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DAS RUAS

fotodocumentarismo social

O movimento ele nĂŁo em santa maria


EXPEDIENTE

Das Ruas - Fotodocumentarismo social é o produto final da disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo da Universidade Franciscana. projeto tem como objetivo dar visibilidade para pautas que acontecem nas ruas, envolvendo manifestações contribuindo para a produção de jornalismo independente e, também, fortalecer o consumo de fotodocumentarismo em conteúdos jornalísticos. Este primeiro exemplar é sobre os protestos do Movimento Ele não que ocorreram em Santa Maria, Rio Grande do Sul nos meses de setembro e outubro de 2018. Editora e coordenadora: Profª Laura Fabricio Projeto editorial e gráfico: Profª Laura Fabricio e Mariana Olhaberriet Silva Redação, fotografia e diagramação: Mariana Olhaberriet Silva


EDITORIAL

M

ovimento social é uma articulação da sociedade formada por ações coletivas, onde a população reconhece seus direitos e procura mudar sua realidade político-social. No Brasil, as manifestações voltaram a ter força em junho de 2013, não se tinha uma movimentação tão grande no país desde as Diretas Já! e o Impeachment de Collor. Em 2013 aconteceu as chamadas Jornadas de junho em que ocorreram várias manifestações pelo país que foram motivadas pelo aumento da tarifa do transporte público, em 2016 as manifestações foram pró e contra o governo de Dilma Rousseff e no período eleitoral de 2018 o Movimento Ele não. O Movimento Ele não começou em um grupo do Facebook liderado por mulheres que levou às ruas do país milhares de pessoas. As manifestações ocorreram em repúdio ao candidato Jair Bolsonaro e englobaram várias pautas, entre elas a igualdade de gênero, os direitos da população LGBTs e contra o racismo. Todas as críticas, cartazes e músicas tiveram como base falas do candidato. Os posicionamentos do atual presidente muitas vezes feriram as “minorias”. O movimento foi descrito por Céli Regina Jardim Pinto, professora do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) como “a maior manifestação de mulheres da história do Brasil”


SUMÁRIO Arte & Cultura Direitos LGTB Igualdade de Gênero Educação & Ciência

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O Movimento Ele Não começou em um grupo do Facebook “Mulheres Unidas contra Bolsonaro” que reuniu 3,8 milhões de pessoas. No dia 29 de setembro de 2018 mais de 160 cidades de todos os estados do Brasil e algumas cidades do mundo foram às ruas protestar contra o candidato Jair Bolsonaro.

JUAZEIRO DO NORTE

PORTO VELHO

VITÓRIA

ALTAMIRA

MACAPÁ CATALÃO

CAXIAS DO SUL MACAÉ PASSO FUNDO TATUÍ

RIBEIRÃO PRETO

SANTA PELOTAS

CANGUÇU

BAGÉ

SANT’ANA DO LIVRAMENTO

JUIZ DE FORA

BELO HORIZONTE OURINHOS

MOGI DAS CRUZES

DOURADOS FOZ DO IGUAÇU

BOA VISTA RIO BRANCO ARACAJU

PARIS LENÇÓIS PAULISTA

CHAPECÓ

BLUMENAU

JATAÍ

LONDRES PETROLINA

LONDRINA

PETRÓPOLIS

NOVA FRIBURGO

ABAETETUBA BARCELONA

LISBOA

OSÓRIO SOROCABA


SALVADOR

ITAÚNA

BELÉM

MARABÁ

BARREIRAS

ALFENAS

SOBRAL IPATINGA

CATAGUASES

CURITIBA ITAITUBE

VARGINHA

GOVERNADOR VALADARES

CIDADE DO MÉXICO

BRASÍLIA JUNDIAÍ

CARUARU

SANTOS

FLORIANÓPOLIS

MARINGÁ

MONTES CLAROS CASTANHAL

FORTALEZA

VIÇOSA

PORTO ALEGRE BAURU

MARIA TUBARÃO

MACEIÓ SÃO PAULO CABO FRIO

JOINVILLE IPATINGA

URUGUAIANA

TERESINA

IBITINGA

ARARAQUARA SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

TAUBATÉ

UBERLÂNDIA

ANÁPOLIS

CAMPOS DE GOYTACAZES

DIVINÓPOLIS SÃO LUÍS

MANAUS

CUIABÁ RECIFE

PALMAS

JOÃO PESSOA

NATAL SANTARÉM

NOVA YORK RIO DE JANEIRO CAMPO GRANDE

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ARTE & cultura

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De acordo com o MinC, a Cultura movimentava 4% do PIB brasileiro e segundo o Banco Mundial, a área é responsável por 7% do PIB do planeta.

Estima-se que existam 370 milhões de indígenas no mundo. Quase 900 mil estão no Brasil.

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O Ministério da Cultura (MinC) foi criado em 1985, trazendo autonomia e reconhecendo a importância da cultura para o país, que até então era tratada em conjunto com Educação. Em 2016 o presidente Michel Temer reincorporou a Cultura ao Ministério da Educação, mas a decisão foi revista e o ministério voltou a ser autônomo. Ao ser eleito Jair Bolsonaro anunciou a extinção do Ministério da cultura, atribuindo suas funções e a dos Ministérios do Esporte e do Desenvolvimento Social ao Ministério da Cidadania. O presidente afirmou que “hoje em dia, o Ministério da Cultura é apenas centro de negociações da Lei Rouanet”, de acordo com o MinC, a Cultura movimentava

4% do PIB e segundo o Banco Mundial, a área é responsável por 7% do PIB do planeta. Segundo o Atlas Econômico da Cultura Brasileira de 2017, a produção audiovisual teve um aumento entre 2009 e 2014, os investimentos foram de R$ 149,1 milhões para R$ 356 milhões, nesse período, o público nos cinemas cresceu 53%. A Petrobras é um dos maiores investidores da área, e seu investimento caiu de R$ 153 milhões em 2011 para R$ 38 milhões em 2018. A cultura representa seu povo e a cultura indígena está diretamente ligada ao meio ambiente. Área em que Bolsonaro, novamente, fez afirmações preocupantes, como para o Estadão em 3 de abril de 2017, “Pode ter certeza que se eu chegar lá [Pre-

sidência da República] não vai ter dinheiro para ONG. Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”. Mais de uma vez, a exploração de terras foi defendida, além de afirmar que pretende acabar com a transferência das multas para ONGs, que ele acusa de escravizar os índios. O último censo demográfico do IBGE, disponível no site da Funai, Fundação Nacional do índio, é de 2010 em que mostra que 896 mil pessoas se declaravam ou se consideravam indígenas e 517 mil moravam em terras indígenas oficialmente reconhecidas.

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Direitos LGBT


Os dados do Disque 100, canal de denúncias de violação de direitos humanos, do Transgender Europe e o Grupo Gay da Bahia totalizaram 4.422 mortes de LGBTs entre 2011 e 2018. São 552 mortes por ano, uma vítima a cada 16 horas no Brasil.

No Brasil, segundo dados do Google Trends, a busca pelo termo Fake News aumentou entre setembro e novembro de 2018 na categoria “Lei e governo”. Exatamente no período eleitoral que foi marcado por correntes no aplicativo WhatsApp e notícias falsas. Uma delas, amplamente divulgada e debatida é o “Kit Gay”. Na época dacampanha eleitoral de 2018, o então candidato, Jair Bolsonaro atribiuiu o projeto à outro candidado a presidencia, fazendo com que o Supremo Tribunal Eleitoral decidisse pela remoção dos vídeos por gerar desinformação e prejudicar os debates. Segundo o projeto de checagem de informações da Agência Pública, o Truco, a cartilha e produtos audiovisuais foram encomendados pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos

Deputados ao Ministério da Educação e elaborado por ONGs especializadas e levou o nome de “Escola Sem Homofobia”. Bolsonaro já fez declarações afirmando que “preferia ter um filho morto a um filho homossexual” e em uma entrevista disse que é “homofóbico, com muito orgulho”, a mais recente foi depois de eleito, em em abril de 2019 em um café com jornalistas no Palácio do Planalto onde diz “O Brasil não pode ser um país do mundo gay, de turismo gay. Temos famílias”. A cartilha, chamada de “Kit Gay” pelo atual presidente, tinha como objetivo promover valores de respeito e não-discriminação por orientação sexual em escolas da rede pública, fator importante em um país que faz uma vítima de homofobia a cada 16 horas.

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Igualdade De GĂŞnero


Em 2017 foram registrados 61.032 casos de estupro, o número pode ser ainda maior, considerando a subnotificação estima-se que ocorram entre 300 mil a 500 mil casos por ano. Uma média de 822 a 1.370 estupros por dia no Brasil. No salão verde da Câmara Federal, Bolsonaro disse à deputada Maria do Rosário: “Jamais iria estuprar você porque você não merece”, esse reforço a cultura do estupro enraizada no Brasil foi um dos motivos que levou milhares de mulheres às ruas para protestar contra o candidato. Em 2017 foram registrados 61.032 estupros no país, mas acredita-se que apenas 10% dos casos sejam notificados. Segundo os dados do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres bra-

sileiras trabalham em média, 7,5 horas a mais que homens devido à dupla jornada. E mesmo assim, dados publicados pelo site Catho em 2018, mostram que mulheres têm uma remuneração menor do que os colegas homens em todos os cargo, a diferença salarial é de quase 53%. Em uma entrevista ao programa SuperPop da Rede TV, o candidato afirma que não empregaria mulheres com o mesmo salário dos homens. Outra declaração preocupante do atual presidente está ligada a objetificação da mulher, “quem quiser vir fazer sexo com uma mulher, fique à vontade” em comple-

mento a fala de que o Brasil não poderia ser um país do turismo gay. A apologia ao turismo sexual é preocupante, em eventos mundiais como a Copa do Mundo, acontece o tráfico interno de mulheres, onde a exploração ocorre inclusive com crianças e adolescentes. Entre 2011 e 2012, o Ministério do Turismo fez uma ação de identificação de sites que associavam o Brasil à pornografia e prostituição, derrubando cerca de 2.100 páginas. Em 2015, foram encontrados mais de 3.300 sites com o mesmo conteúdo e atualmente não existe mais esse serviço de rastreamento feito pelo ministério.

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EDUCAÇÃO & Ciência

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Universidades públicas realizam mais de 95% da ciência no Brasil, onze brasileiros foram incluídos na lista de “Highly Cited Researchers” (pesquisadores altamente citados), em anos anteriores eram no máximo quatro. Porém, o número de pesquisadores nessa lista muldial poderia ser maior se o investimento do governo em pesquisa e técnologia aumentasse.

Durante a campanha eleitoral de Bolsonaro, pouco foi falado sobre a educação, mas o projeto Escola sem Partido foi uma pauta de destaque, o projeto pretende proibir professores de praticar “doutrinação política e ideológica”, e tratar em sala de aula, conteúdos que não estejam de acordo com as “convicções morais e religiosas” do país. Entre as propostas de Bolsonaro para educação durante a campanha eleitoral estão: investir mais na educação básica e menos no ensino superior, além disso o candidato afirmou que gostaria de ter acesso previamente a prova do Enem , para evitar questões como a da última prova, em que teve uma questão de linguística ligada ao movimento LGBT. No plano de governo, afirma que pretende investir mais

em exatas do que humanas “mais matemática, ciências e português, sem doutrinação e sexualização precoce”. Ainda no plano de governo registrado no TSE propõe alterar o currículo das escolas “precisamos revisar e modernizar o conteúdo, expurgando a ideologia de Paulo Freire, mudando a Base Nacional Comum Curricular”. Segundo o INEP, em 2017 o Brasil tinha 296 Instituições de Educação Superior públicas e 2.152 instituições privadas. Das 2.448 instituições brasileiras, 82,5% são faculdades.As universidades equivalem a 8,1% do total, mas 53,6% das matrículas da educação superior estão concentradas nelas. Nos últimos cinco anos, 90% das universidades federais tiveram perdas no orçamento, a verba nacional para educação diminuiu 28%.

No Brasil, 95% da pesquisa em ciência são realizadas em universidades públicas, e segundo os assessores do atual presidente, a meta geral é aumentar o investimento de 1,3% para 2,5% do PIB em quatro anos. A fala sobre investimentos na ciência é um complemento ao plano de governo, que trata pouco sobre ciência e tecnologia. Uma das ações é reduzir a ênfase dada à oferta de crédito, estimulando a concessão de subvenção, mecanismo em que o governo pode aplicar recursos públicos “não reembolsáveis” diretamente para empresas. Além disso, pretende transferir o ensino superior do Ministério da Educação para o da Ciência e Tecnologia , para que futuramente as pesquisas nas universidades sejam voltadas para o mercado.

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