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Continuação dos papéis oficiais da Junta de Segurança e Administração Pública da Torre de Moncorvo. Coimbra, Imp. da Universidade, 1808. 4.º de 31 págs. RELAÇÃO DAS FESTAS EM BRAGANÇA NA ACLAMAÇÃO DE EL-REI D. PEDRO V – 1855. PROGRAMA – «O Presidente e mais Vereadores da Camara Municipal do concelho de Bragança, tendo em vista o Decreto de 29 de Agosto do presente anno, pelo qual foram declarados de Grande Gala os dias 16 [10] do corrente mez em que hade ter logar a grande festevidade da inauguração do Reinado do Senhor D. Pedro Quinto, com previo Juramento e Acclamação do Mesmo Augusto Senhor, em Sessão Real Extraordinaria das Cortes Geraes da Nação, e os dous immediatos; ordenando outrosim que em todos estes tres dias se festeje com o devido luzimento o acto solemnissimo de assumir El-Rei o Senhor D. Pedro Quinto o exercicio dos Poderes Reaes; – fazemos saber o seguinte: Que nos referidos tres dias 16, 17 e 18 deste mez de Setembro haverá na Capital deste concelho e Districto festas publicas e todas as demonstrações de jubilo por tão faustissimo acontecimento, como é proprio da lealdade dos Bragantinos para com os seus Monarchas, devendo os habitantes da Cidade illuminar as suas casas nas noites dos mesmos tres dias, e adornar as janellas das suas moradas os que habitão as ruas por onde tem de passar o prestito da Acclamação, na manhã do dia 16. E que os festejos serão distribuidos pela maneira seguinte: DIA 16 Sahirá de manhã dos Paços do Concelho o Prestito da Acclamação d’El-Rei o Senhor D. Pedro Quinto, em cuja occasião dará o Presidente da Camara os Vivas do costume; e seguirá pela ordem seguinte: 1.º – Um piquete de cavalaria. 2.º – O Estandarte da Camara, acompanhado pelos Juizes Eleitos. 3.º – Os Cidadãos, Clero e Nobreza em alas – as Authoridades – Corporações – Repartições publicas e Tribunaes, segundo o programma estabelecido. 4.º – Um anjo ricamente vestido, que levará sobre uma almofada de veludo carmezim a carta Constitucional aberta, e sobre ella a Corôa e Sceptro Real. 5.º – O Retrato del-Rei conduzido por duas pessoas da cidade, das constituidas em maior dignidade, e acompanhado por duas álas de Sargentos. 6.º – O Ex.mo Governador Civil. 7.º – A Camara Municipal. 8.º – A tropa da Guarnição. O Prestito desce n’esta ordem pela Costa Pequena e vem pela rua Direita á Praça da Sé. Segue-se a Parada Militar, fazendo-se a continencia ao Retrato de S. Magestade: depois é o mesmo Retrato recebido ás portas da MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Igreja debaixo do Palio, e assim conduzido até á Capela-mór, e colocado debaixo do Docel para esse fim levantado, colocando-se no degráo superior a almofada com as insignias Reaes. Tem então logar o Solemne Te Deum, que o Ill.mo Cabido manda cantar por musica com instrumental, e para cujo acto tem feito adornar a capella mór e a Tribuna com o maior esmero: – findo o que, se recolhe o Prestito pelo mesmo modo pela rua de Traz, rua da Alfandega, rua dos Prateiros á Villa. O Commercio distribue pelas 6 horas da manhã 500 rações de um arrátel de carne e 4 de pão trigo, aos pobres da cidade, que para esse fim tem de comparecer nas Eiras do Colegio, munidos da competente senha, em que irá declarado o numero das rações que cada chefe de família hade receber; e igualmente fará distribuir 100 camizas novas. De tarde sahirá o Baile dos artistas da cidade que executará as danças nos seguintes Iogares: No meio da rua de Santo António – na Praça da Sé junto a Fora de Portas – na rua Direita, abaixo da travessa do Arco – no meio da rua d’Alfandega – e na rua de Traz, em frente do Governo Civil (678). De noite se recitará no Theatro Elogio analogo á solemnidade do dia, aparecendo no fim o Retrato do Senhor D. Pedro V: concluido o Elogio que será desempenhado pela digna officialidade de Caçadores nº 3 e por outros cavalheiros da Cidade, terá logar então a representação do Drama “A Acclamação do Sr. D. João 4.º”, pela companhia Dramatica. Os empregados do Governo Civil e da Repartição de Fazenda illuminarão a fachada da Casa do Governo Civil em todo o seu comprimento com tijelinhas de duas luzes. – Arcos na Janella cobertos de buxo, igualmente illuminados – Uma grinalda de farões de cores de Janella a Janella em todo o comprimento da fachada. No centro do Edificio o Retrato de S. Magestade debaixo d’um docel e cortinas de damasco – com bandeiras Nacionaes dos lados do retrato, com um distico em baixo –. Algum fogo do ar, ao tempo de se acender a illuminação. DIA 17 Sahirá de manhã o Baile desempenhado pelas corporações dos Sargentos de Cavallaria nº 7 e Caçadores nº 3 que executará as danças nos logares em que vespera hade representar-se o Baile dos Artistas. O Ex.mo Governador Civil tenciona oferecer um jantar aos prezos da Cadeia Civil; e a respectiva Comissão de Soccorros uma camiza a cada um dos mesmos prezos; tudo ás 12 horas do dia. (678) Vê-se que o governo civil era então na rua de Trás.

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De tarde sahirá pela 2.ª vez o Baile dos Artistas que executará as danças nos seguintes logares: Fora de Portas no largo dos Ferradores – na rua direita proximo da Travessa das Eiras do Colegio – no Cimo da Costa pequena, no plano que ahi forma a rua dos Prateiros – na Praça da Sé, pouco acima da rua de Traz – e no meio da rua dos Oleiros. Para esse fim será uma torre construida em volta do cruzeiro na Praça da Sé, de figura octagona, tendo na base 8 grandes porticos que serão embelezados com pinturas transparentes para serem iluminadas. Na ordem superior uma galeria conservando a mesma figura, com um farol em cada angulo e um pouco mais recolhidos se levantarão outros 8 porticos de menor dimensão, que serão adornados com outros panos contendo o seguinte: No portico que fica em frente do Castello e antiga Casa de Bragança será colocado o Retrato d’El-Rey o Sr. D. Pedro 5.º Nos dous que lhe ficão mais proximos ler-se-hão os disticos – 16 de Setembro de 1855 – Real, Real, pelo Senhor D. Pedro 5.º Rey de Portugal. Os outros dous imediatos a estes ultimos mostrarão os seguintes versos de Camões: Tomai as redeas vós do Reino vosso, Dareis materia a nunca ouvido canto. Não vos hão-de faltar, gente famosa, Honra, valor, e fama gloriosa. No portico opposto ao do Retrato – as armas reaes – e nos dous que restão – os trofeus d’armas – e emblemas da industria e das sciencias e das bellas artes. O remate da torre será formado com uma cupula com varias decorações transparentes. DIA 18 De manha terá segunda vez logar o Baile das corporações dos Sargentos nos sitios designados ao dos Artistas no dia 17. De tarde terá logar um luzido festejo de cavalhada com figuras alegoricas, transportadas em carros ricamente adornados, no qual toma exclusivamente parte a benemerita officialidade de Cavallaria nº 7 e que será executado na rua de Fora de Portas (Largo dos Ferradores) – na Praça da Sé – rua Direita por baixo da travessa do Arco – na rua de Traz abaixo da Travessa do Arco – e no meio da rua dos Oleiros. De noite illuminação e fogo como no dia antecedente. O Presidente da Camara – Miguel Carlos de Novaes e Sá». Nota – Copiamos fielmente este «Programa» de uma folha avulsa inuMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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RÉS

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merada, impressa nas suas duas páginas, sem ano nem lugar de impressão, que nos mandou o doutor Manuel António Ferreira Deusdado, distinto escritor e professor do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, a quem aqui gostosamente significamos o nosso profundo reconhecimento pelos muitos elementos que nos forneceu para esta obra. RELAÇÃO DOS PATRIOTAS DE BRAGANÇA E DISTRITO que concorreram com donativos para as tropas na revolta contra os franceses em 1808 (679). RELAÇÃO DOS INDIVÍDUOS DO DISTRITO DE BRAGANÇA PRESOS POR LIBE(680) .

RAIS

RELAÇÃO DOS INDIVÍDUOS DE ARGOZELO MULTADOS POR LIBERAIS (681). RELAÇÃO DOS «TENENS» E ALCAIDES-MORES DE BRAGANÇA (682). RELAÇÃO DOS GOVERNADORES DE BRAGANÇA (683). RELAÇÃO DOS SANTOS ATRIBUÍDOS INFUNDADAMENTE A BRAGANÇA (684). RELAÇÃO DOS BISPOS DA DIOCESE DE MIRANDA E BRAGANÇA (685). R ELAÇÃO (686) .

DOS VIGÁRIOS CAPITULARES DA DIOCESE DE

M IRANDA

E

B RA -

GANÇA

RÉS (Joaquim Ferreira) – Intendente de Pecuária do Porto. Escreveu: Instruções sobre polícia sanitária, higiene e profilaxia. – Elaboradas para os efeitos e em harmonia com o artigo 15.º e seu § único do Regulamento Geral de Saúde Pecuária (decreto de 7-11-1889) destinadas a combater as enzootias de carbúnculo interno e externo, na freguesia de Montouto, do concelho de Vinhais. Bragança, Tip. Adriano Rodrigues, 1918. 8.º pequeno de 7 págs. (679) Ver tomo I, p. 131, destas Memórias. (680) Ibidem, p. 201. (681) Ibidem, p. 185. (682) Ibidem, p. 295. (683) Ibidem, p. 331. (684) Ibidem, p. 11 e 13. (685) Ibidem, tomo II, p. 3 e seguintes, e tomo IV, p. 645, onde se aponta largamente a sua biobibliografia, bem como a dos respectivos vigários capitulares e governadores do bispado com interessantes notas etnográficas. (686) Ibidem, tomo IV, p. 589.

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RIBEIRA

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RIBEIRO

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RIBEIRA (Nossa Senhora da) – Paçó de Outeiro, Quintanilha, Veigas – «Ao ultimo de Fevereiro de 1584 se determinou em cabido que o retavolo de Paço d’Outeiro se leve a Veigas. E o velho de Nossa Senhora da Ribeira a quintanilha» (687). RIBEIRO (Amâncio Rodolfo Pinheiro da Costa) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra; nasceu no Porto em 8 de Abril de 1840 e aí faleceu a 20 de Junho de 1907. Exerceu por algum tempo a advocacia naquela cidade, sendo depois sucessivamente nomeado administrador do concelho de Paredes, Santo Tirso, Póvoa de Varzim e comissário de polícia no Porto, cargo que desempenhou durante alguns anos, sendo afinal exonerado. Foi depois administrador dos concelhos de Ourém, Santarém e Sintra e seguidamente governador civil da Horta, sendo dali transferido para idêntico cargo no distrito de Bragança, por decreto de 30 de Janeiro de 1896, cargo de que tomou posse a 10 de Fevereiro seguinte. Passados alguns anos foi nomeado comissário régio junto da Companhia das Pedras Salgadas, onde permaneceu até à extinção destes cargos. RIBEIRO (António José) – Capitão de infantaria nº 24, que estava na praça de Almeida aquando do desastre em 1810 (688). RIBEIRO (Joaquim Pedro Vitorino) – Nasceu a 20 de Janeiro de 1882, na freguesia do Bonfim, da cidade do Porto. Filho de Joaquim Vitorino Ribeiro e D. Lucinda Lucrécia de Freitas Ribeiro. Estudou preparatórios no Liceu Central do Porto, frequentou a Academia Politécnica do Porto e o Instituto Industrial e Comercial da mesma cidade. Concluiu o curso de medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1910. Estudou radiologia em Paris no ano de 1913. Antigo médico de reserva, ofereceu-se para servir no Corpo Expedicionário Português à França, onde foi louvado em ordem de batalhão (infantaria nº 28). É chefe do serviço de radiologia da Faculdade de Medicina do Porto e conservador do Museu Municipal da mesma cidade. Escreveu: O portal românico de Ansiães (separata da Dionisos). Porto, 1925. 4.º de 11 págs. com uma fotogravura do portal. A abside de Castro de Avelãs (com cinco ilustrações). Porto, 1928, 8.º de 12 págs. Saiu primeiro no Portucale (1928, pág. 88). (687) Livro de Acórdãos e assentos antigos [do cabido de Miranda] 1547 a 1606, fl. 78, manuscrito existente no Museu Regional de Bragança. (688) Ver tomo I, p. 166, destas Memórias.

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RIBEIRO

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RIBEIRO FERREIRA

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RIBEIRO SEIXAS

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Pedro Vitorino é um amante da nossa terra e dela tem tratado em diversos escritos, devendo citar-se: «O Dólmen de Zedes» na Revista de Estudos Históricos, 1924, pág. 148, com uma ilustração. RIBEIRO FERREIRA (Tomás António) – É o notável escritor português conhecido literariamente por Tomás Ribeiro, autor de várias obras em prosa e verso. Doutor formado em direito pela Universidade de Coimbra, onde concluiu com distinção o curso em 1855; deputado da nação em várias legislaturas. Por quatro vezes foi chamado aos conselhos da coroa, gerindo as pastas da Marinha e Ultramar, Justiça, Reino, Obras Públicas, Comércio e Indústria; vogal do Tribunal de Contas, presidente da Junta do Crédito Público; sócio efectivo e antigo vice-presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio de várias corporações literárias e científicas nacionais e estrangeiras e nosso ministro plenipotenciário no Rio de Janeiro. Era natural de Parada de Gonta, concelho de Tondela, distrito de Viseu; nasceu a 1 de Julho de 1831 e faleceu a 6 de Fevereiro de 1901. Foi governador civil do distrito de Bragança, por decreto de 1 de Agosto de 1872, tomando posse do cargo no dia 17. Além de muitas obras que escreveu, resta relativamente ao distrito: Relatório apresentado à Junta Geral do Distrito de Bragança, na sessão ordinária de 1872 pelo Governador Civil do mesmo distrito....... seguido de Consulta e Relatório da Junta na mesma sessão. Coimbra, Imp. da Universidade, 1873. Fólio de 21 págs. e 61 (inumeradas) de documentos. Por proposta sua, a Junta Geral do Distrito de Bragança extinguiu em 1872 as rodas dos expostos e substituiu-as pela roda-hospício. RIBEIRO SEIXAS (D. Bernardo Pinto) – Doutor em cânones e direito civil, 26.º bispo de Miranda e 2.º de Bragança (689). Há deste autor no Museu Regional de Bragança as seguintes obras: Manuscrito encadernado, oito volumes, 8.º Tem no princípio, ao alto da página da maior parte dos capítulos a rubrica – Pinto Ribeiro Seixas; e na lombada o título – Pontos de Canon [es]. É paginada de frente e tem nas costaneiras de alguns volumes, por extenso, o nome do autor – Bernardo Pinto Ribeiro Seixas. Está escrita em latim – entremeada de grandes pedaços em português, 1.º vol. 157 fólios e mais alguns que faltam; 2.º, 191; 3.º, 139; 4.º, 159; 5.º, 134; 6.º, 124; 7.º, 256 (diverge dos outros na encadernação); 8.º, regula pelos anteriores, mas não está paginado. Boa letra, muito igual e miudinha. (689) Ver tomo II, p. 73 e 174, destas Memórias.

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RIBEIRO SEIXAS

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RIO

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ROBERTINE

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Outra também encadernada, manuscrita, em 8.º, com o nome do autor por inteiro, em algumas costaneiras e a rubrica – Pinto Ribeiro Seixas – no alto da página em alguns capítulos. Tem na lombada o título Pontos de leis. Consta de 13 volumes paginados de frente, apenas o 5.º, 153 fólios; o 6.º, 260 e o 7.º, 146. Os mais não estão paginados, mas regulam por 150 a 260 fólios cada um. Tanto uma como outra obra não têm por dentro título nenhum e apenas na lombada os que ficam indicados. Há ainda do mesmo autor um fólio manuscrito, encadernado, de 175 fólios, não paginados, que tem por título: Manifesto jurídico ou Observações teórico-práticas do melhor direito, que assiste pelas instituições da Sereníssima Casa do Infantado em qualquer conceito em ordem à sucessão da mesma, que se deferiu por morte do Sereníssimo Sr. Infante D. Francisco ao Sereníssimo Sr. Infante D. Pedro. A quem o Dr. Bernardo Pinto Ribeiro Seixas opositor às cadeiras de cânones na Universidade de Coimbra em sinal do mais reverente obséquio e em penhor da obediência mais leal O. D. e C. Tem por fora na lombada o título Casa do Infantado, e é interessante pelas notícias históricas que aponta referentes ao assunto. RIO (José António) – Escreveu : Versos das aparições de Nossa Senhora a Maria dos Ramos João no ano de 1910 na Póvoa. Bragança, Tip. Adriano Rodrigues, 1912. 8.º de 8 págs. Estes versos, em forma de quadras, têm por assunto a aparição de Nossa Senhora à dita Maria dos Ramos na Póvoa, concelho de Miranda do Douro. José António Rio é pseudónimo. ROBERTINE (Emílio Augusto Conde) – Natural de Urros, concelho de Moncorvo; nasceu a 20 de Maio de 1883; filho de José António Conde e Ana Joaquina Lopes Dinis. Frequentou em 1905 o terceiro ano de teologia no Seminário de Bragança, mas, por causa da sedição dos seminaristas da noite de 12 para 13 de Dezembro de 1904, foi, com mais vinte e três condiscípulos, expulso in perpetuum. Escreveu: Ais que morrem – Famalicão, 1903. 4.º de 37 págs. É um folheto de versos escritos em 1903 no Seminário de Bragança, a julgar pelas datas que acompanham o final dos assuntos. Saudades vivas (versos). Famalicão, 1904. 4.º de 92 págs. Na Torre de Moncorvo publicou A Cruz, poemeto em prosa; saiu no nº 167 e seguintes daquele periódico semanal. O destino – Romance original – debaixo do pseudónimo de «Ernesto Proença». Tip. da Torre de Moncorvo, 1905. 4.º de XI-450 págs. e talvez mais, porque o exemplar que vimos não estava completo. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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ROBERTINE

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ROBOREDO

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Uma vítima da desventura – Manuscrito de 286 págs. (e ainda continuava), in-8.º Mistérios de uma criança – Romance original. Manuscrito, 8.º de 461 págs.; isto só a primeira parte, pois ainda continuava. Em poder do autor é que vimos estes mesmos manuscritos; pelo que toca ao último, disse-nos que tencionava publicá-lo em A Estrela do Minho. Além disto, tem escrito e publicado diversas poesias em jornais, principalmente em A Evolução, periódico dos estudantes de Bragança. ROBOREDO (Amaro de) – O Sumário da Biblioteca Lusitana chama-lhe «de Rebordondo». Inocêncio F. da Silva ignorou se fora natural de Algoso ou de Viseu (690); porém, Brito Aranha, continuador da sua obra, diz que foi natural da vila de Algoso, concelho de Vimioso. A mesma opinião segue o Manual Bibliográfico. Era doutor e irmão de António de Roboredo, licenciado, prior de Algoso pelos anos de 1603. Foi um dos mais notáveis gramáticos portugueses, beneficiado da igreja de Nossa Senhora da Salvação, da vila de Arruda, distrito de Lisboa, e depois da Sé de Viseu. Ignoramos as particularidades da sua vida e morte; sabe-se apenas que vivia no primeiro quartel do século XVII. Escreveu: Declaração do símbolo para uso das curas, pelo il.mo sr. Cardeal Belarmino... traduzido da língua italiana. Lisboa, 1614. 8.º Outra edição em 1653, também em 8.º de V-60 folhas, numeradas só de frente. Doutrina Cristã – Lisboa, 1620. 8.º Socorro das Almas do Purgatório, para se saberem tirar com indulgências as almas nomeadas, e aplicar-lhe bem a satisfação das obras penais e pias. Lisboa, 1627. 12.º Ibidem, 1645. 24.º Estes três pequenos opúsculos, embora não vulgares, são de pouca consideração. Verdadeira gramática latina para se bem saber em breve tempo, escrita na língua portuguesa, com exemplos na latina. Lisboa, 1615. 8.º de IV-67 folhas numeradas só de frente. Raro. Método gramatical para todas as línguas. Consta de três partes: 1.ª, «Gramática exemplificada na portuguesa e latina»; 2.ª, «Cópia de palavras exemplificadas na latina»; 3.ª, «Frase exemplificada no latim», etc. Lisboa, 1619. 4.º de XXXII-241 págs. e mais 7 no fim sem numeração. Jerónimo Soares Barbosa, na sua Gramática Filosófica da língua portuguesa, 7.ª edição, Lisboa, 1881, faz, em diversas partes, a crítica desta obra do nosso (690) Mas no Suplemento à sua obra, diz que é natural de Algoso, como o próprio Roboredo diz no frontispício da Verdadeira gramática.

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ROBOREDO

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conterrâneo, notável para o tempo, porque ainda só aparecera a Gramática de Fernão de Oliveira e a de João de Barros, e nas outras nações não as havia. Gramática latina mais breve e fácil que as publicadas até agora, na qual precedem os exemplos às regras. Lisboa, 1625. 8.º de XXII-176 págs. Pouco vulgar. Regras da ortografia portuguesa. Ibidem. Uma folha raríssima. Foram reimpressas em 1738. Regras da ortografia da língua portuguesa, recompiladas por Amaro de Roboredo, expostas em forma de diálogo, novamente correctas: com a «Tabuada exactíssima» de André de Avelar, lente de matemática na Universidade de Coimbra; ampliada com algumas curiosidades pelo padre Bento da Vitória. Lisboa, 8.º de VIII-47 págs. Bento da Vitória era pseudónimo do padre Vitorino José da Costa. Barbosa diz que esta edição saíra em 1738. A obra não menciona o ano. Raízes da língua latina, mostradas em um Tratado e Dicionário, isto é, um Compêndio de Calepino, com a composição e derivação das palavras com a ortografia, quantidade e frase delas. Lisboa, 1621. 4.º de 443 págs. Porta de línguas ou modo muito acomodado para as entender – Publicado primeiro com a tradução espanhola, agora acrescentada à portuguesa, com números inter-lineares, pelos quais se possa entender sem mestre estas línguas. Lisboa, 1623. 4.º de XXIV-319 págs. O grande filólogo português José Vicente Gomes de Moura diz a propósito de Roboredo: «Este distincto grammatico mostra-se nas suas obras superior ás ideias do seu tempo: reconheceu a necessidade da reunião do ensino das linguas latina e materna em um mesmo compendio, e concebeu a ideia dos principios gerais da grammatica, e da grammatica comparada, bem como a necessidade de reformar o methodo porque então se ensinava a lingua latina» (691). Acordo engenhoso que conduz a estabelecer paz entre os Alvaristas, Sanchistas, e todos os gramáticos de bom juízo. Lisboa, 1752. Vimos anunciada esta obra com o nome de Amaro de Roboredo. Em 1625 traduziu ele do francês para latim a obra Janua linguarum (692). Recompilação da gramática portuguesa, e latina, pela qual com 1141 sentenças insertas na arte se podem entender ambas as línguas. Ao Senhor D. Duarte de Castelbranco Coutinho, primogénito do Sr. D. Francisco de Castel-

(691) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico; Portugal: Dicionário histórico…; CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal, tomo II, p. 295, e CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular. (692) DEUSDADO, M. Ferreira – Educadores Portugueses, p. 315.

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ROCHA

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branco, Conde de Sabugal, Meirinho-mor nestes Reinos, e Senhorios de Portugal. Lisboa, 1619. Fólio de 2 folhas inumeradas (693). ROCHA (Ernesto Maria Vieira da) – General de cavalaria, ministro da Guerra, já por três vezes, e das Colónias e director da arma de cavalaria; nasceu acidentalmente em Évora a 18 de Outubro de 1872, pois seus pais são naturais de Coelhoso e Bragança (694). ROCHA (Filipe Trajano da) – Capitão de fragata, com grande folha de serviços na campanha de Lourenço Marques (1894-95) contra o Gungunhana e na Grande Guerra. Nasceu acidentalmente em Castelo Branco a 24 de Maio de 1869, pois seus pais são naturais de Coelhoso e Bragança, e ele é irmão do general Ernesto Maria Vieira da Rocha atrás mencionado (695). ROCHA (Francisco Manuel da) – O Crime das Fontainhas, limite da freguesia de Parada (comarca de Bragança) – Breve informação que o irmão da vítima vem prestar perante o agente do Ministério Público nesta comarca e perante o tribunal da opinião pública. 1912, Tip. Teodoro, Bragança. 8.º de 18 págs. Este folheto é anónimo, mas sabe-se que foi escrito pelo padre Francisco Manuel da Rocha, natural de Coelhoso, concelho de Bragança, «irmão da victima». Ainda o crime das Fontainhas no limite de Parada, comarca de Bragança. 1912, mesma tip. Folha avulsa impressa só de frente e assinada pelo irmão da vítima, Francisco Manuel da Rocha, que nasceu em Coelhoso a 30 de Novembro de 1888, ordenou-se de padre e recebeu missa a 9 de Junho de 1912. É actualmente (Fevereiro de 1930) pároco de Pinela, concelho de Bragança (696). ROCHA (Jaime Augusto Vieira da) – Coronel de artilharia, comandante da base de operações no distrito da Zambézia, director da fábrica de pólvora de Barcarena, governador civil de Viana do Castelo em 6 de Junho de 1921, irmão do ministro da Guerra, Ernesto Maria Vieira da Rocha e do capitão de fragata Filipe Trajano Vieira da Rocha, ambos memorados nestas páginas; nasceu em Bragança a 15 de Julho de 1867; filho de António Manuel Martins da Rocha, tenente-coronel de cavalaria, natural de Coelhoso, e de D. Rita de Cássia Vieira (697). (693) FONSECA, Martinho da – Aditamentos ao Dic. Bibliográfico, 1927. (694) Ver tomo VI, p. 792, destas Memórias. (695) Ibidem. (696) Ver tomo VI, p. 790, destas Memórias. (697) Ibidem, p. 791.

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ROCHA

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Comandante da base de operações no distrito da Zambézia de 13 de Junho a 29 de Julho de 1897; comandante das forças no ataque de Inabala na guerra da Maganja da Costa desde 1 de Maio a 11 de Julho de 1898; governador interino de Moçambique em 1900; comandante militar de Baucau; governador interino do distrito de Timor e administrador interino e comandante militar da ilha do Fogo (698). No tomo VI, pág. 752, nº 47, destas Memórias, ao tratar do escudo de Coelhoso, dissemos que não se percebiam as armas do 1.º quartel; porém, pudemos verificar depois que eram as dos Rochas, talvez mal figuradas e agora mui apagadas e imperceptíveis. Conjugando o que nesse volume escrevemos a págs. 50, família Costas; 221 Coelhoso 407; 684 Pimentel (José António da Rocha Sarmento); 685 Rocha (Manuel da); 709 e 791 com o que dizemos nos artigos «José António da Rocha Sarmento Pimentel» e «Manuscritos», ao tratar do Tombo de S. Vicente, pode vir-se no conhecimento da família a quem pertencia a pedra de armas de Coelhoso. ROCHA (José António da) – Oficial de infantaria nº 24 que estava na praça de Almeida em 1810 quando ela foi pelos ares (699). ROCHA (José de Araújo Gomes da) – Doutor em cânones. Há dele uma tese de direito canónico dedicada a Nossas Senhoras dos Remédios, da Conceição e da Esperança, impressa em três planas, seda branca, servindo de véu de cálix. Conimbricæ Ex Novo Typographiæ Academico-Regia. Anno Domini 1761 com facultate Superiorum. Pertence à colecção do erudito abade de Carviçais, José Augusto Tavares, que diz ser o autor natural da Lousa, concelho de Moncorvo. ROCHA (Manuel da Costa) – Médico pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa; nasceu em Mirandela a 16 de Dezembro de 1868; filho do doutor António Nunes da Rocha, médico que foi em Mirandela, e de D. Cândida Raquel da Costa. Escreveu: A histerectomia vaginal no tratamento do cancro do útero – Dissertação. Lisboa, 1892. 8.º de 64 pág. ROCHA (Manuel José da) – Cirurgião do exército e depois chefe da repartição de Saúde Militar. Nasceu em Chacim em 1765 e faleceu em Portalegre a 11 de Abril de 1830. Escreveu: Instruções gerais sobre a aplicação do aparelho Gervásio à (698) Ver tomo VI, p. 791, destas Memórias. (699) Ibidem, tomo I, p. 166.

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manufactura dos vinhos – Precedida de uma análise dos fenómenos e produtos da fermentação vinhosa. Lisboa, 1823. 4.º de 32-8 págs. com uma estampa. RODRIGUES (Adriano José) – Capitão de infantaria. Nasceu na Lagoaça, concelho de Freixo de Espada à Cinta, a 26 de Fevereiro de 1890; filho de Manuel Joaquim Rodrigues, empregado de finanças, e de D. Josefina Amélia Rodrigues, ambos da Lagoaça. Fez os preparatórios no liceu de Bragança e do Porto. Tendo concluído o curso de infantaria em 1910, fez depois os cursos de estado-maior e engenharia de minas, o 1.º na Escola Militar e o 2.º na Faculdade Técnica, hoje denominada Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Escreveu: Apóstolos! 8.º de 342+1 (inumerada) págs. Porto, 1926. RODRIGUES (António Augusto) – Doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, professor de ciências eclesiásticas no Seminário de Bragança e também, por algum tempo, interino, no liceu da mesma cidade, vice-reitor do Seminário e governador do bispado por muitos anos. Nasceu em Bragança a 1 de Março de 1839; filho de Domingos Manuel Rodrigues e de D. Clara Maria Gonçalves. Faleceu em Coimbra a 7 de Janeiro de 1930, vindo o seu cadáver a sepultar-se a Bragança. Em 21 de Outubro de 1869 foi nomeado professor de ciências eclesiásticas no Seminário de Bragança, onde regeu diversas cadeiras até 16 de Abril de 1890, em que se despediu para ir tomar posse duma cadeira de cónego na Sé de Viseu, onde fora apresentado por decreto de 5 de Dezembro de 1889. Era tal a vastidão dos seus conhecimentos, que nós, que tivemos a dita de ser seu discípulo, o vimos com inexcedível competência reger as mais variadas disciplinas sempre com a competência dos mais distintos. Impossibilitava-se o professor de matemática, filosofia, francês, latim, ciências naturais, literatura ou qualquer das de teologia, inclusivamente o de ritos e cantochão, e logo no outro dia era certo na aula o governador, como nós lhe chamávamos por antonomásia. O seguinte facto traduz claramente o que levamos dito. É sabido que a filosofia escolástica, conquanto não seja ciência nova, tinha caído em desuso, sendo depois restabelecida a instâncias do papa Leão XIII, e tendo fórmulas e tecnologia especial, só aos que a estudam cuidadosamente é dado argumentar, segundo o sistema nela usado. Pois no ano em que se criou esta cadeira em Bragança, na ocasião de se constituírem as mesas para o exame dos alunos desta disciplina, foi subitamente assaltado por um dos frequentes ataques a que era atreito, e que por último o prostraram, o respectivo professor, cónego José António Franco; o governador, como vice-reitor do MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Seminário, mandou chamar outro examinador de entre o restante corpo docente; tudo se recusou; e então ele, para que o serviço de exames não se interrompesse, foi servir de examinador, deixando tudo assombrado pelo vigor do raciocínio em forma silogística e fácil exposição técnica, chegando mesmo a dar no latim de S. Tomás as próprias definições! E tinha tal método de ensinar, que os rapazes, embora nada tivessem estudado da lição, haviam de forçosamente ficar a sabê-la ao sair da aula, ainda que não quisessem. Em fins de Junho de 1900 foi nomeado cónego da Sé de Braga, de cuja cadeira tomou posse a 26 de Setembro seguinte. A sua saída de Viseu, onde foi vigário-geral, revestiu as proporções de um acontecimento; à gare do caminho-de-ferro foi despedir-se dele quanto havia de digno naquela cidade: pessoas do mundo oficial e burocrático, o clero, os seus numerosos protegidos e os artistas enchiam a estação. Os jornais da terra – Liberdade, Folha e Comércio de Viseu – fizeram elogiosas referências ao digno sacerdote, que, pelo seu saber profundo, sólida virtude e excelentes dotes de coração, aí, como depois em Braga e antes em Bragança, soube cativar a estima de quantos o conheciam. Já em 11 de Setembro de 1896 a mesma cidade de Viseu havia significado ao cónego Rodrigues, com uma brilhante recepção no seu regresso de Bragança, onde viera de visita à sua família, quanto apreciava as suas brilhantes qualidades. Os jornais ao tempo publicados em Viseu pormenorizaram largamente essa recepção. António A. Rodrigues foi em Coimbra um estudante distinto, obtendo o segundo accessit no seu segundo ano de teologia em 1863 e igual classificação no ano seguinte (700). RODRIGUES (Daniel José) – Diplomado com o Curso Superior do Comércio pelo Instituto Industrial e Comercial do Porto. Natural de Varge, anexa da freguesia de Aveleda, concelho de Bragança, nasceu a 1 de Maio de 1877; filho de Martinho José Rodrigues, natural de Varge, e de D. Ermelinda Carlota, natural de Gimonde. Em 1898 (?) foi nomeado professor interino do liceu de Bragança, de onde, em 1900, transitou para o do Porto. Em 1901 fez concurso para as cadeiras liceais, terceiro grupo (inglês e alemão), e ficando aprovado, foi despachado para o Liceu Nacional de Bragança por decreto de 17 de Abril de 1901. Em Janeiro de 1903 foi nomeado sócio do Instituto de Coimbra. Traduziu do inglês O Vigário de Wakefield, de Olivier Goldsmith. Lisboa, Guimarães & C.ª, 1904. 8.º de VIII-231 págs. O prólogo, que vem à frente da obra e ocupa VIII págs., é obra do tradutor. (700) Diário de Lisboa de 8 de Janeiro e 22 de Dezembro de 1864 e tomo II, p. 226, e tomo IV, p. 603, destas Memórias.

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Romanças (complemento ao Romanceiro). Separata do Instituto, Coimbra, Imp. da Universidade, 1907. 4.º de 19 págs. É uma colecção de sete romanças coligidas na região bragançana, acompanhada de comentários. A notável folclorista D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, em os seus Estudos sobre o romanceiro Peninsular, 1907-1909, págs. 7 e 9, e outros, refere-se elogiosamente às Romanças, «que a meu ver [dela] se compõem de decalcos bastante fieis, embora abreviados, de textos asturianos, talvez de introdução recente». O Ensino da gramática nas línguas vivas (separata do Instituto), vol. LVI. Coimbra, 1909. 8.º de 14 págs. O Rio d’Onorense (Dialecto trasmontano). Separata do Instituto, volume LV. Coimbra, 1909. 8.º de 22 págs. Tem em preparação Lendas alemãs e lendas portuguesas, e tem colaborado em O Nordeste, Distrito de Bragança, Ilustração Trasmontana e Instituto de Coimbra. A propósito deste nosso ilustre conterrâneo, diz o grande sábio José Leite de Vasconcelos, que ele é «autor de alguns trabalhos etnográficos ácêrca da província, e a quem, se não esmorecer, está reservada proveitosa colheita scientífica, tanto porque o solo é extremamente fecundo, e ainda em grande parte inexplorado, como porque o senhor Rodrigues é rico e moço, e sabe muito bem inglês e alemão, e pode adquirir e ler boas obras estrangeiras que o fortifiquem nas investigações e lhe alarguem o âmbito das mesmas» (701). RODRIGUES (David Augusto) – Coronel de infantaria, irmão do anterior Rodrigues; nasceu em Varge a 30 de Janeiro de 1874. Foi deputado pelo círculo de Bragança em 1924. Escreveu: O Tiro Nacional, editado pela Revista de Infantaria, 1902. Vila Nova de Famalicão, 8.º de 17-190 págs. É uma pugna pelo tiro nacional, visando mostrar a sua importância, serviços que pode prestar e maneira de o fomentar. É um trabalho altamente patriótico, bastante importante, indispensável mesmo aos que se propuserem fomentar uma instituição útil a todas as nações e muito principalmente às pequenas. A renhida luta que o povo bóer sustentou contra os ingleses, infligindo-lhes derrotas monumentais, foi que levou o autor a empreender este estudo, do qual já se havia ocupado em diversos artigos da Revista de Infantaria.

(701) VASCONCELOS, José Leite de – De Terra em Terra, 1927, vol. I, p. 119. Ver tomo VI, p. 398, destas Memórias.

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Revista de Infantaria fundada por José Sarsfield, major de infantaria, David Augusto Rodrigues e Alfredo de Leão Pimentel, tenentes de infantaria. Lisboa, 1905. A táctica de hoje. Tradução do inglês, prefaciada e anotada. Lisboa, 1903. 8.º de XXI-142 págs. A Ocupação de Moçambique (1869-1909). Lisboa, 1910. 8.º de XXI-153 págs. RODRIGUES (João) – Há dele uma tese pontifícia, defendida no seu sétimo ano de direito canónico, impressa de frente, em quatro planas, num véu de cálix, seda entretecida com ouro. Não indica o dia, mês e ano da defesa da tese e só que foi impressa Conimbricæ: ex typ. in Regali Artium Collegio Soc. Jesu. Anno Dni. 1736. A tese é dedicada a D. João de Sousa Carvalho, bispo de Miranda, e o véu encontra-se na igreja de Fonte de Aldeia, concelho de Miranda. Ao bom amigo padre Manuel Joaquim Cardoso, zeloso e inteligente pároco de Vila Chã, agradecemos a comunicação desta notícia. RODRIGUES (José Manuel) – Coronel de artilharia, lente do Instituto Industrial e Comercial do Porto, professor de matemática no Liceu Central da mesma cidade e sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa. Natural de Varge, freguesia de Aveleda, concelho de Bragança, nasceu a 10 de Agosto de 1857 e faleceu no Porto a 16 de Março de 1916; filho de Martinho José Rodrigues, natural de Varge, e de D. Ermelinda Carlota, natural de Gimonde. Fez os estudos liceais em Bragança e os da especialidade em Coimbra, concluindo-os em Dezembro de 1882. Escreveu: Memória sobre a teoria da balística, apresentada à Academia R. das Ciências de Lisboa. Lisboa, 1884. 1 vol. Movimento do sólido livre. Lisboa, 1885. 8.º gr., de 30 págs. Tábua balística. Lisboa, 1888. 8.º gr., de 23 págs. Balística analítica. Fragmentos dum tratado de balística. Lisboa, 1888. 8.º gr. de 46 págs. Les lois de Kepler dans la théorie de la rétrogradation des projectiles. Paris. 8.º de 11 págs. Esta memória foi apresentada ao Congresso de Besançon em 1893. Tratado de álgebra elementar. Porto, 1894. 8.º de 415 págs. Curso de trigonometria rectilínea. Porto. 8.º de 144 págs., uma de índice e uma de erratas. Tem gravuras em aço. Convergência dos planos de tiro. 1906-1907. Descrevemos pelo Instituto MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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(Agosto 1909), onde vem um largo estudo sintetizando a nova teoria do autor aplicada ao tiro de artilharia. Álgebra elementar – Contendo uma colecção de exercícios resolvidos. Porto, 1909. Tip. da Viúva de J. da Silva Mendonça. 8.º de 269 págs. e uma de erratas. Foi aprovada oficialmente. Além disto, tem colaborado no Jornal de Matemáticas, dirigido pelo doutor Gomes Teixeira, onde começou a escrever sendo estudante da Universidade, e na Revista Militar. O grande talento matemático de José Manuel Rodrigues não foi avaliado merecidamente pelos contemporâneos, devido talvez à sua imensa modéstia, génio concentrado e carência da pose e ostentação que dá nas vistas. A sua Memória sobre a teoria da balística, publicada pela tipografia Académica, que lhe valeu o ingresso na Academia Real das Ciências de Lisboa, mostra em seu autor «a revelação dum raro talento... que descobriu o que não fora visivel para genios de gloria immorredoura, dando á balistica o caracter positivo de que andava divorciada». Na verdade, Didon, o conde de Saint Robert, o general M. Mayevski e outros distintos matemáticos ficaram muito aquém em seus estudos sobre o problema da balística da solução encontrada pelo nosso conterrâneo (702). É «obra original na sua concepção e fecunda nas suas conclusões» (703). Como pároco da freguesia de Baçal e, por anexação, da de Aveleda, sentimos satisfação especial em consignar aqui as benemerências deste dilecto paroquiano. Em 1900 obteve do governo um subsídio de réis 200$000 para reparos na igreja matriz da Varge, com o qual se refundiu o sino maior que estava quebrado, levantou-se e rebocou-se a parede do adro, fazendo-se mais outros reparos. Também obteve para a de Aveleda 100$000 réis, que se gastaram no concerto da escada do sino, soalho do pavimento da igreja e reparação do arco cruzeiro. RODRIGUES (Manuel) – Ou Manuel Gonçalves Rodrigues, também conhecido pela alcunha de Tio Rito, derivada, ao que supomos, do nome de sua mãe. Faleceu em Bragança, de onde era natural, nos princípios de Março de 1895. Jamais esqueceremos a memória deste homem, glória do professorado português, que em Bragança, durante meio século, habilitou sucessivas gerações e gerações de alunos a exame de instrução primária, um dos quais fomos nós, com o carinho, a dedicação de um sacerdócio. (702) Ver O Ocidente – Revista Ilustrada de Portugal e do Estrangeiro, vol. 7 (1884), p. 131, onde vem o retrato de José Manuel Rodrigues. (703) CUNHA, Pedro José da – Bosquejo histórico dos matemáticos em Portugal, 1929, p. 60.

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Amava os alunos como filhos e interessava-se por eles, mesmo depois que frequentavam estudos secundários e até superiores, que lhe correspondiam venerando-o. Era o tipo do homem honrado na primitiva acepção do termo, e está dito tudo. Nesse tempo, em que homem honrado significava probo, sério, leal, correcto, digno, prudente, justo, dotado de fortaleza e temperança, significava enfim o conjunto de virtudes cívicas e morais que hoje traduzimos por dúzias de nomes sonoros sem acabar de compreender o que sejam devido à falta ou, pelo menos, raridade da objectivação. RODRIGUES (Padre Miguel José) – Professor aposentado de inglês e alemão no liceu do Porto; nasceu em Varge, freguesia de Aveleda, concelho de Bragança, a 19 de Fevereiro de 1859; filho de Martinho José Rodrigues, de Varge, e de D. Ermelinda Carlota, de Gimonde. É irmão, e dos mais distintos, dessa brilhante plêiade de intelectuais – Daniel, David e José Rodrigues, memorados nestas páginas. À sua energia consciente e força de vontade, mais e mais crescente à medida que as contrariedades surgem, deve o relevo da posição social que ocupa, pois, a bem dizer, fez-se a si próprio. Foi despachado professor de inglês para o liceu de Vila Real em 1891 e depois ensinou no de Bragança e Porto. Escreveu: Handbook of English Readings – Selecta inglesa para uso das escolas, Porto, 1894. El fenómeno luminoso de Vinhais – Primeras investigaciones para su explicación. Saiu nos Anales de la Sociedad Española de Física y Química. Ano IV, número 29, Madrid, 1906. A luz de Santa Cruz. Separata da Brotéria, vol. V, 1906. Braga. 1 folheto. Radioactividade da água – Dois radiogramas. Separata do nº 983 do Ocidente de 20 de Abril de 1906. Lisboa. 1 folheto. Traduziu do inglês o Decameron, de Chaucer – Contos do século XIV. Porto, 1908. 150 págs. e uma de erratas. Tem colaborado na Gazeta de Bragança, em O Nordeste, Ilustração Trasmontana, Portugal Agrícola, Revista Agrícola e outros sobre assuntos que traduzem eloquentemente, a par do amor ao torrão natal, a feição prática que dá a todos os seus trabalhos. ROQUE (António Bernardino) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde terminou o curso em 1889. Médico reformado do Ultramar. Natural da Lagoaça, concelho de Freixo de Espada à Cinta, onde nasceu em 1858, sendo filho de Francisco Maria Roque e de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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D. Maria Roque Pinheiro. Foi condecorado com a ordem da Torre e Espada, por serviços prestados na expedição militar do Bié e deputado pelo círculo de Moncorvo em 1911. Escreveu: Cura radical do varicocele – Dissertação inaugural apresentada e defendida perante a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Lisboa, Tip. de Eduardo Rosa, 1889. 8.º de 54 págs. Colaborou em jornais da sua especialidade e publicou monografias sobre a climatologia e meteorologia do planalto de Moçâmedes e sobre os culicídeos de Angola. ROSA (Cláudio Mesquita da) – Governador civil do distrito de Bragança por decreto de 8 de Outubro de 1863, cargo de que tomou posse a 4 de Janeiro do ano seguinte; segunda vez por decreto de 28 de Julho de 1887, tomando posse a 7 de Agosto seguinte. Frequentava a Universidade em 1846 e devia residir em Lisboa, pois ali assinou, com outros condiscípulos, uma representação ao governo. (Algumas horas na minha livraria, por Francisco Augusto Martins de Carvalho, pág. 56). ROUBÃO (Paulo Montes de Madureira) – Natural de Vila Flor. Escreveu: Progressos Lusitanos – Poema em louvor das acções do exército português na Guerra da Sucessão (704).

S SÁ (Antero Adelino Guerra e) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1887. Nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 27 de Fevereiro de 1862; filho do doutor Francisco Diogo de Sá, de Moncorvo, e de D. Maria S. Joaquim de Araújo Guerra e Sá, filha de José Francisco Guerra, de Freixo de Espada à Cinta, dono do convento de S. Filipe Neri, na mesma vila. Fez os estudos liceais no Porto. Exerceu sucessivamente, por ordem cronológica, após a sua formatura, os partidos médicos de Vila Flor, Luanda (África) e segunda vez em Vila Flor, de onde se despediu em 1921, indo fixar residência no Porto. A Câmara Municipal de Vila Flor por duas vezes exarou nas actas elogiosas referências à solicitude e perícia médica do doutor Guerra e Sá «que uzava praticar com exito toda a cirurgia de urgencia».

(704) Sumário da Biblioteca Lusitana e Portugal Antigo e Moderno, artigo «Vila Flor».

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SÁ (António de) – Natural do Mogadouro. Doutor em cânones pela Universidade de Salamanca, desembargador de el-rei D. Manuel. Deixando a corte foi professar a regra de S. Bento no mosteiro de Monserrate, na Catalunha. Sendo Dom Abade de S. Vicente, em Salamanca, foi chamado por D. João III em 1535 para comendatário do real mosteiro de Alcobaça, que governou exemplarmente, e também os de Tibães, Carvoeiro e Arnóia, todos da ordem beneditina, e onde deixou muitas benfeitorias e restaurou a observância religiosa. Voltou depois para o seu convento de Monserrate onde faleceu a 10 de Agosto de 1550 (705). Escreveu: Memórias do Mosteiro de S. Salvador da Torre, que ficaram manuscritas. SÁ (Francisco de Matos de) – Natural de Freixo de Espada à Cinta e de nobre família. Escreveu: Livro de Nossa Senhora do Desterro. Lisboa, 1620. 8.º Tratado da pura Conceição da Virgem Maria Nossa Senhora. Lisboa, 1620. 8.º em verso português bem como o antecedente. Raros ambos. Entrada y triunfo que la ciudad de Lisboa hizo a la C. R. M. del rey D. Filipe tercero de las Españas, y segundo de Portugal, etc. Dirigido al Il.mo Sr. D. Alfonso de Lencastre, comendador mayor de Portugal. Lisboa, 1620. 4.º de IV-26 folhas numeradas de frente (706). SÁ (Joaquim Guilherme Cardoso de) – Nasceu em Bragança a 25 de Setembro de 1834 e aqui faleceu a 12 de Setembro de 1904. Filho de Carlos Leopoldino Cardoso de Sá e de D. Eugénia Claudina de Novais Pimentel. Era doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1859. Foi advogado em Bragança, administrador do concelho de Miranda do Douro, procurador à Junta Geral do Distrito de Bragança, vogal do Conselho de Distrito, fundador do Banco de Bragança, tesoureiro-pagador e governador civil substituto do nosso distrito. Seu irmão, capitão Tomás António Cardoso de Novais e Sá, presidente da Câmara Municipal de Bragança, falecido nesta cidade a 21 de Novembro de 1894, deixou grata memória pelo seu fervente regionalismo e entusiasmo pelos progressos de Bragança. Era neto do doutor José António de Sá, a seguir mencionado (707). (705) Portugal Antigo e Moderno, artigo «Mogadouro»; Sumário da Biblioteca Lusitana; CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular; CARDOSO, Jorge – Hagiológio Lusitano, 1652, referente ao dia 15 de Janeiro. (706) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico, e CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular. (707) Ver tomo VI, p. 183, destas Memórias.

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SÁ (José António de) – Natural de Bragança; doutor em leis pela Universidade de Coimbra a 16 de Maio de 1872, e opositor às cadeiras da mesma faculdade; juiz de fora da vila de Moncorvo, desembargador da Relação do Porto, conselheiro honorário da Fazenda por decreto de 3 de Dezembro de 1811; sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa; cavaleiro professo da ordem de S. Tiago da Espada; superintendente das décimas da corte e reino e depois, com a abolição deste cargo, superintendente geral das décimas de Lisboa. Foi também juiz conservador da Real Companhia do Novo Estabelecimento para a criação e torcidos das sedas, organizada por alvará de 6 de Janeiro de 1802, e também director da Real Fábrica das Sedas e Águas Livres. Só por estes dois últimos cargos percebia de ordenados 1.200$000 réis (708); faleceu a 14 de Fevereiro de 1815 e foi sepultado na ermida da sua quinta do Pinheiro, a Sete Rios. Escreveu: Compêndio de observações que formam o plano da viagem política e filosófica que se deve fazer dentro da pátria. Lisboa, 1783. 8.º de XVIII-248 págs. Desde a pág. 213 por diante contém a «Adição», que é uma descrição da fábrica de sedas em Trás-os-Montes (Bragança e Chacim) e também uma notícia do Monte do Montesinho no concelho de Bragança. Contém espécies muito interessantes. Esta «Adição» é cópia ipsis verbis dos capítulos VIII, IX, X e XXI de uma Memória Académica da província de Trás-os-Montes, manuscrito do mesmo autor in-4.º, que estava em Bragança em casa do seu neto doutor Joaquim Guilherme Cardoso de Sá. Tratado sobre a origem e natureza dos testamentos, deduzidos dos princípios mais sólidos dos direitos divino, natural, civil, público e das gentes – Em que se analisa a política dos antigos povos, e se refutam as opiniões dos mais célebres doutores, publicistas e civilistas. Lisboa, 1783. 8.º de XVI-194 págs. É obra muito erudita para a confecção da qual o autor compulsou os documentos existentes nos arquivos do reino. Analisa com muita competência a natureza dos testamentos através de todos os povos: hebreus, egípcios, gregos, romanos e germanos. Elogio fúnebre do Il.mo e Ex.mo Sr. D. António Rolim de Moura, conde de Azambuja, tenente-general, etc. Lisboa, 1784. 8.º Dissert. bipart. hist. analyt. de Plebiscit et Sconsult. Ulyssipone, 1784. 8.º Dissertações filosófico-políticas sobre o trato das sedas na comarca de Moncorvo. Lisboa, 1787. 8.º gr. de VII-XIII-I-175 págs., com uma estampa. Obra curiosa para o estudo deste ramo da indústria em Portugal. Este livro constitui um capítulo interessante para a história da indústria da seda no distrito de Bragança e contém as providências que o autor tomou pelos (708) Ver tomo IV, p. 576, e tomo VI, p. 183, destas Memórias.

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anos de 1787, sendo juiz de fora em Moncorvo. Vê-se quanto ele se desvelou pelo progresso desta indústria, fazendo plantar amoreiras, etc. O notável escritor e professor Ludovico de Meneses começou a publicar em A Voz de 18 de Setembro de 1929 estas interessantes Dissertações, ainda hoje cheias de muito interesse. Oração congratulatória pela fausta ocasião de ser elevado à alta dignidade de patriarca de Lisboa, o Ex.mo e Rev.mo Sr. D. José Francisco de Mendonça. Lisboa, 1787. 4.º de 22 págs. Instruções gerais para se formar o cadastro ou mapa aritmético-político do reino, feitas por ordem de S. A. o Príncipe Regente, nosso senhor. Lisboa, 1801. Fólio de 47 págs. Acerca destes trabalhos, e de outros que delineou sobre o mesmo assunto, com o plano feito em 1811 para o alistamento geral do reino, veja-se o Relatório sobre o cadastro, por António José de Ávila, 2.ª edição, pág. 87. Plano, e Regulamentos de Correição respectivo aos Negócios de Justiça e Fazenda que tem a honra de apresentar a sua Majestade o Doutor... Na conformidade do artigo de 15 de Julho de 1794. Fólio gr. de XIX-402 folhas. Manuscrito original e inédito, perfeitamente conservado e com óptima caligrafia. Rica e valiosa encadernação inteira de marroquim vermelho, com dourados nas lombadas e nas pastas, tendo estas ao centro, impresso a ouro, o brasão português. Esta obra veio anunciada no catálogo duma importante livraria que seria vendida em leilão, sob a direcção de Manuel dos Santos, pág. 411. Pela lei de 9 de Junho de 1801 foram criados os cosmógrafos para formar o cadastro do reino; levantamento de cartas topográficas de todas as terras com seus limites, servidões, caminhos, logradouros, bens dos concelhos, etc. Os capítulos gerais que constituem o objecto das Instruções Gerais concernentes a este assunto, e são as acima referidas, de cuja confecção foi encarregado o nosso ilustre conterrâneo, compreendem: povoação, estado das terras, demarcação e situação interior e obras públicas. Estabelecimentos de bem comum, câmaras, cárceres, casas de polícia, montes de piedade, roda de expostos e órfãos. Estabelecimentos literários, escolas públicas, colégios, academias, gabinetes, jardins botânicos e livrarias. Estabelecimentos eclesiásticos, benefícios, comendas, freguesias e igrejas, conventos, recolhimentos, confrarias e irmandades. Estabelecimentos de caridade seculares e eclesiásticos e capelas. Produções naturais, reino animal, bestas, caudelarias, gados, artes pecuárias, reino vegetal, qualidades gerais das terras, baldios e maninhos e artes rústicas. Reino mineral, artes mineralógicas, manufacturas, comércio e tráfico. Navegação, justiça e fazenda, correição, provedoria, em ambos estes juízos vereadores e almotacés e vinteneiros. Donatários. Fazenda, contadorias e almoMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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xarifados, forais e sisas. Décima e outros subsídios. Outras contribuições reais e pessoais. A ordem régia que o incumbiu deste serviço é a seguinte: «Tendo o Princepe Regente Nosso Senhor encarregado a V. m. por Aviso desta Secretaria d’Estado de 15 de Julho de 1794 de formar o plano e regulamento de Correição; e havendo aprovado e ractificado os que havia posto em prática na comarca de Moncorvo, pelos outros dois Avisos expedidos em 7 de Setembro de 1790 e 11 de Maio de 1793 e sendo-lhe finalmente agora presentes o referido Plano e Regulamentos, que igualmente tem merecido a sua Real aprovação: É servido determinar, que V. m. extraia delles as minutas sobre os objectos que exigem prompta providencia nas comarcas e os faça subir á Real Presença do mesmo Senhor por esta Secretaria d’Estado: e é outro sim servido que das Instrucções Gerais para se formar o Mappa Arithmetico-Político do Reino que agora se mandam imprimir por conta da Real Fazenda por ordem da data d’este extraia V. m. os artigos que lhe parecer serem precisos mandar averiguar nas terras; ordenando aos corregedores das comarcas ou a quaesquer outros magistrados que os examinem e os remetam a V. m. com toda a possivel brevidade; e sobre todos os objectos dos ditos artigos formará V. m. uma conta exacta, que fará subir a esta mesma secretaria d’Estado para se darem á vista d’ella aquellas providencias que mais convierem ao bem commum e ao Real Serviço do Princepe Regente Nosso Senhor… Paço, 15 de Agosto de 1801. Luiz Pinto de Souza. Senhor desembargador José António de Sá» (709). Este importante ramo de serviço representa as observações e estudos do autor em dez anos de ímprobo trabalho, em que teve de cotejar muitas leis, representações dos povos e documentos extraídos dos capítulos de cortes, dos registos da Torre do Tombo e câmaras do reino. O resultado das laboriosas observações do doutor Sá foi cometido por decreto de 7 de Março de 1803, para as examinar, a uma junta que pouco pode fazer, pois que foi suspensa de suas funções por decreto de 10 de Dezembro do mesmo ano. No decreto da constituição desta junta «reconhecem-se os vastos e importantes objectos em que o dito ministro (José António de Sá), tem trabalhado e trabalha com incansavel e louvavel aplicação, com muito zelo do real serviço e bem commum dos vassalos» (710). O doutor José António de Sá escreveu mais: Descrição económica da Torre de Moncorvo. Vem nas Memórias Económicas da Academia Real das Ciências, tomo III.

(709) SÁ, José António de – Defesa dos Direitos Nacionais e Reais…, 2.ª edição, tomo I, p. 296. (710) Ibidem, tomo II, p. 253 e 256, prova 66.

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Memória sobre a origem e jurisdição dos corregedores das comarcas. Vem no tomo VII das Memórias da Literatura Portuguesa, pág. 297. A Deus Todo Poderoso dirige o doutor José António de Sá em nome da comarca de Moncorvo um hino gratulatório, e deprecante pela gravidez e feliz sucesso da Sereníssima Princesa do Brasil, Nossa Senhora. Lisboa, 1793. Folheto in-4.º de 14 págs. em prosa. Este opúsculo escapou a Inocêncio. Demonstração analítica dos bárbaros e inauditos procedimentos adoptados como meios de justiça pelo Imperador dos Franceses para a usurpação do trono da Sereníssima Casa de Bragança e da Real coroa de Portugal, com o exame do Tratado de Fontainebleau, exposição dos direitos nacionais e reais e da infame Junta dos Três Estados para suprir as cortes. Lisboa, 1810. 40 de II-XXXX-312-XI págs. Esta obra saiu depois mais acrescentada debaixo deste título: Defesa dos direitos nacionais e reais da monarquia portuguesa. Lisboa, 1816. 4.º Dois tomos. O leitor que desejar dar pasto à hilaridade, consulte, acerca desta obra, a Besta Esfolada, de José Agostinho, nº 21, pág. 2, e não dará por mal empregado o tempo que nisso gastar, diz Inocêncio da Silva no seu Dicionário Bibliográfico. Na segunda edição da Defesa dos direitos nacionais e reais veio também incorporado o escrito Um português aos portugueses, que abrange umas sete Falas inflamatoriamente patrióticas, excitando os portugueses à vingança, ao sacrifício e à união contra os invasores franceses. São um monumento de patriotismo. Podem ver-se na citada Defesa, pág. 291 do II tomo. Estas Falas correram primeiramente avulsas e anónimas. Eis uma carta do conde das Galveias, ministro e secretário de Estado dos negócios da Marinha e do Ultramar, dirigida ao autor a propósito da 3.ª Fala: «Rio de Janeiro, 1 de Agosto de 1811. Senhor José António de Sá. A sua 3.ª Fala aos portuguezes é obra digna de seus talentos e de seus sentimentos honrados. Eu a li com prazer e devo dizer-lhe que ella lhe faz muito crédito, entre todos os que a tem lido, e entre estes, deve-lhe ser particularmente lisongeiro contar o nosso amado princepe» (711). Em aviso régio de 20 de Janeiro de 1813 foi ele louvado por ocasião de publicar a sua 2.ª Fala. Logo que o exército francês comandado por Junot foi expulso de Portugal, como estes deixaram roubado o erário, muitos portugueses se apres-

(711) SÁ, José António de – Defesa dos direitos nacionais e reais…, tomo II, p. XIII.

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saram a concorrer com donativos para as despesas do exército, José António de Sá foi um deles, que ofereceu 600$000 réis anuais pagos às mesadas enquanto durasse a guerra, 500$000 réis pagos logo e também seus filhos para o serviço militar, e mais daria, diz ele, mas os franceses só por uma vez lhe haviam extorquido dez mil cruzados. Por aviso expedido de Santa Cruz do Rio de Janeiro em 13 de Outubro de 1809, louvou el-rei estas generosas ofertas do nosso conterrâneo, como tudo consta da Gazeta de 19 de Novembro e 23 de Dezembro de 1808 (712). Igualmente ofereceu o produto da sua obra Demonstração analítica dos bárbaros e inauditos procedimentos, etc., fazendo ele próprio as despesas da impressão; e, no intuito de inflamar o povo, publicou à sua custa e fez espalhar gratuitamente as Falas proclamatórias; por isso, os documentos oficiais não podiam deixar de «reconhecer n’elle aquelle zelo, fidelidade e patriotismo, que formam o caracter de bom vassallo e cidadão sempre digno do maior louvor» (713). A obra Demonstração analítica chegou a render 5.976$360 réis, quantia que reverteu em benefício do Estado (714). Duarte Cardoso de Sá, filho de José António de Sá e D. Joaquina Felizarda Cardoso de Sá, em consequência da oferta de seu pai, assentou praça em alferes, tendo ao tempo dezasseis anos de idade, pois havia nascido a 12 de Maio de 1795. A 11 de Agosto de 1813 foi promovido a tenente por distinção na batalha da Vitória (715). Mendes Leal Júnior (716) diz que esta promoção teve lugar a 9 de Novembro de 1813, em consequência do investimento de Burgos, onde foi ferido. Em 22 de Junho de 1815 foi promovido a capitão, e neste posto fez a campanha de Montevideu. Em 29 de Novembro de 1824 foi despachado coronel agregado do regimento de milícias a pé de Lisboa oriental, no qual regimento prestou ainda relevantes serviços, fornecendo-o de capotes à sua custa. De 1826 em diante comandou quatro corpos de segunda linha, dois dos quais, depois de 1834, foram por ele organizados à sua custa. Na guerra peninsular foi condecorado com a medalha laureada da Vitória; com a de Tolosa de 1814; a de Pancorbo, Pirenéus e Nivelle de 1813; e a das quatro batalhas. Recebeu depois a de Montevideu. (712) SÁ, José António de – Defesa dos direitos nacionais …, tomo II, «Advertência preliminar», p. V. (713) Ibidem. (714) Ibidem. (715) Ibidem. (716) LEAL, José da Silva Mendes – Necrológio e bosquejo biográfico do conselheiro Duarte Cardoso de Sá. Lisboa, 1855.

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Como recompensa dos seus serviços na guerra peninsular e por graves ferimentos na batalha de Salamanca, foi-lhe conferida a comenda da ordem de Avis e em 1815 o título de conselheiro. Faleceu a 28 de Outubro de 1855 (717). Chabi diz a propósito deste ilustre militar e doutros que menciona: «eram exemplo de devoção pela pátria e dos mais primorosos brios militares» (718). Duarte Cardoso de Sá era então alferes e esta apreciação refere-se ao ano de 1813. O «Catálogo da Biblioteca Pública Municipal do Porto», índice preparatório do catálogo de Manuscritos, Porto, 1886, na pág. 181, aponta mais o seguinte manuscrito de José António de Sá: Memória dos abusos das Câmaras e provimentos dados pelo autor quando Corregedor de Moncorvo. 1 vol. fol. Passando à sua descrição, diz: «Tem 43 capitulos. Termina – Sobre o Commercio dei providencias para augmento da carne de porco; e estabeleci alguns Mercados, etc. – Seguem 8 documentos – Aos senhores que a presente virem – escriptos e assignados pelo escrivão chanceler da correyção, José Luiz Pimentel; sendo o ultimo um Aviso de S. M. (por intervenção do Visconde de Villa Nova da Cerveira, auctoridade superior da Provincia), Villa Real.... de junho de 1788, no qual a Rainha manda louvar o zelo do Dr. Corregedor no que toca a plantação d’amoreiras e creação do bicho da seda. No fim vem um grande – Mappa dos objectos do bem publico, providos na comarca referida – dividido em zonas horizontaes por Villas; e columnas verticaes cada uma com um dos seguintes dizeres: – Estradas Reaes; Fontes; Pontes; Mattas conservadas; Ditas creadas; Amoreiras; outras arvores. – Vê-se que fez plantar 45:088 d’aquellas e 72:274 d’estas! Foi pois um illustrado e benemerito promotor da arboricultura e da sericicultura. Honra lhe seja». Escreveu mais: Memória Académica da província de Trás-os-Montes. Manuscrito in-4.º, sem paginação constante de 34 capítulos e um mapa das principais produções do concelho de Chaves. Vimos este manuscrito em Bragança, em poder de seu neto doutor Joaquim Guilherme Cardoso de Sá. Pinheiro Chagas (719) diz que o doutor José António de Sá foi eleito sócio da Academia das Ciências «sem grandes méritos para isso». O mesmo chama «obra verdadeiramente ridicula» ao livro de Sá, intitulado Demonstração analítica, etc. Que critério seria o de Pinheiro Chagas? Aos escritores portugueses, (717) Ibidem. (718) CHABY, Claudio – Excertos Históricos, III parte, vol. IV, p. 770. (719) CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular, artigo «Sá (José António de)».

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que durante o domínio castelhano escreveram nesta língua, então geralmente usada, carrega-lhe por falta de patriotismo. A Sá, que escreveu contra os franceses fervente de indignação patriótica, chasqueia-lhe os intuitos!... Preso por ter e não ter cão! Quando se trata de pregadores, de escritores teólogos, apontados, embora, nos autores como competentes, poucas vezes deixa de lhes jogar uma piada escarninha. Que critério seria o deste homem? voltamos a perguntar. Não leu nem conheceu a obra de José António de Sá e botou-se a fazer espírito sobre ela, guiado pelos informes de Inocêncio F. da Silva, atrás citados, referente à Besta Esfolada de José Agostinho de Macedo. Pelo geral, o seu Dicionário, obra aliás importante pela compilação de notícias que aponta, carece de trabalhos de investigação e limita-se a cópias condimentadas de piadas, muitas vezes descabidas. Os seguintes documentos assaz mostram as benemerências do doutor José António de Sá: «Havendo o Principe Regente N. S. mandado ás Provincias de Traz-os-Montes e Beira o Desembargador Superintendente Geral da Decima da Corte e Reino, José António de Sá para a interessante commissão, que faz o objecto da Carta Regia de 22 de Março proximo passado, tendo por fim o restabelecimento das Fiações e Torcido das Sedas, e a erecção de seus tecidos em Bragança, os habitantes daquella cidade deram as demonstrações mais públicas do seu contentamento, e reconhecimento a S. A. pelo grande beneficio que deve resultar a todas as familias do restabelecimento da dita Fabrica, que se achava na maior decadencia; havendo para este effeito o zeloso e patriotico Tenente General o Excellentissimo Manuel Jorge Gomes de Sepulveda, com o dito Ministro reunido os animos das principaes pessoas em riqueza, e nobreza, para entrarem nos meios do mesmo restabelecimento, que felizmente obtiverão; por cujo motivo todo aquelle povo, principalmente os pertencentes ás familias, que subsistião pela mesma Fabrica, abençoarão reiteradas vezes o seu Augusto Principe pela Regia protecção que lhes liberalizava. O Governador da Praça e os Magistrados fizerão soltar os prezos de correcção, que se achavam nas circunstancias compativeis com a Justiça, e se demarcou na Praça Grande do Collegio o sitio aonde devia erigir-se hum Padrão ao seu Principe Regente em sinal de reconhecimento eterno, logo que o mesmo Senhor se dignasse approvar os Artigos em que concordarão para o dito restabelecimento. Entrando o referido Dezembargador na villa de Moncorvo no dia 5 de Junho proximo passado, no seguinte se executou hum magnifico festejo, que o Desembargador Corregedor daquella Comarca, Francisco de Assis da Fonseca, os mais Ministros e Camara da dita Villa, celebrarão em obzequio a S. A. R. pelos motivos da Paz e dos bens MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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que resultarião áquella Comarca e Provincia, assim na Restauração das Fabricas de Sedas, e lanificios, que devem ministrar a subsistencia a tantas familias como na Repartição dos baldios, que com tanto applauso dos povos se hia praticando; havendo já hum grande numero de sorteados, esperando só os do povo de Felgar o augmento da colheita em mais de 12 mil alqueires, promettendo geralmente esta benefica Providencia não só o progresso da cultura mas fazendo a consolação dos mais pobres vassallos, que da extrema indigencia, em que se achavão se vem melhorados, e na esperança de serem hum dia felices logo que a sua cultura prosperar. Começou o dito festejo pela acção de graças ao Omnipotente, celebrando-se Missa, em que orou o M. R. Guardião do Convento de Santo Antonio da mesma Villa, Fr. Agostinho de Santa Rosa, havendo Te Deum, e Procissão com a maior solemnidade. O dito Corregedor deo hum jantar com muita profusão e delicadeza, constando a meza de setenta e tantos talheres, aonde se repetirão altos vivas a S. A. R. como seu Protector e Pai, e fizerão muitas saudes á Real Família, e ao Ministerio: de tarde se corrêrão Touros e á noute se fez na casa do mesmo Corregedor huma Academia Litteraria, em que se recitarão varios papeis em proza, e verso, allusivos ao objecto, abrindo o mesmo Desembargador Superintendente Geral a dita Academia com huma pequena falla gratulatoria, por se ver no meio de hum povo aonde serviu doze annos, recebendo de todos os mais estrondosos cortejos, e que se achavão com elle reunidos para as demonstrações publicas, do seu reconhecimento ao muito Alto e muito Poderoso P. N. S. que nos bens, que lhes tinha liberalizado, e esperavão da sua Regia Benificencia, se tinha patenteado em qualidade de Pai: recitou mais o mesmo Desembargador Superintendente Geral huma Oração, que trazia impressa, sobre o mesmo reconhecimento a S. A. R. e que espalhou por aquella Assembleia; recitando depois outros o sobredito Desembargador Corregedor Francisco d’Assis da Fonseca; o Provedor Joaquim de Noronha e Oliveira; o Juiz de Fora Antonio José de Moraes de Mesquita Pimentel; Lourenço Carneiro de Vasconcelos, Fidalgo da Caza Real; Antonio Xavier Carneiro; o P. M. Fr. José Bernardo de Moraes Sarmento, da Ordem dos Pregadores; o Bacharel Manuel Antonio Ribeiro; e o Bacharel João Joaquim Paes da Costa: concluida a Academia, se encheo o resto da noute com canticos e contradanças, em que entraram os senhores principaes, acabando o festejo pela madrugada» (720). Segue agora a descrição dos festejos pelo mesmo motivo feitos em Trancoso, a que presidiu igualmente o Doutor Superintendente Geral José Antonio de Sá, que omitimos por não fazerem ao nosso propósito. «Havendo o Desembargador José Antonio de Sá; Juiz Conservador da (720) Gazeta de Lisboa, «Suplemento» ao nº 40 de 1802.

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Real Companhia do Novo Estabelecimento para as Fiações e Torcido das Sedas, em desempenho da deligencia que lhe foi commettida na Carta Regia de 22 de Março do anno corrente, apresentado a S. A. R. 16 Peças das diversas Manufacturas de Seda, que se fabricão na cidade de Bragança, o mesmo Senhor, dignando-se examinal-as huma por huma muito miudamente, mostrando o maior contentamento de ver, e observar fazendas de excellente qualidade, que não cedem ás estrangeiras, foi servido segurar ao dito Desembargador a sua Real Protecção, como já o tinha feito na sobredita Carta Regia áquelle util Estabelecimento, de que depende o augmento e riqueza da dita Cidade, e Provincia, e a subsistencia de tantas familias, das quais muitas se tinham expatriado pela decadencia da mesma Fabrica, que se seguiu á ausencia do patriotico João Antonio Lopes Fernandes, que a fez florecer; cujo restabelecimento deve trazer em consequencia o progresso da Criação da Seda, que organizada na mesma Provincia, segundo os methodos de Piemonte, suprirá a que até agora se fazia preciso comprar de fora para o consumo das mesmas Manufacturas. Naquelle acto se dignou o mesmo Augusto Senhor mandar comprar todas as sobreditas Peças, fazendo segurar ao dito Desembargador que dellas se vestiria a Real Familia; declarando-se por esta maneira, assim como sempre o tem feito por tantas outras, o Protector das Artes, e da Industria Nacional em hum ramo, que trará a riqueza solida aos seus ditosos Vassallos, de quem é verdadeiramente Pai. Á vista do que, he de esperar que a todos faça impressão tão respeitavel exemplo no uso das nossas Manufacturas, que ainda o mais delicado gosto, e luxo dever preferir às estrangeiras» (721). «Agradecimento que a S. A. R. e Princepe Regente N. S. fez o Governador do Bispado de Bragança, e mais moradores da mesma cidade pela restauração das Fabricas de Seda. Senhor. Prostra-se aos pés de V. A. R. o Clero, a Nobreza e Povo da cidade de Bragança, penetrados dos mais vivos e respeitosos sentimentos de fidelidade, reconhecimento e gratidão. Não he somente pelos geraes effeitos da Real Benevolencia, e Paternal Amor, com que V. A. R. protege, e anime a todos os seus Vassallos, que se excitão nos corações dos moradores de Bragança os suaves sentimentos da mais profunda e fiel gratidão; he, Senhor, pelos particulares beneficios que V. A. R. tem liberalizado a este Povo, dignando-se manifestar nelle a sua Régia Protecção na Restauração das Fábricas de Seda desta Cidade. Ella, Senhor, que floreceu tanto em outro tempo pela cultura, e fabricação das Sedas, agora se achava na ultima decadência: estava desprezado, e quasi a extinguir-se a criação do casulo; (721) Gazeta de Lisboa, «Suplemento» ao nº 49 de 1802.

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bem poucos teares tinhão exercicio; vião-se os Fabricantes miseravelmente mendigando o sustento, opprimidos da indigencia, por lhes faltar o meio de se occuparem. Digna-se V. A. R. tomar em consideração este Povo, querendo restaurar-lhe o Antigo esplendor das suas Fabricas, o liberalizar-lhe, como consequencias desta restauração, os beneficios que a Sábia Vigilancia de V. A. R. lhe preparava, apparece a Benéfica e Augusta Mão de V. A. R. particularmente empenhada em derramar sobre este Povo as enchentes da sua Real Benevolencia; anima-se a cultura e creação do casulo, põem-se em movimento os teares, occupão-se os braços que a pobreza inhabilitava; e aquelles, que a indigencia opprimia se achão já ganhando o sustento pelo seu trabalho util a si, e aos outros. Mas que muito que hum principe Amavel, e Benigno, cujas Acções não respirão senão affabilidade para com os seus vassallos, se empenhe em distinguir os Brigantinos, se estes tem a honra de que o seu Duque seja o seu Soberano? Crescem por tudo os motivos de obrigação, e reconhecimento que fazem maiores os seus affectos de lealdade, amor, e respeitosa vassallagem; affectos que respirarão os seus fieis peitos até aos ultimos alentos; fazendo ao Céo os mais ardentes votos pela conservação da preciosissima Vida do Augusto Soberano, debaixo de cujo Sceptro vivem seguros, á sombra das Sábias e Próvidas Leis, com que os Governa. O Omnipotente assista aos seus Conselhos, abençoe os seus projectos, prospére os seus dias, e encha de gloria o seu feliz Governo. De V. A. R. os mais fieis Vassallos. = o Deão Governador do Bispado, Caetano José Saraiva = Manuel de Madureira Feijó de Moraes Sarmento, Thesoureiro-Mór da Sé = Manuel Leite Pereira, Coronel do Regimento de Infantaria de Bragança, Governador Interino da Provincia = Antonio José Baptista de Sá Pereira Carneiro, Vereador mais velho, por impedimento do Doutor Juiz de Fóra» (722). «Agradecimento a El-Rei por mandar comprar sedas a Bragança para uso da familia real. De Bragança avisão que no dia da Conceição de Nossa Senhora, Padroeira deste Reino, se celebrarão novas acções de Graças com exposição do Santissimo Sacramento, depois de terem precedido as que se derão a Deos na occasião do Feliz Parto da Princesa N. S. pela noticia, que proximamente havia chegado de ter o Principe Regente N. S. dignado-se examinar, elogiar e mandar comprar para se vestir a Real Familia, as Fazendas fabricadas na mesma Cidade, que havia apresentado a S. A. Real o Desembargador José Antonio de Sá, promettendo a sua Regia Protecção ás Fabricas da mesma (722) Gazeta de Lisboa, 2.º «Suplemento» ao nº 11 de 1803.

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Cidade. Officiou sempre o Deão Governador do Bispado, assistiu tambem a Camara, e Officialidade dos Regimentos, a Nobreza de hum, e outro sexo, e povo, transportados todos do mais sensivel prazer, effeito da lealdade, amor, e reconhecimento ao Augusto Principe, que no restabelecimento da Fabrica da Seda (que jazia na maior decadencia) tanto tem favorecido aquela cidade, cujos sentimentos expressam com energia em huma eloquente e erudita Oração o Reverendo Manuel de Madureira Feijó, Thezoureiro Mór da Sé, nomeado conego da Santa Igreja Patriarcal, que, mal convalescido de huma longa molestia, quiz ser o orgão da alegria publica. Concluio-se esta Festividade com huma devota Procissão, havendo á noite um luzido concurso na casa do Coronel Manoel Leite Pereira, que se acha interinamente governando as Armas da Provincia de Traz-os-Montes, aonde se fez hum grande festejo, brilhando em toda esta funcção a harmonia das tres Authoridades, Ecclesiastica, Civil e Militar; soando ao mesmo tempo muitos vivas a suas Altezas Reais, principalmente pelo Corpo dos Fabricantes. Por esta occasião o mesmo Deão Governador deo huma avultada esmola, que distribuiu pelo Ministério dos Parocos, e nella forão especialmente attendidos os pobres doentes Fabricantes, mulheres, filhos e viuvas de soldados. Por occasião de annunciar a Gazeta, a referida honra que S. A. R. tinha feito áquella Fabrica, se repetio em outro dia o Te Deum e houve luminarias em algumas casas, e o dito Deão tornou a mandar repartir por cada hum dos Fabricantes pobres a esmola de 480 réis. Os negociantes da mesma Cidade, mostrando-se sensiveis, e reconhecidos á Augusta Protecção do dito Senhor, fizerão levantar muitos teares, e augmentarão o preço da mão d’obra; succedendo que achando-se grande parte dos Fabricantes parados, e mendigando na occasião que foi áquella Cidade o referido Desembargador José Antonio de Sá, agora se achão todos occupados, e satisfeitos, assim como muitas pessoas de hum e outro sexo, que se empregão no preparo das Sedas, abençoando todos ao seu Augusto Principe, a quem devem tão Alta Protecção e Beneficencia. He certo que de todas as Manufacturas nenhuma occupa mais pessoas que as das Sedas, pelos preparatorios que exigem. Consta que as Fabricas de Leão em outro tempo, que occupavam 18 mil Officiaes fazião viver mais 80 mil pessoas; e nas de Tours 8 mil Fabricantes occupavão 40 mil pessoas, e fazião trabalhar 700 maquinas. Sendo de esperar que por esta maneira se adiante progressivamente a povoacão naquella Cidade, e Provincia de Traz-os-Montes, pelo augmento que cada vez vai tendo mais a industria das Sedas» (723). (723) Gazeta de Lisboa, «Suplemento» ao nº 8 de 1803.

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SÁ (Manuel de) – Jesuíta. Nasceu em Peredo, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 22 de Março de 1658 e faleceu em Lisboa, no colégio de Santo Antão, a 22 de Abril de 1728; era filho de António Cabral de Mesquita, capitão-mor de Alfândega da Fé, e de D. Úrsula Dinis. Estudou no colégio da Companhia de Jesus em Braga, onde foi recebido aos dezassete anos de idade. Entrou no noviciado de Coimbra a 13 de Fevereiro de 1675 e terminou-o em Lisboa a 14 de Fevereiro de 1677. Tomou ordens menores em Évora neste último ano e na Universidade desta cidade aprendeu humanidades, nas quais, e em filosofia, fez grande progresso. Antes de concluir o seu curso pediu e o enviaram à Índia, para onde partiu de Lisboa a 2 de Abril de 1680, em companhia de dezanove outros missionários da sua religião. Terminou em Goa os seus estudos e logo ensinou retórica, e depois de professar o quarto voto a 15 de Agosto de 1693 e ler três anos filosofia e oito teologia, foi nomeado superior da casa professa de Goa, que regeu com proficiência. Em 1709 o rei de Portugal nomeou-o patriarca de Etiópia, para onde, por proibição do imperador da Abissínia, não chegou a ir, do que resultou descuidar-se em pedir as bulas da consagração. Empregaram-no nas missões da Índia portuguesa e nas de Sunda, Malaca, Batávia e Ceilão; foi hábil político e, por incumbência dos vice-reis da Índia, desempenhou várias comissões de alta importância. Em 1720 foi nomeado membro da «Academia Real de História Portuguesa» logo que esta se erigiu, à qual enviou memórias históricas da China, que ainda não foram publicadas. Foi durante vinte e oito anos deputado da Inquisição de Goa e serviu muitas vezes de inquiridor. Acompanhou o vice-rei conde de Alvor na guerra contra o famoso Sevagi, na qual foi ferido; e voltou segunda vez a Portugal em 1722. «Em 1724 mandou-o El-Rei recolher ao reino, com o fundamento obscuro de que o seu procedimento era muito prejudicial ao socego publico» (724). Era douto teólogo, excelente filósofo e versadíssimo em todo o género de erudição. Ficaram dele um tomo de sermões sobre diversas matérias, que são outras tantas peças de pura elegância, e diferentes outras obras. Sousa, Elogio do padre Sá, pronunciado na Academia de Lisboa (725). Escreveu: Sermões vários – Pregados na Índia a diversos assuntos, e oferecidos no primeiro sermão ao Ex.mo Sr. Caetano de Melo e Castro, vice-rei e capitão

(724) ALMEIDA, Fortunato de – História da Igreja de Portugal, tomo III, parte II, p. 1001. (725) MORERI – Dicionário, artigo «Sá».

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geral da Índia. Lisboa, 1710. 4.º de VIII-369 págs. «Contem esta collecção quinze sermões, panegiricos e de mysterios, os quaes, se não me engano, podem por sua disposição e linguagem ser contados entre os melhores daquelle tempo». Carta que em nome de S. Francisco Xavier mandaram os padres da Companhia a el-rei D. João V. Contém o parecer que o marquês de Abrantes dera, de que se vendesse a Índia aos holandeses. É carta política, manuscrita, existente na Biblioteca de Évora. Começa assim: «Escrevo do outro mundo aos que ainda vivem na terra», etc. (726). Relação da expedição contra o Angara (727). História do memorável cerco de Mombaça, editada em 1723 (728). SÁ (Tomás António Cardoso de Morais e) – Alferes de caçadores nº 3, natural de Bragança; filho de Tomás Carlos Leopoldino Cardoso e Sá, fidalgo cavaleiro da casa real, nomeado por carta régia de 19 de Maio de 1863, registada no livro nº 8 do «Registo maior da Câmara de Bragança», fl. 5 v. Ver o artigo Sá (Joaquim Guilherme Cardoso de), pág. 459. SALAZAR (José Joaquim de Carvalho) – Nasceu em Mirandela a 28 de Julho de 1890; filho de António José Baptista de Carvalho Salazar e de D. Júlia Augusta. Fez os estudos liceais em Bragança e Coimbra e formou-se em direito em 1917. Fundou o Povo de Mirandela, semanário. SALES (Padre Ernesto Augusto Pereira de) – Capelão militar de engenharia. Nasceu no Mogadouro a 23 de Novembro de 1864; filho de José Joaquim Pereira de Sales, natural de Sande, concelho de Lamego, e de D. Amélia Justina Correia Botelho, natural de Mirandela. Concluído o curso de preparatórios no Seminário de Bragança em 1883, fez aí mesmo os estudos teológicos, recebendo a ordem de presbítero em 26 de Março de 1887, indo nesse mesmo ano paroquiar a freguesia de Suçães até 1892 e depois a do Franco até 3 de Abril de 1893, sendo então despachado capelão militar. Em 1891 havia feito, juntamente com o autor destas linhas e mais oito colegas, concurso por provas públicas para a igreja de Mairos, no concelho de Chaves.

(726) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico, e CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular, artigo «Sá». (727) TAVARES, José Augusto in Torre de Moncorvo de 1 de Novembro de 1903. (728) Ibidem. Ver Memórias da Academia Real de História, 1838, nº XIII.

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Tem escrito: Noticia histórica de Nossa Senhora do Amparo de Mirandela por um devoto da mesma Senhora. Porto, Tip. Elzeviriana, 1887. 8.º de 30 págs. Discurso comemorativo da batalha do Buçaco – Pregado na capela de Nossa Senhora da Vitória (Buçaco) no dia 27 de Setembro de 1904. Lisboa, Imp. Nacional, 1904. 8.º gr. de 17 págs. Livro do Soldado, para sua educação moral e patriótica – Leituras destinadas ao primeiro curso das escolas para praças de pré. Lisboa, Imp. Nacional, 1905. 8.º gr. de 107 págs. e uma de índice. Foi mandado imprimir pelo ministro da Guerra e adoptado nas escolas regimentais. Livro do curso de instrução elementar para praças de pré. Lisboa, Imp. Nacional, 1908. 8.º de 107 págs. Saiu sem nome de autor e foi, como o anterior, mandado imprimir à custa do ministério da Guerra. Cartilha Militar. Lisboa, Imp. Nacional, 1908. 8.º de 52 págs. Sem nome do autor. Curso de habilitação para 1.os cabos – Leituras, aritmética prática e desenho. Lisboa, Imp. Nacional. 8.º de 171 págs. e mais 45 inumeradas, compreendendo o desenho. Desta obra pertencem a Pereira Sales as primeiras 133 págs. das «Leituras»; as restantes, compreendendo a «Aritmética prática e Desenho», são, respectivamente, do capitão Freitas, de infantaria nº 16, e do coronel Encarnação Ribeiro, de infantaria nº 10. Subsídios para a biografia do Dr. Francisco da Fonseca Henriques, o «Mirandela», médico de D. João V. (Separata do nº 36 da Revista de História). Porto, Tip. da Empresa Literária e Tipográfica, 1921. 4.º de 20 págs. Dois documentos históricos – O foral e o pelourinho da vila de Frechas. (Separata da Arqueologia e História). Lisboa, 1923. 4.º de 9 págs., com o fac-símile da primeira página iluminada do foral de Frechas, dado por D. Manuel I, e o pelourinho acompanhado dos respectivos desenhos ornamentais. Nosso Senhor dos Passos da Graça (de Lisboa) – Estudo histórico da sua irmandade com o título de «Santa Cruz e Passos». Lisboa, 1925. 8.º gr. de VII-251+1 (inumerada) págs., com diversas gravuras. Tem colaborado em A Voz do Tua, Inflexível, Fomento Agrícola, O Notícias, Revista Militar, Revista de História e na Arqueologia e História. Também muitas e valiosíssimas notícias lhe devemos para esta nossa obra. O padre Ernesto P. Sales tem em preparação uma obra em quatro volumes intitulada Mirandela – Apontamentos históricos acerca desta vila trasmontana. O volume I tem 400 págs. e uma de índice e trata: do nome, situação e antiguidade de Mirandela; transferência da vila; concelho – sua antiguidade; terra de Ledra; população da vila e concelho em diversas épocas; privilégios e foros do concelho; muralha e castelo; ruas e praças; rio Tua e MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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SALGADO

TOMO VII

afluentes; fontes; minas; freguesia de Mirandela e suas anexas; igreja paroquial; Confraria do Santíssimo; comenda de Santa Maria de Mirandela; donatários; Távoras; Paço dos Távoras; Paços do Concelho; divisão administrativa, judicial e eclesiástica; forais de Mirandela; pelourinho; albergarias, Misericórdia e hospital; frades trinos e seu convento; pontes de granito em Mirandela e Vila Nova; e criação de cavalos. O volume II, ainda incompleto, ocupa-se dos morgados em Mirandela (alguns); capelas e cruzeiros; feiras e mercados de Mirandela e seu concelho; posturas, almotaçaria, açougues e limpeza pública; medidas antigas, taxas, cemitério; clima, médicos, cirurgiões, boticários e barbeiros; vias de comunicação, correios e telégrafos; instrução pública, edifícios escolares; indústrias; tributos antigos de Mirandela, Lamas de Orelhão, Abreiro, Vale de Asnes e Torre de Dona Chama, sisas, etc.; teatro, associações diversas; nota de alguns jornais publicados em Mirandela; estalagens e hotéis; voluntários realistas (1832-1834), carreira de tiro; e várias notícias militares. O volume III tem por título: Mirandela – Colecção de documentos diversos referentes à história da vila e do concelho. Contém cento e vinte e três documentos, que ocupam 224 páginas. O volume IV intitula-se: Gente de Mirandela – Breves apontamentos acerca de várias pessoas, umas naturais de Mirandela, outras apenas aqui residentes nesta vila, onde desempenharam funções públicas ou exerceram influência social, desde 1258 a 1910. Este volume está pronto desde 1916 e tem 460 páginas escrituradas. SALGADO (D. António) – Foi governador das armas da província de Trás-os-Montes. S ALGADO (Domingos) – Natural de Felgar, concelho de Moncorvo; faleceu em Ligares, concelho de Freixo de Espada à Cinta, a 28 de Janeiro de 1811, para onde se retirara em consequência de perseguições políticas. No respectivo assento de óbito, que devemos ao ilustrado abade de Carviçais, reverendo José Augusto Tavares, diz-se que foi presbítero ordenado em Braga, formando-se depois em matemática pela Universidade de Coimbra e que foi lente dessa disciplina no Real Colégio de Mafra. A tradição em Ligares diz que Salgado era liberal e que traduziu juntamente com um amigo o Código Nopoleónico, sendo por isso mal visto e tendo de se refugiar nessa aldeia, onde gozava de tal fama de sabedor que, segundo a lenda, fazia trovoadas dentro de casa. Ver Leal (José António Ferreira), pág. 262, a quem o povo atribuía a mesma competência. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


SAMPAIO

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SAMPAIO (António Rodrigues) – O célebre jornalista da Revolução de Setembro e do Espectro nasceu na freguesia de S. Bartolomeu do Mar, concelho de Esposende, distrito de Braga, a 25 de Julho de 1806. Foi ministro do Reino desde 26 de Maio a 3 de Junho de 1870 e presidente do ministério desde 25 de Março a 14 de Novembro de 1881. Conquanto não fosse administrador geral de Bragança, cargo a que hoje corresponde o de governador civil, foi secretário geral dessa administração, e, como os próprios desse lugar nunca aqui apareceram, ou, se vieram, foi de fugida, Sampaio exerceu as suas funções e por isso o mencionamos nestas páginas. Logo que triunfou a revolução de Setembro a 9 deste mês de 1836, o chefe do ministério Manuel da Silva Passos nomeou Sampaio, ao tempo redactor da Vedeta, secretário-geral da administração de Bragança. Manuel de Castro Pereira era o administrador-geral, mas nunca veio exercer o cargo e Sampaio ficou governando Bragança até 1838, ano em que foi nomeado administrador-geral Rodrigo Pinto Pizarro, barão da Ribeira de Sabrosa. Sendo este eleito presidente do ministério em 1839, nomeou Rodrigues Sampaio administrador-geral de Castelo Branco, para onde partiu. Pelos anos em que Sampaio esteve em Bragança casou com a viúva do capitão João de Amorim, chamada D. Maria de Barbosa Soares de Brito Sá Lenções, que faleceu em 1844 (729). Esta viúva tinha dois filhos do seu primeiro matrimónio, de nomes: António e Joaquim Amorim. A voz pública indigitava este como o assassino de um tal Cordeiro, marido de uma Lucrécia, moradores na vila de Bragança. Parece que a influência de Sampaio entrou muito no julgamento para que Joaquim Amorim fosse dado como inocente. Quando foi da intervenção estrangeira em 1847, que uma esquadra inglesa bloqueou o Porto ao mesmo tempo que o general espanhol D. Manuel de la Concha cercava por terra aquela cidade, o governo, temendo a grande propaganda que contra ele fazia Sampaio, mandou-o prender; este, para evitar o cárcere, escondeu-se e começou a publicar clandestinamente o Espectro, que, como um raio, aparecia em toda a parte, causando verdadeiro assombro não só a sua linguagem violenta mas também o modo como era largamente distribuído, sem que jamais a polícia lograsse encontrar o seu redactor e a oficina onde aquele panfleto era impresso. Disse-nos o ex.mo sr. António José Ribeiro (1.º oficial aposentado do

(729) VASCONCELOS, A. A. Teixeira de – O Sampaio da Revolução …, p. 61, e BAPTISTA, António Maria – Uma década da História Contemporânea. Lisboa, 1888, p. 75.

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Governo Civil de Bragança, cavaleiro da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa por decreto de 31 de Agosto de 1863, como se vê pelo Diário do Governo de 3 de Outubro seguinte, octogenário de uma memória pasmosa, de quem são estas notícias) que Rodrigues Sampaio estivera escondido em casa de José Marcelino de Sá Vargas, em Lisboa, durante mais de seis meses e dali publicava o Espectro, facto a que também alude o autor do «Calendário Histórico» in O Primeiro de Janeiro de 1 de Março de 1907. Sampaio faleceu em Sintra às onze horas e meia da manhã de 13 de Setembro de 1882. O seu retrato vem na Revista Contemporânea (1862) e na História de Portugal, popular e ilustrada, de Pinheiro Chagas, vol. XI, pág. 8. SAMPAIO (Conde de) – Era governador das armas da província de Trás-os-Montes, e por seu legítimo impedimento sucedeu-lhe Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda a 11 de Novembro de 1793. Sepúlveda continuava neste governo das armas em 1799, como se vê do Almanaque para o ano de 1799, e em 1805 (Almanaque do ano de 1805). Antes de Sepúlveda, no impedimento do conde de Sampaio foi governador da mesma província, durante algum tempo, o brigadeiro Roberto Wrey (Almanaque de Lisboa para o ano de M.DCC.LXXXII). SAMPAIO (Francisco de) – Governador de Moncorvo, que se distingiu durante as guerras da aclamação – 1640-1668 (730). SAMPAIO (Francisco Xavier Ribeiro de) – Cavaleiro da ordem de Cristo, doutor em leis pela Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em 1762, juiz de fora e provedor na capitania do Pará, ouvidor, provedor e intendente de agricultura na capitania do Rio Negro, provedor da comarca de Miranda em 1781, desembargador da Relação do Porto e, ultimamente, da Casa da Suplicação de Lisboa, director da Real Fábrica das Sedas e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa. Nasceu em Mirandela a 13 de Agosto de 1741, sendo filho de Luís Ribeiro de Sampaio e de D. Leonor da Costa, e faleceu entre os anos de 1812 e 1814, segundo se vê dos Almanaques desses anos. Veja-se a sua biografia na «Revista trimensal do Instituto do Brasil», tomo VII, pág. 404. Casou com D. Antónia Teresa Teixeira Galvão, filha de João Teixeira Galvão, capitão do regimento de milícias de Chaves.

(730) Ver tomo I, p. 91, tomo IV, p. 543 e 552, e tomo VI, p. 436, destas Memórias.

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SAMPAIO

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Escreveu: Diário da viagem, que em visita e correição das povoações da capitania de S. José do Rio Negro fez, sendo ouvidor e intendente geral da mesma capitania, nos anos de 1774 e 1775. Lisboa, 1825. 4.º de VII-115 págs. Apêndice ao mesmo Diário. Saiu no tomo VI da «Colecção de Notícias para a história e geografia das nações Ultramarinas», de págs. 87 a 142. Extracto da segunda viagem, que em visita e correição das povoações da capitania de S. José do Rio Negro, fez como ouvidor e intendente geral nos anos de 1774-1775. Saiu no tomo I, pág. 97, da «Revista trimensal do Instituto do Brasil». Relação geográfico-histórica do Rio Branco da América portuguesa, que compôs sendo ouvidor da capitania de S. José do Rio Negro. Saiu na mesma «Revista», tomo XIII, págs. 200 a 273. Observações sobre a primeira formação das línguas, de diferente génio das originais e compostas. Traduzidas do inglês de Adam Smith e anotadas. Lisboa, 1816. 8.º de X-70 págs. Publicaram-se por diligência de seu filho Francisco António Ribeiro de Sampaio. Oração à memória de Pedro o Grande, imperador da Rússia. Traduzida da língua russa para a inglesa e desta para a portuguesa. Lisboa, 1816. 8.º de 74 págs. Memória sobre as ruínas do mosteiro de Castro de Avelãs, e do monumento e inscrição lapidar, que se acha na capela-mor da antiga igreja do mesmo mosteiro. Saiu no tomo V das Memórias da Literatura da Academia Real das Ciências de Lisboa (1793) e anteriormente no Jornal Enciclopédico, caderno de Maio de 1790. Este escrito foi o único publicado durante a vida do autor; todos os outros foram dados à estampa depois da sua morte, como se vê pelas datas das respectivas impressões (731), graças à dedicação de seu filho já citado. Deixou mais as seguintes produções, que não se publicaram: Apresentação dirigida a S. M. F., datada do Rio Negro. Papel feito por ordem de Martinho de Melo em 1780. Três dissertações sobre jurisprudência – Escritas em latim e dedicadas, com uma carta igualmente latina, ao visconde de Vila Nova da Cerveira. Parecer sobre o que tinham feito José Feijó de Melo e Albuquerque e outros.

(731) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico. O Portugal: Dicionário histórico, diz que Francisco Xavier de Sampaio nasceu em Miranda do Douro e que era filho do capitão de ordenanças Luís Ribeiro de Sampaio e de D. Leonor da Costa. Pinheiro Chagas diz também no Dicionário Popular que nasceu em Miranda; mas enganaram-se os dois, porque se tal se desse não exerceria a magistratura na sua terra. Ver tomo VI, p. 285, destas Memórias.

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Discurso que devia recitar quando tomasse posse do governo do Pará D. Rodrigo de Meneses. Coelitum atque hominum / Aeterni Luminis / Filiae, Matri et Sponsae / Mariae / inquam, / Sanctissimae / invulgarissimo suo nomine venerada titulo / a Remediis suma veneratione cultae / Kospitio Ex Calceatorum S. S. Trinitatis Redemptionis / captivum, oppido Mirandellae / D. V. O. et C. f. Conimbricae: ex Nova Typografia Academico-Regia. Anno Domini. 1762 cum facultate superiorum. Esta tese, impressa num véu de cálix, de seda branca, em três pranchas, foi defendida no quinto ano da sua formatura em direito canónico na Universidade de Coimbra e conserva-se na igreja matriz de Mirandela, onde a vimos em 31 de Janeiro de 1927, graças à obsequiosa benevolência do inteligente pároco Luís Praça (732). SAMPAIO (Lopo Vaz de) – Natural de Ansiães, distrito de Bragança, oitavo ou nono vice-rei da Índia, se contarmos ou não o vice-reinado de Pero Mascarenhas; faleceu naquela povoação a 5 de Março de 1538 (733). Era filho de Diogo de Sampaio, senhor de Ansiães, Vilarinha da Castanheira, e de D. Briolanda de Melo. Militar valoroso, serviu durante onze anos na África, onde muito se distinguiu, partindo depois para a Índia em 1512 numa frota de doze naus, de uma das quais ele era capitão; foi ferido pelos mouros no sítio do castelo de Benastarii, cercado por Afonso de Albuquerque. Assistiu ao primeiro empreendimento deste grande português sobre Adém, que não se levou a cabo, apesar dos esforços heróicos dos nossos. Em 20 de Fevereiro de 1515 assistiu também na barra de Goa, com outros capitães, no conselho de Afonso de Albuquerque sobre se empreender a tomada de Ormuz, cuja empresa já fora tentada pelo mesmo Albuquerque da primeira vez que ali fora, e foi o primeiro a cravar o punhal em Raez Hamed, valido do rei de Ormuz, que fazia grande dano aos portugueses. Neste mesmo ano mandou D. Manuel por capitão geral e governador da Índia a Lopo Soares de Albergaria com uma armada de treze naus, que encontrou Albuquerque nas vascas da morte, mais apressada ainda pela ida de novo governador, incapaz de compreender e executar o (732) Ver tomo VI, p. 285, destas Memórias. (733) LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno, artigo «Anciães»; Retratos e Elogios …; mas alguns autores dizem que faleceu a 18 de Abril. Casara ainda antes de partir para a Índia com D. Guiomar de Eça; filha de D. João de Eça, alcaide-mor de Vila Viçosa, e de D. Maria de Melo. Pinheiro Chagas, no Dicionário Popular, diz que faleceu em Lisboa em 1534 e foi sepultado numa capela que lhe pertencia no convento da Trindade, gravando-se-lhe na campa um epitáfio que o dava como vice-rei da Índia.

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grande plano de Albuquerque, verdadeiro fundador do nosso império na Índia e o único homem que concebeu o modo racional e proveitoso de a administrarmos. A Índia torna-se então um El Dorado, onde aventureiros cobiçosos vão agenciar escandalosamente fortuna e não procurar honra em mavórticos feitos, e por isso aquela nossa potência começa logo a declinar. As desinteligências entre Lopo Soares de Albergaria e D. Garcia de Noronha, sobrinho de Afonso de Albuquerque, surdiram logo, dando causa a este retirar para o reino em companhia de muitos fidalgos, entre os quais deve ter vindo Lopo Vaz de Sampaio. Em 1524 voltou Lopo de novo à Índia numa frota de catorze velas, que saiu de Lisboa a 9 de Abril desse ano, duma das quais era comandante, e ia nomeado para a capitania de Cochim. O conde da Vidigueira, D. Vasco da Gama, almirante do mar Índico, era o comandante desta frota, na qual ia como vice-rei da Índia. Bem conhecido por todos devia ser o merecimento de Lopo Vaz de Sampaio, porque Vasco da Gama, o primeiro descobridor da Índia, encontrando-se doente gravemente, de que morreu em Cochim a 24 de Dezembro de 1524, deu ordem e fez jurar a todos os capitães daquele império e fidalgos presentes que obedeceriam a Sampaio enquanto durasse a sua doença e mesmo enquanto não chegasse novo governador. Gozou, porém, pouco tempo esta honra, porque, abertas as sucessões, apareceu nomeado governador da Índia D. Henrique de Meneses, cujo governo foi também efémero, pois faleceu a 23 de Fevereiro de 1527, segundo diz Lavanha na Década de Barros; mas Diogo do Couto, continuador de Barros, diz que foi no fim de Janeiro de 1526. Novamente se abriram as sucessões e achou-se nomeado Pero Mascarenhas, que ao tempo estava por capitão de Malaca, e como só podia voltar dali a catorze meses e se estava em guerra com os reis de Calecut e de Cambaia, constando de mais a mais que no Mar Roxo aprestava o grã-turco Solimão uma grande armada contra os portugueses, julgou-se prudente abrir a terceira sucessão, na certeza de que, fosse qual fosse o nomeado, este entregaria o governo a Pero Mascarenhas quando chegasse, ao que todos se obrigaram por juramento. Apareceu, pois, nomeado Lopo Vaz de Sampaio por alvará de 26 de Fevereiro de 1524, datado de Évora, que ao tempo estava como governador de Cochim, onde Afonso Mexia, vedor da fazenda, a quem competiam estas coisas, lhe foi levar a notícia, entrando aquele logo na administração do governo da Índia, tendo previamente jurado nos Santos Evangelhos que entregaria o governo a Pero Mascarenhas apenas este voltasse. Como governador, os feitos mais notáveis que operou são: atacou e destruiu no rio de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Bacanor, junto a Cananor, a armada do Samorim composta de mais de dez mil homens, comandada por Cutiale, tendo ele apenas uma frota de sete velas; tornou a Cutiale mais de oitenta peças de artilharia e queimou-lhe setenta e tantos paráus. Entretanto, chegavam à Índia cinco naus, partidas do reino em 1526, onde el-rei mandava novas sucessões caso falecesse D. Henrique de Meneses, com ordem a Afonso Mexia para que não fizesse uso das que lá tinha, e nelas nomeava para governador, em primeiro lugar, Lopo Vaz de Sampaio, por carta datada de Almeirim a 4 de Abril de 1526, e em segundo Pero Mascarenhas. Isto originou graves dissenções entre Lopo Sampaio e Mascarenhas, dividindo em parcialidades, com grande escândalo e detrimento para o domínio português, a nossa gente da Índia. Lopo Vaz fez prender Pero Mascarenhas na fortaleza de Cananor com outros fidalgos, seus parciais, mas o governador desta soltou-os, com o pretexto de irem tratar da sua justiça; por último, depois de várias disputas, foi nomeado um tribunal arbitral, composto de certo número de fidalgos, para decidir a quem pertencia o governo, que o julgou de justiça a Lopo Vaz por sentença de 21 de Dezembro de 1527. Estas dissensões animaram os mouros das costas do Malabar, que já ousavam afrontar a nossa gente de Cananor sem que o governador D. João de Eça pudesse impedi-los. Lopo Vaz resolve dar-lhes uma lição que lhes sirva de escarmenta, marcha para Cananor, duas léguas para cá da qual, pelas alturas do monte Deli, encontra os paráus e fustas do Malabar, em número de cento e trinta, e ataca-os com energia, apesar mesmo da opinião contrária dos seus, que tinham o empreendimento por loucura temerária. Foi tenaz a peleja, que durou um dia inteiro «e foi um dos honrados feitos que pelos portuguezes se fizeram n’aquellas partes», como diz Barros. Os malabares foram derrotados, com perda de oitocentos homens mortos e muitos cativos, sendo-lhes tomadas cinquenta peças de artilharia, vinte e dois paráus e dezoito metidos a pique. Mas Lopo Vaz de Sampaio não descansa sobre os próprios louros; o senhor de Porcá, chamado vulgarmente Arel de Porcá, que já fora aliado dos portugueses, levantava agora altivo a grimpa, fiado nas discórdias intestinas dos portugueses; ele, porém, vai mostrar-lhe como os seus juízos eram errados: ataca-os na sua própria cidade, que, apesar de se defender bizarramente como quem pugnava pela vida de mulheres, filhos e próprios lares, foi assaltada, saqueada e incendiada e parte dos seus habitantes passados à espada e o resto cativos; treze dos seus navios e muita artilharia caíram em poder dos portugueses. Dos despojos que se dividiram pelos nossos soldados a nenhum coube menos de cem pardáus.

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Igual lição apanhou o rei de Cambaia, que ousava mover guerra ao Nizamaluco, nosso aliado, senhor de Chaul, onde tínhamos por governador Francisco Pereira de Barreto. Neste intuito, o rei de Cambaia trazia no mar oitenta fustas, bem equipadas e artilhadas, debaixo do comando de Alixiá, valente e valoroso mouro. Sampaio marchou sobre ele em Janeiro de 1529 com uma armada de quarenta velas, onde ia seu sobrinho Simão de Melo como capitão de um galeão, esperançoso mancebo que, herdando com o sangue os brios de tão valoroso tio, na Índia assinalou o seu nome (734). No dia de Cinza desse ano amanheceu Sampaio sobre Bombaim, em cujas águas as fustas inimigas estavam ancoradas. A derrota dos inimigos foi completa: apenas sete fustas escaparam, caindo todas as outras em nosso poder. Esta foi uma gloriosa vitória, diz Barros. Aproveitando-se deste grande feito, quis Sampaio marchar sobre a fortaleza de Diu, e talvez a tomasse, tanto era o desalento dos inimigos, poupando-se assim o sangue que depois custou; mas os fidalgos e gente de consideração escusaram-se, alegando que Nuno da Cunha, que ia como governador e que partira de Portugal a 18 de Abril de 1528, era com esse fim já mandado pelo rei e por isso se lhe não devia roubar essa glória, em vista do que marchou para Goa a 20 de Março de 1529, de onde despachou logo para Ormuz D. Fernando de Eça, seu cunhado, com três galeões carregados de mercadorias de el-rei. Ainda durante o seu governo se notabilizou Cristóvão de Melo, outro sobrinho de Lopo de Sampaio, que juntamente com António de Miranda, que no rio Chale tomaram uma nau do rei de Calecut carregada de pimenta, no que tiveram assaz trabalho, pois era defendida por cerca de oitocentos mouros bem armados e artilhados, a cujo rei desbarataram igualmente, pelas alturas de Monte Formoso, uma armada de cinquenta velas, tomando-lhe treze paráus com sua artilharia e cativando-lhe muita gente, indo depois Cristóvão de Melo invernar junto de seu tio a Goa (735). Ao mesmo tempo, um outro sobrinho de Lopo Vaz de Sampaio, chamado Aires de Sousa de Magalhães, tinha andado por mandado do tio, como capitão-mor de Ormuz, com uma frota e dois bergantins guardando aquela costa empestada dos Nautaques, que por vezes salteavam os navios vindos da Índia (736). Em Ormuz estava como governador, mesmo já no tempo do governador da Índia D. Henrique de Meneses, um tio de Lopo de Sampaio,

(734) BARROS, João de – Ásia, Década IV, reformada por Lavanha, caps. XIII e XIV, do livro II. (735) Ibidem, cap. XV. (736) Ibidem, cap. IX, p. 309.

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de nome Diogo de Melo, irmão de sua mãe, notável pela barbaridade com que tratava o guazil Rax Xarafo, conservando-o preso e amarrado como um cão debaixo de uma escada, sem quase lhe dar de comer, não cedendo às ordens de D. Henrique de Meneses que lhe mandava suspender tão cruel castigo, o que só teve lugar quando o próprio Sampaio ali foi em pessoa. Também durante o governo de Sampaio teve a capitania de Goa António da Silveira, o famoso herói do cerco de Diu, que estava ajustado para casar com uma filha de Lopo Vaz de Sampaio, o que não teve efeito por o bravo militar perecer nesse cerco. Foi António da Silveira genro por palavras de futuro de Sampaio, que durante as dissenções deste com Pero Mascarenhas o prendeu, lançando-lhe grilhais aos pés, levando-o depois para a fortaleza de Cananor Simão de Melo, sobrinho de Sampaio (737). Diogo do Couto refere deste governador uma anedota que pinta melhor que nada e caracteriza tipicamente a índole francamente brusca do trasmontano em cuja alma latejava a rigidez agreste das nossas montanhas, povoadas de indomáveis carvalhos. No tempo em que as discórdias andavam mais acesas entre Sampaio e Mascarenhas, Heitor da Silveira promove contra ele uma conspirata, junto com vários outros fidalgos, em Goa; tendo dela conhecimento, Sampaio manda-os prender a 9 de Agosto de 1527 por António da Silveira, seu genro in fieri, e por Pero de Faria; porém, fogoso como era, não lhe sofre o ânimo ficar inactivo espectador, cavalga e vai ver como as coisas correm. Heitor da Silveira exclama então para os seus: «Não vedes, senhores, que Lopo Vaz quer tomar por força a governança da Índia?». Então, Sampaio rompe resoluto pelo meio da multidão e, sanhudo, exclama: «Por força a governo e por força a hei-de governar», e apeando-se do cavalo, embraça uma adarga, empunha uma lança, invade a casa de Heitor da Silveira, que, pasmado de tanta audácia, fica como que petrificado e é preso juntamente com os fidalgos da sua facção. Nestes bruscos rompantes, António da Silveira era um digno genro de tão mavórtico governador; no cerco de Diu pelo eunuco Solimão Paxá, Silveira, desesperado, furioso, sem esperança de socorro e vendo-se prestes a ser aniquilado juntamente com a fortaleza, responde à ordem de rendição intimada pelo eunuco: «... e sabe por certo que aqui estão portuguezes acostumados a matar muitos moiros, e que tem por capitão António da Silveira, que tem um par de colhões mais fortes que os pelouros dos teus baza-

(737) COUTO, Diogo do – Década IV; livro I, caps. III e IV, e livro II, cap. VI, p. 123.

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liscos, que não ha medo nenhum a quem não tem colhões nem verdade e de judeu faz traição» (738). Pero de Mascarenhas, depois da sentença arbitral que deu o governo da Índia ao seu competidor, voltou para o reino, onde requereu contra ele as perdas dos seus ordenados, que eram de dez mil cruzados por ano a cada governador e os mais prós e percalços, onde, segundo diz Cantanhede, foi atendido, sendo Lopo Vaz condenado em vinte mil cruzados, isto é, nos ordenados de dois anos, como informa Maffei que segue a Cantanhede, mas João de Barros nega tal condenação, que não encontrou nos cartórios do reino onde a procurou, e atribui isso a aleive levantado por Cantanhede. Seja como for, Nuno da Cunha chegou a Cananor a 18 de Novembro de 1528, onde Lopo Vaz lhe fez entrega do governo da Índia, e depois em Cochim, a 25 do mesmo mês, foi este preso por ordem de Nuno, em harmonia com a provisão de el-rei que para isso levava, e igualmente foi preso seu tio Diogo de Melo, capitão que fora de Ormuz, sendo ambos remetidos para o reino sob custódia. Francisco de Andrade, na Vida de D. João III, parte II, cap. LIV, diz que Sampaio esteve preso dois anos e fora condenado na perda dos ordenados de governador da Índia, em mais dez mil cruzados de pena e degredado por certos anos para África, mas que D. João III lhe perdoara, atendendo aos seus bons serviços. Lopo Vaz foi muito esforçado, constante na justiça, rigoroso no castigo dos malfeitores, casto, cortês e afável (739). «O governo de Lopo Vaz de Sampaio torna-se celebre pelas intrigas vergonhosas, que dão em resultado não menos vergonhosas discordias, e que produzem um fermento de indisciplina que nunca mais se ha de apagar na India, e que esterilizou as brilhantes qualidades militares e administrativas de Lopo Vaz de Sampaio, maculando o seu governo com o pecado original de uma ambição desregrada. Comtudo, Cambaya sente o pezo do seu braço, e as fortalezas reparadas, a esquadra portuguesa augmentada, dão testemunho dos seus predicados governamentaes» (740). «É incontestavel – diz um outro escritor – que o usurpador (Lopo Vaz de Sampaio) desenvolveu muito talento e actividade, engrandeceu as cidadellas de Ormuz, Chaul e Cananor, cercou Goa de fortes muralhas, des(738) CORREIA, Gaspar – Lendas da Índia. (739) BARROS, João de – Década II, livro VII, caps. II, IV, V e IX; livro X, cap. V; Década III, livro IX, caps. I e III, livro III, cap. VIII; Década IV, reformada por Lavanha, livro I, caps. I, II, VI e VII, e livro II, caps. VI, XII, XIII e XIV. No tomo VI, p. 421 e seg., destas Memórias, publicamos a fala justificativa de Lopo Vaz a el-rei D. João III, deveras interessante, que lhe valeu o perdão. (740) CHAGAS, Pinheiro – História de Portugal, pop. e ilustr., vol. IV, p. 78.

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SAMPAIO

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truiu a frota do Çamorim e de Diu, queimou Porcá e reduziu Badhur, terror da Asia, a solicitar a paz. Exproba-se-lhe o ter devastado indignamente as Molucas, envenenado o rei de Tidor, depois de um tratado de alliança, e matado Raez Achmet. Mas a promptidão com que entregou o governo a Nuno da Cunha, quando todo o mundo esperava que a sua ambição o levaria a resistir-lhe, deixa ver que o homem se julgava senhor do governo e só depois que viu o dito Nuno da Cunha mandado pelo rei se sujeitou immediatamente» (741). Do que deixamos escrito, vê-se como Pinheiro Chagas e os que o seguem se enganaram. Lopo Vaz de Sampaio usou legitimamente, como lhe pertencia por ordem régia, do governo da Índia, e não merece a nota de usurpador que escritores malévolos e levianos lhe assacam (742). O seu retrato anda na obra de Diogo Barbosa Machado, Retratos de Varões Ilustres Portugueses, tomo IV, que deve estar na Biblioteca do Rio de Janeiro. Também vem nos Retratos e Elogios e na Galeria dos Vice-reis e Governadores da Índia Portuguesa, dedicada aos ilustres descendentes de tais heróis, Lisboa, 1841, por José Maria Delarme Colaço. A Lopo Vaz de Sampaio aludem os seguintes versos dos Lusíadas: «....... não nego que Sampaio Será no espaço ilustre assinalado Mostrando-se no mar um fero raio Que de inimigos mil verá coalhado» (743). Pinho Leal diz que Sampaio, vendo tão mal recompensados os seus brilhantes serviços, se retirara para Espanha onde viveu alguns anos e só voltou a Portugal a instâncias do seu parente D. Jaime, duque de Bragança, indo morar no seu solar de Ansiães, onde terminou a vida gloriosa, cheio de tribulações (744). No entanto os seus feitos têm o cunho da imortal glória e mereceram a celebração dos homens mais distintos. «Este que tem a vista em fogo acesa É Lopo Vaz, que ilustra os de Sampaio. A prudência igualando à fortaleza Se fará conhecer na guerra um raio» (745). (741) Histoire du Portugal, in-4.º, cap. XI, p. 159. (742) Vide Documentos inéditos do Arquivo dos Governadores em Pangim. (743) CAMÕES – Lusíadas, canto X, estância LIX. (744) LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno, artigo «Carrazeda de Anciães». (745) MACEDO – Olisyp., canto XII, est. LXII. Fernão Lopes de Castanheda, na História dos descobrimentos da Índia pelos portugueses, refere-se largamente a este grande bragançano.

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SAMPAIO

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Embora muitos escritores censurem a Lopo Vaz de Sampaio a extrema ambição, a ilegalidade e iniquidade da sua conduta, todos concordam que «se mostrou digno de exercer o governo da India». SAMPAIO (Manuel Diogo de Sampaio Melo e Castro) – Capitão de infantaria nº 24, que estava na praça de Almeida em 1810 quando se deu o desastre (746). SAMPAIO (Miguel de Melo Vaz de) – Natural de Ribalonga (?), concelho de Carrazeda de Ansiães. Antigo oficial da armada real portuguesa, cavaleiro das ordens da Torre e Espada e de S. Bento de Avis, condecorado com as medalhas militares de prata de comportamento exemplar e da rainha D. Amélia, comemorativa das campanhas de África, com as legendas «Namarrais» e «Camboemba». Assentou praça na Escola Naval em 1889; foi promovido a guarda-marinha em 1892, a 2.º tenente em 1895 e a 1.º em 1902, tendo sido comandante da Escola de Alunos Marinheiros – corveta «Estefânia» – surta no rio Douro, Massarelos, Porto. Em 1910, com a proclamação da República, abandonou a carreira militar e foi para o estrangeiro, de onde só regressou em 1914. É filho de Manuel de Melo Vaz de Sampaio, senhor das casas de Ribalonga e de Espinhosa, em Trás-os-Montes, e de D. Inês Cândida Vaz Guedes Pereira Pinto Bacelar, senhora da casa de Vilar de Ossos, concelho de Vinhais, filha dos terceiros viscondes de Montalegre. Casou duas vezes: a primeira, em 1900 com sua prima D. Maria dos Prazeres da Silva da Fonseca de Meneses Cirne, e a segunda em 1910 com sua cunhada D. Maria Henriqueta, ambas filhas de Pedro da Silva da Fonseca de Cerveira Leite e Bourbon, senhor da casa de Ramalde, no Porto, e de D. Mariana Augusta da Silva Freitas de Meneses de Sousa Cirne, senhora da casa da Fábrica, da mesma cidade. Tem uma filha do primeiro casamento. Escreveu: Tentativas genealógicas ou Esboço dum nobiliário da família Melo e Sampaio, das casas de Ribalonga e Espinhosa, e seus parentes. 1899-1900. Manuscrito, fólio de I-XII-273 págs., com o brasão de Sampaio e Melo e árvore de costado dos actuais representantes da família do autor. Trata das famílias: Almeida, Araújo, Azevedo, Bacelar, Baía, Bourbon, Brito, Cirne, Carvalho, Cerveira, Chaves, Barroso, Gama, Guedes, Leite Pereira, Lemos, Magalhães, Madureira, Melo, Morais, Meneses, Noronha, Pinto, Pimentel, Portugal, Pereira de Penedono, Pereira, Rebelo de Sousa, Sam-

(746) Ver tomo I, p. 165, destas Memórias.

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SAMPAIO

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SANTA ANA

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paio, Silva da Fonseca, Sotomaior, Sá de Albergaria, Silva, Teixeira, Távora, Vasconcelos e Vanzeler. Guerra Peninsular – 1.º Visconde de Montalegre – Um documento histórico importante. Artigo publicado no jornal de Lisboa Portugal em 1910, sem nome de autor (747). SANTA ANA (Frei Diogo de) – Augustiniano. Professou no convento da Graça de Lisboa em 1594 e faleceu em Goa a 6 de Outubro de 1646. Era natural de Vila Franca de Lampaças, distrito de Bragança, e formado pela Universidade de Salamanca. Missionou na Índia e foi provincial dos Gracianos e deputado da inquisição de Goa. Era filho de Manuel de Morais Pimentel e de D. Isabel de Morais. Deixou manuscrita a seguinte obra, de que existe uma cópia in-4.º, de 39 fls., com assinatura autógrafa do autor, na Biblioteca Nacional de Lisboa, nº 64 da secção de «Mass. Col. Pombalina»: Memorial fidelíssimo da nobilíssima ascendência e antiga genealogia de Bento de Morais Pimentel, cofre do antiquíssimo e nobilíssimo apelido dos Morais Pimentéis, cujo solar é o castelo de Bragança, nos reinos de Portugal e Província de Trás-os-Montes. 1638 (748). Instruções para a oração e um Vocabulário. Verdadeira relação do grande e portentoso milagre que aconteceu em Santo Crucifixo do coro da igreja das Freiras de Santa Maria de Goa, em 8 de Fevereiro de 1636. Lisboa, 1640. SANTA ÁQUILA, S. Arcádio, S. Domício, S. Epárquio, Santa Pelágia, S. Teodósio, S. Galicano Ovino, S. João e S. Paulo são apontados ainda por alguns escritores menos criteriosos como naturais de Bragança, apesar da carência de fundamento sério para tal, como demonstrámos no tomo I, pág. 11, destas Memórias. SANTA BÁRBARA (barão de) – Bernardo Baptista da Fonseca e Sousa Morais Sá Pereira do Lago foi agraciado com aquele título em atenção aos seus feitos militares prestados durante a guerra peninsular e lutas constitucionais (749).

(747) SOARES, Eduardo de Campos de Castro de Azevedo (Carcavelos) – Bibliografia Nobiliárquica Portuguesa, 1916, vol. II, p. 223, e tomo VI, p. 419, destas Memórias. (748) SOARES, Eduardo de Campos de Castro de Azevedo (Carcavelos) – Bibliografia Nobiliárquica Portuguesa; CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular, artigo «Santa Ana (Frei Diogo)», e SILVA, Inocêncio F. da –Dicionário Bibliográfico. (749) Ver tomo VI, p. 141, destas Memórias.

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SANTA CLARA

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SANTA CLARA (Frei Sebastião de) – Missionário do extinto seminário de Vinhais. Nasceu em Carvas, freguesia de Valongo, concelho de Murça, a 29 de Janeiro de 1785; no baptismo recebeu o nome de Manuel, que mudou para Sebastião na profissão monástica. Frei Sebastião era um panfletário violento, sustentando o pensar dos mónacos em muitos escritos que deixou manuscritos (750). Escreveu: Voz da Verdade aos portugueses seduzidos pelo erro. «Opusculo impresso, segundo creio, em 1836 e que provocou em resposta um Exame critico, publicado ao que parece no mesmo anno. Nem um nem outro escrito me foi possivel ver» (751). Fomos nós mais felizes, pois no artigo «Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda» damos a descrição desse escrito. Frei Sebastião de Santa Clara era irmão de Ana da Costa ou Maria Ana da Costa, mulher de José Gonçalves, avós do notável orador sagrado padre Joaquim da Costa, da Companhia de Jesus. Diz-se que Frei Sebastião faleceu em Arrifana, concelho de Macedo de Cavaleiros; nada, porém, se sabe ao certo. Na lista dos frades existentes ao tempo da supressão das ordens religiosas não figura o seu nome, devido talvez à sua intransigência política, que lhe não permitia apresentar-se à autoridade eclesiástica secular, reputada cismática (752). Andava escondido por casa de pessoas amigas e provavelmente o seu óbito não constou oficialmente, sendo enterrado a ocultas, como sucedeu a várias outras pessoas. De uma carta do padre Domingos Pires, pároco de Castelãos, concelho de Macedo de Cavaleiros, dirigida ao padre Joaquim da Costa, acima citado, recortamos estas notícias: «Estiveram em casa das Almendras, de Arrifana, concelho de Macedo, dois franciscanos durante sete anos. Vieram de Chacim, e um deles, muito conceituado pela sua virtude, chamava-se Sebastião; do outro não sabem o nome. Viviam sob o mais rigoroso sigilo, tendo muitas vezes de sair de casa para se esconderem nos montes. Eram, porém, muito procurados pelas pessoas de piedade, que lhes davam as suas esmolas. Foram depois para Moredo, concelho de Bragança não sabendo se ali morreram». «Frei Sebastião – diz noutra carta o pároco de Salsas, freguesia a que pertence Moredo – veio aqui aportar, mas nem ele nem algum dos seus fizeram a tal capela. Diz-se que um homem de Arcozelo é que lh’a mandou fazer, prestando ele aqui os seus serviços. Diz-se ainda que êste frade era de

(750) Vide o que dissemos ao tratar do bispo D. José da Silva Rebelo e de Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda. (751) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico. (752) Ver tomo IV, p. 579, destas Memórias.

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SANTA CLARA

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Vinhais... Aqui não ha documentos, nem se sabe qual é a campa em que foi sepultado». O padre Joaquim da Costa, desejoso de esclarecer a vida do seu parente e supondo que de Moredo tivesse ido para Moncorvo, segundo o informe que lhe deu uma pessoa velha de Vinhais, escreveu sobre o assunto ao reverendo José Augusto Tavares, abade de Carviçais, e este respondeu: «Quando eu era criança (nasci em 1868) ouvi falar de um frade que vivia na freguezia da Açoreira, dêste concelho (Moncorvo), chamado vulgarmente “Padre Manuelico”, um varão de excelente virtude, um grande orador sagrado e muito esmoler, a ponto de morrer sem sapatos – diziam os seus colegas antigos. Ainda hoje se fala nele como um verdadeiro santo. Seria este o Frei Sebastião de Vinhais ou seria outro?». Transcrevemos estas passagens das cartas citadas, embora pouco adiantem, porque algo fazem à vida de perseguidos que os egressos anticonstitucionais levavam. Refere-se ao nosso biografado o documento seguinte, dirigido pelo governador civil de Bragança ao seu colega de Braga: «Sendo muito conveniente capturar-se o famoso sectario da uzurpação Fr. Sebastião que pertenceo ao extincto convento de Vinhaes; e constando-me que o convento da Falperra está arrendado a um Donato dos mesmos sentimentos e como o dito convento esteja situado em lugar ermo, pode muito bem acontecer que o dito Fr. Sebastião esteja alli homiziado, porque consta ter desaparecido d’estes sitios, acompanhado d’outro individuo de desconfiança, o qual em alguns dias tornou a aparecer. Na busca que V. Ex.ª fará dar, se assim o julgar conveniente, talvez se encontrem no mesmo convento outras pessoas perigosas á segurança publica. Sou informado d’esta circumstancia por pessoa de confiança que não era capaz de me illudir. V. Ex.ª porém dará a esta communicação o valor que o seu prudente arbitrio lhe dictar. Deus Guarde. Bragança, 6 de Julho de 1836» (753). Nos «Códices Avulsos desde 1834 a 1835», fólio 88 v, «Livro I, Ministério do Reino 1835 a 1837», fólio 34, e «2.ª Direcção de Avulsos 1837 a 1838», fólio 158, manuscritos existentes no Museu Regional de Bragança, há várias cartas dos governadores civis às autoridades subordinadas, escri-

(753) Livro I e II Confidencial, existente no arquivo do Museu Regional de Bragança. Este livro foi para ali do governo civil deste distrito.

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SANTA CLARA

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SANTO ALBERTO

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tas entre 1834 e Junho de 1838, recomendando com a máxima urgência a prisão de Frei Sebastião de Santa Clara, quase pondo-lhe a cabeça a pregão, tal a vontade que lhe tinham. Entre os mais entusiasmados por essa captura, destaca-se Domingos António Pessanha, capitão da Guarda Nacional da Torre de Dona Chama, e o secretário da Câmara Municipal de Santalha, concelho extinto hoje e incorporado no de Vinhais. Sendo os Pessanhas tão preponderantes em todo o concelho de Mirandela e no de Macedo de Cavaleiros e por ambos eles a sua família tão espalhada, tendo não menos influência neste último concelho e no de Bragança a família do visconde de Paradinha de Outeiro e no de Moncorvo a do general Claudino Pimentel, todos fogosos constitucionais, não duvidando este último propor nas cortes o incêndio de algumas povoações miguelistas suas vizinhas, e não sendo possível, apesar de tão apertadas ordens, prenderem o frade, de quem desaparece o rasto pelos anos de 1838, parece-nos que ele se ausentou logo do distrito de Bragança e morreria por este tempo, pois seria difícil, por mais que se ocultasse, escapar à sanha dos seus perseguidores. SANTO ALBERTO (Frei Gonçalo de) – Natural da Matela, concelho do Vimioso; faleceu em Évora a 23 de Setembro de 1624 e aí jaz no convento dos carmelitas descalços de Nossa Senhora dos Remédios, a cuja ordem pertencia. O Hagiológio Lusitano diz que faleceu a 10 de Abril, mas devemos seguir a versão do cronista da ordem. Era filho de pobres lavradores, e foi talvez como criado com mancebos de Miranda para Salamanca onde estudava cânones, aplicando-se nas horas vagas ao estudo do latim, que em dois anos que ali esteve aprendeu regularmente. Entrou depois para o convento dos carmelitas descalços de Salamanca, mas não consta o dia nem o ano. Em 1610 veio para Portugal e foi feito conventual do convento de Lisboa, onde se notabilizou pelas virtudes da paciência, penitência e humildade, como as crónicas da ordem memoram. Em Abril de 1611 esteve prestes a marchar para a missão do Congo, que havia pedido ardendo no desejo de pregar aos infiéis a palavra divina, o que não se realizou por ter revogado a licença o geral da ordem. Foi depois passar um ano no deserto de Bularque, na província de Castela-a-Nova, no convento que aí tinha a sua ordem, vindo depois para o convento de Évora, onde morreu. O seguinte facto, relatado mui sinceramente pelo cronista da ordem, mostra bem quanto Frei Gonçalo era invulnerável às tentações chichais: «Uma bonita molher teve artes de se introduzir de noite no aposento do nosso Gonçalo quando estava ainda em Salamanca, “parecendo-lhe que MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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SANTO ALBERTO

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SANTO ÂNGELO

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sua bella figura ajudada da ocasião renderia o mancebo” pois não houve nada d’isso; o pudico mancebo correu sobre ella com um facheiro de palhas obrigando-a a fugir “mais fria de medo do que alli veio amante”» diz a crónica. Devia ser isso! (754) Lá diz o Hagiológio Lusitano, referente ao dia 10 de Abril, onde memora as virtudes do nosso conterrâneo, que era para notar «o rigor com que castigava a rebeldia da carne e a reduzia ao spiritu». SANTO ÂNGELO (Frei Domingos de) – Carmelita descalço, natural de S. Martinho do Peso, concelho do Mogadouro, onde nasceu pelos anos de 1562, falecendo no colégio de Figueiró a 17 de Dezembro de 1638. Foi cursar a Universidade de Salamanca, onde logo deu mostras do seu grande talento, «que parecia ter por materna a lingua latina», diz a crónica de onde tiramos estes apontamentos, e por isso o proveram na cadeira de retórica dessa Universidade, onde se tornou tão distinto, no dizer das mesmas crónicas, «que a fama não se cançava de pregar que renascera n’elle Tullio e tornara ao mundo Quintiliano». Regeu esta cadeira até que Filipe II, desejando fundar no convento de S. Bento do Escorial [11], da ordem de S. Jerónimo, uma secção de estudos, pediu catedráticos a Salamanca e entre outros foi-lhe enviado o nosso conterrâneo, que continuou no Escorial as suas eruditas prelecções de retórica. A convivência com os frades levou-o a abraçar a ordem, onde, concluído o noviciado, se ordenou de presbítero, mas permaneceu nela pouco tempo – apenas nove anos –, pois a insinuações de D. Frei Diogo de Hiepes, bispo de Tarragona, que lhe obteve «Breve de transição» do papa Clemente VIII, passou para a ordem dos descalços do Carmo, reformada por Santa Teresa de Jesus, confessada do mesmo bispo, e entrou no convento de S. Pedro de Pastrana na província de Castela-a-Nova. Não foi dos primeiros frades que em 1585 foram missionar para o México quando para ali partiu D. Álvaro Manrique de Zuniga, marquês de Vila Manrique, com o título de vice-rei, como querem alguns escritores, mas foi imediatamente após estes, e por isso é chamado um dos fundadores da província de Santo Alberto dos Índios de Espanha, pois assistiu com os primeiros ao levantamento dos alicerces do convento de S. Sebastião do México. Ali prestou grandes serviços na conversão daquela gentilidade, e de tal ordem que o diabo os invejava e se punha mesmo levado de mil diabos pelas almas que o nosso frade lhe arrebanhava. Um dia, o pobre diabo, não podendo já sofrer mais, impingiu-se como criado em casa de um ricaço, recentemente convertido, no intuito de o precipitar nos infernos (754) SANTA ANA, Belchior de, Frei – Crónica dos Carmelitas descalços particular de Portugal e Província de S. Filipe, tomo I, livro III, cap. XXVI, n.os 739 a 744, p. 511.

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SANTOS

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mal o visse caído em pecado mortal. Mas Frei Domingos, que não dormia e tinha dedo para aquelas coisas, pespegou com a benta estola em cima do lombo do diabo e logo a seguir uma boa dose de exorcismos, dos quais o demónio se deu por bem feliz em o deixar escapulir, sem mais nunca ter tentações de mexer com os conversos do nosso conterrâneo. Pela comunidade do México foi depois mandado a Roma para obterem a erecção de província independente da de Espanha, escapado de um naufrágio e de um ladrão que se deixou embaçar pelo frade, chegou a Roma mas nada conseguiu, e foi até preso por mandado do geral da ordem e remetido para Madrid, onde o puniram, não pela pretensão, que era justa e tanto que foi depois atendida, mas pelo modo como a queriam levar a cabo. Pouco depois foi mandado para o convento de Lisboa, da sua ordem na província de Portugal, onde exerceu como castigo, durante alguns anos, o lugar de sacristão. No capítulo geral de 1616 foi eleito prior do convento de Aveiro, recentemente fundado, sendo o primeiro que o governou com este título, porque o seu antecessor, Frei José Maria, tivera o de vigário. Com esmolas que conseguiu aumentou grandemente esta casa de Aveiro, comprando o terreno para a fundação na rua de S. Paulo, junto ao lugar da Sé, lançando a primeira pedra e levantando o convento em condições habitáveis, pois os religiosos tinham vivido até aí numas casas de empréstimo, pertencentes a Gil Homem da Costa. Findo o triénio do seu priorado, voltou para o convento de Lisboa e depois para o de Figueiró, transferência por ele mesmo pedida ao provincial por ser mais retirado do bulício do mundo e conseguintemente mais próprio para acabar sossegadamente seus dias na meditação das coisas divinas, onde efectivamente veio a falecer com fama de virtudes reais, deixadas as pieguices chochas das crónicas da ordem (755). SANTOS (Bernardo Pereira dos) – Há dele umas conclusões teológicas (tese) impressas em três planas em seda cor-de-laranja, servindo de véu de cálix, existente na capela de Azibeiro, freguesia de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, dedicadas a Nossa Senhora da Penha de França, venerada na mesma capela. Não indicam tipografia nem ano de impressão. Ao ilustrado abade de Podence, reverendo Vicente Carneiro, agradecemos esta notícia. É possível que o autor fosse natural da referida povoação de Azibeiro. S ANTOS (Valentim Marcelino dos) – Doutor nas faculdades de leis e cânones da Universidade de Coimbra, formado em 1826. Foi juiz de fora (755) SANTA ANA, Belchior de – Crónica dos Carmelitas descalços …, livro VI, tomo II, cap. XXVIII a XXXIII, p. 714 e seg.

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SANTOS

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SANTOS JÚNIOR

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SÃO JOÃO

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SÃO JOSÉ

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em Freixo de Espada à Cinta em Junho de 1834, deputado às cortes constituintes em 1837 e juiz de direito efectivo em 1841, cargo que exerceu em várias comarcas, a última das quais foi na da Fronteira. Nasceu em Poiares, comarca de Moncorvo, pelos anos de 1794 e faleceu nos fins de 1861 ou princípios de 1862. Escreveu: Cartas ao Sr. Francisco Jerónimo da Silva, acerca da Arquiconfraria do Santíssimo Coração de Maria. Porto, 1846. 8.º Juntamente com José Estêvão Coelho de Magalhães e Manuel António de Vasconcelos foi primeiro fundador e redactor de O Tempo, jornal político começado em 1838, que mais tarde se converteu na Revolução de Setembro. «Tenho ideia – diz o autor que vamos seguindo – que ainda collaborou posteriormente em algumas folhas politicas do Porto, pertencentes ao partido progressista, ou de opposição aos ministerios do conde de Thomar, mas não posso dizer a certeza» (756). SANTOS JÚNIOR (Doutor Joaquim Rodrigues dos) – Assistente da Faculdade de Ciências do Porto e preparador-conservador do Museu Antropológico da mesma. Nasceu em Barcelos a 21 de Maio de 1901; filho de Joaquim Rodrigues dos Santos e de D. Maria Luísa Cardoso. Além de várias publicações que nada fazem ao nosso propósito, escreveu: Estudo antropológico e etnográfico da população de S. Pedro (Mogadouro). Separata dos «Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia». Porto, 1924. 8.º de 102 págs., com muitas ilustrações. Tem em preparação: Notas de medicina popular transmontana; Notas sobre o Castro da Cigadonha (Carviçais); O Centro Oleiro de Felgar (Moncorvo), notas etnográficas; O dólmen de Vilarinha da Castanheira; Notas sobre a Civitas Baniensis (Vilariça – Moncorvo); Estudo antropológico e etnográfico dos transmontanos de Moncorvo; O transmontano (judeu?) de Vilarinho dos Galegos e algumas considerações sobre os seus usos e costumes, e Contribuição para o estudo do espólio osteológico das grutas de Santo Adrião (Vimioso). SÃO JOÃO (Luís Álvares de Távora, conde de) – Governador das armas da província de Trás-os-Montes pelos anos de 1661 (757). SÃO JOSÉ (Frei Caetano de) – Virtuoso frade grilo (agostinho descalço), que professou no convento de Setúbal a 23 de Janeiro de 1786. Era natural de Zoio, concelho de Bragança (758). (756) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico. (757) Ver tomo I, p. 96 e 97, e tomo IV, p. 540 e 555, destas Memórias. (758) LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno, artigo «Zoio».

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SÃO JOSÉ

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SARAIVA DA GUERRA

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SARMENTO

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SÃO JOSÉ (Frei Diogo de) – Chamado no século Diogo Sobrinho, filho da «famosa Cecilia de Merillas» e de António Sobrinho, português, natural de Bragança; nasceu em Valladolid em 1562. Tomou ordens de presbítero, conviveu intimamente com o cardeal D. Rodrigo de Castro, arcebispo de Sevilha, professou em 1594 na ordem dos carmelitas descalços e foi um dos fundadores da Tebaida das Batuecas. Foi prior do convento de Segóvia, provincial da província de Castela-a-Velha e definidor geral da sua ordem. Faleceu em 1623 no convento de Velez. Escreveu: Compendio de las fiestas solenes que en toda la España se hicieron en la beatificación de nuestra madre Santa Tereza. 1613. Formulário de secretários (manuscrito). Discursos de um perfeito superior (idem). História da Religião dos Carmelitas Descalços (idem). SÃO JOSÉ (Frei Manuel de) – Trino, natural de Miranda. Escreveu: Sermão gratulatório no tríduo que, em acção de graças pela prodigiosa preservação de sua majestade fidelíssima o senhor D. José I, e melhoria da sua saúde, celebrou o senado da Câmara Municipal de Miranda, etc. Salamanca, 1760. 4.º de 6 (inum.)-28 págs. (759). SARAIVA DA GUERRA (Henrique Daniel) – Das suas benemerências fala o seguinte documento: «São bem conhecidos os relevantes serviços, que quando Parocho de Poiares [concelho de Freixo de Espada à Cinta] e depois na freguezia de Alfama, prestou á religião e ao Estado por ocasião do terrivel flagelo do Cholera-morbus e febre amarella, pelo que não só grangeou a estima geral, mas tambem mereceu o ser condecorado com o habito de N. S. da Conceição e o ser apresentado sem fazer concurso na freguezia de Alfama» (760) [12]. SARMENTO (Alexandre Tomás de Morais) – Primeiro visconde do Banho; nasceu na cidade da Baía (Brasil) a 11 de Abril de 1786 (761). Escreveu: Apontamentos gerais para um sistema provisional da pública administração, logo que seja restaurada a legítima autoridade da Rainha Fidelíssima a Senhora Dona Maria Segunda; fundado na Carta, e nos hábitos formados pelo direito consuetudinário, e legislação pátria. Londres, 1832. 1 vol. 4.º

(759) Dicionário Bibliográfico, tomo XVI. (760) Informações da autoridade eclesiástica, maço Correspondência no Museu Regional de Bragança. (761) Ver tomo VI, p. 312, destas Memórias.

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SARMENTO

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Adscrito ao nome de Alexandre Tomás de Morais Sarmento encontrámos mais: Rusell de Albuquerque – Conto por Um Português. Sintra (Londres) Printed by L. Thompson. Ano de 1883. 8.º de XXVI-336 págs. É livro não vulgar. SARMENTO (Francisco Caetano de Sousa) – Natural de Alfândega da Fé, clérigo in minoribus, doutor formado em cânones pela Universidade de Coimbra. Nasceu a 7 de Agosto de 1728 e morreu no Porto, onde era abade de Miragaia, a 26 de Maio de 1758 (762). SARMENTO (Matilde Rosa) – Filha do doutor António José Pinheiro de Figueiredo Sarmento (763) e de D. Ana Maria de Sousa Rosa, paroquianos desta freguesia de Santo António de Vila Nova (anexa de Mirandela), nasceu a 20 de Janeiro de 1796; neta paterna do capitão Miguel Pires Pinheiro e de D. Luzia Esteves de Figueiredo, de Rabal, e materna do capitão Domingos Pires Rosa e de D. Maria Rosa, da quinta de Golfeiras, freguesia de Mirandela. Foi padrinho o doutor Luís António de Sousa, abade de Sobreiró. («Livro dos baptizados de Vila Nova, Mirandela, de 1568 a 1796»). Doutor António José de Figueiredo e sua mulher D. Ana Pinto, ambos de Contins, foram padrinhos de um neófito a quem deram o nome de Francisco, nascido em Vila Nova em 1788. António Pinto, do lugar de Abambres, e sua neta D. Ana Pinto Pinheiro, do lugar de Vila Nova, foram padrinhos em 1794 de uma Ana Joaquina, de Vila Nova das Patas. À margem deste assento há uma nota moderna que diz a propósito do padrinho: «o fidalgo António Pinto de Abambres». Portanto, esta neta é filha do Pinheiro e a mulher dele deve ser filha do fidalgo de Abambres ou de sua família. Francisco António de Araújo, capitão-mor de Frechas, e sua mulher D. Joaquina foram padrinhos em 1794 de uma Joaquina nascida em Mirandela. Francisco, filho do capitão-mor de Mirandela, Francisco Manuel da Veiga de Sequeira Baía Sarmento e de D. Luísa Antónia Benedita de Morais da Mesquita e Sousa, de Selores, nasceu a 18 de Abril de 1795 em Mirandela; neto paterno de António da Veiga de Sequeira, capitão-mor aposentado, e de D. Maria Joaquina de Sá Sarmento, de Chacim e aquele de Mirandela, e materno de Nicolau de Sousa Gomes e de D. Leonor Luísa de Morais da Mesquita Pimentel, natural do lugar de Selores, concelho de Carrazeda (762) LEAL, Pinho; FERREIRA, Pedro A. – Portugal Antigo e Moderno, artigo «Miragaia». (763) Ver tomo VI, p. 403, destas Memórias.

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de Ansiães. Foram padrinhos: o tenente de cavalaria Luís Manuel de Morais da Mesquita Pimentel e Sousa, tio materno do baptizado, e a avó paterna. («Livro dos baptizados de Mirandela», fl. 34 v.) Cândida, filha dos mesmos, nasceu a 7 de Janeiro de 1797. António, irmão da precedente, nasceu a 6 de Setembro de 1798. Maria, irmã dos antecedentes, nasceu a 10 de Fevereiro de 1800; desta foram padrinhos: Francisco Xavier de Morais da Mesquita, prior de Nossa Senhora da Assunção, da vila de Cernache, e sua irmã D. Leonor Maria da Encarnação de Morais da Mesquita, naturais de Selores, tios maternos da baptizada. Joaquina Barbosa, irmã dos precedentes, nasceu, como todos os seus irmãos, em Mirandela a 25 de Agosto de 1802. SARMENTO (Estêvão de Morais) – Governador de Vinhais, que se distinguiu nas guerras da aclamação – 1640-1668 (764). SARMENTO (Francisco José) – Fidalgo da casa real, cavaleiro professo da ordem de Cristo e sargento-mor do regimento de dragões de Castelo Branco. Nasceu no Vimioso (alguns escritores, porém, dizem que nasceu em Bragança) em 1700; ignora-se a data do seu falecimento. Era filho de Pedro Ferreira de Sá Sarmento. Foi general e governador da província de Trás-os-Montes em 1762, e por ocasião da invasão espanhola houve-se com valor. Escreveu: Instrução militar para o serviço da cavalaria e dragões. Lisboa, 1723. 4.º de XX-157 págs. com um mapa. SARMENTO (Jacob de Castro) – Famoso escritor judeu, nascido em Bragança em 1691 (765). SARMENTO (José Joaquim de Morais) – Nasceu em Bragança a 31 de Janeiro de 1804, se bem que a sua família residia em Barreiros, concelho de Valpaços. Feitos os preparatórios em Coimbra e o primeiro ano do curso de matemática, foi para Paris onde seguiu o de medicina, em que se doutorou. Foi preparador dos cursos de medicina e de química do professor Duvergie, e tendo frequentado o laboratório da casa da moeda, ficou habilitado para as funções de contrastador. Em 1827 foi nomeado professor da Sociedade das Boas Letras de Paris, de que era presidente Chateaubriand e à qual pertenciam Lamartine, Vítor Hugo e outros; foi intérprete de línguas junto do ministério dos Negócios (764) Ver tomo I, p. 104, destas Memórias. (765) Ibidem, tomo V, p. XCV.

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Estrangeiros e colaborou em 1824 nos Novos Anais das Ciências e Artes e no Arquivo dos Conhecimentos Úteis, ambas publicações francesas. Ameaçado de grave moléstia pulmonar, deixou Paris e foi para o Recife, na província de Pernambuco, naturalizando-se cidadão brasileiro. Recusou os cargos de professor do liceu de Pernambuco e do Ginásio do Recife, organizou a Sociedade de Medicina Pernambucana e colaborou nos Anais dessa Sociedade, no Diário de Pernambuco e no Progressista. Foi chamado para prestar serviço em todas as epidemias de cólera e febre amarela e exerceu a clínica sem aceitar retribuição. Foi médico do Hospital Português e director do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, que auxiliou pecuniária e inteligentemente, concorrendo muito para o seu desenvolvimento. Em 1838 foi eleito membro correspondente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa; pertenceu também à Sociedade Lineana de Bordéus e a outras corporações, e era cavaleiro da Legião da Honra, comendador da ordem de Cristo e oficial da da Rosa, do Brasil. Escreveu: Memória comparativa dos trabalhos de medicina legal de Orfila e Duvergie. Nos Arquivos dos Conhecimentos Úteis. Notícia necrológica do Sr. Joaquim Jerónimo Serpa. No Arquivo Médico Brasileiro, IV, de 1848, pág. 92. Saíra antes nos Anais da Medicina Pernambucana, 1844. Observações meteorológicas feitas em Pernambuco em os anos de 1842 a 1844, com análises da quantidade de ácido carbónico contido no ar. V. Actas da sessão da Academia das Ciências de Paris (28 de Julho de 1851, tomo XXXII). Notícia biográfica do dr. José Eustáquio Gomes. Recife, na tip. de M. F. de Faria, 1854. 4.º com retrato. Discurso pronunciado na abertura das aulas do Ginásio Pernambucano. Pernambuco, na tip. de Santos & C.ª, 1856. 8.º de 37 págs. Reforma eleitoral – Eleição directa. Colecção de... artigos... (de José Joaquim de Morais Sarmento e outros). Recife, na tip. Universal, 1862. 4.º 14362 págs. e uma de índice. Notícia biográfica do conselheiro Francisco Xavier Pais Barreto. Recife, na tip. do Jornal do Recife, 1865. 8.º gr. de 51 págs. com retrato (766). SARMENTO (José Vicente de Abreu) – Tenente-coronel, que se distinguiu em 1808 na revolta contra os franceses em Bragança (767). (766) Dicionário Bibliográfico, tomo XIII, p. 33. (767) Ver tomo I, p. 131, destas Memórias.

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SARMENTO

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SARMENTO DE MACEDO

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SARMENTO (Manuel António) – Oficial de infantaria nº 24, que estava na praça de Almeida em 1810 quando se deu a formidável explosão (768). SARMENTO (Manuel Ferreira de Sá) – Sargento-mor do exército, que igualmente se distinguiu na mencionada revolta (769). SARMENTO (Matias José) – Há dele uma tese sobre direito canónico, defendida (em Coimbra?) em 1738. É dedicada à Virgem da Soledade (sem mais indicação de lugar) e impressa de frente em três planas, num véu de cálix, seda cor-de-laranja, com larga tarja muito ornamentada. Tip. de Francisco de Oliveira (de Coimbra?). SARMENTO (Pedro de Mariz) – Cavaleiro da ordem de Cristo, do conselho da rainha D. Maria Ana, de Áustria, alcaide-mor de Bragança em 1671, desembargador da Casa da Suplicação e provedor da Alfândega de Lisboa. Nasceu em Bragança; era filho de Manuel de Mariz Sarmento e de D. Mariana de Lobão e sobrinho de Pedro de Figueiredo Sarmento, que também foi alcaide-mor de Bragança por carta de 12 de Outubro de 1688 (770). Escreveu: Famílias portuguesas (manuscrito). Árvores de costado (idem). Título dos dourados (idem de 18 págs.). Autógrafo encadernado; pertenceu à livraria do conde de Castro e Sola (771). SARMENTO (Tomás Inácio de Morais) – Desembargador, natural de Moncorvo. Tomou parte na revolta contra os franceses em 1808 (772). SARMENTO DE MACEDO (António Maurício) – Doutor em medicina. Nasceu em Pinhovelo, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 1 de Setembro de 1876; é filho de Francisco Bernardino Sarmento de Macedo e de D. Maria Josefina de Sousa Freire Pimentel. Fez os estudos liceais em Bragança e os de medicina no Porto, onde terminou o curso em 1901. Escreveu: Analgesia cirúrgica por injecções subaracnóides de cocaína – Tese inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Porto, Tip. da Real Oficina de S. José, 1901. 1 vol. 8.º (768) Ibidem, p. 166. (769) Ver tomo I, p. 130 e 139, destas Memórias. (770) Ver tomo I, p. 264, destas Memórias. (771) SOARES, de Campos de Castro de Azevedo – Bibliografia Nobiliárquica Portuguesa, 1913, tomo III. (772) Ver tomo I, p. 136, e tomo VI, p. 323, destas Memórias.

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SEDA

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SEABRA (Antero Falcão Leite Pereira de) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em 1890, juiz da Relação do Porto, em cuja cidade faleceu a 19 de Janeiro de 1928, tendo nascido em Vila Flor a 17 de Janeiro de 1864. Era filho do doutor Jorge Leite Pereira de Almeida e Seabra (advogado, deputado às cortes em 1870 e recebedor na comarca de Vinhais, natural de Vila Flor, falecido em Março de 1906), e de D. Cândida Francisca Fernandes Falcão, natural de Pousa Flores, concelho de Miranda do Corvo, prima do lente de matemática doutor José Falcão. Casou na cidade de Castelo Branco. Escreveu: Breves apontamentos para a história genealógica de algumas famílias da província. Saiu na Enciclopédia das Famílias, anos de 1902 e 1903 (773). SEABRA (Jorge Leite Pereira de Almeida e) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em 1858, recebedor da comarca de Vinhais, falecendo ali a 15 de Março de 1906, havendo nascido em Vila Flor a 11 de Agosto de 1835. Foi deputado em 1870 pelo círculo de Mirandela e administrador do concelho e presidente da câmara municipal na sua terra natal. Ver tomo VI, págs. 514 e 517, destas Memórias e, neste volume, o artigo Seabra (Antero Falcão Leite Pereira de). O Primeiro de Janeiro de 23 de Março de 1906 inseriu o seu necrológio. SEDA – Para a bibliografia referente ao fabrico da seda, ver tomo II, pág. 470, destas Memórias, onde tratámos largamente desta indústria no distrito de Bragança. «1 – CAETANO FILIPE ARNAUD, piemontez de nação (Italia), impregado na fabrica de sedas de Chacim, concelho de Macedo de Cavaleiros, filho de José Maria Arnaud e de Victoria Arnaud, naturaes de Turim (Italia), nascido a 27 de Março de 1766, proclamou-se em 1793 para casar com Rosaria Gonçalves, de Carviçaes, concelho de Moncorvo, moradora em Chacim, impregada na mesma fabrica, filha de José Gonçalves Matias e de Maria João» (774). Ignoramos se este é Caetano Arnaud, director da criação e fiação de seda na fábrica de Chacim, mencionado como sócio correspondente da Academia Real das Ciências em 1817 pelo Almanaque de Lisboa desse ano. «2 – FILIPE ARNAUD, piemontez de nação, residente em Chacim, onde era director da fabrica do Filaterio e Escolas de Fiação da Sêda, requereu em Junho de 1790 dispensa de banhos para casar com Rita Joana, de Valverde, (773) Ver tomo VI, p. 514 e 517, destas Memórias. (774) Museu Regional de Bragança, maço Casamentos – Chacim.

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termo de Bragança, filha de Xavier Braz, de Valverde, e de Maria Fernandes Soares, de Freixedelo» (775). «3 – VICENTE CORTE, da cidade de Mondevi, reino de Piemonte (Italia), morador em Chacim, onde era cardador de sêda, proclamou-se em 1794 para casar com Catarina Lamas, natural de Sampaio, concelho de Villa Flôr» (776). A perícia dos sericícolas bragançanos passou mesmo à literatura, segundo vemos de Jorge Ferreira de Vasconcelos, que afirma sentenciosamente: «Um engano de afeiçam he mais brando que veludo de Bragança» (777). Num pergaminho que vimos, pertencente ao doutor António Henrique de Figueiredo Sarmento, de Vilar do Monte, concelho de Macedo de Cavaleiros, exara-se uma sentença dada em Bragança a 16 de Agosto de 1480 e transcrevem-se outras duas dadas em 1477, a propósito da posse do dito lugar de Vilar do Monte, em que a folha das amoreiras vem mencionada como coisa de notável valor, de onde se conclui que só pela cultura sericícola tal facto se podia dar. Ver o artigo Sá (José António de), pág. 460 deste tomo. A fábrica de seda de Bragança esteve «quasi extincta e o senhor Rey D. Pedro a restableceo mandando vir da cidade de Toledo, officiaes e o insigne mestre Eugenio Gomes a que dava tença, e lhe pôz n’esta cidade casa pública, para ensino dos naturaes: lavrão-se roupas lizas de todo o genero, damascos, pinhoellas, velludos lizos e lavrados; consta hoje somente de 30 tornos e 350 teares, que os mais se ocupão em mantos de pezo; importa a féria dos officiaes cada dia 152:000 reis e com o consumo do fabrico se cria muita e excellente seda, nos lugares do termo; outros com o contrato a fazem provida, para o que ha Casa de Alfandega com juis, escrivão, feitor, sellador, pezador, quatro guardas de cavallo e dous de pé» (778). SEIXAS (Adriano Zózimo de Morais) – Professor de instrução primária, natural de Bemposta, concelho do Mogadouro. Faleceu em Vairão (Vila do Conde). Escreveu: Palavras dum convertido. Porto, 1926. 8.º de 173 págs. Neste volume narra o autor a sua conversão ao catolicismo.

(775) Ibidem. (776) Ibidem. (777) VASCONCELOS, J. F. de – Comédia Eufrosínia, edição de 1919, conforme a de 1561, p. 22. (778) BORGES, José Cardoso – Descrição topográfica da cidade de Bragança, manuscrito feito pelos anos de 1721-1724, fl. 7 (mihi).

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Ao nosso prestante informador doutor Casimiro Henrique de Morais Machado, do Mogadouro, devemos os elementos para este artigo. SEIXAS (Henrique) – Doutor em medicina. Nasceu em Moncorvo a 23 de Agosto de 1899; filho de João José de Seixas e de D. Guilhermina Augusta Galo. Estudou preparatórios no colégio de Lamego e no liceu de Bragança e medicina na Escola Médica do Porto. Desde 1923 tem exercido a clínica na província de Moçambique, onde é Delegado de Saúde, e tenciona ir frequentar a Paris a especialidade de «Pediatria». Escreveu: Os crimes dos epilépticos – Tese de doutoramento. Porto, 1928. 8.º de 84 págs. SEIXAS (Manuel António de) – Este capitalista, cuja fortuna se elevava a perto de dez mil contos de réis, merece que façamos aqui especial menção da sua memória, pelo bom emprego que soube fazer de seus bens. Seixas foi para Lisboa em criança a chamamento de um irmão e adquiriu ali a fortuna no comércio. Nasceu em Moncorvo em Setembro de 1808 e faleceu em Lisboa às 8 horas da noite de 9 de Outubro de 1895. Era filho de Luís Gonçalves de Seixas e de D. Francisca Inácia de Seixas, natural de Moncorvo. Foi par do reino em 1880. Depois de chamar como herdeiros dos dois terços da sua grande fortuna seus dois filhos naturais (pois nunca havia casado) Júlio Henrique de Seixas e Henrique Júlio de Seixas, distribuiu largamente o outro terço por parentes, amigos e criados. Fala assim o seu testamento: «Deixo ao hospital da villa da Torre de Moncorvo quatro contos de réis. Deixo trinta contos de inscripções para o seu rendimento ser applicado á creação em Moncorvo de uma escola de instrucção primária ou secundaria, separando-se do rendimento cento e vinte mil reis para annualmente se distribuir em roupa e calçado pelos alumnos pobres, que por seu comportamento e applicação forem dignos d’esse beneficio. A camara municipal de Moncorvo, de accordo com o ministro do Reino, são os competentes para receber o legado e dar cumprimento á minha disposição. Deixo quatro contos de reis para estabelecimentos pios e de caridade de Lisboa e dois contos de reis para os de Moncorvo, distribuidos ao prudente arbitrio dos meus testamenteiros. Deixo dois contos de reis para esmolas a pobres de Lisboa e deixo quinhentos mil reis para os pobres de Moncorvo...... Deixo á Associação dos Albergues Nocturnos de Lisboa dois contos de reis» (779). (779) O Nordeste de 15 de Outubro de 1895.

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Depois, em princípios de Janeiro de 1904, faleceu em Lisboa o capitalista Francisco António Meireles, também natural de Moncorvo, sobrinho de Manuel António Seixas, que igualmente deixou grande fortuna, adquirida no comércio daquela cidade, para onde fora de tenra idade. Era filho de Francisco António de Meireles e de Antónia Inácia de Seixas, irmã de Manuel António de Seixas. É interessante esta cláusula do testamento de Seixas, que o guinda às culminâncias de benemérito de proveitosa e grata memória: «Depois de pagos os legados acima mencionados, a remuneração aos meus testamenteiros adiante indicados, e bem assim todas as despezas que haja a fazer inherentes ao meu casal, ou que derivem das disposições d’este meu testamento, o remanescente que ficar, e esteja liquidado, se entregará ao Conselho Geral de Beneficencia, creado no ministerio do Reino, ou a qualquer outra entidade que o venha a substituir para o mesmo fim, para o dito Conselho de Beneficencia o applicar, sob as ordens e superintendencia do ministro do Reino, na fundação ou ampliação de algum estabelecimento de caridade, que mais util seja aos desvalidos, especialmente creanças desamparadas ou velhos impossibilitados; e se isto puder ser feito na villa da Torre de Moncorvo, onde nasci, é o que muito desejo, pois que é uma terra de muita miseria. No caso de que haja impossibilidade, ou grandes difficuldades em realizar esta minha disposição, os meus testamenteiros, de accordo com o ministro do Reino, providenciarão o que tiverem por melhor, no sentido que mais se harmonise com os meus desejos acima expostos, e confio no seu bom criterio, attendendo a que o meu fim com esta disposição é ser util por forma duradoura aos desventurados, preferindo a villa de Moncorvo por muitas razões» (780). A 30 de Janeiro de 1916 inaugurou-se em Moncorvo o «Asilo Francisco António de Meireles» para crianças e inválidos pobres (Diário de Notícias). As manigâncias políticas que houve com os legados Seixas e Meireles mostram bem a bandalheira que é a política entre nós e a falência que do bem geral têm os políticos. A Câmara Municipal de Moncorvo, como legatária na parte respectiva, representou ao governo em 15 de Fevereiro de 1896 pedindo a criação de uma escola secundária com dois professores, indicando as cadeiras que

(780) Gazeta de Bragança de 10 de Março de 1907 e O Nordeste de 18 de Abril do mesmo ano e de 12 de Julho de 1908.

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cada um devia reger, sendo por decreto de 11 de Março seguinte criada a «Escola Seixas». Por outro decreto de 29 de Agosto de 1905 foram colocados três professores na escola, um director e pessoal menor serventuário, regendo-se nela as disciplinas gerais do curso dos liceus até ao terceiro ano, e, como o legado Seixas não chegava para tanto, apensaram-lhe indevidamente o legado Meireles. Por decreto de 2 de Março de 1910 foi extinta esta nova fase da Escola Seixas, criando em sua substituição uma Escola Elementar de Comércio com um só professor, que ensinaria francês prático, correspondência e escrituração comercial, aritmética, geografia e economia elementar. É de ver que todas estas reviravoltas gravitavam em torno da grossa maquia que os legados Seixas-Meireles prometiam e que na imprensa e no parlamento se esmurravam reciprocamente os contendores na ânsia do bem público, sempre admirável quando exercido pelos seus apaniguados e sempre detestável no caso contrário (781). SEPÚLVEDA (António Correia de Castro), depois visconde de Ervedosa. Ver tomo I, págs. 130 e 137, e tomo VI, pág. 742, destas Memórias. SEPÚLVEDA (Cristóvão Aires de Magalhães) – Capitão de cavalaria, fecundo escritor e jornalista, lente da Escola do Exército, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e da Real Academia de História de Madrid e comendador da ordem de S. Tiago e de outras corporações científicas nacionais e estrangeiras. Nasceu em Ribandar, Goa, a 27 de Março de 1853. Foi governador civil do distrito de Bragança por decreto de 6 de Abril de 1893. A sua biografia e retrato encontram-se no Portugal – Dicionário histórico, artigo «Magalhães Sepúlveda». SEPÚLVEDA (Bernardo Correia de Castro e) – Coronel de infantaria, comendador da ordem da Torre e Espada e cavaleiro da de S. Bento de Avis. Nasceu em Bragança a 20 de Agosto de 1791 e faleceu em Paris a 9 de Abril de 1833. Era filho do tenente-general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda e D. Joana Correia de Sá Vasques e Benevides, natural do Rio de Janeiro. Fez a campanha da guerra peninsular, merecendo ser condecorado pelo rei de Espanha com a Cruz de Distinção na batalha de Albuera a 16 de Maio (781) Veja-se a Gazeta de Bragança de 19 de Julho de 1908, 17 de Janeiro de 1909 e 13 de Março de 1910; o Portugal de 13 de Setembro de 1908 e o extracto da sessão da câmara dos deputados de 8 de Julho deste último ano, bem como as publicações atrás citadas.

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de 1811 e louvado na «Ordem do dia» de 23 de Julho de 1812 pelo seu comportamento na batalha de Salamanca (782). Fazia parte do estado-maior da repartição do ajudante-general. Foi deputado às cortes constituintes em 1821 pela província de Trás-os-Montes, nas quais nunca falou; no entanto, «cumpre-nos dizer que o seu voto foi sempre liberal, e como era de esperar de um dos mais firmes apoios do systema constitucional, de um regenerador da patria e de um dos que primeiro fez soar no Douro o grito da liberdade que á causa da patria prestou relevantes serviços» (783). Em 1823 foi nomeado comandante da força armada na capital, havendo antes sido promovido a brigadeiro. Depois da queda da Constituição, em 1823, emigrou para França malquistado com todos os partidos e lá faleceu. Escreveu: Alicerce da Regeneração Portuguesa – Memória das providências e operações a bem da regeneração nacional, que o brigadeiro, etc., então coronel do regimento de infantaria nº 18 praticou em dia 24 de Agosto de 1820, e posteriormente na qualidade de deputado da Junta Suprema Provisória do Governo do Reino, etc., etc. Lisboa, na Tip. Rolandiana, sem data (mas cremos ser de 1821). 4.º de 14 págs. Este opúsculo é de tal qual importância para a história dos acontecimentos políticos daquele tempo (784). O retrato deste notável bragançano encontra-se gravado em Lisboa por G. F. de Queirós (desenho de D. A. Sequeira, 1822) na colecção de Francisco António da Silva Oeirense, intitulada «Retratos dos membros da Associação começada no Porto em 22 de Janeiro de 1818 e das mais pessoas que com eles cooperaram para a Revolução Política de 24 de Agosto de 1820» (785). Encontra-se igualmente nesta colecção o retrato de Domingos António Gil de Figueiredo Sarmento, tenente-coronel de infantaria nº 6, também outro bragançano que muito contribuiu para essa revolução. Na História de Portugal, popular e ilustrada, de Pinheiro Chagas, vol. VIII, pág. 55, vem também o retrato de Sepúlveda acompanhado de algumas notas biográficas. A 18 de Agosto de 1818 foi recebido no Sinédrio o coronel Bernardo Correia de Castro Sepúlveda, que no dia 16 desse mês entrara no Porto (782) CHABY – Excertos históricos, III parte, vol. V, p. 993, e vol. IV, p. 560. (783) Galeria dos Deputados das Cortes Gerais extraordinárias e constituintes …, p. 76. Ver tomo I, p. 130, 168 e 177, e tomo VI, p. 192, destas Memórias. (784) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico. José de Arriaga, na História da Revolução Portuguesa de 1820, p. 704, em nota, diz que este opúsculo está na Biblioteca Nacional de Lisboa, sob o título – Obras várias – H. H. 3,34. (785) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico, artigo «Retratos por ordem alfabética».

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com o regimento de infantaria nº 18. Simão José da Luz Soriano (786) diz que o Sinédrio se organizou sem cooperação maçónica; todavia, esta seita teve, mais tarde, influência sobre ele, sendo mações quase todos os seus membros, como aquele historiador demonstra contra José Maria Xavier de Araújo, que nas suas «Memórias» afirmava o contrário. Sepúlveda ficou sendo o número treze do Sinédrio, o «ultimo d’este notavel corpo e um dos mais dedicados e efficientes membros d’elle até 1823, em que se bandeou miseravelmente com o partido absolutista, que o desprezou» (787). Por último, deve entender-se na ordem cronológica, relativamente aos que o tinham precedido e também a esses treze membros que eram como que os fundadores, chefes do movimento revolucionário, e nunca julgar-se que depois essa associação não adquirisse mais membros, como efectivamente teve, e entre eles outro bragançano ilustre, que muitos e valiosos serviços prestou a esta causa e foi o bravo Domingos António Gil de Figueiredo Sarmento, tenente-coronel do regimento de infantaria nº 6, aquartelado no Porto (788). Sem a cooperação de Bernardo Sepúlveda talvez a revolução tivesse abortado, porque Manuel Fernandes Tomás e António da Silveira Pinto da Fonseca, irmão do conde de Amarante, não concordavam no modo de dirigir a revolução e fins dela; por último, conseguiu harmonizá-los e destinaram o dia 24 de Agosto de 1820 para fazerem estalar o movimento. Sepúlveda, cônscio da sua força, dirige-se ao quartel-general no dia 22 daquele mês e ano e expõe ao general Canavarro os planos do movimento, a gente com que contava e a inutilidade da resistência. Canavarro, à vista de tanta franqueza e audácia e do tom firme com que estas coisas eram ditas, julga impossível evitar os acontecimentos; não toma resolução alguma relativamente aos mesmos e nada diz aos que o iam consultar sobre o que deviam fazer, como o coronel Grant. Na manhã do dia 24, Sepúlveda e o coronel Gil de Figueiredo, à frente dos seus respectivos regimentos, infantaria n.os 18 e 6, aos quais se juntou Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira, coronel de artilharia nº 4, com uma força desta unidade, reuniram-se no Campo de Santo Ovídio, onde este fez erigir um altar de campanha e celebrar missa, em seguida à qual ele e Sepúlveda fizeram a proclamação às tropas. A proclamação deste tinha mais serenidade e tom de convicção.

(786) SORIANO, Simão José da Luz – História do Cerco do Porto. Nova ed. ilustr., vol. I, cap. I, p. 634. (787) Ibidem, p. 652 e seg. (788) Ibidem, p. 652.

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Eis o seu conteúdo: «Soldados! acabou-se o soffrimento. A patria em ferros, a vossa consideração perdida, nossos sacrificios baldados, um soldado portuguez proximo a mendigar uma esmola!... Soldados! o momento é este; voemos à nossa salvação propria. Camaradas, vinde commigo. Vamos com os nossos irmãos d’armas organizar um governo provisional que chame as côrtes a fazerem uma constituição, cuja falta é a origem de todos os nossos males. É desnecessario o desenvolvel-os, porque cada um de vós os sente. É em nome e conservação do nosso augusto soberano, o Senhor D. João VI, que ha-de governar-se. A nossa santa religião será guardada. Assim como nossos esforços são puros e virtuosos, assim Deus os ha-de abençoar. Os soldados que compõem o bravo exercito portuguez hão-de correr a abraçar a nossa causa, porque é igualmente a sua. Soldados! a força é nossa; nós devemos, portanto, não consentir os tumultos. Se a cada um de nós deve a patria a salvação, deve a cada um de nós a nação a sua segurança e tranquilidade. Tende confiança n’um chefe que nunca soube ensinar-vos senão o caminho da honra. Soldados! não deveis medir a grandeza da causa pela singeleza do meu discurso. Os homens sabios tem de desenvolver um dia este feito, maior que mil victorias. Santifiquemos este dia; e seja este o grito do nosso coração: Viva el-rei o Senhor D. João VI! Viva o exercito portuguez! Vivam as Côrtes e por ellas a Constituição Nacional!» (789). Em seguida dirigiram-se os comandantes das tropas à casa da câmara, que fora convocada, e aí se organizou a «Junta Provisional do Governo Supremo do Reino», que ficou composta de quinze representantes do clero, nobreza, províncias, magistratura e Universidade. Na noite desse dia 24 de Agosto a Companhia de Actores Nacionais preparou um brilhante espectáculo no teatro de S. João. Quando nele entraram os chefes principais do movimento o entusiasmo foi enorme e por entre os espectadores correu este soneto, espalhado em muitos exemplares caídos dos camarotes: Dias dourados que viu Grécia e Roma Vão ser teus dias Lísia afortunada! Tocou nos céus a tua voz magoada, Desfez-se a treva, nova luz assoma. (789) ARRIAGA, José de – História da Revolução Portuguesa de 1820, vol. IV, p. 687, e SORIANO, Luz – História do Cerco do Porto, tomo I, cap. I, p. 657 e seguintes.

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Cessou dos males a infinita soma, Caiu da intriga a máscara dourada, A prisca liberdade agrilhoada Das mãos do Porto a Lísia hoje retoma. Cheio de glória, laureada a frente, Já não é esta a vez primeira Que ele os ferros quebrara à lusa gente. Gostosa aceita... indómita barreira Que mais viva opressa não consente, Ei-los aí!.. Sepúlveda e Cabreira. E os brados de: «Viva Sepúlveda!», «Viva Cabreira!», «Viva o bravo Gil!», «Viva o herói Silveira!», «Viva a liberdade!» eram freneticamente repetidos por milhares de bocas (790). No dia 26 de Agosto de 1820 dirigiu Bernardo Sepúlveda aos portugueses esta proclamação: «Portugueses! Eis ahi cumpridos os nossos votos: eis ahi franqueada a vereda que irriçaram os crimes atropelladores da nossa liberdade! Foram escutados nossos mormurios, foram segundados vossos desejos, e a mascara que acobertava o despotismo cahiu á mão do esforço, da prudencia e da constancia! Em vão a hydra da devassidão, do vicio, da tyrannia, multiplicam as gargantas auri sedentas e torpes; debalde a corrupção devastava com seu bafo pestilente os arrancos da honra, que se esforçava em salvar ás bordas do abysmo em que balançava, nada pôde embargar o impeto varonil e virtuoso do amor da patria; a patria é salva! despotas. Traidores das virtudes. Corruptos adoradores da escravidão. Torcei os olhos á razão, que vae assentar-se na seda inflexivel da justiça e julgar imparcial vossos delictos. Lá surgira a verdade, tão pura como a luz, atravez da impostura, do vilipendio e da intriga. Portuguezes! Tomae a balança desenganadora da razão e da justiça, vossas obrigações, vossos deveres, para com a soberania e vassalagem; chamae os legisladores vossos, não os codigos que a cobiça e interesse particular e a

(790) ARRIAGA, José de – História da Revolução…, vol. IV, p. 695. A Lira Patriótica ou Colecção de sonetos dedicados aos Il.mos e Ex.mos Srs. Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira e Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda, Lisboa, 1821, por Nicolau Francisco de Castro e Meneses, contém vinte e três sonetos no sentido do acima mencionado.

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malversão enredara, senão os direitos indeleveis que a natureza gravara no coração humano com caracteres que debalde a força, a argucia, ou o sophisma tentará apagar. Vigiae cuidadosos vossos interesses, vossa segurança. Taes devem ser os vossos e taes os meus sinceros votos. Eu d’esta gloria só fico contente, Que a minha patria amei e a minha gente» (791). O governo de Lisboa organizou três corpos de exército para obstar ao progredimento da revolução do Porto; de um destes corpos foi encarregado o conde de Amarante, que estabeleceu o seu quartel-general em Chaves a fim de defender as duas províncias do Douro e Trás-os-Montes. O governo do Porto, em vista disto, encarregou o coronel Sepúlveda de ir levantar o grito por todas as povoações vizinhas e de obstar às manobras dos generais inimigos. Sepúlveda partiu com efeito do Porto no dia 28 de Agosto. No mesmo dia chegou à Vila da Feira, onde o juiz de fora tinha hesitado no procedimento a seguir e se tinha oposto até à convocação da câmara a fim de prestar o juramento. Sepúlveda dirigiu-se àquela autoridade e com as suas maneiras afáveis, sua atitude decidida e palavras insinuantes convenceu-o logo a aderir à causa e providenciou para que todos os dinheiros existentes nos cofres fossem entregues ao «Supremo Governo»; e em nome deste ordenou que se pagassem todos os géneros necessários para o fornecimento das tropas, «a fim – diz ele nas suas Memórias – de os povos não sentirem a menor oppressão possivel e conhecerem logo, pela suavidade dos meios, a justiça do fim a que nos dirigiamos». Sepúlveda seguiu depois para Oliveira de Azeméis, onde a presença do ilustre e simpático militar animou logo a população, que imediatamente levantou o grito da sua liberdade; depois passou a Albergaria-a-Velha. Nestas excursões providenciava relativamente aos dinheiros públicos, como na Vila da Feira, passava revista às tropas e determinava outras providências atinentes ao bem da causa que defendia. O conde de Barbacena foi o encarregado de comandar um dos três corpos de exército, de que se fala acima, organizados pelo governo de Lisboa e estabeleceu o seu quartel-general em Rio Maior, pretendendo defender a Estremadura de qualquer tentativa do Porto. O general António Marcelino da Vitória foi encarregado do outro corpo e instalou-se na província da Beira com o fim de se apoderar das margens do Vouga e impedir assim as comunicações do «Supremo Governo» com as províncias do Norte.

(791) ARRIAGA – História da Revolução…, p. 697.

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O marechal Pamplona foi enviado de Lisboa a fim de auxiliar esta importante operação, apoderando-se de Aveiro e Coimbra. As excursões de Sepúlveda atrás mencionadas, revolucionando e ganhando para a sua causa Vila da Feira, Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha, verdadeiros pontos estratégicos, não deu tempo a que Vitória e Pamplona se apoderassem das posições desejadas, pois que se lhes adiantou levantando as povoações das margens do Vouga, animando-as a aderirem à causa revolucionária e apoderando-se dos dinheiros existentes nos cofres, tirando-lhes assim todos os recursos. No dia 29 de Agosto Sepúlveda fez o reconhecimento de todas as posições do Vouga e foi pernoitar a Angeja, onde fez reconhecer o governo do Porto e encontrou já o batalhão de caçadores nº 11 que ia em direcção de Aveiro, segundo as ordens por ele dadas. No dia 30 chegou Sepúlveda àquela cidade, onde, pelas dez horas da manhã, a câmara, convocada por ofício dele, prestou juramento ao governo do Porto, sendo remetidos para ali, segundo as suas ordens, os dinheiros dos cofres públicos. Este bravo militar conseguiu, só com a sua presença e influência pessoal, levantar toda a região do Vouga e uni-la ao Porto!... Sepúlveda chega a Coimbra no dia 1 de Setembro, ponto estratégico importante que Pamplona tinha já ocupado e de onde fugira apavorado na noite de 29 para 30 de Agosto pelas onze horas e um quarto. Para o governo de Lisboa, Coimbra tinha grande importância para obstar à invasão da Beira e conservar esta província em comunicação com a Estremadura e Lisboa. Logo que Pamplona se retirou, a cidade de Coimbra revolucionou-se e reconheceu o governo do Porto. A entrada ali do bravo e leal militar Sepúlveda no dia seguinte ao desta revolta deu novo alento aos habitantes da cidade e firmou ainda mais a nova ordem de coisas; na qualidade de emissário do «Governo Supremo» ele entende-se com todas as autoridades, anima os mais tímidos, decide os irresolutos e vence os que se opunham ainda e pretendiam excitar na cidade os elementos de resistência. Ganha a cidade de Coimbra, Sepúlveda dirige as suas vistas para a província da Beira e pretende atacar Vitória mesmo no coração daquela província. Para esse fim partiu de Coimbra no dia 5 de Setembro e procura cortar as comunicações deste general com as províncias do Sul e Lisboa, as quais se faziam pela ponte da Morcela. Sepúlveda até à contra-revolução defendeu com lealdade e convicção a causa dos povos escravizados, e pode ser considerado como aquele que, depois do dia 24 de Agosto, mais contribuiu com seus serviços para a vitória da liberdade e da independência da pátria. Não desconhecemos os serviços que Gaspar Teixeira de Magalhães Lacerda prestou à causa da revolução em Trás-os-Montes; mas Sepúlveda, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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pela sua dedicação, zelo e sinceridade e, além disso, pela sua inteligência e valor militar, foi o verdadeiro herói desta revolução depois dos acontecimentos ocorridos no Porto. O «Governo Supremo» enviou logo ao conde de Amarante um dos seus membros, o arcediago da Sé, Luís Teixeira Brederode, mas o caudilho do absolutismo mandou prender em Chaves o emissário do Porto. Brederode, mesmo na prisão, pôs-se em comunicação com o visconde de Ervedosa, major do regimento de infantaria nº 24 aquartelado em Vila Real; este regimento sublevou-se e aderiu à causa do Porto. PROCLAMAÇÃO DE SEPÚLVEDA AOS POVOS DA BEIRA

«Valorosos habitantes da provincia da Beira. – Socegae pacificos no centro de vossas habitações e na continuação tranquilla de vossos negocios e trabalhos. Não penseis que venho á testa dos bravos que tenho a honra de commandar para vos fazer o mais pequeno mal. Somos vossos irmãos, somos todos portuguezes; e a mesma causa nacional e a utilidade publica da patria deve unir os nossos sentimentos. Venho auxiliar-vos para que francamente possaes declaral-os e livrar-vos da oppressão do barbaro e louco ex-general Victoria, que mal reconhece a noção que o tinha elevado até aquelle logar, e agora pretendia servir-se do engano, fazendo verter o vosso precioso sangue, para conservar o despotismo dos ex-governadores de Lisboa, que queriam despovoar o reino de gente e numerario, mandando tudo para a America, aonde teem retido o nosso amavel rei o Senhor D. João VI. Acabou-se o soffrimento, portuguezes; vamos salvar a patria dos monstros, que para seu particular interesse enganam ao mesmo tempo a nação e o rei. O honrado lavrador, que até agora cuspia sangue nas mãos para pagar excessivos foros e tributos aos inertes e despoticos donatarios, que os roubavam, será desopprimido. As milicias voltarão aos seus lares a tratar de sua colheita e familias. Todas as pessoas, suas casas e bens serão respeitados. E supposto as circunstancias exijam alguns generos para o indispensavel fornecimento de vossos irmãos, serão pagos o mais breve que for possivel, e eu o protesto em nome do “Supremo Governo”. O regimento de cavallaria nº 10 que se achava em Santarem acaba de unir-se por sua vontade propria ao partido da nação, e concorre commigo a ajudar-vos. Já desde o Minho até Lisboa tem soado a voz da liberdade da nação, não é justo fiqueis escravos, soffrendo o despotismo e a tyrannia. Jurae, pois, obediencia á “Junta Provisional do Governo Supremo do Reino” que se acaba de instaurar, e que, em nome de el-rei nosso senhor, o Senhor D. João VI, ha-de governar até á instalação das côrtes, que deve conMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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vocar para organizar a constituição portugueza. Jurae obediencia a essas côrtes e á constituição que fizerem, mantendo a religião catholica romana e a dynastia da serenissima casa de Bragança. Coimbra, 4 de Setembro de 1820». (Segue-se a assinatura). Sepúlveda, afável, de sentimentos dóceis e brandos, com o seu carácter benévolo, só tem palavras de amor e de paz para oferecer aos pacíficos habitantes da Beira a fim de os atrair à sua causa. O valente militar dirige-se para Viseu, onde o general Vitória concentrara as suas forças. À sua aproximação, povos e tropas o acolhem com entusiasmo. Vitória, vendo a deserção de grande parte da sua tropa de linha, foge precipitadamente para a Guarda. Sepúlveda entra em Viseu, onde é recebido com delirante entusiasmo pelo povo, que o saudava como seu libertador. Eis como ele se exprime nas suas já citadas Memórias: «Entrei finalmente em Vizeu no dia 7 de Setembro de 1820 acompanhado de todas as auctoridades e representantes das diversas classes, que vieram esperar-me na distancia de uma legua d’aquella cidade. A mesma artilharia que o general Victoria para alli tinha mandado vir de Almeida deu salvas de alegria; o povo por toda a parte, em cardumes, attestava não equivoca adhesão á causa da patria, e a camara, reunida por minha ordem, já na vespora esperava anciosamente a minha chegada para a solemne prestação do juramento nacional, acto este que foi deferido para o dia seguinte, para se fazer ainda com mais pompa, como realmente se fez, continuando os habitantes da cidade a mostrar o maior regosijo, em funções religiosas, fogos artificiaes e recitação de versos». Sepúlveda passou a dar as providências precisas para que todas as povoações seguissem o exemplo de Viseu: mandou ao corregedor da cidade para que dirigisse ofícios a todos os corregedores da província, a fim de se reunirem às respectivas câmaras e mais autoridades e neste acto prestarem o juramento de obediência ao governo do Porto; providenciou acerca dos cofres públicos, que mandou pôr às ordens das novas autoridades e à disposição do governo central, e aos comandantes das milícias da província a fim de apoiarem aqueles magistrados na execução do acto solene do juramento. Mandou depois adiantar as avançadas sobre Mangualde, as quais estenderam vedetas sobre as margens do Mondego e por esta forma se apoderaram de todas as estradas da ponte de Morcela. Sepúlveda saiu de Viseu no dia 12 de Setembro e pernoitou com os corpos do seu comando em Santa Comba Dão e dirigiu-se em seguida para a Estremadura, pretendendo ir sobre Lisboa; mas no dia 16 recebendo a notícia de que o «Governo Supremo» se encontrava em Coimbra, mandou em MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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vista disso fazer alto à sua divisão e partiu para aquela cidade a fim de assistir à conferência sobre as medidas a tomar relativamente à marcha sobre Lisboa. E assim terminou Sepúlveda a sua gloriosa jornada à província da Beira, de onde regressou coberto de louros, tendo realizado em todas as povoações o movimento revolucionário sem derramamento de uma gota de sangue! (792) A «Junta Provisional do Governo Supremo» no dia 7 de Setembro de 1820 assumiu o comando-em-chefe do exército nacional e no dia 8 publicou uma «Ordem do exército» que mandava formar dois corpos de operações denominados «Exércitos do Sul e do Norte» (a este pertencia cavalaria nº 12 e infantaria nº 24). Mandava mais que cada um destes dois exércitos fosse dividido em duas secções e estas em quatro brigadas. O coronel Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira teria o comando-em-chefe do exército do Sul e comando particular da quarta divisão do mesmo exército; o coronel Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda tomaria o comando do mesmo exército em segundo lugar e o comando particular da segunda divisão do mesmo exército. O marechal-de-campo Gaspar Teixeira de Magalhães e Lacerda, encarregado do governo das armas das províncias do Minho e Trás-os-Montes, tomou o comando-em-chefe do exército do Norte (793). A «Ordem do exército» de dia 8 sofreu alterações quando a Junta chegou a Coimbra, a qual ficou com o generalíssimo dos exércitos nacionais e reais e com o comando-em-chefe dos exércitos do Norte e Sul o marechal-de-campo Gaspar Teixeira. Sepúlveda ficou então a comandar uma divisão ligeira, composta dos batalhões de caçadores n.os 2, 9, 10 e 11, seis peças de artilharia e um esquadrão de cavalaria. Infantaria nº 24 ficou fazendo parte da segunda divisão do exército do Norte e era comandada pelo coronel Joaquim Teles Jordão. Domingos António Gil comandava a primeira brigada do exército de Sul. Esta modificação teve lugar em 17 de Setembro (794). Sepúlveda partiu de Coimbra com a sua divisão ligeira no dia 18; à sua aproximação, as tropas de Tomar sublevaram-se e o regimento de infantaria nº 20 insurreccionou-se em Abrantes. Entrou em Tomar no dia 19 e nesse dia a câmara prestou juramento com grande entusiasmo do povo. Sepúlveda entregou o comando e governo interino da praça de Abrantes ao coronel do regimento de milícias de Santarém. O pronunciamento e ocupação da praça de Abrantes foi um facto mui importante para a causa revolucionária, porquanto, além de ser um ponto forte adquirido na Estremadura, fechou por aquele lado as portas ao infeliz general Vitória, que se viu encurralado, sem poder fugir nem para o Norte nem para o Sul. (792) ARRIAGA – História da Revolução…, vol. II, p. 1 a 49. (793) Ibidem, p. 66. (794) Ibidem, p. 68.

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Continuou a marcha no dia 20, entrou em Vila Nova de Ourém, onde oficiou às autoridades para se reunirem na casa da câmara a fim de prestarem o competente juramento e deu as mesmas providências que nas outras terras, para assegurar o novo regime. Sublevadas assim todas as povoações no Norte da Estremadura e firmado nelas o governo revolucionário, o heróico e valente militar dirige-se a Leiria a fim de se unir ao grosso do exército, que marchava já então sobre Lisboa, onde foi aclamada a revolução no dia 15 (795). À vista dos acontecimentos do Norte, o povo de Lisboa impõe-se e adere ao movimento do Porto, nomeia um governo provisório, etc., e o do Porto funde-se num só no dia 27 de Setembro de 1820 com o nome de «Junta Provisional do Governo Supremo do Reino». Esta foi dividida em duas secções: uma que continuou com este nome, a cujo cargo ficou a administração pública em todos os seus ramos, e outra que se denominou «Junta Profissional Preparatória das Cortes», cujo fim era preparar e dispor com a maior brevidade possível tudo o que se julgasse necessário para a mais pronta convocação das cortes e regularidade e boa ordem da sua celebração. Da primeira secção fazia parte o coronel Bernardo Correia Sepúlveda como adjunto do secretário dos negócios da Guerra e Marinha, que era o tenente-general Matias José Dias Azevedo. Sepúlveda era também membro da segunda. Destas duas juntas faziam igualmente parte alguns padres (796). A revolução de Lisboa foi só levada a efeito pelo povo; os grandes só forçadamente aderiram a ela com o intuito reservado de a sufocarem logo que a ocasião se proporcionasse. O conde de Amarante ainda tentou um golpe de Estado, mas não deu resultado; procurava desviar dos seus fins os membros da Junta, mandando-os para diversas partes a exercer altas funções burocráticas. Silva Carvalho, vendo esta resolução, procurou Frei Francisco de S. Luís, também membro da Junta e concordaram ambos que era conveniente participar o ocorrido a Sepúlveda, que estava em Chão de Maçãs com a sua divisão ligeira; este partiu imediatamente e apareceu em Alcobaça na manhã do dia 29 e, dirigindo-se para o mosteiro, convocou a Junta. Disse em tom sisudo que deviam cessar todas as discórdias a fim de chegarem a Lisboa paz e união e que só depois de reunidas as cortes é que entregariam o governo das mãos delas, no que todos concordaram (797). Quando foi da junção do governo do Porto com o de Lisboa, que se efectuou dia 1 de Outubro, o entusiasmo no povo foi indescritível. Um (795) Ibidem, p. 77. (796) Ibidem, p. 122. (797) Ibidem, vol. II, p. 126.

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popular parou diante de Sepúlveda e foi tão grande a sua comoção ao contemplá-lo que pediu para o abraçar, ao que o valoroso militar acedeu da melhor vontade (798). As intrigas em Lisboa continuam. Lacerda, Cabreira e Silveira, abraçados ao absolutismo, prosseguem na trama contra a revolução e pretendem malquistar Sepúlveda com o povo de Lisboa para o inutilizarem. No dia 16 de Novembro de 1820 grande número de cidadãos pretendem desagravar o coronel Sepúlveda das acusações que lhe foram feitas, dando-lhe público testemunho da sua confiança. Eis o manifesto: «Ill.mo e Ex.mo Snr. coronel Bernardo Correia de Castro Sepulveda. Os portuguezes abaixo assignados desejavam juntos ter o prazer de apresentar a V. Ex.a os sentimentos mais puros de reconhecimento e gratidão pelo que elles e a patria é devedora a V. Ex.a na obra augusta da nossa suspirada regeneração. Receiosos, porém, de que uma semelhante missão, pelo apparatoso d’elIa, podesse offender a medestia e delicadeza de V. Ex.a ou mesmo ser por animos mal intencionados, se os ha, sinistramente interpretada, é por isso que deputaram de entre si algumas pessoas, a quem para este fim coube ir receber esta honra. Não julgue V. Ex.a, nem julgue todo o brioso e honrado exercito, que nos abaixo assignados respiram só estes sentimentos; elles são geraes n’esta côrte, e hoje o serão em todo o reino, se a Divina Providencia nos soccorrer na crise actual, em que um genio mau parece querer roubar aos portuguezes e ao exercito o maior dos bens e a maior das glorias; então outras maiores e mais publicas serão as demonstrações do nosso contentamento. Se agora, recordando-nos do que V. Ex.a e todo o exercito praticou desde o sempre memoravel dia 24 de Agosto não podemos conter nossos animos agradecidos, a que ponto e grau de prazer não chegaremos nós quando virmos desfazer-se a nuvem que a todos ameaça e faz tremer a todos! Permitta V. Ex.a que, por entre estes mesmos sustos se vão apresentar a V. Ex.a aquelles que nem por um momento duvidam de tributar a V. Ex.a os testemunhos da maior gratidão, de que tambem se fez credor o exercito, esperando que os sagrados direitos que V. Ex.a tem á nossa estima redobrem em preço, pela continuada cooperação que V. Ex.a pode prestar, trazendo-nos a antiga paz, desafrontando a liberdade que se acha opprimida. Deus guarde a V. Ex.a por muitos annos para bem da nossa patria» (799). (Seguem-se as assinaturas).

(798) Ibidem, p. 131. (799) Ibidem, p. 221.

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A este propósito dizia o Patriota: «Conseguirão os Servis o triumpho completo de seus iniquos tramas? Alguns regimentos do exercito, já esquecidos da sua honra, se acham comprados por avultadas sommas e divididos da grande causa da nossa regeneração. A vida do general constitucional, o heroe Sepulveda, em grande risco e entregue á deliberação d’um vil assassino induzido a perpetrar tão horroroso crime por uma bolsa d’ouro (800)! Esse assassino era um creado do proprio Sepulveda (801). Entretanto, a côrte ou os seus partidarios não cessavam de lisongear os chefes da Revolução, fascinando-os com o seu prestigio para os arrastarem á sua causa, ao mesmo tempo que á socapa propagavam as mais vis insinuações para os desprestigiar. No dia 15 de Setembro foi lançada em Lisboa com grande pompa pelo rei a primeira pedra ao monumento do Rocio. Sepulveda no meio d’um brilhante e numeroso corpo de estado-maior passou revista ás tropas que formavam em luzida parada, o rei ao lançar a pedra fundamental apoiou-se ao braço de Sepulveda e para commemorar esta festa offerecia-se ao coronel Gil uma pipa de vinho para os seus soldados, mas em compensação fazia-se correr, para o malquistar com os soldados, que Sepulveda quando coronel roubara o regimento de infantaria nº 18 e que um soldado de artilheria nº 1, que maltratara um official superior, ia ser fuzilado por elle ser tyranno e barbaro, pois elle rei queria perdoar-lhe (802). Por ultimo, Sepulveda vende-se á côrte; a compra e corrupção d’este general e homem importante, um dos mais notaveis herões da Revolução de 1820, prova as grandes sommas de dinheiro que os reaccionarios, alliados e protegidos pelas potencias estrangeiras, punham á disposição d’aquelles a quem estava confiada a defeza da liberdade» (803). A 27 de Maio de 1823 o infante D. Miguel dá o golpe da «Vilafrancada»; Sepúlveda, de acordo com ele, ainda fica em Lisboa para mais facilmente iludir as cortes e dar o golpe de misericórdia nas instituições e levantar aí o grito no dia 23, festa de Corpus Christi, como prometera ao infante, mas não teve coragem para isso em vista da atitude do povo, que sabendo da sua corrupção esteve a ponto de o assassinar quando atraves-

(800) O Patriota de 16 de Agosto de 1821, in ARRIAGA, José de – Hist. da Rev. Portuguesa de 1820, vol. III, p. 267. (801) ARRIAGA, J. – História da Revolução…, p. 588. (802) Ibidem, p. 279, 306, 587 e 631. (803) Ibidem, p. 515, 522, 524 e 527.

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sava o Terreiro do Paço, e tê-lo-ia feito a não interpor-se o general Avilez, mas foi assobiado e apupado aos gritos de «Traidor! traidor!» – «Morra! morra!» Dirige-se ao Castelo de S. Jorge, proclama às tropas e às 9 horas desse dia sai de Lisboa à frente de todos os corpos de primeira linha, à excepção do regimento de infantaria nº 18, que ficou fiel, e vai unir-se com o infante a Vila Franca, onde esteve em risco de ser igualmente assassinado se não lhe acode o próprio infante e foi tratado de cobarde e traidor miserável por não ter levantado o grito na capital (804). Por decreto de 23 de Fevereiro de 1822 havia sido demitido do governo das armas da corte e província da Estremadura (805). E assim despeitado com uns e outros, retirou-se Sepúlveda para Paris em 1824, onde faleceu. «O coronel Sepulveda fôra um caracter sincero e homem mais de acção do que de palavras. As suas maneiras não podiam ser mais affaveis e a sua palavra suave insinuava-se facilmente. Era de sentimentos benevolos e filho de bravos militares; pertencia a uma familia de herões, que se destinguiram brilhantemente nas campanhas da independencia. Possuia dons distinctos de homem de guerra, e podiam-se-lhe confiar as mais arriscadas emprezas, sem receio de que elle se acobardasse ou recuasse diante do perigo ou do inimigo. Sepulveda fizera, como seu pae, toda a campanha da Guerra Peninsular» (806). Vejamos como outros o apreciam: «A traição do estupido e perverso Sepulveda e a consequente defecção da tropa por elle commandada» foi uma das causas da contra-revolução de 1823 (807). A esta revolução aderiu Sepúlveda ardendo em ambição e tremendo de medo (808). «Sepulveda é um fraco, um pusilamine, um imbecil, um caracter essencialmente aristocratico e que apenas para se manter na popularidade condescende em passar das toilettes das condessas para os jantares e partidos dos Negociantes... quem poderá soffrer o Sepulveda, cujos humildes avós na freguezia d’Amendoeira, ao pé de Bragança, apenas foram illustrados por seu pae, que de soldado de leva chegou a ser general e nunca se illustrou por outra façanha militar, senão pela de fazer a corte aos capitães-móres ricos da Provincia» (809). (804) Ibidem, p. 515, 522, 524 e 527. (805) Documentos para a História das Cortes Gerais…, vol. I, p. 701. (806) ARRIAGA, J. – História da Revolução…, vol. I, pag. 663. (807) Revolução anticonstitucional em 1823 – Suas verdadeiras causas e efeitos. Londres, 1825, p. 2. Publicada pelos editores do Popular, jornal português em Londres. (808) Ibidem, p. 16. (809) Ibidem, p. 17.

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Não quisemos omitir nenhuma das apreciações pró e contra Sepúlveda porque, descontando-lhe o que a paixão política inspirou, sempre fica margem para Bragança se orgulhar deste seu filho ilustre. SEPÚLVEDA (Francisco Xavier Gomes de) – Abade de Rebordãos, concelho de Bragança. Nasceu acidentalmente em Espanha em 1761, mas seus pais eram de Mirandela (810). Viveu algum tempo na Amendoeira, concelho de Macedo de Cavaleiros, e faleceu em Rebordãos a 28 de Setembro de 1851 sem receber os «Sacramentos da hora da morte por falecer de madrugada repentinamente» (811), com noventa anos de idade e sessenta e seis de pároco. «Era eximio moralista canonico, e escriptor severo que não adulava, strenuo defensor da pureza da religião, castigava os hypocritas, e dizia a verdade sem temor nem respeito, mas com amabilidade» (812). Foi reitor do Seminário Diocesano de Bragança desde 1817 a 1818 e tomara posse da abadia de Rebordãos a 11 de Fevereiro de 1790 (813), onde fora apresentado por carta régia de 15 de Dezembro de 1789. Escreveu: Dissertação histórico-crítica sobre a comunhão frequente e quotidiana, em que se expõe a doutrina dos Santos Padres, do Concílio Tridentino, dos Sumos Pontífices, e dos melhores teólogos e místicos; para servir de antídoto à obra intitulada «O Pão Nosso de cada dia», modernamente traduzida em português pelo P.e Frei Caetano da Transfiguração, menor observante, etc. Lisboa, 1803. O Dicionário Bibliográfico põe adiante desta data um ponto de interrogação, como que duvidando se seria impressa nesse ano. Não haja dúvida: possuímos um exemplar in-8.º de X-293 págs., não incluindo o índice, impresso em 1803. Também parece que Inocêncio F. da Silva não viu nenhum exemplar desta obra, pois a descreve imperfeitamente. Francisco Sepúlveda insurge-se nesta obra contra a «Comunhão quotidiana», e, levado do sentimento contrário, exige tais requisitos que poucos estarão nos casos de a receber frequentemente.

(810) Ver adiante o artigo referente a seu irmão – Sepúlveda (Manuel Jorge Gomes de) p. 522. (811) Consta do respectivo assento do registo paroquial da freguesia de Rebordãos, por sinal bem lacónico, pois nada particulariza da sua vida. Ver Periódico dos Pobres, do Porto, ano de 1851, nº 250, e Diário do Governo de 21 de Outubro de 1851, onde vem o seu necrológio; CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular, onde se diz que era «irmão do famoso general Manuel Jorge Gomes de Sepulveda», bem como o Portugal: Dicionário histórico, onde se faz a mesma afirmação. (812) Diário do Governo acima citado. (813) Novena da Santa Natividade da Virgem Maria Senhora Nossa, obra de sua autoria.

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Memória abreviada e verídica «dos importantes serviços que fez à nação o Ex.mo Sr. Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, tenente-general, governador das armas da província de Trás-os-Montes, na feliz origem e progresso da revolução, que salvou Portugal e que deve servir para dar luz à história lusitana». Lisboa, 1809. 4.º de 22 págs. Resumo histórico da vida e pontificado de Pio VI, por Mr. Blauchard, traduzido do francês. Lisboa, 1815. Apologias do Abade de Rebordãos, contra as invectivas e calúnias do sr. Abade de Medrões, Inocêncio António de Miranda, e do sr. teólogo D. A. do N., empregado em prior do Baleizão – Em que se tratam alguns pontos muito interessantes à Religião e ao Estado. Lisboa, 1826. 4.º de VII-78 págs. e um «Apêndice» de VII págs. Gemidos da Igreja Lusitana, oferecidos à Rainha Fidelíssima e às Câmaras Legislativas. Lisboa, 1839. 8.º gr. de 44 págs. Devia continuar, pois diz no fim «Continuar-se-á», mas não sabemos se mais alguma coisa se imprimiu. A parte publicada trata da ruptura com a Sé Apostólica, da extinção dos dízimos, das ordens religiosas, etc. Ignoramos se será deste autor a seguinte obra, embora todos os escritores lha atribuam, que se imprimiu anónima: Sepúlveda patenteado, ou «Voz pública e solene, depositada em documentos autênticos, que devem servir para resolver a questão: – Quem foi o primeiro chefe a proclamar a revolução transmontana em 1808?». Londres, 1813. 4.º gr. de VIII-151 págs. com o retrato do tenente-general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda. Exame crítico de um folheto do P.e Fr. Sebastião de Santa Clara, do extinto seminário de Vinhais, que ele intitula «A Voz da Verdade aos portugueses seduzidos pela mentira». Segunda edição com um «Apêndice». Lisboa, 1838. 4º de 63 págs. Apêndice ao exame crítico do folheto do P.e Fr. Sebastião de Santa Clara, etc. 64 págs. Nestes folhetos refuta o abade de Rebordãos as doutrinas dos clérigos e frades que, depois de 1834, pretenderam suscitar um cisma nas províncias do Norte; e no «Apêndice» refuta particularmente o que dissera Fr. António de Jesus na sua Voz da Igreja, impressa no Porto em 1837 (814). Tratado de Concupiscência por Bossuet, bispo de Meaux. Traduzido do francês, ao qual se junta a «Dissertação do fim do mundo», de D. Agostinho Calmet, beneditino, traduzida da versão latina de Domingos Mansi,

(814) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico, «Suplemento» ao tomo IX.

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arcebispo de Luques, etc. Tip. de Bragança, 1846. 4.º pequeno de VIII-94-40 págs. Este livro escapou a Inocêncio F. da Silva bem como o seguinte: Novena da Santa Natividade da Virgem Maria Senhora Nossa, que actualmente se costuma fazer no seu templo da serra desta Vila de Rebordãos, bispado de Bragança (acrescentada). O exemplar que vimos era impresso no Porto, na tip. de A Palavra, 1890. 8.º de 221 págs. com uma «Advertência histórico-preliminar sobre a fundação do templo». Do que diz na pág. 21, parece dever concluir-se que a 1.ª edição deve ter saído em 1835. Resposta apologética do Abade de Rebordãos… às gravíssimas calúnias que contra ele publica em um folheto com data de 5 de Março do corrente ano de 1836 o padre Fr. Sebastião de Santa Clara do extinto seminário de Vinhais. Lisboa, 1836. 8.º de 14 págs. Reflexões analíticas sobre a liberdade de imprensa em matérias religiosas. Ficou manuscrita, como se vê pelo que diz nas Apologias. Apêndice apologético da dissertação histórico-crítica sobre a comunhão frequente e quotidiana impressa em Lisboa em 1803 pelo mesmo autor. 4.º, de VII-106 págs. Não traz data da impressão, mas, a julgar de uma passagem do texto, deve ter sido impressa em 1825. Memórias históricas, críticas das acções e vida pública do Ex.mo e Rd.mo Bispo, que foi de Bragança e Miranda D. António Luís da Veiga Cabral da Câmara. 1832. Manuscrito, de 264 fólios, de que possuímos uma cópia. Na Resposta apologética, etc., atrás citada, diz o abade de Rebordãos que apenas publicou a Dissertação (impressa em 1803) sobre a comunhão frequente e quotidiana com o único fim de se cumprirem as intenções da Igreja e de se evitarem sacrilégios na recepção da Eucaristia, se levantou contra ele o partido beato, formado há anos neste bispado, que só em comunhões faz consistir a virtude, não parando enquanto o não viu combatido pelo doutor D. A. do N., prior ao tempo em Baleizão do Alentejo. A este crítico diz que respondeu com a sua Apologia impressa em 1826. As invectivas dos beatos continuaram, acusando-o agora Frei Sebastião de Santa Clara: 1.º De jansenista. Respondendo, diz: que escreveu quinze cartas dirigidas ao padre Frei Bento do Santíssimo Sacramento, do mesmo seminário de Vinhais, de que mandou exemplares à livraria dos manuscritos de Alcobaça, sem resultar condenação alguma. 2.º De a Inquisição haver condenado como herética a sua doutrina. Respondendo, alega que a Dissertação sobre a comunhão frequente passou pela censura prévia do Ordinário, da Inquisição e do Desembargo do Paço, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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sem nada lhe condenarem, concedendo-lhe, além disso, licença para a impressão. 3.º De não ter lógica, nem gramática, nem arte, nem coisa alguma que cheirasse a ciência nos seus escritos. De ter comissão do demónio para falar contra os beatos e contra a frequência dos sacramentos. De ser um mentiroso, sedutor como o diabo, palagiano e energúmeno, traidor à Igreja, ajudando à perdição de seus filhos, sendo por isso uma tranca das portas do céu. Responde alegando que paroquiava há quarenta e sete anos; que a comunidade do convento de Vinhais foi presa entre soldados até à cidade do Porto; que tem havido e continua a ruptura com a Santa Sé, mas que em nada concorreu para estes males. Que o facto de Frei Sebastião e seus sequazes entenderem que só no partido dos beatos estava a Igreja Lusitana era temerária presunção e refinada soberba, como mostrou, combatendo-os, o sábio e virtuoso prior de S. Lourenço, de Lisboa, Henrique José de Castro nas suas Cartas, analisando em 1812 e 1813 as do padre Pedro Nolasco dirigidas ao padre João Rodrigues Lopes. Este sacerdote era natural de S. Julião, concelho de Bragança. Nas Apologias do Abade de Rebordãos, etc., que ficam acima citadas, diz ter sessenta e dois anos e ter vivido em Portugal desde a idade de três anos e meio, a cuja nação pertence por domicílio e origem paterna; que o seu colega no sacerdócio e comprovinciano Inocêncio António de Miranda, abade de Medrões, o acusa de ser o mais iníquo dos homens, o mais escandaloso dos sacerdotes e o mais detestável e perigoso cidadão; que o seu acusador Miranda, deputado às cortes constituintes e depois também às ordinárias, publicou em 1822 o seu Cidadão Lusitano para mostrar os males que sofria Portugal com o regime absolutista e as vantagens do sistema liberal, contra o qual se levantou logo grande campanha literária, e entre ela duas cartas assinadas com o pseudónimo de Ambrósio às direitas, cuja autoria atribuiu a ele, abade de Rebordãos, sem nenhum fundamento, pois sob sua palavra de honra declara que não escreveu tais cartas. Ignora os motivos que Miranda tem para lhe votar tanto rancor, pois nunca lhe fez mal algum, havendo apenas falado com ele duas ou três vezes; foi indiferente nos seus aturados litígios sobre o benefício de Quirás, bispado de Bragança, e tanto que ainda hoje ignora os fundamentos de um e outro pretendente. Diz que Miranda lhe chama: devoto afectado, contraditório manhoso, corcunda empenado, hipócrita perigoso, vaidoso por mania, religionário por arte, fidalgo por travessia e plagiário em ciência. Mais lhe chama torto, vinte e três vezes; velhaco, onze; hipócrita, dez; vaidoso, quatro; doloso, três; orgulhoso, quatro; malicioso, oito; invejoso, três; ignorante, dez; tolo, duas; impostor, cinco; malvado, onze; mentiroso, oito; vil traidor, uma; MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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parvo, duas; fanático, três; corcunda, nove; herege, uma; empenado, dezassete; arre-burro, uma; asno, onze, e diabo duas. Mais o acusa de ser cambaio das pernas, torto e ter dois palmos de nariz. Quanto a ser cambaio, nega; respeitante a torto, afirma que nunca pode ler nem escrever com o olho esquerdo, e do nariz concorda em que é alentado. Diz que Miranda escreveu e mandou imprimir homilías para os párocos lerem nas festas, a fim de desenganar o povo relativamente ao sistema liberal; que, sendo pároco de S. Pedro, viera uma vez, há perto de trinta anos, pregar à sua freguesia numa festividade da Senhora da Serra; que o Cidadão Lusitano foi condenado em Roma pelo decreto da Sagrada Congregação do Índex de 6 de Setembro de 1824, como noticiou a Gazeta de Lisboa, nº 296, do mesmo ano; que, nesta obra, Miranda ataca o celibato eclesiástico, a abstinência de carne em certos dias, sustentando ao mesmo tempo a necessidade de abolir os dias santos, a suficiência de um Padre-Nosso em acção de graças depois de celebrar e que a maçonaria em nada se opõe à religião. Mais diz: que nas eleições de deputados às chamadas cortes, na divisão de Bragança, ele, abade de Rebordãos, ficara na lista triple em número cinco com 3954 votos, e na segunda votação, em que já faltaria o terço dos votantes, com 3686; que viera para abade de Rebordãos com vinte e sete anos de idade (isto parece deduzir-se do contexto, mas é bem claro); que para sustentar o trono real contra a invasão francesa oferecera voluntariamente 1809 alqueires de centeio; que comprou a casa da residência paroquial com quintal adjunto, na qual mandou fazer obras onde gastou mais de 700$000 réis (815). Mais se vê desta obra que quando o bispo de Bragança D. António da Veiga Cabral da Câmara foi desterrado para o Buçaco, nomeou para governador do bispado o deão Paulo Miguel Rodrigues de Morais, mas a maioria do cabido julgava que este carecia de título jurisdicional, e assim foi declarado na sentença do metropolita de Braga: «Ainda mesmo que a tivesse decahira d’ella, por se dizer e publicar que espancara um clerigo». A parte do cabido que assim pensava nomeou interinamente governador do bispado a ele, Sepúlveda, enquanto o bispo não resolvesse. Esta eleição foi-lhe notificada a 29 de Janeiro de 1816, porém não teve efeito, porque o deão, auxiliado pela força militar, reassumiu as suas funções. Veio depois por vigário apostólico Joaquim de Santo Agostinho de Brito França Galvão, abade de Lustosa, e por condescender com as suas instâncias, se resolveu Sepúlveda a «ir ter um anno de purgatório no governo e regeneração do Seminario mais pobre do reino». (815) Aqui descreve ele o estado da diocese em frente das lutas liberais, de que já demos notícia no tomo I, p. 180, destas Memórias.

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Diz que teve de fazer no Seminário várias obras e sustentá-lo sem meios, e como estas obras não eram bem olhadas pelo partido do deão, originaram-se daqui novas perturbações e contendas entre o vigário apostólico e alguns particulares. Logo que veio o bispo pediu e obteve a exoneração da reitoria do Seminário. Na invasão da província pelas tropas constitucionais, sendo removido de Bragança o vigário capitular António Xavier da Veiga Cabral da Câmara e juntamente alguns cónegos, os dois partidos do cabido reunem e a 22 de Abril de 1823 elegem Sepúlveda para vigário capitular; porém, este não aceitou. Na primavera de 1817 veio uma extraordinária seca que, abrasando os campos e as searas, ameaçou o país com uma fome geral. No Apêndice apologético da Dissertação histórico-crítica sobre a comunhão frequente e quotidiana diz Sepúlveda que mandou um exemplar da Dissertação ao arcebispo de Braga, D. Frei Caetano Brandão, que em carta datada de 5 de Julho de 1804, assinada por ele e dirigida ao autor, diz: «A leitura d’este opusculo me encheu de tanto maior gosto, quanta era a desconsolação que sentia o meu espirito com a noticia dos abusos que, n’esta diocese, já principiavam a brotar da imprudente e fastidiosa obra, intitulada O Pão Nosso de cada dia... Não posso deixar de fazer justiça a esta bella Dissertação, descobrindo n’ella muitos motivos para desejar que se divulgue entre os nacionaes, a fim de que todos formem uma ideia justa e verdadeira das disposições que requer o Augusto Sacramento dos nossos altares. Quanto a mim requeiro uma duzia de exemplares para os meus seminaristas». Mais diz que muitas outras pessoas ilustres e virtuosas, mitradas algumas e outras já o eram ao tempo, aprovaram a dita Dissertação, que só não mereceu aprovação a um certo partido oculto de beatos, que, após vinte e um anos de fermentação sonegada, rompeu furioso contra o livro e contra seu autor pela pena do doutor-teólogo D. A. do N., empregado em prior de Baleizão, no bispado de Beja, no folheto intitulado Defesa da Verdade, Lisboa, 1822. O prior de Baleizão também não lhe poupa os insultos e trata-o de tolo, toleirão, idiota, ignorante, malvado tanto mais terrível quanto mais disfarçado, homem de pouca vergonha, de maliciosos estratagemas e sinistros instintos. Alcunha de péssima a Dissertação e por último chama-lhe Arnaldista e herege. Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda mereceu a Pinheiro Chagas, no Dicionário Popular (artigo «Sepúlveda»), honrosas apreciações. Ver também tomo I, pág. 134, destas Memórias. SEPÚLVEDA (João António Correia de Castro e) – Vigário capitular da diocese de Bragança por eleição do cabido em 9 de Novembro de 1836, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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deão da Sé da mesma diocese em 1850, fidalgo da casa real, comendador da real ordem espanhola de Carlos III e condecorado com outras medalhas de distinção. Nasceu na freguesia de Santa Maria, Bragança, a 17 de Fevereiro de 1796 e ali faleceu a 14 de Julho de 1876; filho do tenente-general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda e de D. Joana Correia de Sá Velasques e Benevides. Escreveu: Documentos justificativos. Porto, Tip. de Faria Guimarães, 1842. 8.º de 42 págs. É uma série de documentos e representações dirigidas à rainha para que não consinta que o bispo D. José da Silva Rebelo assuma de novo o governo da diocese. Deste Sepúlveda conserva-se no Museu Regional de Bragança uma carta dirigida ao cabido, datada desta cidade a 30 de Junho de 1870, onde lhe diz que «aleijado de pés e mãos» precisa ir a caldas de Ledesma «ou talvez... (ilegível), reino de Aragão, bem conhecidas na Europa e que já em outro ano lhe aproveitarão e mais por ter em Zaragoça parentes proximos, os condes de la Rosa, senador do Reino, que o assistem e cuidam, indo com comodidade, pouca despeza e promptidão no ferro-carril de Zamora». Pede, pois, que o dispensem do coro e lhe não descontem os vencimentos (816). SEPÚLVEDA (Manuel Jorge Gomes de) – Do conselho da rainha D. Maria I e de el-rei D. João VI, fidalgo-cavaleiro da casa real por alvará de 6 de Setembro de 1789, alcaide-mor da vila de Trancoso, administrador dos vínculos de Mirandela e Amendoeira, grã-cruz da Torre e Espada por carta régia de 13 de Maio de 1812, comendador de São Martinho de Soeira da ordem de Cristo no bispado de Bragança, governador da província do Rio Grande do Sul, Brasil (onde se comportou brilhantemente na defesa da fronteira e na administração interna, criando sete freguesias e erigindo dois colégios para educação dos naturais e aformoseando a vila, hoje cidade de Porto Alegre, da qual se pode considerar como fundador), governador das armas da província de Trás-os-Montes e tenente-general do exército; nasceu em Bragança, freguesia de S. João Baptista, hoje Sé, a 16 de Abril de 1735 e faleceu em Lisboa a 18 de Abril de 1814 (817).

(816) Acerca do conde de la Rosa, ver tomo IV, p. 599, e tomo VI, p. 47 e 191, destas Memórias. (817) Alguns autores dizem que nasceu em Mirandela; mas no Livro de Memória, que citamos no tomo VI, p. 193 destas Memórias Arqueológico-Históricas, declara-se que nasceu em Bragança na freguesia citada, onde também se encontra o seu assento de baptismo. Outros também informam que faleceu a 28 de Abril; mas O Panorama, ano de 1844, 2.ª série, p. 205, e o referido Livro de Memória, que merece todo o crédito por ser obra da família, apontam o dia 16 de Abril. Na Gazeta de Lisboa, ano de 1814, nº 97, vem o seu necrológio.

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Era filho de António Gomes de Sepúlveda (818), natural de Mirandela (cavaleiro professo da ordem de Cristo, sargento-mor da cavalaria de Almeida, onde faleceu a 13 de Março de 1755, sendo coronel e governador da mesma praça), e de D. Maria Luísa Pereira, natural de Santo Estêvão, concelho de Chaves, filha de Mateus Rodrigues de Eiró e de D. Maria Alves Pereira, e neto de António Gomes de Abreu e de Serafina de Sepúlveda, ambos de condição e ascendência humilde (819). Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda casou na freguesia de Santo António de Jacutinga, cidade do Rio de Janeiro (Brasil), a 24 de Setembro de 1781 com D. Joana Correia de Sá Velasques e Benevides, natural da freguesia da Candelária, da mesma cidade, filha de Martim Correia de Sá, fidalgo da casa real, alcaide-mor do Rio de Janeiro, e de sua mulher e prima D. Isabel Correia de Sá, nascida a 12 de Agosto de 1758; neta paterna do coronel Salvador Correia de Sá, natural do Rio de Janeiro, e de D. Joana Maria de Sousa Castro e Albuquerque, natural da Baía, e materna do tenente-general Martim Correia de Sá e de D. Maria Teresa de Jesus e Gouveia, ambos do Rio de Janeiro, o qual era descendente em linha recta dos viscondes de Asseca (820). Convém lembrar que este tronco humilde dos Sepúlvedas produziu rebentos de notável importância, como foram Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda, abade de Rebordãos, o tenente-general de que vamos falando, os filhos deste António Correia de Castro e Sepúlveda (1.º visconde de Ervedosa), Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda, alma militar do movimento revolucionário de 1820, João António Correia de Castro e Sepúlveda, deão da Sé de Bragança, e os netos Manuel Jorge e Francisco Correia (821), dos quais tratamos em artigos próprios. É interessante a carta régia de 28 de Novembro de 1783, na qual a rainha, tendo em consideração os «distinctos serviços que n’este reino me fez Manuel Jorge Gomes de Sepulveda até ao posto de capitão commandante

(818) Ver tomo VI, p. 190, destas Memórias. (819) Do processo de habilitação de genere de António Gomes de Sepúlveda para ingressar na ordem de Cristo (Ordem de Cristo, «Habilitação», maço 49, nº 83, na Torre do Tombo) consta que no seu princípio aprendeu o ofício de sapateiro e que seu pai também o era. PINTO, António da Silveira – Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, vol. I, p. 530. Gazeta de Lisboa, ano de 1755, nº 19. (820) No tomo II, p. 249, destas Memórias publicámos a inscrição do alpendre da igreja de S. Francisco de Bragança referente a D. Joana Correia de Sá Velasques e Benevides, mulher do tenente-general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, que morreu a 10 de Julho de 1801 e não em Junho, como erradamente aponta a inscrição. Ver Gazeta de Lisboa do mesmo ano, nº 35, e Livro de Memória, fólios 1 e 59. (821) Ver tomo VI, p. 185 e seguintes, destas Memórias.

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de cavallaria do regimento dos Voluntarios Reaes e nos estados do Brazil com o nome de José Marcelino de Figueiredo no posto de coronel de cavallaria encarregado do governo dos districtos do Rio Grande de S. Pedro com a patente de brigadeiro da mesma cavallaria por carta regia de 14 de Junho de 1764» há por bem nomeá-lo governador da cidade de Bragança (822). Que razões levariam Manuel Sepúlveda a mudar de nome? José Marcelino de Figueiredo foi alcaide-mor de Bragança (823). A 2 de Dezembro de 1772 fez el-rei D. José mercê dessa alcaidaria a D. Luís António Botelho de Sousa Mourão, morgado de Mateus em Vila Real, cargo vago pela deserção daquele José Marcelino (824). A tal propósito transcrevemos o escrito seguinte: «Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda passou a servir nos Estados Ultramarinos por aviso régio de 17 de Março de 1755, porém debaixo do nome supposto de José Marcelino de Figueiredo, que tomou por insinuação do primeiro ministro d’Estado, que era então, marquez de Pombal. Ahi, depois de nomeado coronel de cavallaria, foi encarregado do comando das tropas e das fronteiras do Rio Grande, e logo tratou de organizar e disciplinar um regimento de cavallaria, que denominavam “Dragões”, e assim mais algumas tropas, com que em 1767 expulsou dos fortes do norte os hespanhões, que comnosco contendiam sobre a posse d’aquelles terrenos limitrophes;...... Continuou por espaço de dezasseis annos a governar aquellas provincias, com a patente de brigadeiro de cavallaria por carta regia de Junho de 1774, defendendo sempre com valor e fidelidade aquella extensa região: com pequeno numero de tropas embaraçou a invasão que o general espanhol, D. Jorge Vertize, intenta á testa d’uma grossa columna de gente exercitada, obrigando-o a retirar-se com grande perda de homens e de cavallos, desbaratando-o em Tubatingay e no Rio Pardo, e surprehendendo-o no campo de Santa Barbara e na tomada dos fortes de S. Martinho e Santa Tecla, e em outros mais encontros que teve com o inimigo, pelo que mereceu os regios louvores. Feita a paz, adiantou aquelle continente, erigindo de novo sete freguezias, com as suas respectivas igrejas e duas villas, repartindo-lhe as terras segundo as reaes ordens; formou outro regimento de auxiliares da real fazenda, que augmentou consideravelmente, e sem prejuizo d’esta estabeleceu uma renda sufficiente para a educação dos indios guaranins dos dois sexos, em dois differentes collegios, que cada um continha cincoenta indi(822) Ver tomo III, p. 250, destas Memórias, onde publicámos este documento. (823) Ibidem, tomo IV, p. 616 e seguintes. (824) Livro do registo da Câmara de Bragança, fólio 226.

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viduos de cada sexo, com mestres e casas correspondentes a tão pias e uteis instituições. Armou e adornou a vila, hoje cidade de Portalegre, deixando-a no melhor estado; edificou n’ella de raiz o palacio dos governadores no bom gosto possivel, e outros mais edificios, merecendo por isso se lhe declarasse nas patentes, que estes serviços tinham sido relevantissimos á religião e ao Estado assim na paz como na guerra, no Brazil como em Portugal, aonde são bem conhecidos. Por decreto de 22 de Novembro de 1783, quando regressou ao reino, se lhe mandou restituir o seu verdadeiro nome e d’elle usou até á morte» (825). Por carta régia de 11 de Novembro de 1793 foi Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda nomeado governador das armas da província de Trás-os-Montes, cargo vago «pelas occupações e legitimo impedimento do conde de Sampaio», que até ali o exercera (826). Nesta honrosa comissão permaneceu Sepúlveda até que, por carta régia de 15 de Fevereiro de 1809, foi substituído pelo brigadeiro Francisco da Silveira Pinto da Fonseca, sendo então chamado para conselheiro de guerra (827) por decreto de 2 de Outubro de 1808, pois que a nomeação do marquês de Alorna, por decreto de Junot de 22 de Dezembro de 1807, para inspector-geral e comandante das tropas portuguesas de todas as armas estacionadas nas províncias de Trás-os-Montes, Beira e Estremadura, teve curta duração (828). Enquanto esteve no Brasil, muito se distinguiu Sepúlveda no combate de Santa Bárbara e na defesa dos fortes de S. Martinho e Santa Tecla do Rio Pardo atacados pelo general espanhol D. Jorge Vertize. Após a expulsão dos franceses, os governadores do reino, na ausência de D. João VI, ordenaram ao bispo do Porto, a Bernardino Freire de Andrade, a João José Azevedo Mascarenhas e Silva, ao conde Monteiro Mor, a Francisco de Paula Leite e a Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda que fizessem uma resenha do princípio e progresso da restauração, com a declaração dos nomes e serviços dos que nela haviam entrado e nomearam para conselheiros de guerra o referido Sepúlveda e o conde Monteiro Mor. O exército do Norte foi entregue ao comando do tenente-general Bernardino

(825) De O Panorama, p. 205 (não sabemos de que ano, porque o exemplar que vimos deste número não o indicava, mas talvez seja de 1857). Parece que este artigo é do deão João António Correia Sepúlveda. (826) Livro do Registo da Câmara de Bragança, fl. 219, onde vem transcrito na íntegra este documento. (827) CHABY – Excertos Históricos…, III parte, vol. VI, p. 85 e o documento nº 44; PINTO, António da Silveira – Resenha das Famílias Titulares…, tomo I, p. 455. (828) CHABY – Excertos Históricos…, p. 19.

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Freire de Andrade e o do centro ao marechal-de-campo Manuel Pinto Bacelar (829). Damos a seguinte bibliografia referente ao glorioso tenente-general Manuel Jorge Gomes Sepúlveda: Proclamação aos trasmontanos por um amigo da religião e do príncipe. Porto, Tip. de António Álvares Ribeiro, 1808. Oração que a Câmara de Vila Real recitou na entrada solene do general Sepúlveda naquela vila em 9 de Julho. Porto, na mesma tip., 1808. Relação fiel e exacta do princípio da revolução de Bragança e consequentemente de Portugal – Memória abreviada e verídica dos importantes serviços que fez à nação o Ex.mo Sr. Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, tenente-general e governador das armas da província de Trás-os-Montes, na feliz origem e progresso da revolução que salvou Portugal; e que deve servir para dar luz à história Lusitana, por Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda, abade de Rebordãos. Lisboa, 1809. Demonstração analítica dos bárbaros e inauditos procedimentos adoptados como meios de justiça pelo imperador dos franceses para a usurpação do trono da Sereníssima e Augustíssima Casa de Bragança e da real casa de Portugal – Com o exame do tratado de Fontainebleau, exposição dos direitos nacionais e reais e da informe Junta dos Três Estados para suprir as cortes. Oferecida ao juízo imparcial da nação livre. Lisboa, 1810, vol. I, em nota à pág. 38. Esta obra é do doutor José António de Sá. Sepúlveda patenteado, ou «Voz pública e solene, depositada em documentos autênticos, que devem servir para resolver a questão: – Quem foi o primeiro chefe a proclamar a revolução transmontana em 1808?». Londres, 1813. 8.º gr. de VIII-151 págs., com o retrato de Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda. Parecem ser deste retrato as cópias que dão os Excertos Históricos de Cláudio Chaby e a História de Portugal de Pinheiro Chagas. Excertos Históricos – Colecção de documentos relativos à guerra denominada da Península e às anteriores de 1801, e do Rossilhão e Catalunha, pelo capitão Cláudio Chaby. Lisboa, 1863. Parte III, vol. I, pág. 5, onde vem também o retrato de Sepúlveda e daqui copiado na História de Portugal, popular e ilustrada, de Pinheiro Chagas, tomo VII, pág. 424. Compêndio histórico, por Frei Joaquim Soares, da Sagrada Ordem dos Pregadores. Tomo I, págs. 27 e 28. Farol Trasmontano – Periódico mensal de instrução e recreio, pág. 142. Foi este o primeiro periódico que se publicou em Bragança em 1845.

(829) SORIANO, Simão da Luz – História da Guerra Civil, 2.ª época, cap. VII, p. 601.

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SEPÚLVEDA

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SEQUEIRA

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SERRANO

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SERRÃO

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Bragança e Benquerença, por Albino dos Santos Pereira Lopo, Lisboa, 1900, pág. 42. História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal, por Simão José da Luz Soriano, 2.ª época, «Guerra da Península», vol. I, cap. IV, pág. 251. História da Revolução Portuguesa de 1820, por José de Arriaga, vol. I, pág. 512. Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, por Albano da Silveira Pinto, vol. I, pág. 530. Nos Excertos Históricos de Chaby, III parte, vol. V, encontra-se o fac-símile da assinatura do nosso biografado. Ilustração Trasmontana. Porto, 1908, pág. 133, que publica o seu retrato acompanhado de dados biográficos. Da parte gloriosa que Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda tomou na expulsão dos franceses já falámos no tomo I, págs. 130, 143, 269, 273 e 334; tomo IV, pág. 575, e tomo VI, págs. 44 e 714, destas Memórias Arqueológico-Históricas. SEQUEIRA (Francisco da Veiga Baía de) – Comendador; chefiou as forças nacionais em Mirandela durante as lutas da Maria da Fonte pelos anos de 1847 (830). SEQUEIRA (João António) – Há dele uma tese na igreja de Maçores, concelho de Moncorvo, impressa em véu de cálix, seda branca, sem indicar ano de impressão. Ver o artigo Padrão (João Manuel), pág. 370. SERRANO (Francisco) – Desenterrou em 1843 o cadáver de D. Rosa Mendanha do cemitério de Rebordãos, «e depois de lhe fazer varias operações dignas de exacração, o pendurou em uma arvore a secar conduzindo-o em seguida para sua casa» (831). SERRÃO (Manuel Francisco da Costa) – Engenheiro. Escreveu: Relatório acerca das actuais condições de exploração dos jazigos de mármores e alabastros de Santo Adrião, próximo do Vimioso. Lisboa, Tip. da Casa Católica, 1891. 8.º de 43 págs. A propósito destes jazigos, ver o apelido Delgado.

(830) Ver tomo I, p. 211, destas Memórias. (831) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do governo civil, ano 1843, nº 588.

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SESULFE

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SEVERO DA FONSECA

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SILVA

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SESULFE – Francisco Pinto Pereira do Lago Sarmento, de Sesulfe, foi provido em 1784 na reitoria de Ala. SEVERO DA FONSECA (Ricardo) – Arqueólogo, director da revista Portugália. Nasceu em Lisboa a 6 de Novembro de 1869. Escreveu: Notícia da Estação romana na Quinta da Ribeira, em Tralhariz (Extracto do tomo I, fascículo 2.º da Portugália). Porto, Imp. Moderna, 1900. 1 folheto in-4.º SILVA (António Alves da) – Há dele na igreja de S. Bento de Bragança um véu de cálix, de seda cor-de-rosa, onde vem impressa a tese defendida no seu quarto ano de direito canónico em Coimbra em 1737, sem indicação de dia nem mês. Conimbricae ex tip. Regali Artium Colegio Societ. Jesu. Anno Doñi. 1737. Véu simples, sem ornatos. SILVA (António Pires da) – Nasceu em Bragança em 1662; ignora-se quando morreu. Era licenciado na faculdade de medicina pela Universidade de Coimbra e médico na vila de Lafões. Escreveu: Cronografia medicinal das Caldas de Lafões – Oferecida ao Il.mo Senhor Duarte de Almeida e Sousa. Lisboa, 1696. 4.º de XVI-270 págs. «É obra de trabalhada erudição, e que além da parte medica, propriamente dita, contem bastantes noticias historicas e genealogicas. Traz no fim um Exame cirurgico, recopilado pelo mesmo autor» (832). «Trata profusamente da antiga villa do Banho, do antigo concelho de Lafões, bem como dos Senhores da dita villa e concelho. É um livro muito interessante. Ressente-se da escola de Fr. Bernardo de Brito, conta como historia viridica muitas lendas desde a criação do mundo e para mostrar a antiguidade das ditas caldas esforça-se em torrentes de erudição para demonstrar que ellas brotaram no mesmo sitio e com a mesma temperatura no dia terceiro da criação?!... não faz duvida, diz elle, que a agua dos banhos de Alafões teve principio e sahiu logo quente na tarde do terceiro dia. Mas em compensação n’essa obra encontram-se noticias aproveitaveis e curiosas com relação a esses e outros banhos d’aquelle tempo» (833). SILVA (Carlos Augusto Magalhães e) – Capitão de mar e guerra. Nasceu em Mirandela a 30 de Janeiro de 1852 e faleceu em Lisboa em 1910; filho de João António Alves de Carvalho e Silva, juiz de direito, e de D. Rita Cândida (832) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico . (833) LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno, artigo «Vouzela (vila)», e CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal, tomo II, p. 354.

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SILVA

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de Magalhães. Estudou preparatórios no Porto; assentou praça em aspirante a guarda-marinha a 26 de Julho de 1867, concluído o curso da sua arma, onde obteve o primeiro lugar entre todos os seus condiscípulos; foi promovido àquele posto em 2 de Outubro de 1869, a 2.º tenente em 4 de Junho de 1873 e a 1.º em 20 de Agosto de 1879. Comandou a canhoneira Bengo em 1882, onde muito se distinguiu em diversas comissões honrosas de serviço público que desempenhou na África Ocidental, fazendo respeitar o nome português, o que lhe valeu ser louvado em várias portarias do governador geral de Angola, conselheiro Ferreira do Amaral, e o hábito da Torre e Espada. Regressando a Lisboa na época em que a opinião pública andava mais preocupada com a questão do Zaire, a instâncias da Sociedade de Geografia fez sobre esse assunto uma conferência nas salas dessa corporação, que foi muito elogiada pela imprensa, sendo depois traduzida pelo autor em francês e publicada por aquela benemérita instituição sob o título: Le Zaire et les contracts de l’Association International – Conférence faite le 21 Juin 1884. Saiu também em português no «Boletim» da Sociedade de Geografia, nº 3 da 5.ª série. Publicou mais: Questões coloniais – «A ocupação do Congo e a conferência de Berlim» (834). SILVA (Casimiro António Ribeiro da) – Médico pela Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em 1864, deputado e governador civil do distrito de Bragança. Nasceu na freguesia do Castanheiro do Norte, concelho de Carrazeda de Ansiães, a 24 de Junho de 1838 e faleceu no Peso da Régua, vitimado por uma congestão cerebral, a 29 de Junho de 1901, quando ia em viagem para o Porto. Era filho de João Fernandes da Silva e de D. Luísa Ribeiro; casou a 27 de Julho de 1864 com D. Cândida Augusta Coelho da Silveira, filha do capitalista portuense José António Alves da Silveira. Foi médico municipal no concelho de Carrazeda de Ansiães desde 1864 até 1883 ou 84, em que pediu a sua exoneração; deputado pelo círculo de Bragança nas legislaturas da 1869 e 1878 e por decreto de 21 de Maio de 1884 teve o despacho de governador civil do distrito de Bragança. O doutor Casimiro Ribeiro deixou duas filhas: uma casada com António Luís de Freitas, juiz de direito e governador civil do nosso distrito, natural de Misquel, freguesia de Parambos, concelho de Carrazeda de Ansiães, e a outra com o doutor Manuel da Costa Rocha, médico em Mirandela. Esta faleceu em Novembro de 1906.

(834) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Magalhães e Silva (Carlos Augusto)».

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SILVA (Francisco da) – Abade de S. Vicente de Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros, natural de Bragança. Escreveu: Opúsculo da infância e puerícia dos Príncipes e Senhores – Com um breve e curioso discurso sobre o nascimento e solene baptismo do infante sereníssimo D. Afonso, etc. Lisboa, 1644. 4.º de VIII-114 págs. É raro e interessante (835). SILVA (Francisco da) – Bravo defensor de Vinhais durante o cerco posto pelo general Pantoja em 1666 (836). SILVA (Francisco António da) – «Mestre entalhador», da vila do Mogadouro, arrematou em 1771 a obra de talha do retábulo da capela-mor da igreja de Urrós nas seguintes condições: «Levará em primeiro luguar sua banqueta com suas coartelas nas bandas para a receber. Levará seus pedestais, banco, coluna e friso. Levará hum caixilho na boca da tribuna em parte entalhado. Levará logo ao pé do caixilho por cada lado seu pilar entalhado, e logo primeira coluna tersada e entalhada com suas tarjas; e logo de cada banda hûa meia cana fazendo o retiro para tras com sua cupula e sua pianha que sirva para nicho dos Santos; e logo de cada lado sua coluna também tersada e entalhada; e hum pilar por banda para acabar de ligar a parede; e na meia cana que vai entre os pedestais se abrirá com seus gonzes para entrada do camarim; levará sua tarja para o Sacrario...... e subindo ao remate será nesta forma: em partes será acrecentado a proporção do pitique (?) e em cima do camarim levará hûa cupula com seu franjado que servirá a receber em cima das colunas do centro que para o mesmo se lhe faram suas coartelas; e em cima das tais coartelas levará de cada lado seu Anjo de altura correspondente ao menos de coatro palmos; com seu resplendor romano e por cima virá ao modo de pavilhão crescendo para diante comprimento necessario ao menos quatro palmos». Esta obra foi justa por 197$000 réis. O doutor Francisco Vaz de Quina, provisor e vigário-geral do bispado de Miranda, por ordem do respectivo bispo mandou pôr a pregão, no pátio do palácio episcopal, «a factura do retabulo da capella mór da igreja matriz do lugar de Urrós por assim se lhe ordenar por sua Excelencia Reverendissima e sendo com efeito apregoada a dita obra pollo porteiro do juizo geral desta cidade em altas e inteligiveis vozes dizendo quem quer lançar na obra e factura do retabulo da capella mór da igreja do lugar que se hade rematar e repetindo o mesmo pregam hua, duas, tres e mais vezes; appareceu logo Francisco António da Silva, mestre e entalhador da villa do Mogadouro e lançou na ditta obra na forma dos appontamentos na quantia de cento e noventa e (835) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico. (836) Ver tomo I, p. 166, destas Memórias.

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sette mil reis, e logo o ditto porteiro tornando a pregoar na forma sobreditta por nam achar quem fizesse menor lanço lhe aceitou o seu ao sobreditto e veio a elle Reverendo Doutor Menistro dizendo que tendo afrontado muitas vezes a ditta obra nam tinha achado quem nella lançasse por menos quantia de cento e noventa e sette mil reis pello que respeita tam somente a obra que se deve mandar fazer por conta dos fructos da Abbadia e apregoando ultimamente o mesmo porteiro disse em vozes altas entelegiveis ha quem por menos de cento e noventa e sette mil reis faça a obra do retabulo da capella mór do lugar de Urrós que se arremata e mandou outra vez elle Reverendo Menistro afrontar e logo o porteiro andou para baixo e para cima se havia quem por menos fazia a ditta obra com hum ramo verde na mam fazendo afronta e dizendo que afronta fazia porque mais nam achava e dizendo que se mais achara mais tomara doulle hûa doulle duas doulle outra mais pequenina ha quem faça por menos senam dou o ramo e por nam haver quem fizesse menos lanço logo elle Reverendo Doutor Menistro lhe mandou entregar o ramo ao sobreditto Francisco Antonio da Silva que o recebeo da mão do porteiro de que eu escrivam dou fé e lhe houve por rematada a dita obra». Esta obra fora preceituada pelo visitador na diocese em 1771, que mandou «alargar dez ou dose palmos a parede de tras da capella mór e fazer de novo o seu retabulo…… [além de outras alfaias para o culto, ordenava mais que se fizessem] seis castiçais a romana» (837). Na obra de carpintaria arrematada para esta capela em 1771 por José Gonçalves, de Sanhoane, mestre carpinteiro, se declara que «será de pernas e terão os caibros de grosso meio palmo... e levarão de vão entre perna e perna palmo e meio, e levarão as pernas e os oliveis embotidos a meia madeira. Será o forro por cima das pernas em tosco de escama de peixe e será por baixo forrada e apainelada com suas coartelas e flores ou rosas nos remates dos paineis e toda na forma da capella de Carragosa» (838). Em outro processo, junto a estes documentos de Urrós, declara-se que a capela-mor «levara um retabolo de novo todo pelo feitio da capela mór de Rabal termo de Bragança». Em outras arrematações de obras, como na da capela-mor da igreja de Mós de Rebordãos, em 1745 adjudicada aos mestres-canteiros José da Costa e Isidoro Martins, de Santa Comba de Rossas, por 200$000 réis, se diz apenas: que a autoridade eclesiástica mandou pôr a pregão a obra pelo porteiro e, como não houvesse quem a fizesse por menos «lhe mandou entregar o ramo» aos ditos arrematantes. Assim por este teor aparecem vários outros autos de arrematação. (837) Museu Regional de Bragança, maço Obras. (838) Ibidem.

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SILVA (Francisco José da) – Secretário da província de Trás-os-Montes em 1790. Escreveu um Nobiliário que não chegamos a ver (839). SILVA (João de Morais da) – Vivia pelos anos de 1730. Possuímos um manuscrito, encadernado, papel liso de 541 fólios, escritos porém só até ao 537, intitulado Pecúlio, que diz no fólio 1: «Este Peculio, que hé de João de Moraiz Sylva natural da villa de Algoso......». Será este o nome do autor ou apenas proprietário do livro? No fim, fólio 537, diz: «Finis laus Deo Virginique matria. João de Morais Sylva». No fólio 1, verso, escreve: «Ancora medicinal. Sit brevis, aut nullus tibi somnus meridianus. Febres, pigrities, capitis dolor, atque catearbus, hoc tibi proveniunt ex somno meridiano. Rapa juvat stomachum, Novit producere ventum, Provocat urinam, Praestatque in dente ruinam. Pulles ferventes faciunt corumpere dentes». Segue depois uma «Receita para se fazer tinta para escrever», e nos fólios seguintes até ao fim contém um tratado de direito. Colada com lacre à costaneira do último fólio há um papel com estas notícias: «Aos 19 de Fevereiro de 1730 ouve hum sinal no Ceo para a parte do norte pelas 8 até ás dez da noite que estava o Ceo muito claro, e na parte do nascente vermelho como sangue. Aos 7 de Outubro de 1730 ouve outro sinal no Ceo para a parte do norte pelas onze e doze oras da noite, como o outro acima dito. A 8 de Junho de 1731 ouve hua tormenta pelas 12 oras da noite que fez inconsideravel damno nas messes e propriedades levando-as, e levou alguns lugares como foi a Burga em terra de Bragança, e outros lugares em terra de Chaves e morreu muita gente afogada que a levou o diluvio e forão achados muitos homens e mulheres nas emvalsadas dos rios todos mortos». SILVA (João Gonçalves de Oliveira e) – Ignoramos as suas circunstâncias pessoais; mas, pelo opúsculo de sua autoria abaixo descrito, vê-se que vivia em Lisboa em 1886, onde tinha um estabelecimento de empréstimos sobre penhores a juros. Escreveu: Os doutores Firmino João Lopes e Augusto José Pereira Leite jul-

(839) Ver tomo VI, p. 723, destas Memórias.

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gados pelo Tribunal da Relação de Lisboa e pelo da Opinião Pública. Lisboa, 1886. 8.º de 40 págs. Ver os artigos: Lopes (Firmino João), pág. 273, e Pessanha (José Benedito de Almeida), pág. 390. SILVA (Joaquim dos Santos) – Chefe dos trabalhos práticos no laboratório da Universidade de Coimbra e sócio da Sociedade Química de Berlim. Escreveu: Águas alcalino-gasosas de Bem-Saúde. Coimbra, 1880. Folheto de 34 págs. Estas águas, idênticas nos efeitos medicinais às de Vidago, Pedras Salgadas e Verin, brotam a um quilómetro da Junqueira, no vale da Vilariça, concelho de Moncorvo. SILVA (Joaquim Xavier Pinto da) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, comendador da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da ordem italiana de S. Maurício e S. Lázaro. Nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1818 e faleceu em Lisboa em 1887. Começou a sua carreira burocrática sendo amanuense do Governo Civil de Coimbra e sucessivamente advogado em Lisboa, delegado do procurador régio da comarca da Feira, secretário-geral do Governo Civil de Ponta Delgada e depois do de Faro, Leiria e Aveiro e neste distrito governador civil em 1851, transitando seguidamente para os de Portalegre, Castelo Branco e por decreto de 20 de Junho de 1859 para o de Bragança, cargo de que tomou posse a 11 de Agosto seguinte, sendo exonerado a 12 de Março de 1860. Por decreto de 12 de Janeiro de 1853 foi nomeado, precedendo concurso, primeiro oficial da direcção-geral de instrução pública no ministério do Reino, e por outro de 3 de Maio do mesmo ano fora agraciado com a carta de conselheiro. Foi deputado por um círculo do distrito da Horta em 1865-1868, sendo em 1871 nomeado chefe da primeira repartição da direcção-geral da administração política e civil. Escreveu: Índice ou repertório alfabético e remissivo da legislação portuguesa, especialmente sobre a administração pública, desde 1830 até 1845. Lisboa, 1846. Memória (Junta em 1859 ao requerimento para o concurso do lugar de primeiro oficial da direcção-geral da instrução pública) (840). SILVA (José Alves Ferreira da) – Doutor pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde concluiu o curso em 1893. Nasceu em Santo António da Lomba, concelho de Gondomar, a 15 de Novembro de 1866, casou em

(840) Portugal: Dic. histórico, artigo «Pinto da Silva (Joaquim Xavier)».

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Maio de 1894 com D. Maria da Glória de Morais Sarmento, natural de Vilar de Ouro, concelho de Mirandela, e fixou residência na Torre de Dona Chama, do mesmo concelho, onde sua esposa é proprietária de uma casa brasonada. Escreveu: De mes études – Torre de Dona Chama, Mirandela, Portugal. Lisboa, Tip. de António Maria Antunes, 1908. Folheto de 30 págs. Tem colaborado no Eco de Dona Chama, Século e outras publicações. SILVA (José Bonifácio de Andrade e) – Doutor em filosofia e direito pela Universidade de Coimbra, onde se graduou em 1809, sócio e secretário perpétuo da Academia das Ciências de Lisboa, desembargador da Relação do Porto, intendente-geral das minas e professor de mineralogia na mencionada Universidade. Nasceu no Brasil em 1763 e faleceu em Lisboa em 1838 [13]. Além de outras obras, escreveu: Memória sobre as pesquisas e lavra dos veios de chumbo de Chacim, Souto, Ventozelo e Vilar de Rei na província de Trás-os-Montes. Vem nas Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa, 1.ª série, tomo V, parte II, pág. 77 e segs. (841). SILVA (José Firmino da) – Presbítero, professor complementar, grande orador sagrado. Nasceu em Vinhais a 10 de Dezembro de 1860 e aí faleceu a 6 de Outubro de 1925; era filho de Francisco Tibúrcio da Silva e de D. Ana Maria da Silva. Fez os estudos liceais e os de teologia em Bragança, ordenando-se de presbítero em 1883, sendo nesse mesmo ano despachado professor complementar. Colaborou em A Palavra, Nacional, Notícias de Bragança, Gazeta de Bragança e noutros periódicos e deixou manuscritos vários sermões. O padre José Firmino foi, incontestavelmente, o primeiro orador sagrado do seu tempo na diocese de Bragança e poucos se lhe avantajariam no país; possuía um espírito cintilante, uma alma cheia de bondade, de generosidade e de graça na sua conversa. Era tanto o seu espírito de obediência clerical, mesmo a ordens iníquas, e era tanto o aferro do bispo D. José Lopes Leite de Faria à secura material dos textos canónicos, vistos através da sua dureza psicológica, que não duvidou ir, sem poder, já gravemente doente, aos Exercícios Espirituais (o bispo nem admitia atestados de doença passados pelos médicos!), que teve de ser tirado deles em braços para não morrer lá, pois durou apenas dois dias!

(841) ARRIAGA, José de – Hist. da Revol. Portuguesa de 1820, vol. I, p. 282.

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Não foi este, infelizmente, o único padre a quem sucedeu o mesmo, no piedoso intuito de lhes meter as almas no céu por meio de trabalhos, deficiências alimentícias e descuidos valetudinários!!! SILVEIRA (D. João de Sousa da) – Mestre-de-campo; sucedeu no governo das armas da nossa província a Rui de Figueiredo em 1643. Saqueou e incendiou Pedralva, Rio de Maçãs e Lubian, isto no mesmo ano. Igual sorte teve Moialde em 1644. Mas achando-se gravemente doente, com o que os castelhanos cobraram coragem por não haver quem lhes reprimisse as audaciosas incursões no nosso território, tornou outra vez el-rei a nomear Rui de Figueiredo de Alarcão em 1646 (842). SOARES (Álvaro Augusto Pinto) – Nasceu em Abreiro, concelho de Mirandela, a 25 de Julho de 1849; filho de António Pinto Soares e de D. Maria da Conceição Ferreira. Exerce a clínica em Mirandela, onde é venerado e admirado pela sua competência, bondade e caridade, que o leva a deixar aos doentes pobres o pouco que aceita dos ricos, apesar de ele mesmo ser pobre. Escreveu: Da identidade em medicina legal – Tese. Porto, 1876. 8.º de 46 págs. SOARES (Álvaro de Morais) – Alferes, natural de Bouçoães, concelho de Valpaços, da família do morgado de Vilartão; morreu, no posto de coronel, na guerra peninsular. Era irmão do coronel Eusébio de Morais Soares, que esteve no ataque de Valpaços, onde foi derrotado Sá da Bandeira. Distinguiram-se no ataque de Puebla de Sanábria em 1810 (843). SOARES (Romão José) – Tenente de infantaria nº 24, que estava na praça de Almeida em 1810 quando se deu a explosão (844). SOBRAL (Tomé Rodrigues) – Presbítero, cavaleiro professo da ordem de Cristo, lente da faculdade de filosofia na Universidade de Coimbra, reitor da mesma por portaria de 24 de Maio de 1828 (845), sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e deputado em 1821, cognominado com razão o Chaptal português, por ser no nosso país o maior químico do seu tempo e

(842) MENESES, Luís de – Portugal Restaurado, livro VII, parte I; ALMEIDA, Gregório de – Restauração de Portugal Prodigiosa, e tomo I, p. 84, destas Memórias. (843) Ver tomo I, p. 159 e 161, destas Memórias. (844) Ibidem, p. 165. (845) Documentos para a história das Cortes Gerais da Nação Portuguesa, tomo IV, p. 579.

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como tal julgado por Linck e Balbi. Nasceu em Felgueiras, concelho de Moncorvo (ignora-se o dia e ano; sabe-se, porém, que se matriculou no primeiro ano da faculdade de matemática na Universidade de Coimbra a 29 de Outubro de 1779) e faleceu na sua quinta da Cheira, próximo de Coimbra, a 20 de Setembro de 1829, sendo sepultado na igreja do convento de Santo António da Estrela daquela cidade (846). Escreveu: Tratado das afinidades químicas: artigo que no Dicionário de química, fazendo parte da Enciclopédia por ordem de matérias, deu Mr. de Morveau; e que para comodidade de seus discípulos traduziu Tomé Rodrigues Sobral, etc. Coimbra, 1793. 8.º de V-512 págs. Foi publicado «por satisfazer aos desejos da congregação da sua Faculdade, que annuindo á proposta do director, julgou interessar muito ao ensino d’aquela parte da mocidade que se dedica ao estudo da chimica, dar-lhe uma versão fiel do referido Tractado». Oratio academica in qua Augustissimi Antonii Beriensis Principis natalitia, coram frequenti Acad. Colimbr. solemni pro. congratulatione celebrantur. Olisipone, 1797. 4.º de VI-22 págs. Publicou também no Jornal de Coimbra as seguintes memórias e artigos: Carta ao dr. José Feliciano de Castilho, em resposta a outra, em que tratava de uma nova aplicação do gás muriático oxigenado. Saiu no nº 33, parte I. Reflexões gerais sobre dificuldades de uma boa análise, principalmente vegetal. No nº 36, parte I, págs. 251 a 266. Notícia de diferentes minas metálicas e salinas, ou recentemente descobertas, ou há pouco tempo comunicadas. No nº 46, parte I, págs. 221 a 240. Diário que oferecem ao público das operações por eles executadas com as vistas de atalhar o contágio que nesta cidade de Coimbra se declarou em Agosto de 1809. No nº 32, de págs. 103 a 138. De colaboração com o doutor Jerónimo Joaquim de Figueiredo.

(846) Inocêncio F. da Silva, no Dicionário Bibliográfico, tomo VII, e os seus continuadores, tomo XIX, p. 285, dizem que nasceu em Felgueiras, termo da vila de Monção. O Portugal Antigo e Moderno e a Corografia de Flaviense dizem que foi na aldeia deste nome, no concelho de Moncorvo, e assim é, na verdade, como se prova pelo registo existente na Universidade de Coimbra, segundo cópia que devemos à gentileza do sr. José Henriques de Sousa Seco, chefe da 2.ª repartição da secretaria geral da Universidade, em que se lê: «Tomé Rodrigues Sobral, filho de João Rodrigues (e não José Rodrigues, como apontam alguns escritores), natural de Felgueiras, comarca da Torre de Moncorvo, fez conclusões magnas em filosofia em 2 de Junho de 1783 (fólio 304 do «Resumo dos Actos Grandes»); exame privado em filosofia em 23 de Junho de 1783 e tomou o grau de doutor em filosofia em 26 de Junho de 1783. «Em procedimento e costumes – aprovado por todos; em merecimento literário – bom por dois e medíocre por um; em prudência, probidade e desinteresse, aprovado por todos (“Livro de informação” a folhas 38 v.)».

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Observações sobre um escrito intitulado: «Método prático de purificar as cartas e papéis procedentes de países contagiados ou suspeitos». No nº 55, parte I, de págs. 101 a 130. Memória sobre o princípio febrífugo das quinas. No nº 82, parte I, págs. 126 a 153 (847). «O nome d’este chimico deve merecer a todos os portuguezes viva sympathia e reconhecimento eterno. Depois da reforma do marquez de Pombal foi este o primeiro talento que se manifestou n’esta sciencia. Os serviços prestados por este insigne professor ao ensino da chimica e ao seu paiz foram de tal ordem que lhe valeram a honrosa denominação de “Chaptal portuguez”», diz Simões de Carvalho. «Os sabios professores Linck e Balbi foram os primeiros que lhe fizeram justiça, comparando-o ao grande chimico da França. No tempo da direcção d’este professor, os trabalhos praticos do laboratorio não cessavam, não só em delicadas investigações de chimica, mas ainda nas mais importantes applicações industriaes. Faziam-se varias e repetidas experiencias concernentes á respiração das plantas e a outros phenomenos de phisiologia vegetal, ensaiavam-se processos para a conservação das substancias animaes e vegetais, preparavam-se sem descanço os principaes productos chimicos. Foi uma epocha florescente e monumental do ensino da chimica em Portugal. O seu patriotismo mostrou-o quando os francezes invadiram Portugal, tornando a sciencia patriotica, como elle dizia. N’este tempo o laboratorio chimico da Universidade transformou-se em verdadeira fabrica de munições de guerra, fabricando-se debaixo da sua direcção polvora e mais munições de que havia falta. O doutor Sobral não só dirigia mas preparava por suas proprias mãos muitas munições de guerra, espoletas, tanto de peça como de granada, estopins, velas de mixto, murrões, etc., artigos todos de primeira necessidade e que faltavam em Coimbra emquanto não chegaram os abundantes recursos que a Inglaterra se apressou a mandar. Os proprios officiaes inglezes dirigiram os maiores elogios ao director d’aquelles trabalhos chimicos. Quando Massena entrou em Coimbra, mandou incendiar a casa e quinta da Cheira, pertencente ao doutor Sobral, perdendo-se por esta forma toda a sua livraria e todos os seus manuscriptos. Em 1809, prestou outro serviço, mas humanitario. Na occasião da grande epidemia que grassou no reino, o doutor Sobral preparou os desinfectantes a fim de atalhar o contagio. Empregou o chloro e o acido muriatico, então oxigenado, o qual produziu beneficos resultados. No mesmo

(847) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico, tomo XIX, p. 285.

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laboratorio fabricaram-se os desinfectantes que por esse tempo se distribuiram gratuitamente pelas casas particulares, pelos hospitaes, pelas cadeias e até pelas ruas, tudo devido aos cuidados do insigne professor. Encarregou-se d’estes trabalhos e da analyse comparada da quina do Brazil e do Peru nas mais apuradas circumstancias, porque a vingança dos francezes o tinha privado de todos os commodos da vida e dos objectos de primeira necessidade. Nem um livro para consultas! Só uma alma nobilissima e um genio sublime poderia resistir a tantas infelicidades e entregar-se com tanto zelo a trabalhos delicados e difficeis de analyse vegetal. Eis um homem digno de que se lhe levante uma estatua honrosa. Das chammas só lhe escapou a traducção do “Tratado das affenidades chimicas da Encyclopedia”, o qual accommodou ao uso dos seus discipulos. No Jornal de Coimbra existem d’elle trabalhos sobre o uso do gaz muriatico oxigenado; sobre as difficuldades de uma boa analyse, principalmente vegetal; sobre noticias de differentes minas metalicas e salinas recentemente descobertas; uma “Memória sobre o principio febrifugo da quina”; e o “Diario” das operações que se fizeram em Coimbra, a fim de se atalharem os progressos do contagio que n’esta cidade se declarou em Agosto de 1809» (848). O doutor Rodrigues de Gusmão publicou a respeito deste ilustre bragançano uns «Apontamentos biográficos» na Revista Literária do Porto, tomo XI, págs. 141-142. Ver também Memórias históricas do doutor Simões de Carvalho, págs. 279 e 283, e o Dicionário Popular de Pinheiro Chagas. A lenda popular em Felgueiras ainda hoje diz que o grande sábio fazia chover e trovejar quando queria. É hoje representante de sua família nesta povoação o padre Francisco José Martins, actual pároco de Vinhas. SOBRINHO (Frei António) – Natural de Bragança; nasceu em 1554 e faleceu a 10 de Julho de 1622. Foi vigário provincial de S. João Baptista do reino de Valença e primeiro oficial da secretaria de S. Gabriel de Zaias, ministro do rei D. Filipe e depois frade. Era irmão do médico João Sobrinho, a seguir memorado. Escreveu: De la vida espiritual y perfeción cristiana, etc. Valencia, 1611. 4.º In D. Joannis Apost. Apocalypsim. Manuscrito. Annotationes al Apocalypsis. Dois tomos, manuscritos. Tesoros de Dios revelados a V. Madre Francisca Lopes. Três tomos, idem.

(848) ARRIAGA, José de – História da Revolução…, vol. I, p. 271.

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Sermões dos Domingos e Férias da Quaresma. Dois tomos, in-8.º, idem. Viridário que compreende fábulas, emblemas e exemplos moralizados. Manuscrito. Singular privilegio del Mosteiro de la Immaculada Concepción de la Virgen S. Nuestra. Idem. Todas as suas obras manuscritas estavam no convento de Valença (849). SOBRINHO (João) – Natural de Bragança; doutor em medicina, irmão do precedente, ambos mais provavelmente naturais de Salamanca, mas filhos de pais portugueses. Foi médico do arcebispo de Sevilha, D. Rodrigo de Castro. Escreveu: Notas aos intérpretes de Hipócrates (850). Com o mesmo nome de João Sobrinho há um frade carmelita, doutor em teologia pela Universidade de Oxford, lente de prima na Universidade de Atenas e mestre do príncipe D. Duarte, o qual nasceu em Lisboa e faleceu em 1475, deixando o seguinte manuscrito: Genealogia e origem dos Braganções [14]. SOEIRA – VINHAIS – Francisco Sarmento de Morais, de Vinhais, provido em 1668 na abadia de Vale da Porca. Junto ao processo da sua habilitação de genere para abade há as de seus irmãos: João Baptista de Sá, Valentim de Sá Sarmento, Julião de Morais Ferreira, Paulo Ferreira de Sá e Manuel Ferreira de Aragão, todos filhos de Valentim de Sá Sarmento e de D. Maria de Novais; netos paternos de Francisco Sarmento de Morais e de D. Isabel de Sá e maternos de Aleixo da Nova e de D. Ana Novais. Aleixo da Nova Sarmento, reitor de Soeira, natural da mesma povoação, faleceu em 1735. Era filho de Aleixo da Nova Sarmento e de Ana de Novais. Fora provido na reitoria em 1716 por resignação que nele fez seu tio Sebastião Ferreira Sarmento (851). SOUSA (D. António José Ferreira de) – Natural de Tinhela, concelho de Valpaços, bispado de Bragança. Nasceu a 13 de Janeiro de 1771 e faleceu em Lisboa, vitimado pela cólera-morbus, em 26 de Julho de 1833. Era doutor em leis no ano de 1795. Foi deputado às cortes constituintes de 1821 pelas províncias da Beira e Trás-os-Montes, sendo em 1824 eleito arcebispo de Lacedemónia e vigário-geral do Patriarcado. Era freire professo na ordem de S. Tiago e colegial no instituto das ordens militares em Coimbra. (849) Sumário da Biblioteca Lusitana. (850) Ibidem. (851) Ver tomo VI, p. 464 e 774, nº 14, destas Memórias.

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Teve fama de homem douto e grande filólogo e era apaixonado coleccionador de livros, de que chegou a formar uma notável biblioteca, que foi consumida por um incêndio no palácio onde morava, na rua do Machadinho. Apenas consta que escrevesse o «Prólogo» do editor da sexta edição da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto em 1829 (852). D. António de Sousa era filho de José de Sousa e Freitas, de Tinhela, e de D. Rita Ferreira da Costa, do Vimioso (853). SOUSA (António Lopes de) – Escultor. A 20 de Dezembro de 1664 ordena o cabido de Miranda que o seu fabriqueiro pague ao dito escultor vinte mil réis que se lhe estavam devendo «da obra do retabulo das reliquias...... e oito mil reis mais lhe mandamos dar demais por fazer os meios corpos e braços» dos bustos de santos em que se depositavam as relíquias (854). Por outra ordem de 14 de Setembro de 1662 manda o cabido que se dêem ao mesmo escultor trinta mil réis «para principiar a obra do Santuario que temos contratado com elle» e que se dêem também doze mil réis a João Mendes «ambos da vila da Torre de Moncorvo para comprar ferro para as reixas da Sanchristia». Ainda por outra ordem de pagamento ao mesmo serralheiro, vê-se que as reixas pesavam duzentas e oitenta libras, pagas cada uma a setenta réis, e que estavam prontas em 6 de Janeiro de 1663 (855). Os «meios corpos e braços», bustos dos santos atrás referidos, guardam-se agora no citado museu. SOUSA (António Teixeira de) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde completou o curso com distintas classificações em 1883, defendendo tese a 18 de Julho desse ano. Nasceu em Celeirós, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, a 5 de Maio de 1865 e faleceu a 5 de Junho de 1917. Foi durante algum tempo médico militar, de cujo serviço se desligou a fim de entrar na vida política, sendo eleito deputado em 1894, ministro da Marinha em 1900 e da Fazenda em 1906. Por decreto de 13 de Dezembro de 1894 havia sido nomeado governador civil do distrito de Bragança, tomando posse no dia 21. Em 1901

(852) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico; além do artigo próprio e do do «Suplemento», ver os artigos «Clemente Sanches de Verchial» e «Fernão Mendes Pinto». Ver também a Galeria dos deputados das Cortes Gerais, Lisboa, 1822, de p. 43 a 45. (853) Ver tomo VI, p. 110, destas Memórias. (854) Museu Regional de Bragança, maço Obras. (855) Ibidem.

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foi nomeado par no reino. Exerceu também o cargo de director das alfândegas. Redigiu quase durante seis anos o Distrito de Vila Real, passando depois a redigir o Vilarealense. Em Junho de 1910 foi eleito chefe do partido regenerador e era o presidente do ministério quando em 5 de Outubro desse ano rebentou a república, sendo, portanto, o último chefe dos governos monárquicos. No Portugal – Dicionário histórico, artigo «Teixeira de Sousa», vem o seu retrato acompanhado de notas biográficas. SOUSA (João Pedro de) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, advogado em Mirandela, onde nasceu a 2 de Outubro de 1880; filho de António Benedito de Sousa e de D. Teresa de Jesus Ferreira. Faleceu na mesma vila, de febre pneumónica, em 16 de Outubro de 1918. Estudou preparatórios no colégio de Lamego e liceu de Coimbra, onde os concluiu em 1901-1902, e em 1906-1907 o curso universitário. Escreveu: Miosótis – Romance em prosa. Coimbra, Imp. da Universidade, 1902. 8.º de 152 págs. Amar é morrer. Coimbra, na mesma Imprensa, 1902. 8.º de 171 págs. A impressão deste romance em prosa, como o autor nos declarou, fez-se em 1902, se bem que, por engano, venha no volume indicado o ano seguinte. Saudades – Versos. Não chegou a aparecer em livro; contudo, muitas dessas publicações foram publicadas em vários jornais. Quando a morte o colheu tinha em preparação um livro de contos. SOUSA (Padre José de) – O catálogo nº 1 (1908) da Livraria José Joaquim Lopes da Cunha, de Braga, anuncia à venda o seguinte: Cerimonial mirandense lusitano – Missa rezada. Exposição das rubricas, questões singulares, tratado alfabético de decretos em toda a matéria dos Sagrados Ritos, que ao Il.mo e Rev.mo Sr. Dom João de Sousa Carvalho, Bispo de Miranda, oferece o secr. capelão, e mestre de cerimónias, o Padre José de Sousa. Manuscrito in-fólio, encad., de 8-470-26 págs. e uma portada, a qual é em parte feita à pena e parte impressa com o nome do bispo. No catálogo nº 2 da mesma livraria pediam por este manuscrito 50$000 réis. SOUSA (José Sobral de) – Doutor em cânones. Há dele uma tese de direito canónico dedicada a Santo António, defendida no seu doutoramento, impressa em três planas, de seda cor-de-rosa, servindo de véu de cálix. Não indica ano nem lugar de impressão. Pertence à colecção do grande investigador reverendo José Augusto Tavares, abade de Carviçais, que diz ser o autor natural do Larinho, concelho de Moncorvo. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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SOUSA (Lopo de) – Alcaide-mor de Bragança pelos anos de 1514. Ver tomo I, págs. 234, 253, 268, 318, 322 e 341, destas Memórias. SOUSA (Manuel António Luís de) – Há dele na igreja de Alfândega da Fé um véu de cálix, em seda branca, com umas conclusões jurídico-canónicas, defendidas em Coimbra no seu 5.º ano, impressas em dois rectângulos ou planas, dedicadas à Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Arquitipografia Académico-Régia, Coimbra, 1769. SOUSA (Manuel Bernardo da Fonseca e) – Capitão de infantaria nº 24, que estava na praça de Almeida em 1810 aquando da terrível explosão (856). SOUSA (Padre Frei Manuel Bernardo de Magalhães e) – Vigário de Candoso, concelho de Vila Flor, pelos anos de 1804, nascido na freguesia de Carvalho de Egas, do mesmo concelho, a 8 de Abril de 1755. Escreveu: Livro genealógico, primeiro e segundo tomos. Ano 1804. Manuscrito. Ver tomo VI, pág. 229, destas Memórias e também o artigo Borges (Manuel de Morais Magalhães) pág. 53 deste tomo. SOUSA (Manuel Pimentel de) – Cavaleiro da ordem de Cristo, filho de João Fernandes de Sousa e de D. Maria Supico, filha de Luís Supico, fidalgo da casa real, senhor de S. Seriz e da quinta da Granja de S. Pedro e do morgado de S. Fagundo de Urros (857). D. Antónia Supico, Vinhais (858). D. Francisca de Morais Ferreira Supico, casada com Pedro de Castro Soares (859). António Supico (860). SOUSA (Martim Afonso de) – Nada faz ao nosso propósito a vida deste notável homem público, capitão-mor do Rio da Prata, que deu o nome ao Rio de Janeiro por entrar nele no dia 1.º deste mês; governador da Índia; pai de Frei António, que foi bispo de Viseu, e avô de Martim Afonso de Castro, que foi vice-rei da Índia. Mencionámo-lo apenas por ser filho de Lopo de Sousa, alcaide-mor de Bragança, e pela seguinte circunstância: «Sendo

(856) Ver tomo I, p. 165, destas Memórias. (857) Ver tomo VI, p. 120, destas Memórias. (858) Ibidem, p. 620. (859) Ibidem, p. 54. (860) Ibidem, p. 570.

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ainda bem mancebo dava claros indicios dos generosos brios, que o alentavam ao desprezo do ouro em comparação da honra. Passando por Bragança o Grão Capitão Gonçalo Gonçalves de Cordova foi hospede de Lopo de Sousa, o qual á despedida mandou a seu filho o fosse acompanhando algumas jornadas, e quando foi tempo de voltar para caza, quis o Grão Capitão autorizal-o com um formoso e rico colar de ouro e pedraria que levava, e vendo que nem ainda com tão preciosa cadeia se queria deixar prender, lhe offereceu a sua espada, que elle acceitou com muita cortezia, e se honrava com ella nos dias de festa, e quando foi governador da India» (861). SUPICO DE MORAIS (Pedro José) – Moço da câmara do infante D. Francisco, irmão de el-rei D. João V. Barbosa, na Biblioteca Lusitana, e Inocêncio F. da Silva, no Dicionário Bibliográfico, dizem ignorar a sua naturalidade e data do nascimento e óbito, conjecturando, porém, este último fosse natural de Lisboa; todavia, a julgar pelo que fica dito no artigo Sousa (Manuel Pimentel de) e pelo mais aqui mencionado, parece ser natural ou oriundo do distrito de Bragança. Escreveu: Colecção política de vários apoftegmas – Parte primeira. Lisboa, 1720, e segunda vez, idem, 1732 (Barbosa diz 1733). 8.º de XVI-283-291-312 págs. Colecção moral de vários apoftegmas – Parte segunda. Lisboa, 1720. 8.º, e segunda vez, idem, 1773. 8.º de CIV-279-286 págs. Saíram reunidas ambas as partes, com a indicação de «Novamente impressas correctas e ilustradas». Coimbra, 1761. Dois tomos in-4.º com VIII-462 e VIII-464 págs. (862). Pinheiro Chagas (863) chama-lhe «escritor notável». Manuel de Morais Supico foi o fundador do altar do Espírito Santo na catedral de Goa, e no pavimento da capela onde está esse altar lê-se o epitáfio do fundador, que diz: Sepultura de Manoel / de Moraes Capico / fidalgo da Casa de Sua / Magestade Commendador da / Ordem de Christo e Senhor da / villa de São Seriz e / de seus erdeiros. Falleceu na era de 1630 a 17 de Maio servindo / autoalmente de Provedor da Santa Casa da Miseri / cordia. Na parede da mesma capela, lado da Epístola, há outra lápide de pedra preta, que foi dourada, encimada por um brasão de armas, e diz: Nesta capella está instituido hum mor / gado com huma missa cotediana e ou / tras condições declaradas no / vinculo do dito morgado. Nella / está sepultado Manoel de Moraes / Capico seu primeiro instituidor natu / ral de Tralos Mon(861) O Oriente conquistado, parte I, p. 21. (862) SILVA, Inocêncio – Dicionário Bibliográfico. (863) CHAGAS, Pinheiro – História de Portugal, popular e ilustrada, vol. VI, p. 343.

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tes fidalgo da Ca / sa de Sua Magestade commendador do abi / to de Christo e Senhor da villa de S. Seriz. Foi / vreador nesta cidade de Goa. Falleceo / sendo autualmente Provedor da Santa Misericordia / em 17 de Maio de 1630. Pertence esta / capela ao morgado e aos erdeiros do / dito defunto (864). Baseado nestas inscrições, supomos que o escritor acima mencionado fosse desta família e natural de S. Seriz, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Na primeira parte da sua obra, livro I, págs. 28, 38, 50, 59, 74, 87 e outras; no livro II, págs. 3, 28, 43 e outras, e no III, págs. 5, 57, 60 e outras, fala num seu tio, o padre-mestre Fr. José Supico, pregador da capela, que viveu pelos anos de 1680. Devia ser orador notável, pois achou modo de, em mais de cinquenta lugares da obra, inserir apoftegmas colhidos nos sermões do frade. Além disso, no livro II, parte primeira, pág. 18, e no III, pág. 223, aponta dois sonetos de seu avô, o doutor Luís Supico de Morais, membro da Academia, a julgar pelo que diz. No Tombo dos bens do Cabido de Miranda, feito em 1691, fólio 115 v., manuscrito existente no Museu Regional de Bragança, vem mencionado um indivíduo de nome André de Morais Supico, cura de S. Seriz. A 5 de Agosto de 1804 faleceu em S. Pedro da Silva, concelho do Vimioso, Manuel Supico (865). O apelido Supico ainda hoje permanece no distrito de Bragança.

T TABORDA (António Augusto Pinheiro) – Doutor em medicina. Nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 2 de Fevereiro de 1893; filho de António Miguel Taborda e de D. Josefina de Jesus Pinheiro. Fez os estudos liceais em Lamego e Porto e nesta cidade e na de Coimbra os de medicina. Exerce actualmente clínica em Carviçais, concelho de Moncorvo. Escreveu: Silvervar san orchiepedites bleunorrajicus. Coimbra, 1921. TAVARES (Henrique Fernandes) – Foi director da Escola Industrial de Bragança, sendo agora (Abril de 1930) professor na de Aveiro. Nasceu em Lisboa a 29 de Novembro de 1897; é filho de António Carlos Caldeira Pinto Tavares e de D. Elvira Xavier Fernandes Tavares. Henrique Tavares foi um dos alunos mais notáveis do curso de belas-artes, onde obteve distinções, menções honrosas, medalhas de bronze e de prata, sendo medalhado igual(864) GONÇALVES, Luís – Catedral de Goa, monografia in Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1898-99, n.os 10 e 12, p. 576. (865) Museu Regional de Bragança, Cartório notarial, livro LXVI, fol. 36.

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mente pela Sociedade Nacional de Belas-Artes e condecorado com o «Prémio da Anunciação». As duas exposições dos seus quadros, sobretudo retratos, em que é mestre, realizadas em Bragança em 1927 e 1928 foram brilhantíssimas e imponentes nos meios da arte nacional. No «Livro dos visitantes» dessa exposição escrevemos: «É consolador entrar nesta exposição da Escola Industrial de Bragança, por ver o superior critério com que o seu corpo docente orienta o ensino, evidenciado nos artísticos artefactos de serralharia, marcenaria, carpintaria, tecelagem, bordados e outros labores expostos. Mas ao entrar na sala em que Henrique Tavares, o grande mestre do retrato, apresenta os seus quadros, um ah... aa... prolongado, sonoro a princípio, explode involuntário dos lábios, para depois emudecer de assombro empolgante. É que as suas telas movem-se, falam, teem vida, traduzem a fina observação psicológica, o jogo fisionómico que evidencia os elementos da alma e, pelo impressionismo, sugerem um mundo de cogitações só visível às mentalidades da élite, onde volteja um sôpro de talento matizado de fulgurações geniais. Terras bragançanas, terras bragançanas! Minhas queridas terras bragançanas, que risonho futuro vos espera, quando amanhã a mocidade assim educada agir sobre vós. Tavares, a máxima expressão do agradecimento reconhecido na minha terra é: “Bem haja; Deus lo pague”; pois bem, Tavares: em nome da minha terra um longo e infindável bem haja, Deus le pague a sementeira de mentalidade artística que aqui espargiu». TAVARES (Padre José Augusto) – Abade de Carviçais, concelho de Moncorvo, e anteriormente de Maçores, tendo também paroquiado, como encomendado, esta freguesia, a de Ligares e de Larinho; sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Nasceu na freguesia da Lousa, concelho de Moncorvo, a 4 de Abril de 1868; filho de Custódio Luís Tavares, natural de Santo Amaro, concelho de Foz Côa, e de D. Luísa da Conceição Teixeira, da Lousa. Fez os estudos preparatórios e teológicos no Seminário Diocesano de Bragança e recebeu a ordem de presbítero em 1894. Tem exercido várias comissões honrosas como pregador da bula e foi-lhe concedido o privilégio de usar de murça. O abade Tavares é «um dos espíritos ilustrados e esclarecidos da actual geração transmontana, que tem dedicado a sua actividade intelectual ao estudo das antiguidades d’esta provincia, tanto da linguistica como de tudo o que pode concorrer para o conhecimento do seu passado. Sacerdote exemplarissimo, ao mesmo tempo que exerce a evangelica missão da direcção espiritual dos seus parochianos, vae, como espirito sagaz, observador, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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colhendo entre elles e nos seus habitos, usos e costumes, todas as joias archaicas perdidas, que hão-de um dia servir para formar um thesouro de subido valor para a historia d’esta região. Como homem culto, foi um dos primeiros que, lá de uma escondida aldeia, levantou a voz a saudar com a sua penna fluente a fundação do Museu Regional de Bragança, e para o qual tem offerecido, por diversas vezes, vários objectos» (866). O sábio mestre doutor José Leite de Vasconcelos, transcrevendo esta apreciação, acrescenta: «Faço com tanto maior prazer esta transcripção, quanto é certo que ao desvelado amor que o meu amigo Rev.do Padre Tavares vota á sciencia deve tambem o Museu Ethnologico Portuguez a posse de importantes donativos archeologicos» (867). O abade Tavares é um grande coleccionador de antiguidades arqueológicas, de que tem em sua casa um verdadeiro museu, sendo lamentável, porém, que não se resolva a depositá-las no Museu Regional de Bragança, que também o é da sua terra, visto respeitar a todo o distrito, e resultarem infrutíferas as suas tentativas para a fundação de um em Moncorvo. Que o nosso amigo nos perdoe, mas os coleccionadores de antiguidades são tão beneméritos quando as recolhem, salvando-as do perecimento, quão censuráveis desde que se fecham com elas, privando os estudiosos desses elementos de instrução, contra todo o bom critério, e expondo-as a perderem-se após a sua morte, sendo até preferível que as tivessem deixado ficar in loco. Nem se diga que as facultam de boa vontade aos visitantes, porque a vida moderna carece de tempo para andar de casa em casa, por desvairadas terras, à cata delas. Os museus é que são os lugares próprios, onde só podem estar expostas condignamente, facultando de passo outros elementos de comparação evidentemente falhos nas colecções particulares. E al não façades, como rezam os documentos antigos, porque é um crime ou, pelo menos, maluqueira injustificável. Compreendem-se os coleccionadores mercantis: é a traficância avara e abjecta que os orienta. Compreendem-se os armazéns artísticos dos novos-ricos: querem dar-se tom de antigos aristocratas. Compreendem-se as colecções arcaicas dos burgueses endinheirados ou com facilidades de vida financeira; aspiram a impingir-se como estetas e amadores conscientes de arte. Compreendem-se as colecções dos sábios a fingir: querem impor-se como genuínos ao vulgo ignaro. Compreendem-se os colecciono-maníacos que utilizam mobiliários, (866) Gazeta de Bragança de 22 de Outubro de 1899. (867) VASCONCELOS, J. L. de – O Arqueólogo Português, 1899, vol. V, p. 17.

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códices, manuscritos e livros raros para arrancar o ornato característico, a iluminura, a página interessante, o emblema político: é a vesânia do salteador a manifestar-se por essa forma em vez de aparecer nas estradas. Compreende-se mesmo que o estudioso retenha por algum tempo os exemplares mais raros para os estudar convenientemente, depositando-os depois num museu para não privar egoisticamente outros dos ensinamentos adequados ao adiantamento científico. Compreende-se que o povo ignaro feche a sete chaves preciosidades que de nada lhe servem, encontradas algumas nos escombros de civilizações desaparecidas, privando assim estupidamente o progresso mental de grandes elementos de estudo: não sabe o que faz e os governos não têm olhos nem mente para decretar uma lei eficaz que faça remover para lugares adequados tais tesouros. Mas não se compreende que tu, meu velho e grande amigo Tavares, retenhas por mais tempo a tua colecção arcaica. A tua grande inteligência, desinteresse e amor à ciência brigam com tal resguardo. Não sei se ouvi, se li, que a querias dar a um museu a fundar no Seminário Diocesano. Prezo-me de ser padre, de honrar a veste sacerdotal, de amar a classe o melhor que posso e como posso, de concorrer para a fundação do seminário, sem recear confrontos com os que mais se avantajam em igualdade de circunstâncias, entendendo-se, é claro, do seminário em Bragança e não em outra parte, como preconizam os amoucos da infeliz fariolatria bragançófoba. Mas o seminário, um seminário nunca pode servir para museu, a não ser que reuna condições tão excepcionais que nunca talvez se encontrem nos portugueses. Pode e deve mesmo ter alguns exemplares de certas raridades – tecelagem, ferragem, bordados, mobiliário, etc. – para ensino na aula de arqueologia, quando a haja, mas só para isso; o mais é no museu ou nos monumentos que se estuda. Um museu não é um armazém de velharias: é uma aula de estudo pela imagem, onde vai inspirar-se, aprender o pintor, o escultor, o arquitecto, o numismata, o epigrafista, o marceneiro, o serralheiro, a bordadeira, a tecedeira, enfim, quantos exercem a arte com intuitos de perfectibilidade. Precisa de pessoal conhecedor do assunto para classificar, dispor e auxiliar os visitantes; precisa de amplas salas, galerias e terraços; precisa de larga dotação e de várias outras coisas que, por brevidade, omitimos, coisas que o seminário não tem – tomara ele manter-se no objectivo da sua especialidade… Quem não faz ideia do que seja um museu pode tentar a criação de um com a mesma consciência com que o tarimbeiro general Junot, ao invadir Portugal, prometia dotar cada uma das províncias do país com um Camões para cantar seus feitos em outros tantos Lusíadas!... MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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E tanto é assim, que homens da envergadura mental e moral do bispo-conde, D. Manuel Correia de Bastos Pina, em nossos dias, resistindo a veleidades injustificáveis, além de improfícuas, podendo fundar um museu no seu seminário, incontestavelmente em melhores condições em tudo que o de Bragança, preferiu iniciar o famoso Museu Machado de Castro. O mesmo fez no século passado o célebre bispo Cenáculo, tão memorado nas belas páginas da literatura portuguesa. É que o hic homo cepit aedificare et non potuit consumare é uma verdade evangélica e um conselho a tentativas menos ponderadas. Um museu no seminário?!... E um dia vinham por ali os alunos e as alunas da Escola Industrial copiar desenhos dos tapetes, dos bordados, das pinturas, das ferragens; copiar a tecitura dos panos; e um dia vinham por ali os alunos e alunas das escolas de belas-artes, do Curso Superior de Letras, das faculdades de letras, e lá se ia a paz espiritual que deve reinar nestas casas, levando, talvez, algumas vocações sacerdotais e... bem cego é o que não vê por um crivo – Sego non ego et inrabazabo cordumzil, segundo a versão macarrónica popular. O padre José Augusto Tavares escreveu: Etnografia transmontana – Agricultura do concelho de Moncorvo. Porto, 1908. 4.º de 16 págs. (É uma separata do tomo II da Portugália.) Tem em manuscrito: Crepúsculos (versos); Penumbras (idem); O noivado do sepulcro (poemeto à morte de seu irmão doutor Manuel Jacinto Tavares); e Devaneio poético popular – Colectânea (versos). E em prosa: Superstições populares trasmontanas. Folclore trasmontano; e as Monografias de Carviçais, de Ligares, de Nossa Senhora da Teixeira (Moncorvo) e de Santo Ildefonso (Souto e Felgar). Tem colaborado nos seguintes periódicos: Gazeta de Bragança, O Nordeste, A Voz do Tua, Correio de Macedo, O Moncorvense, Correio de Lamego, O Brigantino, O Mirandelense, O Tua, Correio Nacional, A Palavra, A Vida Moderna, A Época, Novidades, Diário de Notícias, O Século, Torre de Moncorvo, Legionário Trasmontano, Boletim Diocesano, O Arqueólogo Português, Ilustração Trasmontana, Portugália, Revista Lusitana, Novo Almanaque de Lembranças, Agenda Brigantina e Boletim da Diocese de Bragança. A fecunda escritora D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, nos seus Estudos sobre o Romanceiro Peninsular, 1907-1909, págs. 7, 104, 211 e 227, refere-se elogiosamente ao Romanceiro Trasmontano publicado pelo abade Tavares na Revista Lusitana, n.os VIII e IX, o qual consta de diversas romanças coligidas por este diligente investigador, algumas das quais ainda não tinham similares em português. O doutor em direito Manuel Jacinto Tavares, irmão do nosso biografado, a quem este dedicou o poemeto atrás mencionado, nasceu na freMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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guesia da Lousa a 18 de Março de 1888 e faleceu em Moncorvo, onde era professor da Escola Comercial Seixas, a 13 de Junho de 1916. Colaborou no Imparcial de Coimbra, na Vida Nova e noutros jornais, tanto em prosa como em verso [15]. TÁVORA (Álvaro Pires de) – Senhor do Mogadouro. Escreveu: História dos varões ilustres do apelido Távora – Continuada em os senhores da casa e morgado de Caparica, com relação de todos os sucessos, públicos deste Reino e suas Conquistas desde o tempo do Senhor Rei D. João Terceiro a esta parte... Recolhida pelas memórias originais de seus passados, por Álvaro Pires de Távora... e publicada por Rui Lourenço de Távora. 1648, fol. de IV-365 págs. Na composição desta história teve grande parte D. Francisco Manuel de Melo, como se vê nos Apólogos dialogais, pág. 407. TÁVORA (Baltasar de Sousa Colmieiro Teles de) – Fidalgo da casa real, cavaleiro da ordem de Cristo e capitão de cavalos de Trás-os-Montes; filho de António Colmieiro de Morais, também cavaleiro da ordem de Cristo, e de D. Angélica de Sousa de Távora. Nasceu em Bragança, na antiga freguesia de S. João Baptista (hoje Sé) a 30 de Abril de 1693 e casou em 1738 com D. Angélica de Moura Coutinho de Almeida de Eça. Escreveu: Famílias de Trás-os-Montes, manuscrito in-fólio (868). TÁVORA (Bernardino de) – Comissário-geral, que se distinguiu nas guerras da aclamação – 1640-1668 (869). TÁVORA (Francisco de Assis e) – Marquês de Távora, conde de Alvor, vice-rei e capitão-general do Estado da Índia. Há a seu respeito a seguinte obra: Relação das muitas, e singulares vitórias, que contra o Rei Sunda e outros Régulos confinantes tem alcançado o incrível esforço do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor... Pompa, e Aparato Bélico, e Político com que Sua Excelência foi recebido na cidade de Goa. 1754. 4.º de 8 págs. (870). TEIVE (Diogo de) – Natural de Braga; doutor em direito pela Universidade de Paris, lente de humanidades nas Universidades de Bordéus e Coimbra e nesta reitor do Colégio das Artes, para onde veio em 1547 a con-

(868) SOARES, Eduardo de Campos de Castro Azevedo (Carcavelos) –Bibliografia Nobiliárquica Portuguesa, 1916. Ver tomo VI, p. 589, destas Memórias. (869) Ver tomo I, p. 98, destas Memórias. (870) Ibidem, p. 116 e 118.

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vite de el-rei D. João III e, pela entrega deste estabelecimento aos jesuítas, cónego da Sé de Miranda do Douro, onde vivia pelos anos de 1565 e parece ter falecido, dizem os seus biógrafos, mas nenhuma notícia encontrámos a tal respeito no arquivo do cabido de Miranda. «Foi um dos mais celebres professores da renascença; perseguido pela inquisição, esteve nos carceres de Lisboa em 1550. Em 1555 era o principal reitor do Colegio das Artes» (871). Deixou várias obras publicadas. TEIXEIRA (Padre António) – Nasceu na freguesia de Lebução, concelho de Chaves [16] (mas criou-se em Bragança), a 12 de Novembro de 1858; filho de José da Encarnação Teixeira e de D. Maria Rosa Teixeira, ambos de Lebução. Fez os estudos liceais em Bragança e o curso teológico no seminário da mesma cidade, ordenando-se de presbítero. Capelão-militar em 1885, senador em 1919 e governador civil, substituto, do nosso distrito. TEIXEIRA (António José) – Major de infantaria, professor provisório do Liceu Central Emídio Garcia, de Bragança, vai em mais de vinte anos, regendo várias disciplinas, combatente da Grande Guerra na África e em França, comendador das ordens de Cristo, com palma de oiro, e de Avis, aquela por decreto de 25 de Setembro de 1922 e esta por decreto de 5 de Outubro seguinte, condecorado com a medalha de oiro de exemplar comportamento, governador civil de Angra do Heroísmo por decreto de 3 de Outubro de 1923 e depois de Aveiro por outro de 8 de Agosto de 1924. Nasceu em Bragança a 28 de Abril de 1880; filho de António Albano Teixeira, segundo oficial das alfândegas, e de D. Olívia Rosa de Sá P. Teixeira, neto paterno do velho administrador do concelho de Bragança António José Teixeira, farmacêutico, cavaleiro da ordem de Cristo. Escreveu: Discurso proferido na abertura das aulas do regimento de infantaria nº 10. 1907, Bragança, Tip. Minerva. 8.º de 8 págs. Serviço de patrulhas na infantaria. 1916, Bragança, Tip. Adriano Rodrigues. 8.º peq. de 84 págs. Lição de Heróis – Alocução proferida no regimento de infantaria nº 10, no dia 9 de Abril de 1921, em comemoração dos mortos pela Pátria nos campos de batalha na Grande Guerra (1914-1918). Bragança, Tip. Artística. 4.º de 8 págs.

(871) DEUSDADO, Manuel Ferreira – Educadores Portugueses. Para a sua biografia ver: GUICHERAT – Histoire du Collége de Sainte-Barbe; GAULLIEUR, Ernest – Histoire du Collége de Guyenne, d’aprés un grand nombre de documents inédits. Paris, 1874; Portugal: Dicionário histórico, artigo «Teive», e Sumário da Biblioteca Lusitana.

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Regimento de infantaria nº 10 – Breve resumo dos seus factos mais notáveis. 1929, Bragança, Tip. Académica. Fólio pequeno de 20+2 págs. inumeradas. Tem em manuscrito: Infantaria de Trás-os-Montes na Flandres e Elementos de topografia prática. TEIXEIRA (D. António Maria) – Natural de Freixo de Espada à Cinta; missionário da Índia, onde se criou desde os dezasseis anos, vigário-geral da diocese de Meliapor e, em Junho de 1928 (contando cinquenta anos de idade), nomeado bispo coadjutor e futuro sucessor de D. Teotónio, bispo da mesma diocese, de quem fora secretário, exercendo também por sua nomeação o cargo de reitor do seminário. Por ocasião do Congresso Eucarístico de Madrasta foi agraciado com o título de «Prelado Doméstico de S. Santidade» por proposta do mesmo bispo. TEIXEIRA (Duarte) – Mestre-de-campo de um terço de Bragança, que se distinguiu nas guerras da aclamação em 1667 (872). TEIXEIRA (José Eugénio) – Nasceu em Bragança, freguesia da Sé, a 5 de Fevereiro de 1875; filho de Manuel António Teixeira e de D. Prazeres de Jesus da Silva Pires. Padre e doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1908 e o de preparatórios e teologia no liceu e seminário de Bragança. Foi pároco de Espinhosela, concelho de Bragança, advogado em Macedo de Cavaleiros e deputado e é, desde 1919, o director da agência do Banco Nacional Ultramarino em Bragança. TEIXEIRA (Francisco) – Natural de Mirandela e filho de Manuel Maria Teixeira e de D. Maria da Conceição. Residiu durante a maior parte da sua vida em Lisboa, onde se dedicou à pintura; foi discípulo e amigo de Rafael Bordalo Pinheiro, merecendo ser retratado pelo mestre. Pintou algumas telas de merecimento e um pano de boca para o teatro de Mirandela, representando esta vila tal como era em 1870. Teve durante bastante tempo a direcção artística da Ilustração Portuguesa, publicação semanal editada pela empresa do jornal O Século. Faleceu em Lisboa, deixando filhos. TEIXEIRA (Gaspar) – Era governador das armas da província de Trás-os-Montes em 1823 quando rebentou a contra-revolução ao movimento de 1820, sendo demitido e substituído pelo brigadeiro Francisco António (872) Ver tomo I, p. 113, destas Memórias.

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Pamplona (873). Parece-nos, porém, que antes deste assumiu esse comando Luís do Rego Barreto, 1.º visconde de Geraz do Lima, tenente-general, natural de Viana do Castelo, onde nasceu em 1777 e também faleceu em 1840 (874). Também em ofício de 24 de Março de 1823 este propôs ao governo que confirmasse a nomeação que havia feito do general António Claudino de Oliveira Pimentel para governador interino das armas da mencionada província (875). Mas este governo foi curto, porque triunfando a Vilafrancada em 5 de Junho de 1823, Claudino foi demitido e desterrado para a ilha do Faial. TEIXEIRA (Padre Manuel) – Jesuíta; nasceu em Bragança em 1538 e faleceu a 15 de Março de 1590 na Casa Professa dos Jesuítas de Goa. Foi reitor do colégio de Cochim e de Baçaim e eleito provincial em 1573 e embaixador de Portugal na China em 1568. Escreveu: Nove cartas sobre a Missão, que foram traduzidas em várias línguas e algumas andam nas colecções (876). TEIXEIRA (D. Maria) – Fundadora do convento de S. Bento em Bragança em 1590 (877). Era filha de Gonçalo Teixeira e de D. Helena da Costa e nasceu em Bragança a 11 de Maio de 1567, sendo seu padrinho D. António Pinheiro, bispo de Miranda. TEIXEIRA (Raul Manuel) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1907, professor interino do liceu de Bragança desde 1908. Seguiu depois a magistratura e foi sucessivamente delegado do procurador da República em Santa Maria (Açores), Miranda do Douro, Vinhais, Santiago do Cacém e Ponte de Lima. Em 1924 foi promovido a juiz e serviu em Carrazeda de Ansiães, passando depois ao quadro da inactividade pela sua nomeação de secretário-geral efectivo do governo civil deste distrito, cargo que actualmente desempenha, bem como o de director da Biblioteca Erudita de Bragança, adjunta ao museu regional da mesma cidade, para que foi nomeado pela portaria de 25 de Novembro de 1927 (878), tomando posse a 2 de Agosto de 1929. Nasceu em Bragança (freguesia da Sé) a 13 de Agosto de 1884 e é filho (873) ARRIAGA, J. – História da Revol. Portuguesa de 1820, vol. IV, p. 406. (874) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Geraz de Lima». (875) PIMENTEL, Júlio Máximo de Oliveira – Memorial biográfico de um militar ilustre, p. 140. Veja-se a biografia que dele damos no artigo respectivo. (876) Sumário da Biblioteca Lusitana e Portugal: Dic. histórico. (877) Ver tomo I, p. 324, e tomo II, p. 265, destas Memórias. (878) Diário do Governo, 2.ª série, nº 283, de 16 de Dezembro de 1927.

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de Francisco Inácio Teixeira, também nascido nesta cidade a 18 de Dezembro de 1856, e de D. Guilhermina Maria, nascida na mesma cidade e freguesia a 28 de Setembro de 1853 – por diploma pontifício de 18 de Agosto de 1930 foi agraciada com a Cruz de Latrão (medalha de prata) –, ricos proprietários (879). Fez os estudos liceais em Bragança e no colégio de Lamego. Casou com D. Alice Rocha da Cunha Lima, do Porto, nascida a 25 de Janeiro de 1894. São filhas deste matrimónio: D. Maria Guilhermina da Cunha Lima Teixeira, nascida a 5 de Agosto de 1913; D. Maria Alice da Cunha Lima Teixeira, nascida a 21 de Março de 1915 e D. Maria Sofia de Lurdes da Cunha Lima Teixeira, nascida a 18 de Fevereiro de 1918. O Raul – assim é tratado na roda dos seus admiradores – marca fundamente pela sua individualidade literária assaz comprovada no jornalismo e em produções de maior fôlego impressas, cheias de fino espírito, de verbe cáustica relevada pela blague esfuziante da hilaridade. E marca de modo especial pela modalidade de culto esteta e crítico de arte. A sua passagem através das comarcas em que tem servido como magistrado, ficou assinalada por luminoso facho de restauro e conservação em prol dos monumentos históricos e artísticos; em prol do melhoramento útil e embelezador; em prol da nota característica etnográfica e tradicionalista, com a dedicação de etnólogo consciente que é. Sem pretender resenhar todas as suas benemerências orientadas pelo critério supra, diremos apenas dos esforços tendentes à restauração desses velhos monumentos de arte e de história, chamados pelourinhos, símbolos da autonomia municipal, alavancas máximas das liberdades cívicas, sitos em Vinhais, de que já até as pedras tinham desaparecido, conseguindo reavê-las após largas pesquisas; de Carrazeda de Ansiães, igualmente destruído, da monografia que conseguiu ver escrita referente a este concelho cheio de atracções arcaicas e dos esforços atinentes ao restauro da veneranda jóia românica que é a igreja intramuros de Ansiães. «Durante a sua permanência em Ponte do Lima tanto se identificou com a vida e meio, que se tornou muito querido na roda intelectual e artística da terra, onde o seu espírito se destacava superiormente. As suas aptidões artísticas levaram-no a promover, em Setembro de 1921, uma exposição de arte concelhia, de que a imprensa se ocupou com louvor» (880). Na publicação de onde extraímos esta notícia, pág. 150, faz-se uma apreciação da obra do doutor Raul Manuel Teixeira «culto espírito, mixto

(879) Ver o artigo Pires (D. Justina dos Prazeres). (880) Almanaque de Ponte de Lima, 1923, p. 288, onde se encontra a sua biografia. Sobre a importância dessa exposição ver, além de outras publicações, a Democracia do Lima de 25 de Setembro de 1921 e O Comércio do Porto de 24 do mesmo mês e ano.

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de João da Ega e de professor da Universidade de Bonn, com seus hábitos coimbrões de boémia esturdia e seus óculos de profundo estudioso». O doutor Raul é a alma artística do Museu Regional de Bragança, sendo por seu intermédio que nele entraram a estátua jacente de Freixiel e a lápide votiva do Deus Aerno, de Malta, duas raridades que, só por si, justificariam a existência do mesmo (881), além de várias outras preciosidades em epigrafia, cerâmica, serralharia, marcenaria, tecelagem e tapeçaria. Eis o que a tal respeito diz o notável homem de ciência doutor Virgílio Correia, lente da Universidade de Coimbra: «O Museu Regional de Bragança, em que acaba de ser inaugurada a Sala de Miranda do Douro, foi para mim uma revelação. As colecções reunidas avultam num quadro digno da sua ancienidade e valor artístico. Se não é, porque não podia ser, dado o seu processo de formação, um grande museu de Artes plásticas, vale contudo como um bom documentário de artes decorativas, entre as quais as artes regionais da talha, latoaria e serralharia teem um lugar de eleição. É sem favor um magnífico Museu Arqueológico. A colecção de estelas, aras e marcos miliários do distrito é notável, especialmente a das estelas. Aumenta-se agora com uma sala etnográfica o seu capital de preciosidades. Gostosamente ponho em relêvo que esta sala representa a primeira tentativa de reconstituição de um conjunto etnográfico regional, e que ela é, apesar-de pouco guarnecida ainda, uma amostra graciosíssima de bom-gosto e meticulosidade na reposição de tipos e mobiliário. Ao Sr. .................; ao Sr. Dr. Raúl Teixeira, a cujo talento, gôsto e saber se deve a organização das colecções; ao grupo dos Amigos do Museu de Bragança na pessoa de seu dedicadíssimo tesoureiro José Montanha endereço saúdações pela obra realizada. Vergilio Correia. 27 de Fevereiro de 1930» (882). O que seria a restauração da Domus Municipalis de Bragança, há quase meio século reclamada e levada a efeito em 1928, sem a sua teimosia propugnadora? Além do mais, Bragança deve-lhe: a iniciativa do coreto da praça da Sé; a do restauro do artístico cruzeiro na mesma praça, que, despedaçado, andava aos trambolhões no cemitério público, para vergonha de todos nós; a dessas educadoras placas de mármore e de azulejos que comemoram o

(881) Ver PINHEIRO, Alfredo Dias – Os Celtas e os povos com eles relacionados, 1928, p. 446. (882) Livro dos visitantes do Museu Regional de Bragança, fol. 32 v.

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arco de Santo António; o histórico batalhão de caçadores nº 3 e o restabelecimento da estrela iluminada nos dias de feriado nacional, nas muralhas da cidadela; a do ínclito filho de Bragança Oróbio de Castro; o painel em azulejos historiados, de S. Vicente, representando o bravo general Sepúlveda no memorável dia 11 de Junho proclamando ao povo e soltando o grito de revolta contra os franceses; a iniciativa da brilhante exposição de Arte realizada em Bragança em 1924, tão memorada na imprensa. Bragança deve-lhe a atitude de Argus vigilante, sempre pronto a zurzir implacavelmente quantos se afastam do cânon esteta sugestionados por chochos europeis. Bragança deve-lhe: a iniciativa para o monumento aos mortos da Grande Guerra e a valiosa cooperação para a erecção do busto ao conselheiro Abílio Beça; os doze painéis de azulejos do átrio do governo civil, correspondentes a cada uma das sedes concelhias do distrito, caracterizados ou pela vista geral da terra ou por algum monumento da mesma, e mais dois representando os interessantes monumentos românicos de Castro de Avelãs e Domus Municipalis de Bragança. Escreveu: O Judas... em Bragança. 1900. Folha solta, sem indicar lugar de impressão. Anónima. Coplas da revista em 1 prólogo, 3 actos e 6 quadros: Bragança por um canudo (versos), original de... Bragança, Tip. de Ferreira Soeiro, 1908. 8.º de 7 págs., inumeradas. No I centenário da Guerra Peninsular – Alocução proferida no Liceu Nacional de Bragança no dia 11 de Junho de 1908, perante a Academia. Porto, 1908. 8.º de 21 págs. A Lola Currita – Número único de homenagem dos seus admiradores em Bragança. Tip. Minerva, Bragança. 4 págs., inumeradas. Anónimo, sem indicar ano de impressão, mas deve ser de 1909 ou princípios de 1910, pois foi em Dezembro daquele ano que a bailarina esteve em Bragança. D. Aleixo – Romance, por conde de Aurora. Ponte de Lima, 1922. 8.º de 17 págs. e mais duas inumeradas. Contém o ex-libris e o retrato do autor. Adeus que à vida diz António Plácido, momentos antes de ir morrer gloriosamente e em beleza nas hastes dum toiro, como apaixonado e fervoroso cultor da arte de Montes em Ponte de Lima e no S. João de 1922. Versos. Ponte de Lima, 1922. 8.º de 8 págs. Palavras proferidas por Artur Águedo de Oliveira e Raul Teixeira, no dia 27 de Novembro de 1929, no cemitério de Macedo de Cavaleiros, à beira da sepultura do doutor António Alberto Charula Pessanha. 8.º de 16 págs. No registo final diz: «Acabou de imprimir-se em Bragança na Tipografia de Geraldo da Assunção, a XXIV-XII-MCMXXIX. 30 dias depois do da morte do doutor António Alberto Charula Pessanha». MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Bragança nas suas relações com a arte de Talma – Conferência lida pela primeira vez na noite de 20 de Fevereiro de 1925, em Bragança, no Teatro Camões, por Artur Teixeira Piçarro (Cachachoilas), sócio da Academia Real das Ciências, da Sociedade Protectora dos Animais, da Sociedade de Geografia e da Sociedade Cooperativa de Consumo e Crédito de Bragança. Tip. Artística de Bragança, 1925. 8.º de 11 págs. É uma paródia burlesca, cheia de graça, recitada no Entrudo, à conferência que o mesmo doutor Raul Manuel Teixeira leu no citado teatro na noite de 29 de Agosto de 1924. O fino espírito do doutor Raul Teixeira é tão fundamente vazado na ironia que nem a ele próprio se poupa. De resto, o tal Piçarro, que a leu, nem é sócio da Academia nem letrado. O doutor Raul Teixeira fundou e dirigiu o Jornal de Bragança e tem colaborado em O Nordeste, no jornal que fundou, no Rio Lima, Ilustração Portuguesa (em verso); Para os pobres de Ponte de Lima – Homenagem a Amélia Rey Colaço, 1922. Nesta publicação inseriu o soneto «Marianela», que também saiu no Cardeal Saraiva, semanário de Ponte de Lima, de 23 de Março de 1922; O Primeiro de Janeiro, etc. TEIXEIRA (Vítor Maria) – Irmão do antecedente; doutor em medicina pela Universidade do Porto, onde concluiu o curso em 1920. Nasceu em Bragança (freguesia da Sé), a 20 de Fevereiro de 1893 (os nomes dos pais estão indicados no artigo anterior). Exerceu, com grandes créditos, a clínica em Bragança e foi professor da Escola Industrial Emídio Garcia da mesma cidade. Em Outubro de 1929 foi para Lisboa, onde é professor da Escola Industrial e médico apreciado. Pertence ao grupo dos seis devotados regionalistas, grandes Mecenas, empenhados em levar a cabo a publicação das Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. Escreveu: Sobre a insuficiência aórtica de origem reumatismal (monografia clínica) – Dissertação inaugural apresentada à Faculdade de Medicina do Porto. Porto, 1920. 8.º de 51 págs. e 3 inumeradas. TELES (Padre Baltasar) – Natural de Lisboa; provincial dos jesuítas e seu cronista, falecido em 1675. Entre outras obras, escreveu: Família dos Morais de Bragança historiada. Manuscrito (883). TELES (Júlio do Carvalhal de Sousa), também conhecido por Júlio do Carvalhal de Sousa Silveira Teles e Meneses – Capitão, governador do forte de S.

(883) Sumário da Biblioteca Lusitana.

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Neutel de Chaves, deputado da nação, cavaleiro da Torre e Espada, condecorado com a medalha de oiro de comportamento exemplar. Nasceu em Veiga de Lila, concelho de Valpaços, e faleceu em Nantes, concelho de Chaves, sendo o seu cadáver trasladado para a capela da sua casa de Veiga de Lila, em cuja campa se lê este epitáfio: «Aqui jaz um dos bravos do Mindello, Julio do Carvalhal de Sousa Telles; nasceu em 10 de Março de 1810 e morreu dia 9 de Junho de 1872. Foi filho, irmão, esposo, pai e amigo exemplar. Que descance em paz». Como seu pai, e por herança de seus maiores, era moço-fidalgo e cavaleiro da casa real e administrador do vínculo de Nossa Senhora dos Remédios de Veiga de Lila, instituído por Gaspar Vaz Teixeira, capitão de cavalos na guerra da aclamação, e por sua mulher D. Ana de Sousa Pereira. Fez parte do batalhão académico, organizado quando estudante da Universidade de Coimbra, emigrando depois para a Galiza, Inglaterra e ilha Terceira, de onde desembarcou com os mais conjurados nas praias do Mindelo, fazendo seguidamente toda a campanha da liberdade até à convenção de Évora-Monte. Foi governador civil do distrito de Bragança, cargo de que tomou posse a 21 de Maio de 1846, exercendo essas funções até 8 de Outubro seguinte; e segunda vez por decreto de 23 de Maio de 1856, tomando posse a 23 do mês imediato; exerceu o cargo até 13 de Julho de 1857. No Diário do Governo de 6 de Junho de 1846 diz-se que a nomeação foi por decreto de 6 desse mês e ano. Em 1860 foi eleito pela primeira vez deputado pelo círculo de Valpaços e reeleito sucessivamente até à sua morte. Para a sua biografia ver: Memorandum de Chaves, por Inácio Pizarro de Morais Sarmento, pág. 23. No Diário de Lisboa de 28 de Fevereiro de 1862, 2 de Dezembro de 1865, 11 de Abril de 1866 e seguintes, que traz os extractos das sessões de 21 de Abril, 2, 9, 19 e 25 de Maio e 14 de Junho desse ano, encontram-se documentos referentes aos serviços que Sousa Teles prestou como deputado, bem como no Diário do Governo de 12 de Abril de 1860 e 30 de Janeiro de 1861. Foi Júlio do Carvalhal de Sousa Teles, então deputado, juntamente com os seus colegas António Alves Martins e José Luís Alves Feijó, respectivamente bispos de Viseu e de Bragança, que primeiro se lembrou da construção de uma linha férrea no distrito de Bragança, como pode ver-se no Diário do Governo de 10 de Março de 1861. Eduardo de Campos de Castro Azevedo Soares (884) diz menos exactamente que Júlio do Carvalhal nasceu em Nantes a 5 de Março.

(884) Nobiliário da Ilha Terceira. Braga, 1908, vol. I, p. 267.

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TELO (António José Monteiro da Fonseca Caldeira) – Da freguesia de Azinhoso, foi provido na reitoria da mesma povoação em 1795, de onde passou, em 1825, para prior de Sandomil, diocese de Coimbra. TIERNO (João Francisco) – Escreveu: O gado bovino mirandês. Lisboa, Imp. Nacional, 1904. 4.º de 43 págs. É uma separata do Boletim da Direcção Geral da Agricultura, 8.º ano, nº 1. Esplêndida monografia sobre a especialidade, que trata com notícias interessantes referentes a Miranda do Douro e região. TORRALVA (Gonçalo de) – Parece, a julgar pela carta abaixo transcrita do bispo de Miranda, datada de 15 de Dezembro de 1547, que foi ele o arquitecto da Sé de Miranda. Por outra do mesmo bispo, de 18 de Março de 1548, mostra-se que chegaram a Miranda Jorge Gomes com os oficiais para a obra. No artigo Velasquez se diz dos privilégios concedidos a este em 1560 como empreiteiro da obra da Sé da cidade de Miranda. «A Sé de Miranda, no estylo classico, é um monumento interessantissimo para a historia da arquitectura em Portugal, pois n’elle se observa já o estylo do renascimento italiano destituido de toda a influencia do chamado estylo manuelino», diz Sousa Viterbo abaixo citado. Eis a carta desdobrada das muitas palavras em breve que apresenta: «Sñor. – Aos XIII do passado receby a carta de V. A., que Gonçalo de Torralva me deu com o debuxo e apontamentos para a obra desta see de Myrãde: ho que tudo pratico comyguo e depoys com o dayam e beneficiados da se, de modo que todos ho entendemos e demays disto cordeo e abaliso [cordeou e abalisou, mediu] a dita obra por duas vezes em presença de todos e do corregedor e muytas pessoas da cibdade dos que andam na governãça della e de outras pessoas onrradas do povo e a todos pareceo bem, e como cousa ordenada per mãdado de V. A. E porem todos beyjaremos as mãos a V. A. seja servydo mãdar que esta obra se asente de maneyra que a capela mor fique casy ao sul como Torralva dyra; porque sendo asy fica ho terreiro grãde, despejado e muy grãdioso como elle he e as portas e fronteria e magestade da obra: a vysta do dito terreyro e a vysta do principal da cibdade a da parte por donde commûmente vay a gente toda a ygreja e asy os estrangeiros que aquy vem, por que todos acudem a praça e da praça a ygreja que he o camynho dereyto por o terreyro e frõteria della, fazêdose como diguo, e fazêdose como esta a ygreja velha ficam casy escondidas as portas por não aver lugar abastãte por onde se extenda a obra sem derribar casas principays, ho que nã cõvem. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Mãde V. A. chamar a Gonçalo de Torralva pera se conformar delle disto e de outras muytas cousas e com sua emformação e com o papel em que vay tirada a cibdade vera muito craro ho que diguo. Tambem parece a algûas pessoas que a ygreja se podera fazer alguo mays pequena sem yr contra a ordem do debuxo, porem cõforme a meos desejos espero em noso senhor que esta cibdade yra em muyto crecimento e que em vyda de V. A. avera tanta gente nella que V. A. folgue de se aver feyto a see do mesmo tamanho que esta no debuxo...... Tambem por ser esta terra fria parece incõveniente aver tantas janellas, porem mas fria he Salamãca, Burgos e Medina, e pera yso a vydraças, e quando depois de feyta parecerem muytas se podiam tapar as que convyer e fazeremse pequenas…… Pera se ynformar disto e dos preços dos materiaes e servidores e achegas mande V. A. chamar a Gonçalo de Torralva, porque fez en tudo muyta deligencia e mostrara os preços do que dizem dos que nysso pretendem ynteresse e do que costara cada cousa, e asy os contra preços que em a verdade parese se daram as ditas achegas, que seram, ao parecer, muyto menos: e com sua informação vossa A. fará muy grande mercê a esta cibdade e ao cabydo e a mym em que com muyta brevydade mande começar esta obra...... Torralva nestes dias se a mostrado em sua conversação ome manso, de bon juyzo e entendimento para o que convem a esta obra, se elle tomar a obra em o preço que convem parece omem pera yso; finalmente mandenos V. A. a elle ou outro que seja pera ysto poys la os a e seja loguo, e eu folguaria com este por sua mansidão e porque dá muy bem a entender he pratico desta obra e ate agora parece vertuoso: e porem nan sayba elle ysto por que se nan encareça. E por que elle dos oficiais della se ande a encarecer parecendo-lhes que se desterram a vyr ca tan longe a soo esta obra, poderiam, sendo elles para yso, trazer cargo das obra que por acaso ofrecessem, syquer pera que nan se fezessem com o vagar do que neste castello se a feyto e faz, e ainda segundo a muytas pessoas tenho ovydo o vagar da obra de Freixo, etc. e pera ysto evytar, poys esta se se ade dar de empreytada, por amor de N. S. nos faça V. A. merce que nan nos mando feytores nem escrivãos della nem provedores dobras: nan se vay a tudo en oficiais e en mantimentos, porque os que de lla vyerem custaram muyto, e cá o cabydo e eu prosseremos conforme a como esta na creação da see...... Tambem lembro a V. A. que esta see e sua e he planta de suas mams e com seu favor e ajuda se ade fazer e por em perfeyção. Tem V. A. aquy hûa terça que dizem que rende XXX [30$000 réis] poco mays ou menos, da qual V. A. fez ja merce pera outras partes como pera Freixo: esta cibdade me advertio de fazer lembrança a V. A. que faça merce della a esta só pollos MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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annos que for servydo pera ha obra della. Ho Spirito Sancto reyne sempre na alma de V. A. e lhe de luz como sempre faça a vontade de Deos, amen. De Myranda XV de Dezembro 1547. O bpo. de Miranda» (885). O mesmo bispo em outra carta, dirigida a el-rei e datada de Miranda a 4 de Fevereiro de 1549, pede-lhe que «emvie os mestres que am de fazer ha obra da dita see pera que a comecem logo, e...... e o mestre a quem se houver de dar a dita obra traga provisões e alvaras de V. A. necessarios, e assi tambem traga provisão de V. A. pera lhe ser entrege todo o dinheiro que hi ouver asi de deposito, como da fabrica». Diz que o portador da carta é Jerónimo Pires «capellão e cantor de V. A., conego desta sua see de Miranda», na qual serviu de cantor desde o primeiro dia «que todos começamos servir esta see até ho primeiro de setembro do ano proximo pasado...... e por que este ano pasado foi mui seco nesta terra» adoeceu e pediu licença para ir convalescer a Lisboa, onde suplica a el-rei lhe faça mercês como suas boas qualidades merecem (886). Em outra carta datada também de Miranda a 31 de Maio de 1549, diz-lhe: «... Eu sam já importuno com os desejos de ver começada e acabada esta see, e estes me fazem cuidar tanto nos gastos que cada dia se oferecem á fabrica nos custos da obra da see, mormente fazendo-se pelo debuxo que V. A. mandou fazer, o qual he tam suntuoso que pertence mais pera templo e see que tenha um conto de fabrico e pera cidade de mais calidade que pera esta see e cidade, pera qual nos bastara fazer hûa see tan grande e tan lustrosa como a see de Evora, que vay assaz encarecida, fazendose pello estilo comum de outras sees e cidades antiguas e de muyta mais calidade que esta, e que se fará, respective, com pouco dinheiro nem os tempos presentes nem os vindoiros se vam dispondo pera começarmos obras tam suntuosas, que de mais de se não acabar em nosos dias nem de nenhum dos presente desta cidade, por falta de dinheiro, não sei quam licito sera fazer obra tam suntuosa, onde não he necessaria como aqui, e se podera dizer asaz sumtuosa de obra comum conforme a outras ygrejas catedraes de mais calidade. Beijarei as mãos a V. A. querer ouuir a Julião dalva (887) a quem sobre isto escreuo largo, o qual mostrara a V. A. hum debuxo que vai pera igreja de

(885) VITERBO, Sousa – Dicionário histórico e documental dos Arquitectos…, vol. III, 1922, artigo «Torralva», p. 134, onde a carta vem na íntegra tirada do Corpo Cronológico (Torre do Tombo), parte I, maço 79, doc. 142. (886) Ibidem. (887) Foi depois também bispo de Miranda.

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TORRALVA

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TORRES

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tres naves ficando enteira a torre e igreja que aguora estaa com acrecentar a dita igreja hûa pouca cousa que se pode mui bem fazer. E bem sei que estaa V. A. tam afeito a debuxos e obras illustrissimas e tam sumtuosas que a de zombar e rir deste debuxo que lhe mostrara Julião dalva, que vay feito por mãos mui grosseiras e empotadas de trazer ho piquo e escada nellas, e porem deite V. A. os olhos as obras de sees mui antiguas e a perguntar pella see que aguora serue em Salamanca e em outras cidades de Castella, e parecerlhea que sobeja esta pera qui. E sobre tudo notorio estaa que se a de fazer o que V. A. for seruido, e disso peço a V. A. por amor de nosso Senhor seja seruido mandar execuçam, e aja piedade derribar obra que custou mais de tres mil cruzados podendo seruir mui bem, e represente-se-lhe as necessidades de muitos gastos que alem da obra tera esta see sendo convertida de hûa igreja porochial mui desolada em see catedral» (888). TORRES (D. Laura Domingues Lopes) – Doutora em medicina pela Universidade do Porto, onde concluiu o curso em 1917. Nasceu em Morreira, concelho de Braga, a 9 de Dezembro de 1893; filha de José Domingues Lopes e de D. Maria Joaquina Gomes Lopes. Exerceu o cargo de médica interna nos hospitais de tifosos do Sardão (Gaia) em 1918 e do Espírito Santo em Braga em 1919. Desde 1921 exerce o cargo de médica da enfermaria de mulheres no Hospital da Misericórdia de Bragança e desde 1925 o de médica municipal da mesma cidade para doenças de mulheres e de crianças. Casou com o doutor Manuel de Jesus Fernandes Torres, adiante mencionado. Escreveu: Breves considerações sobre o tratamento cirúrgico do cancro uterino (operação de Wertheim) – Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina do Porto, Setembro de 1918. Porto, 1918. 8.º de 84 págs. e uma de bibliografia. TORRES (Manuel de Jesus Fernandes) – Doutor em medicina pela Universidade do Porto, onde terminou o curso em 1917. Nasceu em Castelãos, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 18 de Abril de 1892; filho de Graciano Gualter Fernandes e de D. Joana Rosa Torres. Em 1918 foi mobilizado como médico miliciano para Angola, onde exerceu o cargo de chefe dos serviços de saúde da coluna de operações ao Libolo, e em 1819 ingressou no quadro dos médicos militares efectivos, tendo presentemente (Maio de 1930) o posto de capitão-médico. É condecorado com as

(888) VITERBO, Sousa – Dicionário…, tomo III, p. 136, onde a carta vem na íntegra, tirada igualmente do Corpo Cronológico.

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TORRES

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TRANCOSO

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TRANSFIGURAÇÃO

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seguintes medalhas: Quanza Sul, 1917-1918; Angola, 1918-1919, e a da Vitória. Também foi professor interino do liceu de Bragança durante cinco anos. Escreveu: Paludismo – Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina do Porto. Porto, Escola Tipográfica da Oficina de S. José, 1919. 8.º de 104 págs. TORRES (Manuel Madureira) – Natural de Moncorvo. Na Torre do Tombo, Inventário dos Livros Ant., vol. I, Lisboa, 1909, pág. 158, há notícia deste moncorvense. Encontramos nos nossos apontamentos esta referência sem mais esclarecimentos. TORRES (Manuel de Saldanha Gama) – Foi governador civil do distrito de Bragança por decreto de 13 de Dezembro de 1892, tomando posse no dia 24. TRANCOSO (Alípio Augusto) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Nasceu em Bragança (freguesia da Sé) a 21 de Setembro de 1863 e faleceu no Mogadouro, onde era médico municipal, em Março de 1930. Filho de Firmino António Trancoso, aspirante de 1.ª classe do governo civil de Bragança, e de D. Maria Joaquina Fernandes, natural de Faílde. Fez o curso liceal em Bragança e o da especialidade nesta última cidade, terminando-o em 1897. Escreveu: Etiologia e patogenia da púrpura – Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Porto, Tip. Morgado, 1897. 1 vol. 8.º Colaborou e foi director do Mogadouro, jornal que se publicou nesta vila após a proclamação da república. TRANSFIGURAÇÃO (Padre Caetano da) – Frade dos menores observantes da ordem de S. Francisco do convento de Bragança. Este frade era muito aceito ao bispo D. António da Veiga Cabral da Câmara, que o nomeou director de uma Congregação do Eclesiástico, instituída por aquele prelado no Paço Episcopal, destinada a educar e instruir intelectual e moralmente aspirantes ao sacerdócio e também seu confessor e capelão das Recolhidas do Loreto, outro estabelecimento educativo fundado pelo mesmo bispo, incumbindo-o, além disso, de outras honrosas comissões. Secularizou-se depois e foi capelão-militar, tornando a estar em Bragança em 1823 quando o general Rego veio a esta cidade em perseguição do general Silveira. Parece que faleceu depois desta sua estada em Bragança (889). (889) Estas notícias são tiradas das Memórias históricas, críticas, das acções e vida pública de D. António Luís da Veiga Cabral da Câmara, por Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda, manuscrito, fol. 38 e seguintes.

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TRANSFIGURAÇÃO

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TRIGO

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TRINDADE

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Traduziu: Obra espiritual do V. P. Presentado Fr. João Falconi, da Real e Militar Ordem de Maria Santíssima da Mercê e Redenção dos Cativos, tirada das que recolheu o R.mo Fr. José Sanches, Mestre Geral de toda a dita Ordem, Qualificador da Suprema, Senhor das Baronias de Algaz, e Escalés, Deputado Primeiro do Reino de Valença, etc. É agora traduzida para benefício dos Fiéis pelo R. P. Fr. C. D. T. Men. Obs. Roma. Nella Stamperia di Michele Puccinelli. Conquanto seja este o título que figura na frente do volume, o verdadeiro vem na pág. 19 e inscreve-se: «O Pão Nosso de cada dia. Este é o Santíssimo Sacramento do Altar, que nos ensina Cristo a pedir-lhe no Padre Nosso como Pão quotidiano da Alma. Assim o ensina a Escritura, Concílios, Santos e Doutores da Igreja. Dedicado a Jesus Cristo Sacramentado». 8.º pequeno de 199 págs. (890). TRIGO MOUTINHO (João) – Doutor em medicina pela Escola Médica do Porto. Nasceu a 24 de Março de 1873, na freguesia de Mogo de Malta, concelho de Carrazeda de Ansiães; filho de António Trigo Moutinho e de D. Augusta de Jesus. Concluiu o curso em 1900 e é médico municipal na terra da naturalidade. Escreveu: Duas palavras sobre a medicação vomitiva nas doenças brônquicas – Dissertação. Porto, 1900. 8.º de 74 págs. TRINDADE (Frei Baptista da) – Nasceu em Donai, concelho de Bragança, em 1537 e faleceu no convento da sua ordem em Lisboa a 10 de Agosto de 1627. Era filho de lavradores que o mandaram educar, estudando latim até aos quinze anos; depois foi para Salamanca cursar cânones, onde, concluídos os estudos, se ordenou de presbítero e obteve o curato da igreja de S. Lázaro, mesmo nessa cidade; mas, aborrecido das chicanas do mundo, onde a intriga e, talvez, a inveja parece lhe prepararam alguns desgostos, vendo um seu amigo morrer na flor da idade, e quatro macacos (bugios, diz a crónica, sem nos declarar se seriam diabos disfarçados) arrebatarem o cadáver de um seu paroquiano, mesmo enquanto ele lhe encomendava a alma a Deus, não teve mão em si e meteu-se frade no convento da ordem dos carmelitas descalços de Mancera, Salamanca, pelos anos de 1570, onde depois foi prior, e acabado o triénio em 1588 veio para Portugal, também como prior, governar o convento da sua ordem em Lisboa. Tornou depois a ser mandado pelo geral da ordem para Espanha servir de reitor no colégio de Barcelona; voltando a Portugal, foi nomeado prior (890) Ver os artigos: Câmara (D. António Luís da Veiga Cabral da) e Sepúlveda (Francisco Xavier Gomes de), respectivamente a p. 61 e 516.

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do convento de Cascais em 1597, e acabado o triénio voltou novamente a exercer, pela segunda vez, essa dignidade em Lisboa em 1600. Foi durante este seu segundo governo que teve certas desavenças com o vigário provincial Frei José de Jesus Maria, mas o geral da ordem, reconhecendo as grandes virtudes do nosso biografado, e como do seu lado estava a razão, mandou recolher a Castela o provincial e continuar no exercício do seu cargo Frei Baptista da Trindade. Acabado o triénio do seu priorado em Lisboa foi exercer essa dignidade no convento de Aguilar em Castela até ao ano de 1607; depois, fundando-se o convento de Viana em 1618, foi ele o seu primeiro prelado. Recolheu em seguida ao convento de Lisboa, onde faleceu com noventa anos de idade, deixando notável fama de virtude. Era muito caridoso; pronto em desculpar as ofensas que lhe faziam; de muita austeridade e rigor na penitência; de notável fervor na oração, onde sentia consolos espirituais; de grande humildade e docilidade aos mandados da obediência, ainda os mais impertinentes. «Sendo prior de Lisboa, foi por vezes buscar agua á fonte da horta em um macho com cangalhas e acompanhado de outros religiosos trouxe ás costas por grande espaço da rua publica a lenha que vinha de outra parte do rio em barca. Fazendo-se obra no convento, com os noviços acarretava a pedra e cal para ella. Estava mui persuadido que os lanços humildes não prejudicavam a auctoridade de Prelado». Pelo que toca aos fogos lúbricos, isso então era de gelo. Como ao nosso Frei Gonçalo de Santo Alberto, também uma pecadora de Salamanca «o foi buscar ao seu aposento uma noute para o provocar á luxuria, elle accendeu umas folhas de papel que diante tinha e lhe quis queimar a cara e cabello, ella fugiu» (891). Assim o diz a Crónica da sua ordem. Apre com as meninas de Salamanca!... Felizmente que encontravam transmontanos quais icebergues. TRINDADE (Francisco Manuel) – Natural de Bragança, pelo menos aí tinha família. Ignoramos as particularidades da sua vida; apenas nos disseram que morrera em Lisboa pelos anos de 1856 do cólera-morbo ou 1857 da febre amarela, que então ali grassavam. Parece que fora para a capital como empregado do governo civil, ou como tenente do batalhão móvel, segundo alguém nos disse. Escreveu: A órfã ou as duas amigas – Drama em quatro actos. Tip. de Bragança, 1851. 4.º de 104 págs. (891) SANTA ANA, Belchior de, Frei – Crónica dos Carmelitas Descalços, particular, de Portugal e província de S. Filipe, tomo I, livro III, caps. XLV a XLVIII, p. 729 e seg.

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A amizade ou a pobre órfã – Drama. 8.º francês. Este não o vimos mas sabemos que se publicou. Seu neto, padre Jaime Constantino dos Santos, pároco de Gimonde, foi quem nos forneceu os poucos elementos que apontamos referentes a este escritor, do qual possui o primeiro drama acima mencionado, e disse-nos que ainda escrevera e publicara mais obras, tudo no mesmo género. O meu álbum – Primeiros sons duma lira – Estudos poéticos. Primeiro livrete. Lisboa, na Tip. de Galhardo, 1855. 8.º de 64 págs. Na capa deste opúsculo há uma nota onde se lê que outro «Livrete» idêntico de poesias sairia em havendo número suficiente de assinaturas. Neste que descrevemos, a pág. 33, vem uma poesia com esta epígrafe: «No dia 4 de Abril de 1852 recitada no Teatro de Bragança». Na pág. 35 vem outra «À memória de S. M. a Senhora D. Maria 2.ª, por ocasião das suas exéquias em Bragança», e na pág. 39 outra à mesma rainha por ocasião das suas exéquias em Mirandela. Na pág. 61 há outra assim epigrafada: «Canção aos meus condiscípulos alunos, do Instituto Agrícola e Escola Regional de Lisboa». No Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro para 1856, pág. 218, vem um artigo sobre Castro de Avelãs assinado por «F. M. Trindade», que supomos ser deste escritor. Francisco Trindade casou em Gimonde (concelho de Bragança), onde se encontra o respectivo assento, a 1 de Junho de 1848. Neste assento declara-se que o mesmo se fez com fiança a banhos, que ele é filho de António Trindade e de Marcelina de Jesus, todos naturais de Bragança, e casou com Maria Teresa de Jesus, filha de Parcesso Justino e de Bárbara Maria, todos igualmente de Bragança. Como se vê, foi um casamento de fugida e de coração: serem naturais desta cidade e irem casar a Gimonde... Isto mesmo refere a tradição da família. Parece que Francisco Trindade se destinava ao estado eclesiástico, porquanto no Museu Regional de Bragança existe o processo referente às ordens menores que chegou a receber em 1843. TRINDADE (Isabel da) – Freira no convento de Santa Clara de Vinhais, onde faleceu às duas horas da tarde de 1 de Dezembro de 1750, com sessenta anos de idade, «depois de muitas e repetidas doenças... com hûa hydropesia universal... e sendo exposta no choro alto passadas 24 horas, certa religiosa lhe rompeo com hum alfinete, a arteria temporal esquerda, e por ella lançou quantidade de sangue. Por esta causa, no dia seguinte terceiro do dito mez com permissão da M.to Rd.a M.e a Senhora D. Tereza Maria de S. Joseph dignissima Prelada d’aquelle religiosissimo convento na sua presença da mayor parte da communidade do seu capelam, do confessor da mesma defuncta, do medico do partido, e minha, se mandou sangrar MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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em outras partes pelo cirurgião Sebastião Pereira o que primeiro executou em hûa vea do braço esquerdo, de cuja cesura, lançando hûa limitada quantidade de lympha, desatada a ligadura, nem esta continuou, nem saiu sangue: o mesmo succedeo sangrando-a perto do pulso do braço direito, e tambem na arteria temporal do mesmo lado; porem por estas duas ultimas sangrias nada correo. Passado hum breve tempo, principiou o sangue a sair em tanta quantidade que a pouco espaço encheo a camisa, e habito, e outros lenços que nelle ensoparão varias religiosas, e como estas confessarão, corria athé as costas. Conservou-se assim athé o dia sexta feira, quarto do mesmo mez, e também quarto, depois da sua morte, em que sem signal algum de corrupção, lançou tambem sangue por hûa ferida, que conservava havia muitos annos no peito direito. Em todo o tempo que esteve exposta athé se enterrar, se conservou flexivel, e com a mesma côr do rosto, que tinha no primeiro dia em que expirou; e conforme a opinião de muitas religiosas era a propria de quando viva, ainda antes das suas enfermidades. Varias partes do seu corpo se observarão calidas mais de 24 horas depois que falleceo, e do mesmo modo o sangue que saio com a picada do alfinete». Sobre este caso escreveu uma dissertação José Ruivo Salgado, datada de Moncorvo a 12 de Janeiro de 1751, que abrange oito fólios de papel branco liso, que termina por lhe parecer o mesmo sobrenatural (892). Isabel da Trindade era natural de Vilar Seco de Lomba, filha de Domingos da Silva e de Mécia de Morais; foi baptizada a 1 de Março de 1688 (o respectivo assento não menciona a data do nascimento, mas como aquele acto costumava, segundo as praxes canónicas, celebrar-se dentro de oito dias, é fácil calcular quando teve lugar). Noviciou em 1710 no convento de Santa Clara de Vinhais, bem como sua irmã Francisca das Chagas, mais nova dois anos. No Museu Regional de Bragança, maço citado, há um manuscrito, em papel liso, de nove fólios não paginados, que tem por título: Vida, virtudes e milagres da Madre Isabel da Trindade, perfeitíssima Religiosa que foi no convento de Santa Clara. No fim, este manuscrito vem assinado por José António de Morais Sarmento e é datado de Vimioso em 1751. Contrastando com a vida desta religiosa temos a seguinte: no convento de Santa Clara de Vinhais «houve uma, e não admira entre tantas, que tendo-se dedicado a Christo pelos votos da profissão, se esqueceu totalmente d’esta promessa, entregando seu coração e todos seus pensamentos

(892) Conserva-se no Museu Regional de Bragança, maço Frades e freiras.

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TRINDADE

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TUIZELO

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V(B)AÍA

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VALE DE FLORES

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a uma pessoa que vivia no seculo. O que se seguiu a esta desordem foi achar-se na hora da morte com quem amara na vida. Evidentemente se conheceu que lhe faltavam os favores e assistencia do Divino Esposo, e que antes de entrar com ella em juizo lhe cerrara, como a virgem louca, as portas da sua gloria, proferindo aquelle terrivel Nescio vos para confusão maior da sua fatuidade. Disse-lhe uma religiosa com muita compaixão e ternura que tratasse do bem da sua alma, e lhe ganhou tal odio que apparecendo ella virava o rosto para outra parte. Não foi possivel consentir que a ajudassem a bem morrer, nem quiz pronunciar a Protestação da Fé e com estes desamparos do Ceu acabou miseravelmente, deixando no mesmo assombro que a todos causou, a grande advertencia de que a morte corresponde á vida, e que a Esposa de Christo, que o despresou na vida, será também despresada d’elle na morte» (893). TUIZELO – António Malheiro da Cunha, licenciado em cânones, de Tuizelo, fidalgo-capelão da casa real, foi provido em 1699 na abadia de Vale da Porca. Junto ao processo de habilitação de genere para abade há as de seus irmãos: Inácio de Morais Sarmento, Gonçalo António Osores e André de Morais Sarmento, todos filhos de Baltasar de Morais Sarmento e de Francisca Osores, moradores em Tuizelo, de onde aquele era natural e esta de Bragança; neto paterno de Rodrigo de Morais Sarmento e de Maria de Mariz e materno de António Malheiro da Cunha e de Maria de Morais. Entre as testemunhas do processo, figura António de Morais Colmieiro, fidalgo da casa real, professo na ordem de Cristo, morador em Bragança.

V V(B)AÍA – O brigadeiro Baía foi governador militar da província de Trás-os-Montes pelos anos de 1817 e o capitão Pedro Pinto de Morais Sarmento era seu ajudante-de-campo. Foi este o denunciante do infeliz general Gomes Freire de Andrade, justiçado em 1817 (894). VALE DE FLORES – A 8 de Agosto de 1646 fundou um morgadio Francisco de Morais Sarmento, morador em Bragança, porque não tinha filhos nem herdeiros forçosos e era viúvo de D. Juliana de Sá, sua prima. Entre (893) ESPERANÇA, Manuel da, Frei – Crónica da História Seráfica, 1721, tomo V. (894) CHAGAS, Pinheiro – História de Portugal, vol. VIII, p. 138. Ver tomo VI, p. 588, destas Memórias.

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VALE DE FLORES

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VALE DE FRADES

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VALE DA PORCA

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VALENÇA

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VAREJÃO

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os bens doados ao morgadio figuram as casas «que foram de Joam Fernandes em que viveo Catherina Fernandes a pecheleira». O morgadio era constituído na quinta de Vale de Flores e chamava-se «Morgadio de Santo António» por ser constituído na capela deste santo que havia na dita quinta de Vale de Flores, subúrbios de Bragança, composta «de casas, moinho, pombal, terras, soutos, montes, arbores, vinhas, prados e tudo o mais que se achar do pontão do Rio de Fonte arcada thé Meixedo the o Rio Sabor the a estrada de Carragosa». Mais vinculava ao morgadio todo o direito que «tenho na Granja por ser prazo de vidas de nomeação», a qual quinta da Granja pagava de foro aos frades de S. Martinho de Seabra dezasseis almudes de vinho. A capela de Santo António já existia na quinta. VALE DE FRADES – Em 1767 mandou-se fazer o arco da capela-mor e tecto da igreja de Vale de Frades, concelho do Vimioso (895). VALE DA PORCA – Em 1634 os moradores de Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros, mudaram, segundo lhe fora ordenado em visita pastoral do prelado, a capela de S. Bartolomeu, que estava distante da povoação, para dentro da mesma (896). VALENÇA (Marquês de) – Por carta régia de 7 de Julho de 1827 foi nomeado governador das armas da província de Trás-os-Montes o marquês de Valença (897). Mas em 18 de Dezembro seguinte o marquês de Chaves, general-em-chefe do exército realista, nomeou para o referido cargo o brigadeiro visconde de Canelas (898). VAREJÃO (Simão) – Natural de Freixo de Espada à Cinta. Escreveu: Manual de orações. Coimbra, 1577, 8.º Barbosa diz que esta obra foi vertida do latim. «Nunca vi d’ella exemplar algum» (899). Depois, no tomo XII do citado Dicionário, Brito Aranha, falando a propósito de Simão Varejão, diz: «Segundo uma nota manuscripta de Innocencio da Silva, o meu consciencioso e erudito antecessor, com referencia á carta recebida do fallecido bibliophilo Telles de Mattos, que tantas investigações fez na bibliotheca de Evora, o equivoco em que incorreu o considerado auctor da Biblio(895) Museu Regional de Bragança, maço Capelas. (896) Ibidem. (897) Gazeta de Lisboa de 11 de Julho de 1827. (898) Documentos para a história das Cortes Gerais da Nação Portuguesa, tomo II, ano de 1826, p. 764. (899) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico, tomo VII.

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theca Lusitana e outros, que o teem seguido e copiado, livrando-se de averiguação propria, foi decerto por saberem da existencia de um livro n’aquella bibliotheca, sob o titulo Livro de rezar por mestre Simão Verajao. Lisboa, por Simão Lopes, 1596, 12.º O dito exemplar tem XVI-246 folhas, porem faltam-lhe no fim uma ou duas folhas com o resto da “tabuada”. Tanto no privilegio, como nas licenças, dá-se á obra o nome Manual de orações. Ao illustre Innocencio não restava duvida de que era esta a que Diogo Barbosa mencionara sem a ter visto, e por isso inexactamente». VARGAS (António Júlio de Sá) – Nasceu em Murça, mas criou-se em Bragança, e faleceu na freguesia de Lombo, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 22 de Outubro de 1880; era filho de José de Sá Vargas. Foi delegado do Procurador Régio e juiz de direito. A carta da sua formatura, que vimos em poder da família, diz que se formou em direito a 22 de Junho de 1837. Por decreto de 28 de Agosto de 1845 foi nomeado delegado da comarca de Chacim, cargo de que foi exonerado, a seu pedido, por decreto de 15 de Março de 1854 (900). É provável que o pedido de demissão fosse motivado pela supressão então da comarca de Chacim, em cuja área, na povoação de Lombo, António Júlio tinha um grande casal, de que não quereria separar-se, e também como protesto. Escreveu: Memória acerca de Balsemão. Tip. de Bragança, 1859. 8.º peq. de 144 págs. É um trabalho interessantíssimo, de laboriosa erudição, que os amadores de antiguidades, desejosos de conhecer o passado do santuário de Balsemão, junto a Chacim, distrito de Bragança, consultarão com fruto. VARGAS (Diogo Albino de Sá), irmão do antecedente – Conselheiro de Estado por decreto de 26 de Dezembro de 1865. Faleceu em Bragança a 21 de Junho de 1872. Foi governador civil do nosso distrito por decreto de 30 de Março de 1871, cargo de que tomou posse a 1 de Abril seguinte (901). VARGAS (Diogo Albino de Sá) – Doutor em direito, antigo deputado da nação e antigo assistente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e actual professor do Liceu Nacional Central de Pedro Nunes da mesma cidade. Nasceu em Bragança a 13 de Janeiro de 1883; é filho do doutor José Marcelino de Sá Vargas (rico proprietário, que por várias vezes exerceu o cargo de reitor do liceu de Bragança) e de D. Maria Augusta Ledesma Pereira de Castro; neto paterno do conselheiro Diogo Albino de Sá Vargas, (900) Diário do Governo do dia 18. Ver tomo VI, p. 705 destas Memórias. (901) Ver tomo VI, p. 705, destas Memórias.

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atrás mencionado, e sobrinho-neto do antigo ministro José Marcelino de Sá Vargas, a seguir memorado (902). Escreveu: Note sur le hérisson du Portugal. Lisbonne, 1922. 8.º de 7 págs. com uma gravura. (Separata do Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais). Foi escrita de colaboração com A. F. de Seabra. Em desagravo – Resposta à tentativa difamatória do major-médico Francisco José Martins Morgado. Tip. da Coimbra Editora, Limitada. 8.º de 76 págs. VARGAS (José Marcelino de Sá) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em 1822, presidente da câmara dos deputados, par do reino, conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e ministro de Estado. Nasceu em Bragança (Santa Maria) a 14 de Agosto de 1802 (e não 13, como dizem alguns escritores) e faleceu em Lisboa a 26 de Agosto de 1876 (no assento de baptismo apenas se indica o nome de José); era filho do capitão José de Sá Carneiro Vargas, natural de Bragança, e de D. Maria Joaquina Rosa de Campos, natural de Murça; neto paterno de Álvaro Carneiro Henriques e Luísa Angélica, de Bragança, e materno de Henrique José da Silva e de D. Antónia Luísa de Campos, naturais de Murça (903). Leu no extinto Desembargo do Paço em 6 de Maio de 1825 e foi corregedor de Bragança por nomeação de 18 e posse de 19 de Abril de 1834 até à reunião das cortes, às quais foi deputado. O general Jorge de Avilez, que estivera preso em Bragança e conseguira fugir para Espanha, em carta datada do quartel-general em Bragança de 18 de Abril de 1834 «participou a José Marcelino de Sá Vargas que sendo necessario eleger pessoa idonea e de lettras para exercer o logar de corregedor d’esta comarca de Bragança e que ao mesmo tempo seja affecta á justa causa que defendemos da legitimidade da nossa augusta e idolatrada soberana e ao systema constitucional, e como o dito Vargas deu successivas provas nos ocultos mas relevantes serviços que por minha ordem há feito n’esta cidade de Bragança, tanto antes como depois da minha evasão para a villa de Alcaniças, onde estive organizando tropas para destruir o jugo da usurpação, mando que V. S.ª passe immediatamente a tomar posse do dito logar, servindo-lhe esta de título» (904).

(902) Ver tomo VI, p. 705, destas Memórias. (903) Ibidem. (904) Livro do Registo da câmara de Bragança, fólio 17.

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Devia ter sido curta a sua permanência neste cargo, porque logo a 27 de Maio do mesmo ano aparece outro corregedor a tomar posse do mesmo (905). Foi nomeado juiz de direito de Bragança por decreto de 7 de Agosto de 1835, tomando posse a 7 do mês seguinte, e exonerado por decreto de 12 de Outubro de 1836. Eram as perseguições políticas dos setembristas exercendo-se fanaticamente (906). Foi deputado às cortes nas legislaturas de 1836 e 1840. Reintegrado no quadro da magistratura conforme a lei de 27 de Agosto de 1840. Juiz de direito da 4.ª vara de Lisboa por decreto de 7 de Janeiro e posse de 14 de Julho de 1841. Deputado na legislatura de 1848. Juiz de direito da 2.ª vara de Lisboa por decreto de 9 de Novembro desse ano. Juiz da Relação do Porto por decreto de 14 e posse de 23 de Julho de 1843. Idem da Relação de Lisboa por decreto de 18 de Julho e posse de 21 de Agosto de 1855. Deputado às cortes na legislatura de 1861 (907). Ministro e secretário de Estado dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça desde 29 de Janeiro até 18 de Junho de 1849 (908); ministro do Reino (interino) desde 1 a 14 de Junho de 1849 por doença do duque de Saldanha; ministro e secretário de Estado honorário por decreto de 10 de Janeiro de 1850 (909); ministro da Marinha e Ultramar por decreto de 1 de Maio de 1860, sendo exonerado a 4 de Julho do mesmo ano (910), e ministro da Justiça por decreto de 1 de Março de 1871 (911), cargo que exerceu até 13 de Setembro desse ano. Sendo juiz do Supremo Tribunal de Justiça, foi, por decreto de 31 de Dezembro de 1874, nomeado conselheiro de Estado efectivo na vaga aberta pelo falecimento de Filipe Folque (912). Por diploma de 29 de Julho de 1870 foi-lhe concedida licença para aceitar a condecoração de cavaleiro de 1.ª classe da ordem da Coroa de Ferro, com que foi agraciado por sua majestade real e apostólica (913).

(905) Livro do Registo da Câmara de Bragança, fol. 20 v. (906) O Diário do Governo de 14 de Setembro de 1844, que é onde vem esta exoneração, traz uma longa lista dos indivíduos perseguidos por aquela facção política. (907) Diário do Governo de 14 de Dezembro de l861. (908) Ibidem. (909) Diário do Governo do dia seguinte. (910) Ibidem de 2 de Maio de 1860. (911) Notícia dos Ministros e Secretários de Estado…, p. 16. (912) Diário do Governo de 5 de Janeiro de 1875. (913) Diário de Lisboa de 5 de Agosto de 1872.

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São importantes os serviços que a nação em geral e o distrito de Bragança em particular deve a este seu distinto filho. Na sessão da câmara dos deputados de 28 de Abril de 1849, discutindo-se uma nova reorganização administrativa do reino, propôs o deputado Joaquim Rodrigues Ferreira Pontes que os distritos administrativos do continente de Portugal se deviam reduzir a dez, formando um deles a província de Trás-os-Montes com a sua sede em Mirandela. Igual proposta fez na sessão de 1 de Maio seguinte o deputado João Pedro de Almeida Pessanha quanto à localização da sede no mesmo concelho (914). A que estado ficaria reduzida Bragança se as propostas destes dois homens vingassem!? Valeu-lhe o ministro José Vargas. Posteriormente, Pessanha fez emenda honorable e Pontes, que era um orador de argumentação cerrada, como o classifica Barbosa Colen (915), não teve tempo para isso, pois faleceu em Braga a 25 de Março de 1853, pelas oito horas da manhã, como o comunicou à câmara o mesmo Pessanha (916), fazendo ao mesmo tempo honrosas referências à sua nobreza de carácter. Pontes havia sido eleito deputado por Trás-os-Montes em três legislaturas sucessivas. Ainda em 1865 o deputado pela Figueira da Foz, José de Morais Pinto de Almeida, apresentou a seguinte proposta: «Renovo a iniciativa da proposta de lei nº 118, de 3 de Julho de 1852 da commissão de fazenda, pela qual o governo é auctorisado a supprimir os governos civis de Aveiro, Vianna, Bragança, Guarda e Horta» (917). Na sessão, pois, de 25 de Maio de 1857 o deputado por Bragança, João Pedro de Almeida Pessanha, apresentou duas representações – uma do conselho de distrito de Bragança e outra dos seus habitantes. Diziam essas representações haver constado pela imprensa periódica que o governo projectava suprimir o governo civil deste distrito, unindo-o ou anexando-o ao de Vila Real, mas que isso era injusto, inconveniente e inexequível, porquanto o distrito de Bragança era muito extenso, situado em terrenos montanhosos, cortado de rios e ribeiros, de trânsito difícil e perigoso; que essa anexação tornaria esses inconvenientes e essas dificuldades muito mais penosas; que a isto acrescia a dificuldade das vias de comunicação; que Bragança era uma cidade populosa e importante, sede de um bispado; que nela se achavam aquartelados um corpo de caçadores e um regimento de cavalaria, e que por todas estas considerações seria para lamentar que fosse despojada da categoria gozada por essa cidade, solar da dinastia reinante.

(914) Diário do Governo de 30 de Abril e 2 de Maio de 1849. (915) COLEN, Barbosa – Entre duas Revoluções, 1848-1851, p. 72. (916) Diário do Governo de 6 de Abril de 1853. (917) Diário de Lisboa de 17 de Novembro de 1865.

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Mais acrescentou o deputado que não sabia os motivos porque o jornalismo atribuía aos ministros semelhante propósito, ignorando certamente os deputados daquele distrito as intenções do governo a tal respeito; porém, que tendo um dos ministros declarado em uma das sessões passadas que se poderiam fazer economias na supressão de alguns distritos administrativos e achando-se distribuído na câmara um projecto de lei concedendo ao governo a mais ampla autorização para proceder à divisão do território, era natural que estas circunstâncias, juntas aos boatos espalhados pelos jornais, produzissem o sobressalto em que se achavam os habitantes do distrito de Bragança. Que a isto acrescia o abondono em que esta cidade se achava há muito tempo, sem juiz de direito e sem governador civil nem secretário-geral (918). O mesmo deputado apresentou ainda na sessão de 9 de Junho outra representação da câmara de Vinhais em idêntico sentido. Outro benefício lhe deve Bragança: sendo ministro da Justiça e Negócios Eclesiásticos, e estando vaga a diocese de Bragança, apressou-se a nomear prelado para ela, pois então havia no governo a intenção de suprimir esta e outras dioceses, como Beja, etc., para onde também despachou bispo, porquanto – dizia ele – «estes bispados não estão nas circumstancias de serem supprimidos, e de certo o governo tem a consciencia de ter nomeado para elles as pessoas mais capazes», em resposta ao deputado Pereira dos Reis, que sustentava que essas nomeações eram «desnecessarias e inopportunas: desnecessarias, porque os bispos actuaes podiam reger todas as dioceses; inopportunas, porque as circumstancias actuaes, quando se tratava da necessaria reducção de alguns bispados e quando os apuros do thesouro tinham chegado ao ultimo ponto da escala, similhantes nomeações eram realmente inadmissiveis». O ministro Vargas aproveita a ocasião para tecer grandes elogios aos novos bispos eleitos e particularmente ao Ferraz, cuja escolha – terminou ele – «tem sympathias universaes» (919). Na legislatura de 1848 foi José Marcelino de Sá Vargas eleito secretário da câmara dos deputados, onde desempenhou papel brilhante, como pode ver-se nos extractos das sessões desse tempo (920). Em Maio de 1850 apresentou ao governo uma proposta de lei, com o competente preâmbulo, regulando a sucessão dos filhos naturais, de grande alcance social e largo alcance de vistas (921).

(918) Diário do Governo de 26 de Maio de 1857. (919) Diário do Governo do dia 12 de Maio de 1849, extracto da sessão do dia 11, e CHAGAS, Pinheiro – História de Portugal, popular e ilustrada, vol. XI, p. 417. (920) Diário do Governo de 19 de Janeiro de 1848 e demais. (921) Ibidem de 24 de Maio de 1850.

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Também por decreto de 15 de Novembro de 1866 foi elevado à dignidade de grã-cruz da ordem militar de Nosso Senhor Jesus Cristo «pelos distintos serviços que havia prestado ao paiz no desempenho de superiores cargos do Estado, e especialmente pelo reconhecido zelo e intelligencia com que, na qualidade de membro da commissão encarregada de elaborar e redigir o Codigo Penal Militar, concorrera para o desempenho de tão importante trabalho» (922). O nº 33 da Galeria Contemporânea do Suplemento burlesco ao Patriota traz a caricatura de Sá Vargas com esta legenda: A «preguiça Vargas», depois reproduzida na pág. 403, vol. XI, da História de Portugal de Pinheiro Chagas, que diz em nota àquela página: «Embora poucas, não reproduzimos as palavras que no texto d’aquelle jornal (Galeria Contemporânea) são consagradas ao ministro caricaturado, pois que não se recomendam pelo chiste nem pela significação». Sá Vargas, que como político era quase fanático cabralista, soube ser generoso em grau máximo quando escondeu em sua casa António Rodrigues Sampaio, o célebre redactor da Revolução de Setembro e do Espectro, furiosamente perseguido pelos cabralistas, facultando-lhe meios de imprimir e talvez de distribuir este último jornal (quiçá no prelo que possuía, hoje pertença do Museu Regional de Bragança por dádiva de seu sobrinho-neto doutor Diogo Albino de Sá Vargas), que, como um raio, com aqueles furibundos artigos que só Sampaio sabia escrever, caía em toda a parte, inclusive as secretárias dos próprios ministros, sem se saber como, qual espectro esmagando os adversários a tagantadas brilhantíssimas de prosa inimitável. «Era homem de pouco valor – diz Pinheiro Chagas, que fora um político extremamente faccioso – mas que apezar d’isso soubera praticar um acto de generosidade, escondendo em sua casa António Rodrigues Sampaio quando era perseguido pelo governo cabralista, que tinha em Sá Vargas um dos seus mais dedicados esteios. Sampaio nunca esqueceu esse acto cavalheiresco de um homem que não tinha o habito de os praticar» (923). Na pág. 465 deste tomo algo fica dito acerca do pouco crédito que merecem algumas informações de Pinheiro Chagas. Em A Franco-Maçonaria e a Revolução pelo padre Francisco Xavier Gautrelet, tradução do francês pelo conde de Samodães, precedida de um Proémio do tradutor a respeito da «Maçonaria Portuguesa», Porto, 1873, diz-se nesse Proémio que José Marcelino de Sá Vargas era mação com o grau (922) CHAGAS, Pinheiro – Diário do Governo de 21 de Janeiro de 1867. (923) Dicionário Popular, artigo «Vargas (José Marcelino de Sá)». Ver também O Primeiro de Janeiro de 1 de Março de 1907.

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33 ou cavaleiro Kadoschi. A mesma afirmação temos visto em livros e publicações impressas com listas de mações. VARGAS (Mateus Barreira Loução) – De Chaves, cunhado de Jácome de Vargas Carneiro, «morto no assalto de Valença de Alcântara», foi provido em 1665 na reitoria da Carragosa, concelho de Bragança. VAR(E)JÃO (Frei António) – Nasceu em Moncorvo, professou na ordem de S. Domingos, mestre de teologia no convento da mesma ordem de Évora. Escreveu: Primeira parte da dialecta, em latim. Évora, 1627. Paraíso da alma, de Alberto Magno. Tradução do latim «em boa e vernacula linguagem» (924). Lisboa, 1636. 8.º de XI-158 págs. numeradas só de frente. Obra rara. VASCONCELOS (Bernardo Tomás de Gouveia e) – Capitão, que militou na revolta de Bragança contra os franceses em 1808 (925). VASCONCELOS (Carlos José Botelho de Sousa e) – Nasceu em Almeida em 1804 e faleceu em Felgueiras, concelho de Moncorvo, em 1875; era filho do marechal-de-campo José António Botelho de Sousa Vasconcelos. Em Felgueiras, onde Carlos José Botelho estabeleceu residência, desde muito novo, num rico casal pertencente a sua família, dedicou-se ao ensino das disciplinas que então constituíam o curso de humanidades – hoje preparatórios liceais – no que era exímio, sendo avultado o número de estudantes que habilitou e todos unânimes em lhe reconhecerem grande competência. Sendo já de avançada idade, contraiu matrimónio, mas não deixou sucessão. Escreveu: Sermão de São Martinho. Consta de facécias burlescas alusivas às festas báquicas, cheias de tradições etnográficas, com que o povo comemora o dia 11 de Novembro, consagrado a este santo. VASCONCELOS (Francisco Botelho de Morais e) ou só Francisco Botelho de Vasconcelos – Nasceu em Moncorvo; ignora-se o dia, mas foi baptizado a 6 de Agosto de 1670 (os baptizados, como atrás referimos, regulavam então por oito dias após o nascimento) e faleceu em Salamanca, Espanha, em 1747. Era filho de Francisco Botelho de Morais (ver o respectivo artigo) e de D. Beatriz (outros dizem Brites) Vasconcelos Saraiva; neto paterno de Paulo (924) CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular, artigo «Varjão», e SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico . (925) Ver tomo I, p. 131, destas Memórias.

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Botelho de Morais, cavaleiro da ordem de Cristo, e de D. Isabel Coelho; bisneto de Francisco Botelho de Matos, que em África, segundo o uso do tempo, foi armado cavaleiro pelo seu parente Francisco Botelho, capitão-general de Tânger, e de sua prima D. Luísa de Morais, filho de Pedro Botelho de Matos, cavaleiro da ordem de Santiago, e de D. Helena de Morais, filha de Fernando de Morais, secretário de Estado de Filipe II, no conselho de Portugal, e quarto neto de Estêvão Mendes de Távora, senhor do Vimioso. Pelo lado materno não é menos nobre a sua ascendência, e o irmão primogénito do nosso biografado desfrutava em Moncorvo dois opulentos morgadios. Desde tenra idade foi para a companhia de um tio em Madrid, onde fez a sua educação literária, regressando depois a Portugal, sendo então agraciado por D. João V com o hábito de Cristo em atenção aos seus méritos literários. Viajou pela Europa; esteve em Roma; voltou a Portugal e desgostos vários passados na corte obrigaram-no a regressar a Moncorvo, onde viveu retirado numa sua quinta, em casa por ele mandada edificar pelos anos de 1730, conforme escreveu Bernardino Pereira de Arosa, cavaleiro da ordem de Cristo, natural de Moncorvo, na Notícia, que anda adjunta em algumas edições de El Alfonso. Foi secretário do embaixador a Roma, marquês de Abrantes, em 1711. As suas obras gozaram de grande aceitação no seu tempo, e mesmo hoje não desmerecem totalmente – diz Inocêncio F. da Silva – por sua originalidade e por mostrarem bem claramente o engenho de seu autor. Escreveu em castelhano: El nuevo mundo. Poema heroico, con las alegorias de D. Pedro de Castro, caballero andaluz. Barcelona, 1701. 4.º de XXVIII-476 págs. Consta de dez livros ou cantos em oitava rimada. Tem por assunto a descoberta da América por Colombo. Deste fez-se 2.ª edição em Madrid em ano incerto (926). El Alfonso del caballero Don Francisco Botelho de Moraes y Vasconcelos. Dedicado a la Majestade de D. Juan el V, rey de Portugal, etc. Paris, 1712. 12.º grande de 365 págs. A segunda edição deste livro fez-se em 1731 na cidade de Salamanca, em 4.º com este título: El Affonso, o la fundación del reino de Portugal, assegurado y perfecto en la conquista de Lisboa. Poema épico. Dirigele su autor a la presencia de la serenissima Doña Maria, princeza de las Asturias, etc. Com XX-284-VIII págs. Fez-se terceira edição em 1737. 8.º de 386 págs.; tem o título igual ao da segunda e traz no fim uma sátira em latim que não vem nas outras. Estas três edições diferem notavelmente por causa das modificações que sofreu o poema, que na primeira consta de doze cantos em oitava (926) TAVARES, José Augusto em A Torre de Moncorvo de 5 de Outubro de 1903.

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rimada e nas outras apenas de dez. O autor da Biblioteca Lusitana ainda menciona outra edição feita em 1716 que ficou incompleta. A propósito desta obra diz o Mapa de Portugal: «O autor teve furor e enthusiasmo poetico de grande elevação e especie maravilhosa. O seu poema epico intitulado El Affonso, feliz imitação de Lucano, enobreceu a lingua castelhana, acreditou o parnasso, a nação e o autor, pois por elle mereceu que D. João V lhe fizesse mercê do habito de Christo com uma pensão na commenda de Folgosinho, valendo-lhe mais esta benignidade do soberano, do que se o mesmo Apollo coroasse o autor de louro. Alguns legisladores da poetica lhe fizeram varios reparos sobre a contextura, maquina e artificio do poema, a que elle talvez respondeu no “Prologo” da ultima impressão. D. Ignacio de Luzan, na sua Poetica, livro IV, nota de impropriedade n’este poema, que os anjos assaltem as muralhas de uma cidade, pois isto era empenho proprio do heroe e de seus soldados. Maior critica e mais rigorosa é a que lhe faz o autor do Verdadeiro Methodo de Estudar, Luiz Antonio Verney, tomo I, pág. 269, onde diz que este poema não tem artificio algum de epopêa, que as fabulas são affectadas e com bastantes inverosimilidades, que os versos são duros e que em todo o poema reina uma escuridão insofrivel» (927). Historia de las cuevas de Salamanca. Salamanca, 1734. 8.º É uma espécie de romance; dele diz o Mapa de Portugal: «Esta producção, segundo a intelligencia do autor, era muito do seu agrado, como filho gerado na sua velhice e filho travesso e faceto que muito o fazia rir. A verdade é que similhante obra bem indica o genio e engenho do autor fecundo e erudito» (928). Um exemplar desta obra em espanhol que vimos tinha este título: Las cuevas de Salamanca registradas, y descritas por el caballero... y dedicadas por el mismo al preclaro y mas que heroico Amadis de Gaula. Salamanca, sem ano de impressão, mas as licenças para se imprimir são de 1732. No fim diz que a segunda parte desta obra já estava composta e que se ia imprimir brevemente. Joaquim Manuel de Araújo Correia de Morais, professor de filosofia no liceu de Santarém, deixou impressa a seguinte obra: História das covas de Salamanca, do cavaleiro Francisco Botelho de Morais e Vasconcelos, cronista-mor dos estudantes, trasgos e feiticeiros, abreviada e traduzida em português. Coimbra, Imp. da Universidade, 1838. 8.º Discurso político, histórico e crítico, que em forma de carta escreveu a certo amigo, passando deste reino para o de Espanha, sobre alguns abusos que notou em Portugal. Lisboa, por Francisco Luís Ameno, 1752. 4.º de 22 págs. Pela data da impressão parece ter saído póstumo. (927) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal…, «Escritores», tomo II, p. 310. (928) Ibidem, p. 339.

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Carta de Francisco Botelho de Vasconcelos a seu primo, acerca do poema «El Alfonso». Compreende nove folhas. Deixou escritas mais outras obras mencionadas na Biblioteca Lusitana (929). Inocêncio refere como deste autor algumas anedotas que bem provam o seu grande espírito; duas para amostra: numa das suas vindas a Lisboa encontrou-se com o conde da Ericeira, D. Francisco Xavier de Meneses, autor da Henriqueida. Este ilustre fidalgo tinha-se em conta de grande poeta e perguntou a Botelho: «Que dizem de mim lá em Castela?» «Que sois um grande cá de Portugal» – volveu-lhe Vasconcelos. «Não digo isso – objectou-lhe o conde –; falo a respeito dos meus versos». «Ó! isso é cousa em que ninguém fala!» – tornou-lhe o nosso biografado. Quando ofereceu El Alfonso a D. João V, o monarca, como fica dito, fez-lhe mercê do hábito de Cristo; porém, como lhe não pagassem a pensão, Botelho não fez caso do hábito, e aparecendo um dia sem ele no Paço perguntou-lhe el-rei por que o não trazia. «Para ser cireneu, volveu-lhe o poeta, é preciso que me paguem». O Sumário da Biblioteca Lusitana atribui-lhe mais estas obras: Loa para la comedia, etc. Lisboa, 1709. 4.º Tres Hymnii in Laudem Beati Joanni a Cruce. Romae, 1715. 4.º Poema en loor de S. Juan de Sabagun. Gratas expresiones a Clemente XI. Luca, 1716. Panegírico historial da família de Sousa. Córdova. Relação de como se ensinam em Salamanca as três línguas. Vida de um sargento-mor de dragões. Pinheiro Chagas (no Dicionário Popular, artigo «Vasconcelos») acha que este escritor «disfructou no seu tempo uma reputação, que não nos parece extremamente justificada», e quanto às anedotas, que lhe atribuem, diz que «denunciam antes um malcreado, ou um jogral, ou um pedante, do que um d’esses cortezãos de agudo engenho e de esmerada cortezia, que eram por esses tempos a gloria e o encanto da côrte de Paris, e que tambem o seriam da de Lisboa». Satyranom equitis Domini Francisci Botello de Moraes et Vasconcellos, liber unicus. 8.º de 55 págs. seguidas de Notae doctoris Domini Joannis Gonzalez de Dios, in Salmanticensi Academia primarii Humaniorum Literarum Magistre. Estas notas vão de pág. 55 até além da 101, pois ao exemplar que vimos faltavam as restantes. Do Discurso político, histórico e crítico, atrás mencionado, extraímos as seguintes notas, por conterem espécies interessantes:

(929) SILVA, Inocêncio F. da – Dicionário Bibliográfico .

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«Meu amigo. Como Vossa Mercê pela minha mão remeteo ao Lente de Prima de Leys da Universidade de Salamanca huns livros de outro Lente da Universidade de Coimbra, me parece da minha obrigação, e de boa amisade avisar a Vossa Mercê, que determino passar a Salamanca. Poderia ser, que o Lente de Prima Português, amigo de Vossa Mercê, ou Vossa Mercê mesmo quizessem alguma cousa para aquella Cidade, e nenhum portador será mais effectivo, e mais affectuoso do que eu. Devera ser breve esta carta, por ser expressão de despedida. Porém peccará em dilatada, porque na nossa Provincia, de donde quero sair, estranhey algumas cousas; e como não careceria de culpa insinuallas fóra do Reyno, é melhor dizellas a Vossa Mercê: sendo muito dificultoso, que depois de apprehendidas as tenha em silencio, quem como eu gosta da conversação. Estando contente e respeitado em Madrid, onde passey a melhor parte da minha vida, voltey a Portugal ao principio da guerra passada. E estando da mesma sorte em Salamanca, onde assisti cinco annos, deixey as minhas commodidades, e o meu gosto, quando pelos actuaes rumores, e prevenções militares, se me representou indecorosa a minha permanencia em Castella. Em ambas occasiões imitei a meu avô Paulo Botelho, o qual de ordem de Filippe IV marchava a Catalunha, commandando um regimento de Infantaria (então se chamavão Terços); e tendo noticia da Acclamação do nosso grande Rey D. João IV, se restituio a Portugal, e nelle não desajudarão a publica felicidade a sua Pessoa, e o seu Regimento. De sorte que duas vezes o nosso Reyno me causou os prejuizos de me desterrar das Nações estrangeiras para o nosso Reyno. Digo prejuizos, mas não violencias; pois amando com a mais exacta fidelidade ao meu Rey, e á minha Patria, seguem sem repugnancia aos impulsos da minha obrigação as resignações do meu animo. Nestas jornadas, e outras, passey pela Torre de Moncorvo, onde nasci, e onde tenho algumas fazendas; e foy o meu primeiro cuidado ser util aos meus Compatriotas em tudo o que me fosse possivel. Achey-os discordes, e desapplicados, e para o remedio os juntava em uma casa de campo, que edifiquey, e onde vivi alguns meses. Alli lhes dava abundantes merendas, em que com muita reiteração nos acompanhou o Senhor de Villa Flor. Fundey também uma Academia dos Unidos, dizendo-lhes, que assim havião de chamar-se, e assim havião de ser. Pelos estatutos da referida Academia deputey dias, em que devião escrever em prosa, e verso papeis eruditos, e discretos; dias em que se exercitassem no manejo dos cavallos; e dias para o exercicio da Musica, e Dança. Estes empregos, como louvaveis, nobres, e convenientes, se aprendem fóra de Portugal, e na mesma Italia em Collegios dirigidos por sujeitos do mayor talento, e das mayores virtudes. Tambem intentey, e não sem difficuldade consegui, que se renovasse a deixada imagem da equestre batalha entre duas oppostas Nações, que vulgarmente chamamos MouMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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risca, festejo antiquissimo, em que já Virgilio deu adulto louvor á idade não adulta do seu Ascanio. Passando eu a Salamanca, fizeram os meus Patricios se pozesse na gazeta de Portugal, que era de outro a minha Academia; ingratidão de que facilmente me esqueci, pois o mundo me sabe o nome com estimação, sem que para a conseguir me fosse necessaria a gazeta de Portugal, ou o titulo de Fundador da Academia da Torre de Moncorvo. Esta ultima vez, que vim á minha Patria, estavão os meus Patricios adormecidos de novo em outra desapplicadissima inacção. E desejando eu, que daquelle nada tornassem a sahir à luz, lhes trouxe á memoria, que a Torre de Moncorvo se fez conhecida (entre outras boas qualidades) pelos seus genios festivos. Disse em Lisboa huma das mayores Pessoas do Reyno, que não havia festa comparavel a hum dia de S. João da Torre de Moncorvo, com Mourisca de manhã, e Comedia de tarde. E como hoje, pelos marciaes aprestos, faltão os cavallos, aconselhey á Nobreza da Nossa Villa, que sem deixar a Dança, e a Musica, se não dedignasse das applicações á Comedia. Tambem me admirou ver na Torre de Moncorvo, povoação de pouco mais de trezentos visinhos, caibão, vivão, e se acommodem sessenta e uma pessoas occupadas no ministerio judicial, ou administração da justiça». VASCONCELOS (Joane Mendes de) – O eterno descontente, como lhe chamou Pinheiro Chagas, que gozava de grande fama de hábil general e mais tarde a perdeu governando as armas da província do Alentejo. Era natural de Évora, mas tinha uma quinta perto de Chaves, onde residiu algum tempo. Governou desde 1652 até fins de 1656 a província de Trás-os-Montes, passando a seguir para o mesmo governo da do Alentejo. Na nossa província sucedeu-lhe António Jaques de Paiva, mestre de campo, cujo governo durou mais de um ano, se bem que D. Rodrigo de Castro fosse logo nomeado como sucessor de Joane Mendes, mas não veio tomar conta (930). No Museu Regional de Bragança há uma carta de Joane Mendes de Vasconcelos ao cabido de Miranda, datada de 28 de Abril de 1651, por onde se vê que já a essa data ele era governador das armas da nossa província. Vem dela extracto na pág. 538 do IV tomo destas Memórias, em nota; ver também o tomo I, págs. 84, 92, 94 e 95. VASCONCELOS (Joane Mendes de) – Marechal-de-campo. Nasceu em Lisboa nos meados do século XVIII e faleceu em Moncorvo a 3 de Julho de 1829. Tinha apenas dezassete anos de idade quando foi feito alferes da guarda do marquês de Pombal; dali passou ao regimento de cavalaria nº

(930) MENESES, Luís de – Portugal Restaurado, livros X, XI e XII.

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11, onde serviu e foi comandante. Sendo marechal-de-campo e vivendo retirado em Almeida, em 1808 levantou naquela vila o grito da Restauração. Em 1823 acompanhou D. João VI a Vila Franca de Xira; em 1827 foi nomeado governador das armas da província de Trás-os-Montes, mas seguindo as ideias do partido absolutista, emigrou para Espanha (931). VASCONCELOS (Doutor José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo e, literariamente, doutor José Leite de) – Médico pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1886, antigo delegado de saúde e médico municipal do Cadaval, antigo professor do Curso Superior de bibliotecário-arquivista e conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa, lente aposentado da Faculdade de Letras da mesma cidade, sócio de várias associações científicas e literárias nacionais e estrangeiras, fundador e antigo director do Museu Etnológico Português, profundo filólogo, etnólogo e arqueólogo e um dos maiores polígrafos e eruditos contemporâneos. Nasceu em Ucanha, concelho de Mondim da Beira, a 7 de Julho de 1858; filho de José Leite Pereira de Melo Cardoso e Vasconcelos e de D. Maria Henriqueta Leite de Vasconcelos Pereira de Melo, ambos de nobre estirpe. É enorme a bibliografia deste erudito e profundo escritor, que os curiosos poderão ver no Dicionário Bibliográfico, tomo XIII, e em outras publicações da especialidade. Com referência ao distrito de Bragança, além de vários artigos em publicações esparsas, tem escrito: O dialecto mirandês. Porto, Livraria Portuense, Editora, 1882. 8.º gr. de 40 págs. Esta obra obteve prémio no concurso filológico da Sociedade das Línguas Românicas de França em 1883 e foi favoravelmente apreciada pelo doutor Hugo Schuchardt in Literaturblat für Germ. und Roman Philologie, 1883, págs. 108 a 112; por E. Teza, in Recensioni, etc., págs. 182 e 183, e por G. Titré in Arch. per le Trad. prop., etc.; in Boletín de la institución libre de enseñanza de Madrid, VII, págs. 108 e 109 e in Revue des langues romanes, XXIV, págs. 17 a 19 (932). Línguas raianas de Trás-os-Montes – Sucintas notas filológicas. I – Notícia das línguas de Riodonor e Guadramil. II – Observações sobre o dialecto sendinês. Porto, Tip. de A. J. da Silva Teixeira, 1886. 8.º de 15 págs. Flores mirandesas. Porto, 1884. Livraria Portuense de Clavel & C.ª 8.º de 40 págs., compreendendo poesias em mirandês e notas glotológicas. Traz em mirandês a versão das oitavas XX e XXI do canto III dos Lusíadas. Com (931) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Botelho e Vasconcelos (José António)». (932) Dicionário Bibliográfico, tomo XIII.

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vista aos camonianos, pois esta menção não se encontra no Dicionário Bibliográfico. Estudos de filologia mirandesa. Lisboa, Imp. Nacional, 1900. Dois vols. in-8.º gr. de XIX-488-344 págs., com duas cartas geográficas e, no frontispício de cada um, uma gravura comemorativa do quarto centenário do descobrimento da Índia. Silva mirandesa (Separata da Revista Lusitana, vol. VII). Porto, Tip. de A. F. Vasconcelos, Suc., 1903. 8.º gr. de 23 págs. Contém notas filológicas, biográficas, etnográficas, canções e contos populares e uma notícia da área em que se fala o mirandês. VASCONCELOS (Lourenço Carneiro) – Natural de Moncorvo. Seu capitão-mor e governador de Freixo de Espada à Cinta. Nasceu em 1663 e faleceu em 1732. Escreveu: Poesias várias (manuscrito). 4.º Tratado de boa amizade. Tradução do francês (933). VAZ (Alexandre Pinto da Fonseca) – Secretário-geral do Governo Civil do Distrito de Leiria (934), de onde foi apresentado governador civil do de Bragança por decreto de 12 de Março de 1860, tomando posse a 20 de Junho seguinte. VAZ (Padre Amaro) – Jesuíta, natural de Moncorvo; filho de António Vaz e de Inês Gomes. Faleceu pelos anos de 1640. Professou em Portugal, indo depois para o convento da sua ordem, no Maranhão (Brasil). Entrando os holandeses nessa província e pretendendo profanar a sagrada hóstia conservada no sacrário, o virtuoso sacerdote acudiu diligente a consumi-la, «do que indignados os herejes o mataram, partindo-lhe a cabeça junto ao altar pela qual razão se venera como martyr» (935). VAZ (D. Domingas de Jesus) – Primeira abadessa do Recolhimento do Loreto, em Bragança, fundado a 5 de Agosto de 1794 pelo bispo desta diocese D. António Luís da Veiga Cabral e Câmara; nasceu em Dine, concelho de Vinhais, a 31 de Agosto de 1764, filha de Francisco Vaz e de Isabel Afonso. Tornou-se notável pelas sobrenaturalidades e vida ascética sobrevindo nela os êxtases e estigmas das chagas de Cristo, que se lhe abriam nas (933) Sumário da Biblioteca Lusitana. (934) Diário do Governo de 12 de Abril de 1860. (935) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa.

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mãos, pés, lado e face, como a S. Francisco de Assis, em determinados dias. Acusada de ilusa e de fingimento no seu extraordinário proceder com o fim de iludir a boa fé do bispo fundador, foi presa à ordem da Inquisição, bem como a sua colega Maria de Jesus, também chamada Maria Manuela, primeira abadessa do Recolhimento da Mofreita, concelho de Vinhais, a 20 de Fevereiro de 1797, sendo transferidas para os cárceres inquisitoriais de Coimbra, condenadas por ilusas e fingidas e as sentenças lidas na Sé de Bragança e na igreja da Mofreita por ordem do Santo Ofício (936). Estiveram alguns anos encerradas na prisão celular do castelo de Lisboa, sendo depois transferidas para um convento de religiosas de Coimbra, de onde, por último, foram chamadas para o palácio real por D. Carlota Joaquina, mulher de D. João VI, em 1822, que, conhecendo as suas grandes virtudes, se submeteu à direcção espiritual de Domingas de Jesus Vaz, nos braços da qual expirou em 1830, vindo também ela a morrer no mesmo palácio real (onde continuou a residir) com opinião de santidade, a 17 de Setembro de 1837 (937). Depois, a 20 de Maio de 1819, as religiosas deixaram o Recolhimento do Loreto e foram residir para Fornos de Ledra, onde se conservaram até à vinda da República em 1910, que extinguiu o instituto confiscando-lhe os bens. O padre Bernardo Rodrigues de Sarzeda, capelão do Recolhimento do Loreto, escreveu a vida de Domingas de Jesus Vaz. VAZ (Padre Francisco Manuel) – Nasceu em Bragança a 21 de Junho de 1852 e aqui faleceu a 9 de Setembro de 1918. Era filho de Manuel António Vaz e de D. Isabel Maria da Conceição. Cursou as aulas do liceu em Bragança e depois em Cernache do Bonjardim, completando os estudos teológicos em que obteve accessits (938). Regeu a cadeira de latim e latinidade desde 1874 a 1875 em Cernache, sendo ainda estudante de teologia, no impedimento do professor efectivo padre João Domingos Fernandes. Concluído o curso teológico em 1874 e ordenado presbítero em Maio de 1875, foi missionar para a África, de onde, concluído o tempo de missionário a 22 de Março de 1886, voltou a Portugal, vindo residir para Bragança. Por decreto de 17 de Abril de 1890 foi despachado professor para as disciplinas do 3.º grupo (geografia, história e filosofia) do liceu de Bragança, depois de brilhantes provas dadas em concurso público, regendo já interi-

(936) SAMODÃES, conde de – Monumento à memória de D. António Luís da Veiga Cabral e Câmara, bispo de Bragança, 1889, p. 175. (937) Ibidem, p. 175, 189 e 204. (938) Diário de Lisboa de 31 de Agosto de 1872.

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namente desde 1886 as cadeiras de física, química e história natural no Seminário Diocesano, para onde, em 1 de Outubro de 1889, foi nomeado professor efectivo. Também desde 1880 a 1885 foi professor de preparatórios no colégio de Cernache do Bonjardim. Traduziu do francês, além de alguns fascículos de A obra da Santa Infância da Propaganda da Fé, publicados em Lisboa, quando estava em Sernache, mais o seguinte: Os Esplendores da Fé – Acordo perfeito da Revelação e da Ciência da Fé e da Razão pelo Reverendo Moigno. Porto, 1889-1891, Tip. de António Dourado. Quatro vols., 8.º francês, de 209 págs. e 157 de apêndice e índice (vol. I); 756 págs. e 134 de apêndice e uma de erratas (vol. II); 702 págs. e 109 de apêndice e índice e uma de erratas (III), e 650 (IV). Além disso, o primeiro volume compreende mais XXIII págs., parte numeradas e parte sem numeração, onde vem a dedicatória do tradutor a três dos seus companheiros de missão, um dos quais foi o finado bispo do Porto, D. António José de Sousa Barroso. Neste trabalho ajuntou o autor ao texto notas de muito merecimento. Estudos filosóficos. Porto, 1897, Tip. de José da Silva Mendonça. Dois vols., 8.º francês, de 463-508 págs. e em cada volume uma de erratas. Reforma da instrução secundária. Porto, Tip. de José da Silva Mendonça, 1900. 8.º de 29 págs. O Ano Cristão ou Exercícios devotos para todos os dias do ano pelo Padre João Croiset da Companhia de Jesus, trasladado a castelhano e adicionado com mais algumas vidas dos santos e com o Martirológio pelos Padres José Francisco de Isla da mesma Companhia e D. Justo Petano. Porto, 1886, Empresa de Obras Populares Ilustradas. 2.º vol., de IX (inumeradas)-738 pág., in. 4.º – 3.º vol. Porto, 1887. Editor António Dourado. 4.º de VI (inumeradas)-624 págs. – 4.º vol. Porto, 1888. António Dourado, Editor. 4.º de 571 págs. 5.º vol. Porto, 1889. O mesmo editor. 4.º de 537 págs. O primeiro volume foi traduzido por Dias Freitas, professor no colégio da Formiga. Jubileu sacerdotal de Leão XIII – Discurso proferido na cidade de Bragança por ocasião dos festejos para solenizar naquela diocese o quinquagésimo aniversário da ordenação sacerdotal de Sua Santidade Leão XIII. Porto, Tip. de A Palavra, 1887. 16.º de 31 págs. Anuário do Liceu Nacional de Bragança – Ano escolar de 1909-1910. Porto, Tip. Mendonça, 1910. 8.º de 61 págs. Respeita à sua gerência de reitor no mesmo estabelecimento de ensino. Foi o padre Francisco Vaz o fundador em Bragança da Conferência de S. Vicente de Paulo, que tantos benefícios tem dispensado à pobreza envergonhada da terra e é ainda hoje o seu sustentáculo (ver o Nordeste de 22 de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Março de 1899), e a sua caridade levava-o a ir um dia por semana a ensinar a doutrina cristã aos presos da cadeia. Colaborou na Gazeta de Bragança, Nordeste, Novidades e O Primeiro de Janeiro e em várias outras publicações. Francisco Manuel Vaz, apesar de estudar preparatórios no liceu de Bragança e ainda frequentar teologia no seminário da mesma diocese, foi concluir esta no colégio de Cernache, onde se ordenou de presbítero, e sendo mandado para a missão de Moçambique, lá se apresentou em princípios de Outubro de 1875. Ali foi nomeado examinador sinodal e capelão do hospital, ao tempo militar, da mesma cidade, onde também foi professor de ensino livre e catequista dos presos. Mas sucedendo enterrar-se um mação no cemitério público, Francisco Vaz protestou e reclamou do bispo as providências que os cânones recomendam ou, pelo menos, a declaração de que o cemitério ficava poluto, encontrou como resultado ser desterrado dentro de quinze dias para Chiloane, onde aportou depois de tormentosa viagem, e dedicou-se ao ensino da catequese, abrindo ao mesmo tempo escola mista de instrução primária, que chegou a ser frequentada por setenta e tantos alunos, «o que lhe mereceu elogios no Boletim Provincial pelo muito zelo empregado na instrucção». Após dois anos e alguns meses de paroquialidade em Chiloane, foi transferido para Inhambane, onde continuou as mesmas ocupações. O denodo com que ali atacou Caldas Xavier, encarregado das obras públicas, que dera a igreja onde o padre Vaz devia celebrar actos do culto como perigosa para isso, por causa de uma fenda que abrira no arco cruzeiro, facto em que ele via intenções de o incomodar, pois não havia outra igreja a menos de dois quilómetros e a fenda não ameaçava ruína iminente, valeu-lhe certa popularidade posta em relevo pelo seu bom comportamento e notáveis qualidades de jornalista, evidenciadas num periódico de Quelimane, onde tundia Caldas Xavier e outros com uma energia e desassombro tais que aquelas regiões, acostumadas a governos despóticos, não estavam habituadas a ver. O padre Francisco Vaz aproveitou esta popularidade para apresentar a sua candidatura a deputado por aquele círculo eleitoral, que a vingar seria um benefício para a região, mas o governador, F. Maria da Cunha, conseguiu a sua transferência imediata para Moçambique, onde aportou a 27 de Agosto de 1885, depois de uma viagem de tormentas, privações, fome e frio, à qual, para que nada faltasse de horroroso, veio juntar-se o ciclone de 16 de Janeiro de 1880. Em Abril deste ano deixou Moçambique e veio para Portugal, sendo pelo superior do colégio, bispo Martens Ferrão, nomeado professor de preparatórios, onde esteve até Julho de 1885. Entretanto, a 31 de Maio deste MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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ano, tomara posse como superior daquele estabelecimento de ensino o doutor-cónego António José Boavida, que iniciou o seu governo por uma série de contrariedades ou, melhor dizendo, perseguições, tendentes a desgostar os bragançanos que há muito haviam honrado a casa como membros do seu corpo docente (939). Francisco Vaz, apesar de só lhe faltarem seis meses incompletos para concluir o tempo da missão, teve de voltar a ela e indo para S. Tomé exerceu ali o cargo de vigário capitular, onde também teve desinteligências com o governador Custódio de Borja, que, não podendo suportar o zelo com que o padre Vaz olhava pelas coisas e interesses eclesiásticos, conseguiu que o ministro da Marinha descarregasse sobre ele uma portaria de censura, que em vista da atitude patriótica que Vaz tomou na questão do protectorado de Daomé, vergonhosa farsa da nossa incompetência administrativa colonial, podemos considerá-la de suma honra. Como houvesse falta de clero em S. Tomé, exerceu ali o cargo de pároco e, desejando ser útil à instrução, abriu na sua residência uma escola que regeu gratuitamente. A 22 de Março de 1886 saiu de S. Tomé e voltou a Portugal, tendo findado o seu tempo de missionário, cujo desempenho naquela província foi elogiado por uma portaria do seu superior hierárquico, na qual se lê: «O louvamos pelo interesse e zelo que ali tomou pelas cousas da religião e o recommendamos aos Ex.mos e Rev.mos Snrs. Prelados Diocesanos como sacerdote de bons costumes, de probidade e intelligencia» (940). VEIGA (Augusto Manuel Alves da) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso com distinção em 1874. Nasceu em Mirandela em 1850; era filho de abastados lavradores naturais de Izeda, concelho de Bragança. Enquanto estudante deu sempre provas de grande inteligência e dedicação ao estudo, obtendo as classificações devidas aos seus méritos provados. Era nesta época muito dado a estudos filosóficos e mitológicos, de que é modelo um trabalho escolar, publicado quando frequentava o terceiro ano do curso, e no qual se mostra favorável à doutrina de Kant. Foi por essa mesma ocasião que fez a sua profissão de fé republicana, tendo redigido um semanário intitulado República Portu-

(939) Padre Francisco Manuel Vaz e padre Camilo da Fontoura, naturais de Bragança; padre António Caetano Vaz Pereira, natural de Parada, concelho de Bragança, e padre João Domingos Fernandes, natural de Varge, do mesmo concelho, coexistiram como professores de inexcedível competência no colégio de Cernache do Bonjardim. (940) TEIXEIRA, Cândido da Silva – O colégio das Missões em Cernache do Bonjardim, p. 89, onde pode ver-se mais por extenso o serviço deste nosso distinto missionário.

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guesa, em que também colaboraram: Magalhães Lima, Alves Morais, Lopes de Melo, Álvaro de Mendonça, Almeida Ribeiro (ainda estudantes), Manuel de Arriaga, Silva Pinto e Álvaro Coutinho (Alves de Morais e Álvaro de Mendonça têm biografia neste livro). No começo da sua vida de estudante redigiu igualmente um periódico chamado O Liceu. Concluído o curso, foi estabelecer banca de advogado no Porto, onde casou e leccionava as disciplinas do liceu. Dedicou todos os sacrifícios à propaganda republicana, para cujo fim fundou a Discussão, que durou pouco tempo. Nem uma hora sequer deixou de cumprir o seu dever de democrata sincero e devotado. Orador eloquente, tomou parte em quase todos os comícios e reuniões que por esse tempo se realizaram no país. A sua palavra era escutada religiosamente e aplaudida como a de um apóstolo. Em 1875 e 1876, quando fixou a sua residência no Porto, foi um dos redactores da Actualidade, jornal que se publicou para se fundar o Centro Eleitoral Republicano, e na lista do governo provisório da República figura o seu nome. No extinto regime propôs-se como deputado republicano, mas perdeu a eleição. Quando ardeu o teatro Baquet em 1888 recebeu em sua casa a rainha D. Maria Pia, que foi ver ali uns desgraçados órfãos que ele recolhera. Foi companheiro de Magalhães Lima numa viagem ao estrangeiro em 1890 (questões de maçonaria?). Na revolta de 31 de Janeiro de 1891, de que foi uma das figuras primaciais, leu das janelas da câmara municipal a proclamação do novo governo ao povo. Tendo-se malogrado a revolução emigrou para Paris, onde foi advogado dos consulados portugueses e brasileiros, continuando sempre entregue aos seus estudos predilectos (941). Só regressou a Portugal depois da vitória do ideal por que tão denodadamente combateu. Escreveu: Discurso pronunciado na assembleia geral do Centro Eleitoral Republicano Democrático do Porto, em a noite de 20 de Outubro de 1877. VEIGA (Gaspar Álvares) – Natural de Freixo de Espada à Cinta; professor de latim na Universidade de Salamanca. Escreveu: Comienza el exercicio de principiantes, etc. Salamanca. 1619. (942) 8.º .

(941) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Alves da Veiga», onde vem o seu retrato. Ver o artigo «Cardoso», p. 78 deste tomo. (942) Sumário da Biblioteca Lusitana.

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VEIGA CABRAL (Francisco António da) – Numa nota que nos enviou o erudito investigador Ernesto Augusto Pereira Sales há o seguinte: «A fols. 42 do códice nº 2816 da Biblioteca Nacional de Lisboa, intitulado Papéis do Marechal Böhm, lê-se o seguinte: “Quartel General de Abrantes le 23 de Septembre de 1762. Au major de cavalerie du Ragiment de Bragança Francisco Antonio da Veiga Cabral. Par ordre de Monsg.r le Marechal General. Monseg.r le Marechal General ordenne que vous vous retiriez tout de suite d’ici sur vos terres, ou, si vous n’en avez pas que vous alliez demeurer à quelque endroit au delá de Lisbonne, et que vous ne reparoissiez point à l’armee, durant cette guerre. Au Quart. Gen.al le 23 Septembre 1762”» (943). VELASQUES (Francisco) – No pavimento da Sé de Miranda do Douro há uma campa de granito, brasonada (944), com o seguinte epitáfio: «De. Fran / cisco Vellasq / ... Mestr / e. que foi desta. Sé. 1576.» Supusemos a princípio que se tratasse de algum mestre-escola, dignidade do Cabido, muitas vezes só indicada com o título de «Mestre», o Mestre, nos documentos, dada a estranheza de um mestre-de-obras ter brasão, mas realmente é de Francisco Velasques, mestre(-de-obras) que foi desta Sé (falecido em 1576), que se trata. O Dicionário histórico e documental dos Arquitectos, de Sousa Viterbo, tomo III, pág. 390, traz o epitáfio de João Moreno, mestre que foi da obra desta sé, existente na sua sepultura no mosteiro da Batalha; na pág. 257 traz dois epitáfios em que se dá, num deles, só o título de mestre ao arquitecto sepultado debaixo da campa funerária, e no outro o de mestre das obras do reino, e na pág. 58 transcreve o epitáfio de Júlio Simão, cavaleiro fidalgo da casa de el-rei mestre arquitecto das obras desta Sé [de Goa] e de sua mulher Catarina de Bustamonte e herdeiros (ver o artigo Bustamonte, pág. 54). Também em várias cartas régias e outros documentos, transcritos na mesma obra, se encontra frequentemente o título de mestre das obras de pedreiro, de carpinteiro, etc.; e muitas vezes, como se conclui dos documentos, o título mestre das obras de pedreiro ou de pedraria, é sinónimo de arquitecto (ver artigo Camelo, pág. 74). Velasques era o mestre e empreiteiro que em 1560 trabalhava na obra da Sé de Miranda, e a 9 e 20 de Maio desse ano obteve duas cartas de privilégios, em que el-rei, atendendo à petição de «Francisco Velasques, mestre e êprey-

(943) Ver tomo VI, p. 162, destas Memórias e CHAGAS, Pinheiro– Dicionário Popular, onde se aprecia mui desfavoravelmente Veiga Cabral, mas já no artigo Vargas (José Marcelino de Sá) fica dito acerca dos seus juízos. (944) Ver tomo VI, p. 765, escudo nº 76, destas Memórias.

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VELASQUES

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teiro da obra da Sé da cidade de Mirãda», ordena lhe sejam fornecidos em Miranda os mantimentos necessários, comprados à custa do mesmo mestre, para si e oficiais enquanto a obra durar, e manda ao juiz, vereadores, procurador e almotacés da cidade lhos dêem, sem demora, pelos preços da terra. Pela carta de 20 de Maio, manda el-rei, atendendo à petição de «Francisco Velhasques, mestre da obra da Sé da cidade de Mirãda», que lhe dêem para ele e oficiais casas de aluguer enquanto trabalharem na obra, que pagarão por seus dinheiros (945). Falando desta obra, diz Sousa Viterbo no já citado Dicionário: «A diocese de Miranda foi criada aproximadamente pelo tempo da de Leiria, por conseguinte contemporâneas as duas respectivas catedrais. Esta circunstância é muito importante para a história da arquitectura no nosso paiz, pois o seu estudo comparado nos pode comprovar se elas obedeceram aos mesmos principios técnicos, se havia então um estilo predominante ou se os mestres que as construiram seguiam escolas diferentes. No primeiro volume deste Dicionário, no artigo relativo a Jorge Gomes, aventamos a opinião de que ele seria o primeiro arquitecto da obra, mas temos de reconsiderar e de emendar a mão. De 15 de Dezembro de 1547 existe uma extensa carta assinada pelo bispo e dirigida a Sua Alteza, em que lhe acusa a recepção de uma carta sua com o debuxo da obra, uma e outra cousa trazidas por Gonçalo de Torralva, que parece ter sido o autor desse debuxo e portanto seu primeiro arquitecto. O bispo encarece-o muito e recomenda-o a el-rei como competentissimo para ser encarregado da direcção da obra. Se D. João III acedeu efectivamente ao pedido do bispo não sabemos, pois na correspondência episcopal não tornamos a encontrar vestigios dele. Em carta de 18 de Março de 1548 participa o bispo a chegada de Jorge Gomes com os mestres de pedra e cal e cavouqueiros. Seria este Jorge Gomes o arquitecto que em 1559 estava tirando a planta de Tanger? Quem era Gonçalo de Torralva? Muito provavelmente irmão de Diogo, que foi mestre das obras do mosteiro dos Jerónimos, em Belem, e construtor do belo claustro de Tomar, erroneamente denominado dos Filipes...... Em 1560 era mestre empreiteiro da obra da Sé de Miranda Francisco Velasques ou Velhasques, muito provavelmente espanhol, a quem foram concedidas duas cartas de privilégio» (946) [atrás mencionadas]. No tomo IV, pág. 521, destas Memórias transcrevemos outros documentos, por onde se conclui que nem Jorge Gomes nem Gonçalo de Torralva foram os arquitectos do debuxo (planta) da Sé de Miranda, mas sim (945) VITERBO, Sousa – Dicionário dos arquitectos…, 1922, vol. III, p. 170, artigo «Velasques». (946) Ibidem, vol. II, p. XXI.

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VELASQUEZ

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VENEIROS

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VENTURA

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VERGUEIRO

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Miguel de Arruda (nos documentos lê-se «da Ruda»), famoso arquitecto do mosteiro da Batalha em 1533, irmão de Pedro de Arruda, também não menos notável, e próximo parente de mais quatro arquitectos de apelido Arruda, largamente notificados por Sousa Viterbo (947). Em 1541 e 1543 Miguel de Arruda foi, por missão régia, inspeccionar, como arquitecto, as fortalezas de Ceuta. Traçou o plano da fortaleza de Moçambique, superintendeu nas obras dos paços reais de Santarém, Almeida e Muge e em várias outras obras de valor artístico. VELASQUEZ (Tomás) – Mestre do retábulo do altar-mor da Sé de Miranda, feito pelos anos de 1611 (948). Seria este retábulo aquele que Alonso de Remessal pintou por 255$000 réis pelos anos de 1627 e o «retabolo da Samcristia»? (949). VENEIROS (António Afonso Dias) – Médico, que muito se distinguiu aquando do grito emancipador soltado em 1808 em Bragança contra os franceses (950). VENTURA (José Gonçalves da Costa) – Juiz da Relação dos Açores; faleceu em Lisboa. Havia concluído a sua formatura em direito na Universidade de Coimbra em 1859, entrando na magistratura em 1866. Foi governador civil do distrito de Bragança por decreto de 7 de Abril de 1892, tomando posse dia 16. VERGUEIRO (João Evangelista) – Beneficiado da Sé de Bragança; pelos serviços como presidente da comissão-gerente da Confraria do Santo Cristo do Outeiro, concelho de Bragança, foi nomeado cavaleiro da ordem de Cristo por carta régia de 2 de Maio de 1864 (951). VERGUEIRO (José Alberto) – Tenente-coronel de infantaria. Nasceu em Gebelim, concelho de Alfândega da Fé, a 8 de Dezembro de 1851 e faleceu a 5 de Julho de 1908, na sua residência de Pedrouços, nº 129, em Lisboa. Casou com D. Fortunata Augusta de Sá Vargas, da ilustre família Vargas, de Bragança, de quem falámos nos respectivos artigos. Não deixou descendência. Era filho do capitão-mor de milícias da vila de Chacim, José Manuel

(947) Ibidem, 1922, vol. I, artigo «Arruda». (948) Ver tomo IV, p. 528, destas Memórias. (949) Ibidem, p. 537 e 538. (950) Ibidem, tomo I, p. 130, 131 e 143. (951) Registada no livro nº 8 do Registo maior da Câmara de Bragança, fólio 4 v.

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VERGUEIRO

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Vergueiro (e não João Manuel Vergueiro, como, por lapso, escrevemos no tomo VI, pág. 412, destas Memórias), e de D. Laura Faustina. Foi um oficial muito distinto e possuía larga folha de serviços, tendo sido, por isso, agraciado com a ordem de S. Bento de Avis, com o hábito de S. Tiago, com a cruz da Bélgica de 1.ª classe e com a medalha militar de prata da classe de comportamento exemplar. Fez serviço em Bragança e depois como subdirector da Escola Prática de Infantaria e Cavalaria em Mafra. Em Lisboa foi director da carreira de tiro de Pedrouços, que muito deveu ao seu esforço, inteligência e zelo. Notabilizou-se com a modificação que introduziu na arma Mauser, adoptada no exército com o nome de «Mauser-Vergueiro». VERGUEIRO (Nicolau Pereira de Campos) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1801, deputado, senador, membro da regência provisória e ministro do império brasileiro. Nasceu na «freguezia de São Vicente Ferrer de Valporto, termo de Bragança» (dizem os seus biógrafos; porém, não há tal freguesia, e deve entender-se Vale da Porca, hoje concelho de Macedo de Cavaleiros e então de Bragança) a 20 de Dezembro de 1778 e faleceu a 17 de Setembro de 1859. Em 1802 foi para o Brasil, estabelecendo-se em S. Paulo, onde exerceu a advocacia; mas, casando com a rica paulista D. Maria Angélica de Vasconcelos, filha do capitão José Andrade Vasconcelos, dedicou-se à agricultura, pondo de parte aquela profissão. A revolução do Porto em 1820, que teve eco em S. Paulo, chamou-o à vida política e foi nomeado membro do governo provisório da província, em que prestou notáveis serviços, e depois deputado às constituintes portuguesas, em que defendeu a independência do Brasil, a ponto de não querer assinar a Constituição e de se retirar para o Brasil. Depois de 1822 tomou assento na constituinte brasileira, em que se mostrou liberal avançado, sendo preso após a dissolução desta. Deputado em 1826, primeira legislatura ordinária, manteve-se firme nas ideias liberais anteriormente manifestadas e foi um dos chefes deste partido; foi também senador em 1828 por Minas Gerais. Nicolau Vergueiro foi um dos que tomaram a iniciativa da representação dirigida ao imperador D. Pedro I no dia 17 de Março de 1831 em que pediam a sua abdicação, e realizada esta a 7 de Abril fez parte da regência provisória, juntamente com o marquês de Caravelas e com Francisco de Lima e Silva. Em 1832 foi nomeado ministro do império e em 1840 sustentou energicamente a causa da maioridade de D. Pedro II. Tomou parte em 1842 na revolta de S. Paulo, sendo preso e conduzido para o Rio de Janeiro juntamente com o seu grande amigo padre Diogo MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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VERGUEIRO

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VIANA

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VILA

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VILA NOVA

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António Feijó, mas foi absolvido pelo senado. Em 1847 foi ainda nomeado ministro da Justiça, onde pouco se demorou, devido aos sintomas de ataque cerebral que começaram a manifestar-se-lhe, forçando-o ao abandono das lutas políticas. Consagrou os seus últimos anos ao estudo de diversos sistemas de colonização; dirigiu o curso de direito de S. Paulo desde 1837 a 1842 e teve várias condecorações científicas, literárias e políticas. Durante o seu ministério em 1832 foi publicado o Código Comercial, que era um dos melhores da época. Escreveu uma interessante Memória sobre a fundação da fábrica de São João de Ipanema. Lisboa, 1822. Teve 2.ª edição em 1858 (952). VIANA (Júlio Augusto Petra) – Conselheiro, deputado por Bragança, director do mercado geral dos gados e da Empresa Agrícola do Príncipe. Faleceu em Lisboa, com sessenta e sete anos de idade, a 3 de Setembro de 1928. VILA (António Manuel dos Santos) – Padre e doutor em direito pela Universidade de Lisboa. Nasceu em S. Pedro dos Sarracenos, concelho de Bragança, a 16 de Junho de 1889; filho de Luís dos Santos Vila, 1.º cabo (reformado) da guarda fiscal, e de D. Carlota Joaquina Fernandes, ambos daquela povoação. Fez os estudos liceais em Bragança e os de teologia no seminário diocesano da mesma cidade, ordenando-se de presbítero. Mobilizado para a Grande Guerra, fez o curso de oficiais milicianos e serviço da administração militar e fez parte do Corpo Expedicionário Português à França, onde esteve vinte e dois meses. Foi professor do liceu de Vila Real e nesta cidade fundou, em 1 de Novembro de 1924, o quinzenário Trás-os-Montes, órgão regionalista da província trasmontana, que continua publicando-se. Presentemente exerce a advocacia em Lisboa. VILA NOVA – Em 1794 requereram os moradores de Vila Nova, concelho de Bragança, ao cabido dizendo que a sua igreja matriz de S. Jorge, de que ele era padroeiro, estava indecente e arruínada, e por isso pediam que o Sacramento se transferisse para a capela que eles tinham na povoação, obrigando-se às despesas respectivas, visto o perigo de muitos morrerem sem sacramentos; que o corpo da igreja de S. Jorge (o corpo das igrejas era da conservação e obras dos povos e as capelas-mores dos padroeiros) se lançasse abaixo, conservando apenas a capela-mor, a cuja conservação eles se obrigavam, contanto que o cabido contribuísse com alguma coisa (953). O (952) CHAGAS, Pinheiro – Dicionário Popular, artigo «Vergueiro». Ao doutor Figueiredo, bibliotecário do Instituto Geográfico Brasileiro, agradecemos as informações para este artigo. (953) Museu Regional de Bragança, maço Obras.

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VILA NOVA

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VILARES

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cabido concordou. Dos documentos vê-se que a capela do povo já existia ao tempo e que só neste ano de 1794 é que passou a ter sacrário e conseguintemente a servir de igreja paroquial. VILARES (João Baptista) – Professor primário; nasceu em Sambade, concelho de Alfândega da Fé, a 17 de Novembro de 1888. Fez os seus estudos na Escola Normal de Bragança, que concluiu em 1918, sendo, a 5 de Novembro desse ano, nomeado professor para Gebelim, freguesia do mesmo concelho, passando em Julho de 1921 para a 2.ª cadeira da Póvoa de Varzim, onde se conservou até Setembro de 1924, em que foi transferido para Sambade, sua terra natal. Ainda em 1920 foi nomeado professor da Escola Primária Superior de Macedo de Cavaleiros, mas esta escola não chegou a funcionar. Durante o tempo que frequentou a Escola Normal fundou, com outros alunos, a Associação dos Normalistas, que promoveu diversas conferências feitas por alunos e outras entidades estranhas à Escola e algumas excursões, mas esta Associação acabou após a saída dos seus fundadores. Gebelim deve-lhe alguns melhoramentos: empedramento de ruas; construção de um edifício escolar, ainda hoje por concluir; dotação da escola com diverso material, etc. Ali fundou um clube para instrução e recreio, aonde semanalmente fazia conferências sobre agricultura, higiene rural, etc. Tinha uma orquestra e curso nocturno para adultos; ali se realizaram diversas festas de confraternização entre povos vizinhos e subscrições para melhoramentos públicos. Durou desde 1913 a 1923. Mais lhe deve a criação de uma escola móvel feminina para crianças e mulheres, que funcionou desde 1913 a 1917. Na Póvoa de Varzim promoveu duas exposições de trabalhos escolares de todas as escolas do concelho, precedidas de conferências pedagógicas, e foi sempre o representante do professorado do mesmo concelho nos congressos pedagógicos de Coimbra, Leiria e Braga, bem como presidente do núcleo escolar. Reorganizou também a Caixa de Assistência Escolar para os alunos pobres. Em Sambade promoveu duas récitas teatrais infantis destinadas à compra de material escolar; iniciou uma subscrição pública para reparar a bela igreja paroquial; dirige o núcleo escolar de Alfândega da Fé e é o representante do professorado do distrito junto da União dos Professores Primários de Portugal. Escreveu: Para a história da Traulitânia – Um voluntário da República na defesa de Mirandela. Póvoa de Varzim, 1924. 8.º de 24 págs. Monografia do concelho de Alfândega da Fé. Porto, 1926. 8.º de 285 págs. e uma de índice. É trabalho de valor e interessante. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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VILARES

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VIMIOSO

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VINHAS

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Em 1912 fundou, juntamente com Tito Sendas, inspector escolar, o semanário Escola Trasmontana, impresso em Bragança, que durou apenas alguns meses, e tem colaborado no Comércio da Póvoa de Varzim; Progresso, da mesma vila; Instrução, que se publicou no Mogadouro; Federação Escolar; Professor Primário; Escola Moderna e Trás-os-Montes. VILARES (Manuel José) – Farmacêutico pela antiga Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Nasceu em Sambade, concelho de Alfândega da Fé, em 1815 e aí faleceu em 1905. Auxiliado pelo médico Luís Manuel da Costa Pessoa descobriu um remédio eficacíssimo para a cura das sezões, que nas regiões próximas da Vilariça imperam endemicamente. É conhecido pelo «Remédio de Sambade»; a sua fama estende-se por todo o país e não há exemplo de se aplicar sem produzir a cura dos doentes. Hoje prepara este específico seu filho, o farmacêutico António Manuel Vilares. O médico Pessoa era natural de S. Salvador, concelho de Mirandela, e durante muitos anos exerceu clínica em Alfândega da Fé, falecendo pelos anos de 1894. Há quem diga que a descoberta inicial do famoso remédio partiu do célebre bispo de Bragança D. António Luís da Veiga Cabral e Câmara. Ver a sua biografia no tomo II destas Memórias. VIMIOSO (Frei Gaspar do) – Natural da vila que lhe deu o apelido. Morreu em Zamora, no convento dos Capuchos da província de S. José, a 27 de Fevereiro de 1595. Era já sacerdote e de segunda profissão na companhia jesuítica quando passou à ordem franciscana. Exerceu vários cargos honoríficos na sua ordem, onde se tornou notável pelas penitências extraordinárias que praticava e pelo rigor com que fazia observar a disciplina, o que tudo lhe mereceu ficar a sua memória honorificamente apontada entre os varões de virtude (954). VINHAS (Domingos Bernardo Martins) – Professor das Escolas Primárias Superiores de Bragança, notável pintor, cinzelador e entalhador. São obra dele os desenhos das cento e sessenta e duas pedras de armas que demos no tomo VI, págs. 741 e seguintes, destas Memórias. Nasceu em Ifanes, concelho de Miranda do Douro, a 25 de Fevereiro de 1884; filho de Leonardo da Assunção Vinhas e de D. Genoveva Joaquina Alves Martins. Fez o curso da Escola Normal do Porto, que concluiu em 1902, e o da Escola Industrial e do Comércio. (954) CARDOSO, Jorge – Hagiológio Lusitano, referente ao dia 27 de Fevereiro.

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VINHAS

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VITÓRIA

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WISZYNSKI

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Foi professor em Deilão e em Bragança de ensino primário geral, primário superior e primário normal e em Moncorvo inspector escolar. Tem colaborado: na Pátria Nova, Notícias de Bragança, O Bragançano, Terras de Bragança, O Leste Trasmontano, Educação Nacional, Instrução, O Ensino do Povo, O Jornal da Mulher, A Pátria, de Lisboa, etc. Tem em manuscrito algumas pequenas obras de carácter didáctico. VITÓRIA (Frei Didacus de) – Há dele no Museu Regional de Bragança uma tese filosófico-teológica, em véu de cálix, seda branca, impressa numa só plana, envolta por uma portada profusamente ornamentada com cercadura de águias de duas cabeças coroadas, e no meio, ao alto, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, segundo indica o respectivo letreiro. Salmãtica apud Viduam Luçae Perez Typogr. Vniver. Anno Domini 1693. É interessante como documentação gráfica este exemplar, por mostrar a complicada ornamentação das produções salamanquinas com a singeleza bela das portuguesas.

W WISZYNSKI (Frei Casimiro de São José) – Presbítero, natural da Polónia, onde nasceu a 4 de Outubro de 1700. Fundou o convento da Congregação da Imaculada Conceição em Balsemão, concelho de Macedo de Cavaleiros, falecendo ali a 21 de Outubro de 1755. Era filho de João e de Edwiges Wiszynski, pessoas nobres. Recebeu a ordem de presbítero em 1726 e, depois de exercer vários cargos da sua ordem, veio em 1754 fundar o citado convento. Existe no Museu Regional de Bragança o processo (impresso) para a sua beatificação e canonização, que tem por título: Brigantinen. / Beatificationis, et Canonizationis / Ven. Servi Dei / Patris Casimiri / A S. Josepho Wiszynski / Ordinis sub titulo Immaculatœ Conceptionis / B. V. Mariœ Clericorum Regularium Marianorum Defunctis et Parochis / in Cura Animarum Suffragantium / Ex-Praepositi Generalis. Fólio de 85 págs., sem indicar lugar nem ano de impressão, mas certamente entre 1763 e 1770, pois foi neste ano que se fez o interrogatório das respectivas testemunhas. Este livro, raro, talvez exemplar único, é interessantíssimo, por mostrar os quesitos pelos quais as testemunhas eram interrogadas no caso de canonização. Essas interrogações versavam sobre a Fé, Esperança e Caridade para com Deus e com os homens, Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança e correlativos: sobre os dons sobrenaturais, sobre a sua geral fama de santidade MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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WISZYNSKI

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WREY

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ZAGAL

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ZILHÃO

TOMO VII

e sobre as circunstâncias da última enfermidade e preciosa morte do servo de Deus. Mais compreendiam a fama de santidade depois de morto, a devoção dos fiéis para com a sua memória e a notícia dos milagres praticados. As testemunhas interrogadas foram cento e duas, das quais oitenta e cinco pertencentes à diocese de Bragança. WREY – O brigadeiro Roberto Wrey governava as armas da província de Trás-os-Montes quando Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda foi nomeado governador da cidade de Bragança em 28 de Novembro de 1783 (955).

Z ZAGAL (João Carlos da Costa) – Oficial de infantaria nº 24, que estava na praça de Almeida quando se deu o trágico desastre (956). ZILHÃO (António Manuel) – Nasceu em Carviçais, concelho de Moncorvo, a 12 de Junho de 1849; filho de Manuel António Zilhão, de Carviçais, e de D. Ana Joaquina Massa, de Freixo de Espada à Cinta. Aos doze anos foi para o Brasil, onde serviu como guarda-livros de uma importante casa comercial do Rio de Janeiro e lá faleceu a 25 de Julho de 1921. Escreveu: Os amigos ursos. Camorra política. Erro judiciário ou um crime político. Contém a defesa do português Oliveira Coelho, que matou a esposa a bordo de um navio inglês. Colaborou em vários jornais, assinando alguns artigos com o pseudónimo de «Diógenes de Carviçais». ZILHÃO (Augusto Luís) – Irmão do antecedente, nascido em Carviçais a 1 de Fevereiro de 1861. Aos treze anos foi para Setúbal, seguindo mais tarde para Lisboa, onde se dedicou ao comércio, frequentando ao mesmo tempo a escola normal, cujo curso concluiu em 1884. Em 1888 foi nomeado professor da Escola Central de Lisboa. Escreveu: Noções Elementares de Aritmética, obra aprovada oficialmente para uso das escolas, que conta mais de onze edições e é muito conhecida em todo o país (957).

(955) Livro do registo da Câmara de Bragança, fólios 105 v. e 107. Ver documento nº 57 e tomo VI, p. 720, destas Memórias. (956) Ver tomo I, p. 166, destas Memórias. (957) Ao erudito abade de Carviçais, reverendo José Augusto Tavares, agradecemos as informações referentes a estes dois bragançanos.

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SUPLEMENTO


ABREU

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AFONSO

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AIRES

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ALCOFORADO

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A ABREU (José António de) – Engenheiro, subchefe de serviços da Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses. Nasceu no Parâmio, concelho de Bragança, a 3 de Fevereiro de 1892. É irmão do doutor Alípio Albano de Abreu, apontado na página 1, e autor do Monumento aos Mortos da Grande Guerra erecto no largo de S. Vicente, desta cidade. Ver adiante o artigo Esteves. Fez o curso liceal em Bragança e Porto, bem como o de engenharia nesta última cidade, concluindo-o em 1919 com atraso de dois anos por tomar parte na conflagração europeia. Foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa e secretário de um ministro, exercendo as funções de chefe de gabinete. AFONSO (Simão) – Há dele uma tese de direito canónico, defendida no seu 5.º ano, de seda branca, em véu de cálix, impressa em três planas e dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Conimbricæ: apud Franciscum de Oliveira Univers. et. S. Offic. Typ. Anno Dñi. 1738, cum Facultate Superiorum. AIRES (António Augusto) – Doutor em medicina veterinária pela Escola Superior de Lisboa. Nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 29 de Março de 1892; filho de José Francisco Aires e de D. Josefa Marcelina Aires, esta da Lagoaça e aquele de Carviçais. Está em Lourenço Marques, província de Moçambique, exercendo a sua profissão de veterinário. Tem desempenhado altas comissões de serviço público. Escreveu: O melhoramento do bovino mirandês – Tese de doutoramento. Junho de 1920. Lisboa, 1920. 8.º de 42 págs. e uma de «Conclusões» e outra de «Bibliografia». ALCOFORADO (D. Mariana ou soror Mariana) – Freira do convento da Conceição de Beja, pelos anos de 1668, autora, segundo alguns escritores afirmam, das célebres Cartas amorosas dirigidas ao cavaleiro de Chamilly, conde de Saint-Leger, que serviu em Portugal nas Guerras da Restauração (1640-1668). Nasceu em Beja e foi baptizada na freguesia de Santa Maria da Feira, da mesma cidade, a 22 de Abril de 1640 (958). Era filha de

(958) «Livro dos baptizados de Santa Maria da Feira», fólio 14 v., in CORDEIRO, Luciano – Soror Mariana, a Freira Portuguesa, 1888, p. 91 e 285, onde se transcreve a certidão de baptismo, que não menciona os avós da freira, mas nos nossos apontamentos achámos a informação de que era neta paterna de Baltasar Vaz Alcoforado, ignorando, porém, de onde a tirámos e se tem algum fundamento. Rousseau, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco entendem que as

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ALCOFORADO

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Francisco da Costa Alcoforado e de D. Leonor Mendes. Francisco Alcoforado – dizem os genealogistas D. António de Aguiar e José Freire de Montarroio, segundo informa o grande romancista Camilo C. Branco – era criado do fidalgo Tristão da Cunha, o Torto, pai de Pedro da Cunha de Mendonça, e, numa alçada em que foi como meirinho a Beja, aí se estabeleceu, exercendo o cargo de executor do almoxarifado, e casando com a referida Leonor Mendes. Por alvará régio de 15 de Dezembro de 1647 (Arquivo Nacional, livro nº 35 da ordem de Cristo, fólio 425, onde não aparece o processo de habilitação de genere) foi nomeado cavaleiro da ordem de Cristo. Deste casamento vieram os seguintes filhos, como consta do testamento de Francisco Alcoforado, feito em 1660: Baltasar Vaz Alcoforado, prior em 1716 de Beringel (antiga vila a dez quilómetros de Beja), doutor provavelmente em teologia, célebre pela picaresca décima – Culpa fuera Brites bella, etc. – que apresentou na tese de conclusões magnas em Coimbra; Miguel da Cunha Alcoforado (era coronel em 1716); Mariana, a freira das Cartas; Ana Maria, que casou com Rodrigo de Melo e Lobo; Catarina, que foi freira; Francisco da Costa Alcoforado, e Maria, que foi freira e na clausura tomou o nome de Peregrina Maria Alcoforado. A 28 de Junho de 1665 promoveu el-rei D. Afonso o alferes Baltasar Vaz Alcoforado a «capitão da Comp.ª de infant.ª que no terço de que na provincia de Traz-os-Montes he mestre de campo Sebastião da Veiga Cabral vagou por falecim.º de A.....miz», em atenção aos seus «merecimentos e mais partes» (959). O documento seguinte, que tivemos a fortuna de encontrar, lança alguma luz sobre o assunto: «Dom Pedro por graça de Deos Rey de Portugal, e dos Algarves daquem, e dalem mar, em Africa senhor da Guiné, da conquista, navegação, commercio de Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, etc. Faço saber aos que esta minha carta patente virem, que tendo respeito aos merecimentos, e mais partes, que concorrem na pessoa de Balthazar Vaz Alcoforado, e os serviços, que me tem feito na Provincia de Tras os

Cartas não são da freira, mas somente o amor sentido, explorado literariamente para reclame de livraria, mas Boissonade demonstrou em 1810 (diz Pinheiro Chagas no seu Dicionário Popular, artigo «Alcoforado») que eram dela e esta opinião é geralmente seguida. (959) CORDEIRO, Luciano – Soror Mariana, a Freira portuguesa, 1888 (teve 2.ª edição em 1891), p. 325, onde vem transcrito na íntegra o documento régio, que diz estar no fólio 143 do livro nº 32 do «Registo da Secretaria da Guerra, de Patentes, Alvarás, Cartas e Ordens, que serviu nos annos de 1663 até 1667», actualmente, com os demais livros do conselho de guerra, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

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montes demais de vinte e quatro annos a esta parte, assim em praça de soldado, como nos postos de Alferes, e capitão de Infantaria no tempo da guerra, e no presente da paz, que actualmente exercita no terço pago da guarnição da praça de Bragança achando-se na provincia do Minho os annos de seis centos, e sessenta, e hum, e seis centos, e sessenta, e dous na occupação da noite de Santiago, e na pelleja de matança, por sella dever, e na do monte de Labreco, e na vespera de São Lourenço até se acabar a campanha, e bem assim no sitio, e ataques do castello de lapela na opposição que o nosso exercito fez ao do Inemigo, em que se lhe derrotarão trezentos cavallos no choque de São Mamede, e voltando para a provincia de Tras os montes, se achou na entrada, que no anno de seis centos, e sessenta e tres se fez pelo interior de Galliza, aonde ajudou a fazer muitas hostilidades, e a levantar hum forte, no de seis centos, e sessenta, e quatro foi fazer huma leva de soldados, e marchando de socorro a provincia de Alem-Tejo, se achou na tomada de valença de Alcantara, rendimento do castello ne mayorca, e lugar de São vicente de que sahio ferido de hûa balla em hum hombro no anno de seis centos, e sessenta, e cinco, de lhe entregar outra leva de gente, e passando no mesmo anno á provincia do Minho obrar muyto como devia, nas entradas que fizerão pelo Reyno de Galliza até ficar em nosso poder o forte da guarda, e no de seis centos, e sessenta, e sete na facção e choque da villa de porqueira, procedendo em todas as occasiões referidas com valor, e boa satisfação, e com a mesma se houve nas levas da gente que foy fazer por ordem de seus mayores, para se reencher o seu terço, e esperar delle Balthazar Vaz Alcoforado, que em tudo o mais de que eu o encarregar me servirá muito a meu contentamento, por todos estes respeitos hey por bem, e me praz de o nomear, como por esta carta o nomeo por sargento mor da Ordenança da Comarca de Bragança, que na provincia de Tras os montes vagou por fallecimento de Francisco da Sylveyra Vasconcellos...... Dada na cidade de Lisboa aos dous dias do mez de Junho. Francisco da Sylva a fez anno do nascimento de nosso senhor Jhsu Christo de mil. e seis centos, e oitenta e sete» (960). No fólio 173 v. do citado Registo, de onde extraímos este documento, encontra-se o alvará de 31 de Maio de 1697, em que el-rei, atendendo «ás razões que me aprezentou Pedro Ferreyra Sarmento por hûa petição, sargento mayor da comarca de Villa real, para o haver de premudar para o mesmo posto de Sargento maior da comarca da cidade de Bragança, que vagou por fallecimento de Balthazar Vaz Alcoforado. Hey por bem conce(960) Museu Regional de Bragança, Registo maior I da Câmara Municipal de Bragança, fólio 43 v.

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der-lhe a dita premuta, nomeando-o por Sargento mayor da ordenança da dita comarca da cidade de Bragança». Pelo mesmo alvará manda ao «General de Artelharia Sebastião da Veiga Cabral a cujo cargo está o governo das armas de Tras-os-Montes» que lhe dê inteiro cumprimento. Falando da família Alcoforado, diz Asdrúbal de Aguiar: «Foi a nobilissima casa dos Alcoforados notável pelos guerreiros e jurisconsultos que deu a Portugal, e, ao chegar a 1640, afora outros representantes que demoravam pelo norte, Minho e Trás-os-Montes, berço da casa, vamos encontrar um Diogo Correia Alcoforado, general de cavalaria, que andando ao serviço do rei de Espanha, sob as suas bandeiras, veio ao Alemtejo combater o rei D. João IV, esquecendo o que devia ao seu nome português, sendo aprisionado em Montes Claros, em 1665; um Bento de Mesquita Alcoforado, que acompanhou o monarca restaurador, tornando-se porém reu suspeito de lesa-magestade, por se achar implicado na conspiração do duque de Caminha; e outro que vivia em Beja e se chamava Francisco da Costa Alcoforado. Ao contrário dos dois anteriores, êste foi fiel à pátria e ao seu rei. Era filho de Baltazar Vaz Alcoforado, militar distinto, que serviu em Itália como capitão, e na Flandres, na época do rei Filipe, vivendo algum tempo nos Cortiços, povoação trasmontana a pouca distância de Macedo de Cavaleiros» (961). No tomo VI, pág. 223, destas Memórias mencionámos a tradição corrente ainda hoje nos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros, que dá como natural dessa povoação Mariana Alcoforado, a freira das Cartas amorosas. Essa tradição aponta ainda uma capelazinha contígua ao povoado, onde o brutamontes do Chamilly, ou o seu intermediário, ia buscar as cartas depositadas a ocultas pela sublime louca de amores. No intuito de justificar a possibilidade da tradição, mencionamos a seguir alguns indivíduos de apelido Alcoforado, residentes nos Cortiços em tempo que bem podiam ser ascendentes da freira – avós, por exemplo: BALTASAR VAZ ALCOFORADO, dos Cortiços, marido de D. Ana da Cunha, a quem o licenciado Manuel da Cunha (certamente irmão ou parente daquela), reitor dos Cortiços, emprazou em 1592, por sessenta alqueires de pão meados, um casal pertencente à sua igreja. Este reitor faleceu naquela povoação em 1614, deixando por testamenteiro o dito Baltasar, que ainda em 1611 aparece como padrinho de uma criança. Quanto ao tempo e concordância de apelidos, este Baltasar Vaz Alcoforado bem podia ser avô da freira.

(961) AGUIAR, Asdrúbal de – Soror Mariana – Estudo sobre a religiosa portuguesa, 1926, p. 12-13.

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Ampliando a lista, damos mais os seguintes nomes, que mostram como a família Vaz Alcoforado perdurou na povoação: AMADOR CARMONA ALCOFORADO, licenciado, faleceu nos Cortiços a 26 de Outubro de 1649, deixando o terço dos seus bens a seu filho Bartolomeu Carmona, também licenciado, para concluir os seus estudos (962). Parece-nos que estes Carmonas são os representantes dos Carmonas de Chaves, ascendentes do general Carmona, actual Presidente da República. ANTÓNIO ALCOFORADO, abade de Espinhosela, concelho de Bragança, mui provavelmente natural dos Cortiços, baptizou na igreja paroquial desta povoação, em 1618, a Filipa, filha de Pero da Cunha e de Maria de Morais; em 1627, uma filha de Francisco Borges de Crasto e de Filipa Taveira, e em 1631 a Francisco, filho de António de Lemos Costa. ANTÓNIO TEIXEIRA ALCOFORADO e sua mulher D. Bernarda tiveram um filho de nome Domingos, nascido em 1639. O pai faleceu a 19 de Outubro de 1651, sendo já viúvo (963). ANTÓNIO TEIXEIRA ALCOFORADO e sua mulher Serafina Freire tiveram os seguintes filhos: 1 – Bento Teixeira Alcoforado, nascido em 1644, de quem foram padrinhos Nicolau da Cunha Alcoforado e D. Valentina, mulher de António Borges, de Alvites. 2 – José Teixeira Alcoforado, nascido em 1645. 3 – Gaspar Teixeira Alcoforado, nascido em 1648. 4 – Ana Teixeira Alcoforado, nascida em 1650. BALTASAR VAZ ALCOFORADO, filho de Nicolau da Cunha Alcoforado, natural dos Cortiços, formou-se em leis no ano lectivo de 1719-1720, com a classificação de «suficiente» (964). BALTASAR VAZ ALCOFORADO e sua mulher D. Filipa de Campilho foram padrinhos em 1672 de um Brás, abaixo mencionado, e no ano seguinte tiveram um filho que recebeu o nome de Leonardo. BALTASAR VAZ ALCOFORADO é o sargento-mor da comarca de Bragança, que já era alferes em 1663 e faleceu pelos anos de 1697, mencionado nos documentos atrás citados.

(962) Museu Regional de Bragança, «Livro dos baptizados dos Cortiços de 1612 a 1674». São deste livro os demais nomes que apontamos, quando não citarmos outra fonte. O «Registo paroquial» foi instituído pelo Concílio de Trento (1545-1563) por proposta dos bispos portugueses, mas só foi lei do reino em 1569; e, embora se fizessem alguns assentos de baptizados, casamentos e óbitos, anteriormente, os mais antigos (Igreja dos Mártires de Lisboa) remontam a 1524. Anteriormente, dos nobres, por causa da sucessão dos vínculos, tomavam-se notas genealógicas. (963) Ibidem, idem, livro dos Óbitos. (964) Livro das informações gerais (1719-1720) da Universidade de Coimbra, fólio 45.

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DOMINGOS DE CRASTO ALCOFORADO e sua irmã ANA ALCOFORADO foram padrinhos em 1650 de uma criança de nome José. DOMINGOS TEIXEIRA ALCOFORADO, que também assinava Domingos Teixeira Pinto, era casado com Isabel de Morais e esta foi madrinha em 1657 de uma criança de nome Luísa. Tiveram dois filhos: 1 – Domingos, nascido em 1667. 2 – Brás, nascido em 1672, de quem foram padrinhos Baltasar Vaz Alcoforado e sua mulher D. Filipa de Campilho, acima referidos. FRANCISCO JOAQUIM DE SOUSA PINTO ALCOFORADO, alferes de infantaria, natural dos Cortiços, serviu de testemunha em 1806 no processo de colação na mesma freguesia do reitor Caetano José Nunes Castro (965). FRANCISCO DE LEMOS DA COSTA ALCOFORADO, dos Cortiços, e sua mulher D. Bernarda Maria de Morais Osório, de Vinhais, tiveram um filho de nome Vasco José, nascido nos Cortiços a 5 de Agosto de 1746, que era neto paterno de António de Lemos, dos Cortiços, e de Mariana Soares de Andrade, das Arcas, e materno de Vasco Anes Teixeira Sarmento, de Santa Cruz da Castanheira de Monforte de Rio Livre, e de D. Maria de Morais Pinto de Vinhas. JOSÉ ANTÓNIO DE SOUSA ALCOFORADO, natural dos Cortiços, filho de Leonardo da Cunha Morais Alcoforado e de D. Francisca Teresa de Sousa Pinto, recebeu ordens menores em 1777 e de subdiácono em 1787 (966). Manuel de Faria Borges, mestre-de-campo, do hábito de Cristo e fidalgo da casa real, faleceu em Bragança a 18 de Agosto de 1667. Era filho do doutor Manuel Alcoforado de Faria, natural dos Cortiços. MANUEL DE FARIA ALCOFORADO, dos Cortiços, faleceu a 18 de Setembro de 1651. NICOLAU «filho de R.º de Crasto e sua mulher alcoforado» foi baptizado a 14 de Abril de 1618. Ignoramos se é este o Nicolau da Cunha Alcoforado, pai de Baltasar Vaz Alcoforado, acima mencionado, e ainda o Nicolau da Cunha Alcoforado, falecido a 19 de Maio de 1651, bem como o Nicolau da Cunha Alcoforado, casado com Antónia de Miranda, que em 1638 foram padrinhos de um José, filho de João Loureiro de Mesquita e de D. Filipa. Do exposto entendemos poder concluir-se: 1.º – Que Francisco da Costa Alcoforado, pai da sublime e inexcedível literata em questões de psicologia amorosa, não era natural de Beja; casou, porém, nesta cidade, onde constituiu família. 2.º – Que os Alcoforados são de origem trasmontana.

(965) Museu Regional de Bragança, maço Concursos paroquiais – Provimento de freguesias. (966) Ibidem, maço Ordinandos.

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Ora, dada a coincidência dos apelidos Costa e Vaz Alcoforado, que são os do pai e irmão da freira, aparecerem nos Cortiços em pessoas que muito bem podiam ser seus pais ou ascendentes, apelidos que se têm mantido até hoje (ver tomo VI, págs. 223, 383 e 756 destas Memórias) numa família nobre e rica desta antiga vila bragançana; dada a circunstância destes apelidos se não encontrarem unidos noutra família conhecida; dada a repetição dos nomes Baltasar Vaz Alcoforado e Francisco da Costa Alcoforado, que parecem nomes usuais de família transmitidos em uso de geração em geração; dada a tradição ainda tão viva nos Cortiços, atrás referida, concernente à natalidade aí da freira, parece não destituída de base tal tradição, nada invalidada pelo facto de a dar como nascida nesta vila, quando se sabe que foi em Beja, pois as tradições sempre manquejam em circunstâncias acidentais, ampliando-se, englobando-se, justapondo-se, paralelipondo-se umas a outras. Assim, Francisco da Costa Alcoforado, provável filho de Baltasar Vaz Alcoforado (nome repetido no neto jurista, irmão da freira, e no outro jurista de 1719-1720) a quem o licenciado (rotação dos juristas na família) Manuel da Cunha, reitor dos Cortiços, aforou certos bens em 1592, teria ido em serviço do fidalgo Tristão da Cunha, talvez parente de sua mãe D. Ana da Cunha, a julgar pela muito para notar coincidência dos apelidos, para Beja, onde se estabeleceu. Desta forma já não causa estranheza o incremento rápido da sua fortuna, levantando-o rapidamente de pobre, como inculcam os seus começos de vida e os seus biógrafos constatam, a rico, nobre e fundador de um morgadio, devido talvez aos bens patrimoniais da fidalga e brasonada casa dos Cortiços, transferidos para a nova residência, e à influência protectora da mesma. E assim se explica a tradição, deixando ver que a freira viesse a ares, a espairecer a paixão para o solar de seus maiores e tios nas faldas da serra de Monte Mel, tão afamada pela pureza reconstituinte de seu clima, se é que alguma marcha militar das tropas do Chamilly para estes sítios, coisa naturalíssima naqueles tempos de guerra, a não atraía de modo especial. Falando do valor da obra de Soror Mariana, diz Luciano Cordeiro: «Não declinamos, porém, a parte que deve averbar-se á profunda sympathia que nos inspiram as Cartas, e ao irresistivel e persistente encanto que sempre tem exercido sobre nós aquella catastrophe de uma alma ingenua e ardente que se afunda na fria obscuridade das coisas sem nome, deixando na historia da expressão humana o rasto fulgurante das coisas immortaes. Justamente colocada a par de Heloisa e superior a Lespinasse, na expressão vibrante, verdadeira, genial da paixão e da desgraça, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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ALCOFORADO

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ALFÂNDEGA DA FÉ

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ALMEIDA

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em que as excede a ambas... a religiosa portugueza glorificada por dois seculos de admiração, atravez de tantas evoluções do gosto e do sentimento artistico» (967). ALFÂNDEGA DA FÉ – José Maria de Morais Sarmento, último morgado de Alfândega da Fé, falecido pelos anos de 1912, era natural de Vilar do Ouro, concelho de Mirandela, e filho de João José de Morais Sarmento e de D. Inês do Rosário. Casou com D. Ana Carolina Malafaia, natural de Pinheiro da Bemposta (Estarreja), rica proprietária em Alfândega da Fé, sobrinha do célebre corregedor Malafaia, que tanto figura nos documentos do nosso distrito, e em segundas núpcias com sua cunhada D. Antónia Ludovina de Oliveira Malafaia. Nem de uma nem de outra deixou descendência (968). ALMEIDA (António Maria Pereira de), pág. 12 – Faleceu em Macedo de Cavaleiros a 18 de Novembro de 1909, deixando viúva D. Luísa Pimentel Martins. ALMEIDA (Carlos Leopoldino de) – Doutor em medicina, filho de Carlos Lima e Almeida e de D. Elisa Paradinha de Almeida. Nasceu em Bragança a 10 de Fevereiro de 1894. Em 1923, em obediência ao voto emitido pelo 1.º Congresso de Medicina Tropical, foi mandado de Luanda para o Congo a fim de combater a doença do sono, e tão bons serviços prestou que D. Pedro VII, rei do Congo, o agraciou com o título de Pidicipe Vunda (Príncipe do Congo). Esta alta distinção, que lhe dá o título de príncipe, com as honras de alteza, jamais foi concedida a europeu algum e torna-o comparticipante do conselho do rei, composto dos anciãos, do condestável e de quatro pidicipes. ALMEIDA (José Doutel de) – Doutor, lente de teologia na Universidade de Coimbra, dom-abade e reformador da ordem de S. Bernardo, conselheiro de sua majestade e seu esmoler-mor, comissário da bula da cruzada e censor régio. Nasceu em Moncorvo (?) a 14 de Julho de 1760. Está em Moncorvo um retrato a óleo deste lente com estas notícias em casa de D. Maria Luísa de Vasconcelos Doutel de Figueiredo Sarmento, sobrinha de Bernardo Doutel de Figueiredo Sarmento.

(967) CORDEIRO, Luciano – Soror Mariana…, p. 82. (968) Ver tomo VI, p. 739, nº 2, destas Memórias.

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ALMENDRA

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ÁLVARES

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ALMENDRA (António Augusto Gomes de) – Juiz de direito. Para as demais circunstâncias pessoais, ver tomo VI, pág. 414, 2.°, destas Memórias. Escreveu: O crime de Alcabideche – Sustentação da sentença recorrida em face da decisão do júri e crítica aos censores, pelo juiz recorrido... na revista crime nº 19.999. Relator Ex.mo Sr. Dr. Alexandre de Lemos e Melo. Lisboa, 1916. 8.º de 12 págs. ÁLVARES (António) – No Museu Regional de Bragança, por oferta do benemérito José Montanha, há dele em véu de cálix, vindo dos Avidagos, concelho de Mirandela, de seda branca, em três planas, umas conclusões canónico-civis, dedicadas a Nossa Senhora do Rosário. Conimbriçæ: ex Architypographia Academico Regia, Anno Domini 17... Com facultate Regiæ Curiæ Censoriæ. Não se percebem os dois algarismos finais do ano da impressão, bem como a maior parte do texto e mais pertenças das conclusões, devido talvez a estúpidas lavagens do véu. ÁLVARES (António) – Licenciado. A 30 de Agosto de 1587, em Vinhais, «dentro nas casas ordenadas para mosteiro, estando ay presente o Il.mo Snr. Dom Jeronymo de Menezes Bispo de Myranda do douro e asi Maria de S. Boaventura e religiozas da ordem de Santa Clara que com patente, e licença do seu ministro vinhão a fundar hû Mosteiro de Santa Clara na villa de Vinhais, conforme a hû breve do Papa Gregorio decimo tercio então presidente na igreja de Deus. No qual dizia como o licenciado Antonio Alvares com algumas outras pessoas nobres determinavão fundar hum mosteiro da ordem de Santa Clara na villa de vinhais por ser obra de muyto serviço de Deus e mui importante para agazalhar donzelas de limpa geração e bons costumes as quais serião da obediencia do Bispo que fosse e dos successores sojeitas em tudo a sua jurisdição ordinaria. Porquanto pello Bispo seu antecessor de louvada memória fora dada licença para edificar mosteiro avendo por conveniente a substentação que offerecião e que posto que so o licenciado Antonio Alvares dava dozentos e tantos alqueires de pão de renda e se obrigava a dar e comprar a outros dozentos alqueires dentro um anno, alem de gastar muito do seu no que estava conprido e feito e agora de novo gastara trezentos cruzados na casa e deixara muitas cousas para substentação da caza com duzentos cruzados mais para irem gastando, pedião a Sua S. lhes tomasse a obediencia conforme o breve, o que visto pello snr. Bispo como obediente aos mandados apostolicos... tomou o sello e regra da ordem e da sua mão os deu a madre maria de sam boaventura e a fez e constituiu abbadeça do convento conMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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forme a ordem e regimento dos mosteiros de Santa Clara neste Reino e ella lhe deu obediencia e tomou o cargo da mão de sua Ill.ma S. que lhe lançou a benção, e o mesmo fizerão as duas companheiras vigairas e tangedora dando sua obediencia a elle como a seu superior» (969). A 9 de Junho de 1650 Pero Moniz da Silva, licenciado, abade de Vinhais, fez doação ao mosteiro de Santa Clara da mesma vila de trezentos e cinquenta alqueires de trigo, dezoito galinhas, um carneiro e 800 réis em dinheiro, que ele recebia anualmente de foros na vila de Penela, comarca de Tomar (970). A 24 de Junho de 1587, António de Abreu Ferreira, licenciado, juiz de fora da cidade da Guarda, deu licença a sua mulher Helena da Nóvoa para esta doar, como doou, ao convento de Santa Clara de Vinhais, os «uzos fruitos dos bens que fiquarom de afonso da noboa e de sua molher ja defuntos» (971). No documento faz-se a resenha descritiva dos bens doados. Pelo tempo adiante arruinou-se o convento, e porque também era necessário ampliá-lo para recolher mais noviças, a 4 de Julho de 1648 deu licença o cabido de Miranda, sede vacante, para que «os moradores da Villa de Vinhaes, e mais gente de seu termo assi seculares como Ecclesiasticos» fizessem essas obras, como pediam e estavam dispostos. Em 1650, Jerónimo de Morais Valcacer, abade de Celas, Francisco Dourado, capitão-mor, e Francisco Colmieiro de Morais, moradores em Vinhais, requereram ao cabido para que mandasse vistoriar as obras feitas no convento de Santa Clara de Vinhais, autorizadas pelo despacho, acima citado, de 4 de Julho de 1648, em que gastaram passante de 600$000 réis, a fim de ver se estavam em condições. O cabido encarregou a 16 de Junho de 1650 desse exame o doutor João Álvares de Carvalho, cónego-doutor da Sé de Miranda, o licenciado Pedro Mendes da Silva, abade de S. Fagundo, de Vinhais, Gaspar Álvares de Carvalho, abade de Mofreita, e João Pereira, cura da freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Vinhais. Acharam «que a egreja está feita em forma que se podia benzer, e nella dizer missa, como se fez, e vio a obra feita da dita casa e a mais que de antes avia, e claustros, e officinas, e achou estava a dita obra em forma porem sendo feitas e faltas que abaixo se declarão». Segue-se a resenha das imperfeições que se deviam remediar, todas de pouca monta. Na mesma resenha vem a licença dada a Rui Dourado de Morais para fazer uma capela para sua sepultura na sacristia ou arrumada a ela (972). O cabido encarregou a 13 de Setembro de 1650 o mesmo cónego-dou-

(969) Museu Regional de Bragança, maço Frades e freiras. (970) Ibidem. (971) Ibidem. (972) Ibidem.

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tor João Álvares de Carvalho de ver o estado moral das religiosas e se deviam entrar mais freiras. Ao tempo havia só duas: Catarina da Trindade, de setenta e quatro anos, abadessa, e D. Francisca da Conceição, de sessenta anos, sendo certo que quando aquela professou havia catorze freiras. Das testemunhas que foram inquiridas para avaliar do estado religioso do convento citaremos: Rui Dourado de Mariz, cavaleiro do hábito de Cristo, João de Morais Valcacer, abade de Celas, Jerónimo de Morais Sarmento, Francisco Colmieiro, António Ferreira de Sá, António Pinheiro de Sá e Pedro Moniz da Silva, abade de S. Fagundo de Vinhais. A abadessa no seu depoimento disse: que as religiosas viviam em clausura sem dar escândalo, «sem té hoje aver cousa em contrario, salvo hûa que se emputou a certa religiosa». A 7 de Janeiro de 1740 deu el-rei licença, como pediam, aos moradores de Vinhais para fundarem um Seminário de religiosos reformados, que tivesse dez frades, sendo seis confessores, três pregadores e um só leigo, como concedera à cidade de Miranda, visto fazerem falta para atenderem às necessidades espirituais da terra. Neste documento faz-se a demarcação por varas da largura e comprimento que devia ter o terreno para a construção do convento. No Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial, há uma carta datada de 26 de Novembro de 1878 do ministro da Justiça, dirigida ao governador deste bispado, em que diz ter oficiado ao governador civil do distrito de Bragança para que, de acordo com a autoridade eclesiástica, mande vistoriar o convento de Santa Clara de Vinhais, que lhe consta estar em ruínas, a fim de se orçamentarem as despesas necessárias aos reparos. Ao mesmo tempo diz também constar-lhe que a única religiosa que existe no convento está um pouco dementada, de que resulta terem desaparecido muitos haveres do mosteiro, sendo por isso necessário que tome providências nesse sentido. Visto ter alguma relação com o assunto do citado convento, damos mais o seguinte informe: D. João de Sousa Carvalho, bispo de Miranda, chamou frades trinos descalços para esta cidade, e, de harmonia com o cabido e gente da terra, construíram-lhe pelos anos de 1718 uma pequena igreja e casa de residência, sendo frei Álvaro Português, religioso da província de Castela, o contratador, por parte dos frades, para se estabelecerem em Miranda. Em 1756, porque a maior parte dos religiosos fossem espanhóis, mandou el-rei expulsá-los e demolir o convento; porém, o bispo, cabido e povo representaram-lhe pedindo a sua conservação pelo bem espiritual que faziam (973).

(973) Museu Regional de Bragança, maço Frades e freiras.

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ALVES (António Carlos), pág. 15 – Juiz de direito. Em 1929 foi nomeado juiz da 2.ª vara comercial do Porto. Acerca da competência deste ilustre bragançano é-nos grato transcrever a parte respectiva do Relatório da inspecção judicial à comarca de Valpaços, em Outubro de 1927, que corre impresso em dois fólios avulsos, feito no referido mês pelo inspector conselheiro Joaquim Augusto Alves Ferreira. Diz ele: «Na comarca de Valpassos, cuja inspecção fiz quanto ao serviço judicial do último triénio, serviram, como Juizes de Direito, o Doutor António Carlos Alves, que tomou posse em treze de Dezembro de 1923 e actualmente serve na comarca de Chaves, e o Doutor Alvaro Júlio Barbosa, que tomou posse em dezasseis de Agosto de 1926, e continua sendo Juiz da comarca de Valpassos. O Doutor António Carlos Alves gosava de um altíssimo conceito como Magistrado inteligentíssimo, de uma cultura jurídica excepcional, de uma probidade e honestidade extraordinárias e de uma grande bondade. Pode dizer-se que o Doutor Carlos Alves encarna todas as qualidades de um grande Juiz, sendo difícil encontrar na Magistratura portuguesa quem se lhe avantage em virtudes e merecimentos. É-me grato assumir a responsabilidade de o indicar ao Ex.mo Conselho, digo Colendíssimo Conselho, como um dos Magistrados a escolher para inquéritos ou sindicâncias de delicado melindre, porque, permitindo-lho a saúde, bastante precária, conforme me informa, sem ofensa para nenhum colega, creio que não será fácil tarefa encontrar quem melhor possa desempenhar tão espinhosos encargos. Em matéria de correições, nunca encontrei quem as faça como êle as fez em Valpassos. Tanta minúcia, tão ponderados conselhos e tão preciosas indicações, conhecimentos tão profundos da Legislação Pátria, emfim, exame tão cuidadoso nos processos, nunca vi! Em matéria controvertida, peço licença para juntar a êste Relatório as sete sentenças por êle proferidas na comarca de Valpassos, que se encontram a folhas quatro e quarenta e nove, escolhidas de entre muitos trabalhos seus de reconhecido merecimento, e creio que elas confirmarão, no juizo de VV. Ex.as, a apreciação que, em ligeiros traços, acabo de fazer a tão ilustre Juiz». O Acórdão no Conselho Superior Judiciário, celebrado em Lisboa a 21 de Dezembro de 1927 e assinado pelos juízes Carvalho de Abreu, Almeida, A. Brandão e Ferreira Lima, que vem impresso no segundo fólio, concorda em absoluto com as apreciações do Relatório acima reproduzidas, transcrevendo mesmo as suas palavras e classificando de «Muito bom» o juiz Carlos Alves. O ilustre magistrado é a modéstia encarnada, tanto nos modos e falar como no vestir. Diz-se que quando se apresentou no Porto, à hora compeMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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AMADO

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tente para tomar posse do cargo de juiz, ainda não estava no tribunal nenhum dos empregados, tendo de esperar bastante tempo, e quando estes chegaram, ao querer entrar na sala, um empregado menor deteve-o, observando-lhe: «Que quer V. p’raí?» «Quero tomar posse da 2.ª vara de juiz». Então o homem, confuso, desfazendo-se em barretadas e desculpas, evaporou-se, franqueando todas as portas. Ut quisque est modestissimus ita est sapientissimus. O inexcedível perfume das violetas germina no mais profundo dos recôncavos vales; neles é que o rouxinol solta seus divinais trinados, e deles se eleva a águia ao píncaro das sumidades. AMADO (Adrião Martins) pág. 20 – Doutor. Governador civil do distrito de Bragança. As Injustiças do bispo de Bragança tiveram mais outro volume editado no Porto em 1909, 8.º de 262 págs. e uma (inumerada) de índice. Tem colaborado no Nordeste, Pátria Nova, Montanhês do Norte, Rebate, Labor e outros jornais. Sentimos necessidade de confessar que lhe devemos o nosso despacho para director-conservador do Museu Regional de Bragança, despacho tanto mais para agradecer quanto é certo que as nossas relações pessoais estavam cortadas por muito o combatermos na imprensa durante as lutas que sustentou com o bispo, e ainda porque nem sequer nos consultou para o conseguir, nem jamais nos deu conhecimento da sua interferência no caso. AMADO (Josino) – Por mais diligências que empregássemos não nos foi possível obter os dados biográficos deste poeta, que supomos natural de Urros, concelho de Moncorvo. Escreveu: Emigrado (versos). Lisboa, 1929, 80 págs. com dez ilustrações de Rocha Vieira com costumes e panoramas populares. ANDRADE (Eugénio Guedes de), pág. 24 – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, conservador do registo predial em Mirandela, onde nasceu a 12 de Junho de 1865. Filho de José António Nunes de Andrade e de D. Maria Emília da Fontoura. Escreveu: Os i i sem os pontos – Jornal litografado, de caricaturas, com os políticos do tempo em evidência no concelho de Mirandela. Saiu em 1885 e não em 1881, como por engano dissemos na pág. 24. Publicaram-se apenas dois números. Ao tempo o autor era ainda estudante de direito. Pequena colecção zoológica para o estudo da fauna portuguesa – Alguns títulos e variedades, espécimes raros obtidos em 1889, 1890 e 1891. 20 págs. Era a copiógrafo e foi publicado em Macedo de Cavaleiros, onde o autor, ao tempo, era conservador do registo predial. Nesta publicação vêem-se os MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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retratos de Agostinho Valente, Baltasar do Lago, Alexandre Cordeiro, José Pegado, doutor Abílio Oliveira, Álvaro de Castro, visconde das Arcas, doutor Pimentel Martins e vários outros. Anuário Jurídico Popular – Era destinado a indicar durante cada ano os prazos em que as leis coagiam ao cumprimento de obrigações. Saíram os correspondentes a três anos: 1895 com 16 páginas; 1896 com 36 e 1897 com 36 páginas. Foram impressos no Porto. Elucidário Popular. Porto, 1895. 8.º de 320 págs. Continha o formulário de reclamações e recursos sobre contribuição predial, industrial, renda de casas e sumptuária, imposto de minas, legislação eleitoral, recrutamento militar, recenseamento de jurados, perdão e comutação de penas. O Crispiniano. Porto, 1913; tem 26 págs. Saiu em O Comércio do Porto. É uma carta-aberta aos habitantes de Odemira a propósito dos actos do juiz Crispiniano em Macedo de Cavaleiros após a sua transferência para aquela comarca. Os Vinagreiros – Recordação do sensacional espectáculo cómico na Farmácia Figueiredo. Saiu em Fevereiro de 1916; era dactilografado, com desenhos à mão, com o uso do papel químico. Contém uma crítica aos «Vinagreiros», grupo de cavaqueadores que todas as noites se reuniam na farmácia Figueiredo, em Macedo de Cavaleiros. Entre os caricaturados figuram: Luís Lemos, padre Faria, doutor José Eugénio Teixeira e outros. Tem 22 págs. Mudança directa do conteúdo de um cortiço para colmeia móvel. Porto, 1920; 30 págs., com dez fotografias. Teve segunda edição. Produção intensiva de mel e cera. 1.º ano. Porto, 1920; 30 págs., com dez fotografias. Idem, 2.º ano. Porto, 1920; 30 págs., com dez fotografias. Estas três publicações foram premiadas com medalha de prata na Exposição Internacional do Rio de Janeiro em 1924. Álbum de construções apícolas. Porto, 1926; 100 págs., formato 21x27 cms., edição de luxo, em papel couché, com cento e quarenta ilustrações, reproduzindo sessenta e quatro fotografias e setenta e seis desenhos. Ensina a construir a colmeia horizontal, vertical, fixa e de observação, extractor e purificador de mel, e outros utensílios agrícolas. Foi recompensado com o 1.º prémio na Exposição Internacional de Agricultura de Namur (Bélgica) em 1927. Ao Excelentíssimo Senhor Tomás Fragoso, Ilustre Governador Civil do distrito de Bragança, homenagem de... e de José Martins Ribeiro. Mirandela, 20 de Outubro de 1928. Contém o retrato à pena do homenageado e um soneto oferecido ao mesmo na data indicada, por ocasião de lhe ser igualmente oferecida a rica salva armoriada de prata e uma pasta, produto da subscrição do distrito como preito às suas benemerências em prol do mesmo. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


ANDRADE

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ANDRADE (João Silvério Doutel de) – Doutor em medicina. Nasceu em Mirandela a 25 de Fevereiro de 1894; filho de António Pereira de Andrade e de D. Constança Augusta Doutel de Andrade. Escreveu: Sobre eczemas – Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Coimbra, 1926. 8.º de 45 págs. Tem em preparação um livro de versos. ANDRADE (Matias de), pág. 25 – Frade da Congregação do Oratório da vila de Freixo de Espada à Cinta. Escreveu: Viva Jesus Filho instruído pelo melhor Pai – Reflexões morais, e místicas sobre o segundo capítulo do Eclesiástico, dedicado ao Ilustríssimo e Rev.mo Senhor Dom João de Sousa Carvalho, bispo de Miranda, do conselho de sua majestade. Salamanca, 1731. 24 (inumeradas)+184 págs. ANDRADE (Olímpio Guedes de) – Doutor em direito. Nasceu em Mirandela a 19 de Novembro de 1861 e aí faleceu a 26 de Dezembro de 1917. Era filho de José António Nunes de Andrade e de D. Maria Emília da Fontoura. Foi presidente da câmara municipal daquele concelho, onde muito se distinguiu propugnando pelos interesses locais, e fundou e dirigiu o semanário O Mirandelense. ARANHA (D. Francisco Xavier) – Bispo de Olinda, Pernambuco (974). No Museu Regional de Bragança deu entrada em Maio de 1930, por oferta gentil de D. Ália Cândida Vaz de Quina de Ochoa, de Izeda (975), um grande quadro pintado a óleo com o retrato deste bispo, no qual se lê este dístico: «D. Franciscus Xaverius Aranha / ex patria Arronches / Decanus Miranda Episcopus / de Paranambucem / Etatis 65 vivit Sinden anno 1758». Também, por oferta da mesma senhora, veio para o museu outro grande quadro pintado a óleo com um retrato que diz na legenda: «Manoel Bernardo / bispo em Pernambuco em 1758 / retratado em 1758 na mesma data». Nem Fortunato de Almeida (976) nem outros autores que consultámos mencionam este bispo, e nada sabemos da sua biografia, a não ser que era bragançano e da família Ochoa, de Izeda.

(974) Ver tomo II, p. 59, tomo IV, p. 593, e tomo VI, p. 633, destas Memórias. (975) Descendente da família Venâncio Bernardino de Ochoa, de quem nos ocupámos na p. 359. (976) ALMEIDA, Fortunato – História da Igreja em Portugal.

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AVELANOSO (António José Pires) – Bibliotecário-arquivista do Ministério das Colónias. Nasceu em Avelanoso (de onde tomou o apelido), concelho do Vimioso, a 15 de Maio de 1861; filho de João Pires Pinelo e de D. Antónia Pires. Fez os estudos liceais em Bragança e Coimbra, frequentou os institutos industriais e comerciais de Lisboa e Porto, a Escola Industrial de Pintura Decorativa desta última cidade, o Curso Superior de Letras, a Escola Superior Colonial e o Estágio de Bibliotecário-Arquivista na Torre do Tombo e Biblioteca Nacional de Lisboa. Em 1889 foi nomeado fiscal do governo na construção do caminho-de-ferro da Beira Baixa, fazendo depois serviço no caminho-de-ferro do Porto à Póvoa e Famalicão. Em 1897 foi despachado amanuense (3.º oficial) da antiga Direcção-Geral do Ultramar, 2.º oficial em 1907, 1.º em 1911 e bibliotecário-arquivista em 1920. Fundou em 1911 a «União Colonial Portuguesa», que teve grande voga no seu tempo; é director da publicação histórica Arquivo das Colónias e da Legislação Colonial, secretário da Comissão Africana da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Comissão de Protecção aos Indígenas da mesma sociedade. Em 1912 foi em visita de estudo oficial e gratuita a França, Bélgica e Holanda estudar as organizações das escolas coloniais e institutos de propaganda; em 1913 foi nas mesmas condições às nossas colónias e por várias vezes tem dado prémios pecuniários aos estudantes pobres mais classificados da Escola Superior Colonial. Tem escrito: Anuário Colonial de 1916, com 557 págs. Idem de 1917-1918, com 1160 págs., e de 1926-1927 com 900 págs. Acaba de aparecer o de 1927-1929. Estatística geral das Colónias. 1915. Dois vols. com 378 págs. Arquivo administrativo das Colónias – Tese apresentada ao 2.º Congresso Colonial Nacional da Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1924. Fundou e dirigiu o semanário Norte Trasmontano, que se publicou em Bragança nos anos de 1895 a 1897, de que foi proprietário; nas mesmas condições, em 1899, a Tribuna, semanário que se publicou em Lisboa, e foi redactor de O Jornal, diário da manhã, mais tarde transformado na Era Nova. Tem colaborado: no Correio Nacional, Liberal, Portugal, O Século, A República, A Opinião, Luta, Tarde, Novidades, Diário de Lisboa, Época, A Voz, Palavra, Brigantino, Nordeste (estes dois de Bragança), Concórdia, dos Arcos de Valdevez, Comércio de Benguela, Beira Baixa, Revista Colonial Portuguesa, Portugal, do Rio de Janeiro, Revista Colonial e Marítima, Gazeta das Colónias, Luso Colonial e Boletim da Sociedade de Geografia.

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BAÇAL

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BACELAR

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BAPTISTA

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B BAÇAL – Ver adiante o artigo Manuscritos. BACELAR (José de Meireles Vaz Guedes Pereira Pinto) – Ver tomo II, pág. 524, destas Memórias. Escreveu: Ao visconde da Bouça (Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar), seu tio paterno – Últimas palavras de gratidão de seu sobrinho. 1917. 8.º pequeno de IX págs. A propósito desta família Bacelar, de que falámos no tomo VI, págs. 163, 521, 733, 28, 163, 521, 733 e 731 destas Memórias, aditamos mais o seguinte: MIGUEL VAZ GUEDES BACELAR (pág. 167-IV) – Bacharel em matemática e filosofia, general de infantaria, condecorado com a Torre e Espada e com serviços distintos no exército, casou com D. Felismina da Conceição Duarte e teve: I – MIGUEL VAZ DUARTE BACELAR, capitão de engenharia, actual comandante do batalhão de Sapadores do Caminho-de-Ferro, em Santo Tirso, que casou com D. Cacilda de Matos Ferreira de Lemos. Com descendência. II – AMÉLIA VAZ DUARTE BACELAR, que casou com o doutor Fernando Frade Viegas da Costa, professor da Universidade de Lisboa. Sem descendência. BAPTISTA (D. Beatriz Arnut) – Nasceu em Chacim, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 10 de Janeiro de 1892; filha de D. Cândida Amália Arnut. Foi funcionária do Arquivo do Ministério da Agricultura, de onde passou para os serviços técnicos da Biblioteca Nacional; secretária da Grande Comissão de Homenagem a Fialho de Almeida, organizada em 1926, de que era presidente de honra o ministro da Instrução doutor Alfredo de Magalhães, e presidente da comissão de senhoras da Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira. Tem escrito: Mágoas da mocidade (versos, seguidos de um conto em prosa), com prefácio de Avelino de Sousa. Lisboa, 1918. 8.º de VII+14 [1] págs. com o retrato da autora. Saudade – Trovas. Lisboa, 1924, com 104+2 págs. e o retrato da autora. Sorrisos cor-de-rosa (versos para as crianças). Lisboa, 1925. 8.º de 72+2 págs., com o retrato da autora quando criança. Orações à Virgem e a Nun’Álvares – Lembrança da peregrinação da Cruzada Nacional Nun’Álvares a Fátima e aos campos de Aljubarrota em Agosto de 1929. Contém dois primorosos sonetos. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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BAPTISTA

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Altar de luz – Sonetos. Com uma carta-prefácio do notável homem de letras e ilustre presidente da Academia de Ciências de Lisboa o Ex.mo Sr. Dr. Júlio Dantas. Lisboa, 1929. 8.º de 120+5 (inumeradas) págs., com o retrato da autora. Chorando. Lisboa, 1930. 8.º de 134 págs. Tem em preparação Gélido pranto e é colaboradora dos seguintes jornais: Diário de Notícias, Diário de Lisboa, Diário da Tarde, Correio da Noite, Voz Pública, Ecos da Avenida, O Jornal do Domingo, Vida, Modas e Bordados, O Comércio do Porto, Pirilampo, Tardes e Noites, Trás-os-Montes, Pátria Portuguesa, do Rio de Janeiro, Pátria, de Beja, Torrense, Jornal de Moura, La Chiosa, de Itália, Portugal, América Portuguesa, de Cambridge, Alma Nova, Eva e Revista Feminina. As Novidades de 18 de Novembro de 1928 inserem uma entrevista com D. Beatriz Arnut, acompanhada do seu retrato, a propósito do monumento ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira; e A Voz de 6 de Novembro descreve a inauguração, em Ourém, do culto do santo Condestável e a sessão solene no cine-teatro, a que presidiu o bispo de Leiria secretariado por D. Beatriz Arnut e pelo coronel Domingos Patacho e doutor Costa Lobo, de quem falámos no respectivo artigo. Nesta sessão, em que, como vemos, se destacaram dois nossos conterrâneos, brilhou ainda outro: o doutor Domingos Ferreira Deusdado, que pronunciou um magnífico discurso, que o referido jornal publica. BEÇA (Abílio Augusto de Madureira), pág. 41 – Em Dezembro de 1929 fez-se, alfim, a justiça que profetizámos (977) no necrológio publicado por ocasião da sua morte em 1910, levantando-lhe, por subscrição pública, um busto em bronze, erecto na avenida em frente da estação do caminho-de-ferro de Bragança, obra do notável escultor José Francisco de Sousa Caldas, por iniciativa do doutor Francisco Felgueiras Júnior, convertida em realidade pelo governador civil capitão Tomás Augusto Salgueiro Fragoso, coadjuvado eficazmente pelo ferrenho regionalista doutor Raul Manuel Teixeira e pelos membros da respectiva comissão. A inauguração do busto teve lugar a 1 de Dezembro, colocando-se no mesmo dia uma lápide de mármore na estação ferroviária de Salsas, comemorativa da trágica morte do conselheiro Abílio Beça. Na mesma data foi descerrada a lápide de mármore com o retrato em bronze (baixo relevo) de João da Cruz, colocado na esquina de uma casa fronteira, ao cimo da rua dos Oleiros, que passou a denominar-se «Rua João da Cruz», o arrojado empreiteiro do mesmo caminho-de-ferro, glorioso (977) O Trasmontano, suplemento ao nº 28 da Ilustração Trasmontana.

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BEÇA

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BORNES

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BRAGANÇA

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bragançano que sacrificou toda a sua grande fortuna, ficando na pobreza, para levar a cabo tão grande melhoramento. Neste solene acto de justiça tomaram parte todas as câmaras do distrito e tudo que no mesmo havia digno de representação social, além do povo da cidade e aldeias, que pressuroso acorreu a prestar homenagem ao egrégio conselheiro Abílio Beça. BORNES – A 12 de Setembro de 1775 despachou el-rei favoravelmente o pedido de Francisco Inácio de Morais Frias Sarmento, «legitimo successor e administrador do Morgado que instituhio Manuel da Costa e sua mulher D. Margarida Ferñ, do lugar de Bornes, termo da cidade de Bragança», hoje concelho de Macedo de Cavaleiros, atinente a fazer-se tombo dos bens do morgadio (978). BRAGANÇA. CADEIA – A 2 de Dezembro de 1594 mandou o duque de Bragança à câmara da mesma que, «por ser muito fraca a cadea dessa cidade, e estar no cabo della, fogem ordinariamente os prezos, e por isso senão pode fazer justiça dos malfeitores, do que se segue não haver emmenda, nem temor á justiça, pelo que me parece necessario que se ordene logo fazer outra cadea tam forte que os prezos estejão nella seguramente, e pela enformação que tenho, entendo que se deve fazer no meyo dessa cidade por cima de S. Vicente aonde está vago hû sitio, que ha para isso muito bom» (979). CÂMARA ECLESIÁSTICA – «Ministerio dos Negocios da Justiça – Repartição dos Negocios Ecclesiasticos. Tendo-se representado a este Ministerio, que na Camara Ecclesiastica do bispado de Bragança se exigem emolumentos exorbitantes nos Autos de Collação dos Presbyteros apresentados por Sua Magestade em Beneficios curados: assim o manda a mesma Augusta Senhora communicar ao Vigario Capitular da referida Diocese; afim de que elle, tendo em vista as muitas e repetidas ordens que por este mesmo Ministerio se tem expedido sobre a materia de que se trata, faça averiguar com todo o escrupulo o que ha em verdade a respeito da exigencia contra que se reclama e informe depois com urgencia o que souber, remettendo com a informação cópia da Tabella de emolumentos, porque na Camara Ecclesiastica se regulam actualmente. Paço das Necessidades, em 5 de Janeiro de 1848» (980).

(978) Registo maior III da Câmara Municipal de Bragança, fólio 298 v. (979) Museu Regional de Bragança, Manuscritos antigos 5, fólio 156. (980) Diário do Governo de 8 de Janeiro de 1848. Maurício José de Sousa e Silva, reitor de Mascarenhas, foi despachado escrivão da Câmara Eclesiástica de Bragança por decreto de 31 de Janeiro de 1848 (Diário do Governo de 8 de Fevereiro seguinte).

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CAMINHO-DE-FERRO – Acta da inauguração dos trabalhos da construção do caminho-de-ferro de Mirandela a Bragança – 20 de Julho de 1903. «Aos vinte dias do mez de Julho do anno de mil novecentos e três, n’esta cidade de Bragança, campo de Santo Antonio e no local previamente designado para a estação do caminho de ferro a terminar n’esta cidade, compareceram na presença da Camara Municipal d’este concelho, reunida em numero legal sob a presidencia do vice-presidente Sebastião dos Reis Macias e de mim secretario de seu cargo, o Ex.mo Sr. Abilio Augusto de Madureira Beça, como Governador Civil d’este districto; Affonso Pereira Cabral, engenheiro-chefe da Fiscalisação da construcção do caminho de ferro de Foz Tua a Bragança, como representante do Governo; Simão Marques Pinheiro, inspector da linha ferrea de Foz Tua a Mirandella, como representante da Companhia Nacional de Caminhos de Ferro; Manuel Francisco da Costa Serrão, engenheiro-director da construcção do caminho de ferro de Mirandella a Bragança; João Lopes da Cruz, empreiteiro geral da construcção do caminho de ferro de Mirandella a Bragança; com assistencia de Sua Ex.a Rev.ma o Sr. Bispo d’esta diocese D. José Alves Mariz, e mais auctoridades civis, judiciaes, fiscaes e militares, e representantes das diversas classes sociaes d’esta cidade, taes como, commercial, industrial e artistica; e perante todos foi declarado que, nos termos da legislação portugueza em vigor e dos respectivos contractos, se ia n’este momento proceder á inauguração dos trabalhos da construcção do caminho de ferro de Mirandella a Bragança. E logo pelo Ex.mo Sr. Conselheiro Governador Civil do districto foi transportada a primeira carreta removendo terras que os operarios se apressaram a esparzir no local da estação projectada para o serviço da linha ferrea de Mirandella a Bragança, dando-se por esta forma por inaugurados os trabalhos da referida construcção ao som do hymno nacional e de girandolas de foguetes. De tudo o que fica exposto mandou a Camara Municipal lavrar este auto que vae ser assignado por Sua Ex.a Rev.ma o Senhor Bispo desta diocese, pelas entidades referidas que directamente intervieram n’este acto solemnissimo, pelas auctoridades civis, judiciaes, fiscaes e militares, por todos os representantes das differentes classes sociaes d’esta cidade, e bem assim por todos os cidadãos que queiram ligar o seu nome a este acto de elevado patriotismo e de auspiciosa regeneração economica d’esta região, depois de lido por mim José Valentim Carneiro, secretario que o subscrevi. – José, Bispo de Bragança. Abilio Augusto de Madureira Beça. Affonso do Vale Coelho Pereira Cabral. Simão Marques Pinheiro. Manuel Francisco da Costa Serrão. João Lopes da Cruz. Sebastião dos Reis Macias. Cyriaco do Nascimento Affonso. Padre Avelino Antonio Pires Diegues. Alvaro José de Oliveira Moz. Julio do Nascimento Affonso. Francisco Diogo de Moraes. Carolino Abel Rodrigues Serrano. José Joaquim Pinto, em seu nome e como representante da Camara do Vimioso. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Manuel Maria Lopes Monteiro. Joaquim Guilherme de Sá. Carlos Augusto da Silva Leitão. Albano Nogueira Pereira Lobo. Antonio Augusto Gonçalves Braga. Ruy Betancourt da Camara. Antonio Augusto Lopes Mendes Saldanha. Conego Antonio Manuel Santiago. Conego Manuel da Novoa. Padre José Maria da Cunha, promotor do bispado. José M. de Sá Vargas. Abel Annibal de Azevedo. Luiz Ferreira Real. Eduardo Ernesto de Faria. José de Sá. Olympio Arthur de Oliveira Dias. Albino Augusto de Sá Leão. Augusto Maria de Barros. Augusto Cesar Moreno. Anthero Arthur Lopes Navarro, official do Governo Civil. Francisco do Patrocinio Felgueiras. José Joaquim de Almeida. Agostinho Paulino Pires. Adelino Augusto Esteves. Carlos Leitão Bandeira. José Luiz de Carvalho. Francisco José Martins Morgado. Manuel Joaquim Pereira da Silva. Antonio Manuel Vilares. José Montanha. Carlos Alberto de Lima e Almeida. Accacio Augusto Vidal. José Julio Chaves de Lemos. José Augusto Ferro. João Manuel Mendes Saldanha. Segismundo Eduardo Lopes. José Joaquim de Figueiredo Pimentel. José Antonio Fernandes. Antonio Caetano de Sousa. Alipio Albano Pires. Narciso Augusto de Moraes. Francisco José Ferreira de Castro. José Baptista da Cruz. José Antonio Pires. João Baptista Olimpio Ramires. Albano da Ressureição Costa. Augusto Cesar Gil. José dos Santos Montanha. Virginio Gomes Garcia. Francisco de Paula. José Joaquim Fernandes. Belisario José Fernandes. José Manuel Montes. Prior Abilio Alberto Alves de Moraes. Luiz Antonio Pinelo. José Miguel Fernandes. Antonio José Parente. José Manuel da Costa. Julio Augusto Soares. Miguel Antonio Carneiro. Francisco Antonio de Almeida. Antonio Joaquim Alves. Gaudencio Benigno Rodrigues. Francisco Antonio Falcão. Antonio dos Santos. José Barradas. Manuel Moraes. Abilio de Jesus Ramos Zoio. Antonio Manuel Gomes. Guilhermino Lopes. José Augusto. José Manuel. Antonio dos Santos Cruz Rocha. Domingos Vinhas. Manuel Joaquim de Sá. João da Mata. Alberto Castelhano. Filippe Gonçalves. Augusto Cesar Affonso. João de Deus Fernandes de Azevedo, prior de Santa Maria. Julia Maria Chaves de Lemos. Antonio Thiago Teixeira Lopes. – Está conforme. Bragança, 20 de Julho de 1903. José Valentim Carneiro» (981). DOMUS MUNICIPALIS, ERMIDA DE S. SEBASTIÃO, TORRE DO RELÓGIO E IGREJA S. FRANCISCO – A 24 de Dezembro de 1588 escrevia o duque de Bragança à câmara da mesma, dizendo-lhe: «Sou informado que nessa cidade ha algûas cousas poucas muito daneficadas que he necessidade de se repairarem para que se não acabem de

DE

(981) Ao erudito escritor Ernesto Augusto Pereira Sales agradecemos a cópia que nos mandou deste documento. A inauguração do primeiro comboio chegado a Bragança teve lugar a 30 de Novembro de 1906.

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perder e que não se entendendo com brevidade no repairo dellas, senão poderão depois reformar sem grande despesa das rendas della. As quais são as casas da audiencia, torre do relogio, sino de correr, e ermida de São Sebastião, e as pontes do rio de fervença, e fontes, e a igreja de São francisco que se concerta á custa das rendas dessa cidade. E que á defeza do sardoal, sendo a milhor cousa que a cidade tem e mais proveitosa pera os moradores della se corta e destrue sem se lhe acudir. E avendo hua provisam del Rey meu Senhor para se devassar sobre aquelles que nella cortão se não dá á execução e dado que por bem do dito Regimento sois obrigados a olhar pollas tais cousas, e prover no repairo, e guarda dellas, todavia vos quiz advertir disto para que tenhais particular cuidado, e tempo, para acudirdes a ellas. E ao meu ouvidor escrevo que quando for em correição a essa cidade saiba particularmente de como vos ouvestes nestas cousas, e me avise do que nisso achar. Tambem sou informado que a casa da Camara e audiencia dessa cidade he pequena, e não he conforme á que convem aber nella,e que está em lugar escuso; encomendovos que procureis que se faça hûa casa accomodada para a Camara, e audiencia em lugar publico para bem dos cidadãos e povo pois a cidade tem rendas de que se possa fazer a milhor que ouver nessa comarca para que fique mais emnobrecida, e confio de vos que no outro anno pensareis dar ordem a que as mais destas obras se acabem, e as que se não poderem acabar nelle fiquem principiadas para as acabarem os soccessores que ouverem de servir o anno que bem............................ Quanto aas casas da Camara o que quero he que me aviseis do lugar em que estão fazendo hû desenho dellas e das que estiverem ahy perto e que vejaes aonde fica bem fazer-se outras, e o que poderão custar e que me aviseis de tudo com brevidade com vosso parecer para vos eu avisar do que nisso assentar o desenho que se fizer hade ser da praça e do lugar em que assentardes que he bem fazer se» (982). EMIGRADOS POLÍTICOS ESPANHÓIS – Há cinquenta e sete anos. Do Diário de Notícias de terça-feira, 12 de Agosto de 1873: «Em Pinheiro Velho, concelho de Vinhaes, districto de Bragança, entraram ante-hontem perto de trezentos emigrados, armados, fugidos á perseguição do governo hespanhol. Consta-nos que por outros pontos do reino também teem entrado mais emigrados. O governo tem tomado as medidas necessarias para evitar quasquer consequencias que possam produzir a entrada dos emigrados».

(982) Museu Regional de Bragança, Manuscritos antigos 5, fólio 122.

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BRAGANÇA

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Do Diário de Notícias de sexta-feira, 15 de Agosto de 1873: «Escrevem de Bragança que por participação das auctoridades de Vinhaes soube-se ali no dia 9 que uma força de cêrca de setecentos homens de voluntarios da republica hespanhola, regularmente armados, tinham passado a fronteira ao pé de Moimenta, e que tendo regressado a Hespanha haviam voltado a Portugal, dirigindo-se sobre Bragança. Contavam-se dessa força excessos incriveis, commettidos em territorio hespanhol: roubos, incendios e os mais artigos das “festas” de Alcoy. Era ao fim da tarde. O susto foi ali grande. Ignorava-se a direcção exacta que trazia aquella força, e sendo, como era, numerosa a guarnição, não podia dividir-se em columnas que partissem por estradas differentes. N’estes termos, estabeleceram-se fortes piquetes em volta da cidade, sentinellas avançadas nas differentes avenidas e patrulhas de cavallaria em ronda permanente. E assim se passou a noite. O dia seguinte amanheceu mais pacifico. Dez soldados e dois officiaes dos emigrados hespanhoes entraram em Bragança ás sete horas da manhã, tendo primeiramente entregado as armas em uma das povoações da fronteira. Posteriormente soube-se que o resto d’aquella força entregara as armas a uma pequena columna de caçadores e cavallaria que de Vinhaes marchava para o ponto invadido. Essa força entrou ali no dia seguinte. A guarnição de Bragança consta do regimento de cavallaria nº 7 e do batalhão de caçadores nº 3, mas essa força acha-se dividida em fortes destacamentos, os quaes fazem immensa falta para guarnecer, como se deve, os principaes pontos da raia. A força hespanhola ali recolhida deve vir já em marcha para o Porto, acompanhada por uma força de cem praças de infantaria nº 6 e cavallaria, devendo chegar a Lisboa por estes dias». SEDA – Em carta de 21 de Agosto de 1516 do duque de Bragança à câmara da mesma cidade dizia-lhe: «Soube agora como o trato que avia nessa cidade da ceda hia em tanta diminuição que se se não acodia a isso com o remedio necessario se acabaria de todo, porque de quarenta teares que nella avia, não avera agora mais que dez e enobrecia isto tanto essa cidade que não he bem que se deixe perder por se não executar a ley que ella tem firme em cortes que diz que nehûa pessoa possa tratar em cedas sem fazer as duas partes para os teares. Encomendovos muito que a façais executar» (983).

(983) Museu Regional de Bragança, Manuscritos antigos 5, fólio 40. Na p. 453 do tomo II destas Memórias já aludimos a este documento, menos explicitamente porém.

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BRAGANÇA

TOMO VII

TEATRO – O teatro de Bragança foi mandado construir pela câmara municipal da mesma cidade em 1848 e continha vinte e nove camarotes, cento e vinte lugares de plateia e doze varandas (984). Em 26 de Janeiro de 1851 a Sociedade «Recreio Instrutivo» de Bragança participava ao administrador do concelho que tencionava levar à cena no dia seguinte, «anniversário da Carta Constitucional», o drama Dever e natureza (985). TELÉGRAFO – A 4 de Setembro de 1874 foi arrematado o fornecimento dos postes de madeira para a montagem da linha telegráfica de Bragança para o Vimioso (986). TRÁS-OS-MONTES MONUMENTAL – Com esta epígrafe publicou o Diário de Notícias de 22 de Agosto de 1880 a seguinte informação: «O snr. Alfredo de Andrade fez seis desenhos da villa velha de Bragança, do castello da mesma villa, de uma antiga casa proximo do castello, da villa de Vinhaes e seu curioso pelourinho, da egreja, de S. Facundo, n’esta villa, e das antiguidades de Castro de Avelans. Estes desenhos acompanham o relatorio ácêrca do convento de Vinhaes, o qual inventaria e aprecia as principaes riquezas artisticas e archeologicas de Bragança, de Castro de Avelans, proximo d’aquella cidade, e de Leça de Bailio, nos suburbios do Porto, famoso templo que os commissionados visitaram no seu regresso da provincia de Traz-os-Montes. O snr. dr. Emilio Hubner, celebre antiquario de Berlim, tendo conhecimento das inscripções calcadas pelos snrs. Andrade e Rangel de Lima em Castro de Avelans, deu nova interpretação áquella de que fala nas suas interessantes Noticias archeologicas de Portugal e interpretou outra que era inedita. A este respeito dirigiu o sabio allemão uma interessante carta ao snr. Alfredo de Andrade, parte da qual vae transcripta no relatorio, visto a auctorisação que os commissionados tiveram para se servirem d’ella publicamente». BRAGANÇA (Cândido Baptista) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, natural de Mirandela. Escreveu: Breves considerações sobre o paludismo – Dissertação inaugural. Lisboa, 1909. 8.º de 78 págs.

(984) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil. (985) Ibidem. (986) Ibidem. Ver tomo II, p. 395, destas Memórias.

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CABRAL

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CALDEIRÃO

623 TOMO VII

C CABRAL (Dário) – Doutor e professor. Escreveu: Conferência feita na sede da Sociedade Portuguesa de Instrução e Educação no dia da sua inauguração (Dia 4 de Junho de 1927). Lisboa, 1927. 8.º de 20 págs. CABRAL (Francisco da Conceição Pereira) – Presbítero. Nasceu em Vila Flor a 7 de Maio de 1855. Estudou preparatórios no colégio do padre Roseira em Lamego e o curso teológico no Seminário de Braga. Foi depois professor no colégio de Lamego e no Seminário dos Carvalhos de Braga desde 1889, onde ensinou francês e literatura, até à proclamação da República em 1910, sendo pouco depois nomeado director espiritual do Seminário do Porto, onde se conserva, destacando-se sobremodo pela sua extraordinária virtude, caridade e abnegação. Escreveu: Gramática Francesa. Tem já doze edições. O dia mais feliz da minha vida. Florilégio dos levitas do Senhor. Palavras de ouro endereçadas à mocidade. Não nos foi possível ver nenhuma destas publicações nem arrancar ao virtuoso sacerdote os dados bibliográficos que faltam e muito diligenciámos obter, aborrecendo por isso vários amigos. Que nos perdoe o sr. padre Pereira Cabral, honra do clero bragançano, mas a modéstia em excesso também é vício, e não dizemos mais por se tratar de tão respeitável personagem. A ti, meu caro António José de Morais, digno pároco de Vila Flor, um abraço de profundo reconhecimento pela paciência com que tens aturado as nossas impertinências (987). CABRAL (Henrique Maria Pais) – Doutor em direito, cujo curso terminou em 1914. Nasceu no Mogadouro a 25 de Dezembro de 1886; filho de Alberto Pais Cabral e de D. Maria Esteves Pereira. Foi deputado por Moncorvo em 1926. CALDEIRÃO (Romão) – «Mestre pintor da cidade de Santiago da Galliza»; faleceu a 27 de Setembro de 1792 no hospital da Misericórdia de Bragança (988). (987) Ver a sua biografia no Portugal Antigo e Moderno, artigo «Vila Flor». (988) Museu Regional de Bragança, maço Casamentos. A certidão de óbito está junta ao maço dos Casamentos de Bragança.

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CALDEIRÃO

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CAMPILHO

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Parece-nos que a cláusula «mestre pintor da cidade de Santiago da Galliza» deve entender-se como sendo ele natural dessa cidade, podendo todavia viver em Bragança onde exercia a sua arte. CAMPILHO – Em 1720, Francisco de Morais da Silva, sargento-mor, morador em Vinhais, requereu uma pública-forma do vínculo de morgadio de que era representante, fundado a 2 de Janeiro de 1672 (989) por João de Morais de Valcacer, licenciado, abade de Negreda, a favor de suas sobrinhas (eram dois os morgadios que fundava) Francisca de Morais, ajustada para casar com Estêvão de Mariz Sarmento, e Isabel de Morais, também ajustada para casar com Cristóvão da Silva Sarmento, ambas filhas legítimas de Maria de Valcacer, irmã do abade fundador. Os casamentos realizaram-se. Os bens vinculados estavam situados, entre outros lugares, nos seguintes: Pelames, Coutada, Corujeira, Canameira e Lobagueiras. Por outro documento, que vem junto a este, vê-se que em 1677 era já falecido o abade fundador, e nessa altura Estêvão de Mariz Sarmento era cavaleiro professo na ordem de Cristo, capitão-mor e governador de Vinhais. D. Maria Eugénia de Morais Castro Sarmento, com autorização de seu marido Pedro José Sebastião de Morais Sarmento, de Vinhais, requereu em 1720 pública-forma do mesmo morgadio fundado pelo aludido abade, do qual era ao tempo senhora. Em 6 de Novembro de 1744 fez testamento Lourenço da Silva Sarmento, abade encomendado de Vinhais e comissário do Santo Ofício, deixando herdeiro universal dos bens seu sobrinho Lourenço da Silva Sarmento, administrador do morgado que ele e seus irmãos fundaram. O abade fundador era irmão de D. Rita, freira no convento de Vinhais, de André de Morais Sarmento e de José Sarmento e tio de João de Morais Sarmento de Miranda, de João de Macedo de Madureira, arcediago de Mirandela, e de D. Isabel, noviça no convento de Vinhais. D. Maria Eugénia da Conceição, com autoridade de seu marido Pedro José Sebastião de Morais Sarmento, requereu em 1800 pública-forma do vínculo de morgadio fundado a 26 de Maio de 1730 por D. Rosa de Morais Sarmento, João Baptista de Morais Sarmento, vigário da igreja do Pinheiro Novo, André de Morais Sarmento, abade de Candedo, padre Pedro de Morais Sarmento e padre Lourenço da Silva Sarmento (este ausente em Lisboa, mas representado por procuração), todos irmãos, nos bens do casal do Bairro do Eiró, que herdaram de seus pais. Estes bens eram agregados (989) No tomo VI, p. 624, destas Memórias apontámos o ano de 1662 por assim o encontrarmos nos documentos de onde extraímos a notícia.

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CAMPILHO

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CAMPOS

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CARVALHO

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ao morgado administrado por Francisco de Morais da Silva, sargento-mor da comarca de Moncorvo, irmão dos instituidores na capela de Nossa Senhora da Conceição. A 4 de Fevereiro de 1706 João da Rocha Figueiredo, de Vinhais, fundou um vínculo de morgadio com capela dedicada a Santo António (não se percebe bem se é a este santo), edificado na capela de S. Lourenço. Na falta de descendentes seus, chama para sucessores os filhos de seu irmão Pedro de Morais Sarmento; na falta destes, os de sua irmã D. Joana de Morais Sarmento, casada com Jácome de Morais Sarmento, e na destes, os de sua irmã D. Perpétua. O instituidor era filho de Francisco da Silva Barreto e de D. Perpétua da Rocha Figueiredo. Parte dos bens destes morgadios ainda hoje pertencem à família Campilho, de que tratámos no tomo VI, pág. 617, destas Memórias, e a outra parte à família Ferreira Sarmento, das Aguieiras (pág. 625). Não alcançamos a relação que há entre esta família e o facto que vamos relatar, digno de ficar arquivado nestas páginas. Em Outubro de 1759, quando mais acesas andavam as iras do marquês de Pombal contra os regicidas, foi preso em Perpinhão José António de Morais Sarmento, de trinta e sete anos de idade, residente em Lisboa, filho ilegítimo do padre António de Morais Sarmento e de Rosa de Gouveia, mulher de Manuel d’Armida (da Ermida?), naturais de Vinhais, na província de Trás-os-Montes, por confessar que era ele o regicida José Policarpo, tão avidamente procurado pelas iras pombalinas. Afinal, do auto de identificação a que procederam dois emissários do governo português, veio a saber-se: que o nosso conterrâneo não era o réu procurado; que ia a Roma visitar seu tio, o padre Francisco da Silva de Morais Sarmento, empregado na igreja de S. João de Latrão, e que fora por borracheira, sem saber o que dizia, que confessou ser ele o tal José Policarpo. Que grande patusco! a caçoar com o senhor de Pombal!... (990) CAMPOS (D. Adelina Augusta de) – Escreveu, pelo menos corre com o seu nome: Memória apresentada por... para ser junta ao processo-crime por homicídio voluntário em que é réu Aníbal Artur Marcelino e em que foi vítima o marido daquela Senhora. 8.º de 23 págs., sem indicar ano nem lugar de impressão, embora se saiba que é recente e os interessados naturais do Mogadouro. CARVALHO (Abraão de) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, delegado do procurador da República em Lisboa, antigo professor de história e geografia do liceu de Chaves, cujo círculo representou em cortes (990) SAMPAIO, Luís T. de – Em volta do processo dos Távoras, in Instituto, 1929, p. 501, onde se publica na íntegra o processo da identificação.

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CARVALHO

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CASTELÃOS

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na legislatura de 1915-1917. Nasceu em Macedo de Cavaleiros a 18 de Agosto de 1883. Fez os estudos liceais em Braga. É irmão do doutor Alberto Feliz de Carvalho, a quem nos referimos no artigo respectivo. Escreveu: Função da polícia judiciária, do ministério público e do juiz de instrução criminal. Lisboa, 1903. 8.º de 245 págs. Relatório e proposta de lei sobre a reorganização judiciária. Pombal, 1915. 8.º de 46+3 (inumeradas) págs. CARVALHO (Dr. Alberto Feliz de) – Cônsul-geral de Portugal em Madrid, habilíssimo diplomata e brilhante literato, lídimo carácter, irmão do notável jurisconsulto Abraão de Carvalho e cunhado do major Joaquim Maria Neto, memorados todos nesta obra. Nasceu em Macedo de Cavaleiros a 10 de Dezembro de 1889; filho de João Bento de Carvalho e de D. Eugénia da Anunciação Afonso de Carvalho, ricos proprietários de Valbom de Mascarenhas, concelho de Mirandela. Escreveu: Água lustral – Arte e crítica. Coimbra, 1913. 8.º de 31 págs. (É de colaboração com Artur Ribeiro Lopes). Tem colaborado em vários jornais e revistas portuguesas e estrangeiras, como Rajada, revista de Coimbra; Capital; Cervantes (espanhola) e outras. CARVALHO (Constâncio Arnaldo de), pág. 87 – Faleceu no Porto a 12 de Janeiro de 1927. Era filho de António Manuel da Silva e de D. Maria Elisa de Carvalho. Concluiu a formatura em direito no ano de 1902. Deixou manuscritos os seguintes trabalhos: De capa e batina. Contém episódios galhofeiros da vida coimbrã, cheia de guitarradas, em que era exímio. A ceia dos quintanistas, idem, idem. As comédias: Meninos da moda; Muito amigas; Casa com escritos; Dois raptos numa hora; Um condenado e Figos do Algarve. E a farsa em dois actos Javardo, a propósito de uma montaria dos caçadores de Moncorvo ao javali, no Reboredo. Todas estas peças foram representadas (e muito aplaudidas, ver Alma Trasmontana) com o fim humanitário de angariar donativos para o hospital de Moncorvo. Colaborou na Estrela ao Minho, Norma e em O Comércio do Porto, na sua secção permanente intitulada «Sal e Pimenta», onde usava o pseudónimo de «Silvalho». CASTELÃOS – A 15 de Abril de 1771 despachou el-rei favoravelmente o pedido de Bernardo dos Santos Pereira, cavaleiro professo na ordem de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


CASTELÃOS

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CASTRO

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CASTRO DE AVELÁS

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Cristo, morador em Castelãos, termo da cidade de Bragança, hoje concelho de Macedo de Cavaleiros, que pretendia trocar um prado que possuía no sítio do Mosqueiro por outro, pertença do concelho, no lugar das Coladras, tudo limite de Castelãos (991). CASTRO (António Ferreira de) – Cavaleiro professo na ordem de Cristo, familiar de número do Santo Ofício, sargento-mor da vila do Vimioso e dela natural. Ano de 1748. Escreveu: Breve notícia dos Imperadores Romanos, Reis de Castela e Portugal: Descrição do Vimioso oferecida ao glorioso São João Baptista. 1748. Fólio manuscrito encadernado de 18 págs. inumeradas, mais 1112 numeradas dos dois lados e mais 12 inumeradas, existente em Vinhais em poder de Viriato Ferreira de Castro e de sua irmã D. Maria Eugénia Ferreira de Castro, descendentes do autor. Ver o artigo Castro (João Ferreira de), pág. 91. António Ferreira de Castro, autor do manuscrito citado, era filho, como declara nos fólios 9 e 15 v. do mesmo, de João de Castro Ferreira, e por sua vez deixou também um filho de nome João Ferreira de Castro, licenciado, segundo diz no fólio 1. D. Cândida Florinda Ferreira (ver o artigo respectivo neste «Suplemento») guiou-se por este códice no seu trabalho A Guerra da Sucessão no distrito de Bragança. CASTRO DE AVELÃS, GOSTEI e CASTANHEIRA – Sentença dada a 26 de Abril de 1722, reconhecendo aos moradores de Castro de Avelãs, concelho de Bragança, o direito de pastorear seus gados no termo desta cidade, «nos sitios de Campo Redondo e Lamalonga athe de tras do Forte, e athe a Peneda da Graça e Pedra Rachada e tudo agoas vertentes ao rio e de tras do Forte te agoas vertentes a Britelo», segundo a posse imemorial em que estavam. Esta sentença é de harmonia com outras dadas já em 1497 e 1694, que reconhecem aos moradores de Castro de Avelãs, Gostei e Castanheira o direito de «pastar, montear e estouçar» no terreno indicado. Na de 1497 eram João Leite e Rafael de Sá, escudeiros, juízes ordinários da cidade de Bragança, e Lopo Ferreira, reitor e procurador do mosteiro de Castro de Avelãs. Gregório Rodrigues, escudeiro, morador em Bragança, figura também no processo. Também em 1687 houve demanda sobre o mesmo caso e era Lopo Aires Ferreira procurador do mosteiro de Castro de Avelãs. Em 1860 houve nova demanda pelo mesmo motivo, sendo dada sentença a favor dos moradores desta povoação (992). (991) Registo maior III da Câmara Municipal de Bragança, fólio 298. (992) Registada no livro nº 8 do Registo maior da Câmara de Bragança, fólios 16 v. a 25 v. No fólio 31 do mesmo livro vem o auto de demarcação do termo de Bragança e da povoação de Gostei.

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CHOA

TOMO VII

CHOA (António Manuel) – Padre. No manuscrito abaixo descrito, escreveu o autor o seu nome num monograma formado por um M em que se vê cortado ao meio o ângulo das primeiras duas pernas e a terceira semelha um C, tendo por cima de todas elas um e precedido de P, abreviatura de P.e (padre), que sai, com certa arte, do conjunto do M. O monograma diz: Pe. António Manuel Cameirão, segundo nos informa o tenente-coronel de infantaria Carlos António Leitão Bandeira (993), casado em Izeda com D. Maria do Coração de Jesus Cameirão Afonso, descendente colateral do autor, a quem o manuscrito pertencia e agora a nós, por oferta generosa do marido, que muito agradecemos. Examinando no Museu Regional de Bragança o maço Ordinandos, não encontrámos o nome de tal padre. Aparece, sim, um padre António Afonso Cameirão, cónego, tesoureiro-mor da Sé de Miranda, que resignou o canonicato em seu sobrinho António Bernardo Afonso Cameirão; mas, como este morresse em vida do outorgante, fez segunda resignação em outro sobrinho de nome Sebastião de Morais, subdiácono, de Izeda, em 1758 (994). Portanto, não pode ser nenhum destes. Aparece ainda um José Maria de Morais Cameirão, também de Izeda, que recebeu ordens de missa em 1847, que igualmente não pode ser aquele pelos motivos deduzidos do contexto do códice, nem será o padre Manuel Joaquim Choa, reitor de Izeda em 1858. Entendemos que o autor do manuscrito será António Manuel Choa, de Izeda, filho de Luís de Choa, desta povoação, e de Catarina Joaquina Pereira, de Gralhós, que recebeu ordens de diácono em 1827. Este, sim: padre novo, com o sangue na guelra, é que estava em condições de se meter na aventura da guerrilha miguelista que relata. O título do manuscrito é: Divertimento Crítico e Satírico; feito às Escuras. Com a narração histórica da vida de um infeliz caipira [nesta altura está o monograma] demonstração de amizade, e ingratidão no tempo contrario. Com o trágico curso de males em que a Revolução faz naufragar o homem. Dado em lugar oculto aos 6 de Janeiro de 1837. Serdla B (995). 4.º de 46 folhas paginadas de frente. O autor narra em prosa e verso os trabalhos que passou durante vinte e sete meses de prisão por vinte e nove cadeias e no exílio, devido às perseguições políticas: o abandono dos parentes que bem podiam protegê-lo, principalmente um deles – Venâncio Bernardino Ochoa – então governador civil do distrito de Bragança e grande potentado, e memora, reconhecido, os benefícios de alguns amigos, poucos, pois a maior parte voltou-lhe as costas. (993) Ver tomo VI, p. 728, destas Memórias. (994) Ibidem, p. 636. (995) Anagrama evidente de Baldres, povoação do concelho de Macedo de Cavaleiros.

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CHOA

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CIRNE

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A parte, porém, verdadeiramente interessante do códice é a história da guerrilha miguelista de que foi organizador, juntamente com o capitão-mor de Algoso a 1 de Maio de 1834, intitulada «Batalhão da União Restauradora dos Direitos de D. Miguel I», num total de duzentos homens, armados alguns de espingardas e a maior parte de paus e roçadouras, começando por assaltar a vila de Algoso, onde o autor servia de cura do reitor Pistolas, para se apropriarem de alguns armamentos que lá havia, «constituindo segunda vez as antigas autoridades [miguelistas], lançando por terra as governativas usurpadas, afichando as Proclamações do nosso Monarcha nos pellourinhos e portas das Igrejas com exultantes repiques de sinos, e festivas acclamações». Marcharam seguidamente sobre Miranda do Douro, pondo-lhe cerco, que se entregou sem derramamento de sangue no dia 4 de Maio. No dia seguinte, 5, apareceu a cidade sitiada por duzentos carabineiros espanhóis e pelas tropas constitucionais de Bragança e Freixo de Espada à Cinta; houve tiroteio, de que resultou uma morte e três feridos, sendo os miguelistas postos em fuga desordenada de «salve-se quem puder», passando alguns por Santulhão, onde se acolheram em casa do «Senhor Quintanilha e Canedo» (996), Izeda e Bagueixe, «ponto central de reunião». Os poucos que se reuniram aí ao autor do manuscrito e ao capitão-mor de Algoso, perseguidos de perto pelos constitucionais, amanheceram cercados no dia 7 de Maio e só a muito custo escaparam; o padre debaixo de uma cama e o capitão-mor na ponta de um corpulento negrilho coberto de folhagem, «sendo esta a ultima acção e onde teve fim o brioso e valleroso [sic] Batalhão». A 18 de Maio desse ano de 1834 foi o autor preso e remetido para a cadeia de Bragança, iniciando assim a tragédia dos seus... errores. CIRNE (Padre Manuel António de Madureira) abade de Carrazedo, pág. 100 – Entrou na conspiração de Gomes Freire de Andrade e foi preso, mas solto por falta de provas (997). No tomo VI, pág. 588, destas Memórias aventámos a suspeita de que o capitão Pedro Pinto de Morais Sarmento, ajudante de ordens do brigadeiro Baía, da 5.ª brigada de infantaria de Trás-os-Montes, denunciante da conspiração de Gomes Freire em 1817, fosse natural desta província, por nela abundarem os apelidos Morais Sarmento e até membro da família Buiça, de Vinhais; mas Raul Brandão (998) diz que ele era natural de Lisboa e filho de Pedro Caetano Pinto de Morais Sarmento. Era irmão de José Maria Pinto de Morais Sarmento, prelado (cónego) da Sé de (996) Ver o artigo Criminosos. (997) BRANDÃO, Raul – A conspiração de Gomes Freire de Andrade, 3.ª edição, p. 202. (998) Ibidem, p. 122.

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CIRNE

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COELHOSO

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Lisboa, que em 1822 foi desterrado para a comarca de Ourique por implicado numa tentativa de revolução absolutista, bem como José Quina, que foi desterrado para o Vimioso, sua terra natal, e Teles Jordão, o famoso propugnador do absolutismo, para a Guarda, também sua terra nativa. Fica, pois, sabido que o capitão Pedro Pinto de Morais Sarmento não nasceu em Trás-os-Montes, apesar de a concordância dos apelidos inculcar costela trasmontana, facto que entendemos conveniente esclarecer, como fica feito. COELHOSO – A 17 de Agosto de 1860 escrevia do concelho de Chaves Francisco José de Morais Castro Lobão ao administrador do concelho de Bragança, dizendo que sua mulher D. Marcelina Ermelinda da Rocha era administradora do morgado de Santo António das Carvas, próximo de Bragança (999). Ver tomo VI, pág. 792, destas Memórias e, neste tomo, o artigo Rocha (Jaime Augusto Vieira da), pág. 450. Não há dúvida de que os fidalgos conhecidos pela nomeada de Vassouras eram estes Rochas, estabelecidos em terra de Chaves, dos quais uma senhora de nome D. Maria (tomo VI, pág. 792) casou com um dos Sarmentos de Santo Estêvão, concelho de Chaves, agora ramificados para Vila Verde da Raia e outras terras, como nos informou o padre António Augusto Teixeira, de quem falámos no respectivo artigo (pág. 550), que mui bem os conheceu, por estacionarem na sua casa em Bragança, quando vinham receber as rendas das propriedades. A compra do casal dos Vassouras, em Coelhoso, segundo nos disse o doutor Manuel José Alves de Morais, a quem aludimos na pág. 346, foi feita por seu pai Álvaro Lino de Morais pelos anos de 1860 pela quantia de quinhentos escudos, pouco mais ou menos, e deste passou para sua filha D. Maria dos Prazeres de Morais, havida do segundo matrimónio, mãe do padre Francisco Manuel da Rocha, memorado no respectivo artigo (pág. 450) e no tomo VI destas Memórias (pág. 708). O escudo de Coelhoso, que tanto trabalho nos tem dado, estava, como também nos informou o doutor Manuel José Alves de Morais, numa casa arruinada, pertencente ao casal. Ora, como na constituição do morgadio da quinta das Carvas entrava João da Rocha Pimentel, confirmado de Coelhoso (tomo VI, pág. 51, destas Memórias), é de crer que deste viessem os bens desta povoação, depois nobilitados pelo brasão agora na posse dos Rochas, de Coelhoso, prováveis descendentes colaterais do padre fundador.

(999) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil.

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COMENDAS

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CONSPIRADORES

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COMENDAS. BABE – António Cavide, escrivão da puridade de el-rei D. João IV, falecido pelos anos de 1675, possuiu a comenda de S. Pedro de Babe, concelho de Bragança (1000), bem como D. José Maria de Figueiredo Cabral da Câmara, segundo conde de Belmonte, nascido em 1800 e falecido a 5 de Abril de 1834 (1001), e D. Vasco António de Figueiredo Cabral da Câmara, conde de Belmonte, falecido a 8 de Setembro de 1870 no seu palácio da quinta da Ota. Era donatário vitalício da comenda (1002). BORNES – O cardeal D. Nuno da Cunha de Ataíde, nascido em Lisboa em 1664 e falecido a 14 de Dezembro de 1750, foi comendador de Bornes, concelho de Macedo de Cavaleiros (1003). FREIXEDA – Em Maio de 1701 pertencia a comenda de Santo André de Freixeda, da ordem de Cristo, ao conde de Alvar (1004). GIMONDE – D. Vicente Roque José de Sousa Coutinho Monteiro Paim, nascido em Lisboa em 1726 e falecido em Paris em 8 de Maio de 1792, foi comendador de Santa Maria de Gimonde, concelho de Bragança (1005). Em 1827 pertencia a mesma à condessa de Alva (1006). MACEDO DE CAVALEIROS – Em Junho de 1641 pertencia a comenda de S. Pedro de Macedo de Cavaleiros a Fernão Rodrigues de Brito, fidalgo da casa real (1007). CONSPIRADORES – Lista dos indivíduos pertencentes ao distrito de Bragança que foram processados por conspiradores ou sofreram perseguições do governo republicano. Na madrugada de 4 para 5 de Outubro de 1911, primeiro aniversário da proclamação da República, entrava Henrique de Paiva Couceiro, ex-capitão de artilharia, chefe da conspiração monárquica, com a sua gente (que havia concentrado em Puebla de Sanábria, Espanha), em Portugal pelo termo da povoação de Soutelo da Gomoeda e Cova de Lua, concelho (1000) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Cavide». (1001) SANCHES DE BAENA, Visconde de – Resenha das Famílias titulares e Grandes de Portugal, vol. I, p. 243. (1002) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil. (1003) FARIA, Manuel Severim de – Notícias de Portugal, vol. II, p. 268, e Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial. (1004) Museu Regional de Bragança, idem. (1005) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Paim». (1006) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial. (1007) Ibidem, idem.

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de Bragança, à frente de dois mil homens, quatrocentos dos quais bem armados, e ia descansar a Espinhosela, onde se demorou duas horas, marchando depois para Vinhais, visto a guarnição de Bragança, com que contava, não aderir, contra o parecer de Homem Cristo, pai e filho, e de outros homens de valor que o acompanhavam e logo o deixaram, por verem que as prometidas adesões daqui falhavam, tendo apenas servido para alguns se encherem de dinheiro à tripa-forra, enquanto os ingénuos expunham a vida e pagavam depois na prisão a sua leviandade. De Espinhosela seguiu por Soeira e Prada e, às três da tarde de dia 5, atacou Vinhais, que quase foi tomada sem resistência, porque o capitão Rodolfo São Boaventura Andrade, que guarnecia a vila com setenta homens, se retirou a tempo, dada a carência de elementos defensivos, voltando depois com reforços de cavalaria nº 6, de Chaves, a atacar Vinhais, já abandonada pelos monárquicos desde a meia-noite desse dia 5, que marcharam ao longo da raia, e no dia 7 tiveram um combate no lugar da Quadra com esses reforços, onde houve alguns feridos de parte a parte, entre os quais um filho do grande escritor Eça de Queirós, pertencente às hostes monárquicas. Seguiram depois pelo Pinheiro Velho e Segirei onde chegaram no dia 11 internando-se em Espanha e indo surgir a Montalegre, vindo mais tarde atacar Chaves, mas já no ano de 1912, sem nada tocar ao território bragançano. O governador militar de Bragança, quando da incursão, era o coronel Rego Baião, sucedendo-lhe depois o coronel Matos Cordeiro. Nas suas marchas, os republicanos estacionaram em Valpaços, Curopos, Salgueiros, Edral e Sendim. Logo que se deu a entrada dos monárquicos a 5 de Outubro, a cadeia de Macedo de Cavaleiros foi arrombada pelo povo amotinado, soltando os dezassete presos políticos que lá estavam, entre os quais o padre José António de Castro e seu pai, naturais de Bragança. Ao mesmo tempo, na via férrea de Mirandela foi cortado um troço da linha. Assim ficaram as coisas, sem mais tentativas monárquicas pelo território bragançano, até Outubro de 1914, em que o coronel Adriano Beça, chefe desta segunda incursão, veio de Espanha, onde estava homiziado, pernoitar a Sacóias, caindo na noite de 18 para 19 desse mês sobre Bragança, para soltar o grito da revolução, que ao mesmo tempo devia estalar em todo o país. Adriano Beça foi preso antes de entrar na cidade e o movimento nada deu, além de várias prisões. A 19 de Janeiro de 1919 rebentou no Porto outro movimento monárquico, secundado logo em Bragança com a aderência dos comandantes dos dois regimentos da guarnição – infantaria n.os 10 e 30 – e a monarquia foi proclamada na cidade. O comandante do 10 era o tenente-coronel CarMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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los António Leitão Bandeira (1008) e o do 30, José A. Ferreira Machado. Sobre o coronel Adriano Beça, ver o respectivo artigo, pág. 46. Na ponte de Mirandela, já assinalada por acontecimentos idênticos, teve lugar o combate de 9 de Fevereiro de 1919, em que, além de outros, morreu o alferes monárquico Costa Alemão, filho do lente do mesmo apelido, e o republicano Eugénio das Neves Vilares, estudante do liceu de Bragança, natural de Sambade. A 13 de Fevereiro restaura-se novamente no Porto a República e a coluna monárquica, receosa das forças do general Abel Hipólito, que, das Beiras, marchava sobre Mirandela, abandona esta vila, segue para Bragança, onde Hipólito chegou pouco depois, e interna-se em Espanha pela estrada de Rabal. Este movimento monárquico ficou conhecido pelo nome de Traulitânia e os seus adeptos pelo de trauliteiros. Por decreto de 18 de Março de 1919 foi conferido à cidade de Aveiro e às vilas de Chaves e Mirandela o grau de oficial da ordem da Torre e Espada, da Lealdade e Mérito, pelo modo corajoso como se portaram nesta revolução monárquica. Por outro de 2 de Maio desse ano foi dada a mesma condecoração às cidades do Porto, Coimbra, Évora e Bragança pelo heroísmo, civismo e amor que manifestaram na mesma altura em manter as instituições republicanas. Segue a lista dos prisioneiros das duas tentativas de restauração: ABEL ASSUNÇÃO NAZÁRIO, condenado em 8 de Agosto de 1912 pelo tribunal marcial de Chaves a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, por tomar parte na segunda incursão de Paiva Couceiro, tendo sido indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Além deste decreto, houve o de 22 de Fevereiro de 1914, que amnistiou todos os crimes políticos, com excepção de alguns chefes, nenhum dos quais pertencente ao distrito de Bragança. ABÍLIO FERNANDES VILA, de vinte e sete anos, solteiro, lavrador, natural e residente em Edral, concelho de Vinhais. Respondeu à revelia no tribunal marcial de Braga, por conspirador, em Janeiro de 1913. ABÍLIO FERREIRA, presbítero, natural de Vinhais, pároco de Travancas, concelho de Chaves, diocese de Bragança; retirou para Espanha, pouco antes da primeira incursão de Paiva Couceiro e foi julgado como ausente pelo tribunal marcial de Chaves em Dezembro de 1912. Como companheiros, também ausentes, teve o padre Ferreira no julgamento muitas das maiores mentalidades monárquicas, tais como: Joaquim Leitão, Homem Cristo, pai e filho, Álvaro e Mário Pinheiro Chagas e outros. Foi também (1008) Ver tomo VI, p. 728, destas Memórias.

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no tribunal marcial de Chaves que respondeu Paiva Couceiro, chefe militar da conspiração. ALBINO EZEQUIEL, jornaleiro, de Espinhosela, condenado em 2 de Agosto de 1912 pelo mesmo tribunal a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Confessou o crime e declarou que fora aliciado pelo criado do bispo de Bragança, Eduardo Borges, que vai adiante mencionado. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. ALBINO AUGUSTO GONÇALVES RODRIGUES, do Porto, residente em Vila Nova; deu entrada na cadeia a 19 de Maio de 1919. ALBINO FREDERICO, presbítero, natural de Bragança, capelão da Misericórdia da mesma cidade. Foi condenado pelo tribunal marcial de Chaves em 26 de Novembro de 1913 a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo, por conspirador. Respondeu como ausente, pois pouco antes da segunda incursão de Paiva Couceiro fora juntar-se-lhe a Espanha e, após o insucesso desta, emigrou para o Brasil. ALFREDO DA CARDANHA, de Cardanha, concelho de Moncorvo. Estava em Fevereiro de 1912 preso por conspirador na Trafaria em Lisboa. ALFREDO JOSÉ FERREIRA, solteiro, professor da Escola Central de Chaves, natural de Vinhais. Estava em Fevereiro de 1912 na Trafaria em Lisboa preso por conspirador. ALFREDO DA RESSURREIÇÃO CANGUEIRO, presbítero, de Sendim, concelho de Miranda do Douro, secretário do bispo de Bragança D. José Alves de Mariz. Retirou-se para Espanha pouco antes da primeira incursão couceirista e por lá se demorou até pouco antes da segunda, em que emigrou para o Brasil. É irmão do padre Ernesto Baptista Cangueiro adiante mencionado. ÁLVARO DE JESUS, de Mirandela, foi condenado por conspirador no tribunal marcial de Braga a 20 de Fevereiro de 1913. AMADEU SÁ MIRANDA, proprietário, natural dos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros, foi condenado a 26 de Novembro de 1913 pelo tribunal marcial de Chaves a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo por conspirador. Respondeu à revelia, pois havia seguido na emigração as hostes de Paiva Couceiro. AMADOR DE JESUS PIRES DIAS, presbítero, de Parada, residente em Izeda, filho de Miguel Pires Dias e de Maria do Carmo Pires, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919. AMÉRICO ANTÓNIO CARVALHO, de vinte e quatro anos, solteiro, de Bragança, 1.º cabo de infantaria nº 2, preso no castelo de S. Jorge e em 4 de Abril de 1913 transferido para o Limoeiro. Foi condenado por conspirador, pelo tribunal de guerra da 1.ª divisão militar, a quatro anos de prisão celular. Era filho de José Miguel de Carvalho (o Lamalonga) e de Júlia dos Anjos. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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ANTÓNIO AUGUSTO, de vinte e dois anos, solteiro, pedreiro, de Bragança, filho de pai incógnito e de Maria do Carmo. Foi julgado à revelia pelo tribunal marcial de Braga em Março de 1913. ANTÓNIO AUGUSTO, de Rebordainhos, concelho de Bragança, soldado de infantaria na mesma cidade, de onde desertou indo apresentar-se a Paiva Couceiro; filho de Josefa Rosa, solteira, de vinte e um anos. Respondeu como ausente ante o tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze anos de degredo. ANTÓNIO AUGUSTO DE CASTRO, de Bragança, pai do padre José António de Castro, adiante mencionado. ANTÓNIO AUGUSTO SOARES, casado, correeiro, de Bragança. Estava preso na Trafaria em Fevereiro de 1912. ANTÓNIO BENEDITO RODRIGUES, de vinte anos, solteiro, sapateiro, natural de Mirandela; filho de José Benedito Rodrigues e de Maria Luísa. Respondeu à revelia perante o tribunal marcial de Braga em Julho de 1913. ANTÓNIO CARLOS SARMENTO COLAINHO DE AZEVEDO, engenheiro civil (1009), natural de Bragança. Respondeu à revelia, por conspirador, perante o tribunal marcial de Chaves em Novembro de 1913. Faleceu em Lisboa a 1 de Abril de 1930. ANTÓNIO JOSÉ AFONSO CARRAZEDO, solteiro, agenciário, de Samil. Em Fevereiro de 1912 estava preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa. ANTÓNIO JOAQUIM ESTEVES, de Mirandela. Foi condenado a 27 de Fevereiro de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por tomar parte na segunda incursão couceirista. ANTÓNIO JÚLIO SALGADO, de vinte e um anos, solteiro, ex-cabo, de Moncorvo, preso no castelo de S. Jorge em Lisboa e em 4 de Abril de 1913 transferido para o Limoeiro. Foi condenado por conspirador a quatro anos de prisão celular pelo tribunal de guerra da 1.ª divisão militar. ANTÓNIO MARIA ESTEVES, pároco de Paradela, concelho do Mogadouro. Por aviso publicado no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante seis meses no seu concelho por infringir a lei da separação da Igreja do Estado. ANTÓNIO RAFAEL ALVES, de trinta e oito anos, natural de Sendim, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, abade de Agrochão, do mesmo concelho; filho de Francisco Meia e de Miquelina Rosa Alves. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913.

(1009) Ver tomo VI, p. 701, destas Memórias.

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ARMANDO CORREIA DA ROCHA, proprietário, de Lamego, mas residente em Bragança, filho de Custódio Rocha e de Maria Cândida, deu entrada na cadeia a 4 de Março de 1919. ARMÉNIO AUGUSTO, de vinte e dois anos, solteiro, de Meixedo, concelho de Bragança, soldado de infantaria na mesma cidade, de onde desertou, indo apresentar-se a Paiva Couceiro; filho de João Pires e de Beatriz de Jesus. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Junho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze de degredo. ARTUR LOBATO PEREIRA, aspirante dos correios, de Bragança, filho de José Augusto Pereira e de Joaquina Rosa Lobato; deu entrada na cadeia a 20 de Fevereiro de 1919. AUGUSTO CÉSAR PAIS, natural de Travanca, concelho do Mogadouro, e agora pároco de Miranda do Douro. Era pároco de Mairos, concelho de Chaves, quando fugiu para Espanha por conspirar; mas, sendo depois atraído traiçoeiramente à raia, foi preso; porém o governo espanhol reclamou-o por via diplomática e foi-lhe entregue, seguindo para o Brasil em Junho de 1911. AUGUSTO CÉSAR DE SÁ MIRANDA, de trinta e sete anos, casado, proprietário, de Carrapatas, concelho de Macedo de Cavaleiros, filho de Bernardo José Luís de Sá e de Antónia de Sá Miranda. Respondeu à revelia por conspirador ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. AUGUSTO CÉSAR DE SÁ MIRANDA, casado, professor de instrução primária em S. Pedro Velho, concelho de Mirandela. Estava em Fevereiro de 1912 preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa. AUGUSTO DAVID DE SÁ LEÃO, solteiro, comerciante, de Bragança, preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa, em Fevereiro de 1912. AUGUSTO DAVID DE SÁ LEÃO, solteiro, estudante, de Bragança. Foi condenado por conspirador, no tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta dias de multa. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Estava na cadeia de Braga. AUGUSTO DE SOUSA DE SÁ MIRANDA, de Mirandela. Foi condenado por conspirador, no tribunal marcial de Braga, a 20 de Fevereiro de 1913. BALTASAR REIS, jornaleiro, de Macedo de Cavaleiros. Foi condenado a 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo por tomar parte na segunda incursão couceirista. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Estava na Penitenciária de Lisboa. BASÍLIO BARREIRA, de trinta e cinco anos, casado, jornaleiro, natural de Sendim, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, filho de José Barreira e de Ermelinda Vaz. Respondeu à revelia no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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CÂNDIDA AUGUSTA RIBEIRO, solteira, criada de servir, de Vinhais. Estava em Fevereiro de 1912 presa por conspiradora. CÂNDIDO FILIPE NERI SANCHES, presbítero, do Mogadouro, preso em Coimbra a 11 de Janeiro de 1913. No acto da prisão foi-lhe apreendida uma carta do presidente da Liga Monárquica do Rio de Janeiro, Joaquim Ferreira, em que este lamentava o insucesso da incursão couceirista. Foi capelão das hostes de Paiva Couceiro, sendo condenado pelo tribunal marcial de Braga na pena de vinte anos; mas na madrugada de 16 de Julho de 1913, juntamente com os presos políticos Amâncio dos Santos, do Porto, Augusto Cardoso de Oliveira, de Famalicão (que estavam na cela nº 44, que fica ao norte do edifício), e Francisco José Gomes, de Ribeira de Pena (que estava na cela nº 34), evadiram-se da cadeia civil de Braga, serrando vários ferros de uma janela e descendo por uma corda amarrada à mesma, pertencente à dita cela nº 44. Com os presos fugiu também a sentinela que os guardava. É notável a coragem com que o padre Neri Sanches se apresentou a julgamento no tribunal, como noticiaram os jornais (Diário de Notícias de 17 de Julho de 1913). Levava na boutonière o emblema monárquico e ao ser-lhe lida a sentença levantou «vivas» ao rei e à monarquia. Ao perguntar-lhe o juiz quem era o seu advogado, o seu patrono, respondeu: «O meu advogado? D. Manuel II». «As suas testemunhas de defesa?» «Só tenho uma – disse ele – é Paiva Couceiro». CARLOS AUGUSTO DE FIGUEIREDO SARMENTO, alferes, de Bragança. Ver tomo VI, pág. 125, destas Memórias. CÉSAR AUGUSTO, trolha, de Bragança, condenado em 2 de Agosto de 1912 pelo tribunal marcial de Chaves em quatro anos de prisão celular, seguidos de doze de degredo, por haver tomado parte na segunda incursão de Paiva Couceiro. Confessou o crime e declarou que fora aliciado. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. CÉSAR AUGUSTO DE AZEVEDO, de vinte e dois anos, casado, funileiro, de Codeçais, filho de António de Azevedo e de Maria das Dores. Respondeu por conspirador ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. CÉSAR AUGUSTO DE AZEVEDO, de Carrazeda de Ansiães. Foi condenado a 29 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por implicado no complot monárquico daquela vila (1010).

(1010) Além destes, mais quatro indivíduos adiante nomeados, e que foram condenados, faziam parte do mesmo complot, juntamente com outros cinco homens e duas mulheres, que foram absolvidos. Ao todo, envolveram-se no caso doze pessoas, das quais apenas foram condenadas cinco.

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DANIEL JOSÉ DA COSTA LEÃO, de vinte e dois anos, estudante, de Bragança, filho de João Daniel e de Alexandrina da Conceição. Foi julgado à revelia pelo tribunal marcial de Braga. DAVID DOS SANTOS (também conhecido por David dos Santos Morgado), de vinte e seis anos, nº 812 da polícia cívica de Lisboa, natural de Grijó, comarca de Bragança, filho de Francisco António e de Amélia Carolina Morgado. Respondeu como conspirador ante o tribunal da 1.ª divisão militar em Abril de 1913. DIOGO PINTO DA SILVA, casado, capitalista, de Lamalonga, concelho de Macedo de Cavaleiros. Estava em Fevereiro de 1912 preso na Trafaria, em Lisboa, por conspirador. DOMINGOS DO PATROCÍNIO PIRES PINTO, natural do Campo de Víboras, abade de Bemposta, concelho do Mogadouro. Por determinação publicada no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante quatro meses no seu concelho, por ter transgredido a lei da separação da Igreja do Estado. EDUARDO AUGUSTO CORDEIRO, carregador de Moncorvo, condenado a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. EDUARDO MARIA DOMINGUES, do Mogadouro, residente em Bragança, filho de Luís Maria Domingues e de Maria Rosa, deu entrada na cadeia a 19 de Maio de 1919. EDUARDO DOS SANTOS BORGES, casado, de Podence, ex-criado do bispo D. José Alves de Mariz, residente em Bragança, deu entrada na cadeia a 15 de Junho de 1919, mas já por outra vez fora preso nesta cidade a 30 de Maio de 1913, sendo condenado e recolhido à Penitenciária de Coimbra e indultado a 3 de Outubro desse ano. ERNESTO BAPTISTA CANGUEIRO, natural de Sendim, concelho de Miranda do Douro (irmão do padre Alfredo da Ressurreição Cangueiro, atrás relacionado), pároco de Urros, concelho do Mogadouro. Por aviso publicado no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante quatro meses no seu concelho por transgredir a lei da separação da Igreja do Estado. EUGÉNIO DOS SANTOS PINTO, de trinta e sete anos, de Macedo de Cavaleiros, guarda-portão na rua Alexandre Herculano em Lisboa, foi condenado por conspirador em 8 de Janeiro de 1913, pelo tribunal marcial daquela cidade, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. Estava na Penitenciária de Lisboa. EUSÉBIO DOS SANTOS GOMES, jornaleiro, de Vinhais, condenado a 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, a seis anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, por haver tomado parte na incursão de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Paiva Couceiro. Foi indultado pelo decreto atrás citado. Estava também na Penitenciária de Lisboa. FÉLIX FRANCISCO PIRES, pároco da Póvoa, concelho de Miranda do Douro. Por determinação publicada no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913 foi proibido de residir durante oito meses no seu concelho, além de perder os benefícios materiais do Estado. Em correspondência de Miranda do Douro do dia 12, publicada no Diário de Notícias do dia 17 desse mês e ano, lê-se: «Tendo sido expulso o pároco da freguezia da Póvoa [Félix Francisco Pires], dêste concelho, o respectivo administrador ali se dirigiu com um oficial para tomar conta dos livros do registo e fazê-los conduzir para esta cidade. Aconteceu, porém, que a povoação se opôz, amotinando-se, especialmente as mulheres, que para a rua sairam armadas de espetos, machados, forcados e outros instrumentos, não conseguindo o administrador realizar o seu fim, efectuando apenas algumas prisões de mulheres, pelo que o conflito se tornou mais grave, não havendo, porém, desastres a lamentar. Tendo chegado a esta cidade a guarda republicana, o administrador com ela ali voltou para o mesmo fim, tomando em seguida conta dos livros e não havendo então resistência alguma». O administrador de Miranda do Douro era o padre Eduardo António Falcão. FERNANDO GUEDES BACELAR, natural de Mirandela, doutor em direito, contador do registo predial em Bragança, foi condenado a 26 de Novembro de 1913 pelo tribunal militar de Chaves, por conspirador, em seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo. Respondeu à revelia, pois havia seguido na emigração as hostes de Paiva Couceiro (1011). FRANCISCO ANTÓNIO, de cinquenta anos, casado, guarda-fiscal reformado, natural de Edral, concelho de Vinhais, residente em Vilarelho da Raia, concelho de Chaves, filho de Francisco Claro e de Luísa Vaz. Foi julgado à revelia, por conspirador, em Julho de 1913. FRANCISCO ANTÓNIO DE OLIVEIRA, pároco de Travanca, concelho do Mogadouro, foi proibido de residir durante seis meses no seu concelho, segundo determinação publicada no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913, por haver transgredido a lei da separação da Igreja do Estado. FRANCISCO ANTÓNIO PILÃO, sapateiro, de Bragança, filho de António Joaquim Pilão e de Maria Angélica, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919. FRANCISCO ANTÓNIO VALE DE PRADOS, de vinte e um anos, de Baçal, concelho de Bragança, soldado de infantaria nesta cidade, de onde desertou, indo apresentar-se a Paiva Couceiro com o armamento do corpo a que per(1011) Ver tomo VI, p. 524, destas Memórias.

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tencia; filho de Sebastião Vale de Prados e de Maria Augusta. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze de degredo. FRANCISCO AUGUSTO FERNANDES ISIDORO, de vinte anos, solteiro, sapateiro, natural de Mirandela, filho natural de Maria Cândida Fernandes. Respondeu à revelia, por conspirador, ante o Tribunal Marcial de Braga em Julho de 1913. FRANCISCO MESSIAS, de vinte e três anos, solteiro, de Meixedo, concelho de Bragança, soldado de infantaria nesta cidade, filho natural de Amélia de Jesus, desertou e foi juntar-se às hostes de Paiva Couceiro. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913, sendo condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa de doze de degredo. FRANCISCO DA SILVA RAMOS, casado, empregado do caminho-de-ferro, natural de Bragança. Estava preso na Trafaria, em Lisboa, em Fevereiro de 1912. GERMANO AUGUSTO, de vinte e um anos, solteiro, de Vila Franca de Sendas, concelho de Bragança, soldado de infantaria na mesma cidade, de onde desertou, indo apresentar-se a Paiva Couceiro; é filho de Manuel José e de Filomena Margarida. Foi julgado à revelia no tribunal marcial de Braga em 22 de Julho de 1913 e condenado em oito anos de prisão celular ou na alternativa em doze de degredo. GUILHERMINO AUGUSTO ALVES, natural de Bragança, doutor pela Universidade Gregoriana de Roma. Foi julgado no tribunal militar de Coimbra (em cujas prisões estava detido) e absolvido, a 22 de Abril de 1913. Juntamente com ele responderam mais trinta e quatro co-réus, supostos conspiradores pertencentes ao complot de Coimbra, entre os quais havia médicos, advogados, estudantes, negociantes, proprietários, um farmacêutico, um chauffeur e um empregado público, que, na sua maior parte, foram absolvidos. O julgamento durou onze dias. Um dos advogados de defesa, o republicano histórico bem conhecido doutor Cunha e Costa, salientando a violência feita aos réus, teve afirmações destas: «O processo dos supostos conspiradores de Coimbra é um verdadeiro monstro. Está cheio de defeitos». Mais de uma vez o auditório, achando justas as censuras deste advogado à forma seguida pelas autoridades no processo, soltou apoiados em pleno tribunal. O doutor Guilhermino Augusto Alves, distintíssimo intelectual e erudito, era professor no Colégio-Liceu Figueirense, da Figueira da Foz, estabelecimento dirigido pelo doutor José Luís Mendes Pinheiro, formado em matemática e filosofia pela Universidade de Coimbra, antigo professor da mesma Universidade, que em virtude das convulsões políticas transferiu o colégio-liceu para Huy, na Bélgica, perto de Liège e Lovaina, dois dos mais importantes centros científicos da Europa, para onde o acompanhou o doutor GuiMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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lhermino Augusto Alves no desempenho das suas funções do magistério. Em Agosto de 1930 é reitor e professor do Seminário Diocesano de Bragança. GUILHERMINO DA SILVA, natural de Rebordainhos, pároco de Chacim. Respondeu à revelia perante o tribunal marcial de Braga em Junho de 1913 e foi condenado a oito anos de prisão celular ou doze de degredo. HERMÍNIO AUGUSTO, de vinte e seis anos, de Bragança, ex-guarda nº 1554 do corpo de polícia de Lisboa (esquadra do Rato), foi condenado por conspirador, em 8 de Janeiro de 1913, pelo tribunal marcial daquela cidade, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Havia sido preso a 25 de Agosto de 1912. Era filho de Manuel Reis e de Carolina Augusta. HORÁCIO AUGUSTO MARTINS, de dezanove anos, solteiro, pedreiro, de Bragança, filho natural de Maria do Carmo Martins. Foi julgado à revelia pelo tribunal marcial de Braga em Março de 1913. JOÃO ANTÓNIO PEREIRA, solteiro, estudante, de Bragança. Em Fevereiro de 1912 estava preso, por conspirador, na Trafaria, em Lisboa. JOÃO BAPTISTA, trabalhador, de Bragança. Preso no Porto a 4 de Março de 1912, respondeu na mesma cidade a 21 de Junho do dito ano, sendo condenado a sete meses de cadeia, mas levando-lhe em conta o tempo de prisão sofrida. JOÃO BAPTISTA, de Mirandela, respondeu a 25 de Fevereiro de 1913 no tribunal marcial de Braga, por tomar parte na segunda incursão couceirista, e foi condenado a três anos de prisão celular, seguidos de quatro e meio de degredo. JOÃO BAPTISTA CABRAL, 2.º cabo-corneteiro, de Bragança, filho de Francisco António Cabral e de Amélia Augusta Galhós, deu entrada na cadeia a 20 de Fevereiro de 1919. JOÃO BAPTISTA LOPES, de Mirandela, pároco de Vale de Asnes, do mesmo concelho. Foi julgado no Porto em audiência geral de 15 de Julho de 1913 por, em 4 e 5 de Julho de 1911, espalhar boatos alarmantes contra as instituições republicanas, sendo absolvido. JOÃO BAPTISTA LOPES, de Mirandela, condenado em 27 de Fevereiro de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por tomar parte na segunda incursão couceirista. JOÃO BAPTISTA RODRIGUES, pároco de Sanhoane, concelho do Mogadouro, foi proibido de residir durante seis meses no seu concelho, segundo aviso publicado no Diário do Governo de 2 de Maio de 1913, por haver infringido a lei da separação da Igreja do Estado. JOÃO CARNEIRO FERREIRA, alfaiate, de Bragança, filho de José Manuel Carneiro e de Ricardina Augusta Pimentel, deu entrada na cadeia em 22 de Março de 1919. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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JOÃO DE DEUS, canteiro, de Bragança, filho de Maria Rosa da Cruz, idem, idem em 19 de Maio de 1919. JOÃO FRANCISCO LÁZARO, canteiro, de Bragança, filho de Luís António Lopes e de Isabel Maria Rego, idem, idem em 22 de Março de 1919. JOÃO MANUEL MORAIS, ex-polícia, de Macedo de Cavaleiros. Estava preso por conspirador, em Fevereiro de 1912, no castelo de S. Jorge, em Lisboa. JOÃO MOURA, preso no Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães, a 27 de Agosto de 1912. JOAQUIM DO CARMO RODRIGUES, de quarenta e sete anos, servente, de Alfândega da Fé, foi preso por envolvido na conspiração monárquica de 21 de Outubro de 1913. JOSÉ AMARO, de trinta e cinco anos, solteiro, ex-guarda do corpo de polícia civil de Lisboa, natural de Rebordãos, concelho de Bragança, filho de Manuel Joaquim Fernandes e de Miquelina de Jesus, foi citado, como ausente, pelo tribunal marcial de Braga em Novembro de 1913 para responder pelo crime de conspirador. JOSÉ ANTÓNIO DE CASTRO, de vinte e sete anos, presbítero, natural de Bragança, filho de António Augusto de Castro e de Maria da Conceição. Preso logo desde o princípio, juntamente com seu pai, na cadeia civil desta cidade, foi depois transferido para a de Macedo de Cavaleiros, de onde se evadiram por ocasião da primeira incursão de Paiva Couceiro em Vinhais. Julgados à revelia em Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, foram absolvidos, mas o padre Castro emigrou de Espanha para o Brasil e não voltou a Bragança, onde seu pai regressou. Ver neste tomo o artigo respectivo, pág. 92. Em 1930 voltou aquele do Brasil a pedido do Patriarca de Lisboa, onde fixou residência e se tem notabilizado tanto no jornalismo como no púlpito. J OSÉ ANTÓNIO FERNANDES, presbítero, de Quintanilha, residente em Serapicos, filho de Lázaro Manuel Fernandes e de Ermelinda Fernandes, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919. JOSÉ ANTÓNIO MONTEIRO FILIPE, natural do Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães, abade dos Cortiços, concelho de Macedo de Cavaleiros. Respondeu à revelia, por conspirador, no tribunal marcial de Braga, em Junho de 1913 e foi condenado em oito anos de prisão celular ou doze de degredo. JOSÉ AUGUSTO CARVALHO, de Mirandela, condenado em 27 de Fevereiro de 1913, pelo citado tribunal, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por tomar parte na segunda incursão couceirista. Em algumas partes aparece com o nome de José Augusto Cabanelas. JOSÉ EDUARDO FERNANDES, casado, guarda-freio da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, natural de Donai, concelho de Bragança. Estava preso como conspirador, em Fevereiro de 1912, na Trafaria, em Lisboa. JOSÉ FRANCISCO DE SOUSA, de Mirandela, condenado em 27 de Fevereiro MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por tomar parte na segunda incursão couceirista. JOSÉ FRANCISCO VAZ, de quarenta e seis anos, casado, professor primário aposentado, natural de Frades, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, e residente na de Agrochão, do mesmo concelho; filho de Francisco Vaz e de Maria Matilde da Conceição. Respondeu à revelia, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913. JOSÉ JOAQUIM, de quarenta e dois anos, casado, natural de Bragança, 1.º cabo de infantaria nº 17, foi condenado por conspirador, no tribunal marcial de Lisboa, a 3 de Novembro de 1912, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. Requereu revisão do processo e foi novamente julgado no tribunal marcial de Coimbra, em 30 de Maio de 1913, sendo-lhe comutada a pena em vinte meses de prisão correccional e seis meses de multa a 100 réis por dia. JOSÉ MANUEL FERREIRA, de trinta e três anos, casado, de Sortes, concelho de Bragança, filho de António Ferreira e de Maria Rodrigues, foi julgado à revelia, pelo tribunal marcial de Braga, em Março de 1913. JOSÉ MANUEL PINTO, natural de Travanca, concelho de Macedo de Cavaleiros, pároco de Vale de Prados, do mesmo concelho. Respondeu à revelia por conspirador, no citado tribunal, em Junho de 1913, e foi condenado em oito anos de prisão celular ou doze de degredo. JOSÉ MARIA, de Carrazeda de Ansiães, foi condenado a 29 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por fazer parte do complot monárquico daquela vila. JOSÉ MARIA, jornaleiro, de Vinhais, foi condenado em 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, por tomar parte na incursão de Paiva Couceiro. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. JOSÉ MARIA BEIRAGRANDE, de vinte e nove anos, casado, jornaleiro, de Castanheira, concelho de Carrazeda de Ansiães, filho de Francisco Beiragrande e de Luísa Gonçalves, respondeu como ausente, por conspirador, no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. JOSÉ MARIA CARDOSO, de quarenta anos, casado, do Vimioso, 2.º cabo de infantaria nº 17, foi condenado por conspirador, pelo tribunal marcial de Lisboa, em 3 de Novembro de 1912, a quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. JOSÉ MARIA PIRES, de Parada, residente em Calvelhe, filho de Domingos Manuel Pires e de Maria Joaquina Rodrigues, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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JOSÉ MENDONÇA TRIGO DE NEGREIROS, de trinta anos, presbítero e doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, natural de Abreiro, filho de Manuel José Trigo de Negreiros e de D. Maria dos Remédios Mendonça, respondeu à revelia, por conspirador, no tribunal marcial de Braga, em Fevereiro de 1912. JOSÉ DO NASCIMENTO ALVES, de Bragança, filho de Agostinho Alves Branco e de Maria Antónia Jorge, deu entrada na cadeia a 22 de Março de 1919. JOSÉ DE OLIVEIRA, doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, cónego da Sé de Bragança e ex-professor do Seminário Diocesano e do Liceu Nacional da mesma cidade. Preso em Nisa, sua terra natal, a 25 de Agosto de 1912 e conduzido ao Limoeiro, foi julgado e condenado no tribunal marcial de Lisboa em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo, juntamente com os co-réus (condenados em igual pena) Eugénio dos Santos Pinto, de trinta e sete anos, de Macedo de Cavaleiros, guarda-portão na rua Alexandre Herculano em Lisboa; Hermínio Augusto, de vinte e seis anos, de Bragança, ex-polícia nº 1554; Manuel Maria Fernandes, de Mirandela, ex-cabo da polícia cívica nº 1594, e Alípio José Pontes, ex-empregado da Fábrica de Tabacos de Portugal. O padre Oliveira requereu o indulto no perdão que houve por decreto de 3 de Outubro de 1913, mas não foi atendido. Ver o respectivo artigo neste tomo, pág. 367. JOSÉ DO ROSÁRIO GONÇALVES, casado, 2.º sargento reformado de infantaria nº 10, morador, e não sabemos se natural, em Vila Nova, concelho de Bragança. Em Fevereiro de 1912 estava preso por conspirador no castelo de S. Jorge, em Lisboa. JOSÉ SILVEIRA, de Carrazeda de Ansiães, foi condenado a 22 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, em um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, por fazer parte do complot monárquico daquela localidade. JOSÉ SILVÉRIO ou JOSÉ CABRAL, de trinta anos, solteiro, jornaleiro, dos Pereiros, concelho de Carrazeda de Ansiães, filho de Silvério Cabral e de Mariana Gonçalves, respondeu como ausente, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. JOSÉ VAZ DE SOUSA PEREIRA PINTO GUEDES BACELAR, doutor em direito, conservador do registo predial em Miranda do Douro, natural de Mirandela, foi condenado a 26 de Novembro de 1913, pelo tribunal marcial de Chaves, em seis anos de prisão celular, seguidos de doze de degredo, por conspirador. Acompanhou logo, desde o princípio, as hostes de Paiva Couceiro e, após o insucesso, emigrou para o Brasil juntamente com seu irmão Fernando Guedes Bacelar, sendo pois julgados à revelia (1012). (1012) Ver tomo VI, p. 524, destas Memórias.

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JÚLIO QUEIROGA, de Aveleda, concelho de Bragança, respondeu como ausente, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913. JUSTINO DO ESPÍRITO SANTO LOPES, de trinta e sete anos, casado, barbeiro, natural de Vale de Nogueira, freguesia de Salsas, e residente em Vidoedo, filho de Manuel Domingos Lopes e de Ludovina Augusta. Foi julgado à revelia, em Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga. LAURA DOS REIS, solteira, padeira, de Vinhais, estava presa por conspiradora em Fevereiro de 1912. MANUEL ANTÓNIO, criado de servir, de Vinhais, condenado em 2 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo, por fazer parte das hostes couceiristas. Confessou o crime e disse que fora aliciado. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. MANUEL ANTÓNIO FERNANDES, casado, solicitador, de Mirandela. Estava em Fevereiro de 1912 preso por conspirador na Trafaria, em Lisboa. MANUEL ANTÓNIO LOPES, de trinta e dois anos, natural de Carção, concelho do Vimioso, pároco de São Jomil, concelho de Vinhais, filho de João Lopes e de Maria José Dias. Respondeu à revelia por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga, em Fevereiro de 1913. MANUEL ANTÓNIO RODRIGUES, de Soutelo da Gamoeda, freguesia de Carragosa, concelho de Bragança, abade de Meixedo. Preso a 23 de Outubro de 1911 por haver auxiliado a primeira incursão de Paiva Couceiro, respondeu em Lisboa no tribunal das Trinas em 6 de Março de 1912 e foi absolvido. Esteve preso na cadeia civil de Bragança, no Aljube do Porto e no Limoeiro e Trafaria de Lisboa. MANUEL DO ESPÍRITO SANTO, de trinta e dois anos, de Vinhais, soldado da 1.ª companhia da guarda fiscal, respondeu no tribunal de Santa Clara em Lisboa, a 8 de Novembro de 1913, por conspirador e abandono de posto, sendo punido com vinte meses de prisão correccional. MANUEL LOPES, natural de Vila Verde, concelho de Vinhais, respondeu à revelia no tribunal marcial de Chaves a 26 de Novembro de 1913 como conspirador monárquico e foi absolvido. MANUEL JOAQUIM BERNARDO, de Mirandela, respondeu a 25 de Fevereiro de 1913, no tribunal marcial de Braga, por tomar parte na segunda incursão de Paiva Couceiro. Foi absolvido. MANUEL MARIA FERNANDES, de quarenta e três anos, de Mirandela, ex-cabo nº 1594 da Polícia Cívica de Lisboa, foi condenado a 8 de Janeiro de 1913, pelo tribunal marcial da mesma cidade, como conspirador, em quatro anos de prisão celular, seguidos de oito de degredo. MANUEL PESSANHA, proprietário, natural dos Cortiços, concelho de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Macedo de Cavaleiros, respondeu à revelia como conspirador, ante o tribunal marcial de Chaves, em Novembro de 1912. MANUEL RAMOS BARREIRA, jornaleiro, de Vinhais, condenado a 8 de Agosto de 1912, pelo tribunal marcial de Chaves, em quatro anos de prisão celular, seguidos de doze de degredo, por tomar parte na segunda incursão couceirista. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. MANUEL RODRIGUES POÇAS, de sessenta anos, casado, proprietário, natural e residente em Vilar de Peregrinos, concelho de Vinhais, filho de José Rodrigues Poças e de Carolina Pires. Respondeu como ausente, por conspirador, ante o tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1913. MANUEL SEBASTIÃO FERNANDES, de trinta e quatro anos, natural de Varge, concelho de Bragança, pároco de Vilar de Peregrinos, concelho de Vinhais. Foi julgado à revelia, por conspirador, no mencionado tribunal em Fevereiro de 1913. MANUEL DOS SANTOS, de sessenta anos, casado, lavrador, natural e residente em Sendim, freguesia de Edral, concelho de Vinhais, filho de Miguel Alves Vaz e de Ana Domingues. Respondeu à revelia no mesmo tribunal em igual mês e ano. MARIA BENIGNA, casada, padeira, de Vinhais, estava presa em Fevereiro de 1912 na Trafaria, em Lisboa, acusada de conspiradora. MARIA CÂNDIDA DE SEIXAS, de quarenta e quatro anos, solteira, de Trevões, residente em Codeçais, concelho de Carrazeda de Ansiães, respondeu à revelia no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. MÁRIO DOS SANTOS FERREIRA, de Bragança, filho de António Mendes e de Alexandrina Rosa, deu entrada na cadeia a 5 de Março de 1919. MARTINHO JOSÉ DUARTE, pároco de Gostei, preso na cadeia civil de Bragança desde 26 de Julho a 15 de Agosto de 1912 por falsas denúncias. Julgadas sem fundamento as acusações, foi posto em liberdade. NARCISO VICENTE ou NARCISO AUGUSTO, de vinte e dois anos, solteiro, jornaleiro, de Vilarinho da Castanheira, concelho de Carrazeda de Ansiães, filho de Manuel dos Santos e de Carolina Rosa, respondeu à revelia, por conspirador, no tribunal marcial de Braga em Fevereiro de 1912. Ignoramos se é este o Narciso Augusto, de Carrazeda de Ansiães, condenado em 29 de Março de 1913, no citado tribunal, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia, como implicado no complot monárquico daquela localidade, que encontrámos mencionado em algumas listas. NAZÁRIO DO NASCIMENTO GÂNDARA, jornaleiro, de Vinhais, condenado, por conspirador, a seis anos de prisão celular, seguidos de dez de degredo. Foi indultado por decreto de 3 de Outubro de 1913. PEDRO VICENTE CARNEIRO, natural e abade de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros. Respondeu por conspirador, ante o tribunal marcial MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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de Braga, em Junho de 1913 e foi condenado em oito anos de prisão celular ou doze de degredo. PORFÍRIO MADUREIRA, de vinte e oito anos, solteiro, jornaleiro, residente em Amedo, concelho de Carrazeda de Ansiães, foi julgado à revelia, como conspirador, perante o tribunal anteriormente citado, em Fevereiro de 1912. Não sabemos se é este o Porfírio Madureira, de Carrazeda de Ansiães, condenado a 29 de Março de 1913, pelo tribunal marcial de Braga, a um ano de prisão correccional e trinta e seis dias de multa a 100 réis por dia por se achar envolvido no complot monárquico do aludido concelho, de que falam várias listas de conjurados. TOMÁS ANTÓNIO DE SÁ CARDOSO, residente em Bragança, filho de pais incógnitos, deu entrada na cadeia a 1 de Março de 1919. VALÉRIO ACÁCIO PAVÃO, de dezanove anos, solteiro, sapateiro, natural de Mirandela, filho de Carolina da Piedade Pereira, foi julgado no tribunal marcial de Braga, por conspirador, em Julho de 1913. Sabemos que, além destes, os prisioneiros políticos foram alguns mais, como Aníbal Raimundo e José Palmeiro (Varelo), de Sacóias, mas não alcançámos o respectivo documento autêntico, e que contra muitos outros se passaram mandados de captura, as quais se não realizaram por eles haverem fugido. CORDEIRO (Luciano), pág. 124. – À sua enorme bibliografia há a acrescentar: Primeiros documentos para a história do jubileu nacional de 1880 – Edição comemorativa do sétimo aniversário. Lisboa, 1887. 8.º de 29 págs. Separata do «Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa». Batalhas da Índia – Como se perdeu Ormuz. Processo inédito do século XVII. Lisboa, 1886. 8.º de XV-296-1 págs. Vésperas do centenário – A Igreja de Sant’Ana e a sepultura de Camões. Lisboa, 1897. 8.º de 28 págs. CORREIA (Francisco António), pág. 131 – Publicou mais: Estados Unidos da Europa – Conferência feita a 11 de Dezembro de 1929 na Academia de Ciências de Lisboa. Lisboa, 1929, 32 págs. História Económica de Portugal. Lisboa, 1929, I vol., 304 págs., e traz em preparação o II. A seu pedido foi exonerado dos cargos de director do Instituto Superior de Comércio de Lisboa e do de chefe de serviço das Alfândegas para aceitar o de ministro plenipotenciário de 1.ª classe e director-geral dos negócios comerciais do Ministério dos Negócios Estrangeiros. No Diário do Governo de 20 de Agosto de 1929, onde vem o decreto referente a este último cargo, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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encontram-se honrosíssimas apreciações da acção social e científica deste notável bragançano, ultimamente condecorado com o grande oficialato da ordem de S. Tiago da Espada e com a comenda da ordem de S. Maurício, conferida pelo governo italiano. A 14 de Março de 1929 fez na Academia de Ciências de Lisboa uma notável conferência sobre As antigas leis da pragmática e as indústrias do luxo, que saiu na Revista do Instituto Superior de Comércio de Lisboa, e a 8 de Maio de 1930 outra sobre O tratado de Methuen – Os seus detractores – As suas vantagens efectivas para Portugal e para a Inglaterra – A política comercial contemporânea do tratado – Os vinhos do Porto. CORTIÇOS E CERNADELA – Foral desta vila dado, pelo tipo do de Bragança, na era de 1369 (ano de Cristo 1331): «Dom Afonso pella graça de Deos Rey de Purtugal e do alguarve A quantos esta carta virem faço saber que eu querendo fazer graça e mercee aos poboradores e moradores das minhas pobras das cortiças e de cernadella que elles ajam os ditos lugares com todos seus termos novos e velhos e ajam taaes foros e taaes custumes como os de bragança, e paguem ende a mim em cada hum anno vinte soldos de casa e senhas oitavas de centeo e vinte libras de serviço quando eu for em terra de bragança, por que mando e defendo que nom seja nem hum ousado que contra elles vaa nem lhes faça mal nem força sob pena dos meus encoutos. Em testemunho desto lhes dei esta minha carta dante em santarem a X dias de janeyro. El Rey o mandou por Joham vicente seu creligo e per Lourenço gomes de porto de moos seu vassalo. afonso anes a fez era de mill e trezentos e sesenta e nove años. Joham vicente e Lourenço gomes a vyo» (1013). CRIMINOSOS – Na pág. 188 e seguintes apontámos vários criminosos célebres do distrito, e agora, aditando, acrescentamos: O Canedo (pág. 190), «homem valente e destemido» (1014), de nome António Martins Padrão, também conhecido por António Canedo, como declara uma carta confidencial do administrador do Vimioso de 20 de Fevereiro de 1863 para o governador civil, participando-lhe que, juntamente com Sebastião Chumbo, de Argozelo, cometeram um crime no dia 14 na feira de Outeiro. «São temi(1013) Este documento, que devemos à gentil obsequiosidade do fecundo investigador trasmontano Ernesto Augusto Pereira Sales, foi copiado do traslado existente na Torre do Tombo feito em 1496 a pedido dos moradores dos Cortiços e de Cernadela, por não possuírem exemplar algum do respectivo foral. Também se encontra no Livro das graças e doações de el-rei D. Afonso IV, fol. 61. (1014) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil, ano de 1876.

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veis e lestos», diz o administrador (1015). A tradição diz que o Canedo era tão valente que partia as algemas com que o manietavam e que por mais de uma vez arrebentou as grades da cadeia do Vimioso. Parece que o tal apodo: capadeiras de Rebordãos, de que falámos na página 188, teve origem no facto relatado numa carta do juiz de direito da comarca de Bragança ao administrador do concelho. Diz ela: «Ill.mo Snr. – Tendosse instaurado hum processo crime contra hûas mulheres de Rebordãos, por causa de hum acontecimento que entre ellas e hum criado do Estafeta de Rebordãos houve; e tendosse espalhado hontem e hoje que o dito criado apareceu morto no Adro da Igreja da Senhora da Serra; e constandome que V. S.ª já procedera a varias averiguações a tal respeito, rogo a V. S.ª que com a maior brevidade me informe sobre o resultado das suas averiguações, por assim o exigir o andamento do processo...... Bragança 16 de Agosto de 1855. O Juiz de Direito, B.meu Car.al de M.es Th...» (1016). (Seguem mais letras imperceptíveis). O professor de Vinhais, assassinado em 12 de Janeiro de 1870 por motivos políticos, de que falámos no tomo I, pág. 230, destas Memórias, chamava-se José Manuel de Sousa Figueiredo e como réus foram acusados João Atanásio, João Gonçalves, António Bento Gomes e Manuel Bento Gomes, estes dois últimos guardas da Alfândega de Chaves (1017). Por este tempo celebrizou-se tristemente um tal António, filho de Júlia Correia, mais conhecido pela alcunha de Pombelíca, deixando terrífica fama pela série de espancamentos praticados à sombra de uma facção política que o mantinha como mastim de alma danada, terrorista contra os adversários. Foi assassinado a golpes de machado em plena vila, na noite de S. João, quando apregoava carne fresca e barata para o dia seguinte nos Alvaredos, onde iria matar o pároco, mesmo debaixo do pálio, na procissão da festa!... José Nicolau, conhecido pelo Bragança, natural de Quintela de Lampaças, filho de José Marcelino e de Maria Violante, fazia parte da «quadrilha do célebre José do Telhado» e foi preso em Vila Real em 1859 (1018). Os assassinos Carrégas eram naturais de Vila Franca, e chamavam-se José Luís, o Carréga, José Valentim e João António Frei, tidos como «homens temíveis». Foram julgados e condenados em Bragança em Abril de 1894. Também pelos anos de 1886 se celebrizou em Bragança o burlão espa-

(1015) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil, ano de 1876. (1016) Ibidem, Correspondência especial do Governo Civil. (1017) Ibidem, Correspondência do Governo Civil (1018) Ibidem, Correspondência especial, idem.

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nhol Manuel Peres Herbela, hábil curandeiro, que obteve carta de cirurgião-dentista passada pela Escola Médica do Porto e autorização do governador civil deste distrito, de 6 de Julho de 1891, para exercer a sua profissão. Cometeu, porém, tantas traficâncias, que os políticos se viram obrigados a depor as rivalidades que os separavam para ele ser escorraçado, como foi, tal a arteirice com que se havia nas suas escroquerias, ainda hoje memoradas com espanto na lenda popular. CRUZ (Padre Francisco Nogueira da) – Natural de Izeda, concelho de Bragança, falecido no Brasil. A memória deste benemérito sacerdote, de quem ignoramos as circunstâncias pessoais, consta de um ofício existente no nosso Museu, maço Correspondência do Governo Civil, dirigido pelo inspector primário António dos Reis, a 2 de Abril de 1884, ao administrador do concelho de Bragança. Diz a parte respectiva: «A professora official d’Izeda, Candida dos Prazeres Moz Pires, officiou a esta Inspecção, dizendo que a Confraria das Almas se nega a satisfazer uma gratificação (60$000 reis anuaes) a que é obrigada pelo artigo 16.º dos estatutos da mesma Confraria, e em cumprimento e satisfação de um legado do benemerito presbytero Francisco Nogueira da Cruz, natural d’Izeda e fallecido no imperio do Brazil». Pede ao administrador que intervenha no sentido de se efectivar essa gratificação. CRUZ (João Lopes da), pág. 143 – Nasceu em Linhares, concelho de Carrazeda de Ansiães, a 4 de Agosto de 1851, e era filho de Manuel Lopes da Cruz e de D. Felicidade de Sousa. Casou no Porto, na igreja de Santo Ildefonso, a 20 de Janeiro de 1881 com D. Maria da Natividade Cruz, também natural de Linhares.

D DEUSDADO (Domingos Augusto de Miranda Ferreira) – Doutor em direito. Nasceu em Rio Frio, concelho de Bragança, em 6 de Setembro de 1890; é filho de Manuel Maria de Miranda Deusdado e de D. Maria Antónia Ferreira Deusdado. Em 30 de Junho de 1917 foi para França, onde fez parte do Corpo Expedicionário Português até 23 de Abril de 1918, desempenhando ali também o cargo de provisor do batalhão de Sapadores dos Caminhos-de-Ferro. Em Maio de 1918 regressou a Portugal, concluindo o curso de direito na Universidade de Lisboa em 20 de Julho do mesmo ano. Foi licenciado em 1 de Março de 1919 e promovido a tenente miliciano em 1928. Em 1919 inscreMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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veu-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça, tendo, desde então, exercido a advocacia em Lisboa. Publicou os seguintes trabalhos: Minuta de agravo nos autos de injusta pronúncia de António Henrique de Sousa Antunes. Imprensa Lucas, Lisboa, 1924. 100 págs. Um Rachador que, justificando o nome, parte a cabeça do próximo. Tip. A Rápida, Lisboa, 1925. 18 págs. Renascença das indústrias domésticas em Trás-os-Montes – Tese apresentada ao primeiro Congresso Trasmontano. O Trás-dos-Montes, n.os 16 a 24, Vila Real, 1925. Batalha de Aljubarrota – Discurso proferido na Sala de Capítulo do mosteiro da Batalha, por ocasião da festa comemorativa daquela batalha. Revista Insular e de Turismo, Lisboa, 1928. Nuno Álvares – Discurso proferido em Vila Nova de Ourém, na comemoração do falecimento do Santo Condestável. A Voz, Lisboa, 6 de Novembro de 1928. Um acusado que se arvora em acusador e que, depois de haver prestado declarações ao Natural, se desdiz e contradiz e presta declarações com «mayonnaise» de Limoeiro. Tip. Internacional, Lisboa, 1928. 8 págs. Nun’Álvares, símbolo das três virtudes: Fé, Esperança e Caridade – Conferência pronunciada no salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa na sessão solene comemorativa do aniversário da batalha de Aljubarrota. Lisboa, 1929. 4.º de 12 págs. Trás-os-Montes – Conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa em 25 de Janeiro de 1930. Lisboa, 1930. 8.º de 54 págs. Saiu também em A Voz de 21 de Fevereiro de 1930 e seguintes, mas com ilustrações e leves diferenças no texto. A onda do crime. Etiologia e profilaxia [17]. Lisboa, 1931. 8º de 160 + 1 págs. Colaborou na revista jurídica O Direito. DOUTEL (José) – Doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1809, padre-mestre, protonotário apostólico, comissário da bula da cruzada, dom abade geral e reformador da ordem de S. Bernardo, abade do real mosteiro de Seiça, censor da real repartição, esmoler-mor de sua alteza real na corte do Rio de Janeiro, do conselho de sua majestade e fidalgo-cavaleiro da casa real, irmão de António Doutel, 2.º visconde de Mirandela (o 1.º foi Francisco António da Veiga Cabral da Câmara (1019), (1019) Ver tomo VI, p. 60, nº 6, e p. 162, n.os 1 e 27, destas Memórias. António Doutel, ou António Doutel de Almeida Machado e Vasconcelos, como aparece noutros documentos, nasceu a 23

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DOUTEL

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nasceu em Rio Bom, freguesia de Cambres, comarca de Lamego (a sua certidão de idade não indica o dia, mês e ano do nascimento) e foi baptizado a 14 de Julho de 1767 (como então os baptizados se faziam a menos de um mês do nascimento – observação por nós já feita em casos idênticos – é de presumir que nasceu pouco antes). Era filho de António Venceslau Doutel de Almeida, fidalgo-cavaleiro da casa real, natural de Bragança (1020), e de D. Maria Joaquina de Morais Sarmento, natural de Rio Bom; neto paterno de [António] Henrique Doutel de Almeida (1021) e de D. Inácia Clara Doutel Machado e Vasconcelos (1022), naturais de Bragança, e materno de Francisco de Morais Madureira, natural de Tarouca, e de D. Maria Caetana Joaquina de Carvalho, natural de Rio Bom. Foi padrinho Frei José de Morais, tio do baptizado, que também foi esmoler-mor da casa real. Por carta régia de 15 de Maio de 1812, atendendo às moléstias de que sofria no Rio de Janeiro o esmoler-mor Frei José Doutel, acima mencionado, foi nomeado para servir no seu impedimento seu sobrinho Frei José Doutel, religioso da congregação de S. Bernardo, «que vive em sua companhia». Francisco Doutel de Morais Sarmento, irmão do esmoler-mor primeiro mencionado, foi, por decreto de 29 de Setembro de 1823, nomeado cavaleiro supranumerário da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, «para entrar como effectivo quando houver vaga» (1023). Em 1760 era morgado de Cabanelas, concelho de Mirandela, António Xavier Doutel, como consta do Tombo dos prazos da mitra, existente no Museu Regional de Bragança.

de Abril de 1775 e faleceu em Mirandela a 1 de Julho de 1840, deixando viúva D. Joana da Veiga Cabral de Morais Pimentel, também conhecida por D. Joana Francisca Maria Josefa da Veiga Cabral da Câmara, 2.ª viscondessa de Mirandela, com quem casara em 1804, irmã do 1.º visconde do mesmo nome, ao qual sucedeu na casa e títulos em 31 de Maio de 1810 por falecer sem descendência, sendo-lhe renovado o título na segunda vida por decreto de 13 de Maio de 1815. Este 2.º visconde de Mirandela foi brigadeiro, do conselho de sua majestade, comendador da ordem de Cristo e grande do império do Brasil. Ver Portugal: Dicionário histórico, artigo «Mirandela (Francisco António da Veiga Cabral da Câmara, 1.º visconde de)». (1020) Ver tomo VI, p. 60, nº 6, destas Memórias. António Venceslau Doutel de Almeida, que também aparece com os apendículos de Machado e Vasconcelos, foi governador de Chaves e faleceu a 19 de Outubro de 1816. Sua mulher era irmã do 1.º barão de Portela, Bernardo Doutel de Almeida (ver p. 171). (1021) Ver tomo VI, p. 60, nº 5-I, destas Memórias. (1022) Ibidem, nº 7. (1023) Documentos originais, existentes em Moncorvo em poder da família Doutel, que obtivemos graças à interferência do nosso bom amigo tenente João José Vaz de Morais de Abreu e Sarmento.

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DOUTEL

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ESTEVES

653 TOMO VII

DOUTEL DE FIGUEIREDO SARMENTO (Manuel) – Natural das Aguieiras, concelho de Mirandela, general de cavalaria, nasceu em 1801 e faleceu em Moncorvo em 1864. Era filho de Miguel Pires Doutel de Figueiredo e de D. Maria Josefa de Almeida, de Bragança (1024). Esteve no cerco do Porto e fez todas as campanhas constitucionais e em 1847 no combate da ponte de Mirandela contra os patuleias. Em 1861 foi nomeado comandante da guarda municipal do Porto. Era condecorado com o hábito de Avis, medalha de Torre e Espada, ordem de Cristo e medalha das nove campanhas da Liberdade. Casou em Moncorvo com D. Maria José do Espírito Santo de Torres Portocarreiro, filha de Joaquim José Torres Portocarreiro e de D. Maria Bernardina Pinto. Tiveram: 1.º – Bernardo Doutel de Figueiredo Sarmento, já falecido, doutor em direito pela Universidade de Coimbra, que casou com D. Teresa Salgado de Negrão, de Felgar. Sem descendência. 2.º – D. Maria Miquelina Doutel de Figueiredo Sarmento, já falecida, que casou com António Augusto de Sampaio e Melo, de Moncorvo. Tiveram: I – Manuel Doutel de Figueiredo Sarmento, já falecido, que casou com D. Josefa de Macedo Gouveia e Vasconcelos. Tem sete filhos. Em Bragança, na antiga rua da Carreira ou da Corredoura (aparece com estes dois nomes), também em certo tempo chamada rua do Espírito Santo, depois de Trás e agora rua do conselheiro Abílio Beça, ficam as casas grandes de que falámos no tomo I, pág. 338, nº 14, destas Memórias, pertencentes hoje, por compra, ao professor do liceu Daniel Rodrigues (ver pág. 453) e na verga da porta do quintal que deita para a Estacada há um escudo com as armas dos Doutéis (1025). Esta casa tem aspecto de ser obra do século XIX, provável reconstrução da primitiva vivenda daquela família, já feita por estranhos, pois de outra forma não se compreende que fossem colocar o escudo na padieira da porta do quintal voltado para dentro do mesmo em vez de ser para a rua.

E ESTEVES (Francisco António) – 2.º sargento-maquinista da marinha de guerra. Nasceu em Évora a 16 de Março de 1897 e casou no concelho de (1024) Ver na p. 172 o artigo «Doutel de Figueiredo Sarmento» e as notas do artigo anterior, pois é tudo da mesma família. (1025) Ver tomo VI, p. 62 e 161, destas Memórias e neste a p. 57.

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ESTEVES

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FELGUEIRAS JÚNIOR

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FERNANDES

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FERREIRA

TOMO VII

Vila Flor; filho de Francisco António Esteves e de D. Ana Rita Coelho. Tem o curso da Escola Industrial «Afonso Domingues», de Xabregas (Lisboa); fez parte da expedição à África durante a Grande Guerra (1914-1918), onde partiu uma perna; esteve desde 1921 a 1929 como mestre da oficina de serralharia na Escola Industrial «Emídio Navarro», de Bragança (trabalhando agora, Agosto de 1930, nas minas de Coelhoso, deste concelho), onde deixou trabalhos notáveis em serralharia artística antiga, louvados pelo antigo director-geral Álvaro Coelho, apreciados pelo escultor Teixeira Lopes e bem conhecidos do público nas diversas exposições de arte que se têm feito. Como trabalho técnico de ferro batido, a grade que fez para o monumento aos mortos da Grande Guerra na praça de S. Vicente em Bragança é de notável valor, aumentado ainda pelas muitas soldaduras que tem a autogéneo.

F FELGUEIRAS JÚNIOR (Francisco do Patrocínio), pág. 178 – Escreveu mais: O melhor amigo do homem (Conferência). Bragança, Tip. Académica, 11 págs. Não indica o ano de impressão, mas é o de 1930. FERNANDES (Manuel António da Ressurreição) – Doutor em teologia e filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma, onde terminou o curso em Julho de 1908, cónego da Sé de Bragança, professor do Seminário e vice-reitor do mesmo, examinador pró-sinodal, oficial da cúria diocesana e director do Boletim da Diocese de Bragança. Nasceu em Sanhoane, concelho do Mogadouro, a 2 de Abril de 1882; filho de José Maria Fernandes e de D. Angélica da Natividade Pereira. Fez os estudos preparatórios no Liceu e Seminário de Bragança e neste os de teologia, que terminou em 1901, ordenando-se de presbítero em 1904, seguindo nesse mesmo ano a frequentar a Universidade Gregoriana. Logo que regressou de Roma em 1908 foi nomeado professor de teologia no Seminário Diocesano de Bragança. FERREIRA (D. Cândida Florinda) – Aluna distinta da Universidade de Lisboa. Nasceu em Talhinhas, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 24 de Junho de 1893, mas seus pais residem em Bragança; filha de António Augusto Ferreira, de Talhinhas, e de D. Perpétua da Assunção Ferreira, de Izeda. Dos dez aos catorze anos estudou num colégio em Lisboa, depois aos quinze noutro colégio do Porto e aos dezasseis fez exame de admissão em Bragança, onde cursou a Escola Normal de habilitação ao Magistério MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


FERREIRA

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FIGUEIREDOS

655 TOMO VII

Primário, saindo professora em 1912 com a elevada classificação de dezoito valores. Exerceu o magistério em Talhas, Caçarelhos (três anos) e Bragança, na escola infantil, depois como professora interina na Escola de Habilitação ao magistério primário e seguidamente na Primária Superior, de onde saiu em 1927 para ir frequentar a Universidade de Lisboa, ao mesmo tempo que rege uma escola primária. Fez o curso liceal em Vila Real e Bragança e nesta cidade ainda o da Escola Industrial. É pasmosa a energia desta senhora e a ânsia de saber que a devora. Além de ser aluna distinta da Universidade e das distinções que obteve no curso liceal, ainda lhe chega o tempo para tirar da leccionação o excesso da despesa a que a obrigam os seus estudos, por não chegar o seu ordenado de professora; para ter uma brilhante folha de serviços no magistério pelo elevado número de alunos sempre bem habilitados que apresenta todos os anos a exame; para frequentar cursos especiais, como foi em 1928 o de italiano, e para publicar estudos de investigação histórica de valor como o seguinte: A guerra da sucessão no distrito de Bragança (Notícias inéditas). Coimbra, 1929. 8.º de 30 págs. (Separata de O Instituto). Em Agosto de 1930, após brilhante curso universitário de literatura italiana, obteve a única bolsa de estudo concedida neste ano pelo governo daquele país, que lhe permitia frequentar a Universidade de Perúgia, para onde partiu, incumbida ao mesmo tempo pelo governo português de elaborar um relatório sobre o ensino primário de Itália. FIGUEIREDOS – No tomo VI, pág. 124, nº 2, destas Memórias, ao tratarmos desta importante família de Bragança não ficou bem clara a sua linhagem. É como segue: Bernardo de Figueiredo Sarmento (tomo citado, pág. 125, nº 13), ou Bernardo de Figueiredo Sarmento Sepúlveda, como também aparece em documentos, casou por último com D. Francisca Augusta, mãe dos filhos n.os 14 e 15 mencionados na referida pág. 125. Era alferes reformado e faleceu em Bragança (freguesia de Santa Maria) com setenta e oito anos de idade a 4 de Junho de 1903. Seu irmão, Francisco de Figueiredo Sarmento (mesmo tomo, pág. 124, nº 2) era o primogénito e, portanto, senhor do morgadio, mas não deixou descendência (1026). Eram filhos de Francisco de Figueiredo Sarmento, coronel de cavalaria, (1026) O seu retrato pintado em tela, a óleo, vestido à militar, com divisas de tenente, ostentando ao peito a comenda de Isabel, a Católica, e ao lado o brasão dos Figueiredos Sarmentos, encontra-se no Museu Regional de Bragança. Ainda vivia em Janeiro de 1868 e era um dos quarenta maiores contribuintes do concelho, como aponta a lista deles arquivada no mesmo Museu. O maior contribuinte dessa lista é Diogo Albino de Sá Vargas, que pagava nesse ano 64$700 réis de contribuição predial.

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FIGUEIREDOS

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FIGUEIREDO SARMENTO

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FRAGOSO

TOMO VII

reformado, fidalgo da casa real, cavaleiro da ordem de Cristo e governador de Bragança (onde faleceu com setenta e cinco anos, «pouco mais ou menos», a 25 da Julho de 1827, na sua casa da Costa Pequena), e de D. Maria Inácia Correia de Sá Sepúlveda, casados a 13 de Fevereiro de 1797 (sendo ele já viúvo de D. Antónia Rita Pinto), falecida a 4 de Outubro de 1848 (1027). Netos paternos de Bento José de Figueiredo Sarmento, coronel de infantaria, cavaleiro da ordem de Cristo (1028), e de D. Ana Felícia de Avelar, de Vale de Pradinhos, concelho de Macedo de Cavaleiros, filha de Francisco Álvares de Avelar, natural da vila de Avelar, e de D. Maria Pinto, natural de Vale de Prados; e bisnetos de José Cardoso Borges, de Miranda, e de D. Clara de Figueiredo Sarmento de Bragança (1029). Também na pág. 125, nº 14, do citado tomo VI, se menciona o padre Francisco de Figueiredo, ou padre Francisco da Encarnação de Figueiredo Sarmento que faleceu em Bragança, freguesia de Santa Maria, a 20 de Setembro de 1917. FIGUEIREDO SARMENTO (José Marcelino Jorge de) – Excerto de uma carta que o conde de Lippe escreveu ao conde de Oeiras, na véspera da sua segunda partida para a Alemanha, em Almeida aos 29 de Fevereiro de 1768: «Oserais-je recourir aux sentimens gracieux dout Votre Excellence veut bien m’honorer pour qu’il me soit permis d’intercéder en faveur d’un Lieut du Régiment de Braganza, Cavallerie, nommé José Jorge Figueiredo qui se trouve aux arrêts depuis longtemps pour avoir été trouvé dans l’enceinte d’un Convent à Braganza. Le Général Frazer et le Marechal de Camp Smith font beaucoup d’éloges de cet Officier par rapport à l’application avec laquelle il a toujours servi. C’est uniquement cependant aux hautes lumières de Votre Excellence que je m’en remette pour juger si le cas se peut expier avec les arrêts qu’a souffert cet officier, et que le coupable puisse être recommendé à la clémence de Sa Majesté pour obtenir son perdon» (1030). FRAGOSO (Tomás Augusto Salgueiro), pág. 193 – Por seu intermédio foram conseguidas mais as seguintes verbas para obras no nosso distrito: Estrada da Vilariça, 1200000$00 Esc.; ponte sobre o Tua, 1000000$00; (1027) Ver tomo VI, p. 191, nº 1, destas Memórias. (1028) Ibidem. (1029) Ibidem, p. 135, nº 1 e seguintes. (1030) Está na «Correspondência do Conde de Lippe com o Conde de Oeiras», existente no Arquivo Histórico Militar, sala A, nº 118. Ver tomo IV, p. 616 e seguintes, destas Memórias. Ao erudito amigo Ernesto Augusto Pereira Sales agradecemos a comunicação deste documento.

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FRAGOSO

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FRIAS

657 TOMO VII

estrada de Lomba, 300000$00; idem de Mirandela, Bragança, 800000$00; cadeia de Freixo, 15000$00; idem de Vinhais, 12000$00, e a autorização de um empréstimo à Câmara Municipal de Miranda do Douro. FRIAS (Doutor Manuel António de Morais) – Filho do médico André de Morais Frias de Sampaio e Melo (ver este nome, pág. 301), é natural de Linhares, concelho de Carrazeda de Ansiães, onde nasceu em 19 de Janeiro de 1885. Diplomado pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 11 de Janeiro de 1910; onde obteve distinções, accessit e os prémios «Rodrigues Finto» e «Macedo Pinto», foi durante dois anos chefe de clínica obstétrica por nomeação do conselho escolar em sua sessão de 8 de Março de 1910, na conformidade do § 1.º do artigo 4.º da carta de lei de 25 de Junho de 1903, e 1.º assistente provisório da 6.ª cadeira – Obstetrícia e Ginecologia – por portaria de 17 de Fevereiro de 1912. Foi professor livre por despacho de 28 de Agosto de 1919 e como tal encarregado das regências de Obstetrícia e Ginecologia; por decreto de 31 de Maio de 1924 é nomeado professor ordinário da Faculdade de Medicina do Porto. Escreveu: Paratiroideias (Contribuição para o seu estudo) – Dissertação inaugural. Porto, Tip. Empresa Guedes, 1909. 3 págs. inum.+130+7 inum. Publicações diversas: Sobre raquianestesia em Obstetrícia; Um caso de operação cesariana sob raquianestesia; Dois casos de malformação uterina (1031); Um caso de transfusão sanguínea directa («Medicina Moderna», 1922); Sobre cirurgia conservadora ginecológica – A propósito dum caso feliz («Portugal Médico», 1922). Comunicações à Associação Médica Lusitana: Sobre raquianestesia em Obstetrícia (sessão de 14 de Novembro de 1912); Alguns casos de malformações genitais causadoras de distocia (14 de Janeiro de 1913); Três intervenções operatórias (29 de Janeiro de 1914); Quatro intervenções de gastroenterostomia; Falsas apendicites. Curriculum Vitae. Porto, 1922, 8.º de 11 págs., onde se encontram resenhadas todas as publicações do autor. Em 1928 apresentou ao 3.º Congresso de Medicina reunido em Lisboa um relatório sobre o Tratamento do aborto febril. Tem colaborado na Gazeta dos Hospitais do Porto, Arquivos do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, Anuários da Faculdade de Medicina do Porto, A Medicina Moderna e Portugal Médico (1032).

(1031) Estes três trabalhos foram publicados na Gazeta dos Hospitais do Porto. (1032) Ao Ex.mo Sr. doutor Hernâni Monteiro, ilustre professor da Faculdade de Medicina do Porto, agradecemos as informações para este artigo, pois que o biografado, a quem escrevemos duas vezes, nunca se dignou responder-nos.

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GARCIA

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GRANDE GUERRA

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G GARCIA (Manuel Emídio), pág. 202 – Escreveu mais: Conferência pronunciada na «Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa», em 4 de Novembro de 1909, acerca do teatro de D. Maria sob o regime da Adjudicação por concurso – A situação dos autores perante o programa de 23 de Abril de 1907 e mais legislação complementar. Porto, 1909. 8.º de 31 págs. GRANDE GUERRA (1033) – Relação dos militares pertencentes ao distrito de Bragança que morreram e foram prisioneiros na Grande Guerra (1914-1918), tanto nos combates em França como na África. Quando se não indique outra coisa, deve entender-se que os indivíduos mencionados são simples soldados. Nem todos morreram no campo de batalha, mas alguns em consequência de resultados dela. Há vários equívocos nas listas oficiais que nos foram facultadas e consultámos, pois vimos apontados como prisioneiros numas listas os que noutras aparecem como mortos, e não podemos remediar este inconveniente. Como vão adscritos à povoação cabeça da freguesia, pode suceder não serem naturais desta, mas de alguma povoação anexa. Também devem faltar alguns nomes nas listas oficiais, pois de diferentes mortos sabemos nós que nelas não são apontados. Pelo geral, os indivíduos mencionados pertenciam aos regimentos de infantaria n.os 10 e 30 e 6.º grupo de metralhadoras da guarnição de Bragança. O sinal †, depois do nome, indica que os indivíduos apontados estão inscritos no monumento aos mortos da Grande Guerra, erecto na praça de S. Vicente, em Bragança. Todavia, vêem-se nele, como mortos em África, os nomes de Manuel A. dos Santos Tisa, Manuel Inácio e Vítor Manuel; e em França, António E. Silva Sampaio (alferes), José Marcelino (2.º sargento), António dos Santos Rodrigues, Augusto de Jesus Rego, João do Nascimento Loureiro, Simão de Jesus Gomes e Manuel José Brás (1034), soldados, que não encontrámos nas listas, talvez por pertencerem a guarnições diferentes da de Bragança. Os que não levam a indicação de prisioneiros, entenda-se que foram mortos; os prisioneiros foram-no em França.

(1033) Aos bons amigos major António José Teixeira, tenentes António Augusto Cordeiro e Guilherme Augusto Fernandes agradecemos as informações para este artigo. (1034) Com nome idêntico, há um outro em Freixo de Espada à Cinta; mas este não deve ser o inscrito no monumento de Bragança, por ser apenas destinado aos mortos do nosso concelho.

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GRANDE GUERRA

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ADEGANHA (Moncorvo) – Manuel de Jesus, filho de António Baptista e de Maria Joaquina, em África; e António Júlio, filho de Manuel da Ressurreição e de Maria da Natividade, idem. AGROBOM (Alfândega da Fé) – Acácio Joaquim de Jesus, filho de Maria de Jesus, em África; e Alberto Joaquim Além-Douro, em França. AGUIEIRAS (Mirandela) – Sebastião Maria da Graça, filho de João da Graça e de Clementina de Jesus, em França; Manuel do Patrocínio Casado e João António dos Santos, prisioneiros. ALFÂNDEGA DA FÉ – António Manuel, filho de Hortênsia Olímpia, em África; António Afonso, filho de João Manuel Afonso e de Maria Palmeira, idem; Avelino António Jaldim, filho de Francisco António Jaldim e de Maria dos Prazeres, idem; e António Rego. ALGOSO (Vimioso) – José do N. Vaz, em França; Firmino António Martins, Manuel dos Santos Granado e António Augusto Pardal, prisioneiros. ALVITES (Mirandela) – Semit de Jesus, filho de Leopoldina de Jesus, em França; e Aniceto Augusto, idem. ANGUEIRA (Vimioso) – Adriano Saturnino, prisioneiro. ARCAS (Macedo de Cavaleiros) – Américo dos Santos, prisioneiro. ARGOZELO (Vimioso) – Francisco M. Rodrigues Teles, em França; António R. Português, idem; Manuel da Cruz Pires China, Domingos Martinho Gonçalves, José Manuel da Veiga, Raul de Jesus Cepeda e António da Ressurreição, de Parada, prisioneiros. ASSARES (Vila Flor) – Carolino José Correia, cabo, filho de Amélia Ricardina, em África. ATENOR (Miranda do Douro) – Isidoro da C. Delgado, em França, e Francisco Miguel Ramos, prisioneiro. AVELEDA (Bragança) – Eduardo Augusto, filho de Manuel José e de Maria da Assunção, em África. AVIDAGOS (Mirandela) – Justiniano Augusto da Silva, prisioneiro. BABE (Bragança) – Domingos António Mouro, Manuel José Alves e Baptista da Natividade Veigas, prisioneiros. BAÇAL (Bragança) – João Miguel Rodrigues, em França, e Domingos Manuel Rodrigues, prisioneiro. Este era de Vale de Lamas e faleceu, vítima dos gases asfixiantes, no hospital em Lisboa. BARCEL (Mirandela) – José Joaquim Baptista, prisioneiro. BELVER (Carrazeda de Ansiães) – Manuel Maria Lage, filho de Prazeres Lage, em África; e Luís Manuel Tavares, filho de José Tavares e de Angelina dos Ramos, idem. BEMPOSTA (Mogadouro) – Alípio Joaquim Pereira, filho de António Joaquim Pereira e de Maria da Apresentação, em África.

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GRANDE GUERRA

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BORNES (Macedo de Cavaleiros) – Sebastião de Jesus Morais e Manuel Maria, prisioneiros. BRAGANÇA – Vítor Luís Lopes †, 2.º cabo, da freguesia da Sé, filho de João António Lopes e de Maria do Carmo Teixeira, em África; Francisco António de Almeida, da mesma freguesia, filho de pais incógnitos, idem; Cassiano Luís Pires †, 2.º sargento, da aludida freguesia, em França; Mário Leão Lopes dos Santos Saldanha †, capitão, em França; Francisco das Graças Rodrigues, 2.º sargento, da freguesia de Santa Maria, prisioneiro; João Manuel do Nascimento, da mesma freguesia, idem; Francisco Joaquim Pinto, 2.º sargento, idem, idem; Manuel João Outeiro, da freguesia da Sé, idem; António dos Santos, idem, e António Joaquim Rodrigues, 1.º cabo, da freguesia de Santa Maria, idem. BRUÇÓ (Mogadouro) – António José Lagareiro, filho de João Baptista Lagareiro e de Isabel Maria, em África. BURGA (Macedo do Cavaleiros) – Justino dos Santos Costa, Francisco António Mendes e José Luís Fernandes, prisioneiros. CABEÇA BOA (Moncorvo) – Álvaro José Ferreira, filho de Manuel Luís Ferreira e de Amélia dos Prazeres Martins, em África; António Manuel Morais, filho de Manuel António Morais e de Ana Carolina, idem; e António José Prados, filho de Maria de Jesus Bernardina, idem. CAÇARELHOS (Vimioso) – António Maria Preto, filho de José Preto e de Maria José Marques, em França; Francisco Manuel Formariz, filho de José Manuel Formariz e de Cândida Martins, idem; Francisco A. Martins, 2.º sargento, idem; e José Maria Domingues, prisioneiro. CAMPO DE VÍBORAS (Vimioso) – António Augusto Pires, filho de Porfírio José Pires e de Joana Rosa Fernandes, em França; Manuel José Joaquim Padrão, filho de António Padrão e de Maria A. Fernandes Quintanilha, em África; e Domingos A. F. Quintanilha, em França. CANDOSO (Vila Flor) – Abílio Gomes, filho de Cândido Gomes e de Maria Felicidade, em África. CARAVELAS (Mirandela) – Abel do Espírito Santo Ferreira Miranda, prisioneiro. CARÇÃO (Vimioso) – António Manuel Valente e Francisco Joaquim Afonso, prisioneiros. CARDANHA (Moncorvo) – Álvaro Augusto Esteves, 2.º sargento, filho de Cândido Guilhermino Esteves e de Francisca Maria Baptista, em África. CARRAGOSA (Bragança) – João Brás Rodrigues e António Joaquim Lopes, prisioneiros. CARRAZEDA DE ANSIÃES – António de Oliveira Vitória, filho de Francisco de Oliveira Vitória e de Maria Cândida, em França; António Augusto Bor-

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GRANDE GUERRA

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ges, filho de António Borges e de Emília Trigo, idem; e José Evaristo, filho de Evaristo José e de Florinda da Costa, em África. CARVALHO DE EGAS (Vila Flor) – Viriato Neri Ferreira, filho de Luís Ferreira e de Rosalina de Jesus, em África. CARVIÇAIS (Moncorvo) – Luís Manuel Rei, filho de António Manuel Rei e de Maria da Conceição, em África. CASTEDO (Moncorvo) – António Francisco Alagoa, prisioneiro. CASTELÃOS (Macedo de Cavaleiros) – Alcino Júlio, prisioneiro. CASTELO BRANCO (Mogadouro) – Manuel José Afonso, 2.º sargento, filho de António A. Afonso e de Ermelinda Rodrigues, em França. CASTRO DE AVELÃS (Bragança) – António dos Santos Afonso, prisioneiro. CASTRO VICENTE (Mogadouro) – Arnaldo Augusto Sambade, filho de Francisco Manuel Sambade e de Bernardina dos Prazeres, em África; José Luciano Moreno, filho de Cândido Augusto Moreno e de Inácia Maria Vila, idem. CEDÃES (Mirandela) – João Bernardo, António Joaquim e Sérgio Augusto Raimundo, prisioneiros. CELAS (Vinhais) – José Manuel Pires, filho de Alexandrina Pires, em África; e Aniceto dos Reis Pires e Manuel da Anunciação Martins, prisioneiros. CHACIM (Macedo de Cavaleiros) – Manuel do Nascimento, filho de Felicidade de Jesus, em França; João Baptista e Francisco António Carneiro, prisioneiros. COELHOSO (Bragança) – Bernardino do Nascimento †, filho de Domingos Inácio e de Josefina da Purificação, em França; Abílio Augusto Salvador †, filho de Domingos Salvador e de Valentina da Conceição, idem; e José Maria dos Santos Martins e Evaristo Eduardo, prisioneiros. CORTIÇOS (Macedo de Cavaleiros) – Cândido Augusto Carlão e José dos Santos Pereira, prisioneiros. CORUJAS (Macedo de Cavaleiros) – João Caetano, filho de João Edmundo e de Gracinda Eugénia, em África. CUROPOS (Vinhais) – José Manuel, filho de Francisca Rosa, em África, e Manuel Basílio de Morais, prisioneiro. DEILÃO (Bragança) – José Emílio Nogal, filho de José António Nogal e de Emerenciana Lombo, em África; e Alípio Augusto Delgado, prisioneiro. DONAI (Bragança) – José Manuel Fernandes e José Manuel Buiça, prisioneiros. DUAS IGREJAS (Miranda do Douro) – José Francisco Fernandes, em França; Joaquim Maria Esteves, Manuel Maria Martins, Abílio de Jesus Martins, António José Pires Gregório e António José Alves, prisioneiros. EDROSA (Vinhais) – José António, prisioneiro. EDROSO (Macedo de Cavaleiros) – Manuel António Pereiros, prisioneiro. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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ERVEDOSA (Vinhais) – Francisco do Nascimento e Jacinto dos Anjos Correia, prisioneiros. ESPADANEDO (Macedo de Cavaleiros) – José Manuel dos Santos Morais, prisioneiro. ESPINHOSELA (Bragança) – João Baptista Condado, prisioneiro. EUCÍSIA (Alfândega da Fé) – Álvaro Augusto Esteves. FELGAR (Moncorvo) – Augusto dos Santos Ginja, filho de Luís Francisco Ginja e de Maria da Conceição, em África; Manuel António Raquel, filho de Francisco António Raquel e de Cândida Adelaide, idem; José Luís Martins, cabo, filho de Domingos José Martins e de Clotilde Adelina Branco, idem. FELGUEIRAS (Moncorvo) – César Augusto da Fonseca, filho de José Mouro da Fonseca e de Cândida de Jesus, em África; e Manuel dos Anjos Mendes, prisioneiro. FERRADOSA (Alfândega da Fé) – Acácio dos Anjos Feliciano, filho de Francisco António Feliciano e de Maria Joaquina, em África. FONTE LONGA (Carrazeda de Ansiães) – Camilo dos Anjos Carvalho, filho de Manuel Trigo de Carvalho e de Maria Adelaide, em África. FORNOS (Freixo de Espada à Cinta) – Manuel Joaquim Ângelo, filho de António Joaquim Ângelo e de Amália Rosa, em África; José Luís Calvo, filho de Isabel Maria Calvo, idem; e António Augusto Redondo, filho de Francisco Inácio Redondo e de Francisca Bernardina, idem. FRADIZELA (Mirandela) – António dos Santos e José Maria Alves, prisioneiros. FRANCO (Mirandela) – Inácio José Teixeira e Manuel da Conceição Branco, prisioneiros. FRECHAS (Mirandela) – Firmino, filho de Margarida Cândida, em França. FREIXEDA (Mirandela) – José Joaquim e António Júlio, prisioneiros. FREIXIEL (Vila Flor) – Carolino Augusto, filho de Manuel Morais e de Maria Borges, em África; Manuel de Jesus Fidalgo, filho de José Fidalgo e de Rosalina Augusta, idem; José Luís Carvalho, filho de Sebastião Carvalho e de Maria da Luz, idem; e Godofredo Pereira, filho de José Pereira e de Isabel Costa, idem. FREIXO DE ESPADA À CINTA – César Artur Constâncio, filho de António Constâncio e de Isabel Maria de Jesus, em África; e Manuel José Brás †, em França. FRESULFE (Vinhais) – José da Assunção Barreira e Francisco José Pereira, prisioneiros. GEBELIM (Alfândega da Fé) – João António Pereira, filho de Maria Emília Pereira, em África; Francisco António Veríssimo, filho de Adriano José Veríssimo e de Virgínia Augusta, em França; e Herculano Augusto, prisioneiro.

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GRANDE GUERRA

663 TOMO VII

GENÍSIO (Miranda do Douro) – José dos Anjos Domingues, filho de António Domingues e de Ana Joaquina João, em França. GOLFEIRAS (Mirandela) – António Castro, em França. GONDESENDE (Bragança) – Alfredo dos Santos, cabo, filho de Joaquina Fernandes, em África. GRIJÓ DE PARADA (Bragança) – António Augusto da Silva, prisioneiro. GUIDE (Mirandela) – Carolino Augusto, filho de Manuel José e de Adelina Augusta, em África; José Manuel Gomes, filho de José Gomes e de Josefa Maria, em França; José Filipe, José Baptista Pinheiro, José Maria Mofreita e José Manuel Fernandes, prisioneiros. IZEDA (Bragança) – Justiniano Augusto Tomé, José Maria dos Santos e António Augusto de Sampaio, prisioneiros. LAGOA (Macedo de Cavaleiros) – Dámaso do Corpo de Deus Penadinha e António dos Santos Fernandes, prisioneiros. LAGOAÇA (Freixo de Espada à Cinta) – Francisco José Fragata, filho de José António Fragata e de Amália da Conceição, em África. LAMAS DE ORELHÃO (Mirandela) – Eduardo Alves, em França, e Elói Alves, prisioneiro. LARINHO (Moncorvo) – António Luís Caetano, filho de José Caetano e de Maria Cuca, em África. LIGARES (Freixo de Espada à Cinta) – José Joaquim Morais, filho de João Pedro de Morais e de Maria do Rosário, em África; e António Manuel Guerra, filho de José António Guerra e de Alexandrina da Graça, idem. LINHARES (Carrazeda de Ansiães) – Manuel António Gonçalves, filho de António Conçalves e de Luísa Fernandes em África. LOMBO (Macedo de Cavaleiros) – Bernardino do Nascimento Torrão, José Cândido Coelho e José Vicente Paulos, prisioneiros. MACEDO DE CAVALEIROS – Baltasar Carlos dos Santos, 2.º sargento, filho de Joaquim Augusto e de Maria dos Santos, em África; Amilcar José Sarmento, filho de Carlos Augusto Sarmento e de Florentina Eugénia Lopes, em França; Alfredo do Nascimento, 2.º sargento, idem; e Francisco António Rodrigues e António do Carmo, prisioneiros. MACEDO DO MATO (Bragança) – Samuel Augusto Barbeiro †, em França, e Domingos dos Santos Ferreira, prisioneiro. MAÇORES (Moncorvo) – João José Pavão, filho de César Augusto Pavão e de Beatriz dos Anjos Ferreira, em África; António Maria Exposto, filho de António Joaquim Exposto e de Maria da Purificação, idem; e Manuel José Caldeira, filho de Ângelo Saraiva Caldeira e de Maria Joaquina Dias, idem. MALHADAS (Miranda do Douro) – José Agostinho Artego e Francisco Amador Ferrão, prisioneiros.

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GRANDE GUERRA

TOMO VII

MASCARENHAS (Mirandela) – José António Correia e Adelino José Cristóvão, prisioneiros. MATELA (Vimioso) – Manuel da Conceição Torrão, José Francisco Lourenço, Bernardino José Afonso e José Luís Morais, prisioneiros. MAZOUCO (Freixo de Espada à Cinta) – Francisco António Martinho, filho de António Pedro Martinho e de Matia da Purificação, em África. MEIXEDO (Bragança) – José Luís Garcia †, filho de José Miguel Garcia e de Constância do Nascimento, em África. MILHÃO (Bragança) – Alípio de Jesus Pires, prisioneiro. MIRANDA DO DOURO – António A. Igrejas, em França; e Francisco dos Anjos Fernandes e Alberto Maria Lopes, prisioneiros. MIRANDELA – Luís Manuel, artífice, filho de José Augusto de Carvalho e de Leopoldina da Assunção, em África; António Costa, filho de Avelino José e de Margarida Libânia, em França; Carlos Augusto Rodrigues, filho de António Albino e de Margarida Rodrigues, idem; Mário José Seramota, cabo, filho de José Maria Seramota e de Sofia Adelaide, em África; Olímpio José Ribeiro, cabo, filho de Manuel Maria Ribeiro e de Maximina da Assunção, em França; António Costa, António José, Fernando Jaime dos Santos, Eugénio António do Nascimento, José Elói Pereira e Dinis Sancho Pereira, prisioneiros. MOGADOURO – António Augusto Henriques, filho de António Augusto de Oliveira e de Maria Beatriz, em África. MONCORVO – Alberto Augusto Pinto, filho de José Lúcio Pinto e de Júlia Beatriz, em África; Francisco António Afonso, filho de Zeferino José Afonso e de Albertina Urbana de Campos, idem; e António Manuel Correia, prisioneiro. MORAIS (Macedo de Cavaleiros) – Manuel Augusto Neves, prisioneiro. MOURÃO (Vila Flor) – António Zeferino de Morais, filho de Bernardino de Morais e de Inácia de Jesus, em França. MÓS (Bragança) – António João Gonçalves, prisioneiro. MÓS (Moncorvo) – Luís Maria Gaspar, filho de António Manuel Gaspar e de Margarida Cândida, em África; e José Joaquim Dinis, filho de Francisco António Pacheco e de Laurinda Augusta, idem. MÚRIAS (Mirandela) – Alfredo de Jesus e Albano de Jesus Morais, prisioneiros. NABO (Vila Flor) – António Augusto Garção, filho de António dos Santos Garção e de Elvira Adelaide, em África; Carlos Américo Cabral filho de José Bernardo Cabral e de Isabel Maria, idem; e Abel do Espírito Santo Veiga, filho de Lourenço Veiga e de Etelvina de Jesus, idem. NAVALHO (Mirandela) – João Igrejas, em França. NOGUEIRA (Bragança) – João Baptista Rodrigues, Maximino Augusto Barreira e João António Pires, prisioneiros.

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GRANDE GUERRA

665 TOMO VII

NUNES (Vinhais) – César Augusto da Silva, filho de José Manuel da Silva e de Carmelina Augusta, em França. OUSILHÃO (Vinhais) – José Marcelino Pires, filho de Silvério António Pires e de Maria José da Cruz, em França; José Manuel, cabo, filho de Maria Micaela Laurinda, em África, e Marcelino das Neves Jorge, prisioneiro. OUTEIRO (Bragança) – Manuel dos Santos Pires †, filho de António Joaquim dos Santos e de Olinda de Jesus, em África; Alfredo Augusto Nogueiro †, em França, e Francisco Sales Tristão, prisioneiro. PARADA (Bragança) – Agostinho de Jesus Gonçalves, prisioneiro. PAÇÓ (Vinhais) – António Matias Gonçalves e Manuel dos Santos, prisioneiros. PALÁCIOS (Bragança)[18] – António Alípio Fernandes, prisioneiro. PALAÇOULO (Miranda do Douro) – Lázaro Augusto Raposo, Manuel José Esteves, Manuel António Fernandes, Serafim dos Reis Neto, José Feliciano Martins, Francisco Maria Torrão e Francisco dos Santos Monteiro, prisioneiros. PARAMBOS (Carrazeda de Ansiães) – José António Pinto, filho de Rodrigo Pinto e de Maria Gomes, em África; e José António da Silva, filho de Maria dos Anjos Silva, idem. PARÂMIO (Bragança) – António Sebastião Diz, prisioneiro. PENAS ROIAS (Mogadouro) – Domingos do Nascimento Fernandes, filho de José Joaquim Fernandes e de Emília Maria, em França. PEREDO (Macedo de Cavaleiros) – António Augusto, filho de Luís Maria e de Matilde Augusta, em África; Sebastião Maria de Campos, filho de Serafim Augusto de Campos e de Maria do Carmo Cordeiro, idem; e António Joaquim Fontoura, prisioneiro. PEREDO DA BEMPOSTA (Mogadouro) – José do Espírito Santo Silva, filho de António Joaquim Silva e de Irene Fernandes, em África. PEREDO DOS CASTELHANOS (Moncorvo) – José Joaquim Sambado, prisioneiro. PEREIROS (Carrazeda de Ansiães) – António Luís Fidalgo, filho de Francisco Fidalgo e de Bernardina Mendes, em África; António Joaquim Rodrigues, filho de António Inácio Rodrigues e de Luísa Morais Cordeiro, em França; e Joaquim dos Santos Pires, filho de José Joaquim Pires Exposto e de Maria Júlia, em África. PINELA (Bragança) – André Manuel e Júlio dos Santos, prisioneiros. PINELO (Vimioso) – José Manuel Cordeiro, prisioneiro. PINHAL DO NORTE (Carrazeda de Ansiães) – Benjamim Teixeira, prisioneiro. PODENCE (Macedo de Cavaleiros) – Francisco Manuel Camacho e João Baptista Rodrigues, prisioneiros.

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GRANDE GUERRA

TOMO VII

POIARES (Freixo de Espada à Cinta) – Francisco Manuel Caldeiro, filho de António Joaquim Caldeiro e de Antónia Joaquina Hambre, em França; e António Augusto Pereira, filho de Maria Amélia Pereira, em África. POMBAL (Alfândega da Fé) – João Francisco Morais, filho de António Inácio Morais e de Maria Inácia Urze, em África. PÓVOA (Miranda do Douro) – Lázaro Augusto Preto e Avelino António Cordeiro, prisioneiros. QUINTANILHA (Bragança) – Manuel dos Prazeres Rodrigues †, filho de Carmelinda Rodrigues, em França; e Francisco António Clérigo e João Manuel Gonçalves, prisioneiros. QUINTELA (Bragança) [19] – João dos Ramos Bousende †, filho de Maximino Manuel Bousende e de Ana da Assunção Domingues, em França; Aníbal José Espadanedo †, filho de José Manuel Espadanedo e de Angélica Maria Miranda, idem; Francisco António Freixedelo †, filho de Manuel da Anunciação Freixedelo e de Ana Maria Ferreira, em África; Hermínio Augusto Lopes e José António Domingos, prisioneiros. REBORDAINHOS (Bragança) – Honorato António Pires †, filho de José dos Santos Pires e de Perpétua Maria Pereira, em África; João Evangelista Pereira †, filho de Ermelinda de Jesus Pereira, idem; e José Maria Gonçalves, prisioneiro. REBORDÃOS (Bragança) – João Baptista Pires e José Ramos, prisioneiros. REBORDELO (Vinhais) – José Francisco, prisioneiro. RIO FRIO (Bragança) – Inácio José Rodrigues †, filho de João Manuel Rodrigues e de Alexandrina Vara, em África; Alfredo de Jesus Rego, em França; José António Alves e António Joaquim Rodrigues, prisioneiros. SALDONHA (Alfândega da Fé) – Tito Augusto Rodrigues, filho de José Joaquim Rodrigues e de Maria Cândida, em África. SALDANHA (Mogadouro) – Alípio dos Anjos Martins, filho de José da Ressurreição Martins e de Teresa Rodrigues Patrício, em África; Porfírio Augusto, filho de Augusto César e de Ana Augusta Paulo, idem; e Jacinto do Nascimento Parreira, filho de Alexandrina Rosa Parreira, idem. SALSAS (Bragança) – Benigno Augusto dos Santos, Alexandre Aniceto, João António Aragão e Agostinho Gonçalves, prisioneiros. SALSELAS (Macedo de Cavaleiros) – António do Nascimento, filho de Joaquim Avelino e de Filomena de Jesus, em França; e João da C. de Jesus, idem. SAMBADE (Alfândega da Fé) – João Elias Pereira, filho de António Augusto Pereira e de Maria das Dores, em África; Agostinho José, filho de Santana das Neves, idem; Luciano Dias, José António Almendra e Acácio Moisés Teixeira, prisioneiros. SAMÕES (Vila Flor) – João dos Santos Madaleno, filho de Francisco

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GRANDE GUERRA

667 TOMO VII

Madaleno e de Libânia de Jesus, em África; Manuel Magalhães, filho de António Magalhães e de Carlota Cândida, idem; José Maria Gomes, filho de Simplício Augusto Gomes e de Filomena Teixeira, idem; Ernesto Teixeira, filho de Francisco Maria Teixeira e de Ana Bártolo, idem; e António de Jesus dos Santos, prisioneiro. SAMPAIO (Vila Flor) – António Joaquim Cruz, filho de Justino da Cruz e de Maria Antónia, em África; e Manuel Maria, filho de Alfredo José Alfaiate e de Maria Luísa, idem. SANHOANE (Mogadouro) – Francisco Xavier Fernandes, filho de Manuel Joaquim Fernandes e de Albertina Rosa, em África; e António Augusto Rodrigues, filho de Celestino da Ressurreição Rodrigues e de Regina de Jesus Gaspar, idem. SANTA CRUZ (Vinhais) – Herculano de Jesus Gonçalves, prisioneiro. SANTALHA (Vinhais) – Adelino Augusto e José António Canado, prisioneiros. SANTULHÃO (Bragança) – João dos R. Bousende †, em França, e João dos Santos Vaz, prisioneiro. SÃO JULIÃO (Bragança) – António Miguel Conçalves, cabo, em França. SÃO MARTINHO (Miranda do Douro) – Francisco J. Pires, em França; Francisco Maria Meirinhos, João Francisco Lucas, Francisco Lourenço Curralo e Francisco Maria Fernandes, prisioneiros. SÃO MARTINHO DO PESO (Mogadouro) – Joaquim António Curralo, filho de José Francisco Curralo e de Maria da Ascenção, em África; Francisco J. Pires, em França, e José Francisco de Sousa, prisioneiro. SÃO PEDRO (Bragança) – Eduardo Abílio Fernandes, prisioneiro. SEIXO DE ANSIÃES (Carrazeda de Ansiães) – Eduardo Fernandes, filho de José Luís e de Amélia Fernandes, em África; António Júlio, filho de Carlos Júlio e de Maria Albina, idem; e Fausto do Espírito Santo Lopes, filho de Jerónimo Lopes e de Maria de Jesus, idem. SEIXO DE MANHOSES (Vila Flor) – Luís dos Santos, filho de Ana Luísa, em África; Américo dos Anjos Meireles, filho de Manuel José Meireles e de Felisbela de Jesus, idem; e Albino José, filho de Claudino Augusto e de Raquel da Assunção, idem. SELORES (Carrazeda de Ansiães) – José Zeferino de Araújo, filho de José Manuel de Araújo e de Ana Gonçalves, em África, e Luís António Teixeira, filho de António Teixeira, idem. SENDAS (Bragança) – Avelino dos Santos †, filho de Rufino António e de Delfina de Jesus, em África; Joaquim da T. Cordeiro †, em França; Maximino dos Santos, Paulo dos Santos Gonçalves, Francisco Lúcio da Conceição Escaleira, António Manuel, David da Trindade Pinela, José António Quintas e Francisco António Venâncio, prisioneiros. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


668

GRANDE GUERRA

TOMO VII

SENDIM (Miranda do Douro) – Domingos António Martins, filho de Francisco António Martins e de Angélica Rosa, em África; José Francisco Jantarada, filho de José do Nascimento Jantarada e de Maria José Santiago, idem; Manuel do Nascimento, em França; Abel dos Anjos Martins, Abílio Guilherme dos Santos, Manuel dos Santos Pires, Francisco José Mogrilho e José Maria Falcão, prisioneiros. SENDIM DA RIBEIRA (Alfândega da Fé) – João António, filho de Maria da Purificação, em França, e Ricardo Gonçalves Artilheiro, filho de Francisco António e de Francisca Joaquina, em África. SENDIM DA SERRA (Alfândega da Fé) – Manuel de Jesus Cordeiro, filho de Francisco António Cordeiro e de Maximina Antónia, em África. SERAPICOS (Bragança) – António Manuel de Jesus †, filho de Leopoldina de Jesus, em África, e Abílio dos Santos, prisioneiro. SESULFE (Macedo de Cavaleiros) – José António Alves, filho de António Caetano Alves e de Francisca Rosa, em África. SILVA (Miranda do Douro) – António Maria Leopoldo, António Antão Bernardo e Manuel Paulo Martins, prisioneiros. SOBREIRO DE BAIXO (Vinhais) – João dos Santos, filho de Felicidade da Conceição, em França, e Francisco Tiago, prisioneiro. SOEIRA (Vinhais) – Sebastião do Nascimento, filho de Leopoldina Augusta, em França. SORTES (Bragança) – João Manuel dos Santos, filho de Ana Joaquina de Jesus, em África; António Manuel, Álvaro Joaquim Fernandes e João da Cruz, prisioneiros. SOUTELO (Mogadouro) – Joaquim Maria Costa, filho de José da Conceição Costa e de Maria da Maternidade, em África. SOUTO DA VELHA (Moncorvo) – Francisco de Paula Carvalho, 2.º sargento, filho de António César Carvalho e de Antónia Maria da Graça, em França. SUÇÃES (Mirandela) – João Baptista e José, filho de Manuel Joaquim e de Albina Rosa, prisioneiros. TALHAS (Macedo de Cavaleiros) – Manuel António Canedo, prisioneiro. TÓ (Mogadouro) – Domingos dos Anjos Pires, filho de Francisco do Nascimento Pires e de Carolina Teresa Falcão, em África. TORRE DE DONA CHAMA (Mirandela) – Manuel António Pires, filho de João de Deus e de Maria da Glória Pires, em África, e João António Gonçalves, prisioneiro. TRAVANCA (Macedo de Cavaleiros) – Albino dos Santos, prisioneiro. TRAVANCA (Mogadouro) – José Clemente Preto, filho de Manuel Preto e de Maria Preto, em África; Manuel Maria Marote, filho de Joaquim Marote e de Ângela Martins, idem; e António Joaquim Geraldes, filho de Patrício Geraldes e de Ana Maria Meleiro, idem.

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GUERRA GRANDE

669 TOMO VII

(Vinhais) – Miguel António, prisioneiro. (Vila Flor) – António Jacinto Monteiro, filho de Manuel Maria Monteiro e de Maria Augusta, em África; Constantino José, filho de Maria Alexandrina, idem; e Herculano Tito de Morais, filho de Miguel António de Morais e de Ana Cândida, idem. TUIZELO (Vinhais) – Francisco António Alves, filho de José Manuel Alves e de Teresa de Jesus, em França, e José Luís, prisioneiro. URROS (Moncorvo) – Alexandre Augusto Fonseca, filho de Manuel Joaquim Fonseca e de Maria do Espírito Santo, em África. URRÓS (Mogadouro) – Manuel Joaquim Meleiro, filho de Francisco António Meleiro e de Carolina Rosa Pires, em África; e Carlos Caneiro, filho de Francisco Caneiro e de Francisca Marcos, idem. UVA (Vimioso) – Francisco Augusto Falcão, Manuel José Pires e Abel do Nascimento Granado, prisioneiros. VALE BENFEITO (Macedo de Cavaleiros) – António Joaquim, filho de Raquel dos Anjos, em França; José Maria e António Manuel Pinto Ferreira, 1.º cabo, prisioneiros. VALE DE ASNES (Mirandela) – António Augusto Dias, prisioneiro. VALE DAS FONTES (Vinhais) – José Manuel, filho de Manuel dos Santos e de Maria Angélica, em França; Porfírio dos Anjos, Sérgio dos Santos da Graça e Manuel António, prisioneiros. VALE DE FRADES (Vimioso) – José dos Anjos Martins, filho de Manuel Martins e de Cândida Pires, em África; Veríssimo de J. Pires, em França; João Francisco Garcia, Avelino dos Anjos, Francisco João Pires e David do Espírito Santo Pires, prisioneiros. VALE DE GOUVINHAS (Mirandela) – Albano dos Santos Costa, prisioneiro. VALE DA MADRE (Mogadouro) – Germano Augusto Fernandes, filho de António do Nascimento Fernandes e de Maria do Carmo, em África. VALE DE PRADOS (Macedo de Cavaleiros) – Ernesto José, Francisco Manuel e Amaro dos Anjos Salselas, prisioneiros. VALE DA SANCHA (Mirandela) – Acácio Rodrigues, filho de Domingos José Rodrigues e de Angelina Rosa, em França. VALE DE SALGUEIRO (Mirandela) – Anselmo Domingos Borges, filho de Emílio Joaquim Borges e de Maria Emília, em França, e José Maria Carvalheiro, prisioneiro. VALVERDE (Mogadouro) – José Joaquim Pacheco, filho de Francisco António Pacheco e de Laurinda Augusta, em África. VENTOZELO (Mogadouro) – José António Ribeiro, filho de Manuel Ribeiro e de Maria Joaquina da Silva, em África; e Manuel José dos Santos, filho de Raquel Maria Manso, idem. TRAVANCA

TRINDADE

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GRANDE GUERRA

TOMO VII

VILA BOA (Vinhais) [20] – João Baptista Pires, João Baptista, Domingos Alexandre Meirinhos e João Baptista Gonçalves, prisioneiros. VILA BOA (Mirandela) – Manuel Teixeira e António Alves, prisioneiros. VILA CHÃ (Mogadouro) – Francisco Maria Raiano, filho de Francisco António Raiano e de Maria Emília, em África. VILA CHÃ DE BRACIOSA (Miranda do Douro) – Alfredo Machado, em França; João da Purificação de Oliveira, idem; José Manuel Martins, filho de José Luís Martins e de Isabel dos Santos, idem; José Manuel Louçano, José Paulo Afonso e António Augusto João, prisioneiros. VILA FLOR – Aníbal dos Santos, filho de João António da Silva e de Antónia Luísa, em África; Turíbio José dos Santos, filho de João dos Santos e de Constança Augusta, idem; Manuel Alexandre Rolo, filho de José Joaquim Rolo e de Vitória da Assunção, idem; e António Manuel da Silva, filho de Manuel António da Silva e de Leopoldina Rosa, idem. VILA VERDE (Vinhais) – José Augusto, David Augusto Silva e Manuel António, prisioneiros. VILAR CHÃO (Alfândega da Fé) – Manuel José Pereira, filho de Estêvão Augusto Pereira e de Maria Francisca, em África; e Miguel do Nascimento Pinto, filho de José Manuel Pinto e de Raquel da Felicidade, idem. VILAR DE LOMBA (Vinhais) – António da Ascenção Fernandes, filho de Domingos António Fernandes e de Felizarda de Jesus, em França; e João Manuel Alves, idem. VILAR DE OSSOS (Vinhais) – António de S. Miranda, em França; e Patrocínio Augusto Diegues e Cipriano António Afonso, prisioneiros. VILAR DE PEREGRINOS (Vinhais) – João do Nascimento Silva, prisioneiro. VILAR SECO (Vimioso) – José Joaquim Lopes, filho de António Lopes e de Maria das Neves Magalhães, em França. VILARINHO DA CASTANHEIRA (Carrazeda de Ansiães) – António Albino Favas, filho de Manuel Joaquim Favas e de Maria de Deus, em África; António Augusto Ferreira, filho de Manuel António Ferreira e de Leónia Augusta, idem; Basílio Augusto dos Santos, filho de Helena dos Santos, idem; e António dos Santos Nunes, filho de Manuel António Nunes e de Maria Cândida, idem. VILARINHO DO MONTE (Macedo de Cavaleiros) – César Augusto Ferro, prisioneiro. VILAS BOAS (Vila Flor) – Manuel dos Santos, filho de Francisco José Lopes e de Carolina de Jesus, em África; José António Mesquita, filho de João António de Mesquita Júnior e de Maria Joaquina de Oliveira, idem; e João Manuel Carvalho, filho de José Miguel Carvalho e de Ermelinda dos Anjos, idem. VIMIOSO – José Maria Vaz, filho de João António Vaz e de Maria Joaquina Pires, em África; Francisco António Rodrigues Lopes, filho de Paulo

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GRANDE GUERRA

671 TOMO VII

Rodrigues Lopes e de Antónia Emília Macedo, em França; Manuel Maria Fernandes, filho de António Fernandes e de Carlota Pires, idem; e Manuel dos Santos Rodrigues, cabo, idem. VINHAIS – Evaristo Jorge, filho de Francisco António e de Maria de Jesus Pereira, em África; João Manuel Gomes, João Pedro Garcia e Dinis Pinto, prisioneiros. VINHAS (Macedo de Cavaleiros) – João Manuel, Frederico José Rodrigues e Alfredo Augusto, prisioneiros. ZOIO (Bragança) – Júlio da Ressurreição Gonçalves e António Manuel Graça, prisioneiros.

Oficiais do regimento de infantaria nº 10 na Grande Guerra (1035) Majores – Manuel de Almeida Campos de Gusmão, António Correia Soares e Guilherme Correia de Araújo. Capitães – Carlos Augusto Vergueiro (comandou o batalhão interinamente), Manuel Alexandre (na companhia) e Aníbal Gonçalves Paul (idem). Tenentes – Carlos Alberto Sequeira, Joaquim Marques, Luís Gonzaga Tadeu, Vítor Simões Dias e Raul Caldeira Garcia de Andrade. Alferes – João de Deus Martins Manso, Manuel Augusto Fernandes Cicouro, Gualter Monteiro Alves, Raul Gui da Costa Oliveira, José Monteiro Alves, Carlos Alberto Afonso, Francisco António Gonçalves, Aníbal de Carvalho Figueiredo e José de Melo Soares. Sargentos – Francisco Manuel Pires, Ilídio Aires Esteves, António Aníbal Ribeiro, Francisco António Martins, Manuel Martins Pereira, António Augusto do Nascimento, António Augusto Rodrigues, António Emílio dos Santos, Manuel Bernardo de Castro, Eugénio Augusto de Morais, Joaquim Mendes Pereira Júnior, Alberto Augusto, Alípio Brás, António dos Santos Subtil, José Abílio Geraldes, José Augusto do Nascimento, Simão de Jesus Raposo, Adriano Augusto Saldanha, José António dos Santos, Afonso Lopes Ochoa, Francisco António Gonçalves, Hermínio A. M. e Castro, Avelino António Martins, Firmino Herculano Moredo, António Joaquim Ferreira, António Augusto Vicente, António José de Castro, João Baptista Gonçalves, Francisco R. Fernandes, Claudino Manuel Garcia, José António de Morais Parra, Belmiro do Nascimento Pais, David Tiago Pires, Hermínio Augusto Nunes, Domingos António de Morais, Tadeu Augusto Gonçalves, Carlos Alberto P. Horta, Eduardo V. Gonçalves, João Maria Pavão, Francisco Cân(1035) Para evitar repetições, não apontámos os que adiante mencionamos.

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672

GRANDE GUERRA

TOMO VII

dido Cordeiro, Basílio da T. Rodrigues, Manuel Maria da Costa, Acácio António Massa, João Manuel de Jesus, Aníbal Augusto, Alfredo Pires e António Joaquim Ferreira.

Relação das condecorações conferidas a oficiais e praças do regimento de infantaria nº 10 na Grande Guerra CRUZ DE GUERRA DE

1.

A

CLASSE

3.ª companhia do batalhão do regimento de infantaria nº 10 – Pela bravura que demonstrou por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, guarnecendo a extrema direita do sector português em ligação com as tropas britânicas, mantendo-se com a maior firmeza nas suas posições, opondo tenaz resistência ao avanço do inimigo até ser envolvida por forças extraordinariamente superiores, demonstrando coragem, patriotismo e alta compreensão do dever. CRUZ DE GUERRA DE

2.

A

CLASSE

Casimiro da Glória Gonçalves, alferes miliciano do regimento de infantaria nº 30, promovido a tenente e condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª classe, porque, tendo sido morto em combate por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918 o comandante da sua companhia, assumiu o comando desta, indo ocupar a esquerda da segunda linha do sector no momento em que o combate era mais intenso, resistindo valentemente ao avanço do inimigo sempre sereno e corajoso até que foi feito prisioneiro. Augusto José Machado, alferes do regimento de infantaria nº 30, condecorado com a medalha Cruz de Guerra de 2.ª classe, pela extraordinária coragem e dedicação de que deu provas por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, oferecendo-se ao seu comandante de batalhão para vários serviços arriscados, que executou com desembaraço e serenidade, tanto mais de louvar que muitos desses serviços não eram das suas atribuições, tais como o remuniciamento, transmissão de ordens, socorro a feridos, que prestou com risco da própria vida, debaixo de bombardeamento inimigo. Amadeu Humberto de Sá Morais, alferes, natural de Vinhas, concelho de Macedo de Cavaleiros, condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª classe pelo comandante do Corpo Expedicionário Português, por se encontrar nos termos do decreto nº 4403 de 1918, e «louvado porque, durante a sua longa permanência nas trincheiras como comandante de pelotão, fez um grande número de patrulhas, até em dias sucessivos por falta de oficiais, e mostrou sempre boa-vontade, muita competência, sangue-frio e abnegação no cumprimento dos seus deveres patrióticos e militares». MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


GRANDE GUERRA

673 TOMO VII

CRUZ DE GUERRA DE

3.

A

CLASSE

Capitão Augusto Adriano Pires, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, ocupando com a sua companhia o flanco direito do sector português em ligação com as tropas britânicas, tomou medidas acertadas e oportunas, dando provas de saber, serenidade, espírito militar e coragem, oferecendo uma eficaz resistência ao avanço do inimigo. Tenente Jaime Augusto Teles Grilo e alferes Felismino Augusto da Fonseca Araújo, pela coragem e dedicação que manifestaram por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, cumprindo rigorosamente as instruções da companhia relativas a transmissão de ordens aos comandos das fracções, nas trincheiras, e execução de outros serviços. Alferes Alípio Augusto, porque sendo e fazendo, portanto, parte do E. M. do Batalhão, sabendo das dificuldades nas ligações com as companhias, se ofereceu para ir à esquerda do subsector obter informações do que ali se passava, apesar do bombardeamento que então se fazia em todo o subsector, mostrando assim muito sangue-frio. Alferes José Honorato Gomes Pereira, porque, estando de serviço na 1.ª linha, manifestou excelentes qualidades de comando, coragem e dedicação, concorrendo com o seu exemplo para que as praças se mantivessem nos seus postos de combate e lutassem até serem obrigadas, por um número esmagador, a renderem-se, não sem terem produzido bastantes baixas ao inimigo. Guilherme Augusto Fernandes, alferes miliciano do regimento de infantaria nº 30, pela coragem e decisão que demonstrou por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, animando com o seu exemplo os seus subordinados e auxiliando o comandante de companhia com zelo e boa vontade. 2.º sargento Cassiano Luís Pires, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, se salientou pela sua bravura, sangue-frio e desprezo pelo perigo no desempenho de diferentes serviços que pertenciam ao cargo de 1.º sargento, que exercia, e reabastecimento de munições dos diferentes postos da 1.ª e 2.ª linhas, morrendo durante a batalha. 2.º sargento Tolentino Mendes Saldanha, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, comandando um posto de metralhadoras na 1.ª linha, manifestou muita coragem e sangue-frio, dando um belo exemplo aos seus subordinados. CRUZ DE GUERRA DE

4.

A

CLASSE

Capitão António José Teixeira, por ter demonstrado, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, durante nove horas que durou o bombardeamento, muita serenidade, coragem e sangue-frio, desempenhando com MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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GRANDE GUERRA

TOMO VII

presteza todos os serviços que lhe foram ordenados, conservando-se sempre apto ao desempenho dos seus deveres. 2.os sargentos Amadeu Carlos Bornes, Francisco das Graças Rodrigues e Adolfo Augusto, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, manifestaram energia e desprezo pelo perigo, confirmando os excelentes créditos em que eram tidos. 2.º sargento Gualdino Albano Fernandes, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, demonstrou muita coragem e sangue-frio durante o combate da sua companhia, dirigindo com acerto os seus soldados, dando-lhes assim um bom exemplo. 2.º sargento Álvaro Augusto Esteves, pela grande serenidade de que deu provas durante o bombardeamento de 9 de Abril de 1918, só abandonando a estação telégrafo-telefónica, da qual era chefe, quando a mesma foi destruída pelo fogo do inimigo e recebeu ordem para retirar. 1.º cabo Joaquim Domingos de Almeida e Castro, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, não se poupou a perigos, socorrendo feridos com risco da própria vida e demonstrando admirável dedicação. 2.º cabo António José e soldados Joaquim Maria Pires, Carlos Manuel Augusto dos Reis, Abílio de Jesus Madureira, José Maria Carvalheira, Augusto César, João António Ferreira, José Francisco Manuel G. Dias, Francisco António Clérigo, António Augusto Falcão, António Joaquim Lopes, António dos Santos Trigo, Basílio Alves e Francisco José Pereira, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, mostraram em todas as circunstâncias muito sangue-frio, coragem e dedicação pelo serviço, cumprindo em condições muitas vezes perigosas os seus deveres profissionais com absoluto desprezo pelo perigo. 2.º cabo Sebastião Augusto Fernandes e soldados Francisco José Moquilho, Anacleto Pires, Alberto Carlos Moscoso e João Francisco Rodrigues, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, sendo ordenanças do comando, da companhia e dos pelotões, asseguraram as comunicações com a 1.ª linha e entre os diferentes postos de combate com risco de vida, atravessando zonas batidas pela artilharia inimiga e demonstrando muita coragem. Soldado Francisco Maria Meirinhos, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, acompanhou com sacrifício da vida, carinhosa e dedicadamente, todos os feridos do posto de socorros da rue du Bois para o abrigo dos feridos.

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GRANDE GUERRA

675 TOMO VII

Prisioneiros do regimento de infantaria nº 10 na Grande Guerra Capitães – Augusto Adriano Pires, António José Teixeira e Luís Emílio Ramires. Tenentes – Adelino Delduque da Costa, António Augusto de Carvalho, Jaime Augusto Teles Grilo, Luís César Rodrigues e José Manuel Chiote. Médicos – Manuel Joaquim Lourinho e Uriel João de Sousa Salvador. Alferes – Alípio Augusto, Alberto Prior Coutinho, Armindo Pinto Martins, Artur de Brito Figueiroa, Felismino da Fonseca Araújo, Honorato Gomes Pereira, José Joaquim de Castro Meireles, José Maria Lopes, José da Conceição Neves Martins, Luís Augusto Soares de Sousa Sanches e Norberto de Figueiredo Salgueiro. Sargentos – José Manuel Fernandes (faleceu), António Augusto Gonçalves, Manuel do Nascimento Garcia Buiça (faleceu), Gualdino Albano Fernandes, Rufino dos Santos Afonso, Magno Augusto de Barros, José Luís Rodrigues (de Coelhoso), António Augusto, Amadeu Carlos Bornes, Nicolau Tolentino Mendes (da Saldanha), Adolfo Augusto, Mário da Assunção de Barros, Delfim da Purificação Furriel, Eusébio António, José Joaquim Machado, José da Assunção Esteves e José Caetano Mota. Mencionamos mais os seguintes prisioneiros, que, embora não pertencentes à guarnição de Bragança, são contudo naturais deste distrito: Coronel Diocleciano Augusto Martins. Capitão Teófilo Maurício Constantino Morais. Tenentes – Aníbal Taninho e Casimiro da Glória Gonçalves. Alferes – Augusto José Machado, Guilherme Augusto, Constantino Augusto Tavares, Lino Augusto Leão Teixeira, Hermínio da Assunção Castro e Jaime Augusto dos Santos Borges.

Oficiais, sargentos e soldados louvados Capitães – Augusto Adriano Pires, um louvor, e António José Teixeira, quatro. Tenentes – Adelino Delduque da Costa, um louvor; Artur Meireles Ramos Tarane, idem, e António Augusto Martins da Silva, médico, idem. Alferes – Abílio dos Reis Morais, dois louvores; Alípio Augusto, um dito; Alberto Prior Coutinho, dois; Norberto Amâncio Alves, um; José Joaquim Coelho, três, e Abel Augusto Estima Júnior, um. Sargentos – Francisco Exposto e Abílio José Tavares, um louvor; e o soldado João Narciso de Figueiredo.

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Oficiais do 6.º Grupo de Metralhadoras de Bragança na Grande Guerra, em França 1.º Grupo de Metralhadoras do Corpo Expedicionário Português (1036) Comandantes – Tenentes-coronéis Diocleciano Augusto Martins e João Maria Soares. Ajudante – Tenente Salvador Nunes Teixeira. Médico – Tenente Alfredo Barata da Rocha. Provisor – Alferes Júlio César Prazeres. Sargento-ajudante – Joaquim Tomás Bramão. Enfermeiro hípico – 1.º sargento Eugénio Afonso. Enfermeiro – 2.º sargento Cunha. Ferrador – 2.º sargento Rocha Novo. Vagomestre – 2.º sargento Virgílio Camiler Dias. Artífice serralheiro-espingardeiro – 2.º sargento António Agostinho dos Inocentes. Comandante da 1.ª bateria – Capitão Teófilo Maurício Constantino de Morais (foi prisioneiro dos alemães). Subalternos – Alferes miliciano Luciano Augusto Vaz Pereira, alferes Virgílio Varela de Sena Magalhães, tenente Luís Dias Costa; 1.º sargento da bateria, Manuel Joaquim dos Santos Caseiro, e 2.os sargentos Manuel Teixeira da Mota, Joaquim Matias, José Carlos Padrão e Manuel Cavaleiro. Comandante da 2.ª bateria – Capitão Artur Pinheiro Coelho. Subalternos – Tenentes Eugénio Rodrigues Aresta, Manuel Ferreira da Silva Couto Júnior e Emílio Tito Ferreira da Silva Couto (foi prisioneiro dos alemães), alferes António Rodrigues da Silva Braga (foi prisioneiro dos alemães); 1.º sargento da bateria, Amadeu Acácio Salgado Dores, e 2.os sargentos José Joaquim Barroco, Joaquim Rodrigues de Carvalho, António Emílio, João António e Alfredo Matias (prisioneiro dos alemães). Mortos em França – Mário Mota, 1.º cabo-servente; Adérito Correia Carvalhais, idem; Francisco António Rodrigues, 2.º cabo-servente, e Manuel Joaquim, José Joaquim Martins, Ezequiel Gonçalves, Albertino Rodrigues, Albino Paulo e Sebastião de Jesus Gomes, soldados-serventes.

(1036 ) Ao bom amigo major Artur Pinheiro Coelho agradecemos as informações para este artigo.

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GRANDE GUERRA

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Decreto inserto na «Ordem do Exército» nº 10, 2.ª série, de 10 de Julho de 1920, concedendo ao 1.º Grupo de Metralhadoras do C. E. P. a medalha de ouro de «Valor militar» «Atendendo aos brilhantes feitos de armas praticados nos campos de batalha em França pelo 1.º Grupo de Metralhadoras Pesadas, hei por bem decretar, sob proposta do ministro da Guerra, por se achar ao abrigo do § 4.º do artigo 3.º do decreto nº 3:392 de 28 de Setembro de 1917, seja louvado o referido Grupo de Metralhadoras, e conjuntamente condecorado com a medalha de ouro da classe de Valor militar, pela extraordinária bravura, abnegação e valor militar com que se bateram as guarnições das suas metralhadoras durante a batalha de 9 de Abril de 1918 na defeza do sector de Neuve Chapelle, fazendo fogo mesmo depois de destruidos os abrigos até serem cercadas pelo inimigo e defendendo-se por último à granada de mão, demonstrando assim o maior patriotismo e o mais alto espírito militar. O ministro da Guerra o faça publicar. Paços do Govêrno da República, 3 de Julho de 1920. (a) João de Almeida – João Pedroso Lima». Além deste louvor, foi o Grupo louvado também pela «Ordem de Serviço» do Quartel General da 1.ª Divisão do C. E. P., pela forma como cooperou no raid da manhã de 19 de Março de 1918, contribuindo para o seu excelente resultado.

Decreto nº 7261 – «Ordem do Exército» nº 1, 1.ª série, de 29 de Janeiro de 1921, concedendo o uso dum estandarte aos grupos de metralhadoras pesadas «Tendo em atenção os altos serviços prestados durante a Grande Guerra, em Africa e em França, pelas unidades de metralhadoras; Considerando que essas unidades constituem hoje, por si e a dentro do Exército, um factor tam importante e definido que, sem êle, se torna impossível assegurar uma vitória; Considerando que essas mesmas unidades deram sempre provas exuberantes do seu valor, lealdade, patriotismo e fé republicana, mostrando à saciedade serem unidades aguerridas nos vários combates e acções em que cooperaram, dando relevantes provas do quanto amavam e honravam a sua Pátria; Hei por bem decretar, sob proposta do ministro da Guerra, que a cada grupo de metralhadoras seja concedido o uso dum estandarte conforme o padrão actual. O ministro da Guerra o faça publicar. Paços do Govêrno da República, 27 de Janeiro de 1921. (a) ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA – Alvaro Xavier de Castro». MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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GRANDE GUERRA

TOMO VII

Oficiais e praças condecorados com a Cruz de Guerra CRUZ DE GUERRA DE

4.

A

CLASSE

Capitão Teófilo Maurício Constantino de Morais (natural de Bragança), porque no dia 11 do corrente, vendo que começava a ser bombardeado o parque da sua unidade, imediatamente ali acorreu, conseguindo transferir em poucos minutos o pessoal e animal do mesmo parque para local para tal fim previamente designado, dando assim um belo exemplo de serenidade debaixo de fogo, zelo e extrema dedicação pelo serviço («Ordem de Serviço» nº 46 da 3.ª brigada de infantaria da 1.ª divisão do C. E. P. de 13 de Setembro de 1917). CRUZ DE GUERRA DE

3.

A

CLASSE

O mesmo oficial, porque, durante toda a batalha de 9 de Abril de 1918, demonstrou compreensão do dever, coragem, energia e dedicação na direcção do sector a seu cargo, tendo contribuído para a admirável preparação moral evidenciada pelas guarnições das metralhadoras pertencentes ao grupo, acto extraordinário e individual de coragem e dedicação praticado nos campos de batalha em França, o qual merece ser devidamente registado por revelar muita dedicação à causa da Pátria e da Humanidade (Portaria de 3 de Julho de 1920. «Ordem do Exército» do dia 10 do mesmo mês). CRUZ DE GUERRA DE

4.

A

CLASSE

Capitão Artur Pinheiro Coelho (natural de Castelo Branco, criado e educado em Bragança, onde vive desde 1894), porque no dia 11 do corrente, vendo que começava a ser bombardeado o parque da sua unidade, imediatamente ali acorreu conseguindo transferir em poucos minutos o pessoal e animal do mesmo parque para local para tal fim previamente designado, dando assim um belo exemplo de serenidade debaixo de fogo, zelo e extrema dedicação pelo serviço («O. de S.» nº 56 da 3.ª brigada de infantaria de 14 de Setembro de 1917). CRUZ DE GUERRA DE

3.

A

CLASSE

O mesmo oficial, porque na batalha de 9 de Abril de 1918 comandou a 2.ª bateria do 1.º G. de M., tendo-lhe sido entregue o comando do grupo no acampamento de La Fosse, para com ele retirar, fez carregar todos os carros com diverso material, abandonando só aquele para que não havia solípedes para tracção e saindo só depois desse serviço feito com todo o pessoal debaixo de forma e na mais rigorosa disciplina, apesar do bombarMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


GRANDE GUERRA

679 TOMO VII

deamento que se estava fazendo, dando assim provas de valentia, sangue-frio e nítida compreensão dos seus deveres («Ordem do Exército» nº 1 de 14 de Setembro de 1920). CRUZ DE GUERRA DE

4.

A

CLASSE

Tenente Eugénio Rodrigues Aresta (natural de Moura), pelo modo como no dia 7 do corrente, debaixo de um intenso bombardeamento, instalou a guarnição de duas metralhadoras e promoveu o transporte, debaixo de fogo de cunhetes, de munições pertencentes a outro grupo, revelando assim as melhores qualidades de coragem, sangue-frio e decisão («O. de S.» nº 32 do Quartel General da 3.ª brigada de infantaria de 18 de Março de 1918). CRUZ DE GUERRA DE

2.

A

CLASSE

O mesmo oficial, porque no combate de 9 de Abril de 1918 mostrou coragem e notável zelo pelo serviço, solicitando executar um importante serviço de ligação com risco de vida através de um intenso bombardeamento, serviço que procurou desempenhar até que foi atacado de gases, e depois de ter sido indicado pelo médico para baixar ao hospital, solicitou que tal se não fizesse («O. de S.» nº 133 do Q. G. do C. E. P. de 18 de Março de 1918). CRUZ DE GUERRA DE

3.

A

CLASSE

Tenente Emílio Tito Ferreira da Silva Couto (natural de Vila Nova de Cerveira), pela coragem que demonstrou por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, conservando-se na sua posição apesar do forte bombardeamento que a atingiu e destruiu em parte, transmitindo e dando ordens à sua unidade, e ainda pelos grandes exemplos que sempre deu aos seus subordinados, deixando-se aprisionar só depois da sua secção ter sido feita prisioneira e destruída («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Alferes António Rodrigues da Silva Braga, pelo mesmo motivo indicado acima para o tenente Emílio Couto (mesma «Ordem do Exército»). Tenente-médico Alfredo Barata da Rocha, porque no dia 9 de Abril de 1918, logo que começou o bombardeamento, se apresentou no posto de socorros do grupo, onde, sem cessar, atendeu os inúmeros feridos que chegavam de diferentes unidades, com a maior dedicação, conservando-se ainda no posto depois do grupo ter retirado, tratando feridos sob o bombardeamento, só abandonando esse posto quando pode evacuar os feridos, sendo por último atacado de gases, demonstrando assim abnegação, sangue-frio e nítida compreensão dos seus deveres profissionais («Ordem do Exército» nº 15 de 14 de Setembro de 1920).

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GRANDE GUERRA

TOMO VII

2.º sargento Manuel Cavaleiro (natural de Bragança), porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, vendo que uma das guarnições das suas metralhadoras tinha sido dizimada pelo fogo inimigo, tomou conta da metralhadora, resistindo durante muito tempo, deixando-se aprisionar quando as munições lhe faltaram e quando recebeu uma descarga inimiga pela retaguarda («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Esta praça foi, por este motivo, promovida a 1.º sargento por distinção, contando o tempo desde 9 de Abril de 1918. 2.º sargento Joaquim Rodrigues de Carvalho, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, demonstrou muita coragem, heroicidade e sangue-frio, conseguindo que duas das suas metralhadoras resistissem até às onze horas e trinta minutos, impedindo o avanço do inimigo, rendendo-se quando já não tinha água para as metralhadoras e quando estavam já quase esgotadas as munições («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). 2.º sargento Joaquim Matias, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, tendo sido destruída a seteira de abrigo da posição de uma das suas metralhadoras, tentou montar essa metralhadora sobre o abrigo, não chegando com ela a executar fogo por haver sido cercado e aprisionado pelo inimigo (mesma «Ordem do Exército»). 1.º cabo-servente António de Jesus Pacheco, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, sendo destruída a posição, conseguiu salvar a sua metralhadora e fazer fogo com ela sobre o parapeito do reduto completamente abandonado pela infantaria, só se rendendo quando o inimigo o atacou pela retaguarda (mesma «Ordem do Exército»). Esta praça foi, por este motivo, promovida a 2.º sargento por distinção, contando a antiguidade desde 9 de Abril de 1918. 1.º cabo-servente António Joaquim Rodrigues (natural de Bragança), porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, fazendo parte da guarnição de uma metralhadora, nunca a abandonou, nem mesmo quando o inimigo, com artilharia e morteiros, destruiu a posição, fazendo derruir a cúpula do abrigo, dando provas de um sangue-frio admirável na regulação do tiro, atirando mesmo, no cumprimento do seu dever, sobre os seus camaradas que eram levados debaixo de uma escolta para as linhas inimigas («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Esta praça foi, por este motivo, promovida a 2.º sargento por distinção, contando a antiguidade desde 9 de Abril de 1918. 2.º cabo-servente Hermenegildo Monteiro, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, vendo que alguns soldados de infantaria tinham retirado, saiu para fora da posição lançando granadas, nunca abandonando este serviço, apesar de junto dele ter caído morto um dos granadeiros que MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


GRANDE GUERRA

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o auxiliavam, retirando para a posição só quando foi gravemente ferido («Ord. do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1918). Esta praça foi, por este motivo, promovida a 1.º cabo por distinção, contando a antiguidade de 9 de Abril de 1918. Soldado-servente Francisco António, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, combateu até ao fim com coragem e sangue-frio, tendo sido o primeiro que abriu fogo contra o inimigo, não abandonando a sua metralhadora, apesar de o inimigo o atacar à granada de mão («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Esta praça foi promovida a 1.º cabo por distinção, contando a antiguidade desde 9 de Abril de 1918. Soldado-servente António Nunes, porque, na batalha de 9 de Abril de 1918, apesar do bombardeamento intensíssimo do inimigo, conseguiu, depois de grande trabalho e com risco de vida, levar a sua metralhadora à linha de fogo, salientando-se depois pela bravura com que defendeu à granada de mão a posição até ser ferido («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Esta praça foi promovida a 1.º cabo por distinção, com a antiguidade desde 9 de Abril de 1918. Soldado-servente Policarpo Mota, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, vendo que os granadeiros de infantaria tinham retirado, defendeu a sua posição à granada de mão, transmitindo a ordem de fogo às metralhadoras debaixo de um intenso bombardeamento («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Esta praça foi promovida a 1.º cabo por distinção, com a antiguidade desde 9 de Abril de 1918. Soldado-servente António Baptista Borges, porque, fazendo parte da guarnição de uma metralhadora, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, e sendo o único que dela restou, auxiliou heroicamente o sargento que tomou conta da referida metralhadora, defendendo a posição à granada de mão até cair prisioneiro (mesma «Ord. do Exérc.»). Esta praça foi promovida a 1.º cabo por distinção, com a antiguidade desde 9 de Abril de 1918. Soldado-servente Joaquim, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, foi por duas vezes debaixo de intensíssimo bombardeamento do inimigo, que destruiu a posição, retirar da mesma cinco cunhetes com pólvora que já estavam soterrados e sem os quais não podia fazer fogo («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Soldado-servente Manuel Joaquim, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, defendeu a sua posição à granada de mão, não querendo abrigar-se, apesar de a posição estar sendo enfiada por uma metralhadora inimiga, até cair mortalmente ferido (mesma «Ordem do Exército»). MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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GRANDE GUERRA

TOMO VII

Soldado-servente Luís Silva, porque, por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, sendo nomeado para ir substituir um dos agentes de ligação que tinha recolhido, atacado de gases, marchou com todo o sangue-frio e debaixo da barragem da artilharia para a sede do mesmo, conseguindo restabelecer as comunicações («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). CRUZ DE GUERRA DE

2.

A

CLASSE

Soldado-ciclista Manuel João Pereira, porque no combate de 9 de Abril de 1918 pediu para acompanhar um oficial na execução de um importante serviço de ligação, com risco da vida e através de intenso bombardeamento, serviço que teve de cessar quando o oficial que o acompanhava foi atacado de gases, e teve por isso necessidade de o acompanhar (mesma «Ordem do Exército»). Esta praça foi promovida a 1.º cabo por distinção, com a antiguidade de 9 de Abril de 1918. Relação dos louvores concedidos em campanha aos oficiais e praças abaixo mencionados que fizeram parte do 1.º G. M. (6.º Grupo de Metralhadoras) do C. E. P. Capitão Teófilo Maurício Constantino de Morais – Louvado porque no dia 11 do corrente, vendo que começava a ser bombardeado o parque da sua unidade, imediatamente ali acorreu, conseguindo transferir em poucos minutos o pessoal e animal do mesmo parque para local para tal fim previamente designado, dando assim um belo exemplo de serenidade debaixo de fogo, zelo e extrema dedicação pelo serviço («Ordem de Serviço» nº 56 da 3.ª brigada de infantaria da 1.ª divisão do C. E. P.). Louvado porque, durante toda a batalha de 9 de Abril de 1918, demonstrou compreensão do dever, energia, coragem e dedicação na direcção do sector a seu cargo, tendo contribuído para a admirável preparação moral evidenciada pelas guarnições das metralhadoras pertencentes ao Grupo, acto extraordinário e individual de coragem e dedicação praticado nos campos de batalha em França, o qual merece ser devidamente registado, por revelar muita dedicação à causa da Pátria e da Humanidade («Ordem do Exército» nº 10 de 10 de Julho de 1920). Louvado pelo notável zelo, muita inteligência, excepcional aptidão e inexcedível proficiência que manifestou nos serviços notáveis prestados na missão de metralhadoras pesadas no Corpo Expedicionário Português em França, de que fez parte, quer no período de preparação na Machine Gun MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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School de Saint Cecille Plage e nas primeiras linhas britânicas, colhendo todos os conhecimentos necessários ao emprego da metralhadora pesada «Vickers» na guerra de trincheiras e reunindo-os em diversos trabalhos, quer no período de instrução que lhe incumbiu ministrar às primeiras unidades de metralhadoras pesadas daquele corpo, preparando-as para a guerra («O. do E.» nº 2 de 5 de Abril de 1922). Capitão Artur Pinheiro Coelho – Louvado porque no dia 11 do corrente, vendo que começava a ser bombardeado o parque da sua unidade, imediatamente ali acorreu, conseguindo transferir em poucos minutos o pessoal e animal do mesmo parque para local para tal fim previamente designado, dando assim um belo exemplo de serenidade debaixo de fogo, zelo e extrema dedicação pelo serviço («Ord. de Serviço» nº 56 da 3.ª brigada de infantaria da 1.ª divisão do C. E. P.). Louvado pela alta competência, forma brilhante e elevada com que sempre tem desempenhado os serviços de que tem sido encarregado, algumas vezes com prejuízo da própria saúde, e por haver sempre demonstrado excepcionais qualidades de trabalho, inteligência, desembaraço e dedicação pelo serviço, nunca desmentida ainda nas mais difíceis circunstâncias («Ord. dos S. E. E. C.» nº 16 de 16 de Dez. de 1918). Louvado pela sua inexcedível actividade e leal, dedicada e inteligente colaboração na organização dos serviços a seu cargo na D. E. E. C., colaboração esta que tem continuado a efectivar acumulando com a chefia da 4.ª secção, até com prejuízo da sua saúde, pondo sempre em evidência as suas excepcionais qualidades de trabalho, inteligência, desembaraço e dedicação pelo serviço («Ordem do Q. G. do C. E. P.» nº 65 de 8 de Março de 1919). Louvado porque na batalha de 9 de Abril de 1918 comandou a 2.ª bateria do 1.º G. de M., e tendo-lhe sido entregue o comando do Grupo no acampamento de La Fosse para com ele retirar, fez carregar todos os carros com diverso material, abandonando só aquele para que não havia solípedes para tracção e saindo só depois desse serviço feito com todo o pessoal debaixo de forma e na mais rigorosa disciplina, apesar do bombardeamento que se estava fazendo, dando assim provas de valentia, sangue-frio e nítida compreensão dos seus deveres («Ordem do Exército» nº 15 de 14 de Setembro de 1920). Alferes Salvador Nunes Teixeira (natural de Cernache do Bonjardim, residente em Bragança desde 1914) – Louvado pela serenidade e sangue-frio com que no dia 23 de Setembro findo, logo no início do bombardeamento de Laventie, deu as necessárias ordens para que se fizesse a evacuação do pessoal e gado do respectivo parque, o que se fez sob a sua direcção e vigilância e com a maior rapidez («O. de S.» da 3.ª brigada de infantaria, transcrita na «O. de S.» do 1.º G. de M. de 5 de Outubro de 1917). MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Louvado pelo subido zelo, muita competência e absoluta lealdade como tem desempenhado as funções de ajudante do Grupo («O. de S.» nº 117 do 1.º G. M. do C. E. P. de 29 de Abril de 1918). Louvado pela sua inexcedível dedicação e boa vontade com que tem desempenhado todos os serviços que lhe têm sido confiados como subalterno desta unidade, cumulativamente com o serviço de ajudante do Grupo, que sempre desempenhou com a maior lealdade e grande competência («O. de S.» nº 196 de 24 de Novembro de 1918 do 3.º G. de M.). Tenente Eugénio Rodrigues Aresta – Louvado pelo modo como no dia 7 do corrente, debaixo dum intenso bombardeamento, instalou a guarnição de duas metralhadoras e promoveu o transporte, debaixo de fogo de cunhetes, de munições pertencentes a este Grupo, revelando assim as melhores qualidades de coragem, sangue-frio e dedicação («O. de S.» nº 32 do Q. G. da 3.ª brigada de infantaria). Louvado porque hoje, sob um intenso bombardeamento, marchou para o comando do batalhão com todo o sangue-frio e sem a menor hesitação, dando assim um belo exemplo de serenidade e nítida compreensão dos seus deveres («O. de S.» nº 63 do 1.º G. M. de 4 de Março de 1918). Louvado porque, no combate de 9 de Abril de 1918, mostrou coragem e notável zelo pelo serviço, solicitando executar um importante serviço de ligação, com risco de vida, através de um intenso bombardeamento, serviço que procurou desempenhar até que foi atacado de gases, e depois de ter sido indicado pelo médico para baixar ao hospital solicitou que tal se não fizesse («O. de S.» do Q. G. do C. E. P. de 18 de Março de 1918). Louvado pela muito boa vontade e competência com que dirigiu a construção da carreira de tiro para instrução das metralhadoras pesadas em Le Parc, e pela maneira como, devido ao seu espírito disciplinador e inexcedível zelo, tem comandado a 2.ª bateria deste grupo («O. de S.» nº 196 de 4 de Novembro de 1918 do G. M.). Tenente-médico Alfredo Barata da Rocha – Louvado porque no dia 9 de Abril de 1918, logo que começou o bombardeamento, se apresentou no posto de socorros do Grupo onde, sem cessar, atendeu os inúmeros feridos que chegavam de diferentes unidades, com a maior dedicação, conservando-se ainda no posto depois de o Grupo ter retirado, tratando feridos sob o bombardeamento, só abandonando esse posto quando pode evacuar os feridos, sendo na retirada atacado de gases, demonstrando assim abnegação, sangue-frio e nítida compreensão dos seus deveres profissionais («O. do E.» nº 15 de 14 de Setembro de 1920). Tenente Emílio Tito Ferreira da Silva Couto – Louvado porque hoje, sob um bombardeamento intenso, marchou para o comando do batalhão com todo o sangue-frio e sem a menor hesitação, dando assim um belo exemplo MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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de serenidade e nítida compreensão dos seus deveres («O. de S.» nº 63 de 4 de Março de 1918 do 1.º G. M.). Louvado pelo muito zelo, competência e dedicação com que sempre desempenhou as funções de comandante de secção de metralhadoras e todos os serviços de que foi encarregado («O. de S.» nº 80 de 21 de Março de 1918 do 1.º G. M.). Louvado pela coragem que demonstrou por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, conservando-se na sua posição apesar do forte bombardeamento que a atingiu e destruiu em parte, transmitindo e dando ordens à sua unidade, e ainda pelos grandes exemplos que sempre deu aos seus subordinados, deixando-se aprisionar só depois da sua secção ter sido feita prisioneira e destruída («O. de S.» nº 10 de 10 de Julho de 1918). Alferes António Rodrigues da Silva Braga – Louvado por hoje, sob um bombardeamento intenso, ter marchado para o comando do batalhão, com todo o sangue-frio e sem a menor hesitação, dando assim um belo exemplo de serenidade e nítida compreensão dos seus deveres («O. de S.» nº 63 de 4 de Março de 1918 do 1.º G. M.). Louvado pela coragem que demonstrou por ocasião da batalha de 9 de Abril de 1918, conservando-se na sua posição apesar do forte bombardeamento que a atingiu e destruiu em parte, transmitindo e dando ordens à sua unidade, e ainda pelos grandes exemplos que sempre deu aos seus subordinados, deixando-se aprisionar só depois da sua secção ter sido feita prisioneira e destruída («O. de S.» nº 10 de 10 de Julho de 1918). 1.º sargento-enfermeiro hípico Eugénio Afonso – Louvado pela forma como no dia 11 do corrente coadjuvou os oficiais da sua unidade no serviço de evacuação do gado do respectivo parque, depois de iniciado um bombardeamento que, logo de começo, atingiu o local do mesmo parque, o que fez por forma a revelar serenidade debaixo de fogo, zelo e extrema dedicação pelo serviço («O. de S.» nº 56 da 3.ª brigada de infantaria de 14 de Setembro de 1917). Louvado pela forma como no dia 23 de Setembro findo, durante o bombardeamento de Laventie, coadjuvou, na evacuação do parque da sua unidade, o oficial que a dirigiu, revelando dedicação, serenidade e sangue-frio («O. de S.» da 3.ª brigada de infantaria de 5 de Outubro de 1917). 1.º sargento Manuel Joaquim dos Santos Caseiro (natural de Babe) – Louvado pela forma como no dia 23 de Setembro findo, durante o bombardeamento de Laventie, coadjuvou, na evacuação do parque da sua unidade, o oficial que a dirigiu, revelando dedicação, serenidade e sangue-frio («O. de S.» nº 62 da 3.ª brigada de infantaria de 5 de Outubro de 1918). 1.º sargento Joaquim Tomás Bramão (natural de Setúbal, residente em Bragança desde 1905) – Louvado porque, encontrando-se em serviço na MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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secretaria do comando da sua unidade no dia 3 de Setembro findo, em que o inimigo fez um bombardeamento sobre Laventie, não obstante ter sido envolvido por estilhaços de uma granada que ainda o feriu ligeiramente, conservou-se até ao fim no seu local de serviço da guarda a importantes documentos que na secretaria se encontravam, revelando coragem, sangue-frio e muita dedicação pelo serviço (mesma «Ordem de Serviço»). 2.º sargento Joaquim Rodrigues de Carvalho – Louvado pela muita coragem e sangue-frio revelado no dia 7 do corrente, transportando munições, que era urgente remover, debaixo de um intenso bombardeamento («Ordem» nº 32 do Q. G. da 3.ª brigada de infantaria de 18 de Março de 1918). 2.º sargento Virgílio Camiler Dias – Louvado pelo muito zelo e competência como tem desempenhado interinamente as funções de provisor, cumulativamente com as de vagomestre («O. de S.» nº 117 do 1.º G. M. do C. E. P. de 29 de Abril de 1918). 1.º cabo-servente Henrique Teixeira Nijo – Louvado porque, fazendo parte de uma guarnição de metralhadoras contra aeroplanos, e estando a ser bombardeada a posição desta, foi espontaneamente buscá-la, apesar de levar algum tempo a sua desmontagem, revelando valor e dedicação pelo serviço e uma perfeita compreensão dos seus deveres. («O. de S.» nº 167 do Q. G. da 2.ª divisão). Soldado-servente Delfim Teixeira – O mesmo louvor do antecedente. 1.º cabo-servente João António – Louvado pela maneira como se salientou no cumprimento dos seus deveres e como desempenhou o cargo de chefe de metralhadoras durante a permanência de seis meses nas trincheiras, e ainda por, durante dezasseis dias seguidos que esteve de guarnição à metralhadora nº 12 repelir em três noites três patrulhas inimigas, que tentavam aproximar-se daquela posição, conservando-se vigilante, sem se deitar, durante aquelas dezasseis noites, e mais ainda por ser um excelente graduado, obediente, cumpridor e que se impõe a todos pela correcção do seu porte («O. de S.» nº 277 de 16 de Dezembro de 1917 do 1.º G. M.). 1.º cabo-servente António Augusto Rodrigues – Louvado por se distinguir, durante a permanência de seis meses nas trincheiras, pelo cuidado que tinha com a sua metralhadora, pela prontidão com que assegurava as ligações em caso de raid, pela maneira como mantinha no serviço as praças da sua guarnição e, enfim, manifestando sempre zelo, interesse e dedicação pelo serviço (a mesma «Ordem» do anterior). 2.º cabo-servente José Maria Ribeiro – Louvado por, durante a permanência de seis meses nas trincheiras, ser um bom chefe de metralhadoras, apesar de analfabeto, aprendendo bem a colocar a metralhadora em posição, com quaisquer dados, sendo muito cuidadoso no serviço, desembaraçado e bem cumpridor dos seus deveres. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


GRANDE GUERRA

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GUARDIOLA

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Oficiais e praças do 6.º Grupo de Metralhadoras mortos na Grande Guerra António Eugénio da Silva Sampaio †, alferes, da freguesia da Sé, Bragança, filho de Manuel do Espírito Santo Sampaio, de Nozedo de Cima, concelho de Vinhais, e de Maria Adelaide da Silva; Francisco Rodrigues, cabo, de Macedo de Cavaleiros; Albino Falcão, do Mogadouro, e Simão de Jesus Gomes, de Nogueira (Bragança). Era nosso intuito falar da parte gloriosa que o regimento de infantaria nº 30, também da guarnição de Bragança, teve na Grande Guerra, tanto em França como na África, mas não pudemos obter as necessárias informações; será para outro volume, se as conseguirmos. GUARDIOLA (D. Alice Augusta dos Santos) – Directora do gabinete de física do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, de Lisboa, licenciada em ciências físico-químicas pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1919. Nasceu em Bragança, freguesia da Sé, a 25 de Maio de 1893; é filha de António Augusto dos Santos Guardiola e de D. Maximiana Rosa Mendonça. Fez os estudos liceais nesta cidade, bem como o curso da Escola Normal. Para o concurso de entrada na Escola Normal Superior, de Coimbra, apresentou um estudo sobre Termómetro de mercúrio e para o exame de estado apresentou e defendeu a tese Uma lição de hidráulica à 3.ª classe. Foi professora provisória e depois agregada no Liceu da Infanta D. Maria, de Coimbra, no ano lectivo de 1921-22 e efectiva em Novembro de 1922 para o liceu onde hoje se encontra, de que foi nomeada directora do gabinete de física em 1923. Faz parte da direcção da Federação das Associações dos Professores dos Liceus Portugueses, sendo tesoureira na gerência de 1926-27, e desempenha as mesmas funções na actual gerência. GUARDIOLA (D. Maria Baptista dos Santos), irmã da anterior – Reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, de Lisboa, licenciada em ciências matemáticas pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1928. Nasceu em Bragança, freguesia da Sé, a 13 de Janeiro de 1895, em cuja cidade fez os cursos liceal e da Escola Normal. Para o concurso da entrada na Escola Normal Superior de Coimbra apresentou e defendeu um trabalho intitulado Estudo das secções cónicas e para o exame de estado apresentou e defendeu a tese O ensino da aritmética nos liceus. Foi professora provisória e depois agregada no Liceu da Infanta D. Maria, de Coimbra, desde 1920 a 1925, e no ano seguinte do Liceu Garrett, de Lisboa. Em Novembro de 1926 foi nomeada professora efectiva e secretária do Liceu Carolina Michaëlis, do Porto, sendo transferida em 1928 para o de Lisboa, onde se encontra. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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J JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA Acção Transmontana – Semanário de Mirandela; directores, doutores Luís Teixeira Neves e João Doutel de Andrade. Saiu o primeiro número a 15 de Janeiro de 1925 e terminou a 12 de Outubro de 1926. Agricultura Trasmontana – Quinzenário, que começou a publicar-se em Mirandela em 5 de Agosto de 1908 sob a direcção de João Inácio Teixeira de Meneses Pimentel, director da Estação Trasmontana de Fomento Agrícola e chefe da delegação da Direcção da Fiscalização dos Produtos Agrícolas naquela vila. Alerta! – A Casa Veritas, da Guarda, começou a publicação de várias edições de um semanário religioso, que, tendo um fundo comum divergia apenas na última página (onde inseria notícias das diversas terras, para as quais fazia edições) e no título do periódico. O primeiro número da edição de Bragança apareceu em 2 de Junho de 1907, graças aos esforços e boa vontade de José António de Castro, que ficou sendo seu proprietário e director local. Alma Trasmontana – Semanário evolucionista. A Pátria Nova de 21 de Agosto de 1913 diz: «Recebemos hoje o primeiro número deste semanário evolucionista, que se publica em Moncorvo». Anais Agrícolas do Distrito de Bragança – Publicados pelo conselho de agricultura do mesmo distrito. Publicação criada pelo Regulamento de Agricultura Distrital de 28 de Fevereiro de 1877. Primeiro ano – 1876 a 1877. Porto, Tip. do Jornal do Porto, 1878. 4.º de 75 págs. Número único? Atleta (O) – Periódico de Macedo de Cavaleiros. Começou em 29 de Setembro de 1886. Aurora do Tua – Semanário independente, publicado em Mirandela, sob a direcção de João Pedro de Sousa. Saiu o primeiro número a 27 de Maio de 1909 e terminou em Agosto de 1910. Baixo Clero (O) – Publicação semanal. Era impresso em Bragança, na Tip. de Silva Barreto, praça da Sé. Saiu à luz da publicidade a 11 de Agosto de 1899, e com o nº 29, correspondente a Agosto de 1902, suspendeu a publicação, que já correra muito irregularmente, voltando a aparecer impresso em Lisboa, na Tip. 10 de Setembro, em 26 de Fevereiro de 1905, chegando até ao nº 18, referente a 24 de Junho de 1905, em que acabou. Foi seu fundador e redactor o capelão militar João Manuel de Almeida Morais Pessanha. Boletim Associativo – Mensário, órgão da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança. Dá notícia do aparecimento deste periódico o Trás-os-Montes de 1 de Julho de 1926. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Boletim Diocesano de Bragança – Saiu o primeiro número em Janeiro de 1898 e terminou com o número de Março de 1900. Era mensal e em formato de revista. Imprimia-se em Coimbra. Boletim da Diocese de Bragança – Director cónego e doutor Manuel António da Ressurreição Fernandes. Impresso em Braga. Saiu o primeiro número em Dezembro de 1928 e ainda se continua publicando. É mensal e em formato de revista. Boletim Oficial de Bragança – De 23 de Junho de 1846 a 4 de Maio de 1847 (1037). Boletim Parlamentar do Distrito de Bragança – Mensal; redactor, Trindade Coelho. Saiu o primeiro número a 17 de Fevereiro de 1901. Com esta publicação tinha o seu autor em vista, pela inserção do que no parlamento faziam os representantes do distrito de Bragança, espicaçá-los e obrigá-los a tratar dos interesses da terra que lhes conferiu os mandatos; durou pouco, apenas vimos os 1.º e 2.º números. Boletim da Farmácia Morais, de Vila Flor. Saiu em 1894. Boletim Republicano do Distrito de Bragança. Em 20 de Junho de 1919 vimos nos jornais referências a esta publicação periódica, que não sabemos se chegou a imprimir-se. Bragançano (O) – Quinzenário. Órgão defensor dos interesses regionais. Redactor principal, João Baptista da Cruz. Tip. Minerva de António de Melo, Bragança. Saiu o primeiro número a 15 de Novembro de 1919. Parece-nos que só saíram três números. Brigantino (O) – Semanário político, publicado em Bragança. Saiu o primeiro número a 25 de Outubro de 1886 (1038). Foi seu primeiro director e principal redactor o padre João Morais Pessanha e administrador José S. Barreto do F. Perdigão Júnior, que constituiu família em Bragança. Em Janeiro de 1889 passou a ter como director, sob a mesma administração, o doutor Abílio de Madureira Beça e assim continuou até fins desse ano, em que terminou, fundando este A Gazeta de Bragança. No entanto, ainda em 2 de Julho de 1893, por ocasião da quermesse em favor dos pobres promovida pelo governador civil Cristóvão Aires, saiu um número único de O Brigantino, de oito páginas (impresso na Imp. Brigantina), de que era proprietário Barreto Perdigão e director José Fernandes de Matos, cujo produto da venda era destinado à referida quermesse. Comércio de Mirandela (O) – Saiu em Janeiro de 1890. Concelho de Bragança (O) – Órgão do partido republicano conservador

(1037) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Bragança (distrito administrativo de)». (1038) Ibidem.

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local, fundado pelo doutor António Olímpio Cagigal. Impresso em Bragança na Tip. Ferreira Soeiro. Saiu o primeiro número a 12 de Fevereiro de 1911 e suspendeu em fins de Abril desse ano. Correio Brigantino (O) – Semanário regenerador-liberal, publicado em Bragança. Saiu o primeiro número a 15 de Março de 1905 e suspendeu a publicação em Junho de 1907. Tip., praça da Sé, Bragança. O Correio Brigantino de 5 de Abril de 1905 traz uma deficiente resenha dos periódicos publicados em Bragança e diz: «Veio primeiro, se a memoria nos não falha, um periodico no tempo do fallecido Antonio Maria Machado, do Mogadouro, cujo nome nos não recorda, mas que era redigido por um fulano Lobo, de Mirandella, impresso nos baixos do Asylo, na imprensa do governo civil, e que foi logo suspenso por falar contra os regeneradores, cujo partido n’essa epocha estava no poder». O citado António Maria Machado, ou, conforme está escrito no auto de posse do governo civil, António Maria de Morais Machado, foi por duas vezes governador civil do distrito de Bragança: a primeira desde 6 de Fevereiro de 1878 a 9 de Junho do ano seguinte e a segunda desde 2 de Abril de 1881 a 21 de Maio de 1884. Ignoramos como se chamava o tal jornal e em que época se publicou. Correio de Macedo – 1.º ano. Redactor, João Augusto Correia. Vimos um «Suplemento» a este jornal datado de 8 de Junho de 1892. Com o mesmo título publicou-se um número-programa em 10 de Abril de 1889. Correio de Mirandela – Trimensário independente. Director, J. Neves. Impresso na Tip. Neves, rua de Santa Luzia, Mirandela. Saiu o primeiro número em 1 de Junho de 1905 e ainda se publicava em Março de 1929. Correio do Norte – Periódico de Carrazeda de Ansiães. Começou a publicar-se a 21 de Agosto de 1880 e suspendeu em 1889. Democrata (O) – O primeiro número apareceu a 18 de Janeiro de 1896 (1039). Semanário (?), publicado em Bragança. Em 1 de Maio de 1896 pediu licença para se intitular Voz da Pátria. Distrito de Bragança – Órgão de defesa dos interesses do distrito de Bragança. Publicação quinzenal. Director, Inácio Manuel de Sousa Freire Pimentel. Composto e impresso na Tip. Ferreira Soeiro, Bragança. Saiu o primeiro número a 1 de Janeiro de 1911. Distrito de Bragança – Semanário político, literário e noticioso, publicado em Bragança. Saiu o primeiro número a 14 de Março de 1902 e não Junho, como traz o dicionário Portugal. Órgão da política de Teixeira de Sousa e Alberto Charula no distrito de Bragança. Era seu redactor Abel

(1039) Portugal: Dicionário histórico, artigo «Bragança (distrito administrativo de)».

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Aníbal de Azevedo, professor de francês no liceu desta cidade. Deixou de publicar-se em Junho de 1907. O dicionário Portugal, no artigo «Bragança (distrito de)», menciona um periódico com o mesmo titulo acima, cujo primeiro número diz haver saído a 5 de Julho de 1885. Não conhecemos tal periódico. Eco de Dona Chama – A Pátria Nova de 28 de Março de 1915 diz que, sob o título com que iniciamos esta informação, começou a publicar-se em Torre de Dona Chama um semanário dirigido por Carolino Gonçalves. Temos presente o nº 20, respeitante a 8 de Agosto de 1915, deste «semanário republicano evolucionista», que aponta como seu director António Gonçalves. Eco de Moncorvo – Semanário progressista publicado em Moncorvo. Saiu o primeiro número em fins de Setembro de 1900 (1040). Escola Trasmontana (A) – Semanário, órgão do professorado de Trás-os-Montes. Director e proprietário o professor Tito Sendas, depois inspector escolar. Redacção e administração em Sambade (Alfândega da Fé). Impresso em Bragança na Tip. Teodoro. Saiu o primeiro número a 4 de Janeiro de 1912 e acabou em Junho desse ano. Os últimos números trazem apenas o título Escola Trasmontana. Escolar (O) – Apenas vimos o segundo número, correspondente a 24 de Dezembro de 1900; poucos mais se publicaram. Era copiografado na rua Nova, em Bragança, e seu redactor Manuel José Cardoso, então estudante, natural de Sendim de Miranda, hoje professor no Seminário Diocesano em Vinhais. Evolução (A) – Órgão da Academia. Saiu o primeiro número a 15 de Abril de 1905. Foi seu fundador Benjamim Jerónimo. Tip. Minerva, rua Direita, Bragança. Parece que terminou em Outubro do mesmo ano. Familiar (O) – Quinzenário, publicado em Mirandela. Apareceu o primeiro número a 29 de Agosto de 1908. Era seu proprietário o comerciante Albano Mendo Júnior. Farol Trasmontano (O) – Periódico mensal de instrução e recreio. Foi o primeiro jornal que se publicou em Bragança; começou a sair a 15 de Setembro de 1845 e durou até 1847. A publicação era feita em 4.°, com duas folhas de texto ou dezasseis páginas, e imprimia-se em Bragança, na Tip. de D. A. de Sá Vargas (Diogo Albino de Sá Vargas). Neste tempo houve também outra tipografia em Bragança, pertencente ao governo civil, estabelecida nos baixos do asilo, onde se imprimiram várias obras, entre elas o Agostinho de Ceuta, de Camilo Castelo Branco. Parte do tipo desta tipografia ainda se aproveitou em 1886 na impressão de O Brigantino e o outro prelo está agora no Museu Regional de Bragança, (1040) O Nordeste de 3 de Outubro de 1900.

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por dádiva do neto de Diogo Albino de Sá Vargas, de quem nos ocupámos na pág. 569 deste tomo. Fomento Agrícola (O) – Órgão de propaganda e defesa da agricultura trasmontana. Publicação mensal, grátis. Director e editor, José António de Moura Pegado; propriedade do Posto Agrário de Mirandela. Tip. União, Mirandela. Ignoramos quando saiu o primeiro número; vimos um exemplar, o nº 11, correspondente a Outubro de 1917. Sucedeu a O Lavrador Trasmontano, do mesmo director e tipografia? Ainda se publicava em Agosto de 1918. Gaiato (O) – Quinzenário, órgão de critica independente. Director, Norberto Lopes; redactores: Francisco de Matos, Júlio Moreno e T. Gonçalves. Tip. Artística, de Borges & Piçarro, Bragança. O primeiro número publicou-se a 1 de Agosto de 1921 e o último (?) a 15 de Outubro seguinte. Gazeta de Bragança – Folha semanal, regeneradora, publicada em Bragança. Saiu o primeiro número a 21 de Agosto de 1892, conforme informa o dicionário Portugal, mas parece haver engano. Foi seu fundador e redactor durante anos o conselheiro Abílio de Madureira Beça, doutor em direito, professor de história e geografia no liceu de Bragança e antigo deputado em várias legislaturas e governador civil que foi deste distrito. O Dicionário Bibliográfico (1041) diz que este semanário foi fundado em 1891, data que realmente concorda com a apresentada pelo periódico em seu número de 3 de Janeiro de 1904, comemorativo do seu aniversário; e como a sua publicação se fez sempre aos domingos e este dia em 1891 caiu a 4 de Janeiro, devemos concluir que o seu primeiro número saiu em igual dia do ano citado. Terminou a sua publicação a 19 de Outubro de 1910. Depois de escritas estas notas, fomos informados que o primeiro número do jornal citado saiu a 1 de Janeiro de 1892, informação que devemos ao amigo Mário, que diz ter visto esse exemplar na colecção que possuía o seu redactor principal, doutor Abílio Beça. Gazeta de Mirandela – Aponta-a Martinho da Fonseca nos «Aditamentos» ao Dicionário Bibliográfico, pág. 170. Começou a publicar-se em 5 de Outubro de 1901. Imparcial (O) – Quinzenário, de Mirandela, para defesa dos interesses locais. Director, Marques da Costa. Saiu o primeiro número a 15 de Abril de 1930. Independente do Norte (O) – O Norte Trasmontano de 25 de Março de 1898 dá notícia do aparecimento de um jornal com este título em Moncorvo. Começou a publicação a 14 do mesmo mês e ano.

(1041) Tomo XVII, p. 255.

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Inflexível (O), de Mirandela – Começou a publicar-se a 17 de Setembro de 1898. Instrução (A) – Quinzenário, defensor da escola e do professorado primário. Director, editor e proprietário, José Candeias Duarte, inspector escolar. Redactor principal, António Baptista Rainha. Redacção e administração no Mogadouro. O nº 2, que temos presente, é de 4 de Julho de 1915. Invisível (O) – Pelos anos de 1882 publicou-se no Seminário de Bragança um semanário com este título. Era litografado e apenas saíram dois ou três números. Jornal de Bragança – Semanário independente. Saiu o primeiro número a 23 de Fevereiro de 1910. Era seu proprietário e director o doutor Raul Manuel Teixeira, de quem damos a biografia a pág. 552. Jornal de Mirandela (O) – Semanário. Começou a publicação a 12 de Maio de 1900. Judiciário (O) – Periódico de Miranda do Douro. Saiu o primeiro número a 27 de Maio de 1900. Lavrador Trasmontano (O) – Órgão de propaganda e defesa da agricultura trasmontana. Publicação mensal. Director, José António de Moura Pegado. Tip. União Mirandelense. A calcular pelo nº 8, que temos presente, deve ter saído o primeiro em Outubro de 1913. Distribuição gratuita. Ainda existia em Julho de 1915. Legionário Trasmontano – Apareceu o primeiro número a 18 de Junho de 1914. Era semanal e publicava-se em Bragança, sendo impresso na Tip. de Adriano Rodrigues, rua Direita, 171. Foi seu director o padre Francisco Joaquim Neto e depois o padre-doutor José Maria Mendonça Negreiros, ambos professores do Seminário de Bragança, este natural de Abreiro, concelho de Mirandela, e aquele de Meirinhos, concelho do Mogadouro. Suspendeu a publicação após o movimento revolucionário de 14 de Maio de 1915. Leste Transmontano (O) – Órgão regionalista, literário, humorístico e noticioso. Director, João Baptista da Cruz. Redactores: Alberto Calejo, Norberto Lopes e Albino Valente. Saiu o primeiro número a 15 de Janeiro de 1920 e o último (?) a 14 de Abril desse ano. Era quinzenário e imprimia-se na Tip. de A. de Melo, Bragança. Liberdade (A) – Dirigida pelo doutor Adriano Fonseca, oficial do registo civil em Mirandela. Anuncia o aparecimento deste jornal nesta vila, como coisa daqueles dias, A Pátria Nova de 20 de Agosto de 1911. Luz (A) – Semanário, publicado em Bragança. Apareceu o primeiro número a 12 de Julho de 1888 – diz o dicionário Portugal. Mas a verdade é que o exemplar desse número que temos presente saiu a 29 de Abril do referido ano, impresso em meia folha e muito mal. Era uma tentativa de rapazes – dos quais citaremos João Baptista da Cruz, hoje distinto professor primáMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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rio, e outros. A oficina era constituída por alguns, poucos, quilos de tipo, e a impressão do jornal fazia-se numa velha máquina de costura, que adaptaram a prelo. O primeiro número, além de mal impresso, quase ilegível, tinha o reverso da página manuscrito. Já era força de vontade!.. Durou pouco. Os fundadores de A Luz foram: o nosso biografado e mais António Seca, que foi quem converteu em prelo a máquina de costura, e José Matos. Todos colaboravam no labor mental e material da composição e impressão tipográficas. Madrugada (A) – Órgão académico. Director, Augusto César de Matos. Tip. Minerva de António de Melo, Bragança. Saiu o primeiro e único (?) número a 23 de Janeiro de 1920. Meio-Dia (O) – Folha académica, quinzenal. Tip., praça da Sé, Bragança. O primeiro número publicou-se a 5 de Abril de 1904. Mirandelense (O) – Começou a publicar-se em Mirandela a 15 de Fevereiro de 1903 (1042). Era regenerador e seguia a política de Teixeira de Sousa. Foi seu fundador o doutor Andrade (Olímpio Guedes de). Mirandês (O) – Bimensal, fundado em 1894 na cidade de Miranda do Douro, destinado à defesa dos interesses locais. Publicou-se o primeiro número a 1 de Abril daquele ano e terminou a 21 de Maio de 1898; tinha o subtítulo de «Órgão dos interesses locais». Depois, em 27 de Novembro de 1903, reapareceu com o título e subtítulo de O Mirandês – «Semanário político, literário e noticioso», de que se publicaram apenas alguns números, terminando a 22 de Dezembro do mesmo ano. Foi seu fundador e director Augusto César Dias de Lima, administrador, por diversas vezes, do concelho de Miranda do Douro, juiz substituto, presidente da câmara municipal do mencionado concelho, provedor da misericórdia durante mais de vinte e cinco anos e chefe local do partido regenerador. Nasceu em Miranda do Douro a 27 de Março de 1859 e era filho de João Evaristo Dias de Lima e de D. Teresa de Jesus Mendes Lima, naturais de Bragança. Augusto Lima era um fanático pelo progresso de Miranda do Douro, não se poupando a fadigas, trabalhos e despesas pecuniárias atinentes ao bem da terra, como mostrou na questão da consecução do seu caminho-de-ferro. O nosso biografado faleceu naquela cidade em Julho de 1912. Ver o artigo Alves (António Carlos), pág. 15. Mogadourense (O) – Publicação feita a favor do bazar promovido em benefício do cofre de Nossa Senhora do Caminho. Número único. Porto, Tip. da Empresa Literária e Tipográfica, 1894. 4.º de 15 págs. Mogadouro (O) – Semanário (?) republicano. Director, Henrique (1042) Distrito de Bragança de 20 de Fevereiro de 1903.

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Cabral. Tip. Minerva, Vila Nova de Famalicão. O nº 2, que temos presente, tem a data de 15 de Outubro de 1912. Moncorvense (O) – Publicou-se o primeiro número a 25 de Outubro de 1896. Fundador, padre Adriano Augusto Guerra. Moncorvo (O) – Fundado pelo eclesiástico atrás citado. Apareceu o nº 1 a 28 de Março de 1897. Montanhês do Norte (O) – Semanário independente, político, literário e noticioso, sob a direcção do doutor Álvaro de Mendonça Machado de Araújo; editor, o professor Cruz. Saiu o primeiro número a 10 de Novembro de 1912. Tip. de Adriano Rodrigues, rua Direita, 145, Bragança. Nordeste (O) – Órgão do partido progressista do distrito de Bragança, cujo primeiro número saiu a 4 de Julho de 1888, como nos disse o seu fundador e redactor Aníbal Augusto Rodrigues Valente (natural de Macedo, onde nasceu a 16 de Maio de 1865), que depois cedeu a propriedade dele ao centro progressista de Bragança em 1895. No dicionário Portugal, artigo «Bragança (distrito de)», diz-se que o primeiro número de O Nordeste saiu a 1 de Julho de 1888, e mesmo no citado periódico, no número correspondente a 4 de Junho de 1902, se lê: «Entra hoje no decimo quinto anno de existencia este nosso semanario», no que há engano, pois a data verdadeira é a de 4 de Julho. O Nordeste terminou a 15 de Julho de 1910, ou, melhor, apenas mudou de título, continuando a publicar-se no mesmo formato e com a mesma redacção sob a epígrafe Notícias de Nordeste, saindo logo a 22 desse mês e suspendendo a 20 de Janeiro de 1911. Mas o Dicionário Bibliográfico, tomo XVII, pág. 255, diz que o jornal em referência foi fundado em 1887, no que há evidente erro, conforme nos declarou o próprio fundador. Aníbal Valente era ao tempo amanuense do governo civil de Bragança, passando depois a ser empregado na agência do Banco de Portugal desta cidade e desde 1 de Março de 1905 aspirante de Fazenda em Lourenço Marques. O Nordeste começou a imprimir-se num prelo pertencente ao governo civil deste distrito, que mais tarde se fundiu na tipografia representada hoje por Ferreira Soeiro, onde se imprimiam todos os periódicos que viam a luz em Bragança, intitulada «Tipografia Brigantina»; mas desde Outubro de 1910 passou a ser impresso na Tipografia Rocha e Melo, que gira ultimamente só debaixo do nome de António de Melo. Coexistem, portanto, hoje duas tipografias em Bragança, estando a primeira, devido às qualidades de talento e empreendedoras do seu proprietário Ferreira Soeiro, que muito a tem ampliado, magnificamente montada. Norte Trasmontano – Semanário religioso, político e literário, publicado em Bragança, saindo o primeiro número a 14 de Março de 1895. Foi MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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seu fundador, proprietário e redactor Pires Avelanoso (António José Pires). Publicou-se até Janeiro de 1897. Desde 5 de Fevereiro seguinte a fins de Outubro do mesmo ano saiu com o título O Norte Trasmontano – semanário progressista, pertencendo ao mesmo proprietário e redactor; e nas mesmas condições, suprimido o O do título, continuou a publicar-se desde 12 de Novembro de 1897 até 26 de Maio de 1898, pelo menos, pois é este o último número que vimos. Foi sempre impresso na Tip. Brigantina. António José Pires – Pires Avelanoso, cujo último apelido lhe provem da terra da sua naturalidade, Avelanoso, concelho de Miranda do Douro – foi secretário do ministro do Reino Eduardo José Coelho, na situação progressista de 1904-1906. Também foi editor-gerente da Tribuna, semanário publicado em Lisboa. Notícias de Bragança – Semanário, impresso em Bragança na Tip. de Adriano Rodrigues. Proprietário e editor, Olímpio Dias, engenheiro civil e director da Escola de Habilitação ao Magistério Primário nesta cidade. O primeiro número saiu a 23 de Fevereiro de 1912. Notícias de Mirandela – Semanário que começou a publicar-se em Mirandela a 1 de Maio de 1909, sendo seu director Francisco Melo. Notícias de Nordeste – Ver acima Nordeste (O). Patife (O) – Quinzenário literário, humorístico, crítico e noticioso. Redactor, José dos Inocentes; director, Alfredo Coelho. Tip. Adriano Rodrigues, Bragança. Saiu o primeiro número a 27 de Novembro de 1919 e ignoramos se houve mais. Pátria Nova (A) – Pela República. Director, doutor João de Freitas (era natural do Pombal, concelho de Carrazeda de Ansiães, e professor do Liceu Nacional de Braga). Oficinas de composição e impressão Tip. Minerva, rua Direita, Bragança. O primeiro número saiu no dia 31 de Janeiro de 1908 e, depois de durar dois anos, terminou com o número correspondente a 26 de Janeiro de 1910. Proclamada a República em 5 de Outubro de 1910, reapareceu com o mesmo título a 12 deste mês sob a direcção de Júlio Rocha. Acabou, por fim, em Maio de 1915 por causa da revolução do dia 14 desse mês. Povo de Mirandela (O) – Fundador, doutor José Salazar. Provinciano (O) – Publicava-se em Mirandela em 1911, sob a direcção de Francisco Ferreira. Pirilampo (O) – Semanário, publicado em Bragança pelos estudantes. Saiu o primeiro número a 17 de Maio de 1902 e o último a 18 de Agosto do mesmo ano. Era impresso na Tip. de Silva Barreto, praça da Sé, Bragança. Saboreano (O) – Quinzenário. Director, Francisco de Matos. O primeiro MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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número publicou-se a 15 de Março de 1922 e o último (?) a 21 de Maio seguinte. Tip. Artística de J. A. Piçarro, Bragança. Século (O) – Periódico de Carrazeda de Ansiães, que começou a publicar-se em 1 de Julho de 1876, diz o Portugal – Dicionário histórico. Semeador (O) – Revista religiosa e boletim diocesano [de Bragança]. Director, cónego-doutor Manuel António da Ressurreição Fernandes. Era mensal e impresso em Guimarães. O primeiro número saiu em Janeiro de 1917 e terminou com o nº 2 em Abril de 1925, tendo cessado de se publicar em 1919, para reaparecer em 1922, em que saíram cinco números e depois dois em 1925. Sorrir da Mocidade (O) – Semanário académico. Saiu o primeiro número em Bragança a 1 de Maio de 1910. O último número que vimos é de 11 de Setembro do mesmo ano. Era seu director António Ferreira de Sousa e redactor principal José Joaquim Lopes. Sudoeste (O) – Na situação regeneradora de Janeiro a Setembro de 1890 apareceu em Bragança este semanário defensor daquele partido a combater O Nordeste, que era progressista. Um e outro não eram então impressos na cidade, por estar a imprensa embargada. O Sudoeste desapareceu logo, para dar lugar à Gazeta de Bragança, que o veio substituir nos seus fins políticos. Terras de Bragança – Órgão regionalista do distrito de Bragança – Semanário-quinzenário. Directores: João Baptista da Cruz e Domingos Bernardo Vinhas. Tip. Artística, de Borges & Piçarro, Bragança. Saiu o primeiro número a 19 de Junho de 1921 e o último (?) a 2 de Outubro seguinte, publicando-se ao todo oito números. Torre de Dona Chama (A) – Quinzenário, que se publicou na vila deste nome, pertencente ao distrito de Bragança, mas impresso em Mirandela, na Tip. Rego. Era seu director, proprietário, administrador e editor António da Assunção Teixeira. O primeiro número publicou-se a 15 de Fevereiro de 1911 e o último (o 8.°) a 30 de Junho imediato. Torre de Moncorvo – Semanário regenerador, publicado na vila do mesmo nome. Apareceu o primeiro número a 19 de Abril de 1900 (1043). Foi seu redactor principal Acácio António Camacho Lopes Cardoso, que concluiu a sua formatura em direito na Universidade de Coimbra a 18 de Junho de 1903, sendo logo, por decreto de Julho do mesmo ano, nomeado delegado do Procurador Régio para a comarca de Carrazeda de Ansiães. Mas depois o periódico seguiu a política progressista. Trasmontano (O) – Semanário político, literário e noticioso, filiado no partido regenerador, publicado em Moncorvo, cujo primeiro número saiu (1043) Gazeta de Bragança de 7 de Maio de 1900.

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em princípios de Agosto de 1902. Era impresso na Imp. Civilização, rua Passos Manuel, Porto. Cessou de publicar-se em Junho de 1905 (1044). Trasmontano (O) – Órgão do partido republicano em Carrazeda de Ansiães. Director, doutor Domingos Frias de Sampaio e Melo. Impresso na Tip. Rego, Mirandela. Começou a publicar-se em fins de 1910 ou princípios de 1911 e terminou em fins deste ano. Trasmontano (O) – Semanário republicano, órgão do partido evolucionista no distrito de Bragança. Era seu director o engenheiro Agostinho Lopes Coelho. Saiu o primeiro número a 11 de Julho de 1915. Tip. de Adriano Rodrigues, Bragança. Temos na nossa frente o número correspondente a 25 de Fevereiro de 1917. Tua (O) – Periódico de Mirandela. Começou a publicar-se a 9 de Abril de 1892. Voz de Ansiães (A) – O Trás-os-Montes de 15 de Janeiro de 1930 diz que começou a publicar-se em Carrazeda de Ansiães um periódico com aquele título, impresso na Póvoa de Varzim. É trimensal. Voz da Pátria – Semanário republicano do distrito de Bragança. Saiu o primeiro número a 1 de Maio de 1896, ao qual apenas se seguiram mais três, suspendendo depois a publicação. Era impresso na Tip. Brigantina à praça da Sé, Bragança. Ver acima a referência a O Democrata. Voz do Tua – O Brigantino de 22 de Agosto de 1889 diz que este periódico, que se publicava em Mirandela e seguia politicamente a esquerda dinástica de que era chefe o conselheiro Augusto César Barjona de Freitas, entrou no seu 4.º aniversário. Começara a publicar-se a 8 de Agosto de 1886. JUDEUS – As «Orações» adiante publicadas, usadas em Carção, concelho de Vimioso, foram-nos ditadas por uma pessoa deste povo (1045), convicta praticante da «Lei mosaica» e até director religioso, espécie de sacerdote. Pelo que ela nos disse, conclui-se que a liturgia mosaica já está ali muito adulterada, mas seguem-na no que sabem e há muitos adeptos. Assim (1046), (1044) Ibidem de 1 de Julho de 1905. (1045) Ver tomo V, p. 90, destas Memórias, onde damos uma longa lista dos indivíduos desta povoação processados por judaísmo. Em carta de 2 de Junho de 1852, dirigida pelo padre Manuel António Afonso, pároco de Carção (conservada no Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial) ao governador do bispado, dizia-lhe: «Neste povo grassa desde tempo immemorial ua secta, que em tempo da Inquisição era isso muito occulto, mas de 34 [1834] a esta parte he isso muito divulgado, quero dizer não se escondem os sectarios como outra hora; assim ha muita gente, que pelo menos in confuso sabem disso... O erro he a secta, ou Lei Moisaica». Só agora sai este artigo devido a um engano na arrumação dos linguados do referido tomo, onde era o seu lugar certo. (1046) Para ir com ordem, seguimos pelo que fica dito no mencionado tomo V, p. LXXVIII.

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segundo ela, em Carção o jejum é muito rigoroso – vinte e quatro horas sem comer. Desconhece-se a distinção entre animais limpos e imundos, ou seja carnes proibidas e permitidas, e por isso não se varia de pratos à mesa nem se escrupuliza em misturar na mesma refeição carne e leite. Desconhecem também quaisquer preceitos relativos aos vestidos. Têm rezas, orações e bênçãos para todos os actos da vida. Há homens instruídos na «Lei» que dirigem os actos espirituais das pessoas masculinas; assim como as mulheres são dirigidas por outra mulher; ignoram os preceitos da agricultura; dizem orações antes e depois de comer; guardam rigorosamente o sábado, com excepção de um ou outro trabalho de pequeno vulto, e acendem, pelo menos, uma lâmpada. Festejam a lua nova; celebram a Páscoa sempre no dia 14 da lua nova de Março; dizem que esta festa devia ser no dia 13, mas, para evitar um fácil engano, fica para o dia seguinte. Só comem pão ázimo durante esse dia 14, e a mais não se estende a festa nem têm qualquer outra. Além da abstenção de pão fermentado na festa da Páscoa, nenhum outro alimento lhes é proibido senão os ovos, pois só a rainha Ester os comeu nesse dia. O Kipur, ou dia do Perdão, é celebrado no dia 9 da lua nova de Setembro; mas para evitar enganos fáceis de dar-se, por se não ver bem a lua, é transferido para o dia seguinte, como a Páscoa, isto é, para o dia 10. Era celebrado no vinhago, sob pretexto de guardar as uvas, a fim de evitar suspeitas, partindo em dois grupos – homens num e mulheres noutro – e, lá no campo, bem distantes um do outro esses grupos, passavam o dia jejuando e recitando preces, guiados os homens por um mestre (espécie de rabino ou sacerdote), que dirigia e recitava as orações, e as mulheres por uma mestra (espécie de sacerdotisa), que procedia da mesma forma com o grupo feminino. No casamento faziam sete dias: cinco a mulher e dois o homem (adiante diremos o que significa a fórmula – fazer um, dois, três... sete dias, lembrando apenas agora que esses dias se faziam antes do casamento, isto é, precediam imediatamente esta cerimónia). O casamento era celebrado, segundo a litúrgica da sua «Lei», em casa e depois, a fim de evitar suspeitas, iam à igreja católica, mas o acto aqui celebrado nada valia a seus olhos. No baptizado procediam da mesma forma, fazendo primeiro a cerimónia ritualista em casa e depois, pro formula, iam à igreja cristã para meros efeitos civis. Mortos – A cama onde alguém morreu é feita com lençóis novos e toda a mais roupa correspondente nova também ou, pelo menos, em bom uso, e assim se conserva durante sete dias, indo junto dela três vezes por dia durante esse tempo um certo número de mulheres recitar preces e orações, terminando no sétimo por fazer um dia. Também junto à cama se coloca MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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uma mesa com duas toalhas de linho, novas, dois pratos com mantimento, uma malga, pão, etc. É de preceito que cama e roupas, mesa, adereços e mantimentos se dêem a um ou mais pobres; mas como, em geral, as tais rezadeiras são pobres, recebem elas tudo, além de, em cada um desses sete dias, uma ração de pão, bacalhau, batatas, feijões e azeite suficiente para sua sustentação nesse dia e 120 réis em dinheiro (isto era antes da actual desvalorização da moeda; hoje equivalerão a vinte vezes mais). Também se pagava a seco este serviço à razão de 240 réis por dia cada rezadeira. Durante as rezas – segundo a pessoa informadora nos afirmou convictamente – via-se ou, pelo menos, julgavam ver, um vultozinho deitado na cama, correspondente à silhueta do falecido. A expressão fazer um dia quer dizer: jejuar um dia, ou seja estar vinte e quatro horas sem comer nem beber, a começar na véspera antes de aparecerem as estrelas até ao surgir destas no dia seguinte. O jejum tem de ser acompanhado de esmolas. Os dias de jejum de preceito são: três antes da Páscoa, três antes da solenidade do Kipur, um em Dezembro, sete antes do casamento e um antes do baptizado. Seguem as orações e preces: AO LAVAR – «Lavo minhas mãos e cara com aguas limpas e claras para que á hora da minha morte o Senhor me lave a minha alma. – Amen» (1047). AO DEITAR DA CAMA – «Louvado seja o Senhor e agradecido que nos livrou dos perigos do dia, nos guarde dos da noite para seu Santo serviço. – Amen». AO TODO PODEROSO

«Poderoso alto Senhor Do mundo governador Volvete meu pastor Suas ovejas á la Serra Aquelas que andam apartadas do rabanho Volvemolas Senhor Volvemas com tua mão

(1047) Alguém nos ditou a seguinte oração usada, ao lavar-se, por um bom velho de Bragança, que ainda conhecemos: «Anjos, Arcanjos, Monarcas e Patriarcas, meninos da Santa Casa de Jerusalem, tudo seja a dar um louvor ao Altíssimo Senhor. E seja louvado e engrandecido e Santificado por todos os séculos dos séculos. Amen, Senhor».

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Eu como cordeira mansa Eu me sujeito a ti Perdoa-me alto Senhor Como Abrão a seu filho muito amado Tinha um cochilo na mão O braço levantado Mandou Deus do Céo Um anjo mui cortesano Tate, tate, Abrão Não faças mal ao muchacho Já Deus está contente Satisfeito e pago Vai tras d’aquela starse Lá está um cordeiro atado Mandou Deus do Céo um aviso Que fosse sacrificado». ORAÇÃO DO SÁBADO

«Eove, Adonai, Moisés Produzir só Dios Senhor del Cielo Num mates, num hurtes, Num haças mal a tu companéro Num hajas obra de teu desejo. Num saias a teu companéro Cum stilo de falsidade É atrofia que em seis dias Echó Adonai o seu dia». AO DEITAR DA CAMA – «Com Deus me deito com Deus me alevanto, Deus me cubra com o seu divino manto, se eu bem coberto fôr, não terei medo nem temor. Se me dormir acordai-me. Se morrer acompanhai-me. Graças a Deus que já me deitei, com sete anjos me encontrei: três aos pés, quatro à cabeceira e Nosso Senhor na dianteira. Louvado seja o Senhor engrandecido que nos livrou dos perigos do dia nos livre e nos guarde dos da noite para seu santo serviço. Amen». AO LEVANTAR

«Levantei-me de manhana De manhana ao alvor Ouvi cantar missa salve MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Missa salve ao Senhor Que tantas graças nos deu Mais tem para nos dar Como estrelas ha no Céo E areias no mar E peixes a nadar Do nascente até ao poente Louvado seja o nome Santo glorioso do Senhor Poderoso para todo o sempre sem fim. – Amen». CONFISSÃO – «Todo poderoso Deus de Israel, eu me confesso, eu vos louvo, eu glorifico o vosso Santo Nome. Aqui prostado diante da vossa presença, peço-vos humilde Senhor que inclineis vossos Santos ouvidos de piedade para ouvir a oração e confissão deste triste e miserável pecador. Vós, Senhor, sois mui suave, manso, sois de muita misericórdia para todos os que vos chamam à divina piedade. Até aqui me sofrestes não me confundais, antes Senhor perdoai-me nesta hora a furia com que eu desenfriei meus danados apetites a toda a vaidade, a toda a mentira, tão esquecido de vós, ó meu Deus, tão cego às vossas doutrinas, tão cego aos chamamentos, tão infiel à obediência da vossa Santa Lei, tão contente de mim e do mundo. Amei o que aborreceis; despresei o que estimais. Males que são perversidades, o que não podia alcançar com a vontade, alcancei-o com o desejo, contentei-me com a fé tão fria e morta nesta alma cheia de pecados. Não ha em mim senão desventuras e males. A mim me pesa, Senhor, com todo o afecto da alma de vos haver ofendido; o meu coração parte-se de dôr; os meus olhos são duas fontes de lágrimas. Quebrantei a vossa Lei; ofendi um Deus meu, tão soberana magestade, tão poderoso, a um pai tão suave, a um esposo tão amoroso. Meu Deus, vós sois tesouro da misericórdia, dai-me, Senhor, se quereis que tarde vos comece a amar e a obedecer, dai-me sentimentos da minha má vida e mudança de toda ela. – Amen».

As orações terminam sempre por «Amen» e ainda por: «Glória sem fim ao Senhor de Israel. – Amen»; ou desta forma: «Agora diga cada qual Com grande zêlo e amor: Bendito e glorificado seja O nome Santo do Senhor Para sempre sem fim. – Amen». MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Orações Judaicas usadas em Bragança As orações seguintes são copiadas de um caderno manuscrito que uma pessoa de Bragança nos emprestou (não quer, porém, que lhe revelemos o nome) e nos disse haver muitos idênticos nesta cidade em poder de famílias israelitas, que deles se serviam para se guiar nas suas preces. Segundo essa pessoa nos declarou, nas famílias possuidoras desses manuscritos havia recomendação de os conservar com todo o recato, e, em caso extremo de perigo, deviam ser queimados. O caderno consta de catorze fólios in-4.º paginados de frente, mas faltam-lhe os seis primeiros, de onde resulta ficar interrompida a oração que no fólio sete segue desta forma (mantemos a ortografia do original): «Affronta assim permitas Senhor bingar-nos contra estes edolatras que idolatrão tua grandeza tua palavra negão. Senhor Supremo, piedoso firme e verdadeiro dá libralidade aos percisos que padecem opprimidos em cadeias, e deta-os Senhor a campos libres, lebaos Senhor ás suas terras para governarem os seus filhos que andão por partes alheias dai-le favor e amparo não permitas Senhor que nenhum padeça nesta tragedia, para que saibão os malsins o que pode tua grandesa, faz-lhe como fizeste a Moisés naquella a tirar agua com a sua bara para que o seu povo bebése. Faz-lhe como fizestes no mar bermelho que no mar fizestes hum caminho semeado de Flores para que o teu Povo passasse sem que nenhum perigo tivesse. Perdo-a-me Senhor por não saber alabar o teo Santo Nome e dar-te graças emenças Anjos, Archanjos, Crubins, Dabins, e Sarafins, Patriarchas, Monarcas, Santos da Casa Santa de Jerusalem nos deão Ceos, Ceos estrelas, Lua, Sol, Planetas, Mar, Peixes, Abes, Brutos, Feras, tudo quanto fizestes e creastes com huma tua grandesa emensa todos Senhor tas deão agora Senhor Supremo firme piedoso e berdadeiro teo povo humilhado te rogamos deites a tua benção para gosar da vida eterna amen. Senhor. Amen, amen, amen». ORAÇÃO DOS LEVITAS. «1.º

No dia vinte e quatro de Julho de anno vigessimo se ajuntarão os filhos de Israel em jejum, e vestidos de saccos e cobertos de terra. 2.º E os da Linhagem dos filhos d’Israel forão separados e todos os filhos estrangeiros; e elles se presentavão e confessavão os seus pecados e as iniquidades de seus paes. 3.º E levantarão-se para se porem em pé: e lerão no volume da Lei do Senhor seu Deus, quatro vezes no dia e quatro vezes bendizião, e adoravão Senhor seu Deos. 4.º E poserão-se sobre o degrau dos Levitas, Josoé, e Bano e Cedmiel, Sanabia, Boni, Sarebias Bani, e Canani e levantarão-se as suas bozes e gritarão ao Senhor seu Deus. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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5.º E os Levitas Josoé e Cedmiel Bonni, Hasebinia, Sorebia, Oclaia, Sebnia, Falhahia disserão levantaivos, bendizei o Senhor vosso Deos de seculo em seculo e eles bendigão, Senhor, o sublime Nome de tua gloria dandolhe toda a sorte de louvor e de benção. 6.º Tu si és o Senhor, tu si fizeste o Ceo, e, Ceo dos Ceos e todo o seu exercito; a terra e tudo que há nela; os mares e tudo o que neles se contem; e tu dás vida a todas estas coisas, e o exercito do Ceo te adora. 7.º Tu mesmo és, o Senhor nosso Deos, o que escolheste Abrão, e que o tirastes do fogo dos Caldeos, e lhe deste o nome de Abrahão. 8.º E achastes o seu coração fiel aos teus olhos; e fizestes concerto com ele, que lhe darias a terra dos Cannaneos, dos Hedotheos e dos Amhorrheos, e dos Ferescos e dos Jebuseos e Gergescos para dares á sua descendencia; e tu cumpristes as tuas palavras porque és justo. 9.º E vistes a aflição de Nossos Paes no Egipto; e ouvistes os seos clamores, sobre o mar vermelho. 10.º E obraste maravilhas e prodigios sobre Faraó, e sobre todos os seus servos, e sobre todo o Povo d’aquele Paiz; porque sabias que ele os tinha tratado com soberba; e tu alcançaste para ti nome assim como no dia d’oje. 11.º E tu dividiste o mar vermelho diante d’eles, e eles passarão em seco pelo meio do mar; e tu percipitaste os seus perseguidores no fundo, como uma pedra que cae em aguas profundas. 12.º E tu foste o seo Condutor de dia pela columna de fogo para conhecerem o caminho por onde hião. 13.º Tu tambem deceste ao monte Signai, e do Ceo falaste com elles, e lhe destes ordenanças Justas e huma Lei de verdade, Cerimonias e bons perceitos. 14.º E os ensinaste a santificar o teo Sabado, e lhes prescrevestes por Moisés teo servo os mandamentos, as ceremonias e a Lei. 15.º Tu lhes deste tãobem Pão Nosso do Céo, quando tiverão fome, e tu lhes fizestes arebentar agua do rochedo, e lhe dissestes que entrassem e possuissem a Terra, Sobre a qual levantaste tua mão jurando que lha darias. 16.º Mas elles e nossos Pais obrarão soberbamente, e endorecerão as suas cervises e não ouvirão os teus mandamentos. 17.º E não quiserão ouvir, e não se lembrarão das tuas maravilhas que tinhas obrado em seo favor, e endurecerão as suas cervises, e se obstinarão voltando para a sua escravidão como de teima. Mas tu o Deos propicio, clemente, e misericordioso, Sempre paciente, e de muita compaixão, tu não os desamparaste. 18.º Ainda mesmo quando elles fizerão para si hum bezerro fundido, e que disserão: Este é o Deos que te tirou do Egipto, e cometterão grandes blasfemias. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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19.º Mas tu pela multidão das tuas misericordias não os desamparastes no deserto: a cluna de nuvem não se apartou delles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a clumna de fogo durante a noite, para lhes mostrar o caminho por onde devião ir. 20.º E tu lhes deste o teo bom espirito que os ensinasse, e tu não retiraste o teo manná da sua boca e lhes destes agua na sua sede. 21.º Tu os sustentastes quarenta annos no deserto e não lhes faltou nada: os seos vestidos não se fizerão velhos, e os seos pés não se trilharão. 22.º E tu lhes destes reinos, e Povos, e lhos repartistes por sortes; e elles possuirão o Paiz de Sehon, e o Paiz do Rei Hesebon, e o Paiz do Rei de Bason. 23.º E multiplicastes os seos filhos como as estrelas do Ceo, e os trouxeste á terra onde tinhas prometido a seos pais que elles entrarião e pussuirião. 24.º E vierão seos filhos e pussoirão e tu humilhaste diante delles os Connaneos habitantes da terra, e lhes entregastes nas suas mãos e os seos Reis e os Povos do paiz para fazerem delles o que lhes desse na vontade. 25.º E elles pois tomarão fortes Cidades, e hum bom terreno, e possuirão casas cheias de toda a sorte de bens; cisternas que outros tinhão edificado, vinhas e olivaes e muitas arvores frutiferas; e comerão e fartarão-se e engordarão e abundarão em delicias pela tua grande bondade. 26.º Mas elles te provocarão a ira, e se retirão de ti e regeitarão com despreso a tua Lei; e matarão os teus Profetas que os conjuravão que voltassem para ti. 27.º E tu os entregastes nas mãos de seos enemigos e estes os oprimirão. E no tempo da sua tribulação clamarão a ti, e tu os ouvistes do Ceo, e segundo a multidão das tuas misericordias lhes destes Salvadores que os salvassem de seus inimigos. 28.º E quando se virão em descanço, tornarão a fazer mal diante de ti; e tu os deixastes nas mãos de seos inimigos, que se senhorearão delles. E depois elles se converterão e clamarão a ti; e tu os ouviste do Céo, e os livrastes huma e mais vezes a effeito das tuas misericordias. 29.º E tu os solicitaste para que tornassem para a tua Lei. Mas elles obrarão soberbamente e não ouvirão os teus mandamentos, e pecarão contra as tuas ordenanças, as quaes se o homem observar, acha nelas a vida; e elles te derão as costas e endurecerão a sua cervis, e não te derão ouvidos. 30.º E tu por muitos annos diferiste o castiga-los, e os exortastes com teu espirito por meio dos teus Profetas; e elles não derão ouvidos, e tu os entregaste nas mãos dos Povos da terra. 31.º Mas tu pela multidão de tuas misericordias não os confundiste de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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todo, nem mesmo os desamparaste; porque és hum Deos Misericordioso e clemente. 32.º Agora, pois, ó Deos nosso, grande, e terribel que conservas o teu pacto e a tua misericordia, não apartes de tua face todos os males, que nos tem opprimido a nós, aos nossos Reis, e aos nossos Princepes, e aos nossos Sacerdotes, e aos nossos Profetas, e a nossos Pais e a todo o teu Povo desde tempo do Rei d’Assiria até hoje. 33.º E tu és justo em todas as coisas, quem tem vindo sobre nós; porque tu obraste segundo a verdade, e nós nos conduzimos impiamente. 34.º Os nossos Reis, os nossos Principes, os nossos Sacerdotes, e nossos Pais não guardarão a tua Lei, não attenderão os teos Mandamentos, nem os teos testemunhos que nelles declarastes. 35.º E elles nos seos Reinos, e na muita abundancia de bens que lhes tinhas dado e na terra tão espaciosa e fertil, que tu lhes entregastes na sua presença; elles te não servirão, nem se converterão das suas corrompidas inclinações. 36.º Tu ves que nós mesmos hoje somos escravos; como tambem o é a Terra, que tu tinhas dado a nossos Pais para lhe comerem o pão e os frutos que ella produzisse, nós mesmos tãobem somos escravos nella. 37.º E os seus frutos se multiplicão para os Reis, que tu puzeste sobre as nossas cabeças por causa dos nossos pecados e elles dominão sobre os nossos corpos, e sobre os nossos animaes, como bem lhes apraz, e nós estamos numa grande tribulação. 38.º Em atenção a todas estas cousas, nós mesmos celebramos hum concerto, e o escrevemos, e o assignarão os nossos Princepes, os nossos Levitas e os nossos Sacerdotes. Amen. Amen. Amen». ORAÇÃO DE TOBIAS. «Tu, Senhor, és grande na eternidade, e o teu Reino por todos os seculos; porque tu castigas e tu salvas, tu levas até á sepultura e tu reçuscitas; e ninguem escapa da tua mão. Dai louvores e graças ao Senhor, filhos de Israel e louvaio diante das Naçois; porque elle por isso vos espalhou por entre os povos, que o não conhecem, para que vós publiqueis as suas maravilhas e para que lhes façais saber, que não há outro Deos todo Poderoso senão ele. Elle nos castigou por causa das nossas iniquidades; e elle mesmo nos salvará por causa da sua misericordia. Considerai pois o que elle obrou comnosco e bendizeio em temor e tremor; e ezaltai ao Rei dos seculos pelas vossas obras. Eu porem o confeçarei na terra do meu cativeiro; porque manifestou a sua magestade sobre huma nação pecadora. Convertei-vos pois ó pecadores e obrai justiça diante de Deos crendo que elle obrará comnosco a sua misericordia. Eu tambem e a minha alma nos regosijamos nelle. Bem-dizei ao Senhor todos vós os seos escolhidos. Festejai os dias de alegria e rendei-lhe louvores.

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Jerusalem Cidade de Deos, o Senhor te castigou por causa das obras das tuas mãos. Dá graças ao Senhor pelos teus bens e bendise ao Deos dos seculos para que restableça em ti o seo Tabernaculo, e para que chame a ti todos os captivos e para que te alegres por todos os seculos dos seculos. Tu brilharás como huma refulgente luz; e todas as extremidades da terra te adorarão. As nações virão a ti desde os paizes mais remotos; trazendo-te dadivas adorarão em ti o Senhor, e terão a tua terra por santuario. Porque invocarão o grande nome no meio de ti, e serão benditos os que te edificarem. Tu porem alegrar-te-has nos teus filhos, porque serão abençoados todos, e se reunirão ao Senhor. Bemaventurados todos os que te amão, e os que se alegrão na tua paz. Dalma minha, bendize ao Senhor, porque livrou a sua Cidade Jerusalem de todos os seos males, elle hé o Senhor nosso Deos. Ditoso serei se se restar ainda algum da minha descendencia para ver o explendor de Jerusalem. As portas de Jerusalem se edificarão de safiras e de esmeraldas; e de pedras preciosas todo o circuito dos seos muros, todas as suas praças serão calçadas de pedras brancas e belas; e em todos seos bairros se cantará Alleluia. Bendito Senhor que a exaltou e o seo reino seja nelle pelos seculos dos seculos. Amen. Amen. Amen». ORAÇÃO DE JUDITE. «Senhor Deos de meu Pai, que lhe deste a espada para

se vingar dos estrangeiros, que por huma paixão impura forão violadores, e ultrajarão com affronta o poder d’uma virgem; e que suas mulheres apreza, e suas filhas em captiveiro, e todos os seos despojos em partilha aos teos servos, que se abrasarão em teo zelo; socorre, te rogo Senhor meo Deos, a esta viuva. Porque tu fizestes as cousas primeiras e determinaste que humas succedessem a outras, e aquilo se fez que tu quiseste. Porque todos os teos caminhos estão preparados, e tu estabeleceste todos os teos juizos na tua providencia. Lança agora os olhos sobre o campo dos Assirios, bem como no outro tempo te dignaste lançallos sobre o campo dos Egypcios quando armados corrião atrás de teos servos, fiando-se nas suas carroças, e na sua cavalaria e na multidão dos soldados; tu porem lançaste os olhos sobre o seo campo, e as trevas os cançarão. O abismo reteve os seos pés e as agoas o cobrirão. Assim perecerão tãobem, Senhor, estes que confião na sua multidão, e se glorião, nas suas carroças e nos seos dardos, e nos escudos e nas suas flechas e lanças, e que não sabem que tu mesmo és um Deos, que desfazes as guerras desde o principio, e que o teo Nome é o Senhor. Levanta o teo braço como desde o principio, e com a tua força quebra a sua fortalesa, pela tua ira caia a força destes que se prometem violar o teo Santuario e profanar o tabernaculo do teo Nome, e derrubar com a espada a Magestade do teu Altar. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Faze Senhor que a sua soberba seja cortada pela propria espada; Fique preso em mim com laço dos seus olhos, e preso com as palavras de meo. Da-me constancia no coração para eu o desprezar e fortaleza para eu o perder. Este será pois um monumento do teo Nome, quando a mão d’uma mulher o derrubar; porque o teu poder Senhor não está na multidão, nem te comprases na força dos cavallos, nem desde o principio te agradarão os cavalos soberbos; mas sempre te agradarão agradou (sic) a suplica dos humildes e dos mansos. Deos dos Ceos, creador das aguas, e de todo o creado ouve a esta miseravel que te suplica e que presume da tua misericordia. Lembra-te, Senhor, do teo Pacto e poe as palavras na minha boca e fortifica a resolução do meo coração para que a tua casa permaneça em te santificar, e todas as nações conheção que tu és Deos, e que não há outro senão tu». ORAÇÃO DE MARDOQUEU. «Senhor, Senhor, Rei

Omnipotente porque no teo poder estão postas todas as cousas. E não há quem possa resistir á tua vontade se tens determinado salvar Israel. Tu fizeste o Ceo e a terra e tudo quanto se contem no ambito do Ceo. Tu és Senhor de todas as cousas e não há quem resista á tua Magestade. Tu tudo conheces, e sabes que não por soberba, nem por cubiça de gloria tenho feito isto de não adorar o altivo Amon (porque pela salvação d’Israel pronto estaria a beijar com gosto os bestigios das tuas pisadas). Mas temo.......». E assim termina no manuscrito esta oração de Mardoqueu, devendo, por isso, julgar-se incompleta. Segue no mesmo esta outra oração sem título e de letra diversa: «Bendito A Donai Nosso Deos, Rei do Mundo que com sua força e seu poder enche o mundo. Santo, Deos Santo forte, Santo Imortal, Deos d’Israel Miserere nobis. Toda a terra e Ceo e mar está cheio de tua gloria; homens, mulheres, meninos, mancêbos, virgens, velhas, moços louvai ao Senhor por mim eternamente; pedi, orai, suplicai e bem a salvação de minha alma...... Almas justas e benditas de Israel chamadas para uma bemaventurança eterna, louvai o que vos faz gloria, exaltai, purificai o vosso santo nome, o vosso Archanjo Michael protetor do povo de Deos, a quem o Altissimo ouve com tanta luz, perfeição e claridade, esse seja tambem a pedir por mim la desse centro luminoso por todo o seu povo de Israel, seus crentes e confitentes, seus derramados e esparados, á Santa páz sejão recolhidos para gloria exalção Bendito eternamente. Amen». AVE-MARIA. «Anjos, Santos e Serafins; Coros Celestes e Corbins; almas justas de Seião Omnipotente Senhor comigo entoai a hum Santo Louvor,

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engrandeça-te o mundo, a gente, o Ceo, a terra, tudo quanto é vivente, tudo te engrandesa com hum cantico fiel ó Deos Altissimo, o Deos de Israel, Deos eterno, o Deos Sagrado. Amen. Amen». «Bendita a Santa Manhã, bendito o Senhor que a manda, bendito o Santo dia, bendito o Senhor que o guia, o Senhor que o guia nos dê por alegria para sabermos servir e louvar a sua santa vontade para quando deste mundo formos podermos entrar no reino da Claridade. Deos de Adonai. Amen. Amen». «Graças te rendo Senhor, Bendito o teu Santo poder que me fizestes chegar Senhor ao amanhecer, minha alma vos entrego bendito Rei da verdade, suposto vos não mereço tende de mim piedade. Deos de Adonai. Amai, Amai, Senhor. Amai, Amai, Amai». E aqui termina o caderno das «Orações judaicas de Bragança». ORAÇÃO DA PÁSCOA

(1048)

«Aos catorze de la luna Ao primeiro mez do ano Parte o povo para o Egito [21] Com Israel e seu mano Cantigas que iam cantando Ao Senhor iam louvando Louvavam o Senhor Com todo o seu coração. Passaram o mar vermelho Para a terra da Promissão O povo aflito de sêde Ao Ceo clamava por agua Adiante vai Moisés Com a sua santa vara. Por mandado do Senhor Bateu numa pedra mára E lançou agua clara Bendito seja o Senhor

(1048) Colhida em Vilarinho dos Galegos, concelho do Mogadouro, pelo nosso culto informador doutor Casimiro Henriques de Morais Machado. Samuel Schwarz publicou outra algo diferente na Revista de Arqueologia e História, vol. IV, p. 76, mas a nossa parece mais completa.

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Para sempre engrandecido Como uma penha lançou agua Para aquele povo tão aflito. Ó Moisés profeta santo Do Senhor amado e querido Imperador da Nação Destruidor do Egito Peço-te por mesericordia Aquele Deus aflito Que nos deu o seu bem E nos leva ao seu reino E nos livra do cativeiro Para sempre Amen». PRAGA DO CAVALÃO (1049)

«Vai-te tigre da Hircânia A ida que fez o fumo, faças tu Contigo vai dar a Ru Ru Contigo á Mauritânia Aos barrancos altos subas Aos baixos venhas cair Nunca tu vejas a sege dourada Assim como tens cara de hereje O vento te leve As pedras te apedregem O fogo te queime A terra te sepulte O rio te afogue O pau te bata O cão te morda O gato te arrebunhe Te peles com um rôjo de silvas ao rabo E depois de pelado te leve o diabo». Os judeus, tão fecundos em preces, não o são menos em maldições ou pragas. Damos a seguir algumas destas, colhidas em Bragança, notáveis pela profundeza do conceito maléfico e pelo travo regional: (1049) Colhida em Vilarinho dos Galegos pelo mesmo diligente investigador doutor Casimiro Henriques de Morais Machado, do Mogadouro. Diversos autores se têm referido a esta «praga», mas nenhum conseguiu ainda apanhá-la.

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«Deus te dê saude na alma e no corpo bem doença; Na cadeia toda a vida e no hospital convalescença». «Inocente vás p’ra Africa a esfregar cornos com o cú em cima de uma cantaria». «Tamanho cagalhão cagues que se enrosque em ti e te cubra». «Tamanho feruncho te nasça no cú que seja tão grande como o castelo [de Bragança] e purgue tanto como o Sabor». «Oxalá que ao entrares em casa encontres teu pai enforcado nas tripas de tua mãe e tu com as tuas de fora sem encontrares onde as meter». «Tantas voltas dês na cama que o rabo se te enrosque ao pescoço e te afogue. Outra não digas, amaldiçoado!» «Á sêde bebas o suor dos pés do Zé Penico (1050). Á sêde bebas o sangue de teu pai». «Socêgo não tenhas, nem de noite nem de dia, nem sentado nem em pé, nem a dormir nem acordado, nem a andar nem parado, nem de maneira nenhuma». «Uma dôr tenhas, amaldiçoado! E tu uma nas costas, outra na barriga, de cada lado sua e um flato por guia».

L LOBO (Doutor Francisco Miranda da Costa), pág. 270 – Escreveu mais: A acção marítima dos Portugueses. Lisboa, 1929. 8.º de 61 págs. Faz parte do «Livro de Portugal na Exposição de Sevilha». LOPES (Norberto), pág. 275 – Escreveu mais: Viagem maravilhosa. Livro para crianças. 1929. LOPES LEITE DE FARIA (D. José), bispo de Bragança – Faleceu em Vinhais, repentinamente, vitimado por uma congestão, a 23 de Agosto de 1927. Muito tínhamos escrito, para sair neste volume, respeitante à sua acção prelatícia e à episcobite (1051), que, queimando-lhe o cérebro, o matou; ficará, porém, para o seguinte, a fim de não avolumar demasiado este, pois também consagraremos duas palavras, visto assim o quererem, ao pataratíca do Zé Rabugento e ao seu Carroço-Mota das sandices conferencistas, feliz rival nos preciosismos (1050) Indivíduo a quem os pés cheiram muito mal. (1051) A episcobite é causada pelas vestimentas de sedas, damascos, lhamas, brocados, arminhos, pedrarias e púrpuras ao longe remiradas; pelos beija-mãos, curvaturas profundas de joe-

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devocionários amaneiradinhos, embora seja para lamentar o desperdício da cera gasta com tão ruins defuntos e apagadinhas figurinhas. Poverelo, inchado como a rã da fábula com as suas tuautas congeminências clerizáceas, julga resolver com bizantinices de cágado o magno problema da sólida e máscula orientação católica. Insensato, não vê que as jactanciosas afectações ou irritam, provocando nos espíritos as terríveis reacções, tão tragicamente memoradas na História, ou enojam pela insolente pretensão do sapateiro que quer tocar rabecão sem saber onde se lhe põe a mão – ne sutor ultra crepidam e que Deus, superbos resistit!... O outro, o Rabugento, é menos dado a espalhafatoses teatrais; contenta-se com uma correcção insólita, na certeza de que o hábito faz o monge e não o contrário, como diz a sabedoria das nações, e que tudo depende de tirar ou pôr, por exemplo, a sobrepeliz por cima dos ombros nesta ou naquela parte da igreja, e em nénias semelhantes. É que lá diz o lírico: «um génio que nasceu de encolhas não se meta a redactor de folhas». Entendes o verso, Delfina? De quando em vez é necessário alfinetar este odre de vento e observar o conselho: responde stulto juxta stultitiam suam ne sibi sapiens esse videatur, um pouco de longe, é claro, ne efficiaris ei similis. Convém desde já frisar que o Zé Rabugento é bom homem; porém, incapaz de tratar com gente, devido ao seu génio irascível, que o leva a ralhar constantemente, a propósito e despropósito de tudo, e às chinesices que lhe ficaram da incipiente paroquialidade entre cafres e orientais. Pelo contrário, o Carroço-Mota tem apenas aparência de bom, mas é péssimo e mais venenoso que uma víbora pequenina, que morde o próprio rabo por não poder envenenar os outros. Não podemos deixar de aludir desde já à campanha que D. José Lopes Leite de Faria levantou contra o conselheiro José Fernando de Sousa (Nemo), director de A Voz, e doutor Alfredo Pimenta. As causas dessa campanha são complexas (1052), mas no fundo trata-se apenas da administração de um jornal católico e do suposto desafecto do clero aos bispos. Na verdade, os católicos andam a malbaratar energias mentais, físicas e pecuniárias em jornalecos, revistecas e quejandas publicações, que nenhuma influência exercem fora dos escaninhos sacristânicos; não actuam onde deviam actuar; não formam corrente que influa na opinião pública; não satisfazem, enfim, as exigências

lhos em terra e restantes abusões da personolatria feudal, que levam ao desvanecimento da própria excelência e consequente combustão cerebral. À episcobite só resistem os homens superiores, os talentos autênticos, os génios; os que o não são... desastre certo. Há também vigairite e arciprestite, nevroses derivadas da episcobite. De tudo falaremos largamente no volume seguinte. (1052) Podem ver-se nos dois opúsculos impressos (Cartas), que Nemo dirigiu ao cardeal patriarca de Lisboa, com data de 25 de Agosto e 5 de Setembro de 1922, respectivamente de 14 e 15 páginas, in-4.º gr., e em O Semeador, 3.º ano e anteriores, onde se encontram estas manifestações da vesânia arremetente do prelado.

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da vida moderna, necessitada de andar em dia com todo o movimento social nos seus múltiplos aspectos, de onde resulta que os próprios católicos, por melhor boa vontade que tenham, precisam de ler outros jornais para bem se orientarem dos assuntos que lhes interessem. Parece fadário triste! Quando algum jornal católico progride e vai atingindo a meta desejada, surgem as vaidades grafómanas, as vaidades dos mestres orientadores, as vaidades do penacho e lá se vai tudo... Haja vista o Correio Nacional e seus sucessores e anteriormente as Novidades. Dois exemplos passados connosco bastarão para se fazer ideia do que deixamos dito. As freguesias da raia – e são muitíssimas as de Portugal – têm largo comércio com Espanha e precisam de andar em dia com as oscilações cambiais; pois longas cartas escrevemos a um jornal católico de há quarenta anos, pedindo-lhe que as indicasse e, antes de o conseguir, muitas vezes nos disseram que essas informações nada interessavam ao clero!... Os dados cronológicos são o nervo da História; mas não há levar um jornal católico a indicar num necrológio, por exemplo, o dia, mês e ano do nascimento e óbito de um indivíduo, lugares onde viveu, cargos que desempenhou, acompanhados das datas dos despachos, e o mais que pode interessar à biografia desse morto. Amontoará mil adjectivos campanudos sobre o homem; mas facto positivo, concreto, que se aproveite em condições, raro o indicará. Muitas vezes experimentámos esta triste realidade durante a coordenação das notícias para esta obra. No mais, é o mesmo, à excepção dos assuntos de carácter teológico, filosófico e mesmo social que, em regra, algumas vezes tratam magistralmente, de onde o perdermos estupidamente a maior e quase única alavanca moral do nosso tempo, capaz de impulsionar a sociedade, qual é a imprensa. Muitas vezes temos dito aos senhores dessas revistecas que tais informações são indispensáveis; que ninguém leria hoje as crónicas monásticas, a mais literatura de igual teor e todos os seus considerandos de ordem moral, se não fosse à cata das notícias históricas que trazem, sendo até fina política religiosa o aproveitamento deste veículo para insinuar sua doutrina. A nada se move o Deus hœc otia nobis fecit da peculiar preguiça. É que a compilação das notícias dá trabalho, demanda despesas e as larachas retóricas mesmo na cama se engendram, se não é que Deus dementat quos vult perdere, e lucros sem dispêndios é que se querem. Ver adiante os artigos Martins Júnior e Matos Botelho. Não nos parece que exista no clero-povo corrente antiepiscopal, nem sequer desafecta; mas, na verdade, ver-se o padre, após dez anos de estudos seminaristas – que, melhor orientados, lhe garantiam vida desafogada noutra carreira –, onde consumiu o sangue dos seus, privados muitas vezes do essencial à sua mantença, reduzido a uma freguesia pobre, e nem tão mal, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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que rende, em média, três contos de réis anuais, onde só por milagre ou prodígios de economia não morre de fome; ver-se, após uma vida afanosa, cheia de omnímodos trabalhos, exigências e obrigações, empurrado dela para fora, sem garantias de subsistência, quando se inutiliza, empurrado como caco inútil ou besta esgotada para serviço lançada ao muradal, é triste, é desoladoramente triste, bárbaro mesmo, sendo aliás fácil, pelo sistema dos montepios, sindicatos ou caixas económicas, remediar o mal. Mas não se remedeia, porque hominem non habemus; porque o clero pobre parece ser o ideal de alguns, que não sabendo conquistar corações, querem dominar pelo terror famélico. Pura ilusão! A reacção da miséria é pavorosa, e a sua obediência infrutífera, porque é inconsciente. Como exigir tantos e tão complexos serviços, sem o incentivo, não diremos do autêntico carinho paternal – que esse não chega para as fórmulas no final das cartas – mas pelo menos da estima, dedicação e trato lhano, despido de formalismos protocolares medievais, a quem vê cheio de trevas caliginosas o dia de amanhã, sem recear a sofismação dos mesmos, a reacção activa ou passiva?! Como exigir que o clero não procure, fora da sua missão, granjear meios de subsistência para a velhice?! E há pseudo-teólogos bem comidos e bem bebidos, com o futuro garantido, que, bem instalados na vida, quais insofridos Jonas à sombra da fresca olaia, pregam a vedação do trabalho manual ao padre; que barafustam contra os que procuram fugir à ardência dos raios solares, mesmo à custa desse trabalho, como se ele não fosse a incude básica da virtude, o orgulho de S. Paulo, o grande lábaro que impôs à pública consideração as ordens monásticas primitivas, como se a sua decadência não viesse depois que dele se esqueceram!... Ver-se o clero-povo privado de personalidade jurídica no direito canónico, reduzido, a bem-dizer, à triste condição de hilota ou servo de gleba, porque a seu tempo não houve quem por ele fosse – hominem non habemus. É triste muito triste! Durante o regime concordatário os governos e os seus jurisconsultos impunham o veto a certas soluções menos harmónicas com os direitos humanos, mesmo no tempo da maior piedade, como sucedeu entre nós com alguns cânones do Concílio de Trento; os oprimidos recorriam a ele quando lhe minguava justiça; e agora? – hominem non habemus. O clero-povo ainda é castigado sem processo, sem admissão de defesa sem limitação de tempo, dependendo apenas do quero, posso e mando, ciência certa e poder absoluto do bispo, sem apelação nem agravo, porque o recurso ao metropolita, nos poucos casos em que o toleram, e nunca sem rancor que jamais se extingue, determinante da irremediável desgraça do infeliz recorrente, não oferece garantias eficazes. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Falam ao clero-povo de estima, muita consideração, mas lembram-lhe logo a necessidade de guardar as distâncias, o afastamento, como aos sudras das castas indianas, e por isso, de quando em vez, estala o pavor do ameaço com as determinações postas em letra redonda, condimentado com o irritante ipso facto, como há anos trovejava um ante setenta sacerdotes que dele se iam despedir após uma semana de exercícios espirituais! É claro que, felizmente, são poucos os que assim mandam e nunca conseguem os afectos do coração, tendo portanto razão para dizerem que lhes foge a estima do seu clero; não formam um todo harmónico com os dirigidos em ordem a um plano de fomento apreciável; não conquistam a obediência livre e consciente, que dá a vitória, mas sim a hipócrita e arranjista, que trata apenas de se governar, fazendo o mínimo possível sob aparências de afeição, que desaparece mal se vêem governados, volvendo-se quase sempre em má-vontade, senão em ódio, como revindicta das opressões passadas. Em conclusão: se o episcopado quer o amor do seu clero, olhe por ele, garanta-lhe a independência diocesana, canónica e jurídica, procure remediar-lhe a precária situação, o que é facílimo – e só o não faz senão quiser; estime-o e olhe-o como irmão e não do alto da sobranceria de senhor feudal; conviva com ele fraternalmente, mas de facto e não com o irritante e deprimente Paternal afecto; dispense-lhe esses salamaleques dos ajoelhamentos e beija-mãos, que já passaram de moda e que degradam em vez de levantar; acabem com a hospedagem em casa dos párocos aquando da visita pastoral, porque, além de ser pouco moral aceitarem gasalhado em casa dos sindicados, esgotam o clero com despesas superiores à sua capacidade económica. Comam por seus dinheiros! – é o grito de todo o povo medieval contra as aposentadorias dos grandes, a cada passo exarado na documentação foralenga e similar, e o povo leigo foi atendido alfim, mas o povo-clero continua ainda debatendo-se exangue no ecúleo. Nem colhe o dizer-se que muitos empregados públicos, inspectores de serviços de aldeia em aldeia, percebem ajudas de custo, porque até há bem pouco os prelados eram remunerados principescamente, e, contudo, não prescindiam das aposentadorias e comedorias esfalfantes. Aligeirem essas visitas, suprimindo minúcias protocolares, que nada prestam, e sujeitem-se às consequências dos ossos do ofício e à mesa frugal. Dispensem de exame o clero de sessenta anos para cima, bem como das conferências eclesiásticas, porque nesta idade já não se aprende. Acabem com esse vexame de exigir, ainda para cúmulo, meios de transporte para suas pessoas, comitiva e guarda-avançada de batedores em exploração. Dispensem os de sessenta e cinco anos para cima dos Exercícios Espirituais, para evitar os desastres pouco edificantes de lá morrer um cada ano, porque nesta idade os estômagos já não estão para refeições de caldeirada. Consultem todo o clero nas medidas administrativas a tomar e não apenas os apaniguados e MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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palacianos, porque estes, em geral, são aves de arribação – comem o isco e... mercenarius autem figit. Não esqueçam a lição da história e, recentemente e localmente, a do bispo Mariz, abandonado por todos e apenas defendido com perigo de vida mesmo por quem só lhe devia más-vontades (1053). Convença-se que com vinagre não se apanham moscas; que o servilismo é incompatível com a verdadeira dedicação e que o clero representa ainda uma enorme força, capaz de prestigiar vantajosamente a classe, mas que é uma força perdida, porque nemo nos conducit, porque hominem non habemus. Na verdade, há coisas que não se compreendem a não ser pelo aforismo de Hobbes: humo, homini, lupus – parafraseado – sacerdos, sacerdoti, lupissimus. Conhecemos um bispo que era afável, lhano e risonho com os padres fora da sua diocese, e brusco, ralhador e intratável nela. Consta que a maior parte são deste teor ou, pelo menos, de aspecto carrancudo, blindados por uma couraça de noli me tangere hiperexcessiva. O falecido bispo do Porto, D. António Barroso, passava geralmente por extremamente bondoso; no entanto, o seguinte caso, que é autêntico, como nos afirmou o paciente (padre trasmontano, professor de inglês e alemão dos mais distintos do liceu do Porto, autor de alguns livros impressos), que lhe requereu licença para celebrar missa, obtendo este despacho, prova o que acima dizemos: «Informe o seu pároco àcerca do comportamento moral». «Não é conhecido», disse este. Desgostoso um pouco com a seca do pároco, que não conhecia as suas ovelhas, o requerente tencionava desistir do intento, quando, por mero desabafo acidental, referiu o caso a um amigo, que, sem ele o saber, o era também do bispo. «Estás enganado: o Barroso é um santo. Vamos lá os dois e verás», lhe disse o amigo. Foi, mais por condescendência do que por vontade própria, e mal o bispo viu o apresentante, rompeu risonho, de braços abertos: «Ó meu caro F..., por aqui! Que quer? que deseja? Em que lhe posso ser agradável?». Nisto, reparou no padre, que, modesto já de seu natural, ficara um pouco atrás, quase na sombra, e mudando rapidamente de aspecto, com ar sereno de senhor feudal, lhe perguntou em voz alta: «E V. que é que quer daqui?» «Ia para responder – disse o nosso informador – uma destas frases trasmontanas incisivas, cortantes, que, apesar de grosseiras, com laivos obscenos, dizem tudo nos momentos críticos, pelo teor da de António da Silveira no cerco de Diu – “Eu quero que V. se... e vá à... e p’ro…” – voltando-lhe as costas e retirando-me, mas o amigo não deu tempo, explicou quem eu era e o bispo, talvez vendo quão facilmente podia escapar-lhe, mudou de rumo, despachando rapidamente, sem precisar da informação do pároco». (1053) A propósito das queixas do povo contra as aposentadorias e comedorias, ver tomo I, p. 243, 257, 312 e 368; tomo III, p. 84, 108, 141, 164, 291 e 293 e vários outros destas Memórias.

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Tão rápidas mudanças virão do carácter ou do ofício, à semelhança do juiz e do comissário de polícia, inclinados a ver naturalmente um criminoso em cada acusado, ou do tal sacerdos, sacerdoti...? Como esquecer pequenos nadas, que, custando pouco, cativam muito?! Como não lembrar o gesto do bispo Feijó?!... (Ver tomo II, pág. 121, destas Memórias). O clero está obrigado a ir aos exercícios espirituais, pelo menos, de três em três anos. Para que violentá-lo a isso de dois em dois, sabendo-se que muitos não conseguem realizar economias para pagar as despesas feitas nos anteriores? Nem os exercícios pelo sistema de Santo Inácio são indispensáveis para a salvação, nem todas as almas se dão bem com eles, pois a algumas – e nem por isso deixam de ser boas –, repugnam-lhe completamente, a nada os movem, não os toleram, achando aliás prazer na leitura de outras obras espirituais, como as de Bernardes, S. Francisco de Sales e outros. Há anos havia em Bragança seis ou mais padres suspensos por uma ridicularia: um não apresentou atestado do pároco; este não o coadjuvava e aquele não fazia a catequese. Eram dignos, morigerados, categorizados e desempenhavam cargos de relevo social – advogados, professores do liceu e capelães militares aposentados. Para que não prescindir de banais formalismos protocolares, captando por gestos nobres almas que, pelo teor da sua vida, bem o mereciam (nem a classe anda tão abonada de valores mentais que possa jogar de barato os que aparecem) e não podiam prestar serviços exigíveis de modo especial ao cura de almas? Os dirigentes não se cansam de recomendar ao clero que empregue todos os meios para atrair os fiéis. Ainda há pouco o Boletim da Diocese de Bragança (1054) repetia a instância; e não estará nas mesmas condições o superior para atrair os seus irmãos no sacerdócio? Exemplum venit ab alto.

M MACEDO DE CAVALEIROS – A fim de completar a genealogia apontada na pág. 718 do tomo VI, aditamos mais o seguinte: Bernardino José da Costa Borges e Oliveira teve de sua mulher D. Josefa Rosa de Miranda: 1 – D. Cândida Augusta de Oliveira Miranda, que casou com o doutor José Felizardo Rodrigues de Sousa,juiz de direito. Deixaram os seguintes filhos: I – D. Maria Leopoldina de Oliveira e Sousa, casada com o doutor Amadeu Américo de Magalhães Cardoso, médico municipal em Macedo de (1054) Segundo ano, 1930, p. 143.

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Cavaleiros (ver pág. 76), de quem há os filhos: Alberto de Sousa Cardoso, D. Lígia da Conceição de Sousa Cardoso e Manuel José de Sousa Cardoso. II – D. Beatriz Amélia de Oliveira e Sousa, D. Adozinda Josefa de Oliveira e Sousa, Abel Tomás de Oliveira e Sousa (que morreu delegado do Ministério Público), D. Clotilde Cândida de Oliveira e Sousa, que casou com seu primo Albano Augusto Pereira de Oliveira (ver pág. 718, tomo VI, destas Memórias, onde damos a sua genealogia) e D. Aurora Margarida de Oliveira e Sousa, que casou com o doutor Frederico Agostinho de Mesquita Falcão Machado, de Ala, concelho de Macedo de Cavaleiros, de quem tem os filhos: D. Maria Elisa Isabel, D. Maria Adriana de Nazaré, Adriano José, Henrique e António. 2 – D. Ana Maria de Oliveira Miranda, que casou com Rufino Augusto Pereira, de Vale de Asnes, concelho de Mirandela, residentes em Vale Benfeito, concelho de Macedo de Cavaleiros, na casa brasonada de que falámos no tomo VI, pág. 778, destas Memórias, de quem houve os seguintes filhos: I – Albano Augusto Pereira de Oliveira, que casou com sua prima D. Clotilde Cândida de Oliveira e Sousa, como fica dito. II – Carlos Alberto Pereira de Oliveira, que casou com D. Maria Zélia Vaz de Morais de Abreu, professora primária em Vale Benfeito, irmã de João José Vaz de Morais de Abreu e Sarmento (ver pág. 349 deste tomo). III – José Manuel Pereira de Oliveira e mais António Bernardino Pereira de Oliveira, João Albertino Pereira de Oliveira, tenente do exército falecido em África, e D. Cândida Beatriz Leopoldina Pereira de Oliveira. 3 – José Manuel de Oliveira Miranda, que casou com D. Maria das Dores Lopes, natural da freguesia do Brinço, sem descendência. Damos mais as seguintes notícias respeitantes a indivíduos de Macedo de Cavaleiros, pertencentes talvez a ascendentes desta família: João Bernardo de Oliveira Sarmento, natural de Macedo de Cavaleiros, doutor em cânones e direito civil pela Universidade de Coimbra, onde se formou a 28 de Julho de 1753 (cavaleiro professo do hábito de Cristo em 1766, o qual lhe foi lançado em Tomar), filho de José da Costa Macedo (1055). El-rei D. Pedro fez mercê a 17 de Julho de 1697 a D. Ana Sarmento de Morais, em atenção aos seus serviços como dama da câmara da rainha por espaço de nove anos, da tença de 40$000 réis para sua sobrinha D. Ana de Sá (1056). El-rei D. José por carta régia de 30 de Abril de 1760 fez mercê a Fernando Lobo de Mesquita Pimentel, filho de outro indivíduo do mesmo nome, e

(1055) A carta de formatura, ricamente iluminada, em pergaminho, encontra-se em poder do doutor Amadeu Américo de Magalhães Cardoso, de Macedo de Cavaleiros, atrás citado. (1056) A respectiva carta régia, também em pergaminho, encontra-se em poder do mesmo doutor Amadeu.

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natural da cidade de Elvas, em atenção aos seus serviços militares durante dezasseis anos e aos de seu pai, do hábito de Cristo com 40$000 réis de tença, permitindo-lhe renunciá-la em Luís Carlos de Oliveira Sarmento (1057). José Frz. Costa Macedo, bacharel, filho de Gonçalo Frz. de Macedo, natural de Macedo de Cavaleiros, em atenção aos seus serviços de corregedor das comarcas de Miranda e Moncorvo, obteve mercê do hábito de Cristo com a tença do 12$000 réis anuais e mais 8$000 para sua filha D. Isabel Maria Josefa de Oliveira e Sá Morais, por carta régia de 6 de Abril de 1724 (1058). Bento de Morais Sarmento, em atenção aos seus serviços militares, foi promovido a mestre-de-campo por carta régia de 12 de Dezembro de 1705 (1059). MANUSCRITOS – Escambo porque el-rei D. Sancho 1.º houve a vila de Vimioso, em termo de Miranda, pela herdade de Cernadela, em Ledra, com declaração dos termos por onde parte – 1186 (era 1224): «In nomine domini nostri iesu christi amen. Ego Sancius dei gracia portugalensis Rex simul cum uxore mea Regina D. cum filiis et filiabus meis, facio cartam cambitionis et firmitudinis tibi Roderico bufino de hereditate mea quam habeo in laedra hereditas scilicet que vocatur Cernadela, cum suis terminis nouis et ueteribus termini scilicet prout mihi dictum est qualiter dividit cum bragancia, per locum qui dicitur Sãuxo qui est inter bornes et cernedela, et qualiter diuidit per sumitatem montis de Auiados aquis vertentibus cum piõ uõ (1060) et qualiter diuidit cum sesulfi et cum corrientem de vides, et qualiter diuidit per portelam de romeu, et qualiter diuidit cum casalibus per locum qui dicitur miratorium et qualiter diuidit cum valle de asinis per uiam que uadit ad Laedram do tibi istam hereditatem superius nominatam pro tua villa de uimeoso que est in termino de miranda sub territorio de meo Castello de ulgoso, cum suis terminis, scilicet novis et ueteribus per ubi illos melius potuero inuenire (1061), vendere autem uel impignorare uel donare cui uolueris. Habeas tu igitur et omnis posteritas tua illam hereditatem concessam a me et ab omnibus illis qui sunt ex parte me pro secula seculorum. Igitur si aliquis uenerit quod non credo tam de profinquis quam de extraneis qui hoc meum factum ad dirrumpendum uenerit uel frangere uoluerit sit maledictus et excommunicatus et cum iuda in inferno damnatus et quantum petierit pariat in dupplo et insuper sex mille solidos altri parti. Facta carta cambitionis IIIJ.º idus Septembris sub Era M.a CC.a XX.a IIIJ.a (1057) Ibidem. (1058) Ibidem. (1059) Ibidem. (1060) Pino Vero (Pinho Vello). Nota do autor. (1061) Parece faltar aqui alguma cláusula no texto. Idem.

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Ego predictus Rex Sancius cum uxore mea regina dona D. et meis filiis et filiabus qui hanc cartam cambitionis jussi facere tibi roderico bufino superius nominato eam propriis manibus roboro et confirmo. Testes autem Domnus Martinus fernandi maiordomus curie domini Regis Sancii confirmat. Domnus Johannes fernandi signifer confirmat. Domnus Gondisaluus menendi confirmat. Domnus Alfonsus ermigii confirmat. Domnus Martinus petri confirmat. Domnus Garsia menendi confirmat. Domnus Pontius alfonsi testis. Domnus Rodericus menendi testis. Domnus Fernandus fernandi confirmat. Domnus Pelagius Gomecii testis. In bracara archiepiscopus Martinus confirmat. Dante apud Colimbriam iiij idus Septembris per donum Juilanum cancellarium domini Regis» (1062). Para facilitar as pesquisas dos investigadores bragançanos, damos a seguir a lista dos manuscritos de que temos conhecimento. Os de n.os 1 a 30 estão na Biblioteca Nacional de Lisboa, Secção XIII – Manuscritos, conforme indica a publicação oficial de 1896. 1 – JOSÉ BOTELHO DE MATOS e outros – Documentos vários para a História eclesiástica do bispado de Miranda. Originais e cópias do século XVIII. Coligidos para trabalhos da Academia Real da História Portuguesa. 1 vol. in-fólio de 122 págs. Nº 154 (A. 4-22). 2 – Notícias geográficas e históricas da Província de Trás-os-Montes – 1722-1723. Originais. São cartas e notas remetidas a D. Jerónimo Contador de Argote, a D. Manuel Caetano de Sousa e a outros por Tomé de Távora e Abreu, secretário do governo das armas de Trás-os-Montes; e por Pedro de Fontoura Carneiro, abade de Bouçoães. Com desenhos de lápides e inscrições. 1 vol. in-fólio de 137 págs. Nº 221 (A. 6-7). Ver Hübner, Notícias Arqueológicas de Portugal, pág. 87. 3 – TOMÉ DE TÁVORA E ABREU – Cartas acerca da geografia e da história de Chaves – 1722-1723. Originais, com desenhos à pena e inscrições. Nº 221 (A. 6-7) a folhas 1. 4 – Padre PEDRO DA FONTOURA CARNEIRO – Notícias da vila de Chaves – 1721. Originais. A fólio 130 do nº 221 (A. 6-7). Hübner, na obra atrás citada, pág. 97, dá-lhe o nome de João Carneiro de Morais e Castro de Fontoura. 5 – ANTÓNIO VELOSO DE CARVALHO – Memórias da Torre de Moncorvo, mandadas fazer pela câmara da dita vila – 1721. Original. A fólio 128 do nº 222 (A. 6-8). 6 – Miranda, mira e anda; leva o pão na manga, e o vinho na borracha, (1062) Chancelaria de D. Afonso III, livro II, fólio 70 v. Também está copiado no Livro 2 de Direitos Reais, fólio 283.

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que lá não se acha. Mirandela, mira além e guarte dela (Anexins populares). Letra de D. Manuel Caetano de Sousa. A fólio 4 do nº 489 (B. 8-2). 7 – Manifesto do governo provisório de Bragança acerca dos direitos de D. Miguel ao trono de Portugal – 1826. Análise deste diptoma. Manifesto do Marquês de Resende e Visconde de Itabaiana, publicado em Londres contra D. Miguel. Simples notícia; cópia da época. A fólio 41, 28 v. do nº 597 (B. 9-45). 8 – Bispos de Miranda e Bragança, desde D. Francisco de Oliveira até D. Bernardo Pinto Ribeiro Seixas (1700 a 1773). Notícias biográficas incluídas na Hist. eclesiástica do país bracarense. Cópia moderna. A fólio 20 do nº 682 (B. 11-12). 9 – Academia Real da História Portuguesa. Notícia de documentos remetidos à Academia e dos empréstimos desses documentos. Sem título. Começa em data de 1721. Os volumes têm os seguintes rótulos exteriores: «Empregos diversos», «Algarve», «Braga», «Coimbra», «Elvas», «Évora», «Guarda», «Lamego», «MIRANDA», «Viseu» e «Ultramar». Registos originais. Onze volumes in-fólio, n.os 698 a 708 (B. 11-28 a 38). 10 – Inquisição de Coimbra. João Carvalho, da cidade de Bragança, preso por engano, mandado soltar. Coimbra, Maio de 1713. Consulta resolvida a favor. Duas peças originais. Vem nos fólios 211 e 212 do nº 729 (B. 12-12). 11 – MANUEL CAMELO DE MORAIS – Carta aos Inquisidores de Coimbra, sobre expediente de serviços da Inquisição. Bragança, Março de 1713. Original autógrafo. Vem a fólio 212 do nº 729 (B. 12-12). 12 – Inquisição de Coimbra. Manuel Lopes da Paz, de Chacim, preso, com sequestro de bens, por engano de nome, mandado soltar. Coimbra, Setembro de 1716. Consulta e informações. Quatro peças originais. Vem nos fólios 213 a 216 do nº 729 (B. 12-12). 13 – Escritura de concórdia entre os Templários e os moradores da vila do Mogadouro, sobre os dízimos que haviam de pagar. Era 1261 (ano de Cristo 1223). Texto latino. Cópia do século XVI. Está a fólio 301 do nº 736 (B. 12-19). 14 – Doação feita aos Templários por el-rei D. Dinis do padroado das igrejas de S. Mamede do Mogadouro e Santa Maria de Penas Roias, com suas capelas e ermidas. Era 1335 (ano de Cristo 1297). Cópia do século XVI. A fólio 302 do nº 736 (B. 12-19). 15 – Povos (igreja de). Sentença do juiz apostólico, anulando por simoníaca a troca da igreja de Povos pelas igrejas do Mogadouro, Penas Roias e Bemposta, negócio feito por D. Afonso V com a Ordem de Cristo, e anulado por bula pontifícia, impetrada pelo mesmo rei. Publicada a sentença em 11 de Janeiro de 1457. Texto português, com sumário explicativo. Insere o traslado da bula. Cópia do século XVI. A fólio 303 do nº 736 (B. 12-19). 16 – Bula do papa Calisto, impetrada por el-rei D. Afonso V, para anulação da troca da igreja de Povos pelas do Mogadouro, Penas Roias e Bemposta, feita entre a coroa e a Ordem de Cristo. Dada em Roma, 1455. Texto MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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latino, incluso na sentença do juiz apostólico de 11 de Janeiro de 1457. Cópia do século XVI. A fólio 303 v. do nº 736 (B. 12-19). 17 – Carta de composição entre os Templários e o arcebispo de Braga sobre uma parte dos direitos episcopais das igrejas do Mogadouro e Penas Roias e a ermida de Santa Maria de Azinhoso. Feita em Santarém, em Outubro da era de 1301 (ano de Cristo 1263). Texto latino, sumário em português. Cópia do século XVI. A fólio 307 v. do nº 736 (B. 12-19). 18 – Sentença do Bispo de Zamora, julgando à posse dos Templários os dízimos do Mogadouro e Penas Roias. Dada em Zamora, na era de 1292 (ano de Cristo 1254). Texto galego? Cópia do século XVI. A fólio 309 do nº 736 (B. 12-19). 19 – Carta de concerto e pacto entre os Templários do Mogadouro e Penas Roias e o concelho de Fermoselhe de Castela, em vista de danos e injúrias recíprocas, para que dali não venham sem licença a pascer gados, cortar madeiras, etc. Sem data. Texto português. Cópia do século XVI. A fólio 309 v. do nº 736 (B. 12-19). 20 – Carta de concórdia entre os Templários e a Ordem de Malta, sobre direitos eclesiásticos e seculares de Vila Chã (vila plana Braciosa) e Natanor (Atenor) em Miranda; e Trancoso, Casais de Vila Nova, de Monte Redondo e de Tabuaço. Feita em Coimbra, na era de 1268 (ano de Cristo 1230). Memorial das coisas determinadas por esta concordata, em que se cita: Vila Chã, Atenor, Algoso, Penas Roias, Paradela, S. Tiago de Alariz, Pamos, Maria Ramires, Vila Cira, Castelo Branco, Anundula, Ródão, Belver, etc. Na mesma data (ano de Cristo 1230). Textos latinos, sumários em português. Cópia do século XVI. A fólio 310-311 v. do nº 736 (B. 12-19). 21 – Natanor (Atenor). Carta de venda da herdade de Natanor (Atenor) aos Templários, feita por Fernão Melendi e Tareja Melendi. Era 1268 (ano de Cristo 1230). Cópia do século XVI. A fólio 312 v. do nº 736 (B. 12-19). 22 – Doação feita aos Templários por Dona Fruile Hermigues, de vários bens em Santa Marinha da Pedreira, Santa Ovaia, Cinfães, Louredo perto de Caldas de Aregos e Caldas, Ruvais, Caria, Toutão de Susão, Faia, Freande, Uldrãos, Novaclos, Carrazedo, Santa Maria de Cimares, Avarenta, Frechas, terra de Bragança, Montenegro, Ledra, etc. Feita em Fonte Arcada, na era de 1277 (ano de Cristo 1239). Traslado incluso em um instrumento de pública forma feito em Lisboa na era de 1318 (ano de Cristo 1280). Texto latino, sumário em português. Cópia do século XVI. A fólio 315 do nº 736 (B. 12-19). 23 – Ordem de Cristo (comendas ou preceptorias novas). Processo executorial feito pelo Bispo do Funchal, para cumprimento de um breve dirigido por Leão X a el-rei D. Manuel, para atenuação e modificação da taxa imposta a certas igrejas para rendimento das novas preceptorias. São substituídas as igrejas de Mosteiro do Vandoma, Santa Marinha de Zêzere, SanMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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tiago de Bemposta, Mirandela, Santa Maria de Alvito, Santa Maria de Alter, pelas de Castro Roupal, Infames, Rivas, Basto, S. Cristóvão da Nogueira, Aurriande de Lamego, S. Cosme da Maia. Feito em Lisboa, no ano de 1517. Insere traslado do respectivo breve, dado em 1516, e carta de el-rei D. Manuel, do ano 1517, para sua execução. Texto latino, sumário e carta em português. Cópia do século XVI. A fólio 112 v. do nº 737 (B. 12-20). 24 – Casa de Bragança. Lista das igrejas que o duque D. Diogo nomeou para comendas novas da Ordem de Cristo: Parada, Babe, Rabal, Macedo de Cavaleiros, Carragosa, Moreiras, Santa Locaia, S. Pedro da Veiga de Lila, Montalegre, Morilhe, Biade, Fiães, Vilar de Vacas, Antime, S. Salvador de Elvas, Santa Maria de Monsaraz, S. Pedro, Caridade, S. Marcos, Santiago de Monsaraz, Santa Maria de Orada, Santa Maria das Vidigueiras, S. Romão, S. D. (1516-1519). Seguem-se documentos do mesmo assunto. Cópia do século XVI. A fólio 158 v. do nº 737 (B. 12-20). 25 – Ordem de Cristo (comendas da Casa de Bragança). Carta de el-rei D. Sebastião, aprovando que da comenda de S. Bartolomeu de Rabal, no bispado de Miranda, se fizessem sete comendas (S. Bartolomeu, S. Lourenço, Santa Olaia, Santa Maria, S. Lourenço da Pedisqueira, S. Vicente de Gradamil, S. José), conforme as condições da divisão feita pelo duque D. Teodósio, em obediência a uma bula do Papa. Lisboa, 20 de Setembro de 1557. Cópia de século XVI. A fólio 167 do nº 737 (B. 12-20). 26 – Ordem de Cristo (comendas da Casa de Bragança). Carta de el-rei D. Sebastião, aprovando que a comenda de S. Pedro de Babe fosse dividida em duas (S. Pedro de Babe, N. Senhora de Gimonde), como pedira o duque D. Teodósio, em obediência a uma bula do Papa. Lisboa, 4 de Maio de 1561. Cópia do século XVII. A fólio 172 v. do nº 737 (B. 12-20). 27 – Prontuário das Terras de Portugal, com declaração das comarcas a que tocam. 1689. Ms. da Torre do Tombo. 28 – Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves pelos anos de 1320 e 1321, com a lotação de cada uma delas. 1746. Ms. «Colecção Pombalina», na Biblioteca Nacional de Lisboa. Códice nº 179. 29 – Itinerário da jornada que fez o sr. Manuel Severim de Faria, chantre e cónego da Sé de Évora, a Miranda, no ano de 1609. 30 – ANTÓNIO COELHO GASCO – Antiquário discurso dedicado ao arcebispo de Braga D. Rodrigo da Cunha. Manuscrito da Biblioteca de Coimbra (X 601, f. 100 a 120). Vem assim citado por Hübner nas Notícias Arqueológicas de Portugal, pág. 87, onde diz que trata das inscrições de Trás-os-Montes. Os manuscritos que seguem, desde 31 a 42, estão na Torre do Tombo, conforme indica o inventário feito em 1776. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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DEMARCAÇÕES E TOMBOS

31 – Das Plantas das Fortalezas do Extremo deste Reino. Um livro. 32 – Dos bens confiscados aos judeus pelo Sr. Rei D. Manuel. Um livro. 33 – Do lugar de Portelo, termo de Bragança. Um livro.

FORAIS

34 – Forais de Trás-os-Montes, em leitura nova. Um livro.

EXTRACTOS DOS RENDIMENTOS DE VÁRIAS ALFÂNDEGAS

35 – Dos portos de Trás-os-Montes. Dois maços e nove documentos. Nota – Além destes documentos, há vários outros compreendidos debaixo dos títulos de «Inquirições», «Chancelarias e doações», «Perdões e legitimações», «Privilégios», «Capelas e morgados», «Armário jesuítico», «Aclamações» e «Cartas», que abrangem os capítulos tanto gerais do país como particulares das cidades, que interessam à região bragançana. 36 – Livro do Tombo das demarcações dos lugares das comarcas de Trás-os-Montes e de Entre Douro e Minho que estão ao longo da raia, extremo de Castela e Galiza. Dois livros. Estes livros trazem, na região pertencente ao distrito de Bragança, as demarcações das seguintes vilas: Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Bemposta, Algoso, Miranda, Vimioso, Outeiro, Bragança, Vinhais, Vilar Seco de Lomba e Monforte de Rio Livre. 37 – Tombo da comarca e moradores de Trás-os-Montes. 38 – Vários documentos pertencentes à Sé de Braga, que entraram em 1890, e outros vindos depois de 1910 referentes aos conventos de S. Bento, Santa Clara de Bragança, Santa Clara de Vinhais e Santíssima Trindade da Lousa, concelho de Moncorvo. 39 – Vilar Seco de Lomba. No índice de D. Dinis há uma carta de escambo da aldeia de Vilar Seco de Lomba entre el-rei e a ordem de Malta pela sua igreja, dízimos, etc. 40 – Composição entre a ordem do Templo e o arcebispo de Braga, para que este tenha uma só procuração das igrejas do Mogadouro e Penas Roias. Fevereiro de 1227. 41 – Carta de mercê de herdades no termo de Vila Flor a João Fernandes e outros, e outra Carta para feira mensal na referida vila. Estes documentos estão na «Chancelaria de D. Dinis». 42 – Aforamento do comendador do Mogadouro de meio lugar de Vilar de Coelhoso aos moradores dele, a 2 de Fevereiro de 1256. Convenção entre MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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o comendador e Lopo Fernandes sobre fazendas. Dezembro de 1259. Sentença a favor do comendador do Mogadouro e Penas Roias contra os concelhos dos mesmos lugares sobre os dízimos que hão-de pagar dos moinhos, leite, lã e outras coisas. 1 de Agosto de 1254. Estão nas «Gavetas». Os que abaixo mencionamos até ao nº 129 estão no Arquivo Distrital de Braga – Documentos avulsos (1063): 43 – Carta régia de D. Afonso III reconhecendo que a igreja de Ansiães é do concelho. 28 de Dezembro de 1271. 44 – Concórdia entre o arcebispo de Braga, D. Telo, e o abade de Castro de Avelãs, Pedro Sanches, sobre padroados de igrejas. 8 de Outubro de 1285. 45 – Carta régia de D. Dinis para o tabelião de Mirandela dizer aos juízes e povoador que não alterem as divisões das terras que ali tem o mosteiro de Bouro. 27 de Março de 1286. Instrumento de intimação da carta anterior feito pelo tabelião de Ledra. 2 de Outubro de 1287. 46 – Carta do arcebispo de Braga D. Telo confessando-se devedor a João Peres Março, mercador de Bragança, de certas quantias, obrigando-se ao pagamento delas pelas rendas de Bragança, Miranda, Lampaças, Freixo, Vilariça, Ansiães e Panóias. Foi feita em Bragança, onde estava o arcebispo, a 23 de Janeiro de 1292. 47 – Composição entre Martinho Peres e Francisco Peres sobre uma nova igreja em Alfândega. 5 de Março de 1295. 48 – Sentença contra o concelho de Ansiães a favor do arcebispo de Braga sobre umas barcas no rio Tua. 13 de Maio de 1297. 49 – Instrumento em que o abade de Castro de Avelãs larga o governo e administração do mosteiro ao arcebispo de Braga, D. Fernando da Guerra. 12 de Março de 1433. 50 – Sujeição ao arcebispo de Braga dos moradores de Pinelo, terra de Miranda. Outubro de 1434. 51 – Obrigação à fábrica da capela do Espírito Santo da vila de Ansiães. 5 de Maio de 1536. 52 – Idem por Afonso Vaz, o Velho. 22 de Maio de 1536. 53 – Idem para a fábrica de S. Sebastião de Miranda do Douro. Ano de 1536. 54 – Idem à fábrica de S. Tiago de Bragança. 25 de Maio de 1536. 55 – Idem à fábrica de S. Sebastião de Donai, termo de Bragança. 10 de Novembro de 1536. 56 – Idem a Nossa Senhora da Conceição, termo de Bragança. 15 de Fevereiro de 1537. 57 – Sentença sobre direitos reais contra os moradores de Genísio, termo de Miranda. 3 de Agosto de 1537. (1063) Ao bom amigo doutor Alberto Feio, ilustre conservador deste arquivo, agradecemos as informações para este artigo.

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58 – Vedoria para se ordenar a fábrica de Santa Maria de Cabeço de Pereiro, em Vimioso. 28 de Janeiro de 1538. 59 – Licença para uma capela em Mogadouro. 11 de Maio de 1538. 60 – Obrigação e doação dos moradores de Peredo, termo de Castro Vicente, para a capela da Assunção. 18 de Junho de 1564. 61 – Obrigação à ermida de Freixiel. 7 de Julho de 1565. 62 – Auto de desmembração das igrejas de Urrós e Peredo. 10 de Junho de 1566. 63 – Concórdia sobre a divisão dos padroados de Urrós, Peredo e Maçores. 3 de Julho de 1566. 64 – Inquirição sobre o procedimento de Francisco de S. Paio, alcaide-mor de Moncorvo, quando «foi mandado fazer gente de guerra». 6 de Agosto de 1590. Os documentos seguintes, pertencentes também ao mesmo Arquivo Distrital de Braga, estão registados na íntegra: 65 – Abreiro. Capela do Espírito Santo (1640). 66 – Adeganha. Tombos de 1543 e 1601. 67 – Agrobom. Tombo da freguesia em 1592. 68 – Alfândega da Fé. Tombo de 1542; obrigações às capelas de S. Francisco (1604), Senhora da Conceição (1637), Divino Espírito Santo (1661), S. Gonçalo e S. Diogo (1712) e instituição da capela da Conceição (1684). 69 – Beira Grande. Capela do Santíssimo (1751). 70 – Brunhoso. Altar das Almas (1651). 71 – Burga. Capela de Santa Cruz (1604). 72 – Cabeça Boa, concelho de Moncorvo. Capela da Senhora do Rosário (1599). 73 – Cabeça de Mouro. Capelas de Santo António (1725) e Santíssimo (1675). 74 – Cardanha. Capela do Santíssimo (1730). 75 – Carrazeda de Ansiães. Capela do Rosário (1675). 76 – Carvalho de Egas. Capela do Santíssimo (1761). 77 – Carviçais. Capelas da Senhora dos Anjos, na quinta de Carviçais (1730) e Santa Cruz (1574). 78 – Castanheiro. Capelas do Bom-Jesus (1757) e de S. Tomé (1563). 79 – Castedo. Capela da Senhora de Guadalupe (1591). 80 – Castelo Branco, concelho do Mogadouro. Tombo de 1513, tombo da comenda de 1592, capelas de Santa Cruz (1586), de S. João Baptista (1625), da Senhora da Conceição (1812), de Santo António (1594), de S. Miguel (idem) e do Espírito Santo (idem). MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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81 – Coboso. Capela do Espírito Santo (1556). 82 – Estevais, concelho do Mogadouro. Capelas de S. Caetano (1732) e de Santa Vera Cruz (1595). 83 – Estevais, concelho de Moncorvo. Capelas do Santíssimo (1663) e de Santo António (1661). 84 – Franco. Capela de Santa Bárbara (1661-63). 85 – Freixo de Espada à Cinta. Tombo do benefício do arcebispo de Lisboa D. Miguel de Castro (1518); tombo do benefício de Sebastião da C. Mesquita (1518); tombo do benefício de Simão de Miranda (1518); capelas de Nossa Senhora do Desterro (1661), na igreja matriz (1611), Santa Vera Cruz (1574, 1606 e 1609) e Nossa Senhora das Flores (1611); composição entre a câmara e os moradores de S. Pedro para a fábrica da igreja do lugar (1609); idêntica com os moradores de Fornos (1609). 86 – Gebelim. Obrigações às capelas de S. Bernardino (1778) e Senhora do Rosário (1609). 87 – Gouveia. Capela da Senhora do Rosário (1594). 88 – Lagoaça. Capelas de Santo António (1646), do Espírito Santo (1604) e de S. Sebastião (1592); estatutos da confraria de Vera Cruz (1592). 89 – Lamas de Orelhão. Tombo de 1519; capelas de Santa Cruz (1563), de Nossa Senhora (1646) e de Nossa Senhora do Amparo (1609). 90 – Lodões. Capela da Senhora do Rosário (1594). 91 – Maçores. Tombo de 1760; capela de Santa Vera Cruz (1591). 92 – Marzagão. Capela da Conceição (morgado) 1750; capela da Senhora da Conceição (1609). 93 – Meirinhos. Capela de Nossa Senhora da quinta da Torre Velha (1592). 94 – Mogadouro. Tombo de 1532; capelas do Espírito Santo (1604), S. João (1591) e Senhora da Conceição (1591). 95 – Moncorvo. Tombos de 1548 e 1718; provisão do comendador da vila, D. Bernardino de Meneses, sobre a fábrica da igreja (1591); capelas da cadeia (1651), de Nossa Senhora da Conceição (1651), do Nome de Jesus (1747), do Coração de Jesus (1755), de Santa Bárbara (1745) e de S. Nicolau (1673). 96 – Mourão. Capelas do Santíssimo (1745), de Santa Bárbara (1651) e de S. João (1608). 97 – Nabo. Capelas da Senhora da Conceição (1783) e da Senhora do Rosário (1590). 98 – Parambos. Capela do Santíssimo (1649). 99 – Peredo dos Castelhanos. Tombo de 1760. 100 – Pinhal. Capela do Santíssimo (1663). 101 – Podence. Tombo de 1533. 102 – Pombal. Capela do Santíssimo (1728). 103 – Quintela de Lampaças. Tombo de 1541. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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104 – Riba Longa. Capelas do Santíssimo (1682) e de Santa Bárbara (1760). 105 – Roios. Capelas da Senhora da Graça (1736), da quinta de Vila Nova (1786) e de S. Ciríaco (1573). 106 – Saldonha. Capela da Senhora do Rosário (1589). 107 – Salsas. Capela de S. Geraldo (1543). 108 – Sambade. Tombo de 1548. 109 – Seixo de Ansiães. Capela do Espírito Santo (1589). 110 – Seixo de Manhoses. Capelas de Santo António (1661) e de Santa Bárbara (1544). 111 – Selores. Capela da Senhora na Anunciação (1617). 112 – Sendim da Ribeira. Capela da Senhora do Rosário (1594). 113 – Sendim da Serra. Capelas de Nossa Senhora de Jerusalém (1591) e de S. Paulo (1673). 114 – Soeima. Tombo de 1766. 115 – Suçães. Capela de Santa Ana (1661). 116 – Urrós. Tombos de 1519 e 1718. 117 – Vale da Madre. Capela da Senhora do Rosário (1591). 118 – Vale Pereiro. Capela da Senhora do Rosário (1588); estatutos da confraria de 1594. 119 – Valverde. Capelas da Senhora da Conceição (1590) e da Senhora do Rosário (1594). 120 – Valverde. Capelas na Senhora da Conceição (1590) e de S. Bernardino (1586). 121 – Ventozelo. Capela de Santo António (1646). 122 – Vila Flor. Tombo de 1509; capelas de S. José (1661), de S. Gonçalo (1624), de S. Domingos (1737), da Senhora da Agonia (1768) e de S. Martinho (1589). 123 – Vilar Chão. Capela da Senhora do Rosário (1592). 124 – Vilar Seco. Tombo de 1540. 125 – Vilares da Vilariça. Capelas de S. Roque (1617), de S. Francisco (1661) e de Nossa Senhora da Conceição (1736). 126 – Vilarinho das Azenhas. Capelas da Senhora do Rosário (1597), de Santa Cruz (1604) e das Onze Mil Virgens (1673). 127 – Vilarinho da Castanheira. Tombo de 1590; capelas de Santa Luzia (1766), da Senhora da Fé (1718), de S. Bartolomeu (1656) e de Santo António, na quinta de Cauquinho (1597). 128 – Vinhais. Tombo de 1540 e capela do Espírito Santo (1553 e 1570). 129 – Zedes. Capela de S. Roque (1611). FERREIRA (Padre PASCOAL) – Nasceu em Peredo dos Castelhanos, concelho de Moncorvo, a 2 de Abril de 1640 e aí faleceu em 1720. Era filho de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Francisco Ferreira e de Maria Garcia. Celebrou a primeira missa em 1664, foi pároco da sua terra em 1676, de Outeiro Seco, concelho de Chaves, desde 1692 até 1700 (onde começou a escrever o Livro de Rezam abaixo mencionado) e confessor durante cinco anos e meio das freiras do convento de Moimenta da Beira desde 1686. Escreveu as seguintes obras, que ficaram manuscritas: 130 – Livro de Rezam do Padre / Paschoal Ferreira / Vigairo de S. Migel (sic) / de Outeiro / Seco / termo de Chaves, e natural do lugar do / Peredo dos Castelhanos termo da Torre / de moncorvo do Arcebispado / de Braga Primaz. Fólio pequeno de 239 folhas, paginadas de frente (sabemos que na realidade só tem 227, como o autor advertiu no fólio final) (1064). Este códice é muito interessante: contém várias notas pessoais do autor, notícias genealógicas da sua família, com outras de interesse local pelo grande número de pessoas (presbíteros) que aponta e cargos que desempenharam; práticas religiosas; sermões; notícias históricas referentes às guerras que houve no seu tempo (a da Aclamação – 1640-1668 – e a da Sucessão – 1703-1713), etc., etc. Nos fólios 48 e 111, fazendo o autor a resenha das obras que escreveu e dos autores de onde as tirou, aponta mais as seguintes: Pasto Espiritual para a alma devota, «quero que fique ao convento de freiras de Moimenta da Beira». 131 – Santidade sacerdotal. Tirado de frei António Cartuxo. Este dei ao P.e José Luís Ramalho de Vila Nova [de Foz Côa?]. 132 – Tratado da Oração mental. Tirado de frei Luís de Granada. Dei este livro ao R.do P.e António Gomes Ermitão de S. Paulo na serra de S. Bento. 133 – Pasto Espiritual para a alma devota. Este tirei de S. Francisco de Sales, e outros graves Autores. Tem trezentos e oitenta capítulos, que tratam de toda a matéria espiritual. Este dei às freiras de Moimenta da Beira. 134 – Carta de Cristo à Alma Devota. Este dei a Dona Maria de Vasconcelos da Torre, hoje Abadessa do convento de S. Bento em Moimenta da Beira. Tirado de Dom João Lampérgio Doutor, e mestre da Cartuxa. 135 – Vida perfeita na presença de Deus. Este dei a Dona Isabel Loba Religiosa de S. Bento em Moimenta da Beira. 136 – Retiro de vãs conversações, e conveniência do convento de Moimenta. Este dei à Dona Maria de Távora religiosa em o dito convento, para se ler no Refeitório.

(1064) Pertence ao reverendo José Augusto Tavares, abade de Carviçais, concelho de Moncorvo.

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137 – Caminho da perfeição. Este dei à Serafina do Céu Regente do Recolhimento de S. Nicolau da Torre de m.º 138 – Princípio do Recolhimento das Religiosas da Torre de m.º [Moncorvo?]. 139 – Tratado do Santíssimo Sacramento. Este livro dei a Cecília da Trindade instituidora e Regente do Recolhimento das Religiosas de Fonseca, ao pé de São Martinho de Mouros. «Escrevi tres tratados manuaes, hum para os officios da Semana Sancta de letra grande. Outro, Preparação para antes, e depois da missa, com as Orações do missal. Outro, que dei ao Pe. Domingos Fernandes, sacristam da Torre, com as mesmas orações, e officio dos Defunctos. E outro Tratado escrevi dos Exorcismos contra maleficios que dei ao R.d Pe. Antonio Gomes Ermitão da Serra de S. Bento; E outro, que tirei do Castro para bem morrer». São do mesmo Livro de Rezam as seguintes notícias: «As desejadas pazes deste Reino com o Reino de Castella se celebraram em os nove dias do mes de fevereiro de mil e seis centos e sesenta e outo annos 1668. Esta solénidade se festejou com grandes applausos em todos os Reinos de Castella, e Portugal. Em especial na villa da Torre de moncorvo em os desenove dias de março de mil e seis centos e sesenta e outo annos, em dia de S. Joseph com a maior solénidade que se fes nestes tempos na mesma villa». «Em os doze dias do mes de julho de 1713 se apregoaram as pazes deste Reino com Castella, e França a som de tambor em a villa da Torre de mencorvo, e se festejaram com grande festa e porcissam em o Domingo seguinte, em os deseseis dias do dito mes de julho, e neste lugar do Peredo se fizeram muitas danças, com missas cantadas em Acçam de graça a Deus, que foi servido darnos estas pazes... E se confirmaram este anno de mil e sette centos e quinze, e dia de S. Joam, athé dia de S. Pedro se festejáram com grandes festas, comedias, Procissão geral, com huma dança de cada lugar do termo». Idem, fólio 60 v. «Em os outo dias de julho de 1706 o inimigo castelhano tomou a praça de Miranda do Douro! e logo por nossos peccados vejo á Torre de moncorvo, queimou o barco, e lançou fogo á barca do Douro: acudio a gente de Villanova, e com as ballas fez retirar o inimigo da lauagem do douro, e acudiram alguns homens de Villanova, passando o rio a nado apagáram o fogo da barca com agua, e com hum pedaço queimado da mesma barca, a passaram pera a parte de Villa nova. Mataram tres castelhanos; hum logo ali ficou morto, e dous foram morrer no caminho da Torre, ficaram enterrados no convento de S. Francisco. A Camara se lhe entregou. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Muito gente da Torre [de Moncorvo] se retirou aos montes com algum fato, e os que ficaram, porque não lhe lançassem fogo lhe prometteram, como dizem, mil, e outo centas moedas de ouro, vinte mil cruzados, e ficaram de lhas mandar athe sesta feira da mesma semana; sendo fiadores o Lecenceado Antonio Camello e Francisco Bottelho, e Manoel Corrêa da Lapa. Roubaram o que acharam de movens, e levaram toda a prata da Igreja, ficando só as custodias, que lhas esconderam; levaram seis arrobas de prata: a cruz grande, doze alampadas de prata, seis varas do pallio, e quatro castiçais de Nossa Senhora do Rosairo, e os thuribulos, finalmente tudo o que acháram de prata levaram so deixaram a nossa Senhora do Rosairo a coroa, que tinha na cabeça. Alem de tudo isto levaram muitas moedas de ouro, que lhe deram muitas pessoas particulares, e fizeram muito mal em todas as casas da villa. E como lhe faltaram com os vinte mil cruzados, estam tremendo que lhe venhão lançar fogo, como fizeram ao lugar de Carviçaes na retirada, que todo o lugar ardéo» (1065). No fólio 52, falando da sua terra natal diz: «Este lugar do Peredo se começou no anno de 1530 e a igreja de S. Julião [orago da freguesia] se fez no anno de 1563». O ano de 1681 foi mui caro: em Abril vendia-se em Moncorvo o alqueire de trigo a 500 réis e o de grãos a 700 réis. Em 1699 vendia-se o alqueire de trigo em Chaves a 520 réis e o de centeio a cruzado (1066). 140 – Estatutos da Irmandade de Sacerdotes de novo erecta na Igreja de S. Pedro de Santa Comba da Vilariça, comarca da Torre de Moncorvo. 1 de Novembro de 1708. Encadernado; 32 fólios, com primorosos desenhos feitos à pena. Autor padre Domingos de Almendra, de Santa Comba. Este manuscrito e os seguintes até ao número 150 pertencem à colecção do abade de Carviçais, José Augusto Tavares. 141 – Cerimonial do Seminário de Vinhais. Encadernado, 223 fólios; ano de 1611? Sem nome do autor. 142 – Livro das Ordenanças da capitania-mor de Vilarinho da Castanheira. Anos de 1766 a 1857. 84 fólios rubricados por Luís Bernardo de Sampaio e Melo. A capitania abrangia três companhias: Vilarinho da Castanheira, Lousa e Seixo de Ansiães. É encadernado em pergaminho.

(1065) Livro de Rezam, fólio 190. Esta notícia e as anteriores foram já publicadas por D. Cândida Florinda Ferreira no seu livro Guerra da Sucessão no Distrito de Bragança. (1066) Ibidem fólio 59 e o nº 156 adiante mencionado. A propósito, ver o tomo IV, p. 630, destas Memórias.

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143 – Livro dos depósitos de compras da vila de Mós. Vai desde 1642 a 1643. 71 fólios; encadernado em pergaminho. Um livro de compras da câmara de Mós. Começa em 1762. 144 – Regimento de milícias de Moncorvo. Vai de 1811 a 1873. 92 fólios; encadernado em pergaminho. 145 – Recompilação das graças e indulgências e Estatutos da Confraria de N. S. do Rosário da Lousa, Moncorvo. 1735. 18 fólios; encadernado. 146 – Livro das arrematações dos pastos de Carviçais. 1701 a 1709. 60 fólios; encadernado em pergaminho. Pertenceu ao extinto concelho de Mós. 147 – Livro das provisões da câmara de Mós. 1736 a 1753. 150 fólios; encadernado em pergaminho. 148 – Memória de Santo Apolinário de Urros, Moncorvo, pelo abade Pedro Gomes Machado. 10 fólios. 149 – As minhas primeiras poesias, por J. Tomás Rente, natural de Poiares, concelho de Freixo de Espada à Cinta. 4.º de 32 folhas. São datadas de Luanda a 10 de Dezembro de 1914. 150 – Lutas entre o pároco do Felgar e a povoação, por Marcos. Este códice, de poucas páginas, transcreve no fim um artigo do Espectro da autoria do doutor João José Dias Galas, de Ligares, contra a família Margarido, de Moncorvo. 151 – «Livro / Mestre das or / denanças do des / trito das vilas / de Mirandela e Agoa Reves de que he / capitão mór / Antonio da / Veiga de Sequeira e por demissão delle he / Francisco Manoel da Veiga de Sequeira por / decreto de S. Magestade / de 25 de setembro de 1785». Manuscrito encadernado, de 611 fólios, tendo no primeiro uma portada feita à pena com as quinas de Portugal. É interessante como documentação genealógica, por conter os nomes dos soldados e oficiais, com alguns dados cronológico-biográficos das pessoas que formaram as companhias das ordenanças das vilas referidas (1067). 152 – «Estatutos da Confraria e Irmandade de N. / Senhora do Rozario da freguezia de S. João / Baptista de Marzagam, extra muros da Villa de / Anciaens, Comarca da Torre de Moncorvo, Arce / bispado Primás de Braga; reformados sendo Rei / tor da dita Freguezia, e Juiz da mesma Confraria / o R. Doutor Antonio de Souza Pinto Capellam / Fidalgo da Caza de Sua Magest.e Fidelissima, natu / ral da mesma Freguezia. Anno de 1759». Estes dizeres estão no alto do primeiro fólio, dentro de uma cercadura formada de duas linhas – uma a vermelho e outra a preto – que encerram (1067) Este manuscrito encontra-se em Suçães, concelho de Mirandela, na posse da família Pavão, descendente do capitão-mor acima indicado.

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o texto impresso nas diversas folhas do códice e são a tinta vermelha de imprensa, menos o ano, que é a preto e feito à mão, imitando letra de imprensa. Mas anterior a este fólio havia um outro em branco e nele escreveram também dentro de uma cercadura, mas só a preto: «Estes / Estatutos mandou copiar á custa / da Santa Confraria / O R. Reitor Antonio de / Souza Pinto no anno de 1759», e no fundo desse fólio lê-se: «Por Alexandre da Silva / Na Torre de Moncorvo». Estes dizeres são a três tintas – verde, vermelha e preta – feitos a letra de mão, mas imitando, e bem, a de imprensa. Logo em seguida ao título atrás reproduzido, que vem no alto do primeiro fólio, começa o texto dos Estatutos, que abrange quarenta e quatro artigos, dos quais as letras capitais são todas ricamente iluminadas, umas a várias cores e outras só a uma. Algumas são tão perfeitas que parecem bordadas em relevo sobre damasco. Tem o códice vinte fólios de papel encorpado, chamado imperial, paginados de frente, com a rubrica «Dr. Maya», e no fólio 20 o termo de encerramento, lavrado e assinado pelo mesmo doutor Maia, datado de Braga a 17 de Junho de 1759. Esta paginação foi alterada por outra moderna ao acrescentarem novos documentos aos Estatutos, e por esta nova paginação, toda rubricada com o apelido «Sampaio», o primitivo fólio 20 corresponde ao 22 da moderna. Com os novos acrescentos abrange o códice sessenta e nove fólios paginados igualmente de frente com a referida rubrica de «Sampaio». Vê-se, porém, que tinha mais; mas, ou por ignorância estúpida ou malvadez, embora inconsciente, foram arrancados alguns outros ao precioso monumento. O papel dos novos acréscimos é diverso, menos encorpado, embora óptimo. O códice, encadernado em veludo vermelho, com fechos de prata, dourado por folhas e todo escrito à mão, mas imitando, e primorosamente, a letra de imprensa, até ao fólio 18 v. (paginação primitiva), é um precioso monumento de arte gráfica, muito honrando o calígrafo, que seria o tal Alexandre da Silva, de Moncorvo, a julgar pelo que se lê no frontispício. Nos fólios que posteriormente lhe acrescentaram há documentos manuscritos e impressos. Damos em seguida uma relação das principais notícias constantes dos Estatutos em referência: A confraria de Nossa Senhora do Rosário de Marzagão foi fundada em 1670, com aprovação de Frei Jorge de Castro, provincial dos dominicanos; mas em 1753, com a morte de Manuel Álvares Pires, então pároco da freguesia, perderam-se os documentos concernentes à sua erecção, de onde a necessidade de tratar novamente de outros. Tinha como capela a igreja matriz de Marzagão e altar «o colateral, que MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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está do lado da Epistola arrumado ao arco cruzeiro da mesma igreja, onde já pellos nossos passados foy fundada». O número de confrades passava de doze mil, cada um dos quais pagava anualmente uma quarta de pão e de entrada, por se inscrever como irmão, 50 réis. No fólio 17 (paginação antiga) vêm as assinaturas autógrafas dos que então (15 de Fevereiro de 1759) superintendiam na confraria e são: «João Baptista Ramires de Carvalho, escrivão da confraria. Antonio de Souza Pinto, reitor da freguezia e juiz da confraria. Pe. Luiz Bernardo de Almeida, conssellario. O Vigario Antonio José de Sampayo, conssellario. Pe. Francisco (?) de Lima, promotor. Luiz Bernardo de Sampayo. Francisco Antonio de Sampayo Veloso. João de Meireles, digo Antonio [sic]. Joseph Gomes Peres. Manoel da Costa. João Pires da Veiga. Manoel Peres. Antonio Borges. Domingos Moutinho. Joam Moutinho. Domingos Peres da Cruz. João Lopes Mesquita. Manoel Nacimento. Antonio de Meireles Capela. Domingos de Moraes. João de Meireles. André Gonçalves Annes. José de Moraes. Pedro Fernandes Pires. Manoel Francisco Veiga. Francisco José de Sampaio e Vasconcelos [?]». Todos os indivíduos referidos assinaram o seu nome, e de cruz os seguintes: «Nicolao de Moraes ou Meireles. Alixandre de Crasto. Manoel Lira [?]. Antonio Borges. Domingos Rodrigues. Miguel Gonçalves Moreira [?]. Manoel Lopes de Carvalho» (1068). Deviam ser todas pessoas de categoria, porque os Estatutos exigiam que os oficiais da confraria fossem ricos, abonados e de probidade. Entre os documentos acrescentados aos Estatutos figura o despacho de D. Gaspar, arcebispo de Braga, irmão de el-rei D. João V, datado de 20 de Junho de 1759, que concede licença aos moradores de Marzagão para «mandar fazer na Igreja Matriz daquella Freguezia [de Marzagão], mais dois Altares de Arcos nas Naves dos Lados do Corpo da dita Igreja, em correspondencia hum do outro, de mais do Altar Mór, e dos dois Collateraes». Em 4 de Janeiro de 1761 era o arcebispo informado pelo reitor de Marzagão, António de Sousa Pinto, que os altares de novo mandados fazer estavam concluídos, «muito bem feitos, preparados, ordenados, e aprestados, para nelles se celebrarem os Divinos Sacrificios, e capazes para V. A. S. lhe conceder a Licença pedida, para se benzerem». No novo altar correspondente ao lado da Epístola colocou-se uma «formozissima Imagem de vestir» de Nossa Senhora do Rosário, que primitivamente estava na tribuna do altar-mor, a que puseram o nome de Senhora da Natividade, «para que os moradores desta freguezia conservem a devo(1068) Os pontos de interrogação em alguns apelidos são da nossa autoria e indicam leitura duvidosa por estarem em breve esses apelidos ou nomes.

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çam, que tem nella, e por sua intercessão impétrem á divina Magestade e bondade o allivio de suas infermidades, como experimentárão na grande epidemia, em que se virão oppressos no anno de 1755 para 1756». Temos, pois, que o altar da confraria é o colateral do lado da Epístola, encostado ao arco cruzeiro, que seria fundado pelos anos de 1670, aquando da erecção primitiva da confraria, e é uma preciosa obra de talha, estilo renascença-barroca. Os dois que se fizeram por esta nova concessão, entre 20 de Junho de 1759 e 4 de Janeiro de 1761, ficam em correspondência de um e outro lado da igreja, e um deles é bom exemplar do estilo chamado Luís XVI. 153 – «Tombo e mediçam, e apegaçam / q≈ se fez dos casais, vinhas, e herdades / q≈ pertencê ao mosteiro, e conuento / de São Martinho da Castanheira da / ordë de São Bernardo do lago termo da villa da Pobra de Seabra, que tem / nos lugares do termo da cidade de Bra / gança, o qual tombo fez o Licenciado / Antonio Botelho Juiz de fora na dita / cidade por hûa prouisão, q≈ os senhores / Abbade, e monges do dito mosteiro ou / ueram de sua Maiestade / o qual se fez nos an / nos de oitenta / e cinco, e oitenta e seis [1585 e 1586]». Manuscrito encadernado, de 32 fólios inumerados e mais 86 paginados de frente, pertencente à família Abílio Zoio, de Bragança, à qual agradecemos a gentileza de nos haver facultado a sua consulta. É de saber que o manuscrito foi escrito em épocas diversas e depois encadernado tudo. Até ao fólio 32 contém o Tombo dos referidos bens, feito como o título indica pelo licenciado António Botelho nos anos de 1585 e 1586, e desde esse fólio até ao fim contém o Tombo dos mesmos bens feito em 1684 pelo doutor Francisco Gil de Torres, juiz deste Tombo, morador na cidade de Bragança. Depois, ao fazer a encadernação, alteraram um pouco o título e escreveram na costaneira: «Tombo da Quinta da Granja – Esta Quinta acha-se encorporada ao Vinculo de / nominado de S.m José da Cidade de Bragança, / de que hé actual 4.º Administradôr, o Mor / gado Francisco de Figueirêdo Sarmento Pinto / da Fonsêca; que o mandou encadernar aos 20 d’Outubro do anno de 1851». Segue em letra diversa: «E a este vinculo pertence igualmente o fôro / de Villa meaã, que é de quarenta alqueires de / centeio, e dez de trigo, como consta do Tombo no / vo a folhas sessenta, e seis, e seguintes – Bragança, era ut supra. O Tabell.ão Francisco Miranda Catalão». O padre frei Agostinho Ferreira, monge professo da ordem de S. Bernardo, conventual do mosteiro de S. Martinho da Castanheira, termo da vila da Póvoa de Seabra, é que veio a Bragança em 21 de Outubro de 1585, com procuração de «dom frei Gaspar Gutierrez, abade do dito mosteiro, frei Angel de Sotto pyor, frei Agustim de Ferreira, frei Basilio Romano, frei Pedro de Penna Fiel, frei Francisco Velazquez, frei Pablo Guerero, frei GraMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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viele de la Torre, frei Estevam de Lucuriaga (?), frei João Morauto, frei Agustim de Carrion, frei Thomas d’Aguilar, frei Agustim Rodrigues, frei Benito de Deza, frei Engenio Hortiz, frei Benito de la Canal», todos monges do dito convento, a tratar da demarcação dos bens do mesmo. A procuração dos frades foi passada em Espanha e reconhece a letra do notário espanhol António de Figueiredo, escrivão dos órfãos em Bragança, a 21 de Outubro de 1585. As propriedades são nos lugares seguintes: Varge – «Começaram a demarcação por Varge aos 6 de Novembro de 1585, hospedando-se em casa do padre Simão Rodrigues, cura do dito lugar. Os bens eram: um casal que pagava de fôro anual quatorze alqueires de pão meados mais oito alqueires e compreendia uma terra de três alqueires de semeadura e pegava com o adro da igreja de S. Miguel, com o campo do concelho e com herdeiros de A. Chemeno, que nesta terra esta feita uma casa terreira colmada de vivenda onde vive o foreiro. Outra terra á boca das Manguelinhas e parte com o adro da mesma igreja. Outra ao Pedragal de Valilongo que parte com o caminho que vae para Labiados. Outra á Ladeira, parte com casas de herdeiros. Outra em Vale de Linhares. Outra em Fava Loba. Outra no Carregouço. Outra na Veiga do Amieiro que parte com o caminho que vae para Bragança. Outra á Portela da Cavada. As terras foram medidas com “um cordel de barmante de cem varas”. A da boca das Manguelinhas levava 4 alqueires de semeadura de trigo, ficava em frente da outra que pegava com o adro de S. Miguel, com o qual ela mesmo confrontava mas pela banda debaixo do caminho e pegava com o ribeiro. A terra da Ladeira levava 15 alqueires de semeadura. A do Carregouço a q. no auto de medição dá o nome de Carreguedouro levava de semeadura 4 alqueires. A terra do linho ás cortinhas leva de semeadura tres alqueires de linhaça. A da Fava Loba dois alqueires. A da Veiga levava dez alqueires de trigo. A do caminho de Labiados pelo lado de cima levava 7 alqueires. A outra que está pelo lado de baixo a do caminho q. vae para Labiados “que he ao pedragal de Valilong” levava seis alqu.res de semeadura de trigo. Na de Valle de Linhares estava posta vinha levava 4 alqueires e a vinha de cavadura 15 homens. A da Veiga do Amieiro levava 10 alqueires de semeadura. A da Cavada era terra e prado passava o caminho que vae para Bragança pelo meio e terra e prado eram campo ou levariam 14 alqueires de semeadura». Quinta do Aires Ferreira, morador em Bragança, é o título do auto da medição em 1585 (à margem, em letra moderna, lê-se Quinta da Granja). Aires Ferreira era cavaleiro-fidalgo e morador na dita quinta e casado com MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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D. Isabel. Ao mosteiro pertenciam «as terras que chamão da Granja que estão por baixo da dita quinta que correm por baixo do caminho que bem da cidade de Bragança para Meixedo...... tirada uma terra que foy de Lopo ferreira seu avoo [isto em Fontearcada; ergo já então era Fontrecada e Granja ou terras da Granja]. Vinha do alto dos castinheiros até ao moinho dos Padres depois ao longo do caminho de Rabal para Bragança e dahi Ribeira de S. Jorge acima the ão pontão da quinta e dahi caminho que vae para Meixedo até á portela dos castinheiros onde se começou. Levaria de semeadura 200 alqueires de pão menos a terra de Lopo Ferreira que levaria 6. Por tudo pagava de foro 16 almudes de vinho cosido». Meixedo – «Terra no vale de Pero Loução, dez alqueires de trigo de foro. Terra no Valle Veleda, 4 alqueires de foro». Rabal – «Hortas na Veiga, cortinha no Castro e Pinheiro, outra dentro do lugar, terras em Falgueiras, Vale da Igreja, Val das Vinhas, Vale Mourim, Babão, Valles, Valle Chegado, Costa, Souto de Santa Anna, Souto de Sam Martinho, Torre, Valinha, Barrosa, Covelos, Fontelas, Vale das Sabes, Mua, Vale de Maria Gonçales, Malho, Cabeça, Toutelo, Moinho do Picarelo, Sam dozelos, Sam Sebastiam, Moinho dos Antois (terra neste sitio perto do moinho), Caminho da Villa, Fragua, vinha a S. Sebastião, vinha no Vinhal, Teixugueira, vinha no Rebouço. Ao todo 46 propriedades. A terra do Souto de S. Martinho tinha trinta castanheiros e provavelmente o nome vinha-lhe de pertencer ao convento de S. Martinho da Castanheira. De todas estas propriedades recebia o convento trinta alqueires de pão meado (isto é, metade trigo e metade centeio) e vinte almudes de vinho». Aveleda – Pelo que tinham em Aveleda recebiam os frades vinte alqueires de pão meado e quatro galinhas. Os bens eram: «Umas cazas terreiras, colmadas (todas as casas do casal em Varge, Rabal eram da mesma forma terreiras e colmadas) que estam pelo lado de baixo da igreja de S. Sebastião. Vinha á quinta, terras nestes sitios: Collelha, Hurzedo, Curtinhas dos Lameiros (Aleixo Rodrigues cura em Aveleda em 1585), Vale de Pontes, Vale de Pereira, Seixagal, Vale de Laças, Ruimonte, Vinhascaes, Balsas, Meireles, Moinhos, Vale de Novaes. Tinha mais o convento duas moradas de casas terreiras, colmadas, onde viviam moradores e pegavam com o rio. Purpulheiras. Mais outra morada de casas junto á igreja, terreiras, assobradada somente a casa da adega he telhada e mais colmada. Vinha em Vale de Vime que levava 100 (cem homens de cava). Vinha nas Ameixoeiras, vinha em Vale de Novaes, vinha ao Forno. Tinham mais parte de um moinho e á margem desta verba ha uma nota que diz que levou o rio este moinho». Freixedelo – Dos bens de Freixedelo recebia o convento dez alqueires de pão meado. Os bens eram situados nos seguintes lugares: «Lombo do CarMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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denhal, Couso, Poio, Pereiro, Salgueiraes, Hermida de S. Sebastião, Fonte de Fundo de Vila, Cachão. Em todos estes sitios tinham terras». Este Tombo de 1585-1586 não aponta mais propriedades do que estas nem cita outras povoações; o Tombo de 1684 é que adita mais as de Vila Meão. Tombo de 1684 – «Aos 10 de Abril de 1684 appareceu em Bragança o Doutor Francisco Gil de Torres, cidadão e morador na cidade de Bragança, ouvidor que foi da praça de Mazagão, juiz de fora de Bragança e juiz deste tombo, o abade do convento de S. Martinho da Castanheira do Lago, Frei Chrizostomo Garcia para tratar das cousas do Tombo. Cibrão Alvares, meu quinto avô vivia em maio do 1684, fol. 11, e tinha uma terra em Vale de Pereira. Tinha outra em Lameiro de Urzedo, fol. 21, outra no Seixagal, fol. 22 v., outra á Portela de Vale de Pereiro, fol. 21. Domingos Affonso de Barreira, de Aveleda, enfiteuta dos bens q. nesse povo tinha o convento de S. Martinho da Castanheira, declara aos 24 de maio de 1684 ao Juiz demarcante do tombo q. não podia presenter o título q. tinha desse casal “por se queimar no tempo das guerras pondose fogo ao lugar”, fol. 14, idem, fol. 20 v.». Ver o que dizemos adiante. Vila Meão – Neste Tombo de Vila Meão aparece a menção do foro que todo o povo desta povoação pagava ao convento, não por uma propriedade em particular, mas por todo o termo em geral, e esse foro era de quarenta alqueires de centeio e dez de trigo. No Tombo de 1585 estava descrito este foro, mas já devia existir anteriormente, pois no requerimento que o dom abade do convento fez para que lhe tombem as propriedades, apontando os lugares onde estão situadas, lá menciona Vila Meão; é certo que também nesse requerimento aponta a povoação de Baçal como tendo lá bens, mas estes não aparecem descritos nem neste tombo nem no de 1684, devendo concluir-se que não existiam e que foi equívoco proveniente talvez de que alguns bens dos sitos em Varge e Aveleda confrontavam com pessoas que viviam em Baçal, e mesmo lhe pertenciam alguns desses bens do convento. Aponta este Tombo as confrontações do termo de Vila Meão. Aveleda – Este Tombo de 1684, no fólio 77 v., menciona as propriedades fora dos casais e prazos e lá vêm apontadas as casas de Aveleda, que confrontam com o adro da igreja de S. Ciprião e a tal vinha de cem homens de cava, que é no cabeço e um moinho «que está no ribeiro por cima da ponte defronte do moinho posteiro» (mais adiante escreve pateiro), o qual está por cima da ponte do lado do poente. Este moinho foi deixado ao convento por Bárbara Leal, viúva, por sua alma; servia-se da água da presa de outro moinho que lhe ficava em frente. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Afinal, a doação limitou-se ao lugar onde existiu o moinho, visto este ter sido levado pelo rio, como diz o Tombo de 1585. De todos os bens retro mencionados recebia o convento de foros anuais: sessenta e nove alqueires de centeio, setenta e sete de trigo, trinta e seis almudes de vinho e quatro galinhas. É para notar a circunstância de que o Tombo de 1684, ao descrever muitas propriedades de Aveleda, diz frequentes vezes: «que foi vinha e agora terra», sinal evidente de que se perderam as vinhas no intervalo do Tombo de 1585 ao de 1684 ou pelos flagelos, como no nosso tempo, ou pelos incêndios da guerra a que atrás se alude. No tomo I, pág. 86, destas Memórias vê-se que Aveleda ou o seu termo deviam ter sofrido algo com a guerra, mas no Tombo nada se diz. Era cura de Aveleda ao tempo da factura do Tombo, em 1684, Cipriano Ribeiro, e quando se fez o primeiro Tombo, em 1585, era cura da mesma povoação Aleixo Rodrigues e de Varge, também em 1585, era cura Simão Rodrigues. Ver tomo II, pág. 273, destas Memórias. 154 – Emprazamento em vida feito a António José do Rego da província de Trás-os-Montes dos bens da capela de São Caetano, casal de Espinhosela e suas pertenças, doados à Universidade por Carta Régia de quatro de Julho de mil setecentos setenta e quatro. Manuscrito, em papel branco liso, de 224 fólios paginados de frente, com capas de pergaminho, pertencente à família Abílio Zoio, de Bragança, a quem agradecemos a gentileza de nos facultar a sua consulta. Contém a situação, medição, confrontação e avaliação feita judicialmente pelo doutor José Manuel de Sousa Cardoso Piçarro, corregedor na comarca de Bragança (professo na ordem de Cristo e fidalgo-cavaleiro da casa real), natural de Bobadela, concelho de Chaves, dos bens da capela de S. Caetano de Espinhosela, administrados pelos jesuítas de Bragança e depois pela Universidade de Coimbra, a quem foram dados após a expulsão daqueles. O emprazamento foi feito em 1784 a António José do Rego, capitão do regimento de dragões de Chaves. Os bens estavam situados nos seguintes povos: Terroso – Nos locais denominados Vale da Idrade, Bernardam, Lavandeira, Veiga, Sizortes, Pumarelho e Lama do Moço. Estes bens pagavam anualmente oito alqueires de pão meado (trigo e serôdio) e dois de centeio. Parameo [assim vem escrito] – Nos locais denominados Portela, Chairas, Vilar Chão, Fontes de Godinho, Cancela, Valtim, Veiga, Pereiro, Maricovo, Vale de Fontes e Touça. Estes bens rendiam 7$760 réis em dinheiro e sete alqueires e três quartos de pão. Espinhosela – Nos lugares denominados Vesdamilo, Fundo do Valinho, Confurcos, Lama do Foeiro, Raposeira, Vale, Cavadas e Martim Afonso. Rendiam estes bens 1$225 réis. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Fontes – Nos lugares do termo denominados Forçados, Pereiro, Barreiros, Lameiros, Lamas de Logobudo e Lagabudo (aparece escrito das duas formas), Bom-Jesus, Cabouco, Nogueira, Carreira, Cortinhas, Veiga, Fonte Velha, Martelo, Porto, Couto, Ramalhosa, Valdoeiro, Pena, Sepadela, Vilar de Ozeive, Crastelos, Paratinhas, Seixedo, Ribeira dos Moinhos, Gargalhão, Fontão, Lagoas, Espadanal, Sardoal, Vale de Mangas, Ponte de Melhe, Pedra da Vila, Lamelas, Martiegos, Salgueiro, Tulicadas, Cabeço da Pedra, Lombo, Devesa de Gatim, Vale de Prata, Carosseiras, Pardieiros, Burzagal, Moradelhos, Maçadas, Tolocadas ou Tolucadas (aparece das duas formas), Seara do Velho e Forçados ou Forcados (escreveram das duas formas) (1069). Rendiam as propriedades que a capela de S. Caetano de Espinhosela tinha em Fontes 56$260 réis. Algoso – No local denominado Partila de Moural. Tinha mais aqui uma capela sita na igreja matriz de Algoso, à direita, com o privilégio de só se enterrarem nela os enfiteutas dos bens de Algoso, os quais bens pertencentes à referida capela de Espinhosela, administrada pelos jesuítas e depois pela Universidade de Coimbra, rendiam 7$400 réis em dinheiro e cento e setenta e dois alqueires de centeio. Rio Frio de Carragosa – No local denominado Vale de Salgueiro, cujo rendimento era de 860 réis. Soutelo de Gondezende (assim se lê no manuscrito; no entanto, pelo contexto, vê-se que se trata de Soutelo da Gamoeda ou então Soutelo de Carragosa) – Tinha bens no local denominado Nuvelos, que rendiam 1$200 réis. Cova de Lua – Nos locais chamados Servatem ou Jardam e Sabamil. Rendiam estes bens 330 réis e dois alqueires de centeio. Vilarinho de Cova de Lua – Nos locais denominados Pia, Bragadas e Caleira. Estes bens rendiam 1$120 réis e mais seis alqueires e dois «carapetos e meio de pão». Maçãs – Nos locais denominados Encarvalhada, Ferradosa, Pena, Fontelas, Maçaelos, Castilhar, Castro, Vifureira, Casares, Burzajal, Lamises, Vale de Quintela, Carnulos, Camselhadas ou Cansolhadas (está escrito dos dois modos) e Corrula. O rendimento destes bens era de 15$070 réis e um quarto de pão. Dine – Nos locais chamados Ribeira do Lamegeiro e Escrita, cujo rendimento era de 11$400 réis. Mofreita – Rendiam os bens sitos nesta povoação 1$440 réis.

(1069) Não apontamos nesta nem em outras povoações todos os lugares onde os jesuítas tinham bens, mas somente alguns para se avaliar da extensão das suas propriedades e que podem ter importância léxica; quanto ao rendimento damos o da totalidade dos bens que eles tinham nas respectivas povoações.

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Ozeive – No local denominado Vilanria. O rendimento destes bens era de 4$200 réis. Fresulfe – Rendiam os bens sitos no termo deste povo 2$300 réis. Oleiros – Nos locais denominados Sargossos, Val Danta, Pradovença, Pito, Grizou, Bouças, Peregelos, Lagoa, Passos, Cordedo e Bubos, com o rendimento de 7$230 réis. Gondesende – No local denominado Batamulo, cujo rendimento era de 1$650 réis. Donai – Rendiam os bens situados nesta povoação 2$700 réis. Bragança – Os bens de Bragança rendiam 13$200 réis. Carrazedo – Nos locais denominados Reimão, Fejoca, Reimão, Leiguedo, Vage, Vinhal, Suzão, Babão e Lameles, com o rendimento de 10$570 réis. Rendiam os bens da capela de S. Caetano de Espinhosela, de que eram administradores, como fica dito, os jesuítas de Bragança e, pela extinção destes, a Universidade de Coimbra, 145$915 réis, oito alqueires meados (metade trigo e metade serôdio) e cento e noventa alqueires de centeio com dois carapetos e meio. Pode ajuizar-se do valor desses bens tendo em conta que na avaliação constante do manuscrito em referência computaram o rendimento em cinco por cento (média) do valor da propriedade. No Diário do Governo de 26, 29 e 30 de Junho de 1848 e ainda nos n.os 137 e 143 do mesmo, vêm as relações dos bens da Universidade de Coimbra que foram dos jesuítas, situados no concelho de Bragança, e mencionam-se, além dos atrás indicados, outros situados nas Casas Novas, várias casas nesta cidade e na quinta de S. João de Transbaceiro, limite de Parâmio. No concelho dos Cortiços (hoje Macedo de Cavaleiros) apontam-se propriedades em Grijó de Vale Benfeito e Quintela. No de Vinhais, propriedades em Santa Cruz, Rio de Fornos, Paçó, Fontes, Lagarelhos e no lugar de Vive (sic). Só estes bens, excluídos os mencionados no Diário do Governo n.os 137 e 143, rendiam de foros passante de quatrocentos e trinta e quatro alqueires de cereais (trigo, serôdio e centeio), nove galinhas, quarenta e quatro arráteis de marrã e 40$000 réis em dinheiro. O mesmo Diário diz que parte dos outros bens estão situados no concelho de Carrazeda de Ansiães, porém não aponta os foros que pagavam; mas a sua avaliação, segundo a referida folha oficial, monta à soma de 3.400$000 réis. Isto deve entender-se como valor da propriedade e não como rendimento (1070). O fundador da capela de S. Caetano de Espinhosela foi Belchior Leite de Azevedo, abade da mesma freguesia, com o encargo de uma missa quoti(1070) Ver Diário do Governo de 4 de Março de 1850 e o nº 253, correspondente ao ano de 1851.

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diana por sua alma na referida capela, dando-se para isso ao capelão 120 réis de esmola por cada missa e a cera e vinho que gastasse a missa solene no dia do santo. O mencionado abade deixou os jesuítas de Bragança encarregados da administração dos bens e fábrica da capela, por sua morte. Expulsos estes, como não se fez discriminação dos bens próprios destes, dos outros de que apenas eram administradores com encargos pios, nunca mais se cumpriram as cláusulas instituídas pelo fundador relativas à missa quotidiana (1071). 155 – Traslado do Tombo do Benefício de São Vicente sito nesta Cidade de Bragança de que é Beneficiado o Il.mo e Rev. mo Senhor D. Martim Afonso de Melo Bispo da Guarda (1072). Fólio pequeno em papel liso, encadernado em carneira, de 70 fólios paginados de frente e mais um escrito só no anverso. A petição do bispo da Guarda, representado pelo seu procurador Manuel da Nóbrega e Azevedo, abade de Meixedo, originou que fosse nomeado por alvará régio de 4 de Junho de 1674 o doutor Francisco de Abreu Godinho, ouvidor da comarca de Bragança, para servir de juiz do Tombo, o qual deu começo à demarcação a 4 de Dezembro desse ano. Os bens são, entre outros: – Umas casas na rua do Espírito Santo emprazadas a «Gregorio Roiz Boticario que foi pay dos Doutores Antonio Leitão Homem e Matheus Homem Leitão e estes as venderão ao P.e Sebastiam Gonçalves Senteno, no anno de mil seiscentos e quarenta e dous». Estas casas ficavam em frente da igreja de S. Vicente e no seu quintal havia «dous poços lavrados de cantaria, duas oliveiras, hum cipreste, dous loureiros, e alguns abrunheiros». Fólio 3 v. – Um moinho na ribeira de Fervença «alem da Ponte das Tinarias, por cima do outro moinho que está logo junto da ponte». «Está o ditto moinho no sitio assima ditto defronte das cazas, que agora fez Maria Lopes Veuva de João Garcia o Ligeiro». Fólio 5 v. (1073). – Outro moinho «na ribeira de fervença defronte da fonte da Pipa». Fólio 6. – «Hua terra que está nos Valles que he quasi triangular que leva de semeadura tres alqueires de pão. Está entre ambos os caminhos das Eiras para o Porto de Baçal tem ao sul outenta, e oito varas, e para o Norte quatro varas e parte pelo Sul com terra do mosteiro de S. Bento, e pello Norte com caminho do conselho e pello Nascente e Poente com os ditos caminhos». Fólio 9 v. Estas terras dos Vales eram a esse tempo, 1674, possuídas por António Colmieiro de Morais, que as herdara de seu pai Francisco Colmieiro de Morais. (1071) «Emprazamento em vidas» etc., fólio 202. (1072) Este documento e os seguintes estão no Museu Regional de Bragança. (1073) Ver tomo I, p. 339, destas Memórias.

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– Outras casas «na Rua de Ronços Valles, que agora se chama a rua da amargura». – Umas casas que o doutor Domingos Carvalho trazia aforadas, sitas na rua da Alfândega e as meteu numas «casas grandes» que aí tinha. Estas casas grandes eram pertença ao tempo da feitura do Tombo, isto é, em 1674, do capitão João Ferreira Sarmento. Uma nota à margem diz que em 1744 possuía estas casas grandes da rua da Alfândega André M.el (não se percebe se é Manuel se Morais), de Vinhais. Esta casa deve ser o palacete da rua da Alfândega e não rua da Amargura, como por lapso saiu no tomo VI, pág. 45, destas Memórias, habitado ao presente pela família Miranda-Quintela. – Umas casas «que estão na rua da villa, que são as que chamão dos Balcoens...... e partem pella banda de Sima com a Rua dos Almeirezes, e pela banda debaixo com cazas de António Lopes, e tem duas cazas sobradadas hua sobre outra e hua logea, e diante da porta desta estão dous pedestaes de tijolo que tem mão no sobrado desima e se chamão os Balcoens». Fólio 12 (1074). – «Huas cazas que estão na villa na rua dos Almeirezes... partem pella banda debaixo com casas de Antonio Lopez torcedor». Fólio 13 (1075). – Outras casas na «rua dos Almeirezes cahirão e agora as meteo no assento da sua cortinha nas cazas novas, que fez António de Moraes Madureira que está ausente». Fólio 13 v. – Outras casas na vila que partem «de hua parte com Manoel Roiz imaginario». Fólio 14. Estes bens pertencentes ao «Beneficio de S. Vicente», pelo geral, foram emprazados pelos anos de 1500 e rendiam 1$561 réis em dinheiro, onze galinhas, duzentos e oitenta e quatro alqueires de pão, em geral meados (trigo e centeio). Pertencia mais ao «Beneficio de S. Vicente» o dízimo da terça parte dos frutos dos sítios chamados Vale de Álvaro e Fonte Arcada. Das outras duas terças, pertencia uma ao bispo de Miranda e a outra ao ducado de Bragança. A demarcação do terreno de que tinham esses dízimos, conjuntamente com os outros dois, é a seguinte: «Começa o dito sitio na mesma igreja de S. Vicente, vae pela rua da Corredoura thé á porta travessa das cazas de Antonio Colmieiro de Moraes e dahi the a Cerca das freiras de S. Clara e então toma pelo caminho que vai

(1074) À margem, diz uma nota: «Possue hoje 1744 estas cazas D. Izabel Maria, viuva do capitão José Ribeiro». (1075) À margem há uma nota onde se lê: «Estas casas cahiram e estão hoje 1744 em quintal que possue... Xavier de Sá Moraes».

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para Val dalvaro athe hu prado de Luiz Sanches de Castro, e da hi em direito a portaria da quinta da Rica fe que he dos Padres da Companhia, e dahi pelo caminho sempre the a ponte de fonte arcada e dahi vai caminho asima, indo para Carragoza the o simo das vinhas, e dahi vira em direito a Villa nova pelo simo das vinhas athe o lagar de Phelipe Ribeiro e do lagar vai direito the a ermida de S. Jorge torna a cortar pelo ribeiro que chamão Britelo a simo pelo meyo do prado de Roque de Seixas, e campo redondo thé dar em hua preza de Roque de Seixas no rio fervença e dahi vem pelo rio fervença abaxo the a ponte das tinarias junto a cidode, e dahi torna a fechar na mesma igreja de S. Vicente onde começou». Vale de Rates – Este sítio começa «no simo de hum lameiro de Francisco Roiz Sarzedo onde está hûa Marra e da hi vai pelo fundo do rigeiro de Val de Pereiros onde está hûa Marra, e dahi para o rio Sabor da outra banda, aonde chamão a fonte do Sizo por sima da fonte, aonde está hua Marra por sima do lameiro, e dahi vai partindo com o limite de Alfayam athe a encruzilhada do lombo do Carreiro, aonde se toma o Carreirão para a ponte de Valbom, e dahi vai todo o caminho de carro athe a Cruz do Guieyro, que está no simo da costa, e dahi vay partindo com o lemite de Gimonde dando volta por sima da lameira que está por sima da estrada, a dahi vai a fechar com o lameiro de Francisco Roiz Sarzedo donde começou cortando pelo lombo abaxo entre Val de Biscaya e Val de rates». Deste terreno tinha o «Beneficio de S. Vicente» metade de todos os dízimos e a outra metade era dividida pelo bispo de Miranda e pelo ducado de Bragança. Tinha mais alguns prazos de que já se não achavam as propriedades sobre que incidiam os foros, montando estes a vinte alqueires de pão meado, dois ditos de serôdio e 748 réis em dinheiro. Deste Tombo há ainda no Museu Regional de Bragança uma cópia em livro de fólio, encadernado, de 73 págs., faltando-lhe as restantes. Há mais outro Tombo, manuscrito encadernado, de 98 fólios, que tem no termo de abertura: «Hade servir este livro para nelle se copiarem os autos do Tombo dos bens, e direitos do Beneficio de S. Vicente desta cidade, de que he actual Beneficiado o Ill.mo Sr. Rafael Pinto de Almeida, e Alexandria... Bragança o primeiro de Setembro de 1792». As propriedades que aponta compreendem os casais de Bragança, quinta das Carvas, Vale de Lamas, Baçal, Sacoias, Rabal, Meixedo, Nogueira, Samil, Cabeça Boa, Soeira, Paçó de Sortes, Lagoa e Soutelo. A quinta das Carvas, subúrbios de Bragança, ainda hoje conhecida por este nome, era pertença ao tempo da factura do Tombo, isto é, em 1792, de Aleixo da Nova da Rocha Sarmento Pimentel e fora emprazada a Faustina MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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da Rosa Pimentel, sua ascendente, em 1685, por vinte e cinco alqueires de pão meado, não compreendendo toda a quinta mas apenas parte dela (1076). 156 – Em 1573 o cabido de Miranda mandou à corte o membro dessa corporação Afonso Luís, cónego mestre-escola, tratar de assuntos judiciais que tinha nos tribunais superiores. Em carta datada de Évora aos 18 de Fevereiro de 1573 deu esse mestre-escola conta ao cabido da altura em que iam as coisas. Porque é muito comprida, pois abrange cinco laudas de papel almaço, vamos dela extractar alguns períodos dos mais interessantes: «Antes que fallase a suas Altezas [a el-rei e ao cardeal D. Henrique] “e até para lhe dar as cartas e fallar, foy necessario ter quem me metesse na Piscina” procurey de levar sabido o estado em que estava o feyto de vale de frades [era principalmente para tratar da questão que o cabido trazia com os moradores de Vale de Frades que o mestre-escola fora à corte] do qual he procurador Manuel Alvrez não sabia majs senão que desde que fora o Doutor Sebastiam vaz nunqua majs nelle se fallara, por falta de solicitador, porque sendo dado ao procurador da Coroa Real que Replicase Respondeo que não podia Replicar semque se exibisem certas escripturas Das quaes luys de azevedo fez mençaom na sentença en que nos pribou e que asi era necesario que hû manuel falleyro de Santarem (1077) que com certos artificios acrarou os pregaminhos do cabydo e os trelladou tornase a concertalos e a leelos perante o escribaom do feycto e do dicto procurador da coroa, para se saber se estabaom fielmente trelladados. / E jurou o procurador da coroa por non ser cançado que sen serem feyctas estas diligencias que não podia Replicar». Diz depois que o tal Manuel Faleiro veio concertar e ler os pergaminhos. Falando no final da carta da carestia da vida, escreve: «Os gastos desta corte soom muyto grandes, asi de pousada como de mantimentos / a çebada val a 80 rs. e não se acha por onde dou trigo a mula e hua Joeyra de palha 8 rs. ho cortilho do binho a 6° e a 7° o peor / o sauel a 36 a libra / e os lingados a 50 e todo outro pescado majs caro que lla. do que me espanto e as pousadas correm a cinquoenta rs. por dia. / pello que se gasta muyto majs do que lla me parecia que se poderia gastar. / E não somente he necessario ter muy contente a noso procurador para que falle nas audiencias e requeyra que seja llançado o procurador del Rey quanto (1076) Ver tomo VI, p. 50, 222, 684 a 686, 709 e 791, destas Memórias. (1077) Haverá algum parentesco entre este Faleiro e o geógrafo do mesmo apelido que acompanhou o circum-navegador Fernão de Magalhães?

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não cumprir e Replicar en tempo. / Mas também me aconselha luys Gomes que contente e tape a boqua ao solicjtador dos feyctos del Rey. para que se calle nos outros 6e feyctos. S. frieyra. gostey. villa franqua. / biduedo. / arufe. ervedosa / por estarmos de posse / e para que so bal de prados cora por diante e os demajs fiquem em mortuorio» (1078). Em 1583 voltou este mesmo cónego Afonso Luís a Lisboa comissionado pelo cabido de Miranda tratar de idênticos assuntos. Na carta de 26 de Janeiro desse ano, em que lhe dá conta do modo como corriam as coisas, diz, falando da questão alimentícia: «Lisboa esta insofrivel de carestia o trigo ja se vay pondo a cruzado e a cevada a dos testois e a libra de carneyro tambem subiu a 28 rs. e a vaqua a 18 / e hua sardinha val dos rs. e hum goraz hum testom e de pousada pago cada dia 4 reales» (1079).

PREÇOS DOS GÉNEROS ALIMENTÍCIOS

157 – Na sessão da Câmara Municipal de Bragança de 19 de Maio de 1632, «estando presente o licenceado Diogo de morim e faria, juiz de fora na cidade e seu termo e os vereadores camararios Salvador mendes dantas, estevão prestelo pessoa e o procurador Nicolau de Lobão se obrigarão os carniceiros a dar o arratel de vaca a dez reis; o de crastum e carneiro a quinze reis, o de cabra, figado e bofe a oito reis, e mais dariam um touro muito bom para se cora dia do corpo de Deus e na vespora» (1080). Pela acta da sessão da mesma câmara de 28 de Julho de 1635 se vê que as corridas de touros eram mais, pois nela se diz que os carniceiros tinham obrigação de «darem coatro touros muito bons para se corerem dia de san tiago ou coando esta camara mandasse elles os tres obrigados [carniceiros] derão coatro touros que se corerão vespera de sam tiago e tres deles não erão para se corerem por serem bois mansos que não aproveitarão para nada», por isso a câmara condena cada um dos três carniceiros na multa de 500 réis, conforme estava declarado no contrato que com ela tinham (1081).

(1078) Extracto da carta original existente no Museu Regional de Bragança. (1079) O original conserva-se no mesmo museu. (1080) Acta da sessão da Câmara Municipal de Bragança desse dia. (1081) Acta respectiva.

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CONTRIBUIÇÕES

– PREÇOS DOS GÉNEROS ALIMENTÍCIOS – DESPOVOAMENTO

158 – Na sessão da Câmara Municipal de Bragança de 27 de Fevereiro de 1636 apareceu o doutor Julião de Figueiredo, provedor da comarca de Moncorvo, com ordem régia para proceder ao lançamento do real de água. O licenciado Luís de Morais, procurador da câmara, apresentou as seguintes razões para não ser lançada tal contribuição: «Primeiramente – alegava ele – esta cidade e sua comarca paga todos os annos de siza a sua magestade perto de onze mil e tantos cruzados ou mais que he seu trebuto fixo e podemos dizer que perpetuo: o imposto por cabeção nos tempos do Snr. Rei dom Sebastião que Deus tem, e então pareceu hua soma excesiva com aver muita opulencia nesta comarca por serem os moradores della mais de vinte mil fogos e só nesta cidade aver mais de mil e seis centos vesinhos e valerem os mantimentos baratos e aver infinitos tratantes e depois por tempo ter esta cidade mais de cincoenta teares de veludo de todo o genero e otros meneios comque vinha dinheiro a terra e lhe não ficava o trebuto da siza tam pesado. E pelo contrario estar agora mui deminuida em moradores por não aver nella que passem de oito mil fogos e não ter esta cidade em si mais de seis centos e cincoenta vesinhos de modo que muitas aldeias della que ha menos de vinte annos tinham, a cem, vesinhos, e a oitenta tem somente quinze e vinte por se terem os mais delles ausentes pera os reinos de Castela e andaluzia e otras partes opremidos com a carestia dos tempos e peso dos trebutos...... a isto se junta a carestia do pão que nos presege desd o ano de seis centos e trinta e tres porque nesse anno lhegou a valer a quinhentos reis o alqueire e despois se pôz a tresentos e a duzentos réis o alqueire preços mui excesivos nesta terra e chegou a tanto estremo que os mais dos homens lavradores se sustentavão sem elle só com fazer grandes olas de nabos e castanhas e ervas de que naceu daremlhe doenças malignas causadas dos ruins mantimentos, tudo por não terem hum real que gastar...... que os lavradores só tem o recurso do vinho, mas, os vinhos nesta terra valem de ordinario mui baratos, como de presente que o coartilho se vende a real e meio... e por isso não dá para os gastos» (1082).

(1082) Livro das actas da Câmara Municipal de Bragança.

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TOMO VII

ACTA DA ACLAMAÇÃO DE D. JOÃO IV PELA CÂMARA MUNICIPAL DE BRAGANÇA

159 – «Anno do nacimento de nosso senhor Jesus Christo de mil e seiscentos e corenta annos aos vinte e nove dias do mez de dezembro do dito anno nesta cidade de Bragança e na Camera della estando hi presentes o licenceado Diogo de morim e faria juiz de fora e pedro Borges da Costa e Manuel dagiar da fonsequa vreadores o licenceado Baltazar de Sequeira procurador oficiaes da Camara da dita cidade por El-Rei nosso senhor: mandarão fazer este auto em como era verdade que aos dezaseis dias deste presente anno tendo elles nova serta de como na cidade de Lisboa se tinha aclamado e levantado por Rey a El Rey Dom João que Deus guarde e como se lhe tinhão Restaurado estes Reynos. Logo no dito dia nos saimos desta camara com todo o povo junto dando vivas e aclamando por nosso Rey natural a El Rey D. João que Deus guarde continoando em todas as ruas publicas desta cidade com muito aplauzo de todo o povo sem aver pessoa que deixasse de manifestar o gosto que tinhão e na mesma noite se puzerão luminarias em todas as ganelas [sic] da cidade com nembos e bocas [?] e na mesma noite se fizerão tochas em que saiu...... de graças com toda a solenidade em que estava o senhor esposto ao povo e ouve sermão com muito aplauso e gosto dos moradores desta cidade e na dita procissão foi a Camara com o Estandarte Real no couse della, e onte que forão m.to coatro dias deste presente mes nos foi dada hua carta de El Rey nosso senhor assinada por sua mão Real a qual beijamos e puzemos na cabeça e llogo demos conta della aos cidadoens desta cidade e mais povo e aos comventos e novamente se alegrou toda esta cidade com novos vivas aclamando ao dito ssnhor por nosso Rey natural e pai e logo na mesma noite ouve muitas luminarias em todas as ganellas [sic] da cidade e torres com muitos repiques dos cinos e todos nos com mais povo aseitamos por nosso Rey natural e senhor a El Rei Dom João que Deus guarde muitos annos. E para que a todo o tempo conste desta verdade mandarão fazer este auto que asinarão elles juiz e vreadores e procurador com os cidadoens abaixo asinados eu Francisco Gomes mora escrivão da Camara o escrevi. Morim – Costa – Balthezar de Siqueira – Aguiar – Ambrosio de sousa pinto – Lazaro de Fig.do Sarmento – Melchior Borges Correa – Sebastião de fig.do Sarmento – Balthazar dabreu – Francisco dalm.da Figr.do – Ag.o Rib.o fog.os – Francisco de Morais Sarmento – B.a Sm.to Ferr.a – D.os Melchior... pero Nunes – Al.e Morais pr.a – A.nt m.es da Silva – J. Braz... Gaspar... Sarm.to – G.ar... Antonio de Sosa pim.tel Joam Thome de Paiva [?] – Luiz Alverez de macedo – Alexandre de castro – João da silva dias – J. Gast.o de S.a Pavão – MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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João de Morais Leite – Alexandre Trigoso – João José de morais – At.o Doutel dalmeida» (1083). A carta em que el-rei participa à Câmara Municipal de Bragança a sua elevação ao trono e lhe manda que o aclamem por «Rei e senhor natural» é datada de Lisboa a 12 de Dezembro de 1640 (1084). 160 – GUERRAS DA ACLAMAÇÃO – «Diz Simão Pires morador na quinta da Refega annexa das Veigas, que sendo elle apanhador cobrador dos foros que se pagão na ditta quinta ao Reverendo Cabbido ficou devendo dezenove alqueires (sendo vedor o Reverendo Conego Matheus Alvres) e o Pe. Francisco Nunes cura de Rio Frio o obriga por censuras a que pague o dito pam, o que não pode porquanto foi roubado do inimigo e se lhe queimou sua casa com quanto tinha nella e só vive com as esmollas dos fieis christãos e porque não tem cabedal para pagar a dita quantia p. a V. S.ª avendo compaixão ao que allega em sua petição lhe perdoe a dita quantia pello amor de Deus, e mande ao padre cura de Rio Frio o não obrigue e R[eceberá]. esmolla» (1085). No despacho deste requerimento mandam os cónegos que informe o dito padre de Rio Frio, que em declaração exarada no mesmo, datada de 16 de Junho de 1664, afirma ser tudo verdade e que «foi roubado dos castelhanos avera 4 annos». Os cónegos perdoaram-lhe toda a dívida. 161 – GUERRA PENINSULAR – «Ill.mo Snr. Diz José Antonio Saldanha, desta cidade [de Bragança] e rendeiro de duas Provendas pertencentes á Meza Capitular, no lugar de Rio Frio e suas aneixas, Veigas e Quintanilha, que na entrada que nesta fizerão as tropas francezas lhe roubarão e bazarão vinte cargas de vinho que fazem oitenta almudes de vinho; e as dismarias de gados e mais pertencentes que lhe derão notavel porjuizo, rezão porque Pe. a V. S.as Sejão Servidos atender ao suplicante na quantia principal do seu arendamento. E. R. M» (1086). Pelo despacho que vem noutro requerimento do mesmo teor, datado de 9 de Agosto de 1809 (o primeiro requerimento tem o despacho de 28 de Maio), vê-se que os prejuízos foram nas povoações de Veigas e Quintanilha e que os cónegos perdoaram-lhe na renda «quatro moedas» de 4$800 réis cada uma, ou sejam 19$200 réis, quantia não pequena para o tempo, em que o alqueire de centeio se vendia a 240 réis.

(1083) No «Livro dos Acordos e Posturas da Câmara de Bragança» que começou a correr em 3 de Outubro de 1637, estão cosidos à folha 83 e seguintes este e os demais documentos que adiante se mencionam. (1084) Ibidem, onde vem transcrito na íntegra. (1085) Documentos do Museu Regional de Bragança, maço Para a história da Diocese. (1086) Ibidem.

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AINDA A GUERRA PENINSULAR E INFANTARIA Nº

24 DE BRAGANÇA

162 – Na segunda «Ordem da brigada» do dia 6 de Agosto de 1812, acampada entre o campo do Pinheiro de El-Rei e Segóvia, lê-se: «No momento em que o coração de todo o verdadeiro soldado que se deve exaltar com a ideia das vantagens que temos alcançado sobre o inimigo, momento em que um peito leal a inflama do patriotismo, esperando ver por fim lançado fora da Peninsula o inimigo da Europa, parece impossivel achar soldados tão faltos de sentimento, de pensar e de vergonha que larguem suas bandeiras, e o que é ainda mais extraordinario é ver que esta infamia seja somente praticada pelos transmontanos, povos que foram sempre considerados como dos mais bravos de Portugal. O brigadeiro não sente ver-se privado de taes homens, que seguramente fugiram como cobardes ao inimigo em um dia de batalha, mas é necessario que malvados deste genero sejam punidos» (1087). Declara que serão fuzilados os que forem apanhados. Na «Ordem do dia» de 10 de Dezembro de 1812 do quartel em Vila Real, lê-se: «O senhor brigadeiro, comandante da brigada, se propõe pelo Natal dar licença a partidas de soldados do batalhão de caçadores 5 e do regimento 13 para poderem ir ver seus parentes e amigos. O senhor brigadeiro tem o duro pezar de não poder ampliar esta graça ao regimento 24... porque na ocasião em que elles [oficiais e soldados] deviam ter posto em acção todo o esforço, nunca se mostraram mais negligentes e deste modo offereceram o exemplo que deu motivo á desgraça que teve este regimento na ultima marcha em que perdeu três quartas partes da sua gente. O senhor brigadeiro comandante tem muitas vezes procurado por todos os meios chamar á consideração dos deveres os oficiaes do regimento 24, porém sente infinitamente o confessar que, tiradas algumas excepções, nada tem conseguido, e depois de ter exaurido todos os esforços, se vê obrigado a dar uma parte especial deste regimento ao marechal conde de Trancoso» (1088).

(1087) Ordens do dia do Regimento e Brigada do comando de Bradford. Desta brigada faziam parte os regimentos de infantaria n.os 13 e 24 e caçadores nº 5. Estas «Ordens do dia» formam um livro manuscrito, in-4.°, de cinco cadernos de papel branco, não pautado. Começam em 30 de Março de 1812 e terminam em 1 de Janeiro de 1813. Há ainda outro livro, também manuscrito, de «Ordens do dia» que começa em 20 de Outubro de 1811 e vai até 29 de Maio de 1812. (1088) Ordens do dia atrás citadas.

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O seguinte ofício é ainda mais explícito: «S. Ex.cia o Marechal Beresford, conde de Trancoso, determina que V. S.a não dê licenças aos oficiaes do regimento nº 24, porque S. Ex.cia não só prohibe que elles tenham licença, mas até lhes manda declarar que ficão inividos de terem promoção pela desordem com que o regimento se houve na retirada. Deus Guarde a V. S.a. Quartel do Calhariz, 26 de Dezembro de 1812. Ill.mo Sr. Brigadeiro Bradford» (1089). Estiveram nos quartéis de Vila Real, onde chegaram a 7 de Dezembro de 1812, desde esse dia até 16 de Maio de 1813, itinerário que seguiu a brigada onde ia o regimento nº 24. Dia 17 de Maio, Mirandela; 19, Podence; 20, Outeiro; 22, Argozelo, onde se organizou um conselho de guerra e o brigadeiro passou revista a toda a brigada; dia 26, Serapicos; e 27, campo de Alcaniças. Não é bem exacto que as tropas chegassem aos povoados nos dias indicados, pois as «Ordens do dia» é que foram datadas do quartel da brigada estabelecido nessas povoações no dia apontado, nalgumas das quais ainda estaria a retaguarda das forças e noutras já teria retirado. São ainda curiosas as «Ordens dos dia» pelas espécies que fornecem relativos à vida íntima da milícia. Na de 20 de Setembro de 1811 recomenda-se aos comandantes que vigiem sobre a boa conduta das mulheres que acompanham os regimentos. Na de 16 de Outubro de 1812, dada no acampamento de Burgos, mandam-se armar «barracas para os oficiaes, soldados e mulheres que acompanhão o regimento, mas estas farão um armamento na cluna da rectaguarda e não se comunicarão com as barracas dos soldados, e a primeira que é encontrada de noute nas barracas dos soldados será logo rapada e posta fora do regimento por não obedecer a ordes [sic]». Na de 27 de Maio de 1813 no campo de Alcaniças ordena-se que «as mulheres não levem as muxilas aos soldados, pois que isto não é nada militar». Manda que as mulheres sigam juntas atrás das bagagens e sejam escoltadas por um sargento de cada corpo. Na de 9 de Julho de 1812, datada do campo de Palhas, proíbe-se que os soldados conversem com os soldados inimigos quando forem à água. 163 – Aveleda e Baçal. Em 1858, os moradores de Aveleda demandaram os de Baçal, tudo no concelho de Bragança, por irem buscar lenha ao monte bravio da Campiça, limite do termo daquela povoação. Os de Baçal alega-

(1089) Ibidem.

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ram que tinham posse imemorial de lá irem buscar lenha, no terreno compreendido «desde o caminho de Santa Cruz, para o lado direito até á marra de Santa Cruz, e da Breia de rio d’Onor, até ao Cabouco de Vaal de Espinheiro, e dahi até as fragas do Cabril, alem doutras demarcações, e he termo mixto para uso de lenhas, entre os moradores de Baçal, e da Aveleda». Os de Aveleda, contestando, reconheceram que os de Baçal «tem tido posse de ir á lenha ao termo de Aveleda, mas é somente desde o Prado do Olmo pela breia, vertentes á Campiça, até á Raia». Foi dada sentença pelo juiz de direito de Bragança contra os moradores de Aveleda, que apelaram para a Relação da Porto, onde, por sentença de 18 de Janeiro e 30 de Maio de 1860, se confirmou a dada em Bragança. Foram juízes na Relação os doutores: Joaquim Pedro Judice Samosa, relator do processo; António José Pereira Leite (este foi o que se alongou mais nos considerandos a favor dos de Baçal); Bento Cardoso G. P. Corte Real, e Silva, que aparece na sentença só com este apelido. (Documento registado no livro nº 8 do «Registo maior da Câmara Municipal de Bragança», fólios 41 a 47). 164 – Baçal-Rabal. «Copia da acta da sessão da Conselho de Districto de 3 de Junho de 1859. Logar respectivo. Recurso interposto pela Junta de Parochia de Rabal, da deliberação da Camara Municipal de Bragança, que indeferiu a pretenção de que fosse approvada uma proposta feita pela mesma Junta, em que pedia que o artigo 29.º do Codigo de posturas municipaes fosse applicado aos gados de fora da parochia de Rabal, e designadamente aos de Baçal, que n’ella fossem encontrados a pastar. O fundamento com que a Camara indeferiu a reclamação da Junta recorrente, foi por ter a Junta e Regedor da parochia de Baçal allegado que tinham posse immemorial de apascentar seus gados em parte do termo de Rabal – que designavam. Ouvida a Camara sobre o recurso interposto, e sobre qual a prática seguida no Conselho com respeito a pastagens dos gados das diversas freguezias, e se havia alguma postura antiga, ou moderna, que regulasse os mesmos pastos – responde, sustentando a sua primeira deliberação, e que a prática seguida, relativamente a pastagens, é a rigorosa observancia das posses em que se acham as freguezias – e que não há postura antiga ou moderna que vá de encontro a qualquer posse devidamente constituida. A Junta de Parochia de Baçal apresentou neste Tribunal, depois deste recurso estar em andamento, um requerimento em que, allegando novamente a posse em que está de levar seus gados ao terreno questionado, quer sustentar o seu direito, que, segundo ella, somente no poder Judicial pode ser discutido. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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O Administrador do Concelho, que foi mandado examinar o terreno questionado, indica que todo elle é de individuos das duas povoações, que nelle não há demarcação, nem campo algum concelhio, á excepção das margens do rio, e que no acto da vistoria, os moradores de Baçal, lhe haviam novamente declarado que tinham posse antiquissima de pastorear seus gados, tão somente á folha calva, dentro dos pontos indicados pelo Regedor e Junta de Paroquia em suas respostas. O que tudo sendo visto e examinado; e considerando o Conselho de Districto que pela legislação moderna os gados de uma parochia não podem utilizar-se dos pastos de outra, como se acha já resolvido em consultas do Conselho d’Estado, e designadamente na que foi approvada por Decreto de 15 de Janeiro de 1855, salvo se os terrenos em que a pastagem tiver logar forem concelhios, ou dos proprios donos dos gados. Considerando porem, por outro lado, que esta doutrina não pode ser applicada, por emquanto, á questão sobre que se recorre, porque a posse allegada pela Junta e Regedor da Parochia de Baçal excede a competencia deste Tribunal pela disposição do artigo 284.º do Codigo Administrativo; doutrina esta que se acha sanccionada em outra consulta do Conselho d’Estado, approvada por Decreto de 8 de Setembro de 1853. Por todas estas razões, o Conselho de Distrito accorda não tomar conhecimento do recurso da Junta de Parochia de Rabal, sem que préviamente se julgue nos Tribunaes Judiciaes o fundamento da impugnação feita pela Junta e Regedor da Parochia de Baçal. Castilho e Mello. Lima. Bramão. Leão e Teijo. Está conforme. O 1.º official servindo de Secretario Geral – Paulo Candido Ferreira de Sousa e Castro». CURTUMES EM BRAGANÇA

(1090)

165 – «Dom Miguel por Graça de Deos Rei de Portugal e dos Algarves daquem e dalem mar em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista Navegação Commercio da Ethiopia, Arabia Persia e da India, etc. Faço saber que Sebastião Mendonça da Cidade de Bragança Me representou que elle pertendia estabelecer nos seburbios da mesma Cidade,

(1090) Além do mais, este documento é interessante por conservar intacto o nome do rei D. Miguel, que foi mandado riscar dos documentos públicos, e em muitos da Câmara Municipal de Bragança está realmente traçado, mas com tinta mais ordinária do que a do original, de maneira que se vai diluindo, aclarando assim mais e mais o nome daquele rei à medida que o tempo passa; porém, no presente documento não foi riscado, certamente porque o não viram.

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perto do rio Fervença, huma Fabrica de Cortumes, e Me pedia fosse servido autorizallo para o dito fim, monindo-o das competentes graças e exemçoens, ao que tendo respeito; e constando-Me por informaçoens do Corregedor da dita Comarca, e mais deligencias a que o mesmo procedeo, que o supplicante tem muitos sufficientes meios para fazer prosperar o Estabelecimento a que se propoem, achando-se portanto nos termos de merecer a graça que implora, e de se declarar comprehendido na Real resolução de 25 de Maio de 1789. Hei por bem conceder-lhe a graça pedida, bem como os Previlegios seguintes: 1.º Que o dito Criador possa colocar As minhas Reaes Armas no portico da mencionada Fabrica. 2.º Que a mesma Fabrica, e todas as pessoas empregadas na laboração sejão exemptos de toda a jurdição civel e criminal, ficando emmediatamente sobordinados á Real Junta do Commercio, e tendo por seu Juiz privativo o Juiz de Fora da dita cidade, com appellação e aggravo para o Dezembargador Juiz Conservador dos prevelegios do Commercio em todas as cauzas contenciosas. 3.º Que o Senhorio da dita Fabrica, os seus Administradores, Caixeiros, e mais pessoal que nella se occupão gozarão d’apozentadoria passiva. 4.º Que lhe não poderão ser tomados nem embargados carros e cavalgaduras que se empregarem no serviço da sobre dita Fabrica, excepto quando tudo for preciso para o meu Real Serviço, porque então neste caso cessará o Previlegio: Pelo que mando a todas as Justiças e mais pessoas a quem o conhecimento desta [pertencer], que o cumprão e guardem como nelle se contem e declara sem duvida ou embaraço algum. El Rei Nosso Senhor a mandou...... Lisboa a dois de Julho de 1830» (1091). TROVOADA PAVOROSA

166 – A 25 de Agosto de 1804 a Câmara Municipal de Bragança, em companhia do corregedor da comarca, procedeu a uma vistoria sobre os estragos causados pela medonha trovoada que ao amanhecer do dia anterior caíra sobre a cidade. «Primeiramente acharão que a Ponte chamada do Loreto que está no principio da cidade e a mais frequentada, ficou totalmente aruinada, e demolida, restando somente no principio e fim della hua pequena parte que apenas pode ficar em pé quando haja de reedificar-se por ficar tremida e abalada.

(1091) Livro maior nº 7 da Câmara de Bragança.

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Acharão outrosim que em hua cortinha contigua á mesma Ponte que hé do Bacharel Francisco José Martins, havia levado toda a tapage da banda da Ribeira, e varias parreiras e ortaliças, e hua grande parte da terra, deixando a outra cheia de pedras, e dos residuos da mesma Ponte. Outra cortinha por baixo da dita Ponte que he pertença da Quinta de Santa Apolonia ficou bastantemente areada e destapada, e com alguns materiaes da referida Ponte, e excluida do fruto que tinha…………… (1092). Demolio inteiramente hua moenda de duas rodas com sua caza separada que hera de Domingos Fernandes moleiro, não ficando mais indicios della do que huma pequena parte do cubo e de hua parede da dita caza, aruinando-lhe tambem a agoeira, e ainda em parte a preza. …………… lnnundou hua grande e estimavel propriedade de Antonio Venceslao Doutel em que havia meloaes e varias ortas de diversas pessoas, levando-lhe hua grande tapage e parte da terra, deixando-lhe a mais esbulhada de fruto, que era consideravel. …………………………………………… Aruinou inteiramente e desipou hua grande e consideravel propriedade dos herdeiros de Francisco Ferz em que havia ortas e melões de muitas pessoas, levando tudo, e varias parreiras, e arvores de fruto que tinha em circumferencia, assim como o muro que a tapava, deixando o terreno que era muito rendoso todo cheio de pedras, e falto de muita terra, e em estado lastimoso e ate se intopirão duas fontes que sahião da dita propriedade, e de que se servia bem seguramente metade da cidade. Lançou por terra hum grande pedaço do muro da cerca que foi dos exJesuitas innundando-a fortemente, e desbaratou em partes hua grande calçada que ha entre ella e a Ribeira bastantemente frequentada. Demolio hua preza, e agoeira pertencente a dous moinhos de Gabriel José Ribeiro, levou hum dos ditos moinhos, ficando o outro combatido, e sem poder ter uzo algum. Extinguio hua Ponte de madeira, e levou de todo um estimavel moinho de duas rodas que hera de Manuel Bernd.º Sename deixando-o privado de todos os seus compostos, levando-lhe tambem hua boa orta que tinha da outra banda da ribeira para a qual se servia da dita Ponte que tinha feito por sua conta. Rompeo outra preza que encaminhava a agoa a duas moendas de Francisco Antonio da Veiga, levando de todo hua dellas e deixando a outra sem exercicio. ………………………………………………………………… Rompeo outra preza e desbaratou a agoeira que dava servidão a tres moinhos dos herdeiros do Reverendo Caetano José Saraiva, de Antonio Ferreira de Castro, e de André Manoel Pires e hua casa de Tintoraria de (1092) As reticências indicam propriedades que omitimos por não se poderem identificar hoje.

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cores que mandou edificar de novo João da Silva. Levou esta caza, e muita quantidade de seda que se achava dentro, tengida e por tingir pertencente a vários fabricantes e a que deixou ficou entulhada e estragada e nos termos de não poder servir, e toda não baixava, sem duvida, de mil arrateis segundo o calcullo dos dous ultimos louvados que não forão os menos prejudicados. Levou toda a moenda do dito André Manoel Pires com hua boa orta e parreiras, que tinha ao pé; levou hum palheiro que estava junto a outra moenda de Antonio Ferreira de Castro, e hua excelente orta com varias parreiras, e figueiras que estava contigua com toda a sua tapage, deixando a moenda tremida e em parte aruinada sem poder servir, e a orta toda cheia de pedras. ………………………………………………………………………… Levou igualmente hua grande parte da parede das ortas chamadas do – Pona – que são de José da Silva carpinteiro (1093)…………………………… Demolio tres moradas de cazas por sima da Ponte (1094) ……………… sem lhe deixar outra cousa mais que as fronteiras de sima bem aruinadas e em termos de não poderem servir. Desbaratou, e levou a Ponte por baixo da cadea chamada das Tenarias, deixando-lhe somente os dous arcos esbulhados, e bem combatidos e estragados, e os patamares quasi por terra. Fugio com duas moradas de cazas em que se achava emprazado João Allonso e o sargento Mor João Flores de Ordás, e com hua boa orta pertencente ás primeiras, sem deixar resíduo algum, nem signaes de que ali houvesse taes propriedades. Abandonou duas excelentes ortas que herão de Sebastião Mendonça, e Thomaz Antonio de Leão em que havião gasto bom cabedal, e se achavão fronteiras de hua e outra banda da Ribeira, levando-lhe toda a tapage, terra, parreiras, e legumes e athe hua casa que de novo tinha feito o mesmo Thomaz Antonio, e parte de outra que havia reedificado o dito Sebastião Mendonça. Extinguio hua moenda de Francisco Ferreira Sarmento Pimentel com a preza e agoeira que lhe dava servidão sem que ficasse nella materiaes alguns. … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … Extinguio igualmente duas moendas pertencentes aos herdeiros de Thomaz Antonio Leitão com suas respectivas azudas e agoeiras deixando bem poucos sinaes dellas; e o mesmo aconteceo em outras duas das Reli(1093) Ficaria o nome de Pona a estas hortas por terem sido do jurisconsulto Paiva e Pona, de quem falamos no artigo respectivo? (1094) É a das Tenárias, abaixo mencionada.

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giosas de S. Bento e de Francisco Xavier da Veiga das quaes nem ao menos deixou vestigios, bem como nas suas prezas, e agoeiras. Danneficou bastantemente a outra Ponte chamada do Jorge, roubandoa dos lados e ficando em pé o arco bem combatido. Pasou a demolir outra moenda que ficou de Thereza Felizarda levando-a toda com sua preza, e agoeira e orta que tinha contigua sem deixar cousa algua dos seus materiaes.………………………………………………… Dali passou a consumir hua moenda dos herdeiros de Francisco Xavier Dinne e outra de D. Antonia de Moraes Antas com as suas assudes, agoeiras e excelentes olgas em que exestião boas arvores de fruto muita latada, e quantidade de ortaliça». Continuou por ali abaixo arrasando e levando todas as hortas até ao pontão de Palhares. Iguais danos fez a enchente, antes de chegar à ponte do Loreto, nas propriedades dos povos de Nogueira, Castanheira, Gostei, Formil, Castro de Avelãs, Grandais e Fontes Barrosas, «em que se formou a trovoada, e em cujos continentes principia a Ribeira, levando hum pontão, e parte de outra ponte de pedra que estavão no termo do dito Povo de Castro de avelãs; e que os mesmos prejuizos acontecerão depois que as agoas da dita Ribeira sahirão do dito sitio de Palhares e entrarão nas quintas e mais propriedades que lhe ficão inferiores pertencentes tanto a esta cidade, como aos lugares de Alfaião e outros athe entrarem no Rio Sabor. Constando igualmente com publicidade que na mesma noute havião os Rios Baceiro, e Tuella abandonado alguns moinhos, Pontes de madeira, e propriedades dos moradores de outros lugares desta jurisdição alem de diferentes estragos que tinhão cauzado as agoas e trovoadas. E que igualmente hera voz constante que com os moinhos e cazas atras declaradas que a enchente levou nesta cidade e seus suburbios, havião hido todos os trastes e alfaias de que ellas se compunhão e outros interesses de consideração, asim como hum grande numero de cargas de pão que se achavão nos ditos moinhos sem que a nada se podesse acudir ficando seus moradores em hua total decadencia» (1095). FIGURA SIMBÓLICA DA MORTE, EM BRAGANÇA, NA QUARTA-FEIRA DE CINZA

167 – «Ill.mo e EX.mo Snr. – A meza da Veneravel Ordem terceira d’esta cidade tem sido solicitada para consentir que a figura da morte divague pelas ruas da cidade no dia de quarta feira de cinza. Pelas razões expostas na representação que a meza dirigio ao Ex.mo Snr. Governador do Bispado,

(1095) Museu Regional de Bragança, Registo maior 5 da Câmara de Bragança, fólios 18 e segs.

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a meza é de parecer que não deve conseder-se que a figura da morte divague pelas ruas. A autoridade ecclesiastica porem não attendeu a esta exposição e concedeu a licença requesitada. Mas como este assumpto está regulado na lei organica da Veneravel Ordem terceira a meza da mesma ordem não pode tomar sobre si a responsabilidade de transgredir os seus estatutos e por isso julga dever seu expôr a V. Ex.cia o conteudo dos mesmos estatutos para que V. Ex.cia como fiscal da lei resolva o que entender por melhor. O artigo 36.º dos referidos estatutos no § 4.º diz: “Expressamente prohibida a divagação pelas ruas da figura que na procissão de cinza costuma representar a morte devendo sahir e recolher com a procissão”. Em vista d’isto não está nas atribuições da meza conceder-lhe o vestuario da morte. Mas como é um grupo de individuos que insiste em pedir aquele vestuario parecendo que por esse motivo já se preparam temultos e desordens, a meza querendo tirar de sobre si a responsabilidade de quaesquer acontecimentos e da transgressão da lei, informa a V. Ex.cia da situação em que se encontra e pede ou que V. Ex.cia dê as providencias para fazer cessar as assoadas ou que V. Ex.cia conceda a licença que a meza não pode conceder para a divagação da morte, ficando em ambos os cazos a meza desobrigada de responsabilidades. Bragança, 1 de Março de 1870». Assinam o requerimento: Bernardino José Pires, João Manuel Pereira Horta, José António Pires, Manuel José Ferro, Manuel António, José Manuel dos Santos e José Maria da Cruz. No mesmo requerimento escreveu de sua própria letra o governador civil do distrito de Bragança o seguinte despacho: «Tendo-me informado o Snr. Administrador do concelho que em alguns annos posteriores á approvação dos estatutos da Veneravel Ordem Terceira se tem concedido a divagação pelas ruas da figura simbólica a que o requerimento se refere, e que a concessão tem sido feita em respeito aos uzos e costumes immemoriaes deste povo. E sendo mais informado que differentes mezas da mesma Veneravel Ordem tem promovido essa licença da authoridade, e tendo a superior autoridade ecclesiastica concedido já a mesma licença para este anno; conforme a licença que já havia concedido baseada nas praticas anteriores, ficando assim a meza requerente a salvo de qualquer responsabilidade. E é pelos fundamentos referidos que confirmo a licença, e não pelas suppostas assuadas que os requerentes receiam e que a authoridade em qualquer hipotese terá força de evitar. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Seja presente este despacho ao Snr. Administrador do Concelho para os fins convenientes. Bragança, 1 de Março de 1870. O Governador Civil, Pessanha» (1096). Junto ao mesmo documento vem outro requerimento da mesa da Venerável Ordem Terceira ao governador do bispado, dizendo que o governador civil concedeu licença para sair a «Morte», mas que ela não dá os hábitos sem permissão da autoridade eclesiástica e por isso lha pede. O governador do bispado deu o seguinte despacho. «Julgo da exclusiva attribuição da meza a concessão do vistuario da figura – a Morte – mas, se isso depende da minha auctoridade, concedo a licença pedida. Bragança, 1 de Março de 1870. Martins» (1097). Ainda junto aos mesmos documentos vem outro requerimento dirigido ao governador do bispado que diz: «A meza da veneravel Ordem Terceira, não querendo por si só resolver uma questão que muito interessa ao respeito da Religião; vem perante V. Ex.cia R.ma como Governador d’este Bispado tomar conselho, como sendo pessoa a quem principalmente incumbe o velar pelo decoro das coisas da Igreja. Entre as figuras, que compõe a procissão de Cinza, nesta cidade, tem lugar a figura Morte, destinada a symbolizar o salutar avizo pulvis es, et in pulverem reverteris. Com ella se pretende lembrar que a quadra da quaresma, começada em quarta feira de Cinza, deve ser consagrada a cuidar da vida futura, que para todos é certa, e que pode abrir-se inesperadamente, porque o sopro da vida é menos firme que a luz da alampada agitada pelo vento. Por um abuso e por uma condescendencia, talves censuraveis, fez-se da figura da Morte uma figura carnavalesca, que, longe de chamar as almas para ideias de piedade, provoca scenas de descomposta folia e não poucas vezes de desordem. Pode dizer-se que a figura da Morte tem feito de quarta feira de Cinza, do primeiro dia em que mais particularmente se celebram

(1096) Era governador civil Carolino de Almeida Pessanha, natural de Mirandela e aí falecido em 1874. (1097) Era governador do bispado de Bragança Sebastião Luís Martins, doutor em direito, chantre da Sé e professor e vice-reitor do Seminário, natural do Azinhoso, falecido em Bragança em 1911.

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os misterios da Igreja, e se commemora a paixão do Redemptor, o quarto dia do carnaval. E isto facilmente se avalia sabendo-se que os fatos daquela figura se allugavam a razão de 480 réis por hora. Á meza da veneravel Ordem Terceira parece vergonhoso especular com as coisas da igreja, e sobretudo acha altamente offensivo ao respeito devido á Religião que se faça de quarta feira de Cinza um dia de carnaval, e que o – pulvis es – que a Igreja manda memorar, seja esquecido e offuscado por actos improprios de quem pensa na vida futura. Por isso, apoiada no exemplo d’alguns Governadores Civis que ultimamente prohibiram que pelas ruas divagasse a figura da morte, a meza da veneravel Ordem Terceira é de parecer que esta prohibição se mantenha. E como os turbulentos podem atribuir a más intenções esta prohibição, a meza deseja que V. Ex.cia lhe confirme ou reprove esta deliberação, para que, firme com a respeitabilidade de V. Ex.cia, possa responder aos que a calumniarem. E. R. M.ê Bragança, 1 de Março de 1870». Assinam este requerimento os mesmos atrás mencionados no dirigido ao governador civil e mais: Manuel António Martins, Bruno Lobato e António José Diegues. O despacho da autoridade eclesiástica diz: «A meza deliberará como o julgar mais conveniente á Ordem, e á religião, recorrendo, se for necessario, á auctoridade administrativa para que providencie sobre a conservação da ordem publica. Bragança, 1 de Março de 1870. Martins, Governador». O seguinte documento esclarece o assunto e mostra a perduração do costume: «Ex.mo Snr. Comissario da Policia Civil – Levo ao conhecimento de V. Ex.cia que hoje por 7 horas da manhã, junto ao matadouro publico, onde estavamos de serviço para evitar a saida da Morte, ali apareceu Manuel Augusto Marvão solteiro de 21 anos de idade, com fatos da Morte, e mandando-me o cabo 10 que o prendesse dirigi-me a ele Marvão, fazendo-me figas com o braço e dizendo-me: olhe se se f... seu cara de ...... que a mim não me prende, eu então corri sobre ele escapando-se-me para uma casa saindo logo por outra porta, e por essa ocasião disparei um tiro por o ter já intimado a dar-se á prizão e com o fim de o amendrontar, e passados alguns momentos voltou a aparecer com as mesmas arruaças detendo-o então por essa occasião. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Testemunhas: Manuel Barata e guardas civis n.os 7 e 22 e cabo 10. Bragança, 23 de Fevereiro de 1914. O guarda civil nº 20 – Antonio Sebastião» (1098). Pelos seis tomos destas Memórias ficam descritos muitos códices manuscritos referentes ao distrito de Bragança, especialmente no tomo IV, págs. 334, 345, 372 (os quatro códices aqui mencionados, de n.os 2686 a 2689, estão agora em Lisboa na Biblioteca do Ministério da Guerra), 398, 401, 465, 487, 502, 546, 551, 557, 629 e segs.; no tomo V, em várias notas, que é fácil encontrar, e no tomo VI, págs. 51, 107, 147, 177, 193, 237, 369, 437, 536, 544, 562, 589, 621 e 628. Além destes, há agora no Museu Regional de Bragança [22] muitos outros manuscritos como sejam: 138 volumes em papel, 10 em pergaminho, além de 90 pergaminhos avulsos, 216 volumes do cartório do governo civil, 239 volumes do cartório administrativo (registo de testamentos), 468 do cartório notarial (testamentos, em geral, desde meados do século XVIII), tudo encadernado, 15 maços de correspondência epistolar episcopal, 15 de correspondência do governo civil, 21 de concursos paroquiais e provimento de freguesias, 1 de documentos para a história da diocese, 1 dito para a da nação, 6 de processos de habilitação de genere para freiras de Santa Clara e S. Bento de Bragança e Santa Clara de Vinhais, 6 de habilitações de genere de cónegos, 1 de documentos para a história da arte, 1 de devassas (inquirições acerca do comportamento de clérigos e civis), 6 de bens de mão-morta, 79 de habilitações de genere de ordinandos, 1 de capelas e vínculos de morgadios, 1 de «Palestras e conferências eclesiásticas», 1 de frades e freiras, 1 de breves de indulgências e altares privilegiados e 1 de demandas e sentenças judiciais. Cada um destes Maços encerra dezenas e dezenas, senão centenas, de documentos com notícias interessantíssimas, tocantes tanto à história do distrito como da nação, à administração pública, à agricultura – pecuária, carbonífera, vinícola e sericícola – ao fomento e crédito rural, cooperativismo sob a clássica e regional forma de montes de piedade, à genealogia, aos diversos ramos da ciência e letras, da etnografia, do folclore, da linguística, da arte, indústria e comércio. No respeitante às guerras da Aclamação (1640-1668), da Sucessão (1703-1714) e lutas liberais (1820-1847) há mais de mil documentos inéditos, em grande parte cheios de notícias de interesse máximo regional, ainda não exploradas. Muito interessantes também para a história da propriedade e influência das ordens religiosas e para a

(1098) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil.

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história das povoações, porque apontam as demarcações dos termos da maior parte delas, demandas e justiças que tiveram a propósito dos mesmos termos, pensões, foros e privilégios que gozavam. 168 – ANO CALAMITOSO. «No de 760 [1760] se viram coisas e experimentaram que a noticia dos velhos não chegou, nem pessoa alguma soube alcançar, como foi a descompostura dos tempos, por cuja causa foi esterilissimo o dito anno acima de todos os fructos, como pão, vinho, azeite, seda e mais legumes, mostrando em todos elles bons principios e logo a seguir-se a pouca colheita. Choveu em maio e junho do dito anno com tanta abundancia que chegaram os rios a crescer fóra da mãe e tanto que o Douro, querendo-o eu passar na barca de Miranda, foi-me preciso esperar eu uma noite até que baixasse pelo muito crescido que ia; e ainda ao outro dia o passei com perigo evidente, tendo oito homens que governar a dita barca …… tormentas mui continuadas de sorte que todos os fenos e ervas se perderam e ficaram os lavradores sem elles, arrancando arvores e levando pedras por partes que parece impossivel; a segada se fez chovendo e a colheita da mesma forma com tanta perda que em algumas terras nasceu o pão nos mornaes e em outras nas…… [eiras?] de estar já em disposição de limpar…… dito pão. No julho e agosto do mesmo anno fez frio tão d’uma maneira grande como no dezembro. Prenderam-se muitos fidalgos e os irmãos infantes D. José e D. Antonio e D. Gaspar, arcebispo de Braga, e desterrou-se o Nuncio, como adiante direi mais largamente…… todo o successo d’esta fatalidade» (1099).

A LUTA COMO MEIO PROPICIATÓRIO

169 – «D. Fr. José Maria de Sant’Anna e Noronha, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostolica Bispo de Bragança e Miranda, do Conselho de Sua Magestade Fidelissima que Deus Guarde, etc. Aos habitantes do territorio de Miranda Paz e benção em Jesus Christo, Nosso Senhor. Contando-nos, na occasião em que visitamos as parochias do territorio de Miranda neste nosso Bispado, o barbaro e intoleravel festejo com que as gentes das aldêas celebram em honra dos Santos da sua devoção e com que julgam dar culto a Deus no extravagante jogo das lutas com tanta evidencia que até quasi debaixo das nossas vistas em distancia

(1099) Esta Notícia foi escrita por Bernardino Alves do Rego, capitão, natural de Miranda do Douro, residente em Izeda, e do original nos mandou esta cópia, que muito agradecemos, o ilustrado pároco de Vila Chã de Barciosa, reverendo Manuel Joaquim Cardoso, que a encontrou nos livros do cartório paroquial.

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de meia legua se exerceu no dia 18 de setembro com bastante magua nossa, julgamos conveniente levantar a nossa voz pastoral contra estes gestos de gentilismo e reprehender um costume vergonhoso entre catholicos como escandaloso a todas as nações civilisadas. Descobre-se nestas lutas um verdadeiro duello disfarçado com o especioso titulo de festejo, em que os mancebos ostentando de forças e buscando a victoria sobre os seus contrarios com infracção manifesta das Leis os deixam estirados sobre a terra mortos ou os inhabilitam para continuar o manejo do trabalho que lhes sustenta a vida. Que incoherencia pretender dar culto a Deus e offende-lo na mesma criminosa acção em que se pretende honra-lo; que cegueira entregarem-se os homens voluntariamente á morte ou a um damno irreparavel para festejar Santos em cujos corações como discipulos d’um Deus de paz reinou a mansidão e a caridade; que intoleravel mistura Deus e Belial, fé e suprestição, religião e crime; que confusão para catholicos ver reproduzidos os antigos gladiadores do Paganismo entre povos meridionaes, onde Jesus Christo é adorado com respeito, onde as sementes da impiedade não teem fructificado com progressos e aonde a falsa philosophia do seculo não tem superado os sentimentos da religião nem destruido o magestoso edificio da Egreja Catholica. Não será possivel, amados filhos, afiar-vos (sic) por mais tempo um costume que vós mesmos não podeis deixar de reconhecer criminoso. Não será preciso dizer-vos que elle é barbaro e oposto á caridade, que a religião o crimina, que a humanidade o reprehende, que o sangue humano derramado por irmãos em pulsos de vangloria e ostentação desafia os castigos do Céu; finalmente o nome de christãos de que vos honraes é incompativel com a barbaridade que exerceis. Cumpre porem declarar-vos que Nós dirigindo-vos agora a voz de Pae que ternamente ama os seus filhos e a de Pastor que deseja encaminhar as suas ovelhas pelas veredas da verdade, usando do meio suave da palavra não pouparemos outros mais fortes se este não bastar. Horrorisaes (?) os paes de familia a ver os vossos filhos expostos á morte ou á ruina por um delirio desventurado. Mancebos robustos, empregae as vossas forcas na cultura dos campos que vos sustentam e não priveis os vossos paes do apoio e auxilio que esperam de vós na sua cansada velhice. Governanças dos lugares, oponde-vos com firmeza aos impetuosos desejos da mocidade indiscreta e não auxilieis um tão abominavel costume. Pastores encarregados dos rebanhos de Jesus Christo, exortae-os com eficacia a que suspendam a carreira errada que os conduz ao precipicio. Habitantes das terras de Miranda salvae a Nação da nota de barbaridade, a religião da afronta que padece, a caridade e justiça do desprezo publico que soffre a voz do desgosto que nos opprime e a El-Rei Nosso Senhor da dôr que ferirá o seu religioso coração se chegar ao seu real throno a triste noticia de que no meio dos seus vassallos grassam impuneMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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MARTINS

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MARTINS JÚNIOR

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mente os costumes que o seu animo pio e santo detesta e abomina. Nós como vigia dos costumes, defensor da moral santa e depositario da doutrina do Evangelho, prohibimos por nossa auctoridade ordinario debaixo de pena de excommunhão a nós reservada aos leigos que continuarem estas lutas de ferocidade, estes combates de horror e estes jogos de brutalidade, e os ecclesiasticos debaixo da pena de suspensão dos seus officios e exercicios de suas ordens, que auxiliem, auctorizem ou assistam a ellas. A todos rogamos pelas entranhas misericordiosas de J. Christo que nos não obriguem ao uso d’estas armas espirituaes que communicamos, fazendo a maior violencia ao nosso coração, mas que certamente poremos em pratica para com os desobedientes pertinazes e teimosos. Acodi, povos mirandenses, ás vozes do vosso Pastor que se acha no meio de vós, que ternamente vos ama, que veio com o unico fim de vos chamar dos caminhos do erro, que se não poupa a fidalguia (?) e trabalho por amor de vós, que até tem obrigação de derramar por vós a sua vida e o seu sangue, e seja a emenda d’este tão detestavel exercicio uma prova da vossa gratidão, da vossa docilidade, da vossa obediencia. O E. Santo, que tantas vezes temos invocado sobre as vossas almas na administração do santo Sacramento da Confirmação, vos banhe com as luzes, vos infflame com a sua caridade e vos arme com a sua fortaleza para resistirdes ás tentações e conservae-vos fieis na verdadeira religião que seguis. Ordenamos aos Rev.dos Parochos... (Ordena a leitura da Pastoral e a explicar os effeitos das penas retro e registá-la). Dada em visita no lugar de Genizio aos 21 de Setembro de 1825. – Fr. José Maria, Bispo de Bragança e Miranda» (1100). MARTINS (Padre Firmino Augusto), pág. 294 – Escreveu mais: Subsídios para a História Religiosa do distrito de Bragança – A ordem 3.ª e a casa do fundador do convento de S. Francisco de Vinhais. Coimbra, 1929. 8.º de 31 págs. Separata de O Instituto de Coimbra. MARTINS JÚNIOR (D. António Bento), bispo de Bragança – Nasceu a 5 de Maio de 1881 na freguesia de Arcos, concelho de Vila do Conde; filho de António Bento Martins e de D. Teresa Alves da Conceição. Fez a sua entrada solene em Bragança a 11 de Outubro de 1928, vindo acompanhado do arcebispo de Braga e do doutor Francisco Miranda da Costa Lobo, lente da Universidade de Coimbra. A recepção que teve foi imponente. A confirmação completa das deficiências biográficas a que aludimos na pág. 711, encontrámo-la agora. Todos os jornais católicos trataram do (1100) Capítulos de Visita da freguesia de Picote, concelho de Miranda do Douro, fólio 92 v. Ao bom amigo padre Manuel Joaquim Cardoso agradecemos a cópia deste documento.

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MARTINS JÚNIOR

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MATOS BOTELHO

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nosso biografado, chegando mesmo alguns deles a mandarem representantes a Bragança para fazerem a reportagem da recepção. Resultado? Mil adjectivos campanudos, largas tiradas de retórica laudatória, de que nada se apura de positivo, de concreto para a biografia do novo prelado. E nesta pobreza nos ficamos. É cedo para falar da sua acção prelatícia. Parece bom homem, apesar das exigências excessivas no serviço e das incessantes determinações que impõe, um pouco talvez em briga com a possibilidade material de as observar, por falta de tempo. É preciso porém atender a que a psicologia religiosa do minhoto diverge muito da trasmontana; que outros bispos, seus comprovincianos, viram clara a alma do povo desta região, julgada a princípio de aparência torva; que a iniciativa da construção do Seminário Diocesano de Bragança o nimba de superior grandiosidade e que o princípio da summa lex, summa injuria não fugiu de todo da diocese. Se D. António Bento chegar a realizar a obra do nosso Seminário, a que já deu início – e tudo leva a crer que sim –, fica incontestavelmente ante a história como o maior bispo desta diocese. MASSA (Francisco Augusto Fernandes) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 4 de Novembro de 1882; filho do doutor António Fernandes Afonso, médico municipal do mesmo concelho, e de D. Maria da Encarnação Massa. Fez o curso liceal em Lamego e o da especialidade no Porto, terminando-o em 1906. Escreveu: Educação, hereditariedade e sugestão – Dissertação inaugural apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Porto, 1906. 8.º de 70 págs. e mais uma de proposições. Tem exercido por várias vezes o cargo de presidente da câmara municipal da sua terra e colaborou em A Pátria sob o pseudónimo de Justus. MATOS (Francisco Manuel Fernandes de) – Professor primário. Nasceu na freguesia de Rio de Onor, concelho de Bragança (mas foi baptizado nesta cidade), a 9 de Setembro de 1897; filho de José Fernandes de Matos e de D. Maria da Conceição Fernandes de Matos Pimentel. Colaborou em O Leste Trasmontano, de que era editor; em O Gaiato, de que era redactor; em O Saboreano, de que era director, e em O Trás-os-Montes. MATOS BOTELHO (Manuel de), pág. 299 – No Museu Regional de Bragança há um livro intitulado Relação Sumária dos fúnebres obséquios, que se fizeram na cidade da Baía, corte da América Portuguesa, às memórias do reverendíssimo Senhor doutor Manuel de Matos Botelho, abade de Duas Igrejas, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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MATOS BOTELHO

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MELO

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MIRANDA

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provisor, vigário-geral e governador do bispado de Miranda, dedicada, e oferecida ao Excelentíssimo, e Reverendíssimo Senhor D. José Botelho de Matos, arcebispo da Baía, Metropolitano dos Estados do Brasil, Angola e S. Tomé, do conselho de Sua Majestade, etc., por seu autor o Doutor João Borges de Barros, cónego doutoral da Santa Sé da Baía, desembargador da Relação Eclesiástica e protonotário de S. Santidade: com uma colecção de várias poesias, e oração, que se recitou nas sumptuosas exéquias, que celebrou na Igreja da Misericórdia o muito reverendo doutor António Gonçalves Pereira, cónego magistral da Santa Sé da Baía, desembargador da Relação Eclesiástica, protonotário apostólico de Sua Santidade, juiz das dispensações, e provedor actual da Santa Casa da Misericórdia. Lisboa, 1745. 8.º de 26 (inumeradas)+123 págs. Se há livros sem título e títulos sem livro, este é um deles. Em todas estas cento e quarenta e nove páginas apenas se encontram banalidades, repetidas em versos portugueses e latinos, num afã de louvaminhar o arcebispo da Baía, irmão do abade de Duas Igrejas, que enojam!... Quanto a dados biográficos positivos do homenageado abade, apenas se diz que nasceu em Lisboa «aos dezasete de Janeiro. Dizemos o dia, e não lembramos o anno; porque os sugeitos que nascem para a eternidade, não tem annos de vida, só tem dia de nascimento», e que o arcebispo estava a celebrar de pontifical na Sé dia 29 de Junho de 1744 quando recebeu a notícia da morte do irmão abade. Que miséria de concepção!... E fica a literatura privada de informações biográficas acerca deste abade, que teve real merecimento, porque um parvo, sem noção do que valem os dados cronológicos e notícias positivas e concretas, se limitou a arquitectar adjectivação bombástica e lugares comuns. E ainda hoje há disto, infelizmente! A tirada retórica, o discurso balofo, a adjectivação campanuda e sonora e mais nada. MELO (Augusto Ernesto de Castilho e) – Doutor em matemática pela Universidade de Coimbra, cavaleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, secretário-geral do distrito de Bragança. Escreveu quando estava nesta cidade: O Código Administrativo interpretado, auxiliado, ampliado ou modificado pelas subsequentes disposições legislativas e regulamentares, em harmonia com o Título I do Decreto de 8 de Setembro de 1859. MIRANDA (Carlos Alberto de Sá) – Doutor em medicina pela Universidade de Lisboa, cônsul de Portugal em Fall River (Estados Unidos da América do Norte) e sócio-correspondente da The National Geographic Society in Washington. Nasceu em Grijó de Vale Benfeito, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 16 de Abril de 1894; filho de José Manuel de Sá MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


MIRANDA

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MIRANDA DO DOURO

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MISERICÓRDIA

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Miranda e de D. Maria Joana de Sá Miranda, neto paterno de Carlos António Tomás de Aquino de Miranda e de D. Leopoldina de Sá Pinheiro e bisneto de José Manuel de Miranda e de D. Ana Inês Pereira, sobrinho, aquele, do célebre abade de Medrões, Inocêncio António de Miranda (1101). O cônsul Carlos Alberto de Sá Miranda fundou em Fall River uma escola de ensino da língua portuguesa. MIRANDA (Manuel Inácio Romarim de) – Recebedor do concelho de Bragança, tenente-coronel do batalhão de voluntários da mesma cidade, irmão de Inocêncio António de Miranda, prior de Santa Maria de Bragança, parente de outro do mesmo nome, abade de Medrões (ambos com biografia neste livro, págs. 313 e 319). Tornou-se notável durante as lutas liberais como revolucionário Cartista contra os Setembristas de 1836, o que lhe valeu uma guerra implacável de António Rodrigues Sampaio, o célebre Sampaio da Revolução de Setembro, então governador civil substituto do distrito de Bragança. A grande cópia de documentos inéditos que temos, referentes às lutas liberais no nosso distrito, dão para uma larga monografia, na qual daremos a biografia de Romarim de Miranda. MIRANDA DO DOURO – Em carta régia de 20 de Maio de 1644, dirigida ao cabido de Miranda, diz el-rei que tem «dado as ordens necessarias para que se enviem logo a essa praça as duas peças de artelharia polvora e munições que pedis e se levantem as companhias que dizeis são necessarias para defensa della, e empedir ao inimigo as entradas e dano que faz nessa fronteira» (1102). Noutra de 28 de Fevereiro de 1644 diz el-rei ao mesmo cabido «que se leve do Porto a peça de artelharia, que aly está emquanto se não poderem remediar, como convem». E em carta de 21 de Maio de 1661, datada do Porto e dirigida ao mencionado cabido por Domingos Antunes Portugal, diz-lhe este que mande buscar duas peças de bronze que ali lhe deixou o tenente-general de artilharia para lhe serem remetidas (1103). MISERICÓRDIA – Ver artigo Rocha (António José da), pág. 790. MOGADOURO – António Vitorino de Morais Machado (tomo VI, pág. 721), nascido no Mogadouro a 28 de Abril de 1782 e aí falecido a 20 de Abril de 1853, mandou edificar em 1841, junto à sua casa de habitação, (1101) Ver tomo VI, p. 234, destas Memórias. (1102) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial. (1103) Ibidem.

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MOGADOURO

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MONTE DE PIEDADE

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uma capela dedicada a Santo António. Por despacho de 30 de Maio de 1842 concedeu D. Pedro Paulo Figueiredo da Cunha Melo, arcebispo de Braga, ao fundador da mesma capela um altar e imagem de Santo António, existente no extinto convento de S. Francisco, por ali se achar «com indecencia sugeito ás intemperies, fazendo ninho os passarinhos nelle». A política explorou largamente com o caso, e até 1846 baixaram seis portarias da rainha D. Maria mandando alternadamente conservar na capela ou repor no convento o altar. O doutor Bernardo Teixeira de Morais Leite Velho (ver pág. 263) chefiava os conventófilos e o doutor Francisco Casimiro de Morais Carvalho Machado (ver tomo VI, pág. 721) publicou uma folha avulsa, impressa no Porto em 1846, dirigida ao administrador do concelho, José Luís Gomes da Silva, onde mostrava a má-fé das queixas enviadas à soberana, de onde resultou a última portaria sobre a famosa intrigalhada, que manda «permanecer o altar na capella onde ainda se encontra». Tem a data de 13 de Junho de 1846 (1104). MONTE DE PIEDADE – Em Frieira, concelho de Bragança, havia um montepio que tinha em Dezembro de 1864 o capital de cinquenta e cinco alqueires de serôdio, para serem fornecidos aos lavradores na sementeira, mediante o juro de um celamim por alqueire; mas, nesta data, foram extintos estes montepios, isto é, deixaram de ser administrados pelos párocos, como muitos costumavam ser, em razão de deverem a sua existência a um padre, e passaram à direcção das juntas de paróquia (1105). Em Carrazedo, também concelho de Bragança, havia outro nas mesmas condições, fundado por um abade desta freguesia, que fornecia pão para sementar aos moradores de Alimonde, Carrazedo, Refóios e Zoio (1106). No distrito de Bragança havia montepios em Algoso, Bagueixe, Castelãos, Chacim, Fermentãos, Freixo de Espada à Cinta, Izeda, Talhas e Vimioso. Ver neste «Suplemento» o artigo Nogueira (Francisco), pág. 770. Estes admiráveis estabelecimentos de caridade cristã, verdadeiras instituições de crédito agrícola, bem mereciam que os nossos economistas e quantos se dedicam ao fomento agrário as tomassem por base de novo restauro, certamente prometedor em vista da sua tradição nos meios populares por mais de três séculos (começaram no tempo de el-rei D. Sebastião e acabaram pelos anos de 1854, indo algumas muito mais adiante). O governo constitucional, na ânsia iconoclasta de tudo reformar, acabou com

(1104) Ao nosso valioso cooperador doutor Casimiro Henrique de Morais Machado agradecemos os informes para este artigo. (1105) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil. (1106) Portugal Antigo e Moderno, artigo «Carrazedo».

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MONTEIRO

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MONTEIRO FILIPE

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MORAIS CARVALHO

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MORGADIOS

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eles e não os substituiu; o republicano vai na mesma e a agricultura definha a olhos vistos, porque a solução da questão agrária, resolvida anteriormente pelos «Montes de piedade», confrarias e misericórdias, jamais chega. MONTEIRO (Abílio Adriano de Campos), pág. 330 – Escreveu mais: As duas paixões de Sabino Arruda – Romance. Porto, 1929. 8.º de 358 págs. e uma de erratas. MONTEIRO FILIPE (Gonçalo) – Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1909. Nasceu na freguesia de Castanheiro do Norte, concelho de Carrazeda de Ansiães, e é filho de Francisco da Veiga Filipe e de D. Maria da Luz Monteiro Filipe. Escreveu: Unidade patogénica da disenteria [tese de doutoramento]. Porto, 1909. 8.º de 78 págs. É médico militar em África. MORAIS CARVALHO (Cristiano Augusto de) – Doutor em medicina pela Universidade do Porto, onde terminou o curso em 1923. Nasceu em Vila Flor a 19 de Dezembro de 1895, mas foi baptizado na freguesia da Cardanha, concelho de Moncorvo; filho do doutor Guilhermino Augusto de Morais e de D. Zulmira Amélia Rodrigues de Morais Carvalho. Escreveu a tese de doutoramento que ficou de enviar-nos, mas ainda hoje esperamos por ela. MORGADIOS – Vínculos de morgadios no concelho de Bragança e seus administradores em 1862, com indicação do valor dos bens: Administradores

Residência

Visconde da Paradinha Paradinha Viscondessa de Ervedosa S. Jorge D. Antónia Borges Rebelo de Ataíde e Vasconcelos Suçães Francisco de Sousa Rebelo Pavão » Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Rio de Moinhos Francisco de Figueiredo Sarmento Bragança João Ferreira Sarmento » Francisco Cândido de Castro Castanheira de Monforte de Rio Livre

Valor dos bens na matriz predial 8 446$000 6 431$520 2 444$300 8 874$460 17 486$700 7 130$080 2 338$400 (1107)

3 110$400

(1107) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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MORGADO

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MORTE

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NAVARRO

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NEVES

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NOGUEIRA | OLIVEIRA

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MORGADO (Doutor Francisco José Martins), tenente-coronel médico, pág. 350 – Foi condecorado em 1929 com o grau de comendador da Ordem Militar de Cristo. MORTE – Ver pág. 757.

N NAVARRO (António José Antunes). Ver mapa junto. NEVES (José Maria Teixeira), pág. 356 – Escreveu mais: O segredo dos Jesuítas. Um folheto com o pseudónimo de N. Branco. Malagrida (poema heróico em oito cantos). Manuscrito. 1925. O jardim de Nossa Senhora ou O mês das flores. Bragança, Tip. Académica. 8.º de 52 págs., com uma estampa colorida da Virgem. Versos, bem como todas as outras publicações, do autor. NEVES (Luís Gonzaga de Morais Teixeira), pág. 357 – Tem em preparação já muito adiantada: Horas do meu desterro. Trata de questões políticas de carácter pessoal. NOGUEIRA (Francisco) – Presbítero, natural de Izeda, concelho de Bragança, falecido no Brasil. Torna-se digna de menção honrosa a memória deste benemérito pelo bom uso que soube fazer da sua fortuna. Uma das cláusulas do seu testamento diz: «Deixo 800$000 reis para que sejam postos a juros na confraria das almas da minha freguezia na matriz de Izeda para com seus rendimentos se cazarem moços pobres, e donzelas da mesma freguezia ou outras obras pias para que meus testamenteiros os aplicarem» (1108).

O OLIVEIRA (Artur Águedo de), pág. 365 – Escreveu mais: As bases essenciais da política regional. Coimbra, 1930. 8.º de 61 págs. Colaboração em A Voz. (1108) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Especial do Governo Civil, numa carta do ano de 1862, onde vem transcrita a cláusula acima. Noutro documento, guardado no mesmo maço, diz-se que este Monte Pio (é assim como lhe chamam oficialmente) já havia mais de cem anos em 1862 que fora instituído.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


Navarro (António José Antunes) (*)

Brasão de Armas – Cartório da Nobreza, Livro IX, folhas 45 v. Partido em pala: na primeira as armas dos Antunes: em campo vermelho uma cidade de prata murada em roda, com uma porta à frente, tudo do mesmo metal, e na segunda as armas dos Navarros: em campo azul dois lobos de oiro possantes e orla vermelha com oito aspas deste metal.

1.º António José Antunes Navarro (1.º visconde e 1.º conde de Lagoaça), casado com D. Inácia de Castro Pereira. Ver tomo VI, pág. 243, destas Memórias.

António José Antunes Navarro, 2.º conde de Lagoaça – Sem descendência.

D. Angelina Antunes Navarro – Sem descendência. Dr. Horácio António Lopes Cardoso – Sem descendência. 2.º Francisco José Antunes Navarro.

D. Carlota Joaquina Antunes Navarro Lopes Cardoso, casada com João António Lopes Cardoso.

D. Antónia Antunes Navarro, casada com Manuel Mendes Pereira.

Dr. Júlio Lopes Cardoso, casado com D. Maria Georgina da Cunha Lopes Cardoso.

Dr. Acácio António Lopes Cardoso. Dr. Artur Alberto Camacho Lopes Cardoso.

D. Maria Júlia Lopes Antunes, casada com o dr. Horácio António Lopes Cardoso.

Dr. Álvaro Eurico Lopes Cardoso, delegado do Procurador-Geral da República.

D. Hermínia Pereira Martins, casada com o dr. Pimentel Martins.

D. Amélia de Freitas Cruz. D. Georgina Lopes Cardoso. D. Maria Júlia Lopes Cardoso. D. Maria Adelaide Lopes Cardoso. Dr. Acácio António Lopes Cardoso, magistrado do Ministério Público, deputado da Nação, etc.

D. Inácia Antunes Navarro, casada com Manuel Dias Mendes Pereira. 3.º Manuel José Antunes Navarro, juiz de fora e corregedor – Sem descendência.

Dr. Horácio António Lopes Cardoso, magistrado do Ministério Público – Sem descendência. João António Lopes Cardoso, casado com D. Carlota Joaquina Antunes Navarro.

4.º D. Teresa Antunes Navarro, casada com o capitão-mor de milícias António Augusto Lopes Cardoso Pereira da Silva.

Dr. Júlio Lopes Cardoso, magistrado do Ministério Público, casado com D. Maria Georgina da Cunha Camacho.

Acácio Artur Lopes Cardoso. João António Lopes Cardoso. D. Maria Teresa Lopes Cardoso.

Dr. Artur Alberto Camacho Lopes Cardoso, casado com D. Adelaide de Castro Pereira – juiz de direito, ministro da Justiça, deputado em várias legislaturas.

D. Amália Pereira da Silva – Sem descendência.

D. Maria Inácia de Castro Pereira Lopes Cardoso, casada com o dr. José Miranda de Vasconcelos. D. Maria Georgina Adelaide de Castro Pereira Lopes Cardoso. Dr. Artur Alberto de Castro P. Lopes Cardoso. Dr. Júlio Horácio Camacho Lopes Cardoso. Dr. João António Lopes Cardoso.

Augusto Lopes Cardoso Pereira da Silva.

José António de Castro Pereira Lopes Cardoso. Eduardo Lopes Pereira, casado com D. Cândida Ferreira.

D. Maria Eduarda, casada com António José de Castro Pereira, fidalgo cavaleiro (ver tomo VI, pág. 49, destas Memórias), filho de Daniel Dias de Castro Pereira.

António Augusto Lopes Pereira, casado com D. Maria Angélica de Sá Osório.

D. Maria do Céu de Sá Osório Lopes Pereira Rodrigues, casada com o dr. Francisco Rodrigues.

D. Antónia Margarida de Castro Pereira – Sem descendência. Augusto César Dias de Castro Pereira, casado com D. Gabriela de Castro Pereira.

Alfredo Augusto Dias de Castro Pereira, casado com D. Alice Bouisson Nogueira. D. Adelaide de Castro Pereira, casada com o Dr. Artur Albero Camacho Lopes Cardoso. Dr. Diogo Albino de Sá Vargas, professor e antigo deputado.

Dr. José Marcelino de Sá Vargas, casado com D. Maria Augusta Pereira de Castro. D. Emília, casada com o Dr. Diogo Albino de Sá Vargas (ver tomo VI, pág. 705, destas Memórias).

José Antunes Navarro casado com D. Luísa Lopes Navarro

D. Fortunata – viscondessa de Francos, casada com o 2.º visconde de Francos.

D. Fortunata de Sá Vargas Morgado, casada com o dr. Francisco Morgado.

Dr. António Emílio de Sá Vargas – Sem descendência. D. Fortunata de Sá Vargas Vergueiro, casada com o tenente-coronel Augusto Vergueiro. Dr. José de Castro Pereira e Sola – 3.º visconde de Francos, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Dr. António de Castro Pereira e Sola, juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, casado com D. Amélia de Aguilar. Francisco de Castro Pereira Lopes, tenente-coronel de Estado Maior.

Manuel José Antunes Navarro, casado com D. Helena Antunes Navarro.

5.º D. Antónia Margarida Antunes Navarro, casada com o comendador José António de Castro Pereira, moço fidalgo da Casa Real, deputado da Nação.

D. Adelaide, casada com o Dr. José Silvério de Campos Henriques.

Dr. Júlio César de Castro Pereira, juiz de direito, casado com D. Júlia de Castro Pereira e Sola, filha dos condes de Castro e Sola. D. Elisa – Viscondessa de Foz Côa, casada com o 2.º visconde de Foz Côa. Dr. Carlos de Castro Pereira, delegado em Lisboa.

D. Amália, casada com o Dr. José Silvério de Campos Henriques.

D. Ermelinda, casada com o conselheiro José António de Campos Henriques e em segundas núpcias com A. de Almeida Navarro.

Alexandre, casado com D. Guilhermina Silva.

Augusto de Castro Pereira – Sem descendência. António Júlio de Castro Pereira – Sem descendência. Dr. Júlio de Castro Pereira, casado com D. Adelaide de Sousa Bastos, filha dos condes da Trindade, 2.º visconde de Lagoaça.

D. Cândida, condessa de Castro e Sola, casada com o conde de Castro e Sola.

D. Maria da Luz de Campos Henriques.

Eduardo de Campos Henriques, 2.º visconde de Foz Côa.

D. Adelaide de Campos Henriques, casada com o dr. Carlos Salgado de Andrade.

Conselheiro Artur Alberto de Campos Henriques, presidente de ministério, ministro do Reino, da Justiça e Obras Públicas, juiz do Supremo Tribunal de Justiça e par do Reino.

Dr. José António de Campos Henriques, casado com D. Maria Roquete.

Dr. Alberto de Almeida Navarro, juiz de direito, ajudante do Procurador-Geral da Coroa, casado com D. Conceição Valado, filha do 3.º barão do Valado.

Dr. Alberto de Castro Pereira Valado Navarro – 3º Visconde da Trindade.

Dr. José Silvério de Campos Henriques Salgado de Andrade.

Engenheiro Artur de Campos Henriques, casado com D. Maria Isabel de Sousa Rego.

Augusto de Castro Pereira Valado Navarro – Publicista.

D. Maria das Dores de Castro Pereira.

D. Amélia de Castro Pereira Pais, casada com o engenheiro Flávio Pais. Júlio de Castro Pereira. D. Beatriz de Castro Pereira Pontes. D. Helena de Castro Pereira Arês. D. Alice de Castro Pereira Faro. Álvaro de Castro Pereira. Dr. Júlio da Fonseca Teles de Castro e Sola, casado, e dr. Júlio de Castro e Sola. Conselheiro Amadeu da Fonseca de Castro Pereira e Sola, 2.º conde de Castro e Sola, ministro de Estado honorário, director-geral do S. T. J. na monarquia.

D. Maria Helena da Fonseca de Castro Lopes. Engenheiro Luís de Castro e Sola. D. Maria Clara de Castro e Sola. D. Maria da Conceição de Castro e Sola, casada com Fernando Soares Mendes.

António José Lopes Antunes. Francisco António Lopes Cardoso.

Augusto Lopes Antunes. Adriano Lopes Antunes. Jorge Lopes Cardoso – Sem descendência.

José Joaquim Lopes Cardoso, capitão-mor de Lagoaça. 6.º D. Josefa Antunes Navarro, casada com Joaquim Lopes Cardoso.

D. Elisa – Viscondessa do Cilho. D. Arminda, casada com o dr. Albino de Oliveira.

Dr. Alfredo de Oliveira. D. Lucinda de Oliveira. Alfredo Lopes Navarro, oficial da Marinha de Guerra.

Dr. António José Lopes Navarro – Par do Reino.

Emídio Navarro, oficial do Ministério da Justiça. Antero Lopes Navarro, casado com D. Maria Vaz – Secretário-Geral.

D. Raquel Lopes Navarro.

Dr. Luís Lopes Navarro, magistrado do Ministério Público. D. Maria Alexandrina. António.

D. Josefina Lopes Navarro, casada com Francisco Lopes Navarro.

D. Adelina, casada com Abílio de Lobão Soeiro. Álvaro Lopes Navarro. Rodolfo Lopes Navarro.

(*) Ver tomo VI, p. 243, destas Memórias.


OLIVEIRA

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PEDRAS DE ARMAS

771 TOMO VII

OLIVEIRA (Manuel Paulino de), pág. 368 – Escreveu mais: Instruções práticas para as Comissões de Vigilância e para os viticultores, por... e aprovadas na sessão da Comissão Executiva de 10 de Outubro de 1878. Porto, 1878. 8.º de 55 págs., mais 3 inumeradas e uma estampa ilustrada, desdobrável.

P PEDRAS DE ARMAS – No volume VI, págs. 737 e seguintes, destas Memórias apresentámos o desenho das pedras de armas do distrito de Bragança; agora aditamos algumas, que escaparam e corrigimos outras que saíram erradas. Sem querer desculpar os nossos olhos, dispersos à formiga pelos pedregulhos e arquivos, e muito menos a nossa estupidez, primacial fonte da asneira, lembramos apenas, coisa aliás bem sabida dos epigrafistas, que as condições de visualidade no momento da observação, devido à maior ou menor intensidade de luz, facilitam, dificultam ou impossibilitam mesmo a leitura. ARCAS – Escudo nº 14, pág. 742. No 2.º quartel a orla da cruz é formada por caldeiras, e não estrelas, como lá apontámos. Armas dos Vilhegas. A capela de S. Caetano, fundada por António de Sá Morais (nº 1 da pág. 16) está agora faceando com o frontispício do palacete brasonado do visconde das Arcas, Francisco Pessanha Pereira do Lago (2.º da pág. 695). – Escudo nº 15, pág. 742. No 2.º quartel, que demos em branco, há uma banda saindo das bocas de duas cabeças de serpes. Armas dos Andrades; devendo, pois, concluir-se que esta casa é a de Domingos Teixeira de Andrade (nº 3 da pág. 17). ARUFE – Concelho de Bragança. Há um escudo que ainda não pudemos ver, talvez igual ao nº 24, pois pertencia à mesma família. BENLHEVAI – Concelho de Vila Flor. No fecho do arco cruzeiro da igreja matriz de Benlhevai há um escudo dividido em pala: na da esquerda, as quinas do reino, com a orla dos castelos; na da direita, uma barra xadrezada com uma flor-de-lis de cada lado. Armas dos Sanches de Castela? dos Sanches de Portugal, de Afonso Sanches, filho de el-rei D. Dinis? (1109) BRAGANÇA – Na parede junto à porta de entrada da casa de habitação da propriedade conhecida pelo nome de «Quinta do Branquinho», subúrbios

(1109) Informações de Francisco Manuel de Matos, professor de Santa Comba da Vilariça.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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PEDRAS DE ARMAS

TOMO VII

de Bragança, agora pertencente, por compra, a Ana Catarina de Morais (família dos Diogos), viúva de Tomás de Aquino Lousada, do Parâmio, morador em Cova de Lua, que por sua vez a compraram a António Maria Álvares Martins (pág. 294), que também por compra a possuíra, há numa lápide de granito gravado um escudo esquartelado, tendo no 1.º e 3.º quartéis uma árvore; e no 2.º e 4.°, três troncos de árvore postos em pala. Armas dos Morales? CASTELÃOS – Nº 46, pág. 752. Deve emendar-se o texto pela seguinte forma: Está em Castelãos, concelho de Macedo de Cavaleiros, no frontispício do palacete do visconde da Paradinha de Outeiro, António José de Miranda, hoje de José Caetano Saraiva Caldeira de Miranda, governador civil de Bragança em 1906, conde de Almendra, filho de José Caetano Saraiva Caldeira e de D. Antónia Amélia de Miranda, irmã do visconde da Paradinha de Outeiro, acima mencionado. Ver pág. 377. FREIXO DE ESPADA À CINTA – Nº 62, pág. 757. Os emblemas são folhas de figueira e não as tais figuras lanceoladas que lá apontámos. – Numa campa funerária da igreja há um escudo posto de ilharga dividido em pala, tendo na da esquerda as armas dos Freires e na da direita as dos Britos. Por cima do altar-mor da capela do SS. Sacramento, na mesma igreja, há um escudo em madeira, iluminado. É esquartelado: no 1.º quartel, as armas dos Sotomaiores; no 2.°, as dos Sás e assim os contrários. Encaixado na parede da mesma capela há outro escudo esquartelado: no 1.º quartel, as armas dos Morais; no 2.°, as dos Sás e assim os contrários. Há outro idêntico numa pedra que veio da casa antiga, agora no jardim de D. Ernestina Taborda. Está posto de ilharga e o xadrez do 2.º e 4.º quartéis é de sete peças em facha e sete em pala. – Numa pedra da parede do convento de S. Filipe Neri há um escudo dividido em pala, tendo na da esquerda as armas dos Juzartes. A da direita é dividida em facha, tendo na superior um leão com orla de seis animalejos, ao parecer cabras, e na inferior uma árvore com duas flores-de-lis entre os ramos e uma de cada lado do tronco. – Pintado em madeira, iluminado, ao cimo da escada interior de uma casa pertencente ao morgado dos Cortiços e hoje, por compra, a Francisco Manuel Sapage, há um escudo dividido em seis quartéis: o 1.°, xadrezado; no 2.°, as armas dos Machados; no 3.°, em campo vermelho uma cruz de oiro; no 4.°, as armas dos Mesquitas; no 5.°, em campo vermelho, cinco flores-de-lis de oiro postas em santor; no 6.°, as quinas do reino com orla, mas sem os castelos. Encimando a portada da mesma casa havia o mesmo escudo em cantaria, mas o actual possuidor apeou-a e fez dela uma masseira para os porcos!... Nem precisa comentários!

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


PEDRAS DE ARMAS

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MIRANDA DO DOURO – Na casa do falecido Paulo de Sousa, gravado em madeira, iluminado, há um escudo esquartelado: no 1.º quartel as armas dos Ordazes (?); no 2.°, em campo de oiro, uma banda; no 3.°, em campo verde, uma águia com uma anilha e uma estrela de sete bicos em azul e no 4.º cinco vieiras em oiro postas em santor. MIRANDELA – Na casa de um antigo morgado de S. Miguel há um escudo dividido em pala: na da esquerda tem uma cruz como a dos Teixeiras e na da direita seis crescentes de lua, postos em duas palas. Parecem as armas dos Pessoas com a orla das estrelas. MOGADOURO – No pavimento da capela-mor da igreja matriz do Mogadouro há duas campas de granito brasonadas, com as armas dos Távoras – cinco fachas ondadas sem o golfinho – que, apesar de picadas por ordem do marquês de Pombal, pelo suposto crime de regicídio, ainda se percebem, assim como algumas letras das respectivas inscrições. No fecho das nervuras da mesma capela há outro escudo dos Távoras em iguais condições de visualidade e ainda outro no fecho do arco da capela-mor do convento de S. Francisco. Na referida igreja matriz do Mogadouro há, gravada numa campa, uma grande picareta ladeada por três crescentes e três estrelas, mas estes emblemas não estão metidos em escudo. – Na pág. 760, falando do escudo nº 71, existente em Macedo de Cavaleiros, dizemos que há outro idêntico «no Mogadouro, na fachada da casa do morgado Oliveira». É confusão ou estupidez; o que realmente está no Mogadouro, pintado no tecto ao cimo da escada, à entrada da casa Oliveira Pegado, é um escudo dividido em pala, tendo à esquerda as armas dos Pegados e à direita as dos Oliveiras. – Escudo nº 88, pág. 767. No quartel em branco há uma cruz como a dos Teixeiras. – Escudo nº 89, mesma página; está todo errado. É esquartelado e não dividido em seis quartéis, como ali se lê. No 1.º quartel, as armas dos Sobrinhos; no 2.°, as dos Teixeiras; no 3.°, as dos Mesquitas e no 4.º, as dos Vieiras. Logo por baixo do escudo há um epitáfio que diz: S. de Belchior Sob / rinho cavalr / fidalgo e de sua / m... ... oef / ..·.. iro. MONCORVO – Em pedra solta, encostada à parede do Asilo em Moncorvo, há gravado um escudo dividido em pala, vendo-se à esquerda as armas dos Cunhas e à direita cinco estrelas de oito raios postas em aspa. Por baixo o seguinte letreiro: S.a de D. Marce.a / da Cunha molher / que foi do ld.º Jm.º / da Fonseca Boic / a qual falc.º sendo / ele juiz de fora nes / ta villa a 25 de / ... gosto de 1635. – Junto a uma fonte na Quinta de Mendel, subúrbios de Moncorvo, pertencente ao doutor António Guerra, há um escudo dividido em pala: na da direita seis arruelas em duas palas (armas dos Castros, de Álvaro Pires de

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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PEDRAS DE ARMAS

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PINTO

TOMO VII

Castro, o Velho) e na da esquerda um leão com bordadura semeada de flores-de-lis (armas dos Borges) (1110). VILA FLOR – Escudo nº 131 pág. 779. No 2.º quartel, em vez de leões devem ser pássaros (aves), e o mesmo no nº 132 em vez das armas dos Almeidas que lá figuram. O escudo nº 134 está todo errado. É o dos Sampaios; portanto, idêntico ao nº 133, mas sem a bordadura semeada de S S. Na casa que foi do conde de Sampaio, hoje pertencente, por compra, ao doutor Francisco Guerra, há outro escudo igual a este. Ainda na capela-mor da igreja matriz de Vila Flor há uma campa brasonada, com um escudo esquartelado, tendo: no 1.º quartel, um castelo com três torres; no 2.°, um crescente com as pontas voltadas à direita; no 3.°, quatro estrelas de quatro raios e no 4.°, uma cruz. Por baixo tem um letreiro que parece dizer: S.a de Lis / erco de / Magua / lhais / e: s: m: – tudo muito imperceptível. Ao lado há outra campa também brasonada, que não descrevemos por nada se perceber, nem o próprio epitáfio. – Há outro escudo numa casa em Vila Flor dividido em pala; na da esquerda as armas dos Lemos; a da direita dividida em facha, tendo na parte superior as armas dos Pintos (?) e na inferior as dos Cardosos. VINHAS – Concelho de Macedo de Cavaleiros. Disse-nos o nosso amigo Augusto César Vila Verde, abade aposentado desta freguesia, que numa sala da casa da residência paroquial há um escudo dividido em pala com as armas dos Figueiredos e dos Sarmentos. ZEDES – Escudo nº 162, pág. 787. No 2.º quartel, cinco cadernas de crescentes em vez de cinco vieiras que lá apontámos; no 3.°, em branco, as armas dos Mesquitas e no 4.°, as dos Costas, em vez das garatujas que lá estão (1111). PINTO (António Miguel), pág. 414 – Urbano José Rodrigues, de Sonim, de trinta anos de idade, sargento de cavalaria nº 6, assassinou dia 3 de Maio de 1863 seu sogro João Evangelista Pinto (1112). PINTO (Zeferino José), pág. 417 – Foi nomeado médico do partido municipal de Bragança por despacho de 18 de Fevereiro de 1850 (1113).

(1110) Informações do doutor Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior, da Universidade do Porto. (1111) Ao bom amigo tenente João José Vaz de Morais de Abreu e Sarmento agradecemos as valiosas informações que nos deu para este artigo. (1112) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil. (1113) Registo maior nº 7 da Câmara de Bragança, fólio 108.

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PIRES

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PONTES E FONTES

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PIRES (D. Justina dos Prazeres), na clausura D. Justina de Jesus dos Prazeres – Natural de Bragança, recolhida no convento da Mofreita, concelho de Vinhais, onde faleceu com setenta e cinco anos de idade a 16 de Março de 1890. Era filha de João Manuel Teixeira (no assento de óbito, por equívoco, deram-lhe o nome de Manuel Pires) e de Ana Maria Pires (só Ana Maria no assento de óbito, pelo mesmo motivo). João Manuel Teixeira era natural de Vilarandelo e casou em segundas núpcias com Joana Rosa Fernandes, de Bragança, de quem houve Manuel do Nascimento Teixeira, que casou com Joana Catarina Pinto, que também aparece com o nome de Joana do Espírito Santo, e foram pais de Francisco Inácio Teixeira, nascido em Bragança a 18 de Dezembro de 1856 e aqui falecido a 21 de Abril de 1908, rico proprietário e de notáveis iniciativas, que casou com D. Guilhermina Maria Teixeira, nascida em Bragança a 28 de Setembro de 1853. Ver pág. 552. D. Justina de Jesus dos Prazeres tornou-se notável pela virtude, competência económica, senso administrativo e fino espírito conciliador, merecendo por isso ser eleita duas vezes abadessa do Recolhimento da Mofreita, cargo que não voltaria a exercer sem esses predicados. Era irmã de D. Francisca Pires, freira no Recolhimento de Fornos de Ledra, e de D. Marcelina Pires, também freira no da Mofreita, onde faleceu com fama de santidade (1114). PIRES (Manuel) – Pintor, e sua mulher Ana Pires, moradores em Miranda do Douro, venderam em 1656 aos cónegos da Sé umas casas sitas na mesma cidade (1115). PONTES E FONTES. CARÇÃO – Em Edital (1116) impresso, assinado pelo presidente da câmara de Vimioso e datado de 1 de Janeiro de 1853, anuncia-se que a 2 de Fevereiro seguinte se há-de arrematar a construção de uma ponte sobre o rio Maçãs, em frente de Carção. LORETO (ponte do) – Pela provisão régia de 29 de Novembro de 1814 foi «estabelecida a imposição de um real em cada arratel de carne e em cada quartilho de vinho atabernado [que se vendesse] na cidade e seu termo por tempo de dous annos» para construção da ponte do Loreto «sobre o rio fervença que corre junto aos muros da mesma cidade, a qual fôra levada no anno de mil oito centos e quatro por hua grande tempestade acontecida

(1114) Ver Monumento à memória de D. António Luís da Veiga Cabral e Câmara, bispo de Bragança, p. 169 e 173. (1115) Museu Regional de Bragança, maço Bens do cabido de Miranda do Douro. (1116) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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PONTES E FONTES

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naquelle rio». Em 1816 foi prorrogada a cobrança do mesmo imposto por mais dois anos e por mais outros dois em 1819 (1117). Passa nesta ponte a primeira canalização de água que veio do termo para Bragança, sendo a 19 de Novembro de 1879 que teve lugar a inauguração solene da conclusão dos trabalhos e da utilização da água pelo público. Foi director das obras o engenheiro francês Henrique Pollét (1118). Como esta água não chegava, fez-se outra mais importante canalização de águas captadas no termo da aldeia de Sabariz, distante seis quilómetros. Foi também o engenheiro francês Lucien Guerche quem dirigiu as obras, que se iniciaram em Agosto de 1926 e concluíram em Março de 1928 com a chegada da água e sua distribuição pelas casas dos cidadãos. Este mesmo engenheiro dirigira anos antes as obras da iluminação da cidade a luz eléctrica, inaugurada a 22 de Dezembro de 1921. As águas de Sabariz são distribuídas pelas casas dos particulares mediante certa quantia paga por metro cúbico de água e as da primeira canalização em 1879 são gratuitas, facultadas ao público em doze marcos fontenários colocados nas ruas públicas. Estas vieram da vertente poente do cabeço de S. Bartolomeu, sítio chamado Vale Chorido, e do Loreto ou Beatas, sítio contíguo à cidade. Era esta água das Beatas ou do Loreto que séculos antes os jesuítas projectaram trazer para a cidade. Não foi sem protesto do partido político contrário que alguns destes melhoramentos se fizeram. O facciosismo e a acanhada noção que os caciques eleiçoeiros tinham do próprio prestígio, levava-os a guerrear os contrários sempre que davam um passo em favor da terra, não fossem avantajar-se-lhes ante as urnas eleitorais, em vez de congregarem esforços para o bem-comum ou emolarem-se para mais e melhor conseguirem. Desgraçada gente!... Desgraçada concepção política!! E ainda não acabou de todo a semente de tão daninhos escalrachos. Entre estes protestos é célebre o resultante do comício celebrado a 16 de Junho de 1882, no largo de S. Bento, contra as obras projectadas pela Câmara Municipal de Bragança e a vandálica destruição dos materiais para a praça-mercado na cerca do extinto convento de Santa Clara, onde agora estão as escolas primárias e o hospital da Misericórdia, realizada pelo poviléu por esse tempo. MOINHO DOS PADRES – A 13 de Junho de 1743 despachou favoravelmente a Câmara Municipal de Bragança a petição dos jesuítas do colégio da mesma cidade, que projectavam construir um pontão sobre o rio Sabor,

(1117) Registo maior nº 6 da Câmara de Bragança, fólios 35, 84 v. e 133. (1118) Memórias Arqueológicas…, tomo I, p. 346, e tomo III, p. 203.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


PONTES E FONTES

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junto a um moinho que lá tinham, «para passagem dos seus gados, e que o dito pontão hera de muita utilidade ao bem publico» (1119). PENACOL (Ponte do) – Em ofício da Câmara de Bragança, de 1 de Agosto de 1856, para o administrador do concelho, se diz: «Tendo esta municipalidade mandado concertar a ponte do Penacol que se achava em grande estado de ruina» pede para que ordene ao regedor de Faílde que mande apenar carreiros para condução dos materiais (1120). VALBÃO (Ponte de) – Pela provisão de 14 de Novembro de 1825 autorizou el-rei D. João VI a Câmara Municipal de Bragança a cobrar durante quatro anos um real em cada arrátel de carne, que se vendesse no açougue, e em cada quartilho de vinho que se vendesse atabernado na cidade e termo, para reedificar a ponte de Valbão sobre o Sabor, que estava em lamentável estado e para reparar as estradas dos lados e calçadas da cidade, no seu interior. O lanço menor para a ponte e seus três arcos foi de três contos de réis (1121). Por sentença de 9 de Março de 1507 foram o mosteiro de Castro de Avelãs e os concelhos de Vila Franca, Vale de Prados, Frieira, Ervedosa, Gostei e Castanheira escusados de contribuir para a ponte de Valbão, que a Câmara de Bragança queria construir, por não serem a tal obrigados segundo os privilégios de seus forais (1122). Parece que a construção desta ponte se iniciou pelos anos de 1492 (1123). VALE DE TELHAS (Ponte de) – A 6 de Abril de 1737 mandou el-rei que a câmara de Bragança concorresse por meio de finta lançada aos munícipes para a «obra da ponte de Vale Telhas», concelho de Mirandela (1124). Já falámos nos tomos publicados das pontes de: (ver tomo IV, pág. 351 destas Memórias). CARVAS (ibidem, tomo III, pág. 168). FERRARIAS (ibidem, tomo IV, pág. 351). GRALHÓS (ibidem). IZEDA (ibidem, pág. 201). MARZAGÃO (tomo IV, pág. 351). MIRANDELA (ibidem). PEDRA (ibidem). ABREIRO

(1119) Registo maior nº 6 da Câmara de Bragança, fólio 122 v. Ainda existe a ponte solidamente construída, e o moinho ainda é conhecido por «Moinho dos Padres». (1120) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil. Ver tomo IV, p. 203 e 351, destas Memórias. (1121) Livro do Registo da Câmara de Bragança, fólio 327 v. (1122) Registo maior nº 2 da Câmara de Bragança, fólio 74. (1123) Ver tomo III, p. 194, destas Memórias. (1124) Registo maior nº 2 da Câmara de Bragança, fólio 92.

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PUBLICAÇÕES ANÓNIMAS

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(ibidem, tomo III, pág. 95). (ibidem, pág. 281). SELORES (ibidem, tomo IV, pág. 351). TUELA (ibidem). MOIMENTA (Ponte da) – Em carta de 29 de Março de 1580 dizia o duque de Bragança à câmara da mesma: sabendo que estava lançada na cidade uma finta de trezentos mil réis para se fazer a ponte da Moimenta e que este dinheiro está recebido, e parecendo-lhe que «por agora se poderia escusar a ponte, e aplicar estes trezentos mil reis ao repairo dos muros e cousas necessarias para a defensão dessa cidade... encommendo-vos que logo ordeneis comque se gaste isto nas cousas necessarias» (1125). QUINTELA RANCA

PUBLICAÇÕES ANÓNIMAS – Extraordinárias, comemorativas de factos históricos ou de pessoas beneméritas e ilustres; opúsculos, folhas avulsas ou suplementares ou adicionais de publicações periódicas: A Assembleia Brigantina e o Sr. Governador Civil Adriano José de Carvalho e Melo. Porto, 1875. 8.º de 43 págs. O Governador Civil de Bragança e os colegas do colega Director da Assembleia Brigantina. Porto, 1875. 8.º de 55 págs. Parece ser escrito pelo próprio governador civil Adriano José de Carvalho e Melo em resposta ao antecedente, que o acusava de abusar da sua autoridade para oprimir a Assembleia Brigantina, casa de recreio ao tempo existente em Bragança. A pendência levantada entre aquele magistrado e esta casa teve tal qual vulto. Ver Vilar (João António Pires). As duas amazonas ou o assalto de Marselha, por Mery, traduzido do francês por uma senhora brigantina. Tip. de Bragança, 1849, in-8.º. Deve andar por duzentas páginas, mas não sabemos ao certo, porque o exemplar que possuímos chega só à pág. 190, faltando-lhe as restantes. Anais agrícolas do distrito de Bragança, publicados pelo Conselho de Agricultura do mesmo distrito. No Porto, 1878. 1 vol. fólio. Anuário do Liceu Nacional de Bragança. Ano escolar de 1907-1908. Porto, 1908. 8.º de 61 págs. – Ano escolar de 1908-1909. Porto. 8.º de 80 págs. Anuário do Liceu Central Emídio Garcia. Ano escolar de 1916-1917. Bragança, Tip. Adriano Rodrigues. 8.º de 94 págs. Apelo dos Seminaristas de Bragança ao Clero e Católicos desta Diocese em favor da sua Liga de Propaganda da Boa Imprensa e Estatutos da mesma. 1908. Porto. 8.º de 13 págs. e uma inumerada de Aditamento.

(1125) Museu Regional de Bragança, Manuscritos antigos, 5, fólio 107.

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PUBLICAÇÕES ANÓNIMAS

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Apontamentos da Origem e Reparação do Templo de Nossa Senhora da Ribeira, dedicados pela mesa gerente ao Ex.mo comendador António do Carmo Pires, benemérito da confraria, e ao Ex.mo Emídio Augusto Garcia Pires, seu juiz honorário. Bragança, 1901, Tip. de Silva Barreto. 16.º de 23 págs. Anónimo, mas tem como autor Francisco António Fernandes de Quintanilha. Deste mesmo opúsculo fez seu autor nova edição em 1906, Bragança, na Tip. de Ferreira Soeiro. 16.º de 38 págs. Ascendência do Il.mo e Ex.mo Sr. João de Seixas Caldeira da Fonseca e Lemos e da Ex.ma Sr.a D. Maria Antónia de Morais Sarmento (aquele de Vila Flor e esta de Mirandela). Porto. 8.º de 59 págs. sem nome de autor nem ano de impressão. Associação dos Artistas de Bragança. Estatutos aprovados por decreto de 11 de Abril de 1870. Lisboa, 1889. 1 vol., in-8.°. Bragança e as festas dos dias 8, 9 e 10 de Junho de 1880 dedicadas a Luís de Camões. Extracto das Elegias XI e XII das obras do grande épico, publicadas por um Brigantino. Porto, 1880. 8.º de 16 págs. Cabido da Sé de Bragança. Manifesto. Porto, 1875. 1 vol., in-8.°. Câmara Municipal de Bragança – Regulamento de cobrança e fiscalização dos impostos municipais indirectos. Tip. Artística, Bragança, 1924. 8.º de 16 págs. Código das Posturas da Junta de Freguesia de Meixedo, do Concelho de Bragança, organizado conforme a lei nº 88 de 7 de Agosto de 1913. Bragança, Tip. Académica, 1918. 8.º de 12 págs. Compromisso da Santa Casa da Misericórdia da Vila de Vila Flor, reformado segundo as disposições da portaria do Ministério do Reino de 27 de Julho de 1852 e aprovado por alvará de 18 de Outubro de 1854. Porto, 1861. 8.º de 67 págs. Numa espécie de preâmbulo diz algo acerca da origem desta Misericórdia. Conclusiones Philosophicas Physicam, principia naturalia, compositum substantiale, causas in communi, et in particulari continentes ad mentem Principis Philosophorum, subtilis que doctoris fideliter deductas praeside Fr. Laurentio á Sancta Teresia Regalis Academiæ Mafrensis diversarum facultatum explicatore Seraphicæ Familiæ Generali Poenitentiario, artiumque Lectore defensuri in Conventu Brigantino Serapyici Parentis integra currentis mensis die 19. Mane Fr. Joannes a D. Bernardo Fr. Gundissalvus a D. Joseph Fr. Alvarus a S. Anna

et

Vespere Fr. Joseph a Verbo Divino Fr. Joseph a D. Bernardo Fr. Raphael a D. Nostra

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PUBLICAÇÕES ANÓNIMAS

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et Fr. Joannes à D. Caetano.

et Fr. Antonius à S. Teresia.

impressas in Civitate Virginis apud Emmanuelem Pedroso Coimbra. Anno Domini. 1744. Fólio de 7 págs. inumeradas, letras capitais em gravuras ornamentadas e no fim do folheto uma outra que contém um docel e diversos símbolos com ornatos a capricho. Vê-se pois que já antes de D. Maria conceder uma cadeira de filosofia aos franciscanos de Bragança (1126), esta ciência era aqui professada com certo desenvolvimento e brilhantismo, de maneira a permitir que as conclusões aí defendidas fossem impressas. Constituição de Nosso Santíssimo Padre Leão XIII, Papa pela Divina Providência, acerca da Regra da Ordem Terceira Secular de S. Francisco, mandada imprimir pela Mesa do Definitório da Ordem Terceira de S. Francisco, da cidade de Bragança, em 1 de Julho de 1884. Lisboa, 1884. 8.º de 13 págs. Cópia da Acta da sessão ordinária da Junta de Paróquia da freguesia de Baçal, concelho de Bragança, celebrada a dezanove de Maio de mil novecentos e doze. Bragança, Tip. Adriano Rodrigues, 1919. 8.º gr. de 7 págs. [Contém as Posturas Paroquiais da freguesia de Baçal]. Cópia dos Estatutos da Confraria do Santo Cristo de Outeiro, no concelho de Bragança. Bragança, Tip. Brigantina, 1897. 20 págs. Cópia do ofício do governador civil do distrito ao antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Ex.mo Senhor Dr. Manuel Gonçalves da Trindade Miranda. Bragança, Tip. Académica. 8.º de 19 págs. Não indica ano da impressão, mas é de 1930. Contém uma carta do governador civil, capitão Tomás Augusto Salgueiro Fragoso, referente às obras dos dois pavilhões que, em 1929-30, se acrescentaram ao hospital da Misericórdia erecto no largo do Picadouro (antiga cerca do convento de Santa Clara) e os documentos respectivos. Documentos extraídos do «Diário do Governo» relativos aos serviços prestados à pátria pelo bacharel António Luís de Seabra, juiz de fora de Alfândega da Fé. Lisboa, 1834. 8.º gr. de 18 págs. (1127). Doutores (Os) Firmino João Lopes e Augusto José Pereira Leite julgados pelo Tribunal da Relação de Lisboa e pelo da opinião pública. Lisboa, 1886. 8.º de 40 págs. Embaixada Celeste a Maria SS., Anunciada por Mãe do Divino Verbo, exposta em forma de novena para os seus confrades e devotos. Oferece-se à muito nobre, e antiga Confraria da Anunciada, sita no Colégio da Compa(1126) Memórias Arqueológicas…, tomo II, p. 373. (1127) Dicionário Bibliográfico, tomo XVII, p. 26.

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nhia de Jesus da Cidade de Bragança e agregada à grande Anunciada de Roma, com seu índice das indulgências, sufrágios, e privilégios, etc. É este o título de um pequeno livrinho de 0,10 x 0,7. Ignoramos se os dizeres viriam na página de rosto por faltarem no exemplar que vimos, não podendo por isso dar aqui o nome da tipografia, ano e lugar de impressão, bem como o número de páginas, pois este apenas chega a (94), assim marcadas entre parêntesis, mas devendo ir mais além. O devocionário ou novena chega até à pág. (66) e na seguinte inscreve-se o «Compendio das indulgencias, suffragios e privilegios, de que gozão os Irmãos da Confraria de nossa Senhora do titulo da Annunciada, instituida no Collegio da Companhia de Jesus da Cidade de Bragança, como legitimamente aggregada á Primaria, e grande Annunciada de Roma». A julgar pelos caracteres tipográficos, este opúsculo deve ter sido impresso em meados do século XVIII. Estatutos da Assembleia Brigantina. Porto, 1864. 8.º de 19 págs. – Outra edição de 1893, de XX págs., impressa também no Porto. Estatutos da Associação Comercial e Industrial de Bragança. 1917. Tip. Adriano Rodrigues, Bragança. 8.º peq. de 24 págs. – da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança, aprovados por alvará de 11 de Julho de 1896. Bragança, 1896, Tip. Brigantina. 8.º de 39 págs. – do Clube Brigantino. Porto, 1884. 8.º de 22 págs. – do Clube de Caçadores de Bragança. Bragança, Tip. de Ferreira Soeiro, 1909. 8.º de 27 págs. e uma inumerada. – do Colégio de Santo António em Moncorvo, fundado em 1888. Coimbra, 1889. 8.º de 24 págs. Foi director deste colégio o reverendo Adriano Augusto Guerra. – da Confraria de Santo Antão de Matela do concelho de Vimioso, distrito e diocese de Bragança. Porto, 1904. 8.º de 16 págs. – da Confraria do Senhor Jesus de Cabeça Boa, erecta na freguesia de Samil, concelho e distrito de Bragança. Porto, 1904. 8.º de 24 págs. – da Confraria da Senhora da Saúde de Vimioso, no distrito de Bragança. Porto, 1901. 8.º de 35 págs. – da Irmandade da Misericórdia da vila de Vimioso, aprovados por alvará do Ex.mo Governador Civil do Distrito de Bragança datado de 22 de Maio de 1891. Mandados publicar pelo provedor da irmandade João José Dias. Porto, 1891. 4.º de 39 págs. – porque tem de se reger a muito Piedosa e Antiga Confraria das Benditas Almas do Purgatório, erecta na Paroquial Igreja de Santa Maria da Cidade de Bragança, aprovados por Carta de Lei de 20 de Março de 1865. Porto, 1866. 8.º de 12 págs. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Estatutos e Regulamento Interno do Asilo do Duque de Bragança. Tip. do Governo Civil de Bragança, 1868. 8.º de 33 págs. – e Regulamento Interno do Grémio Brigantino. Porto, 1906. 8.º de 32 págs. Estatutos da Sociedade Cooperativa dos Oficiais da Guarnição de Bragança. Coimbra, 1887. 8.º de 19 págs. – da Sociedade Cooperativa de Consumo e Crédito do concelho de Bragança – Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada, publicados no Diário do Governo no ano de 1904. Bragança, Tip. Minerva, 1905. 8.º peq. de 20 págs. – da Sociedade Grémio de Instrução e Recreio em Bragança. Coimbra, 1865. 8.º de 29 pág. – Outra edição de 1880, in-8.°, impressa na Tip. de André J. Pereira & Filho, de Viana. Foi presidente e fundador desta Sociedade o doutor Aníbal Gomes Pereira, distinto médico militar, natural de Chaves, falecido em Bragança a 28 de Outubro de 1911. Estatutos da Sociedade Filarmónica Moncorvense. Aprovados por alvará do governador civil de Bragança de 13 de Agosto de 1884. Coimbra, Imp. Académica, 1884. 8.º peq. de 31 págs. – da Sociedade Promotora dos melhoramentos industriais do distrito de Bragança. 1850. Tip. de Bragança. 8.º de 11 págs. Os fundadores desta sociedade foram: Diogo Albino de Sá Vargas (presidente), José António de Miranda, Albino Augusto Garcia de Lima, Joaquim Álvares Falcão, Zeferino José Pinto, Manuel da Cunha Coelho, António Manuel da Fonseca, Leonardo Manuel Garcia, José Maria Delarme Colaço, Luís Manuel dos Santos Valente, José António Martins, António José Teixeira, Henrique José Ferreira Lima, António Rodrigues Ledesma e Castro e Manuel Bernardo Pinheiro de Lacerda. Expedição científica à Serra de Nogueira (Trás-os-Montes). Programa de trabalhos. I – Geologia, mineralogia, etnografia, antropologia e hidrologia. Lisboa, 1900. 8.º grande de 28 págs. e uma inumerada. Governo Civil de Bragança – Contas da despesa do distrito no ano económico de 1844-1845, aprovadas pela Junta Geral em sessão de 1845. Tip. de Bragança, 1846. 4.º Compreende uma porção de páginas inumeradas com documentos de contas assinados aos 30 de Junho de 1845 pelo então governador civil João Manuel de Almeida Morais Pessanha. É interessante este opúsculo para a história da tipografia em Bragança, talvez uma das suas primeiras produções; funcionava nos baixos do governo civil, a cuja repartição pertencia: com o material desta tipografia começou depois a imprimir-se O Nordeste em 1888. Seria nesse ano de 1845 que se fundou também em Bragança a «Typographia de D. A. de Sá Vargas» MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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(Diogo Albino de Sá Vargas), onde em Setembro se começou a imprimir O Farol Trasmontano? Grande (A) Guerra Europeia. Seis lindas cantigas, sendo as duas primeiras dedicadas à guerra europeia. Mirandela, Tip. Neves. Um folheto pertencente à literatura de cordel. 1916? Grémio de Bragança – Estatutos. Porto, 1909. 8.º de 19 págs. e duas numeradas. Hino oferecido ao Il.mo e Ex.mo Sr. Tomás António Cardoso de Novais e Sá, no seu aniversário de 7 de Outubro de 1893, pelas Ex.mas Sr.as D. Amélia Machado, D. Berta Aragão, D. Adelaide Machado e D. Laura de Beça Salgueiro. Letra de Cristóvão Aires. Música de J. L. V. Macedo. Incoerências e injustiças na Instrução Primária. Porto, 1909. 8.º de 30 págs. Anónimo. Aprecia elogiosamente os serviços prestados por D. Maria Cândida Vergueiro, de Bragança, como professora em Macedo de Cavaleiros. Liceu Nacional de Bragança – Anuários. Anos lectivos de 1900-1901, 1902-1903. Lisboa, 1902-1904. 2 vols., in-8.°. Liga Eclesiástica consagrada ao Sagrado Coração de Jesus sob a protecção de Maria Santíssima, S. José, S. Francisco Xavier e S. Luís Gonzaga. Porto, 1897. Tem a aprovação do bispo de Bragança D. José Alves de Mariz. 8.º de 7 págs. Assinam no fim o opúsculo: o presidente da «Liga», António Caetano Vaz Pereira; o secretário, padre José Luís Cordeiro de Sousa, e o tesoureiro, António Acácio de Castro Valente, todos ao tempo residentes em Bragança. Manifesto do Supremo Governo Provisório, erecto em Bragança, capital da província de Trás-os-Montes, no dia 28 de Novembro de 1826, em defesa dos sagrados e inauferíveis direitos do muito alto e poderoso Senhor D. Miguel 1.°, legítimo rei de Portugal, Algarves, etc., etc.; redigido de ordem do Governo para esclarecimento da briosíssima e fidelíssima nação portuguesa, pelo vice-presidente do dito governo, visconde de Vila Garcia. 8.º pequeno de 16 págs. Vem transcrito nos Documentos para a história das Cortes Gerais da Nação Portuguesa, tomo II, ano de 1826, págs. 704. Marquês (O) de Pombal – Esboço rápido da sua vida pública – 1782-1882. Homenagem levantada pela cidade de Bragança no 1.º centenário, 8 de Maio de 1882. Porto, 1882. 8.º de 19 págs. Mogadouro – Aos 6 das calendas de Agosto de 1559 o papa Pio IV concedeu bula de indulgências à capela da Visitação da Virgem do Mogadouro para erecção de confraria que teria a seu cargo fundar um hospital naquela vila. Tempo andado, a bula, cujo original ainda vimos em Dezembro de 1907, numa excursão ao Mogadouro, gastou-se e, por «estar a maior parte della deficil de se lêr», com autorização do bispo de Miranda D. Fr. Aleixo de Miranda Henriques, que sancionou a legalidade da cópia para valer MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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como o original em 1767, foi mandada transcrever em letra moderna (pois estava em caracteres góticos) pelo doutor Francisco Xavier de Morais, juiz de fora e dos órfãos da vila do Mogadouro e seu termo e provedor da Santa Casa da Misericórdia no ano de 1767-1768. A bula em referência ocupa vinte fólios inumerados, de papel almaço, escritos à mão, com o texto a duas tintas entre filetes e tarjas doiradas. No verso do segundo fólio há iluminadas muito elegantemente a várias tintas as armas do papa, e depois, da mesma forma primorosamente, numa tarja a Visitação da Virgem a sua prima Santa Isabel. Vem seguidamente uma notícia histórico-biográfica do papa e do príncipe reinante ao tempo da concessão e logo o texto da bula e indulgências. No penúltimo fólio, em iluminura de página, estão as armas reais portuguesas e no último, pelo mesmo teor, as do bispo D. Fr. Aleixo de Miranda Henriques. O opúsculo intitulado Sumário das indulgências concedidas aos irmãos e irmãs da Santa Casa da Misericórdia da Vila do Mogadouro, concedidas pelo pontífice Pio IV, mandadas imprimir para utilidade e conhecimento dos fiéis pelo provedor e mesários da mesma Santa Casa no ano de 1858 (Tip. de Bragança, 1858, 8.º de 15 págs.) veio extractar, na parte respectiva, o códice de que tratamos. Monumento ao Conselheiro Abílio Beça – Contas e documentos. Bragança, Tip. Académica, 1930. 8.º de 30+2 (inumeradas) págs. Novo compromisso da Santa Casa da Misericórdia de Bragança. Porto, 1878. Tip. de Manuel José Pereira. 8.º de 52 págs. Oração Fúnebre dos Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores Manuel Jorge Teixeira de Barros Ferreira Sepúlveda, e Francisco Correia de Castro Sepúlveda oferecida a sua mãe a Il.ma e Ex.ma Senhora Viscondessa de Ervedosa. Porto, 1835. 8.º de 13 págs. (sem nome do autor). Deste opúsculo deduz-se: que Manuel Jorge e Francisco Correia eram irmãos; fidalgos da casa real, filhos dos viscondes de Ervedosa; que eram ambos alferes de infantaria; que foram massacrados em Estremoz, vítimas do fanatismo político; que a mãe deles, a viscondessa de Ervedosa, era décima administradora do antigo morgado de S. Jorge; que a mãe os mandou para Bragança «afim de ultimarem o estudo de latinidade debaixo da inspecção de seu pae» [à vista disto parece que o pai vivia em Bragança e a mãe fora, talvez em Estremoz]; que cursaram a Universidade de Coimbra; que era seu bisavô paterno António Gomes de Sepúlveda, coronel de cavalaria de Almeida, cavaleiro da ordem de Cristo; que era seu avô Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, tenente-general, governador das armas da província de Trás-os-Montes, conselheiro de guerra, etc.; que seu pai, o visconde de Ervedosa, fora coronel de infantaria; que, por suas avós, pertenMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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cem a famílias igualmente guerreiras, sendo o pai de sua avó paterna e bisavô deles Martim Correia de Sá, alcaide-mor e governador do Rio de Janeiro, e este filho do coronel Salvador Correia de Sá, e que outro seu bisavô fora tenente-general, o Ex.mo Martim Correia de Sá, ramo legítimo dos viscondes de Asseca e todos descendentes do valoroso Sebastião Correia de Sá, que conquistou Angola aos holandeses [23]; que por sua avó materna são bisnetos de Sebastião de Figueiredo Sarmento, capitão de cavalaria, e este filho de Manuel Jorge de Figueiredo Sarmento, alcaide-mor de Bragança e major de cavalaria, morto na brecha de Alcântara combatendo em defesa da pátria; que as exéquias em que foi recitada esta oração fúnebre tiveram lugar num templo dedicado a S. Jorge (parece deduzir-se que esse templo era de sua mãe, talvez a capela de S. Jorge, em Favaios, distrito de Vila Real, onde ainda hoje a família possui um grande casal); que nesse templo havia em caracteres góticos o seguinte epitáfio: «Aqui jazem as cinzas de Pedro Teixeira, fidalgo da Casa Real, reitor que foi desta igreja, depois de viuvo de sua mulher D. Catarina d’Andrade»; que este era sétimo avô, pelo lado de sua mãe (a viscondessa de Ervedosa), dos massacrados; que outro epitáfio dizia: «Aqui descansa em paz Affonso Taveira Teixeira, fidalgo da Casa Real, a quem por gratidão Francisco Barros Carneiro, marido de sua filha herdeira D. Maria Taveira, fez gravar esta inscripção»; que este era neto do primeiro ali sepultado e filho de Manuel Teixeira, que não está aqui enterrado mas em Lisboa, onde faleceu tendo exercício no paço; que dos outros descendentes dos massacrados até eles estão ali sepultados, mas não lhe gravaram os epitáfios por esquecimento, pois bem os mereciam, porquanto seu bisavô exercera a magistratura em Sousel e Vila Real; que seu avô fora laureado em direito civil pela Universidade de Coimbra; e que os dois massacrados estiveram cinco anos presos, andando de cadeia em cadeia, entre elas o castelo de S. Jorge em Lisboa, no meio de ladrões e assassinos (1128). Philosophiæ pars 3.me ad methaphisicam Pe. Emanuele Carneiro. Sumpsii Salvator Ferreira Rebello ln Congregacione oratorii de Freixo de Espada a Cinta. Anno 1724. Manuscrito em 4.º de papel liso, encadernado, de mais de 200 folhas, inumeradas, existente em poder da família Zoio, de Bragança. Posturas paroquiais da freguesia de Carragosa, do concelho de Bragança. Bragança, Tip. Minerva, 1911. 8.º de 17 págs. Projecto de reforma dos Estatutos da Sociedade Cooperativa dos Oficiais da Guarnição de Bragança, aprovado pelo Ministério da Guerra, repartição (1128) Ver tomo VI, p. 188, destas Memórias.

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do Gabinete, em 19 de Julho de 1888. 8.º de 4 págs., sem lugar de impressão. Regras da sintaxe latina, extraídas da gramática de Joaquim Alves de Sousa. Bragança, 1895. Tip. de F. A. Lopes e C.ª 16.º de 8 págs., sem nome do autor. Regulamento do Asilo Duque de Bragança a cargo da Junta Geral do Distrito. Vila do Conde, 1928. 8.º de 15 págs. – das Casas de Espectáculos do distrito de Bragança. Bragança, Tip. Artística, 1924. 8.º de 12 págs. – do Descanso semanal no concelho de Bragança. Bragança, 1912, Tip. Adriano Rodrigues. 8º de 15 págs. – Geral da Roda-hospício e providências relativas ao serviço dos abandonados expostos e subsidiados do distrito de Bragança. Tip. do Governo Civil de Bragança, fólio peq. de 20+2 (inumerados) mapas+8 págs., sem ano de impressão; mas como começa por uma acta da sessão da Junta Geral do distrito de 4 de Dezembro de 1872, é provável que fosse impresso em 1873, pois traz alguns documentos datados desse ano. – Geral do serviço dos abandonados, expostos e subsidiados do distrito de Bragança. Porto, 1876. 4.º de 32 págs. – das horas de trabalho diário do distrito de Bragança (lei nº 295 de 22 de Janeiro de 1915). Tip. de António de Melo, Bragança. 8.º gr. de 5 págs. – do Matadouro Municipal da cidade de Bragança. Bragança, Tip. Minerva, 1910. 8.º de 18 págs. – do Posto de Desinfecção estabelecido na cidade de Bragança. Aprovado pela câmara municipal respectiva em sessão de 22 de Novembro de 1901, com as alterações propostas pela Inspecção-Geral dos Serviços Sanitários do Reino, aprovado por despacho do Ministério do Reino de 28 de Abril de 1902 e mandado imprimir por deliberação da câmara de 21 de Abril de 1904. Coimbra, 1904. 8.º de 8 págs. Relação da solene entrada que na cidade de Miranda fez … … D. Diogo Marques Mourato, bispo da mesma diocese … … em 21 de Outubro de 1742. Porto, 1742. Relatório da Comissão Inspectora da Roda-hospício de Bragança relativo ao segundo trimestre do ano económico de 1873-1874. – apresentado à Junta Geral do Distrito de Bragança na sessão ordinária de 1 de Maio de 1870 pela comissão distrital. Porto, Tip. do Jornal do Porto, 1879. 4.º de 8 págs. e 62 inumeradas de documentos. Relatórios apresentados na sessão extraordinária da Junta Geral do Distrito de Bragança de 29 de Julho de 1857 e na sessão ordinária de 1862, pelo governador civil. Coimbra, Imp. da Universidade, 2 vols. in-4.º 1857 e 1873. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


PUBLICAÇÕES ANÓNIMAS

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Resposta à defesa do Senhor Tenente José de Almeida Melo e Castro. 8.º de 8 págs., sem nome de autor nem lugar de impressão, mas deve ter sido em Bragança, porque no fim traz esta data: «Bragança, 12 de Agosto de 1868». O tenente José de Almeida Melo e Castro deixou fama em Bragança pelas suas excentricidades e perícia de cavaleiro-picador: não havia cavalo, por mais bravo que fosse, que lhe resistisse e a fugir a toda a carga, guiando-o apenas por fitas de seda em vez das correias e freio, e de tal modo se dobrava no mais vivo da carreira que apanhava do chão qualquer objecto, por mais pequeno que fosse. Mais conhecido pela alcunha de Cazuza, era filho do conde das Galveias e casou em Bragança com D. Ernestina Angélica de Miranda, sogra de Carlos Pessanha (de quem noutra parte nos ocupamos), que morreu sendo governador de Diu. Sentença a favor da comenda de S. Cristóvão e S. Sebastião de Algoso e seu ramo de Guide, no bispado de Miranda deste reino de Portugal, que é da ordem e milícia da sagrada religião de S. João Baptista do Hospital de Jerusalém, proferida na mesa das ordens militares portuguesas, contra o seu procurador-geral o grão-mestre Fr. Manuel Pinto da Fonseca. Lisboa, 1742. 1 vol. in-fólio, raro. Sumário das Indulgências concedidas à confraria dos Cinturados do P.e S. Agostinho e da Madre S. Mónica sob a invocação da bem-aventurada Virgem Maria da Consolação, fielmente extraído do Breve Ex. j infuncto Nobis det. 27 Martii 1673 do Sumo Pontífice Clemente X novissimamente reconhecido e aprovado pela Sagrada Congregação das Indulgências por decreto de 7 de Março de 1863 publicado em Roma pelo P. M. Nicolau Mercurii da Ordem de Santo Agostinho, diligentemente traduzido do exemplar latino por um presbítero brigantino. Porto, 1880. 8.º peq. de 96 págs. e duas com a bula do papa Leão XIII de 6 de Abril de 1880 concedendo indulgência plenária durante dez anos aos fiéis que, confessados e comungados, visitassem a capela pública de Nossa Senhora da Consolação, erecta nos claustros da Sé de Bragança, orando aí pelas necessidades da Santa Igreja, paz e concórdia entre os príncipes cristãos, etc. A licença dada pelo geral dos Augustinianos em Roma para organizar a confraria, foi concedida ao padre Luís Augusto de Moura Guerra, beneficiado da Sé de Bragança e grande benfeitor da capela de Nossa Senhora da Consolação. Sindicato Agrícola de Mirandela. Estatutos aprovados por alvará de 16 de Novembro de 1905. Porto, 1905. 1 vol. in-8.°. Verdade (A) – A questão do Banco de Bragança com a herdeira do falecido dr. Joaquim Guilherme Cardoso de Sá. Opúsculo nº 1. Porto, 1910. 8.º gr. de 16 págs. – Idem, idem. Opúsculo nº 2. Porto, 1910. 8.º de 43 págs. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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PUBLICAÇÕES ANÓNIMAS

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RAPOSO

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REBORDAINHOS

TOMO VII

Verdade (A), idem. Opúsculo nº 3. Bragança, 1912, Tip. de Adriano Rodrigues. 8.º gr. de 95 págs. Verdade (A) – Aos leitores do opúsculo A Verdade e ao público. Folha avulsa, que termina assim: «Bragança, 26 de Julho de 1912. João Manuel Garcia. Typogr. Adriano Rodrigues – Bragança». Pela parte contrária apareceu: O Banco de Bragança nas suas relações comerciais com o dr. Joaquim Guilherme Cardoso de Sá. Coimbra, 1909. 8.º de 29 págs. O Banco de Bragança na questão Joaquim de Sá. Esclarecimento prévio. Folha avulsa. Bragança, Tip. de Adriano Rodrigues. O julgamento desta questão teve lugar em Bragança a 29 de Julho de 1912, sendo defensores: do Banco de Bragança, o célebre causídico, lente da Universidade de Coimbra, ministro da Justiça no primeiro gabinete republicano doutor Afonso Costa, e da menor Maria Eugénia Cardoso de Sá o não menos notável causídico e lente doutor Francisco Joaquim Fernandes, do Porto. Ficou vencido o Banco. Sobre o caso ainda há mais: O Banco de Bragança e o suposto crédito de treze contos da herança Joaquim de Sá. Coimbra, 1910. 8.º de 13 págs. Versos – Oferecidos por um mesário da Confraria ao Benemérito Comendador António do Carmo Pires e a seu querido filho Emídio Augusto Garcia Pires, juiz honorário. Bragança, 1902, Tip. de Silva Barreto. 16.º de 15 págs. Este opúsculo, apesar de anónimo, tem como autor Francisco António Fernandes de Quintanilha, empregado do governo civil de Bragança e natural de Quintanilha, povoação do mesmo concelho.

R RAPOSO (Doutor Luís António Martins), pág. 433 – Em Julho de 1930 resolveu a Faculdade de Medicina de Coimbra reintegrá-lo como professor auxiliar de ginecologia e obstetrícia da mesma faculdade. REBORDAINHOS – Na igreja desta povoação, concelho de Bragança, há um véu de cálix, de seda, cor branca, que tem impressa em três colunas a Bula da Santa Cruzada / concedida por Sua Santidade / o papa Pio VI / para o ano de M.DCCLXXVII até M.DCCLXXXIII. É assinada pelo cardeal da Cunha e não indica ano nem lugar de impressão. Ao actual pároco de Rebordainhos, Filinto Elísio Afonso, agradecemos os informes referentes a este exemplar.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


REFÓIOS

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RIO DE FORNOS

789 TOMO VII

REFÓIOS – A 24 de Setembro de 1744 representaram a el-rei os moradores de Refóios, concelho de Bragança, dizendo que, como reguengueiros da casa de Bragança, pagavam à mesma anualmente cento e trinta e três alqueires de centeio, 720 réis em dinheiro e duas galinhas, e, como o povo estava pobre, pediam licença para romper os campos baldios. Foi-lhe concedida (1129). RIO DE FORNOS – Torna-se digno de especial consagração nestas páginas o gesto nobre do fidalgo morgado de Rio de Fornos, José Joaquim de Figueiredo de Morais Pimentel, que em Março de 1930, tendo o governador civil do distrito de Bragança, capitão Tomás Augusto Salgueiro Fragoso, conseguido do governo dez contos de réis para um posto de socorros a instalar em Vinhais, propôs que, em vez desta instituição, se fundasse um hospital, para o que ofereceu vinte contos, todas as madeiras precisas, das suas matas, e, por sua morte, toda a sua fortuna, calculada em algumas centenas de contos. Foi enorme o entusiasmo causado em todos os vinhaenses, por tão levantado rasgo de generosidade que, abraçando a ideia do hospital, desde logo começaram a subscrever largamente para ele. O nobre morgado não é solteiro, como por equívoco escrevemos no tomo VI, pág. 724, destas Memórias, mas sim viúvo (sem filhos) de D. Benedita de Jesus Mazeda Pimentel, natural de Valongo, concelho de Macedo de Cavaleiros. É filho de Francisco Bernardo de Morais Pimentel, de Rio Torto, e de D. Emília Leopoldina de Figueiredo Sarmento, de Rio de Fornos. Também na mesma pág. 724 é necessário corrigir o que ali se lê e acrescentar o seguinte: D. Antónia Emília de Sá Miranda, de Grijó de Vale Benfeito, é filha de José Manuel de Sá Miranda e de D. Joana de Sá, filha de José António de Miranda (II, pág. 377) e de D. Maria Eugénia de Novais Sá Cardoso. Portanto, D. Beatriz de Morais Madureira Lobo, que lá apontámos como sua ascendente, é apenas sua tia afim, por haver casado com seu tio António de Sá Miranda. Ainda no período que começa: «António Henrique e José Manuel de Figueiredo Sarmento (1.º e 2.º atrás citados) são (substituir o resto desse período pelo seguinte): bisnetos de Pedro José de Figueiredo Sarmento, filho de Manuel Carlos de Figueiredo Sarmento (I, pág. 406) e de D. Luísa Maria Joaquina Pinto da Costa, de Chacim. Lá diz o nosso Sá de Miranda: É... grande trabalho Escrever de gerações! porque os fidalgos são como as cerejas: estão tão enlaçados uns aos outros (1129) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial.

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RIO DE FORNOS

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ROCHA

TOMO VII

que não há destrinçá-los sem risco de grandes enganos, como tem sucedido a todos os genealogistas; valha a verdade que connosco, os plebeus, sucede a mesma coisa. ROCHA (Monsenhor António José da) – Cónego da Sé de Bragança, professor de latim no liceu e seminário da mesma cidade e vigário-geral da diocese. Nasceu em Caçarelhos, concelho de Vimioso, a 18 de Maio de 1836 e faleceu em Bragança a 25 de Fevereiro de 1930, sendo filho de Quintino José da Rocha e de D. Cristina Rodrigues Martins Morgado. Fez os primeiros estudos em Vilar Seco, concelho de Vimioso, com o famoso latinista abade Madureira, e o curso teológico em Bragança. Foi professor de latim em Valpaços durante quatro anos, depois na Covilhã durante dezasseis e no liceu de Bragança desde 1878 até Março de 1906, ano em que se jubilou. Tomou posse do canonicato na Sé de Bragança a 11 de Novembro de 1899. Deixou os seus bens, reputados no melhor de sessenta contos, à Santa Casa da Misericórdia desta cidade, à qual já em vida fizera vários benefícios (e por isso se conserva o seu retrato na sala nobre da mesma, entre os diversos beneméritos); a casa de habitação e os livros religiosos ao bispo da diocese e os outros livros ao Liceu de Bragança. Pelo mesmo título das benemerências humanitárias apresentamos mais os seguintes: Francisco Joaquim Barreira, prior da vila de Fafe, natural de Bragança, filho de Manuel António Barreira. Recebeu ordens de presbítero em 1839, sendo mais tarde capelão militar. Faleceu em Fafe em Novembro de 1881, vindo o seu cadáver a sepultar a Bragança, como dispusera em testamento. Deixou todos os seus haveres à Santa Casa da Misericórdia desta cidade, em cuja secretaria está o seu retrato, e no fólio 144 v. do «Livro das escripturas, foros, prazos e juros», existente no arquivo da mesma casa de caridade, a cópia do seu testamento. António Manuel Afonso Condado, prior de Alcança, concelho de Mafra, que faleceu a 28 de Fevereiro de 1882, era natural de Espinhosela, concelho de Bragança, e filho de José Afonso e Teresa Condado. Deixou à Santa Casa da Misericórdia de Bragança todos os bens que possuía em Espinhosela. Recebera ordens de presbítero em 1849 (1130). Bento Manuel Gil de Figueiredo, natural de Vinhas, concelho de Macedo de Cavaleiros, doente acidentalmente na Ferradosa, concelho de Alfândega da Fé, fez testamento em 1877 e deixou herdeira universal de

(1130) Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Livro das escrituras, foros, prazos e juros, fólio 147.

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ROCHA

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RODRIGUES

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SABÃO

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SALES

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seus bens a mesma Santa Casa. Era filho de Domingos Gil de Figueiredo e de D. Teresa de Moura. Recebeu ordens de missa em 1831 (1131). RODRIGUES (José Manuel), pág. 455. – Depois de escrita a sua biografia e apreciação matemática orientada pelo Bosquejo histórico do ilustre lente da Universidade de Lisboa, doutor Pedro José da Cunha, veio este em 1930 com uma «Nota» ao Bosquejo histórico dos matemáticos em Portugal, devido aos «reparos de pessoas competentes na matéria». Um destes reparos é feito pelo doutor Gomes Teixeira, sábio lente de matemática da Universidade do Porto, aos elogios tecidos à Memória sobre a teoria da balística, de José Manuel Rodrigues. «Esta Memória – diz Pedro José da Cunha, corrigindo o que escrevera no primeiro trabalho – foi largamente criticada em Espanha e na Itália, e, apesar dos esforços de Rodolfo Guimarães, que supôs ter demonstrado que essas criticas não tinham razão de ser, por se basearem, segundo dizia, numa inexacta interpretação dos métodos empregados, a verdade é que José Manuel Rodrigues caiu em êrro, aplicando princípios fundamentais da análise infinitésimal sem mostrar que se verificavam as hipóteses indicadas nos seus enunciados». RODRIGUES (Manuel Gonçalves) pág. 456 – Foi nomeado professor da escola primária de Bragança por carta régia de 17 de Julho de 1851 (1132).

S SABÃO – Em Julho de 1863 requereram José Lopes e António Rodrigues Parrado, residentes em Bragança, licença para montarem uma fábrica de sabão no recolhimento das Beatas, ao Loreto, nesta cidade (11133). Em Novembro de 1876 obtiveram licença José Benedito de Araújo Soeite e irmãos para montarem uma fábrica de sabão na rua dos Arciprestes, em Mirandela (1134). SALES (Padre Ernesto Augusto Pereira), pág. 472 – Escreveu mais: Bandeiras e estandartes regimentais do exército e da armada e outras bandeiras militares (Apontamentos). Lisboa, 1930. Um volume de 92+4 (inumeradas) págs. com ilustrações a cores. (1131) «Livro das escrituras, foros», etc., fólio 150. (1132) Registo maior nº 7 da Câmara de Bragança, fólio 110. (1133) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil. Ver tomo II, p. 475, destas Memórias. (1134) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil.

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SAMPAIO E MELO

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SANTOS JÚNIOR

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SARMENTO

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SEDA

TOMO VII

SAMPAIO E MELO (Domingos Frias de) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, deputado pelo círculo de Moncorvo em 1915, senador pelo distrito de Bragança em 1924, membro do directório do partido republicano português e actual director-geral das colónias, antigo administrador, presidente da câmara e oficial do registo civil do concelho de Carrazeda de Ansiães, governador civil substituto do distrito de Bragança e conservador do registo predial em Moncorvo. Nasceu no Arco de Baúlhe, concelho de Cabeceiras de Basto, a 5 de Agosto de 1870, mas, órfão de pai e mãe, veio para a companhia de seus avós maternos residentes em Carrazeda de Ansiães, onde se criou. É filho do doutor António Pinto da Cunha e Sousa e de D. Maria Isabel Frias de Sampaio e Melo. Em 1911 tomou parte, como voluntário, na coluna de operações contra a incursão couceirista de Bragança e em 1912 foi nomeado secretário-geral da província de Moçambique, que algumas vezes governou por largos períodos. SANTOS JÚNIOR (Doutor Joaquim Rodrigues dos), pág. 492 – Tem publicado mais: Notas de medicina popular transmontana. Porto, 1929. 8.º de 75 págs. e uma de índice. As ruínas castrejas da Cigadonha (Carviçais). Porto, 1929. 8.º de 14 págs. com uma fotogravada. Pinturas megalíticas no concelho de Carrazeda de Ansiães. Porto, 1930. 8.º de 38 págs. com gravuras e 4 estampas. SARMENTO (Jacob de Castro), pág. 495. – O doutor Augusto d’Esaguy, assistente livre da cadeira de sifiligrafia da Universidade de Lisboa, publicou em 1929 Uma dedicatória do Dr. Jacob ou Henrique de Castro Sarmento, separata de A Medicina Contemporânea, onde diz que «anda a escrever um grosso e bem documentado volume» sobre o nosso conterrâneo. O livro em que Jacob Sarmento escreveu a Dedicatória é a Matéria Médica e dedicou-a a Marco António de Azevedo Coutinho, alcaide-mor de Vimioso. O doutor Augusto d’Esaguy publicou mais a respeito deste notável bragançano: Da quina quina, as águas de Inglaterra inventadas pelo Dr. Jacob de Castro Sarmento, do Real Colégio dos Médicos de Londres, e sócio da Sociedade Real. Lisboa, 1930. 8.º de 13 págs. É uma separata de A Medicina Contemporânea. Nótulas relativas às águas de Inglaterra inventadas pelo Dr. Jacob de Castro Sarmento, do Real Colégio dos Médicos de Londres, e sócio da Sociedade Real e hoje preparadas por André Lopes de Castro. Lisboa, 1931. 8.º de 52+2 págs. SEDA, pág. 498 – Ao que já fica dito em diversas passagens desta obra, MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


SEDA

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nomeadamente no tomo II, pág. 470, e neste, págs. 466 e 498, aditamos mais os seguintes documentos: «Ill.mo Snr. Deão Governador do Bispado de Bragança. Tendo presente o officio de V. S.ª de 24 do passado com o Mappa das Amoreiras, que appresentou a V. S.ª o Visitador do Ramo de Mirandella; não posso deixar de aggradecer a V. S.ª no Real Nome os reiterados esforços comque se presta para o adiantamento da cultura das Sedas; devendo pôr na Real Presença as Listas que appresentarem a V. S.ª os Vesitadores; assim como as providencias que V. S.ª tem dado, e vai dando para desempenho de tão importante negocio. Deos Guarde a V. S.ª – Lisboa, 16 de Agosto de 1803. – José Antonio de Sá» (1135). «Repartição dos Negocios Ecclesiasticos. – Tendo Sua Magestade a Rainha ordenado pelo Ministerio do Reino aos Governadores Civis dos Districtos Administrativos do continente do Reino, que promovessem, quanto lhes fosse possivel, a plantação das Amoreiras, para a creação do bixo da Seda, convidando as camaras municipaes para similhantemente a promoverem nos terrenos da sua administração, e darem incremento a este importante ramo de Industria Nacional; e sendo conveniente augmentar esta plantação: Ha a Mesma Augusta Senhora por bem que o Governador do Bispado de Bragança mande insinuar ás Preladas dos Conventos de Religiosas da sua Diocese, para que adoptem nas respectivas Cercas a referida plantação das amoreiras, obtendo assim em seu proprio proveito a mencionada creação em ponto grande, á imitação do que praticam já as Freiras e recolhidas do convento d’Odivellas, no Districto de Lisboa, na intelligencia de que ás Preladas dos conventos, que se propozerem a acolher o meio lembrado, dedicando-se á dita cultura, podem por intervenção dos seus Propostos dirigir-se á auctoridade local administrativa, para esta promover por intermedio do Governador Civil a remessa dos garfos ou a semente das ditas arvores, conforme o methodo da cultura que preferirem. Paço das Necessidades, em 10 de Janeiro de 1843. – José Antonio Maria de Sousa Azevedo» (1136). Em poder do doutor António Henrique de Figueiredo Sarmento, natural de Vilar do Monte, concelho de Macedo de Cavaleiros, existe um pergaminho que contém uma sentença judicial, dada em Bragança a 16 de Agosto de 1480, na qual se transcrevem outras duas dadas em 1477 a propósito da posse do dito lugar de Vale Benfeito e nelas se aponta já a folha das amoreiras como coisa de notável valor, sinal evidente da cultura sericícola. (1135) Museu Regional de Bragança, maço Correspondência Episcopal especial. (1136) Ibidem.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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SENDAS

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SILVA

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SOEIRO

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SOUSA CALDAS

TOMO VII

SENDAS (Vespasiano Tito) – Inspector escolar; nasceu na freguesia da Cardanha, concelho de Moncorvo, a 8 de Julho de 1880; filho de Luís Maria Sendas e de D. Maria Rita de Carvalho. Estudou em Bragança. SILVA (José Firmino da), pág. 534 – A 14 de Setembro de 1930; quando todo o concelho de Vinhais e muitíssimas pessoas das mais categorizadas do distrito de Bragança prestavam naquela vila uma grandiosa manifestação de homenagem ao seu médico doutor Álvaro da Cunha Ferreira Leite (pág. 262), os vinhaenses, por iniciativa do doutor Raul Manuel Teixeira, inauguraram uma lápide de mármore na fachada da escola Conde de Ferreira de Vinhais, que diz «À memória do padre José Firmino da Silva, que nesta escola ensinou desde 30-XI-883 a 31-VII-914, oferecem os seus conterrâneos e alunos». SOEIRO (Abílio de Lobão) – Nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 28 de Dezembro de 1860 e faleceu a 17 de Abril de 1924. Era filho de Miguel António Lopes Soeiro e de D. Leopoldina Fortunata de Lobão Soeiro e casado com D. Adelina Laura Antunes Lopes Navarro, natural de Lagoaça (pág. 355). Foi chefe de repartição do governo civil de Bragança e administrador de alguns dos seus concelhos, chefe da 1.ª repartição da direcção-geral (secretaria do congresso da República), director-geral interino, deputado pelo círculo de Vila Real (1906), governador civil de Évora (1910), secretário-geral da Companhia do Niassa (1911), governador dos territórios da mesma Companhia (1920), senador pelo distrito de Bragança nas legislaturas de 1919, 1921 e 1922, grande oficial da ordem de Cristo (1919), comendador das ordens de S. Miguel e S. Jorge por agraciamento de sua majestade britânica (1924), que lhe dava o titulo de Sir, e comendador da ordem da coroa de Itália. SOUSA CALDAS (José Francisco de) – Professor da Escola Industrial de Passos Manuel de Vila Nova de Gaia e director da mesma desde 1927, concelho onde nasceu a 18 de Maio de 1894. Filho de José Fernandes Caldas, escultor, e de D. Rita de Sousa Caldas. Fez os seus estudos na Escola de Belas-Artes do Porto. Na Exposição Internacional do Rio de Janeiro foi premiado com a medalha de honra e com a 3.ª medalha na Sociedade Nacional de Belas-Artes de Lisboa. É autor de notáveis trabalhos em janelas particulares, em edifícios públicos e em vários monumentos. A Câmara Municipal de Gaia tem-lhe conferido vários louvores por serviços prestados ao concelho. Foi Sousa Caldas o autor do notável busto em bronze, erigido em 1929 por subscrição pública do distrito na Avenida da estação do caminho-deMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


SOUSA CALDAS

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TABORDA

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TEIXEIRA

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TENREIRO

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-ferro em Bragança ao conselheiro Abílio Beça e também do baixo-relevo em bronze do retrato do empreiteiro do mesmo caminho-de-ferro João Lopes da Cruz (ver pág. 143), colocado numa placa de mármore na esquina de uma casa na dita Avenida. Ver neste Suplemento o artigo Beça. A iniciativa da consagração ao arrojado empreiteiro deve-se ao doutor Raul Manuel Teixeira (ver pág. 552).

T TABORDA (Doutor Virgílio Guerra) – Assistente da faculdade de letras da Universidade de Coimbra (ciências histórico-geográficas). Terminou o curso em 1927. Nasceu em Freixo de Espada à Cinta a 12 de Dezembro de 1900 e é filho de Eugénio Guerra Taborda e de D. Maria Júlia Soromenho. TEIXEIRA (António José), major de infantaria, pág. 550 – Escreveu mais: Glórias bragançanas – Poalhas da história regional. (Separata da Revista Insular e de Turismo). Lisboa, 1930. 8.º de 24 págs. TEIXEIRA (Padre Caetano) – Na padieira da porta da sacristia da igreja paroquial de Tourém, concelho de Montalegre, há uma inscrição que diz: Caetanus Teyxey / ra de Bragança a fe / cit fieri 1751. TENREIRO (Manuel Guerra) – Doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde terminou o curso em 1847, deputado, natural de Freixo de Espada à Cinta, e ali falecido, com cinquenta e cinco anos de idade, a 15 de Janeiro de 1881. Era filho de Manuel Joaquim Guerra, negociante, e de D. Francisca Teresa Sanches. É digna de respeito máximo a memória do doutor Manuel Guerra Tenreiro pela energia que desenvolveu atinente à cultura sericícola no distrito de Bragança (1137). Os dois melhores amoreirais que há em Freixo de Espada à Cinta foram mandados plantar por ele, e ainda hoje pertencem a seus descendentes. A ele deve, em grande parte, esta vila o não deixar extinguir de todo, como sucedeu em outras terras do distrito, a grande indústria de criação do bicho da seda e tecelagem do casulo. Ainda hoje lá se fabricam panos de peneira, fitas e outros produtos. A colcha de seda, produto da sua indústria manufactureira, que em 1930 aquela vila ofereceu ao Museu (1137) Ver tomo II, p. 402, 464 e 465, destas Memórias. Ao tenente Alfredo Augusto Guerra, neto do nosso biografado, agradecemos as informações para este artigo.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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TRIANGUALÇÃO DE PORTUGAL

TOMO VII

Regional (do distrito) de Bragança é um belíssimo trabalho artístico que muito honra a perícia das habilíssimas tecedeiras freixienses e a indústria local, pois é toda fabricada com produtos regionais. TRIANGULAÇÃO DE PORTUGAL – Os trabalhos geodésicos para o levantamento de cartas geográficas começaram em Portugal em 1788 dirigidos pelo doutor Francisco António Ciera, lente da Academia Real de Marinha. O alvará de 9 de Junho de 1801 manda que em cada uma das comarcas do país haja um matemático que levante minuciosamente a carta da região; mas este serviço marchou lentamente, pois ainda o decreto de 9 de Novembro de 1852, a fim de organizar a carta corográfica do país, mandada levantar pela portaria de 27 de Outubro anterior, ordena a construção das dezasseis ou vinte pirâmides geodésicas que faltavam (1138). No Museu Regional de Bragança, maço Correspondência do Governo Civil, há um ofício do governador civil para o administrador do concelho, datado de 10 de Dezembro de 1859, comunicando-lhe que, dentro de poucos dias, devia concluir-se «a construcção de uma pyramide ou baliza de alvenaria, que deve servir nos trabalhos geodesicos do Reino, no lugar mais alto da serra de Nogueira» e recomendando-lhe para avisar o regedor daquela área a fim de o povo a não danificar, pois «foi dispendiosa a sua construcção e nenhum mal faz á agricultura». Esta pirâmide é a que ainda se conserva no alto da Senhora da Serra, perto do templo, no termo da freguesia de Rebordãos, concelho de Bragança. No nosso distrito temos, idênticas a esta, a de Deilão, no mesmo concelho, construída em 1860; a de Montouto, no concelho de Vinhais; a de Cicouro, no de Miranda do Douro; a de Bornes, no de Macedo de Cavaleiros; as de Fonte Longa e Linhares, no de Carrazeda de Ansiães, e a da Serra da Lagoaça, entre os concelhos de Freixo de Espada à Cinta e Mogadouro. Como estas pirâmides, denominadas antigas ou primitivas, ficavam muito distanciadas, de onde a deficiência dos mapas por elas organizados, em 1883 construíram-se outras mais próximas, que regulavam por 1,50 m de altura, ao passo que aquelas iam de três a dez, das quais poucas restam, faltando porém poucas daquelas.

(1138) RIBEIRO, Silvestre – História dos Estabelecimentos científicos, literários e artísticos de Portugal, 1871-1893, vol. II, p. 139, vol. IV, p. 213, e vol. VI, p. 79.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


VALE BENFEITO

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V VALE BENFEITO – O Padre JOÃO BORGES VERGUEIRO PIRES DUQUE e suas irmãs D. MARIA, D. ÂNGELA e D. ISABEL instituíram em 10 de Junho de 1757 um vínculo de morgadio com bens em Vale Benfeito e Travanca, com a obrigação de uma missa cantada a S. João Baptista, no seu dia, podendo ser de cinco clérigos, e outras quatro pelas almas deles instituidores e de seus pais e irmãos. Nomearam por administrador, após a sua morte, seu irmão o capitão de ordenanças FÉLIX BORGES VERGUEIRO PIRES DUQUE, que casou com D. ISABEL MARIA DE MORAIS e faleceu a 9 de Maio de 1778. Tiveram os filhos: I – D. LEONOR VALÉRIA BORGES DE MORAIS, que esteve recolhida largos anos no convento de Santa Clara de Bragança, mas não professou. Segue adiante. II – D. MARIA DÁRIDA BORGES DE MORAIS, que foi freira em Santa Clara de Bragança e faleceu a 6 de Abril de 1819. III – D. BERNARDA MARIA BORGES DE MORAIS (ver pág. 490, tomo VI, destas Memórias), casou com o então tenente de cavalaria de Bragança, ANTÓNIO MANUEL DE ABREU DE FARIA FIGUEIREDO SARMENTO E DOUTEL, mais conhecido pelo nome ANTÓNIO MANUEL DE ABREU E SARMENTO (pág. 29, tomo VI, destas Memórias «ABREU SARMENTO»), e a quem foi dado brasão de armas, irmão do tenente-coronel de cavalaria JOSÉ VICENTE DE ABREU SARMENTO, que fazia parte da «Junta Provisional do Supremo Governo», organizada em Bragança em Junho de 1808 contra os franceses (pág. 131, tomo I, destas Memórias) e faleceu sem descendência. D. BERNARDA MARIA BORGES DE MORAIS e ANTÓNIO MANUEL DE ABREU SARMENTO tiveram os filhos: I – ANTÓNIO VICENTE DE ABREU, que, como tenente de infantaria nº 24, fez parte da brigada de Beresford, ficando prisioneiro no desastre da praça de Almeida em 26 de Agosto de 1810 (1139), e que em 1826 aboliu o vínculo de morgadio «Vaso de Ouro», junto a Bragança (1140), de que era administrador e que havia sido instituído em 1667 por seu bisavô MANUEL DE FARIA FIGUEIREDO SARMENTO, filho este de MANUEL DE FARIA FIGUEIREDO BORGES DA ROCHA , cavaleiro professo na ordem de Cristo, com mercê de uma comenda, fidalgo da casa de sua majestade e mestre-de-campo, etc. (págs. 26 e 685 do tomo VI destas Memórias). Faleceu a 4 de Janeiro de 1830 sem descendência. (1139) Tomo I, p. 466, destas Memórias, onde, por equívoco, saiu a mais com o apelido Afonso, que não usa. (1140) Registo maior nº 7 da Câmara de Bragança, fólio 36.

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2 – JOSÉ BERNARDO BORGES DE MORAIS DE ABREU SARMENTO, que nasceu a 24 de Março de 1777 e faleceu muito novo ainda, segundo consta, na guerra contra os franceses, nos Pirenéus (?), como capitão de cavalaria, deixando descendência. 3 – FRANCISCO MANUEL DE ABREU SARMENTO, que nasceu a 27 de Março de 1780, foi reitor de Parada e não deixou descendência. – D. LEONOR VALÉRIA BORGES DE MORAIS, atrás referida, sucedeu na administração deste vínculo e faleceu solteira em 11 de Maio de 1847, deixando por universais herdeiros de todos os seus bens, bem como dos que constituíam o vínculo, a sua sobrinha D. MARIA CÂNDIDA DE ABREU SARMENTO (a) e a seu marido JOSÉ JOAQUIM DE MORAIS (b), com a condição de todos estes bens passarem por morte destes aos filhos havidos de entre ambos e, na falta destes, poderiam dispor desses bens, preferindo sempre seus legítimos herdeiros. (a) D. MARIA CÂNDIDA DE ABREU SARMENTO era filha de JOSÉ BERNARDO BORGES DE MORAIS DE ABREU SARMENTO, já referido, e de D. LEONARDA DE JESUS FIGUEIREDO, de Bragança. (b) JOSÉ JOAQUIM DE MORAIS era filho do capitão de milícias e cirurgião MANUEL ANTÓNIO DE MORAIS, neto do Dr. ANTÓNIO ALEXANDRE DE MORAIS E OLIVEIRA, bisneto de GREGÓRIO BORGES DE MORAIS E OLIVEIRA e terceiro neto de SALVADOR BORGES DE MORAIS E OLIVEIRA ou SALVADOR DE MORAIS (pág. 490 do tomo VI destas Memórias), e que casou com D. ISABEL ESTEVES, irmã única dos instituidores do morgadio de Valbom de Mascarenhas, instituído em 11 de Maio de 1719 (ver tomo VI, pág. 489, destas Memórias), o qual, por estes não terem descendência, passou, por expressa disposição sua, a seus sobrinhos, filhos da dita sua irmã D. ISABEL ESTEVES e de seu marido, o morgado de Vale Benfeito (SALVADOR DE MORAIS), morgadio que nesta família se conservou até depois da extinção dos morgadios, sendo mais tarde os seus bens vendidos, pertencendo hoje uma grande parte e a casa em Valbom aos doutores Abraão de Carvalho e Alberto Félix de Carvalho e a seu cunhado major Joaquim Maria Neto, todos biografados neste tomo. D. MARIA CÂNDIDA DE ABREU SARMENTO e JOSÉ JOAQUIM DE MORAIS tiveram os filhos: MANUEL BERNARDO; JOAQUIM JOSÉ DE JESUS, médico naval, promovido por distinção a capitão e falecido a 30 de Abril de 1868, com vinte e nove anos de idade, em Luanda, a bordo da corveta Duque da Terceira; ANTÓNIO VICENTE; FRANCISCO MANUEL DELFIM; BERNARDINO CÉSAR e D. MARIA ROSA DA ANUNCIAÇÃO. Apenas o BERNARDINO CÉSAR DE MORAIS, ou BERNARDINO CÉSAR DE MORAIS ABREU E SARMENTO, que casou com D. MARIA DAS DORES ÁLVARES PEREIRA VAZ DE MAGALHÃES, filha do morgado de Alvações, deixou dois filhos legítimos e nenhum mais deixou descendência (ver tomo VI, pág. 349, destas Memórias). MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Na antiga casa, hoje quase de todo abandonada, em frente à igreja (lado sul) do morgadio de Vale Benfeito, instituído pelo sargento-mor António Borges de Morais em 1523, havia uma pedra de armas encimando um grande, elegante e bem trabalhado portal de cantaria, que ainda existe. A pedra de armas ignora-se o fim que teve, e as pirâmides que ao mesmo pertenciam estão sobre os cunhais da capela-mor de Nossa Senhora do Freixo. Encontra-se ainda na mesma casa, na verga ou padieira duma porta lateral, voltada a poente, um pequeno escudo gravado em cantaria, tendo todo o campo ocupado por uma grande flor-de-lis florentina, figura heráldica dos Esteves de Budalde, dos quais descenderia, como é presumível, D. Isabel Esteves, mulher do morgado Salvador de Morais, já referidos, por seu pai Pedro Esteves de Mascarenhas (1141). VALE DE TELHAS – No livro do provimento dos benefícios, espécie de registo do provimento dos párocos, fólio 90, existente no Museu Regional de Bragança, há algo acerca da fundação da capela vinculada de Santo António, na igreja de Santo Afonso, de Vale de Telhas. É interessante para a história da fidalguia. VILA REAL – A cidade de Vila Real foi elevada a sede de bispado pela bula apostólica de Pio XI de 20 de Abril de 1922 à custa das dioceses de Braga, Bragança e Lamego, num total de duzentas e cinquenta e sete freguesias, das quais cento e sessenta e sete foram desmembradas da diocese de Braga, setenta e uma da de Lamego e dezanove da de Bragança. As desta última eram todas as que pertenciam ao concelho de Chaves, a saber: Águas Frias, Bobadela, Cimo de Vila, Mairos, Oucidres, Paradela, Roriz, Sanfins, Travancas, Tronco e São Vicente. E as que pertenciam ao concelho de Valpaços são: Alvarelhos, Barreiros, Bouçoães, Fiães, Lebução, Sonim, Tinhela e Santavalha. VINHAIS – A cópia que abaixo se lê foi tirada de uma folha avulsa manuscrita, em papel almaço, de letra antiga, que veio junta com outros papéis ter à mão do nosso amigo Francisco de Moura Coutinho, agente do Banco de Portugal em Bragança e agora em Braga. Pertenceria a algum volume de notícias que pelos anos de 1721 se organizaram a pedido dos membros da Academia? Seria seu autor Baltasar Colmieiro? (Ver tomo VI, pág. 589, destas Memórias).

(1141) Ao bom amigo João José Vaz de Morais de Abreu e Sarmento (p. 349) agradecemos as informações para este artigo respeitante aos seus ascendentes.

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«CAPITULO 2.° Tem a villa de Vinhaes hûa Igreja antiquissima de S. Facundo que hé a freguezia dos bairos sitio e cabeça da abbadia que hé do Padroado Real com as imagens nela pella maior de S. Facundo de muitos milagres e hum Crucifixo antiquissimo dado por hûa familia de ...... dos Bairros do Eiró da dita villa dois altares colatrais hum de Santa Cathrina e outro de nossa Senhora do Rosario de que tem confraria, tem mais duas capelas de vincolos, ou morgados hûa da invocação de nossa Senhora da Encarnação que administra Domingos Marques e sua mulher Maria dessa e outra de S. Francisco que administra Antonio de Amaral Sarmento da dita villa. He muito antiga esta Igreja não só do tempo dos Mouros, mas dos Romanos se achão algûas figuras de pedra por cima da Porta Principal, que a tradição nos mostra ser rito antiquissimo. Vinhão a esta Igreja todos os mais Povos dentro de seis legoas por ser a segunda Igreja que ouve neste destrito depois da Igreja de Santa Maria de Bragança e consta de alguns livros da dita Igreja, e ainda hoje tem o abbade desta Igreja preferencia de lugar depois do de Santa Maria achandosse em Miranda a todos os mais, tem mais esta Igreja hua ferradura de hum cavalo estampada na parede, que a tradição nos mostra ser hum milagre de S. Facundo, que fes hindo hum mouro perseguindo hum christão, que buscava o sagrado, tem mais hum missal, que deu hum pedreiro a quem o mesmo Santo livrou de hum lobo furioso a que os homens chamão da gente tem esta Igreja grandes fazendas com que varios cavalleiros a dotarão por devoção de tão devota e milagrosa Imagem, tem muitas sepulturas da Nobreza dos bairros, e villa. Está em hum alto entre a villa e bairros, e sendo esta villa pessuida de tantas naçois, e destruida e queimada, sempre se conservou a Igreja e agora se conserva tosca na mesma manifatura, estão sugeitos a esta Parrochia os Bairros dalem a que agora chamão de S. Vicente que hoje tem somente duas cazas em hua das quais se meterão todas as outras que he a dos Culmieiros o qual bairro he fundo e fica cara o Poente. Rega hum ribeiro que vem da Coutada tem duas Fontes e hum chafariz e a capella do milagroso São Vicente feita por João Serrão de Moraes e sua mulher D. Guiomar freire a que agregarão seus bens e nomearão em seu subrinho Francisco Colmieiro que acrecentou este morgado, e fes nella novo acrecimo Francisco Colmieiro de Moraes fidalgo da Casa de Sua Magestade cavalleiro da Ordem de Christo … … geral desta Provincia com sua mulher D. Maria de Sousa Senhora da Caza de Vilar de Perdizes, e a pesuhiu seu filho Antonio Colmieiro de Moraes Fidalgo da Casa de Sua Magestade cavalleiro da Ordem de Christo e tem a regalia julgada por sentença da Isenção do ordinario a MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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tal capella e se conserva com sua antiguidade, ainda que o Bairro foi queimado pello Pantoxa nas guerras de Castella com Portugal. Tinha o Bairro de Riaçós que hoje está extinguido e se despovoou quando o Pantoxa o queimou nas guerras de Castella com Portugal penultimas a estas, que hoje he quinta do mesmo morgado de S. Vicente que adjudicou Affonsso de Moraes Colmieiro chantre que foi na Sé de Miranda á mesma capella para a pesuir seu irmão Francisco Colmieiro de su sobredito. Tinha mais outro Bairro a que chamavão de Crespos cara nacente citio agradavel e com grandes nobrezas que se extinguiu por causa de Peste, e dipois o acabou de estruhir o Pantoxa queimanduo. Tem outro Bairro a que chamão do Eiró com hua capella e vinculo da invocação de Santa Catherina que fese instetuhiuo Ayres Ferreira dessa cavalleiro da Ordem de Christo capitam mór de Vinhaes e ouvidor deste distrito». Nada mais continha a dita folha avulsa (1142). VINHO – No tomo II, pág. 448, destas Memórias demos notícia das máquinas de destilação de vinho para o fabrico de aguardente criadas em Alfândega da Fé, Armoniz, Babe, Baçal, Bouça, Bragança (três), Brunhosinho, Carção, Gimonde, Quadraçal, Nozedo de Baixo, Rego de Vide, Vale de Gouvinhas, Vilar (quintas do), freguesia de Milhão e Vilarinho das Azenhas. Agora apontamos mais as seguintes, constantes de documentos existentes no Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil, convindo porém advertir que nestes documentos aparecem, referentes à máquina do mesmo povo, algumas vezes duas ou mais licenças para a sua criação, concedidas a indivíduos diferentes em épocas diversas. Trata-se de estabelecimentos que passavam a outros donos, na maior parte dos casos, e também, às vezes, de outros diversos que houve na mesma povoação. Estes aparelhos chegavam a destilar nove pipas de vinho de vinte almudes (quinhentos litros) por dia. O mapa adiante junto dá ideia da colheita vinícola no concelho de Bragança, advertindo que não será de mais supô-lo minguado um terço da realidade, dada a relutância do povo em dizer a verdade nestes casos com receio do fisco, pois crê sinceramente nunca ser para bem da grei que o governo colhe informações neste sentido.

(1142) Ver na p. 607 várias notícias referentes a Vinhais.

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Mostra ainda mais a influência das máquinas de destilação no desenvolvimento da cultura vinícola e na solução da crise de então (pletora viniácia), convertendo-a em álcool, solução que é ainda hoje a verdadeira e eficaz, em vez de andarem p’r’aí a moer-nos a paciência com panaceias quiméricas. É consolador ver a marcha ovante do regionalismo, penhor do ressurgimento nacional. Publicam-se monografias, desenterram-se documentos, esquadrinham-se ruínas de civilizações extintas, fundam-se museus, erguem-se cruzeiros, pelourinhos artísticos ou históricos, restauram-se monumentos e clama-se pela conservação dos existentes; arquivam-se modalidades etnográficas, folclóricas, indumentais, linguísticas e proverbiais; trabalha-se, enfim, mas não basta. É necessário regressarmos à vida genuinamente portuguesa, à vida filha de todos os factores que a nossa terra pode fornecer, a essa vida que imprime carácter e fixa o tipo rácico com ideias próprias e finalidade lógica, orientada num plano a realizar, do contrário dissolvemo-nos no anonimato equivalente da não existência. Não bastava a epidemia da moda acorrentada à estrangeiromania que nos desnacionaliza na indumentária, na linguagem e no mais, e vem agora a moda pseudocientífica a inspirar nos nossos intelectuais, sob a cor de higiene e profilaxia médica, berratas contra o vinho! Pobres tontos!... Não vêem que essa ciência não é a verdadeira, mas sim a falsa; a que franceciza, germaniza, britaniza, americaniza; a que fala os seus interesses comerciais e nacionais, no intuito de nos arrastar atrelados à carroça das suas conveniências... Realmente, outra coisa não é a lei-seca dos americanos, o seu imperialismo económico, a chiadeira contra o vinho e a aguardente; e outra coisa não são essoutras bravatas que surgem por toda a parte como tortulhos em montureira. Mas o alcoolismo, com todo o seu cortejo de funestas consequências, atrofiando e aniquilando mental e fisicamente?!... Deixemo-nos de lérias. A nossa bagaceira está longe de ser álcool e o vinho tem apenas o suficiente graduado pela sábia natureza em ordem à nossa conservação. Podem objectar-nos que aquele beberrão morreu intoxicado na flor da vida e aqueloutro no meio de sofrimentos horrorosos. É possível; mas condenemos o excesso e não o uso moderado. Evitemos a estultícia dos parvos condenados por Horácio que, querendo evitar um vício, caem noutro oposto. Quantos hão morrido de lautas ceias, de demasias alimentícias dos melhores pitéus, e todavia ninguém condena por isso os bons petiscos. Quantos bêbados crónicos como o Fraga, de França, a Come la Xixa, de MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Bragança, o M. dos Avantos e tantos e tantos outros que tu, leitor, conheces e nós poderíamos citar, chegaram aos noventa anos. E a cafeína e a teína não são dois autênticos venenos, que aniquilam e matam após torturas indescritíveis? Que marmanjos!... Para dar vazante à sua expansão comercial e industrial, condenam o vinho que é um produto natural doseado pela natureza, sem artifícios deletérios, e impingem-nos cerveja, conhaque, absinto, rum, uísque e quejandas mistelas essencialmente baseadas neles! E nós tão parvos que vamos na fita arrastados pela lambugem... Cuidado; que essa tal cantata, envernizada de científica, como a pitonisa de que Demóstenes acautelava os gregos, ciengermaniza, cienbritaniza, cienamericaniza. Mente à sombra da ciência, como aquela mentia à sombra da religião, a fim de chegar a brasa à sua sardinha. Fiquem-se muito embora com o seu chá, com o seu café, com as suas beberragens contrafeitas, já que mais lhe não deu a natureza, mas não desdenhem, como a raposa da fábula, dos belos cachos a que não podem chegar, que nós bem estamos com o nosso vinho, porque é sangue de Cristo, porque bonum vinum laetificat cor hominis, porque in vino veritas, porque nunc vino pellite curas, porque foi sempre considerado medicinal em todos os tempos. Então o vinho, que criou essa raça forte expulsadora dos mouros, descobridora de novos mares e de novos mundos, que criou os Gamas, os Albuquerques, os Cabrais, os Castros fortes e «outros em quem poder não teve a morte», ia agora produzir efeitos contrários?! Não acrediteis portugueses, pelo menos os que vos dizeis regionalistas, porque é artimanha dos que tentam avançar à nossa custa, desnacionalizando-nos, aniquilando a nossa vida económica, impingindo-nos em câmbio as suas beberragens lotadas de científicas. Com o açúcar fizeram o mesmo e só pararam desde que aniquilaram a nossa apicultura, o nosso mel, incomparavelmente superior a toda a melaçada das partes di lá. E então com o algodão?! Desembestaram a enfiarmo-lo pelos olhos dentro por uma tuta-e-meia e, desde que acabaram com a cultura do nosso linho tão delicioso, tão bom, tão salutar, tão poético, do nosso linho mil vezes superior a quantos algodões possa haver, é o que se vê: levam-nos coiro e cabelo. O mesmo fizeram com as ervagens medicinais, levando-nos a esquecer as virtudes das que temos ao pé-da-porta para nos impingirem, a peso de oiro, as suas, não mais eficazes, e levando os médicos que os acreditam ao mesquinho papel de quase meros caixeiros de consignações de ervanária e seus preparados. Eia, pois, portugueses, ao menos os que vos dizeis regionalistas: regresMEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Mapa da produção e preço do vinho no concelho de Bragança, com relação aos cinco anos anteriores a 1850 e aos cinco posteriores a 1858 (1143) Freguesias

Produção média dos cinco anos anteriores a 1850

Alfaião . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aveleda . . . . . . . . . . . . . . . . . . Babe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Baçal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bragança (Sé) . . . . . . . . . . . . . » (Santa Maria) . . . . . Calvelhe . . . . . . . . . . . . . . . . . . Carragosa . . . . . . . . . . . . . . . . Carrazedo . . . . . . . . . . . . . . . . Castrelos . . . . . . . . . . . . . . . . . Castro de Avelãs . . . . . . . . . . . Coelhoso . . . . . . . . . . . . . . . . . Deilão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Donai . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Espinhosela . . . . . . . . . . . . . . . Faílde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . França . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Gimonde . . . . . . . . . . . . . . . . . Gondesende . . . . . . . . . . . . . . Gostei . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Grijó de Parada . . . . . . . . . . . . Izeda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Macedo do Mato . . . . . . . . . . Meixedo . . . . . . . . . . . . . . . . . Milhão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mós de Rebordãos . . . . . . . . . Nogueira . . . . . . . . . . . . . . . . . Outeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . Parada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Paradinha Nova . . . . . . . . . . . Parâmio . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pinela . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pombares . . . . . . . . . . . . . . . . Quintanilha . . . . . . . . . . . . . . Quintela . . . . . . . . . . . . . . . . . Rabal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Rebordãos . . . . . . . . . . . . . . . . Rebordainhos . . . . . . . . . . . . . Rio Frio de Outeiro . . . . . . . . Rio de Onor . . . . . . . . . . . . . . Salsas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Samil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Santa Comba . . . . . . . . . . . . . Santa Combinha . . . . . . . . . . . São Julião . . . . . . . . . . . . . . . . São Pedro dos Sarracenos . . . Serapicos . . . . . . . . . . . . . . . . . Sendas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sortes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Zoio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

50 271 303 304 327 445 61 155 87 98 44 70 140 80 130 42 132 135 51 50 75 260 50 105 104 53 51 85 76 50 130 51 32 73 71 100 70 15 100 80 41 70 10 24 260 75 50 41 49 54

Totais . . . . . .

5280

pipas (1144) » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » pipas

Produção média dos cinco anos posteriores a 1858 60 280 320 340 370 500 65 160 90 100 50 77 150 84 140 44 140 140 55 60 80 270 54 110 111 56 55 90 80 54 145 60 35 75 80 115 80 21 115 100 45 80 12 34 280 85 55 44 54 60 5760

pipas (1145) » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » » pipas

(1143) Extracto de um documento oficial existente no Museu Regional de Bragança, maço Correspondência especial do Governo Civil. (1144) A 13$416 réis cada pipa. (1145) Idem a 38$480 réis.

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semos aos moldes que a natureza da nossa terra nos talhou, sob pena de aniquilamento. Na sericicultura e na viticultura está a vida económica da região bragançana, por isso lhe consagramos particular atenção. Abreiro – Por resolução do Conselho de Distrito de 16 de Março de 1863 foi autorizado Pedro Monteiro Lopes a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na freguesia de Abreiro, concelho de Mirandela. Alfândega da Fé – Na sessão de 25 de Novembro de 1869 foi autorizado Manuel Joaquim de Oliveira, de Lagoaça, a instalar uma máquina de destilação de vinhos para aguardente no sítio de Trás-do-Lagão, concelho de Alfândega da Fé. Havia ali mais duas: uma fundada em 1862 e outra em 1874. Babe – Por ofício do governador civil ao administrador do concelho, datado de 15 de Junho de 1878, foi-lhe comunicado que Sebastião José Ferreira, de Babe, e António José Lopes, de Bragança, têm licença para montar, como requereram, uma máquina de destilação de vinho para aguardente. Baçal – Na sessão do Conselho de Distrito de 19 de Novembro de 1867 foi autorizado Luís Aparício Dias Mendes Saldanha, de Bragança, a estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Baçal, concelho de Bragança. Devemos notar que já aqui havia outra fundada em 1861 (1146). Barrabás. Ver adiante Pombal. Bemposta – Em Março de 1879 foi autorizado, por despacho do governador civil do distrito de Bragança, José António de Campos a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Bemposta, concelho do Mogadouro. Havia já outra instalada em 1874. Bragança – De um ofício do governador civil do distrito de Bragança ao administrador do concelho, com data de 12 de Setembro de 1878, consta estar concluído o processo para Manuel Lopes dos Santos, de Bragança, montar uma máquina de destilação de vinho na quinta do Silva, subúrbios desta cidade. – Em ofício de 27 de Abril de 1878 comunica o governador civil ao administrador do concelho que António José Lopes, residente em Bragança, tinha licença para montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente «ao sul do largo, que fica entre as extremidades das ruas denominadas Portas da Cadeia e Moreirinhas, próximo ao rio Fervença». – Houve outra máquina de destilação de vinho para aguardente na quinta de Afonso Rodrigues de Paula, junto à ponte do rio Sabor em 1878. Esta quinta pertence hoje à viúva D. Guilhermina Teixeira. (1146) Ver tomo II, p. 449, destas Memórias.

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– Na sessão do Conselho de Distrito de 16 de Março de 1872 obteve licença Bernardino José Pires, de Bragança, para estabelecer uma máquina de destilação de vinho no sítio da Boavista, limite desta cidade. Carção – Em ofício de 20 de Maio de 1878, dirigido pelo governador civil ao administrador do concelho, diz-lhe estar concluído o processo para João António Lopes, de Carção, poder montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente nesta povoação. Havia outra fundada em 1866 na rua dos Pereiros. Carviçais – Luís Ferreira Salgado, de Carviçais, foi autorizado em 1876 a montar uma máquina de destilação de vinhos para aguardente no sítio da Fonte do Prado. Castanheiro – Em 1866 foi concedida autorização a Casimiro António Ribeiro da Silva, do Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães, para instalar uma máquina para destilação de vinho. Castelo Branco – Por resolução do Conselho de Distrito de 10 de Março de 1866 foi autorizado António José de Oliveira, de Lagoaça, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na povoação de Castelo Branco, concelho do Mogadouro. Castro Vicente – Por igual resolução e na mesma data foi concedida licença a Francisco Manuel Cordeiro, de Castro Vicente, para instalar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na quinta de Santa Ana, limite da referida povoação. Chacim – Em ofício de 7 de Março de 1878 comunica o governador civil ao administrador do concelho que António Augusto Ribeiro, de Chacim, obteve licença para estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente na referida povoação. Coelhoso – Em Novembro de 1880 foi autorizado Afonso Martins, de Paçó de Outeiro, concelho de Bragança, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Coelhoso, do mesmo concelho. Edral – Em 1866 foram autorizados João Ribeiro e João Gonçalves a estabelecerem uma máquina para destilação de vinho em Edral, concelho de Vinhais. Ervedosa – Foram autorizados por resolução do Conselho de Distrito de 10 de Março de 1866 João Manuel Adão Branco, de Vassal, concelho de Valpaços, e Luís dos Reis Pinheiro, de Ervedosa, a instalarem uma máquina de destilação de vinho para aguardente no sítio da Ribeira de São Nicolau, limite de Ervedosa. Freixiel – Por resolução do Conselho de Distrito de 26 de Abril de 1864 foi autorizado Eduardo António de Almeida, de Freixiel, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na mesma povoação. – Por alvará de 10 de Março de 1876 foi concedida licença a António MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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Joaquim Ferreira Henriques, de Freixiel, concelho de Vila Flor, para montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na mesma povoação. Gimonde – Na sessão do Conselho de Distrito de 29 de Dezembro de 1866 foi autorizado Manuel Maria Martins, de Palácios, a montar uma máquina para destilação de vinho em Gimonde, concelho de Bragança. Já aqui havia outra fundada em 1858 (1147). Grijó – Em 1866 foi autorizado Carlos António de Miranda, de Grijó, a estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente na sua povoação. Deve tratar-se de Grijó de Vale Benfeito. Horta da Vilariça – Na sessão do Conselho de Distrito de 28 de Janeiro de 1869 foi autorizado Manuel António da Costa Guimarães, de Guimarães, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na quinta da Formiga, freguesia da Horta da Vilariça. Lamalonga – Por resolução do Conselho de Distrito de 15 de Janeiro de 1864 foi autorizado José António de Morais, de Lamalonga, a estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente na mesma povoação, concelho de Macedo de Cavaleiros. Meireles – Na sessão do Conselho de Distrito de 24 de Novembro de 1863 foi autorizado Daniel Gonçalves Seixas a estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente na povoação de Meireles, concelho de Vila Flor. Milhão – De um ofício do governador civil ao administrador do concelho, datado de 12 de Setembro de 1878, consta estar concluído o processo para Domingos Manuel Pires, de Bragança, poder montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na povoação de Milhão, concelho de Bragança. Mirandela – Na sessão do Conselho de Distrito de 24 de Novembro de 1863 foram autorizados Francisco Manuel Teixeira e seu irmão Manuel Maria Teixeira a estabelecerem uma máquina de destilação de vinho para aguardente na rua do Toural, em Mirandela. – Em ofício de 28 de Março de 1878 do governador civil para o administrador do concelho diz-lhe que Augusto Emílio Pastor, de Mirandela, tem licença para montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente na travessa de São Cosme, daquela vila. Moncorvo – Em 1869 foi autorizado Manuel António da Costa Guimarães a estabelecer uma máquina para destilação de vinho na quinta da Formiga, concelho de Moncorvo.

(1147) Ver tomo II, p. 447, destas Memórias

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Igual licença obteve em 1871 António Caetano de Oliveira, de Moncorvo, para montar outra no sítio da Corredoura, da mesma vila. Murçós – Por resolução do Conselho de Distrito de 3 de Novembro de 1864 foi autorizado Bento José Gomes, de Jou, concelho de Valpaços, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente no sítio da Quinta, limite de Murçós, concelho de Macedo de Cavaleiros. Navalho – Por resolução do mesmo Conselho de 23 de Junho de 1864 foi autorizado Domingos António Machado, de Abreiro, concelho de Mirandela, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente no sítio de Frieira, limite de Navalho, concelho de Mirandela. Nunes – Na sessão do Conselho de Distrito de 20 de Dezembro 1865 foi autorizado Francisco Martinho, de Edrosa, a montar uma máquina de destilação de vinho no sítio de Penouços, limite do lugar de Nunes, concelho de Vinhais. Paçó de Outeiro – Por alvará de 13 de Junho de 1871 foi concedida licença a Afonso Martins para montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Paçó de Outeiro, concelho de Bragança. Parada – 14 de Agosto de 1872 foi autorizado Afonso Martins a estabelecer uma máquina para destilação de vinho para aguardente em Parada, bairro do Caniçal, concelho de Bragança. Paradela – Na sessão do Conselho de Distrito de 12 de Dezembro de 1863 foi autorizado Romão Franqueira a estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Paradela, concelho de Carrazeda de Ansiães. Peredo – Por resolução do Conselho de Distrito de 15 de Janeiro de 1864 foi autorizado António Joaquim Lopes, de Azinhoso, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Peredo, concelho de Macedo de Cavaleiros. – Na sessão do Conselho de Distrito de 10 de Março de 1866 foi autorizado José Caetano Romão de Meneses e Melo, de Vale Pereiro, concelho de Alfândega da Fé, a montar uma máquina de destilação de vinho para aguardente em Peredo, concelho de Macedo de Cavaleiros. – Manuel Maria Doutel, dos Olmos, concelho de Macedo de Cavaleiros, foi autorizado a estabelecer uma máquina de destilação de vinho para aguardente na povoação de Peredo, como consta da carta do governador civil do distrito de 26 de Julho de 1877. Pombal – Por resolução do Conselho de Distrito de 6 de Dezembro de 1866 tiveram licença António de Noronha Botelho de Magalhães e Manuel de Sousa, do lugar do Amieiro, concelho de Alijó, para montarem uma máquina de destilação de vinho para aguardente na quinta de Barrabás, limite da povoação do Pombal, concelho de Carrazeda de Ansiães. MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA


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– Em 1866 foram autor