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SALVADOR SEGUNDA-FEIRA 17/10/2011

PAULO DOURADO O encenador dirigiu Recital da Novíssima Poesia Baiana, com o grupo Los Catedrásticos, o mais polêmico espetáculo dos anos 90, década de ouro da cena local

3 Elói Corrêa / Arquivo Ag. A TARDE

“A Bahia está invisível e precisa de ações imediatas para se reinventar” Mila Cordeiro/ Ag. A TARDE

EDUARDA UZÊDA

Diretor teatral, professor, roteirista, cenógrafo, dramaturgo, diretor musical e produtor de um grande número de espetáculos, audiovisuais e eventos, Paulo Dourado é plural. Com 28 anos dirigiu a Escola de Música e Artes Cênicas (o mais novo diretor até hoje) e também implantou a TV Ufba, entre outras iniciativas. O projeto democrático de Teatro Popular Contemporâneo de Paulo Dourado, apesar do sucesso e de ter impressionado artistas do porte de Lázaro Ramos – depois de ter assistido a Canudos, Guerra do Sem Fim, o ator decidiu pela profissionalização em teatro –, infelizmente não teve continuidade. “Se o projeto iniciado nos anos 90 tivesse continuidade teríamos outra realidade hoje para artistas e técnicos. Para se ter ideia, Rei Brasil, dentro deste projeto, foi realizado em 2000 e só este ano, 11 anos depois. pude fazer A Paixão de Cristo “, frisa o artista. Para remontar Conspiração dos Alfaiates (será encenado de 8 a 13 de novembro, na Concha Acústica), o encenador conta que praticamente teve que começar do zero no que tange à infraestrutura cênica. “Houve um esvaziamento cultural na Bahia nunca visto antes durante a passagem de Márcio Meirelles pela Secretaria de Cultura. A Bahia está invisível e precisa de ações imediatas para se reinventar no cenário nacional”, pontua. Ele acredita que “ser artista não é uma bênção e sim uma maldição”.

Canudos, Guerra do Sem Fim: a bela saga de Antônio Conselheiro Márcio Lima/ Divulgação

Conspiração dos Alfaiates: luta de homens do povo pela liberdade Reprodução/ Divulgação

Esposas teatrais

Paulo Dourado defende a arte em espaços amplos e abertos

Maldição

Por causa desta maldição, Dourado por três vezes tentou desistir de fazer teatro, mas, felizmente, não conseguiu. Um dos responsáveis pelo seu retorno às artes cênicas é Eugênio Barba, figura central do teatro mundial, seu amigo pessoal. Dourado também tem o mérito de ter dirigido o espetáculo mais polêmico e irreverente dos

anos 1990: A Novíssima Poesia Baiana, com o grupo Los Catedrásticos, que teve sucesso pelo estilo irreverente de declamar letras da axé music. A boa notícia é que Los Catedrásticos retorna em janeiro de 2012, reunindo os atores Jackson Costa, Maria Menezes e Cyiria Coentro. Só o ator Zéu Brito, por motivos pessoais, não integrará o elenco. Entre outros espetáculos, Paulo Dourado também assinou a direção de A Outra Margem, A Caverna, o Cego, Ubu Rei, Sete Pecados Capitados e Aurora da Minha Vida, Quincas Berro D’Água e a ópera Lídia de Oxum. Este ano, com a Cia Br 116, integrada por Bete Coelho e o baiano Ricardo Bittencourt, montou Cartas de Amor para Stalin, em São Paulo.

O diretor retorna em novembro com A Conspiração dos Alfaiates, na Concha Acústica do TCA

Ele também voltará a dirigir o grupo Los Catedrásticos, que marcou a cena pela irreverência e performances

O diretor faz questão de lembrar de duas dramaturgas com quem tem desenvolvido grandes trabalhos de sucesso. “Cleise Mendes e Aninha Franco são as minhas mulheres no teatro”. E as “esposas”, o que pensam do maridão? A dramaturga Cleise Mendes diz: “Paulo tem uma inquietação criativa, uma ousadia enorme e uma marca autoral forte. Basta lembrar que, nos início dos anos 80, fez Ubu Rei. Hoje, 30 anos depois, a gente vê espetáculos do Rio e São Paulo que são considerados inovadores e ficam aquém do que Paulo fez naquela época. Tudo que faz é ousado, mas não é hermético”. Já Aninha Franco destaca a irreverência de Dourado, “que faz bem ao teatro baiano”, a inovação e o senso de oportunidade. O ator Gideon Rosa, que iniciou a carreira em 1979 com a peça Apesar de Tudo, a Terra se Move, dirigida por Dourado, é um de seus filhos teatrais. “Ele expõe desafios rápidos para o ator. Tem que ter preparo técnico para responder demandas exigidas“, diz, lembrando que na peça A Caverna teve 14 ensaios somente.

Los Catedrásticos: polêmicas com A Novíssima Poesia Baiana Erik Salles / Ag. A TARDE

Os atores Regina Dourado e Jackson Costa em A Paixão de Cristo Marcelo Camelo /Divulgação

MÚSICA

“Pensei em desistir, tem um movimento emocional. Mas decidi fazer a minha música com unhas e dentes”

Mallu amadurece no terceiro disco MARCEL BANE

Já lá se vão quatro anos desde que Mallu Magalhães colocou quatro músicas no Myspace e foi alçada ao status de febre da internet. De lá para cá, lançou dois álbuns homônimos e amealhou fãs fiéis e duras críticas. Baixada a febre, a artista lançou este mês Pitanga, seu terceiro trabalho. Produzido pelo namorado, Marcelo Camelo, e coproduzido pelo americano Victor Rice, o disco marca a legitimação de Mallu como uma artista madura da música popular brasileira, apesar dos 19 anos.

As críticas no início da carreira deixaram marcas. “Eu pensei em desistir. Tanto que neste disco tem todo um movimento emocional, de afirmação. Decidi fazer a minha música com unhas e dentes”, disse. O título resume bem o espírito da obra: agridoce, permeado por belas canções, todas unidas pelo fio da autoralidade artística. Velha e Louca abre o trabalho com uma levada rock, marcada por contratempos e pausas. Os versos “Pode falar que eu não ligo / agora, amigo/ eu tô em outra / eu tô ficando velha / eu

tô ficando louca” soam como uma carta de intenções da liberdade que se experimenta no decorrer da audição. A influência do folk norte-americano, antes um rótulo que amarrava o trabalho de Mallu, é diluída entre ritmos, timbres e texturas. Destaque para o delicioso Sambinha Bom e Olha Só, Moreno. Além do violão, Mallu Magalhães tocou piano, banjo, bateria, clarinete e chocalhos nas gravações.

Agridoce

A voz ainda é doce, mas agora é usada como um às, imprimin-

do personalidade, nuances e tons, ao sabor da música, como atesta a sua performance em Highly Sensitive e Youhuhu. O disco fecha com a etérea Cais. A presença de Marcelo na produção é notada, mas serve para sustentar, criar climas que Mallu soube explorar bem a seu favor. “Eu decidi olhar para dentro, pesquisar dentro de mim mesma. Não buscava referências externas”, disse. Pitanga tem uma relação natural, quase complementar, com Toque Dela, último disco de Camelo. Mas quem dá as cartas aqui é ela.

Mallu Magalhães lança Pitanga, produizido por Marcelo Camelo

Curso em milagres na Casa da Yoga

Festival de música: inscrições abertas

Hoje tem seminário sobre o Carnaval

O workshop Um Curso em Milagres será promovido pelo Grupo Mera, em parceria com a Ucem-Bahia, no dia 29, das 14 às 18 horas, na Casa da Yoga (Alameda dos Eucaliptos, 56, Caminho das Árvores). Trata-se de um curso de treinamento da mente, visando a mudança repentina de percepção para se obter paz. A facilitadora será Maria Amélia Rodas de Carvalho, autora do livro Um Guia Para o Perdão. As inscrições custam R$ 90, até o dia 19, e R$ 120, após. Informações, (71) 9987-5588 e (71) 8152-0300.

Começam hoje e terminam no dia 31 as inscrições para o XVII Festival de Música Instrumental da Bahia, que este ano será realizado nos dias 16, 17 e 18 de dezembro, no Teatro Vila Velha. Para se inscrever, o artista ou grupo deverá apresentar currículo, músicas em mp3 ou myspace, rider técnico/mapa de palco e release do trabalho. As inscrições on line devem ser feitas através do endereço festivalinstrumental2011@gmail. com. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 3341-5795.

O Carnaval Ouro Negro é um programa de apoio a afoxés, blocos afro, de índios, de samba, de percussão e de reggae. Para avaliar e aprimorar a participação das 140 entidades subsidiadas pelo programa, além de informá-las sobre os próximos passos para os carnavais de 2012 e 2013, o Centro de Culturas Populares e Identitárias realiza o Seminário Carnaval Ouro Negro, hoje, a partir das 14 horas, na Faculdade de Medicina, localizada no Terreiro de Jesus, Centro Histórico. A entrada é franca.

“Eu decidi olhar para dentro de mim mesma. Não buscava referências externas” MALLU MAGALHÃES, cantora

CURTAS Festa do samba no Cais Dourado Em sua quarta edição, a Unesamba Fest, que é a festa oficial dos blocos de samba da Bahia, reúne no dia 30, um domingo, atrações da música baiana como Mariene de Castro, Nelson Rufino, Fora da Mídia, Bambeia, Movimento, Filosofia de Quintal, Simone Rayos e banda Reduto do Samba. O encontro, marcado para as 14 horas, será de troca de energias entre jovens baianos e amantes da cultura afrobrasileira. A intenção é atrair grande número de fiéis ao evento, que acontecerá no Cais Dourado.

crédito foto / Ag. A TARDE / 00.00.0000

Nelson Rufino é uma das atrações do Unisamba Fest, no dia 30


Pitanga - Mallu Magalhães