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APOIO

DIÁRIO POPULAR

VALE DO AÇO . 27/05/2010 . ENCARTE ESPECIAL EM HOMENAGEM AO DIA DA INDÚSTRIA

OTIMISMO DE VOLTA À INDÚSTRIA EMALTO INVESTE r$ 25 MILHÕES EM UNIDADE DE ESTRUTURAS METÁLICAS DE OLHO NAS DEMANDAS DE INFRAESTRUTURA DA COPA DE 2014 E OLIMPÍADAS

Rodrigo Zeferino/Grão Fotografia

Alexandre Torquetti Jr: Emalto Estruturas Metálicas terá uma linha de fabricação totalmente automatizada com capacidade de produção de 1.500 ton/mês


Va l e d o A ço . 27 d e m a i o d e 2010 . E s p e c i a l D i a d a I n d ú s t r i a

UMA JUSTA HOMENAGEM A Revista Negócios Industriais é uma publicação trimestral produzida e comercializada pela Letra de Forma Comunicação Empresarial P2SA COMUNICAÇÃO LTDA | CNPJ 07.291.053/0001-58 Rua Marília, 33 A, Bela Vista, Ipatinga-MG CEP 35160194 EDITOR Paulo Assis | MG 07169JP paulo@negociosindustriais.com REDAÇÃO Aline Alves e Paulo Assis redacao@negociosindustriais.com CRIAÇÃO Gabriel Tôrres e Paulo Assis publicidade@negociosindustriais.com

Este suplemento em homenagem ao Dia da Indústria é uma prévia da Revista Negócios Industriais, uma publicação à altura da indústria do Vale do Aço, que começa a circular na próxima segunda-feira, 31 de maio, direcionada a 2 mil empresas e entidades do Vale do Aço, Região Metropolitana de Belo Horizonte e outros estados. Em geral, o Dia da Indústria passa quase despercebido, salvo com as homenagens da Regional Vale do Aço da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Timóteo (Aciati).

PUBLICIDADE Daniele Assis (31) 3823-1316 | 8634-2450 comercial@negociosindustriais.com FINANCEIRO Kátia Kristina (31) 3823-1316 financeiro@negociosindustriais.com FOTO DA CAPA Rodrigo Zeferino/Grão Fotografia zeferino@graofotografia.com CARTAS À REDAÇÃO Comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões, releases e critícas às matérias - redacao@negociosindustriais.com ASSINATURAS Para receber a Revista Negócios Industriais entre em contato pelo telefone 31 3823-1316. Valor anual: R$ 25,00 (4 edições). IMPRESSÃO Este suplemento especial em homenagem ao Dia da Indústria foi impresso pela A Gazeta Metropolitana Editora e Gráfica como parte integrante do Jornal Diário Popular.

A Letra de Forma Comunicação Empresarial, responsável pela publicação da Revista Negócios Industriais, com o apoio do Jornal Diário Popular, não podia deixar uma data tão importante passar em branco. Afinal, são milhares de empregos e recursos que promovem o desenvolvimento sócio-econômico da nossa região.

A revista Negócios Industriais circula na próxima semana. Na matéria de capa, as indústrias do Pólo Metalmecânico do Vale do Aço mostram como passaram a vender para os estaleiros, auxiliando na construção de navios, e hoje integram a cadeia de navipeças. A Viga Caldeiraria, da Família Gaggiato, foi a primeira e abre o caminho para outras indústrias.

Paulo Assis Editor

Painel SUZANO

AÇO PARA NAVIOS

O Governo de Minas estaria negociando com a Suzano Papel e Celulose a instalação de um complexo agroindustrial em Governador Valadares, num investimento que poderia chegar a R$ 3,5 bilhões.

A Usiminas desbancou os chineses e venceu licitação internacional para fornecimento de 7,7 mil toneladas de aço para o Estaleiro Mauá Petro Um (RJ). O aço será utilizado na construção de navios para transporte de produtos claros e integra o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef ), coordenado pela Transpetro, subsidiária da Petrobras. Com esse resultado, a Usiminas já possui contratadas 40 mil toneladas de aço para os navios do Promef, o que representa 32% de todo o aço que já foi comprado até aqui – 123,6 mil toneladas.

Os preços de referência da fibra curta saltaram para US$ 920 por tonelada na América do Norte, US$ 890 na Europa e US$ 850 na China e no resto da Ásia. No início do ano, o preço de referência estava no pamtar de US$ 700.

PARCERIA

Valorização transforma celulose em um “novo minério” para Minas

Governo de Minas

CELULOSE

A concessionária Guiauto Chevrolet e a Fiemg Regional Vale do Aço firmaram parceria no final de maio. Os associados serão contemplados com descontos que podem chegar a 18%, de acordo com o modelo de veículo escolhido, explicou Leonel Guimarães, diretor da concessionária. Os benefícios se estendem aos sindicatos patronais associados Sindimiva, Sinpava, Sinduscon, Sindivest e Sime. Informações na concessionária.

Foto Palace

Baile dos Panificadores

O Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Alimentação, Panificação, Confeitaria e de Massas Alimentícias do Vale do Aço (Sinpava) promove no dia 6 de agosto mais uma edição do Baile dos Panificadores, no Clube Morro do Pilar. As homenagens aos panificadores começam em julho, com uma missa especial na Igreja do Bairro Horto, no dia 7. Mais informações no Sinpava, pelo telefone 31 31 3824-2334.


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Fotos Sebastião Jacinto Jr.

FIEMG TEM NOVO PRESIDENTE Olavo Machado assume entidade máxima da indústria mineira no Dia da Indústria. Robson Braga será presidente da CNI O novo presidente, que concorreu em chapa única, obteve 122 votos dos sindicatos representados. Olavo Machado Jr. substitui o empresário Robson Braga de Andrade, que preside a Fiemg desde 2002, eleito por dois mandatos consecutivos. A transmissão de cargo acontece nesta quinta-feira, 27, à noite, em Belo Horizonte, durante as comemorações do Dia da Indústria. O presidente eleito, empresário do setor elétrico, é diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), vice-presidente da Fiemg e presidente do Centro Industrial Empresarial de Minas Gerais (Ciemg).

Engenheiro elétrico, formado pelo Instituto Politécnico da PUC-MG, Olavo Machado Jr. foi secretário-adjunto de Indústria e Comércio de Minas Gerais, presidente do Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) e atua na diretoria da Fiemg desde 1978. Olavo Machado Jr. declarou que seu esforço estará concentrado em dar continuidade ao trabalho realizado por Robson Braga de Andrade. “Não há motivos para grandes mudanças. Vamos seguir na mesma trilha do que vínhamos realizando na gestão do Robson Andrade”, disse Olavo Machado Jr., feliz por ter conseguido montar uma chapa

de unidade. “É muito bom trabalhar entre amigos”, comemorou. Empresário de destacada atuação na preservação do meio ambiente e em responsabilidade social, Olavo Machado Jr. lançou, em abril, programa inovador para a indústria na área de sustentabilidade, chamado Minas Sustentável. Garantiu que sua gestão será voltada para os empresários, as empresas e o desenvolvimento integrado da indústria de Minas e do Brasil. Confira parte da entrevista concedida à Revista Negócios Industriais. A conversa completa você encontra na revista, a partir de segunda-feira.


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Quais suas principais metas à frente da Fiemg? Trabalharei para garantir o desenvolvimento sustentável das empresas do estado e a geração de bons e lucrativos negócios para a indústria mineira. Para isso, darei continuidade ao trabalho de sucesso do presidente Robson Braga de Andrade. Não é por acaso que hoje a Federação pode contar com o reconhecimento e o apoio dos sindicatos patronais, dos empresários, do setor público e da sociedade. Essa forma de trabalho precisa ser mantida. Vamos seguir o mesmo ritmo. Estou certo de que

extrativa quanto a de transformação e a construção apresentam índices de crescimento próximos aos verificados no período pré-crise. Esperamos que a indústria de Minas cresça acima da média do Brasil, por causa do perfil de nossas empresas. Como fomos mais afetados pela crise de 2009 do que outros estados, vamos recuperar os níveis de atividade com mais velocidade. A expectativa da Fiemg é que a produção industrial brasileira cresça 9,5% e a mineira suba 12,6%, com acréscimo no faturamento de 16,3%.

Quais os principais desafios da indústria para o segundo semestre? A expectativa da Fiemg é Podemos recuperar os níveis de atique a produção industrial vidade pré-crise. Mas, mais do que isso, queremos que a produção industrial brasileira cresça 9,5% vá, de forma sustentável, além daquele e que a mineira suba patamar. Estou convicto de que Minas 12,6%, com acréscimo no Gerais pode ter um salto de qualidade se alguns desafios forem superados com faturamento de 16,3%. ações de governo e da iniciativa privada. o empresariado espera que o diálogo, Um grande desafio que deve ser as parcerias e a defesa dos interesses da vencido pelo governo brasileiro é o indústria mineira permaneçam como as da reforma política. Somente após ela principais marcas da atuação do Siste- teremos as demais. A necessária reforma Fiemg. E, como candidato de con- ma tributária pode equilibrar a elevada senso que fui, é claro que me pautarei carga que incide sobre o empresariado, por esses valores para conduzir as ações identificada como o principal entrave desenvolvidas pela instituição. No meu para um crescimento maior da ativientendimento, esse é o rumo apontado dade industrial. Além desses impostos, pelos empresários mineiros. os juros excessivos também precisam ser combatidos, e não ampliados, como O que representa para Minas, e em feito na última reunião do Conselho de especial para a Fiemg, a eleição do Política Monetária do Banco Central. empresário mineiro Robson Andrade para a CNI? A tradição é que o dirigente da CNI Um grande desafio que seja do nordeste. E tivemos bons presi- deve ser vencido pelo dentes de lá. A confederação congrega toda a indústria nacional e algumas ve- governo brasileiro é o da zes foi interinamente dirigida por em- reforma política. Somente presários paulistas, que também a valoapós ela teremos as rizaram. O Presidente Armando Monteiro, demais. com muita competência, uniu a todos e mostrou que o Brasil é um só e que a nossa causa é a mesma, independentePara a iniciativa privada, o principal mente da região. Hoje, ele e colegas das desafio é o de seguir o ritmo de invesdemais instituições que formam o Sis- timentos para melhora dos produtos tema Indústria vêem a Fiemg como um fabricados em Minas. No Sistema Fieexemplo a ser seguido em uma série de mg, temos a certeza de que o incentivo ações, o que é um prêmio para o trabalho à inovação e à educação é o caminho desenvolvido por nós em Minas Gerais, certo para que nosso parque industrial liderados pelo presidente Robson. cresça de forma sustentável. É também Para o próximo mandato, sob a direção com esses dois ingredientes que podo nosso Dr. Robson, terceiro mineiro a deremos buscar maior diversificação e dirigir a CNI, estamos todos unidos do qualidade no que vendemos para outros sul ao norte, do nordeste ao oeste, com o estados e países. apoio e participação firme da Fiesp, lideO cenário em que qualidade e diverrada pelo seu presidente. sidade de produtos estão aliadas a menores custos para investimentos é o ideO governo espera que a indústria al para a perenidade e sustentabilidade brasileira feche este ano com um cres- das atividades industriais. Queremos cimento anual de 8%. Podemos esperar exatamente isso, para conseguirmos o mesmo em Minas? ampliar a geração de bons negócios Hoje, os nossos setores industriais para o empresário e de emprego e renda mais relevantes já dão sinais de recu- para os profissionais da indústria e de peração acentuada. Tanto a indústria sua cadeia produtiva.

burocracia

Carlos Luppi: Ministério do Trabalho dá pouca esperança de que vá alterar data de vigência da nova metodologia

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

novo custo às empresas Novos equipamentos de ponto eletrônico implicarão em mais gastos, desperdícios e mais burocracia para as empresas Uma portaria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vem tirando o sono de muitos empresários e promete afetar o orçamento das empresas nos próximos meses. Isso porque a rotina de entrada e saída dos empregados das empresas com mais de 10 funcionários será alterada a partir do dia 20 de agosto, conforme determina a portaria nº 1.510/09, que visa regulamentar o sistema eletrônico de controle de ponto. Pela nova regra os equipamentos que registram a chegada e a saída dos empregados terão que incluir uma impressora para emitir comprovantes que deverão ser arquivados por cinco anos. Para a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a portaria se resume em aumento de custos e tendência das empresas abandonarem o registro eletrônico de ponto, voltando a utilizar processos obsoletos, como o registro manual e o mecânico, para posterior digitação dos dados. Pelo lado dos trabalhadores, o desconforto será inevitável, com longas esperas nas filas para o registro, já que será necessário aguardar a impressão do comprovante. Estima-se que o volume de comprovantes chegue a um bilhão por ano, sem contar nos prejuízos ao meio ambiente. Líder do mercado nacional em soluções para controle de acesso, a Dimep Sistemas de Acesso, Segurança e Ponto prevê que cada bobina terá capacidade de atender 120 trabalhadores durante um mês (5.000 tickets mensais). A previsão, segundo a empresa, é que mais de 400 mil árvores sejam derrubadas por ano para suprir o consumo do papel. Com esses argumentos, a CNI encaminhou recentemente requerimento ao MTE solicitando a suspensão urgente da medida e propondo a criação de um grupo tripartite para propor mecanismos mais eficientes de controle. A CNI participou também de audiência na Casa Civil da Presidência da República, quando apresentou os problemas que a medida trará para empresas e trabalhadores. Vale destacar que as organizações que optarem pelo controle de ponto eletrônico pode preparar o caixa, pois as despesas terão alto custo. “Cada aparelho custa em torno de 3.500 a 5.500 reais, sem contar nos gastos com manutenção das máquinas, bobina e certificações em equipamentos sofisticados para o armazenamento de informações, impressoras integradas, porta padrão USB externa para captura de dados armazenados por fiscais, e baterias capazes de funcionar 1.440 horas, em caso de falta de energia”, informa Rodrigo Feitosa Chagas, da MCR Assessoria, Consultoria e Treinamento Empresarial, que presta consultoria para o Sindicato da Indústria da Construção Civil em Minas Gerais (Sinduscon). A Dimep prevê um investimento nacional de R$ 1,8 bilhão de reais. “O Brasil terá grande impacto com a implantação da Portaria 1.510, já que possui cerca de 1 milhão de relógios de ponto informatizados. Deste total, 60% serão trocados para atender à nova legislação e 40% voltarão ao sistema mecânico. Como o custo médio para adquirir o novo equipamento é de aproximadamente 3 mil reais, estima-se 1,8 bilhão de reais irá movimentar a economia brasileira”, explica Dimas de Melo Pimenta III, vice-presidente da Dimep.


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TSUNAMI DE OTIMISMO A Copa do Mundo e a as Olimpíadas criam um ambiente favorável para investimentos em infraestrutura e o Vale do Aço quer pegar essa onda Rodrigo Zeferino/Grão Fotografia

No final de 2009, Muniz, Ramac e Líder, indústrias mecânicas localizadas em Ipatinga e Timóteo, já forneciam portas de navio para o estaleiro STX Europe. “É uma ação continua; visitamos potenciais clientes periodicamente, apresentando nossa capacidade e qualificação como um grupo de empresas, capazes de atender as mais variadas demandas”, explica Ronaldo Soares, analista de prospecção de mercado do Sindimiva (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço), associado ao Sistema Fiemg e que reúne 90 empresas. Até na distante Porto Velho, em Rondônia, o grupo esteve, em setembro de 2009. “Nenhum mercado é distante se as condições foram favoráveis para se investir. A crise reforçou que sempre se deve inovar, ampliar seu mercado”, completa Ronaldo. Apesar dos dados e panoramas favoráveis, são poucos empresários que, abertamente, falam sobre o fim da crise. O certo é que agora existe uma nova onda de desenvolvimento.

Até a primeira quinzena de outubro de 2008, a economia do Vale do Aço estava em euforia. Um novo ciclo de investimentos na região e no Leste Mineiro injetaria R$ 25 bilhões na economia, criaria 60 mil empregos diretos e indiretos e muitas oportunidades de negócios. Duplicação da produção na ArcelorMittal João Monlevade, novo aeroporto em Bom Jesus do Galho, nova unidade da Usiminas em Santana do Paraíso, ampliação da capacidade produtiva da Cenibra e instalação da Aracruz em Governador Valadares. Como num efeito dominó, a concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, expôs uma ferida da economia norte-americana e espalhou uma crise de desconfiança pelo planeta. O resultado foi desemprego, queda no consumo, falta de crédito e estagnação econômica. Não demorou para que empresas como Cenibra e Aracruz anunciassem, ainda em outubro de 2008, a suspensão de qualquer projeto de expansão industrial. Mas ainda havia mais água fria para ser jogada na cabeça de muita gente. Sem demanda, a Usiminas, maior empresa da região, iniciou um processo de demissões e suspendeu (em nenhum momento ele foi cancelado) o plano de investimento. Numa reação em cadeia, as pequenas e médias empresas regionais, fornecedoras dos setores de siderurgia, celulose e mineração, viram seus negócios por um fio. Houve empresa tradicional que zerou todo o quadro fun-

Alexandre Torquetti Jr, da Emalto: indústria com planta em Timóteo investiu R$ 25 milhões na construção de uma nova unidade, com foco em estruturas metálicas, de olho na demandas de infraestrutura com a Copa e as Olimpíadas

cional, preservando somente o nível administrativo – e ainda assim com cortes. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em janeiro de 2009 o uso da capacidade instalada das empresas do Leste Mineiro atingiu 74%. Em setembro, antes do estopim da crise, o índice era de 94,99%. “É como se uma empresa, que tem capacida-

de de produzir 100 mil peças por mês, estivesse produzindo 95.000 antes da crise e em três meses visse sua produção cair em 21.000 unidades”, explica o gerente da Fiemg Regional Vale do Aço, Wantuir Caires. Nesse período teve gente que fechou as portas. Mas também teve aqueles que arregaçaram as mangas e foram em busca das oportunidades onde elas estavam. As empresas do Pólo

Metalmecânico do Vale do Aço, por exemplo, viram a demanda de setores tradicionais, como siderurgia e mineração, cair drasticamente. A alternativa? Viajaram País afora prospectando mercados de gás, energia elétrica, petróleo e naval. Aquilo que parecia contraditório, hoje é uma realidade: mesmo distante do mar, o Vale do Aço fornece peças para navios e embarcações.

NOVO MILAGRE Em duas semanas, no dia 11 de junho, às 16h na África do Sul (11h horário de Brasília), a bola rola no Soccer City Stadium, em Johanesburgor. A partida entre as seleções da África do Sul e do México marca o início da Copa 2010. Milhares de telespectadores pelo mundo estarão ligados no maior espetáculo do futebol. No Brasil, que em quatro anos recebe o torneio, a estratégia de milhares de empresários não terá nada a ver com as partidas, o gol, a taça. O plano tático buscará um outro resultado: aproveitar as oportunidades de negócios dos torneios esportivos que o Brasil receberá (a Copa 2014 e as Olimpíadas do Rio, em 2016). O apito inicial já foi dado e, neste jogo, a bola rola há algum tempo. Instalada há 36 anos na cidade de Timóteo, a Emalto


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Indústria Mecânica investiu R$ 25 milhões num processo de modernização e na criação da Emalto Estruturas Metálicas. “A demanda por estruturas metálicas em todos os estádios e outras construções para atender tanto a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 serão muito grandes e a Emalto já está preparada para atender parte desta demanda principalmente com a inauguração da Emalto Estruturas Metálicas, que terá uma linha de fabricação totalmente automatizada com capacidade de produção de 1.500 ton/mês, que serão so-

madas à sua capacidade atual”, explica o diretor administrativo da Emalto, Alexandre Torquetti Jr. A Usiminas está com grandes expectativas com relação à demanda de aço que serão geradas devido a Copa e Olimpíada. O foco são estádios, aeroportos, pontes, estações de metrô, dentre outras obras de infraestrutura, que podem utilizar o aço fornecido pela empresa. Para fazer a construção dos estádios, por exemplo, a Usiminas identificou oportunidade de negócios em oito cidades-sede dos jogos da Copa de 2014, com potencial não apenas na construção de reformas e está-

dios, mas também em obras de infraestrutura. “A empresa como um todo, não só para Copa e Olimpíada, terá investimentos de R$ 5,6 bilhões em 2010/2011, esse valor supera a soma dos dez anos anteriores. Para suprir esse mercado, a Usiminas deve dobrar sua produção de tubos de aço por meio da Soluções Usiminas, empresa criada em 2009. As aplicações de tubos de aço em grandes obras de infraestrutura são amplas, abrangem coberturas, pilares, estruturas metálicas, oleodutos e gasodutos, entre outros. Com o extenso portfólio da Soluções Usiminas é possível atender às

Mineirão 2014: estádio será revitalizado e entra na briga para sediar abertura da Copa do Mundo

Divulgação/Governo de Minas

mineração

mais variadas necessidades do setor de construção civil, incluindo as obras relacionadas com a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016”, detalha a siderúrgica, por meio de sua assessoria de imprensa. Até o momento, o Instituto Aço Brasil (IABr, antigo IBS) não possui uma estimativa sobre o consumo adicional de aço por causa das demandas da Copa e das Olimpíadas. Os números sobre os investimentos em infraestrutura também não estão finalizados, mas, apenas para a Copa do Mundo, se fala em algo na casa de 80 bilhões de reais nas 12 cidadessede (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Os investimentos serão em diversos segmentos da economia, mas, os analistas concordam, a infraestrutura do País será a grande beneficiada. A conta inclui reforma em 16 aeroportos, construção (ou reformas) em todos os estádios, sem falar na melhoria do sistema de transporte urbano. RETOMADA Desde outubro de 2008, com a suspensão de projetos regionais, o Pré-Sal e os eventos esportivos de 2014 e 2016 tornaramse centro das atrações. Quase dois anos depois, parece que a tempestade passou e agora vem a bonança. Em sua posse, em abril, o novo presidente da Cenibra, Paulo Brand, disse que a empresa de Belo Oriente irá

retomar os estudos para a duplicação da planta de produção, com um aporte de 1,2 bilhão de dólares. “Olhando para o mercado mundial, acreditamos que é hora de revisitar o projeto de expansão. Os acionistas estão abertos para isso”, disse. Em João Monlevade, o cenário também é de otimismo. A boa notícia foi dada pelo “rei do aço”, o indiano Lakshmi Mittal, durante o Congresso Brasileiro do Aço, promovido pelo Instituto Aço Brasil. Para Ipatinga, a siderurgia também está otimista. O novo diretorpresidente da Usiminas, Wilson Brumer, já adiantou que o projeto de construção da nova usina em Santana do Paraíso volta à pauta do Conselho de Administração da empresa em agosto. “Nós do conselho já vínhamos discutindo essa questão, que foi interrompida durante a crise. As negociações já estão avançadas e em agosto isso volta à mesa”, disse. Todos os projetos são aguardados com grande expectativa. Afinal, a economia regional é pautada pela indústria e vive uma verdadeira teia: se a indústria vai bem, toda uma cadeia regional de fornecedores é beneficiada, gerando emprego e renda que é reinvestido no comércio, incentiva a prestação de serviços e aumenta a arrecadação de impostos que, em tese, permite aos governos melhorar a qualidade de vida e criar o ambiente favorável para novos negócios. Será uma marolinha ou um tsunami?

R$ 18 BILHÕES PARA MINAS

Minas Gerais vive um novo boom do setor minero-siderurgico. Numa rápida conversa com Paulo Sérgio Machado Ribeiro, subsecretário de Desenvolvimento Minero-metalúrgico e de Política Energética da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), confira quais são as perspectivas para a indústria mineira de mineração. Quais projetos na área de mineração o Estado receberá na próxima década? Com o objetivo de tornar-se um dos principais players do mundo em minério de ferro, a Ferrous Resources do Brasil Ltda, vem adquirindo empresas de mineração e/ou direitos minerários no Estado. Entre 2010 e 2016, implantará cinco minas, localizadas nos municípios de Itatiaiuçú, Itabirito, Congonhas e Brumadinho, que, juntas, terão capacidade produtiva de 50 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de minério de ferro. Até 2017, a Anglo Ferrous Minas-Rio Mineração S.A. colocará em operação o mineroduto Minas-Rio, com capacidade de transporte de 50 Mtpa de minério de ferro. A instalação passará por 21 municípios mineiros, três do Rio de Janeiro e contemplará o trecho de Mimoso do Sul até Presidente Kennedy, no Espírito Santo.

Já a Vale, irá executar o projeto Apolo, que consiste no desenvolvimento de mina e implantação de uma usina de beneficiamento para a produção de minério de ferro não aglomerado (sinter feed e pellet feed). Como parte do empreendimento, também será construído um ramal ferroviário de 25 km, interligando a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) à usina Apolo. O início da implantação está previsto para 2010, com término em 2013. A produção será de 24 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Inicialmente chamado de Maquiné-Baú, o Apolo está localizado entre os municípios de Santa Bárbara, Caeté, Rio Acima, Raposos e Barão de Cocais. Devido ao grande potencial para extração de minério de ferro no Norte do Estado, a Mineração Minas Bahia (MIBA) deve implantar, entre 2011 e 2014, uma unida-

de minerária, uma usina de concentração de minério de ferro e de um corredor logístico, nos arredores dos municípios de Grão Mogol e Rio Pardo de Minas. A empresa realizou 13 mil metros de sondagem e calcula a existência de um volume de 1,5 bilhão de toneladas de minério, com um teor médio de 37% de ferro. Novos estudos devem ser efetuados para confirmar a reserva e, dentro de cinco anos, deve ser iniciada a produção. Outro destaque é o investimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), já em andamento, para expandir a mineração Casa de Pedra, em Congonhas. Com a ampliação, a capacidade instalada de produção da Casa de Pedra será aumentada de 16 milhões para 55 milhões de toneladas por ano de minério de ferro. Quanto eles representam em valores

e geração de empregos? A soma dos investimentos relacionados a esses projetos totaliza, aproximadamente, R$ 18 bilhões. Com os empreendimentos, devem ser criados cerca de 22 mil empregos diretos. Como a indústria do Vale do Aço pode aproveitar esses investimentos? O incremento da mineração representa para o segmento siderúrgico oportunidade para ganhos em agilidade e competitividade, uma vez que, a maior oferta de insumos no mercado pode resultar em matéria-prima com melhores preços e mais facilidade para comercialização e entrega. Assim, o desenvolvimento do setor minerário proporciona o crescimento da cadeia produtiva e agrega valor à economia de Minas Gerais.


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FIM DA PAPELADA FIM DA PAPELADA

Nota Fiscal Eletrônica já é obrigatória para 35 mil empresas mineiras. Até final de 2010, adesão será total

Marcos Auad e Jairo Barros, da Totvs Leste de Minas: soluções para empresas de todos os portes

Nota Fiscal Eletrônica já é obrigatória para 35 mil empresas mineiras. Até final de 2010, adesão será total Rodrigo Zeferino/Grão Fotografia

Aos poucos as pilhas de papéis e toneladas de livros fiscais começam a desaparecer do dia-a-dia das empresas mineiras. No Estado, 35 mil empresas já são obrigadas a emitir a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), que integra o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) iniciado pela Receita Federal há dois anos. Na Usiminas, maior empresa do Vale do Aço, que integrou a fase piloto do Sped, nada menos que 343 mil folhas deixaram de ser preenchidas em apenas um ano. Em empresas menores, como a Ramac Indústria Mecânica, situada em Timóteo, a expectativa também é de agilidade na área fiscal, desburocratização e redução do consumo de papel. “Teremos uma resposta mais rápida, redução de papéis, além da concorrência transparente, com isso os sonegadores tenderão a sumir do mercado”, avalia o proprietário da empresa, Carlos Afonso de Carvalho. A assistente de faturamento da Delta Engenharia e Manutenção Industrial, Daniele Patrícia Lima Marçal, completa que o novo sistema oferece maior segurança. “Além de reduzir custos, com a obrigatoriedade entrando em vigor em dezembro, ainda temos tempo de familiarizar com o sistema e adquirir

confiança para evitar erros”. De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, ao longo de 2010 diversos setores cumprirão calendário fixado para a obrigatoriedade do certificado digital, começando sempre no primeiro dia de julho, de outubro e de dezembro. Para a coordenadora de fiscalização da delegacia fiscal de Ipatinga, Vilma Mendes Alves Stoffel, os contribuintes, consumidores e sociedade só têm a ganhar com a nova emissão de nota. “Além de o Fisco poder acompanhar, em tempo real, a atividade econômica e a integração de informações com as Secretarias de Fazenda dos estados com a Receita Federal, o contribuinte será beneficiado com redução de custos administrativos, tempo de impressão de documentos fiscais, padronização dos relacionamentos eletrônicos entre empresas, redução de erros de escrituração devido à eliminação de erros de digitação de notas fiscais; além de diminuir despesas com a racionalização, entre outros ganhos”, afirmou. Contribuintes do ICMS que se enquadram ou desenvolvam atividade industrial; de comércio atacadista ou de

distribuição; pratiquem saídas de mercadorias com destino à outra unidade da federação ou forneçam mercadorias para a administração pública, terão que se adequar à nova realidade. Em Minas Gerais, a obrigatoriedade do Fisco estabeleceu-se através dos protocolos 10/2007: para contribuintes do ICMS e protocolo 42/2009: para contribuintes do ICMS que se enquadram ou desenvolvam atividade industrial; atividade de comércio atacadista ou de distribuição; pratiquem saídas de mercadorias com destino à outra unidade da federação ou forneçam mercadorias para a administração pública. SOFTWARES A adoção dos softwares para a emissão das notas geralmente independe do porte da empresa, informa Vilma. De acordo com ela, instituições de médio e grande porte preferem adotar soluções próprias, já disponibilizadas pelos fornecedores de software em seu Sistema Integrado de Gestão, ou ERP, na sigla em inglês. Este é o caso da maior parte dos quase 100 clientes da Unidade Leste de Minas da Totvs, maior empresa de softwa-

res aplicativos dos países emergentes e sétima maior do mundo no segmento. “Nossas soluções para gestão de empresas em geral já contemplam a Nota Fiscal Eletrônica, desde que a lei foi instituída ”, explica Marcos Auad, diretor de atendimento e relacionamento da unidade Totvs no Leste Mineiro. Auad explica ainda que empresas menores também podem optar por sistemas próprios. “Existem soluções de gestão empresarial para todos os bolsos”, frisa. Quem não está disposto a investir em uma solução de gestão, pode adotar o sistema Emissor de NF-e desenvolvido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo que servirá a todos os contribuintes do país, gratuitamente. De acordo com a Receita Estadual, são duas as versões desse aplicativo: emissor de NF-e para o ambiente de produção, que gera, efetivamente a NF-e (com validade jurídica) e o emissor de NF-e para o ambiente de homologação, onde o contribuinte poderá efetuar vários testes, pois esse gera documentos sem validade jurídica. Esses aplicativos estão disponíveis no endereço: www.fazenda.mg.gov. br. Mais informações no site www.fazenda.mg.gov.br.


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Especial Dia da Indústria - Diário Popular