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2014 Fevereiro 326 Fotografia: Trevor Wilkins, assistido por John Maarschalk

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Vela

Regata Cape 2 Rio 2014

Acidente Brutal com o Veleiro Angolano Bille

Fotografia: Trevor Wilkins, assistido por John Maarschalk

Ao enfrentar uma tremenda tempestade com ventos de 45 a 70 nós, logo no início da regata no dia 4 de Janeiro, o veleiro Bille, um Bavária 55, do Team Angola, virouse e partiu o mastro, provocando a morte de António Bartolomeu de 51 anos e ferimentos em mais quatro tripulantes, acabando por se afundar.

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o final de dois anos de preparação, o Team Angola, constituído por dois veleiros Bavaria 55 de 16 metros de comprimento, o Bille 2

Team Angola com os veleiros Mussulo III e Bille à frente, que se afundou de Luís Manuel da Silva “Tita” e o Mussulo III de José Pereira Caldas, patrocinados pela Angola Cables, apresentaram-se à largada da segunda edição da Regata Cape 2 Rio que liga

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a sul-africana Cidade do Cabo ao Rio de Janeiro. Ao tiro de largada responderam 39 veleiros de diversas nacionalidades. Todos sabiam que havia uma frente para atravessar,

mas a ideia era passar ao lado. No Bille faziam parte da tripulação, além do “Tita”, o skipper, Luís Gasparinho, Luís Manuel “Jean Pierre”, Rui Sancho Fernandes, António Bartolomeu, Manuel Filipe “Luvambo” e Matias Montinho. Perto um do outro desde o início, o Bille e o Mussulo III mantinham-se nos lugares da frente, ocupando as sétima e oitava posições, quando a frente chegou a toda a frota. Começou a haver problemas para a maioria dos veleiros e começaram as desistências. Uns por avaria outros por segurança, regressaram nove veleiros à Cidade do Cabo. Os que não tiveram problemas graves continuaram. Depois de passar a primeira noite, no segundo dia de regata, havia uma decisão difícil de fazer, a de desistir. Tanto no Bille como no Mussulo III, a vontade de prosseguir alimentou a coragem. No Bille rizaram a grande e içaram um pequeno estai. A navegar contra ondas de seis metros, puxadas por vento que chegou aos 70 nós, a tarefa não era fácil. Ondas tão grandes que tanto o Bille como o Mussulo III, deixavam de se ver um ao outro. No Bille acabaram mesmo por baixar a vela grande e ficaram apenas com o estai de tempestade. A pouco mais de 100 milhas da costa, por volta das 15 horas no dia 5, estavam no poço a manobrar o barco quatro velejadores, Rui Sancho, António Bartolomeu, Luís Manuel e Manuel Filipe. Dentro da cabina a descansar, encontravam-se Luís Silva, Gasparinho e Montinho. Subitamente com grande estrondo, uma enorme onda rebenta de lado e vira o barco. O mastro ao bater na água partiu-se logo acima da retranca e atinge os quatro velejadores que estavam no convés, parte a estrutura da cabina, a mesa do poço


Vela

Team Bille e uma das rodas de leme. Com a pancada do mastro, saltaram as janelas e as vigias e começou logo a entrar água para dentro da cabina. O barco acabou por se endireitar, já sem a balsa que estava presa na popa, mas em risco de se afundar. Todos os velejadores que caíram à água, estavam com colete e presos ao barco, mas ficaram bastante poli-traumatizados, muito especialmente o António Bartolomeu que sofreu diversas fracturas.

Dentro da cabina, devido às cambalhotas que deram, o Luís Silva ficou com graves traumatismos torácicos e o Gasparinho e o Montinho ficaram muito magoados mas sem nada partido. Entretanto, através de um telefone satélite e com o Epirb accionado, o alarme foi dado. As autoridades sul-africanas fizeram então avançar uma fragata da Marinha. Já com o Bille direito, o Rui Sancho, o Luís Manuel e o Manuel Filipe, mesmo bastante feridos conseguiram, muito a custo, içarem-se para dentro do

Maserati e Scarlet Runner foram os dois primeiros veleiros classificados da regata Cape-Rio 2014 Fevereiro 326

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Vela

O Bille em Cape Town lha de todos os velejadores e do corpo do António Bartolomeu. Em declarações feitas posteriormente, os velejadores do Bille elogiaram a tripulação sulafricana da fragata pelo enorme carinho e deferência com que os receberam, sendo imediatamente transportados para uma enfermaria preparada e gerida por dois médicos, onde lhes foram prestados os primeiros cuidados.

Depois, no hospital sul-africano que os acolheu e onde estiveram uns dias internados a fazerem exames, os velejadores angolanos sentiram igualmente um enorme cuidado e carinho que os ajudou muito na recuperação. No final, o Team Angola não deixou de elogiar e agradecer toda a atenção que recebeu da comissão organizadora do Royal Yacht de Cape Town e

Fotografia: Trevor Wilkins

barco. Porém, o António Bartolomeu não conseguiu içar-se, nem os que estavam no barco o conseguiram puxar. A hipotermia acabou por acelerar as lesões e acabou por morrer. Foi esta a conclusão da autópsia que lhe fizeram na Cidade do Cabo. Quando a fragata chegou na manhã do dia seguinte o Bille ainda flutuava, mas dado o estado do mar, foi demorada a reco-

Mussuli III à chegada ao Rio de Janeiro 4

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dos cuidados que recebeu das autoridades navais sul-africanas, bem como do Hospital Christian Barnard Memorial No Mussulo III quando souberam do acidente, nada podiam fazer senão prosseguir na regata e manterem o lugar que ocupavam, o sétimo. A vitória da regata foi para o Maserati do italiano Giovanni Soldini, que em apenas 10 dias passou a linha de chegada, quatro dias à frente do Scarlet Runner, segundo classificado, constituindo um novo recorde da regata Cape 2 Rio. O Mussulo III chegou ao Rio de Janeiro no dia 26 de Janeiro, fazendo a regata transatlântica em 22 dias e terminando em oitavo lugar, uma classificação muito honrosa para o Team Angola. Para a distribuição dos prémios e uma homenagem que se fez no Rio de janeiro a António Bartolomeu, viajou de Luanda uma delegação constituída por individualidades do Ministério da Juventude e Desportos e dirigentes da vela, como o Presidente e Vice-Presidente da Federação Angolana de Desportos Náuticos, Comodoro do Clube Naval de Luanda e José Manuel Junça, representantes do patrocinador Angola Cables e também elementos da tripulação do Bille.


Vela

2ª prova do Campeonato Regional Juvenis e Juniores dos Açores

Boa Participação na Praia da Vitória

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2.ª Prova do Campeonato Regional Juvenis e Juniores dos Açores de vela ligeira, realizou-se nos dias 25 e 26 de janeiro, organizada pelo Clube Naval da Praia da Vitória, ilha Terceira. A meteorologia colaborou com a excelente organização do Clube e foram realizadas as 8 regatas previstas, com vento e mar de feição e toda a segurança que se quer num evento desta natureza. Quanto aos resultados, dos 50 velejadores juvenis inscritos na Classe Optimist, em representação de 11 Clubes da Região, o primeiro lugar do pódio foi ocupado por Tomás Pó, do Clube Naval da Horta. João Costa e Pedro Santos ambos, do Clube Naval de Ponta Delgada, foram segundo e terceiro. Em Laser 4.7 marcaram presença 20 velejadores de oito Clubes. José Pimentel e João Cabral, ambos do Clube Naval de Vila Franca do Campo, ocuparam as duas primeiras posições enquanto Bernardo Barros, do CNPDelgada, foi terceiro. Na Classe 420, escalão juniores, participaram 14 velejadores em 7 embarcações, representantes de 4 Clubes. Gonçalo Azevedo/ Luís Almeida, do CNPDelgada, foram os vencedores seguidos de Luís Gonçalves/Francisco Machado do mesmo Clube e de Ricardo Silveira/Tiago Serpa, do CNHorta. 2014 Fevereiro 326

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Vela

3ª Prova do Campeonato da Madeira de Vela Ligeira - Brisa

Cor e Competição no Funchal A baía do Funchal coloriu-se com cerca de 70 velas, por ocasião do Torneio Exictos, organizado pelo Clube Naval do Funchal em conjunto com a ARVM. A 3.ª Prova do Campeonato da Madeira de Vela Ligeira – Brisa, simultaneamente primeira prova de apuramento ao Campeonato de Portugal de Juvenis, foi disputada ao longo de dois dias, durante as quais foram disputadas 5 regatas.

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o sábado o vento foi mais intenso, chegando aos 23 nós, enquanto domingo não ultrapassou os 15 nós. Na classe Optimist Infantil foram disputadas apenas 4 regatas, tendo Guilherme Jesus (ICSC) ganho duas regatas e obtido o 2.º lugar em outras tantas, o suficiente para garantir o triunfo. Ao 2.º lugar do pódio subiu Margarida Balau (Centro de Treino de Mar), enquanto Henrique Soares (Associação Náutica da Madeira) foi o 3.º classificado. A classe Optimist Juvenil foi a mais participada, com uma frota de 21 velejadores, e uma das mais disputadas. Luís Fernandes (Iate Clube Santa Cruz) garantiu a vitória com duas vitórias, um 2.º, um 5.º e um 9.º lugares nas cinco regatas realizadas,

logo seguido do seu colega de clube, Luís Fernandes, que ganhou uma regata e obteve dois 2.ºs, um 7.º e um 13.º lugares. Pedro Abreu (Clube Naval do Funchal) foi o 3.º do pódio, com uma regata ganha, três 4.ºs lugares e um 6.º. A classe Laser 4.7 foi a mais competitiva, já que Francisco Monteiro (ICSC) e Alexandre Casimiro (CNF) terminaram em igualdade pontual após as 5 regatas. No entanto, foi o velejador de Santa Cruz que conquistou o triunfo, uma vez que venceu duas regatas contra uma do seu opositor. Luís Fraga (Naval) classificouse no 3.º lugar a 1 escasso ponto dos companheiros de pódio. Na classe Laser Radial, depois de Pedro Correia (Naval) ter ganho vantagem no sábado, no domingo Francisco Gouveia (ICSC) conseguiu ultrapassá-lo,

CampoFrio Alqueva Formula Windsurfing 2014

Alqueva Internacional O

Campeonato Campofrio Alqueva Formula Windsurfing 2014, será o primeiro da época da Classe de Formula Windsurfing em Portugal. A prova é pontuável para os rankings nacional, ibérico de águas interiores, europeu e para o Mundial da Classe. Além de ser uma prova de windsurf num local único em Portugal e na Europa, com condições fantásticas para a prática de actividades náuticas em plena segurança, será também um meio para divulgar o Alentejo, não apenas pelas suas grandes planícies mas também pela nova vertente da náutica de recreio no Alqueva. Uma excelente aposta por parte do Turismo de Reguengos e também da CM de Reguengos de Monsaraz. De momento estão confirmado 5 países participantes.

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mercê de duas vitórias e um 2.º lugar. Gonçalo Teixeira (ICSC) fechou o pódio. Na classe Bic Techno Juvenil, o navalista Ricardo Sousa não deu quaisquer hipóteses ao vencer as cinco regatas disputadas, somando uma vantagem confortável para a sua mais direta perseguidora, Matilde Freitas (CTM), enquanto Francisco Vieira, seu colega do Naval, fechou o pódio. O mesmo sucedeu na classe Bic Techno Júnior, com Artur Marques (Naval) a triunfar em todas as regatas, deixando os 2.º e 3.º lugares para Manuel Palermo e Margarida Rodrigues (ambos do CTM), respetivamente. Para vincar o domínio do Na-

val nas pranchas à vela, na classe RS:X Júnior, Guilherme Marques (CNF) também ganhou as 5 regatas disputadas, deixando toda a concorrência do CTM bastante longe, tendo sido ladeado no pódio por Frederico Rodrigues e Gil Costa. Finalmente, na classe Access 2.3 (vela adaptada), como habitualmente preenchida apenas com velejadores do Naval do Funchal, Élvio Barradas e António Calaça disputaram um duelo intenso que terminou… empatado. O critério de desempate beneficiou Barradas, vencedor da última regata da prova. No 3.º lugar ficou António Nóbrega.


Vela

2ª Prova de Apuramento Regional Norte

Optimist na Tormenta A 2ª Prova de Apuramento Regional Norte, na classe Optimist teve organização do Clube de Vela de Viana do Castelo.

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ob condições meteorológicas bastante adversas apenas foi possível realizar 3 regatas no dia de sábado dado que o programa de domingo teve que ser cancelado face à enorme intempérie que se abateu sobre o país e designadamente em Viana do Castelo. Em termos de resultados Afonso Luz, do Clube de Vela da Costa Nova, foi o vencedor seguido de Miguel Rothes, do Clube de Vela do Atlântico e de Alex Baptista, do Clube de Vela da Costa Nova. Na categoria B, a primeira classificada foi Carlota Magalhães, do Sport Clube do Porto, com Rodrigo Mendes, da Associação Náutica da Gafanha da Encarnação e Manuel Pedro Guimarães, do Clube Naval Povoense, a serem 2º e 3º classificafos. Na categoria de Iniciados, a vitória sorriu a Maria João Silva, do Clube de Vela de Viana do Castelo. Diogo Santos, do Clube de Mar de Coimbra e Diogo Sampaio, do Clube Na-

val Povoense fecharam o pódio. Estiveram presentes 84 velejadores em representação de 9 clubes da zona Norte (CVVC, CVCN, CVA, ANGE, SCAveiro, CNPovoen-

se, SCPorto, CMCoimbra e CNLeça). Segundo os critérios de apuramento, da Federação Portuguesa de Vela, a Zona Norte apurará 41 velejadores para participar no Na-

cional que terá 120 vagas. A próxima, última PAR, realizarse-á em Leixões, numa organização do CVA e terá lugar nos dias 15 e 16 de Março de 2014.

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Vela

Troféu Aços Ramada

Bigamist Triunfa

O Bigamist, de Pedro Mendonça, venceu o Troféu Aços Ramada depois de disputado o terceiro dia de prova no passado Sábado, 1 de Fevereiro. A organização foi da Associação Naval de Lisboa.

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a geral de ORC 450, após 6 regatas, vitória do Bigamist, de Pedro Mendonça , seguido do Xekmatt,

do José Carlos Prista, do Funbel , de António Noronha e do Safran/ Project 02, de Frederico Rodrigues. Em ORC 610/645, triunfo do

Troféu Internacional de vela do Carnaval

Clássica Comemora 40 Anos

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Troféu Internacional de Vela do Carnaval comemora o seu 40º aniversário. A prova, desde sempre a mais participada em Portugal, será disputada, entre 1 e 3 de Março, e tem a habitual organização do Clube Internacional da Marina de Vilamoura. Nos campos de regata situados em frente a Quarteira e Vilamoura marcarão presença as seguintes classes: Optimist Juvenil e Infantil, 420, 470, Snipe, F18, Dart 18, Finn, Formula Windsurfing, 49er, 49er FX e Laser 4.7, Radial e Standard, nestas três últimas será simultaneamente Prova de Apuramento Nacional. Além da numerosa frota nacional, são aguardadas as presenças de velejadores estrangeiros, que garantem a tradicional grande festa da vela nacional em águas algarvias.

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Super Açor/Lusitânia Seguros, de Gonçalo Botelho, com o Carioca, de Eduardo Guimarães Marques e o Wahoo, de Filipe Penaguião, a alcançarem as 2ª e 3ª posições.

Em ANC, e após três regatas, o Trovão, de José Salgado, foi primeiro classificado. O Koala, de Gonçalo Mendes e o Complot II, de Raul Xavier, fecharam o pódio.


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Náutica

Náutica de Recreio

Texto Federação Portuguesa de Vela

Proposta de Desenvolvimento da Náutica de Recreio A Direcção da Federação Portuguesa de Vela, desde a sua tomada de posse em 2009, tem denotado a sua preocupação pelo declínio da náutica de recreio em Portugal.

A vela de cruzeiro tem cada vez menos praticantes

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pesar das iniciativas e instituições surgidas nos últimos anos, com o objectivo de debaterem e explorarem as potencialidades económicas do mar, pouco, ou nada, tem sido feito para alterar o Regulamento da Náutica de Recreio que levou à situação calamitosa hoje vivida no sector. É do entendimento da Direcção da Federação Portuguesa de Vela que as Federações Náuticas devem solicitar ao Go10

verno a aprovação urgente do novo Regulamento da Náutica de Recreio, que a Federação Portuguesa de Vela propôs e entregou à tutela, tendo como objectivo principal o fomento de novos praticantes das actividades aquáticas e o desenvolvimento da náutica de recreio. A Discussão Pública da Estratégia Nacional para o Mar 2013 /2020 mereceu por parte da Federação Portuguesa de Vela um interesse especial relativamente ao Capítulo III, Artigo 3 Ponto 3.3.2 - Recreio,

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desporto e turismo, pois versa matéria sobre a náutica de recreio, os desportos aquáticos e o turismo náutico, propondo o estudo e a execução de Planos de Acção. Neste contexto, urge actuar de forma determinada junto não apenas do Governo mas também das autarquias. A náutica de recreio é um factor de desenvolvimento económico e gerador de emprego em todas as regiões com planos de água navegáveis. A Federação Portuguesa de

Vela, por ser sua obrigação, ter conhecimento profundo, das características das embarcações de recreio, das zonas onde podem navegar e estar ciente do que é necessário saber para fazer qualquer tipo de navegação, apresenta em parceria, ou não, com outras Federações Náuticas, uma Proposta de Desenvolvimento da Náutica de Recreio. Para que esta Proposta de Desenvolvimento da Náutica de Recreio seja coroada de êxito, é vital o envolvimento dos clu-


Náutica

Embarcação adequada para a iniciação nos desportos aquáticos

A classificação e registro dos veleiros de cruzeiro devem ser efetuados pelo clubes náuticos

das questões, postas pelos praticantes para registar uma embarcação e a atuação demasiado burocrática e sempre demorada, das várias entidades que intervêm na classificação e registo de embarcações de recreio, obrigando os proprietários de embarcações novas, a despesas absurdas com vistorias em seco e na água, levando às vezes meses até estar o barco completamente despachado das burocracias e poder ser levado para a água. 3 - O espírito associativo que durante décadas movimentou

bes e de todas as instituições públicas e privadas que desenvolvam actividade neste sector. Causas da Situação Actual 1 - A reduzida dimensão da Náutica de Recreio em Portugal deve-se à existência de fortes constrangimentos ao seu desenvolvimento, onde sobressai a pesada burocracia instalada nos Organismos Oficiais que têm dirigido e regulado as actividades náuticas. 2 – As diferentes interpretações

Interior do pavilhão do Centro de Vela de Viana do Castelo 2014 Fevereiro 326

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Náutica

Os Clubes Náuticos necessitam de espaço para se expandirem, como o Clube Náutico de Viana do Castelo

Uma embarcação para a pesca desportiva que não pode ser comandada por um titular com a carta de Marinheiro 12

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os clubes náuticos foi arrasado pela negação constante dos Organismos Oficiais em permitir os melhoramentos nas suas instalações, necessárias ao seu normal funcionamento, satisfação dos sócios e captação de novos associados. 4 – A legislação actual impede às embarcações de recreio que utilizem as rampas e os varadouros que são utilizados com segurança pelas comunidades de pescadores profissionais em muitos locais da nossa costa, porque esses locais, embora estejam em águas abrigadas, estão longe dos portos de abrigo. A sua utilização vai permitir aos pescadores submarinos e desportivos e aos praticantes de mergulho mais interesse e melhor desempenho das suas actividades. 5 - A inexistência de espaço nos clubes náuticos em Portugal para guardar as embarcações


Náutica

Para a náutica de recreio se desenvolver os Clubes Náuticos poderiam guardar os barcos dos sócios

dos associados, desmotiva completamente quem pensa adquirir uma embarcação, pequena que seja, pois não tem onde a guardar. Nenhum clube em Portugal tem condições para receber um associado com o compromisso de lhe guardar o

barco em seco. Só os iates têm marinas ou docas de recreio, onde podem estar parqueados na água. 6 - Para aumentar ainda mais o desinteresse pela prática das actividades náuticas, foi aprovado em 1999 um novo Regulamento da Náutica de Recreio, que diminuiu as habilitações dos navegadores de recreio, reduziu as áreas de navegação e, contrariando a Directiva Comunitária 94/25/CE, criou normas absurdas para dificultar a classificação e o registo das embarcações. Foi este Regulamento que permitiu a criação do negócio das cartas de navegador de recreio, com a montagem de uma máquina que facilitou a corrupção

no sistema de aprovação nos exames dos navegadores de recreio. 7 - Por causa do Regulamento da Náutica de Recreio, ainda

em vigor, deixou de ter interesse, aos novos praticantes, tirar o curso de navegador de recreio. Por causa disso fecharam dezenas de escolas de

Veleiros de cruzeiro em regata na zona ideal para a iniciação, o estuário do Tejo 2014 Fevereiro 326

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Náutica

Embarcação adequada para quem se queira iniciar, para a pesca desportiva e os passeios com a família formação náutica e o curso de Marinheiro, o curso de iniciação à náutica de recreio, deixou de ser realizado. Isto é, já ninguém quer ter a Carta de Marinheiro, pois esta deixou de permitir o comando de embarcações à vela ou motor até 12, 70 metros de comprimento e a potência até 240 HP. Esta carta passou a permitir apenas o comando de barcos até os 7 metros de comprimento e a potência máxima de 60 HP. Para comandar embarcações maiores e com mais potência, passou a ser obrigatório mais um curso, o de Patrão Local. E ninguém está disposto a tirar este curso, onde tem que aprender a navegar no mar, para passear apenas com a família nas águas abrigadas,

nos rios e nas albufeiras. Medidas para Implementar o Desenvolvimento da Náutica de Recreio 1 – Temos que começar por considerar a existência no País de Infraestruturas Náuticas, já construídas nos Clubes Náuticas, que podem vir a funcionar como Centros Náuticos, sem ser necessário despender um euro. Basta apenas aprovar medidas legislativas adequadas. Uma delas é considerar as Federações Náuticas como as entidades dirigentes e reguladoras da Náutica de Recreio, ficando elas com a tarefa da organização das modalidades, e

da estrutura das embarcações, cabendo-lhes a confirmação da Classificação CE e o Registo das embarcações de recreio, definição dos equipamentos de segurança e criação dos regulamentos e regras para uma boa prática náutica. 2 – Os Clubes Náuticos passam a ser os pólos dinamizadores do desenvolvimento da náutica de recreio. E para que a sua existência seja fundamental, eles devem colaborar ainda mais com as Federações e, nesse sentido, deve-se permitir que os Clubes Náuticos façam as tarefas burocráticas necessárias para a confirmação da Classificação CE e o Registo das embarcações de recreio, sob controlo das Federações

Os semirrígidos são as embarcações mais indicadas para o apoio às regatas e à pesca submarina 14

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e seguindo os regulamentos aprovados para o efeito. A Directiva Comunitária 94/25/ CE é bastante clara quanto à aceitação, para efeitos de Registo, de uma embarcação de recreio nova. Cada embarcação CE traz a Declaração Escrita de Conformidade, onde constam as principais características da embarcação, Manual do Proprietário, onde está toda a informação sobre a embarcação e o seu equipamento, modo de manuseamento, manutenção e segurança, Placa CE, fixada no interior da popa, com o nome do construtor, categoria do desenho, carga máxima e lotação. Estes documentos são fáceis de verificar se dizem respeito ou não à embarcação e para efeitos do Registo o barco deverá ter a inscrição do nome, número e nome do porto de registo, tarefa que atempadamente o Clube trata no contacto com a Capitania respectiva. Quanto aos equipamentos de segurança, deverá haver uma Declaração Escrita do proprietário da embarcação mencionando todo o equipamento que tem a bordo, segundo a classificação da embarcação quanto à área de navegação. Todos os Clubes Náuticos têm dirigentes com conhecimentos suficientes sobre embarcações de recreio, para confirmarem junto das Federações Náuticas a boa elaboração dos processos de Registo. Uma nova fonte de receita poderá assim chegar aos Clubes Náuticos, com este novo Ser-

Nenhum barco com motor interior pode


Náutica

viço a prestar aos praticantes, sócios ou não. 3 – A grande maioria dos Clubes Náuticos encontra-se em instalações precárias e antigas e sem espaço para guardar os barcos dos sócios e para se desenvolverem. É preciso rapidamente que seja aprovada Legislação que liberte os Clubes Náuticos do sufoco em que se encontram e possam efectivamente crescer. Devem ser-lhes concedidas maiores áreas de terreno à volta das suas instalações e ganharem mais dimensão. Deste modo poderão guardar os barcos dos sócios, prestarem diversos serviços de assistência e desenvolverem um maior número de desportos aquáticos e náuticos. Torna-se assim mais fácil Incentivar as pessoas que pretendam praticar uma actividade náutica ou desporto aquático, adquirir um barco de vela, de pesca lúdica, mergulho, pesca submarina ou apenas para passeio, a fazer-se sócio de um clube náutico, onde se formará, será orientado e poderá guardar a sua embarcação. Com maior procura, os Clubes Náuticos poderão melhor organizar as actividades MarítimasTurísticas, outra importante forma de criar receitas para o clube. Com mais praticantes, os Clubes Náuticos podem desenvolver o espírito de uma Escola Náutica dentro de cada clube, onde cabe a formação náutica, a vontade de entreajuda e até a aceitação de um código de

exigências, quanto aos equipamentos indispensáveis a ter a bordo e o estabelecimento de uma rede de contacto com o Clube sempre que estão em navegação, por questão de segurança. Com esta importância dada aos Clubes Náuticos, pode-se fomentar o associativismo e o desenvolvimento de uma cultura náutica nos Clubes, de modo que com ela se possa orientar e aconselhar os associados no melhor cumprimento das regras de segurança em navegação. 4 – Para que tudo o que está indicado atrás seja possível, é

Todos os clubes náuticos deviam ter uma rampa como tem o Clube Naval de Portimão

ser comandado por titular com a carta de marinheiro 2014 Fevereiro 326

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Náutica

fundamental acabar com a pesada burocracia do Organismo (IPTM) que têm dirigido e regulado as actividades náuticas há demasiados anos e tem provocado fortes constrangimentos ao seu desenvolvimento. Não deve ser este organismo, a Classificar as embarcações, sejam elas à vela ou a motor. Deverá manter o RETECER (registo central das embarcações de recreio) actualizado, bem como o registo do porto, para que haja um Registo Central eficiente, onde qualquer informação sobre as embarcações, seus proprietários e portos onde estão registados, seja rapidamente fornecida às Autoridades Marítimas.

Quem se inicia precisa de se sentir seguro no barco

A rampa do Clube Náutico de Tavira

Os pescadores submarinos metem os semirrígidos na água ao longo de toda a costa 16

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5 – As Federações Náuticas devem solicitar ao Governo que rapidamente aprove o novo Regulamento da Náutica de Recreio, que a Federação Portuguesa de Vela propôs e entregou à tutela, o qual tem como objectivo principal o fomento de novos praticantes das actividades aquáticas e o desenvolvimento da náutica de recreio. O novo Regulamento da Náutica de Recreio reestabelece, conforme a Directiva Comunitária a classificação das embarcações quanto às áreas de navegação. Dada a importância para o desenvolvimento dos Clubes Náuticos, as receitas provenientes do Registo das embarcações de recreio, estas tarefas ficam consignadas a eles. 6 – As Federações Náuticas deverão implementar uma formação náutica que motive a prática das actividades aquáticas e desenvolva a náutica de recreio. As Cartas de Navegador de Recreio devem ser um estímulo para os praticantes e despertar-lhes o interesse em adquirir cada vez mais conhecimentos da navegação. As Federações Náuticas juntamente com os Clubes devem criar condições para promover a iniciação e evitar desistências. Deste modo, devem ser as Federações Náuticas a instituir os programas dos Cursos de Navegador de Recreio e as respectivas horas de Formação, teórica e prática. Federação Portuguesa de Vela


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Náutica

Novidades Jeanneau

Novo Cap Camarat 4.7 CC

Jeanneau Cap Camarat 4.7 CC Das diversas novidades apresentadas pelo estaleiro francês Jeanneau para 2014, destacam-se as da prestigiada gama Cap Camarat e, em especial, o modelo 4.7 CC, um barco que permite uma utilização fácil e polivalente.

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s embarcações a motor do estaleiro Jeanneau, têm como representante e importador em Portugal a NautiserCentro Náutico. Desde há muitos anos considerada uma gama com uma forte imagem de marca, a gama Cap Camarat, foi desenvolvida dirigida a um consumidor exigente e bastante conhecedor do mar e do que é necessário um barco possuir para ter um desempenho seguro e eficiente. A Jeanneau para os clientes dos Cap Camarat, constrói um barco prático, robusto e marinheiro, satisfazendo um amplo mercado deste tipo de embarcações A filosofia da Jeanneau é conseguir, através da inovação, o design e utilizando as mais modernas tecnologias de PRFV com os melhores materiais, uma produção de qualidade e os barcos com os melhores acabamentos na fibra. 18

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O Cap Camarat 4.7 parece maior por dentro


Náutica

A consola de condução permite boa circulação à volta Cap Camarat 4.7 CC, um barco muito bem equipado Neste modelo, com 4,80 metros de comprimento, o estaleiro conseguiu, com o design do interior e um equipamento bem distribuído, desenvolver uma embarcação que parece maior. Deste modo, consegue-se com este barco uma utilização diversificada para os desportos aquáticos, como a pesca, o esqui, ou o mergulho O novo Cap Camarat 4.7 CC mantém também as linhas modernas e dinâmicas características da gama. Importante igualmente é comportar o excelente tipo de casco em V que foi desenvolvido pela Jeanneau para toda a gama Cap Camarat. Com este casco vai oferecer um desempenho no mar com segurança e comodidade para toda a família e vai conseguir ser rápido quando for utilizado no esqui aquático.

O interior tem três zonas bastante bem definidas e bem equipadas, permitindo fácil e segura circulação: o posto de comando, o poço atrás e o espaço à frente. O posto de comando ao meio do barco destaca-se pela bonita, ergonómica e arredondada consola de condução central, a qual tem um pára-brisas alto em vidro acrílico fumado, protegido por um corrimão em aço inox. . O piloto e o copiloto têm dois confortáveis bancos individuais e giratórios. A consola de condução tem um compartimento para arrumação com porta e um banco à frente. É larga mas permiti fácil circulação do poço para a proa. O espaço junto à proa tem um banco estofado em V, sob o qual existe compartimentos para arrumação. Ao meio pode-se colocar uma mesa de piquenique, ou converter este espaço num solário, incluindo o banco à frente da consola. Todo o espaço à frente está

Posto de comando na consola de condução protegido por um varandim em aço inox. Na proa encontra-se uma ferragem com roldana, dois cunhos de amarração.e um porão com tampa

para o ferro. O poço tem na popa um banco estofado individual de cada lado. Na popa a escada de banho fica a bombordo.

Características Técnicas

Mesa de piquenique à frente ou solário

Comprimento total

4.80 m

Comprimento do casco

4.48 m

Boca

2,00 m

Peso sem motor

480 Kg

Calado

0,36 m

Capacidade combustível

60 L

Potência do motor

Aguarda homologação

Categoria CE

Aguarda homologação

Preço barco/motor C/IVA

Com Yamaha F50 a partir de 21.000€

Importador Nautiser/Centro Náutico, S.A. Estrada Nacional 252 – 2950-402 Palmela tel.: 21 23 36 820 Fax: 21 23 33 031 Email: geral@nautiser.com www.nautisercentronautico.pt

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Náutica

Notícias Yamaha

Novo Yamaha F115B Mais Elegante Leve e Potente

O novo motor Yamaha F115B é mais leve e potente

A nova geração do Motor Fora de Borda Yamaha F115B, coloca mais potência em mais embarcações

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ão há muitos motores fora de borda a tornarem-se ícones, mas o Yamaha F115A mais popular, testado, confiável, um dos robustos estandartes e pioneiro dentro da gama Yamaha a 4-tempos, tem-se chegando mais perto, ganhando o status de legendário à volta do mundo. Daí 2014 lança o novo F115B, numa versão ainda mais avançada tecnologicamente, que será música para os ouvidos dos fiéis proprietários Yamaha em todo o mundo. Claro é difícil de saber ao certo quais as melhorias dentro deste motor de referência, mas os engenheiros da Yamaha têm estado ocupados a aprimorar muitas das tecnologias de ponta mais recentes, a colocar em prática ideias para arquitectar um design que poupe peso e desenvolver características de manuseamento mais fácil para os 20

seus condutores, para os nossos mais novos e grandes motores para incorporarem-nos neste novo e significante F115B. O resultado é uma unidade imensamente versátil, que pesa apenas 173Kg (menos 13kg do que o actual F115A) e fornecendo a potência por peso mais alta e performante da sua classe. O novo e elegante capot a par com ser compacto no tamanho geral, torna-o não só ideal para uma larga variedade de desportos náuticos, passeio e actividades diárias, mas abre portas para um excitante mundo de novas oportunidades na remotorização. É por isso que o F115, com a sua suave e potente performance e a eficiência e economia dos 4-tempos, vai trazer um novo sopro de vida a um número enorme de embarcações antigas – de vários tamanhos e géneros. Adicionalmente aos seus melhoramentos de engenharia,

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o novo F115 beneficia de outros avanços recentes electrónicos e tecnológicos Yamaha: • O opcional Sistema Digital em Rede, que traz muitas vantagens, tais como a disponibilidade de uma variedade de atractivos e compreensíveis instrumentos multifunções • Ajuste variável das RPM - activado por um simples pressionar do botão – que controla as RPM precisamente em passos de 50RPM entre as 600 e as 1000RPM, para um relaxante passeio • O exclusivo sistema de Protecção Anti-Roubo Yamaha (YCOP), oferecendo a mesma segurança que espera num automóvel – para imobilizar o motor até que pretenda liga-lo de novo, simplesmente pressione o botão no comando remoto • A nova série de hélices em alumínio Talon Series, incorporam um design especial na pá e o sistema único de amortecimento para reduzir a vibração e o ruído, tornando

este novo motor mais silencioso e suave para navegar em todos os sentidos. Com a sua configuração de 4 cilindros em linha, potência muscular e engenharia inovadora, o novo F115 está desenhado para uma vasta gama de embarcações e uma lista de utilizações – trazendo melhoramentos na eficiência no consumo de combustível, suavidade, performance silenciosa para todos os desportos náuticos e passeios de barco, desde os insufláveis às embarcações de apoio. Tal como o recentemente lançado F175, este motor elegante e cheio de estilo é também desenhado num pacote compacto e leve para permitir um excepcional rácio de potência-peso e brilhante performance, acompanhado com a lendária economia e fiabilidade esperadas em cada motor fora de borda Yamaha.


Náutica

Um motor da nova geração, mais elegante

Principais Características do Novo Yamaha F115 - Pesa apenas 173Kg – a melhor performance de potência – peso da sua classe - Motor com 16 válvulas (1,832cc, 4 cilindros com formato em linha com DOHC) - Design de última geração com um novo capot e design elegante - Injecção electrónica de combustível multiponto e controlo por computador ECM - Corpo do acelerado com diâmetro mais largo de 60mm e admissão simplificada - Extrema economia no consumo de combustível – custos de navegação mais baixos e fiabilidade - Design para uma manutenção mais fácil com flange-mounted flywheel e uma bandeja adicional de óleo - O opcional Sistema Digital em Rede – permite os mais recentes instrumentos multifunções - Ajuste variável das RPM – ajusta a velocidade baixa das RPM em passos de 50RPM - Exclusivo sistema imobilizador e de segurança YCOP – para total tranquilidade - No compacto e leve Power Trim&Tilt Yamaha - O limitador do ângulo do tilt está disponível como opcional - Alternador de alta potência de 35A – extra potência para o arranque e para os acessórios - A nova série de hélices em alumínio Talon Series – com redução de ruído e vibração - Disponível hélice de rotação contrária para duplas instalações - Dispositivo para lavagem em água doce – basta ligar uma mangueira e lavar ESPECIFICAÇÕES O novo F115 está disponível nos Concessionários Oficiais Yamaha em Maio 2014.

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Electrónica

Notícias Nautel

GME Introduz Nova Dimensão no Entretenimento e na Segurança a Bordo A Australiana GME, líder em produtos de segurança, comunicação e entretenimento, anuncia para 2014 um novo sistema de entretenimento multimédia marítimo (G-DEK) com novas colunas de som, o novo SoundSafe com novas funcionalidades com relação à primeira edição no ano passado, e a Lanterna de emergência multiusos.

Sistema de áudio/vídeo G-Dek O G-Dek é um sistema que contém uma componente de controlo remoto por fios, incluindo uma cabeça de controlo e uma central multimédia. Está disponível em preto ou branco e é perfeito para um vasto número de embarcações. A unidade de controle pode facilmente estar inclinada ou embutida em qualquer superfície plana. A unidade de controle do G-Dek é completamente selada e impermeável, conforme a norma IPX7. A central multimédia, que reproduz vídeo e áudio, contém um poderoso amplificador de 4x45W com várias portas de entrada, tais como: leitor SD card, USB, stereo Jack 3.5mm, linha de entrada RCA e conectores de 30 pin para iPhone, iTouch ou iPod. Complementarmente, foram lançadas as novas

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colunas ES5 e ES6. ET 100 Lanterna de Emergência Multiusos Para além de ser uma lanterna, a ET100 contém um abridor de latas, que funciona como também faca, uma bússola, um apito, um sinal de espelho (heliógrafo) e também um cabo para carregar outros aparelhos com saída USB, nomeadamente telemóveis. O abridor de garrafas está moldado á base da tocha. Daí a designação de produto multiusos. Este modelo resolve a questão do gastar das pilhas nas lanternas tradicionais. Ou seja, às vezes quando a lanterna é mais precisa, por exemplo numa emergência, as pilhas consumiram-se e não há recurso. Esta funcionalidade única é o “Twist to Charge” (torcer para carregar),

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assegurando que o utilizador não necessitaria de comprar novamente pilhas para a sua lanterna tradicional, pois a unidade tem bateria recarregável incorporada. O utilizador também pode carregar a ET100 via USB, utilizando para esse efeito o cabo incluído e armazenado no corpo da própria tocha. SoundSafe Plus Caixa estanque com audio, para smartphones, iPod etc com comando externo Hoje, a maioria dos consumidores é inseparável do telemóvel, Smartphone, iPhone, iPod ou MP3 etc. Literalmente, quer-se levá-los sempre para onde se queira ir, seja praia, rio, lagoas, floresta, ou barco, e todas as outras atividades do ar livre. É claro que os maiores receios é que se molhem e estraguem os nossos pertences, caindo à água, ou apanhando areia ou poeiras. A GME acaba de lançar uma nova

versão da caixa SoundSafe, o Plus, a caixa estanque e flutuante, que não só é o antídoto para essas situações de risco como permite agora comandar algumas funções desde o exterior. A SoundSafe é um caixa parecida a uma carteira, robusta, flutuante, e impermeável, que incorpora um amplificador de áudio e alto-falante, que facilmente se conecta a qualquer tomada de auscultadores de 3,5 mm, habitual hoje em quase todos dos dispositivos acima referidos. A unidade tem um pequeno cabo interno para essa ligação. Assim, não importa se em lazer ou trabalho, o seu dispositivo ficará totalmente protegido do ambiente externo. A novidade na versão deste ano é o interface que permite fazer “Play”, “Pause”, “Advance”, “Rewind” no controlo da musica, sem ter que tirar o smartphone ou equivalente, de dentro da caixa. Ver mais em www.nautel.pt. Nautel-Sistemas Eletrónicos Lda Tel.: 213 007 030 Geral@nautel.pt


Náutica

Notícias Honda

GROW é o Novo Distrubuidor dos Produtos Força da Honda em Portugal A Honda Motor Co., nomeou recentemente para Portugal uma nova empresa, nacional e independente, com a responsabilidade da distribuição dos Produtos Força Honda (Agro-Jardim e Marine).

A

partir do dia 1 de Janeiro de 2014 os produtos Honda, desta área de negócio, serão exclusivamente comercializados pela empresa GROW Produtos de Força Portugal. Esta nova empresa será liderada pelo Dr. António Gaspar, que com uma vasta experiência nos negócios da Honda em Portugal manterá, na nova estrutura, a mesma equipa de profissionais que transitam da Honda para esta nova empresa beneficiando assim da experiência e competências da operacionalidade existente até ao momento. A Grow tem como objectivos estratégicos assegurar a continuidade do modelo de negócio existente em Portugal garantindo elevada eficiência, procurando, sempre, aumentar

o grau de satisfação dos clientes da marca e consolidar a sua presença no mercado português. A Grow ficará sediada nas actuais instalações da Honda, na Abrunheira – Sintra, terá um capital social de 1.000.000€ e contará nos seus quadros com 10 colaboradores. Endereço de e-mail para contacto: geral@grow.com.pt

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Náutica

Novo Capelli Apnea 51

O Sonho de Qualquer Amante da Pesca em Apneia Depois dos triunfos de Jody Lot nas competições internacionais de pesca em apneia, Cantieri Capelli apresenta para a temporada 2014, o semi-rígido dedicado aos amantes da modalidade.

Capelli Apnea 51

A

marca, muito conhecida pela qualidade dos materiais e personalização das embarcações, foi apoiada na criação deste modelo por uma equipa de profissionais, constituida por M. Pisello e R. Martani, de modo a criar uma embarcação com todos os acessórios necessários à prática da modalidade, em segurança. A unidade foi reforçada ao nível dos flutuadores com bandas de apoio à subida, junto da consola, que não só facilitam a subida, como também protegem o flutuador do desgaste. Várias pegas vermelhas de borracha foram estrategicamente posicionadas nas zonas de frequente encosto, garantindo que o pescador aproveita ao máximo todas as potencialidades da embarcação, quer em ação, quer durante a navegação. A embarcação é dotada de uma 24

consola relativamente alta, para condução de pé, que está equipada com um corrimão em aço inox e um suporte para bandeira. Junto à consola, encontra-se um compartimento em fibra de vidro para colocação da arma e equipamento de pesca. Na proa existe um prático sistema de fixação, com cintas e anéis, para o recipiente porta chumbos e para uma geleira (opcional), que pode ser colocada em frente à consola. Ainda à proa, a embarcação apresenta uma ponteira de proa em fibra de vidro que é completada por uma roldana e um cunho. As cores escolhidas para o APNEA 51 são o cinza com detalhes em vermelho e os flutuadores são em Neoprene-Hypalon ORCA PENNEL & FLIPO® 1100 dtex. Esta embarcação, inclui portanto, todas as caracteristícas de desing e qualidade que a marca Italiana oferece nas suas embarcações,

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e um conjunto de equipamentos específicos para a pesca submarina, que mais nenhuma embarcação no mundo tem.

A embarcação será brevemente testada pelo Campeão Mundial de Pesca Submarina, Jody Lot, e posteriormente será marcado um teste

Geleira


Náutica

Sobre Jody Lot F

ilho de mãe holandesa e pai indonésio, Jody Lot nasceu em Lagos há 30 anos e mergulhou pela primeira vez aos 7 anos, incentivado pelo pai, e foi nessa altura que nasceu a sua paixão pelo mar. Aos 12 anos, o pai ofereceulhe um fato e a partir dessa data passava os dias dentro de água. No ano 2011, Jody Lot venceu o Campeonato Euro-Africano de pesca submarina e em 2012 chegou ao ouro Mundial, a bordo do seu semi-rígido da marca Capelli equipado por um motor Yamaha F115.

Balde para acessórios para a imprensa.

diversos setores.

Sobre o Grupo Angel Pilot O Grupo Angel Pilot é uma organização que se dedica à comercialização, importação e exportação de equipamentos lazer, com sede social no Algarve. A organização inclui três empresas totalmente lideradas pela família Balzer através de uma filosofia de gestão que combina as características da empresa familiar, com a estrutura e capacidade resposta de uma empresa líder de mercado em

Filosofia Oferecer a todos os clientes experiências, através do fornecimento dos mais diversosequipamentos de lazer e acompanhamento dos clientes durante a sua utilização, fornecendo informação, produtos complementares e, o mais importante, assistência especializada. Para mais informações Alessandro Balzer +351 917 999 870 a.balzer@hotmail.com

Dados Técnicos: Comprimento: 5,05 Boca: 2,33 m Lotação: 9 Potência máxima: 110 HP Peso a seco: 360 kg Flutuador: Neoprene Hypalon 1100 dtex Diâmetro flutuador: 0,53 mt Certificação: C

Caixa para as armas

O Capelli Apnea 51 está equipado para a pesca submarina

Consola alta para a condução de pé

Equipamento Standard: Almofada assento de popa Consola Painel de instrumentos elétrico e ficha 12v Para-brisas Corrimão em aço inox Mastro bandeira em inox Depósito Gasolina 53l Luzes de navegação Porta Armas Pagaias Anéis de fixação para o equipamento Reforço antiderrapante e de tecido emborrachado no flutuador Compartimento para âncora Compartimento de proa Bomba de água Parafusos de olhal Equipamento Opcional Almofadas solário de proa Duche Roll Bar em inox Bimini

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Náutica

Teste Marian 560 Sport Fisher com Yamaha F60

Texto e Fotografia Antero dos Santos

Pescador Cabinado e Económico

Marian 560 Sport Fisher

Criado para proteger os pescadores no Inverno e durante as nortadas, a Marian Boats tem na sua gama 2014 o modelo 560 Fisher, um barco com cabina de pilotagem que estava equipado com um motor fora de borda Yamaha F60, quando o testámos na foz do Tejo, formando com este motor um interessante e económico conjunto no preço.

O

teste foi efectuado a partir da Marina de Oeiras, a convite da Yamaha Motor Portugal e da Marian Boats, estaleiro da Fgueira da Foz concessionário Yamaha. No dia do teste, o mar na foz do Tejo estava com vento e o mar um pouco encrespado, condições excelentes para testar o Marian Sport Fisher e comprovar o bom desempenho do barco. Os Marian são embarcações 26

construídas, tanto para os pescadores como para a utilização familiar, para navegarem no mar. Por isso, os cascos têm uma forma adequada para esta navegação e o estaleiro desenvolve uma construção robusta. O Marian 560 Sport Fisher é um pequeno pescador com cabina O Marian 560 Fisher é um barco com apenas 5,60 metros de comprimento, que parece muito maior. Tem uma cabina de pi-

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lotagem com portas de correr, para permitir um confortável abrigo do vento e da chuva e oferecer espaço numa cabina à frente para duas pessoas pernoitarem. A forma alongada para trás do tecto da cabina, confere uma nota de elegância ao barco O poço é amplo e está bem adaptado para os pescadores, com guarnição em madeira na borda. No interior existem também prateleiras para arrumar apetrechos de pesca. A altura do poço à borda é de 71cm e é

suficientemente segura. Junto à popa existe um banco duplo almofadado e com encosto que é feito no contramolde da coberta. Sob este banco existe um grande porão para guardar a palamenta e equipamentos. De cada lado do motor existem pequenas plataformas com corrimão em aço inox. A passagem para frente, ao lado da cabina é suficiente larga para se passar com segurança, pois tem um varandim até à proa e um corrimão em aço inox no tecto da cabina.


Náutica

O barco tem um casco que descola bem da água com pouca potência

O posto de comando

A proa termina num pequeno púlpito, onde se encontra uma roldana, o porão para o ferro e dois cunhos de amarração. O convés tem um rebaixo à volta para o escoamento da água, desde a proa até à cabina. A cabina de pilotagem é ampla, tem 1,78 metros de pé direito e oferece ao piloto uma boa posição de condução, com muito boa visibilidade. O piloto tem um banco confortável para se sentar, o qual se pode regular e dispõe de

O Marian 560 Sport Fisher estava equipado com o Yamaha F60 2014 Fevereiro 326

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Náutica

O Marian 560 Sport Fisher tem um casco que deflecte bem a água para trás e não molhou o pára-brisas apoio para os pés, em aço inox e com madeira, permitindo boa acessibilidade aos comandos e ao volante do tipo roda de leme. A cabina à frente tem uma porta em acrílico com uma tampa. À entrada o pé direito é de 1,38 metros, dando perfeita-

mente para uma pessoa estar lá dentro sentada. Os bancos em V com almofadas, podemse converter numa cama com 1,90 x 1,66 metros. No tecto existe um alboi para arejamento e iluminação do interior. Motor Yamaha F60

O motor montado era o Yamaha F60, de 4 tempos, com 4 cilindros em linha, 996 cm3 de cilindrada e a potência de 60 HP. É um motor que incorpora as mais recentes tecnologias da Yamaha, aplicadas em motores de maior potência. O Yamaha F60 tem injec-

O Marian 560 Sport Fisher parece um barco maior 28

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ção electrónica de combustível (EFI) que optimiza o consumo e um micro-computador que controla a injecção, a ignição e o funcionamento do motor com sistemas de alerta da baixa pressão e limitador de sobrerotações. O motor tem arranque mais fácil, com o sistema “prime start”, com o simples rodar da chave. O “power trim e tilt” com grande amplitrude, tem o botão


Náutica

A cabina de Pilotagem tem porta de correr

A cabina de pilotagem é ampla

nos comandos. O motor tem um sistema de ajuste vatriável de rotações que se utiliza na pesca ao corrico e em velocidades baixas. O F60 é compatível com os manómetros digitais em rede da Yamaha. Este modelo tem igualmente o sistema de segurança imobilizador Yamaha (Y-COP) Para se navegar tranquilamente perto da margem, o Yamaha F60 tem o sistema de navegação em águas pouco profundas. Existe também um dispositivo de lavagem do motor com água doce. No teste O Marian 560 Sport Fisher mostrou a vantagem da cabina Sentados comodamente com os pés bem apoiados, arrancámos com o mar um pouco mexido e com ondulação. Em 1,98 segundos estávamos a planar

O poço tem um banco integrado junto à popa 2014 Fevereiro 326

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Náutica

O Marian 560 Sport Fisher teve um bom desempenho em velocidade de cruzeiro a 20 nós e no teste de aceleração até às 5.000 rpm, em 9,30 segundos chegámos aos 22,5 nós. Com o barco no mínimo de velocidade a planar, verificámos que se mantinha nos 10 nós às 3.300 rpm. Estas performances mostraram que o barco tem o casco com um V evolutivo e é semiplanante, apoiando-se bem atrás na água, facilitando a descolagem. Com este tipo de

casco o Marian Sport Fisher não necessita de elevadas potências. No máximo de aceleração, o motor não passou das 5.500 rpm e o barco fez 25 nós de velocidade máxima. Com outro hélice poderia dar um pouco mais, mas este barco não é para velocidades altas e consideramos que as 5.500 rpm estão dentro das especificações do motor.

A cabina à frente tem ientrada de luz e de ar O casco, dispondo de planos de estabilidade laterais que se desenvolvem bem até à popa e com um V acentuado, cortava a água com suavidade, permitindo velocidades contra o mar nas 5.000 rpm a fazer 22/23 nós e curvar com segurança adornando um pouco. Em velocidade de cruzeiro com o motor a uma rotação económica de 4.500 rpm, o barco navegou a uma boa velocidade a 20 nós. Verificámos também que o

casco deflecte a água atrás e só com o vento salpicava a coberta, mas dentro da cabina, o vento e os salpicos do mar não entraram Para finalizar, consideramos que o Marian 560 Sport Fisher apresenta bons acabamentos, é um barco que serve muito bem, com a sua cabina de pilotagem, para proteger os pescadores do frio, do vento e da chuva e está equipado para servir também bem para os passeios de família.

Características Técnicas Comprimento

5,60 m

Boca

2,27 m

Lotação

5

Potência máxima

115 HP

Motor

Yamaha F60

Preço barco/motor C/IVA

24.990 e

Performances Compartimento para arrumação sob o banco de popa

A proa termina num púlpito com roldana e porão para o ferro 30

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Tempo planar

1,98 seg.

Aceleração 5.000 rpm

22,5 nós 9,30 seg.

Velocidade máxima

25 nós 5.500 rpm

Mínimo a planar

10 nós 3.300 rpm

Velocidade cruzeiro

20 nós 4.500 rpm

3.500 rpm

12 nós

4.000 rpm

15,5 nós

4.500 rpm

20 nós

5.000 rpm

23,3 nós

5.500 rpm

25 nós

Construtor / Importador Marian Boats Rua António Pestana Rato – Edifício KPM – Apartado 44 3080-014 Figueira da Foz Tel.: 233 420 125 Fax: 233 422 597 Telm: 91 723 45 20 www.marianboats.pt Yamaha Motor Portugal Rua Alfredo da Silva, nº 10 2610-016 Alfragide Tel.: 12 47 22 100 Fax: 21 47 22 199 www.yamaha-motor.pt


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Electrónica

novidades Nautiradar

Fusion Electronics

Nova Dimensão do Entretenimento a Bordo No Portefólio da Nautiradar Qual o segredo da atual Fusion Electronics? De acordo com Peter Maire: “Há que partir da premissa de que o tempo passado dentro de um barco deve ser um tempo de qualidade e entretenimento”.

E

o fator entretenimento é levado muito a sério por este fabricante bem como a reação e as opiniões dos clientes. Tem sido um desafio para os fabricantes de sistemas de entretenimento a bordo ultrapassar os danos provocados pela água salgada nos circuitos sofisticados dos rádios. A Fusion Electronics fundada em 1998, que numa primeira fase desenvolve rádios para os automóveis, foi adquirida em 2005 por Peter Maire que rapidamente identifica a falta no mercado dum produto á prova de água, resistente ao choque e tecnologicamente adequado ao meio marítimo. Continua a fabricar rádios para automóveis mas em 2009 diversificou para o setor marítimo e segundo Matthew Forbes Director da filial europeia sediada no Reino Unido: “Quando em 2009 no Salão de Paris visitei um iate italiano cujo valor era de 1/2 milhão de euros, constatei que e o radio instalado no mesmo era um modelo standard vocacionado para automóvel no valor de 70 euros e com um sistema de colunas de 40 euros, nada preparados para o meio marítimo. Este episódio demonstra claramente a falha que havia no mercado”. A Fusion constrói em 2007 o seu primeiro chassis para rádio completamente marinisado e con32

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cebeu todos os componente no seu interior. O resultado é uma gama de produtos que estão atualmente estabelecidos no mercado mundial. Destacamos a premidada Série Fusion 700 lançada em 2011 e considerada o sistema de entretenimento a bordo mais avançado do mercado. Estes equipamentos podem podem ser tocados com os dedos húmidos, controlados á distância com sistemas remotos colocados no painel de popa, controlados a partir do telemóvel, tablet ou mesmo a partir do display multifunções touch screen instalado a bordo. Esta conectividade possível com o Fusion-Link, é total entre os equipamentos portáteis e fixos e os principais fabricantes de eletrónica marítima já possuem o interface que permite o controlo dos equipamentos de entretenimento da Fusion a partir dos seus displays multifunções. Vivemos num mundo cada vez mais portátil, os nossos smartphones e tablets podem ser ligados a


Electrónica

todo o tipo de hardware e por isso mesmo foi um ponto chave para a Fusion. O sucesso é de tal ordem que os estaleiros como Sunseeker, Princess, Bavaria, Fairline, Regal entre outros, já tem estes equipamentos de base para os seus modelos mais recentes. Sobre a Fusion Electronics Opera ao nível global em três segmentos do mercado, Automóvel, Maritimo e Lifestyle sendo o Marítimo o segmento principal do negócio. Com quatro subsidiarias, designadamente na América, Europa, Austrália e Nova Zelândia, e a expandir para a Ásia. Mantêm contacto permanente com os clientes para ouvir as suas ideias e sugestões. O futuro passa pelo desenvolvimento de equipamentos cada vez mais pequenos, que podem ser instalados em espaços exíguos e que gastem pouca energia. Gamas de produtos: Séries 700, 600, 200 e 50 Sistemas remotos Sistemas Docking Colunas e Subwoofers Amplificadores Outro mercado importante e com grande potencial para este fabricante é o do caravanismo e estão contemplados no seu programa de desenvolvimento produtos para o mercado do outdoor. Para todas as informações adicionais contacte a Nautiradar www.nautiradar.pt

O Catálogo da Raymarine para 2014 Já está disponível em http://nautiradarraymarine.weebly.com/novo-catalogo-2014.html

Raymarine Apresenta Guia de Produtos de Eletrónica Maritima 2014

T

rês vectores têm pautado a estratégia da Raymarine, que está com a Nautiradar há 15 anos em Portugal. Inovação – A Raymarine orgulha-se de ser um especialista em eletrónica marítima. A dedicação ao desenvolvimento de tecnologia líder de mercado é incomparável. Características inovadoras, desempenho de precisão, simplicidade operacional. Qualidade – Os produtos da Raymarine são construídos para suportar um uso prolongado nas mais variadas condições marítimas. Os produtos cumprem com os critérios exigentes de robustez e fiabilidade. Milhares de horas são dispendidas em testes no mar para que os produtos da Raymarine possam atingir os mais elevados padrões. Confiança – Um dia passado à vela, na canoagem, num torneio de pesca, num cruzeiro costeiro, numa regata oceânica ou simplesmente um apelo do mar aberto, a rede a nível mundial da Raymarine está sempre perto dos seus clientes. Índice do Catálogo disponível online Série-a Displays Multifunções Multi-Toque 8 Série-e e Série-c Displays Multifunções HybridTouch e Não Tácteis 14 Série-gS Displays Multifunção Glass Bridge 20 Interface Universal de Motor e Controlo 22 Radar Antenas Abertas e de Radome 26 Sondas Sonda CHIRP e Digital 32 Pilotos Automáticos Evolution 38 Instrumentos Instrumentos Com e Sem Fios 44 Visão Noturna Térmica Câmaras Térmicas Portáteis e Fixas 48 Recetores e Transcetores de AIS 50 Comunicações Rádios de VHF Modulares e de Montagem Fixa 51 Câmaras de Vídeo Câmaras de Vídeo Interiores e Exteriores 52 Antenas de TV por Satélite Para todas as informações adicionais contacte a Nautiradar

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Notícias do Mar

Ambiente

Projecto de Investigação dos Golfinhos no Tejo

Golfinhos roazes no Sado Um novo projecto desenvolvido pela Escola do Mar vai investigar se a presença de golfinhos no Tejo é um fenómeno novo ou se o regresso deste cetáceo se deve à melhoria da água do rio.

O

projecto “Golfinhos do Tejo” Trata-se de uma iniciativa da Escola de Mar que pretende determinar se as incursões recentes de golfinhos-comuns Delphinus delphis e golfinhos roazes Tursiops truncatus no Tejo são um fenómeno novo ou se representam o regresso destas espécies 34

a um estuário que desfrutaram no passado. O projecto “Golfinhos do Tejo” “tem como principais objectivos a obtenção de informação relevante sobre a presença de várias espécies de golfinhos no Tejo e a evolução da qualidade do ecossistema estuarino, num contexto espaço-temporal alargado, pretendendo-se tam-

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Os golfinhos estão a ser estudados ao longo da costa de Cascais


Notícias do Mar

bém promover a sensibilidade ambiental sobre a conservação do meio estuarino e marinho. Levado a cabo em parceria com o Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e os Municípios de Cascais e Almada, o projecto envolve a realização de saídas de campo na área de costa entre os Cabos da Roca e Espichel e com especial ênfase no estuário do Tejo, e ainda uma análise de literatura antiga. Esta pesquisa literária permitirá determinar se, em tempos idos, foram vistos golfinhos na área de estudo em geral e no Tejo em particular e, em caso afirmativo, se os animais aí residiam ou se apenas a visitavam  Isto permitirá perceber se os golfinhos que têm aparecido nestas águas nos últimos anos estão reocupar uma zona que já era habitada por antepassados ou se a sua presença é uma resposta ao aumento da abundância de presas que resulta da recente melhoria da qualidade da água. A Escola de Mar A Escola de Mar tem quatro áreas principais de actuação: investigação científica, educação ambiental, formação avançada e edições. É uma iniciativa individual, privada, vocacionada para o estudo, a investigação, a aprendizagem, a consciencialização e a divulgação de conhecimentos sobre o meio marinho e a interface terra/mar. As linhas de orientação da Escola de Mar baseiam-se nos seguintes objectivos: 1 – Obter conhecimentos sobre os animais marinhos e os ecossistemas onde se inserem; 2 -  Aproximar crianças e jovens ao meio marinho em todas as suas vertentes; 3 - Estabelecer políticas de conservação e uma divulgação fundamentada e atualizada sobre os assuntos de meio marinho; 4 - Estimular o espírito criativo sobre a presença e importância do mar nas sociedades humanas ao longo do tempo; 5 - Aumentar a consciencialização das pessoas para a importância das zonas protegidas e para a conservação do mar e do meio ambiente.

Golfinhos fotografados pela Escola de Mar Num domínio técnico-científico e histórico-cultural sobre o mar,a Escola de Mar juntou às artes plásticas e letras, o meio ambiente, a biologia, o mergulho, a história e a conservação dos ecossistemas marinhos. Esta é uma iniciativa diversificada e de carácter inter e multidisciplinar, na qual todas as actividades realizadas estão sempre de alguma forma ligadas ao mar.  Nesta iniciativa estão envolvidos profissionais de diversas áreas de formação e com distintas valências. biólogos, geólogos, estatísticos, professores, historiadores, informáticos, es-

Golfinhos em estudo para o projecto Golfinhos no Tejo critores, artistas plásticos, marinheiros e mergulhadores são

algumas das pessoas que se dedicam à Escola de Mar.

Fotografias para o projecto da Escola de Mar 2014 Fevereiro 326

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Notícias do Mar

Conhecer e Viajar pelo Tejo

Entrevista Carlos Salgado

O Tejo, o Nosso Maior rio e a Água Disponível Face às Alterações Climáticas Quando convidei o Eng.º Eugénio Sequeira, Investigador Coordenador, professor convidado, especialista em solos, no combate à Desertificação e membro da Liga da Protecção da Natureza, a minha intenção era fazer-lhe uma entrevista mas, quando lhe sugeri um tema que era bastante abrangente ele disse-me: afinal o que o Carlos pretende é um “ artigo ”. Assim aconteceu e ainda bem, pois este artigo transcende o meu objectivo.

Eng.º Eugénio Menezes de Sequeira

“Quando o Tejo passa algo acontece sempre, porque um rio tem as suas glórias e os seus dramas Como os homens um rio vive, respira, trabalha, constrói e destrói. Também os homens. Mas os homens amam e apaixonam-se” Alves Redol

Fig. 1- Imagem do Google do Local onde se instalaram as infra-estruturas da Plataforma Logística. Repare os solos com “rampas” circulares, as zonas regadas 36

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O

Tejo é o nosso maior rio, mas temos que contar que a água é compartilhada com Espanha. Portanto o rio que nos

chega depois de passar pelas albufeiras de Espanha e Portugal (Santos, & Miranda eds., 2006) é apenas, em média 20% da água que escoaria sem os usos que portugueses e espanhóis lhe dão. De facto Espanha tem uma capacidade de armazenamento de 11.140 hm3, enquanto Portugal tem apenas 2.750 hm3. E o escoamento na foz ser de 10.000 a 12.000 hm3. Este panorama tende a agravarse face às alterações climáticas, que causam aumento da temperatura, portanto mais evaporação, maior consumo doméstico e para rega, e menor chuva na maioria dos modelos. Esta redução dos caudais do nosso maior rio que poderá ser agravada em bem mais de 40% (segundo a previsão Hadley Center HadCM3 – A2c - Santos, & Miranda eds., 2006). Esta situação é agravada pela prática de transvases da água do Tejo para o Segura e para o Guadiana, prevista no Plano Hidrológico Espanhol (Leandro del Moral, 2013). De facto quer os usos no Segura, quer a situação das Tablas de Daimiel, zona húmida classificada, na nascente do Guadiana, já muito degradada, forçam Espanha a aumentar os transvazes o que irá

Fig. 2- Estufas e zonas regadas em solos arenosos muito perto de Alcochete, e do Montijo, das melhores zonas hortícolas do pais, postas em risco pela Ponte Vasco da Gama e proposta de novo aeroporto e a urbanização decorrente


Notícias do Mar

agravar a situação do Tejo em Portugal, em especial em períodos de seca. Estes dois factos, alterações climáticas, transvases e rega motivam uma redução de caudais que causará problemas quanto à cunha salina ao longo do rio Tejo e que poderá com maior frequência causar problemas na captação de água de Valada do Ribatejo, em especial nas maiores marés, como aconteceu na seca de 2004, 2005, obrigando à montagem d uma barragem de Plástico para salvaguardar a qualidade da água da captação. Repare-se que as duas maiores fontes da EPAL, para abastecimento domestico são o Castelo de Bode e Valada do Tejo, os furos nas Lezírias, ficando de fora da influência directa do ejo as nascentes do Alviela (Olhos de Água) e os oços da OTA e de Alenquer. Agravará também o risco de intrusão salina nos aquíferos do Tejo, quer no aquífero da margem “esquerda do Tejo” (a maior reserva de água de Portugal), quer das “aluviões do Tejo”, quer do aquífero da margem “direita do Tejo”. Repare-se que as Povoações da Península de Setúbal são abastecidas em mais de 80% da água deste aquífero. De facto, a bacia do Tejo satisfaz as necessidades de cerca de 223 hm3, para abastecimento público, 147 hm3, para a indústria, cerca de 2.655 hm3 para reg (como nas ouras bacias cerca de 7%) e cerca de 17. 000 de escoamento

Fig 3 – Imagem de algumas aves que poderá ver nos observatórios do EVOA na foz. É o maior rio, com a maior área de aluviões e de solos de altíssima qualidade, (Fluvissolos muito férteis, a maioria regado sem necessidade de grandes obras hidráulicas), tal como se reflecte na publicação “Agricultura, Silvicultura e Pesca. Indicadores - Gabinete de Planeamento e Políticas 2012 MAP e se verifica pela agricultura na Lezíria fig 1 e de solos de areia fig 2 com elevada produção agrícola e hortícola, tudo posto em risco pelas

urbanizações, “plataformas logísticas”, etc. A água que chega ao mar é vital para a saúde do Estuário, uma área de transição para os recursos marinhos, viveiro das espécies estuarinas e costeiras, que se reflecte de forma visível com o facto de após os tratamentos dos efluentes domésticos termos voltado e ter golfinhos no Tejo de forma mais frequente (Público de 24-01-2014) e no desenvolvimento do Espaço de Visitação e Observação de Aves

(EVOA) perto da Ponta da Erva em Vila Franca de Xira Fig 3, e nas aves que pode ver no lindíssimo Estuário de Tejo Fig 4. Lembre-se que o Estuário do Tejo é o décimo mais importante na Europa. Sem essa água de qualidade, que está a ser posta em causa com as alterações climáticas, com o uso desenfreado da água em Espanha e em Portugal não teremos agricultura, pesca nem turismo nem qualidade de vida. Eugénio Menezes de Sequeira

Fig 4- Estuário do Tejo Sapal que funciona como infantário para as espécies e como purificador da água que chega ao mar 2014 Fevereiro 326

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Notícias do Mar

Conhecer e Viajar pelo Tejo

Crónica Carlos Salgado

O Verde Perverso do Vale do Tejo e Não só!

Ao terminar a minha crónica do mês passado chamei a atenção para o seguinte: » O homem não pode ignorar que todo o mal que fizer à floresta e aos campos é-lhe devolvido na água dos rios. Tivemos recentemente uma prova disso quando as águas das recentes enxurradas vinham super carregadas de cinzas e de outros detritos que foram causados pelos fogos «

É

Fig. 1 – Os Eucaliptos com as suas raízes perfurantes.

na sequência desse meu comentário que resolvi abordar o tema da minha crónica deste mês que intitulei de “ VERDE PERVERSO do Vale do Tejo e não só!”, para referir-me a uma espécie arbórea não autóctone, considerada exótica por aqueles que têm interesses económicos na sua exploração, mas trata-se afinal de uma espécie nociva aos solos por onde a sua propagação está a acontecer em larga escala. Ela suga a água e os nutrientes dos solos, não faz revessa 38

ao vento nem à chuva e contribui para acelerar a erosão dos solos e a sua desertificação. Para além disso, como é plantada com intervalos estreitos, e é bastante comburente, isso torna-a na maior propagadora dos fogos florestais. A extensão descontrolada da sua plantação, com a conivência dos governos, está a invadir e a ocupar, cada vez mais, as terras que eram de pão, de azeite, de cortiça, de resina e de madeira nobre. Estou obviamente a referir-me

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ao eucalipto! Como fui alertado para esta espécie nefasta já há umas décadas, interessei-me pelo assunto e fui lendo as notícias da comunicação social, escutando gente entendida no assunto, e observando no terreno a sua disseminação cada vez maior, o que me levou formar uma opinião desfavorável à expansão desordenada daquela espécie não indígena e a tentar alertar as consciências para as causas nefastas de tal “praga”, enunciando nesta crónica alguns extractos das notícias e opiniões que registei, de uma forma avulsa, sintética e não cronológica: » Também em Portugal esta árvore se comporta como uma espécie invasora embora nenhuma medida de erradicação tenha sido levada a cabo sobretudo devido ao valor económico da espécie « » A legislação de 1988, por exemplo, obriga a que uma área ardida tivesse de ser replantada com a mesma espécie; mas segundo uma lei mais recente, o proprietário de um pinhal destruído por um incêndio pode reocupar esse terreno florestal com a espécie que mais lhe aprouver « » O Estado demitiu-se da sua capacidade reguladora (…) com as facilidades de arborização e rearborização que a proposta de lei concede, permite que se criem manchas contínuas de eucaliptos, o que pode aumentar os riscos de incêndio e comprometer a biodiversidade « » Nos anos 80, o Expresso publicou uma imagem que influenciou até hoje a política florestal e a ideia que os portugueses têm dos eucaliptos, com soldados da GNR a inves-

tirem sobre camponeses em Valpaços, em protesto contra uma nova árvore que lhes iria roubar a água e matar as culturas tradicionais « » Do modo geral, criticam-se os efeitos sobre o solo (empobrecimento e erosão), a água (impacto sobre a humidade do solo, os aquíferos e a baixa biodiversidade observada em monoculturas « » Há mais de dez anos que dizíamos que o eucalipto ia avançar para áreas na ordem de já quase um milhão de hectares, e não andará muito longe disso. » (…) as plantações de eucalipto acarretam impactes ambientais consideráveis sobre o território, nomeadamente uma maior erosão do solo, a alteração do regime hídrico, a perda de biodiversidade e a alteração da paisagem, para além de facilitarem a propagação dos incêndios florestais de forma muito mais significativa do que as florestas constituídas por espécies autóctones « » A plantação indiscriminada de extensas áreas de eucaliptos origina uma redução bastante acentuada da área agrícola, que tem como consequências o desequilíbrio ecológico, o aumento do desemprego, a seca das nascentes de água e o maior isolamento das povoações « » Esta situação adversa deve passar a ser disciplinada, e ser feita em moldes racionais e tendo sempre em conta que a pequena e média propriedade rural deve ser respeitada, fazendo o aproveitamento consciencioso de terrenos incultos, que em Portugal são para cima de meio milhão de hectares « » A desregulação das arbori-


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zações das espécies florestais de crescimento rápido produzidas em regime intensivo, como é o caso dos eucaliptais é preocupante, dado que a sua crescente expansão promove um mau ordenamento do território florestal e favorece a propagação dos incêndios, com graves consequências para a defesa da floresta, e de pessoas e bens « » O Governo aprovou um novo regime de arborização e rearborização para favorecer unicamente as celuloses e a fileira do eucalipto, prejudicando a diversidade da floresta e comprometendo outras fileiras económicas, como o montado de sobro ou o pinho « SE O PAÍS CONTINUAR A PROCEDER DESTA MANEIRA, O QUE É QUE PRETENDE DEIXAR AOS VINDOUROS: RIOS SECOS E TERRA QUEIMADA?

Fig. 2 – Plantações intensivas de eucaliptos e o mapa de Portugal com a propagação dos fogos florestais.

Fig. 3 - Imagens de satélite sobre Portugal e o flagelo dos fogos. 2014 Fevereiro 326

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Pesca Desportiva

Pesca Embarcada

Peixe-galo Guia Prático de Pesca

Texto Adriano Vidal Fotografia: Arquivo/Mundo da Pesca

Provavelmente o mais bonito da pesca ao fundo é o elevado número de espécies que podemos apanhar, desde as mais frequentes às mais coloridas, algumas assustadoras e outras mais complicada de apanhar.

A

pesca a partir de embarcação fundeada – o “pica pica” – garante quase sempre muitas capturas de pequeno e médio porte, mas também há exceções, basta ser paciente. Vamos falar então de uma espécie em que isto se verifica, vamos falar do peixe-galo. 40

Nem todos os peixes do Oceano têm as honras de ter uma lenda, mas este peixe tem, podendo dizer-se que é um peixe com história. Conta-se que, baseando-se no evangelho de São Mateus, as manchas redondas e pretas que tem no seu corpo são as impressões digitais do apóstolo São Pedro. Este,

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por ordem de Deus, apanhou o dito peixe para lhe tirar uma peça de ouro da boca para pagar o tributo de um templo, daí este peixe ter também o nome de peixe de São Pedro, mas que se conhece maiormente como peixe-galo, galo ou alfaquim. Nós não lhe sacamos ouro, mas iremos desfrutar uma vez

na presença deste peixe. Conhecendo o galo Antes de mais convém conhecer este peixe. Devemos conhecer este peixe, os seus hábitos, onde se encontram, do que se alimentam, tamanhos e morfologia do alimento. Quantos mais dados obtivermos,


Pesca Desportiva

amarelas. No centro do seu corpo apresenta uma mancha negra rodeada por círculos brancos e amarelos, realmente curioso e bonito, daí a proveniência da lenda do ouro. Onde vive Ocasionalmente podemos encontrá-lo em fundos com algas a partir dos 30 metros de profundidade, mas é muito mais abundante nos fundos de areia e lameirão com profundidades entre os 70, 100, 200 e até 400 metros, sobretudo se tiver pedra nas imediações. A sua captura é mais frequente no verão e trata-se de uma espécie pouco nadadora, que é o mesmo que dizer que a sua função natação é lenta. Podemos encontrá-lo sozinho ou em cardumes, de até 30 ou mais exemplares, ainda que não seja muito comum, porque quanto mais adultos são mais solitários se tornam. O peixe-galo aproveita a sua morfologia para se aproximar das suas presas sem ser visto e movendo-se com pequenas ondulações das suas barbatanas peitorais. Reproduz-se entre os meses de

novembro e maio. O seu tamanho médio é de 50 centímetros e 2kg de peso mas as fêmeas podem ir por vezes até a uns espetaculares 70 centímetros com mais de 8kg de peso. Aparece em todo o Mediterrâneo, no Mar Negro e no Atlântico Oriental, desde Inglaterra até África do Sul, sendo no entanto mais abundante nos mares a Norte. É capturado profissionalmente com artes de arrasto, redes e aparelhos (palangre). Mas como se pesca à cana, desportivamente? Acerca de pesca desportiva Uma vez com os dados sobre a espécie que queremos capturar vamos centrar-nos naquilo que mais gostamos, a sua pesca. Devemos concentrar-nos a fundo para dar com eles e para que as nossas montagens e iscos sejam do seu agrado. Podemos ferrar alguns exemplares sem ter a mínima ideia de como o conseguimos mas isso será fruto do acaso, mas aquilo que queremos é saber exatamente o que andamos a fazer e porque razão conseguimos apanhá-los. Este

A carne do peixe-galo é um verdadeiro manjar dos mares mais informados e bem preparados estaremos. Estudar o peixe que queremos apanhar é importantíssimo e isso vai notar-se no resultado de uma pescaria. Saber mais sobre um peixe é “estar mais próximo” dele. A espécie O peixe-galo ou alfaquim, como também é conhecido em algumas zonas do País, apresenta um corpo ovalado, bastante comprimido lateralmente, coberto de pequenas

escamas. A sua cabeça é grande, tal como a sua boca que está colocada de forma inclinada. Os seus olhos são relativamente grandes e salientes. Tanto as suas barbatanas dorsais como a anal apresentam placas ósseas pujantes. As barbatanas peitorais são pequenas e encontram-se por detrás das pélvicas. A sua barbatana caudal também é pequena e tem uma forma arredondada. A sua coloração é cinza e prateado, com tonalidades acastanhadas e pequenas nuances

Quando não há camarão pode-se iscar com cefalópedes 2014 Fevereiro 326

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Pesca Desportiva

Por possuir placas ósseas por grande parte do seu corpo e também uma boca dura e robusta, por vezes é difícil que o anzol fique bem cravado, pelo que não é raro perder alguma captura a meio da viagem para cima. A principal razão é não termos ferrado energicamente o peixe quando comia e não por a velocidade de recuperação ser inadequada. Com os exemplares grandes não podemos ir à confiança, sob o risco de os perdermos.

O peixe-galo é um habitante de fundos com pequenos desníveis e algumas pedras peixe é de elevadíssima qualidade gastronómica e a sua carne um verdadeiro manjar dos mares.

Canas As canas a utilizar serão compridas, com comprimentos que vão

Devemos concentrar-nos a fundo para dar com eles e para que as nossas montagens e iscos sejam do seu agrado 42

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de 3,5 a 5 metros para assim se trabalhar a pesca e os peixes de forma mais cómoda, sobretudo as montagens específicas que utilizaremos para apanhar este peixe. Utilizaremos montagens com cerca de quatro metros o que exige uma cana comprida para poder agarrar a chumbada uma vez a pesca recolhida. Isto não quer dizer que com uma cana mais curta não se consiga pescar, mas aí a montagem terá de ser mais curta e por isso menos eficaz. Não é um peixe que exija material de topo, de primeira apanha, mas deverão estar preparados para ferrar exemplares que podem ir à vontade até aos 4kg de peso e ferrados na casa dos 100 metros de profundidade e com carretos de bobine fixa (nada de elétricos), vamos pescar como mandam as regras. É recomendável que sejam canas fabricadas em carbono e melhor se forem de encaixes. Subir a pesca desde os 100 metros faz com que a cana dobre muito e ao longo do dia se force demasiado o material, pelo que se for telescópica não podemos esquecer que não vai resistir tanto ao desgaste como uma cana de encaixes. Carretos Os carretos a usar serão do tamanho 6000 com uma capacidade de linha de 250 metros de 0,35mm, possuir um ratio lento (do tipo 4.1:1, por exemplo), para conseguir uma recuperação lenta mas ao mesmo tempo potente e assim recuperar estes peixes como deve ser, sem presas mas também sem pausas.

Linhas O que é que é melhor? O nylon ou o multifilamento? Como todos sabem a pesca antigamente era feita com uma corda fina atada a uma cana que era em vara de bambu. O Homem vai inventando até que inventa o perfeito e invisível nylon, mas de imediato surge alguém que se lembra de inventar algo melhor, novamente em “corda”, cuja resistência é muito superior ao nylon, mesmo em diâmetros mais finos… surge o multifilamento ou entrançado. O multifilamento ajuda-nos a pescar a maiores profundidades, superiores a 30 metros, onde os toques se fazem notar menos devido à elasticidade que o nylon tradicional possui. Com o multi temos uma maior sensibilidade aos toques, obtendo ferragens mais rápidas e por isso mais capturas. Pode dizer-se que é uma questão de escolha mas sem dúvida que marca a diferença quando pescamos a maiores profundidades. Imprescindível quando se ultrapassam os 50 metros. Obviamente que deve ser acompanhado de uma ponta ou leader de fluorocarbono mediante um nó da nossa confiança, cujo diâmetro esteja compreendido entre o 0,30 e o 0,45mm, dependendo das profundidades. Montagens Aqui entramos numa das partes mais técnicas para pescar o peixe-galo. Devem ser montagens específicas para a sua pesca. Se queremos um peixe em concreto devemos esquecer todos os outros. Tal como referido no capítulo das canas, iremos usar montagens compridas para poder espalhar melhor os estralhos, de maneira a que os mesmos sejam também mais compridos, o que ajudará imenso para que tenhamos mais toques. Estamos a falar de montagens com 2 a 3,5 metros de comprimento, algo incómodo mas esta não é uma pesca para estar sempre a subir e a descer, é uma pesca de espera. É também a causa de termos de pescar com canas mais compridas, que podem ir aos 5 metros, para que possamos trabalhar confortavelmente a montagem depois de recuperada.


Pesca Desportiva

A linha da madre deverá ser feita em 0,35mm para pescar entre os 30 e os 50 metros; de 0,40mm para pescar entre 50 e 120 e de 0,50mm para profundidades maiores. É recomendável que seja feita em fluorocarbono para que se tenha uma madre mais rija e resistente. Uma vez visto o que é necessário para a madre vamos ver os estralhos. É a parte mais delicada pois falamos de um peixe com um corpo e algumas extremidades duras e umas mandíbulas fortes, mas que exige que pesquemos fino. Os exemplares mais comuns andam pelo quilo a 2,5kg, pelo que se usarmos o 0,30 ou 0,35 já estamos a usar um diâmetro que consegue por confortavelmente um peixe destes cá em cima. O fluorocarbono também é a opção, sobretudo para resistir às roçadelas com o seu duro e espinhoso corpo. A união do estralho à madre pode ser feita por cross beads já que não são assim tão fortes para partirem uma destas pérolas por onde passe um 0,40. Desta forma também reduziremos o número de enleios, se bem que com este comprimento de estralho isso é por vezes inevitável. Anzóis O modelo de anzol a usar será o

A linha da madre deverá ser feita em fluorocarbono para que se tenha uma madre mais rija e resistente “chinu”, um anzol de formato clássico, em carbono, pata curta, curvado e com uma ponta afiada quimicamente. O corpo e mandíbulas duros do peixe-galo exigem uma ferragem simples e suave, mas ao

mesmo tempo forte e segura. Para simplificar pode dizer-se que os anzóis que usamos para os pargos, bicas e choupas grandes são os

mesmos para pescar a este peixe. Nunca anzóis de haste comprida já que uma carne tão dura pode fazer com este anzol fique sobre o efeito

Depois de levantado cerca de 20 metros do fundo o peixe-galo começa a vir melhor 2014 Fevereiro 326

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Pesca Desportiva

rápido de colocar no anzol. A sua pesca é também muito eficaz com peixe vivo mas aí já nos estamos a desviar um pouco daquilo que estamos a falar neste artigo: a pesca aos galos com isco morto; são outras canas, outro material, outra pesca. Se o isco eleito for o camarão mas o mesmo acabou, sempre temos a lula, o polvo, o choco fresco, iscos moles, com cheiro e com fama de “letais” para os galos. Também não será nada de novo aquilo que por vezes nos acontece: começar a recuperar a pesca e quando subimos 3 ou 4 metros dos fundo a ponteira mete-se toda dentro de água. É quase de certeza o que procuramos…um peixe-galo.

O carreto com linha multifilamento ajuda-nos a pescar a maiores profundidades de “alavanca” da boca dura e não fique bem ferrado e assim falharemos peixes, perdendo-se mais exemplares na recuperação e combate. Outra questão é se os anzóis devem ou não ser de olhal. Pessoalmente prefiro os sem olhal, mas isso é algo pessoal. Com linhas finas prefiro de longe a segurança dos empates em anzóis de patilha.

Já com linhas mais grossas prefiro o bom empate que os anzóis de olhal proporcionam, sobretudo com o anzol Palomar. Iscos Os iscos a usar são muito variados, desde os “duros” como o caranguejo, navalha e até lapas, passando pelos “moles” como os cefalópo-

des, camarão ou sardinha, até ao mais mortífero de todos eles, mas não emocionante, – o peixe vivo. Pessoalmente prefiro o camarão já que é um isco relativamente barato e que podemos ter sempre congelado em casa sem que perca propriedades, é eficaz para o peixe que andamos atrás e de muitas outras espécies, além de ser fácil e

É nos meses de outono e primavera que encontramos o peixe-galo em maior número e a menor profundidade 44

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Chumbada No que diz respeito à chumbada, a mesma deve ter o formato de bala ou lágrima para que desça como um tiro e assim dar-nos mais hipóteses quando temos os peixes por baixo do barco. No que diz respeito ao peso é melhor começar nos 120 gramas em zonas com pouca profundidade (30 metros), 150 gramas na casa dos 50, 60 ou 70 gramas e até 200 gramas em zonas com 90, 100 e maior profundidade. Seguindo mais ou menos a mesma teoria, devemos aumentar o peso em 30 ou 50 gramas quando as correntes são fortes já que se assim não for a nossa pesca não cai no sítio desejado, no sítio onde a sonda marca o peixe. Com um peso incorreto de chumbada também se tem uma queda mais lenta da chumbada e com muito maior probabilidade de embrulhar com a pesca dos companheiros ou até embrulharmos a nossa própria pesca, mesmo quando montada com cross beads. Com mar forte, com aguagens fortes,


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aquilo a que se chama mar de fundo, é importante pescar com muito peso já que se não fizermos uma pesca completamente parada, na vertical, mais dificilmente daremos com estes peixes. Onde pescar? Fundos: Tal como comentado na introdução da espécie, é um habitante de fundos pouco sujos, que é o mesmo que dizer com pequenos desníveis e algumas pedras que ajudarão a acolher alguns exemplares, mas onde mais provavelmente estarão é em fundos planos, ou com pequenos desníveis, de lameirão, com algas ou simplesmente de areia, até aos 200 metros de profundidade. Dada a sua voracidade, trata-se de uma espécie lenta que pode comer sem problemas em sítios desprovidos de cobertura devido à sua capacidade de se “esconder”. E para isso basta colocarse em posição frontal à sua presa para a caçar bem, aproveitando a sua forma espalmada para não ser visto. Profundidade: No que diz respeito à profundidade pode dizer-se que o podemos encontrar durante todos os meses do ano e em todas as profundidades, mas convém destacar que é nos meses de outono e primavera que os encontraremos em maior número a menor profundidade, chegando a encontrá-los na casa dos 30 metros de profundidade. Há pessoas que no entanto gostam de os procurar a grandes profundidades, no mínimo 100 metros, e outros, como nós, que gostamos de andar ali pela casa dos 70 metros, pescando à manivela, para assim poder desfrutar do combate que oferecem estes peixes. Como disse no capítulo da chumbada, de acordo com a profundidade assim

optaremos pelo peso certo da mesma. Desde os 40 aos 400 metros podemos encontrar o peixe-galo, agora…há que saber onde. O conselho é que nunca se passe dos 100 metros pois é muito mais difícil de darmos com eles. O mar é muito grande e não conseguimos ver debaixo de água sem ser com o auxílio da sonda; se não tivermos pedras marcadas, fortes em galos, teremos de procurar pequenos desníveis que se podem revelar produtivos.

Pastilha elástica Os momentos mais emotivos do combate com um peixe-galo são os primeiros segundos de luta, pois logo que os levantamos 20 metros do fundo rendem-se por completo, sendo um peso quase morto. Se nos primeiros segundos de combate ainda têm força e capacidade para se colocarem de lado para se “colarem” ao fundo, isso desvanece-se logo que a diferença de pressão faz das suas e lhes tira fôlego. Isto nota-se ainda mais em pesqueiros mais fundos, onde um dos sinais evidentes desta explicação é a bexiga-natatória de fora da boca, a chamada “pastilha-elástica”. Um peixe nesta situação nunca mais vai “naturalmente” para o fundo…

O peixe-galo pode atingir o peso de 8 Kg 2014 Fevereiro 326

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A sua pesca é também muito eficaz com peixe vivo Luta: curtas mas potentes nos peixes com maior porte. Apesar de ser um predador nato, a sua natação é lenta o que o obriga a camuflar-se com o fundo até que a sua presa lhe passe à frente. Como todos os

predadores, no momento chave do ataque é rápido, mas depois volta a ser lento e é isso que notaremos com a cana na mão. Não são picadas brutais e secas como as dos pargos, de um dentão ou de mero,

são muito mais suaves e curtas. Uma vez ferrado o peixe, parece não querer descolar do fundo pois coloca-se de lado, aproveitando o corpo espalmado para fazer resistência à subida, tentando cortar a

Sem dúvida o peixe-galo é um peixe com uma pesca bonita e com uma carne ainda melhor. 46

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linha nas pedras e algas. Normalmente, depois de levantado cerca de 20 metros do fundo começa a vir melhor já que o esforço dos primeiros segundos de combate e a diferença de pressão o fazem perder muitas forças, dando-se o peixe por vencido. Quando começa a vir melhor não quer dizer que devamos fechar a embraiagem e recuperar rápido pois pode haver a possibilidade de ser outra “coisa” que não um galo e dar-se uma surpresa, como um bom esparídeo. Temporadas/horas: As melhores alturas para pescar esta espécie são os meses de outono e primavera, mas podem capturar-se em qualquer mês do ano, destacando-se as melhores capturas que se têm feito em novembro, dezembro e janeiro. È importante ter as águas certas, ao gosto deste peixe, que é o mesmo que dizer que devemos procurar águas calmas e tranquilas e isso deve-se à natação lenta deste peixe. Como referi na ficha da espécie, a sua reprodução dá-se entre os meses de novembro e maio e é aí que os teremos mais à nossa mercê. Nestas alturas devemos ter em conta o tamanho da sua barriga pois o peixe deve estar ovado e libertá-lo pode ser uma boa opção.


Pesca Desportiva

Não vale a pena sacrificar um peixe pelos milhares que estão nas suas ovas. No que diz respeito às melhores horas, pode dizer-se que este é um peixe que não conhece horários. É inevitável chegar cedo ao pesqueiro, fundear, preparar tudo calmamente e aproveitar as primeiras horas da manhã, sobretudo as mudanças de luz, mas no que diz respeito aos galos eles funcionam de forma diferente dos outros peixes e caem a qualquer hora, razão para que se formos só a eles podemos sair mais tarde, com sol mais alto. Conclusão Chega assim ao fim este artigo sobre o peixe-galo, um peixe que se pode selecionar e pescar especificamente, se bem que com algumas reservas, que dependem da escolha de um bom pesqueiro de galos. Nessas condições é altura de passar destes ensinamentos teóricos à prática e munirmo-nos de paciência para tentar enganar alguns exemplares. Depois é só apreciar uma das melhores carnes que o mar nos pode oferecer, seja em forma de filetes, à lagareiro, etc. Sem dúvida um peixe com uma pesca bonita e com uma carne ainda melhor.

Uma vez ferrado o peixe, parece não querer descolar do fundo

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Bote Baleeiro Açoreano

Foi Constituída a Associação de Classe

Aguardada por muitos propritários e velejadores dos botes, foi finalmente constiruida no início de Janeiro a Associação de Classe do Bote Baleeiro Açoreano, com o objectivo de melhor preservar este património e promover e regulamentar a prática desportiva.

E

ntendeu o Governo Regional dos Açores iniciar um processo de consulta publica para alteração da legislação regional sobre património baleeiro e dar um maior enfase e apoio ás actividades acessórias possiveis de desenvolver com este património. Esta iniciativa, foi ao encontro do interesse de um grupo de proprietários e praticantes que acreditaram que a constituição de uma associação de classe do bote baleeiro açoreano é fundamental para se implementarem as muitas actividades que se podem desenvolver com este património. Os Botes Baleeiros assumem um papel preponderante na vivên-

cia social dos Açorianos. Para além da sua dimensão histórica, etnográfica e cultural, cuja relevância é por todos partilhada, têm um potencial desportivo que pode ganhar uma importância ainda mais extraordinária daquela que é conhecida hoje. O desenvolvimento da vertente desportiva é, pois, um factor-chave na sustentabilidade e preservação deste fantástico património, recuperado graças à vontade, persistência e incansável trabalho de alguns, e ao enorme investimento público por parte do Governo dos Açores. Para captar o maior número de aderentes a este projecto, os impulsionadores da criação da Associação de Classe do Bote Baleeiro Açoreano, promoveram uma

Transporte dos botes baleeiros no início de uma regata 48

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“consulta pública aberta a todos os interessados” Nesta consulta propõe-se uma reflexão sobre a utilidade contemporânea do Bote Baleeiro, que obrigam a uma actuação nos domínios das políticas e das medidas necessárias à sua preservação, bem como das formas de os tornarmos verdadeiros *veículos de aproximação entre as ilhas, as comunidades e as pessoas*. O Bote Baeeiro Açoreano já tem as Regras da Classe A atividade baleeira nos Açores apresentou largos traços comuns, onde se destacam métodos e técnicas de caça uniformes, em par-

ticular, a utilização de um tipo de embarcação específico: o bote baleeiro açoriano. Inspirados na herança baleeira norte-americana, o bote baleeiro constitui um dos legados mais expressivo da cultura destas ilhas atlânticas. Ao longo dos tempos, os Açorianos produziram um novo modelo de bote, mais comprido, melhor adaptado às condições de navegação em mar aberto e ao género de caça à baleia, costeira e artesanal, que se praticou em todas as ilhas do arquipélago desde os primórdios do séc. XIX. Esta embarcação é o resultado do génio e capacidade inventiva dos antigos construtores navais

A tripulação de um bote baleeiro em regatas são sete elementos


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interesse no plano do património marítimo. O alto valor simbólico, histórico e patrimonial no que concerne ao seu contributo para a coesão entre as ilhas e para a construção de uma identidade comum, associadas ao seu elevado potencial desportivo, apelam a uma reconsideração do seu papel actual enquanto recurso fundamental ao dispor de nova dinâmica social, económica e turística com que os Açores se pretendem afirmar no séc. XXI.

Bote Baleeiro Açoreano em Regata ilhéus, assumindo características singulares e evolutivas, de grande

Pontos Prévios - As Regras de Classe do Bote Baleeiro Açoriano são escritas e aplicáveis a todas provas de competição organizadas pela ACBBA – Associação de Classe do Bote Baleeiro dos Açores. - O objetivo dessas regras é acentuar as suas caraterísticas distintivas, tradicionais, funcionais e construtivas, de forma a manter a sua genuinidade e autenticidade mas também proporcionar o desenvolvimento da classe pelo aumento da frota e do número de praticantes. - Na sua finalidade, referem-se em concreto as regras de construção, os materiais autorizados, o seu aparelho, velas, palamenta e os principais acessórios relacionados

Colocação de um bote baleeiro na água com o Bote Baleeiro Açoriano. - As Regras de Classe representam um consenso de todas as partes interessadas na preservação desta embarcação única (construtores, proprietários e velejadores), contribuindo para preservar o espírito da tradição das ilhas, assim como o património marítimo constituído pelos Botes Baleeiros. - O cumprimento das Regras de Classe é da responsabilidade do proprietário do Bote Baleeiro Açoriano e do seu fabricante. - Estas são Regras de Classe abertas, em que o que não é expressamente proibido é permitido. Certificação do Casco Importantes para a aceitação de um bote baleeiro são as seguintes

regras: - Todos os botes originais ou reconstruções que detenham registo original, classificados pela Comissão do Patrimonio Baleeiro, estão automaticamente certificados. - Todas as réplicas fiéis que respeitam as dimensões, materiais tradicionais e metodos de construção do bote original replicado, sob declaração do construtor ou do seu proprietário, com indicação do nome e conjunto identificativo do bote original, estão automaticamente certificados. No total são setenta e duas regras que o bote baleeiro açoreano tem que cumprir, para ser aceite pela classe e tem que estar também de acordo com os Planos de Construção.

Regata de botes baleeiros nas Lajes

Bote baleeiro Santa Maria 2014 Fevereiro 326

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Náutica

Notícias Boat Center

Boat Center Apresenta Chaparral 203 Vortex Em dezembro passado em Nashville, Geórgia, foi apresentada a mais de 150 dealers da Chaparral Boats a tão esperada linha de jet boat Vortex para 2014 e dada a oportunidade de fazerem o test-drive do 203 Vortex. rine. “O novo jet boat dá-nos um produto muito interessante para entrar num segmento de mercado em crescimento.” - Kurt Backus, Atlanta Marine. “O Chaparral Vortex jet boat elevou a fasquia. O design, o acabamento, a qualidade e a moderna aparência deste barco com os líderes de mercado deste segmento, é como comparar um iPhone com um telefone de disco, não há, de todo, uma possível comparação. A Chaparral fez bem o seu trabalho de casa e definitivamente deu certo “-. Jim Barach, Hern Marine. O 203 Vortex vai chegar aos Boat Shows de referência a partir de janeiro de 2014

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Chaparral 203 Vortex

gendado para se estrear em 15 Boat Shows no início de 2014, o recém-nascido 203 Vortex é o modelo de entrada de uma série de três barcos que também irá incluir o 223 Vortex e o 243 Vortex. Com novos e ousados grafismos, um layout inovador e versátil, e o novo sistema de propulsão que o completa, comprovado ao longo dos tempos pelo líder mundial em desenvolvimento e fabrico de motores de turbina - a Rotax, o 203 Vortex é versátil o suficiente tanto para os iniciados como para os nautas já experientes. “A introdução dos nossos jet boats Vortex dá-nos uma das mais diversificadas e completas linhas de produtos da indústria naval”, disse Jim Lane, presidente da companhia. “Sentimos que a nossa parceria com a Bombardier Recreational Products (BRP), fornecedor do motor Rotax, será uma combinação vencedora deste segmento em crescimento rápido” “Tínhamos grandes esperanças para o novo 203 Vortex e a 50

reação da nossa rede de dealers excedeu todas as nossas expectativas “, disse o fundador da empresa Buck Pegg sobre a implantação inicial. “Queríamos elevar o estilo, a qualidade e o desempenho ao mercado dos jet boats e o 203 Vortex faz exatamente isso.” As reações da rede Chaparral demonstraram uma expectativa empolgante para os próximos Boat Shows. A participação activa dos dealers foi notória através dos comentários após os test drives ao 203 Vortex. “Eu tive a oportunidade de testar o novo jet boat Vortex e foi simplesmente incrível. Foi sem dúvida o melhor jet boat que conduzi até hoje, o seu comportamento e a manobrabilidade superaram todas as minhas expectativas. Sinto que a linha Vortex dá à Chaparral uma qualidade e um desempenho de ponta que vai dominar o mercado dos jet boats “-. Jim Marshall, Pride Marine Group. “Eu estava realmente impressionado com tudo sobre o 203 Vortex. O estilo é fenomenal, o barco tem um layout maravilhoso com muito espaço de arrumos e

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um desempenho muito bom na água” - Dave Briggs, Wayzata Ma-

Acerca da Chaparral Boats, Inc. Chaparral Boats, Inc. é o produtor independente número um nos Estados Unidos, produzindo as seguintes linhas de barcos de recreio: H2O Sport e Fish & Ski Barcos, SSI e SSX Sportboats, Sunesta Sportdecks, Xtreme Towboats, Signature Cruisers e Premiere Sport Yachts. Chaparral Boats e Robalo Boats são subsidiárias da Marine Products Corporation (NYSE: MPX).

Para mais informações sobre Marine Products Corporation, Chaparral, e Robalo visite os nossos web sites em www.marineproductscorp.com, www.chaparralboats.com, e www.robalo.com Para mais informações por favor contactar: Boat Center - Representante da Chaparral Boats em Portugal, pvale@boatcenter.pt

Reunião de dealers Chaparral


Náutica

Notícias Touron

Novo Comando Electrónico Remoto ERC

Para Motores com Mudanças e Aceleração Digital A Mercury Marine apresentou o novo comando electrónico remoto ERC (Electric Remote Control) que elimina os cabos mecânicos e aumenta as funcionalidades, com um design preparado para o novo ADN do Posto de Comando da Mercury.

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comando ERC, simples e duplo, foi desenvolvido com uma qualidade superior e novo estilo, onde se combina a cor negra com toques de cromado, o que lhe confere um aspecto moderno. Incluí, também, botões para, a patir de um único sítio, aumentar e diminuir a intensidade da iluminação de todos os componentes do posto de comando. O controlo do trim para todos os motores em simultâneo permanece na alavanca de bombordo, mas o botão de trim individual para cada motor foi mudado da alavanca para a plataforma CAN. Com esta alteração, o novo comando ERC duplo dispõe de botões de trim individuais para até 4 motores. Características e funções do comando electrónico remoto ERC: Botão Start/Stop para arrancar ou parar o motor de forma rápida (para um único motor). Botão de trim na alavanca permitindo uma operação simples e rápida. O modo de aceleração em vazio permite controlar apenas a aceleração enquanto o motor está em neutro. É muito prático e seguro para ligar o motor com o barco atracado.

O “Dock mode” (modo de atracagem) reduz a sensibilidade em 50%, tendo-se controlo mais preciso da aceleração a baixa velocidade, o que facilita as manobras a baixa velocidade. O botão “Transfer” permite a rápida transferência dum posto de comando para outro. O indicador luminoso “Neutral” permite verificar, de forma muito rápida, quando o motor está em neutro. A função para escurecer o brilho dos manómetros do posto de comando permite, a partir do comando ERC, controlar a luminosidade de todos os manómetros e dos monitores SamartCraft ®. Características e funções adicionais para Comandos Duplos (instalações com mais de um motor): Controlo de trim individual até 4 motores. Deixa de ser necessário CAN individual para embarcações com 3 e 4 motores. Controlo de trim na alavanca do comando, permitindo uma operação simples e rápida para todos os motores. O “Shadow Mode” pode controlar até 4 motores com apenas 2 alavancas, deixando de ser necessário uma alavanca para cada motor. O “Single-Lever” permite controlar, com apenas uma alavanca, as mudanças e aceleração para todos os motores.

Arquitectura e Design de Chicago, em colaboração com o Centro Europeu de Arquitectura, Arte, Design e Estudos Urbanos. A Mercury Marine contratou o design do Comando ERC à BMW Group Designworks USA,

sendo a sua produção feita pela Mercury, que é uma divisão da Brunswick Corporation, em Fond du Lac, Wisconsin - EUA. Mais informação em: www.touron-nautica.com

O novo comando electrónico remoto ERC pode ser usado para qualquer motor fora de borda, interior com coluna ou interior com linha de veios DTS, estando já disponível para entrega desde Dezembro passado. (*DTS = Motores com Mudanças e Aceleração Digital) Recentemente, a Mercury Marine foi galardoada com o prémio design 2013 pelo seu novo comando de controlo electrónico remoto ERC. Este prémio foi entregue pelo Museu Anthenaeum de 2014 Fevereiro 326

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Surf

Estágio da Selecção Nacional de Surf Juniores

Concluída a Primeira Fase de Apuramento de Atletas

A primeira fase do programa de estágio com a Equipa nacional de Surf, que teve início no passado dia 30 de Janeiro, está concluída após dois dias de formação teórica e prática no Centro de Alto Rendimento de Peniche e na praia do Lagide.

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O seleccionador nacional David Raimundo 56

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objectivo é escolher os jovens que irão integrar a Selecção Nacional de Surf e representar Portugal no Mundial de Juniores (ISA World Junior Surfing Championship) a realizar no Equador, entre 5 e 13 de Abril. A escolha da praia do Lagide para a realização da formação prática dos atletas deveu-se à semelhança das condições existentes entre este local e aquele em que se realizará o campeonato. O programa de estágios da Federação Nacional de Surf com a Equipa Nacional, iniciado no passado dia 30 de Janeiro no Centro de Alto Rendimento de Peniche, revelou-se um enorme sucesso e o novo método de treino, e de avaliação, demonstrou ser bastante efi-


Surf

A Selecção Nacional com o presidente da Câmara Municipal de Sintra, António José Correia

caz, tendo um grande impacto e aceitação junto dos surfistas presentes no estágio. João Aranha, Presidente da Federação Portuguesa de Surf, afirma que “Foi um estágio muito animado onde os jovens surfistas mostraram uma vontade muito grande de integrarem a equipa que irá representar o seu país. Apesar de ser ainda muito cedo para avaliar as decisões tomadas pela minha direcção, em relação a esta mudança na equipa nacional, estamos muito confiantes nos resultados a que nos propomos atingir.” Após o término do estágio, e para que esta sintonia seja possível, a Federação Portuguesa de Surf irá realizar dois encontros com os treinadores para a apresentação de relatórios, em que estarão identificadas as principais carências técnicas dos atletas. A finalidade destes relatórios será a de auxiliar os treinadores na planificação dos treinos, ajudando-os a focar-se nas características que mais precisam ser trabalhadas de forma a melhorar a qualidade do surf dos seus atletas. Já a pensar nos futuros resultados relativos à qualidade técnica dos atletas, a Federação está a organizar cursos de treinadores tendo como referência o método utilizado na preparação da equipa nacional,

o que permitirá seguir uma tipologia de treino única para todos os atletas e ao longo de todo o ano. David Raimundo, Seleccionador Nacional, reforça os excelentes resultados alcançados com o primeiro estágio da equipa Nacional Júnior, “Foi um grande sucesso. Alcançámos todos os objectivos a que nos propusemos, os nossos surfistas estiveram muito motivados e apresentaram uma boa qualidade de surf. A equipa Júnior tem uma boa base de crescimento para o futuro do surf Nacional.” No que diz respeito à realização de estágios futuros, a Federação Portuguesa de Surf está focada na melhoria das condições disponíveis no CAR surf Peniche, estando já realizar a escolha de novos materiais desportivos que irão equipar o centro e aumentar a qualidade dos treinos realizados no mesmo. David Raimundo acrescenta ainda “O enorme sucesso desta primeira fase de estágio resultou também do apoio de entidades locais como os Bombeiros, a Câmara Municipal de Peniche, a PPSC (Península de Peniche Surf Clube) e dos surfistas locais que facilitaram o acesso ao pico. Agradecemos as excelentes condições que Peniche nos proporcionou, não

A Equipa nacional júnior 2014 é constituída pelos seguintes atletas: - Categoria Sub-18 Masculino: • Guilherme Fonseca • Tomás Fernandes • Tomás Ferreira • João André • Francisco Reis • Lourenço Alves • Francisco Duarte • Frederico Magalhães - Categoria Sub-18 Feminino: • Teresa Bonvalot • Inês Bispo • Mariana Assis • Keshia Eyre • Camila Kemp • Mariana Garcia • Inês Silva • Beatriz Almeida - Categoria Sub-16 Masculino: • Luís Pereloiro • Francisco Almeida • João Moreira • Jácome Correia • Simão Penha • Vasco Mónica • João Vidal • Afonso Antunes • Guilherme Ribeiro • Salvador Couto • Gonçalo Magalhães

só no CAR, mas também na praia do Lagide, onde os locais apoiaram e respeitaram o trabalho da Federação.” A próxima fase de apuramento para a Selecção Nacional decorrerá em 27 e 28 de Fevereiro.

Da esquerda para a direita: O seleccionador adjunto Enrique Lenzano, Miguel Moreira, responsável pelo departamento técnico da FPS, António José Correia, presidente da CM de Peniche, João Aranha, presidente da FPS, e David Raimundo, Seleccionador Nacional. 2014 Fevereiro 326

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Surf

Notícias do Surf Clube de Viana

Surf Clube de Viana Comemora 25º Aniversário O SCV deu início, no passado dia 25 de janeiro,   a um conjunto de atividades desportivas e sociais, integradas no Ciclo de Comemoração das suas bodas de prata e que se prolongará ao longo de 2014.

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A experimentar aparelhos de treino funcional

sta festa, de grande confraternização, envolveu dezenas de crianças, jovens e adultos. O Eng.º Vítor

Lemos, Vereador do Desporto da Câmara Municipal de Viana do Castelo, aproveitou, este momento de celebração, para anunciar que a cidade é

O convívio no CAR Surf 58

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candidata à World Surf Cities Network, para a qual o trabalho desenvolvido pelo SCV foi decisivo. A manhã proporcionou uma

primeira experiência no “mar”. Nesta atividade, o SCV contou com cerca de 30 participantes, entre atletas e alunos do programa regular, acompanhados por

Durante a sessão, Guilherme Bastos, Manuel Freitas e João Zamith


Surf

pais e amigos. Ao início da tarde, o almoço reforçou o ambiente de convívio e de festa. Entre os presentes, esteve o Eng.º Vítor Lemos, que enalteceu o trabalho realizado pelo SCV “em prol do desporto, do associativismo, da cidadania, do turismo e da promoção internacional da cidade”. Todos os presentes puderam ainda experimentar aparelhos de treino funcional (treino de tensão/ força e equilíbrio) e disfrutar do espaço natural que envolve o CAR SURF de Viana, sede do clube. Esta jornada intergeracional culminou com um jantar com a presença de 25 ilustres convidados (dirigentes, sócios fundadores e beneméritos), precedida por uma breve palestra intitulada “SCV 25 Anos de História”, a cargo do Dr. Manuel Rodrigues de Freitas (Sócio n.º 1), de Guilherme Bastos (ex-Presidente do SCV e da Federação Portuguesa de Surf) e de João Zamith (atual Presidente da Direcção). Viana é candidata à World Surf Cities Network O Vereador do Desporto da CMVC anunciou ainda publicamente que  a cidade é candida-

A assistência durante a palestra ta à World Surf Cities Network. O clube teve um papel preponderante nesta candidatura, uma vez que esta resulta da sua extensa e forte rede de relações internacionais que mantém e que sempre procurou reforçar. Promover o surf como sector económico em todas as suas vertentes, indústria, turismo e

Vitor Lemos e João Zamith

desporto, é o grande objetivo desta rede mundial. Significa uma grande oportunidade para aumentar a atratividade turística das cidades e internacionalizar marcas de surf, de produtos e de serviços, promover o desenvolvimento  de SurfCities e melhorar o posicionamento de cada cidade no cenário interna-

cional. Atualmente são dez as cidades que compõem esta rede: Gold Coast e Newcastle (Austrália), Hossegor (França), Santos (Brasil), Arica (Chile), San Sebastian e Las Palmas (Espanha), Ericeira (Portugal), Durban (África do Sul), New Plymouth (Nova Zelândia).

A Foto de Familia do SCViana

Director: Antero dos Santos – mar.antero@gmail.com Director Comercial: João Carlos Reis - noticiasdomar@media4u.pt Colaboração: Carlos Salgado, Gustavo Bahia, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Zamith, Mundo da Pesca, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Jet Ski, Federação Portuguesa de Motonáutica, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana, Acossiação Portuguesa de WindSurfing Administração, Redação: Tel: 21 445 28 99 Tlm: 91 964 28 00 - noticias.mar@gmail.com

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Notícias do Mar

BOOT- Düsseldorf 2014

Texto e Fotografia João Carlos Reis

Força Motriz Económica Onde Portugal já Aposta A Boot 2014, uma das maiores mostras mundiais de novos equipamentos para a prática de desporto náutico e de serviços marítimos, decorreu de 18 a 26 de Janeiro em Düsseldorf, na Alemanha, onde Portugal também marcou presença com sucesso.

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Boot 2014 foi um bom salão para o Turismo Náutico de Portugal

erca de 1.660 expositores, provenientes de 60 países, apresentaram durante nove dias os seus equipamentos e serviços a mais de 248.600 visitan-

tes, mais 10% que no ano passado. Entre os visitantes foram contabilizados 48.000 de 65 países, o que mostra o grande interesse por este boat show. As empresas e entidades por-

tuguesas que fizeram questão em marcar presença na BOOT, eram todas da área do Turismo e estiveram a vender os seus serviços no maior mercado europeu e num dos maiores eventos que dedica uma

Os principais estaleiros europeus estiveram presentes 60

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especial atenção ao Turismo Náutico. O espaço de Portugal ocupava oito stands nos quais expuseram trinta e duas entidades e empresas, do Algarve, Açores e Madeira. Para interessar os velejadores oceânicos lá estavam as Marinas de Lagos, Portimão e Vilamoura, o Porto de Recreio de Sines e a Quinta do Lorde da Madeira. Como o Turismo Náutico, para além da vela, do big game, do mergulho e observação de cetáceos, inclui agora também o surf, na BOOT estavam escolas de mergulho e de surf, empresas de charter de iates e de embarcações para a pesca grossa com skippers, passeios e viagens no mar para os mais diversos destinos. Um mundo náutico distribuído por 17 pavilhões As expectativas do setor foram cumpridas na sua totalidade, em virtude do grande número de visitantes, que assegurou que uma grande quantidade de negócios fosse concluída. A Boot Dusseldorf acabou por promover uma boa dose de otimismo para os fabricantes de barcos


Notícias do Mar

e a indústria dos desportes aquáticos, num momento de dificuldades económicas. Em 17 pavilhões encontravamse todo o tipo de actividade náutica e desportos aquáticos, destacandose os grandes pavilhões com iates a motor e à vela, de todos os principais estaleiros do Mundo que apresentaram muitas premiéres. Um novo formato de exposição foi bem sucedido e atraiu milhares de jovens e de iniciados com a Experiência 360 ° nos Desportos Aquáticos. Quem se queria iniciar e experimentar um desporto aquático podia fazer uso das muitas oportunidades em oferta e experimentar as mais diversas temáticas e mundos de aventura de água, como mergulho, vela, remo e wakeboard. A procura por iates na categoria de 8 a 12 metros, atendeu às expectativas dos expositores. Quanto aos barcos adequados para reboques e com motores fora de borda, são cada vez mais populares e geraram boas vendas, porque é o segmento clássico ao nível da iniciação e está actualmente a ser impulsionado, em particular, por um novo regulamento na Alemanha do nível de condução sem licença de navegação até 15 HP. Os estaleiros continuam a apostar na inovação e quase todos apresentaram novos modelos. Entre algumas marcas representadas em Portugal, também havia novidades em exposição. Falamos delas a seguir: Bavaria A Bavaria apresentou um novo veleiro de 10 metros, o Bavaria Easy 9.7, que se destina a uma vela divertida e simples, para uma nova geração e, pelo preço, a um novo grupo de compradores. Velejar pode ser muito simples, e é assim que é suposto ser. Com o novo Bavaria Easy 9.7 os velejadores podem-se concentrar na parte mais divertida da vela. A fácil manobralidade e o design funcional tanto no convés como no interior foram as principais linhas directoras do desenvolvimento deste novo veleiro. O Bavaria Easy 9.7 pode ser daysailer, weekender ou um cruzeiro. Este barco concentra-se no essencial. A sua popa aberta, o cockpit espaçoso e o convés arrumado  fazem com que o seu uso seja simples para tripulação de dois ou em solitário, o timoneiro chega aos molinetes confortavelmente tornando a manobra muito simples. No interior, a atmosfera é espaçosa e mais parece um 37 pés. O salão largo e com muita luminosidade. Camas grandes na popa e na proa, uma mesa no salão, uma

O mergulho é uma das principais actividades desportivas dos alemães pequena cozinha e uma casa de banho de manutenção simples que em conjunto fazem parte do equipamento base e facilitam o uso com conforto deste barco. Para Portugal, o importador e representante da Bavaria é a DescobreVentos Cobalt Após a conclusão de três anos de pesquisa e desenvolvimento, a Cobalt lança a Series WSS totalmente preparada e equipada com um pacote especial de equipamentos e acessórios, para um melhor desempenho dos barcos e o aumento de adrenalina no wakeboard. Alterações nos modelos WSS 232, 242 e 262 permitiram incorporar um sis-

tema de lastro que dá ao piloto em movimmento a possibilidadae de oferecer ao wakeboarder total flexibilidade na escolha da esteira, com três tanques até 700 quilos de água de lastro para usar para dentro e fora, de forma seletiva. O modelo R5 Series WSS vem totalmente preparado para atender as exigências de wakeboard, wakeskate, quaisquer outras actividades nos desportos aquáticos. Reforçado com o pacote WSS, o R5WSS fornece um nível inigualável de detalhes, para aumentar a comodidade e o desempenho desportivo. O importador e representante da Cobalt para Portugal é a Naitiser/

Centro Náutico Cranchi O estaleiro Cranchi, do Lago di Como, no norte da Itália, apresentou dois novos modelos na classe 36 pés, com 11.71m de comprimento, o Zaffiro 36 e o Pelican 36. Ambos vêm com dois motores diesel Volvo Penta D4 com a potência de 260 HP ou 297 HP cada. Ambos os barcos são do estilo sportcruiser e foram desenvolvidos para oferecer uma ampla utilização do cockpit e do poço, facilitando ainda mais o convívio e os banhos de sol. O Pelican 36 destaca-se por um amplo har-top rígido em vez do clássico arco de radar.

Stand da Jeanneau 2014 Fevereiro 326

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Notícias do Mar

O Merry Fisher 695 Marlin foi desenvolvido na esteira do Merry Fisher 755 Marlin e 855 Marlin. Tem um motor de popa e pertence à categoria de barco de pesca desportiva com uma cabina de pilotagem espaçosa e cujas janelas oferecem uma excelente vista panorâmica. Este modelo foi criado também a pensar nos pescadores que se vão deliciar com a ampla arrumação para o seu equipamento e um duche de lavagem atrás para lavar o poço. O Cap Camarat 5.5 CC Series 2 é um barco de 5,48 m polivalente com uma consola central de condução. É um barco que vai interessar todos os que gostam de andar no mar à pesca, como também os entusiastas do esqui aquático. O barco pode ser equipado com motores de popa até 115 HP. Importador da Jeanneau para Portugal é Naitiser/ Centro Náutico

Os expositores de barcos fizeram negócios

Embarcações pesca cruzeiro têm também mercado na Alemanha

A vela de cruzeiro desperta muito interesse na Boot 62

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O importador e representante exclusivo da Cranchi para Portugal é a Porti Nauta do grupo Angel Pilot. Jeanneau O estaleiro francês Jeanneau apresentou cinco novos barcos a motor: o Líder 40, Velasco 43, NC 14, Merry Fisher 695 Marlin e o Cap Camarat 5.5 CC Série 2. O novo Lider 40 com um design moderno e de linhas desportivas é uma embarcação projectada para um alto desempenho e permitir o máximo o prazer dos banhos de sol com amplos solários. O Velasco 43 foi criado inteiramente para o cruzeiro família e para assegurar uma suave e segura navegação em cruzeiro. Pode oferecer também na alta velocidade um enorme conforto. O tipo de casco com um V acentuado oferece um desempenh confortável e eficiente em todas as condições de cruzeiro. No Velasco 43 é igualmente inovador o design do comando integrado no flybridge. O Velasco 43 está indicado para o “Powerboat Europeu do Ano 2014” O original conceito “um apartamento na água, com um terraço e vista para o mar», criado nos modelos NC9 e NC11, foi perfeitamente desenvolvido para o novo NC14, resultando certamente num verdadeiro sucesso. A bordo do NC14 ressalta uma elegância luxuosa e um enorme conforto são frutos da inovação dos muitos elementos aplicados.

Com bons resultados a participação das empresas portuguesas Fizemos algumas perguntas aos expositores portugueses, sobre quais os mercados que procuram, os objectivos da participação na Boot e quais as vantagens dessa participação, que novidades apresentavam no salão, qual o balanço da participação e, por último, que desafios têm que enfrentar em Portugal para desenvolver a sua actividade. Seguem-se as respostas das entrevistas:

Algarexperience Pedro Bacalhau, sócio-gerente: O mercado internacional representa mais de 90% do nosso volume de negócios. Os nossos principais mercados são Holanda, Espanha, Reino Unido e França. Os nossos objectivos com a presença na Boot são o aumento da notoriedade do Algarve, Albufeira perante o publico  alemão  como destino de actividades náuticas, estreitamento das relações com parceiros de negócio, estreitamento das relações ao nível de agentes e operadores turísticos alemães por fim a captar o principal mercado de Turismo Náutico na Europa (Alemanha) para o nosso destino. O papel da Boot é fundamental para aumentarmos o nosso volume de negócio. Apresentámos Albufeira de outro ponto de vista, não  de destino de Sol e Praia, mas sim de destino de Mar e Actividades Náuticas. Alvançámos resultados muito positivos. No entanto ainda difí-


Notícias do Mar

ceis de quantificar pois foi a nossa primeira presença na feira, ainda assim, resultaram bastantes contactos de publico e profissionais que até aqui não haviam tido qualquer relação com o nosso destino. Fica, no entanto, a certeza que temos de investir mais e, em cooperação  com todos os outros concelhos do Algarve neste tipo de feiras, o Algarve é a marca que vende! Temos como principais desafios a Burocracia e a sobreposição de responsabilidades das entidades públicas intervenientes. Algum cepticismo, inércia  e falta de visão política para o desenvolvimento do Turismo  Náutico no Algarve e em Portugal. Sazonalidade e consequentemente falta de pessoal especializado, também, pela inexistente formação  profissional relacionada com Turismo Náutico e/ou Actividades Marítimo-Turísticas. Este tipo de feiras mais especializadas (Turismo  Náutico, de Natureza, Activo)  são  a principal  solução para o combate à sazonalidade, no entanto, sem mais visão e apoio das Entidades Publicas, torna-se difícil  às  empresas  especializadas promoverem-se a si e ao destino em mais eventos do género.

Brizaçores José Sousa, gerente e instrutor de mergulho na empresa: No fundo, o mercado Europeu representa quase todas as fontes de receita da empresa, daí a sua importância. Quanto aos principais mercados, de momentos estamos a apostar no mercado Portugês, Alemão, Francês e Polaco. Como objectivos da nossa presença na Boot é divulgação da empresa e procura de parceiros de trabalho. A Boot facilita a internacionalização da nossa empresa, pois permite-nos o contacto com as mais diversas agências e operadores de mergulho. Embora a Boot esteja também direccionada para o público final, na realidade não é essa a nossa aposta. Como novidade apresentámos na feira o Liveaboard nos Açores e o primeiro centro de mergulho com o seu próprio hostel. Como balanço na Boot, avaliamos os resultados com os objetivos alcançados e de momentos conseguimos considerar que foi positivo, pois foram feitos contatos importantes para a nossa empresa. A nossa actividade em Portugal tem um grande desafio, mesmo grande, é ultrapassar todos os encargos e exigências impostas pelo

Área dos standes de Portugal com exposição das Marinas governo português, que simplesmente se esquece que se trata de uma atividade sazonal e de fato com uma janela muito pequena.

Cowfish Dive Center Pedro Marques Alves O mercado europeu interessanos para manutenção  e  crescimento da nossa actividade O principal mercado é o Alemão, espanhol, inglês e francês A nossa participação tem como objectivo rever e criar novos clientes e operadore A Boot para nós é fulcral para a nossa internacionalzação Como novidade apresentamos novos alojamentos e novos spots O resultado da nossa partici-

pação foi muito bom e com tendência a melhorar até ao final ddo salão Os nossos desafios em Portugal são a sazonalidade, impostos relacionados com a actividade, seguros, burocracia e incompetência

Dolphins Driven Nicolas Manuel Delepine, sócio/ gerente: Os nossos clientes são na totalida-

Área dos equipamentos estavam sempre com muitos visitantes

Área para experiimentar os optimist 2014 Fevereiro 326

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Notícias do Mar

Os grandes iates continuam em primeiro lugar no interesse do público de europeus, a promoção a este nível faz  todo o sentido, o nosso obejtivo enquanto empresas marítimo turísticas em Albufeira é aumentar o mercado concorrência saudável e parcerias entre empresas é o nosso objectivo. Os principais mercados são Inglês, Holandês e Alemão  Pretendemos criar uma dinâmica de promoção, de forma a atrair outro tipo de turismo, apresentando boas propostas para turismo náutico em Albufeira.

O principal desafio é a sazonalidade

Douro Marina José Sampaio, director comercial: No ano de 2013 o mercado internacional representa ¼ da nossa facturação no plano de água, prevendo-se um crescimento ainda mais significativo nos próximos dois anos, altura em que prevemos entrar numa zona de “cruzeiro” desta

vertente do negócio. Os mercados Francês, Alemão, Inglês, Holandês e Nórdico são actualmente os nossos principais mercados tanto a nível de embarcações passantes como de clientes residentes e invernagem. O nosso objectivo a curto prazo é aumentar a notariedade e reconhecimento nos mercados onde temos maior índice de penetração, avançando posteriormente para outros mercados. Contrariamente às várias expectativas e estudos o mercado, verificamos que o mercado vizinho é apenas residual, e não representa até à data um volume de negócios, que nos permita considerar um mercado prioritário O objectivo da presença em certames como a Boot, visa não apenas dar a conhecer a Douro Marina aos clientes que nos visitam, mas também estabelecer contactos com diversos players do meio náuticos internacionais, quer sejam associações, imprensa, marinas, clubes, organizações de eventos náuticos, entre outros, que nos permitam criar parcerias estratégicas. Sendo a Boot a principal feira náutica a nível Europeu, e o mercado Alemão dos três maiores consumidores de Turismo Náutico Europeu, faz todo o sentido dar continuidade à presença iniciada no ano passado. Na opção de estarmos presentes como expositor apenas num certame destas características, a BOOT é a sem dúvida a referência e a aposta mais fiável. Visto a Douro Marina ser uma estrutura muito recente, a nossa principal novidade é mesmo dar a conhecer a totalidade das infra estruturas de apoio que decorreu no verão de 2013. O balanço ficou aquém, das expectativas iniciais ao nível de contactos directos com clientes finais, sendo no entanto prematuro fazer uma análise custo/benefício ao ní-

vel de resultados. O resultado da presença em feiras, muitas vezes não é “palpável” a nível de resultados imediatos. Acredito que com uma estratégia conjunto com todos os intervenientes, não apenas da Náutica, mas também do Turismo de Portugal, temos um excelentes produtos e infra estruturas que poderão ser promovidos e potenciados de outra forma, com vista ao reconhecimento que pretendemos ter no panorama Internacional. Os principais desafios que prevemos nos próximos anos, são a estagnação do mercado nacional. Numa estratégia conjunta com os nossos parceiros, pretendemos criar e potenciar uma maior democratização do acesso à água nas mais diversas formas. Este foi um caminho que nos propusemos e que acreditamos ser o único possível, isto se quisermos mantar o nosso projecto sustentável, gerando uma micro economia local com vários negócios ligados à náutica.

Easy Divers Mário Silva, sócio gerente: Dos nossos clientes, 85% são provenientes do mercado externo e representam o crescimento e desenvolvimento da empresa e da atividade de Mergulho no Algarve. Os nossos principais mercados são Holanda, Alemanha, Inglaterra, Espanha, França e Portugal. O nosso objectivo principal com a presença na Boot foi promover o mergulho no Algarve e dar a conhecer as condições disponíveis para tal atividade. Fomos promover a marca Easydivers e como todos os produtos de qualidade disponíveis na empresa com preços muito acessíveis comparando com outros destinos de mergulho. A Boot sendo o maior centro de

Portimão em exposição

O espaço da Madeira com visitantes 64

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A área da electrónica tem grande mercado


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exposição da Europa de Mergulho e de barcos e derivados e, como a Alemanha representa uma grande fatia do nosso mercado, têm um papel de rampa de lançamento da marca Easydivers e especialmente “ Mergulhar em Albufeira” Como destaque, apostámos na oferta de Packs de Férias e Escapadinhas desde o Pack Low Coast até ao requinte do Pack 5 Estrelas O balanço da presença na Boot foi bastante positivo para a 1ª Vez que estivemos representados na Feira. Obtivemos alguns contactos de Operadores de Férias e Mergulho como contactos de clientes finais. Foi positivo também pelo facto do desconhecimento dos visitantes das condições de mergulho que o Algarve oferece. Os principais desafios da nossa actividade em Portugal é a Burocracia que não está adequada á atividade do mergulho e mesmo Marítimo Turística, o afastamento do Turismo do Algarve ás atividades turísticas locais e sua promoção. O Algarve vende-se como destino de Sol e praia e isso já não é suficiente para combater as ofertas existentes noutros destinos, é preciso reconhecer as atividades e promover o Algarve. Como questão relevante apontamos a falta de reconhecimento do trabalho efetuado pelas empresas no sector para a promoção das suas empresas e atividades a que se dedicam as quais quando se promovem estão promovendo o Algarve por sua conta e sem qualquer ou com pouco apoio. É de louvar o esforço e apradinhamento da APAL ás nossas causas e á promoção das nossas atividades que operam o ano inteiro independentemente do Algarve não ser “vendido como destino de Inverno”

Marina de Lagos Ingrid Fortunato, directora da Marina de Lagos: Os nossos principais mercados são   Reino Unido, Portugal, Espanha, Holanda, França e Escandinávia.  A presença da Marina de Lagos no stand comum da APPR tem o objectivo de “pôr Portugal no mapa”, porque nos parece que não basta divulgar uma Marina, mas sim a oferta total no país em termos náuticos. Isto é fundamental para que os navegantes que passam pela nossa costa sem parar o comecem a fazer. Obviamente, dentro desse mapa, procuramos mostrar as vantagens da nossa Marina em relação às restantes e cativar os clientes a

virem experimentar! Tendo em conta a grande dependência do mercado do Reino Unido, é essencial haver uma aposta na angariação de clientes de outros mercados, e sem dúvida que o Norte da Europa (Alemanha, Escandinávia, Báltico), tem um grande potencial. A Boot é uma feira muito abrangente e que atrai milhares de visitantes de países desses mercados e, por isso, a oportunidade ideal para aumentar neles a percepção da Marina de Lagos. A nossa presença na Boot foi positiva, com muitos contactos feitos. Tem havido nos últimos anos reforço do número de clientes Alemães e de países Escandinavos, sobretudo da Suécia, o que pode ser resultado das presenças em Dusseldorf. Os desafios da nossa actividade em Portugal são, principalmente, voltar a atrair os Portugueses para as actividades náuticas para esbater a sazonalidade que continua a prevalecer neste mercado. Esta foi a terceira vez que estivémos presentes e mantém-se a tendência para uma grande parte dos visitantes da Boot procurar férias náuticas, ou seja, procuram aluguer de barco e amarração. Neste aspecto, faz falta a integração regional ou mesmo nacional da apresentação de serviços náuticos, para o cliente conseguir imediatamente receber ofertas para o serviço que procura, ao invés de receber a cotação para amarração das Marinas, e depois ter de ir procurar alugueres noutro stand ou mesmo fora da feira.

Sailazores Nicolau Faria, manager: Provavelmente devido à crise actual nos mercados periféricos, verificase que não temos procura interna, nacional. Em 2013 não registamos sequer um cliente nacional. O mercado europeu é o principal  indutor da nossa actividade. Os nossos principais mercados são essencialmente os denominados países da Europa Central. Os nossos objectivos com a presença na Boot é reafirmar o Projecto Sailazores junto do mercado alemão e ampliar a nossa rede de contactos e difusão comercial. Um aspecto muito agradável tem sido o reencontrar de Amigos, sejam eles Parceiros, Jornalistas que já nos visitaram e, sobretudo, Clientes anteriores com quem construímos e mantemos uma relação de amizade. A Boot tem um papel muito importante para a nossa internacionalização, sendo o mais importante certame náutico da Europa, é natu-

O espaço dos Açores apresentava muitas propostas

Os Açores com muitos visitantes ralmente um ponto de convergência de todos os  players do sector, no qual a Sailazores tem todo  o interesse em participar. No nosso caso particular, destacamos como novidade, sobretudo o reforço da nossa frota, pela inclusão de um novo veleiro. Como balanço, globalmente os resultados são positivos, uma vez que o feedback dos novos e potenciais clientes é  bastante encorajador e satisfatório.

Os nossos principais desafios em Portugal são, em termos endógenos, ganhar dimensão para um mercado “nicho” ainda muito embrionário em Portugal. Em termos de factores externos, mitigar os efeitos da sazonalidade e  dos custos das viagens, o que no nosso caso, Açores, é um factor de decisão muito importante quando um cliente equaciona as várias opções de charter que tem à sua frente, só na Europa.

O Ocean Revival - de Portimão 2014 Fevereiro 326

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Últimas

Armel Le Cléac’h Pulveriza Recordes

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francês Armel Le Cléac’h, a bordo do trimarã Banque Populaire, pulverizou dois recordes em menos de uma semana. O primeiro, percorrendo 682 milhas em 24 horas, batendo o recorde de distância percorrida em solitário, a uma velocidade média de 28,20 nós. Depois suplantando o recorde da Rota das Descobertas completando o percurso entre Cádiz (Espanha) e São Salvador (Bahamas) em 6 dias, 23 dias, 42 minutos e 18 segundos, menos dia e meio que a anterior marca pertença do seu compatriota Francis Joyon.

ISAF Sailing World Cup Miami

Vento Fraco Complicou

1ª Prova do Campeonato Regional Norte

Aquecer os Motores em Leixões

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ustavo Lima foi o melhor português na ISAF Sailing World Cup Miami, que terminou a 1 de Fevereiro, em Miami, Estados Unidos. O vento fraco marcou os dias em Coconut Grove, apenas permitindo a realização de cinco regatas nos Laser e nove em 49er. Em Laser

Standard, Gustavo Lima terminou na 14ª posição da geral. Rui Silveira é 73º. Venceu o croata Tonci Stipanovic , seguido do brasileiro Robert Scheidt e do britânico Nick Thompson. Em 49er, Jorge Lima/José Luís Costa acabaram no 23º lugar. Os dinamarqueses Jonas Warrer/Pe-

ter Lang. Os norte-americanos Bradley Funk/Trevor Burd foram segundos e os britânicos Stephen Morrison/Chris Grube, acabaram no terceiro posto. Antes do início da ISAF Sailing World Cup Miami, a tripulação do 49er marcou presença no Campeonato dos Estados Unidos, terminando no 13º posto.

1ª Prova do Campeonato Regional Norte para as classes 420 e Laser decorreu no campo de regatas de Leixões, com organização do Sport Club do Porto. No 1º dia foi possível realizar 3 regatas para ambas as classes. No segundo, foi disputada apenas uma. Em 420 triunfo de Diogo Costa/Pedro Costa, do Clube de Vela Atlântico, enquanto Francisca Pinho/Ana Luísa Magalhães, do Sport Club do Porto venceram no feminino. Em Laser Standard, Jorge Paula do Clube Náutico Boca da Barra foi o primeiro classificado. Em Laser Radial, vitória de Nuno Duarte, do Clube do Mar de Coimbra e em Laser 4.7, o triunfo sorriu a Bruno Pinheiro, do Clube Náutico Boca da Barra.

Circuito Nacional de Surf Esperanças

Nacional de Esperanças já tem Datas e Arranca na Caparica Os melhores jovens surfistas portugueses rumam à Caparica dias 22 e 23 de Fevereiro para iniciarem a campanha rumo à definição dos títulos do Circuito Nacional de Surf Esperanças. Uma aventura que passará também pela Nazaré (3 e 4 de Maio); Porto (25 e 26 de Maio); Peniche (14 e 15 de Junho); Amado (6 e 7 Setembro) e Carcavelos (11 e 12 de Outubro). Com a expectativa de cerca de 150 inscritos nos escalões de sub-12, sub-14, sub-16, sub-18 e sub-18 feminino, a etapa inaugural de um circuito que desde a primeira edição, em 1993, vem “fabricando” os maiores talentos do surf nacional, promete grande espectáculo e competitividade. Pelo menos, essa é a garantia do dirigente do Caparica Surfing Clube, Miguel Inácio: “Depois desta vaga de tempestades que assolou a nossa costa, esperamos ter, finalmente, boas ondas que possibilitem aos nossos jovens valores mostrar todo o seu surf. É uma honra e grande responsabilidade protagonizar o arranque da época desportiva da FPS, mas penso que estaremos todos à altura.” Recordamos que as inscrições já estão abertas no site da FPS:

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www.old.surfingportugal.com O Circuito Nacional de Surf Esperanças 2014 é organizado pela FPS, Algarve Surf Clube, Caparica Surfing Clube, Clube de Desportos Alternativos da Nazaré, Peniche Surfing Clube, Surfing Clube de Portugal e Associação Onda do Norte, com os apoios da Volcom, O’Neill, Nazaré Qualifica, Câmara Municipal de Almada, Câmara Municipal de Aljezur, Câmara Municipal de Cascais, Câmara Municipal de Cascais, Câmara Municipal da Nazaré, Câmara Municipal do Porto e Câmara Municipal de Peniche. Apoios Media: beachcam.pt; Onfire, Surftotal e Surf Portugal


Notícias do Mar n.º 326  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 326, Fevereiro de 2014.

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