Notícias do Mar
Texto e Fotografia Carlos Salgado
Conhecer e Viajar pelo Tejo
Transvases
Afinal quem é o Beneficiado ou Prejudicado? Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais: Em 1977, Portugal e Espanha pediram a adesão à Comunidade Europeia. 0 longo período de negociações que então se iniciou, no mês de Outubro, bem como o constante contacto entre as entidades políticas dos dois países, não era de todo compatível com a manutenção da relação de ignorância mútua.
Bacia Hidrográfica do Tejo Ibérico
M
ais do que partilhar a pertença às mesmas organizações internacionais, Portugal e Espanha foram obrigados a falar entre si, a articular posições e a resolver diferendos. No entanto, a prática do diálogo não foi rapidamente adquirida, muito menos a procura de posições concertadas. A convivência entre os dois países, tanto em termos bilaterais como no seio das instituições europeias, é um processo longo e sinuoso, fértil em avanços e retrocessos. É para mim difícil chegar a uma conclusão sobre quem AFINAL É O BENEFICIADO OU O PREJUDICADO, isto porque nos últimos dois ou três anos tem havido grande polé-
mica sobre os transvases do Tejo em Espanha, relativamente aos quais as próprias autonomias espanholas estão em conflito. O maior ruído tem sido feito por ecologistas fundamentalistas espanhóis que encontraram algum seguidismo da parte de um movimento informal de cidadãos portugueses. Num encontro ou conferência, uma técnica de uma associação ecologista portuguesa credível, refiro-me à associação, afirmou que os transvases do Tejo em Espanha ( que se situam a uns 500 Km. da nossa fronteira ), estão a causar problemas à fauna piscícola do nosso estuário, vejam bem, quando entre esses transvases e a nossa fronteira existem inúmeras barragens alimentadas pelo Tejo, que são verdadeiros mares
interiores, dada a sua dimensão, algumas delas até, são apelidadas de “ los Mares de Castilla “. Será que essa água, se não fosse retida lá, chegaria a Portugal? É provável que sim. Assim sendo pergunto: devemos nós preocuparmo-nos mais com a água do Tejo transvazada do que com a descomunal quantidade de água que fica aprisionada em Espanha? E o controle dos caudais que nos são devidos estão a
Repare-se na extensão de cada uma das mega barragens do Tejo em Espanha
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2012 Junho 306
ser sistematicamente controlados e/ou foram convenientemente negociados? Parece até que, o que se passa em casa do vizinho está a desviar a nossa atenção daquilo com que nos devemos preocupar na nossa própria casa, ou seja: Estamos ou não a receber a água na quantidade que nos é devida, mas se não estamos porquê? Sou um daqueles que considera que a sociedade civil deve participar, cada vez mais, nos destinos do nosso país mas não posso deixar de reconhecer que há pessoas, que afirmam coisas sem se preocuparem em saber previamente daquilo que estão a falar ou porque simplesmente sentem necessidade de se fazer ouvir ou de ter protagonismo ou ainda por seguidismo apenas, para fazer número. Parece que o que está a dar hoje, é entrar naquela onda de quem fala mais e mais alto é que tem razão, mesmo que diga disparates, ignorando qual é o significado daquela célebre rábula de “O Rapaz e o Lobo“. Como se explica o facto de que a Barragem de Cedillo, que é espanhola e é ela que abre mais ou menos a torneira para deixar passar a água para Portugal, esteja a ser alimentada, em grande parte, pela água de dois rios portugueses, o Ponsul e o Sever, que logicamente deviam desaguar a jusante dessa barragem, porque é água nossa.