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Distribuição Gratuita

Ano 6 / Edição nº 36 / 2013

ESPECIAL

SUSTENTABILIDADE 1


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MUNDO MELHOR

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sta edição especial de Obras & Dicas surpreendeu a todos da redação pela qualidade de material recebido e pelo empenho de tantos em tornar nosso mundo, tão castigado, em um lugar melhor para se viver. Desde energias alternativas a jardins verticais, é reconfortante saber que há alternativas e pesquisas incessantes para minimizar os danos que causamos ao nosso planeta. A casa do arquiteto Marcelo Pala é um exemplo disso. Simples e linda, ela mereceu um destaque especial nesta edição. Embora ainda estejamos engatinhando no quesito sustentabilidade, Rio Preto não fica de fora. Nossa cidade aprende aos poucos a cuidar de si própria. Locais para descartar materiais recicláveis, produtos ecologicamente corretos, obra limpa, econômica e correta, nesta edição todas nossas colunas vão se alinhando para formar uma revista prazerosa de se ler, mas, sobretudo, informativa. Esperamos que a leitura contribua, ao menos um pouco para formação de uma cidade cada vez melhor. Boa leitura

Denise Farina Diretora Editorial

denisefarina@obrasedicas.com.br

Agosto - Setembro / 2013 Nº 36 - Ano 6

Diretor-Geral: Donizeti Batista Diretora Editorial: Arquiteta Denise Farina Executivo de Vendas: Rodrigo Rocha Jornalista responsável: Cris Oliveira - Mtb 35.158 Projeto Gráfico/Editoração: Marcelo Arede Estágiaria: Bruna Lubre Sugestões: redacao@obrasedicas.com.br Had Captações e Propaganda Ltda-ME 17 3033-3030 - 3353-2556 revistaobrasedicas@hotmail.com contato@obrasedicas.com.br www.obrasedicas.com.br

revistaobras&dicas Distribuição Gratuita. Dirigida a profissionais da área e obras de S. J. do Rio Preto e região.

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DÚVIDAS

Piso de Pneu

A reciclagem de pneus está cada vez mais em alta, e hoje várias empresas investem em pisos com a matéria-prima. Umas das opções disponíveis no mercado é o Pisoleve. Drenante, permite a passagem da água para o solo. Por ser antiderrapante é indicado para calçadas, pistas de corrida, beiras de piscinas e spas. Entre as linhas de produtos da Aubicon, o destaque é o piso ecológico Impact Soft, feito com grânulos de borracha de pneu. São retirados 70 pneus do meio ambiente para a fabricação de cada 10 m² do piso. Indicado para locais que não tenham contrapiso e áreas externas que precisam de alto nível de amortecimento contra impactos. A Verdeal também oferece pisos, de pneus que podem ser encontrados em cores diferenciadas. De acordo com o fabricante, o material é atóxico e antialérgico. A empresa também dispõe de pedrisco de pneu, ideal para a forração de canteiros, vasos e caminhos. E ainda a casca de pneu, que possui aparência orgânica de cascas de árvores, e substitui a utilização das mesmas para a forração de canteiros.

Tinta Ecológica

Uma tinta, para ser ecologicamente correta, precisa ser livre de compostos orgânicos voláteis (VOCs), ou seja, a base de água. Também não deve conter pigmentos à base de metais pesados e fungicidas sintéticos. Elas são indicadas para ambientes com pessoas alérgicas. Mesmo custando, em média, de 10% a 20% a mais que as tintas tradicionais, o investimento vale a pena. Veja o que o mercado oferece: - Suvinil - Esmalte Seca Rápido e Acrílico Premium; - Lukscolor – Luksclean e Lukspiso; - Tintas Renner - Tinta Acrílica Zero, Esmalte Base Água Ultra-Rápido, Extravinil Acrílico Sem Cheiro e Ecológica; - Coral - Esmalte Sintético Coralit que traz embalagens PET recicladas, em sua composição; - Universo Tintas - Esmalte Ecológico Polycril; - Eucatex - Esmalte Premium Base Água; e - Sherwin-Williams - Metalatex Bacterkill Banheiros & Cozinhas Sem Cheiro e Metalatex Eco Telha Térmica.

Caixa Acoplada

Os vasos sanitários são grandes consumidores de água. Segundo especialista, os modelos com válvula afixada à parede consumem de 12 a 15 litros de água por descarga. Já o modelo com caixa acoplada possui um gasto de 6 litros por descarga, permitindo uma economia de até 60% de água. Existem modelos ainda mais econômicos em relação ao consumo de água, como os vasos sanitários com descarga dupla - 3 litros para dejetos líquidos e 6 litros para dejetos sólidos. Uma nova criação, que pode ganhar espaço no mercado, é um vaso que promete utilizar apenas dois litros de água por descarga, ou seja, 1/3 do que acontece no sistema de caixa acoplada. De acordo com o inventor, o sistema exige menos água porque é basculante, com tubulação reta. A caixa acoplada econômica é feita de plástico ABS reciclado, altamente resistente. Pesa menos de 7 quilos, 1/5 de um vaso de louça. Alguns profissionais alertam para um cuidado de se deve ter com a caixa acoplada. Diferente das válvulas, quando elas apresentam vazamento é difícil diagnosticar. Então esteja atento caso tenha um aumento inexplicado na conta de água. Envie suas dúvidas para: contato@obrasedicas.com.br

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ESTRUTURA

TIJOLO ECOLÓGICO Economia e ecologia na construção do século 21 O tijolo ecológico foi criado visando reduzir o custo, o desperdício e o impacto ambiental da construção civil. Com seu uso, é possível reduzir em até 40% o custo da alvenaria e da estrutura de sustentação das paredes. Os ganhos propiciados pelo tijolo ecológico se devem a várias características. São elas:

Sistema Estrutural As paredes de tijolo ecológico usam um sistema estrutural distribuído, no qual as colunas e vigas são espalhadas ao longo da parede (não ficam apenas nas extremidades, como na construção tradicional). Aproximadamente, a cada metro de parede temos uma coluna, e a cada metro na vertical, uma cinta de amarração. Pode-se dizer que cada metro quadrado de parede, está amarrado pelos quatro lados. Forma-se uma malha estrutural por dentro da parede dando grande firmeza e segurança. A quantidade de ferro e concreto usados são menores que na obra convencional. As colunas são feitas usando como fôrma os furos verticais do tijolo ecológico, e as cintas usam como fôrma o tijolo modelo canaleta. Modulação A planta baixa deve ser desenhada seguindo uma modulação de 15 x 15 cm, ou seja, as medidas dos cômodos devem ser múltiplos de 15 cm. Isso evita a necessidade do pedreiro quebrar tijolos na obra, e garante o encaixe perfeito. Sistema Construtivo Sobre um baldrame ou radier convencional, é disposta a primeira fiada de tijolos, e são feitos furos no alicerce para fixação, com adesivo epóxi, dos ferros das colunas. A primeira fiada é as-

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sentada sobre a fundação com massa normal. A partir da segunda fiada, o servente aplica dois filetes de argamassa sobre a fiada de baixo, usando sacos plásticos, de modo semelhante a confeitar um bolo. O pedreiro então assenta os tijolos, usando linha e prumo para garantir a perfeição da parede. A cada 30 ou 50 cm de altura deve-se preencher com concreto os furos verticais que formarão colunas, deixando vazios os demais. Instalações As instalações elétricas e hidráulicas são embutidas, fazendo uso dos furos verticais dos tijolos, evitando a famosa quebradeira de paredes, que tanto dói no coração e no bolso dos donos de obras. A hidráulica é montada durante o levantamento das paredes. As caixas de energia e conduítes também são colocadas pelo pedreiro enquanto sobe a parede, o eletricista somente passa a fiação. Acabamento Nas paredes que ficarão à vista, basta fazer o rejunte com o mesmo material usado no assentamento dos tijolos. Nas faces das paredes que ficarão expostas à chuva, deve ser aplicado um produto impermeabilizante apropriado para tijolo à vista. Outra opção é a pintura diretamente sobre o tijolo, acrescentando cor e clareza aos ambientes, mas mantendo visível o desenho dos tijolos na parede.


Fotos: Adriana Pinatti e Marcio Moreira

Mão-de-obra Tendo boa vontade, qualquer profissional de obra é capaz de usar o tijolo ecológico. Porém, deve ter ciência de que – especialmente em paredes que ficarão à vista – ao assentar cada tijolo, já está sendo feito o acabamento. Vantagens Ambientais O maior problema ambiental a ser enfrentado é o aquecimento global, decorrente da emissão de gases de efeito estufa. O principal é o gás carbônico, liberado nos processos de obtenção de energia elétrica, mecânica e térmica para diversos usos, e também em desmatamentos e queimadas. A energia consumida no processo construtivo de uma casa de tijolo é metade da gasta para fazer uma casa similar, em alvenaria convencional. O tijolo ecológico usa uma matéria-prima abundante, presente em nossa região. Seu resíduo também pode ser reutilizado no seu próprio processamento. Nas obras convencionais no Brasil, aproximadamente 30% do material comprado vira entulho. A limpeza do chão da obra com tijolo ecológico chama a atenção, e é um claro sinal de como este material evita o desperdício. Ao unir vantagens econômicas e ambientais, o tijolo ecológico se apresenta como um caminho viável para a evolução da construção civil neste século 21.

Parede Convencional Parede de 3 x 4 metros de tijolo cerâmico furado, chapiscada e rebocada, sem massa corrida ou pintura, incluindo colunas de concreto armado e uma cinta de amarração para sustentação da parede. A partir de R$ 160,00 / m² + 10%

Parede Ecológica Parede de 3 x 4 metros de tijolo ecológico à vista, rejuntada, sem pintura ou impermeabilização, incluindo colunas e cintas de amarração de concreto armado embutidas na parede. A partir de R$ 95,00 / m² + 10% 13


PAPO DE OBRA

Obra sustentável O planeta agradece e seu bolso também O

primeiro passo para que uma obra seja sustentável, está diretamente ligado ao planejamento. O desperdício traz dados alarmantes, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Departamento de Engenharia de Construção, da Escola Politécnica da USP. Constatou-se em média, as seguintes perdas: 56% de cimento, 44% de areia, 30% de gesso, 27% de condutores e 15% de tubos de PVC e eletrodutos. A sustentabilidade está diretamente ligada aos “3 Rs”: reduzir, reutilizar e reciclar. Siga as dicas abaixo e deixe o planeta melhor.

- preserve as espécies nativas existentes no terreno, elas garantem a estabilidade do solo e refrescam o ambiente; - prefira iluminação natural e esteja atento a orientação solar adequada; - otimize as condições de ventilação natural, garantindo ventilação cruzada; - para localidades muito quentes, invista em coberturas verdes, e utilize vegetação no entorno da edificação. E em climas quentes e úmidos, suspender a construção é uma boa alternativa para evitar a umidade do solo; - para evitar a absorção de radiação solar, pinte o telhado com tintas que tenham pigmentos refletores; - uma opção em alta são os materiais de demolição, encontrados em imóveis demolidos; - invista em tintas à base de água. Elas podem proporcionar isolamento, proteção contra corrosão e intempéries, resistência à ação da maresia e evitar bactérias, fungos e algas em regiões úmidas. Alguns produtos ajudam a diminuir a incidência de alergias; 14

- priorize materiais cerâmicos, madeira certificada, torneiras e descargas ecológicas. Economize na conta com torneiras e misturadores com fechamento automático; - opte pelo aquecimento solar, o governo oferece crédito para esse investimento; - os chuveiros e duchas com controle de vazão ajudam a não desperdiçar água; - sensores de presença evitam que as luzes fiquem acesas sem ninguém no ambiente. Além disso, opte pelas lâmpadas de LED que são mais econômicas e ecológicas; - garanta o máximo de área permeável e prefira pisos externos intertravados; - construa cisterna para armazenar água da chuva e a utilize para regar jardins e lavar pátios; - procure adotar um projeto hidrossanitário com tubulações independentes para as águas negras (vasos sanitários) e para as águas cinzas (reaproveitadas para rega de jardim); - materiais como cerâmicas, pedras e azulejos que sobrarem, podem ser doados ou vendidos. Esteja atento para a redução da geração de resíduos da construção, com o reaproveitamento e reciclagem dos materiais.


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PAINEL DE NEGÓCIOS

Fotos: Divulgação

Produtos sustentáveis são o negócio do momento

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Ecori é uma empresa pioneira na região de São José do Rio Preto, onde atua há dois anos e meio, na venda de pisos, chapas e móveis de bambu. Atenta as necessidades do mercado iniciou, há poucos meses, a comercialização de pisos vinílicos e laminados, rodapés, revestimentos ecológicos para parede, decks de piscina, entre outros. Atualmente conta com 13 pontos de vendas, que estão distribuí-dos por seis estados brasileiros. “O diferencial da Ecori, em relação a outras empresas do segmento, é sua parceria exclusiva com um fabricante, que mantém um rigorosíssimo controle de manejo de corte e de qualidade. Já fizemos diversas visitas ao fabricante e comprovamos seu sistema de qualidade”, esclarece Marcelo Von Gal, diretor comercial da Ecori. Ele pontua que existe um visível crescimento na procura por produtos sustentáveis. “Acreditamos que isso se dá devido à conscientização das pessoas”. E qual seria o segredo de sucesso do negócio? “Prezar pela qualidade e diferencial dos produtos e serviços oferecidos”, declara Marcelo.

Prêmios

Mesmo sendo uma empresa ainda nova no mercado, a Ecori foi premiada pela empresa Greenvana, do grupo Santander, em 2012. Trata-se do Greenbest, onde concorreram na categoria “Materiais para Construção e Reforma”. O prêmio tem grande importância no setor de sustentabilidade, pois é considerado, pela mídia, como o maior prêmio de sustentabilidade do país. Para cada categoria são duas formas de ganhar o prêmio: pelos próprios jurados, que fazem uma votação entre eles para escolherem a empresa; e pelo voto popular, onde a população pode participar através da internet. A Ecori venceu nas duas votações. 16


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ESPECIAL

Selos verdes garantem produtos com responsabilidade ambiental

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tualmente o mercado disponibiliza vários produtos com a chamada “certificação verde”, ou seja, que não agridem ao meio ambiente durante seu processo de produção. Esteja atento para as certificações que aparecerem, que elas sejam realmente de procedência confiável, e invista nesses produtos. O setor da construção civil é um dos que mais se destaca na procura por certificação verde. Segundo a GBC (Green Building Council), que emite um dos selos, o Brasil é hoje o quinto no ranking mundial de empreendimentos verdes.

Conheça os principais selos e exija produtos certificados.

quais produtos são menos agressivos ao meio ambiente.

* Selo Conpet de Eficiência Energética - visa destacar, para o consumidor, aqueles modelos que atingem os graus máximos de eficiência energética na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Concedido anualmente pela Petrobras, é um estímulo à fabricação de modelos cada vez mais eficientes.

* Selo FSC (Forest Stewardship Council) – é o selo verde mais reconhecido em todo o mundo. Aplicado a todas as empresas que adquirem ou vendem produtos de origem florestal, garantindo que eles sejam originários de florestas bem manejadas, preservando o meio ambiente. A certificação é uma garantia de origem e orienta o comprador a escolher um produto diferenciado e com valor agregado.

* Selo AQUA - é o primeiro referencial técnico brasileiro para construções sustentáveis. Foi criado com base no selo francês Démarche HQE e é reconhecido mundialmente. Gerido e concedido pela Fundação Vanzolini, ligada a USP. Sua avaliação compreende 14 categorias no empreendimento. Ele também determina exigências no projeto e na execução que visam melhores condições no conforto, saúde e estética para o cliente. * Selo Verde – estabelecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, trata-se de uma certificação que atesta produtos e serviços mais ambientalmente amigáveis, por meio de uma marca colocada no produto. Intitulada Rótulo Ecológico ABNT, a ação consiste em uma metodologia voluntária de certificação e rotulagem de desempenho ambiental e que visa informar

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* Selo LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental) – reconhecido mundialmente é concedido pelo GBC a edificações que minimizam impactos ambientais, tanto na fase de construção como na de uso. Ele leva em consideração a eficiência energética, uso racional de água, tecnologia, qualidade ambiental interna e espaço sustentável. Trata-se de um sistema de certificação e orientação ambiental de edificações. * Selo Orgânico – é um selo público oficial, concedido por certificadoras credenciadas pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a alimentos orgânicos. Certifica os produtos que comprovadamente não utilizaram adubos químicos e agrotóxicos em seu processo de produção.


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SOLUÇÕES

Fontes diferenciadas geram energia limpa e renovável

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s fontes de energia renováveis, como o próprio nome sugere, são aquelas onde a matéria-prima se renova, ou seja, não irá se esgotar com o passar dos anos. Desde a revolução industrial, o aquecimento do planeta tem crescido constantemente, isso se dá, em grande parte, pelo uso desenfreado de carvão e petróleo, fontes não-renováveis, para gerar energia. Isso acontece porque o carvão e o petróleo liberam no ar volumes gigantescos de CO2 (dióxido de carbono). Por isso que o Greenpeace trabalha para pressionar governos e empresas a investirem em fontes renováveis de energia.

Embora ainda aja muito a ser feito no Brasil, como investir mais efetivamente em usar o sol e os ventos para gerar energia, o país se tornou um grande exemplo de utilização de energias renováveis no mundo inteiro, mais de 44% da energia produzida aqui, vem de fontes renováveis De acordo com a Associação Internacional de Energia Eólica, o país, que hoje lidera a produção de energia gerada pelos ventos na América Latina, tem condições de avançar consideravelmente neste setor nos próximos cinco anos, atualmente representa apenas 2% do total da energia produzida.

Tipos de energias renováveis * Hidráulica – é a mais utilizada no Brasil em função da grande quantidade de rios. A água possui potencial energético e quando represada ele aumenta. Numa usina hidrelétrica existem turbinas que, na queda d’água, fazem funcionar um gerador elétrico, produzindo energia. Embora a implantação de uma usina provoque impactos ambientais, na fase de construção da represa, esta é uma fonte considerada limpa. * Solar - ainda com custo elevado de implantação, a energia do sol é transformada em eletricidade, via um dispositivo eletrônico chamado célula fotovoltaica. * Eólica - sua fonte geradora é o vento, que gira as pás de um equipamento que parece com um catavento gigante. Um gerador é acionado produzindo corrente elétrica. * Biomassa ou Biogás - gerada a partir da decomposição, em curto prazo, de materiais orgânicos como restos de alimentos e resíduos agrícolas. O processo gera o gás metano, que pode ser usado na substituição do gás de cozinha que vem do petróleo. * Biocombustíveis – gerar etanol e biodiesel para veículos, a partir das matérias-primas como semente de mamona, cana-de-acúcar, galhos e folhas de árvores, é mais uma opção para substituir o petróleo. 20


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MERCADO IMOBILIÁRIO

Foto: Divulgação

EDIFÍCIOS ECOEFICIENTES

Tendência no mercado imobiliário

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hamamos de edifício ecoeficiente aquele que, além de ser eficiente, tem um impacto ambiental reduzido. Por isso, quando usamos o termo temos que pensar que ele cabe às construções que não tem apenas eficiência energética e reuso d’água. São edificações que usam materiais de baixo impacto ambiental, como madeira de reflorestamento e métodos de construção eficientes. Um dado alarmante aponta que, cerca de 20% de uma obra vira entulho, ou seja, vai para o lixo.

Top da Ecoeficiência Um complexo empresarial situado em Versailles, na França, é o primeiro edifício do planeta a receber três certificações internacionais de ecoeficiência. A sede da Bouygues Construction (foto) foi creditada com os selos “outstanding” pela inglesa Breeam; “platinum” pelo norte-americano Leed; e “exceptional” pelo francês Passeport HQE. Assim que concluída, a obra deverá reduzir as emissões de carbono em 90% e o uso de água em 60%. Para conseguir esse resultado foram usados 21 mil m² quadrados de painéis fotovoltáicos em sua cobertura, além de 420 m² de painéis termosolares. 24

O setor que mais emprega no Brasil, a construção civil, também é um dos maiores produtores de resíduos, além de ser um dos que mais causam fenômenos climáticos em metrópoles. Nessas localidades, os edifícios são responsáveis por cerca de 30% de todo o uso de energia, emissão de gases do efeito estufa e geração de dejetos. Apesar de ainda existir resistência de empresários da construção civil, e mesmo de compradores, a cada dia cresce mais no mercado, a oferta e procura por edifícios ecoeficientes.


Em comparação aos tradicionais, os “verdes” são mais valorizados, apresentam velocidade de venda e taxas de ocupação superiores. Esse tipo de investimento, que em um primeiro momento pode parecer maior ao feito em um imóvel comum (custa em média 5% a mais), em curto e médio prazo não apenas compensa para o bolso do comprador, como gera rentabilidade. Os gastos com a manutenção nesses condomínios pode chegar a 40% menos, e quando se fala em despesas com água e energia, a redução pode chegar a 50%. Não podemos esquecer que os dois principais fatores de impacto ambiental, responsáveis pelos maiores índices de gasto de um imóvel durante sua vida útil, de aproximadamente 50 anos, são água e energia.

Energia O objetivo principal de uma reforma sustentável é tornar o prédio mais eficiente energeticamente. Profissionais do setor ressaltam que 42% da energia consumida no Brasil vêm de edificações, e mais especificamente, entre 60% a 75% desse consumo é com o ar condicionado. Quem mora na região de São José do Rio Preto, com suas altas temperaturas, sabe bem a diferença que faz ter um ar condicionado. Porém, o conforto térmico poderia ser ampliado com construções mais eficientes. As edificações devem ser melhor ventiladas, ter isolamento térmico no telhado, proteção contra o sol, e outras coisas que um bom projeto deve trazer.

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ENTREVISTA

Fotos: Divulgação

Sustentabilidade e arquitetura

Rodrigo Loeb “

Por CRIS OLIVEIRA

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arquitetura é uma parte da minha existência, que vivo com muita paixão. É oxigênio. Significou também sacrifício. É a parte que complementa a paixão pelos meus filhos, e pela minha mulher”. A definição é do arquiteto e urbanista Rodrigo Mindlin Loeb. Formado pela FAUUSP em 1996, fez seu mestrado em Energia e Meio Ambiente, na Architectural Association Graduate School, em 1998. Hoje o profissional se divide entre os projetos realizados por seu escritório, sempre focado em sustentabilidade e seus afazeres como professor universitário. No meio desse cotidiano, ele abriu um espaço na agenda para falar com a Obras&Dicas. Confira. 28


Como é sua relação com os seus alunos? Desde quando você atua no segmento? Rodrigo Mindlin Loeb - Comecei a lecionar em 2001, na Faculdade Belas Artes. Foi uma oportunidade incrível de convívio com colegas e alunos. É uma experiência intensa de aprendizado, ensinar. Gosto dos alunos, da curiosidade que têm, da criatividade que expressam. Vivemos tempos que se transformam rapidamente, com as novas tecnologias, e as relações de consumo e mercado atravessam de maneira perturbadora as bases conceituais e essenciais do ensino. Luto para preservar isso na relação com os alunos, essa essência, essa base. Gosto muito do contato com eles, procuro transmitir o entusiasmo e paixão que tenho com a nossa atividade, e ao mesmo tempo auxiliar cada um a construir um caminho pessoal. Sempre pergunto aos alunos qual seria o fio condutor da reflexão em arquitetura, face a tudo que já se produziu e ao momento atual da nossa existência neste planeta. Transmito a ideia de que a multidisciplinaridade é inerente a reflexão e trabalho do arquiteto e que a transdisciplinaridade é algo que devemos buscar. Meu associado Caio Atílio Dotto foi meu aluno no Mackenzie, orientando de trabalho final. Não podemos mais nos distanciar dos desafios sociais, da desigualdade, dos problemas ambientais. Que tipo de compromisso gostaria que os futuros profissionais tivessem? Compromisso com a ética e com a estética.

Casa Aqua

Às vezes dá a impressão que os grandes centros urbanos estão se tornando inabitáveis. Você também sente isso? Os grandes centros urbanos são um fenômeno de nossos tempos, tem a ver com a otimização da infraestrutura, com a densidade como forma de reduzir os custos operacionais. São concentrações onde muita criatividade e atividade acontece. Os grandes centros urbanos, onde está cada vez mais difícil habitar, são aqueles que sofrem da falta de planejamento, da morosidade do poder público em atuar com competência técnica, da inadequação das leis de contratação de serviços técnico especializados, da apropriação da máquina por políticos com propósitos divergentes da visão coletiva de espaço urbano, da violência gerada pelo tráfico de drogas, da ausência de um plano integrado de mobilidade urbana, entre outras coisas. 29


Fotos: Nelson Kon

Coincidentemente são estes os grandes centros urbanos no Brasil, que tem todas as qualidades e sinergias, mas que sofrem enormemente destes problemas que menciono. É real e cada um de nós deve buscar uma forma de contribuir para reverter este cenário. Muitas pessoas dizem não investir em sustentabilidade porque tudo que é sustentável é mais caro. Você se depara com esse tipo de pensamento? A sustentabilidade sempre foi um conceito presente. Desde a década de 70 surgiu como uma bandeira oficial na agenda governamental e de ONGS. Hoje continua presente e sua divulgação é ampla. Aproximadamente 20% do custo total de uma construção, em seu ciclo de vida (50 a 70 anos), corresponde aos projetos e à obra, e 80% aos custos operacionais e de manutenção. O investimento em uma construção durável (sustentável), com baixo custo operacional e de manutenção, representa uma economia ao longo do ciclo de vida, mais do que significativa. O desafio aqui é uma mudança de paradigma e cultura, que realinhe o custo base da construção, de acordo com as metas de durabilidade e redução de custos operacionais. No caso de empreendimentos imobiliários este desafio é maior, pois o investimento na construção é para venda, o que transfere ao proprietário os custos ao longo do ciclo de vida. Acredita que um dia será possível ter uma metrópole sustentável? Metrópole sustentável, paradoxo ou possibilidade? É uma pergunta para a qual procuro resposta a pelo menos 15 anos, quando fiz a

Biblioteca Brasiliana /USP

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pós-graduação. Qual a utopia para as nossas metrópoles? Tem a ver com a eliminação da miséria, da violência, com uma educação consistente, com um sistema de saúde pública eficiente, com condições de moradia, acesso a cultura, sistema integrado de mobilidade urbana. O déficit habitacional no Brasil bate os seis milhões de unidades, ou de 18 a 24 milhões de brasileiros sem condições adequadas de moradia. É possível, exige muito trabalho, mudanças estruturais e tempo. Algo para as gerações futuras, que precisamos lutar agora. Um dos seus projetos é a Casa Aqua. Como foi a concepção? Fui procurado pelo engenheiro Luiz Henrique Ferreira, da Inovatech Engenharia, para elaborar o conceito de uma casa modelo, que pudesse ser montada como um estande na Feicon 2009, para o lançamento da Certificação

Concurso sede FATMA - FAPESC


Ambiental Aqua, elaborada e acreditada pela Fundação Vanzolini. É um sistema de certificação baseado no modelo francês HQE que foi adequado às condições e parâmetros técnicos e ambientais no Brasil. É um processo dinâmico, onde a concepção define e defende os princípios ambientais, é um sistema não prescritivo. Fiquei entusiasmado e desenvolvemos o primeiro protótipo. Em seguida lançamos o segundo modelo, popular, na Ambiental Expo. Desenhamos um apartamento modelo e um pavilhão para programas ambientais e educacionais. Tem um apelo de demonstrar que na verdade é totalmente flexível, valem os conceitos e parâmetros em relação às estratégias passivas, bio climáticas, o desempenho ambiental dos espaços e dos materiais, a relação de origem e custo ambiental de produção e transporte dos materiais, a durabilidade, gestão de água e resíduos, energias renováveis aplicadas, entre outros aspectos, o que define a integração de múltiplas disciplinas. O que a diferencia do que chamaríamos de “casa comum”? O modelo Casa Aqua demonstra as possibilidades em todos os aspectos que menciono acima: ventilação natural múltipla, sombreamento, captação e aproveitamento de águas de chuva, economizadores, leitores individua-lizados de consumo, um sistema termo solar, materiais com baixo impacto ambiental e garantia de processo e origem, capacidade de reciclagem. É um conceito, não uma solução formal e visual específica. Qualquer pessoa pode ter uma Casa Aqua? Sim, baste entrar em contato pelo site da Casa Aqua (www.casaaqua.com.br) e solicitar informações, há a etapa de projeto, especificações, orçamento, certificação; e há a de construção com verificação de execução, de acordo com projetos e especificações.

Biblioteca Brasiliana /USP

E o projeto Ekológica, como surgiu? Havia um grupo engajado em lançar em uma feira de construção e materiais sustentáveis, em um estande de uma Feira de Construção. Me procuraram, e eu fiz um desenho com estrutura em bambu, montadas treliças espaciais compondo as laterais de um helicóide em planta. Todos os meus projetos têm uma abordagem ambiental. 31


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CAPA

Essa tal de sustentabilidade...

M

uito se tem ouvido falar de sustentabilidade, parece até uma tendência de moda, mas seu sentido está mesmo é na ação. O termo vem do latim “sustentare”, que significa sustentar, favorecer e conservar. Também pode ser usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro e as próximas gerações. Evidente que não se trata de uma tarefa tão fácil, quando imaginamos que somos sete bilhões de pessoas em todo o mundo, prontos a consumir, adquirir bens além da necessidade, sempre em busca do conforto. E segue-se ainda outra regra preocupante, cada vez mais a população se concentra em grandes centros urbanos, agravando ainda mais o problema. Mesmo com tudo isso, é possível usar os recursos naturais de forma inteligente, basta que cada um faça sua parte, muitas vezes ações simples, que podem mudar a realidade. A ideia central da sustentabilidade é que é possível continuarmos vivendo e nos desenvolvendo de forma com que haja continuidade e equilíbrio em relação aos recursos disponíveis. O que é retirado e não reposto, cedo ou tarde irá acabar. Você pode começar separando o lixo que produz, apagando as luzes ao sair do local, não desperdiçando água, alimentos e demais bens de consumo. Cada um que tiver essa consciência

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e fizer sua parte, vai ajudar que o planeta seja melhor para todos. Mas apesar da sustentabilidade estar associada diretamente ao meio ambiente, não está limitada somente a esta área. Um dos grandes desafios da atualidade é introduzir na área urbana um novo conceito de edificação, que ofereça mais qualidade de vida aos habitantes das grandes cidades, com menor impacto ao meio ambiente. Uma das alternativas para alcançar esse objetivo é praticar o consumo sustentável na hora das construções e reformas. É usar com mais eficiência os recursos e materiais necessários, diminuindo o desperdício, além de desenvolver projetos que utilizem a iluminação e a ventilação naturais e outras vantagens que o meio ambiente provê. Muitas pessoas ainda acreditam que obras sustentáveis são para poucos, principalmente por exigirem maiores investimento, ou ainda algo que só fará parte da realidade em um futuro distante. Mas esse pensamento é errado. O mercado já disponibiliza uma série de produtos indicados para a realização de obras eficientes e financeiramente acessíveis. As soluções sustentáveis - o que pode ser traduzido por eficientes ou inteligentes - disponíveis no Brasil, estão sendo utilizadas inclusive em moradias populares. Não se esqueça de pensar nisso antes de iniciar a sua obra.


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1 Aproveitamento de água de chuva 2 Gestão de resíduos sólidos 3 Orientação do edifício visando ganho térmico 4 Prover os ambientes de ventilação natural 5 Prover os ambientes de iluminação natural

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6 Trocar luminárias por modelos mais eficientes 7 Instalação de sensores de presença 8 Instalação de controle de luminosidade 9 Pintar paredes, tetos e pisos de cores claras 10 Proteger as fachadas de incidência direta do sol 11 Manutenção periódica dos aparelhos de ar condicionado

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12 Aquecimento solar da água 13 Dar preferência a equipamentos com eficiência energética 14 Priorizar o uso de madeira certificada e materiais regionais

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15 Projeto luminotécnico eficiente 16 Separação dos diversos tipos de lixo 17 Reciclagem de materiais descartáveis

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18 Eficiência na irrigação

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19 Troca das válvulas de descargas por caixas acopladas 20 Instalação de torneiras com desligamento automático

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21 Plantio de arvores na área externa 22 Preservação de espécies nativas 23 Uso de adubos orgânicos e produção de húmus 24 Uso de material pré-fabricado 25 Uso de inovação tecnológica (Telhado verde, telhas com isolamento térmico ou superfície reflexiva 36

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Ilustração: Ornã Salvioni

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REFORMA

NOVO DE NOVO O

apartamento antigo e amplo no centro de Rio Preto passou por uma reforma geral, feita pela arquiteta Daniela Abudi para abrigar um jovem casal. Os espaços foram integrados e a decoração deu um aspecto moderno e prático ao imóvel, sem lhe tirar as características especiais.

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PAISAGISMO

Prédio da Academia de Ciências da Califórnia (Califórnia Academy of Sciences), nos Estados Unidos, obra Renzo Piano. O telhado de Rana Creek Arquitetura, ocupa uma área de, aproximadamente, 17.730 mil m² e é coberto por cinco espécies de plantas nativas de São Francisco.

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Fotos: divulgação

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onito, moderno, ecológico, sustentável são alguns dos adjetivos atribuídos aos jardins que ficam nos telhados. Nos últimos anos eles têm ganhado espaço, mas engana-se quem pensa se tratar de uma novidade. Já no século XIX eram comuns as cabanas feitas com teto coberto de gramíneas, nos Estados Unidos. Esse conceito de cobertura pode ser chamado de telhado verde, jardim, ecológico ou vivo. Mas independente da denominação, ele traz uma série de benefícios, que ultrapassam os moradores que habitam o local onde ele está instalado. O telhado ecológico cumpre a mesma função de uma cobertura comum e traz entre suas vantagens a garantia de temperaturas mais amenas no verão e no inverno, isolamento acústico, economia de energia, redução das ilhas de calor nos centros urbanos, diminuição da quantidade de água escorrendo pelas ruas em dias de chuva forte e ar menos poluído. Segundo pesquisas, o primeiro telhado vivo implantado no Brasil é de 1942 e teve como palco a cidade do Rio de Janeiro. Para garantir sua funcionalidade e segurança algumas regras devem ser seguidas. O ideal é que a construção seja realizada na fase do projeto, onde será possível fazer o cálculo estrutural de obra, o volume de terra que receberá, os componentes a serem colocados no jardim e a água que será acumulada. Um engenheiro calculista deve ser consultado. Também é possível implantá-lo em edificações já concluídas. Nesse caso, é imprescindível a consulta a um especialista, para que seja verificada a condição da laje e analisado se será necessário fazer algum reforço estrutural, prevenindo futuros vazamentos, rachaduras e trincas. Tradicionalmente, um telhado verde é feito em camadas. Mais próximo da base, fica a membrana impermeável, para evitar que a

água das chuvas penetre no telhado e provoque infiltrações ou vazamentos. Logo acima, a camada que vai armazenar parte da água das chuvas, que será usada pelas próprias plantas como reserva. Depois vem a camada de terra, que pode variar em espessura. Por último, vêm as plantas.

Impermeável

Impermeabilizar a cobertura e prever um sistema de drenagem faz parte do sucesso do projeto, caso contrário, o acúmulo de água pode levar ao apodrecimento das plantas e à sobrecarga da laje. A impermeabilização pode ser feita com manta ou emulsão asfáltica, que são materiais flexíveis comumente usados em lajes. Feito isso, é preciso colocar uma camada de solo drenante, como argila expandida, com até 10 centímetros de espessura e, sobre ela, uma manta geotêxtil. A terra é colocada logo acima. A manta funcionará como um filtro, que permitirá a passagem da água e não da terra. A drenagem é feita através de ralos e tubulações adequados para que a água tenha fácil escoamento.

Opções de jardim

Os espaços verdes nas alturas podem ser simples gramados e forrações ou projetos mais elaborados, com plantas jardineiras, caminhos, nacos para apreciação, pérgulas, espelhos d’água, entre outros componentes. Tudo dependerá do espaço disponível. O ideal é que o jardim suporte uma camada de, pelo menos, 45 centímetros de terra para o plantio de arbustos e arvoretas. Caso sejam usadas espécies de grande porte, a profundidade ideal é de 80 centímetros. A escolha das plantas a serem usadas deve ser criteriosa: o ideal é selecionar vegetais que resistam às condições climáticas da cidade onde serão usadas, e que não sirvam como habitat de insetos, como no caso das bromélias, 43


que abrigam larvas do Aedes Aegypt. Uma dica é optar por plantas leguminosas, porque resistem mais ao tempo e à falta de água. Boas opções são clúsias, moréias bicolor, tamareiras de jardim, e nadinas. Fique atento também para não implantar espécies de crescimento muito enérgico, pois as raízes podem prejudica a estrutura da edificação. Dentro das proibidas estão chéfleras e as unhas de gato. Atenção aos pontos de água no local, para o uso de mangueiras. Em áreas externas é possível instalar irrigação automatizada, proporcionando mais praticidade e conforto. A manutenção tem de ser feita como em um jardim convencional. Os cuidados são os mesmo. Podas, adubações e regas regulares garantem um jardim saudável.

Cinco motivos para investir nos telhados verdes Ecologia - regula o nível de escoamento de águas pluviais. Conforto - a camada de plantas faz com que o local permaneça fresco. Sustentabilidade - é melhor que o telhado comum. Simplesmente porque os dois principais fatores de degradação da membrana das telhas, os raios ultravioleta do sol e do ciclo de congelamento/descongelamento são muito atenuados pela camada de solo ou composto, o que torna a vida da membrana mais prolongada. Praticidade - o telhado verde permitirá fazer um jardim de flores, ervas ou até servir como terraço. Estética - um telhado verde melhora a aparência de um edifício, tornando-o mais convidativo.

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Fotos: Flávia Seixas

Paredes verdes garantem jardins onde não há espaço

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er um jardim em casa, até mesmo dentro dela, é um desejo que já se tornou possível mesmo para quem não dispõe de espaço físico. A novidade é chamada de parede verde, e com a orientação de um profissional capacitado, pode ser instaladas em vários espaços externos ou internos. Pesquisas mostram que, a plantação de espécies vegetais em paredes pode diminuir a poluição nas cidades em até 30%. Aliar essa vantagem com a possibilidade de convivência diária com uma área que além de melhorar a qualidade do ar, umidade, temperatura, ainda embeleza, vale à pena.

Veja as técnicas mais usadas segundo Flávia Seixas, da Verdeplan. Blocos cerâmicos especiais com diversos módulos que funcionam como vasos, planejados para receber irrigação. Blocos de concreto, com desenhos diferenciados próprios para este fim. Vasos em fibra de coco, podem ser fixados em painéis de madeira , bambu, metal ou qualquer outro material. Vasos plásticos, preferencialmente fabricados a partir de material reciclado, em formato meia lua, podem ser fixados em treliças metálicas ou painel de madeira de demolição. Manta geotextil costurada sobre tela, em forma de bolsas, aplicada sobre tela onde as plantas são fixadas.

Vantagens Parede verde projetada por Flávia Seixas

- Possibilidade de um jardim em locais onde não se dispõe de espaço e ou terra. - Pode ser instalado em áreas externas ou internas. - Reduz a poluição do ambiente, plantas absorvem gases poluentes e gás carbônico. - Funciona como isolante acústico. - Reduz a temperatura de ambientes internos. - Extremamente decorativos.

Exigências - Luz natural em intensidade suficiente para a sobrevivência das plantas. - Impermeabilização eficiente do muro ou parede onde será instalada. - Prever escoamento da água excedente da irrigação. - Ponto de água acessível para a irrigação. 45


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VITRINE

Estes são sustentáveis

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elecionamos alguns ítens que o mercado oferece e que em comum, têm a vantagem de serem bonitos e ecologicamente corretos.

Diferentes

As pastilhas recicladas da linha BioplantMosarte (Casa dos Construtores), além de lindas e diferentes, são elaboradas com madeira de reflorestamento.

Sustentável até no teto

Com o fluxo luminoso de 40W as novas luminárias de embutir com LED (Via Light) têm design moderno, anti-ofuscante com difusor e acrílico recuado.

Origem certa

As tábuas de pinus (Madeireira Pantanal), produto de reflorestamento, têm tamanhos variados e possui origem certificada.

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Antigo descarte

As pedras roladas (Pedregal) vêm do aproveitamento de material. São sobras das pedras obtidas durante o processo de extração, colocadas em máquinas e roladas até ficarem redondas. Antes descartadas na natureza, assoreando rios, hoje são vastamente utilizadas na decoração de jardim.

Parece, mas não é

A madeira plástica (Bernardete Representações) substitui com perfeição a madeira natural, com a vantagem de não precisar de verniz e manutenção. Para cada 10 kg de resíduos, são produzidos 10 quilos de madeira plástica.

Obra limpa

A energia consumida no processo construtivo de uma casa feita de tijolo ecológico é metade da gasta para fazer uma casa similar em alvenaria convencional e seu resíduo é totalmente reutilizado. (Tijolo. eco, da Verdesign) 49


H2O

Feita através de matéria-prima reciclada, a linha Série 100 da Fiandre (Artcon Acabamentos) tem como sua principal propriedade o processo de fotocatálise,capaz de substituir gases novos por oxigênio, e propriedades antibacterianas

Cores diferentes

Sem oferecer riscos à saúde, pois não tem amianto em sua composição, as telhas ecológicas (Eter-rio) são produtos da reciclagem de garrafas pet ou resíduos de fibra vegetal.

Amostra fina

Madeiras secas de demolição tratadas dão um ar bonito aos painéis para deck e o colorido da mistura de diferentes madeiras acrescenta um colorido especial que pode ser usada também em paineis na parede (Jozan)

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DICAS

VocĂŞ faz a sua parte?

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Foto: Donizeti Batista

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consumo sustentável baseia-se na ideia de que o planeta não pode suportar os padrões utilizados nas últimas décadas para a extração, produção, comercialização e descarte de bens. Está na hora de aprender a consumir, evitando desperdícios, reutilizando e reciclando tudo que for possível. Mas mesmo focando em consumo equilibrado é impossível não gerar resíduos, nestes casos devemos nos comprometer em fazer o descarte nos locais corretos.

Descarte sustentável A verdade é que muita gente até gostaria de descartar o “lixo” no local certo, mas por comodidade e até mesmo falta de informação sobre como proceder, acaba optando pelo mais fácil, que é jogar tudo na lixeira residencial. Mas dar a correta destinação final não é tão difícil assim, e o saldo positivo para o planeta e seus habitantes é incalculável. Por isso, listamos alguns locais que recebem produtos diferenciados, assim ajudamos você nessa tarefa.

* Pilhas e baterias - as agências do banco Santander têm o recipiente para deixar pilhas e baterias. Como ficam no espaço dos caixas eletrônicos, estão abertos inclusive aos finais de semana; - as unidades da farmácia PHG Grindélia também recebem esses descartes. Estão localizadas na: rua Marechal Deodoro, 3324; e avenida Francisco das Chagas Oliveira, 1320.

xadas nas lojas que a comercializam. Uma dica é, ao comprar o produto, perguntar se a loja recebe as lâmpadas usadas, para dar a correta destinação final. Dê preferência as que fazem isso.

* Óleo de cozinha usado - cada litro de óleo jogado no ralo é capaz de poluir um milhão de litros de água. Os su-

permercados da rede Tome Leve, recebem o produto. As unidades ficam na: avenida Nossa Senhora da Paz, 1095; rua Silva Jardim, 2073; e avenida dos Estudantes, 2614. * Remédios vencidos - estima-se que a cada quilo de remédio que vai para o lixo comum, 450 mil litros de água são infectadas. As unidades da farmácia Droga Raia recebem esses produtos e dão a eles a correta destinação final. Basta chegar e deixar. * Lâmpadas fluorescentes - elas são altamente tóxicas e não podem ser jogadas no lixo comum. De acordo com a lei, os fabricantes são responsáveis por recolhê-las. E para chegar ao fabricante, elas devem ser dei-

* Celular e baterias - as principais operadoras mantém programas de recolhimento desses equipamentos. Já baterias de carros, pneus, equipamentos eletrônicos (computador, televisores, etc), exames de raio X, e até mesmo sacos onde vem cimento e cal, que demandam cuidado especial no manuseio, são produtos que podem ser levados até a Cooperlagos. O local está habilitado a receber todos esses materiais, e encaminhar para a correta destinação final. Fica na avenida Dr. Cenobelino de Barros Serra, 1580, Parque Industrial. Outras informações pelo fone (17) 3212-1530. Pontos de Apoio Outra opção em São José do Rio Preto, para quem não pode ir até a Cooperlagos, é deixar os materiais nos Pontos e Apoio, que estão instalados em vários bairros. Veja o que fica mais próximo a você, e faça a sua parte. Eles estão nos seguintes bairros: São Francisco, Jardim Soraya, Jardim Yolanda, Castelinho, São José do Rio Preto I, João Paulo II, Jardim Nazaré, Conceição, Parque das Flores, Jardim Antunes, Santo Antonio, Jardim Nunes, Cidadania, Solo Sagrado, Atlântico, Residencial Gabriela e Ana Célia além da faculdade Unesp. 53


DICAS

Sebrae disponibiliza cartilha voltada às práticas sustentáveis

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Sebrae-SP disponibiliza a cartilha “Como lucrar mais adotando práticas sustentáveis?”. O guia vai auxiliar os microempreendedores individuais (MEI) a aumentar a margem de lucro por meio da adoção de atitudes cidadãs e voltadas ao consumo racional de energia e água, além da redução, reuso e reciclagem de resíduos. Contendo dicas valiosas, o guia esclarece, em detalhes, quais tipos de equipamentos sanitários resultam em maior economia de água da descarga, orienta o consumo de produtos biodegradáveis – que se decompõem com facilidade no meio ambiente – e, entre outras informações, ensina como utilizar o sistema de ventilação de forma a minimizar o gasto de energia elétrica no estabelecimento, evitando, inclusive que lâmpadas fiquem acesas em locais sem muita utilização. “A cartilha é um canal importante para que os empreendedores conheçam e utilizem práticas sustentáveis, inclusive impactando em aspectos de lucratividade. Fabricar produtos ou prestar serviços que não degradem o meio ambiente, promover a inclusão social e participar do desenvolvimento da comunidade, entre outras iniciativas, são diferenciais cada vez mais importantes para as microempresas conquistarem novos consumidores e clientes”, diz o superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano. Em suas páginas centrais, o guia ensina de modo didático, e com ilustrações tridimensionais, atitudes simples a serem adotadas no dia a dia do empreendimento para torná-lo sustentável na prática: da otimização da coleta seletiva à manutenção dos equipamentos de refrigeração; do aproveitamento da água da chuva para irrigação de jardins e limpeza de áreas externas à reutilização de embalagens e produtos de forma criativa e da preferência por equipamentos elétricos eficientes. 54

Torne seu empreendimento sustentável

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Otimize o uso de veículos automotivos: em entregas e recebimento de mercadorias, faça a programação de percurso e calendário. Estimule um programa de carona entre os funcionários. Leve em consideração a distância do fornecedor na hora da compra. Isto melhora a qualidade do ar, o trânsito e gera economia de recursos antes desperdiçados.

2

Dê uma melhor destinação aos seus resíduos orgânicos: faça parcerias com produtores agrícolas locais para a realização de compostagem orgânica. Este resíduo é uma excelente matéria-prima para geração de adubo e energia.

3

Pinte seu telhado de branco: a pintura branca faz com que o telhado esquente menos e também deixa o ambiente interno com temperatura mais agradável. Com isso, irá diminuir o uso de ar-condicionado ao longo do dia.

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Pergunte ao seu cliente se ele realmente precisa de sacolas para mercadorias: uma sacola plástica descartada de modo errado leva até 400 anos para se decompor. Tenha em seu estabelecimento opções e sacolas reutilizáveis.

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Mangueira não é vassoura: água é vital para o ser humano e demais formas de vida do planeta. Use com sabedoria. Em calçadas e áreas externas use balde e vassouras. Para conseguir a cartilha basta ir a um escritório do Sebrae-SP para retirar. Ou através do site no endereço http://sebr.ae/sp/sustentabilidade_mei


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ESPECIAL PROJETO SUSTENTÁVEL Marcelo Pala

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Projeto arquitetônico e de vida Por Denise Farina

A

imagem da casa, vista pelo Google Earth, cercada por uma mata nativa, enche os olhos de paz; logo, a música imortalizada na voz de Elis Regina vem à mente: “eu quero uma casa no campo, onde eu possa guardar meus amigos, meus livros e discos, e nada mais...”. Pois a casa do arquiteto Marcelo Pala vai mais longe: preocupado há anos com o conceito de sustentabilidade (e sua formação de arquiteto não deixa dúvidas disso), a casa é cercada de cuidados como a coleta seletiva de lixo, a captação de água de chuva, formação de adubo orgânico, iluminação natural e ventilação equilibrada. Como se não bastasse, com sua extrema sensibilidade, Marcelo criou para si um espaço construído delicioso para a contemplação do entorno, seja nos pátios internos, nas varandas, nos amplos vidros que trazem a natureza mais próxima do interior. Este, um capítulo a parte, é recheado de detalhes coloridos e delicados, objetos de memória e arte, reflexo direto da personalidade do morador. Acompanhe um pouco da história na entrevista a seguir e fique na dúvida: uma casa da cidade no campo ou uma casa de campo na cidade? Pouco importa: lá estão os livros, os discos e, sem dúvida alguma, os amigos de Marcelo Pala calorosamente recebidos. 57


Obras&Dicas - Como surgiu a ideia de fazer uma casa sustentável? Marcelo Pala - Tive uma influência muito grande da terra e da nossa região durante minha infância, quando conheci Roberto Burle Marx através da Gea Cerâmica, na época que eu era vendedor. Na ocasião, percebi que a integração com a natureza não era só um luxo ou moda ocasional, devido a tanta falta de espaço, mas a maneira que eu identifiquei como linguagem de arquitetura que integrava o lado humano e o lado orgânico. Quando expressamos acolhimento, personalidade e calor humano, estamos educando, respeitando e demonstrando que a vida não gira em torno do homem, mas sim em volta da “vida”. Faz quanto tempo que começou a tornar seu sonho realidade? Há 16 anos, quando consegui achar uma propriedade que ainda preservava, por incrível que pareça, uma mancha de mata, consegui iniciar meu sonho. Como foi a concepção desse projeto? Inicialmente era um cubo de vidro, com entradas de ar direcionadas para a caixa d’água, que faz o papel de exaustor e saída de ar quente. Mas na ocasião o vidro ainda era muito caro, e eu colecionava janelas, vitros e ferragens das obras de reformas, daí o conceito foi mudando e aproveitando os materiais para a execução. A execução mostrou alguma dificuldade de mão de obra ou material? A amarração das paredes com arame farpado, que tínhamos na propriedade, e o solo cimento para assentamento da 58


alvenaria requer uma habilidade, pois é uma massa muito seca. Quais os principais itens que fazem essa casa ser considerada sustentável? * exaustão sifonada e dirigida para a caixa d’água, que funciona junto do caixão perdido como um exaustor; * coleta d’água da chuva através das calhas e canaletas que conduzem para a cisterna, no quintal; * concepção das aberturas das janelas voltadas para o sol nascente e ou das aberturas e paredes de anteparo para o sol no verão. A iluminação natural é muito respeitada; * aquecimento de água através de serpentina do fogão à lenha, a qual é alimentada pelo resto das madeiras da obra, das quais inclusive utilizo para fazer moveis e algumas peças; * composteira e a coleta do lixo orgânico, plástico e vidro, sempre; * tenho uma coleta de água da pia e do chuveiro, separada da coleta do esgoto do vaso sanitário, os quais vão para uma fossa separada e tratados com bactérias, limpando o resíduo orgânico e devolvendo a água para o tanque armazenador para irrigar a mata. Qualquer pessoa pode ter um imóvel sustentável? Depende da formação e da grande necessidade de consumo que esta pessoa esta habituada a ter, não adianta coletar água de chuva, separar o lixo orgânico do lixo seco e, por outro lado, comprar roupas e sapatos toda semana, esquecer que o sapateiro e a costureira existem, esquecer da comida no vapor. Assim as atitudes são tão importantes, quanto o conceito. Penso ser uma atitude de respeito ao conjunto. 59


Muitas pessoas dizem sobre o investimento ser mais alto nesse tipo de empreendimento. Isso é real? Existem condições alternativas que acabam por encarecer a mão de obra, e também da separação da tubulação de água e esgoto, e ou do porão e o pé direito mais alto com lambrequim para fazer a exaustão, estamos falando da condição ideal, do ajuste térmico e logístico. A compensação vem com o tempo, pois será menor o consumo de energia, de água potável e assim por diante. A vida não gira em torno do homem.

Iluminação natural

Living

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Pรกtio interno

Mais do que um projeto profissional, fazer uma casa sustentรกvel era um projeto pessoal para o arquiteto.

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CIDADES

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poder público tem investido em algumas mudanças. Mesmo que ainda tenha muito para ser feito, o fato de partir em busca de melhorias já traz esperança de uma nova realidade. Um dos investimentos está no Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, que prevê que 100% das casas contratadas, que serão feitas até 2014, utilizem energia solar para aquecer a água, com foco especialmente no chuveiro elétrico, que costuma ser responsável por grande consumo de energia. Em São José do Rio Preto os aquecedores podem ser vistos nas 2491 casas que integram o conjunto residência Parque Nova Esperança. Cada equipamento solar custou em média R$ 1.700. Com eles, estima-se que a conta de energia fica de 30 a 45% menor. Entulho da Construção Na cidade são produzidas cerca de 1,2 mil toneladas de entulho diariamente. Todo o material recebe destinação de acordo com as normas do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente): 65% é encaminhado à usina de reciclagem de resíduos sólidos e os outros 35% são depositados em cinco aterros sanitários privados, que mantêm parceria com a Prefeitura, além de uma usina privada. Mas isso só foi possível pela parceria entre poder público, empreiteiros e as empresas de caçambas. A usina de reciclagem de resíduos sólidos, chamada Central dos Resíduos da Construção Civil, é referência para todo o Brasil. Estima-se que 2400 pontos de descarte irregulares deixaram de existir, graças à ação. O local tem capacidade de processamento de 80 toneladas/ hora. O entulho é transformado em areia grossa, brita tipo 1 e 2 e pedrisco, que serve de matéria-prima para a fabricação de outros produtos. O material reutilizado serve, entre outras finalidades, para reformar estradas, vias públicas e para fazer calçadas de terrenos públicos. É a chamada pavimentação ecológica. O trabalho é regulamentado pela Lei Municipal 9393/2004, que institui o sistema para gestão sustentável de resíduos da construção civil e resíduos volumosos (móveis deteriorados, grandes embalagens, equipamentos inutiliza-

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dos, etc.). Além de gerar renda para cerca de 60 famílias e proporcionar integração social, o sistema municipal de gestão dos resíduos da construção civil ajuda a cidade na questão da saúde pública. Antes os resíduos de construções eram jogados em terrenos baldios ou nas margens dos córregos da cidade. Além do prejuízo da paisagem isso gerava pontos de proliferação de escorpiões, roedores e mosquitos da dengue. Pontos de Apoio Os pontos de apoio são espaços criados pela Prefeitura para a captação de pequenas quantidades de entulho (menos de 1m³) e mobiliário sem condições de uso. Nesses locais o entulho é separado entre o material que pode ser reciclado e o que necessita ir para um aterro sanitário. O que pode ser deixado no local: madeira; plástico; metal; vidro; papel e papelão; restos de podas de árvores; móveis sem condições de uso; eletrodomésticos sem condições de uso; pedaços de automóveis, motos e bicicletas; materiais cerâmicos (tijolo, blocos, pisos, azulejos etc.); e pequenas quantidades de entulho (até 1m³). O que não pode ser descartado no local: grandes quantidades de entulho de construção (mais de 1m³); lixo doméstico; lixo hospitalar ou de serviços de saúde (dentistas, clínicas veterinárias, clínicas estéticas etc.); e peças que não cabem na traseira de uma caminhonete. Compostagem A cidade conta também com uma usina de compostagem, responsável por dar um correto destino final para os resíduos. Como cada morador produz um quilo de lixo por dia, são cerca de 400 toneladas diariamente, sendo que 60% é composto por restos de alimentos. Quando os caminhões chegam, funcionários vasculham e selecionam aquilo que pode ser aproveitado, e o que segue vai para um aterro sanitário. A matéria orgânica, composta por alimentos desperdiçados que são jogados no lixo, segue outro destino e é reaproveitada. Ela fica em um galpão na usina por 60 dias, em processo de compostagem, até que viram adubo.


Foto: Leandro Gasparetti

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APLICADOR DE IMPERMEABILIZAÇÃO Marcos R. Decrescenzo 8103-2765

GUIA DE PROFISSIONAIS

*Os profissionais citados neste guia são indicados por Empresas, Arquitetos e Engenheiros e não pagam por esta divulgação.

ASSENTADORES DE PEDRAS DECORATIVAS Celso 9775-0945 Luiz (Bico) 9613-8613 Vitor Malta 9617-8300 Sebastião Carlos 9147-1685

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ASSENTADORES DE PISOS E REVESTIMENTOS Acir 9158-6994 Berto 9175-8575 José M. Da Silva Filho 9132-8968 José Roberto 9615-4549 Luiz 9116-3111 Luis Antonio 9614-6600 José Ferreira Jr. 3219-1922 Moisés 9614-5585 Osmar Donizeti 9107-9204 Roberto 9201-2110 Sigmar 9156-4957 ASSENTADORES DE PORTAS José Maria 9603-7312 Joãozinho 9722-9628 Luiz Leoral 9722-9628 Luiz Roberto 3222-2495 Laércio Rodr. Da Silva 9165-5342 Marcelo 3013-3234 CARPINTEIROS Claudinho 9701-9702 Clóvis 3224-7542 Jair 3012-9560 José Bigode 3219-2892 Lupércio 3237-3387 Rubão 9712-9405 Rubens 9703-7744 Samuel 3011-4637 Sebastião 9608-5645 Zequinha 3206-5351 CONSTRUTORES Ademir O. Colombo 9112-4237 Adriano Ap. Ferreira 9751-4939 Alcindo Batista Santos 9135-0134 Alipio F. Rodello 9175-3072 Amilton Vieira 9117-4001 Antonio A. Bonil 3016-8907 Antônio C. Scrignoli 9112-5264 Arnando Lois 8811 2423 Carlos Jorge Galdino 9187-8048 Celio Campanhole 9157-4785 Claudemir Rodrigues 3216-7377 Djalma Ap. Troestrof 9739-1954 Djalma Dias 9103-5644 Ednaldo A. Silva 9166-7396 Ernesto R. Neto 9755-3711 Genilton Gomes 9703-1291 Gilberto M. Sales 9182-8167 Ildo Borges Leal 9124-4296 João C. Piovani 9115-6167

José Campanhola 9619-1835 José Carlos Gagliardi 9702-2110 José Felício 8816-7148 José Roberto Pessoa 9771 -3501 Leonilda S. Roberto 9601-8819 Leonildo José (Zé) 9607-9538 Luis Antônio 9614-6600 Luis Ant. De Lima 3012-1527 Luis C. Fr. Gonçalves 9774-7124 Marcelo Roberto de Assis 9106-7696 Marcio Renato C. da Silva 9722-0040 Miguel E. Vetorasso 3224-7070 Nilvaldo Antonio Calbo 9100-2764 Oderdam P. da Silva 9160-3744 Paulo Manoel Da Silva 9103-6073 Roberto D. Oliveira 3013-1265 Roberto R. De Moura 9161-6713 Roberto Pereira Joles 9201-2110 Santana Construções 9106-0267 Sebastiao Ap. Carvalho 9732-4048 Sebastião Venancio 9118-2352 ELETRICISTAS Antônio D. Marques 9128-4595 Anderson 9726-5729 Chicão 9791-3464 Delmondes 3011-9897 Eletromaser 3013-0434 Eletrificação Regiane 9107-7292 Jair Delamura 3014-0729 H-luz 3222-3631 Leandro P. Da Silva 3014-6320 Nei 9154-1189 Elletrisa (Ricardo) 9232-4507 Toninho 9716-2235 Valdir Lino 9722-1191 Volts (Davi) 9196-9137 ENCANADORES Antônio A Da Silva 9114-4273 Carlos Alberto 3011-1338 Ismael R Da Silva 3014-7105 Joaquim R. Da Silva 9784-6546 Luciano A. Ferreira 9167-0716 Pedro Osmar 9605-1927 PINTORES Adão M. de Moraes Augusto Benedito Dito Edilson Edmar Elson (Branco) Januário (Gê) Jamil João Candido Lúcio Ol. Silva Moisés Antoniassi Marcos R. da Silva Marcos Márcio Carvalho Mister Solução Nicão Reis

9104-0121 9713-4718 9164-2102 9100-2700 9736-7639 9101-4610 97282686 3224-2016 9113-8278 9702-8467 9116-0487 9112-3869 9117-7019 9706-4839 9101-8280 8106-5039 9791-2299 9116-9780


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CLASSIFICADOS

ANUNCIE

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17 3353-2556 - 3033-3030

*O Classificados Obras & Dicas não realiza nenhuma operação comercial, todos os dados aqui anunciado são de inteira responsabilidade do anunciante. A relação jurídica estabelecida em qualquer negociação é única e exclusivamente entre anunciante e comprador e se regerá pelo contrato firmado entre estes e a legislação em vigor. Bem como não responde pelo conteúdo dos anúncios, que são de inteira responsabilidade dos anunciantes.

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OPINIÃO

SUSTENTABILIDADE E MEIO AMBIENTE Por Ésio Glasy Arquiteto

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sustentabilidade e a preservação do meio ambiente são questões consensuais nos dias de hoje. A maioria das pessoas e as empresas que adotam a política de responsabilidade social, são unânimes quanto à necessidade de empreendermos ações que garantam a sustentabilidade do planeta. Todavia, ainda acontecem equívocos, já que alguns pensam que a preservação do meio ambiente refere-se ao meio ambiente natural, às florestas, aos rios, a fauna, etc. Esquecemse que o meio ambiente a ser preservado não é apenas o natural, o rural, o agreste, mas também o meio ambiente urbano. Dentro desta ótica, deve ser preservado todo e qualquer equipamento urbano ou edifício que marca uma época histórica da cidade. Empresas mais conscientes de sua responsabilidade, na construção das cidades já tiram partido da preservação do patrimônio histórico para alavancarem a venda de seus empreendimentos. Infelizmente não foi o caso do edifício da Circular Santa Lúzia, que se localizava na Av. Romeu Strazzi, ao lado da loja da Riaço. Máquinas potentes o tombaram no sentido popular da palavra, edifício cuja arquitetura era objeto de pesquisa dos estudantes dos vários cursos de arquitetura da cidade. Seu interesse era devido à sua estrutura peculiar, à sua forma arrojada, aos seus dispositivos de proteção solar, à sua solução de iluminação e ventilação naturais, ao seu elevador de piston que se escondia em meio ao paisagismo da grande praça formada pelos seus pilotis. A decepção se torna ainda maior quando se verifica que o edifício construído nos anos 80, estava localizado em um canto de uma grande área que, por isso, disponibilizava o espaço necessário para a construção do empreendimento nos limites da taxa de ocupação e do índice de aproveitamento permitidos pela legislação municipal. Ou seja, sua preservação em nada prejudicaria o empreendimento. Tal procedimento somente pode ser explicado pela falta de sensibilidade e interesse pela preservação da história da cidade, por parte de quem lhe decretou a decapitação. A necessidade de preservação de nosso planeta e de sua história é cada vez mais presente em todos os cidadãos e nos próprios governos, assim nasce-nos a esperança que fatos como este não voltarão a acontecer.


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Revista Obras e Dicas 36 - Especial Sustentabilidade  

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