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Chegaremos em 2008 a marca de 20 anos em que vigora a constituição que superou o regime da ditadura militar. Contudo, muitas leis que valiam nesse regime de exceção, e que são próprias dele, ainda permanecem em muitos espaços institucionais no Brasil. Boa parte das Universidades Federais, e a UFF em particular, ainda se organizam tendo como base estatutos e regulamentos impostos pela ditadura. São heranças disso na UFF a estrutura verticalizada nos espaços de decisão, um desproporcional poder outorgado à figura do Reitor e de outros dirigentes, uma composição dos Conselhos Superiores com enormes falhas em termos de representatividade, a existência de uma burocracia pouco eficiente e desatualizada que muitas vezes emperra o desenvolvimento da Universidade e, finalmente, o vigor de normas que tem como objetivo regular os segmentos da Universidade e seus movimentos, além de outras. Mas se já se passaram tantos anos do fim da ditadura militar, por que essa realidade ainda se mantém na UFF? Muitas respostas podem ser dadas, mas nenhuma delas pode fugir de um diagnóstico notório: tem sido interessante para muitos dirigentes da Universidade manter poderes sobre recursos e

É de responsabilidade de cada dirigente e conselheiro que se posicionou contra a autonomia do movimento estudantil e dos servidores técnicoadministrativos o evidente impasse em que se encontra a Universidade, concretizado na completa e total ilegitimidade do Grupo de Trabalho eleito para elaborar o projeto em nome da Universidade. Diante dessa situação, levantamos, ainda mais alto, nossa bandeira de autonomia dos movimentos da UFF e intensificaremos as ações necessárias para impedir que se concretizem atitudes tão aberrantes frente aos princípios democráticos. . Saudamos todos aqueles que estiveram junto conosco na luta pela defesa da Universidade frente ao REUNI, pela autonomia universitária e pela garantia da democracia no interior da universidade UFF, que tem por objetivo acabar com todo e qualquer resquícios da ditadura ou influência autoritária da realidade da UFF. A ADUFF, o SINTUFF e o DCE permanecerão atuando na Universidade com a finalidade de transformá-la de fato numa instituição pública, autônoma e democrática, por isto convidamos todos e todas que se referenciam nesses princípios e se opõem às evidentes práticas autoritárias da atual Administração da UFF a participarem do seminário em dezembro para discutirmos e formularmos autonomamente propostas e caminhos para UFF.

ADUFF, SINTUFF E DCE

E como anda a moradia? A luta pela Moradia Universitária na UFF, embora com enorme dificuldade, vem sendo tocada desde outubro 2002, data em que foi criado o Fórum de luta pela moradia na UFF. No ano seguinte, houve a criação da comissão responsável pela elaboração do projeto da moradia no Conselho Universitário. Em maio de 2004, após muitas manifestações estudantis, o projeto foi aprovado pelo CUV. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, a luta estava apenas começando. Após a imposição de um estatuto por parte do governo estadual, dia 24 de abril de 2006, moradores da Casa do Estudante Fluminense foram expulsos por não aceitarem artigos que proibiam visitas, reuniões políticas e religiosas na casa, dentre outras medidas bastante arbitrárias. No dia em que a polícia apareceu com a ordem de reintegração de posse, os estudantes fizeram um ato em frente à casa, seguido de um acampamento que, alguns dias depois, foi transferido para a reitoria. No mês seguinte, os estudantes que ainda permaneciam acampados decidiram levar o acampamento para o campus do Gragoatá; uma forma de mobilizar e aproximar um número maior de estudantes. No fim do ano de 2006, o DCE, após priorizar a moradia em muitas falas dos conselheiros no CUV, conseguiu levar a luta pela moradia para o PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) e garantiu a aprovação de R$350.000, 00 das verbas de 2007 para a moradia da

UFF. Quase 3 anos depois, em abril de 2007, ocupamos mais uma vez o Conselho Universitário com o objetivo de exigir a criação de um Grupo de Trabalho composto por 3 estudantes, 3 professores e 3 funcionários responsáveis pela construção de uma proposta que viabilizasse a moradia com os recursos já existentes. O GT chegou ao consenso de que a moradia deve ser construída no campus do Gragoatá e que o projeto teria o custo de cerca de 4 milhões de reais. No dia 30 de maio o CUV aprovou essa proposta sem nenhum voto contrário. Enquanto isso, o acampamento Maria Julia Braga ainda persiste e se faz presente nessa luta, mesmo com condições precárias. Em abril de 2007, 15 estudantes ocuparam também o saguão da reitoria na tentativa de continuar pressionando para que o projeto saia do papel. E lá permaneceram por cerca de 6 meses, mantendo o acampamento no Gragoatá e na reitoria simultaneamente. Até que em outubro deste ano, o reitor entrou com um mandato de reintegração de posse e mandou a Polícia Federal retirar os estudantes do hall. Caso se recusassem a sair, a polícia tinha total liberdade de repressão, além de, muito provavelmente, prender um dos estudantes do acampamento, que sofreu acusação pessoal no caso. [...] O tempo está passando e até agora não vimos um tijolo sequer ser comprado para iniciar a construção. Já passou da hora!

O PROGRAMA VIDA NO CAMPUS convida a todos a participarem de suas atividades!!! Trabalhamos com ações de cunho sócio-ambientais nos Campi da UFF e também externamente. Reuniões às terças-feiras às 15h; sala 322, Bl. O – ICHF – Campus do Gragoatá. Contatos: 2629-2850 / 8251-1597.

democracia é poder divulgar

Estudante, caso você queira divulgar algum grupo ou atividade na UFF do qual você participe e possa ser de interesse de outros, entre em contato com a gente através do site www.uff.br. O jornal do DCE

27 de novembro de 2007

NOTA PÚBLICA

burocracias, mesmo ferindo princípios básicos de convívio democrático para o bom andamento institucional. Com o advento do decreto do REUNI ficou ainda mais evidente a falta de democracia na Universidade. Depois de mais de 50 debates com a comunidade universitária que culminou numa, clara e contundente, posição contra o REUNI, foram muitos os golpes e manobras eticamente reprováveis cometidos pelo Reitor e pela administração para que se concretizasse uma rápida e pragmática adesão da UFF ao programa de Expansão e Reestruturação das Universidades. Chegamos a tal ponto, que mesmo apos o CUV ter aprovado a elaboração de um projeto autônomo, fora dos marcos, metas e prazos do REUNI, a ser realizado por um Grupo de Trabalho paritário, não foi sequer considerada a autonomia dos segmentos para a indicação dos representantes que comporiam o GT. Consideramos um grave e marcante desvio a decisão do último Conselho Universitário dele mesmo ver-se no direito de eleger os representantes dos estudantes e dos servidores para o Grupo de Trabalho, num contexto em que os funcionários não possuem sequer um assento nos Conselhos Superiores. Além disto, esta reunião também rompeu com uma prática, há muito tempo vivenciada nesta instância, de respeitar a autonomia do movimento estudantil para a indicação de seus representantes.

AUTONOMIA JÁ! E CUV, TIR

N S O D S O AS M Ã

S! O T I E R I O SS O S D

NOSSOS REPRESENTANTES NÓS É QUE ESCOLHEMOS! E E S T E S T Ê M Q UE A GIR DE ACORDO COM A VONTADE DA MA IORIA! er sorrir” d u r p i g u u e F o / t ua n ciar vou renun puder cantar / Enq o ã n u E / o eu rar ou desespe correntar / Enquant v rrir o ã n u E u puder so e r i o a t S n / a “Eu não / Ninguém vai me a l u a q v / En rna / ro ver o ca to eu puder cantar e u Ninguém Q / l a v n enda qua da solidão ero ver o v me acorrentar / En e u t i Q o / n o a ã t N n / vai “E e der / Ninguém e surpreen cordão” m i a v m é Ninguém eu puder cantar” gu so sofrer /Nin mar comigo o imen r e v e Enquanto m i a r fo e / Cordão i u ém v a q u r V g a / n u i r B e N d / o r “Ninguém / Tiver nada pra pe 1971, Chic m e Pois qu

REITORIA QUER FAZER DO PROJETO AUTÔNOMO DA UFF UM PROJETO PRO REUNI COMISSÃO BIÔNICA Com medida autoritária, quebra pacto de respeito histórico e recusa os nomes indicados pelo movimento estudantil e dos funcionários

AUTORITARISMO

A autonomia foi às favas: projeto sem a participação do movimento e para ser entre no edital não é mais nada senão REUNI

DESFAÇATEZ

e ainda nota da ADUFF, SINTUFF e DCE e informe sobre a moradia na UFF última página


“Urge dracon Ave cesar Urge dracon Ave cesar

Magnificus, supremus, augustus Divinus, superbus, vitalicius Professor, diktator, imperator Professor, diktator, imperator”

Quem decidirá pelos estudantes? Os estudantes ou os supremus, augustus e magnificus conselheiros? O ano de 2007 até agora têm tido um importante crescimento do movimento estudantil da UFF. Centenas e centenas de estudantes estiveram participando de diversos debates. Nesse segundo semestre, a UFF e todas as Universidades Federais do país foram tomadas por um tema importantíssimo: o REUNI. Infelizmente, o tema não virou debate na imensa maioria das Universidades. As Reitorias em geral buscaram aprovar a adesão ao decreto sorrateiramente em seus conselhos superiores. Algumas até fizeram a votação em área militar para não haver a participação ou manifestação dos estudantes. Com cacetetes e manobras, cerca de 40 Universidades Federais aderiram ao REUNI. Felizmente, algumas resistem; e temos o orgulho de dizer que na UFF a Reitoria não conseguiu impor-nos goela a baixo a submissão da nossa UFF ao REUNI, apesar de golpes e “rodos”. Até agora a vitória é do movimento estudantil, aliado a parceiros importantíssimos: a ADUFF, o SINTUFF e ainda integrantes outros da comunidade Universitária. Sem todos eles tudo seria muito difícil. A unidade dos três segmentos, das três entidades, fez acontecer os debates, que a Reitoria se recusou sequer comparecer, aparecer o real posicionamento da UFF quanto ao REUNI, que é CONTRÁRIO, e as mobilizações que tomaram ruas, Conselhos e a Reitoria. Por que até agora, a UFF não deu um contundente NÃO ao REUNI? Pra responder essa pergunta outra deve ser feita:

EDITORIAL Jorge Mautner, Urge Dracon

A verdadeira face do Magnífico Reitor

Quem decide pela UFF? Quem manda aqui é uma burocracia muito da fedorenta. Não existe um mínimo de contato real dos dirigentes da UFF com a comunidade universitária. As decisões tomadas ninguém fica sabendo e quando alguém, em geral, os estudantes, toma conhecimento e contesta alguma atitude, os donos do poder se reportam a regimentos e estatutos que datam da ditadura militar para balizar seus argumentos. O jogo de interesses é muito intenso. O próprio vice-reitor já é candidato em oposição ao Reitor na próxima eleição pra Reitoria. A briga é intensa por cargos e verbas na Reitoria, e isso influi de maneira decisiva no Conselho Universitário. É raro encontrar pessoas que realmente pensam a Universidade. Os títulos são inúmeros, e o latim é invocado constantemente nos adjetivos, mas na prática são vazios em termos práticos na Universidade. O que vale é o jogo de cena e a politicagem tão comuns na política

brasileira. A última grande obra dos grandes filósofos da Reitoria foi a recusa do CUV em aceitar os representantes escolhidos pelos estudantes para o GT que elaboraria projeto de expansão da UFF. O CUV preferiu se ver na autoridade de escolher os estudantes que estarão no GT. Coisa inédita e absurda! Mas não pára por aí, até os funcionários o CUV, que não tem um funcionário sequer em sua composição, viu-se no direito de decidir ao invés de uma Assembléia própria dos funcionários. Portanto, nossa luta contra o REUNI, e no Brasil inteiro, é também por uma Universidade completamente livre da sua atual estrutura verticalizada, ineficiente, pouco inteligente e reacionária. Agora é colocar nossa capacidade crítica e de mobilização pra propostas de radicalização da democracia na Universidade.

livrasse de vez do REUNI, o movimento propôs que tal projeto fosse elaborado por um Grupo de Trabalho paritário entre os segmentos e composto por maioria de pessoas contrárias ao REUNI. Essa proposta foi aceita nas palavras da Reitora, mas não se concretizou no CUV do dia 7 porque o Reitor queria que os nomes dos estudantes e servidores fossem escolhidos pelo CUV e não pelo DCE e SINTUFF. Essa atitude demonstrou uma tentativa grosseira de interferência na autonomia do movimento estudantil e dos técnicos que sempre escolheram em seus fóruns aqueles que deveriam representa-los em quaisquer espaços da universidade. Diante da discordância e dos protestos do movimento estudantil e dos funcionários, além de vários conselheiros que também discordavam, fora marcado um novo CUV para o dia 14 para resolver essa situação. Para referendar os 3 nomes dos estudantes que participariam do Grupo de Trabalho, o Conselho de Centros e Diretórios Acadêmicos que ocorreu no dia 8, ratificou os nomes estudantis: Daniel Nunes (História), Lucas (Arquitetura) e Eduardo “Stalinho” (Geografia). O Conselho de CA’s e DA’s deliberou também que o CUV do dia 14 deveria acatar a deliberação autônoma dos estudantes e dos servidores para os representarem, caso contrário os estudantes não participariam desse Grupo de Trabalho e denunciaria essa atitude golpista de querer ferir a autonomia dos próprios estudantes escolherem seus representantes. Infelizmente no CUV do dia 14 o impasse permaneceu. Alguns estudantes da parte minoritária do DCE, que é atrelada ao governo e a Reitora, e defendem o REUNI mesmo ferindo deliberação da Assembléia Geral do Estudantes da UFF, candidataram-se no CUV às vagas do Grupo de Trabalho. Diante

Mesmo brigado com o Reitor, o vice Emmanuel é o chefão dos golpes

disso o CUV decidiu não acatar a indicação dos estudantes e do DCE, para ele mesmo escolher os integrantes estudantis. O mesmo foi deliberado sobre os funcionários. Um absurdo! O CUV agora se vê no direito de escolher também que estudantes e que funcionários são representantes em espaços da administração. Nessas circunstâncias, o DCE e o SINTUFF se retiraram desse Grupo de Trabalho que poderia ter sido finalmente um primeiro passo para a UFF se colocar de forma digna e autônoma diante do MEC, sem se submeter ao REUNI. Esse Grupo de Trabalho, portanto, não representa a UFF para fazer projeto algum. É um grupo de trabalho Biônico, que tem nele cristalizado uma intervenção autoritária da Burocracia da Universidade na representação dos movimentos. Buscamos de todas as formas chegar a soluções que fizessem nossa Universidade saltar para frente. Mas a Reitoria mais uma vez escolheu o impasse; prefere o seu projeto a qualquer forma de diálogo com a Universidade. Cada vez mais a Reitoria se encastela na burocracia e se distancia na Universidade real. Nossa tarefa é barrar esse projeto. É lutar por democracia e autonomia! Dessa vez buscaremos também fazer o nosso projeto para se contrapor ao da Reitoria. Um projeto realmente autônomo, que permita que a UFF se expanda com contração de professores e técnicos, estrutura e assistência estudantil suficientes para mantermos e ampliarmos a qualidade da graduação e da pós-graduação. É muito importante que todos fiquemos atentos, pois em breve construiremos um seminário com a ADUFF e SINTUFF para pensarmos a universidade que queremos e pôr esse ante-projeto frente a frente com a mediocridade da burocracia e das metas do REUNI. Democracia Já! REUNI Não! Seguiremos na luta!

LEMBRETES

Novos Golpes. Mas segue a luta contra o REUNI CUV não aceita nomes escolhidos pelos estudantes e pelos servidores para elaborar o projeto autônomo da UFF. Prefere ferir autonomia dos segmentos para seguir encastelado, distante da UFF real e nos planos do REUNI Depois de toda a Luta Contra o REUNI durante todos esses meses, o movimento estudantil encaminhou uma proposta ao CUV para acabar com todo o impasse que havia na Universidade sobre o assunto. O Reitor Roberto Salles havia encaminhado para o PDI a elaboração de um novo projeto do REUNI para ser votado em dezembro. Só que é sabido em toda a Universidade que a maioria da Universidade não quer a UFF apresente projeto para REUNI. A solução encontrada pelo movimento estudantil foi a proposição da elaboração de um projeto autônomo, ou seja, fora das metas, marcos e prazos do REUNI, para ser entregue ao MEC e disputar com esse projeto autônomo recursos para a Universidade. A intenção era sair do impasse com uma solução ao mesmo

tempo propositiva e fora dos marcos do medíocre decreto do REUNI. Essa proposição repercutiu muito bem, mas no CUV em que foi apresentadapela bancada estudantil, a proposta não foi toda aprovada. A Reitoria queria um minúsculo prazo de 30 dias para que esse projeto estivesse pronto, ou seja, queria entregar esse projeto dentro dos prazos REUNI, na tentativa de fazer da palavra “autônomo” do projeto letra morta. Mas para fazer com que esse projeto fosse realmente autônomo e que a UFF se

Expediente: Textos: Daniel Nunes (História), Mariana Vedder (Estudos de Mídia), Douglas Mota (História), Gabriel, Revisão: Fernando Teixeira (Ciências Sociais), Diretoria da ADUFF, SINTUFF e DCE Diagramação: Daniel Nunes

28/11, 18 horas, no BANDEJÃO

ainda

EM PAUTA: CALENDÁRIO e REUNI SEMINÁRIO DOS MOVIMENTOS DOS PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS E ESTUDANTES OBJETIVO: PENSAR A CONSTRUÇÃO DE PROJETO REALMENTE AUTÔNOMO 05/12, DURANTE TODO O DIA EM LOCAL A DEFINIR

Jornal DCE UFF Nov 2007  

jornal dce uff autonomia

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