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Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1509, de 13 de junho de 2013 e não pode ser vendido separadamente.

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Luís Bilro Treinador

“A degradação do estádio é assustadora” págs. 6 e 7

Crise e desemprego no topo da lista das preocupações dos estudantes págs. 4 e 5


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Negócios criativos em tempo de crise

é retratada a forma como as famílias se relacionam quando perdem alguém querido e procuram ficar em paz, preencher o vazio deixado por quem partiu, fortalecendo os laços familiares.

Música 23 de junho, 17h30 CCC de Caldas da Rainha

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Não perkas

Cinema 15 de junho, 21h30 Teatro Miguel Franco

LFF - Curtas Vencedoras

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Este ano realizou-se a primeira edição do Leiria Film Fest - LFF. Um festival de curtas-metragens organizado pelo Andreia Narciso realizador Bruno Carnide. Esta primeira edição decorreu no passado mês de março no m|i|mo e contou com 121 curtas a concurso, das quais 42 foram selecionadas e 12 premiadas. Se não teve possibilidade de assistir, ou deseja rever os melhores filmes, terá agora a oportunidade de assistir à exibição de todas as curtas vencedoras.

Vitor Hugo Ferreira Docente da ESTG / IPLeiria

Caldas Drink Fest O Clubbing Jazz é um projeto que resulta da parceria do Centro Cultural de Congressos de Caldas da Rainha com a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste e vem no seguimento do sucesso do Caldas Nice Jazz em 2012. Não perca a oportunidade de disfrutar de uma agradável e interessante experiência auditiva e ainda provar os cocktails elaborados pelos “chefes” da escola de hotelaria. Poderá fazê-lo no próximo dia 23 de junho e no dia 4 de agosto.

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Em tempos de crise os Economistas falam de efeitos de substituição. Quem usufrui de um determinado rendimento tende a substituir alguns bens por outros (antes de considerar eliminar o seu consumo). Exemplificando, trocamos uns sapatos de 100€ por outros de 25€, ou trocamos um jantar num restaurante gourmet por uma refeição cozinhada em casa. Este efeito está patente, de igual modo, em alguns negócios que florescem em tempo de crise, crescendo os  restaurantes low

Estes novos empreendedores, que brotam num mundo “pós-Ebay”, criam oportunidades para potenciar os recursos inutilizados, gerando valor para o cliente final (vendendo ou transformando produtos usados), mas também um maior bem-estar social. De negócios que permitem eliminar desperdícios, a negócios que integram elementos à margem da sociedade,  este empreendedorismo social nasce de uma nova geração consciente e ativa, para quem “empreender” não é sinónimo de capitalismo cego, mas sim de uma maior vontade social global.

Cinema 27 de junho Cinema City

Man of Steel

A DC Comics traz para o grande ecrã o seu mais famoso super herói numa adaptação que promete ser um êxito de bilheteira. Zack Snyder, o realizador, distanciase do clichê já muito conhecido de Super-Homem, contextualizando e explorando todo o potencial da origem do herói, da história do seu planeta, da sua missão. É clara a dedicação e trabalho no desenvolvimento das personagens e das sequências de ação.

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A ABRIR

cost, os supermercados de desconto (com preços agressivamente baixos) ou a venda de produtos usados. Como diria um economista americano, os gestores apontam nestes momentos para  a “base da pirâmide”. Ora, neste mundo dos negócios low cost, devemos ouvir Gunter Faltin, que considera que um empresário moderno precisa apenas de combinar serviços existentes, ideias, conhecimentos que já estão no mercado, com base na economia da Internet, ou, então, Kirzner  para quem o empresário é um descobridor de fatores de produção não utilizados e inativos, que podem ser recombinados de forma criativa. Em ambos os casos, a criatividade é muito mais relevante do que os recursos de propriedade do empreendedor (o “cérebro bate o capital”). Assim, se alguém transformar embalagens  usadas em candeeiros de design está não só a criar um negócio, como a utilizar recursos inativos ou prejudiciais ao ambiente (este é um exemplo de um negócio ex-aluno do IPLeiria ). Quem criar uma empresa para inspecionar produtos em segunda mão, vendidos através de plataformas online (como o OLX e outras), está a potenciar um negócio do tipo “Faltiano” (como é caso da empresa LookandGo, também fundada por um aluno da ESTG).

Música 28 de junho, 20h30 Pavilhão Atlântico - Meo Arena

Alicia Keys Teatro 20 de junho, 21h30 Teatro José Lúcio da Silva

Conversas sobre um enterro

Diretor João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@ipleiria.pt

Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, Lda Isilda Trindade isilda.trindade@jornaldeleiria.pt Maquetização e Projeto Gráfico Leonel Brites – Centro de Recursos Multimédia ESECS–IPL leonel.brites@ipleiria.pt Maquetização Andreia Narciso

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Reúne-se em palco um grupo de grandes atores conhecidos do público para a interpretação de uma peça da autoria de Yasmina Reza e encenação de Renato Godinho. Esta é uma história onde, com humor, Secretariado de Redação Daniela Peralta Redação e colaboradores Adriana Meneses, Ana Golegã, Andreia Narciso, Ana Neves, Daniela Carmo, Daniela Peralta, Diogo Fernandes, Francisco Grosso, Joana Batalha, Joana Ribeiro, Mariana Lopes, Patrícia Gonçalves, Pedro Rodrigues, Rita Gonçalves, Sara Moniz, Sara Silva e Tânia Casal.

Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Mangas presidencia@ipleiria.pt

A cantora Soul norte-americana regressa a Portugal com o seu mais recente trabalho, Girl on Fire. Neste novo projeto de Alicia Keys é perceptível a liberação criativa e emocional que a cantora experiencia numa nova fase da sua vida. Set the World on Fire Tour revela-nos um lado mais intimista e simultaneamente energético envolvendo o público na sua atmosfera ritmada e quente. Não deixe de ouvir e de se perder na música desta cantora conceituada internacionalmente. k

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Diretor da ESECS Luís Filipe Barbeiro barbeiro@ipleiria.pt Diretora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt


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Texto: Ana Golegã e Sara Moniz

Todos os meses, Leiria tem um espaço onde a roupa usada ganha novos donos, num projeto de apoio a famílias carenciadas e que permite compras de ocasião. A feira “Toca a Enroupar” resulta de um projeto curricular de Bruna Loraine, aluna do Curso de Especialização Tecnológica em Serviço Social e Desenvolvimento Comunitário, a funcionar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, que foi agarrado pela Câmara como uma oportunidade para ajudar quem mais precisa, de uma forma original. “Até à data, não tinha conhecimento de nenhuma feira com este fim” e, por isso, “decidi criar um projeto para ajudar tanto instituições como pessoas com dificuldades económicas a comprar roupas baratas e de qualidade”, afirmou a jovem estudante, de 21 anos. A ideia foi apresentada à Câmara de Leiria e a vereadora Isabel Gonçalves aceitou logo a proposta. Bruna Loraine afirma que “a vereadora colaborou muito neste projeto, dando o máximo de apoio e disponibilidade para tudo o que precisasse”. Em seguida, “procurei patrocínios, mas senti algumas

Roupa usada é uma tendência a crescer

Na loja “Paradoxo”, no Centro Comercial D. Dinis também se vende roupa em segunda mão. A dona, Jo-

Escola Superior de Educação e Ciências Sociais tem novo diretor Rui Manuel Neto e Matos é o novo diretor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Instituto Politécnico de Leiria. A tomada de posse, que teve lugar num dos auditórios deste campus, realizou-se no passado dia 16 de Maio e ficou marcada pela despedida ao diretor anterior e pelas boas-vindas ao novo ocupante do cargo. Tendo já sido subdiretor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais nos últimos quatro anos, Rui Manuel Neto e Matos vê-se agora a braços com a responsabilidade da direção. É doutorado em Motricidade Humana pela Universidade Técnica de Lisboa, docente na área do Desporto e criador de uma nova modalidade desportiva: a Tripela. O novo diretor da ESECS é ainda autor de diversos artigos e livros para crianças relativos à coleção ‘Rafa’.

Era dos downloads ilegais à beira do fim? Texto: Pedro Rodrigues

O tempo de sacar gratuitamente música, filmes ou séries pode estar a caminho do fim. Pelo menos é a convicção de operadores do mercado e de especialistas na área, que esperam uma normalização de um mercado que, por agora, funciona sem lei e sem regras. Para o coordenador do departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), Patrício Domingues, é cada mais fácil arranjar uma solução legal: as aplicações pagas por subscrição. Patrício Domingues considera que “o mercado está a encontrar uma alternativa” para os sites ilegais, um modelo “com algum sucesso”. No entanto, “os jovens ainda não enraizaram que quando estão a copiar uma música não estão

ana Rego, 55 anos, arrancou com o projeto há quatro anos e não se arrepende. “Sempre me agradou este tipo de conceito e como estava desocupada, decidi experimentar”, mas o que “me move não é o dinheiro, é estar ocupada a fazer o que gosto”, explica. A loja trabalha apenas com particulares. Cada pessoa leva as peças de roupa, há uma seleção prévia. E a produto da venda é dividido pelas duas partes. Apesar do entusiasmo que coloca no projeto, “notam-se quebras nas vendas devido à crise. Há dias parados, mas o que vendemos chega para pagar as contas”, diz Joana Rego. Depois do “Toca a Enroupar”, a moda da roupa usada alargou-se em Leiria. A Associação Atlas promoveu a venda de roupa de criança e adulto em segunda mão na avenida Adelino Amaro da Costa. E o Novo Mercadinho de Leiria, fundado a 7 de março de 2012, também dá atenção à venda de artigos em segunda mão. “Se tem roupa em casa que já não usa e gostaria de trocar. Se tem objetos antigos que gostaria de vender. Se tem uma receita própria para um bolo que gostaria de dar a provar, ou se constrói abajures a partir de garrafas plásticas recicladas ou brincos a partir de caricas, que gostaria de mostrar, então tem um eco-talento e há uma banca para si”, pode ler-se na página de Facebook do Novo Mercadinho de Leiria.k

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está –a– dar

Roupa usada está na moda

dificuldades, pois as pessoas não colaboram mesmo sendo uma causa social”. O nome da feira surgiu quase naturalmente por estar associado a uma expressão do tempo dos nossos avós, que significa juntar roupa, explica a promotora. A iniciativa decorre todos os meses no jardim Luís de Camões, mas sem data certa, procurando aproveitar o bom clima. A promoção é feita através de redes sociais, criando uma comunidade online para quem se quer inscrever ou participar. Para participar na feira é necessário preencher um formulário e os vendedores têm de levar três euros em bens alimentares que revertem a favor da instituição a ser apoiada. Os visitantes são também incentivados a apoiar a instituição escolhida. “O nosso objetivo não era apresentar uma feira vulgar, mas sim, apelar para a criatividade e irreverência, como se as pessoas se sentissem num comércio habitual, pois cada um fica responsável pela decoração da sua banca de modo a chamar a atenção do público”, explica a organizadora. Na primeira edição, em fevereiro, foram colocadas dezoito bancas e o valor das peças e acessórios tinha o preço até cinco euros. Marta Gonçalves, 28 anos e desempregada, tem participado em todas as edições. A feira veio “ajudar não só a mim, como a muitas famílias. É uma ideia original e espero que Leiria abra a sua mente para não deixar este evento acabar”, afirma. Já a educadora de infância Madalena Machado, 41 anos, aproveita as feiras para limpar os roupeiros. “Tinha as roupas das minhas filhas paradas em casa e resolvi dar-lhes um novo propósito, ajudando tanto outras famílias como a mim mesma”, explica.

13 junho 2013

Num cenário cada vez mais complicado para a educação devido aos cortes orçamentais do Governo, o atual diretor refere que os objetivos do mandato assentam na consolidação da oferta formativa, na captação de alunos e no reforço de bons recursos humanos e materiais. A “ambição de fazer bem” é descrita pelo diretor como «uma forma de manter a escola na mesma rota que vem seguindo de há um tempo para cá». Rui Matos refere ainda querer manter a boa relação entre docentes, alunos e público externo que tem sido uma das “regras de ouro” da escola. Nesta lógica, avança que estão planeadas ações inovadoras para a praxe. Luís Barbeiro, ex-diretor da escola, que no início do seu mandato, em 2009, apresentou um pla-

no de ação que tinha como lema “Por um projeto participado – para a Qualidade!”, elege a resposta a desafios como “a avaliação e acreditação dos cursos”, “a entrada em funcionamento dos cursos de mestrado” e a “melhoria das condições pedagógicas e de trabalho na Escola” como algumas das conquistas do mandato anterior. Em anos que foram “muito difíceis do ponto de vista orçamental”, o anterior diretor, referiu ter-se conseguido a operacionalização do edifício de apoio pedagógico, climatização dos espaços, concretização do funcionamento do sistema de segurança e aquisição de recursos específicos para algumas formações. “Procurámos fazer uma gestão muito equilibrada, em que houvesse dinheiro para continuar a investir na aquisição de equipamentos e de livros”, sublinha. Luís Barbeiro mostra-se confiante com a nova direção e espera que «enquanto equipa, continuem o prosseguir o rumo da qualidade que só se alcança com o contributo de todos». k

a pagar direitos de autor”, salientou o docente, considerando que esse é um “caminho” que está lentamente a ser feito. Os novos programas legais funcionam em computadores, telemóveis e tablets, com ou sem acesso à Internet, através de uma subscrição mensal que pode ir dos 3,49 aos 6,99 euros. “As novas mensalidades tornam difícil que haja um argumento financeiro” para que os utilizadores não comprem músicas, disse o docente. Por isso, o negócio da música por subscrição está a crescer. A prová-lo está o cada vez maior número de serviços disponíveis. Desde o Spotify, disponível em Portugal desde fevereiro, ao Google All Access, disponível apenas nos Estados Unidos, ou o Rdio, um dos serviços há mais tempo no nosso país. Embora seja “fácil” do ponto de vista informático descarregar música de modo gratuito, até porque “o ficheiro de música é copiado da mesma forma que uma imagem”, Patrício Domingues reconhece que estes procedimentos acabam por ser

imorais. Sacar música de forma gratuita significa que os direitos de autor dos artistas não são pagos e, por isso, as autoridades têm procurado fechar uma série de sites de download ilegal. Ainda assim, “o problema de fundo ainda está por resolver”, diz Nuno Pereira, presidente da Associação do Comércio Audiovisual de Obras Culturais e de Entretenimento de Portugal (ACAPOR), a estrutura que representa os videoclubes. “É preciso uma alteração legislativa que reformule por completo” a lei sobre a área, uma proposta que “estava no programa do Governo, mas que não foi cumprida”, acrescenta Nuno Pereira. “Não existe uma iniciativa do Estado para combater os sites de partilha de conteúdos ilegais”, disse. Sites como o Ne-miguelito, Pdclinks ou LegendaTuga encerraram graças a queixas da ACAPOR. Este último encerrou depois de as autoridades terem ameaçado com uma ação judicial que poderia levar a uma indemnização de 30 mil euros. k

Texto: Daniela Peralta


testemunhos

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KAPA

Crise económica condiciona novo ano letivo

Carolina Pais Matias David Fialho

Mariana Martins Daniel Santos

Texto Ana Neves

À beira do fim do ano letivo, há quem já esteja a fazer contas para o próximo. A crise económica, os cortes do Estado no ensino e os custos do setor obrigam a olhar para as despesas com outros olhos. Estudantes e representante dos pais defendem apoio às famílias, mas economista assegura que a situação não vai melhorar, pelo menos a curto prazo. “Um dos meus grandes, e principais receios, é chegar ao ponto de não ter condições económicas para terminar a minha licenciatura”, começou por dizer Carolina Pais Matias, de 19 anos, retratando um dos medos dos estudantes para o próximo ano letivo. A aluna de 1º ano de Solicitadoria, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), promete que, para poupar, vai “evitar as saídas à noite e os jantares” e “tudo aquilo que seja supérfluo”. Daniel Santos, 22 anos, de Engenharia Eletrotécnica, admitiu que vai cortar “na parte do lazer e tudo o que isso inclui”, à semelhança de David Fialho, 25 anos, que, para acabar o curso de Comunicação Social e Educação Multimédia, promete dispensar “coisas em que normalmente se gasta dinheiro, [como] gadgets, viagens e festivais”. A “conjuntura atual altera o meu comportamento e o de grande parte da população”, disse Mariana Martins, a frequentar Solicitadoria, alegando que já começou a poupar há algum tempo. Crise social generalizada

“A situação dos alunos e das famílias é preocupante”, avisa José Ramos Pires Manso, catedrático de Gestão e Economia da Universidade da Beira Interior (UBI). No próximo ano, algumas “famílias, com o acréscimo do desemprego, vão deixar de poder pagar as propinas dos alunos e de poder comprar os livros necessários”, afirma. Para tentar contrariar a situação, muitos estudantes tentam obter bolsas de estudo, mas o Estado tem condicionado cada vez mais o acesso a apoios sociais. E a crise das contas públicas tem levado os políticos a retirar verbas nos apoios aos alunos e às famílias. O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, uma estrutura que reúne pais e encarregados de educação, considerou que estes

apoios são cada vez mais reduzidos e a sua atribuição nem sempre é a mais justa. “Mais do que cortar as bolsas, elas deviam ser investidas em quem precisa”, defendeu Jorge Ascensão. O presidente da Confap afirmou ter conhecimento de “situações de jovens que têm carro e estão com acesso a bolsa” enquanto outros “se veem aflitos, andam de transportes públicos, e não têm direito a bolsa”. Para o dirigente, também “é a isto que é preciso olhar”. No IPL, a tendência também tem sido para uma diminuição no número de bolseiros. Segundo o representante dos estudantes no Conselho Académico e no Conselho Geral, Joel André Rodrigues, em 2009/2010 existiam 3.359 bolseiros, um número que reduziu para 2.354 este ano que agora termina. Uma situação cada vez mais preocupante, porque muitos dos alunos só conseguem “reunir as condições para estudar” com o apoio de uma bolsa de estudo. No entanto, “com a atual legislação muitos estudantes veem os seus pedidos indeferidos devido a dívidas contributivas e tributárias do agregado familiar ou pela não-realização de 60% dos ECTs [créditos] a que o estudante se inscreve”, uma situação que é “injusta e impossibilita muitos jovens de frequentar o ensino superior”, defende Joel Rodrigues. Para o representante dos alunos, a redução das bolsas pode “colocar os estudantes numa situação de precariedade e, até mesmo, levar ao abandono escolar”. Para tentar inverter a situação, foi criado no IPL, em 2010, o Fundo de Apoio Social ao Estudante (FASE) que, juntamente com o “plano de pagamento [faseado] das propinas”, constitui “uma ferramenta que se pode utilizar para depois pagar as propinas e para combater as dificuldades financeiras” atuais, acrescenta o representante dos alunos. Abandono escolar é cada vez maior

A situação grave de muitas famílias está a levar muitos alunos a desistirem do ensino superior, um pouco por todo o país. Pires Manso disse ter “conhecimento pessoal de alunos que tiveram que desistir já o ano passado”. E os “reitores têm dito que tem havido um grande número de desistências de jovens, havendo um risco de isso se vir a agravar”, alertou Jorge Ascensão, da Confap, que se mostrou crítico das políticas para o setor. “Isso é um erro estratégico deste país porque, nessa camada de jovens que vai desistir, existe gente com muita capacidade e que seriam adultos muito competentes para fazer com que o país desse o passo que precisa para sair da crise em que está”, acrescentou.

A situação, no IPL, é avaliada através de três indicadores: o número de estudantes em incumprimento com o pagamento de propinas, o número de estudantes que pediram planos de pagamentos de propinas específicos e o número de estudantes que solicitam apoios diretamente junto dos nossos serviços, nomeadamente através do programa FASE. “Infelizmente, em todos eles verificou-se um aumento [neste ano letivo], relativamente aos anos anteriores”, lamentou Nuno Mangas, presidente da Instituição. Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria (ESTG), “o abandono escolar tem aumentado, especialmente junto dos cursos em Regime Pós-Laboral o que indica que, com a precaridade dos mercados de trabalho, a aposta na formação por parte dos trabalhadores deixou de ser prioridade”, reconheceu Rui Constantino, presidente da Associação de Estudantes (AE ESTG). Menos alunos, menos cursos Com o aumento do abandono escolar e no seguimento da reestruturação que está a ser feita no ensino superior por parte do Governo, prevê-se no IPL “o encerramento de um curso de licenciatura, ministrado em regime de ensino a distância”, afirmou o presidente do IPL, Nuno Mangas, através de um comunicado divulgado recentemente à comunidade académica.

Em declarações ao Akadémicos, o presidente da instituição adiantou que esta é apenas uma possibilidade porque “a única coisa que se conhece é um projeto de despacho e não o despacho de fixação de vagas”. O impacto deste possível encerramento será, de acordo com Nuno Mangas, “muito mais gravoso junto das pessoas que trabalham e pretendem aumentar a sua qualificação, do que para o Instituto”. Contudo, a “racionalização na formação e na oferta” no ensino superior do país é defendida pelo presidente da Confap. Para Jorge Ascensão, “há cursos que neste tempo não se justificam, não só pela baixa empregabilidade, como pela necessidade científica duvidosa”. “Mais do que formar para uma profissão, deve-se formar para que se capacite os jovens a enfrentarem o seu futuro”, sublinhou Jorge Ascensão. Desemprego jovem acima dos 42%

À crise atual soma-se a sensação de frustração dos estudantes, que temem o futuro e o provável desemprego. De acordo com dados divulgados no final de maio pelo Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal alcançou um novo máximo de 17,8%, em abril, com o desemprego jovem a subir também para um nível recorde de 42,5%.


5 No próximo ano letivo espero

Onde vou poupar

Os meus medos

Os meus sonhos

“Melhorar o meu aproveitamento escolar”

“Evitar as saídas à noite, os jantares, evitar tudo aquilo que seja supérfluo”

“Chegar ao ponto de não ter condições económicas para terminar a minha licenciatura”

“Pretendo fazer um mestrado e conseguir emprego, na minha área profissional”

“Não conseguir terminar tudo a tempo e ficar sem trabalho”

“Lançar-me para o mercado de trabalho dentro da área”

“Terminar o curso sem cadeiras para trás e lançar-me para o mercado de trabalho o mais depressa possível”

“Principalmente em coisas que normalmente gasto dinheiro para lazer, gadgets, viagens, festivais, etc.”

“Continuar com o mesmo desempenho e objetivos que tenho tido até agora”

“Nas saídas, nas refeições fora de casa, na roupa”

“Acabar o curso, procurar (e encontrar) um trabalho na minha área”

“Na parte do lazer, e tudo o que isso inclui”

13 junho 2013

KO Konsumo obrigatório texto

Ana Golegã Tânia Casal Sara Moniz texto

“Isso significa que quase 1 em cada 2 não vai conseguir emprego nos próximos tempos”, esclareceu o economista Pires Manso. “Se isto se arrastar muito, é quase uma geração perdida”, vaticinou. Para tentar contrariar a situação, o economista sugeriu “isenções às empresas, [como] a única forma de dar volta a situação e criar estímulos para quem investe”. Ainda assim, o presidente da Confap, Jorge Ascensão, insistiu que “o desemprego afeta quem tem e quem não tem curso”. A emigração parece ser uma das saídas para a atual crise portuguesa. David Fialho quer encontrar trabalho “dentro da área ou, se possível, fora do país”, o que seria uma forma de “conseguir alguma independência financeira”. Todavia, “algumas economias como a da Alemanha, Holanda ou dos países nórdicos, que ainda tinham taxas de crescimento positivas, estão a crescer 0% ou um valor muito próximo disso. Se elas estão nessa situação, a capacidade de absorção dos nossos jovens também não é famosa”, relembrou o economista José Ramos Pires Manso. Enveredar por áreas diferentes das quais obtiveram formação também começa a ser bem

TrÊs perguntas a

Nuno Mangas presidente do ipl O que é o Fundo Social de Apoio ao Estudante (FASE)? Na prática trata-se de uma bolsa de colaboração voluntária em que os estudantes prestam apoio em setores diversificados da instituição, nomeadamente cantinas, bares, reprografia, serviços administrativos, laboratórios, assessoria a estudos e investigação, entre outros. São atividades limitadas no tempo, de natureza muito bem defi-

“Não tenho receios neste campo, sei para o que vim”

“Quero dar por finalizado o curso nos próximos dois anos”

“Não arranjar trabalho”

“Encontrar trabalho na minha área”

aceite pelos estudantes. “Ainda temos muito a ideia de que se uma pessoa faz um curso de engenharia, tem que ser engenheiro. Felizmente, hoje em dia, um engenheiro já percebeu que ser engenheiro é alguém que trabalha”, salientou Jorge Ascensão. “Nem sei até que ponto irei exercer esta área”, lamentou Mariana Martins, a frequentar Solicitadoria. No futuro, “poderão existir novos projetos, a vida está sempre a surpreender-nos”. “Para ser sincera não sei bem o que pensar, mas quero acreditar que daqui a uns dois ou três anos as coisas comecem a normalizar”, indicou Carolina Pais Matias, acrescentando que se sente “um pouco insegura”. Apesar dos receios, “quando terminar o curso pretendo fazer um mestrado e conseguir emprego, na minha área profissional”, afirmou Carolina Pais Matias, que partilha com Daniel Santos o desejo de “encontrar um trabalho na área”. David Fialho também quer ser otimista: “Não sei como as coisas vão correr e onde vou estar num prazo de 5 anos, mas tenho objetivos e vou lutar por eles com motivação”. k

nida e programados de forma a poderem ser desenvolvidos sem que exista qualquer prejuízo do sucesso académico dos estudantes - que também é monitorizado no âmbito do programa. O objetivo é simples: permitir que o estudante continue a ter possibilidades de frequentar os seus estudos sem abandonar a instituição. Quantos estudantes são ajudados por este fundo? Em 2010 foram apoiados 102 estudantes, em 2011, 93 e em 2012, 161. Aquilo para que eu chamaria a atenção, na sequência do que disse anteriormente, é para o aumento que se verificou de 2011 para 2012, que não pode deixar

de ser significativo quando se avaliam as carências dos nossos estudantes. Que conselho deixa aos alunos, que estão inseguros relativamente ao futuro? Que em circunstância alguma deixem de vir falar connosco. Sem receios. Só encarando as nossas dificuldades é que seremos capazes de as superar, e o IPL tem diversas estruturas preparadas para receber os estudantes, perceber as suas dificuldades e ajudar a encontrar as melhores soluções, dentro e fora da instituição. Mas principalmente, sem nunca abandonar os estudos que é, em nosso entender, o mais importante.

Daniela Carmo

Yogurice Iogurte numa textura diferente A novidade chegou a Leiria, apresentando um conceito diferente ao público. Yogurice, marca de franchising espanhola, inaugurou a 12 de fevereiro, no mercado Sant’Ana, a segunda loja em Portugal, estando a primeira situada no Seixal. Luís Caçador, gerente da loja, explica que a marca aposta num iogurte natural gelado composto de leite magro sem glúten, ideal para grávidas, diabéticos, crianças e um público que siga um estilo de vida saudável. O cliente pode ser criativo na escolha do seu produto pois a loja oferece uma variedade de opções à base do iogurte a que podem ser acrescentados diversos ingredientes. Os complementos são divididos entre secos, chocolates quentes, frutas da época, doces de compota e caldas, adaptando-se ao gosto de cada um. A loja oferece ainda waffles, granizados, batidos, crepes e taças, sendo os dois últimos os mais vendidos. A decoração do espaço distingue-se pelas cores vivas e ambiente acolhedor. Ana Ruíz, representante da marca espanhola, marcou presença na inauguração mostrando o seu agrado pela alegria e vivacidade da loja, refere Luís Caçador. Os clientes são maioritariamente jovens e de média idade. “O feedback tem sido bastante positivo, muitos vêm relutantes pois não gostam de iogurte, mas acabam por adorar por se tratar de um conceito diferente. “Já temos muitos repetentes que voltam assiduamente”, afirma o gerente. A loja dispõe do serviço de takeaway, dando oportunidade ao cliente de consumir o produto em casa. Na época do verão, o espaço apostará na criação de uma esplanada ao ar livre. Luís Caçador refere que o objetivo principal da Yogurice é expandir a marca a nível nacional. O responsável pelo espaço explica ainda que “a ideia essencial é apostar nos jovens”, sendo este o espírito da loja e dos funcionários, alguns recrutados no centro de emprego ou a complementar o trabalho com o mestrado. “É difícil, sim. É um risco, sim. Mas não podemos ficar em casa. Se não fizermos nada, nunca saberemos o que nos reserva o futuro” sublinha Luís Caçador. A Yogurice está aberta de segunda a quinta, das 11h às 20h, de sexta a sábado das 11h às 23h e domingo das 13h às 19h, podendo o horário variar consoante a estação do ano. A loja tem página online no Facebook para informações adicionais e fotografias do espaço e produto. Para Luis Caçador, a melhor palavra para descrever Yogurice é “inovação”. k


6 Texto Francisco Grosso, Joana Batalha e Mariana Lopes

SENTADO NO MOCHO

Luís Bilro “A União de Leiria não conseguiu acompanhar o desenvolvimento da cidade” Formado no Sporting, Luís Bilro fez carreira na União Desportiva de Leiria (UDL), entre 1993 e 2004, tendo chegado a capitão de equipa. Depois, dedicou-se ao futebol de praia e atualmente treina a seleção nacional. Na última época, abraçou o cargo de treinador de futebol de 11 no regresso do União de Leiria, enquanto clube e não enquanto Sociedade Anónima Desportiva (SAD), aos distritais. Após uma época imaculada do ponto de vista de resultados, aos 42 anos, Bilro levou a União Desportiva de Leiria à subida de escalão, preparando assim, a curto-prazo, o regresso ao futebol nacional.

É natural de Borba, mas há vários anos que reside em Leiria. O que é que o fez ficar? Os muitos anos de ligação ao clube e a forma como sempre fui bem recebido. Pela amabilidade das pessoas, por me sentir acarinhado e também pelo desenvolvimento da cidade. Senti que me identificava com a simplicidade da cidade e também com o facto de me oferecer quase tudo aquilo que eu já vou tendo nas grandes cidades. Foi um dos jogadores mais utilizados de sempre da União de Leiria, tendo chegado a capitão da equipa. Sente-se orgulhoso da sua carreira? Sinto que consegui atingir grande parte das metas que defini. Quando somos mais jovens definimos objetivos, criamos sonhos, ambições que por vezes não são tão atingíveis quanto idealizávamos. Mas consegui ter sucesso em grande parte deles. Sinto-me honrado e privilegiado por os ter conseguido atingir, porque trabalhei arduamente, porque me dediquei muito. E hoje, sinto-me realizado porque sou reconhecido. Não vivo em função disso, orgulho-me apenas do meu percurso, que me deixa feliz comigo mesmo. Mas quero que o presente e o futuro possam ter o mesmo grau de sucesso que o passado já me conseguiu dar. Lamenta nunca ter chegado à seleção nacional? Lamento. Cheguei a ser referenciado e a estar dentro dos selecionáveis para o Torneio de Toulon. Mas não se concretizou, apenas isso. Quem representou a seleção na posição onde eu jogava também o fez de uma forma gratificante para o país. A oportunidade não surgiu. Não sinto que tenha defraudado as expetativas de ninguém. Acho que acabei por conseguir atingir um patamar elevado que não me proporcionou, se calhar, esse topo da carreira que era ter jogado pela seleção nacional. Foi treinado pelo José Mourinho. Já na altura se notava que ele era o special one? Já. A forma como nós comunicamos, como expomos as nossas ideias, como damos a conhecer aquilo que pretendemos que seja a definição das nossas

ações, são tudo pormenores que nos dão mais valor. Diferenciava-se logo por isso. Sempre que entrávamos para um jogo tínhamos a noção exata dos movimentos do adversário. Estava esquematizado e era tão pormenorizado que os jogadores mantinham o foco desde o início ao fim da palestra. Foi o seu treinador preferido? É o treinador que mais me influenciou. Não porque fique bem. Se ele hoje está na posição em que está e é um treinador de referência, a mim engrandece-me pelo facto de ter aprendido com ele pormenores significativos para o desenvolvimento da minha carreira. No fundo, eu não procuro ser nem o José Mourinho, nem quero ser melhor ou pior do que ninguém. Eu procuro ser eu, conseguir atingir o topo da minha carreira dentro dos meus objetivos, mas sempre com uma identidade própria, percebendo que há conceitos que posso aplicar de acordo com a minha personalidade em função daquilo que são as minhas características. Mas existem outros treinadores que também têm grande preponderância e influência na minha carreira. Manuel José teve uma influência muito grande. Vítor Manuel, Eurico Gomes, Quinito ou Manuel Cajuda. Tudo treinadores com prestígio e, portanto, treinadores que também me transmitiram uma série de princípios que são fundamentais. Também foi treinado por Bobby Robson... É muito diferente? Para já as questões culturais. Um treinador inglês é um treinador muito mais assertivo. É mais um nível de aprendizagem. Pelo facto de sermos muito assíduos, muito cumpridores das regras, somos pessoas que têm de estar devidamente identificadas com o que são as ações fundamentais de um treino e de um jogo. Eu senti isso na altura em que era treinado no Sporting pelo Bobby Robson. Percebi que ali, a componente do erro tinha de ser minimizada. Foi mais uma situação que me fez crescer e perceber que hoje me sinto muito mais rigoroso comigo mesmo e também com os atletas que estou a liderar.


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Depois do futebol de 11, passou para o futebol de praia. Quais são as principais diferenças das duas modalidades? O espaço, o local de jogo, a irregularidade do terreno, o tempo, a temperatura, a hora… Existem uma série de questões, onde a dinâmica e intensidade de jogo são diferentes. Tem mais espetacularidade, pois podemos competir em jogo aéreo. A irregularidade torna as ações imprevisíveis. Este desporto está muito ligado ao verão, logo aqui se cria uma aliciante. Esta modalidade tende a crescer muito e vai tornar-se num desporto de referência. Quando sentiu que estava preparado para ser treinador de futebol? Comecei por ser, no Sporting, treinador da equipa de futebol de praia. Foi bom, conseguimos ser vice campeões do mundo no primeiro campeonato internacional organizado pela FIFA. Depois foi-me colocado este desafio de ser técnico do UDL e, simultaneamente, surgiu também o convite para ser treinador da seleção nacional de futebol de praia. A direção queria um treinador com a mística de Leiria e acharam que a aposta em mim fazia sentido. Consegui atingir os objetivos que as pessoas me colocaram. Agora, nesta nova etapa, não consigo perspetivar outro destino senão o sucesso. Aquilo que eu quero é chegar ao final e sentir que dei tudo. Ter sido futebolista é uma vantagem na análise de jogo que faz agora como técnico? Ajuda na questão prática, a experiência adquirida. O que nos suporta também são os objetos teóricos. Quando iniciei a minha atividade como técnico do Leiria desloquei-me aqui ao IPL para me indicarem um aluno de Desporto e Bem-Estar, que imediatamente entrou para a minha equipa técnica. É um aluno que, ao estar a terminar o seu curso, já está a trabalhar e me ajuda muito em algumas matérias, que só um indivíduo com formação superior domina. Tem alguma superstição antes de entrar num jogo? Já tive. Havia uma ocasião em que tinha de entrar sempre com o pé direito e depois benzia-me. E era assustador. Se, por acaso, eu me esquecia, pensava “como vai ser na primeira vez que me chega a bola? E se faço um passe errado? E depois vai tudo por aqui abaixo”. Perdemo-nos completamente porque essa instabilidade emocional afeta-nos. Perdemos o controlo da bola, o controlo sobre nós mesmos e deixamo-nos dominar por isso. Hoje, não entro com o pé esquerdo nem direito, não me benzo. Acredito nos meus ideais, acredito no amor (risos), isso é que me dá aquela vontade de estar sempre disponível para conseguir encarar todos os desafios. Mas já não há superstições, nem roupas especiais. É o que tiver de ser. Em Leiria, esta separação do clube com a SAD provocou um regresso dos adeptos à equipa? Os adeptos devem ser valorizados, o clube é pertença deles. O UDL não pode ser de uma pessoa, ou de uma família. Na minha opinião, os adeptos não se reviam naquilo que era a gestão deste clube e aos poucos foram-se afastando. Deixaram de acreditar numa instituição que lhes dizia muito. Uma equipa como a nossa, que disputa a distrital, mobiliza cerca de 400 pessoas em cada jogo. Percebe-se que as pessoas têm um sentimento de posse para com este clube. Congratulo-me de fazer parte deste renascimento, mas deixa-me satisfeito perceber que o clube foi devolvido a quem de direito. Nós temos que saber acarinhar quem nos apoia: a massa adepta. A U.D. Leiria SAD enfrenta problemas de ordem financeira, qual é o futuro que lhe prevê? Por aquilo que é do conhecimento público, não muito agradável. Não me parece que a SAD tenha continuidade, com todos estes problemas.

Sente-se um traidor de João Bartolomeu e da SAD? O meu sentimento é de respeito. O ex-presidente do Leiria fez coisas de muita qualidade pelo clube e fez outras com que não concordo. O processo natural da minha atividade desportiva, enquanto jogador, teve situações desagradáveis. Eu não me considero rancoroso, fez-me perceber que há coisas, no futebol e na vida, que gostávamos que não nos acontecessem. Esta minha presença no clube surge porque fui convidado, nunca recebi nenhum para ser treinador da SAD. Nunca houve qualquer proximidade entre a SAD e o ex-atleta Luís Bilro. Eu não entrei neste projeto para demonstrar nada a ninguém, nem para me poder autoafirmar. Eu sinto que tenho comigo, modéstia à parte, a mística do que é pertencer a este clube. Não sinto que tenha traído ninguém, até porque a melhor fase da minha carreira é antes de surgir o problema em questão. Sempre dei o melhor de mim e todo o processo em que me vi envolvido é surreal. Eu não posso ser olhado como um traidor porque, neste percurso todo, ninguém da SAD me colocou o convite para integrar uma equipa técnica. Foi um símbolo do União de Leiria. Concorda que há uma falta de implantação do clube na região, junto dos adeptos? Concordo, porque o Leiria tem uma academia que está na área suburbana da cidade e não tem a visibilidade que deveria ter. Eu acho que o que faltou foi obra. Ou seja, o clube em si é muito recente, estamos a falar de um clube constituído em 1966, que não tem uma sede própria. Não tem um local de referência dentro da cidade onde todos os leirienses possam levar os seus filhos para a academia para, por exemplo, treinarem. Eu acho que estes são pormenores que deveriam ter sido pensados e que não foram. Se se chegasse ao ponto de o estádio ser demolido, o UDL não teria onde jogar, ou eventualmente jogaria na academia [em Santa Eufêmia], que tem capacidade para estes campeonatos distritais. Acho que o Leiria não conseguiu acompanhar o crescimento e desenvolvimento da cidade. A cidade conseguiu expandir-se, tem um número maior de habitantes, que se sentem bem a viver aqui, mas não têm um clube que as consiga representar com aquela alma, aquela mística, como as pessoas vivem e sentem os clubes. As assistências no futebol português são baixas. O que podem os agentes desportivos fazer para inverter essa tendência? Essencialmente, acho que o valor do bilhete é um pouco elevado. O valor que os atletas hoje recebem não é compatível com aquilo que são as condições dos clubes e é preciso reequilibrar tudo isto. Nós podemos oferecer espetáculos de qualidade e trabalharmos com qualidade, sendo proporcionais em todas as dimensões. Não podemos criar um regime de exceção só porque é uma profissão de desgaste rápido. O atleta ganha um contrato muito elevado para depois ter uma vida tranquila e geri-la? Não, as coisas não podem ser olhadas desta forma. As pessoas estão a ver um jogo hora e meia e, se calhar, saem de lá mais aborrecidas porque aquilo acaba por não lhes dar prazer nenhum. Hoje temos 400 pessoas a irem ver os jogos do Leiria, mas elas vão pelo prazer de estarem a conviver umas com as outras. O ambiente é tão saudável que não é só pelo jogo em si, é por tudo aquilo que a própria atmosfera, antes do jogo e no próprio jogo, lhes pode proporcionar e oferecer.

Sente que o Leiria tem condições para disputar a subida já na próxima época? Sim. E aqui a estabilidade financeira foi importante. Os compromissos que assumimos foram honrados até ao final e logo aí ganhámos credibilidade. Hoje temos uma série de atletas que querem representar o Leiria.

KULTOS Joana Ribeiro

Os Amantes Passageiros

A vida em comédia

Los Amantes Pasajeros é o filme de Pedro Almodôvar que marca o seu regresso à comédia. Desde os anos 80 que Pedro Almodôvar não criava um filme do género. A película explora a história de um grupo de pessoas que fazem uma viagem para o México quando o avião em que seguem tem uma avaria técnica em pleno voo. Os passageiros apercebem-se e entram em desespero por pensarem estar perante as suas últimas horas de vida. No limite, começam a fazer confissões e a revelar os pecados que cometeram. Com a participação especial de Antonio Banderas e Penélope Cruz, esta comédia recorre a uma estupidez exasperante, que se pode ver logo na primeira cena com o diálogo entre estes dois atores. Quando se cumprimentam uma pessoa é atropelada. Outro momento hilariante é quando os assistentes de bordo cantam e fazem um show para os passageiros. Numa comédia plena de referências à atualidade, o filme apresenta uma série de personagens confrontadas com os seus próprios medos. Sem tecnologia por perto, os passageiros deste avião enfrentam o que pensam ser o seu fim, rodeados de desconhecidos e mostrando de que modo as pessoas vivem e como deveriam viver. Na banda sonora do filme, destacam-se o grande músico espanhol Alberto Inglesias, que já participou noutras películas de Almodôvar, como A Pele Onde Eu Vivo, Braços Partidos ou Voltar. Los Amantes Pasajeros estreou em Portugal a 18 de abril, depois de uma calorosa receção por parte do público espanhol. Nos primeiros três dias de exibição nos cinemas espanhóis mais de 240 mil espectadores assistiram ao filme. As críticas têm sido positivas. Trata-se de um filme divertido, cheio de cor, dança e onde as personagens e grandes interpretações do elenco captam a atenção desde o início. É de realçar Joserra (Javier Cámara), o assistente de bordo que não consegue mentir, Norma Boss (Cecilia Roth), dona de uma empresa de prostituição de luxo, e Bruna (Lola Dueñas), a virgem vidente. Um regresso de Almodôvar à comédia nonsense, a pedir muitas gargalhadas. k

O futebol nos campeonatos distritais é muito diferente das provas profissionais? Muito. É assim como ir a Marte e não estarmos preparados (risos). Há uma grande discrepância. O nível de aprendizagem para mim é muito bom e tornou-me uma pessoa diferente: hoje estou muito mais preparado para uma série de situações que não estava anteriormente. Que pensa quando vê os palcos do europeu de 2004 com tão pouca utilidade? Sinto uma tristeza profunda, e ainda maior pelo facto de eu treinar lá e depois passar e ver o estado em que estão as cadeiras, a degradação, a falta de limpeza que o estádio tem que é uma coisa assustadora. k

DR

Qual foi o seu maior falhanço? Há coisas que eu não voltava a repetir. Tive algumas ações menos próprias, também pela idade. Não tive a capacidade de me auto controlar e acabei por deixar que o meu lado menos bom me dominasse. Essas são as partes mais negativas. Mas gosto de olhar para elas e perceber que me arrependo e consigo transmitir hoje ao meu filho, e aos atletas que estão sob a minha liderança, que jamais gostaria que essas situações acontecessem. Lidei com elas de uma forma a perceber que elas não são aceitáveis, não devem existir.

13 junho 2013


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Caldas recebe tardes de Jazz

Férias Ativas na ESECS A partir de 17 de junho, a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais vai ter nove turnos com atividades desportivas e workshops para crianças dos 5 aos 12 anos. Cada turno corresponde a uma semana em que, das 8h30 às 19h00, as crianças vão poder fazer desporto e aprender um pouco de mandarim, matemática ou saber como se faz rádio, entre outras atividades planeadas. Mais informações e inscrições em http://sites.ipleiria.pt/ feriasativas/

2ª Edição: Academia de Verão da ESTG A partir de 12 de julho, os estudantes do 10º ao 12º ano vão ter a oportunidade de saber como é “estudar” no ensino superior na Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Os alunos podem escolher entre as várias atividades relacionadas com as áreas de estudo que a escola oferece como engenharias, economia e gestão. Plano de atividades e inscrições disponíveis em http://academiadeverao.estg. ipleiria.pt

ESAD Summer School Para os amantes de artes, este é um acontecimento a ter em conta: de julho a setembro irão decorrer vários cursos de verão na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, nas áreas de fotografia, pintura, teatro, azulejaria portuguesa, tipografia, entre muitos outros. Com uma duração aproximada de 30 horas semanais, as aulas serão lecionadas em inglês por profissionais da área. Refeições, alojamento e atividades noturnas estão incluídas no preço. Sabe mais em http://summerschool. esad.ipleiria.pt/ k

ração de cocktails”, tem como parceiros os chefs da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste. O Clubbing Jazz do CCC nasce na sequência da apresentação do Caldas Nice Jazz e procura ser uma afirmação dentro do universo musical do jazz. Dia 23 de junho estarão presentes Daniel Bernardes Trio / Cocktail: Cister Jazz, no dia 7 de Julho Melo/Santos 4tet & John Ellis / Cocktail: Big Band e a 4 de agosto, Ricardo Pinto Trio / Cocktail: Chops. Os encontros iniciam sempre às 17 horas. k

Nos dias 5 e 6 de julho realiza-se na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em Leiria, a “Conferência Internacional para Inclusão – Includit”. Neste encontro propõe-se estimular o diálogo de investigadores dos mais diversos domínios do saber com vista a uma abordagem multidisciplinar de temáticas tão diversas como a deficiência, questões de identidade, multiculturalidade, fatores de discriminação ou questões de saúde física e mental, entre outras. Informações disponíveis em: http://includit.ipleiria.pt

a fechar

Há danças no Mercado Todas as segundas-feiras, entre as 21 e as 23 horas, há aulas regulares de dança no Mercado Santana. A iniciativa decorre d e uma colaboração entre a Câmara Municipal de Leiria e o curso de Desporto e Bem-Estar da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais e tem como principal objetivo implementar em Leiria o culto das danças tradicionais modernizadas, oferecendo à população Leiriense a oportunidade de fazer exercício físico através da dança.

A participação é gratuita e as sessões estão abertas à participação de todos. São tidos em conta os momentos normais de uma aula de atividade física e a progressão de danças de roda para danças de pares mais elaboradas é feita gradualmente. As aulas são orientadas pela professora Marisa Barroso com a colaboração dos alunos do curso de Desporto e Bem-Estar e outros professores convidados. O decorre todas as semanas, até 22 de julho. k

Gala de Desporto distingue atletas do ano No passado dia 4 de Junho, celebrou-se, pelo oitavo ano consecutivo, o desporto no IPL, numa noite em que os Serviços de Acção Social distinguiram os melhores desportistas da instituição e todo o esforço e resultados alcançados durante o ano lectivo de 2012/2013. Durante a noite, foram entregues prémios como Atleta do Ano e Atletas Revelação e homenageadas as várias modalidades praticadas pelos atletas do IPL, entre elas, andebol, atletismo, futebol, taekwondo e karting. O prémio ‘treinador do ano’ foi entregue a Marco Afra (treinador de Andebol Feminino) e o prémio modalidade foi

Texto Adriana Meneses

também entregue ao Andebol Feminino. João Cardoso e Ana Margarida Tomaz, ambos atletas de Futsal, receberam a distinção ‘atletas do ano’. A sessão de entrega de Prémios SAS-IPLeiria 2013 contou com a presença de estudantes-atletas do Instituto, treinadores, coordenador técnico, bem como direções das escolas, presidentes das associações de estudantes, o presidente da FADU, entre outros convidados que, após o jantar, ouviram discursos de agradecimento e de apreço por todo o trabalho desenvolvido em prol do desporto no ensino superior. k

Andebol feminino vence Campeonato Nacional Universitário

Texto Adriana Meneses

Inclusão em debate na ESECS

Rita Gonçalves

A equipa de Andebol feminino do IPLeiria alcançou dia 16 de maio o primeiro lugar no Campeonato Nacional Universitário da modalidade. Numa jornada difícil, em que todas as equipas jogaram contra todas, o resultado ficou decidido apenas no último jogo, onde o IPLeiria venceu a Universidade do Porto por 2723. Nos restantes lugares do pódio ficaram as equipas do Instituto Politécnico de Porto e da Universidade do Porto, que conquistaram, respetivamente, o segundo e terceiro lugares. Ao sagrar-se Campeã Nacional Universitária, a equipa do IPLeiria conquista a representação de Portugal no Campeo-

nato Europeu Universitário, a decorrer de 23 a 30 junho, em Katowice, na Polónia. IPL vice-campeão em Futebol 11 Já a equipa de Futebol 11 conquistou o acesso às finais do Campeonato Nacional Universitário de Futebol 11, num jogo renhido contra a equipa de Coimbra (AAC) onde, através de grandes penalidades, a equipa do IPL conseguiu a vitória por 5-3. Na final contra a equipa da AAUM, os atletas deram o seu melhor, mas não o suficiente para ganhar, sendo derrotados por 2-0. Ainda assim, a equipa do IPL trouxe consigo um excelente 2º lugar e o título de vice-campeão. k

GoodReads Gostas de ler e partilhar com amigos o livro que andas a folhear? Então o GoodReads é o lugar que procuras. Neste catálogo social de livros encontras milhões Diogo Fernandes de obras que podes classificar, discutir e criticar. Podes mesmo assinalar qual o livro que tens na mesa-de-cabeceira. Esta nova rede social conta com mais de 16 milhões de utilizadores e uma biblioteca de 525 milhões de livros. Regista-te e partilha ‘boas leituras’.k

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DR

Patrícia Gonçalves Sara Silva

de um festival anual nas Caldas da Rainha. Segundo a organização do evento, a iniciativa procura “promover a audição e a fruição do Jazz, além de proporcionar um espaço específico de discussão para o desenvolvimento do meio cultural Caldense. Este projeto pretende, também, valorizar a cidade e a região como destino de um turismo cultural de qualidade”. Esta iniciativa, que pretende “aliar os níveis de criatividade extraordinários da música ao saber profissional no âmbito da elabo-

Stumble Upon Com um conceito peculiar e simples, o StumbleUpon permite-nos ‘tropeçar’ em sites dos mais variados temas. Para isso, basta revelar os nossos interesses (como música ou fotografia) e, através de um clique, viajamos por milhares de páginas. Um espaço que permite explorar os cantos mais interessantes da Internet.k

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Últimas

Iniciou no passado dia 17 de março a primeira edição do festival Caldas Drink Jazz 2013, realizado no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (CCC). O projeto, criado para a fruição e saber musical na área do Jazz, conta com a parceria da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste. O Clubbing Jazz do CCC é um evento mensal que tem por objetivo proporcionar várias abordagens do Jazz, com a finalidade de, a curto prazo, criar bases para o lançamento

Akademicos 61  
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