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Estado actual do assoreamento da Tejo para montante
e, nalguns casos podem ser diminuídos os caudais máximos; e em regularização do leito do rio, quer seja em fundo fixo, quer seja em leito aluvionar com fundo móvel. A implementação de um canal de navegação de um rio é muito mais complexa que uma regularização de um rio, exigindo geralmente os dois tipos de regularização, de caudais e de leito. A regularização de caudais do rio Tejo tem sido efectuada desde a construção das grandes barragens na bacia hidrográfica, principalmente durante a segunda metade do século XX. A regularização do leito do rio Tejo é muito mais antiga. Todas as construções dos diques de defesa contra cheias, com vários séculos de vida, condicionaram o leito aluvionar do rio Tejo, regularizando-o. No século XX, a extracção de areias para a construção civil, desde sempre efectuada com algum controlo da quantidade e da localização, também regularizaram o rio, neste caso combatendo o assoreamento natural do rio Tejo. Actualmente, o rio Tejo pode ser navegado por grandes embarcações, até Valada
do Ribatejo, porque foi efectuada controladamente a extracção de inertes. Sem esta extracção o rio Tejo já não seria navegável a montante de, provavelmente, de Vila Nova da Rainha. O Tejo já foi mais navegável em séculos passados, quer porque o fundo estava mais baixo, antes do assoreamento torná-la cada vez mais difícil, quer porque, eventualmente, também tenha havido flutuação do nível do Oceano Atlântico. O rio Tejo situa-se numa região climática caracterizada por estios secos e invernos húmidos. Tal condiciona a navegabilidade na estiagem, com caudais muito pequenos, chegando a anular-se antes da construção das barragens, e caudais muito elevados durante as cheias. Em consequência, a garantia de navegabilidade durante todo o ano exige uma intervenção mais pesada economicamente do que aquela que tem sido efectuada, por exemplo, no centro da Europa, em que a variação durante o ano de caudais é mais reduzida. A garantia de profundidades para a navegação exige obras caras, ao longo de
todo o Tejo, que são função do calado e do comprimento das embarcações, e também uma gestão de exploração do canal de navegação, também com custos elevados. Para além disso, a navegabilidade do rio Tejo levanta problemas ecológicos
muito importantes, entre outros os relacionados com as espécies bentónicas, ripícolas e piscícolas. De qualquer modo, a abertura e a manutenção de um canal de navegação exigirá um estudo de viabilidade técnico-económico. A facilidade técnica da intervenção para garantia de navegabilidade é função do tipo de navegação, sendo mais fácil para pequenas embarcações de recreio, e bastante mais difícil para embarcações comerciais com grande capacidade de carga. A sustentabilidade económica da navegabilidade do rio Tejo é ainda dependente da capacidade técnica de garantir alguma restrição da mobilidade do leito aluvionar, que actualmente pode apresentar variações interanuais da ordem dos 2 m, e de mais 3 m durante as cheias. É indispensável e relativamente fácil efectuar um estudo de viabilidade técnico-económico, desde que nele sejam bem incorporadas todos os factores técnicos, de hidráulica fluvial, sedimentologia, e navegabilidade, de portos fluviais, de dragagens de manutenção, e os factores económicos, das obras a efectuar, da navegação, da gestão da navegação, dos valores patrimoniais afectados e dos valores ecológicos.
Dragagem para desassorear
2012 Junho 306
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