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lugares de urbanidades metropolitanas UNI009


RMBH A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi criada em 1973, inicialmente composta por 14 municípios e com 1,7 milhões de habitantes. Atualmente, conta com 34 municípios, além de 16 outros que compõem o Colar Metropolitano.

A RMBH comporta atualmente em torno de 5 milhões de habitantes, 25% da população do Estado de Minas Gerais, distribuídos em uma área de 9.460 km² - 1,6% do território estadual. 97,5% dessa população ocupam áreas urbanas, sendo apenas 2,5% relativos à população rural.


OS LUMEs Os Lugares de Urbanidade Metropolitana (LUMEs) se constituem como um dos desdobramentos do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (PDDI/RMBH), elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e a Pontifícia Universidade Católica (PUCMINAS), durante o período 2009/2011. Trata-se de parte integrante do Programa de Mobilização Social para implementação do referido plano, que por sua vez está inserido na Política Metropolitana Integrada de Democratização dos Espaços Públicos. Partindo deste contexto, a disciplina “Oficina Multidisciplinar: Os LUMEs e a prática do planejamento metropolitano” foi criada, a princípio, como uma oportunidade de ação para identificação e territorialização de LUMEs potenciais, partindo da procura feita pelos próprios parceiros à universidade.

A disciplina também tem como objetivo a integração de locais de produção e difusão de práticas socioculturais no território metropolitano, de forma a constituírem uma rede continuada que promova discussões sobre cidadania, práticas de planejamento urbano e identidade metropolitana. Esta rede vem sendo construída a partir de ações colaborativas promovidas em parceria com grupos locais, sejam em práticas socioculturais ou de intervenções integradas de urbanismo colaborativo. Os LUMEs, portanto, são aqui entendidos como espaços para o exercício da cidadania, da mobilização social e da participação qualificada, por meio da troca e da construção de novos conhecimentos em todo o território metropolitano. Esta publicação foi construída a cada semestre da disciplina com a participação de todos os envolvidos para divulgar e compartilhar as diversas experiências acumuladas nas ações e mobilizações realizadas.


MUNICÍPIOS PARCEIROS


2016/1

SUMÁRIO CASULO

PARQUE BARROCÃO

Ribeirão das Neves Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

16 17 19 24

15

Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

27 28 31 33

Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

SANTA MARTINHA Ribeirão das Neves

Matozinhos

26

36 37 40 45

35


2016/1 FEIRA SAIA DA LINHA Vespasiano Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

48 49 52 55

4777

COOPERVESP Vespasiano Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

58 59 62 65

57


2016/2 CASULO

PARQUE BARROCÃO

Ribeirão das Neves

Matozinhos

Localização Ação Realizada Conclusão

70 72 76

69

Conclusão

VILA VICENTINA Raposos Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

79 80 84 86

Localização Ação Realizada

78

89 91 95

88


2017/1 GUIA METROPOLITANO

FEIRA SAIA DA LINHA Vespasiano Localização Ação Realizada Conclusão

101 103 106

6 municípios

100

Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

118 119 121 126

VILA VICENTINA

PLANOS DIRETORES

Raposos

11 municípios

Localização Ação Realizada Conclusão

109 111 115

108

Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

129 130 132 134

117

128


2017/1 IN FOCO Esmeraldas Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

137 138 142 146

136

CONVIDA Sarzedo Localização Histórico Ação Realizada Conclusão

150 151 154 159

149


2016/1


ALUNOS ALICE DEMATTOS

EDGARD OLIVEIRA

Ciências Econômicas

Arquitetura e Urbanismo

ALISSON COUTO

FÁBIO LUÍS GONÇALVES

Relações Internacionais

Arquitetura e Urbanismo

ALESSANDRA ROCHA

FELIPA FEVEREIRO

Turismo

Turismo

ANA CAROLINA LOURES

FRANCIELLE CHAVES

Arquitetura e Urbanismo

Turismo

ANA PAULA FREITAS

GABRIEL BRAGA

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

BÁRBARA ARAÚJO

GABRIEL LACERDA

Geografia

Relações Internacionais

BEATRIZ ANTUÑA

GABRYELA DUARTE

Ciências Econômicas

Relações Internacionais


ALUNOS GIOVANNI AUGUSTO DE OLIVEIRA

MATHEUS SANTOS

TAÍS CLARK

Museologia

Eng. de Controle e Automação

Arquitetura e Urbanismo

LUCAS BITTAR

PEDRO PATRÍCIO

THAMARA FELIX

Medicina

Ciências Econômicas

Turismo

LUÍSA MELGAÇO

PEDRO RÓLDI

THIAGO FLORES

Geografia

Psicologia

Arquitetura e Urbanismo

MATHEUS RAMOS

RAFAEL ALVES

THIAGO SANTA ROSA

Design

Turismo

Geografia

ORIENTADORAS CLARICE LIBÂNIO Ciências Sociais e Antropologia

JÚNIA FERRARI Arquitetura e Urbanismo


CASULO

Alice Demattos, Alisson Couto, Ana Paula Freitas, Gabriel Braga, Gabryela Duarte, Lucas Bittar, Pedro Rรณldi

RIBEIRรƒO DAS NEVES 15


localização

BH

RMBH - Ribeirão das Neves - Bairro São Pedro - Casulo 16


histórico Ribeirão das Neves é um dos municípios integrantes do vetor noroeste da RMBH, fazendo limite com Belo Horizonte em área conurbada entre Justinópolis e Venda Nova. Historicamente a cidade carrega o estigma de concentrar grande parte da população carcerária do Estado de Minas Gerais, além de valores relativamente baixos de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

pudesse integrar produtores e artistas locais. Nessa perspectiva, o projeto CASULO - anteriormente conhecido como Incubadora Criativa -, nasce como resposta a essas demandas, a partir da parceria entre os alunos da disciplina e a comunidade de artistas locais.

Apesar disso, a cena cultural do município é efervescente, com oficinas, saraus mensais em praça pública, festivais de música, incluindo a nacionalmente conhecida Festa de Nossa Senhora do Rosário, que ocorre em setembro/outubro, mas infelizmente é pouco divulgada no âmbito da própria região metropolitana. A partir de um mapeamento cultural realizado em Ribeirão das Neves, identificou-se a produção artística local (músicos, artesãos, artistas plásticos etc), bem como a demanda desses agentes pelo fortalecimento da cena cultural do município. Também foi constatada a necessidade de se criar um espaço de referência que 17


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ação realizada A concepção dos LUMEs está fundamentada no envolvimento da população, de forma horizontal e continuada. Assim, os alunos da UFMG, juntamente com o então secretário de cultura municipal Rodolfo Ataíde, além de artistas, produtores locais e membros da sociedade civil, organizaram-se motivados pela questão comum de fortalecer a cena cultural nevense. No primeiro momento, o secretário de cultura apresentou a ideia de implementar uma Incubadora Criativa em Neves, como demanda de projeto a ser desenvolvido pelo grupo de alunos em parceria com a comunidade. Concomitantemente, foi discutida a possibilidade de se pensar na transformação de um espaço, onde antigamente funcionavam duas caixas d’água da COPASA, em local a serviço da cultura e da sociedade do município. A demanda pela “Incubadora Criativa” estava atrelada ao imaginário de se compreender os artistas como empreendedores do cenário cultural que pudessem obter um retorno financeiro de suas atividades. Por

outro lado, em conversas com os diversos atores presentes, observou-se também a urgente necessidade de aprofundamento e integração da rede de artistas do município para, posteriormente, transbordar a cena cultural nevense para a região metropolitana. Sendo assim, foi proposta uma oficina com o objetivo de discutir coletivamente o projeto, no sentido de buscar soluções que pudessem potencializá-lo. Nesse sentido, foram discutidas ações coletivas que pudessem dar início ao processo. A configuração dispersa do município de Ribeirão das Neves, além da intensa conurbação com Belo Horizonte e Vespasiano, dificulta o envolvimento entre os distritos e o centro e estimula o deslocamento da população local para outros municípios em busca de cultura e lazer. Isso acaba por comprometer o fortalecimento das ações socioculturais locais. Além disso, há um problema estrutural de reconhecimento identitário da população, o que implica em desinteresse generalizado pela cidade e pela produção 19


artística local - o que vem de fora ou os eventos no centro de Belo Horizonte são mais valorizados. A despeito do problema de pertencimento, a população de artistas é resiliente e tem transformado em potência criativa a força de vontade de dinamizar a cena cultural do município e de criar um modelo de articulação cultural característico de Ribeirão das Neves.

do município; propor a transformação do espaço das caixas d’águas; promover a maior integração da classe artística local; valorizar as iniciativas culturais locais; ampliar a identificação dos moradores com a produção artística local; melhorar e ampliar a comunicação sobre os eventos culturais da cidade, local e regionalmente.

Por fim, dois outros problemas impedem o pleno desenvolvimento da cena cultural local: a dificuldade em estabelecer parcerias com os centros culturais da cidade - em especial a Casa dos Meninos e o Centro de Convenções -, que cobram valores muito altos para o aluguel das suas salas de espetáculo ou não apresentam instalações sonoras e luminotécnicas de qualidade; além da ausência de uma boa divulgação de alcance local e regional.

Em termos da metodologia adotada para colocar em prática essa iniciativa, foram realizados cinco encontros com artistas, produtores, servidores e todos aqueles interessados em fortalecer o cenário cultural de Ribeirão das Neves.

Diante desse cenário, estabeleceu-se como objetivo geral fortalecer a cena cultural de Ribeirão das Neves. Como objetivos específicos o projeto pretendia: atender a demanda apresentada pelo secretário de cultura

O primeiro encontro foi uma conversa inicial para que os alunos pudessem compreender melhor as demandas locais, além de possibilitar o conhecimento do espaço da caixa d’água, bem como vivenciar um pouco da cena cultural do município em uma oficina de rap feminista. O segundo encontro, na Casa de Cultura, foi intermediado pelo coletivo Semifusa do qual o próprio Rodolfo 20


Ataíde faz parte e cuja pauta é orientada pelo diálogo com os artistas locais e pela cessão de espaço à produção autoral. O coletivo mobilizou alguns dos artistas mais ativamente envolvidos na construção da cena cultural de Ribeirão das Neves. A partir daí, criou-se um grupo no Facebook de forma que todos os interessados pudessem estar conectados e, assim, iniciou-se a divulgação das atividades locais, bem como a disseminação da ideia de se criar uma rede entre os artistas do município. Na terceira visita, realizada no espaço Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC), foram sistematizadas algumas dificuldades enfrentadas pelos artistas, elencadas algumas demandas do universo cultural do município e discutidas possíveis ações para a Incubadora Criativa de Ribeirão das Neves. A partir desse encontro, nasceu a Rede de Trabalhadores da Cultura de Neves, anteriormente já sugerida pelo Rodolfo, com o objetivo de aproximar os apoiadores da cultura local. A ideia era que cada co-

laborador que aderisse à Rede fosse responsável por trazer novos interessados. Seriam propostos cursos de capacitação para os participantes, oferecidos por sistemas de apoio e pela Universidade, além de favorecer o surgimento de um ambiente mais integrado, onde as trocas e a cooperação entre os atores promoveriam outros ganhos. Além disso, nesse mesmo encontro, foi discutida a revitalização do espaço das caixas d’água como possível local para a mobilização cultural da população. A ideia foi muito bem aceita e acordou-se que o encontro seguinte aconteceria já naquele local, para que todos pudessem sugerir intervenções futuras. Para essa visita foi criado um evento no Facebook de forma que o maior número de pessoas pudesse ser convidado. Nessa oportunidade, foi realizado um piquenique no local e cada participante expressou suas expectativas em relação à Rede de Trabalhadores da Cultura de Ribeirão das Neves, e às possíveis intervenções naquele espaço. Também foi aplicado um 21


questionário para apurar ideias, tanto para a o cenário cultural em geral como para o próprio espaço da caixa d’água, buscando ainda mapear as habilidades individuais e eventuais demandas por cursos de formação artístico-cultural. O último encontro, denominado mutirão de limpeza da caixa d’água, foi marcado por um domingo de muito trabalho, tornando-se a principal ação realizada na parceria entre a comunidade e os alunos da disciplina. Assim como os demais encontros realizados anteriormente, este também foi combinado a partir das redes sociais, na forma de um evento do Facebook onde foram listadas as tarefas a serem executadas, bem como uma programação das atividades culturais e de práticas reflexivas sobre o projeto e seu futuro. Várias pessoas (alunos da disciplina, professores, artistas, produtores, servidores, trabalhadores e crianças) se envolveram na ação e, motivadas pelo desejo de colocar o município de Ribeirão das Neves em local de destaque da cultura metropolitana, passaram o

dia mobilizados na transformação da caixa d’água em Espaço Neves. Dentre as atividades, foram realizadas: limpeza, capina e retirada de entulho, iniciando uma bela ação coletiva de apropriação daquele espaço. Após as atividades, foi feita uma pausa para o almoço coletivo, feito por uma das pessoas envolvidas no projeto, no refeitório da escola estadual Pedro Alcântara de Nogueira, próximo ao espaço das caixas d’água. Em seguida, houve um momento de conversa sobre o projeto e suas potencialidades, finalizando o encontro com uma apresentação de dança e uma oficina de percussão corporal, ambas atividades realizadas por artistas locais. Posteriormente a essas discussões, o nome do projeto foi redefinido para “Projeto CASULO”.

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conclusão A título de conclusão, é importante ressaltar o quão enriquecedor foi esse processo pra todos os envolvidos, bem como a beleza de se construir algo por meio da mobilização coletiva. No que diz respeito aos alunos, a experiência de colaborar em uma prática de extensão universitária foi extremamente importante, não apenas para a formação profissional e pessoal, mas como uma alternativa de ensino horizontal, onde o saber técnico e o saber cotidiano se fundem dissolvendo hierarquias. Para a comunidade local o processo foi proveitoso pela criação da Rede de Trabalhadores da Cultura de Ribeirão das Neves, pelo estabelecimento de um canal de comunicação entre os diversos produtores do ramo cultural local, além de promover o sentimento de pertencimento local e iniciar um processo promissor de ocupação e gestão comunitária do espaço.

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SANTA MARTINHA

Ana Carolina Loures, Gabriel Lacerda, Matheus Ramos, Taís Clark

RIBEIRÃO DAS NEVES 26


localização

BH

RMBH - Ribeirão das Neves - Bairro Santa Martinha - Santa Martinha 27


histórico Localizada em um centro ecumênico na Rua Coletor José Lago, nº 304, próxima à Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no bairro Santa Martinha em Ribeirão das Neves, a Associação de Tecelãs é um espaço que funciona desde 1987. O local é financiado por um vereador e sua família e tem como objetivo oferecer oficinas e materiais para que pessoas maiores de 60 anos possam desenvolver trabalhos artesanais, além de proporcionar um espaço de encontro e lazer para os idosos. Apesar de não possuir restrições quanto a sexo e gênero, a grande maioria dos inscritos é composta por mulheres, que também fazem parte de um grupo de cantigas de roda que se apresenta ocasionalmente em eventos. A Associação permanece aberta três dias por semana - de segunda à quarta-feira -, sendo o turno da manhã reservado exclusivamente às idosas associadas para a produção livre de tapetes e demais artesanatos. À tarde, acontecem cursos de tapeçaria abertos a homens e mulheres de qualquer idade, cuja duração, em teoria,

é de dois meses, mas na prática não existe uma delimitação exata de tempo. Para todas as associadas é oferecido café da manhã e almoço nos dias de funcionamento, estando a alimentação e a manutenção do espaço a cargo de duas funcionárias contratadas. A sede da Associação, apesar de comportar bem as idosas e demais participantes, permanece inacabada e há espaço limitado para expansão. Tampouco suportaria as 140 idosas associadas num mesmo horário, se fosse preciso. Como é um ambiente livre, algumas inscritas produzem tipos específicos de artesanato. No entanto, as frequentadoras/ aprendizes produzem exclusivamente tapetes, sendo eles de tear e de agulha de crochê. Um problema que as tecelãs enfrentam é a falta de lojas na região para vender seus produtos, mesmo a Associação sendo cercada por um comércio diverso e aparentemente intenso. O tear em moldura consiste em uma técnica antiga de tecelagem, na qual uma longa tira de tecido en28


trelaça horizontalmente as tiras menores apoiadas na base e no topo da moldura de madeira. No caso dos tapetes produzidos na Associação, a maioria das tiras são em malha PV, Poliéster ou Viscose (malhas bastante comerciais e econômicas). A sede ainda possui máquinas de costura, que estão paradas por falta de manutenção e de projetos para sua utilização. O material é adquirido em parceria com um comprador que traz a matéria prima do sul do país e a transporta até os estados de São Paulo ou Rio de Janeiro, ficando a cargo da Associação o transporte até Ribeirão das Neves. O custeio do material é de responsabilidade das próprias inscritas, que pagam com o dinheiro proveniente da venda de seus produtos. Cada uma delas, ao pegar o material na sede, deve depositar o valor de R$ 8,00 (preço de custo do material) numa caixinha que não é fiscalizada. Os tapetes do tear são vendidos em média a R$ 30,00 e os de croché têm uma grande variação de preço devido à diversidade de formas e tamanhos.

O espaço onde se localiza a Associação possui uma atmosfera informal e aconchegante, principalmente pela forma como os visitantes são recebidos: sempre com uma música de “seja bem vindo”. As participantes são sempre muito simpáticas e demonstram interesses variados em relação às atividades desenvolvidas pela Associação. Algumas buscam apenas um local para produzir artesanato, outras aproveitam mais os momentos de convivência, as cantigas de roda e as danças, formando um conjunto bem heterogêneo. A interação com as tecelãs é um desafio porque não há uma rotina nem uma sistemática a ser seguida. Ainda há a barreira da idade, que dificulta a audição e o entendimento e, assim, a explanação coletiva de uma ideia, ainda que na comunicação pessoal elas sejam bastante receptivas. Em geral, não existem queixas ou demandas relevantes, apenas desejos de oportunidades melhores para a venda dos artesanatos.

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ação realizada A ação realizada juntamente à Associação se estruturou em dois eixos: 1) buscar formas alternativas de venda do artesanato produzido, uma vez que muitas pessoas da região sabem e fazem tapetes para vender, e a tentativa de abrir uma loja no bairro se demonstrou infrutífera. 2) diminuir o custo da matéria prima sem, contudo, aumentar a quantidade comprada, por não haver onde armazená-la. O projeto do grupo de alunos consistiu na tentativa de auxiliar os organizadores da Associação a integrar as tecelãs no mercado de artesanato, apresentando novas oportunidades, tanto de fabricação quanto de mercado consumidor. Além disso, a ação teve como objetivo estabelecer um contato com as pessoas que apenas frequentam o curso, sem vínculo com a Associação, convidando-as a participar de uma rede integrada à RMBH, envolvendo demais trabalhos dos LUMEs

i) visitas ao entorno da Associação para elaboração de diagnóstico; ii) visitas à sede para conhecimento dos trabalhos realizados e dos cursos ministrados; iii) levantamento e distribuição de tarefas junto às demandas levantadas; iv) busca de parceiros para vendas e de algo novo para diversificação do trabalho; v) visitas em ambos os horários para conversas sobre os meios encontrados; vi) contato com outras lojas para conseguir vendas consignadas e estabelecer novas parcerias; vii) busca por contatos com feiras para conseguir um espaço para venda; viii) busca por patrocínio; ix) venda de rifas em igrejas; e x) tentativas de estabelecer outras formas de arrecadação.

Com essa perspectiva, as atividades realizadas foram exclusivamente de conhecimento e do perfil das artesãs através de contato pessoal, e compreenderam: 31


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conclusão Após algumas tentativas de construir respostas às demandas expostas pelas tecelãs, ficou claro que o foco da Associação não era o produto final, pelo contrário, ele era um meio, e não um fim: o que realmente importava era o processo desenvolvido com as idosas, o artesanato era apenas uma consequência. Cada artesã tece tapetes e outros produtos sem pressa, sendo impossível estimar o tempo exato gasto com a produção de cada um. - em média, costumam gastar três dias da semana para um tapete, mas com grandes intervalos para conversação, dança e canto. Toda demanda que o grupo identificou e trabalhou juntamente com Luzia (idealizadora da Associação) e algumas tecelãs se restringiu a desejos particulares das participantes, que não condiziam com o objetivo da Associação, ou com a necessidade da maioria. Dessa forma, os dois eixos nos quais se pautaram as ações - um plano de comercialização e a tentativa de diminuir os gastos com a matéria prima -, se mostraram soluções para problemas que não prejudicavam as atividades.

Demorou um tempo para o grupo compreender que o espaço é, antes de tudo, um centro de convivência e, portanto, gerar renda ou mesmo aumentar a comercialização dos produtos não faz parte do objetivo principal. O fato é que a Associação já cumpre os seus objetivos no formato em que se encontra, por isso não há um real interesse em transformar sua estrutura ou implementar mudanças em relação a utilização das matérias e venda dos produtos. A atividade de cantiga de roda, a qual o grupo pouco deu atenção durante a realização do projeto, acabou se mostrando como um ponto central da Associação, tão importante quanto a produção dos tapetes e artesanatos. Grande parte do dia das tecelãs é dedicado ao ensaio de cantigas para apresentações locais e regionais, sendo de vital importância para o desenvolvimento e sociabilidade das idosas, como ficou demonstrado no seminário final da disciplina, ocasião na qual as artesãs cantaram e dançaram no auditório da Escola de Arquitetura. 33


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PARQUE BARROCÃO

Fábio Luís Gonçalves, Giovanni Augusto de Oliveira, Luísa Melgaço, Procópio Cardoso, Rafael Alves, Sidirley Bento, Thiago Santa Rosa

MATOZINHOS 35


localização

BH

RMBH - Matozinhos - Bairro São Paulo - Parque Barrocão 36


histórico O Parque Municipal Ecológico do Barrocão está localizado na Reserva Ecológica de mesmo nome, no bairro São Paulo - município de Matozinhos -, com área aproximada de quatorze hectares. Os esforços para que o local que hoje abriga a mais nova área de preservação do município virasse um parque ecológico remontam há quase 10 anos atrás, sendo que dois nomes se destacam como precursores do processo: Procópio de Castro (atualmente conselheiro da Área de Preservação Ambiental Carste de Lagoa Santa, integrante do Projeto Manuelzão e ambientalista engajado) e Sidirley Bento (vereador municipal, defensor da preservação ambiental em suas pautas de campanha política), ambos moradores de Matozinhos. O espaço hoje ocupado pelo Parque, antigamente referenciado por Reserva Ecológica do Barrocão, nada mais era que a área verde da reserva legal do empreendimento imobiliário que deu origem aos bairros São Paulo e São José. Em razão do desconhecimento acerca da origem do local por parte de muitos

membros da comunidade, a área verde quase foi submetida a um processo de parcelamento do solo, transformando-se em mais um empreendimento imobiliário do município. Felizmente esse processo foi impedido pelo ambientalista Procópio, pelo vereador Sidirley e por outros interessados, motivados pela importância da área para o lazer e o bem-estar principalmente da comunidade matozinhense. A intenção era transformar o Parque em uma área de lazer, esporte, cultura e educação, cuja referência pudesse extrapolar o âmbito local reforçando, também na escala metropolitana e regional, o caráter turístico da região, da qual também fazem parte o Parque Estadual Cerca Grande e os Monumentos Estaduais Naturais da Vargem da Pedra, da Experiência da Jaguara e da Gruta Santo Antônio, locais de sítios paleoarqueológicos de importantes pinturas rupestres. Sendo assim, a partir de um projeto de lei aprovado no dia 11 de novembro de 2014 (Lei Municipal 2.268), o vereador Sidirley Bento, com o apoio do Procópio, da 37


Chiquinha da Associação de Desenvolvimento de Artes e Ofícios (ADAO), e de outros moradores locais, conseguiu concretizar a demarcação do Parque Municipal do Barrocão. Mesmo antes dessa aprovação, eles já cuidavam da preservação da área desde o ano de 2008, através do cercamento do Parque, do plantio de mudas nativas, da divulgação da então Reserva Ecológica do Barrocão e dos procedimentos preventivos para a manutenção adequada do espaço - como está descrito no cartaz de divulgação da referida ação para plantio de mudas, realizada no dia 30 de novembro de 2013. Com relação à trajetória rumo a transformar-se em um LUME, Sidirley foi o primeiro a estabelecer diálogo com o tema, a partir da sua experiência na participação das discussões para elaboração do PDDI/RMBH e, posteriormente, na elaboração do Macrozoneamento Metropolitano (MZ/RMBH), realizado entre 2013 e 2014, ambos realizados por equipes sob a coordenação da UFMG. A primeira experiência da parceria entre a discipli-

na do LUMEs e o Parque Barrocão se deu no mês de março de 2016. Inicialmente, a intenção dos parceiros era a elaboração de um projeto para construção de uma Biblioteca-Parque no local. Contudo, na medida em que os trabalhos foram evoluindo e que a comunidade local foi tendo uma participação mais ativa nas discussões sobre os rumos do Parque, percebeu-se que não havia necessidade de concentrar esforços em um projeto desta dimensão naquele momento, e que outras ações mais imediatas poderiam ser realizadas como forma de dar início ao processo de uso efetivo da área. De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), nem todos os usos são permitidos naquela área, sendo proibidas atividades de extração local para fins comerciais, mas sendo permitidas atividades de fins recreativos, de educação ambiental e de pesquisa, desde que não causem danos ao ecossistema local, composto principalmente de plantas nativas do bioma da Mata Atlântica e do Cerrado. 38


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ação realizada A inserção da disciplina dos LUMEs no processo de construção do Parque Ecológico Barrocão tinha como principal objetivo a consolidação da participação popular, não apenas nas discussões sobre o projeto do Parque, mas também nas questões afetas ao município, seja no âmbito do planejamento urbano ou em outras esferas de interesse da comunidade. Dessa forma, esperava-se auxiliar na construção de um processo participativo para o município de Matozinhos, tendo como princípio catalisador as discussões em torno do Parque. Durante o processo foram diagnosticadas algumas questões que acabaram por adicionar novos objetivos para o projeto, tais como diversas formas de apropriação comunitária do espaço destinado ao Parque Ecológico do Barrocão. Dessa forma, podemos afirmar que o objetivo que norteou as atividades da disciplina foi fomentar a participação popular na construção do Parque, tendo como referência teórica o conceito de governança metropolitana. A contribuição desse con-

ceito se pauta pelo modelo constitucional permeável à participação da sociedade, buscando a implementação de políticas públicas de interesse comum. Entendemos que experiências brasileiras de gestão metropolitana compartilhadas e participativas tendem a ser mais eficientes no desenvolvimento territorial e atendem democraticamente às determinações legais. A metodologia utilizada se constituiu em visitas a campo, entrevistas com a população, distribuição de formulários e mapeamento coletivo por parte dos moradores de Matozinhos. Os diversos encontros também eram oportunidades para se discutir os avanços, os próximos passos e as expectativas. A primeira visita ocorreu no dia 16 de Abril de 2016, no entorno da área do Parque Ecológico Barrocão. Esse primeiro evento serviu para que o grupo conhecesse o local e tivesse um primeiro contato com a população interessada em participar da construção coletiva do projeto. O ponto de encontro foi na Rua Florestal esquina com Rua Vinte e Seis, e teve a par40


ticipação de 28 moradores de Matozinhos. Desde esse primeiro contato já apareceram algumas demandas da população referentes aos equipamentos desejados, tais como parques infantis, áreas de leitura e práticas de esportes, playgrounds, um pequeno anfiteatro, entre outros. Uma vez assimiladas e discutidas as leituras realizadas por ocasião da primeira visita, realizou-se a segunda visita de campo no dia 07 de Maio de 2016. Este encontro teve um caráter mais restrito, contando com a presença apenas do vereador Sidirley e do Procópio. Nessa oportunidade o grupo de alunos tinha a intenção de distribuir alguns panfletos que seriam usados como subsídio para uma pesquisa junto à população local (conhecimento da área, intenção em participar, dentre outras questões). A devolução do panfleto/questionário, como já é previsível nesse tipo de abordagem, não teve grande expressão em termos quantitativos, já que a distribuição encontrou alguns problemas de comunicação e disponibilidade para entregas mais imediatas

a nível local. Foi possível, no entanto, vislumbrar novas demandas e novas figuras se envolveram no processo no momento em que se depararam com o formulário. Além disso, também houve uma proposta de atividade no interior do parque. Por fim, os alunos também aproveitaram a visita para expor aos dois representantes da comunidade de Matozinhos ali presentes algumas sugestões e demandas que o próprio grupo identificou durante a primeira visita. Antes da terceira visita, foi realizada uma reunião do grupo de alunos para discutir o planejamento das atividades propostas para o próximo encontro com a população: um piquenique no interior do parque, uma caminhada até o ponto do parque conhecido como Mirante e, por fim, um mapeamento coletivo que permitisse aos presentes expor seus desejos em relação ao Parque - equipamentos e uma proposta de implantação projetual para o local. Todas as atividades tinham como objetivo principal iniciar um processo de apropriação do espaço do Parque Ecológico, 41


além de fortalecer o sentimento de pertencimento em relação ao local e ao próprio grupo de moradores. As atividades foram marcadas para o dia 21 de Maio de 2016, e o encontro se deu já no interior do Parque Ecológico Barrocão. No primeiro momento foi proposta uma conversa com os presentes, no sentido de reforçar os objetivos do projeto LUMES e a importância de se ter uma ampla participação popular na construção do projeto Parque. No segundo momento, foi realizada a caminhada com todos os presentes até o Mirante. É importante registrar que, para muitos dos presentes, essa foi a primeira oportunidade de conhecer a área interna do parque, já que ele sempre se encontrava fechado. No terceiro e último momento da atividade, foi realizado um mapeamento coletivo que tinha como principal objetivo verificar qual o nível de interação dos moradores da região com o espaço em questão, além de possibilitar a representação de pontos de interesse presentes no interior do parque e nos arredores. Para

realizarmos esse mapeamento dividimos os presentes em dois grupos, de maneira que eles pudessem desenhar a área do parque e colocassem ali os aparelhos e equipamentos que julgassem prioritários. A partir dessa ultima visita, bem como do recebimento de alguns dos formulários entregues anteriormente, foi possível listar as seguintes demandas: Demandas via formulários: Museu aberto (plantas e artes); Espaço para apresentação artística; Pista de caminhada; Espaço para alimentação; Lazer infantil; Envolvimento da escolas; Academia ao ar livre; Oficinas para a melhor idade; Quadra de esportes; Envolvimento de empresas no financiamento; Aproximação com a associação do bairro. Demandas via mapeamento: Estacas para a fixação de redes; Cascata artificial; Tirolesa; Espaço para atividades multiculturais; Pista de Skate; Espelho d’água; Quadra de tênis. A última visita da disciplina se deu no dia 08 de Junho de 2016 e ocorreu na Câmara Municipal de 42


Matozinhos, ocasiĂŁo em que foram expostos o processo, as conclusĂľes e as propostas elaboradas pelo grupo de alunos. A partir das demandas levantadas foram apresentadas propostas de diferentes escalas. Como sĂ­ntese de todo o processo foi apresentado um estudo preliminar para o Parque, tendo como referĂŞncia algumas das demandas levantadas durante as visitas anteriores.

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conclusão Ao final desta etapa foi possível constatar que, para que os objetivos propostos pudessem ser alcançados, seria necessário uma maior participação popular. O maior envolvimento com a comunidade poderia ser feito a partir de rádio local, Facebook, jornal da cidade, dentre outras mídias, capazes de atrair mais pessoas do município, ampliando a participação popular e atraindo investimentos públicos ou privados para implantação do projeto. Para a implantação dos equpamentos que demandam grandes investimentos (biblioteca, anfiteatro, museu etc), o município poderia pleitear compensações ambientais das empresas privadas que ali exploram recursos naturais. Por fim, o movimento de apropriação do Parque é sempre muito positivo, pois atende algumas das carências imediatas da população local no que diz respeito a atividades de lazer e espaços públicos de convivência.

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Alice Cristina Martins,

FEIRA SAIA DA LINHA VESPASIANO

Alessandra da Silva, Alessandra Rosa, Bárbara Janine, Beatriz Antuña, Carlos Ney, Edméia Soares, Ednéia de Fátima Santos, Felipa Fevereiro, Gecilma Ribeiro, Jaqueline Guimarães, João Paulo, Joaquim Maciel, Luci Santos, Luzia Lima, Maria Aparecida Lima, Marcio Braga, Roberta Guimarães, Rubens dos Santos, Thamara Felix, Thiago Flores, Valdirene Ribeiro, Valéria Glauss, Zilda Prates

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localização

BH

RMBH - Vespasiano - Bairro Parque Jardim Maria José - Feira Saia da Linha 48


histórico A Feira Saia da Linha, situada no município de Vespasiano, foi criada a partir da preocupação de alguns artesãos locais com o desenvolvimento econômico do municipio e com a necessidade de se reconhecer a potência das práticas criativas e compartilhadas. O projeto nasceu trazendo consigo as variadas experiências de vida, trabalho, cidadania e anseios dos seus fundadores que ali se debruçaram com tanto empenho. A disciplina dos LUMEs contribuiu para a realização desse projeto ajudando a pensar ações que viabilizassem a feira, fomentando as parcerias locais ou mesmo divulgando o evento e convidando a comunidade a participar. Diversos foram os encontros realizados com os artesãos, além de visitas para conhecer melhor o espaço de realização da feira e para reconhecimento do seu entorno. Também foram realizadas dinâmicas para compartilhamento de ideias e organização do trabalho dos artesãos, no sentido detraçar metas e estratégias para alcançá-las em curto, médio e longo prazos. A

construção participativa norteou todas as etapas do processo e foi fundamental para a condução dos trabalhos . Inicialmente, os contatos foram feitos com Gecilma Ribeiro e Edmeia dos Santos, duas das idealizadoras do coletivo, que por meio do artesanato buscavam promover ações socioeducativas, além de ampliar o acesso da comunidade de Vespasiano aos bens culturais locais. Para a concretização do projeto o coletivo contou com grande apoio da Biblioteca Diadorim, importante espaço sociocultural de Vespasiano. No início, a feira acontecia em espaço bem próximo à biblioteca, de maneira a vincular a atividade de comércio de artesanato à prática de leitura. Os artesãos da Feira Saia da Linha visavam, para além do interesse econômico, despertar o interesse da população em relação às ações locais e a cultura de um modo geral. Essas práticas também tinham por objetivo estimular a noção de pertencimento da população local, além de 49


ter como perspectiva alcançar outras comunidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente a Feira passou a ocupar um espaço no Bairro Maria José e acontece regularmente todos os sábados de manhã e à tarde.

O trabalho dos alunos na observação, no preparo das reuniões e dinâmicas, contribuiu para fomentar as iniciativas do grupo de artesãos, além de intensificar a divulgação da feira e promover a associação de novos expositores.

Alguns fatores contribuiram para o sucesso dessa parceria. O primeiro deles foi o entusiasmo do grupo de artesãos, que também deixaram evidente um forte sentimento de pertencimento e valorização do município. Além disso, a produção de artesanato era bem diversificada e alguns dos objetivos em relação à feira já estavam bem estruturados. Partindo daí, o grupo de alunos da disciplina ajudou a identificar problemas e potencialidades, além de contribuir na construção de metas e na idealização de ações. Algumas questões de ordem prática, tais como o aluguel das barracas, a setorização da feira e a busca de parcerias foram rapidamente resolvidas por iniciativa dos próprios feirantes.

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ação realizada O grupo foi para Vespasiano conhecer a feira e seu entorno, analisando potencialidades e dificuldades que pudessem interferir na realização do evento. Nessas visitas foi possivel constatar um discurso do grupo local bem alinhado com os objetivos traçados, sua identificação como coletivo sociocultural, além de profundo conhecimento da realidade local. Assim, não foi dificil chegar à decisão sobre o local definitivo da feira, assim como uma boa sintonia com os comerciantes locais, que pode ser evidenciada na parceria firmada com o Bar do Leo, adjacente à feira. Nessa parceria, o comerciante permitiu aos feirantes o uso do sanitário e, em contrapartida, foi beneficiado com o aporte de usuários ao seu comércio de bebidas e alimentos. Outra forma de participação dos alunos foi ajudando a divulgar a página do Coletivo no Facebook, já sinalizando que a comunicação deveria ser um dos pontos fortes para o sucesso do projeto. Após os primeiros contatos, os artesãos sentiram-se mais à vontade para expor algumas de suas difi-

culdades para a realização da feira. Os principais problemas identificados foram o custo com o aluguel das barracas e o compromisso dos associados em participar todos os finais de semana. Passados esses primeiros encontros, o grupo de estudantes agendou uma reunião com os feirantes e também com a professora Sibelle Diniz, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (CEDEPLAR/FACE/UFMG), para melhor entendimento sobre o tema da economia solidária, bem como da economia da cultura. O que se pretendia era compreender que aspectos deveriam ser trabalhados com os artesãos a fim de se obter o maior reconhecimento e retorno da feira. Foi acertado com os artesãos a realização de uma dinâmica centrada na matriz de análise de marketing denominada Boston Consulting Group (BCG), método utilizado para gerir marcas e fazer planejamento estratégico de vendas. Esta matriz adaptada possibilitou, de modo lúdico, o 52


reconhecimento da realidade da feira a partir de categorias simbólicas que determinaram os pontos fortes, fracos, problemas, sugestões e dúvidas, apresentadas pelo grupo durante a reunião. Esta análise interna trouxe à tona alguns dos problemas já conhecidos e relatados, além de outras demandas, às quais o grupo ainda não havia atentado, tais como: custos com o aluguel ou compra das barracas; setorização das barracas no local da feira; divisão de tarefas; embalagens; parcerias; cursos; e gestão financeira. Num dos sábados posteriores, o grupo de alunos realizou nova visita à Feira e foi surpreendido pelo fato dos artesãos já terem conseguido se articular para a compra de todas as barracas, livrando-se assim dos custos com o aluguel. Esta ação surpreendeu positivamente, pois os artesãos atingiram uma das metas propostas a partir de sua própria iniciativa. Também houve consenso sobre a limpeza do local após a realização da feira, em relacão à definição de um membro responsável pela criação do material gráfico

e sobre a divulgação da Feira Saia da Linha. O último encontro se deu em uma reunião, ocasião na qual se discutiu possíveis parcerias, como com o grupo da Associação de Catadores do município, além do protótipo das embalagens personalizadas para os feirantes, de modo que os produtos comercializados fossem ainda mais valorizados. Nessa reunião, também foi discutida a decoração da feira, bem como a criação e a oferta de oficinas de capacitação em parceria com a Biblioteca Diadorim, além do convite para a participação dos feirantes na Feira de Tudo, evento realizado mensalmente na Escola de Arquitetura e Design da UFMG, em Belo Horizonte.

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conclusão Todo o processo, bem como as ações das quais os estudantes participaram, ajudaram a fortalecer o projeto, que seguiu adiante de forma autônoma, mesmo com o encerramento do período letivo. Percebeu-se que a integração do grupo de artesãos com cada novo participante atingiu um ponto ótimo para a condução das atividades e expansão do Coletivo e da Feira, consolidando ideais e proposições feitas no começo do processo. O projeto apresentou evidências de seu amadurecimento, fazendo-nos crer que a gestão da Feira Saia da Linha atingiria várias de suas metas em curto e médio prazos. O grupo local pareceu-nos bem coeso no sentido de ampliar a divulgação do evento e avançar cada vez mais em direção ao seu fortalecimento.

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COOPERVESP

Edgard Oliveira, Francielle Chaves, Matheus Ramos, Pedro PatrĂ­cio

VESPASIANO 57


localização

BH

RMBH - Vespasiano - Bairro Vila Esportiva - Coopervesp 58


histórico A Cooperativa de Catadores de Vespasiano (COOPERVESP) foi fundada em 04 de julho de 2008, porém suas atividades foram iniciadas em julho de 2006 por iniciativa de uma liderança local que, sensibilizada com a presença de catadores no bairro trabalhando de maneira informal, iniciou um processo de mobilização para organização dos mesmos. Havia nesta ocasião um pequeno grupo de mulheres que coletavam PET´s e latinhas e comercializavam para ferros velhos da região. Esse grupo era formado, em sua maioria, por artesãs envolvidas com o princípio da economia solidária, e foram elas as protagonistas da organização da cooperativa. Assim, a Coopervesp surgiu através da mobilização e da luta dos catadores de materiais recicláveis da região da Vila Esportiva, que procuravam melhores condições de vida por meio da reciclagem. Neste sentido, a ação inicial de organização foi investir no desfio de PET, utilizando um galpão alugado no bairro Vila Esportiva, em Vespasiano. O material produzido era vendido para

uma fábrica de vassouras em Belo Horizonte. Essa primeira iniciativa, apesar de contar com número expressivo de catadores, encontrou várias dificuldades, tais como a falta de capital de giro e a recolha dos PETs, gerando o desafio da rotatividade dos trabalhadores. A partir daí, verificou-se que a coleta diversificada de material reciclável poderia produzir uma renda maior para os trabalhadores. Com isso, foi pensada uma nova tentativa de investimento na melhoria das condições de trabalho e renda, a partir de doações de parceiros e apoiadores que viabilizaram os primeiros alugueis do galpão alugado para recebimento e triagem de material. Entretanto, a ajuda era esporádica e os trabalhadores se sentiam constantemente ameaçados de despejo, pois não dispunham de condições para manter o pagamento regular do aluguel. Mesmo assim, os trabalhadores encontravam na ação organizada uma forma de melhorarem sua condição social e de trabalho e a associação se consolidou legalmente num esforço da equipe. 59


Nesse momento. foi estabelecida uma parceira com a Associação Preparadora do Cidadão do Amanhã (APRECIA), que garantiu o pagamento do aluguel do espaço por um ano, bem como vários processos de capacitação e formação dos trabalhadores. Essas iniciativas propiciaram a melhoria das condições de trabalho com doação de maquinário para tratamento e desfio do PET, entre outros. A parceria também trouxe um novo ânimo aos trabalhadores, mas a dificuldade de coletar o material, principalmente por este ser feito por meio de aluguel de carreto, sempre foi um entrave para que a Associação se consolidasse social e economicamente no mercado de trabalho. A parceria com a APRECIA teve duração de um ano e meio e, após seu encerramento, a associação ainda se encontrava fragilizada por permanecer refém desse ciclo que provocava uma rotatividade entre os trabalhadores. Nova dificuldade enfrentada foi a volta do compromisso com o pagamento do aluguel, inviável à associação. Os associados recorreram à prefeitura em busca de apoio

para aquisição de um local de trabalho e, após intensa mobilização, a prefeitura alugou um espaço para o funcionamento da unidade de triagem da associação. Atualmente, a COOPERVESP está instalada em um galpão de 140 m2, alugado por tempo indeterminado pela prefeitura de Vespasiano, localizado no bairro Jardim da Glória. O grupo faz a coleta seletiva em estabelecimentos públicos e privados da Vila Esportiva e região. O material coletado ainda é pouco para gerar uma renda expressiva para os trabalhadores, sendo hoje o principal fornecedor de material reciclável a Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais. Com o objetivo de promover a ampliação e otimização da produtividade, o grupo tem buscado parcerias com diferentes frentes de organização social, política e econômica para consolidar-se como um empreendimento viável. Também participa da Rede Solidária de Empreendimentos de Materiais Recicláveis de MG (REDESOL MG), central de empreendimentos solidários do Estado, atuando na RMBH desde sua formação. 60


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ação realizada Um grupo de alunos da disciplina dos LUMEs se envolveu com a luta da Coopervesp, buscando maneiras de trabalhar conjuntamente. Foram realizadas quatro visitas de campo: para conhecimento da realidade e levantamento das demandas; para levantamento de dados e diagnóstico; para discussão e apresentação de ideias preliminares à comunidade; e para levantamentos complementares necessários ao detalhamento dos projetos. A cooperativa fez contato com a universidade devido à falta de opções de transporte de materiais para deixar a organização mais independente, possibilitando uma ampliação do fluxo de trabalho das agentes, e pela busca por um local próprio para desempenho das atividades, uma vez que o atual é alugado e há o risco de despejo por parte da prefeitura. Ao mapearem as demandas que a cooperativa apresentou, os alunos atuaram em diferentes instâncias. No âmbito espacial, existia uma precária organização dos materiais, de forma que o galpão, que já não pos-

sui grandes dimensões, tornou-se muito menos eficiente na sua capacidade de armazenamento, além de condições insalubres de higiene. Os alunos trabalharam na organização do espaço físico para que, no galpão atual ou em qualquer outro local, as agentes conseguissem extrair a maior potencialidade do ambiente. A questão dos cuidados com a saúde e a segurança em relação ao armazenamento e ao processo produtivo também foram considerados. O grupo ainda buscou apresentar materiais e tecnologias de baixo custo para auxiliar na ampliação da área útil de trabalho. Os alunos elaboraram o projeto de um mezanino para a cooperativa, sendo o orçamento realizado pela empresa Flasan. Em relação à gestão, a cooperativa não registra suas ações, não se sabe com exatidão a quantidade de materiais que chega, o que é reaproveitado e a taxa de descarte. Isso dificulta o pleito de benefícios junto ao município, de possíveis parceiros e até mesmo de participarem em editais que possibilitem agregar novos 62


pontos de recolhimento de materiais. Nesse sentido, os alunos criaram um sistema de informação de maneira que as agentes possam ficar inteiradas do lançamento de editais, dos processos de assessoramento e subsídios, além de facilitar a promoção da cooperativa junto ao bairro, de forma que ações de incentivo ao trabalho de reciclagem possam auxiliar na ampliação do trabalho da cooperativa e no desenvolvimento sustentável do bairro. Tais medidas auxiliaram também a promover a integração da cooperativa com o mercado e com a comunidade locais

um projeto e estão à espera de edital para pleitear o tal veículo. Para aumentar a coleta, os alunos sugeriram o contato com a Feira Saia da Linha, que também ocorre em Vespasiano, e os feirantes mostraram grande interesse na parceria. A feira se interessou pela coleta de resíduos produzidos e a cooperativa por conseguir um maior número de material.

Sobre o transporte, a cooperativa possui o desejo de obter um veículo próprio, uma vez que pagam carreto para o deslocamento dos materiais, o que se traduz numa diminuição do lucro obtido pelo trabalho das agentes, além de a aquisição do veículo ampliar a coleta de materiais. Os alunos colocaram em discussão a ideia de um caminhão compartilhado por todas as cooperativas de Vespasiano, mas as agentes falaram da impossibilidade dessa prática. Foi escrito 63


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conclusão O trabalho conjunto entre alunos e trabalhadoras da cooperativa foi de aprendizado mútuo. As decisões foram sempre tomadas de maneira coletiva, sendo possível propor ideias que auxiliaram de fato na dinâmica da COOPERVESP. O ponto chave de todo o processo foi realizar parcerias com outras organizações, a fim de se formar uma rede que pudesse fortalecer os projetos existentes. Além de criar vínculos entre diferentes frentes de trabalho, também foi feito um levantamento de editas para recursos e suporte institucional, como o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), o Bolsa Reciclagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa)/ Fundação Banco do Brasil, dentre outros, o que permitiu também um cruzamento de possibilidades e de ideias.

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2016/2


ALUNOS ANA PAULA FREITAS Arquitetura e Urbanismo

GABRIEL BRAGA

MARINA MAGALHÃES

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

CLARISSE FRIEDLANDER

GABRIEL ORNELAS

THIAGO BARBOSA

Psicologia

Gestão Pública

Arquitetura e Urbanismo

MARIANA TORNELLI

VINÍCIUS DE FREITAS

Psicologia

Design

ORIENTADORAS FLORENCIA SOSA

JÚNIA FERRARI

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

LAÍS GROSSI Arquitetura e Urbanismo


Alice Souza, Ana Graziele, Ana Paula Freitas, Anderson Serafim, Clarisse Friedlaender, Cristiano da Silva Martons, Daniel Souza, Douglas, Ellen Lopes, Fabiola Juniam, Felipe Fulgêncio da Silva, Fernanda Candore, Flávio Henrique, Gabriel Braga, Gabriel Ornelas, Gracielle Stefany de Paula,

CASULO

Jordana Jadyelly, Leiton Souzza, Lidiane de Ávila, Liliane Francisca, Lincon Junio, Lourenço dos Santos, Luanda da Silva Pereira, Lucas Ferrari, Marcia Vitoria da Silva, Marcos Brey, Marcos Gabriel, Marcos Paulo, Marcus, Maria Eduarda, Mariana Tornelli, Marina Magalhães, Natalia

RIBEIRÃO DAS NEVES

Aparecida, Natalia Lorrayne, Nathan Rodrigues, Nilson Gomes, Oderval Junior, Raiane, Samuel, Stephanie da Silva, Thiago Barbosa, Vinícius de Freitas, Walison Alves

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localização

BH

RMBH - Ribeirão das Neves - Bairro São Pedro - Casulo 70


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ação realizada A ação descrita a seguir é uma continuidade ou amadurecimento das iniciativas desenvolvidas no semestre anterior, pelos alunos e parceiros locais, no sentido da apropriação do espaço das caixas d’água, em Ribeirão das Neves. Para sua realização, o grupo contou com as redes sociais, além de reuniões na Escola de Arquiteura e na própria comunidade. Alguns alunos do semestre anterior - Ana Paula e Gabriel Braga-, participaram novamente da disciplina, ajudando a manter os laços anteriormente firmados. A idéia era dar continuidade ao projeto de consolidação do local como ponto de referência para os grupos de cultura do município. O mutirão ocorreu em um domingo e contou com a participação de mais de quarenta pessoas, incluindo alunos da disciplina da UFMG, colaboradores, agentes culturais e estudantes de duas escolas locais: Escola Estadual Pedro de Alcântara Nogueira e Escola Estadual José Bonifácio Nogueira. Assim, no período da manhã foram divididas equipes com as seguintes

tarefas: retirada de parte do entulho da entrada do terreno; retirada de um banco de terra no local previsto para algumas atividades culturais; lixamento, limpeza e início da pintura da edificação para receber o futuro escritório/base do Casulo, bem como o levantamento do espaço para projetos futuros. Concomitantemente à realização das atividades, os voluntários trocaram idéias e sonhos sobre a ocupação do local. Por volta do meio dia foi servido o almoço - preparado também por voluntárias na escola vizinha Pedro de Alcântara Nogueira. Em seguida, foi proposta uma roda de conversas para que os presentes pudessem trocar as experiências vivenciadas no dia. Os participantes demonstraram empolgação quanto à proposta de ocupação das caixas d’águas abandonadas, expondo que o terreno era visto, até então, como um ponto perigoso, mas que a partir dessas ações estava se transformando em “local de sonhos”. Foi relatado também como é importante o processo de construção coletiva para uma maior valorização do espaço, assim como para 72


o fortalecimento do sentimento de pertencimento ao município, que possui uma visão negativa aos olhos da população metropolitana e até mesmo da população local em função do número de presídios que historicamente foram construídos no local. Durante a conversa foram surgindo diversas ideias em relação ao Projeto Casulo e, logo em seguida, foi proposta uma dinâmica pelas alunas do curso de Psicologia que participaram da disciplina LUMEs, objetivando a troca de sugestões e desejos sobre o espaço. A dinâmica envolvia o uso de um rolo de barbantes que era jogado de um interlocutor a outro, de modo que uma rede entre os participantes foi sendo construída. Ao receber o carretel o interlocutor deveria fazer seu relato pessoal para o grupo e, em seguida, remetia o carretel a um outro a sua escolha para que ele também se pronunciasse, e assim sucessivamente. Ao final, estavam todos entrelaçados como num casulo ou uma grande rede.

Nessa dinâmica surgiu uma série de propostas, bem como considerações importantes sobre a potencialidade do projeto. Uma das adolescentes participantes do programa Poupança Jovem discorreu sobre as raízes locais, contando que muitas pessoas tem vergonha de pertencer ao município de Neves por seu estigma, mas que era preciso resgatar o sentimento de pertencimento como algo positivo. Já outra participante ressaltou a importância do protagonismo e da apropriação do projeto pela comunidade,arrematando com a fala “é nosso”. A criação de um museu que conta a história de Ribeirão das Neves, de uma galeria de arte, de uma quadra, de um espaço para praticar skate, a oferta de oficinas de rap, grafite, dança, culinária e a criação de uma biblioteca foram algumas das propostas que surgiram para o local. Esse momento foi encerrado com o agendamento do próximo mutirão cultural e a sensação de que o projeto Casulo se ampliara.

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Ao retornar para o espaço, um dos participantes se ofereceu para ministrar uma oficina de percussão corporal que foi encerrada dentro de uma das caixas d’água experimentando-se o eco e a reverberação produzida pela edificação. Também foi apresentada uma performance de dança por uma bailarina da comunidade. O momento cultural do mutirão foi integrador e propiciou ainda mais trocas entre os participantes, demonstrando que o local já poderia comportar algumas atividades, o que significava oportunidade para a consolidação do Casulo.

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conclusão Os mutirões têm se revelado como uma oportunidade de potencializar o número de adeptos a cada encontro, além de transformar todos os atores envolvidos - alunos e professores da UFMG, coletivos e agentes culturais, comunidade do entorno, jovens das escolas públicas e voluntários em geral. Além desse ganho, a ação realizada no dia 18/09 obteve uma série de desdobramentos positivos em relação ao projeto e seus entes envolvidos. O principal foi a inclusão de novos participantes, em sua maioria bem jovens, provenientes da parceria realizada com o programa Poupança Jovem, um projeto social implantado em diversas escolas da RMBH que visa reduzir a evasão escolar, com participação em diversas atividades de formação complementar. Este envolvimento, além de provocar questionamentos e discussões a respeito de temas como: coletividade, cidade e construção comum de espaços (um dos objetivos dos LUMEs), poderia dar impulsão ao projeto, expandindo as possibilidades de uso e gestão do espaço.

Outro desdobramento foi a maior integração entre aqueles que já estavam presentes no início do projeto. Após o mutirão reuniões começaram a ser organizadas e divulgadas a todos, de modo a sistematizar as demandas atuais e as ações futuras; estabelecendo prioridades e delegando funções específicas. Esta organização é de extrema importância, uma vez que, apesar da gestão coletiva ser muito rica, é também complexa e demanda um intenso trabalho no sentido de administrar as expectativas e conflitos. Por fim, como consequência das reuniões e discussões internas, outros mutirões estão sendo pensados, auxiliando no processo de apropriação do espaço e agregando uma identidade própria do projeto. Em uma dessas reuniões, viabilizou-se a criação de uma biblioteca experimental no espaço, a partir da exposição de livros doados quee foram colocados em barbantes fixados na parede, de modo a constituir uma biblioteca em formato de varal. Esta ação coletiva contou mais uma vez com a presença de alunos do Poupança Jovem. 76


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VILA VICENTINA RAPOSOS

Ana Paula Freitas, Clarisse Friedlaender, Gabriel Braga, Gabriel Ornelas, Glauco Gonçalves, Glaziele Cirilo, Luis Gustavo, Mariana Tornelli, Marina Magalhães, Rafael Gonçalves, Thiago Barbosa, Vinícius de Freitas

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localização

BH

RMBH - Raposos - Bairro Espírito Santo - Vila Vicentina 79


histórico O município de Raposos pertence a RMBH e localiza-se a 30 km de Belo Horizonte, sendo limítrofe aos municípios de Nova Lima a sudoeste, Sabará a norte, Caeté a leste e Rio Acima a sul.

tempo fora do município, além de ser um local de descanso nos finais de semana para muitas famílias que residem na capital.

A cidade é atravessada pelo Rio das Velhas e pelo Ribeirão da Prata, além de possuir mais de dezoito nascentes e diversas paisagens naturais, córregos e ribeirões de água cristalina. Em 2014, foi criado o Parque Nacional da Serra do Gandarela com grande parte de sua área dentro do município e a menos de 1 km do centro de Raposos.

Neste contexto, Glauco Gonçalves Dias, morador de Raposos e integrante da ONG Casa de Gentil, fez contato com a UFMG interessado em fazer parceria com o projeto dos LUMEs. A equipe responsável pela disciplina “Oficina Multidisciplinar: Construindo os LUMES” recebeu os representantes da Casa de Gentil no segundo semestre de 2016, a fim de efetivar a referida parceria com o município de Raposos.

Historicamente, a economia de Raposos foi marcada pela mineração com ênfase na exploração do ouro. Contudo, as atividades minerárias encerraram-se em 1998, deixando o município com a economia local desestabilizada, minas a céu aberto sem recuperação ambiental e barragens de rejeitos. O município passou a ter o estigma de “cidade dormitório” já que grande parte da sua população passou a trabalhar em Belo Horizonte e Nova Lima, passando a amior parte do

A proposta pactuada foi o levantamento da antiga Vila Vicentina, onde poderia ser implantado o LUME Raposos. O objetivo era elaborar, a partir desse levantamento, um projeto de revitalização da edificação, pois atualmente o conjunto se encontra em condições bem precárias. O local poderia potencializar algumas iniciativas locais, tais como atividades e ações relacionadas à cultura e ao desenvolvimento socioambiental e econômico de Raposos. Assim, a proposta é 80


que o local se torne também uma referência onde os moradores possam pensar e construir uma narrativa pós-mineração para o município, perpassada pelo direito à cidade e suscitada pela pergunta: “que cidade queremos?”. A Vila Vicentina está localizada ao lado da Capela de Nossa Senhora do Rosário e do cemitério, na parte alta do município. No local funcionou um asilo desde 1939, mas foi interditado em 2004 devido ao abandono em que se encontrava. Em 2015, Glauco e Rafael, seu primo, integrantes da Casa de Gentil, ajudaram a apagar um incêndio na vila - que estava destinada a virar extensão do cemitério - e perceberam o potencial do espaço. Desde então, foi iniciada uma negociação com a Sociedade São Vicente de Paulo, responsável pelo local, para revitalização da estrutura. Atualmente, a Vila está alugada pelos integrantes da Casa de Gentil e o projeto está em processo de elaboração. Dentre as proposta de uso do espaço está o projeto

Permacidade, que tem como objetivo pensar o município de Raposos de uma maneira permanente, ou seja, com planejamento local, desenvolvimento cultural e socioambiental, além de propostas para ampliação das atividades econômicas (ecoturismo, lazer, esporte, etc.). O projeto apresenta três eixos: Vivacidade, integração de ações para promoção do meio ambiente, saúde, bem estar psicológico, padrão de vida e uso do tempo; Veracidade, ações para promover a transparência, governança e valorização local; Vilacidade, fortalecimento da educação, cultura e a vitalidade comunitárias. A primeira ação necessária é a recuperação desse espaço histórico da cidade e sua preocupação com ações inovadoras para pensar e planejar o território com foco em vivências e transformações culturais. A Vila é composta por dois blocos e, para esses interlocutores do município, o mais antigo (e que se encontra voltado para a via de acesso) poderia ser um espaço para manutenção da história, da memória e também 81


das guardas de congado, relacionando-se com o passado do município. No outro bloco, a proposta é de que o local seja ocupado com iniciativas voltadas para as atividades socioambientais, culturais e econômicas e que tenham o futuro como horizonte. Seriam espaços destinados, por exemplo, a cozinha; estúdio audiovisual; informática; atividades terapêuticas; lojinhas de produtos locais; um centro de informações e de recepção ao Parque Nacional da Serra do Gandarela, dentre outras. Além disso, no espaço aberto poderiam ser oferecidas oficinas e atividades. Enfim, trata-se de espaço multiuso, além de designar cômodos para receber alunos e voluntários interessados em trabalhar junto com a comunidade raposense.

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ação realizada A primeira visita ao município ocorreu no dia 25 de setembro de 2016, ocasião da festa de aniversário de 4 anos da Casa de Gentil. Fomos recebidos por Glauco, que apresentou o projeto ali desenvolvido. A Casa está implantada na região da Várzea do Sítio e o projeto é atuante no sentido da valorização da cultura local e do empoderamento social, por meio de diversas atividades, tais como: aulas de música e percussão para as crianças da comunidade, exibição de filmes, exposição de artistas locais entre outras. Em seguida, a equipe teve a oportunidade de conhecer o mirante do município e de lá receber várias informações sobre o contexto local, comentando acerca dos “buracos” no relevo deixados pela atividade mineradora, mas que marcam também a subjetividade dos moradores do município. Por fim, Glauco apresentou a Vila Vicentina à equipe e suas propostas para o espaço.

maior conhecimento do município. A partir do levantamento arquitetônico com algumas plantas, cortes, elevações, detalhes do telhado e modelagem em 3D das edificações, pretende-se realizar um orçamento para revitalização dos blocos. A ação decorrente dos levantamentos e solicitada pelos interlocutores do município foi a criação de um crowdfunding, ou seja, de uma campanha de financiamento coletivo para execução das obras de restauração da Vila Vicentina. A idéia é que, no próximo semestre, os alunos da disciplina se concentrem na elaboração desse financiamento e, se possível, no início das obras.

Posteriormente, foram realizadas mais três visitas à Vila Vicentina com o objetivo de fazer o levantamento arquitetônico das edificações existentes, além de um 84


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conclusão O município de Raposos apresenta um grande potencial para a consolidação do projeto LUMEs pois, além da presença de iniciativas locais como a ONG Casa de Gentil, o recém criado Parque Nacional da Serra do Gandarela também tende a fortalecer a implementação de ações socioculturais e ambientais. O muncípio também oferece trilhas para prática de mountain bike e de motocicletas e locais de comércio da produção artesanal local, a exemplo da Dedo de Gente. A proposta do projeto da Vila Vicentina é de ampliar as ações e atividades socioambientais, culturais e econômica do município, fomentando o debate sobre cidadania local e metropolitana. Além disso, o espaço permitirá construir alternativas para o (des)envolvimento endógeno de Raposos com a valorização da cultura local e do meio ambiente. O próximo desafio é construir o crowdfunding para levantar recursos para custear a reforma do espaço e organizar eventos para articular atores que envolvam e estimulem a participação popular e cidadã. 86


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PARQUE BARROCÃO MATOZINHOS

Ana Paula Freitas, Clarisse Friedlaender, Gabriel Braga, Gabriel Ornelas, Mariana Tornelli, Marina Magalhães, Procópio Cardoso, Sidirley Bento, Thiago Barbosa, Vinícius de Freitas

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localização

BH

RMBH - Matozinhos - Parque Barrocão 89


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ação realizada No segundo semestre de 2016, a parceria entre a disciplina e o projeto do Parque Ecológico do Barrocão foi reafirmada no sentido de dar continuidade às discussões iniciadas anteriormente. Os objetivos de construção e gestão comunitária permaneceram mas, neste semestre, a disciplina adotou um formato diferente devido à menor quantidade de alunos matriculados. A partir de uma discussão entre orientadores e alunos, foi estabelecido que seria mais rico para todos os envolvidos adotar-se uma forma de trabalho itinerante, na qual todos os alunos participassem de todos os projetos do semestre. Seriam elaboradas ações com cada um dos três parceiros que aderiram à disciplina e os alunos trabalhariam conjuntamente em todas elas. Sendo assim, ficou estabelecido com os parceiros do projeto do Parque Ecológico Barrocão que a prioridade ali seria a realização de um evento na área, visando dar continuidade aos trabalhos iniciados no semestre anterior e incentivando o engajamento da comunidade.

Desta forma,. no dia 22 de outubro de 2016 os alunos da disciplina, juntamente com os parceiros locais, fizeram uma visita de reconhecimento à área. Além da Comissão de Acompanhamento do Parque e da equipe da UFMG, alguns moradores também marcaram presença no encontro, resultado da abertura e do diálogo com a comunidade local que o projeto LUMEs, com os alunos do primeiro semestre de 2016, mediou e ajudou a fortalecer. Assim que a equipe adentrou no parque, a partir da Rua Florestal, já foi possível observar a grande quantidade de lixo e entulhos depositados clandestinamente próximo à cerca do Parque. Além disso, como contou-nos Procópio, o local já sofreu diversos incêndios provocados, além de estar sendo utilizado por alguns vizinhos como “canteiros” para suas obras particulares. Nesse percurso, foi possível notar o verde das árvores volumosas que tomam conta da parte norte e leste do Parque. Além dessa vegetação mais densa, o local também conta com uma área plana e aberta na parte 91


baixa, por onde um dia já passou um córrego, e onde os parceiros e moradores locais pensam em constituir um espaço de convívio. Para esta área, bem extensa por sinal, também foram expressos, por parte da comunidade, desejos de abrigar locais para a prática de esportes e outros tipos de lazer, como um campinho de futebol ou uma quadra. Ali também há a previsão de se construir uma portaria que permita o acesso ao Parque pela rodovia MTZ -010, onde já foi implantada uma faixa de identificação do Parque durante o primeiro semestre da disciplina. A partir dessa área plana há uma trilha íngreme que dá acesso ao local denominado pela comunidade de “mirante”, onde é possível ter uma visão geral do parque e de seu entorno, com a perspectiva de se construir ali um espaço de contemplação e permanência. Por fim, além do reconhecimento e do contato dos alunos do segundo semestre com a área e com os moradores locais, nesta oportunidade já ficou acordado um evento para o dia 20/11/2016 pela manhã. Para

a ocasião ficou planejado o plantio de 200 mudas de árvores nativas no Parque, coleta do lixo depositado clandestinamente na área, além da implantação de um portão (feito por um dos membros da Comissão de Acompanhamento do Parque) na Rua Florestal. A ação do dia 20/11/2016 foi a última do circuito planejado entre os parceiros e os alunos da UFMG para este semestre. O evento foi divulgado no Facebook, nas páginas do Parque e dos LUMEs, além dos cartazes elaborados e distribuídos pelos parceiros locais no município de Matozinhos. Um fato que impressionou a equipe da UFMG foi a organização e o engajamento da comunidade, significativamente maior em comparação com o semestre anterior. A diversidade das atividades propostas nessa ocasião - poesia, musica, capoeira etc. - foi uma surpresa positiva para os estudantes, uma vez que todas as iniciativas para a realização do evento foram tomadas pela própria população, demonstrando que a mobilização estava se tornando cada vez mais efetiva. 92


Além dessas atividades, foram realizados o plantio das 200 mudas, a coleta do lixo e a implantação do portão na Rua Florestal. A organização e a divisão de tarefas foram estabelecidas na hora e tudo ocorreu muito bem, com a presença de diversas famílias e moradores de todas as idades. Como a ação aconteceu no dia nacional da Consciência Negra, o tema foi abordado e a data homenageada com uma roda de viola conduzida por músicos locais e uma roda de poesia e prosa - com destaque para alguns moradores jovens da região, que recitaram produções próprias e de outros artistas sobre a temática. Além disso, também houve roda de capoeira com vários integrantes locais. Afora as atividades citadas, os parceiros também conseguiram trazer para o evento uma equipe do Projeto Manuelzão que expôs maquetes e materiais de pesquisa relativos à bacia do Rio das Velhas. Foi montado um estande a partir do próprio ônibus do Projeto, enriquecendo ainda mais a programação do dia. 93


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conclusão Comparando-se as ações do primeiro e do segundo semestres de 2016 da disciplina, foi possível notar uma grande diferença em relação às primeiras expectativas para o projeto do Parque e em relação ao envolvimento da comunidade no sentido de buscar novas formas de apropriação para a área. Se antes o Parque era visto apenas como um projeto que se realizaria a partir da construção de edifícios e equipamentos, agora passa a representar uma possibilidade imediata, espaço comum construído comunitariamente. Finalmente, é notório que o projeto adquiriu fôlego próprio, com vários eventos sendo planejados pela própria comunidade. A discussão sobre o espaço encontra-se em andamento fortalecendo a cada dia a realidade do Parque Ecológico Barrocão, conquista de alguns moradores a principio, mas que a cada dia ganha novos adeptos. Mais do que o Parque, o que se vê é a construção de uma consciência cidadã se consolidando em torno de um objetivo comum: melhorar a cidade que é de todos. 95


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2017/1


ALUNOS ALICE RENNÓ

DANIEL BRAGA

ISABELE ÁVILA

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

Turismo

ANACRIS FRIAS

DANIEL YOSHIOKA

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

ANNE CAROLINE GUEDES Turismo A

DÉBORA FERNANDES

LETÍCIA NOTINI

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

ARTUR SOUZA

Arquitetura e Urbanismo A

JÉSSICA CASTRO Arquitetura e Urbanismo

FELIPE FERNANDES

LUÍSA GRECO

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

CAROLINA GUEDES

FELIPE XAUS

LUIZA BARBOSA

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

CLARA CIRQUEIRAS

FLÁVIO BARBOSA

LUIZA SALLES

Direito

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

CINTYA ORNELAS

GABRIELA RESENDE

MARIA SOALHEIERO

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo


ALUNOS NOÉMIE VER EECKE

THAÍS RUBIOLI

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

PAULO GÓES

THIAGO FLORES

Engenharia Civil

Arquitetura e Urbanismo

RAQUEL SCALABRINI

VERÔNICA FLÔRES

Turismo

Arquitetura e Urbanismo

ORIENTADORAS FLORENCIA SOSA

LISANDRA MARA

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo

JÚNIA FERRARI

MARIANA VANUCCI

Arquitetura e Urbanismo

Arquitetura e Urbanismo


FEIRA SAIA DA LINHA VESPASIANO

Adriana Karina, Adriana Karina, Alice Cristina Martins, Ana Paula Batista, Anne Caroline Guedes, Antônilson Pereira, Aristina Batista, Carlos Ney, Cláudio Rodrigues, Cleides do Carmo, Débora Costa, Edméia Soares Pedro, Elizabeth Ramos, Gecilma Ribeiro, João Lopes, Joaquina Maciel, Kaurlheinz Glauss, Márcio HortaMarcionília Ramos, Maria Aparecida Lima, Maria Auxiliadora, Marilda Rodrigues, Mirlene Soares Lopes, Raquel Scalabrini, Rosilene da Cruz, Solange Batista, Valdirene Ribeiro, Valéria Glauss, Vanessa Aparecida

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localização

BH

RMBH - Vespasiano - Bairro Parque Jardim Maria José - Feira Saia da Linha 101


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ação realizada A parceria da feira com a UFMG, como visto anteriormente, se deu por meio de suas fundadoras Gecilma Ribeiro e Edméia dos Santos, que procuraram apoio na instituição para que o projeto se fortalecesse, proporcionando ao cidadão vespasianense a oportunidade de participar de atividades culturais, além de estimular a produção e a comercialização de produtos artesanais locais. Atualmente, a feira conta com 26 barracas que oferecem, como principal produto, o artesanato local (utensílios no geral e acessórios). Também comercializam roupas e alimentação, e seu funcionamento acontece todos os sábados, de 8h da manhã às 17h da tarde. Foram realizadas três visitas à Feira ao longo do 1º semestre de 2017, além de frequentes contatos via e-mail e redes sociais. No primeiro encontro, escutamos das organizadoras do projeto e dos demais feirantes as diversas demandas do grupo, que foram muitas. A começar pela escassa divulgação, problemas de acesso ao local pela população de Vespasiano, inclusão de

atividades e músicas na feira, dentre outros. Tocou-se ainda no ponto sobre a valorização da Feira, sobre a necessidade de se criar um sentimento de pertencimento em relação ao grupo, pois a principal intenção das idealizadoras do projeto era reforçar os laços entre os expositores. Foi um momento de muito diálogo, interação, conhecimento da Feira e apontamento das principais demandas. No segundo encontro, que ocorreu na Biblioteca Diadorim (pois o mau tempo no sábado inviabilizou a reunião no espaço da Feira), foi de muita conversa sobre qual das demandas poderia ser atendida pela disciplina neste semestre. Definimos então, de comum acordo, que iríamos ajudar na divulgação da feira, por ser um elemento essencial para atrair novos públicos e tornar a feira mais conhecida na região. Assim, o grupo da disciplina ficou responsável por pensar um flyer que pudesse ser usado nas redes sociais e também como panfleto impresso. Essa divulgação também deveria sugerir uma nova logomarca que representasse ainda 103


mais a identidade da Feira. Sendo assim, foi pensado um layout que mostrasse alguns dos objetos utilizados nos processos de produção artesanal, tais como a agulha, linhas, tesoura, fita métrica, régua, botões, alfinetes, dentre outros. O texto seria bem simples e com informações essenciais, tais como data, hora, local e principais produtos que podem ser encontrados na Feira, tal como foi solicitado pelas organizadoras.

Em uma terceira visita, mesmo após uma longa conversa com o grupo de feirantes, não foi possivel chegar a um consenso sobre a mudança da logomarca. Assim, ficou definido que a logomarca antiga seria mantida e, quanto à arte do flyer, houve aprovação, mas deixamos em aberto para as organizadoras qualquer mudança que julgassem necessária. Em seguida estão ilustrados os modelos propostos, além da arte final do flyer aprovado.

Para a logomarca foi pensado um “S” que remetesse o leitor à idéia da via de acesso ao local - a Linha Verde -, assim como barraquinhas que representassem a própria feira. A ideia, tal como sugerido por parte do grupo, era de que cada barraquinha fosse de uma cor, assim como é na feira atualmente. Foi apresentada também uma outra proposta com o “S” mais curvo e sem as barraquinhas. A idéia era uma logo mais “limpa” e fácil de ser bordada nas camisas e aventais usadas pelos expositores.

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conclusão O grupo foi formado por alunas do Turismo e a disciplina se mostrou como uma proposta de trabalho diferente do que estavam acostumadas, proporcionando experiências novas e interessantes. Foram várias visitas a campo, possibilitando oportunidades de contato direto com as pessoas envolvidas na Feira, tanto no sentido de ouvir suas opiniões e expectativas em relação ao projeto, como de exercitar a própria capacidade de criar e trabalhar de forma compartilhada. O trabalho foi intenso e nem tudo transcorreu como planejado. Foi preciso lidar com questões da disciplina e questões internas da prórpria Feira, dificultando o alcance dos objetivos. Entretanto, apesar de não ter sido concluída a demanda de divulgação conforme o plano, o grupo entendeu que os conflitos fazem parte de qualquer processo em construção, são discussões necessárias e legítimas e é preciso ter em mente que a participação não é tão simples como se imagina. Apesar de alguns desencontros, a experiência foi muito rica e gratificante para todos os participantes. 106


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VILA VICENTINA

Anacris Frias, Glauco Gonçalves, Isabele Ávila, Luísa Greco, Noémie Ver Eecke, Padre Eribaldo Santos, Rafael Gonçalves

RAPOSOS 108


localização

BH

RMBH - Raposos - Bairro Espírito Santo - Vila Vicentina 109


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ação realizada A primeira visita deste semestre de trabalho ao município de Raposos ocorreu em abril, na companhia de Glauco Gonçalves, um dos fundadores da Casa de Gentil e atuante em diversas ações na região. Nesta ocasião, ele nos apresentou o projeto da Casa, explicou seu funcionamento e nos apresentou a cidade, sua história e sua dinâmica.

imaginavam para o lugar, estimular os processos compartilhados de decisão. Entretanto, devido à urgência de um projeto que instrumentasse a construção de um financiamento colaborativo, não foi possível realizar uma etapa participativa. Assim, desenhamos as ideias e fizemos os diagramas de disposição, a partir do que já havia sido discutido com o Glauco.

Fomos juntos à Vila Vicentina onde ele nos falou sobre suas expectativas de criar ali um espaço para se discutir a vida da cidade e a oportunidade para resgate da história da cultura do povo raposense, a exemplo do Congado. Além disso, também planejava o plantio de uma horta compartilhada e spaço para encontros diversos.

Pensamos em como financiar o projeto e, mais especificamente, em formas de viabilizá-lo sem financiamento, caso não fosse possível arrecadar o valor necessário para a obra. Incluímos no projeto mobiliário com paletes, por se tratar de material de baixo custo e passível de doações já que são abundantes na Vila, além de serem fáceis de se manusear e muito versáteis, permitindo inúmeras possibilidades.

Nosso primeiro trabalho foi pensar como envolver a população no projeto. Neste sentido, pesquisamos sobre práticas participativas e coletivas e buscamos referências de ações já realizadas. Pensamos em convidar a vizinhança para uma conversa na própria Vila para discutirmos ideias, ouvir das pessoas o que elas

O segundo encontro se deu na Escola de Arquitetura, para o qual convidamos o Glauco e discutimos novas configurações espaciais, além de mostrarmos um vídeo produzido da maquete 3D que poderia ser usado na divulgação do projeto em Raposos. Durante 111


a conversa, contudo, ele compartilhou conosco que precisaria dar uma pausa no projeto em virtude de recentes discussões na comunidade. Segundo ele, a discussão da necessidade de se utilizar a área da Vila Vicentina para a ampliação do cemitério adjacente, que havia ultrapassado sua vida útil e precisava expandir tinha sido retomada e apoiada por parte da população local. Levamos a discussão para compartilhar com os colegas de classe, e pensamos até mesmo em desistir da proposta e focar em outras questões da cidade. Talvez pensar nessa necessidade de expansão do cemitério ou mesmo pesquisar outros terrenos em Raposos para receber esta demanda. Entretanto, durante a segunda visita realizada em maio, o cenário tinha se alterado novamente mostrando boas perspectivas em relação à continuidade do projeto para a Vila Vicentina. Marcamos uma conversa com o Padre Eribaldo, pároco da cidade e personalidade bem conhecida e influente na região. Ele nos falou da intenção de oferecer o ce-

mitério paroquial à cidade e, em contrapartida, propor a reintegração do largo da Igreja Matriz, hoje alterado por uma edificação da Prefeitura. O padre nos mostrou fotos de como era a antiga paisagem do largo e nos falou das possibilidades que surgiriam com o resgate desse espaço pela Igreja, tais como feiras, festas, eventos e cerimônias. O Pároco ainda nos acompanhou em outra visita à cidade, quando pudemos conhecer a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (primeira Matriz de Minas Gerais, construída em 1690), a Capela de Nossa Senhora do Rosário ao lado da Vila Vicentina, e também a Associação Dedo de Gente, onde hoje se produzem objetos reciclados, bebidas, geleias e doces. Padre Eribaldo reforçou a importância desse tipo de trabalho na cidade, da vontade que muitos têm de contribuir para gerar diferentes dinâmicas no município e da necessidade de estimular essas atividades e movimentações em Raposos. Tendo em vista esse novo contexto, continuamos en112


volvidas com o projeto da Vila Vicentina e disponibilizamos o material em 3D para que o Glauco pudesse apresentar para outras pessoas na cidade, entendendo que esta seria uma linguagem mais acessível para a população em geral. Complementar a isso, entendemos que os desenhos em 2D seriam importantes para os alunos que iriam dar continuidade ao trabalho no semestre seguinte e, para isso, seria fundamental completar o levantamento iniciado no semestre anterior. Assim, marcamos uma terceira visita a Raposos, oportunidade na qual almoçamos com o Padre Eribaldo, concluímos as medições da Vila e, em seguida, fomos à casa do Glauco, onde conhecemos seu primo Rafael, atual vereador de Raposos e com importante atuação na cidade. Conversamos com eles sobre todo o processo desenvolvido nos últimos meses e discutimos os possíveis desdobramentos da parceria para o semestre seguinte.

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conclusão O projeto da Vila foi uma experiência bastante interessante, na qual tivemos que lidar com demandas reais, temporalidades nem sempre favoráveis, adaptações diante de novas realidades. Enfim, entender que um projeto colaborativo está sujeito a mudanças, bem como a importância de participar do cotidiano do município parceiro para entender melhor suas dinâmicas. Ainda não sabemos a relação da população com o projeto da Vila Vicentina, se haverá financiamento coletivo, ajuda do governo ou de terceiros, se o projeto seguirá em frente ou se o espaço será mesmo para ampliação do cemitério. Mesmo sem saber ao certo o futuro do espaço, as relações traçadas no processo foi de grande importância para a formação acadêmica do grupo como também possibilita a continuidade do trabalho em Raposos. Acreditamos ser importante discutir o projeto com a população, incorporando-se as ideias dos moradores, desejos e hábitos, buscando a adesão do maior numero de pessoas. 115


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GUIA METROPOLITANO

Alice Rennó, Cintya Ornelas, Daniel Yoshioka, Flávio Barbosa, Gabriela Resende, Letícia Notini, Luiza Salles, Paulo Góes, Verônica Flores

6 MUNICÍPIOS 117


localização

BH

VETOR OESTE Betim

VETOR NORTE Lagoa Santa

Igarapé

Santa Luzia

São Joaquim de Bicas

Vespasiano

RMBH - 6 municípios - Guia Metropolitano 118


histórico Este projeto consiste na elaboração de um guia que pretende mapear as principais referências metropolitanas, a partir de debates e percepções do que nos identifica como cidadãos metropolitanos, bem como à população entrevistada. Espera-se que este projeto atue como uma das ferramentas dos Lugares de Urbanidade Metropolitana (LUMEs), a saber: criação de redes, produção, divulgação e discussão de informações para os atores envolvidos na dinâmica da metrópole. No intuito de compreender o alcance desse projeto, primeiro buscou-se entender o conceito de território e de apropriação. Para Claude Raffestin (1993), ao apropriar-se de um espaço, o ator o territorializa. De certo modo, a configuração objetiva e subjetiva de um espaço revela relações de poder referentes à determinadas pessoas ou grupos, sem as quais não se define o território. Ou seja, o território só se difere do espaço com a aplicação da subjetividade sobre ele, da consciência de pertencimento e da participação das pessoas.

Além disso, procurou-se manter em perspectiva a identificação de agentes culturais sempre que possível, entendendo-os como uma forma de organização essencial na construção dos processos locais, sendo uma potência a ser explorada no planejamento metropolitano compartilhado. A construção de um mapa como instrumento para auxiliar na viabilização e potencialização da apropriação desejada se justifica pois os mapeamentos representam, na história moderna, uma forma de se escrever uma “geografia de coexistências” que nos interessa especialmente nesta disciplina. [...] a operação oposta de incluir algo ou alguém no mapa, de finalmente desenhar mapas inéditos ou de criar condições para que aqueles que não aparecem nos mapas criem os seus próprios mapas constitui uma reescritura e um redesenho do mundo, um passo para uma geografia de coexistências, de diversidade e compartilhamento. (CANÇADO;MARQUEZ, 2011)

Pretendeu-se, portanto, registrar as existências, memórias, subjetividades e desejos de alguns moradores da RMBH, como um caminho para o fortalecimento das relações de cidadania metropolitana. 119


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ação realizada Buscando construir uma base teórica que pudesse nos ajudar na construção do guia, foi realizada uma roda de conversas a partir da leitura crítica de três textos: “Urbanicidade” (MONTEMOR, 2009), fragmentos do livro “O espaço da cidadania” (SANTOS, 1987) e “O poder da Identidade” (CASTELLS, 1996). A partir dessa rodada de discussões, concluiu-se pela utilização de três conceitos básicos que serviriam como princípios orientadores para o mapeamento: Identidade, Urbanicidade e Cidadania. Ou seja, a Identidade como processo de construção de significado, da relação cultural entre os indivíduos e da construção de um papel social. A Cidadania, por sua vez, se alinha à ideia de participação na vida social e política, a partir da compreensão de seus direitos e de sua função no coletivo. Já a Urbanicidade, retoma a reflexão sobre a vida urbana, a atuação dos indivíduos na sua cidade e região em diferentes níveis. Desta forma, entende-se que o indivíduo se constitui a partir das suas relações com o espaço onde vive e circula (sejam experiências culturais, da vida cotidiana, memórias, projetos realizados etc.), e se sente perten-

cente e mais atuante na medida que se conscientiza desse espaço. Após as discussões, o grupo se subdividiu em dois a fim de aumentar o alcance das entrevistas para o Guia. Foram escolhidos dois recortes territoriais baseados nas Zonas de Interesse Metropoltano (ZIMs)1. A escolha dos recortes das ZIMs possui como fator comum duas rodovias importantes perpassando o território: a MG-010 e a BR-381. O passo seguinte foi a elaboração de um questionário para orientar algumas entrevistas semi-estruturadas. Esta opção se deu pela possibilidade de criar oportunidades para os interlocutores falarem mais abertamente sobre as questões levantadas, sendo estas sintetizadas em três tópicos: noções sobre o espaço, referências de urbanidade e de memória. As Zonas de Interesse Metropolitano determinam os limites, diretrizes e parâmetros gerais com vistas à reestruturação territorial, o desenvolvimento produtivo sustentável e à proteção ambiental. São zoneamentos propostos pelo Macrozoneamento Metropolitano que por sua vez constitui um dos programas previstos no Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte – PDDI, 2011. 1

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Os próximos itens abordam com mais especificidade o que cada um dos grupos encontrou em sua pesquisa de campo.

GRUPO 01 - ZIM​O ​ ESTE A ZIM Oeste, segundo o Macrozoneamento da RMBH, é composta por quatro municípios (Betim, Contagem, Igarapé e São Joaquim de Bicas). Este vetor de expansão da RM possui forte tradição industrial desde a década de 40, influenciando os modos de produção do espaço nessas cidades desde seus primórdios. Os municípios foram subdivididos, a princípio, de acordo com a nossa percepção sobre sua consolidação no que concerne ao caráter urbano-industrial e a sua dependência em relação à capital Belo Horizonte. Nesse sentido, Igarapé e São Joaquim de Bicas, que têm pouco contato direto com a capital e menos características urbano-industriais, foram os primeiros municípios a serem trabalhados. Em um segundo momento, Betim

e Contagem, com maior contato com Belo Horizonte e caracterísitcas urbano-industriais mais evidentes, seriam os municípios de estudo. O trabalho com os dois primeiros municípios iluminou uma série de questões sobre as dinâmicas inter-municipais e regionais e sobre os contrastes entre o caráter industrial e a cultura interiorana observada. Além disso, foi possível perceber os impactos da sua municipalização recente nas referências de memória e urbanidade pouco enraizadas. Quanto à Betim - que correspondeu sozinho à segunda fase do trabalho (pois se mostrou como a maior centralidade regional para os municípios mapeados na primeira fase), ficou evidente que possui um referencial de memória um pouco mais consolidado, mas as questões urbanas são muito intrincadas com sua tradição industrial, sendo as principais referências urbanas notadas a fábrica da FIAT (instalada no município na década de 70) e os shoppings que são empreendimentos mais recentes na cidade. 122


As reflexões destacadas neste relatório foram sintetizadas a partir das respostas levantadas pelos questionários, aplicados em pequena escala - foram 41 no total. .

GRUPO 02 - ZIM​N ​ ORTE Os municípios da ZIM Norte escolhidos para aplicação do questionário foram Lagoa Santa, Santa Luzia e Vespasiano. Em Lagoa Santa foram identificados muitos pontos de lazer, culturais e históricos. Os principais relatados pelo entrevistados foram: a orla da lagoa, que atrai pessoas de cidades vizinhas; a gruta da Lapinha; e as referências ao Dr. Peter Lund. Em Santa Luzia, foram identificadas duas diferentes centralidades, com referências espaciais específicas: o centro comercial do Bairro São Benedito, que ilustra o sentido urbano mais recente; e o Centro Histórico, que evidencia a coexistência da memória no ambiente construído e da urbanização recente. Em Vespasiano também foi possível perceber duas centralidades: a sede, onde se deram as

primeiras ocupações na cidade, e o Morro Alto, região de ocupação recente e muito próxima a Belo Horizonte. Na região da sede está localizada a maioria dos pontos de referência, tais como a UPA e a fábrica de Cimentos Liz; e no Morro Alto apenas o terminal de ônibus foi citado. Além desses pontos, foram também levantados nas entrevistas alguns dados interessantes mas que não puderam ser espacializados mos mapas, pois se tratavam de sensações, percepções, costumes, cotidianos ou relatos específicos dos entrevistados, descritos a seguir. Em Lagoa Santa, a maioria das pessoas entrevistadas revelou gostar de morar na cidade e fez menção à memória de Dr. Peter Lund inúmeras vezes, como uma referência para os moradores e como um ícone da cidade. Além disso, em agosto há uma grande festa na rua para a padroeira Nossa Senhora da Saúde, também uma referência para os moradores da cidade. Foi possível ainda identificar que a sensação urbana se 123


difere nos finais de semana em relação à dinâmica dos dias de semana, uma vez que a cidade recebe muitos visitantes aos sábados e domingos. Em Santa Luzia, alguns dos entrevistados nos trouxeram relatos diferentes, como a sensação térmica ser mais elevada em relação a Belo Horizonte, apesar da cidade ser mais arborizada que a capital. Além disso, os entrevistados retrataram Belo Horizonte como uma cidade movimentada, o lugar de se resolver problemas, fazer exames médicos e lugar para compra de mercadorias, bem diferente do cotidiano de Santa Luzia. Por fim, em relação à mobilidade, foram citados como fácil o acesso do centro comercial São Benedito à Belo Horizonte e desta para o centro histórico, mas uma má conexão dentro do próprio município, entre o centro histórico e o centro comercial. Em Vespasiano, a poluição da cidade por conta da fábrica Cimentos Liz, localizada próxima ao centro da cidade, foi muito abordada nas conversas. Além disso, muitos entrevistados não sabiam citar referências

locais, e respondiam “aqui não tem nada”, o que corrobora com comentários de alguns entrevistados sobre não gostar da cidade e não terem sentimento de pertencimento.

PRODUÇÃO DO MAPA COLABORATIVO Os locais que foram recorrentemente mencionados nas entrevistas foram espacializados nos mapas criados na plataforma Google com endereço, fotos e uma breve descrição. Esses lugares foram mapeados e categorizados segundo as Referências de Urbanidade e as Referências de Memória. A intenção é que a produção desse mapa continue de forma colaborativa e possa ser usado por qualquer pessoa, por isso a escolha da plataforma aberta do Google. Links dos mapas realizados: ZIM OESTE: https://goo.gl/G3KsHw ZIM NORTE:https://goo.gl/pXdJrJ 124


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conclusão A ideia de se construir um Guia Metropolitano teve como norte, a princípio, uma metodologia baseada no levantamento de grandes estruturas, limites e características. Uma novidade apresentada a partir deste trabalho foi a fundamentação teórica, ou seja, a reflexão em torno de conceitos como território, urbanicidade, cidadania e identidade foram fundamentais para compreendermos a importância desse trabalho e também contribuiu para a os debates e mapeamentos. Além disso, foi orientado a partir da experiência dos alunos nos locais de estudo, ou seja, da vivência do próprio corpo naqueles espaços, mesmo que a ênfase fosse dada à percepção dos cidadãos entrevistados. Assim, entrevistador e entrevistados construiram juntos os elementos mapeados. Concluímos que os mapas foram canais abertos para que a população local pudesse participar ativamente da construção de suas referências, fomentando a noção de pertencimento em relação a sua própria cidade e ao contexto metropolitano no qual estão inseridos. 126


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PLANOS DIRETORES

Clara Cirqueira, Thaís Rubioli, Thiago Flores

11 MUNICÍPIOS 128


localização Baldim Caeté Capim Branco Itatiaiuçu Juatuba Mateus leme Nova União BH

Rio Manso São Joaquim de Bicas Sarzedo Vespasiano

RMBH - 11 Municípios - Planos Diretores 129


histórico A disciplina dos LUMEs teve, como uma das opções de trabalho, contribuir para o processo de Revisão dos Planos Diretores (PDs) de 11 municípios da RMBH realizado pela UFMG em colaboração com a Agência de Desenvolvimento da RMBH. Para tanto, este trabalho deveria se dar no sentido de facilitar a informação e consequente participação da população dos municípios envolvidos nesse processo de revisão. Isso se deu a partir da percepção do pouco envolvimento da população nas discussões sobre os PDs. A linguagerm difícil, os mapas poucos explicativos e outros conteúdos de caráter muito técnico dificultam formas de participação efetivas. Assim sendo, pensamos formas de incentivar uma maior participação popular a partir da compreensão dos temas em discussão, especialmente de alguns dos instrumentos urbanísticos. Inicialmente, pensou-se em focar no município de Vespasiano e trabalhar de forma conjunta com os expositores da Feira Saia da Linha, a fim de identificar ali alguns parceiros para construir a metodologia.

Contudo, essa ideia foi substituida por um formato que atendesse a todos os municípios que estão fazendo a revisão de seu plano diretor. Cabe ressaltar que tanto o procedimento de elaboração do PD, bem como sua revisão ou aplicação devem ter caráter participativo, segundo o Estatuto da Cidade. A Revisão dos PDs possuía um calendário de audiências públicas nos municípios ao longo do primeiro semestre de 2017, todavia com uma divulgação pouco eficiente. Assim, foi pensada a produção de um material que auxiliasse na divulgação, além da conscientização da participação popular. O material, a princípio, seria produzido para um público infantil, por entender que poderia ser um processo de conscientização de médio a longo prazos, mas com o início das audiências públicas, foi observado um desinteresse geral também pela população adulta, que julgávamos envolvidos no processo. Assim, visando uma maior conscientização, decidiu-se por produzir um material que atendesse o maior número de indivíduos em todos os municípios. 130


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ação realizada A escolha pelo formato de cartilha se deu com o intuito de compor um material facilmente reproduzível, de simples compreensão, e que explicasse a importância da participação popular. Para tanto, buscamos referências de cartilhas com linguagem acessível, muitas imagens e que passassem a informação de forma concisa. O trabalho teve como princÍpio orientador a construção de uma cartilha acessível, compreendendo que a linguagem fácil era essencial para o tipo de resultado que se pretendia. Deveria ser direta, objetiva e simples de maneira a alcançar o maior número de pessoas. Também muito importante seria a estética da cartilha, posto que determinaria um primeiro contato convidativo e acessível para o trabalho. Por fim, o grupo se debruçou sobre qual conteúdo deveria ou não ser abordado. O trabalho se orientou também no sentido de despertar o interesse da população em relação ao tema do Plano Diretor. Para isso, optou-se por elencar os principais instrumentos urbanos e temas existentes no Plano Diretor e agrupá-los por semelhança em temas-chave:

meio-ambiente, habitação, economia, qualidade de vida e serviços públicos. Além de informar à população todas as etapas de elaboração e fiscalização de um Plano Diretor também foi pensado como o próprio morador poderia buscar mais informações sobre o mesmo. Para isto,foi deixada a última página da cartilha em branco, de maneira que cada município pudesse preenchê-la com orientações e informações que facilitassem a participação da população. Por fim, uma preocupação que também orientou a produção deste trabalho foi a de produzir um material com baixo custo de impressão. Era importante que as administrações públicas municipais pudessem reproduzir suas cartilhas sem grandes desembolsos, se adequando à realidade de diversos municípios da RMBH. Assim, foi proposto um formato simples e de fácil impressão, em preto e branco tanto o texto como as ilustrações e diagramas escolhidos.

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conclusão Durante toda a elaboração deste trabalho buscou-se focar no indivíduo que não tivesse contato com a linguagem urbanística, de maneira a produzir-se um material mais acessível e que promovesse o interesse das pessoas em participar dos processos vinculados ao Plano Diretor. A análise dos demais materiais informativos coletados permitiu-nos compreender como é fundamental uma reelaboração desses materiais quando se pretende produzir cartilhas acessíveis, convidativas e informativas. Enfim, quando se pretende, de fato, incluir a população nas discussões sobre a cidade. Para produzir um material simples e objetivo, e que cumprisse com o intuito inicial de ser informativo e de alcançar a população, foram utilizadas ilustrações e diagramas associados a tópicos importantes. A parte final da cartilha deixou espaços em branco para que cada município colocasse ali suas agendas e informações. Com isso, foi possível realizar uma cartilha genérica que atendesse às demandas de todos os municípios envolvidos na revisão dos planos diretores.

Entende-se que a participação popular deve ser incentivada, não apenas como um elemento legitimador da elaboração do plano, mas como forma de inclusão das pessoas nos temas afetos às cidades nas quais vivem. É bom que se registre que o alcance desta cartilha só poderá ser, de fato, avaliado nas audiências que serão realizadas no próximo semestre nos diversos municípios. A experiência de apresentação da cartilha na reunião final da disciplina teve ótima aprovação por parte dos presentes, que destacaram sua simplicidade como principal atributo, ou seja, uma boa forma de se alcançar a maior parte da população. O conteúdo da cartilha também foi elogiado por sua objetividade no tratamento dos temas fundamentais especialmente no que diz respeito à importância de se participar dos processos de discussão dos Planos Diretores.

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IN FOCO

Artur Souza, Cleunice, Daniel Braga, Felipe Fernandes, Felipe Xaus, JoĂŁo Lopes, Luiza Barbosa, Maria Soalheiro,

ESMERALDAS 136


localização

BH

RMBH - Esmeraldas - Distrito Melo Viana - Bairro São João - In Foco 137


histórico A história da Escola InFoco de Ensino Técnico e Economia Popular Solidária se mistura à história do casal Cleonice e João Lopes, que compartilharam conosco seu percurso pela economia solidária. Tal história tem seu início em meados de 1996, quando o casal entrou em contato com a economia popular solidária, voltada ao desenvolvimento humano e negando a clássica visão de economia que prioriza a reprodução do capital. A partir daí, criaram a InFoco e idealizaram a Coopermev, cooperativa de produtores de cosméticos situada em Melo Viana, no município de Esmeraldas, que tem como ideia principal criar uma rede de fabricantes e vendedores de cosméticos naturais locais. Cleonice e João eram moradores de Belo Horizonte e, devido à falta de oportunidades de emprego na capital, optaram por se mudar para Esmeraldas. Entretanto, o problema de desemprego também afetava a região e, por isso, organizaram-se para reivindicar cestas básicas para os moradores de Melo Viana atingidos por tal situação, ainda que dispendioso.

Os dois não parariam por ali. João havia participado de uma cooperativa em BH (Irmãos de Minas) e colocou como sugestão o estabelecimento de uma iniciativa semelhante no Distrito de Melo Viana. Em 2005, entraram em contato com o SEBRAE-MG (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Minas Gerais) e apresentaram suas ideias com o objetivo de conseguir algum tipo de incentivo. O lema era: Cooperar para Competir. Apesar de não terem conquistado interesse por parte do órgão após sua palestra, o grupo saiu com ânimo renovado e motivação para dar continuidade e ir atrás de outras possibilidades. Na OCEMG (Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais) encontraram informações acerca da Lei de Cooperativismo (5.754, de 1971) e uma cooperativa de catadores, da qual fazia parte Bianca. Esta teve papel fundamental na trajetória do casal, pois foi quem lhes apresentou o Fórum de Economia Solidária e o Professor Glauber, da FAFICH-UFMG (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Minas 138


Gerais) com quem visitaram o fórum algumas vezes. João Lopes relatou-nos “não ter entendido nada, mas se interessou muito e anotou tudo”. A partir daí, ele se envolveu com as atividades e discussões do Fórum cada vez mais, formando uma linha de comunicação bem sólida também com a UFMG. Foi convidado a trabalhar, de forma remunerada para o Fórum, mapeando a economia solidária e reconhecendo os locais onde ela se fazia presente e de que forma. “O capitalismo não quer que falemos”, foi uma das frases que João disse enquanto exemplificava como se sentia inibido, incapacitado e “mudo” em meio às mazelas que ocorriam ao seu redor; porém com o incentivo de amigos, colegas, trabalhadores e os novos contatos feitos na UFMG e no Fórum, participou do FBES (Fórum Brasileiro de Economia Solidária). Pouco tempo depois ele viria a se tornar parte integrante da coordenação do FBES, participando dos debates nas plenárias nacionais e regionais e de feiras latino-americanas.

Cleonice, João Lopes e seus parceiros faziam grande esforço para levar essas discussões também para Esmeraldas, mesmo que em formato de plenárias consideravelmente menores. Os entendimentos e conceitos acerca da economia solidária ainda estavam sendo formulados em diálogo com os Estados, ocasionando na histórica 4ª Plenária Nacional, quando então foi definido o conceito de empreendedorismo na economia solidária. Estiveram presentes nessa ocasião 400 pessoas de todo o país, durante quatro dias, discutindo mais de 5.000 pautas. Os relatos de João sobre tal plenária abrangem atritos, brigas e discussões até o momento que a plenária teve de ser interrompida. A criação da Escola InFoco aconteceu em função de várias questões, porém a principal se relaciona ao interesse do casal pela economia solidária, que por sua vez também vinha aumentando no país especialmente devido ao aumento do desemprego (em Belo Horizonte o número de pessoas no fórum aumentou em 80% nos últimos anos). 139


O desafio de quem pratica a economia solidária envolve também repassar valores e princípios, bem como a criação de redes, o compartilhamento de conhecimento, a horizontalidade, a sustentabilidade e discussões sobre as questões de gênero. Afinal, a economia popular solidária é também a construção de uma mentalidade, de um modo de viver e produzir. Alinhada a esses princípios, foi criada a Escola InFoco, que tem dentre seus objetivos a capacitação técnica e a crítica aos modos de produção formais.

Escola InFoco foi criada visando contribuir também para a formação política das pessoas da comunidade, preparando-as a partir de um desenvolvimento endógeno. O desejo era realizar cursos para os trabalhadores e pessoas interessadas nas áreas de Produção, Administração, Empreendedorismo, Finanças, Comércio, Prestação de Serviços e outros, de maneira autônoma e que pudesse reverter em desenvolvimento (econômico, político, cidadão, humano) para o próprio distrito.

A Economia Popular Solidária pode ser definida como “(...) a forma pela qual, historicamente, homens e mulheres que não vivam da exploração da força de trabalho alheio tentam garantir seu estar no mundo (...) “ , (CATTANI; LAVILLE; GAIGER, 2009) ou seja, visa construir e aprender em conjunto, distribuir a renda e ter o crescimento mais igualitário entre as pessoas. Utilizando a metodologia da educação popular, tendo como objetivo a educação profissionalizante e como orientadores os princípios da economia solidária, a

Os cursos ofertados se baseiam na experiência de João Lopes que, além de gerenciar e administrar a escola, ministra grande parte das aulas. No ano de 2017 os cursos oferecidos foram: Curso 3 em 1 (bombeiro, pedreiro e eletricista); Curso de Fabricação de Cosméticos; Curso de Empreendedorismo em Economia Solidária e Curso de Informática Básica. O curso de fabricação de cosméticos planeja ter ao final o sorteio de uma verba para financiar o início de um pequeno empreendimento para um dos alunos participantes. 140


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ação realizada O contato com o espaço possibilitou um maior entendimento das conexões existentes, assim como sua inserção e influência local. Foram realizadas três visitas, sendo as duas primeiras de reconhecimento e entendimento e a última para execução de ações. O primeiro contato, no dia 21 de abril de 2017, possibilitou um entendimento prévio de como o distrito se articula com a cidade de Esmeraldas, bem como a Escola Infoco com o município. A primeira impressão ao se observar o distrito de Melo Viana foi sua pequenez, assemelhando-se às cidadezinhas de interior e não de uma localidade pertencente à RMBH. O distrito tem como ponto principal de vida urbana a praça central marcada por uma igreja e por pequenos comércios locais. Já na segunda visita, que ocorreu no dia 20 de maio de 2017, um novo olhar mais direto e preciso foi possível em relação ao espaço e às propostas de ação cabíveis ao local, já que acompanhamos uma aula de pedreiro, um dos cursos dos vários fornecidos pela InFoco. Esta foi uma ótima oportunidade para estabelecermos con-

tato com novas pessoas, levantar outras demandas e impressões. São comuns cidades da região metropolitana cuja economia primordial gira em torno apenas de uma grande empresa, seja exploradora de recursos naturais ou não; sobretudo no que se refere à geração de empregos. No segundo encontro foi perceptível a vontade dos moradores em fazer parte de um desenvolvimento diferente do oferecido por essas grandes empresas. Pode-se notar também a discordância de alguns moradores, assim como a de João Lopes, em relação às práticas empreendedoras de investir em municípios de forma predatória, ou seja, injetando capital onde seria proveitoso para o lucro momentâneo mas que não ajudaria no desenvolvimento humano (caráter de suma importância na economia solidária, já que retira também a formação crítica dos indivíduos) e deixando seus habitantes à mercê quando as empresas perdem o interesse e se retiram do local. Com isso, foi possível entender melhor qual o objetivo 142


do projeto da escola no que tange ao desenvolvimento do distrito de Melo Viana, pautado nas diretrizes da economia popular solidária. Nas conversas foi narrado que os jovens moradores que formam no ensino médio, em sua maioria, têm como objetivo a saída da cidade, devido à falta de ensino superior e de oferta de empregos. Quando não se mudam, a cidade acaba se tornando apenas dormitório, o que não proporciona uma vivência cotidiana e próxima que permita mais envolvimento com o local. A ideia de João Lopes é fomentar nos moradores do distrito de Melo Viana e arredores uma maior percepção local com a consequente ideia de comunidade, construída coletivamente. Dessa forma, espera-se que os moradores criem mais laços com o espaço que habitam com ajuda e acolhimento das iniciativas locais, como a escola e a cooperativa que sempre procuram incentivar qualquer produtor que se instala em Melo Viana. A partir dos ideais da cooperativa, conseguimos entender o tamanho do projeto do nosso parceiro e, as-

sim, pensar de forma mais objetiva algumas ideias em relação ao trabalho que poderíamos realizar junto a ele. A partir daí, surgiu a ideia de pensar-se uma divulgação do espaço para os moradores de Melo Viana e dos arredores, a fim de que a rede da cooperativa fosse expandida. A partir desse entendimento e da compreensão de algumas das demandas, surgiu a ideia da intervenção. A proposta era de se organizar uma festa junina, algo que coincidiria com a época em que foi realizada a parceria, com o objetivo em divulgar o trabalho dos parceiros João e Cleonice e de outros moradores, além de incentivar a venda de seus produtos. Foi proposto que a festa ocorresse na rua da InFoco, fazendo com que seu espaço físico se ampliasse, articulando-o diretamente aos vizinhos e moradores locais e fortalecendo os vínculos e identidade com o local. Planejou-se também onde seria feita a divulgação do evento e onde seriam colocadas placas sinalizadoras para facilitar o acesso ao local da festa. A ideia foi bem 143


acatada pelos parceiros, que a adotaram como uma das atividades regulares da agenda local. Assim, o evento tornou-se o 1º Festival de Economia Solidária do Distrito de Melo Viana, que ocorreu no dia 10 de Junho de 2017. A festa foi organizada em conjunto com os membros da cooperativa e seus parceiros locais, vizinhos e amigos, e também com o grupo de alunos da disciplina. Foram realizadas algumas reuniões e conversas pelo telefone para alinhamento de detalhes e para a preparação do evento. Internamente, o grupo se organizou em subgrupos, cada qual responsável por uma ação: compra de bebidas, compra de enfeites e montagem em loco, confecção de placas de orientação e sua fixação pela cidade, confecção de cartazes e panfletos de divulgação do evento e ajuda na organização geral da festa. No sábado, dia 10 pela manhã, tanto João Lopes quanto os vizinhos e parceiros locais já haviam organizado a rua para a festividade. O local foi limpo, o palco montado,

ligações e pontos elétricos feitos e a montagem das barraquinhas estava em seu início. O grupo de alunos ajudou na decoração, na montagem e nos ajustes finais. A festa teve início por volta das 17:00h e, durante todo o tempo, o grupo se revezou nas barraquinhas vendendo cerveja e em outras atividades, como na manutenção do som e da música e acolhimento dos visitantes. Houve a presença de muitos feirantes e estava evidente que todos se prepararam bastante para o evento. Além das barracas de comidas montou-se também o bazar da igreja e ainda teve a presença e fala de um pastor, que ainda se mostra uma figura muito importante para cidade.

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conclusão As experiências citadas acima foram avaliadas como extremamente enriquecedoras pelo grupo e pelos parceiros. É evidente que o trabalho de um semestre é apenas uma pequena etapa e que deve ser complementado por outras ações posteriores. Outra pauta que se mostrou como uma ideia ainda muito nova é a possibilidade de se realizar um curso preparatório para o ENEM voltado aos jovens e interessados da região. O formato inicial seria de um grupo de estudos, no qual João iria utilizar os cadernos da “Nova Bíblia do ENEM”. Posteriormente, com alguns voluntários da Escola de Arquitetura, ampliar essas aulas para preparar os interessados para a prova. Quando tal proposta chegou aos ouvidos do grupo, foram discutidas inúmeras formas de realização dessa proposta: desde possíveis parcerias com a UFMG até o diálogo com alguns cursinhos pré-vestibular, de forma a descobrir como aquele objetivo poderia ser alcançado. Porém, frente às questões burocráticas para viabilizar uma parceria formal entre a InFoco e a UFMG,

a melhor via observada para a situação foi o uso do voluntariado. O plano é expandir os contatos em relação a interessados da UFMG, principalmente da Faculdade de Educação (FaE) que morem na região de Esmeraldas. O objetivo seria a presença de um desses voluntários ao menos uma vez ao mês para introduzir a disciplina que estudam em suas licenciaturas ou bacharelados, como História/Geografia, Português/Língua Estrangeira/Literatura/ Redação, Matemática, Física, Química, Biologia. Dessa forma, João assegurou que seria menos trabalhoso o desenvolvimento do grupo de estudos ao longo do mês. O realizado até o momento foi a criação de uma rede de contatos com estudantes da FaE que moram em Esmeraldas e o diálogo com grupos de estudo da economia popular solidária na Faculdade de Ciências Econômicas (FACE). Porém, como foi dito anteriormente, a ideia se encontra ainda em fase muito inicial e deve ser continuamente discutida e planejada com a ajuda de João para que possa 146


haver uma proposta mais sólida e bem elaborada para ser implantada mais adiante. Em relação à festa, que foi nossa principal ação, o parceiro nos contou que, apesar do baixo público, a avaliação foi positiva. Disse que não esperavam tanta gente e que foi só a primeira. Inclusive já estão planejando um próximo evento para setembro deste ano. Entre os feirantes ocorreram pequenos desentendimentos, pois afinal não houve lucro - o que, de acordo com João, não era o principal objetivo. As dificuldades principais foram em relação à divulgação (que poderia ter sido mais ampliada), e a uma certa tendência do distrito de ser resistente às novidades. Entretanto, os parceiros acreditam que na próxima oportunidade será melhor. Na festa compareceram muitos alunos da disciplina, o que foi excepcionalmente positivo. Neste ponto, podemos ressaltar que era difícil para nós mensurar o peso que a universidade, em seu caráter extensionista, pode exercer sobre essas comunidades, carregando

grande responsabilidade nas ações realizadas. As surpresas e desafios de um trabalho cujo entendimento de parceria deve ser essencialmente levado a sério são inúmeros. Compreendemos que o jargão de que devemos trabalhar de forma compartilhada, aprendendo, ensinando e fazendo juntos, pode e deve ser radicalmente incorporado; que conviver e trocar saberes, em lugar da competitividade é de suma importância. Observamos também o quão importante são as disciplinas de caráter extensionista para o nosso desenvolvimento que vai além do profissional, nos dando oportunidade de sermos atuantes na sociedade. O contato com diferentes grupos nos permitiu crescer enquanto cidadãos, além de nos dar entendimento acerca do quão limitado é o universo e a realidade que se encontra dentro das universidades

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CONVIDA

Ana Paula Freitas, Andreza Marques, Carolina Guedes, Débora Fernandes, Emília, Jair Prates, Jessica de Castro, Junio, Lucimar, Valdênia

SARZEDO 149


localização

BH

RMBH - Sarzedo - Bairro Masterville - ConVida 150


histórico O Projeto Espaço ConVida é uma associação comunitária com sede no bairro Masterville, do Município de Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O projeto foi elaborado a partir do desejo de moradores de Sarzedo em criar espaços de convivência voltados para promoção da cidadania, solidariedade e responsabilidade social, por meio de ações socioeducativas e formação de voluntariado. A ideia foi construída a partir dos fóruns realizados pela Agenda 21 Petrobrás. O espaço utilizado conta com a estrutura de um antigo sítio, com cozinha, dois banheiros, duas salas pequenas, e um salão de aproximadamente 40 m2. A área externa possui uma pequena horta, um pequeno galpão e uma grande área verde, pois está situado em uma zona de proteção ambiental. Por muitos anos o local foi utilizado como depósito de materiais das Secretarias de Obras e Meio Ambiente, da Prefeitura de Sarzedo. Em 2014, surgiu a proposta de doação do local para a Associação de Catadores da cidade, che-

gando a receber adaptações para esse uso. No entanto, a proposta foi rejeitada pelos moradores do bairro Masterville, que se organizaram em protesto contrário a essa doação. A prefeitura recuou e se viu obrigada a manter o espaço apenas como depósito. Foi nesse contexto que surgiu o projeto ConVida. Em agosto de 2016, como parte das ações da Agenda 21 Petrobrás, o então Secretário do Meio Ambiente firmou um acordo informal com o grupo cedendo a casa (denominada Horto Florestal do Masterville) para a execução do projeto. A prefeitura apoiaria o projeto a partir da manutenção dessa estrutura. Desde então, planos de ações vem sendo elaborados pelo grupo visando a participação de moradores da cidade, especialmente do bairro Masterville. A intenção do ConVida é ser um local de discussão, acolhimento e formação de pessoas, com oficinas, atividades e palestras voltadas para todas as faixas etárias. Ou seja, a proposta é criar um espaço não só de lazer, mas também de viés profissionalizante. O nome 151


surgiu da combinação das palavras-chaves: Convidar; Convite; Com vida; Convivência; Vivência. Atualmente, o Espaço ConVida possui uma secretariaexecutiva e um conselho deliberativo composto por moradores de diversos bairros. O grupo se constitui de agentes comunitários, professores, psicólogos, advogados, donas de casa,pedreiros, estudantes, operários, comerciantes, assistentes sociais, artesãos, enfermeiros, empresários, policiais, ou seja, de pessoas dos mais variados perfis, classes sociais e idades. Recentemente, o grupo se associou à ANDARES (Associação Nacional para Desenvolvimento de Ações apuradas em Realidades Sociais), e vem lutando para manter o local ativo, mediante incentivo a práticas comunitárias. A programação do espaço começou a ser desenvolvida a partir de propostas dos próprios moradores da região. Após uma ação de abertura do projeto em agosto de 2016, ocasião na qual foram apresentadas diversas atividades culturais e recreativas, implementou-se semanalmente aulas de artesanato, capoeira e zumba.

Uma grande ação firmada pelo grupo, que acabou entrando para o cronograma anual do projeto devido ao seu grande sucesso, foi a Colônia de Férias realizada no espaço em janeiro de 2017. Durante 4 dias, foram recebidas aproximadamente 100 pessoas, entre elas crianças e adolescentes. Este trabalho contribuiu para que a comunidade local aderisse à nova proposta de uso do espaço. Em abril de 2017, o Grupo ConVida iniciou uma parceria com a UFMG a partir da disciplina dos LUMEs. Um dos objetivos da disciplina era trocar experiências e estreitar relações com ações comunitárias de cidades da região metropolitana. Durante todo primeiro semestre de 2017, um grupo de 4 alunas trabalhou em conjunto com o ConVida, analisando suas demandas, realizando novas ações e promovendo pesquisas, a fim de potencializar as práticas e fazer o espaço crescer e se tornar cada vez mais ativo na comunidade.

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ação realizada Os primeiros passos das alunas da UFMG foram as visitas à sede do ConVida. Ao longo do semestre, foram realizadas cinco, das quais as duas primeiras tiveram como objetivo a familiarização com o espaço e com as principais demandas que o grupo possuía. Dentre essas demandas ficou claro que o grupo queria se aproximar mais dos moradores do Masterville, a fim de conhecer melhor suas demandas, bem como as opiniões dos moradores para aumentar a participação destes nas ações que já vinham sendo executadas pelo ConVida. As três visitas seguintes foram primordiais para o planejamento das ações que o grupo faria durante o período da disciplina. Tendo em vista a proposta de aproximação dos moradores do bairro com o espaço, foi combinado que seria elaborado, de forma coletiva, um questionário a ser aplicado nos moradores da região e nos frequentadores do ConVida. O objetivo era coletar e analisar informações a respeito do tipo de interação e relação que as pessoas tinham com o

espaço; do tipo de atividades que elas gostariam que fossem realizadas; qual seria a disponibilidade e os empecilhos enfrentados para essa participação; entre outras questões. Foi discutida também a realização de uma ação principal voltada para a divulgação do Espaço ConVida e de sua proposta. Para isso, seriam convidados os moradores do Masterville a fim de somarem na produção dessa ação e de outras futuras. Além disso, esse evento também seria uma oportunidade para intensificar a aplicação do questionário. O produto final do grupo da disciplina seria, então, ajudar na organização e na realização dessa ação comunitária, além da responsabilidade pela análise dos questionários até então aplicados. O objetivo dessa análise seria, nos próximos semestres, orientar o projeto ConVida no sentido de um maior afinamento com as necessidades e anseios dos moradores e de seus participantes. A ação comunitária planejada foi realizada no dia 17 de junho de 2017, das 9h às 16h, e contou com a par154


ticipação de diversos voluntários que possibilitaram a execução de uma série de atividades gratuitas para a comunidade. Dentre elas a Oficina de Origami com a professora Ione Rodrigues; Corte de Cabelo e Barbearia com os cabeleireiros Igor Viana e Emília Ribeiro; Design de Sobrancelhas com a designer Amanda Tavares; Oficina de Arte com papelão orientada pelo Jair Prates; Avaliação Física com Matheus Oliveira Santos; entre outras atividades. Além disso, a rua foi fechada e foram fornecidas bolas para as crianças praticarem esportes. O grupo de alunas da UFMG ajudou na produção da arte para a divulgação, na arrecadação e no preparo dos alimentos servidos durante a ação, além de ficarem responsáveis pela aplicação e análise dos questionários realizados durante o evento e nas semanas anteriores. Ao todo, foram aplicados 51 questionários distribuídos entre os moradores do bairro Masterville e as pessoas que frequentaram o espaço ConVida ao longo de 3 semanas. Porém, apenas 33 dos

51 questionários respondidos puderam ser analisados, devido ao pouco tempo entre o evento e a finalização da disciplina. Dessa forma, foi feita uma análise parcial para o ConVida, mas que pode sofrer alterações em decorrência da análise dos demais questionários já realizados ou mesmo daqueles que ainda vierem a ser feitos O perfil dos entrevistados, no que diz respeito ao gênero, demonstrou proporcionalidade entre homens e mulheres, com pequena vantagem para as mulheres (representando 51.5% dos entrevistados). Em relação à idade, prevaleceu uma maioria de adultos entre 20 a 60 anos. Como o foco da pesquisa eram os moradores próximos ao espaço, 66.7% dos entrevistados residem no bairro Masterville, enquanto os moradores dos demais bairros de Sarzedo somaram apenas 33.3%. Outro fator que foi possível identificar foi o tempo de residência no município, pois 48.5% marcaram a opção de 1 a 5 anos e 24.2% de 6 a 10 anos. Esse resultado reflete o fato de que o Município é composto por uma 155


grande parcela de moradores provenientes de outros locais, o que pode ser um motivador para a pouca adesão desses nas atividades políticas e comunitárias de Sarzedo. Com relação às interações prévias com o espaço, os entrevistados em sua maioria já conheciam o ConVida, principalmente através de amigos e WhatsApp, contudo apenas 36,4% deles já haviam participado de alguma outra ação ou atividade realizada no ConVida. Dentre essas ações anteriores, a Colônia de Férias foi apontada como a mais popular. O objetivo principal do questionário foi saber a opinião dos moradores com relação ao projeto ConVida, e também sobre as demandas e necessidades deles em relação àquele espaço. A pesquisa mostrou que os entrevistados consideram como muito relevantes os temas: emprego (23 votos) e a educação (22 votos. Ficou evidente que os cursos profissionalizantes (escolhido por 19,3% dos entrevistados) também são importantes demandas da população que abarcam,

simultaneamente, essas duas grandes necessidades - emprego e educação. Além disso, a saúde (19 dos entrevistados selecionaram esta opção) também foi uma preocupação frequente entre os entrevistados. Consequentemente, nota-se que a prática de esportes e a recreação para crianças - 16,3% e 14,1%, respectivamente - são ações que podem estar afinadas com essa terceira grande demanda. Como o bairro no qual o Projeto ConVida está inserido é, em sua maioria, residencial, há grande demanda por parte das famílias residentes por locais que forneçam atividades de entretenimento e que promovam o bem-estar e a saúde para suas crianças. Em complemento a isso, também ficou demonstrado na análise dos questionários (13,3% dos entrevistados) uma preocupação com mais espaços de oficinas culturais voltadas para a juventude, mas também para outras faixas etárias. De uma forma geral, ficou evidente que o bairro ainda é deficiente em ações sociais e que promover atividades que possam suprir essa demanda

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serão bem aceitas pela comunidade local. Dentre as perguntas do questionário foi elaborada uma referente aos horários mais favoráveis ou não para as atividades do ConVida. 33,3% dos entrevistados concordaram que os melhores dias seriam nos finais de semana, preferencialmente na parte da manhã, visto que as obrigações escolares e o trabalho dos moradores se dão, em sua maioria, durante a semana. Porém, percebemos uma abertura para atividades nos dias de semana, desde que no turno da noite.

Espaço ConVida como voluntários, sendo que quase metade deles não têm uma preferência específica, mas sim a boa vontade em auxiliar da maneira que for necessária.

Para os moradores de outros bairros que também responderam aos questionários, ficou claro que a falta de meios de locomoção para o Espaço ConVida é um empecilho para acompanharem mais de perto os projetos propostos, e que esse é um tema que pode e deve ser considerado em etapas futuras. Por fim, 50% dos entrevistados já participaram de outras atividades comunitárias (sendo que ações em instituições religiosas são as mais frequentes) e que 72,7% tem interesse em ser parceiro ou ajudar a construir o 157


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conclusão O que foi percebido pelo grupo de alunas ao longo das vivências compartilhadas no primeiro semestre de 2017 é que há uma grande vontade dos atuais gestores do Espaço ConVida em transformá-lo em um ponto referência comunitário, além de promotor da dinâmica social para o bairro MasterVille. Também foi possível perceber que a comunidade local (talvez por estar em uma região de ocupação recente), apesar do interesse em participar do ConVida, ainda não conseguiu conciliar sua disponibilidade de horários com algumas das atividades propostas, a não ser com eventos pontuais criados pelo Espaço. Entretanto, nesse primeiro tempo de parceria entre Espaço ConVida e LUMEs, já foi possível realizar a aplicação inicial de questionários para entender melhor o perfil e as necessidades dos moradores do bairro MasterVille e, desta forma, propor e dialogar com ações mais próximas das demandas dos moradores locais.

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Revista LUMEs  
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