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Reposição hormonal Classe médica revisa orientação sobre terapia na menopausa

III Congresso WOSAAM Evento, entre 11 e 13 de outubro, reunirá os maiores nomes da ciência da longevidade

Inflamação subclínica Biomarcadores inflamatórios permitem a detecção precoce de doenças

Obesidade

ANO 2 – Nº 5 – 2013

Estudo americano mostra que gordura abdominal eleva o risco de osteoporose


EDITORIAL Caros amigos, Após mais de 10 anos de debates dentro da sociedade médica em todo o mundo quanto à questão do risco de câncer de mama e ao uso da terapia de reposição hormonal para tratar os sintomas da menopausa, sociedades internacionais de diferentes especialidades médicas divulgaram, em março, o documento Global Consensus Statement on Menopausal Hormone Therapy – Declaração de Consenso Global sobre Terapia Hormonal na Menopausa –, afirmando que a reposição hormonal é o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa e que os benefícios podem superar os riscos existentes. Abrimos espaço na revista Longevidade em Foco para falar desse importante avanço, mas também para lembrar que agora é preciso indagar: qual o melhor tipo de reposição hormonal: com hormônios sintéticos, hormônios homólogos humanos ou hormônios bioidênticos? A pergunta é bastante pertinente, uma vez que a medicina continua a recomendar o uso de hormônios não humanos para o tratamento dos sintomas da menopausa, o que é um erro, pois o hormônio homólogo humano tem a estrutura molecular igual à dos hormônios endógenos, aqueles produzidos pelo organismo humano. Outro tema de relevância nesta edição, que circula com 52 páginas, é a realização do III Congresso Latino-Americano da WOSAAM, um dos maiores eventos multidisciplinares de atualização na área médica. Estarão reunidos num só lugar alguns dos principais nomes do cenário internacional formado por especialistas que trabalham com ciência da longevidade e fisiologia humana. Paralelamente ao Congresso da WOSAAM, que acontece entre os dias 11 e 13 de outubro próximo, teremos o I Congresso Internacional da Sociedade Brasileira para Estudos da Fisiologia (Sobraf), VII Simpósio Internacional de Fisiologia Hormonal e Longevidade e II Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica. Nossa expectativa é reunir em torno de 500 médicos do Brasil e de outros países, como França, Bélgica, Estados Unidos, Índia e Argentina. Entre os demais assuntos abordados nas próximas páginas estão: a importância da dieta balanceada para evitar o câncer; a existência de uma água-viva imortal, objeto de estudo, há anos, por cientistas que acreditam que a espécie pode ajudar a compreender melhor o fenômeno do envelhecimento em seres humanos; e manter uma vida ativa pode afastar o mal de Alzheimer, que hoje atinge cerca de 35 milhões de idosos em todo o mundo. Boa leitura! Ítalo Rachid

sumário Cientistas suecos pesquisam força muscular e longevidade Estudo relaciona ingestão de sucos industrializados ao câncer

Colágeno e a saúde das articulações

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Gordura abdominal eleva risco de osteoporose em homens

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Condições de vida do idoso no Brasil Queda de cabelos: livre-se do problema Insulina no fígado e o hipotálamo Mais atividades para evitar o mal de Alzheimer

Estudo mostra eventos iniciais do envelhecimento celular Benefícios do licopeno para o organismo Reposição hormonal na menopausa: um novo paradigma De olho na inflamação subclínica Espanha, país de futebol, história e arte III Congresso Latino-Americano da WOSAAM Caia na piscina e malhe! Pesquisadores estudam água-viva imortal Os sete hormônios que combatem a obesidade Sociedade em consultórios e clínicas Cuidados com a alimentação podem ajudar a evitar o câncer Curso de Fisiologia da Longevidade Humana

EXPEDIENTE

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www.longevidadesaudavel.com.br

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Força muscular e longevidade

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A prática de atividades físicas, em qualquer fase da vida, é importante em termos de saúde e isso já é do conhecimento de todos. Da mesma forma, como muitos estudos já comprovaram, o baixo condicionamento cardiovascular apresenta aumento do risco de morte. Exercitar-se na adolescência pode influenciar a longevidade, o que mostra pesquisa divulgada recentemente e realizada por cientistas do Karolinska Institutet, em Estocolmo, na Suécia. De acordo com os resultados do estudo, o porte muscular dos homens durante a adolescência pode ser um indicativo de quanto tempo vão viver. Publicada no periódico britânico British Medical Journal (BMJ.com), a pesquisa sugere que a fraca estrutura muscular nesse período da vida está diretamente associada ao risco de morte precoce por diversas causas diferentes, na fase adulta. O efeito da falta de força muscular, segundo os cientistas, é semelhante a outros fatores de risco já estabelecidos, como estar acima do peso ou ter pressão alta. O estudo envolveu mais de um milhão de jovens do sexo masculino, com idades entre 16 e 19 anos, durante um período de mais de 24 anos.

de 55 anos. No final, os pesquisadores chegaram à conclusão de ser a força muscular um reflexo do estado geral do corpo, o que explicaria a relação apontada com a longevidade.

Os participantes foram submetidos a três testes (extensão do joelho, força nos punhos e flexão de cotovelos), e os pesquisadores também mensuraram o Índice de Massa Corporal (IMC) e a pressão arterial dos participantes. Foi definida como morte prematura aquela ocorrida antes da idade

Os indivíduos estudados faziam parte do corpo militar da Suécia e praticavam exercícios para que sua capacidade pudesse ser calculada. Para os pesquisadores, a falta de força muscular em adolescentes é

Durante o período de acompanhamento, 2,3% dos indivíduos morreram (pouco mais de 26 mil). As principais causas das mortes foram ferimentos acidentais, suicídio, câncer, doenças cardíacas e derrames. Um terço das mortes ocorrem por outras causas, mas os cientistas levaram todas as mortes em consideração para os cálculos. Na análise de mortalidade, altos níveis de força na fase jovem da vida foram associados com redução de 20% a 35% no risco de morte prematura devido a causas cardiovasculares, independentemente do IMC ou da pressão arterial. Os pesquisadores também afirmam que os adolescentes mais fortes apresentaram até 30% menos risco de morte prematura por suicídio e foram até 65% menos propensos a ter qualquer diagnóstico psiquiátrico, como esquizofrenia e transtornos de humor. Para eles, os resultados sugerem que os jovens fisicamente mais fracos podem ser mais vulneráveis às doenças mentais.

um importante fator de risco para as principais causas de morte em adultos jovens. Eles defendem a necessidade de atividade física regular na infância e na adolescência e alertam que os jovens com menor força muscular precisam ser encorajados a participar de programas de exercícios ou outras formas de atividade física. O médico Breno Faria (CRMMG50.513), diretor do Health Extension (instituto médico de performance e otimização fisiológica e metabólica) e secretário da regional de Minas Gerais do Grupo Longevidade Saudável, lembra que estar acima do peso e ter pressão alta na idade precoce são conhecidos como fatores de risco

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ocasionam a redução da taxa do metabolismo basal. Essa alteração na composição corporal tem sido apontada como a mudança mais significativa no aspecto funcional”, comenta o médico.

Longevidade com qualidade de vida para mortes prematuras. Por isso, é importante a prática de atividade física desde cedo. “Diversos estudos já comprovaram que males como doenças cardíacas e câncer podem ser prevenidos se a população for mais fisicamente ativa”, afirma o Dr. Faria. Ele ressalta ainda que músculos fortes também protegem as articulações, resultando em menor risco de lesões ligamentares e problemas como dores nas costas (lombalgias). “As modificações degenerativas ocorridas no processo do envelhecimento, e a redução acentuada da massa corpórea magra e o crescimento do percentual de tecido adiposo

O estudo dos pesquisadores suecos reforça evidências científicas já existentes sobre o efeito benéfico dos exercícios e da atividade física para o organismo nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas, além dos benefícios relacionados ao aspecto psicológico e à saúde mental. Em 1996, o pesquisador Ralph Paffenbarger, que também foi epidemiologista, maratonista e professor das universidades Stanford University School of Medicine e Harvard, divulgou um trabalho mostrando que pessoas que realizam treinamento aeróbio regularmente aumentaram a longevidade e diminuíram a incidência de doenças coronarianas, diabetes, hipertensão e algumas formas de câncer, entre outras.

Aumento da expectativa de vida Outro estudo que comprovou a necessidade da prática de exercícios desde a adolescência foi publicado, recentemente, pela revista científica The Lancet. Pesquisadores de duas universidades americanas, University of South Carolina, em Columbia, na Carolina do Sul, e de Harvard, mostraram que, se o sedentarismo fosse eliminado da rotina de adolescentes e adultos em todo o mundo, a expectativa de vida dessas pessoas poderia aumentar em até quatro anos. E caso isso fosse associado a uma

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alimentação balanceada e ao abandono do tabagismo, elas viveriam até nove anos mais. Ainda de acordo com o trabalho, 30 minutos de exercícios moderados praticados cinco vezes por semana, ou 20 minutos de exercícios intensos, feitos três vezes na semana, seriam capazes de evitar 9% de todas as mortes prematuras ocorridas no mundo, cujas principais causas são infarto, diabetes tipo 2, câncer de mama e de colo do útero, além de acidente vascular cerebral (AVC).

Ao longo de quase cinco décadas, Paffenbarger conduziu um dos maiores e mais importantes estudos científicos na área da epidemiologia, que comprovou que a prática de exercícios reduz a chance de morte por doença cardíaca. Para o estudo, ele utilizou questionários periódicos que eram respondidos pelos participantes da pesquisa, características pessoais, tipo de atividade física, níveis de doenças e mortes de mais de 50 mil ex-alunos das faculdades onde lecionava. Ele começou o estudo em 1960 e continuou a publicar resultados de pesquisas até sua morte, em 2007, aos 84 anos. O trabalho de Paffenbarger também mostrou que, desde que o gasto energético seja equivalente, é irrelevante se o exercício foi efetuado numa sessão única ou dividido. Revelou ainda que, à medida que aumenta a energia despendida, o risco de doença do coração diminui. Entre os participantes do estudo, aqueles que permaneceram ativos na meia-idade apresentavam chance muito maior de sobrevida, em comparação aos que se tornaram inativos. A atividade física e sua importância para a saúde vêm sendo estudadas há muito tempo. Outros pesquisadores que contribuíram e continuam a contribuir para difundir a ideia desses benefícios foram Kenneth Cooper (criador do teste de Cooper), M.L. Pollock e Robert Malina. Segundo a maioria dos pesquisadores, para obter o resultado esperado, o programa de exercícios deve englobar a resistência cardiorrespiratória, a força e a flexibilidade. Já a American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda que as atividades aeróbias sejam realizadas, no mínimo, três vezes por semana, com duração mínima de 30 minutos cada vez.


Estudo relaciona refrigerantes e sucos artificiais açucarados a mortes

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Para aqueles que costumam ingerir, com frequência, refrigerantes e sucos artificiais açucarados, uma pesquisa apresentada este ano em congresso da Associação Americana de Cardiologia traz um importante alerta: esse tipo de bebida pode estar associado a algo em torno de 180 mil mortes por ano em todo o mundo. O trabalho foi realizado por cientistas da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, que usaram como fonte de dados o estudo The Global Burden of Disease (O Peso Global da Doença, pesquisa que representa o maior esforço científico já realizado para descrever a distribuição global e as causas de uma grande variedade de doenças graves, ferimentos e fatores de risco à saúde), de 2010, e relacionaram a ingestão de bebidas açucaradas a 133 mil mortes por diabetes, 44 mil mortes por doenças cardiovasculares e 6 mil mortes por câncer. De acordo com o levantamento, cerca de 80% dessas mortes ocorreram em países com população de média e baixa rendas. Os especialistas afirmam ainda que o consumo das bebidas açucaradas pode gerar resistência à insulina e levar ao diabetes tipo 2, além de aumentar o risco de obesidade. Eles analisaram a quantidade consumida das bebidas por idade e sexo; os efeitos das iguarias na taxa de obesidade, doenças cardíacas, certos tipos de câncer e no diabetes; e o impacto das mortes relacionadas a essas doenças. Os cientistas acrescentaram à publicação a informação que o fato de milhares de mortes estarem associadas ao consumo de bebidas

industrializadas açucaradas não significa que os produtos provoquem diretamente esses óbitos. Segundo eles, o que existe é uma relação entre o hábito frequente e maior prevalência de mortes causadas por doenças como as cardíacas, o diabetes e alguns tipos de câncer. Ou seja, o consumo desses produtos pode vir junto com outros fatores que elevam o risco desses problemas. Afirmam, no entanto, ser possível estimar o número de mortes ligadas às bebidas.

Estudo brasileiro sobre o tema Outro trabalho mostrando os malefícios do consumo frequente de bebidas industrializadas açucaradas foi realizado no Brasil, porém o público-alvo analisado foi formado por crianças e adolescentes. O professor e doutor Rubens Feferbaum, pediatra e nutrólogo, professor livre-docente em pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Luiz Carlos de Abreu, do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP, analisaram os reflexos do aumento do consumo de refrigerantes, sucos de caixinha e outras bebidas altamente calóricas entre crianças e adolescentes. Denominado Padrões de Ingestão de Fluidos: Um Estudo Epidemiológico de Crianças e Adolescentes no Brasil, o trabalho foi publicado na revista BMC Public Health. Os pesquisadores acompanharam 831 pacientes, entre meninos e meninas, com idades entre 3 e 17 anos, moradores das cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife, para avaliar a evolução do consumo dessas bebidas ao longo dos anos. Os pesquisadores perceberam que, conforme as crianças iam crescendo, o consumo de leite foi sendo reduzido, dando lugar ao aumento da ingestão de sucos e refrigerantes. Os resultados mostraram que, entre os adolescentes de 11 e 17 anos, a maior parte das calorias consumidas vem de refrigerantes ou sucos de caixinha, que representaram uma média diária de 207 quilocalorias (kcal). Bebidas açucaradas ficam em segundo lugar, com índices entre 37% e 45% de calorias, nos grupos de 3 a 6 anos e de 7 a 10 anos, respectivamente.

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economia

Condições de vida do idoso no Brasil

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O Brasil é o primeiro país da América Latina a participar do consórcio Estudo Longitudinal das Condições de Saúde e Bem-Estar da População Idosa, cuja sigla é Elsi. O trabalho, iniciado no segundo semestre do ano passado, tem como objetivo levantar informações sobre as condições de vida e de saúde dos idosos. Onze países europeus, Estados Unidos, Canadá, Japão, Índia, China e Coreia do Sul também participam do consórcio. A previsão é que o primeiro ciclo de estudos do Elsi Brasil tenha duração de seis anos, período em que a expectativa é que sejam entrevistadas 15 mil pessoas. O Ministério da Saúde anunciou investimento da ordem de R$ 6,5 milhões no projeto, que vai investigar a evolução e a realidade das condições de saúde; capacidade funcional; e uso dos serviços de saúde entre os idosos. A avaliação levará em conta diversos tópicos e os mais importantes dizem respeito à aposentadoria e suas consequências para a saúde do cidadão; situação socioeconômica; e estrutura domiciliar e familiar, temas que são comuns a todos os países participantes, o que vai permitir um intercâmbio de informações e possibilitar a comparação dos resultados apresentados por cada um. A importância da pesquisa é reforçada por dados da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o envelhecimento populacional mundial que mostram que, em 2020, o número de pessoas com mais de 65 anos será superior ao número de crianças com menos de cinco anos.

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Em relação ao Brasil, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, atualmente, existem cerca de 21 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, o que representa, aproximadamente, 11% do total da população brasileira. E, em 2025, a estimativa é que o Brasil tenha aproximadamente 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade, alcançando a sexta colocação no ranking mundial de países mais longevos. A expectativa é que, para cada grupo de 100 jovens menores de 15 anos, haverá mais de 50 adultos com 65 anos ou mais.

No entanto, quando se trata de saúde e envelhecimento em nosso país, um outro levantamento apresentado pela ONU é preocupante: 36,5% das pessoas hoje com mais de 50 anos apresentam algum tipo de incapacidade funcional ou dificuldade para realizar tarefas simples, como atravessar a rua ou subir escadas. Na Inglaterra, o percentual é de 23%. Isso quer dizer que a redução da mortalidade não implica anos adicionais com saúde e autonomia. E vale lembrar que a deficiência na capacidade funcional representa elevado custo para os serviços de saúde. Prova disso é o resultado de um estudo desenvolvido pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, que mostrou uma proporção crescente, de acordo com o aumento da idade, de indivíduos que necessitavam de auxílio para realização de atividades simples do cotidiano, como ir da cama para o sofá, vestir-se, alimentar-se ou cuidar da própria higiene. De acordo com a pesquisa, 46% dos entrevistados com idades entre 65 e 69 anos necessitavam de auxílio para realizar tarefas. Já a partir dos 80 anos, apenas 15% não necessitavam de algum auxílio, enquanto 28% apresentavam grau de incapacidade tal que requeriam cuidados pessoais em tempo integral.


Fatores determinantes de longo prazo Diante desse cenário, torna-se de grande importância verificar os fatores determinantes de longo prazo das condições de saúde e bem-estar da população idosa no país, como se propõe o estudo Elsi Brasil. Na opinião de Gilberto Braga, economista e mestre em Administração pelo Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec), as atuais políticas públicas de saúde voltadas para idosos não são suficientes para aumentar a qualidade de vida dessa parcela da população. O especialista defende a necessidade da adoção de um modelo de saúde que priorize práticas médicas que ajudem a evitar as doenças que vêm com a idade, lembrando que cuidar de uma população idosa saudável é diferente de cuidar de uma população doente. “Cuidar de pessoas sãs custa menos. É difícil determinar um percentual em termos de economia para os gestores de saúde, mas certamente a diferença e a economia são expressivas”, afirma. Braga lembra que o impacto do fenômeno da longevidade na economia brasileira é variado. “Normalmente, pensamos somente nos custos econômicos que o fato de viver mais pode trazer para os familiares, como gastos com planos de saúde, remédios, cuidadores e tratamentos específicos. Por outro lado, ao mesmo tempo, há um contingente de novos consumidores com renda considerável que ainda não foi totalmente percebido pela economia formal. Falo da terceira idade sadia, que lota os teatros nas noites de terça a quinta, que viaja e faz turismo pelo país fora das grandes temporadas e dos feriados, que janta fora e toma vinho, que sai para dançar, enfim que gasta muito. A força de consumo da

terceira idade ainda não foi mapeada e aqueles que desenvolveram produtos específicos e serviços para ela poderão ter grandes lucros”, comenta o economista.

Diferenças das condições de saúde Indicadores demográficos de envelhecimento, como o publicado pelo Observatório sobre Iniquidades em Saúde, da Fiocruz, que tem como base a Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD), apontam para a existência de determinantes sociais que implicam o aparecimento de desigualdades em termos de saúde durante o envelhecimento. Para muitos pesquisadores, além das condições biológicas individuais que favorecem a longevidade, é relevante questionar quais fatores podem estar associados aos anos adicionais de vida para uns, e não para outros. Entre esses itens está a diferença regional, que, para muitos, transpõe as questões básicas e fundamentais relacionadas ao aumento de oferta e acesso aos serviços de saúde. Segundo o PNAD de 2009, a macrorregião com maior proporção de idosos é a Sudeste (12,7%), seguida da Região Sul (12,3%), Nordeste (10,5%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (7,3%). Muitos pesquisadores defendem a

tese de fatores como educação e renda, por exemplo, despontarem como diferenciais no ganho de vida em anos, possivelmente na qualidade do envelhecimento. Existe, contudo, relação entre as condições de saúde e o sentimento de bem-estar entre os idosos? Para responder a essa pergunta, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizaram uma pesquisa cujo resultado acaba de ser publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz. Durante um ano, eles entrevistaram 1.431 idosos, com idade média de 69 anos, moradores da área urbana da cidade, com o objetivo de verificar como se estabelece essa ligação. Os pesquisadores chegaram à conclusão de estar a sensação de felicidade associada a diversos indicadores de saúde. O levantamento mostrou que os idosos que se sentem felizes por mais tempo são casados, trabalham, têm lazer, ingerem bebidas alcoólicas ocasionalmente, consomem frutas, legumes e verduras todos os dias, não são obesos e dormem bem. Esse é um dos primeiros estudos, em base populacional, que verifica as relações das condições de saúde com o bem-estar subjetivo de idosos. Na avaliação dos pesquisadores, os resultados devem contribuir para ampliar o conhecimento sobre o tema no Brasil.

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beleza

Queda de cabelos: livre-se do problema Especialista esclarece que existem diversos fatores que podem levar à queda intensa dos fios, como herança genética, estresse e uso de medicamentos

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A calvície também afeta as mulheres e pode ser sinônimo de ansiedade e sofrimento emocional para muitas, pois atinge um dos principais ícones da feminilidade: os cabelos. No caso da alopécia androgênica (calvície), diferentemente do que ocorre com os homens, as mulheres não ficam totalmente calvas, os fios da linha da testa são preservados e a mulher não ganha entradas, mas o cabelo da parte de trás e no alto da cabeça vai ficando mais ralo. Dependendo do estágio, é possível ver o couro cabeludo. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar, entre 25% e 30% das brasileiras entre 35 e 50 anos apresentam ou vão apresentar algum grau de calvície. E é importante ficar atenta aos sinais, para perceber a diferença entre a perda normal de cabelos (que integra o processo natural de renovação dos fios) e a intensificação da queda. O dermatologista Carlos Toledo (CRM RJ 52761326), professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), explica que diariamente as pessoas perdem cerca de 100 fios. Mas a perda só deve preocupar se os fios começam a se acumular no ralo da pia ou do chuveiro, na escova, nas roupas ou no travesseiro. O especialista lembra que a calvície é uma manifestação fisiológica que ocorre devido à herança genética, sendo que o histórico de calvície pode vir tanto do lado da mãe como do pai. O processo ocorre devido à ação da enzima 5-alfa-redutase sobre o hormônio testosterona (a mulher também apresenta esse tipo de hormônio, porém em menor quantidade que o homem), resultando no subproduto DHT (dihidrotestosterona). Este último age sobre os folículos pilosos, provocando o seu afinamento e miniaturização. “A predisposição genética é que vai determinar o grau de queda, mas o excesso de hormônios masculinos, muitas vezes elevados por problemas no ovário ou nas glândulas suprarrenal e hipófise, pode contribuir para o agravamento da queda”, explica. A perda dos cabelos geralmente se inicia após a puberdade. A partir daí, a evolução é lenta, podendo ocorrer uma rarefação difusa dos fios que se tornam finos e têm seu tamanho diminuído. Dificilmente, a mulher chega a ficar careca, mas isso pode ocorrer

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em casos de maior intensidade e em mulheres de idade mais avançada. Por outro lado, em algumas mulheres, a alopécia androgênica só começa a se manifestar após a menopausa, quando ocorre a diminuição da produção dos hormônios femininos. O tratamento para combater a alopécia androgênica tem como objetivo evitar a ação hormonal sobre os folículos, revertendo o processo de afinamento e miniaturização. Ele pode ser feito com o uso de antiandrógenos (que combatem a ação dos androgênios), por via oral ou loção, que é aplicada no couro cabeludo. Além disso, é feito o estímulo ao crescimento dos cabelos, com suplementação vitamínica e substâncias de uso local.

Outras causas da queda de cabelo Segundo o Dr. Toledo, o cabelo pode perder o aspecto saudável por diversos motivos, seja por causas internas (como alterações nutricionais, manifestações genéticas, irregularidades hormonais e inflamações no couro cabeludo) ou externas (a exposição excessiva ao sol ou mesmo à fumaça dos cigarros, que são de caráter cumulativo, e à poluição, por exemplo). Nos casos de fatores genéticos ou hormonais, uma opção de tratamento pode ser a carboxiterapia capilar (aplicação de injeções de dióxido de carbono no couro cabeludo, técnica que aumenta o fluxo sanguíneo, melhorando a fisiologia local e promovendo o crescimento do cabelo), laser de baixa potência ou até mesmo transplante de unidades foliculares. “Nosso cabelo é basicamente um fio constituído pela proteína queratina, formado por camadas lamelares (escamas) superpostas e com córtex (canal) central. A parte viva encontra-se dentro do couro cabeludo. A parte externa, a haste capilar, é o que chamamos normalmente de cabelo. E ele sofre agressões no dia a dia, com a exposição ao sol, à água do mar e à química das piscinas, ao vento, à poluição, ao ar-condicionado e às variações de umidade no ar. O uso de tratamentos químicos, como colorações, relaxamentos e escovas dos mais variados tipos, entre outros, também pode agredir os cabelos”, diz o dermatologista. Um dos tipos mais comuns de queda de cabelo é o eflúvio telógeno, que se caracteriza pela diminuição intensa dos fios em toda a cabeça. A queda pode ser aguda ou crônica e geralmente é causada por febres altas, dengue, anemias (causadas por menstruações intensas ou deficiências nutricionais), dietas radicais, medicamentos e no pós-parto. Outras causas de eflúvio telógeno são os traumas

“A predisposição genética é que vai determinar o grau de queda dos cabelos, mas o excesso de hormônios masculinos pode contribuir para o agravamento da queda” Dermatologista Carlos Toledo

cirúrgicos, o estresse e doenças sistêmicas, como diabetes e problemas na tireoide. “Esse tipo de problema costuma se resolver de forma espontânea, mas causa grande preocupação pela intensidade e rapidez da instalação da queda. E é mais comum em mulheres”, comenta o Dr. Toledo. Segundo ele, no eflúvio telógeno, a perda de cabelos costuma ser mais generalizada e não se restringe à fronte e ao vértex, como ocorre na alopécia androgenética, a calvície hereditária. Além disso, como a raiz dos cabelos não é afetada de forma definitiva, costuma ocorrer uma reposição quase total dos fios perdidos, poucos meses depois de resolvido o que levou à queda. Vale lembrar que existe também o eflúvio anágeno, que ocorre em pacientes submetidos a tratamentos de radioterapia ou quimioterapia. Nesse caso, normalmente, o nascimento dos cabelos volta ao normal logo após o término do tratamento. Outra causa de queda de cabelo entre as mulheres é a alopécia areata, que se caracteriza pela perda de cabelo ou pelos, localizada em áreas bem delimitadas. Em geral, a queda ocorre em áreas arredondadas ou ovais do couro cabeludo ou de outras partes do corpo. De acordo com os especialistas, a alopécia areata ocorre em 1% a 2% da população, afetando ambos os sexos. Ela pode surgir em qualquer idade, embora em 60% dos casos seus portadores tenham menos de 20 anos. Ainda segundo dermatologistas, a perda de cabelo é assintomática, mas alguns pacientes se queixam de prurido ou queimação que precedem o aparecimento das placas. Em alguns casos, pode evoluir para a alopécia totalis, quando ocorre a queda total de cabelo e de pelos do corpo.

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Estudo põe eixo cérebrofígado no controle do equilíbrio glicêmico

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Pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) demonstrou, pela primeira vez na literatura médica, a ligação entre a inflamação do hipotálamo e a resistência à insulina no fígado. A descoberta, que coloca o eixo cérebro-fígado no controle do equilíbrio glicêmico, pode abrir nova frente para o tratamento do diabetes. O estudo vinha sendo realizado há dois anos e permitiu aos cientistas identificar a via neural por onde ocorre a ligação entre o sistema nervoso central e o fígado. Segundo o professor e pesquisador Lício Velloso, orientador da pesquisa, uma dieta rica em gordura saturada – presente em alimentos como manteiga e carnes bovina e suína, por exemplo – leva a uma inflamação do hipotálamo, que, por sua vez, leva à resistência da insulina no fígado, órgão responsável por produzir a glicose. Segundo o mecanismo descrito na pesquisa, o controle da glicose alta no jejum é feito, pelo menos em parte, pelo hipotálamo. “Isso reforça nossa suspeita de que o desenvolvimento de drogas com ação no sistema nervoso central deve ser interessante para o tratamento do diabetes”, comenta Velloso. A glicemia de jejum ocorre com muitos pacientes diabéticos, que, embora monitorem rotineiramente a concentração da glicose, pela manhã, ao acordar, percebem que estão com um nível elevado de

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açúcar no sangue. O controle da glicemia de jejum é considerado um dos principais problemas enfrentados por endocrinologistas no atendimento aos pacientes com diabetes. “O diabético passa um período de jejum dormindo e, ainda assim, acorda com a glicose alta. Décadas atrás, descobriram que o fígado produz glicose e o paciente com diabetes tem defeito nessa produção. Entretanto, detalhes a respeito desse processo ainda não são completamente esclarecidos”, lembra o professor Velloso. Já a nutricionista Marciane Milanski, que é professora da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp e desenvolveu a pesquisa durante a continuação da tese de doutorado, lembra que o hipotálamo, órgão localizado na base do cérebro, controla a homeostase corporal, isto é, o ajuste do organismo às variações externas, como a temperatura, o balanço de água

no corpo, a fome e o gasto energético corporal, entre outras funções. O órgão também é responsável por fazer a integração entre os sistemas nervoso e endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas produtoras de hormônios. “Fomos identificar quais eram os mecanismos por meio dos quais as gorduras saturadas levavam à inflamação hipotalâmica e percebemos que existe uma relação muito íntima entre via inflamatória e vias metabólicas, que controlam a ingestão alimentar e o gasto de energia. Distúrbios nessas vias metabólicas levam ao aumento ou à diminuição de peso”, explica Marciane. A pesquisadora conta que a inflamação hipotalâmica prejudica a sinalização da leptina e da insulina – hormônios que participam do controle da ingestão alimentar e do gasto energético – no hipotálamo, o que leva ao desequilíbrio dos mecanismos que regulam o bom funcionamento do organismo.


Vida ativa para afastar o Alzheimer Diversos estudos científicos têm demonstrado que as atividades física e mental podem contribuir para evitar a doença

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O mal de Alzheimer atinge cerca de 35 milhões de idosos em todo o mundo e é hoje uma das doenças mais pesquisadas por cientistas de diferentes países. Enquanto dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que deve dobrar o número de diagnósticos positivos dentro de 20 anos, os pesquisadores ainda não conseguiram definir a causa do problema. No entanto, a boa notícia é que estudos recentes indicam que a doença pode ser evitada de maneira simples: com a prática de atividades físicas. E essa prática não precisa ser necessariamente um exercício. Atos comuns, como subir escadas, caminhar, cozinhar, lavar louça, jardinagem, varrer e até mesmo brincar com os netos, contribuem para reduzir em até 50% os riscos da doença, segundo estudo da Universidade de Rush, de Chicago (Estados Unidos), publicado no periódico Neurology, da Academia Americana de Neurologia, recentemente. Durante quatro anos, os pesquisadores acompanharam 716 indivíduos idosos (uma média de 82 anos de idade), sendo que os participantes foram submetidos a exames clínicos estruturados anualmente, incluindo uma bateria de 19 testes cognitivos. No final, puderam perceber que aqueles pacientes que praticavam diariamente atividades apresentavam menor possibilidade de vir a desenvolver

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a doença. Para realizarem a avaliação, os cientistas da universidade norte-americana colocaram um pequeno aparelho no pulso dos pacientes, que tiveram todos os movimentos diários, como andar, cozinhar, lavar louça, varrer a casa, dirigir, subir escadas e brincar com os netos, medidos. Os resultados mostram que as pessoas, incluindo os idosos, que se movimentam menos, têm duas vezes mais chance de desenvolver o mal de Alzheimer. O resultado do trabalho levou a neurocientista Michal Schneider Beeri, professora da Escola de Medicina do Hospital Mount Sinai, em Nova York,

e diretora do Centro de Neurociência do Hospital Sheba, em Tel Aviv, a escrever um artigo para o periódico Neurology, falando do assunto. A especialista, que é filha de um brasileiro e tem mãe chilena, lembrou em seu artigo que a atividade física tem sido consistentemente associada à diminuição do risco para o declínio cognitivo e demência, e seus efeitos positivos são evidentes tanto para a doença de Alzheimer quanto para a demência vascular. Em entrevista a jornalistas brasileiros, ela lembrou ainda que o importante é mexer-se, ser ativo, não importa como e em que idade.


Outro fator que, segundo a especialista, comprovadamente ajuda a reduzir o risco de vir a ter Alzheimer é a atividade cerebral, com jogos (de computador, cartas ou de tabuleiro, como xadrez e dominó, por exemplo). Ainda de acordo com a neurocientista, a educação formal também é um fator protetor, pois estudos mostram que analfabetos têm mais risco de desenvolver a doença. Quanto mais anos de estudo, menos chance de desenvolver a doença. Mas, segundo a Dra. Michal, os exercícios físicos são mais vantajosos que os mentais na prevenção da doença, pois na atividade física ocorre um equilíbrio entre corpo e mente.

Atividade sempre Outro importante estudo que demonstrou que quanto mais ativa é a pessoa, menor é a chance de ter Alzheimer foi apresentado no último congresso anual da Academia dos EUA de Neurologia (AAN), realizado na Califórnia (EUA), no final do ano passado. Neurologistas da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, Ohio (EUA), chegaram à conclusão de que pessoas menos ativas têm três vezes mais riscos de ter a doença, em comparação com outras que têm mais atividade. De acordo com os pesquisadores, ter uma vida

Estudo americano mostrou que pessoas menos ativas têm três vezes mais risco de ter Alzheimer, em relação a outras com mais atividades ativa – física e mentalmente – reduz significativamente o risco da doença. Esse foi o primeiro trabalho a examinar as atividades das pessoas cinco anos antes do surgimento dos sintomas da doença. Os pesquisadores utilizaram um questionário para recolher os dados referentes à participação das pessoas examinadas em 26 atividades extraprofissionais, tanto passivas, como físicas e intelectuais. O grupo pesquisado foi composto por 193 pacientes de Alzheimer e 358 pessoas sãs, com idade média de 72 anos. Entre as atividades passivas estão a TV, as reuniões sociais ou ir à igreja. As atividades intelectuais vão desde a leitura e montar um quebra-cabeça até pintar e fazer trabalhos caseiros. Entre as atividades físicas encontram-se a jardinagem e os esportes. O líder da pesquisa foi o mestre e doutor Robert Friedland, neurologista da Universidade Case Western Reserve. Ele vem estudando há anos a doença e afirma que manter uma dieta rica em antioxidantes e com pouca gordura saturada, com grandes quantidades de peixe, frango, frutas e vegetais, e menos carne vermelha e derivados do leite, também pode diminuir o risco do mal de Alzheimer.

Massa cinzenta Outra pesquisa que comprova que manter um estilo de vida ativo ajuda a reduzir a demência e o mal de Alzheimer foi desenvolvida pela Universidade da Califórnia (EUA). O estudo foi realizado por meio da análise da

estrutura do cérebro de 876 adultos, com média de 78 anos de idade. Os pesquisadores juntaram 20 anos de dados clínicos do grupo, formado por pacientes de quatro localidades do país, incluindo informações como índice de massa corporal e hábitos de vida. A produção de energia foi avaliada na forma de quilocalorias por semana. Depois de controlar idade, tamanho de cabeça, disfunção cognitiva, sexo, índice de massa corporal e educação, os pesquisadores encontraram uma forte associação entre a produção de energia e o volume de substância cinzenta em áreas do cérebro. O maior gasto calórico foi relacionado a maiores tamanhos nos lóbulos frontal, temporal e parietal, incluindo o hipocampo, o cíngulo posterior e os gânglios basais. Vale lembrar que a massa cinzenta inclui neurônios que funcionam na cognição. Segundo o estudo, as áreas do cérebro que se beneficiam de um estilo de vida ativo são as que consomem mais energia e, ao mesmo tempo, são muito sensíveis a danos. O mal de Alzheimer é uma doença crônica que atinge, principalmente, a população idosa. Trata-se de uma forma de demência que afeta a memória, as funções cognitivas e capacidades de realização de tarefas dos seus portadores. A doença se caracteriza pela perda de neurônios colinérgicos, o que reduz o número de conexões cerebrais. Acredita-se que a doença seria desencadeada por fatores genéticos e ambientais, além do estilo de vida.

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Colágeno para articulações saudáveis Junto com a elastina, substância forma arcos de sustentação que funcionam como molas e ajudam a absorção de impactos

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Quem quiser chegar à idade adulta com vitalidade e disposição deve também levar em conta a necessidade de proteger as articulações, mecanismo que permite a movimentação de todo o corpo – joelhos, tornozelos, mãos, pés, coluna, ombros, punhos, quadril, cotovelo e mandíbula. O problema é que o desgaste das articulações é lento e gradual, ficando mais evidente na velhice, e, ao longo do tempo, pode trazer dificuldades para atividades simples, como se sentar e levantar, escrever, mastigar e até andar.

De acordo com o ortopedista e especialista em medicina do esporte Cláudio Frota de Souza (Cremerj 52.538609), a cartilagem articular é um tecido resistente e flexível, que tem como principais funções o amortecimento e a capacidade de agir como um molde para as articulações. No caso do joelho, a superfície cartilaginosa cobre e molda o fêmur, a tíbia e a rótula, permitindo que os ossos possam deslizar um sobre o outro, reduzindo o atrito e evitando qualquer bloqueio do movimento.

Para manter as articulações saudáveis, é preciso uma substância já bem conhecida, porém, quase sempre, associada a questões estéticas, de firmeza da pele e envelhecimento: o colágeno. A proteína é fundamental para o funcionamento adequado da cartilagem articular, tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos, permitindo a execução dos movimentos do corpo. Sem as cartilagens articulares, um osso se chocaria com o outro e não seria possível se movimentar direito.

“Pode-se dizer que a cartilagem articular funciona como uma mola ou esponja, que cede água quando pressionada e volta à sua

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forma primitiva quando a pressão cessa. Isso permite ao joelho, por exemplo, aguentar o peso do corpo”, explica o especialista, que ressalta que, dentro desse sistema, o colágeno atua como uma malha de sustentação, retendo as demais substâncias existentes dentro da cartilagem. Segundo o Dr. Souza, a cartilagem articular é composta por 70% de água e o restante por células denominadas condrócitos, condroblastos e fibroblastos. Os fibroblastos sintetizam as proteínas de colágeno e elastina, formando arcos de sustentação que funcionam como molas e ajudam a absorção de impactos diretos sobre a cartilagem.

Funções do colágeno O especialista esclarece que o colágeno é a proteína mais abundante do organismo e existem mais de 10 diferentes tipos da substância, com composições e funções distintas. “Ele fortalece os tecidos, promove elasticidade e dá resistência à pele, aos músculos, tendões, meniscos, ligamentos, veias, vasos e artérias, além de realizar a distribuição de fluidos em vasos sanguíneos e linfáticos”, comenta o médico, que ressalta ainda que o colágeno II é o tipo encontrado nas cartilagens articulares, sendo produzido pelas células cartilaginosas. O colágeno é produzido normalmente no nosso organismo desde que nascemos. Contudo, quando entramos na fase da maturidade, sua deficiência começa a ser notada, com a diminuição da elasticidade da pele, o aparecimento de rugas e o aumento da fragilidade articular e óssea. Diversos estudos mostram que, a partir dos 30 anos, o corpo sofre uma perda de colágeno por volta de 1% ao ano e, aos 50, passa a produzir apenas uma média 35% do colágeno necessário para

os órgãos de sustentação. Com a diminuição da substância no organismo, os músculos ficam flácidos, a densidade dos ossos diminui, as articulações e os ligamentos perdem sua elasticidade e força e a cartilagem que envolve as articulações fica frágil e porosa. Pesquisas mostram ainda que deficiência de colágeno está também associada à diminuição da espessura do fio capilar e à desidratação e perda de elasticidade da pele, culminando em flacidez e aparecimento de rugas e estrias. As mulheres são as que mais sofrem com a perda de colágeno, pois apresentam uma quantidade menor dessa proteína no corpo, em relação aos homens. Além disso, a deficiência de estrogênio que ocorre no sexo feminino, por volta dos 45-50 anos, por causa da menopausa, faz com que haja uma diminuição da quantidade de fibroblastos, células responsáveis pela produção do colágeno, que, junto com outra proteína, a elastina, compõe a trama de sustentação da pele. Toda essa mudança provoca a redução do fluxo de sangue pelos vasos e leva a uma menor capacidade de retenção de água pelas células, além de desacelerar a atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas, que produzem a oleosidade que protege a pele como um

O colágeno é fundamental para o funcionamento adequado da cartilagem articular, tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos, permitindo os movimentos do corpo

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filtro natural. Sem a mesma irrigação e hidratação, a pele fica seca, enrugada e flácida, quebradiça e fina e muito mais sensível a escoriações e aos efeitos da exposição solar. Pequenos cortes levarão tempo para cicatrizar e as manchas vão proliferar com rapidez. Estima-se que, com a menopausa, haja uma perda média anual de 2% de colágeno. A velocidade do processo vai depender da presença de fatores de risco, como o tempo em que a pele foi exposta ao sol ao longo da vida e o hábito do tabagismo. Estudos mostram que o cigarro pode aumentar em até três vezes o número de rugas em mulheres de cor branca de meia-idade, ao reduzir a irrigação sanguínea das camadas que formam a pele.

Alimentação A boa notícia é que a alimentação pode ajudar a repor o colágeno. Por isso, é preciso incluir frequentemente no cardápio alimentos de origem animal, como carnes vermelhas, frango, peixes e ovos, que são a principal fonte da

substância. Já vegetais como soja, feijão, lentilha e grão-de-bico, apesar de não serem fontes diretas de colágeno, são fontes de proteínas que contribuem para a formação dessa substância. A recomendação de consumo diário de proteína para adultos, de acordo com o RDA Recommended Dietary Allowance (RDA) e Dietary Reference Intakes (DRI), dos EUA, é de 0,8 grama por quilo de peso. O problema é que, de acordo com uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) feita entre 2008 e 2010, a alimentação de 90% dos brasileiros deixa a desejar neste sentido: ela é rica em produtos calóricos e de baixo teor nutritivo. Ou seja, menos de 10% das pessoas atinge as recomendações de consumo de frutas, legumes e verduras, que é de 400 gramas ao dia, o que as torna um alvo fácil de doenças e desgastes nas articulações. Entretanto, somente a alimentação não é capaz de fornecer a quantidade ideal dessa proteína de que nosso organismo necessita a partir dos 30-40 anos. É aí que entra a suplementação. Estudos conduzidos em renomadas instituições de pesquisa estão mostrando que o uso diário de colágeno extraído industrialmente de ossos, peles e tendões de animais não tem contraindicação e é capaz de estimular a produção do colágeno natural, que perdemos com o passar do tempo.

Colágeno hidrolisado em pó Segundo pesquisadores do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, o colágeno hidrolisado em pó permite que o nosso organismo mantenha uma quantidade de massa muscular adequada, ajudando o organismo a utilizar eficientemente suas reservas lipídicas e de açúcar. Além disso, o colágeno em pó é um eficiente aliado contra processos de flacidez tecidual. Quando aliado à atividade física, torna-se uma excelente fonte proteica capaz de sintetizar massa magra, mantendo, assim, o aspecto jovial do nosso corpo. Estudos recentes mostram evidências de que a administração de colágeno hidrolisado na dieta diária ajuda a prevenção e o tratamento de doenças degenerativas dos ossos e das articulações, como a osteoartrite e osteoporose, além de ser um suplemento alimentar importante na dieta de pessoas que expõem suas articulações a grandes esforços, como atletas e obesos.

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Gordura abdominal eleva risco de osteoporose

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Já há algum tempo, a gordura acumulada na região da barriga é conhecido fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, entre outros males. Mas estudo recente feito por pesquisadores da Universidade Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, mostrou que também pode contribuir para que o homem tenha osteoporose. Segundo os cientistas, a gordura acumulada no abdome e a gordura visceral (que se deposita em torno dos órgãos internos do corpo) reduzem a densidade e a resistência dos ossos dos homens. A pesquisa envolveu 35 homens obesos com idade média de 34 anos. Todos foram submetidos a exames para avaliar a taxa de gordura no corpo e sua densidade óssea. De acordo com os resultados, os indivíduos que apresentavam níveis mais elevados de gordura visceral e abdominal apresentavam menor resistência óssea, em comparação com aqueles com os menores níveis de gordura. O estudo não encontrou, porém, associação entre IMC ou idade e falta de rigidez dos ossos. No entanto, os pesquisadores observaram que a massa muscular pode favorecer a saúde dos ossos – quanto maior a massa muscular, melhor a qualidade dos ossos. Os participantes do estudo apresentavam índice de massa corporal (IMC) de 36,5 – obesidade grau 2. Os voluntários foram submetidos a uma tomografia do abdômen e da coxa para avaliar a quantidade de gordura e massa muscular, além de outro exame em alta resolução do antebraço, para analisar a força dos ossos e o

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risco de fraturas. De acordo com autores da pesquisa, os participantes obesos com uma grande quantidade de gordura visceral tinham a força óssea significativamente reduzida, quando comparado com aqueles com IMC similar, mas pouca gordura na barriga. Segundo especialistas, a gordura visceral surge em razão da má alimentação e do sedentarismo, mas também por questões genéticas. “A gordura visceral se deposita ao redor dos órgãos internos do corpo. Por sua proximidade com os órgãos da cavidade abdominal, quando moléculas de gordura são liberadas desse depósito, elas afetam o funcionamento desses órgãos (como pâncreas, fígado e rins), comprometendo a saúde cardiovascular. O acúmulo dessa gordura também desencadeia outros problemas, como aumento da quantidade de açúcar no sangue, prejuízo da ação da insulina e das paredes das artérias – quadros que podem levar ao diabetes e a derrames”, lembra Idílio Miragaia Dias (Cremerj 52575472), médico e diretor da Sociedade Brasileira de Estudos da Fisiologia (Sobraf). Criada em outubro do ano passado, a Sobraf tem como missão promover e fomentar o conhecimento relativo à fisiologia humana, contribuindo para a propagação de práticas de prevenção em saúde. Outro estudo, este desenvolvido pela Clínica Mayo, nos Estados Unidos, e apresentado no final do ano passado, mostrou que pessoas com peso considerado normal, mas com acúmulo de gordura na barriga, têm mais riscos de morrer do que pessoas obesas. Segundo os pesquisadores, os riscos de morrer por problemas cardiovasculares são 2,75 vezes mais altos e, por problemas em geral, 2,08 vezes mais elevados em pessoas com IMC normal,

Pesquisa demonstrou que pessoas com níveis mais elevados de gordura visceral e abdominal tinham menor resistência óssea


mas com acúmulo de peso na região abdominal. Estudos anteriores já haviam apontado que a obesidade na região central do corpo é ruim. A novidade da pesquisa é que a distribuição da gordura é muito importante até em pessoas com um peso normal. Participaram do estudo 12.785 indivíduos com 18 anos ou mais, analisados no Terceiro Levantamento Nacional de Exame de Saúde e Nutrição, que fornece uma amostra representativa da população dos Estados Unidos. Foram registradas medidas corporais, como peso, altura, circunferência da cintura e do quadril, assim como condição socioeconômica e comorbidades (doenças relacionadas). A idade média dos participantes era de 44 anos e 47,4% eram homens. O tempo de acompanhamento médio foi de 14,3 anos. Os voluntários foram divididos em três categorias de IMC: normal (18,5 – 24,9), sobrepeso (25 – 29,9) e obeso (acima de 30). E em duas categorias de circunferência de cintura-quadril: normal (menor que 0,85 para mulheres e 0,9 para homens) e alta (maior ou igual a 0,85 para mulheres e 0,9 para homens). As análises foram ajustadas por idade, sexo, fumantes, hipertensão, diabetes e IMC. Os indivíduos com IMC normal, mas com obesidade central (definida por um índice de circunferência cintura-quadril elevado) tinham os riscos mais elevados de morrer de todas as causas. O risco de morte cardiovascular era 2,75 vezes mais alto e o de morte por todas as causas era 2,08 vezes maior em pessoas com IMC normal, mas com peso central – comparado com pessoas com IMC e circunferência cintura-quadril normais.

Osteoporose Embora boa parte de estudos científicos indexados sobre a osteoporose envolva mulheres, o problema também afeta os homens. Segundo dados do Ministério da Saúde, um terço das fraturas de colo de fêmur ocorre em homens. E, por diversas razões, 37% deles vão a óbito no período de um ano. Isso ocorre porque, depois dos 70 anos, a perda óssea se acentua. Embora depois dos 80 anos o risco seja maior, quase metade das fraturas do colo do fêmur ocorre antes dessa idade. As fraturas de vértebras também são comuns no sexo masculino. Ao contrário das mulheres, no entanto, o risco diminui com a idade. A prevalência depois dos 65 anos cai para a metade daquela apresentada pelas mulheres. Em 70% a 80% dos casos, as fraturas vertebrais são indolores, mas provocam diminuição da altura, disfunções respiratórias, aumentam o risco de quebrar também o fêmur, comprometem a qualidade de vida e contribuem para o aumento da mortalidade.

Estudo divulgado em 2012 e realizado pela Internacional Osteoporosis Foundation (IOF) mostra que o número de fraturas no quadril em decorrência da osteoporose deve aumentar 32% até 2050 no Brasil. Segundo a pesquisa, a maior causa do crescimento está relacionada ao envelhecimento da população, já que a estimativa é que aumente o número de pessoas com mais de 70 anos em 380%, até 2050. Atualmente, estima-se que a osteoporose atinja 3 milhões de pessoas no Brasil, sendo que a incidência é maior entre as mulheres, chegando ao percentual de uma em cada três mulheres com mais de 50 anos. A osteoporose está associada ao declínio fisiológico do hormônio do crescimento (GH), ou somatotrofina, que é produzido na hipófise anterior. A secreção de GH é pequena nos primeiros anos de vida, depois aumenta progressivamente, até atingir seus valores maiores na puberdade. A partir daí, segue-se um declínio progressivo. Homens e mulheres passam pelo processo da somatopausa, em geral, em torno dos 30 anos. As alterações no organismo são a perda da massa muscular, baixa no sistema imunológico e menor lubrificação das articulações. O resultado disso pode ser a osteoporose ou a osteopenia.

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Estudo mostra eventos iniciais do envelhecimento celular Trabalho realizado por cientistas americanos liga acidez no interior de estrutura celular ao funcionamento das mitocôndrias

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Estudo publicado por cientistas do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, nos EUA, aponta eventos-chave que ocorrem no início do processo de envelhecimento celular. O trabalho foi divulgado na revista Nature, uma das mais conceituadas publicações científicas do mundo, sendo resultado de uma série de pesquisas feitas ao longo de dez anos com leveduras – um tipo de fungo. As análises foram coordenadas pelos cientistas Daniel Gottschling e Adam Hughes e podem ajudar a entender melhor como os genes e o meio ambiente, incluindo a restrição calórica da dieta, são capazes de influenciar a longevidade, assim como a incidência de câncer e doenças neurodegenerativas associadas à idade avançada. Os autores identificaram que a presença de acidez em uma estrutura celular chamada vacúolo e o funcionamento das mitocôndrias são fundamentais para explicar o processo de envelhecimento. Os vacúolos são organelas que armazenam líquidos resultantes da nutrição ou da excreção celular. Eles ficam localizados dentro do citoplasma – parte da célula entre o núcleo e a membrana externa que a delimita. Já as mitocôndrias estão presentes no citoplasma e atuam no processo de respiração celular.

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Gottschling, que também é professor do Departamento de Ciências do Genoma na Universidade de Washington, explica que, normalmente, as mitocôndrias se parecem com tubos bonitos e longos, mas, à medida que as células envelhecem, se tornam robustas e fragmentadas. De acordo com ele, mudanças específicas ocorridas nos vacúolos é que desencadeiam os problemas nas mitocôndrias. Gottschling e os demais cientistas conseguiram perceber a alteração em leveduras, mas comprovaram que o mesmo também ocorre em nosso organismo. Segundo o estudo, os vacúolos têm duas principais tarefas: degradar proteínas e armazenar “blocos de construção” moleculares nas células. Para desempenhar tais funções, o interior deles é altamente ácido. No caso das leveduras, os pesquisadores perceberam que o vacúolo se torna menos ácido relativamente cedo, em relação ao seu tempo de vida, e essa queda impede o armazenamento de alguns nutrientes. Isso destrói a fonte de energia das mitocôndrias, fazendo com que elas se danifiquem. Os cientistas conseguiram impedir essa diminuição na acidez, e a função das mitocôndrias foi preservada.

Como resultado, as células das leveduras viveram por mais tempo. De acordo com o pesquisador Adam Hughes, a equipe ficou surpresa ao descobrir que era a função de armazenamento, e não de degradação de proteínas pelos vacúolos, que parece causar a disfunção mitocondrial nas células de envelhecimento. A descoberta inesperada levou os autores a começar a investigar os efeitos da restrição calórica – conhecida por prolongar a vida de leveduras, vermes, moscas e mamíferos – sobre a acidez dos vacúolos. Foram consideradas as semelhanças entre a biologia de leveduras e das células humanas. Os pesquisadores também observaram que as “leveduras-mãe” tinham uma menor acidez nos vacúolos, em


relação às leveduras mais novas. Isso poderia ajudar a explicar, ainda, como o simples ato da divisão celular contribui para o envelhecimento. “Diversas pesquisas científicas têm procurado entender melhor o processo do envelhecimento celular e os resultados são importantes para que possamos ter maior compreensão sobre como se dá o desgaste físico que vem com a idade e detectar com antecedência e prevenir as doenças ligadas ao envelhecimento”, comenta o vice-presidente da Sobraf, especialista em geriatria e gerontologia, Jorge Jamili (CRM RJ 5268330-2).

Entendendo o processo do envelhecimento humano Diversos estudos científicos têm sido realizados por pesquisadores de diferentes instituições de renome, em várias partes do mundo, para tentar desvendar como se dá o processo do envelhecimento humano e para buscar meios de prever e evitar as doenças associadas à idade mais avançada. Um desses estudos foi apresentado em 2011 por cientistas dos Estados

Unidos e da Espanha, com a publicação da pesquisa na revista Nature. Os cientistas desenvolveram um modelo celular para estudo em laboratório do envelhecimento humano após rejuvenescer o núcleo das células de pacientes com uma síndrome muito rara de envelhecimento precoce, denominada Hutchinson-Gilford. Os pacientes com a doença vivem, em média, 15 anos. A síndrome, também conhecida como progeria ou envelhecimento precoce, foi descrita pela primeira vez pelo médico inglês Jonathan Hutchinson, em 1886. Em 1904, o cirurgião inglês Hastings Gilford realizou diferentes estudos a respeito do desenvolvimento e das características da desordem genética. Por isso, a síndrome é conhecida pelo sobrenome de ambos os pesquisadores. Segundo especialistas, a doença acelera o processo de envelhecimento em cerca de sete vezes em relação à taxa normal. Já a palavra progeria é derivada do grego e significa prematuramente velho. As vítimas da desordem genética nascem bebês normais, mas, por volta dos 18 meses, começam a desenvolver sintomas de envelhecimento precoce. A pesquisa desenvolvida pelos cientistas americanos e espanhóis oferece uma esperança de possibilidade de cura no futuro aos doentes com a síndrome Hutchinson-Gilford. Isso porque a extrema complexidade do processo de envelhecimento e suas patologias associadas sempre significaram barreiras para esse tipo de estudo, que agora podem começar a ser derrubadas. Vale lembrar que pacientes com a rara doença sofrem na infância patologias associadas à velhice, como arteriosclerose, trombose e ataques cardíacos. Os sintomas principais dessa doença causada por um defeito genético

Entender melhor o processo do envelhecimento celular é importante para compreender como se dá o desgaste físico que vem com a idade que produz o acúmulo de uma proteína, a progeria, causadora da aceleração do envelhecimento, são baixa estatura, alopécia, ausência de gordura subcutânea, osteoporose e rigidez articular. Essa foi a primeira vez que os cientistas conseguiram desenvolver um modelo celular humano in vitro para estudar o envelhecimento. Eles geraram com sucesso células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) a partir de fibroblastos (células do tecido conjuntivo) de pacientes com essa síndrome. A pesquisa conseguiu a regressão de células doentes desses pacientes para um estado embrionário, com a supressão reversível do gene da progeria por reprogramação, e sua posterior reativação durante a diferenciação celular. Foi possível “um modelo único” para estudar patologias humanas associadas ao envelhecimento prematuro, com a vantagem de as células reprogramadas se diferenciarem em um prazo relativamente curto (duas semanas), em contraste com as décadas de duração do envelhecimento normal. Esse modelo in vitro de células iPS se baseia na identificação de novos marcadores de envelhecimento e vários aspectos da velhice prematura e fisiológica em humanos.

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artigo

Benefícios do licopeno

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O licopeno é uma substância antioxidante, ou seja, possui ação neutralizante em relação à ação oxidante produzida pelos radicais livres no organismo. É um carotenoide que dá a cor avermelhada ao tomate, ao mamão, ao morango, à goiaba e à melancia, entre outros.

o que são radicais livres? Nosso corpo é formado por células que são formadas por moléculas, que são formadas por átomos. Os radicais livres são átomos desequilibrados e instáveis, formados naturalmente em nosso organismo através da perda de um elétron. Esse processo é chamado de oxidação, sendo produzido a partir do oxigênio que respiramos e não utilizamos para formar energia.

Dr. Jorge Jamili Especialista em medicina preventiva, geriatria e gerontologia

Tais espécies reativas de oxigênio produzem estresse oxidativo, causando dano oxidativo, “roubando” elétrons de átomos que, uma vez instáveis, roubam de outros, gerando uma reação em cadeia, em importantes biomoléculas, como os lipídios, oxidando, nos ácidos graxos insaturados, proteínas, aminoácidos e DNA, o que provoca danos em sua estrutura que se acumulam nas células e aumentam o risco de enfermidades crônicas. As espécies reativas de oxigênio são produzidas endogenamente como produto do processo metabólico normal ou de fatores da vida diária, como a dieta, a fumaça de cigarro e o exercício.

O que são substâncias antioxidantes? São aquelas que neutralizam a ação de radicais livres ou espécies reativas de oxigênio, sendo, portanto, agentes eficazes na prevenção das doenças. As substâncias antioxidantes neutralizam os radicais livres, porque doam seus elétrons a eles, sem tornarem-se radicais livres, bloqueando, dessa forma, a reação em cadeia e prevenindo o dano celular precoce. As melhores fontes de licopeno são o tomate, a melancia e o mamão. A biodisponibilidade dos dois últimos

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é excelente, em torno de 60%, enquanto na do tomate cru, cerca de 13%. Quando este é cozido, sua biodisponibilidade sobe para 70%, tornando a massa e o molho de tomate, excelentes fontes de antioxidantes saborosos e acessíveis a todos. O licopeno também ajuda a retardar o envelhecimento das células e pode, assim, proteger contra os danos causados pelos raios ultravioleta. Há uma infinidade de artigos científicos recentes, demonstrando as evidências sobre os efeitos protetores do licopeno contra câncer de próstata, mama e pulmão. Alguns estudos demonstram também a ação protetora do licopeno sobre o sistema cardiovascular, sobretudo na prevenção da oxidação do LDL colesterol, principal agente formador das placas ateromatosas. Uma das pesquisas a respeito dos benefícios do licopeno foi realizada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, envolvendo cerca de 48 mil homens. O resultado do trabalho indicou que o consumo do carotenoide, ao menos duas vezes por semana, reduz em 34% os riscos de câncer de próstata. Boa parte das pesquisas envolve estudos epidemiológicos e investigações bioquímicas sobre as propriedades do licopeno. Os carotenoides são compostos lipossolúveis responsáveis pela coloração de certas frutas e legumes. Os carotenoides são quaisquer substâncias


químicas de um grupo de substâncias tetraterpênicas relacionadas ao caroteno, pigmentos amplamente difundidos na natureza. Já foram descritos mais de 600 diferentes compostos carotenoides responsáveis pelas cores naturais amarela, laranja e vermelha das frutas e vegetais – 50 destes são consumidos na dieta humana. Aproximadamente 12 carotenoides consumidos pela dieta são encontrados em concentrações mensuráveis no sangue e nos tecidos humanos. Os carotenoides mais comuns são licopeno, luteína, betacaroteno, alfacaroteno, alfacriptoxantina e zeaxantina1.

cardiovascular, incluindo aterosclerose e infarto agudo do miocárdio (IAM). Essas observações têm gerado interesse científico no licopeno como um potencial agente dietético preventivo para doença cardiovascular. Importante salientar que dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as doenças cardiovasculares são responsáveis, no mundo, por 15 milhões de mortes por ano, equivalentes a 30% do total de óbitos. Desses, 2/3 ocorrem em países em desenvolvimento.

Segundo a resolução RDC nº 2/2002 (Anvisa, 2002), os carotenoides são considerados substâncias bioativas. Ainda não existem recomendações, mas sugere-se de 5 a 6 mg/dia de carotenoides totais, o que equivale de 4 a 6 porções de frutas e vegetais por dia. Na sua estrutura química, os carotenoides possuem muitas ligações duplas conjugadas, o que confere a eles um importante potencial antioxidante. O licopeno é o antioxidante mais potente entre os carotenoides no plasma. O licopeno é um pigmento natural sintetizado por plantas e micro-organismos, mas não por animais. É um isômero acíclico do betacaroteno e, embora seja semelhante em estrutura àquele, o licopeno não possui atividade pró-vitamina A. Nos alimentos processados, a quantidade de licopeno encontrada depende das condições de processamento e composição dos alimentos de origem. O modo de ação do licopeno tem sido atribuído aos seus efeitos na saúde cardiovascular, além da ação benéfica em relação à sua proteção contra o câncer de próstata. O alto consumo de licopeno tem sido associado a uma diminuição do risco de doença

função endotelial pela inibição da liberação de óxido nítrico, um importante relaxante dos vasos sanguíneos, o que influencia a pressão arterial. Como o licopeno é transportado principalmente nas lipoproteínas de baixa densidade, acredita-se que haja a proteção contra a oxidação do LDL. O licopeno pode ter efeito inibindo a síntese de colesterol, que pode melhorar a degradação do LDL. Alguns, mas não todos os estudos com intervenção dietética envolvendo alimentos com licopeno ou a suplementação de licopeno, têm mostrado potencial na melhora em curto prazo na oxidação do LDL. Além de suas propriedades antioxidantes, o licopeno parece reduzir os níveis de colesterol, por meio de supressão da síntese de colesterol, aumento da degradação da LDL e inibição da enzima hidroximetilglutaril coenzima A (HMGCoA) redutase, enzima que catalisa um passo precoce e limitante na biossíntese do colesterol.

No Brasil, elas são responsáveis por 300 mil óbitos por ano, uma média de 820 falecimentos por dia, sendo a principal causa de morte natural no país. A etiologia da doença cardiovascular está relacionada com estresse oxidativo, processo inflamatório, disfunção endotelial e subsequente remodelamento vascular. Muito se tem falado sobre o papel que o licopeno possui na diminuição do estresse oxidativo, em particular na prevenção da oxidação da LDL colesterol. Partículas oxidadas de LDL disparam uma série de eventos que conduzem a processos inflamatórios, formação de células espumosas, estrias gordurosas e placa, lesões ateroscleróticas e ruptura de placa. Além disso, partículas de LDL oxidadas prejudicam a

Acredita-se que a alta ingestão de licopeno (e alimentos-fonte de licopeno) esteja associada à diminuição no risco de aterosclerose e doenças cardiovasculares, além dos seus efeitos antioxidantes, e à diminuição da oxidação da LDL, por seu efeito na função imune, possivelmente por causa de sua habilidade de modular o ambiente celular redox, as interações célula a célula e/ou regular fatores de transcrição anti-inflamatórios, como o receptor ativado por proliferadores de peroxissomas γ (PPARγ). Além disso, pode provocar a inibição de citocinas inflamatórias e moléculas de adesão celular, através da inibição da ativação do NF-κB. Estudos mostram que o licopeno, enquanto ligante de PPAR γ, pode reduzir a liberação de citocinas inflamatórias dos macrófagos e do tecido adiposo, resultando em efeito antiaterogênico.

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capa

Reposição hormonal na menopausa: mudança de paradigma Sociedades de diferentes especialidades médicas reveem orientação anterior e publicam consenso favorável ao uso da terapia

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Após mais de uma década de debates dentro da sociedade médica em todo o mundo acerca da questão do risco de câncer de mama e uso da terapia de reposição hormonal para tratar os sintomas da menopausa, professores doutores das mais importantes universidades de Medicina e sociedades internacionais de diferentes especialidades médicas divulgaram, em março último, o documento Global Consensus Statement on Menopausal Hormone Therapy (Declaração de Consenso Global sobre Terapia

Hormonal na Menopausa). O documento afirma que a terapia de reposição hormonal é o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa e que os benefícios estão propensos a superar os riscos existentes. A nova orientação revê a diretriz que vinha norteando profissionais médicos que atuam na área da saúde da mulher, sendo publicada, simultaneamente, nas revistas eletrônicas Climatério e Maturitas, no dia 15 de março, e replicado nos sites de praticamente todas as sociedades médicas internacionais (que se posicionam favoravelmente) nos dias subsequentes. A declaração foi preparada como resultado de uma reunião, realizada em novembro do ano passado, em Paris, entre pesquisadores e representantes de diversas sociedades médicas, como ginecologia, obstetrícia, endocrinologia, osteoporose e menopausa. O documento lembra que, desde a interrupção do estudo Iniciativa de

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Saúde da Mulher (WHI, em inglês), em 2002, após os pesquisadores anunciarem ter detectado um elevado número de casos de câncer de mama em mulheres que faziam reposição hormonal –, houve muitas discussões sobre o tema, mas hoje novas evidências desafiam as informações anteriores, especialmente em relação à segurança do tratamento e à prevenção de doenças. O consenso defende o tratamento como eficaz e apropriado à prevenção do risco da osteoporose e fraturas em mulheres acima de 60 anos ou nos 10 primeiros anos após o começo da menopausa. Diz ainda que estudos randomizados mostram que doses-padrão de estrogênio, sozinho, podem diminuir o risco de doenças coronarianas e demais causas de mortalidade em mulheres com menos de 60 anos e nos 10 primeiros anos da menopausa. Para o presidente da Sobraf e diretor científico do Grupo Longevidade Saudável, o ginecologista Ítalo Rachid (Cremesp 114612), a publicação do novo guideline representa um importante avanço, por trazer de volta a possibilidade de médico e paciente poderem trabalhar na manutenção da


saúde, reduzindo os efeitos patológicos do envelhecimento. Ele lembra que, quando do anúncio da pesquisa WHI, médicos – como ele mesmo, que na época tinha como área de atuação climatério e menopausa e tratava suas pacientes com reposição hormonal – foram hostilizados e acusados de irresponsabilidade, enquanto as mulheres de todo o mundo passaram a ter a preocupação quanto a suposto aumento, nelas, do desenvolvimento do risco de câncer pela terapia.

Revisão é importante, mas não é suficiente “Foi um período difícil. Mas diversos estudos feitos depois de 2002 mostraram que mulheres jovens submetidas à terapia na época próxima à menopausa tiveram mais benefícios que riscos. Por isso, acho importante o resultado do estudo WHI ter sido revisado, ter ocorrido essa mudança de conceito. Isso é, sem dúvida, um avanço. Mas acredito que esse seja um primeiro passo e que agora a classe médica deva se questionar: qual o melhor tipo de reposição hormonal: com hormônios sintéticos ou hormônios homólogos humanos (bioidênticos)?”, questiona o Dr. Rachid. O médico lembra que a medicina continua a recomendar o uso de hormônios não humanos para o tratamento contra a menopausa, o que é um erro, tendo em vista que o hormônio homólogo humano tem a estrutura molecular igual à dos hormônios endógenos, ou seja, aqueles produzidos pelo organismo humano. “A reposição com hormônio homólogo é uma forma terapêutica clinicamente superior e eficaz. Permite resultados clínicos mais rápidos e maior segurança, ou seja, oferece um resultado melhor para a paciente”, afirma.

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Para o Dr. Rachid, é importante que os pacientes saibam que é possível manter um processo de envelhecimento saudável, com o uso dos hormônios homólogos, que, até mesmo, têm ação protetora contra doenças cardíacas e perda neuronal, além de prevenirem o câncer. “Diversos estudos científicos, evidências e resultados clínicos práticos mostram esses benefícios. A literatura médica é farta sobre o tema. O médico tem o dever e a responsabilidade de oferecer ao seu paciente a opção de tratamento mais segura e eficaz. Esse é um dos pilares da Medicina. Mas o profissional deve levar em consideração, antes de decidir o tratamento que vai propor a seu paciente, essas evidências de que estamos falando aqui”, expõe o Dr. Rachid. Ele ressalta ainda que hoje, no Brasil, cerca de 2 mil médicos trabalham com a modulação hormonal com hormônios homólogos humanos, aplicando o

“É importante o resultado do estudo WHI ter sido revisado, essa mudança de conceito. Porém, a classe médica deve se questionar qual o melhor tipo de hormônio para reposição: sintético ou homólogo humano?” Ítalo Rachid

modelo terapêutico a cerca de 500 mil pacientes, entre homens e mulheres de idades variadas. O diretor científico do grupo LS lembra que vários estudos científicos demonstram que o uso dos hormônios homólogos reduz, em média, em 25% o risco de câncer, enquanto pesquisas mostram que 85% das mulheres ouvidas acerca do assunto dizem que se sentiram muito melhor física e mentalmente ao se submetem ao tratamento com a substância. Ele explica que cada hormônio tem um receptor específico, o que pode ser comparado a cada fechadura ter sua chave específica para ser aberta. “A atividade de cada hormônio é determinada, em parte, pela sua estrutura química, que possibilita sua ligação ao sítio de ação específico dentro do organismo. No caso do hormônio sintético, sua molécula se encaixa apenas parcialmente no receptor. Ou seja, quando usamos substâncias quimicamente diferentes, a ligação fica prejudicada e pode nem mesmo ocorrer, não exercendo o efeito esperado. Por outro lado, ao utilizarmos hormônios quimicamente iguais aos do organismo humano, a chance de essa ligação ocorrer aumenta consideravelmente, bem como o efeito hormonal. Assim, é possível devolver ao organismo a função do hormônio efetivamente carente”, explica.

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O médico lembra que, em julho do ano passado, o periódico Climatério publicou mais de uma dezena de artigos com foco na análise do que é verdadeiro e falso no impacto da terapia na saúde das mulheres. Ele destaca que nenhuma droga ou substância introduzida no corpo humano é isenta de riscos. “Todos nós sabemos que todo fármaco possui suas indicações e contraindicações”, salienta. Segundo o Dr. Rachid, o fato concreto é que quando comparamos os riscos de efeitos colaterais ou adversos de drogas e de hormônios, os remédios e as drogas se mostram incomparavelmente menos seguros e mais propensos a um efeito adverso, mas nem por isso as pessoas deixam de usá-los. “E, ainda pior, em boa parte das vezes, as pessoas usam medicamentos até mesmo sem receita médica, por indicação de um amigo ou por indução do balconista da farmácia”, diz o Dr. Rachid. E ele ressalta: “A reposição hormonal é uma ferramenta terapêutica bastante segura, quando feita de modo criterioso, por meio de uma detalhada avaliação clínico-laboratorial, quando são identificados os reais candidatos e potenciais beneficiários; discutidos de forma clara os eventuais riscos; estabelecida corretamente a dose, o tipo de hormônio e o tempo de uso. Os múltiplos benefícios da terapia são amplamente conhecidos pela Medicina”, finaliza.


De olho na inflamação subclínica

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A inflamação, uma maneira natural de proteção do organismo, também tem um lado destrutivo. A longo prazo, essa ação interna de defesa do organismo, de enviar células e substâncias para destruir o “invasor” e reparar os danos, pode prejudicar os mesmos tecidos que a inflamação pretende curar. Esse lado destrutivo foi descoberto, já há algum tempo, por meio de evidências em doenças cardiovasculares e outras, como artrite reumatoide, obesidade, câncer e esclerose múltipla. Mais recentemente, os cientistas descobriram que a inflamação subclínica pode estar

relacionada a outros males crônicos comuns ao envelhecimento, incluindo aterosclerose, diabetes, doença de Alzheimer e osteoporose. Nessa lista, incluem-se também doenças como asma, cirrose hepática, psoríase, meningite e fibrose cística. As descobertas feitas nos últimos anos permitiram mudanças expressivas na compreensão dos riscos e da patogênese dos problemas de saúde que mais atingem os idosos. Um exemplo disso são as doenças cardiovasculares, que representam a maior causa de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo. Dados

da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 61% dos infartos ocorrem em indivíduos com mais de 65 anos, enquanto 36% dos casos ocorrem naqueles com mais de 75 anos. Diversos estudos têm demonstrado também que a inflamação participa de todas as etapas da evolução da aterosclerose. Já a associação da inflamação subclínica com a obesidade foi descrita pela primeira vez em 1990, e, de acordo com os cientistas, a obesidade possui importante papel na patogênese de diversas doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2 e o câncer. Vale lembrar que a primeira indicação de ligação entre inflamação e câncer foi mostrada, em 1863, por Rudolf Virchow (médico alemão que é considerado o pai da patologia moderna), que observou linforreticulares (células localizadas principalmente nos linfonodos) infiltrados como reflexo da origem da neoplasia. No entanto, essa observação permaneceu negligenciada durante muito tempo. Até que, nas últimas décadas, fortes evidências mostraram que a resposta inflamatória favorece a ativação da tumorigênese e carcinogênese. Estima-se que, aproximadamente, entre 10% e 15% de todos os tumores têm evidência de foco inflamatório anterior à progressão tumoral. No caso do diabetes, estudos mostram que pessoas que desenvolvem diabetes do tipo 2 têm relativamente maiores níveis de citoquinas,

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proteínas relacionadas à inflamação. Os pesquisadores acreditam que ela pode interferir na habilidade do corpo em usar a insulina, levando ao diabetes. Na osteoporose, as mesmas citoquinas parecem acelerar o enfraquecimento dos ossos. Na doença de Alzheimer, a inflamação ocorre nos depósitos de proteínas (placas) que se acumulam no cérebro. As citoquinas ajudam a criar as placas. Embora a ideia de as doenças crônicas serem causadas pela inflamação não ser nova, a bioquímica moderna e o crescente número de pesquisas em biologia sistêmica tornaram possível investigar as interações que envolvem as respostas do organismo à, entre outros agentes, inflamação. “Fatores inflamatórios predizem quase todos os desfechos ruins em humanos”, disse o pesquisador Russell Tracy, professor de patologia e bioquímica da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, autor da pesquisa pioneira que ajudou a demonstrar o papel da inflamação nas doenças cardíacas. De acordo com vários estudos, em razão de uma série de desequilíbrios relacionados ao estilo de vida moderno (má alimentação, obesidade, sedentarismo, estresse, infecções crônicas, poluição ambiental e alergias alimentares, entre outras coisas), um número cada vez maior de indivíduos

adquire ao longo do tempo esse estado “pró-inflamatório”. A incidência crescente das doenças crônico degenerativas só vem confirmar tal dado, apesar de todo avanço da medicina e da indústria farmacêutica.

Biomarcadores inflamatórios A boa notícia é que é possível avaliar a existência e o grau da inflamação, antes que surjam as doenças a ela associadas. Os biomarcadores inflamatórios permitem a detecção precoce de doenças, como as coronarianas, ainda na fase subclínica, ou seja, antes que apareçam os sintomas e sinais da patologia. Os biomarcadores inflamatórios são considerados importantes e valiosas ferramentas de aplicação clínica, sendo usados na identificação precoce de doenças, prognóstico evolutivo e no controle de cura de numerosas doenças. Entre as substâncias biológicas descritas como biomarcadores inflamatórios estão as citocinas/ quimiocinas ou seus respectivos receptores; peptídeos natriuréticos; imunoglobulinas; proteínas inflamatórias (como a proteína c-reativa), entre outras. Segundo a Dra. Míriam Chaves Schultz, professora de Bioquímica do Instituto de Ciências Biológicas da Univer-

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sidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as citocinas, nesse contexto, estão ganhando destaque especial como preditoras e balizadoras dos processos inflamatórios. Como exemplo, a Dra. Miriam, que também é diretora do Departamento Científico da In Vitro Cells Pesquisa Toxicológica S.A., cita a interleucina 6 (IL 6), cujo aumento está relacionado com o infarto do miocárdio e um quadro de angina instável. “Sabemos também que essa citocina regula a expressão de outras citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina 1 (IL 1) e o TNF-alfa, que estimula a produção hepática de PCR, a proteína C reativa. Já o aumento do TNF-alfa está envolvido em eventos coronarianos recorrentes”, comenta. Ela lembra ainda que uma nova abordagem vem sendo realizada no que tange não só à avaliação dos marcadores inflamatórios individualmente, mas também à relação entre eles. “Estudos verificaram que a razão entre a interleucina 10 (anti-inflamatória) e o TNF-alfa (pró-inflamatório) são potentes ferramentas para uma avaliação precoce da gravidade do processo inflamatório. Nesse contexto, verificou-se que uma relação positiva com o aumento do IL 10 e a diminuição do TNF-alfa acarreta uma melhora no quadro da inflamação e o inverso, uma piora do quadro”, explica.


Pรกtio de las doncellas, Real Alcazar, Sevilla


turismo

Espanha de história, arte e futebol

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Quando o assunto é futebol, o brasileiro é um apaixonado. E o mesmo vale em relação às viagens de turismo, sejam elas domésticas ou para o exterior. Como a Copa de 2014 se aproxima mais e mais, a revista Longevidade em Foco aproveita para falar um pouco sobre as atrações turísticas de países que estarão presentes na 20ª Copa do Mundo da Federação Internacional de Futebol (Fifa), que terá o Brasil como sede. O torneio contará com a participação de 32 seleções, e as vagas ainda estão sendo definidas por meio de disputas organizadas pelas seis confederações afiliadas à Fifa. Essas disputas começaram no ano passado e a previsão de encerramento é neste segundo semestre. Vale lembrar que cada região conta com um sistema específico de classificação, com critérios estabelecidos por cada confederação. Atual campeã do mundo, a Espanha venceu a Copa de 2010 depois de uma final emocionante contra a Holanda. O jogo foi decidido a quatro minutos do fim da prorrogação e o resultado foi 1 a 0, com gol do meio-campista Iniesta, que ainda joga pela Fúria, como é chamada a seleção espanhola. O país é também tricampeão da Eurocopa. Ganhou o título em 1964 – quando foi anfitriã –, e as últimas duas edições, em 2008, na Áustria e Suíça; e em 2012, quando os jogos ocorreram na Polônia e Ucrânia. Atualmente, a Fúria é treinada por Vicente Del Bosque, eleito este ano o atual melhor técnico do mundo pela Fifa.

visitação pública, e ali são expostos pinturas e esculturas de renomados artistas. As dependências contam com móveis e peças originais, permitindo ao turista uma volta ao passado da vida da realeza espanhola. Outro ponto muito procurado pelos turistas é a Plaza Mayor, localizada no centro da cidade, a poucos metros da Puerta Del Sol e da Plaza de la Villa. A Plaza Mayor é uma praça retangular, totalmente cercada por edifícios com três andares. Para ter acesso ao espaço, é preciso passar por um dos nove pórticos. A praça ocupa uma área de 129 metros de comprimento e 94 de largura e ao seu redor existem ao todo 237 varandas de apartamentos. Já o parque El Retiro é o maior da cidade, com uma área de mais de mil metros quadrados. O espaço pertencia à família real e só se tornou público no final do século 19. O parque é tido como “museu ao ar livre”, graças aos monumentos e das estátuas erguidos dentro da imensa área. O Paseo de las Estatuas, uma alameda formada por uma série de estátuas dedicadas a antigos monarcas espanhóis, é uma das atrações do parque, assim como o Crystal Palace, construído em 1887, com ferro e cristal. O espaço foi erguido como uma grande estufa, para cultivo de plantas exóticas, mas hoje é administrado pelo Ministério do Turismo da Espanha e abriga exposições de arte.

E a Espanha também tem o Real Madrid e o Barcelona, que figuram entre os maiores times do mundo e contam em seu elenco com nomes considerados entre os melhores jogadores do mundo. Em geral, quem viaja pela primeira vez a Madri vai conhecer o estádio Santiago Bernabéu, do Real Madri. Mas a cidade é um lugar em que cultura, história, beleza e diversão se encontram.

Parques e praças Madri possui lindas praças e parques, como o El Retiro, próximo ao Palácio Real, que, embora não seja mais a residência oficial do rei da Espanha, recebe banquetes e cerimônias oficiais diplomáticas. O palácio é aberto à

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Ainda em Madri, outra parada obrigatória para os turistas é o Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, um museu contemporâneo que conta com obras de artistas renomados.

Várias cidades com muita coisa para ver Barcelona, a capital catalã, possui atrativos para todos os públicos e muitos chegam a afirmar que a cidaPlaza de Cibeles, em Madri Plaza em Sevilha de é um dos melhores lugares para visitar na Espanha. Para quem gosta de arquitetura, a cidade oferece uma variada gama de Na cidade, estão três dos mais famosos pontos turísticos opções e atrações turísticas. Um desses lugares é o Park de toda a Espanha. Um deles é o Palácio de Alhambra, Güell, classificado em 1984 como Patrimônio da Humaclassificado Patrimônio da Humanidade em 1984 pela nidade pela Unesco. A área, que até então era ocupada Unesco. A construção marca o apogeu da arquitetura por duas fazendas, foi comprada pelo Conde Güell, que árabe e é conhecida também como Castelo Vermelho, por contratou o arquiteto Antoni Gaudí. Ele pretendia construir causa da cor avermelhada das pedras de seus muros. residências de luxo no local, mas o projeto não deu certo. Outros pontos que se destacam são a Vila de Jardins E o espaço tornou-se um parque público. Generalife e o bairro Albacín. Conhecida por sua gastronomia apurada, Valência é outra cidade espanhola que todos os anos recebe um grande número de turistas. A cidade possui pontos turísticos famosos, como Lonja de La Seda, um conjunto de casas construídas entre os anos de 1482 e 1548, para ser um mercado local. Outros pontos turísticos que se destacam são a Catedral de Valência, a Torre de Serrano, o Mercado, e a Cidade de Artes e Ciência, que possui um design moderno em meio a tanta história. Já Granada oferece uma paisagem aconchegante e a oportunidade de observar em suas construções a influência cultural e religiosa de cristãos, judeus e mulçumanos. Park Güel, em Barcelona: Patrimônio Histórico da Humanidade

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Toledo, cidade próxima a Madri, também guarda verdadeiros tesouros, em termos de história e turismo. Um dos pontos mais visitados na cidade, que foi a capital visigótica, em 554 a.c. e destaque nos oito séculos seguintes, com judeus, mulçumanos e cristãos trabalhando lado a lado, é sua catedral, uma das três catedrais góticas espanholas do século XIII. A fachada principal tem três portas: a do Perdão, a do Juízo Final e a do Inferno. Em Toledo, também está Consuegra, cenário de famosa obra de Cervantes, D. Quixote de La Mancha, com os moinhos de vento. Sevilha, cidade da comunidade autônoma de Andaluzia, também é muito procurada por turistas. O clima é parecido com o clima a que estamos acostumados em algumas regiões do Brasil, quente no verão e com invernos suaves. O centro histórico de Sevilha é dominado por dois símbolos de poder e riqueza: o complexo palaciano Real Alcázar (composto por várias construções de épocas diferentes) e a catedral, com sua emblemática Giralda - a torre de tijolos ricamente trabalhada. Outra atração da cidade é o Arquivo Geral das Índias, que guarda o arquivo histórico espanhol. As três atrações são igualmente classificadas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Já Málaga é a quinta maior cidade do país. Uma de suas atrações é um antigo anfiteatro romano que, segundo especialistas, teria sido construído no segundo século antes de Cristo.


agende-se

Promoção da saúde e qualidade de vida Terceira edição do Congresso internacional da wosaam reunirá em São Paulo alguns dos principais nomes mundiais das áreas de fisiologia hormonal e medicina preventiva

A

A cidade de São Paulo será sede, em outubro, de um dos maiores eventos multidisciplinares de atualização na área médica. Estarão reunidos num só lugar alguns dos principais nomes do cenário internacional formado por especialistas que trabalham com ciência da longevidade e fisiologia humana. Composto pelo III Congresso Latino-Americano da WOSAAM, I Congresso Internacional da Sociedade Brasileira para Estudos da Fisiologia (Sobraf), VII Simpósio Internacional de Fisiologia Hormonal e Longevidade e II Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica, o megaevento deve reunir em torno de 500 médicos do

Brasil e de outros países, como França, Bélgica, Estados Unidos, Índia e Argentina. Realizado em parceria com o Grupo Longevidade Saudável, entidade de educação médica continuada, que já formou cerca de 2,1 mil médicos no país, o encontro ocorre no Hotel Maksoud Plaza, na Zona Sul da capital paulista, entre os próximos dias 11 e 13 de outubro. O Congresso Latino-Americano da WOSAAM já é hoje considerado um dos mais importantes no mundo, em termos de difusão de conhecimento na área de fisiologia hormonal e medicina preventiva, não só em razão da alta relevância dos temas apre-

sentados, mas também por reunir palestrantes nacionais e internacionais com reconhecida qualificação científica. “O congresso já se consolidou como um dos principais eventos na agenda da classe médica interessada em ampliar seu conhecimento em relação à prática de um novo modelo de saúde, que reúne um conjunto multidisciplinar de soluções que vão da detecção precoce, prevenção e reversão de patologias associadas ao envelhecimento, à otimização da nutrição, à prática correta e personalizada de exercício físico, envolvendo ainda as medicinas genética e molecular”, esclarece

Alguns dos palestrantes com presença confirmada

Dr. Anoop Chaturvedi – Índia

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Dr. Jorge Flechas – EUA

Dr. Thierry Hertoghe – Bélgica

Prof. Dr. Cícero Galli Coimbra – Brasil

Dr. Ítalo Rachid – Brasil


a diretora de Marketing e Relacionamento do Grupo LS, Polliana Rachid. Segundo Polliana, o evento deste ano traz como proposta a adoção de um novo padrão por parte do médico, que deve ver o paciente como um todo, e não apenas tratar, de forma isolada, sintomas e doenças.

Programação 2013 Na programação deste ano, o congresso contará com um seminário sobre metabologia da obesidade, que será ministrado pelo médico belga Thierry Hertoghe, presidente da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM) e da International Hormone Society (IHS). Na pauta do médico belga, estão temas que vão desde o panorama da visão geral da modulação hormonal na obesidade até terapias nutricionais para perda e manutenção de peso, passando ainda pela análise de excessos ou deficiências hormonais e seus resultados para o paciente. O seminário ocupará todo o primeiro dia do congresso, e, no final da apresentação, o especialista vai discutir com os presentes o desfecho de casos clínicos por ele tratados.

Feira de negócios:

oportunidade para divulgação de novos produtos e serviços Prova incontestável da importância do III Congresso Latino-Americano da WOSAAM dentro do cenário nacional e internacional é a procura antecipada por parte de grandes empresas que atuam no ramo de farmácia magistral e outros segmentos voltados para a área médica e longevidade saudável. Faltando alguns meses para a realização do evento, boa parte das áreas destinadas aos estandes já foi comercializada. Está confirmada a participação das seguintes empresas: Acqua Enterprise, Essentia, Evidence, Lemos Lab, Farma Import, Medicare, Ottoboni, Roval e Virtual Works. Empre-

Inscrições A diretora também lembra que, diante da grande procura e do nú-

sários que estiveram nas edições anteriores lembram que, além de ser uma boa forma de promover a marca no mercado, participar do evento permite que eles se aproximem de potenciais clientes, fortalecendo o relacionamento com o mercado.

mero limitado de vagas, os interes-

“A grande procura é um reflexo da importância do evento. Acredito que, assim

sados devem antecipar-se e garan-

como nos anos anteriores, teremos grandes empresas participando”, diz a

tir sua inscrição, que pode ser feita

diretora de Marketing e Relacionamento do Grupo LS, Polliana Rachid.

no site do LS (www.longevidadesaudavel.com.br), até mesmo com o pagamento parcelado.

A programação completa pode ser consultada no seguinte site: www.longevidadesaudavel.com.br

Ainda há estandes disponíveis e as empresas interessadas devem entrar em contato com a secretaria do congresso pelo telefone (85) 3064-1679 ou pelo e-mail congresso@longevidadesaudavel. com.br. Outras informações também podem ser obtidas no site do LS (www.longevidadesaudavel.com.br).

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SOBRAF terá participação especial Já no sábado, dia 12 de outubro, pela manhã, ocorre o I Congresso da Sobraf, que terá em sua abertura a apresentação do Comitê para Estudos do Envelhecimento, formado por integrantes da própria Sobraf e da Academia Brasileira de Antienvelhecimento (ABMAE). Logo após, têm início palestras dentro do tema Quebrando Paradigmas – Os Limites do Envelhecimento Humano. Os palestrantes serão o médico ginecologista Ítalo Rachid, diretor-científico do Grupo Longevidade Saudável; o professor doutor croata Miroslav Radman – um dos cientistas mais respeitados na área

de biologia molecular e genética, e professor da Medical School of the René Descartes University, em Paris, na França; e o médico e professor brasileiro Cícero Galli Coimbra. Também nesse dia, ocorre uma série de palestras sobre uso do HCG na prática médica, tendo como convidados os médicos Conrad Hicks (EUA) e Daniel Oscar Belluscio (Argentina). No domingo, as palestras apresentadas vão tratar de temas como uso seguro de testosterona em mulheres (pelo professor norte-americano Edward Lichten); os benefícios dos hormônios para cirurgias plásticas (pelo médico brasileiro Victor Sorrentino); hormônios e

nutrientes (pelo farmacêutico e especialista em bionutrição Henry Okigami); e a alimentação correta e atividades físicas como aliadas para o equilíbrio hormonal (pelo médico brasileiro Arthur Lemos). Ainda nesse dia, haverá a palestra do médico norte-americano Jorge Flechas. O megaevento terá ainda, nos três dias, simpósios satélites, que não integram a programação científica, porém ocorrerão no auditório principal, durante o horário do almoço. Os simpósios serão realizados por empresas que vão apresentar seus produtos e serviços relacionados aos temas debatidos no Congresso.

II Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica Nesse mesmo dia, também será realizado o II Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica. Criado com o objetivo de oferecer aos participantes conceitos de fisiologia hormonal e discutir condutas nutricionais aplicadas à bioquímica e regulação hormonal, o evento terá em sua programação várias palestras. Como são apenas 60 vagas, os interessados já podem se inscrever pelo telefone 0800-001-1223 ou pelo site http://longevidadesaudavel.com.br/iiicongresso/inscrevase.asp#.UcmtHPnvuSo.

Programação – Sábado, 12/10/2013 – Carga Horária: 8 Horas 8h

11h

Nutrição e Longevidade Priscila Machado Msc.

Fisiologia do Tubo Digestivo Dr. Ítalo Rachid

9h

12h

Intolerância Alimentar: Fisiologia e Diagnóstico Laboratorial Fábio Graciunas

10h Disbiose: Da teoria à Prática Dr. Uwe Peters Jahrgang – ALE

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Suplementos e Fitoterápicos nas Desordens Digestivas Dr. Renato Leça

12h30 Almoço (livre)

14h Alimentação Consciente Conceito e Práticas Gastronômicas Chef Douglas Valente

17h30 Mesa-Redonda: Discussão das Estratégias Alimentares Chef Douglas Valente e Priscila Machado Msc.


Caia na piscina e malhe!

A

As aulas com bicicleta, esteira, cama elástica, de pilates, boxe e até artes marciais caíram na água. Originalmente realizados na área seca da academia, esses exercícios ganharam versões ajustadas para a piscina. E as modalidades se desenvolveram a tal ponto que fazem parte do programa de treinamento de muitos atletas profissionais. Segundo especialistas, a prática de exercícios aquáticos oferece duas grandes vantagens: maior resistência e diminuição do impacto. E como a densidade da água intensifica qualquer atividade,

provoca maior gasto calórico. Quem pensa que os exercícios dentro d’água fazem menos efeito do que os praticados fora dela está enganado. Estudo apresentado no final de outubro no Congresso Cardiovascular Canadense mostrou que os exercícios feitos dentro de piscinas têm os mesmos benefícios aeróbicos e provocam menos desgaste do que as atividades praticadas fora d’água. Um dos autores da pesquisa, o cardiologista Martin Juneau, do Instituto do Coração de Montreal e professor da Universidade de Montreal,

no Canadá, afirma que os exercícios praticados dentro d’água podem ser ainda mais eficientes do ponto de vista cardiorrespiratório. A pesquisa envolveu pessoas saudáveis, que fizeram testes em bicicletas ergométricas submersas e depois em bicicletas fora da água. Segundo o Dr. Juneau, o consumo máximo de oxigênio, indicador para um bom treino, foi praticamente o mesmo nas duas atividades. Há praticamente 10 anos, um outro estudo realizado em São Paulo já

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na esteira a seco ou pedalando em uma bicicleta ergométrica, nas aulas de spinning. Na pesquisa, feita numa Aquafit – esteira computadorizada para piscina, que funciona como o equipamento convencional, com controle de velocidade, inclinação e tempo –, o gasto calórico foi medido pelo consumo de oxigênio. Também foi calculado o desgaste muscular pela quantidade de creatina-quinase no sangue. Vale lembrar que, quanto mais essa enzima aparece após um exercício, mais o músculo se esforçou. Hoje, os exercícios na piscina são oferecidos em academias de médio e grande portes de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. Segundo o fisiologista Paulo Henrique Lago (Confef SP 009277), o impacto menor das atividades aquáticas ajuda a evitar lesões, pois a pressão hidrostática permite mais estabilidade e controle das articulações. Ele lembra também que, para quem sofre com suor praticando outros exercícios, a piscina é a melhor escolha. Além disso, o contato com a água é relaxante e, aliado ao exercício, a atividade ajuda a aumentar a autoestima e a sensação de bem-estar.

mostrava que unir exercícios intensos com imersão na água tem um resultado melhor, quando comparado ao obtido com cada atividade feita isoladamente. O fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Universidade Federal de São Paulo, um dos nomes mais respeitados quando o assunto é fisiologia do exercício, mediu o desempenho de atletas dentro da piscina e chegou à conclusão de que em exercícios dentro d’água se gasta uma quantidade de calorias uma vez e meia maior que na mesma modalidade feita no solo.

Diferentes opções de aula

Formado em biomedicina pela Escola Paulista de Medicina, com especialização, mestrado e doutorado em fisiologia do exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Dr. Turíbio mostrou que a explicação está na resistência oferecida pela água, oito vezes maior que a do ar. Segundo ele, andar calmamente por uma hora na piscina consome 700 calorias, o mesmo valor que se perde correndo a 12 quilômetros por hora

Um dos exercícios mais procurados é o hidrobike ou aquaspin, em que o praticante pedala numa bicicleta ergométrica submersa. A aula, que dura entre 40 e 45 minutos, consiste em pedalar mais rápido ou mais devagar, de acordo com as indicações do professor, geralmente acompanhando o ritmo da música. O equipamento conta com regulagem específica para que a aula possa ser dividida em um pedalar contínuo, com

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intervalos ou no formato circuito. A aula tem como objetivo o condicionamento aeróbico, à força e à resistência dos membros inferiores. A vantagem da atividade é que o impacto sobre as articulações é praticamente inexistente e, como os joelhos estão razoavelmente protegidos, melhora o retorno venoso. Outra opção bastante procurada é a hidrojump. A aula dura cerca de 45 minutos e é realizada em uma cama elástica dentro da água. O gasto calórico é de 500 calorias e a aula proporciona uma atividade aeróbica de baixo impacto, ideal para o condicionamento cardiovascular e o fortalecimento dos membros inferiores. Em muitas academias, pode-se também acrescentar nas aulas o trabalho abdominal e de membros superiores. Além disso, o hidrojump também permite trabalhar equilíbrio, força e coordenação motora. Uma das principais características dessa aula é que tanto a água como o jump absorvem o impacto, mantendo a intensidade do exercício, sendo, por isso, uma aula de grande queima calórica. A Hidrotriathlon, que combina natação e outras duas atividades dentro d’água – hidrojump e a hidrobike –, é outro tipo de aula com grande procura. Entre as academias que oferecem esse tipo de atividade está a academia Brilho D’água, no Rio de Janeiro. Segundo Weber Faria, coordenador técnico da academia, essa é uma atividade indicada para quem quer emagrecer rápido e ganhar força muscular. Ele lembra que a hidrojump fortalece os membros inferiores e a cintura. “Com o auxílio das camas elásticas que ficam dentro da piscina, o aluno impulsiona o corpo dando saltos e treina o equilíbrio e a coordenação motora. Já com a hidrobike, o aluno pedala em diversas posições, trabalhando a parte poste-


rior e anterior da coxa, perna e membros superiores. Assim, desenvolve a força e resistência muscular”, comenta Faria. De acordo com ele, enquanto numa aula convencional de hidroginástica o gasto calórico é de, em média, 300 calorias, a hidrotriathlon faz o praticante perder até 600 calorias por aula. Para quem gosta de esteira, a opção dentro da piscina é o uso da Aquafit, uma esteira ergométrica aquática que permite caminhar ou correr até 10 km/h, com variação de inclinação. Nesse exercício, enquanto você anda ou corre, deve ficar com água entre a cintura e o peito, para conseguir vencer a resistência da água, o que favorece o trabalho localizado da musculatura. O principal benefício é

que a atividade permite um trabalho mais amplo de grupos musculares, em relação à esteira comum, já que o resto do corpo precisa vencer a resistência da água enquanto a pessoa caminha. Entretanto, segundo muitos profissionais, o maior benefício é o gasto calórico, que é cerca de 140% maior do que na esteira convencional. O gasto calórico pode chegar a 800 calorias por hora, dependendo do ritmo e da velocidade da esteira. Para o fisiologista Paulo Henrique Lago, a grande vantagem das atividades subaquáticas é que elas são “democráticas”, pois podem ser praticadas por pessoas com diferentes graus de condicionamento físico, peso e idade, até mesmo por aqueles que têm alguma restrição

médica. “Além disso, outro diferencial é que mesmo os exercícios pesados conseguem ser divertidos e agradáveis, porque a água é um meio que nos proporciona prazer. Sem falar na queima de calorias, um dos benefícios mais procurados por quem pratica uma atividade física”, define o especialista. Diante da grande demanda, algumas academias criaram aulas que juntam diferentes modalidades de exercício, como é o caso da acqua training, que reúne técnicas de hidroboxe, hidrojump, hidropower (exercícios de força que unem chutes, lançamentos e socos sob a água) e aquaspin. Em uma aula, segundo os especialistas, é possível gastar até 500 calorias.

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Água-viva imortal pode ser chave para longevidade

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Uma espécie de água-viva que desafia as leis da vida e da morte, a Turritopsis dohrnii, tem chamado a atenção dos cientistas. Em geral, as águas-vivas passam por um rápido envelhecimento após alcançar a maturidade sexual e se reproduzir, mas isso não ocorre com a espécie imortal. A criatura marinha vem sendo estudada, há anos, por muitos pesquisadores, que acreditam que a espécie pode ajudar a compreender melhor o fenômeno do envelhecimento em seres humanos. Isso porque, graças ao Projeto Genoma, concluído em 2003, os cientistas descobriram que os humanos compartilham o mesmo número de genes com uma série de animais e que, de fato, existe uma incrível similaridade genética entre os humanos e as águas-vivas. A água-viva imortal foi descoberta por acaso pelo estudante alemão de biologia marinha Christian Sommer, em 1988, enquanto ele passava suas férias de verão em Rapallo, uma pequena cidade na Riviera Italiana. Sommer, que coletava espécies de hidrozoários para um estudo, capturou a pequena criatura misteriosa. E ficou espantado com o que observou no laboratório. Após examiná-la durante alguns dias, percebeu que a água-viva simplesmente se recusava a morrer, regredindo ao seu estado inicial de desenvolvimento

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até reiniciar o seu ciclo de vida outra vez, sucessivamente, como se sofresse um envelhecimento reverso. Desde essa descoberta, a criatura marinha imortal vem sendo estudada por cientistas. Um dos pesquisadores que vêm estudando o fenômeno é o biólogo marinho japonês Shin Kubota, que trabalha em um laboratório localizado em Shirahama, perto de Kyoto, no Japão. Em uma entrevista ao jornal americano The New York Times, no final do ano passado, Kubota contou que vem estudando essas criaturas há 15 anos, dedicando, pelo menos, três horas por dia às pequenas imortais. Todos os dias! O especialista tem em seu laboratório mais de 100 amostras da água-viva para suas pesquisas.

Transformação celular Kubota e outros pesquisadores já decifraram que, ao contrário de outras espécies de água-viva, a Turritopsis dohrnii, ao terminar a fase de medusa, assume uma “posição fetal”, reabsorve os próprios tentáculos e se degenera. Em questão de dias, forma-se uma camada externa, da qual brotam estolhos (caules finos), de


onde surge um pólipo. Eles também já sabem que o incrível rejuvenescimento ocorre quando a criatura marinha se encontra em uma situação de estresse ou ataque. Durante esse período, o organismo passa por um processo conhecido como transdiferenciação celular, ou seja, um evento atípico no qual um tipo de célula se transforma em outro, tal como ocorre com as células-tronco humanas. É essa capacidade de a água-viva imortal fazer uma célula adulta, já especializada em determinada função, voltar a adquirir a versatilidade que tinha quando ainda era uma célula-tronco que intriga os pesquisadores.

Por outro lado, os cientistas já perceberam que a água-viva imortal tem se espalhado rapidamente pelos mares. E essa proliferação é chamada por Maria Pia Miglietta, professora de Biologia da The University of Notre Dame, em South Bend, Indiana, Estados Unidos, de “invasão silenciosa”. De acordo com estudos, a água-viva pega “carona” em navios de carga que usam água do mar para resfriamento do motor da caldeira. Pesquisadores já encontraram a criatura marinha imortal não apenas no Mediterrâneo, mas também ao largo das costas de Panamá, Espanha, Japão e Flórida.

Pesquisadores estudam o mecanismo natural de rejuvenescimento da água-viva imortal, que pode ser a chave para descobertas em relação à longevidade humana Vale lembrar que a maioria das espécies conhecidas de águas-vivas passa por duas fases: pólipo, em que se fixa em uma base, e medusa, em que se desloca, gera descendentes e depois morre. Para muitos pesquisadores, compreender o mecanismo natural da Turritopsis dohrnii de rejuvenescer pode abrir frente para grandes avanços na Medicina, em especial no que diz respeito à longevidade. O fato de os humanos compartilharem tantas semelhanças com as águas-vivas pode, na verdade, ter implicações médicas importantes, especialmente relacionadas à cura do câncer e à longevidade. Para diversos cientistas, a resposta para muitos dos males sofridos pela humanidade pode estar nessas criaturas.

Contudo, apesar do que já se sabe sobre a Turritopsis dohrnii, ninguém consegue entender como é que ela executa o envelhecimento reverso, como no famoso filme Benjamin Button. Isso ocorre por causa da dificuldade de manter espécimes da água-viva em cativeiro para estudos mais aprofundados. A água-viva é uma espécie marinha que, segundo cientistas, existe há mais de 650 milhões de anos, com milhares de espécies diferentes já identificadas. Elas variam de tamanho, podendo medir de menos de 2,5 centímetros a cerca de dois metros, com tentáculos chegando até a 30 metros e meio de comprimento. Embora muitas sejam planctônicas, ou seja, sua locomoção depende da mercê das correntes ou é tão limitada que

não podem vencê-las, algumas águas-vivas conseguem nadar lançando um jato de água.

Hidra vive indefinidamente Se pensarmos em imortalidade, a água-viva não é o único exemplo. Quem observa uma hidra (um cnidário que vive em água doce e tem poucos centímetros de altura) não imagina que está diante de uma criatura potencialmente imortal: se estiver livre de doenças ou predadores, a hidra é capaz de viver indefinidamente. O segredo? Sua produção de células-tronco, que permitem a regeneração de tecidos no organismo. Segundo pesquisas, a explicação biológica para a hidra não demonstrar sinais de envelhecimento é bastante simples: esses animais se reproduzem exclusivamente não por cópula, mas por brotamento (quando o indivíduo faz “brotar” por mitose uma protuberância em seu corpo, que eventualmente se separa e vira um novo indivíduo). Um pré-requisito para essa reprodução é que cada pólipo contenha células-tronco capazes de se proliferarem continuamente. Um estudo conduzido pela Universidade de Kiel, na Alemanha, em conjunto com o Centro Médico Universitário Schleswig-Holstein, para tentar descobrir mais sobre a hidra, levou a uma descoberta interessante. Ao analisar três tipos de hidra (normal, com o gene desativado e com o gene fortalecido), os pesquisadores observaram a importância do gene FoxO (também encontrada nos seres humanos) no envelhecimento. Nas hidras em que o gene estava desativado, a produção de células-tronco foi significativamente reduzida e o sistema imune foi prejudicado, de modo similar ao observado em idosos.

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Conhecendo os hormônios associados à obesidade Veja como tornar algumas substâncias encontradas no organismo em suas aliadas na luta contra o excesso de peso

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Os hormônios são os principais reguladores bioquímicos do metabolismo e de doenças no corpo humano. E com a obesidade não poderia ser diferente. Diversos estudos científicos conduzidos por pesquisadores de renomadas instituições de países da Europa e dos Estados Unidos têm comprovado que hormônios com diferentes funções em nosso organismo estão envolvidos no mecanismo que leva à obesidade e podem ajudar a combater a doença. A revista Longevidade em Foco listou sete hormônios pesquisados pelos cientistas e ouviu a nutricionista e biotecnóloga Priscila Machado (CRN 2003100174), especialista em bioquímica nutricional, para explicar qual a função de cada um em nosso organismo e como fazer para torná-los aliados na luta contra o excesso de peso. Vamos começar com a leptina (do grego leptos, que quer dizer magro). O hormônio, identificado na década de 90, é produzido no tecido adiposo e age no hipotálamo, que redistribui a sua ação, sendo uma das mais importantes para o controle da ingestão alimentar e a manutenção da homeostase corporal, por meio do metabolismo de açúcares e lipídeos. Segundo os pesquisadores, a leptina “informa” ao cérebro como anda o seu estoque de gordura corporal. Assim, o cérebro pode ajustar a ingestão alimentar e o metabolismo, permitindo que o armazenamento de gordura seja mantido em certos níveis. Uma das hipóteses estudadas pela ciência é que a substância cria um “ponto de referência” para manter o peso, ou seja, ela estimula o apetite quando você elimina gordura. Se o estoque de

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gordura estiver saturado, o hormônio passa a ser produzido para suprimir o apetite. O problema é que, quanto mais acima do peso a pessoa estiver, menos sensível ela se torna aos sinais da leptina. Estudo do Centro Médico da Universidade Columbia, nos EUA, mostra que o cérebro se torna resistente à substância quando há níveis elevados da leptina na circulação sanguínea. No Brasil, outro estudo interessante sobre o tema foi realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Publicado no periódico Journal of


Neuroscience, o trabalho mostra que as gorduras trans podem lesionar o hipotálamo, interferindo no controle da fome e no gasto calórico, o que leva à obesidade. A pesquisa indica que pessoas com dietas hipercalóricas perdem gradativamente esse controle neural e passam a consumir mais calorias do que gastam, tornando-se obesas com o decorrer do tempo.

Grelina Chamado de hormônio da fome, a grelina foi descoberta por pesquisadores japoneses no final da década de 90, mas foram os cientistas britânicos que associaram a substância ao estímulo do apetite. Também responsável pelo aumento da secreção do hormônio do crescimento (GH), a grelina está diretamente envolvida na regulação, a curto prazo, do balanço energético. Estudos mostram que os níveis circulantes de grelina no organismo aumentam durante o período de jejum prolongado (em estados de hipoglicemia), enquanto há uma redução na liberação da substância após a ingestão alimentar. Segundo essas pesquisas, são os tipos de nutriente contidos na refeição, e não o seu volume, os responsáveis pelo aumento ou decréscimo dos níveis plasmáticos de grelina após a refeição. Esses achados sugerem que a contribuição do hormônio na regulação pós-prandial pode diferir, dependendo do macronutriente predominante no conteúdo alimentar ingerido.

A nutricionista Priscila Machado lembra que vários alimentos afetam a produção de grelina e de outros hormônios relacionados à saciedade do organismo. Para manter a produção da grelina sob controle, a especialista orienta não deixar de fora algum dos grupos alimentares em qualquer refeição. “A grelina é influenciada pelo equilíbrio entre a insulina e o glucagon. Comer de três em três horas e fazer uma distribuição proporcional de 40% de carboidrato, 30% de proteína e 30% de gordura (monoinsaturada) na dieta ajudam a manter sob controle os hormônios de saciedade”, diz Priscila.

Papel do GH O hormônio de crescimento (GH) exerce um importante papel em nosso organismo, não apenas na regulação do crescimento somático, mas também na regulação de vários processos metabólicos. O hormônio aumenta a oxidação de ácidos graxos durante restrição calórica, acelera a lipólise, promove conservação de nitrogênio e alterações da composição corporal. Vários estudos mostram que adultos com deficiência da substância apresentam aumento de massa de gordura corporal e redução de massa magra, em relação a adultos normais. Segundo os cientistas, essa deficiência tem importantes consequências metabólicas no processo lipídico, levando ao aumento do risco de doença cardiovascular.

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“Comer de três em três horas e fazer uma distribuição proporcional de 40% de carboidrato, 30% de proteína e 30% de gordura na dieta ajudam a manter sob controle os hormônios de saciedade” Priscila Machado, nutricionista e biotecnóloga

Testosterona e Estrogênio A testosterona, hormônio sexual masculino, é encontrada também no organismo feminino e é importante também para elas. Além de controlar a excitação sexual e a agressividade, a substância pode acelerar o metabolismo, ajudando o corpo a construir músculos e queimar gordura. Com a “pausa hormonal” enfrentada por homens e mulheres, o nível de testosterona em ambos os sexos diminui com a idade, principalmente depois dos 40. Em razão disso, o metabolismo fica mais lento e o organismo tende a armazenar as calorias extras como gordura, ao contrário de pessoas mais jovens, em que a gordura é estocada para fornecer energia para construir músculos. De acordo com especialistas, o GH promove a queima de gordura armazenada, ao movê-la para a corrente sanguínea, para ser usada como energia. Além disso, a substância também diminui o ritmo de estocagem da gordura que está circulando no sangue. E como usar o hormônio a favor da perda de peso em excesso? Em alguns casos, a resposta pode estar em dietas monitoradas que incluem a ingestão de suplementos e uma proporção equilibrada entre proteínas, carboidratos e gorduras. Essas estratégias ajudam a otimizar a liberação natural do GH. Esse tipo de tratamento ajuda o paciente a ganhar massa muscular e, assim, queimar mais gordura. Ao ganhar massa muscular, você aumenta o ritmo do seu metabolismo basal, aumentando o gasto de calorias mesmo quando estiver parado. E exercícios físicos, seja musculação ou trabalho aeróbico, aumentam a produção da substância, mas a sua liberação é mais rápida nas duas primeiras horas do sono profundo. O GH é uma proteína produzida e secretada pela glândula hipófise anterior e, assim como outros hormônios, com o envelhecimento, sua produção no organismo decai.

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Nos homens, se a queda do hormônio em razão da idade pode favorecer o surgimento da obesidade, estudos mostram que, nos mais jovens e obesos, ocorre uma redução mais rápida da testosterona no organismo. O acúmulo de gordura na cintura pode reduzir a ação da insulina, levando à predisposição para diabetes e hipertensão e causando a redução na produção de testosterona. E a diminuição de testosterona leva à piora da obesidade, ou seja, provoca um ciclo vicioso. A queda do estrogênio na menopausa também influencia a distribuição da gordura no corpo. É por isso que, com o avanço da idade, a gordura das coxas e dos quadris começa a ser redistribuída para a barriga. Além disso, estudo da Universidade do Colorado, nos EUA, mostrou que o baixo nível de estrogênio também faz com que a mulher queime menos caloria diariamente. Tanto a testosterona quanto o estrogênio precisam de boro (um tipo de mineral) para a produção, e os alimentos-fonte do mineral são: manteiga de amendoim, café, maçã, banana, uva, feijão e brócolis.


artigo

Sociedade em consultórios e clínicas Os modelos mais comuns de sociedade em consultórios e clínicas

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Estes são os modelos mais comuns de sociedade em consultórios e clínicas:

1. Sócios modelo divisão de lucros A receita produzida por todos é somada e dela se abatem os custos e as despesas, gerando o resultado líquido do período (mês, trimestre, semestre etc.). Esse resultado líquido é dividido pelos sócios, proporcionalmente à porcentagem de sua participação na sociedade, independentemente de quanto produziu ou trabalhou.

Desvantagem do modelo: Em algum momento um dos sócios pode achar que produz mais que o outro e recebe o mesmo ou que as suas unidades de negócio geram mais resultados que as do sócio ou ainda que o sócio está ganhando mais que deveria pelo seu trabalho.

2. Sócios modelo condomínio Cada sócio recebe individualmente a receita gerada pelos seus clientes e arca com os seus custos (material de consumo, impostos, serviços de terceiros, laboratório e tarifas financeiras, entre outros.). Já as despesas são rateadas de forma igual entre os sócios. Nesse caso, os sócios consideram a clínica o seu consultório particular, onde cada um paga 50% das despesas gerais, independentemente de quanto fatura ou trabalha. Esse modelo é comum quando não há compartilhamento de clientes.

Desvantagem do modelo: Algum sócio pode alegar que o outro utiliza mais a clínica para ganhar mais que ele, pagando o mesmo valor de despesas.

3. Sócios modelo cooperativa Cada sócio recebe individualmente a receita gerada pelos seus clientes e arca com os seus custos. O resultado disso se chama lucro bruto e cada um é responsável pelo seu, arcando com as despesas na proporção que lhe cabe em relação à soma de todos. Quem produz mais lucro para si paga mais despesas.

(*) Por César Souto e Dr. Roberto Caproni

Desvantagem do modelo: Algum sócio pode alegar que paga mais porque trabalha mais ou porque os seus valores são mais altos, enquanto o outro utiliza a clínica tanto quanto ou mais que ele, sentindo-se descompensado.

4. Parceiro independente em condomínio Grupo formado por profissionais de especialidades interligadas em que cada um adquire ou aluga uma unidade num conjunto de salas tendo uma recepção em comum. Cada profissional recebe individualmente a receita gerada pelos seus clientes, arca com os seus custos e despesas da sua sala. As despesas da área comum compartilhada, isto é, recepção, banheiros, sala de espera, etc, são divididas em partes iguais para cada membro.

Desvantagem do modelo: Um membro não pode indicar aos seus clientes profissionais externos de especialidade concorrente de outro membro do grupo nem recebe indicações de profissionais das mesmas especialidades existentes na clínica. Como você pode observar, não existe um modelo perfeito de sociedade. Todos os modelos possuem vantagens e também desvantagens.

(*) César Souto – graduado em Ciências Contábeis e especialização em Administração Financeira, em Gestão de Pessoas, em Gestão Estratégica e em Psicologia do Trabalho. Foi diretor executivo do Banco Mercantil do Brasil e executivo do Banco BMG. (*) Dr. Roberto Caproni – graduado em Odontologia e em Administração de Empresas. Pós-graduado em Marketing e Psicologia. Especialista em franquias pela Franchising University. A reprodução de textos de autoria de Roberto Caproni e colaboradores em jornais, revistas, boletins informativos, sites, fax, e-mail e outros veículos de divulgação é PERMITIDA desde que citados o autor e o endereço eletrônico www.grupocaproni.com

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Dieta balanceada pode evitar o câncer Estudos relacionam alimentação excessivamente calórica ao surgimento da doença em mama, cólon, reto, próstata, esôfago e estômago

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As primeiras pesquisas demonstrando que o excesso de gordura sobrecarrega o coração surgiram na década de 50. Mas, apesar da grande quantidade de informações a respeito do assunto, a obesidade começa a ser vista como uma epidemia, no Brasil e no mundo. Segundo especialistas, em cada grupo de 10 brasileiros adultos, quatro estão acima

do peso. E o excesso de gordura vitima ricos e pobres, homens e mulheres – em razão da alimentação excessivamente calórica. Com relação ao câncer, que pode resultar da obesidade, especialistas alertam que adotar hábitos saudáveis, como fazer exercícios físicos e ter uma dieta equilibrada, pode prevenir a doença. Médicos e especialistas recomendam ingerir bastante água, comer alimentos que contenham fibras, frutas e verduras e diminuir o consumo de alimentos gordurosos. O oncologista Ricardo Alves Penna (Cremesp 116789) comenta que, embora não se possa fazer uma associação direta de casos de câncer com o hábito alimentar, existem evidências de que os riscos de contrair a doença aumentam nos grupos populacionais em que é exagerado o consumo de carnes, principalmente das processadas, enquanto se deixam de lado as fibras vegetais, as frutas e as verduras. A informação é confirmada pelo Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes

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da Silva (INCA), que alerta em seu site (www.inca.gov.br) que vários componentes da alimentação têm sido associados com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso), reto, próstata, esôfago e estômago. De acordo com o Dr. Penna, alguns tipos de alimento, se consumidos regularmente durante longos períodos de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente de que uma célula cancerosa necessita para crescer, multiplicar-se e disseminar-se. E nesse grupo estão incluídos os alimentos ricos em gorduras, como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, bacon, presuntos, salsichas, linguiças e mortadelas, entre outros. “A vida nas grandes cidades e a crescente urbanização alteraram de forma significativa nossos hábitos alimentares. É comum, na correria do dia a dia, deixar de lado uma boa refeição para comer um sandu��che numa lanchonete fast-food, por exemplo. O indivíduo pode até ganhar mais tempo para o trabalho ou lazer, mas perde uma grande oportunidade de se alimentar adequadamente, já que a chamada junk food contém muita gordura que, se consumida em excesso, pode ser prejudicial ao organismo”, alerta o oncologista.


O especialista lembra que as causas de câncer são variadas, mas já se sabe que entre 80% e 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. “As mudanças provocadas no meio ambiente pelo próprio homem, assim como o estilo de vida adotado pelas pessoas, pode determinar diferentes tipos de câncer. Outro fator que já está claro é que existem também alguns alimentos industrializados que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos”, explica o Dr. Penna. Como exemplo, ele cita as substâncias nitrito e nitrato, usados para conservar alguns tipos de alimento, como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatado. De acordo com o oncologista, tais substâncias se transformam em nitrosaminas – compostos químicos com comprovada ação carcinogênica. “As nitrosaminas são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago observados em populações que consomem alimentos com essas substâncias de forma abundante e frequente”, explica. Segundo o oncologista, carnes defumadas e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro, cuja ação carcinogênica já é cientificamente comprovada. Já os alimentos preservados em sal, como carne-de-sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em indivíduos que moram em regiões onde é comum o consumo desses alimentos. “Também é bom lembrar que, antes de comprar o alimento industrializado, todos devem comparar a

quantidade de sódio nas tabelas nutricionais dos produtos”, orienta o médico, que recomenda ainda a redução do sal no preparo da refeição, aumentando o uso de temperos como azeite, alho, cebola e salsa, que contribuem para evitar a doença.

aos alimentos de origem animal, o ideal é limitar o consumo de carnes vermelhas e evitar carnes processadas”, orienta.

Alimentação saudável Renata Dutra Carvalho (CRN SP 2.187), especialista em Nutrição Clínica Funcional, lembra que o ideal é uma dieta balanceada com frutas, verduras, legumes, da forma mais natural possível, e até carne, mas sem gordura, aliada a exercícios físicos. Segundo ela, uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de gordura e altos níveis calóricos está relacionada a um risco maior de câncer de cólon e de reto. Renata diz ainda que isso ocorre porque, sem a ingestão de fibras, o ritmo intestinal desacelera, favorecendo uma exposição mais demorada da mucosa aos agentes cancerígenos encontrados no conteúdo intestinal.

Já o oncologista Flavio Daniel Tomasich (CRM PR 13314) diz que a prevenção do câncer na região abdominal está diretamente ligada à alimentação saudável, como alto consumo de frutas, legumes, verduras, alimentos ricos em fibras, além da prática de exercícios físicos. Segundo ele, o câncer abdominal pode atingir órgãos como estômago, fígado, pâncreas e esôfago e, dependendodo órgão que ele afeta, pode ser considerado como de maior ou menor risco. A maior incidência da doença é em pessoas acima de 50 anos, mas isso não impede que ela surja em qualquer idade. “É recomendável evitar bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos artificiais, e limitar o consumo de alimentos e bebidas de alto valor calórico. Em relação

De acordo com a nutricionista, alguns alimentos que ajudam a prevenir o câncer são: frutas vermelhas e chá verde (ricos em flavonoides, que ajudam a prevenir câncer de mama, cólon, reto, estômago, esôfago e pâncreas); tomate, goiaba e melancia (têm licopeno, que ajuda a prevenir câncer de próstata e mama); cenoura e abóbora (ricos em betacaroteno, ajudam a prevenir câncer de pulmão); espinafre e couve (contêm luteína e zeaxantina, que previne câncer de pele); frutas cítricas, como laranja, acerola e abacaxi (ricos em vitamina C, que previne câncer de diversos tipos); couve-flor e brócolis (contém Isotiocianato, que ajuda a prevenir câncer de mama, cólon e esôfago); soja e feijão (ricos em Isoflavonas, que ajudam a prevenir câncer de mama, próstata, cólon, reto, pulmão, estômago e colo do útero).

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Curso de Fisiologia da Longevidade Humana Evento, que chega à sua 69ª edição, com cerca de 2,1 mil médicos formados, realiza-se, entre os dias 22 e 27 de outubro, na cidade de São Paulo

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Cumprindo com sua proposta de disseminar e produzir conhecimento baseado em estudos científicos e evidências clínicas comprovadas, possibilitando aos médicos o acesso a farto conteúdo em termos de conhecimento técnico-científico atualizado, o Grupo Longevidade Saudável vai realizar, em outubro, mais uma edição do curso Ciências da Longevidade Humana e Fisiologia Hormonal Aplicada. O evento realiza-se entre os dias 22 e 27, em São Paulo, no Hotel Golden Tulip, no Bairro Jardins, Zona Sul da capital paulista. Considerado introdutório à proposta de medicina preditiva do LS, o curso apresenta um conteúdo fundamentado na fisiologia do envelhecimento hormonal e no modelo das pausas hormonais em homens e mulheres, tendo como base o conhecimento científico e evidências clínicas comprovadas nos mais importantes centros de pesquisa avançada no mundo. A diretora de Marketing e Relacionamento do Grupo LS, Polliana Rachid, lembra que essa será a 69ª edição do curso, que já formou cerca de 2,1 mil médicos, desde sua primeira edição,

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em 2002. Segundo Polliana, um dos motivos do interesse de médicos de todo o país pelo evento é a demanda constante, hoje existente, por mais conhecimento, informação e atualização profissional. “O curso possui sólido conteúdo teórico-prático e cumpre com o objetivo do Grupo Longevidade Saudável de oferecer ao participante o acesso ao conhecimento e à prática adquirida pelos especialistas que trazemos como palestrantes, ao longo de duas décadas de pesquisas e estudos feitos em importantes instituições, de renome internacional”, explica Polliana. Segundo ela, exatamente por isso, a participação no evento permite ao médico tornar-se um profissional completamente diferenciado e em condições de aplicar, na sua prática diária, os novos conhecimentos adquiridos.

Esse também é o primeiro curso na área de Educação Médica Continuada a oferecer ao participante a oportunidade de contar com consultoria individual à distância, como lembra Polliana. O atendimento à distância faz parte da carga horária do curso (fase II) e são oferecidas ao aluno duas opções: chat on-line e skype, cabendo ao participante escolher aquela que é melhor para si. O curso conta com 80 horas de aula na fase I (presencial) e a fase II (à distância) tem início três meses após a primeira. Entre os temas abordados no curso estão Longevidade Humana: Novos Paradigmas; Os Hormônios Homólogos Humanos; Fisiologia do Trato Gastrointestinal; Marcadores de Inflamação Subclínica; Inflamograma; Detoxificação; Eletropausa; Síndrome da Fadiga Adrenal e Nutrigenética e Mapeamento Genético. Para participar do curso, é preciso ser médico, com CRM ativo. Os interessados podem obter outras informações no site do Grupo Longevidade Saudável (www. longevidadesaudavel.com.br) ou pelo telefone 0800-001-1223.



Longevidade em Foco - Revista 05