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Idealização e organização Clarice Poubel Chieppe A pesquisa de imagens e os textos foram feitos por toda a família Caligrafia Anna Maria Poubel Chieppe Projeto gráfico e diagramação Manaira Abreu - Mandacaru Design Dezembro de 2011


Ă€ Maria e ao Lila por terem escolhido um ao outro e formado esta famĂ­lia.


Apresentação 6 Nossas Origens 8 Linha do Tempo: por onde passamos

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D. Maria

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Seu Lila

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Lila + Maria

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Os oito filhos

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Urley

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Carmelita

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Marley

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Maria Antônia

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Ulysses

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Domingos

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Anna Maria

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Ana Lúcia

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Encontros

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União

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Árvore Genealógica

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E foi assim que tudo começou... Ele, Ulysses: homem de luta, personalidade forte, sorriso maroto e olhar marcante. Ela, Maria: mulher corajosa e sábia, de coração generoso. Juntos começaram a construir a família que hoje se pergunta: “De onde viemos?” Viemos lá de Conceição do Muqui, onde nasce o Rio Muqui, e nas suas águas essa família correu mundo, venceu os morros que o espreitava e trilhou diversos caminhos. Venceu correntezas, transpôs pedras e barro, e entre os morros floresceu. Floresceu nessa família numerosa, que hoje possui 80 membros. Essa família de características expressivas, onde se destaca o poder de superação e combate, prosseguiu faceira e destemida em busca de seus sonhos e realizações. E em meio ao rio que a levou, alegre e desafiador, por vezes caudaloso e assustador, cresceu, despontou, e neste momento comemora orgulhosa suas conquistas e vitórias, que de muito longe foram sendo esculpidas, ressurgindo gloriosa como a Pedra dos Pontões, símbolo do lugar de onde vieram seus precursores. Nas páginas a seguir você poderá conhecer um pouquinho do que se transformou esse feliz encontro de um casal apaixonado, que diante de todas as dificuldades nunca se permitiu desistir. 6

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Fotos que retratam a emoção de cada integrante. Fotos que demonstram a espontaneidade, o afeto, a troca e o cuidado, traços marcantes dessa mistura interessante que representa a “Família Bastos Poubel”. Nos recados vindos lá do fundo do coração, você poderá perceber que o que aqui foi construído se fundou em alicerce forte. Um banho de entrega e construção. No capítulo “Nossas Origens”, podemos observar a trajetória da “Família Poubel”, que já desde então se mostrava batalhadora e resistente, nunca esmorecendo diante dos obstáculos e buscando incessantemente uma saída para vencer. Na “Linha do Tempo” a trajetória do casal, que incansavelmente luta pelo bem estar de sua família e que chora pela ausência dos que ama, quando precisa deles se distanciar. Uma família resignada, de Fé. Nos fatos narrados, você sempre perceberá as palavras união, respeito, solidariedade, integridade, delicadeza. Foram essas as heranças mais valiosas que esse casal deixou para nós, como seu maior legado. Uma família humana, de olhar terno e brejeiro. Tolerante e amiga. Que chora, ri, esbraveja, se recolhe, mas não se esquece nunca de que é preciso prosseguir, e juntos, conscientes de que essa é sempre a melhor direção. As travessuras narradas nos fazem rir, rir muito e por fim, mais uma vez concluir, como foi lindo o caminho que vocês trilharam para nos presentear. Vovó Maria, agradecemos pelo exemplo de harmonia e continuidade a dois e a alegria que nos deu de fazermos parte dessa história que você tão sabiamente ergueu. Por isso, emocionada, convido a todos se deliciarem nas páginas a seguir, para descobrirem certamente ao final, que “De onde viemos” mostra que sempre só existiu Amor, que fez e faz valer a pena cada minuto em que estamos juntos e que faz valer a pena dividir hoje, com a presente e a futura geração, esse tesouro de valor incalculável que nossa “Família Bastos Poubel” se tornou. A família reunida em Brasília - DF , na casa de Ulysses (filho) e Irany no réveillon de 1990/1991.

Rufem os tambores!!! Atenção respeitável público!!! Com vocês: “De onde Viemos”, uma linda história de amor. Luciana, neta de Lila e Maria. DE ONDE VIEMOS

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A Família Bastos-Poubel-Rambaldi-Valim-Silva-Junger, que deriva de ramificações imigratórias e que deu origem à nossa família, tem uma história como a de tantos brasileiros descendentes de europeus e que compõem a etnia brasileira. Somos uma síntese dessa formação: temos influência italiana, alemã, suíça, francesa, portuguesa, indígena e luso-africana. Tudo começou em Conceição do Muqui, um distrito ao sul do Espírito Santo, no município de Mimoso do Sul, banhado pelo Rio Muqui – que significa “entre morros” e nasce entre as duas montanhas que formam os Pontões, e tem Conceição no nome porque é abençoado por Nossa senhora da Conceição. Região de café que conta com a presença de um dos pontos turísticos mais bonitos do ES, que é Pontões, conjunto de montanhas imponentes que a natureza privilegiada exibe em meio ao verde exuberante, trilhas e caminhos descobertos pelos naturalistas e desbravadores. No entanto, nossa história começou a ser construída há muitos anos, e nessa breve retrospectiva vamos nos deter à herança dos Poubel, nos baseando (ironicamente) na obra de BASTOS, mostrando um pouco da origem dessas pessoas e o que as levaram a buscar vida nova em uma terra distante. Ao fundo, vista dos Pontões em Conceição do Muqui - ES.

Há muito tempo ouvimos falar que a família Poubel teria ascendência “suíça do lado francês”. Na verdade, os suíços que imigraram para o Brasil viviam em Jura Bernois (Jura de Berna), uma parte desmembrada da França e anexada à Suíça por Napoleão Bonaparte na consolidação da República DE ONDE VIEMOS

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climáticas desfavoráveis, com chuvas prolongadas que atrasaram as colheitas. A economia estava consumida por guerras e revoluções, em especial, a Revolução Francesa, e mais tarde a Revolução Industrial, deixando muitas pessoas sem emprego, em virtude da importação de máquinas agrícolas e texteis inglesas. Tudo isso levou o povo suíço a um estado de miséria e fome.

Helvética¹, em 1797/1798. Os cidadãos que ali viviam perderam o direito de serem franceses e receberam em troca a ambição dos suíços por suas terras. Acabaram por se tornar apátridas em sua própria terra.

As primeiras casas dos imigrantes se assemelhavam à bandeira suíça acima, com quatro cômodos em forma de cruz. No topo, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Conceição do Muqui - ES.

Foi o caso de Mathieu Poubel e Marie.Barbe Gauvinat, que chegaram ao Brasil em 1819 procedente de Bellefontaine, bailiado de Porrentruy, Cantão de Berna, no Jura Bernois, e representam a origem da família Poubel no Brasil. Não apenas nasceram franceses como também se casaram na França, e embora nunca tivessem deixado o local de origem (antes da vinda para cá), seus filhos, François, Pierre Etienne e François Xavier, nasceram suíços. Nesse momento, a Suiça oferecia condições

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Até então a rotina dos suíços era muito simples. Logo que iniciava a primavera e o gelo derretia, abriam suas casas e iniciavam o trabalho rural, cuidando do gado, das terras e da lavoura. Quando começavam os primeiros ventos frios do inverno, concluíam seus trabalhos e se recolhiam às suas casas para as obrigações da temporada. Alguns emigravam para regiões mais quentes onde pudessem desempenhar qualquer atividade e ganhar dinheiro para o sustento da família, superando essa fase difícil do ano. A maioria, no entanto, permanecia em suas casas onde podiam desempenhar suas atividades artesanais, principalmente tecelagem e relojoaria. Com a Revolução Industrial a tranqüilidade acabou, principalmente para os tecelões, com o surgimento do tear industrial. Um próspero comerciante suíço (Sebastian Gachet) que viria ao Brasil em 1817, atento à libertação dos escravos e à possível necessidade de mão de obra, pensou em trazer para cá imigrantes suíços. O Rei D. João VI abriu as portas do Brasil à imigração estrangeira, autorizando a vinda de 100 famílias suíças de Fribourg. De acordo com BASTOS, mais de 2013 pessoas cruzaram o atlântico, levando consigo a esperança de uma vida melhor. Destas, apenas 1689 chegaram ao Brasil, em 26 de novembro de


1819, sendo instaladas na Fazenda de Morro Queimado – uma das várias fazendas do município de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro. Era uma fazenda que abrangia Nova Friburgo e as cidades de Bom Jardim, Duas Barras e Sumidouro. Quando os colonos chegaram a Friburgo, no Brasil, a decepção foi geral. O lugar era muito bonito, as águas eram maravilhosas, mas as casas que os esperavam eram mínimas, com apenas quatro cômodos em forma de cruz para abrigar, em alguns casos, até vinte pessoas. Com piso de terra batida e sem janelas, a nova habitação se mostrava hostil. Além disso, como chegaram em pleno verão, a maioria das casas, instaladas em áreas baixas, foram inundadas com as chuvas. Houve alguma organização na distribuição das casas aos colonos. Na vila principal, com 14 casas, ficaram instaladas as pessoas consideradas ‘importantes’, como o padre, o professor e o médico. Em outra vila, ficaram os germânicos protestantes e no conjunto maior e central, com as casas de números 15 a 62, ficaram os demais. Ao grupo Poubel coube a casa 61, no final do conjunto, onde hoje é a Praça Demerval Barbosa Moreira, no centro de Nova Friburgo. Em 23 de abril de 1820 foram sorteados os lotes das fazendas, e a cada casa coube um lote. A maioria dos lotes era péssima, e os Poubel tiveram sorte, cabendo a eles o lote 31, de topografia razoável e próximo da vila (hoje não há vestígio das casas desse conjunto, inclusive a 61, pois a área foi demolida para passar a linha de trem

Ao grupo Poubel coube a casa 61, no final do conjunto, onde hoje é a Praça Demerval Barbosa Moreira, no centro de Nova Friburgo. e depois transformada na Praça Getúlio Vargas). Em maio, os imigrantes iniciaram a ocupação das fazendas, derrubando mata, iniciando o plantio e construindo novas casas. Plantaram basicamente milho, feijão, trigo e batatas. Até outubro, tudo correu bem. As sementes lançadas em terras virgens germinavam com todo vigor e a fartura tão sonhada se aproximava. No entanto, a chegada das chuvas representou seguidos dilúvios e as águas levaram tudo o que encontraram no caminho, plantas e sementes, e até algumas casas. Na vila, as casas alagaram e o rio Bengalas vazava por todos os lados. As fazendas foram abandonadas e a miséria voltou a imperar.

No alto, um dos 120 lotes, retangulares e simétricos, sorteados entre os imigrantes e destinados à agricultura. Acima, uma referência à casa ocupada pela família Poubel.

Neste período, passaram a se dedicar a obras públicas para melhorar a vila e, como forma de DE ONDE VIEMOS

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diretor da Colônia comunicou aos interessados que na região de Macaé havia terras em clima mais ameno, de boa qualidade e boas para o cultivo do café, então a cultura de maior valor. Depois de mais uma vez desbravar florestas fechadas e enfrentar escravos fugidos de fazendas de Campos dos Goytacazes, os imigrantes iniciaram ali a formação de uma pequena vila, à qual deram o nome de São Pedro, em homenagem ao Imperador e onde construíram boa fortuna.

Residência para onde a família se mudou em 1958 - Fazenda do ‘Seu Carlim’ (Carlos Chieppe), Córrego do Ouro, Colatina - ES. Na página ao lado, rua principal em Conceição do Muqui.

buscar uma alternativa de trabalho, procuraram ajuda do governo. D. João VI, diante da ameaça de independência dos portugueses, retorna com sua corte a Portugal e deixa os suíços sem subsídios e sem apoio. E,na verdade, não era isso que os colonos queriam, afinal não vieram para o Brasil para viver de ajuda. Finalmente, em agosto de 1821, D. Pedro I, tendo assumido o lugar de D. João, decide que aqueles colonos que não estivessem satisfeitos com as terras que lhes couberam por sorteio, pudessem procurar outras, de melhor qualidade e melhor clima, e os títulos de propriedade seriam concedidos. As terras ao norte, as melhores da região, estavam quase todas ocupadas e, portanto, custavam caro. No final de 1821, o

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De acordo com vestígios descritos por BASTOS, Francisco Xavier, o filho mais novo do casal Mathieu Poubel e Marie-Barbe Gauvinat, se casa com Maria Madalena, compra uma fazenda, onde cria gado, planta café e faz fortuna. Pedro Estevão, o filho do meio, permaneceu junto com os pais em Macaé, e após a morte deles, recebeu a fortuna como herança. Francisco, o filho mais velho, e o provável elo das gerações atuais com a primeira geração de imigrantes, logo que teve condições, seguiu em direção ao norte, provavelmente até o sul do Espírito Santo, onde adquiriu terras e construiu sua vida. Acredita-se que esse movimento tenha sido feito junto com a família Junger, que começa a aparecer nesse momento. Assim registramos um pouco das andanças de nossos antepassados. Referência Bibliográfica BASTOS, Juzoé Poubel. A vitória da coragem: Da França para o Brasil (1798.1998). 46 páginas


Curiosidades do sobrenome Poubel Origem do nome, de acordo com histórias contadas por BASTOS (pouco glamourosas, mas divertidas): 1. “No século XIX, Paris era uma cidade muito suja. O povo jogava seu lixo por todos os cantos e quase ninguém se preocupava em recolhê.lo. Um administrador da cidade, possivelmente prefeito, e que se chamava Poubel, incomodado com a situação, mandou confeccionar caixas especiais, que espalhou pela cidade em pontos estratégicos e passou a obrigar as pessoas, através de decreto municipal, a depositar seus lixos nestas caixas e não em qualquer lugar, como estavam habituados. A reação do povo

foi imediata: alguns por satisfação, a maioria por ironia, começou a chamar aquele objeto de Poubelle (feminino de Poubel). Não sei da veracidade, mas não deixa de ser interessante e curioso.” 2.“O nome Poubel se derivaria de um apelido colocado de acordo com alguma característica física pessoal, muito comum na época, e que poderia ser ‘Peu Bell’, Pouco Bonito ou Menos Bonito”. De acordo com documento consultado, o portador do sobrenome pode ter sido uma pessoa considerada menos bonita que seu irmão ou pai. – Quem inventou isso não conheceu as belezuras de nossa família!

Francisco, o filho mais velho, seguiu em direção ao norte, provavelmente até o sul do Espírito Santo, onde adquiriu terras e construiu sua vida. 1 República Helvética era formada por três Estados independentes – dentre eles a Suíça – que se uniram em 1291 para se defender de inimigos comuns, principalmente os Germanos. Usando como pretexto o movimento separatista do Vale do Jura, em 1798 as tropas napoleônicas ocupam a Suíça e instituem a República Helvética. Para os suíços, representou a perda de autonomia e a interrupção temporária de uma longa história de descentralização político.administrativa baseada na confederação formada por diferentes cantões. As intervenções e o tratamento dado pelos invasores à Suíça, percebida como Estado vassalo, transformaram o país num campo de batalhas, mergulhando.o em profunda desordem interna. A situação anárquica exigiu nova intervenção de Napoleão, que em 1803 editou o Ato de Mediação, responsável pelo restabelecimento da Confederação Helvética, o que contribuiu para a diminuição de poder do governo central e para a recuperação parcial de autonomia das diferentes regiões. Nesse momento o país passou a se chamar Suíça. A República Helvética tentou consolidar a geografia da Helvécia, anexando à Suíça as cidades de Berna, Mulhouse, Bienne e Porrentruy, no alto Jura. Porrentruy, de St. Ursaine até a nova fronteira, então francês e católico, onde se localiza Bellefontaine – local de origem dos Poubel - está localizado na parte mais alta do Jura.

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Como integrante de uma família de 12 filhos, Ulysses – Seu Lila para a família – além de trabalhar por conta própria, atendia aos familiares, principalmente ao papai Nhozim e à mãe Nica, seus pais, como motorista nas viagens e pequenos atendimentos. E talvez, por essa razão, Lila era muito ligado aos pais e irmãos e tinha o pai como seu coordenador e conselheiro.

Espírito SAnto

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Anna Maria, filha 5 1

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Oceano Atlântico


1. Conceição do Muqui Em meio a tantas responsabilidades, Lila conheceu Maria, uma menina de olhar marcante, por quem se apaixonou e teve oito filhos, sendo uma do coração, Carmelita. Urley, Marley, Domingos, Maria Antônia, Ulysses e Anna Maria, nasceram em Conceição do Muqui, e Ana Lúcia em Colatina.

todas no Espírito Santo, e também associou-se ao seu cunhado, Fernando Bastos, na cidade do Rio de Janeiro. Não se adaptou à cidade nem à condição de morar distante da família (mulher e filhos).

A sua própria família foi crescendo e se desenvolvendo: Urley procurou novos Além de serviços como caminhos indo para motorista, ele teve o Rio de Janeiro, um ônibus que fazia o Marley era professora trajeto de Conceição do na escola perto dos Muqui para Bonsucesso, Pontões, e os demais, São José do Calçado e Maria Antonia e para Mimoso do Sul, Domingos, já em fase

escolar mais adiantada, precisavam de preparo em escolas de outras cidades. Ulysses e eu, Anna, iniciávamos a primeira fase educacional. Nessa época, Lila vendeu o ônibus para o ‘Cumpadre’ Ormindo (João Bastos), parente da mamãe (Maria José) e pai do Eromyr, futuro marido da Marley. Quando foi a Colatina, norte do ES, levar o ônibus, soube que essa cidade estava com muitas oportunidades de trabalho. Consciente da necessidade dos

filhos continuarem os estudos e ainda com a perspectiva de melhorar o seu ramo de atuação, Lila voltou à Conceição do Muqui cheio de planos.

e de onde transportava o café, produto em evidência na época.

Mas esse período foi curto e os fretes começaram a diminuir e não lhe deu condição de pagar ao irmão a Comprou um caminhão com o valor ajuda que recebera. Resolveu então recebido pela venda entregar o caminhão do ônibus e mais uma ao Geraldino que parte emprestada dignamente se recusou pelo irmão Geraldino a aceitar, permitindo Poubel e começou a trabalhar no transporte assim que Lila continuasse com seu de mercadorias e projeto, resolvendo a principalmente café. ida para o Norte do ES. Ele falava muito na cidade próxima a Cachoeiro de Itapemirim, chamada São José das Fruteiras

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2. COLATINA Juntou a família e, em abril de 1958, mudouse para Colatina. “Sobre o trabalho da Marley nos Pontões, tem uma historinha que vale a pena fazer um parêntese: para ir até os Pontões, inicialmente Marley fazia o trajeto a pé (eram 8 km de caminho). Assim que pôde, Marley comprou um cavalo do Tio Bira (irmão do Lila) e passou a fazer esse trecho de Conceição aos Pontões, ida e volta, a cavalo. E quem zelava por esse meio de transporte era o Ulysses

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3. BRASÍLIA (seu irmão), que todos os dias, com toda a boa vontade, aguardava a chegada da Marley para cuidar do animal: dar banho, escovar, dar comida...” Em Colatina, Lila teve uma sucessão de negócios: transporte de café, um caminhão, táxi, fretes de materiais e de pessoas. Na verdade, o trabalho numa cidade maior e de costumes diferentes, longe da mãe (o pai já era falecido) e dos irmãos, não foi uma opção de sucesso financeiro.

Assim, incentivados por Urley e Domingos que estavam fixados em Brasília - DF, mais uma vez, em 1964, Seu Lila e Dona Maria, levando Ana Lúcia, a filha caçula nascida em Colatina e que nessa época tinha 4 anos de idade, buscaram uma nova opção de trabalho, desta vez como motorista no Senado, na capital brasileira. Ulysses e eu, Anna,

que já estudávamos em Colatina, ficamos na casa das irmãs, já casadas na época. Eu fiquei na casa da Marley e do Eromyr e Ulysses ficou na casa da Maria Antonia, casada com João Pretti. Essa mudança foi bem desastrosa para Seu Lila que não se adaptou ao trabalho no setor público em Brasília e dois anos depois, em 1966, retornaram para Colatina.


4. COLATINA

5. GUARAPARI

Com esse retorno vieram muitas dificuldades econômicas e pessoais.

Nessa época, Ana Lúcia já se preparava para estudar e deveria ir para outra cidade com maior opção de cursos. E, para facilitar esse projeto, papai achou melhor mudarse com a família para Guarapari, em 1976, onde foram morar em uma casa recém adquirida por João e Maria Antonia.

Ulysses, filho, já trabalhava na Viação Pretti e eu comecei a dar aulas, inicialmente como substituta, até me tornar professora de fato. Aos poucos e modestamente, nossa vida foi melhorando. Cada filho ajudava de acordo com a sua possibilidade. Papai foi trabalhar na Viação Águia Branca, por indicação do Cesar Perini, companheiro no transporte de café e que lá trabalhava.

E foi em Guarapari que Seu Lila viveu até falecer em 05/11/1991.

Seu Lila teve seus problemas e dificuldades e muitas mudanças foram feitas por acreditar que a família reunida era um fator importante.

A integridade e a moral foram valores que transmitiu para a família mesmo nos momentos difíceis e trágicos pelos quais vivenciou ao longo da sua trajetória, tendo Além da união como companheira e familiar, ele sempre lembrava aos filhos que parceira, sempre ao seu lado, a Maria, com uma condição de vida quem conviveu por simples não deveria 56 anos. ser motivo para que não se preservasse a dignidade. “Podemos ser pobres, mas sempre de cabeça erguida.”

Seu Lila trabalhou na Águia Branca até se aposentar em 1972. DE ONDE VIEMOS

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Maria em um dia de festa.

MARIA

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A dedicação da D. Maria estava e ainda está na educação informal. Isso pode ser compreensível porque, mãe e dona de casa, como foi a sua jornada, cuidava dos filhos e das filhas no íntimo do lar, com inata sensibilidade. Orientava aqui e ali para os bons comportamentos, atitudes corretas e hábitos para boa saúde, além do chamado para a religiosidade. Desse modo, é bom ver hoje, como as diferenças de personalidades entre os parceiros devem se somar para o bem-viver. Com amor incondicional e sensível para boas relações interpessoais, transmitiu com clareza, na prática de atitudes, que é preferível a escolha do perdão em lugar da mágoa. Pensar que essa é, de fato, uma das razões para viver aos noventa e três anos de idade, parece ser uma visão correta e exemplo de vida. Em algum momento pode ter inspirado interpretação contrária a isso, mas um pouco mais de pensar, certamente, levará a conclusão a favor da capacidade da D. Maria de apagar os desacertos do aprendizado humano em sua vivência. Dos seus ensinamentos para a criança em formação para a vida, ficam lembranças que são aplicáveis a atividades das mais simples do dia a dia, às mais complexas do contemporâneo. Um deles, ao permitir pegar algum utensílio para alguma necessidade, ensinava que fosse colocado de volta no mesmo lugar de origem, para facilitar o seu uso da próxima vez. Disso não abria mão. Outro está mais relacionado à importância do amplo aprendizado. Ao ler um pequeno texto que considerava de valor para a vida ou com um pensamento de interesse, sempre recomendava a sua leitura com uma palavra de estímulo para o saber. Ensinava também que quando alguma recomendação útil para a vida é feita, experimente.a, caso não agrade, abandone.a, mas que experimente. Essas são algumas de suas lições para o cotidiano. Ulysses, filho 20

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Com amor incondicional e sensível para relações interpessoais, D. Maria ensinou que é preferível a escolha do perdão em lugar da mágoa.

Na foto superior: no centro o casal Angelino José Rambaldi (Padrinho Angelim) e Ornelina de Bastos Valim (Madrinha Lilica). Nessa época eles não permitiam aos netos que os chamassem de ‘vô’ e ‘vó’. Na foto abaixo à esquerda, estão sentados: Padrinho Angelim e Madrinha Lilica. Em pé, a partir da esquerda: Neide, Lellis, Anna (Anita), Fernando, Maria, Irene, Aparecida, Odete e José. Na foto acima, Maria à esquerda, de calça, e Adir.

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D. Maria ensinava que quando alguma recomendação útil para a vida é feita, experimente-a, caso não agrade, abandone-a, mas que experimente. Acima, Angelim e Lilica. Na foto acima à direita: Maria com as colegas – sentadas, da esquerda para a direita, Doninha (casou-se com Altivo), Maria, uma colega e por último, Adir. Na foto ao lado, Maria, à esquerda com a bola na mão, ao lado da Professora Maria Anatólia.

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De maiô: Vovó Lilica (nessa época já podia chamar de ‘vó’), Maria, Maria Antônia (filha) e Luciene (neta) no colo. Ao lado, Vera (muito amiga e cunhada – casada com Fernando) e Maria, à direita. Abaixo, Angelim e Lilica sentados e em pé, a partir da esquerda: Aparecida, Odete, Anita, Irene, Maria, Fernando, José, Neide e Lellis.

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D. Maria, no centro, completando 93 anos ao lado dos filhos (a partir da esquerda): Anna Maria, Marley, Carmelita, Ulysses, Maria Antônia e Ana Lúcia. Abaixo, imagem de São Judas Tadeu (presente do Salim). Na foto inferior, Maria em seu aniversário de 88 anos, em Guarapari.

“Apenas em torno de uma mulher que ama pode-se formar uma família” (Friedrich Schlegel)

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Pastelão da Vovó Maria “A receita eu faço com: 1 copo grande (de requeijão) de nata 1 colher de pó Royal Sal a gosto Trigo até o ponto de ficar assim, bom de espalhar. Se grudar um pouco, coloque mais trigo, mas não deixe grosso. Aí é só rechear e assar. Depois que eu arrumo ele, eu bato um ovo e passo ele em cima. Não é “brezuntar”, é passar. Não precisa crescer nem nada, pode botar logo para assar. O recheio pode botar o que quiser. Gosto mais de fazer quando fica o peito de galinha. Fica mais gostoso. Não pode deixar os pedaços grandes, tem que desfiar ele. Coloco, também um pouco de maizena ou trigo para ficar mais grossinho. Assou, tá pronto.” Maria Vovó Maria fazendo a nossa receita preferida: o pastelão! A receita está aí, mas ainda não conhecemos quem faça igual a ela... DE ONDE VIEMOS

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LILA 27


Em seu empenho para a educação formal da família que crescia em Conceição do Muqui - ES, e na busca pertinaz por um futuro melhor, Seu Lila encontrou em Colatina a opção para continuação dos estudos dos filhos e das filhas, agora morando e recebendo a orientação necessária juntos, em casa. O contraste de uma situação de retirada da escola, ainda no ginásio incompleto, por necessidade de seu pai, e a formação universitária de um irmão em Odontologia, em Vitória, pode ter sido o estímulo a sua vontade na direção da formação profissional dos filhos e das filhas. É bem possível que essa mesma vontade tenha levado seu filho Ulysses a receber o título de mestre em engenharia civil, na Universidade da Califórnia/EUA, e sua filha Anna Maria a receber diploma universitário, feito notável aos cinqüenta anos de idade, como oradora de sua turma. Leal aos princípios bons herdados dos seus pais, de conduta de rigor, sem manchas, passou essa orientação na formação das filhas, em particular, que desse modo despertaram o interesse para a constituição de suas famílias. Com a visão de que a família unida era a sua meta maior, repetia de modo incessante que a sua fortuna eram os filhos e as filhas. Foi incansável nessa tarefa. Sua ambição maior foi mesmo a família e, sem favor, sua paixão maior foi Maria José de Bastos, a Maria, de conquista ainda na adolescência. Com essa formação humana, levava a vida com disciplina e ética, bem conhecida de todos. Para lembrar a disciplina, certo agricultor nas margens da rodovia para Mimoso do Sul, acidentada para dizer de passagem, se valia da hora certa do ônibus com que fazia a linha para Conceição, para encerrar a jornada de trabalho diário na lavoura, mais útil ainda na ausência da luz do sol. Para lembrar a ética, conhecido comerciante de café, produto abundante nessa época, anos cinqüenta, contratava o Seu Lila para fazer a venda do produto em Vitória, com maior freqüência, pagando o transporte como remuneração dos serviços. Questionado sobre a oportunidade de ganhar sobre a venda, respondia que era remunerado como transportador, não como corretor. Recebia apenas o valor do transporte. Ulysses, filho 28

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À esquerdo, Antônia Junger Poubel (Mãe Nica). Na foto ao lado, Ulysses, à esquerda, integrante do time de futebol de Conceição do Muqui. Na foto abaixo, em pé a partir da esquerda: Jasson, Geraldino, Luiz (ti’Bira), Domingos (ti’Mingo), José (ti’Zé), João, Ulysses, Mercírio, Altivo, Francisco. Sentados, da esquerda para a direita: Licínia, Domingos (papai Nhozim), Antônia (mãe Nica) e Adir.

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Acima, Lila quando serviu o exército. No alto à direita, reparem a pose do motorista dirigindo um “carrão” da época. Ao lado, carteira de motorista renovada em 1984.

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Seu Lila encontrou em Colatina a opção para a continuação dos estudos dos filhos e das filhas. Acima, bilhete de Lila à irmã Licínia. Na foto em pé a partir da esquerda: Adirzinha (sobrinha), Lila e Maria. No chão, Anna Maria, Maria Antônia e Jandira, em Colatina, na beira do Rio Doce, em visita de Jandira e Adir à família.

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Abaixo à esquerda, Lila no quintal de sua casa em Conceição do Muqui. Na foto ao lado, Lila entre os filhos Domingos e Ulysses. Abaixo, título de eleitor.

(...) Com essa formação humana, Seu Lila levava a vida com disciplina e ética, bem conhecida de todos que o rodeavam.

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Na foto superior esquerda, Lila em sua casa em Conceição do Muqui – época em que mais teve pássaros em gaiola. Nas fotos acima e abaixo, em diferentes casas em Guarapari. Na foto infeiror esquerda, Maria e Lila no baile de formatura do curso científico do filho Ulysses.

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LILA+ MARIA Lila e Maria JosĂŠ quando completaram 25 anos de casados.

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Namorar naquela época, não era fácil para as mulheres – começar um namoro, nem se fala. Havia sempre uma amiga, uma tia ou alguém para ser o “cupido” e dar uma mãozinha e favorecer o encontro. Com Lila e Maria não foi diferente mas foi mais desafiador do que para outros casais. As mães nas famílias Poubel e Bastos, respectivamente Mãe Nica e Lilica, não queriam o namoro e os pais de cada ramo, Papai Nhozim e Angelim, eram a favor. Aconteceram os imprevistos e também os encontros. Beijo? Nem pensar! Pegar na mão? Só depois de casados. Uma ajuda aqui, um choro ali, uma viagem acolá e aconteceu o pedido de casamento com toda a família da Maria na sala. Angelim liberou para se casarem e depois de três meses realizou-se a cerimônia, simples, sem a presença da família do noivo, a não ser Jasson, irmão do Lila, que, curioso, espiava pela janela do Cartório. Inicialmente, só o casamento civil seria realizado pois a situação financeira era precária, além da falta de apoio da família do noivo. Mas o Pe. Adolfo se comoveu e presenteou os noivos com o casamento religioso, sem festas e comemorações e com a ausência (ainda) da família do Lila. Casaram-se em 19 de setembro de 1935 e um ano depois nasceu Urley. Mãe Nica continuava distante e as visitas da família Poubel foram feitas pelo Papai Nhozim e pela filha, Licínia. Mas Maria, após um período de mais ou menos três meses e disposta a mudar a relação com a família do Lila, levou Urley para Mãe Nica conhecer e convidou os avós paternos para batizarem a criança. Aceito o convite, iniciou-se aí uma boa convivência entre 36

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Na página ao lado, Ulysses confirma os votos do matrimônio com Maria quando fizeram Bodas de Prata, em 19/09/1960. Maria José e Ulysses (Lila), com o filho Ulysses no quintal de casa em Conceição do Muqui, e a foto abaixo, o casal no mesmo quintal.

Uma ajuda aqui, um choro ali, uma viagem acolá e aconteceu o pedido de casamento com toda a família da Maria na sala. eles. Paciência e humildade foram os meios que Maria usou para conquistar uma família que resistiu ao contato mas que, aos poucos, foi conhecendo e valorizando a chegada da moça simpática, trabalhadeira, boa mãe e amiga de todos que era a Maria. Registrar os filhos na época e em Conceição do Muqui era um dever. Só que o escrivão, Sr. Rufino, era aquele senhor que registrava conforme achava certo no momento. Assim, somos seis irmãos numa mesma família e cada um com sobrenomes e colocações diferentes. Sem contar a situação do nosso pai que era Oliçio no registro inicial e depois de muita insistência e ações, conseguiu alterar para Ulysses, que era a verdadeira escrita do seu nome. Como curiosidade, seguem os nomes completos dos pais de Lila e Maria: Pais do Lila: Papai Nhozim (Domingos José da Silva) e Mãe Nica (Antonia Junger Poubel da Silva). Pais da Maria: Padrinho Angelim (Angelino José Rambaldi) e Madrinha Lilica (Ornelina Bastos). Anna Maria, filha DE ONDE VIEMOS

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Paciência e humildade foram os meios que Maria usou para conquistar uma família que resistiu ao contato. O casal Lila e Maria em diferentes momentos. Na foto acima, réveillon 1990/91 na casa do filho Ulysses e Irany, em Brasília.

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Na foto ao lado, Lila e Maria na formatura da Sandra, em Governador Valadares, e na foto abaixo, Lila e Maria nas suas bodas de ouro, em Guarapari, em 19 de setembro de 1985.

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Lila e Maria com os filhos (a partir da esquerda): Urley (nessa época ele seria um futuro sacerdote), Domingos, Maria Antônia, Ulysses, Marley, e Anna Maria no colo da mãe. Carmelita não aparece na foto, e Ana Lúcia ainda estava por vir.

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os OITO filhos 41


Na página oposta, alguns dos filhos e genros – também considerados filhos – de Maria e Lila. Na foto acima, os genros-filhos Cláudio, Eromyr e Nilton com ‘D. Maria’. Na foto abaixo à esquerda, Maria com o filho Ulysses e a nora-filha Irany. Abaixo, Maria com os filhos Maria Antônia, Ana Lúcia, Ulysses, Anna Maria e Marley, na comemoração dos 40 anos de casamento de Anna Maria e Nilton (Set/2011).

Acima, Maria com as filhas Maria Antônia, Marley e Anna Maria (de trança). Na foto superior direita, em pé, a partir da esquerda: Margarida e Domingos, Ulysses e Maria, Marley e Eromyr, e Maria Antônia, sentada. Na foto ao lado, Lila e Maria nas bodas de ouro, entre os filhos (a partir da esquerda): Maria Antônia, Urley, Marley, Ana Lúcia, Ulysses e Anna Maria.

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Os genros e noras que se tornaram filhos Como parte atuante da família, colocamos aqui algumas palavras para os queridos agregados, também considerados filhos pelo casal Maria e Lila:

É bom ver hoje, como as diferenças de personalidades entre os parceiros devem se somar para o bem-viver. (Ulysses)

Dalva

Eromyr

Margarida

João

Irany

Nilton

Cláudio

José Thomaz

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Casamento Urley e Dalva em 08 de Dezembro de 1960.

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UR LEY

Urley Poubel Bastos casou-se com Dalva Conceição Vianna Bastos em 08 de dezembro de 1960 e tiveram dois filhos, Urley e Ana Cristina, e dois netos, Ana Carolina e André Luiz. 45


Foi um exemplo maravilhoso não só de vida, mas de dignidade, paciência, resignação e ética. Inteligente, culto, generoso, gentil, paciente, sincero, realista, visionário, mostrou pra nós que defeitos podem ser detectados, aceitos, e se quisermos, corrigidos. Ele dizia que isso fazia parte do aprendizado e que com certeza, fortaleceria o espírito de quem fosse vitorioso. Seu apelido no meio social era “Professor”. Uma das frases no seu dia a dia era: “Ser humilde sempre, sem se humilhar, pois precisamos de nossa dignidade na vida e na morte!” Tinha vocação para ministro religioso. Era muito bom participar de seus momentos de meditação e oração, tenho saudades da forma como orava. Ana Cristina, filha Desde criança tivemos o vovô como exemplo de pessoa. Alguém que conseguiu, mesmo nas situações mais constrangedores e amargas, superar e caminhar com firmeza em direção à felicidade. O que importava para essa pessoa iluminada era permanecer perto das pessoas que amava, deixando como herança o exemplo de companheirismo, carinho e amor.

Urley com sua bicicleta nova em Conceição do Muqui. 46

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Descobrimos, depois de um tempo, que ele tinha uma espécie de “fórmula secreta” que usava como instrumento para superar os desafios da vida. Essa fórmula, que se resume em uma espécie de “lembrete”, era um papelzinho que ele carregava no bolso com as iniciais “CEFI”. Calma, Equilíbrio, Força e Inteligência eram as palavras que ele queria lembrar a cada momento em que precisava se manter firme diante dos contratempos da vida. Entendemos, e hoje também temos nossos papeizinhos.


Ser humilde sempre, sem se humilhar, pois precisamos de nossa dignidade na vida e na morte! (Urley) Um verdadeiro administrador, flamenguista que vibrava nos bons e maus jogos, apreciador de boa música e companheiro de todas as horas que “detonava” freezers inteiros de picolés, repetindo os sabores que mais gostava e ensinando para nós, os netos, como apreciar um bom sorvete. Durante as tardes de folga se alimentava de boas leituras e se entregava a horas de meditação ao som de bossa nova. – Oi, Vô Urley, o que você está fazendo? – Oh minha filha, eu estou escutando música boa (ao som de “Chega de Saudade” de João Gilberto). – Mas porque você está chorando? – Música boa é aquela que toca seu coração, minha filha. Senta aqui e escuta com o vovô. E no escurinho de tantas tardes com João Gilberto, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Caetano Veloso, Elis Regina e Urley Poubel se iniciava nossa caminhada no aprendizado do bom ouvido, que não servia só pra escutar música, mas pra escutar os bons ensinamentos e conselhos das pessoas vividas. Ana Carolina e André Luiz, netos DE ONDE VIEMOS

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Descobrimos, depois de um tempo, que ele tinha uma espécie de “fórmula secreta” que usava como instrumento para superar os desafios da vida. No alto á esquerda, abaixados: Domingos (no centro) e Urley na ponta direita. Na foto à direita, cerimônia de casamento do Ulysses e Irany, em Brasília - da esquerda para a direita: Ana Lúcia, Nilton e Anna Maria, Urley e Dalva, Domingos e Margarida. Na foto ao lado, Urley e Ulysses na primeira visita do irmão mais novo ao Rio de Janeiro. Na página oposta, no alto à esquerda, Vovô Lila com Ana Carolina, a primeira bisneta da família. À direita, Urleyzinho com uniforme do Tiro de Guerra entre os primos Liemar e Luiz Antônio. Na foto abaixo à esquerda, Urleyzinho com a irmã e noiva, Ana Cristina. E na foto ao lado as crianças: Mariany, Ana Cristina, Urleyzinho e Jorge Ulysses com amigos.

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Tio Leizinho gostava de chegar lá em casa e cair na farra com a gente! Sua paixão pelo rock nos contagiava quando chegávamos na casa do vô Urley e vó Dalva e escutávamos Iron Maiden, Led Zeppeling, Van Halen, Raul Seixas e outros clássicos no quarto dele. Temos os CD’s que eram dele até hoje, são nossas relíquias guardadas junto com outras tantas lembranças. Apesar de ter partido, está conosco em todas as baladas, em todos os esportes radicais que praticamos, ele está em nossos corações. Essa família é, pra nós, que somos filhos e netos dessas pessoas únicas, sinônimo de força e renovação. Ana Carolina e André Luiz

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Apesar de André Luiz ter convivido muito pouco com o Avô Urley, possui muito de sua personalidade controlada, combinada com a do pai. Ana Cristina, filha Me vejo no meu filho André Luiz durante minha juventude. Calado, pensativo, observador. Arlon Bastos da Rosa, genro

O mais legal na nossa família é que o espírito de criança jamais morre. Urley Vianna Poubel Bastos (Urleyzinho) deixou saudades, lições e ensinamentos; da família inteira não tem pessoa que curtiu e viveu a vida mais do que ele. Pessoa de coração enorme! Divertido, inteligente, gentil, essa pessoa intensa não poderia deixar nada mais do que um amor intenso, enorme e muita saudade! Ana Cristina, filha

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No alto à esquerda, Urleyzinho com os sobrinhos Ana Carolina e André Luiz, também presentes na foto à direita, com uniforme escolar. Na foto ao lado, Urley e Arlon com André Luiz no colo. Na topo da página oposta, Iza com Ana Carolina no dia de sua formatura. Abaixo, a família reunida, Ana Cristina, André Luiz, Vó Dalva, Ana Carolina e Arlon.


Torta mesclada da Vó Dalva Ter uma mãe é bom, mas ter duas é bom demais! Maria Izabel Eduardo, essa “morena xonada, imperatriz da roda do samba” é querida demais por nós, mas “ai de quem” ficar beliscando a comida enquanto ela cozinha. É levar um “tapinha” na mão, na certa! Hoje somos nós que cuidamos da Iza por gratidão a tudo que ela fez por nós. Ana Carolina, neta

Pão de ló 5 ovos, 2 xícaras de açúcar, 2 xícaras de trigo, 1 colher de sopa de pó Royal. Bata as gemas com 10 colheres (sopa) de água até ficar fofa. Acrescente o açúcar, depois a farinha de trigo e o fermento. Bata as claras em neve e acrescente a massa. Coloque em uma forma untada e polvilhada de trigo em forno médio, por aproximadamente 45min (forno pré aquecido). Recheio ½ litro de leite, 1 lata de leite condensado, 4 gemas, 1 lata de creme de leite e 1½ colher de sopa cheia de maizena, 100 gramas de uvas passas sem caroço. Leve ao fogo o leite, as gemas, o leite condensado e engrosse com a maisena diluída. Depois de pronto, coloque o creme de leite e misture. Corte o pão de ló (frio) usando um fio de naylon grosso e recheie. Cobertura caramelada 4 claras, 2 xícaras de açúcar, 1 xícara de água. Bata as claras em neve e reserve. Numa panela coloque o açúcar e deixe caramelar, sem queimar. Acrescente a água e deixe dar ponto de mel. Coloque essa calda lentamente as claras batidas em neve, e vá batendo até o ponto de marshmallow mole e cubra a torta.

O fusca vermelho com o adesivo do “bad boy” era a marca registrada da vó Dalva. Existiam seis marchas no carro, mas ela usava poucas (risos) e todos da escola sabiam quando ela estava chegando: “Carol, André... a vó Dalva chegou!”. E assim ela era conhecida e, carinhosamente, nomeada por todos os meus colegas, era “vó Dalva” pra quem quer que fosse. Ana Carolina e André Luiz, netos

Cobertura de chocolate ½ xícara de chá de leite, 5 colheres (sopa) de Nescau ou achocolatado, 1 colher (café) de manteiga. Coloque todos os ingredientes numa panela e deixe engrossar um pouco. Com esse chocolate mescle a torta coberta de caramelo com movimentos rotativos, usando um garfo. DE ONDE VIEMOS

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Carmelita com o marido JosĂŠ Thomaz e os filhos Eduardo, Elizabeth e Edivaldo.

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CAR ME LItA

Carmelita Gonçalves Thomaz casou-se com José Thomaz em 25 de dezembro de 1962. Tiveram cinco filhos – Eduardo, Elizabeth, Edivaldo, Domingos e Lúcia, oito netos e dois bisnetos.

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Carmelita é uma integrante da Família Poubel Bastos que já chegou pronta. Tinha mais ou menos 4 anos de idade quando veio morar e acrescentar à família mais ajuda, mais participação, mais pessoas (teve cinco filhos, uma “escadinha”). Ela cuidava do “Jagunço”, um cão que era o guardião da casa em Conceição do Muqui e que acabou morrendo depois que nos mudamos para Colatina. Um tio ficou com ele e esse tio dizia que o cão sempre estava por perto da nossa casa a procurar alguém. Ela também era a grande companheira do Urley e sempre o ajudava na hora de justificar as peripécias que fazia. Os dois eram meio cúmplices em tudo. Carmelita se casou com José Thomaz, uma pessoa muito trabalhadora e que gostava muito de “contar causos” como ele mesmo dizia. Carmelita e José tiveram suas dificuldades para vencer e educar uma família grande para a realidade atual, mas a sua união, a sua fé e a força de trabalho certamente contribuíram para chegarem onde estão: cada um de seus filhos tem sua vida, sua família e seu trabalho. Anna Maria, irmã José Thomaz e Carmelita com os filhos Eduardo, Edivaldo, Domingos, Elizabeth e Lúcia, recebendo visita da Ana Lúcia, Anna Maria e D. Maria. 54

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Fico muito satisfeita com a consideração que têm comigo. Para mim foi muito importante. Um abraço para todos. (Carmelita) Na foto à esquerda, Carmelita no aniversário de 93 anos da ‘Madrinha’ (Maria), em Guarapari. No alto à direita, Vó Maria com Eduardo no colo na casa do Córrego do Ouro, em Colatina. Na foto ao lado, Carmelita em foto recente.

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Marley ouvindo música, com a irmã Anna Maria no colo, em Conceição do Muqui - ES.

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MAR LEY Marley Poubel Ruiz casou-se com Eromyr Mendes Ruiz em 14 de janeiro de 1961. Vivem em Manhumirim - MG, e tiveram quatro filhos, Marcos, Sandra, Adriana e Luciana, e trĂŞs netas, Lara, Bianca e Marina.

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Tempo bom... Certa vez, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, estava brincando no quintal, embaixo da casa e precisei de uma agulha para costurar (o quê, eu não me lembro) e por acaso a “dita” agulha caiu no chão que era de terra e desapareceu e eu não conseguia encontrá-la. Resolvi pedir ajuda a grande amiga e companheira, não só minha, mas de todos os irmãos, a Carmelita, que me deu a idéia de pegar o meu cofrinho de barro, em forma de porquinho onde sempre guardava moedas, pois desde cedo éramos ensinados a economizar. Para isto, ela foi bem longe da casa, para mamãe não escutar o barulho das moedas no cofre e retirou uma, foi na venda do meu tio, comprou outra agulha e jogou no meio da terra. Nisto, mamãe veio nos ajudar. Achamos a tal agulha rapidinho, mas mamãe, claro, logo viu que não era a dela (coisas de criança). Apesar de todo o nosso esforço, tivemos que ficar de castigo. Lembro-me perfeitamente deste dia que me faz recordar essa atitude de solidariedade sem limites de Carmelita, a quem sempre fui muito grata. Quando mudamos para Colatina, eu fiquei em Conceição, porque lecionava e precisava aguardar transferência. Felizmente, logo conseguimos, com facilidade, devido às grandes amizades que sempre tivemos.

Marley ralizando um de seus grandes sonhos. Desde a infância sempre gostou de tocar e dançar. 58

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Ao chegar em Colatina, continuei a trabalhar. Nessa época, conheci o Eromyr e começamos o namoro, que rapidamente se firmou, pois nossas famílias já se conheciam. Casei-me com Eromyr, grande e fiel companheiro, e tivemos quatro filhos e hoje já somos 11! Graças ao nosso bom Deus, somos felizes e orgulhosos da família que temos, procurando sempre priorizar entre erros e acertos, o respeito, o entendimento e a união. Marley


Marley, feliz da vida, com seu vestido de baile de formatura: “Foi feito por mamãe, que em sua simplicidade, era uma verdadeira artista! Essa era uma de suas grandes habilidades, os meus vestidos eram feitos por ela: casamento, formatura, 15 anos...”. Na foto ao lado, Marley e Eromyr em Colatina: “Nesse dia estávamos indo a um casamento, na Kombi de meu sogro, Sr. João Bastos, que nos emprestou o carro especialmente para essa ocasião. Casada de pouco, nesta foto, já estava grávida do Marcos, de 3 meses”.

Ao chegar em Colatina (...) conheci o Eromyr e começamos o namoro, que rapidamente se firmou, pois nossas famílias já se conheciam. Aconteceu quando o casal D. Maria e Seu Lila se transferiu de Conceição do Muqui para Colatina. Meu pai, Sr. João Ruiz Bastos, antevendo a possibilidade de namoro de seus filhos Eromyr e Romildo com filhas do seu compadre Lila convidou-nos para uma reunião na qual recomendou de maneira séria e incisiva que qualquer passo naquele sentido, necessariamente teria que ser diferente dos envolvimentos com outras moças de aventuras anteriores. Orientado por sua experiência e convivência com a família Poubel nos tempos de infância e juventude no sul do Estado, recomendou com conhecimento de causa e muita

austeridade, que se tratava de família diferenciada. Rendendo-me ao raciocínio e prevenção antecipada de meu pai, iniciei namoro com a Marley e posteriormente União Matrimonial. Não me surpreendi ao constatar desde o princípio e ao longo dos anos a assertiva de meu pai, pois inseri em minha trajetória de vida uma família que me permitiu conhecer compreensão, delicadeza, carinho, atenção, tolerância, inteligência e amor. Enfim foi uma união muito feliz, razão pela qual sou casado há 50 anos e repetiria este casamento em todos os dias de minha vida. Eromyr, marido DE ONDE VIEMOS

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Na foto acima à esquerda, Marley, Eromyr, Marcos e Sandra em Colatina - ES. “Tínhamos acabado de chegar da missa com as crianças. Minhas filhas sempre me perguntam como eu fazia esse penteado da foto, perguntando se eu ia no salão. Que nada, eu mesma fazia. Fazia um rabo alto e girava o cabelo em torno do prendedor e dava esse visual anos 60.” Na foto ao lado, Marley com suas colegas do time de vôlei. “Sempre adorei o esporte e viajei algumas vezes para jogar, muito a contragosto de papai, que enciumado e rígido, não apoiava, mas já que eu ía acompanhada pelas freiras do colégio onde estudei, ele por fim, autorizava“. Marley

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Casamento de Marley e Eromyr, em 14 de janeiro de 1961, em Colatina - ES: “Nesse dia choveu muito e todos diziam que a chuva dava sorte e trazia felicidade; de fato tivemos uma união de muita alegria...”.


Vovô Lila dançando a valsa de 15 anos com sua neta Luciana. “Neste dia, me lembro que por várias vezes pedi ao Vovô para ensaiarmos a valsa; sempre muito bem humorado, me dizia que eu podia ficar tranqüila já que não deixaria eu pisar no pé dele... No momento da valsa, foi uma delícia ‘deslizar’ orgulhosa com ele, que sempre foi um exímio dançarino. Vô, te amo e sinto muito a sua falta!” Luciana, filha

Outra fase maravilhosa de minha vida em que experimentei a grande alegria de ser avó. Na foto acima, Vovó Maria, Marcos e Márcia. “Neste dia, participei de um Enduro em Guarapari. Vovó, sempre muito presente, compareceu para dar seu apoio. Na foto é nítido seu carinho e preocupação, características fortes de sua personalidade” Marcos, filho

Ao lado, Marley e suas netas: Lara, Marina e Bianca. Acima, D. Maria com a neta Adriana. “Vovó, fonte de inspiração e sabedoria inesgotável. Muito a admiro...”. Adriana, filha

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Me orgulho muito de ser integrante dessa “Família Linda”, dessa mistura gostosa e interessante que nos torna únicos e muito, muito especiais e que ainda, como se não bastasse, me deu de presente essa Mãe Maravilhosa que eu tanto amo! Vó Maria, toda minha admiração prá você! Parabéns pela belíssima, emocionante e abençoada história de amor que você construiu! Luciana, filha

Na foto acima, após 50 anos de união: bodas de ouro de Marley e Eromyr. “Esta foto registra valioso acontecimento em nossa história de vida.” Acima à direita, Willians e Luciana presenteiam os pais dela pelas bodas, em 14 de janeiro de 2011. Na foto ao lado, família reunida: Adriana, Lara, Bianca, Luciana, Marley, Eromyr, Sandra Helena, Marina, Sanglard, Márcia e Marcos. “Esta foto foi tirada num importante evento de nossa história, a autobiografia de Eromyr, ‘No compasso da Estrada’, em que nos reunimos orgulhosos na noite de autógrafos.” Marley

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Ao lado: Marcos, Lara, Márcia e Bianca: aniversário de 15 anos de Lara. D. Maria, obrigada pelo carinho que sempre me recebeu em sua família. Pelo abraço caloroso e sincero com o qual a Sra. sempre acolhe a todos nós. Tenho grande admiração pela avó maravilhosa que a Sra. é para o Marcos, Lara e Bianca e com muito carinho considero minha também. Márcia, nora

Essa mistura gostosa e interessante que nos torna únicos e muito, muito especiais.

Vovó Marley, quando eu nasci você escreveu prá mim que ser avó é conhecer um amor doce e profundo, e hoje eu digo a você que ser sua neta é viver esse amor a cada dia, com grande orgulho e alegria. Lara, neta Sou muito feliz por fazer parte desta família linda e especial. É muito bom estar com vocês... Bianca, neta

“Vovó e Vovô sempre estiveram presentes nas comemorações. Quando foram em minha formatura de Odontologia em Governador Valadares, tiveram uma mini “lua de mel”, em 1989, quando pela primeira vez, talvez única, eles ficaram hóspedes no Panorama Hotel. Era bonito de ver este exemplo de vida em harmonia a dois”. Sandra Helena, filha “Eu adoro a minha família! Amo minha Vovó Marley e a Vó Maria também...” Marina, neta

Na foto ao lado: Sandra Helena, Sanglard e Marina na Formatura da Marina: “Primeira conquista de nossa filha, que vivenciamos com muito orgulho e alegria”. Acima, os filhos de Marley e Eromyr: Luciana, Marcos, Sandra e Adriana. Hoje, agradeço a Deus que nos deu ‘quatro pérolas’ que muito nos alegram. Marley DE ONDE VIEMOS

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Domingos com os dois irm達os Urley (o maior) e Ulysses (o menor). 64

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DO MIN GOS

Domingos Poubel da Silva Sobrinho casou-se com Margarida Frechiani Poubel em 09 de fevereiro de 1963. Viveram em Brasília - DF, e tiveram dois filhos – Mariany e Jorge, e dois netos – Rodrigo e Victor.

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Domingos, irmão amigo e divertido; onde ele estava só tinha alegria. Muitas vezes quando ele chegava das paqueras, sempre confidenciava tudo comigo. Era cheio de fãs. De fato era encantador e fazia muitas garotas acelerarem o coração e suspirar, pois era bonito de verdade. Marley, irmã Domingos era comunicativo, gostava de jogar futebol e de estar com pessoas. Ía à escola, mas não era de sentar para estudar. Em um período escolar em que fazia a mesma série de Maria Antônia, não pegava no caderno e mamãe questionava: ‘– Como é que Maria Antônia está estudando e você não?’ E ele respondeu: ‘– Mãe, ela estuda e fala tão alto, que eu aprendo tudo.’ Era esse o seu jeito, meio matreiro e brincalhão. É uma pena que ele tenha nos deixado tão cedo. Sentimos muito e o recordamos sempre em nossos encontros. Anna Maria, irmã Quando eu e o Domingos brigávamos (e a gente brigava muito), o papai deixava a gente olhando um para a cara do outro sentado na mesa, sem rir e sem chorar. Domingos sempre gritava, brincando no quintal. Aí um dia a mamãe falou com ele: ‘Domingos, se um dia acontecer alguma coisa com você, a gente não vai saber’. E, um dia, ele gritando, gritando, ninguém deu bola... na hora que foram ver, a cabeça dele estava cheia de abelhas. Agora ele gritava de verdade. Maria Antonia, irmã 66

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Domingos, irmão amigo e divertido; onde ele estava só tinha alegria.

Na página ao lado, Domingos no caminhão do pai, Lila. No alto à esquerda, casamento do Domingos e Margarida - Madalena (irmã da Margarida) foi dama de honra. No alto à direita, no dia do casamento: os noivos no centro, entre Lila e Maria (pais do noivo) e Marina e Jorge (pais da noiva). Na foto abaixo à esquerda, Domingos em desfile escolar em Colatina. À direita, Domingos com o irmão Ulysses com as bicicletas novas, no Córrego do Ouro, em Colatina.

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De fato era encantador e fazia muitas garotas acelerarem o coração e suspirar, pois era bonito de verdade.

No alto à esquerda, Margarida entre os filhos Jorge Ulysses e Mariany. No alto à direita, Madalena, Margarida e Domingos com Jorge Ulysses, Dalva com Urleyzinho e Vó Lucete. Na foto abaixo, Domingos e Margarida com o Palácio Alvorada ao fundo, em Brasília - DF. 68

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No topo da página, Jorge Ulysses e Urleyzinho brincam na árvore. No alto à direita, Urley e Domingos em Conceição do Muqui - ES. Acima, Rodrigo e Victor, filhos de Jorge Ulysses e bisnetos de Lila e Maria. Ao lado, integrantes da família em baile de carnaval – Domingos no centro da foto.

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Casamento de Maria Antônia e João em 23 de Julho de 1961 as 18h na Igreja Matriz Imaculado Coração de Maria em São Silvano, Colatina.

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MARIA ANTO NIA Maria Antônia Poubel Pretti casou-se com João Luiz Pretti em 23 de julho de 1961. Vivem em Colatina - ES, e tiveram três filhos, Luiz Antônio, Liemar e Luciene, e seis netos: Juninho (Marcos), Bharbara, Lucas, Nicolas, Palloma e João Pedro.

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A família é marcada por uma educação que vale a pena ressaltar. O caráter, ética, bom senso, não mentir são fatores favoráveis em nossa educação. A obediência às orientações dos “mais velhos” também é um fator marcante, mesmo que estas orientações sejam discutíveis. Vivendo e aprendendo, assim é a vida. O novo sempre encanta a mente e os olhos, motiva a fazer diferente, a buscar novas possibilidades, mas as experiências passadas por quem já viveu faz bem à alma, ilumina a estrada. Uma característica da família pode ser traduzida na imagem que tenho da Vovó chorando, despedindo da gente quando retornamos para nossas casas. Demorei a entender porque o choro sempre parece uma tristeza, mas conclui que era puro amor. Com todos os defeitos que toda a família tem, com seus acertos e erros, acredito que podemos simbolizar nossa família com a palavra amor. Luiz Antonio, filho

Maria Antônia vestida de anjo na primeira comunhão do Ulysses, com Padre Djalma. 72

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As avós podem ficar mais tempo com a gente. Elas nos levam para passear, nos deixam olhar as vitrinas até cansar. Na casa delas tem sempre um vidro com balas e umas barras de chocolate. Elas contam histórias de nosso pai ou nossa mãe quando eram pequenos, histórias da bíblia, histórias de uns livros bem velhos com umas figuras lindas. Avós nunca dizem “depressa”, “já pra cama”, “se não fizer logo, vai ficar de castigo”. Elas nos ajudam a amarrar os sapatos e não dizem coisas do tipo “você já está bem grandinho, e pode


Na foto ao lado, aniversário de um aninho da Luciene, Liemar com quatro anos e Luiz Antônio com seis anos. À direita, a família reunida no verão de 1970, em Nova Almeida - ES. Na foto abaixo, bodas de ouro do Vovô Lila e Vovó Maria - da esquerda para a direita: João, Maria Antônia, D. Maria, Seu Lila, Luciene, Luiz Antônio e Liemar.

Com todos os defeitos que toda a família tem, com seus acertos e erros, acredito que podemos simbolizar nossa família com a palavra amor. fazer isso sozinho” – às vezes a gente até nem liga de fazer, é puro dengo mesmo. Quando a gente faz uma pergunta, ela para, pensa e responde de um jeito que a gente entende. As avós sabem muitas coisas. Elas não falam com a gente como se nós fôssemos umas criancinhas, nem apertam nosso queixo dizendo “que gracinha!”, e nem desprezam nossas opiniões e teorias como nossos pais, por falhas do dia-a-dia. Quando as avós lêem para nós, não pulam pedaços das histórias, nem se importam de ler a mesma história várias vezes. O colo delas é quente e fofinho, bom de a gente sentar quando está triste. “Todo mundo devia ter uma avó, porque são os únicos adultos que têm tempo para nós.” Bharbara, neta DE ONDE VIEMOS

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Maria Antônia dançando com vovô Lila no verão em Guarapari - ES. Ao lado, família reunida na viagem a Orlando, em Abril/2011. Na foto abaixo, premiação anual da Viação Pretti (2011), Nicolas, Vander, Bharbara, Luciene, Maria Antônia, João, Liemar, Palloma, João Pedro, Ruslana, Luiz Antônio e Lucas.

Experiências compartilhadas em comportamentos, gestos e atitudes que se eternizam por corações que se amam.

Acho muito legal quando todos os meninos se vestem de mulher no carnaval de Guarapari, com ajuda das primas e tias. É pura alegria e diversão, saem pra rua, todo mundo acompanhando, tios, tias, primos, primas, amigos, avós e todos se divertem muito. Lucas, neto Todo ano brinco com meus primos e meu irmão de restaurante no bar de nossa casa, dividimos as tarefas, um é o cliente, outro o policial, tem o caixa, o cozinheiro, o garçom, a garçonete, tem até ladrão, pegamos o dinheiro do banco imobiliário e fazemos como se fosse mesmo um restaurante. É muito legal e todos que estão na casa participam. João Pedro, neto 74

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Na foto acima à esquerda, Júnior, Liemar e Palloma. Na foto abaixo à esquerda, Luiz Antônio e Ruslana entre os filhos Lucas e João Pedro. Na foto ao lado, João, Luciene, Luiz Antônio, Liemar e Maria Antônia. Abaixo, na foto ao lado, aniversário de 90 anos da Vovó Maria.

Através do Luiz Antonio tive a oportunidade de saber como cada um é especial com sua personalidade. Sabemos que atrás disso tudo, tinham pessoas muito especiais: Seu Ulysses que conheci pouco, mas vi sua espiritualidade e a nossa querida Vovó Maria que tenho um carinho, respeito e admiração com sua vivacidade. Não poderia deixar de falar da Maria Antônia, exemplo de dedicação para união da família, que até hoje os almoços aos domingos são muitos gostosos e cheios de bons papos e brincadeiras, claro também umas fofoquinhas para relaxar. Deus acima de tudo é que nos traz novamente em mais um encontro de felicidade que simboliza todo este livro de muito amor. Ruslana, nora

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No alto à esquerda, João Pedro e Lucas no sino da Igreja de Conceição de Muqui, em julho de 2008. Ao lado, Maria Antônia na casa do Ulysses em Brasília – Réveillon de 1990. Abaixo, João e Maria Antônia com os netos, Bharbara, Palloma, Nicolas e Lucas (no colo). “Há três anos atrás, em uma de nossas voltas em Guarapari, vovó me fez um convite para voltar e conversarmos. Voltei, conversamos e ela com sua sabedoria e perspicácia me falou alguns detalhes, alguns assuntos, e dias depois, quando nos encontramos no aniversário de 15 anos da Anna Claudia, ela só fez uma pergunta. Quando respondi, ela me deu os parabéns. Foi ai que compreendi o que o sentimento de quem te ama significa.” Liemar, filho Ficar em família, ter um momento nosso e único, e saber aproveitá.lo é mesmo maravilhoso. Guarapari nos proporciona tudo isso. A casa, que é coração de mãe, sempre cabe mais um, festas, churrascos, madrugadas, praia... Ter a quem abraçar a qualquer hora, dar gargalhadas sem fim... Se quiser tem como chorar também, uma coisa que raramente fazemos... E isso é o melhor da família, estar toda unida sempre! Que tudo isso seja eterno, pois o único problema das pessoas é não serem eternas, mas dos momentos podemos fazer!!! Palloma, neta

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Encontramos tão pouco, mas é sempre tão bom! Fico esperando nossos encontros de fim de ano e o aniversário da Vovó. Luciene, filha Experiências compartilhadas em comportamentos, gestos e atitudes que se eternizam por corações que se amam. Vander, genro Guarapari: casa cheia, familia reunida, tomar café com a vovó Maria na cabeceira da mesa. Nicolas, neto

Enquanto as mulheres da família fazem os quitutes deliciosos, eu como para experimentar, porque meu forte não é cozinha, né? (Maria Antônia)

Amo ter vocês sempre comigo. Em nossa casa de Guarapari tem sempre um cantinho, apesar dos meus roncos. Maria Antônia

No alto, a família no aniversário de 93 anos da Vovó Maria - em pé, da esquerda para a direita: Luiz Antônio, Vander, Luciene, Maria Antônia, Alexsandra, Júlia, Lucas, Liemar e Vítor, e vovó Maria sentada entre Nicolas e Palloma. Na foto ao lado, Maria Antônia com os netos Palloma e Nicolas e Luciene no fundo - Porto Seguro, em Abril de 1997. Na foto à direita, Nicolas, Bharbara, Luciene e Vander, em outubro de 2011.

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Ulysses com a mãe, Maria, no Baile de Formatura em Engenharia na UnB, em Brasília, 1973.

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Ulys ses Ulysses Poubel de Bastos casou-se com Irany de Oliveira Poubel em 09 de agosto de 1975. Vivem em BrasĂ­lia - DF, e tiveram dois filhos, Raquel e Rafael.

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Melhor Juntos. Ulysses e Irany se conheceram há 39 anos, em Brasília, e os dois filhos, Raquel e Rafael aí nasceram. Irany, de família mineira numerosa, tem ligação de emoção forte com o núcleo familiar, é relações públicas de profissão e artista plástica. É funcionária da Embaixada da Grécia há mais de 39 anos, por isso tem a consideração da comunidade grega no Brasil. Ulysses entendeu bem de seus pais a importância da preparação escolar para a vida. Com formação superior na universidade, Mestre em Engenharia Civil, pela Universidade da Califórnia, foi empregado inicialmente em empresa da iniciativa privada, trabalhou em empresas públicas, e, nos últimos vinte anos, trabalha com a sua profissão de engenheiro civil, em iniciativa própria na construção civil. Os primeiros anos dos filhos foram vividos com boa saúde, beneficiados por recursos da medicina e da nutrição disponíveis para formação sadia. A partir daí, boas escolas, orientação para a prática de esporte e relações em amizades e participação de vida social, ao seu tempo. Sabemos que tudo requer empenho para acompanhamento, escolhas mais acertadas e integração à vida comum com suas características contemporâneas. Hoje, com formação universitária nas suas profissões – ela em Publicidade e ele em Nutrição e Mestre em Políticas Públicas e Gestão Ambiental, buscam os meios para o bem viver de cada um e têm em mente o propósito para formação de suas próprias famílias. Rafael vive em Brasília, e Raquel, na Califórnia, com adaptação facilitada pela vivência na infância, nesse mesmo lugar dos EUA. Mesmo vivendo distante em Brasília, durante esses anos todos, desde a tenra infância aos dias atuais, Raquel e Rafael, sejam como netos, sobrinhos, prima e primo, e também como amigos, foram praticamente todos os anos ao Espírito Santo, de férias ou em breves visitas e são 80

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Que a iniciativa deste livro traga a todos nós, descendentes diretos ou não do Lila e da Maria, o exemplo deste casal, e a oportunidade de refletir sobre o papel de cada um na continuidade da vida. hoje integrados a família. Isto é motivo de alegria que, de fato, contou também com a compreensão dos familiares anfitriões, que receberam bem em todas essas situações.

Na foto à esquerda, casamento do Ulysses e Irany em Brasília, 1975. Da esquerda para a direita: Ana Lúcia, Urley, Dalva, Domingos, Mariany, Margarida, Irany, Ana Cristina, Ulysses, D. Maria, Seu Lila, Anna Maria e Nilton. Abaixados, Jorge Ulysses e Urleyzinho. Na página oposta, Ulysses, recém aprovado no vestibular, com os cabelos ainda meio curtos, com o irmão Domingos na casa do Urley, em tarde agradável em Brasília, 1969.

o lugar escolhido para avistar ao longe, quando surgia com o ruído do motor, no final da tarde. Era motivo de prazer.

Sobre a Maria, lembro de episódio de significado profundo para São muitas as lembranças permanentes e boas para a vida sobre a visão das atitudes de impulso. Fazia um conserto na bicicleta o Lila e a Maria José. Ao longo de toda essa convivência familiar usada, aro 16, que ganhei com o carinho do Tio José Rambaldi, aconteceram situações que a memória vem ajudar para entender e repeti batidas com movimento brusco de raiva em peça mal encaixada. Em lugar de corrigir, danifiquei essa peça. Fui mostrar o significado da participação dos pais na vida dos filhos, para ela na esperança de conforto, e veio aí a lição direta, firme principalmente na infância, belas como são essas lembranças e necessária, de que a raiva não corrige, ao contrário, danifica. quando o amor predomina. Até hoje, nas atitudes de impulso, embora com empenho busque Sobre o Lila, uma lembrança é quando me carregava na corrigir, lembro-me disso com gratidão de filho. segurança do seu colo, entre os quatro e seis anos de idade, de volta da casa da sua Mãe Nica, à noite, onde os adultos passavam Peço licença, neste ponto, para dizer do forte desejo que a em conversas em frente ao fogão da Tia Leta, com cheiro do café iniciativa deste livro traga a todos nós, descendentes diretos ou feito na hora, em tempos de inverno, em Conceição do Muqui.ES. não do Lila e da Maria, o exemplo deste casal, e a oportunidade Outra é da espera com aflição pura, ainda criança, da chegada do de refletir para ver a grandeza do papel de cada um na continuidade da vida. Lila, seja no tempo do caminhão, seja do ônibus que guiava de volta da cidade. A janela da cozinha da casa da mãe da Dirica era Ulysses, filho DE ONDE VIEMOS

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Vovó Maria nunca desliga o telefone sem dizer: “Eu amo muito você minha filha. Deus te abençoe!” Na foto acima e na do alto à direita, Formatura como Técnico em Contabilidade, no Conde de Linhares, 1967. Na foto ao lado, os noivos Ulysses e Irany entre os pais dele, Maria e Lila, e os pais dela Letícia Vidigal e Sebastião Rabelo de Oliveira. Na página oposta, no alto à esquerda, Rafael com dois anos e Raquel com quatro anos na piscina do Clube da Universidade, na Califórnia-EUA, 1980. À direita, Ulysses e Irany, na comemoração da conclusão do curso de Engenharia com amigos e familiares, antes da colação de grau, 1973. Na foto inferior, Raquel em retirada da praia, em Guarapari, símbolo da ligação com a família no Espírito Santo desde a infância, 1981.

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Eu me lembro de um episódio jogando baralho com o vovô Lila, uma das primas sussurrou num mineirês: “Não pode roubar jogando com o vovô Lila que ele fica muito bravo!”. Eu não me lembro desse vovô bravo, eu lembro de um vovô que em um dia de verão pegou suas ferramentas, e pacientemente fez um palitinho de madeira, daqueles de pôr no cabelo, para cada uma das netinhas. Tenho o meu até hoje. Um vovô que gostava de descascar laranja pra gente com uma faquinha de cabinho azul, tínhamos a opção de tampinha tradicional ou biquinho. Eu só me lembro de um vovô sorridente e atencioso, mas vai ver que é porque eu nunca roubava... Um dia liguei pra vovó e contei que estava namorando. E ela: “Ah, minha filha, eu fico muito feliz com essa notícia. Sabe Raquel, eu acho que a gente é mais feliz ao lado de alguém.” A importância de encontrar alguém especial e formar família sempre foi valorizada pela vovó. Eu só não sei se ela ficou tão feliz quando fiz uma nova ligação contando que ia para outro país para estar ao lado daquele namorado... “Você vai praquele lugar de novo? Mas é tão longe, minha filha!” Mesmo contrariada, a vovó Maria nunca desliga o telefone sem dizer: “Eu amo muito você minha filha. Deus te abençoe!” Raquel, filha

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Na foto ao lado, Rafael e a vó Maria, em Guarapari, ao final de insistentes convites a ela para o banho de mar, adiado tantas vezes. Abaixo, Rafael e a avó Maria, em Guarapari. No canto inferior, passagem de ano 1990/91, em Brasília, em memorável feito de toda a família, com 40 pessoas hospedadas na mesma casa - da esquerda para a direita: Letícia, Rafael Poubel, Rafael Dalla, Lila e Maria.

Avô Lila transmitiu firmeza e princípios de honestidade e dedicação aos filhos e filhas. Avó Maria cuidou de muitos com simplicidade e religiosidade. Sua mão com calor e empenho ensinou coisas importantes: união, amor, harmonia e confiança, lemas fortes e doces cativados por esta vitoriosa mulher. Grato grande bisa, vó, mãe, amiga e guia. Nosso núcleo, unidade que brilha em sua cumplicidade no desafio do ser feliz. Conquista a paz em sua convivência, em cuidado com o outro, em resignação ao lar, em valorizar as coisas simples do dia a dia e à liberdade dos sonhos vividos. Gratidão pelo acolhimento deste ninho. Às tias, gratidão ao carinho. Sempre servidoras das belas famílias. Solidariedade é uma qualidade herdada. Surfar na vida foi o meu mais belo presente! Grato! Rafael, filho 84

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Com seriedade e humor compartilhados nos gestos, Avô Lila foi um homem fiel a uma Dona amorosa, Maria. Lembro da atenção e cumplicidade que Sr. Ulysses tinha com o neto Rafael e se divertiam muito juntos. Sr. Ulysses e eu gostávamos de nos provocar um ao outro, mas eu me dava muito bem com ele. Quando uma vez em discussão de jogo de cartas, eu fiquei mais alterada e o nariz se comprimiu abrindo as ventas, ele disse: “Iiiiiii, mulher quando fica assim costuma ser brava, é como mulher de cabelo na venta, nem o diabo aguenta!” Acabei rindo... Da D. Maria, uma característica típica que admiro e com a qual tenho muita identificação, é o desejo constante de aprender algo novo e sempre compartilhar com os outros. Irany, esposa

No alto à esquerda, o casal Ulysses e Irany. Na foto inferior à esquerda, Raquel e a avó Maria, em Brasília, nos 60 anos da Irany, 2010. Acima, a família: Raquel, Ulysses, Irany e Rafael, em Brasília, 2011. Abaixo, Ulysses e a mãe Maria numa breve passagem por Guarapari, 2005.

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Os irm茫os Anna Maria e Ulysses no quintal de casa no C贸rrego do Ouro, em Colatina. 86

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ANNA MA RIA Anna Maria Poubel Chieppe casou-se com Nilton Carlos Chieppe em 04 de setembro de 1971. Vivem em Vitória, ES, e têm quatro filhas –Patrícia, Isabela, Clarice e Letícia, e três netos – Vitor, Aline e Daniel.

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Tivemos uma infância de brincadeiras e convívio invejáveis para a atualidade. Se o circo chegava, as brincadeiras eram de palhaço e malabarismos. Lembra do Palhaço Pelanquinha? E a criançada na rua a acompanhá-lo para ganhar a entrada gratuita. “E o palhaço, o que é?” “Olha o palhaço no meio da rua...” Se chegavam os ciganos, os cozinhados de final de semana eram em fogões feitos como os desses visitantes. Papai e meu irmão Ulysses sempre ajudavam a fazer o fogão típico. Quando não tinha novidade na cidade, as brincadeiras eram as mais soltas e alegres. Mamãe não liberava muito para irmos à casa dos primos e, assim, eles vinham à nossa casa. Mª Amélia era uma grande companheira. Eu sempre era a mãe na brincadeira e tem uma historinha que Tia Aparecida me lembrou outro dia: “Estávamos no almoço em nossa casa em Conceição e eu disse para Maria Amélia: – Filha, vamos almoçar mas não pode comer a sobremesa. Ao fim do almoço, eu comi a sobremesa e Amélia me olhou e perguntou: – Mas pode sobremesa? E eu respondi: – A mãe pode.” A gulodice por doce é bem antiga. Anna Maria foi dama de honra no casamento do Urley e Dalva, em Dezembro de 1960. 88

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A amizade e a união do grupo eram grandes. Éramos quatro crianças na mesma faixa etária: Minguinho, Maria Antonia do Tio Mingo, Luizinho e eu e tinha a Mª Amélia, Zulmira e Ulysses (às vezes) e muitos outros do lugar.


Anna Maria à esquerda, de porta bandeira, no desfile escolar na festa da cidade de Colatina. Abaixo, Anna (à direita) com os primos Maria Antônia (filha do ti’Mingo), Minguim (filho da Adir) e Luizim (filho do ti’Bira). E no quintal da casa em Conceição de Muqui, ainda pequena.

Estudamos, trabalhamos e aí encontrei o Nilton, meu grande companheiro, com o qual formei uma família Por essa razão é que foi difícil a saída da cidade em Abril de 1958. Saímos às 3h da manhã, no caminhão guiado pelo Papai. Eu ainda me lembro bem da Mª Amélia despedindo da janela da sua casa, a casa mais bonita do lugar, que era a casa da Tia Licínia. Fomos para o norte do ES, Colatina, no Córrego do Ouro, na Fazenda do Seu Carlim e da Dona Nilde onde iniciamos uma nova etapa de vida. Estudamos, trabalhamos e aí encontrei o Nilton, meu grande companheiro, com o qual formei uma família (a Família Poubel Chieppe) de quatro filhas: Patrícia, Isabela, Clarice e Letícia e que, aos poucos, foi se multiplicando com novos agregados (contando com a presença do Lawrence – também conhecido como Wally), direcionando e realizando seus sonhos e suas expectativas pessoais e profissionais. Nossos netos “carini” e queridos; Vitor, Aline e Daniel são os mais novos integrantes desse grupo familiar, crianças que vivem hoje uma realidade bem diferente da nossa e fazem parte de uma família que busca sempre a união, a integração e o convívio possíveis nos dias atuais. Anna Maria DE ONDE VIEMOS

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Sou um privilegiado. O melhor presente que eu recebi na vida foi a filha que a D. Maria e o Sr. Ulysses me deram. Nilton, marido O Vovô Lila me ensinou a jogar baralho. No jogo não podia roubar e era recomendável não dar atenção aos sapos que ficavam de fora dando palpite. Era preciso ser esperta e ágil e quem sabe até pegar o adversário de calças curtas, naquelas raras vitórias surpreendentes. A Vó Maria, sempre cuidadosa, preparava o leite com nescau e vigiava pra que o copo ficasse logo vazio e a nossa barriga cheia. Foi sempre uma alegria passar temporadas perto deles.Alegria maior é hoje olhar tantas fotos e lindos registros e lembrar que o vovô Lila sorria com os olhos – como bem disse a Luciana. Clarice, filha

Acima, Nilton e Anna Maria no casamento em 04/09/1971. Abaixo, os noivos entre os familiares - a partir da esquerda: Urley, Dalva, ‘Seu Carlim’ (Carlos Chieppe), Neide (atrás), Nilton, Anna Maria, Maria, Ulysses, Margarida e Domingos (atrás), Marley, Eromyr e Luísa. Ao lado: Maria e Lila com as netas Isabela e Clarice (ao centro). 90

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“Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar”. Mosoasda s modi debit im archicia Vovó volor Maria molorerit, sedisim fez isso com osanmaestria! di apero quibusa nus millore sequiant, tem at essit aut alit, sima No alto, Maria com as netas vel incia pos quam ad qui dolupti del ium niat Patrícia, Isabela e Clarice (no colo), e Ulysses na praia em Guarapari com Patrícia e Isabela. Na foto ao lado, a trupe, a partir de cima no sentido horário: Patrícia, Clarice, Letícia e Isabela.

Os homens da família que me perdoem, a começar por vovô Lila, mas certamente ele também concorda com este provérbio chinês: “Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar”. Vovó Maria fez isto com maestria, e o mais importante: ensinou isto a seus filhos e fez com que o valor família permanecesse vivo nesta família até aqui. Que sejamos capazes de perpetuá.lo nas futuras gerações. Obrigada, vó!! Patrícia, filha

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Destacamos o ‘querer compartilhar’ como valor ‘novato’, muito importante para a consolidação desta família.

Muito nos orgulha fazer parte desta família que transmite valores tão fortes como o respeito, o querer estar junto e o querer dar certo. Como parte da geração mais nova, destacamos o ‘querer compartilhar’ como valor ‘novato’, muito importante para a consolidação desta família tão bacana e que nos faz querer estar ainda mais perto, mesmo que a distancia permita essa proximidade mais no coração e na lembrança dos bons momentos. Porque quando estamos juntos, é bom de verdade! O finalzinho das festas que o digam! Isabela, Wally e Daniel 92

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Na página anterior: no alto à direita, Anna e Nilton nas montanhas; à esquerda, os netos Vitor, Aline e Daniel (no colo); na foto inferior, Vitor e Aline com Isabela, Lawrence (Wally) e Daniel, na Bahia (Nov/2011). Nesta página: ao lado, Anna Maria feliz da vida revendo as raízes em viagem da família à Conceição do Muqui, em 2006. Na foto abaixo a família reunida nos 40 anos de casamento de Anna e Nilton (Set/2011) - a partir da esquerda: Wally com Daniel no colo, Isabela, Patrícia, Nilton, Anna Maria com Aline e Vitor, Clarice e Letícia.

Família “Poubel”– pois é assim que consta como meu sobrenome do meio. É, principalmente, assim – Poubel – que chamo como minha porção ‘turma do firinfinfim’. Diferentes personalidades, jeitos, engraçados ou sérios... São esses os ingredientes usados e que, quando misturados – tudo junto e misturado mesmo! – e levados para assar, formam uma massa que assenta e depois cresce, até resultar num lindo bolo. A família Poubel é uma receita que me dá a sensação de como diferentes ingredientes juntos numa mesma forma resultam em vidas ricas, em aprendizado por vezes doce, por outras nem tanto, mas que ninguém quer parar de degustar! Porque quando a receita fica pronta e é servida à mesa, o que sobressai é como cada um se importa em colocar ali seu melhor tempero, sua apresentação mais bonita e sua melhor decoração. E isso para mim é o principal: é amor. Letícia, filha

Este é o Vitor com o anjinho da guarda que ganhou da Vovô Maria quando nasceu! Proteção de vó é tudo de bom! DE ONDE VIEMOS

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Ana Lúcia e Mariany 94

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Ana Lúcia Poubel Batal casou-se com Cláudio da Silva Batal em 13 de julho de 1991. Vivem em Vitória - ES, e tiveram duas filhas – Anna Cláudia e Anna Luisa.

ANA LÚCIA DE ONDE VIEMOS

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Emoções vividas, sentidas, transmitidas, doídas, alegres, simplesmente emoções. Assim tem sido minha vida, um emaranhado de emoções. Denomino emoção o que chamam de chorona. Todos esperam o momento em que me debulharei em lágrimas, principalmente nas reuniões de família. A família é chorona, mas a fama ficou comigo. Tem uma história que contam sobre as choronas, que é mais ou menos assim: “Tia Odete, tia Anita e uma amiga estavam no quarto chorando, Urley (irmão) chegou e perguntou a Tia Anita: porque estão chorando? Ela respondeu: não sei, cheguei aqui elas já estavam chorando!!!!” Vamos contar um pouco, rapidinho, como é essa vida de emoções. Meu nome seria Ornelina, em homenagem a vovó Lilica. Mas na correria o papai registrou Ana Lúcia (cheia de luz). Ele afirmava que mamãe foi quem escolheu o nome, e ela afirma que não, pois queria ter feito uma homenagem à sua mãe, e já tinha uma Anna na família. No meio da discussão, ainda no berço do hospital, me emocionava com a notícia, e dava aquele sorrisinho de canto de boca de neném! Nasci no dia 11 de Setembro, e mamãe tinha muito orgulho dessa data, pois o seu primeiro neto, Urleyzinho, nasceria exatamente um ano depois. Legal! Faço parte de um forte quarteto de mulheres da família, forte pela determinação e coragem. Estudei e me tornei independente aos 20 e poucos anos. Minha família sempre ajudou na 96

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Na página anterior, no balanço: Cláudio (que veio a se tornar marido da Ana Lúcia) Alexandre em pé segurando Uleyzinho e Ana Lúcia à direita. Ao lado, Ana Lúcia em Nova Almeida, aos 7 anos de idade fazendo charme na festa de Natal de 1987.

Todos esperam o momento em que me debulharei em lágrimas, (...) a família é chorona, mas a fama ficou comigo. construção da minha caminhada de emoções. O tempo foi passando, muito trabalho, estudo especializado, até a independência total. Meu pai foi muito importante na minha vida profissional, orientando na construção da ética e compromisso com o ideal de vida. Minha vida também foi marcada por grandes e sinceras amizades, feitas na escola e no trabalho. Adoro minhas amigas, pensar nelas me emociona.

Amante das artes, em meio a tanto trabalho, compromissos e família, dedico parte do meu tempo a dança Flamenca, adoro. Hoje, depois de trinta anos de trabalho, estou aposentada. Muita emoção, tarefa cumprida. Agora é só curtir. Chorona ou não, fazer parte dessa família é a maior das minhas emoções. Orgulho-me de todos, com suas histórias e emoções vividas de perto ou de longe, mas sentidas com toda a intensidade de uma pessoa motivada pela emoção. “São tantas já vividas, momentos que eu não esqueci...”

Mais um tempo, conheci Cláudio, o grande amor da minha Ana Lúcia, filha vida. Um companheiro, homem e amigo de todas as horas. Tivemos Anna Cláudia e Anna Luisa, nossos amores e orgulho.

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(...) conheci Cláudio, o grande amor da minha vida. Um companheiro, homem e amigo de todas as horas. Nossos filhas são nossos amores e orgulho.

Na foto acima Ana Lúcia com as filhas Anna Luisa e Anna Cláudia em passeio de escuna na baía de Vitória. Na foto superior à direita: os noivos, Ana Lúcia e Cláudio, entre Maria e Ulysses no casamento em 13 de julho de 1991. Ao lado, Cláudio em Maricá - RJ.

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Poubel, este nome tão forte representa bem esta família. Forte de caráter, forte presença feminina (por sinal muito belas), forte na integração de todos, forte nos homens desbravadores, pois bem, quem é desta família, junto com seus agregados, sempre viveram e viverão fortes emoções e grande momentos. Cláudio, marido


No alto, à esquerda, Anna Luisa e Anna Cláudia, com 3 e 7 anos, respectivamente. Ana Lúcia com Maria ao fundo, no casamento da sobrinha Isabela em 14/10/2006. E ao lado com o marido Cláudio, feliz da vida.

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Na foto à esquerda, Anna Cláudia aos 15 anos, e ao lado, com 4 anos, segurando a boneca e irmã, Anna Luísa (com 1 mês de idade), no Natal de 97. Na foto abaixo, formatura da Ana Lúcia em Serviço Social, em 1983, na Catedral de Vitória. A partir da esquerda: Nilton, Anna Maria, Nilce, Luísa, D. Aldina, Maria Antônia, Maria, Sandra, Ana Lúcia, Ulysses, Marley, Eromyr, Urleyzinho, Ana Cristina, Luiz Antônio, Dalva, Urley e Luciene.

No dia 17 de junho de 2011 a mamãe comprou pra vovó uma bengala, que demos o nome de Nina, pra quando ela subisse lá no terraço eu entregasse a ‘Nina’ a ela. Entreguei e falei: “Eu quero ver você com essa bengala, hein?!”. E não é que ela obedeceu? Toda vez que eu ía em Guarapari ou na casa da madrinha, ela estava com a bengala – só pra dizer que está usando. Anna Cláudia, filha

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Nossa família sempre foi grande, porém não nasceu pronta, ela foi se construindo aos poucos e hoje forma a família Bastos Poubel, uma família que marca a vida de todas as pessoas. Eu amo essa família. Anna Luisa, filha

Nossa família sempre foi grande, porém não nasceu pronta, ela foi se construindo aos poucos.

Anna Luísa em dois momentos: na infância, e aos 14 anos. Abaixo, cadelinha Ninna, que vovó Maria incentivou a entrar na família.

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É importante ressaltar a busca da família por manter encontros permanentes. Ao longo dos anos fomos a Brasília, Manhumirim e Búzios, entre outras cidades. E quer mais gostoso que aqueles encontros no verão em Guarapari e ver o Tio Claudio queimando a rosca, quer dizer a carne, e sem dizer a beleza de ir nos aniversários da Vovó?! Pra mim os encontros são momentos de muita alegria. Fico muito à vontade porque estou rodeado por pessoas que se querem bem, dá até soltar um peidinho de vez em quando. Luiz Antônio, filho

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É importante ressaltar a busca da família por manter encontros permanentes.

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O Carnaval é pura alegria e diversão, todo mundo sai para rua, tios, tias, primos, primas, amigos, avós e todos se divertem muito. (Lucas)

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Comemoração dos 88 anos da Vovó Maria em Conceição do Muqui, quando os netos puderam conhecer as raízes da família.

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Alguns dos encontros e festas onde pudemos estar juntos, falar da vida, rir e saber notĂ­cias de todos.

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A idéia de fazer um livro começou com a vontade de reunir as receitas da Vó Maria e das chefs de cozinha da família e, através disso, falar um pouco da gente, dos nossos valores. O roteiro mudou de rumo e direcionamos o livro para uma fotobiografia da família. Juntamos às fotos, recados que todos escreveram, afinal, nada melhor para falar das pessoas do que fotos e histórias contadas por elas. Como tínhamos pouco tempo e pouco material, fui conversar com minha mãe, Anna Maria, sobre o possível adiamento do projeto. Ela, categórica, mas doce como sempre, falou: ‘Acho que a hora de fazer esse livro é agora’. É muito bom escrever a última página e lembrar da motivação de toda a família em reunir nossos registros. Foi indispensável a participação dos representantes de cada núcleo para reunir o material necessário e cutucar suas famílias a participar. Então aqui vai um agradecimento especial à Anna Maria, tia Ana Lúcia, tio Ulysses, Luciana, Luciene e Ana Cristina pelos socorros sempre ágeis. Agradeço a todos e a Manaira Abreu, designer que topou a empreitada. Com união construímos esta família e também um livro. Foi um prazer! Clarice, neta DE ONDE VIEMOS

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Maria Araújo Valim e Joaquim Bastos

Amélia Rambaldi e José Rambaldi

Ornelina de Bastos Valim e Angelino José Rambaldi

Maria José Bastos da Silva

Conceição do Muqui - ES, 17.06.1918

1. Urley Poubel Bastos, i.m.

Fernando José Bastos Lellis Rambaldi

Irene José Bastos

Anna Rambalde da Silva

2. Carmelita Gonçalves Thomaz

Neide José Bastos

Maria Aparecida Rambaldi da Silva

3. Marley Poubel Ruiz

Odete Bastos Rambaldi

José Maria Rambaldi

4. Domingos Poubel da Silva Sobrinho

Conceição do Muqui - ES, 17.08.1936

São João do Muqui - ES, 06.06.1933

Conceição do Muqui - ES, 21.06.1938

Conceição do Muqui - ES, 03.08.1941

Dalva Conceição Vianna Bastos, i.m. Rio de Janeiro - RJ, 10.09.1936

José Thomaz, i.m. Cachoeiro de Itapemirim - ES, 19.03.1934

Eromyr Mendes Ruiz Cachoeiro de Itapemirim - ES, 12.06.1937

Margarida Frechiani Poubel Santa Tereza - ES, 15.03.1941

1.1 Urley Vianna Poubel Bastos, i.m. São Paulo - SP, 11.09.1961 (1º neto)

2.1 Eduardo Gonçalves Thomaz Colatina - ES, 13.10.1963 Tânia Lucia de Oliveira Thomaz Belo Horizonte - MG, 02.09.1968 2.1.1 Eduardo Henrique Gonçalves Thomaz de Oliveira, Belo Horizonte - MG, 29.03.1989 2.1.2 Tiago Gonçalves Thomaz de Oliveira Belo Horizonte - MG, 22.06.1994

3.1 Marcos Poubel Ruiz Colatina - ES, 12.01.1962 Maria Márcia Ker Albuquerque Ruiz Manhumirim - MG, 15.09.1960 3.1.1 Lara Albuquerque Ruiz Manhumirim - MG, 03.05.1995 3.1.2 Bianca Albuquerque Ruiz Manhumirim - MG, 03.08.1998

1.2 Ana Cristina Poubel Bastos Rosa Rio de Janeiro - RJ, 20.06.1965 Arlon Bastos Rosa Colatina - ES, 24.12.1961 1.2.1 Ana Carolina Poubel Bastos Rosa Colatina - ES, 08.08.1987 1.2.2 André Luiz Poubel Bastos Rosa Colatina - ES, 14.01.1990

2.2 Elizabeth Gonçalves Thomaz Ferreira Ipatinga - MG, 10.06.1965 José Ferreira Rodrigues Mantena - MG, 05.06.1960 2.2.1 Damaris Rebeca Thomaz Rodrigues São Paulo - SP, 09.04.1989 2.2.1.1 Ana Beatriz Thomaz Rodrigues São Paulo - SP, 04.11.2009 2.2.2 Jessi Thomaz Rodrigues São Paulo - SP, 17.10.1992 2.3 Edivaldo Gonçalves Thomaz Ipatinga - MG, 22.05.1966 Lucilene da Silva Thomaz Belo Horizonte - MG, 10.07.1974 2.3.1 Jonatan da Silva Thomaz, São Paulo - SP, 27.08.1992 Débora da Silva Thomaz, São Paulo - SP, 06.02.1991

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3.2 Sandra Helena Poubel Ruiz Colatina - ES, 23.09.1964 Newton Sanglard Filho Manhumirim - MG, 24.08.1961 3.2.1 Marina Poubel Ruiz Sanglard Manhumirim - MG, 07.08.2003 3.3 Adriana Poubel Ruiz Colatina - ES, 10.08.1972 3.4 Luciana Poubel Ruiz Manhuaçu - MG, 03.05.1975

4.1 Mariany Frechiani Poubel Duarte

Brasília - DF, 19.11.1963

Wagner Tadeu Duarte Rio de Janeiro - RJ, 02.10.1963 4.2 Jorge Ulysses Frechiani Poubel Brasília - DF, 26.12.1964 Marcia Therezinha Rocha Cunha Poubel Brasília - DF, 25.06.1966 4.2.1 Rodrigo Rocha Cunha Frechiani Poubel, Brasília - DF, 28.08.1993 4.2.2 Victor Rocha Cunha Frechiani Poubel, Brasília - DF, 01.09.1992 2.4 Domingos Gonçalves Thomaz Belo Horizonte - MG, 03.08.1967 2.4.1 Tainara Gonçalves da Silva Thomaz Belo Horizonte - MG, 05.01.2003 2.5 Lucia Gonçalves Thomaz de Oliveira Belo Horizonte - MG, 12.07.1968 Domingos Alves de Oliveira Teófilo Otoni - MG, 06.08.1959 2.5.1 Luana Carolina Thomaz de Oliveira São Paulo - SP, 16.10.1994 2.5.2 Fabiana Gonçalves Thomaz de Assis Belo Horizonte - MG, 08.08.1988 Enoque Freitas Belo Horizonte - MG, 26.02.1986 2.5.2.1 Melissa Thomaz Freitas Belo Horizonte - MG, 25.09.2010


Leonor Gomes da Silva e Francisco Rodrigues da Silva

Amélia Junger Poubel e Luiz Augusto Poubel

Domingos José da Silva e Antônia Junger Poubel da Silva

Francisco Poubel da Silva

Altivo Poubel da Silva

Mercírio Poubel da Silva

Luiz Poubel da Silva

João Poubel da Silva

Ulysses Poubel da Silva

Conceição do Muqui - ES, 17.05.1915

Jasson Poubel da Silva

Domingos Poubel da Silva

José Poubel da Silva

Licínia Poubel da Silva Ramalho

Geraldino Poubel da Silva

Adir Poubel de Castro

5. Ulysses Poubel de Bastos

6. Maria Antônia Poubel Pretti

7. Anna Maria Poubel Chieppe

8. Ana Lúcia Poubel Batal

Irany de Oliveira Poubel Presidente Bernardes - MG, 26.04.1950

João Luiz Pretti Itaçu - ES, 08.05.1937

Nilton Carlos Chieppe Colatina - ES, 04.02.1944

Claudio da Silva Batal Rio de janeiro, 05.09.1960

5.1 Raquel de Oliveira Poubel Brasília - DF, 16.03.1976

6.1 Luiz Antônio Pretti Colatina - ES, 06.06.1962 Ruslana Benetti Maia Pretti Colatina - ES, 25.08.1970 6.1.1 Lucas Maia Pretti Vitória - ES, 13.03.1996 6.1.2 João Pedro Maia Pretti Vitória - ES, 28.04.2000

7.1 Patricia Poubel Chieppe

8.1 Anna Claudia Poubel Batal Vitória - ES, 20.10.1993

Conceição do Muqui - ES, 21.04.1946

5.2 Rafael de Oliveira Poubel Brasília - DF, 27.01.1978

Conceição do Muqui - ES, 23.05.1943

6.2 Liemar José Pretti Colatina - ES, 29.06.1964 6.2.1 Marcos Pereira dos Santos Júnior Colatina - ES, 25.11.1985 6.2.2 Palloma Brunetti Pretti Colatina - ES, 08.10.1996 6.3 Luciene Maria Pretti Colatina - ES, 06.08.1967 Vander Luiz Falqueto (2º casamento) Afonso Cláudio - ES, 18.01.1966 6.3.1 Bharbara Pretti Dalla Bernardina Colatina - ES, 12.08.1994 6.3.2 Nicolas Pretti Dalla Bernardina Colatina - ES, 05.08.1996

Conceição do Muqui - ES, 18.12.1949

Vitória - ES, 15.01.1973

7.1.1 Vitor Chieppe Blauth Vitória - ES, 08.04.2002 7.1.2 Aline Chieppe Blauth Vitória - ES, 21.10.2003

Colatina - ES, 11.09.1960

8.2 Anna Luisa Poubel Batal Vitória - ES, 29.11.1997

7.2 Isabela Poubel Chieppe Vitória - ES, 18.03.1977 Lawrence Cunha Ramos Belo Horizonte - MG, 24.03.1975 7.2.1 Daniel Chieppe Ramos Vitória - ES, 28.04.2011 7.3 Clarice Poubel Chieppe Vitória - ES, 29.01.1978 7.4 Letícia Poubel Chieppe Vitória - ES, 13.09.1979

DE ONDE VIEMOS

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Este livro foi composto com a família tipográfica Minion Pro para textos e Cleanvertising para títulos. Tem tiragem inicial de 70 exemplares com miolo impresso em papel Alta Alvura 90gr/m2 e capa em papel Supremo 250gr/m2, na gráfica Imagem Digital. São Paulo, Dezembro de 2011.


De Onde Viemos: Bastos, Poubel, Rambaldi, Valim, Silva, Junger  

Fotobiografia da família Bastos Poubel

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