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CIDADE & REGIÃO

A6

FRASES DA SEMANA

Percebemos a insatisfação devido ao grande fluxo de veículo e, por isso, resolvemos fazer as obras

CORREIO DE UBERLÂNDIA • DOMINGO • 6/9/2009

JOÃO MARCOS COELHO | SUPERINTENDENTE DA INFRAERO

E-COMMERCE > SEGUNDO A E-BIT, 15,2 MILHÕES DE PESSOAS TIVERAM PELO MENOS UMA EXPERIÊNCIA DE COMPRA PELA INTERNET

Faturamento cresce 27% no 1º semestre

LYGIA CALIL | REPÓRTER lygia@correiodeuberlandia.com.br

A

facilidade de comprar pela internet, ao alcance do mouse, encanta cada vez mais pessoas no Brasil. A possibilidade de chegar até elas e se lançar em um mundo sem fronteiras é o que motiva empresários já consolidados ou novos empreendedores a abrir lojas virtuais. Em Uberlândia, o mercado segue a tendência mundial e várias empresas se aventuram nas páginas da rede mundial. Uma pesquisa divulgada no mês passado aponta o crescimento de 27% no faturamento do comércio eletrônico no primeiro semestre deste ano. Conforme o relatório, realizado pelo e-bit com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, as empresas virtuais faturaram R$ 4,8 bilhões nos seis primeiros meses deste ano. No mesmo período do ano passado, o valor foi de R$ 3,8 bilhões. “Tudo isso em meio à crise. Estes números repre-

PAULO AUGUSTO

sentam bem o potencial do comércio pela internet. É um mercado infinito, pois permite vender qualquer coisa para qualquer pessoa no mundo”, afirmou Wellington Borges, diretor de uma empresa de tecnologia em Uberlândia. Segundo o relatório, neste ano, 15,2 milhões de pessoas tiveram pelo menos uma experiência de compra pela internet. No meio do ano passado, eram 11,5 milhões de consumidores. O crescimento dá margem à expectativa de ultrapassar os R$ 10 bilhões em negócios virtuais até o fim do ano no País. Na avaliação de Efraim Sales Borges, que tem uma empresa de tecnologia em Uberlândia, há dois perfis de empresários na web: os que já estão consolidados e procuram mais um canal de relacionamento e os que apostam na internet para potencializar os negócios. “Percebo que Uberlândia está se posicionando neste mercado. Cada vez mais empresas procuram estar na internet, tanto as pequenas quanto as grandes”, disse.

FATURAMENTO DAS EMPRESAS VIRTUAIS FOI DE

R$ 4,8 BI

NOS SEIS PRIMEIROS MESES DE 2009

SEGUNDO Efraim Borges, cada vez mais empresas procuram estar na internet, tanto as pequenas quanto as grandes

GRUPO MARTINS

SITE TEM MAIS DE 3 MIL ITENS O diretor de novos negócios do grupo Martins, Juarez Alves de Carvalho, afirmou que o grupo aposta e investe no comércio eletrônico por meio do site de varejo eFácil (www.efacil.com.br), mantido desde 2000. Reformulada em 2006, a loja virtual começou a mostrar resultados em 2007 e, desde então, o faturamento cresceu cerca de dez vezes. “Na nossa missão de integrar produção e consumo, identificamos que a internet já é e será cada vez mais um canal para o consumo. Nas pesquisas, somos classificados sempre entre os seis principais sites no segmento em que atuamos”, disse.

O site oferece cerca de 3 mil itens, com foco em eletrodomésticos, eletroportáteis e eletrônicos. De acordo com o executivo, o perfil do consumidor do site é parecido com os e-consumidores de toda a internet. A maioria dos compradores está na região Sudeste e o Triângulo Mineiro é um importante mercado, pois o grupo tem uma vantagem em relação aos outros sites: a estrutura logística presente em Uberlândia. “Se outros sites demoram em média de uma semana a dez dias para entregar os pedidos, nós gastamos um, no máximo dois dias. É nossa vantagem competitiva”, disse.

LEGISLAÇÃO

USO DA INTERNET É SEGURO De acordo com a advogada Laine Souza, especialista em direito da informática e telecomunicações, fazer compras pela internet é tão seguro quanto em lojas comuns. “Às vezes, é mais seguro usar o cartão na internet do que nas lojas, pois não há o contato com o funcionário que pode clonar o cartão”, disse. O banco de dados armazenado pelo site é um bom indicador do nível de segurança. Se guardar, por exemplo, números de cartão de crédito, desconfie – a loja é um alvo potencial de ataque de hackers em busca destes

PROCON

E-COMMERCE

dados e terá que oferecer mecanismos de segurança muito maiores do que as que não têm estes números no banco de dados. Outra estratégia é procurar por sites como o Reclame Aqui (www. reclameaqui.com.br), que registra reclamações de usuários. O mito de que tudo que está na internet não é protegido por leis é combatido pela advogada. Segundo ela, a legislação que vale para qualquer transação comercial também é válida no ambiente online. “As empresas são responsáveis pelo que vendem”, disse Laine Souza.

CRESCIMENTO NO BRASIL 1º SEMESTRE DE 2008

1º SEMESTRE DE 2009

R$ 3,8 bilhões R$ 4,8 bilhões OS 5 MAIS PRODUTOS MAIS VENDIDOS 1º

Livros e assinaturas de revistas e jornais

Saúde, beleza e medicamentos

Informática

Eletrodomésticos

Eletrônicos Fonte – 20º relatório WebShoppers, e-bit Informação

CUIDADOS ANTES DA COMPRA !

Não visite sites sugeridos em mensagens não solicitadas (Spam)

!

Compre apenas de empresas online confiáveis e reconhecidas no mercado

!

Visite sites como Buscape (www.buscape.com.br), Bondfaro (www.bondfaro.com.br) e Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br)

!

Leia a política de privacidade do site

!

Desconfie ao se deparar com muitos itens difíceis de serem encontrados em um mesmo site ou com preços muito abaixo dos praticados no mercado

DURANTE A COMPRA !

Use seu próprio computador

!

Registre todas as etapas do processo de compra, imprima as páginas ou salve em arquivo de imagem

APÓS A COMPRA !

Verifique o extrato do cartão de crédito

!

Acompanhe a entrega do produto

!

Não apague os registros de sua compra

!

Se você for vítima de golpe, registre sua reclamação em sites especializados

CONSUMIDORES RECLAMAM As reclamações de usuários de lojas virtuais e internet banking no Procon de Uberlândia saltaram de 91, em 2008, para 161 até agosto deste ano — um aumento de mais de 95%. Segundo o superintendente do órgão, Franco Cristiano Alves, as reclamações aumentam conforme o uso do e-commerce se dissemina. De acordo com ele, os sites de leilão são os mais problemáticos, já que não se responsabilizam pelas negociações. “Há casos no Brasil de pessoas que receberam pedras pelos Correios, no lu-

gar dos produtos pelos quais elas pagaram. Por mais que os sites digam que não têm responsabilidade sobre o negócio, eles respondem judicialmente, sim, pelos prejuízos do consumidor”, afirmou. Caso o consumidor se sinta prejudicado, pode procurar o Procon da cidade onde mora. “As lojas virtuais são tão seguras quanto as lojas comuns, desde que se tenha cuidado. O problema é a desinformação. Nem o consumidor nem as empresas conhecem os seus direitos e suas obrigações”, disse Franco.

EMPRESAS

COMODIDADE AOS CLIENTES O serviço online de venda de passagens de ônibus é feito pela Nacional Expresso (www.nacionalexpresso. com.br) há dois anos. Hoje, 12% das vendas da empresa são realizadas pela internet. Na avaliação do supervisor-comercial da empresa, Sérgio Silveira, a maior vantagem das vendas pela internet é a comodidade oferecida ao consumidor. O site oferece outros serviços para os e-consumidores, como o cancelamento de viagens e troca de passageiro por e-mail e, nas épocas de maior movimento, há um guichê específico para quem comprou via internet, para retirar a passagem, sem fila. “A tendência é investir cada

vez mais neste meio”, disse. Já o empresário Diomescley Nunes destacou as vantagens para o comerciante que oferece seus produtos na rede. Ele adquiriu uma loja virtual de produtos médicos e a implementou com produtos como livros e tratados nacionais e internacionais direcionados para estudantes e profissionais da área da saúde. Ele é dono da Livraria Virtual (www.lojamais.com. br) há sete meses. “Mantenho um escritório administrativo para regular as negociações, como a importação de mercadorias. Para o site, basta uma pessoa para fazer tudo. É muito mais vantajoso do que ter uma loja aberta ao público”, afirmou.


CORREIO DE UBERLÂNDIA | TERÇA-FEIRA, 7/4/2009

ECONOMIA | A5

PÁSCOA

PESQUISA

Diferença de preços de chocolate chega a 64,5%

Inadimplência cresce na renda mais baixa

BEO OLIVEIRA

Segundo o Procon, pesquisa ainda é a melhor maneira de fazer economia LYGIA CALIL [REPÓRTER] lygia@correiodeuberlandia.com.br

Com a proximidade da Páscoa, a venda de ovos de chocolate se intensifica. Para ajudar o consumidor a economizar na compra, a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Uberlândia divulgou uma pesquisa com 84 marcas em seis estabelecimentos da cidade. A maior variação chegou a 64,5%, no ovo de 235g Confeti Mix, da Lacta, à venda de R$ 16,40 a R$ 26,99 (veja preços e variações nesta página). O levantamento do Procon não substitui a pesquisa feita pelo consumidor, já que promoções podem ser realizadas ao longo desta semana por lojas que ainda tenham estoque elevado. A principal dica do Procon é, ao pesquisar, determinar a compra pelo peso e não pelo número, já que os fabricantes têm numerações distintas entre si. Outra dica é não levar as crianças durante as compras. Segundo o superintendente do Procon, Franco Cristiano Alves, as fábricas usam artifícios como embalagens em motivos de personagens e brinquedos de ‘brinde’ e cobram mais caro por isso. Um exemplo é o ovo de 240g Clássico ao leite, da Lacta, à venda, em média, por R$ 19,90. O chocolate é o mesmo utilizado nos ovos Batman e Meninas Superpoderosas, que pesam 60g a menos e custam, em média, R$ 5,50 a mais – um aumento de 27,6%. “Os fabricantes aproveitam a falta de critério de julgamento das crianças. O preço dos ovos infantis não compensa, porque a diferença entre eles e os ovos tradicionais é muito maior que o valor do brinquedo, que geralmente é um brinde barato e não durável”, afirmou. Os modelos de formatos diferentes também costumam ser mais caros. De acordo com Franco Alves, é melhor procurar lojas mais populares, que costumam ter preços mais baixos e oferecer mais promoções. “A melhor opção para pagar mais barato ainda é gastar a sola do sapato pesquisando e fazendo contas.”

NAS LOJAS, variedade de ovos de chocolate e de preços requer atenção na hora da compra

AGRADO

Consumidora vai gastar até R$ 150 com ovos A dona de casa Dirce Morais das Graças começou ontem a pesquisar preços de ovos de páscoa. Ela pretende ir a quatro lojas, até amanhã, para comprar cinco ovos para os netos. “São eles que escolhem e são muito exigentes. Cada um quer uma marca, de um tamanho e com um brinquedo diferente. E avó tem que fazer as vontades. Ainda bem

que Páscoa é só uma vez por ano”, disse. Ela acredita que vá gastar de R$ 100 a R$ 150 para satisfazer o desejo dos netos. Quem também quer agradar aos netos é o aposentado Vicente Alves Souza, que pretende gastar até R$ 200 para comprar sete ovos. “Tenho que andar muito ainda. Vou a todos os lugares que puder, porque

PREÇOS

Ovos de páscoa - número 15 Peso (g)

Menor preço (R$)

Loja

Maior preço (R$)

Loja

Variação (%)

Atlético Mineiro/Arcor

230

15,90

Carrefour

19,99

Leal

25,72

Futebol pele verde/Arcor

230

15,90

Carrefour

17,90

Bretas

12,58

Malhação crocante/Arcor

220

15,90

Bretas

17,90

Carrefour

12,58

Baton branco/Garoto

180

16,90

Bretas

18,99

Casa das Balas

12,37

Max steel/Garoto

190

17,29

Bretas

19,99

Casa das Balas

15,62

Polly/Garoto

180

15,99

Extra

20,90

Bretas

30,71

Serenata de amor/Garoto

240

16,70

Extra

18,90

Carrefour

13,17

Bis laka/Lacta

240

16,90

Carrefour

26,99

Leal

59,70

Diamante negro/Lacta

215

16,90

Carrefour

23,90

D’Ville

41,42

Barbie/Lacta

170

18,45

Bretas

25,90

D’Ville

40,38

Confeti Mix/Lacta

235

16,40

Carrefour

26,99

Leal

64,57

Chokito/Nestlé

240

17,90

Carrefour

21,99

Casa das B.

22,85

Clássico ao leite/Nestlé

240

17,90

Carrefour

21,99

Casa das Balas

22,85

Surpresa Batman/Nestlé

180

21,90

Extra

28,98

Leal

32,33

Ovo/fabricante

Pesquisa realizada pelo Procon de 26 a 31/03/2009. A lista completa pode ser acessada em http://www3.uberlandia.mg.gov.br/midia/documentos/procon/PESQUISA_OVOS_DE_PASCOA_2009.xls

INDÚSTRIA

Produção cresce em 9 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que a produção industrial cresceu em 9 das 14 regiões pesquisadas em fevereiro em relação a janeiro. As principais expansões nessa base de comparação ocorreram na Bahia (13,7%), Espírito Santo (8,3%), Minas Gerais (5,7%), Paraná (5,7%) e região Nordeste (4,1%). Todos esses locais superaram a média nacional da indústria no período (1,8%). Os resultados regionais da evolução da produção industrial em fevereiro mostram o forte peso que os segmentos de metalurgia básica e mineração tiveram na derrocada de algumas regiões em fevereiro, segundo a economista da coordenação de indústria do instituto, Isabella Nunes. Outros locais com taxa positiva na comparação com janeiro foram

o preço está alto e há muita variação de uma loja para outra. Pesquisar compensa”, afirmou. A vendedora Letícia Aparecida Silva está em busca de um ovo para o irmão caçula. Ao ver os preços, ela se assustou. “Estes com brinquedo são muito caros. Melhor comprar um ovo comum e um dar brinquedinho separado”, disse.

Rio Grande do Sul (1,6%), Pará (0,9%), Ceará (0,8%) e São Paulo (0,5%). Do lado negativo ficaram Pernambuco (-5,6%), Santa Catarina (-4,6%), Amazonas (-2,2%), Rio de Janeiro (-1,7%) e Goiás (-0,5%). Mas, em relação a fevereiro do ano passado, houve crescimento apenas no Paraná. Nos outros 13 locais, todos mostraram quedas na produção nessa base de comparação. Entre as áreas com queda superior à da média nacional (-17,0%, segundo divulgou o IBGE na semana passada) estão Espírito Santo (-29,5%), Minas Gerais (-26,0%), Amazonas (-20,8%), Rio Grande do Sul (-20,5%), Santa Catarina (-19,8%), Pernambuco (-17,5%) e São Paulo (-17,5%). No acumulado do primeiro bimestre do ano, todas as regiões registraram queda na produção.

As famílias com renda de até três salários mínimos aumentaram sua participação no total de inadimplentes de 32%, em setembro de 2008, para 59%, em março deste ano, conforme mostrou pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para Marcel Solimeo, economista da ACSP, o quadro reflete o acesso de uma ampla parcela de consumidores de menor rendimento no mercado de crédito nos últimos anos. A pesquisa foi realizada junto a 703 consumidores que procuraram informações no Balcão de Atendimento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da entidade, que elabora o levantamento semestralmente. De acordo com o levantamento, a faixa com renda de três a quatro salários mínimos teve redução na participação do total de inadimplentes, no mesmo período em análise, de 27% para 17%. Já a faixa com quatro a cinco salários mínimos registrou queda de 18% para 13%; a faixa com cinco a sete salários mínimos de 10% para 6%; e as famílias com renda superior a sete salários mínimos tiveram diminuição de 13% para 5%.

A maior causa da inadimplência foi o desemprego do entrevistado ou de alguém da família, citado por 48% dos entrevistados. Em seguida, o descontrole dos gastos foi destacado por 12%. Solimeo destacou que a pesquisa ainda não reflete o recente aumento do desemprego, pois existe uma defasagem de alguns meses entre a obtenção do crédito e a inadimplência. O economista acredita que a próxima pesquisa, que será realizada em setembro, deve mostrar o efeito do aumento do desemprego observado a partir de dezembro sobre a solvência dos consumidores. Solimeo destacou que entre 2006 e 2008 cerca de 20 milhões de CPFs foram consultados pela primeira vez, de acordo com os dados do SCPC, o que indica um “imenso contingente” de consumidores que buscou alguma forma de financiamento. Segundo a pesquisa, o carnê de loja é a maior fonte de financiamento, com 34% dos débitos. Em seguida, estão os empréstimos (crédito pessoal) e cartão de loja, com 29%; cartão de crédito, 19%; e cheque, 18%.

PREJUÍZO

Sadia leva ex-diretor financeiro à Justiça Os acionistas da Sadia decidiram entrar com ação de responsabilidade civil contra o ex-diretor financeiro da empresa, Adriano Lima Ferreira, “pelos prejuízos causados à companhia em razão da celebração de operações com derivativos”. A decisão de entrar com ação judicial foi tomada ontem durante assembleia geral extraordinária de acionistas e foi aprovada por unanimidade. As operações com derivativos arrasaram o caixa da Sadia e levaram a companhia a registrar um prejuízo de R$ 2,5 bilhões no ano passado. A Sadia segue os passos da Aracruz, que em fevereiro entrou com ação judicial contra seu ex-diretor financeiro, Isaac Zagury, acusado de ser o responsável por um prejuízo de US$ 2,1 bilhões com operações de derivativos. Zagury nega as acusações e diz que todas as operações haviam sido aprovadas pela companhia. De acordo com a Sadia, relatório elaborado pela con-

sultoria BDO Trevisan, contratada pela companhia para apurar as responsabilidades no caso, não encontrou indícios de que o Conselho de Administração tivesse conhecimento das operações realizadas por Ferreira. O executivo reportava-se diretamente ao Conselho de Administração, e não ao presidente executivo da companhia, como acontece na maioria das empresas de capital aberto. Essa estrutura de governança foi bastante criticada após o episódio e foi alterada - desde então, o diretor financeiro passou a se reportar ao presidente executivo. Na Justiça, a companhia vai tentar responsabilizar Ferreira por não avisar ao Conselho que estava realizando as operações de derivativos cambiais e pelo fato de ele ter descumprido a política financeira da companhia, que limita a exposição em operações financeiras a seis meses do faturamento com exportações.

GERAIS Engenheiros da Caixa paralisam 24 horas ! Às vésperas do início da operação do programa habitacional “Minha casa, minha vida”, os engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica Federal ameaçam entrar em greve e

paralisar também as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Responsáveis pela análise dos projetos, liberação e acompanhamento das obras, a categoria marcou para hoje uma paralisação de 24h de protesto contra a proposta de reestruturação da carreira

feita pela Caixa. Depois de meses de negociação, segundo a Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa (Aneac), a Caixa apresentou uma proposta de aumento de R$ 70 para o piso da categoria e de R$ 26 para os funcionários que estão no topo da carreira.


CORREIO DE UBERLÂNDIA | QUINTA-FEIRA, 9/4/2009

A6 | ECONOMIA RESTAURANTES

CAFEICULTURA

Comida à vontade a preço baixo atrai consumidores

Dívida de produtores poderá ser convertida

BETO OLIVEIRA

Alternativa para manter movimento é vender só carnes por kg e baixar preços LYGIA CALIL [REPÓRTER] lygia@correiodeuberlandia.com.br

Em tempos de crise econômica, sobrevive no mercado o empresário que souber se adaptar. Em Uberlândia, proprietários de restaurantes self-service em pontos de movimento intenso têm seguido uma tendência para atrair mais consumidores. Em vez de cobrarem por quilo, muitos oferecem comida à vontade, por um preço baixo, e vendem carne à parte. Foi o que fez Leandro Ramos, que há um ano assumiu o comando de um restaurante no Centro da cidade. Quando comprou o estabelecimento, ele oferecia refeição por R$ 3,50, com direito a um tipo de carne. Hoje, come-se à vontade, com 14 pratos quentes e 10 frios, por R$ 3,99. Carnes e pratos mais sofisticados, como lasanha, são vendidos por quilo, que custa R$ 14,99. Com a mudança, Ramos perdeu alguns clientes que já estavam acostumados com o sistema anterior. Em poucos meses, porém, ele recuperou o que havia perdido e conquistou mais fregue-

Acompanhado de 26 parlamentares dos estados que mais produzem café - Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo - o governador de Minas, Aécio Neves, reuniu-se ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de quem recebeu a notícia de que a dívida dos produtores, com o governo e a iniciativa privada, pode ser convertida em sacas de café. Os cafeicultores pretendem rolar sua dívida durante 20 anos, com o oferecimento de estoques de sacas de café, no limite de 5% do total devido, a cada ano. A dívida é estimada em R$ 4,2 bilhões. Segundo o governador, Mantega garantiu que pelo menos um terço da dívida poderá ser convertida. Os cafeicultores querem também que a parcela da dívida com o setor privado, que representa dois terços do total, possa ser convertida, ainda que parcialmente. Aécio revelou, ainda, que Mantega prometeu pedir ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, uma definição rápida sobre o preço real

da saca, para tomar uma decisão. Outra reivindicação levada ao ministro da Fazenda, e que segundo o governador também será estudada, é a realização pelo governo de leilões para formação de estoque regulador de café, o que também dependerá dos estudos sobre o valor da saca. Na avaliação do governador, se for feito leilão para 3 milhões de sacas, ao preço de R$ 320, o país terá estoque regulador, que estabilizará o mercado, puxando os preços para cima. Segundo dados do setor, desde 1999 houve aumento de preço nos insumos da ordem de 500%, enquanto a recuperação do preço do café foi de apenas 42% para o produtor, nesses 10 anos. O Brasil exportou no ano passado US$ 5,8 bilhões em café sendo que, desse total, US$ 3 bilhões foram produzidos em Minas Gerais, onde 400 municípios se dedicam à cafeicultura. Segundo Aécio Neves, o café é a cultura que mais produz empregos no campo. VALTER CAMPANATO/ABR

RESTAURANTES mantêm clientes fiéis com a opção de se servirem à vontade pagando preço único ses. Hoje, atende de 150 a 200 pessoas por dia. “Com o preço antigo estava difícil continuar, porque tudo subiu muito — a carne, principalmente — e eu tinha de conseguir pagar o aluguel, salário de funcionários, encargos. Acho que este esquema é ideal para quem está no Centro. Dá certo porque é barato e popular”, afirmou.

Já Wagner Januário Garcia atribui o sucesso do sistema à alta concorrência. Em seu restaurante, em frente ao Terminal Central, ele cobra R$ 4,75 pelo bufê de 10 pratos quentes e 10 frios, mais uma carne. “Aqui no Centro, são vários restaurantes que oferecem este sistema, cada vez com preços mais baixos. Tenho que aliar o preço à qualidade

da comida”, disse. Segundo ele, o preço baixo garante clientela fiel — cerca de 70% dos consumidores frequentam o restaurante todos os dias. “O lucro é pequeno, mas tenho clientes fixos, que não me abandonam, então já tenho uma parte garantida.” Outra estratégia é manter convênio com empresas vizinhas.

COBRANÇA

Empresários mudam estratégia para manter negócio O casal Lílian Carla Pereira e Sérgio Furlanetto é proprietário de um restaurante no bairro Tibery e, no ano passado, quando eles viram o estabelecimento ficar quase vazio na hora do almoço, decidiram mudar a forma de cobrança. Até julho, o quilo custava R$ 16,90 no self-service completo. Depois, o quilo no bufê de saladas e pratos quentes pas-

sou a custar R$ 9,90 e a carne, R$ 14,90. Lílian Pereira afirmou que o que perdeu no quilo ganhou no aumento do número de fregueses. “Depois que mudei, o restaurante se transformou. A clientela voltou. Hoje estou com a casa cheia, tudo por uma estratégia simples, mas muito eficiente”, disse. O office-boy Bruno Vieira Santos almoça todos os dias

no restaurante de Wagner Garcia. Ele afirma que, pela quantidade que come, certamente dá prejuízo ao proprietário. “Como dois pratos, sempre lotados e sempre pago pouco. Para mim, é vantagem, mas não sei se para ele é tanto assim”, disse. De acordo com o empresário, quem come pouco compensa pelos clientes que exage-

ram, como Bruno. “Além disso, ganho também nas bebidas, bombons e chicletes”, disse. A empresa em que Wagner Alves Lima trabalha mantém convênio com um restaurante que oferece comida à vontade. Segundo ele, o almoço vale a pena para o patrão e para o empregado. “A comida é muito boa e barata. Todo mundo ganha”, afirmou.

INFLAÇÃO

IPCA tem menor alta em 15 anos Os preços dos produtos nãoalimentícios, incluindo gastos com educação, desaceleraram a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 0,55% em fevereiro para 0,20% em março, o menor índice para o mês de março desde 1994. No primeiro trimestre, o IPCA acumula alta de 1,23% e em 12 meses, de 5,61%. O IPCA é usado para balizar o sistema de metas da inflação e dá mais espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) continue reduzindo os juros básicos da economia. Os preços dos produtos nãoalimentícios passaram de alta de 0,63% em fevereiro para 0,17% em março. Já os preços dos alimentos tiveram uma trajetória inversa e aceleraram a alta de 0,27% em fevereiro para 0,30% em março. O item frutas exerceu a maior fonte de pressão sobre o grupo alimentos, ao registrar alta de 5,89%, com uma contribuição de 0,05 ponto porcentual no IPCA do mês passado. O grupo Educação, com variação negativa de 0,37% em março ante alta de 4,77% no mês anterior, também foi responsável pelo recuo da inflação do IPCA de março. O desempenho comportado

da inflação no primeiro trimestre deste ano foi favorecido pela demanda contida pela crise, a estabilidade no preço da gasolina e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis novos. Além disso, alguns produtos importantes nas despesas com alimentação das famílias registraram deflação no período, como carnes (-4,70%), tomate (-18,90%), feijão carioca (-12,92%) e arroz (-3,87%). Já o preço da gasolina ficou praticamente estável (0,04%) no primeiro trimestre. IGP-M Beneficiada por uma queda recorde nos preços atacadistas, a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de abril registrou o menor nível em três anos e meio, com deflação de 0,53%. A prévia de março também já havia apontado queda, de 0,45%. O desempenho derrubou para 4,99% o acumulado em 12 meses do índice, usado para cálculo de reajuste de aluguéis. O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, estima que IGP-M fechará abril com a segunda deflação consecutiva do ano, embora menos

intensa do que a apurada em março (-0,74%). Os preços na construção civil ajudaram na formação da taxa negativa da primeira prévia, com queda de 0,08%, após alta de

0,16% na primeira prévia de março. A maior oferta, acarretada pela crise, tem ajudado a derrubar as taxas de inflação na construção nas últimas apurações dos Índices Gerais de Preços (IGPs).

AÉCIO NEVES se reuniu ontem com o ministro Guido Mantega


CIDADE & REGIÃO

Para municípios do porte de Uberlândia, a queda do repasse do FPM é menos significativa devido à industrialização

A3

CORREIO DE UBERLÂNDIA • DOMINGO • 17/1/2010

QUEDA FPM

MANOEL SERAFIM

BETO OLIVEIRA

> REDUÇÃO DE REPASSES DE RECURSOS FEDERAIS É DE 13,5% EM MÉDIA, SEGUNDO SECRETARIA DO TESOURO NACIONAL

REPASSE MENOR SE DEVE À QUEDA NA ARRECADAÇÃO DOS MUNICÍPIOS COM O IPI

JOÉLIO COELHO disse que metade das prefeituras da região da Amvap depende do fundo para pagar contas

ÚLTIMO BITTENCOURT Prefeitura de Monte Alegre deve receber 13,6% a menos que janeiro passado

Municípios vão receber menos em 2010

RICK PARANHOS | REPÓRTER rick@correiodeuberlandia.com.br

O

s municípios de pequeno porte do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba terão os orçamentos para este ano comprometidos devido à queda nas transferências de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) feitas pelo governo federal. Segundo levantamento da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a redução dos repasses em janeiro será, em média, 13,5% menor que no mesmo período de 2009. Dos municípios ligados a Associação da Microrregião do Vale do Paranaíba (Amvap), Tupaciguara é um dos que devem ter uma das maiores perdas. Pela previsão da STN, a cidade receberá R$ 592.320,50, ou seja, R$ 140.289,32 (19,14%) a menos que os R$

732.609,82 recebidos em janeiro de 2009. Para se ter uma ideia do tamanho da redução, só no mês de janeiro os R$ 140.289,32 representam quase meio por cento (0,41%) do orçamento anual da cidade, considerando somente as receitas correntes líquidas, que são os recursos que os prefeitos têm de investir em novas obras. Se a queda do FPM persistir, nos 12 meses a prefeitura de Tupaciguara deixará de contar com R$ 1.683.471,84 no caixa, o que representará 4,92% de perdas. Outro exemplo de redução é o de Monte Alegre de Minas, que conforme previsão da STN deve receber este mês R$ 542.481,96, valor que é 13,61% menor que os R$ 627.951,27 de janeiro passado. São R$ 85.469,31 a menos, que representam 0,37% das receitas correntes líquidas do

município previstas para 2010. Se o problema persistir, será R$ 1.025.631,72 de perdas (4,44%), previsão que deixa o prefeito Último Bittencourt preocupado. “Estamos apreensivos com isso, porque em janeiro já dificulta honrar com compromissos como o valor do salário mínimo [R$ 510], o piso dos professores [R$ 950]. Sem falar que os novos investimentos podem ser adiados”, afirmou Bittencourt. Já para municípios do porte de Uberlândia, que é a maior cidade do interior de Minas, a queda do repasse do FPM é menos significativa devido à industrialização, que possibilita arrecadar outros impostos e compensar a perda. Os R$ 82.648,08 a menos em janeiro representam 0,01% do total das receitas correntes líquidas anuais do município.

ARRECADAÇÃO

CONTENÇÃO

PREFEITOS PREVEEM DIFICULDADES DE PAGAR

queda de R$ 476,9 milhões (13,52%). Redução também para os 853 municípios mineiros que, segundo cálculo da Secretaria do Tesouro nacional (STN), vão receber R$ 62 milhões a menos que no mesmo período de

as cidades sem recursos. Metade das que são associadas à Amvap depende do repasse do FPM para pagar as contas”, disse Joélio Coelho. Ainda conforme Coelho, a exemplo do que ocorreu no fim do ano passado, o governo terá de fazer compensações para garantir aos municípios pelo menos o que receberam em 2008. “E outra saída é a União fazer a reforma tributária e um novo pacto federativo para desonerar os municípios”, afirmou Joélio Coelho.

REPASSES REGIÃO DA AMVAP MUNICÍPIO

JAN/2010 (*)

JAN/2009

VARIAÇÃO

Monte Alegre

R$ 542.481,96

R$ 627.951,27

- 13,61%

Tupaciguara

R$ 592.320,50

R$ 732.609,82

- 19,14%

Uberlândia

R$ 2.921.352,92

R$ 3.009.001,00

- 2,91%

BOLO TRIBUTÁRIO FOI MENOR EM JANEIRO No primeiro mês de 2010 o governo federal arrecadou pouco mais de R$ 3,04 bilhões para formar o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). No mesmo mês do ano passado foram R$ 3,52 bilhões, o que significa

Castro, gerente regional da AMM no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a situação se complica para os municípios onde indústria e comércio são fracos. “O poder local sofre muito com isso, deixa de investir em saneamento básico, saúde, educação”. A medida do governo, segundo o presidente da Amvap, Joélio Coelho Pereira, que também é prefeito de Centralina, deixou os municípios em uma situação delicada. “Melhora a economia brasileira, mas deixa

A redução nos repasses do FPM, de acordo com a responsável pelo Departamento de Economia da Associação Mineira de Municípios (AMM), Angélica Ferreti, se deve à queda na arrecadação municipal, já que o governo federal ainda mantém a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, linha branca e construção civil. O FPM é composto por 22,5% do que o governo federal arrecada com IPI e Imposto de Renda. Conforme Adones

(*) PREVISÃO DE REPASSE JÁ DESCONTADOS OS 20% RELATIVOS AO FUNDEB

2009. O fundo é formado por 22,5% da receita líquida do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e Imposto sobre Produtos Importados (IPI) de todos os municípios, que depois é dividido com as 5.564 cidades brasileiras.

DIFERENÇA COM JANEIRO DE 2009 MUNICÍPIO

VALOR

% (**)

Monte Alegre

R$ 85.469,31

0,37

Tupaciguara

R$ 140.289,32

0,41

Uberlândia

R$ 82.648,08

0,01

(**) PERCENTUAL EM RELAÇÃO AOS VALORES DAS RECEITAS CORRENTES LÍQUIDAS DOS RESPECTIVOS ORÇAMENTOS

BETO OLIVEIRA

ACHADO NO LIXO

Móveis são reaproveitados LYGIA CALIL | REPÓRTER lygia@correiodeuberlandia.com.br

P

MARIA TEREZINHA mobiliou parte da sala com o que encontrou no lixo, como sofá e móvel que sustenta a TV

ara quem tem opção de comprar novo, jogar qualquer coisa fora é algo que faz parte do cotidiano. Para quem encontra no lixo o que vai usar, se deparar com estes objetos descartados é oportunidade. Em Uberlândia, quem procura pode encontrar móveis e eletrodomésticos nas ruas de bairros considerados nobres ou de classe média. Nas duas organizações de recicladores da cidade, a Associação dos Recicladores e Catadores Autônomos (Arca) e a Cooperativa de Recicladores de Uberlândia (Coru), toda semana chegam equipamentos eletrônicos de empresas

e pessoas que jogam no lixo, por estarem estragados ou substituídos por tecnologia mais moderna. “É o nosso lixo tecnológico. Tem muita coisa que dá para ser aproveitada. Se está estragado, mas em bom estado de conservação, podemos mandar arrumar para revender, ou até usar no nosso escritório”, disse o presidente da Arca, Antônio Goretti Sousa. Atualmente, Coru e Arca usam geladeira, fogão e computadores encontrados no lixo que recebem - a Arca só recebe lixo de empresas, enquanto a Coru busca reciclados em toda a cidade. “Sempre tem alguém que pode aproveitar estes descartes, chega muita máquina que ainda funciona”, afirmou Goretti.

SALA Em suas longas caminhadas pela cidade, quando gosta de recolher latinhas para reciclagem, a aposentada Maria Terezinha Dias Souza, 74 anos, moradora do bairro Planalto, região oeste de Uberlândia, já encontrou muitos móveis e eletrodomésticos que resolveu levar para casa. Hoje, o sofá da casa dela, assim como o móvel que usa para a televisão e o colchão em que dorme foram retirados da rua. “Qualquer coisa que eu vejo gosto de trazer. Eu lavo, pinto, deixo com o meu jeito. No sofá, coloquei uma capa. Fica tudo novo. Acho um desperdício jogarem coisas que dão para ser usadas. É melhor dar para alguém”, disse.


CIDADE & REGIÃO

A6

A qualificação é um diferencial. Acho que quem quer encontrar emprego, q deve investir em formação d

CORREIO DE UBERLÂNDIA • QUINTA-FEIRA • 18/3/2010

MARISTELA FERREIRA | OPERADORA DE TELEMARKETING M

UBERLÂNDIA > SALDO DE EMPREGOS CRIADOS COM CARTEIRA ASSINADA FOI DE 986, AUMENTO DE 42,4% DIANTE DO MESMO MÊS DE 2009

Criação de vagas é recorde em fevereiro

LYGIA CALIL | REPÓRTER lygia@correiodeuberlandia.com.br

U

berlândia seguiu a tendência nacional na criação de vagas formais e fechou o mês com 8.961 contratações e saldo de 986 novas vagas no mercado. É o que mostra levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Desde 2000, quando a pesquisa começou a ser divulgada, nunca se contratou tanto no mês de fevereiro no município. O aumento do saldo de contratações foi de 42,4% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Nos últimos 12 meses, a cidade somou mais 8.311 postos de trabalho, a maioria (58%) no setor de serviços, que reúne empresas de diferentes áre-

as, como telemarketing, atacadistas, bares, restaurantes e hotéis. De acordo com dados do Sine, a empresa que mais contratou por meio do sistema em fevereiro foi a Algar Tecnologia, com 485 pessoas. Na avaliação da diretora do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Uberlândia, Daisy Afonso, a configuração da economia uberlandense é o principal fator que contribui para os recordes de contratações. A cidade possui economia dinâmica, com os setores de serviços e comércio muito fortes. Segundo ela, a vocação de Uberlândia são estes dois setores. “Podemos observar que as duas áreas estão em constante crescimento e batem recordes a cada mês”, disse Afonso. Ontem, havia disponibilidade de 1,7 mil vagas de emprego no Sine para o mercado de Uberlândia.

NOVAS FRENTES

BETO OLIVEIRA

A CIDADE POSSUI ECONOMIA DINÂMICA, COM OS SETORES DE SERVIÇOS E COMÉRCIO MUITO FORTES DAISY AFONSO

ALGAR TECNOLOGIA respondeu pela criação de 485 vagas formais em fevereiro , segundo o Sine

MERCADO DE TRABALHO

SERVIÇOS

LIMPEBRÁS FEZ 73 CONTRATAÇÕES QUALIFICAÇÃO ELEVA CHANCE Somente em fevereiro, a Limpebrás, empresa responsável em Uberlândia pela limpeza urbana, contratou 73 novos funcionários. Segundo a encarregada de Recursos Humanos da companhia, Rosimeire Sampaio, maior demanda surgiu com o aumento de novas frentes de trabalho. “Em fevereiro, precisamos contratar mais equipes. Foi um mês

extraordinário para as contratações”, disse. Ontem, havia 30 vagas abertas na empresa. De acordo com Sampaio, o setor de serviços gerais encontra dificuldade para conseguir mão de obra. “É muito difícil encontrar pessoas para serviços mais simples, porque outras áreas, como a construção civil, absorvem muitos profissionais”, afirmou.

Depois de cinco meses afastada do mercado de trabalho, a operadora de telemarketing Maristela Diniz Ferreira, 23 anos, foi contratada em fevereiro. Ela afirmou que o profissional da área de serviços em Uberlândia não fica sem emprego. “A oferta é sempre muito grande. Não falta vaga para quem quer. Mas é preciso ir atrás, não adianta

ficar em casa parado”, disse. Segundo ela, a experiência com trabalhos anteriores na área e a qualificação profissional, com cursos nas áreas de informática, administração e vendas, a ajudaram na conquista da vaga. “É um diferencial. Acho que quem quer encontrar emprego, deve investir em qualificação”, disse.

CARTEIRA ASSINADA

SALDO LÍQUIDO DE EMPREGOS FORMAIS FOI DE 209.425 NO PAÍS O Ministério do Trabalho informou ontem que o saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no país em fevereiro foi de 209.425, o que representa um novo recorde para o mês. O recorde anterior para meses de fevereiro havia sido obtido em 2008, quando foram abertas 204.963 vagas formais no segundo mês daquele ano. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no acumulado dos dois primeiros meses de 2010, a criação de vagas de emprego superou as demissões em 390.844 postos de trabalho formais. A meta do governo para este ano é atingir 2 milhões de novos empregos com carteira assinada. Em fevereiro de 2009, o Caged registrou abertura de 9.179 postos de trabalho com carteira assinada.

SETORES De acordo com o Caged, os setores de serviços, indústria de transformação e construção civil registraram recorde para os meses de fevereiro na abertura de novas vagas de trabalho formal. O setor de serviços registrou a criação de 85.607 vagas líquidas em fevereiro. A indústria de transformação registrou um saldo líquido de 63.024 postos de trabalho. De acordo com o Ministério do Trabalho, 7 dos 12 ramos da indústria pesquisados tiveram desempenho recorde no mês passado: metalurgia, calçados, têxtil, química, material de transporte, madeira e mobiliário e minerais nãometálicos. A construção civil teve um saldo líquido de 34.735 vagas em fevereiro. Para o minis-

tro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, o resultado forte da construção civil refletiu o desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal. Ele lembrou

que os processos de licenças ambientais, por exemplo, demoram e que, por isso, o efeito do programa habitacional será sentido de verdade neste ano.

ELZA FIÚZA/ABR

CALÇADOS E TÊXTIL

SETORES INTENSIVOS CONTRATAM

CARLOS LUPI divulgou ontem o número de empregos criados no país em fevereiro

Setores intensivos em mão de obra, como calçados e têxtil, voltaram a contratar. O ministro Carlos Lupi disse que os setores que mais empregaram em fevereiro são os que pagam melhores salários e que por isso também deve haver, em 2010, uma recuperação dos salários do trabalhador. O ministro informou que também foi recorde o desempenho do Caged no primeiro bimestre de 2010, quando foi registrado um saldo líquido de empregos gerados de 390.844. Lupi destacou tam-

bém o fato de, “pela primeira vez na história”, a região Nordeste ter um desempenho positivo no mês de fevereiro. O número de contratação, no Nordeste superou em 2.146 o de demissões realizadas no período. Ele disse que os estados da Bahia e do Ceará lideraram as contratações na região, principalmente na área de serviços, como hotelaria e restaurantes, por causa do carnaval, e que, apesar do caráter sazonal, ele acredita que esses empregos serão mantidos.

CRIAÇÃO DE VAGAS MÊS/ANO

CONTRATAÇÕES

DEMISSÕES

SALDO

Fev/2010

8.961

7.975

986

Fev/2009

7.508

6.941

567

Jan/2010

7.858

6.703

1.155

FEVEREIRO Evolução do emprego no Município ANO 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004 2003 2002 2001 2000

CONTRATAÇÕES 8.961 7.508 7.516 6.225 5.464 4.899 5.076 4.415 4.698 4.280 4.100

NOVAS VAGAS 986 567 365 478 699 141 507 86 698 -94 99

NOVO RECORDE

LUPI FAZ APOSTA PARA MARÇO A criação de empregos formais no país deve bater novo recorde neste mês, segundo previsões do ministro Carlos Lupi. Segundo ele, será o melhor resultado para meses de março na história do Caged. Lupi disse que o último recorde foi em março de 2008, quando foi gerado o saldo líquido de 207 mil empregos com carteira assinada. Ele disse que deve reforçar as contratações este mês com a melhoria na produção de alguns setores, como de máquinas pesadas e tratores, “que voltará a vender bem”, e do próprio setor automotivo que, segundo o ministro, está com os estoques baixos, em função do estímulo nas vendas causado pela

redução do IPI. O ministro disse que, no mês de março, há contratação de professores e uma aceleração nas obras da construção civil. “Os setores se preparam para começar o ano a partir de março. Todo o processo produtivo está crescendo, com consistência há alguns meses”, afirmou Lupi. O ministro disse que o desempenho recorde de fevereiro, na geração de empregos, já reflete a recuperação da indústria de transformação que, segundo ele, deve ter “o melhor ano da história”. Ele disse que o setor está com os estoques baixos e por isso terá que aumentar a produção.

JUROS

“NÃO HÁ RISCO DE INFLAÇÃO” O ministro Carlos Lupi disse que não há razão para novas elevações de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que está reunido, no Banco Central. “Não há risco de inflação. Juros elevados prejudicam o capital produtivo”, afirmou Lupi. Ele reconhece que o Copom tem independência para decidir, mas considera que

o emprego é o balizador da economia de um país. Segundo ele, o capital produtivo é que gera empregos. “A especulação em bolsa não gera emprego para ninguém”, disse. Segundo ele, o mercado interno continua aquecido e já há, também, uma recuperação do mercado externo, o que tem levado as empresas a contratar novamente.


CIDADE & REGIÃO

A6

Seremos donos do negócio. Mas, para a concretização da fusão, vaidades terão de ser deixadas de lado

CORREIO DE UBERLÂNDIA • QUINTA-FEIRA • 28/1/2010

ADRIANO REIS QUEIRÓZ | PRODUTOR

LATICÍNIOS > CONSULTORIA FAZ LEVANTAMENTO DO PATRIMÔNIO DAS COOPERATIVAS PARA DEFINIR A PARTICIPAÇÃO DE CADA UMA

Fusão pode gerar megaempresa

LYGIA CALIL | REPÓRTER lygia@correiodeuberlandia.com.br

U

m projeto de fusão entre as cooperativas mineiras de leite Itambé, Cemil e Minas Leite, da goiana Centroleite, e da paranaense Confepar promete dar origem à maior empresa de laticínio da América Latina, com expectativa de faturamento anual de R$ 4 bilhões e 40 mil produtores associados. No Triângulo Mineiro, região que reúne cerca de 2 mil cooperados, com produção de cerca de 500 mil litros de leite por dia, a notícia da fusão é aguardada com expectativa positiva, já que, segundo os produtores ouvidos pela reportagem do CORREIO de Uberlândia, o poder de barganha para comprar e vender será muito maior. (Veja mais nesta página). As negociações, segundo o presidente da Itambé, Jacques Gontijo, estão

em andamento, embora ainda não esteja definido um prazo para a concretização. “A consultoria Price está fazendo um levantamento do valor das cinco empresas para definir a participação de cada uma. Estes valores ficarão prontos em 60 dias. Depois disso é que vamos nos reunir para começar efetivamente a pensar na configuração desta nova empresa. Mas ainda estamos longe da etapa final”, disse. Se o acordo for fechado entre as empresas, a negociação ainda deverá ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável no Brasil por garantir a concorrência entre as empresas. Juntos, os volumes de leite captados por empresa (veja no quadro) representam 10% de toda a produção brasileira. Segundo Gontijo, a união das empresas vai fortalecer o setor e oferecer a ele maior profissionalização. “Uma mega-

CAPTAÇÃO Volume de leite captado diariamente pelas empresas que pretendem a fusão (em litros) ITAMBÉ (MG)

3,5 milhões CEMIL (MG)

600 mil MINAS LEITE (MG)

1,5 milhão CENTRO LEITE (GO)

900 mil

CONFEPAR (PR)

700 mil

JERÔNIMO GOMES “Só conseguiremos uma remuneração mais estável e o fim da manipulação de preços com união”

REPERCUSSÃO

ESPECIALISTA

RISCO DE FICAR REFÉM DE UMA SÓ EMPRESA Um projeto parecido está em desenvolvimento entre a Cooperativa Agropecuária de Uberlândia (Calu), Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Copervale), de Uberaba, e Cooperativa de Produtores de Carneirinho (Coocar). A ideia é desenvolver uma central única de captação. De acordo com o presidente da Calu, Eduardo Dessimone, o projeto deverá ser realizado no ano que vem. Enquanto ele não acontece, as cooperativas trabalham como parceiras em novos produtos. “Estamos em uma fase de intensificar as parcerias e aproximar as empresas, para só então pensar em alguma coisa unificada. A concretização será um movimento natural, depois desta aproximação”, afirmou.

BETO OLIVEIRA

empresa dessa aumentará o padrão de qualidade e eficiência. Além disso, poderá remunerar melhor o produtor”, afirmou.

MURIEL GOMES 23/6/2007

PRODUTORES DO TRIÂNGULO ESTÃO OTIMISTAS Na avaliação do produtor Jerônimo Gomes, o cooperativismo é a “redenção do produtor de leite brasileiro”. “Só conseguiremos uma remuneração mais estável e o fim da manipulação de preços com força e união. A cooperativa pequena sem-

pre terá o papel de fornecer produtos e serviços para o produtor, mas a venda e industrialização devem ser feitas atreladas a uma grande central, como esta que será criada”, disse. O produtor Adriano Reis Queiróz também vê positi-

vamente a fusão da Itambé. “Seremos donos do negócio. Mas, para a concretização da fusão, vaidades terão de ser deixadas de lado. A tendência do mercado para megacooperativas é irreversível. Pobres daqueles que não aderirem à ideia”, afirmou.

UBERLÂNDIA

CALU ESTUDA PROJETO SEMELHANTE NA REGIÃO

EDUARDO DESSIMONE Concretização de união será um movimento natural

O professor de finanças e planejamento empresarial na Universidade Federal de Uberlândia, José Flores Fernandes Filho, faz uma análise equilibrada da possível fusão, apontando aspectos positivos e negativos ao produtor. O principal benefício é a

força de negociação da nova empresa nos mercados interno e externo, que aumentará conforme o tamanho da cooperativa. “As condições e a estrutura da empresa propiciará um poder de barganha muito superior a cada uma delas isoladamente”, disse. Por outro lado, o mercado

para o produtor estará cada vez mais restrito, na análise do professor. “As fusões resguardam os interesses de quem detém o capital. Com menos competitividade no mercado, os produtores correm o risco de ficar na mão só de uma empresa, o que pode ser perigoso”, afirmou. WELLINGTON PEDRO/IMPRENSA MG

ELEIÇÃO

Aécio Neves anuncia novos secretários O governador Aécio Neves anunciou ontem os nomes dos novos secretários que serão empossados hoje em substituição aos secretários que deixam o governo para disputar as eleições de outubro. Por exigência da legislação eleitoral, todos os candidatos devem se desincompatibilizar de seus cargos no prazo máximo de seis meses antes da eleição. Serão substituídos quatro secretários e o advogado-geral do Estado. Para o lugar do secretário de Saúde, Marcus Pestana (PSDB), foi anunciado o atual secretário-adjunto da Saúde, Antônio Jorge de

Souza Marques (PPS), e para a Secretaria-adjunta, Vagner Eduardo Pereira, diretor da Faculdade de Ciências Médicas. Na Secretaria de Desenvolvimento Social, será empossada a ex-reitora da UFMG e diretora da Unesco Ana Lúcia Gazzola (PSB), que substituirá Agostinho Patrus Filho (PV). Na pasta do Desenvolvimento Regional e Política Urbana, o indicado é o atual presidente da Companhia de Habitação de Minas Gerais (Cohab), Sebastião Navarro (DEM), que entra no lugar de Dilzon Melo (PTB). Para a Secretaria de Esportes e Ju-

ventude, o vereador de Belo Horizonte Alberto Rodrigues (PV) substitui Gustavo Corrêa (DEM). Para a AdvocaciaGeral do Estado, o governador indicou o advogado-geral adjunto, Marco Antônio Rebelo Romanelli, para substituir Bonifácio Andrada. “Conseguimos, pelo menos no primeiro escalão do governo e, espero nos escalões secundários, manter o mesmo nível de qualificação, manter o mesmo equilíbrio partidário que nos sustentou até aqui. Se temos uma marca neste governo, é a marca da responsabilidade no cumpri-

mento dos objetivos pactuados”, disse o governador durante o anúncio. Aécio Neves também anunciou que, até o dia 5 de fevereiro, será anunciada a substituição de outros 20 integrantes do governo, que ocupam cargos de subsecretários, diretorias de empresas, fundações e autarquias. O governador também confirmou que o secretário de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, deixará, por razões pessoais, o cargo no mês de fevereiro, mas que ainda não há definição sobre o nome que o substituirá.

GOVERNADOR vai passar o cargo para Anastasia em março para disputar as eleições

Economia  

Reportagens produzidas para a editoria de Economia.