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Ano 1 - Edição 1 - Junho 2013

A água é o combustível da vida! Utilização dos recursos hídricos locais para abastecimento Para preservar águas urbanas

Gigante da água Como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, trata de forma sustentável 106 mil litros de água por segundo.


Claude Monet


Editorial

Photo laboratory − photl.com

Um brinde! Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU CursodeTecnologiaemDesignGráfico,1osemestre/2013 Docentes Orientadores do Projeto Integrado Erica Ribeiro de Andrade (Computação Gráfica), Euclides Armando Santos (Projeto Impresso), Maria Cecília Conte Carboni (Redação Instrumental), Maria Cecília Madureira Marcondes (História da Arte) e Valéria Rodrigues Coelho de Lima (Tecnologia Gráfica)

Projeto Gráfico Marcelo Carneiro da Silva (Chello) Capa Gustavo Souza(Criação), Marcelo Carneiro da Silva (Diagramação) Diagramação sessão Comportamento e Pág.8 Darlene Magalhães Diagramação sessão Ações e Pág.12 Marcelo Correia Diagramação Matéria de Capa e Pág.22 Marcelo Carneiro da Silva Diagramação sessão Integração e Pág.26 Gustavo Sousa Anúncios Darlene de Magalhães (Pág. 9 e 4a capa), Gustavo Souza (3a capa), Marcelo Carneiro da Silva (Págs. 20, 21 e 23), Marcelo Correia (2a capa e Pág. 13) Fotos, Imagens e Ilustrações Art Kiс (Pág. 8), Diego Torres Silvestre (Págs. 6-7, 24-25), Fernando Mafra (Pág. 19), Fresco Umbiatore (Pág. 23), Jornal Valor Econômico (Págs. 14-15), Matthew Townsend (Págs. 10-11), Stephen Codrington (Pág. 26), Steve Evans (Pág. 18), Studio Cl Art (Págs. 8 e 9), Yogendra Joshi (Págs. 20-21) Impressão Tesouro Laser É proibida a reprodução total ou parcial de textos e imagens sem prévia autorização formal.

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primeiro ano de faculdade, o primeiro grande projeto acadêmico, os primeiros desafios na universidade, a gente nunca esquece. E, resolvemos fazer um brinde aos professores, aos nossos colegas de turma e à vida escolhendo um recorte pra lá de importante dentro do tema da sustentabilidade: a água! Coincidentemente 2013 é Ano Internacional de Cooperação pela Água o que torna essa publicação ainda mais especial e importante não só pelo fato de ser o marco inicial de uma carreira de designer gráfico para cada um de nós 4, mas também por trazer à você leitor importantes informações sobre a situação da água no mundo, em especial no Estado de São Paulo. Buscamos desde reflexões interessantes como a que encontra-se no artigo da página 6 até estudos e pesquisas de importantes núcleos acadêmicos como na matéria da página 24, intitulada: “Para preservar águas urbanas”. E, como matéria de capa resolvemos destacar a grandiosidade do trabalho da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, que é responsável pela enorme missão de atualmente abastecer as torneiras de mais de 27 milhões de pessoas no Estado. Também destacamos os programas de conscietização sobre o uso racional da água que a empresa apresenta. Uma boa e fluida leitura para você!

Darlene Magalhães, Gustavo Sousa, Marcelos Carneiro e Marcelo Correia


Sumário

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A água é o combustível da vida!

A importância desse elemento fundamental para a vida e como devemos nos preocupar com o seu futuro

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Água, de casa

Utilização dos recursos hídricos locais para abastecimento

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Capa: Gigante da Água Atender mais de 27 milhões de pessoas, mantendo a qualidade e preservando os recursos hídricos, esta é a missão da Sabesp.

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Para preservar águas urbanas

Professor em Planejamento Urbano da Unesp destaca importância de nascentes e mananciais

leia também: 

 

A importância da água na vida humana. Pág. 8 Águas subterrâneas: solução de problemas? Pág. 12 “Acquacracia” Pág. 22 Esgoto, esgoto meu... Pág. 26

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comportamento

A água é o combustível da vida!

A importância desse elemento fundamental para a vida e como devemos nos preocupar com o seu futuro.

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VININHA F. CARVALHO

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origem da vida em nosso planeta surgiu na água. Ao longo de milhões de anos de evolução, os organismos vivos se diversificaram e se espalharam pela Terra, sendo que a sobrevivência de todas as espécies animais e vegetais continua ligada à água. O ser humano durante a gestação se desenvolve dentro do ventre da mãe , envolto em água. Após o nascimento, abre os olhos para a existência chorando e os fecha pela morte, sob a unção das lágrimas. A lágrima é menor que uma gota d’água, mas se comporta como um meio de comunicação universal, sendo a mensageira da dor e da alegria. A ablução com água é fundamental em todas as religiões do Islã ao Taíonismo. Para Lao Tse, no livro Tao Te Ching, a água simboliza a suprema virtude. Para os hindus banhar-se ritualmente no rio Ganges, é uma experiência transcendente.


Diego Torres Silvestre

O “Rig Veda” dos hindus exalta a água como elemento que traz vida, força e pureza: “Vocês, água que reconfortam : tragam-me a força , a grandeza, a alegria e a visão”, diz um hino dos Vedas, pouco antes de definir a água como regente dos povos. Para o alcorão, a água benta que cai do céu é um dos símbolos divinos. Os jardins do paraíso islâmico tem riachos e fonte de água límpida. A maior parte da superfície terrestre é coberta de água, mas um volume pouco maior que 2% é doce, e mais de 90% dela esta congelada nas regiões polares ou armazenada em depósitos subterrâneos muito profundos.

Neste Ano Internacional de Cooperação pela Água, precisamos chamar a atenção para os problemas - inclusive de sobrevivência das espécies - que o mundo enfrenta em decorrência da perspectiva da falta deste recurso precioso e finito, a água potável. É provável que a água se torne cada vez mais uma fonte de tensão e de uma feroz competição entre as nações, se a atual tendência se mantiver; contudo, ela pode ser também um catalizador da cooperação. Devemos nos conscientizar, que as águas não vão acabar no planeta , e nem mesmo estão diminuindo em seu volume de moléculas de H2O, porque este ciclo é fechado e estável. A falta de cuidados adequados na captação de chuvas e, conseqüentemente a poluição dos rios e dos lagos, é que acabará reduzindo o volume de águas doces superficiais, exigindo soluções de alto custo, como a busca de águas subterrâneas profundas ou a dessanilização de águas oceânicas. Procure lembrar de todo o significado cultural , simbólico e sócio-economico da água na próxima vez em que você for saciar sua sede. O copo de água que você segura nas mãos hoje, contém mais de 10 milhões de moléculas que estiveram em contato com os nossos ancestrais. Precisamos revitalizar a água, pois ela representa um elo com o passado e um compromisso com o futuro das próximas gerações. ͽ

Revista Filtrar - Edição 1 - Junho 2013

O Brasil é a maior reserva hidrológica do mundo. Da água doce disponível no país : 70% estão na região norte, 15% na região centro-oeste, 6% no sudeste, 6% no sul e 3% no nordeste. Há pelo menos, em tese, 34 milhões de litro de água para cada brasileiro, embora 20% da população urbana não dispõe de rede de água e esgoto e 65% das internações pediátricas são causadas pela poluição da água. A irrigação de um hectare no nordeste brasileiro consome 18 mil metros cúbicos de água por ano, em Israel fica em torno de 600 metros cúbicos. Enquanto um habitante do oásis no Saara usa cerca de 3 litros de água por dia. Um habitante do Rio de Janeiro gasta 450 , em Moscou 600 e Nova York, 1 045. A quantidade média diária para satisfazer todos os usos de uma pessoa é de 40 litros no máximo. O consumo mundial de água multiplicou por sete no século XX, mais do que o dobro da taxa de crescimento da população. Em alguns países da África e o Oriente Médio, a água já esta escassa e por isto há racionamento. A escassez também é a principal causa da degradação da qualidade de vida para um bilhão de pessoas, sem acesso à quantidade diária ideal estimada pela Organização das Nações Unidas (ONU). No continente africano, cerca de 62% da população só tem acesso a algo em torno dos 4 m3/habitante/dia, sendo que, em algumas regiões, o índice é inferior a 3 m3/habitante/dia. Em média, o continente com maior disponibilidade de água é a Oceania, seguido da América do Sul, América do Norte, África, Europa e Ásia.

Vininha F. Carvalho jornalista, administradora de empresas, economista, ambientalista e presidente da Fundação Animal Livre: www.animalivre.org.br

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Autoral

A Importância da água na vida do ser humano.

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água não é apenas importante, mas indispensável para a vida humana. Ela é um bem precioso que deve ser consumido de forma racional. Cerca de três quartos da superfície do planeta Terra é coberto por água. Em função deste aspecto, nosso planeta visto do espaço assume uma cor azulada. O ser humano não teria se desenvolvido neste espaço sem esse líquido precioso. A água não está presente conosco somente em nossa volta, mas também no corpo do ser humano. O homem está em contato com a água desde o útero materno, pois, durante a gravidez ela é o principal constituinte do líquido amniótico que protege e nutre o bebê. Quando uma criança nasce seu corpo é constituído por mais de 70% de água. A medida que o corpo humano vai crescendo essa proporção desce gradualmente, assim o corpo do adulto tem em média 60% de água que se encontra dentro e fora das células. Sendo ela o elemento mais importante do corpo, por essa razão todas as nossas reações químicas internas dependem exclusivamente dela. A água também é essencial para transportar os alimentos que ingerimos diariamente, quando o alimento não é eliminado, estas substâncias vão intoxicando o organismo, contribuindo para o envelhecimento e causando doenças. Os rins são responsáveis pela eliminação dessas substâncias nocivas, filtrando o sangue. Neles é formada a urina, que vai para a bexiga até ser eliminada. Os rins filtram cerca de 57 litros de sangue por hora, separando as substâncias que devem ser reabsorvidos das que devem ser eliminadas pelo organismo e gerindo a quantidade de água disponível, desse modo mantém o equilíbrio hídrico e o bom funcionamento de todas as células. Bebendo a quantidade de água recomendada, não sobrecarrega este órgão, assim, facilita o trabalho dos

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rins, uma vez que a água contribui para a dissolução das toxinas, o que permite uma eliminação mais fácil. Um ser humano pode ficar semanas sem ingerir alimentos, mas passar de três a cinco dias sem ingerir líquidos pode ser fatal. Os especialistas recomendam que se beba no mínimo 2,5 litros por dia. Em dias muito quentes, ou quando a pessoa faz exercícios intensos, essa ingestão pode até superar os 6 litros, principalmente porque o suor “desperdiça” muito líquido na tentativa de manter a temperatura do corpo num nível adequado. Ela é encontrada até mesmo onde pouca gente imagina. Por exemplo, é responsável por 20% dos ossos. Permitindo movimentarmo-nos, lubrificando as articulações e tonificando os músculos; regula a temperatura corporal interna através da transpiração. A água desempenha ainda um importante papel, referente à prevenção de doenças e ao bem-estar geral:

 hidrata o corpo a partir do interior, contribuindo para que a    

pele se mantenha saudável, lisa e suave; evita perturbações do trânsito intestinal, como a prisão de ventre; ajuda na reabilitação, através de exercícios especiais; preveni a formação de pedras nos rins e contribui para a redução do risco de infecções urinárias; melhora a capacidade de concentração, de raciocínio... E até ajuda o bom humor!

Todos esses benefícios são valiosos e geram grandes diferenças. Faça você a sua parte, contribua para a preservação do bem mais valioso da Terra.

Darlene Magalhães Aluna do 1º período de Tecnologia em Design Gráfico FMU


ações

Matthew Townsend

Água, de casa

Utilização dos recursos hídricos locais para abastecimento

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EDMAR JOSÉ SCALOPPI

xiste, atualmente, uma concientização progressiva da sociedade em direção à preservação, racionalização e sustentabilidade nas iniciativas que envolvem o uso de recursos naturais. Com certeza, os recursos hídricos ocupam o topo dessas aspirações. O descaso histórico na preservação dos recursos hídricos acabou determinando um ônus significativo às populações urbanas brasileiras. Para satisfazer uma demanda quantitativa crescente, as municipalidades têm sido obrigadas a incorporar recursos hídricos com qualidade cada vez mais indesejada e aprimorar o rigor nas estações de tratamento. Em consequência, grande parte da população acabou ignorando os repetidos apelos assegurando a potabilidade da água fornecida pelas empresas concessionárias de abastecimento às edificações e passou a adquirir rotineiramente a água envasada para o consumo. Recentemente, porém, as grandes metrópoles americanas têm

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procurado convencer seus cidadãos a utilizarem a água das torneiras para consumo, restringindo o uso de água envasada, em um apelo ambiental conciente para reduzir a produção de embalagens de poli(tereftalato) de etileno, popularmente as garrafas PET. Um fato amplamente reconhecido em muitas comunidades é a existência de mananciais de água subterrânea surgentes na forma de nascentes ou minas que, apesar de pontuais, poderiam contribuir para o fornecimento de água com melhor qualidade que os recursos superficiais. A utilização desses recursos pontuais deve reduzir a demanda nas estações de tratamento e, principalmente, concientizar a população de usuários sobre a importância da preservação e do uso racional de recursos naturais limitados e facilmente degradados. As águas subterrâneas têm a grande vantagem de exibir melhor qualidade que as águas superficiais, pelo eficiente sistema de filtragem natural a que é submetida desde o processo de infiltração na superfície do solo até o defluxo em nascentes ou poços perfurados até os mananciais. Outras vantagens adicionais decorrem da eliminação de várias etapas do tratamento como a


escoamento superficial e aumenta a nfiltração. O pastejo, por outro lado, predispõe a um processo erosivo causado por escoamentos preferenciais que comprometem tanto a qualidade quanto a quantidade de água disponível nos reservatórios e cursos de água. Recentemente, a Agência Nacional de Águas (www.ana.gov.br) do Ministério do Meio Ambiente instituiu o Programa Produtor de Água, cujo objetivo resume-se na redução da erosão e do assoreamento de mananciais no meio rural, melhorando a qualidade da água e o aumento das vazões médias dos corpos de água de importância estratégica para o país. O Programa, alinhado à tendência mundial de pagamento por serviços ambientais e bonificação aos usuários que geram benefícios a toda bacia hidrográfica, prevê apoio técnico e financeiro à construção de terraços e de bacias de contenção, readequação de estradas, recuperação e proteção de nascentes, reflorestamento nas áreas de proteção permanente e reserva legal, saneamento ambiental, etc.

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floculação e a decantação, que reduz o custo e não interfere em suas qualidades organolépticas. Em localizações privilegiadas, reduzem o consumo de energia para bombeamento, podendo até mesmo dispensar a necessidade de instalações de recalque. A rigor, apenas a filtragem da água torna-se necessária. A desinfecção com cloro permite assegurar a qualidade bacteriológica nos reservatórios de armazenamento e na rede de distribuição. Até mesmo a fluoretação, para colaborar na redução da incidência de cárie dentária na população consumidora, poderia ser criteriosamente incorporada à rede de distribuição. As áreas reservadas para extração de água potável deveriam ser rigorosamente preservadas para evitar qualquer possibilidade de contaminação (o tratamento sempre aumenta o custo e interfere na qualidade). Havendo viabilidade, a recomendação seria substituir as tradicionais estações de tratamento pelos eficientes sistemas de filtragem natural nas bacias hidrográficas. Cabe aqui destacar a reconhecida qualidade da água fornecida à cidade de Nova York, retirada à 200 km de distância e 1 200 m de altitude, nas montanhas de Catskill, cabeceiras do Rio Delaware. O Conselho Agrícola da Bacia, formado pelos proprietários rurais investiu mais de US$ 100 milhões (doados pela cidade de Nova York) em ações nas propriedades para preservar a qualidade da água e melhorar a receita líquida dos agricultores. Dentre essas ações destacam-se a preservação das áreas de captação de água e a coleta, bombeamento e armazenamento de esgotos domiciliares e de rebanhos bovinos, para a disposição oportuna em locais seguros, minimizando os riscos de contaminação da água. Em consequência, o sistema de abastecimento de água da cidade de Nova York oferece água filtrada, e não tratada, a seus usuários, a um custo estimado em sete vezes inferior ao valor cobrado por tradicionais estações de tratamento de água amplamente difundidas na maioria das populações urbanas brasileiras. Os rebanhos em geral devem ser manejados procurando-se evitar ou restringir seu deslocamento constante nas áreas de pastejo, principalmente, em direção aos bebedouros naturais. A experiência tem demonstrado que o deslocamento constante do rebanho aos bebedouros naturais, sistematicamente localizados nas áreas de menor cota das bacias hidrográficas, constitui um processo acelerado de degradação do solo e da paisagem, poluição e assoreamento dos reservatórios e cursos de água. Caprichosamente, a pastagem constitui uma cobertura efetiva do solo que reduz o impacto mecânico das gotas de chuva, dificulta o

Uma das formas mais efetivas para a preservação dos recursos hídricos consiste na utilização das águas pluviais

Aproveitamento de águas pluviais Uma das formas mais efetivas para a preservação dos recursos hídricos consiste na utilização das águas pluviais para inúmeras finalidades não potáveis, como irrigação, limpeza e utilização em sanitários. Diversos municípios brasileiros já dispõem de legislação específica sobre o aproveitamento obrigatório desses recursos em edificações. Para ilustrar, a cidade de Curitiba, PR, através da Lei n o 10785/2003 regulamentada pelo Decreto no 293/2006, estabeleceu medidas que induzam a conservação, o uso racional e a utilização de fontes alternativas para captação de águas nas novas edificações urbanas. No Rio de Janeiro, esta regulamentação tornou-se obrigatória a partir do Decreto no 23940/2004. A cidade de Londrina, PR, a partir de 01 de janeiro de 2010, tornou obrigatória a captação de águas pluviais nas novas edificações com área total construída igual ou superior a 200 m 2. Nas edificações comerciais e industriais com área total construída igual ou superior a 5000 m 2, deverá ser executado um sistema de reuso, após tratamento, das águas servidas provenientes de chuveiros e lavatórios para utilização em finalidades não potáveis. Um dos maiores benefícios associados ao aproveitamento de águas pluviais consiste na redução do deflúvio por ocasião das chuvas. A existência de instalações para aproveitamento em um grande número de edificações em uma cidade poderia contribuir para reduzir a ocorrência de transbordamentos e inundações que castigam as populações, regularizando as descargas no sistema de saneamento. ͽ

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Autoral

Águas subterraneas:

Solução de problemas?

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onjunto de terras drenadas por um rio principal, afluentes e subafluentes. As Bacias hidrográficas, evidenciam a hierarquização dos rios do menor para o maior, constituindo a divisão dos cursos d’ água de uma região. Ao todo no Brasil, são 8 grandes bacias. Mas o uso irracional e a poluição das mesmas podem ocasionar, muito em breve, a falta de água doce no Planeta. Segundo dados da ONU de 2006, revelam que até 2050 mais de 45% da população mundial não terá acesso à água potável. Com o objetivo de buscar soluções para os problemas dos recursos hídricos, é importante destacar que desde a década de 60, que as águas subterrâneas surgem como alternativa para abastecimento de água potável. Sendo de boa qualidade, pois são provenientes das águas das chuvas, essas águas, identificadas como Zona não saturada (encontradas entre os solos e rochas) e zona saturadas. (encontram-se, em grande quantidade, armazenadas formando assim um tipo de rio subterrâneo), são consideradas as mais protegidas contra a poluição e seu

aproveitamento tem sido a alternativa mais econômica contra os altos custos que se tem com represas e adutoras. Na maioria das vezes, dispensam tratamento, pois durante o percurso no qual a água percorre entre os poros do subsolo e das rochas, ocorre a depuração da mesma através de uma série de processos físico-químicos e bacteriológicos que agem sobre a água, modificando assim suas características adquiridas anteriormente, tornando-a mais adequada ao consumo humano. Sua captação, feitas por poços, muitas vezes tem o custo elevado e não deve ser feita sem critérios. As águas subterrâneas, não são uma fonte inesgotável. Apesar de abundante, precisam também, de todo um cuidado como qualquer outro recurso natural. No seu caso, a conservação deverá ter compatibilidade com as leis naturais. Tem que ser preservada e usada adequadamente, para assegurar que, em um futuro próximo, elas ajudem cada vez mais a acabar com a escassez de água potável no mundo todo.

Marcelo Correia Aluno do 1º período de Tecnologia em Design Gráfico FMU

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matéria de capa

Gigante da água

Atender mais de 27 milhões de pessoas, mantendo a qualidade e preservando os recursos hídricos, esta é a missão da Sabesp. 14


Foto: Valor Econômico


matéria de capa

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MARCELO CARNEIRO

m 1970 o índice de mortalidade infantil chegara ao alarmante número de 81,3 por mil crianças nascidas vivas. Três anos depois, esse índice tinha crescido: 87 crianças morriam em cada grupo de mil, antes de atingirem o primeiro ano de vida —1973 é o ano de criação da Sabesp. Através do Decreto no 1.686 de 7 de junho de 1973, o governo instituiu uma comissão para promover estudos e propor medidas referentes à unificação das entidades de saneamento básico estaduais. A comissão formulou os estudos necessários, resultando no relatório que deu origem ao Projeto de Lei nº 133 de 1973. Este projeto foi aprovado pela Assembléia Legislativa, originando a Lei no 119 de 29 de junho de 1973 , autorizando a constituição de uma sociedade de ações denominada Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp. Metas da Sabesp: planejar, executar e operar serviços de saneamento básico em todo o território do Estado de São Paulo, respeitada a autonomia dos municípios. A Empresa resultou da fusão da Comasp e Sanesp, da absorção da totalidade do patrimônio da Saec - Superintendência de Águas e Esgotos da Capital e de parte dos patrimônios do Fesb, em 1975, da SBS — Saneamento da Baixada Santista e da Sanevale — Saneamento do Vale do Ribeira.

Cuidados com a Água N esses 4 0 a nos de existência a Sabesp sem pre se preocu pou n ão só com a qu estão fina nceira, mas com a preservação também.

1976 Campanha "Água, saber usar é não desperdiçar.

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1989 Aumenta preocupação com meio ambiente

Resultado imediato: cinco anos depois de sua fundação, a Sabesp podia se orgulhar de ter colaborado para que o índice de mortalidade infantil na capital tivesse baixado para 70,6 por mil crianças nascidas vivas. Em mais cinco anos, 1983, o índice seria 45,6 por mil. Em 1988, a Sabesp chegou a estimar que caísse para 38,5 – mas foi de 37,2; em 1993, aos vinte anos de idade, a Sabesp anotava o índice de 28,4 crianças mortas em cada grupo de mil, antes de atingirem o primeiro ano de vida. E hoje o índice é de 1,3% ou, 13,3 óbitos para cada grupo de mil nascidos vivos. Esses dados deixam clara a importância da água para a vida e da necessidade que existe de se manter e preservar os recursos hídricos de uma comunidade, uma metrópole, do planeta.

Trajetória Ao longo desses 40 anos a Sabesp sempre esteve à frente de ações para conscientização do uso racional da água. Em 1976 foi criada a primeira campanha nesse sentindo intitulada: “Água, saber usar é não desperdiçar”. Na década de 70 os investimentos da companhia foram voltados para o abastecimento de água e na década de 80 para o tratamento de esgoto, tendo a Sabesp triplicado ao final dessa década o volume de esgoto tratado. No ano de 1989 a preocupação com o meio ambiente e com a recuperação de rios do Estado se intensificou, o que não evitou com que no ano seguinte a Região Metrropolitana de São Paulo fosse afetada pelo rodízio de abastecimento de água. Em 1992, convênios são assinados para despoluição do Rio Tietê e recuperação da represa de Guarapiranga. Também neste ano é 1998 Começa plano emergencial para salvar mananciais

1992 Assinaturas de convênios para despoluir Tietê

1996 Inicio do Programa Metropolitano de Água

1997 Plano de reaproveitamento de água pela indústria é apresentado


2001 Campanha: "Água. Usando bem, ninguém fica sem."

ALGUNS NÚMEROS DA SABESP 27,5 milhões de pessoas atendidas 363 municípios onde atua 7,6 milhões de ligações de água 214 estações de tratamento de água 2.164 reservatórios com capacidade total de 2,9 bilhões de litros 1.079 poços 495 estações de tratamento de esgotos 6,1 milhões ligações de esgoto

Fonte: sabesp.com.br

2002 Várias ações de Educação Ambiental são iniciadas.

2004 Lança pacote de medidas de incentivo ao uso racional da água

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entregue pela Sabesp o Sistema Alto Tietê, destinado a captação, armazenamento e tratamento de água para a Grande São Paulo. Mesmo ainda não sendo uma diretriz explícita e aplicada pela empresa até o final da década de 90 vários projetos e ações entram em prática com foco na sustentabilidade da água tais como, o Plano de reaproveitamento de água para o abastecimento de indústrias do Estado de São Paulo e o Plano Emergencial para salvar os Mananciais. Em 2001, uma nova campanha publicitária para o incentivo ao uso racional da água traz o slogan, "Água. Usando bem, ninguém fica sem." No ano seguinte várias ações de Educação Ambiental têm início na empresa. Em 2004 juntamente com o Governo do Estado a Sabesp lança um pacote de medidas que visa incentivar o uso racional da água. Entre 2005 e 2007 numa parceria com a Prefeitura do Município de São Paulo, é lançado programa para despoluição de corpos d© água na região metropolitana além da recuperação de córregos na chamada Operação Natureza/ Programa Córrego Limpo, da capital. O ano de 2009 é marcado por um número impressionante: 10 milhões de litros de água são economizados e o programa de Uso Racional da Água atinge 240 escolas municipais. Em 2010 o Litoral norte recebe obras do programa Onda Limpa e em 2011 o Rio Paraíba do Sul volta a ter peixes. Obras para coleta e tratamento dos esgotos amplia oxigenação; Neste mesmo ano o Projeto Aquapolo conquista o 2º lugar no Global Water Awards, prêmio dado durante a maior conferência de negócios para a indústria de água em todo o mundo. ͽ

2011 Rio Paraíba do Sul volta a ter peixes depois das obras de coleta e tratamento de esgoto. Projeto Aquapolo conquista o 2ª lugar no Global Water Awards

2004 Lança pacote de medidas de incentivo ao uso racional da água

2005 Junto com a Prefeitura lança programa p/ despoluição de corpos d´água

2007 2009 Operação Programa de uso Natureza/Pro- racional chega a grama Córre- 240 escolas munigo Limpo em cipais. Economia parceria com de 10 milhões de a Prefeitura litros de água

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matéria de capa

Uso racional da água

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gua: recurso essencial à vida que corre risco de escassez para as gerações futuras. Esse não é o significado da palavra, porém é preciso agir desde já para evitar um colapso no abastecimento de água no futuro. Pensando nisso e preocupada com a conservação dos recursos hídricos, a Sabesp, adotou uma política de incentivo ao uso racional da água com ações tecnológicas e mudanças culturais. Assim, em 1996, foi criado o Programa de Uso Racional da Água (PURA), um programa de combate ao desperdício. Por meio deste programa, o consumo de água pode ser reduzido de forma significativa. As soluções para diminuir o consumo de água são compostas de diversas ações, como detecção e reparo de vazamentos, troca de equipamentos convencionais por equipamentos economizadores de água, estudos para reaproveitamento da água e palestras educativas. Em geral, o retorno do investimento para adoção do programa é rápido e imediato, em alguns casos.

Algumas vantagens do Programa de Uso Racional da Água     

Reduz o consumo e o desperdício de água, gera economia de no mínimo 15%; Conscientiza os funcionários sobre a preocupação com o meio ambiente, economizando água; Agrega valor ao seu negócio, reduz despesas e custos operacionais. Evidencia a preocupação ambiental das entidades e empresas com o meio ambiente; Evidencia a preocupação com a qualidade de vida da população;

O progra ma pode ser faci l mente i nt rodu z ido em est abeleci mentos públ icos como u niversidades, escola s e hospit a is e, os resu lt ados são ex t rema mente posit ivos como por exemplo, o Complexo Hospital das Clínicas de São Paulo que teve uma economia no consumo de 25% após a implementação do programa. Ou, números ainda mais expressivos como no caso da Escola E st adu a l Tou f ic Jou l i a m onde a e conom i a at i ng iu e x pre s sivos 78% . (Dados: www.sabesp.com.br) Em abril de 2009 a Sabesp lançou a cartilha "O Uso Racional

Steve Evans

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da Água" em parceria com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio). Além de dicas e orientações, a cartilha traz informações aos clientes e casos de sucesso adotados por empresas e instituições que reduziram o consumo de água em suas unidades e está disponível através do link http://bit.ly/AtQMh8 .

Água de reúso Outro importante programa mantido pela companhia onde a água de reúso é produzida dentro das Estações de Tratamento de Esgoto e pode ser utilizada para inúmeras finalidades, como geração de energia, refrigeração de equipamentos, aproveitamento nos processos industriais e limpeza de ruas e praças. As empresas que utilizam a água de reúso colaboram com a economia de água potável destinada ao abastecimento público. Vale ressaltar que todo processo de produção da água de reúso da Sabesp é assegurado pelo sistema de gestão ISO 9001:2008, obedecendo a rigorosos parâmetros de qualidade. As empresas que utilizam a água de reúso colaboram com a economia de água potável destinada ao abastecimento público. Vale ressaltar que todo processo de produção da água de reúso da Sabesp é assegurado pelo sistema de gestão ISO 9001:2008, obedecendo a rigorosos parâmetros de qualidade. Assista ao vídeo criado para ilustrar o projeto, diretamente do seu smartphone, utilizando o QRCODE ao lado ou acesse: http:// youtu.be/fqiWUwzfHEY.

Parte essencial do sistema, três estações de tratamento são ampliadas, inclusive a maior da América Latina, a ETE Barueri. Hoje ela trata 9.500 litros por segundo de esgoto e passará a despoluir até 16 mil litros por segundo. Outras nove instalações de menor porte também estão sendo construídas. Ao fim da terceira etapa do Projeto Tietê, o índice de coleta de efluentes irá de 84% para 87%. O tratamento subirá de 70% para 84%. Mais 1,5 milhão de moradores da Grande São Paulo passarão a contar com coleta e 3 milhões terão o esgoto tratado.

Estas iniciativas visam sensibilizar a população quanto às dificuldades para prover água de boa qualidade e em volume suficiente para evitar o desabastecimento, promovendo o consumo consciente. Neste sentido, o estímulo ao uso racional da água também faz parte da estratégia da Sabesp e vem sendo bem sucedido: nos últimos dez anos, o combate ao desperdício reduziu o consumo per capita na Grande São Paulo em 14,3%.

ͽ Despoluição de rios e córregos Outro importante fator na questão da preservação da água é a despoluição de rios e córregos. Nesse sentido a Sabesp comanda o maior programa de saneamento ambiental do Brasil. O PROJETO TIETÊ como é conhecido está em sua 3ª etapa e conta com investimentos de mais de 1 bilhão de dólares. Nesta fase, o Projeto Tietê vai gerar mais de 19 mil empregos. São mais de 500 obras, da calçada dos moradores às maiores estações de tratamento da América Latina. São 1.250 km de redes coletoras, tubos na rua que recolhem o esgoto das casas. Também estão em construção 580 quilômetros de grandes tubulações (coletores-tronco e interceptores), que reúnem o esgoto dos bairros e o enviam para tratamento. Além disso, são feitas 200 mil ligações domiciliares.

Fontes de pesquisa - Site da Sabesp (www.sabesp.com.br); - Relatório de Sustentabilidade 2012 (http://bit.ly/15QfWL3)


Autoral

Acquacracia

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“Democratização do uso da água”, por assim dizer, teve início a partir de meados do século XIX, juntamente com o crescimento da aglomeração urbana da capital da Província. A criação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp, foi um marco nesse processo, especialmente na capital e região metropolitana. Seu surgimento se deu pela necessidade de uma atuação mais integrada por parte dos agentes intervenientes no processo de crescimento urbano, visto que na década de sua criação a população da região metropolitana do Estado saltou de 8 para mais de 12 milhões de habitantes. O primeiro projeto oficial para adução e distribuição de água foi feito pelo Governo da Província em 1842, e a partir do ano de 1876 a rede de esgotos começou a ser construída. Nesse período a população do município era de pouco mais de 19 mil habitantes e foi criada a Companhia Cantareira de Águas e Esgotos que formava uma empresa de economia mista entre Governo e empreendedores privados. Entre 1890 e 1900 a população da cidade salta de 64 mil para quase 240 mil pessoas e esse vertiginoso crescimento urbano demandava a implantação de serviços prestados diretamente pelo setor público. Em 1893 o Governo rescindiu o contrato com a Companhia Cantareira e criou a RAE (Repartição de Águas e Esgotos da Capital), primeiro órgão público a cuidar da infra-estrutura de saneamento da Capital. Nos anos em que existiu a RAE ampliou a capacidade de adução do sistema de abastecimento de água, promovendo ações e obras de melhoria que permitiram com que a cidade recebesse, em 1947, quase 470 milhões de litros de água diariamente para atender sua população que era superior a 1,3 milhão de habitantes. Até que em 1954 face a expansão da metrópole paulistana a RAE foi extinta, dando lugar ao Departamento de Águas e Esgotos - DAE , responsável pela

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administração direta dos serviços de água e esgotos da Capital, Osasco, São Caetano, Santo André e São Bernardo do Campo. O DAE foi peça fundamental para o saneamento básico e o primeiro sinal de organização de uma região metropolitana. No final da década de 60 a instituição do Sistema Financeiro de Saneamento - SFS, pelo Governo Federal, refletiu no Estado de São Paulo na criação de várias companhias e órgãos estaduais que centralizavam regionalmente os serviços e os investimentos, tais como FESB, COMASP e SANESP. Em 1970 a população da Região Metropolitana já passava dos 8 milhões de habitantes e uma atuação mais integrada por parte dos agentes intervenientes no seu processo de crescimento urbano se fazia necessária. E, em 1973 por conta do processo de centralização dos serviços de saneamento surge a Sabesp, que entra em operação no ano seguinte incorporando as atividades da COMASP, SANESP e DAE. Atualmente a companhia é responsável pelos serviços de água e esgotos da capital e de mais 363 municípios, e distribui água para mais de 27 milhões de pessoas. Os investimentos devem continuar pois o índice urbano para coleta de esgotos ainda está na casa dos 82% e o de tratamento em 75%. Para isso, obras como a ampliação da Estação de Tratamento de Esgotos Barueri − maior unidade de tratamento de efluentes da América Latina − estão em andamento. Segundo estudos, investir na distribuição e tratamento da água é uma das melhores maneiras de se combater a pobreza, é a “Acquacracia” que todos queremos, e à que todos temos direito. Fontes de pesquisa: Secretaria de Saneamento e Energia do Governo do Estado de São Paulo e Sabesp .

Marcelo Carneiro Aluno do 1º período de Tecnologia em Design Gráfico FMU


integração

Para preserva águas urbana Professor em Planejamento Urbano da Unesp destaca importância de nascentes e mananciais

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s cidades nasceram e continuam dependentes das águas, desde a antiguidade até o presente. Para a escolha dos territórios de fixação urbana a existência de nascentes, córregos e rios era estratégica como elementos de transporte, abastecimento de água e saneamento. No Brasil, a presença do mar em toda costa, trouxe e fixou no litoral os portugueses e outros imigrantes em Salvador, Rio de Janeiro, Recife, São Vicente, São Francisco do Sul, Porto Alegre etc., quase sempre na foz de um ou mais rios. Os rios e córregos guiaram, além dos índios, as entradas e bandeiras, que fixaram capelas, freguesias, vilas e cidades no período colonial: São Paulo, Taubaté, Guaratinguetá, Baependi, Juiz de Fora, Vassouras, Barra Mansa, inúmeras cidades mineiras e nordestinas ao longo do “Velho Chico”, também no Sul, Norte e Centro Oeste. Outras cidades se fixaram pela presença do ouro, diamante e outras pedras preciosas em suas

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águas: Ouro Preto, São João Del Rei, Diamantina, Mariana, etc. Os trajetos por transporte animal, de início, e depois por trem a vapor eram dependentes das fontes e mananciais de águas. O trem necessitava de uma fonte de água e de madeira a cada 20 km. Fato que impôs regras e formas controladas de ocupação e distribuição territorial que formou a organização da rede de cidades que penetrou o território do centro oeste do estado de São Paulo, o norte do Paraná e outras regiões, formando cidades como Bauru, Jaú, Araraquara, Marília, Lins, Ourinhos, Araçatuba, Limeria, Rio Claro, Londrina, Maringá


ar as. Diego Torres Silvestre

etc. Se a evolução tecnológica dos meios de transportes através do automóvel e da aviação possibilitaram traçados de vias e rotas mais independentes dos recursos aqüíferos e menos definiram a nossa urbanização, as cidades modernas continuaram dependentes das águas como fonte de abastecimento e de meio de transporte e saneamento de seus dejetos, casos de Brasília e Palmas; Outras nasceram e/ou se desenvolveram por influência direta das necessidades do uso da água como elemento também logístico e estratégico para a produção de energia e/ou o uso do lazer e turismo aquático nos lagos formados por

público e com vantagens econômicas aos proprietários de terras para sua adoção. Trata-se de estabelecer um sistema, jurídico, urbanístico e de gestão democrática aprovado no Plano Diretor Participativo que pressupõe os seguintes passos: definição de um coeficiente de aproveitamento básico de referência para toda a cidade (sugestão: próximo de um); definição das áreas de Tombamento Ambiental e Paisagístico, com regras de uso privado possível, mas bastante limitado; definição de áreas no entorno valorizado, onde os proprietários de terras das áreas tombadas poderão recuperar por Transferência do Direito de Construir (com regras claras e com incentivos) os potenciais construtivos não exercidos nas áreas tombadas, desde que doando essas terras ao poder público, que passa também a ficar com o ônus da manutenção, reflorestamento e preservação anteriormente de obrigação privada. As adoções desses instrumentos significarão: Economia pública; incentivos a iniciativa privada; novos paradigmas urbanísticos para o desenvolvimento urbano; preservação das nascentes, córregos, rios e matas; e a conquista de cidades mais saudáveis e sustentáveis.

Revista Filtrar - Edição 1 - Junho 2013

represas hidroelétricas: Ilha Solteira, Barra Bonita, Boracéia, Itapuí, Itaipu, Urubupungá, Paulo Afonso etc. Há inúmeras razões históricas, mas sobretudo funcionais para se preservar as nascentes e mananciais dos córregos e rios de nossas áreas urbanas, que continuam sendo fontes de abastecimento e de saneamento. Cidades como Bauru, crescem ocupando todos os mananciais da cabeceira de seus córregos e rios, que poderão no limite desta especulação, até secarem; As cidades atuais que se desejam saudáveis e sustentáveis exigem o uso conjugado da preservação das águas com o crescimento urbano, exigindo maior necessidade de espaços livres para preservação de cabeceiras e margens, que podem servir como áreas de lazer, esporte, de preservação de matas em fundos de vales destinados para parques integrados, ou mesmo como áreas de maior permeabilidade e recebimento natural de águas de chuvas, minimizando problemas ambientais atuais de enchentes e assoreamentos dos rios e córregos. Fatos que impõem a necessidade da gestão pública de ampliar a conquista destes territórios nas cidades, para além das possibilidades da Lei 6766/79, piorada pelas novas regras do código florestal em debate, exigindo novos métodos, formas de parcerias e instrumentos urbanísticos sustentáveis economicamente; e não apenas o instrumento já questionável da desapropriação. Nesse sentido, o CPCidades da Faac de Bauru, desenvolve pesquisas e extensões de adoção concreta e coesa de instrumentos do Estatuto da Cidade para ampliar as áreas de terras protegidas em torno das nascentes, córregos e de reservas de matas urbanas, sem onerar o poder

José Xaides de Sampaio Alves Prof. Dr. em Planejamento Urbano e Regional do CP-Cidades da Faac/Unesp, Câmpus de Bauru.

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Autoral

Esgoto, esgoto meu...

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maioria das pessoas tem conhecimento que grande parte da culpa da degradação dos recursos hídricos das cidades vem delas próprias (esgotos, lixo, etc...) e a outra parte vem dos efluentes industriais, mas sabendo da nossa responsabilidade, quais medidas vêm sendo tomadas para reverter esse quadro? A questão é muito mais profunda do que se imagina. Por trás da incapacidade de uma pessoa de preservar algo que só lhe trás benefícios está a falta de medidas educativas, a falta de investimentos em saneamento e outros fatores socioeconômicos. A população, principalmente a de baixa renda que não tem acesso a saneamento básico e condições de moradia regulares são os principais poluidores dos rios e córregos que cortam a cidade, porém não são os únicos, grande parte dos esgotos urbanos é despejada em rios, além dos resíduos industriais, materiais químicos e outros que ainda são descartados sem o tratamento adequado. Hoje temos mais políticas de preservação do meio ambiente, empresas que se preocupam com o destino e o tratamento de seus dejetos, cidadãos que fazem sua parte, temos tecnologia

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para tratar a água e torna-la potável ou no mínimo reutilizável, porém, se não cuidarmos da origem dessa água, em um futuro não muito distante não teremos mais como contar com este recurso. A proposta de preservação visa além da proteção das nascentes, proteger e ampliar áreas no entorno destas, já que, esta área quando bem preservada influencia na qualidade e na captação da água que alimenta os mananciais, e isso cria todo um ambiente de preservação da fauna e flora locais, que trazem benefícios em longo prazo para as áreas urbanas ao redor. É claro que todo esse trabalho por si só não resolve o problema, como já foi dito, precisamos preservar os rios, córregos e matas adjacentes em toda a extensão e isso só é possível com a população, empresas e governo trabalhando juntos.

Gustavo Souza Aluno do 1º período de Tecnologia em Design Gráfico FMU


Quando o assunto é meio ambiente, nós fazemos bem o nosso papel.

Há pouco mais de 30 anos, eram utilizados cerca de 100 metros cúbicos de água por tonelada de papel produzida. Hoje conseguimos uma redução de mais de 60% com o uso mais consciente e inteligente da água durante toda a produção. Além disso recuperamos todos os produtos químicos utilizados na fabricação de papel e celulose, que são reutilizados na produção. Os resíduos orgânicos são tratados por meio de processos biológicos para que a água utilizada nas fábricas retorne ao meio ambiente sem causar impacto.


Revista Filtrar - Ed. 01 - Junho 2013  

Sustentabilidade da Água

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