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maria beraldo: 3 respostas sobre a nova carreira solo — pág. 04

josélia aguiar: o novo olhar por trás da curadoria da flip — pág. 10

músicas para voar: a cantora labaq indica 5 faixas flutuantes — pág. 05

the biggest smallest cultural platform

MECAJournal Distribuição g ratuita

Número #022 — Julho e Agosto, 2018

inesquecível Uma reportagem especial com os destaques do evento que emocionou artistas e espectadores. O MECAInhotim é o primeiro dos 5 festivais que o MECA promove em 2018 pág. 12 [A]

os tech-lovers de 2020 TRENDS — Em parceria com a WGSN, apresentamos um novo perfil de comportamento em ascensão global: Aumentalistas, os otimistas da tecnologia — pág. 08

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cultura e anarquia —

Conheça 3 espaços culturais em Lisboa que encontraram em brechas da legislação uma maneira de (re)existir pág. 09

o beijo e o ofício ENTREVISTA — Convidada especial do MECAInhotim, a atriz mineira Débora Falabella fala sobre o longa “O Beijo no Asfalto”, carreira e fake news — pág. 21

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Agenda cultural: lugares e eventos para conhecer e se divertir ao redor do Brasil e do mundo

www.meca.love

rota: galerias híbridas lugares para curtir o frio em sp exposição no mecaspot


WELCOME

Por dentro do MECA

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Vários projetos movimentam a nossa sede em São Paulo ao longo de 2018. Desde sua inauguração, o MECASpot ganhou mais eventos e se consolidou como um miniespaço cultural e educacional, com programação gratuita de talks, exposições de arte, pocket shows, DJ sets e feirinhas. A casa é um ponto de encontro de pessoas à frente de projetos criativos das mais diversas áreas. O objetivo é incentivar e movimentar a cena cultural, além de ajudar na construção de um futuro melhor por meio da troca. Mais uma novidade! Os minieventos já promovidos em SP agora estão indo para outras capitais brasileiras. Em junho, foi a vez de dois centros culturais de referência na capital mineira receberem o MiniMECA: o Guaja, com o pocket show de JP e discotecagens, e a Benfeitoria, iluminada pela apresentação de Alice Caymmi, com performances e setlits. [B]

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1 — Toda a potência de Alice Caymmi no MECABenfs, em BH 2 — A recifense Duda Beat durante o MiniMECA, em SP 3 e ı0 — Pocket show do músico JP no MiniMECA, no Guaja, em BH 4 – Cleu, uma das parcerias especiais do MECA, em BH 5 — A equipe MECA, representada por Thum Thompson e Wilaize Lenud, no MiniMECA, no Guaja, em BH 6 e 11 — Múltiplas ocupações de música e arte no MECASpot, em SP 7 — Performance de voguing de GUIBASS no MiniMECA, em SP 8 — A exposição de Giovanna Pizzoferrato no MECAIntro, em SP 9 — Luiz Arruda, da WGSN, em um talk no MECASpot, em SP ı2 — Magá Moura no MECABenfs, em BH

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Novidade! MiniMECA pelo Brasil A iniciativa mensal da plataforma, que acontece em SP desde 2016, já começou a circular pelo Brasil. Acompanhe novas datas nas redes sociais do MECA: @mecalovemeca

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MECACrew

MECASpot

Andrea Soares, Bruck Nogueira, Camilo Raesh, Carol Goulart, Cleu Oliver, Débora Stevaux, Dimas Henkes, Gabriel Pires, Helder Ferreira, Fernanda Lensky, Fernanda Branco Polse, Kamila Montalvão, Letícia Ippolito, Lucas Pexão, Luisa Dantas, Maíra Miranda, Maurício Barcellos, Nanda Miranda, Rodrigo Peirão, Rodrigo Santanna, Thaís Tolentino, Thum Thompson, Wilaize Lenud

Rua Artur de Azevedo, 499 Pinheiros – São Paulo – Brasil CEP 05404-011 +55 (11) 2538-3516

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Assine o MECAJournal e receba, mensalmente, um exemplar em sua casa. Envie um e-mail para: contato@meca.love

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FOTOS CAPA: [A] HELENA YOSHIOKA/I HATE FLASH; [B] JORGE BISPO; [C] DIEGO CAGNATO/DIVULGAÇÃO | [A] LUCAS CHAGAS E LUCAS PIETRO/UNDERLIGHT; [B] EUGENIA FAJARDO; [C] BRUNO WERNEK; [D] LUISA DANTAS

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Warpaint Mallu Magalhães Teto Preto Trabalhos Espaciais Manuais Catavento Supervão E mais! MECAMaquiné 03 de novembro Fazenda Pontal Maquiné (RS)

BEBA COM MODERAÇÃO

Mais informações: www.meca.love @mecalovemeca


AGENDA CULTURAL (SÃO PAULO)

Em boa companhia

SHOW – Ava Rocha lança novo disco

DRINK IT

O Auditório Ibirapuera recebe, no dia 27/7, o show de lançamento de “Trança”, terceiro álbum da cantora e compositora Ava Rocha. Entrelaçando grandes nomes da música contemporânea nacional, o trabalho conta com a participação de um “pessoal da pesada” (como outrora diria Gal Costa) — dentre eles, o marido Negro Leo, a filha Uma, Karina Buhr, Iara Rennó, Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Curumin e Linn da Quebrada. Parque do Ibirapuera, Portão 2.

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Na planta dos pés

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O drink de James Graham, o embaixador do whiskey Jameson no Brasil

LOJA - Projeto

Base abre espaço físico

A marca vegana de sapatos Projeto Base, que surgiu há um ano como loja online, ganhou recentemente uma casinha no bairro de Pinheiros. Criada por Gracielle Árvore e João Cantarella, a iniciativa alia conforto e casualidade à confecção artesanal de calçados. Fortalecendo a proposta de sustentabilidade da empresa, a loja oferece um sistema consciente de descarte de calçados usados. Quem enviar um par para reciclagem ainda ganha desconto. R. Mourato Coelho, 1023.

“Um drink que eu acho legal é o Tipperary. Suave e picante, ele destaca a elegância do whiskey Jameson.” Ingredientes • 45 ml de Jameson Black Barrel Irish Whiskey • 30 ml de vermute doce • 15 ml de Green Chartreuse • 2 dashes de Angostura Preparo Mexer todos os ingredientes com gelo, coar e servir em uma taça coupé.

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Hipnose sonora

ESTUDOS – Vida e obra de

Virginia Woolf em análise [C]

A história de vida e o trabalho de uma das precursoras do feminismo na literatura — autora de sucessos como “Um Teto Todo

Seu” e “Mrs. Dalloway” — serão estudados em um curso na Tapera Taperá. Ministrado por Lindberg Filho, mestre em Letras pela Universidade de São Paulo, o estudo se divide em cinco encontros, sendo o primeiro deles no dia 26/7 e os seguintes em agosto. Av. São Luís, 187.

[D]

Novidade no Piccolo

GASTRONOMIA – Marcelo Milani

assina novo menu-degustação

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SHOW – Animal Collective vem pela primeira vez ao Brasil No dia 23/8, a parceria do Queremos! com o PopLoad traz ao Brasil, pela primeira vez, dois integrantes do quarteto norte-americano Animal Collective. Avey Tare e Panda Bear, autores do álbum “Sung Tongs”, prometem entoar

Um curso todo seu

Irmão mais novo do Più, o restaurante Piccolo, inaugurado há um ano, está com um novo menu-degustação. Dividido em oito etapas, o jantar concebido pelo chef Marcelo Milani inclui pratos como peixe com erva-doce, farofa de camarão e marisco branco, e a

as 12 faixas de puro experimentalismo lisérgico na mesma ordem em que foram gravadas no disco. Rubel abre os trabalhos da noite, no Tropical Butantã. Ingressos a partir de R$ 90. Av. Valdemar Ferreira, 93.

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inusitada costela bovina com aligot de queijo canastra e cebola no tucupi. Para a sobremesa, a novidade da casa é a pera com fava tonka, cantucci de baru e sorvete de laranja champanhe, além de um duo de queijos brasileiros e geleias de frutas da casa. R. dos Pinheiros, 266.

Você toca com Arrigo Barnabé, integra dois grupos e acaba de lançar um álbum solo. Como faz? O meu trabalho solo foi uma necessidade recente, precisei fazer e fiz. Me deu uma realização, parece que encontrei um lugar. E tem esses outros dois projetos autorais que me alimentam. Tudo isso compõe o material musical que passa por mim. Tocar com o Arrigo mudou a minha cabeça totalmente, por exemplo. Como você lida com a responsabilidade poética e política de ser uma referência lésbica na música? O momento político em que a gente está é claramente terrível, e uma das armas mais poderosas da visão política retrógrada é o medo. Viver com medo é muito parecido com morrer. Então eu cuido para não ficar com medo, porque se eu ficar, vou parar de fazer o que faço, parar de ser o que sou. Quais os próximos passos da carreira? A ideia é circular com o “Cavala”. E ainda lanço este ano um disco do Bolerinho e outro da Quartabê.

FOTOS: DIVULGAÇÃO; [A] PÂN ALVES; [B] NAIRA MATTIA + KAUÊ RAVANEDA; [C] GEORGE CHARLES BERESFORD; [D] LUCAS TERRIBILI/DIVULGAÇÃO; [E] TOM ANDREW/DIVULGAÇÃO; [F] MARLUCI MARTINS; [G] RAFA MENDES

Shows, mostras, cursos, espetáculos, restaurantes e drinks para você sair de casa no friozinho dos meses de julho e agosto

Integrante do grupo Bolerinho e do Quartabê, a instrumentista Maria Beraldo lança carreira solo como cantora e compositora, com o intenso, poético e feminista álbum “Cavala”.


AGENDA CULTURAL (SÃO PAULO)

Odisseia no MIS

[F]

MOSTRA – Homenagem aos

50 anos da obra de Kubrick Em 29 de abril de 1968, era exibido pela primeira vez nos cinemas o longa “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Para comemorar os 50 anos do lançamento do clássico e os 90 anos do nascimento do diretor americano, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo exibe a “Mostra Stanley Kubrick”, de

Noite em 78 rotações

SHOW – Jards Macalé revive sucessos no Mundo Pensante “Estou amando, estou passando, estou gravando”: o segundo verso da música “78 Rotações”, do cantor e ator Jards Macalé, também representa o momento atual de sua vida. Uma das referências da Tropicália, o carioca de 75 anos vem relançando discos em ver-

sões de estúdio e ao vivo desde 2008. Em turnê pelo Brasil, reinventado em sua inquietude, Jards apresenta sucessos como compositor e intérprete, no dia 25/8, no Mundo Pensante. Ingressos a R$ 40. R. Treze de Maio, 830.

24 a 29/7. Além da exibição de sucessos como “Laranja Mecânica”, “Dr. Fantástico” e “De Olhos Bem Fechados”, a mostra conta com uma exposição de 12 cartazes inspirados na obra de Kubrick, criados pelo artista gráfico paulistano Fernando Tucunduva. Já o longa “O Iluminado” ganha projeção com trilha sonora ao vivo, dentro do projeto Cinematographo, seguido de um bate-papo sobre a produção. Os ingressos custam a partir de R$ 12. Av. Europa, 158.

Nós, as latinas

ARTE – Mostra inédita mapeia a produção artística feminina De 18/8 a 19/11, a Pinacoteca recebe a mostra coletiva “Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985”. Com a curadoria assinada pela historiadora de arte venezuelana Cecilia Fajardo-Hill e pela pesquisadora argentina Andrea Giunta, a exposição é a primeira a mapear os experimentalismos e a influência das latino-americanas na produ-

ção artística mundial. O feminino em sua essência combativa é o tema central das 280 fotografias, vídeos e pinturas das 120 artistas que assumiram uma postura radical e criativa para enfrentar os regimes autoritários de seus países. Os ingressos custam R$ 6, com entrada gratuita aos sábados. Pça da Luz, 2.

LISTICLE turn the music on

by Larissa Baq

— Músicas para voar: um dos nomes mais interessantes da cena indie nacional, a cantora e compositora LaBaq revela cinco músicas que curte ouvir durante as viagens pelo mundo, feitas para a turnê do disco “Voa”.

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GOODBYE BLUE SKY — Pink Floyd

“Foi a primeira música que me fez tirar os pés do chão, lá pelos 7 anos de idade.”

Três locais para curtir o friozinho em São Paulo

Polska 295 Para combinar com as baixas temperaturas do inverno na capital paulista, um pedacinho da Polônia em SP. O restaurante típico alocado em Pinheiros serve a Barszcz, sopa de beterraba, e a Pomidorowa, de tomate — pratos quentes tradicionais da culinária do Leste Europeu. R. Simão Álvares, 295.

HEMMA

— Surma “Tem a atmosfera perfeitíssima para voar. Enquanto os tambores te trazem para o chão, os synths vêm em ondas leves e as vozes vão soprando como se fossem levadas pelo vento. Surma é amor.”

AMADURECE E APODRECE — Tuyo

“Os Tuyo nos levam para além de uma relação amorosa, de um jeito que chega na gente toda, sem wannabe nada.”

Aska É o restaurante japonês mais tradicional de lámen do bairro da Liberdade. Aberto desde 2000, serve três variações do prato a bons preços. As regras afixadas na porta chegam a ser engraçadas de tão diretas. R. Galvão Bueno, 466.

AMOR E SOM

Corpo como mensagem

FESTIVAL – Arte e interatividade na avenida Paulista O Centro Cultural Fiesp recebe, de 4/7 a 12/8, a 19ª edição do Festival Internacional de Linguagem Eletrô-

nica. A exposição traz obras de artistas que trabalham com plataformas tecnológicas e

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exploram os limites entre o mundo real e virtual. A máxima “O meio é a mensagem”, do teórico da comunicação Marshall McLuhan, se transforma na proposta “O corpo é a mensagem”, ao selecionar obras com representações do corpo humano como discurso de uma poética visual. A entrada é franca. De terça a sábado, das 10h às 22h. No domingo, das 10h às 20h. Av. Paulista, 1313.

— Fabriccio “É a música que eu passei a última semana ouvindo, entre viagens e caminhadas a pé nesse friozinho. Fabriccio é uma descoberta linda, um cara incrível que tem um amor muito grande pela música — e quando eu sei disso, sem dúvidas, sempre flutuo um pouquinho mais.”

EMPEROR OF THE SUN — Sirintip

“A melodia me faz voar fácil, já de cara. A bateria me deixa em transe.”

Chá Yê Além de servir pratos típicos da culinária chinesa, desde 2015, a casa de chás oferece a bebida feita com ervas colhidas em 12 regiões da China. A marca também inaugurou recentemente um serviço de assinatura online. R. Fradique Coutinho, 344.


AGENDA CULTURAL (BRASIL) RIO DE JANEIRO

O amor pelas lentes

Pedro Seiler, sócio-fundador do Queremos!

O que mudou no formato do festival desde o surgimento? Mudou bastante. Começamos de uma maneira informal, em 2010: cinco amigos querendo movimentar a cena musical do Rio fazendo crowdfunding, que era um modelo inovador na época, dentro e fora do Brasil. Evoluímos e hoje somos uma produtora de shows, com calendário, patrocínios e uma plataforma digital de engajamento onde os fãs podem pedir os shows.

[A]

Ah, como eu quero...

Mais do que ondas sonoras, a música é uma experiência completa, para ser sentida e cantada a plenos pulmões. Junto com Heineken, selecionamos nesta página algumas oportunidades para você viver a música do seu jeito. #LiveYourMusic

FESTIVAL – Rio recebe grandes nomes do indie Um dos principais cartões-postais cariocas, a Marina da Glória recebe, no dia 25/8, nomes nacionais e gringos na primeiríssima edição do

Queremos! Festival 2018. A sueca Jonna Emily Lee Nilson, à frente dos projetos audiovisuais 'iamamiwhoami' e 'ionnalee' e a baiana radicada em São Paulo, Xênia França, são duas das atrações confirmadas. Também integram o line-up: o cantor norte-americano de indie folk, Father John Misty, a dupla do Animal Collective, o trio australiano Cut Copy, o rapper paulistano Rincon Sapiência, o cantor

carioca Rubel e as bandas BaianaSystem e Boogarins. Os portões abrem às 14h de sábado, e o festival se estende até as 4h da manhã de domingo. A curadoria gastronômica fica por conta de Thiago Nasser, à frente do projeto sustentável Junta Local, e as instalações artísticas são assinadas pelo coletivo 'gru.a'. Ingressos a partir de R$ 160. Av. Infante Dom Henrique, s/n.

CURSO – História da fotografia é tema de aulas no IMS Amadorismo diz muito mais sobre amor do que sobre falta de prática. Esse é o fio condutor do curso "Amadores da fotografia, amadores na fotografia", do Instituto Moreira Salles. Nos dias 9, 16, 23 e 30/8, o fotógrafo e curador do portal Brasiliana Fotográfica, Joaquim Marçal, traça um panorama da história da fotografia amadora, no Brasil e no

resto do mundo. Contemplando obras do século 19 ao 21, serão analisados marcos históricos — como a introdução da fotografia no país por Dom Pedro II — e contribuições de grandes nomes do amadorismo fotográfico: George Eastman, Alfred Stieglitz e Edwin Land. O investimento é de R$ 200. R. Marquês de São Vicente, 476.

Depois do trabalho

BAR - Centro ganha novo happy hour

O mixologista Walter Garin, nome por trás da escola de bartenders Shake Rio, acaba de abrir um novo bar no centro da cidade. De segunda a sexta, a Shake Speakeasy serve drinks autorais, como o Harry Leon Crawford (cachaça, cordial cítrico, uva branca, limão, bitter artesanal e manjericão), e clássicos repaginados, como o Negroni Shake, que leva vermute tinto com infusão de nibs de cacau. R. São José, 35.

PORTO ALEGRE

A obscena Sra. H.

TEATRO – Hilda

Hilst inspira espetáculo

Nos dias 28 e 29/7, o Theatro São Pedro recebe duas sessões da peça "Obs.cenas", baseada na obra da escritora paulista Hilda Hilst. Concebido pelos atores Arlete Cunha e

A comida do futuro

Marco Fronchetti, o espetáculo é fruto de uma pesquisa de seis meses sobre a presença da obscenidade na literatura da autora de "O Caderno Rosa de Lori Lamby". O roteiro parte da vida de Hilda para refletir sentimentos universais sobre velhice, esquecimento e solidão. Ingressos a R$ 20. Pça. Marechal Deodoro, s/n.

GASTRONOMIA – Urban Farmcy

repleto de boas novidades

Devaneio etílico

BAR – Uma pitada de simplicidade

Aberto recentemente no Centro, o bar Devaneio do Velhaco preza pela simplicidade. Por lá, come-se sanduíches, como os de iscas de vazio (na ciabatta com provolone cremoso) e ragu de acém (com cheddar defumado e crocante de bacon). Outro destaque é a batata rústica com maionese de pimentão. Além disso, a casa também oferece boa variedade de cervejas artesanais e drinks. R. General Portinho, 245.

Antídoto musical

SHOW – 5 a Seco lança seu 3º disco em POA A banda 5 a Seco sobe ao palco do Teatro Bourbon Country, no dia 29/7, para o lançamento de "Síntese" — terceiro disco do quinteto. O título do novo trabalho advém da afinidade entre a ideia da palavra "síntese" e a proposta do coleti-

vo formado há oito anos: "Método que consiste em reunir elementos diferen-

tes e fundi-los num todo coerente". Também integram o setlist os hits dos

discos anteriores. Ingressos a partir de R$ 20. Av. Túlio de Rose, 80.

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Aberto há pouco mais de um ano, o restaurante vegetariano Urban Farmcy já caiu nas graças do público porto-alegrense com criações gas tronômicas saborosas e saudáveis,

com ingredientes cultivados por pequenos produtores. Desde então, muitas novidades complementaram o cardápio da casa. A mais recente é a carta de drinks, assinada pelo

bartender Rafael Câmara. Com 91% de ingredientes orgânicos, o menu da casa recebeu criações como o Bloody Sister, uma releitura do clássico drink que leva vodca orgânica com infusão de beterraba e suco de cenoura. Além da boa coquetelaria e deliciosa comida, o espaço oferece talks mensais sobre práticas sustentáveis dentro da cadeia produtiva alimentar e aulas quinzenais de yoga, cumprindo a proposta multicultural e responsável da iniciativa. R. Hilário Ribeiro, 299.


AGENDA CULTURAL (BRASIL) BELO HORIZONTE

Basquiat em BH ARTE – Exposição do

neoexpressionista em turnê

Depois de passar por São Paulo e Brasília, a exposição do artista norte-americano Jean-Michel Basquiat chega ao CCBB de Belo Horizonte. O conjunto de obras, apresentado pela primeira vez ao público brasileiro em SP, reúne mais de 80 quadros, desenhos e gravuras do pintor que foi um expoente do neoexpressionismo. Em cartaz até o dia 24/9. Entrada gratuita. Pça da Liberdade, 450.

Em águas mineiras

SHOW – Banda argentina volta a BH

TEXTO: DÉBORA STEVAUX, FERNANDA BRANCO POLSE, HELDER FERREIRA | FOTOS: DIVULGAÇÃO; [A] RALPH ARVESEN; [B] NATHALIA LIMA CASTRO; [C] COO-EEABORIGINAL ART GALLERY

Liderado pelas cantoras Julia Ortiz e Dolores Aguirre, o grupo argentino Perotá Chingó volta à cidade de Belo Horizonte. O show faz parte da turnê de lançamento do álbum "Aguas",

segundo disco da banda, que reúne 13 canções de texturas caudalosas, com a mesma sonoridade latina e percussiva de

sempre. O show acontece na casa A Autêntica, no dia 1o/8 às 20h. Ingressos a partir de R$ 70. R. Alagoas, 1172.

Em dose dupla

FESTIVAL – Line-up diverso marca

collab entre Sarará e Sensacional

No sábado, dia 18/8, os festivais Sensacional e Sarará realizam edição conjunta na Esplanada do Mineirão. O line-up inclui Nação Zumbi, Criolo, Johnny Hooker, Gloria Groove, Maíra Baldaia, Dolores 602, Biltre, dentre outros. Parcerias entre os artistas também marcam a

Para aquecer

BAR – Casa serve cafés especiais

Desde junho, o gastrobar Cabernet Butiquim oferece um cardápio de bebidas quentes criado em parceria com a Mito Cafés Especiais. Além dos tradicionais espresso, pingado e mocha — feitos com um autêntico café da Serra da Mantiqueira —, há o Queimadinha (na foto), que leva café, leite, caramelo e canela, e o Brigadeiro Quente (versão líquida da clássica sobremesa). R. Levindo Lopes, 12.

edição: Emicida faz show com Drik Barbosa e Mallu Magalhães divide o palco com Maria

Gadú. Os ingressos custam a partir de R$ 12,50 e podem ser adquiridos online e em diversos pontos de venda na capital mineira. Av. Antônio Abrahão Caram, 1001.

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BRASIL

[C]

SALVADOR

CURITIBA

Pop em turnê

Brasil + Espanha

SHOW – "Canta Lulu" em terras soteropolitanas

RECIFE

O sonho de antes

ARTE– Exposição

resgata arte aborígene

Descendentes dos primeiros humanos modernos a migrar para fora da África, os aborígenes são donos da tradição artística mais antiga do planeta. Esse legado pouco co-

nhecido é tema da exposição "O Tempo dos Sonhos", que ocupa a Caixa Cultural até o dia 5/8. Pioneira na América Latina, a mostra traz obras de nomes como Emily Kame e Clifford Possum. Ao todo, são mais de 40 trabalhos, entre pinturas, esculturas e bark paintings. A entrada é franca. Av. Alfredo Lisboa, 505.

A capital baiana recebe o cantor e compositor Lulu Santos na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, na noite de 18/8. O evento integra a turnê "Canta Lulu" e já passou por diversas capitais — como Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. O show conta com cenografia de Karen Araújo e traz o

BAR – Frutos do mar em destaque

artista carioca em sua melhor forma: entoando grandes sucessos da carreira e hits que marcaram gerações. Fique tranquilo, pois os maiores sucessos do rei do pop brasileiro — tal qual "Toda Forma de Amor", "Como uma Onda" e "Um Certo Alguém" — estão garantidos no setlist. Os ingressos custam a partir de R$ 60. Pça 2 de Julho, s/n. VITÓRIA

Teresa vive!

MOSTRA – A sétima arte é de todas Batizado em homenagem a uma líder quilombola do século 18, o Cineclube Teresa de Benguela

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tem como objetivo evidenciar a produção cinematográfica de mulheres negras. Com esse intuito, o projeto realiza a segunda edição da mostra "Encontros", no Cine Metrópolis. De 13/8 a 15/8, são exibidos por lá dois documentários: "Em Busca de Lélia", de Beatriz Vieirah, e "O

Caso do Homem Errado", de Camila de Moraes — o segundo filme dirigido por uma mulher negra a entrar em circuito comercial desde 1984. As diretoras também participam de debates após as exibições. Entrada franca. Av. Fernando Ferrari, 514.

Aberto no fim do ano passado, o gastrobar A Ostra Bêbada serve frutos do mar frescos. A junção da culinária brasileira com a espanhola fica evidente em pratos como o vinagrete de camarão e o lanche de lula à dorê com maionese de alho no pão francês. Para acompanhar, a casa oferece boas opções de cervejas e vinhos. R. Des. Ermelino de Leão, 95.


TRENDS

WGSN

Os tech-lovers de 2020

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TENDÊNCIA — Em tempos de fake news e ameaça de segurança

de dados, os Aumentalistas mostram que é possível enxergar a tecnologia pelas lentes do otimismo, atrelando a inteligência humana à artificial, com equilíbrio e ética

bônus são imensuráveis. A alta performance resultante da união do trabalho entre humanos e máquinas é um dos destaques levantados por um estudo realizado pela publicação científica “Harvard Business Review”, a partir de uma pesquisa com cerca de 1.500 empresas, e compilados no artigo “What the People Think About Tech Companies”. A maioria dos entrevistados viu os avanços tecnológicos das empresas como algo positivo. A dualidade entre efeitos positivos e negativos já existe, basta traçarmos o caminho da coexistência organicamente: “A meta é validar a tecnologia por meio de estratégias capazes de melhorar as nossas vidas. E, a partir disso, aplicá-las em larga escala”, conclui Luiz.

[A]

1 — Natasha Madov, Diana Assennato e Emily Canto Nunes: trio de comunicadoras à frente da plataforma digital Ada.vc 2 — O geógrafo carioca Vitor Saboya, que idealizou, em 2017, o projeto de reciclagem Zyklus 3 e 4 —Quando humanos e mecanismos de inteligência artificial unem forças, os bônus são imensuráveis

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Máquinas do bem 4 iniciativas tecnológicas que integram a perspectiva Aumentalista Ada.vc

Plataforma digital criada por três comunicadoras que tem como proposta unir mulheres na era digital. O projeto realiza oficinas inclusivas, como uma direcionada a pessoas mais velhas que desejam aproveitar melhor seu smartphone. @ada.vc

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Giulia – Mãos que falam

O projeto brasileiro de tecnologia assistiva otimiza a comunicação de surdos através do uso de smartphones e de sensores conhecidos como magnetômetros. projetogiulia. com.br

Black Box VR

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O de headset HTC promove uma experiência de treino por realidade virtual personalizada de acordo com cada perfil físico. O espaço necessário é tão pequeno que pode ser feito em um banheiro de avião. @black_box_vr

Zyklus

Como a WGSN identifica tendências?

MECA + WGSN

Com 14 escritórios espalhados ao redor do mundo e clientes em 86 países, a líder mundial em pesquisa de tendências aposta na mistura de intuição, experiência e dados concretos para mapear padrões de comportamento em ascensão global. De aspectos geopolíticos a subculturas locais, de artistas de vanguarda a influenciadores digitais, diversas fontes e fatores alimentam a análise diária de um time de especialistas de múltiplas formações.

Em parceria com a WGSN, o MECA analisa as principais tendências de comportamento e consumo atuais. O resultado você confere no Journal e em talks realizados no MECASpot. Nesta edição, apresentamos os “Aumentalistas” — um dos perfis de consumidores em ascensão global. O tema será discutido no dia 19/7, às 19h30. Acompanhe nossa agenda em @mecalovemeca

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O projeto carioca tem um sistema de coleta e reciclagem adequadas de lixo eletrônico. Além disso, as máquinas reformadas são vendidas por um preço mais acessível. @zyklus reciclagem

TEXTO: DÉBORA STEVAUX | FOTOS: DIVULGAÇÃO; [A] DIEGO CAGNATO; [B] MARTIN SANCHES/UNSPLASH

Nem vilã nem heroína — os Aumentalistas preferem ver a tecnologia como uma aliada. O perfil comportamental foi um dos três destacados pela WGSN no report “O Consumidor do Futuro 2020”, e é definido pelo otimismo tecnológico. O termo, que dá nome ao grupo em ascensão global, vem de uma simples ideia: aumentar ainda mais os benefícios proporcionados pela tecnologia desde o seu advento, no século 20. Segundo Luiz Arruda, diretor da WGSN Mindset, para enxergar os ganhos positivos da tecnologia é preciso, antes de “jogar o jogo”, entender o poder de influência dela na sociedade como um todo e, sobretudo, usá-la a favor. “O medo da automação precisa ficar de lado, porque o potencial da inteligência artificial na criação de empregos é muito maior em escala”, esclarece. No entanto, não é só a automação que corrobora a construção de uma ideia negativa acerca da evolução tecnológica. Para o diretor, episódios contemporâneos como os que envolvem as fake news, por exemplo, reforçam o poder destrutivo do mau uso da tecnologia. Ao mesmo tempo, é também a partir dessa tensão que a corrente Aumentalista ganha mais força a cada dia. “Esse é o estopim para desenvolvermos uma relação mais saudável, mais humana”, pontua Luiz. O grande caminho para materializar uma proposta otimista passa pela inserção do fator humano nos processos, sustentada em valores igualmente humanos: “Uma relação saudável com a tecnologia implica no seu uso responsável, ético e também limitado. Os limites promovem o uso consciente, sem nos tornarmos dependentes”, analisa Luiz. Sob essa perspectiva, os Aumentalistas veem a tecnologia como um potencializador das capacidades e competências humanas para além do consumo, através do protagonismo de uma geração mais criativa — uma vez que dispõe de mais recursos e ferramentas. Luiz também destaca as consequências palpáveis do movimento. Uma delas é em relação ao machine learning e como esse método de aprendizado através das máquinas pode enriquecer a educação em escala global. Outra pauta relevante é a inteligência colaborativa. Quando humanos e mecanismos de inteligência artificial unem forças, os


AROUND THE WORLD INSIDER tips

Michael Jackson no museu, Lauryn Hill nos palcos e orgânicos no salão de beleza, além de bons rolês para curtir pelo mundo INGLATERRA

Michael on the wall ARTE - Michael

TEXTO: FERNANDA BRANCO POLSE; FOTOS: DIVULGAÇÃO; [A] ANNA BALECHO/DIVULGAÇÃO; [B] MONICA SIMOES/BROADWAY CARES/ EQUITY FIGHTS AIDS

Jackson por diversos olhares

Até o dia 21/10, as paredes da National Portrait Gallery, em Londres, ficam cobertas de Michael Jacksons. Inaugurada no final de junho, a exposição “On the Wall” celebra os 60 anos de nascimento do cantor pop por meio das obras de mais de 40 artistas inspirados por ele. A exposição narra uma história pouco explorada sobre o legado do

EUA E JAPÃO

Ocidente & Oriente

MÚSICA - Em dois lados do mundo, dois ótimos festivais

pop star: sua influência na arte contemporânea. Uma das personalidades mais influentes do século 20, o cantor foi retratado por grandes artistas, como Andy Warhol, David LaChapelle e Maggi Hambling. Graças à curadoria de Nicholas Cullinan, esses múltiplos olhares podem ser vistos em um único lugar. npg.org.uk

De 20 a 22/7, acontece o Pitchfork Music Festival, em Chicago. Entre as dezenas de atrações confirmadas estão nomes como Tame Impala e Fleet Foxes, além de uma convidada de honra: Ms. Lauryn Hill. A cantora encerra o evento com um show comemorativo dos 20 anos de seu único e premia-

do álbum “Miseducation of Lauryn Hill”. Já na semana seguinte (27 a 29/7), do outro lado do mundo, no Japão, acontece o Fuji Rock Festival. No line-up, são destaques Mac Demarco, Kendrick Lamar e uma lenda viva da música mundial: Bob Dylan & banda. @pitchforkfest @fujirock_jp

PORTUGAL

Cabelo “verde”

LOJA - Salão com proposta

ecológica em terras portuguesas [A]

Cuidar do cabelo de maneira ética e sustentável — essa é a ideia que deu origem ao Fhair. Inaugurado recentemente em Lisboa, Portugal, o salão aposta em produtos naturais, orgânicos e

livres de testes em animais. E isso não é tudo: reciclagem de resíduos, luvas reutilizáveis, economia de energia e água também completam a proposta da loja. @fhair_organic hairstudio

[B]

LETÔNIA

Mostra dos Bálcãs

EXPO - Primeira

bienal em Riga

Riga, a capital da Letônia, ganhou recentemente a primeira bienal internacional de arte contemporânea:

a RIBOCA. Com um enfoque maior em produções artísticas bálticas, ou olhares que dialoguem com o contexto político e histórico da região, o evento exibe até o dia 28/10 trabalhos de mais de 100 artistas contemporâneos de todo o mundo. rigabiennial.com

EUA

Movimento pela saúde DANÇA - Festival

doa fundos para instituições

Reconhecida pela exuberância natural, a Great South Bay, em Nova York, vai servir de cenário para uma programação de dança ao ar livre em prol da comunidade

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soropositiva, de 20 a 22/7. Idealizado por bailarinos e coreógrafos de dança de renome internacional, o Fire Island Dance Festival chega à sua 23ª edição este mês

e já arrecadou mais de 2 milhões de dólares nos últimos quatro anos, destinados a instituições de apoio aos portadores do vírus HIV. A iniciativa Dancers Responding to AIDS

integra o programa da Broadway Cares/ Equity Fights AIDS — organização sem fins lucrativos atuante nos Estados Unidos desde 1988. dradance.org

A artista e pesquisadora brasiliense Poliana Pieratti indica 3 associações culturais em Lisboa e explica: “São espaços culturais híbridos e anárquicos que juntam todo tipo de gente. Bares que não são bares, restaurantes que não são restaurantes e feiras que não são feiras.” RDA 69 “Um dos espaços mais interessantes de Lisboa: parece uma enorme garagem, tem energia de quintal e eventos que vão de palestras sobre micropolítica a fervos memoráveis. De dia servem um almoço vegetariano delicioso.” rda69.word press.com Anjos 70 “Tem jam todas as quartas e é também palco do melhor flea market da região. Vale a pena chegar cedo, pois a fila cresce rápido.” anjos70.org Loucos & Sonhadores “De todas as associações, é a que mais parece um bar. Comece experimentando uma amarguinha com muito gelo e limão. Metade da ‘malta’ fica bebendo na porta, perfeito para o verão.” @associaçãoloucossonhadores


COOL PEOPLE BEHIND COOL PROJECTS

uma questão de curadoria Josélia Aguiar, curadora da 16ª FLIP, compartilha as conquistas do evento, que este ano homenageia a escritora paulista Hilda Hilst

Desde o ano passado, Josélia Aguiar é o nome por trás da curadoria da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que acontece de 25 a 29 de julho e tem Hilda Hilst como autora homenageada. Depois de 10 anos com o olhar masculino na curadoria, o maior festival literário do país tem em sua 16ª edição a segunda mulher a ocupar a posição de curadora-chefe. A soteropolitana trouxe consigo uma postura mais consciente acerca de questões políticas e sociais históricas, rendendo conquistas importantes ao evento. A jornalista, que cobriu literatura e mercado editorial por mais de sete anos

no jornal “Folha de S.Paulo”, implementou um olhar atento à participação de mulheres e de negros na programação da FLIP. Na história do festival, a presença feminina costumava ser incipiente: a média era de sete mulheres a cada 40 convidados. Sob o comando de Josélia, o evento igualou a proporção de autoras e autores desde a última edição, fazendo jus à rica produção literária feminina brasileira. Este ano, a curaroria contempla 17 escritoras e 16 escritores. A presença de convidados negros também cresceu sob a curadoria da jornalista: “A minha determinação era aumentar o número de autores negros pre-

sentes, e conseguimos um percentual muito novo para a FLIP. A quantidade foi realmente expressiva em comparação com a média dos anos anteriores”, reflete. Esse posicionamento dialoga com a curadoria de 2017, que homenageou pela primeira vez um autor negro, o carioca Lima Barreto. Segundo Josélia, essa proposta curatorial é um desejo verdadeiro por pluralidade: “A gente quer que isso se torne uma regra, que não vire a notícia, que as pessoas realmente sejam reconhecidas pelos seus trabalhos como autores e autoras”, afirma. Não é por acaso que, este ano, a festa

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literária tem a poeta, romancista, cronista e dramaturga Hilda Hilst como homenageada. A escolha tem como foco o “mundo de dentro”, em uma relação estreita com o trabalho da escritora paulista: “Hilda foi uma mulher que investigou o amor, a morte, a transcendência. Uma autora que trabalhou com questões mais íntimas e existenciais. E isso está refletido no programa deste ano”, explica Josélia. A programação, no entanto, não se restringe apenas a temas intimistas. Mesas com conteúdos candentes, como violência, feminicídio e negritude, também estarão presentes. Um dos destaques é o encontro entre a filósofa brasileira Djamila Ribeiro e a ficcionista argentina Selva Almada – ambas discutirão a literatura como um meio de contestar a violência. E é para continuar oferecendo uma programação atenta que a curadoria do evento é constantemente repensada. “A FLIP continuará sempre a se renovar, e a mudança de curadores é salutar também por isso”, conclui Josélia.

TEXTO: FERNANDA BRANCO POLSE | FOTO: GUI MOHALLEM/DIVULGAÇÃO

“QUE AS PESSOAS SEJAM REALMENTE RECONHECIDAS POR SEUS TRABALHOS COMO AUTORAS”


MECAINTRO

giovanna pizzoferrato

TEXTO: LUCAS PEXÃO | FOTO: DIVULGAÇÃO

Em exibição no MECASpot durante o mês de julho, o trabalho da artista norte-americana busca semelhanças e conexões emocionais entre pessoas e máquinas A artista norte-americana Giovanna Pizzoferrato, de 26 anos, mora em Los Angeles, mas tem uma forte relação com o Brasil – por sua mãe ser brasileira e por adorar São Paulo, cidade que visita com cada vez mais frequência. Não por acaso, é na capital paulista que vai acontecer sua primeira exposição individual. Durante o mês de julho, a convidada da quarta edição do projeto MECAIntro exibe, na sede do MECA em São Paulo, duas séries de trabalhos aparentemente desconexas: pinturas de aquários sobre acrílico e desenhos de motores de carros sobre papel. As duas vertentes se encontram em meio ao processo criativo de Giovanna, que parte do cotidiano particular para projetar humanidade nas coisas – no caso, nas caixas de peixes e de humanos. Os aquários viraram um interesse quando ela acompanhou a tentativa frustrada de sua irmã de montar e manter um em casa. A caixa de água com vida oxigenada por um motor lhe pareceu um objeto interessante para a pintura. Já os desenhos em motores – mais precisamente do antigo motor de um Volkswagen Rabbit 1979 pertencente à artista – nasceram do seu aprendizado autodidata no universo predominantemente masculino da mecânica automobilística. Não foram só válvulas e ventoinhas que ela viu ao se debruçar sobre o motor de seu carro. Além de aprender a consertar as entranhas do veículo, ela percebeu, desenhando, uma série de conexões emocionais entre máquinas e pessoas: como elas funcionam ou deixam de funcionar; como se conectam mecanicamente em suas partes e subjetivamente em nossas vidas. Nas obras de Giovanna, objetos expressivamente representados e compostos podem modular sentimentos 1 complexos de qualquer um.

“To Know an Aquarium”, Giovanna Pizzoferrato, 2015. Óleo sobre acrílico e prateleira de bétula.

MECAIntro Giovanna Pizzoferrato Em exposição durante o mês de julho R. Artur de Azevedo, 499, São Paulo Visitação: sábado e domingo das 11h às 20h

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ESPECIAL MECAINHOTIM

O festival dos sentidos Uma experiência imersiva na paisagem deslumbrante de um dos maiores centros de arte contemporânea a céu aberto do mundo: esse é o MECAInhotim, um festival de artes, cores e causas. Nas próximas páginas, relembramos os destaques do primeiro dos cinco festivais que o MECA promove em 2018

LIBERDADE, AUTENTICIDADE E DIVERSIDADE FORAM ALGUNS DOS VALORES CELEBRADOS NO MECAINHOTIM

Uma experiência memorável “Noite de lua cheia num jardim encantado. O MECAInhotim foi inesquecível, muito mais especial do que eu esperava. Foi lindo dançar, encontrar amigos queridos por acaso entre as palmeiras centenárias, brincar entre as paredes d’A Invenção da Cor, do

Oiticica, descansar na companhia dos marrecos, deitar pra observar a Lua, Marte laranja logo ao lado e seus reflexos na lagoa-espelho. Uma estrela cadente imaginária cruzou o céu e desejei que noites assim possam se repetir mais e mais vezes. Desejei um mundo mais seguro, criativo e efervescente, onde toda pessoa possa ser quem quiser ser.” — Foi assim que a jornalista belorizontina Lívia Aguiar

descreveu, no seu perfil de Instagram, a própria experiência na noite de sábado do MECAInhotim — que aconteceu entre os dias 29 de junho e 1o de julho de 2018 no Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte contemporânea a céu aberto do mundo, em Minas Gerais. O fim de semana também foi marcante para a atriz Alice Wegmann, que viveu três dias de muita conexão consigo

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mesma e com quem apareceu para ficar por perto. “O MECA acolhe, é um lugar perfeito para fazer amigos e para despertar a nossa sensibilidade para o outro e para o mundo”, relata com a mesma empatia a carioca que também compartilhou nas redes sociais a memória de três dias especiais. O clima acolhedor não foi o único aspecto que emocionou a atriz: “O show da Elza Soares foi o que


ESPECIAL MECAINHOTIM mais me impactou, foi minha primeira vez vendo-a no palco. A força arrebatadora dela impressiona, mexeu muito com o meu coração”, afirma. Lívia e Alice são duas das 9 mil pessoas que circularam durante o fim de semana no MECAInhotim. Na direção contrária dos grandes festivais nacionais, que chegam a receber mais de 200 mil pessoas durante um fim de semana, o MECA se empenha em criar festivais que contemplem um número máximo e limitado de pessoas, a fim de garantir uma experiência agradável e imersiva como um todo. Oferecer vivências culturais memoráveis a uma grande multiplicidade de públicos é um dos muitos objetivos da plataforma, que faz isso acontecer organicamente ao longo dos vários eventos promovidos durante todo o ano, através da mescla dinâmica e rica de formatos maiores e menores, gratuitos e pagos. A estratégia materializa uma proposta que faz parte do DNA do MECA, nascido há oito anos no sul do Brasil: ser a maior menor plataforma cultural do mundo. Ao longo dos três dias do evento, 21 shows, 16 DJ sets e mais de 30 atividades diurnas — entre workshops, talks, painéis, visitas mediadas e mostra de cinema —, cada espectador pôde vivenciar um festival só seu. Além do público que colo-

Meiaentrada para todos Mais um ano da iniciativa Por meio da doação de livros, o público pôde ir ao festival pagando meiaentrada em todas as categorias de ingressos. Os livros foram doados para três instituições de BH: • Centro Cultural Vitório Marçola @CentroCultural VilaMarcola.ccvm • Lá da Favelinha @oficinalada favelinha • A Galeria Aê @galeriaae

“O MECA ACOLHE, É UM LUGAR PERFEITO PARA FAZER AMIGOS E DESPERTAR A SENSIBILIDADE PARA O OUTRO E PARA O MUNDO” ALICE WEGMANN, ATRIZ

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“O EVENTO É SUBVERSIVO POR ACONTECER NUM MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA E RECEBER UMA DOSE DE CULTURA JOVEM FORTE, COM POSIÇÃO QUEER, NEGRA, DIVERSIFICADA. O SHOW DA ELZA MATERIALIZOU O AFROFUTURISMO”

FOTOS: [A] COLETIVO TEMPORÁRIO; HELENA YOSHIOKA, MARCELO PAIXÃO, WES ALLEN /I HATE FLASH

TIAGO GAMALIEL , DESIGNER E COOLHUNTER

“APRENDI A APROVEITAR O FATO DO MEU TELEFONE NÃO FUNCIONAR NO PARQUE. NÃO SOFRI EM FICAR TENTANDO ACHAR PESSOAS, SIMPLESMENTE AS ENCONTREI E VIVI COM ELAS AQUELE MOMENTO” LUZINHA NOLETO, PRODUTORA DE EVENTOS

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ESPECIAL MECAINHOTIM

“LETRUX ME MARCOU PELA ENERGIA DO INÍCIO AO FIM: DELICIOSAMENTE UMA NOITE DE CLIMÃO. TAMBÉM AMEI COMPARTILHAR O QUE MAIS GOSTO DE FAZER DURANTE O WORKSHOP” CÉLIO DIAS, DIRETOR CRIATIVO DA LED

Do MECA,

com amor 3 atrações surpresas do festival

Cortejo vibrante Após o show do Cordel do Fogo Encantado, no sábado, o projeto cultural paulistano ¡Venga-Venga! entrou em cena e abriu caminhos. Em um cortejo dançante e visual, o grupo conduziu o público até um dos muitos jardins secretos do Inhotim, onde começava o after da Ray-Ban.

“O MECAINHOTIM ME PROPORCIONOU UM DESCOBRIMENTO. EU ME SENTI TURISTA DENTRO DO MEU ESTADO. EM TRÊS DIAS OUVI, APRENDI, DANCEI, TROQUEI, VIVI” BERNARDO BIAGIONI, CURADOR DA GALERIA QUARTOAMADO

Dueto de titãs No domingo, o show de Pabllo Vittar, um dos mais esperados do festival, contou com a participação de Alice Caymmi. As duas cantaram juntas “Eu Te Avisei”, a última faixa do disco homônimo de Alice. À flor da pele Também no domingo, o fotógrafo e fundador do I Hate Flash, Fernando Schlaepfer, ministrou um workshop sobre o projeto #365nus. Um momento intimista e pra lá de especial para quem acompanha seu trabalho.

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riu os jardins do Inhotim, quem passou pelo palco também compartilhou do mesmo sentimento marcante de uma experiência inédita. Elza Soares carinhosamente declarou: “Estou completamente feliz e emocionada de ter participado desse grande trabalho maravilhoso feito no Brasil, que foi o MECAInhotim! A gente viaja para o exterior, em grandes festivais, e eu sempre me questionei muito: por que não tem essa beleza no Brasil!!? A gente já é bonito por natureza, Minas já é linda por natureza! Por isso fiquei muito feliz, muito honrada em poder participar desse grande festival. Parabéns, parabéns, parabéns! E espero participar outras vezes!” Além de emocionar a todos com unanimidade ímpar, através do show “A Voz e a Máquina”, a cantora carioca de 81 anos sintetizou em sua apresentação toda a pluralidade de questões contemporâneas que nortearam a proposta curatorial do festival como um todo, para além das atrações musicais. Política, liberdade, feminismo, representatividade, responsabilidade, independência, autenticidade, diversidade, pertencimento, respeito e consciência são algumas das múltiplas causas que motivam o MECA e foram levantadas pelo discurso potente falado e cantado pela voz de Elza Soares. Por diferentes vertentes, o mesmo


ESPECIAL MECAINHOTIM

Sobe o som ı0 músicas que marcaram o MECAInhotim Deus É Mulher — Elza Soares Flerte Revival — Letrux Chover (Ou Invocação Para Um Dia Líquido) — Cordel do Fogo Encantado Eu Te Avisei — Alice Caymmi e Pabllo Vittar Black Jesus (com Vaskular) — Valesuchi

FOTOS: [A] PEDRO LACERDA/SHAKE IT; HELENA YOSHIOKA, WES ALLEN, MARCELO PAIXÃO/I HATE FLASH

Ben — Rubel Te Amo Disgraça — Baco Exu do Blues Let’s Get Lost — Teach Me Tiger Solta o Espartilho (Hino da Corte Devassa) — Veronez [A]

coro foi amplificado pelas apresentações de Alice Caymmi, Cordel do Fogo Encantado, Baco Exu do Blues, Letrux e da musa pop Pabllo Vittar, levada pela TNT Energy Drink. A leveza e a descontração ficaram por conta de apresentações como as do cantor e compositor carioca Rubel, do soteropolitano Kafé, dos gaúchos da banda Gelpi, do trio

paulista Jules, além das performances dos DJs que intercalaram todos os shows — uma das novidades de 2018. A abstração sem palavras foi garantida pela big band instrumental mineira Iconili e pelo quarteto paulistano E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Mesclando múltiplos discursos e caminhos sonoros, o palco Heineken

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Stage enriqueceu o line-up do festival com shows de oito artistas escolhidos a dedo pela própria Elza Soares: Beatriz Rodarte (MG), JP Silva (RJ), Luciano Mello (RS), Marcelo Veronez (MG), Pedro Morais (MG), Teach Me Tiger (MG), Young Lights (MG) e Zabelê (RJ). No fim das noites de sexta e sábado, o After Ray-Ban fez “ferver” a

Jorge Botafogo — Iconili

pista de música eletrônica em meio a um dos muitos jardins secretos do Inhotim, acrescentando um sotaque internacional ao line-up inteiramente brasileiro do festival. O francês Joakim e a chilena Valesuchi surpreenderam na despedida de cada noite, ao lado de Carlim (RS), Vermelho (SP) e Omoloko (MG). (continua)


ESPECIAL MECAINHOTIM

“FOI CRIADO UM ESPAÇO DE COMPLETA DIVERSIDADE, ONDE FORMAS DE PENSAR, CORPOS E VIVÊNCIAS DIFERENTES CONSTRUÍRAM DENOMINADORES COMUNS” DUDA SALABERT, CRIADORA DA ONG TRANSVEST

PELA PRIMEIRA VEZ O CINEMA FEZ PARTE DA PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL , COM A MOSTRA “PROFISSÃO: ARTISTA”

Mostra de cinema: a novidade de 2018

“A JUNÇÃO DAS OBRAS QUE JÁ ESTÃO AQUI COM A MOSTRA É UMA SURPRESA CRESCENTE. ESSA UNIÃO REPRESENTA O MECA” RENATO GÓES, ATOR

Uma das grandes novidades desta quarta edição do MECAInhotim foi a mostra de cinema “Profissão: Artista”. Com curadoria de Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto Inhotim e gestor cultural, o projeto reuniu quatro longas e cinco curtas brasileiros que versam sobre o ofício artístico, além de dois painéis de conversa com convidados especiais. São eles: os documentários “Divinas Divas”, de Leandra Leal, e “Todos os Paulos do Mundo”, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira; os longas de ficção “O Beijo no Asfalto”, dirigido por Murilo Benício e “Legalize Já”, do diretor Johnny Araújo; e “Retratos”, uma série de cinco curtas documentais sobre a construção de galerias do Inhotim. Segundo Grassi, a seleção de filmes nasceu a partir das discussões atuais sobre liberdade de expressão no universo das artes e da reflexão sobre a extinção do registro profissional do artista. “A profissão ‘artista’ em si também tem muito a ver com o momento político que estamos vivendo, que passa por proibições de exposições e questionamentos sobre performances artísticas”, explica o gestor cultural. “A ideia da mostra ser calcada no artista nasceu também como uma reação à ação da Procuradoria Geral da República que busca desregulamentar a profissão no Brasil. Esse movimento vem no momento em que a gente percebe que a arte está sendo muito atacada”, alerta. A importância da luta pela liberdade artística também foi lembrada pelo cineasta Johnny Araújo. “Acho que a gente tem um papel realmente fundamental de lutar muito, ainda mais agora, nesse momento político, pelo nosso direito de expor o que a gente pensa e acredita”, afirma o diretor de “Legalize

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“A GEOGRAFIA MISTERIOSA DE INHOTIM REFORÇOU A BELEZA DO FESTIVAL , POTENCIALIZANDO OS ARTISTAS QUE ESTIVERAM ALI. DESTACO OS SHOWS DE ELZA, CORDEL E LETRUX — ESSA ÚLTIMA, UMA DEUSA MODERNA” JESUÍTA BARBOSA, ATOR

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ESPECIAL MECAINHOTIM

Parcerias marcantes O MECA tem como parceiras marcas que acreditam na proposta da plataforma e contribuem para construir experiências únicas e especiais Ray-Ban O workshop #FeelYourBeat ensinou o público a discotecar no #RayBanStudios e o After Ray-Ban fez a galera dançar madrugada adentro. Beefeater, Absolut e Jameson As marcas ofereceram oficinas de drinks clássicos e apresentaram a nova bebida Absolut Extrakt para o público do festival. [B]

FOTOS: [ [A] PEDRO LACERDA/SHAKE IT; B] VICTOR IEMINI; HELENA YOSHIOKA, MARCELO PAIXÃO, WES ALLEN/I HATE FLASH

Heineken Levando o lema #LiveYourMusic ao pé da letra, o Heineken Stage recebeu artistas escolhidos pela rainha Elza Soares. Além disso, a marca também nos presenteou com um bar e um palco projetados pelo Atelier Marko Brajovic.

“OS FESTIVAIS TÊM A POTÊNCIA E A MISSÃO DE CRIAR REVOLUÇÕES NOS ARTISTAS, PÚBLICOS E TERRITÓRIOS, SÃO FORMAS DE CRIAR CONSCIÊNCIAS COLETIVAS RICAS. FESTIVAIS MARCAM HISTÓRIAS E VIDAS. QUE O MECA SIGA NESSA CONSTRUÇÃO” MARAH COSTA, CHEFE DO DEPARTAMENTO DE GESTÃO E PROMOÇÃO DE ARTES DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE

TNT Energy Drink A marca ofereceu o show de encerramento do festival com Pabllo Vittar e convidou a caligrafista Agatha de Faveri para a criação de pôsteres com hand lettering inspirados nas histórias de resistência do público.

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99 Quem foi ao MECAInhotim de 99, mesmo em corridas compartilhadas, voltou de graça e com segurança para casa.

Já” — cinebiogafia da origem da banda Planet Hemp. “Quando surgiu o convite de exibir o filme no MECAInhotim, ficamos muito animados. Então, além da oportunidade de exibir em um festival que não é um festival padrão, dá uma felicidade enorme, porque a gente precisa muito desse espaço”, completa o cineasta. Segundo o diretor do Inhotim, a ex-

periência da mostra foi especial. “O Inhotim ficou muito feliz com essa história”, relata Grassi. “E isso abre uma oportunidade de realizar outras edições da mostra com o MECA e também de utilizarmos esse cineclube que montamos para exibir outras obras, fazer lançamentos e virar, de fato, uma sala de cinema”, conclui.

Diálogos contemporâneos Na programação de talks, painéis, workshops e visitas mediadas nas galerias do Inhotim, o festival suscitou debates sobre uma ampla variedade de te-

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mas urgentes e contemporâneos. Quem passou pelo espaço da Igrejinha durante as manhãs e as tardes de sábado e domingo pôde participar de discussões sobre criatividade, design, astrologia, sexo, feminismo, combate ao racismo e à LGBTQfobia, entre outros. Duda Salabert, a criadora da Trans-


ESPECIAL MECAINHOTIM

Das Gerais, com amor Clima mineiro foi garantido por convidados especiais Espaço Benfeitoria Um dos centros culturais mais amados da capital mineira, a Benfeitoria criou um espaço de imersão na Igrejinha com toda a energia da cena cultural belorizontina. A “Benfs”, como é apelidada, convidou os estúdios de tatuagem Bel Studio e Resende Marcella Atelier para sessões de flash tattoo. Outro sucesso foi a participação de marcas que são referência na atual moda mineira. LED, MOLETT e DIWO Collab criaram peças exclusivas e bemhumoradas com o logotipo do MECA, enquanto a DUSTED levou itens de sua mais recente coleção.

“O MECAINHOTIM TRAZ CONTEÚDO, TROCA, NÃO SÓ A DIVERSÃO PELA DIVERSÃO. FOI LEGAL PODER ESTAR DOS DOIS LADOS: DE QUEM ESTÁ CURTINDO E DE QUEM ESTÁ A JUDANDO DE ALGUMA FORMA, MESMO QUE PEQUENA, A CONSTRUIR ESSA HISTÓRIA” LUIZ ARRUDA, DIRETOR DA WGSN MINDSET

Experiências gastronômicas Um dos grandes destaques da cultura regional, o tempero mineiro não ficou de fora do MECAInhotim. O Guaja e a Amadoria, duas verdadeiras instituições da cena cultural e gastronômica de Beagá, foram convidados a assinar a curadoria de três espaços de alimentação. O resultado foi um cardápio repleto de pratos inusitados e deliciosos.

Vest, ONG belorizontina que atua para incluir pessoas trans no mercado de trabalho, foi uma das convidadas do painel “Nossa Luta é Todo Dia”, que discutiu como as micropolíticas cotidianas podem impactar a sociedade. “Através do MECAInhotim, pude fazer pontes com pessoas com as quais eu normalmente não estabeleceria um diálogo”, conta a empreendedora social, que também é professora do ensino básico e a uma das primeiras travestis brasileiras a

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se candidatar ao Senado. “Acho que a importância desse espaço proporcionado pelo festival é justamente essa: criar um lugar de completa diversidade, onde formas de pensar diferentes, corpos diferentes, vivências diferentes possam construir denominadores comuns. Isso foi brilhante”, acrescenta a professora. Por sua vez, a performer e coreógrafa brasiliense Aisha Mbikila, facilitadora do workshop de dança “Experiência Corporal: Diáspora Sensorial”

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e participante do painel “Corpo Performance”, também destaca a comunicação com o público como aspecto importante de sua experiência no festival. “Essas duas oportunidades me permitiram falar um pouco sobre o que eu sentia, usando a performance e os movimentos como veículo de resistência, como veículo de diálogo, de linguagem”, explica. Já Mariana Stock, fundadora do Prazerela — projeto que incentiva as

mulheres a desfrutarem da sexualidade sem repressões —, participou de uma conversa sobre as potências do corpo feminino. “Dividir o palco com outras mulheres que também falam sobre sexualidade feminina foi um privilégio. Principalmente com a Ayana Amorim, uma mulher negra, que traz um outro lugar de fala e de experiência, do que é viver num corpo negro”, conta a publicitária. Um dos fundadores do Bloco Ango-


ESPECIAL MECAINHOTIM

“O MECAINHOTIM CONVERGE AS MUDANÇAS QUE QUEREMOS VER HOJE NA SOCIEDADE. O NOSSO HOJE É FEITO DE NEGRO, MULHER, LÉSBICA, GAY, TRANS” LUCAS NASCIMENTO, IDEALIZADOR DO BLOCO ANGOLA JANGA

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“FIQUEI IMPRESSIONADA COM A CAPACIDADE DA ELZA DE ESTAR TÃO SINTONIZADA NA FREQUÊNCIA DO MUNDO”

FOTOS: [A] PEDRO LACERDA/SHAKE IT; [B] REPRODUÇÃO/ INSTAGRAM; HELENA YOSHIOKA, MARCELO PAIXÃO, WES ALLEN/I HATE FLASH

TAINÁ MÜLLER, ATRIZ

la Janga, Lucas Nascimento também compartilhou sua experiência à frente do grupo de carnaval mineiro durante o painel “A Festa é de (Re)existência”. A seu ver, o festival conseguiu imprimir em sua programação grandes questões da sociedade atual. “O MECAInhotim reflete as mudanças da sociedade que convergem para esse evento. O nosso hoje é feito de negro, é feito de mulher, de lésbica, de gay, de pessoas trans”, analisa. “O contexto é único e a gente precisa, cada vez mais, de debates, de conversas que interajam com tudo isso. Essa interação que rolou durante o festival é muito importante, pois torna propício que a gente consiga tirar sempre novas ideias, novos fomentos para tornar o mundo cada vez melhor”, conclui. Todas as impressões dos convidados especiais dos painéis, talks e workshops convergem para um resumo de uma das principais motivações do MECA: proporcionar diálogos entre interlocutores circunstancialmente distantes e construir novas percepções sobre questões contemporâneas relevantes no Brasil e no mundo. Assim, todas as experiências diurnas e noturnas proporcionadas pelo evento de 2018 fazem do MECAInhotim uma importante e relevante iniciativa de estímulo à cultura nacional. O evento em terras mineiras é o primeiro dos quatro festivais que ainda vão acontecer em 2018 em outros estados: Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Que venham os próximos! (continua)

“SEMPRE ME PERGUNTAM QUEM FAZ A CURADORIA DO MECA, QUEM LIDERA A PRODUÇÃO, QUEM EDITA OS CONTEÚDOS, QUEM GERENCIA A OPERAÇÃO, QUEM ESTÁ POR TRÁS DE TUDO QUE O MECA FAZ... COMO SE EXISTISSE O NOME DE UMA ÚNICA PESSOA COMO RESPOSTA. MAS ESSA PESSOA NÃO EXISTE, PELO MENOS NÃO NO MECA” RODRIGO SANTANNA, IDEALIZADOR DO MECA

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ESPECIAL MECAINHOTIM “Estou feliz e emocionada de ter participado do MECAInhotim! A gente viaja para o exterior, em grandes festivais, e eu sempre me questionei: por que não tem essa beleza no Brasil!!? Parabéns, parabéns, parabéns!” — Elza Soares

“O Inhotim é um lugar onde tive inspiração para fazer praticamente todos os trabalhos que eu tenho feito até hoje. Os discos, performances, referências... Tudo o que vi aqui influenciou a artista que sou.”

— Alice Caymmi

“Eu sei, mais do que ninguém, como é importante esse trabalho que faço. Fechar um festival tão grandioso como o MECAInhotim me deixa muito honrada. Estar aqui é colher frutos de anos de trabalho.”

“Eu sou muito coração hippie, sou filha da natureza, eu passo mal e passo bem na natureza. Aqui, a gente desfrutou de muita beleza, foi um transbordamento estético. Tá todo mundo numa aura de: A ‘ hhh, e essa lua cheia?”

“O MECAInhotim vai além dos shows, além dessa relação festiva de celebração. Também foram discutidos muitos temas importantes aqui. É um presente participar de um festival como esse.” — Lirinha, Cordel do Fogo Encantado

— Letrux

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“É impressionante andar por Inhotim. É um lugar que não existe, um tempo que não existe: não é agora, não é antigamente, também não é futurista. Parece um jardim do Éden, talvez. O meu jardim do Éden seria como isso aqui, com artes, com músicas, com pessoas.” — Rubel

FOTOS: HELENA YOSHIOKA, MARCELO PAIXÃO, WES ALLEN/I HATE FLASH

— Pabllo Vittar


QUEM TE INSPIRA

atriz por excelência

A atriz mineira — e convidada especial do MECAInhotim — Débora Falabella reflete sobre os 27 anos de carreira e fala sobre as peculiaridades que fazem do longa “O Beijo no Asfalto” uma obra atual Mãe de Nina, 9 anos; atriz de cinema, de TV e de teatro; companheira de Murilo Benício e feminista engajada –– esses são só alguns dos múltiplos papéis vividos com maestria pela atriz Débora Falabella. A profissão da belorizontina de 39 anos veio de berço: filha de uma cantora lírica e de um ator de teatro, seu nome foi escolhido pela irmã mais velha Cynthia, também atriz, em homenagem a uma amiga imaginária da infância. Persistente e divertida, Débora faz da vida pessoal e profissional uma vivência criativa única e constante. Em um bate-papo com a repórter Débora Stevaux, durante o MECAInhotim, a protagonista de “O Beijo no Asfalto” comenta o desafio de viver com afeto tudo o que faz.

“SER ARTISTA FOI UMA FORMA DE ME DESCOBRIR, DE APROXIMAR DO OFÍCIO DA MINHA FAMÍLIA, DE TER VOZ PORQUE EU ERA TÍMIDA”

Faz quase 60 anos que Nelson Rodrigues escreveu “O Beijo no Asfalto”. O que esse beijo representa hoje? Para pessoas LGBTQ+, representa muito. Toda a produção se perguntou: “Será que um filme que conta a história de um homem que beijou outro homem na boca ainda vai causar impacto?” Mas a gente vê pessoas sendo atacadas por andarem de mãos dadas com pessoas do mesmo sexo na rua. Então, ainda e, infelizmente, a história é atual.

TEXTO: DÉBORA STEVAUX | FOTO: JORGE BISPO/DIVULGAÇÃO

A trama acontece por causa de boatos que são espalhados a partir do beijo. Podemos comparar com fake news? O longa também aborda a crueldade da humilhação e difamação públicas. Na época não existiam redes sociais, era pelo jornalismo irresponsável que se criavam os boatos. Por isso, dá para comparar com as fake news, dada a força, a forma rasa como surgem e a sua capacidade destrutiva. As narrativas universais têm esse poder. Os grandes autores interpretam o mundo em qualquer época, como ele é governado etc. O Nelson tinha a habilidade de retratar a classe média brasileira, com todas as suas maravilhas e podres. O filme é uma tragédia contemporânea. Como você elabora seus papéis perante a tragédia? E os não trágicos? Para mim não existe muita distinção entre personagens trágicos e não trágicos, o que varia é como a história é contada. Cada papel tem uma característica, e a dedicação é a mesma. Há personagens de comédia muito dolorosos e difíceis. Porém, o público precisa rir disso, e não quer dizer que sejam elaborados com um espírito de humor. No caso da Selma (personagem interpretada por Débora), a história é contada de uma forma teatral no cinema. Fazer essa transformação é desafiador.

1 sido criada em uma família de Ter artistas te influenciou na escolha de se

tornar atriz? Não consigo imaginar se não tivesse sido assim. Tenho essa referência desde nova, e isso acaba por tornar a profissão muito familiar. Ela acontece junto com a minha vida. Meus amigos sempre foram os amigos do meu pai, que eram do teatro. É o mundo onde eu cresci. Essa é a diferença: tenho afeto pela minha profissão.

nem imaginava essa profissão como minha. Ser artista foi uma forma de me descobrir, uma tentativa de me aproximar do ofício da minha família, de ter voz porque era tímida. Sair um pouco do teatro e ir para a TV, para o cinema, me possibilitou viver disso. Em Belo Horizonte é difícil, meu pai e minha irmã sempre precisaram ter duas profissões. É um privilégio conseguir me sustentar disso.

O que a Débora que subiu nos palcos pela primeira vez aos 12 anos diria para a Débora de agora? Falaria “vai nessa, você está no caminho certo”. Eu

Como o fato de você e o Murilo Benício formarem um casal influencia no seu

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processo criativo? Unir as afinidades pessoais com o trabalho torna minha vida mais fácil. É um processo criativo complementar. Trabalhar com quem a gente gosta é maravilhoso. Não sei o que a Nina acha de ser criada num ambiente tão estimulante do ponto de vista artístico. O pai dela é músico, eu e o padrasto (Murilo) somos atores, enfim, não tem muito como ela escapar. Eu só cuido sempre para conferir “de qual lado ela vai”, do que gosta, o que está a fim de fazer, deixando que ela seja quem é.


MECARADAR

bandas para você ficar de olho

FLIGHT FACILITIES (Austrália)

SEVDALIZA (Irã/Holanda)

A dupla australiana já esteve nos palcos do MECA em 2014. Quem foi ao evento de Maquiné, no Rio Grande do Sul, lembra da animação dos dois no encerramento do festival. Alguns anos depois, eles consolidaram um som ainda mais maduro e progressivo, preservando as batidas dançantes e marcantes características do trabalho original. @flightfac

Sevda Alizadeh nasceu no Irã e, por motivos políticos, se refugiou com a família na Holanda. Foi no país europeu que ela se interessou por música e aprendeu tudo o que apresenta no álbum “ISON” e nos dois EPs produzidos e lançados por ela. Em canções como “Bluecid”, a cantora revela sentimentos íntimos e reflexivos por meio de um vocal dramático fascinante. @sevdaliza_

MARCELO GERAB (Brasil)

THE INTERNET (EUA)

Misturando o mundo analógico com a música eletrônica, Marcelo Gerab chamou atenção após a autoria da trilha sonora do desfile da marca Cotton Project no SPFW. Os lives do cantor e compositor mineiro criam histórias sonoras com início, meio e fim. A faixa “How to Leave Your Old Life Behind”, por exemplo, é uma fuga da cidade para o campo, em uma atmosfera moderna repleta de sintetizadores. @marcelogerab

O grupo de R&B norte-americano está de volta este mês com o lançamento de “Hive Mind”, o quarto álbum da carreira da banda. O single “Come Over”, divulgado no pré-lançamento do novo disco, fala sobre emoções complexas e paixão. Misturando funk, sensualidade, Netflix e romance, o vocal suave de Syd vem acompanhado por uma bateria contrastante e um solo de guitarra prolongado. @theinternet

Vermelho O produtor paulistano não só viu a cena da música eletrônica de São Paulo acontecer, como também ajudou a construí-la. Com referências aos anos 2000, mesclando o excêntrico e o chique, sua pista é sempre fluida e cheia de frescor. @mvermelho

Valesuchi Uma das DJs mais respeitadas da cena underground brasileira, a artista chilena é reconhecida por equilibrar as pistas de dança: mistura techno a melodias solares, criando uma atmosfera tropical e animada. @valesuchi

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Joakim O produtor francês esbanja versatilidade na construção de suas músicas e dos seus sets. Transitando entre diversos gêneros, ele desconstrói qualquer estilo musical para criar um resultado sonoro surpreendente. @joakim_bouaziz

A Ray-Ban aposta na música como forma de expressão. A convite da marca, os destaques da música eletrônica Vermelho, Valesuchi e Joakim fizeram o público dançar madrugada adentro no After Ray-Ban do MECAInhotim.

TEXTO: DIMAS HEINKES | FOTOS: REPRODUÇÃO

MECABEAT — TRÊS DESTAQUES DA MÚSICA ELETRÔNICA


ROUTE

CONVERSE

BARRA FUNDA

3

PERDIZES PACAEMBU

5 HIGIENÓPOLIS

2 6 PINHEIROS

BAIXO AUGUSTA

8 7

4 1

JARDINS

PARAÍSO

Todo mundo tem uma história que se mistura com a Converse, marcada na sola daquele antigo par de Chuck Taylor ou nos outros pares que ainda estão por vir. Nesta página, convidamos você a descobrir a cidade, explorar lugares e desenhar com os pés um novo caminho.

JARDIM AMÉRICA

Confira 8 galerias de arte híbridas, localizadas na capital paulista em lojas, espaços multiculturais e estúdios de beleza

VOID GENERAL STORE — Mais conhecida pelo bar e pela loja, a Void SP ganhou em junho um ateliê experimental. No segundo piso, o espaço Esquesso oferece exposições e workshops abertos. O projeto de estreia é do ‘coletividade. NÁMÍBIÀ’. R. Martim Carrasco, 56.

55SP — Conhecida por receber exposições, performances e ocupações, a galeria também conta com um rico acervo de discos de vinil, esculturas e publicações. Até 18/8 exibe a mostra do artista Daniel Barclay. R. Barão de Tatuí, 377.

ESTÚDIO LÂMINA — O ateliê criativo, casa-galeria, coletivo e residência artística é palco de oficinas, shows, festas, peças, bazares e lançamentos de livros. Eventos mensais como O Menor Slam do Mundo também compõem a agenda do local. Av. São João, 108.

CARTEL 011 — Além de abrigar um restaurante, uma loja com produtos exclusivos de marcas como Nike e receber feiras de design brasileiro como a Rosenbaum, o projeto conta com um espaço expositivo de arte, fotografia e instalações. R. Artur de Azevedo, 517.

RECORTE — A primeira galeria da cidade especializada em colagem abriga até 11/8 a exposição coletiva Sobre a Mulher Livre. Além das obras de arte, o lugar também conta com um estúdio de corte de cabelo e um café. R. Augusta, 829.

CASA DIÁRIA — O espaço composto pela Galeria Lime e uma loja de design abriga até agosto a coleção temática “Welcome to Tokyo”. Todos os artistas e marcas escolhidos pela curadoria revisitam a cultura da capital japonesa. R. Artur de Azevedo, 1315.

CHOQUE CULTURAL — Com foco em pintura, a galeria estimula a reflexão sobre as linguagens artísticas urbanas através de exposições. Além do espaço principal, onde também são realizados cursos e feiras, há outros dois anexos em SP. R. Medeiros de Albuquerque, 250.

MECASPOT — Nossa sede em Pinheiros é um misto de bar, lojinha, espaço cultural e galeria. Todo mês, o projeto MECAIntro apresenta um novo nome da arte independente. Em agosto é a vez do artista Arthur Slama. R. Artur de Azevedo, 499.

TEXTO: DÉBORA STEVAUX

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Produzimos os eventos que a gente gostaria de ir. Geramos o conteĂşdo que a gente gostaria de consumir. ConstruĂ­mos os lugares que a gente gostaria de frequentar. Criamos os produtos que a gente gostaria de comprar. Investimos nos negĂłcios que a gente gostaria de participar. Aproximamos as pessoas com quem a gente gostaria de conviver. Conectamos as marcas que a gente gostaria de trabalhar. Simples assim. Celebrando, desde 2010

MECAJournal # 22 - Julho-agosto/2018  

Um jornal mensal, gratuito, distribuído nos locais mais legais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Com pe...

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