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Ele precisa encontrar o coração de seu tesouro do dragão. Ela será o tesouro do seu coração de dragão.

Os dragões Nox Incendi estão morrendo. Em um misterioso cassino nos arredores de Las Vegas, Rave Dorado vem lutando há séculos para encontrar uma cura para a praga fria que está lentamente transformando o seu dragonkin em pedra. Até seu olhar ardente cair sobre uma fêmea curvilínea e corajosa, cuja pureza de espírito ilumina uma chama em sua alma gélida... Piper Ramirez sabia que uma noite de garotas com suas duas melhores amigas no cassino mais exclusivo do mundo seria incrível... Mas ela não tinha idéia do quão longe iria. Inexplicavelmente atraída pelo sombrio e sexy Rave, ela vai jogar os dados e arriscar tudo dando-lhe seu corpo, embora ele seja um enigma muito grande para realmente se confiar. Mas os metamorfos Nox Incendi não são os únicos com segredos em Sin City. Piper terá que abrir os olhos para um novo e estranho mundo e Rave terá que abrir seu coração se quiserem sobreviver à febre do dragão.

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- Senhoras, entrem no Keep... - com o toque de um botão, o porteiro abriu as grandes portas duplas do cassino - ... E encontrem um mundo de fabulosos tesouros e mistérios. Prestes a entrar, Piper Ramirez hesitou. O único mistério era o que diabos ela estava fazendo nesse lugar louco. Diante dela, o grande corredor era escuro, exceto por pingentes de cristal que pendiam de cima como dentes ameaçadores, então as arandelas nas paredes de pedra brotaram para a vida. Piper murmurou um suspiro. As chamas não podiam ser reais. E se fossem, de jeito nenhum, ela ficaria em um lugar com risco de incêndio. Ela olhou incerta para suas amigas. Anjali tinha dirigido os mensageiros para cuidar das malas e estava em pé na calçada, com a cabeça ruiva inclinada para trás, olhando para a fachada. Embora o Keep estivesse à beira dos limites da cidade de Las Vegas, ele rivalizava em tamanho com qualquer coisa na Strip, então Piper não culpou Anj por estar de boca aberta. Enquanto isso, Esme estava saindo da limusine, fechando sua bolsa Hermes. Ela provavelmente pagou o motorista, apesar do fato dele ter sido empregado pelo seu noivo para trazê-las até aqui em seu último e longo fim de semana como uma mulher livre. Livre. Mesmo que Esme fosse a noiva, Piper sentia como se as três estivessem presas de uma maneira que, apenas alguns anos atrás, elas juraram nunca permitir. Esme estava deixando sua família rica empurá-la em um casamento com um dos seus parceiros de negócios ainda mais ricos. Anjali estava gerindo uma loja do seu tio em vez de perseguir sua vida. Somente Piper estava aderindo ao seu plano de jogo pós-universitário: transformar seu diploma de engenharia química em um bom trabalho constante e nunca mais deixar ninguém lhe dizer o que poderia ou não poderia ser. Mas até isso parecia que não estava bem... Como se estivesse faltando alguma coisa. Seu estado de espírito estava confuso enquanto o seu trio de amizade deveria estar completamente descontraído. 5


Agora, essa era a última chance de lembrá-las das promessas que tinham feito, não para elas nem para ninguém, mas para si mesmas. - Primeira ordem de negócios - Piper olhou de soslaio para Anjali, que finalmente se aproximou dela na entrada do cassino - Obtenha um aliado. - O Keep mantém tudo - murmurou Anjali - Que tipo de cassino lembra em sua marca que a casa sempre ganha o “tesouro fabuloso”? - Um honesto? - Piper refletiu - Ou um que sabe que as pessoas sempre pensam que as regras não se aplicam a elas. Anjali sorriu em acordo com ela. Anj pode até ter sido arrastada de volta para suas velhas assombrações quando seu tio precisou de alguém para cuidar de sua loja, mas ainda usava o anel trançado e com a opala de fogo inserida, que ela mesma havia projetado em seu primeiro ano de vida juntas. Sendo assim, ela ainda deve se lembrar de alguns desses sonhos que haviam compartilhado sobre a massa de biscoito cru e o uísque da plataforma superior que nenhuma delas jamais gostou. Piper girou o anel correspondente – igual ao de Anj, exceto pela pedra do sol coberta de cobre no meio - por seu próprio dedo enquanto lançava um olhar preocupado para Esme, pulando do quadro pálido e magro de sua amiga para sua elegante manicure francesa. Na mão esquerda, Esme tinha aquele diamante de noivado enorme e horrível. Do outro lado... Nada. Quando ela abandonou o anel de obsidiana que Anj tinha feito para ela? Provavelmente Lars “o buraco de cinzas” Ashcraft insistiu que sua pedra fosse a única que a marcasse. - A coisa feia nem sequer brilha - Gritou Piper. - O anel de Ez? - Anjali sorriu - Eu sei, certo? Deve ter quase três quilates, e fica ali como um cogumelo Puffball fervido. - Talvez possamos levá-la a fazer um cofre para contas de dólar e iremos para aquela revista masculina que vimos nos outdoors a caminho da cidade. - Piper manteve o tom iluminado, mas observou sua amiga de perto. Anjali sempre foi a primeira a sugerir qualquer pandemônio da festa; ela afirmava estar vivendo com a herança de Nova Orleans mesmo que tivesse partido quando ainda era criança. O olhar cor de avelã de Anj ficou distante - Eu acho que temos um dia de SPA amanhã.

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Um dia de SPA? Piper sempre se sentiu desconfortável em ser adulada por estranhos que são pagos para isso. E as dreadlocks crioulas vermelhas de Anjali não iriam ter nenhum amor em um SPA em Nevada. - Ez não pode ficar mais refinada - Ela protestou - Esta é a nossa última chance... - Retrucou o resto do aviso quando sua amiga finalmente se juntou a elas na entrada do cassino, ainda olhando para a bolsa. - Eu sei que eu trouxe - Ela murmurou. - O que há garota? - Anjali passou o braço pelo de Esme. - Não consigo encontrar o meu telefone. - Você estava com ele no avião - Disse Piper. – Trocou mensagens com o Lars. Tipo, uma dúzia de vezes. - Eu devo tê-lo esquecido - Esme virou-se para a limusine, os cabelos loiros balançando como um véu com a urgência de seu movimento - Eu tenho que voltar - O tom de sua voz aumentou - Ele odeia quando não pode me alcançar. Piper agarrou seu outro braço - Você não precisa disso agora. Todo o ponto de um fim de semana de despedida de solteira é tirar um do outro um pouco, sabe? Coloque algum mistério de volta em seu relacionamento. Embora fosse outro mistério para ela o porquê de Esme concordar com a proposta de Lars em primeiro lugar. Tantos mistérios, tão pouco tempo. Quando Esme arrastou suas elegantes botas de couro, Piper puxou um pouco mais - É um avião fretado privado. Ninguém vai pegar o seu telefone. Estará esperando por você quando voltarmos. A menos que ela pudesse convencer sua amiga de cancelar o casamento. E então, ela suspeitava que Ez tivesse de conseguir um número novo. Um fio de inquietação fez com que ela estremecesse, ou talvez fosse apenas a brisa do final do inverno, que serpenteava das montanhas do deserto escuro além da última rua iluminada. Piper passou seus dias testando a presença de alguns mícrons de poluentes tóxicos ou infecciosos em amostras de água, mas sabia que o mundo privilegiado de Esme era ainda mais micro gerido e potencialmente letal. Piper não iria deixar os bastardos sem coração sugarem a própria alma de sua amiga alegre e gentil. 7


- Ez - Ela sorriu - Se você precisa de um telefone, você sabe que sempre pode pedir emprestado o nosso - Na verdade, Piper já havia decidido que ia fazer Ez olhar para os mais longos, numerosos e progressivamente assustadores textos que Lars vinha enviando para ela - sobre o quanto Esme precisava descansar antes do casamento, como elas não deveriam beber demais - todos culminando na semana passada em uma demanda para que Piper relatasse a ele se alguma coisa acontecesse durante a noite das meninas. Nesse momento, ela decidiu em caráter definitivo não permitir que nenhum garoto fosse regra para o fim de semana - Nós estaremos juntas o tempo todo, para que possamos apenas compartilhar nossos minutos. OK? Depois de um momento, a inclinação de Esme em voltar cedeu, embora ela soltasse uma respiração estremecida - Sem o meu telefone, não vou saber o que estava programado para nós. Anjali bufou encaixando seus braços nos dela quando atravessavam os candeeiros tremeluzentes - Desde quando você mantém um cronograma, senhorita “Dorme-até-o-meio-dia”? Os horários são coisas de senhoritas ”Levantam-noalvorecer”. Piper estendeu a língua - Pelo menos nós sabemos que horas são, senhorita “Relógios-são-uma-construção-do-patriarcado”. - Bem, eles são - Disse Anjali. Ela apontou o dedo para o céu, todas as dúzias de pulseiras de estanho em seu pulso caindo em direção ao cotovelo com um barulho - O arco dos corpos celestes e o fluxo das estações devem ser suficientes para guiar nossos dias e noites. - Ah hã - Piper e Esme disseram juntas. Elas trocaram olhares com sorrisos combinados e foi a vez de Anjali manter sua língua. Rindo de uma maneira que reacendeu a esperança de Piper em lembrar suas amigas dos sonhos o que elas haviam esquecido, passaram por outra porta de estalagmites e estalactitas de cristal e entraram no cassino propriamente dito. As três arfaram juntas desta vez. Piper tinha lido que o Keep era um dos segredos mais bem guardados de Las Vegas. Terrivelmente exclusivo - e, pensou, sem dúvida, insanamente caro - o cassino atendia o tipo das apostas altas que rolavam sobre outras apostas altas. Mas, 8


para toda a seriedade mortal das apostas insanas no jogo, o Keep ainda respeitava a regra de Las Vegas de esplendor generoso. Meia fortaleza de montanha primitiva, uma fortaleza de solidão em meio à alta tecnologia, o Keep parecia que realmente não sabia o que estava tentando ser. Embora a partir da linha constante de reluzentes Rolls Royces e carros de músculos personalizados que quase empurravam sua limusine útil fora do caminho, obviamente a clientela sabia o que queria: entrar e desistir de todo seu dinheiro. Piper tinha dito que era bobo que sua pequena festa de despedida fosse lá, já que nenhuma delas jogava, mas Esme disse que o Lars acertou tudo e ficaria desapontado se elas não se divertissem. Piper só sabia que tinha que consertar a amiga. Com o compromisso de Esme e Lars, a colega de quarto doce e atenciosa que abriu seu apartamento maravilhoso para uma estudante bolsista e uma desistente, se transformou em um fantasma de si mesma, à deriva, arredia e mais pálida do que nunca. Piper não iria deixar que isso fosse incontestável, mesmo que ela sempre se considerasse a menor das três, a irmã mais nova a segui-las, principalmente invisível ao lado da beleza brilhante de Esme e do glamour escuro de Anjali. Em um passado recente, elas a salvaram dela mesma quando pensava em desistir. Agora era sua vez de salvá-la.

- Está acabado para mim, Rave. Rave fechou os olhos contra o caráter definitivo e inabalável dessas palavras. Era tão escuro no andar superior do Keep que o abismo atrás de suas pálpebras fechadas realmente parecia mais brilhante em comparação. O cheiro ocre de fumaça velha e metal queimado encheu seus pulmões como o desejo de rugir uma negação. - Não acabou - Em vez de gritar, sibilou as palavras uma de cada vez, cada uma como uma flecha de ponta de ferro para encontrar seu alvo. Não que ele quis 9


machucar seu irmão de sangue e seu senhor, mas ele precisava desencadear alguma esperança - qualquer esperança - para evitar os petralys. Uma vez que a maldição se aprofundasse, Bale viraria pedra. Literalmente. Mas por enquanto - e por um longo tempo - virar pedra foi apenas uma metáfora. Seu irmão ficou frio e distante, mas não estava preso a seu destino rochoso. Ainda não. - Eu só preciso de um pouco mais de tempo. - Disse Rave - Estou me aproximando de encontrar uma cura. - Você disse isso há cem anos. A culpa implícita gelou Rave desde suas abotoaduras em ouro sólido até suas botas de combate, e ele colocou as mãos sobre as coxas do jeans, se ajoelhando no chão duro - Se você me deixasse ver... - Não - A única palavra era tão brusca e irrefreável como uma bala. Porque ninguém mais usava flechas. Rave abriu os olhos. Se ele virasse, seria capaz de ve-lo, mesmo nesta escuridão infernal. Mas uma mudança de posição agora poderia levar Bale ao limite. Além disso, ele realmente não queria ver até onde seu irmão havia caído. Poderia adivinhar o suficiente, de qualquer forma, já que sentiu os mesmos elos de frieza pedregosa invadindo seus ossos, doendo nas profundezas do seu ser. - Estou perto - Ele repetiu. E esperava que seu irmão soubesse o quanto queria uma cura e que realmente acreditasse nisso. Se é que Bale já tivesse se dignado a acreditar em qualquer um. Ainda cego Rave levantou-se e caminhou em direção à entrada que ele sabia estar atrás dele. - Rave. O sussurro que rasgava a escuridão fez com que seus pêlos arrepiassem. Bale podia ser seu irmão de sangue e camaradagem, mas ainda era o senhor deste lugar. Rave virou-se para enfrentar o vazio. - Quando eu me for, você será o mais antigo entre os últimos.

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- Sim- Rave reconheceu. Bale encontrou todos os Nox Incendi que restavam e os trouxeram para o Keep. A Tribo da Noite Ardente nunca foi grande, mas agora eles estavam quase extintos, condenados às primeiras emoções de pedra, depois a sensação do corpo ficando frio e imóvel - era a maldição de sua tribo, e todas as suas riquezas insondáveis não significavam nada. A menos que ele pudesse encontrar uma maneira de parar e reverter os petralys para trazer fogo de volta aos Nox Incendi. - Você deve encontrar o coração do seu tesouro - Disse Bale. Pela primeira vez, a vida pulsava em suas palavras. Um golpe de necessidade urgente. O cheiro de metal queimado flutuava através do nada - Você deve mostrar aos outros o caminho. Rave curvou o lábio em um sorriso zombeteiro, sabendo que seu irmão de sangue podia vê-lo - Isso é um mito. - Somos mitos. Não há tempo para mim, mas encontre sua solária. - Sua verdadeira companheira - A voz de Bale endureceu - É uma ordem. Rave riu em voz alta - Você não pode me mandar encontrar amor. - Seus ouvidos são tão inúteis como seus olhos nesse corpo? Eu apenas o fiz. Rave olhou através da escuridão, mas é claro que ele não sabia se seu irmão estava brincando. Ninguém - nem mesmo um rei - poderia comandar o amor. Embora a lenda tenha afirmado que uma solária estava destinada, por uma febre em seu próprio sangue, a encontrar seu dragão. - Tenho problemas suficientes. - Disse ele - Sem me expor à febre do acasalamento. - Isso é tudo o que você deveria estar pensando. - Bale virou-se - Você enterrou seu dragão muito profundo se não anseia por sua solária. Enterrou seu dragão? Rave murmurou uma maldição irritada. Todos Não tinham feito isso? Mas que escolha eles tiveram neste mundo. - Eu vou encontrar uma maneira de parar os petralys - Ele jurou. Houve um tempo em que nunca teria ousado sair sem permissão do seu senhor, mas se Bale não se deixava ver... Rave bateu as mãos e apertou o botão do elevador. A porta se abriu instantaneamente, deixando um retângulo de luz se espalhar no vazio. 11


Ignorou o silvo e o ruído metálico atrás dele, assim como ignoraria a outra ordem. Não iria perseguir uma solária imaginária quando tinha que movimentar o Keep, esconder os Nox Incendi e curar uma maldição. Ele teve séculos para acumular seu tesouro - o sangue vital de um dragão mas tinha ficado sem tempo para o amor.

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Abaixo da sala de controle no primeiro porão do cassino, Rave registrou os gerentes noturnos. Ele aprendeu, há muito tempo, a aprisionar o dragão quando se lida com seres humanos. Não porque queria, mas porque precisava caso os Nox Incendi quisessem sobreviver no mundo moderno. O que fez com que a acusação de Bale soasse ainda pior. Os funcionários o conheciam, confiavam, gostavam dele e, ainda sim, sentia a maneira como hesitavam um pouco. Seu título podia ser de general, mas, enquanto o general se encaixava no que era para o clã, não havia nada de homem nele. Os humanos sentiam o predador em seu extremo, mesmo em sua linda camisa de linho, e mesmo que seu tipo não acreditasse neles. Nos dragões. E Bale pensando que os Nox Incendi poderiam encontrar seu verdadeiro companheiro entre esses humanos inconscientes? Esqueça. Os metamorfos haviam se escondido precisamente porque os humanos eram um flagelo na terra: mentes pequenas, traiçoeiros, ciúmes do poder e da beleza da besta... Ainda estavam dispostos a abraçar as paixões que governavam a presa e a asa. A febre de acasalamento... Rave esmagou o pensamento, levando o diamante de volta ao pó de carvão em sua mente. O Keep estava zumbindo, cheio de humanidade inquieta. Sempre foi assim. Bale criou um lugar para seduzir o alfa entre os humanos. Eles podem não saber porque foram atraídos para a mistura eclética de pedra e aço, de antigo e moderno, mas a fusão de esplendor e perigo capturou sua imaginação e os mantinham voltando, sempre com mais de seus tesouros. Rave suspeitava que, em algum nível instintivo, sentiam a ameaça do dragão à espreita e, como os cavalheiros equivocados que são, não podiam deixar de lançar-se a seu destino. Destino financeiro, de qualquer forma. Os metamorfos de dragões de hoje não tinham necessidade de armazenar moedas de ouro sobre o osso velho quando podiam acumular ações, títulos, fundos mútuos, valores imobiliários, futuros, imóveis, patentes, colecionáveis e arte. 13


Claro, as moedas de ouro ainda eram muito, muito gratificantes. Quanto aos ossos velhos... Bem, os ossos estavam melhores com alguma carne anexada. Enquanto ele atravessava o banco de telas CCTV, um flash de algo chamou sua atenção. O guarda de segurança não reagiu, mas Rave inverteu o passo para melhor visualização. À luz do cassino, as cores das câmeras estavam confusas, então, por que ele achou que ele vislumbrara o ouro cintilante? A tela mostrou três mulheres jovens que entravam no bar do Bad-lands -não são incomuns por aqui - Assim como o Keep atraia os ricos e poderosos, os mesmos atraíam seu próprio tipo de seguidores, incluindo jovens oportunistas que poderiam ter mais problemas com predadores humanos gulosos do que com draconianos. Mas quando olhou novamente, Rave observou que a fêmea do meio -magra e pálida - era claramente uma das suas principais clientes de luxo, apesar de sua juventude e a maneira hesitante de se virar para seguir as palhaçadas das outras duas. A segunda fêmea nas saias de babados estava gesticulando animadamente acima de sua cabeça, comentando - se ele tivesse que adivinhar - sobre as estrelas pequenas e brilhantes embutidas no teto para simular um crepúsculo infinito. Mas era a terceira mulher - uma pequena e curvilínea latina - que chamou sua atenção. Apesar de ser traduzido para duas dimensões, seu cabelo brilhava com uma escuridão rica e viva. Ela estava com as mãos nas curvas luxuriantes de seus quadris sobre uma saia brilhante, olhando fixamente para algo. Ele se forçou a seguir o ângulo de seu olhar. Ela olhava para a parede... Não, para o chão à sua frente. Empurrou a gola de seu suéter e estendeu a mão como se estivesse questionando sua realidade. No mesmo momento, o dragão de Rave se agitou, forçando-se contra os confins de sua consciência. - Não toque, garota tola - Ele sussurrou - É real. Tudo é real. Ela pulou para trás, agitando os dedos. Suas amigas se juntaram a ela. A loira pegou sua mão e examinou. Aquela na saia de babados beijou levemente a parte de trás da sua cabeça, fazendo com que os cabelos escuro voassem. 14


A mão de Rave se apertou em punho, como se ele pudesse abrandar aquela pele chamuscada, pegar aqueles fios distantes. Claramente, ela estava encantada pelo fogo. Para seu choque, seu pau endureceu, como se ele pudesse sentir as sensações fantasmas de calor e ar através das imagens remotas. Para alimentar as arandelas, o Keep drenou os reservatórios de gás natural. E abaixo deles, haviam vapores mais velhos e estranhos... Ele rosnou baixo, quase não mais que um estrondo em seus ossos. O guarda da segurança sentado diante das telhas abaixou a cabeça e olhou cautelosamente sobre o ombro - O senhor disse alguma coisa? - Aquelas três - Disse Rave - Quem são elas? O guarda girou para o seu tablet, passando rapidamente pelo programa de reconhecimento facial - Verificado nesta noite. Reservado com serviço completo por Lars Ashcraft para Esme Montenegro. Suíte de dois quartos na ala de Delphi com um quarto de conexão. Cartões-chave adicionais emitidos para Anjali Herne e Piper Ramirez - O guarda observou Rave cautelosamente - Há algum problema, senhor? - Improvável. Todos vocês fazem um bom trabalho - Rave não bufou - pelo menos não onde as pessoas podem vê-lo - então o guarda envaideceu-se um pouco. Um chefe humano poderia ter batido nas costas do homem, mas Rave apenas deu um aceno de cabeça e continuou. Enquanto os seres humanos podem explicar mentalmente o seu inadvertido estremecimento na presença de dragonkins, qualquer contato físico -mesmo olhando - transformava a maioria das pessoas em uma bagunça de murmúrios frenéticos. Na parte de trás de seus cérebros descrentes, eles se lembravam da perfuração das garras e da queimadura ósseo-profunda do fogo do dragão. Mais uma razão, Rave sabia que a lenda das solárias era apenas isso: uma fantasia, nascida de um Nox Incendi desesperado que transformava-se lentamente em uma pedra. Nenhuma humana poderia suportar um contato tão violento e íntimo para se tornar a amante de um dragão. A única esperança da tribo estava em encontrar uma cura para a praga da pedra.

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O que não estava sendo feito enquanto admirava jovens fêmeas humanas. Mesmo que seu dragão tivesse ficado intrigado com o vislumbre de ouro. Mas ele encontrou-se direcionando o elevador para o piso principal, batendo a bota em um ritmo impaciente até que a porta se abriu. Ele deve, pelo menos, ter certeza de que ela não se machucou o suficiente para fazer uma confusão, o que traria atenção indesejada sobre eles. Ele saiu, correndo... Não muito. - Veja seus passos, primo. O aviso grosseiro fez Rave eriçar e balançar na fronteira do desafio. Tão rapidamente ele se forçou a desistir. Pestanejou escondendo o relâmpago que sabia estar aceso em seus olhos. Não havia motivo para despertar ainda mais o seu dragão, nenhuma razão para tal reação. Torch ergueu as mãos, as sobrancelhas dispararam quase que rapidamente, e Rave percebeu que o silencioso grunhido que ele havia engolido antes tinha saído muito mais alto desta vez. - Onde está o fogo? - Torch rolou impaciente nas esferas de seus pés, o couro pesado de suas botas de motoqueiro rangendo com um som de ânsia. Até seu cabelo loiro indisciplinado e sujo parecia pronto para rugir com o choque. - Sem fogo - Disse Rave. Mas havia uma chama. E ela colocou sua mão muito curiosa para o seu próprio bem. Por que ele ainda estava pensando nela? Para seu aborrecimento, Torch mudou seu percurso para acompanhá-lo. - Você falou com Bale? Rave sacudiu a cabeça com um aceno brusco - Nada mudou. - Incluindo ele? Depois de um momento de hesitação, Rave admitiu - Eu realmente não o vi. Torch soltou uma maldição baixa - Isso não é bom, Rave. Ele não iria honrar isso com uma resposta - Preciso de outro frasco pequeno do seu ichor. Torch amaldiçoou mais alto - Você quase me sangrou a seco. - Não seja burro. Ichor rejuvenesce - Ou deveria, pelo menos. 16


- Não tão rápido como você o tira. - Você é o mais novo. Se eu perguntar a qualquer um dos mais velhos... - Porra. Eu sei, eu sei. Não pergunte a eles - Torch soprou um longo suspiro Eu vou ao laboratório pela manhã. Apenas... Dê-me uma noite, está bem? Certifique-se de que haja algo digno nas minhas veias. - Não saia para lutar no Cage Club. - Disse Rave - Temos problemas suficientes. Não precisamos de você disputando com um dragonkin desonesto. Torch bufou - Mas esse problema seria divertido. Apenas a incerteza. Pela primeira vez, Rave reconheceu o desespero roendo por trás de sua determinação, minando a crença que ele manteve por tanto tempo de que conseguiria encontrar um jeito. Ele tinha tentado, comparando o sangue mais novo de Torch com o dos antigos metamorfos de dragões. Havia diferenças bioquímicas entre os dois; se ele pudesse identificar, isolar e compensar essas diferenças, ele poderia reverter os petralys. Nenhum dragão seria forçado a confiar na fantasia de encontrar sua solária - o coração de seu tesouro - Mas seus experimentos levaram muito tempo. Com todos os anos que se passaram, até agora ele poderia ter transformado o chumbo em ouro. Se mesmo Torch começasse a perder o seu ichor - se o fogo que flui dentro dele esfriasse lentamente e congelasse - que esperança havia para o resto do Nox Incendi?

No bar do Bad-lands, Piper bateu o copo com Esme e Anjali, estremecendo um pouco enquanto empurrava seus dedos queimados. Pelo menos a taça do delaiquiri era fria e agradável. Ela foi uma idiota por pensar que o fogo não era real. - Já demoramos demais. - Disse ela – À uma boa noite de garotas. Saúde! - Saúde! - Concordou Anjali. Esme não disse nada. Ela apenas bebeu. Piper trocou olhares com Anj sobre seus óculos. Mas Anjali parecia distante. 17


Piper franziu a testa e chutou-a por baixo da mesa alta. Em vez de latir um WTF com ela, como sempre fez, Anjali desviou do peso dos seus sapatos e sentou sua cadeira alta mais próxima de Ez. - Esme, você nunca nos enviou uma foto do seu vestido. - Disse Anjali. Piper resistiu ao desejo de rolar os olhos. Seria muito encontrar um aliado em sua outra amiga. Ela teria que lançar o Projeto “Destruir-um-casamento” ela mesma. Esme pegou a bolsa e fez uma pausa - Sem telefone - Ela se virou para Anj Posso pegar emprestado o seu? Tenho que mandar uma mensagem para Lars. Piper tamborilou os dedos queimados na mesa para distraí-la - Lars provavelmente está em sua despedida de solteiro. É por isso que ele estava tão ansioso para nos tirar de Salt Lake. Esme levantou seu olhar sombrio. Comparado com os cabelos pálidos, o bronze profundo de seus olhos sempre foi um pouco exótico, mas agora, com o vestido de gola branca de inverno e com a pele quase translúcida, ela parecia meio assustadora. - Lars não faria isso. - Estamos fazendo isso. - lembrou Piper - Isso é o que é uma festa de despedida de solteira. Tendo alguma diversão. Queimando essa última chance em uma noite louca. Checando se vocês realmente devem estar juntos e se não há mais ninguém - tipo, realmente, qualquer outra pessoa com quem você prefere estar... Deu a Esme um piscar de olhos longo, lento e significativo. Ela estremeceu novamente quando o dedo do pé de Anj acertou sua canela. Felizmente, sua amiga estava vestindo aqueles chinelos bobos de balé sem seguimento. - Falando em queimar coisas... - Anjali deu a Piper um olhar significativo - Essa idéia de “destinado a ser” é apenas uma besteira. Piper ficou boquiaberta - A loja do seu tio vende folhas de chá de auto-ajuda que conta às pessoas com quem elas deveriam se casar. Anjali apertou sua mandíbula teimosamente para o lado - É assim que eu sei que é tudo besteira. Esme olhou para a bebida dela. Embora tivesse levado o copo para a boca no brinde, o nível de licor ainda era o mesmo - Não importa de qualquer maneira.

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Piper e Anjali a observaram cautelosamente - O que não importa? - Anj perguntou. - Se é destinado a ser ou se há alguma outra pessoa, ou mesmo se é tudo besteira - Disse Esme com calma - Não importa. Piper alcançou a mesa para tocar o pulso de Esme, ignorando a dor em sua mão. - Oh querida. Isto é importante. É isso que estou lhe dizendo. Ez ergueu um olhar misterioso. - Não importa mais - Ela esclareceu Concordei com Lars. Concordei com ele. Não o amo ou mesmo quero ele. Piper queria sacudir a loira e tirar essa loucura de sua cabeça, mas a pressão no pulso muito delicado de Esme a deixou com medo de que quebrasse sua amiga em um milhão de pedaços - Mas por quê? - Ela não conseguiu evitar a queixa lacrimejada em sua voz. Mantinha um PowerPoint no computador de seu quarto com um mapa mental em que ela tinha trabalhado a noite toda após o último texto de Lars, para rever tudo o que elas sonhavam, o que elas queriam ser. Mas não achava que teria a chance de lembrar a Ez de tudo o que ela aparentemente tinha esquecido - Você não se lembra da sua inclinação por todos os trabalhadores sociais e professores do ensino fundamental? Lembra do malabarista bonito? Por que Lars? Esme levantou o queixo e, pela primeira vez, Piper viu o sangue azul de Ez em sua inclinação arrogante. A linha plana de seus lábios não deixou nada da garota que atrasara em um dia suas férias europeias de esqui a fim de encadear fios de pipoca para a árvore de Natal do seu apartamento. - Não é algo que alguém como você poderia entender. Piper recuou e até Anj ficou surpresa. Se percebeu seu temor, Esme não parecia importar-se. Ela afastou o seu assento, elevando-se como uma rainha gelada em suas botas de salto alto - Estou cansada. Vou voltar para o quarto. Anj, você pode usar o segundo quarto na suíte. Sem olhar para Piper ela acrescentou - Você pode pegar o conjugado. Boa noite. -E se afastou. Depois de um momento de silêncio chocado, Anjali suspirou - Bom, Pipa.

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Piper afundou em sua cadeira irritada com a palavra que já havia sido um apelido afetuoso - Você não pode acreditar que ela quer casar com aquele “pele de galinha”. - E você acha que é assim que vai parar isso? Afundando ainda mais, Piper admitiu. - Eu também tenho um PowerPoint. Pode haver um fluxograma. - Senhor, salve-me dos Majores da ciência natural. - Anj esfregou a têmpora Nem tudo se encaixa em pequenas caixas arrumadas. - É chamado de tabela periódica de elementos - Disse Piper - E sim, todos os elementos conhecidos do nosso universo estão lá. A testa de Anjali franziu em aborrecimento - Não é um dos princípios da boa ciência enfrentar os fatos? Você ouviu Ez. Ela concordou com a proposta dele. - Então ela pode simplesmente dizer não. - Piper revidou - Ela pode tentar novamente. - O mundo nem sempre funciona assim. - Você mudou suas matérias principais cinco vezes em três semestres. Trocou de namorado com mais frequência do que isso. - E tive que cair fora. - Anjali levantou-se - Ao passo que todos eles me deixaram cair. Obrigado pela lembrança. - Anj, espere - Piper ficou de pé. Mas sua amiga apenas estendeu uma mão para detê-la - Está tarde. Estamos cansadas. Teremos um brunch amanhã e tudo ficará bem. - Para Piper, ela parecia ter tentado se convencer. Mas seu olhar era nítido - Tudo bem você sentir inveja. Piper endureceu - Inveja? Isso não é... - Não foi culpa de Esme que esse cara abandonou você por ela. - Ele não era “esse cara”. Ele era o conselheiro da faculdade nos meus estudos independentes tentando passar por mim até Ez. E eu fiquei encantada em abandoná-lo antes de me aprofundar com a minha dissertação se esse fosse o seu tipo de ajuda. Estou tentando salvar Ez do mesmo erro. - Talvez existam alguns erros com os quais você só precisa conviver.

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Piper voltou para o assento olhando para a amiga, o coração doendo mais do que a ponta dos seus dedos avermelhados - Anj, o que aconteceu com você? Você é quem me disse que eu poderia ser quem quisesse. Você me fez acreditar. O lábio superior de Anjali torceu um pouco - Quem teria adivinhado que eu seria tão boa em vender folhas de chá? Desta vez, Piper não a interrompeu quando seguiu atrás de Esme. As três bebidas, quase intocadas, pareciam tão patéticas reunidas ali que Piper terminou todas, uma após a outra, até que as pontas de seus dedos queimados e seu coração partido estavam igualmente entorpecidos.

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Piper olhou fixamente para o trio de copos vazios na frente dela, tendo acenado para a garçonete duas vezes já. Porra, ela tinha fodido o grande momento. Só queria deixar as coisas melhores como costumavam ser. Agora, suas duas melhores amigas a odiavam. E ela estava sozinha em um bar muito caro de Vegas com uma ponta solta e um mau humor. Não. Bom... Será que ela estava com ciúmes do casamento de conto de fadas da Esme com um belo príncipe? Na verdade, Lars era rico o suficiente para ser um rei. Ela estaria com ciúmes da falta de responsabilidade de Anj, quando ela mesma estava toda atrapalhada na importante e constante, mas decididamente não glamorosa carreira de testes de qualidade da água? Ela desejava que os copos na sua frente recarregassem magicamente todas aquelas calorias para que ela não se sentisse tão tímida. Não, ela desejava que suas amigas fossem magicamente do jeito que tinham sido há alguns anos atrás, quando tudo parecia possível. Mas, provavelmente, sua única esperança era fechar a ponta solta e voltar para seu quarto vazio nesse lugar estranho que não queria estar e que faria um grande dano em suas economias. Uma presença apareceu sobre seu ombro e a ira explodiu nela como aquelas “malditas-recém-descobertas-chamas-reais” - Eu realmente não preciso de mais nada. - Apesar de sua irritação, ela já tinha dependido do dinheiro de gorjeta antes e sabia como era difícil, então acrescentou. - Obrigado, no entanto. - Sim, parece que você teve o suficiente - Respondeu uma voz profunda e suave. Piper estremeceu imediatamente. Aquela voz fluiu através dela como o uísque que seu trio havia experimentado quando Esme fez vinte e um anos; sedoso e calmo no início, mas virando fogo por dentro. Ela girou para encarar o intruso e seu coração bateu uma batida instável, levando as chamas interiores ao longo de cada nervo. Ele era alto e apesar do assento do bar levantado, teve que inclinar a cabeça para olhá-lo. Ele também não tentou facilitar, invadindo seu espaço pessoal com a 22


mão na parte de trás da cadeira, sem tocar, mas deixando-a plenamente consciente da forma como seu queixo levantado expôs sua garganta. A gola de seu suéter de repente pareceu muito baixa, como se o algodão robusto em laranja queimado estivesse mostrando muita pele no vale entre seus seios. Não fazia meia hora que ela estava preocupada em estar parecendo uma mãe de escola em comparação com as suas amigas. Engoliu em seco, saboreando o doce calor do álcool ainda queimando em sua língua. Estava sozinha neste lugar estranho. Precisava dizer-lhe para ir embora - Eu decido quando já tive o suficiente, obrigado de qualquer maneira. Ops. Isso soou menos como um escape e mais como um convite. Seus lábios, o inferior mais cheio do que o superior, curvaram em um meio sorriso - Você não precisa dizer obrigado até que alguém lhe dê algo que você pediu. - Seu tom aprofundou ainda mais, como quando ela afundou sua coleção de amostras na água, observando-a descer até perder de vista - Algo que você quer. Algo que você quer... - Eu estava sendo educada. - Este é o Keep - Disse ele, como se explicasse tudo - É para isso que jogamos aqui. Ela não conseguiu evitar o sorriso súbito - Jogando para sempre. Então é aí que conseguiu o nome. Eu me perguntei mais cedo. Ela sabia que não devia encarar, mas nunca tinha sido abordada por um homem tão lindo. Não, lindo não estava certo. Em algum outro homem, essas maçãs do rosto afiadas e uma mandíbula esticada seriam lindas, os cabelos castanho-cacau desgrenhados seriam modestos. Sobre este homem... Era como as ligações covalentes de carbono; em uma encarnação, as ligações de carbono tornavam-se grafite, macio e preto, mas com uma pequena alteração criavam-se diamantes, duros, brilhantes e cristalinos. Algo sobre o brilho em seus olhos azul-pálido o levou para fora do reino de todos os homens que ela já conhecera. Um lugar selvagem e perigoso. Seu pulso acelerou rápido e fora de controle como uma fogueira no deserto. Talvez essa fosse a terceira bebida falando. Piper encontrou-se inclinada para o homem, a lateral do seu peito quase esfregando nas costas nos dedos que seguravam a cadeira. Ele cheirava como o 23


vento vindo das montanhas; invernal e resinoso. A partir de então, sentiu-se deslumbrada pelo brilho sutil dos fios metálicos em sua camisa feita sob medida e que delineava seu poderoso corpo. Ele poderia facilmente pegá-la, apesar de seus quilinhos extras, e jogá-la sobre aquele ombro largo, e então a levaria para longe, em algum lugar onde pudesse ver o que estava escondido dentro daqueles jeans ligeiramente desbotados... Espera, o que? Desde quando deixou as fantasias fugir da realidade? Claro, ele poderia pegá-la, mas por que ele deveria? Quilinhos extras - ei, ela precisava desses quilos para suportar os longos dias sentados em seu microscópio mantendo suas fantasias para si. - E ela não estava interessada em nada a longo prazo de qualquer maneira, não quando estava tentando se estabelecer em seu campo. Sempre foi uma mulher prática, não apaixonada. Ela se forçou a piscar, a quebrar o estranho vínculo que sentiu crescer entre eles. - O que aconteceu com suas amigas? Sua pergunta repentina a tirou da névoa, e ela inclinou um cotovelo sobre a mesa, analisando-o. - Que amigas? Ele dirigiu seu olhar para o vazio. - Ninguém toma um daiquiri, um Martini e um Rum. Eles não vão juntos em tudo. - Eles o fazem quando a noite é como a minha - Ela murmurou. Com um suspiro, admitiu. - Minhas amigas subiram cedo. Eu realmente deveria me juntar a elas - Ela agarrou o canto de sua cadeira para se levantar, sua mão quase se encostando à dele. Ele deu um meio passo para trás, mas seu aperto não saiu da cadeira, a mão tão perto que ela jurou que o calor de seus dedos se afundou em sua pele – Fique. - Ele disse suavemente - Mais uma bebida. Mas não sozinha desta vez. Ela estava acostumada a ser sozinha. Muito inteligente para seus pais trabalhadores. Dois anos muito jovem para seus colegas de faculdade. Muito concentrada em superar, sair, continuar com sua vida. Até que ela conheceu Anjali e Esme em seu primeiro ano. Elas lhe ensinaram a se divertir, a abraçar os prazeres que a vida oferecia. Mas agora… - Fique. - Ele disse novamente. Uma nota de ansiedade vibrou em sua voz. 24


Ela hesitou, meio fora de seu assento. Mas algo a puxou para trás. Não gravidade; a gravidade era realmente uma força muito fraca no universo. Alguma outra atração irresistível a manteve lá. Ele. E seus joelhos ainda mais fracos, aparentemente. Seus lábios curvaram novamente em uma expressão sensual que fez com que seu interior retorcesse em resposta – Obrigado. - Ele disse com ênfase e ela se perguntou se, ao ficar, estava lhe dando mais do que percebia. Ele se aproximou do assento abandonado de Esme, levantando a cabeça para olhar-la. Em um instante, a garçonete estava de volta. - O que posso conseguir para você, Sr. Dorado? - Ela deu um largo sorriso, incluindo Piper no mesmo - Tem uma Carmenère sul-americana que acabou de entrar. Algumas pessoas estão dizendo que é um pouco escura, um pouco curada, mas intrigante, com certeza. Ele se recostou na cadeira, enfiando o cotovelo nas costas - Você está tentando a vaga de sommelier? Ela baixou a cabeça - Precisa de mais mulheres no ramo, senhor. Porque não eu? Ele a estudou por um momento, sua expressão calma, depois assentiu - Pode mandar. - Sim, senhor! Ela se afastou. Piper olhou para o seu novo colega de mesa - Você trabalha aqui? - Você pode me ajudar a decidir se devo recomendá-la para o cargo. Essa não foi uma resposta, mas Piper decidiu que era um sim e o estudou novamente com uma visão fresca e desconfortável como se estivesse se debruçando sobre um abismo profundo para tirar uma de suas amostras. Ele não era apenas um jogador de apostas altas. Não, ele era o que estava sentado acima dos altos apostadores, levando deles tudo o que valia a pena. O que aparentemente era bastante. Então, o que ele estava fazendo sentado com ela? Em seu silêncio, os cílios escuros fecharam seus olhos incrivelmente pálidos. - O serviço de visitas é parte da minha lista de tarefas. 25


A maneira como ele enfatizou o serviço enviou um pequeno tremor pela coluna vertebral dela - Eu não sou realmente uma convidada. Minha amiga Esme é quem esta na lista. - Piper acenou sua mão vagamente em seus luxuosos arredores. - Eu estou apenas... Ficando aqui. Ele reluziu os dentes brancos em um sorriso rápido - Isso faz de você uma convidada e definitivamente a coloca na minha lista. Ela levantou o queixo - Sua lista. Como provar o teste de um pequeno vinho sul-americano? Seu sorriso se aprofundou, trazendo uma covinha na bochecha, e seus olhos brilhavam como um gelo glacial puro atingido pelo sol - É raro o suficiente para que eu precise de mais do que uma prova. Oh cara. O tremor em seu núcleo afundou entre suas pernas. Ela mantinha os aplicativos de namoro a uma segura distância - para o seu próprio bem principalmente porque quem tinha tempo para isso? Agora, o longo feitiço seco estava tentando terminar em umidade na sua calcinha. Ela cruzou as pernas em sua saia polida e jeans, como se pudesse estrangular a sensação. Ela estava apenas tomando uma bebida, não lubrificando socialmente um sexo casual. A garçonete voltou com a garrafa de vinho e dois copos equilibrados em uma bandeja, uma toalha branca como nova coberta pelo braço. O sorriso alegre desapareceu, substituído por um sulco sério quando ela apresentou a garrafa. Uma pontada de simpatia fez Piper esquecer sua luxúria por um momento. Mais de uma vez, ela foi a única mulher em uma sala de homens céticos. Ela franziu o cenho para sua companhia, irritada - injustamente, talvez, o que quer que fosse - por que ele estava deixando a suposta sommelier nervosa. Ele arqueou uma sobrancelha zombeteira para ela, como se ele pudesse ler sua mente da mesma forma que ela, Esme e Anjali costumavam fazer. Ele limpou a garganta e disse. - Parece intrigante. Vamos abri-la. Se apenas... Piper envolveu o tornozelo mais uma vez em torno da outra perna, apertando as coxas contra um dilúvio renovado de consciência sexual. Com o primeiro copo vertido e aprovado, a garçonete encheu as duas taças igualmente antes de soltar um suspiro aliviado. - Apreciem. 26


Depois que ela saiu, Piper disse. - Ela recebe o emprego. - Você ainda não experimentou o vinho. - Ele lhe entregou o segundo copo com um sopro de aromas terrosos e frutados. - Eu não sei nada sobre vinhos finos de qualquer maneira. Mas eu sei que ela vai derrubar sua bunda por você. Ele a estudou com um toque da mesma contemplação fria que ele havia dado a garçonete. – Uma defensora tão feroz. Piper corou e olhou para o copo. – Todos não precisam de um? - Então ela olhou para ele. Alguém como tal - rico, bonito e confiante - provavelmente nunca precisasse de um defensor. As pessoas se jogariam em seus pés de couro com asas sem que ele nem perguntasse, e muito menos dissesse obrigado. Ele levantou o copo – Um brinde à... - Eu meio que termino com as saudações esta noite. - Disse ela. - Se você não se importar. Talvez você possa simplesmente me dizer seu nome. - Rave. Ela franziu os lábios. - Sr. Dorado. Ouro em espanhol. Parece um nome apropriado para um cara em um cassino. - Meu clã... Minha família tomou o nome quando chegamos aqui. Ela se animou. - Imigrantes? - Sempre foi uma otária para uma boa história dos sonhos americanos. - Mais ou menos. E o seu? - Orgulhosa primeira geração. - Disse ela. Ele sorriu - Eu quis dizer o seu nome. Ela balançou a cabeça com uma risada - Eu sou Piper. - Eu ouço música nesse nome. - Há loucura no seu, Rave? Ele estreitou os olhos para ela. Um truque estranho das luzes cintilantes fez parecer que um raio disparou através de suas íris. – Sim. Ela sentiu-se apertar em outra onda de atração inexplicável. Nunca tinha ido para caras sombrios e perigosos, mas... Encolheu os ombros parecendo mais despreocupada do que realmente se sentia. - Se esta garrafa for boa, talvez eu cante para você mais tarde. 27


- Se não, há centenas de garrafas de onde veio essa. - Seu olhar nunca deixou o dela. - Nós podemos passar por todas elas. Ele não estava louco, ela estaria se achasse que isso ia a algum lugar que não direto para sua cabeça. E para a sua buceta, é claro. Mas talvez isso fosse o suficiente. Piper daria a Esme e Anjali a chance de falar sobre ela e dormir um pouco. Então se arrastou para trás e implorou seu perdão. Na medida em que as coisas fluíam, amanhã de manhã teria muitos pecados para o seu nome.

Rave colocou o copo em seus lábios, observando Piper fazer o mesmo. Apesar do aroma exuberante do vinho - sim, estava muito escuro e muito esfumaçado e muito, muito intrigante - todos os seus sentimentos predatórios estavam focados na mulher a sua frente. Ele não deveria estar aqui, nem entendia por que estava. Estreitou os olhos, tentando desencadear o fascínio dela. Ele nunca se sentiu atraído pelas fêmeas humanas. Elas eram muito quebráveis. Piper tinha uma vulnerabilidade crua e isso a fazia parecer frágil, mas por outro lado tinha uma ousadia que o levou ao limite de seu assento, querendo chegar ao outro lado da mesa para colocar a ponta do dedo onde estava o copo e passar o polegar sobre a curva de seu lábio enquanto sua outra mão deslizava pela suave linha de sua mandíbula, arriscando o aperto bruto de seus dentes quando desafiava seu domínio natural. Ela era uma defensora de coração, uma protetora do inocente. Seu tipo comia seu tipo para o café da manhã. Ainda faltavam algumas horas até o café da manhã, mas já estava com fome. Então, ele também pode começar agora. Embora o vinho não pudesse abafar sua sede, ele tomou um bocado, deixando que os sabores altos, mas complexos se espalhassem sobre sua língua.

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Ela seria assim, se ele a tivesse. A julgar pelo molde sombrio em sua pele e a largura de suas bochechas - agora coradas mais brilhantemente do que seu suéter pelo menos alguns de seus antepassados haviam surgido das terras lentas e quentes do sul, onde essas uvas antigas agora prosperavam. Os cabelos grossos e pretos se enrolaram vagamente em seus ombros quando inclinou a cabeça para tomar um segundo gole. Ela soltou um suave gemido de prazer que foi direto para o seu pau. Não perdeu o cheiro de sua excitação antes, mas havia culpado o trio de coquetéis que ela tomara. Agora, seu pau queria uma chance de tirar gemidos dela. Quando foi a última vez que ele ficou duro? A praga da pedra o afetou mais do que ele percebeu, afastando o desejo de desejo. Até agora. O vinho caiu pela garganta com um acabamento que tinha mais do que uma sugestão do carvão marcando os barris onde envelheceu, mas ainda brilhante com uma doçura ácida que demorou em seu paladar. Ah, sim, ele beberia isso de novo. Ele esperou até que ela baixasse o copo depois de um terceiro bocado e então lhe deu um olhar impaciente. Ela lambeu os lábios, uma jogada que enviou uma onda de sangue, mais espessa do que qualquer vinho, até sua virilha. - Eu gosto. - Encolheu os ombros. Isso é tudo o que realmente sei. - Isso é tudo o que você precisa saber. - Ele completou seu copo. - Eu gosto disso também. Vou tomar uma nota para comprar o estoque da adega. - Deve ser legal. - Ela murmurou. Ele fez uma pausa. - Eu pensei que nós dois tínhamos gostado. - Não o vinho. Eu quis dizer que deve ser bom apenas... Obter o que você quiser. Ele deu uma olhada dura. - Não é sempre tão fácil. Ela bufou. - Disse o cara que acabou de comprar uma adega. Ele tomou sua bebida, ainda a observando sobre a borda. - Nem tudo está à venda.

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Piper sorriu e ele percebeu que ninguém nunca sorriu para ele. Exceto Torch, é claro. - Ah, sim - Ela disse. - Diga-me uma coisa que você queria e que não pôde comprar. - A vida do meu irmão. No momento em que as palavras deixaram seus lábios - amordaçando o sabor prazeroso do vinho - ele queria sufocá-las de volta. Inferno, quão alto era o teor alcoólico daquele Carmenère? Tão horrorizado como ele estava com seu próprio deslize, ficou ainda mais chocado quando Piper alcançou o outro lado da mesa e tocou seus dedos brancos apertados na haste do copo de vinho. - Me desculpe. - Ela murmurou. - Foi uma grosseria da minha parte. Sinto muito por sua perda. Suas mãos eram quadradas e resistentes, os dedos um pouco curtos decorados apenas com esmalte claro de unhas e um anel no dedo médio direito. Como se o calor de seu toque tivesse descongelado algo dentro dele, ele não poderia manter a boca fechada. Seu maior medo acabou de sair. - Bale não está morto, mas ele está... Muito doente. E ela deveria estar fugindo agora, gritando, sentindo a besta nele através da menor conexão de seus dedos. Em vez disso, envolveu os dedos dele com um leve aperto. Seus olhos expressivos se enrugaram nos cantos, como se ela sentisse a dor que ele recusava reconhecer. - Isso deve ser difícil para você, assistir quando não pode fazer nada. Como poderia ela...? - Você sabe. - Ele disse suavemente, testando a inesperada conexão entre eles. - Você também passou por isso. Ela assentiu. - Meu pai lutou por dois ataques de câncer. Ele era um trabalhador agrícola, seguiu o caminho para o líder da equipe na aplicação de pesticidas. Voltou ao trabalho porque precisávamos do dinheiro. Mas a terceira vez o pegou. - Sua voz se quebrou. Rave não conseguiu se impedir de enfiar os dedos entre os dela. - Nunca se tornou mais fácil, sabendo o que estava por vir? Depois de um momento, ela balançou a cabeça, suas sobrancelhas crescendo como se estivesse segurando o brilho que transformou seu olhar em piscinas 30


profundas e escuras. - Eu acho que foi pior. Mas eu estava feliz por estar com ele pelo menos. Uma fúria gélida varreu o corpo de Rave, espalhando-se pelos membros que não existiam quando ele estava nesta forma. Ele não queria “estar lá” enquanto Bale se transformava em pedra. Queria parar os petralys, mesmo que tivesse que ignorar os comandos do seu senhor, mesmo que tivesse que drenar Torch até a penúltima gota de ichor. Ele sabia que estava segurando Piper com força demais. Se fosse apenas um homem humano, a assustaria com essa intensidade. E se o dragão aumentasse dentro dele... Mas Piper retornou a ferocidade de seu aperto, embora a gentileza em seus olhos escuros nunca vacilasse. - Algumas coisas você não pode lutar. Eu mesma me esqueci disso. - Eu sempre lutei. - Ao dizer isso, ele ouviu o cansaço em sua própria voz. Quando a família do dragão esteve subterrânea, fora da memória humana, ele lutou para manter o Nox Incendi em segredo. Ele lutou para mantê-los vivos. Mas ele estava falhando agora. Às vezes, ele nem sequer podia lembrar por que estava lutando, seu dragão estava quase esquecido. - Talvez nós dois precisemos deixar isso. - Disse ela suavemente. Seu polegar deslizava através de suas juntas, leve como uma borboleta saltando sobre as nuvens. - Só por um tempo. Seu pau já duro a percebeu antes do seu cérebro e forçava contra seu jeans. Ele soltou uma respiração curta e aguda. - Piper... Ela puxou a mão para fora e, para sua surpresa, ele a deixou ir. - Me desculpe - Disse ela. - Não quis dizer... - Não - Ele a alcançou e agarrou seu pulso antes que ela pudesse se levantar. - Sem mais ”por favores e obrigados e outras palavras educadas”. Apenas... Foda sim. Seu olhar saltou para o dele, e ela soltou uma pequena risada. Havia um pequeno espaço entre os dentes da frente, deixando-o encantado. Deve ter sido assim que as virgens matavam dragões antigamente. 31


Mas Piper Ramírez não o mataria. Ela nem sabia o que ele era. Eles estavam cansados de lutar; lutando contra o tempo, lutando pela vida de outros e perdendo. Mas essa atração mútua e mistificadora era uma luta que ele perderia de bom grado. Por qualquer que fosse o motivo, ela não o temia. Talvez o sabor do fogo antigo no Carmenère tivesse enterrado o medo natural e totalmente razoável de ser queimada. O que quer que fosse, essa seria uma noite que ele teria para si. E amanhã, voltaria à luta.

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Não deixando Piper ir, Rave agarrou a garrafa de vinho na outra mão. - Venha comigo. - Onde? - No coração do Keep. Uma loucura o encheu quase como nos momentos de mudança no dragão, quando ele parecia expandir-se com o ar leve e o fogo mudando cada molécula de seu ser. Como se a mesma selvática a conduzisse, Piper deslizou de seu assento, quase caindo em seus braços, apesar dos altos tamancos. Ele encurralou um braço ao redor de sua cintura para estabilizá-la e a garrafa de vinho, ainda em suas mãos, batia contra o elegante jeans sobre a sua bunda gostosa. As curvas vertiginosas que ela tinha escondidas por suas roupas, eram como correntes de ar, ele não podia tocar enquanto estava na vertical. Mas estava tocando nela, por toda parte. O seu perfume inebriante de canela e mel, doce e cru, tão vibrante quanto seu suéter ardente, girava ao redor dele. Ele apertou sua cintura, aproximando-a. Sua outra mãos ainda estava apertada, como se estivessem prestes a dançar. Certamente agora ela sentiu que foi pega por um monstro fora do mito. Certamente agora ela iria correr... Seu olhar escuro caiu em sua boca, e a pequena língua rosa saltou para umedecer seus lábios. Ah, inferno! Ele de bom grado cairia matando se ela o deixasse beber o último gole da Carmenère em seu traseiro. Inclinou a cabeça e aproximou a boca dela. O perfume do vinho, terroso e embriagador, quase que inflamado entre eles. Ele não iria deixar ninguém tocar o Carmenère, não importa quantas garrafas ele encontrasse. Seria o sabor dela, para sempre, apenas dele para saborear.

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Piper era menor que ele, o suficiente para ser estranho, mas ela se esticou na ponta dos pés para encontrar o beijo com fome, e seus lábios se separaram para recebê-lo. Agradeço a todos os santos que mataram dragões, ela não era virgem. Ela sabia o que queria, e queria que sua língua dançasse em torno da dela. Agora que ele pensou sobre isso, talvez fosse assim que as virgens matavam; ao reter seus beijos amáveis e castos. Foda-se isso. Ele inclinou a boca com força contra a dela, ao mesmo tempo em que puxou seus quadris para a parte superior da coxa, colocando o joelho entre os dela e roubando um suspiro excitado de seus lábios. Seu, todo seu. Quando ele finalmente ergueu a cabeça, seus lábios estavam vermelhos e inchados, os olhos escuros brilhavam. - Eu pensei ter ouvido que íamos a algum lugar. - Disse ela. - Mulher tentadora. - Ele resmungou. - Você me fez esquecer de mim mesmo. Ela curvou seus lábios vermelhos. - Isso parece exatamente o que eu quero. Rave a afastou e caminhou em direção à porta. - Espere. - Ela puxou a mão dele. - Ainda não paguei nossas bebidas. - Eu entendi. - Disse ele. Entendi. A certeza ósseo-profunda fazia seu pulso voar através das veias, como se seu próprio sangue quisesse derramar a seus pés. Depois disso, seus passos foram tão rápidos como os dele, e tropeçando um pouco, como ele, embora tivesse bebido apenas um mesquinho copo de vinho. Ela o fazia sentir-se estranho, como se não se conhecesse mais, como se seu corpo mudasse de alguma forma. E ele costumava mudar, então, o que estava acontecendo com ele? Correram pelo enorme corredor, desviando dos jogadores e grupos de curiosos. Piper esticou o pescoço para olhar as passarelas entrecruzando os andares superiores e as varandas fora dos quartos que desciam no átrio. - Este é o coração do Keep? 34


- Não. Este é o sua mandíbula, sempre aberta para mais - Eles passaram os restaurantes e as lojas e mergulharam no caos mais silencioso das salas de jogos, onde as tabelas dos craps, as mesas de blackjack e a roleta estavam empilhadas com batatas fritas. - É esse o seu coração? - Não. Esta é a sua grande barriga com fome. Ele empurrou o passado para a exibição gananciosa, sabendo que sua própria ganância era pior, muito pior. Não estava contente com todas as bugigangas das lojas ou as festas em seus restaurantes cinco estrelas, ou mesmo as fortunas a serem feitas nas mesas. Seu dragão despertou e a queria, apenas ela, toda ela. E a teria. Conduziu através do labirinto confuso que tornou a passagem do tempo ou dinheiro irrelevante em um cassino e, finalmente, empurrou uma modesta porta escondida atrás de uma alcova. A porta se abriu para a escuridão. - Onde...? - Ela prendeu a respiração quando as arandelas acendiam para vida. - Essas chamas são reais. - Disse ela, uma pitada de acusação em seu tom. - Alguém poderia se queimar. - Ninguém seria tão curioso e descrente para tocar nisso. - Ele repreendeu. Então lhe deu uma longa olhada. Ela voltou o olhar sob as sobrancelhas baixas, mordiscando o lábio com incerteza, como se não estivesse segura de confessar ou acusá-lo de espionagem. Ele não se incomodou em esperar pela decisão e apenas puxou-a para frente. As largas escadas em espiral desciam, as veias de ouro no mármore preto brilhavam no agitado cintilar das arandelas. Piper não seria capaz de ver o fundo com seus olhos humanos. Até mesmo os sentidos afiados por seu dragão se esforçaram para escolher o caminho a seguir. Sua mão apertou-o e ele sentiu a agitação do seu pulso. Seria da sua pressa? Do medo? Da excitação? No fundo da escada, um último armário apontou o caminho, e ele atravessou o portão amarelo brilhante mostrando a passagem.

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- É isso? - Ela desacelerou e olhou para trás por cima do ombro quando eles passaram. - Ouro. - Disse ele. - Você sabe que é uma loucura, certo? Ele pensou nisso por um momento. – Não. Ela riu um pouco sem fôlego e então estava ao seu lado novamente. Assim como quando eles entraram no coração do Keep.

Piper sentiu que estava ofegante e lutando para recuperar o fôlego desde que ela saiu daquela estúpida limusine no terreno do Keep. Mas isso… Era um jardim meio formal e estilizado com plantações geométricas, meio selvagem como se ninguém estivesse cuidando, mas no fundo de um poço profundo. Ela sabia que tinham descido as escadas, mas não tinha percebido o quão longe. Apesar dos baixos braseiros cintilando com chamas reais e uma profusão de luzes cintilantes nas folhas, uma piscina de azulejos refletia apenas a escuridão, e ela olhou para cima para ver o céu aberto da noite lá no alto. Ao contrário do átrio, não havia passarelas cruzadas ou com vista para varandas. As paredes do jardim eram perfeitamente lisas, como o incrível mármore das escadas, embora algumas vinhas otimistas subissem as laterais suavizando a pedra. Sua cabeça girou como se estivesse olhando para uma longa queda ao invés de subir. Ela balançou. Rave a estabilizou novamente. - Este é o coração. - Ele disse suavemente. - É lindo. - No círculo de seus braços, ela se sentiu segura o suficiente para olhar e girar lentamente. Era quase como se estivesse voando na noite... Rave a deteve quando estava de costas para ele, a puxou contra a ampla extensão de seu peito cruzando os braços na frente dela. - Você é linda. - Ele murmurou em seus cabelos. 36


Piper se recostou em sua força. - Tudo aqui é lindo. Você fez um mundo de sonhos. Eu não pensei que eu me apaixonaria por isso, mas acho que sim. - Eu vou agarrar você. - Suas palavras, quase mais altas que sua respiração provocaram sua orelha e ela estremeceu. Seus braços apertaram possessivamente. - Está com frio? Ela balançou a cabeça. - Mesmo que eu possa ver as estrelas. - O calor geotérmico e os espelhos angulados mantêm tudo vivo. - Uma nota de desconfiança penetrou na sua voz. - Mesmo coisas que não deveriam estar aqui. Ela arrancou a garrafa de vinho de seu aperto relaxado e tomou um longo gole. Soltou outro suspiro, quando a excitação imprudente de vinho se espalhou por ela. Virou-se dentro dos limites de seu abraço e segurou a garrafa na boca de Rave. - Talvez essas coisas não devam estar aqui, mas elas querem estar aqui. - Disse ela. - Beba. Seus olhos azul-cinza pálidos estavam meio fechados, ele a deixou virar o vinho e bebeu fundo, mas o ângulo era incomodo e, quando ela se afastou, uma gota de vinho manchou seu lábio inferior, brilhando a luz do fogo. Piper ergueu o peito para lamber o cordão vermelho-sangue da carne macia e quando se abaixou, outras partes dele não eram tão suaves. Olhou-o com admiração, um pouco agitada com a troca de olhares. - Este é um lugar secreto, não é? - O silêncio catedral, ininterrupto, exceto pelo respingo suave da água, a fez sussurrar a pergunta. - Sim. - Por que você está me mostrando? - Porque você veio. - Ele franziu o cenho como se essa resposta não o satisfizesse mais do que a ela. - Porque você me deixou trazê-la. - Oh. - Sim, leve-me. Ela queria dizer isso em voz alta, mas, aparentemente, havia limites para o quão longe uma garrafa de vinho em cima de três coquetéis poderia levá-la. Olhou para ele novamente, forçando os olhos a concentrar-se nos dele, esperando ansiosamente que ele visse o que não podia dizer. Gentilmente, tirou a garrafa da mão dela e colocou-a de lado no aro de azulejos da piscina. Por um momento seu coração pensou que ele faria o mesmo 37


com ela. Mas então ele colocou um dedo abaixo do queixo e inclinou sua cabeça para cima. O céu noturno era um círculo perfeito de escuridão e estrelas, e nas proximidades, algo estava florescendo com a fragrância selvagem de uma flor de estufa, que não se importava com as estações e exigia que fosse indulgente e admirada. Indulgente como Esme, admirada como Anjali. Enquanto isso, Piper sempre foi a margarida fraca, lutando para crescer do lado da estrada. Mas por uma vez, ela estava no belo e secreto lugar com um homem lindo e misterioso. Esse tipo de coisa nunca aconteceu em sua química orgânica e livros de estatística. Este era um romance de fantasia, puro e simples como a água. Rave trouxe sua boca para baixo na dela tão gentilmente quanto o calor subindo por baixo de seus pés. Quando ele aprofundou o beijo, o calor entre eles se elevou, como se estivessem caindo no centro da terra derretida. Ela agarrou-se a ele, seus dedos embrulhados em torno de seu bíceps. Através do linho fino de sua camisa, ela sentiu os músculos apertados, como se fosse tudo o que ele pudesse fazer para não agarrá-la. Piper queria ser tomada. O desejo queimava nela como uma febre cada vez mais alta. Transferiu seu aperto para frente de sua camisa. Os botões eram minúsculos, seus dedos avidamente ansiosos e embriagados só conseguiram o desfazer o primeiro antes de perder toda paciência. Ela agarrou os dois lados e afastou o tecido, estourando esses pequenos botões. - Piper... Isso foi um suspiro dele desta vez? Pelo menos, ela não estava sozinha nisso. – Sim. - Ela expulsou a palavra. - Agora sim. Passou as mãos pela pele que estava exposta. Sob a sua mão errante, os músculos do seu abdômen enrijeceram. Ele soltou um silvo longo e angustiado, e ela o olhou incerta. - Rave… - Não pare. Nunca pare.

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Ela empurrou a camisa para trás de seus ombros, e os músculos contorcidos eram ainda mais fortes lá. Bom céu! Ele trouxe todo o vinho da própria América do Sul? Ela se inclinou para frente e beijou ao longo da musculatura flexionada do peito. Com a sua pele corada a poucos centímetros do nariz, ela notou... - Você está brilhando. Ele pegou na parte de trás de sua cabeça. - Você está me matando. Não pare. - O que? Não, é sério. O que é isso? - Nada. Tatuagens. Não são nada. Ela tirou a camisa inteiramente dele. O linho fino vagava silenciosamente para o azulejo estampado sob seus pés. Traçando seus dedos sobre ele novamente, desta vez mais devagar, admirando, ela seguiu as linhas de todas as tatuagens. - Uau. - Ela respirou, lutando para concentrar sua visão. Flores, luas, uma cordilheira, uma borboleta? Algo com colmilhos bastante assustadores, um monte de símbolos químicos que conhecia de seu próprio trabalho e outros símbolos que pareciam familiares mas não eram. Apesar de seu esforço para se concentrar, sua visão parecia girar ainda mais, esmurrando as linhas de uma maneira que as tornava estranhamente vivas. Nas luzes das centelhas, a tinta parecia desaparecer, depois acendia-se enquanto ele se movia inquieto sob as mãos. – Muito, muito diferente. - Então... Não é por isso que eu trouxe você aqui. Ela enrugou o nariz em sua descortesia. - Por quê? Elas também são secretas? Depois de um momento, ele empurrou a cabeça com um aceno brusco. - A maioria das pessoas... não as percebe. - Eu suponho que não com a sua camisa. - E deu um sorriso irônico. Outro longo momento então o conjunto severo de seus lábios suavizou. - Oh sim. Esqueci desse detalhe. - É, como, tinta de blacklight? - Tipo isso. Mas na verdade, é... - Nada. Sim, eu ouvi você. Mas eles também são lindos. - Ela rodeou o único lugar em seu peito que não estava marcado, logo acima de seu coração. - Perdeu um ponto. - Estou... Esperando por isso. 39


Algo em seu tom fez seu dedo se enrolar quase como se tivesse queimado. Novamente. Mas ela sabia tudo sobre manter alguns lugares intactos. Então rastreou sua linha média. Cada músculo ondulava atrás de seu golpe, e sua respiração ficou áspera. Quando chegou ao botão do jeans, fez uma pausa. - Eu não acho que posso arrancar esse. - Disse ela com tristeza. Ele resmungou em uma risada. - Você poderia pedir minha ajuda. - Não. Eu vou confundir de alguma forma. Eu consigo isso. - Você faz. - Ele disse suavemente. Ela olhou para ele através de seus cílios, perguntando o que estava acontecendo dentro dele. Bem, não dentro do jeans; poderia descobrir isso sozinha. Por que ele a escolheu? Por que a trouxe aqui quando algum quarto antigo teria estado bem para ela? Com muito cuidado, ela desfez o botão de sua calça e abaixou o zíper. Cada marca dos dentes do zíper fez sua respiração engatar. Seus próprios músculos doíam com o desejo de se apressar, antes que esse encontro estranho e sensual terminasse como um sonho. Mas ela se recusou a desperdiçar a chance, demorando em cada milímetro de revelação, inalando a fragrância picante de sua pele quente. - Comando? - Ela murmurou. - Você deve confiar em mim. - Confiar em você? Você sabe que está me torturando, certo? - Sua voz estava tensa e suas mãos estavam em punhos do seu lado. Ela olhou para ele e passou os dedos pelo zíper. - Estou meio impressionada que você goste. - Eu quero que você saiba que você pode confiar em mim. - Ele disse com voz rouca. - Você viu tudo de mim. - Ele hesitou. - Tudo o que importa. - Não é tudo... - Ela empurrou o cinto. Com rapidez, ele tirou o jeans, as botas e as meias também. Então ficou diante dela, gloriosamente nu. Ela soltou uma respiração longa e lenta. Não importa os bandidos de um braço no andar de cima, ela atingiu o jackpot aqui. Como teve tanta sorte? A largura de seus pesados ombros estreitava os quadris magros e uma palha triangular de cabelos escuros que enquadrava seu pau grosso e duro empurrandose para o umbigo. A folhagem suave do jardim atrás dele e os trabalhos de azulejos 40


exóticos tornaram a sua total masculinidade mais sedutora. Piper lambeu os lábios em antecipação e corou quando seu pau aumentou um grau. - Ah. - Ela disse fracamente. - Pelo amor de Deus... - Você não vai fugir agora, vai? - Quando ele colocou os punhos em seus quadris, a cabeça contundente de seu pênis meneou em desaprovação. - Não, é difícil. - Disse ela. - Muito difícil. - Ele respondeu. Ela riu. Talvez um pouco histericamente. Colocou os dedos sobre os lábios e olhou para ele. - Venha aqui. - Ele torceu seu dedo para ela e Piper sentiu como se tivesse tocado sua boca. Não, sentiu-o como se estivesse encurralada de corpo e alma, arruinada. - Eu também quero ver você. Passo a passo, ela fechou a distância entre eles. O calor de sua pele nua quase a queimava sob suas roupas. Se ela estivesse nua também... Ela olhou para as estrelas muito acima. - Alguém pode ver? Ele estendeu a mão e envolveu mão gentilmente em volta de sua garganta. Você quer que os outros nos vejam? Ela deu uma pequena sacudida em sua cabeça, tanto quanto podia contra os limites de sua compreensão. - Não. Ninguém mais. - Isso é bom. - Ele murmurou. - Muito bom. Porque devo avisá-la; não compartilho. O que é meu é meu. Um tremor irresistível invadiu-a, e sentiu como se apenas o seu toque a abraçasse. Ele inclinou a cabeça. - Voce é tímida. - Não. Eu... - Ela engoliu contra sua palma. - Não sou boa com isso. Ele acariciou sua mão pela coluna de sua garganta para deslizar os nós dos dedos sobre a bochecha dela. - Você é perfeita nisso. Um estranho calor seguiu seu toque, e ela se inclinou para ele. - Foi o vinho. E o efeito acabou há muito tempo, percebe, passou como a névoa da manhã. Onde está o resto? Ele tentou. - Eu não quero foder a garrafa vazia. Eu quero acendê-la. - Seu olhar brilhante brincou com ela. - Mas por onde começar... 41


Ela balançou, sem as marejadas da bebida alcoólica, mas com luxúria. – Rave. - Ela sussurrou. - Eu preciso que você me toque. Por toda parte. Faça-me queimar. Com uma maldição estrangulada em algum idioma que ela não conhecia, ele a desnudou, tirou sua saia e suéter, seus sapatos caíram em algum lugar atrás dela com um “clunk”. Suas mãos estavam em toda parte e ainda queria mais. Faíscas, relâmpagos e fogueiras acesas em todos os lugares em que ele tocava, e sua fenda estava encharcada, como se estivesse tentando apagar as chamas. Mas ela queria o fogo como nunca antes quisera, com um puro e simples desejo de prazer. Ele estava provocando-a, ela sabia, embora sua mandíbula estivesse apertada com o esforço em segurar-se. Quando ele terminou, ficou de pé, olhando para ela. A pele dela formigava em todos os lugares que seu olhar passou, cada minúsculo pêlo se arrepiando em um único tremor como se num comando sem palavras. Mas não se sentiu exposta, sentiu-se livre, como Eva vagando pelo jardim antes do outono. E ela já sabia onde a estava a cobra... - Onde está a camisinha? Rave grunhiu. - Um minuto. - Ele se virou para alcançar o jeans, pôs suas roupas sobre a borda da piscina e retirou o papel alumínio quadrangular. - Eu sinto que devo explicar. Eu vi você nas câmeras de segurança. É por esse motivo que eu encontrei isso antes de encontrá-la. Ok, isso a fez sentir-se um pouco exposta. Mas ela colocou uma mão em seu quadril inclinado, deixando que observasse o que as câmeras não tinham mostrado. - Eu acho que a casa realmente sempre ganha. - Eu me certificarei de que você tenha sua participação justa. - Sentou-se na beira, suas coxas se espalharam. - Venha até mim. Ela se apressou em sua direção e ele pegou sua mão, guiando-a para montar em seu colo, de frente para ele. O azulejo debaixo de seus joelhos era implacavelmente duro, mas também suaves como pétalas de flores. Esse pequeno desconforto foi esquecido quando a grande mão de Rave encontrou sua entrada. - Você já está tão molhada para mim. - Pressionou contra seus lábios, provocando os nervos escondidos em torno de seu clitóris, e ela estremeceu com a febre de excitação que crescia. - Já faz algum tempo. - Admitiu ela. 42


- Suponho que seja mais longo para mim. Foi por isso que ele a escolheu? Mesmo quando a autoconsciĂŞncia se instalou nela, ela derrubou. Ele poderia ter qualquer mulher no Keep, provavelmente. Mas a viu. E veio para ela. Pelo menos uma vez seria gananciosa e atenderia esse momento para sempre.

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Rave segurou um poderoso gemido quando Piper apoiou as mãos nos seus ombros e se contorceu lentamente contra a palma da sua mão, trabalhando em um círculo até que a base de seu polegar deslizava na protuberância inchada de seu clitóris. Um calor úmido cobriu os dedos quando ele sentiu que ela estava pronta. Ela gemeu e empalou-se em sua mão, esmagando-se com força. Oh porra, sim, estava pronta. Ainda bombeando os dedos nela, ele deslizou o preservativo pelo pau dolorido. Não. Venha. Ainda. Mas seus pequenos lamentos carinhosos o deixavam louco. Claro, essa era sua desculpa agora. Mas o que, em nome dos céus, o fez trazêla para seu lugar secreto? Esta era a sua cova, onde ele mudava sua forma e voava, fora de vista, onde ele mantinha seu tesouro escondido. Tantos segredos. Não era de admirar que ele se sentisse obrigado a desnudarse à sua frente, mesmo que ele não pudesse contar nada a ela. Mas ela não fugiu do seu toque. Ela aceitou isso, procurou mais, se suas calças elevadas eram qualquer indicação. E ao apertar seus joelhos ao redor dele os quadris o abraçaram rapidamente. Ele tentou manter-se um pouco distante, mas seu prazer se espalhou por ele como uma febre. Em uma névoa, ele encaixouseu pau em sua entradalisa e com uma lentidão exageradamente agonizante, entrou nela. Ela jogou a cabeça para trás, seus olhos escuros se fecharam em êxtase. Os dedos dele apertaram seus os ombros, levando-na mais profundamente. Ela era mais forte do que se considerava. Ele mergulhou em suas profundezas, apertando os dentes contra o impulso de lançá-la no ar com a força de suas estocadas. Ela era toda pequena, cada pequena investida, o afastava mais de seu controle. Bom, ele teve séculos de pedra construídos ao seu redor, ou ela o teria destruído com um gemido. 44


Mas sua pedra não pode durar contra o ataque implacável de seu calor úmido. Ela iria quebra-lo... Ele colocou a mão em seus cabelos grossos e pretos, jogando a cabeça para trás. Piper impulsionou os seios para frente, deixando-os ao alcance de seus dentes. Gemeu com o aroma de açúcar e especiarias de sua excitação, sua pele de ouro escuro brilhava a luz do fogo, mais rica do que qualquer coisa em seu antigo tesouro. Ele girou a língua em uma aréola escura, deixando a carne a um pico tão duro e vermelho como um rubi cru e sem corte. Ele tinha mais do que alguns desses. Da próxima vez, derramaria as joias ao redor dela e observaria seus olhos brilhando com admiração. Próxima vez… O choque de seus próprios pensamentos rebeldes o fez apertar a mandíbula, e ele mordeu mais do que ele queria. Ela se curvou contra ele com um grito afiado, um novo jorro de calor apertando seu pau. Ah, então, ela gostava de um toque de aspereza. Ele beijou seu peito mordido, atingindo a dor com a suavidade de sua língua até que ela gemeu. Então a mordeu de novo. Ela gritou com um orgasmo poderoso que quase os derrubou na piscina. Apenas a força de suas pernas apoiadas contra o azulejo os impediu de virar para trás. Ele forçou seus quadris a se fundir com os dele, montando cada espasmo de sua buceta como as rajadas de tempestade que o esmagariam até a terra... Ou o jogariam no céu. Deixando-a chegar a meio caminho, ele acariciou uma das mãos na parte de trás das costas, rastreando as covinhas escondidas que enquadram a coluna vertebral. Era lá que ele derramaria o Carmenère. Quando sua respiração quase se estabilizou, ele levou a mão entre eles, alcançou seu clitóris e a fez explodir novamente como um foguete de garrafa. E desta vez ele a seguiu. Socou seu pau naquela buceta molhada impulsionando rapidamente até que gozou com um grito rouco nos lábios. 45


Sua buceta se apertou novamente com a força da ejaculação, levando-a ainda alto. Ela se agarrava aos ombros dele, os dedos apertavam seus músculos até os ossos, o suficiente para deixar um hematoma se ele fosse um homem. Definitivamente mais forte do que ela se considerava. Quando sua bunda se estabeleceu na borda da piscina - mais instável do que quando ele foi atingido por um raio enquanto voava através de uma tempestade no deserto - ela enfiou a cabeça no pescoço dele. Ele desejou que, em algum lugar entre seus tesouros, tivesse algo macio, uma cama talvez, ou pelo menos um cobertor. Mas ele nunca precisou de um antes. - Piper. - Ele murmurou. - Shh. - Sua respiração fazia cócegas no pescoço dele. - Não arruine a magia com fala-de-homem. Ele abriu a boca para zombar de que a “fala-de-homem” não aconteceria com ele, considerando que ele era um... Que diabos? Quase havia dito que era um dragão-metamorfo? Ele engasgou as palavras. Alguns segredos não eram dele para compartilhar. - Eu só ia dizer para se segurar enquanto eu tiro você de seus joelhos. Eles devem estar doendo. - Nunca mais andarei. - Concordou solenemente. Ela levantou a cabeça para olhar para ele. - Porque de agora em diante vou voar. Ela sorriu, reluzindo a fenda entre os dentes e, embora ele pensasse que cada músculo em seu corpo estava completamente saciado, algo em seu peito apertou. A confissão bateu em sua garganta, lutando para emergir. - Que bom, hein? Ela assentiu. - Obrigada. - Voltou a ser educada? Piper inclinou a cabeça, com os cabelos escuros sobre os ombros deslizando em seus seios com um beijo delicado. - Eu poderia dizer “foda-se”, mas seria meio que o mesmo. Rave a segurou com firmeza e levantou-se com ela ainda montando seu pau. Ela gritou envolvendo braços e pernas inteiramente ao seu redor. Ele se sentiu... Bem. Não queria deixa-la cair. 46


Mas sempre se sentiu dessa maneira sobre os tesouros que encontrou. Mesmo que nem todos fossem dele para manter. Rave caminhou com Piper para o outro lado da piscina, onde uma cachoeira um pouco mais alta do que ele sobressaia o azulejo. Relutantemente, a desencaixou de seu pau e a deixou escorregar pelo peito. Assim que ela se afastou, seu corpo começou a esfriar. E ele era um dragão sempre estava quente. Discretamente, ele descartou o preservativo. Antigamente, todas as peças e partes de um dragão eram consideradas inestimáveis. Nesse tempo, ela poderia ter comprado meio reino com sua porra. Não que ele pudesse dizer isso a ela. Piper estremeceu um pouco, mas seu olhar estava na cachoeira. - É tudo como um sonho... - Eu sou real. - Enquanto ele tirava o preservativo, as palavras emergiram com mais força do que pretendia. Não importava o que dissesse, se tentasse explicar o que era, ela não acreditaria nele, não importa quais palavras usasse. Não que ele quisesse contar a ela. Ele não podia. O Keep foi a última fortaleza para os Nox Incendi. Ele não arriscaria sua existência - precária como era - na paixão passageira de uma jovem fêmea humana. Tão deliciosa quanto era. Ela olhou fixamente para ele. - Oh, eu sei que você é real. Eu vou ter contusões para provar por isso. Ele respirou fundo para se desculpar - inferno, agora ele estava se tornando educado por causa dela; daqui a pouco ele estaria pedindo perdão pelos tesouros que ele tomou - mas o gemido satisfeito em sua voz lhe dizia que ela não se importava. Com um rosnado, ele a levou para a cachoeira. - Bem, se todo o resto é um sonho, não faz sentido acordar agora. - Ele disse. - Passou da meia-noite. Ela deu um passo para trás, sorrindo. - Meia-noite? Uh, você vai se transformar em uma abóbora? Eu deveria fugir antes de arruinar a minha fantasia? - Eu não sou fã de contos de fadas. - Ele a perseguiu até o limite da piscina. - Por que não? Você é, obviamente, o príncipe bonito. - Não. - Ele resmungou. - Eu sou o animal. 47


Ela riu. - Mesmo assim. Então gritou quando ele a agarrou de novo e a levantou na piscina. Ela ergueu os joelhos, tentando manter os pés fora da água e quase chutou suas bolas. - Não, não, vai ficar frio. - Ela falava – Não ouse me soltar! Ele nunca faria isso. Mas Rave a apoiou na cachoeira e ela agarrou-se a ele, enrijecendo. Até as primeiras gotículas baterem nela. - Está quente. - Disse ela com admiração. Ele deu um sorriso presunçoso. - Geotérmicos, lembra-se? - Oooh. - Ela se recostou em seu abraço deixando a água escorrer sobre seu corpo. Apesar do calor, seus mamilos endureceram em um deleite sensual. Ele não conseguiu evitar-se de mergulhar a cabeça para lamber a carne excitada, saboreando a fraca angulação da água e o almíscar de seu saciado desejo. Ela suspirou e se contorceu, sua buceta lisa perigosamente perto de seu pau excitado. Se ele se enfiasse dentro dela, pele a pele... Relutantemente, ele a colocou de pé e a deixou se divertir na cachoeira. - Isso é incrível. - Ela gritou. - Eu poderia viver assim para sempre. - Ela girou em um círculo, lançando um spray de arco-íris através das luzes em direção a ele. As gotículas salpicaram a pele como um afiado ácido e sua declaração alegre afetando profundamente. Ela deve ter sentido sua quietude súbita ou talvez tenha vislumbrado sua expressão, que ele sabia não ter controlado o suficiente. Porque parecia afetada, seus olhos escuros se arregalaram. Ela recuou na cachoeira como se o fluxo claro pudesse escondê-la - Quero dizer, não literalmente, obviamente. Ela gaguejou. - Apenas para a noite. Er, apenas por enquanto. Ele arruinou sua alegria inocente. Talvez ela não fosse virgem no sentido literal do termo, mas era tão... pura. E ele tinha prejudicado isso, mesmo que não tivesse lhe mostrado suas presas ou garras. Talvez fosse melhor assim. Não poderia haver nada entre eles de qualquer jeito - dragão e menina -. Apesar do seu nome, no final, o Keep nunca guardou qualquer coisa.

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Piper queria se curvar em uma pequena bola e morrer. Ficar aqui para sempre? Que passo em falso na etiqueta do sexo casual! Julgando pelo endurecimento gelado da mandíbula de Rave, ele estava tentando descobrir como dispensá-la sem muito constrangimento. Mas aqui estava ela, nua e molhada sob sua cachoeira. E não era mesmo um eufemismo. Ela saiu da cachoeira e passou as mãos pelo corpo. Quando seu olhar penetrante seguiu o gesto, alguma parte diabólica dela não ajudou e foi diminuindo a velocidade em cada curva. Que tinha muitas então demorou algum tempo. E ele assistiu tooooodo o tempo. Talvez ele quisesse expulsá-la, mas iria ter certeza de que ele soubesse o que estava perdendo. Cada pequena parte dela. - Uh, suponho que você tenha uma toalha neste jardim do paraíso? Seus olhos se aproximaram e sua sobrancelha franziu como se não entendesse o que ela estava falando. Então, sem dizer nada, ele se virou para um armário escondido pelas videiras e ofereceu-lhe uma longa e sedosa túnica, negra e masculina. - Será que isso ajuda? Ela aceitou com um aceno de cabeça, embora o material - uau, seda real - não fosse exatamente absorvente. Do seu rápido vislumbre no armário, não havia outras toalhas ou roupões. Este não era um lugar que compartilhava com mais ninguém. Quando ela se envolveu quase duas vezes na seda, respirou o cheiro, não mofo exatamente, mas musgo, como se não fosse muito usado. Como ele se secava? Apenas ficava nu no calor tropical até que as gotas de água se evaporassem? Ela lambeu os lábios. Gostaria de ver isso... Ou talvez ele simplesmente não venha muito aqui, um lugar tão adorável e fantástico. O que parecia um desperdício, e estava insuportavelmente triste com

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isso. Mas ele obviamente terminou com ela, na verdade, já teve o suficiente das pessoas estarem cansadas dela. - Piper. - Disse ele. Ela foi até ele e tocou seus lábios, parando o que poderia dizer, porque pior do que ele se transformando em uma abóbora seria se transformando em um idiota. - Isso foi tudo um sonho. - Disse ela. - Obrigada. Quando ele abriu a boca como se ainda fosse dizer algo, ela apertou seus lábios não muito gentilmente. - Fique aqui mesmo. – O soltou e deu um passo para trás, deixando o manto cair de seus ombros. Empurrou a seda úmida e aquecida pelo corpo. - Eu quero me lembrar de você assim. Ela pegou a roupa descartada e vestiu-se rapidamente. O veludo do suéter se agarrou ao pescoço por causa da pele úmida e o jeans elegante não queria subir, como se estivesse tentando segurá-la. Uma pena. Torcendo os cabelos molhados em um rolinho duro e apertado, tentou ignorar as gotículas serpenteando por sua coluna, fazendo-a estremecer. Ela saltou de um pé a outro, puxando seus sapatos sobre os pés úmidos. Quando ele deu um passo em sua direção, ela estendeu a mão e se endireitou. – Fique. - Disse resolutamente. - Eu posso encontrar meu próprio caminho de volta. - Girou em seus calcanhares, então lançou um olhar sobre seu ombro. - Mas vou levar o que resto do vinho. A expressão atordoada no rosto dele - seus olhos azul-pálido um pouco arregalados, com um leve aperto na mandíbula - trouxe uma pontada de arrependimento por deixá-lo. Mas ela teria que sair eventualmente de qualquer maneira, então é melhor fazê-lo em seus termos. Ela agarrou o Carmenère, quase não havia nada, - não o suficiente para esconder o resto da noite - deu-lhe um pequeno aceno de adeus apenas mexendo os dedos e saiu rumo ao portão dourado. Será que deveria olhar para trás ou não? Não, decidiu. Pelo seu orgulho e nada mais.

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Um som estranho atrás dela, metálico, como moedas caindo, seguido por um rugido como um trovão distante, quase a fez virar. Mas não, ela estava saindo enquanto o clima ainda era bom. E se ela bateu o portão com um pouco mais de força do que era realmente apropriado, considerando que provavelmente valia milhões de dólares, bem, provavelmente todas as meninas pobres do conto de fadas tinham um temperamento, só não tinha sido mencionado ainda. As escadas de mármore preto eram mais uma dor na bunda subindo do que descendo, e desejava ter perguntado sobre um elevador. Jesus! Ele fazia essa escalada o tempo todo? Não era de admirar que ele tenha um corpo tão duro. Espere, era melhor não pensar muito sobre o seu corpo ou simplesmente se aborreceria, ela deixou quieto. Porque esse tinha sido o melhor orgasmo de sua vida, tal fogo e força explodindo através dela e deixando cada nervo brilhando como um diamante quebrado. Ela fez uma pausa ao lado de um dos esconderijos perigosamente perigosos para recuperar o fôlego e beber um gole do vinho. - Uma vez queimada. - Ela resmungou na chama. O fogo acendeu um pouco mais alto em sua queixa? Esquisito. Provavelmente só porque ela respirou nele. Prosseguiu seu caminho. No alto da escada, olhou pela porta. Rave havia dito que era seu lugar secreto, e queria honrar isso. Mas não viu ninguém por aí, então passou e... - Este salão está fora dos limites para os hóspedes. - Grunhiu uma voz atrás dela. Com um grito abafado, ela encostou-se na vertical, levando a mão sobre o coração batendo acelerado. De onde ele veio? O homem era tão grande quanto Rave, mas se vestia como um imperador em couro preto em vez do linho elegante. As mangas curtas de sua camiseta preta revelavam tatuagens por toda sua extensão. Não tinta preta, ou mesmo em cores brilhantes, mas estranhamente metálicas, de modo que elas apenas se tornaram visíveis quando ele se voltou um para a luz. Como as de Rave. 51


Todos os homens do Keep precisavam ter marcas sexys e misteriosas como estas? Eles eram membros de gangues de uma máfia subterrânea? E ela se entregou a um deles? Seja como for, não era como se ela fosse vê-lo novamente. - Eu estava indo embora. - Ela conteve uma desculpa automática que tentou gritar. Talvez Rave a tivesse quebrado para “cortesias”. Isso realmente era apenas o medo de que ela não pertencesse. Bem, tecnicamente não pertencia aqui. E o cenho franzido no rosto do intimidador tornou isso muito claro. - Não se mova. Ela se aproximou dele. - Eu estava voltando para o meu quarto. - Não. Se. Mova. - Seus olhos brilhavam ferozmente. Ela engoliu enquanto suas pernas estavam presas, como se seus sapatos estivessem colados no chão. Seu olhar penetrante a prendeu, seu telefone tocou. Um rápido olhar para qualquer coisa atrás dele, soltou um grunhido furioso e então recuou. - Você pode ir. Ela ergueu o queixo e passou por ele. - Fique nas áreas iluminadas. Há coisas por trás da cortina que você não precisa ver. Ela se recusou a responder a isso. Era mesmo tarde demais. Sentiu o olhar aborrecido em suas costas quando ela atravessou o corredor. O labirinto do cassino, que parecia ser uma aventura quando Rave estava segurando sua mão, agora parecia interminável e frustrantemente confuso. Para sua consternação, seus olhos picaram com lágrimas cansadas quando ela finalmente encontrou o elevador para a ala Delphi, onde estavam os seus quartos. Lembrou-se de suas aulas de química e que o oráculo grego em Delphi pode estar sobre a inspiração – divina - de gases alucinógenos que nascem das águas da primavera. Talvez houvesse drogas de festa nas molas geotérmicas sob o Keep. Isso explicaria por que ela...

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Não, ela não iria inventar desculpas. Esme e Anjali podem ter desculpas do por que eles estavam desistindo de seus sonhos, mas - do lado do vinho - ela sabia exatamente o que estava fazendo. E exatamente com quem estava fazendo isso. Ela virou a parte de trás de sua mão nos olhos dela; ela não seria uma dessas garotas que gritariam depois de um ótimo sexo, desejando que ela pudesse apenas arrumar suas coisas e sair. Mas primeiro tinha que fazer as coisas direito com Ez e Anj. Amanhã, no entanto. Quando abriu caminho pelo silencioso salão, o caos do cassino sentiu-se a um milhão de quilômetros de distância. E considerando o quão longe ela andara, praticamente estava a um milhão de quilômetros de distância. A porta da sala cedeu à sua chave, e era elegante como o inferno, mas não havia a cachoeira exuberante ou homem sexy e poderoso... Ela caiu no último gole de vinho. Lá, isso foi feito. E tudo ficaria bem, amanhã.

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Tudo estava fodido. Rave olhou para os frascos a sua frente, parcialmente cheios de ichor de dragão, mas tudo o que viu foi a garrafa de vinho meio vazia que se balançava alegremente nas mãos de Piper. Seus dedos descansavam sobre a faca que ele usara para tirar sua última amostra - a lâmina foi moldada a partir do minério de ferro de um meteorito e o punho do osso polido - mas tudo o que ele sentia era a seda de sua pele, mais fina que a rara seda de seu manto. Seu pau bateu na parte de trás de seu zíper, querendo voltar a brincar, mas ele estava preso em seu laboratório nas entranhas do Keep, esperando. - Em que diabos você estava pensando? Torch entrou pela porta do laboratório. Rave continuou olhando seus experimentos por um longo minuto, esperando sombriamente sua ereção diminuir. Só então ele girou o alto banco sem encosto para encarar seu primo. - Eu estava pensando que você não viria para coletar as amostras, então coletei uma do meu próprio ichor. Você pode simplesmente sair. - E voltou a olhar cegamente para sua tarefa inútil e sem esperança. Torch pisoteou ao lado dele, suas características contundentes deformaramse em uma careta. - Você não deveria coletar de si mesmo quando não pode perder mais ichor. Sabe que está quase tão mal quanto Bale. - Ainda não. Mas quase. - Quando ele disse a Piper que havia passado algum tempo para ele, ele realmente não havia feito a conta. Mas o fez esta manhã, e foi... um longo tempo. Como não percebeu quanto tempo tinha passado desde que teve prazer em qualquer coisa? Ele tinha estado tão focado, primeiro em acumular seu tesouro e, em seguida, tentar encontrar um entorno sobre a praga de pedra, que não tinha percebido o quão longe a quietude do frio tinha penetrado sobre ele. Não tinha percebido até que Piper se afastou e aquilo voltou.

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A agonia o deixou de joelhos com um grito sufocado. O dragão varreu-o, espalhando as suas asas contra a ameaça que não podia ver. Mas isso só piorou o petralys. Para protegê-lo e ao seu tesouro, o dragão assumiria completamente, e então seu destino - como um túmulo - seria selado. Se era pior para Bale... Rave não podia imaginar o tormento. - Bem, estou aqui agora. - Disse Torch. - Você também pode coletar o meu. Uma fúria impotente revirou o estômago de Rave. - Eu disse para você ir. É tarde demais. Está feito. Torch socou a mesa, fazendo com que os frascos saltassem. - Eu me atrasei porque estava vigiando sua conquista da noite passada, para ter certeza que ela ficou em seu quarto e não fugiu para reviver uma lembrança ou duas. Sem pensamento consciente, Rave estava de pé, cara a cara com Torch. Rave era uma fração mais alto, mas sabia que Torch era mais forte. A luta seria uma merda épica. Atrás dele, os frascos de ichor balançavam delicadamente, embora nada estivesse tocando neles, e Rave e Torch estavam absolutamente imóveis. O cheiro de metal queimado inundou a sala fechada. - Fique longe dela. - Sussurrou Rave. - Não toque nela. Não olhe para ela. Apenas... não. Depois de um longo momento, Torch levantou as mãos e recuou. - Eu não sabia. Rave soltou um suspiro lento e sibilante. - Você nunca sabe, merda. - Mas então ele não conseguiu se segurar e perguntou. - Não sabia o que? - Que ela é sua solária. Rave estremeceu, agarrando a mesa para se estabilizar. Os frascos de cristal tiniram um aviso. - Ela... O que? Não. Piper não é minha verdadeira companheira. Ela é apenas uma fêmea humana de passagem. Torch cruzou seus enormes braços e encolheu seus ombros - Não sei. Você nunca perdeu o bom senso sobre uma fêmea antes. Nunca permitiu que entrassem no seu jardim. Merda, eu me perguntei algumas vezes se você tinha esquecido que era uma fera. Ele olhou fixamente para Rave. - Você a deixou vê-lo mudar?

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- Não! - Mas caso ela se virasse antes de passar pelo portão dourado... - Claro que não. - Disse Rave em um tom mais medido. - Como eu disse, ela é humana. Nunca pode saber. - Mas se ela é sua verdadeira amada... - Ela não é. Isso é impossível. As solárias Nox Incendi estão extintas. - Como os dragões Nox Incendi logo estariam se ele não pudesse reverter os petralys. Mas Torch tinha o rosto obstinado. - Por que ela não pode ser sua companheira? - Ela é humana. - Disse Rave com uma lentidão exigente, como se fosse um idiota. Às vezes pensava que Torch gostava de jogar, mesmo que causasse problemas. - As solárias foram... especiais. Mas isso foi há muito tempo atrás. - Esta garota Ramirez também é especial. - Disse Torch, falando quase tão devagar quanto Rave. - Especial para você. - Não, ela não é. - Oh. Equivoquei-me. Então, eu acho que quero foder ela... Com um rugido, Rave atacou seu primo e carregou-o através do cômodo com um antebraço apoiado na garganta. Não permitindo mais dessas palavras sujas passar por seus lábios. Rave o mataria primeiro. Mas Torch não lutou de volta, apenas olhou-o com a testa frazida. - Percebe? - Ele murmurou. - Especial. Rave notou que a faca de ferro estava em sua outra mão e ele o empurrou para trás com uma maldição. - Idiota. Torch sorriu para ele. - O que faz de você o quê? Porque eu ainda vi isso antes que você o fizesse. - Não há nada para ver. - Rave o empurrou, mas seu primo era muito semelhante a uma montanha para ser movido por um mero soco. - Porque ela não é minha companheira. Agora saia daqui antes que seus absurdos infectem minhas amostras. Ele voltou às suas experiências. Os alquimistas antigos classificaram muitos usos para o sangue de dragões, dentes de dragões, escamas de dragão, respiração de dragão. Eles tinham infinitas receitas e encantamentos, um mais inacreditável do que o outro. Poucos deles já 56


viram e menos ainda mataram um dragão. Mas foi no ichor Nox Incendi que a magia real aconteceu. E a morte. Somente os frascos de cristal mais puros podem conter o ichor com todas as propriedades mais perigosas da lava derretida, veneno corrosivo e gás tóxico. Mas ichor também pode curar, induzir visões, transformar os elementos -converter qualquer um em ouro - e muito mais. No entanto, no momento, ele estava usando isso apenas como um barômetro de quanto tempo mais Bale poderia sobreviver. O maior balão tinha apenas algumas gotas dentro. Mas a substância que deveria ter parecido com o mercúrio translúcido e opalescente, movendo-se sem descanso por conta própria e disparando a faísca incendiária ocasional, em vez disso parecia um pedaço imóvel de alcatrão meio derretido, maçante e frio. Quando congelou completamente... Mas não iria deixar isso acontecer. Ele tentou vários métodos de revigoramento do ichor; adicionando produtos químicos reativos, incendiando, cantando feitiços, jurando. Ele tentou muito esse último. Sem resultados positivos. Inferno, sem resultado algum. Quando veio ao laboratório esta manhã, ele se perguntou por que nunca perdera a esperança. Então percebeu que parou de sentir esperança. Parou de sentir qualquer coisa. Ele estava apenas passando pelos movimentos. Eventualmente, mesmo os movimentos parariam. E então seria como seu senhor, preso no escuro, congelado, condenado. Torch era um bastardo e idiota para tentar devolver essa esperança. Em uma torção viciosa de retaliação para mostrar a Torch como ele estava errado, Rave alcançou o frasco que continha o próprio ichor que ele tirara anteriormente. Colocou-o de lado, esperando que se acomodasse em seu estado de repouso antes de começar outra rodada de testes, mas onde ele colocou? O único frasco não marcado em seu banco era o de um dragão muito mais jovem, menos ligado à pedra do que Torch...

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Rave olhou para o frasco e lentamente o puxou para ele. O mercúrio brilhava com miniaturas de raios na agitação, apenas se acomodando quando o centrou na frente dele. A abertura do frasco foi equipada com uma rolha de cristal alinhada perfeitamente ao orifício, para que nada pudesse escapar. Esta manhã, ele observou que embora a contenção fosse devidamente selada, a rolha tinha uma fenda quase imperceptível no cristal. Nada para causar um problema, mas a pequena falha capturou a luz com um brilho alegre e fez com que ele lembrasse -por nenhuma boa razão - da lacuna imperfeita no sorriso de Piper. Como ele queria voltar a vê-lo... Esse era o ichor dele. O que era impossível. Com um praguejar chocado, ele revirou o diário de couro encadernado, onde guardava as anotações antes do advento dos computadores. Sabia que deveria passar seu trabalho para outro caso a praga da pedra o alcançasse primeiro. Passou rapidamente pelas páginas. Quando foi a última vez que tirou seu próprio ichor? Lá estava. Ele bateu o dedo nas anotações, como se pudesse fixar a memória exata. “Nova padaria no Keep. Não consigo lembrar o aroma da canela, mas a equipe diz que cheira divinamente. Recolhida outra amostra. Ichor está escurecendo. Cinza colorido com raias oleosas. Lenta e não condutora, exceto com compostos altamente reativos. Amostra destruída no ensaio alquímico nº 147”. Rave não se preocupou em consultar o resultado do ensaio # 147. Tinha sido um fracasso, seja lá o que fosse. Todos os ensaios foram fracassados. Mas agora... Este ichor - seu ichor - estava eliminando as alterações do petralys. - Como? - Ele sussurrou. - As solária. - Disse Torch. - Eu te disse. Rave se contraiu. Ele havia se esquecido de que seu primo estava lá. - Os seres humanos não podem tocar o ichor. Eles não têm nenhuma magia. Torch girou lentamente no banquinho que ele havia reivindicado. - Bruxas e feiticeiros têm magia. - Ele pontuou quando voltou a aparecer. 58


Rave franziu a testa. - Os humanos não acreditam na magia mais do que acreditam nos dragões. Esses dias se foram. - Nós ainda estamos aqui. - Torch estendeu suas grandes mãos. - Mesmo que estejamos escondidos. Talvez eles também estejam. Afastando o assento para se distanciar do ichor mudado, Rave alisou seu queixo enquanto caminhava de um lado para o outro. - Piper não é uma bruxa. Torch franziu os lábios. - Você provavelmente está certo sobre isso. - Ele concordou relutantemente. - Tanto quanto eu posso dizer, Piper Ramirez é exatamente o que ela parece ser; filha de um trabalhador agrícola migrante, primeira filha para a faculdade em questões financeiras e bolsas de mérito, bem concluídas, pagas para aproximar alguns familiares. Parece que a coisa mais estranha que ela já fez foi tornar-se amiga de uma cadela rica e uma criança de amor hippie. - Ele olhou para Rave. - Agora você não está feliz por eu tê-la observado por você? Rave grunhiu para ele sem som. - Se ela não é uma alquimista... - Bem, ela é uma química. Trabalha com uma empresa que faz o controle da qualidade da água. - Torch sorriu um pouco maliciosamente. - Ela deixa a água pura. Não é tão doce? Rave deu um passo ameaçador em direção a seu primo antes que ele pudesse forçar suas botas a pararem. Voltou-se para o ichor, girando com fracos arco-íris como a superfície de uma bolha. - Se ela não é uma alquimista. - Disse ele com firmeza. - Se ela não tem magia, como pode estar influenciando o ichor? - Não é o que ela é exatamente. - Disse Torch. - É o que ela é para você; sua solária. Algo dentro de Rave trovejou, um grito sem palavras que ele não conseguiu interpretar. Um aviso de seu dragão? - Eu admito que algo está revertendo os efeitos da praga da pedra no ichor. - Disse ele. - Mas por que ela? Porque agora? Torch encolheu os ombros. - Isso importa? Você a encontrou. Se ela fosse sua solária. Talvez parte dele tenha se tornado muito humana, porque não conseguia acreditar. - Eu não vou levar isso até Bale antes que eu saiba como e por que isso está acontecendo. 59


Mesmo quando ele disse as palavras, o rugido dentro dele tornou-se ensurdecedor. Mas ele não precisou de seus ouvidos para ver a oscilação da mandíbula de Torch em surpresa. Sobre a cacofonia em sua própria cabeça, Rave disse. - Nosso legado deve ser salvo se a tribo for para sobreviver. - O fato de os Nox Incendi ainda existir era porque Bale se dirigira sem remorso em seu nome. Bale Dorado era seu senhor, mas mais do que isso, ele era sua luz guia. A sobrevivência dos Nox Incendi dependia do fato de estar vivo e forte o suficiente para manter seus dragões sob controle. Sem ele, a tribo literalmente despedaçaria. O caos dentro de Rave congelou com aquela verdade, e os arcos-íris tilintando no ichor explodiram. - Você não pode renegar a sua verdadeira companheira. - Disse Torch suavemente. - Você vai se transformar em pedra. - Mas os Nox Incendi continuarão. Mesmo que ele tenha que sacrificar Piper Ramírez.

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Piper acordou com os olhos pegajosos e gosto de vinho velho na parte de trás da garganta. Ugh. Ela tropeçou no banheiro luxuoso que, mesmo muito bom, não tinha cachoeira. Ou um amante. Limpou rapidamente todas as evidências remanescentes da noite anterior, até que a água correu límpida. Se essa água ao menos pudesse atingir seu interior... Vestiu-se de forma apressada, desejando ter trazido roupas mais agradáveis. Quando Esme lhes dissera que iriam para Las Vegas, ela embalou o casual, não o sofisticado. E pensou que poderiam estar juntas de novo, então Anj a ajudaria com seus cabelos enquanto Ez a aconselharia sobre maquiagem, como era de costume. Talvez ela simplesmente tivesse que estar bem com as coisas que nunca mais seriam as mesmas. Teria que ficar sozinha. Essa era a outra coisa que suas amigas lhe ensinaram. Quando ela se sentiu suficientemente encorajada dentro de um suéter de capuz desleixado sobre uma calça legging cinza, ela foi até a porta interna entre os quartos. Piper estabilizou sua respiração e bateu levemente. Elas tinham ido para a cama antes dela, mas talvez tivessem ficado acordadas conversando e ainda estivessem dormindo. Não houve resposta. Ela mordeu o lábio enquanto encarava a maçaneta da porta. Se a tivessem trancado, seu coração quebraria... Então girou o puxador. A porta se abriu e Piper quase soluçou com alívio. - Anj? - Chamou enquanto entrava. Virou-se para ver uma nota dobrada no batente, ao lado de sua cabeça. “Não queríamos acordar você. Saímos para o Brekkie. Mande-me uma mensagem.”

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Piper voltou para pegar o telefone no quarto dela. Maldita seja, ela tinha esquecido de carregar na noite passada. Morreu assim que conectou o carregador. Ligou e verificou suas mensagens. Nada de Anj. “Bom dia”, ela digitou. “Onde vocês estão?” Esperou, nervosa, passeando os dedos pelo curto comprimento do seu cordão até tinir. “Bom dia, Pipa. Aqui embaixo nos Bad-lands”. Jesus! Parecia um pouco cedo para beber. Mas o que quer que fosse, pelo menos estavam conversando com ela. Deixando seu telefone para carregar, ela se enfiou em seus tamancos e correu para se juntar a suas amigas. Antes que mudassem de idéia. Quando chegou lá, tinham uma mimosa preparada para ela e um dinamarquês com apenas uma mordida. - Desculpe. - Anjali enrugou o nariz. - Eu deveria pedir sumo, mas não pude me ajudar. Aliviada que a terrível noite de ontem pareceu explodir, Piper sorriu para a amiga. - Mimosas contam como sumo? Anj bufou. - Certo. Eles têm suco de laranja, não é? - Certo. - Piper tomou um gole de sua bebida. O gosto foi refrescante, mas muito doce. Por algum motivo, ela queria algo mais escuro, mais forte, com mais de uma mordida... Apressadamente, encheu o dinamarquês em sua boca. Era o que ela tinha. Depois de outro gole da mimosa para tomar coragem, ela limpou a garganta. - Pessoal, sobre a noite passada... - Sim. - Disse Anjali. - A festa ao lado foi muito irritante, mantendo-nos acordadas a noite toda. Piper franziu a testa. - Isso é irritante. Acho que não pude ouvir isso do meu lado. - Para onde ela foi banida. Não que ela estivesse lá até muito mais tarde de qualquer maneira, devido à sua viagem margeando um paraíso subterrâneo secreto... - Uh. Mas quis dizer antes disso. Esme, desculpe-me pelo que eu falei sobre Lars. Você o ama e isso é o importante, então eu só queria te dizer... - Estávamos todas cansadas. - disse Anjali. 62


Piper assentiu, mas manteve seu olhar em Esme. - Ez? Sua amiga olhava para a mimosa, mas finalmente levantou a cabeça. - Hmm? Desculpa. Eu estava pensando... - Ela parou, mas sua testa franziu como se não estivesse certa do que ela iria dizer. Será que ainda estava com raiva? Piper mordeu o lábio. Anj sempre foi a única a guardar rancor alegando que seu temperamento picante veio de sua mãe Cajun. Quando Esme ficou com raiva, ela explicou com ótimos detalhes e por grandes palavras como ficava desapontada quando as pessoas não estavam ao seu alcance. Ela não fez o tratamento de silêncio. A preocupação com o ostracismo se transfomou em uma preocupação diferente. Piper alcançou a mesa para tocar a mão de sua amiga trazendo a atenção para cima. - Você está bem, Ez? As pupilas de Esme estavam largas e nervosas, como se estivesse tendo problemas para se concentrar. Piper se perguntou quantas mimosas tinha perdido antes de chegar lá. Anjali pegou a outra mão de Ez. - Apenas cansada. - Disse novamente. Piper deslizou dois dedos sobre o pulso de Esme franzindo a testa no ritmo errático. Elas tiveram alguns problemas de saúde quando Ez voltou à escola, e Piper aprendeu suas úteis habilidades de primeiros socorros ao trabalhar no campo. Abriu bruscamente os outros dedos na frente dos olhos de Esme e balançou a cabeça com o longo atraso antes que sua amiga piscasse. - Mais como drogada. O que vocês fizeram depois que subiram ontem à noite? Anj franziu o cenho para ela. - Nós dissemos que estávamos voltando para o quarto. O que você fez? Bem, ela não iria responder a isso. - Eu acho que alguém poderia ter batizado a bebida de Ez. - Piper olhou para Anjali. - Você está se sentindo bem? Manchas gêmeas de cor ardente brilhavam nas maçãs do rosto de Anj, óbvias apesar do tom escuro da sua pele. - Estou bem. Estamos bem. Talvez esteja cansada de você nos chamar atenção. - Cansada. - Ez murmurou enquanto inclinava a cabeça para trás, olhando para cima. Ela ainda estava vestindo o mesmo vestido de bainha branca de inverno, como 63


a noite passada, exceto que agora tinha um casaco na parte superior e seus cabelos loiros caíam pelas costas em nós meio torcidos. De jeito nenhum ela teria deixado o quarto parecendo tão descuidada. Mesmo as suas festas de pijama depois das finais exigiram rímel e brilho labial. Piper arregalou os olhos. Isso era muito estranho. - Eu não estou chamando sua atenção, Anj. Eu realmente acho que há algo errado com Esme. Deve haver um médico na equipe aqui, ou podemos pegar a limusine para nos levar a uma clínica na cidade. - Não. - Anjali alcançou a mesa e apertou o pulso de Piper. O quadro estranho - um ligado ao outro - fez Piper sentar em seu assento, quebrando a conexão. Suas mãos tingiram. Provavelmente, apenas o champanhe na mimosa, mas se houvesse alguma coisa que alterasse as bebidas, suas amigas estavam com mais problemas do que ela pensou ontem à noite. Piper se levantou e afastou-se da mesa. - Eu não sei o que está acontecendo, mas algo está errado. Vou chamar o gerente. - Piper, não. - Anjali agarrou sua mão, mas Piper soltou. Esme nem olhou para elas. - Você não entende... Realmente não entendeu. Mas o faria. Marchou para o bar e convocou o barman com mais insistência do que nunca havia usado em sua vida. - Existe um gerente de plantão? Minha amiga está... - O quê? – Doente. - Isso deve fazer com que eles se movam, já que presumivelmente, eles lidavam com doenças induzidas pelo álcool, muitas vezes o suficiente para ter um protocolo no lugar. Mas quando o gerente se juntou a ela e eles voltaram à mesa, Anjali e Esme foram embora.

O telefone de Rave continuou tocando, embora ele continuasse ignorando. 64


O mistério do ichor era sua única preocupação agora. Ele tocou novamente. Rave agarrou-o da mesa com um rugido. - O que? - Mmm Sr. Dorado? Desculpe incomodá-lo, senhor. Mas temos uma situação. Rave soltou uma respiração lenta. Ele nunca latiu com os empregados. Depois de descascar, foi uma tentação demais de morder. - Mande Torch lidar com isso. - Realmente sinto muito, senhor. Mas ela pediu especificamente para você. Ela? - Eu estou indo. A chamada veio da linha do gerente da recepção, então ele se dirigiu para lá. Não estava correndo. Mas, honestamente, mais rápido e ele teria voado. No momento em que saiu do elevador, seu olhar se encontrou ao dela. Estava caminhando ritmadamente, seus braços envoltos em torno do corpo, os cabelos escuros voando atrás dela com cada volta. Na última virada ela o viu e apressou-se. Embora dissesse a si mesmo para não tocá-la - tudo mudou desde a noite passada - pelo pânico em seu rosto, Rave agarrou-a em seus braços. - Você está bem? - Exigiu. - Não. - Sua voz tremia e sua pele estava pálida sobre o jade vívido de seu suéter. - Quero dizer, sim, estou bem. Mas minhas amigas... - Aquelas que não estavam no bar ontem à noite? Ela assentiu. - Elas foram embora. Ele franziu a testa. - Este é um lugar grande... Os dedos dele apertaram os antebraços, o suficiente para comprimir os tendões lá. - Eu estava com elas. Acho que podem ter sido drogadas. Eu fui buscar ajuda, mas quando voltei tinham partido. Elas não voltaram aos nossos quartos, e não estão respondendo minhas ligações. Ele rolou até a ponta dos pés e rosnou sobre o ombro para o gerente. – Torch nos encontre no escritório de segurança. – E então levou Piper de volta ao elevador. - Conte-me tudo. Ela gaguejou e parou algumas vezes, mas rapidamente apresentou os detalhes sobre suas amigas e sua viagem - Toda a bagagem e os artigos de higiene 65


pessoal estão no quarto. - Continuou ela. - Mas Anj deve ter voltado para pegar a bolsa, ainda não tinha tomado café da manhã. Geralmente, ela deixa para trás porque é uma coisa enorme e pesada que ninguém poderia carregar. Ela tomou uma respiração, quase um soluço, e Rave sentiu o som como uma facada no intestino. Mesmo ele dizendo mais uma vez a si mesmo que não a tocaria, a puxou para dentro de seus braços. - Nós as encontraremos. – Prometeu. - Se elas conseguiram voltar para o quarto e depois sair, elas não devem estar tão confusas. Piper acenou com a cabeça contra seu peito, depois soltou um suspiro lento e se afastou. Franziu a testa, não com ele, mas para o ar. - Esme parecia pior. Anjali parecia... Eu não sei. Como se ela simplesmente não acreditasse em mim. - Não acreditou em você, ou foi a responsável? Desta vez, Piper olhou para ele. - Anj nunca... - Você me disse que sua amiga Esme é rica e bem conectada. E disse que esta Anjali tem uma história de problemas com dinheiro e conexões de negócios questionáveis. - Isso não é o que eu disse. - Piper objetou. - Ou não o que eu quis dizer, exatamente... - Ela parecia tão horrorizada que ele se perguntou como ela já havia chegado tão longe no mundo. Um impulso violento varreu-o para arrastá-la novamente sob sua asa e nunca mais deixá-la sair, nunca deixar ela conhecer o lado sombrio. Pelo menos não sem ele ali ao lado dela. Piper sacudiu a cabeça com tanta força, suas ondas negras voando, como se rejeitassem a proteção que ele não podia oferecer em voz alta. - Isso é tão confuso, mas somos amigas. - Ela insistiu. - Boas amigas. - Você disse que elas estavam te afastando na noite passada. - Ele lembrou. Obviamente, há mais disso do que você entende. Ela mordeu o lábio. - Foi o que Anj disse. A porta do elevador se abriu e ele a guiou com uma mão na parte inferior de suas costas. Esta área fora de limites era, na melhor das hipóteses, utilitária, e sentiu que ela se encolhia um pouco no austero corredor. Precisava pegar um pouco de café para ela, algo quente para tirá-la do seu choque. 66


Todo nervo em seu corpo o incitava a oferecer seu próprio calor. Mas ela não podia ser dele, não mais. E esta poderia ser a oportunidade dele de colocá-la em dívida. Torch já estava no escritório de segurança quando chegaram. - Torch, esta é Piper. Piper, meu primo Torch. Ela encarou Torch, um toque de hostilidade em sua posição. - Nós já nos encontramos. Rave lançou um olhar duro para o primo. – Verdade? Olhos de Torch brilharam. - Vi ela deixar a passagem do jardim na noite passada. As bochechas de Piper brilharam como as arandelas. - Podemos encontrar minhas amigas? Torch fez um gesto. - Eu tenho uma estação de segurança aberta para nós. Rave rapidamente recapitulou para começar sua busca. Com Torch trabalhando habilmente os feeds da câmera, eles rastrearam as amigas de Piper do bar do lobby até o elevador e para o quarto onde elas desapareceram dentro. Torch seguiu rapidamente por menos de um minuto do tempo decorrido. Então, a amiga com dreadlock, Anjali, enfiou a cabeça pela porta. Ela olhou para a câmera do corredor em sua bolha plástica discreta. E a câmera ficou escura. - O que? - Disse Torch. - Não. Isso apenas não aconteceu. Mas seu rápido rebobinar e ligar obteve o mesmo resultado. Piper inclinou-se sobre as costas da cadeira de Torch. - Há câmeras na escada, certo? Vai lá. Torch franziu o cenho para ela sobre seu ombro, mas, na sobrancelha levantada de Rave, fez o que ela pediu. Também estava escura. - Siga a escuridão. - Murmurou Rave. Torch amaldiçoou. - Como ela...? - Não importa. - Disse Piper. - As encontre. - Abaixo do mezanino, as portas das escadas estão marcadas com alarmes de incêndio. - Disse Torch. - Elas tiveram que sair por lá. 67


- Muitas câmeras para localizar facilmente. - Disse Rave. - Demasiadas para que ela foda com todas elas. - Disse Torch. – Esperançosamente. Ele abriu uma dúzia de telas inseridas, cada uma delas digitalizando quatro. - Lá. - Rave apontou. - Na entrada de Zephyr. - O mais longe da ala de Delphi. - Murmurou Torch enquanto se aproximava. E o mais movimentado. Devia ter adivinhado. Piper agarrou o bíceps de Rave. - Elas estão saindo. Mas essa não é a nossa limusine. O noivo de Esme fretou um carro particular para nós. - Libré local. - Disse Torch. - Devemos ser capazes de obter informações sobre isso. - Nós precisamos chamar a polícia. - Ela olhou para Rave. Torch bufou. - E dizer-lhes o quê? Duas mulheres jovens na cidade para uma festa de despedida de solteira decidiram beber as mimosas pela primeira vez na manhã e visitar Vegas? Isso não é um crime. Principalmente, isso não é um estereótipo. Piper o ignorou, seus olhos arregalados encarando Rave. - Tem algo errado. Você viu aquelas câmeras escurecerem. Não é por acaso. Até mesmo Torch resmungou o acordo. Rave colocou a mão sobre a dela, mal restringindo seu dragão com aquele contato mínimo. - Vamos descobrir isso. Mas Torch está certo sobre a polícia. Por mais estranho que isso nos pareça, não há sinal de coerção ou crime. Esme entra no táxi depois; Anjali não a empurra nem a puxa. O maxilar de Piper saltou. – Mas... - Sua melhor aposta é nos deixar verificar por você. Ela olhou para ele. - Eu deveria deixar um chefe de cassino colocar minha aposta para mim? Torch resmungou novamente, em diversão desta vez. Rave olhou para ele. - Acompanhe esse táxi e deixe-nos saber o que você encontra. Puxou Piper para fora da sala. Ela resistiu, arrastando seus saltos grossos. - Eu quero ajudar. 68


- Torch é nosso chefe de segurança. Deixe-o fazer o trabalho dele. - Quando ela abriu a boca para objetar, ele colocou um dedo debaixo da mandíbula e fechoua suavemente. - Às vezes, o que ele tem que fazer por seu trabalho não é algo que outras pessoas precisam ver. Se você quer que ele encontre suas amigas, deixe ele ir. Piper enrolou os lábios entre os dentes, os olhos brilhando. - Eu deveria ter deixado que elas fossem. Então elas não teriam fugido. Rave curvou a mão por trás do pescoço dela e deu-lhe uma leve sacudida. Pare. Você não sabe disso. - Talvez eu devesse chamar Lars, ou a família de Ez. - Ela se preocupou como se não o tivesse ouvido, não podia sentir seu toque. - Eles têm recursos. Rave a sacudiu novamente até que ela olhou com uma careta, um toque de cor finalmente iluminando suas bochechas. - Eu tenho recursos. - Ele lembrou. - E nós estamos usando eles agora. Sua família e a polícia começariam exatamente com o que estamos fazendo. Ele franziu a testa. - Além disso, você não parece gostar muito deles. Piper inclinou-se para o seu aperto com um suspiro áspero. - Eu não gosto, mas talvez seja porque estou com inveja, porque para Ez sempre foi tão fácil, porque ela tem tudo e eu não... Ele inclinou a cabeça para encontrar o seu olhar baixo. - Você não acredita nisso. Depois de um momento, ela balançou a cabeça e o afastou completamente, endireitando a coluna. - Não. Eu não acredito. Eu acho que algo estranho está acontecendo, e eu vou descobrir o que é. - Essa é minha garota. - Ele murmurou. Mas ela não era dele, e seu dragão rugiu desafiando.

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Piper seguiu Rave de volta ao elevador, torcendo as mãos. Ela sabia que não havia mais nada que pudesse fazer, além disso, percorrer Vegas por si só? Já teria que transferir dinheiro para voltar para casa se o jato privado não a levasse sem Esme. Uma inquietação sem-fim subiu por suas costas e parecia apertar em volta da garganta, então puxou o capuz de seu suéter. Talvez devesse contactar Lars de qualquer forma. Ela pode não gostar dele, mas sabia que ele faria qualquer coisa para recuperar Esme. Exceto... Seu plano inteiro para o fim de semana não foi deixar Ez longe dele? Bem, missão cumprida, aparentemente. Esse também foi o plano de Anjali? Piper suspirou e esfregou a parte de trás do pescoço, onde o bichinho da preocupação se instalou em um nó. - Vire-se. - Rave a afastou gentilmente e colocou suas grandes mãos em seus ombros. As fortes almofadas de seus polegares cavaram nos músculos tensos e Piper soltou um gemido. Ele congelou. - Muito forte? - Na medida. Ou um pouco para a esquerda, na verdade. - Eu gosto de uma mulher que sabe o que quer. Será que sabia? Fugiu dele ontem à noite rapidamente quando, na realidade, queria ficar. Ela virou-se dentro dos limites de seu aperto para olha-lo. - Estou feliz por você estar disposto a me ajudar. - Disse ela. - Eu não sei o que eu teria feito... Suas mãos flexionaram e se soltaram. - Você não precisa se perguntar. Estou aqui. Ela nunca teve realmente isso, exceto de Esme e Anjali. Sua família a amava, mas eles não tinham recursos para ajudá-la. Piper manteve sua bunda na escola e

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no trabalho para se certificar de que nunca precisaria pedir ajuda. E mesmo com suas amigas, lutou para se tornar útil pelo menos, porque nunca poderia ser igual. Mas com Rave, não havia nada que pudesse dar que ele já não tinha, e ela não tinha nada a oferecer. Com exceção de si mesma. Havia algo libertador nesse pensamento. Ela se inclinou em suas mãos. - Eu queria que houvesse algo que eu pudesse fazer. - Estamos fazendo tudo o que podemos. Torch é o melhor que você poderia pedir. Quando ele as encontrar, descobriremos o próximo passo. Piper assentiu. - Mas eu quis dizer, queria que houvesse algo que eu pudesse fazer. - Ela ergueu o olhar para ele. - Por você. Rave retornou o olhar com a mandíbula flexionada. O que ele não estava dizendo? A porta do elevador soou atrás deles e ambos giraram quando abriu. A parte de trás do pescoço de Piper queimou, tanto pela tensão que ele lançou como pelo peso de seu olhar penetrante. Ela o aborreceu? Irritou-o? Não quis que soasse como uma proposta - bem, ela tinha alguma coisa, mas não exatamente. Ele não a parou quando partiu ontem à noite. Rave a conduziu em um curto corredor onde atravessaram um conjunto de portas duplas. Embaraçada por seu silêncio contínuo, ela deu alguns passos apressados para longe dele e parou com um suspiro abafado. Não tinha percebido quão alto eles estavam, mas todas as montanhas do lado de fora da cidade se estendiam diante deles, com a luz áspera do sol de inverno. Seu coração expandiu-se na beleza severa do deserto e ela se viu atraída pela janela. Estendeu a mão como se pudesse tocá-la, mas no último momento percebeu que deixaria as impressões digitais no enorme vidro que ia do chão ao teto. Fez um punho e colocou os nódulos dos dedos contra a janela deixando a frieza acalmar seus medos. - Os verões do ensino médio eu trabalhei com meu pai. - Disse ela. - Adorei estar lá fora com ele. E eu realmente gosto do trabalho de campo que faço no meu 71


emprego, mas tenho tomado mais tarefas de gerenciamento para preencher meu currículo. Às vezes fico tão louca com todas as pequenas coisas, que esqueço de olhar e respirar. Piper estava intimamente consciente da presença de Rave no ombro dela. Embora ele não a tenha tocado, sentiu o calor irradiando e seu pulso disparou novamente. - Eu gostaria de sair mais também. - Ele disse bruscamente. - Mas sempre há algo que me mantém aqui. - Talvez... - Ela se virou lentamente em direção a ele, ficando de costas para o vidro. - Quando tudo isso acabar, possamos dirigir até a Black Mountain para passar o dia. É apenas uma meia hora de carro ou algo assim, e eu ouvi que a visão da Strip é excelente. Ele olhou-a fixamente. - Isto é. Seu estômago apertou. - Oh. Você já fez isso. Claro que você fez. Bem. - Eu poderia mostrar-lhe um desfiladeiro secreto que abre no final de uma visão, eu juro, quase todo o caminho para o Grand Canyon em algumas das terras mais selvagens deixadas neste país. Nada além de pedra e céu, tanto quanto os olhos podem ver. Uma nota de anseio em sua voz atingiu um acorde de resposta em sua alma, e, no entanto, ele nunca olhou para a vista deslumbrante. Em vez disso, seu olhar estava preso ao dela. - Você tem tantos segredos. - Pensou. Ela quis fazer uma provocação, mas ele ficou rígido e deu um passo para trás – Verdade... Rave começou a dizer outra coisa, mas seu telefone tocou e ele se virou para verificá-lo. O sol austero tocou-o com um brilho prateado, adicionando destaques metálicos aos seus grossos cabelos castanho-cacau. No lugar da camisa de linho chique que ele usou na noite passada, uma túnica desgastada de carvão cinzento se agarrava aos ombros e bíceps, mostrando o leve resplendor de suas tatuagens. Se ele trabalhava à noite, provavelmente interrompeu seu horário de folga. Tinha muita sorte dele ter atendido seu chamado. 72


Ela voltaria para ele novamente se ele pedisse. O frio do vidro parecia estender a mão e envolver tendas insidiosas ao redor dela, apertando a pele de Piper em direção ao seu coração. Aqui estava ela, desejando esse homem, enquanto em algum lugar naquela grande vista, suas amigas estavam desaparecidas. Se afastou da tentação de olhar para ele. Agora que não estava distraída com a visão e ele lhe dava um pouco de espaço, observou o resto da sala. Pensou que era uma sala de conferências, tão larga e com janelas assim, mas agora percebeu que era uma suíte como a de Esme, apenas, oh, cem vezes mais luxuriante. No vestíbulo onde entraram tinha pendurado uma pintura de tripé, com cada um dos três painéis mostrando uma cordilheira e um céu em condições divergentes; uma manhã pacífica de azul e ouro, um verão escaldante de vermelho e brancoosso, uma tempestade de Cinza e roxo. Como se a ampla vista além do vidro não fosse suficiente para ele. Um enorme sofá em forma de U em uma sala de estar afunilada na junção de canto das janelas, emoldurou um poço de incêndio a gás - apagado no momento com a capota suspensa, como uma pousada de esqui. A pequena cozinha era toda em mármore preto e aço inoxidável brilhante, com uma prateleira de vinhos e um bar com bebidas suficiente para manter um exército de esquiadores bêbados. Na outra direção, através de uma porta meio aberta, seu olhar congelou em um vislumbre de uma cama gigantesca. Ao contrário da decoração de alta tecnologia no resto da suíte, a cama parecia nitidamente medieval, com cartazes de madeira esculpida cobertos por cortinas escuras e aveludadas. Teve um flash de imagens eróticas; suas mãos agarrando a grossa madeira enquanto Rave a pegava por trás... Como seus pensamentos rebeldes, os travesseiros tinham caído do alto colchão e ficaram espalhados no tapete felpudo. Então, ele não era o tipo que arrumava sua cama, mas não permitiu que mais ninguém o fizesse. E, aparentemente, também teve uma noite difícil. Assim, lembrou-se do por que ela o deixou na noite passada. 73


Este não era o mundo dela. Não tinha seus próprios segredos. Não era rica como Ez. Nem uma artista como Anj. Era simplesmente a velha Piper Ramirez, trabalhadora e amiga frequentemente sem ideias. Ela afastou-se de Rave tentando encontrar um lugar para ficar onde ela não se sentisse perdida no grande espaço. - Eu deveria estar lá procurando por eles. - Se preocupou quando ele olhou por cima do seu telefone. - Torch e sua equipe estão fazendo tudo. - Rave lembrou, levantando o telefone como se fosse uma prova. - Eu tenho fé neles. Nós só precisamos dar-lhes tempo. Ela olhou para ele pesarosamente. - Se fossem seus amigos perdidos ou o AWOL, você seria paciente? Seus lábios curvaram em um sorriso e inclinou a cabeça para reconhecer seu ponto. - Mas se minha presença estivesse dificultando as coisas, eu iria sair do caminho. Piper juntou as mãos, remorso contorcendo ainda mais profundo. - Eu piorei as coisas. Rave caminhou até ela. - Não foi culpa sua. Você estava preocupada com suas amigas. Com razão, parece. Tê-lo tão perto, fez com que ela desejasse apenas enterrar em seus braços e se esconder para sempre. Mas sabia que não era uma opção. Nunca tinha sido, não para ela. - Ainda assim, eu preciso fazer algo. - Você pode ficar aqui comigo, então eu sei que você está segura. - Disse ele. Ela endureceu. - Segura? O que você quer dizer? - Suas amigas desapareceram em circunstâncias peculiares e não estão respondendo às chamadas. Não quero que isso aconteça com você. Piter envolveu seus braços em torno de si mesma. - Ninguém está atrás de mim. - Ela insistiu. - Esme e Anj são aquelas que todos querem. Rave perseguiu um círculo lento ao redor dela. - Você não faz ideia... - Então se aproximou e agitou seu telefone. - Torch enviou uma atualização. Sua equipe repassou toda a filmagem de segurança desde que sua limusine as deixou na porta da frente. Não há nada de incomum, a não ser que você não conte com jogos de azar, compras ou comer, tudo o que temos aqui em abundância de cinco estrelas, 74


até que elas apagaram nossas câmeras e desapareceram. Não conversaram com ninguém além de você. Ninguém se aproximou delas. Nos locais onde tiveram interações muito breves com a equipe, nossos funcionários disseram que tudo parecia bem. Seja qual for o problema que encontraram, parece que trouxeram isso com elas. Piper franziu a testa. - Problema? Mas este foi apenas um divertido refúgio com muitos compromissos de SPA. Ele olhou para ela. - Você não gosta dos nossos SPA’s? Toda mulher deixa comentários brilhantes sobre nossos SPA’s. Será que ela magoou seus sentimentos? Sua mente girou tentando manter seu estado de espírito. - Eu não sou toda mulher. - Não. - Ele disse suavemente. - Então você não é. - Seu tom afiou novamente. - Torch está indo para a empresa de libré com seus homens para persuadir os funcionários a falar. Além disso, enviou alguém para conversar com a empresa de aviação e o motorista da limusine. E tem também uma equipe observando a família e o noivo de Esme. E em Anjali. Estou apostando que ele encontrará suas amigas antes da metade das informações voltarem. Piper inclinou-se. Todas aquelas pessoas tentando ajudá-la, quando não podia sequer ter certeza de que não tinha irritado suas amigas o suficiente para que a abandonasse. - Não poderei pagar você. - Você não vai. - Ele concordou. - Porque eu não vou pedir para você. Inclinou a cabeça para olhar para ele. - Por que você está fazendo isso? Por um longo segundo, ela pensou que ele não a responderia. Estava de frente para a janela e seu olhar -azul-pálido de um oceano turbulento - parecia mais longe do que os picos das montanhas. - Há algo que você pode fazer. - Disse por fim. - Para mim. Ela se animou. Trabalhou arduamente para ganhar suas bolsas por mérito e limpou o banheiro do apartamento da faculdade, mais do que sua parcela justa, para compensar o fato de que Ez comprou todo o vinho e sorvete e Anj ganhou a remoção de toda a erva daninha. Ela nunca quis obedecer ninguém. - Diga-me. - Disse ela.

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Mas apesar de toda sua autoconfiança, dessa vez Rave parecia desconfortável. Lançou uma rápida olhada para Piper antes de se voltar para a janela. Como se não quisesse estar muito perto dela e precisasse do consolo daquela visão distante. - Eu tenho um... Mal. - Ele disse devagar, e rapidamente acrescentou. - Não é nada infeccioso ou mesmo notável no momento. Mas... - Ele respirou fundo. - Isso vai me matar. E mais cedo do que tarde. Piper apertou os dedos nos lábios. Todo o seu corpo inclinava-se para Rave, tentando ir até ele, mas a distância era mantida entre eles enquanto abordavam o assunto, e Piper iria honrar sua necessidade de espaço. - É uma condição degenerativa do sangue, mais ou menos. - Continuou ele. Eu não tinha percebido o quão longe tinha progredido. Mas ontem à noite... - Ele levantou o queixo para encontrar seu olhar angustiado, os braços cruzados sobre o peito amplo. As tatuagens em seus braços tensos brilharam para ela e Piper sentiu o impacto de quão vulnerável ele estava se permitindo estar com ela. - Na noite passada, senti-me... Vivo. Pela primeira vez em muito tempo. - Ele a encarou diretamente. - Por sua causa. Ela engoliu em seco. - Por causa de... O que nós fizemos? - O sexo, sim. - Ele disse sem rodeios. - Mas foi mais do que isso. Nós temos uma conexão. - Seu olhar afiou. - Você sentiu isso também. Piper deveria estar arrepiada por ele conhecer seus sentimentos. Especialmente considerando que ele a deixara sair sem uma única palavra. Não importa que ela não o deixasse falar. Mas tinha que admitir que ele não estava errado. Apenas com o pensamento do que eles haviam feito, um fio de calor se desenrolou dentro dela, como as fontes geotérmicas que brotam de lugares secretos sob o Keep. Quão terrível era ela, ficar excitada com ele, com os amigos desaparecidos. Mas Rave estava ajudando a encontrá-los, com certeza merecia algum tipo de “prêmio”. Ou talvez ela não devesse ser tão tímida sobre isso; era um pagamento por serviços prestados, sexo por segurança, entregando suas fichas para uma chance de rolar seus dados... 76


Ok, agora já estava sendo ridícula. - Eu senti. - Admitiu ela. - Isso me assustou e por isso eu fui embora. Com uma respiração aguda, ele caminhou em direção a ela, pegando seus braços. - Eu nunca quis assustá-la, Piper. Ela olhou para ele com um sorriso irônico. - Tipo, me cobrando e me agarrando? Suas mãos soltaram e ele se afastou, então, lhe lançou um olhar cauteloso e paralelo. - Você está me provocando? - Um pouco. É a única defesa que eu tenho contra você, eu acho. - Eu não quero que você tenha nada contra mim. - Ele circulou em volta dela, espreitando lentamente. - Exceto seu corpo. Com um último pensamento esperançoso para suas amigas e uma oração para que a equipe de Rave pudesse encontrá-las, Piper se entregou a esta segunda chance. Ela virou-se para encará-lo, parando sua espiral agitada com uma mão no peito dele, logo acima de onde sabia que o ponto vazio estava, sem marcas de tatuagens - Diga-me o que sentiu - Ela murmurou. Ele soltou uma respiração profunda. - Minha pele sentia frio. Meus nervos já não respondiam à dor. Ou prazer. Às vezes, minhas articulações doíam tanto, não me movendo bem por dias. Mas ontem à noite, seu calor derreteu tudo, reestruturou a dor para algo mais doce, como o vinho que fluia pelas minhas veias. Seu riso encheu o vazio nos meus ossos. Eu quero isso novamente. Eu quero você… Os dedos de Piper se enrolaram em sua camisa enrugando o tecido macio, e ela balançou em direção ao anseio em sua voz. - Eu nunca fui assim, não para qualquer um. - Ela esticou a mão, sentindo o golpe urgente de seu coração. Talvez estivesse sendo ingênua por acreditar nele; Nenhum homem vivo falou isso para ela, mas... - Eu também quero isso. Ele fechou o meio passo entre eles e levantou-a de seus pés, um braço atrás dos ombros, o cotovelo curvado sob seus joelhos. Piper conhecia a força dele agora, então não fez nenhum som na mudança brusca de altitude, apenas enterrou o rosto no pescoço de Rave, inalando o cheiro mineral picante de sua pele. 77


Ele caminhou até o quarto, girando ela facilmente e chutando a porta fechada atrás deles. Aqui as janelas também iam do piso ao teto, preenchidas apenas com luz de inverno, mas a cama dominava o quarto prometendo tentações sombrias e exuberantes. Rave deslizou suas pernas para baixo, deixando-a ajoelhar-se na cama. O colchão grosso afundou sob seu peso, mas ainda era tão alto que, por uma vez, ela era um pouco mais alta do que ele. Piper manteve o braço em volta do pescoço dele e enterrou seus dedos em seus cabelos escuros enquanto ela olhava para ele com avidez. - Agora. - Ela disse. - Mostre-me o que você sentiu.

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Por todos os céus, ela era tudo o que um dragão poderia desejar; inocente e ousada, forte, mas submissa. E tão malditamente sexy. Rave passou as mãos sob a bainha longa de seu suéter e subiu a curva dos quadris para afundar os dedos na carne acolchoada do traseiro. Tão malditamente sexy. Ele arrastou as mãos para o corpo dela erguendo seu suéter ao mesmo tempo. Ela ergueu as mãos para deixar que o tirasse sobre a cabeça, depois passou os dedos pelos cabelos, jogando a cabeça para trás e se inclinando para beijá-lo. Sua boca estava aberta, toda quente, dava para inalar a febre de sua excitação. O dragão dentro dele lutou contra suas restrições e levantou-se, torcendo com todos os músculos apertados em seu desejo voraz de devorá-la. Se ela não o engolisse primeiro. Seus lábios cheios encontraram os seus, molhados e lisos, sua língua se dirigindo para tentá-lo, sua fome tão selvagem quanto a dele. O desespero de ambos ia além. Como ela poderia combinar os desejos com os do seu dragão quando nem sabia que ele existia, nunca acreditaria em sua história? Mas ela acreditou nele quando ele falou - obliquamente, sim, mas com sinceridade - sobre os petralys que o matariam. Ela aceitou a sua explicação sem questionar, o coração tão puro e aberto como as águas da piscina do jardim, mesmo quando admitiu que a tinha assustado. Bem, ela o assustou. Se ela fosse uma das solárias quase míticas, como poderia deixá-la ir? Seus dedos apertaram quase dolorosamente nos cabelos dele, levantando a cabeça para quebrar o beijo. Olhou-o desconfiada. - Você estava ficando frio comigo de novo, não estava? - Nunca. - Ele murmurou. Agarrou seus braços atrás das costas, forçando-a a caminhar em sua direção. Seus seios incharam luxuriosamente, as aréolas escurecendo o tecido pálido e sedoso do sutiã. Ele abaixou a cabeça e, com um 79


aperto de suas mandíbulas, abriu o fecho entre os seios. As metades se separaram como uma casca de ovo frágil, revelando os montes pródigos. Ele passou a língua em um dos mamilos e mordiscou-o até que ficasse endurecido e brilhante. No momento em que voltou a atenção para o outro mamilo, sugando-o como o eco erótico da cordilheira pela janela atrás dela, Piper se contorceu contra ele com a respiração trêmula. - Tão linda - Ele murmurou. Seu corpo lembrou o tríptico exposto na entrada e o céu nele representado, revelando tantos sentimentos que, apesar de todos os séculos que tinha, nunca poderia se cansar de ver. – Tão excitada. As mãos de Piper agarravam seu peitoral com uma urgência sem palavras. Ele se viu extremamente excitado com aquilo, então, com uma ferocidade incontrolada tirou sua camiseta e mergulhou em seus lábios. Com a meia nudez de Rave, calor subiu pelas bochechas dela e os olhos escureceram denunciando seu tamanho desejo. Não! Ele não estava apenas excitado, estava morrendo por ela. Chegando naquela enorme cama, já não queria que mais nada ficasse entre eles, agarrou as calças de Piper e terminou de despi-la com fome nos olhos sentindo as mãos cada vez mais trêmulas e doloridas. Nesse momento ele podia ter temido aquela praga maldita; nunca parecia fraco, não antes dela; mas essa não era a dor distante e gélida a qual convivia. Era uma agonia ardente, uma enorme necessidade de se enfiar nela, ali, naquele momento. Era quente como o fogo que ele escondia dentro de si. Suas mãos passavam de um lado a outro, igualmente frenéticas tentando livra-lo do jeans; puxou o zíper com uma urgência que o fez estremecer de medo por sua carne apertada entre aqueles desconfortáveis tecidos, e então ele não conseguia enxergar mais nada, Piper mantinha aquelas mesmas mãos ansiosas sobre seu pau, em carícias tão excitantes que ele não suportou esperar. Seu pau ficou ainda mais duro com suas carícias, como se isso fosse possível, Rave não estava aguentando aquela tortura, afastou suas mãos com delicadeza e colou seus corpos nus como ansiava desde que ela o deixou na noite passada. E era tudo o que podia fazer no momento para não gozar em seus curiosos dedos.

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Ele agarrou ambos os pulsos em uma mão e a esticou na enorme cama, os braços acima da cabeça e as pernas abertas enquanto ele se arrastava entre suas coxas liberando um baixo e excitado gemido de ambos. Ela empurrou impacientemente, mas ele firmou seu aperto, e a encarou com seriedade. - Eu acharia suas amigas para você de qualquer maneira. - Disse ele. - Eu foderia você de qualquer maneira. - Ela retrucou. Um brilho de diversão pairou sobre o olhar de Rave, com toda essa atitude, como ele poderia não ser atraído para ela? Sem mais palavras ele mergulhou a cabeça para arrebatar sua boca. Ela o provocara e ele já estava na borda de seus impulsos; quando arqueava, os bicos entumecidos de seus seios perfuravam a parede dura e implacável de músculos e aquela buceta perigosamente roçando no seu pau fazia ele perder a cabeça. Se ela continuasse assim, em segundos empalaria deliciosamente o seu pau desenfreado e desprotegido, que a muito não se controlava. Mas ela parecia estar inerte ao perigo, então Rave tomou as coisas - e seu pau - em suas próprias mãos e alcançou a mesa de cabeceira para buscar o maldito preservativo. Ele nunca tinha entendido por que Torch insistia que todos os dragonkin mantivessem a proteção ao alcance das mãos - ele nunca precisou disso. - Durante um século, ele nem sequer se importou com isso. Mas agora se desculpou mental e fervorosamente por duvidar do seu primo. Seu dragão pode não ser capaz de pegar ou espalhar doenças humanas, mas se essa simples barreira eliminasse a necessidade de explicar todos os pormenores, então, para ele, era mais que o suficiente. Piper sorriu preguiçosamente em resposta, revelando a encantadora fenda entre seus dentes. Ela estava ciente da necessidade de um preservativo e esperou que ele fizesse o que era certo para ela. Sua confiança quase o destruiu. Especialmente quando pensou em por que ele realmente estava fazendo isso. Mas, em toda a sua auto aversão interna e solitária, seu pau inchou para proporções épicas enquanto ele se enfiava entre suas coxas. Piper cravou as unhas em seu peitoral, em busca de apoio, e agarrou seus ombros com uma força que não aparentava ter, instintivamente seguindo o fluxo da musculatura de voo que se esforçava bravamente para ser liberada, mesmo nesta forma terrestre.

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Ela o puxou mais perto, espalhando mais as pernas, os ossos longos de suas coxas acolchoavam gentilmente para recebê-lo enquanto se concentrava em sua abertura. Sua buceta encharcada se abriu deliciosamente para receber o toque e, nesse momento, era mais preciosa para ele do que as portas de ouro que guardavam seu jardim subterrâneo. Quando Rave empurrou a cabeça grossa de seu pau em suas profundezas, ela jogou a cabeça para trás em delírio. Contra seus lençóis de vinho escuro, seu cabelo preto brilhante fez ondas estacionárias, como uma obsidiana vulcânica e brilhante. Ela estava tão quente e molhada, os músculos contraindo em um aperto sem clemência ao redor dele, como se ela nunca fosse capaz de soltálo... Liberava apenas o suficiente para que se enfiasse ainda mais fundo dentro dela. Rave se viu com a respiração áspera e descontrolada por segurar-se tanto, engolindo o tremor de fome do dragão. Ela ouviria a besta, saberia - em algum nível - o que ele era. Ele não podia permitir isso, não quando estava tão necessitado de sua rendição e com a esperança de subverter sua energia de solária para revitalizar o ichor. Ele apertou os dentes e bombeou duro dentro dela sentindo uma renovada urgência. Quão grande sua surpresa foi que ela o acompanhou, empurrou cada vez mais fundo, seus dedos desceram por suas costas até encontrar e se apoiar em sua bunda. Piper cravou suas unhas com tal força que puxou as laterais de seu traseiro, as cócegas de ar através daquela parte raramente exposta de si mesmo o fizeram socar furiosamente em sua buceta. Ela gritou, e ele tentou se afastar horrorizado pensando tê-la machucado, mas em seu êxtase curvou-se na cama, os quadris encharcados na pélvis quando ela entrou em um orgasmo explosivo. Impossível – não quis se controlar - caiu atrás dela. E um grito de triunfo rouco do dragão rasgou sua garganta.

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Seu grito a fez voltar. Piper fechou os olhos quando todos os músculos mantiveram a agonia e o êxtase do momento, relâmpagos em cascata através de sua buceta e disparando ao longo de cada nervo ... Até seus dedos estavam formigando. Rave empurrou uma e outra vez, forçando as contrações de seu orgasmo intenso, cada espasmo fazia espirrar, dourar a prata e explodir através de suas pálpebras. Que diabos ele tinha feito com ela? Ela nunca veio tão alucinadamente, pelo menos não com mais ninguém. Era como se ele conhecesse seu corpo tão bem quanto ela, e isso depois de apenas um, agora dois, encontros. Deus, o que ela não daria a ele por um terceiro? Daria tudo, provavelmente. Assim que pensou, a possibilidade a perturbou. Sexo – alucinante - de uma noite era uma coisa. Um instante mágico na luz implacável do dia era outra. Mas terceiras vezes parecia não se encaixar... Bem, isso sempre foi o charme, não? Ele ainda estava apoiado sobre seu corpo, os braços endurecidos, seu peito tremendo e sua testa encostada na cabeça dela. As rajadas de sua respiração refletiam nos cabelos dela e enviavam um arrepio fresco por suascostas. Ele conseguiu chegar em todas as partes dela mesmo quando não a tocava. Ela olhou para seus corpos unidos, estava dolorosamente consciente de sua respiração harmonizada, dentro e fora, diminuindo gradualmente. E o poderoso braço ainda o mantinha sobre ela. Levou a mão sobre a pele vazia acima de seu coração, seus dedos espalhados ali, pareciam um X marcando o território. - É como um mapa do tesouro. – Pensou em voz alta. Se ela não estivesse tão sintonizada com sua respiração, talvez não notasse seu tom surpreso. – Hm... O quê? - Um mapa do tesouro. Veja, aqui estão as montanhas. Aqui está a floresta. Ela enrolou os dedos através dos pêlos do seu peito e sorriu. - Aqui está um litoral e um rio. Até mesmo o crânio e as cobaias cruzadas. Todas essas tatuagens são pequenas pistas que nos levam ao tesouro enterrado de um pirata. - Ela esticou os braços para apertar sua bunda. 83


Com um grunhido, ele finalmente aliviou os braços, caindo no colchão ao lado dela. Relutantemente escorregou para fora daquela buceta quente e rolou para descartar o preservativo. Ela continuou dedilhando as tatuagens, agora sobre seus ombros. - Talvez você possa fazer uma que diga “Aqui estão os dragões”. Ele murmurou alguma coisa. - O que? Ele voltou a encará-la, dobrando um braço debaixo da cabeça. - Eu disse que os piratas não são os únicos com tesouro enterrado. Ela enrolou o braço em um travesseiro, espelhando sua posição. - Eu suponho que você conheça tudo sobre tesouros estando em um cassino. Ele piscou lentamente. - Ainda falamos sobre dinheiro ou mapas? - Ambos, eu acho. É só... Parece-me que você tem tudo o que alguém poderia querer aqui, todo o dinheiro, toda a emoção, mas você aparenta... - Ela mordeu o lábio. Foi aí que ela teve problemas com Esme e Anjali, julgando o relacionamento de Ez com Lars, mencionando a falta de relacionamento de Anj com qualquer um. Ela afastou suas amigas com o excesso de preocupação e não ia cometer o mesmo erro com Rave. Suas sobrancelhas estavam franzidas, não com raiva, mas questionando. – Eu pareço o quê? - Não importa. - Ela corou. - Eu culpo meu trabalho, onde eu levo poucas amostras de coisas e procuro descobrir o que tem dentro delas. Eu não conheço você o suficiente para saber ou afirmar o que você é ou não é. - Oh, acho que você sabe mais do que imagina. - Disse enigmático. - Eu mostrei a você muito mais do que eu já mostrei a alguém. - O jardim é incrível. E a cachoeira. O vinho estava incrível. - Ela não conseguiu evitar passar os dedos pelos cabelos desgrenhados dele. - Você é incrível, com certeza. Isso a destruiu por dentro. Não conseguia considerar qualquer condição que viesse a matá-lo lentamente. Ela não queria imaginar um mundo sem sua apaixonada e marcante intensidade. Por sua vaga descrição, ela pensou que seu 84


problema poderia ser algum tipo de transtorno neurodegenerativo, roubando sua capacidade de sentir e se mover. Os sintomas eram tão contrários ao homem vibrante ao lado dela, simplesmente não estava certo. - Eu não sou incrível. - Ele pegou a mão dela levando até seu rosto. - Eu estou amaldiçoado. E todas as riquezas e emoções deste lugar não mudarão isso. Ela quase podia acreditar na verdade dessas palavras. - Eu ia dizer que você parece solitário. - Outra maneira de dizer o que eu disse. - Talvez você não tenha encontrado alguém certo para mudar isso. Ele virou a mão dela e apertou um beijo em seu pulso. - Ou talvez eu tenha. Piper sabia que ele sentiu a explosão repentina de sua pulsação bem debaixo dos seus lábios. - Rave… - Piper, você ficaria? Se eu lhe pedisse, se eu dissesse “por favor e obrigado" e todas as outras palavras que as pessoas dizem, você ficaria e tentaria me salvar com a mesma ferocidade com a qual quer salvar suas amigas? - Seus olhos de tempestade torrencial pareciam redemoinho com nuvens misteriosas, escondendo relâmpagos em suas profundezas. - Ficar? Aqui? - Ela quase gaguejou as palavras. - Você quer dizer hoje à noite? - Quero dizer, fique comigo. Para sempre. – Mais um beijo roçou seu pulso, não exatamente um beijo desta vez, mas um sorriso zombador. - Embora comigo, para sempre provavelmente não será muito tempo. Sua mente correu ainda mais rápido que seu pulso. Por que ele pediria para ela ficar? Ela não era ninguém, não era nada para ele. Sabe que poderia ter qualquer uma que pedisse. Bem, talvez não Esme e Anjali desde que fugiram. Mas qualquer outra pessoa. Mas ele estava ali, ao seu lado, agora mesmo. Ela abriu a boca, mas não sabia o que ia dizer, ele sentiu sua hesitação, se inclinou abruptamente para frente, tomando seus lábios e engolindo sua resposta em um gesto mudo de compreensão. - Guarde esses pensamentos. - Disse ele. - Eu volto já. Ele girou na cama e caiu facilmente sobre onda de travesseiros que permanecia no chão. Flexionando sua bunda enquanto abaixava, pegou um par de 85


almofadas e jogou nela com um sorriso que aqueceu seu coração. Para alguém em uma condição supostamente dolorosa e debilitante, ele lhe pareceu muito bem naquele momento... Ela franziu a testa para si mesma enquanto ele adentrava o banheiro e acendia uma luz que iluminava os azulejos de mármore escuro. Ele fechou a porta encarando seu olhar semi-suspeito, e então pode ouvir o som da água correndo. Não que Piper duvidasse dele. Não exatamente. Mas estava claro que ele mantinha segredos - ela mesma já fora apresentada a alguns - e era óbvio também que não se poderia descobrir todos em apenas um dia. Mesmo sendo ela. Como o mapa de tatuagens em seu corpo, suspeitava que havia muito mais para ver se o olhasse do ângulo certo. Piper rolou sobre suas costas fixando o olhar no dossel da cama. Inclinou um poucosua cabeça enquanto estudava o cartaz de madeira esculpida segurando as pesadas cortinas. No início, pensou que os cartazes estivessem gravados com as folhas de hera padrão ou algumas dessas, mas quando ela olhou mais perto, percebeu que eram escamas. As serpentes de Twining subiram os pólos e serpenteavam pela cabeceira. Não, não cobras. As espinhas e as asas flambavam sobre o dossel, e as línguas pregadas pareciam inclinar-se cintilando para ela. Não era de admirar que estivesse pensando “aqui estão os dragões”. Ela não se importava com escamas. Quando estava no campo tomando amostras de água, encontrou muitos peixes, sapos e pequenas cobras de água, e gostava de vê-los, uma vez que animais saudáveis costumavam significar água saudável. Ainda assim, o design parecia estranhamente sensível e profano para o que era claramente uma antiguidade. Ele se encaixa perfeitamente. Piper suspirou. O que deveria responder quando ele voltasse? Fizeram um sexo animal por duas vezes e se conheciam a menos de um dia. Isso não podia ser suficiente para embasar um relacionamento, podia? E ainda tinha o fato do desaparecimento das suas amigas... Ela sacudiu a cabeça contra os lençóis deixando a preocupação de lado. Só precisava dizer-lhe para ir com calma. 86


Exceto que, saber que ele não tinha esse tipo de tempo não estava ajudando. Rave saiu do banheiro, caminhando em sensualmente em sua direção. Sua mandíbula estava em uma linha determinada e sangue escorria de seu braço, brilhante como chamas.

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Sua mente estava nublada, Rave esperou até que suas pupilas fossem do olhar furtivo do dragão para um círculo mais humano antes de sair do banheiro - Piper, há algo que eu preciso lhe dizer... - Oh, meu Deus, Rave! Ela pulou da cama e correu para ele. Pegou uma almofada que encontrou no caminho e, por um segundo, ele chegou a pensar que se pegariam pornograficamente em uma guerra de travesseiros. Se excitou muito com isso, mas então ela o tirou de seus devaneios e o pegou pelo braço. - O que aconteceu? - Ela ergueu seu cotovelo e o pressionou levemente com a pequena almofada, estancando o fluxo contínuo de sangue. - Você está machucado em algum outro lugar? - Não é nada, fica tranquila. - Ele disse com impaciência. Ultimamente, coletar seu ichor se comparava a cavar tesouros enterrados, estando eles a meio caminho da China e sendo apenas metade de uma moeda de ouro. Ele não esperava que dessa vez fosse encontrar tão rápido e superficialmente. A faca de ferro que ele tinha preso em seu braço tinha derretido e o deixado chocado enquanto tocava o ichor que saia violentamente sob sua pele. Estava tão surpreso que acabou se cortando um pouco mais profundamente do que esperava e nem percebeu quando avançou a porta encontrá-la. - Como não é nada? - Argumentou ela. - Isso vai precisar de sutura. Você não está ferido em nenhum outro lugar? - Não. Eu o quê? – E agora, o que diria? Cortou o braço ao se barbear? Ela não acreditaria nisso. E de qualquer forma, ele precisava ser sincero - um pouco mais sincero, pelo menos - se pretendesse prepará-la para ser solária. Para salvar Bale. Ele soltou um suspiro lento. - Eu estava checando meu sangue. - Não fazia sentido tentar explicar isso por agora. Piper franziu a testa – Tipo um monitoramento de glicose? Nenhum exame precisa de tanto sangue em um tubo de coleta. 88


- Eu escorreguei. - Ele tentou um sorriso. Mas ela não estava acreditando em nada disso. - Quem é seu médico? Se precisarmos vê-lo... - Ninguém precisa me ver. - Exceto ela, que salvaria seu senhor e suspenderia a execução dos Nox Incendi. Sua expressão suavizou. - Deve ser difícil para você. Admitir que precisa de ajuda nisso quando tem tanto poder em qualquer outro aspecto. Ele balançou sua cabeça em negação. - Eu posso admitir isso. Preciso da sua ajuda, Piper. Minha equipe encontrará seus amigos, mas eu preciso muito que você me ajude. Ela olhou para ele, seus olhos escuros brilhando acima do jade de seu suéter. - Estou aqui por você. Tão simples e tão ingênua. Não é de admirar que os dragões se aproveitassem das inocentes. Ela iria separar seu mundo para salvar o dele. - Venha comigo. - Ele deu uma limpada no braço, tirando apenas o pior do sangue que escorria e jogou a almofada no chão antes de procurar suas roupas. - Rave. Você precisa manter isso pressionado... Ele desdobrou o braço nu para ela, flexionando o suficiente para mostrar-lhe as bordas quase curadas do corte descuidado que ele havia feito. Ela fechou os olhos em confusão. Então olhou novamente. - O quê? - Sua voz estava fraca. - Eu sei que você tem perguntas. - Ele lhe entregou sua roupa. - Mas será mais fácil mostrar-lhe. Você virá? Ela não respondeu, mas se vestiu lançando olhares de soslaio, enquanto ele fazia o mesmo, enquanto colocava o jeans, a camiseta e as botas. Rave a levou até o laboratório. No elevador, Piper, ainda em sua descrença, ergueu o braço dele em direção à fraca luminosidade local. Os filamentos de pele que cobriam a ferida recente eram tênues, e em uma tentativa maior de exploração, percebeu que não havia mais sangue ali. Ela fez um suave som de confusão, mas não disse nada. Rave não podia culpá-la por isso. 89


Sua mente girava em torno de sua possível explicação e em como ele ganharia sua cooperação. E o que ele faria caso os dois primeiros falhassem. Enquanto entravam no laboratório, ela fez outro som estrangulado e recuou um passo. Sendo cientista também, é claro que reconheceria algum equipamento. Mas muitas de suas ferramentas e processos foram copiados de antigos alquimistas, então os alambiques, cadinhos, argamassas e o caldeirão de ferro fundido tinham um elemento distintamente medieval. Sem mencionar aquele terno cavalheiro com armadura de aço. Mordendo forte o canto dos lábios deixou que seu olhar varresse o lugar antes de encontrá-lo novamente. - O que é este lugar? - É onde estou tentando curar essa doença. - Você é a máfia do cassino e médico? E, claro, não podia deixar de observar, um fã dos Antiques Roadshow? Ele grunhiu. - Nenhum desses. Eu sou... - A verdade bateu dentro dele com asas poderosas. Mas, novamente ele escondeu seu animal dentro de si. - Eu estou mais próximo de uma resposta que eu jamais estive. Por sua causa. - Ele a guiou em direção a mesa de trabalho entregando-lhe frasco de cristal com o ichor moribundo de Bale aglomerado no fundo. Numa vã tentativa de olhá-lo com olhos esperançosos, pensou que aquilo deveria parecer exatamente o que era; a morte. - Há uma substância no meu sangue que costumava parecer com algo assim. Não tão ameaçador, mas quase. Ela levantou o frasco para a luz, girando-o lentamente. - Algum tipo de contaminante de metal pesado? Ele piscou. Rude, talvez, mas não chegou a soar estúpido. - Algo parecido. - Você tentou quelação? O agente de ligação apropriado dependeria do poluente, é claro. - Ela parou de repente. - Mas se você estudou isso, é claro que já tentou de tudo. - Eu pensei que tinha. - Disse ele sinceramente. - Eu admito, não tinha considerado vinculativo e extração. - Remover o ichor inteiramente mataria o dragão.

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Mas talvez isso salvasse o homem – ousou pensar, balançando a cabeça em negação logo em seguida. Um metamorfo de dragão não era nada sem sua besta. A quelação não funcionará. A substância é realmente um componente-chave do nosso sangue. - Nosso? Merda. Isso já estava ficando complicado. Ele não queria expor a existência do resto dos Nox Incendi se não fosse extremamente necessário. Mas ele falaria de Bale, e Piper o conheceria. Caso se tornasse a companheira do rei. O dragão de Rave atingiu a superfície dentro dele, e foi forçado a retornar, como ele tinha feito uma e outra vez pelo bem da tribo. - Meu irmão sofre da mesma desordem, embora seu caso esteja mais avançado do que o meu. Piper baixou o frasco e encontrou seu olhar. - O que você acha que eu posso fazer? Tenho experiência com a qualidade da água, que é um problema de saúde pública, mas não com aplicações humanas diretas. Bem, ele não era humano de qualquer maneira, pensou, no entanto engoliu essa resposta. - Eu lhe disse quando estávamos juntos na noite passada que me senti... Diferente. Mais vivo. Seus lábios se curvaram em um sorriso irônico. - Eu pensei que era uma cantada. Ele franziu o cenho para ela. - Eu seria tão não original? - Bem, desculpe, eu não te conhecia até então. Como se ela o fizesse agora. Ele engasgou com esse pensamento também. - Foi uma mudança real. Veja... Ele moveu o braço na frente dela, mostrando o corte quase curado. - Comparado com a amostra no copo, meu sangue estava quase comprometido. Mas agora... Pegou o bisturi em sua outra mão. - Rave! - Ela se apressou em direção a ele. Tão ousada. Ele não esperava que a reação fosse tão instintiva, então cortou com mais urgência do que precisão. Rastreando a linha que tinha feito antes, apenas um pouco mais superficial, ele liberou o ichor.

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O dragão respondeu à ferida ainda mais rápido do que Piper. A íris de um arcoíris translúcido fluía para dentro da ferida, provocando. Piper saltou de volta com um grito. O bisturi derreteu, e ele o deixou cair antes que os dedos dele queimassem. O ichor escorreu por sua pele com um silvo e um leve cheiro de metal queimado. O corte fresco sangrou por um momento mais antes de selar. Piper não tentou evitar o sangramento desta vez. Uma pontada de decepção fez com que ele apertasse o maxilar. Ele a chocou... Mas então percebeu que ela estava encarava a ferida completamente concentrada. - É real. - Ela murmurou. - Não é um efeito especial. Inferno. Espere até ver o dragão... - Pensou ele. - É real. - Como você chama isso? - Ichor. É uma característica hereditária da minha tribo. - Assim que disse tribo, ele percebeu que estava revelando demais, mas ela parecia tomar a palavra como dada. - Todo mundo que herda o... ichor eventualmente sofre a degeneração? Ele hesitou. - Sim. A doença é chamada petralys. - Petra. - Ela murmurou. - Significa pedra. A amostra inicial realmente pareceu virar pedra. - É. - Ele havia se dito isso mil vezes, mais do que mil, mas por algum motivo, pela primeira vez não se sentia sem esperança. Outro dragonkin tentou ajudar, mas a verdade é que Rave sempre esteve sozinho nessa luta. Agora não mais. Ele viu as engrenagens girando por trás de seus olhos escuros e pensativos. - Então, o que o fez suspeitar de que ter relações sexuais comigo traria a cura? Ele endureceu. Isso era um fio de dor em sua voz? - Nada. Eu não sabia que haveria algum efeito. Eu... Fiquei atraído por você. E nós... Bem, só depois, quando tomei uma amostra do meu sangue, vi a mudança. - Mm-hmm. Então você decidiu ver se poderia replicar os resultados hoje. Ah, essa foi definitivamente uma nota de censura. E ele sabia que só ia piorar. 92


- Nós podemos ajudar. - Ele lembrou. – Ambos temos algo que o outro precisa. Ela voltou a olhar para ele. - Certo. Então, você encontra minhas amigas e eu ajudo você e seu irmão. Você tem uma equipe de segurança, e eu... O que devo fazer? - Eu não sei. - Ele admitiu. - Eu cheguei a me perguntar se era apenas sua presença. Mas o ichor decadente no frasco não está reagindo. - Talvez eu tenha que estar em contato com isso. - Ela evitou seu olhar. – Nós tocamos. Muito. O dragão rugiu um desafio. Nunca a deixaria tocar outro. Rave conseguiu conter o som, apenas sacudiu a cabeça bruscamente. - Exceto nos raros momentos que me permito, o ichor fica confinado na minha carne, como se a amostra estivesse contida dentro de um cristal. Não precisou ter contato físico direto para reagir a você. Ela franziu os lábios. - Sua carne é dura, sua pele não é impermeável como o cristal. - Ela pegou a rolha. Rave colocou a mão sobre a dela, e ela o encarou, confusa. Sentiu mesmo algo dentro dele quando a tocou? Isso era o poder da sua solária? Ou era apenas a sua esquisita consciência de tudo sobre ela; o conjunto determinado de seus ombros, o brilho atrevido em seus olhos escuros, seu mel cheio de nata e canela. E o persistente perfume de sua excitação. Ela inclinou a cabeça. - Por que você está hesitando agora? Porque não queria arriscar-se. Por causa dela e pela vida de seu irmão. E para os seus. Se ele a perder... Como se percebesse sua dúvida corrosiva, pior do que a praga da pedra, segurando-o como refém, ela moveu a mão sob a dele afrouxando a rolha de cristal. A tensão que emanou dele tomou conta do ar, estava pronto para derrubar o cristal de sua mão se o ichor de Bale entrasse em erupção com a mesma ferocidade que o dele. Mas o nódulo enegrecido também poderia estar no fundo do oceano. Ela olhou o frasco, verificou a abertura e girou em seus dedos. Nada. 93


Então franziu a testa. - Talvez seja tudo correlativo, sem causalidade. - Não. Eu sei que houve uma reação. Eu vi. Eu senti. O olhar que ela lhe deu podia se comparar com piedade. - Eu sei o quanto isso significa para você... - Não apenas para mim. - Ele criticou. - Para cada homem da minha tribo. Seus olhos se arregalaram. - Não é só o seu irmão e você? Ele passou as mãos pelos cabelos. Já estava tudo fora de controle. - Todos os machos são afetados. Cerca de cem, todos desenvolvem. Tapando o frasco, devolveu-o. - Mas não as fêmeas? Talvez seja genético ou hormonal. Embora possa haver fatores ambientais. Se compararmos... - Não há mulheres na nossa linha. Ela piscou. - O que? Vocês todos produziram parthenogenetically? Ele sentiu suas bochechas enrubescerem. - Não exatamente. Piper entrelaçou os dedos atrás de sua cabeça, apertando-a como se assim manivesse sua mente lúcida. - Isso é muito bizarro. Eu não posso nem... Não sei o que eu esperava que acontecesse. - Bem, você veio a Las Vegas para um fim de semana de garotas. Presumivelmente, você esperava ter algumas chances, perder mais do que realmente podia pagar e fazer algumas escolhas questionáveis sobre as quais não precisaria comentar lá, visto que ficou aqui. Ela piscou de novo. - Verificado, cheque mate! Maldição! Quem era ela? O pensamento o esfaqueou mais profundamente que o bisturi, e o que surgiu não era a fúria opalecida do ichor, mas uma certeza cravada em seus ossos; deixá-la ir embora iria matá-lo. E não apenas literalmente. O telefone dele tocou, a interrupção bem vinda suavizando seu temperamento. Ele esfaqueou o slide. - Torch. Piper está aqui comigo. O que você encontrou? Depois da breve pausa, onde Rave suspeitava que seu primo ajustasse o que ele estava prestes a dizer com base no fato de Piper estar presente, Torch disse. Falei com o motorista do táxi. Ele alega que esperava no stand e foi o próximo na 94


linha quando as mulheres se aproximaram. Ele não as conhecia. Disse que aquela de cabelo vermelho pediu que as deixassse na Strip. Não houve conversa no caminho. Pagaram em dinheiro. Ele não reparou para que lado seguiram. - E de lá elas poderiam ter ido a qualquer lugar. - Rave evitou olhar para Piper. - Não encontrei o motorista da limusine que as trouxe até o Keep. O veículo é de uma empresa local, mas sua papelada está... confusa. O contato nos documentos do aluguel não está respondendo as ligações, mas o carro foi pago com um cartão de crédito emitido para a Ashcraft Amalgamated. - Essa é a companhia do noivo de Esme. - Piper interrompeu. - Com base em Salt Lake. - O jato está registrado para eles também. - Continuou Torch. - Eu tenho alguém observando o avião, mas parece estar bloqueado por enquanto. Nenhum plano de voo foi arquivado. E o piloto não está atendendo no número fornecido pelo registro do aeródromo. Piper murmurou em voz baixa. - Todos sumiram? Rave esfregou a mandíbula. - Ou estão todos juntos ou as pessoas da Ashcraft estão procurando por seus amigos também? - Lars estaria aqui em um minuto com todos os seus recursos se soubesse que Esme estava fora da agenda que ele preparou. - Disse Piper. - Talvez devêssemos comunicá-lo... - Vamos evitar isso. - Disse Torch. – Sua pequena amiga Anjali está nos enganando, mas acho que estou entendendo as suas artimanhas. - Você disse que Anj os levou para a Strip. - Disse Piper. - Essa única rua é muito grande para procurar. - Sim, mas não é. - Torch falou lentamente. - Ela gosta de escuridão e de caos. Posso trabalhar com isso. Rave ouviu o som do predador provocado na voz de seu primo; com Torch, o simples revirar de olhos de um caçador aborrecido e provocado poderia mudar para um golpe mortal em apenas um batimento cardíaco. As amigas de Piper não ficariam perdidas por muito tempo, e então se arrependeriam por atrair a atenção de um desportista de dragão pouco civilizado com propensão para o estrago. 95


- De qualquer forma. - Disse Torch mais rapidamente. - Estou apenas ligando para perguntar que nível de persuasão é autorizado. - Por qualquer meio necessário. - Disse Rave. - Bem, não assuste elas. - Piper objetou. Torch bufou. - Querida, que nem sequer movi a agulha. A linha foi desconectada. Piper olhou para Rave confusa. - Eu não sei sobre isso. Não sei sobre nada disso. Sua confusão e preocupação eram como um punhal apertando seu peito. E ele percebeu que nunca mais seria capaz de desistir dela. - Torch fará qualquer coisa para terminar sua missão. - Disse ele. - Até então, eu quero levá-la a conhecer meu irmão. Piper estava tão distraída com o que o ocorrido sobre suas amigas que nem o questionou. No entanto, quando levaram o elevador privado para o andar mais alto do Keep, sua cabeça não parou de trabalhar sobre cada acontecimento de hoje, ela se pertubou com as dúvidas e seu coração mergulhou em uma espiral da morte.

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Ela sabia que eles estavam nos andares subterrâneos, e sabia também que o Keep era quase um arranha-céu, mas lembrar que estava a caminho do topo a fez sentir como se estivesse ali há séculos. Ou talvez esses fossem apenas seus pensamentos e medos presos em uma montanha-russa sem fim. Ela tinha passado de seu microscópio silencioso em um prédio de escritórios bege chato para esta febre intensa que a fazia se sentir dentro de um sonho. Amigos desaparecidos. Distúrbios sanguíneos esquisitos. Um misterioso estranho que despertou nela desejos que estavam se transformando em vício. Ela lembrou o que seu pai lhe dizia. - Pegue apenas a fruta madura a sua frente. Espere apenas aquelas que estarão maduras amanhã. Ele não estava oferecendo algum tipo particular de sabedoria. Acabava de falar sobre maçãs e cerejas, mas Piper pensou que ainda assim se aplicava ao caso. Abruptamente, Rave disse. - Por favor, não tenha medo de... Do meu irmão. Com a condição de petralys, a luz e o calor são dolorosos. Ele ficou confinado a esses quartos por algum tempo. Piper acenou com a cabeça, tocada por seu desejo de defender o irmão.- Eu lidei com a doença do meu pai. - Ela lembrou. - No meu trabalho, identifiquei flores tóxicas de algas, amebas cerebrais e infestações parasitárias que causam deformações em peixe e sapos. Eu não me assusto com facilidade. Não mantendo na mente a frequência com qual ela ofegou desde que saiu daquela estúpida limusine. Rave balançou de umpé para outro. - Bale é um... Um pouco maior do que qualquer um de nós. A porta do elevador tiniu silenciosamente. E abriu para a total escuridão. - Uh. - Disse ela, engolindo em seco. A respiração hesitante sussurou no vazio e pareceu ser engolida. - Rave. - Uma voz saiu do escuro. - O que é que você fez? 97


Rave saiu do elevador. - Eu encontrei uma solária. O que era uma solária? Isso ajudaria seu irmão? Por que Rave não contou sobre isso quando eles estavam discutindo curas? Piper deu um pequeno passo em direção a Rave, olhando para as sombras. A luz por trás dela caiu no chão, iluminando o cimento nu, mas não alcançou muito além daquilo. Ela sabia que deveriam estar na cobertura, mas a sensação mineral de pedra fria e úmida lembrou-a incessantemente do funeral de seu pai e do buraco vazio na terra. Ela parou na beira entre a cabine do elevador e o concreto, evitando que a porta se fechasse. Do escuro surgiu um suspiro baixo e cortante. - Com a solária, você governará os Nox Incendi. Piper colocou o pé contra a porta do elevador que estava tentando empurrála para fora do caminho. Nox... O que? Incendi? Ele quis dizer o termo químico NOx? Os perigosos compostos atmosféricos formados durante a combustão de alta temperatura, como ataques de raios. Ela sempre lutou com os nomes do Latinos em suas aulas de biologia, mas Nox significava noite ou algo assim. Nox incendi... Noite ardente? E Rave o governaria com essa coisa de solária? O que. Oh. Inferno. Ok, talvez ela tenha mentido para Rave. Ela se assusta facilmente, mas acabou os mistérios. Dá tempo para uma parada rápida no bar do andar de baixo. Ela deu um passo atrás. E agora, claro, a porta do elevador decidiu não fechar imediatamente. Sem olhar para trás, Rave pegou seu pulso e puxou-a para o lado dele. - Ela não é minha solária, Bale. - Disse ele, ainda de frente para a escuridão. Ela é para você. Ela? Significa... Que Diabos! Esse significado era suficientemente claro. Ela tirou sua mão da dele. Mas a porta deslizou silenciosamente atrás dela, lançando-os em uma escuridão implacável. Implacável, exceto pela mais fraca faísca de cor pairando na escuridão. Não, não um ponto. Dois. 98


Vermelhos. Olhos. Ela encolheu contra o ombro de Rave, não assustada, praticamente em pânico. Queria empurrá-lo com força - ela é para você, esqueça isso - mas ele era a única coisa que ela poderia segurar nesse vazio. Seu coração batia loucamente, buscando encontrar uma saída para longe de Bale, com ou sem ele. Não havia saída para este lugar sem luz. Piper engoliu em seco, forçando seu coração impassível de volta ao lugar. - O que...- Não, isso pareceu muito fraco. – Rave... Prometi ajudá-lo. Mas isso está começando a soar como... Outra coisa. Rave não respondeu. Ela nem conseguiu ouvi-lo respirar ou mesmo sentir seu calor naquele momento, embora todos os seus outros sentidos estivessem em alerta nesta cegueira; era como se ele tivesse se transformado em pedra. Mas a voz na escuridão respondeu. - Sacrifique. Piper recuou na palavra sibilada. - Eu não concordei com isso, de jeito nenhum. - Não é o seu sacrifício. É dele. Finalmente, Rave soltou um barulho, uma expressão dolorida como se tivesse sido perfurado na barriga. - Eu devo. Sua vida vale mais do que a minha, irmão. Embora ela não conseguisse ver seu rosto, ouviu a angústia em sua voz. E ela sabia muito bem o que sentia a respeito disso. Mesmo que ele a tenha traído, não podia deixar aquela declaração ter força. - A vida de ninguém vale mais do que a de outro. – Disse ela. Não que sempre tenha acreditado nisso. Sendo filha de um trabalhador agrícola imigrante não podia deixar de absorver algumas lições brutais enquanto lidava com o cheiro de nitrogênio e fósforo. Viver nas sombras da rica e elegante Esme e da espirituosa sedutora Anjali, não tinha ensinado nada muito diferente a ela. Mas agora Piper entendia melhor as coisas. - Talvez em seu mundo. - Rave soltou. - Mas o rei dos Nox Incendi vem primeiro.

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Rei? Sua mente se aproximou dessa nova revelação. Certamente, o nome e a decoração do Keep eram estranhamente medievais, mas não podiam ter um rei de verdade. Mesmo máfias só tinham padrinhos, certo? Aqueles olhos vermelhos hesitaram. - Eu sei os sacrifícios que você fez para mim, Rave, para me manter aqui. Eu sei que você daria sua vida pela minha. Apesar dos arrepios que a atravessaram sob aqueles olhos úmidos e desumanos, Piper entrou na frente de Rave. - Não. Tem que haver outra maneira. - Não há nenhuma maneira. - A voz de Bale estava atingida tanto com arrependimento como cansaço. - Deixe-me ir, irmão. Deixe. Eu. Ir. - Mas finalmente a encontrei. - Argumentou Rave. - Uma verdadeira companheira que pode reativar o ichor. Isso pode salvar... - Ela não é solária. - Cortou Bale - Ela é sua solária. Você não entende a diferença? Isso também foi muito longe. Apesar de sua confusão total e da escuridão intimidante, Piper girou e segurou as palmas achatadas para ambos os homens. Pare! - Ela conseguiu não gritar, mas era uma coisa próxima a um grito. Simplesmente pare. Você está me fazendo de um penhor em algum jogo que eu não entendo, e eu não vou permitir isso. Um riso zombador surgiu das sombras. - Seu tipo sempre foi um jogo para nós. Ela franziu o cenho em sua direção. - O que é uma... solária? Rave respondeu desta vez. - O petralys nos transformam em pedra. Uma solária é a luz e o calor que o contrariam. Ela franziu a testa. - Mas você disse que eu sou uma solária. Isso é uma pessoa ou um poder ou... - Todas essas coisas. - Disse Bale - Mas apenas para o seu verdadeiro companheiro. - Companheiro? - Suas mãos estendidas caíram em seus lados como um aplauso oco. De um lado, uma vela acesa, tão brilhante depois da escuridão, fez Piper ter que proteger seus olhos.

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Naquele primeiro momento, porém, ela tinha visto algo. Algo maior do que um homem. Algo que refletiu a pequena chama com mais do que o brilho da pele. Algo... De outro mundo. Quando olhou de novo, a presença se retirou da luz. O pequeno círculo de iluminação não alcançou além da baixa corcunda de pedra úmida em que estava sentado - que tipo de cobertura era essa? - Mas era suficiente para ela ver Rave. Ela piscou para ele com raiva. - Eu prometi ajudá-lo e você não me conta nada? Por que não se manteve como antes, sozinho e falhando, se era assim que que queria jogar? Na luz cintilante, ele mergulhou a cabeça escura. - Você está certa. Ela respirou fundo, pronta para continuar seu ataque, mas seu reconhecimento a quebrou. - Sim eu estou. Outra risada saiu de Bale. – Interessante o prêmio que você encontrou irmão. Ela disparou um olhar estreito na direção daquela forma escura e disse sem exitar. - Eu não sou o prêmio de ninguém. - Aço mais fino do que Damasco, mais precioso do que ouro. - Disse Bale. Claramente uma dor na bunda. Rave percorreu a vela, como se realmente pudesse ver seu irmão. - Você sente alguma coisa? Eu notei uma... Diferença em sua presença imediatamente, mas não entendi até que eu apreciei meu ichor e tive certeza. Se você me deixasse estudar seu sangue... - Não. - Disse Bale. - Ou podemos tirar um pouco do de Piper e tentar uma transfusão. Desespero assolou suas palavras. - Por que você não me diz para fodê-lo? - Piper bradou com raiva. - Isso é o que realmente fizemos. Ele se virou para ela, seu lábio se curvando em um grunhido. A expressão transformou seu rosto em algo bestial, enviando um espasmo de medo por sua coluna com a mensagem clara de “fuja sem pensar”. Ela recusou, encarando-o. A risada cortante distintiva de Bale quebrou seu quadro furioso e congelado. - Faça, Rave. - Ele zombou. - Comande-a a me foder. Para salvar minha vida. Para

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trazer seus amigos de volta. Se eu tivesse todo meu poder, eu separaria essa cidade e vocês dois teriam o que quisessem. Bale poderia encontrar Esme e Anjali? Piper afastou o olhar de Rave, mas por sua expressão ferida, ela acreditou que seu irmão poderia fazer o que dizia. Piper envolveu seus braços ao redor de seu estômago. Ela estava preocupada como a morte pelo bem-estar de Esme e desconcertada o suficiente pela má vontade de Anjali em enxergar o problema. Mas não dormiria com um estranho para descobrir algo. Além do estranho com o qual ela já dormia, é claro. Ela faria isso? Havia realmente uma substância incomum naquela que interagia com o ichor em Rave e o mantinha vivo? Ela apertou os braços com mais força em torno de si mesma, como se ela pudesse sentir a resposta. Embora fosse difícil de acreditar. Mas então, ela frequentemente fazia seus globos oculares pressionarem um microscópio que revelava coisas as quais ninguém mais acreditaria, coisas presentes em uma gota clara de água. A interdependência, a ressonância atômica e a resposta ao placebo foram todos os princípios científicos que ela estudou e não negava. Ela negaria a estes Nox Incendi uma chance de vida? O frio do chão de concreto tinha subido as pernas, esfriando a pele, mas ela se viu olhando novamente para Rave. Ele não a obrigou a fazer o que fizeram. Ela escolheu ir com ele na noite passada e novamente hoje. Só ela decidiu o que aconteceu entre suas pernas. Mas, de alguma forma, quando isso aconteceu? - ela aparentemente não tinha como explicar o que acontecia com em seu coração. Só sabia que ele seria estraçalhado caso Rave tentasse entregá-la a seu irmão, seu rei, o que quer que fosse. Por que ela lhe deu esse poder? Estava claro que as coisas não eram exatamente dessa forma, não mais do que o poder que ele lhe ofertou de afetar o ichor que fluía em suas veias. Era apenas, como o vínculo de hidrogênio das moléculas de água congelada que transformava o gelo na perfeita simetria de um floco de neve.

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Se ela conseguisse ver qualquer porta - inferno, até uma janela - teria saído em vez de esperar pela escolha dele. Tinha feito questão de não enfrentá-los sobre o seu valor, e fugiria sem olhar para trás por medo de que fosse pega querendo questionar. A única vez que ela questionou Esme e Anjali, elas a deixaram para trás. E agora foi forçada a assistir Rave pesando o valor de seu coração. Quando ele nem sabia que era o que ele tinha nas mãos.

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Isso o matou. Não, Bale deve matá-lo pelo traidor que ele era. Mas Rave não podia renunciar a sua verdadeira companheira. Não para o irmão, nem para o rei, nem para o bem de todos os Nox Incendi. Ela era dele. Com um grunhido ruidoso, ele a puxou para o seu lado, embora ela resistisse poderosamente. Ele olhou através da vela de gotejamento que, mesmo com sua fraca luz e calor, devia ser uma agonia para Bale. A praga da pedra acabaria com ele, e isso seria culpa de Rave. Com a aguda visão de seu dragão, ele vislumbrou seu irmão, mais do que ele teve em vários anos. Os petralys avançaram durante aquele tempo, deixando Bale meio assustador. A pele nua visível através de suas roupas esfarrapadas estava endurecida com escamas grossas, e as espinhas dracônicas se eriçavam ao longo da espinha dorsal. Mas o pior eram suas asas, elas estavam enrugadas como se estivessem quebradas. Ele teria se jogado contra os muros de concreto de sua gaiola voluntária? Ele nunca mais voaria com aquelas asas. A verdade rasgou Rave. Seu irmão nunca voltaria novamente, independentemente de qualquer coisa. - Você não pode afastá-la. - Disse Bale, sua voz pegou a meio caminho entre inveja e admiração. - Mesmo se você quisesse. Ela é o coração do seu tesouro agora, e o dragão nunca a deixará ir. Na palavra dragão, Rave sentiu que as lutas de Piper cessavam, e ele quase podia imaginar suas orelhas levantando meio palmo entre os cabelos grossos e pretos. O brilho dos dentes de Bale perfurou as sombras em um sorriso de Cheshire, e Rave queria esmagar seu rei perverso. Quase tanto quanto queria curá-lo. Com uma respiração dilacerada afirmou. - Eu pensei que eu poderia finalmente nos devolver a nossa essência, aquela que antecedeu os petralys.

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- Não há como voltar. - Disse Bale. - O vento que está atrás de você é inútil. Ele citou a sabedoria do dragonkin com uma torção de amargura, sabendo tão bem quanto Rave que nenhum vento o levaria agora. - Não acabou. - Prometeu Rave. Mas Bale apenas sacudiu a cabeça. - Pode ser. Para você. Acho que sua companheira não está muito satisfeita contigo nesse momento. É bom começar a considerar o que você sacrificará para ganhar perdão. Agora vá. Estou cansado. Rave puxou Piper para trás. Ela voltou os calcanhares para dentro. - Dragão? Bale arrastou uma respiração pesada. E então aconteceu a explosão. A vela explodiu em uma bola de fogo que empurrou todos para trás, levando embora a escuridão que pendia por todos os lados. Rave também foi empurrado pela força do calor, mesmo com a carne naturalmente resistente ao fogo. Trouxe Piper atrás dele soltando uma maldição, e a manteve lá mesmo quando a bola de fogo colapsou instantaneamente sobre si mesmo. Se seu irmão crispasse um fio de cabelo que fosse de sua cabeça... Ele esperava que tivesse afastado-a com a rapidez o suficiente para bloquear a visão da sala exposta pela chama exagerada. As estalactitas que caíam do teto, quase encontrando as estalagmites abaixo, a crosta de fileiras de dentes serrilhados, eram tudo muito perturbador. Mas a visão de Bale cintilou em seus olhos deslumbrados... - Pergunte ao seu companheiro. - Retumbou Bale. Porra. Rave guiou Piper em direção ao eixo do elevador, usando todo o seu corpo para protegê-la. E para evitar que ela olhasse ao redor. - O que foi...? - Ela pulou, tentando ineficazmente se livrar do braço amplo de Rave. O maldito elevador não poderia vir rápido o suficiente. Ele suspirou aliviado quando a porta se abriu deixando ali o seu quadrado de luz elétrica inócua. - Espere. - O rosnado de Bale era um comando do rei, forçando Rave a parar. Pelo menos, Piper engoliu o restante da pergunta. 105


- Na sua mão. - Disse Bale. As palavras rolaram profundamente em sua garganta, como trovões após o relâmpago. Aviso claro de uma tempestade mortal a caminho. - O que é isso? Rave olhou para o aperto de Piper em seu peito. Em seu dedo mindinho havia um anel de prata e ouro com um cabochão de obsidiana, em materiais e mão-deobra quase idênticos ao que já havia visto nela. Esta era uma nova adição às mãos, e isso não parecia certo para ele. O brilho caloroso da pedra do sol coberta de cobre refletia melhor seu espírito. Rave deu a Piper um pequeno aperto, sem dizer nada para que ela pudesse responder. Não que ele pensasse que Bale iria prejudicá-los. Mas ele ouviu seu dragão na borda. Piper limpou a garganta. - É o anel da minha amiga. Anjali o fez para Esme. Mas ela deixou aqui. Eu encontrei em sua mesa de cabeceira quando fui procurálas. - Ela torceu o metal trançado em torno de seu dedo. - É bobo, mas eu queria mantê-la próxima. - Deixe aqui. - Disse Bale. A cabeça de Piper empinou-se. E mais uma vez, Rave ficou atordoado por sua ousadia. - Não. - Disse ela. - Eu vou dar a Ez quando ela voltar. Para a surpresa ainda maior de Rave, Bale suavizou seu tom. - Você fará isso. - Ele concordou. - Entretanto, há algo sobre isso ... Posso conseguir algumas informações sobre o seu paradeiro. Piper lançou um olhar para Rave. Ele acenou com a cabeça de volta. - Bale sabe das coisas às vezes. - Sabe coisas. - Ela repetiu com cético. Ele deu um pequeno encolher de ombros. - Eu também acho estranho. Depois de um longo momento, ela girou o anel do dedo, olhou para ele e soltou uma respiração aguda. - Deixe lá no chão. - Disse Bale. - Eu vou convocá-lo, irmão, se alguma coisa vier a mim. Caso contrário, não volte.

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Alguma audácia de Piper deve ter se alojado sobre ele, porque Rave não queria nada além de voltar com seu irmão. Em vez disso, ele inclinou a cabeça e se encaminhou até o elevador. Piper colocou o anel no chão, hesitou apenas um segundo, depois se juntou a ele. Rave pressionou o botão para baixo assim que a curva de seu traseiro passou pela porta. - O que? Ele apertou sua mão para silenciá-la. E assim foi, sem nenhum dos dois dizerem uma palavra. Estava muito interessado em afastá-la para prestar atenção ao botão que havia pressionado, mas, à medida que o silêncio se esticava, ele percebeu que estava levando-os até o fundo. Para o jardim. Quando a porta tiniu e se abriu, ele a conduziu para a curta passagem do portão prateado até o centro do jardim. A cachoeira estava desligada e a piscina era um espelho prateado refletindo a luz do dia muito acima. Frondas de samambaia ao redor da água e as folhas das videiras de escalada dançavam suavemente em uma leve brisa que só podiam sentir. Ele podia, no entanto, sentir a intensidade focada exalando de Piper entre suas pernas. Teria que pular na piscina para apagar as chamas. Conseguindo um pouco de coragem, girou lentamente seu calcanhar para encará-la. - Hora de pagar sua dívida Piper. Ela tinha os braços cruzados sobre o peito, os dedos tamborilando em uma agitação sem ritmo no peito. O anel de obsidiana restante brilhava em seu dedo. - Você me disse para não ter medo do seu irmão. Mas você não disse que ele era... - Ela ergueu uma mão em sinal de descrença. - A transformação que você viu é por causa dos petralys. - Ele andou a seu redor e sentou-se ao lado da piscina, esperando que ela se juntasse a ele. Em vez disso, ela caminhou a uma curta distância. - Eu documentei desvio físico significativo em resposta a contaminantes ambientais absorvidos, mas isso... Isso vai acontecer com você? 107


Ele não ia dizer a ela que poderia libertar o dragão a qualquer momento. Não era o que ela estava perguntando, de qualquer forma. A situação de Bale não era a mesma coisa. - Isso teria. - Disse ele. - Mas você parou. - Porque eu sou sua solária. Essa também não era uma questão, mas ele acenou com a cabeça. - Eu nunca acreditei em almas gêmeas. - Ele confessou. Ela parou o rítmo errático no qual caminhava em idas e vindas sem fim e girou para encará-lo. - Você não? Ele fez uma careta. - Parece muito fantástico, não é? - Comparado com...? Ela empurrou os dedos dela contra a testa e olhou para ele com desconfiança pela gaiola da sua própria mão. - Eu pensei que você tentaria me convencer. Ele também pensou. Mas ela não queria acreditar, e ele não iria forçá-la. Com essa decisão, sua tensão diminuiu drásticamente. O dragão se render? Isso só permitiria que o petralys progredisse mais rapidamente, mas é melhor se transformar em pedra do que senti-la o odiando por arruinar a vida que ela trabalhou tanto para criar e conduzir. Esse era seu tesouro, e ele não o roubaria. - Eu queria encontrar uma cura. - Disse ele. - Foi errado que eu pensasse em você como apenas isso, uma substância que preenchia uma necessidade minha. Ele deu um sorriso torto. - Você é mais do que isso, obviamente. Ela bufou. - Uma dor naquela bunda, ou então eu ouvi errado. - Bale ficou fora de circulação por algum tempo. Ele esqueceu seus modos. - Além disso, ele é um rei. - Ela o observou de perto, tentando pegar sua reação no ar. Mas Rave não deu a ela, voltando a olhá-lha com uma calma anormal. Se ela não quisesse fazer parte de seu mundo, então ele precisava manter alguns segredos. Aqueles que poderiam machucá-la ou assustá-la. Ou aqueles que o assustariam para sempre. Como admitir que queria que ela ficasse. O poder de sua solária tinha liberado o dragão dentro dele, mas para seu próprio bem, ele o trancaria de volta nas suas correntes. Pelo menos até ela ter ido embora. 108


Ele se perguntou quanto tempo ele teria até que os petralys atacassem. - Meu irmão também pode ser um burro. - Ele reconheceu. - Mas é bom ter sua assistência no acompanhamento de suas amigas. Ela bufou. – Como? Ele é um psíquico? - Eh, mais como um cão de caça. – Há algum tempo, Bale Dorado iluminou o céu com seu fogo e o brilho de suas asas. Agora ele não podia deixar sua caverna fria e escura. Mas a afinidade com o dragonkin por caçar metais preciosos e pedras pode dar uma pista sobre o paradeiro de Esme Montenegro e Anjali Herne com seus anéis bespelled. Rave passou os dedos na piscina, observando as ondulações se espalharem. Com um suspiro mais suave do que o toque da água em sua pele, Piper afundou na borda ao lado dele. - Me desculpe, eu não pude ajudá-lo. - Isso não é culpa sua. É apenas minha para remoer. - Talvez se o seu dragão não a tivesse reivindicado primeiro... Mas não, Bale sabia mais do que ninguém sobre as solárias; se ele dissesse que um dragão escolhia apenas um coração para seu tesouro, então era assim. - Eu vou continuar com isso. E, na verdade, a perspectiva de procurar por suas amigas pareceu trazer de volta sua energia. Ele lançou-lhe um olhar a tempo de vê-la franzindo a testa, pensativa, para as ondulações da piscina. Piper não olhou para ele quando disse. - Eu acho que devemos cancelar a busca. Ele endureceu - Por quê? - Porque acho que estava errada. Eu não conseguia entender por que Esme concordou em se casar com Lars Ashcraft, quando ele parecia apenas um rico, distante, controlador idiota. Mas eu... - Seu olhar se dirigiu a ele novamente. - Agora eu entendi. Mesmo que não o fizesse, não me cabe dizer isso. Anj tentou me mostrar isso, mas eu não quis saber. É por isso que elas me deixaram; por causa de mim. Rave pegou sua mão, forçando sua atenção para ele. Seu punho se apertou no dela, a pedra do sol de seu anel aninhado com o mesmo na palma da sua mão. Você pode ter sido influenciada por seus sentimentos, mas isso não significa que você estava errada. A equipe contratada para ser sua comitiva está fora do alcance e sua amiga Anjali de alguma forma adulterou nosso sistema de segurança. Você 109


pensou que algo estava acontecendo e você não estava errada. Assim que Torch ou Bale tiverem um caminho, eu estarei lá. Quando ela apenas o encarou miseravelmente, ele passou a outra mão através de seus cabelos. - Você tem um coração puro e inocente, Piper Ramirez. Tenho a honra de ter um lugar ao seu lado, mesmo que por pouco tempo. Ele se inclinou para beijar a sua testa, inalando e guardando sua essência de mel e canela para o que ele sabia que logo seria a última vez. Ela abriu a mão no seu peito, pressionando sua pele intacta logo sobre o coração e inclinou a cabeça para trás. Parecia tão natural roçar a boca sobre a dela, capturar sua respiração lenta, que ele sabia que nunca seria assim com mais ninguém. Seus lábios se separaram e a língua lambeu-o como a primeira chama de uma brasa ardente. A partir daí, a conflagração era inevitável e imparável. Suas roupas desapareceram como a fumaça destruída pelo vento, toda a pele gloriosamente obscura de Rave foi revelada ao seu olhar voraz. E as mãos. Elas eram seda e calor...Ondulantes curvas de vontade disparavam seus próprios desejos. Ele a deitou no suave musgo da gruta escondida atrás da cachoeira. Mas quando ela rolou para montá-lo, foi voluntariamente atendida. Ela o provocava com seus seios implorando atenção acima dele. Ele pegou um mamilo entre os dedos acariciando aquele pontinho duro e excitado. Seu clitóris inchado ansiava por seus dedos e quando a mão dele encontrou a protuberância com o polegar suavemente circundante, ela o agarrou em um clímax silencioso, estremecendo com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados. Ele pensou que talvez já estivesse pronta com ele, mas quando ela abriu os olhos, espreitou-se com prazer, viu o incêndio arder mais fundo nela. Piper pegou seu pau desprotegido em suas mãos e inclinou a carne turgida em direção a sua buceta encharcada. - Piper. - Ele murmurou. - Eu uso um DIU e estou limpa. Confio que você também está seguro, certo? Ele não era seguro, nem um pouco, mas não pelas razões que ela queria dizer agora. Ele assentiu em concordância e gemeu enquanto ela se abaixava lentamente, empalando centímetro a centímetro do seu dolorido pau em sua buceta apertada. 110


O ritmo frenético em que ela bateu em sua carne teve seu coração acelerado em resposta. Mas ele apertou a mandíbula para segurar as palavras estranhas. Quando ela voltava em uma corrida violenta pelo seu prazer, ele a virou pelo musgo. O cheiro verde esmagado e a doçura almiscarada de sua satisfação giraram em sua cabeça, aliviando o inferno de sua necessidade. Por alguns instantes. Ele bombeou de novo e de novo em uma intensidade feroz, cada vez mais profundo, até que ela apertou os calcanhares atrás do seu traseiro e o atraiu até o fim. Ele colocou uma mão atrás do pescoço, forçando-a a olhar para ele, a encontrar seu olhar, a ver... Não, ela não podia ver o que ele era. - Rave. - Ela ofegou. – Novamente. Ele socou seu pau dentro dela uma e outra vez até que ela chorasse gemidos de ansiedade e prazer, seu som doce ecoando das pedras e reverberando em seus ossos. Ela se arqueou e bateu sua buceta ao redor dele com um grito rouco encharcando-o com seu gozo. O rugido de Rave correspondia com os dela, seu dragão marcando e alegandoa como o coração de seu tesouro.

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Recostando-se na piscina quente, imóvel, com a cabeça enroscada no peito de Rave, Piper olhou para o céu de final do inverno alto acima do jardim. Tudo estava fora de ordem, aqui um jardim no fundo de um poço profundo e uma caverna na cobertura de um arranha-céu. Amigas que a deixaram e um estranho que deixaria seu irmão morrer em vez de exigir seu sangue. Sua determinação no início desta viagem para lutar por velhos sonhos foi substituída por um alcance provisório de realidades impossíveis. Não admira que ela estivesse tão confusa. Ela rolou para o lado para cruzar seu braço contra o peito de Rave, derramando água quente no sangue em suas tatuagens, tornando-os mais brilhantes com a vida. Pouco além de onde ela encostara estava o ponto vazio acima de seu coração. Bale disse a Rave que ela era o coração de seu tesouro. O que isso significava? Ela passou o dedo pelo espaço vazio. Rave pegou sua mão e levantou-a em seus lábios. – Piper.- Seu fôlego soprou quente e o pulso dela acelerou. O telefone de Rave tocou nesse momento e ele soltou uma maldição. Suas roupas estavam espalhadas na extremidade da piscina, e ele salpicou apressadamente pela água para chegar ao jeans. Ela mordeu o lábio para segurar um sorriso ao ver o gingado de suas nádegas tensas. Mas, quando a chamada começou a entrar no correio de voz e ela ouviu as primeiras palavras de Torch. - Nós as encontramos. - seu sorriso foi cortado. Ela atravessou a piscina com muito mais destreza do que Rave e quando se juntou a ele, a conversa já estava em andamento. Ele segurou seu dedo quando ela fez um gesto para que ele mudasse o autofalante. - Tudo bem. – Disse ele enquanto Piper se irritava impaciente. - Eu estou indo... Não. Não faça nenhum movimento até eu chegar lá.

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Piper mexeu para vestir suas roupas sobre a pele molhada. - Não o quê? Onde eles estão? Onde estamos indo? - Não, o que significa que você não vai a lugar nenhum. - Ele apertou a mão em seu ombro prendendo-a com apenas um braço na manga. Ela franziu o cenho. - Claro que vou. - Você não vai. Porque eu não vou levar você, e também não direi onde elas estão. Ela deixou os ombros cair com o peso de sua mão. - Você está sendo arrogante. Mas a rigidez de sua mandíbula lhe disse que realmente não estava indo a lugar algum. - Torch disse que é possível Esme ter tentado deixar Ashcraft. E que Anjali pode ter impedido-a. Piper vacilou. - Mas... Ez ficou brava comigo quando eu... - Ela pensou de volta. Na verdade, Anjali estava com raiva dela, principalmente. Mas Anj não gostava mais de Lars do que ela. Ou pelo menos era assim que pensava. Quando parou de fazer força para se libertar, Rave levantou a mão para que ela pudesse terminar de se vestir. Ele vestiu sua roupa com facilidade, e não tinha uma gota de água em seu corpo. Observou-a enquanto ela puxava seus sapatos. - Quando você disse que Ashcraft é rico e controlado, você quis dizer perigoso? Piper endureceu. - Você acha que ele machucou Esme? - Não sei. Mas é por isso que você não vai. Não estou arriscando você. - Lars não... - Ela colocou a mão sobre a boca e percebeu que não podia dizer algo que ela não tinha certeza que realmente acreditava. Lentamente, baixou a mão. - Ele pode. Ele sempre obteve o que queria. Ele quer a Esme, sempre tem... - Então talvez seja hora de ver o que Esme quer. - Rave agarrou sua nuca, segurando-a rapidamente enquanto a encarava com força. - Você confiou em mim com seu corpo, com seu prazer. Você vai confiar em mim para trazer suas amigas de volta? Você ficará aqui enquanto eu fizer isso?

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Ela enrolou os lábios entre os dentes e finalmente assentiu, tanto quanto pôde considerar sua compreensão sem remorsos. - Bom. - Ele se inclinou e beijou-a com uma feroz e quente inclinação de sua boca sobre ela, então a soltou. - Eu voltarei em breve. Espere por mim. Virou e afastou-se, já falando em seu telefone novamente. Ela caiu, apoiando-se na borda da piscina atrás dela. Esme tentou fugir? Anjali a tinha sequestrado? Mas Lars tinha pessoas - espiões ou carcereiros? Vigiando-as. Onde eles estavam? Nada disso fazia sentido. E ela estava esperando em torno de uma piscina de gruta como uma princesa desamparada. Isso fez ainda menos sentido quando lembrava que sempre foi a pessoa útil e trabalhadora. As princesas não tinham calos. Pior, seu celular não estava ali. Os jardins secretos provavelmente não tinham linhas fixas. E se Esme estivesse tentando chamá-la? Ou Anj? E se Rave precisasse dela? Antes que o pensamento terminasse, estava indo para o elevador - e nem conseguiu acreditar que tivesse subido tantos degraus quando tinha um elevador mas, assim que pegasse o telefone, voltaria ao caso, Rave voltaria aqui. Enquanto ela entrava no elevador, percebeu que os botões não paravam em cada andar. Bem, claro que não pararia, pois esse era um elevador privado. Mas pelo menos se aproximaria do piso principal. A porta se fechou e o elevador começou a se movimentar antes que fosse escolhido qualquer um dos botões. Oo-kay. Ela ficou meio surpresa quando a porta se abriu na escuridão. Desta vez, manteve um pé firmemente na entrada; o maldito elevador não ia a lugar algum sem ela. - Como você sabia que era eu? - Perguntou para as sombras. - Meu irmão e primo estão ausentes. Daqueles que permanecem e conhecem esse caminho, só você se atreveria a usá-lo. - Mais fácil que as escadas. - Ela resmungou. Bale retumbou um riso forte; sua versão de risada, imaginava. 114


- Por que você me convocou? - Essa era a palavra que ele usara com Rave, embora pareça antiquado em seus ouvidos, provavelmente os reis preferiram as modas antigas. - Eu não tenho dúvidas de que Rave disse para você ficar parada, e ainda assim você estava vagando pelo Keep. Por quê? - Eu precisava do meu telefone. - Disse ela. Então admitiu. - E eu não gosto que me digam o que não posso fazer. - Se ela deixasse isso acontecer, teria abandonado a faculdade. Inferno, nunca chegaria à faculdade, nunca conheceria Esme e Anjali. Nunca pisaria os pés no Keep. - Isso será bom para o meu irmão. Ele pode ser imperioso às vezes. Ela engasgou com sua própria risada. - Você está pensando que nós somos muito parecidos. - Sua voz era irônica. Ela inclinou a cabeça. - Eu não discordaria de um rei. - Nesse caso, você concordará quando eu lhe disser para ir atrás dele. Piper endureceu. - Ir atrás de Rave? Mas por quê? Torch disse que encontrou Esme. Eles vão buscá-la e virão de volta. - Não vai ser tão simples. Ela deu um passo para trás no elevador, seus batimentos cardíacos correndo à frente dela. - Por que não? O que está acontecendo? - O anel que você me deu. O anel de Esme. - A voz ríspida caiu uma oitava, o que fez com que descesse um arrepio gelado pela espinha de Piper. - Havia magia nisso. Magia alquímica. Piper balançou a cabeça com força. –Eu... Me desculpe. O que? - Foi-me dito que você é uma engenheira química. Certamente você já ouviu falar sobre os alquimistas. Não estava em suas aulas de química. Ela teve que dragar memórias de seu requisito de graduação em inglês. - Eles não eram químicos. Eles eram adeptos, sempre tentando transformar o chumbo em ouro. - Errado. Eles sempre estavam tentando transformar tudo em ouro. E não eram adeptos. Eles eram bruxos.

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Piper buscou pelo quadro da entrada do elevador, se para apoio ou para escapar, ela não tinha certeza. Mas, de alguma forma, ela queria distância disto. – Bruxos. - Uh-huh. Os petralys haviam quebrado sua cabeça? Espere um segundo. Ela estava disposta a acreditar em um contaminante raro nascido no sangue que transformou os homens em pedra e outra substância mais incomum que transformou seu sangue de volta em arco-íris, mas ia perguntar sobre a palavra magia? Em sua consternação, ela quase não percebeu quando a porta do elevador se fechou, deixando-a com o lunático desfigurado. - Você é um deles? - Os olhos vermelhos brilhavam na escuridão, mais perto do que ela esperava. Ela cambaleou de novo um passo. Seu calcanhar pegou alguma coisa, e ela caiu, batendo fortemente o cotovelo no concreto com uma pontada aguda que levou lágrimas em seus olhos. - Eu não sou um mágico. Você seria uma bruxa, na verdade. - O que? Eu não sou! - Estique suas mãos. Perplexa, ela fez isso. Embora não sabia o que provaria a ele. A pedra do sol em seu anel brilhava, iluminando o espaço ao redor dela, brilhando na rocha lisa da estalagmita em que tropeçou. Uma sombra mais escura torceu um pouco além do alcance de seu anel. Algo metálico raspou no chão de pedra. Bale, andando. - Assim. Não é uma bruxa? - Nunca fez isso. - Ela sussurrou. - Eu o tenho comigo desde sempre... - Desde que sua amiga Anjali fez para você e para Esme o anel de obsidiana. Piper assentiu com relutância. - O que você achou no anel de Esme? - Trevas. Morte. Ela olhou horrorizada em seu próprio anel, então tentou freneticamente tirálo. Seus dedos sobre eles lançaram barras de sombras na sala. - Pare com isso. - Impacientemente Bale rugiu. - Não sinto nada disso na pedra do sol. O seu tem apenas luz, calor. - Ele hesitou. - E amor. 116


A saudade ressoou nela, mas a empurrou para o fundo, precisava se concentrar. - Então por quê? - Alguma coisa mudou. Mudou a pedra. Mudou sua amiga. Não tenho certeza o quê. E meu irmão estará no meio disso. Ela se levantou. - Você precisa avisá-lo. - Eu vou. E você tem que ir até ele. Temo que ele precise de sua verdadeira companheira antes que a noite termine.

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O motel - com precisão chamado – Mot..l - de acordo com o sinal quebrado nos arredores da cidade era tão escuro e silencioso quanto a Faixa era um caos neon e alegre. O prédio de estrutura manchada parecia agachar-se sob suas duas históricas salas de acesso externo, e as onipresentes palmeiras plantadas no cascalho, ao lado do asfalto rachado no estacionamento, se inclinavam como se desejassem escapar. Rave não os culpou. - Claro que ela ficaria no escuro. - Disse Torch, ansiedade cortando o final de suas palavras. - Assim como ela fez no Keep. Quando Bale veio com a visão, ele passou pelo anel, pensei instantaneamente neste lugar. - Quão conveniente você conhece todos os piores lugares para afundar. Disse Rave secamente. - Ei, às vezes você precisa ir a algum lugar onde ninguém faz perguntas. Rave não queria saber quais eram esses momentos. Ou o que as perguntas poderiam ser. - Você está certo de que as amigas de Piper estão aqui? - Mostrei a secretária uma foto da nossa fita de segurança. Por apenas vinte dólares, ela confirmou que ambas estão no quarto sete, no final do último andar. Torch sorriu perversamente. - Não poderiam ter deixado tudo mais fácil para pegálas nem se tentassem. Rave sentou-se no banco de passageiro do SUV cinza. Ele nunca viu esse veículo no Keep. Se tivesse visto, pedira a Torch que ficasse de olho nisso, já que parecia tão básico, mas no estacionamento Mot-l, ele se misturou bem. - Eu suponho que só falta entrarmos. - Disse ele. Torch deu-lhe uma olhada séria. – Nãããooo. - Ele disse. - Isso seria pegajoso. Nós vamos esperar até que eles comemorem e estejam todos distraídos com as pizzas de frios ou de pepperoni. Então, vamos atravessar aquela porta. - Eu suponho que você vá confiscar sua comida para viagem. - Não gostaria de deixar provas. 118


Eles observaram a sala em silêncio por um momento. - Por que elas vieram para o Keep, se simplesmente saíram para um lugar como este? - Pensou Rave em voz alta. Torch encolheu os ombros. - Mau gosto. Ficou sem dinheiro. Tanto faz. Podemos sanar todas nossas dúvidas assim que pegarmos elas. – Ele mordeu os lábios como se ele já tivesse pegado a comida, a pizza chinesa e as fêmeas ao seu alcance. Rave franziu a testa para o primo. Torch estava vestido com seu sobre-tudo de couro preto, como se não houvesse nada mais por baixo - provavelmente não havia -, mas ele tem um cérebro. Não é como se ele não se concentrasse no porquê, juntamente com todas as outras Ws, quando se tratava da segurança do Keep e dos segredos dos Nox Incendi. Mas pareceu muito fixado em Anjali. Talvez por ela ser a única que já tinha conseguido engana-lo. Rave sabia o que ele sentia. - Piper é uma solaria. - Disse ele. - Uh huh. - Torch inclinou-se para frente e descansou o queixo nas costas das mãos sobre o volante olhando fixamente para o quarto sete. Se ele tivesse uma cauda nesta forma, seria atormentado com impaciência. - Mas ela não afetou Bale. Isso chamou a atenção de Torch. - Quando o viu? - Eu a levei para sua cova. Torch estremeceu- Cara. - Ela não viu nada. - Rave hesitou. - Nada que ela acredite. Eu esperava que sua presença revertesse seus petralys. Com uma sacudida de cabeça, Torch disse. - Ela é sua verdadeira companheira. Não é a dele. O dragão de Rave gritou um acordo silencioso. Mas Rave sabia melhor do que a besta. ela também não era sua. Não podia ser, não quando ele passou séculos buscando uma cura. - Eu não posso mantê-la. - Disse ele.

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Seu primo ficou tenso, os olhos se estreitando. - Ela é o coração do seu tesouro. Sem ela, você nunca estará completo. - Tem que haver outra maneira de salvar Bale. - Nós não estamos falando sobre ele agora. Estamos falando de você. - Bale é nosso senhor. - Você é do mesmo sangue. E por um longo tempo agora, o fogo dos Nox Incendi queimaria mais alto em você. Você foi responsável pelo Keep. Os parentes te seguiriam... Rave bateu o punho no teto do SUV. O metal amassou-se com um grito quase draconiano. - Isso é traição. Torch simplesmente olhou para ele, embora o relâmpago piscasse perigosamente nos seus olhos. - Quando seu irmão me fez chefe de segurança, não era apenas para o Keep, mas para a tribo. Eu vou nos proteger. Mesmo de seu maldito martírio. Ele estava jogando o mártir? Rave ignorou o brilho de ichor em seus dedos rasgados. O brilho opalescente voltou, mas apenas por causa de Piper. Para o bem da tribo, ele poderia dar-lhe a liberdade? Ou ele a trancaria dizendo não ter escolha? - Ela não pediu isso. - Ele murmurou. Torch bufou. - Você também não. Mas de qualquer forma. É apenas uma chance de se salvar e levar seus moribundos a uma nova era de esperança. Por todos os meios, lamenta-se se isso te faz sentir melhor. - Ele apoiou o queixo no volante novamente, resmungando. - Você não vai me pegar hesitante quando eu encontrar minha companheira. Rave queria dar um soco nele naquele momento. O que só provou que seu primo estava certo. Ele tinha que manter Piper, para seu próprio bem e de todos os Nox Incendi. Ela parecia gostar da sua gruta, e disse que gostava de trabalhar fora com seu pai, então talvez ela pudesse devolver o jardim à sua glória. Ela não teria mais nada a fazer uma vez que ele a assumisse como solária.

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Como a joia da coroa de seu tesouro, ela teria as melhores roupas e joias mais imponentes e os vinhos mais raros. Tudo, menos sua liberdade, já que o tesouro de um dragão sempre estaria escondido. Piper odiaria. Ela o odiaria. Valeria a pena ser rei? Como se ele tivesse conjurado uma miragem fora de seu desejo desesperado, um lampejo no espelho lateral chamou sua atenção. Ele amaldiçoou e abriu a porta. - Piper. - Ele sibilou. Atrás dele, Torch disse algo pior, mas Rave estava concentrado em sua solária, sua verdadeira companheira, o coração de seu tesouro. A dor em seu traseiro. Seus olhos se arregalaram quando ele caminhou em direção a ela. Ela colocou um suéter preto sobre suas roupas e puxou o capuz sobre os cachos soltos de seus cabelos - uma concessão ao segredo e ao perigo da situação, ele supôs. Não que tenha feito muita diferença; ele sentia cada curva preciosa dela através do pano. Suas mãos se contraíram quando ele a agarrou e atirou-a nas costas do SUV. - O que você está fazendo aqui? - Disse Rave, ecoando as palavras sobre a pergunta idêntica de Torch. Ela olhou entre eles, para um e depois para o outro.- Bale não ligou? - Não. - A recusa enojada de Rave foi cortada pelo toque do celular de Torch. Enquanto seu primo atendeu com uma voz que só usava para seu senhor, Rave apertou ainda mais os dedos sobre Piper. Ele puxou a porta SUV fechada atrás dela, então não tinha para onde ir, e ainda assim ele não conseguia soltar suas mãos. Apesar de sua compreensão, o que ela sabia ainda era muito vago, mas o olhar marrom profundo de Piper estava firme. - Seu irmão disse que você precisaria de mim. - Eu não preciso. - Rave rosnou. Uma mentira, mas não pelas razões em discussão. Um lampejo de dor sombreou seus olhos, mas ela apenas tirou o capuz e abaixou o zíper do suéter com um suspiro. - Eu não iria dizer não ao seu irmão. 121


Rave percebeu que sua atenção estava seguindo o zíper e levou seu olhar de volta para ela. - Tão conveniente isso. Para seu choque, ela deu um pequeno sorriso. - Eu sei. – E finalmente se contorceu contra seu apertão. - Onde elas estão? Esme e Anjali. Estão aqui? Você falou com elas? - Ainda não. - Rave viu quando Torch terminou a ligação. Seu primo respondeu sua pergunta não dita com um encolher de ombros e uma sobrancelha franzida, não sabia por que Bale tinha enviado Piper e também não questionou o assunto. Rave queria rugir para os dois. Mas não onde Piper poderia ouvi-lo. Então simplesmente continuou sua resposta. - Nós estamos esperando. Ela enrugou o nariz, claramente confusa. - Para quê exatamente? - Um momento estratégico. - Disse Torch com um tom ansioso que alguns podem ousar chamar de “molho agridoce”. O nariz enrugado de Piper distorceu seu rosto delicado. - Você acha que está indo para armas em chamas? Torch sorriu. – Não, armas não. - Ele lançou um olhar malicioso para Rave. Antes que essa discussão fosse muito longe, Rave explicou. - Torch esta mantendo sua equipe ao redor do motel. Estávamos esperando uma pequena distração para manter suas amigas ocupadas enquanto entramos. - Bem, estou aqui. - Disse Piper. - Eu serei a distração delas. - Perfeito. - Disse Torch, ao mesmo tempo em que Rave disse. - Não. Quando Torch e Piper olharam para ele carrancudos, Rave balançou a cabeça. - Você não vai lá, Piper. Há muito mais nisso do que você... - Magia. - Ela interrompeu. Quando ele apenas olhou para ela, ela continuou. – Bale explicou que existe algum tipo de... Magia alquímica usada contra Esme e Anjali. Eu sabia que elas estavam com problemas, mas isso... - Ela soltou um suspiro. Os pensamentos de Rave se agitaram como filhotes desamparados. Quanto e o que exatamente Bale lhe contou? Ele lançou uma olhada para o seu primo, mas Torch apenas encolheu os ombros. Se ele a mantivesse ao seu lado, não importava o que sabia ou não. Ela seria o seu sacrifício, e realmente o era. Mas caso ainda acreditasse que deveria deixá-la ir... 122


Ela colocou a mão sobre a dele. - Rave deixe-me ajudar. Elas são minhas amigas, e você está fazendo isso por mim, por causa de mim. Eu não sei o que elas fizeram às suas câmeras. - Ela inclinou a cabeça para incluir Torch na conversa. - Ou porque fugiram, mas eu também quero respostas. Ela estava certa, e não era como se ele tivesse uma escolha, porque Bale a enviou, mas era o seu toque que o condenava. Se houvesse alguma chance, ele não precisaria apenas levá-la com ele, mas ganhá-la, foi esse pensamento que o fez decidir. Ele abriu a porta SUV. Provavelmente com uma força desnecessária, julgando pela forma como os olhos escuros de Piper se arregalaram, mas ele estava tentando. - Vá - Disse ele. - Quarto sete. Estaremos aqui. Se precisar de mim, chame. Ela pegou o telefone. - Eu não tenho o seu... - Não com isso. - Ele agarrou seu queixo e levantou o olhar que estava na tela para encará-lo. Os centros mais negros em sua íris sombria se expandiram, como um céu noturno onde ele poderia cair para sempre. Ou voar. - Ligue para mim. Sua língua saiu para molhar seus lábios. - Ligar? Para você? - Magia. - Ele deu um sorriso torto. - Desde que você é uma especialista agora. Seus olhos estavam estreito sem determinação. - Vou descobrir o que está acontecendo. Ele sabia que ela não falava apenas de suas amigas. - Esperançosamente. Rave a levou para o vazio através do estacionamento. Torch limpou a garganta. - Magia? Mesmo? - Se ela tiver algum problema ou precisar de mim de qualquer forma que for, eu saberei. - Rave observou enquanto ela atravessaras palmeiras, sentindo como se estivesse me arrancando um pedaço dele enquanto ela ia. - Em qualquer lugar que ela for, seus desejos e vontades, eu consigo saber, como eu sei sobre mim mesmo. Ela é o meu centro agora. Meu coração. Torch passou sua mão por baixo do queixo. - Uh. Isso parece um pouco... Intenso. Rave sorriu para ele. - Bom, você não hesitará quando encontrar a sua.

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Piper estava dolorosamente consciente de Rave atrás dela. Seu toque. Suas palavras. Sua... Magia? No que foi que ela se meteu? Mas à frente dela estava o quarto sete e as amigas que a trouxeram para cá. Não desistiria delas só porque estava um pouco confusa. Talvez uma noite no Keep tivesse arruinado sua amizade, mas não podia acreditar que Esme e Anj tinham escolhido esse lixo para ficar. Folhas mortas rodopiaram no canto da entrada, como se ninguém tivesse passado desse ponto por muito tempo. Ela engoliu contra a secura da sua garganta e bateu suavemente. - Anj? Ez? É Piper. Abre. Por favor? Durante um longo momento, ela pensou que ninguém responderia. Talvez este não fosse o quarto certo. A porta abriu-se, e Anjali olhou para fora, seu cabelo avermelhado parece explodir em cor pela luz fluorescente do ambiente. - O que você está fazendo aqui? Se mais alguém lhe perguntasse isso essa noite, Piper soube que ficaria complexada. - O que você está fazendo aqui? - Ela respondeu. - Este lugar é um buraco. - Mais fácil sair de um buraco do que de um cassino. - Murmurou Anj. Ela agarrou a mão de Piper e puxou-a para dentro. - Alguém viu você? Piper tropeçou atrás de sua amiga. Quando a porta fechou e trancou atrás dela, quase quis ligar para Rave. Mas como isso aconteceu exatamente? Ela afastou seu nervosismo o quanto pode. Ofereceu-se para fazer isso, não podia reclamar agora. - Anj, o que vocês estão fazendo aqui? – Piper analisou o pequeno quarto com camas duplas e colchas feias. Esme estava deitada na cama do outro lado, enrolada em seu próprio corpo, aparentemente adormecida, seu rosto quase tão pálido quanto a almofada que usava. Ela parecia mais um cadáver do que a princesa encantada que sempre pareceu. O pensamento fez Piper tremer. 124


- Por que você saiu? - Ela não conseguiu segurar o tom de reclamação em sua voz. E para sua surpresa, o olhar de Anjali caiu, como se ela realmente se sentisse mal. - Eu sinto muito. Isso não deveria incluir você. Mas eu tive que achar uma fuga quando você continuou com suas tentativas de fazer Ez decidir do casamento. - Ela caminhou pelo tapete desgastado até o pé da cama. - Nada está saindo de acordo com o plano. Piper chegou mais perto de sua amigae se acomodou em um canto próximo a ela na cama, tocou levemente a mão de Esme. A pele pálida acima do grande anel de diamante estava gelada. - Que plano? A despedida de solteira? Ela tentou manter sua voz inocente, mas Anj virou-se para olhá-la, sua saia cigana fluindo a uma fração de segundo para trás. Aproximou-se, apertando os olhos, decidida. - Como você nos encontrou, afinal? Muito inocente. Piper começou a pensar em uma resposta para convencer Anjali de que não sabia de nada. Mas talvez Piper fosse realmente a pequena irmã do seu trio. Reconheceu o olhar suspeito de sua amiga e retornou um olhar duro enquanto falou. - Magia. Esperava ansiosamente que Anj risse de sua loucura, e ficou tristemente decepcionada. Em vez disso, Anjali afundou no canto da própria cama. Sua pele escura parecia cinza. - Eu sempre soube que você era uma cientista inteligente. Mas eu pensei que isso significava que você nunca acreditasse... Quando você descobriu isso? Uh, há cerca de dois segundos? Piper apertou os punhos contra o impulso de sacudir Anjali, exigir que ela admitisse ser tudo uma artimanha elaborada, um truque da despedida de solteira de Ez. Ela respondeu com uma outra pergunta. - Por que você está fazendo isso? - Ashcraft. - Anj deixou a palavra pesar entre elas como um pedaço de chumbo. - Ele disse que deixaria Ez livre em troca do sangue de Dorado.

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Piper balançou a cabeça em negação. Maldita seja, ela encontrou suas amigas, mas agora tinha mais perguntas, não menos. - Por que Lars quer o ichor? Está envenenado. Exceto o de Rave. Por causa dela. - Envenenado? - Desta vez Anjali parecia confusa. - Como você sabe? Piper crispou os lábios. – Ciência. - Ela disse com ironia. - Uma desordem chamada petralys está contaminando o ichor, tornando-o inerte e inútil. Anj riu, não um som feliz, mais como um sorriso estrangulado vindo direto de seu intestino. - Ótimo. Vamos pegar Ez de volta, e o “buraco de cinzas” não vai ter uma merda em troca. - Seu riso morreu, assim como a centelha momentânea da vingança em seus olhos. - Mas ele é muito poderoso. E se ele pensasse que envenenamos o ichor para matá-lo? A cabeça de Piper girava para tentar conectar de uma maneira lúcida tudo que Anj estava dizendo. - Por que ele quer o ichor? - Por que todos querem? Ashcraft é rico, poderoso e implacável como uma foda, mas ele seria um deus entre os homens se capturasse a essência de um dragão também. Com um piscar de olhos, Piper recuou, batendo sua bunda nos joelhos dobrados de Esme. Ez soltou um gemido baixo, mas seus olhos permaneceram apertados. – Eu...O quê? Bale mencionou dragões antes de explodir a vela em uma bola de fogo. Rave a protegeu e a arrastou para longe, mas não antes de ter visto a bizarra caverna. As estalagmites e as estalactites brilhavam como se fossem incrustadas com ouro. E Rave se recusou a responder quando perguntou sobre... Dragões. Ela não podia acreditar nisso. Bale era um dragão. E Rave era o irmão de sangue de um dragão. O que significava que Rave era um... Dragão também. Felizmente para ela, Anjali parecia atordoada e incerta sobre como se sentia a respeito da contaminação do ichor. - Nós não podemos dar a Ashcraft o ichor envenenado até libertar Esme. Ele a ligou quimicamente nele, para controlá-la. Caso morra enquanto está sob seu feitiço, Ez também morrerá. 126


Dragões. Magias. Morte. Era demais. Piper mordeu o lábio e bufou. Anjali alcançou o vão entre as camas para pegar sua mão. - Eu deveria ter contado a você. Não queria que estivesse envolvida, não queria que mais ninguém se machucasse, mas eu deveria saber que você ajudaria. Você sempre foi a única que nos abraçou. Piper olhou para a amiga. As abraçou? Elas realmente a viram assim? Ela pensou que sempre tinha sido a marcação do trio. Um choque estremeceu através dela enquanto a pedra do sol em seu anel se iluminava, o ouro era como uma chama. A opala de fogo de Anjali acendeu em resposta. Na outra mão de Piper, os dedos de Esme apertaram. Anj sorriu, os olhos marejados. – Você vê? Eu não entendia quando fiz os anéis -merda, eu não acreditaria nisso na época - mas sempre soube que havia força em nossa amizade. Sempre foram as três. - Seu aperto apertou. - Mas há mais magia do que brilhos, Pipa. Estamos com problemas. - O brilho das lágrimas escureceram seus olhos de avelã. - Problemas de magia negra. - E, claro, eu quero ajudar. - Disse Piper, afastando-se de ambas as amigas. Mas não podemos simplesmente levar o ichor. É o que mantém... os dragões vivos. - Mais uma razão para pegá-lo. - Anj cuspiu as palavras melodramáticas para o lado. - O sangue de um monstro pode matar outro monstro. - Eles não são monstros. - Protestou Piper. Bem, talvez Bale fosse... - E se fossem, eles não se deitariam humildemente e desistiriam de sua essência apenas por uma bela mulher. - Por favor. - Não. Isso são unicórnios. Anj acenou a mão dela com impaciência. - Mas os dragões são tão atraídos para as virgens quanto ao sacrifício. - Sua boca ficou triste. - A única coisa que Ashcraft não tirou de Esme. Piper tentou não se esquivar. Esme era virgem? Quando eles viveram juntos, Anj tinha contado sobre suas conquistas, Piper tinha corado sobre as dela e, agora que pensou sobre isso, Ez sempre foi quieta. Mas virgem? - Ela provavelmente era a única virgem no Keep. - Murmurou Piper. - Esse foi o plano. - Disse Anjali. - Se a colocássemos lá, um dos dragões viriam para ela. - Ela olhou para a amiga loira e linda que se enrolava impaciente na cama, sua boca recusou outro impropério. - Quem poderia resistir? 127


Piper olhou para a amiga. Ela sempre pensou que Anjali Herne tinha uma suprema confiança, quase arrogante, e era um de seus truques. Ao descobrir que Anj também tinha dúvidas, Piper se perguntou o quanto sua própria insegurança era auto-infligida. Mas ela não teve tempo para diagnosticar suas próprias limitações. - Anj, isso é errado. Não podemos tirar o ichor dos dragões. Não podemos usar Ez como isca. Eu sei que Lars é um buraco de cinzas, mas... - Você não faz idéia. - Disse Anjali. - Mas independente do que faça, o fato de simplesmente pensar que ele pode fazer isso é errado. E nós não vamos deixá-lo ganhar. Para seu horror, os olhos arregalados de Anjali brilharam com lágrimas. - Pipa, você é muito boa para este mundo. Eu sabia que a pedra do sol era perfeita para você; seu espírito é ardente. Mas não podemos lutar contra Ashcraft. - Sua respiração falhou. - Não podemos. Piper nunca aceitaria ver sua amiga tão derrotada, ela teria que entender a situação para tentar ajudar. Sabia que Anj teve que abandonar a escola para cuidar da loja de seu tio, e agora revelou que a magia era real, e que de alguma forma Anj fazia parte dela. Piper teve que se perguntar o que mais aconteceu nesse lugar imundo com seus cheiros ainda mais imundos. - O que aconteceu, Anj? O que Lars lhe disse para fazer você entrar nessa? O maxilar de Anjali endureceu. - Não importa. Os dragões são maus e não pertencem ao nosso mundo. Sacrificar um para obter Esme de volta é apenas um bônus. E se o ichor contaminado matar Ashcraft...Vamos começar logo esta festa. Esta não era mais uma despedida de solteira; era um pesadelo. Piper não queria nem imaginar como seria a ressaca. - Talvez não possamos lutar contra Lars, mas os dragões podem. Eu sei que sim. Anj sacudiu a cabeça, seus dreadlocks emaranhando-se com sua agitação. Por que eles o fariam? Eles não se preocupam com os seres humanos. Somos apenas uma fonte de sangue e tesouro para eles. Piper mordeu os lábios. Isso era verdade? Ela não conseguiu descobrir o que Rave viu nela. Além do poder de solária. - Eu tenho certeza que eles se importariam

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com um ser humano escondido na esperança de roubar seu ichor. - Ela enfiou as mãos debaixo de suas coxas. - Eu poderia ligar para um e pedir. Anjali endureceu. – Ligar para um? Como você tem um dragão na discagem rápida? - Não exatamente. - Piper se contorceu desconfortavelmente na colcha grossa. - Foi assim que eu encontrei você. Um deles me disse que vocês estavam aqui. E há alguns deles, talvez mais, agora. Saindo como um caixinha de surpresas em seus pés, Anj correu os poucos passos para a porta. Então ela apenas olhou de volta. - Oh maldição! Como um lugar morto desses vai mantê-los fora? - Ela girou para encarar Piper. - Você está louca? Trouxe Ez para longe do Keep porque pensei que você nos causaria problemas com Ashcraft, tentando convencê-la a deixá-lo. Mas você trouxe dragões ao nosso encontro em vez disso? - Não os trouxe. - Corrigiu Piper. - Eles encontraram vocês e me disseram. Só estavam me ajudando, e eu acho que eles ajudariam novamente se eu dissesse o que está acontecendo com Esme. - Ela não tinha tanta certeza do que estava acontecendo com Anj, mas um problema de cada vez. Sua amiga passou como em um voo atirando-se a cada passo com veemência de um lado a outro. - Eu ainda posso fazer isso funcionar. - Ela murmurou. - Se já houver um dragão aqui...- Ela girou em direção a sua grande bolsa e passou por Piper novamente. Quando seu murmúrio ficou mais alto e menos sensível, Piper saiu lentamente da cama e avançou em direção à porta. Ela ainda não entendeu tudo o que estava acontecendo, mas era suficiente saber que Ez e Anj estavam com problemas e que a raiz deles era a magia de Lars... Rave e os dragões eram seus alvos, e Piper iria pará-lo para obter suas respostas. Como na purificação de água, a poderosa luz ultravioleta – que se parecia com a luz solar em forma mais pura e concentrada - era usada para matar germes, já estava na hora de abrir as cortinas sobre esse lugar misterioso. Ou, como eles estavam em Las Vegas, era hora de colocar todas as cartas na mesa. Quando ela clicou para abrir a porta, Anjali virou-se em sua direção. - O que você está fazendo? Não vá lá ainda. Tenho que definir a armadilha. 129


- Não. - Piper girou a maçaneta da porta e puxou, deixando entrar o cheiro da noite do deserto frio. - Sem mais segredos. Anj pulou sobre ela, batendo a porta com firmeza até que ela fechasse. - Está bem, está bem. Vou explicar tudo. Mas a armadilha nos protegerá. Apenas me deixe. A porta se abriu. Não com uma brisa gelada, mas com um rugido ardente.

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O dragão estava muito perto da superfície de sua pele, Rave não conseguiu conter seu grito rouco e o calor de sua raiva quando ele entrou... ok, derrubando a porta do quarto sete. Ele sentiu a preocupação de Piper e sua confusão. E pior de tudo, sua dúvida. Ela precisava dele, queria-o, mas não o havia chamado porque não acreditava na ligação entre eles. O dragão não esperaria mais. Ele conseguiu mantê-lo contido nos limites de sua forma humana, desencadeando sua fúria apenas na madeira compensada barata da porta. Piper havia se esquivado, mas agora ela estendeu as duas mãos, bloqueandoo mais eficazmente do que a porta. - Não, Rave. Volte. Não é seguro. Há uma armadilha... Sua amiga ruiva, Anjali, saiu de trás dela e havia algo em sua mão. Um orbe de vidro preto que jogou em sua direção. Ela foi rápida, mas seus reflexos de dragão eram mais e ele conseguiu se esquivar do ataque. Torch passou pela porta atrás dele, seu olhar fixo com atenção. Não na ameaça. Em Anjali. Rave o empurrou, mas o peso do seu primo resistiu ao golpe. O orbe atingiu Torch no ombro e quebrou. Embora o leve tilintar fosse testemunho da fragilidade do vidro, a força que continha dentro girou Torch e jogouo na parede. Rave quase conseguiu empurrar Torch fora do caminho; Se o orbe o tivesse atingido no peito... Elos de fumaça preta oleosa brotaram do vidro quebrado como tentáculos de um kraken podre. O mau cheiro foi pior do que isso. Torch tossiu e seguiu pela fumaça atingindo a neblina em direção a Anjali. Ele abriu os dentes em um sorriso vicioso. E a escuridão afundou-se nele. 131


Seus olhos se arregalaram e depois recuaram. Quando ele bateu no chão, o barulho foi ainda mais alto do que a porta caindo. Rave se afastou de seu primo, mas os tentáculos que haviam perdido Torch estavam buscando presas por aí. E Piper estava no caminho. Ele a alcançou, perigosamente perto da fumaça negra que tinha derrubado Torch, mas ela dançou de volta. - Saia, Rave. - Ela ofegou. - É uma armadilha de dragão. Um choque frio quase extinguiu o dragão nele. Ela sabia. Ela sabia o que ele era. Será que sabia o que suas amigas estavam fazendo? Ele se afastou dos tentáculos ainda em expansão. Pareciam ter uma ferocidade quase palpável. Ele se virou nos limites apertados do pequeno quarto, mas um elo negro agarrou-lhe o pescoço. Sua pele explodiu com a dor que irradiava em sua mandíbula, e aquilo foi envolvendo seus braços e seus músculos. Ele apertou a outra mão sobre a área. Esses dedos ficaram entorpecidos. O tentáculo enrolou-se em volta, caindo pela perna. Dor, entorpecimento o fizeram cair de joelhos. - Rave! - Piper correu de onde estava em sua direção, mas sua amiga a puxou para trás. - Não toque nele. - Silenciou Anjali. - Não até a armadilha ficar apertada. Piper tentou afastar-se dela. - Pare com isso. Anj, ele está aqui para nos ajudar! - Ele nos ajudará. Bem... seu ichor irá fazê-lo. Rave tentou retorcer, mas sua mandíbula ficou congelada. Tentou respirar, inflamar o dragão, mas dentro dele, tudo era escuridão e pedra. Seus pulmões se moviam para puxar o ar pela garganta fechada. Sombras ameaçaram nas bordas de sua visão. Anjali tirou um telefone da mochila e para discar ela teve que libertar Piper, que no mesmo instante correu para o lado de Rave. 132


Ela caiu de joelhos na frente dele. – Rave... Rave, o que posso fazer? - Suas mãos pairavam perto dele. - Eu sou a sua solária. Talvez eu possa... Ele conseguiu se jogar para trás para evitar o seu toque. Não podia deixar a fumaça chegar até ela. Seus olhos se arregalaram. – Rave. Eu não sabia, eu juro. Anjali puxou-a para ficar de pé. - Vamos lá. Eles estarão aqui em breve. Piper resistiu. - Quem? Os dragões? - Os homens de Ashcraft. Eles vão lidar com Dorado. - Anj, não. Você está errada. Não podemos fazer isso! - Nós temos que fazer. Eu tenho que fazer. - Os olhos da ruiva eram selvagens transparecendo algo como pânico. - Eu já fiz. Piper se soltou e ficou de pé sobre ele. - Não vou deixar que eles roubem seu ichor. Anjali foi até a cama e puxou a loira para cima. Esme Montenegro parecia mais com um saco de batatas cozidas que a elegante herdeira que tinha visto nas câmeras de segurança. Embora ele supusesse que não deveria falar isso em voz alta. Bem, ele não podia de qualquer maneira. Anjali arrastou a Esme para a porta, pisoteando um Torch imóvel. Será que estava morto? Ele sofreu a maior parte do golpe da esfera negra. Piper bloqueou sua visão de seu primo quando se ajoelhou ao lado dele novamente. Encostado na parede, ele não conseguiu se afastar mais, e desta vez ela colocou as mãos sobre ele. Ele encarou seu rosto, esticando todos os músculos paralizados para levantar o olhar para seus olhos. - O que eu faço? Como faço para que a coisa das solárias funcione? Com as sombras invadindo por toda parte, ela encheu sua visão. Ele não podia formar nenhuma palavra, apenas um ruído baixo e draconico. Suas mãos apertaram suas bochechas. - Se você tem que pegar meu sangue, meu tesouro, minha vida, seja o que for, faça isso. Se Anjali estiver fazendo isso por Lars Ashcraft, ambos estão errados e você tem que detê-los. 133


Embora tenha demorado toda a força em seu braço entorpecido, levantou a mão para cobrir a dela. Através do frio de sua pele, seus dedos a sentiram como fogo, queimando-o. Assim como ele gostava. - Piper. - Ele sussurrou. Ela ofegou, e então ela estava sendo arrastada para longe dele. Dois homens de roupas escuras e sem marcas a levaram, chutando e gritando, em direção à porta. Outro homem do Keep estava curvado sobre Torch. Rave o reconheceu da equipe de segurança. Qual era o nome dele? Antônio. Um contrato mais novo, mas certamente avaliado como todos os seus funcionários. Torch ficaria bem. Se ele vivesse. Piper pegou o batente da porta, mas seus dedos escorregaram da madeira compensada quebrada e ela desapareceu na noite. Os gritos dela foram cortados abruptamente. Rave arrancou os laços invisíveis que o enrolavam. Ou deslizou? O toque de Piper afrouxou os tentáculos pretos em seus músculos? Um dos homens voltou e ficou ao lado de Antônio. - Você entendeu? Antônio brandiu uma faca de ferro, como a única que Rave costumava usar para coletar o ichor de suas veias. - Me dê um minuto. A cadela foi entregue e agora temos que sangrar dois deles. O homem inclinou um olhar nervoso para Rave. - Um é o suficiente. Vamos sair daqui. Antônio zombou. - Você acha que ele vai entender se nós formos embora sem os dois? Sim, vou deixar ele saber que você decidiu isso e veremos como fica para você. - Tudo bem. - O homem atravessou a pequena sala em direção a Rave. - Eu vou pegar desse então. Ele tirou uma faca esfoliante da bota. Talvez fosse porque a Torch tomara o pior do golpe, ou talvez o toque de Piper, mas antes que a faca cravasse sua pele, Rave levantou abruptamente. 134


Sua perna ainda estava fraca e quase encolhida sob seu peso, mas isso acabou tornando seu ataque mais imprevisível, e quando o homem pensou em usar a lâmina, Rave já estava caindo sobre ele como um maldito desmoronamento de rochas. Sua mão pesada quebrou o braço do homem, lançando sua faca pelo quarto. O grito atordoado dele terminou com a mão de Rave em volta de sua garganta. Ele levantou o pau mandado de Ashcraft pela gola e o atirou para Antonio, derrubando o segurança de Torch. Ambos os humanos caíram em um emaranhado de membros agitados. Mas o joelho entorpecente de Rave falhou e ele tropeçou na cama. Com uma explosão de frustração, ele tentou levantar novamente, mas apesar do rugido preso em seu peito, qualquer energia que possuísse tinha se esvairido deixando-o sentado e frustrado sobre a colcha. Antônio ficou de pé, se desvencilhando do outro homem. Ao ver suas presas escaparem, Rave convocou outra onda de fúria. Os dois humanos devem ter visto a morte em seus olhos, pois saíram em disparada pela porta quebrada. A faca de Antônio ainda estava cravada no pescoço de Torch. O horrível ferro de meteorito era uma das poucas substâncias que podiam danificar o couro de dragão Nox Incendi, mas era um pouco demais para suas formas humanas. Ignorando as agonizantes ferroadas dos nervos e músculos voltando à vida, Rave se arrastou pelo chão até seu primo. Os olhos Torch estavam abertos e suas pupilas estavam em fenda. O dragão dele olhava para Rave sobre a carcaça humana que o mantinha. - Isso vai ferrar tudo. - Advertiu Rave arrancando a faca no segundo seguinte. Não era um som de Torch. O sangue brotou da ferida recente, e ichor brotou rugindo atrás. Rave apertou a mão sobre o corte, dando ao ichor um momento para parar o espirro arterial. Mas todo o seu corpo ansiava pela porta aberta. De onde estava, segurando a vida de Torch com a mão, Rave não conseguiu ver o estacionamento, mas o canto dos pneus lhe contou o que precisava saber.

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Sentiu o coração ser rasgado de seu corpo tão grosseiramente como a faca perfurando o osso. Mas ele não podia deixar seu primo aqui para morrer escolhido por esses abutres humanos. Ignorando violentamente a dor da fumaça negra em seu corpo, Rave ergueu Torch no ombro e cambaleou para o SUV maltratado. Uma forma escura do Keep apareceu por trás do veículo. Se ele não tivesse preso pelo peso de Torch, Rave poderia ter dado um soco primeiro perguntado depois, mas ele logo reconheceu o segundo comando de Torch, outro dragãometamorfo. - O que diabos aconteceu?- Lucius abriu a porta. - Onde diabos você estava?- Rave retrucou. As palavras ainda eram difíceis de pronunciar, seu pescoço ainda doía do toque da magia alquímica. - Torch disse para esperar. - Luc ajudou a colocar Torch na parte traseira do SUV. - Ele disse que as fêmeas provavelmente estavam sendo vigiadas, ajudadas pelo menos, e queria descobrir quem eram seus cúmplices. Rave amaldiçoou o som do gemido sem fôlego de Torch. - Então ele queria usá-las como isca, mas elas eram a isca para nós. E isso é, sem dúvida, uma porra. Pegou as chaves do bolso de Torch. - Vamos. Luc fechou a porta. - Para onde? - Recuperar minha solária.

Piper amontoou Esme contra o ombro e evitou olhar através da limusine para o homem armado. Ele estava vestindo um uniforme com o logotipo da Keep no peito em sua camisa e havia sangue em suas mãos. Pelo menos algumas gotas desse sangue eram dos dentes dela, de quando tentou parar seus gritos. Seu lábio inferior estava inchado e dolorido e ela sabia que 136


encontraria contusões nas canelas. Ele a arrastou do quarto até a limusine. Quando ela se endireitou, Esme estava sendo jogada em cima dela. E então a limusine estava partindo. Ao lado de cara armado sentou-se outro homem, encaixando o braço com tanto cuidado quanto Piper segurou Ez. Seu rosto estava cheio de suor, e Piper pensou que provavelmente poderia abatê-lo. Se ela tivesse Anjali às suas costas, claro... Será que sua amiga Anj ainda era uma amiga quando estava trabalhando com os assassinos de Ashcraft? – Ela virou para o lado na limusine, olhando pela janela o tempo todo. Talvez ela também não quisesse ver a arma. Mas ela já estava esperando silenciosamente na limusine com Esme quando o homem da arma jogou Piper lá dentro. Obviamente, Anjali tinha escolhido. Se em algum momento ela precisou de Rave, a hora era agora. Piper limpou a garganta. - Onde você está nos levando? - Cale a boca. - Disse o homem com a arma, seu tom casual e conversativo, embora suas palavras não fossem. Ela nunca tinha sido boa em confronto e sempre manteve a cabeça baixa, então ela não tinha idéia do que fazer a seguir. Precisava saber onde estava para que Rave a encontrasse? Ele viria mesmo? Ou ele achou que ela fazia parte da conspiração para roubar o ichor de um dragão? Para sua surpresa, Anjali se afastou da janela, pegando sua bolsa. - Eu vou ligar para Ashcraft. Cumpri minha parte da barganha, e você precisa nos deixar ir. - Não. – o assassino se irritou, a arma em sua mão fazendo Piper recuperar o fôlego em seu descuido. - Sr. Ashcraft ficará furioso com a perda do ichor. Ele não precisa ouvir sobre isso mais cedo do que o necessário. Os lábios de Anjali curvaram-se em um sorriso zombador. - Eu não perdi nada. Eu servi esses dragões para você em um prato decorado, e você nem conseguiu saborear. O assassino jurou viciosamente. Piper teve que concordar; não tinha sido tão fácil como Anjali estava fazendo parecer. Não que ela fosse defender qualquer um deles para o Lars. 137


Mas o que ela poderia fazer? Havia dois homens em frente a ela e o motorista. Esme estava indefesa e inútil. Anjali parecia ter jogado seu dado... E perdido. Ela teria que fazer sua própria chance se ela visse uma. Mas ela não viu. A estrada fora da limusine estava escura, mas reconheceu a linha reta de luzes quando finalmente diminuíram. O aeródromo. Talvez em um passado remoto ele estivesse grata em sair de Vegas considerando que ela não queria nem vir para cá. Mas agora… Ela estaria deixando Rave para trás e entrando nas garras de Ashcraft. Esta tinha que ser sua chance. O Assassino agarrou Esme de seu aperto e puxou-a para fora da limusine. As bonitas botas de salto de Ez foram arrastadas para ficar de pé, e seus saltos estocados atravessaram o pavimento. Quando Piper começou a segui-los, ele fez uma pausa e apontou a arma para ela. - Sr. Ashcraft não precisa de você. Piper congelou, olhando para aquele buraco negro que era mais assustador do que qualquer coisa que ela tinha visto na caverna misteriosa de Bale. Seu coração bateu contra as costelas em um ritmo constante: Rave, Rave, Rave. Anjali caiu na frente dela. - Ela tem uma conexão com os dragões. Isso é valioso para a Ashcraft. Considerando seu colossal fracasso, Antonio, você precisará voltar, então sugiro que a mantenha viva. Piper não tinha certeza se deveria ser grata, mas quando Anjali puxou seu braço, saiu da limusine. Os motores do jato já estavam ligados - era mesmo seguro, ah merda, isso não importava agora - e seu grupo ralé se dirigiu para as escadas. O cara da arma, vulgo Antonio, aparentemente, entregou Esme ao motorista, e ergueu a retaguarda, mantendosua arma na mão. Ele apertou os olhos de Piper quando ela olhou para trás, então começou a subir as escadas. Rave, Rave, Rave. Quando estavam sob o olho cauteloso da arma, Anjali inclinou-se para Piper. - Me desculpe. - Ela sussurrou. - Deixe-me falar. 138


Isso sempre foi seu caminho. Anjali conversando, pagando Esme, tagarelando junto com Piper. E parecia que isso nunca ia acabar. Droga! - Rave nos salvaria. - Disse para Anj. - Você não precisava fazer isso. - Ele não conseguiu se salvar. - Anjali revirou os olhos. - E quando Ashcraft se digna a fazer seu próprio trabalho sujo, nenhum deles tem chance. - A casa sempre ganha. - Piper segurou essa crença em seu coração. Ela tinha que ganhar. Mas Anj sacudiu a cabeça. - Não quando o único baralho é misturado por um bruxo. Oh merda. De todas as coisas que ela não queria ouvir, essa, sem dúvida foi a pior... O jato começou a ir em direção a pista. Eles teriam pelo menos mais duas transferências, descendo do avião e chegando a Ashcraft. Certamente haveria outra chance de fugir, de voltar para Rave. Os motores rugiram enquanto começavam a acelerar. Antonio tinha pegado seu telefone na limusine, mas ela sabia que o telefone perdido de Esme estava em algum lugar por ali. Talvez ela ainda pudesse chamar Rave da maneira normal. Rave, Rave, Rave! Fora das janelas do avião, as luzes do aeródromo caíram. A pressão do ar obrigou Piper a voltar ao assento, mas o pensamento de perder Rave a achatou muito mais que a pressão anterior. Ele era um dragão. Impossível acreditar. E ele a queria. Ainda mais impossível de acreditar. Mas ela acreditou, e precisava dizer-lhe que queria ser sua solária, seja lá o que ele quisesse que fosse, qualquer outro segredo que ele pudesse manter. Ela colocou a mão sobre o vidro frio da janela, olhando fixamente para a noite. - Você é meu tesouro, Rave. - Ela murmurou. - Eu não vou perder você. Algo brilhou pela janela, muito rápido para ver, e ela se assustou. - O que... Um ruído terrível - o som do metal rasgando - a afugentou. Antonio se levantou um pouco de seu assento, o olhar preso na cabine do piloto, de repente foi lançado para dentro da ante-sala em uma inclinação improvável do jato. 139


Os motores rugiram e o avião se voltou para o outro lado, como se estivesse sendo atropelado por um gato. Um enorme, voando bem a frente... Dragão! Piper agarrou as bordas de sua cadeira enquanto o avião deslizava no ar e se apertou perto da janela. Lá! O pulso constante das luzes do jato iluminou uma forma elegante e poderosa. Ela não podia ver tudo na escuridão, mas uma asa de couro segmentada acariciava a janela, perigosamente perto do motor. Se fosse sugado, todos cairiam. O dragão bateu no jato novamente, depois se precipitou, forçando o nariz do jato para baixo. Piper vislumbrou a área próxima ao aeródromo quando eles entraram. Eram apenas montanhas, irregulares, escuras e selvagens. O jato disparou novamente. Desta vez, Antonio pousou quase no seu colo. Ele inclinou a arma para a janela e disparou. Seu grito estava perdido no súbito murmúrio do vento tocando seu ouvido. Seu cabelo azedo a cegou. Ele atirou de novo, mas, mesmo através da ensurdecedora cacofonia, ela ouviu o rugido do dragão. Furia explodiu por suas veias como relâmpago e ela bateu Antonio em direção à janela. Era muito pequena para empurrá-lo – infelizmente -, mas ela se enroscou na parte de trás da cadeira e se preparou para chutar seu braço. Preso nos fragmentos quebrados do vidro, ele gritou, se afastou dela e largou a arma. Quase caindo de sua cadeira ela tentou deslizar até o chão e esgueirar-se para a arma. Antonio pisou em seus dedos sem dó, forçando-a a recuar, mas então ele cambaleou para trás, os olhos arregalados. O terceiro olho em sua testa chorou uma fina corrente de sangue e ele caiu. Anjali levantou a arma em direção ao outro homem, mas ele ainda estava no assento, com o maxilar folgado.

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Piper caminhou até a cabine do piloto que, nesse momento, lutava contra o vento na tentativa de levar o jato mais alto e amaldiçoando de medo em voz alta. Seu próprio medo lhe deu força enquanto o levava para fora do assento. Ele gritou, mas recuou lentamente quando viu Anjali. Piper jogou-se no assento ainda quente. Embora a aplicação aérea tenha aumentado a exposição de pesticidas do pai, ela aprendeu algo ao longo do caminho. O jato era muito, muito mais agradável do que o velho espanador de colheita que ela tinha pilotado, mas só levou um segundo para facilitar o desembarque. O dragão deve ter sentido a sua capitulação, poisosmurros pararam, mas Piper não teve tempo de procurar a intrigante parada. Encontrou as luzes de aterrissagem e as acendeu, banhando os contrafortes com um brilho forte. Eles estavam descendo muito bruscamente e o chão era muito áspero mesmo para um plano de fazenda resistente. O jato lustroso se partiria com o impacto. Uma saudade de Rave quebrou dentro dela e arriscou olhar para cima através da janela inclinada da cabine. Um olhar cintilante olhou de volta. O arrepio da espinha naquele momento não era de medo, mas algo alegre e primordial. Seu coração se elevou até quando ela dirigiu o jato mais baixo. O avião bateu levemente no ar, e o bastão se contorceu em sua mão - ela perdeu o comando. O dragão os tinha em suas garras. - Curve-se. - Disse ela a Anjali. Ambas se prepararam para o impacto, mas elas pousaram com leveza. Depois de desligar os motores, Piper correu pela porta. De sua posição elevada, vislumbrou as luzes do aeródromo à distância. As luzes dos limites da cidade mais distante brilhavam nas nuvens baixas. Ela pulou e caiu no chão, continuando sua corrida sem se afetar. Pedras e arbustos ameaçaram virar seu tornozelo e teriam certamente atrapalhado o pouso se não fosse pelo controle do dragão. Onde ele estava? Onde estava Rave... Ela virou para enfrentar o jato. 141


As luzes de aterrissagem e a posição em que o avião estava lançavam poças de luz na escuridão. Retroiluminado contra o brilho, empoleirado na fuselagem, era ele, o dragão com suas vastas asas que ainda se espalhavam e criavam sua própria sombra contra a noite. O brilho vinha em escalas afiadas e uma franja de espigas cruzavam o pescoço serpentino, ondulando pela cauda amarelada. - Rave. - Ela sussurrou. O dragão ergueu-se sobre suas ancas e rugiu, um som como de uma pantera, falcão e F-16, tudo em um. Uma corrente recíproca do conjunto de asas coriáceas colocou-a nos calcanhares com uma onda de ar perfumado de metal. Garras malvadas perfuravam o aço e a janela da cabine esmagando o pesado suporte de aço entre a proteção do vidro. O predador mortal subjugando sua presa. Ela deu um passo à frente, seu pulso batendo com admiração. Outra vez, ouviu os pneus chiarem novamente sob a terra. Ela reconheceu o SUV antigo saltando pela terra. Torch e outro homem haviam descido do carro ainda mais rápido do que ela pulou do avião. Eles não se incomodaram com o dragão. Torch deu um aceno de cabeça enquanto encadearam pelas escadas do jato. Se a fumaça preta e oleosa o tinha ferido, parecia ter superado muito bem. Arriscando a afirmar alguma coisa, Piper diria que ele estava extremamente energizado, como se a luta fosse exatamente o que ele ansiava. Isso não era bom para os minions de Ashcraft... Em alguns minutos eles voltaram. Torch agarrou o braço de Anjali, quase empurrando-a pela escada. Sua boca era uma linha reta e desgastada de choque e consternação. O companheiro de Torch era infinitamente mais gentil com a Esme. O piloto e o homem com o braço torto caíram atrás deles. O corpo de Antonio foi deixado para trás. No instante em que abriram a porta, o dragão lançou-se para o céu com um poderoso impulso de suas asas.

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Piper assistiu aves de rapina nos campos onde seu pai trabalhava e em seu próprio trabalho de campo, e ela sempre admirava seu poder implacável e a beleza selvagem. Rave inspirou tudo isso, mais uma maravilha mitológica que a deixou incapaz de desviar o olhar. Mesmo quando ele mergulhou com velocidade chocante e esmagou o nariz do jato no chão. O som de metal esmagado era agonizante, e todo o grupo recuou. Exceto Piper. O amigo de Torch teve que arrastá-la para trás. Ela entendeu por que quando Rave voltou a voar e parou, pairando sobre os destroços com uma incrível exibição de força. As rajadas de ar enviaram todos para trás a rápidos passos. E então ele abriu suas grandes mandíbulas. A corrida da bola de fogo foi um inferno instantâneo e abrasador. O jato estava engolfado pelas chamas. - Mais para trás. - Advertiu Torch. - Rave pode se conter quando sopra, mas não podemos arriscar. Sua amiga colocou Esme em um dos assentos do SUV. Torch fechou as mãos de Anjali e quase a jogou na parte de trás. Piper mordeu o lábio enquanto conhecia o olhar chocado de Anj antes de Torch bater na porta. Havia mais nessa história, ela sabia, mas era um mistério para outro dia. O piloto e o homem com armas quebradas pairavam indecisos, os olhos se deslocavam dos destroços queimados para o SUV até o sopé do além. Torch bufou. - Eu sugiro que você tenha uma boa desculpa para a Ashcraft. Embora, provavelmente, valeriam mais pulando nesse fogo. Ou vocês pode deixar Ashcraft encontrar uma maneira de explicar o trágico acidente de seu jato privado enquanto vocês fogem para muito, muito longe. Eles aprovaram a última opção, o piloto segurou rapidamente seu companheiro ferido. Torch olhou para Piper. - Você vai enlouquecer agora? - Ainda tenho?- Ela respondeu.

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Ele resmungou novamente, mais gentilmente desta vez. - Rave nunca acreditou em verdadeiros companheiros. Ela deu um sorriso sorrateiro. - E eu nunca acreditei em dragões. - Então vocês dois são perfeitos juntos. Eles não eram perfeitos. Eles eram apenas... bem, humana e dragão. Ambos trabalharam tanto para os outros que se esqueceram de si mesmos. Agora eles tinham algo que era apenas deles. Algo raro e precioso. Algo mágico. Ela olhou para o belo animal pairando no céu noturno. - Rave a levará de volta ao Keep. - Disse Torch. Ela mal ouviu o SUV se afastar. Todos os seus sentidos ansiavam pelo dragão, por Rave. Ele desceu delicadamente na frente dela apenas quando o avião explodiu. O calor e a luz irradiaram em torno de suas asas espalhadas, mas apenas uma brisa suavemente quente recuou os cabelos. Piper deu um passo em direção a ele. Agora ela sabia de onde esses músculos vieram... Ele olhou para ela, um toque do animal selvagem em seu olhar cauteloso e quando bufou, um cacho de fumaça subiu de seu focinho estreito. - Você não me assusta. - Ela murmurou. - Você veio me salvar. Segurou o avião quando eu estava aterrissando, não é? Eu estava voltando para você. Juro que não tive nada a ver com os planos de Ashcraft, ou com Anjali. Você acredita em mim? Lentamente, ele torceu o pescoço longo para trazer sua cabeça triangular ao nível dela. Seu olhar cintilante a estudou. A pupila-fenda como um gato alargou, e ela se viu refletida ali em seus olhos. Não parecia a mesma; Parecia... Selvagem, livre. Como a verdadeira companheira de um dragão. Piper ergueu a mão para seu focinho. As barbatanas eram quentes, mas quase aveludadas. Embora na escuridão geral, cada barbatana em suas bordas tinha um brilho de arco-íris opalescente - o ichor - como um tesouro de joias escondido nas sombras. - Você não está mais escondido. - Disse ela. - Eu encontrei você. Ele abaixou a cabeça sob sua mão, quase como se... 144


Em vez de esperar pelas dúvidas, ela passou os dedos pela crista das espinhas. As espinhas engrossavam ao longo do pescoço e nas costas, mas sobre as articulações das asas, havia um ponto nu. Apenas grande o suficiente para uma certa humana … Ele abaixou o ombro, a perna dianteira dobrada fazendo um bom degrau de escada. E então ela estava montando um dragão. Piper envolveu seus braços ao redor do seu pescoço enquanto ele se esticou e pulou para o céu. Suas pernas fortes apertadas sob a flexão de seus músculos de vôo. Oh cara… As colinas caíram debaixo deles, o jato ardente nada mais era do que um aviso distante. Apesar do frio, da noite do deserto e do vento no rosto, Piper brilhou com calor. Em parte pelo dragão quente entre suas pernas, mas também por uma alegria emocionante. Essa clareza pura e sustentável era o que ela procurava quando olhava através do microscópio para uma gota de água. E aqui ela encontrou isso, nas chamas e no céu noturno, ao alto das asas de um dragão. Rave deu uma volta ampla e em loop, se moveu de forma tão fácil que ela nem temeu cair. Mas se ela fizesse, não tinha dúvidas de que ele a pegaria. Era bom que estivesse tão confiante, porque quando as luzes da cidade brilhavam logo após o focinho estendido, ele começou a se virar para baixo. Ela reconheceu as torres medievais do Keep - agora a estética do design fazia sentido, assim como a posição remota na borda da cidade - e quando estavam diretamente ao longo do centro, Rave dobrou as asas e a pomba. Ela riu alto quando desceram em uma espiral apertada no poço do jardim secreto. Rave pousou perto da piscina com tanta suavidade que a água mal ondulou ou percebeu que eles caíssem. Mas então o enorme corpo embaixo dela brilhava com a energia opalescente do ichor enquanto ele mudava. Antes que ela pudesse reagir, ele estava inclinando para levá-la nos braços. 145


Por um momento, as vastas asas ainda fluíam de seus ombros humanos, mas então ele era o homem que primeiro capturara sua imaginação. Agora ela sabia que ele a nunca deixaria ir. Não que ele deixasse muito para imaginação dela agora, ele estava completamente nu. - Isso é conveniente. - Ela murmurou. Seu pau duro e grosso cutucou a coxa de Piper. - Quando você riu, eu sabia. disse ele. - Eu sabia que você era minha. Não apenas a minha solária, não apenas o meu tesouro, mas a companheira do meu dragão. Meu coração. Ele colocou as mãos sob o queixo, inclinando a cabeça para pegar sua boca em um beijo selvagem. As línguas se enroscaram, e suas respirações se voltaram para gemidos. Ele a desnudou em um batimento cardíaco, suas mãos reivindicando cada centímetro dela. Ela fez o mesmo, encontrando músculos tensos e pele lisa onde haviam asas e espigas. - Você é glorioso. - Ela murmurou. - Tão forte. Tão bonito. - E tão seu. Seu grunhido vibrou através dela, enfraquecendo seus joelhos e enviando uma explosão de necessidade quente e úmida através da sua buceta. Ela passou as mãos pelo mapa de seu tesouro. - Você está realmente bem? Quando essa fumaça negra atingiu você...- Ela olhou para ele quando juntou as mãos. - Você sabe que não queria fazer parte disso, certo? - Eu sei. - Seu olhar brilhava para ela. As pupilas em fenda, revelando mais o azul-cinza tormentoso. Se você quiser meu ichor, você só precisa pedir. Ele caiu de joelhos na frente dela, suas mãos se arrastando até seus quadris. - Vocês é minha solária. A luz e o calor do meu dragão. O coração do meu tesouro. Minha vida. Eu te ganhei quando nunca acreditei que alguém tal qual você existisse... - Ele balançou a cabeça, então se inclinou para pressionar um beijo em seu umbigo. - Você é a chama dentro de mim agora. Ela passou os dedos pelos cabelos dele, então ele olhou de volta. - Eu quero você dentro de mim.

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Ele a levou forte e rápido e ela o recebeu com igual intensidade. O medo e o choque que haviam tomado conta de seu coração, agora flamejavam pelo seu sangue. Piper gritou quando atingiu um orgasmo intenso e o rugido de Rave ecoou pelo jardim. Quando eles flutuaram na piscina depois, ela tocou sua própria boca. Seus lábios estavam inchados e moles, mas apenas de beijos. - É a ligação da companheira. Através dela, posso compartilhar um pouco do poder de cura do ichor com você, assim como você conseguiu me chamar. - Ele beijou seu cabelo molhado. - Quem te atingiu? Ela se aconchegou contra o peito. - Ele está morto. - Deveria estar mais horrorizada com isso, ela sabia, mas eles teriam matado Rave. Talvez alguma ferocidade do dragão estivesse dentro dela agora, carregada pela ligação da companheira. Seu braço apertou possessivamente, - Eu o mataria novamente por você. - Acabou. Ela sabia que não tinha acabado, mas segurava a ilusão, só por um instante de paz. Rave parecia inclinado a concordar. - Eu preciso colocar uma cama aqui embaixo. - Você tem uma cama adorável em sua suíte. O jardim é perfeito, como é. Ele respirou fundo. - Você está certa. Podemos usar a cama no andar de cima quando estamos sendo civilizados. Ela girou em seus braços para flutuar sobre ele. - Eu gosto de você selvagem. Ele passou as mãos pelas costas dela para apertar sua bunda. - Isso me agrada porque eu quero mostrar algumas coisas muito selvagens. - Mais segredos revelados. - Mergulhando sua cabeça, Piper beijou a pele nua acima de seu coração. Embora ele não se movesse além de um suspiro satisfeito, uma onda de choque se moveu pela água, enviando ondulações saltando para eles. Cada pequena onda estava cheia de arco-íris cintilantes. Suas sobrancelhas se ergueram. - O que é que foi isso? 147


Ela olhou para baixo. – Rave. - Ela ofegou. Onde ela o beijou, um sol estilizado queimou em sua pele, seus raios espirravam em seu músculo peitoral. Depois de um batimento cardíaco, ele desapareceu até o brilho metálico meio escondido do resto de suas marcas. A água se instalou com um último brilho perdido como uma estrela cadente. - Hmm, você vê? - Ele disse com satisfação. - Eu sou seu. Subindo para equilibrar seus antebraços em seu amplo peito, ela gaguejou confusa. - O que... Como… - Você reivindicou o dragão. Ele canta para você, queimando através da minha pele. Minha solária marcada em mim. Tentativamente, ela rastreou as novas linhas. - Isso dói? - Apenas o pensamento de que eu poderia ter perdido você. - Sua inalação profunda os flutuou mais alto na água. - Nós pensamos que a manteríamos fechada aqui no centro do nosso tesouro. - Oh, mesmo? - Ela apertou os pontos de seus cotovelos nas costelas. Ele estremeceu. - Mesmo. Mas agora eu entendo que é uma idéia terrível. - Isso é bom. - Ela disse com ironia. - Suas solárias são a respiração e o fogo de um dragão. Eu não poderia te esconder mais do que escondi o dragão. Vocês dois devem brilhar. - Ele a levou na água, ancorando os quadris entre as pernas. - Agora confesse. Você não tem reservas sobre amar um dragão-metamorfo? Ela arregalou os olhos para ele. - Amar um homem rico, sexy, inteligente e poderoso que se transforma em uma fera na cama mesmo quando não há cama e que ainda pode me levar às estrelas? Acho que ganhei o jackpot. - Você acha? - Ele rosnou. Ela se se esfregou contra ele, centrando seu pau muito duro em sua buceta. Bem, pode ter sido pura sorte tola. - Você pode rolar meus dados quantas vezes você quiser. - Disse ele. - Mas você já ganhou tudo; meu tesouro, meu coração. Meu amor.

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elsa jade ( masters of the flame mating fever #01) dragon fever  
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