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Notícias do Mar

Náutica de Recreio

Marina de recreio de Olhão vai ser ampliada

Porto de Recreio de Olhão Ampliado para 500 lugares Com a previsão de 3,35 milhões de euros de investimento a Docapesca assinou no passado dia 16 de Junho o contrato de concessão da requalificação, modernização e exploração, em regime de serviço público, do porto de recreio de Olhão pelo período de 35 anos à empresa Verbos dos Cais, S.A., na presença da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino que salientou “uma intervenção que permitirá fazer deste porto uma referência, não só a nível regional, mas a nível nacional, na náutica de recreio”.

A

atual capacidade do porto de 299 lugares será inicialmente ampliada para

340, com a instalação de novos postos de amarração para embarcações ou a reconfiguração da tipo-

A espansão da marina vai ser também para poente. 2

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logia hoje existente. Posteriormente, serão atingidos os 500 postos de amarração com a instalação de mais três a cinco passadiços na zona Nascente, junto ao atual setor da pesca artesanal, e dragagem de fundos em toda a área de concessão. A área adjacente à doca, para Poente, de acesso ao plano de água e rampa varadouro, será afeta à construção de edifícios para serviços de apoio: serviços administrativos e de apoio náutico, oficinas, restauração

e comércio. Serão disponibilizados os seguintes serviços básicos: receção e despedida de embarcações, sistemas de elevação e transporte de embarcações, fornecimento de combustíveis, vigilância, dragagens de manutenção, sinalização marítima e instalação de rádio, redes de abastecimento de águas potáveis e residuais e de energia elétrica e de combate a incêndios, serviços de limpeza e recolha de resíduos e de primeiros socorros, esta-


Notícias do Mar

Olhão e as infraestruturas náuticas e porto de pesca

cionamento automóvel e instalações sanitárias públicas. O contrato de concessão assinado resulta de um concurso público que começou a ser preparado em julho de 2016, em estreita cooperação com a câmara municipal, e valorizou os serviços complementares e as medidas de sustentabilidade ambiental que garantam aos utilizadores o acesso às melhores práticas existentes nos portos de recreio europeus de referência. Salienta-se que o concurso foi inicialmente aberto em 2009 e desde então, quer porque foram detetados problemas legais quer devido ao longo processo de extinção do ex-IPTM, não tinha tido quaisquer desenvolvimentos. A expansão do Porto de Recreio e a deslocalização das embarcações da zona destinada à pesca local frente ao Jardim

Patrão Joaquim para dentro do Porto de Olhão chegou a ser defendida pelo presidente da Câmara de Olhão, mas o entendimento da Ministra é bem diferente “nunca poderia ser para todo o lado nascente porque a

tutela não autorizaria”, assegurou Ana Paula Vitorino, que fez a defesa da importância da pesca tradicional. Na primeira fase, a expansão será feita para nascente, mas na área já delimitada, que termina na

linha do Jardim Pescador Olhanense e começam os Mercados Municipais. Mais tarde, haverá uma nova expansão, mas para poente, já que, garantiram tanto a ministra como o representante da concessionária, não haverá cres-

Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino 2017 Agosto 368

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Notícias do Mar

Real Marina Hotel de Olhao numa situação privilegiada

cimento para o lado onde hoje se encontra o cais do Caíque Bom Sucesso Ministra do Mar destaca medidas recentes do Governo

A ministra do Mar destacou as medidas mais recentes do Governo no âmbito da náutica de recreio, nomeadamente, a criação da Comissão Instaladora dos Portos do Algarve e a aprova-

ção em Conselho de Ministros da proposta de lei que prevê a transferência para os municípios das competências em matéria de náutica de recreio e frentes ribeirinhas, sempre que manifestem

essa pretensão. Ana Paula Vitorino referiu ainda a nova legislação da náutica de recreio, visando a simplificação e agilização de procedimentos com o mesmo grau de segurança.

A marina de Olhao de 299 lugares vai passar para 500 4

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Notícias do Mar

Marina de Olhão

A nível nacional, o agrupamento “recreio, desporto, cultura e turismo” representa 35,5% do valor acrescentado bruto (VAB)

nacional do Mar, sendo ainda mais relevante no Algarve, estimando-se o seu peso em valores acima dos 50%.

As marinas e portos de recreio contam atualmente no Algarve com 3.891 amarrações, das quais 93,4% são da jurisdição

da Docapesca. Este número representa 30% do total nacional. A taxa de ocupação é elevada ao longo do ano (70%).

Zona da pesca artesanal também será requalificada 2017 Agosto 368

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Notícias do Mar

Economia do Mar

Olhão acolhe assinatura de protocolos para as ilhas-barreira Numa cerimónia que contou com a presença da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, e do Ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, no passado 27 de Julho, no.salão nobre do edifício dos Paços do Concelho de Olhão foram assinados dois protocolos de importância fundamental para as populações das ilhas-barreira

U

m protocolo de cooperação entre a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) e a Direção-Geral da Autoridade Marítima Nacional (AMN), referente à cedência a esta última da casa dos pilotos do Núcleo do Farol, para a instalação de um posto marítimo, para o desenvolvimento

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de atividades enquadradas no âmbito da missão desta entidade,instalando um posto marítimo no edifício e reforçando, assim, o policiamento na Ilha da Culatra A AMN disponibiliza-se para apoiar a APS na fiscalização dos usos e atividades na área de segurança portuária, assim como na deteção

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de construções ilegais, de obras realizadas durante a época balnear, de deposição ilegal de resíduos e de utilização abusiva de espaço. O outro foi um protocolo de cooperação entre a Docapesca – Portos e Lotas e o Município de Olhão, relativo à requalificação e valorização das três rampas de acesso a embarcações do porto de Olhão e que visa a requalificação e valorização das três rampas de acesso a embarcações localizadas no porto de Olhão, criando, assim, melhores condições de trabalho e segurança para os armadores, pescadores e demais utilizadores do porto, designadamente os fornecedores de perecíveis e outros materiais, que diariamente são transportados para as ilhas.

A obra, a executar pela Câmara Municipal, será de extrema importância para as comunidades piscatórias da região. “Na Ilha da Culatra há uma aldeia de pescadores onde vivem 500 pessoas. Na Ilha da Armona temos 900 casas e, no verão, estão lá cinco mil pessoas. Nos Hangares e no Farol podem estar mais duas ou três mil pessoas no verão. Este pequeno investimento tem uma importância extraordinária no dia-a-dia destas populações”, afirmou António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão, após a assinatura dos protocolos. Ambos os protocolos foram de imediato homologados pelos dois ministros presentes na cerimónia.


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Notícias do Mar

Economia do Mar

Cavala Recomendada para a Saúde

há com Fartura

A cavala que existe com abundância nas águas portuguesas é um peixe azul e gordo, altamente recomendado para uma dieta saudável e que os investigadores dizem ser rico em óleos essenciais, vitaminas e minerais, propriedades fundamentais para o nosso organismo

A

carne suculenta e a sua versatilidade tornam a cavala num peixe que desde longa data é muito apreciado pelos portugueses e chega até ao consumidor com um preço acessível. Como benefícios a cavala é muito boa principalmente para a saúde cardiovascular. A cavala reduz o colesterol e cuida do coração. As gorduras presentes neste peixe estão associadas a uma menor mortalidade por doenças cardiovasculares e a uma maior esperança de vida. Para além dos seus efeitos saudáveis sobre o sistema 8

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cardiovascular, os ácidos gordos ómega-3 também beneficiam o correcto funcionamento e desenvolvimento do cérebro, ajuda a combater a osteoporose, a artrite reumatóide e os problemas de tiróide. Há muitas maneias de comer a cavala, cosida, grelhada no carvão, no forno com azeite e alho, carpaccio, etc. A cavala tem uma taxa de crescimento elevada, podendo atingir 50 cm e viver até aos 13 anos. Nas águas portuguesas, esta espécie atinge os 20 cm logo no 1º ano de vida, atingindo o tamanho mínimo de captura. Atinge a maturidade entre o 1º e o 2º ano. A desova da cavala ocorre entre a primavera e o verão, a temperaturas entre os 15 e os 20 graus centígrados. A sua alimentação baseia-se em zooplâncton, cefalópodes, crustáceos e outros pequenos peixes pelágicos como a sardinha. Capturada em maioria pelas artes de cerco, a cavala serve também para alimentar os atuns em aquacultura. Em Sesimbra a ArtesanalPesca, Cooperativa de Armadores de Pesca Artesanal, recebe toda a cavala capturada pelos armadores associados e exporta a cavala para a aquacultuta e abastece o mercado nacional. A Docapesca, entidade responsável pelo serviço público da primeira venda de pescado nas lotas do continente português, desenvolve há alguns anos a campanha de promoção da cavala, visando maximizar a sua presença na restauração e no consumo doméstico. 2017 Agosto 368

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Notícias do Mar

Economia do mar

Baleias envenenadas no Dia Mundial dos Oceanos

No Dia Mundial dos Oceanos, enquanto a primeira conferência dos Oceanos da ONU aconteceu em Nova York (EUA), a WWF revelou novas evidências de contaminação com plástica em cetáceos no Mar Mediterrâneo, mostram como os oceanos estão em perigo em todos os mares do globo.

A

WWF, organização global de conservação, demonstrou através de pesquisas inovadoras, o impacto da

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poluição em consequência de plásticos no noroeste do Mediterrâneo. A WWF analisou biopsias de quase 100 mamíferos

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marinhos (3 espécies de baleias) que vivem no Santuário de Pelagos, a maior área protegida marinha do Mediterrâneo, localizada en-

tre a Itália, a França e a Ilha da Sardenha. Os resultados desta pesquisa fornecem uma indicação da extensão da poluição por plásticos além das fronteiras do santuário, em todo o mar Mediterrâneo. O Mar Mediterrâneo e os oceanos em geral são sufocados todos os dias por tintas, produtos cosméticos e sacos plásticos. A nossa sociedade produz toneladas de plástico com efeitos irreversíveis nos nossos oceanos. No Dia Mundial dos Oceanos, a WWF alertou os consumidores, a indústria, os governos e as cidades costeiras para que eliminem o uso de plástico e reciclem os seus resíduos. Saiba mais em www.wwf.pt


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Notícias do Mar

Economia do Mar

A Ministra do Mar “madrinha” da pradaria marinha da Culatra A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino presidiu no dia 19 de Julho ao ato de assinatura do contrato para adoção de pradaria marinha da Culatra, e lançamento do projeto “Por um Mar sem Lixo “ entre o Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve e a Associação de Moradores da Ilha da Culatra.

IlhaCulatra

A

convite da Associação de Moradores da Ilha da Culatra, a Ministra do Mar será a “madrinha” da prada-

ria marinha do Recovo/Ilha da Culatra. As pradarias marinhas são importantes por várias razões: libertam oxigénio e

fixam dióxido de carbono, estabilizam e fixam o sedimento, ou seja, estabilizam a dinâmica costeira (muito importante para a ilha da

Ministra do mar na ilha da Culatra 12

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Culatra) e são extraordinariamente importantes para a biodiversidade marinha (constam da lista prioritária de habitats da Diretiva “Habitats”), e neste caso em particular revestem-se de grande importância para os recursos pesqueiros porque providenciam a maternidade, o abrigo, o alimento a inúmeras espécies comerciais, como o choco, o polvo, a amêijoa, o sargo e salmonete, importantes para a comunidade piscatória da Ilha Culatra. Esta pradaria do Recovo já esteve praticamente desaparecida, uma vez que a zona servia de fundeadouro a inúmeras embarcações, uma das causas principais de declínio das pradarias, porque os ferros destroem os fundos e partem as plantas. Uma vez removidas as embarcações estão criadas condições para a sua recuperação. Foi igualmente lançada a iniciativa “A Pesca por um Mar sem Lixo”, um projeto promovido pela DOCAPESCA em parceria com os pescadores da comunidade da Culatra, a Associação de Moradores, a Câmara Municipal de Faro, a FAGAR e Associação Portuguesa do Lixo Marinho. O objetivo do projeto é a redução dos resíduos no mar através de adoção de boas práticas ambientais por parte dos pescadores, contribuindo também para


Notícias do Mar

Plantas superiores marinhas

dar um destino ambientalmente correto aos resíduos recolhidos no mar, privilegiando a sua reciclagem e valorização. Esta iniciativa teve um projeto piloto no Porto de Pesca de Peniche em 2016 que envolveu 8 entidades, 3 organizações de produtores, 66 embarcações e 419 pescadores tendo permitido

recolher 152 mil litros de plásticos e 195 mil litros de resíduos indiferenciados. Na Culatra, a Associação de Moradores da Ilha (AMIC) assinou um protocolo de colaboração com o CCMAR da Universidadedo Algarve para adopção de uma pradaria marinha. O projeto inicial: ADOPTE uma pradaria marinha foi assim

Pradaria marinha

revitalizado na Ilha onde é possível ver que as medidas de proteção das pradarias tem surtido um efeito muito positivo na recuperação das mesmas. Deste projeto fez ainda parte um concurso de desenhos levado a cabo por 30 crianças da escola da Ilha

da Culatra que participaram num projeto de sensibilização para a conservação das pradarias marinhas da Ria Formosa  e receberam prémios como pequenos cientistas e ilustradores de biodiversidade marinha atribuídos pelo Oceanário de Lisboa e o Aeroporto de Faro

IlhaCulatra 2017 Agosto 368

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Náutica

Teste Capelli Tempest 625 Easy Line com Yamaha F150G DBW

Texto e Fotografia Antero dos Santos

Desempenho Seguro e Nov

Testámos em Portimão no dia 27 de Julho o Capelli Tempest 625 Easy Line equipado com o novo Yamaha F150G com Drive-by-Wire, a recente tecnologia Yamaha que fornece nova resposta ao controlo do comando numa embarcação.

C

onvidou-nos para este teste a Sucursal em Portugal da Yamaha Motor Europe, que apoia14

da pelo seu Concessionário Porti Nauta do Grupo Angel Pilot, importador exclusivo dos barcos italianos Capelli.

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O Capelli Tempest 625 Easy Line é um semi-rígido da linha Rib da Capelli. Trata-se de uma embarcação da gama Easy Line

que oferece uma superpolivalência, sem necessidade de complicar a sua utilização, pois tem tudo o que é preciso num barco


Náutica

vas Respostas às Manobras

Capelli Tempest 625 Easy Line

à mão e de uso simples. Podemos dividir o Tempest 625 Easy Line em três áreas de funconamento, com a máxima oferta. Ao centro a consola de comando larga, com um alto pára-brisas protegido

por um seguro e forte corrimão em aço inox, que abriga bem o piloto. O piloto tem um banco duplo com o encosto amovível, podendo conduzir sentado ou em pé. A consola tem um compartimento para arrumação com uma

porta estanque. No painel de instrumentos encontrava-se o novo manómetro digital Yamaha CL7, para fornecer todas as informações do novo Yamaha F150G. À frente existe um banco na consola e junto á

proa um banco em V. Na hora dos piqueniques, pode-se instalar ao meio destes bancos uma mesa em madeira. Tirando a mesa todo o espaço fica num amplo solário. Atrás junto à popa fica um banco corrido. Como

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Náutica

Atingiram-se excelentes velocidades máximas

Consola de condução 16

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Náutica

o encosto do banco do piloto é amovível, o piloto ou outra pessoa podemse sentar virados para a popa, com o barco a andar, quando se pesca ao corrico. Par arrumação da palamenta ou guardar peixe existe um enorme porão à frente. Podese usar também o espaço sob o banco do piloto e do banco da popa. Espaço para arrumar equipamentos, cabos e defensas é coisa que não falta neste barco Este modelo tem um “Roll-Bar” em aço inox com as luzes de navegação e também um bimini, para quando parado é preciso resguardar do sol À proa está fixado sobre os tubos um enorme e forte cabeçote em fibra

Área à frente com mesa de piquenique

com uma roldana e um cunho de amarração para o cabo do ferro Uma das características

deste modelo é dispor de um casco com um V profundo que lhe garante bastante conforto a navegar.

Quanto aos flutuadores, são constuídos, em Neoprene/Hypalon da Orca, no melhor fabrican-

O motor montado foi o novo Yamaha F150G DBW 2017 Agosto 368

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Náutica

O casco tem um V profundo

te do mundo, com 1670 dtex. De salientar que os flutuadores são completamente colados por dentro ao convés e por fora ao casco, garantido perfeita

rigidez ao barco a navegar. Respostas rápidas do barco

Solário junto à proa 18

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ao novo Drive-by-Wire Foi interessante ensaiar o novo F150G com a recente tecnologia Dri-by-Wire, num semi-rigido, que é

por característica um barco mais leve que os de fibra e uma embarcação de resposta rápida às acelerações. Com um ligeiro toque

Banco do piloto e banco na popa


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Nรกutica

Porรฃo para levar aรงafates com peixe e guardar as almofadas, mesa e palamenta

O banco da popa tem pegas de seguranรงa 20

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Náutica

avante no comando e o barco saltou de imediato para a frente. As respostas do motor às manobras, com esta tecnologia, aumentam o prazer da condução e são um excelente factor de segurança, para qualquer tipo de manobra. Sente-se bem um maior domínio do conjunto.

Como o motor também dispõe de um forte binário, quando testámos o arranque, num barco que sai bem da água, em apenas 1,50 segundos já estávamos a planar e no teste de aceleração até às 5.000 rpm, em 5,25 segundos atingimos 31,7 nós de velocidade. No teste de velocidade

Motor Yamaha F150G DBW

E

O Capelli Tempest 625 Easy Line tem um desempenho muito confortável a navegar

O encosto do banco do piloto é amovível

ste motor é o de menor potência da Yamaha ao qual foi incorporada a mais recente tecnologia DBW, agora disponíveis até o 350 HP. O F150G, graças à fiabilidade desta nova tecnologia, tem um desempenho com excelente precisão na mudança de velocidades e fornecimento de potência sempre sob o controlo Drive-by-Wire (DBW). Para o utilizador a vantagem é uma maior facilidade de utilização, relativamente ao controlo e funcionamento da embarcação. O F150G tem 4 cilindros em linha, 16válvulas, design DOHC (Dupla árvore de cames), com 2.785 cm3 de cilindrada e comporta o sistema de Injeção eletrónica de combustível multiponto EFI. Tem o Sistema de Ignição por Microcomputador TCI Outra vantagem deste novo Yamaha é a compatibilidade total com o sistema digital em rede exclusivo da Yamaha que proporciona a disponibilidade de um impressionante conjunto de outras funções e opções de controlo, incluindo não só uma vasta gama de manómetros digitais claros e de fácil leitura (6Y8/6YC/6Y9 e o novo CL7, com o seu ecrã a cores de 7 polegadas), Importante também neste motor é dispor do sistema de VTS (velocidade de ajuste variável), muito útil porque proporciona uma velocidade em ralenti inferior ao normal, como também permite controlar a velocidade da embarcação em simples passos de ajuste de 50 rpm a partir de 650 e até 900, sendo ideal para pesca ao corrico ou para permanecer, dentro do limite de velocidade, em cursos de água ou marinas. O novo modelo também inclue um potente alternador de 50A para fornecer uma grande potência de reserva e para satisfazer as exigências dos atuais sistemas eletrónicos de bordo Está incorporado outro exclusivo Yamaha, o sistema de proteção antirroubo Y-COP.

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Náutica

O casco tem os planos de estabilidade laterais muito salientes

minima a planar, à 2.800 rpm o barco navegava a 11,7 nós, valor dentro das características da embarcação. Ensaiámos depois a velocidade máxima e atingimos 38,4 nós às 5.800 rpm. Uma performance extraordinária, dadas as condições da água, bastante mexida. Embalando mais o barco e noutro plano de água mais liso, o conjunto passa os 40 nós de certeza. É entre as 3.500 e as 4.500 rpm do motor que se encontram as velo-

cidades económicas de cruzeiro. Verificámos que às 3.500 rpm o barco navegava a 20/22 nós e às 4.000 rpm a 24/26 nós, imprimindo rápidas velocidades de cruzeiro. Nota importante a referir, foi a comodidade que o barco transmitiu a navegar, mesmo nas altas velocidades, sem incomodar nem molhar quem vai sentado no banco atrás. O piloto pode conduzir de pé apoiado no encosto amovível do banco, fazendo uma condução segura e cómoda.

Posto de comando com manómetros digitais do sistema em rede Yamaha 22

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Características Técnicas Comprimento

6,25 m

Boca

2,65 m

Diâmetro flutuadores

0,56 m

Peso

700 Kg

Lotação

12

Tela dos flutuadores

Neoprene Hypalon Orca 1670 dtex

Potência máxima

170 HP

Homologação CE

C

Motor no teste

Yamaha F150G DBW

Preço barco/motor

40.000 e + IVA

Performances Tempo para planar

1,50 segundos.

Aceleração às 5.000 rpm

31,7 nós em 5,25 segundos

Velocidade máxima

38,4 nós às 5800 rpm

Velocidade de cruzeiro

24/26 às 4.000 rpm

Velocidade mínima a planar

11,7 nós às 2.800 rpm

3.000 rpm

15,6 nós

3.500 rpm

20,5 nós

4.000 rpm

24,5 nós

4.500 rpm

27,9 nós

5.000 rpm

31,5 nós

5.500 rpm

35,5 nós

5.800 rpm

38,4 nós

Importadores e Distribuidor Porti Nauta Grupo Angel Pilot Complexo dos Estaleiros Navais, Lote E - 8400 - 278 Parchal – Lagoa - PortimãoEst Telm: 91 799 98 70 - info@angelpilot.com - www.angelpilot.com Yamaha Motor Europe N.V. Sucursal em Portugal Rua Cidade de Córdova, n.º 1 2610-038 Amadora Tel.: 21 47 22 100 www.yamaha-motor.pt


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Electrónica

Notícias Nautiradar

Proteja o seu Smartphone Onde Quer que Esteja

Nova Bolsa Trailproof Phone Case

A Aquapac, marca aclamada de mochilas, sacos e bolsas de proteção à prova de água, lançou uma nova bolsa à prova de água - TrailProof Phone Case 080, ideal para smartphones.

A

bolsa à prova de água TrailProof Phone Case 080 surge com um design inovador, super leve mas bastante robus-

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to e 100% à prova de água (padrão IPX7), graças ao seu sistema de fecho ziplock extremamente forte. Esta bolsa é fabricada com TPU resis-

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tente a raios UV e possui uma janela LENZFLEX oticamente nítida. A TrailProof Phone Case 080 é compatível com Apple iPhone 6s Plus / 7 Plus, Google Pixel SL, Samsung Galaxy Note ou quaisquer outros smartphones com dimensões semelhantes.

Funcionalidades: • Você será capaz de utilizar o seu Smartphone sem problema, sem perder qualidade de áudio e ao mesmo tempo, obter grandes fotos e vídeo • Não é apenas 100% impermeável – a bolsa TrailProof Phone Case 080 irá proteger o seu telefone contra pó, areia


Electrónica

e sujidade • Esta bolsa poderá adaptarse a vários modelos de Smartphones (ao contrário de uma bolsa rígida, a TrailProof Phone Case 080 não foi concebida para um dispositivo específico) • Tem 2 pontos de fixação - o

que significa que é fácil pendurar ou amarrar! • É fornecido com um mosquetão para anexá-lo à sua mochila ou ao seu cinto • É impermeabilizado de forma segura e permite submersão graças à sua vedação rápida e simples em ziplock

• As costuras são soldadas juntamente com ondas de rádio de alta frequência, criando uma ligação super forte • A janela LENZFLEX opticamente nítida é estabilizada contra UV (para que não fique amarela ao sol) e a bolsa estará ainda macia e funcional no frio extremo. Principais Características: Nível de Proteção de Água:

IPX7 Submersível – submersão até 30 minutos numa profundidade até 1 metro Cor: Preto Material: TPU com janela LENZFLEX opticamente nítida para lentes Peso: 50g Para mais informações sobre este novo produto da Aquapac, visite o site www.nautiradar.pt ou contacte diretamente através do 21 300 50 50.

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Electrónica

Notícias Nautiradar

Silentwind fornece “energia verde” à Volvo Ocean Race 2017 Desde 2014 que a Silentwind e a Volvo Ocean Race possuem uma relação bastante próxima. A menos de 100 dias para o início da competição, a marca informa que irá apoiar pela segunda vez, a Volvo Ocean Race com os seus Aerogeradores Silentwind.

Desta vez, o nosso Aerogerador irá estar também no estaleiro, fornecendo energia a vários serviços/equipamentos durante o evento. Por exemplo, o fornecimento de energia a um frigorífico” A parceria com a Silentwind está relacionada com o Programa de Sustentabilidade promovido pela Volvo Ocean Race. A Volvo Ocean Race lançou um enorme Programa de Sustentabilidade para a edição de 2017-2018 e além, delineando ao mesmo tempo um conjunto de compromissos focados na saúde dos Oceanos. Desde 1973 que a Volvo Ocean Race tem vindo a ser reconhecida como a 26

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maior competição de iates à volta do mundo. Tendo lugar a cada 3 anos, a edição de 2017-2018 terá o maior percurso da história, com 45.000 milhas náuticas, atravessando quatro Oceanos e passando por 12 cidades: Alicante, Lisboa, Cidade do Cabo, Melbourne, Hong Kong, Guangzhou, Auckland, Itajaí, Newport RI, Cardiff, Gotemburgo e Haia. A competição terá início no dia 22 de Outubro de 2017 em Alicante e terminará oito meses depois em Haia. Para informações sobre os aerogeradores Silentwind, visite o site www.nautiradar.pt ou contacte diretamente através do 21 300 50 50.


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Náutica

Teste Beneteau Antares 5.80 com Honda BF80

Texto e Fotografia Antero dos Santos

Económico Conjunto Pescador Testámos no passado 27 de Junho em Portimão, um novo pesqueiro da Beneteau, equipado com o Honda BF80, o modelo Antares 5.80 que mantém as características tradicionais da linha e os objectivos do estaleiro, desenvolver embarcações para todo o tipo de pescador.

O

convite para o teste foi feito pela GROW, importador para Portugal dos motores fora de borda Honda, e foi apoiado em Portimão pela Porti Nauta, empresa do Grupo Angel Pilot, concessionária dos barcos a motor Beneteau para o Algarve. A linha Antares da Bene28

teau, representa a gama de longa data criada pelo estaleiro para a pesca lúdica e desportiva e para o cruzeiro. Os Antares foram renovados regularmente ao longo dos anos para oferecer acessórios e equipamentos mais engenhosos para tornar a vida a bordo mais agradável. São barcos robustos, com cabina de pilotagem e

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com os cascos desenvolvidos para um bom desempenho no mar. Em virtude de muitos clientes deste mercado começarem a ter cada vez mais interesse pelos motores fora de borda, mais fáceis de usar, manter e mais económicos, o estaleiro desenvolveu já quatro modelos, para este tipo de motorização.

O maior, Antares 8.80 tem 8,91 m de comprimento, o Antares 8 OB com 8,23 m, o Antares 7OB tem 7,48 m e o Antares 5.80 comporta 5,70 m de comprimento. Beneteau Antares 5.80 É um barco clássico com cabina de pilotagem para pequenos cruzeiros e saí-


Náutica

A cabina de pilotagem tem uma porta de correr

Beneteau Antares 5.80

das de pesca no litoral. Este pesca/passeio é um barco seguro e bastante navegável, graças a um casco com um V bastante marcado à proa e evolutivo até ser semi-planante à popa, apoiado nos planos de estbilidade laterais bastante salientes. À proa o casco tem um perfil deflector. A cabina de pilotagem, com boa habitabilidade, tem uma excelente visibilidade, com um interior acolhedor e um nível de equipamento que oferece bastante confor-

to, tendo em conta um barco deste tamanho. Outra vantagem do barco é abrigar bem do vento e da chuva, com a cabina fechada pela porta de correr. O piloto tem um banco individual a estibordo e dispõe de uma janela lateral para arejamento. A bombordo exisem dois

bancos com uma mesa em madeira ao meio. O tecto tem uma escotilha para ventilar a cabina. Para pernoitar ou passar um fim-de-semana, à frente fica um camarote com um banco em V, convertível em cama de casal. Como a cabina é do tipo walkaround, do poço passa-

se facilmente para a proa. Aí fica um porão para o ferro e o cabo. Na proa está fixada uma roldana passa-cabos O poço, dependendo do tipo de pesca, tem espaço para quatro pescadores, dispondo de um porta canas de cada lado na popa para a pesca ao corrico. Para se sentar no poço, existe um

Cabina e compartimento para dormir à frente 2017 Agosto 368

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Náutica

O Beneteau Antares 5.80 é um barco robusto e seguro

madeira. Para guardar palamenta ou peixe existe ainda um grande porão no poço.

O motor montado foi o Honda BF80

Banco do piloto e bancos com mesa ao meio a bombordo 30

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banco corrido na popa com utilização a toda a largura do poço ou apenas no meio. Os cunhos de amarração da popa encontram-se fixados no interior, em cada uma das paredes do poço, com a correspondente abertura na borda para passagem dos cabos. Deste modo, durante a pesca não há a hipótese das linhas se prenderem nos cunhos. Na áltura dos piqueniques, ao centro do poço pode-se montar uma mesa em

O Beneteau Antares 5.8 mostrou segurança e conforto No mar navega-se com a velocidade que o mar deixar. Quando se procura chegar a um pesqueiro, a hora de chegada depende sempre das condições que se encontram no mar e do comprimento do barco que se comanda. Se o mar não permitir colocar o barco a uma velocidade de planar, mais vale ficar em terra e escolher outo dia para a pescaria. No dia do teste, fora da barra de Portimão o mar estava ligeiramente agitado do vento. Colocámos o barco a planar em 3,27 segundos e depois medimos qual a velocidade mínima a planar, a partir da qual se pode iniciar uma viagem. O mínimo foi de 9,6 nós às 3.500 rpm.


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Náutica

Motor Honda BF80 O

motor Honda BF80 exibe baixo peso e apresenta um design compacto e elegante. Incorpora as mais fiáveis tecnologias exclusivas e avançadas, sobejamente comprovadas e também as mais recentes que têm sido introduzidas nos motores da Honda, com as quais oferece óptimos níveis de performance com os mais baixos consumos. O motor tem 4 cilindros em linha, com 16 válvulas SOHC e 1.496 cm3 de cilindrada. As principais tecnologias introduzidas são: BLAST, binário aumentado a baixa rotação é uma revolucionária e exclusiva tecnologia da Honda que ajusta a relação ar/combustível e o ponto de ignição para aumentar a potência e o binário do motor. Isto resulta numa explosiva aceleração, de forma a obter rápida planagem do casco da embarcação. ECOmo é outra importante tecnologia, de economia controlada do motor que faz o controlo de combustão pobre, patenteada pela Honda. Recorre a sensores para monitorizar a relação ar/combustível em modo de velocidade de cruzeiro, ajustando-a de forma a obter uma óptima economia de combustível. Combinado com a exclusiva tecnologia PGM-Fi, injecção programada de combustível, o resultado é uma elevada eficiência do combustível com baixas emissões. Trolling Control é uma nova tecnologia de controlo de rotação a baixa velocidade. Com este sistema pode-se navegar devagar, para entrar num porto ou numa marina e controlar a pesca ao corrico com ajustes automáticos de 50 rpm, Ligação NMEA 2000 permite o motor ficar totalmente compatível com as normas NMEA 2000, simplificando a ligação a outros dispositivos compatíveis com esta norma, disponibilizando todas as informações vitais do motor ao utilizador. Estes novos instrumentos possuem o indicador “Eco Light” exclusivo da Honda, que informa quando o motor está em modo ECOmo, portanto, na sua maior eficiência de combustível. Graças à compatibilidade com a ligação NMEA 2000, o cliente poderá instalar uma grande diversidade de equipamento electrónico sofisticado, tal como sistemas de GPS, chart plotters e sonares.

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Às


s 4.500 rpm fizemos em velocidade de cruzeiro 18/20 nós

Náutica

O Casco tem uma boa defleção à proa

No poço pode-se montar uma mesa

Com muita estabilidade a curvar o barco não adorna

Nesse dia vimos que podiamos procurar um pesqueiro até uma velocidade de cruzeiro com um consumo económico dentro do limite do sistema ECOmo do motor, que é de 4.500 rpm e fizemos 18/20 nós de velocidade. Com mais conforto, navegámos às 4.000 rpm à velocidade de 12/14 nós, o suficiente para sair com o Antares 5.8 para a pesca. Como não conseguimos acelerar com este barco mais no mar, por questões de segurança e conforto, conseguimos estabelecer a velocidade máxima, dentro do porto, ao abrigo do molhe e com a água mais parada. Assim nessas condições atingimos os 24,2 nós às 5.200 rpm. O estaleiro estabeleceu

Compartimento com cama

Banco à popa 2017 Agosto 368

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Náutica

O casco tem as características clássicas dos Beneteau Antares

como limite de potência 100 HP. Devido às características do Honda BF80, com os sistemas BLAST e principalmente com o ECOmo, para economizar no consumo e o

Trolling Control, para o corrico, permite afirmar que se trata de um motor que forma com o Antares 5.80 um conjunto perfeitamente adequado e muito económico.

Características Técnicas Comprimento total

5,70 m

Comprimento do casco

5,51 m

Boca

2,40 m

Peso

1.150 Kg

Calado

0,30/0,60 m

Depósito combustível

100 L

Depósito água doce

20 L

Potência máxima

100 HP

Motor do teste

Honda BF80

Certificação CE

C6/D6

Preço barco/motor

27.548€ + IVA

Performances

Cunho de amarração da popa 34

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Tempo para planar

3,27 seg.

Velocidade máxima

24,2 nós às 5.200 rpm

Velocidade de cruzeiro

18/20 nós às 4.500 rpm

Velocidade mínima a planar

9,6 nós às 3.500 rpm

4.000 rpm

12,5 nós

4.500 rpm

19,4 nós

5.000 rpm

23,3 nós

5.200 rpm

24,2 nós

Importador e Concessionário: GROW Produtos de Força Portugal Rua Fontes Pereira de Melo, 16 Abrunheira, 2714 – 506 Sintra Telefone: 219 155 300 geral@grow.com.pt www.honda.pt Porti Nauta Grupo Angel Pilot Complexo dos Estaleiros Navais, Lote E - 8400 - 278 Parchal – PortimãoEst Telm: 91 799 98 70 - info@angelpilot.com - www.angelpilot.com


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Notícias do Mar

Tagus Vivan

Crónica:Carlos Salgado

Com os Olhos no Futuro… Olhar o presente com os olhos postos no futuro é objectivamente a orientação que o Congresso do Tejo III está determinado a seguir, com o objectivo de obter os resultados almejados, evento este, cujo programa temático está a ser preparado desde o ano de 2015 pela mão da Tagus Vivan, a Confraria Cultural do Tejo Vivo e Vivido, fundada em 2012, para ser a legítima continuadora da obra de 25 anos da Associação dos Amigos do Tejo

C

om efeito, é a partir de um olhar amplo das circunstâncias do presente que se conseguem obter resultados positivos para conseguir-se objectivamente, com pragmatismo e saber, encontrar soluções realistas e exequíveis para apontar os caminhos a seguir para a construção mais sólida de um futuro sustentável e sustentado do nosso maior rio, ou seja, Mais Tejo – Mais Futuro, um desígnio nacional assumido, que é a palavra de ordem deste Congresso. Essas soluções têm como principal objectivo conseguir resolver os problemas do presente e apontar os caminhos para a exigível mudança, para que, quem de direito tenha a consciência, a coragem e a visão de optar por seguir as estratégias que conduzam à tomada das medidas, que legisladas com rigor e competência, consigam obter os resultados mais eficazes para podermos legar um Tejo vivo e vivido, gerador de vida e de riqueza, às gerações vindouras. A Tagus Vivan, na qualidade de promotora deste Congresso, teve o cuidado de estrategicamente promover a realização prévia de um Ciclo de cinco Conferências Regionais preparatórias, com o prin36

cipal objectivo de conseguir que o próximo Congresso do Tejo, o terceiro, seja um verdadeiro marco da mudança efectiva para o futuro do nosso Tejo, para o que optou por desenhar e promover a realização de um CCR - Ciclo de Conferências Regionais preparatórias para conhecer e entender a realidade actual das insuficiências do Rio, por um lado, e das potencialidades por outro, de cada uma das regiões em que o Rio está dividido, a partir de jusante para montante: do Estuário, da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo, do Alto Tejo e Tejo Internacional, e a da Navegabilidade no corredor fluvial até à fronteira, ciclo este que foi materializado com êxito, com a colaboração de parceiros, com destaque para os municípios ribeirinhos de Vila Franca de Xira, Benavente, Vila Nova da Barquinha, Vila Velha de Ródão, e outras entidade públicas e privadas ligadas ao Tejo como a CIMTEJO e as associações dos Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, e das cívicas, Pró-Tejo e Estudos do Alto Tejo, conferências essas cujas conclusões foram sendo relatadas com destaque no jornal Notícias do Mar, nosso dedicado arauto e fiel parceiro. Entendemos portanto, que nes-

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ta altura em que se está a ultimar o upgrade do programa temático do Congresso do Tejo III, com a duração de dois dias, cuja realização está prevista para a segunda quinzena de Novembro próximo, em Lisboa, com o apoio logístico de um parceiro emblemático, a designar oportunamente, consideramos de particular interesse apresentar na presente crónica, para que uns recordem e outros conheçam, uma síntese do resultado dos trabalhos de cada uma das cinco conferências do CCR, que serviram para extrair as matérias substantivas em que a elaboração do programa temático do evento se vai basear, destacando os pontos mais relevantes dos relatórios efectuados pelos relatores da Tagus Vivan e do futuro Congresso, João Soromenho Rocha e Miguel de Azevedo Coutinho: 1.ª Conferência Navegabilidade no Tejo, no auditório da Fábrica das Palavras em Vila Franca de Xira, com o apoio logístico da câmara local, no dia 19 de Novembro de 2015. Esta conferência da navegabilidade no Tejo foi dedicada genericamente à análise dos vários tipos de navegação com os objectivos da pesca, transporte de

pessoas, lazer, turismo e comercial, tendo sido apresentado um desafio ao poder político, aos empreendedores e aos operadores turísticos, a que se seguiu a descrição da situação actual da náutica de recreio no estuário do Tejo e foram apresentadas algumas propostas para melhorar os acessos das embarcações à água, que servem também de acesso das embarcações a terra. Foi apresentado o trabalho desenvolvido nas últimas décadas e as acções para manter viva a arte da navegação, nas suas várias facetas. Seguiu-se a abordagem ao enquadramento e condicionantes da navegabilidade no Tejo, que teve como objectivo a explicitação dos conhecimentos essenciais sobre um rio para poder ser enunciada e preparada a possibilidade da sua navegabilidade, a gestão do leito móvel, do caudal de navegação, da monitorização hidráulica, e a informação sobre a variação de caudais em tempo real, a implementação de um canal de navegação com a garantia de confiança, bem como as ajudas à navegação, a gestão do tráfego e a regulamentação da navegação. A segunda parte desta con-


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ferência destinada à viabilidade e cenários da navegabilidade, onde foram recordados os antecedentes da navegabilidade no rio Tejo, a enquadrar o respectivo hinterland, e a capacidade de geração de tráfegos, a apresentar aspectos e particularidades de um projecto de canal e infraestruturas da navegação, adopção de tipologias de frotas e a enunciar incentivos ao turismo e à navegação de recreio. Foram referidas as motivações e particularidades da navegabilidade no contexto dos principais eixos e da ocupação urbana do território, e as potencialidades para a construção de um moderno sistema de transportes, apoiado na intermodalidade. Para além disso foram referidos os principais aspectos técnicos colocados ao projecto da navegabilidade e condicionamentos, tanto em termos da necessária infraestrutura, como das classes de navios ou outras embarcações. Foram também enquadradas nesta conferência as “ unidades de paisagem “ do corredor fluvial do Tejo, como meio de separação e da união entre o Norte e o Sul do país e foi dado a conhecer o

estabelecimento de um Observatório da Paisagem ligado à Candidatura do Tejo a Património da Humanidade, e também foi feita a referência à importância das galerias ripícolas nos ecossistemas fluviais, e a chamada da atenção para os impactes da navegação nos valores naturais. 2.ª Conferência “ A Lezíria do Tejo”, no auditório do Palácio do Infantado em Samora Correia, no dia 17 de Maio de 2016. A conferência foi realizada em parceria da Tagus Vivan com a Associação dos Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX), com o apoio logístico da Câmara Municipal de Benavente. Começou por ser feita referência à disponibilidade e à qualidade da água captada no rio Tejo, na tomada da Valada, destinada ao sistema de abastecimento da EPAL, a evolução dos volumes de água captados, os escoamentos anuais do rio Tejo, medidos na barragem do Fratel, e nas estações hidrométricas do Tramagal e em Almourol, os caudais diários do Tejo nas secção de Almourol, o armazenamento

de água na bacia do Tejo, com a dominância da albufeira da barragem de Castelo do Bode. Os níveis médios anuais, máximos e mínimos, do rio Tejo na secção da Valada, devido ao problema de assoreamento junto à captação da água, foi necessário construir um esporão na margem oposta do rio, para garantir o permanente desassoreamento na captação de água. Foi apresentado o sistema de monitorização da qualidade da água no rio Tejo, gerido pela EPAL, incluindo os objectivos, os locais de amostragem, o tipo de monitorização e a evolução da qualidade de água nos últimos anos. Os locais de amostragem, além de junto à captação, incluem cinco pontos a montante e um ponto a jusante, na Vala do Carregado, por causa da salinidade, bem como nas albufeiras de Castelo do Bode, Bouçã e Cabril. Foi feita uma síntese da evolução da qualidade da água do rio Tejo nos últimos cinco anos, e a classificação do estado ecológico deu na fronteira do “Bom estado” para o “Estado razoável”. Passou-se ao Aproveitamento hidroagrícola da Lezíria Grande, a cargo da Associação dos Be-

neficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira que cobre uma vasta zona agrícola limitada pelos rios Tejo, Risco e Sorraia, formando literalmente uma ilha. A adução de água para rega é maioritariamente por gravidade, como também a distribuição, e parcialmente sob pressão. A ocupação das culturas tem evoluído, principalmente entre 2005 e 2015, passando de milho, arroz e tomate, para arroz, tomate e milho. Por exemplo, o arroz passou de 1240 ha para 4083 ha, passando o total de 5.312 ha para 8.825 ha. É grande a preocupação manifestada pela ABLGVFX, devido ao facto de estar a verificar-se que o caudal de água doce do rio proveniente de montante, por estar a diminuir, possibilita que a cunha salina vinda de jusante suba cada vez mais. As seguintes apresentações debruçaram-se sobre a indústria Agro-alimentar, as políticas de desenvolvimento, e o turismo. A Sugal é hoje um grupo internacional no âmbito da indústria mundial do tomate e evidenciou a aposta na qualidade e na competitividade da empresa, que é uma das líderes mundiais do sector. Foram evidenciadas as capa-

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cidades e potencialidades desta região das Lezírias do Tejo para a produção de tomate fresco, que conquistou um lugar significativo nas lideranças das cadeias de valor deste negócio. Relativamente às Políticas de Desenvolvimento, foi colocada grande ênfase em aspectos da sustentabilidade e da inovação devido à evolução que tem-se vindo a observar no rio Tejo, particularmente nas últimas cinco décadas, e foi evidenciada a resiliência do ecossistema, devendo-se considerar os diferentes “terroirs” disponíveis para os diferentes usos agrícolas e os “vários” Tejos com autenticidades próprias, passiveis de serem disfrutados. Foi realçada ainda a problemática da conservação e valorização do rio Tejo como importante “Infraestrutura Verde” nacional. Para terminar foi feita uma abordagem ao “ Turismo e o Tejo – um desafio”. (TagusNatur) porque o rio Tejo tem todas as capacidades para constituir uma oferta integrada com os mais diversos conteúdos de serviço “global”, pela diversidade e múltiplas facetas de turismo que são e podem ser oferecidas pela região e pelo seu povo, que podem competir com toda a ofer38

ta disponível na Europa. Todavia, pôs-se ênfase em que esta oferta se deve pautar por critérios de qualidade e que é importante estabelecer uma certificação da Marca. 3.ª Conferência A Sustentabilidade do Rio, no auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, com o apoio logístico da Câmara Municipal local, no dia 7 de Julho de 2016. Esta Conferência foi realizada em parceria da Tagus Vivan com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e a pró-Tejo, Movimento Pelo Tejo. Embora o Rio propriamente dito seja tutelado por um organismo nacional, as margens e os terrenos inundáveis, são tutelados pelas autarquias. Actualmente, essa tutela autárquica é ampliada também para uma entidade regional, as Comunidades Intermunicipais, sem esquecer as Comissões de Coordenação do Desenvolvimento Regional. Nas apresentações, os aspectos comuns aos três municípios foram, no entanto, os que dizem respeito à tutela de outras entidades, à garantia da água no rio Tejo, à qualidade da água, à exis-

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tência de caudais ecológicos e à poluição, e foram também referidos alguns casos pontuais, como o açude de Abrantes, o travessão do Pego, a poluição gerada por alguns estabelecimentos fabris, as regras de exploração de albufeiras portuguesas e espanholas, e a Central Nuclear de Almaraz. A descrição dos aspectos comuns e dos casos pontuais permite verificar que, na sua maioria, as questões dominantes não são da tutela directa das autarquias. Relativamente à EDP, responsável pela produção da energia hídrica das barragens da Bacia Hidrográfica do Tejo e não só, porque a produção em Portugal está dividida em três centros, sendo o do Tejo – Mondego, o segundo em importância, a seguir ao Douro. No sistema Tejo e afluentes, em Portugal, destaca-se a barragem de Castelo de Bode, no rio Zêzere, muito maior do que a do Fratel, e a de Belver, estando o fio de água dos quais, totalmente dependente dos aproveitamentos espanhóis de Alcântara e Cedillo. É bom saber que a produção hídrica é essencial para garantir a produção eólica, além de que é também essencial para adequar a produção à varia-

ção do consumo durante todo o dia, sendo que em tempo real, toda a informação obtida em Portugal, necessária à produção de energia e ao controlo de descargas de caudais nas albufeiras, é complementada com a informação (dependência) obtida nos aproveitamentos espanhóis de Alcântara e Cedillo. Cabe à Protecção Civil fazer a gestão do risco hidrológico, e a segurança de barragens tem como finalidade prevenir os riscos colectivos, atenuar os seus efeitos e proteger e socorrer as pessoas e bens. A sua aplicação aos rios é mais marcante na ocorrência das cheias, que originam as inundações, em que a APA é a instituição central, em articulação com as entidades gestoras das barragens em Portugal, a EDP, e os agentes de protecção civil, divididos em municipais, distritais e nacional. É essencial, nas ocorrência de eventos extremos, ter uma vigilância permanente, realização de reuniões conjuntas e tomadas de decisão, que incluem os avisos e alertas à população. Foi mencionada a situação relativa à Convenção de Albufeira, referindo-se às três reuniões


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da Conferência das Partes de 2005, 2008 e 2015, para além de 18 reuniões plenárias das armazenagens da Comissão para a Ampliação e Desenvolvimento da Convenção. Foram prestadas as informações relativas às afluências de caudais de Espanha a aos correspondentes regimes de caudais mínimos e ecológicos e os mecanismos para o planeamento da bacia hidrográfica do rio Tejo, de Portugal e Espanha, nomeadamente no respeitante a massas de água fronteiriças e transfronteiriças. Foi salientada a dificuldade do estabelecimento de um regime de caudais com a Espanha, por o caudal ecológico não estar contemplado no direito internacional, e pela complexidade da sua quantificação, porque mesmo no quadro Europeu e na Directiva Quadro da Água, não existe a sua clara definição, e que só indirectamente se poderá associar o conceito de caudal ambiental, para atingir um bom estado ecológico das massas de água. Por outro lado, foi salientada a oportunidade da Directiva Quadro da Água ao impor a obrigatoriedade de se atingir um bom estado ecológico das mas-

sas de água até ao ano de 2015, prorrogável até 2021 e 2027. Foi referida também a necessidade da existência de um Plano Único de Gestão para a bacia ibérica do Tejo, e foram também referidos, e recordados, o transvase TajoSegura e o receio do possível aumento das transferências da água do Tejo em Espanha, razão pela qual essas águas não chegam a Portugal, para além da falta de coordenação, que controle o equilíbrio das armazenagens e das descargas das águas das albufeiras das inúmeras barragens com grande capacidade, que existem em Espanha, para garantir os caudais ecológicos e da adaptação às alterações climáticas. 4.ª Conferência O Alto Tejo Português e o Tejo Internacional, no auditório da Casa das Artes e Cultura de Vila Velha de Ródão, dia 12 de Outubro de 2016. Esta Conferência Regional preparatória do Congresso do Tejo III,foi realizada em parceria da Tagus Vivan com a Associação de Estudos do Alto Tejo e a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão.

Começou por ser enunciado o papel da arquitectura no processo de reinterpretação do Vale do Tejo, no território do Alto Tejo português, do qual foi destacada a valorização e musealização da estação arqueológica da Foz do Enxarrique, entre outros, e uma análise reflexiva com conclusões transversais. Foram também apresentadas algumas definições como percurso turístico o Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, Geopark Mundial da Unesco, no Tejo Internacional. Uma série de cartas geológicas peninsulares, e do Nordeste Alentejano, foram apresentadas para mostrar as suas relações com a distribuição do megalítico europeu, no distrito de Portalegre, que se enquadra no território de “Entre o Tejo e a Serra de São Mamede, nas fronteiras do 6.º milénio a. C. ao tratado de Alcañices”. A presença humana antiga do Alto Tejo português e a importância internacional e valorização pública, foi apresentada como uma viagem “em voo de pássaro” no percurso do AltoTejo, Médio Tejo, Baixo Tejo e Tejo estuarino, desde há mais de 300.000 anos até menos de 5.000 anos. A ocupação humana na região

de Vila Velha de Ródão existe durante o paleolítico inferior, onde se formaram as Portas de Ródão, património arqueológico do Alto Tejo Português e do Tejo Internacional, diversidade e valor, sobre o que foi feita uma apresentação extensiva com mapas, entre a confluência dos rios Erges a montante e o Ocreza a jusante, considerando ainda os rios Ponsul e Sever, mostrando as ocupações paleolíticas, proto-históricas e romana nas duas margens, com minerações auríferas a céu aberto. Na segunda parte dos trabalhos foram abordados os temas “Usos múltiplos do Rio”, a “Economia associada ao Rio”e a “Paisagem Cultural do Tejo – Memorial da Humanidade”: Foram enunciados os aspectos ligados ao rio Tejo na zona de Vila Velha de Ródão, dando conta da experiência da promoção de actividades turísticas a partir das capacidades potenciadoras de desenvolvimento, e a existência de inúmeras possibilidades de oferta sustentável, dando o exemplo de parceiros e de formas de captação de turistas em programas já desenvolvidos, designadamente com a CP.

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Notícias do Mar

Pela parte da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, esta edilidade está empenhada no desenvolvimento de políticas económicas de investimento em infra-estruturas públicas dirigidas para o fortalecimento da coesão social e da protecção da natureza, centradas no apoio a actores privilegiados, nomeadamente nos aspectos relacionados com a valorização do monumento geológico das Portas de Ródão, da paisagem e de actividades de lazer e turismo, desenvolvidos na frente ribeirinha. Por último, foi estabelecido o enquadramento no âmbito do projecto da Associação Tagus Universalis, da inscrição da Paisagem Cultural do Tejo português na lista de património da Unesco, evidenciando o valor universal excepcional da paisagem, que advém da sua presença dominante, que se evidencia num continuum em toda a extensão geográfica, e através do tempo, desde a Pré-história, por intermédio da extraordinária multiplicidade de manifestações interactivas com o Homem, e da impressiva diversidade de valores culturais e naturais associados.

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5.ª Conferência O Estuário do Tejo, no auditório da Fábrica das Palavras em Vila Franca de Xira, no dia 16 de Fevereiro de 2017, organização da Tagus Vivan com o apoio logístico da Câmara Municipal local. A primeira comunicação foi iniciada por um enquadramento que incluiu a morfologia do Rio e factores forçadores, a distribuição sedimentar e cartografia do leito aluvionar, as margens estuarinas, os eventos extremos e a plataforma integrada para a gestão do risco de inundação, MOLINES WEB. Os estuários são um dos ecossistemas mais produtivos do planeta e a maioria das cidades mais populosas do mundo estão localizadas nos estuários, sendo também este o caso de Lisboa. A maré, a agitação marítima, a pressão atmosférica, o vento e o caudal fluvial são factores que controlam o escoamento no estuário do Tejo, que se desenvolve pelo rio acima por 80 km até Muge. A cartografia do leito é essencial, revelando que além da parte sempre submersa, 60%, predominam ainda o raso de maré, o sapal e as ocupações

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antrópicas. As margens, com grande ocupação humana, são susceptíveis à acção directa das correntes e ondas, bem como da inundação em eventos históricos, e a modelação numérica e sua validação permitiram criar a plataforma Web Molines, para gerir a perigosidade crítica na baía do Seixal. Esta plataforma tem acesso centralizado a produtos de planeamento e emergência, sistema de alerta e sistema de previsão em tempo real. A comunicação seguinte abordou a Construção Naval e a actividade marítimo-turística, que foi apoiada por um vídeo sobre a recuperação do barco Varino “Boa Viagem” da Câmara Municipal da Moita no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos, na Moita, e foi enfatizado o facto da actividade de construção naval ser cada vez menos sustentável, quer porque o mercado e a mão-de-obra são escassos, quer porque a legislação e as entidades responsáveis são inibidoras da actividade. Seguiu-se uma comunicação sobre a Náutica de Recreio onde foi referida a quase inexistência de locais de acesso de embarcações ao plano de água do estu-

ário, sem a qual não é possível desenvolver esta actividade. As poucas marinas não apresentam acessos à água para todo o tipo de embarcações, e as poucas rampas de acesso, ou apresentam acessos terrestres deficientes, ou estão mal concebidas ou estão em mau estado. Só uma política concertada de desenvolvimento das infraestruturas de apoio permitirá aproveitar a grandiosidade do estuário para a náutica de recreio. Seguidamente foi demonstrada, ou seja, recordada, quando no grande estuário, até Azambuja, Salvaterra de Magos ou Valada, a náutica de recreio, com destaque para a Vela, o Tejo era um “Rio Vivo e Vivido”, nomeadamente através do tradicional Cruzeiro do Tejo, uma regata de dois dias, com a subida e a descida do rio, que foi apoiado por um vídeo de uma destas regatas nos anos oitenta do século passado, com a participação de ca. 400 embarcações, que movimentou para cima de um milhar de pessoas, no conjunto das tripulações e dos acompanhantes, familiares e amigos, cruzeiro este que está quase extinto, devido à falta de


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dinâmica dos clubes náuticos, e por falta de dirigentes à altura. O tema sobre o Turismo na região do grande Estuário, deu continuidade aos trabalhos, tendo sido expostas as possibilidades de desenvolvimento do turismo na região, que são potenciadas pelas características únicas deste estuário e do território adjacente. Seguiu-se o tema “O Ambiente e a Biodiversidade do Estuário” com uma ampla apresentação baseada na experiência do comunicador, e de vivência da realidade biológica e ambiental do meio aquático, da flora marginal e dos sapais, explicando a importância deste estuário na manutenção de muitas espécies aquáticas e avícolas, e suas migrações intercontinentais. A última, comunicação foi dedicada à “Aproximação ao Rio, o Porto de Vila Franca de Xira e o Turismo, tendo sido feito um enquadramento físico e apresentadas algumas referências históricas, focando os quatro eixos fundamentais para o desenvolvimento sustentável do turismo: a) a promoção do turismo no rio Tejo e na Região de Lisboa, atraindo turistas e visitantes, e

a valorizando das zonas ribeirinhas; b) o aproveitamento de polos de atracção turística que promovam a visibilidade e vivência do Tejo, e o crescimento económico e valorização da Região; c) a afirmação turística de uma zona com grande potencial nos sectores dos vinhos e gastronomia, no turismo da natureza e de actividades de ar livre, com definição de estratégias concertadas com todos os agentes e d) o turismo e o lazer, associados à pesca desportiva e às praias fluviais, que deverão constituir uma aposta forte ao nível da sustentação do crescimento económico. Seguidamente foi abordado o tema “O Porto de Lisboa e o Futuro; Uma metrópole, duas margens” a partir de uma breve referência às actividades conduzidas pelo Porto de Lisboa, designadamente o ciclo de debates sobre o tema “O Futuro Faz-se Hoje” e do valor dado ao seu desenvolvimento e dinâmica. Foram mencionadas a dinâmica actual do Turismo Marítimo e do projecto do novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa (de autoria do Arq. Carrilho da Graça), para dar resposta à procura do

mercado mundial, bem como ao desenvolvimento da Náutica de Recreio. Apresentaram-se aspectos de inovação na relação entre o porto e a Cidade de Lisboa com vista a implementar uma solução multimodal para o terminal de contentores de Alcântara, libertando a cidade do importante tráfego rodoviário de camiões por trasfega por barcaças para o Cais Fluvial de Castanheira do Ribatejo (que se encontra em projecto). Com esta solução o percurso rodoviário de 54 km será substituído por um percurso fluvial de 41 km, em barcaças com a capacidade de 99 TEU, com operações 365 dias/ano e navegação de 24 h (cada barcaça corresponde a cerca de 70 camiões). Seguiu-se a apresentação de “Uma metrópole, duas margens: o efeito do estuário na AML”, que se debruçou sobre aspectos do passado, presente e futuro, com particular atenção no efeito que as travessias têm na dinâmica do envolvimento do estuário e das suas repercussões na Área Metropolitana de Lisboa; a AML, representando actualmente cerca de um quarto da popula-

ção do País, apresenta, em torno do estuário, uma atractividade acrescida da região, que a situa como “motor económico do País”. Os fluxos entre margens que por volta de 1970 se cifravam em cerca de 20.000 veículos e 100.000 passageiros (trafego fluvial) diários, ultrapassavam, diariamente em 2015, cerca de 200.000 veículos (duas pontes), 50.000 passageiros no comboio e cerca de 43.000 (tráfego fluvial). É evidente que durante estas conferências outros casos, acontecimentos, aspectos e factos importantes, como o da poluição no rio Tejo, que tem estado a recrudescer nos últimos anos, não foram ignorados, mas a Tagus Vivan, não obstante, foi acompanhando de perto a evolução do trabalho da Comissão de Acompanhamento da Poluição no rio Tejo, empossada pelo Ministro do Ambiente, que ultrapassou largamente o prazo para chegar às conclusões para que foi mandatada, o que leva a crer que encontrou mais dificuldades e detectou mais casos de infracção do que era suposto à partida.

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Electrónica

Notícias Nautel

Nova Sonda de Pesca FURUNO modelo FCV-288

A FURUNO apresenta ao mercado a sua nova série de sondas de pesca profissional, FCV-288, que se junta assim à sua já muito extensa gama para o mercado profissional.

E

sta nova sonda de pesca FURUNO FCV-288, procura ocupar um lugar de solução mais económica para aqueles que querem uma imagen de sonda num ecrã maior, dadas as características da 42

sua embarcação ou tipo de atividade, Indo ao encontro disto a sonda FURUNO FCV288 vem com um ecrã a côres LCD de 10,4 polegadas, e é similar à sonda FCV-295. Ao mesmo tempo que esta, também tem

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3 potência de saídas selecionáveis entre 1, 2 ou 3kW. As frequências de trabalho são 50 e/ou 200Khz, com diferentes modos de apresentação : frequência única (alta ou baixa), frequência dupla, expansão de fundo, modo lupa e dados

de navegação . Existe uma grande variedade de transdutores compatíveis com esta nova sonda, tanto para instalações de raíz, como para “retrofit”/mudança da sonda, mantendo os transdutores já instalados a bordo.


Electrónica

Quanto à sua funcionalidade, a nova sonda FURUNO FCV-288 destaca-se pela sua simplicidade de operação o que a converte numa ferramenta de trabalho indispensável para os pescadores profissionais. Dispõe da tecnologia de Filtro Digital FURUNO, que optimiza o ganho com o objetivo de obter imagens claras das condições subaquáticas . Esta tecnologia, exclusiva da FURUNO elimina o ruído e oferece uma visualização nítida do eco, reforçando-se a deteção do pescado, incluindo peixes individuais, com absoluta claridade. Para ajudar na deteção de peixe junto ao fundo, a sonda FURUNO FCV-288 dispõe de duas funções: Linha Branca e Bordejamento branco (White Line/White Edge). Enquanto a linha branca se aplica aos ecos mais fortes permitindo determinar a composição do fundo, o Bordejamento

delimita o contorno de fundo, facilitando uma melhor discriminação do peixe de fundo. Para mais, a sonda dispõe de uma função denominada “Marcador Branco” /White Marker, que permitirá alterar uma das côres da apresentação pa a côr branca, o que permitirá enfatizar os ecos com uma intensidade determinada, ajudando na identificação dos mesmos. Por último, destaca-se o Controlo de Ganho Retroactivo, pelo qual as alterações realizadas no valor do ganho se aplicam não só aos ecos novos, como também ao resto dos ecos presentes na imagem,

podendo-se comparar os ecos presentes com diferentes condições de ganho, ajudando à determinação do ajus-

te de ganho adequado para cada condição particular. Para mais informações: www.Nautel.pt

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Náutica

Notícias Touron

WT-1 da Heyday Agita o Mundo do Wakesurf com Preços Surpreendentes O WT-1 da Heyday, um dos mais inovadores barcos de wakesurf a chegar ao mercado nas últimas décadas, foi projetado para agitar o mundo do wakesurd com a sua simplicidade e baixo preço. É um barco criado para ser diferente e construído de propositadamente para wakesurf.

Heyday WT1

O

WT-1, com um comprimento total de 19’, tem uma lotação máxima de 9 pessoas e um casco em V que foi modificado especificamente para wakesurf. “Até agora, a maior parte dos barcos de wake eram modificações de barcos de reboque que não produziam nenhum wake, tendo de recorrer a guias e portas para de onda”, disse o presidente da Heyday, Keith Yunger. “O design da Heyday é o produto que resulta do estudo daquilo que um barco de wakesurf deveria ser”. A chave do sucesso é o transom a 117 graus do barco proje-

tado para dar forma a uma onda de surf de competição sem recorrer a guias. Os cantos de popa permitem que, quando o barco é lançado, tudo se conjugue para criar uma onda natural. Por outro lado, o transom é excepcionalmente largo, o que ajuda anular o torque do suporte, preservando a simetria onda. Para conseguir um maior deslocamento, o projeto emprega BailingStrakes ™, um exclusivo Heyday que é projetado para empurrar / libertar água de baixo do casco, reduzindo assim a sua resistência ao impulso para dentro da água. Isso, juntamente com um painel muito profundo, permi-

Heyday WT1 44

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te ao Heyday deslocar mais água e, por sua vez, criar uma maior onda. A configuração do barco é tão inovador como o seu casco - com um sistema de assento flexível que usa encostos removíveis ou movidos para diferentes posições. Isso permite assentos dianteiros ou voltados para a frente, perfeitos para observar o piloto, sempre em segurança. A consola, com muito espaço de arrumação, está colocada no centro, o que cria um layout muito harmoniosa. O controlo do barco é duma simplicidade absoluta, pode ser guiado com a “ponta dos dedos”. Os interruptores de alternância para lastro, ventilador, luzes subaquáticas, luzes de

amarração e outras funções são de fácil acesso. Um indicador de combustível digital e controle de velocidade mecânica também estão incluídos no controlo de velocidade Zero Off ® governado por GPS. O posto de comando tem espaço ao centro onde se pode montar um tablet Android (basta fazer o download da aplicação Heyday para transformar o seu tablet num monitor LCD que processa, sem fios, os dados do motor, incluindo consumo, RPM, combustível, volts, velocidade de GPS, horas do motor, pressão do óleo e temperatura do motor. O tablet pode ser emparelhado com o Wet Sounds ™ Bluetooth para reproduzir ou sincronizar música, ter acesso ao seuGoPro e muito mais. No cockpit, o piso SeaDek®, com acabamento elegante, fica seco em poucos minutos. O modelo WT-1 vêm com motorização interior Mercury MerCruiser Tow Sport gasolina de 6.2L com potências de 320 e 370 CV. Para mais informações, consultar www.heydaywakeboats.com. Sobre a Heyday: Com sede em Knoxville, TN (EUA), a Heyday é um construtor de barcos para wake sports (wakeboard e wake surfing). A sua missão da Heyday é proporcionar aos jovens uma via financeiramente acessível para a prática de desportos aquáticos. A Heyday é uma marca da Brunswick Corporation (NYSE: BC).

Onda formada pelo Heyday WT1


Náutica

Heyday Amplia Gama com Versão Consola Lateral O WT-2 da Heyday, o segundo modelo da inovadora gama de barcos wake da empresa, traz mais mais espaço e acrescenta valor, completando uma gama em conjunto com o modelo WT-1.

O

WT-2, com um comprimento total de 20’, tem uma lotação máxima de 12 pessoas e um casco em V que foi modificado especificamente para wakesurf. “A maior parte dos barcos de wake são modificações de barcos de reboque que não produzem nenhum wake, tendo de recorrer a guias e portas para fazer onda”, disse o presidente da Heyday, Keith Yunger. “O design da Heyday é o produto que resulta do estudo daquilo que um barco de wakesurf deveria ser. O WT-2 alarga esse concei-

to, oferendo uma opção mais ampla.” A chave do sucesso é o transom a 117 graus do barco projetado para dar forma a uma onda de surf de competição sem recorrer a guias. Os cantos de popa permitem que, quando o barco é lançado, tudo se conjugue para criar uma onda natural. Por outro lado, o transom é excepcionalmente largo, o que ajuda anular o torque do suporte, preservando a simetria onda. Para conseguir um maior deslocamento, o projeto emprega BailingStrakes ™, um exclusivo

Heyday que é projetado para empurrar / libertar água de baixo do casco, reduzindo assim a sua resistência ao impulso para dentro da água. Isso, juntamente com um painel muito profundo, permite ao Heyday deslocar mais água e, por sua vez, criar uma maior onda. A configuração do barco é tão inovador como o seu casco - com um sistema de assento flexível que usa encostos removíveis ou movidos para diferentes posições. Isso permite assentos dianteiros ou voltados para a frente,

perfeitos para observar o piloto, sempre em segurança. A consola, com muito espaço de arrumação, está posicionada de forma a criar uma área livre, de fácil acesso, na popa. O controlo do barco é duma simplicidade absoluta, pode ser guiado com a “ponta dos dedos”. Os interruptores de alternância para lastro, ventilador, luzes subaquáticas, luzes de amarração e outras funções são de fácil acesso. Um indicador de combustível digital e controle de velocidade mecânica também estão incluídos no controlo de velocidade Zero Off ® governado por GPS. O posto de comando tem espaço ao centro onde se pode montar um tablet Android (basta fazer o download da aplicação Heyday para transformar o seu tablet num monitor LCD que processa, sem fios, os dados do motor, incluindo consumo, RPM, combustível, volts, velocidade de GPS, horas do motor, pressão do óleo e temperatura do motor. O tablet pode ser emparelhado com o Wet Sounds ™ Bluetooth para reproduzir ou sincronizar música, ter acesso ao seuGoPro e muito mais. No cockpit, o piso SeaDek®, com acabamento elegante, fica seco em poucos minutos. O modelo WT-2 vêm com motorização interior Mercury MerCruiser Tow Sport gasolina de 6.2L com potências de 320 e 370 CV. Para mais informações, consultar www.eydaywakeboats.com.

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Pesca Desportiva

Viagens de Pesca

Texto e Fotografia Luís M. Borges

Memórias do Alto Mar Na quinta-feira, 22 de junho passado, vivemos a vida no máximo, a três, desta vez

P

or motivos justificados, dois dos componentes da equipa Fosmar (Forte e Malheiro), não puderam participar nesta saída de pesca. A tristeza, que em nós provoca estas ausências custa a acomodar, pois são dois companheiros imprescindíveis. Apenas uma simples e nada importante vantagem

se poderá retirar da falta dos dois arguidos: mais espaço no barco para pescar à vontade. Nos máximos A crónica deste dia fabuloso, a compensar aquele mar de trovoada, resume-se praticamente a uma ideia: tudo aconteceu com os faróis no máximo. - O Óscar foi o máximo,

pois conseguiu quase sempre, pescar em jeito de trio Odemira, todos eles a sorrirem para a balança. Indubitavelmente, o melhor. - O Cheta foi o máximo, porque conseguiu resistir de uma forma estóica até às 14h30, à fome e à sede. O almoço só caiu nos pratos a esta hora. O Borges foi o máximo, dado ter apresentado o me-

lhor salpicão de porco preto, de todas as pescarias. Serviu para as sandes das 10h00 e para aperitivo da refeição principal. - O estado do mar, em termos de ondulação foi o máximo, com índice praticamente zero: um lago. - O calor, a rondar os 36 ºC, sem ponta de brisa, foi o máximo, obrigando os pescadores a transformarem-

Um forte goraz 46

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Pesca Desportiva

quentes, embora pequenos. A sua carne delicadíssima, faz as delícias de açorianos e madeirenses, bem como de quem os visita. Pedem, em todos os restaurantes o Boca-negra.

Para os interessados apresento apresento o Cartão de Cidadão do Cantarilho-legítimo, também denominado Boca-negra: Nome científico: Helicolenus dactylopterus ou Helico-

O Cheta foi o máximo,

se em árabes residentes do Quatar. O suor em bica limpou o protector solar dos rostos, pelo que o vermelhão passou a escaldão. Por fim, a rematar, a pescaria foi o máximo: uns bons pares de gorazes, muitos e grandes, ilustraram o postal para afixação nos álbuns dos 3 artistas.

Cantarilhos Já agora, que não se pense que só a espécie goraz tem relevância. Quando se pesca no profundo, também arrepiam caminho até à superfície cantarilhos, congros, fanecas, imperadores, chernes, etc. Na prestação lúdica deste dia de excepção, os cantarilhos foram fre-

Malheiro com um sargo

Pesca em jeito de trio Odemira 2017 Agosto 368

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Pesca Desportiva

Total de gorazes

lenus maderensis Profundidade: habitual entre os 150 e os 600 metros Comprimento máximo: 47 cm Comprimento médio: 25 cm Peso máximo: 1,550 kg Idade máxima: 43 anos Obs: Os seus espinhos são

tóxicos. Haverá que ter cuidado. Portanto, temos aqui o fenómeno da faneca. À falta de gorazes sempre poderemos compensar com cantarilhos ou bocas-negras, como um amigo nosso lhes chama, embora não seja nem madeirense nem açoriano.

Boca negra

Salpicões de porco preto 48

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Massa com Coelho


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Pesca Desportiva

Slow Jigging

Porque é que tem de se pescar na vertical?

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Pesca Desportiva

Texto Totos Ogasawara (Japanese Angler’s Secrets: www.anglers-secrets.com) Fotografia Autor e Joaquim Malaquias / Mundo da Pesca

Um dos requisitos fundamentais para pescar na técnica de slow pitch jigging é de tentar manter a pesca e o jig na vertical. Mas qual a razão de ser desta exigência que faz com que os dias de vento e corrente mais acentuados sejam indesejados pelos adeptos da técnica… a menos que soprem em direções opostas. Foi isso que tentámos saber com Totos Ogasawara.

J

á algum amigo vos deve ter dito que para pescar ao slow jigging se tinha de usar linha mais fina. Isso tem um fundamento e não é certamente aumentar a discrição do nosso engano, mas sim para contrariar o efeito da deriva, causada pelo vento e/ou deriva. Perante alguns cenários de pesca que temos nas nossas águas isso pode ser sinónimo de “uma dor de cabeça” quando se ferra um

peixe realmente grande… mas se assim não fosse provavelmente não se ferraria esse tal peixe. Mas antes de chegar a essa tomada de decisão é preciso saber o porquê desta técnica funcionar melhor na vertical. Porquê na vertical? Quando temos a nossa linha na água a ir para os lados, o quadro final fica “pintado” como se pode ver na figura

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Pesca Desportiva

Quando se ferra um peixe realmente grande com linha fina no carreto é uma “dor de cabeça”. Todavia se assim não fosse dificilmente conseguiríamos ferrar peixe. 52

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Pesca Desportiva

O slow jigging apoia-se numa sequência de pequenas subidas e descidas e, a menos que estejamos alinhados na vertical com o jig, a influência da água

pode anular essas animações 1. A corrente puxa a linha e não temos a nossa pesca alinhada, a pescar na vertical. Muitas das vezes o que acontece, quando apenas pensamos que temos apenas a linha espiada, é que o jig nem sequer toca no fundo, uma vez que a aguagem puxa tanto a linha que o faz levantar, suspendendo-o. Quando tenta animar o jig, quer seja com o carreto ou com a cana, o que acontece nestas condições é que está apenas a mexer a linha e não o jig. Caso esteja a pescar muito fundo ou com um peso de amostra mais reduzido, o que pode acontecer é que o jig até pode estar a meia água, sendo bastante mais difícil fazer capturas nessas condições. Relembre que a maior parte dos ataques verificados nesta técnica são uns gene-

rosos 70 a 80% na descida após animações! Neste aspeto o jigging feito a maior velocidade – hispeed jigging – torna tudo mais simples pois recuperase a linha com uma velocidade muito maior e de forma bem mais agressiva, o que faz sempre com que o jig se mova de alguma maneira. Mas o slow jigging apoiase numa sequência de pequenas subidas e descidas e, a menos que estejamos alinhados na vertical com o jig, a influência da água pode anular essas animações que tentamos imprimir ao artificial. Na nossa tentativa para “cortar” a influência da água, podemos usar linhas mais finas. Também podemos usar um jig mais pesado. Na prática, e para quem já goza de alguma experiência no slow

Figura 1, porque na vertical? 2017 Agosto 368

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Pesca Desportiva

Pescar na vertical é determinante no slow jigging. Relembre que a maior parte dos ataques verificados nesta técnica são uns generosos 70 a 80% na descida após animações!

Como manobrar o barco 54

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A âncora flutuante


Pesca Desportiva

pitch jigging, o high pitch jerk vai criar um impacto maior no jig pois dada a sua intensidade e tipo de movimento vai acabar por mexer qualquer coisa o jig. Também o movimento conhecido como long fall (queda longa) é mais amplo e suscetível de o mexer. Estas são algumas das razões pelas quais é importante pescar com o jig na vertical, para ter um contacto finesse direto com o mesmo e daí este ser um ponto vital no slow pitch jigging. Como manobrar o barco? Quando derivamos, o barco está sob a influência de dois fatores: um é a corrente e o outro é o vento. Por sua vez, o jig está apenas sob a influência da corrente. O esquema representado é a deriva livre. No exemplo pode verificar-se que a corrente se move de cima para baixo, de norte para sul. O vento está a soprar da direita para a esquerda, de leste

A âncora flutuante

para oeste. Se deixarmos cair um jig num ponto, o vento e corrente juntos movem a embarcação, sobretudo o vento, sendo o jig apenas influenciado apenas pela ação

da corrente. É muito difícil fazer slow pitch jigging com uma deriva livre, deste género. Até funciona, mas com condições ideais, com o mínimo de vento e o mínimo de

corrente, e é muito difícil pois temos de estar sempre a reiniciar o processo de descida muitas vezes para ter a pesca, o jig, na vertical. Algo fastidioso e que nos “come”

Aumentar o peso do jig pode ser a solução para pescar mais na vertical mas, com o uso de uma linha mais fina no carreto os resultados são francamente superiores. 2017 Agosto 368

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Pesca Desportiva

O spanker

tempo de pesca. A âncora flutuante Mostramos agora noutro esquema a mesma situação mas com âncora flutuante ou paraquedas. Neste caso o vento empurra o barco mas a âncora flutuante vai criar

uma resistência que vai travando o barco, pela resistência da água que entra dentro da sua bolsa, atrasando a sua velocidade de andamento criada pelo vento, deixando que o barco se mova mais pela ação da corrente, fazendo com que o jig acompanhe essa velocidade, mais

Controlo de velocidade

Para controlar a velocidade nada melhor do que colocar uma tampa articulada em frente ao hélice, a qual pode ser regulada para o ângulo desejado e que tem uma importante função quando se usa o spanker. E como perguntam vocês? Simples: o spanker ajuda o barco a aproar ao vento e engata-se o motor numa rotação baixa, aproximando a tampa do hélice o suficiente até eliminar o efeito do vento, ficando a nossa atenção apenas por conta da ação de pesca.

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adequada e que permite uma apresentação mais vertical. Mas nunca se consegue controlar totalmente aquilo que se trava e essa “sincronização” só perdura algum tempo, dependendo da direção e intensidade de corrente e vento que se fazem sentir. Para além do mais há

o caso das pequenas embarcações que têm muita flutuação e calado estreito, situação em que é muito complicado evitar a deriva causada pelo vento. Ainda assim, a âncora flutuante é um dispositivo importante para o slow pitch jigging e um requisito mínimo para conseguir pescar na vertical em muitos casos, até mesmo no jigging convencional. O spanker... O spanker não é mais do que uma vela, usada na maior parte das embarcações japonesas que se dedicam ao jigging e a outras técnicas de pesca à deriva. Este dispositivo permite que o barco fique aproado ao vento, minimizando os seus efeitos de deriva e nestas condições qualquer “toque” para a frente pode eliminar a influência do vento. Lógico que a perícia do mestre é importante mas não é difícil derivar apenas ao sabor da corrente com este dispositivo, com a linha a prumo, em contacto direto com o jig e por isso com total controlo sobre a situação.


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Náutica

Notícias Suzuki

Novo DF350A Topo de Gama Revolucionário A S uz u ki Mar i n e o r g u lha- s e d e a p r e s e n ta r o s e u m a i s r e c e n t e e e xc lu s ivo m oto r fo ra d e b o r da , o DF350A. Líder na tecnologia de motores a quatro tempos, a marca japonesa foi mais longe no desenvolvimento deste inovador topo de gama, dotando-o de soluções técnicas arrojadas que lhe permitiram produzir o seu mais potente motor até à data.

T

rês anos de desenvolvimento contínuo resultaram num produto que permitirá à Suzuki Marine posicionar-se cada vez mais como um construtor de referência, numa altura em que o mercado dos motores fora de borda de elevada capacidade e potência regista uma procura crescente, como referiu Yasuharu Osawa, director-geral executivo da divisão Marine da Suzuki Motor Corporation: «Colocámos um grande esforço e dedicação no desenvolvimento deste motor e temos grandes expectativas quanto à reacção do mercado, onde temos vindo a notar um crescente interesse devido à tendência dos barcos ficarem cada vez maiores, especialmente os que possuem consola central, como também da própria tendência de substituição dos motores internos por motores fora de borda.» 350 CV e elevada taxa de compressão O novo DF350A possui uma capacidade de 4,4lt, sendo o V6 com maior capacidade da actualidade. Deste modo, como conseguiu a Suzuki obter uma notável potência

específica de 80cv/lt e ainda assim manter o motor compacto e ligeiro? A solução encontrada passou pela utilização de uma alta taxa de compressão (12:1), a mais elevada alguma vez adoptada num motor fora de borda de produção em série. Por forma a evitar problemas de detonação, algo que poderia ocorrer devido a este valor, os nossos engenheiros desenvolveram sistemas que permitem garantir que o ar de admissão segue o mais fresco possível para as câmaras de combustão, para além de que a atomização do combustível é quase perfeita, criando condições para uma queima completa e controlada. Sistema de admissão A altas velocidades, as partículas de água são dirigidas, retidas e deitadas fora. Os nossos experientes engenheiros trabalharam muitas horas em torno deste conceito, tentando transformar a teoria em prática. A ideia era aumentar o fluxo de ar de admissão, converter vapor de água em partículas e desenhar deflectores que permitissem desviar essas partículas do fluxo de admissão. O sistema ‘Dual Louver’ incorpora dois escudos de lâminas, cada uma desenhada com um formato especial que garante a remoção do spray, a sua captura e eliminação. Como resultado, o ar de admissão está livre de humidade e chega às câmaras de combustão com uma temperatura nunca superior a 10 graus face à temperatura ambiente.

Sistema de Admissao 58

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Dois injectores por cilindro A injecção de combustível tem dois objectivos: atomiza o combustível e diminui a temperatura dentro da câmara de combustão, permitindo reduzir a probabilidade de ocorrer detonação. Para alcançar a potência desejada, os nossos engenhei-

ros necessitavam que o combustível fosse totalmente injectado de uma só vez, num momento preciso e num ângulo específico para poder garantir essa refrigeração e a combustão no centro da câmara. O novo sistema de dois injectores por cilindro proporciona a precisão necessária e a melhoria da atomização, aumentando a potência em 3% mas sem provocar qualquer risco de detonação Êmbolos com tratamento especial Para permitir um valor de potência tão significativo, os êmbolos ficam sujeitos a esforços enormes, tendo os especialistas da Suzuki


Náutica

Injectores utilizado um tratamento superficial de ‘granalhagem’ em substituição do tradicional tratamento térmico, garantindo maior durabilidade graças às pequenas ondulações criadas nas coroas dos êmbolos que permitem uma melhor distribuição das forças criadas durante a combustão. Adicionalmente, as bielas e os respectivos pinos também foram reforçados. Sistema de propulsão com duas hélices Apesar de não se tratar de uma nova tecnologia, a propulsão com duas hélices de contra- rotação coaxiais nunca foi utilizada em motores fora de borda, mas com o novo Suzuki DF350A fazem a sua estreia no mercado e reivindicam três grandes vantagens: tamanho compacto, maior estabilidade e superior ´tracção’. Ao distribuir a potência do motor por seis pás, em vez de apenas três, o tamanho das engrenagens e respectivo cárter foi reduzido ao mínimo, possibilitando um desenho mais fino e hidrodinâmico de toda esta secção do motor. Os engenheiros da Suzuki passaram muitas horas em testes de simulação no computador e também dentro de água, chegando à conclusão que a redução do atrito seria essencial para melhorar a aceleração e a velocidade. As hélices de contra-rotação coaxiais também garantem maior

superfície de contacto com a água (a soma das seis superfícies é superior à soma da superfície de três pás convencionais), assegurando maior ‘tracção’ e aceleração imediata, para além de que devido ao facto de rodarem em sentido contrário, eliminam o efeito de torção e assim proporcionam elevada estabilidade direcional ao barco. Como se não bastasse, a velocidade máxima é também superior, assim como a eficácia nas manobras em marcha à ré, sendo tudo isto sublinhado quando em causa estão barcos mais pesados, com capacidade de combustível, carga e passageiros no máximo. Tecnologia comprovada

Dupla helice Para além de todas estas novidades no campo da tecnologia, o DF350A recorre a uma série de soluções já comprovadas, como o sistema de comando sem cabos ‘drive-bywire’, o desenho descentrado da transmissão que assegura não só um desenho mais compacto como também uma relação de transmissão mais curta (2,29:1) graças aos dois estágios em que a mesma se processa, assegurando superior aceleração devido ao binário superior no arranque e também mais velocidade máxima. Devido ao seu desenho compacto, o DF350A pode ser montado com um espaçamento de apenas 27 polegadas, sendo por isso mais fácil a sua instalação em montagens duplas, triplas ou quádruplas. Finalmente e porque este é

um dos detalhes mais importantes na gama Suzuki, a tecnologia ‘Lean Burn’ de queima pobre é também uma realidade neste motor, garantindo economia de combustível e um funcionamento muito suave e silencioso ao ralenti. Com este novo motor, a Suzuki procurou oferecer ao mercado muito mais do que uma nova referência em termos de potência, exibindo igualmente notáveis progressos ao nível da eficiência, fiabilidade e estabilidade. O Suzuki DF350A será produzido na fábrica japonesa de Toyokawa e a estreia no mercado europeu está agendada para o último trimestre de 2017. Para mais informações contacte o seu concessionário autorizado Suzuki Marine.

Motores DF150/DF175AP Recebem Prémio nos EUA

O

s motores Suzuki DF150AP e DF175AP foram distinguidos pela prestigiada revista Boating Industry com o prémio ‘Top Product’, tendo sido selecionados entre os motores, barcos e acessórios lançados no mercado entre Janeiro e Dezembro de 2016. Esta distinção sublinha as qualidades desta nova geração de motores fora de borda lançada em Setembro do ano passado e é a terceira do género que a Suzuki alcança. Os novos DF150AP/175AP distinguem-se pela sua elevada capacidade de aceleração e entrega de binário desde baixa rotação, resultado de uma arquitectura de quatro

cilindros em linha com 2867cc e de inúmeras características inovadoras, de onde se destaca o exclusivo sistema ‘Suzuki Selective Rotation’ que permite trocar o sentido de rotação do hélice, e o ‘Suzuki Precision Control’ o único sistema sem fios (‘drive-by-wire’) de controlo do acelerador presente nesta categoria. Desde o seu lançamento, estes novos motores têm vindo a conquistar inúmeros clientes, em especial na Europa e Estados Unidos, posicionando-se como uma referência numa das classes mais competitivas deste mercado. Para mais informações contacte o seu concessionário autorizado Suzuki Marine.

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Surf

Notícias do Surf Clube de Viana

Viana do Castelo Recebe o Euro’Meet 2019 A próxima edição do Sports & Nature Euro’Meet, um dos maiores eventos de desporto outdoor da Europa, acontece na cidade de Viana do Castelo, de 24 a 26 de setembro de 2019, após ter tido por palco países como a França, em 2011, a Eslováquia, em 2013, e a Irlanda do Norte em 2015.

A

Conferência Imprensa 62

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quinta edição deste Euro’Meet trará à cidade cerca de 500 participantes, unidos sob uma mesma bandeira: a de promover e tangibilizar o acesso aos desportos de ar livre. Este Euro’Meet vai associar-se à European Week of Sport, já a cargo do SCV em anos anteriores, assim como ao University Watersport Camp, um programa que permitirá a es-


Surf

Vereadora da Educação Maria José Guerreiro

da candidatura apresentada em Bruxelas junto do Conselho Executivo do European Network of Outdoor Sports (ENOS). O 5º Sports & Nature Euro’Meet é organizado pela Câmara Municipal de Viana de

Castelo, pela Entidade Regional de Turismo Porto e Norte, pela Escola Superior de Desporto e Lazer (IPVC) e pelo Surf Clube de Viana. A sua apresentação à imprensa teve lugar no CAR Surf, no passado

dia 14 de julho, após a reunião de balanço do ano letivo escolar. O SCV é parceiro do projeto “Náutica das Escolas”, que este ano atingiu cerca de 2.000 alunos, incluindo pessoas portadoras de deficiência.

Apresentação oficial do Euro´Meet Viana 2019 tudantes universitários europeus uma experiência náutica única e inclusiva de 22 a 23 de setembro. Workshops, case studies, visitas técnicas, atividades náuticas e um concurso de ideias aberto a todos os estudantes, independentemente da área ou do nível de condicionamento físico, compõem o programa do University Watersport Camp, que surge no decorrer

Presença dos Agrupamentos Escolares e Clubes Náuticos de Viana 2017 Agosto 368

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Notícias do Mar

Últimas Dia Mundial da Conservação da Natureza

Exposição “Almada Atlântica” um mergulho no Oceano

A

briu no passado dia 28 de julho, Dia Mundial da Conservação da Natureza, no CMIA, Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental da Costa da Caparica, uma exposição que leva os visitantes por uma viagem pela natureza submersa da frente atlântica de Almada e que poderá ser visitada durante todo o Verão e Outono 2017. Muito mais do que praias de areia branca, a costa

oceânica de Almada tem uma outra face, menos conhecida, plena de biodiversidade e valores ecológicos revelados nesta exposição. A exposição é enriquecida com fotografias recolhidas na região por fotógrafos de natureza prestigiados, como Luis Quinta, Ricardo Guerreiro e João Pedro Silva, por esculturas feitas a partir de lixo marinho assinadas por Xandi Kreuzeder, do projeto Skeleton Sea.

Esta exposição é também um apelo à conservação dos habitats e espécies que se escondem do olhar humano na costa atlântica da Costa da Caparica. A exposição, integrada na Estratégia Local de Educação para a Sustentabilidade, é uma iniciativa da Câmara Municipal de Almada e conta com o apoio de entidades como a National Geographic Portugal, o MARE - Centro de Ciências do Mar e do Am-

biente, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Associação Portuguesa de Lixo Marinho, a WWF Portugal, o Aquário Vasco da Gama, entre muitas outras. Ao longo deste período, serão dinamizados encontros e atividades educativas sobre a temática dos oceanos, pelos parceiros do projeto. A entrada é livre.

Director: Antero dos Santos – mar.antero@gmail.com Director Comercial: João Carlos Reis - noticiasdomar@media4u.pt Colaboração: Carlos Salgado, Gustavo Bahia, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Zamith, Mundo da Pesca, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Associação Portuguesa de WindSurfing Administração, Redação: Tlm: 91 964 28 00 - noticias.mar@gmail.com

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Notícias do Mar n.º 368  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 368, Agosto de 2017.

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