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LAVOURA


B Instituto Rio Grandense do Arroz


Editorial

LAVOURA A Lavoura Arrozeira é uma publicação do Instituto Rio Grandense do Arroz - IRGA Av. Missões, 342 - Porto Alegre/RS - Brasil CEP 90230-100 - Fone +55 51 3288-0400 www.irga.rs.gov.br www.facebook.com/IrgaRS - @irgaRS ISSN: 0023-9143

Governador do Estado: José Ivo Sartori Vice-governador: José Paulo Cairoli Secretário Estadual da Agricultura Pecuária e Irrigação: Ernani Polo Presidente do Irga: Guinter Frantz Diretor Administrativo: Renato Caiaffo da Rocha Diretor Comercial: Tiago Sarmento Barata Diretor Técnico: Maurício Miguel Fischer Assessoria de Comunicação: Julie Moresco, Raquel Flores, Sara Kirchhof e Sérgio Pereira

Revista Lavoura Arrozeira Coordenação editorial: Sérgio Pereira - MTB 6.929 Produção e execução: Raquel Flores e Sérgio Pereira Edição: Sara Kirchhof e Sérgio Pereira Projeto Gráfico: Raquel Flores Colaboração: Álvaro Escher, Athos Gadea, Camila Pilownic, Carolina Pitta, Gilberto Amato, Julie Moresco, Michel Kelbert, Rudinei Borges, Sara Kirchhof, Sérgio Pereira, Tiago Barata, Victor Hugo Kayser Capa: Foto da lavoura: Letícia Medeiros Produção: Julie Moresco e Raquel Flores Impressão: Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (Corag) Tiragem: 9 mil exemplares

Atendimento ao leitor: revista@irga.rs.gov.br +55 51 3288-0455

Para assinar gratuitamente a revista Lavoura Arrozeira acesse: www.irga.rs.gov.br/assine É permitida a reprodução de reportagens, desde que citada a fonte. Os artigos assinados não refletem, obrigatoriamente, a opinião da revista.

Começa a colheita

O

s povos antigos também gostavam de celebrações. E um dos momentos mais festejados era justamente quando chegava o período de colheita. Era a forma de agradecerem pela fartura, pelo clima favorável e pelo trabalho árduo. Muitas destas festas acabaram agregadas ao nosso calendário de hoje e se transformaram em importantes festas religiosas, perdendo seu sentido original, que era justamente o de comemorar a prosperidade. Mas os povos continuam, na contemporaneidade, a festejar o sucesso da atividade agrícola. Só mudaram as datas. Esta edição da revista Lavoura Arrozeira destaca uma dessas festas: a Abertura Oficial da Colheita do Arroz no Rio Grande do Sul, que ocorrerá em fevereiro nos dias 16, 17 e 18. Essa será a 27ª edição da festa, cujo anfitrião será novamente o Instituto Rio Grandense do Arroz. Mais precisamente, a Estação Experimental do Arroz (EEA), em Cachoeirinha, um centro tecnológico ainda mais antigo que o Irga. A EEA completará em 2017 seus 78 anos de

efetiva colaboração à pesquisa agrícola. A Abertura da Colheita é uma realização da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), com apoio de diversas entidades gaúchas, entre elas o Irga. E temos motivos para comemorar. A expectativa é de celebrar uma safra superior a oito milhões de toneladas. Superamos 1,099 milhão de hectares semeados, o que já é um ótimo indicativo. É sempre bom lembrar que o Rio Grande do Sul responde por quase 70% de todo arroz colhido no Brasil. Nos três dias do evento, devem circular pela Estação do Irga em Cachoeirinha, os maiores produtores e pesquisadores da área orizícola nacional, além de autoridades e a imprensa especializada. E a festa é de todos nós, produtores, pesquisadores, indústria, consumidores. Ainda nesta edição: os números dos programas 10+ e Soja 6.000; a importância do arroz para uma alimentação saudável; a nova edição do Selo Ambiental; e a casca do arroz, de problema ambiental à solução energética.

SUMÁRIO Foto do leitor .................................. 4 Interatividade ................................. 5 Revolução verde ............................ 6 Mercado ......................................... 8 Convênio Irga/UFSM .................... 10 Projeto 10+ ................................... 12 Provarroz ...................................... 14 Sementes certificadas .................. 18 Soja 6.000 .................................... 22 Selo Ambiental.............................. 24

Capa ............................................. 28 Semeadura................................... 37 Expointer ...................................... 40 Gestão .......................................... 42 Artigo técnico ................................44 Congresso Arroz Irrigado ............. 48 Agenda.......................................... 50 Curtas .......................................... 51 Pelos Nates .................................. 52 Há 50 anos ................................... 54

Lavoura Arrozeira Nº 468 I outubro/novembro/dezembro de 2016


Foto do leitor

Olhares especiais para belas lavouras Nossos parabéns aos vencedores desta edição do “Concurso Cultural sua Foto na Revista Lavoura Arrozeira”. O objetivo da promoção é oferecer aos leitores um olhar diferente das nossas lavouras, a partir da visão de integrantes da comunidade arrozeira e, principalmente, dos produtores orizícolas gaúchos.

4

1º Lugar: Jordana Cunha Dutra – Arroio Grande

2º Lugar: Jordana Cunha Dutra – Arroio Grande

3º Lugar: Jordana Cunha Dutra – Arroio Grande

4º Lugar: Veridiane Freitas Pereira – Cachoeirinha

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Interatividade

A conexão entre Irga, produtor e Lavoura Arrozeira não termina aqui na revista! Você já conhece as nossas redes sociais? Acesse pelo computador, tablet, ou celular e fique por dentro do que está acontecendo no cenário arrozeiro gaúcho. /irgars Notícias do setor arrozeiro, eventos e feiras em vídeos, áudios e fotos

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LAVOURA

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Revolução Verde

Cinco décadas de

Revolução no campo

Foto: Divulgação/Flar

Cientista Peter Jennings fez as primeiras experiências que revolucionaram a orizicultura

C

omeçou na Ásia o importante processo que revolucionou a forma de se produzir alimentos no mundo, mais especificamente, nos países da Índia, Filipinas e Paquistão. O grande aumento na produção do trigo e do arroz aconteceu ainda na década de 60, o que só foi possível graças à aplicação das ciências agrícolas no campo, resultando em técnicas capazes de aumentar geometricamente a produtividade. O processo histórico conhecido no mundo como Revolução Verde foi digno de receber o Prêmio Nobel da Paz, entregue ao pesquisador e engenheiro agrônomo

norte-americano, Norman Borlaug, pelo trabalhos desenvolvidos com o trigo. Falecido no ano de 2009, Borlaug foi o responsável por implantar uma nova linha de agricultura, incluindo a produção intensa de alimentos com o uso de máquinas, sementes selecionadas e insumos, o que mudou a história da produção de alimentos para sempre. Foi um importante processo de modernização do setor agropecuário em países em desenvolvimento. Na década de 90, o pesquisador já apostava: “O Brasil será a potência agrícola do século 21". Outro nome muito importante nessa história é o do cientista Peter Jennings, especialista em patologias vegetais que iniciou, na década de 60, à uma série de experiências entre mais de dez mil variedades de arroz. Foi um cruzamento entre uma cultivar anã Taiwan, com uma variedade mais alta da Indonésia, que resultou na cultivar, fundamental no processo de prevenção à fome e responsável por revolucionar a produção de arroz na Ásia. As experiências eram feitas na sede do Instituto Internacional

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de Investigação do Arroz (IRRI) nas Filipinas. O pesquisador costumava afirmar que a substituição do material genético gerou um avanço de 400 anos no cultivo. Os principais fatores que desencadearam a Revolução Verde foram: aplicação de fertilizantes químicos, controle de pragas, mecanização agrícola, época de semeadura, quantidade ideal de sementes, e, o principal deles, o melhoramento genético. No Brasil, áreas de arroz, soja e milho foram expandidas e a produtividade, elevada a níveis nunca antes vistos. Foi neste período que nasceu a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Muitos pesquisadores participaram de treinamentos fora do Brasil já naquela época. O grande marco para a cultura do arroz foi, de fato, o lançamento da variedade IR8 de novembro de 1966, pelo International Rice Research Institute (IRRI) “Até os equipamentos e as formas de cultivo foram impactados pela IR8 porque é um material de menor ciclo, menor quantidade de palha, mais produtivo, e de grãos longos


Revolução Verde

e finos, o que permitiu grandes avanços na mecanização para a orizicultura. Enfim, gerou outros componentes que até hoje nós estamos usando e aprimorando ainda mais”, explica o diretor técnico do Irga, Maurício Fischer. Antes, o maior problema nas plantas altas estava, principalmente, na aplicação dos fertilizantes. Além do porte baixo, as folhas da IR8 eram eretas e tinham alta capacidade de afilhamento. A novidade fazia parte do Programa de Melhoramento do Arroz, presente em diferentes países, o que desencadeou a Revolução Verde na Ásia Tropical e que acabou se refletindo em outros lugares, como o Brasil. A variedade desenvolvida nas Filipinas introduziu o conceito de planta baixa nas lavouras arrozeiras, o que possibilitou um aumento de 30% na produtividade. Em pouco tempo, os genes associados à alta produtividade da IR8 foram transferidos a outras variedades adaptadas às diferentes regiões do mundo onde o arroz é cultivado. Na América Latina, as variedades mais emblemáticas derivadas da IR8 foram: CICA 4, lançada na Colômbia em 1971 pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e a BR IRGA 409, lançada pelo Instituto Rio Grandense do

Arroz (Irga) com a Embrapa no ano de 1979. Esta última foi adaptada às condições do Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil.

A BR IRGA 409 não foi a primeira planta de arroz de porte baixo, mas foi a que teve mais impacto e uma aceitação muito grande no Rio Grande do Sul em função do potencial produtivo. Esta variedade preencheu uma lacuna na lavoura atendendo à demanda de produtividade associada à qualidade, lembra o engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) durante a Revolução Verde, Paulo Sérgio Carmona. De 1983 até 1985, o ritmo de crescimento da área com a variedade foi muito rápido e, em pouco tempo, praticamente todas as lavouras do RS utilizavam a BR IRGA 409 e, posteriormente, a BR IRGA 410. A maioria das atuais variedades de arroz produzidas no Brasil hoje possuem genes associados à IR8. O potencial produtivo era muito superior a tudo que já havia se visto, o que motivou os produtores a substituírem rapidamente as variedades.

Para comemorar o cinquentenário, o Fundo Latino-Americano de Arroz Irrigado, ou, o Fondo Latino americano para Arroz de Riego (Flar), na língua original, realizou um evento na Colômbia no dia 28 de novembro de 2016. Além de relembrar a data, o encontro discutiu o futuro das pesquisas na área orizícola na América Latina.

Foto: Divulgação/Irri

Os genes da IR8 estão presentes na maioria das atuais variedades de arroz

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Mercado

O que 2017 deverá reservar

para a orizicultura Por Tiago Sarmento Barata - diretor comercial do Irga

D

epois de uma safra abatida pelas adversidades climáticas, a produção de arroz no Rio Grande do Sul tende a voltar à sua normalidade este ano. De acordo com o desenvolvimento até então observado das lavouras, a safra gaúcha de arroz deve ficar entre 8,3 e 8,4 milhões de toneladas (base casca), um volume muito próximo da média das cinco safras anteriore. Com estoque inicial em baixíssima posição, devemos ter uma composição de oferta ajustada às necessidades do mercado, ficando o comportamento das cotações condicionado à distribuição temporal da oferta por parte dos produtores e à dinâmica da balança comercial (relação entre importações e exportações). Sendo assim, a capacidade de diluição da oferta da safra por parte dos produtores e a condição competitiva do arroz brasileiro no mercado externo são fatores que merecem especial atenção, pois são os principais influenciadores dos preços. Historicamente, há uma concentração das liquidações nos três primeiros meses do ano comercial, quando também se concentram os vencimentos dos

compromissos assumidos na condução das lavouras. Como se já não bastasse a sistemática elevação do já quase impeditivo custo de produção, vemos a sustentabilidade econômica da atividade produtiva ainda mais ameaçada diante da exclusão da maior parte dos produtores para acesso ao crédito oficial. De acordo com informações do Banco Central, o crédito oficial não chega a cobrir 35% da área semeada no Rio Grande do Sul este ano. Muito mais caras, as

alternativas de financiamento têm ainda a sua liquidação no curto prazo, por isso, é possível esperar que a concentração da oferta seja ainda maior no primeiro trimestre do ano comercial, tendo como consequência natural a desvalorização do cereal neste período. Por outro lado, se a expectativa é de concentração da oferta no primeiro trimestre, podemos também esperar que haja menor pressão das vendas nos meses restantes, podendo ocorrer a inversão no movimento das cotações.

Evolução da média mensal dos preços da saca de arroz em casca no Rio Grande do Sul (Indicador do arroz em casca Esalq/Senar-RS) Média de

2011/12

2012/13

2013/14

2014/15

2015/16

2016/17

Mar

21,29

25,91

31,71

33,83

35,80

39,65

Abr

19,33

27,02

31,30

35,02

35,78

39,80

Mai

19,08

28,15

33,38

36,37

34,91

41,77

Jun

19,53

28,70

33,84

36,61

33,58

46,63

Jul

21,80

29,44

34,47

35,97

33,69

50,49

Ago

23,58

33,05

34,64

36,22

34,67

50,52

Set

23,21

37,93

34,21

36,80

37,72

50,06

Out

24,36

38,95

33,73

36,74

40,48

49,47

Nov

25,57

38,32

34,11

37,30

41,18

49,03

Dez

25,60

36,35

36,01

37,99

41,01

49,16

Jan

26,31

34,50

36,61

38,16

41,52

Fev

27,17

33,79

35,65

37,41

41,94

Média

23,07

32,68

34,14

36,53

37,69

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46,66


Mercado

A conjuntura de mercado internacional de preços baixos é outra preocupação, pois expõe o arroz brasileiro a uma situação de baixa condição competitiva, assim como faz do País um mercado atrativo para os nossos vizinhos exportadores. Registrando queda nominal de 10% ao ano nos três últimos anos, a média das cotações dos principais exportadores atinge o mais baixo valor desde 2008. Considerando a

tendência de enxugamento do quadro de oferta e demanda dos principais players do mercado internacional, a expectativa é de que estejamos próximos ao piso dos preços e que haja uma inversão deste movimento ainda neste primeiro semestre. Sendo assim, resta à conjuntura cambial o fator de condução da competitividade do arroz brasileiro no mercado externo. A valorização do dólar em relação ao real

passa a ser fundamental para garantir melhores condições comerciais ao arroz brasileiro. Diante das considerações postas, resta reforçar que a sustentabilidade econômica da atividade depende do esforço mútuo no sentido de buscar a máxima eficiência na utilização dos insumos necessários à produção, bem como, no planejamento para minimizar a necessidade de concentração da oferta nos três primeiros meses do ano comercial.

Preços da saca de arroz em casca em dólar X saldo comercial no Brasil saldo comercial mercado doméstico mercado externo

20

300.000

19

250.000

18

200.000

17

150.000

16

100.000

15

50.000

14

-

13

-50.000

12

-100.000

11

-150.000

10

-200.000

9 mar-10 mai-10 jul-10 set-10 nov-10 jan-11 mar-11 mai-11 jul-11 set-11 nov-11 jan-12 mar-12 mai-12 jul-12 set-12 nov-12 jan-13 mar-13 mai-13 jul-13 set-13 nov-13 jan-14 mar-14 mai-14 jul-14 set-14 nov-14 jan-15 mar-15 mai-15 jul-15 set-15 nov-15 jan-16 mar-16 mai-16 jul-16 set-16 nov-16 jan-17

-250.000

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Convênio IRGA/UFSM

Boletim com previsão de safra é novidade para os produtores

O

Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) lançaram em dezembro o Boletim de Monitoramento e Previsão de Safra de Arroz no Rio Grande do Sul. Nesta análise são abordadas as condições meteorológicas, o desenvolvimento vegetativo simulado para o RS, previsão de ocorrência da diferenciação da panícula (R1) e a previsão de produtividade. Esse trabalho é resultado de um convênio entre as duas instituições e será divulgado quinzenalmente.

O método é baseado no sistema de previsão de safra do milho dos Estados Unidos. “Nós trouxemos o projeto para cá porque temos praticamente todas as ferramentas que eles têm lá (nos EUA), que são dados meteorológicos, uma malha boa no Estado, o modelo e os inputs (caracterizada pelo ato de fornecer os dados que o computador irá trabalhar durante o processamento), data de semeadura, cultivar e ciclo”, explica a meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga, Jossana Cera. Para realizar a simulação,

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o programa tem três frentes principais: Ÿ Fornecimento de dados de alta qualidade sobre o manejo da cultura do arroz no Rio Grande do Sul na safra corrente - evolução da semeadura, cultivares utilizadas pelos produtores e nível tecnológico médio das lavouras - , fornecidos pelo Irga; Ÿ Divulgação de dados meteorológicos diários de alta qualidade - temperatura mínima, temperatura máxima e radiação solar global incidente - , fornecidos pelas estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET),


Convênio IRGA/UFSM

Jossana Cera, meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga

Ÿ Ministério da Agricultura; Ÿ Oferecimento de uma

ferramenta de modelo matemático dinâmico baseado em processos (SimulArroz), para representar o crescimento, desenvolvimento e produtividade das cultivares que são utilizadas atualmente pelos agricultores de cada região orizícola do RS. O trabalho está a cargo da equipe SimulArroz, grupo de agrometeorologia da UFSM. A previsão numérica da safra funciona a partir da avaliação dos dados das estações meteorológicas referentes à cultura do arroz. As informações são repassadas pelo Irga e inseridas no modelo SimulArroz. O programa simula o crescimento, desenvolvimento e produtividade da cultura com os dados meteorológicos da safra corrente e a partir de dados meteorológicos de 36 anos, do período correspondente às safras 1980/81 a 2015/16. Os dados referentes à produtividade (kg/ha) são analisados de acordo com a probabilidade, ou seja, se a produtividade esperada para o ano agrícola será abaixo, próxima ou acima da média histórica, conforme as últimas 36 safras. Os resultados são analisados e interpretados por integrantes do SimulArroz

Foto: Divulgação/Irga

e por técnicos do Irga e, a partir disso, são elaborados os boletins de previsão. No relatório, são apresentados mapas e tabelas sobre a situação atual do desenvolvimento vegetativo, analisado pelo número de folhas (estágios V da escala de Counce et al. 2000) e a previsão do “ponto de algodão” (R1), do florescimento (R4) e da maturação (R9), bem como da produtividade de grãos.

O acompanhamento e a previsão de safra serão realizados para as seis regiões orizícolas do Estado: Fronteira Oeste, Zona Sul, Campanha, Central, Planícies Costeira Interna e Externa.

São selecionados desta forma pela presença de estações meteorológicas

automáticas do INMET. A equipe responsável pela realização da previsão de safra de arroz no RS é composta por técnicos orizícolas, engenheiros agrônomos, meteorologistas do Irga, professores e estudantes de graduação e pós-graduação da UFSM e alguns pesquisadores de outras instituições. Nos Estados Unidos, o programa também é usado para realização de boletins quinzenais. Mas, conforme Jossana, os americanos não disponibilizam de um instituto específico para o milho, como temos o Irga aqui no Brasil para o arroz. “A metodologia dos EUA acerta bem, e eles acompanham alguns agricultores através de extensionistas, como a nossa Conab no Brasil. A nossa ideia é passar a acompanhar algumas lavouras, por meio do Irga, para ver se as previsões estão dando certo. Nosso projeto é recente, queremos fazer muitas melhorias”, acrescenta a meteorologista.

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10 Projeto 10+

Metas superadas na safra 2016/2017 Programa do Irga já foi implantado em 95 lavouras do RS

O

Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) estabeleceu uma programação para o Projeto 10+ na safra 2016/2017, que previa a instalação de 60 lavouras demonstrativas e a realização de 120 roteiros técnicos para atingir um público de 800 produtores, em 22 municípios das regiões arrozeiras. O projeto foi além das expectativas e fechou o ano trabalhando com 95 lavouras, ao invés das 60 planejadas. "Podemos dizer que estamos satisfeitos com esta primeira fase, as lavouras estão muito boas e nossos roteiros técnicos têm atraído um público muito interessado em melhorar os processos nas suas áreas", afirma Luciano Carmona, pesquisador do Fundo Latino-Americano para Arroz Irrigado (Flar), e coordenador do Projeto 10+. O Projeto 10+ é um conjunto de ações que envolvem dez passos. Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ Ÿ

Planejamento da lavoura Preparo antecipado Época de semeadura Cultivar/semente certificada Densidade Adubação de base Controle de plantas daninhas Adubação de cobertura Manejo da irrigação Manejo integrado de doenças e pragas

O objetivo é elevar a produtividade média de arroz no Rio Grande do Sul, para 8,5 toneladas por hectare nos próximos 3 anos, hoje a média é de 7,5t/ha. Também busca-se a redução dos custos de produção e aumentar a rentabilidade do produtor. “Para nós, o projeto tem a importância de levar a nossa mensagem ao produtor, que é simples e direta, enfocada nos reais problemas da lavoura. O que a gente busca com o Projeto 10+ é fazer as coisas corretamente e no momento adequado. São dez pontos fundamentais, mas também é um processo de aprendizado do extensionista”, destaca o gerente do Departamento Técnico e Extensão Rural do Irga, engenheiro agrônomo Athos Gadea. Conforme dados coletados pelo Irga, de 2005 a 2011, a produtividade média da lavoura de arroz no Rio Grande do Sul teve um incremento de 2,2 t/ha. Esse aumento foi decorrente de avanços na pesquisa, principalmente no manejo, uso de cultivares de alto potencial produtivo e ações de transferência de tecnologia. Nos últimos cinco anos, a produtividade do arroz no RS pode ser considerada estabilizada. Frente a esse novo cenário, o Irga está retomando uma parceria estratégica

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integrando pesquisa, extensão e produtores. O convênio também abrange questões com novo enfoque em projetos específicos na área de melhoramento genético e pesquisa, prevendo ampliação da geração de inverno, realizado no município de Penedo (Alagoas), cujos trabalhos são mantidos pela Fundação Irga. Além de reforçar as estruturas e dar apoio na área de doenças fúngicas, como a brusone, realizando a introgressão de genes de resistência a esta doença nas cultivares Irga 409 e 417. O convênio visa efetuar o sequenciamento do genoma de 5 cultivares e materiais avançados do Irga, oferecendo as instalações do Centro Internacional de Agricultura Tropical da Colômbia (Ciat) para capacitação de pesquisadores e técnicos da extensão, apoiando a conversão de cultivares e promovendo a integração de programas de melhoramentos de arroz híbrido mantidos pela autarquia, com destaque no programa de transferência de tecnologia para incremento de produtividade na lavoura orizícola. O Flar é uma parceria público-privada que busca melhorar a competitividade e a sustentabilidade dos sistemas de produção de


Projeto 10+ arroz na América Latina, com enfoque na ecoeficiência. A entidade tem sede em Cali, na Colômbia. O Irga, único órgão brasileiro a integrá-lo, é um de seus fundadores. Outros países, como, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela também têm representantes no Flar. Gadea explica que o projeto é que cada Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nates) do Irga implante lavouras demonstrativas com o manejo preconizado no Projeto 10+. “Antigamente a pesquisa passava do extensionista para o produtor em uma linha reta. Hoje, a gente trabalha

da seguinte forma: temos a pesquisa, o produtor e o extensionista, é uma integração. O pesquisador vai até a lavoura, o extensionista vai ao produtor, o produtor, sempre que possível vai à pesquisa, e as informações são trocadas nos dias de roteiros técnicos”. Nesses roteiros, o produtor escolhido pelo Nate abre as portas da sua propriedade para mostrar o que fez, quando fez e de que maneira. “A importância de realizarmos essas visitas é promover a difusão das tecnologias e recomendações do manejo, de produtor para produtor.” É o que defende o engenheiro agrônomo Juliano Brum de Quevedo, responsável pelo 24º Nucleo de Assistência Técnica e Extensão Rural de Bagé. Conforme Gadea, nesta

primeira fase do Projeto 10+, estão sendo trabalhados os pontos de implantação do projeto e, ao mesmo tempo, a capacitação dos extensionistas. “Nós implantamos as lavouras demonstrativas nessas propriedades e, desta forma, o projeto está caminhando. A capacitação do nosso técnico preconiza a escolha do produtor e a instalação de uma boa unidade demonstrativa, fundamental para os roteiros técnicos. Isso é importante para mobilizar pessoas e chegarmos ao número de 800 produtores integrados no projeto”. Segundo a programação do Irga, até o ano de 2019, a meta é alcançar 100 municípios arrozeiros, em 240 unidades, atingindo 2 mil produtores.

Dia de Campo em Palmares do Sul Foto: Divulgação/Irga

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Provarroz

Foto: Shutterstock.

Foto: Divulgação/Irga

Arroz,

um prato cheio de sabor e saúde Por Carolina Pitta - nutricionista do Irga

O

arroz é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo, o mais importante sob o ponto de vista sócioeconômico e cultural, impactando dois terços da humanidade. Ele é um dos alimentos mais importantes para a nutrição humana, sendo a base alimentar de mais de 3 bilhões de pessoas. Diversos historiadores e cientistas apontam o Sudeste da Ásia como berço mundial

do cereal. Duas variedades silvestres aparecem na literatura como precursoras do arroz cultivado: a espécie Oryza rufipogon, procedente da Ásia, que originou a Oryza sativa; e a Oryza barthii (Oryza breviligulata), oriunda da África Ocidental, que deu origem à Oryza glaberrima (EMBRAPA, 2010). Alguns autores apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar este cereal no continente americano, porém, há uma série de controvérsias

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quanto à introdução do arroz europeu por aqui. O cereal era chamado de "milho d'água" (abati-uaupé) utilizado pelos tupis. Muito antes da chegada dos portugueses, os nativos já o colhiam em terras alagadas próximas ao litoral. No mundo inteiro, o consumo do arroz é um hábito inquestionável e dificilmente sofrerá substituição. De acordo com o ex-diretor do Instituto Internacional de Pesquisa do


Provarroz

Arroz (IRRI), Ronal Cantrell, “...nenhuma outra atividade econômica alimenta tantas pessoas, sustenta tantas famílias, é tão crucial para o desenvolvimento de tantas nações e apresenta mais impacto sobre o nosso meio ambiente". A produção mundial é de aproximadamente 662 milhões de toneladas de grãos: 33% de milho, 29% de arroz e 38% dos demais grãos. Sendo o segundo cereal mais cultivado no mundo, o arroz ocupa uma área superior a 158 milhões de hectares. A produção do grão no planeta é de 491,4 milhões de toneladas, sendo 8,5 milhões de toneladas produzidas somente aqui no Brasil (Organzação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação FAO, 2016. Como principal órgão público de pesquisas na área, o Instituto Rio Grandense do Arroz entende que é seu dever promover a sustentabilidade da cadeia produtiva do cereal, como também auxiliar na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis, incentivando e disseminando os benefícios do consumo do arroz. O Programa de Valorização do Arroz, o Provarroz, tem como objetivo aumentar o consumo do cereal, conscientizando a população sobre os benefícios deste alimento para a saúde. De acordo com

FAO, o consumo de arroz no Brasil apresentou queda de 17% nos últimos 20 anos, passando de 60 Kg/hab/ano para 49,8 Kg/hab/ano. Enquanto isso, o peso da população brasileira e as doenças crônicodegenerativas aumentaram, o que significa que o arroz está muito longe de ser o inimigo da balança - diferentemente do que acreditam algumas pessoas. Percebe-se que, quanto maior a renda das famílias, maior o consumo de gorduras e menor o de carboidratos saudáveis, como no caso do arroz. Sendo este mais adquirido na área rural e pela população de menor renda.

Padrões de alimentação mudam rapidamente na grande maioria dos países e, em particular, naqueles economicamente emergentes como o Brasil. Entre as principais mudanças, aparecem: a substituição de alimentos in natura ou, minimamente processados, de origem vegetal (arroz, feijão, verduras), e as preparações culinárias à base de produtos industrializados prontos para consumo. Em função destas mudanças, ocorreram modificações no hábito

alimentar da população. O crescimento da participação da mulher no mercado de trabalho, maior frequência de refeições realizadas fora de casa e a variação de renda do consumidor, são transformações observadas com grande intensidade e que determinam, entre outras consequências, o desequilíbrio na oferta de nutrientes e a ingestão excessiva de calorias (MS, 2014). De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF do IBGE, no período de 1974 a 2003, houve aumento de 400% no consumo de refrigerantes, 400% em biscoitos, 300% nos embutidos, 100% em queijos, 50% nas carnes e 82% em refeições prontas. No mundo, são 500 milhões de obesos (18% da população) e, pelo menos, 1,46 bilhões de pessoas com sobrepeso. Já no Brasil,um em cada dois adultos e uma em cada três crianças, estão fora do peso ideal. Em quatro anos, o número pode ter aumentado. Mais da metade da população está acima do peso (53,9% dos adultos). O sobrepeso entre homens chega a 57,6% e atinge 50,7% das mulheres. Os dados são da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - VIGITEL (2011). A pesquisa também destaca a idade e o gênero

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Provarroz

da população como fatores agravantes, indicando que 32% das mulheres entre 55 e 64 anos estão acima do peso. As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são doenças multifatoriais que se desenvolvem no decorrer da vida e costumam ter longa duração. Atualmente, elas são consideradas um sério problema de saúde pública, e no ano de 2008, já eram responsáveis por 63% das mortes no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Seguindo essa tendência mundial, no Brasil, em 2013, as DCNT foram a causa de aproximadamente 72,6% das mortes (SIM 2015). Isso configura uma mudança perfil de doenças e se apresenta como um novo desafio para os gestores de saúde, ainda mais, pelo forte impacto das DCNT na morbimortalidade e na qualidade de vida dos indivíduos afetados, maior possibilidade de morte prematura e os efeitos econômicos adversos para as famílias, comunidades e sociedade em geral. As

DCNT são resultado de diversos fatores determinantes sociais e condicionantes, além de fatores de riscos individuais, como tabagismo, consumo nocivo de álcool, inatividade física e alimentação não saudável. A Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional institui o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional por meio do poder público, com a participação da sociedade civil organizada, formulando e implementando políticas, planos, programas e ações que assegurem o direito humano à alimentação adequada e saudável, ou seja, o direito de cada pessoa ter acesso físico e econômico, ininterruptamente a este tipo de alimentação ou, aos meios para obtê-la, sem que isso comprometa os recursos destinados a outros direitos fundamentais, como saúde e educação, por exemplo. Em praticamente todas as pesquisas relacionadas à nutrição, o arroz aparece como um dos alimentos para uma alimentação saudável. Entre os alimentos tradicionalmente presentes no cardápio das famílias brasileiras, o arroz polido ocupava a terceira posição com as maiores aquisições per capita em 2008-2009. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Componentes como o amido resistente e a fibra alimentar, por exemplo, exercem, em determinados níveis, efeitos benéficos ao nosso organismo. Estudos relatam que, o auxílio no controle da glicose sanguínea, a redução dos lipídios séricos e da pressão arterial, são alguns dos efeitos benéficos do arroz à saúde, pois auxiliam na prevenção e no controle de doenças crônicas, como o diabetes e as doenças cardiovasculares. O mercado brasileiro de arroz é ainda pouco diversificado e prioriza o consumo de arroz branco polido, parboilizado e integral parboilizado. É para mudar este cenário, que o Provarroz atua em todo estado do RS desde 2015, nas escolas, junto às merendeiras, eventos ligados à cadeia orizícola, em cursos de nutrição, Foto: Robispierre gastronomia, medicina e Giuliani. tecnologia de alimentos, transmitindo conhecimento aos multiplicadores de informação, quebrando paradigmas sobre o consumo do arroz.


Provarroz

Palestra do Irga lota teatro no Congresso Brasileiro de Nutrição O nutricionista Gabriel de Carvalho falou sobre as propriedades do arroz

A

palestra promovida pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) movimentou o Congresso Brasileiro de Nutrição (Conbran) no mês de outubro. Cerca de mil pessoas acompanharam a apresentação do nutricionista Gabriel de Carvalho, considerado referência na área. O evento reuniu estudantes e profissionais da nutrição de todo país na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O tema abordado foi “Arroz: Você Conhece esta Ferramenta de Trabalho?”. O nutricionista esclareceu que o arroz está longe de ser um vilão nas dietas e que não deve desaparecer do prato. “As pessoas tendem a eliminar o arroz da alimentação pensando que ele é igual ao pão branco, mas, na verdade, o índice glicêmico do arroz é bem menor que o do pão”. A palestra também abordou as diferentes variedades de arroz e seus benefícios na prevenção a uma série de doenças. “O arroz é um alimento que tem muito poder. Com ele, nós podemos ter 10% das

necessidades diárias de vitaminas extraídas de um só alimento”, esclareceu o profissional. Para a nutricionista Fernanda Fassarella, de 38 anos, que veio do estado do Espírito Santo para participar do congresso, a palestra apresentou novidades. “As comparações entre as variedades de arroz, mostrando que um tem mais fibra, ou mais vitaminas que o outro, eu realmente não tinha conhecimento, achei bem interessante”, afirmou. Gabriel de Carvalho foi quem trouxe para o Brasil em 1999 a, hoje famosa, Nutrição Funcional. O palestrante convidado do Irga é membro Foto: Divulgação/Irga

fundador e presidente do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional e ainda presidente de Honra do SBNF Sociedade Brasileira de Nutrição Funcional, graduado há 20 anos. No mesmo evento, o Irga participou do espaço Nutri Saber, onde a nutricionista do Instituto, Carolina Pitta, deu dicas de nutrição e entregou um material com receitas à base de arroz e com farinha de arroz. Esta foi a principal ação do Programa de Valorização do Arroz (Provarroz) no ano de 2016. O objetivo é conscientizar os formadores de opinião da área da saúde sobre os benefícios do cereal.


Sementes Certificadas

O detalhe que faz a diferença Estima-se que na Zona Sul do Estado o uso de sementes certificadas esteja próximo de 90%

S

e você pudesse pontuar qual o fator determinante para garantir uma boa produtividade no campo, o que você diria? Tempo bom? Uma semente de qualidade? A quantidade de insumos utilizados? Ou ainda, as práticas de manejo? Você mesmo também poderia dizer que é tudo isso ao mesmo tempo e ninguém teria o direito de contestar, afinal, uma boa produtividade depende de uma combinação de fatores e, jamais, de uma ação isolada. Mas, o que é unânime entre pesquisadores e produtores rurais que já migraram para a tecnologia, é que o uso de semente certificada é fundamental para obtenção de altas produtividades e, consequentemente, para o aumento da renda do agricultor. No Rio Grande do Sul, estima-se que metade das sementes utilizadas nas lavouras de arroz seja certificada, média que está longe do ideal, mas que vem crescendo consideravelmente nos últimos anos, acompanhando e influenciando diretamente no aumento da produção. A orientação pelo uso desta tecnologia integra as ações de pesquisas nas áreas de

manejo, cultivares e de transferência de tecnologias, em palestras, cursos, roteiros técnicos e é vista como um dos pontos fundamentais do Projeto 10+. A Zona Sul é a região que mais utiliza sementes certificadas, aproximadamente 90% das lavouras de arroz sejam semeadas com esta classe de sementes no local. Por lá, o aumento da produtividade nos últimos dez anos teve um salto de 38%, passando de 5.698 kg/ha, registrados na safra 2004/2005, para 7.849 kg/ha na safra 2015/2016. O número acompanha a média do Estado, que viu a produtividade passar de 5.300 para 7.450 kg/ha. Na década de 70, a realidade

não passava dos 3.500 kg/ha. Para o coordenador regional do Irga Zona Sul, André Mattos, as duas coisas estão totalmente relacionadas. "A semente certificada, sem dúvida, é um dos principais pilares da produtividade e da preservação de tecnologias. O aumento na utilização de semente certificada na Zona Sul foi fundamental para o crescimento da região em produtividade nas últimas safras, a meta agora é atingir os 100% das lavouras", vislumbra o coordenador. Nos 1.250 hectares somados nas duas propriedades em Cachoeira do Sul, na região Central, o produtor Astor Luiz Wallauer não abre mão do uso de sementes certificadas.

Taxa de uso de sementes certificadas nas regiões arrozeiras do RS

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Ibirubá

Itapuca

01º-São Gabriel


Sementes Certificadas

A expectativa da substituição era somente resolver a ocorrência do arroz vermelho nas lavouras, pois em algumas áreas, o grau de infestação não permitia a adoção de manejo para altas produtividades. Porém os resultados observados foram acima do esperado. Nas duas últimas safras, apesar das dificuldades climáticas causadas pelo fenômeno El Niño, que acabou provocando até enchentes na região, a produtividade média nas propriedades Wallauer ficou entre 8.200 e 8.800 quilos por hectare. “Hoje o uso de sementes certificadas é a forma mais eficiente de introduz novas tecnologias que a pesquisa pública e privada oferecem para a lavoura de arroz irrigado. Tem sido a melhor maneira de levarmos para nossas lavouras as vantagens técnicas e econômicas de novas cultivares lançadas no mercado”, explica o produtor. Desta forma, Wallauer garante que é possível controlar de forma mais eficiente a ocorrência de invasoras, aumentando a resistência a doenças e, de quebra, a lavoura obtém maior potencial de produtividade. A compra de sementes é realizada a partir do planejamento das lavouras, no momento em que o produtor decide qual cultivar vai semear. Wallauer, que diz estar satisfeito com a oferta do produto no Estado gaúcho,

já nem sonha em produzir a sua própria semente.

Desde a implantação até o produto final, precisamos da segurança de resultados e isso começa a partir do uso de sementes certificadas nas nossas lavouras. O uso de sementes certificadas na lavoura arrozeira está longe de ser uma novidade. O assunto começou a surgir há 20 anos, quando o governo instituiu a Lei 9.456/1997 de Proteção de Cultivares e, posteriormente, com a Lei 10.711/2003 que regulamentou a produção de sementes e mudas no Brasil. Há 15 anos, o Instituto Rio Grandense do Arroz se tornou uma Entidade Certificadora, credenciada pelo Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O ano de 2002 coincidiu a instituição da Nova Lei de Sementes com o lançamento da primeira de cultivar para o Sistema de Produção Clearfield Arroz, desenvolvido pelo Irga em parceria com a Basf SA. Até 2002 a taxa de utilização de sementes certificadas no RS era de 13%. Atualmente, as cinco regiões arrozeiras do Estado estão produzindo sementes certificadas. Os engenheiros agrônomos, apoiados pelos técnicos agrícolas do Irga, são os responsáveis pela certificação dos campos, coleta, análises das amostras e emissão dos certificados das sementes. Compete à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) o trabalho de fiscalização. O Irga não certifica somente as cultivares do próprio Instituto.

Foto: Divulgação/Irga

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Sementes Certificadas O trabalho se estende também às cultivares desenvolvidas por outros obtentores. O processo inicia com um Termo de Certificação firmado entre Irga e produtor. “Além da certificação de campos, onde são realizadas duas vistorias - no período de floração e da pré-colheita -,os técnicos do Irga fazem amostragem de lotes de sementes para enviar a um dos quatro laboratórios de análises de sementes da entidade, onde estes lotes são analisadas e, se atingirem o padrão mínimo de qualidade determinada pelo MAPA, recebem o certificado”, explica a engenheira agrônoma do Irga Flávia Miyuki Tomita, responsável pela área de certificação de sementes. Para a safra 2017/2018, o Irga estima que a oferta de sementes certificadas para a área arrozeira no estado seja de 65%, porém, a taxa do uso desta tecnologia está estagnada em 50% até o momento. Nas lavouras de soja do Mato Grosso, estado que já superou o RS na produção da oleaginosa, os números também são maiores em relação aos do RS quando o assunto é a utilização de semente certificada, que chega a 75% nas lavouras de lá. Para que novas cultivares sejam lançadas e cheguem às lavouras comerciais, levase cerca de 7 a 8 anos. A produção de sementes se

inicia durante este período. Para iniciar a multiplicação, os pesquisadores semeiam as panículas da cultivar selecionada, no sistema de panícula por linha. A semente é colhida e na safra seguinte será multiplicada no sistema de transplante de mudas, quando são feitas vistorias de campo para garantir a pureza genética do material. Por fim, a semente genética é colhida, beneficiada e entregue aos produtores habilitados para produção de Semente Básica do Irga, entrando no processo de certificação.

Considerando o problema de ocorrência do arroz vermelho na lavoura, o uso da semente certificada já seria justificado, evitando grandes prejuízos. Além disso, a utilização de sementes certificadas ainda garante um nível mínimo de germinação, pureza física e genética. Fatores que estão diretamente relacionados ao trabalho que há por trás da produção de uma nova cultivar. “A semente certificada é produzida com controle de qualidade e tem origem conhecida, o produtor sabe o que está semeando. O custo da semente certificada, que ainda é usado como fator determinante na decisão, é facilmente compensado pelo menor gasto de insumos e maior produtividade da

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cultura. Além de garantir a sustentabilidade da lavoura”, ressalta Tomita. Ao todo, 52 produtores, entre pessoas físicas e jurídicas, estão cadastrados e aptos para multiplicar as sementes das cultivares do Irga. Uma delas, está localizada no município de Dom Pedrito, na Região da Campanha. Em 1992, a empresa já trabalhava com sementes fiscalizadas e, com a instituição das novas legislações, também passou a produzir sementes certificadas. Para 2017, a meta da empresa é produzir e comercializar 270 mil sacos deste material, entre soja e arroz. “O controle dos lotes proporciona mais confiança para os produtores ao saberem que aquilo que está sendo semeado corresponde a uma série de padrões de qualidade de sementes produzidas e aprovadas por rigorosos critérios”, afirma o proprietário da empresa, Valdemir João Simão. Outra ressalva, diz respeito às seguradoras ligadas a instituições financeiras. O seguro agrícola exige do produtor a utilização de sementes certificadas para validação do benefício e para o estabelecimento adequado da lavoura, com foco na economia. Os produtores que não utilizam este material ficam desprotegidos de possíveis adversidades climáticas, o que pode, muitas vezes, comprometer o trabalho de um ano inteiro.


Sementes Certificadas

Foto: Divulgação/Irga

Para o uso da semente certificada aumentar no RS conforme o esperado, é preciso quebrar alguns padrões e desmistificar paradigmas. “Não é mais uma questão de discussão, mas sim, de decisão e opção pelo certo, pelo que é bom e pelo que soma no negócio. Entretanto, no Rio Grande do Sul, a utilização de sementes salva e bolsa branca é uma prática antiga”, constata Simão. A expressão “bolsa branca” é utilizada para denominar sementes de origem desconhecida. Não existe atualmente um cálculo preciso sobre o custo real da semente certificada em relação à sua capacidade de desenvolver plantas de alto potencial produtivo, porém, é possível observar que um lote de semente certificada tem germinação de 95%, comparando-se com uma semente não certificada, com 80% de germinação. Apenas esses 15% a mais no valor de germinação das plantas representam uma diminuição na quantidade de sementes utilizadas, melhorando significativamente a plantabilidade. “Quando se utilizam sementes de baixa qualidade, deve-se somar a isso, o custo do tratamento de sementes. Pode-se concluir que, ao realizar o tratamento, aumenta-se também o valor do investimento, pois, cerca de 15% a 20% dessas sementes que necessitam de

tratamento, provém de sementes mortas”, esclarece Simão. O custo da semente certificada por hectare na lavoura arrozeira representa menos de 3% do preço total da produção e, se considerar a utilização de semente salva ou semente de origem desconhecida, esta disparidade pode ser reduzida a menos de 1,5%. A semente certificada tem valor econômico agregado e, desta forma, a diferença do custo em relação à escolha da semente representa menos de dois sacos de arroz por hectare. Sem falar que, as sementes sem certificação podem ocasionar um retrabalho nas lavouras, que ficam expostas ao risco de ressemeadura, o que acabaria aumentando ainda mais o custo operacional e a

iminência de um cultivo fora do período recomendado, de acordo com as pesquisas. Nos últimos 15 anos, nós presenciamos um crescimento na taxa de utilização de sementes certificadas, isso foi fruto do trabalho conjunto entre produtores, instituições de pesquisa, difusão de tecnologia e órgãos oficiais de classe. “Apesar do aumento do uso, de semente certificada, o desafio continua, existem mais de 400.000ha de arroz que ainda utilizam semente de procedência desconhecida, consideramos isto um alto risco, haja visto os elevados custos para produção de arroz na atualidade”, esclarece o gerente da Divisão de Assistência Técnica do Instituto, Athos Gadea.

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Soja 6.000

Para melhorar a terra e a estrutura do solo Programa do Irga já foi implantando em 68 lavouras do Estado

O

Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apresentou os números referentes ao segundo ano do Projeto Soja 6.000. Nas seis regionais do Estado, 68 lavouras demonstrativas foram escolhidas para fazer parte dos roteiros técnicos. Estes produtores estão sediados em 38 municípios de 41 Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nates). “O Soja 6.000 está em uma fase

mais acelerada e segue a meta de reconhecer os produtores que trabalham com a soja com o foco na rotação de culturas”, destaca o gerente do Departamento Técnico e Extensão Rural do Irga, engenheiro agrônomo Athos Gadea. O Projeto Soja 6.000 foi concebido para promover o cultivo da soja na Região 101, que abrange a Metade Sul do Rio Grande do Sul, mais especificamente, nas

Foto: Divulgação/Irga

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áreas onde se cultiva o arroz. Os trabalhos do Irga com o cultivo de soja nestes locais mostraram que existe uma oportunidade de se obter rendimentos elevados, foi criado então, o propósito de fixar, como meta principal, o rendimento de 6.000 kg/ha de grãos. O projeto reúne estratégias de manejo associadas ao conhecimento do solo de cada talhão, de forma a caracterizar e eliminar os fatores limitantes


Soja 6.000

à alta produtividade. Entre os aspectos importantes, o primeiro é o conhecimento do solo. Já entre as práticas de manejo, estão, a escolha de cultivares, época de semeadura, drenagem, fertilidade, necessidade de calagem e adubação, plantabilidade, controle de plantas daninhas, pragas e doenças, e a irrigação. Conforme o engenheiro agrônomo, a soja tem propriedades de melhorar a terra e a estrutura do solo. O cultivo intensivo de arroz pode agravar os problemas, como a ocorrência do arroz vermelho, alguns inços, solo cada vez mais arraigado e

compactado, devido à quantidade de água que recebe, e com isso, a tendência é que a produtividade de arroz diminua. “A gente vê a soja como uma importante ferramenta para melhoria da qualidade das áreas de arroz.

Quando tu cultivas soja numa área, tu traças alguns benefícios que serão sentidos depois na lavoura de arroz, explica Gadea. Em um sistema ideal, o melhor seria semear um ano de arroz, um ano de soja

ou, dois anos de arroz e dois anos de soja e, melhor ainda, dois anos de arroz, dois anos de soja e dois anos de pastagem, “o agricultor teria um ciclo perfeito, é o que chamamos de integração lavoura-pecuaria”, destaca Gadea. Ainda conforme o engenheiro, trabalhar com a soja traz muitos benefícios para o produtor orizícola e não deixa de ser outra fonte de renda, é outra cultura, outra moeda. “O agricultor não fica tão dependente só de uma cultura, não sofre as consequênciais da monocultura e tem um leque maior de possibilidades”.

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Da defesa do meio ambiente à valorização do produtor

Re s

Selo Ambiental

Mais de 50 lavouras já receberam a distinção no Estado

feitas algumas adequações. Aqueles que já possuíam o Selo da safra 2015/2016 precisaram apenas renovar a inscrição, os 13 empreendimentos reconhecidos, não precisaram entregar toda a documentação necessária novamente. A mudança também estabeleceu apenas uma vistoria nas lavouras já cadastradas, para verificar se ainda estavam de acordo com as exigências previstas no regulamento. O gerente do Departamento Técnico e Extensão Rural do Irga, engenheiro agrônomo Athos Gadea, explicou o motivo da mudança: “Sempre buscamos essa facilidade para que o produtor não veja a inscrição como mais um entrave”. O motivo que norteou a criação do Selo Ambiental na safra 2008/2009, foi a necessidade da implantação de práticas que respeitassem o meio ambiente, da mesma forma que fosse cumprida a legislação, e que o empreendimento garantisse a sustentabilidade do ponto de vista social, econômico e ambiental. O Selo visa

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reconhecer os produtores de arroz cujo manejo da lavoura e da propriedade rural estejam em conformidade com as exigências previstas no regulamento. O Selo Ambiental deve promover a sustentabilidade ambiental do sistema de produção de arroz irrigado; desencadear o processo de certificação e rastreabilidade; garantindo aos empreendimentos agrícolas o reconhecimento quanto ao uso de práticas ambientais e sociais corretas na lavoura de arroz irrigado e, em consequência, melhorar a gestão da propriedade rural, reduzir custos do processo produtivo e contribuir para agregação de valor ao produto, com isso, incentivar a produção de arroz dentro dos princípios da segurança do alimento. “O selo é uma espécie de vitrine. A gente busca a propriedade com bons exemplos e é uma espécie de amostra para a comunidade”, destaca Gadea. Este foi o motivo que levou o produtor Geovano Parciello a se inscrever na safra 2009/2010.

Arquivo pessoal

O

Selo Ambiental da Lavoura de Arroz Irrigado do Rio Grande do Sul é uma ferramenta lançada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Desde 2008, o objetivo do Selo é valorizar os empreendimentos que atuam de acordo com os critérios da legislação ambiental, social e trabalhista. O selo também busca reconhecer os esforços e as atitudes dos produtores e, assim, valorizar o arroz produzido no Estado. A edição deste ano, referente à safra 2016/2017, é a oitava. Ao todo, já foram entregues 134 selos; deste número, são contabilizadas 53 lavouras premiadas mais de uma vez nas últimas edições. O Selo é uma iniciativa do Governo do Estado entregue por meio do Instituto Rio Grandense do Arroz e da Fundação Irga e funciona em conformidade com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Irrigação, contando com o apoio da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz). Para este ano, foram


Selo Ambiental

“Hoje, temos um cuidado especial com o ambiente Geovano Parciello onde cultivamos, desde o manejo do solo, até a colheita. o selo é mais uma amostra de que alguém está avaliando, conduzindo e plantando de maneira correta”, destaca o produtor rural de Alegrete. Foto: Arquivo Pessoal

Os princípios do Selo Ambiental O Selo garante que no empreendimento participante foram utilizados os preceitos de práticas de manejo corretos, pré estabelecidos pelo Projeto 10+ do Irga. Entre as qualificações que o Selo Ambiental garante para o empreendimento, estão as boas práticas agrícolas (BPA), importantes do ponto de vista social para a gestão da propriedade e da lavoura de arroz irrigado no Rio Grande do Sul. Com isso, os produtores contemplados se beneficiam da credibilidade da classe arrozeira e recebem o reconhecimento quanto aos processos de produção de forma sustentável. Ao promover a sustentabilidade da lavoura inicia-se o processo de rastreabilidade e certificação que é o objetivo a ser alcançado pelos produtores para valorizar o produto estando adequados aos preceitos de uso eficiente dos recursos naturais. O arroz produzido no RS

deve apresentar qualidade e indicativos de segurança do ponto de vista alimentar. Por esse motivo, o arroz pode competir em mercados que valorizam os produtos cuja produção atenda importantes requisitos ambientais. O processo estabelecido pelo Selo, pode levar um curto espaço de tempo até a rastreabilidade e o produto terá melhor visibilidade no mercado consumidor interno e externo. Os preceitos do Selo Ambiental estabelecem a importância do uso adequado de recursos naturais no manejo da lavoura e na propriedade rural. Essas medidas são fundamentais para sustentabilidade das áreas agrícolas, cuja concepção se basea na possibilidade de uso ao longo do tempo, sem impactos negativos que causem a degradação do meio ambiente. “O consumidor de arroz não vai querer comprar de uma propriedade que derruba a mata e que não respeita o rio, por exemplo. Através do Selo a gente mostra que a lavoura pode ser inserida no meio ambiente, demonstra que é possível fazer produção adotando tecnologias mais limpas”, destaca Gadea. O Selo Ambiental contribui para um aumento da competitividade mercadológica seja pela possibilidade de elevar a produtividade ou pela vantagem de inserir um produto elaborado dentro das condições de menor impacto

ambiental. No primeiro caso, temos a diminuição de custos de produção e, no segundo, a qualidade do produto. Entre as principais características do Selo Ambiental está a certeza de que o produtor trabalha, ou não de acordo com as práticas que regem a legislação. Ao incentivar os agricultores a exercitar responsabilidade socioambiental, também possibilita a regulamentação da atividade dentro da legislação vigente, especialmente quanto ao licenciamento e proteção de áreas frágeis do ambiente. “A única lavoura onde é exigido o licenciamento é a de arroz, ela é muito visada neste ponto, pois trata com a água, com mananciais, e se os resíduos de algum produto químico acabarem em um rio, isso pode contaminar uma cidade”, acrescenta Gadea.

Os critérios para avaliação do Selo Ambiental A primeira fase do processo é a inscrição no Selo Ambiental, que este ano, apresenta mudanças em relação aos novos e antigos participantes. Confira na página 24. Os cadastros devem ser feitos nos Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nates) do Irga. Na edição, o período de inscrições terminou no dia 30 de dezembro de 2016. O tempo entre habilitação,

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Selo Ambiental

vistoria, parecer conclusivo e julgamento é de seis meses. A primeira fase do processo é a etapa das vistorias nas lavouras,feita pelo técnico responsável pelo Nate, ele analisa os itens estabelecidos no regulamento e realiza o lançamento das informações na plataforma de acompanhamento de dados, até as datas limites. No caso de ser a primeira inscrição no Selo, as vistorias são feitas com base nas seguintes normas: 1° dia: apps, instalações e procedimentos na propriedade rural (quando cabíveis); adequação à legislação trabalhista (Aspectos Sociais) e procedimentos adotados na lavoura de arroz irrigado.

2° vistoria: procedimentos adotados na lavoura de arroz e na propriedade rural; procedimentos adotados na lavoura de arroz na précolheita; boas práticas agrícolas nas unidades de pós-colheita (caso houver). Sendo o candidato veterano, segue-se o seguinte procedimento: Vistoria técnica única: apps, instalações e procedimentos na propriedade rural (quando cabíveis); adequação à legislação trabalhista (aspectos sociais); procedimentos adotados na lavoura de arroz irrigado; procedimentos adotados na lavoura de arroz e na propriedade rural; procedimentos adotados na

Foto: Divulgação/Irga

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lavoura de arroz na précolheita e boas práticas agrícolas nas unidades de pós-colheita (caso houver). A última etapa é o julgamento. O Comitê Gestor faz a análise e julga o empreendimento considerando as informações que constam na plataforma de acompanhamento de dados. O Selo é entregue aos empreendimentos que cumprirem os requisitos necessários e não infrigirem nenhum critério eliminatório. O Selo terá validade para a safra correspondente. Ele poderá ser usado nas embalagens dos produtos, nas notas fiscais e correspondências do produtor ou empresa agrícola, durante o período de comercialização


Selo Ambiental

da produção da safra correspondente à concessão do Selo. O beneficiado poderá ainda, expor na propriedade uma placa indicativa relativa ao Selo, conforme modelo fornecido pelo Comitê Gestor, valorizando o trabalho da

propriedade. A confecção da placa será de responsabilidade do beneficiado. A cerimônia de entrega do Selo Ambiental 2016/2017 está programada para ocorrer durante a Expointer 2017. Normalmente, as

homenagens são feitas nos locais próximos às lavouras, mas para esta edição, houve uma modificação. O Comitê quer dar mais visibilidade ao Selo e aos empreendedores, aproveitando o evento de grande repercussão, para realizar as homenagens.

Confira quem recebeu o Selo Ambiental na safra 2015/16 Sérgio Augusto Giuliani - Formosa Agropecuária - São Gabriel - Campanha Ÿ Eduardo Bopp Ferreira - Granja Itaverá - Uruguaiana - Fronteira Oeste Ÿ Jorge Carlos Dickinson - Granja Três Figueiras - Itaqui - Fronteira Oeste Ÿ Fernando Piaguaçu Corrêa Osório - Quaraí - Fronteira Oeste Ÿ João Antônio Bruscato de Lima - Quaraí - Fronteira Oeste Ÿ João Antônio Bruscato de Lima - Alegrete - Fronteira Oeste Ÿ Geovano Parcianello - Agropecuária Parcianello Rincão - Alegrete - Fronteira Oeste Ÿ Joacir Parcianello - Agropecuária Parcianello Capivari - Alegrete - Fronteira Oeste Ÿ José Ricardo Lemos dos Santos - Fazenda Passo Fundo - Palmares do Sul - PCE Ÿ Olga Maria M. da Rocha Velho - Fazenda Nova - Palmares do Sul - PCE Ÿ Carlos Miguel Araújo dos Santos - Fazenda Pangaré - Palmares do Sul - PCE Ÿ Jorge Iglessio - Granjas 4 Irmãos S.A Agropecuária, Indústria e Comércio - Rio Grande - Zona Sul Ÿ Ricardo Teixeira Gonçalves da Silva - Quero-Quero Indústria e Comércio de Cereais Ltda - Jaguarão - Zona Sul Ÿ

Foto: Divulgação/Irga

Entrega do selo ambiental para a Fazenda Passo Fundo

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Capa

ABERTURA OFICIAL DA COLHEITA

DO ARROZ Por Sara Kirchhof - jornalista do Irga


Foto: Divulgação/Irga

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Em 2015, a Abertura Oficial da Colheita ocorreu em Tapes

urante meses, a cadeia orizícola vem se preparando para esta grande celebração que simboliza tradicionalmente a abertura da colheita do arroz no Rio Grande do Sul, abrindo espaço para importantes debates setoriais. A Abertura Oficial da Colheita do Arroz está consolidada como o maior evento do segmento em toda América Latina. Espera-se um grande intercâmbio de informações e conhecimento, que só é possível graças à união de entidades e ao trabalho de todos os envolvidos. O aprendizado e a troca de conhecimento são consequência da realização de roteiros técnicos, fóruns, debates e exposição de máquinas, equipamentos, insumos, produtos, serviços e novidades para o setor arrozeiro. A 27ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que acontece de 16 a 18 de fevereiro na Estação Experimental do Arroz (EEA), do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em Cachoeirinha, tem no mote a tecnologia, a gestão e as inovações do universo deste cereal tão importante na mesa dos brasileiros, envolvendo todos os elos da cadeia produtiva. Anualmente, o agronegócio brasileiro aguarda por esse evento, que está muito próximo de completar três décadas de história, consolidando ainda mais a força que o arroz representa na economia do Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da produção do cereal. Além de ser o anfitrião do evento, o Irga é um dos principais patrocinadores da

Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) na 27ª Abertura da Colheita do Arroz, participando ativamente da programação em mesas de discussões e na Vitrine Tecnológica, onde técnicos ficam à disposição dos visitantes para apresentar as últimas inovações do setor arrozeiro. Com a realização paralela da Abertura Oficial da Colheita do Arroz, organizada pela Federarroz, e do Dia de Campo Estadual do Irga, que ocorrerá através dos roteiros técnicos dirigidos pela autarquia, a integração entre as duas entidades deverá se fortalecer ainda mais.

O evento consolida a importância do Irga na cadeia produtiva, beneficiando e impactando com a sua atuação em pesquisa de extensão, de valorização do arroz e comercialização, e isso se reflete economicamente no Estado, especialmente, onde estão os municípios produtores de arroz, analisa o presidente do Irga, Guinter Frantz.

Para esta edição, mais de 50 autoridades foram convidadas, entre elas, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e o governador do Estado, José Ivo Sartori. Milhares de participantes já foram confirmados, garantindo grande representatividade de

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Capa entidades de classe, empresários, governantes e outras autoridades políticas, assim como agroindústrias, agrônomos, pesquisadores, técnicos, especialistas, estudantes, e eles, os responsáveis por tornar tudo isso possível: os produtores arrozeiros! O produtor Luiz Alberto Barbará González, de Uruguaiana, participa da Abertura da Colheita há pelo menos 15 anos e não vai sozinho! Na última edição, ele lotou um ônibus com os colaboradores que atuam na linha de frente da produção nos 3.200 hectares divididos entre o cereal e a pecuária na propriedade, que fica na Fronteira Oeste. Para ele, o que acontece durante os dias de evento, faz a diferença no lado de dentro da porteira para toda uma safra. “Desperta a necessidade de estarmos atentos às novas tecnologias, linhagens e proporciona o entrosamento com agrônomos e com as multinacionais”. Somente o Fundo Latino-Americano do Arroz Irrigado (Flar), reúne 18 países diferentes no evento. Posteriormente, os estrangeiros, representantes do Flar, participarão de reunião administrativa em Gramado, na Serra Gaúcha. Além destes países integrantes do Fundo, outros também são esperados.

Estamos consolidando este projeto já pensando em uma próxima etapa para que o evento chegue a um patamar internacional de cunho agronômico e tecnológico, projeta Dornelles.

Irga, Federarroz, Embrapa e associações de arrozeiros organizaram juntos, 55 excursões, incentivando a mobilização de 2 mil e 500 produtores e colaboradores de 100 municípios diferentes. As seis coordenadorias regionais do Irga, através dos 41 Núcleos de Assistência Técnica (Nates), também participam ativamente do evento por meio de apoio às equipes da organização, tanto dos grupos e disponibilidade de guias, quanto no auxílio organizacional das atividades e das excursões. “O Irga proporciona ainda mais credibilidade ao evento. O produtor vai ver aquilo que lhe é útil, tecnologias que lhe darão mais retornos em produtividade e retorno financeiro. Além disso, toda estrutura e conhecimento que o Irga dispõe, com certeza, fará desta Abertura um evento excepcional”, ratifica o coordenador regional da Depressão Central, Pedro Trevisan Hamann. A coordenadoria abrange os municípios de Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Santa Maria, Restinga Seca, São Sepé, Candelária, Caçapava do Sul, São Pedro do Sul, Formigueiro, Agudo e Venâncio Aires. O principal papel do evento é disponibilizar informações que deem autonomia aos produtores, qualificando suas decisões dentro da propriedade na busca constante por mais produtividade nas lavouras. Com isso, toda a cadeia é impactada, pois, com o aumento da produção, novos mercados são abertos, amplia-se o fornecimento de crédito, insumos, serviços e produtos necessários para

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viabilizar a atividade agrícola, criando-se um ambiente propício para difundir novas tecnologias às lavouras e para troca de experiências entre produtores rurais, entidades e instituições de ensino. Todos os anos, o evento reúne produtores rurais, cooperativas, agentes de transferência de tecnologia, comunidade científica e acadêmica, consumidores, indústria de alimentos, institutos de pesquisa agropecuária, multiplicadores de sementes e mudas, poderes executivo e legislativo e órgãos de imprensa. A média das edições anteriores é de 8 mil visitantes durante os dias de evento. Este ano, porém, a expectativa é que o número seja ainda maior em decorrência da sinergia das entidades e dos dois eventos que acontecerão paralelamente.

O que o público vai ver na 27ª edição do evento A programação começa na manhã do dia 16 de fevereiro, com inscrições abertas a partir das 7h. Diariamente, das 7h30 às 12h, acontecem os roteiros que passam pelas Vitrines Tecnológicas, onde produtores têm a oportunidade de conhecer todos os lançamentos do que será realidade no campo. A primeira reunião na agenda da Abertura da Colheita será conduzida pela Câmara Nacional Setorial do Arroz do Ministério da Agricultura, Pecuária e


Abastecimento (MAPA) que discutirá assuntos como os entraves nos acordos bilaterais, mecanismos para comercialização da safra 2016/2017 e a conjuntura e mercado para safra. Para disseminar conhecimento capaz de contribuir na gestão da propriedade, aumento na produção e, consequentemente, acréscimo na renda dos produtores, todo ano, a Abertura da Colheita abre espaço para palestras. Este ano, serão nove palestras diferentes, divididas entre Fórum Técnico e Fórum Mercadológico. Na parte da tarde de quinta-feira, das 14h às 18h, acontecerá o Fórum Técnico com três importantes painéis que tratam, desde sistemas integrados e manejo conservacionista, até doenças que atingem as lavouras arrozeiras, passando pelos avanços na genética, papel das cultivares e por soluções técnicas desenvolvidas pelo Irga. Já a noite de quintafeira será dedicada para reconhecer e homenagear profissionais que se destacaram de alguma forma no processo produtivo do cereal. As homenagens acontecem no auditório principal da EEA, a partir das 18h30. Na sexta-feira, 17 de fevereiro, acontece a reunião da Confederação de Entidades Latino-Americanas de Arroz (Celarroz) no auditório 2. Na parte da tarde, inicia o Fórum Mercadológico a partir das 14h. A programação começa com o tema Foco na Rentabilidade: Gestão das Informações, com

o engenheiro agrônomo, economista e sócio da Connectere Agrogestão, Marcelo Lagemann. Na sequência, a apresentação: A Conturbada Economia e os Reflexos na Lavoura será esmiuçada por Marcelo Portugal, PhD em Economia, professor de pós-graduação da UFRGS, pesquisador da CNPq e consultor. A terceira palestra do dia traz as Perspectivas do Mercado do Arroz, com o economista colombiano Jeffrey Fajardo, especialista em relações internacionais, com estudos de Economia Agrária na Penn State University, na Pensilvânia. O tema que encerra o fórum é Cenários e Perspectivas do Mercado de Alimentação do Brasil, em palestra conduzida pelo professor, consultor e pesquisador em alimentação, Sérgio Molinari. À noite, a partir das 19h, o público vai conferir um grande espetáculo apresentado pela primeira vez na Abertura da Colheita: o New Holland em Campo! A apresentação já foi assistida por mais de 70 mil pessoas no Brasil inteiro e sempre

impressiona pela potência e tecnologia das máquinas. Entre as estrelas da noite escolhidas para dar show na Arena Dinâmica, que fazem parte da linha de produtos New Holland, estão colheitadeiras, o pulverizador SP2500 e os tratores das linhas TL, T6, T7 e T8 as máquinas agrícolas. Já nos equipamentos de construção, os destaques são: a pácarregadeira 12D; a retroescavadeira B95B e a minicarregadeira L220. A habilidade dos operadores também não passa despercebida! É preciso muita concentração e rapidez para arrancar grandes aplausos do público presente. O espetáculo é promovido pela New Holland Agriculture e New Holland Construction, junto com o Banco CNH Industrial. No terceiro e último dia do evento, sábado (18), às 10h, acontece oficialmente a Abertura da Colheita do Arroz da safra 2016/2017, marcada para às 10h30 na lavoura de ensaio cultivada na EEA. O encerramento será marcado por um pronunciamento de autoridades e convidados, seguido do almoço.

Na noite do dia 17, New Holland em Campo fará apresentação

Foto: Divulgação/New Holland

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Capa

O palco verde da abertura Foto: Divulgação/Irga

Quando o primeiro hectare de arroz da safra 2016/2017 for colhido oficialmente no Estado, terá início uma nova etapa na história arrozeira, que começou por aqui em meados de 1820, quando as primeiras sementes foram lançadas à terra. A lavoura, onde ocorre a solenidade, seguiu todas as recomendações do Projeto 10+ do Irga. A área foi implantada cedo, no dia 24 de setembro, com a cultivar IRGA 424 RI/CL e, desde então, recebeu os tratos e manejos necessários para que tudo estivesse dentro do planejado para o dia do evento. Colheitadeiras da John Deere, New Holland, Massey Fergusone Case vão participar da simbologia durante a solenidade. A Irga 424 RI/CL foi a

última cultivar lançada pelo Irga, e está ocupando mais de 60% da área semeada com arroz no Rio Grande do Sul. A cultivar foi desenvolvida para o sistema Clearfield, tecnologia Basf para controle de arroz vermelho. A densidade da semeadura é de 100 quilos por hectare. A mesma extensão de área destinada ao arroz na EEA, também foi reservada para receber a cultura da soja, destacando o Projeto Soja 6.000, outra campanha do Irga. A iniciativa faz parte do programa de manejo de soja em áreas de arroz irrigado para alta produtividade e o nome foi escolhido a partir da meta, que é atingir uma produtividade de 6 mil quilos por hectare. De acordo com o

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gerente de pesquisa do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Rodrigo Schoenfeld, a área da EEA possui todas as condições para realização do evento e atendimento aos produtores e patrocinadores. “Queríamos que a Abertura Oficial da Colheita do Arroz retornasse a Cachoeirinha e estamos felizes com esta possibilidade. Esperamos fazer um grande evento junto à Federarroz e às empresas participantes, trazendo as novidades em tecnologia para o setor”, enfatiza o gerente.

A Abertura Oficial da Colheita do Arroz mostra no campo os últimos avanços científicos e tecnológicos na cultura do arroz Valorizando discussões sobre a realidade socioeconômica do setor em nível nacional e internacional. O evento reúne o que há de mais moderno no setor. É a terceira vez que o evento acontece na Estação Experimental do Arroz do Irga, as outras duas ocorrerão em 2008 e 2009. Para o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, os motivos pela escolha são óbvios. “A Federarroz quer difundir este instituto como um importante, principal e único órgão público


remanescente de pesquisa, específico para o arroz que está na vanguarda do lançamento de variedades, de manejos e de consolidação, ou ainda, de validação de novas ferramentas produtivas. O Irga representa para o RS, um centro de expertise generalizado da lavoura de arroz. Hoje, eu desconheço alguma ferramenta que tenha entrado de forma consistente na lavoura sem uma chancela do Irga”, enfatiza.

Dia de campo O Dia de Campo Estadual, promovido pelo Irga, acontece paralelamente à Abertura da Colheita, fortalecendo ainda mais o evento e estabelecendo um elo com toda cadeia produtiva. O Dia de Campo traz ao público as principais novidades desenvolvidas pela pesquisa em melhoramento genético e lançamento de novas cultivares, além de práticas de manejo, adubação e sementes. Para dar mais intensidade na participação das empresas que fornecem produtos e implementos para o setor, são realizados dois roteiros técnicos simultâneos, um, onde estão todas as empresas patrocinadoras e, outro, onde o Irga dará destaque aos seus trabalhos de pesquisa, facilitando, desta forma, a logística entre os participantes. A exemplo das últimas edições, será dado um destaque especial às ações dos projetos 10+ e a rotação de culturas com o Soja 6.000, que determina quais são as melhores épocas de

semeadura de soja nas regiões orizícolas do RS, definindo os grupos de maturação mais adaptados a cada época de cultivo definidas por região.

É um evento focado em transferência de tecnologia, mas que também abre espaço para que sejam apresentadas as reivindicações da cadeia orizícola aproveitando a forte presença das autoridades ligadas ao setor”, lembra Frantz.

O Dia de Campo é também uma excelente oportunidade para que empresas invistam na prospecção na área de estandes, onde ocorrerão palestras técnicas e na área ambiental, com apresentações de boas práticas agrícolas, póscolheita e regulagem de máquinas. Cerca de 200 pessoas trabalham para esta realização. Para a Federarroz, a realização do Dia de Campo Estadual, durante a abertura a federarroz intensifica a independência do Irga como órgão de pesquisa. “Nós queremos mostrar para a sociedade que o Irga depende de verba da cadeia produtiva, não de verba pública. Ele é um gerador de riquezas, principalmente para a Metade Sul, que é a região menos desenvolvida do Rio Grande do Sul e extremamente dependente da orizicultura”, afirma Dornelles.

Vitrine Tecnológica, muito além do arroz É na Vitrine Tecnológica que os visitantes podem encontrar uma amostra das principais inovações em produtos e equipamentos para o plantio da lavoura, através dos passeios que acontecem nos roteiros técnicos. O espaço conta com 18 empresas distribuídas em 29 vitrines que apresentam tecnologias voltadas também para a soja e o milho, fortalecendo o incentivo à rotação de culturas nas propriedades, prática defendida e ratificada pelo Irga nos últimos anos, através de programas de incentivo. Cada uma destas empresas irá expor o seu pacote tecnológico - a exposição será feita através de lavouras demonstrativas, que são as vitrines tecnológicas. O local traz as últimas novidades e soluções para o setor orizícola visando maior produtividade. Uma grande novidade em relação a outros anos é que em 2017 serão duas "lavouras principais", uma de arroz e outra de soja. A decisão é um reflexo da realidade em muitas propriedades: a diversificação das culturas, pois garante mais rentabilidade ao produtor e conservação de nutrientes no solo. As lavouras principais de arroz e de soja têm parceria com Basf. Para o gerente de Marketing da empresa, Hélio de Souza Costa Cabral, o evento tem grande relevância no cenário agrícola do Brasil e por isso apostam na Abertura Oficial da Colheita do Arroz. "A

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Capa Abertura da Colheita, além de ser o marco do início das colheitas no Estado, também é um momento onde os produtores, indústria e órgãos de pesquisa podem demonstrar novas tecnologias e interagirem sobre as melhores práticas no setor", ressalta. Na cultura do arroz, o destaque é para tecnologias de melhoramento genético, novas cultivares do Irga e futuros lançamentos e materiais do Flar. Além de adubação, controle de plantas daninhas x irrigação e manejo de doenças. Na soja, as tecnologias apresentadas têm foco na adubação e em mecanismos rompedores de solo e haverá amostra da nova cultivar para terras baixas BS IRGA 1642 IPRO, lançamento IRGA e Bayer. Já no milho, são apresentadas tecnologias que visam altos rendimentos em terras baixas. Também há uma demonstração do conjunto de culturas que fazem parte do Sistema de Integração Lavoura e Pecuária com as pastagens e animais. As áreas que começam com "A" se referem às tecnologias voltadas ao arroz e, naturalmente, as que levam a letra "S" demarcam a área que destaca a soja, com uma exceção apenas, a S10, que corresponde ao milho. Além destas, também estará presente na Vitrine Tecnológica, a Tovese Corretora de Seguros, identificada como "S15". Cada vitrine está inserida em uma área de 15 x 10 metros de lavoura e, em frente às vitrines, as empresas contam com uma estrutura para atender os grupos de produtores que

visitam estas estações. A mesma medida de área dedicada para o arroz, será também destinada à soja, fortalecendo as concepções do Projeto Soja 6000, do Irga. Entre as duas lavouras, ficam localizadas as empresas que trabalham com ambas culturas. Este ano, o Irga está inserido em um espaço ainda maior que nas edições anteriores. O espaço do Instituto é o local destinado a uma série de parcelas de arroz, soja milho e pastagens, com 0,3 mil hectares dedicados ao manejo das culturas, ressaltando a integração lavoura-pecuária, onde o instituto vai mostrar todas as tecnologias na área, inovando e proporcionando movimentação maior com a participação das empresas que fornecem equipamentos e maquinário ao setor.

ano, a cerimônia de homenagens ocorre no primeiro dia do evento, 16 de fevereiro, às 18h30 no auditório principal. Serão doze premiações, nos setores: produtivo, político, mercado e de assistência técnica. Confira a lista completa com as homenagens: Lavoura Nota 10 Pioneiro do Arroz Amigo do Arroz Mercado Externo Mercado Interno Imprensa Técnico Estadual Técnico Federal Competitividade Sustentabilidade Inovação

O Irga, fará a entrega de uma homenagem pelo Programa de Valorização do Arroz (Provarroz).

Homenagens A Abertura Oficial da Colheita do Arroz sempre abre espaço para homenagear quem contribuiu com a cadeia produtiva do cereal durante o último ano. Os nomes são indicados pela Federarroz e escolhidos de acordo com a contribuição para o setor na safra que antecede a colheita. Este

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Valorizamos muito esta homenagem em virtude de que a cultura do arroz possui uma classe politizada, um processo de comercialização e uma lavoura complexa, que dependem muito de ações individuais", enfatiza Henrique Dornelles. Federarroz entrega os prêmios no dia 16 Foto: Divulgação/Irga


Programação 16/02/2017 - QUINTA-FEIRA Manhã 07:00 – Inscrições. 07:30 às 12:00 - Roteiro Vitrines Tecnológicas 10:00 às 13:00 - Reunião da Câmara Nacional Setorial do Arroz Tarde FÓRUM TÉCNICO - Local: Auditório Principal 14:00 às 15:00 - Sistemas integrados e manejo conservacionista Lavoura do futuro, papel do Irga, papel de outras instituições. Palestrante: Filipe Selau – Mestre em Ciência do Solo e Pesquisador do IRGA

Painelistas: Ibanor Anghinoni – PhD e Professor em Ciência do Solo e Consultor Técnico do IRGA. Enio Marchesan - Doutor em Fitotecnia e Professor da UFSM. Jair Buske - Produtor em Agudo

Fitopatologia e Líder do Programa de Arroz do CIAT Marcelo Gravina - Doutorado em Fitopatologia e Prof. Titular da UFRGS José Mathias Bins Martins – Produtor em Mostardas

15:00 às 16:00 – Painel: Brusone - Problemática da doença, soluções do Irga, dificuldades, o papel das cultivares, de onde está vindo a resistência.

16:00 às 17:00 – Intervalo

Palestrante: Claudio Ogoshi - Doutor em Fitopatologia e Pesquisador do IRGA na Seção de Melhoramento Genético

Palestra: Rodrigo Shoenfeld – Engenheiro Agrônomo e Gerente da Divisão de Pesquisa do IRGA.

Painelistas: Fernando Correa - Doutor em

17:00 às 18:00 - Manejo do 424 RI buscando melhor qualidade na indústria e avanços na genética

18:30 - Coquetel de entrega das Homenagens – Local: Auditório Principal

17/02/2017 - SEXTA-FEIRA Manhã

da Connectere AgroGestão.

07:00 – Inscrições.

14:30 às 15:30 - A Conturbada Economia e os Reflexos na Lavoura - Marcelo Portugal – PhD em Economia, Professor Pós-Graduação da UFRGS, Pesquisador CNPq e Consultor.

07:30 às 12:00 - Roteiro Vitrines Tecnológicas. Horário a definir - Reunião do Celarroz. Horário a definir - Reunião Conselho do IRGA. Tarde FÓRUM MERCADOLÓGICO Auditório Principal. 14:00 às 14:30 - Foco na Rentabilidade: Gestão das Informações - Marcelo Lagemann – Engenheiro Agrônomo, Economista e Sócio

15:00 às 16:15 - Intervalo. 16:15 às 17:15 - Perspectivas do Mercado de Arroz – Jeffrey Fajardo – Colômbia – a confirmar. 17:00 às 18:00 - Cenários e Perspectivas do Mercado de Alimentação do Brasil. Palestrante: Sérgio Molinari –

Fundador da Food Consulting e Food Experts. Conselheiro estratégico, consultor e pesquisador sobre o mercado de Foodservice. Professor do curso Gestão Estratégica de Foodservice, na ESPM. Moderadora: Leila Picolli – Professora Associada do Depto.de Zootecnia UFSM, Pesquisadora de Produtividade Científica CNPq e Orientadora dos Programas de PósGraduação de Zootecnia e Tecnologia de Alimentos. 19:00 às 20:00 - New Holland em Campo.

18/02/2017 - SÁBADO Manhã

10:30 – ABERTURA

A partir das 07:00 – Inscrições

OFICIAL DA COLHEITA DO ARROZ 2017

07:30 – Roteiro Vitrines Tecnológicas

12:00 – Pronunciamento de Autoridades e Convidados 13:00 – Almoço

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Capa

Mapa do evento Áreas de tecnologia, expositores e palestras

Lavoura de Arroz

Lavoura de Soja

M2

4

5 Área de arroz A1 - Basf A2 - Basf A3 - FMC A4 - Ihara A5 - Dow A6 - Bayer A7 - Mosaic A8 - Syngenta A9 - Rice Tec A10 - Delta A11 - Super N A12 - Espaço Eco A13 - Embrapa A14 - Embrapa

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Área de soja S1 - Basf S2 - Basf S3 - FMC S4 - Ihara S5 - Dow S6 - Bayer S7 - Mosaic S8 - Syngenta S9 - Sementes Condessa S10 - UPL S11 - Fertiláqua S12 - Dupont S13 - Pioneer S14 - Embrapa S15 - Tovese

Expositores Master M1 - New Holland M2 - Massey Ferguson M3 - John Deere M4 - IRGA M5 - Case Principais Locais 1 - Estacionamento 2 - Credenciamento 3 - Praça de Alimentação 4 - Sala de imprensa 5 - Auditório Principal 6 - New Holland em Campo 7 - Almoço de Sábado 8 - Área de Dinâmicas


Semeadura

Um olho no calendário e outro no céu Retrospectiva da evolução das lavouras de arroz no RS - safra 2016/2017 Foto: Divulgação/Irga

A

s primeiras lavouras de arroz, começaram a ser semeadas no Rio Grande do Sul ainda no início de setembro, prometendo bons números no campo orizícola. A previsão era de que o Estado teria 1,091 milhão de hectares cultivados com o cereal, incremento de 0,7% em relação à safra 2015/2016. Durante todo período de semeadura, a seção de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), como em todos os anos, emitiu semanalmente boletins de acompanhamento do cultivo no RS. Os relatórios são publicados nos meios de comunicação do Irga e encaminhados para toda imprensa ligada ao setor. Os dados que compõem o material são apurados a partir de informações obtidas junto

aos 41 Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nates). Um dos fundamentos da alta produtividade recomendado pelo projeto 10+ do Irga diz respeito à época de semeadura. Para evitar possíveis contratempos e prejuízos, o Irga sempre orienta aos produtores que levem muito a sério o momento do cultivo, respeitando o período recomendado. Este é um fator crucial para definir maior produtividade de grãos no arroz irrigado. De acordo com o zoneamento climático, nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, recomenda-se que o início do cultivo do arroz seja feito a partir dos primeiros dias de setembro, sendo finalizado até meados de dezembro. Mas é preciso considerar as

diferenças, a recomendação não pode ser generalizada e varia de acordo com cada realidade. “Um produtor menor, por exemplo, deve procurar cultivar na melhor época, que seria do início de outubro até início de novembro. Mas, um produtor maior, que tem mais área para semear, precisa de mais tempo para cumprir esta etapa, logo, precisa de mais tempo dentro da melhor época para não complicar a colheita lá na frente, dando início aos trabalhos ainda em setembro. Tudo isso, considerando que os resultados de pesquisa nos indicam que, o arroz semeado cedo, produz muito mais do que o semeado tardiamente”, explica o diretor técnico do Irga, Maurício Fischer. Além disso, para cada cultivar, há uma orientação. Para as cultivares precoces, por exemplo, o início da semeadura deve acontecer dez dias depois do recomendado para as cultivares de ciclo médio. Porém, vale lembrar que, ao realizar a semeadura no fim do período recomendado, a indicação é de que, mais uma vez, se utilizem cultivares de ciclo precoce ao invés das de ciclo médio. Para as regiões mais frias também há uma orientação. Nestes locais, o ideal é atrasar o início da semeadura em relação a outras regiões. Já na semeadura feita lá no início do período

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Semeadura recomendado, quando as temperaturas mais baixas do solo e do ar reduzem a velocidade de emergência e de desenvolvimento das plântulas, a orientação é de uma semeadura com menor profundidade das sementes no solo, para o correto estabelecimento do cultivo. Por isso, o produtor precisa estar atento a cada detalhe, sem descuidar do calendário, dos elementos meteorológicos e da radiação solar. A época recomendada de semeadura foi assim estabelecida para que as plantas possam aproveitar melhor temperatura e radiação no período reprodutivo, o que contribui para que a cultivar possa expressar o seu máximo potencial de produção. Semeando cedo, se tem melhor aproveitamento das chuvas da primavera que facilitam o estabelecimento do cultivo e do início da irrigação, garantindo assim, que o estádio reprodutivo ocorra quando há maior radiação solar e temperaturas mais favoráveis. Todos estes fatores propiciam uma colheita no período em que os dias são mais longos e com menor ocorrência de e precipitações, facilitando o escoamento da produção e o preparo antecipado das áreas. Pesquisas e resultados de lavoura têm demonstrado que devemos evitar as semeaduras no mês de dezembro. Servem como exemplo às produtividades obtidas na Região Central do RS nas últimas três safras. A produtividade médias das lavouras semeadas de setembro a novembro foi de 7.200 kg/ha (144 sc/ha), já

das lavouras semeadas a partir de dezembro a produtividade foi de 4.200 kg/ha (84 sc/ha). Respondendo positivamente às recomendações técnicas do Projeto 10+, ainda a última semana de setembro, o levantamento do Irga indicava um aumento significativo na semeadura, com rápidos avanços diários. Até o dia 30 do mesmo mês, 232.641 hectares já haviam sido semeados no Estado, o que representava 21,3% da intenção total do cultivo e um aumento de 89,4 mil hectares em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as chuvas atrapalharam significativamente os trabalhos, resultado das intempéries causadas pelo fenômeno El Niño.

Traçando um paralelo com a safra 2015/2016, era possível perceber que o andamento dos trabalhos estava duas vezes mais rápido do no ano anterior. Tudo isso graças às condições climáticas favoráveis deste ano. A celeridade também era atribuída ao intenso período de trabalhos técnicos e esclarecimentos junto aos produtores, como as atividades promovidas pelo Irga, incluindo os dias de campo, palestras, visitas e roteiros técnicos. Em 2016, o Irga realizou mais de 100 roteiros. Com tudo isso, no dia seis de outubro, a semeadura já alcançava os 36% de área. A

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Fronteira Oeste aparecia com uma larga distância das outras regiões, tendo plantado até aquele momento 65,6% das lavouras, com avanço de 16% em apenas uma semana. Sete dias depois, o otimismo em relação ao andamento dos trabalhos já começava a se firmar. A área implantada no RS até aquele momento era de 551.853 hectares, o que já representava mais que o dobro do ano anterior. Só que, a partir do dia 20 do mesmo mês, o ritmo de trabalho das máquinas começava a diminuir. A semeadura que, até a primeira quinzena de outubro andava com velocidade acima da média histórica, estagnou em 64,9% da área projetada e o motivo já era velho conhecido dos produtores: as precipitações! Em Santa Maria, o acumulado chegou aos 400 milímetros, segundo o setor de Meteorologia do Irga. “Essas chuvas excessivas ocasionaram um atraso na semeadura do arroz, principalmente, na Região Central e nas planícies costeiras Interna e Externa”, constatou a meteorologista do Irga, Jossana Cera. Naquele momento, a Região da Campanha era quem ocupava a primeira posição na tabela que mostrava a velocidade dos trabalhos. As chuvas também fizeram com que as temperaturas caíssem no estado gaúcho, sendo consideradas bem abaixo do normal para a época. De acordo com o setor de Meteorologia, entre os meses de setembro e novembro, alguns dias marcaram temperaturas mínimas entre 1,5ºC e 7ºC em parte dos


Semeadura municípios arrozeiros. “Isso levou ao desenvolvimento mais lento das plantas, principalmente, para as semeadas em setembro até metade de outubro”, explicou a meteorologista. Naquele momento, quem ainda não havia concluído os trabalhos, não sabia quando isso seria possível. Enquanto aqueles que já comemoravam o bom desempenho do início da emergência de plântulas, começavam a cogitar o replantio de algumas áreas. Os tratamentos nas lavouras também foram prejudicados em função do excesso de água. Pelo menos 11 mil hectares foram replantados. Era necessário um período de dez a 12 dias sem chuvas para que as áreas secassem totalmente, permitindo a continuidade dos tratos culturais já atrasados. Na Zona Sul, por exemplo, as condições climáticas

adversas não permitiam a aplicação de herbicidas préemergentes no momento ideal, dificultando o controle de plantas invasoras, mas, mesmo assim, tinha de se ponderar, afinal, os avanços ainda permaneciam adiantados se comparados a safras anteriores. O pequeno atraso que poderia extrapolar a janela ideal de semeadura não chegava a preocupar, pois outras medidas preventivas haviam sido tomadas, era o que garantiam os engenheiros agrônomos e técnicos da área. Entre as medidas, era possível destacar, mais uma vez, o preparo antecipado em relação a outros anos, criando uma perspectiva favorável para a safra. No dia cinco de janeiro deste ano, o Irga disparou o último boletim da semeadura mostrando que o Estado

havia semeado 1.099.098 hectares, 0,7% a mais do que no ano anterior. Observou-se que houve pouca semeadura fora do período considerado ideal para altas produtividades, isso, porque muitos produtores haviam antecipado os trabalhos em setembro. Por esse motivo, o Irga sempre reforça a orientação,

A gente sabe que o produtor tem dificuldades em relação ao clima e até à própria organização pessoal para conseguir semear na época, mas o esforço sempre traz resultados favoráveis para a produtividade. Maurício Fischer, diretor técnico.

Evolução da semeadura no RS 16/set 23/set 30/set 07/out 14/out 21/out 28/out 04/nov 11/nov 18/nov 25/nov 02/dez 09/dez 16/dez 23/dez 30/dez 06/jan 13/jan 20/jan 27/jan

%

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

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Expointer

Aula de gestão no

Dia do Arroz Foto: Divulgação/Irga

Aprimorar a organização é compromisso de todos, não apenas do gestor”, resumiu. O produtor Fernando Rechsteiner seguiu na mesma linha do palestrante convidado, lembrando a todos sobre a importância de uma boa gestão para o sucesso do empreendimento.

Temos que ter o nosso negócio na mão. Ou conduzimos o nosso negócio ou o negócio vai nos conduzir

F

oi intensa a participação do Instituto Rio Grandense do Arroz na 39ª Expointer, que ocorreu de 27 de agosto a 4 de setembro de 2016. A Casa do Irga se transformou em uma referência no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante os nove dias da mostra. Um dos eventos mais consagrados foi o Dia do Arroz, que tradicionalmente ocorre na primeira segunda-feira da Expointer com transmissão ao vivo pelo Canal Rural, diretamente dos estúdios da RBS TV.

Na edição 2016, o Dia do Arroz deu uma verdadeira aula de gestão para o setor agrícola. Na parte da manhã, o público acompanhou depoimentos do presidente do Irga, Guinter Frantz, do consultor Pedro Blos e dos produtores Fernando Rechsteiner, de Pelotas, e Rogério José Pesarico, de Dona Francisca, todos mediados pela jornalista e apresentadora Kellen Severo. Blos, o palestrante convidado, aconselhou os produtores a prestar atenção no que dizem os seus colaboradores. “Todos em uma organização têm excelentes ideias pra dar.

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Já Rogério José Pesarico enfocou no planejamento. “Nosso segredo é que planejamos a lavoura em tudo, custos, insumos, tudo. Na safra 2015/2016, nosso desafio foi superar o clima. Mas quem planeja tem que estar preparado para qualquer clima”, resumiu. À tarde, o Dia do Arroz seguiu com a programação, desta vez se focando em outro ponto de grande interesse de parte do produtor, o aumento da produtividade. Participaram desta parte do programa o diretor técnico do Instituto, Maurício Fischer, o gerente


Expointer de Pesquisa, Rodrigo Schoenfeld, o consultor do Flar no Brasil, Luciano Carmona, o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Enio Marchesan e o produtor Geovano Parcianello. Marchesan falou sobre a importância da rotação de culturas. “A soja é um dos melhores caminhos para recuperar rapidamente a lavoura e o fluxo no caixa do produtor”, complementou. O Irga apresentou no Dia do Arroz o Projeto 10+, cuja meta é elevar a produtividade média do arroz no Rio Grande do Sul para 8,5

toneladas por hectare nos próximos três anos. Segundo o Diretor Técnico Maurício Fischer, o Irga trabalha para “elevar um grupo maior de produtores de arroz a este patamar”. Neste mesmo dia ocorreu o lançamento da 27ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz na Casa do Irga. O evento deste ano será de 16 a 18 de fevereiro, na Estação Experimental do Irga em Cachoeirinha. Participaram do lançamento o presidente do Irga, Guinter Frantz, o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, o vicegovernador do RS, José

Paulo Cairoli, e o secretário Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo. O Irga aproveitou a Expointer para o lançamento da nova cultivar de soja BSIRGA 1642 Ipro, em parceria com a Bayer. O evento ocorreu na noite de 30 de agosto na Casa do Irga. Movimentaram a sede do Irga na Expointer o Jantar da Bolsa Brasileira de Mecadorias, o jantar da empresa Camil e a do Arroz Amigo. No último sábado da Expointer (dia 3 de setembro) ocorreu a já tradicional degustação do carreteiro.

Foto: Divulgação/Irga

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Entrevista

Informação para gestão

G

raças à disseminação da informação, seja ela pela internet, rádio, jornais, ou por outros meios, qualquer pessoa independente de onde estiver, pode ter conhecimento sobre todo tipo de assunto que acontece no mundo. É realidade dos produtores que o agronegócio está sendo impactado pela diminuição do crédito, aumento dos custos de produção, maior endividamento e frequentes instabilidade climática. A complexidade e as incertezas são diversas. Diante desta realidade, é preciso melhorar a eficiência dos processos e otimizar o manejo das atividades produtivas. É praticamente impossível falar de tudo isso sem pensar na informação aliada à gestão.

É primordial salientar a importância de que o produtor conheça e se aproprie da ferramenta gestão na íntegra, o que vai, desde o manejo até a venda, passando pela, gestão de pessoas, financeira e comercial, Guinter Frantz, presidente do Irga.

O cenário atual exige que as empresas - e aí estão incluídas as propriedades rurais-, contem com bons profissionais, processos e sistemas informatizados adequados, permitindo que todos os dados possam ser administrados de forma transparente, simples e objetiva. O assunto gestão voltado para informação será tema em uma palestra no Fórum Mercadológico durante a 27ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz em Cachoeirinha. Quem fala sobre o assunto é o economista e engenheiro agrônomo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sócio da Connectere AgroGestão, Marcelo Lagemann. A Revista Lavoura Arrozeira conversou com o palestrante, confira a entrevista: 1. Quais os fatores que envolvem gestão de informação que são decisivos numa lavoura de arroz? Tem diferença entre esta cultura e outras? O fator é o mesmos para todas as culturas: trabalho. Fazer do planejamento, acompanhamento e correção das distorções processos contínuos e diários. A maioria

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dos produtores acaba dando mais atenção aos processos de manejo e deixam de lado a parte administrativafinanceira, não que os processos de manejo não sejam importantes, muito pelo contrário, são, mas sem uma saúde financeira adequada, nenhum negócio se sustenta, é preciso produtividade com rentabilidade. 2. O consumo do arroz no Brasil vem diminuindo ano a ano, existe uma forma de contornar isso através do trabalho realizado para o lado de dentro da porteira? Sim e não! Não, pelo fato que o consumo está relacionado à preferência do consumidor final que, por influência de fatores culturais e socioeconômicos, assim como de qualquer outro alimento, vem sofrendo alterações em consequência de uma série de modificações sofridas pela sociedade moderna. Esta preferência se dá principalmente por 3 fatores: - Conveniência e Praticidade - Confiabilidade e Qualidade - Sensorialidade e Prazer E sim, avaliando que produtor precisa continuar produzindo um alimento de qualidade e


Entrevista sustentabilidade para não ser ainda mais afetado pela cadeia produtiva. 3. No que os produtores de arroz ainda pecam que poderiam melhorar e onde eles acertam? Acho que a palavra pecam não seria a mais apropriada, pois, muitas vezes, os produtores cometem falhas involuntárias, afinal,

Como cuidar do verde se as contas estão no vermelho?

analisando onde se pode melhorar, é possível identificar em muitos casos, o descontrole administrativo e algumas falhas no manejo. É preciso mudar um pouco,

estabelecer novos e melhores processos. E os produtores acertam em produzir um alimento de qualidade.

A palestra do Marcelo Lagemann acontece na sexta-feira (17) às 14h no auditório principal da Estação Experimental do Arroz em Cachoeirinha/RS. Inscrições no local.

Foto: Arquivo pessoal

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Artigo técnico

CASCA: DE PROBLEMA AMBIENTAL

à solução energética Disponibilidade de casca de arroz no Rio Grande do Sul Por Álvaro Escher, Gilberto Amato, Michel Kelbert, Rudinei Borges, Tiago Barata e Victor Hugo Kayser

O

estado do Rio Grande do Sul produz 69% do arroz nacional, em média, nas últimas cinco safras (20112015), com uma produção de 7,9 milhões de toneladas (base casca). A par desta produção, o Estado possui um grande pólo industrial para beneficiar o arroz produzido, distribuído nas diversas regiões, inclusive fora da região arrozeira. O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divide o Estado em seis regiões produtoras de arroz:

Distribuição geográfica dos engenhos de arroz no RS em 2015.

Fora da região arrozeira

Depressão Central

19%

22%

Zona Sul

15% Planície Costeira Externa

16% 22% 16% Campanha Planície Costeira Interna

Fronteira Oeste Campanha Depressão Central Planície Costeira Interna Planície Costeira Externa Zona Sul Os engenhos do Rio Grande do Sul beneficiam, em média, 76% de sua produção (6,08 milhões de toneladas – base casca). Em 2015, havia no RS 198 engenhos de arroz, sendo três deles fora da tradicional região arrozeira. Um dado recente, vinculado por trades, colocam dois engenhos do RS entre os maiores do mundo.

Fronteira Oeste

1%

Evolução da geração de casca de arroz no Rio Grande do Sul (média 2011-2015).

1.450.000 1.405.552

1.400.000 1.339.567

1.350.000

1.347.435

1.335.920 1.319.649

1.300.000 1.289.278

1.250.000 1.200.000 2011

2012

2013

2014

2015

Média

Fonte: Relatório de Beneficiamento da Taxa CDO. Seção de Política Setorial/DCI.

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Artigo técnico

Casca de arroz – toneladas Regionais

2011

2012

2013

2014

2015

Média

D. Padrão

%

1

Fronteira Oeste

417.317

401.403

396.009

395.946

398.222

401.797

8.952

30%

2

Zona Sul

282.439

287.497

272.568

255.117

270.571

273.639

12.481

20%

3

Campanha

157.625

138.008

141.782

135.404

145.768

143.717

8.704

11%

4

PCI

270.376

242.038

225.730

224.231

227.808

238.036

19.240

18%

5

PCE

70.901

85.076

93.514

93.562

98.502

88.311

10.864

7%

6

Dep. Central

205.714

191.660

188.396

183.546

194.351

192.739

8.309

14%

1.404.399

1.345.682

1.318.090

1.287.805

1.335.222

1.338.239

42.986

100%

1.153

1.753

1.559

1.472

699

1.327

413

0,1%

1.405.552

1.347.435

1.319.649

1.289.278

1.335.920

1.339.567

42.880

100%

subtotal 7

Fora da r. arrozeira

Total

Fonte: Taxa CDO/IRGA-Elab.: Seção de Política Setorial/DCI

A

disponibilidade primária da casca de arroz se concentra na região arrozeira do Estado (99,9%), onde está situada a maioria dos engenhos de arroz, com 1,3 milhões de toneladas em média. A maior oferta está na Fronteira Oeste (30%), seguida da Zona Sul (20%), da Planície Costeira Interna (18%), Depressão Central (14%), Campanha (11%) e da Planície Costeira Externa (7%). Fora da região arrozeira a oferta é de somente 0,1% (1,3 mil toneladas). Esta disponibilidade é aparente, ou seja, não se está considerando o autoconsumo da casca de arroz por parte das unidades industriais, para geração de

energia, seja em forma de calor para caldeiras para parboilização do arroz, seja como para secagem do arroz recebido e armazenado. O uso da casca na cogeração de energia elétrica é uma opção crescente, o que reduz sua disponibilidade. Em muitos municípios a casca pode ser destinada a cama de animais. A casca, quando não utilizada pode ser considerado um rejeito da indústria, gerando um passivo ambiental, caso não seja corretamente destinada.

O PROBLEMA AMBIENTAL Um bom exemplo de evolução

Nos anos 70 era comum no Brasil considerar a casca como um estorvo em engenhos de arroz. Em um primeiro momento, o descarte era feito por veículos da própria empresa, depois o serviço passou a ser terceirizado. Esta contratação de transporte nem sempre foi eficaz, pois muitos terceirizados não se davam ao trabalho de levar até um local considerado adequado, o descarte se dava “após dobrar na primeira esquina”. Consta que, em cidades como Pelotas, na Zona Sul do Estado, o segundo item de dispêndio da prefeitura (logo após a folha de pagamento) consistia no desentupimento de bueiros. Na sequência de

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Artigo técnico

alternativas surgia o “largar ao deus dará”, onde a pilha originava uma condição anaeróbica, com o carbono da casca (como o da estrutura da celulose) gerando compostos como o monóxido de carbono (CO), cujo impacto sobre a camada de ozônio é cerca de 23 vezes (sic) maior que aquele carbono – o do dióxido, CO2 – gerado na combustão completa.

Felizmente, à medida que a queima da casca foi ocupando o espaço na secagem dos grãos, o ecossistema foi ficando 23 vezes menos poluído. Gilberto Amato, Engenheiro Químico.

Uso na parboilização O parboilizado representa algo como a quarta parte do arroz beneficiado, tanto Brasil como no mundo inteiro. Pode-se calcular que no processo hidrotérmico da parboilização toda a casca é consumida pelo processo, gerando vapor e alimentado secadores e outros reatores (tanque de encharcamento e autoclave). Muitos engenhos de porte que usam caldeiras, como a maior parte dos que parboilizam, tendem a praticar a chamada cogeração de energia. Consiste na geração de vapor a pressões mais altas (de 20 a 45 kg.cm-2, p. ex.) do que

aquelas necessárias para parboilização e/ou secagem (± 10 a 12 kg.cm ²). Esta secagem sem cheiro de fumaça (sin humos) agrega valor e atende a demanda obrigatória de importadores de arroz. Este fato é um dos principais responsáveis pelo reconhecimento da qualidade do arroz nacional. Na cogeração, o citado rebaixamento de pressão é usado para acionar turbinas, gerando energia elétrica. Esta energia pode ser usada no engenho e/ou vendida na rede. O crédito dessa venda pode ser usado para a compra, em outro momento em que o engenho necessita de energia da rede externa de alta tensão. Em Santa Catarina também não costuma ocorrer sobra de casca. As lavouras do Estado vizinho são responsáveis por produzir cerca de 10% do arroz nacional (2º maior produtor), das quais 90% são destinados à parboilização. O poder calorífico da casca é um pouco inferior ao da lenha, podendo ser comparado com o petróleo pela seguinte conversão: uma tonelada de casca corresponde a dois barris de petróleo (B.E.P.). Agregue-se a isso o fato da casca estar a uma distância zero do principal ponto de consumo de energia: o próprio engenho! Cabe lembrar que, apesar do arroz ser um produto sazonal (cultura de verão), a atividade de beneficiamento ocorre durante o ano inteiro, pois seu ritmo é pautado pela demanda do consumo doméstico. Outro destaque

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importante na evolução da consciência ambiental no País, é que foi deixado para trás o tempo em que a casca era considerada um estorvo, quando os engenhos queimavam a casca para “ficar com somente 20% do problema”, as cinzas! A evolução da legislação e da fiscalização ambiental tem contribuído para conscientização de que “não se tem uma Natureza para experimentar e outra para viver”.

Diesel, em 1892, preconizava a independência de combustível na agroindústria. A casca transforma a utopia do francês Rudolph Christian Carl Diesel (1858-1913) em realidade.

DEMANDA POR CASCA Há sobra de casca? Nas últimas duas décadas, o Irga tem atendido a uma crescente demanda por informações sobre locais com disponibilidade de casca de arroz à venda no Rio Grande do Sul. A dificuldade maior tem sido explicar como, efetivamente, não há casca disponível. Um argumento sobre uma suposta sobra de casca se baseia em uma real identificação de deposições a céu aberto ainda encontradas


Artigo técnico

no RS. Em síntese, essas concentrações costumam ser antigas, já comprometidas pela degradação catabólica. Um fato a ser destacado na última década, responsável pela diminuição de casca disponível, é o surgimento de cooperativas e empresas especializadas em geração termoelétrica de grande escala. São

realizados contratos com engenhos de fornecimento de casca por longos períodos, através de compras antecipadas. Consta que no Rio Grande do Sul existe cerca de uma dúzia de termelétricas a partir da casca de arroz. As unidades de geração se concentram próximas a engenhos.

Oportunidades para o uso da casca A casca de arroz apresenta centenas de opções para investimento. Em razão de sua baixa Densidade Aparente (0,130,14), a localização ideal de empreendimentos deve ser próxima a concentrações de engenhos de arroz.

Oportunidades para o aproveitamento de arroz Absorvente de gordura Fonte de carbono

Papel

Composição de MDF

Cimento

Isolante térmico e acústico

Carvão ativo

Combustível

Tintas Material de empacotamento

Protetor solar

Filler de pneus Refratário

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X Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado Intensificação sustentável

8 a 11 Gramado agosto

2017 Promoção

RS

Realização

Instituto Rio Grandense do Arroz


Cbai 2017

Intensificação sustentável na pauta do congresso O evento traz à tona a discussão sobre a rotatividade de culturas

E

ntre os dias 8 a 11 de agosto, o Hotel Serrano em Gramado, na serra gaúcha, será o palco para grandes debates em torno do tema da Intensificação Sustentável. O assunto deste ano vai ao encontro de pesquisas e projetos desenvolvidos pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), como o Projeto 10+ e o Soja 6.000, pois engloba, além de experiências com cultivares de arroz com menor necessidade de aplicação de defensivos, a rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária. O Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado é o principal evento científico da cultura arrozeira realizado no Brasil e um dos principais das Américas. O evento acontece a cada dois anos e é uma promoção da Sociedade SulBrasileira de Arroz Irrigado (Sosbai). A realização fica por conta das instituições que compõem a sociedade, como o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a Empresa Brasileira de Pesquisa

Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Nos últimos oito anos, o Irga retomou com força as pesquisas ligadas com rotações de cultura, como, a soja, o sorgo e as que tratam da integração lavourapecuária, realidade em muitas áreas com o cultivo do arroz no Rio Grande do Sul. “O tema intensificação sustentável é justamente para valorizar o que o Irga vem fazendo em termos de sustentabilidade, de conservação dos recursos naturais como o solo e a água, áreas muito exploradas nas pesquisas da autarquia, além de valorizar o setor de melhoramento genético que é um dos principais carroschefes do Instituto”, detalhou o presidente do Congresso, Filipe Selau. Com base no tema do Congresso, a proposta é

estimular a discussão e a intensificação de pesquisas que fomentem o conhecimento científico e tecnológico na orizicultura, visando maior eficiência produtiva e aumento de competitividade sem abrir mão da sustentabilidade.

Queremos selecionar materiais cada vez mais produtivos que tenham qualidade e produtividade, com resistência a doenças e a estresses abióticos. São esses, os materiais que o Irga busca e que são os principais do mercado agrícola, utilizando menos insumos como fungicidas. O congresso vem valorizar o que o Irga faz para a lavoura de arroz no RS, ressaltando as ações e os principais projetos de pesquisas, tanto na área de melhoramento genético, quanto na área de agronomia, de manejo, cada vez mais presentes no contexto da orizicultura gaúcha”, concluiu Selau.

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Curtas

Aconteceu no Irga Nomeações Tomaram posse no Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), as técnicas superiores orizícolas Camila Bedin Scalco (foto) e Janete Baumgardt. As engenheiras agrônomas foram aprovadas no concurso realizado em 2013 pela autarquia e entraram em exercício no final de 2016. Camila foi designada para a Estação Experimental de Cachoeirinha. Janete está trabalhando no 26º Nate de Cacequi, na região da Campanha. Alguns servidores que entraram pelo concurso de 2013 já pediram exoneração e novas nomeações ocorreram no final de 2016, justamente para suprir parte das vagas em aberto. O Irga também promoveu concurso para 41 vagas de técnico orizícola (nível médio) em 2016.

Brigada de incêndio Em novembro, ocorreu o treinamento de 32 servidores do Irga que fazem parte da Brigada de Incêndio. O curso foi ministrado em um dia por oficiais da Escola de Bombeiros Coronel Inchauspe de Porto Alegre: no turno da manhã, orientações teóricas e na parte da tarde, exercícios práticos. Entre os temas abordados, prevenção e combate a incêndio, primeiros socorros e atendimento no local do acidente. A capacitação, que ocorre uma vez por ano, é coordenada pela Divisão de Recursos Humanos da autarquia.

Investidores Um grupo de investidores estrangeiros visitou a Estação Experimental do Arroz (EEA) no início de novembro. Eles conheceram um pouco da história e das pesquisas dos quase 80 anos de trabalho da EEA. Os produtores, que vieram da Holanda, Chile, Estados Unidos e Panamá, participaram também de rodadas de negócios e promoveram outras visitações no Estado. O roteiro fez parte da agenda do Projeto Comprador, da Brazilian Rice, que traz ao Brasil investidores estrangeiros do mercado orizícola. Lavoura Arrozeira Nº 468 I outubro/novembro/dezembro de 2016


Pelos Nates

O que é destaque nos Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural Roteiro técnico em Alegrete

E

m outubro, o 9º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate) de Alegrete promoveu roteiro técnico em quatro propriedades rurais do município. O foco da programação foi o Projeto 10+, lançado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz em 2016. Mais de 100 pessoas, entre produtores rurais e técnicos da Região Oeste do Estado, participaram do roteiro. Os roteiros técnicos passaram por quatro propriedades de Alegrete onde o Projeto 10+ já está implantado. O engenheiro agrônomo Luciano Carmona, representante do Fundo Latino-Americano de Arroz

Irrigado (Flar) no Brasil, afirma que todas as propriedades visitadas estão cumprindo as etapas propostas para buscar uma alta produtividade, conforme estabelece o 10+. O Projeto 10+ prevê a instalação de 60 unidades demonstrativas e a realização de 180 roteiros técnicos com objetivo de impactar 800 produtores nos 28 municípios das regiões arrozeiras. “Acredito que o produtor de arroz está se especializando cada vez mais e indo atrás de conhecimento para aumentar a rentabilidade da sua atividade”, avaliou o engenheiro agrônomo responsável pelo 9º Núcleo de Assistência Técnica e

Extensão Rural (Nate), Alex Vercilino Franklin da Silva, que acredita que o produtor de arroz está buscando especialização cada vez mais e indo atrás de aprendizado para aumentar a rentabilidade da sua atividade. O grupo também participou de reunião técnica realizada no Piquete Os Rodoviários no dia 24 de outubro. No final do encontro, a Associação dos Arrozeiros de Alegrete entregou uma placa em homenagem ao gerente do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Irga, engenheiro agrônomo Athos Gadea, pelos serviços prestados ao Instituto e ao setor orizícola.

Dia do Arroz marcou a Expofeira de São Gabriel Foto: Divulgação/Irga

A

participação do 1º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural marcou a 82ª Expofeira de São Gabriel. No dia 14 de outubro, ocorreu o Dia do Arroz na Casa do Sindicato Rural no Parque de Exposições Assis Brasil, com intensa programação. Os palestrantes da noite foram, o agrometeorologista Solismar Dame Prestes, coordenador do INMET/8° DISME; o engenheiro agrônomo Eduardo Muñoz, diretor da Porteira Adentro Consultoria Agrícola; e o diretor comercial do Irga, Tiago Sarmento Barata. O Dia do Arroz foi

uma parceria do Irga com o Sindicato Rural de São Gabriel, Formosa Sementes e Cotrisel.

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Pelos Nates

Palestras foram atração na

78ª Expofeira de Arroio Grande

C

om o tema “Século 21: Mudar ou Morrer”, o Irga da Zona Sul levou aos produtores rurais da região uma análise sobre o futuro e o atual momento do setor orizícola. O doutor em Comunicação, Dado Schneider, e o diretor comercial da autarquia, Tiago Sarmento Barata, foram os palestrantes escolhidos para abordar as mudanças necessárias neste momento desafiador.

Foto: Divulgação/Irga

Um dado é preocupante: nos últimos dez anos, 26% dos produtores rurais da Zona Sul do Estado deixaram de plantar arroz. O momento é de reflexão, o encontro ocorreu em outubro, durante a 78ª Expofeira de Arroio Grande. Mais de 150 pessoas acompanharam as palestras, promovidas pelo Irga na noite do dia 27 de outubro no Parque de Exposições Guilherme Dutra. O coordenador regional do Irga na Zona Sul, engenheiro agrônomo André Mattos, explica que o objetivo das palestras foi “dar uma visão

aos produtores sobre que tipo de produtor que eles terão que ser nos próximos anos e o que o mercado vai exigir no futuro”. Autor do livro “O mundo mudou… Bem na minha vez!”, o professor Dado Schneider é um dos mais respeitados palestrantes do País. Doutor em Comunicação, Dado lecionou em seis universidades nos últimos 30 anos, uma delas, na cidade de Porto, em Portugal. Ele também trabalhou em grandes agências de publicidade. Hoje, Dado Schneider trabalha como consultor de comunicação para vendas em grandes empresas nacionais e multinacionais.

O diretor Tiago Barata, por sua vez, falou sobre o mercado do arroz. “Realizamos um levantamento com as principais informações que devem influenciar o mercado na próxima safra. Com isso, nós queremos auxiliar o produtor na hora de preparar a estratégia comercial, para que o trabalho ocorra da maneira mais precisa possível”, explica. “Com certeza fizemos as mais de 150 pessoas presentes refletirem muito sobre como se comportar frente às mudanças impostas no século 21”, acrescenta André Mattos, coordenador da regional Zona Sul.

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53


Almanaque

Há 50 anos, Na Revista Lavoura Arrozeira Novembro e dezembro de 1966 A edição da Revista Lavoura Arrozeira nº 234, de novembro e dezembro de 1966, trazia artigo do engenheiro agrônomo Aury de Oliveira enfocando sementes de arroz. O texto fazia um apanhado histórico e apresentava o conceito do que são sementes selecionadas e quais os requisitos de uma boa semente de arroz. A mesma edição também complementava a legislação sobre o seguro agrário no Brasil da época, tema iniciado na edição anterior. A reportagem de capa mostrava a Fazenda Itauí, na época localizada no município de Canoas. O texto listava os principais avanços da lavoura de Rubens Borges Fortes, na área de quase três mil hectares. Outros temas da revista nº 234 foram: o plantio do arroz sem o uso do arado e da grade; notícias internacionais diversas; a eleição do conselho deliberativo do Irga; além de informações técnicas e mercadológicas da época.

MANDE A SUA SUGESTÃO PARA A LAVOURA ARROZEIRA Se você tem alguma ideia para uma reportagem ou tem alguma sugestão para a Revista Lavoura Arrozeira, entre em contato pelos canais on-line do Irga:

www.irga.rs.gov.br/contato

revista@irga.rs.gov.br

/irgaRS

@IrgaRS

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Revista Lavoura Arrozeira nº 468  

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