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LAVOURA IRGA - Instituto Rio Grandense do Arroz Volume 59 Nº 456 Setembro 2011

9912239703/2009 DR/RS - IRGA

A maior safra de todos os tempos Produção de arroz bate recorde no Estado Cultivares Irga lança três novas variedades de arroz

Esforço conjunto Governos estadual e federal unidos pelo setor arrozeiro

Clima Depois de La Niña, próxima safra deverá começar com normalidade climática


SUMÁRIO

EDITORIAL

Consumo

05

Gestão IRGA

06

Mercado

08

Comercialização

10

Câmara Setorial

13

Armazenagem

15

Cultivares

17

Clima

20

Capa

22

Demandas do Setor Orizicola

28

Convenção Estadual

30

Selo Ambiental

33

Arroz Agroecológico

34

Rotação de Culturas

36

Manejo

39

Dia de Campo

40

Tecnologia

41

Indenização

43

Intercâmbio

45

Artigo Técnico

47

Curtas

50

Almanaque

54

Este ano começa com um novo governo que tem a frente o governador Tarso Genro. Governo este que remete a compromissos e esperança. Compromisso de desenvolver nosso estado a partir de seu povo e de suas potencialidades e compromisso de esperança por se propor a construir com toda a sociedade os projetos e ações para atingirmos um Rio Grande forte e que nos remeta a um futuro melhor para todos. No IRGA, assumimos com muitos desafios. Desafios estes que nos impõem a capacidade de buscarmos com o conjunto do setor arrozeiro do estado o resgate da importância do IRGA que, ao longo de mais de setenta anos, trouxe fortes e decisivas contribuições para que o arroz se tornasse uma das culturas mais importantes do estado, tanto pelo aspecto econômico quanto pelo social. Queremos construir um conjunto de políticas públicas que integre toda a cadeia produtiva do arroz, promovendo a sua sustentabilidade e que produza propostas que visem à solução de problemas estruturais históricos do setor que ciclicamente provocam crises, causando enormes e irreversíveis prejuízos, principalmente aos produtores primários. Outro desafio a que nos propomos é o resgate do valor do quadro funcional da instituição através de um plano de carreira, do concurso público e da nomeação de funcionários bem pagos, estimulados, capacitados e com estabilidade. Portanto, muito temos a construir e essa construção para ser definitiva e forte será feita a partir do envolvimento de todos. Por isso, o convidamos para juntos estruturarmos uma cadeia arrozeira cada vez mais forte, integrada e construtora de um Rio Grande cada vez maior e de um Brasil justo, sem miséria e sem fome. Apresentamos nesta revista várias informações importantes que certamente em muito contribuirão para o aperfeiçoamento da atuação de todos. Desejamos a todos uma boa leitura. Claudio Fernando Brayer Pereira Presidente do Irga

03


EXPEDIENTE Diretoria do IRGA

LAVOURA

Presidente Claudio Fernando Brayer Pereira

IRGA - Instituto Rio Grandense do Arroz

Diretor Administrativo Carlos Rafael Mallmann

Avenida Missões, 342 – São Geraldo CEP 90230-100 – Porto Alegre /RS

Diretor Comercial Rubens Pinho Silveira Diretor Técnico Valmir Gaedke Menezes

Assinaturas ligue

Lavoura Arrozeira Arte Alexandre Hernandez Diagramação Alexandre Hernandez Edição EDICTA – Edição & Mensagem www.edicta.com.br Jornalista Responsável: Isaias Porto Reg. Prof. 4805

51 3288 0455 Fotografia Caco Argemi Caroline Bicocchi Felipe Ferreira Robispierre Giuliani Valmir Gaedke Menezes Vilmar Rosa Viviane Paim Mariot Tiragem dessa edição 12 mil exemplares

Redação Ana Lúcia Morellato Medeiros Daniela Dupont Garrastazu Viviane Paim Mariot

Fale com a redação ligue

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Colaboradores Anderson Vedelago André Luiz Oliveira Bruno Lanzer Carlos Alberto Fagundes Cátia Valente César Marques Pereira Claudia Lange Daniel Grohs Élio Marcolin Felipe Gutheil Ferreira Gustavo Funck

www.irga.rs.gov.br João Felix Mara Barbosa Lopes Mário Sérgio de Lima Azeredo Renata Pereira da Cruz Sérgio Gindri Lopes Sérgio Gindri Lopes

Impressa por Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas É permitida a reprodução dos textos desta edição, desde que citada a fonte.

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CONSUMO

Arroz com feijão: uma dupla que virou programa

Foto: Caco Argemi

Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

O secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, informa que o governo do Estado, está priorizando projetos de reeducação alimentar como difundir e ampliar à sociedade gaúcha as qualidades nutricionais e funcionais do feijão com arroz. “Não queremos apenas mais uma campanha publicitária. Queremos contribuir com a ampliação do consumo, trazendo mais saúde e mais qualidade de vida para a nossa população”. O presidente do Irga, Claudio Pereira, salienta que com este programa o governo visa estimular o consumo de dois alimentos tipicamente brasileiros, que se complementam e são perfeitos para a saúde humana. "Temos que destacar as qualidades deste prato tradicional da nossa gastronomia”. Conforme Mainardi, o consumo per capita do arroz e do feijão tem caído, por várias razões. “Entendemos que ao estimular a retomada do consumo ampliaremos o mercado para estes produtos.” Já Pereira complementa que é preciso começar a estimular o consumo dos dois alimentos nas crianças. “O consumo per capita de arroz está caindo, não por conta de que nós adultos deixamos de comer arroz e feijão,

de arroz

Foto: Viviane Mariot

Quem não gosta de um saboroso prato feito com arroz e feijão? Atire a primeira pedra, porque é difícil de imaginar alguém saboreando essa dupla perfeita, de forma isolada. Além de ser nutritiva, é econômica, acessível a todos os bolsos e a todos os gostos. Para estimular o consumo desses dois alimentos ricos em carboidratos e fundamental à alimentação, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), em parceria com o Irga e demais integrantes da cadeia produtiva, criou o Programa Feijão com Arroz.

Irga variedades lança três novas

O lancamento Programa Feijão e Arroz foi feito pelo governador Tarso Genro

mas das crianças que não estão comendo. É necessário incentivar o público mais jovem”, diz o presidente. Inclusive existe a proposta de criar um grupo de trabalho, com técnicos de diversos setores, que proporcione maior sustentabilidade ao programa, informa o secretário da Agricultura. De acordo com o presidente do Irga, é um trabalho educacional, que será feito também dentro das escolas, capacitando merendeiras e estimulando as crianças a consumirem arroz com feijão dentro das próprias entidades de ensino estaduais e municipais. “Além disso, queremos ampliar a sua atuação, levando este programa ao governo federal”. O programa vai investir em uma campanha de mídia, incentivando a associação do feijão com o arroz como um prato que faz parte das culturas gaúcha e brasileira. A intenção é iniciar um diálogo com dirigentes do setor varejista visando à realização de eventos que promovam o consumo. Segundo Pereira, o programa será fundamental para reforçar a importância do consumo de arroz e feijão junto aos demais setores da sociedade, para que tenham consciência de que, além de serem alimentos básicos na mesa do brasileiro, o arroz e o feijão não custam caro.

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GESTÃO IRGA

Irga: Referência internacional na excelência do arroz

A abertura desse concurso público, que está em negociação junto as Secretarias estaduais da Fazenda, Administração e Recursos Humanos e Gabinete do Governador, está prevista para 2012. O quadro funcional hoje é composto, na sua maioria, por profissionais cedidos pela Fundação Irga, tendo em vista que a última seleção pública ocorreu há mais de trinta anos. “Queremos um Irga forte, independente e à serviço do conjunto da sociedade”, frisa o presidente. Ele salienta ainda que o concurso público qualificará o quadro funcional do Irga através de um novo plano de cargos e salários e com profissionais bem remunerados, estáveis profissionalmente e com uma política pública para o setor orizícola.

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Foto: Vilmar da Rosa

A meta é entregar até o final do quarto ano do governo, um Irga revigorado, revitalizado, moderno e com referência internacional na excelência do arroz. Assim o presidente Claudio Pereira define o Instituto como modelo de pesquisa, atuante na política setorial, um órgão articulado junto à cadeia produtiva e com um quadro de servidores ampliado, aptos a realizar pesquisas e projetos em prol do setor orizícola. Dentre as metas estipuladas pelo novo dirigente da Autarquia para fortalecer e qualificar o trabalho feito pelo Irga, está a abertura de concurso público para preencher cerca de 280 vagas, destinadas a profissionais, entre técnicos de nível médio e superior que incluem engenheiros, agrônomos, economistas e nutricionistas.

“Queremos um Irga forte, independente e à serviço do conjunto da sociedade”. Aplicações de soluções técnicas e econômicas para a lavoura do arroz, por meio de um órgão fortemente desenvolvido pela sua organização social entre produtores e cooperativas, são objetivos apontados pelo presidente. Segundo Pereira, “o Irga será o grande pensador das políticas públicas e comerciais do arroz”, ou seja, deverá ter a informação e a capacidade de apresentar propostas de ações de forma antecipada, como por exemplo, lançar projeções, juntamente com os governos

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estadual e federal, para a próxima safra, assim como ações em termos de comercialização e tendências do mercado nacional e mundial. “E nós, como entidade, junto com produtores, indústria e governo, devemos nos preparar para enfrentar os gargalos e apontar as soluções”, observa. Para o presidente do Irga, a autarquia deverá desenvolver pesquisas para o produtor com novos modelos tecnológicos; programas de agroecologia, com uma produção de menor dependência de insumos externos nas propriedades; e produção do arroz agroecológico com alta qualidade para conquistar o mercado europeu, que já está sendo produzido no Estado em pequenos assentamentos por pequenos e médios produtores rurais. “O produtor terá não só o lucro financeiro, como também o ambiental.” Além disso, segundo Pereira, ações para a agricultura familiar, para o cooperativismo, para o associativismo, assim como uma política tributária, tecnológica e de infraestrura para a indústria gaúcha e para a cadeia produtiva do arroz no Estado, são questões pontuais para esta nova gestão, que visam qualificar todo o setor. “A cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul se chama produção primária, se chama indústria, e as duas precisam estar interligadas para que tenhamos sucesso, pois uma não vive sem a outra.”

Outra questão apontada pelo presidente é a atuação de forma preventiva do Irga, com “um olho no futuro”, como diz. A crise do arroz mostrou que somente a produtividade não resolveu o problema da produção. Pelo contrário, expôs a uma queda de preço do produto nos últimos meses, com valores muito abaixo do mercado para a nova safra. Conforme o presidente da autarquia, nesse sentido o governo do estado tem priorizado as demandas do setor orizícola junto ao governo federal, por meio de novas medidas de comercialização, que disponibilizou cerca de R$ 1,5 bilhão para amenizar a crise enfrentada pelos arrozeiros. Com os mecanismos de comercialização adotados nos primeiros cinco meses de 2011 pelo governo federal será possível escoar 4,5 milhões de toneladas de arroz. Claudio Pereira destaca que o governador Tarso Genro e o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, têm tido a preocupação de tornar a gestão do Irga forte politicamente. “O governo traz a entidade paro o centro do governo e por isso vemos o secretário falando de arroz, o governador falando de arroz, a presidente da República falando de arroz, porque o produto é estratégico para o Rio Grande do Sul”, conclui.

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MERCADO

Exportações de Arroz devem superar a marca de 1 milhão de toneladas Segundo previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve exportar, aproximadamente, 1,3 milhão de toneladas de arroz (base casca) até o final do ano comercial 2011/12 (de março de 2011 a fevereiro de 2012). Se atingida, essa marca será um recorde histórico, sendo superior a 2009/10, quando o país exportou 894,8 mil t de arroz. Cabe destacar que de março a junho deste ano o Brasil já exportou 493,9 mil t de arroz (base casca), ou seja, mais de 38% da meta prevista pela Conab para o final do ano comercial vigente. “É um volume bastante expressivo se analisarmos nosso histórico de exportações. Na contramão da valorização cambial e dos elevados custos de produção, o baixo preço no mercado interno tem auxiliado no aumento da competitividade do arroz gaúcho no mercado internacional. Estamos incrementando nossa participação como país exportador em um mercado bastante restrito, no qual 5 países (Estados Unidos, Índia, Paquistão, Tailândia e Vietnã) são responsáveis por 80% das exportações, salienta o economista da Seção de Política Setorial do Irga, Bruno Lanzer. O Rio Grande do Sul, que produz mais de 60% do arroz no país, foi responsável por mais de 94% das vendas externas do cereal no período. Outro fator que tem contribuído para o incremento nas vendas externas de arroz é a realizações de leilões de

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Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para o arroz desde novembro do ano passado. O PEP é um dos instrumentos que pode ser utilizado quando o preço de mercado está abaixo do Preço Mínimo estabelecido pelo Governo. Assim, é concedida uma subvenção (prêmio) aqueles que se disponham a adquirir o produto indicado (diretamente do produtor rural e/ou cooperativa) na UF de plantio, por valor não inferior ao Preço Mínimo, promovendo o seu escoamento para regiões de consumo previamente estabelecidas. De março a julho, a Conab realizou 11 leilões de PEP para os estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No total, foram ofertadas 1,5 milhão de t com

“É um volume bastante expressivo se analisarmos nosso histórico de exportações.” comercialização de 1,1 milhão de t (73,4% do total). De acordo com o economista, os principais destinos das exportações brasileiras de arroz até o mês de junho são: Nigéria (128,4 mil t), Senegal (68,7 mil t), Cuba (61,8 mil t), África do Sul (34,2 mil t), Gâmbia (26,8 mil t), Serra Leoa (21,6 mil t), Mauritânia (18,7 mil t), Benin (18,2 mil t), Espanha (17,5 mil t), Suíça (16,5 mil t), Bolívia (8,9 mil t) e Itália (8,5 mil t). Houve

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predomínio das exportações do arroz beneficiado parboilizado (42,4%), seguido do arroz quebrado (com 27,6%), do beneficiado não parboilizado (22,2%) e do esbramado (7,6%). Lanzer destaca ainda que, no ano passado, predominaram as vendas externas de arroz quebrado (representando 65,3% do total). Contudo, está havendo uma mudança no perfil da exportação em relação ao ano anterior, com crescimento do arroz parboilizado (tanto beneficiado quanto esbramado) e do beneficiado não parboilizado. Já as importações de arroz, somaram 205,3 mil toneladas nos primeiros quatro meses do ano comercial 2011/12 (29,2% menor do que no mesmo período do ano passado). Destas, mais de 99% são originárias da Argentina, Paraguai e Uruguai. A previsão da Conab é que o Brasil compre 500 mil t de arroz do exterior (base casca) até fevereiro de 2012. Destino das Exportações Brasileiras de Arroz (Base Casca) – toneladas

Arroz mais competitivo Para potencializar a competitividade do arroz no mercado foi reinstituída a Câmara Setorial do Arroz, com a formação de três grupos de trabalho. Dentre os temas a serem tratados está a equalização das alíquotas de ICMS entre os estados e a carga tributária na cadeia do arroz. São 26 estados mais uma unidade federativa, cada um com uma legislação de ICMS diferente. “O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil e indústria e produtores juntos podem buscar soluções para minimizar as questões de guerra fiscal entre os estados e também diminuir o peso da carga tributária no custo de produção”, destaca o economista. Os grupos de trabalho contam com a participação de vários setores representativos da cadeia do orizícola. “A idéia é unir todos os elos da cadeia para resolver questões estruturais que i m p l i c a m e m p e r d a d e competitividade.”

Origem das Importações Brasileiras de Arroz (Base Casca) – toneladas

PAÍS

2008/09

2009/10

2010/11

2011/12¹

PAÍS

2008/09

2009/10

2010/11

2011/12¹

NIGÉRIA SENEGAL CUBA ÁFRICA DO SUL GÂMBIA SERRA LEOA MAURITÂNIA BENIN ESPANHA SUÍÇA BOLÍVIA ITÁLIA TRINIDAD E TOBAGO COLÔMBIA ANGOLA CHILE PORTUGAL ESTADOS UNIDOS PERU BÉLGICA DEMAIS PAÍSES

42.533,07 123.901,28 84.675,56 22.120,28 43.806,98 0,00 23.161,76 140.176,45 1.424,68 62.415,14 12.003,94 9.594,51 18.632,38 1.151,06 7.938,63 13.579,10 1.521,76 3.767,49 0,00 20.839,27 156.935,41

134.726,35 176.876,21 2.315,29 82.312,95 45.393,79 0,00 0,00 180.102,18 3.803,54 72.619,42 20.445,11 3.802,14 12.686,77 0,00 18.725,50 5.876,47 2.658,63 4.898,70 0,00 12.566,51 114.940,12

71.090,68 187.940,60 183,82 12.429,70 123.212,23 18.061,21 0,00 40.250,63 994,50 57.479,62 17.829,47 4.478,48 7.008,66 3.602,94 13.640,02 7.819,12 668,32 5.349,78 110,29 10.775,25 44.750,51

128.356,56 68.718,26 61.765,59 34.169,32 26.771,50 21.627,07 18.676,47 18.198,53 17.510,17 16.529,41 8.904,17 8.507,88 6.701,37 6.617,65 5.747,41 5.195,47 4.394,03 3.894,16 3.749,85 3.142,76 24.728,70

PARAGUAI ARGENTINA URUGUAI ITÁLIA TAILÂNDIA ESTADOS UNIDOS FRANÇA PORTUGAL JAPÃO ÍNDIA CANADÁ PAQUISTÃO CORÉIA DO SUL VIETNÃ DEMAIS PAÍSES

78.898,67 265.982,56 242.751,31 1.410,06 463,97 309,28 38,7 0 2,94 18,21 0 0 0 32,21 235,64

148.721,59 320.834,00 436.235,70 1.596,72 368,31 309,02 41,28 0 2,94 85,2 0 0 4,41 0 34,63

166.505,95 328.899,83 493.717,85 2.454,94 991,75 52.057,65 76,04 0 1,47 76,28 0 1,76 0,75 367,65 1,55

84.414,03 80.791,77 38.605,82 1.137,89 155,42 127,3 13,63 4,41 3,26 2,04 1,99 1,59 0,15 0 0

TOTAL BRASIL

590.143,55

908.233,80

1.045.153,47

205.259,30

TOTAL BRASIL

Fonte: Secex/MDIC Ano Comercial: março a fevereiro ¹Dados até junho/2011

790.178,75 894.749,71 627.675,85 493.906,35

Fonte: Secex/MDIC Ano Comercial: março a fevereiro ¹Dados até junho/2011

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COMERCIALIZAÇÃO

Governos Estadual e Federal unidos pelo setor arrozeiro Foto: Vilmar da Rosa

Mainardi - Ações articuladas entre os governos federal e estadual

“Estamos usando todo o aparato de Estado para encontrar medidas que estabeleçam um cenário futuro de mais tranquilidade e segurança para os produtores”. No governo do Estado, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), juntamente com o Irga, têm atuado em duas frentes para atender as demandas do setor arrozeiro. A primeira é por meio de ações emergenciais, junto com o governo Federal. Segundo o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, a presidenta Dilma Roussef, não mede esforços para contribuir com os mecanismos que tem a disposição para promover a elevação dos preços. O mesmo tem feito o governo do Estado, que prorrogou o pagamento dos empréstimos junto ao Banrisul e destinou mais de R$ 1,6 milhão para o pagamento dos seguros agrícolas que estavam atrasados. Outra

10

ação foi credenciar a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (CESA) junto à Conab, deixando a companhia apta a estocar parte das aquisições do governo Federal. O presidente do Irga, Claudio Pereira, complementa que o governo do Estado, junto com a Presidência da República, desenvolveu uma série de medidas pautadas, basicamente, pela Federação das Associações dos Arrozeiros do RS (Federarroz) e pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), buscando “estancar a queda dos preços do arroz e garantir uma melhor renda ao produtor”. Dentre as ações estão as Aquisições do Governo Federal pela Política de Garantias dos Preços Mínimos, sendo que em fevereiro o governo anunciou a aquisição direta de 360 mil toneladas de arroz via AGFs. Além destas, ocorreram leilões de contratos de Opção Pública ou Privada para 1 milhão de toneladas de arroz, Prêmio de Escoamento do Produto para 1 milhão e 300 mil toneladas, doação para ajuda humanitária internacional de 500 mil toneladas, destinação de 500 mil toneladas para utilização em ração animal e 13.153 toneladas pelo Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar. Essas ações totalizaram mais de R$ 1,1 bilhão em diferentes políticas de apoio à comercialização. “Na prática, essas ações criaram condições para retirar do mercado o excedente de produção, resultando em

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LAVOURA IRGA - Instituto Rio Grandense do Arroz

Foto: Banco de Imagens Irga

uma reação do mercado e consequente recuperação dos preços. Isso valoriza a eficiência dos agricultores, assessorados de forma competente pelos técnicos do Irga”, observa o Secretário. “A comercialização do arroz é garantia de renda ao produtor e precisa ser planejada antecipadamente”, complementa o presidente do Irga, Claudio Pereira. ”O setor arrozeiro é a segunda mais importante atividade agrícola do Estado e a principal da Metade Sul. É uma das principais fontes de receita de pelo menos 133 municípios e gera renda para cerca de 220 mil pessoas, de forma direta ou indireta”.

Diante desse quadro, as importações dos países do Mercosul não são o fator determinante, mas influenciam na medida em que, devido aos menores custos de produção, o arroz dos demais países do bloco entra no Brasil com preços menores. Segundo informação divulgada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), o volume importado ficou em torno de 420,6 mil toneladas de janeiro a julho deste ano, ante 569,7 mil toneladas no mesmo período do ano passado, quando não foi verificada queda de preço. “Veremos que não residem aqui os nossos problemas. Estamos, infelizmente, pagando o preço pela nossa eficiência produtiva, pela falta de planejamento da safra orizícola, pela guerra fiscal entre os Estados e pelos altos custos de produção”, pontua Mainardi.

A segunda frente de trabalho apontada pelo secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, é o enfrentamento dos problemas estruturais, que passa pela reativação da Câmara Setorial do Arroz, espaço que envolve todos os setores da cadeia produtiva, em busca de demandas e soluções. Além disso, o governador Tarso Genro, juntamente com o governo central e demais governadores, busca eliminar a chamada guerra fiscal entre os Estados. “Estamos usando todo o aparato de Estado para encontrar medidas que estabeleçam um cenário futuro de mais tranqüilidade e segurança para os produtores”, frisa Mainardi. Foto: Divulgação MAPA

União de esforços pelo setor arrozeiro

Para abordar a importância sócioeconômica da cultura orizícola, a alta produtividade e a consequente super produção que deixam os preços estagnados, o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, expôs a situação da lavoura do arroz gaúcho durante reunião com técnicos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma, no mês de junho. Durante o encontro ele pediu parceria para discutir alternativas ao

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COMERCIALIZAÇÃO Foto: Banco de Imagens Irga

será debatido o cenário mundial para as próximas décadas. “Estamos trabalhando forte neste tema por estarmos convencidos de que este seminário poderá orientar nossas estratégias futuras”, informa o secretário. Combate à crise Para minimizar a crise no arroz e recuperar o preço do grão, o governador Tarso Genro, desde antes de assumir, tem mantido diálogo permanente com as lideranças arrozeiras e com o governo Federal na busca de soluções emergenciais capazes de garantir melhor preço para a comercialização. Assim, garante Mainardi, foram realizadas diversas ações de forma articulada entre os governos federal e estadual, que resultaram no estabelecimento de medidas de intervenção inéditas para o setor.

questões da agricultura mundial e da Federação Internacional para o Desenvolvimento da Agropecuária (Fida). “Discutimos possibilidades que podem nos levar a um enfrentamento qualificado destas questões”, relatou Mainardi. Na ocasião ficou estabelecida a possibilidade de ser realizado no próximo ano, em conjunto com o governo Federal e com a FAO, um seminário no Rio Grande do Sul onde

Apoio do Governo à Comercialização do Arroz – Mil toneladas

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Item

2008

2009

Vendas PEP - Arroz - Ofertado - Vendido

-

-

307,50 143,26

2.020 1.358,9

AGF Direta - Arroz -Autorizado -Executado

-

0,29

-

360 390

PEPRO - Arroz - Ofertado - Vendido

-

-

-

100 46,95

PEPRO – Arroz Ração

-

-

-

500

PROP – Arroz - Ofertado - Vendido

-

-

-

500 -

OPÇÕES - Ofertado - Vendido - Exercido

910,2 857,7 -

878 668,6 156,8

-

1.200 726,2 -

PGPAF

-

-

-

270

PAA

0,82

3,10

13,93

13,20

TOTAL OFERTADO

911

881,1

321,4

4.963,2

TOTAL VENDIDO

858,5

160,2

157,2

2.805,3

2010

2011¹

Fonte: Conab, ¹medidas até agosto de 2011 Lavoura Arrozeira - Porto Alegre, v.59 - número 456 - Setembro 2011


SETOR

Câmara Setorial do Arroz é reinstalada no Estado Foto: Viviane Mariot

Mainardi (ao centro) - Criação de espaços qualificados de debates

A reunião de reinstalação Câmara aconteceu em fevereiro ,na Câmara de Vereadores do município de São Borja, durante os trabalhos da Interiorização do Governo do Estado. O evento contou com

Além da criação dos Grupos de Trabalho (GT), foram sugeridas na reunião como propostas: Leilões PEP escalonados de 50 mil toneladas; valor do Prêmio para Escoamento da Produção (PEP) diferenciado para o produtor da Fronteira Oeste (encaminhar junto à Fazenda Nacional); prorrogação do vencimento do EGF; utilização de PROP (“opção privada” de compra pelo preço mínimo futuro, com maior volume no mercado); prorrogação do vencimento dos valores referentes a energia elétrica

Foto: Viviane Mariot

Depois de cinco anos, foi reinstalada pelo governo Tarso Genro a Câmara Setorial do Arroz no Rio Grande do Sul, que conta com três grupos de trabalhos específicos. O primeiro estuda alternativas para usos do arroz e incremento na pesquisa de outras culturas para terras baixas. O segundo trata do comércio do arroz no Mercosul e no mercado mundial; e o terceiro e último, discute a carga tributária na cadeia do arroz. “Queremos recolher destes grupos, subsídios capazes de nos orientar na elaboração de uma proposta consistente para o enfrentamento dos problemas estruturais desta cultura”, informou o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi.

a presença do governador Tarso Genro; o vice-governador, Beto Grill; o presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde; o s e c r e t á r i o d a Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, do presidente do Irga, Claudio Pereira; e demais autoridades da região.

Grupo de trabalho discute mercado na sede do Irga

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SETOR

Foto: Viviane Mariot

Câmara conta com três grupos de trabalhos específicos

fornecida pela CEEE. (reivindicação atendida pela Companhia); e redução do preço de pauta. Para discutir as demandas sugeridas pelos Grupos de Trabalho (GT) que integram a Câmara Setorial do Arroz, aconteceu em abril, a primeira reunião ordinária da Câmara Setorial do Arroz, na sede do Irga. O presidente da autarquia, Claudio Pereira, destaca que são necessárias políticas públicas a fim de fortalecer a cadeia produtiva de arroz. “Por isso, a Câmara Setorial chega em boa hora”, salientou.

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Segundo Pereira, este é mais um avanço na relação do governo com a cadeia produtiva do arroz. “Neste espaço, com todas as representações do setor, vamos discutir as políticas públicas para incentivar a consolidação do arroz com um negócio viável e rentável para os produtores e para todos aqueles que atuam no meio, bem como garantir o acesso a este importante alimento por parte da população.” Mainardi enfatiza que a medida, além de implementar um dos eixos do governo estadual, o de diálogo constante com todos os setores da comunidade, também ratifica o compromisso da atual administração para com a lavoura do arroz.

Foto: Viviane Mariot

O secretário da Agricultura afirmou que toda a cadeia produtiva é chamada para analisar os problemas e contribuir com o apontamento de soluções. “Para um governo que busca o diálogo permanente com a sociedade, as câmaras setoriais são fundamentais para a criação de espaços qualificados de debates”, garante Mainardi. A Câmara é composta por entidades públicas e privadas ligadas ao setor arrozeiro e tem como objetivo definir,

orientar e discutir políticas, estratégias e diretrizes relativas à produção, beneficiamento e industrialização do arroz, visando aumentar a competitividade de toda a cadeia produtiva.

Pereira (ao centro) - Câmara Setorial chega em boa hora

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ARMAZENAGEM

Programa beneficiará o armazenamento do arroz Foto: Ricardo Martins / Emater

Para garantir a qualidade do arroz na propriedade rural,' em parceria com a Emater/RS, o Irga estabeleceu um programa que visa incentivar o armazenamento, que está sendo posto em prática nesse segundo semestre do ano. O engenheiro agrônomo da Fundação Irga, Mário Sérgio Azeredo, informa que a ação vai, inicialmente, suprir as deficiências no armazenamento do arroz, sendo estendido, posteriormente, para os pequenos e médios produtores de milho, feijão e soja. “Conjuntamente com a Emater/RS será feito um diagnóstico do tamanho da propriedade e quantos produtores teremos que atender, não somente no setor arrozeiro, como, também, os relacionados com a produção de feijão, milho, e soja”, destaca.

Emater propõe projeto de Silo

“Pelo grande número, concentramos o programa mais na faixa do pequeno e médio produtores.”

Segundo Azeredo, existem 3,35 mil produtores de arroz que não têm armazenagem nas suas propriedades. Desses, 91% Foto: Banco de Imagens Irga

Projeto proposto pelo Irga

são pequenos a médios orizicultores, com áreas de até 100 hectares. Isso representa 49% da necessidade de armazenamento, já que os outros 9% são grandes produtores, com áreas acima de 500 hectares. “Pelo grande número, concentramos o programa mais na faixa do pequeno e médio”, revela. O Irga também fez um levantamento das necessidades financeiras do programa, em que buscará orientar os produtores interessados sobre alternativas de financiamento. Conforme o cadastro de armazenagem feito pela Companhia

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ARMAZENAGEM

Nacional de Abastecimento (Conab), o Rio Grande do Sul, principalmente na região arrozeira, tem uma razoável capacidade, embora não seja bem distribuída, informa Azeredo. A armazenagem fica concentrada nas grandes empresas beneficiadoras de arroz, em grandes cooperativas ou grandes produtores. “Então não tem uma distribuição homogênea, dificultando o armazenamento do pequeno e médio produtor”, afirma Azeredo. Com o programa de armazenagem serão minimizadas as perdas das colheitas, características de quem não tem armazenamento, proporcionando ao pequeno e médio orizicultor segurança no produto colhido. Proporcionará, também, condições de armazenamento até o momento oportuno da comercialização, evitando o estrangulamento no transporte do produto, que é inerente ao pico da colheita. “A estratégia do programa é uma infraestrutura que possibilite a secagem e o armazenamento em nível de propriedade, onde o produtor é dono da sua produção, até o momento que achar

oportuno comercializar”, observa. O Irga, juntamente com a Emater/RS, promoverá um trabalho de capacitação não só dos produtores, como dos operadores, dos secadores e de silos secadores e, ainda, a capacitação dos profissionais dos Núcleos de Assistência Técnica (NATEs) para que possam orientar o produtor em suas demandas. A safra é recorde, em torno dos 9 milhões de toneladas, e o preço do arroz está em declínio devido a grande oferta do produto. E o que tem contribuído também para a baixa do preço, analisa o engenheiro, é a falta do armazenamento nas propriedades. “O armazenamento não atenderá somente a logística de transporte e demanda por secagem, agravadas no pico de safra, mas irá contribuir, também, para a estratégia de comercialização e distribuição, em função da maior capacidade de negociação do produtor garantida pela estratégia de guarda e preservação da qualidade do seu arroz”, comenta Mário Sérgio Azeredo.

Programa de Armazenagem atenderá pequenos e médios produtores Foto: Viviane Mariot

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Foto: Viviane Mariot

O Irga em parceria com a Emater/RSAscar e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), firmou o protocolo de intenções para lançamento do Programa de Armazenamento Sustentável de Grãos na Propriedade Rural. O programa visa garantir a qualidade do arroz na propriedade rural bem como incentivar o armazenamento. A previsão é que a iniciativa se inicie já neste segundo semestre de 2011.

Protocolo de intenções foi assinado pelo Irga, pela Emater e pelo DRDE

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CULTIVARES

* Mara Cristina Barbosa Lopes * Renata Pereira da Cruz

Cultivares: IRGA 426, IRGA 427 e IRGA 428 CL

Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

O Programa de Melhoramento Genético do Instituto Rio Grandense do Arroz tem como principal objetivo desenvolver cultivares de arroz irrigado adaptadas as diferentes regiões orizícolas do Rio Grande do Sul. Este ano o IRGA está lançando três novas cultivares, IRGA 426, IRGA 427 e IRGA 428 CL, as quais acreditamos irão contribuir para o sistema de produção orizícola gaúcho. A seguir serão apresentadas as principais características de cada cultivar. IRGA 426 A cultivar IRGA 426 foi desenvolvida no programa de melhoramento genético conduzido na Estação Regional da Zona Sul, localizada em Santa Vitória do Palmar, com o objetivo de desenvolver cultivares com tolerância a temperaturas baixas. Esta cultivar é a denominação comercial da linhagem IRGA 2852-20-4-3-3, originária de cruzamento triplo entre as linhagens IRGA 411-1-6-1F-A e IRGA 976-4-6-1F-1-1-1 e

a cultivar IRGA 417. Entre as principais características destacam-se a tolerância ao frio na fase vegetativa, o alto vigor inicial (importantes para o bom estabelecimento da cultura) e a resistência à debulha dos grãos, importante para que não ocorram perdas na produção, principalmente devido aos fortes ventos que são comuns naquela região. Além disso, apresenta ciclo médio (em torno de 125 dias da emergência a maturação), alto potencial de rendimento de grãos, resistência à brusone e à toxidez por excesso de ferro no solo. Quanto aos parâmetros da qualidade dos grãos, apresenta 63 % de rendimento de grãos inteiros, baixo índice de centro branco, alto teor de amilose e baixa temperatura de gelatinização, o que lhe confere excelente qualidade de cocção. O cultivo é recomendado para semeadura em solo seco nos sistema convencional, direto e cultivo mínimo. Principais regiões de enfoque para a produção no RS: Zona Sul e Campanha.

Tabela 1 Resultados de rendimento de grãos (kg ha-1) obtidos nos Ensaios de Avaliação do Valor de Cultivo e Uso no período de 2006/07 a 2010/11, nos sistemas de semeadura em solo seco em Santa Vitória do Palmar e Dom Pedrito, respectivamente nas regiões da Zona Sul e Campanha. IRGA / EEA, 2011.

Safra 2006/2007 2007/2008 2008/2009 2009/2010 2010/2011 2007/2008 2008/2009 2009/2010 2010/2011

Região Orizícola Zona Sul Zona Sul Zona Sul Zona Sul Zona Sul Campanha Campanha Campanha Campanha

Local Santa Vitória Santa Vitória Santa Vitória Santa Vitória Santa Vitória Dom Pedrito Dom Pedrito Dom Pedrito Dom Pedrito

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Produtividade 10.482 7.593 9.680 10.874 10.164 10.502 12.940 11.689 9.788

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Irga variedades lança três novas

de arroz


CULTIVARES IRGA 427 A cultivar IRGA 427 foi desenvolvida no programa de melhoramento genético conduzido na Estação Experimental do Arroz (EEA), localizada em Cachoeirinha. Esta cultivar é a denominação comercial da linhagem IRGA 2913-56-4-I-3Pg, originária de cruzamento simples entre as linhagens IRGA 1598-3-2F-1-4-1 e CT 800816-31-8P-1. As principais características da cultivar IRGA 427 são o alto potencial produtivo e a excelente qualidade dos grãos com baixo índice de centro branco e aspecto visual translúcido. Além disso, essa cultivar possui ciclo médio, tolerância à toxidez por excesso de ferro no solo e plantas com colmos fortes e resistentes ao acamamento quando cultivadas com semeadura em solo seco. Por outro lado, a cultivar IRGA 427 não é recomendada

para cultivo no sistema pré-germinado, não deve ser semeada após o dia 15 de novembro para evitar que as plantas tenham uma estatura muito alta e a colheita dos grãos não deve ser realizada com umidade inferior a 18 %, considerando que a cultivar não tolera o atraso na colheita, reduzindo o rendimento de grãos inteiros. Ressalta-se ainda que a mesma é moderadamente suscetível à brusone na folha e suscetível à brusone na panícula e às manchas foliares (avaliações realizadas no município de Torres, RS, com alta pressão do patógeno). Principais regiões de enfoque para a produção no RS: As regiões de maior adaptação são a Depressão Central e a Fronteira Oeste, onde observou-se os melhores resultados de produtividade.

Tabela 2 - Resultados de rendimento de grãos (kg ha-1) obtidos nos Ensaios de Avaliação do Valor de Cultivo e Uso no período de 2006/07 a 2010/11, nos sistemas de semeadura em solo seco em Cachoeira do Sul e Uruguaiana, respectivamente nas regiões da Depressão Central e Fronteira Oeste. IRGA / EEA, 2011. Safra 2006/07 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11

Região Orizícola Depressão Central Depressão Central Depressão Central Depressão Central Depressão Central Fronteira Oeste Fronteira Oeste Fronteira Oeste Fronteira Oeste

IRGA 428 A cultivar IRGA 428 foi desenvolvida no programa de melhoramento genético conduzido na Estação Experimental do Arroz (EEA), localizada em Cachoeirinha. Esta cultivar é a denominação comercial da linhagem IRGA 420CL-1, a qual é essencialmente derivada da cultivar IRGA

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Local Cachoeira do Sul Cachoeira do Sul Cachoeira do Sul Cachoeira do Sul Cachoeira do Sul Uruguaiana Uruguaiana Uruguaiana Uruguaiana

Produtividade 8660 10740 11030 9949 11777 10383 12746 9278 10507

420. A cultivar IRGA 428 contém o gene que confere tolerância a herbicida do grupo químico das Imidazolinonas. Esta cultivar apresenta excelente potencial produtivo, cuja média geral dos ensaios foi de 9.787 kg ha-1. Destaca-se o desempenho obtido no município de Uruguaiana com rendimento de grãos de 10.579 kg ha-

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LAVOURA IRGA - Instituto Rio Grandense do Arroz

1 e 11.174 kg ha-1, respectivamente nas safras 2007/2008 e 2008/2009. Por outro lado, em Santa Vitória do Palmar a produtividade média foi de 7.918 kg ha-1 na safra 2008/2009. Além disso, apresenta ciclo médio, boa arquitetura de planta, a ausência de pilosidade nas folhas e grãos, tolerância à toxidez por excesso de ferro no solo e principalmente apresenta a tecnologia com maior grau de tolerância, sem a ocorrência de sintomas de fitotoxicidade, desde que o herbicida seja aplicado na época e na dosagem recomendada, o manejo da irrigação seja correto, entre outros fatores. A IRGA

2008/2009

Assim, esta cultivar torna-se uma alternativa importante para lavouras que apresentem históricos de incidência de arroz vermelho e de toxidez por excesso de ferro no solo. Principais regiões de enfoque para a produção no RS: Fronteira Oeste e Depressão Central. Foto: Banco de Imagens Irga

Tabela 3 Resultados de rendimento de grãos (kg ha1) obtidos nos Ensaios de Avaliação do Valor de Cultivo e Uso nas safras 2007/2008 e 2008/2009, em quatro locais do Rio Grande do Sul. IRGA / EEA, 2011.

Safra 2007/2008 2008/2009 2007/2008 2008/2009 2008/2009

428 é moderadamente suscetível à brusone na folha e suscetível à brusone na panícula e às manchas foliares (avaliações realizadas no município de Torres, com alta pressão do patógeno).

Variedade- IRGA 426

Região Orizícola Depressão Central Depressão Central Fronteira Oeste Fronteira Oeste Planície Costeira Externa Zona Sul

Locais Cachoeira do Sul Cachoeira do Sul Uruguaiana Uruguaiana Cachoeirinha

Produtividade 9.878 9.901 10.579 11.174 9.272

Santa Vit. do Palmar

7.918 Foto: Banco de imagens IRGA

Foto: Banco de Imagens Irga

Variedade IRGA 427

Variedade IRGA 428

* Engª. Agrª. M.Sc. - Pesquisadora da EEA * Engª. Agrª. Drª. - Pesquisadora da EEA Lavoura Arrozeira - Porto Alegre, v.59 - número 456 - Setembro 2011

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CLIMA

* Cátia Valente

Safra de arroz 2011/2012 deve começar sob condições de normalidade climática depois do encerramento de um episódio de La Niña.

O inverno segue seu curso com a passagem de frentes frias que deixam chuvas seguidas pelas massas de ar polar que derrubam as temperaturas. É o inverno típico gaúcho que vem predominando, já que neste momento o que predomina na grande escala é um período de neutralidade no Oceano Pacífico Equatorial, como pode ser observado na figura abaixo.

Essa condição favorece justamente o que vem ocorrendo aqui no Rio Grande do Sul nesta primeira metade do inverno, ou seja, episódios de chuvas com volumes elevados em função das frentes frias que ficam bloqueadas sobre o sul do Brasil, alternados por períodos mais secos e frios favorecidos pela entrada das massas de ar polar. A segunda metade da estação será caracterizada novamente pela alternância de períodos frios e quentes, que acabam deixando a temperatura final do inverno próxima à média climatológica. Junto com os períodos mais quentes, esperam-se bloqueios atmosféricos, responsáveis por chuvas fortes, especialmente entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Porém, vale salientar que neste ano as ondas de frio podem continuar entrando ao longo de

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agosto e ainda em setembro, o que pode caracterizar o frio tardio, mas sem grandes extremos. A figura 2 mostra que a tendência para os próximos meses é de neutralidade climática segundo o IRI (International Research Institute).

Para a primavera segue o domínio da neutralidade climática e isso significa um impacto direto nas chuvas, que devem retornar naturalmente ao estado. Pode-se dizer que aos poucos os reservatórios e barragens vão sendo repostos, especialmente a partir da segunda quinzena de setembro e ao longo do mês de outubro. Durante a primeira metade da primavera serão comuns os bloqueios atmosféricos responsáveis pelos episódios de chuvas mais volumosas e inclusive acompanhadas de temporais (granizo). Na segunda metade, naturalmente as chuvas vão migrando para a região sudeste e com isso os volumes diminuem aqui no estado (novembro e dezembro). Com relação as temperaturas, a expectativa é de que teremos uma

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primavera mais fria por causa de alguns picos de frio que estão relacionados com a passagem de massas polares e que podem puxar a média para baixo. Para o verão, a tendência não muda muito, as chuvas devem seguir o seu padrão normal. Porém, vale lembrar que estamos vindo de um episódio de oceano frio e, portanto, de um longo período de chuvas irregulares. A primavera segue sob a condição neutra com chuvas dentro do padrão (portanto não é chuvosa) com reposição da umidade e indo para um verão também normal – estação em que são normais períodos de pouca ou até de ausência de chuva. Isso nos remete a uma situação parecida com o acontecido nos anos de 2008 e 2009 quando, depois de passar por um episódio frio (La Niña) na primeira metade do ano, entramos num período de neutralidade climática entre o inverno e a primavera, para depois culminar num novo episódio frio. Porém, desta vez, o indicativo de neutralidade deve predominar também ao longo do verão de 2012, apenas com uma ligeira tendência de um pequeno resfriamento das águas sobre o Oceano Pacífico Equatorial, mas sem intensidade e duração suficiente para caracterizar uma La Niña. Portanto, pode-se dizer que a variabilidade das chuvas será grande ao longo dos próximos meses. Haverá recuperação dos volumes, porém, nada acima da normalidade, principalmente ao

longo da primavera. Durante o verão, quando as frentes frias atuarem mais no Brasil central, naturalmente as chuvas diminuirão aqui, caracterizando períodos de estiagens regionalizadas. Mas assim como no último verão, o Oceano Atlântico é um fator determinante para a qualidade das chuvas. Na estação passada, a La Niña foi neutralizada pelas águas mais quentes que favoreceram as chuvas aqui no estado (especialmente metade norte e noroeste). Para este verão ainda não é possível avaliar se o Oceano estará novamente a favor das chuvas, pois o mesmo tem uma variabilidade muito maior do que o Oceano Pacífico, só sendo possível se ter uma melhor visão do que vai acontecer ao longo da primavera. Com isso, para esta safra que se aproxima, chama-se a atenção de que vale ficar atento as previsões climáticas e principalmente, a recomendação é o uso de tecnologia. Na figura 3 temos a previsão para o trimestre agosto, setembro e outubro de 2011 segundo o IRI.

* Consultora da Somar Meteorologia Lavoura Arrozeira - Porto Alegre, v.59 - número 456 - Setembro 2011

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SAFRA

Safra 2010/11 bate recorde de produção A produção alcança a marca de 9 milhões de toneladas de arroz Foto: Viviane Mariot

Foto: Vilmar da Rosa

Governador Tarso Genro com o presidente Claudio Pereira na abertura da colheita

A Safra 2010/11 foi à maior da produção de arroz no Rio Grande do Sul. A produção total ficou em de cerca de 9 milhões de toneladas, a produtividade média de 7,66 mil quilos por hectares e a área plantada de 1,17 milhão de hectare. Esses três indicadores são recordes no Estado e com tal resultado o arroz gaúcho deverá alcançar a marca de aproximadamente 65% da produção nacional, informa o assessor técnico da presidência do Irga, Sérgio Gindri Lopes. As condições climáticas favoráveis, o bom índice de irradiação solar, a semeadura feita na época adequada e as chuvas (que ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro e março, o suficiente para a safra) contribuíram para a alta produtividade. A isso somam-se os recursos tecnológicos dos produtores gaúchos, que utilizam hoje cultivares com alto potencial produtivo, como por exemplo, a Cultivare Irga 424, considerada uma das variedades mais produtivas. “Plantio na época adequada, cultivares com alto potencial, manejo na lavoura e adubação equilibrada, contribuíram para o aumento

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de produtividade do arroz”, destaca Lopes. A produtividade recorde no Estado na safra 2010/11 é destacada no gráfico (Figura 5). A média geral foi de 7,70 t/ha, sendo que a região da Fronteira Oeste alcançou simultaneamente a maior área plantada (336 mil ha) e a maior produtividade (8,34 t/ha), com produção total de 2,81 milhões de toneladas (31 % do total no RS). A menor produtividade média foi obtida na Planície Costeira Externa (6,52 t/ha – Figura 5). As cultivares mais utilizadas são mostradas na Figura 6, com destaque para a PUITÁ INTA-CL com 46,8 % da área semeada. A seguir destacam-se as cultivares IRGA 424 (15,5 %), IRGA 417 (7,8 %) e BR-IRGA 409 (6,1 %). As cultivares da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) foram plantadas em quase a totalidade das áreas de cultivo no sistema de semeadura pré-germinado, que correspondeu a 7,5 % da área total de

“Plantio na época adequada, cultivares com alto potencial, manejo na lavoura e adubação equilibrada contribuíram para o aumento da produtividade do arroz.”

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Foto: Banco de Imagens Irga

Colheita em São Borja

arroz irrigado no RS (Figura 7). As cultivares CLEARFIELD®, INTA PUITÁ-CL, IRGA 422CL e os híbridos da Rice Tec Avaxi CL e Inov CL, no somatório ultrapassaram 50 % da área total (Figura 6).

O crescimento de produtividade observado na última safra (Figura 1) pode ser associado às condições climáticas favoráveis, durante todas as fases da cultura e ao avanço na tecnologia de produção, incluindo cultivares mais produtivas e manejo otimizado. As condições climáticas favoreceram a semeadura, o crescimento e desenvolvimento das plantas e a colheita do grão. A evolução da semeadura do arroz transcorreu de forma regular e acelerada, conforme mostra a figura 3. O início aconteceu no mês de setembro e foi concluída no final do mês de novembro de 2010. O andamento dessa operação foi Foto: Banco de Imagens Irga

A maior parte da área (65,4 %) foi plantada com cultivares de ciclo precoce, com predomínio da IRGA 417 e as duas cultivares CLEARFIELD® derivadas dessa (Figura 6.a). Ainda em relação as cultivares CLEARFIELD® observa-se que essas ocuparam cerca da metade da área de arroz irrigado no Estado (Figura 6.b). No grupo de ciclo médio, com área plantada corespondendo a 26,1 %, destacamra-se a IRGA 424 e a BR-IRGA 409. A primeira destacou-se nas regiões da Zona Sul, Campanha e Fronteira Oeste; e a segunda teve maior importância nos municípios de Itaqui e São Borja, região da Fronteira Oeste, sendo valorizada nesses locais pelos aspectos de qualidade do grão. As cultivares de tardio, todas de origem da Epagri, foram cultivadas em 8,5 % da área do Estado, com destaque na região da Planície Costeira Interna. Segundo o assessor técnico da presidência do Irga, Sérgio Gindri Lopes, a área cultivada com arroz irrigado no Rio Grande do Sul na safra 2010/11 foi de 1.169.873 ha, com aumento correspondente a 7,6 % em relação a safra

anterior. A taxa média de crescimento de área plantada na última década é de 17 mil ha por ano, o que corresponde a 1,8 % ao ano (Figura 1). Nesse mesmo período, a produtividade cresceu de 5,4 t/ha para 7,7 t/ha na última safra, com taxa anual de crescimento de 208 kg/ha/ano (3,8 % ao ano) (Figura 1). Portanto, a taxa de crescimento da produtividade foi pouco mais do que o dobro do crescimento de área, o que faz com que a produção total tenha um crescimento ainda maior (6,5 % ao ano), passando de 5,3 milhões de toneladas na safra 2000/01 para 9,0 milhões de toneladas na última safra (Figura 2).

Produtividade foi recorde

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SAFRA mais acelerado nas regiões da Fronteira Oeste, Campanha e Zona Sul, onde a área semeada alcançou 90 % na virada do mês de outubro para novembro, com desempenho sem similar nas safras anteriores. Mesmo as regiões mais atrasadas no processo de semeadura atingiram o patamar de 90 % na terceira semana de novembro de 2010 (Figura 3). A semeadura na época preferencial é um dos fatores muito importantes para alcançar altas produtividades na lavoura de arroz irrigado. A disponibilidade de radiação solar, que é um dos parâmetros de grande importância na definição da alta eficiência fotossintética das plantas de arroz, salienta Lopes, foi maior e mais uniforme na safra 2010/11 do que na anterior, que foi afetada pelo El Niño (Figura 4). Já no mês de novembro de 2009, (Figura 4.a) houve grande redução na radiação solar, associada a grande intensidade pluviométrica, que prejudicou as etapas de semeadura e emergência das plântulas, e dificultou a realização dos tratos culturais nas fase inicial de implantação das lavouras naquela safra.

disponibilidade de radiação chegou a quase 900 MJ/m2 nos meses de dezembro/10 e janeiro/11 enquanto na safra anterior foi de cerca de 800 MJ/m2 nos mesmos meses, sendo cerca de 10 % inferior à safra 2010/11 (Figura 4). A produção total de arroz em casca na Safra 2009/10, que foi uma estação de crescimento estival afetada pelo fenômeno climático El Niño - com aumento da quantidade de chuva - foi muito baixa em relação às safras anteriores, informa Lopes. Além de fora do padrão normal de crescimento, conforme mostra a Fígura 2, com depressão similar também na safra 2002/03, afetada pelo mesmo distúrbio. Por isso o incremento de produção da safra 2009/10 para a atual foi de 32,4 %, passando de 6,8 para 9,0 milhões de t de arroz em casca. Esse

Figura 1 – Evolução de área plantada e Por outro produtividade no RS no período de 000/01 a 2010/11. lado, na safra atual, a curva de evolução crescimento na produção gaúcha na da disponibilidade de radiação foi normal, última safra, somado aos estoques da safra com maior oferta nos meses de anterior, são as principais razões para a dezembro/10 e janeiro/11 e superior ao depressão dos preços no mercado observado na safra 2009/10 (Figura 4). Por nacional do cereal. A produtividade exemplo, tomando-se o caso do município média do Estado foi de 6,48 mil quilos por do Chuí, no Extremo Sul do Estado, a

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hectare.

Figura 3 – Evolução de semeadura no RS e nas seis regiões orizícolas na safra 2010/11.

Figura 2 – Evolução de produção total de arroz em casca no RS no período de 2000/01 a 2010/11. Produção total foi de 9.004.352 t.

Figura 5 – Produtividade média por região orizícola no RS, safra 2010/11. (FO = Fronteira Oeste, CMP = Campanha, ZS = Zona Sul, DC = Depressão Central, PCI = Planície Costeira Interna, PCE = Planície Costeira Externa) Figura 4 – Disponibilidade de radiação solar nas safras (a) 2009/10 e (b) 2010/11 em quatro municípios do Rio Grande do Sul.

Figura 6 – Cultivares de arroz irrigado mais plantadas no RS, safra 2010/11. No detalhe (a) ciclo e (b) cultivares CLEARFIELD® e convencionais (Não CL).

Figura 7 – Sistemas de cultivo de arroz irrigado no RS, safra 2010/11. No sistema “convencional” estão incluídas as semeaduras a lanço e em linhas e na “semeadura direta” estão incluídos todos os sistemas de preparo de solo antecipado, como o cultivo mínimo e o plantio direto.

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SAFRA

A safra na visão das regionais O coordenador da Regional Zona Sul, de Pelotas, engenheiro agrônomo, Marcos Souza Fernandes, destaca que a produtividade da safra 2010/11 foi substancialmente superior a das safras passadas. Sem contar o clima, que foi um forte aliado desde a semeadura, emergência, até a colheita. “O que permitiu que os bons produtores se tornassem melhores e os medianos, bons”. Em relação a safra 2009/10, acredita que houve maior conscientização do produtor no manejo da lavoura. “O produtor está bem mais atento, antecipando-se aos problemas que possam surgir”. O produtor de Pelotas, Ricardo Gonçalves, também destaca a alta produtividade devido a fatores como o clima e a melhora da tecnologia, como o Cultivare 424, que está aumentando a produção do arroz. “Além dos benefícios trazidos pelos leilões do Prêmio de

Escoamento de Produto (PEP) que possibilita a exportação do arroz”, afirma. O coordenador da Regional Depressão Central, de Cachoeira do Sul, Jaceguay de Alencar de Barros, comemora a safra 2010/11 como a maior produção de arroz obtida na Depressão Central. E destaca o índice de preparo de solo antecipado, permitindo que 82% dos 171.675 ha cultivados nesta safra fossem plantados dentro da época recomendada. “Somado a isso tivemos um aumento nos níveis de fertilização, redução na densidade de semeadura, irrigação melhor conduzida e melhoria no manejo de pragas e doenças”. Já na região que abrange a Regional Planície Costeira Externa, de Santo Antônio da Patrulha, a safra não foi boa. Ficou com a menor produtividade do Estado, 6.521 quilos/ha, enquanto a média estadual foi de 6.660 quilos/ha, informa o coordenador José Gallego Tronchoni. O município de Capivari do Sul

Foto: Banco de Imagens Irga

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Foto: Banco de Imagens Irga

foi o mais atingido, com uma quebra de mais de 20%, seguido de Palmares e Mostardas, com quebra estimada em mais de 15%. Os municípios de Viamão, Osório e Santo Antônio da Patrulha tiveram perdas superiores a 12%. Para o coordenador da Regional Planície Costeira Interna, de Guaíba, Carlos Felipe Mascarenhas Nassif, a safra colhida em 2011 obteve bons resultados de produtividade, o manejo foi efetuado no momento adequado, e o incremento de tecnologia pelos produtores foi fator determinante para a melhoria dos resultados. Ele salienta o trabalho do Irga, de avaliação e monitoramento dos efeitos dos produtos aplicados nas áreas plantadas, demonstrando nos estudos que a lavoura de arroz funciona como uma espécie de filtro dos recursos hídricos, devolvendo água em melhores condições aos mananciais. Para o coordenador Regional

Fronteira Oeste, de Uruguaiana, Gustavo Cantori Hernandes, a safra foi muito boa comparada a anterior. “Encontramos facilidade na aplicação das práticas agronômicas”. Segundo ele, houve alguns problemas em Uruguaiana, Alegrete e Quaraí por falta de chuvas na fase de emergência. Comparando com a safra anterior, não ocorreram enchentes ou falta de água para a irrigação e o produtor obteve os melhores índices de produtividade. Segundo o coordenador Regional Campanha, de Rosário do Sul, César Maciel, a safra foi a com maior produtividade e maior área plantada da região, totalizando 1,87 mil hectares. Para a próxima safra, acredita que a produtividade deverá diminuir. “Poderemos ter uma reduçáo em função dos valores previstos para a comercialização em 2012 e pela provável redução no armazenamento de água para a irrigação”.

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GESTÃO

Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

Reuniões do Setor Orizícola mobiliza mais de mil participantes

As deliberações apontadas nas reuniões do setor orizícola foram avaliadas e discutidas na Convenção Técnica Estadual do Irga, realizada em junho, na cidade de Santa Maria, com todos os técnicos do Instituto - pesquisadores,

“Excelente a participação do setor nestas reuniões representou quase 10% dos arrozeiros do Estado.” 28

Foto: Viviane Mariot

No período de 02 a 06 de maio os encontros discutiram as principais demandas do setor orizícola em relação às ações do Irga em pesquisa, extensão rural e política setorial para o período de 2011 a 2014. As reuniões contaram com 1,45 mil participantes, entre produtores rurais, representantes de associações de arrozeiros, cooperativas, sindicatos rurais, técnicos da iniciativa privada, demais instituições e agentes envolvidos na atividade orizícola, distribuídas nas seis regiões de arroz do Estado. “Excelente a participação do setor nestas reuniões que representou quase 10% dos arrozeiros do Estado”, salienta o presidente.

Grupos discutiram as principais demandas do setor

extensionistas e integrantes da equipe de política setorial – além de representantes do Conselho Deliberativo da Autarquia. Dentre os principais temas abordados para o setor de pesquisa, foram destacados o desenvolvimento de cultivares, usos alternativos do arroz e pós-colheita; manejo de pragas, doenças e plantas daninhas; manejo da adubação e da irrigação; alternativas de uso para a várzea; e agricultura orgânica e adequação ambiental da lavoura. O assessor técnico da presidência do Irga, Sérgio Gindri Lopes, destaca que as principais demandas apontadas em relação ao desenvolvimento de cultivares de arroz irrigado, foram o desenvolvimento destes cultivares, com alto potencial de produtividade, com qualidade de grãos, resistência a doenças e toxidez por ferro no solo e à debulha dos grãos, ao acamamento de plantas, bem como, o desenvolvimento de plantas adaptadas às condições de baixas temperaturas e materiais para o sistema de produção Clearfield, incluindo cultivares de ciclo precoce. “Atualmente o programa de melhoramento genético do Irga já realiza pesquisa para desenvolver cultivares com estas características”, frisa Lopes. Além das propostas sugeridas pelos agricultores, os pesquisadores, extensionistas e conselheiros sugeriram

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de arroz

Foto: Banco de imagens IRGA

“A forte participação do setor orizícola nas discussões para as demandas do Irga nos próximos quatro anos é a clareza da importância do Instituto junto ao setor produtivo do arroz no Estado”. O depoimento do presidente do Irga, Claudio Pereira, reforça a mobilização do governo em valorizar a participação de todos os envolvidos na cadeia produtiva na elaboração de políticas públicas demandadas durante as 40 reuniões feitas nos principais municípios arrozeiros do Estado.

Irga variedades lança três novas


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outras linhas de pesquisa para atender as lavouras da Fronteira Oeste que utilizam este sistema de irrigação. Nos usos alternativos do arroz e póscolheita, as solicitações prioritárias foram a pesquisa das tecnologias de produção de etanol de arroz, ração animal de arroz, arroz de preparo instantâneo, cerveja de arroz, secagem, armazenamento e conservação do arroz com casca. Além da utilização de farinha de arroz para a panificação e a possibilidade de inserir o produto arroz na merenda escolar. Segundo Lopes, algumas dessas demandas, como secagem e armazenamento de grãos, arroz na merenda escolar e farinha de arroz para panificação, vêm recebendo atenção da autarquia e alguns resultados de pesquisa já foram gerados. No manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, os maiores anseios do setor são para pesquisas em tecnologia de aplicação de agroquímicos, controle de plantas daninhas resistentes - atualmente um dos principais problemas de manejo enfrentado pelos produtores. Lopes explica que, embora não exista pesquisa para todas as demandas elencadas, há informações divulgadas, seja por meio de folder, boletim ou informativo técnico. “Isso demonstra que a maioria dos temas propostos já está sendo estudado pela Divisão de Pesquisa do Irga.” Apesar de existir pesquisas em relação ao manejo da adubação, os resultados quanto à eficácia da utilização de fertilizantes granulados ou foliares devem ser melhor divulgados aos produtores, tendo em vista a grande oferta destes produtos no mercado, aponta Lopes. Outra demanda foi o manejo da adubação da cultura da soja, implantada em rotação com o arroz, que ainda carece de melhores informações. As formas de irrigação nos diferentes sistemas de cultivo, como período de irrigação, irrigação intermitente, momento de

suprimir a água na lavoura e a qualidade de água, também foram discutidas. Alternativas de uso para a várzea é um tema que apresenta grande demanda de pesquisas. Sérgio Gindri Lopes esclarece que o setor arrozeiro necessita de outras formas de utilização das várzeas, além do arroz irrigado, para alcançar maior sustentabilidade de todo o sistema de produção. O Irga, inclusive, vem realizando pesquisas em melhoramento genético e ensaios para identificação de cultivares comercial de soja com maior tolerância ao excesso hídrico e, paralelamente, pesquisas com manejo de soja em várzea. “Com isso poderemos disponibilizar ao produtor informações valiosas para auxiliar nas tomadas de decisões e gerenciamento da propriedade rural.” Tanto na agricultura orgânica como na adequação ambiental da lavoura existe uma preocupação comum pela sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural, destaca Lopes. Foi proposto intensificar a divulgação na mídia a respeito da importância do agricultor como agente protetor dos recursos naturais. Para melhor qualificar o serviço de extensão rural da autarquia foi proposto aumentar o corpo técnico e administrativo; ampliar o número de casas do arrozeiro (atualmente sete casas estão em construção); os Núcleos de Assistência Técnica (Nates) do Irga contarem com veículos oficiais; além de definir o número de extensionistas e distribuí-los em função do número de produtores e da área atendida. As demandas da Política Setorial apontadas pelos produtores nas regionais e consolidadas pela área técnica, durante a Convenção de Santa Maria, foram distribuídas de acordo com três linhas de ação, denominadas ações técnicas, administrativas, institucionais e políticas.

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EVENTO

Convenção Técnica Estadual do Irga define as prioridades da orizicultura gaúcha Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

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da agricultura do Estado. Segundo ele, o Governo do Estado tem como missão combater as desigualdades regionais e desenvolver o Rio Grande do Sul a partir de suas potencialidades. A programação do evento c o n t o u c o m a apresentação do relatório da safra 2010/11 pelo assessor técnico da presidência, Sérgio Gindri Lopes. Na ocasião, Lopes divulgou os resultados obtidos nas ações de pesquisa e de difusão de tecnologia da atual safra, além das principais contribuições de cada setor. Foto: Viviane Mariot

Claudio Pereira -Ação fundamental para a organização do instituto

“A partir deste encontro, produziremos resultados para trilhar os novos caminhos do Irga e da orizicultura”. O depoimento de abertura feito pelo presidente do Irga, Claudio Pereira, na 1ª Convenção Técnica Estadual, dia 1º de junho, reforçou a proposta do encontro em definir com o setor as linhas prioritárias de atuação para a gestão de 2011 a 2014. “Vamos trabalhar de forma participativa, trazendo para a discussão as pessoas envolvidas em toda a cadeia produtiva”, frisou o dirigente. O evento realizado pela autarquia, de 1 a 3 de junho, reuniu mais de 120 profissionais das áreas de pesquisa, extensão rural e política setorial do Irga, na cidade de Santa Maria. O presidente do Irga destacou a importância da convenção, como uma ação fundamental para a organização do instituto, assim como a integração com universidades e instituições de pesquisa em prol do desenvolvimento

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Com o tema “Sistemas integrados de produção em várzea”, o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Enio Marchezan, coordenou o painel, que teve como temas a “Integração Lavoura e Pecuária”, ministrado pelo professor da Universidade Federal do RS (UFRGS), Paulo Carvalho; “Pecuária na Lavoura de Arroz”, com o pesquisador da

“Vamos trabalhar de forma participativa, trazendo para a discussão as pessoas envolvidas em toda a cadeia produtiva.”

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Irga variedades lança três novas de arroz


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Foto: Viviane Mariot

Grupos temáticos discutiram questões com base em critérios técnicos e científicos

Embrapa Clima Temperado, Jamir Silva, e “Produção de Soja na Várzea”, abordado pela pesquisadora do Irga, Cláudia Lange. No painel “Sustentabilidade na produção agrícola em solos de várzea” coordenado por Danilo dos Santos, da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO), as palestras “Boas práticas agrícolas” foi ministrada pelo consultor técnico do Irga, Cláudio Mundstock; e o engenheiro agrônomo do instituto, André Oliveira, abordou sobre “Agricultura Orgânica”. Já o assunto “Armazenamento de Grãos na Propriedade Rural: Alternativas Tecnológicas, Viabilidade Econômica e Fontes de Financiamento” foi o tema do terceiro painel, coordenado pelo gerente da Divisão de Pesquisa do Irga, Carlos Fagundes. Irga define linhas prioritárias de atuação A apresentação e a discussão das demandas levantadas em municípios das seis regiões arrozeiras do Estado nortearam a Convenção Técnica Estadual do Irga, onde pesquisadores, técnicos, extensionistas e conselheiros da autarquia analisaram os pleitos das áreas de pesquisa, extensão rural e política setorial. O produto final das

discussões será a definição de linhas prioritárias de atuação da autarquia nas dimensões de pesquisa, extensão rural e política setorial para a gestão 2011/2014. Em grupos temáticos, os participantes discutiram as questões com base em critérios técnicos e científicos. Foram analisadas as prioridades relacionadas aos temas “Desenvolvimento de cultivares”, “Usos alternativos do arroz e Pós-colheita”, “Manejo de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas”, “Manejo da Irrigação e Adubação”, “Meio Ambiente e Agroecologia” e “Uso alternativo dos Sistemas das Várzeas”. Segundo o assessor técnico da presidência do Irga, Sérgio Gindri Lopes, um dos principais objetivos da convenção é conciliar a opinião dos produtores com a dos pesquisadores e extensionistas. O presidente do Irga, Claudio Pereira, informa que a análise dos grupos indicará quais ações têm mais importância e urgência de serem executadas, levando em conta o impacto que podem trazer ao desenvolvimento da cadeia orizícola. Após as reuniões dos grupos temáticos, os relatores apresentaram em plenária geral a consolidação das prioridades de cada área do conhecimento. P a r a o g e r e n t e d o Departamento de Política Setorial do Irga, Victor Hugo Kayser, o principal resultado da convenção é a interação entre os produtores e os profissionais de pesquisa, extensão

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EVENTO rural e política setorial do instituto. “É importante orientar e coordenar os esforços do Irga de forma homogênea, integrando as equipes com o objetivo de oferecer um melhor atendimento aos produtores”, declara ele, salientando também a importância da participação de conselheiros no encontro.

S e g u n d o Ferreira, o objetivo do evento foi de reorganizar as l i n h a s d e

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Para o conselheiro do Irga e produtor de Osório, Anfilóquio Emerim Marques, desde que foi conselheiro nunca houve um evento desse porte, integrando a lavoura com a pesquisa. “As palestras durante a Convenção Técnica apontam para melhorias ao Irga. Apesar da crise, não podemos desestimular. Espero que o arroz tenha melhores operações. Eventos dessa qualidade devem ser realizados mais vezes a fim de promover maior integração da pesquisa com os produtores.”

O evento reuniu mais de 120 profissionais

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Foto: Viviane Mariot

Kayser sugere que este evento aconteça periodicamente para que se faça a avaliação do desenvolvimento das ações propostas nesta edição. O pesquisador e coordenador de Projetos do Irga, Felipe Gutheil Ferreira, destacou que o evento proporcionou a oportunidade de refletir sobre as ações que o IRGA vem realizando e se isto atende as reais demandas dos seus clientes. Com os resultados apresentados no evento e com as discussões realizadas neste encontro é possível planejar e organizar as ações da Autarquia para melhor atender as necessidades dos seus clientes. “Estamos planejando as novas ações. É momento de discutir as demandas solicitadas e de verificarmos o quanto estamos atendendo e o quanto podemos melhorar nossas açõe . Esse é um momento de reflexão do que está sendo feito, de organização e de planejamento das ações do Irga.”

pesquisa, as atividades da extensão rural e da política setorial do IRGA para o período de 2011 e 2014. “Também, de discutir as ações futuras, de traçar novos objetivos e estratégias de atuação conforme os resultados deste diagnóstico."


MEIO AMBIENTE

Produtores que fazem a diferença Selo Ambiental premia as boas práticas ambientais

Foram 18 pessoas (entre produtores e empresas agrícolas) que receberam o Selo Ambiental durante os meses de maio e junho deste ano. As solenidades de entrega da distinção ocorreram na Feirarroz 2011, no Parque de Exposições do Sindicato Rural de Itaqui; no 5º Seminário do Arroz, de Mostardas; e no evento "Manhã do Café: foco no arroz" para apresentação dos resultados da safra agrícola à comunidade, no Parque do Sindicato Rural, em Uruguaiana. O Selo Ambiental é concedido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) e do Irga, e conta com o apoio da Fundação Irga. Criado pelo Instituto, o Selo Ambiental tem por objetivo reconhecer as propriedades rurais adequadas à legislação ambiental e aos preceitos de tecnologias mais limpas. Segundo o Comitê Gestor, o Selo dá ao produtor o reconhecimento quanto ao uso de boas práticas de manejo que são importantes do ponto de vista social e da gestão da propriedade

Foto: Viviane Mariot

O produtor Edgardo Velho é um exemplo de que produzir de acordo com as boas práticas ambientais, além de agregar mais qualidade para o produto arroz, traz o devido reconhecimento pela iniciativa ambientalmente correta. O arrozeiro que recebeu, pela segunda vez consecutiva, o Selo Ambiental da Lavoura de Arroz Irrigado do Rio Grande do Sul safra 2010/2011, destaca que a conquista é um reconhecimento ao uso das práticas de acordo com a legislação ambiental. É um processo de conscientização ambiental e mudança de postura e ações relacionadas ao meio ambiente, como a reciclagem do lixo e o destino das embalagens.

rural. “É um reconhecimento aos produtores que estão preocupados com a questão ambiental”, destaca a pesquisadora do Irga Vera Macedo. O arrozeiro Luiz Terra, engenheiro agrônomo, e a sua esposa, engenheira agrônoma Fernanda Terra, também foram contemplados com o Selo Ambiental. Para eles, receber o Selo significa um aprendizado de mudança e de postura social e ambiental, além da garantia de promover maior qualidade ao alimento produzido. Segundo Luiz, a possibilidade de crescimento e a sustentabilidade não concorrem com a produtividade e os treinamentos e cursos promovidos pelo Irga, como o de Adequação Ambiental e Manejo Integrado do Cultivo do Arroz (Mica), foram importantes para a quebra de paradigmas. Fernanda Terra complementa que o Selo proporciona uma adequação de como lidar com a questão ambiental, não só de natureza, mas do homem como parte da natureza, auxiliando na educação para uma produção mais sustentável e em condições sociais adequadas. A cada edição aumenta o número

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MEIO AMBIENTE de produtores inscritos para a concessão ao Selo Ambiental. Na safra 2008/09, 21 agricultores foram inscritos e 11 receberam o Selo Ambiental; já na safra 2009/10, foram 20 inscritos e 13 credenciados. Em sua 3ª edição, na safra 2010/11, 28 produtores de arroz irrigado do Estado candidataram-se ao Selo.

Arroz agroecológico é produzido por mais de 400 famílias assentadas Um produto sadio, diferenciado, que preserva o meio ambiente e gera emprego e renda para muitos agricultores gaúchos. O resultado de todas essas qualidades se refere à produção do arroz agroecológico realizada em 16 assentamentos de 11 municípios da região Metropolitana, em uma área total de 3,9 mil hectares. A produção evolve 429 famílias assentadas, em 309 unidades certificadas no Rio Grande do Sul. A safra 2010/11 alcançou 340 mil sacas de arroz ecológico com um montante de comercialização de R$ 6 milhões.

A pesquisadora Vera Macedo salienta que as ações desenvolvidas são para a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos na atividade agrícola. É um trabalho mais de atitude do produtor e o envolvimento com o grupo de trabalhadores. Segundo ela, o Selo Ambiental é o reconhecimento para quem usa de forma eficiente os recursos naturais, sem causar maiores impactos ao meio ambiente. Os produtores que aderiram à proposta do Irga, salienta, “são pessoas com visão de sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural que será repassada de geração a geração.”

A produção é feita por assentados da região de Porto Alegre, que participam de todo o ciclo da produção, com o desenvolvimento da semente, plantio, secagem, armazenamento, beneficiamento e comercialização. O arroz irrigado ecológico vem se consolidando como uma das principais fontes de renda das famílias assentadas na região. Com uma grande demanda no mercado interno e externo, o arroz orgânico mostra a importância dos produtos da Reforma Agrária.

O consultor técnico do Irga, Claudio Mario Mundstock, informa que o primeiro passo para conquistar o Selo Ambiental é estar licenciado pela Fepam. Para verificar se a propriedade está de acordo com as normas ambientais estabelecidas pelo Regulamento do Selo, é formada uma Comissão Municipal integrada por um técnico do Irga, mais representantes da comunidade, geralmente ligados a área ambiental e à produção de arroz. Foto: Banco de imagens IRGA

No total, 18 produtores receberam o Selo Ambiental

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O engenheiro agrônomo André Oliveira informa que o programa do arroz agroecológico, em processo de construção no Irga em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) e Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), está trabalhando os conceitos e princípios agroecológicos dentro do Instituto, onde estão sendo capacitados, além dos técnicos do Irga, os agricultores envolvidos no programa. “Estamos internalizando os princípios, conceitos e diretrizes da Agroecologia que inclui, além dos aspectos agronômicos da produção, o reconhe-

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MEIO AMBIENTE Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

Irga variedades lança três novas

de arroz

Foto: Viviane Mariot

Foto: Banco de Imagens Irga

das comunidades de agricultores e consumidores”, revela. Segundo Oliveira, o objetivo principal é desenvolver um mercado consciente e solidário, com formato de cadeia de abastecimento, que busca mecanismos de agregação de valor à produção com a indústria de alimentos e serviços, para que em circuitos curtos de comercialização se alcance maior saúde econômica, social e ambiental para todos os envolvidos. Ele informa que é necessária a adesão ao processo de certificação específico a cada segmento de mercado, principalmente mercado internacional, e que para o mercado nacional as certificadoras deverão estar habilitadas ao selo orgânico junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “A certificação confere credibilidade ao processo de produção, da semente ao consumidor final”, acrescenta. A marca própria Terra Livre, com registro no MAPA e selo que indica ser produto de assentamento, é produzida por muitas das famílias assentadas na Região Metropolitana. É comercializado por alguns supermercados, feiras e restaurantes especializados, além de atender o mercado institucional, com apoio da Conab, principalmente na merenda escolar em diversos municípios. “Com a credibilidade da marca própria e do selo orgânico, se ampliam as oportunidades de trabalho e renda aos agricultores e o processo de reprodução social em todas as etapas do abastecimento”, frisa Oliveira. Conforme o agrônomo, a indústria alimentar orgânica cresce mais de 20% no mundo. O perfil do consumidor é, na maioria, pessoas com mais de 35 anos, 3º grau completo e renda superior a cinco salários mínimos. “Cada vez mais, as pessoas estão procurando alimentos sem contaminação, buscando resguardar a sua saúde individual e da família”, destaca. Para o coordenador dos Assentamentos da Região Metropolitana,

Emerson José Jacomelli, o arroz ecológico, sendo produzido por meio de técnicas agrícolas que garantem a conservação do meio ambiente, preserva a biodiversidade e não utiliza agrotóxicos ou adubos químicos. "Trabalhamos com muita organização e amor. Isto para nós é a vida das famílias e sua principal atividade econômica", disse. Jacomelli relata que os assentados e seus familiares têm uma relação muito forte com o meio ambiente, lembrando, inclusive, que o assentamento Apolônio de Carvalho, que acomoda 72 famílias, era um latifúndio improdutivo e utilizado para operações de tráfico. Segundo ele, a maioria das famílias assentadas na Região Metropolitana, ou mais de 1,2 mil pessoas, veio da região Norte - Sarandi, Ronda Alta e Missões – que, além de produzirem o arroz agroecológico, cultivam hortifrutigranjeiros. Oliveira complementa que a produção do arroz agroecológico proporciona aos agricultores mais autonomia no processo produtivo, tanto pela drástica redução da necessidade de aplicação de insumos externos, que normalmente impactam diretamente nas finanças e custos, como pelo envolvimento da comunidade na produção, diminuindo o custo de produção e fazendo com que a renda permaneça na comunidade. Além do bom resultado financeiro, verifica-se a clara oportunidade para o desenvolvimento do ser humano de forma individual, familiar e coletiva, com dignidade e cidadania.

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com a soja traz outros benefícios ao arroz irrigado. Um deles é o aumento da produtividade, além da redução de custos de produção – o que aumenta a rentabilidade da cultura. O pesquisador da Estação Experimental do Arroz (EEA) de Cachoeirinha, engenheiro agrônomo Anderson Vedelago, destaca que outro aspecto importante é o preparo antecipado do solo para o arroz com a sua semeadura diretamente sobre a resteva da soja, sem precisar preparar o solo. “Isso dá uma vantagem muito grande em termos de custos”, observa. Porém, para realizar esse trabalho, o pesquisador alerta que a soja deve ser colhida com solo seco. Com a área pronta se garante a semeadura na melhor época, mesmo em anos com primavera chuvosa, em que há poucos dias com umidade adequada para semeadura do solo. Anderson também ressalta que a diversificação traz mais estabilidade ao empreendimento: “Neste momento de crise a soja entra como alternativa de renda ao produtor.”

dade a cada ano, segundo ele, foi de 24 para 55 scs/ha/(3.300 Kg/há), com exceção da safra 2009/2010, ano de El ninho, em que o rendimento baixou para 2.018 Kg/ha (cerca de 33 sc/há), mais que suficiente para cobrir os custos de produção. O engenheiro agrônomo Anderson Vedelago ressalta que quem trabalha com arroz precisa dar mais importância para as condições química e física do solo, que melhoram com a rotação de culturas. “Isso facilita o estabelecimento das culturas, não só da soja, como também do arroz. Temos melhores condições no estabelecimento da lavoura”. A engenheira agrônoma Cláudia Lange pontua que a soja possui mercado estável, fato que favorece sua comercialização e torna esta cultura importante fonte de renda para o produtor. “Não se espera mais que o benefício seja encontrado no arroz, mas espera-se já um lucro com a soja na propriedade. Se tornou um componente de renda muito importante”, avalia.

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Propriedades que já utilizam a rotação colhem os frutos desta prática. O produtor Luiz Alberto da Silva Fontoura, do município de Cristal, destaca os benefícios da rotação arroz-soja, que realiza há sete anos, como a limpeza da área para o arroz, o baixo custo da próxima lavoura de arroz e a obtenção de receita com uma segunda cultura - a soja. O aumento de produtivi-

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ROTAÇÃO

Os benefícios da rotação soja com arroz irrigado

foco principal foi verificar quais cultivares suportariam mais tempo o excesso hídrico. Neste período, o cultivo de cultivares resistentes ao herbicida glifosato não estava regulamentado, por isto a seleção foi realizada entre as cultivares convencionais. Após a liberação do cultivo das cultivares resistentes ao glifosato, em 2005,

Foto: Banco de Imagens Irga

Hoje, através deste trabalho, é possível conhecer quais as cultivares são menos sensíveis ao excesso hídrico e as mais adequadas ao cultivo. O uso de cultivares mais adaptadas é uma das ferramentas para a viabilização da rotação soja com o arroz irrigado. A principal meta desta rotação é o controle de plantas daninhas, principalmente o arroz vermelho. “Estamos trabalhando para adaptar o cultivo da soja em rotação com o arroz irrigado e o nosso maior objetivo, até esse momento, é garantir esta ferramenta para o controle do arroz vermelho”, informa Cláudia. Além do controle de plantas daninhas, a rotação

Rotação aumenta a produtividade e reduz custos de produção do arroz

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Foto: Viviane Mariot

N a S a f r a 2004/2005 foi criado no Irga o Projeto Rotação e Sucessão de Culturas, que iniciou com a seleção de cultivares de soja para cultivo em áreas de várzea no Rio Grande do Sul. O objetivo inicial foi Cláudia Lange apresentou Projeto durante identificar entre as Convenção Técnica em Santa Maria cultivares comerciais as mais adequadas começaram os trabalhos de caracterizaao cultivo das áreas de arroz. A coordeção da tolerância ao excesso hídrico nadora do Projeto, a engenheira destas cultivares. agrônoma Cláudia Lange, explica que o


ROTAÇÃO

Atualmente também está sendo avaliado um sistema empregado em outros países, como os Estados Unidos, que é o cultivo da soja numa pequena elevação do solo – que vem sendo chamado de cultivo em microcamalhão, evitando que as raízes das plantas fiquem em solo saturados e privadas de oxigênio para a respiração. Desde a Safra 2009/2010, com uma máquina cedida pela John Deere e adaptada para construção dos microcamalhões, foram conduzidas áreas de observação em diferentes regiões arrozeiras, em solos mais propensos ao excesso hídrico.

Foto: Banco de Imagens Irga

Nestas unidades de observação o desenvolvimento e a produção de áreas de até 5 hectares de soja semeada em microcamalhões foram acompanhados. “Essa é a outra linha que trabalhamos agora, que é a do manejo para diminuir o impacto do excesso hídrico”, informa a pesquisadora. Esta tecnologia está sendo desenvolvida especificamente para solos de alta dificuldade de drenagem

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Foto: Banco de Imagens Irga

Cultivo em microcamalhão

Principal meta desta rotação é o controle de plantas daninhas.

superficial devido à topografia plana ou à baixa altitude, em que o solo permanece saturado por vários dias, limitando o desenvolvimento e a produtividade da soja. Paralelamente, esta tecnologia pode permitir a suplementação hídrica da soja em períodos de seca, aproveitando os sulcos para a irrigação. Além disto, o cultivo em microcamalhão pode viabilizar a adaptação do cultivo de outras espécies de sequeiro nas várzeas de cultivo do arroz irrigado, favorecendo a diversificação de cultivos. O produtor Luiz Alberto relata que a sua experiência cultivando soja sobre microcamalhões, utilizando o sistema camalhões há dois anos, conseguiu melhor resultado que a área testemunha. Camalhões, 57 scs/Ha = 3.421 Kgs e Testemunha 38,68 scs /ha = 2.321 Kgs. “Nos dois anos que plantamos, os camalhões baixaram, não trazendo nenhum problema para implantação do arroz”, observa.

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MANEJO

Sistemas de integração resultam em ganhos econômicos e ambientais Irga variedades lança três novas de arroz

Perdas na diversidade, poluição do ambiente por elementos e resíduos de agrotóxicos e a fragmentação dos habitats são alguns dos problemas que afetam o meio ambiente na agricultura moderna. Por isso os sistemas integrados de produção agrícola estão reassumindo sua importância, pois têm sido reconhecidos como alternativa aos atuais sistemas pouco sustentáveis. Conforme o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e consultor do Irga, Ibanor Anghinoni, os Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária podem resultar em ganhos econômicos e ambientais. “A agricultura conservacionista é potencializada pela diversidade do sistema integrado, onde são criadas novas rotas de ciclagem de nutrientes e novos processos sistêmicos”. Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

O que se espera, com a adoção dos sistemas de produção na várzea do Rio Grande do Sul, diz Ibanor, é a melhoria das condições de solo, física e quimicamente degradadas, o combate do arroz vermelho, a diminuição dos custos de produção e a diminuição de risco. “Tais respostas devem ser mais ou menos específicas para os diferentes cenários da produção orizícola do Estado”. Segundo ele, estes cenários são: As pequenas propriedades e cultivo intensivo de arroz, na Depressão Central; médias e grandes propriedades, com possibilidade de cortes, na Fronteira Oeste, Campanha e zona Sul; e em modelos mais complexos de produção, com mais de 50% dos casos de áreas arrendadas. Foto: José Mathias Bins Martins

Segundo o especialista, se trata de um sistema de produção que soluciona problemas de produção e conservação. “Com isso atendemos às demandas da sociedade, que tem gerado enorme interesse na política nacional”, observa. Dentre as iniciativas do governo federal, até 2020, para reduzir entre 36,1 a 38,9% as emissões nacionais de CO2-equivalente (entre 18 e 22 milhões de toneladas), está o comprometimento em implementar, pelo menos, quatro milhões de hectares operando em sistemas integrados de produção.

culturas comerciais. Conforme Ibanor, especialmente a soja, no período de verão, em áreas de cultivo de arroz, são alternativas para agregar sustentabilidade, como a ciclagem de nutrientes, o controle de plantas daninhas e a eficiência do uso de insumos que passam a complementar a renda do produtor. “São alternativas, e mesmo soluções, para o grave problema atual da lavoura arrozeira gaúcha, em função dos preços muito baixos pagos pelo arroz e do seu alto custo de produção.”

Oportunidades e benefícios Os sistemas integrados de produção com o arroz irrigado no Rio Grande do Sul trazem como oportunidades e benefícios o estabelecimento de pastagens para a atividade pecuária e a sua rotação com

Integração Lavoura e Pecuária na Fazenda Cavalhada, em Palmares do Sul

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Irga variedades lança três novas

de arroz


EVENTO

Dia de Campo Estadual reúne 800 produtores em Cachoeirinha Foto: Viviane Mariot

Produtores valorizaram a qualidade das apresentações de estratégias sustentáveis para lavoura de arroz irrigado.

Com objetivo de difundir tecnologias e mostrar as novidades e os resultados de pesquisa para a lavoura de arroz irrigado, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) realizou, no dia 03 de março, Dia de Campo Estadual, na Estação Experimental do Arroz (EEA), em Cachoeirinha. Com o tema “Tecnologias que geram sustentabilidade e rentabilidade”, o evento trouxe conhecimentos e novas tecnologias para centenas de arrozeiros do estado do Rio Grande do Sul. Segundo o presidente do Irga, Claudio Pereira, o Dia de Campo tem a função de prestar contas à sociedade e apresentar aos produtores o que já está disponível. “Esse encontro arrozeiro mostra o futuro da lavoura e é uma oportunidade para os produtores se programarem para receber as tecnologias e trazer as novidades. Além disso, queremos aproximar cada vez mais o Irga dos produtores”, destacou. A programação contou com a visita em seis estações experimentais. Os engenheiros agrônomos, técnicos e extensionistas do Instituto conduziram grupos de produtores ao campo, onde eram recepcionados por pesquisadores

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em cada estação. Na primeira estação foram apresentadas as estratégias de uma lavoura sustentável. Já na segunda foram abordadas as “Boas práticas de manejo na adubação” e, na terceira, o foco foi a “Importância da qualidade de sementes na sustentabilidade da lavoura de arroz do RS”. O evento mostrou, na quarta estação, os Projetos desenvolvidos pela equipe de Melhoramento Genético. Foi destacada a avaliação do potencial produtivo de linhagens promissoras em diferentes ciclos com qualidade e resistência a toxidez e a doenças, oferecendo ao produtor diferentes opções. Os ensaios apresentados mostraram, também, o comportamento da planta no atraso da colheita. O arroz Híbrido foi destaque na quinta estação, e na sexta, a atenção esteve voltada para as estratégias da “Rotação de arroz irrigado com soja”. Para o arrozeiro e conselheiro do Irga, Nelson Tatsch, de Rio Pardo, o encontro é uma oportunidade para verificar os trabalhos de desenvolvimento da pesquisa de nossas cultivares de manejo e do processo de cultivo e da difusão de tecnologias. “É uma oportunidade de questionamentos, de esclarecimento de dúvidas de campo. É um momento ímpar”, concluiu. O Dia de Campo Estadual contou com a presença de agricultores, técnicos de empresas privadas e públicas, estudantes, pesquisadores, e interessados na cultura. O evento técnico teve o apoio do Governo do Estado, Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio e Fundação Irga.

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TECNOLOGIA Experiência com uso do Falcão robotizado atraiu atenção de centenas de produtores durante Dia de Campo, em Cachoeirinha

Irga variedades lança três novas

de arroz

Produtores poderão contar com as novas variedades a partir da próxima safra

O falcão robotizado é um equipamento desenvolvido na Itália e patenteado, que imita o falcão, predador temido por aves de menor porte. O método foi apresentado pela empresa Hayabusa Falcoaria e Consultoria Ambiental LTDA. Segundo o presidente do Irga, Claudio Pereira, o falcão é uma alternativa que traz valor agregado para a lavoura de arroz. “O equipamento espanta pássaros que acabam com experimentos da lavoura. Com essa experiência, será possível estabelecer a relação de custo-benefício do projeto”, salientou.

Foto: Viviane Mariot

A tecnologia serve para afugentar pássaros considerados pragas do arroz irrigado

Foto: Viviane Mariot

Durante o Dia de Campo Estadual, promovido pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), no dia 03 de março, foram realizadas algumas demonstrações para produtores do estado do Rio Grande do Sul sobre a técnica de controle de aves através da utilização do falcão robô. O aparelho sobrevoou uma área de 60 hectares de lavouras experimentais de arroz, em Cachoeirinha. A novidade é utilizada para afugentar o pássaro-preto (Agelaius ruficapillus) da lavoura de arroz irrigado. O procedimento é experimental e teve autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Irga é pioneiro no Brasil no uso do falcão robotizado em lavoura de arroz.

De acordo com o biólogo e responsável, Gustavo Trainini, da empresa Hayabusa Consultoria, o objetivo foi mostrar a importância de se desenvolver técnicas sustentáveis para o controle de aves sem a necessidade de utilizar produtos que possam poluir ou deixar passivos ambientais. Diante da avaliação do uso do falcão robô, Trainini comentou que o processo serve como uma alternativa no controle por afugentamento de espécies consideradas como praga, no caso do garibaldi (Chrysomus ruficapillus). Conforme o biólogo, os resultados apontaram que a medida é eficaz no controle desta espécie e que o uso da metodologia de forma preventiva (antes da temporada reprodutiva) pode aumentar ainda mais os resultados obtidos, pois não permitirá a utilização do local para nidificação. Outro aspecto positivo destacado por ele é que a técnica não altera as condições normais de produção do arroz, sendo operacionalizada a distância através do controle remoto.

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TECNOLOGIA

Irga variedades lança três novas

de arroz

Tecnologia inovadora é implantada em sistema de irrigação Foto: Viviane Mariot

Foto: Banco de Imagens Irga

Programa permite controlar a irrigação desde a partida do motor

Produtor de Palmares do Sul, no litoral norte do Rio Grande do Sul, Marcelo Meyer dos Santos descobriu uma maneira de diminuir os custos de produção da lavoura de arroz. Ele instalou em sua propriedade um sistema de irrigação totalmente automatizado. Os primeiros resultados podem ser comprovados pela economia de água e de energia elétrica. Marcelo dos Santos conta que a idéia surgiu a partir da necessidade de ter um sistema que pudesse ser monitorado de qualquer lugar. Segundo ele, o mecanismo funciona por um programa que permite controlar a irrigação por meio de um computador desde a partida do motor. “Essa automatização utiliza o que existe de mais moderno no comando de motores elétricos. Sua partida é a mais suave possível, economizando energia e protegendo os equipamentos, pois, no momento de parada das bombas, evita o golpe de aríete, onde a água retorna

dando golpes na tubulação, danificandoa”, explica o produtor. Outra vantagem apontada pelo orizicultor é a redução da mão-de-obra, pois os motores operam totalmente independentes, monitorados em tempo integral pelos sensores que ligam e desligam de acordo com as necessidades programadas, como horários, níveis de água ou, no caso de chuva, quando desligam o sistema de acordo com a quantidade programada. Uma das conveniências destacadas por Marcelo em relação ao sistema é que ele opera os motores à distância, através da internet, dispensando um operador. Também pode ser implantado um sistema de vigilância, através de câmeras, sendo possível visualizar as bombas, motores, saída de água, canais de irrigação e o que mais o produtor julgar necessário. Irga deve implantar o sistema de forma experimental O assessor técnico do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Sérgio Iraçu Gindri Lopes, revela que a intenção é firmar uma parceria com o produtor e instalar uma unidade-modelo junto à Estação Experimental do Arroz (EEA), em Cachoeirinha. “Queremos demonstrar e difundir essa tecnologia para os produtores que nos visitam rotineiramente como também durante os dias-de-campo”, diz Gindri.

Vantagens da automação - possibilita a irrigação sem necessidade de acompanhamento; - diminui a potência no acionamento dos motores; - diminui a mão de obra;

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- diminui custos de bombeamento; - precisão nos horários de irrigação; - eficiência na aplicação da água; - pode ser visualizado e operado de qualquer lugar.

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INDENIZAÇÃO

Produtores podem ser indenizados por perdas com granizo É um compromisso do governo com os arrozeiros gaúchos

Em dezembro último a legislação foi atualizada com a publicação do Decreto nº 47.724, pelo qual a indenização poder ser feita desde que o evento ocorra até 30 de abril de cada ano. Após essa data não está mais coberto pelo seguro. O orizicultor que deseja fazer a sua inscrição junto ao Irga tem até 30 de dezembro do ano-safra. “O granizo é o problema mais sério em termos de prejuízo, pois depois que o grão fica no chão, não tem mais como colhêFoto: Banco de Imagens Irga

A preocupação é indenizar o custo produção

Foto: Banco de Imagens Irga

A queda de granizo é o fator de maior risco para a lavoura de arroz e a causa de maior prejuízo ao produtor. Todos os orizicultores com lavouras no Estado e inscritos no Irga podem ser indenizados pelos prejuízos sofridos com a queda do granizo. Inclusive, a segunda parcela do seguro que indeniza os prejuízos causados pelo granizo na safra 2009/2010 foi entregue no início do ano pelo atual governo. A entrega simbólica dos valores foi feita pelo secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, e pelo presidente do Irga, Claudio Pereira. Um total de R$ 1.694.132,16 foi pago a 16 arrozeiros beneficiados com a iniciativa.

Granizo é o fator de maior risco para a lavoura de arroz

“O granizo é o problema mais sério em termos de prejuízo, pois depois que o grão fica no chão, não tem mais como colhê-lo.” lo”, destaca o responsável pela Seção de Política Setorial do Irga, Victor Hugo Kayser. Para ser indenizado, o produtor tem um prazo de três dias após a queda do granizo para comunicar a representação do Irga mais próxima da sua cidade sobre o dano sofrido e solicitar uma vistoria na lavoura. Segundo Kayser, o Irga num prazo determinado faz a vistoria e orienta o produtor sobre as formalidades junto ao Instituto. “A preocupação do Irga é indenizar o custo produção, não o que ele deixou de produzir”, explica. O orizicultor não precisa comprovar as despesas inerentes a própria lavoura, como a semeadura, o preparo de solo e a limpeza de canais, mas têm outras que necessitam, como uso de insumos, adubos,

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INDENIZAÇÃO

Foto: Banco de Imagens Irga

agrotóxicos, serviços contratados (como frete, aviação agrícola, entre outros). No caso de arrendatário é preciso apresentar contrato prévio de arrendamento formalizado em cartório, bem como o caso de fornecimento de água ou despesas de energia elétrica (contratado de terceiros). Kayser explica que para o produtor usufruir do direito a indenização por granizo é preciso ter a licença de operação da lavoura. “Se não tiver essa licença, a lavoura não está legalizada e o Irga não efetuará a indenização” observa. É preciso que o produtor procure um técnico habilitado para que seja feita a formalização da lavoura junto a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Também é necessário que esteja com todos seus os tributos estaduais em dia. Já para o produtor com mais de uma lavoura, a indenização considera todas as lavouras que possui e se for sócio terá que comprovar as despesas e receitas com as propriedades para ser indenizado. Para efetuar a inscrição, que é

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gratuita, basta procurar os Núcleos de Assistência Técnica no interior, apresentar carteira de identidade, CPF e nota de produtor do município que tenha a lavoura, com as caracterizações dele e da área plantada com arroz. No caso do produtor pessoa jurídica, é preciso levar a ata de constituição da empresa e o CNPJ. Segundo Kayser, o Irga indenizou 25 produtores em 2010, totalizando R$3,9 milhões. Hoje existem mais de 14.000 lavouras inscritas no IRGA. Ele destaca o benefício proporcionado aos produtores com a indenização por queda de granizo, como forma de ajudá-los a manterem a sua atividade, proporcionando condições para que no próximo ano de safra, voltem a plantar arroz em suas propriedades. “A indenização é um dos grandes serviços que o Irga presta, além da pesquisa e da extensão.” O produtor de Santo Antônio da Patrulha, Zuenio Thomazi, é a prova que a indenização representou a saída de uma situação crítica. O orizicultor, que as vésperas da colheita, perdeu mais da metade da produção da safra passada e estava sem condições de manter sua lavoura, conta que através da indenização, ele e outros produtores conseguiram continuar na atividade. “Se não existisse a indenização, o prejuízo seria tão grande, ao ponto de não conseguir mais plantar arroz. É muito importante essa ferramenta ao produtor.”

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INTERCÂMBIO

Irga e Vietnã encaminham acordo de cooperação para produção do arroz A orizicultura gaúcha no Vietnã

Juntamente com a comitiva gaúcha o presidente do Irga visitou a Academia Vietnamita de Ciências Agrárias, entidade que congrega várias instituições de pesquisa, e a Universidade de Agronomia do Vietnã. O dirigente da autarquia apresentou dados da produção de arroz do Brasil, e em especial, do Rio Grande do Sul. Além de destacar o papel do Irga no desenvolvimento da cultura do arroz, também aproveitou para encaminhar a discussão sobre as possibilidades de estabelecer parcerias com a Academia. O presidente da Academia Vietnamita, Nguyen Van Bo, destacou a agricultura e sua importância para a economia do Vietnã, que passa por profundas transformações a partir da abertura econômica que está em curso no

Foto: Banco de Imagens Irga

O estabelecimento de um acordo de cooperação técnica entre o Irga e a Academia Vietnamita de Agricultura e Ciência foi um dos resultados da visita feita em abril ao Vietnã pelo presidente do Instituto, Claudio Brayer Pereira. Ele integrou uma comitiva composta por deputados estaduais, empresários, representantes do Governo do Estado, do Judiciário e de universidades federais. A equipe técnica do Irga está elaborando um documento que será remetido à avaliação da Academia Vietnamita para, então, ser assinado o acordo entre as instituições, que será voltado à transferência de tecnologia em diversas áreas como germoplasma, melhoramento genético e manejo.

Claudio Pereira: “Vietnã pode nos dar exemplos mais eficientes.”

país. Ele também falou das expectativas em relação às parcerias de intercâmbio com o Brasil na área da agricultura. Com uma história de mais de três mil anos no cultivo do arroz, o Vietnã produz comercialmente há mil anos. O país é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador de arroz do mundo. Atualmente, segundo o dirigente do Irga, o Vietnã deseja diminuir a dependência das variedades híbridas da China, uma vez que toda a produção de arroz do país depende disso. Um projeto da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) visa resgatar variedades tradicionais que possam ser multiplicadas, garantindo ao produtor sua própria semente. "O Vietnã detém o conhecimento de uma cultura milenar e tem um banco genético importante. É preciso avançar em melhoramento genético”, afirma Claudio Pereira. Essa é uma das contribuições que o Irga pode dar após o acordo de cooperação técnica. "Temos um programa avançado de melhoramento genético, que ao longo dos anos vem permitin-

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INTERCÂMBIO lavouras", completa o presidente. Em contrapartida, o Vietnã colocaria à disposição sua experiência em produção agroecológica, pesquisa em germoplasma e manejo. O país tem uma área de sete milhões de hectares de arroz irrigado com um clima que permite duas colheitas por ano. "Num país do tamanho do RS, plantam uma área sete vezes maior que a nossa e colhem 40 milhões de toneladas", diz o presidente. Aqui no Estado, a produção deste ano foi de 9 milhões de toneladas. A proposta é buscar essa experiência, pesquisar e adaptar as soluções ao sistema gaúcho de produção, que hoje é baseado no modelo americano. Em todo o mundo, 95% dos sistemas de produção de arroz são no modelo utilizado no Vietnã. "Atualmente, nossos problemas de produção, custo e comercialização se devem a isso. Nossa lavoura é cara. O Vietnã, apesar de ter uma escala menor do que a nossa em termos de tamanho de lavoura, pode nos dar exemplos mais eficientes, dependendo menos de insumos.” O Irga dará atenção especial aos pequenos produtores, que correspondem a 70% do total no RS, buscando alternativas de produção que possam ser adaptadas a essas lavouras. "Um fato muito importante constatado lá é a economia de água. Eles usam técnicas que permitem usar pouca água. É isso o que pretendemos: de uma região em que a cultura do arroz é milenar, podemos trazer soluções para a nossa lavoura centenária", explica Pereira. Exportação de máquinas

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Outra perspectiva que surge a partir dessa visita ao Vietnã é a exportação de máquinas agrícolas pela indústria gaúcha. Os vietnamitas, a exemplo da modernização que ocorre em toda a infraestrutura do país, querem aprimorar também o parque tecnológico da lavoura de arroz e da agricultura como um todo. Isso significa uma oportunidade para a indústria exportar tratores, implementos e, inclusive, equipamentos de secagem e armazenagem, já que hoje os sistemas em operação são primários e operados pelas próprias famílias. A delegação gaúcha que esteve no Vietnã foi composta pelos deputados estaduais Raul Carrion, Alceu Barbosa Velho e Marcelo Morais. Integraram ainda, a comitiva, o Assessor da Bancada do PT na Assembleia Legislativa, João Ferrer, e o Assessor Especial do governador Tarso Genro para Assuntos Internacionais, Frederico Fornazieri. O deputado estadual, Heitor Schuch, também integrante da comitiva, destaca as semelhanças entre os dois países, como a participação da agricultura familiar e sua importância no conjunto produtivo do Estado. A delegação gaúcha aproveitou a oportunidade para visitar entidades empresariais, empresas estatais e privadas vietnamitas, assim como gestores na área de intercâmbios econômicos do país, com o objetivo de estabelecer relações e identificar oportunidades de negócios, trocas comerciais, intercâmbios tecnológicos e investimentos.

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ARTIGO TÉCNICO

Reduzindo o excesso hídrico na soja em várzea * Anderson Vedelago * Cláudia Lange apresentam dificuldades de drenagem, sendo o caso das lavouras sistematizadas ou terrenos planos e em cotas baixas. Tais áreas ocorrem principalmente nas Regiões da Planície Costeira Externa, Planície Costeira Interna, Zona Sul, Depressão Central e em partes da Campanha.

O cultivo de soja Roundup Ready está sendo utilizado atualmente como uma importante ferramenta para diminuição da infestação de plantas daninhas, especialmente o arroz vermelho. O arroz vermelho é a principal planta infestante da grande maioria das lavouras de arroz no Estado, causando severas perdas de produtividade e qualidade do produto final, além de inviabilizar algumas áreas por um longo período de tempo devido ao elevado número de sementes contidas no solo. Foto: Anderson Vedelago

Atualmente o IRGA está testando a semeadura de soja em micro-camalhões. Esta é uma tecnologia concebida para reduzir os efeitos negativos do excesso hídrico no cultivo de soja em áreas que

Foto: Anderson Vedelago

Entretanto, as áreas de várzeas apresentam alguns fatores limitantes para o cultivo de soja, sendo o excesso hídrico o principal deles. Drenagem rápida é indispensável para a formação de lavouras com elevado potencial produtivo, além de trazer outros benefícios para todo o sistema de rotação arroz irrigado/soja, como diminuição de toxidez por ferro, maior degradação dos herbicidas do Sistema Clearfield, etc.

Os micro-camalhões consistem na formação de uma pequena elevação do terreno de aproximadamente 12 cm. Os micro-camalhões garantem que o excesso de água fique acumulado nos drenos, enquanto que a parte do solo onde as plantas se desenvolvem fica acima da lâmina de água, garantindo a oxigenação do sistema radicular e minimizando os efeitos prejudiciais do excesso hídrico na soja.

Com isso, espera-se que a planta de soja estabelecida na cota mais alta do terreno tenha o seu desenvolvimento favorecido durante todo o seu ciclo, inclusive durante a fase crítica de estabelecimento da lavoura, quando as sementes ou plântulas dispõem de baixo conteúdo de reservas nutritivas e são mais

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ARTIGO TÉCNICO quantidade requerida por uma lavoura de soja de alto potencial produtivo, sobretudo porque o teor médio de matéria orgânica dos solos cultivados com arroz é baixo, na sua maioria inferior a 2%. Neste caso a adubação com nitrogênio mineral passa a ser imprescindível, sobrecarregando o custo de produção.

sensíveis à falta de oxigênio no solo decorrente do excesso hídrico.

Foto: Cláudia Lange

Além do excesso hídrico, a déficit hídrico também é comum às várzeas no RS, sendo um estresse que apresenta elevado índice de perda da produtividade da soja nas lavouras. A falta de água nas lavouras pode ser amenizada pela irrigação por banho, sendo utilizado para isto toda a infra-estrutura já existes para as lavouras de arroz irrigado. Neste sentido, os microcamalhões são uma ferramenta importante, uma vez que evitam danos provocados pelo excesso hídrico que poderá ocorrer com este modelo de irrigação em grandes áreas. Foto: Anderson Vedelago

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Foto: Anderson Vedelago

O cultivo em micro-camalhão também pode beneficiar a formação de nódulos responsáveis pelo fornecimento de nitrogênio para a soja em várzea. Isto porque o período de estabelecimento da plântula (até o estádio V3) é crítico para a formação dos nódulos. A ocorrência de excesso hídrico nesta fase pode inviabilizar totalmente a sua formação. Na ausência de nódulos, as plantas precisam adquirir o nitrogênio necessário para o seu desenvolvimento de outra forma. Uma pequena parte desta necessidade pode ser suprida pela mineralização da matéria orgânica do solo. Esta fonte, no entanto, tende a ser insuficiente para prover a

A Máquina utilizada pelo IRGA para semear soja em micro-camalhões é uma semeadora de plantio direto, onde foram realizados alguns ajustes e alterações para a formação dos micro-camalhões e semeadura em uma única operação. Desta forma, diminui-se o número de operações nas lavouras e evita-se gastos excessivos em maquinário. A principal alteração na semeadora foi a substituição dos sulcadores por aivecas, sendo estas as responsáveis pela formação dos microcamalhões.


ARTIGO TÉCNICO Figura 1: Vista lateral e frontal da semeadora de soja em micro-camalhão. Durante a semeadura, é indispensável que seja ajustado corretamente o limitador de profundidade das sementes para que estas sejam depositadas uniformemente de 3,5 a 5 cm, variando conforme umidade do solo, tipo de solo e condições ambientais. Foto: Anderson Vedelago

Na safra 2010/2011, na Fazenda Corticeiras, em Cristal, foi implantada uma lavoura de arroz sucedendo a soja cultivada em micro-camalhões sem que fosse realizado o aplainamento do solo. Nesta área apenas foram confeccionadas as taipas e semeado o arroz de forma direta. Foto: Anderson Vedelago

Preparo do solo – para semeadura de soja em micro-camalhão em rotação com o arroz irrigado é necessário que o solo esteja preparado (sistema de preparo convencional) e também esteja sistematizado ou aplainado. Chuvas após o preparo do solo e antecedendo a semeadura facilitam a confecção de micro-camalhões uniformes e favorecem a germinação das sementes e emergência das plântulas de soja devido a uniformidade da umidade no solo. Foto: Anderson Vedelago

* Engº. Agrº. - Pesquisador da EEA * Engª. Agrª. Dra. - Pesquisadora da EEA

Implantação do arroz após soja em microcamalhão: ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura da soja, as chuvas incidentes reduzem paulatinamente a altura dos microcamalhões. Ainda não há consenso se o uso de plaina deverá ser feito para garantir uma superfície mais plana ou se está operação será dispensável. Em trabalhos na Austrália há referências do cultivo de arroz em situação análoga ao de terrenos preparados em micro-camalhões (BEECHER, H.G. et al., 2007. Using Raised Beds ow Farms. A report for the Rural Industries Research and Developmental Corporation Union off set Printing Cauberra, Australia. 72 p.)

A semeadura da soja em várzeas em micro camalhões é uma prática que merece destaque e estudos aprofundados na busca de identificar seus benefícios para a soja, sua viabilidade técnica e econômica e também seus inconvenientes para a lavoura de arroz semeada em sequência.

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CURTAS Irga participa da Abertura da Colheita do Arroz Ecológico

Irga marca presença no Congresso de Arroz Irrigado em Camboriú/SC Foto: Vilmar da Rosa

Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, prestigia o evento ao lado de representantes de entidades ligadas ao setor.

O Irga participou da 8ª Abertura da Colheita do Arroz Ecológico, no dia 17 de março, em Eldorado do Sul-RS. O objetivo foi celebrar a colheita e divulgar a produção do Arroz Ecológico Terra Livre, promovendo troca de experiências e a reafirmação do produto na cadeia produtiva de arroz ecológico. Essa produção está distribuída em 11 municípios do Estado, principalmente da região de Porto Alegre, envolvendo 428 famílias. O evento contou com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio e Irga.

Embaixador do Vietnã visita Estação Experimental do Arroz

Foto: Viviane Mariot

O presidente do Irga, Claudio Pereira, recebeu em março a visita do embaixador da República Socialista do Vietnã no Brasil, Duong Nguye Tuong. Acompanhado do deputado estadual Raul Carrion (PCdoB), o embaixador esteve na Estação Experimental do Arroz (EEA), em Cachoeirinha, onde conheceu o campo experimental e os trabalhos desenvolvidos pela pesquisa e extensão da autarquia. O Vietnã é o maior produtor mundial de arroz e a visita teve como objetivo estreitar relações comerciais e científicas.

Balneário Camboriú/SC – O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) se destacou com a apresentação qualificada de 65 trabalhos de pesquisa no 7º Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado (CBAI), no Balneário Camboriú, Santa Catarina. O evento que aconteceu de 09 a 12 de agosto de 2011 superou as expectativas com mais de 650 inscritos, entre professores, pesquisadores, empresários, industriais, técnicos, estudantes e produtores de todo o país e também do exterior. Com a promoção da Sociedade SulBrasileira de Arroz Irrigado (Sosbai) e sob a coordenação da Epagri/Estação Experimental de Itajaí, o tema da sétima edição do Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado foi “Racionalizando recursos e ampliando oportunidades”, tendo em vista à demanda pelo uso racional de recursos naturais para a sustentabilidade da lavoura arrozeira e à necessidade da conquista de novos mercados com um produto diferenciado. Os resultados das pesquisas apresentadas durante o evento poderão ser incorporados nas Recomendações da pesquisa para o arroz irrigado no Brasil a partir no ano de 2012, quando acontecerá a 29ª Reunião Técnica da Cultura do Arroz Irrigado, sob a coordenação da Sosbai e da Comissão Técnica do Arroz.

Claudio Pereira e Duong Tuong.

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LAVOURA IRGA - Instituto Rio Grandense do Arroz

Mais de 60 técnicos participam do 18º MICA em Cachoeirinha

Comitê Técnico do Flar se reúne em Treinta y Tres, no Uruguai Foto: Banco de Imagens Irga

Com objetivo de qualificar e capacitar agentes do setor orizícola, o Irga, promoveu o 18º curso de Manejo Integrado do Cultivo de Arroz (MICA), no auditório da Estação Experimental do Arroz (EEA), em Cachoeirinha. O encontro mostrou as principais ferramentas de cultivo para uma lavoura sustentável. O presidente da autarquia, Claudio Pereira, parabenizou os participantes pelo interesse em buscar informações em suas áreas e afirmou que a atual gestão irá atuar cada vez mais nesse processo de capacitação para a lavoura de arroz.

Representantes do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile participaram da reunião do FLAR

Foto: Viviane Mariot

Irga qualifica técnicos sobre manejo integrado do cultivo do arroz.

Irga de São Borja terá novo escritório A Prefeitura Municipal de São Borja autorizou a doação de terreno ao Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) para a construção de um novo escritório. A Casa do Arrozeiro funcionará como meio de assistência técnica aos produtores. Faltam somente obras de acabamento para que seja concluído o núcleo. O terreno tem uma área de 1.793,79 metros quadrados e está localizada ao cruzamento da Av. Presidente Tancredo Neves e Av. Francisco Carlos Banderó, em frente ao Parque de Exposições Serafin Dornelles Vargas. Cerca de 250 arrozeiros

Os pesquisadores da Estação Experimental do Arroz (EEA/Irga) de Cachoeirinha, Renata Pereira da Cruz, Gustavo Funck e Danielle Costenaro da Silva, participaram da reunião do Comitê Técnico para a Zona Temperada do Fundo Latino Americano de Arroz Irrigado (FLAR) que aconteceu nos dias 19 e 20 de julho no, Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA), na cidade de Treinta y Tres, Uruguai. Participam representantes do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. A reunião foi coordenada pelo Diretor Executivo do FLAR, Gonzallo Zorrilla, que apresentou o informe institucional. Também participaram representantes do Instituto Nacional de Tecnologia e Agropecuária (INTA), Argentina, INIA, Uruguai, INIA, Chile, e Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), Colômbia e, por meio de vídeo conferência, representantes da FEDEARROZ, do Chile. Além dos resultados obtidos com os viveiros recebidos do FLAR na última safra, foram discutidos o Consórcio de Híbridos e o Projeto FONTAGRO, que trata do uso da seleção assistida por marcadores moleculares para tolerância ao frio na fase reprodutiva do arroz.

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CURTAS Parceria entre Fepagro e Irga integra pesquisa com o arroz em Eldorado do Sul Representantes da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) e do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) estiveram reunidos no dia 12 de abril no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), em Eldorado do Sul. O encontro teve como objetivo tratar do uso de uma área de 140 hectares, pertencentes ao IPVDF, para pesquisas com sistemas integrados de várzea.

Boletim Técnico aborda salinidade e seus efeitos sobre o arroz O Irga lançou, recentemente, o Boletim Técnico nº 10, com o título “Salinidade da água e do solo e seus efeitos sobre o arroz irrigado no Rio Grande do Sul”. A obra foi desenvolvida pelo pesquisador do Irga, Felipe de Campos Carmona, pelo consultor técnico, Ibanor Anghinoni, e pelo pesquisador do Instituto de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Eliseu José Weber. Para adquirir o Boletim Técnico, basta solicitar ao escritório do Irga mais próximo.

Governo Federal autoriza leilões 500 mil toneladas de arroz para uso em ração animal Com a determinação de garantir o preço mínimo do arroz, o Governo Federal, em conjunto com o Governo do Estado, determinou no dia 15 de agosto, em Porto Alegre, a autorização de leilões para compra de arroz para utilização em ração animal. O anúncio foi feito pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, durante reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz, realizada no Palácio Piratini. Está previsto o investimento de R$ 60 milhões para o escoamento de 500 mil toneladas do grão tipos 2 e 3 dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Pela modalidade Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), os leilões acontecem a partir do final do mês de agosto e devem ser realizados a cada 15 dias, ofertando, em média, 100 mil toneladas por vez. O arroz será utilizado na composição de ração para aves e suínos em substituição ao milho.

Irga capacita 70 técnicos para Adequação Ambiental da Lavoura de Arroz Com a participação de 70 pessoas, o 7º Curso de Adequação Ambiental foi realizado nos dias 13 e 14 de julho na Estação Experimental do Arroz (EEA), em Cachoeirinha. Promovido pelo Irga, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente/Fundação Estadual de Proteção Ambiental, do Centro Nacional de Tecnologias Limpas do Senai, do inpEV, da ANDEF, da Querodiesel, da Federarroz, e do Crea-RS, o encontro superou as expectativas. De acordo com o consultor técnico do

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Irga, Claudio Mario Mundstock, a avaliação dos participantes foi muito positiva. O curso foi realizado com uma programação integrada entre os palestrantes e o público. “Nesta edição, os cursistas tiveram um espaço significativo para trocar idéias e informações com os técnicos responsáveis pelas palestras”, afirmou. Na avaliação do consultor, o curso de Adequação Ambiental é fundamental, pois traz o posicionamento de outras empresas e entidades ligadas às questões ambientais.

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CURTAS Dia do Arroz reúne mais de 250 produtores na 34ª Expointer

Foto: Viviane Mariot

O Irga, em parceria com o Canal Rural, realizou, no dia 29 de agosto, o Fórum “Repensando a Lavoura de Arroz”, com foco nos painéis “Políticas Públicas para a Cadeia produtiva” e “Alternativas técnicas e comercialização”. O evento, apresentado pelo jornalista Irineu Guarnieri, foi transmitido ao vivo para todo o Brasil. Participaram o representante da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Maria dos Anjos, o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz, Francisco Schardong, o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do RS, Luiz Fernando Mainardi, o presidente do Irga, Claudio Brayer Pereira; produtor de arroz agroecológico biodinâmico, João Volkmann; produtor do arroz Ecobiológico, Ariovaldo Ceratti; e o presidente da Cooperativa Central dos Assentados (Coceargs), Emerson Giacomelli.

Irga estabelece Convênios de Cooperação Técnica na 34ª Expointer

Foto: Viviane Mariot

O presidente do Irga, Claudio Brayer Pereira, e o Diretor-Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Pedro Antonio Arraes Pereira, assinaram, na Casa do Irga, protocolo de intenções para execução de projetos. Foram estabelecidos, também, convênios com as seguintes entidades: Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),Universidade Federal do Rio Grande (UFRG/FURG), Universidade Federal de Pampa (UNIPAMPA Campus Uruguaiana), Universidade do Vale do Rio do Sinos (UNISINOS), Fundação Pró-Sementes de Apoio à Pesquisa, Industrial KF, RiceTec Sementes LTDA. e Bayer S.A.

Programa Arroz na Bolsa é lançado na Expointer O Irga em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Emater-RS/Ascar, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Banco Banrisul, Banrisul Corretora de Valores e Bolsa Brasileira de Mercadorias – BBM, lançou o Programa Arroz na Bolsa, na Casa da BBM.

O programa tem por objetivo oferecer aos pequenos e médios produtores de arroz, indústrias de beneficiamento ou de transformação e comerciantes o acesso a mecanismos de mercado que garantam preço justo na época de venda do seu produto.

Lavoura Arrozeira - Porto Alegre, v.59 - número 456 - Setembro 2011

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ALMANAQUE

Lavoura Arrozeira há 50 anos Lavoura de arroz nos meses de setembro e outubro de 1961 - p. 17 Mês de setembro

vento e o sol enxuguem os quadros. (...)

Continua o trabalho de preparação das terras. Pode-se dar início à discagem. Para os que ainda usam bois na lavoura é a época própria para amansar os tambeiros (bois novos) que são aproveitados nos discos. (...)

Mês de outubro

Limpam-se os canais de irrigação. Ultimam-se os preparativos para a instalação de máquinas, bombas e calhas. Pode-se começar, neste mês, os serviços de semeadura e adubação, se o tempo permitir e a terra não estiver excessivamente úmida. (...) Ao chegar a época de semear, é comum ocorrerem chuvas, que inundam parte dos quadros que não são discados e os que já estavam discados. Com a água nos quadros, o orizicultor espera que o

Continuam os trabalhos de preparação das terras e semeadura, sendo o mês, ótimo para a semeadura e adubação. A maior parte da lavoura deve ficar semeada neste mês. (...) Mês de trabalho intenso com os tratores, que viram até à noite, em muitas lavouras. Prestar atenção à lubrificação dos tratores, seguindo as instruções de mudança de óleo e filtro. (...) Os ensaios da Estação Experimental de Arroz de Gravataí indicam que o arroz dá melhores colheitas quando semeado em outubro e até o dia 15 de novembro. A dificuldade para semear em outubro é o grande número de dias de chuva no mês. (...) As chuvas, no começo de outubro, com frequência alagam os primeiros quadros semeados. O orizicultor deve usar um arado a boi e tirar a água empoçada, fazendo regos até os esgotos. O cascudo ataca o arroz recémnascido, especialmente em terra de campo (ou nova). O remédio é apressar e adiantar o primeiro banho.

Capa da Revista Lavoura Arrozeira de Setembro de 1961 nº 177

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Evitar atraso na irrigação. Não basta ter a bomba e o motor prontos ou a água do açude à espera. É preciso que o entaipamento esteja pronto a tempo. Não deve a água esperar pelas taipas. Tanto a semeadura do tarde como o entaipamento atrasado podem ocorrer para baixar a média de sua lavoura.

Lavoura Arrozeira - Porto Alegre, v.59 - número 456 - Setembro 2011


Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio

TRABALHANDO PARA AUMENTAR A RENDA DO PRODUTOR E A PRODUÇÃO DA AGROPECUÁRIA GAÚCHA

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Revista la 456  

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