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Diversão

Editor: José Carlos Vieira josecarlos.df@dabr.com.br

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CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, terça-feira, 8 de junho de 2010

BRASÍLIA VIVE PERÍODO DE AFIRMAÇÃO DO TEATRO DE GRUPO. O FORMATO, PRESENTE DESDE OS ANOS 1970, FOI AQUECIDO PELO APARECIMENTO DE DEZENAS DE COMPANHIAS E PELA ORGANIZAÇÃO DE ENCONTROS E FESTIVAIS

TUDO PELO

coletivo Edílson Rodrigues/CB/D.A Press

Festival do Teatro Brasileiro e o Cena Contemporânea, além de ações da Faculdade nquanto Manuela Dulcina de Moraes e da UniCastelo Branco abre versidade de Brasília, teos potes de maquianham fomentado esse pico gem — pancake de novos coletivos. Mas não branco e vermelho e um láé de hoje que o teatro de pis preto compõem o estojo grupo está presente na ci— sua personalidade muda dade. Representantes cogradualmente. O tom de mo Esquadrão da Vida, voz, um pouco sério quanSenta que o Leão é Mando o assunto são as dificulso, Grupo Pitu e Tucan codades de se estabelecer começaram a aparecer na mo um grupo de teatro, se década de 1970. Alguns torna sonhador, passa por resistem até hoje. “Quanpicos de euforia e retorna do começamos, em 1986, ao timbre original. A transera um projeto de atores, formação termina com o não tínhamos espaço paúltimo retoque da maquiara ensaiar, nem direção gem, quando as sobrancecerta. Trabalhamos muilhas grossas desenhadas a to em cima de textos lápis revelam Matusquella, clássicos, fazendo uma uma palhaça que parece adaptação para a nossa ligada na tomada. realidade e com mensaQuem assiste à transforgens que dialogassem mação mal reconhece a com o cotidiano daqui”, antiga Manuela, muito explica Preto Rezende, menos sabe que, por trás diretor do grupo Senta da composição da persoque o Leão é Manso, nagem, há o apoio das atriatuante em Planaltina. zes Ana Felícia Castelo Apesar da proliferaBranco (a palhaça Cenoição do modelo, movira) e Tatiana Carvalhedo, mentos de mobilizaque também atuam na ção só se evidenciaprodução. As três formam ram no ano passado, o Lona Circo Teatro, uma com o 1º Fórum de equipe que baseia espeTeatro de Grupo do táculos e trabalhos solo DF, realizado em sena composição coletiMatusquella (Manuela) e Tatiana: ação coletiva no Lona Circo Teatro tembro. O movimenva. “Existe a divisão dos to aponta um novo papéis, como producaminho, cada vez ção, direção, concepção musical, mas nossos espetáculos são pensados jun- mais coletivo, para as companhias locais, facilitando a tos. E todo mundo tem um trabalhão”, define Tatiana. organização de festivais, colaborações e o diálogo. “BraEsse modelo de criação artística surgiu no Brasil no fim sília é dividida demais, com a separação em siglas e a da década de 1960 e hoje configura um modus operandi organização em quadras. A impressão é que isso reflete no fazer teatral na capital do país. De acordo com recente nas relações artísticas. Os grupos eram centrados em levantamento do Teatro do Concreto, lançado pelo Centro suas cidades ou estilos, se conheciam, mas havia pouca de Referência e Memória do Teatro do Candango sob o mobilização. Isso tem mudado e essa capacidade de nome Guia de Teatro de Grupo do Distrito Federal, os 42 troca que tem impulsionado os trabalhos”, acredita grupos cadastrados se espalham pelo mapa das regiões Marco Michelangelo, do Teatro de Açúcar. administrativas, ligando Brasília, Planaltina, Gama, Samambaia e demais cidades pela forma de pensar o teatro, e reúnem 317 atores. Na última década, o DF conhewww.correiobraziliense.com.br ceu a explosão dos grupos, período em que surgiram 69% dos coletivos estudados pelo Teatro do Concreto. No Guia de Teatro de Grupo, estima-se que iniciativas Ouça trecho de entrevista com Preto Rezende da Cooperativa Brasiliense de Teatro, criada em 2003, o

» MARINA SEVERINO

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Fonte: Guia de Teatro de Grupo do Distrito Federal

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• Brasília, terça-feira, 8 de junho de 2010 •

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CONTINUAÇÃO DA CAPA

Em busca de uma casa » MARINA SEVERINO uando as primeiras montagens coletivas começaram a surgir no país, tendo como mais conhecidos representantes o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, em São Paulo, colocaram em debate a centralização do fazer teatral em um diretor ou dramaturgo. Ao questionar a hegemonia empresarial e o mercado de teatro, os grupos repensaram também a forma de atuação e as temáticas abordadas. Nascia um novo teatro voltado para a experimentação. Em Brasília, os grupos preservam resquícios dos formatos tradicionais misturados às novas tendências. Cerca de 60% dos coletivos preservam o diretor fixo, que, além de dirigir, muitas vezes comanda o trabalho do grupo. A híbrida Cia. Semente de Teatro do Gama começou com um projeto de oficinas, ministradas pelo ator e diretor Valdeci Moreira. “Montei o grupo decidido a dar aulas, em 2009, mas percebi que os alunos não podiam pagar. Mudei o formato. Hoje, escolhemos o texto a ser encenado e todos acrescentam ideias. Quando você dá a oportunidade de participação às pessoas, percebe como o trabalho cresce e descobre potenciais nos integrantes”, afirma Valdeci, que criou um pequeno teatro no subsolo de sua loja de informática, no Setor Central. Apesar de terem a montagem como produto principal, as companhias de teatro de grupo tendem a procurar diversas formas de manter a produção constante. Oficinas, encontros e ciclos de palestras são as ações mais comuns. O trio de atrizes do Lona Circo Teatro — Manuela, Ana Felícia e Tatiana Carvalhedo —, atualmente com quatro espetáculos no repertório, trabalha na montagem de um novo monólogo, Da paz, enquanto divide o tempo na produção da segunda edição do Música em cena — Festival de montagens operísticas, organiza a agenda para dar continuidade a projetos como o Pipocando poesia, o Encontro de palhaças de Brasília e o festival Cabaré palhacísticas. “A gente conquistou muita coisa, mas sempre às custas de muito trabalho e, muitas vezes, investindo dinheiro do bolso. Não dá para pensar apenas nos espetáculos. Fazer teatro é uma atividade ampla, é necessário

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Linguagem em constante mutação e dificuldade de encontrar espaços para ensaio caracterizam os grupos de teatro DF Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press

dialogar com outros grupos e estar sempre em contato com o público”, acrescenta Manuela Castelo Branco. Para Rodrigo Fischer, do Grupo Experimental Desvio, as oficinas são essenciais para manter a continuidade dos projetos, além de possibilitarem a manutenção financeira do grupo. “Não consigo imaginar alguém que faça apenas espetáculos. Todos unem, paralelamente, outros trabalhos como aulas e projetos de formação. São ferramentas importantes, mas muitas vezes surgem como única forma de manutenção, porque a política de financiamento público exige contrapartidas”, afirma.

Sede ou aluguel

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Ouça trecho de entrevista com Diego Bresani e Rodrigo Fischer

Grupo Setor de Áreas Isoladas: após um ano com sede alugada, os integrantes perderam o espaço de ensaios por falta de verba

De acordo com o levantamento do Teatro do Concreto, 62% dos grupos pesquisados não possuem sede. Do restante, apenas cinco grupos têm sede própria, e 26% mantêm espaço alugado. A conquista de um lugar para ensaiar e, quando muito, apresentar os espetáculos, ainda representa um sonho para os coletivos do DF. Fruto do projeto de seis estudantes de artes cênicas da Universidade de Brasília, a companhia Setor de Áreas Isoladas (SAI) conquistou um espaço em 2009. Devido à receptividade do espetáculo A história de Jerry e o Cachorro, o grupo garantiu a continuidade do trabalho com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura e patrocínios de turnês no Sesc e Caixa Cultural. Apesar do sucesso, neste ano o grupo teve de abandonar a sede por falta de recursos. “É uma pena, pois o espaço ajuda na criação de novas peças, preserva os cenários e é um lugar calmo para os ensaios. Agora, resta ensaiar os espetáculos em cartaz em espaços emprestados, na rua ou debaixo de blocos”, lamenta o diretor Diego Bresani. Em Planaltina, mesmo atuando há 24 anos frente ao grupo Senta que o Leão é Manso, Preto Rezende só conseguiu finalizar uma sede neste ano. O espaço será inaugurado com o nome Miniteatro Lieta de Ló, em homenagem aos pais, que cederam o terreno para a construção. “O material saiu do meu salário como professor e de algumas apresentações do grupo. Mesmo assim, levou três anos para ser construído. Para quem já ensaiou em praças e campos de futebol, à mercê do bom tempo, é uma conquista”, conclui com humildade.

José Varella/CB/D.A Press - 9/7/09

CINEMA

Cineasta do DF ganha prêmio no Panamá Do jeito que a coisa anda, o cineasta brasiliense Iberê Carvalho, 34 anos, terá de aumentar a estante de casa. Seu último curtametragem Para pedir perdão acabou de levar o prêmio principal do 4º Festival Hayah, no Panamá, encerrado no último domingo. Este não é o primeiro prêmio em festivais latino-americanos que o curta (curiosamente deixado de fora da mostra competitiva em 35mm do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro do ano retrasado), recebe. Ele já contabiliza o prêmio de melhor curta 31º Festival del Nuevo Cine Latino Americano de Havana, em Cuba. Além de uma participação na mostra oficial do 28º Festival Internacional de Cine del Uruguay. O que tem encantado os júris hispano-americanos na história de uma tragédia amorosa sofrida durante um triste carnaval chuvoso? “Comecei a questionar isso. Será que o filme é melodramático? Existiam algumas referências de melodrama. Mas pode ser

preconceituoso associar o melodrama como sendo coisa de latinos. Acho que o que sobressai é a questão do amor, da perda, da tragédia. Acho que o amor apresentado de uma forma trágica tem surpreendido nossos hermanos”, ponderou o cineasta. Apesar de ser um digno realizador formado na era digital, o diretor não tem dispensado boas formas atersanais de fazer cinema. “Eu adoro a engrenagem de set e odeio ilha. Adoro montagem, mas o processo do diretor que não está montando ficar assistindo alguém fazendo o trabalho é muito chato. Sair da filmagem com as coisas prontas é mais engenhoso”, explica Carvalho. Em PPP (sigla do nome do filme), a direção de arte liderada por Maíra Carvalho (irmã do cineasta) precisou construir réplicas de um cenário real de apartamento no meio da rua para que fosse possível criar transições temporais na narrativa da história de amor entre Pedro (Vinícius Ferreira) e Elisa (Fernanda Rocha). Em 2003, Carvalho ganhou o

prêmio de melhor filme em 16mm,com o curta Suicídio cidadão. Mais tarde, em 2005, concluiu mestrado em cinema na Universidad San Pablo, em Madri, onde realizou o curta que também versa sobre o amor, Volver atrás (2005). De volta ao Brasil, dirigiu, em parceria com a atriz e diretora Catarina Accioly, o curta Entre cores e navalhas. Seu mais novo filme, Procura-se encontra-se em fase de finalização.

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» YALE GONTIJO

Iberê Carvalho: “O amor apresentado de uma forma trágica tem surpreendido nossos hermanos”


Teatro de grupo