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O Reaparecemento do Cristo por Alice A. Bailey

Nota-Chave: “Sempre que haja um debilitamento da Lei e um crescimento da ilegalidade em toda parte, então Eu Me manifesto.” “Para a salvação dos justos y a destruição daqueles que praticam o mal; para o firme estabelecimento da Lei, Eu volto a nascer, idade após idade.”

BHAGAVAD-GÎTA Livro IV, versículos 7 e 8.

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Capítulo I A DOUTRINA DAQUELE QUE VEM Ensinamento Ocidental A DOUTRINA DOS AVATARES Ensinamento Oriental (7) Em todas as épocas, durante muitos ciclos mundiais, na maioria dos países, e hoje em todos, houve grandes momentos de tensão, que se caracterizaram por um sentimento de plena e esperançosa expectativa. Espera-se Alguém e Sua vinda é pressentida. No passado, foram sempre os instrutores religiosos da época, os que fomentaram e proclamaram esta expectativa, e o fizeram nos momentos de caos e dificuldades, ao se aproximar o fim de uma civilização ou cultura, e quando os recursos das antigas religiões pareciam ser inadequados para solucionar as dificuldades ou resolver os problemas dos homens. A vinda do Avatar, o advento dAquele que Vem ou, em termos atuais, o reaparecimento do Cristo, constituem a nota-chave da predominante expectativa. Quando os tempos estão maduros, quando a invocação das massas é suficientemente intensa e a fé daqueles que sabem é assaz veemente, então Ele sempre veio, e os tempos atuais não constituirão, por certo, uma exceção a esta antiga regra ou Lei universal. Durante décadas, o reaparecimento do Cristo, o Avatar, tem sido previsto pelos fiéis de ambos os hemisférios, não somente pelos cristãos, como também por aqueles que esperam por Maitreya e pelo Boddhisattva, assim como pelo Iman Mahdi. Quando os homens sentem que se esgotaram todos os seus recursos, que chegaram ao termo de todas as suas possibilidades inatas e que não podem resolver nem manejar os problemas nem controlar as condições que enfrentam, então (8) costumam buscar um divino intermediário ou Mediador que defenda sua causa perante Deus e lhes traga a Salvação. Buscam, assim, um Salvador. Esta doutrina de Mediadores, Messias, Cristos e Avatares, avulta em toda parte como um dourado fio que atravessa todas as crenças e Escrituras mundiais, relacionando-as com alguma fonte de emanação, considerando-se, inclusive, a alma humana como um intermediário entre o homem e Deus. Milhões de seres humanos crêem que Cristo atuará como o divino Mediador entre a humanidade e a divindade. Todo o sistema de revelação espiritual está baseado (como sempre o foi) nesta doutrina de interdependência, de vinculação planificada e conscientemente ordenada, bem assim de transmissão de energia, de um aspecto a outro da manifestação divina - desde o Deus que se acha no "Lugar secreto do Altíssimo" até o mais humilde ser humano que vive, luta e padece na terra. Em toda parte existe esta transmissão de energia. "Eu vim para que eles possam ter vida", disse o Cristo, e as Escrituras de todo o mundo falam, abundantemente, da intervenção de algum Ser, originário de uma fonte mais elevada que a estritamente humana. Sempre se encontra o mecanismo apropriado, através do qual a divindade pode chegar a comunicar-se com a humanidade, e a doutrina dos Avatares, ou Seres divinos que vêm, tem muito a ver com esta comunicação e com os Instrumentos de energia divina. Avatar é aquele Que possui a singular capacidade (além de uma tarefa autodeterminada e um destino predestinado) de transmitir energia ou poderes divinos. Isto constitui, logicamente, um profundo mistério que foi demonstrado, em forma peculiar, pelo Cristo, e está relacionado com a energia cósmica. Ele, pela primeira vez na história planetária, até onde temos conhecimento, transmitiu a energia divina do amor, diretamente ao nosso planeta e, em um sentido muito definido, à humanidade. Esses Avatares ou Mensageiros divinos também estão sempre vinculados às idéias emitidas por alguma Ordem subjetiva espiritual, ou Hierarquia de Vidas espirituais, que se ocupam do crescente bem-estar da humanidade. Tudo o que realmente sabemos é que, no transcurso das idades, grandes e divinos Representantes de Deus personificam o propósito divino e afetam, de tal maneira, o mundo inteiro, que Seus nomes e influência são conhecidos e sentidos milhares de anos depois que deixaram de caminhar entre os homens. Repetidas vezes têm vindo e mudado o mundo, (9) deixando alguma religião mundial; também sabemos que a profecia e a fé prometeram sempre à humanidade Seu regresso, em momentos de necessidade. Estas informações se referem a fatos historicamente comprovados. Fora disto, conhecemos muito poucos detalhes.

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A palavra sânscrita "Avatar" significa, literalmente, "descendo de muito longe". Ava (como prefixo de verbos e substantivos verbais) expressa a idéia de longe, longínquo, distância." Avataram (comparativo) significa mais distante. A raiz AV parece transmitir a idéia de proteção vinda do alto, e hoje se usa em palavras compostas que se referem à proteção de reis e soberanos. Com relação aos deuses, significa aceitação favorável, quando se oferece um sacrifício. Pode-se dizer que a raiz da palavra significa: "Descer, com a aprovação da fonte superior da qual provém, para benefício do lugar ao qual chega" (Dicionário Sânscrito de Monier Williams). Entretanto, todos os Avatares ou Salvadores mundiais expressam dois incentivos básicos: a necessidade de Deus de fazer contato com a humanidade e relacionar-se com os homens, e a necessidade que tem a humanidade de entrar em contato com a divindade e ser ajudada e compreendida por ela. Sujeitos a estes incentivos, todos os verdadeiros Avatares são, portanto, intermediários divinos. Podem atuar desta maneira, porque já se emanciparam, inteiramente, de toda limitação e sentimento de egoísmo e separatividade; de vez que já não são, conforme os padrões humanos comuns, o centro dramático de Suas vidas, como o somos, em maioria. Quando atingem essa etapa de descentralização espiritual, podem converter-se em acontecimentos na vida de nosso planeta; todos os olhos podem dirigir suas vistas para Eles e todos os homens podem ser por Eles influenciados. Por isso, um Avatar ou um Cristo aparece por duas razões: uma, a Causa incógnita e inescrutável que O impele a fazê-lo, e a outra, a demanda ou invocação da própria humanidade. Um Avatar é, por conseguinte, um acontecimento espiritual, que ocorre para produzir grandes mudanças e restaurações, a fim de inaugurar uma nova civilização ou restabelecer "antigas demarcações" e aproximar o homem de Deus. Têm sido Eles descritos como "homens extraordinários, que aparecem de vez em quando, para mudar a face do mundo e inaugurar uma nova era, nos destinos da humanidade". Vêm em momentos de crise; freqüentemente criam crises, a fim de pôr termo ao antigo e indesejável, (10) preparando o caminho no sentido de que haja formas novas e mais apropriadas para a evolucionante vida de Deus Imanente na Natureza. Aparecem, unicamente, quando o mal predomina; ainda que seja somente por esta razão, podemos, na atualidade, esperar um Avatar. O cenário adequado para o reaparecimento do Cristo já está preparado. Existem Avatares de muitas graduações e classes. Alguns são de grande importância planetária, porque expressam em Si Mesmos ciclos completos de futuros acontecimentos e emitem a tônica e o ensinamento que introduzirão uma nova era e uma nova civilização; personificam grandes verdades que as massas humanas devem tratar de conhecer, constituindo-se, destarte, no objetivo das mais proeminentes mentalidades da época, apesar de incompreendidas. Certos Avatares expressam também, em Si Mesmos, a totalidade da realização humana e da perfeição racial, chegando, assim, a ser os "homens ideais" de sua época. Outros, ainda maiores, têm permissão para ser guardiães de alguma qualidade ou princípio divino que requerem uma nova apresentação e expressão na Terra; e podem sê-lo porque lograram a perfeição ao alcançar a mais alta iniciação possível. Têm o dom de ser essas qualidades espirituais personificadas e, porque expressam, por inteiro, tal qualidade e princípio específicos, podem atuar como canais para transmiti-los, desde o centro de toda a Vida espiritual. Esta é a base da doutrina dos Avatares ou Mensageiros divinos. Assim sendo, o Cristo foi duas vezes Avatar, não somente porque deu a chave da nova era, há mais de dois mil anos, como também porque, em forma misteriosa e incompreensível, personificou em Si Mesmo o divino Princípio do Amor, sendo o primeiro que revelou aos homens a verdadeira natureza de Deus. A demanda invocativa da humanidade (o segundo dos incentivos que produzem uma Aparição divina), exerce um poderoso efeito, pois as almas dos homens, especialmente quando atuam em uníssono, possuem algo que é afim com a natureza divina do Avatar. Nós todos somos Deuses e filhos de um só Pai, como disse o último Avatar que veio: o Cristo. É este centro divino em cada coração humano que, ao entrar em atividade, pode evocar resposta desse elevado Lugar, de onde Aquele que vem espera Seu momento de aparecer. Unicamente a demanda unida da humanidade, ou sua “intenção maciça", pode, como se disse, precipitar a descida de um Avatar. (11) Em suma, a doutrina dos Avatares e a doutrina da continuidade da revelação seguem paralelas. Em todas as épocas e em cada grande crise humana, precisamente nas horas de necessidade, seja na criação de uma nova raça ou no despertar de uma humanidade preparada para receber uma nova e mais ampla visão, o Coração de Deus, impulsionado pela Lei de

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Compaixão, envia um Instrutor, um Salvador do Mundo, um Iluminador, um Avatar, um Intermediário Transmissor, um Cristo. Traz a mensagem que curará, que indicará o próximo passo que a raça humana deverá dar e que iluminará um obscuro problema mundial, bem como ministrará ao homem o conhecimento de um aspecto da divindade até agora não compreendido. A doutrina dos Avatares, Mensageiros divinos, divinas Aparições e Salvadores, está fundada sobre o fato da continuidade da revelação e da seqüência desta manifestação progressiva da Natureza divina. A todos Eles a história dá o seu testemunho inequívoco. A expectativa mundial em torno do reaparecimento do Cristo se baseia na realidade desta continuidade e desta seqüência de Mensageiros e Avatares, assim como na horrenda e espantosa necessidade da humanidade, nesta época. O reconhecimento inato destas realidades produziu o clamor invocador, constantemente elevado pela humanidade, em toda parte, em busca de alguma intervenção ou alívio divinos; o reconhecimento destes fatos também inspirou a determinação procedente do "centro de onde a vontade de Deus é conhecida", para que o Avatar venha novamente; o reconhecimento destas solicitações induz o Cristo a dar a conhecer a todos os Seus discípulos do mundo, que Ele reaparecerá quando tiverem realizado o trabalho preparatório necessário. Os Avatares mais comumente conhecidos são: o Buda, no Oriente, e o Cristo, no Ocidente. Suas mensagens nos são familiares e os frutos de Suas vidas e palavras condicionaram o pensamento e a civilização, em ambos os hemisférios. Devido a serem Avatares humanos e divinos, representam aquilo que a humanidade pode compreender facilmente; porque são de natureza igual à nossa, "carne de nossa carne, espírito de nosso espírito", conhecemo-Los e confiamos nEles, e Eles significam para nós alguma coisa mais que outras Aparições divinas. Milhões de seres também Os conhecem, confiam nEles e Os amam. O núcleo de energia espiritual que cada um dEles estabeleceu está além do nosso entendimento: estabelecer um núcleo de energia constante, espiritualmente positivo, é a (12) incessante tarefa de um Avatar. Ele enfoca ou introduz uma verdade dinâmica, um potente pensamento-forma ou um vórtice de energia magnética no mundo cotidiano. Este ponto focal atua de maneira crescente como transmissor de energia espiritual; permite à humanidade expressar alguma idéia divina que, com o tempo, produz uma civilização, com sua conseqüente cultura, religião, política, governo e métodos educativos. Assim se faz a história. Afinal de contas, a história é o registro da reação cíclica da humanidade a alguma energia divina, que flui através de algum dirigente inspirado ou de um Avatar. Na atualidade, um Avatar é, em geral, um Representante do segundo aspecto divino, o de Amor-Sabedoria, o Amor de Deus. Manifestar-se-á como o Salvador, o Construtor, o Preservador. A humanidade não está ainda suficientemente desenvolvida nem adequadamente orientada para a vida do Espírito, de modo a resistir, facilmente, ao impacto de um Avatar que expresse a dinâmica vontade de Deus. Para nós (e esta é nossa limitação), por enquanto, um Avatar é Aquele que preserva, desenvolve, constrói, protege, ampara e socorre os impulsos espirituais pelos quais os homens vivem; a necessidade do homem e a solicitação do homem, de preservação e ajuda, são aquilo que O traz à manifestação. A humanidade necessita de amor, de compreensão e de corretas relações humanas, como expressões de uma divindade realizada. Foi esta necessidade que trouxe o Cristo antes, como Avatar do Amor. O Cristo, Aquele grande Mensageiro humano-divino, devido à Sua magna realização, no sentido da compreensão, transmitiu à humanidade um aspecto e uma potencialidade da natureza de Deus Mesmo, o princípio Amor, da Deidade. Luz, aspiração e reconhecimento de Deus Transcendente haviam sido a expressão vacilante da atitude humana para com Deus, antes do advento do Buda, o Avatar da Iluminação. Logo veio o Buda e demonstrou, em Sua própria vida, a realidade de Deus Imanente e Deus Transcendente, de Deus no universo e de Deus na humanidade. A individualidade da Deidade e do Eu, no coração do homem individual, chegou a ser uma realidade na consciência humana. Foi uma verdade relativamente nova para o homem. Todavia, até que Cristo viesse e vivesse uma vida de amor e de serviço, e desse aos homens o novo mandamento, para se amarem uns aos outros, não se havia ressaltado Deus em Seu aspecto Amor, em nenhuma das Escrituras mundiais. Depois (13) que Ele veio como o Avatar de Amor, então chegou a ser conhecido como Amor Supremo, Amor como meta e objetivo da criação, Amor como princípio fundamental das relações, e Amor atuando através de toda manifestação que desenvolva um Plano motivado pelo Amor. Cristo revelou e acentuou esta divina qualidade, modificando, assim, a vida, as metas e os valores humanos.

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Ele ainda não veio novamente porque Seus seguidores não realizaram o trabalho necessário, em todos os países. Sua vinda depende, em grande parte, como veremos mais adiante, do estabelecimento de corretas relações humanas. Isto a Igreja impediu, no transcurso dos séculos, e não ajudou, devido ao seu empenho fanático de fazer "cristãos" a todos os povos, ao invés de seguidores do Cristo. Acentuou, ademais, a doutrina teológica e não o amor e a compreensão amorosa, como o Cristo exemplificou. A Igreja predicou a doutrina do iracundo Saulo de Tarso, e não a do bondoso carpinteiro da Galiléia. Por isso, Ele permanece esperando. Chegou, porém, a Sua hora, devido à necessidade de todos os povos e à demanda invocadora das massas, bem como ao conselho de Seus discípulos, que professam todos os credos e religiões do mundo. Não nos é dado conhecer ainda a data e o momento de Seu reaparecimento. Sua vinda depende do apelo, tão amiúde silencioso, de todos os que aguardam com esperançosa intenção; depende, também, de que se estabeleçam melhores relações humanas e de determinado trabalho, que está sendo realizado, na atualidade, pelos Membros avançados do Reino de Deus, a Igreja invisível, a Hierarquia espiritual de nosso planeta; depende, ademais, da constância dos discípulos do Cristo e Seus colaboradores iniciados, que trabalham nos numerosos grupos religiosos, políticos e econômicos. A isto deve agregar-se o que aos cristãos apraz chamar "a inescrutável Vontade de Deus", esse propósito não conhecido do Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias, tal como é chamado no Velho Testamento, o qual "conhece Seu próprio pensamento, irradia a qualidade mais elevada do amor e enfoca Sua vontade em Seu elevado lugar, no centro de onde a vontade de Deus é conhecida". Quando o Cristo, o Avatar de Amor, reaparecer, então "Os filhos dos homens, que são agora os Filhos de Deus apartarão Seus rostos da Luz resplandecente e irradiarão essa Luz sobre (14) os filhos dos homens, que ainda não sabem que são os Filhos de Deus". Então aparecerá Aquele que vem, Seus passos sendo acelerados através do vale das sombras pelo Todo-poderoso que se acha sobre o cume da montanha, exalando amor eterno, luz suprema e pacífica e silenciosa vontade. "Então, responderão os filhos dos homens. Então, brilhará uma nova luz, no cansado e lúgubre vale da terra. Então, uma nova vida circulará por suas veias, e sua visão abarcará todos os caminhos do que possa vir." "Assim, virá, novamente, a paz à terra, porém, uma paz desconhecida até agora. Então, a vontade para o bem florescerá como compreensão, e esta frutificará como boa vontade nos homens."

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Capítulo II OPORTUNIDADE EXCEPCIONAL DO CRISTO O Mundo de Hoje (15) Uma das dificuldades que se apresenta, atualmente, para a aceitação de todo o ensinamento referente à vinda do Cristo, se deve a que nada sucedeu, apesar de haver sido divulgada durante séculos. Isto é verdade, e nisto reside grande parte de nossa dificuldade. A expectativa de Sua vinda não constitui um acontecimento novo, nada excepcional tampouco, nem diferente. Aqueles que ainda permanecem fiéis a esta idéia são olhados com complacência, com condescendência, quando não são alvo de zombaria. Uma análise dos tempos e das épocas, dos significados, da intenção divina ou da vontade de Deus, e mais a consideração da situação mundial, podem conduzir-nos, entretanto, a crer que o momento presente é excepcional, em mais de um sentido, e que o Cristo enfrenta, também, uma oportunidade excepcional, produzida por certas condições mundiais, que também são excepcionais. Existem, hoje, determinados fatores no mundo e tiveram lugar certos acontecimentos, no século passado, nunca antes ocorridos, que seria de grande valor considerar, a fim de se ter uma melhor perspectiva. Ele virá a um mundo renovado, conquanto não seja ainda um mundo melhor; novas idéias ocupam a mente das massas e novos problemas aguardam solução. Consideremos esta oportunidade com o fim de adquirir algum conhecimento da situação na qual o Cristo aparecerá. Abordemos este tema de forma realista, evitando os pensamentos místicos e vagos. Se é verdade que Ele considera que deva reaparecer, se é um fato que trará consigo os Seus discípulos, Os Mestres de Sabedoria, e se esta vinda é iminente, quais são os fatores que tanto Ele quanto Seus discípulos devem ter em conta? (16) Antes de tudo, virá a um mundo que é, essencialmente, uno. Seu reaparecimento e Seu conseqüente trabalho não podem estar confinados a uma pequena localidade ou território desconhecido para a grande maioria, como sucedeu em Sua anterior aparição. O rádio, a imprensa e a difusão de notícias farão com que Sua vinda seja diferente da de qualquer outro Mensageiro que Lhe precedeu. Os rápidos sistemas atuais de transporte permitirão que as multidões cheguem a Ele; pela televisão, Seu rosto chegará a ser familiar a todos e, em verdade, "todos os olhos O verão". Ainda que não exista um reconhecimento geral de Seu estado espiritual e de Sua mensagem, deve haver, logicamente, um interesse universal, pois, hoje, mesmo os muitos falsos Cristos e Mensageiros, despertam esta curiosidade universal e não podem ocultar-se. Isto cria uma condição extraordinária para trabalhar, que nenhum Filho de Deus, salvador e energetizador, jamais tivera que enfrentar.

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A reação dos povos do mundo, no sentido do novo ou necessário, é também muito diversa: o homem reage, hoje, com mais facilidade ao bem e ao mal, e possui um mecanismo de resposta mais sensível que o que possuía a humanidade em épocas primitivas. Se, quando veio, o Mensageiro obteve uma rápida resposta, hoje sua aceitação ou rejeição serão mais gerais e imediatas. Atualmente, o homem é mais analítico, está melhor educado, é mais intuitivo, e espera, como em nenhuma outra época da história, o excepcional e o inusitado. Sua percepção intelectual é mais penetrante; seu sentido dos valores mais agudo; sua capacidade para discriminar e escolher se desenvolve aceleradamente e penetra, com maior rapidez, no significado das coisas. Estes fatos condicionarão o reaparecimento do Cristo e tenderão a propagar, mais rapidamente, a notícia de Sua vinda e o conteúdo de sua mensagem. Quando de Sua volta, encontrará um mundo excepcionalmente livre do domínio e das garras dos eclesiastas. A Palestina, no passado, estava sujeita à férula dos dirigentes religiosos judeus, e os Fariseus e Saduceus eram para os povos dessa terra, o que os potentados da igreja são para os povos do mundo atual. Houve, porém, na humanidade, um saudável e útil afastamento das igrejas e das religiões ortodoxas, durante o século passado, e isto oferecerá uma oportunidade excepcional para a restauração da verdadeira religião e para a apresentação de um simples retorno aos caminhos da vida espiritual. Os sacerdotes Levitas, (17) Fariseus e Saduceus não foram aqueles que O reconheceram quando Ele veio. Temiam-no, e é muito pouco provável que os eclesiastas reacionários O reconheçam hoje. Talvez reapareça sob uma aparência completamente inesperada. Quem poderá dizer se será político, financista, líder do povo (surgido do seio deste mesmo povo), cientista ou artista? É um sofisma crer, como acontece com alguns, que o principal trabalho do Cristo será realizado por intermédio das igrejas ou das religiões mundiais. Logicamente, trabalhará por meio delas, se as condições o permitirem e se houver um núcleo vivente de verdadeira espiritualidade dentro dessas instituições ou desde que sua súplica invocadora seja suficientemente poderosa para chegar até Ele. Ele empregará todo e qualquer canal pelo qual a consciência do homem possa expandir-se e obter a correta orientação. Todavia, seria mais exato afirmar que atuará como Instrutor Mundial e que as igrejas constituirão somente um dos meios de que lançará mão para instruir. Tudo o que ilumine a mente dos homens, qualquer propaganda que tenda a produzir corretas relações humanas, todos os modos de adquirir verdadeiro conhecimento, os métodos para transmutar o conhecimento em sabedoria e compreensão, tudo o que expanda a consciência da humanidade e os estados subumanos de percepção e sensibilidade, tudo aquilo que dissipe a miragem vã e a ilusão, que destrua a cristalização e modifique as condições estáticas, ficarão dentro das verdadeiras atividades da Hierarquia que Ele supervisiona. Cristo estará restrito pela qualidade e dimensão da demanda invocadora da humanidade, e isto, por sua vez, estará condicionado ao grau de evolução alcançado. Durante a Idade Média e anteriormente, as igrejas e as escolas de filosofia proporcionaram os principais canais para realizar a Sua atividade subjetiva; porém, isto não sucederá quando estiver aqui em forma objetiva e real. As igrejas e organizações religiosas fariam bem em recordar esta circunstância. Na atualidade, Seu interesse e atenção estão voltados para dois novos campos de esforço: primeiro, para o campo da educação mundial e, segundo, para implementar, inteligentemente, as atividades que correspondem ao setor governamental, em seus três aspectos: mundo dos estadistas, político e legislativo. O homem comum já se dá conta da importância e responsabilidade que (18) tem o governo; portanto, a Hierarquia compreende que, antes de se poder estabelecer a verdadeira democracia (tal como existe, essencialmente, e que, oportunamente, se manifestará), é imperativo que se ensine às massas um estadismo cooperativista, a estabilização econômica através da correta participação e a honesta interação política. A larga separação existente entre política e religião deve desaparecer. Isto pode ser alcançado agora devido ao alto nível de inteligência atingido pela massa e, também, ao fato de que a ciência tem aproximado tanto os homens e, de tal modo, que o que acontece em algum lugar da terra, se converte, em poucos minutos, em algo de interesse geral. Isto possibilita, de maneira excepcional, Seu trabalho futuro. Aquilo de que mais se necessita, na atualidade, como preparação para o seu reaparecimento é desenvolver o reconhecimento espiritual, pois ninguém sabe em que nação aparecerá, pois quem poderá dizer se será inglês, russo, negro, latino, turco, hindu ou de qualquer outra nacionalidade? Talvez professe a fé cristã, hindu ou budista, ou não pertença a nenhum credo; talvez não venha

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restaurar nenhuma das antigas religiões, inclusive a cristã, senão restabelecer nos homens a fé no Amor do Pai, na realidade da vivência do Cristo e na íntima relação, subjetiva e inquebrantável, de todos os homens. Estarão à Sua disposição todos os sistemas mundiais de comunicação e relação, os quais contribuem para tornar mais excepcional Sua oportunidade e, para isto, também Ele deve preparar-se. Outro fator inusitado que caracterizará Sua vinda será, não somente a expectativa geral, como também o fato de que hoje se sabe e ensina muito sobre o Reino de Deus ou da Hierarquia espiritual do planeta. Em toda parte se contam milhares de pessoas que se interessam pela existência dessa Hierarquia, crêem nos Mestres da Sabedoria, os discípulos do Cristo, e não lhes surpreenderá o aparecimento deste grupo de filhos de Deus, em torno do Seu Mentor, o Cristo. Todas as igrejas do mundo têm familiarizado o público com a frase "o Reino de Deus". Durante o século passado, os esoteristas e ocultistas deram a conhecer, publicamente, a realidade da existência da Hierarquia; os espíritas puseram em relevo a sobrevivência daqueles que têm passado ao mundo oculto do ser e seus guias também testemunharam a existência de um mundo espiritual interno. (19) Estas forças espirituais e muitas outras, tanto dentro como fora das religiões mundiais e dos grupos filosóficos e humanitários, estão sendo dirigidas em seu trabalho, estando estreitamente relacionadas, e suas atividades estão intimamente sincronizadas. Trabalham unidas (ainda que não em aparência física), porque na família humana se encontram todas as etapas de sensibilidade. As forças de regeneração, reconstrução, restauração e ressurreição estão fazendo sentir sua presença em todos os muitos grupos que tratam de ajudar à humanidade e elevá-la, de reconstruir o mundo, restaurar a estabilidade e o sentido de segurança, preparando, assim, consciente ou inconscientemente, o caminho para a vinda do Cristo. Um ressurgimento singular dos antigos ensinamentos do Buda também está penetrando no Ocidente e encontra fervorosos adeptos em todos os países, Buda é o símbolo da iluminação; atualmente se põe singular ênfase, em toda parte, sobre o aspecto luz. Milhões de seres, no transcurso das épocas, reconheceram Buda como o Portador da Luz, vinda do alto. Suas Quatro Nobres Verdades apontam para as causas das dificuldades humanas e indicam o remédio. Ensinou: "Cessem de identificar-se com as coisas materiais ou com seus desejos; adquiram um exato senso dos valores; cessem de considerar as posses e a existência terrestre como de principal importância; sigam o Nobre Caminho Óctuplo, a Senda de corretas relações com Deus e corretas relações com seus semelhantes, e assim serão felizes". Os degraus deste Caminho são:

Valores retos Palavra reta Modo de Viver reto Pensar reto

Aspiração reta Conduta reta Esforço reto Enlevo, Arrebatamento ou Felicidade

retos. Esta mensagem é excepcionalmente necessária, no mundo de hoje, em que a maioria destes passos certos para a felicidade têm sido ignorados. Sobre a base deste ensinamento, o Cristo levantará a superestrutura da fraternidade entre os homens, porque as corretas relações humanas são uma expressão do amor de Deus; elas constituirão a principal e a seguinte demonstração da divindade no homem. Hoje, em meio a este devastado, caótico e desditoso mundo, a humanidade tem uma nova oportunidade de rechaçar a vida egoísta e materialista, (20) para começar a percorrer o Caminho Iluminado. No momento em que a humanidade demonstre vontade de percorrê-lo, o Cristo virá; existem indícios de que os homens, na atualidade, estão aprendendo esta lição e dando os primeiros e vacilantes passos nesse Caminho Iluminado das corretas relações. A época atual é excepcional, porque se caracteriza por um ciclo ou período em que têm lugar conferências –comunais, nacionais e internacionais– e reuniões. Formam-se clubes e elaboram-se plataformas, realizam-se conferências, congressos e comitês em toda parte, a fim de discutir e estudar o bem-estar e a libertação do homem; este fenômeno é um dos indícios mais veementes de que o Cristo está em Seu caminho. Ele personifica a liberdade e é o Mensageiro da Libertação. Estimula o espírito e a consciência grupais e a Sua energia espiritual é a força atrativa

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que une os homens para o bem comum. Seu reaparecimento unirá e vinculará os homens e mulheres de boa vontade de todo o mundo, sem distinção de religião e nacionalidade. Sua vinda evocará um mútuo e amplo reconhecimento do bem que existe em todos. Isto constituí parte do excepcional de Sua vinda, e para isso já nos estamos preparando. Uma análise das notícias diárias o comprova. Será a demanda invocadora dos diversos grupos que trabalham pelo bem da humanidade, consciente ou inconscientemente, que produzirá Sua vinda. Aqueles que realizam este grande ato de invocação são os espiritualistas, os estadistas iluminados, os líderes religiosos e os homens e mulheres cujos corações estão cheios de boa vontade. Conseguirão evocá-lo se puderem manter-se unidos com intenção conjunta e esperançosa expectativa. Este trabalho preparatório deve ser focalizado e complementado pelos intelectuais de todo o mundo e pelos destacados benfeitores da humanidade, pelos grupos dedicados ao melhoramento humano e pelos representantes altruístas de todos os povos. O êxito do trabalho, que o Cristo e a Hierarquia espiritual planejam realizar hoje, depende de que a humanidade consiga utilizar, habilmente, a luz que já possui, a fim de estabelecer corretas relações em suas famílias, na comunidade, na nação e no mundo. Por conseguinte, a excepcional diferença que existe entre a esperada vinda do Cristo agora e da época em que veio anteriormente, se deve a que no mundo há uma infinidade de grupos que trabalham pelo bem-estar humano. Este esforço, considerado à luz de períodos passados da história humana, é relativamente (21) novo, e para isso o Cristo deve preparar-se e trabalhar, seguindo essa tendência. O "ciclo de conferências", que está chegando ao apogeu, constitui parte da excepcional situação que o Cristo está enfrentando. Entretanto, antes que Ele possa vir com Seus discípulos, terá que desaparecer nossa atual civilização. No próximo século [XXI], começaremos a compreender o significado da palavra “ressurreição" e a nova era começará a revelar seus profundos propósitos e intenções. O primeiro passo será a emergência, da humanidade, da morte de sua civilização, de suas antigas idéias e modos de viver, do abandono de suas metas materialistas e de seu detestável egoísmo, do seu progresso em direção à clara luz da ressurreição. Estas não são palavras simbólicas nem místicas, se não parte do clima geral que envolverá o período do Reaparecimento do Cristo; é um ciclo tão real como o ciclo de conferências que, afanosamente, se está realizando agora. Quando o Cristo veio anteriormente, nos ensinou o verdadeiro significado da Ressurreição ou Crucificação; desta vez, Sua mensagem versará sobre a vida de ressurreição. O presente ciclo de conferências prepara os homens para as relações humanas, ainda que pareçam, hoje, ser de natureza tão divergente; o fator importante, porém, é constituído do pensamento e interesse humanos em estabelecer a necessidade, os objetivos implícitos e os meios a serem empregados. O período de ressurreição que o Cristo inaugurará e que constituirá Seu trabalho singular, dentro do qual estarão compreendidas todas as Suas atividades, será o resultado da fermentação e germinação, que já se levam a cabo no mundo, evidenciadas externamente, em infinidades de conferências. As distintas e excepcionais condições que o Cristo enfrentou, durante os anos de guerra, O forçaram a decidir a aceleração de Sua vinda, tendo em vista a necessidade humana. O infausto estado do mundo, como resultado da guerra mundial e de séculos de egoísmo, a sensibilidade excepcional que os homens demonstraram generalizadamente, como resultado do processo evolutivo, a inusitada difusão do conhecimento a respeito da Hierarquia espiritual e o singular desenvolvimento da consciência grupal, manifestando-se por toda parte, mediante incontáveis conferências; tudo isto confrontou o Cristo, com Sua oportunidade excepcional, impondo-se-Lhe uma decisão a que não pôde evitar. (22) Podemos dizer, com reverência, que nesta "oportunidade" do Cristo estavam envolvidos dois fatores difíceis de ser compreendidos pelo homem. Devemos reconhecer o fato da sincronização de Sua vontade com a do Pai, a qual O conduziu a uma decisão fundamental. Não é fácil para o cristão comum compreender que o Cristo passa constantemente por grandes experiências e que em Sua divina experiência não existe nada estático nem permanente, exceto Seu inalterável amor pela humanidade. Um profundo estudo do Evangelho, sem as limitações das interpretações ortodoxas, muitas coisas revelaria. As interpretações correntes (se fossem reconhecidas em seu verdadeiro significado, consistem, simplesmente, no que alguém compreendeu de uma série de palavras aramaicas,

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gregas e latinas. O fato de que a maioria dos comentaristas aceitos viveram há muitos séculos tem dado às ditas palavras um valor totalmente deturpado. As palavras de um comentarista ou intérprete hoje não têm valor evidente algum, em comparação com os da antigüidade, não obstante o comentarista moderno ser, provavelmente, mais inteligente e estar melhor instruído, com a vantagem também de que existem muitas traduções aceitas e uma ciência exata. A teologia sofre as conseqüências da ignorância do passado; causa estranheza supor que um comentarista antigo tenha mais autoridade do que um moderno, mais instruído e inteligente. Se o Novo Testamento é veraz na apresentação e representação das palavras do Cristo, afirmando que podemos fazer "maiores coisas" que as que Ele fez; e se há verdade no que disse: "Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito", onde está o erro em reconhecer a capacidade de um ser humano para se pôr em sintonia com a mente do Cristo e conhecer o que Ele quer que saibamos? Também disse que "se um homem fizer a vontade de Deus, conhecerá"; assim foi como o Próprio Cristo aprendeu e esse é o método que, conforme Ele nos assegura, proporcionará êxito a cada um de nós. Quando o significado da vontade de Deus penetrou na consciência do Cristo, conduziu-O a certas grandes decisões, obrigando-O a exclamar: "Pai, não minha vontade, senão a Tua seja feita". Estas palavras indicam, terminantemente, um conflito e não a sincronização de duas vontades; assinalam a determinação, por parte do Cristo, de não opor Sua vontade à de (23) Deus. Repentinamente, teve uma visão da emergente intenção divina para a humanidade e, por intermédio desta, para todo o planeta. Na determinada etapa de desenvolvimento espiritual que o Cristo havia então alcançado e que O transformou em Mentor da Hierarquia espiritual, nAquele que planejou o surgimento do Reino de Deus e O impôs como Mestre dos Mestres e Instrutor de anjos e de homens, Sua consciência estava completamente identificada com o Plano divino. Sua aplicação na Terra, o objetivo de estabelecer o Reino de Deus e a aparição do quinto reino da natureza foram simplesmente, para Ele, o cumprimento da lei, e para isso estava disposto a dedicar, como dedicou, Sua vida inteira. O Plano; seu objetivo, técnicas e leis; sua energia (a do amor), e a íntima e crescente relação entre a Hierarquia espiritual e a humanidade, Ele os conhecia e compreendia plenamente. No momento máximo em que obteve pleno conhecimento e no de Sua total entrega para realizar o sacrifício necessário de Sua vida, a fim de cumprir este Plano, produziu-se, subitamente, uma grande expansão de consciência. O significado, a intenção, o propósito de tudo isso, bem assim a abarcante Idéia divina, tal como existia na mente do Pai, surgiu de Sua alma, não de Sua mente, porque a revelação foi muito mais grandiosa que isso. Pôde desentranhar, mais profundamente que nunca, o significado da divindade; o mundo de significados e o mundo dos fenômenos se desvaneceram e, falando esotericamente, tudo Ele perdeu. Nesse momento, nem a energia da mente criadora nem a energia do amor lhe tinham sido deixadas. Foi despojado de tudo aquilo que lhe fizera a vida suportável e plena de significado. Um novo tipo de energia fez-se acessível, a energia da vida mesma, impregnada de propósito e ativada pela intenção. Era, porém, nova e desconhecida para Ele e, até esse momento, incompreendida. Pela primeira vez percebeu, com clareza, a relação que existia entre a vontade, que até então se havia expressado em Sua vida por meio do amor, e o trabalho criador de inaugurar a nova dispensação. Nesse momento, passou pelo Getsêmani da Renúncia. E lhe foi revelado o que é mais grandioso, mais vasto e mais inclusivo, perdendo-se de vista, nessa visão maior, tudo aquilo que, até então, parecera tão vital e importante. Esta vital compreensão de Ser e a identificação com a divina intenção de Deus Mesmo, o Pai, o Senhor do Mundo, nos níveis de percepção a respeito (24) dos quais ainda nada sabemos por enquanto, constituiu o desenvolvimento da percepção do Cristo no Caminho da Evolução Superior. Este Caminho, Ele o percorre na atualidade e começou a palmilhá-lo há dois mil anos na Palestina. Conheceu, em sentido até então desconhecido para Ele, qual era o propósito de Deus, o significado do destino humano e a parte que Lhe tocaria desempenhar no cumprimento desse destino. Durante séculos, a humanidade tem prestado pouca atenção à reação do Cristo face a Seu próprio destino, no que afetava ao humano, assim como à Sua reação ao conhecimento na medida em que Lhe era revelado. Em relação ao Seu trabalho e sacrifício, temos sido egoístas, cobiçosos e renitentes. A palavra "conhecer" (em relação com a consciência iniciática do Cristo e ainda de iniciados menores) se refere à exatidão do conhecimento que o iniciado obtém, por meio da experimentação, da experiência e da expressão. Os primeiros tênues indícios do "destino" monádico e da ampla influência universal que o Filho de Deus pode exercer fizeram-se sentir na consciência

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do Cristo, como na consciência de todos aqueles que obedecem a Seu mandato, e chegam à perfeição que Ele indicou como possível. A qualidade ou aspecto divino superior já se está fazendo sentir na vida do progressista Filho de Deus, que conhece o significado da inteligência e compreende o significado do amor e de sua natureza atrativa. Hoje, devido a estes dois reconhecimentos, percebem-se o poder da vontade e a realidade do propósito divino que esta mesma vontade deve forçosamente desenvolver. Esta foi a maior crise do Cristo. Descritos no Evangelho, como testemunhos deste progressivo desenvolvimento divino, encontramos quatro momentos em que se comprovou e demonstrou essa compreensão universal ou monádica. Vejamos, brevemente, cada um deles: 1. Temos, antes de tudo, a manifestação feita a Seus pais, no templo: "Não sabeis vós que devo ocupar-me dos assuntos do meu Pai?". Há de observar-se que, nessa ocasião, tinha Ele doze anos de idade e já havia terminado o trabalho que devia realizar (como alma): doze é o número do trabalho terminado, como o atestam os doze trabalhos de Hércules, outro Filho de Deus. O simbolismo de Seus doze anos é substituído, agora, pelo dos doze apóstolos, símbolo de serviço e sacrifício. Também esteve no templo de Salomão, símbolo da perfeita vida (25) da alma, assim como o Tabernáculo, no deserto, simboliza a imperfeita vida efêmera da personalidade transitória. Cristo falava, portanto, desde o nível da alma, não apenas como homem espiritual, na Terra. Quando pronunciou essas palavras, também prestava serviço como Membro ativo da Hierarquia espiritual, pois Seus pais O encontraram ensinando aos sacerdotes, Fariseus e Saduceus. Tudo isto indica que reconhecia o trabalho que Lhe correspondia, como um Instrutor Mundial, percebendo, pela primeira vez, em Seu cérebro físico, o divino propósito ou a divina vontade. 2. Mais adiante a Seus discípulos: "Devo ir a Jerusalém" e, em seguida, lemos que "resolutamente volveu Seu rosto para ir" a essa cidade. Esta foi a indicação de que, agora, tinha um novo objetivo. O único lugar de completa "paz" (significado do nome de "Jerusalém”) e "o centro onde a vontade de Deus é conhecida". A Hierarquia espiritual de nosso planeta, a Igreja invisível do Cristo, não é um centro de paz, senão um verdadeiro vórtice de atividade amorosa, o lugar onde se reúnem as energias provenientes do centro da vontade divina, e da humanidade –o centro da inteligência divina. O Cristo se orientou para esse centro divino, denominado nas antigas Escrituras "o lugar de serena determinação, de equilibrada e obediente vontade". Esta afirmação assinalou um ponto crucial e de determinação na vida do Cristo, e demonstrou Seu progresso no cumprimento da realização divina. 3. Então, no Horto de Getsêmani, exclamou: "Pai, faça-se a Tua Vontade e não a minha", indicando com isso que compreendia o destino divino. O significado destas palavras não implica (como amiúde o afirmam os teólogos cristãos) aceitar o sofrimento de um futuro infortunado e a morte. Foi uma exclamação, evocada por Sua verdadeira conscientização das implicações universais de Sua missão, e pelo intenso enfoque de Sua vida em um sentido universal. A experiência de Getsêmani era unicamente possível àqueles Filhos de Deus que alcançaram Seu excepcional ponto de evolução, não tinha conexão alguma com, o episódio da crucificação, como afirmam os comentaristas ortodoxos. 4. As últimas palavras de Cristo a Seus apóstolos foram: "Eis aqui, Eu estou convosco todos os dias, até o fim da idade" ou ciclo: (São Mateus, 28, 20). A palavra importante é "fim". (26) O vocábulo empregado vem do grego, "sun-teleia" e significa o fim de um período de tempo com outro que lhe segue imediatamente (o que se poderia chamar o fim de um ciclo). Em grego, o fim total é outra palavra: "telos". Em São Mateus, 24, 6: "mas ainda não é o fim" se usa a outra palavra telos porque significa que "o fim do primeiro período não foi ainda alcançado". Então, falava como Mentor da Hierarquia espiritual, expressando Sua vontade, unificada, agora, com a vontade de Deus, para instruir continuamente o mundo dos homens e compenetrá-lo com Sua suprema consciência. Esta foi uma grandiosa afirmação enviada pela energia de Sua vontade amadurecida, Seu amor que inclui a tudo e Sua mente inteligente; afirmação que tornou possíveis todas as coisas. Cristo também se referiu ao poder magnético da vontade, quando disse: "Eu, se for elevado, atrairei para mim todos os homens". Isto não se referia à crucificação, senão ao poder de Sua vontade magnética para atrair a todos os homens que vivem no mundo de valores materiais, por meio da vida do Cristo imanente, em todos os corações, e levá-los ao mundo do reconhecimento

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espiritual. Não se referia à morte e sim à vida; tampouco se referia à cruz, mas à ressurreição. No passado, a tônica da religião cristã foi a morte, simbolizada na morte de Cristo, muito deformada por São Paulo, em seu esforço por fundir a nova religião, que Cristo estabeleceu, com a antiga religião do sangue, dos judeus. No ciclo que Cristo inaugurará depois de Seu reaparecimento, a meta de todo ensino religioso no mundo consistirá em ressuscitar o espírito na humanidade, dar-se-á importância à vivência da natureza crística em todo ser humano e ao emprego da vontade para obter esta vital transfiguração, aqui, da natureza inferior. A prova disso será o Cristo ressuscitado. Este "Caminho de Ressurreição é o Caminho radiante, o iluminado Caminho que conduz o homem de uma expressão da divindade a outra, é o caminho que expressa a luz da inteligência, a radiante substância do verdadeiro amor e a vontade inflexível, que não permite nenhuma derrota ou deserção. Tais são as características que porão em evidência o Reino de Deus. A humanidade encontra-se hoje em um peculiar e excepcional ponto médio, entre um passado desventurado e um futuro cheio de promessas, sempre que se reconheça o reaparecimento (27) do Cristo e se leve a cabo a preparação para a Sua vinda. O presente está pleno de promessas e também de dificuldades; atualmente e no presente imediato, a humanidade tem em suas mãos o destino do mundo ou, se se pode expressar assim, com toda reverência, a atividade imediata do Cristo. A agonia da guerra e a angústia de todo o gênero humano, conduziram o Cristo, em 1945, a tomar uma grande decisão, manifestada em duas importantes declarações: primeiro, anunciou à Hierarquia espiritual e a todos os Seus Servidores e discípulos que vivem na Terra que havia decidido surgir novamente e estabelecer contato físico com a humanidade, se se levassem a termo as etapas iniciais para o estabelecimento de corretas relações humanas; segundo, deu ao mundo, para o uso do "homem da rua", uma das mais antigas preces conhecidas, cujo uso até agora só havia permitido aos Seres espirituais mais elevados. Ao que se disse, Ele Mesmo a recitou pela primeira vez, em 1945, durante a lua cheia de junho, conhecida como a Lua cheia do Cristo, assim como a Lua cheia de maio é conhecida como a do Buda. Não foi fácil traduzir estas frases antigas, tão antigas que não têm data certa nem antecedente algum, em palavras modernas. Mas isso se fez e a Grande Invocação, que oportunamente tornar-se-á prece mundial, foi por Ele pronunciada e transcrita por Seus discípulos. Sua tradução é a seguinte: Desde o ponto de Luz na Mente de Deus, Que aflua luz às mentes dos homens. Que a Luz desça à Terra. Desde o ponto de Amor no Coração de Deus, Que aflua amor aos corações dos homens. Que o Cristo retorne à Terra. Desde o centro onde a Vontade de Deus é conhecida, Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens O propósito que os Mestres conhecem e a que servem. Desde o centro a que chamamos raça dos homens, Que se cumpra o Plano de Amor e Luz, E que se sele a porta onde mora o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.

(28) Seu extraordinário poder pode-se constatar no fato de que centenas de milhares de pessoas já a estão usando diariamente e também várias vezes ao dia. Em 1947, já havia sido traduzida em dezoito idiomas e dialetos [hoje mais de 70]; nas selvas da África a empregam grupos de nativos e pode-se vê-la nas mesas de escritórios de destacadas personalidades, em nossas principais cidades; difundida pelo rádio, na Europa e América, não existe país ou ilha onde não seja usada. Tudo isto levou dezoito meses. Se esta nova Invocação for amplamente divulgada, poderá ser para a nova religião mundial o que o Pai Nosso foi para a cristandade e o Salmo 23 para o judeu espiritual. Existem três maneiras de se fazer contato com esta grande Prece ou Invocação:

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1. a do público em geral; 2. a dos esoteristas, ou dos aspirantes e discípulos do mundo; 3 - a dos Membros da Hierarquia. Primeira, o público em geral a considerará como uma prece a Deus Transcendente. Estes ainda não O reconhecem como Imanente em Sua criação; elevá-la-ão em aras de esperança, esperança de luz, amor e de paz, a que todos anelam, incessantemente. Também a consideração como prece que ilumina os governantes e dirigentes de todos os grupos que manipulam os assuntos mundiais; como rogativa para que flua amor e compreensão entre os homens, para que possam viver em paz entre si; como busca, para que se cumpra a vontade de Deus, a respeito da qual o público nada sabe, considerando-a tão inescrutável e oniabarcante que se resigna a esperar e crer, sem discutir; como oração para fortalecer o senso de responsabilidade humana, a fim de que os males atuais, que tanto afligem e confundem a humanidade, possam ser eliminados, tendo em vista refrear essa indefinida fonte do mal. Finalmente, será considerada como uma oração para que se restabeleça uma condição primordial, também indefinida, de beatifica felicidade, e desapareça da Terra todo sofrimento e dor. Tudo isto é útil para a massa, sendo a única coisa que se pode fazer de imediato. Segunda, os esoteristas, os aspirantes e aqueles que estiverem espiritualmente orientados alcançarão uma aproximação (29) mais profunda e compreensiva do seu sentido. Reconhecerão o mundo das causas e Aqueles que, subjetivamente, se acham por detrás dos assuntos mundiais, os Dirigentes espirituais de nossa vida. Eles estão preparados para dar àqueles que possuem verdadeira visão e indicar não somente a razão dos acontecimentos suscitados nos diversos setores da vida humana, senão também revelar-lhes aquilo que permitirá à humanidade passar da obscuridade à luz. Se se adotar esta atitude fundamental, será evidente a necessidade de difundir amplamente os fatos subjacentes, iniciando-se uma era de divulgação espiritual, arquitetada pelos discípulos e levadas a efeito pelos esoteristas. Esta era começou em 1875, quando se proclamou a realidade da existência dos Mestres de Sabedoria, a qual permaneceu, apesar do escárnio, da negação e das errôneas interpretações dessa realidade. Tem sido de grande utilidade o reconhecimento da natureza substancial do que pôde ser corroborado, bem como a resposta intuitiva dos estudantes esotéricos e de muitos intelectuais de todo o mundo. Um novo tipo de místico está surgindo. Difere dos místicos do passado, porque se interessa de forma prática pelos acontecimentos mundiais e não somente pelas questões religiosas da igreja. Caracteriza-se pela falta de interesse dirigido para o seu desenvolvimento pessoal, pela sua capacidade de ver o Deus Imanente em toda crença, e não apenas em seu próprio e determinado credo religioso, bem assim pela aptidão de viver sua vida na luz da divina Presença. Todos os místicos têm podido fazê-lo em maior ou menor grau, porém o místico moderno difere dos do passado porque é capaz de indicar aos demais, com toda clareza, as técnicas a seguir na Senda; combina mente e coração, inteligência e sentimento, além de uma percepção intuitiva, de que carecia até agora. Não somente a luz de sua própria alma, senão também a clara luz da Hierarquia espiritual iluminam, agora, o caminho do místico moderno, em ritmo crescente. Terceira, ambos os grupos, o público em geral e os aspirantes mundiais, em seus diversos graus, têm em seu seio aqueles que se destacam do estofo comum, porque possuem uma profunda visão e compreensão, ocupam a "terra de ninguém", entre a massa e os esoteristas, de um lado, e entre estes e os Membros da Hierarquia, do outro lado, os quais também empregam (30) a Grande Invocação, pois não se Passa um dia sequer sem que o Cristo Mesmo a recite. Sua beleza e Potência residem em sua singeleza e no fato de expressar certas verdades essenciais, que todos os homens aceitam inata e naturalmente: a verdade da existência de uma Inteligência fundamental, a Quem vagamente denominamos Deus; a verdade de que, por detrás de todas as aparências externas, o amor é o poder motivador do universo; a verdade de que veio à Terra uma grande Individualidade, chamada Cristo pelos cristãos, O qual encarnou esse amor, para que dele adquiríssemos compreensão; a verdade segundo a qual o amor e a inteligência são conseqüência da vontade de Deus; e, finalmente, a verdade evidente de que o Plano Divino só pode desenvolver-se através da humanidade.

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Este Plano exorta o gênero humano a expressar o Amor e insta com os homens para que "deixem brilhar sua luz". Logo vem a solene e final rogativa para que este Plano de Amor e de Luz, desenvolvendo-se através da humanidade, possa "murar a porta onde mora o mal”. A última linha contém a idéia de restauração, dando a tônica para o futuro e indicando que a idéia original de Deus e Sua intenção inicial já não serão frustradas pelo mal nem pelo livre-arbítrio do homem – materialismo e egoísmo puros; então, cumprir-se-á o propósito divino, graças às mudanças produzidas nos objetivos e sentimentos da humanidade. Este é o significado óbvio e simples, que se ajusta à aspiração espiritual de todos os homens do mundo. O emprego desta Invocação ou Prece mais a crescente expectativa da vinda do Cristo oferecem, hoje, a máxima esperança para a humanidade. Se assim não fosse, então a oração seria inútil, constituindo-se somente em uma alucinação e as Escrituras do mundo, com suas profecias comprovadas, seriam também inúteis e enganosas. As épocas atestam o contrário. A Prece sempre receberá e tem recebido resposta; egrégios Filhos de Deus sempre têm vindo em resposta à súplica da humanidade, e sempre virão, e Aquele a quem todos os homens esperam está a caminho.

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Capítulo III O REAPARECIMENTO DO CRISTO A Expectativa Mundial (31) Deus Transcendente, mais grandioso, mais vasto e mais incluente que o mundo de Sua criação, tem sido universalmente reconhecido e, geralmente, enfatizado; todos os credos podem afirmar com Shri Krishna (quando fala como Deus, o Criador) que, "havendo interpenetrado o universo inteiro com um fragmento de Mim Mesmo, Eu permaneço". Este Deus Transcendente tem dominado o pensamento religioso de milhões de pessoas simples e espirituais, no decurso dos séculos, desde que a humanidade iniciou seu caminho para a divindade. Lentamente, vai despertando a incipiente consciência da humanidade para a grande verdade paralela de Deus Imanente –divinamente "interpenetrando" todas as formas, internamente condicionando todos os reinos da natureza, expressando a divindade ingênita através dos seres humanos e, faz dois mil anos, tendo personificado a natureza dessa divina Imanência na pessoa do Cristo. Hoje, como conseqüência desta Presença divina em manifestação, um novo conceito está penetrando na mente dos homens de toda parte: o do "Cristo em nós, a esperança de glória" (Col. 1, 27). Existe uma crescente e progressiva crença de que Cristo está em nós, como esteve no Mestre Jesus, crença que alterará os assuntos do mundo e a atitude do gênero humano em relação à vida. A maravilhosa vida que viveu há dois mil anos, permanece ainda conosco e não perdeu nada de sua louçania; é uma aspiração, esperança, estímulo e exemplo eternos. O amor que Ele demonstrou ainda influencia o mundo de pensamentos, se bem que relativamente poucos tenham intentado demonstrar a mesma (32) qualidade de Seu amor, amor que leva infalivelmente ao serviço mundial, ao completo olvido de si mesmo e a uma vida radiante e magnética. As palavras que Ele pronunciara foram breves e simples, e todos os homens as podem compreender, porém seu significado se perdeu nas tortuosas legitimações e discussões de S. Paulo e nas extensas disputas dos comentaristas teológicos, desde que o Cristo viveu e nos deixou – ou o fez aparentemente. Não obstante, o Cristo está hoje mais próximo da humanidade do que em qualquer outro período da história humana; está mais próximo do que suspeita o anelante e esperançoso discípulo, e pode estar ainda mais, se o que aqui está escrito for compreendido e levado à atenção de todos os homens. Pois o Cristo pertence à humanidade, ao mundo dos homens, e não apenas à igreja e às crenças religiosas de todo o mundo. Ao Seu redor, nesse Elevado Lugar da Terra onde tem sua morada, se acham hoje reunidos Seus grandes discípulos, os Mestres de Sabedoria, e todos Aqueles emancipados Filhos de Deus, que no transcurso das épocas têm passado da obscuridade à Luz, do irreal ao Real e da morte à Imortalidade. Estão dispostos a cumprir Seu mandato e obedecer ao Mestre dos Mestres e ao Instrutor de anjos e de homens. Os Expoentes e Representantes de todos os credos do mundo aguardam que se lhes permita revelar àqueles que, sob Sua orientação, lutam no caos dos assuntos mundiais e tratam de resolver a crise mundial –que não estão sós. Deus transcendente está trabalhando por meio do Cristo e da Hierarquia Espiritual para ajudar ao gênero humano; Deus Imanente em todos os homens está a ponto de ser plenamente reconhecido. A grande Sucessão Apostólica de Conhecedores de Deus está hoje preparada para iniciar uma atividade renovada –a sucessão daqueles que têm vivido na Terra, têm aceito a realidade do Deus Transcendente, descoberto a realidade de Deus Imanente, reproduzido em Suas próprias vidas as características divinas da vida crística (porque têm vivido na Terra como Ele o fez e faz), e "penetraram por nós detrás do véu, dando-nos um exemplo para que também nós sigamos Seus passos" e os dEles. Oportunamente, também nós pertenceremos a essa grande sucessão.

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(33) O Buda Mesmo se acha também detrás do Cristo, no humilde reconhecimento da tarefa divina que Ele está a ponto de consumar, devido ao iminente dessa realização espiritual. Não somente são conhecedores de Seus planos Aqueles que atuam, conscientemente, no Reino de Deus, senão que esses grandes seres espirituais, que vivem e moram na "Casa do Pai" e no “centro onde a vontade de Deus é conhecida", também estão mobilizados e organizados para ajudar em Seu trabalho. A linha espiritual da sucessão, desde o trono do Ancião dos Dias até o mais humilde discípulo (reunidos aos pés do Cristo), está empenhada, presentemente, na tarefa de ajudar à humanidade. É quase chegado o grande momento pelo qual tão pacientemente Ele tem esperado. O fim "da era", a que se referiu quando falava a Seu pequeno grupo de discípulos, já chegou ("Eis aí! Eu estou convosco até o fim da era"). Na atualidade, permanece e espera, sabendo que chegou o momento em que "verá o trabalho de Sua alma e será satisfeito". (Isaías 53, 11). Em toda a sucessão espiritual de Filhos de Deus só se vê e sente expectativa e preparação: "A Hierarquia espera". Fez tudo o que era possível quanto ao que se refere à presente oportunidade. O Cristo aguarda em paciente silêncio, atento ao esforço que materializará Seu trabalho na Terra e Lhe permitirá continuar a tarefa que iniciou há dois mil anos, na Palestina. O Buda também aguarda, a fim de desempenhar Sua parte, se a humanidade Lhe oferecer a oportunidade. Tudo depende da correta ação das pessoas de boa vontade. Da Casa do Pai –"o centro onde a vontade de Deus é conhecida" ou Shamballa dos esoteristas– surgiu o fiat: a hora é chegada. Do Reino de Deus, onde o Cristo reina, a resposta surgiu: "Pai, faça-se a Tua vontade". No desditado, perplexo e esforçado mundo dos homens se eleva, incessantemente, o clamor: "Que Cristo retorne à Terra". Para os três grandes centros espirituais, a Casa do Pai, o Reino de Deus e a Humanidade que está despertando, existe um só propósito, uma só idéia e uma conjunta expectativa. É essencial que exista hoje um maior conhecimento a respeito do "centro onde a vontade de Deus é conhecida". O publico deveria possuir certo conhecimento sobre este elevado centro espiritual, ao qual, segundo o Evangelho, o Cristo Mesmo (34) esteve sempre atento. Freqüentemente, lemos no Novo Testamento que "o Pai Lhe falou" ou que "Ele ouviu uma Voz" inaudível para outros, ou que se ouviram as palavras: "Este é Meu Filho Amado". Repetidas vezes lemos que Lhe foi outorgado o selo da aprovação (como é denominado espiritualmente). Só o Pai, o Logos Planetário, "Aquele em quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser" (Atos 17, 28), o Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias (Daniel 7, 9) pode pronunciar esta palavra final de aprovação. Como bem sabemos, o Mestre Jesus passou por cinco crises ou iniciações: O Nascimento em Belém, o Batismo, a Transfiguração, a Crucificação e a Ressurreição; porém, por trás deste evidente e prático ensinamento, subsiste uma corrente subterrânea ou pensamento sobre algo muito mais elevado e de maior importância: a Voz de aprovação do Pai, reconhecendo o que o Cristo realizou. Quando o Cristo completar, nos próximos dois mil anos, o trabalho iniciado, igualmente há dois mil anos, com certeza essa Voz será ouvida novamente e Lhe será outorgado o reconhecimento divino de Seu advento. Então o Cristo receberá aquela magna Iniciação, sobre a qual nada sabemos, exceto que dois aspectos divinos se unirão e fundirão nEle (amor-sabedoria em plena manifestação, motivados pela vontade ou poder divinos). Então o Buda e o Cristo comparecerão diante do Pai, o Senhor do Mundo; verão juntos a glória do Senhor e, eventualmente, prestarão um serviço mais elevado, cuja natureza e qualidade nos são desconhecidos. Não escrevo com espírito fanático ou adventista, nem falo como um teólogo especulativo ou expoente de um aspecto do expectante pensamento religioso. Falo porque muitos sabem que o momento é oportuno e que o clamor dos corações simples e cheios de fé chegou às mais elevadas esferas espirituais e pôs em movimento energias e forças que já não podem ser detidas. A demanda invocadora da angustiada humanidade é hoje tão grande e tão sólida que, conjuntamente com a sabedoria e o conhecimento da Hierarquia espiritual, deram impulso a certas atividades da Morada do Pai. Estas redundarão na glória de Deus, na transformação da divina vontade para o bem, na boa vontade humana e na resultante paz na Terra.

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Está por se escrever um novo capítulo no grande livro da vida espiritual; uma nova expansão de consciência é um acontecimento (35) iminente; a humanidade pode reconhecer, já, a preocupação pela divindade; a acentuada expectativa comprovará a exatidão da afirmativa bíblica: "E todo olho O verá" (Rev. 1,7). A vivência religiosa, ou história espiritual da humanidade, pode ser resumida em uma série de reconhecimentos –o reconhecimento Daqueles Que, no transcurso das épocas, têm constituído a Sucessão Apostólica, culminando com o aparecimento dos grandes guias religiosos que têm vindo desde o ano de 700 a.C. e fundaram os grandes credos modernos e, sobretudo, no do próprio Cristo, que personificou a perfeição do Deus Imanente, mais a conscientização de Deus Transcendente; o reconhecimento destes conceitos espirituais superiores de amor, vida e relação, que sempre pairaram no fundo do pensamento humano, que estão, agora, a ponto de ser expressos corretamente; o reconhecimento da verdadeira fraternidade entre os homens, baseada na divina Vida Una, que atua através da alma una e se expressa através da humanidade una; portanto, o reconhecimento da relação que existe entre a vida divina, em todo o mundo, e a própria humanidade. O desenvolvimento dessa atitude espiritual conduzirá às corretas relações humanas e à eventual paz mundial. Possivelmente, agora se produza outro reconhecimento –o do iminente retorno do Cristo (se se pode aplicar esta frase a Quem nunca nos abandonou) e das novas oportunidades espirituais que este acontecimento oferecerá. A base para esse reconhecimento reside na profunda convicção, inata na consciência humana, que algum Instrutor, Salvador, Revelador, Legislador ou Representante divino deve aparecer, proveniente do mundo das realidades espirituais, devido à necessidade e apelo humanos. No transcurso dos séculos, nos momentos mais prementes da humanidade e em resposta à sua demanda, tem aparecido, sob diferentes nomes, um divino Filho de Deus. Então veio o Cristo e, aparentemente, nos abandonou, sem haver levado a termo Sua tarefa e sem consumar o que havia visualizado para a humanidade. Pelo espaço de dois mil anos, parecera que todo Seu trabalho fora obstruído, frustrado e inútil, porque a proliferação de igrejas, no transcurso dos séculos, não constituiu uma garantia do triunfo espiritual que Ele anelava. Era necessário algo mais que as interpretações teológicas e o crescimento numérico das religiões mundiais (incluindo o cristianismo e o budismo) para comprovar que Sua (36) missão no mundo havia sido levada a cabo triunfalmente. Tudo parecia impossível de realizar e exigia três condições, pelas quais poder-se-ia intentar pôr à prova Seu trabalho, condições que, atualmente, são fatos comprovados. Primeiro, como já vimos, existe uma condição geral planetária, a qual, desgraçadamente, se demonstrou ser tão catastrófica (devido ao egoísmo do homem) que a humanidade se viu obrigada a reconhecer a causa e a origem do desastre; segundo, um despertar espiritual originado nas raízes mais profundas da consciência humana como resultado da Guerra Mundial (1914-1945); terceiro, o crescente clamor invocativo (oração ou súplica) que se eleva até fontes espirituais superiores, não importando com que nomes possam ser designadas. Na atualidade, imperam estas três condições e a humanidade faz frente a uma nova oportunidade. O desastre que atingiu a humanidade é de proporções universais; ninguém pôde escapar e todos estão, em uma ou outra forma, implicados nele –física, econômica ou socialmente. O despertar espiritual dos homens (crentes ou não, porém em maior escala os não crentes) é geral e pleno, podendo observar-se, em toda parte, um retorno para Deus. Finalmente, estas duas causas produziram na humanidade, como nunca ocorrera antes, um apelo invocativo mais claro, mais puro e mais altruísta, jamais verificado em qualquer outra época da história humana, porque está baseado em pensamentos mais nítidos e na angústia comum. A verdadeira religião está aflorando, novamente, nos corações dos homens; o reconhecimento de uma esperança e âmbito divinos possivelmente fará com que os povos voltem à igreja e pratiquem as religiões mundiais, porém, com maior segurança, levá-los-á de volta para Deus. Inegavelmente, religião é o nome que damos ao apelo da humanidade que conduz a uma resposta evocadora do Espírito de Deus. Este Espírito atua em todos os corações humanos e em todos os grupos. Ele trabalha também por intermédio da Hierarquia Espiritual do planeta. Impele o Cristo, Guia da Hierarquia, a atuar, e a atividade que desenvolve permitir-lhe-á que volte com Seus discípulos. A idéia do retorno do Cristo é muito familiar e o conceito de que o Filho de Deus regressa em resposta às necessidades humanas se inclui nos ensinamentos da maioria dos credos mundiais.

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(37) Desde que aparentemente nos abandonou e se dirigiu para o nível em que O colocaram os crentes, pequenos grupos destes chegaram a crer que, em determinada ocasião, regressaria, porém suas profecias e esperanças se viram sempre frustradas. Não retornou. Estas pessoas têm sido alvo de zombaria, por parte da multidão, e censuradas pelos inteligentes. Seus olhos jamais O viram nem tiveram um indício tangível de Sua presença. Na atualidade, milhares de pessoas sabem que Ele virá, e que já se iniciaram os planos para Seu reaparecimento, porém não se fixou data nem hora. Apenas dois ou três conhecem o momento, "porém, no momento em que não pensardes, Ele virá" (Mat. 24, 44). Uma verdade que se faz difícil ao pensador ortodoxo aceitar é o fato de que Cristo não pode voltar porque sempre tem estado na Terra, vigiando o destino espiritual da humanidade; Ele nunca nos deixou, ao invés, fisicamente e bem protegido (posto que não oculto), tem guiado os assuntos da Hierarquia Espiritual e de Seus discípulos e colaboradores, os quais, conjuntamente, se têm comprometido com Ele a servir na Terra. A única coisa que Ele pode fazer é reaparecer. Constitui uma verdade espiritual que aqueles que passaram da tumba para a plenitude da vida de ressurreição podem ser visíveis e ao mesmo tempo se tornar invisíveis para o crente. Ver e reconhecer são duas coisas inteiramente distintas, e um dos grandes reconhecimentos, por parte da humanidade, em um futuro próximo, é que Ele sempre esteve conosco, compartindo os valores familiares, as características de nossa civilização e as inumeráveis dádivas que tem concedido ao homem. Os primeiros indícios de que se aproxima com Seus discípulos já podem ser percebidos por aqueles que observam e interpretam, corretamente, os sinais dos tempos, podendo notar nestes, a união espiritual daqueles que amam seus semelhantes. Constitui em realidade a organização do exército externo do Senhor, que só tem como arma o amor, a palavra reta e as corretas relações humanas. O estabelecimento desta organização desconhecida tem continuado com extraordinária velocidade, durante o após-guerra, porque a humanidade já está cansada de ódios e controvérsias. Os colaboradores de Cristo já se acham ativos no Novo Grupo de Servidores do Mundo, constituindo o grupo de precursores (38) mais poderoso que jamais houve, precedendo a entrada de um grande Personagem mundial no campo da vida humana. Seu trabalho e influência, hoje, se vêem e sentem em toda parte, e nada pode destruir o já realizado. Desde 1935, tratou-se de aproveitar o efeito espiritual e organizador produzido pela Invocação, através de sua recitação e expressão, dirigindo a energia da demanda invocadora da humanidade para esses canais que vão desde a Terra até o Altíssimo lugar onde mora o Cristo. Dali, ela tem sido transmitida a esses níveis ainda mais elevados de onde a atenção do Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias, o Pai de todos nós, além das Energias criadoras e dos Seres Viventes que moram nEle pode ser dirigida à humanidade, a fim de dar os passos necessários que levarão a objetivar mais rapidamente os propósitos de Deus. Pela primeira vez na história da humanidade, o apelo dos povos da Terra é tão poderoso e se acha tão de acordo com a orientação divina, em tempo e espaço, que inevitavelmente se cumprirá. O esperado Representante espiritual há de vir; porém, desta vez não virá só, senão acompanhado por Aqueles Cujas vidas e palavras evocarão o reconhecimento de todos os setores do pensamento humano. As profecias simbólicas, encontradas em todas as Escrituras mundiais, relacionadas com este iminente acontecimento, demonstrarão sua veracidade, muito embora seja necessário reinterpretar seu simbolismo; as circunstâncias e os acontecimentos não serão como as Escrituras parecem indicar. Ele virá, por exemplo, nas "nuvens do céu" (Mat. 26, 64), como o dizem as Escrituras cristãs, porém, que tem isto de sobrenatural, quando milhões de pessoas viajam pelo espaço a toda hora do dia e da noite? Menciono isto como uma das profecias mais destacadas e conhecidas; contudo, tem muito pouco significado para nossa civilização moderna. O importante é que Ele virá. O Festival de Wesak vem-se celebrando durante séculos, no conhecido vale dos Himalaias (creia-se ou não), com o fim de: 1. Confirmar que o Cristo existe fisicamente entre nós, desde Sua suposta partida;

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2. Comprovar, no plano físico, a real similitude que existe quanto ao processo de aproximação a Deus adotado pelo Oriente e pelo Ocidente. Tanto Cristo como Buda estão presentes; (39) 3. Estabelecer um lugar de reunião para Aqueles que, anualmente, em forma sintética e simbólica, vinculam-se e representam a Casa do Pai, o Reino de Deus e a Humanidade; 4. Demonstrar a natureza do trabalho que o Cristo há de realizar, como o grande Intermediário eleito, permanecendo como Representante da Hierarquia Espiritual e Guia do Novo Grupo de Servidores do Mundo. Por Seu intermédio proclamar-se-á o reconhecimento da existência do Reino de Deus aqui e agora. Uma das mensagens principais para nós, que lemos estas palavras, talvez seja a grande verdade e realidade da Presença física do Cristo, nesta época, na Terra, de Seu grupo de discípulos e colaboradores, de Sua representativa atividade, em bem da humanidade, e da estreita relação que existe entre eles. Esta relação é percebida em certos grandes festivais espirituais e inclui não só o Reino de Deus, senão também o Pai e a Morada do Pai. Temos o Festival da Páscoa, o Festival do Buda, cuja presença física representa a solidariedade espiritual de nosso planeta, e o Festival de Junho, denominado, peculiarmente, o Festival do Cristo, em que, como Guia do Novo Grupo de Servidores do Mundo, Ele recita a Grande Invocação em bem de todas as pessoas de boa vontade, reunindo, ao mesmo tempo, as súplicas incipientes e inexpressadas daqueles que buscam um novo e melhor modo de viver. Eles aspiram ao amor em sua vida diária, às corretas relações humanas e à compreensão do Plano subjacente. Estes são os acontecimentos físicos de importância, não as vagas esperanças e promessas dos dogmas teológicos. É a Presença física, em nosso planeta, dos conhecidos Personagens espirituais, como o Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias; os sete Espíritos ante o trono de Deus; o Buda, Guia espiritual do Oriente, e o Cristo, Guia espiritual do Ocidente – todos os quais absorvem nossa atenção, nestes momentos decisivos. A crença incerta sobre Sua existência; as vagas especulações acerca de Seu trabalho e do Seu interesse no bem-estar humano, e o ainda não convencido, posto que esperançoso e fervente anelo dos crentes (assim também dos não-crentes), serão de pronto substituídos por certo conhecimento, pela identificação visual, por alguns indícios de ação executiva e pela reorganização (por (40) homens de inusitado poder) da vida política, religiosa, econômica e social da humanidade. Isto não virá como conseqüência de alguma proclamação ou de um maravilhoso acontecimento planetário que fará os seres humanos exclamarem: "Louvado seja, Ele está aqui. Eis aqui os sinais de Sua divindade", porque só provocaria antagonismo e zombaria, incredulidade ou credulidade fanática. Virá, porque foi reconhecida Sua capacidade de liderança, através das mudanças dinâmicas, porém lógicas, efetuadas nos assuntos mundiais, e devido à ação empreendida pelas massas, desde o mais recôndito de suas consciências. Faz muitos anos manifestei que o Cristo poderia vir de três maneiras distintas, ou melhor, que a realidade de Sua presença também poderia comprovar-se em três fases distintas. Nessa oportunidade, assinalou-se que a primeira coisa que o Cristo faria seria estimular a consciência espiritual do homem, evocar, em grande escala, os apelos espirituais da humanidade e fomentar, numa escala mundial, a consciência crística no coração humano. Isto já se tem feito com resultados bastante efetivos. As súplicas clamorosas dos homens de boa vontade, dos colaboradores no campo da beneficência e daqueles que se comprometeram a colaborar, internacionalmente, para aliviar os sofrimentos do mundo e estabelecer corretas relações humanas, expressam, inegavelmente, a natureza real deste processo. Aquela fase do trabalho preparatório que assinala Seu advento chegou já a uma etapa em que nada pode deter seu progresso ou diminuir seu ímpeto. Apesar das aparências, este surgimento da consciência crística triunfou, e o que possa parecer uma atividade contrária, não tem importância ao longo do tempo, por ser de natureza transitória. O passo seguinte indicado, da Hierarquia, seria plasmar nas mentes dos homens iluminados de todo o mundo as idéias espirituais que encerram novas verdades: a "descida" (se assim posso

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denominá-lo) dos novos conceitos que regerão a vida humana e a influência que exercerá o Cristo sobre os discípulos mundiais e sobre o Novo Grupo de Servidores do Mundo. Este movimento, planificado pela Hierarquia, progride; homens e mulheres de toda parte e de todos os setores enunciam as novas (41) verdades que hão de guiar a vida humana no futuro; fundam novas organizações, movimentos e grupos, grandes e pequenos, que darão a conhecer às massas a realidade da necessidade e o modo de enfrentá-la. Fazem isto impulsionados pelo fervor de seus corações e pela amorosa resposta à angústia humana, e ainda que sem formulá-lo, assim, para si próprios, trabalhando para exteriorizar o Reino de Deus na Terra. Ante a evidente multiplicidade de organizações, livros e conferências, etc., resulta impossível negar estes fatos. Em terceiro termo, o Cristo, segundo se disse, poderia vir em pessoa, e caminhar entre os homens, como o fez anteriormente. Na atualidade isto não ocorreu ainda, porém já se estão fazendo os planos necessários que Lhe permitirão fazê-lo. Tais planos não incluem o nascimento de algum formoso menino em um bom lar da Terra; nem haverá proclamas extravagantes; tampouco existirá o crédulo reconhecimento dos bem-intencionados e dos ignorantes, como sucede hoje tão freqüentemente; nem ninguém dirá: "Este é o Cristo. Ele está aqui ou ali". Não obstante, quisera destacar que a ampla difusão de tais enunciados e relatos, ainda que indesejáveis, enganosos e errôneos, demonstra, entretanto, a expectativa humana por Seu iminente advento. A crença em Sua chegada é algo fundamental na consciência humana. Como e de que maneira virá, ainda não foi estabelecido. O momento exato também não foi determinado ainda, nem tampouco como reaparecerá. A natureza real dos dois primeiros passos preparatórios, dados já pela Hierarquia sob Sua direção, são a garantia de que Ele virá e de que, ao fazê-lo, a humanidade estará preparada. Resumiremos certos aspectos da obra que Ele iniciou há dois mil anos, porque eles nos darão a chave de Seu trabalho futuro. Parte deste trabalho é bem conhecida, pois tem sido destacada por todos os credos e, em particular, pelos instrutores da fé cristã. Porém, todos têm apresentado Sua tarefa de maneira muito difícil de ser compreendida pelo homem; a ênfase indevida posta sobre Sua divindade (algo que jamais fez ressaltar) induz a crer que Ele e só Ele pode realizar essa obra. Os teólogos têm olvidado que Cristo afirmara: "Maiores coisas que estas vós o fareis, porque Eu vou para o Pai” (João, 14,12). Com isto quis significar que a entrada na Morada de Deus traria como resultado tal afluência de poder espiritual, visão e realização (42) criadora para o homem, que as façanhas deste deveriam superar as suas obras; devido à deformação do Seu ensinamento e seu distanciamento do homem, ainda não temos feito essas "coisas maiores". Com segurança, algum dia as faremos, posto que em certos aspectos já foram feitas. Permita-se-me expor algumas das coisas que Ele fez e que nós também podemos fazer com Sua ajuda. 1. Pela primeira vez, na história da humanidade, o amor de Deus encarnou em um homem e o Cristo inaugurou a era do amor. Esta expressão do amor divino ainda se acha em sua etapa preparatória; no mundo não existe verdadeiro amor e muito poucos compreendem o real significado desta palavra. Falando simbolicamente, porém, quando as Nações Unidas tiverem adquirido um verdadeiro e efetivo poder, então ter-se-á assegurado o bem-estar no mundo. Que significa este bem-estar, senão amor em ação? Que é a colaboração internacional senão amor em escala mundial? Estas são as coisas que o amor de Deus expressou no Cristo, e para as quais estamos trabalhando, a fim de trazê-las à existência. Estamos tentando fazê-lo em vastas proporções, apesar da oposição - uma oposição que só pode triunfar temporariamente, devido ao poder do espírito que despertou no homem. Estas são as coisas que a Hierarquia, com Seus métodos já eficazes, ajuda a realizar e continuará ajudando. 2. O Cristo anunciou que o Reino de Deus se acha na Terra e também nos disse que buscássemos primeiro esse Reino e que considerássemos tudo o mais como secundário. Esse Reino, formado por Aqueles que, no transcurso das épocas, perseguiram fins espirituais, se libertaram das limitações do corpo físico, e não são controlados por suas emoções nem impedidos por uma mente negativa, esteve sempre conosco. São cidadãos deste Reino aqueles que, desconhecidos para a maioria, vivem hoje em corpos físicos, trabalham para o bem-estar da humanidade, aplicam a técnica geral do amor, ao invés da emoção, e constituem esse grande grupo de "Mentes iluminadas" que guia os destinos do mundo. O Reino de Deus não é algo que descerá à Terra quando o homem for suficientemente bom! É algo que já está em marcha e exige reconhecimento. É um grupo organizado que está sendo reconhecido por todos aqueles que realmente buscam primeiro o Reino de Deus e descobrem com isso que tal Reino se acha aqui.

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Muitos sabem que (43) o Cristo e Seus discípulos estão presentes fisicamente na Terra e que o Reino que Eles regem, e que tem suas próprias leis e atividades, é muito conhecido e sempre o foi, através dos séculos. Cristo é o Curador e Salvador do mundo. Trabalha porque constitui a alma encarnada de toda Realidade. Trabalha hoje, como o fez na Palestina, há dois mil anos, por intermédio de grupos. Ali trabalhou por meio de Seus três discípulos amados, dos doze apóstolos, dos setenta eleitos e dos quinhentos interessados. Agora, trabalha por intermédio dos Mestres e Seus grupos, intensificando, assim, grandemente, Seu esforço. Pode trabalhar, e o fará, por intermédio de todos os grupos, na medida em que estes se adaptem ao serviço planejado para difundir o amor e logrem alinhar-se, conscientemente, com o grande poder dos grupos internos. Os grupos que sempre proclamam a Presença física do Cristo tergiversaram de tal maneira o ensinamento, com observações dogmáticas sobre detalhes sem importância e enunciados ridículos, que obscureceram a verdade subjacente e não apresentaram um reino atrativo. Esse reino existe, porém não é um lugar de disciplina nem de harpas douradas, habitado por fanáticos ignorantes, mas um campo para servir e um lugar onde cada homem tem plena liberdade para exercer sua divindade a serviço da humanidade. 3 - Na Transfiguração, o Cristo revelou a glória ingênita em todos os homens. A tríplice natureza inferior - física, emocional e mental - jaz ali prostrada ante a glória revelada. Nesse preciso momento em que o Cristo Imanente havia encarnado e a humanidade estava representada pelos três apóstolos, surgiu uma voz vinda da Morada do Pai reconhecendo a divindade revelada e a Progenitura do Cristo Transfigurado. Sobre essa divindade Ingênita e a reconhecida Primogenitura se funda a fraternidade dos homens - uma vida, uma glória que será revelada e um parentesco divino. Hoje, em grande escala (ainda que não se tenha em conta o que implica a divindade), a glória do homem e suas relações fundamentais são já um fato na consciência humana. Acompanhando as características ainda tão deploráveis que pareceriam negar toda divindade, temos as maravilhosas realizações do homem e seu triunfo sobre a natureza. A glória das descobertas científicas e a magnífica evidência da arte criadora, (44) tanto moderna como antiga, não deixam lugar a dúvidas quanto à divindade do homem. Eis aqui, então, as "coisas mais grandiosas" de que falara Cristo, e eis aqui, também, o triunfo do Cristo dentro do coração humano. A razão pela qual o triunfo da consciência crística deva mencionar-se sempre em termos de religião, de comparecimento aos templos e de crenças ortodoxas, é um dos incríveis triunfos das forças do mal. Sentir-se um cidadão do Reino de Deus não significa ser, necessariamente, membro de alguma das igrejas ortodoxas. O divino Cristo no coração humano pode expressar-se nos diferentes setores da vida humana: na política, arte, economia, na verdadeira vida social, na ciência e na religião. Poderíamos recordar que a única vez em que o Cristo, como adulto, visitou o templo dos judeus, provocou um distúrbio! A humanidade está passando de uma glória a outra, glória que pode ser observada, claramente, no extenso panorama histórico e em todos os setores da atividade humana; portanto, a Transfiguração daqueles que se acham no cume da civilização está ao seu alcance. 4. Finalmente, com o triunfo da Crucificação ou grande Renúncia (como se denomina, com mais exatidão, no Oriente), o Cristo introduz, pela primeira vez na Terra, um tênue fio da Vontade divina, à medida que surgia da Morada do Pai (Shamballa), o qual foi entregue à compreensiva custódia do Reino de Deus e, por intermédio do Cristo, apresentado à humanidade. Mediante a colaboração de certos grandes Filhos de Deus, os três aspectos divinos ou características da divina Trindade -vontade, amor e inteligência - se converteram em parte dos pensamentos e aspirações humanos. Os cristãos são propensos a esquecer que a agonia das últimas horas do Cristo não foi passada sobre a cruz, senão no Horto de Getsêmani. Então, em agonia e quase desespero, Sua vontade foi absorvida pela do Pai, exclamando: "Pai, contudo, não se faça a minha vontade senão a Tua" (Lucas, 22, 42). Algo novo, contudo, ideado desde as profundezas do tempo, ocorreu, então, naquele tranqüilo horto: o Cristo, representando a humanidade, estabeleceu a Vontade do Pai na Terra e tornou possível à humanidade inteligente cumpri-la. Até então, essa vontade só havia sido conhecida na Morada do Pai, reconhecida e adaptada às necessidades do mundo pela Hierarquia espiritual,

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(45) que trabalha dirigida por Cristo, configurando-se, assim, o Plano divino. Hoje, graças ao que fez o Cristo, séculos atrás, em Seu momento de crise, a humanidade pode ajudar com seus esforços a desenvolver esse Plano. A vontade para o bem, da Morada do Pai, pode converter-se em boa vontade no Reino de Deus e pode ser transformada em corretas relações humanas pela humanidade inteligente. Desta maneira, a linha direta ou fio da Vontade de Deus se estende, hoje, desde o lugar mais elevado ao mais baixo, a seu devido tempo, pode converter-se em um cabo pelo qual poderão ascender os filhos dos homens e descer o amoroso e vivente espírito de Deus. Olvidemos distâncias, longitudes e antigüidades, e conscientizemos que estamos falando de acontecimentos exatos e reais de nosso planeta. Tratamos com reconhecimentos, fatos e acontecimentos autênticos, que são do conhecimento consciente da maioria – O Cristo histórico e o Cristo no coração humano são realidades planetárias. Que significará para o Cristo, reaparecer entre os homens e desempenhar as atividades diárias e externas, é um aspecto de Seu retorno que nunca foi mencionado nem referido. Que sentirá quando chegar o momento de aparecer? No Novo Testamento se menciona uma grande "iniciação", a que denominamos de Ascensão, da qual nada sabemos. Só umas poucas informações nos chegam do Evangelho: o acontecimento no cume da montanha, os observadores e as palavras do Cristo assegurando-lhes que não os abandonaria. "Logo uma nuvem O ocultou à sua vista" (Atos, 1,9). Nenhum dos presentes pôde ir mais além com Ele. Suas consciências não podiam penetrar até o lugar aonde Ele havia decidido ir, porque, inclusive, haviam entendido mal Suas palavras; somente em um sentido vago e místico a humanidade compreendeu Seu desaparecimento, ou o significado de Sua perdurável porém invisível presença. Aos observadores se lhes assegurou, por intermédio dos Conhecedores de Deus, que se achavam também presentes, que Ele voltaria em forma semelhante. Ascendeu. A nuvem O recebeu. As nuvens que hoje cobrem nosso planeta esperam revelá-Lo. Agora, Ele aguarda o momento de descer. A descida a este desgraçado mundo dos homens não Lhe oferece nenhum quadro (46) tentador. Desse tranqüilo retiro na montanha, de onde esperou, guiou e treinou Seus discípulos iniciados e o Novo Grupo de Servidores do Mundo, há de vir para ocupar Seu lugar proeminente no cenário mundial, e desempenhar Sua parte no grande drama que ali está se desenrolando. Desta vez não desempenhará Sua parte na obscuridade, como o fez antes, senão à vista de todo o mundo. Devido ao reduzido tamanho do nosso planeta; ao predomínio do rádio, da televisão e à rapidez das comunicações, Sua atuação será observada por todos; seguramente a perspectiva de apresentar algumas provas e exigir grandes reajustes há de Lhe produzir certa consternação, além de uma experiência penosa inevitável. Não virá como o Deus Onipotente da ignorante criação do homem, senão como o Cristo, o Fundador do Reino de Deus na Terra, para terminar o trabalho começado e demonstrar, novamente, a divindade, em circunstâncias muito mais difíceis. Todavia, o Cristo sofre muito mais pelos que Lhe são chegados do que pelos que estão no mundo exterior. O aspirante avançado dificulta mais Seu trabalho que o pensador inteligente. Não foi a crueldade do mundo exterior dos homens o que causou as profundezas da dor ao Cristo; foram seus Próprios discípulos, aliados ao sofrimento coletivo, disseminado pelo ciclo inteiro da vida passada, presente e futura, da humanidade. Virá para corrigir os erros e as más interpretações daqueles que se atreveram a interpretar Suas simples palavras de acordo com a sua própria ignorância e para reconhecer àqueles cujo fiei serviço fez possível Seu retorno. Também Ele está enfrentando uma grande prova, como preparação para receber uma grande iniciação, e quando houver passado a prova e cumprido Sua tarefa, ocupará na Morada do Pai um lugar mais excelso ou irá prestar serviço em um lugar distante, aonde só poderão segui-Lo os mais elevados seres; Seu cargo atual será, então, desempenhado por Aquele que Ele preparou e treinou. Antes que isto suceda, porém, terá que entrar novamente no diálogo, desempenhar Sua parte nos acontecimentos mundiais e demonstrar o alcance de Sua missão. Reunirá, fisicamente, em torno de Si os Seus associados e conselheiros escolhidos; não serão os que reuniu em dias primitivos, senão esses membros da família humana que hoje O reconhecem e estão-se (47) preparando para trabalhar com Ele, até onde lhes for possível. O mundo ao qual projeta retornar é muito

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diferente e isso se deve, em grande parte, ao desenvolvimento intelectual das massas. Isto apresenta enormes dificuldades porque, para cumprir, inteligentemente, a Vontade de Deus na Terra, precisará chegar ao intelecto dos homens e não apenas a seus corações, como nos dias primitivos. Seu trabalho principal consiste certamente em estabelecer corretas relações humanas, em todos os aspectos da vida humana. Peço-lhes que empreguem a imaginação e tratem de pensar na magnitude da tarefa que O espera; reflitam sobre as dificuldades que, inevitavelmente, enfrentará – sobretudo a errônea ênfase intelectual. Pediu-se ao Representante do Amor de Deus que, novamente, atue no diálogo mundial onde sua primeira mensagem foi rechaçada, esquecida e mal interpretada durante dois mil anos e onde o ódio e a separatividade têm caracterizado os homens do mundo inteiro. Isto O fará submergir em uma atmosfera estranha e O levará a uma situação em que deverá provar, ao máximo, todos os Seus recursos divinos. A idéia geralmente aceita de que regressará como um guerreiro triunfante, onipotente e irresistível, não tem nenhum fundamento. O fato real, de sólido fundamento, é que, finalmente, conduzirá o Seu povo, a humanidade, a Jerusalém, porém não à cidade judia chamada Jerusalém, mas ao "lugar de paz", que é o que Jerusalém significa. Uma consideração cuidadosa da situação mundial atual e o constante uso da imaginação revelarão ao pensador sincero quão aterradora é a obra que Ele empreendeu. "Ele, porém, dirigiu, novamente, Seu rosto para ir a Jerusalém" (Lucas, 11, 15). Reaparecerá e levará a humanidade a uma civilização e a um estado de consciência em que as corretas relações humanas e a colaboração mundial, para o bem de todos, constituirão a tônica universal. Por intermédio do Novo Grupo de Servidores do Mundo e dos homens de boa vontade, completará a fusão de Sua vontade com a de Deus (os assuntos de Seu Pai), de tal forma que a eterna vontade para o bem será traduzida pela humanidade por boa vontade e corretas relações. Então, Sua tarefa se terá cumprido; ficará livre para deixar-nos de novo, porém desta vez não voltará, senão que deixará o mundo dos homens em mãos desse Grande Servidor espiritual que será o novo Guia da Hierarquia, da Igreja invisível. (48) A pergunta que agora se nos apresenta é: De que forma poderemos ser úteis? Como poderemos ajudar, durante esta etapa preparatória? Certamente, muito estão fazendo os membros da Hierarquia Espiritual; aqueles discípulos se acham em contato consciente com os Mestres de Sabedoria - ou, se se prefere o termo, com os discípulos avançados do Cristo - estão trabalhando dia e noite, a fim de estabelecer essa confiança, corretas atitudes e a compreensão do "empuxo" espiritual divino, ou empresa, a fim de aplainar Seu caminho. Eles e seus grupos de discípulos, aspirantes e estudantes, o apóiam em forma unida e permitem que realize Seu propósito. Sua maior realização consiste em provocar uma crise cíclica na vida espiritual do nosso planeta; ela foi antecipada na Morada do Pai (Shamballa), há milhares de anos. Registrou-se o fato, pela primeira vez na história humana, de que os três centros espirituais ou grupos, por meio dos quais Deus atua, estão enfocados no mesmo objetivo. Shamballa, a Hierarquia Espiritual e a Humanidade (a Morada do Pai, o Reino de Deus e o Mundo dos Homens) se acham todos empenhados em um vasto movimento para intensificar a Luz do Mundo. Esta Luz iluminará, em forma desconhecida até agora, não só a Morada do Pai, fonte de nossa luz planetária, senão também o centro espiritual de onde têm emanado os Instrutores e os Salvadores mundiais que apareceram diante dos homens, exclamando, como Hermes, Buda e o Cristo: "Eu Sou a Luz do Mundo". Esta luz inundará o mundo, iluminando os mentes dos homens e trazendo luz aos lugares escuros da vida humana. O Cristo trará luz e, acima de tudo, "vida mais abundante", porém não sabemos o que isto significa até que tal se produza; não podemos dar-nos conta do que implicará esta revelação nem das novas perspectivas que se abrirão diante de nós. Mas por Seu intermédio, a Luz e a Vida estão em vias de serem interpretadas e aplicadas em termos de boa vontade e de corretas relações humanas. Para este fim se está preparando a Hierarquia Espiritual. Desta vez o Cristo não virá só; fa-lo-á com Seus colaboradores. Sua experiência e a dEles serão diferentes da anterior, pois todos os olhos O verão, todos os ouvidos O ouvirão e todas as mentes O julgarão. Podemos ajudar livremente no trabalho de reconstrução que o Cristo se propõe realizar, se nos familiarizarmos com os fatos (49) que se expõem a seguir, divulgando-os entre todos aqueles com quem entrarmos em contato. 1. Que o reaparecimento do Cristo é iminente.

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2. Que o Cristo, imanente em todo coração humano, pode ser evocado em reconhecimento à Sua aparição. 3. Que as circunstâncias de Seu retorno estão relacionadas em forma simbólica nas Escrituras de todo o mundo, o qual pode produzir uma mudança vital nas idéias preconcebidas da humanidade. 4. Que a principal condição exigível é um mundo em paz; paz que deve estar fundada na boa vontade, a qual, cultivada, conduzirá, inevitavelmente, às corretas relações humanas e, portanto, ao estabelecimento (falando em sentido figurado) de linhas de luz entre uma nação e outra, uma religião e outra, um grupo e outro, entre um homem e outro. Se conseguirmos fazer que se reconheçam em todo o mundo estas quatro idéias, contrapondo-se às críticas inteligentes de que tudo o que se disse é demasiado vago, profético e visionário, muito teremos realizado. É muito possível que aquele velho axioma: "a mente é o matador do real" possa ser fundamentalmente certo, no que tange às massas, e que a abordagem puramente intelectual (que rejeita a visão e recusa aceitar o incomprovável) seja mais falha que o pressentimento dos Conhecedores de Deus e da multidão expectante. A Hierarquia Espiritual está investida de inteligência divina e é composta, na atualidade, por Aqueles que reuniram em Si o intelecto e a intuição, o prático e o aparentemente imprático, a realidade da vida e a maneira de ser do homem que tem uma visão. Também existem pessoas, nos lugares comuns da vida diária; estas pessoas são as que precisam ser treinadas para que reconheçam a divindade nos sinais que são essencialmente respostas do plano físico às novas expansões da consciência. O Cristo que retornará não será igual ao Cristo que, aparentemente, partiu. Não será um "varão de dores"; tampouco uma figura silenciosa e pensativa; será o enunciador de verdades espirituais que dispensarão interpretações, ou tergiversações, porque Ele estará presente para explicar o verdadeiro significado. (50) Durante dois mil anos, foi o Guia supremo da Igreja invisível, a Hierarquia Espiritual, composta de discípulos de todos os credos. Reconhece e ama àqueles que, não sendo cristãos, mantêm sua lealdade aos Fundadores de suas respectivas religiões – Buda, Maomé e outros. Não Lhe interessa qual seja seu credo, sempre que o objetivo seja o amor a Deus e à humanidade. Se os homens buscam o Cristo, que deixou Seus discípulos faz séculos, fracassarão em reconhecer o Cristo que está a ponto de retornar. O Cristo não tem barreiras religiosas em Sua consciência nem se importa com a religião que qualquer um professe. O Filho de Deus está a caminho e não vem só. Sua avançada já se aproxima, e o Plano que há de seguir já está traçado. Que o reconhecimento seja o objetivo,

Capítulo IV O TRABALHO DO CRISTO, HOJE E NO FUTURO (51) Já vimos que a doutrina referente às grande Aparições e à Vinda dos Avatares, Instrutores ou Salvadores mundiais, fundamenta todas as religiões. Por intermédio dEles é possível manter a continuidade da revelação e a humanidade pode, em cada época, dar o passo seguinte no

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Caminho da Evolução que a aproximará de Deus e desse Centro onde é conhecida, enfocada e dirigida a vontade dAquele "em Quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser" (como expressa São Paulo, em Atos 17, 28). Explicamos algo sobre a missão de dois destes Avatares, o Buda, Mensageiro de Luz no Oriente, e o Cristo, Mensageiro de Amor no Ocidente, e o seu trabalho pelo mundo inteiro; consideramos, também, a excepcional oportunidade que o Cristo hoje enfrenta e Sua resposta, em 1945, quando manifestou a intenção de reaparecer e nos deu A Grande Invocação para ajudar no trabalho preparatório que devemos realizar imediatamente. A esta altura da exposição, seria conveniente considerar a natureza do trabalho que Ele realizará e também o ensinamento que, provavelmente, ministrará. O simples fato da continuidade da revelação e o ensinamento transmitido no transcurso das épocas, permite-nos considerar, inteligentemente, a provável orientação de Seu trabalho e sobre ele especular espiritualmente. Durante anos, muito se transmitiu através de inumeráveis fontes, escolas de pensamento e igrejas, a respeito do Cristo, da situação que enfrenta e das possibilidades de seu reaparecimento. Discípulos, aspirantes e homens de boa vontade têm trabalhado intensamente, a fim de preparar o mundo para Seu retorno. Na atualidade, Oriente e Ocidente estão na expectativa. Ao encarar a questão do trabalho que Ele deve realizar, é essencial recordar que o Mestre do Oriente encarnou em Si (52) mesmo a Sabedoria de Deus, da qual a inteligência humana (o terceiro aspecto da divindade) é uma expressão; que por intermédio de Cristo, o segundo aspecto divino foi revelado em toda sua perfeição; e que nEle, portanto, dois aspectos, Luz e Amor, foram manifestados em toda sua plenitude. Agora, deve ser personificado o aspecto divino mais elevado, a Vontade de Deus, e para isto o Cristo está se preparando. A continuidade da revelação não pode cessar e inútil é conjeturar sobre a possibilidade de outras expressões da natureza divina serem reveladas mais tarde. A singularidade da próxima missão do Cristo e Sua oportunidade consiste em que Ele é capaz, em Si mesmo, de dar expressão a duas energias divinas: a energia do amor e a energia da vontade, o poder magnético do amor e a efetividade dinâmica da vontade divina. Nunca, antes, em toda a longa história da humanidade, fora possível tal revelação. Será muito difícil a cristandade aceitar o ensinamento do Cristo, embora o Oriente o assimilará com mais facilidade. Entretanto, para despertar a cristandade, necessário se torna assestar-lhe um forte golpe ou apresentar a verdade por meio do sofrimento, se quisermos que os povos cristãos reconheçam seu lugar dentro de uma ampla e divina revelação mundial e considerem o Cristo como Representante de todos os credos, concedendo-Lhe o lugar que por direito Lhe corresponde, como Instrutor Mundial. Ele é o Instrutor Mundial e não um Instrutor cristão. Ele próprio disse que tinha outros rebanhos para os quais Ele representa o mesmo que para o cristão ortodoxo. Provavelmente, em vez de chamá-Lo Cristo, O chamem por outro nome, mas O sigam tão fielmente como seus irmãos ocidentais. Consideremos, por um momento, as errôneas interpretações que se têm feito do Evangelho. Seu simbolismo, um antigo relato levado a efeito no transcurso dos séculos, antes da vinda de Cristo à Palestina, foi tergiversado pelos teólogos, a ponto de que a prístina pureza dos primeiros ensinamentos e a singular simplicidade de Cristo desapareceram detrás de um emaranhado de erros e uma mistura de rituais, dinheiro e ambições humanas. Cristo é apresentado como tendo nascido de forma antinatural; como tendo ensinado e pregado durante três anos; crucificado e ressuscitado, abandonando a humanidade, para sentar-se à (53) direita de Deus, em meio de uma pompa austera e inconcebível. De forma análoga, o cristão ortodoxo considera errôneas todas as abordagens a Deus efetuadas por outros povos, em qualquer época ou país, praticadas por aqueles que se supõem ateus e que necessitam da intervenção cristã. Fez-se todo o esforço possível para impor a cristandade ortodoxa àqueles que aceitam a inspiração e o ensinamento do Buda, ou outros que têm sido responsáveis de preservar a divina continuidade da revelação. A ênfase tem sido posta, como bem se sabe, no "sacrifício do sangue do Cristo" na cruz e na salvação que depende do reconhecimento e da aceitação desse sacrifício. A unificação vicária tem sido substituída pela confiança que o mesmo Cristo nos encomendou que tivéssemos de nossa própria divindade; a igreja do Cristo se fez famosa e inútil (segundo demonstrou a guerra mundial), devido a seu estreito credo, sua errônea ênfase, sua pompa clerical, sua autoridade espúria, suas riquezas materiais e a apresentação do corpo morto de Cristo. A igreja acoitou Sua ressurreição, porém insiste, principalmente, no fato de Sua morte.

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Cristo foi, durante dois mil anos, essa Figura silenciosa, passiva, oculta detrás de inumeráveis palavras escritas por um sem-número de homens (comentaristas e predicadores). A igreja apresenta Cristo moribundo na cruz, e não o Cristo vivo, trabalhando ativamente, e que tem estado conosco em Presença física (conforme a Sua promessa) durante vinte séculos. Portanto, procuremos ter um quadro mais real da atividade e da vida do Cristo e, em conseqüência, de nossa futura esperança. Tratemos de ver a Pessoa divina sempre presente, traçando Seus planos para ajudar à humanidade, no futuro, determinando Seus recursos, influenciando Seus discípulos e preparando os detalhes de Seu reaparecimento. É necessário despertar a fé na real natureza da revelação divina e induzir a Igreja cristã a que retorne a Ele e à Sua obra. É necessário pensar no Cristo vivo e ativo, recordando sempre que O Evangelho é eternamente verídico e que só deve ser reinterpretado à luz do lugar que lhe corresponde na larga sucessão de revelações divinas. Sua missão na Terra, desde há dois mil anos, constituí parte dessa continuidade, não sendo um relato extraordinário sem relação com o passado, que só dá importância a um período de 33 anos, sem apresentar uma definida esperança para o futuro. (54) Qual é a esperança que oferecem hoje os teólogos e ortodoxos irreflexivos? Que em data remota, só conhecida pela insondável Vontade de Deus, o Pai, Cristo abandonará Seu lugar à direita de Deus e (seguido de Seus anjos e da Igreja invisível) descerá sobre as nuvens do Céu, ao som de uma trombeta, e aparecerá em Jerusalém. A batalha que estará travando, nesse momento, chegará a seu fim e Ele entrará na cidade de Jerusalém para governar durante mil anos. Durante esse milênio, Satanás, ou princípio do mal, será aprisionado e haverá um novo céu e uma nova terra. Fora disso nada mais dizem: a humanidade anela algo mais, pois o quadro apresentado não lhe satisfaz. Detrás desta descrição, se for corretamente interpretada, se acha a humana, amorável e divina Presença do Cristo, encarnando o amor divino e manejando o poder divino, dirigindo Sua Igreja e estabelecendo o Reino de Deus na Terra. Em que consiste a Igreja de Cristo? Está constituída pela soma total daqueles que possuem vida ou consciência crística ou estão em processo de manifestá-la, e por todos os que amam seu semelhante - amar o semelhante é possuir esta faculdade divina que nos faz membros da comunidade do Cristo. A aceitação de um fato histórico ou credo teológico não nos põe em comunhão com Cristo. Cidadãos do Reino de Deus são aqueles que buscam, deliberadamente, a luz e intentam (por meio de uma disciplina auto-imposta) apresentar-se ante o Iniciador único; este vasto grupo mundial (tenha corpo físico ou não) aceita o ensinamento de que "os filhos dos homens são um"; sabem que a revelação divina é constante e sempre nova e que o Plano divino está se desenvolvendo na Terra. Na atualidade, existem aqueles que sabem que o Reino de Deus virá à existência por meio da colaboração, da inspiração e da instrução desses filhos dos homens que forjaram sua divindade no crisol do diário viver humano; estes Conhecedores trabalham, hoje, ativamente, sob a influência direta do Cristo, a fim de conduzir a humanidade da obscuridade à luz e da morte à imortalidade. Estas grandes verdades subjacentes, únicas verdades importantes, caracterizam Cristo, Buda e a Igreja de Deus, tal como se expressam no Oriente e no Ocidente. No futuro, os olhos da humanidade estarão postos sobre Cristo e não sobre instituições criadas pelos homens, como a igreja e seus dignitários; (55) Cristo será visto tal como é na realidade, trabalhando por meio de Seus discípulos, dos Mestres de Sabedoria e de Seus seguidores (raras vezes reconhecidos), os quais labutam, anonimamente, por trás dos assuntos mundiais. Seu campo de atividade será o coração humano e os lugares populosos do mundo e não algum templo de pedra nem a pompa e a cerimônia de uma sede eclesiástica. O estudo do futuro trabalho que o Cristo há de realizar, logicamente, se fundamentará sobre três suposições: 1. Que o reaparecimento dó Cristo é inevitável e seguro. 2. Que Ele está e tem estado trabalhando, ativamente, para o bem-estar da humanidade, por intermédio da Hierarquia espiritual de nosso planeta, da qual é o Mentor.

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3. Que certos ensinamentos serão difundidos e certas energias liberadas por Ele, na rotina de Seu trabalho e retorno. Em geral, as pessoas esquecem que o Cristo necessita de um período de preparação intensa, antes de reaparecer. Ele também atua de acordo com a lei e está submetido ao controle exercido por distintas fontes, assim como o estão os seres humanos, porém em menor grau. O reaparecimento do Cristo é determinado e condicionado pela reação da humanidade e deve sujeitar-se a essa reação. Sua tarefa, ademais, está sujeita a certas efemérides espirituais e cíclicas e a impressões provenientes de fontes que se encontram em níveis superiores aos que Ele normalmente atua. Assim como os assuntos humanos afetam Suas atividades, também O afetem as grandes "determinações" e "profundas decisões da Vontade de Deus". O aspecto ou natureza humana do Cristo, perfeita e sensível, responde à invocação e à demanda dos homens; o aspecto ou natureza divina responde, similarmente, aos impactos das energias provenientes do "Centro onde a Vontade de Deus é conhecida". Tem que coordenar os dois aspectos, efetuando-o no momento exato. Não resulta fácil extrair o bem do mal humano. A visão do Cristo é tão ampla e Sua compreensão da Lei de Causa e Efeito, de Ação e Reação, é de tal magnitude que não é muito simples decidir sobre a atividade e o momento oportunos. Os seres humanos tendem a considerar tudo o que sucede ou poderia suceder, do ponto de vista estritamente humano e imediato. Não compreendem, realmente, (56) os problemas, decisões e implicações que Cristo hoje deve enfrentar, dos quais participam Seus discípulos. Sua tarefa consiste em desenvolver "a mente que está em Cristo" e, ao fazê-lo assim, ajudarão a desimpedir o caminho para a "chegada de Seus pés", como o diz a Bíblia (em Hebreus 7,13). Observar a vida e os acontecimentos à luz dos valores espirituais, como o fez Ele, facilitará a promulgação dos novos ensinamentos e proverá a estrutura da nova religião mundial, dando-nos, assim, um novo ponto de vista da intenção divina e uma percepção viva das mentes dAqueles que cumprem a vontade divina e dirigem o futuro da humanidade. Portanto, teremos de compreender não somente a oportunidade que Cristo tem para ajudar-nos (como se diz comumente), senão também as crises e problemas que tem de enfrentar, ao deparar-se com o trabalho que deve realizar. I. As Crises do Cristo Na vida de todo discípulo, particularmente na daqueles que devem deparar com certas grandes expansões de consciência, sobrevirá uma crise. Nessas crises se adotam decisões, voluntária ou involuntariamente; havendo-as adotado, o discípulo se encontra, então, em um ponto de tensão, premido pela decisão, e percebe e vê, mentalmente, com maior clareza, o passo que haverá de dar, influenciando sua atitude em relação ao futuro. Quando o trabalho é realizado durante o período de tensão, então, sobrevem o que poderia denominar-se o ponto de emergência, o qual significa sair de um campo de experiência para entrar em outro. Nem o próprio Cristo pode eximir-se desta tríplice experiência e, a fim de poder melhor compreender isto, apliquemos as três frases (inapropriadas, por certo) às ações e reações do Cristo. As crises não existem para Ele no mesmo sentido que para nós: não há esforço em Seu ponto de tensão. Entretanto, a analogia é apropriada, como para incutir o que aconteceu nesse estado de consciência que caracteriza a Hierarquia espiritual; a cujo estado de consciência podemos aplicar o nome de "percepção espiritual", em oposição à percepção mental, que constitui a contraparte humana. Há de se recordar que o ponto de crise que produz o ponto de tensão a que o Cristo se submeteu (57) voluntariamente é uma questão ou acontecimento hierárquico, porque toda a Hierarquia está implicada na crise. A razão é simples: Cristo e Seus colaboradores conhecem, unicamente, a experiência da consciência grupal. Desconhecem a participação unilateral e a atitude separatista, porque Seu estado de consciência é incluente e não excluente. Portanto, utilizando a terminologia humana, a fim de interpretar as reações divinas do Cristo e Seus discípulos, há de se compreender que o ponto de crise, responsável pela tensão hierárquica e pela oportuna aparição ou surgimento do Cristo, foi por Ele superado e pertence ao passado. O seguinte ponto de tensão dirige, hoje, os assuntos da Hierarquia espiritual e seus numerosos grupos de colaboradores. O "ponto de decisão", como é denominado nos círculos hierárquicos, foi alcançado no período compreendido entre a Lua cheia de junho de 1936 e a Lua cheia de junho de 1945. O ponto de decisão abarcou, portanto, nove anos - um lapso relativamente breve - e teve

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como resultado que o Cristo decidisse reaparecer, visivelmente, na Terra, tão logo quanto fosse possível, muito antes do que fora planejado. Esta decisão, logicamente, foi adotada consultando previamente o Senhor do Mundo, o "Ancião dos Dias", mencionado no Antigo Testamento e "Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser", mencionado no Novo Testamento, guardião da vontade de Deus; e com o pleno conhecimento dos Mestres e dos iniciados avançados. Isto foi inevitável, porque Sua participação e ajuda eram imperativas. Também era necessário que colaborassem mentalmente com Ele e O acompanhassem, porque Seu reaparecimento significa uma grande abordagem hierárquica à humanidade e um grande acontecimento espiritual. Todavia, a decisão foi tomada por Cristo e não indicou apenas um ponto de crise em Sua experiência, senão também um ponto culminante em Sua expressão divina. Com toda reverência, dentro dos limites da compreensão humana, deve-se lembrar que nada existe de estático em todo o processo evolutivo de nosso planeta e do cosmo; só existem processo e progresso, avanço, acrescentada aquisição e elevada realização. Cristo mesmo está sujeito a esta grande lei universal. Novamente, com toda reverência, dizemos aqui que Ele, também, tem progredido em Sua experiência divina e se acha mais próximo (58) que nunca (se assim se pode dizer) do Pai e da Vida Universal Una. Sua compreensão e captação da Vontade de Deus é mais profunda e o cumprimento dessa Vontade está mais de acordo com o Propósito divino que quando esteve na Palestina, há dois mil anos. Logicamente, por parte do Cristo, houve uma crescente percepção, relativamente à intenção da Mente divina, tal como se acha personificada nessa Entidade a que denominamos Deus. Cristo já não dirá como em Sua agonia: "Pai, não minha vontade, senão a Tua seja feita"; hoje não tem vontade própria; só O anima a Vontade de Seu Pai e a capacidade de tomar decisões que constituem a plena expressão dessa Vontade divina. Resulta difícil descrever Sua obra com outras palavras. Os comentaristas tratam de explicar e justificar a experiência do Cristo no Getsêmani atribuindo-a à natureza humana do Cristo, o que parece ser uma debilidade e, em conseqüência, à inibição temporária de Sua natureza divina. Viram-se obrigados a adotar esta posição devido ao pronunciamento teológico imperante sobre a divina perfeição do Cristo, uma perfeição absoluta, soberana e ultérrima, que jamais reclamou para Si. Hoje se acha mais próximo que nunca da perfeição. Este desenvolvimento divino fez-se possível, nos anos de decisão anteriores a junho de 1945, uma correta escolha, não só para Ele senão para a Hierarquia espiritual. De acordo com a Vontade divina, devia reaparecer, fisicamente, na Terra, para presidir a materialização do Reino de Deus na Terra e restabelecer os Mistérios da Iniciação, de tal forma que servissem de base para a nova religião mundial. Por sobre todas as coisas devia revelar a natureza da Vontade de Deus. Dita vontade se considera amiúde como o poder pelo qual se fazem as coisas, se produzem as situações, se iniciam atividades e se levam a cabo os planos, que em regra se executam despiedadamente. Esta definição é a que mais facilmente formulam os homens, porque a julgam, em termos de sua própria vontade, a vontade de melhorar individualmente. Este tipo de vontade é egoísta e mal entendida a princípio, porém tende, finalmente, ao altruísmo, à medida que a evolução cumpre sua beneficiosa tarefa. Logo, a vontade é interpretada em termos de plano hierárquico e o esforço do indivíduo se inclina a negar sua própria vontade, tratando de fundi-la com a do grupo, sendo (59) o grupo mesmo um aspecto do esforço hierárquico. Este é um grande passo, dado na correta orientação, que conduzirá, finalmente, a uma mudança de consciência. A maioria dos aspirantes se encontra, hoje, nesta etapa, não obstante a vontade ser, em realidade, algo muito diferente do que manifesta a consciência humana, quando os homens tratam de interpretar a Vontade divina em termos de seu atual grau de evolução. A chave para compreender isto se encontra nas palavras "eliminar toda forma". Quando se vence o atrativo que exerce a substância e desaparece o desejo, então, predomina o poder de atração da alma e a ênfase (posta durante tanto tempo sobre a forma, a atividade e a vida individuais) é substituída pela forma e propósito grupais. Logo, o poder de atração exercido pela Hierarquia e os discípulos dos Mestres é substituído pela atração e interesse postos sobre as coisas superiores. Quando estas assumirem o lugar que lhes corresponde na consciência, então, se fará sentir a atração

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dinâmica do aspecto Vontade da divindade, que não tem relação alguma com a forma ou formas com o grupo ou grupos. A luz da Vontade de Deus, Cristo tomou certas decisões fundamentais e se propôs levá-las a cabo em um futuro relativamente imediato, sendo a data exata de Sua vinda só conhecida por Ele e por alguns de Seus mais antigos colaboradores; não obstante tais acontecimentos futuros se ocultarem detrás de certa decisão fundamental da humanidade mesma, a qual se está levando a termo devido a certas novas tendências no pensar humano e como resultado de uma reação humana subjetiva à decisão adotada por Cristo e pela Hierarquia espiritual, a Igreja invisível. Já se tem dito e aceito a motivação do seu reaparecimento, sendo percebida por Ele com toda clareza. Deve terminar o trabalho iniciado há dois mil anos e inaugurar a nova religião mundial; não se pode ignorar as necessidades de uma humanidade que implora e invoca; devem-se dar os passos que precedem a uma magna iniciação hierárquica em que o Cristo é o participante principal; os acontecimentos sintomáticos do “momento final" não podem ser postergados. Se é possível falar em termos reverentes e simbólicos, a recompensa deferida ao Cristo, ao anunciar Sua decisão como (60) final e irrevogável, foi o consentimento, ou melhor, o direito que nunca havia sido outorgado, de utilizar certa grande Invocação, procedendo de duas maneiras: 1. Como Invocação hierárquica, dirigida ao "centro onde a Vontade de Deus é conhecida". 2. Como prece mundial, expressa em palavras que toda a humanidade possa utilizar inteligentemente. Jamais se concedeu facilmente o direito de empregar certas Palavras de Poder ou "Estrofes Orientadoras". A autorização do Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias, foi outorgada devido à decisão do Cristo de aparecer, novamente, entre os homens, trazendo Consigo Seus discípulos. Depois do momento culminante de crise espiritual e sua conseqüente decisão, se alcançou um ponto de tensão, e neste estado de tensão espiritual está trabalhando e planejando a Igreja invisível, levando os discípulos do Cristo, ativos na Terra, a uma condição similar de tensão espiritual. O êxito do reaparecimento do Cristo, em presença física, assim como de outros fatores (vinculados ao Seu reaparecimento) depende dos acontecimentos e contatos que tenham lugar, agora, durante o período de tensão. Em todo ponto de tensão, seja qual for o tempo, gera-se energia para o futuro, sendo enfocada de tal forma ou condição que sua força pode ser dirigida para onde e quando seja necessitada. Isto é uma consideração difícil de se compreender. Um ponto de tensão é, simbolicamente, um manancial de poder. As energias que, na atualidade, caracterizarão o Reino de Deus, estão adquirindo impulso, sendo dirigidas pelos Mestres de Sabedoria em colaboração com a Vontade do Cristo. Enquanto esta energia foi-se acumulando ou aumentando sua potência, desde a Lua cheia de junho de 1945, três acontecimentos de grande importância tiveram lugar na vital experiência do Cristo (portanto da Hierarquia), e seus efeitos estão em vias de se definirem. Só posso referir-me a eles brevemente, pois não é possível comprovar a realidade do que aqui se expõe; unicamente a possibilidade, a probabilidade e a Lei de Analogia indicarão a veracidade destes acontecimentos. Seus efeitos serão observados, especialmente, depois que hajam sucedido. (61) Estes três acontecimentos podem ser descritos da maneira seguinte: 1. O Espírito de Paz desceu sobre o Cristo. O Novo Testamento atesta um acontecimento semelhante, quando se refere ao Batismo: "e viu o Espírito de Deus que desceu como pomba e vinha sobre ele" (Mateus 3,16). Este Espírito é um Ser que possui um imenso poder cósmico e está influenciando hoje ao Cristo, similarmente, como fez o Cristo, há dois mil anos, com o Mestre Jesus. O Espírito de Paz não significa uma calma emocional e estática que põe fim à agitação mundial e estabelece uma era de paz. Constitui, misteriosamente, o Espírito de Equilíbrio, atua de acordo com a lei de Ação e Reação e se reconhecerá Sua atuação inevitável. Sua obra se manifestará de duas maneiras: plenamente quando o Cristo reaparecer entre os homens e, lenta e gradualmente, até:

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a. O caos, a desordem, as perturbações emocionais e o desequilíbrio mental que existem, atualmente, no mundo, adquirirem equilíbrio de acordo com esta lei, mediante um equivalente ciclo de calma, quietude emocional e equilíbrio mental, emancipando a humanidade para entrar em uma nova etapa e experiência de liberdade. A paz assim obtida será proporcional ao mal-estar experimentado. b. O ódio, que tanto predomina hoje no mundo, será equilibrado pela boa vontade, expressa por meio da vinda do Espírito de Paz, que atua através do Cristo, a personificação do Amor de Deus. A aparição dessa boa vontade está garantida pela expressão desmedida do ódio, que foi crescendo com lentidão nas mentes dos homens desde os começos do século XIX e está alcançando a máxima intensidade nestes momentos. Uma medida proporcional da energia amorosa se manifestará mais tarde, como resultado da atividade do Espírito de Paz, atuando através do Príncipe da Paz, como às vezes o Cristo é chamado (Isaías 9,6). Este Ser espiritual não descerá do alto lugar de onde atua e dirige Sua energia, senão que será o Cristo Quem atuará e servirá de canal para a potência dirigida do dito Ser. A afluência de Sua divina energia (energia que provém de fora do planeta) está destinada a trazer, oportunamente, paz à Terra por meio da boa vontade, a qual estabelecerá corretas relações humanas. A humanidade registrou (desde logo, inconscientemente) (62) o primeiro impacto desta energia, em maio de 1936 e também em junho de 1945. 2. A força evolutiva, a que damos o nome de "consciência crística" (termos muito empregados por todos os metafísicos do mundo), se achou na Pessoa do Cristo, em forma até agora desconhecida - esse poder latente que existe em todo coração humano, descrito por São Paulo como "Cristo em nós, esperança é de glória" (Col. 1,27) e, de acordo com a lei evolutiva, conduz, finalmente, o homem ao Reino de Deus e "à medida da idade da plenitude de Cristo" (Ef. 4,13). Ele foi sempre o símbolo deste poder e glória. No presente período de tensão hierárquica, como resultado de Sua decisão de reaparecer, o Cristo se transformou na personificação desta energia, entrando, assim, em uma relação mais íntima com a humanidade. Outros diletos Filhos de Deus são canais desta energia para os reinos subumanos, porém o Cristo ocupa um lugar excepcional em relação com a humanidade. Expressando esta idéia simbolicamente, diríamos que a dita energia cria uma ponte vivente entre o reino humano e o Reino de Deus, entre o quarto reino da natureza e o quinto. Cristo é o guardião desta energia, porém só momentaneamente, durante o período da atual crise humana. Portanto, devido a isso, pode estimular o fator resposta existente nos corações dos homens, permitindo-lhes reconhecer e saber quem é e que é Ele, quando reaparecer. Esta canalização de energia começou ao finalizar a guerra mundial e ainda continua; é responsável pela tendência a melhorar que já se percebe em toda parte, pelo acrescentamento do princípio de participação, e pela inegável bondade e sensatez do pensar humano – a sensatez das massas (quando estão bem informadas), que é muito maior que a dos líderes. 3 - Como bem se sabe, a história da humanidade tem sido, essencialmente, a história dos grandes Mensageiros espirituais, Os Quais, de tempos em tempos, nos momentos de crise humana, surgem do lugar secreto do Altíssimo para ajudar, inspirar, revelar, conduzir e orientar. É a história da apresentação das idéias trazidas à consideração da humanidade e gradualmente convertidas em civilizações e culturas. É tal a urgência da necessidade humana nestes momentos e tão oportuna a ocasião que um desses Filhos de Deus, durante este ciclo de tensão, trata de colaborar com o Cristo. Como resultado da (63) decisão do Cristo e de Sua "fusão espiritual" com a Vontade de Deus, o Avatar de Síntese converteu-se, temporariamente, em Seu íntimo colaborador. Este é um acontecimento de importância suprema e planetária. Sua relação e plano de ajuda datam do pronunciamento da Grande Invocação, de seu uso pelos homens no mundo inteiro. Devido à magna tarefa com a qual o Cristo Se está defrontando, será fortalecido e apoiado pelo Avatar de Síntese; este "Silencioso Avatar", falando simbolicamente, "manterá Seu olho sobre Ele, Sua mão debaixo dEle e Seu coração palpitará em uníssono com o Seu". Este Ser está estreitamente relacionado com o aspecto Vontade da divindade e Sua colaboração foi possível devido à própria realização do Cristo no aspecto mais elevado da vontade espiritual. Atua de acordo com a grande Lei de Síntese, produzindo unidade, unificação e fusão. Sua função, uníssona com a energia do Cristo, consiste em gerar vontade espiritual na humanidade, a vontade para o bem; Seu poder atua em três campos de atividade nestes momentos:

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a. Na Hierarquia espiritual, revelando a natureza divina da vontade para o bem, que deve expressar o Reino de Deus e também a natureza do Propósito divino. b. Na Assembléia das Nações Unidas, porém não no Conselho de Segurança; gerando ali uma lenta mas crescente vontade para a unidade. c. Nas massas de homens de todo o mundo, estimulando um impulso para lograr um melhoramento geral. Sua atividade constitui, forçosamente, a atividade das massas, porque Ele só pode canalizar Suas energias através da consciência das massas ou por meio de uma entidade que possua consciência do grupo, tal como a Hierarquia, as Nações Unidas ou a Humanidade. O ponto central de Seu esforço e o Agente por meio do qual se pode efetuar a distribuição de Sua energia é o Novo Grupo de Servidores do Mundo; este Grupo está relacionado em forma excepcional com este Avatar de Síntese. O objetivo principal do Novo Grupo de Servidores do Mundo é, e tem sido sempre, reunir todos os agentes de boa vontade que respondem à energia da divina vontade para o bem. Seu trabalho pode ser intensificado, construtiva e criadoramente, mediante a associação do Avatar de Síntese e o Cristo. Sua (64) tarefa consiste em introduzir a Nova Era, na qual começarão a funcionar, como um todo criador, os cinco reinos da natureza. Seu trabalho pode ser classificado por setores, funções ou atividades: a. Chegar a uma síntese ou união humana, que conduzirá a um reconhecimento universal da humanidade una como resultado de corretas relações. b. Estabelecer corretas relações com os reinos subhumanos da natureza, que conduzam ao reconhecimento de que só existe Um Mundo. c. Ancorar o Reino de Deus, a Hierarquia espiritual de nosso planeta, abertamente sobre a Terra, o que conduzirá ao reconhecimento universal de que os filhos dos homens são um. Estes objetivos serão apoiados e ajudados pelo Avatar de Síntese, e com este propósito Se uniu ao Cristo, trabalhando através da Hierarquia, recebendo instruções do "centro onde a vontade de Deus é conhecida". Estes três acontecimentos, pontos de distribuição de energia, estão relacionados e entraram em atividade durante o período de tensão que atravessam, na atualidade, o Cristo e a Hierarquia. Servem para reorientar a energia e enfocá-la sobre a humanidade, pois são o resultado da decisão tomada pelo Cristo, depois de Seu ponto de crise, e estão vinculados com a preparação hierárquica para o reaparecimento do Cristo. II. Cristo como o Precursor da Era de Aquário Existe a tendência de passar por alto o fato de que, apesar de haver reconhecido Sua função como Instrutor e Guia espiritual da humanidade, durante a era que está rapidamente chegando a seu fim, o Cristo também reconheceu o trabalho que deveria realizar, quando finalizasse esta era e o novo ciclo astronômico viesse à existência. O cristão comum ignora as épocas e ciclos pelos quais nosso planeta passa, influenciado pela progressão solar. A atual duvidosa ciência da astrologia desviou o legítimo interesse da humanidade pelos estudos astronômicos e a interpretação espiritual da passagem do sol através dos signos do zodíaco. Entretanto, o Novo Testamento revela com toda clareza este reconhecimento, (65) matizando a apresentação de todo o Evangelho, também expressado no Antigo Testamento. O pecado dos filhos de Israel no deserto não foi mais que uma reversão da antiga adoração mitraica que caracterizava a época em que o sol estava "no signo de Touro", o touro como é denominado tecnicamente. Prostraram-se diante do bezerro de ouro e o adoraram, olvidando o novo ensinamento da Era de Áries, o carneiro, na qual estavam entrando - o ensinamento da vítima propiciatória, que matiza a história judia. Esqueceu-se do fato de que o Cristo foi o Instrutor do novo período em que o sol estava entrando, o período de Peixes, porém Ele está claramente evidenciado no símbolo dos peixes que aparecem constantemente nos quatro Evangelhos. O peixe é o símbolo astrológico do signo de Piscis, e o foi desde épocas imemoriais. Cristo também previu o trabalho que devia realizar na

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Era de Aquário, o signo seguinte em que entraria o sol. Antes de Sua "desaparição", referiu-se ao símbolo da Era de Aquário e à tarefa que deveria levar a efeito. Com Seus doze discípulos interpretou um dramático episódio, síntese do trabalho que empreenderia mais tarde, quando houvessem transcorrido os dois mil anos da Era de Peixes. Disse Ele a Seus discípulos que entrassem na cidade, onde encontrariam um homem levando um cântaro de água, e que o seguissem até o aposento superior e preparassem ali a festa da Comunhão, que Ele compartilharia com eles (Lucas 22,10). Assim eles fizeram e teve lugar a última Ceia. O antigo símbolo correspondente ao signo de Aquário, em que está entrando agora o nosso Sol, é o Portador de água, um homem com um cântaro de água. A passagem do Sol pelo signo de Aquário é um fato astronômico que pode ser comprovado escrevendo-se a qualquer observatório, não é um prognóstico astrológico. A grande realização espiritual e acontecimento evolutivo de dita era será a comunhão e o estabelecimento das relações humanas entre todos os povos, permitindo aos homens de todo o mundo reunirem-se ante a Presença de Cristo e compartirem o pão e o vinho, símbolos do alimento. Os preparativos para esta festa (falando simbolicamente) estão em vias de execução e são realizados pelos homens mesmos, à medida que lutam, se esforçam e legislam para a manutenção de suas nações, e o problema da manutenção ocupa a atenção dos legisladores de todo o mundo. Esta participação, iniciada no plano físico, também se aplicará nas relações (66) humanas, constituindo a grande dádiva da Era de Aquário para a humanidade. A Igreja ignorou isto e os eclesiastas não podem explicar o fato de que os judeus manifestaram sua predileção pelo touro, adorando o bezerro de ouro; que a dispensação judia empregara o símbolo da vítima propiciatória na era de Aries, o carneiro, e que os cristãos fizeram finca-pé sobre os peixes na era de Peixes, a era cristã. Cristo veio para pôr fim à dispensação judia, que devia haver culminado e desaparecido como religião quando o sol passou de Aries a Peixes. Apresentou-se ante eles como seu Messias, nascendo na raça judia. Com a recusa de Cristo como Messias, a raça judia permaneceu, simbólica e praticamente, no signo de Áries, a Vítima propiciatória; deve passar (falando de novo simbolicamente...) ao signo de Peixes e reconhecer seu Messias, quando retorne ao signo de Aquário. Do contrário, voltarão a cometer seu antigo pecado, por não responder ao processo evolutivo. No deserto, repeliram os judeus aquilo que era novo e espiritual; o mesmo fizeram na Palestina, há dois mil anos. Voltarão a fazê-lo se lhes apresentar a oportunidade? A dificuldade reside em que os judeus estão satisfeitos com uma religião que remonta a cinco mil anos, e têm muito pouco interesse em mudá-la. Cristo previu a chegada da Era de Aquário e o expressou, graficamente, fazendo perdurar, através dos séculos, um fato profético que só agora, em nossa época, é possível interpretar. Astronomicamente, não estamos plenamente influenciados por Aquário; estamos, presentemente, saindo da influência de Peixes e ainda não temos sentido todo o impacto das energias que Aquário liberará. Entretanto, a cada ano nos acercamos mais do centro de poder, cujo efeito principal será induzir a que se reconheçam a unidade essencial do homem, os processos de participação e colaboração, e o nascimento da nova religião mundial, que terá como nota-chave a universalidade e a iniciação. Se a palavra "iniciação" significa o processo de "entrar em", então é verdade que a humanidade está passando por uma verdadeira iniciação, ao entrar na nova era de Aquário; então, estará submetida a essas energias e forças que derrubarão as barreiras da separação e fundirão e mesclarão a consciência de todos os homens, a fim de formar essa unidade que caracteriza a consciência crística. (67) Em junho de 1945, no momento da lua cheia (dia significativo na experiência espiritual de Cristo), Ele se encarregou, definida e conscientemente, de Seus deveres e responsabilidades como Instrutor e Guia durante o ciclo solar de Aquário. É o primeiro dos grandes Instrutores do mundo que abarca dois ciclos zodiacais - o de Peixes e o de Aquário. É muito fácil dizer e escrever isto, porém implica três métodos ou técnicas que devem ser empregados para Sua aparição, aos quais já me referi. A vitalidade e o amor espirituais que irradia, aumentados pelas energias do Espírito de Paz, do Avatar de Síntese e do Buda, foram reenfocados, canalizados em uma grande corrente e expressados (se pode ser formulado em forma tão inadequada) nas palavras da Invocação: "Flua amor aos corações dos homens... Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra." Estas três palavras: luz, amor e poder, descrevem as energias de Seus três Associados (o grande Triângulo de Força que, com seu poder, O apóia), a energia de Buda: Luz, a luz sempre vem do

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Leste; a energia do Espírito de Paz: Amor que estabelece corretas relações humanas; a energia do Avatar de Síntese: Poder, complementando a luz e o amor. Cristo ocupou Seu lugar no centro deste Triângulo; desse ponto começou Seu trabalho aquariano e continuará fazendo durante dois mil e quinhentos anos. Assim inaugurou a nova era e, nos planos espirituais internos, a nova religião mundial começou a tomar forma. A palavra "religião" concerne às relações, começando, assim, a era de corretas relações humanas e corretas relações com o Reino de Deus. Esta é uma afirmação fácil de fazer, porém suas Implicações são enormes e de grande alcance. Nessa oportunidade, Cristo assumiu duas novas funções: uma está vinculada ao segundo método de aparição física e a outra ao método que empregará para exercer Sua influência. Constantemente, a Luz, o Amor e o Poder se derramam sobre as massas, estimulando o acrescentamento da consciência crística. Mediante Sua presença física, converter-se-á no "Dispensador da Água da Vida"; pela influência que exerce, agora, sobre os que são sensíveis à Sua impressão e à Sua enfocada Mente, converter-se-á no que se conhece tecnicamente como o "Sustentador dos pequenos”. (68) Como Dispensador da Água da Vida e Sustentador dos pequenos, assume os Seus deveres na era aquariana, enquanto que, como centro do Triângulo mencionado acima influi, ilumina e produz corretas relações entre as multidões. A partir desse momento, na próxima era será reconhecido como: 1. O Ponto dentro do Triângulo. 2. O Dispensador da Água da Vida. 3. O Sustentador dos pequenos. Isto descreve seus três deveres para com a humanidade e também o trabalho que caracterizará Seu serviço mundial, durante a era aquariana. Consideremos estes aspectos de Sua obra e tratemos de compreender o significado da responsabilidade que Ele assumiu. É necessária certa compreensão para que o Novo Grupo de Servidores do Mundo e os discípulos ativos no mundo preparem, adequadamente, a humanidade para Seu reaparecimento. Muito se pode fazer se os homens se esmeram em compreender e desenvolver a conseqüente e necessária atividade. Primeiro, como Ponto dentro do Triângulo, Cristo chegará a despertar os corações dos homens e instituirá corretas relações humanas, permanecendo incomovível onde se encontra e sendo, simplesmente, o que Ele é. Isto fará, transmitindo à humanidade a energia, desde os três vértices do Triângulo que O circunda. Dita energia conjunta e impessoal, de natureza tríplice, esparzir-se-á universalmente, produzindo um progresso evolutivo, atraindo, magneticamente, os povos e as nações entre si e causando, automaticamente, o desenvolvimento do sentido de síntese, de uma provável unidade e de uma fusão desejável. Assim como na era de Peixes se desenvolveu na humanidade uma resposta em massa ao conhecimento e ao princípio inteligência, assim na era de Aquário se evocará resposta, em massa, às corretas relações, e a boa vontade, como sua expressão, caracterizará a consciência das massas. Talvez seja difícil compreender e apreciar esta possibilidade; porém, difícil foi, também, para as multidões dos primeiros séculos da era cristã ou pisceana, compreender o futuro progresso dos sistemas educativos do mundo e a difusão desse conhecimento, que constitui a característica de nossa presente civilização e cultura. As (69) aquisições do passado são sempre uma garantia de futuras possibilidades. Como Dispensador da Água da Vida, Sua tarefa é sumamente misteriosa e difícil de compreender. Há dois mil anos, disse publicamente: "Eu vim para que tenham vida e para que a tenham em abundância" (João 10,10). O aspecto Vida, desde o ponto de vista de Cristo, se expressa em três formas: 1. Como vida física, nutre as células do corpo. Esta vida se encontra dentro de cada átomo de substância, como ponto central de luz vivente.

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2. Como vivência, expressa amor e luz dentro do coração. Quando esta vivência se acha presente e se manifesta, o átomo humano se converte em parte da Hierarquia espiritual. 3. Como Vida mais abundante, pode-se perceber como luz, amor e poder, dentro e sobre a cabeça do discípulo do Cristo. Esta vida mais abundante o capacita para colaborar, não só com a humanidade e com a Hierarquia espiritual, senão também com Shamballa - centro de vida em sua mais pura essência. Se dizemos que a vida é vivência que capacita, as palavras carecem de sentido. Entretanto, se a vivência é vinculada com a vida no plano físico, com a vida espiritual do discípulo e com o vivente desígnio de Deus, então se pode obter uma leve idéia acerca da maravilha do trabalho empreendido por Cristo, durante o passado, previsto por Ele como Sua futura responsabilidade. Cristo pode utilizar as energias que se definem com a frase "vida mais abundante", porque liberarão, na era de Aquário, em forma nova e dinâmica, as novas energias necessárias, a fim de produzirem a restauração e a ressurreição. Esta nova energia é a "força complementar da universalidade" e concerne ao futuro. A fluência de energia aquariana é um dos fatores que permitirão ao Cristo completar Sua tarefa como Salvador e Instrutor do mundo. Em junho de 1945, decidiu cumprir com Seus deveres de Distribuidor, Sustentador e Dispensador e assumiu Suas responsabilidades como Precursor e Instrutor da Era de Aquário. Ao dizer Sustentador dos pequenos, referimo-nos a um aspecto do trabalho do Cristo que envolve o estímulo das consciências (70) de Seus discípulos, à medida que se preparam para a iniciação ou para penetrar em esferas mais profundas de conhecimento espiritual. O trabalho que realiza no Triângulo, com as multidões, terá por resultado a apresentação da primeira iniciação, o Nascimento do Cristo na caverna do coração, como cerimônia fundamental da nova religião mundial. Por meio desta cerimônia, as multidões de todos os países estarão em condições de poder perceber, conscientemente, o "nascimento do Cristo" no coração, e o "renascimento" a que Ele mesmo se referiu (João 3,3), quando esteve na Terra. A este renascimento se referem os esoteristas, quando falam da primeira iniciação. No futuro, para o fim da era de Aquário, não constituirá a experiência de um discípulo isolado, mas a experiência coletiva de incontáveis seres. Muitos aspirantes submergir-se-ão nas águas purificadoras da Iniciação do Batismo, a segunda iniciação, e estas duas iniciações, preparatórias para o verdadeiro serviço e para a terceira Iniciação da Transfiguração, porão o selo de aprovação na missão do Cristo, como Agente do grande Triângulo espiritual que Ele representa. Todavia, o trabalho mais importante de Cristo, no que concerne aos discípulos e às pessoas espiritualmente orientadas do mundo, além dos milhares de seres humanos mais avançados, consiste em "nutrir" de tal forma sua consciência e vida espirituais que lhes permitirá receber a terceira e quarta iniciações: a Transfiguração e a Renúncia (ou Crucificação). Como bem sabem os esoteristas, o termo "os pequenos" se refere a esses discípulos que são os "meninos em Cristo", como são denominados em o Novo Testamento, que já tenham recebido as duas primeiras iniciações: o Nascimento e o Batismo. São conscientes da aspiração espiritual, índice da vida crística residente em seus corações, e se submeteram aos processos de purificação que culminam nas águas batismais. Cristo deve preparar estes aspirantes para as iniciações superiores, nutrindo-os e ajudando-os, para que possam apresentar-se diante do único Iniciador e chegarem a ser pilares do Templo de Deus, ou seja, Agentes da Hierarquia espiritual e, portanto, discípulos ativos e trabalhadores. Quando esteve na Palestina disse: "Ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14,6). Isto foi um vaticínio do trabalho que Ele teria de realizar na era de Aquário. Nas primeiras iniciações, (71) administradas por Cristo, os aspirantes, treinados pelos discípulos avançados, encontram seu caminho para Ele, porém Suas palavras se referem a etapas ainda superiores de desenvolvimento. Por meio das primeiras iniciações o discípulo se converte em agente do amor de Deus; as iniciações superiores o capacitam para converter-se, etapa após etapa, em agente da vontade de Deus. Os do primeiro grupo conhecem e compreendem a segunda estrofe da Invocação: "Do ponto de amor no coração de Deus, flua amor aos corações dos homens"; o grupo, que na era aquariana Cristo mesmo há de "nutrir" e preparar, conhecerá o significado da terceira estrofe: "Do centro onde a Vontade de Deus é conhecida, guie o propósito as pequenas vontades dos homens"

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Durante a era de Peixes, a tarefa do Cristo teve por finalidade relacionar a humanidade com a Hierarquia do planeta; na era de Aquário Seu trabalho consistirá em relacionar este grupo, que se acresce constantemente, com esse centro superior onde se faz contato com o Pai, se reconhece a filiação e se pode conhecer o propósito divino. Os três aspectos divinos, reconhecidos por todas as religiões do mundo, incluindo a religião cristã - Inteligência ou Mente Universal, Amor e Vontade - desenvolver-se-ao, conscientemente na humanidade por meio do trabalho futuro do Cristo; a humanidade, a Hierarquia Espiritual e o "centro onde a Vontade de Deus é conhecida" estão relacionados em forma mais ampla e geral. A abordagem mística ao Reino de Deus desaparecerá, gradualmente, à medida que a raça acrescente sua inteligência, e então se propugnará por uma abordagem mais científica; os requisitos para ser admitido neste Reino serão de caráter objetivo, as leis que governam o centro superior da vontade divina também serão reveladas aos membros do Reino de Deus e tudo isso se efetuará sob a supervisão do Cristo, depois de Seu reaparecimento entre os homens. A tônica de Sua missão será, então, evocar na humanidade uma resposta à influência espiritual e um desenvolvimento em grande escala da percepção intuitiva, faculdade muito rara e pouco comum na atualidade. Quando veio anteriormente, evocou na humanidade uma gradual resposta à verdade e uma compreensão mental. Esta é a razão pela qual, ao término do ciclo que Ele inaugurou há dois mil anos, se têm formulado diversas doutrinas e se tem alcançado um amplo desenvolvimento mental e intelectual. (72) III. Cristo como o Liberador de Energia Nos primeiros três meses do período de crise por que passou o Cristo e também a Hierarquia, e que terminou com Sua anunciada decisão, grandes energias ou correntes fundamentais de força foram postas à disposição do Cristo e Seus discípulos. Hoje, o fato de que a energia constitua a substancia básica do universo, que todas as formas de vida sejam formas de energia, e que todas elas, grandes ou pequenas, utilizem energia e atuem como distribuidoras dessa mesma energia, é algo muito conhecido e geralmente aceito pelas pessoas inteligentes e eruditas. Toda palavra falada ou escrita e toda atividade justificada são expressões de energia que conduzem à sua distribuição e ao desempenho de atividades. Os governos, as igrejas, as organizações e os grupos são distribuidores e depósitos de energia. A própria humanidade é um grande centro de energia que afeta a todos os reinos subumanos e forma, analogamente, dentro de si mesma, um grande sistema de energias inter-relacionadas. O mesmo ocorre com o indivíduo: por meio de seus atos e palavras emprega energia, produz resultados que são efeitos dessa energia e atua como seu distribuidor. O indivíduo subdesenvolvido não compreende nada disto e a energia que manipula é de ínfima importância. A medida que a evolução prossegue e as pessoas adquirem poder e expressão, o uso que fazem da energia é, com freqüência, de grande importância; convertem-se em centros dinâmicos de distribuição de energia e suas palavras, orais ou escritas, ademais de suas atividades, produzem grandes efeitos e importantes resultados. A Hierarquia é um grande centro de energia que chega à humanidade através do Cristo; este é o significado de Suas palavras: "Eu vim para que tenham vida." Vida e energia são sinônimos. Durante a guerra, 1914-1945, Cristo e a Hierarquia observaram um mundo agonizante; homens e formas morriam em toda parte; velhos ideais, organizações e grupos desapareciam; o espectro da morte rondava por toda parte. A destruição não só caracterizava o mundo fenomênico, senão também os mundos mais sutis do sentimento e do pensamento; a vida foi extraída, dando por resultado a morte. O problema perante Cristo e Seus discípulos consistia em não permitir que revivessem o velho e o indesejável. Sua tarefa não consistiu em ressuscitar o morto e o inútil; Sua oportunidade e responsabilidade situavam-se em (73) promover a afluência de vida que traz aparelhada a capacidade de reconstruir e em dirigir a energia que poderia produzir um novo mundo e uma nova civilização. As forças reacionárias, políticas e religiosas, desejavam a ressurreição das formas velhas e caducas, puseram seu peso e influência (que só é outro nome dado à energia) em contrário a tudo o que era novo. Isto ainda seguem fazendo. As forças progressistas lutam, unicamente, pelo novo e não tratam de conservar nenhuma das velhas formas, ainda que possam servir a algum propósito útil. Sua enérgica repulsa a tudo o que pertença ao passado e a energia destrutora que dirigem contra tudo o que pertença ao velho regime dificultam por igual os esforços da Hierarquia.

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A esperança reside nestas forças progressistas, porém lhes falta, lamentavelmente, a habilidade para a ação, pois amam demasiado a destruição. O Novo Grupo de Servidores do Mundo se mantém firme no "Nobre Caminho do Meio" (como Buda o denominou) e trata de fazer desaparecer, sem violência, as formas caducas, de complementar o novo e de restaurar o que demonstrou ser útil e proveitoso no passado, e que poderia constituir o gérmen vivo da nova criação. No momento da Lua cheia de abril de 1945, durante a Páscoa desse ano e por um período aproximado de cinco semanas, as Forças de Restauração começaram seu trabalho, surgindo, primeiro, nos planos sutis da experiência humana. Este tipo de energia é, peculiarmente, criador e leva consigo a "vida que produz o nascimento das formas". Afluiu à Hierarquia por intermédio de determinados Mestres e Seus discípulos, sendo imediatamente transmitida por Eles à humanidade. Esta é uma energia de massa e está, assim, relacionada com o estímulo da inteligência da massa; não é a energia que havíamos considerado anteriormente, quando tratamos da consciência crística no homem, senão a que faz que o homem pense, planeje e atue; não produz resultados maus nem bons, senão que simplesmente desperta as mentes dos homens para que atuem inteligentemente. Esta atuação depende, por coerência, do homem, cujo tipo de mente responde às forças de restauração e está condicionada por seu grau de evolução, raça, nação, tradição e de acordo com as reações de sua civilização e religião. Estas forças se acham ativas, atualmente, em todos os países e com freqüência produzem, de início, grandes dificuldades, conduzindo, (74) finalmente, a uma reorganização da vida nacional ou planetária. Os efeitos serão principalmente físicos; trarão um novo mundo do qual haverá desaparecido todo indício de guerra; melhorarão a saúde física dos homens e dos animais; e serão reconstruídas as cidades e os povos. Seu objetivo é produzir uma nova Terra e tudo aquilo que evidencie a afluência de uma nova vida. Depois disto, durante a Lua cheia de Buda, em maio de 1945, as energias de iluminação entraram em atividade e a luz começou a afluir às mentes dos homens. Estas energias, em realidade, iniciam a nova educação mundial. Os primeiros a serem afetados serão os grandes movimentos educativos, os foros do povo em todos os países e os valores que se estão desenvolvendo agora, por meio do rádio e da indústria cinematográfica; também o serão a imprensa, os editores, locutores, escritores, comentaristas radiofônicos, jornalistas e os trabalhadores no campo social. Estes efeitos talvez não se evidenciem ainda, devido ao breve tempo transcorrido, porém, esses movimentos e essas pessoas são os receptores das energias de iluminação, se estiverem preparados para reconhecer as novas idéias que emergem, e também os guardiães e agentes distribuidores que as canalizarão e dirigirão para que influam nas massas de toda parte. Eclesiásticos, progressistas e liberais de todas as religiões também respondem a elas, porém sua utilidade se acha grandemente obstruída pela natureza reacionária do ambiente ou campo de atividade em que devem trabalhar, pois têm diante de si uma tarefa quase impossível de realizar. Além do mais, chegam à humanidade por meio do Novo Grupo de Servidores do Mundo, que é muito susceptível ao seu impacto, estando em condições de distribuí-Ias, porque trabalha em todos os campos de atividade mencionados anteriormente. As forças restauradoras emanam da mente de Deus e estão relacionadas e vinculadas com o princípio inteligente da natureza divina, sendo o intelecto o aspecto da divindade que distingue o homem de todas as outras formas da natureza. As forças de iluminação provêm do coração de Deus e estão relacionadas com a compreensão divina, e podem, portanto, chegar a fortalecer a todos aqueles que amam e servem a seus semelhantes, estando, ademais, vinculadas com o segundo aspecto ou princípio da divindade, amor-sabedoria, do qual o Buda e o Cristo constituem as expressões divinas mais proeminentes. (75) Principalmente através dEles e de Seus discípulos, os Mestres expressam a mesma linha de divindade, pela qual chegam as energias à humanidade, canalizadas pelo Novo Grupo de Servidores do Mundo. Cristo e Buda, em Sua perfeição conjunta, constituem o campo da Mente e do Coração e se destacaram de Seus semelhantes devido a Suas realizações. Influenciaram hemisférios e séculos, enquanto que outros Filhos menores de Deus tiveram influência sobre os países, em períodos de tempo mais breves. Ainda Lhes falta realizar a consumação do trabalho, se bem que este não tenha muito a ver com as formas que personificam Seus divinos princípios enunciados, Luz e Amor, senão com as Almas que tenham evoluído aplicando os ditos princípios.

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Em junho de 1945, Cristo pós em movimento as forças de reconstrução vinculadas ao aspecto Vontade da divindade, sendo as menos poderosas das três correntes de energia liberadas, durante os três Festivais da Lua cheia de 1945. Estas forças de reconstrução são eficazes, principalmente em relação com essas entidades a que chamamos nações. A Hierarquia está tratando nestes momentos de canalizá-las para a Assembléia das Nações Unidas; o emprego que se faça destas energias impessoais de pende da qualidade e natureza da nação receptora, de sua verdadeira iluminação e do seu grau de evolução. As nações expressam, na atualidade, a autocentralização em massa de um povo e seu instinto de auto-conservação. Portanto, estas energias podem acrescentar esse aspecto de sua vida e também a potência do objetivo que as Nações Unidas expõem, teoricamente, ante os povos. O objetivo principal da Hierarquia é distribuir as ditas energias construtivas e sintetizadoras, em forma tal que a teoria da unidade se converta, lentamente, em realidade e a palavra "Unidade" possa adquirir seu verdadeiro significado e sentido. O Avatar de Síntese está particularmente vinculado a este tipo de energia, o qual transmitirá à humanidade, com a ajuda do Cristo, algo que ainda é inominado. Não é nem amor, nem vontade, como geralmente se entende. Só uma frase composta de várias palavras pode revelar-nos algo de seu sentido. Dita frase é: "o princípio do Propósito dirigido", o qual envolve três coisas: 1. Compreensão do Plano, intuitiva e especialmente instintiva, porém inteligentemente interpretada, tal como pode ser (76) levado a cabo em um futuro imediato, por Cristo e Seus discípulos. 2. Intenção enfocada, baseada no antedito e acentuando um aspecto da vontade, ainda não desenvolvido no homem. 3. Capacidade para dirigir a energia, por meio da compreensão e intenção, para um fim conhecido e desejado, vencendo todos os obstáculos e destruindo tudo o que obstrui. Isto não significa destruição de formas pela violência, tal como se tem presenciado no mundo, senão a destruição produzida pela vida grandemente fortalecida dentro da forma. O significado destes princípios divinos não tem muito sentido na atualidade, porque constituem grandes mistérios. Seguirá sendo um mistério, enquanto existam ignorância e incredulidade. Não existe mistério onde existem conhecimento e fé. Tudo que sabemos, por hora, é que o Cristo reunirá e fundirá em Si mesmo três princípios da divindade. Quando Ele aparecer, "a luz, que sempre existiu, será vista; o amor que nunca cessa, será conhecido, e o esplendor profundamente oculto virá ao Ser". Então teremos um novo mundo, que expressará a luz, o amor e o conhecimento de Deus por uma revelação progressiva. Será evidente para todos a beleza desta síntese que o Cristo manifestará e a maravilha da oportunidade que se oferece. Grandes Forças, sob uma vigorosa direção espiritual, estão logicamente dispostas a precipitar-se neste mundo de caos, confusão, aspiração, esperança e perplexidade. Ditos grupos de energia estão preparados para serem enfocados e distribuídos pela Hierarquia, e essa Hierarquia, sob o Seu grande Guia, o Cristo, se acha mais próxima que nunca da humanidade. Em todos os países, o Novo Grupo de Servidores do Mundo também está atento a essa direção, unido em idealismo, objetivos humanitários, sensibilidade à impressão espiritual, propósitos subjetivos, amor a seus semelhantes e dedicado ao serviço altruísta. Todas as pessoas de boa vontade estão dispostas a ser guiadas para uma atividade construtiva e a ser agentes que, gradualmente, serão educados e treinados para estabelecer aquilo que, verdadeiramente, nunca existiu: corretas relações humanas. Desde o Ser espiritual mais elevado do nosso planeta, passando por graduados grupos espirituais de homens iluminados e (77) perfeitos, que trabalham no aspecto interno da vida, até o mundo externo do viver diário, em que servem homens e mulheres que pensam e amam, flui a onda da nova vida. O Plano está preparado para sua imediata aplicação e desenvolvimento inteligente; os trabalhadores já existem e a capacidade de trabalho é adequada à necessidade. Sobre todas as coisas, a Hierarquia permanece e o Cristo está preparado para reaparecer e demonstrar a realidade.

IV. Cristo como Unificador do Oriente e Ocidente

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Resultará difícil para o eclesiástico cristão, ortodoxo e de critério estreito, aceitar estas palavras, pois significam, em primeiro lugar, que o Cristo trabalhará em íntima colaboração com o Buda, até que tenham ocorrido a fusão e a reconstrução. Buda está intimamente vinculado ao Cristo no processo do reaparecimento dEste, ainda que não estará envolvido nele nem estará ativo durante todo o período que abarque o futuro trabalho do Cristo na Terra. Como bem se sabe, tampouco Ele deixou de manter contato e relação com a humanidade, posto que haja abandonado Seu corpo físico há séculos. Fez isto a fim de cumprir certa tarefa que se Lhe havia determinado e que incluía, além de outras coisas desconhecidas para a humanidade, algumas atividades relacionadas com a tarefa do Cristo, com a iminência de Sua vinda e certos planos para a futura civilização da era de Aquário. Como milhões de pessoas sabem, cada ano (no momento do Festival de Wesak, durante a Lua cheia de maio), Buda se comunica com a humanidade por intermédio do Cristo e da Hierarquia. Atua, desta maneira, como agente que estabelece uma relação entre o "centro onde a Vontade de Deus é conhecida" e o "centro a que chamamos a raça dos homens". Empregam-se, premeditadamente estas duas frases, porque todo o trabalho que estão fazendo estes dois Grandes Filhos de Deus se relaciona com a distribuição de energias - as energias da luz e do amor. Por intermédio do Triângulo mencionado anteriormente, a energia da vontade será distribuída, sendo o Buda um dos Distribuidores divinos. Atualmente, o trabalho do Buda para a humanidade está quase terminado e Sua larga associação com a espécie humana está chegando prestes ao fim. No momento em que o reaparecimento do Cristo seja um fato consumado e quando estejam (78) corretas as relações humanas e comece a condicionar-se, definitivamente, o viver humano, o Buda passará a ocupar-se da tarefa que O espera. Um dos discípulos mais avançados do Cristo que se Lhe aproxima em hierarquia ocupará Seu lugar e continuará o trabalho relacionado com a humanidade. Quando este Mestre assumir Sua tarefa, o princípio inteligente ou sabedoria, característica sobressaliente da humanidade, haverá sido, em grande parte, transmutado em sabedoria pelos intelectuais do mundo e não pelas multidões. Sabedoria é a característica predominante do Buda e o impulso desta energia, engendrada pela sabedoria, será, oportunamente, tão poderosa que não necessitará de ser distribuída ou controlada pelo Buda. Então, Ele poderá ocupar-se de esferas de atividade mais elevadas, onde reside sua verdadeira tarefa, e começará a trabalhar com esse aspecto da sabedoria, do qual nada sabemos, porém que Cristo e Buda têm estado a expressar por intermédio do conhecimento e da sabedoria; posteriormente, mediante a colaboração do Avatar de Síntese, o Cristo poderá fundir em Si mesmo estas duas grandes energias divinas e chegar a ser a expressão pura do amor e da sabedoria, das corretas relações e da compreensão intuitiva. A fim de que isto seja possível e para poder aliviar Seu Irmão espiritual da árdua tarefa de relacionar a humanidade com Shamballa, o "centro onde a Vontade de Deus é conhecida", o Cristo se está submetendo, agora, a um processo excepcional de preparação. Os trinta anos que trabalhou na oficina de carpintaria, na Palestina, constituem, agora, o símbolo ainda não reconhecido de dita preparação. A palavra "carpinteiro" significa edificação, construção e, por derivação, aquele que é um artífice da madeira ou um construtor de casas de madeira. Este é o verdadeiro significado do relato bíblico, acerca da crucificação do Cristo sobre a cruz de madeira ou sobre a árvore. Em realidade, está relacionado com a Sua decisão, adotada no Horto de Getsêmani, de encarregar-se do trabalho de construção ou reconstrução em Aquário, completando, assim, a tarefa que havia intentado levar a efeito na era de Peixes. Cristo, Seus discípulos e o Novo Grupo de Servidores do Mundo são os construtores responsáveis pela nova civilização, a "nova casa da humanidade". O trabalho preparatório que Ele está fazendo agora O capacita para demonstrar pela sabedoria (não só pelo amor) (79) a natureza dos planos hierárquicos, as sábias medidas construtivas, a sábia eleição de construtores e os métodos corretos de construir. Portanto, é evidente que o mais grandioso dos Filhos de Deus, o Cristo, Representante da humanidade e do segundo aspecto divino, demonstrará dentro de Si mesmo, durante a era de Aquário e depois de Seu reaparecimento, certas grandes dualidades fundidas e unificadas. Será útil estudá-las e conhecê-las também:

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1. A fusão do segundo aspecto divino de Amor e do primeiro aspecto divino da Vontade, a Vontade-para-o-bem. 2. A fusão do amor e da sabedoria, capacitando-O para ser o construtor da nova era e da nova civilização. 3. A fusão da energia de Peixes, gerada durante os últimos dois mil anos de atividade espiritual do Cristo, com as energias de Aquário que têm de ser geradas e estarão ativas na Terra, durante os próximos dois mil ou dois mil e quinhentos anos. É para este processo de fusão, com tudo o que isso implica, que o Cristo se está submetendo, um processo de preparação que, uma vez completado, chegará a ser, em um sentido até agora desconhecido para Ele, o ponto focal e o Agente transmissor das seguintes cinco energias divinas: 1. A energia do Amor. 2. A energia da Vontade. 3. A energia da Sabedoria. 4. A energia de Peixes, gerada durante a era cristã. 5. A energia de Aquário, que já se está gerando nas esferas internas do pensamento e do sentimento, e a que será gerada nos séculos futuros. Os métodos empregados em Sua preparação só são conhecidos pelo Cristo, pelo Buda e pelo Avatar de Síntese. Todo treinamento esotérico ou espiritual deve ser auto-aplicado e isto é tão certo para Ele como para o mais humilde aspirante. Não nos é possível conhecer os processos do pensamento, nem das reações e dos planos do Cristo. (80) Na Palestina, Sua aparição foi profética e Sua tarefa consistiu, principalmente, em colocar os alicerces para as atividades que seguirão ao Seu reaparecimento, ademais de esparzir as sementes cujos frutos serão recolhidos na nova era. A tragédia de Sua aparição, há dois mil anos, coloriu a apresentação da verdade por parte dos teólogos e os conduziu a expor uma lamentável história, gerando um mundo miserável e desditoso. Esta tragédia teve lugar devido: 1. Ao descobrimento de que a humanidade não estava preparada e que, durante séculos, necessitar-se-ia de muita experiência, ensinamentos, provas e ensaios, antes de que Seu verdadeiro trabalho pudesse começar. 2. Ao reconhecimento de que era necessária uma relação mais estreita entre Ele Próprio e esse centro, ao qual sempre se referia como "Casa do Pai"; foi esta compreensão que O fez dizer que Seus discípulos poderiam e fariam "coisas mais grandiosas" que as que Ele havia feito, e que deveria ir para Seu Pai. 3. A que havia chegado à conclusão que devia ter mais trabalhadores e agentes preparados e dedicados do que fora possível obter, desde então. Daí, a formação e a preparação do Novo Grupo de Servidores do Mundo. Quando houver suficiente número destes servidores e trabalhadores iluminados, Ele virá e nada poderá deter Sua aproximação. 4. A constatação de que os homens não estavam tão desesperados em "tomar o Reino dos Céus pela violência". Só no desespero e quando chega ao limite das forças, o discípulo encontra seu caminho para esse Reino e está disposto a abandonar suas velhas modalidades. O que é verdade para o indivíduo também deve sê-lo para a humanidade, em escala mais ampla. Cristo vem para todo o mundo, não unicamente para o mundo cristão. Vem para o Oriente e para o Ocidente, e previu o “ momento do fim" com sua catástrofe planetária, desastres fenomênicos, desespero e invocação, tendo lugar tanto no Oriente como no Ocidente. Sabia que em momentos de crises e tensões culminantes a própria humanidade provocaria Seu reaparecimento. O Novo

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Testamento é verídico e exato; apenas as interpretações feitas pelos homens têm desviado a humanidade. (81) No Oriente existe uma velha lenda que pode ser aplicada hoje, e contém a chave da relação que existe entre o Cristo e o Buda. Refere-se a um serviço que, segundo diz a lenda, o Buda prestará ao Cristo. Em forma simbólica, a lenda conta que quando Buda alcançou a iluminação e já nada mais podia aprender de Sua experiência na Terra, visualizou o futuro até o momento em que Seu irmão, o Cristo, estivesse ativo prestando um grande Serviço, como se diz comumente. Portanto, a fim de ajudar o Cristo deixou, para que as usasse, o que misteriosamente são denominadas "Suas vestiduras". Logo, deixou em um lugar seguro o summum de Sua natureza emocional-intuitiva, denominada por alguns como corpo astral, e todo Seu conhecimento e pensamentos, Sua mente ou corpo mental. Segundo diz a lenda, estas vestiduras serão usadas por Aquele que vem, ser-Lhe-ão de utilidade para complementar as próprias faculdades emocionais e mentais do Cristo e proporcionar-Lhe o de que necessita como Instrutor do Oriente e do Ocidente. Então poderá contemplar triunfalmente, Seu futuro trabalho e eleger Seus colaboradores. O mandamento que se deu no Novo Testamento contém uma idéia algo similar: "Há, pois, em vós este sentir que houve, também, em Cristo" (Fil. 2,5). Desta maneira, Cristo, com as energias de amor e sabedoria fundidas; com a ajuda do Avatar de Síntese e do Buda; e influenciado pelo Espírito de Paz e Equilíbrio, poderá complementar e dirigir as energias que produzirão a nova civilização futura. Aparecerá ante Seus olhos a verdadeira ressurreição e a emancipação da humanidade da pressão do materialismo. Assim Ele "verá o trabalho de Sua alma e será saciado" (Isaías 53,11).

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Capítulo V OS ENSINAMENTOS DO CRISTO

O Estabelecimento de Corretas Relações Humanas A Lei do Renascimento A Revelação do Mistério da Iniciação A Dissipação da Fascinação

(82) Talvez seja útil fazer algumas observações preliminares sobre o ensinamento difundido, no transcurso das épocas, pelos filhos de Deus que apareceram nas horas de mais necessidade para a humanidade, a fim de exporem, ante a consciência dos homens de Sua época, certas idéias e conceitos acerca da Verdade. Quando Eles aparecem, seu objetivo é satisfazer as necessidades imediatas, de maneira que as idéias apresentadas possam converter-se em ideais, aos quais se adaptará, oportunamente, a vida da humanidade, trazendo como conseqüência uma civilização melhorada. Tem havido uma grande continuidade através dos séculos. Não haveria tempo para escrever nem para ler uma análise ou descrição completa sobre a revelação progressiva de idéias transmitidas à humanidade pelas grandes e iluminadas mentes autorizadas pela Hierarquia espiritual do planeta. Todos os Instrutores Cíclicos (para diferenciá-los de inumeráveis Instrutores de menor importância) têm dominado Suas vidas, nas três esferas da evolução humana — física, emocional e mental — logrando controlar o nível físico da consciência, Sua natureza emocional ou sentimental, alcançar compreensão mental e, finalmente, iluminação. O problema da Hierarquia tem consistido, e ainda consiste, em conhecer a capacidade de captação da humanidade acerca da verdade, e até que ponto pode ser apresentada às mentes (83) incipientes a verdade absoluta: também tem consistido em determinar qual o aspecto da verdade universal que permitirá ao homem resolver suas dificuldades e avançar no Caminho do Retorno a Deus: necessita saber, ademais, em que ponto da escala evolutiva se encontra a humanidade, em um período dado. Isto em si constitui para Ela um campo de Investigação. O método até agora seguido tem consistido em determinar qual o principal fator de que carece o homem para perceber a realidade, em um dado momento, e qual a verdade divina que contém a semente de uma atividade vital para uma humanidade que se acha em determinadas condições e necessita de um certo tipo de ajuda. Também têm que decidir qual o melhor modo de prestar essa ajuda, de maneira que seus resultados sejam duradouros, educativos e eficazes. Até agora, os conceitos expostos têm sido formulados pelos Instrutores mundiais da época e difundidos tãosomente a uns poucos eleitos, cuja tarefa tem sido tornar a idéia recém-apresentada, disseminando-a entre os homens que possuam suficiente iluminação para que seja aceita, divulgada, vivida e popularizada. Isto já tem sido realizado durante épocas, com maior ou menor êxito. Torna-se impossível expor aqui as poucas verdades que serviram para orientar o desenvolvimento da humanidade na antiga Atlântida, posto que constituam uma base sólida de todo o ensinamento posterior. Podemos estudar (como fundamento do ensino que Cristo difundirá depois de Seu

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reaparecimento) vários conceitos de menor importância que estão contidos, hoje, nos ensinamentos de todas as religiões mundiais, os quais deveriam ser apresentados ao público pelos modernos instrutores religiosos. O primeiro desses Instrutores pertence a uma época tão remota que não se pode dizer com exatidão a data em que viveu. Seu nome, inclusive, foi modernizado e atribuído a um antigo herói e instrutor. chamado Hércules. Apresentou ao mundo, através de um histórico drama mundial (de natureza simbólica), o conceito de uma grandiosa finalidade, alcançável tão-somente por meio de lutas e dificuldades. Traçou uma meta que os homens deveriam alcançar, sem levar em conta os obstáculos. Estes foram representados nos “Doze Trabalhos de Hércules”, os quais eram mitos e não acontecimentos reais. Desta forma representou, para os que tinham olhos para ver e (84) coração para compreender, a natureza do problema que teriam de resolver, no Caminho de Retorno a Deus. Descreveu o regresso do Filho Pródigo ao Lar do Pai, e as provas e esforços que têm de enfrentar todos os aspirantes, discípulos e iniciados, igualmente enfrentados por todos os que hoje formam a hierarquia espiritual. Ao considerar essa assertiva, deve-se também incluir o Cristo, por haver sido “tentado em tudo”, segundo nossa semelhança (Hebreus 4,15), não obstante haver triunfado nas provas e obstáculos. Em data também desconhecida, veio Hermes. Segundo se disse, foi o primeiro a proclamar-se a "Luz do Mundo". Mais tarde, apareceu o grande Instrutor Vyasa. Trouxe uma mensagem singela e necessária, no sentido de que a morte não é o fim. Desde essa época, a humanidade começou a pensar sobre a possível imortalidade da alma. Instintiva e debilmente o homem havia nutrido a esperança e pressentido que o abandono do veículo físico não constituiria o fim de toda a luta, do amor e aspiração humanos: naquelas épocas primitivas, somente predominavam o sentimento e o instinto; as massas não possuíam a capacidade de pensar como na atualidade. No período culminante em que vivemos, o trabalho de todo o movimento espiritista se constitui, em realidade, na emergência daquela corrente de energia mental e da idéia que Vyasa implantou na consciência humana, há milhares de anos. O esforço que realizam os intelectuais para demonstrar a possibilidade científica da imortalidade também faz parte desta grande corrente, levada a níveis intelectuais, salvando, assim, o trabalho realizado por Vyasa, das brumas, da fascinação e da imoralidade psíquica, que hoje o envolve. A realidade da imortalidade está a ponto de ser provada cientificamente. Já foi comprovada a sobrevivência de determinado fator, se bem que o demonstrado como sobrevivente, não é em si, intrinsecamente imortal. A natureza real da alma e sua sobrevivência frente à eterna vivência são uma só e mesma coisa e não foram ainda comprovadas cientificamente. Entretanto, são verdades conhecidas e aceitas hoje por milhões de homens e por Inumeráveis Intelectuais, os quais, a menos que constitua um histerismo e engano coletivo, têm pressentido sua existência. Buda é o Instrutor ao qual nos referiremos a seguir, apesar de haver existido outros, entre Sua época e a de Vyasa. Durante (85) esses séculos, cuja história é relativamente obscura e vaga, a inteligência dos homens se desenvolvia rapidamente e a percepção investigadora do gênero humano se apresentava cada vez mais ativa. As indagações, para as quais não existe urna aparente nem mesmo fácil resposta, foram formuladas por um grupo de pensadores da índia, representando os pensadores de todos os países de então. Propuseram repetidas perguntas sobre por que existem a dor e a miséria em todos os recantos da Terra e em cada vida; qual seria a causa disto e o que se deveria fazer para melhorar as condições de vida; queriam saber, igualmente, qual era o principio integrante do homem, se era a alma e se existia um eu. O Buda veio para dar a resposta a todas essas indagações e firmar as bases de um enfoque mais iluminado à vida, difundindo os ensinamentos que preparariam o caminho para o trabalho de Cristo, que, Ele sabia, haveria de seguir Seus passos. É interessante relembrar que, quando veio o Buda, aproximadamente quinhentos anos antes de Cristo, pois a data exata do nascimento de Cristo ainda se discute, podiam sentir-se as primeiras tênues influências da Era Pisceana fazendo impacto sobre a poderosa qualidade da era de Aries, a vítima propiciatória ou o carneiro. Foi a influência dessa era, persistindo através da dispensação judaica, que conduziu, finalmente, à deformação dos simples ensinamentos de Cristo, quando Ele veio. Foi apresentado, erroneamente, ao mundo, como a vivente vítima propiciatória que carregou com os pecados da humanidade, originando, assim, a doutrina da expiação vicária. São Paulo foi o responsável por isso. Um exemplo análogo de distorção, também teve origem judaica, aparecendo nas primeiras etapas do ciclo de Aries, o carneiro. Afirmou-se que os Filhos de Israel

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se prosternaram ante o bezerro de ouro, o símbolo de Taurus, o touro, e o adoraram: este foi o ciclo astronômico precedente, cujos períodos são ciclos astronômicos e não signos astrológicos. Nas primeiras etapas de Aries, o ensinamento retrocedeu ao de Touro, e nas primeiras etapas de Peixes retrogradou ao de Aries, e assim se iniciou a regressão do ensinamento que agora domina a tantos cristãos ortodoxos. Buda respondeu ás interrogações de Sua época, difundindo as Quatro Nobres Verdades, que esclarecem, satisfatoriamente, o eterno porquê do homem. Estas verdades podem ser sintetizadas (86) da seguinte maneira: Buda ensinou que a miséria e o sofrimento eram produzidos pelo próprio homem, e que a tendência do ser humano para o indesejável, efêmero e material é a causa de todo desespero, ódio e competição, e a razão pela qual o homem vive no reino da morte — o reino da vida material, que é a verdadeira morte do espírito. Buda fez uma excepcional abordagem dos ensinamentos disseminados por Hércules e Vyasa e coadjuvou na estruturação da verdade que Eles haviam erigido, preparando, assim, o caminho para o Cristo. Entre estes dois grandes Instrutores, Buda e Cristo, apareceram Instrutores menores, a fim de ampliar as verdades fundamentais já dadas. Entre estes, Sankaracharya foi um dos mais importantes, porque deu profundas instruções sobre a natureza do Eu. Também deve ser citado Shri Krisna, o Instrutor que figura no Bhagavad-Gita, e que muitos crêem ter sido uma encarnação anterior do Cristo. Desta maneira, as verdades fundamentais sobre as quais se baseia a relação com Deus (e, portanto, com nossos semelhantes), são sempre difundidas pelo Filho de Deus que, em um determinado período mundial, é o Guia Instrutor da Hierarquia espiritual. A seu devido tempo, o Cristo veio e deu ao mundo, sobretudo por intermédio de Seus discípulos, duas verdades principais: a realidade da existência da alma humana e, em segundo lugar, o sistema do serviço como meio (emprego esta frase deliberadamente) para estabelecer corretas relações com Deus e com os nossos semelhantes. Disse aos homens que todos eram filhos de Deus, no mesmo sentido que Ele; apresentou de muitas maneiras simbólicas o que era e quem era Ele, assegurando-lhes que podiam fazer coisas ainda mais grandiosas, porque eram tão divinos como Ele. Estas coisas mais grandiosas, a humanidade já as fez, no plano físico. Também controlou sua natureza, como Cristo sabia que os homens o fariam, porque conhecia a atuação da Lei de Evolução. Ensinou que o serviço constituía a chave da libertação. Também lhes ensinou, por meio de Sua própria vida, a técnica de servir, fazendo o bem, curando enfermos, predicando e instruindo sobre as coisas do Reino de Deus e dando de comer, física e espiritualmente, aos famintos. Fez a vida cotidiana um âmbito divino de vivência espiritual, acentuando, assim, o ensinamento de Buda, de não desejar nada para o eu separado. Assim Cristo ensinou, amou (87) e viveu, levando adiante a magna continuidade da revelação e do ensinamento hierárquico; entrou, então, no arcano, deixando-nos Seu exemplo para que pudéssemos seguir Seus passos (Pedro 2,21), imitando-o em Sua fé na divindade, em Seu serviço e em Sua capacidade para penetrar nessa esfera de consciência e nesse campo de atividade, a que chamamos a verdadeira igreja de Cristo, a Hierarquia espiritual (atualmente invisível) de nosso planeta, o verdadeiro Reino de Deus. O véu que oculta a verdadeira igreja está por desaparecer e o Cristo está a ponto de reaparecer. A luz do passado e das atuais necessidades da humanidade, ás quais o Cristo e a Hierarquia devem satisfazer, que ensinamento será difundido desta vez? Tal é a pergunta formulada agora por Seus discípulos. Provavelmente, Sua instrução versará sobre quatro pontos. Faríamos bem em considerarmos cada um em separado, e nos empenharemos em compreender e preparar a mente humana para receber aquilo que Ele ha de dar.

I. O Estabelecimento de Corretas Relações Humanas

A frase "corretas relações humanas" é hoje muito discutida; cada vez se compreende mais que constitui uma imperiosa necessidade humana e a única esperança de paz e segurança. As errôneas relações humanas atingiram uma etapa difícil que todos os aspectos da vida humana se acham em estado caótico; todos os setores da vida diária estão envolvidos — familiar, comunal, relações comerciais, contatos políticos e religiosos, a atividade governamental e a vida comum

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dos povos, inclusive as relações internacionais. Em toda parte existe ódio, competição, desarmonia, luta de partidos, murmúrios e escândalos vis, profunda desconfiança entre os homens e as nações, entre o capital e o trabalho, e entre as inumeráveis seitas, igrejas e religiões. Entre seita e igreja a diferença é, no fundo, somente uma questão de grau, de princípio histórico; é uma diferença de interpretação, de lealdade fanática a uma verdade favorita, e, sempre, exclusivismo, que é contrário ao ensinamento cristão. Em nenhuma parte existem paz e compreensão; só uma pequena minoria, em comparação com os habitantes da Terra, luta para estabelecer essas condições que conduzirão a pacíficas e felizes relações. (88) A força desta minoria combatente, que luta pela paz e por corretas relações, reside em que o trabalho que trata de realizar está de acordo com a intenção e com os propósitos divinos. O Cristo planeja reaparecer em meio e este caos de interesses em conflito, competitivos e em luta. Pedirlhes-ia que contemplassem a horrível realidade que Ele deve enfrentar, e a necessidade de que haja certa ordem no mundo para que possam ser enunciados certos princípios fundamentais e, parcialmente pelo menos, aceitos, antes que Ele possa trabalhar com êxito entre os homens Se aparecesse agora, Sua voz não poderia ser ouvida, porque a algazarra das discussões humanas é demasiado estridente: se procurasse chamar a atenção da humanidade, ainda que o fizesse por meio do profético som da trombeta (Mateus 23,31), simplesmente se diria que se anuncia a Si mesmo: se predicasse e ensinasse, atrairia, primeiramente, aqueles que simpatizam com Sua mensagem, ou ver-se-ia rodeado pelas ingênuos e os crédulas, como ocorre sempre com todo novo Instrutor, seja qual for seu ensinamento A maioria dos seres humanos está demasiado faminta, esgotada psiquicamente, perplexa e angustiada, bem como insegura de seu futuro, sua liberdade, sua segurança, para estar em condições de escutá-Lo. Pode-se assegurar que não virá como um herói vitorioso, como têm feito crer as interpretações dos instrutores de teologia, porque dessa maneira não seria identificado, senão simplesmente classificado como um militar a mais, dentre os que já temos bastante: não virá como o Messias dos judeus, para salvar nesta qualidade a chamada Terra Santa e a cidade de Jerusalém, pois Ele pertence a todo o mundo e nem os judeus nem qualquer outro povo têm direitos ou privilégios especiais para reclamá-Lo como próprio; tampouco virá para converter os "pagãos" pois aos olhos do Cristo e de Seus discípulos tal mundo não existe, sendo de notar que os denominados pagãos têm demonstrado, historicamente, menos perversidade e antagonismo que o mundo cristão militante. A história das nações cristãs e da igreja cristã tem sido de uma militância agressiva, o que jamais o Cristo desejou, quando tratou de estabelecer a Igreja na Terra. Quando de sua vinda anterior, disse (e Suas palavras têm sido, lamentavelmente, malinterpretadas): “Não vim para trazer (89) paz senão espada" (Mateus 10,34). Isto será verdade especialmente durante os primeiros dias de Seu advento. A espada que Ele empunha é a espada do Espírito, é a que separa a verdadeira espiritualidade do materialismo. O principal efeito de Sua aparição será demonstrar, seguramente, em toda parte, o que produz um espírito de inclusividade canalizado ou expresso através dEle. Todos os que tratam de estabelecer corretas relações humanas se unirão, automaticamente a Ele, pertençam ou não a alguma das grandes religiões mundiais; todos aqueles que não fazem distinção fundamental nem real entre uma religião e outra, um homem e outro homem e uma nação e outra nação, reunir-se-ão ao Seu redor; aqueles que personificam um espirito de exclusivismo e separatividade, ficarão, análoga e automaticamente, a descoberto e serão conhecidos pelo que são. A divisora espada do Espírito trará sem ferir a revelação e indicará o primeiro passo a dar para a regeneração humana. Permanecendo como o ponto focal do Triângulo interno formado pelo Buda, pelo Espírito de Paz e pelo Avatar de Síntese, a força que emanará de Cristo será tão poderosa que a diferença entre amor e ódio, agressão e liberdade, cobiça e generosidade pôr-se-á em evidência ante os olhos e a mente de todos os homens, esclarecendo, portanto, a distinção existente entre o bem e o mal A prece invocativa: "Do ponto de Amor no Coração de Deus, flua amor aos corações dos homens", cumprir-se-á. Cristo liberará sobre o mundo dos homens, a potência e a energia características do amor intuitivo. Os resultados obtidos da distribuição desta energia serão dois: 1. Um número incontável de homens e mulheres se agruparão em todos os países para promover a boa vontade e corretas relações humanas. Este número será tão grande que, de uma minoria relativamente pequena e de pouca importância, se converterá na maior e mais Influente força do mundo. Por seu intermédio, o Novo Grupo de Servidores do Mundo poderá trabalhar com êxito.

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2. Esta energia ativa de compreensão amorosa iniciará uma enorme reação contra o poder do ódio. Odiar, isolar-se e ser exclusivista será considerado como o único pecado, porque se reconhecerá que todos os pecados, considerados atualmente como tais, provém do ódio e do seu produto, a consciência antisocial. (90) O ódio e suas conseqüências constituem o verdadeiro pecado contra o Espirito Santo, a respeito de que tanto têm debatido os comentaristas, passando por alto, em sua nesciedade, a simplicidade e propriedade da correta definição do mesmo pecado. O poder do impacto hierárquico espiritual, através do Cristo e Seus discípulos ativos, será tão grande que a utilidade, a praticabilidade e a naturalidade das corretas relações humanas chegarão a ser evidentes e os assuntos mundiais serão prontamente reajustados, inaugurando-se uma nova era de boa vontade e paz sobre a Terra. A nova cultura e a nova civilização serão, então, possíveis. Isto não é a descrição otimista de um acontecimento místico e impossível. Não se baseia em um anelo ou em uma cega esperança. Os discípulos do Cristo predicam, já, a doutrina das corretas relações humanas. Homens e mulheres de boa vontade estão-se esforçando em demonstrar que somente através disto poderá reinar a paz no campo das relações internacionais. Ao apresentar a verdadeira “vivência" que o Cristo demonstrará ao mundo dos pensadores, logicamente não terão cabimento nem o exclusivismo nem o separatismo, porque a "vida mais abundante", que Ele trata de canalizar para todos nós, é uma corrente que flui livremente, arrasando os obstáculos e barreiras, fazendo circular em forma ininterrupta a verdade e a vida mesma — sendo o amor a qualidade essencial de ambas Todas as religiões mundiais têm proclamado o fato de que Deus é, essencialmente, Amor e Vida, como também Inteligência. Essa vida contém em si mesma a qualidade essencial da Vontade de Deus, como também Seu amor. Ambos são igualmente importantes, porque essa vontade está qualificada pelo amor. Até agora, os homens nada conheciam da natureza real da vivência energizada pelo amor e pela vontade, exceto através de um vago conceito teórico. O reaparecimento do Cristo estabelecerá a realidade desta vivência divina; a obra que Ele efetuará, ajudado por Seus discípulos, manifestará o amor e o propósito divinos que se ocultam por trás de toda experiência fenomênica. O estabelecimento de corretas relações humanas é um aspecto da vontade divina que a humanidade deve cumprir e a (91) fase seguinte da expressão divina que se há de manifestar nos assuntos humanos — individuais, comunais e internacionais. Nada Impedirá que se manifeste esta expressão divina, exceto o fator tempo, e este é determinado pela humanidade, sendo uma exteriorização do livre-arbítrio divino. A intenção e expressão divinas podem manifestar-se lenta ou rapidamente, segundo o decida o homem; até agora, escolheu a manifestação lenta, muita lenta. E aqui que se porá em relevo o livre-arbítrio da vontade humana. Devido a que a divindade é imanente ou está presente em todas as formas e, portanto, em todos os seres humanos, aquela Vontade divina deve ser cumprida, oportunamente; devido ao intenso materialismo de todas as formas, na atualidade, falando esotericamente, sua expressão tem sido retardada; a vontade do homem não tem consistido em estabelecer corretas relações humanas. Dai, a disciplina imposta pela guerra, a tortura das formas e o sofrimento do atual viver humano. Ditos fatores estão produzindo uma transformação ampla e geral; um indício disto pode ser facilmente observado pelas pessoas espiritualmente orientadas. Tais pessoas estão continuamente exclamando (como Cristo no Horto de Getsêmani), “Que se cumpra a Vontade de Deus" (Mateus 26,39). Repetem-no, ignorantemente, e às vezes sem esperanças, evidenciando, porém, um processo geral de reorientação espiritual, submissão e conformidade. O Cristo demonstrou esta submissão quando disse: "Porque desci do céu, não para fazer minha vontade, mas a vontade Daquele que me enviou" (João 6,38). Deu provas de Sua conformidade quando exclamou: "Pai, faça-se Tua vontade e não a minha". A submissão contém em si os elementos do triunfo, Impostos pela força das circunstâncias e a aceitação quase cega, submetendo-se àquilo que se lhe impõe. A conformidade leva em si, como elemento, uma inteligência compreensiva e isto significa um grande passo adiante. Ambas admitem a existência de uma divina vontade influente na vida da humanidade atual; constituem, também, uma preparação para o reconhecimento da obra que o Cristo há de realizar, a fim de estabelecer corretas relações humanas. Atualmente, a submissão da humanidade à vontade divina é negativa; a verdadeira

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submissão é uma atitude positiva de expectativa espiritual, que conduz, oportunamente, a uma conformidade positiva. (92) Pode-se observar já uma expectativa espiritual; compete ao Novo Grupo de Servidores do Mundo intensificá-la. Têm, também, que fomentar a submissão espiritual e a conformidade inteligente das massas que, em geral, se dividem em duas classes, expressando ambas as atitudes: tais fatores de submissão, expectativa e conformidade se acham latentes em todos os homens. Estas três forças divinas permitirão ao homem responder à mensagem do Cristo, sendo, pois, muito mais fácil o sacrifício desinteressado, o compromisso inteligente e a compreensão dos inúmeros e diversificados pontos de vista, indispensáveis para o estabelecimento de corretas relações humanas. Seria conveniente refletir sobre quais são os fatores existentes na submissão e na conformidade. Nelas estão compreendidos o estabelecimento de corretas relações humanas, abdicação, renúncia, submissão aos fatos existentes e obediência à lei divina. Isto é o que Cristo demonstrou anteriormente, e estas são as coisas que Ele ajudará a humanidade a aceitar com entusiasmo e compreensão. Isto trará a felicidade. A felicidade é uma lição, aliás, difícil de aprender: ela é uma experiência totalmente nova para a humanidade e o Cristo deverá ensinar aos seres humanos como desfrutá-la corretamente, como superar os antigos hábitos do sofrimento e assim compreender o significado da verdadeira alegria. Entretanto, não virá somente para ensinar aos homens a necessidade de estabelecer corretas relações humanas, senão também para que saibam como estabelecê-las com todo êxito, eles próprios.

II. O Cristo Ensinará a Lei de Renascimento Esta lei deriva, principalmente, da Lei de Evolução. Nunca foi captada nem compreendida devidamente no Ocidente. Tampouco demonstrou ser de utilidade no Oriente, onde é aceita como princípio diretivo da vida, pois seu efeito tem sido narcotizador e agido em detrimento do progresso. O estudante oriental considera que ela lhe dá sobra de tempo, negando, assim, todo esforço para alcançar uma meta. O cristão comum confunde a Lei de Renascimento com "a transmigração das almas" e, freqüentemente, cré que esta lei significa a passagem dos seres humanos para os corpos de animais ou de formas inferiores de vida, o que é errôneo. A medida que a vida de Deus progride de uma forma à outra, a vida dos reinos subumanos também (93) progride das formas minerais para as vegetais e destas para as formas animais; da etapa animal a vida de Deus passa ao reino humano e se torna sujeita à Lei de Renascimento e não à Lei de Transmigração. Para os que têm alguma noção da Lei do Renascimento ou Reencarnação esse conceito parecerá ridículo. A doutrina ou teoria da Reencarnação horroriza o cristão ortodoxo. Porém, se lhes formula a pergunta que os discípulos fizeram a Cristo a respeito do cego: "Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" (João 9,2), rejeitam as implicações, ou melhor, motejam ou demonstram perplexidade. A apresentação ao mundo do pensamento feita pelo ocultista comum ou pelo expoente teosofista tem sido deplorável, devido a que a expôs de forma confusa. Tudo o que se pode dizer é que familiarizaram o público com a teoria. Entretanto, se houvesse sido apresentada com maior inteligência, sua aceitação no Ocidente teria sido mais generalizada. Se a meta das corretas relações humanas for ensinada universalmente pelo Cristo, a ênfase de Seu ensinamento deve recair, então, na Lei de Renascimento. Isso é inevitável devido a que o reconhecimento desta lei trará, paralelamente, a solução de todos os problemas da humanidade e a resposta a muitas de suas indagações. Esta doutrina será uma das notas-chave da nova religião mundial, como também um agente esclarecedor para uma melhor compreensão dos problemas do mundo. Quando o Cristo esteve aqui, anteriormente, em pessoa, pôs em relevo a realidade da alma e o valor do indivíduo. Disse aos homens que podiam ser salvos pela vida da alma e pelo Cristo que reside no coração humano. Disse, ademais, "que o que não nascesse de novo não poderia ver o Reino de Deus" (João 3,3). Somente as almas podem ser cidadãos deste Reino e esse privilégio foi o que ofereceu pela primeira vez à humanidade, dando, assim, aos homens a visão de uma

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possibilidade divina e um fim inalterável de toda a experiência. Disse-lhe: "Sede, pois, perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito" (Mateus 5,48). Desta vez, ensinará os homens o método pelo qual esta possibilidade poderá converter-se em um fato consumado, pelo constante retorno da alma reencarnante à escola da Vida na Terra, a fim de submeter-se ao processo de aperfeiçoamento, (94) do qual Ele foi o exemplo culminante. Tal é o significado e o ensinamento da reencarnação. Em seu livro Novas Moradas para Novos Homens, página 123, Dane Rudhyar define, satisfatoriamente, este misterioso processo cósmico e humano, dizendo: "A estrutura individual da nova manifestação está, por força, condicionada por tudo o que não se realizou no passado, pelos remanescentes, os fracassos do passado, achados nos registros da natureza, na memória da substância universal". A história de todo ser humano está contida nessas palavras. Deve-se levar em conta que, praticamente, todos os grupos e escritos esotéricos têm posto em relevo, irrefletidamente, a questão das passadas encarnações e sua recordação que resulta impossível de serem constatadas, porque qualquer um pode dizer e afirmar o que bem lhe aprouver; o ensinamento se tem baseado em leis inexistentes que se supõe regerem a equação tempo e intervalo entre uma vida e outra, esquecendo-se que o tempo é um produto da consciência cerebral, que não tem existência fora do cérebro; a ênfase tem sido posta sobre um falso conceito a respeito do relacionamento: O ensinamento, até agora difundido sobre a Reencarnação foi mais prejudicial que proveitoso. Dela só resta um fator de valor: a existência da Lei do Renascimento que agora é discutida por alguns e aceita por milhares. Pouco sabemos além do fato de que tal lei existe. Aqueles que conhecem, por experiência, a realidade deste retorno, repelem, de plano, os pormenores fantásticos e improváveis que os grupos teosóficos e ocultistas expõem como realidades. A lei existe, porém nada sabemos acerca de seu mecanismo. Muito pouco se pode dizer a respeito dela que seja exato e isto não pode ser refutado. 1. A Lei do Renascimento é uma grande lei natural de nosso planeta. 2. É um processo estabelecido e levado a cabo de acordo com a Lei de Evolução. 3. Está intimamente relacionada com a Lei de Causa e Efeito e por ela condicionada. 4. É um processo de desenvolvimento progressivo que permite ao homem avançar, desde o materialismo irracional (95) mais grosseiro até uma perfeição espiritual e uma inteligente percepção, que lhe permitirão chegar a ser um membro do Reino de Deus. 5. Explica as diferenças que existem entre os homens e, em conexão com a Lei de Causa e Efeito denominada Lei do Carma no Oriente, explica as diferentes circunstâncias e atitudes para com a vida. 6. É a expressão do aspecto vontade da alma e não o resultado da decisão de uma forma material; é a alma que existe em todas as formas que reencarna, escolhendo e construindo os adequados veículos físico, emocional e mental, com os quais pode aprender as lições necessárias. 7. A Lei de Renascimento, no que concerne à humanidade, entra em vigência no plano da alma. A encarnação é motivada e dirigida desde o nível da alma no plano mental. 8. As almas encarnam, ciclicamente, em grupos, de acordo com a Lei, a fim de estabelecer corretas relações com Deus e com seus semelhantes. 9. O desenvolvimento progressivo, de conformidade com a Lei do Renascimento, esta condicionado, em grande parte, pelo princípio mental “assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”. Estas breves palavras merecem uma cuidadosa reflexão.

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10. Sob a Lei do Renascimento, o ser humano lentamente desenvolve sua mente, logo, esta começa a controlar o sentimento, a natureza emocional e, finalmente, revela ao homem sua alma, natureza e meio ambiente. 11. Nessa etapa do desenvolvimento, o homem começa a percorrer o Caminho do Retorno e se dirige, paulatinamente, depois de muitas vidas, para o Reino de Deus. 12. Quando o homem — devido à mentalidade desenvolvida, à sabedoria adquirida, ao serviço prático prestado e à compreensão — aprendeu a nada pedir para o eu separado, então já não deseja viver nos três mundos e se libera da Lei do Renascimento. 13. Então, é consciente do grupo, da alma de seu grupo e da alma de todas as formas, alcançando, tal como Cristo dissera, (96) uma etapa de perfeição crística, chegando "à Medida da estatura da plenitude do Cristo" (Ef. 4,13). Nenhuma pessoa inteligente tratará de ver mais além desta ampla generalização. Quando o Cristo reaparecer, possuiremos um conhecimento mais realista e verdadeiro, saberemos que estamos eternamente vinculados às almas de todos os homens e definitivamente relacionados com aqueles que reencarnam conosco, que estão aprendendo as mesmas lições e experimentando e passando pelas mesmas experiências que nós. Este reconhecimento, comprovado e aceito, regenerará a própria origem da vida humana. Sabemos que todas as nossas dificuldades e problemas provêm do fato de não aceitarmos as responsabilidades e obrigações impostas por esta Lei fundamental. Através dela aprendemos, gradualmente, a reger nossas atividades por seu justo poder restritivo. A Lei do Renascimento encerra em si o conhecimento prático de que os homens necessitam, atualmente, para conduzir, reta e corretamente suas vidas, nos aspectos religioso, político, econômico, comunal e privado, estabelecendo, assim, corretas relações com a vida divina que existe em todas as formas.

III. A Revelação dos Mistérios da Iniciação Grande parte do que se expõe nestas páginas concerne, em realidade. à aparição do Reino de Deus, aparição que agora pode ter lugar devido a três fatores: 1. Ao crescimento desse Reino na Terra, com os milhares de pessoas que aceitam suas leis e se esforçam por viver de acordo com suas normas e espirito. 2. Ao fato de que os sinais do tempo e a imperante necessidade da humanidade evocaram o Cristo e Ele decidiu reaparecer. 3. A que a demanda invocadora da humanidade ascende, continuamente, até "o lugar secreto do Altíssimo”, e a Hierarquia projeta aparecer conjuntamente com o Cristo e restabelecer a Lei do Espírito sobre a Terra. O momento da restauração dos antigos Mistérios chegou. Estes fatos foram divulgados amplamente, durante os últimos anos, como resultado da depuração levada a efeito no mundo, (97) pela guerra mundial (1914-1945), como também pelo sofrimento a que tem sido submetida a humanidade (com um poder igualmente purificador e poderoso, que manifestar-se-á posteriormente). Então, será possível à Hierarquia, à Igreja de Cristo, até agora invisível, exteriorizarse e atuar, abertamente, no plano físico. Isto significa retornar à situação que existia na época de Atlântida, quando (empregando a simbologia bíblica, conforme o Gênesis, Cap. 2 e 3) Deus mesmo caminhou entre os homens; Ele falava, então, com eles, não existindo barreiras entre o Reino dos homens e o Reino de Deus. A divindade estava, então, presente em forma física, e os Membros da Hierarquia espiritual guiavam e dirigiam, abertamente, os assuntos da humanidade, até onde permitia o inato livre-arbítrio do homem. Hoje, num futuro próximo, e num passo mais alto da espiral da vida, isto voltará a ocorrer. Os Mestres caminharão, livremente, entre os homens e Cristo reaparecerá fisicamente. Também restaurarse-ão os antigos Mistérios. Serão, novamente, reconhecidos os antigos marcos que a Maçonaria preservou, com tanto empenho e conservou até agora, nos rituais maçônicos, esperando o dia da restauração e da ressurreição.

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Estes antigos Mistérios foram, originalmente, dados à humanidade pela Hierarquia e contém a chave do processo evolutivo, oculto nos números, nos rituais, palavras e símbolos, velando o enigma do destino e origem do homem, representando para ele, por meio do rito e do ritual, o largo Caminho que deve palmilhar para retornar à luz. Proporcionam, outrossim, quando esses rito e ritual são interpretados e representados corretamente, o ensinamento de que necessita a humanidade para poder passar da obscuridade à Luz, do irreal ao Real e da morte à Imortalidade. O verdadeiro maçom que compreende, ainda que em pequena escala, o significado dos três graus da Loja Azul, bem como as implicações daquilo de que participa, dará exato valor às frases mencionadas e reconhecerá o significado dos referidos graus. Menciono isto com fins maçônicos, pois está intimamente relacionado com a restauração dos Mistérios que contiveram, no transcurso das épocas, a chave da tão largamente esperada restauração da estrutura que fundamentará o necessário ensinamento e exporá (quando se libere das nomenclaturas e denominações judias, já caducas, se bem que corretas até três mil anos atrás) a história do progresso do homem no Caminho do Retorno. (98) Tais são os Mistérios que o Cristo restaurará, quando reaparecer, reavivando em forma nova as igrejas e restaurando o Mistério oculto, perdido há muito tempo, devido ao seu materialismo. A Maçonaria também perdeu a verdadeira vivência que um dia possuiu, porém, tanto em suas formas como em seu ritual, a verdade está conservada e poderá ser recuperada e o Cristo fará isto. Fará reviver, ademais, em forma desconhecida, pois nem todos acorrerão à Igreja ou à Maçonaria para revitalizar sua vida espiritual. Os verdadeiros Mistérios também revelar-se-ão através da ciência e o Cristo proporcionará o incentivo para a sua busca. Os Mistérios encerram, em suas fórmulas e ensinamentos, a chave para a ciência, que desvelará o mistério da eletricidade, a mais elevada ciência espiritual e esfera de conhecimento divino no mundo, apenas tocada superficialmente. Somente quando a Hierarquia estiver presente visivelmente na Terra e sejam revelados ao mundo os Mistérios, dos quais os discípulos de Cristo são guardiães, será dado a conhecer o verdadeiro segredo da natureza dos fenômenos elétricos. Em último Instância, os Mistérios constituem a verdadeira fonte de revelação, a qual só poderá captar-se sem perigo, em toda sua amplitude, quando a mente e a vontade para o bem estejam estreitamente unidas e fundidas, condicionando a conduta humana. Existem energias e forças planetárias que os homens não têm controlado nem podem controlar. Nada sabem a respeito delas e, não obstante a vida do planeta delas depende; estão intimamente relacionadas com os inapreciáveis poderes psíquicos, tão estupidamente encarados, hoje em dia, e ignorantemente empregados. Ditos poderes, quando corretamente determinados e utilizados, serão de grande utilidade para as ciências que os Mistérios revelarão. O Mistério das idades está em vésperas de ser revelado e isto acontecerá quando o Cristo reaparecer. As Escrituras sempre profetizaram que ao fim da Era revelar-se-ia o que está secreto e surgiria à luz do dia o que até agora permaneceu oculto. Como sabemos, o presente ciclo assinala o fim da era de Peixes e os próximos duzentos anos verão a abolição da morte, ou melhor, de nossos equivocados conceitos a respeito dela e o firme estabelecimento da realidade da existência da alma. Então, saber-se-á que esta é uma entidade, um impulso propulsor e que uma força espiritual se acha por trás de todas (99) as formas manifestadas. Há dois mil anos, o trabalho do Cristo consistiu em proclamar certas grandes possibilidades e a existência de grandes poderes. Quando Ele reaparecer, Sua tarefa consistirá em provar a realidade destas possibilidades e revelar a verdadeira natureza e potência do homem. Sua afirmação de que todos somos filhos de Deus e temos um Pai universal, em um futuro próximo não mais será considerada como uma formosa assertiva mística e simbólica, senão uma provada enunciação científica. Nossa fraternidade universal e imortalidade essencial serão comprovadas como realidades da natureza. Hoje, está-se preparando o terreno para a magna restauração que Cristo levará a efeito. As religiões mundiais, incluindo a Cristã, e a Maçonaria, estão sendo julgadas pela mente critica humana: tem-se aceito, quase unanimemente, que ambas fracassaram na tarefa determinada pela divindade. Compreende-se, em toda parte, que deve afluir uma vida nova e isto implicará uma nova visão e uma nova maneira de encarar as condições da vida, e isto somente o Cristo pode ensinar-nos e ajudarnos a conseguir. Segundo reza uma antiga Escritura: "O que foi um mistério deixará de sê-Io e aquilo que tem estado oculto agora será revelado: o que tem estado velado surgirá à luz e engrandecerá essa luz e todos os homens verão e

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se regozijarão. Chegará o momento em que a destruição terá realizado o seu trabalho benéfico; então, os homens, pelo sofrimento, buscarão aquilo que rejeitaram. Em vã persecução, buscaram o que tinham à mão e era fácil de alcançar. Quando o possuíram comprovou-se que era um agente da morte. Não obstante, buscaram sempre a vida e não a morte.” E o Cristo lhes trará vida, e vida abundante. Muito se fala hoje a respeito dos mistérios da iniciação. Em todos os países proliferam os falsos instrutores que ensinam os pseudomistérios, oferecendo espúrias iniciações, geralmente pagas e com diploma, desorientando, assim, as pessoas. O próprio Cristo disse que existiria tal estado de coisas, antes que Ele viesse e que em toda parte os falsos e os espúrios se proclamariam a si mesmos. Isto não é mais que e evidência de Sua vinda. A falsificação sempre garante o genuíno. As (100) palavras, discussões e pretensões absurdas; o pseudo-ucultismo e os esforços fúteis para “receber uma iniciação”, frase ambígua que os instrutores e teósofos ignorantes têm cunhado para expressar uma profunda experiência espiritual, caracterizaram o ensinamento esotérico, desde sua moderna aparição, em 1875. Então, H. P. Blavatsky apresentou ao mundo ocidental a realidade da existência dos grandes discípulos e Mestres de Sabedoria, que se achavam na Terra e obedeciam ao Cristo. Mais tarde, arrependeu-se, profundamente, de havê-lo dito, segundo confessa em alguns de seus escritos dirigidos a seu Grupo Esotérico. Entretanto, o que fez formava parte de um grande plano e não foi um erro. O erro consistiu nas interpretações e reações violentas dos teósofos dessa época, fato que ainda não reconheceram. Esta estúpida reação foi ajudada e apoiada pela natureza investigadora da humanidade, como também pela aspiração a que isso trouxe a par. Os homens crédulos e os comerciantes ambiciosos exploraram o tema e ainda continuam assim procedendo. Não obstante, o efeito final destas estultices e erros de apresentação resultaram proveitosos. Em todos os países existem, atualmente, os homens que são conscientes da existência das Mestres e da possibilidade e oportunidade oferecidas para um progresso espiritual cientifico que os converterá em membros do Reino de Deus As igrejas fizeram caso omisso disso, considerando a ciência. especialmente na era vitoriana, coma um arquiinimigo. Estas informações tão profusas, sobre os mistérios da iniciação — algumas delas sendo evidências de uma verdade oculta, outras, produto da imaginação e as demais instigadas com fins comerciais — têm preparado definidamente a humanidade, para os ensinamentos que o Cristo dará, segundo se crê, quando estiver novamente entre nós em presença física. Ainda que não queira o cristão ortodoxo admiti-lo, todo o Evangelho, em suas quatro formas ou apresentações, quase não contém outra coisa que detalhes simbólicos sobre os Mistérios, que são, no que concerne à humanidade, cinco no total. Ditos Mistérios indicam, em realidade, a história espiritual de um aspirante. Também assinalam cinco importantes etapas no progresso da consciência humana. Conquanto incompreensível hoje, (101) em certa etapa da era aquariana este progresso será mais claro e definido. A humanidade, o discípulo mundial, por meio dos diferentes grupos que se encontram em distintos graus de desenvolvimento, "penetrará", durante os próximos dois mil anos, em novos estados de percepção e em novos reinos ou esferas mentais e espirituais de consciência. Cada era deixou o reflexo de um quíntuplo desenvolvimento moderno. Falando astronomicamente, quatro eras são passadas: Geminis, Taurus, Áries e Piscis. Atualmente, Aquário, a quinta, está entrando em poder. Geminis imprimiu o signo simbólico dos dois pilares sobre a Fraternidade maçônica daquela época, os dois pilares Joachin e Boaz, dando os nomes judeus que não são, certamente, os verdadeiros, apareceram há dois mil anos, aproximadamente. Depois seguiu-se Taurus o touro, época em que Mithra veio como Instrutor do mundo e instituiu os mistérios de Mithra, com uma (aparente) adoração ao touro. Logo seguiu-se Aries, o carneiro, que viu o começo da dispensação judaica, tão importante para os judeus e, desafortunadamente, também para a religião cristã, porém sem importância para os inumeráveis seres humanos de outras partes do mundo. Durante este ciclo, vieram Buda, Shri Krisna e Sankaracharya. Finalmente, temos a era de Piscis, peixes, que nos trouxe o Cristo. A seqüência dos Mistérios personificados em cada um dos signos do zodíaco será esclarecida pelo Cristo, pois a consciência coletiva atual

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exige algo mais definido e realmente espiritual que a astrologia moderna e o pseudo-ocultismo tão amplamente difundido. Na era que temos diante de nós, depois do reaparecimento do Cristo, centenas de milhares de pessoas experimentarão algumas das grandes expansões de consciência, porém, a reação das multidões será de renúncia (embora isto não signifique, de nenhuma maneira, que estejam passando pela quarta iniciação); renunciarão às normas materialistas que hoje dominam em todas as camadas da família humana. Uma das lições que a humanidade deve aprender, no presente (prelúdio da nova era), é saber quão poucas coisas materiais são realmente necessárias para a vida e para a felicidade. A lição não foi ainda aprendida. Entretanto, constitui essencialmente um dos valores que se hão de extrair deste período de espantosas privações, pelo qual estão passando, diariamente, os homens. A verdadeira tragédia (102) reside no fato de que o hemisfério ocidental, especialmente os Estados Unidos, não participam deste processo espiritual definido e vitalizador; são presentemente demasiado egoístas para consenti-lo. Por conseguinte, poderão ver que a iniciação não é um processo cerimonial ou um prêmio concedido a um bem sucedido aspirante, nem tampouco uma penetração nos Mistérios, dos quais os da Maçonaria constituem, até agora, uma apresentação gráfica, senão o resultado da "vivência" experimentada nos três mundos de percepção — físico, emocional e mental — pondo em atividade, através desta vivência, as células registradoras e memorizadoras da substância cerebral que até agora não foram susceptíveis às impressões superiores. Através desta zona registradora em expansão ou, se se prefere, através do aperfeiçoamento de um mecanismo registrador mais refinado, ou instrumento de resposta, a mente pode converter-se em transmissor dos valores elevados e da compreensão espiritual. Assim, o indivíduo chega a ser consciente de zonas de existência divina e estados de consciência eternamente presentes, porém que o indivíduo, constitucionalmente, é incapaz de registrar ou fazer contato: nem a mente nem o seu agente registrador, o cérebro, foram capazes de realizá-lo sob o ângulo de seu desenvolvimento evolutivo. Quando o farol da mente penetra, com lentidão, nos aspectos da mente divina até agora não reconhecidos; quando desperta as qualidades magnéticas do coração e responde sensitivamente a ambos os aspectos, o homem se torna capacitado para atuar nos novos reinos de luz, amor e serviço, que estão em processo de desenvolvimento. Então, é um iniciado. Estes são os mistérios, dos quais se ocupará o Cristo. Sua reconhecida Presença entre nós e a de Seus discípulos fará que progridam mais rapidamente que até agora. O estimulo da Hierarquia objetiva aumenta potentemente e a era de Aquário presenciará a aceitação da grande Renúncia, por parte de tantos filhos dos homens, assinalando que o esforço mundial será das mesmas proporções que o realizado para educar, coletivamente, a humanidade, na era de Peixes. O materialismo, como principio de massa, será rechaçado e os grandes valores espirituais assumirão um maior controle. (103) A culminação de uma civilização, com sua tônica especial — as qualidades e os dons legados à posteridade, refletindo sua intenção espiritual, com a participação de todos os povos — constitui uma das iniciações. Algum dia, a história se fundamentará e se escreverá de acordo com as características do crescimento iniciático da humanidade; para chegarmos a isso, devemos ter uma história erigida sobre o desenvolvimento da humanidade, influenciada pelas grandes e fundamentais idéias. Assim se escreverá a história no futuro. A cultura de um período determinado é simplesmente o reflexo da capacidade criadora e da cabal consciência dos iniciados de sua época, os quais sabiam que eram iniciados, estando conscientes, também, de que entrariam em relação direta com a Hierarquia. Na atualidade, não usamos nenhuma destas duas palavras, civilização e cultura, em seu sentido correto ou em seu verdadeiro significado. A civilização é o reflexo de alguma influência cíclica determinada que conduz as massas a uma iniciação. A cultura está esotericamente relacionada com aqueles que, em qualquer era da civilização, em forma específica, cabalmente e com a consciência desperta, penetram, mediante o esforço auto-iniciado, nos reinos internos da atividade mental a que chamamos mundo criador. Estes são os fatores responsáveis da civilização em seu aspecto externo.

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O reaparecimento do Cristo assinala uma relação mais estreita entre os mundos interno e externo do pensamento. O mundo de significados e o mundo de experiência se fundirão, oportunamente, mediante o estimulo proporcionado pelo advento da Hierarquia e de Seu Guia, o Cristo. Um enorme acréscimo de compreensão e das relações será o principal resultado.

IV. A Dissipação da Fascinação A palavra “fascinação", característica destacada do plano astral, nunca foi corretamente empregada e, lamentavelmente, foi utilizada nos primeiros dias do ensinamento esotérico. O assim chamado "plano astral" é simplesmente o nome dado à soma total das reações sensoriais, à resposta sentimental e à substância emocional que o homem mesmo criou e projetou com tanto êxito, sendo hoje a vítima de sua própria obra. Oitenta por cento do ensinamento difundido sobre o plano astral são parte (104) da grande ilusão e também do mundo irreal a que nos referimos quando pronunciamos a antiga prece: “Conduze-nos do irreal ao Real". O que se diz sobre ele tem pouco fundamento. Entretanto, serviu a um propósito útil como campo de experiência, em que podemos aprender a distinguir o verdadeiro do falso. Ademais, constitui uma zona em que o aspirante pode empregar a faculdade discriminadora da mente, a grande reveladora do erro e, oportunamente, da verdade. Quando aquela "mente estiver em nós que também está no Cristo" (Fil. 2,5), verificaremos que o controle da natureza emocional e da área sensorial do consciente (o plano astral, se preferem o termo) se tornará completo. Então, já não existirá o controle exercido pelos sentidos nem sua esfera de influência. E irreal, exceto como campo de serviço e como um reino através do qual perambulam os homens desesperados e perplexos. O maior serviço que um homem pode prestar a seus semelhantes é livrar-se, por si mesmo, do controle que exerce esse plano, dirigindo as energias deste, mediante o poder do Cristo interno. Então, achará que as forças autocentradas e as energias dos desejos pessoais e do amor emocional serão substituídas por uma energia vital, que pode ser sentida amplamente, conquanto não possa ainda ser captada em sua essência pura, energia esta a que denominamos "amor de Deus". É uma força que flui livremente, que se exterioriza e atrai magneticamente, conduzindo cada peregrino de regresso à Morada do Pai. É essa força que agita o coração da humanidade e encontra sua expressão através de Avatares tão grandes quanto o Cristo, guia o anelo místico que se encontra em todo ser humano e atua através de todos os movimentos que têm por objetivo o bem-estar da humanidade, mediante as tendências filantrópicas e educativas de toda classe, bem assim a maternidade instintiva que se encontra em toda parte. Esta, porém, é, essencialmente, uma sensibilidade grupal e somente na Era de Aquário, como resultado do reaparecimento do Cristo, sua verdadeira natureza será compreendida corretamente e o amor de Deus se expandirá em todo coração humano. Cristo sabia muito a respeito deste mundo de fascinação e de ilusão, demonstrando por Si mesmo que o amor verdadeiro poderia controlá-lo. Parte das três grandes tentações do Cristo, no deserto, se baseou nos três aspectos da fascinação mundana: (105) as ilusões que a mente cria, a fascinação no plano emocional da experiência e a complexidade das circunstâncias terrenas. Todas ameaçavam confundi-Lo, porém Ele as enfrentou, enunciando um claro e conhecido princípio e não com a argumentação de uma mente analítica. Com essa tríplice experiência partiu para amar, ensinar e curar. O Cristo, ao voltar, será o grande dissipador da fascinação mundial. O caminho para isso foi preparado por Buda. A possibilidade de tal dissipação e dispersão se acha definitivamente centralizada nos Avatares, Buda e Cristo. Uma das coisas mais essenciais, na atualidade, é fazer a humanidade e as nações do mundo compreenderem a natureza do trabalho por Eles empreendido e voltar a sublinhar as verdades projetadas no contexto do pensamento mundial. A tarefa do Senhor da Luz e a do Senhor do Amor deve ser apresentada de novo a um mundo necessitado. Sobre isto poderia dizer-se que algumas nações necessitam de compreender o ensinamento que Buda enunciou nas Quatro Nobres Verdades. Devem compreender que a causa de toda aflição e sofrimento reside no indevido abuso do desejo, desejo pelo que é material e transitório. As Nações Unidas necessitam aprender a aplicar a Lei do Amor, tal como está enunciada na vida do Cristo e a expressar a vitalidade que existe na verdade segundo a qual "nenhum de nós vive para si" (Rem. 14,7) nem tampouco nação alguma; o objetivo de todo esforço humano é a compreensão amorosa, impelida por um plano de amor e corretas relações humanas entre o gênero humano.

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Se as vidas destes dois grandes Instrutores puderem ser compreendidas e Seus ensinamentos aplicados hoje, novamente, à vida dos homens, ao mundo dos assuntos humanos, ao reino do pensamento humano, ao diálogo político, assim como ao intercâmbio econômico, então a presente ordem mundial, que em sua maior parte é desordem, poderá ser de tal maneira modificada e mudada, que, paulatinamente, uma nova ordem mundial e uma nova raça de homens surgirão. Então, a fascinação e a ilusão mundiais serão dissipadas. No mundo da fascinação, o mundo do plano astral das emoções, apareceu, há séculos, um ponto de luz: O Senhor da Luz, Buda, empreendeu a tarefa de enfocar em Si mesmo a Iluminação que possibilitaria, oportunamente, a dissipação da fascinação. No mundo da ilusão, o mundo do plano mental, apareceu (106) Cristo, o Senhor do Amor. Empreendeu a tarefa de fazer desaparecer a ilusão, atraindo para Si, pelo poder de atração do amor, o coração de todos os homens e afirmou esta determinação com as palavras: "E eu, quando for levantado da terra, a todos atrairei a Mim" (João XII, 32). O trabalho conjunto destes dois grandes Filhos de Deus, concentrado através dos discípulos mundiais e de Seus iniciados, deve destruir, e inevitavelmente o fará, a ilusão e dissipar a fascinação — um, mediante o reconhecimento intuitivo da realidade, por parte das mentes sintonizadas com ela; e o outro, fazendo afluir a luz da razão. Buda fez o primeiro esforço planetário para romper com a fascinação mundial; Cristo realizou o primeiro esforço planetário para dissipar a ilusão. Sua obra deve ser levada adiante, agora, de maneira inteligente, por uma humanidade suficientemente sábia para identificar seu dever. A desilusão vai, rapidamente, se apoderando do homem, que, em conseqüência, verá as coisas com mais clareza. A fascinação mundial vai-se afastando do caminho do homem. Ambos os desenvolvimentos foram produzidos pelas entrantes novas idéias focalizadas através dos intuitivos e entregues ao conhecimento público pelos pensadores. Também ajudou, grandemente, o reconhecimento inconsciente, embora não menos real, por parte das multidões, do verdadeiro significado das Quatro Nobres Verdades. A humanidade, não mais iludida e livre da fascinação, aguarda a futura revelação que produzir-se-á pelo esforço conjunto de Buda e Cristo. Tudo o que podemos prever e prognosticar referente a esta revelação é que se obterão certos resultados de grandes projeções, mediante a fusão da luz e do amor, e pela reação da "substancia iluminada" para com o "poder atrativo do amor". Dei, aqui, uma chave para se chegar a compreender, realmente, o trabalho destes Avatares, algo que até agora não havia existido. Poderia agregar-se que, quando se tenha logrado uma cabal apreciação do significado das palavras "transfiguração de um ser humano", ter-se-á compreendido aquelas outras: "quando todo teu corpo resplandece" (Lucas, 11,36) ou, então: "em Tua Luz veremos a luz" (Salmos 36,9). Isto significa que, quando a personalidade tiver alcançado certo grau de purificação, dedicação e iluminação, o poder de atração da alma, cuja natureza é amor e compreensão, poderá atuar e (107) a fusão de ambos ocorrerá. Isto é o que Cristo demonstrou e comprovou. Quando for consumado o trabalho do Buda (encarnação do princípio sabedoria) no discípulo aspirante e em sua personalidade integrada, então poderá, também, expressar-se, plenamente, o trabalho do Cristo (encarnação do princípio amor) e ambas as potências, Luz e Amor, acharão brilhante expressão no discípulo transfigurado. O que é certo para o indivíduo o é para a humanidade, a qual, hoje, havendo alcançado a maturidade, pode "começar a compreender" e tomar parte, conscientemente, no trabalho de iluminação e de amorosa atividade espiritual. Os efeitos práticos deste processo trarão a dissipação da fascinação, liberando o espírito humano da escravidão da matéria, trazendo, ademais, o fim da ilusão e o renascimento da verdade, tal como existe na consciência daqueles que estão polarizados na consciência crística. Este não é um processo rápido, senão um procedimento regulado e ordenado que tem assegurado seu êxito final, ainda que lento quanto ao seu estabelecimento e desenvolvimento consecutivo. Dito processo foi iniciado no plano astral por Buda e, no plano mental, quando Cristo apareceu na Terra. Indicou a próxima maturidade da humanidade. O processo foi impulsionado lentamente, à medida que estes dois grandes Seres reuniram Seus discípulos e iniciados, durante os últimos dois mil anos. Chegou a ser de grande utilidade, à medida que o canal de comunicação entre "o Centro onde a Vontade de Deus é conhecida" e a Hierarquia, onde o Amor de Deus se manifesta, se foi abrindo e expandindo, e o contato entre estes dois centros e a humanidade se estabeleceu com maior firmeza.

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Desta maneira, milhares de homens e mulheres inteligentes se libertarão de toda ilusão e controle emocional. Quando os corações dos homens estiverem ativos, nesse momento terminará toda a atividade emocional do plexo solar. Esta é uma afirmação real, pois os corações dos homens que respondem ao chamado de Cristo são os que invocam hoje em dia. O agonizante ciclo emocional, pelo qual passou a humanidade durante os últimos cem anos, e a tensão emocional em que vivem, hoje, os homens, também desempenham sua parte, a fim de ajustar a humanidade para que penetre no reino do pensar claramente. Isto marcará um ponto de inflexão de grande importância na (108) história de humanidade e constituirá um dos resultados do futuro trabalho científico, se assim se pode chamá-lo, que o Cristo realizará com os corações dos homens, pondo-os em relação com o coração de Deus. Devido à amplitude e à magnitude do nível psicológico em que hoje vivem os homens, não posso estender-me mais. Este campo de experiência e prova é bem conhecido por todos os aspirantes, sendo o campo de batalha de milhões de seres. O Cristo interno, como Controlador da vida individual, pode pôr fim a esta batalha; o aspirante pode emergir com os olhos abertos e sem temor. A aparição do Cristo entre os homens fará o mesmo, em relação a toda a humanidade, não em um sentido figurado, senão através da vivência de Sua presença, estimulando o princípio crístico em todo coração humano.

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Capítulo VI A NOVA RELIGIÃO MUNDIAL (109) O mundo atual, mais do que nunca, se inclina para o espiritual. Isto se diz, apesar da idéia, geralmente aceita, de que o mundo dos homens está naufragando espiritualmente e que em nenhum momento da vida espiritual da raça humana se alcançou um nível tão baixo. Tal conceito se deve, em grande parte, ao fato de que a humanidade não está grandemente interessada na apresentação ortodoxa da verdade, razão por que as igrejas se acham quase vazias e acusadas, publicamente, de não haverem ensinado a viver corretamente. Estas afirmações, lamentavelmente, tem fundamento, porém a realidade é que os seres humanos buscam, em toda parte, a liberação espiritual e a verdade, a que o verdadeiro espirito religioso se acha, fundamentalmente, mais vivo que nunca. Isto é especialmente certo em relação a esses países que mais sofreram durante a última guerra mundial (1914-1945). Os Estados Unidos e os países neutros não mostram ainda sinais de um verdadeiro renascimento espiritual. Os demais países estão espiritualmente vivificados, não num sentido ortodoxo, mas numa busca sincera e porque demandam, vitalmente, por luz. O espírito religioso da humanidade se acha, hoje, mais decididamente enfocado na Realidade do que jamais o esteve. As religiões ortodoxas mundiais estão sendo rapidamente relegadas a um segundo plano pela mente dos homens, enquanto estamo-nos, indubitavelmente, acercando da Realidade espiritual central. As teologias que hoje se ensinam nas organizações eclesiásticas, tanto no Oriente como no Ocidente, estão cristalizadas e são de pouca utilidade. Sacerdotes e eclesiastas, instrutores ortodoxos e fundamentalistas (fanáticos, ainda que sinceros) tentam perpetuar o antiquado que, se bem bastasse, no (110) passado, para satisfazer ao que se buscava, hoje não preenche mais tal objetivo. Homens religiosos, sinceros mas não iluminados, deploram a rebeldia da juventude contra as atitudes doutrinais. Ao mesmo tempo, conjuntamente a todos os que buscam, exigem uma nova revelação. Buscam algo novo e cativante para atrair novamente as multidões para Deus. Temem ter que renunciar a alguma coisa e buscar novas interpretações de antigas verdades, porém não conseguem conscientizar que há que obter uma nova perspectiva da Verdade (como está no Cristo); sentem a aproximação de novas e iminentes revelações espirituais, porém têm medo de enfrentar seus efeitos revolucionários. Formulam-se indagações e estão envolvidos em profundas e perturbadoras dúvidas. Como se poderá observar, as respostas provêm de duas fontes (e continuarão provindo): das massas pensantes, cuja crescente percepção intelectual é a causa da rebelião contra a religião ortodoxa e dessa influente fonte de verdade e de luz que, infalivelmente, trouxe a revelação no transcurso das épocas. As respostas não virão, até onde se pode prever, de nenhuma organização religiosa, seja ela asiática ou ocidental. Algumas destas perguntas podem ser expressas da seguinte maneira: Por que a igreja foi incapaz de deter a avassaladora expressão do mal, evidenciado na última guerra mundial? Por que a religião resultou inadequada para satisfazer a necessidade da humanidade? Por que os pseudoguias espirituais do mundo religioso forem incapazes de ajudar a solucionar os problemas do mundo?

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Por que os instrutores cristãos, como expoentes do Deus do Amor, têm sido impotentes para deter a exacerbação, sem precedentes, do ódio no mundo atual? Por que a maioria desses instrutores é tão sectária, separatista e exclusivista em sua aproximação à Verdade, não obstante haver uma minoria espiritual e de critério amplo? Por que a juventude recusa acorrer à igreja e não tem interesse em aceitar as doutrinas que se lhes apresentam? Por que ronda a morte e não a vida, atualmente, no mundo? (111) Por que surgem tantos novos cultos que desviam o público das organizações ortodoxas de caráter religioso? Por que os movimentos “Christian Science", "Uniry" e o Novo Pensamento atraem as pessoas, afastando-as das organizações bem estabelecidas? Observe-se o emprego da palavra "organizações", pois contém a chave do problema. Por que há um crescente interesse para com as teologias orientais, as diversas iogas, os ensinamentos budistas e os credos orientais? Por que ensinamentos como a astrologia, a numerologia e diversos rituais mágicos encontram tantos adeptos, enquanto que as igrejas permanecem vazias, ou freqüentadas apenas pelos anciãos, pelos conservadores e reacionários ou por aqueles que as procuram pela força do hábito, ou, ainda, porque se sentem desesperadamente desditosos? Finalmente, que existe de mal em nossa apresentação das realidades espirituais e da Verdade eterna? Poder-se-iam dar muitas respostas. A mais importante é: a apresentação da Verdade divina, tal como foi dada pelas igrejas, no Ocidente, e pelos instrutores, no Oriente, não se manteve à altura do desenvolvimento intelectual do espírito humano. Apresentam-se, ainda, ao que busca, as mesmas palavras ou idéias que de forma alguma o satisfazem, mentalmente, nem respondem às suas necessidades práticas, neste mundo cheio de dificuldades. Pede-se-lhe que creia e que não duvide, porém não se lhe pede que compreenda: diz-se-lhe não ser possível que compreenda, entretanto pede-se-lhe que aceite as interpretações e as afirmações de outras mentes, que pretendem possuir e compreender a Verdade. Não cré que as mentes e interpretações alheias sejam melhores que a própria. As mesmas velhas fórmulas, teologias e interpretações são consideradas adequadas para enfrentar as necessidades e investigações atuais do homem moderno, porém, na realidade, não o são. A igreja de hoje é a tumba do Cristo e a lápide da teologia foi arrastada até a porta do sepulcro. Entretanto, não tem nenhum sentido atacar o cristianismo. Este não pode ser atacado, pois é a expressão, em essência pelo menos, do amor de Deus, imanente em Seu universo criado. (112) Não obstante, o clericalismo se expôs ao ataque e a massa pensante se dá conta disso, mas desgraçadamente estas pessoas constituem ainda minoria. Esta minoria pensante, quando for maioria, e, aliás, hoje vai aumentando rapidamente, determinará o destino das igrejas e garantirá a difusão do verdadeiro ensinamento do Cristo. Não é possível que Ele esteja satisfeito com os grandes templos de pedra, construídos pelos eclesiastas, enquanto Seu povo está desorientado e não se lhe tem proporcionado luz sobre os assuntos do mundo; com grande dor há de sentir que a simplicidade com que ensinou e o simples caminho para Deus que explicou, se perderam entre as brumas da teologia, iniciada por São Paulo, e discussões dos eclesiastas no transcurso dos séculos. O ser humano se apartou da simplicidade de pensamento e da simples vida espiritual dos primitivos cristãos. É lógico que o Cristo considere errôneas e indesejáveis a vida separatista da igreja e a arrogância dos teólogos (fazendo divisão, como têm feito, entre crentes e não-crentes, cristãos e ateus, pseudo-iluminados e pseudo-ignorantes) contrárias a tudo o que Ele mesmo sustentou e admitiu quando disse: “Também tenho outras ovelhas que não são deste redil” (João X,16).

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O mal reinante no mundo não impede a revelação nem obsta o desenvolvimento da vida espiritual, porque esse mal é resultado da má compreensão e da errônea orientação imprimida à mente humana, bem assim da importância dada às coisas materiais provocada por épocas em que prevaleceu a competição; decorre do fracasso das organizações religiosas de todo o mundo em preservar a verdade em toda a sua pureza e evitar a idéia fanática de que a interpretação da verdade por um indivíduo deve, necessariamente, ser a única e a correta. Os teólogos se têm esforçado, sinceramente, defendendo frases que acreditaram ser as únicas e corretas como expressão da idéia divina, ficando Cristo esquecido, por trás dessas palavras; os eclesiastas concentraram todo seu esforço e capacidade em reunir fundos para a construção de edifícios, enquanto que os filhos de Deus seguem desnudos e famintos, perdendo, assim, sua fé no amor divino. Como se pode socorrer a humanidade e oferecer-lhe orientação espiritual se os guias das igrejas estão tão ocupados em interesses temporais; se a Igreja Católica Romana, a Igreja (113) Grega Ortodoxa e as Igrejas Protestantes fazem finca-pé na pompa e na cerimônia, nos grandes templos e catedrais, nos vasos de ouro e prata para a comunhão dos fiéis, nos barretes escarlates, nas indumentárias coalhadas de jóias e em todo o exibicionismo tão apreciado pela mentalidade eclesiástica? Como podem ser socorridas as crianças que morrem de fome, em todo o mundo, e em particular na Europa, se o Papa e os Bispos pedem dinheiro para construir catedrais e erigir mais igrejas, quando as existentes estão vazias? Como pode brilhar de novo a luz na mente dos homens se os eclesiastas mantêm os povos atemorizados, se não aceitam as antigas interpretações teológicas nem os antigos caminhos para acercar-se de Deus? Como se pode fazer frente às necessidades espirituais e intelectuais das pessoas, se os seminários teológicos não ensinam nada novo nem apropriado para o dia e época atuais e em troca enviam jovens para orientar a humanidade, aos quais são dadas instruções baseadas em antigas interpretações? Estes jovens começam seu treinamento e preparação religiosa para o sacerdócio com grandes esperanças e visão e logo quedam desesperançados, com muita menos fé, porém com a determinação de “se sair bem" e alcançar um posto proeminente na igreja. Surge, ademais, a indagação se o Cristo sentir-se-ia à vontade nas igrejas, ao estar novamente com os homens. Os rituais e as cerimônias, a pompa e os ornamentos, as velas, os ouropéis, as distintas hierarquias: papas, cardeais, arcebispos, cônegos e curas paroquiais, pastores e clérigos, aparentemente são de pouco interesse para o simples Filho de Deus, o qual, quando esteve na Terra, não tinha onde repousar a cabeça. A apresentação da verdade religiosa, no passado, impediu o crescimento do espirito religioso. A teologia levou a humanidade às portas do desespero; a delicada flor da vida crística feneceu nos escuros meandros do pensamento humano. A fanática adesão às interpretações humanas ocupou o lugar do viver cristão. Milhões de livros têm obliterado as palavras viventes do Cristo; os argumentos e as discussões dos sacerdotes têm obscurecido a luz trazida por Buda, e o Amor de Deus, tal como o revelou a vida do Cristo, foi esquecido, ao mesmo tempo que os homens discutiram sobre os significados, as frases e as palavras. Entretanto, os homens agonizando, (114) morrendo de fome, sofrendo, pediam ajuda e ensinamento e, ao se verem não satisfeitos, perderam a fé. Hoje, as pessoas de toda parte estão em condições de receber a luz; esperam uma nova revelação e uma nova dispensação. A humanidade avançou tanto no caminho da evolução, que essas buscas e expectativas não só se baseiam em um melhoramento material, como também em termos de uma visão espiritual, de valores verdadeiros e corretas relações. Pedem ensinamento e ajuda espiritual; demandam o alimento necessário, roupa e oportunidade de trabalhar e viver em liberdade; enfrentam a fome em quase todas as partes do mundo e, com igual aflição, experimentam, também, a fome da alma. Com toda segurança, não incorreremos em erro se chegarmos à conclusão de que essa aflição e demanda espirituais têm merecido a atenção preferencial do Cristo. Quando Ele reaparecer e também Sua Igreja, até agora invisível, que poderão fazer, Ele e Sua Igreja, para satisfazer este chamado exigente e intensificada atitude de percepção espiritual com que serão saudados? Eles vêem todo o panorama. A súplica do cristão por ajuda espiritual, a do budista por Iluminação espiritual e a do hindu por compreensão espiritual, conjuntamente com todos que professam ou não alguma fé, devem ser satisfeitas. As solicitações da humanidade se elevam até Seus ouvidos

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e Cristo e Seus discípulos não têm escrúpulos sectários e disso podemos estar seguros. E impossível crer que Lhes interessem os pontos de vista dos fundamentalistas ou as teorias dos teólogos sobre a Imaculada Conceição, a Expiação Vicária ou a Infalibilidade do Papa. A humanidade experimenta necessidades angustiantes e elas devem ser satisfeitas. Somente grandes e fundamentais princípios de vida, que abarquem o passado e o presente e provejam um programa para o futuro, poderão satisfazer esta invocação humana. O Cristo e a Hierarquia espiritual não virão para destruir tudo o que a humanidade considerou até agora "necessário para a salvação", nem o que satisfez sua demanda espiritual. Quando o Cristo reaparecer, com toda segurança desaparecerá o não essencial; permanecerão os fundamentos da fé, sobre os quais Ele poderá erigir a nova religião mundial, a que todos os homens esperam. Esta nova religião deve estar baseada sobre as verdades que suportaram a prova do tempo e trouxeram bem-estar e segurança aos homens, e estas são:

1. A Realidade de Deus (115) Antes de tudo, deve-se reconhecer a Realidade de Deus. Essa Realidade capital pode ser denominada como o homem quiser, de acordo com sua inclinação mental ou emocional e sua tradição racial e hereditária, pois não há nome que possa defini-la nem condicioná-la. Os seres humanos se vêm obrigados a empregar nomes a fim de expressar o que sentem, percebem e conhecem, tanto na ordem fenomênica como na tangível. Consciente ou inconscientemente, todos os homens reconhecem o Deus Transcendente e o Deus Imanente. Sentem Deus como o Criador e o Inspirador de tudo o que existe. Os credos orientais têm posto sempre em relevo o Deus Imanente, radicado no mais profundo do coração humano "mais próximo que as mãos e os pés", o Eu, o Uno, o Atma, mais pequeno que o pequeno e, não obstante, oniabarcante. Os ocidentais têm apresentado o Deus Transcendente, fora de Seu universo, como observador. Deus Transcendente condicionou, antes de tudo, o conceito humano da Deidade, pois a ação deste Deus Transcendente apareceu nos processos da natureza. Mais tarde, na dispensação judaica, Deus apareceu como o Jeová patriarcal, como a alma (um tanto desagradável) de uma nação. Logo, Deus foi considerado como um homem perfeito, o divino homem-Deus, que caminhou sobre a Terra na Pessoa de Cristo. Hoje, a ênfase se põe sobre o Deus Imanente em todo ser humano e em toda forma criada. Na atualidade, a igreja teria que expor uma síntese destas duas idéias, que foram resumidas por Shri Krishna, no Bhagavad Gita: "Havendo interpenetrado todo o universo com um fragmento de Mim mesmo, Eu permaneço". Deus mais grandioso que todo o criado e, não obstante, Deus presente na parte; Deus Transcendente resguarda o plano de nosso mundo e constitui o Propósito que condiciona todas as vidas, desde o minúsculo átomo, passando por todos os reinos da natureza, até chegar ao homem.

2. A Relação do Homem com Deus A segunda verdade que todos aceitam, não importa qual seja a crença, é a relação essencial do homem com Deus. Inerente à consciência humana, com freqüência incipiente e indefinida, existe um sentido de divindade. "Todos sois filhos de (116) Deus" (Gel. 3.26) e “Uno é nosso Pai Inclusive Deus”, dizem o Cristo e todos os Instrutores e Avatares no transcurso das épocas. "Como Ele é, assim somos nós neste mundo" (1, João 4,17), é outra manifestação bíblica. "Ele está mais próximo que o alento, mais próximo que as mãos e os pés”, canta o hindu. "Cristo em nós, esperança de Glória", é a triunfante afirmação de São Paulo.

3. A Realidade da imortalidade e da Persistência Eterna Temos, em terceiro lugar, o sentido de persistência, de vida eterna ou imortalidade. É inevitável seu reconhecimento e forma parte da reação da humanidade, igual ao instinto de autoconservação. Com esta íntima convicção, encaramos a morte e sabemos que devemos voltar à vida, novamente, que viemos e vamos, e perduramos, porque somos divinos e os regentes de nosso próprio destino. Sabemos que nos propusemos alcançar uma meta e que ela é a "Vida mais abundante”, que existe em alguma parte, aqui ou além e, oportunamente, em toda parte.

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O espírito do homem é imortal; perdura eternamente e progride, paulatinamente, no Caminho da Evolução, desenvolvendo, em forma constante, os atributos e aspectos divinos. Esta verdade contém, por força, o reconhecimento de duas grandes leis da natureza: A Lei do Renascimento e a Lei de Causa e Efeito. As igrejas do Ocidente se recusaram, oficialmente, a reconhecer a Lei do Renascimento e, por esta razão, chegaram a um "impasse" teológico e a um beco, para os quais não têm saída. As igrejas do Oriente acentuaram, grandemente, estas leis, de modo que uma atitude negativa e submissa, com relação à vida e aos seus processos, fundada em uma oportunidade que se renova constantemente, domina as pessoas. O cristianismo acentuou a imortalidade, porém fez a felicidade eterna da aceitação depender de um dogma teológico: "sê um verdadeiro e devoto cristão e viverás em um céu fastoso; recusa ser um crédulo cristão, professando um cristianismo negativo, e irás a um inferno incrível", inferno que nasce da teologia do Antigo Testamento e de sua apresentação de um Deus iracundo e invejoso. Ambos os conceitos são hoje repudiados por toda pessoa ponderada, sensata e sincera. Ninguém que raciocine (117) ou creia em um Deus de Amor aceita o céu dos eclesiastas nem deseja ir a ele. Menos ainda aceitam o “lago de fogo ardente em enxofre" (Rev. 19,20) ou as torturas eternas, às quais, segundo se disse, conduz o Deus do amor todos aqueles que não crêem nas interpretações teológicas da Idade Média, dos modernos fundamentalistas ou dos irracionais eclesiastas que tratam de manter os povos na linha, por meio da doutrina, do temor e da ameaça, com os antigos e caducos ensinamentos. A verdade essencial está em outra parte. “Tudo o que o homem semear, isso também colherá" (Gel. 6.7) é uma verdade que necessita ser considerada. Nestas palavras São Paulo expõe a antiga e verdadeira instrução da Lei de Causa e Efeito, chamada no Oriente a Lei do Carma. A imortalidade da alma humana e a inata capacidade do homem espiritual, interno, para obter sua própria salvação, de acordo com a Lei do Renascimento, em resposta à Lei de Causa e Efeito, são os fatores subjacentes que regem o comportamento e a aspiração humana. Ninguém pode fugir a estas leis. Condicionam o homem, até que tenha alcançado a perfeição determinada e desejada, e possa manifestar-se na Terra como um Filho de Deus que atua corretamente.

4. A Continuidade da Revelação e as Aproximações Divinas Outra verdade essencial, que aclara todo o trabalho planejado pelo Cristo, está relacionada com a revelação espiritual e a necessidade que o homem tem de Deus e a que tem Deus do homem. Sempre existiu algo que testemunhou a verdade. Sempre que o homem precisou de luz, esta lhe foi dada. Nunca existiu época, ciclo ou período mundial em que não se difundisse o ensinamento e não se prestasse a ajuda de que necessitava a humanidade. Sempre que o coração e a mente do homem buscaram Deus, a divindade se acercou do homem. A história da humanidade é, em realidade, a história da súplica do homem por maior luz e de contato com Deus, assim também a chegada da luz e a aproximação de Deus ao homem. Sempre o Salvador, Avatar ou Instrutor do Mundo, surgiu do lugar secreto do Altíssimo, trazendo ao homem uma nova revelação, uma nova esperança e um novo incentivo para viver uma vida espiritual mais plena. (118) Algumas destas Aproximações têm sido de capital importância, afetando a humanidade em sua totalidade, outras de menor transcendência influenciaram somente uma parte relativamente pequena da humanidade — uma nação ou um grupo. Aqueles que vêm como Reveladores do Amor de Deus, procedem desse centro espiritual a que Cristo deu o nome de “o Reino de Deus” (Mateus 6.33). Ali moram “os espíritos dos homens justos, tornados perfeitos" (Heb. 12,33); ali residem os Guias espirituais da raça; os Executores espirituais do plano divino vivem, trabalham e supervisionam os assuntos humanos e planetários. É chamado de diversas maneiras. Denominam-no a Hierarquia espiritual, a Morada da Luz, o Centro onde moram os Mestres da Sabedoria e a Grande Loja Branca. Dali, vêm os Mensageiros da Sabedoria de Deus, os Guardiães da Verdade, tal como se acha em Cristo, como também Aqueles cuja tarefa consiste em salvar o mundo, ensinar a futura revelação e demonstrar a divindade. Todas as Escrituras atestam a existência deste centro de energia espiritual. Esta Hierarquia espiritual constantemente se tem aproximado da humanidade, na medida em que o homem vai-se tornando mais consciente da divindade e mais apto pare entrar em contato com o divino.

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Uma outra grande Aproximação da divindade e uma nova revelação espiritual são, hoje, possíveis. A nova revelação é iminente e Quem a trará e complementará está se aproximando firmemente de nós. Ignoramos o que trará à humanidade esta aproximação. Com toda segurança, produzirá resultados tão definidos como as precedentes missões e revelações dAqueles que vieram em resposta às anteriores solicitações da humanidade. A Guerra Mundial purificou o gênero humano. Um novo céu e uma nova terra estão em caminho. Que querem significar, o teólogo e o eclesiasta ortodoxo, com as palavras “um novo céu”? Não significarão estas palavras algo totalmente diferente e um novo conceito sobre o mundo das realidades espirituais? Não trará, Aquele que vem, uma nova revelação sobre a própria natureza de Deus? Conhecemos tudo que se possa saber a respeito de Deus? Se assim é, Deus é muito limitado? Não será possível que nossas idéias atuais sobre Deus, que consideramos como Mente Universal, Amor e Vontade, sejam enriquecidas por alguma nova idéia ou qualidade, para as quais ainda não temos nome, nem palavras nem a mais remota noção? Cada um dos três conceitos atuais da divindade, a Trindade, era completamente (119) novo quando tais conceitos foram expostos, pela primeira vez, à mente ou à consciência do homem. Desde há muitos anos que a Hierarquia espiritual de nosso planeta vem-se aproximando da humanidade e esta aproximação é a causa dos grandes conceitos de liberdade, tão caros ao coração do homem. A fraternidade, a amizade, a colaboração e paz mundiais, baseadas nas corretas relações humanas, são um sonho cada vez mais real. Também vislumbramos uma nova e vital religião mundial, um credo universal que terá suas raízes no passado, mas que porá em evidência a beleza incipiente e a iminente revelação vital. De uma coisa podemos estar seguros: esta aproximação comprovará, em forma profundamente espiritual e, não obstante, absolutamente real, a verdade da imanência de Deus. As igrejas acentuaram e exploraram a extraterritorialidade da Deidade e postularam a presença de um Deus Criador, Mantenedor e criativamente ativo e, ao mesmo tempo, alheio à Sua criação — um observador inescrutável. Haverá de se demonstrar que este tipo de criador transcendente é falso, e haverá de se contestar esta doutrina, mediante a manifestação de Deus no homem, a esperança de glória. Tal é o que demonstrará a esperada aproximação: provará, também, a íntima relação que existe entre Deus Transcendente e aquilo nAquele em quem “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser', porque "havendo compenetrado todo o Universo com um fragmento de Si mesmo Ele permanece". Deus é imanente em toda forma criada. A glória é a expressão da divindade inata, em todos os seus atributos e aspectos, qualidades e poderes, que há de ser revelada por meio da humanidade. A nova religião estará baseada na existência de Deus, na relação do homem com o divino, na realidade da imortalidade e da continuidade da revelação divina, bem assim na constante aparição de Mensageiros provenientes do centro divino. A estes fatos se há de agregar o conhecimento seguro e instintivo que possui o homem do Caminho para Deus, e sua capacidade para percorrêlo, quando o processo evolutivo o conduza a uma nova orientação no sentido da divindade, e à aceitação da realidade da Transcendência de Deus e da Imanência de Deus em cada forma de vida. (120) Estas são as verdades fundamentais sobre as quais descansará a religião do futuro. A notachave será a Aproximação ao Divino. "Achegai-vos a Deus e Ele se achegará a Vós" (Sent. 4,8), é o grande mandato que surge, em tons novos e claros, do Cristo e da Hierarquia espiritual. O importante tema da nova religião será o reconhecimento das muitas aproximações divinas e da continuidade da revelação que traz aparelhado cada um deles. A tarefa que têm, de hoje em diante, as pessoas espiritualmente orientadas, é preparar a humanidade para o iminente e talvez mais grandioso de todos os Contatos. O método empregado consistirá no emprego inteligente e científico da ciência de Invocação e Evocação e o reconhecimento de sua extraordinária potência. O homem invoca a Aproximação ao divino de diversas maneiras: mediante o incipiente e silencioso chamado ou pelo clamor invocativo das massas e também pela invocação planejada e definida dos aspirantes orientados espiritualmente, do cooperador, do discípulo e do iniciado sabiamente convencido e por todos os que pertencem, em realidade, ao Novo Grupo de Servidores do Mundo.

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A Ciência de Invocação e de Evocação ocupará o lugar daquilo que agora chamamos "prece" e “adoração". Não nos devemos deixar confundir pela palavra “ciência". Não se trata da coisa fria e intelectual, descrita com tanta freqüência; trata-se da inteligente organização da energia espiritual e das forças do amor, que, quando forem efetivas, evocarão a resposta dos Seres espirituais que podem caminhar livremente entre os homens, assim estabelecendo uma intima e constante comunicação entre a humanidade e a Hierarquia espiritual. A fim de esclarecer o exposto, poder-se-ia dizer que a Invocação é de três classes distintas: Temos, como já se disse, a demanda coletiva, emitida em forma inconsciente, e o chamado clamoroso que brota do coração do homem em momentos de crise, como sucede na atualidade. Este chamado invocador os homens o elevam incessantemente, eles que vivem em meio do desastre, dirigindo-se a esse poder externo que sentem que pode vir e virá em sua ajuda, nos momentos extremos — invocação grande e silenciosa, que hoje surge de todas es partes. Depois há o espirito de invocação, evidenciado pelos (121) homens sinceros ao participarem dos rituais de suas religiões, aproveitando a oportunidade da oração e da adoração conjuntas, a fim de elevar suas demandas de ajuda perante Deus. Este grupo, unido às multidões, forma um enorme conjunto de suplicantes invocadores e na atualidade sua intenção em massa é muito evidente, elevando-se sua invocação até o Altíssimo. Finalmente, existem os discípulos e aspirantes treinados que utilizam algumas fórmulas verbais e certas invocações cuidadosamente definidas, que, ao serem usadas, enfocam o chamado invocador e a demanda dos outros dois grupos, dando-lhes a orientação e o poder corretos. Os três grupos, consciente ou inconscientemente, estão entrando em atividade atualmente e seu esforço unificado garante a evocação. O novo trabalho invocador será a nota-chave da futura religião mundial e se dividirá em duas partes. Por um lado existirá o trabalho invocador das multidões, preparadas pelas pessoas espiritualmente orientadas (que trabalham nas igrejas, dentro do possível, às ordens de um clero iluminado, a fim de que aceitem a realidade das iminentes energias espirituais dirigidas através do Cristo e de Sua Hierarquia espiritual e se preparem, ademais, para formular a demanda de luz, liberação e compreensão. Por outro lado, existirá também o hábil trabalho de invocação, tal como praticado por aqueles que têm treinado suas mentes mediante a correta meditação e que, trabalhando conscientemente, conhecem o poder dos mântrans, fórmulas e invocações. Utilizarão, com maior freqüência, certas grandes fórmulas verbais que serão dadas, mais tarde, à raça, assim como foi dado o Pai Nosso, por Cristo, e a Nova Invocação (A Grande Invocação), para o uso atual, pela Hierarquia. Esta nova ciência religiosa, para a qual a prece, a meditação e o ritual prepararam a humanidade, treinará os povos para apresentar, em determinados períodos do ano, a demanda mundial, a fim de estabelecer relações com Deus e uma mais estreita relação entre si. Este trabalho, ao ser levado a efeito adequadamente, evocará resposta da Hierarquia expectante e, especialmente, de Seu Guia, o Cristo. Por meio desta resposta, a fé das multidões se converterá, gradualmente, na convicção do conhecedor. Desta maneira, as multidões serão transformadas e espiritualizadas e os dois grandes centros divinos, ou grupos de energia, a Hierarquia e a Humanidade, começarão a (122) trabalhar em completa unificação e união. Então, o Reino de Deus estará, em verdade e realmente, ativo na Terra. Evidentemente, só é possível indicar as linhas gerais da nova religião mundial. A expansão da consciência humana, que terá lugar como resultado da iminente e grandiosa Aproximação, capacitará a humanidade a captar, não somente sua relação com a vida espiritual de nosso planeta, com "Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser", senão que proporcionará, também, um vislumbre da relação que tem nosso planeta com o círculo de vidas planetárias que se movem dentro da órbita do Sol e do círculo ainda maior de influências espirituais que fazem contato com nosso sistema, à medida que este descreve sua órbita no firmamento (as doze constelações do zodíaco). A investigação astronômica e astrológica tem posto em relevo esta relação e as influências que exerce, porém as conjecturas subsistem, assim como as estúpidas pretensões e interpretações. Sem embargo, a igreja sempre o tem reconhecido e a Bíblia o atesta: "as estrelas, desde os lugares de seus cursos, pelejaram contra Sisera" (Juizes 5,20). "Poderás tu impedir as delicias das Plêiades?" (Jó 38,31). Outras passagens confirmam, também, esta afirmação dos Conhecedores. Muitos festivais religiosos têm sido fixados em relação com a Lua ou uma constelação zodiacal. A investigação demonstrará que isso

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é verdade, e quando o ritual da nova religião mundial estiver universalmente estabelecido, constituirá um dos fatores importantes que se terá de levar em conta. O estabelecimento de certos festivais importantes em relação com a Lua e, em menor grau, com o zodíaco, reforçará o espirito de invocação com a conseqüente chegada das influências evocadas. A verdade contida em toda invocação se baseia no poder do pensamento e, particularmente, em sua natureza, relação e aspectos telepáticos. O pensamento invocador unificado das multidões e o pensamento enfocado e dirigido do Novo Grupo de Servidores do Mundo constituirão uma corrente externa de energia. Esta chegará, telepaticamente, até esses sensitivos Seres espirituais que respondem a tais impactos. Sua evocada resposta, emitida como energia espiritual, chegará por seu turno até à humanidade, depois de haver sido reduzida a energia mental e, nessa forma, deixará sua correspondente marca na mente dos homens, difundindo neles convicção, inspiração e revelação. (123) Isto tem ocorrido em toda a história do desenvolvimento espiritual do mundo e esse tem sido o procedimento adotado na composição das Escrituras do Mundo. Logo, a manutenção de certa uniformidade nos rituais religiosos ajudará os homens a reforçar o trabalho mútuo e a aumentar, poderosamente, as correntes mentais dirigidas às expectantes Vidas espirituais. O cristianismo tem seus grandes festivais; o budismo conserva seus característicos acontecimentos espirituais estabelecidos e o hinduísmo mantém outras datas dedicadas a festividades religiosas. Quando o mundo do futuro estiver organizado, todos os homens de tendência e orientação espirituais guardarão as mesmas festividades, o que trará como resultado a união do esforço e a fusão dos recursos espirituais, além de uma simultânea invocação espiritual. A potência disto será evidente. Permitam-me indicar as possibilidades que oferecem tais acontecimentos espirituais e profetizar a natureza dos futuros Festivais mundiais. Haverá três Festivais principais, cada ano, concentrados em três meses consecutivos, que conduzirão, portanto, a um prolongado esforço espiritual anual, afetando o resto do ano: 1. O Festival da Páscoa. É o Festival do Cristo vivente ressuscitado, o Instrutor dos homens e o Guia da Hierarquia espiritual. É a expressão do Amor de Deus. Nesse dia, será reconhecida a Hierarquia espiritual que Ele guia e dirige e se porá a ênfase sobre a natureza do Amor de Deus. Este festival será fixado, anualmente, de acordo com a primeira Lua cheia da primavera (no hemisfério norte), constituindo o grande Festival cristão do Ocidente. 2. O Festival de Wesak. É o Festival de Buda, o intermediário espiritual entre o centro espiritual mais elevado, Shamballa, e a Hierarquia. Buda é a expressão da Sabedoria de Deus, a Personificação da Luz e o Indicador do propósito divino. Será fixado, anualmente, de acordo com a Lua cheia de Maio, corno sucede atualmente, sendo o grande Festival do Oriente. 3. O Festival de Boa Vontade. Será o Festival do espírito da humanidade que aspira chegar a Deus, trata de adaptar-se à vontade divina e dedicar-se a expressar corretas relações (124) humanas. Será fixado, anualmente, de acordo com a Lua cheia de Junho. Nesse dia, será reconhecida a natureza espiritual e divina da humanidade. Neste Festival, Cristo representou a humanidade durante dois mil anos e permaneceu ante a Hierarquia e à vista de Shamballa como o homem-Deus, o Condutor de Seu povo e "o Primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8,29). Todos os anos, Cristo, nesta data, tem repetido ante a Hierarquia o último Sermão de Buda. Portanto, será um Festival de profunda invocação e demanda, de decidida aspiração, a fim de poder estabelecer a fraternidade e a unidade humana e espiritual, representando o efeito que produz, na consciência humana, o trabalho realizado por Buda e Cristo. Estes três Festivais já vêm sendo celebrados em todo o mundo, e conquanto não estejam relacionados entre si, são parte da abordagem espiritual, pela humanidade. Está se aproximando o momento em que os três Festivais se celebrarão em todo o mundo, graças ao que se alcançará uma grande unidade espiritual. Os efeitos desta grande aproximação, tão próxima na atualidade, se estabilizarão pela invocação unida de toda a humanidade. Os restantes plenilúnios constituirão festivais menores e serão considerados de vital importância. Estabelecerão os atributos divinos na consciência do homem, da mesma forma que os festivais mais importantes estabelecem os três aspectos divinos. Estes três aspectos e qualidades serão

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alcançados e determinados por um consciencioso estudo da natureza de certa constelação ou constelações, que exercem influência durante esses meses. Capricórnio relaciona-se com a primeira iniciação, o nascimento do Cristo na caverna do coração, e determinará a preparação necessária para produzir essa grande aproximação espiritual na vida do indivíduo. Dou este exemplo a fim de indicar as possibilidades que existem para adquirir o desenvolvimento espiritual, mediante a compreensão de tais influências, e a fim de reviver os antigos credos, que serão ampliados até alcançarem relações maiores e imperecíveis. Desta maneira, os doze festivais anuais constituirão uma revelação da divindade e proporcionarão os meios para estabelecer relações, durante três meses, em primeiro lugar com os três Centros espirituais, as três expressões da divina Trindade. Os festivais menores porão em relevo a interrelação do Todo (125) e assim a apresentação da divindade sairá do individual e pessoal, passando ao Propósito universal divino. A relação do Todo com a parte e da parte com o Todo será, assim, expressada em toda plenitude. A humanidade invocará, portanto, o poder espiritual do Reino de Deus, a Hierarquia; Esta responderá e, então, se realizarão os Planos de Deus na Terra. A Hierarquia invocará, em uma volta mais elevada da espiral, o "Centro onde a Vontade de Deus é conhecida", invocando, destarte, o Propósito de Deus. A Vontade de Deus será complementada pelo Amor e manifestada inteligentemente. Para isto a humanidade está preparada e por isso o mundo espera. Resumindo: A nova religião mundial será erigida sobre os alicerces da verdade fundamental já reconhecida. No futuro, a religião será definida, com maior exatidão que até agora foi feito pelos teólogos, da maneira seguinte: Religião é o nome dado ao chamado invocador da humanidade e à resposta a essa demanda, evocada por essa Vida mais grandiosa. Na realidade, significa que a parte reconhece sua relação com o Todo, ademais da constante diligência para que aumente a percepção de dita relação, o que produz o reconhecimento, por parte do Todo, da demanda formulada. É o impacto produzido sobre essa Vida, pela vibração da humanidade — orientada, especificamente, para essa Grande Vida, da qual se sente parte — e o impacto, em resposta a esse "Amor oniabarcante", sobre essa vibração menor. Precisamente agora, o impacto produzido pela vibração humana pode ser percebido, tenuemente, em Shamballa; até hoje, sua atividade mais potente só alcançou a Hierarquia. A religião, a ciência da invocação e da evocação, no que concerne à humanidade, constitui a Aproximação, na futura nova era, de uma humanidade polarizada mentalmente. No passado, a religião teve um atrativo totalmente emocional. Ocupava-se da relação do indivíduo com o mundo da realidade e de buscar aquilo a que ele aspirava da divindade. Sua técnica consistiu em capacitar o homem para revelar essa divindade, lograr uma perfeição que justificasse essa revelação e desenvolver a sensibilidade e a resposta amorosa dirigidas ao Homem ideal, (126) exemplificado no Cristo, para a humanidade atual. O Cristo veio para pôr fim a este ato de aproximação emocional, existente desde os dias atlantes; demonstrou, em Si mesmo, a perfeição e deu à humanidade um pleno exemplo de todas as possibilidades latentes no homem até essa época. Então, a conquista da perfeição da consciência crística se converteu no objetivo principal da humanidade. Na atualidade, o conceito de uma religião mundial e a necessidade de sua aparição são amplamente desejados e se trabalha lentamente para isso. A união dos credos é hoje objeto de discussão. Os trabalhadores do setor religioso formularão o programa universal da nova religião. É um trabalho de síntese amorosa, que porá ênfase na unidade e fraternidade do espirito. Este grupo, em forma muito especial, constitui um canal para as atividades do Cristo, o Instrutor do Mundo. O programa da nova religião mundial será estruturado por inumeráveis grupos que trabalham inspirados por Cristo. Os eclesiastas hão de recordar que o espírito humano é mais grandioso que todas as igrejas e seus ensinamentos. No final de contas, eles serão derrotados pelo espírito humano, o qual se dirigirá. triunfantemente, ao Reino de Deus, deixando-os para trás, a não ser que se disponham a formar parte, humildemente, da humanidade. Nada poderá deter o progresso da alma humana em

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sua longa peregrinação da obscuridade à luz, do irreal ao real, da morte à imortalidade e da ignorância à sabedoria. Se os grandes grupos religiosos organizados de todos os países, incluindo todas as crenças, não oferecerem orientação e ajuda espirituais, a humanidade achará outro caminho. Nada pode evitar que o espírito do homem chegue a Deus. As igrejas ocidentais necessitam compreender, também, que, em essência, há uma só Igreja, que não é necessariamente a instituição cristã ortodoxa. Deus trabalha de muitas maneiras e através de muitos credos e agentes religiosos. Sua união dará como resultado a revelação da verdade em toda sua plenitude. Esta é uma das razões pelas quais se hão de eliminar as doutrinas não essenciais, ressaltando-se as essenciais, e sua união revelará, plenamente, a verdade. Isto será realizado pela nova religião mundial, cuja instalação dar-se-á a passo acelerado depois do reaparecimento do Cristo,

Capítulo VII PREPARAÇÃO PARA O REAPARECIMENTO DO CRISTO

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A Preparação Necessária O Trabalho do Novo Grupo de Servidores do Mundo (127) Se se aceita a premissa e o tema geral exposto até agora, surge, logicamente, a seguinte pergunta: Que se poderia fazer para apressar o reaparecimento do Cristo? E, também, esta outra: Que pode fazer o indivíduo, no lugar em que se encontra, com o equipamento, oportunidade e haveres que possui? A oportunidade é tão especial e a necessidade de ajuda espiritual tão urgente que, querendo ou não, estamos diante de um desafio, enfrentando, ao mesmo tempo, o problema de aceitá-lo com a conseqüente responsabilidade, ou de repelir a idéia, entendendo que não nos concerne. Entretanto, o que decidamos neste momento afetará, definitivamente, o resto da atividade de nossa vida, pois ou apoiaremos e ajudaremos, em todo o possível, a invocar a Cristo e nos prepararemos para Seu retorno, ou engrossaremos as fileiras daqueles que consideram todo o assunto como um chamado aos ingênuos e aos crédulos e, provavelmente, trabalharemos para impedir que os homens sejam enganados pelo que consideramos uma fraude. Aí reside nosso desafio. Exigirá todo o nosso sentido de valores e toda a nossa capacidade investigadora, intuitiva e especializada. Assim, poderemos então darmo-nos conta de que o reaparecimento prometido está de acordo com a crença religiosa geral, sendo a grande esperança deixada nas mentes dos homens que poderá trazer o verdadeiro alívio à humanidade sofredora. Aqueles que aceitam a possibilidade de Seu reaparecimento e estão dispostos a admitir que a história pode repetir-se, hão de sei formular três perguntas, cujas respostas são estritamente individuais: (128) 1. Como posso enfrentar, pessoalmente, este desafio? 2. Que posso fazer, especificamente? 3. Quais são os passos que deveria dar e onde se encontram aqueles que os darão comigo? O que aqui se expõe é, essencialmente, para aqueles que aceitam a realidade do Cristo, reconhecem a continuidade da revelação e estão dispostos a admitir a possibilidade de Seu retorno. As complexidades e dificuldades deste período de após-guerra são enormes. Quanto mais se acerca o homem da fonte de luz e poder espirituais, tanto mais difícil se torna seu problema, pois os assuntos humanos parecem estar hoje muito distantes desta possibilidade divina. Necessitará de toda a paciência, compreensão e boa vontade de que seja capaz. Ao mesmo tempo ser-lhe-á possível reconhecer os fatos com mais clareza. Há problemas internos e externos que devem ser resolvidos e possibilidades internas e externas que podem converter-se em realidades. À medida que o homem, espiritualmente orientado, encarar estas possibilidades e acontecimentos internos e externos, será, facilmente, embargado por um sentido total de frustração: quer ajudar, mas não sabe como; sua percepção das dificuldades que o ameaçam, a análise de seus recursos e dos daqueles com quem terá que trabalhar; sua clara percepção das forças que estão contra ele (e em maior escala contra o Cristo) lhe farão perguntar: "Que objetivo tem qualquer esforço que eu faça? Por que não deixar que as forças do bem e do mal lutem sós? Por que não permitir que a pressão da corrente evolutiva, no correr do tempo, ponha fim à luta mundial facilitando o triunfo do bem? Por que intentar fazer alguma coisa agora?” Estas são reações lógicas e sensatas. A pobreza e a fome de que sofrem milhões de seres, na Europa e em outras partes; o temor à Rússia (justificado ou não); a cobiça das forças capitalistas do mundo e o egoísmo do trabalhismo; a agressividade dos sionistas, reclamando para si uma terra que não lhes pertence, há mais de mil e quinhentos anos; a situação dos judeus na Europa; o desespero do homem comum, em todos os países, (129) que não vê segurança nem esperança em parte alguma; o trabalho da igreja, ao tratar de restabelecer a antiga ordem e regime, que, durante séculos, têm custado padecimentos ao mundo e a ausência, em todos os países, de uma clara voz condutora fazem sentir ao homem comum a futilidade de seu esforço. O problema parece demasiadamente grande, demasiadamente terrível e o próprio homem se sente exageradamente pequeno e inerme.

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Não obstante, a bondade e a visão pura que existem no mundo é imensa e o pensar claro e humanitário é ilimitado; a salvação do mundo se acha nas mãos da gente simples e boa e nos milhões de pessoas que pensam com retidão. Eles farão o trabalho preparatório para o Advento do Cristo. Numericamente, são suficientes para realizar a tarefa e só necessitam de apoio e inteligente coordenação, a fim de prepará-los para o serviço requerido, antes que o reaparecimento do Cristo seja possível. Os problemas que temos para a frente devem ser encarados com valor, por meio da verdade e da compreensão; ademais, há de se ter disposição para falar com clareza, simplicidade e amor, ao expor a verdade e ao aclarar os problemas que devem ser resolvidos. As forças antagônicas, presas do mal, devem ser derrotadas, antes que Aquele, a quem todos os homens esperam, possa vir. O conhecimento de que Ele está preparado e ansioso de reaparecer publicamente diante de Sua amada Humanidade, aumenta o sentido de frustração geral e faz surgir outra pergunta de vital importância: Durante quanto tempo devemos esperar, esforçar-nos e lutar? A resposta é clara: Ele virá, indefectivelmente, quando se haja restabelecido a paz em certa medida; quando o princípio de participação esteja, pelo menos, em caminho de controlar os assuntos econômicos, e quando a igreja e os grupos políticos hajam começado a regular seus próprios assuntos. Então, Ele poderá vir e o fará; então, o Reino de Deus será reconhecido abertamente e já não será um sonho, um anelo, nem uma esperança ortodoxa. Há uma tendência para se perguntar por que o Cristo não vem, com a pompa e a cerimônia com que a igreja atribui a esse acontecimento, demonstrar, com Sua vinda, Seu divino (130) poder e provar, de forma convincente, a autoridade e a potência de Deus, terminando, assim, com o ciclo de agonia e sofrimento. As respostas são muitas. Deve-se recordar que o principal objetivo de Cristo não será demonstrar Seu poder, senão tornar público o existente Reino de Deus. Também se perguntarão por que, quando veio anteriormente, não foi reconhecido. Há alguma garantia de que o será, desta vez? Talvez se perguntem por que não será reconhecido. Porque os olhos dos homens estão cegos pelas lágrimas da autocomiseração e não da contrição; porque o coração do homem está ainda corroído por um egoísmo que a agonia da guerra não curou; porque a norma de valores é a mesma que existia no corrupto Império Romano, que viu Seu primeiro aparecimento, só que tais valores eram locais e não universais como são na atualidade; porque, aqueles que poderiam reconhecê-Lo e anelam e esperam Sua vinda não estão dispostos a fazer os sacrifícios necessários para assegurar o êxito de Seu advento. O pensamento avançado, o êxito de inumeráveis movimentos esotéricos e, sobretudo, as maravilhas da ciência e os extraordinários movimentos humanitários não indicam uma frustração divina, senão um crescimento da compreensão espiritual; as forças do espírito são invencíveis. Ditos aspectos do comportamento humano indicam a maravilha da divindade que se acha no homem e o êxito do plano divino para a humanidade. Sem embargo, a divindade espera a manifestação do livre-arbítrio do homem, sua inteligência e sua crescente boa vontade já se estão expressando. Outra resposta à interrogação é que o Cristo e a Hierarquia espiritual, não importa quão grande seja a necessidade ou a importância do estímulo, jamais infringiram o direito divino dos homens de tomarem suas próprias decisões, exercerem seu livre-arbítrio e alcançar a liberdade, lutando por ela, em forma individual, nacional ou internacional. Quando a verdadeira liberdade reinar na Terra, veremos o fim das tiranias políticas. religiosas e econômicas. Não me refiro à democracia moderna como uma solução, pois ela é, na atualidade, uma aspiração e um ideal ainda inalcançável. Refiro-me à época em que governarão pessoas iluminadas, as quais não tolerarão o autoritarismo da igreja nem o totalitarismo de nenhum sistema político. Tampouco aceitarão ou permitirão a férula de nenhum grupo que (131) lhes diga o que devem crer para serem salvos, nem qual o governo que devem aceitar. Quando se diga a verdade e os povos possam julgar e decidir livremente, veremos um mundo melhor. Não é essencial nem indispensável que estes objetivos sejam fatos consumados antes que o Cristo caminhe entre nós. Não obstante, é necessário que esta atitude para com a religião e a política seja considerada, geralmente, como conveniente e que se haja dado os passos para o estabelecimento de corretas relações humanas. Nestas linhas estão trabalhando o Nova Grupo de Servidores do Mundo e os homens de boa vontade, devendo o seu primeiro esforço consistir em contrapor-se ao sentimento amplamente difundido da frustração e futilidade individual.

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O que se contraporá a este sentido de frustração e futilidade e proporcionará o incentivo necessário para a reconstrução do novo mundo será a crença na divindade da humanidade, a comprovação, proporcionada por um rápido estudo, de que a humanidade, em sua etapa evolutiva, avançou firmemente em sabedoria, conhecimento e ampla inclusividade, bem assim no desenvolvimento de um estado mental baseado na crença da veracidade da história, a qual testemunha os inumeráveis adventos de todos os Salvadores, entre os quais o Cristo foi o maior, nos momentos cruciais dos assuntos humanos. Uma atitude adequada e construtiva deve estar baseada no íntimo reconhecimento da existência do Cristo e de Sua presença entre nós, em todas as épocas, e na idéia de que a guerra, com seus indizíveis horrores, crueldade e catástrofes, só foi a "vassoura” do Pai, varrendo todos os obstáculos para o advento de Seu Filho. Houvera sido quase impossível preparar essa vinda nas condições que precederam a guerra. O Novo Grupo de Servidores do Mundo deve adotar sua atitude, baseado nesses fatos. Deve reconhecer a existência dos fatores que obstaculizam, porém não acovardar-se com isso; igualmente, há de ter consciência dos inumeráveis empecilhos, muitos dos quais financeiros e baseados na ambição material, nas velhas tradições e nos preconceitos nacionais. Deverá empregar habilidade na ação e capacidade comercial para poder vencer tais obstáculos; deve andar com os olhos bem abertos ao enfrentar as dificuldades mundiais e passar incólume e triunfalmente através de toda classe de frustrações. (132) Dois fatores principais condicionam a oportunidade atual, os quais podem chegar a ser um obstáculo tão grande que, se não forem eliminados, retardarão de muito o retorno do Cristo, a saber: 1. A inércia do cristão comum, ou homem espiritualmente orientado, tanto do Oriente como do Ocidente; 2. A falta de dinheiro para o trabalho de preparação. Estes temas se exporão em forma simples e se manterão no nível em que trabalha e pensa a maioria das pessoas. Sejamos práticos e obriguemo-nos a observar as condições tais como são, para chegar, assim, a um melhor conhecimento de nós mesmos e de nossos motivos.

1. A Inércia do Homem Comum Espiritualmente Orientado O homem comum espiritualmente orientado, o homem de boa vontade, ou discípulo, sempre está consciente do desafio da época e da oportunidade que podem oferecer os acontecimentos espirituais. O desejo de fazer o bem e de levar a cabo fins espirituais se agita, incessantemente, em sua consciência. Quem ama seus semelhantes sonha com a materialização do Reino de Deus na Terra ou é consciente do despertar, ainda que lento, das massas aos valores espirituais superiores, mas se sente totalmente insatisfeito. Dá-se conta de que tem contribuído muito pouco para alcançar esses objetivos desejáveis. Sabe que sua vida espiritual é secundária, a qual reserva, cuidadosamente, para si. Freqüentemente, receia falar dela aos entes mais queridos e chegados; trata de entrosar seus esforços espirituais com a vida cotidiana, encontrando tempo e oportunidade para praticá-los em forma aprazível, fútil e inócua. Sente-se inerme ante a tarefa de organizar seus assuntos, para que predomine neles o aspecto espiritual da vida; busca escusas e, oportunamente, raciocina com tanto êxito que chega à conclusão de que, dadas as circunstâncias, faz tudo o que pode. Na verdade, o que faz é tão pouco que, provavelmente, uma hora, talvez duas, das vinte e quatro, abarquem o tempo que dedica ao trabalho do Mestre. Escuda-se detrás do argumento de que as obrigações do lar o impedem de fazer mais e não se dá conta de que com tato e compreensão amorosa o ambiente familiar pode e deve ser o campo onde ele triunfe; esquece que (133) não há circunstâncias nas quais o espírito do homem possa ser vencido ou o aspirante não possa meditar, pensar, falar e preparar o caminho para a vinda do Cristo, sempre que tenha o suficiente Interesse e conheça o significado do sacrifício e do silêncio. As circunstâncias e o meio ambiente não constituem um verdadeiro obstáculo para a vida espiritual. Talvez se escuse alegando a pouca saúde e, com freqüência, pretextando enfermidades imaginárias. Dedica tanto tempo ao cuidado de si mesmo, que o que poderia aplicar ao trabalho do Mestre é muito reduzido; está tão preocupado com o seu cansaço, seu resfriado e sua

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imaginária enfermidade cardíaca que cada vez mais é "consciente de seu corpo", até que, oportunamente, este domina sua vida; então, é demasiado tarde para fazer alguma coisa. Isto ocorre, especialmente, com as pessoas que chegaram aos cinqüenta anos ou mais. Dificilmente deixarão de empregar esta escusa, pois se sentem cansados e doloridos e isto, no transcurso dos anos, tende a piorar. O único remédio para esta inércia progressiva é ignorar o corpo e gozar a vivência do serviço. Não me refiro às enfermidades determinadas nem a sérios impedimentos físicos, a estes se devem dispensar o cuidado e a atenção devidos. Refiro-me aos milhares de homens e mulheres queixosos e preocupados em seus cuidados, desperdiçando horas que poderiam ser dedicadas a servir à humanidade. Aqueles que tratam de palmilhar o Caminho do Discipulado deveriam aplicar as incontáveis horas malbaratadas no inútil cuidado de si mesmos a servir à Hierarquia. Outra desculpa que conduz à inércia é o temor que se tem de falar sobre as coisas do Reino de Deus. Temem ser consideradas desvairadas ou anormais e intrusas. Por isso, guardam silêncio, deixam passar a oportunidade e nunca se dão conta do quanto estão dispostas as pessoas para discutir as realidades e quanto anelam obter o consolo e a esperança proporcionados pela idéia do reaparecimento do Cristo ou por compartir da luz espiritual, constituindo, essencialmente, urna forma de covardia espiritual muito difundida, responsável pela perda de milhões de horas de serviço mundial. Existem outras desculpas, porém as mencionadas são as mais freqüentes. Liberar as pessoas de tais condições obstrutivas (134) proporcionaria ao serviço de Cristo tantas horas de esforço complementar, que a tarefa dos que não admitem escusas ver-se-ia muito aliviada e Sua vinda seria muito abreviada. Não nos concerne a dilucidação do ritmo de vida sob o qual atua o Cristo e a Hierarquia espiritual. Tal ritmo vibra em harmonia com a necessidade humana e a resposta espiritual. O que nos diz respeito é demonstrar a qualidade da atividade espiritual sem nos escudarmos detrás da desculpa. É de capital importância que toda pessoa espiritualizada saiba que pode e deve trabalhar, no lugar onde se encontra, entre as pessoas com as quais está associada e com o equipamento psicológico e físico que possui. Não há coerção nem pressão alguma no serviço que se presta à Hierarquia. A situação é clara e simples. Três grandes atividades estão sendo levadas a cabo, a saber: Primeiro, a atividade que se percebe no “Centro onde a vontade de Deus é conhecida", essa vontade-para-o-bem que levou toda a criação a uma glória maior e a uma resposta cada vez mais profunda e inteligente. Esta atividade trata de produzir, em forma criadora, uma nova ordem mundial, o Reino de Deus, sob a supervisão física do Cristo. Isto poderia ser considerado como a exteriorização da Hierarquia espiritual de nosso planeta, cujo signo e símbolo constituirão o retorno do Cristo à atividade visível. Segundo, a atividade critica, que condiciona a Hierarquia espiritual, desde o próprio Cristo até o mais humilde aspirante, situado na periferia desse “centro onde o amor de Deus” se acha plenamente ativo. Ali é onde se compreende, expressando-se com as palavras de São Paulo, a frase: "Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. esperando pela manifestação dos Filhos de Deus" (Rom. 8,22). Para esta manifestação se preparam estes “Filhos de Deus que são os filhos dos homens”; para este advento ao serviço ativo ou externo, já estão vindo, um após outro, à atividade, no plano físico. Não são reconhecidos pelo que são, porém se encarregam dos assuntos do Pai, demonstrando boa vontade, tratando de ampliar o horizonte da humanidade, preparando, assim, o caminho para Aquele a Quem Eles servem, o Cristo, Mestre dos Mestres, Instrutor dos anjos e dos homens. (135) Terceiro, temos a própria humanidade, "o centro a que chamamos a raça dos homens", onde hoje predominam o caos, tumulto e confusão; uma humanidade angustiada, perplexa e confusa e, não obstante, consciente, mentalmente, de infinitas possibilidades, lutando, emocionalmente, por esse plano que acredita ser o melhor, procedendo sem coerência e sem compreender que deve ser "um mundo uno para a humanidade una". Simplesmente deseja paz emocional, segurança para viver e trabalhar e visão de um futuro que satisfaça a algum sentido incipiente da perdurabilidade divina. Está enferma, fisicamente, privada do mais essencial para

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levar uma vida normal e sã, atormentada pela insegurança econômica, invocando, consciente ou inconscientemente, o Pai, para bem de si mesma e do resto do mundo. O reaparecimento do Cristo proporcionará a solução. Esta é a firme vontade de Deus, testemunhada pelas Escrituras do Mundo; é o desejo de próprio Cristo e de seus discípulos, os Mestres de Sabedoria; é a demanda, inconsciente, de todos os povos. Onde existe esta unidade de propósito, uniformidade e intenção espiritual e busca consciente, a única coisa que poderia deter Seu reaparecimento seria o fracasso da humanidade em preparar o cenário mundial para tão magno acontecimento: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai Suas veredas" (Mat. 3.3), em familiarizar as pessoas com a idéia de Sua chegada e em obter a necessária paz na Terra. baseada em corretas relações humanas. É desnecessário nos ocuparmos aqui da preparação que o indivíduo deve fazer, internamente, à medida que se prepara para o trabalho a realizar. Os princípios do correto comportamento espiritual têm sido apresentados ao homem, durante séculos, como incentivo de que a boa conduta o levaria a um bom céu, objetivo fundamentalmente egoísta. A breve prece que diz: "Senhor Deus Todo-poderoso faz que haja paz na Terra e que esta comece em mim", reúne todos os requisitos que se exigem daqueles que desejam trabalhar na preparação para o reaparecimento do Cristo, sempre que vá a par de uma sólida inteligência e da prática de uma vida organizada. Na atualidade, porém, o motivo reside no conceito da salvação pessoal, o qual se aceita e supõe, e a preparação requerida consiste em trabalhar com empenho e compreensão, a fim de estabelecer corretas (136) relações humanas, objetivo muito mais amplo. Aqui temos um motivo que não é autocentrado, pois coloca cada trabalhador e humanitário à disposição da Hierarquia espiritual e em contato com todos os homens de boa vontade. Chegamos, assim, ao segundo dos impedimentos capitais, a falta de apoio econômico para os colaboradores do Cristo.

2. Falta de Apoio Econômico para o Trabalho do Cristo Talvez seja esta a dificuldade maior que, a muitos, se afigura insuperável. Envolve o problema da verdadeira administração econômica e a destinação de adequadas somas de dinheiro para determinados canais, que ajudem no trabalho de preparação para a vinda do Cristo, o que está estreitamente relacionado com o problema das corretas relações humanas. Portanto, o problema é particularmente difícil, porque os trabalhadores espirituais não somente têm que preparar as pessoas para darem, de acordo com suas possibilidades, senão que, em muitos casos, devem, antes de tudo, proporcionar uma motivação tão atraente, que tais pessoas se vejam obrigadas a dar. Também terão que prover a instituição, fundação ou organização para administrar esses fundos. Isto representa uma tarefa difícil. O “impasse” atual não radica apenas em reunir fundos para Sua vinda, senão no egoísmo entranhado na maioria daqueles que detêm a riqueza mundial que, quando dão — se é que o fazem — é porque aumenta seu prestigio e indica o seu êxito financeiro. Naturalmente existem exceções, porém, estas são relativamente poucas. Generalizando e, por conseguinte, simplificando o tema, podemos dizer que os quatro canais principais através dos quais circula o dinheiro são: 1. Os milhões de lares, onde chega em forma de soldo, salário ou herança. Tudo isto está hoje desequilibrado, existindo excessiva riqueza ou extrema pobreza. 2. Os grandes sistemas capitalistas e monopólios, em que estão fundadas as estruturas econômicas, na maioria dos países. Não interessa se este capital pertence ao governo, à municipalidade, a um punhado de homens ricos ou a grandes sindicatos. Pouco se gasta no melhoramento da vida humana (137) ou para inculcar os princípios que conduzem a corretas relações humanas. 3. As igrejas e grupos religiosos de todo o mundo. Aqui, falando, novamente, em termos gerais e, ao mesmo tempo, reconhecendo a existência de uma minoria espiritualmente orientada, o dinheiro é dedicado aos aspectos materiais do trabalho; à multiplicação e preservação da estrutura eclesiástica; aos salários e gastos gerais e apenas uma pequena percentagem é destinada à educação dos povos, à demonstração vivente de simplicidade, “tal como está em Cristo", e à

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difusão da realidade de Seu retorno, que tem sido, durante séculos, a doutrina da igreja. Sua vinda tem sido antecipada no transcurso das épocas e poderia ter sido mais antecipada ainda, se a igreja e as organizações religiosas houvessem cumprido com seu dever. 4. As obras filantrópicas, sanitárias e educativas. Tudo isto tem sido muito benéfico e muito necessário, a dívida que o mundo contraiu com os filantropos é realmente enorme. Tudo isto é um passo bem dado e uma expressão da divina vontade ao bem. Não obstante, o dinheiro é, amiúde, mal empregado e mal dirigido, e os valores resultantes são institucionais e concretos, sendo as ditas obras limitadas pelas restrições dos doadores e pelos preconceitos religiosos daqueles que controlam o desembolso dos fundos. Em meio das discussões motivadas por idéias, teorias religiosas ou ideologias, se esquece da verdadeira ajuda à Humanidade una. Subsiste o fato de que, se os agentes administradores, que manejam o dinheiro do mundo, tivessem uma visão verdadeira da realidade espiritual da humanidade una e do mundo uno, e se seu objetivo fosse estimular as corretas relações humanas, as multidões de toda parte responderiam a uma possibilidade futura muito diferente da atual. Não estaríamos enfrentando a necessidade de gastar enormes somas, que atingem bilhões, necessárias para restabelecer, fisicamente, não somente o corpo físico de incontáveis milhões de homens, senão cidades inteiras, sistemas de transporte e centros responsáveis pela reorganização do viver humano. Igualmente pode-se dizer que os valores e a responsabilidade espirituais outorgados ao dinheiro (na medida que seja) (138) houvessem sido devidamente ensinados e apreciados nos lares e nas escolas, não teríamos as espantosas estatísticas do dinheiro gasto em todo o mundo, antes da guerra (e ainda hoje, no hemisfério ocidental), em guloseimas, licores, cigarros, diversões, vestimenta desnecessária e luxo. Estas estatísticas registram centenas de milhões de dólares por ano. Uma parte deste dinheiro, cuja arrecadação exigiria um mínimo de sacrifício, seria obtida para que o Novo Grupo de Servidores do Mundo e os discípulos de Cristo preparassem o caminho para Sua vinda, bem assim para educar a mente e o coração dos homens, a fim de estabelecer corretas relações humanas. O dinheiro, assim como outras coisas da vida humana, tem sido maculado pelo egoísmo e açambarcado para fins egoístas. individuais e nacionais. A Guerra Mundial (1914-1945) é um exemplo disso, pois que, embora se falasse muito a respeito de “salvar o mundo para a democracia” e de “deflagrar uma guerra para terminar com as guerras”, o objetivo principal foi a autoproteção e a autoconservação, a ânsia de lucro, a vingança provocada por velhos ódios e a recuperação de territórios. Os anos transcorridos desde a guerra têm-no provado. As Nações Unidas estão, desgraçadamente, ocupadas com as vorazes demandas de toda parte, com as intrigas das nações, a fim de adquirirem poder e posição, e obterem a possessão dos recursos naturais da terra: carvão, petróleo, etc., e também com as atividades sub-reptícias das grandes potências e dos capitalistas. Entretanto, durante todo o tempo, a Humanidade Una, não importa o país, cor ou crença, está reclamando paz, justiça e segurança. Isto se poderia procurar pelo correto emprego do dinheiro e da compreensão, por parte dos potentados, de sua responsabilidade econômica, baseada nos valores espirituais. Com exceção de alguns filantropos de visão ampla e de um punhado de estadistas, eclesiastas e educadores iluminados, este sentido de responsabilidade econômica não se encontra em parte alguma. Chegou o momento de revalorizar o dinheiro e canalizar sua utilidade para novas direções. A voz do povo há de prevalecer, porém deve ser um povo educado nos verdadeiros valores, no significado da verdadeira cultura e na necessidade de que existam corretas relações humanas. Trata-se, portanto, de uma questão essencial de sã educação e de correta preparação para (139) a cidadania mundial, algo não empreendido ainda. Quem pode dar este treinamento? A Rússia prepararia, prazerosamente, o mundo segundo os ideais do comunismo e acumularia, nas arcas do proletariado, todo o dinheiro do mundo, produzindo o mais grandioso sistema capitalista que jamais se tenha visto. A Grã-Bretanha prepararia, prazerosamente, o mundo nos conceitos britânicos de justiça, do jogo limpo e comércio internacional, algo que realizaria melhor que qualquer outra nação, devido à sua vasta experiência, porém cuidando sempre de seus lucros. Também, prazerosamente, os Estados Unidos empreenderiam e tarefa de imprimir o selo da democracia norte-americana no mundo, utilizando seus vastos capitais e recursos, bem assim

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acumulando em seus bancos os frutos de suas grandes atividades financeiras, resguardando-as do perigo da bomba atômica e ameaçando com “seu punho armado” o resto do mundo. A França manteria a Europa em um estado de intranqüilidade, ao tratar de reconquistar o prestigio perdido e tirar proveito, em tudo por tudo, da vitória das nações aliadas. Assim se faz a história. Cada nação lutando para si e todas qualificando-se em termos de recursos e finanças. Entretanto, a humanidade padece de fome, não possui a cultura necessária e lhe são ensinados falsos valores e o mau emprego do dinheiro. Enquanto não se haja sanado esta situação, não será possível o retorno do Cristo. Diante desta perturbadora situação financeira, qual será a resposta ao problema? Existem homens e mulheres em todos os países, em todos os governos, em toda igreja, religião e fundação educativa, capazes de dar a resposta. Que esperanças albergam para isso e para o trabalho que se lhes há confiado? Em que forma podem ajudar os povos do mundo, os homens de boa vontade e de visão espiritual? Que podem fazer para mudar o conceito generalizado sobre o dinheiro, desviando-o, assim, para outros canais, onde seja empregado de forma mais correta? Deve-se achar resposta a estas indagações. Existem dois grupos que muito podem realizar: aqueles que já estão empregando os recursos financeiros do mundo, sempre quando podem captar a nova visão e ver “a escritura na parede", que está derribando a velha ordem, como também o conjunto de pessoas boas e generosas de todas as classes sociais e esferas de influência. (140) Os homens de orientação espiritual e de boa vontade devem repelir a idéia de sua relativa inutilidade, insignificância e futilidade, e compreender que agora, nestes momentos cruciais e críticos, podem trabalhar eficientemente. As Forças do Mal estão derrotadas, conquanto ainda não "tenham sido muradas" por trás da porta onde a humanidade pode encerrá-las, segundo predisse O Novo Testamento. O mal trata de percorrer todo caminho disponível para uma nova abordagem, porém, e isto podemos dizer com confiança e insistentemente, as pessoas humildes, iluminadas e altruístas. existem em número suficiente para fazerem sentir seu poder, se assim o quiserem. Em cada pais há milhões de homens e mulheres espiritualmente orientados, que, chegado o momento de encarar globalmente esta questão do dinheiro, podem recanalizá-lo em forma permanente. Em todos os países existem escritores e pensadores que agregariam sua poderosa ajuda, e o farão se forem solicitados, como convém. Há estudantes esotéricos e devotos religiosos, a quem se pode apelar para ajudar na preparação do retorno do Cristo, especialmente se a cooperação requerida consistir em empregar dinheiro e tempo para o estabelecimento das corretas relações humanas, bem assim o incremento e a difusão da boa vontade Não se necessita de uma grande campanha para reunir fundos, senão do trabalho desinteressado de algumas milhares de pessoas aparentemente sem importância. Diria que o que de mais se necessita é coragem, porque é preciso ter coragem para vencer a desconfiança, a timidez e o desagrado, ao apresentar um ponto de vista relacionado com o dinheiro. Aqui fracassa a maioria. É relativamente fácil, atualmente, reunir fundos para a Cruz Vermelha, hospitais ou instituições educativas. Resulta sumamente difícil fazer o mesmo para a propagação da boa vontade e o emprego correto do dinheiro na difusão de idéias avançadas, tais como a vinda do Cristo. Portanto, repito: o primeiro requisito é CORAGEM. O segundo requisito concerne aos sacrifícios e arranjos que capacitem os trabalhadores do Cristo para dar, até o limite, sua colaboração. Não há de ser, simplesmente, uma capacidade adquirida para apresentar o tema, senão que cada trabalhador deve pôr em prática o que predica. Se, por exemplo, os milhões de pessoas que amam o Cristo e tratam de servir à Sua (141) causa, dessem uma pequena quantidade de dinheiro por ano, haveria fundos suficientes para Seu trabalho. As necessárias organizações e seus diretores, espiritualmente orientados, apareceriam, automaticamente. A dificuldade não está na organização do trabalho e do dinheiro; estriba-se, sim, na incapacidade das pessoas para darem. Por uma razão ou outra dão pouco ou nada, ainda quando estejam interessadas em uma causa como a do reaparecimento do Cristo. O temor pelo futuro; a dissipação; o desejo de prestar obséquios e o não se dar conta de que as grandes somas são formadas por muitas parcelas pequenas, gravitam todos contra a generosidade econômica e sempre servem de pretextos que parecem adequados. Portanto, o segundo requisito é que todo o mundo dê o que possa.

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Terceiro, as escolas metafísicas e os grupos esotéricos se têm voltado, preferentemente, para a questão da orientação do dinheiro para os canais pelos quais têm preferência. Com freqüência se ouve a seguinte pergunta: Por que a escola de pensamento "Unity", a igreja "Christian Science" e os movimentos do Novo Pensamento podem reunir os fundos necessários, enquanto que outros grupos, especialmente os esotéricos, não podem fazé-lo? Por que os verdadeiros trabalhadores espirituais são incapazes de materializar o que necessitam? A resposta é simples. Estes grupos e trabalhadores que estão mais próximos do ideal espiritual, se acham divididos entre si. Seu interesse principal está nos níveis espirituais e abstratos e não se aperceberam de que o plano físico tem a mesma importância que os motivos espirituais. As grandes escolas metafísicas estão empenhadas em fazer demonstrações materiais, e tão grande é sua ênfase e tão centralizada está sua abordagem que conseguem o que pedem. Devem aprender que a demanda e sua resposta devem ser o resultado do propósito espiritual, e que aquilo que se pede não se deve empregar para o eu separado nem para uma organização ou igreja separatista. Na Nova Era, que se aproxima, antes da vinda do Cristo, a petição de ajuda financeira deve-se fazer com o fim de estabelecer corretas relações humanas e boa vontade, não para o engrandecimento de uma organização particular. As organizações que reúnem fundos devem trabalhar em uma Sede que tenha um mínimo de gastos e o pessoal perceber um salário mínimo, porém razoável. Não há muitas organizações desse tipo, atualmente. As que existem podem dar um exemplo que será rapidamente seguido, (142) à medida que aumenta o desejo para o retorno do Cristo. Portanto, o terceiro requisito é servir à humanidade una. O quarto requisito deve ser uma minuciosa explicação da causa para a qual se solicita ajuda econômica. Encontrar-se-á quem tenha coragem para falar, porém uma explicação inteligente também tem muita importância. O ponto principal que se deve acentuar no trabalho preparatório para a retorno do Cristo é o estabelecimento de corretas relações humanas. Isto já foi começado, sob distintos nomes, por homens de boa vontade de todo o mundo. Chegamos, agora, ao quinto requisito: uma fé vital e firme na humanidade como um todo. Não deve haver pessimismo a respeito do futuro do gênero humano, nem tampouco preocupação pelo desaparecimento da velha ordem. "O bom, o verdadeiro e o belo”, estão em caminho e disso é responsável a humanidade e não uma divina intervenção externa. A humanidade está despertando rapidamente e muito bem. Estamos atravessando a etapa em que tudo se proclama abertamente, tal como o Cristo predisse, e à medida que escutamos ou lemos a respeito da onda de escândalos, crimes, prazeres sensuais e luxos, tendemos a desalentar-nos. Convém recordar que é bom que tudo isso surja à superfície e seja conhecido por todos. Similarmente a uma depuração psicológica do subconsciente, à qual se submete o indivíduo, pressagia a inauguração de um dia novo e melhor. Há um trabalho pela frente e os homens de boa vontade, de orientação espiritual e de verdadeiro treinamento cristão hão de fazê-lo. Devem iniciar a era em que o dinheiro se empregará para a Hierarquia espiritual e também devem expressar essa necessidade nas esferas de invocação. Invocação é o tipo mais elevado de oração existente e uma nova forma de demanda divina, que tem sido possível pela meditação. Nada se há de agregar, referente ao pedido de fundos, à coragem e compreensão. Se a coragem que demonstra o Cristo, ao enfrentar Seu regresso a este mundo físico externo; se a necessidade da humanidade de estabelecer corretas relações humanas; se a obra do sacrifício dos discípulos de Cristo não forem suficientes para avivar e estimular Vocês e aqueles com quem podem fazer contato, nada do que se diga será de utilidade. (143) Temos considerado e necessidade da preparação para a vinda de Cristo e alguns dos requisitos fundamentais que se apresentarão, à medida que as pessoas se aprestem para a atividade requerida, inclusive a de reunir os fundos necessários para levar adiante o trabalho preparatório. O colaborador individual, antes de tudo, tem que determinar se seu incentivo e expectação espiritual são aptos para levar avante sua tarefa. Unicamente tem importância aquilo que dá impulso à ação e só será capaz para a tarefa aquele cuja visão seja suficientemente clara para permitir-lhe trabalhar com compreensão e sinceridade. Deve descobrir que pode desempenhar sua parte na realização do plano divino. A realidade do Cristo e a autêntica possibilidade de Seu reaparecimento devem tornar-se fatores motivadores importantes em sua consciência. Ele busca ao seu redor aqueles com quem pode trabalhar e possuem os mesmos

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objetivos espirituais. Desta maneira, e a seu devido tempo, aprende que existe na Terra um grupo integrado e bem organizado a que se pode denominar Novo Grupo de Servidores do Mundo. Comprova-se sua existência em toda parte, sua atuação em cada país, em todos os grupos religiosos organizados e nos que se dedicam ao bem-estar da humanidade e à preparação para o retorno do Cristo. Este grupo, apesar de trabalhar no plano cotidiano da vida material, conserva, entretanto, uma estreita e íntima integração espiritual com o centro de energia, do qual pode extrair todo o necessário para o trabalho espiritual ativo. O grupo proporciona um campo de serviço para todos aqueles que tratam de expressá-lo. Também constitui o lugar de reunião para aqueles que desejam ser provados e onde seus motivos e constância serão postos à prova. Isto é uma antecipação ao aproveitamento da oportunidade espiritual. Então, fica livre para trabalhar em áreas de serviço cada vez mais amplas. O Novo Grupo de Servidores do Mundo proporciona, essencialmente, um campo de treinamento e experimentação para aqueles que têm a esperança de elevar-se espiritualmente e capacitar-se para serem discípulos ativos, dirigidos pelo Cristo. O aparecimento deste grupo na Terra, nestes momentos, é um dos indícios do êxito obtido no processo evolutivo tal como se aplica à humanidade. Este método de trabalho (de utilizar os seres humanos como agentes para levar adiante a tarefa de (144) salvação do mundo) foi iniciado pelo próprio Cristo, que trabalhou com os homens por meio de outros, chegando à humanidade por intermédio de Seus doze Apóstolos e considerou a Paulo como o substituto de Judas Iscariote. O Buda tentou empregar o mesmo sistema, porém, no princípio, Seu grupo esteve mais relacionado com Ele que com o mundo dos homens. Cristo enviou Seus Apóstolos ao mundo para alimentar as ovelhas e buscar, guiar e converter-se em "pescadores de homens". A relação dos discípulos do Cristo para com o Mestre foi somente secundária, sendo a primordial, o atendimento às solicitações do mundo. Esta atitude ainda predomina na Hierarquia, sem menoscabar sua devoção pelo Cristo. O que o Buda instituiu, simbolicamente e em forma embrionária, converteu-se em fato e em uma realidade, devido às circunstâncias da Era Pisceana. Na era de Aquário, na qual estamos entrando, este tipo de trabalho grupal alcançará um ponto muito elevado de desenvolvimento, e o mundo será salvo e reconstruído por grupos, mais acentuadamente que por indivíduos. No passado, tivemos os Salvadores do mundo, esses Filhos de Deus que deram aos homens uma mensagem que trouxe maior luz aos povos. Agora, na plenitude do tempo e através dos processos evolutivos, está surgindo um grupo que trará a salvação ao mundo e que, incorporando as idéias grupais e acentuando o verdadeiro significado da Igreja do Cristo, estimulará e fortalecerá de tal maneira a mente e a alma dos seres humanos que a nova era iniciar-se-á com a afluência do Amor, do Conhecimento e da Harmonia de Deus mesmo, assim como, também, com o reaparecimento do Cristo, em Quem estarão personificadas estas três faculdades divinas. No passado, as religiões foram criadas por uma grande alma, um Avatar ou um destacado personagem espiritual. A marca de suas vidas, palavras e ensinamentos se plasmou na raça e persistiu através dos séculos. Qual será o efeito produzido por um Avatar grupal ou Salvador mundial? Qual será a potência do trabalho realizado por um grupo de Conhecedores de Deus que anunciem a verdade e se reúnam, subjetivamente, para realizar a magna tarefa de salvar o mundo? Que efeito produzirá a missão que terá que cumprir um grupo de Salvadores do mundo, que conhecem Deus em certa medida, que complementam, mutuamente, seus esforços, reforçam reciprocamente (145) suas mensagens e constituem um organismo, através do qual a energia espiritual e o princípio-vida espiritual podem fazer sentir sua presença no mundo, sob a direção do Cristo em Presença Visível? Tal grupo existe agora, com membros em todos os países. São, realmente, poucos e isolados, porém seu número cresce constantemente e sua mensagem se fará sentir cada vez mais. Estão animados por um espirito construtivo, constituem os estruturadores da Nova Era. Confiou-se-lhes a tarefa de preservar o espírito da verdade e de organizar o pensamento dos homens, a fim de que a mente da raça seja controlada e levada a esse estado de meditação e reflexão, que lhe permitirá reconhecer a próxima revelação da divindade, que o Cristo inaugurará. Nos últimos dez anos, este Novo Grupo de Servidores do Mundo tem sido reorganizado e vitalizado, expandindose o conhecimento de sua existência por todo o mundo. Atualmente, constitui um grupo de

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homens e mulheres de todas as nacionalidades e raças, os quais pertencem a todas as organizações religiosas e movimentos humanitários, que estão fundamentalmente orientados, ou em processo de sê-lo, para o Reino de Deus. São discípulos do Cristo que trabalham consciente e, com freqüência, inconscientemente, para Seu reaparecimento. São aspirantes espirituais que tratam de servir e converter em realidade o Reino de Deus na Terra. São homens de boa vontade e inteligentes que procuram aumentar a compreensão e as corretas relações humanas entre os homens. Este grupo compreende dois subgrupos importantes: 1. Os discípulos de Cristo que trabalham conscientemente para desenvolver Seus planos e aqueles que, instruídos pelos primeiros, colaboram, consciente e voluntariamente. A esta última categoria podemos pertencer, se assim o desejarmos e estivermos dispostos a fazer os sacrifícios necessários. 2. Os aspirantes e homens e mulheres conscientes, que trabalham inconscientemente sob a guia da Hierarquia espiritual. Existem muitos deles, especialmente em cargos destacados, os quais desempenham a tarefa de destruidores das antigas formas ou de construtores das novas. Não têm consciência de nenhum plano interno sintético, porém se ocupam. desinteressadamente, em satisfazer as necessidades do mundo, o melhor (146) que podem, desempenhando uma parte importante no drama nacional ou trabalhando, firmemente, no campo da educação. O primeiro grupo tem, em certa medida, contato com a Hierarquia espiritual e, em maior escala, com os verdadeiros discípulos; seus membros trabalham sob a inspiração espiritual. O segundo grupo está em mais íntimo contato com as multidões e trabalha mais especificamente inspirado pelas idéias. O primeiro grupo se ocupa com o Plano do Cristo, na medida em que seus membros podem captar sua essência, enquanto que o segundo trabalha com novos conceitos e esperanças, que afloram à consciência da humanidade à proporção que os homens, subjetiva e inconscientemente, respondem à preparação para o reaparecimento de Cristo. Como resultado do trabalho que realiza o Novo Grupo de Servidores do Mundo, a humanidade está despertando, constantemente, para as possibilidades futuras. O despertar das classes intelectuais ao reconhecimento da humanidade é o prelúdio do estabelecimento da fraternidade. A unidade da família humana é reconhecida pelo homem, porém antes que essa unidade possa adquirir e adotar uma forma construtiva, é essencial que um maior número de pessoas que pensam, derribem as barreiras mentais que existem entre raças, nações e classes; é essencial que o Novo Grupo de Servidores do Mundo reedite, no mundo externo, esse tipo de atividade que a Hierarquia expressou, quando desenvolveu e materializou este mesmo Grupo. Por meio da impressão e expressão de certas grandes idéias, os homens devem compreender os ideais básicos que regerão a nova era. Esta é a tarefa mais importante do Novo Grupo de Servidores do Mundo. A medida que estudamos e aprendemos a reconhecer, em todos os seus ramos e esferas de atividade, o Novo Grupo de Servidores do Mundo, os quais disseminados pelo mundo, abarcam a todos os sinceros trabalhadores e as pessoas altruístas de todas as nações, religiões ou organizações de caráter humanitário, nos daremos conta de que há na Terra um grupo de homens e mulheres que, por seu número e atividades, são capazes de produzir as mudanças que permitirão ao Cristo caminhar, novamente, entre nós. Isto ocorrerá, se estiverem verdadeiramente interessados, preparados para fazer os sacrifícios necessários (147) e dispostos a suprimir as diferenças nacionais, religiosas e da organização, de modo a ser possível levar a cabo aquelas formas de serviço que reconstruirão o mundo. Devem educar o gênero humano relativamente a umas poucas, simples e fundamentais essencialidades, bem como familiarizar a humanidade com a idéia do reaparecimento do Cristo e a exteriorização do Reino de Deus. Em grande parte, seu trabalho consiste em resumir e tornar mais efetivo o trabalho dos Filhos de Deus, do Buda e do Cristo. O êxito do trabalho do Novo Grupo de Servidores do Mundo é inevitável. Fez-se um grande progresso, durante os últimos dez anos; a integração interna da parte desse grupo que trabalha em intimo contato com o Cristo e a Hierarquia espiritual é de tal magnitude que o êxito externo está garantido. Proporcionam um canal, através do qual a Luz, o Amor e o Poder do Reino de Deus podem chegar aos trabalhadores mais exotéricos.

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Portanto, temos de compreender que as pessoas espiritualmente orientadas e todos aqueles que procuram trabalhar por estabelecer corretas relações humanas, os que praticam a boa vontade e se esforçam, verdadeiramente, por amar a seus semelhantes, formam parte integrante do Novo Grupo de Servidores do Mundo, e sua tarefa mais importante, nestes momentos, é preparar o caminho para o reaparecimento do Cristo. Permita-se-me expressar, enfaticamente, que o método principal de que nos podemos servir e o instrumento mais poderoso em mãos da Hierarquia espiritual é a difusão da boa vontade, fundida em uma potência unida e ativa. Prefiro esta expressão às palavras "organização de boa vontade”. A boa vontade é hoje um sonho, uma teoria, uma força negativa. Deverá desenvolver-se até converter-se em uma realidade, um ideal ativo e uma energia positiva. Este é o nosso trabalho e novamente somos chamados a colaborar. A tarefa que tem pela frente o Novo Grupo de Servidores do Mundo é grande, porém não impossível. É absorvente, porém, como constitui um padrão imposto de vida, ele pode ser levado a bom termo em todos os aspectos do viver cotidiano do homem e da mulher normais. Não obstante, somos convocados, ao mesmo tempo, a levar uma vida anormal e arcar com uma responsabilidade bem definida.

CONCLUSÃO

(148) Já se lançou o chamado de prepararão para o reaparecimento do Cristo; fez-se o chamado para a salvação do mundo e em toda parte se reúnem, hoje, homens espiritualmente orientados e discípulos do Cristo. Não é una reunião do plano físico, senão um acontecimento profundamente espiritual e subjetivo. Aqueles, inclusive, que só têm tido uma ínfima compreensão do que verdadeiramente significa o chamado, respondem e pedem uma oportunidade para ajudar e que sejam instruídos a respeito do que hão de fazer.

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Espera-se, hoje, portanto, o Reaparecimento. O Cristo é esperado universalmente e, com esta expectativa, traz o antídoto contra o temor e o horror que desceram sobre o nosso desgraçado planeta. A humanidade olha hoje em duas direções: para a Terra devastada e o agonizante citação dos homens e para o Lugar de onde virá o Cristo, denominado, simbolicamente, de "Céu". Coexistindo a mesma expectativa, os mesmos testemunhos, predições e indícios do "fim da Era", não é razoável crer que se aproxima um grande acontecimento? Se em meio à morte e à destruição se pode achar una fé vivente (e esta existe em toda parte) e um ardente fervor que penetra as trevas até chegar ao centro de luz, não justifica isto a suposição de que a dita fé e o fervor se fundem em um profundo conhecimento intuitivo? Não será uma realidade divina aquilo de que se fala: "a fé é a substância das coisas que se esperam, a certeza das coisas que não se vêem" (Heb, 11,1). A humanidade espera a chegada d'Aquele Que Vem, seja qual for a designação que se Lhe dê. Pressente-se que o Cristo está em caminho. O segundo advento é iminente e dos lábios (149) dos discípulos, místicos, aspirantes, pessoas orientadas espiritualmente e homens e mulheres iluminados, se eleva o grito de “Que a Luz, o Amor e o Poder e a Morte cumpram o propósito d'Aquele que Vem". Estas palavras constituem um chamado, uma consagração, um sacrifício, uma profissão de fé e um desafio ao Avatar, o Cristo, que espera, em Seu lugar elevado, que a demanda seja adequada e o clamor suficientemente potente, capaz de justificar Seu reaparecimento. É muito necessário ter-se em conta que não nos incumbe determinar a data do reaparecimento do Cristo, nem devemos esperar ajuda espetacular ou fenômeno estranho. Se nosso trabalho estiver bem feito, Ele virá no momento indicado. Como, de onde e quando virá, não nos diz respeito. Nossa tarefa é fazer o máximo, na maior escala possível, a fim de produzir corretas relações humanas, pois Sua vinda depende de nosso trabalho. Todos podem fazer alguma coisa, para pôr fim à terrível situação mundial e melhorar as atuais condições. O mais humilde dentre nós pode desempenhar sua parte na inauguração da nova era de boa vontade e compreensão. Sem embargo, é necessário darmo-nos conta de que não estamos trabalhando para o milênio bíblico, senão que o nosso objetivo é duplo, a saber: 1. Destruir os antigos e malignos ritmos e estabelecer novos e melhores. Para isto, o tempo é um fator primordial. Se pudermos deter a cristalização das velhas forças do mal que produziram a guerra mundial e conter as forças reacionárias, em todas as nações, aplainaremos o caminho para o novo, e abriremos a porta em todos os países, às atividades do Novo Grupo de Servidores do Mundo, aquele grupo que é o agente do Cristo. 2. Amalgamar e mesclar as aspirações de todos, para que o clamor da humanidade seja suficientemente poderoso, de modo a chegar à Hierarquia espiritual. Isto requererá sacrifício, compreensão e profundo amor aos nossos semelhantes e, também, inteligência, sabedoria e uma prática percepção dos assuntos mundiais. A medida que progrida o trabalho de estabelecer corretas relações humanas, necessidade fundamental do mundo, e que se desenvolva o método (150) da boa vontade, o Cristo e Seus discípulos se achegarão cada vez mais à humanidade. Se aceitarmos a premissa inicial de que Ele está a caminho, então as pessoas espiritualmente orientadas, os discípulos e os aspirantes do mundo trabalharão inevitavelmente; porém, deve-se aceitar a premissa, para que o incentivo seja adequado. Com este conceito, olhamos para o futuro. O "fiat" do Senhor foi pronunciado. Cristo está atento ao chamado da humanidade. Esta demanda se eleva e acrescenta, cada vez mais, "porque à hora que não penseis, Ele virá."

MANTRAM DE UNIFICAÇÃO Os filhos dos homens são um e eu sou um com eles. Procuro amar e não odiar;

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Procuro servir e não exigir serviço; Procuro curar e não ferir. Que a dor traga a devida recompensa de luz e amor. Que a alma controle a forma externa, A vida e tudo o que ocorre E traga à luz o Amor Que subjaz nos acontecimentos do tempo. Que venham a visão, e a percepção interna Que a porvir se revele. Que a união interna se demonstre Que as divisões externas se afastem Que o amor prevaleça. Que todos os homens amem.

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Reaparecimento do Cristo  

por “Sempre que haja um debilitamento da Lei e um crescimento da ilegalidade em toda parte, então Eu Me manifesto.” “Para a salvação dos jus...

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