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Robustez na Floresta Tecnologias especializadas permitem operaçþes de colheita desafiadoras 1


Queridos amigos e leitores da B.Forest, E a movimentação do setor brasileiro de florestas plantadas não para! Ao mesmo tempo em que o mercado florestal mundial se prepara para o maior evento florestal global de 2018, a 4ª Expoforest, realizada em abril, o segmento continua dando sinais de grandes transformações por vir – de possíveis fusões de gigantes do setor a novas frentes de investimento no país. Para celebrar a versatilidade e o desenvolvimento do nosso setor florestal, a B.Forest preparou duas reportagens especiais para este mês de fevereiro que retratam bem o potencial econômico e a adaptabilidade do nosso país frente às novas realidades do mercado mundial. A primeira delas tem como foco a mecanização da colheita de madeira em áreas

Diretor de negócios da Malinovski

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inclinadas, apontando as novas tecnologias utilizadas pelas mais importantes empresas e os desafios remanescentes para sua maior difusão no país. A segunda, por sua vez, diz respeito ao cultivo emergente no Brasil de novas espécies no mercado de produtos madeireiros, como o mogno africano, o cedro australiano, a teca e o paricá. Ainda, o entrevistado destaque do mês é Heuzer Guimarães, novo diretor florestal da WestRock, cujas experiências e insights sobre as movimentações do setor fornecem reflexões importantes que você pode conferir lendo a entrevista na íntegra nas páginas a seguir.

saudações florestais!


EDIÇÃO 41 ANO VI | FEVEREIRO, 2018.

+55 (41) 3049-7888 Rua Prefeito Angelo Lopes, 1860 Hugo Lange - Curitiba (PR) – CEP:80040-252 www.malinovski.com.br comunicacao@malinovski.com.br

EXPEDIENTE Diretor Geral: Dr. Jorge R. Malinovski Diretor de Negócios: Dr. Rafael A. Malinovski. Diretor de Marketing: Dr. Ricardo A. Malinovski Editora: Giovana Massetto. Jornalista: Luciano Simão. Designer Responsável: Jessica Fonseca Vieira. Projeto Gráfico e Diagramação: Jessica Fonseca Vieira. Foto de capa: J de Souza. Revisão Técnica: Cassiano Schneider. Financeiro: Larissa Cruz Karas.

CONSELHO TÉCNICO Aires Galhardo, Diretor Executivo de Operações da Fibria; César Augusto Graeser, Diretor de Operações Florestais da Suzano; Edson Tadeu Iede, Chefe Geral da Embrapa Florestas; Germano Aguiar, Diretor Florestal da Eldorado Brasil; José Totti, Diretor Florestal da Klabin; Lonard dos Santos, Gerente de Vendas da Komatsu Forest; Marko Mattila, Diretor da Ponsse Latin America; Moacyr Fantini, Diretor Florestal da Veracel; Mário Sant’Anna Junior, Diretor da MPR3 Consultoria; Rodrigo Junqueira, Gerente de Vendas da John Deere.

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24 MOGNO, PARICÁ,

CEDRO E TECA

ESPÉCIES EM ASCENSÃO

07 ENTREVISTA A VISÃO DA EXPERIÊNCIA

14 colheita

inclinada

COLHEITA EM Áreas Declivosas

35 CONEXÃO

EXPOFOREST - Está chegando

- pALESTRANTES DOS EVENTOS TÉCNICOS: 18° sEMINÁRIO DE cOLHEITA E TRANSPORTE DE mADEIRA E 4° ENCONTRO DE SILVICULTURA

51 Análise

mercadológica indicadores macroeconômicos


67 VÍDEOS

58 ESPAÇO DAS

- Komatsu 875 escarificação de solo

ASSOCIAÇÕES

- Picador florestal Kesla C860T

- APRE lança Estudo Setorial

- Garra Florestal TMO FG 80R

Reflore/MS prepara - 6ª Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios

- Horizontal Grinder Peterson 2710D

60 NOTAS - WestRock assina acordo definitivo para aquisição da KapStone - Eldorado Brasil terá termelétrica com biomassa - Suzano conclui operação de aquisição da Mucuri Energética - Pesquisadores criam “supermadeira” mais resistente que aço - Possível fusão criaria novo gigante global no setor

70 aGENDA Destaque: Expoforest 2018


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E N TR E V I S TA

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V I S Ã O

D A

EXPERIÊNCIA Heuzer Guimarães di ret o r d e n e g ó ci o s f l o r e sta i s n a W e stRo c k 7


Heuzer Guimarães diretor de negócios florestais WestRock

E N TR E V I S TA

Heuzer Guimarães, diretor de negócios florestais na WestRock, é um profissional com uma ampla visão da realidade do setor florestal brasileiro. Com passagem nas áreas de melhoramento genético, gestão de operações e experiência com gestão de ativos florestais, Heuzer retorna à empresa em que trabalhou (então Rigesa) para assumir a direção de negócios florestais e levá-la a novos horizontes.

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Considerando a necessidade de absoluta clareza das demandas operacio-

Sua carreira teve início na área acadêmica, com mestrado e posteriormente como pesquisador na Rigesa (atual WestRock). Como se deu sua transição da área de pesquisa à gestão operacional?

nais e características requeridas tanto

Sim, iniciei minha carreira como pesquisador, atuando exclusivamente na área de minha especialização acadêmica, melhoramento genético florestal. Meu primeiro projeto profissional na empresa foi justamente formalizar o programa de melhoramento genético de Pinus taeda e Eucalyptus dunnii, bem como delinear suas estratégias curto, médio e longo prazos.

com profissionais que atuavam nestas

na produção de celulose quanto aquelas aplicadas ao mercado de madeira de alto valor agregado, felizmente fui orientado a me aproximar das áreas operacionais. O trabalho junto a esses campos me proporcionou, juntamente áreas, vislumbrar oportunidades de ampliação do retorno financeiro da Divisão Florestal através da aplicação dos princípios de uso múltiplo da floresta, segregando a floresta em toras para atendimento ao mercado de madeira serrada e diâmetros inferiores destinados à produção de celulose e papel.


Com o SAP implantado e com melhor experiência em processos econômicos, financeiros, gestão de materiais e recursos humanos, retornei para a Divisão Florestal assumindo sua gerência geral de operações florestais.

02 Durante sua experiência na gestão de ativos florestais, qual era sua visão do setor? Ao longo de minha atuação profissional na Rigesa, sempre estive muito voltado para demandas internas, restrito a mercados de interesse da empresa nas regiões norte de Santa Catarina

e Sul do estado do Paraná. Portanto, com uma visão limitada do Setor Florestal brasileiro como um todo. Os últimos dez anos, além de propiciarem vivência em outros segmentos do setor florestal, notadamente painéis de madeira, carvão e siderurgia, oportunizaram efetiva participação em projetos de investimento envolvendo desde a negociação de compra e venda de terra até análise de viabilidade de implantação de usinas termoelétricas. E N TR E V I S TA

Este trabalho de proximidade e efetiva integração entre pesquisa e produção proporcionou significativa evolução do retorno de investimentos da Divisão Florestal. A transição teve início quando a empresa decidiu implantar seu sistema de gestão integrado, promovendo a gestão integrada de todas as unidades do Brasil e do mundo. Para este projeto, objetivando maior exposição e conhecimento dos demais segmentos da empresa, fui convocado como um dos gestores responsáveis pela implantação deste sistema, deixando a área florestal até sua completa conclusão.

Este amplo espectro de atuação profissional proporcionou consistente atuação nas demais regiões de maior abrangência do Setor Florestal, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Adicionalmente, minha atuação em uma empresa que chegou ao Brasil como um fundo de investimento me ofereceu maior experiência internacional e possibilitou atuação efetiva em países como Colômbia.

03 Havia expectativa de retornar à gestão operacional? Na verdade, não estamos falando de retorno restrito à área operacional; eu retornei para a gestão de negócios florestais. Nessa gestão de negócios, incorporamos uma responsabilidade

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E N TR E V I S TA

muito mais ampla que a gestão operacional. Estamos falando de negócios que envolvem tanto demandas internas quanto oportunidades que a empresa tenha no setor florestal como um todo. A expectativa, na verdade, sempre existiu de retornar para o Sul. É minha casa profissional, onde me fiz profissional. Minha relação com a Rigesa na época foi muito forte, quase 20 anos de trabalho. Quando deixei a empresa, foi para viver novas experiências. As portas ficaram abertas para o meu retorno – tanto o meu desejo de um dia voltar quanto da empresa de me ter de volta. Felizmente, foi o que ocorreu no fim do ano passado.

04 Brevemente, você esteve à frente da sif (Sociedade de Investigações Florestais) de Viçosa. O que pode compartilhar de aprendizados dessa experiência? Presidir uma entidade como a SIF, vinculada a uma das maiores universidades da área agrária do mundo e que felizmente possui no seu quadro de associados as principais empresas florestais do Brasil, ofereceu a singular oportunidade de formar uma base crítica capaz de desenhar a visão ideal para o Setor Florestal do país. Durante nossa gestão, trabalhando com a Fun-

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dação Dom Cabral como facilitador, desenvolvemos um plano de reposicionamento da SIF. Este trabalho nos evidenciou quanto o setor florestal deixou de capitalizar em função da dificuldade de trabalhos efetivamente cooperativos, e quanto a atuação exclusivamente individual das empresas limitou nossos retornos técnicos e financeiros. Nos alarmou constatar que, ao longo de pelo menos três décadas, mesmos nos tornando exemplo de atuação sustentável, não fomos capazes de nos tornarmos reconhecidos pela sociedade como pilar de desenvolvimento econômico e social enquanto conservamos e preservamos recursos ambientais. O reposicionamento da SIF foi elaborado e esta nova visão desenvolvida com a participação das principais empresas do país. Ainda temos o compromisso de materializar grande parte dos movimentos indicados neste trabalho.

05 De volta à WestRock após tantos anos, como acredita que a região mudou? E a própria empresa? Eu voltei para uma outra empresa. Felizmente, houve uma evolução sem precedentes: hoje, apesar de a companhia anterior sempre ter sido


Nos últimos 10 anos, desde a crise de 2008, todas as regiões passaram por mudanças significativas. É uma mudança que está trazendo benefícios: temos algumas dificuldades, mas essas dificuldades têm promovido uma nova visão que faz com que o setor cresça. As próprias TIMOs são consequência dessa situação. Os novos entrantes, particularmente as TIMOs, e a reestruturação de grandes empresas nacionais e multinacionais trouxeram oportunidades de novos investimentos e profissionalização. O ponto principal de mudança na região nesse período é que tivemos um consistente ganho de profissionalização, com menor número de players, mas com uma visão de negócios e de gestão que oferece oportunidades muito superiores às que tínhamos no passado.

06 Conhecendo a Rigesa como era no passado e sabendo o que há de mais atual no mercado, o que você se propõe a fazer como prioridade na WestRock para evoluir? A prioridade é fazer com que a empresa seja cada vez mais demandada pelo mercado, oferecendo cada vez mais produtos diferenciados, como o fez até agora. É preciso que a capacidade de oferta desses produtos promova para a empresa um maior retorno, não exclusivamente financeiro, mas também em sustentabilidade, em desenvolvimento social na região, em conservação e preservação ambiental (tanto nas áreas em que atuamos quanto nas áreas em que temos influência direta).

E N TR E V I S TA

uma empresa de ponta no Brasil, eu retorno para uma empresa muito mais profissional, com conhecimento de mercado muito mais amplo, e com uma visão de país muito maior e mais aplicada, com profissionais que estão melhor preparados para viver as demandas que nós temos de curto, médio e longo prazo. Encontrei uma postura profissional muito mais efetiva.

Nossos produtos precisam ser reconhecidos pelo mercado como produtos de alta qualidade, mas com um processo realmente atraente para qualquer segmento. A grande prioridade é essa: fazer com que a WestRock amplie o reconhecimento já conquistado junto ao mercado como uma companhia de performance diferencial, em que seu retorno se alicerça em bases que promovem retornos para seus fornecedores, clientes e demais stakeholders.

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Estamos aqui para fazer com que a região cresça conosco.

07 Quais os maiores desafios para isso?

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É preciso conhecer e se aproximar ainda mais de nossos stakeholders, somos líder e esta realidade precisa gerar atuação cooperativa e posicionamento de facilitador. O Setor Florestal encara algumas dificuldades no Brasil que, em sua maioria não se aplicam aos demais segmentos do agronegócio, promovem dificuldades operacionais e agregam custos a cadeia de produção. Em conjunto com as entidades representativas do setor, precisamos trabalhar para quebrar paradigmas e consolidar o reconhecimento do setor de florestas plantadas como exemplo de cumprimento de legislação ambiental brasileira, capacidade de geração de retorno econômico e inclusão social.

08 No futuro próximo, o que espera do setor florestal brasileiro? É interessante, porque o mundo depende do Brasil em diversos aspectos. Falando exclusivamente em produtos florestais, existe uma dependência

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enorme de um país possui a maior produtividade florestal do mundo, com capacidade de suprimento de fíbra curta a partir de florestas com seis anos e fíbra longa aos 15 anos de florestas de; ou seja, a perspectiva que nós temos do setor florestal no Brasil é fantástica. Temos que assumir uma posição de liderança em oferta de produtos florestais no mundo, porque ninguém tem a capacidade que nós temos e ninguém construiu a estrutura que nós construímos para o setor florestal. As empresas florestais no Brasil desenvolveram programas de pesquisa e sistemas de gestão que realmente garantem que tenhamos a melhor madeira com o menor custo e com a máxima conservação e preservação ambiental. Não podemos perder isso! Muito pelo contrário: o futuro do nosso setor florestal é brilhante e não vejo como fugir disso. Evidentemente, temos situações que precisam ser resolvidas, temos grandes desafios assim como uma enorme capacidade de construção. Portanto, não podemos esperar menos que o pleno crescimento deste setor.


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COLHEITA EM ÁREAS DECLIVOSAS CO LH E I TA I N C LI N A DA

Produtores florestais brasileiros de regiões com topografia acidentada seguem se desenvolvendo para superar o desafio de viabilizar a colheita mecanizada de madeira em terrenos inclinados e irregulares. Apesar do desafio, com o auxílio de novas tecnologias, altamente especializadas, o futuro da colheita mecanizada em áreas declivosas parece cada vez mais próspero.

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colheita mecanizada de madeira em florestas plantadas é uma atividade comprovadamente estabelecida, seja com harvesters e forwarders no sistema CTL (cut-to-length), seja com feller bunchers e skidders no sistema full tree. Apesar disso, ainda existem diversos desafios para as empresas de base florestal que desejam mecanizar a colheita em áreas declivosas e/ou irregulares que vão desde a segurança dos operadores até os altos custos operacionais. Este não é um dilema exclusivamente brasileiro, e recebe especial

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atenção em países com terrenos majoritariamente acidentados no hemisfério Norte, onde são desenvolvidas as principais tecnologias. Apesar da expertise dessas nações, ainda há muito progresso pela frente; o pesquisador John Garland, consultor em engenharia florestal e professor emérito da Oregon State University, destaca os principais desafios para a SSL (Steep Slope Logging, ou colheita mecanizada em áreas inclinadas) a nível global:


Principais Desafios para Colheita Mecanizada em Áreas Inclinadas

»» Melhor documentação da redução dos riscos envolvidos e mitigação de novos desafios à segurança; »» Necessidade de estudos sobre os impactos de sistemas ancorado e não ancorados sobre operadores em questões de batimentos cardíacos, estresse, vibração e duração de turnos; »» Instituições de segurança locais e nacionais têm dificuldades em regulamentar a segurança dessas operações, e a existência de regras por si só não torna a operação segura; »» Alocação dos ganhos de produtividade aos operadores, prestadores de serviço e proprietários permanece incerta; »» Aceitação dos impactos ao solo em terrenos declivosos pelos proprietários e agências de regulamentação ambiental;

»» Necessidade de desenvolvimento de melhores práticas de operação para guiar o treinamento dos operadores e o recrutamento de operadores talentosos; »» Melhorias tecnológicas das operações de controle de guinchos, como confiabilidade e interações com o operador, além de maior ergonomia no assento e controles do operador;

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»» Custo dos equipamentos e de operação (manutenção) comparados aos ganhos em eficiência e segurança;

»» Interações do solo com a movimentação da máquina/estabilidade; »» Desenvolvimento de estratégias de planejamento mais específicas para colheita em áreas declivosas; »» Conexão entre equipamentos de colheita mecanizada com, por exemplo, tecnologias de vídeo em equipamentos como cabos aéreos; »» E outras necessidades tecnológicas, como a possibilidade de se controlar os equipamentos de colheita remotamente.

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No Brasil

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Altair Negrello Jr., gerente de produção de madeira da Klabin, fornece mais detalhes sobre o cenário no Brasil: “Os principais desafios para a mecanização da colheita em áreas inclinadas são: segurança dos operadores; custos operacionais, sempre mais altos nessas áreas visto que deve-se investir em equipamentos adequados, normalmente providos de cabos de aço e guinchos; e impactos ambientais, sendo fundamental minimizar eventuais distúrbios no solo e manter sua estabilidade”, explica. Ainda, o profissional relata que a operação em áreas acidentadas implica redução na produtividade das operações, maior consumo de combustível, maior desgaste de alguns componentes das máquinas e aumento de custos com estradas e transporte de madeira. Em condições de solos úmidos, cuidados adicionais são necessários, e a qualidade da água em pontos mais baixos também pode ser comprometida devido ao carreamento do solo caso não sejam tomados os devidos cuidados.

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“A prioridade é realizar a colheita com segurança, mas sem deixar de lado a produtividade, disponibilidade e baixo custo operacional. Já temos empresas rodando colheita operacional em até 40 graus no Brasil; em 2011, esse limite era de 25 a 27 graus. Esses últimos anos foram importantes para aprendermos junto com clientes sobre os desafios da colheita em áreas de declividade acentuada, mas com os processos robustos de segurança e excelentes profissionais da operação que essas empresas possuem, essa operação se mostrou muito segura”, corrobora Rodrigo Junqueira, gerente de vendas da divisão florestal da John Deere. Para Fernando Campos, gerente de vendas e marketing da Ponsse na América Latina, nos equipamentos utilizados (e acessórios como esteiras de tração, pneus adequados e guinchos de tração), os fatores de segurança estão relacionados à capacidade de frenagem, centro de gravidade, força de tração e nível mínimo de


diesel que evite entrada de ar no sistema. “Outros fatores importantes a serem considerados são o tipo de solo e condições climáticas, e há especial necessidade de se manter o foco no planejamento operacional, ligado diretamente aos resultados de produtividade e custos de operação”, relata.

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Além do planejamento, a disponibilidade de equipes treinadas para a operação em áreas declivosas é destacada como um dos desafios; além das operações propriamente ditas, o manuseio de cabos de aço e colocação de escoras exige treinamento e grande experiência por parte dos operadores. Neste contexto, o desenvolvimento de instrutores passa também a ser um importante passo a ser considerado.

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Tecnologias

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“Graças às atuais tecnologias, já é possível mecanizar a colheita em áreas declivosas na grande maioria das áreas plantadas. Os níveis de declividade operados atualmente estão na ordem dos 40 graus, com o auxílio de guinchos acoplados ou não as grandes máquinas como harvesters e forwarders”, comenta Marlos Schmidt, diretor da Tajfun no Brasil, empresa fabricante de uma linha completa de equipamentos para operações semi-mecanizadas (guinchos florestais, gruas e cabos aéreos). Para Marlos, a operação semi-mecanizada exige um número maior de pessoas envolvidas, acompanhadas de equipamento de menor porte, e se trata do uso de equipamentos que há alguns anos eram plenamente utilizados por todas as empresas florestais brasileiras antes da chegada das máquinas de grande porte. São, portanto, equipamentos de domínio da grande maioria das empresas com baixos níveis de investimento e baixos custos de manutenção. “Aliado a uma gestão eficiente, tornam-se um sistema

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de colheita eficiente e de baixo custo operacional. Ainda, temos focado esforços em desenvolver soluções tecnológicas como a coleta de dados de produtividade dos equipamentos com armazenamento em nuvem própria para posterior processamento”, frisa. Para equipamentos de grande porte e colheita totalmente mecanizada, existem diversas soluções em uso e desenvolvimento no setor. A Ponsse, por exemplo, aposta nos quatro modelos de harvester 8x8 e em duas opções de grua, paralela ou telescópica, sendo a telescópica apontada pela empresa como opção para operação em áreas declivosas, pois contribui muito com o baixo centro de gravidade e maior estabilidade do equipamento. “Além disso, desenvolvemos diversos opcionais para operação em área declivosa, tais como: nivelamento da base da grua (padrão no HV), nivelamento do assento (no caso do Scorpion cabine giratória e nivelante), bogies balanceados, maior força de tração, além da parceria exclusiva


com os guinchos Herzog”, detalha Fernando Campos.

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A John Deere, por sua vez, enfatiza a opção de guinchos auxiliares de tração instalados nas máquinas do sistema CTL. “O forwarder recebe ainda o nivelamento de grua, essencial em áreas íngremes, e a cabine com nivelamento e giro oferece ergonomia superior aos operadores. Esse mesmo guincho pode ser montado em um skidder, onde o operador do harvester controla o guincho e skidder por controle remoto de dentro da cabine do harvester”, diz Junqueira. Para as máquinas do sistema Full Tree já há opção para sair de fábrica com os links para ancoragem nos guinchos de grande porte, geralmente montado em um trator de esteira. O sistema de guincho sincronizado para os equipamentos CTL é a aposta atual da Klabin. “Nosso procedimento consiste em acoplar um guincho a alguns harvesters ou forwarders, ancorando-os nos pontos mais altos das áreas. Os guinchos são equipados com cabos de aço e acionados hidraulicamente, com sua velocidade sincronizada automaticamente com a velocidade da máquina; dessa forma o colaborador não precisa operar ou fazer ajustes durante o processo. Em breve, testaremos outro modelo com princípios semelhantes que serão utilizados nos equipamentos do sistema Full Tree”, destaca Altair Negrello Jr.

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Futuro

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Atualmente, pesquisas e testes em novas tecnologias para a colheita em áreas declivosas têm sido realizados em todo o mundo. O projeto do qual faz parte o pesquisador John Garland têm como foco desenvolver novas tecnologias para garantir maior segurança aos operadores, seja em máquinas de esteira ou de rodas, assim como equipamentos para colheita semi-mecanizada e modelos de estabilidade de solo. “Os obstáculos para a colheita mecanizada em áreas inclinadas serão superados, pois a segurança e a produtividade são motivadores poderosos. Ainda há uma necessidade de se estabelecer parâmetros para impactos ambientais, assim como lidar com novas questões ligadas à operação, como impacto ao operador, novos desafios de manutenção, melhoria nos sistemas de ancoragem e mecanismos de controle etc. Haverá muito a se

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aprender ao colaborar com pesquisadores e agências de regulação, e há um otimismo generalizado sobre esses novos sistemas no mercado”, pondera Garland. Para o gerente de produção de madeira da Klabin, os equipamentos receberão melhorias em um futuro próximo, porém a mudança mais significativa será em relação à operação remota das máquinas, utilizando câmeras e sem a presença de operadores em seu interior. “Essa tecnologia deverá reduzir significativamente os riscos de acidentes de trabalho, além de minimizar consideravelmente a possibilidade de erros e impactos ambientais”, salienta Altair. “Neste contexto, as empresas florestais e fabricantes deverão se especializar ainda mais nesse tipo de operação, com foco em máquinas tanto maiores quanto menores que as mais utilizadas hoje”, argumenta Junqueira, da John

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Deere. Para o profissional, existe bastante espaço no desbaste e corte raso de madeira pesada no Sul do país, e já há casos de operação de máquinas por controle remoto em situação extrema, onde existe alto risco ao operador. O próprio exemplo do guincho externo ou remoto poderia ser uma tendência, caso o mesmo se mostre mais eficiente.

“Os obstáculos para a colheita mecanizada em áreas inclinadas serão superados, pois a segurança e a produtividade são motivadores poderosos.”

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Marlos Schmidt, da Tajfun, ressalta que o futuro é agora. “A aplicação de equipamentos de grande porte, projetados para vencerem os acidentes topográficos, é capaz de mecanizar plenamente as áreas acidentadas, porém ainda inviáveis para os níveis de investimentos mais moderados. Trata-se de uma conta complexa e da gestão estratégica de cada empresa, porém há soluções tecnicamente possíveis. Em floresta com maior valor agregado, o uso de equipamentos como o helicóptero, futuramente, poderá ser plenamente viável”, conclui.


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M O G N O, PA R I C Á , C E D R O E T EC A

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ASCENSÃO Embora dominem o mercado nacional, os plantios de eucalipto e pinus não representam todo o potencial do setor brasileiro de florestas plantadas. Nossas condições edafoclimáticas particulares permitem o cultivo produtivo de muitas outras espécies, do mogno africano à teca – mercados que podem vir a apresentar grande ascensão no futuro do setor.

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Árvores de madeira nobre e/ ou de alta qualidade e beleza, espécies como o mogno africano, o cedro australiano, o paricá e a teca representam alternativas

cada vez mais viáveis aos produtores florestais que desejam investir em novos horizontes. Embora certos desafios básicos permaneçam, dificultando um cultivo mais difundido dessas espécies no país, o futuro dessas madeiras no mercado nacional e internacional é promissor. Graças ao associativismo, ao melhoramento genético e à inovação, esses empreendimentos devem se tornar cada vez mais rentáveis e comuns, aumentando a versatilidade do setor florestal brasileiro.

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cultivo de árvores exóticas no Brasil é o pilar do setor nacional de florestas plantadas: afinal, os dois gêneros mais cultivados no país – eucalipto e pinus – não são nativos, mas encontraram no território brasileiro condições edafoclimáticas ideais para obter altos índices de produtividade e competitividade. Hoje, produtores florestais brasileiros – de pequeno a grande porte – buscam outras formas de explorar o trunfo das boas condições naturais nacionais, introduzindo e desenvolvendo o cultivo de novas espécies exóticas – e algumas nativas – no país.

Este mês, a B.Forest conversou com especialistas em teca, mogno africano e cedro australiano, assim como da nativa paricá, para traçar um panorama desses mercados e seus desafios atuais no Brasil. Confira!

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MOGNO AFRICANO

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egundo Patricia Fonseca, diretora executiva da ABPMA (Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano), é complexo precificar ou mesmo definir o mercado nacional de mogno africano devido ao fato de que ainda não há quantidade significativa de madeira em idade de corte final nos plantios para oferecer ao mercado. Já há o aparecimento de madeira de desbaste, mas sem, é claro, o mesmo valor de venda de uma madeira de corte final. “Os desbastes com oito ou 10 anos tem nos surpreendido pela boa qualidade da madeira produzida e algumas vendas isoladas têm acontecido para distribuidoras madeireiras. Um dos objetivos e trabalhos da ABPMA é justamente formar este mercado nacional, pois o Brasil é grande consumidor de madeiras nobres”, relata Patricia. Ainda, a diretora da instituição explica que o mercado internacional de mogno africano é

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antigo e as cotações em dólares em euros podem ser facilmente consultadas no site da ITTO (International Tropical Timber Organization). Quanto aos desafios no país, Patricia destaca: “Precisamos de políticas públicas seguras para quem planta, investimentos em pesquisas para melhora das mudas, e primordialmente financiamentos. A grande maioria dos plantadores de mogno africano usou de recursos próprios, acreditando no negócio, e colocando capital de giro de seus negócios e poupanças, sem nenhuma ajuda das instituições financeiras”. Como forma de fomento, o Banco da Amazônia tem disponibilizado recursos para a região Norte pelo prazo de 10 anos, iniciativa válida mas que ainda não atingiria as expectativas de quem planta, seja pelo curto prazo do financiamento (aquém do prazo de colheita), quanto pela restrição da área de fomento, que não engloba outros Estados. Seria ideal,


portanto, que instituições como o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e outras conhecessem o valor desses empreendimentos para fornecer novas linhas de investimento aos produtores.

M O G N O, PA R I C Á , C E D R O E T EC A

De acordo com a ABPMA, o objetivo não é que este seja apenas mercado para mais uma madeira nobre, mas um mercado com abastecimento constante e duradouro: “Por isso, temos mostrado todas as vantagens do mogno africano para as indústrias civil e moveleira e para aqueles que estão interessados em plantar: a boa adaptação da espécie em solo brasileiro; fornecimento abundante em cinco a sete anos; madeira de alta produtividade, considerando-se o curto ciclo, de aproximadamente 18 anos, excelente tempo para colheita de madeira nobre; a quantidade de produção já existente no Brasil; e a organização e coalizão de todos os portes de produtores em uma Associação”.

Patricia Fonseca discorrerá sobre o mercado do mogno africano em sua palestra no 4º Encontro Brasileiro de Silvicultura. Saiba mais aqui .

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PARICÁ

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nica espécie nativa da lista, o paricá (Schizolobium amazonicum) é uma árvore de rápido crescimento, com madeira de elevada cotação no mercado interno e externo, ocorrendo naturalmente na região Amazônica. Devido ao crescimento rápido, o paricá é indicado para plantios comerciais, sistemas agroflorestais e reflorestamento de áreas degradadas, desenvolvendo-se com sucesso em formações homogêneas e consórcios. “O principal uso da madeira de paricá é a produção de lâminas para fabricação de chapas de compensado, sejam elas 100% paricá ou misto de paricá com pinus, por exemplo. Os consumidores são produtores de compensados. O grande diferencial dessa madeira para o processo é sua qualidade e seu rendimento na laminação. Por ser uma espécie com baixa densidade e desrama natural durante o seu ciclo, proporciona uma produção

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de capas excepcional com excelente qualidade”, elabora André Ferreira, gerente de planejamento e tecnologia da Amata, empresa que vem investindo no cultivo do paricá, com aproximadamente 4 mil hectares plantados no Pará próximos à comercialização. Segundo Ferreira, até o fim de 2016, o mercado de compensado de paricá (100% Paricá) estava todo concentrado no mercado interno e praticamente não havia exportação, pois os preços praticados não eram competitivos. De 2010 até o início de 2017, não se viu aumento real de preço no produto e, consequentemente, na madeira em tora. Contudo, desde 2017, observa-se uma tendência de mudança positiva, com as indústrias de compensado buscando novamente abertura de mercado para exportação, estimuladas pela queda do dólar e possíveis taxações sobre a China, por exemplo, que é uma das principais fornecedoras de compensa-


Quanto aos desafios do cultivo no Brasil, o profissional destaca a necessidade de melhoramento genético, que poderia auxiliar a compensar um segundo problema: o aproveitamento da

madeira no mercado. Hoje, para laminação de toras de paricá, o diâmetro mínimo aceito pelas indústrias é de 11-12 cm; diferentemente de eucalipto e pinus, o paricá não possui uma alternativa para aproveitamento da madeira fina. “Nas regiões onde estão concentrados os plantios, há muita oferta de madeira para energia e processo, inclusive com melhores características para este fim do que o paricá. Com isso, uma parte considerável da produção não é comercializável. Ganhos de produção através do melhoramento genético ajudariam a minimizar esse problema e reduziriam o custo em R$/m³ comercializável”, enfatiza Ferreira.

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do para os EUA. “Hoje, já vemos algumas indústrias importantes migrando 100% para exportação, aproveitando essa boa tendência. Sem dúvida, esse bom momento que vem se confirmando a cada dia está refletindo no mercado de toras. Em 2017, já começamos a ver, mesmo que ainda de forma inicial, mudanças positivas em preço e negociações em geral. No início de 2018, acredito que essa perspectiva se mantém”, analisa.


CEDRO AUSTRALIANO

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omo toda madeira tropical de alto valor originária de floresta plantada é novidade no país, o cedro australiano também teve que buscar seu lugar no mercado. Estamos hoje em fase avançada de prospecção do mesmo. O que todos sabem é que a madeira da espécie é estável, trabalhável, bonita, e deve ser destinada a produtos com maior valor agregado. O que nem todo mundo sabe é como fazer isso”, analisa Ricardo Vilela, presidente da ProCedro. Além das exigências de qualidade e rastreabilidade dos clientes internacionais, explica Vilela, existem questões locais como a deficiência de infraestrutura, que gera atrasos e, consequentemente, aumento de custos. Há também o desafio da escala de produção e a continuidade de fornecimento. “O mercado brasileiro é enorme e é possível focar as vendas nele com sucesso. Apesar de

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uma crise econômica que mostrou toda a sua força, as perspectivas no longo prazo são encorajadoras; crescimento contínuo do consumo per capita de madeira sólida tropical e a improbabilidade de conseguirmos suprir essa demanda com madeira de floresta plantada”, relata. Segundo a ProCedro, a competição com a madeira nativa não tiraria a viabilidade econômica do negócio, pois o cedro australiano tem alta produtividade e os plantios estão mais próximos dos centros consumidores. O presidente da associação destaca três fatores principais para o sucesso da espécie no Brasil: a grande demanda reprimida por madeira tropical de alto valor, não proveniente de espécies nativas, que podem ter sido exploradas ilegalmente; espécies nativas similares que facilitam a penetração do cedro australiano no país; e os compradores já mapeados. “Há uma demanda mapeada para plantio de 6.000 hectares, apenas


das empresas que espontaneamente procuram uma alternativa para o cedro brasileiro”, frisa.

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A madeira de floresta nativa também é uma boa diretriz para a prospecção de clientes para o cedro australiano, sendo possível vender a madeira para consumidores de cedro rosa brasileiro (Cedrela fissilis). O uso para as duas espécies é similar e, de acordo com Vilela, a empresa que normalmente usa uma pode usar a outra, levando-se em conta que a madeira de nativa normalmente vem de plantas centenárias, o que não ocorre com florestas plantadas. Os desafios para uma maior difusão da espécie no Brasil são os mesmos de muitos empreendimentos na área: alto custo de produção, insegurança jurídica, encargos trabalhistas, escassez de mão de obra no campo, morosidade na resolução de questões ambientais, e outros.

Para mais informações, confira a palestra de Ricardo Vilela no 4º Encontro Brasileiro de Silvicultura.

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TECA

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riginária do sudeste asiático, a teca (Tectona grandis) é uma espécie que fornece madeira de características físico-mecânicas que podem substituir as madeiras nativas quando empregadas as tecnologias corretas no processamento. Há, contudo, uma grande diferença de valor entre a teca nativa (que podem ser colhidas com mais de meio século de idade) e a teca de florestas plantadas (colhidas com 20 anos de idade). “Para o mercado internacional, a teca é uma madeira bastante tradicional e conhecida por sua qualidade e beleza. Tem boa trababilidade e durabilidade, com bastante destaque no setor moveleiro e para uso externo em pisos, decks e na construção naval, em veleiros e embarcações de luxo”, aponta Fausto Takizawa, secretário-geral da Arefloresta e diretor de relações internacionais e pesquisa da TRC (Teak Resources Company) Agroflorestal. Atualmente, a produção bra-

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sileira de teca plantada está mais de 90% focada na exportação, sendo raro o plantio destinado ao mercado doméstico. O principal comprador de madeira de teca no mundo é a Índia, que absorve mais de 80% do volume, seguida de países do sul asiático como Tailândia, Indonésia, China e Vietnã. De acordo com Takizawa, o consumo internacional se mantém consistente em termos de preço e demanda. O foco na exportação faz com que o pequeno produtor precise estar próximo a outros plantios para facilitar o fluxo da madeira. Parte da madeira de menores dimensões e qualidade inferior é destinada ao mercado doméstico por duas razões: seu valor não justifica uma logística de exportação e o mercado brasileiro não pode pagar o valor que se paga no mercado internacional. Contudo, Takizawa ressalta que a madeira de teca tem encontrado um bom nicho ao substituir produtos madeireiros de espécies nativas.


Entre os desafios, destaca-se a questão cultural, pois a teca é uma árvore de longo tempo de maturação, levando no mínimo 20 anos para o corte final, embora haja a possibilidade de realizar diversos desbastes ao longo desse ciclo. “Outro desafio é a qualificação. “Hoje, se um produtor quiser plantar teca e necessitar de consultoria e conhecimento técnico de silvicultura, esse know-how está concentrado em poucas empresas; as universidades ainda têm pouco trabalho produzido a oferecer nesse ramo”, diz Takizawa.

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Em função das dificuldades, adequações ambientais necessárias e dúvidas quanto à legalidade da procedência da madeira nativa, a teca está sendo bem aceita no mercado como substituta para esse vácuo.


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E S TÁ C H E G A N D O ! Estamos a menos de 40 dias do maior evento florestal mundial de 2018, a 4ª Expoforest – Feira Florestal Brasileira, e o mercado global já está se preparando para a feira a pleno vapor. Com mais de 220 empresas confirmadas, estima-se que a Expoforest reunirá 30 mil visitantes ao longo dos três dias de feira.

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Expoforest é uma feira que nasceu do mercado, para o mercado. O evento foi concebido e idealizado pela Malinovski após sucessivos pedidos dos participantes de seu Seminário de Colheita e Transporte de Madeira (o mais tradicional evento técnico do setor) para que o Brasil tivesse uma feira florestal estática e dinâmica nos moldes dos grandes eventos mundiais, responsáveis pela movimentação do setor global e por fornecer inúmeras oportunidades de negócios aos visitantes e expositores. “Nos mais de 38 anos de eventos ininterruptos ligados à Colheita e ao Transporte de Madeira, sempre foi discutido entre os vários fabricantes e distribuidores de máquinas e equipamentos o sonho de se ter no Brasil uma feira que pudesse apresentar, de forma dinâmica, a tecnologia voltada para a produção de madeira proveniente de florestas plantadas”, explica Jorge R. Malinovski, diretor geral da Malinovski, empresa organizadora da Expoforest.

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A ideia encontrou respaldo no fato de que o Brasil já era – e continua sendo – referência mundial quando o assunto é floresta plantada, graças às nossas condições edafoclimáticas excepcionais, ciência genética avançada e tratos culturais em evolução constante. Neste contexto, a Expoforest – Feira Florestal Brasileira foi criada, planejada e executada, com sua primeira edição (ainda exclusivamente estática) sendo realizada em Curitiba (PR) em 2008 paralelamente ao Seminário e ao Encontro Brasileiro de Silvicultura, formando a 1ª Semana Florestal Brasileira. CO N E X ÃO E X P O F O R E S T

Com a segunda edição, em 2011, a Expoforest concretizou o sonho de uma feira florestal dinâmica realizada no Brasil para o mercado brasileiro, tornando-se o único evento do tipo na América Latina até então. Apresentando crescimento constante, a feira se tornou, com a edição de 2014, a maior feira florestal das Américas. As duas últimas edições da Expoforest (2011 e 2014) foram realizadas no município de Mogi Guaçu (SP), em áreas de plantio clonal de eucalipto pertencentes à International Paper, e superaram todas as expectativas de visitantes e expositores, colocando o Brasil em uma posição de destaque mundial. Hoje, como importante parte do calendário florestal mundial, a Expoforest conta com mais um atestado de relevância internacional na forma de sua participação na FDF (Forestry Demo Fairs), organização conselho que garante a qualidade e segurança das maiores feiras florestais dinâmicas do mundo. Neste grupo, a Expoforest representa o Brasil lado a lado

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Complementando a programação da 4ª Semana Florestal Brasileira, precedendo a Expoforest, os mais tradicionais eventos técnicos do setor florestal brasileiro ocorrem paralelamente em Ribeirão Preto, nos dias 09 e 10 de abril: o 18º Seminário de Colheita e Transporte de Madeira e o 4º Encontro Brasileiro de Silvicultura. Para fazer jus à história dos eventos e às altas expectativas do público esperado na 4ª Semana Florestal Brasileira, os eventos contarão com palestrantes brasileiros e estrangeiros altamente especializados, profissionais e acadêmicos de grande renome em seus respectivos campos de atuação.

Saiba mais sobre a programação do evento conferindo os perfis de nossos palestrantes abaixo e faça sua inscrição em expoforest.com.br/pt/seminario-de-colheita e https://expoforest.com.br/pt/encontrobrasileiro-de-silvicultura

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indicadores macroeconômicos Perspectivas Econômicas A N Á LI S E M E R C AO LÓ G I C A

O PIB nacional cresceu 1,04% em 2017 em relação a 2016, conforme estimativa inicial do BCB (Banco Central do Brasi), cujo dado oficial será anunciado ainda no 1º trimestre de 2018. Para o ano em curso, o BCB estima crescimento de 2,89% no PIB. Por sua vez, o FMI estima que a economia brasileira cresceu 1,1% em 2017 e projeta avanço de 1,9% para 2018.

Inflação O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de Jan/18 teve o resultado mais baixo para o mês de Janeiro desde a criação do Plano Real, atingindo +0,29%. No acumulado dos últimos doze meses, o

índice caiu para 2,86%, abaixo dos 2,95% registrados nos 12 meses anteriores. Entretanto, estima-se que o IPCA de 2018 irá alcançar 3,73% [Base FOCUS/BCB].

Taxa de Juros No início de Fev/18, o Copom (Comitê de Política Monetári) do BCB reduziu em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da economia (Selic), de 7,0% para 6,75% ao ano, nova mínima histórica desde o início do sistema de metas para a inflação (1999). O Copom informou que, dado o cenário atual, espera-se encerrar o ciclo de redução da Selic. O BCB estima permanência da taxa Selic em 6,75% até o final de 2018.

“O valor do ICI em cada período permite avaliar o grau de aquecimento da atividade industrial: quando o índice se encontra acima de 100, estará acima da média histórica do período 1996-2005, refletindo, portanto, satisfação do setor industrial com o estado dos negócios e/ou otimismo com o futuro. Analogamente, para valores abaixo desta referência, tem-se uma situação de insatisfação/pessimismo.” (FGV/IBRE, 2017)

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Taxa de Câmbio

Na percepção dos empresários da indústria sobre o cenário nacional, o ICI (Índice de Confiança da Indústria) permaneceu estável em Jan/18 (99,4 pontos), em relação a Dez/17 (maior nível desde Jan/2014 - 99,6 pontos) segundo a FGV (Fundação Getúlio Varga). Este é um sinal de melhoria das avaliações do setor sobre a situação atual e estabilidade do nível de utilização da capacidade instalada. Acima de 100 pontos, o Índice de Expectativas indica otimismo

A N Á LI S E M E R C AO LÓ G I C A

A taxa média cambial comercial encerrou Jan/18 em BRL 3,21/USD, com valorização de 2,43% do Real frente ao Dólar Americano em relação à média de Dez/17 (BRL 3,29/USD). A média cambial na 1ª quinzena de Fev/18 atingiu BRL 3,24/USD, com oscilação entre BRL 3,17/USD e BRL 3,28/USD. Apesar da alta volatilidade do câmbio, o BCB prevê taxa de BRL 3,30/USD no final de 2018.

quanto ao futuro próximo. Dados do IBGE relatam que a taxa de desemprego recuou para 11,8% em Dez/17, representando queda ante o trimestre anterior (12,4%). Entretanto, com taxa média de 12,7%, o desemprego atingiu o maior nível da série histórica. Por outro lado, em Jan/18, o IAEmp (Indicador Antecedente de Emprego) da FGV registrou alta e indicou retomada de geração de vagas formais, o que pode melhorar a taxa de desemprego em 2018.

“O valor do ICI em cada período permite avaliar o grau de aquecimento da atividade industrial: quando o índice se encontra acima de 100, estará acima da média histórica do período 1996-2005, refletindo, portanto, satisfação do setor industrial com o estado dos negócios e/ou otimismo com o futuro. Analogamente, para valores abaixo desta referência, tem-se uma situação de insatisfação/pessimismo.” (FGV/IBRE, 2017)

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ÍNDICE DE PREÇOS DE MADEIRA EM TORA NO BRASIL ÍNDICE DE PREÇO NOMINAL DE TORAS DE EUCALIPTO E PINUS NO BRASIL (BASE JAN-FEV/14 = 100)

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tora de eucalipto

tora de pinus

Nota sobre Sortimentos de Toras: Energia: < 8 cm; Celulose: 8-15 cm; Serraria: 15-25 cm; Laminação: 25-35 cm; e Laminação Especial: > 35 cm. Preços de madeira em tora R$/m³ em pé. Fonte: Banco de Dados STCP e Banco Central do Brasil (IPCA).

ÍNDICE DE PREÇO REAL DE TORAS DE EUCALIPTO E PINUS NO BRASIL (BASE JAN-FEV/14 = 100)

tora de eucalipto

tora de pinus

Nota de Sortimentos de Tora: Energia: < 8 cm; Celulose: 8-15 cm; Serraria: 16-25 cm; Laminação: 25-35 cm; e Laminação Especial: > 35 cm. Preços de madeira em tora R$/m³ em pé. Fonte: Banco de Dados STCP (atualização bimestral).

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Comentários - Tora de Eucalipto A demanda por tora de processo de eucalipto continua em baixa, pois persiste o excedente de oferta de tora fina de eucalipto principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Algumas empresas de celulose podem estar consumindo madeira de plantios próprios, enfraquecendo a demanda no mercado. Alguns produtores florestais relataram que as chuvas do período dificultaram a colheita da madeira, reduzindo os estoques disponíveis para venda. No entanto, a produção de celulose em Dez/17 registrou novo recorde mensal em 2017. Segundo a IBÁ (Indústria Brasileira de Árvore), em Dez/17 a produção nacional de celulose aumentou 9,0% em relação a Nov/17, atingindo 1,8 MM de ton. No Brasil, madeira de eucalipto respondem por cerca de 80% da produção

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mercado de produtos florestais tendências e perspectivas

de celulose e a totalidade da produção de celulose branqueada de folhosa. A indústria brasileira de aço continua a reagir positivamente. Segundo a JP Morgan, a demanda por aços longos e planos tem potencial para crescer acima do PIB em 2018. Segundo o Instituto Aço Brasil, as vendas de laminados pelas principais fabricantes do setor subiram cerca de 6,0% em 2017, para aproximadamente 10 milhões de toneladas, especificamente para laminados planos. Esta indústria consome o ferro gusa em seu processo, que por sua vez utiliza principalmente o eucalipto como biorredutor. Com isso existe a perspectiva no médio prazo de aumento no consumo de madeira deste gênero para suprir esta indústria.

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Comentários - Tora de Pinus A oferta de lenha de pinus continua alta enquanto o consumo tem se mantido estável em algumas áreas da região Sul, o que tem mantido os preços de lenha estáveis ou em declínio.

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A estimativa da safra agrícola do IBGE para 2018 é atingir 226,1 milhões ton, 6,0% abaixo da safra de 2017. Apesar da queda, a estimativa é a segunda maior da série histórica iniciada em 1975. Com isso, estima-se demanda elevada por lenha de espécies plantadas (pinus e eucalipto) para a secagem de grãos (com início a partir de Fev/18). A oferta de tora de pinus para processo industrial permanece alta, dificultando reajuste de preço. Alguns produtores florestais têm optado por não comercializar este sortimento, enquanto o preço não aumentar. Em regiões com excesso na oferta, e sem um mercado consumidor ativo dentro de raio econômico dos plantios, a madeira de processo tem sido vendida a preço abaixo dos custos da operação de colheita ou ficado no campo. Para toras acima de 18 cm, há a perspectiva de reação, ainda que gradual nos preços nos próximos meses devido

à redução da já baixa oferta deste sortimento, potencializada pelo período prolongado de chuvas. Algumas empresas relataram aquecimento na demanda por toras grossas, o que poderá afetar o preço de equilíbrio para este sortimento. Observa-se expectativa de retomada da construção civil no Brasil em 2018, relacionada à queda na taxa de juros do país, recuperação gradativa da economia, melhorias na captação de crédito e aumento do emprego. Apesar dos resultados do setor em 2017 (retração de 6%, segundo a CBIC), a indústria da construção está otimista para 2018. O ICST (Índice de Confiança da Construçã) do país teve alta de 1,5 ponto percentual em Jan/18 e chegou a 82,6 pontos, maior patamar desde Jan/15, indicando retomada gradual da atividade, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Se esta recuperação do setor ocorrer, o consumo interno e os preços de insumos como madeira serrada, molduras, janelas e portas poderão ser impulsionados no médio prazo. Estes segmentos consomem toras médias-grossas, que também poderão ter seus preços reajustados se o aumento da demanda interna for confirmado.

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AN ÁLIS E MERCAOLÓGICA

APRE lança Estudo Setorial o último dia 21, em evento realizado na FIEP, a APRE (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal) lançou oficialmente seu primeiro Estudo Setorial, que traz um panorama do segmento no Brasil e no Paraná e a expansão alcançada nas áreas com florestas plantadas, bem como na produção e consumo de produtos florestais, atendendo à crescente demanda mundial.

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maior produtor de eucalipto. Na classificação geral com florestas plantadas, o Estado situa-se na terceira posição nacional, atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo. São 967 mil hectares plantados – 70% pinus e 30% eucalipto. Nos últimos anos, a área de florestas plantadas de pinus tem apresentado estabilidade, enquanto os plantios florestais de eucalipto apresentaram um crescimento na ordem de 9,2%.

A publicação mostra, entre outros dados, que no Brasil, país com um alto potencial florestal, a área plantada na última década foi bastante ampliada, principalmente com espécies de eucalipto. Hoje, são pouco mais de 7,84 milhões de hectares plantados, sendo 72% de florestas de eucalipto, 20% de florestas de pinus e 8% de florestas de outras espécies, conforme dados apresentados pela Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) para 2016.

“O Estudo Setorial apresenta o panorama de um segmento pujante e com excelentes perspectivas de futuro. O documento retrata a força de um setor produtivo que soube se reinventar ao longo do tempo, agregando tecnologia, precisão, pesquisa e desenvolvimento a todas as etapas do negócio florestal. Estamos diante de uma primeira publicação robusta e dedicada ao Paraná, repleta de conteúdos que servirão para tornar pública toda a grandeza do setor para a sociedade”, destaca o presidente da APRE, Álvaro Scheffer Junior.

Nesse cenário, um dos principais Estados é o Paraná, que detém a maior área plantada com pinus do país e é o sexto

Para fazer o download do Estudo Setorial da APRE, clique aqui

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Reflore/MS prepara 6ª Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios

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o último dia 19, Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas) deu início aos preparativos da 6ª Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios, em reunião com os integrantes do seu Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate a Incêndios. O encontro ocorreu em Três Lagoas (MS). Como relata o próprio nome da iniciativa, esta é a sexta edição da campanha que visa alertar produtores quanto aos riscos dos incêndios florestais e fornecer conhecimento e métodos de prevenção e combate ao fogo quando necessário.

De acordo com o diretor-executivo da entidade, Dito Mário, a reunião buscou definir o tema, as ações que serão realizadas e os materiais publicitários utilizados na campanha. A iniciativa, que já se tornou referência no Estado, também busca alertar e conscientizar a população sul-mato-grossense sobre os danos ambientais, sociais e econômicos que os incêndios podem causar, além de orientar sobre formas de prevenção e combate de queimadas. Segundo a Reflore/MS, a associação prevê o início efetivo da campanha para o mês de abril.

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NOTAS

WestRock assina acordo definitivo para aquisição da KapStone

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WestRock e KapStone Paper and Packaging Corporation anunciaram a assinatura, no fim de janeiro, de acordo definitivo que prevê, por parte da WestRock, a aquisição de todas as ações emitidas pela KapStone, ao preço de 35 dólares por ação. Fundada em 2005 e com sede em Northbrook (Illinois - EUA), a KapStone é líder na América do Norte na produção de papel kraft e miolo especiais, papelão ondulado, entre outros. A KapStone também é proprietária da Victory Packaging, empresa de distribuição com unidades nos Estados Unidos, Canadá e México. “KapStone se encaixa muito bem aos negócios WestRock. Seus negócios complementares de papelão ondulado e op-

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erações de distribuição fortalecerão a habilidade WestRock em servir clientes, particularmente no oeste dos Estados Unidos. Além disso, seus papéis kraft e miolo especializados que não produzimos fortalecem nosso portfólio de soluções em papéis e embalagens” comentou Steve Voorhees, CEO WestRock. Com cerca de 6.200 empregados, a KapStone opera com quatro fábricas de papel, 22 plantas de embalagens e mais de 65 armazéns e centros de distribuição. A transação está sujeita às condições habituais de negociação com o final do processo de aquisição previsto para setembro de 2018.


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NOTAS

Eldorado Brasil terá termelétrica com biomassa

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epois de o projeto da Usina Termelétrica Onça Pintada, localizada em Selvíria (MS), a 400 km da capital Campo Grande, receber licença prévia para realizar estudos de implantação, a Eldorado Brasil, poderá dar continuidade aos planos de construir uma usina termelétrica com biomassa de eucalipto. O empreendimento da Eldorado Brasil resulta do sucesso da empresa no último leilão de energia. De acordo com a SEMAGRO (Secretária de Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), o valor investido no empreendimento foi de R$ 320 milhões. Segundo o projeto, a usina deve começar a operar em 2021.

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O projeto da Eldorado tem o objetivo de dar um uso alternativo à madeira, diversificando os resíduos florestais utilizados e gerando energia limpa e renovável com biomassa proveniente de florestas plantadas de eucalipto. Ademais, a Eldorado Brasil também tem planos em andamento para instalar outras duas termelétricas no país, Tuiuiú e Sucuri, cada uma com capacidade instalada para gerar 50 MW. Contudo, para que os planos venham a ser executados, a empresa ainda precisa arrebatar os futuros leilões relacionados aos projetos.


NOTAS

Suzano conclui operação de aquisição da Mucuri Energética

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m razão da implementação de condições precedentes e da aprovação por parte das autoridades governamentais, inclusive da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), a Suzano Papel e Celulose adquiriu a totalidade das ações emitidas pela Mucuri Energética S.A., empresa detentora da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Mucuri.

Na mesma transação, foi informada a intenção de adquirir a PCH Mucuri, operação então sujeita a questões contratuais e legais, incluindo a anuência da ANEEL. A PCH Mucuri tem 19 MW de capacidade instalada e está localizada no Rio Mucuri, entre os municípios de Pavão e Carlos Chagas, em Minas Gerais.

A intenção de adquirir o ativo foi divulgada inicialmente em outubro de 2016, quando a Suzano comunicou ao mercado a compra de 75 mil hectares de terras nos Estados do Maranhão e de Tocantins.

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NOTAS

Pesquisadores criam “supermadeira” mais resistente que aço

U

m novo estudo publicado na edição de fevereiro da revista Nature (uma das publicações científicas de maior prestígio no mundo) aponta para o desenvolvimento de um produto surpreendente: uma madeira 10 vezes mais resistente e quase 12 vezes mais forte que a natural, podendo possivelmente substituir até mesmo o aço. Criada por engenheiros pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, a chamada “supermadeira”, além de alegadamente mais forte que o aço, é seis vezes menos densa que a madeira na-

tural, necessitando de 10 vezes mais energia para sofrer fraturas. De acordo com os pesquisadores, acredita-se que a descoberta poderá se tornar um concorrente direto do aço e outras ligas, com a vantagem de custos menores. Os engenheiros realizaram diversos testes de resistência com o material e estão direcionando estudos para determinar novos possíveis uso para a tecnologia.

Para mais informações, confira o artigo da Nature, disponível no original em inglês em www.nature.com/articles/d41586-018-01600-6

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NOTAS

Possível fusão criaria novo gigante global no setor

A

movimentação causada no setor florestal após a entrada da multinacional Paper Excellence no país, com a aquisição da Eldorado Brasil, segue estimulando a busca por novas possibilidades de competição nas grandes empresas do segmento no país. De acordo com reportagem publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, duas gigantes do setor de papel e celulose, Fibria e Suzano, estudam a possibilidade e viabilidade de combinação de ativos ou aquisição. Segundo as fontes do jornal, as conversas estão em andamento, mas ainda não haveria uma proposta oficial de nenhuma das partes. Caso venha a se confirmar, a

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notícia poderia significar a criação de um novo gigante global no setor de papel e celulose, uma vez que as empresas são líderes de mercado no país. Atualmente, a Fibria tem entre seus acionistas o grupo Votorantim e o BNDESPar. As negociações teriam de ser submetidas a ambos, que fazem parte do bloco de controle da Fibria. Com faturamento de R$ 11,7 bilhões em 2017, a Fibria é avaliada em R$ 29,7 bilhões no mercado. Por sua vez, em 2017, a Suzano teve receita líquida de R$ 10,5 bilhões de 2017, com valor de mercado estimado em R$22,15 bilhões.


V Í D EO S

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V Ă? D EO S

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AGENDA

2018

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Março

06 20 20 26

The Work Truck Show Quando: 06, 07, 08 e 09 | Onde: Indianópolis - Indiana - Estadis Unidos Info: http://www.worktruckshow.com | info@ntea.com

Montreal Wood Convention Quando: 20, 21 e 22 | Onde: Montreal - Quebec - Canadá Info: http://montrealwoodconvention.com

Expoagro Afubra Quando: 20, 21 e 22 | Onde: Rio Pardo - Rio Grande do Sul - Brasil Info: https://afubra.com.br/expoagro.html

XVI Encontro Brasileiro em Madeiras e Estruturas de Madeira Quando: 26, 27 e 28 | Onde: São Carlos - São Paulo - Brasil Info: http://www.set.eesc.usp.br/ebramem2018/?page_id=4

abril

09 09 70

18º Seminário Colheita e Transporte de Madeira Quando: 09 e 10 | Onde: Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil Info: http://expoforest.com.br/pt/xviii-seminario-de-atualizacao/

4º Encontro Brasileiro de Silvicultura Quando: 09 e 10 de abril | Onde: Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil Info: http://expoforest.com.br/pt/encontro-brasileiro-de-silvicultura/


abril

11 30

4ª Expoforest - Feira Florestal Brasileira Quando: 11, 12 e 13 | Onde: Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo - Brasil Info: http://expoforest.com.br/pt/

Agrishow Quando: 30 de abril a 4 de maio de 2018 | Onde: Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil Info: https://www.agrishow.com.br/pt/Home.html

maio

14 22

26th European Biomass Conference and Exhibition Quando: 14, 15, 16 e 17 | Onde: Copenhagem - Dinamarca Info: http://www.eubce.com/home.html | biomass.conference@etaflorence.it

EnerSolar + Brasil Quando: 22, 23 e 24 | Onde: São Paulo - São Paulo - Brasil Info: http://enersolarbrasil.com.br/16/quem-expoe/

Junho

20 21

Hortitec Quando: 20, 21 e 22 | Onde: Holambra - Próximo a Campinas - São Paulo Info: http://hortitec.com.br/

Euroforest Quando: 21, 22 e 23 | Onde: Borgonha - França Info: http://www.euroforest.fr/en

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Julho

18

Interforest Quando: 18, 19, 20, 21 e 22 | Onde: Munique - Alemanha Info: https://www.interforst.de/index-2.html

Agosto

14 21 27

IV CONEFLOR - Congresso Nordestino de Engenharia Florestal Quando: 14, 15, 16 e 17 | Onde: Mossoró - Rio Grande do Norte - Brasil Info: https://www.facebook.com/events/1635756620051111

Fenasucro & Agrocana Quando: 21, 22, 23 e 24 | Onde: Sertãozinho - São Paulo - Brasil Info: http://www.fenasucro.com.br/

Finnmekto Quando: 27 de agosto a 1 de setembro de 2018 | Onde: Jämsa - Finlândia Info: https://www.finnmetko.fi/pages/in-english/information-for-the-exhibitors.ph

OUTUBRO

03 72

St. Petersburg International Forestry Forum Quando: 03 e 04 |Onde: São Petersburgo - Rússia Info: https://www.eventseye.com/fairs/f-international-forestry-forum-13830-1.html


OUTUBRO

23

51º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel Quando: 23, 24 e 25 | Onde: São Paulo - São Paulo - Brasil Info: http://www.abtcp2018.org.br/

Novembro

05

The 5th IUFRO Conference on Forests and Water in a Changing Environment Quando: 05, 06, 07, 08 e 09 | Onde: Valdivia - Chile Info: https://www.iufro.org/download/file/27548/6130/valdivia18-ForestsandWater2018-1st-announcement_pdf/

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B. Forest | Edição 41  

B.Forest - Uma revista eletrônica do setor florestal | Edição 41 | ano 05 | Fevereiro de 2018

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