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Expediente

RUI COSTA Governador

JOÃO LEÃO

Vice-governador

VICENTE NETO

Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

ÂNGELA GUIMARÃES Chefe de Gabinete da Setre

ELIAS DOURADO

Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

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Diretor geral da Sudesb

EVERALDO AUGUSTO

Chefe de Gabinete da Sudesb

MARCOS ANDRADE

Diretor de Operações de Espaços Esportivos

WILTON BRANDÃO

Diretor de Fomento ao Esporte

PAULO RIDOLFI

Diretor Administrativo-Financeiro

SINVAL VIEIRA

Diretor de Excelência Esportiva

GUSTAVO MIRANDA

Coordenador Estadual de Esporte

Apoio da Assessoria Técnica para realização do Fórum

ÁLVARO GONÇALVES (assessor chefe) Ilka Oliveira (técnica responsável) Ana Cristina Bernadete Araújo Carla Hanhoerster Jéssica Pires Ney Santos Manuela Santos Ronaldo Santos Estagiários

Vítor Teles Ana Caroline Textos revista

Hilda Fausto – DRT 1748 (coordenação geral) Marcus Carneiro – DRT 3614 Paulo Oliveira - DRT 17027 Fotos

Alexandre Dias (fotos Fórum) Camila Souza (Secom GovBa) João Ubaldo Apoio técnico Ascom Sudesb

Dayse Faleta - DRT 5885 Jéssica Fernanda Estagiários Ascom Sudesb

Daniel Silva Lucas Paixão


Editorial ....................................................................

A Sudesb começou o ano de 2018 em nova casa, funcionando desde janeiro em prédio anexo ao Centro Pan-Americano de Judô, em Ipitanga, município de Lauro de Freitas. No novo endereço, a gestão deu continuidade aos compromissos assumidos com as atividades e projetos esportivos, ampliando ainda mais as ações, sempre na perspectiva de levar políticas públicas a um maior número de municípios e pessoas que atuam no segmento. Ponto alto das concretizações do ano que se finda, foi a realização do II Fórum Internacional do Esporte, cujo principal objetivo foi o incentivo à profissionalização da gestão de entidades esportivas. O encontro internacional foi realizado em junho, no CPJ, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e profissionais de Educação Física. Ainda em janeiro, a Sudesb promoveu o 23º e último encontro do Curso de Qualificação de Gestores de Ligas de Futebol, projeto iniciado em junho/2017 e que levou capacitação para municípios dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Tanto o Fórum quanto o Curso de Gestores foram políticas executadas por nossa instituição com o importante apoio do Ministério do Esporte. Sem essa parceria, seria impossível ao Governo do Estado incentivar e ampliar as ações na área esportiva, política tão necessária para a promoção da saúde e inclusão social de crianças, jovens e adultos. O Programa de Esporte e Lazer da Cidade – Pelc-Bahia, executado pela Sudesb com recursos do Ministério do Esporte, e o Programa Natação em Rede, que atende cerca de três mil pessoas com aulas de natação e hidroginástica são exemplos concretos da forma como o governo estadual entende e gere o esporte, levando sempre em conta aspectos da saúde e da inclusão social. Apesar de toda dificuldade financeira, o ano de 2018 foi também de investimento pesado em infraestrutura esportiva com 26 convênios firmados com Prefeituras e 11 contratos de execução direta para obras importantes no interior, atendendo modalidades como canoagem, atletismo, além do futebol. Realizamos, ainda, a 10ª edição da Copa 2 de Julho, hoje considerada como o mais importante evento do futebol de base sub 15 do país. Para concretizar a edição comemorativa, o Governo do Estado contou também com recursos do Ministério do Esporte, que pela primeira vez investiu no campeonato que em média reúne 40 equipes brasileiras e internacionais. A cobertura do Fórum Internacional e de muitas outras ações da Sudesb em 2018, você poderá ler nas próximas páginas dessa edição. Enfatizamos nesse editorial a parceria com o Ministério para mostrar a importância dessa estrutura para se fazer a gestão esportiva no Brasil. Não estamos alheios aos muitos desafios que estão por vir, principalmente quando o novo governo anuncia intenção de promover mudanças significativas no órgão máximo do Esporte brasileiro. O Governo do Estado e a Sudesb seguem firmes no propósito de colocar a Bahia e o Brasil em um patamar destacado no cenário esportivo internacional.

Boa leitura! Elias Dourado

Diretor geral da Sudesb


Gestão esportiva em debate O II Fórum Internacional do Esporte levou gestores, atletas e estudantes de Educação Física da Bahia ao Centro Pan-Americano de Judô, em Ipitanga, Lauro de Freitas, para uma discussão qualificada sobre os desafios da gestão pública esportiva. Realizado dias 8 e 9 de junho/2018, possibilitou o debate também sobre outros temas, como o legado de grandes eventos olímpicos (Copa do Mundo e Olimpíada) para a Bahia e para o Brasil, a formação de atletas gestores, direitos esportivos, inclusão social, leis de incentivo, dentre outros assuntos que apresentamos nas próximas páginas desta publicação. O encontro teve como palestrantes convidados nomes internacionais como o português Pedro Gaspar, diretor da arena multiuso Oldivelas, na Grande Lisboa, e Laura Ivete Pujol Torres, cônsul geral da República de Cuba na Região Nordeste. A cônsul esteve acompanhada de Yumilka Ruiz Luaces, ex-atleta da seleção de vôlei de Cuba, bicampeã olímpica, que trouxe para atletas e gestores baianos um pouco da sua experiência profissional. Destinado a acadêmicos e agentes do terceiro setor e da comunicação, a profissionais de Educação Física e de instituições públicas e privadas de ensino superior, o II Fórum Internacional de Esporte foi organizado pela Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego Renda e Esporte, com apoio do Ministério do Esporte por meio de emenda parlamentar do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB). 4


A programação artística da abertura do II Fórum buscou valorizar a cultura da Bahia e prestigiar projetos sociais apoiados pelo Governo do Estado por meio da Sudesb e outras estruturas governamentais. Crianças, jovens, adultos e idosos se apresentaram com muita vibração e talento, dando as boas-vindas aos participantes do encontro internacional!

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Apresentações culturais valorizam o Fórum

A funcionária da Sudesb, Manuela Santos, declamou o poema “Soneto de Fidelidade”, de Vinícius de Moraes.

O Balé da Melhor Idade, do bairro de Cajazeiras, e o grupo “Arte da Ginga” (capoeira) fizeram o show da cerimônia de abertura do Fórum Internacional.

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Ponto alto da programação cultural foi a apresentação da orquestra Neojiba (núcleo do Nordeste de Amaralina). Criado pelo Governo da Bahia em 2007, o projeto Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba) tem por objetivo promover o desenvolvimento e a integração social prioritariamente de crianças, adolescentes e jovens em situações de vulnerabilidade por meio do ensino e da prática musical coletivos. É uma política pública construída com a participação da sociedade e das empresas parceiras. Hoje, encontram-se em funcionamento 12 Núcleos de Prática Musical do Neojiba, sendo 11 na capital e 01 em Trancoso, no município de Porto Seguro.

Teve também samba de roda na abertura do II Fórum com a participação vibrante de 15 senhoras do grupo de dança “Balé da Melhor Idade”, projeto de Cajazeiras que tem apoio da Sudesb. 7


Ciro Winckler

Os desafios do paradesporto nos dias atuais

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Palestrantes

Professor da Unifesp, Doutor em Educação Física pela Unicamp, Professor Associado da Universidade Federal de São Paulo, coordenador de Alta Performance do CPB (2004-2016). Autor de inúmeros livros e estudos na área do esporte paralímpico publicados em periódicos científicos. Contribui para a divulgação da Ciência do Esporte no Brasil, tendo participado de cinco edições de Jogos Paralímpicos (2000-2016).

Gildásio Daltro

O Esporte na perspectiva da saúde e inclusão social Médico, Doutor em cirurgia e professor titular da Faculdade de Medicina/ Universidade Federal da Bahia. Possui graduação em Medicina pela UFBA (1974), Doutorado em Cirurgia (1999) e Livre Docência (2001) pela Faculdade de Medicina da Bahia (FMB-UFBA). Atualmente é professor titular da UFBA – FMB e chefe do serviço e do Programa de Residência Médica de Ortopedia e Traumatologia do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (COM Hupes-UFBA).

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Laura Ivet Pujol Torres

A experiência cubana: da iniciação ao alto rendimento Licenciatura em Contabilidade e Finanças pela Universidade de Havana. Mestre em Relações Internacionais (Menção Econômica), Instituto Superior de Relações Internacionais Raul Roa García /2007. Desde 2013, é cônsul geral de Cuba para o Nordesde do Brasil com sede em Salvador/Bahia. Entre 1997-2000, ocupou o cargo de especialista em direção de Finanças Externas do Ministério das Relações Exteriores, e entre 2000 e 2003 foi vice-cônsul do Consulado Geral de Cuba em Milão, Itália.

Luciano Atayde Costa Cabral

Atleta x Gestão: superação de limites Graduado e com especialização em Educação Física pela Universidade Federal de Alagoas (1996), é mestrando na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e acadêmico do 10º período em Direito na Faculdade de Alagoas. Está secretário de Esportes da cidade de Maceió, presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário, vice-presidente da Federação Internacional de Esporte Universitário, professor efetivo da Secretaria Municipal de Educação de Maceió e efetivo da Secretaria Executiva de Educação do Estado de Alagoas.


Leis de Incentivo Fiscal ao Esporte Professor de Educação Física, licenciado pela Universidade Gama Filho, com MBA em Gestão na Fundação Getúlio Vargas. Atuou no Ministério do Esporte de 2009 até 2015, reassumindo recentemente o cargo de diretor do Departamento de Incentivo e Fomento ao Esporte e presidiu a comissão técnica da Lei Federal de Incentivo. Criou e estruturou o Departamento de Incentivo e Fomento ao Esporte vinculado à Secretaria Executiva do Ministério do Esporte.

Vicente Neto

Esporte na Bahia: desafios e possibilidades Formado em Turismo pela Faculdade de Turismo da Bahia (Factur); pós-graduado em Administração pela UFBA, sendo também bacharelando do curso de Direito da Faculdade Dois de Julho. Desde abril/2018, é o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia. De 2011 a 2013, desempenhou, no Ministério do Esporte, as funções de chefe de Gabinete; secretário Nacional de Educação, Esporte, Lazer e Inclusão Social; e secretário Executivo Substituto, chegando a assumir, em caráter interino, as funções de ministro.

Pedro Jorge Gaspar

Produção e gestão de eventos Possui formação e especialização em marketing internacional, gestão de marketing, plano de marketing, branding, gestão de uma marca, prospecção comercial, marketing digital e promocional, inovação e empreendedorismo, comunicação e imagem da empresa. Tem experiência em copas do mundo, mundiais de judô, eventos de jiu-jitsu, ginástica, entre outros grandes eventos internacionais. Atualmente, é diretor da arena multiuso Odivelas, em Portugal.

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Paulo Vieira

Milton Jordão

Direito Esportivo Advogado; Mestre em Políticas Sociais e Cidadania pela UCSal; Mestrando em Direito Desportivo pelo Institut Nacional d’Education Física de Catalunya/ Universitat de Lleida (Espanha); secretário geral da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia; presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB/BA; conselheiro da OAB-Seccional Bahia, nos triênios 2009/2012 e 2012/2015; presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Judô; diretor-presidente e sócio fundador do Instituto de Direito Desportivo da Bahia; membro do Conselho Editorial da Revista Síntese de Direito Desportivo e Direito Penal e Processo Penal; professor de Direito Desportivo e Direito Penal.

Romilson Augusto dos Santos

O papel do Esporte no desenvolvimento de crianças e jovens Doutor e Mestre em Educação pela UFBa. Especialista em Metodologia da Educação Física Infantil pela UCSal; em Marketing pela Unifacs, em Comunicação Estratégica e Gestão de Marcas pela Faculdade de Comunicação/UFBA. É professor Adjunto IV da UFBA, coordenador do Curso de Licenciatura em Educação Física, coordenador do Curso de Especialização em Atividade Física e Saúde no Contexto da Educação Básica e secretário estadual do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte da Bahia - CBCE. Coordena o Programa de Extensão Universitária intitulado "Mosaico: trocas de saberes e tecnologias sociais em educação, comunicação, cultura, esporte e lazer" (PROEXT/UFBA) e o Projeto Lazer Cidadão: uma ação comunitária. 13


Com realização do Fórum, Sudesb incentivou profissionalizar gestão das entidades

O II Fórum Internacional do Esporte

serviu para a reflexão sobre as melhores maneiras de profissionalizar a atividade da gestão esportiva, respeitando as leis e as regras que regulam cada modalidade com vistas a massificar a prática esportiva e a estruturar a cadeia produtiva do esporte. Esta foi a avaliação do diretor geral da Sudesb, Elias Dourado, ao fazer um breve balanço do encontro internacional. O dirigente acredita que com a apresentação de projetos cada vez mais bem desenvolvidos e aproveitando a sensibilização da sociedade para atividades como caminhada, ginástica, lutas marciais e dança será possível obter uma forma de vida melhor para a população, aumentar o protagonismo das pessoas na sociedade e até mesmo alcançar melhores resultados nos esportes de alto rendimento (ver matérias sobre assunto às páginas 10 a 14 da revista que traz outras ações da Sudesb). “Construímos esse fórum na perspectiva de analisarmos diversas situações: o legado da 10

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Dirigentes da Sudesb acompanharam debates do encontro internacional

Copa do Mundo e da Olimpíada para a Bahia e para o Brasil; como melhorar a saúde, educação e segurança pública através do esporte, além de também aperfeiçoar e propor uma legislação específica de financiamento da atividade esportiva”, disse. Ainda de acordo com o diretor, foram apresentadas duas experiências internacionais de sucesso. Uma mais sistêmica do esporte como fator de inclusão social, que é a experiência cubana, fundamentada na valorização da iniciação esportiva ao alto rendimento, e outra de Portugal, sobre um exemplo bem-sucedido de gestão de equipamento esportivo pelo poder público em parceria com a iniciativa privada.

“O Fórum foi o momento de ouvir

informações e dividi-las com os esportistas que gerenciam federações, confederações, associações e clubes, preparando todos nós para futuras batalhas de crescimento do esporte”


O diretor da Sudesb conta que esteve em Odivelas, na Grande Lisboa, observando que que o equipamento português, ao ser transformado em espaço multiuso, apresentou desempenho fabuloso, atraindo milhares de pessoas todos os dias. “Eles fizeram esse trabalho levando em conta a importância do equipamento, mas acima de tudo o bom uso para dinamizar o esporte. Passaram também a atuar com arte, cultura e promoções. Experiência muito interessante”, relatou.

Gestão do esporte baiano Elias Dourado aproveitou a oportunidade para falar de iniciativas da Sudesb que estão sendo implantadas para ampliar o potencial esportivo no estado. Ele destacou a construção de centros de treinamentos de diversas modalidades. “Inauguramos o centro de canoagem de Itacaré no início de julho. Os de Ubaitaba e

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O debate sobre esporte no Brasil, segundo Dourado, “às vezes fica enviesado”. Ele cita como exemplo a discussão sobre a utilidade de se fazer um equipamento, quando na verdade o grande desafio é saber como usá-lo bem.

Centro de Canoagem de Itacaré

Ubatã serão entregues em curto prazo. Em 2019, teremos o de Itajuípe e o centro de canoagem e remo de Salvador, em Pituaçu. Além da canoagem, a Conder já está licitando o projeto básico para construção do centro de treinamento de boxe, na Cidade Baixa”, revela. Como legados esportivos importantes garantidos pelo Governo do Estado, o gestor destaca a Arena Fonte Nova, um equipamento multiuso feito à época da Copa do Mundo e cuja construção e gestão são feitas por meio de Parceria Público Privada (PPP), a piscina olímpica da Bahia e o Centro Pan-Americano de Judô (CPJ), inaugurado em 2014, em Lauro de Freitas (RMS) e considerado um equipamento referência para todo o judô da América Latina.

Arena multiuso Fonte Nova, legado importante da Copa do Mundo 2014 11


Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

Ciclo virtuoso das políticas de esporte precisa avançar

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Vicente Neto

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etor estratégico para a promoção da inclusão social, da qualidade de vida e da geração de emprego e renda, o esporte ganhou proeminência na agenda das políticas públicas no Brasil durante o Governo Lula, quando conquistou status de ministério autônomo. A partir daí, um novo caminho começou a ser traçado, com ações sistêmicas voltadas para a democratização da prática esportiva em suas três dimensões: educacional, de participação e de alto rendimento. Nesse sentido, vale destacar a criação de programas como Segundo Tempo, Esporte e Lazer da Cidade e Bolsa Atleta, que demonstram o reconhecimento do esporte como direito social e fator de desenvolvimento humano. O redirecionamento da política esportiva levou o Brasil a ser escolhido para sediar a Copa do Mundo da FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Com isso, o país recebeu importantes investimentos para a construção de arenas, complexos esportivos e centros de treinamento. Na Bahia, os equipamentos edificados para receber os megaeventos esportivos, como o Centro PanAmericano de Judô, a Piscina Olímpica e a Arena Fonte Nova, tornaram-se um importante legado social. Diariamente, esses espaços são utilizados para treinamento de atletas de alto rendimento, atividades esportivas gratuitas para a comunidade, capacitação de agentes da área e eventos de pequeno, médio e grande portes.


Na contramão dos retrocessos no âmbito federal, o Governo da Bahia segue ampliando os investimentos na infraestrutura e em programas sociais do segmento esportivo. Neste momento, está em andamento no estado um conjunto de obras sem igual no Brasil: são 12 pistas de atletismo e quatro centros de canoagem. Além disso, o projeto executivo para a construção de um centro de referência para o boxe está em fase de contratação. Os programas e projetos da área também impressionam pela abrangência. As Escolinhas de Esportes oferecem aulas de natação, hidroginástica, ginástica geral, dança de salão e futebol para 15 mil pessoas, em núcleos de atendimento que funcionam na capital e no interior do estado. O Programa de Esporte e Lazer da Cidade (Pelc-Bahia) atende 34 mil crianças, homens e mulheres, em 78 municípios baianos, e gera 700 empregos diretos. Com quatro núcleos em Salvador e em Lauro de Freitas, o Projeto Natação em Rede contempla mais de 2 mil pessoas. Só em 2018, mais de 15 mil baianos participaram de atividades esportivas em projetos do Governo do Estado, que

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A extinção do Ministério do Esporte, anunciado pela equipe do presidente recém-eleito, representa o fim desse ciclo virtuoso para o esporte brasileiro, que voltará a ficar em segundo plano na pauta de prioridades nacionais. Toda a sociedade, especialmente as entidades do segmento esportivo, precisa se mobilizar contra esse desmonte da política pública de esporte, que teve início ainda no ano passado, quando o Governo Federal reduziu 87% da verba disponível para os programas da área.

são executados por organizações sociais selecionadas por meio de chamada pública. A formação dos atores do segmento esportivo também recebe atenção especial. O Programa Caravana do Lazer capacitou este ano 1,4 mil agentes de lazer em 32 municípios baianos com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e com alta vulnerabilidade. O curso de Qualificação de Gestores de Ligas de Futebol ofereceu noções básicas para o desenvolvimento de ações administrativas, gestão de projetos, marketing esportivo e relações interpessoais para mais de um mil dirigentes de ligas de futebol, diretores, coordenadores e secretários de Esporte dos municípios baianos. O Programa Estadual de Incentivo ao Esporte Amador Olímpico e Paralímpico (FazAtleta) beneficiou, desde 2015, 309 atletas e eventos de mais de 20 modalidades esportivas, com um investimento de R$ 15,3 milhões. No mesmo período, recursos na ordem de R$ 1,1 milhão chegaram a 110 atletas de diversas áreas, por meio do Bolsa Esporte. Em conjunto, todas essas ações consolidam a Bahia como uma referência no desenvolvimento de políticas públicas do esporte e atraem grandes eventos esportivos nacionais e internacionais para o estado, como os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) 2019, que acontecerão na Região Metropolitana de Salvador. Maior competição esportiva universitária da América Latina, o JUBs reúne, em uma única edição, mais de cinco mil alunosatletas de todo o país, em 15 modalidades individuais e coletivas.

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Palestra sobre Lei de Incentivo despertou interesse do público Um dos assuntos que mais provoca-

ram perguntas do público presente ao Fórum foi a discussão do tema sobre Leis de Incentivo Fiscal ao Esporte. A palestra foi apresentada pelo professor de Educação Física carioca Paulo Vieira, criador e atual diretor do Departamento de Incentivo e Fomento ao Esporte e que atuou no Ministério do Esporte entre 2009 e 2015. Na oportunidade, Vieira apresentou todo o processo de inscrição e aprovação de projetos esportivos, ressaltando a Portaria 115 do Ministério do Esporte, publicada no Diário Oficial da União em 04 de abril de 2018, que exige mais transparência e maior fiscalização na prestação de contas de verbas públicas. A Lei de Incentivo, aprovada em 2006 e implantada em 2007, permite o financiamento, por meio de incentivos fiscais, de projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte, que será extinto e in-

corporado ao Ministério da Cidadania no próximo governo. Os projetos podem ser apresentados por instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, com mais de um ano de funcionamento e sem ter dívidas com a União. Paulo explicou que é necessária a apresentação de uma série de documentos, incluindo o estatuto da instituição, comprovação de capacidade técnica-operativa, três orçamentos de cada item de despesa e carta de doação ou patrocínio, o que garante maior celeridade na aprovação. O responsável pelo projeto precisa ainda comprovar que não tem capacidade de atrair investimentos ou financiamentos, declarar viabilidade e autonomia financeira da entidade proponente. “Desde o mês de junho de 2017, passou a ser exigida que a instituição seja certificada no Ministério do Esporte”, lembrou Vieira.

“Sem a lei de incentivo, o esporte brasileiro viveria um tsunami. Em 2017, foram autorizadas captações no valor de R$ 648 milhões, sendo que houve a concretização de R$ 241 milhões”

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O professor Paulo Vieira, criador do Departamento de Incentivo e Fomento do Ministério do Esporte, explicou detalhadamente o funcionamento da lei de incentivo

Adequação estatutária Segundo explica, as entidades que buscam incentivos precisam fazer mudanças em seus estatutos, caso eles não prevejam, dentre outras coisas, mandato presidencial de quatro anos com apenas uma reeleição, a destinação de todo resultado financeiro à manutenção e desenvolvimento de objetivos sociais, transparência quanto a dados financeiros e econômicos, alternância no cargo de direção e existência e autonomia de Conselho Fiscal. “É preciso que tenhamos em conta que estamos falando de dinheiro público. Tudo que uma empresa investe, ela abate o valor de impostos. Por isso, os Ministérios Públicos Federal e Estadual e o Tribunal de Contas da União acompanham, monitoram e exigem a comprovação dos gastos”, destacou. “Gastou errado, haverá devolução. Se o responsável morrer, a família terá que pagar”, alertou. Há ainda a necessidade de comprovação da capacidade técnica

da entidade, através de portfólio, reportagens, parcerias, capacitação dos envolvidos e resultados obtidos em outras iniciativas.

Elaboração e captação O professor recomenda cuidado ao definir o valor do projeto. Segundo ele, não adianta pensar em R$ 20 milhões, pois ele só recebe a aprovação após a captação de 20% do total. “Com todos esses cuidados, nunca houve um projeto aceito e não realizado”. Vieira aconselha que os projetos sejam protocolados com antecedência para que as chances de aprovação aumentem. “De mil projetos, 90% chegam no último dia. Antecipe o máximo que puder para não perder os prazos de captação” Os projetos são protocolados entre os dias 1º de fevereiro e 15 de setembro. É necessário que sejam enviados pelos Correios com aviso de recebimento para comprovação da data. 15


Advogado e Mestre em Políticas Sociais e Cidadania

Lei de Incentivo ao Esporte: perspectivas e desafios

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Paulo Vieira

Esporte e Cultura sempre enfrentaram dificuldades em disputar com outras áreas recursos orçamentários do Governo. Para amenizar essa dificuldade, a Cultura desenvolveu a Lei de Incentivo à Cultura que é um mecanismo de financiamento baseado na renúncia fiscal para empresas interessadas em investir na área cultural O Esporte, acompanhando o sucesso desse projeto, resolveu investir na criação de um modelo que utilizasse ferramentas parecidas, porém com especificidades exclusivas do Esporte. Assim, em 2006, foi criada a Lei de Incentivo ao Esporte, regulamentada em 2007. A Lei Federal de Incentivo ao Esporte se consolidou como uma importante fonte de financiamento para a área, nesses seus 10 anos de funcionamento e vem apresentando números expressivos. Mais de dois bilhões de reais, de dezembro de 2007 a dezembro de 2017, foram investidos no esporte nacional. Já foram beneficiadas diretamente mais de um milhão de pessoas. Com a Lei de Incentivo ao Esporte, pessoas físicas e jurídicas podem incentivar projetos esportivos, de modalidades olímpicas, paralímpicas e outras, por meio de doações ou patrocínios, usando para isso um percentual a ser descontado do valor devido ao Imposto de Renda. Para pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, a Lei de Incentivo ao Esporte permite a dedução de até 1% do Imposto de Renda devido e para pessoas físicas o valor aumenta para 6%, porém é sobre o imposto devido. A estratégia de garantir a possibilidade de ser financiado por instrumentos de


renúncia fiscal permite a existência de mais recursos para o Esporte, em comparação à estratégia de buscar mais recursos do orçamento federal. A proposta de oferecer às empresas a possibilidade de investir no Esporte, obtendo um capital social ao associar a sua marca a atividades de caráter positivo sem gastar nada mais por isso, tem como objetivo mostrar as vantagens de se investir no Esporte. Várias empresas têm sido parceiras do Esporte e os projetos são bem-sucedidos, servindo de exemplo para que novas empresas conheçam a Lei e queiram investir no Esporte.

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Tipos de investidores que têm apoiado o Esporte nestes últimos 10 anos

Quando se delega a execução dos projetos a outros entes, é necessário um acompanhamento e um controle para que os projetos tenham sucesso, porém deve se haver estratégias para que não engesse a gestão e o andamento da execução. O maior desafio após uma década da Lei é aprimorá-la e torná-la mais eficiente. Será preciso enfrentar a concentração regional e no desporto de rendimento. Segue em avançada tramitação no Congresso, o Projeto de Lei 130/2015 – que prevê o aumento dos limites de dedução do Imposto de Renda – passando de 1% para 3% para as pessoas jurídicas e de 6% para 9% as pessoas físicas. Lutar pela criação do Fundo Nacional do Esporte, com a destinação prioritária dos seus recursos para projetos esportivos educacionais nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O aumento do percentual da renúncia e a criação do Fundo serão uma oportunidade única para o enfrentamento da centralização dos recursos.

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O médico Gildásio Daltro, chefe do serviço

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Esporte, saúde e avanços tecnológicos

e do programa de residência médica de ortopedia e traumatologia do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos, apresentou o tema ‘O esporte na perspectiva da Saúde e inclusão social’. Ele falou sobre benefícios e riscos da iniciação esportiva e da prática de atividades de alto rendimento sem acompanhamento médico.

Daltro iniciou sua palestra fazendo um histórico sobre a prática de esportes, cujos primeiros registros ocorreram no ano 206 AC (antes de Cristo), na China. As primeiras disputas foram de arco e flecha e pingue-pongue. Há também antigos registros de disputas entre as tribos helênicas (saltos e corridas) e jogos na Índia e no Egito. Sob a perspectiva de saúde e inclusão social, o médico dividiu os desportos em quatro categorias: educativa, de massa e recreativa, de competição e de alto nível. 18

“O esporte educativo se pratica na escola como atividade física e holística. Visa a inclusão da criança no seu ambiente e deve contar com a participação de médico, fisioterapeuta, psicólogo e professor de Educação Física. Se estivesse pleno na escola, haveria menos agressividade e serviria para combater a violência”, disse. O médico explicou ainda que o esporte de massa e recreativo deve ser praticado em locais públicos, ajudando a melhorar a autoestima. Alertou, porém, que existe risco para a saúde de “desportistas de final de semana”. Já o esporte competitivo é aquele organizado e normatizado pelas federações e confederações. “O esporte de alto nível precisa ser acompanhado mais atentamente do ponto de vista da saúde”, alertou.

Efeitos positivos Gildásio acrescentou que durante a prática esportiva não existe um órgão – fígado, rim, pâncreas,


É preciso também ficar atento às crianças com doenças crônicas, pois a capacidade delas para a prática esportiva é limitada. A declaração de Sunderberg, assinada por 103 países, entre eles o Brasil, em 1981, foi o resultado de um dos mais significativos eventos internacionais na área de educação especial. Ela, segundo o doutor Gildásio, definiu as condições de se falar em inclusão social e de se desenvolver programas educativos e ações governamentais e organizacionais de integração laboral e esportiva. Para isso, segundo Gildásio Daltro, é preciso classificar com precisão o tipo de deficiência dos atletas, garantir tratamento adequado e fomentar pesquisas.

Avanço tecnológico A implantação do esporte de alto nível, de acordo com o médico, só é possível através de pesquisas e tecnologias que permitam a evolução da ciência esportiva e o surgimento de novos aparelhos e tratamentos.

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sistema nervoso – que não seja modificado em suas ações. Dentre outros efeitos positivos estão a inclusão social e o respeito aos praticantes. No entanto, também existem efeitos adversos. “Quando vejo uma criança, um adulto ou um idoso praticando esporte sem apoio médico, do educador físico e de um instrutor, fico muito preocupado, pois o risco de entorses e fraturas, só para citar um exemplo, aumenta exponencialmente. Dependendo da lesão, serão necessários 180 dias para cuidar e reabilitar o paciente”, adverte, alertando ainda para os riscos cardíacos.

Outro sistema relevante é a dinamometria isocinética. Segundo explicou, ele permite avaliar a força e potência muscular, músculo por músculo e até da fibra muscular, das juntas do quadril, joelho, tornozelo, ombro, cotovelo, punho e tronco. O equipamento dá o resultado em tempo real e o examinador prescreve exercícios, que são feitos no mesmo aparelho, para aprimorar a mobilidade, estabilidade, controle e força muscular. “A avaliação por este sistema está contraindicada nos casos de o paciente apresentar muita dor; ter limitação severa da amplitude muscular, ter hipertensão descontrolada, fratura não consolidada, em casos de gravidez, dentre outros casos”, diz o médico.

Na sua palestra, o médico destacou conquistas da tecnologia

“A podobarometria dinâmica computadorizada serve para diagnosticar as causas das dores nos pés e no tornozelo. O atleta continua em atividade, mas precisa corrigir a postura. Se não fizer o tratamento, o problema é transmitido para todo o corpo e pode tirá-lo da prática esportiva. Esse exame registra, em tempo real, a pressão exercida nas plantas dos pés”, esclareceu.

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A arena multiuso Odivelas, em Lisboa, é exemplo de gestão bem-sucedida. Abrir o espaço para a comunidade foi medida importante para o sucesso

A gestão de equipamentos esportivos, a experiência cubana de iniciação esportiva e a formação de atletas cubanos de alto rendimento foram temas de destaque do último dia do II Fórum Internacional do Esporte. Para falar sobre o assunto, foram convidados o diretor da arena multiuso portuguesa Odivelas, Pedro Gaspar, e a cônsul geral de Cuba para o Nordeste do Brasil, Laura Pujol, que esteve acompanhada da ex-jogadora cubana de vôlei olímpica Yumilka Ruiz. O gestor Pedro Gaspar expôs iniciativas que transformaram o empreendimento estatal português em um dos mais bem-sucedidos da Europa. Situado em uma área pouco conhecida da Região Metropolitana de Lisboa e construído sem levar em conta dados relevantes sobre o público-alvo, o empreendimento estatal, segundo informou Gaspar, utilizou pesquisas e ações de marketing esportivo para fazer a alteração que o tornou superavitário. “A primeira grande alteração foi deixar de ser só uma arena para eventos e se transformar em local que oferece atividades todos os dias da semana para as famílias da região. 20

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Experiências internacionais de sucesso Uma das mudanças foi a transformação da sala de xadrez em espaço para a prática de atividades aeróbicas, além da oferta de aulas de 15 atividades esportivas”, contou. Outra medida adotada, segundo o português, foi a redução da área de estacionamento de cinco mil para 1.500 vagas.“Com isso, explica, o espaço exterior também ganhou possibilidade de abrigar atividades esportivas ao ar livre (patinação, basquete, futebol, ecopista, dentre outras) e área para realização de concertos”. Sem preconceito, o equipamento gerido pela representação de esporte da Câmara Municipal de Odivelas passou a receber também eventos religiosos, convenção de empresas e musicais – os brasileiros Wesley Safadão e a dupla Simone e Simaria fizeram shows para quatro mil pessoas. “Em oito anos de atividade, foram realizados nove mundiais, 17 campeonatos europeus, 109 competições nacionais, 21 eventos empresariais, 16 musicais e 12 religiosos, que garantiram lucro anual de 4 milhões de euros e ocuparam a arena em 44 finais de semana por ano”, comemorou Pedro Gaspar.


País que durante anos se destacou em competições esportivas, Cuba segue investindo alto na área. Segundo a cônsul geral Lara Torres, os resultados internacionais ocorrem graças à experiência no esporte educacional, onde o ensino é gratuito e universal, da pré-escola à universidade. “O governo cubano investe 28% do orçamento nacional direta e indiretamente na educação e no esporte”, informou Pujol. Ela falou ainda sobre as “difíceis condições” de Cuba para desenvolver o projeto esportivo educacional por conta do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. “Muitas vezes, o professor ensina natação durante anos sem piscina. Onde há piscina olímpica, não chegam os produtos para limpeza e manutenção. O bloqueio impede ou encarece a compra de equipamentos”, relatou. Mesmo assim, completou Pujol, o país obteve 220 medalhas (77 de ouro, 69 de prata e 74 de bronze) em 20 Olimpíadas de verão e figura como o 18º colocado no ranking.

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Experiência de Cuba Yumilka Ruiz - Uma lenda viva do passado

esportivo glorioso de Cuba marcou presença no Fórum: a ex-jogadora de vôlei Yumilka Ruiz, 52 anos, ganhadora de duas medalhas olímpicas de ouro (Atlanta-1996 e Sidney-2000) e uma de bronze (Atenas-2004). Integrante da comissão de esporte olímpico internacional, Ruiz falou sobre a fase áurea do vôlei feminino cubano, ressaltando que suas companheiras hoje ocupam cargos de dirigentes esportivas e treinadoras em diferentes países, graças também à formação educacional. A ex-atleta comentou ainda sobre a supremacia do vôlei feminino de seu país até meados dos anos 2000, mas, por conta do embargo econômico dos EUA, se mostrou descrente de uma retomada desse passado glorioso. Na palestra, a medalhista olímpica fez um resumo da história da modalidade em Cuba, ressaltando o trabalho de Ruiz Andres Machito e do alemão Dieter Rund, precursor de bases científicas para o esporte e primeiro técnico estrangeiro do selecionado cubano. Ruiz lembrou, com humor, as diversas “rusgas”em quadra com as atletas brasileiras.

O português Pedro Gaspar e a cubana Laura Pujol falaram das experiências esportivas bem-sucedidas de seus países. A atleta Yumilka Ruiz foi a sensação do encontro internacional

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O coordenador de alta performance

do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e doutor em Educação Física pela Universidade de Campinas (Unicamp), Ciro Winckler, iniciou sua palestra sobre os Desafios no Paradesporto com um dado pouco divulgado: cerca de 24% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. Winckler, que participou de cinco edições de jogos Paralímpicos (Sidney, Atenas, Pequim, Londres e Rio de Janeiro) desde o ano 2000, considera que a ausência de políticas públicas eficientes levou o CPB a assumir esse importante papel de inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Segundo o coordenador, o Comitê organiza as paralimpíadas escolares desde 2006, o que motivou alguns estados a criarem jogos para crianças com deficiência. A competição é a maior do mundo voltada para estudantes. Em 2016, reuniu 859 participantes.

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O paradesporto e políticas de inclusão precisam de maior atenção, alerta pesquisador Além disso, a entidade realiza o Circuito Loterias Caixa de natação, atletismo e halterofilismo com quatro fases regionais e duas nacionais; o campeonato brasileiro, que reuniu 1.300 competidores ano passado, e o Open Loterias de atletismo e natação – este último com a participação de atletas de cinco continentes; além de torneios de esgrima e de outros esportes. Ciro Winckler revelou ainda que o CPB tem a meta de capacitar 70% dos professores de educação física para trabalharem com pessoas portadoras de deficiência. Outra importante revelação é que a entidade, no primeiro semestre de 2018, contava com R$ 47 milhões para investir em projetos paralímpicos, mas a verba estava parada por falta de propostas.

Legado olímpico Para o professor, o maior legado dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro

Ciro Winckler apresentou o gráfico com a evolução da equipe brasileira nos Jogos Paralímpicos. Em 1992, em Barcelona, foram sete medalhas e o 37º lugar. No Rio de Janeiro, em 2016, o Brasil subiu para o 8º lugar, com 72 medalhas.


foi o Centro de Treinamento Paralímpico, localizado no Parque Fontes do Ipiranga, em São Paulo. As instalações em ginásios ou ao ar livre servem para treinos, disputas e intercâmbios de atletas e seleções em 15 modalidades esportivas, incluindo rúgbi, tênis em cadeira de rodas, bocha, futebol de 5 para cegos, futebol de 7 para paralisados cerebrais e halterofilismo. O CT, onde funciona a sede do Comitê Paralímpico, tem como objetivo posicionar o Brasil entre as maiores potências esportivas do mundo e massificar o esporte paralímpico. Inaugurado em 2016, o centro de treinamento custou R$ 264 milhões. Desde então, foram realizados mais de 290 eventos. Outro tema tratado pelo coordenador do CPB foi o avanço da tecnologia. Dentre outros exemplos, citou o nadador e triatleta paralímpico baiano Marcelo Collet, campeão mundial. Após um acidente, ele teve uma lesão que o deixou sem mobilidade em uma de suas pernas, decidindo amputá-la e fazer uso de uma prótese. Segundo o palestrante, a frase do triatleta representa bem o resultado dos avanços tecnológicos: “Se eu soubesse que era tão bom, eu tinha amputado antes”.

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O palestrante Ciro destacou o avanço da tecnologia em benefício do paradesporto

Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, com alojamento para 280 pessoas, refeitório, lavanderia, auditórios e espaços de apoio

O triatleta paralímpico baiano Marcelo Collet teve a tecnologia a seu favor para voltar ao esporte em 2001

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Professor Associado da Universidade Federal de São Paulo

Os desafios do paradesporto nos dias atuais

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Ciro Winckler

As pessoas com deficiência têm seus

primeiros relatos de prática esportiva no final do século XIX. Durante a 2ª Guerra mundial, soldados ingleses feridos iam a óbito em taxas muito elevadas nos hospitais de reabilitação. O médico Ludwig Guttman, de origem germana e ascendência judaica, estabeleceu-se na unidade de Lesões Medulares do hospital de Stoke Mandeville e começou a utilizar o esporte como prática de reabilitação (Bailey, 2008). Guttman aproveitou o dia 29 de julho de 1948, data da abertura dos Jogos Olímpicos/ 1948, para realizar os Jogos de Stokemandeville. As edições posteriores foram marcadas por uma internacionalização e em 1960 sua 9ª edição internacional foi realizada em Roma, logo após os Jogos Olímpicos. Desse modo, o movimento paralímpico teve seu conceito inicial baseado num modelo centrado nas práticas de reabilitação e de lazer (Bailey, 2008). A transição desse modelo para o alto rendimento foi um processo longo. O nome paralímpico foi criado na segunda edição dos jogos, 1964, e tinha como significado Olímpiadas dos paraplégicos. No ano de 2011, no Brasil, passou-se a adotar o termo paralímpico ao invés de paraolímpico. Isso ocorreu devido à necessidade de ajuste da terminologia em virtude dos Jogos Rio 2016, alinhando o termo empregado no Brasil com o adotado pelo Comitê Paralímpico Internacional- IPC e nos demais países de língua portuguesa (Parsons e Winckler, 2012). O entendimento social e cultural da pessoa com deficiência marcou não apenas o conceito da potencialidade da pessoa com deficiência, mas a percepção da sociedade sobre a pessoa com deficiência, que era vista com pouca produtividade e em sua maioria como elemento excluído dos círculos sociais. Essas barreiras foram rompidas em decorrência de movimentos sociais e políticos ao longo das décadas, mas principalmente por


O esporte paralímpico no Brasil O esporte paralímpico chega ao Brasil em 1958. As ideias vieram na bagagem de Robson Sampaio de Almeida e Sérgio Seraphin Del Grande que se reabilitaram de lesões medulares nos Estados Unidos. O Comitê Paralímpico Brasileiro foi fundado em 1995. Seu estabelecimento associado aos movimentos sociais permitiu a criação de conexões que levaram o esporte para um modelo de clubes organizados pelo esporte e não apenas pela área de deficiência ou centrados na inclusão social e utilizando o esporte como uma de suas ferramentas. Esse cenário permitiu ao esporte brasileiro evoluir no número de praticantes e nos resultados internacionais. A primeira participação brasileira em Jogos Paralímpicos ocorreu em 1972, chegando aos Jogos do Rio em 2016 com o Brasil como uma potência paralímpica. Atualmente o Brasil 24% da população tema algum tipo de deficiência, o esporte pode ser uma das principais ferramentas para garantir acesso e promover a inclusão dessa população.

A condição atual dos Jogos Paralímpicos Atualmente os Jogos Paralímpicos são o maior evento multiesportivo para pessoas com deficiência do mundo. O Jogos Rio 2016 ultrapassaram os 4 bilhões de audiência cumulativa global (IPC, 2018). Essa condição midiática tem elevado no esporte o nível de competitividade entre atletas, o retorno financeiro e investimento de patrocinadores. Esse cenário de disputa demanda ajustes de modo a garantir a equidade da prática

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resultados expressivos no campo esportivo dos atletas com deficiência. Permitiram o entendimento do esporte paralímpico como um ambiente para o alto rendimento.

esportiva. A principal diferença para isso em relação ao esporte olímpico ocorre através da Classificação Esportiva. Esse sistema aloca atletas com as mesmas funcionalidades de movimento em determinadas classes. No entanto, isso também cria uma barreira, pois nem todas as pessoas com deficiência são elegíveis para o esporte, para serem aceitas elas demandam apresentar uma deficiência mínima. Cada modalidade esportiva apresenta um sistema de classificação e suas deficiências mínimas.

Desafios para o Futuro O maior desafio para o esporte para pessoas com deficiência é garantir a acesso à prática, não apenas garantir o acesso físico aos locais, mas permitir que as pessoas que trabalham com o esporte tenham conhecimento sobre como gerir a prática. O ambiente escolar e a inclusão também são desafios para a prática esportiva pela pessoa com deficiência, pois muitas vezes esse ambiente não está preparado para atender tantas pessoas com diversidade de condições. Garantir o acesso não é apenas permitir que a pessoa chegue em um local, mas assegurar que o acesso tenha qualidade, possibilitando o pleno desenvolvimento da pessoa com deficiência.

Referências bibliográficas BAILEY S. Athlete First: A History of the Paralympic Movement London: Wiley and Sons, 2008. COSTA, A. M. ; Winckler, C . A Educação Física e o esporte paralímpico. In: De Mello, MT; Winckler, C. (Org.). Esporte Paralímpico. 1ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2012, v. 1, p. 15-20. PARSONS, A.; WINCKLER, C. (2012). Esporte e a pessoa com deficiência. In: MELLO, M. T.; WINCKLER, C. Esporte Paralímpico. São Paulo: Atheneu, 2012. p. 3-14. IPC Record number of broadcasters for Rio 2016 . disponível em: https://www.paralympic.org/news/record-number-broadcasters-rio-2016 . Acesso em 10 de fevereiro

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Uma história de superação Nasci em Itapetinga, na região centro-sul da Bahia, e vim para Salvador para estudar medicina. Eu me formei em 2004 e passei para a Marinha. Dois anos depois, quando estava fazendo especialização, comecei a sentir fortes dores na coluna de uma hora para outra. Fiquei paraplégico. Um abcesso gerou um quadro neurológico de compressão da medula e minha vida tomou novo rumo. Eu, que sempre me vi como desportista e gostava de futebol, perdi minha identidade biopsicossocial. Passei seis meses na cama, não movia nem em decúbito. Experimentei as fases de negação, raiva, negociação, integração e aceitação. Elas não ocorreram nessa ordem. Levei um tempo para entender, ver quais eram minhas alternativas. Até o primeiro ano, tive que aprender a lidar com a ansiedade. Tive muita dificuldade. Foi preciso me dedicar para melhorar. O tratamento de reabilitação medular no Hospital Sarah permitiu a criação de mecanismos de adaptação para enfrentar melhor o dia a dia. Desenvolvi resiliência para suportar a pressão e usei o esporte como método reabilitador. Foi a grande virada! Comecei a participar de provas

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Renê Pereira*

de natação. Acreditei que ajudaria na reabilitação, mas as disputas também afloraram minha competitividade. Foi um longo caminho até chegar ao remo. Em 2014, fiquei em terceiro lugar no campeonato brasileiro. No ano seguinte, fui campeão. Sou tetracampeão brasileiro, bicampeão sul-americano e fiquei em sexto lugar na categoria ASM, skiff de 1.000m, nos jogos paralímpicos de 2016 (Rio de Janeiro). A bola da vez é Tóquio 2020. Estou me programando para fazer o ciclo por completo com intuito de brigar por medalha. A participação na paralimpíada resgatou minha identidade, mas sempre quero mais. Hoje, junto com Sudesb, estou batalhando para conseguir um espaço para treinar e luto pela construção do Centro de Treinamento de Pituaçu. Minha prova preferida é a de 2 mil metros. Hoje treino na Ribeira. A lesão também trouxe aprendizados. Tudo na vida tem um tempo para acontecer. E fico atento para frear minha ansiedade, reconhecendo que a família é muito importante na busca pela superação. (*) Paratleta de remo bicampeão sul-americano e tetracampeão brasileiro


A importância da prática do paradesporto nas escolas

O coordenador de esporte do Instituto de Organização Neurológica da Bahia (ION) e representante do Centro de Atendimento Educacional de Vera Cruz, Virgílio Leiro, afirmou que o desafio de inclusão social de crianças e jovens portadores de deficiência, através do paradesporto, passa pelas escolas. Além de Vera Cruz, na borda leste da Ilha de Itaparica, Virgílio citou Jequié, localizada no sudoeste baiano, como cidades que não deixam a chama do paradesporto acabar. Segundo o coordenador esportivo, a pista do estádio municipal de Jequié é usada para os treinamentos. Em Salvador, o exemplo é o ION, no bairro de Ondina, que trabalha com crianças com déficit e recebe contrapartida através da isenção de impostos. No seu entendimento, é preciso haver políticas públicas para garantir o respeito e o direito dos atletas paralímpicos. Não chegamos a Jefinho, Cássio (atletas baianos da seleção de futebol de 5 para cegos, colecionadores de medalhas de ouro em Paralimpíadas, Parapan-Americanos e campeonatos mundiais) e Marcelo Collet (nadador que conquistou medalhas e competições internacionais e primeiro paratleta brasileiro a atravessar o Canal da Mancha) sem passar pela rede escolar”, afirmou. Virgílio Leiro insiste que não consegue entender como os alunos portadores de deficiência da rede

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Professor Virgílio Leiro defende que inclusão de crianças e portadores de deficiência física passa pela rede escolar

pública não fazem educação física. “É ali que vamos identificar as “feras”. “As alegações para a não inclusão são várias e chegam até a dizer que a lei não prevê aulas para portadores de algum tipo de déficit. Isto, no entanto, não pode ser motivo para abrirmos mão desse direito”, disse, enfaticamente. Apesar das dificuldades, “na opinião de Virgílio há iniciativas que furam este bloqueio, como as paralimpíadas escolares, o treinamento de crianças com Síndrome de Down na pista de atletismo da UFBa. “A felicidade dessas crianças é tão grande que elas dizem que estudam na UFBA. Não podemos abandonar o esporte escolar. Sem ele, não teremos Tóquio 2020”, alertou.

Os campeões paralímpicos Jefinho e Cássio tiveram incentivo na rede escolar

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Professor e Doutor

O papel do esporte no desenvolvimento de crianças e jovens

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José Ney Santos

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revisto na Constituição Federal, no seu Artigo 217, o esporte empresta significativa contribuição no processo de desenvolvimento da criança e jovens, com reflexos positivos para a saúde, educação, convívio social. Entretanto, precisa ser elevado à categoria de política pública e inserido como conteúdo da Educação, sobretudo a educação física escolar, com carga horária mínima de duas horas semanais. A consequência já sentida de não ter sido ainda assegurado ao esporte a condição de política pública, é que o país caminha para, dentro de uma década, ter uma geração de adultos com graves problemas de saúde, sobretudo hipertensão, obesidade e diabetes, reflexo da atualidade, quando cerca de 54% da população infanto-juvenil está com sobrepeso e obesa. É imprescindível que as crianças sejam estimuladas a desenvolverem o hábito de praticar atividades físicas e esporte, visto que, além dos benefícios já citados, tais práticas ajudarão na queima calórica, no desenvolvimento integral da criança e serão decisivas para a melhoria da qualidade de vida, contrapondose aos hábitos nada sadios que a vida moderna, a tecnologia e a alimentação inadequada oferecem e são grande atrativo. Hábitos nocivos que levam crianças e jovens a tornarem-se sedentários, consequentemente obesas, formando uma parcela significativa da população que na adolescência e fase adulta será composta de futuros obesos, hipertensos e diabéticos, tornando-se um grave problema para as políticas públicas de Saúde.


Não há uma idade base para o início da prática de atividade física. Porém, dado ao fato de se desenvolver em meio líquido, no útero materno, estudiosos recomendam a natação já nos primeiros meses de vida, após o nascimento. Entretanto, há uma gama de exercícios que vão derivando à medida que a criança vai se desenvolvendo, até chegar a práticas de modalidades esportivas. Frequentemente, nos deparamos com a ingerência dos pais na escolha da modalidade esportiva que os filhos devem praticar. Essas escolhas recaem, quase sempre, naquelas que são simpáticas aos pais, em detrimento da vontade da criança. O recomendável é que se dê à criança a oportunidade de contato com um número maior de modalidades, deixando a escolha do que praticar a seu critério e, quando ela decidir mudar, deve ter sua vontade atendida, porque a criança não está abandonando a prática, está apenas mudando de modalidade. É comum, durante o processo de crescimento, formação da personalidade, vermos jovens mudarem de modalidades. Isso se deve às mudanças de comportamento, inerentes às diversas fases do crescimento e desenvolvimento da personalidade. Essas mudanças devem ser respeitadas pelos pais e até incentivadas, porém tratadas com diálogos e orientação, a fim de evitar conflitos e levar a desistirem da prática esportiva. Um fator negativo que também se verifica na prática de esporte por crianças é a projeção que muitos pais fazem sobre os filhos, induzindo-os a serem os atletas que eles não conseguiram ser. Jogam so-

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Qual esporte recomendar para a criança praticar?

bre os filhos a responsabilidade de suprir as frustrações, induzindo-os, em muitos casos, à precocidade. A consequência desse comportamento é que, ao chegarem na transição entre a adolescência e fase adulta, muitos jovens abandonam o esporte, gerando conflitos em família, alguns trilhando o caminho das drogas, tornando-se adultos problemáticos, além de grande parte deles tornar-se obesa, hipertensa, diabética e depressiva.

Conclusão A prática orientada de atividade física e esporte por crianças e jovens tem influência no processo de crescimento, desenvolvimento motor e cognitivo, na formação da personalidade, na aquisição de hábitos saudáveis, sociabilidade, convívio em grupo, respeito ao próximo e às regras, exercício da cidadania. O acesso ao esporte é forte indicativo da educação e da qualidade de vida de uma população. Para tanto, faz-se necessário que governos adotem-no como política pública para todas as fases da vida dos cidadãos. Bibliografia BRASIL (Constituição). Constituição Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicao.htm>. Acesso em: 10 mai. 2018. ROSE JÚNIOR, Dante. Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre. Artmed, 1994. SILVA, Maria Cecília de Paula. Do corpo objeto ao sujeito histórico: perspectivas do corpo na história da educação brasileira. Salvador: EDUFBA, 2009. BRUHS, Heloisa Turini – Conversando Sobre o Corpo, Ed. Papirus. SP

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Advogado e Mestre em Políticas Sociais e Cidadania

Direito e Esporte: reflexões sobre as competências do gestor esportivo moderno

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Milton Jordão

O Esporte se consolidou ao longo dos anos como uma importante ferramenta de amálgama social entre as pessoas. Há na prática desportiva uma vertente lúdica, que envolve as pessoas entre si, reforça os laços e elos de sociabilidade, além de significar uma excelente forma de prevenção da saúde de quem o pratica. O Estado Brasileiro reconheceu tal aspecto e considerou o Esporte (ou Desporto) como um bem jurídico de alçada constitucional, destinando-lhe artigo próprio na Constituição Federal da República (artigo 217), ou seja, lhe reconheceu como um direito social do cidadão. A despeito disso, frise-se, o Esporte também se consolidou como uma verdadeira fonte de receitas, amealhando considerável espaço nas economias nacionais, em face das elevadas cifras que envolvem os contratos de trabalho de atletas, a aquisição de direitos de transmissão pela TV de campeonatos, as vendas de camisas e material de marketing de clubes e grandes atletas etc.

Disciplina jurídica Nota-se, portanto, que seja no âmbito do Esporte Participação ou de Alto Rendimento que se revela como necessária a existência de disciplina jurídica própria para regrar o que defluirá das interseções entre o Esporte e o Direito. A bem da verdade, não se pode falar de Esporte sem a existência de normas jurídicas. Afinal, por exemplo, o que são as regras de uma modalidade esportiva senão a prova maior da relação entre Direito e Esporte?


Nessa toada, o gestor esportivo se vê enredado em uma série de normas jurídicas, de naturezas pública e privada, sendo-lhe, pois, demandado o seu conhecimento para que consiga gerir adequadamente o desporto. Assim sendo, quem faz o esporte não precisa saber somente das regras e/ou ter habilidade para praticar esta ou aquela modalidade esportiva, necessariamente. Com efeito, inicialmente, deve ter uma afinidade com o mundo esportivo, sobretudo na sua intersecção com os diversos ramos jurídicos.

Conhecimento da legislação Ora, força convir, por exemplo, no âmbito do gestor público a exigência do seu conhecimento sobre a normativa que versa sobre a contratação de profissionais ou pessoas jurídicas, quer dizer, as regras de regências definidas na Lei de Licitações. Por outro lado, deverá também compreender, principalmente, o próprio texto constitucional para ter plena ciência

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Naturalmente que as regras e/ou normas jurídicas que incidirão no âmbito do esporte de alto rendimento serão deveras específicas e não se aplicarão ao caso do desporto de participação.

da missão que tem à frente, objetivo e alcance que o Legislador Constituinte quis infligir ao desporto na sociedade brasileira. D’outro giro, o gestor esportivo que milita no mundo privado, este se submete, quando se cuida de alto rendimento, a um sistema jurídico e judicante supranacionais. Deverá saber conviver com as regras públicas (penal, tributária, civil, consumerista etc.) e aqueloutras de natureza privada (especialmente, o chamado direito desportivo). Veja-se o caso dos que administram o futebol, há incidência de normativas internas de organismos esportivos, no Brasil, como a CBF, e internacionais como a FIFA e/ou Conmebol. Estas convivem – nem sempre – harmonicamente com legislação ordinária produzida pelo Estado, na espécie, o Estatuto do Torcedor, que é aplicado pelo Poder Público (Ministério Público, Judiciário, Executivo etc.). O gestor moderno, finalmente, não poderá esgueirar-se e apenas se ver como mero produtor de um evento esportivo. Deverá estar atento às exigências legais que recaem sobre o desporto, para que se evitem futuros percalços que firam o Esporte, ou mesmo recaiam sobre pessoa que representa ou atua em seu favor.

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Palestrante convidado do Fórum Internacional, Luciano Cabral, presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e vice-presidente da Federação Internacional do Desporto Universitário, defendeu que os atletas sejam incentivados a cursarem universidades, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, e que tenham maior participação na gestão de entidades esportivas. Para Cabral, que discorreu sobre o tema “Atleta x Gestão: Superação de Limites”, é preciso discutir qual o perfil ideal de atletas gestores. Ele acredita que o ideal é ter no comando das entidades aqueles que estão em atividade para representar e identificar melhor as necessidades da categoria. “É preciso dar espaço nas confederações e federações para que atletas votem e sejam

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CBDU defende incentivo aos estudos e a gestão de entidades esportivas pelos atletas votados, ampliar o colégio eleitoral”, destacou. Para Luciano Cabral, há um equívoco cultural no Brasil que obriga um garoto que começa a se destacar em um esporte a optar entre ser atleta ou estudar. “Um mau exemplo muito comum, principalmente, no futebol”, lembrou.“É preciso inserir a cultura do esporte no ambiente educacional de nível superior e criar novos líderes. Na Olimpíada, no Rio de Janeiro, 53% dos medalhistas brasileiros estavam cursando ou tinham formação universitária, um dado praticamente desconhecido”, disse. O dirigente contou que a CBDU criou um projeto que prevê a formação de novos ídolos e a exaltação de seus feitos nos próximos 20 anos. Ano passado, fez a campanha “#acreditamosemherois”, incentivando treinos e estudos, além de ter a superação como palavra-chave.

Na sua passagem pela Bahia, o presidente da CBDU, Luciano Cabral, iniciou as tratativas com o Governo que levaram à confirmação, em novembro, do estado baiano como sede da etapa final dos Jogos Universitários Brasileiros/2019 (saiba mais às págs. 4 e 5 da revista sobre outras ações da Sudesb)

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Diego Albuquerque, atleta e presidente da FBDA

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Exemplos baianos O presidente da Federação Baiana de Desportos Aquáticos (FBDA), Diego Albuquerque, 35 anos, ainda pratica natação, polo e maratona aquática, na categoria master (35 a 39 anos). Ele concluiu os cursos de Comunicação (Publicidade, em 2004) e de Marketing, em 2006, cujos conteúdos são úteis na função de dirigente esportivo. “Eles me deram noção de mercado. Passei a entender como o mercado e a visão dos patrocinadores funcionam. Esse conhecimento é muito útil na hora de prospectar e captar recursos, na forma de expor a marca de um patrocinador e de fazer um pós-evento”, disse Diego.

À frente da entidade há um ano e oito meses, o presidente da FBDA está sempre se aperfeiçoando. Ele concluiu curso de curta duração em gestão pública esportiva, na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), patrocinado pela Sudesb. Em 2019, pretende ser aceito na formação de gestão para dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), com vistas, principalmente, a se atualizar em relação às leis relacionadas aos esportes. “O dirigente tem que estar pronto para fortalecer a federação como puder. Também é uma forma de contribuir para os esportes que tantas alegrias me deram”, disse.

Diego Albuquerque, atribui à formação acadêmica o conhecimento necessário para uma gestão eficiente da FBDA

Allan do Carmo, campeão mundial de maratonas aquáticas O atleta de 29 anos, cursando atualmente o quarto período do curso de Educação Física, na Uninassau. Allan, campeão mundial do circuito mundial de maratonas aquáticas, em 2014, está de olho em uma vaga para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020. “Para conciliar o estudo com a prática esportiva de alto rendimento, o atleta precisa de determinação”, admite. Afinal de contas é uma rotina puxada. Allan treina seis horas por dia em dois turnos. Chega a nadar 80 km por semana, além de manter a forma em uma academia e fazer fisioterapia. Meia hora depois do treinamento, por volta das 18h30, ele está na faculdade, onde assiste aulas até as 21h30. Na faculdade, Allan costuma negociar com os professores os prazos para a entrega dos trabalhos, devido às viagens constantes para competições. “O fato de os professores serem educadores físicos e entenderem a rotina dos atletas facilita muito. Além disso, minha turma têm jogadores de futebol e praticantes de atletismo, que também precisam da compreensão”, conta. Essa é a segunda vez que o nadador baiano está matriculado em curso superior. Na primeira, em 2013, teve que desistir por causa da frequência dos campeonatos e das viagens. Resolveu retornar aos estudos há quatro anos.

“O atleta precisa ter determinação”, afirma o campeão maratonista Allan do Carmo. (na foto acima, em aula prática da faculdade)

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Fórum foi realizado com emenda parlamentar

A área do esporte é um dos pilares da atuação do deputado federal Daniel Almeida, autor da emenda parlamentar que garantiu a realização do II Fórum Internacional do Esporte. Deputado, quais eram os propósitos do Fórum Internacional? Ele atingiu os objetivos? A ideia foi reunir experiências de outras nações, de outros estados e da sociedade sobre atividades esportivas nas mais diversas dimensões, buscando trazer para a Bahia e para o Brasil estes exemplos e otimizar ações e políticas públicas, além de valorizar atletas, gestores e instituições envolvidas com o esporte. Eu acho que os objetivos foram plenamente cumpridos, já que teve ampla participação de representantes de diferentes modalidades. Como o senhor avalia hoje a situação do esporte na Bahia e no Brasil? O esporte vive uma crise como todas as outras áreas, incluindo a política e a economia. O esporte é afetado pela crise mais global. Nós tivemos um período de elevação de políticas públicas no esporte, de destaque do Brasil no cenário internacional. A Olimpíada e a Copa do Mundo foram marcos neste avanço, mas há uma estagnação e uma ameaça de retrocesso nas políticas públicas na área esportiva. Os recursos no orçamento para o esporte estão diminuindo. Em 2018, foi quase zero e ainda não sabemos com certeza o que irá acontecer no novo governo. A Sudesb desenvolve uma série de projetos, visando a inserção social, a iniciação esportiva e o desenvolvimento de atletas. Dentre eles, o “Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc)”, e o “Programa Natação em Rede”. Qual a importância destes programas? Eles 34

correm algum risco em função da redução de verbas federais? Acompanhei a retomada do papel do esporte na Bahia, a partir de 2007. Desde então, muitas ações foram feitas, as políticas de esporte se expandiram, montando estrutura física em toda a Bahia após mais de 30 anos de estagnação. Não creio que haverá interrupção dessas ações, mas é preciso que haja uma conexão do que ocorre aqui e o interesse do governo federal, pois a União é a fonte principal para o financiamento e formulação de políticas na área do esporte. O senhor disse que o Congresso lutou para obter 1,5% do Orçamento para o esporte, mas que hoje esse nível é quase zero. Qual o percentual real destinado ao esporte? Com os cortes que aconteceram em julho, o orçamento de 2018 não chegou a 0,5%. Está em curso uma medida provisória para recuperar uma parcela daquilo que foi perdido até o final do ano, mas houve um corte dramático. Está prevista a realização de novos fóruns internacionais na Bahia? O intercâmbio de experiências que alcançou êxitos em outros lugares e a experimentação das ações desenvolvidas aqui pelas pessoas que vêm de fora são necessários. Esses encontros são os espaços ideais para esta troca de conhecimento. Agora, nós precisamos ter uma política nacional para a área do esporte, que repercuta nos estados e permita que estes eventos tenham caráter perene.


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“Respeita as Mina no Esporte” foi pauta no encontro A assinatura do Termo de Cooperação

Técnica para a execução da campanha ‘Respeita as Mina no Esporte’ marcou a abertura do II Fórum Internacional. O acordo foi celebrado pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM), a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e a sua autarquia Sudesb. Pelo documento, ficou estabelecido que agentes alocados em projetos de cooperação e de fomento ao esporte sejam capacitados em temas relacionados a gênero, à violência contra as mulheres e à legislação vigente. O prazo de vigência do termo é de cinco anos, podendo ser prorrogado por períodos iguais e sucessivos. A secretária Julieta Palmeira, da SPM, ressaltou a importância da iniciativa, pioneira em todo o país: “Nosso objetivo é democratizar ainda mais a prática esportiva na Bahia. O esporte é lugar de inclusão e de promoção de qualidade de vida. É preciso incentivar a prática esportiva, respeitando a diversidade”. Resultado – O compromisso assumido entre as instituições já vem dando resultado na prática, com dois encontros realizados em setembro. Nos dias 3 e 4, no Estádio de Pituaçu, em Salvador, 40 pessoas participaram da “Formação de Mulheres no Esporte”. Durante

O compromisso pela democratização da prática esportiva foi firmado entre a Setre, Secretaria das Mulheres e Sudesb

esse encontro, foram realizadas as oficinas “Feminismo, raça, classe e demais marcadores de gênero” e “Autonomia e empoderamento da mulher”, ministradas pela coordenadora de Planejamento da SPM, Fernanda Vieira, e pelas técnicas Kátia Santos e Michelle Fraga. Já a atleta paralímpica Verônica Almeida palestrou sobre a “Participação da mulher no esporte”. No segundo dia, a técnica da SPM Flávia Reis deu a oficina “A rede de enfrentamento à violência contra as mulheres”. As 30 mulheres participantes das aulas de ginástica do Programa Esporte e Lazer na Cidade (PELC), em Lauro de Freitas, foram o público-alvo da roda de conversa realizada no dia 5. Os temas tratados foram autonomia e empoderamento das mulheres, tipos de violência e a rede de enfrentamento e proteção em Lauro de Freitas.

Em setembro, aconteceu a primeira “Formação de Mulheres”, em Salvador, com realização de várias palestras. A paratleta Verônica Almeida foi uma das palestrantes convidadas 35


#eufui

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#eutrabalhei

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Expediente

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RUI COSTA Governador

JOÃO LEÃO

Vice-governador

VICENTE NETO

Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

ÂNGELA GUIMARÃES Chefe de Gabinete da Setre

ELIAS DOURADO

Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

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Diretor geral da Sudesb

EVERALDO AUGUSTO

Chefe de Gabinete da Sudesb

MARCOS ANDRADE

Diretor de Operações de Espaços Esportivos

WILTON BRANDÃO

Diretor de Fomento ao Esporte

PAULO RIDOLFI

Diretor Administrativo-Financeiro

SINVAL VIEIRA

Diretor de Excelência Esportiva

GUSTAVO MIRANDA

Coordenador Estadual de Esporte

ÁLVARO GONÇALVES

Chefe da Assessoria Técnica da Sudesb

Textos revista

Hilda Fausto – DRT 1748 (coordenação geral) Marcus Carneiro – DRT 3614 Fotos

Alexandre Dias (fotos Fórum) Camila Souza (Secom GovBa) Elói Correia (Secom GovBa) João Ubaldo Apoio técnico Ascom Sudesb

Dayse Faleta - DRT 5885 Jéssica Fernanda Estagiários Ascom Sudesb

Daniel Silva Lucas Paixão

Foto da capa: João Ubaldo Atletas da capa: Tânia Santos da Paixão, Cauan Ivo dos Santos e Caio Luz do Rosário, alunos do projeto Remando no Rio de Contas, núcleo Itacaré


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Editorial

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A Sudesb começou o ano de 2018 em nova casa, funcionando desde

janeiro em prédio anexo ao Centro Pan-Americano de Judô, em Ipitanga, município de Lauro de Freitas. No novo endereço, a gestão deu continuidade aos compromissos assumidos com as atividades e projetos esportivos, ampliando ainda mais as ações, sempre na perspectiva de levar políticas públicas a um maior número de municípios e pessoas que atuam no segmento. Ponto alto das concretizações do ano que se finda, foi a realização do II Fórum Internacional do Esporte, cujo principal objetivo foi o incentivo à profissionalização da gestão de entidades esportivas. O encontro internacional foi realizado em junho, no CPJ, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e profissionais de Educação Física. Ainda em janeiro, a Sudesb promoveu o 23º e último encontro do Curso de Qualificação de Gestores de Ligas de Futebol, projeto iniciado em junho/2017 e que levou capacitação para municípios dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Tanto o Fórum quanto o Curso de Gestores foram políticas executadas por nossa instituição com o importante apoio do Ministério do Esporte. Sem essa parceria, seria impossível ao Governo do Estado incentivar e ampliar as ações na área esportiva, política tão necessária para a promoção da saúde e inclusão social de crianças, jovens e adultos. O Programa de Esporte e Lazer da Cidade – Pelc-Bahia, executado pela Sudesb com recursos do Ministério do Esporte, e o Programa Natação em Rede, que atende cerca de três mil pessoas com aulas de natação e hidroginástica são exemplos concretos da forma como o governo estadual entende e gere o esporte, levando sempre em conta aspectos da saúde e da inclusão social. Apesar de toda dificuldade financeira, o ano de 2018 foi também de investimento pesado em infraestrutura esportiva com 26 convênios firmados com Prefeituras e 11 contratos de execução direta para obras importantes no interior, atendendo modalidades como canoagem, atletismo, além do futebol. Realizamos, ainda, a 10ª edição da Copa 2 de Julho, hoje considerada como o mais importante evento do futebol de base sub 15 do país. Para concretizar a edição comemorativa, o Governo do Estado contou também com recursos do Ministério do Esporte, que pela primeira vez investiu no campeonato que em média reúne 40 equipes brasileiras e internacionais. A cobertura do Fórum Internacional e de muitas outras ações da Sudesb em 2018, você poderá ler nas próximas páginas dessa edição. Enfatizamos nesse editorial a parceria com o Ministério para mostrar a importância dessa estrutura para se fazer a gestão esportiva no Brasil. Não estamos alheios aos muitos desafios que estão por vir, principalmente quando o novo governo anuncia intenção de promover mudanças significativas no órgão máximo do Esporte brasileiro. O Governo do Estado e a Sudesb seguem firmes no propósito de colocar a Bahia e o Brasil em um patamar destacado no cenário esportivo internacional.

Boa leitura! Elias Dourado

Diretor geral da Sudesb


Bahia: estado-sede dos Jogos Universitários Brasileiros em 2019 Consolidada como palco de grandes eventos esportivos nacionais e internacionais, a Bahia, após 51 anos, será o estado-sede dos Jogos Universitários Brasileiros – maior competição esportiva universitária da América Latina –, quando reúne, em uma única edição, cerca de cinco mil alunos-atletas de todo o país, em 15 modalidades individuais e coletivas. Entre elas, estão as tradicionais provas de atletismo, atletismo paradesportivo, basquete, ciclismo, futsal, handebol, judô, natação, natação paradesportiva, vôlei e vôlei de praia, skate, além dos jogos eletrônicos FIFA, League of Legends e do JUBs acadêmico. O anúncio oficial aconteceu em Maringá (PR), no mês de novembro, durante a 66ª edição dos jogos, com presença de atletas, técnicos e dirigentes. As competições na Bahia, com realização entre 19 e 27 de outubro, serão organizadas pela Confederação Brasileira de Desportos Universitários, com apoio do Governo do Estado, por meio da Sudesb/ Setre, com parceria da Federação Universitária Baiana de Esportes. Os entendimentos com o Governo do Estado que viabilizaram a confirmação da Bahia iniciaram no Fórum Internacional, em junho, quando o presidente da CBDU, Luciano Cabral, aqui esteve como palestrante convidado do encontro internacional. Praças esportivas que serão usadas para provas do JUBs são: Centro Pan-americano de Judô, em Lauro de Freitas, Ginásio do Sesi, em Simões Filho, Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras e Piscina Olímpica da Bahia, na Bonocô, em Salvador. 4


O diretor da Sudesb, Elias Dourado (centro), esteve em Maringรก/PR para reforรงar a candidatura da Bahia 5


Atletas de ginástica rítmica conquistaram 6 medalhas, sendo 2 de ouro e 4 de prata

Baianos conquistam 19 medalhas A conquista de 17 medalhas (três de

ouro, sete de prata e sete de bronze) na etapa nacional das modalidades individuais e mais 2 de bronze na etapa regional dos jogos coletivos foi o saldo da participação dos atletas baianos na edição dos Jogos Escolares da Juventude/2018. Destaque para a bela atuação das meninas da ginástica rítmica, que conquistaram seis medalhas: duas de ouro e quatro de prata. Completam-se a lista as cinco medalhas conquistadas no judô – uma de ouro, uma de prata e três de bronze; quatro na natação – duas de prata e duas de bronze; dois bronzes na luta olímpica e mais dois bronzes no futsal e voleibol para faixa etária de 12 a 14 anos, etapa regional. Na etapa nacional, realizada entre 12 e 26 de novembro, em Natal (RN), houve dispu6

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nas etapas nacional e regional

ta de provas em 14 modalidades esportivas (10 individuais e quatro coletivas), estando a Bahia representada nas provas individuais. Com o novo formato adotado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), entidade organizadora dos jogos, mesmo com os terceiros lugares conquistados na regional, em setembro, as equipes baianas de futsal e vôlei não se classificaram para a etapa nacional. Em 2018, a delegação baiana (etapas regional para os coletivos e nacional individual) foi composta por 200 pessoas, entre atletas, técnicos, jornalistas, fisioterapeuta e dirigentes. Todos viajaram com passagens cedidas pela Sudesb que, além de garantir o deslocamento e uniformes, realizou a seletiva municipal de Salvador e a estadual Bahia dos Jogos Escolares da Juventude.


Olimpíadas Escolares da Bahia Em 2019, o Governo do Estado vai realizar as Olimpíadas Escolares da Bahia, para estudantes atletas nas faixas etárias 12 a 17 anos, com provas nas modalidades individuais e coletivas. O projeto, que integra o novo programa de governo da Bahia, está em fase final de formatação, envolvendo a Sudesb e as secretarias do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), da Educação (SEC) e da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). A competição escolar, de abrangência em todo o estado baiano, seguirá o mesmo formato das seletivas dos Jogos Escolares da Juventude – envolvendo instituições de ensino da rede pública e privada.

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A Bahia esteve representada por atletas de escolas públicas e privadas da capital e dos municípios de Juazeiro, Brumado, Itacaré, Jaguarari, Vitória da Conquista, Campo Formoso, Manoel Vitorino, Jequié, Coité, Xique-Xique, além dos metropolitanos Simões Filho, Mata de São João, Madre de Deus, Lauro de Freitas e Camaçari

Judô conquista 5 medalhas para a Bahia

Luta ólimpica garantiu 2 bronzes para a Bahia

2 medalhas de prata e 2 de bronze foram as medalhas conquistadas pela natação

Na etapa regional, equipes de futsal (Colégio Integral) e voleibol (Colégio Militar de Salvador) ficaram com medalhas de bronze

Alunos e professores do projeto Remando no Rio de Contas (núcleo Itacaré) Embarque, para Natal/RN, de atletas de judô e luta olímpica

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19a27 • out 2019

S A LVA D O R . L A U R O D E F R E I TA S . S I M Õ E S F I L H O REALIZAÇÃO

APOIO LOCAL


Entre 2015 e 2018, já são 380 atletas baianos, 37 eventos e um projeto de construção do novo kártodromo da Bahia apoiados por programas como o FazAtleta e o Bolsa Esporte. O investimento do Governo nessas duas políticas públicas soma 18,3 milhões de reais somente nestes três últimos anos.

Copa Denilson Caribé/2018 teve apoio do FazAtleta

Em 2018, o valor autorizado pelo Governo foi de R$4,5 milhões a título de incentivo fiscal para ser aplicado no FazAtleta. Atletas como o maratonista Allan do Carmo, o tenista Natan Gentil, a ciclista Paola Reis e a pugilista olímpica Adriana dos Santos são alguns dos beneficiados pelo programa no edital de 2018.

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Programas FazAtleta e Bolsa Esporte ajudam na formação de atletas

O novo kartódromo da Bahia, em São Francisco do Conde, está sendo construído com incentivo do FazAtleta

O FazAtleta é um programa de incentivo com a participação de empresas privadas, que ao investir no projeto do atleta tem abatimento de 80% do ICMS pago ao Estado. Já o Bolsa Esporte disponibiliza benefícios de até R$2 mil a atletas de modalidades olímpicas. Pelo edital de 2018, foram contemplados 69 atletas e paratletas que praticam canoagem, remo, natação, atletismo, boxe, dentre outras modalidades, num investimento que soma R$ 516 mil durante um ano, renovável por igual periodo.

Em janeiro/2018, o governador Rui Costa anunciou, em seu programa “Papo Correria”, os R$4,5 milhões para o FazAtleta deste ano

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Em Ribeira do Pombal, o projeto social atende 400 crianças e adolescentes na prática do judô

15 mil pessoas atendidas em projetos sociais de esporte e lazer na Bahia no ano de 2018 Nos últimos dois anos, a Sudesb ampliou a oferta de vagas em projetos sociais de esporte e lazer, chegando a atender 15 mil crianças, jovens, adultos e idosos que participam de atividades com aulas de karatê, judô, xadrez, capoeira, ginástica, futsal, basquete, vôlei, dança de salão, remo, dentre outras, como natação, hidroginástica e pólo aquático do Programa Natação em Rede.

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Soma-se a esse público, as quase 40 mil pessoas beneficiadas diretamente com o Programa de Esporte e Lazer da Cidade (Pelc-Bahia) na capital e em outros 77 municípios do interior (ver matéria às páginas 16 e 17). Com a parceria de entidades da sociedade civil foram selecionados 33 projetos por meio de chamadas públicas. A Sudesb e o programa Pacto Pela Vida/ Funcep vêm financiando a execução desses projetos a fim de fortalecer e fomentar politicas públicas para incentivar a prática esportiva em todas as regiões do estado.

Em Porto Seguro, o projeto Filhos da Terra oferece aulas de atletismo, futebol e modalidades tradicionais Pataxó. Ao todo, são atendidas 200 crianças, adolescentes e adultos

O investimento nesse conjunto de projetos soma R$11,1 milhões


Do projeto de natação, muitos garotos já estão se destacando e participando, inclusive, de competições baianas e até nacionais. No mês de novembro, por exemplo, 22 garotos do projeto Natação em Rede participaram do Campeonato Brasileiro de Maratonas Aquáticas . A expectativa da Sudesb é firmar novas parcerias em 2019, levando atividades esportivas, inclusão social e aprendizado para crianças e jovens que vivem em áreas de vulnerabilidade social e com poucas oportunidades para o exercício da sua cidadania.

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Natação em Rede – Em Salvador e em Lauro de Freitas, Região Metropolitana, o destaque vai para o Projeto Natação e Rede, que está em seu segundo ano e hoje atende mais de 2,3 mil pessoas com aulas de natação para crianças de escolas públicas, hidroginástica para idosos e polo aquático. As atividades esportivas acontecem em quatro núcleos – CSU Nordeste de Amaralina, piscina da Bonocô, CAB (antigo prédio da Flem) e Centro Pan-Americano de Judô (Praia de Ipitanga/Lauro de Freitas).

Alunos de karatê de projeto social do Bairro da Paz

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canoagem

A presidente da Associação Cacaueira de Canoagem (ACC), Camila da Conceição Lima, e a atleta-coordenadora da ACC, Luciana Costa, vieram do município de Ubaitaba, distante 660 quilômetros da capital, para participar do Fórum Internacional. As duas compartilham a responsabilidade de gerenciar o projeto “Remando no Rio de Contas”, uma iniciativa financiada pela Sudesb para fomentar e fortalecer a prática da canoagem em Ubaitaba, Itacaré e Ubatã, onde os três núcleos juntos atendem a 270 jovens de 7 a 17 anos daquela região. Soma-se a essa política pública o fato de os três municípios também terem ganhado, do Governo do Estado, três centros canoagem – o de Itacaré já foi entregue em julho 12

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A expansão da no sul da Bahia

último e os de Ubaitaba e Ubatã estão em fase final de construção. Camila, ex-campeã brasileira, sul-americana e pan-americana na categoria C2, ressalta a importância do projeto “Remando no Rio de Contas” e os centros de canoagem. “Com esses centros, os atletas de alto rendimento poderão ser atendidos, impedindo que os mesmos deixem a Bahia para treinar em outros estados”, observa Camila, lembrando o caminho que tiveram que seguir no passado os campeões olímpicos Isaquías Queiroz e Erlon Silva, naturais de Ubaitaba e Ubatã, respectivamente, hoje treinando em Minas Gerais. Celeiro – Luciana Costa ressalta que a região é um celeiro de bons atletas,


Os resultados dos investimentos já podem ser sentidos: no campeonato brasileiro realizado este ano, em Curitiba (PR), a classificação por equipes foi a seguinte: 1º lugar – Associação de Canoagem de Itacaré; 2º lugar – Associação Cacaueira de Canoagem (Ubaitaba) e em 3º – Associação Leopoldense de Ecologia e Canoagem (São Leopoldo/RS). Apesar do sucesso da canoagem baiana, Camila e Luciana não se descuidam da gestão. Elas participaram do Fórum Internacional do Esporte com o objetivo de se atualizar e manter a região sul da Bahia na ponta da canoagem brasileira.

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tradição iniciada com Jefferson Lacerda, hexacampeão sul-americano, tricampeão pan-americano e primeiro atleta a se classificar para uma Olimpíada (Barcelona 1992). A característica esportiva local foi mantida pelos campeões olímpicos Isaquías Queiroz e Erlon Silva, espelhos para as crianças dos três núcleos do “Remando no Rio de Contas”.

Camila Lima e Luciana Costa, gestoras da Associação Cacaueira de Canoagem (Ubaitaba)

Centro de canoagem de Itacaré

Alunos e professores do projeto Remando no Rio de Contas (núcleo Itacaré) 13


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Caravana do Lazer:

leva capacitação e recreação aos baianos

Somente este ano, foram capacitados mais de 1,4 mil agentes multiplicadores de lazer, e envolvido um público de mais de 14 mil crianças com atividades recreativas do Dia de Lazer. O objetivo principal do programa é resgatar a importância do lazer e da diversão com eventos culturais, recreativos e de esporte, que visam à educação, integração social e à convivência pacífica das populações. O programa busca atender, prioritariamente, municípios com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e com alta vulnerabilidade social. A atividade é dividida em duas partes, com realização de oficinas de capacitação, seguidas do Dia do Lazer, oportunidade em que os agentes colocam todo o aprendizado em prática, orientando crianças na execução de várias atividades recreativas. Ao final, os participantes recebem certificados que os qualificam como agentes de lazer do município.

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Em 2018, a Caravana do Lazer percorreu 32 cidades do interior, atendendo municípios como Caetité, Livramento, Paramirim, Brumado, Rio do Pires, Santa Inês, Lage, Guanambi, Vitória da Conquista, Barra de Estiva, Muniz Ferreira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Piatã, São Francisco do Conde, Curaça, Presidente Dutra, Uauá, Irará, Dom Macedo, Encruzilhada, Piripá, Tremedal, Tanque Novo, Ibitiara, Cachoeira e Caturama.

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A rotina de 34 mil crianças, jovens, adultos e idosos de 78 municípios baianos, inclusive da capital, mudou substancialmente com a prática de atividades de esporte, lazer e cultura. Todo esse conjunto de baianos participa, desde setembro 2017, das aulas públicas desenvolvidas pelo Programa de Esporte e Lazer da Cidade (Pelc-Bahia) com ações acontecendo em 100 núcleos esportivos. O Pelc-Bahia também emprega diretamente 700 pessoas, envolvendo profissionais de educação física, assistentes sociais, além de lideranças comunitárias e agentes sociais. Com duração de 20 meses, o programa é fruto de parceria entre a Secretaria do Trabalho e Esporte/Sudesb e o Ministério do Esporte, num investimento de R$18 milhões. Além de proporcionar a prática de atividades físicas, culturais e de lazer, o Pelc também contribui para estimular a convivência social, a formação de gestores e lideranças comunitárias, favorecendo a pesquisa e a socialização do conhecimento, contribuindo para que o esporte e o lazer sejam tratados como política e direito de todos.

Núcleo Vitória da Conquista 16

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Pelc-Bahia muda rotina de milhares de baianos, levando bem-estar e saúde

O Pelc está presente em 78 municípios baianos

Núcleo Salvador, bairro de Cajazeiras


Aluna do núcleo que funciona no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras, em Salvador, Marlene da Silva Godói falou dos benefícios do programa: “Depois que comecei a frequentar as aulas, me sinto mais disposta, mais ativa. Pratico atividade de qualidade e sem custo. É muito bom!”, resumiu, positivamente. Atividades do Pelc-Bahia: • alongamento • caminhada • ginástica • vôlei • handebol • basquete • futebol • futsal • karatê, judô • jiu-jitsu • hapkido • natação • canoagem • música • coral • teatro • artesanato • filmes/fotografia • dança • capoeira • leitura infantil • brinquedoteca • recreação • dama e xadrez • atendendo pessoas com ou sem deficiência.

Núcleo Salvador, bairro de Cajazeiras

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Segunda Formação de coordenadores e agentes do pólo Santo Antônio de Jesus

Segunda Formação de coordenadores e agentes do pólo Caetité

Núcleo Salvador, bairro de Cajazeiras

Núcleo Andorinha

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Apoio contribui para revelação de novos talentos O apoio financeiro às entidades para organização de eventos esportivos das mais diferentes modalidades é também garantido pela Sudesb. Durante todo o ano, são dezenas de ações patrocinadas pelo órgão na capital e no interior, com os recursos públicos sendo utilizados na produção de material promocional e de divulgação, premiação e infraestrutura. Exemplo disso foi o XXVII do Pan-Americano Júnior de Badminton, que reuniu, pela primeira vez na Bahia, mais de 330 atletas de 12 países. A competição aconteceu no Centro Pan-Americano de Judô (CPJ), em Lauro de Freitas, no mês de julho. Outro evento que merece destaque é o Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica pré-infantil/infantil, que também aconteceu no CPJ. Ao todo, foram 35 atletas da categoria pré-infantil e 99 no juvenil, de 14 estados do país. A ginasta baiana Keyla Santos, 10 anos, foi um dos destaques, tendo conquistado o primeiro lugar na categoria pré-infantil aparelho bola. Ciclismo – A Brasil Ride, considerada uma das mais importantes provas de ultramaratona de mountain bike das Américas, aconteceu pela terceira vez na região de Porto Seguro. A 9ª edição da prova reuniu cerca de 1.500 ciclistas profissionais (500 da ultramaratona e 1.000 da Maratona XCM Brasil Ride), entre eles campeões olímpicos, mundiais e continentais nos mais diferentes níveis, de 24 países e 23 estados brasileiros.

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Outro evento de sucesso apoiado pela Sudesb é a prova de maratona de longa distância de ciclismo (Suba 100 K de MTB XCM ), realizado no final de abril de 2018, no município de Santa Terezinha. Nos dois dias de prova, os 500 atletas participantes percorrem 100 quilômetros, passando por belas paisagens naturais, reservas ecológicas e pontos turísticos do Recôncavo baiano. Outros eventos – O CPJ também recebeu eventos importantes de judô, como uma das etapas do Campeonato Baiano de Judô e do Desafio Internacional de Judô, contra o Chile. Além do Pan-Americano Júnior de Badminton e do Brasileiro Junior de Ginástica Rítmica, o CPJ sediou o II Fórum Internacional de Esporte e o Fórum Baiano de Gestores Públicos Municipais de Esporte e Lazer, todos apoiados pelas Sudesb. A Sudesb também garantiu a realização da 34ª edição do Bahia Juniors Cup –principal evento de tênis juvenil –, que reuniu mais de 300 atletas de 15 países, disputando medalhas até as categorias de 18 anos. O tenista Natan Rodrigues, de 16 anos, apoiado pelo programa FazAtleta, fez história ao conquistar o título do torneio da categoria principal. Ele tornou-se o terceiro baiano a conquistar o título. Competições de paradesporto, corridas de rua, campeonatos de natação, judô, basquete, boxe, bicicross, provas de vela, futebol, atletismo, jiu-jitsu, futsal, tênis de mesa, maratonas aquáticas são algumas das muitas outras modalidades apoiadas pela instituição. Para a Sudesb, quanto maior o leque de esportes apoiados, maior o estímulo para a prática esportiva, ampliando, também, a chance de contribuir para revelação de novos atletas baianos.

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Com visita a 13 municípios baianos neste ano de 2018, a equipe de profissionais da Coordenação de Excelência Esportiva da Sudesb capacitou 656 pessoas nos cursos teórico e prático para técnicos e árbitros de futebol. A capacitação está prevista no projeto de Dimensão Social do Futebol da Sudesb, que promove também copas para o futebol amador. A equipe técnica, formada por profissionais de Educação Física, passou pelos municípios de Cachoeira, Terra Nova, Maragojipe, Morro de Chapéu, Muritiba, Itabela, Paripiranga, São Francisco do Conde, Candeias, Sento Sé, Catu, Conceição do Coité e Ibotirama. As capacitações apresentam bons frutos ao longo dos anos. Em Sento Sé, o exemplo vem da equipe de futsal feminino da cidade, que participou dos cursos e afirma ter adquirido novos conhecimentos. Segundo Jackeline Kelly, jogadora e uma das líderes da equipe, participar das aulas foi uma experiência incrível de aprendizado. “Os professores nos estimularam

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Cursos capacitam mais de 600 técnicos e árbitros de futebol

Em Sento Sé, curso contou com a presença da equipe do futsal feminino...

mais. Eles nos incentivaram a não desistir, mostrando que com muita dedicação podemos conquistar nosso espaço”. Os cursos são realizados através de uma parceria entre Sudesb e as prefeituras locais, que disponibilizam espaço para a realização das aulas práticas e teóricas. O objetivo da capacitação é garantir aos alunos maior qualificação para o mercado de trabalho e oportunidade de geração de renda, promovendo reciclagem e incentivo aos iniciantes da área.

... equipe técnica da Sudesb com os alunos que participaram da oficina teórica 20


Mais de mil gestores de ligas

futebol qualificados

Em 23 encontros realizados em mu-

nicípios estratégicos do ponto de vista territorial, o Curso de Qualificação de Gestores de Ligas de Futebol certificou mais de mil pessoas entre dirigentes, gestores e profissionais do futebol amador. Realizado entre junho/2017 e janeiro/2018, o projeto de formação buscou atender os 417 municípios baianos distribuídos nos 27 Territórios de Identidade do estado. O curso foi pioneiro no Brasil, tendo por objetivo preparar os interessados em gerenciar e desenvolver ações administrativas e interpessoais dentro do mundo esportivo. Assim, foram trabalhados temas como Teoria Geral da Administração; Formação de Equipes; Direito Esportivo; Elaboração e Gestão de Projetos; Marketing Esportivo e Relações Interpessoais e Ética. A carga horária de formação foi de 16 horas, realizada sempre aos finais de semana. Para promoção dessa política pública, a Sudesb teve o apoio financeiro do Ministério do Esporte e parceria da Federação Bahiana de Futebol, além da Federação Baiana de Desportos de Participação – FBDPA, entidade conveniada para apoiar a Sudesb na realização do projeto.

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de

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Investimentos garantem melhorias na infraestrutura esportiva

A melhoria e ampliação da infraestrutura esportiva em toda a Bahia têm sido priorizadas pelo Governo do Estado. Entre 2015 e 2018, o investimento somente na reforma e construção de equipamentos ultrapassa a casa dos R$90 milhões, fortalecendo a prática de várias modalidades esportivas e possibilitando a revelação de novos talentos na capital e no interior. Neste ano de 2018, em 12 cidades baianas – Ilhéus, Juazeiro, Guanambi, Paulo Afonso, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Alagoinhas, Itaberaba, Barreiras, Teixeira de Freitas, Santo Antônio de Jesus e Jequié – já estão em construção pistas de atletismo em Batalhões da Polícia Militar, numa parceria da Sudesb com a PM. O investimento nesse conjunto de equipamento 22

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Primeira etapa das obras do Estádio Waldomiro Borges, de Jequié, já foi entregue

soma 6 milhões de reais. Outra modalidade beneficiada foi a canoagem, com construção de centros de treinamento em Itacaré, Ubaitaba e Ubatã. Salvador também ganhará um centro de canoagem. O projeto básico desse equipamento, a ser instalado no Parque de Pituaçu, está bastante avançado, com obra prevista para iniciar ainda no primeiro semestre de 2019. Somente em 2018, O Governo da Bahia e prefeituras de 26 municípios assinaram convênios para obras de reforma em estádios de futebol do interior. Serviços como pintura, iluminação, instalação de alambrado, reforma de arquibancadas e melhoria em vestiários fazem


Para o diretor geral da Sudesb, Elias Dourado, o governo tem cumprido seu papel, mas entende que ainda há muito por fazer. “Com essas entregas, damos continuidade à política pública de investir e fortalecer a infraestrutura esportiva do interior, pois sabemos a importância que cada espaço deste ocupa em seu município, servindo para a prática do esporte, como também para a socialização, lazer e integração das pessoas”, destacou.

Estádio de Serrolândia, primeiro com gramado sintético, um padrão que a Sudesb pretende adotar em outras praças

Estádio de Capim Grosso ganhou obra de requalificação

Em 2017, numa parceria com a Prefeitura, a Sudesb reformou o estádio 2 de Julho, em Guanambi

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parte das obras, já iniciadas em todas as cidade conveniadas. O investimento estadual para melhoria dessas praças esportivas é de mais de R$ 13 milhões.

Em parceria com a Polícia Militar, a Sudesb está construindo 12 pistas de atletismo em Batalhões da PM de 12 cidades do interior do estado. As obras já começaram

Ginásio poliesportivo de Livramento

Estádio da Candeias, obras em fase de conclusão

Centro de Canoagem de Ubaitaba, com obras sendo finalizadas

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Baianos disputam competições com apoio da Sudesb Cada vez mais, atletas e paratletas baianos vêm se destacando em competições nacionais e internacionais. A Sudesb vem contribuindo para o sucesso destes campeões, fornecendo passagens. Até o mês de novembro de 2018, a autarquia beneficiou 1.448 mil atletas com a concessão de passagens aéreas e terrestres, num investimento de R$493 mil.

Um dos exemplos foi do lutador de Jiu-jitsu, Igor Nogueira, 22 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista. Ele e a sua mãe, Marleide Nogueira, viajaram com apoio da Sudesb, para Equipe de canoagem do projeto “Remando no Rio de participar do Mundial de Abu Dhabi, no Contas” viaja a Curitiba em ônibus cedido pela Sudesb mês de abril. O atleta conquistou a medalha de ouro na categoria absoluto e trouxe ciclistas viajaram até Fortaleza (CE), onde a medalha de prata para a Bahia, na sua disputaram a 3ª etapa da Copa Brasil de categoria do Para- Jiu-jitsu, no Abu Dhabi BMX Racing. As passagens para as duas World Pro Jiu-jitsu Championship 2018, viagens foram concedidas pela autarquia nos Emirados Árabes Unidos. Igor foi o do esporte. único atleta brasileiro, autista, competindo na categoria profissional no mundial. Somam-se a estes muitos exemplos como os mais de 40 pugilistas que viajaram No bicicross, a baiana Paôla Reis, cinpara Fortaleza, em novembro, para a disco vezes campeã brasileira de bicicross, puta do 73º e 10º Campeonato Brasileiro disputou na Argentina, no mês de setemde Boxe Olímpico, classe Elite e Juvenil bro, a Taça do Mundo de Supercross UCI masculino. Essa é mais uma política da BMX, em Santiago del Estero. No retorno Sudesb que tem beneficiado milhares de ao Brasil, Paola e uma delegação com 37 atletas no estado.

Na viagem a Abu Dhabi, com passagens cedidas pela Sudesb, o campeão de jiu-jitsu, Igor Nogueira, autista, conquistou a medalha de ouro e de prata 24


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Doações estimulam a prática do Com o objetivo de estimular a prática de esporte, a Sudesb realiza doações de materiais para entidades esportivas e paradesportiva de toda a Bahia. Em 2018, o investimento de R$ 1,5 milhão garantiu que pelo menos 300 entidades recebessem doações, beneficiando aproximadamente 15 mil pessoas. Entre a que merece destaque está a doação de quatro barcos com motor para Federação de Clubes de Remo da Bahia, que serão utilizados em competições estaduais de remo. Nos próximos dias, a Sudesb entrega oito cadeiras adaptadas para o basquete de cadeirantes de Paulo Afonso Outras entidades que realizam projetos de iniciação esportiva e inclusão social foram beneficiadas com recebimento de padrões de futsal, futebol, vôlei e handebol, redes de futsal e vôlei, bolas, coletes, calções, antenas de vôlei, kimonos, luvas de boxe, medalhas, dentre outros.

esporte

Oito cadeiras adaptadas foram entregues, agora em dezembro, ao basquete de Paulo Afonso

A Sudesb também disponibiliza materiais e equipamentos esportivos para eventos de esporte e lazer como, por exemplo: cama elástica, piscina de bolinhas, jogos educativos, entre outros.

Quatro barcos com motor foram doados recentemente à Federação de Clubes de Remo da Bahia

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Copas de futebol A Copa 2 de Julho de futebol sub 15

comemorou em 2018 a décima edição do torneio. Com sucesso consolidado nacionalmente, a competição é vista como uma das principais vitrines do futebol brasileiro, possibilitando que mais de 70 atletas baianos fossem revelados, dando-lhes oportunidade de mostrar o seu talento em outros clubes. Para marcar a data, a Copa 2 de Julho 2018 reuniu 40 equipes de base que disputaram a taça. Dentre as principais estão: Flamengo (RJ), Palmeiras (SP), Atlético (MG), Cruzeiro (MG), Sport (PE), Bahia (BA) e Vitória (BA). Das equipes internacionais estiveram o Blooming e El Semillero, ambos da Bolívia, e a Academia de Futebol de Angola (A.F.A) de Angola. A Copa 2 de Julho também é feita para os clubes de menor expressão do futebol nacional e também para as seleções municipais da Bahia. Alguns novatos, como a equipe Estrela de Março, de Salvador, e outras de estados distantes, como Santarém, do Pará, e Comercial, do Maranhão também marcaram presença nessa edição. Com repercussão internacional, a Copa 2 de Julho teve presença, em edições passadas, da Seleção Brasileira sub-17 e de equipes de países como México, Bolívia, Inglaterra, Venezuela e Colômbia, além de vários clubes brasileiros. A partir de 2015, passou a ser sub-15, sem perder sua qualidade técnica e potencial de revelar novos talentos do futebol.

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da Sudesb

Revista SUDESB 2019  
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