! Resposta de José Araújo, utente do Lar José Luiz d’Andrade (76 anos) 1. Há 20 anos… 2. Para mensagens. 3. Tenho computador. 4. Comprei quando iniciei o curso e divirto-me a jogar. 5. Só no computador, durante o curso. 6. Aderi ao Facebook durante o curso. 7. Acho que é uma boa forma de fazer amigos. 8. Não tive oportunidade ainda. 9. Acho que sim para se comunicar mais. 10. Sim porque a informação chega toda mais rápido. 11. Para saber mais, conhecer novos amigos, ver notícias, jogos, vídeos de futebol. É um passatempo muito interessante e faz-me sentir bem comigo próprio! • POR MARTA FERREIRA (ANIMADORA SOCIOCULTURAL)


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#37

RUGAS QUE DIZEM ALEGRIA

Fotos por Tiago Queirós no âmbito do Atelier “Rugas que Dizem” _ Lar José Luiz d’Andrade e Centro de Dia


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#37

ÀS VEZES SÃO OS PEQUENOS GESTOS…

O envelhecimento ativo e saudável é definido como o processo de otimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança e para a melhoria da qualidade de vida. E ainda, como o processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional, sendo a capacidade funcional o resultado da interação das capacidades intrínsecas da pessoa (físicas e mentais) com o meio (World Health Organization, 2015).

social, que se inicia antes do nascimento e se desenvolve ao longo da vida. Por isso, o envelhecimento, e todas as perdas que lhe estão inerentes, não podem ser encarados como uma fatalidade, mas antes como o sucesso de mais uma etapa do desenvolvimento humano. Etapa que acarreta, certamente, perdas, limitações que têm que ser integradas, assimiladas e geradoras de readaptação, com vista ao equilíbrio e à funcionalidade possível.

Logo, para favorecer o envelhecimento ativo é Frequentemente, uma indiferença carregada necessário criar as condições de complacência, de piedade, de falsas para a otimização das Em vez de suscitar oportunidades para a saúde, o lamentações, a pessoa que crenças de que o idoso volta a ser criança, que implica que a comunidade envelhece deve constituir um que ferem mais do que alguns sentimentos e os serviços destinados a idosos desafio para as mais diversas claramente negativos. estejam equipados com recursos áreas técnicas que trabalham que satisfaçam não só as suas com esta população. necessidades básicas, mas também as necessidades ao nível da socialização, recreação, Vale sempre a pena tratar, se for o caso, estimular sempre que envolvimento na vida social e promoção da saúde mental. faça sentido, adaptar de acordo com as necessidades individuais, confortar quando não há mais a fazer, mas apoiar Encarando o envelhecimento como uma fase do ciclo vital, ele e dar atenção sempre. é merecedor de respostas proativas, construtivas, adaptadas e potenciadoras do desenvolvimento do idoso, ao invés de Às vezes são os pequenos gestos, os escassos minutos de suscitar equipamentos que são meros mecanismos de atenção, o estímulo, o incentivo que conferem dignidade e compensação para quem já não consegue suprir as suas enchem os dias de quem perdeu a autonomia, o contacto necessidades básicas diárias sem apoio. próximo com a família, a casa, a independência e está agora A DGS (2004) define o envelhecimento como um processo de confinado a um terço de aposento que tem que partilhar com mudança progressiva da estrutura biológica, psicológica e desconhecidos, não raramente por decisão de terceiros.


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Envelhecer ativamente não é, certamente, manter-se em forma até aos 90, como se tivéssemos 30, mas sim promover a autonomia sempre que possível, aceitando as perdas e as limitações e criando recursos para lidar com elas. Há que combater estereótipos de que o idoso quer estar sossegado, que não colabora, que não adere às atividades. Não há um perfil do idoso, há sim pessoas únicas com características próprias, como em qualquer outra fase do desenvolvimento, que merecem por isso respostas individualizadas, personalizadas e ajustadas ao seu nível intelectual, condição de saúde e interesses. Às vezes dizemos, plenos de conhecimento, que o idoso está desorientado no tempo. Ele está efetivamente desintegrado, abandonado, esquecido e todos nós sabemos que a desatenção e a falta de estímulo, em qualquer fase do ciclo vital, provoca alheamento, subdesenvolvimento até mesmo défice cognitivo. Supostamente o idoso institucionalizado não está isolado, por isso não sofre de solidão (pelo contrário, pode sofrer de

excesso de multidão), mas a pior solidão é aquela que se vive rodeado de pessoas às quais parecemos indiferentes. Frequentemente, uma indiferença carregada de complacência, de piedade, de falsas crenças de que o idoso volta a ser criança, que ferem mais do que alguns sentimentos claramente negativos. A integração numa estrutura residencial acontece, frequentemente num contexto fraturante, em que se deixa a comunidade onde, de forma mais ou menos ativa, o idoso tinha tarefas, objetivos, ainda que fossem os da esfera doméstica, para passar a um ambiente estruturado, com regras restritivas onde quase tudo escapa à sua decisão. Nesta fase é importante combater a inatividade e promover a sua integração no grupo, de acordo com a sua condição de saúde e interesses. Com este propósito, tem vindo a ser implementado, desde 2017, nas valências residenciais da Misericórdia de Santo tirso um Programa de Estimulação Cognitiva.


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ÀS VEZES SÃO OS PEQUENOS GESTOS…

Inicialmente a implementação dos grupos de estimulação cognitiva implicou um trabalho árduo e que teve de se manter constante ao longo de todo o processo. No grupo inicial alguns participantes não estavam motivados para este tipo de tarefas, em relação às quais apresentavam marcada falta de treino. Assumiam-se incapazes na ausência de tentativa para resolver a tarefa, revelando assim uma perceção negativa da sua auto-eficácia e uma baixa-autoestima. No sentido de contrariar esta tendência, a primeira fase foi essencialmente de motivação para a participação, de combate à resistência a atividades pouco familiares, sobretudo por se tratar de uma população com baixo nível de escolaridade e mesmo com iliteracia.

participantes, tendo sido realizadas no total 141 sessões de estimulação cognitiva. Numa fase prévia da constituição dos grupos realiza-se uma avaliação neuropsicológica para aferir o nível cognitivo, e eventual défice, de forma a criar grupos homogéneos que permitam ajustar o tipo de tarefas e nível de dificuldade aos participantes.

Nestas sessões desenvolvemse atividades em diversas Em cada sorriso de agradecimento, em cada áreas, designadamente, gargalhada, em cada surpresa pelo bom Orientação Temporal, desempenho numa área inesperada, encontramos Espacial e Auto-psíquica, motivo para continuar convencidos de que, Atenção, Memória, Praxias, efetivamente, são os pequenos gestos que fazem a Linguagem, Gnosias e Funções Executivas, com o diferença propósito de minimizar os efeitos da deterioração cognitiva, melhorando a Trabalhamos assim a relação e a autoestima, numa autonomia funcional e, consequentemente, a qualidade de população descrente das suas capacidades para vida. Procura-se ainda combater o isolamento, promover a determinadas tarefas, por mais básicas que fossem. Este interação social e a autoestima. trabalho surtiu efeito acabando por se verificar uma boa adesão e recetividade às tarefas, mesmo por parte de Com base na análise dos resultados obtidos, fazemos um alguns idosos com tendência ao isolamento e à balanço positivo dos efeitos do programa, quer ao nível da participação noutras atividades. melhoria das competências cognitivas, quer ao nível da adesão e recetividade às tarefas. Os grupos de estimulação cognitiva implementados há cerca de 2 anos nas valências residenciais integraram já 94


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Para além da promoção das competências cognitivas verificam-se ganhos noutras áreas como a socialização e a autoestima. Estes grupos constituem já uma rotina nas atividades das valências residenciais e temos um retorno muito positivo por parte dos participantes. Arriscaria em dizer que são sobretudo estes ganhos que nos motivam para continuar. Estes grupos, para além da prevenção do declínio cognitivo, adquiriram uma função de interajuda, porque constituem um contexto favorável à abordagem das angústias, das preocupações, dos conflitos interpessoais e sobretudo porque os participantes o percecionam como um espaço de atenção e escuta ativa. Em cada sorriso de agradecimento, em cada gargalhada, em cada surpresa pelo bom desempenho numa área inesperada, encontramos motivo para continuar convencidos de que, efetivamente, são os pequenos gestos que fazem a diferença. • POR CARLA CABRAL (PSICÓLOGA NA ISCMST)


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REPENSAR O ENVELHECER

Por vezes, dou comigo a pensar, numa espécie de retrospetiva, destes muitos anos ao serviço da Saúde, da Beleza e do Bem Estar, sobre o CAMINHO DO ENVELHECER, pois, tive de entre muitos, o privilégio de acompanhar de perto, esse mesmo caminho de gente que me marcou e me deixa um aprendizado no qual me inspiro para partilhar breves pensamentos, que possam motivar e despertar outras mentes no sentido de “pôr em causa” conceitos de um percurso a que gosto de dar o nome de IDADE MAIOR. Amo de paixão a minha profissão, porque me permite CUIDAR, CUIDAR DE PERTO, DE BEM ESTAR, da BELEZA QUE SE VÊ, mas muito mais gratificante da BELEZA QUE SE SENTE e mais ainda, tocar de perto aquela BELEZA ESPECIAL QUE ESPELHA , exemplo, referência para quem se prepara para o caminho, numa espécie de charme subtil , num “ELOGIO À VELHICE.” “Nada voltará a ser como antes, mas, tudo poderá ser melhor como nunca foi”. Envelhecimento é um processo extraordinário, onde se tem a oportunidade, experiência, vivência, evolução para nos tornarmos com larga vantagem no ser humano que lutamos uma vida por ser.” Somos seres espirituais a viver experiências terrenas,

imperfeitos, mas num caminho diário, de lapidação, emocional, espiritual, num TEMPLO ÚNICO onde vivemos toda essa mesma experiência, O NOSSO CORPO, a nossa única casa, residência, onde habitamos toda uma vida, porque não cuidar dele como tal? Um UNIVERSO só nosso, de INTIMIDADE entre MENTE, CORPO, ALMA e ESPÍRITO, toda uma VIDA. Nesta tomada de consciência, em que gerimos um templo sagrado, o nosso universo interior, o nosso corpo, percebemos do valor que tem o que comemos, o que pensamos e como agimos. E a velha máxima de “esta vida é uma passagem”, então se assim é, e indo um pouco mais além, então qual o propósito dessa mesma passagem? Que legado deixamos e que legado levamos? Que marcas ficam nos que se cruzaram connosco neste caminho? Então o ENVELHECIMENTO passa a ter um outro sentido! E é desse mesmo envelhecimento que vos quero falar. De SENESCÊNCIA, de envelhecer em PLENITUDE! De Amar o Caminho. De Amar todas as fases e perceber que todas elas fizeram e fazem parte, cada uma com as suas


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particularidades, fragilidades, carências, imperfeições, mas que esta, única, reúne todas as outras e permite com mais experiência e sabedoria, vivê-la com mais tranquilidade e degustação da vida, na sua essência.

Repensar os cuidados e RESPEITO pelo nosso maior órgão, a PELE, a cobertura do nosso templo e comunicação entre o nosso mundo interior e o mundo exterior que nos envolve. Há que viver um presente consciente e responsável, projetar num futuro que queremos, focar em soluções e atitudes em vez de focar nos problemas, nos MEDOS.

Praticar a EPIGENÉTICA, ”Reverter o Envelhecimento” influenciar de forma positiva a nossa informação, carga genética, é possível, sim! Mas para isso temos que mudar Quando o caminho se baseia no O AMOR PRÓPRIO, na AUTO conceitos, comportamentos, atitudes e repensar a Velhice, ESTIMA, no querer ser, viver muito mais do que simplesmente REFORMAR A IDADE DA existir, então ENVELHECER, é muito REFORMA, e preparar desde muito mais do que fascinante, um processo cedo o PRIVILÉGIO QUE É individual, íntimo e transcendente! (...) O NOSSO CORPO, a nossa única ENVELHECER, negado a muitos. casa, residência, onde habitamos Pôr em prática a EPIGENÉTICA, Pena que muitos partam sem o ter toda uma vida, porque não cuidar “Genética Feliz”, é tornar percebido e pior do que isso, que dele como tal? consciente o nosso dia a dia, no que muitos morrem ainda vivos e sentido de inverter, contrariar, partem sem nunca terem vivido. abrandar o ciclo biológico do corpo humano e preparar um envelhecimento confortável e Grata pela oportunidade pela vida e por nesta profissão prazeroso, para tirar partido e gozar o que esta fase nos conhecer seres tão especiais com os quais aprendi num tem para oferecer. percurso de quase 30 anos, que ENVELHECER, é uma QUESTÃO de ATITUDE PARA COM A VIDA, uma FILOSOFIA Há que repensar a alimentação, “Faz do teu medicamento o POSITIVA, que as faz cuidarem se como um todo, como seres teu alimento e do teu alimento, o teu medicamento” únicos e especiais.• (Hipócrates, o pai da Medicina) POR CARLA RUAS (SPA CARLA RUAS, CUIDADOS DE SAÚDE, BELEZA E BEM-ESTAR - A

Há que repensar as horas de sono com qualidade, vendo o sono como “horas de oficina de restauro e manutenção” Há que repensar o exercício como manutenção de um corpo e da mente, para o seu bem estar.

PREPARAR-SE PARA ABRAÇAR A GERONTOLOGIA)


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O MEU CORPO ENVELHECIDO AMA-ME INCONDICIONALMENTE

A sociedade ocidental dos nossos dias divide o ser humano em corpo-mente, campo de alguma controvérsia resultante de diferentes perspetivas e da área de ação. Não podemos ignorar que na nossa cultura, tão obcecada pela juventude, o espectro da senescência “tem” de ser evitada a todo o custo. Mas, na verdade, envelhecer não “é andar no parque”, é, em vez disso, uma aprendizagem diária quando se trata de negociar o amor a este querido e velho corpo e estar constantemente em contato com o seu amor-próprio, ainda que a alma esteja distante e a saúde também. E, portanto, amar o corpo envelhecido não é uma utopia, é uma questão de preparação do corpo e também da mente para esta fase da vida. Não é nenhum segredo que quanto mais velhos estamos, mais pressão o mundo exterior exerce sobre nós para procurar todos os meios possíveis de nos fazer sentir, olhar e agir o mais jovem possível, e a pressão tem sido bem-sucedida se olharmos para o medo de envelhecer que atinge a maioria de nós, mas se optássemos por ver o envelhecer com um olhar de amor incondicional, logo perceberíamos que precisamos de assumir uma visão integradora - corpo e mente – uma (re)inserção do corpo físico envelhecido e as experiências vividas, envolta de um só modo de viver esta fase da vida. Ao olharmos para o envelhecimento nesta perspetiva deparámo-nos com duas grandes tarefas: (1) a perceção pessoal sobre o nosso envelhecimento e (2) agir no tratamento do corpo que, a cada dia que passa, envelhece um pouco mais.

Não podemos ignorar a existência das ideias distorcidas que a nossa sociedade tem sobre a senescência e cabe a cada um de nós ir contrariando esses estereótipos. A boa notícia é que podemos, de alguma forma, desafiar a ilusão que criamos à volta do envelhecer e desafiar estes pensamentos é uma das chaves para lidar com as perdas e ganhos próprios desta etapa da vida pois é dentro, e através de nossos corpos e mente, que experimentamos mais de imediato as realidades sociais e físicas do envelhecer. Seja com o surgimento das primeiras rugas, cabelos grisalhos ou manchas da idade, o aparecimento de constrangimentos na saúde, ou ainda a picada do envelhecimento nas nossas interações sociais, que todas as nossas experiências de envelhecimento são invariavelmente incorporadas. Apesar da centralidade da corporalidade para a vida quotidiana, não devemos recear a vitalidade na senescência ou seja, devemos temer tanto a velhice como tememos a juventude ou a idade adulta. Quando se fala de amor incondicional pelo nosso belo corpo envelhecido, fala-se em negociar mudanças, aprender a adaptar-se e aceitar o corpo, considerando-o como um lar incrível, especialmente, quanto se ultrapassa a marca dos 80 anos de idade, e se vai percebendo o quanto é surpreendente a nossa maquinaria. No livro “Envelhecer sem ficar velho” de Maria José Costa Félix, encontramos logo no início da obra o seguinte: “a velhice é a última oportunidade que a vida nos oferece para terminarmos a tarefa de encontrar «a palavra


essencial que nos define»: o nosso Eu profundo, a nossa verdadeira identidade”, ou seja, a forma como envelhecemos depende essencialmente da nossa perceção, tal como já referimos anteriormente. Assim, os homens de ontem e também os homens de hoje estão edificados em diversos recursos que os fizeram acreditar na velhice como uma fraqueza, porém, com os homens mais velhos de hoje, já há quem não tema falar do que é ser velho e amar-se incondicionalmente. Já no que diz respeito aos velhos de amanhã, poder-se-á levá-los a acreditar na velhice natural, que inclui perdas e ganhos, em que a velhice ser vista como uma etapa que porventura será apenas a finalizadora do ciclo de vida. Se as nossas crenças sobre o envelhecimento podem influenciar tão drasticamente o nosso corpo e mente, então mudemos o caminho. Proponho viver uma vida mais longa e com propósito, ou seja, envelhecer com graça.• POR ALESSANDRA RUÃO (+ SÉNIOR /RV – CONSULTORIA GERONTOLÓGICA)


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MANTER A BOA FORMA

O envelhecimento é desde há muito motivo de reflexão dos homens. Ao longo dos tempos, o conceito de envelhecimento e as atitudes face às pessoas idosas têm vindo a mudar e refletem o nível de conhecimentos sobre a fisiologia e anatomia humanas, a cultura e as relações sociais das várias épocas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a proporção de pessoas acima dos 60 anos está a aumentar rapidamente em todo o mundo. Este cenário também é visível em Portugal. O número de pessoas idosas, nos próximos 25 anos, poderá ultrapassar o dobro de jovens. Como tal, o envelhecimento deve ser vivido de uma forma saudável e autónoma o maior tempo possível. Para isso, é necessário que as pessoas idosas se envolvam na vida social, económica, cultural, espiritual e civil, para que envelheçam de uma forma ativa. As alterações físicas e intelectuais que ocorrem com o envelhecimento variam de pessoa para pessoa e dependem das características genéticas e respetivos estilos de vida.

Para promover o envelhecimento ativo, a Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso tem promovido um investimento organizado em equipamentos dirigidos aos problemas da população envelhecida, relacionados com a saúde. Passaram pela inclusão de um parque geriátrico nos arredores das valências, aquisição de material que tem em vista a manutenção física dos seus utentes e mais recentemente a aquisição de uma passadeira elétrica, cujo principal objetivo passa por trazer benefícios cardiorrespiratórios, de fortalecimento muscular, nomeadamente nos membros inferiores. Além disso, reduz o risco de fraturas. Não obstante, apraz-me referir que nós (Misericórdia) visamos continuar a potenciar as capacidades biológicas, psicológicas e sociais, que por si só tendem a degenerar com a idade, com o intuito de proporcionar um envelhecimento bem-sucedido. E a viagem continua…. • POR RAFAEL ARAÚJO (MONITOR NA ISCMST)

É sempre oportuno salientar a alimentação saudável, a prática adequada de atividade física, uma hidratação própria, repouso e exposição moderada ao sol. O bem-estar psíquico e intelectual (memória, raciocínio, boa disposição) acarreta cada vez mais importância no envelhecimento ativo e saudável (uma leitura regular, participação ativa na discussão dos assuntos do quotidiano, realização de jogos que estimulam raciocínio, manutenção de atividades dentro e fora de casa (passeios, visitas, voluntariado), bem como, integração em tarefas de grupo ou eventos de associativismo, entre outros.


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Ação Social e Comunidade

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O RISO É UMA TERAPIA

Afinal, quando estamos de bom humor e felizes, a forma mais fácil de expressar isso é através do riso. E se unirmos todas as propriedades benéficas do riso com as do yoga? É isso que o yoga do riso proporciona. Criado por Madan Kataria, um médico indiano, o Yoga do Riso tem como objetivo transformar o riso numa atividade relaxante juntamente com algumas práticas da yoga. Apesar de ser uma prática indicada para todas as idades, esta é uma excelente atividade para seniores. Isso porque nas aulas voltadas para os seniores, quase todas as práticas são feitas sentadas, evitando assim movimentos mais bruscos e cansativos, trazendo assim uma maior serenidade e segurança para eles. Assim como as crianças, os seniores são bastante recetivos à prática. Com temas específicos e adequados às suas necessidades, pode ser feito um excelente trabalho motivacional e emocional com este público. Assim, o riso passa a ser solto e fluido trazendo até este público os benefícios que ele proporciona. O grande mantra do Yoga do Riso é “rir, rir, rir até fluir ” e é através dele que os praticantes libertam todas as preocupações da mente e equilibram todo o corpo físico através de grandes e verdadeiras gargalhadas, que são provocadas por técnicas específicas do profissional que ministra as aulas.

É muito comum que os seniores saiam das aulas de Yoga do Riso muito mais amigos entre si, isso porque o riso contagia, aproxima e cria laços que não existiam até poucos minutos atrás. Com isso, a Yoga do Riso é uma excelente forma de garantir qualidade de vida, bem-estar e, acima de qualquer coisa, alegria para aqueles que estão vivendo a melhor das idades.• POR ALDA SILVA (MONITORA YOGA DO RISO)


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UM NOVO CICLO FORMATIVO

Formação

Cada empresa tem a sua própria identidade e cultura organizacional. A Misericórdia de Santo Tirso que orienta a sua missão pautada pela organização, exigência e rigor na qualidade dos serviços que presta à comunidade deve manter um plano de formação adaptado às suas necessidades mais prementes. Nos últimos 20 anos o ciclo formativo obedeceu a diferentes orientações e estratégias que implicaram um volume de formação interno e externo com candidaturas a financiamentos comunitários, beneficiando ainda de comparticipações financeiras da União das Misericórdias Portuguesas. Passamos da acreditação da DGERT para a certificação pela APCER, no âmbito da implementação do Sistema de Gestão da Qualidade na medida em que a aposta da formação centra-se maioritariamente na dinâmica interna e contínua de 350 colaboradores. Nesse sentido, entre janeiro e maio do corrente 74% dos colaboradores já beneficiaram de formação contínua em diversas áreas de formação, destacando-se o RGPD, a Organização de Emergência e a aposta num novo ciclo de formação designada “On Job”. Esta metodologia decorre no local de trabalho do formando e prevê a utilização das ferramentas utilizadas diariamente. É considerada bastante prática pois está ligada às atividades diárias dos profissionais, permitindo a experimentação e a aquisição de conhecimentos imediata.

Neste momento as categorias profissionais abrangidas nesta metodologia de formação centram-se nos Ajudantes de Lar e Trabalhadores de Serviços Gerais dos lares residenciais. As áreas de competência a reforçar estão focadas nos cuidados de saúde, alimentação e higiene a utentes, necessidades de formação essas diagnosticadas pelas chefias no âmbito da avaliação de desempenho anualmente aplicada na instituição. Como esta formação implica uma orientação direta do formador com vista à experimentação dos formandos, acreditamos que esta experiência de formações de curta duração, mas incisivas em áreas a precisar de reforço de competências, consigam garantir um valor acrescentado no know-how institucional. • POR CARLA MEDEIROS (COORDENADORA DE FORMAÇÃO)


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Ação Educacional

DIAS DE REFLEXÃO

O INA proporciona uma formação integral que pressupõe o desenvolvimento da dimensão pessoal, social e espiritual dos alunos, contribuindo para o crescimento o mais completo possível de todos os talentos do aluno, enquanto pessoa e como membro de uma comunidade. Assim, cada turma é convidada a experimentar um tempo de paragem num Dia de Reflexão, onde a reflexão pessoal e em grupo facilitam o contacto com o eu, com os outros, com Deus e com a natureza. As linhas de orientação para estes encontros são a valorização do trabalho colaborativo como uma oportunidade para a turma se consolidar como grupo e também favorecer momentos de convívio. Neste sentido, as turmas do 3.º ano do Ensino Profissionalizante do Instituto Nun’Alvres foram convidadas a realizar o seu dia de reflexão na Irmandade e Santa Casa de Misericórdia de Santo Tirso. No dia 14 de maio, os alunos do 3.º ano de Técnico Auxiliar de Saúde visitaram a Casa de Repouso de Real, realizando dinâmicas de grupo com os utentes da instituição. No dia 27 de maio, os utentes do Lar José Luiz d’Andrade acolheram a turma de Técnico de Restauração, que confecionaram uns crepes para oferta. Por fim, a última visita foi realizada pelos alunos do curso Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores que se voluntariaram a pintar os bancos do espaço exterior do Lar Leonor Beleza.


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Ação Educacional

Os dias de reflexão constituíram-se, assim, como uma oportunidade não só de promover competências de relacionamento interpessoal, mas também para uma maior proximidade da escola às instituições locais e para a sensibilização dos nossos alunos para a importância do convívio intergeracional • POR FÁTIMA CORREIA (SERVIÇO DE AÇÃO SOCIAL NO INSTITUTO NUN’ALVRES)


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Saúde

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TERAPIA OCUPACIONAL (ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA UM ENVELHECIMENTO ATIVO)

O envelhecimento humano é um processo universal, progressivo e gradual. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) é definido como “processo de otimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem”. Este conceito surge na sequência do envelhecimento saudável preconizado até então, e que pretende agora ser mais abrangente, estendendo-se, para além da saúde, a aspetos socioeconómicos, psicológicos e ambientais (Ribeiro, 2011; Amaral, 2016).

O cérebro é detentor de “plasticidade”, apresentando capacidade para se alterar morfologicamente e estruturalmente perante diversos estímulos. As alterações morfológicas, como as ramificações dendríticas entre os neurónios, suportam a reserva cognitiva, composta por biliões de conexões entre os neurónios, de onde emergem as competências cognitivas. Apesar do enfraquecimento das conexões neuronais no envelhecimento, ainda existe evidência da presença de plasticidade neuronal nos idosos. Por isso, o declínio cognitivo associado ao envelhecimento admite-se, pelo menos em parte, devido à falta do uso de tais capacidades (Araújo, 2013). As mudanças que ocorrem No envelhecimento seja saudável durante o processo de ou patológico, os indivíduos envelhecimento não são devidas beneficiam sempre de uma O cérebro é detentor de “plasticidade”, exclusivamente à passagem do estimulação neuropsicológica. A apresentando capacidade para se alterar tempo, mas também fruto de estimulação cognitiva permite o morfologicamente e estruturalmente herança biológica. Cada pessoa desenvolvimento das perante diversos estímulos. nasce e desenvolve-se numa competências cognitivas família, localidade, rede social, necessárias para controlar e ambiente e geração, e recebe, por regular os nossos pensamentos, isso, uma herança cultural. Todos estes factores vão refletir-se emoções e ações. Cognição é o processo intelectual ou mental nos estilos de vida individuais, os quais vão influenciar o modo através do qual um organismo toma conhecimento do mundo como envelhecemos (Ribeiro, 2011). (Lousa, 2016). Um dos principais receios associados ao envelhecimento está relacionado com a diminuição da memória e do funcionamento cognitivo. Contudo, pequenos esquecimentos, tais como o lugar onde colocou a chave ou os óculos, podem ocorrer em qualquer idade. Assim, tal como o corpo, o cérebro deve ser exercitado (Ribeiro, 2011).

A estimulação cognitiva é realizada através de programas de reabilitação neurocognitiva com atividades interativas e ocupacionais. As atividades têm duas variantes: a aprendizagem ou a reaprendizagem e proporcionam uma terapia aliciante para os pacientes, em especial nos idosos. O propósito das atividades aplicadas à reabilitação


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Saúde

neurocognitiva é auxiliar na reabilitação das funções cognitivas afetadas, consagrando o aumento da funcionalidade e melhoria da qualidade de vida. Os programas de reabilitação neurocognitiva têm como objetivos melhorar a qualidade de vida dos pacientes e familiares, maximizando o aproveitamento do funcionamento cerebral, total ou parcialmente preservado por meio do ensino de estratégias compensatórias, aquisição de novas habilidades e a adaptação às perdas permanentes (Lousa, 2016; Sequeira, 2010). Para além disso, existem várias formas e modalidades para manter a mente ativa, que vão desde pequenas alterações no quotidiano como praticar exercicio físico, participar em atividades recreativas, manter uma alimentação saudável, dormir as horas de sono recomendadas, apresentar uma atitude positiva perante a vida e diversificar as rotinas diárias (Ribeiro, 2011). A família é um elemento fundamental para o aumento da estimulação cognitiva, motivando, aconselhando e acompanhando a pessoa em atividades que podem ser divertidas e de lazer, como, por exemplo, ir ao teatro, discutir um livro ou fazer palavras cruzadas (Ribeiro, 2011; Fernandes, 2014). A estimulação cognitiva visa capacitar os pacientes e familiares a conviver com a situação atual e a diminuir ou superar as deficiências cognitivas derivadas de lesões neurológicas (Lousa, 2016; Sequeira, 2010).

Manter a mente sã é essencial em todas as idades, principalmente durante o processo de envelhecimento, em que se verificam algumas mudanças cognitivas que podem afetar o desempenho da pessoa. No entanto, sabe-se que muitas das dificuldades mentais que vulgarmente se associam ao envelhecimento são fruto do desuso da mente, a qual necessita, tal como o corpo, de ser exercitada para continuar a funcionar adequadamente. Estar atento a sinais preocupantes que indiquem que as dificuldades cognitivas ultrapassam o processo normal de envelhecimento é essecial para obter e procurar ajuda de especialistas. -------------------- Bibliografia • Amaral, N. M. (2016). Estimulação Cognitiva, Motora e Sensorial com Idosos no Domicílio. Escola Superior de Educação e Ciências Sociais. Instituto Politécnico de Leiria. Portugal. • Araújo, E. 2013. Como Promover o Envelhecimento Cognitivo Saudável. Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra. Portugal. • Fernandes, S. I. (2014). Estimulação cognitiva em idosos institucionalizados. Escola Superior de Educação. Instituto Politécnico de Bragança. Portugal. • Lousa, E. (2016). Benefícios da Estimulação Cognitiva em Idosos: • Um Estudo de Caso. Escola Superior de Altos Estudos. Instituto Superior Miguel Torga. Coimbra. • Ribeiro, O. & Paúl, C. (2011). Manual de Envelhecimento Activo. Lidel – Edições Técnicas. 1ª edição. 1-104. • Sequeira, C. (2010). Cuidar de Idosos com Dependência Física e Mental. Lidel – Edições Técnicas. 1ª edição. 1-34. • POR BIBIANA RIBEIRO (TERAPEUTA OCUPACIONAL NA CLÍNICA DE FISIATRIA)


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Saúde

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ERVAS AROMÁTICAS COMO CONSUMIR

As ervas aromáticas são plantas, amplamente reconhecidas pelas suas propriedades organoléticas, que conferem cor, sabor e aromas às refeições. (1,2)

de patologia cardiovascular e cancro, assim como alterações do sistema reprodutivo e nervoso, e ainda como estimulante do sistema digestivo e potenciador do sistema imunitário. (1)

Atualmente o sal continua a ser um dos maiores inimigos da saúde. É dos condimentos mais utilizados no tempero das refeições, e as refeições sem adição de sal são muitas vezes vistas como pouco apelativas. A sua utilização constitui um hábito já bastante enraizado. Desta forma, e sabendo que este é um ingrediente fulcral no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e também de outras doenças crónicas prevalentes em Portugal, torna-se importante adoção de mudanças comportamentais. A utilização de ervas aromáticas como substituto do sal confere assim uma estratégia simples e efetiva que poderá ter grande impacto neste sentido.(3)

Na prática são variados os alimentos ou receitas que podem incluir as ervas aromáticas. Saladas, sopas, marinadas, carnes, peixes, chás, compotas, são alguns dos principais exemplos.

Relativamente ao conteúdo nutricional, as ervas aromáticas não contribuem para o valor energético da refeição, nem tão pouco para o seu valor nutricional. Não são fontes substanciais de nenhum macronutriente (proteínas, hidratos de carbono e lípidos), uma vez que a quantidade em que são ingeridas não é significativa. (2) Contudo, são fornecedores de proteínas, fibras, componentes voláteis (óleos essenciais), vitaminas (A, C, Complexo B), minerais (cálcio, fósforo, sódio, potássio e ferro) e fitoquímicos (substâncias que atuam como antioxidantes). (2,4) Estes últimos são evidenciados como os principais responsáveis por os seguintes benefícios atribuídos às ervas aromáticas: prevenção

É importante salientar que algumas das suas propriedades podem ser perdidas por ação do calor, pelo que preferencialmente devem ser adicionadas aos alimentos no final da sua preparação. (4)

CONSELHOS DE COMPRA 1. Adquirir as plantas aromáticas no formato que lhe seja mais favorável: fresco (embalado ou vaso), em pasta, desidratado (triturado ou folha). 2. Preferir as plantas aromáticas frescas, sempre que possível, pelas suas propriedades nutricionais. Caso pretenda, poderá encontrar plantas aromáticas frescas lavadas e prontas a consumir. 3. Avaliar o estado da embalagem e do produto, desprezando caso se encontrem deteriorados. 4. Verificar a data de validade do produto e preferir os que apresentam um prazo mais extenso. As plantas aromáticas frescas que se encontram à venda no seu estado natural, isto é não lavada, não necessitam de


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Saúde

apresentar data de validade, de acordo com a legislação. 5. Ler atentamente o rótulo e analisar a lista de ingredientes e a declaração nutricional do produto, no caso das plantas aromáticas em pasta. Os restantes formatos estão isentos de apresentação da lista de ingredientes e declaração nutricional. 6. Verificar o país de origem no rótulo dos produtos e privilegiar os de origem nacional.

CONSELHOS NO ARMAZENAMENTO 1. As plantas aromáticas frescas requerem um cuidado adicional para poderem preservar as suas características por um espaço de tempo mais longo, o qual poderá ir de 1 a 2 semanas. Deste modo, devem ser acondicionadas num saco escuro (pela sua sensibilidade à luz) e no frigorífico. 2. As plantas aromáticas frescas lavadas e prontas a consumir têm de ser obrigatoriamente armazenadas no frigorífico. 3. As plantas aromáticas desidratadas devem ser mantidas num local fresco, seco e protegido da luz. 4. No caso das plantas aromáticas desidratadas adquiridas em formato de saco, estas devem ser colocadas num frasco opaco e hermético. 5. Fechar o recipiente no qual se encontram as ervas

armazenadas logo após o uso, de forma a evitar o contacto com o ar. 6. As plantas aromáticas frescas em vaso devem ser colocadas num local próprio e garantidos os cuidados de rega necessários.

CONSELHOS NO CONSUMO 1. Selecionar a planta aromática em função da preparação culinária e das preferências pessoais. 2. Consumir de preferência antes do final da data de validade especificada no rótulo. 3. Antes da utilização, observe as características organoléticas da planta aromática. 4. No caso das plantas aromáticas frescas, desprezar as que apresentam sinais de deterioração (p. ex.: folhas com alteração da cor e emurchecidas). 5. Lavar devidamente as plantas aromáticas frescas no estado natural. As plantas aromáticas frescas lavadas e prontas a consumir não necessitam de ser novamente lavadas. 6. É preferível adicionar as plantas aromáticas desidratadas no início e durante a preparação culinária, de maneira a que estas atribuam mais aroma e sabor ao prato. As plantas aromáticas frescas devem ser adicionadas no final da cozedura para se beneficiar mais dos seus aspetos nutricionais.


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Saúde

ERVAS AROMÁTICAS COMO CONSUMIR

LISTA DE ERVAS

PROPRIEDADES NUTRICIONAIS

PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS

USO CULINÁRIO

Aipo

Vitaminas (A, B1, B2, B5, E, C) Minerais (potássio, ferro, magnésio)

Auxilia na digestão, indicado para situações de flatulência (gases), artrites, Hipertensão arterial, colesterol, diabetes, funciona como diurético e possui propriedades anti-inflamatórias.

Sopas, Saladas, Carne (estufada, guisada ou cozida).

Estimula o funcionamento do fígado, facilita a digestão, indicado para combater o cansaço físico, mental e depressão. Apresenta propriedades antioxidantes e ajuda na circulação sanguínea. Não deve ser utilizado em situações de diarreia. Em grandes concentrações, pode provocar irritações gastrointestinais e nefrite.

Marinadas de carne (carne de porco ou borrego), aromatizar a água da cozedura de massas, batatas, arroz, molho de tomate, saladas, manteigas aromatizadas.

Prevenção de doenças cardiovasculares: redução das concentrações séricas de LDL, triglicerídeos, redução da pressão arterial, inibição da agregação plaquetária. Deve ser evitado nos casos de úlcera gástrica, dispepsia, cistite, problemas de visão e epiderme (erupções cutâneas, eczema).

Temperar refogados no geral, utilizando no tempero de carne, peixe, hortícolas cozidos, e na preparação de arroz, feijão, pizzas e sopa.

Ajuda na eliminação do colesterol LDL, é eficaz nas situações de asma, diabetes, osteoporose, hipertensão arterial e arritmias cardíacas. Evita a formação e ajuda a dissolver coágulos sanguíneos, dissolve cálculos renais. Quando consumida crua é eficaz nas situações de tosse, bronquite, catarro, dor de garganta, melhora a voz, combate a rouquidão e ajuda em situações de obstipação. Não deve ser consumida por indivíduos que tenham acidez estomacal ou gases.

Variados pratos.

Alecrim

Alho

Cebola

Vitaminas (B1,B2, C, provitamina A e E) Minerais (cálcio, sódio, selénio, iodo e ferro)


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Saúde

Cebolinho

Vitaminas (A, C)

Propriedades antioxidantes, ajuda na digestão e melhora a circulação sanguínea.

Aromatizar omeletes, pratos de queijo, sopas, vinagrete, molho de iogurte e alguns pratos de carne e peixe.

Coentros

Vitaminas (C, betacaroteno) e minerais (ferro, cálcio)

Melhora a motilidade e as secreções gástricas, propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas. A tisana das folhas combate ainda a fadiga e alguns tipos de enxaquecas.

Saladas, caldos de peixe, frutos do mar, sopas, arroz, molhos, massas, ervilhas e favas.

Endro (aneto)

Ómega 3 e compostos Facilita a digestão, indicado para situações de insónia, fenólicos soluços, diarreia, distúrbios menstruais, distúrbios res-piratórios, cancro e também para um bom estado de saúde oral.

Usado na preparação do arroz, sopas, saladas, peixes.

Erva-cidreira

Atua como calmante, indicada para problemas gástricos, dor de cabeça e depressão.

Chá, refrescos, sobremesas.

Estragão

Auxilia no bom funcionamento do aparelho digestivo, ajuda a prevenir o aparecimento de doenças do coração, ação diurética.

Preparação de vinagretes, saladas, peixes, omeletes, molhos;

Funcho

Atua no aparelho digestivo, aumenta o peristaltismo e reduz a produção de gases. Favorece a secreção brônquica removendo o excesso de muco do aparelho respiratório. Os seus teores em sais de potássio conferem-lhe propriedades diuréticas.

Tempero de saladas, preparação de pratos doces, gratinados ou refogados, saladas, molhos, chá.

Gengibre

Tratamento de gripe, tosse, alívio dos sintomas de gota, artrite, dores de cabeça, diminui a congestão nasal, cólicas menstruais, prevenção do cancro do intestino e do ovário.

Preparação de carnes e peixes, bebidas, sopas, frutos do mar, saladas, manteiga aromatizada, aromatizar sumos naturais.


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Saúde

ERVAS AROMÁTICAS COMO CONSUMIR

Hortelã

Vitaminas (A, B C) e minerais (cálcio, potássio, fósforo e ferro)

Louro

Erva descongestionante, a sua infusão é indicada no tratamento de gripe. Evita situações de azia e má digestão. Auxilia no alívio de dores abdominais e dores musculares.

Tempero de pratos salgados, aromatizar bebidas (chás, sumos) usada no fabrico de rebuçados, temperar carnes (especialmente carneiro), sopas, saladas e ervilhas.

É diurético, digestivo e evita a formação de gazes. Auxilia no tratamento de hemorroidas e reumatismo.

Peixe, carne (porco), feijão, sopas, ovos, e batatas cozidas

Manjericão

Óleos essências, vitamina (C e A)

Combate vômitos, cólicas intestinais e diarreias. Atua sobre o aparelho urinário, ativando os rins e aliviando o ardor à micção. Alivia situações de tosse, bronquite, rouquidão, dores de garganta, ajuda a cicatrizar aftas.

Carnes, peixes, sopas, massas, cozinhados com tomate, vinagres aromatizados.

Oregãos

Óleos essenciais e vitamina C

Estimula as funções gástricas e biliares. Auxilia no tratamento de dispepsia, arrotos, enjoos, flatulências e estomatites. É diurético, expetorante e ameniza dores menstruais.

Saladas de tomate fresco, molhos à base de tomate, pratos com queijo, carnes, peixes, massas, guisados/ estufados.

Poejo Salsa

Sálvia

Tratamento de gripe, tosse, insónias, dores reumáticas, Carnes, caldeiradas de peixe, calmante, bronquite, asma. sopas. Vitaminas (A, C) É diurética, combate a formação de gases, alivia os Minerais (cálcio, ferro, sintomas de bronquite, asma, cólicas menstruais, magnésio, enxofre e auxilia no tratamento de cálculos renais. potássio) bioflavonoides Reduz flatulência, anti-inflamatória e anticarcinogénica.

Sopas, saladas, peixe e carnes.

Recheio e preparação de carnes, marinadas, sopas, feijão, molhos de tomate, queijos, batatas e biscoitos.


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Saúde

Segurelha

Tomilho

Propriedades antissépticas, fungicidas, antidiarreicas e Temperar saladas, carnes, antivirais. É muito utilizada para combater inflamações sopas, leguminosas, batata e das vias respiratórias, gases e cólicas, inflamações cenoura. cutâneas (otites, estomatites, vaginites, queimaduras). Destacam-se as vitaminas do complexo B, vitamina C e o magnésio.

Digestivo, anti-inflamatório, expetorante (ajuda a limpar as vias respiratórias).

Receitas de aves e caça, preparação de molhos, sopas, saladas, guisados/estufados, pratos com tomate e queijo. Bom substituto do SAL.

Bibliografia 1. Nutricão AP de. Aromatizar saberes: ervas aromáticas e salicórnia. 2018. 2. DGS. Ervas Aromáticas & Similares. 2007;1–11. 3. Movimento 2020. Reduzir o consumo de sal. 2015; Available from: http://movimento2020.org/os-desafios/descubra-os-desafios-2020/reduzir-o-consumo-de-sal 4. Programa nacional para a promoção de alimentação saudável; Direção Geral da Saúde. Ervas Aromáticas - uma estratégia para a redução do sal na alimentação dos Portugueses. 2015;1–19. • POR CARLA GONDAR (COORDENADORA SERVIÇO DE NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO) RITA MIRANDA E RITA FREITAS (NUTRICIONISTAS ESTAGIÁRIAS)


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Cultura

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A PROFISSÃO DE ENVELHECER UNIVERSIDADE SÉNIOR

O aumento da esperança de vida é uma realidade. Paradoxalmente envelhecer é a melhor coisa que nos acontece, porque não queremos morrer. Gostamos muito de viver e viver cada vez mais. Tendencialmente, ao envelhecer, entramos numa fase inquietante: não sabemos envelhecer, não gostamos de envelhecer. Concluímos que viver mais tem um conjunto de constrangimentos. Há cerca de duas décadas, fazer 100 anos em Portugal era notícia de jornal; a RTP fazia entrevistas aos centenários, pois eram poucos os portugueses que lá chegavam. Atualmente no nosso país, existem 4.000 centenários. Somos o 6º país mais envelhecido no mundo, temos 156 idosos para 100 jovens. Segundo dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2080 seremos um país com 317 idosos para 100 jovens. Em Portugal, a partir dos 65 anos somos seniores, velhos ou idosos, pertencemos à 3ª Idade. Sabemos que o ser humano está biologicamente preparado para viver até aos 120 anos. Assim concluímos que é importante para este período de tempo que os velhos têm de viver, pensar numa 4ª idade: 3ª idade dos 65 anos aos 80 anos e 4ª idade dos 80 até … Há velhos de 80 anos que gerem multinacionais: a americana Nanci Pelosi, aos 78 anos, foi nomeada para o cargo de presidente da Câmara dos Representantes, apesar disso: “Hoje continuamos a ter o velho gagá, o velho vestido de velho, o velho que se retira, o velho da terceira idade, dependente dos profissionais da velhice, mas também o velho que continua

a ser o sustento da família, o velho que continua ativo, o velho que assume os seus direitos e obrigações de cidadão … A velhice tornou-se de certo modo um termo ambíguo e caduco e a sua utilização revela alguma preguiça social”. (Bandeira 2014) A Universidade Sénior Tirsense é incomensuravelmente um agente de transformação, propiciador da melhoria da qualidade de vida para todos os velhos, idosos ou menos jovens, pertencentes às 3ª e 4ª idades. Promove um envelhecimento bem sucedido, produtivo e ativo. Uma força de apoio aos alunos, através da troca de saberes, de experiências vividas e partilhadas com convívio e com novas amizades. Motivos para acreditarmos que o poder do tempo nem sempre vencerá o da vontade. Um ano letivo na Universidade Sénior Tirsense é organizado com aulas práticas (Informática, Imagem Digital, Pintura, Artes Decorativas, Dança, Ioga, Cavaquinho e Canto Coral) aulas teóricas (Inglês, Espanhol, Poesia, Prazer do Texto, Atelier de Memória e Educação para a Saúde) e atividades, geralmente ás quartas-feiras à tarde os alunos vão visitar museus, monumentos, assistem a palestras sobre os mais variados temas, sessões de cinema nas suas instalações, etc. A Universidade Sénior Tirsense desde a sua fundação, contou sempre com o apoio da Câmara Municipal de Santo Tirso que muito contribui para o seu sucesso, que se verifica através dos


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Cultura

números crescentes de inscrições de alunos e associados. Estamos cientes de que com a dinâmica implementada, contribuímos para uma sociedade que se quer mais culta, justa e solidária, sobretudo, queremos contribuir para manter uteis aqueles que, noutros tempos, eram esquecidos, à espera … • POR GORETI MACHADO (PRESIDENTE DA UNIVERSIDADE SÉNIOR TIRSENSE)


#37

Cultura

Anos passados

Envelhecer

Dor d’ alma sinto comigo Depressa o tempo passou Olho para trás e penso Aquilo que hoje sou

envelhecer é viajar no comboio da vida fazê-lo de uma forma ativa é uma dádiva é perceber nos caminhos palmilhados nos rostos com quem cruzamos que a vida não é mais que um sopro uma claridade, um tempo aonde os abraços guardam histórias, lágrimas e sorrisos envelhecer é adocicar as horas é acordar de manhã abrir a janela e cheirar o dia é olhar para trás e sentir que os sonhos ficam à distância de um coração

Não são os anos que contam Nem aqueles que possam vir É o tempo que marca o corpo A mente que teima em sorrir De espírito elevado às vezes Na alma ponho ilusão Pensar que ainda é tempo Dar asas ao coração Existe em mim manifesto Dias de mar turbulento Melhor experiência não nego “Andar no ar” como o vento. Anyta Irmã na ISCMST

às vezes sem querer ouço a saudade que vem de longe!

Céu Machado Voluntária na ISCMST


Quais são os 3 locais favoritos em Portugal? Póvoa de Varzim, Viana do Castelo e Portimão, pelas boas recordações, são as minhas três maravilhas. O que a deixa cheia de orgulho no concelho de Santo Tirso? Santo Tirso é uma pequena, bela e pacata cidade que encanta quem a visita e onde se vive bem. Para além dos famosos Jesuítas, das deliciosas bolachas do Convento de Santa Escolástica e do célebre Licor de Singeverga, surpreende-nos com um soberbo património cultural e natural, como o Museu Internacional de Escultura Contemporânea, a Igreja Matriz, o Parque D. Maria II, o Parque Urbano Sara Moreira, as Termas das Caldas da Saúde, entre outros. E na Misericórdia? O respeito pela dignidade humana; a satisfação e bem-estar dos utentes;  a competência e responsabilidade profissional; a inovação, criatividade e qualidade. Quais as duas músicas que tem ouvido recentemente? Queen - Bohemian Rhapsody e Bradley Cooper, Lady Gaga Shalow E o filme que marcou a sua vida? O romance histórico e épico “E Tudo o Vento Levou”. Projeta a história, durante a Guerra Civil Americana, de uma jovem mimada de temperamento forte, disposta a tudo para conseguir o que deseja e a sua obsessão romântica por um nobre sulista. Um livro para ler antes de dormir? “A desumanização” de Walter Hugo Mãe, por me ter sido recomendado pela minha irmã Graça. Trata-se de uma leitura que nos remete para imagens de um mundo inquietante de perda e tristeza, mas, simultaneamente, nos encanta com a experiência da sobrevivência. Prefere praia ou cidade? Praia! Ninguém diria, pelo meu tom de pele. Gosto do mar, ao amanhecer e ao entardecer. Se pudesse escolher a vista de sua casa, como seria? Virada ao mar, de modo a contemplar a imensidão do horizonte e usufruir da sensação de paz e equilíbrio que as ondas e o som do mar me proporcionam. O que mais valoriza no ser humano? Respeito, honestidade, empatia, humildade e educação.

RE VE LA ÇÕES... O tema desta revista é “Envelhecer Ativa(mente)”. Que significado lhe atribui? O aumento da esperança média de vida é um dos maiores triunfos da atualidade, mas também um dos seus maiores desafios. Assim, a par da relevância da manutenção de uma vida fisicamente ativa, é fundamental a estimulação das capacidades mentais e cognitivas dos idosos, bem como a promoção da sua participação em atividades sociais/ comunitárias para que o processo natural de envelhecimento seja bem-sucedido. Neste contexto, não basta dar anos à vida, é preciso dar vida aos anos! NOME MARIA MANUELA CARNEIRO CATEGORIA PROFISSIONAL TÉCNICA SUPERIOR DE SERVIÇO SOCIAL I ANTIGUIDADE NA INSTITUIÇÃO 33 ANOS


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Revista da Misericórdia #37  

Revista da Misericórdia #37  

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