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instalação no Estúdio REATOR FICHA TÉCNICA fotografias performance câmera edição de vídeo ambiente e iluminação produção

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DUDU LOBATO ROSILENE CORDEIRO - PEDRO OLAIA ALESSON BARROS PEDRO OLAIA - NANDO LIMA NANDO LIMA PEDRO OLAIA - Estúdio REATOR

CATÁLOGO fotografias : DUDU LOBATO textos : ROSILENE CORDEIRO - PEDRO OLAIA - DUDU LOBATO editoração : NANDO LIMA

agradecimentos : primeiramente A todos os moradores das matas, nascentes, leitos, e beiras de rio Cassandra , Erica , Sergio Fotografo Willami mototaxi e barqueiro de Cotijuba Aline e Dadinho da Ilha das Onças , Marcia do Murucutú Ataide do barco “Dona Helena” , Alexandre Sequeira Alberto Amaral


PROJETO SELECIONADO NO PRÊMIO DE PRODUÇÃO E DIFUSÃO ARTÍSTICA DA FUNDAÇÃO CULTURAL DO ESTADO DO PARÁ - 2016 realização


o

ato

de se TRANS FOR

mar em

ilha


o

toco


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toca


Não é apenas a zona continental da cidade de Belém-PA, com seus 173,78 km, representante dos 34,36% de sua área geral, que atrai o gosto e interesse por investigações experimentais corporeo-sensoriais no campo da performance. Em se tratando dessa pesquisa é justamente o seu território insular, distribuído em 39 ilhas, portanto 65,64% dessa área total que despertou nossa intenção de trabalho proposto no PRÊMIO PRODUÇÃO E DIFUSÃO ARTÍSTICASEIVA 2016.

INSULADA


Localizadas em uma área intermediária do estuário amazônico, essa área de transição entre a água doce (ao sul da Baía de Guajará e à direita do Rio Guamá) e a água salgada (ao norte de Belém na altura da cidade de Colares) encontram-se a Ilha de Cotijuba, Ilha das Onças e Ilha do Combu, caracterizadas por rios, canais de maré (“igarapés”), florestas, várzeas, baías, campos alagados e praias pouco exploradas pelo ‘estrangeiro’ visitante. Ilhas nas quais as populações nativas e/ ou ribeirinhas de tradição são a maioria dos povos habitantes da mata e da beira, vivendo principalmente do extrativismo e da pesca, se inserindo na economia local principalmente como fornecedora de produtos primários. Mas não apenas de agricultura, turismo, pesca artesanal e uma vida pouco impactada pelo vício urbano vivem essas regiões: as ilhas configuram, primordialmente, lugares de convívio com dinâmica própria, lócus de afetos, relação biunívoca seres humanos-vegetais-animais, magia em estado bruto, conexão astral entre elementares, olhos d’água a nos acorrentar para dentro de si.


Então esse é um dado importante para a abertura do projeto “INSULADA: o ato de se transformar em ilha”: Abrir-se ao ambiente, deixar-se tocar por ele para circundar aquilo que, por inúmeros e urbanos motivos, nos inclinou aos holofotes da cidade em detrimento das luzes que hoje inundam nosso olhar com a liquidez que banha nossos corpos, com o sol que tinge nossa pele e cabelos com as cores do ar, do céu, das águas, a terra, a lama, do fogo obtido no contato dessas penetrações de retorno, nos fazendo suar e ativando nossa fome, nossa fome, nosso desejo criativo. Nós afro-indígenas amazônidas, paraenses, batizados na piedade de nossos ancestres seres da encantaria cabocla amazônica de “afagos à beira rio” (na voz de um certo poeta) espraiados nos demais espaços onde foi possível chegar.


Um ato artístico gerando outra subdivisão importante: essas ações ocorrem quando nossa pesquisa adentra a discussão da nossa própria porção sensível-geográfica de artistas territorializados dessa região, revisitando essa nossa porção insular interna e particular, alterando nossos corpos coletivamente, potencializando os sentidos, nossas percepções humanas e estéticas, atravessando nossas experiências cotidianas, nas relações com essa nossa cidade urbano-fluvial que nos envolve e encanta em tudo que somos e nos tornamos na relação com esta arte que desenvolvemos a que denominamos performance.


Sentimo-nos, então, o desejo múltiplo e exponencial de compartilhar a natureza em entrelaçamentos: com seus seres aquáticos-terrestres-aéreos pensantes; erveiros-bichos do mato correndo de nós mesmos; matas abertas dentro de florestas intocáveis do que estamos a buscar no mundo; gentes-rios em mutação entre vazante e cheia, alternando-se, eu diria, por inúmeras existências e em ininterruptas gerações sempre em estado cíclico. Seres em ininterrupta evolu(A) ção, flechados e capturados pela arte, reanimados pela vida em seu status natural.


Então o que temos agora são apenas pedaços colados, mosaico residuais dessa passagem breve por essa vivência vital numa instalação performativa sensorial, entre corpos, objetos e paisagens naturais, capturadas em áudio, vídeo e imagens, entre sons, texturas, papel e tecido nos remetendo às representações dessas relações que ora se apresenta ao corpo sem que nunca tivesse sido interrompida nele, apesar de nosso afastamento cronológico.


Então bem vindos e bem vindas, ao nosso corpoambiente habitado, habitando-nos, às nossas intimidades de percurso, ao nosso envolvimento afetivo, sensível, ético, poético e político nesses meses de trabalho. Adentrem esse ato de solidariedade, que se deseja generoso. Um ato de querer bem, de cuidar, de si e dos outros, uma tela em abertura interna nos lançando como redes pra fora das canoas em que inúmeras vezes naufragamos em poesia, gerando a maresia do entorno (antes de tudo o nosso). E no balanço da proa dessa canoa memorial entre uma e outra maresia, árvores adiante, sinal de terra firme pela frente e um outro grito de chegada em coro: “Encantarias à vista! Tiremos as sandálias dos pés, porque o chão que pisamos SANTO É.”

Rosilene Cordeiro


O Ato de Se Transformar em Ilha

Nossos antepassados indígenas e africanos tinham o hábito de conviver pacificamente e respeitar profundamente a natureza e a força, intensidade e poder das coisas que não vemos e que popularmente são chamadas de visagem/assombração, na literatura de maravilhoso/fantástico e nas ciências daquilo que sabemos que existe, pois conseguimos provar sua existência, mas não vemos e que na Física se denomina como energia-matéria escura ou invisível. O Curupira, as Iaras e Mães d’Água são seres encantados, vivem entre nós e estão muito próximos das águas, matas e animais. Estes seres ditos sobrenaturais são guardiões protetores manipuladores do espaço/tempo que repugnam atitudes que colaboram para a destruição da mata e assoreamento dos rios e por isso muitas das vezes se vingam deste plano em que nós humanos habitamos e que a todo momento queremos modificar de forma devastadora no intuito de sermos maiores do que o que nos criou.


Nós amazônidas acreditamos que em Belém há uma cobra grande enterrada, e que quando ela acordar a cidade vai ruir e será engolida pelas águas. Acreditamos que foi essa mesma cobra grande que abriu os rios, pois antes só existia terra e a cobra grande nasceu pequena e foi crescendo ao longo do tempo e saiu abrindo caminho na terra para a água passar, e por isso nossos rios são em formatos serpentoidais.


Acreditamos que o Curupira é uma entidade travessa, moradora da mata, que não pode ver um novelo de cipó porque senão ele fica entretido tentando desfazê-lo. Acreditamos que o Muiraquitã é um talismã sagrado construído por índias Icamiabas, mulheres guerreiras, Amazonas sem marido que cultuam a grande mãe Lua e do barro esverdeado modelam muiraquitãs e outros amuletos.


Este projeto é o resultado de construções coletivas de fotoperformances, onde fotógrafo e performeres estão em uma relação afetuosa para além de um trabalho mecânico de fotografar modelos e as performances cênicas são experimentações corpóreas que acontecem em três centros ativos de resistência onde a natureza subsiste ao caos urbano, sendo que estes centros estão localizados em três ilhas na frente da região metropolitana de Belém: Ilha de Cotijuba, Ilha das Onças e Ilha do Combu.


Ser o meio ambiente e estar em ‘nossa casa original’ foram os anseios que nos motivaram a ir em busca da alquimia exata entre a captura da objetiva da câmera e instantes quânticos de energias moldáveis onde tudo acontece, tudo se transforma.

Pedro Olaia


Cotijuba


I N S U L A S S E


I N S U L A S S E


I N S U L A R I A


I N S U L E


Foto-Performance

Como fotografo e performer, fotografar um Projeto contemplado pelo SEIVA 2016 como o ISULADA, foi algo diferente para mim, pois ao mesmo tempo, esse projeto me desafiou e agregou. Desafiou, porque antes de tudo, era preciso compreender, respeitar e observar os locais (as 3 ilhas propostas onde foram apresentadas e fotografadas as perfomances: Cotijuba, Ilha das Onças e Combu), a sua natureza, geografia, população e a luz do mesmo, pois todos esses elementos serviram para contribuir a sua forma, para a composição das “Foto-Performance”.


Agregou, pois as 3 ilhas propostas neste projeto, onde foram apresentadas as Performences em que eu fotografei, se encontram em frente a BelÊm e que permitiu no meu processo de criação, deixar meu corpo e minha mente como uma folha de papel em branco e que seria preenchido no momento em que eu saisse de casa para atravessar o rio para fotografar as performances.


E por fim a relação estabelecida entre os performers e fotografos com o proposito de realização este projeto. As performances a meu ver, nunca eram roterizadas elas surgiam espontaneamente do contato dos performeres com o ambiente em que nos encontravamos, onde os mesmos iniciavam com um “pedido de permissão” para os nossos antigos ancestrais para adentrar na floresta, seguidos de um “encantamento/transe”; depois “purificação/limpeza energética e espiritual” do ambiente e por fim uma especie de “batismo/renascimento”, onde os performeres pareciam estar prontos para a adversidade dos 4 elementos da natureza.


Dito isso, como eu trabalho com minha camera no modo manual, eu tinha que pensar rĂĄpido e saber o momento certo de fotografar cada uma dessas nuances das performances apresentadas nas 3 ilhas para nĂŁo perder a veracidade do momento e comprometer o trabalho.

Dudu Lobato


...esta é uma obra em processo. Aqui entrarão fotografias e informações: - Foto-Performances nas Ilhas das Onças e Combu - Vídeos realizados - Concepção e Processo da Exposição - Performances realizadas no Estúdio Reator

Nando Lima (editor) Janeiro - 2017



Insulada