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Volume 61 – nº 459 – novembro/dezembro/janeiro – 2012/2013

O papel do Irga é ser protagonista no processo produtivo do setor orizícola Presidente faz balanço da gestão.

Começa a safra 2012/2013

Por que usar sementes certificadas?

Irga realiza Concurso Público


Foto: Fernando Dias - Seapa

A agropecuária gaúcha está mais forte O Governo do Estado, com o apoio do Governo Federal, investe mais de R$ 50 milhões na modernização do serviço de defesa sanitária. É o maior volume de recursos aplicado nas últimas décadas na modernização e revitalização das estruturas físicas e de informática das inspetorias veterinárias, treinamento de pessoal, contratação de quase 350 novos veterinários, agrônomos e engenheiros florestais, aquisição de veículos, entre tantas outras melhorias. A ação, desenvolvida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, vai dar suporte ao desenvolvimento da agricultura e pecuária do Rio Grande do Sul, na medida em que qualifica, ainda mais, o sistema de defesa agropecuária, preparando nossa produção para conquistar os melhores mercados do mundo.

Mais renda para o produtor Com isso, ganham, em primeiro lugar os produtores que obterão melhores preços por seus produtos. Ganha o Estado, com o aumento da arrecadação de impostos, o que possibilitará novos investimentos em saúde, educação, segurança, infra-estrutura... Ganha a sociedade gaúcha.

Esta é mais uma conquista dos gaúchos


Ao Leitor Sinalizamos, com isso, que estamos preocupados, concretamente, em romper com as amarras que ainda prendem o arrozeiro quando o assunto é a dependência tecnológica e de insumos, situações impostas pelo modelo ao qual estamos submetidos. Modelo este que deixa nossos produtores reféns de situações que ocorrem do lado de fora da porteira das propriedades, que interferem nos custos e nos preços finais. Por isso, apoiamos, implementamos, apoiamos e incentivamos iniciativas que dêem ao produtor maior liberdade de escolha. Nesta perspectiva, vemos uma boa alternativa na agricultura de base ecológica, já experimentada e muito bem sucedida em vários países, inclusive no Brasil. Este modelo coincide com o que queremos para a nossa lavoura, sustentabilidade plena, com diversificação. Razões que nos levam a trabalhar fortemente com foco na pesquisa e na extensão.

Palavra do Presidente Em um rápido balanço das ações desenvolvidas nos dois primeiros anos de gestão no Irga, é necessário destacar os movimentos implementados tendo como norte a reestruturação do órgão, seguindo as orientações do governador Tarso Genro, que compreende o instituto como uma estrutura fundamental na elaboração e implementação de políticas que fortaleçam a lavoura orizícola e toda a cadeia produtiva.

O propósito de ampliar as fontes de renda ao produtor, nos faz enxergar a rotação de culturas, aliada à intensificação dos investimentos na pesquisa e na extensão, como uma alternativa altamente viável. Aliás, a diversificação já é uma realidade em nosso meio. Nesta safra semeamos 250 mil hectares de soja em rotação com o arroz. Além dos benefícios econômicos gerados pela existência outro produto para a comercialização, também temos aqueles ocasionados pela redução de custos e pela melhoria da qualidade do arroz. Por outro lado, já temos estudos avançados que informam de resultados positivos obtidos com a introdução do milho em terras planas.

Perseguindo esta diretriz, construímos o Plano de Cargos e Salários, o primeiro da História do Irga, e estamos preparando o concurso público, para seleção de novos funcionários, cujas nomeações devem ocorrer ao longo deste ano, numa busca de revigorar o corpo de funcionários de nossa instituição. Para dar suporte a esta nova realidade, planejada em conjunto com os representantes das regiões orizícolas, não estamos medindo esforços para revitalizar as áreas técnica e científica.

Quando assumimos a autarquia, em 2011, os produtores enfrentavam uma das piores crises de preço da história, situação que colocava em risco a sobrevivência do setor. Diante disto, diversas medidas foram tomadas para recuperar os preços. Com a união de esforços do Governo Estadual, do Governo Federal e das entidades representativas do setor conseguimos superar este que foi um dos piores momentos da lavoura nos últimos anos. Superada esta etapa, avançamos para o atendimento de outra antiga reivindicação da nossa categoria: a renegociação das dívidas, autorizada pela presidenta Dilma Roussef, recupera boa parte da capacidade financeira dos produtores.

Para tanto, estamos investindo mais de R$ 9 milhões na área de pesquisa, destinando recursos para aquisição de máquinas e equipamentos para a modernização de nossas Estações Experimentais e na construção do Centro de Excelência em Difusão de Tecnologia Orizícola. Destacam-se, ainda, a construção da nova sede do Irga e das Casas Arrozeiras em diversos municípios do interior do Estado.

Por tudo, acreditamos que, no momento, só nos resta desejar a todos os produtores uma colheita de muitas realizações, e afirmar que continuamos lutando para vencer outros desafios, que garanta estabilidade e sustentabilidade à família arrozeira do Rio Grande do Sul Claudio Pereira Presidente do IRGA Lavoura Arrozeira

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28 capa

Sumário Ao Leitor Nova Diretoria Curtas Mercado Câmera Setorial Intercambio Clima Expointer Consumo Gestão Safra 2012/2013 Palavra do Produtor Meio Ambiente Dia de Campo Capa Tecnologia Seminário Artigo Tecnico Manejo Artigo Técnico Artigo Científico Nova Diretoria Almanaque

“O papel do Irga é ser protagonista no processo produtivo do setor orizícola “

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Dia de Campo

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Gestão

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Safra 2012 / 2013

A revista Lavoura Arrozeira é uma publicação do Instituto Rio Grandense do Arroz. Av. Missões, 342 Porto Alegre (RS) – Brasil ISSN: 0023-9143 Governador do Estado: Tarso Genro Vice-Governador do Estado: Beto Grill Secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio: Luiz Fernando Mainardi Irga: Presidente: Claudio Fernando Brayer Pereira Diretor Comercial: Elói José Thomas Diretor Técnico: Valmir Gaedke Menezes Diretor Administrativo: Paulo Renato Sampaio

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Lavoura Arrozeira

Assessoria de Comunicação: Ben-Hur Corvello Fernanda Bica (estagiária) Laura Sito Marlise Mattos Coordenação Técnica: Marlise Mattos – Mtb 11378 Colaboradores: André Luiz Oliveira Augusto Kalsing Ben-Hur Corvello Cesar Marques Cleusa Amaral Felipe Carmona Felipe Ferreira Glauco Freitas Marcelo Lima Mara Lopes Mário Azevedo Paulo Rigatto Sergio Lopes

03 05 06 08 10 11 12 14 16 18 20 22 24 26 28 32 34 36 40 42 46 53 54

Tiago Zschornack Victor Hugo Kayser

Artes Gráficas Tiragem: 12 mil exemplares

Edição: EDICTA – Edição & Mensagem Telefone: (51) 3779-0350 www.edicta.com.br

Atendimento ao leitor: revista@irga.rs.gov.br (51) 3288-0455 www.irga.rs.gov.br

Jornalista Responsável: Isaias Porto – Mtb 4805

Matérias assinadas não expressam necessariamente a opinião da Redação ou do Irga.

Projeto e design gráfico: Instituto Naumild Inventos e O conteúdo da Lavoura ArEventos / Designer Responsável: rozeira pode ser reproduzido, Jackson Brum desde que mencionados o autor e a fonte. Redação: Isaias Porto Marlise Mattos Victor Lourenço Impressão: Companhia Rio-Grandense de


Ben-Hur Corvello

Nova Diretoria

Paulo Sampaio

é o novo diretor administrativo do Irga

Paulo Renato Sampaio é o novo diretor administrativo do Instituto Rio Grandense do Arroz. O anúncio oficial foi feito pelo presidente Claudio Pereira aos demais colaboradores da instituição durante a Semana do Funcionário Público, no dia 1º de novembro. Na ocasião Pereira destacou a confiança que possui no conterrâneo, pois ambos nasceram em Santa Vitória do Palmar. “O diretor escolhido pelo governador veio para somar e tenho certeza que o meu grande parceiro de muitos anos vai contribuir muito para o Irga.”, disse.

Por sua vez, Sampaio lembrou que já está na instituição há 18 meses e, portanto, o exercício da função não será nenhuma novidade. Porém, salientou que ainda existe um longo caminho pela frente. “Temos o concurso público, que irá renovar o quadro de funcionários do Irga, tão defasado ao longo dos anos. Queremos manter os recursos humanos, porém o Instituto está no limite de suas forças. Em todos os setores está faltando pessoal, por isso precisamos urgentemente fazer este concurso público, para que a máquina volte a funcionar numa velocidade maior”, afirmou Sampaio. Está é a primeira vez que um Governador do Estado nomeia um diretor administrativo para exercer o cargo no Irga. A nomeação de Paulo Renato Sampaio foi publicada no Diário Oficial do Estado do dia 05 de outubro. Filho de pequenos produtores de arroz, Sampaio é formado em contabilidade pela Universidade da Região da Campanha, foi bancário por 23 anos. De 2006 a 2009 foi secretário municipal de administração de Santa Vitória do Palmar e de 2009 a 2011 foi secretário municipal de obras do mesmo município. Começou a trabalhar no Irga em 2011.

Lavoura Arrozeira

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Curtas

Irga desenvolve Software Adubarroz O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) desenvolveu um programa de computador que faz recomendações técnicas para adubação e calagem das lavouras. O Adubarroz é um software livre de custos para os usuários, que será disponibilizado através do site do Irga. Trata-se de uma ferramenta que gera relatórios com um conjunto de recomendações técnicas específicas para cada lavoura, a partir das informações fornecidas pelo próprio agricultor. A apresentação do software foi realizada no dia 21 de novembro, na sede do instituto, pelo pesquisador da equipe de agrônomos do Irga, Felipe Carmona.

O pesquisador recomenda que em um primeiro momento o produtor utilize o software juntamente com um extensionista do Irga, que facilitará o entendimento do Aduarroz. O programa está disponível no site do Irga para download, juntamente com um Guia de Referência do Adubarroz, com todas as explicações e instruções para uso. Ben-Hur Corvello

O Adubarroz foi desenvolvido a partir da elaboração do Boletim Técnico “Arroz Irrigado: recomendações técnicas da pesquisa para o Sul do Brasil”, publicado pela Sociedade Sul-Brasileira de

Arroz Irrigado. O software considera as diferentes expectativas de resposta à adubação de cada talhão de lavoura em função de uma série de informações prestadas pelo produtor, em especial os resultados de análise de solo, variedade a ser utilizada e época de semeadura. “O programa pode ser utilizado de acordo com a realidade de cada lavoura, flexibiliza as recomendações de adubação e minimiza as chances de erro”, destaca Felipe Carmona.

Pesquisador apresentou software

Convênio para rotação de culturas Com o objetivo de diversificar a matriz produtiva de culturas tradicionais em algumas regiões do Estado, instituições públicas e privadas estão fechando uma série de convênios de cooperação técnica. Um deles vai permitir à bacia do Rio Camaquã investir em tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e Irga, especialmente as voltadas ao arroz irrigado, e também em culturas de terras baixas, como soja e milho, ao utilizar da melhor forma o potencial dos recursos naturais daquele território. A Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação Águas do Arroio Duro (AUD), que representa cerca de 450 usuários, fez um acordo com as Instituições para possibilitar o melhor uso dos 62 mil hectares irrigáveis daquela região. O coordenador técnico da AUD, Everton Fonseca, conta que a meta é destinar 20

mil hectares para a rotação de culturas, já que ao longo do tempo a região foi perdendo a tradição na produção de soja, em função das condições climáticas. “Ano passado produzimos cerca de 7 mil toneladas de soja e para a próxima safra espera-se cerca de 15 mil”, avalia. O gerente da pesquisa do Irga, Sérgio Gindri Lopes afirma que essa ação representa a firme decisão do Governo do Estado em apoiar a pesquisa científica e a difusão de tecnologias e conhecimentos para fortalecer o desenvolvimento do setor rural, com competitividade e sustentabilidade. Naquela unidade serão realizados trabalhos de melhoramento genético de arroz e de soja e testadas várias tecnologias de manejo de arroz, soja e milho na várzea, inclusive com irrigação por sulcos e por aspersão em áreas sistematizadas em desnível, o que favorece a entrada e saída da água.


Curtas

X Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica Foram realizados cursos e atividades variadas, como oficinas abrangendo desde o cuidado com as sementes até as questões nutricionais. Também aconteceram palestras ministradas pelos colaboradores do evento, além de debates em Mesas Redondas, com os temas: “Certificação Demeter”, “Desafios da Produção de Sementes Biodinâmicas” e Acesso à Terra para Agricultura Biodinâmica”. A prática da agricultura biodinâmica propicia o encontrar de uma relação espiritual e a ética com o solo, com as plantas, com os animais e com o ser humano, vencendo uma concepção unilateral da natureza.

Marlise Mattos

Mais de 200 pessoas participaram da X Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica deste ano, realizada de 13 a 16 de setembro, na Fazenda Capão Alto das Criúvas, da Família Volkman, no município de Sentinela do Sul. O evento, que tem o Irga como um dos patrocinadores, é bianual e completou 20 anos de realização no Brasil em 2012. O encontro tem como objetivo a troca de experiências por meio de metodologia participativa e atividades teóricas e práticas.

2º Salão de Iniciação Científica e Desenvolvimento Tecnológico do Irga

divulgação Irga

A Estação Experimental do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em Cachoeirinha, foi sede no dia 12 de setembro do 2º Salão de Iniciação Científica e Desenvolvimento Tecnológico (SICDT). O evento tem por objetivo valorizar a iniciação científica e a inovação tecnológica nas atividades de pesquisa, divulgando e estimulando o acompanhamento e avaliação dos trabalhos desenvolvidos.

O almoço de confraternização reuniu participantes, técnicos e membros da organização do evento. Destaque para os vencedores do II SICDT/ IRGA, que foram: Cátia Meneguzzi, destaque da Sessão 1 e bolsista de Iniciação Científica da UFRGS; Eduardo Übel Oslaj, destaque da Sessão 2 e bolsista de Iniciação Científica do Irga e Lucas Lopes Coelho, destaque da Sessão 3 e bolsista de Iniciação Científica da UFSM.


Mercado

Manutenção dos preços e recuperação da reserva hídrica estimula plantio

O movimento das exportações em 2012, no período de março a outubro, foi de 1.145.163 toneladas. A redução de volume exportado em setembro e outubro, menos da metade de agosto, se deu em função dos estoques estarem menores. “Praticamente não temos excedentes exportáveis”, afirmou Azeredo. A análise do comportamento das importações e exportações de arroz mostra as curvas se aproximando. As exportações vinham predominando, mas agora no final de setembro as linhas se encontraram, comentou Azeredo.

Exportações, base casca - Mar/2012 a Set/2012 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out//12 186.773 156.103 214.289 145.271 134.185 159.205 80.438 68.899 Total período: 1.145.163 Fonte: MDIC

Exportações t

Exportações de arroz , base casca Mar/12 a Out/12 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0

186.773

214.289 156.103

145.271 134.185 159.205 80.438 68.899

mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out//12 Meses

Importações, base casca - Mar/2012 a Set/2012 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 119.856 71.328 125.194 65.417 76.564 61.404

set/12 out//12 84.849 90.968

Total período: 695.580 Fonte: MDIC 140.000 120.000

Importações t

As exportações no período setembro a outubro 2012 apresentaram redução em termos de volume para o beneficiamento nos últimos dias do mês. Praticamente iniciando outra safra, é pequeno o estoque em mãos de produtores ou da indústria. O maior volume está concentrado nos estoques do Governo Federal. De acordo com Mario Azeredo, da Seção de Política Setorial do Irga, os preços apresentaram leve redução nas últimas semanas, mas ainda seguem na faixa dos R$ 37,88 / sc 50 kg tipo 1, com até 62% de grãos inteiros R$38,94 / sc 50 kg tipo 1 igual ou superior a 62% de grãos inteiros (média de fechamento do mês de outubro (ver tabela). A região produtora com melhores preços é a Planície Costeira Externa, que produz arroz de maior qualidade, onde a saca de 50 kg chegou até a R$ 42.

125.194

119.856

100.000 80.000 60.000

71.328

65.417

84.849

76.564

90.968

61.404

40.000 20.000 0

Exportações/Importações base casca - Mar - Out / 12 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0

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Importações Mar - Out/12 Exportações Mar - Out/12


Mercado Os preços estiveram relativamente aquecidos neste ano, principalmente quando comparados ao ano passado. De acordo com o Azeredo, os custos vêm se mantendo na faixa de R$ 28 e os preços médios entre os R$ 35 a R$ 36 a saca. “Vamos ver como vão se comportar os preços com esta menor oferta de arroz”. Provavelmente na entressafra, a partir de dezembro, os preços devem se manter estáveis ou mesmo subir um pouco, estima. Ele afirma que deve haver um aumento nas importações para suprir a demanda interna. Os altos preços praticados e o dólar baixo desfavorecem as exportações neste momento. Estoques Até setembro, somando o produto beneficiado e em casca, foram movimentadas 4.712.592 toneladas, da safra atual de acordo com a arrecadação da Taxa CDO. A isso se somam mais 1.362.046 toneladas de arroz de outras safras em estoques públicos. De acordo com o técnico, neste momento os produtores não têm estoques em casa. Somente alguns, mais capitalizados, podem ter arroz estocado. Em municípios onde os produtores entraram com a soja ou alternativas de produção em rotação ao arroz, a situação é de melhor equilíbrio financeiro. Neste ano, com previsões de precipitações mais acentuadas em função do comportamento do El Ninõ, há algum receio em relação ao plantio da soja nas áreas onde as condições de drenagem sejam deficientes. Naquelas áreas mais altas da propriedade o plantio da soja será favorável já que as precipitações atenderão a demanda hídrica necessária para a cultura. Com a recuperação das reservas hídricas e o excelente patamar dos preços praticados, podemos admitir um leve incremento na área em relação ao período anterior. De acordo com os registros de intenção de plantio do Irga, estima-se o cultivo de arroz em 1.060.000 ha no Estado. O atraso ocorrido na instalação da lavoura em função do excesso de

chuvas (72% da área cultivada em 09/11) poderá afetar a produtividade devido a menor exposição à radiação solar na fase de desenvolvimento reprodutivo e a maior nebulosidade em um ano de El Ninho. Devese ressaltar, no entanto, que vários fatores além da radiação contribuem para o sucesso na colheita. Um manejo dentro das condutas preconizadas pelo Irga acaba minimizando alguns pontos negativos. Em relação aos preços, a expectativa do Irga é que se mantenham nos níveis praticados atualmente, mas é bom lembrar que para esta safra nada indicava que o preço do arroz iria passar dos R$38 a saca. A previsão para o mercado internacional é que a Índia vá liberar seus estoques e de que a Tailândia terá problemas na logística dos estoques, tendo que liberar logo a sua produção, ou seja, vai aumentar a oferta mundial do grão. A condição financeira dos arrozeiros ainda se ressente das perdas nas safras passadas. Aqueles que puderam segurar seus estoques e aproveitar os melhores preços estão em situação muito cômoda. Caso se confirme, nos dois próximos anos comerciais, as boas condições para exportação, os altos níveis de produtividade e a opção inteligente da rotação de cultura com a soja estaremos próximos da recuperação definitiva do setor. Os custos de produção têm tendência de crescimento anual, acompanhando o crescimento da demanda interna por fertilizantes e defensivos, que seguem os preços das grandes culturas. Além disso, máquinas e equipamentos estão mais caros. “Hoje em dia, um dos problemas da lavoura do arroz é a gestão. Existem produtores que estão bem estruturados e organizados que têm custos de produção bem abaixo da média, mas há quem tenha custos de quase R$ 30 por saca. Quanto melhor a gestão, menores são os custos de produção”, observou Azeredo.


Câmara Setorial

O evento contou com a participação de mais de 150 mil visitantes, sendo 62% estrangeiros - procedentes de 200 países. De acordo com o coordenador da Câmara Setorial do Arroz do RS e assessor do Irga, César Marques, que foi um dos integrantes da missão brasileira na França, o SIAL não é somente uma feira, mas uma grande oportunidade para descobrir as últimas inovações e discutir o futuro dos alimentos nos segmentos varejistas e gastronômicos. Segundo Marques, pode-se observar neste evento que as empresas se apresentam de forma unificada em torno da bandeira do seu país evidenciando importância da origem dos produtos. “O trabalho realizado pela Apex-Brasil contempla esta forma de participação. O investimento do Governo Federal na estrutura, decoração dos estandes e apoio institucional colocou o Brasil em igualdade de condições com os tradicionais exportadores de alimentos beneficiados”, lembra.

Estado Marca Presença no Sial Paris 2012 Representantes da indústria brasileira de alimentos participaram do Salão Internacional de Alimentação (SIAL), realizado de 21 a 25 de outubro, no Parque de Exposições de Paris, Nord Villepinte. Fizeram parte desta comitiva 63 entidades e empresas com o objetivo de acompanhar a participação organizada pelo Governo Federal através da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e verificar as tendências e as possibilidades de negócios para os produtos brasileiros.

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“Para nós que estamos no início do projeto da promoção internacional do arroz foi importante observar o estágio avançado em que se encontra o projeto exportador da carne bovina, suína, aves e bebidas identificando o excelente apoio da ApexBrasil no posicionamento das empresas brasileiras”, destaca Marques. A integração da indústria ao projeto de desenvolvimento da imagem do arroz brasileiro promovido pela Abiarroz, Apex-Brasil e Irga/ Seapa é fundamental para sermos competitivos e consolidarmos nossa presença aproveitando nosso bom momento no exterior. “Neste contexto cresce de importância a capacitação do setor industrial arrozeiro gaúcho para enfrentar os desafios deste mercado e usar esta participação como oportunidade única no planejamento estratégico das empresas”, acrescenta. Marques ressalta ainda a presença da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Ivestimento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul- AGDI através da representação do Grupo de Trabalho “Alimentos Premium” que teve importante participação para trazer ao Estado a inovação e a tendência mundial na apresentação e beneficiamento dos alimentos.


Intercâmbio

Andre Oliveira

João Batista Volkmann , é referencia em arroz ecológico.

A transição para a agroecologia: aumentar a complexidade dos sistemas produtivos Considerada como um evento excepcional, a primeira jornada internacional de sistemas de cultivo de arroz orgânico foi realizada em Montpellier, França, no mês de agosto. A dimensão cosmopolita do evento ficou marcada pela presença de representações de vários países, entre elas a do Brasil, conforme o relato do agrônomo do Irga, André Oliveira, que acompanhou a apresentação do caso do produtor João Batista Volkmann. Oliveira lembra que o arroz cresce em importância para a segurança alimentar. É o cereal mais cultivado do mundo para a alimentação humana e como insumo básico para a indústria de alimentos. Há tendência destas indústrias a procurarem cada vez mais o arroz, principalmente orgânico e o integral. “Está havendo, por questões de saúde, um resgate cultural do interesse em uma alimentação mais natural com base em produtos integrais, sem aditivos tanto no processo agrícola como na industrialização, valorizando as oportunidades locais de abastecimento”, afirma. De acordo com o agrônomo durante as atividades o que se viu é que há, em geral, uma grande defasagem na geração de tecnologia para a produção de orgânicos. “Porém, neste encontro, observamos uma rica variedade de iniciativas, uma diversidade de situações em termos de condições sociais, econômicas e ambientais. E que para cada situação há uma demanda específica por soluções. Os métodos de pesquisa são cada vez mais participativos, incrementando relações de rede e intercâmbios para obter êxito nas investigações e na adoção de tecnologias. E também que a pesquisa está se especializando em trabalhar junto das comunidades agrícolas”, destaca Oliveira.

Aprendizado Oliveira enfatiza que para desenvolver a produção orgânica é necessário que ela incorpore o máximo dos elos da cadeia produtiva, desde a produção de insumos, como sementes, fertilizantes e fito-protetores, no processo de cultivo e, após, uma boa secagem e armazenagem, segregada e seletiva, que possa assegurar as qualidades específicas de cada tipo de arroz. Também inclui o conceito de agregação de valor e incremento de oportunidade de emprego e renda.“O produtor que pretende produzir alimentos orgânicos tem que lidar com todos os elos da cadeia produtiva, desde os insumos até o consumidor, garantindo sua identidade e diferenciação”, diz.

Orgânico gaúcho A apresentação do caso do produtor João Batista Volkmann, de Sentinela do Sul, foi destaque no evento. Ele é uma referência mundial na produção de arroz biodinâmico e pela diversidade de ambientes em que trabalha. Volkmann está dominando todas as etapas da cadeia produtiva do arroz, sendo um dos primeiros a conquistar para o mercado externo: Alemanha, Oceania, EUA, França. Hoje, com crescimento do mercado nacional tem priorizado o abastecimento mercado interno

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Clima

O ESTADO SE ENCONTRA COM DÉFICIT DE CHUVA ANUAL EM PRATICAMENTE TODAS AS REGIÕES o Estado ainda se encontra com déficit hídrico anual, apenas a região de Cachoeirinha que se encontra com pequeno excesso de chuva de 25 mm, como mostra a figura 1. A região que apresentou maior déficit hídrico, no período de janeiro a outubro, situa-se ao redor do município de São Luiz Gonzaga, com – 500 mm. Chamamos atenção para o nível do lençol freático, que em várias bacias ainda se encontra baixo, o que poderá provocar uma diminuição do volume de água nos reservatórios naturais e barragens, mais rápido do que os produtores de arroz têm observado ao longo dos anos. por Glauco Freitas

Previsão Climática para Novembro, Dezembro-2012 e Janeiro de 2013.

Neste ano, somente os meses setembro e outubro, ocorreu um aumento significativo nos volumes de chuva no Rio Grande do Sul, porém até o dia 20 dezembro, do centro ao oeste do Estado, também foi registrado uma chuva expressiva superando a média do mês para essas regiões. Neste período a precipitação superou a média histórica. A chuva média mensal de setembro, que é de 152 mm, foi superada e choveu 161 mm. No mês de outubro, a média é de 155 mm e choveu 200 mm. E no mês de dezembro no município de Uruguaiana o total é 140mm e o esperado 125mm. Isto contribuiu para que os reservatórios de água para a produção do ARROZ enchessem rapidamente, atingindo 90% de sua capacidade. Cabe salientar que praticamente todo

Figura:1

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Clima

Previsão Climática para Dezembro - 2012, Janeiro -2013 e Fevereiro de 2013. O monitoramento das águas do Oceano Pacífico Equatorial começa a indicar normalidade, sem aquecimento significativo. Assim indicando condições de neutralidade climática do fenômeno atmosférico global ENOS( El Niño Oscilação Sul), que não devem mudar até o inicio do ano de 2013. Para grande parte do Verão as projeções começam a indicar uma situação de neutralidade climática, como mostra a tabela 1. O que indica uma situação não muito favorável à ocorrência de chuva no Rio Grande do Sul ao longo da Estação. Mas é preciso um pouco de cautela com estas previsões, haja vista que alguns modelos indicam no período de 20 de dezembro a 20 de janeiro bastante chuva no estado. Já no período de 20 de janeiro a 20

de fevereiro ocorre uma redução do volume de chuva e no período de 20 de fevereiro a 20 de março existe uma perspectiva de chuver expressivamente no Estado, principalmente na região da Campanha e regiões próximas. Por outro lado, devemos estar atentos à temperatura do oceano atlântico junto à costa do Rio Grande do Sul. Com esta água aquecida junto à costa, há maior possibilidade de formação de nuvens de chuva sobre o Estado, especialmente na faixa litorânea e Regiões próximas.

Tabela:1

CHUVA Dezembro: ainda poderemos ter volumes de chuva consideráveis em grande parte do Estado, Nas regiões da Campanha, Zona Sul, parte do Oeste, faixa central e parte do litoral, o que poderá ajudar elevar o nível de água nos reservatórios. Os principais sistemas que irão causar estes volumes expressivos, causando algumas tempestades são: Frentes Frias, Complexos Convectivos de Mesoescala, Ciclones Extratropicais entre outros.

Oceano Atlântico junto à costa do Rio Grande do Sul estar aquecido.

Janeiro: algumas regiões como Fronteira Oeste e Norte podem ter uma redução significativa nas precipitações. No Leste do Estado as regiões como o Litoral Norte, Região Metropolitana, Serra do Nordeste, Serra do Sudeste e parte do Litoral Sul podem ser favorecidas pelas chuvas, por conta do

Cabe salientar que mesmo venha chover dentro da média histórica, precisamos estar atentos na distribuição da chuva e nas ondas de calor ao longo do verão. Nesse sentido, uma onda de calor com temperaturas máximas superando 36°C, faz com que uma chuva de 30 mm, seja perdida para atmosfera em poucos dias.

Fevereiro: são esperadas precipitações intensas no Uruguai que poderão avançar em direção a Campanha e Zona Sul. O Norte também poderá receber um volume mais significativo. As demais regiões deverão ficar dentro e até abaixo da média histórica.

*Meteorologista do Irga/Fepagro

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Expointer

EXPOINTER 2012 Casa do Irga recebeu inúmeras atividades Para marcar presença na Exposição, a Casa do Irga no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, funcionou diariamente durante a feira. Claudio Pereira destacou várias ações do Irga durante a feira, uma delas foi a assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre Irga e a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). O convênio, no valor de R$ 1,3 milhão, tem por objetivo preparar as indústrias e cooperativas do Estado para atuar no mercado internacional do arroz. Segundo Pereira, este convênio vai profissionalizar a promoção do arroz brasileiro no exterior e ajudar a solidificar o Brasil como exportador. O Irga também promoveu no período da Exposição o Seminário “Promoção Internacional do Arroz Brasileiro”, com o objetivo de conhecer as estratégias para a promoção comercial do arroz.

Presença na mídia - O Irga organizou, juntamente com o Canal Rural, uma programação especial para o Dia do Arroz, na Expointer. A programação começou com o presidente do Irga, Claudio Pereira, e o secretário da Agricultura e Pecuária do Estado, Luiz Fernando Mainardi, participando de um debate ao vivo. Em discussão a rotação de culturas, a ampliação das áreas irrigadas e o programa “Mais Água, Mais Renda”. Também

foi realizado o Fórum Canal Rural, quando foi discutida a promoção do arroz no mercado internacional. Outra participação aconteceu no programa musical Vida no Sul, apresentado por Antônio Gringo, gravado na Casa do Irga. O debate, mediado pelo jornalista Guilherme Azevedo, teve a participação do presidente Claudio Pereira, do engenheiro agrônomo e chefe de gabinete, Marcelo Lima, e do assessor da presidência, João Félix.

Marlise Mattos

O presidente do Irga, Claudio Pereira, considerou positivos os resultados da participação da Instituto na 35ª Expointer, realizada de 25 de agosto a 02 de setembro de 2012. “Esta feira é o ponto de encontro das cadeias produtivas da economia gaúcha. Tudo o que envolve o meio rural está na Expointer e como o arroz é a segunda maior cultura no Estado, o Irga não poderia ficar de fora”, informou o presidente. A presença do setor arrozeiro foi muito grande na feira, com participação destacada do segmento de máquinas agrícolas, e também pelo papel estratégico que a cultura do arroz representa para a segurança alimentar. “Atualmente, as lavouras gaúchas produzem 65% do arroz brasileiro”, declarou o presidente do Irga.

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Ben-Hur Corvello

Estação Meteorológica - Para esclarecer o público e prestar serviços aos produtores rurais, foi instalada uma Estação Meteorológica na Casa do Irga, com equipamentos para o monitoramento das condições meteorológicas, clima e emissão de relatórios técnicos. O meteorologista Glauco Freitas atendeu ao público da feira com as informações sobre o tempo, o clima e o impacto climático na agricultura.

Prêmio Gerdau - A Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas KF, de Cândido Godói (RS), ganhou o Prêmio Gerdau Melhores da Terra. A empresa foi a vencedora do Troféu Ouro da divisão Agricultura Familiar com a Plantadeira Hyper Plus Camalhoneira. O Irga e a KF haviam assinado, em 2011, um convênio de cooperação técnica para o desenvolvimento da semeadora durante a Expointer. A semeadoraadubadora foi desenvolvida para o plantio de sementes graúdas (milho e soja, principalmente) nas áreas anteriormente cultivadas com arroz, em solos de várzea irrigada.

Marlise Mattos

Marlise Mattos

Culinária - Os visitantes da Casa do Irga também puderam participar de oficinas culinárias e degustação de produtos elaborados a base de arroz. As receitas foram preparadas pela nutricionista do Irga, Cleusa Amaral, com o objetivo difundir o uso do cereal na culinária, incentivar o consumo e diversificar as preparações além do costumeiro arroz com leite.

Leilão - Outro destaque na programação da Expointer foi a realização de leilão de arroz. Promovido pelo Irga, 100% do produto disponível foi arrematado e alcançou cotação superior ao valor de mercado. Através do Programa Bolsa do Arroz, da Banrisul Corretora de Valores e Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), o pregão eletrônico comercializou 12 mil sacas ao preço máximo de R$ 37,50 pelo produto tipo 1. A operação foi realizada no estande da BBM.

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Consumo

Arroz a mesa: do prato principal saboroso

à deliciosa sobremesa

A renda da família brasileira aumentou, a mulher foi para o mercado de trabalho e, consequentemente, o comportamento, o estilo, os hábitos alimentares e a qualidade de vida sofreram mudanças. Para driblar a correria da vida moderna, a tão tradicional feira livre – de frutas, legumes e verduras fresquinhos e saudáveis – deu lugar aos fast foods. Ao mesmo tempo, os alimentos pré-prontos e congelados – também ricos em gordura saturada – passaram a frequentar a mesa do brasileiro. Enquanto isso, a boa dupla arroz e feijão deixou de ser o prato mais consumido pelo brasileiro. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2011, sobre o consumo do arroz e do feijão, os brasileiros reduziram a demanda entre 2003 e 2009. A quantidade média que cada habitante comia de arroz branco caiu de 24,6 kg, ao ano, para 14,6 kg, representando uma diminuição de 40,5%. Já o feijão diminuiu 26,4%, passando de 12,4 kg por ano, na média, para 9,1 kg. A nutricionista do Irga, Cleusa Amaral, relata que o Rio Grande do Sul, líder na produção de arroz, é o estado brasileiro que menos consome o grão, com uma queda per capita de 41%.

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Com o objetivo de promover junto à população mudanças de hábitos alimentares, com a volta do arroz a mesa, foi criado pelo Irga o Programa de Incentivo ao Consumo de Arroz e Derivados. A nutricionista explica que são divulgadas informações sobre os valores nutricionais do arroz por meio de programas de televisão, eventos, feiras da agricultura familiar, palestras e capacitações. Além disso, são ensinados deliciosos pratos e sobremesas à base de arroz e 100% farinha de arroz, que também podem ser preparados para pessoas portadoras de doença celíaca – intolerantes a alimentos com glúten. “Estamos colocando a assunto literalmente na boca do povo”, diz Cleusa. A nutricionista destaca que nas capacitações, além de aprenderem um mix de receitas com os produtos, os alunos criam as suas próprias receitas a base de arroz e farinha de arroz. “Os participantes já elaboraram tortas de chocolate, arroz com creme de laranja - ao invés do leite utiliza-se o suco de frutas -, bolo de cenoura e bolo de moranga. Além de flocos de arroz, barra de arroz, pão de ló e até mesmo branquinho de arroz,”, assegura. Nos últimos meses a nutricionista participou de diversas atividades relacionadas ao Programa de Incentivo ao Consumo de Arroz e Derivados, em Porto Alegre, na região Metropolitana em Cachoeirinha e Viamão. No interior do Estado esteve nas cidades de Rio Pardo, Cruzeiro do Sul, Cachoeira do Sul, Palmares do Sul, Pelotas, Restinga Sêca, Camaquã, Bagé, Passo do Sobrado, Santa Maria, Candelária, Paraíso do Sul, Itaqui, Cacequi, Mostardas e São Borja.


Consumo

Carreteiros do Irga, uma tradição em Dia de Campo

Antigos funcionários em outros departamentos do Irga – com aproximadamente 30 anos de casa -, os três cozinheiros vêm se dedicando no preparo de refeições para grandes grupos de pessoas. Eles são os primeiros a chegar aos eventos e sempre usam ingredientes de primeira qualidade, de preferência colhendo o temperoverde e a cebolinha no próprio local. Panela Especial Segundo os cozinheiros, a “panela pequena” em que prepararam o carreteiro, é uma das panelas especiais, feita sob medida para o Irga, com capacidade para 200, 300 e 400 refeições.

Marlise Mattos

A culinária também é parte importante dos eventos realizados pelo Irga. É demonstração de conhecimento e de sabedoria dos cozinheiros veteranos da Estação Experimental de Cachoeirinha, porque são poucos os que conseguem preparar uma refeição para 180, 200 ou até 400 pessoas. Adenir Santos, José Carlos Failace e Rosalvo Silva cooperam com as equipes do Irga em eventos como Dia de Campo, feiras e eventos e garantem a qualidade e o sabor do autêntico carreteiro campeiro, feito no maior capricho e precisão.


Vilmar Rosa

Gestão

Irga anuncia realização

de concurso público em 2013 O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira, juntamente com o secretário da Agricultura Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, anunciou a realização de concurso público para a autarquia em 2013. Serão oferecidas 217 vagas para técnico superior orizícola, técnico superior administrativo, técnico orizícola e assistente administrativo, com vencimentos entre R$ 1.200 e R$ 4.300.

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Gestão

Seapa também oferece vagas A contratação dos profissionais para o quadro efetivo deverá acontecer no segundo semestre do próximo ano, com a seguinte divisão: 53 cargos de Técnico Superior Orizícola, 16 de Técnico Superior Administrativo, 68 de Técnico Orizícola e 77 de Assistente Administrativo. Do total de vagas, 56 serão para a capital e 161 serão preenchidas em 43 diferentes municípios gaúchos. Segundo o presidente do Irga o concurso é uma conquista para consolidar o processo de modernização do instituto, que não realizava concurso público desde 1970. “Nós tivemos uma evasão no quadro de funcionários nas últimas décadas, com envelhecimento do quadro, aposentadorias e falecimentos, restando somente 106 servidores efetivos em atividade”, explica Pereira. A Lei 13.930/12, que autoriza as vagas para o concurso, foi aprovada na Assembleia Legislativa, por unanimidade, em 21 de dezembro de 2011 e sancionada pelo governador Tarso Genro em 23 de janeiro de 2012. Os vencimentos variam de acordo com a graduação profissional, para o cargo de Técnico Superior Orizícola, o salário inicial é R$ 4.300 e podem concorrer profissionais das seguintes áreas: Agronomia, Engenharia Ambiental e Nutrição. Para o cargo de Técnico Superior Administrativo a formação necessária é: Administração, Ciências Contábeis, Economia, Ciências Jurídicas e Sociais, Biblioteconomia, Arquivologia, Jornalismo, Secretariado Executivo, Relações Internacionais, Tecnologia da Informação, Engenharia Civil e Arquitetura. O salário inicial é de R$ 4.300. Para o cargo de Técnico Orizícola é necessária a formação como Técnico Agrícola, Técnico em Agropecuária, Técnico em Química, Técnico Ambiental e Técnico em Alimentos. Os vencimentos são de R$ 1.800. Já para o cargo de Assistente Administrativo, com formação no Ensino Médio regular, o salário inicial é R$ 1.200.

A Seapa também anunciou a abertura de 335 vagas de trabalho nas áreas da Defesa e Fomento da Agropecuária Estadual. As vagas são para Fiscal Agropecuário e Técnico Superior Agropecuário. Para Fiscal Agropecuário estão previstas 277 vagas, assim divididas: 217 para Médicos Veterinários e 60 para Engenheiros Agrônomos. Para o cargo de Técnico Superior Agropecuário a previsão é de 25 vagas para Médicos Veterinários, 26 vagas para Engenheiros Agrônomos, 02 vagas para Engenheiros Florestais e 05 vagas para Zootecnistas. Mais informações no site www. agricultura.rs.gov.br.


Safra 2012/2013

Otimismo

Robespierre Giluiani

Nilson Konrad

marca a abertura oficial do plantio de arroz no Estado


Safra 2012/2013

A perspectiva de bons preços para o produtor e de recuperação dos mananciais hídricos do Estado marcou a abertura oficial do plantio de arroz no Rio Grande do Sul, realizada no dia 11/10, no Centro de Eventos do município de Restinga Sêca. O clima de otimismo animou agricultores e representantes da cadeia produtiva presentes na cerimônia, promovida pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul e pela Associação dos Arrozeiros de Restinga Seca, com o patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). O evento contou com a presença de autoridades como o secretário Estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, o secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Caio Rocha, o presidente do Irga, Claudio Pereira, o presidente da Federarroz, Renato Rocha, o presidente da Câmara Nacional do Arroz, Francisco Schardong, e o vice-presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, além de outros representantes do setor, presidentes de Associações de Arrozeiros e produtores de mais de 30 municípios arrozeiros do estado. Na avaliação dos representantes da cadeia produtiva presentes os valores pagos atualmente pela indústria ao produtor de arroz merecem reflexão. Para o Secretário Mainardi, “estamos exportando o dobro do que importamos e precisamos compreender que não podemos brigar com o mercado, precisamos ter um equilíbrio entre a oferta e a procura, por isso são importantes as práticas como a rotação de culturas, que trazem alternativas de renda ao produtor, pois o que importa é a renda do produtor na final da atividade”, observou. Já o presidente do Irga afirmou que esta é uma safra muito especial porque conjuga vários fatores positivos para o setor. O primeiro é a manutenção da área plantada, o que indica estabilidade entre os produtores, que conseguiram superar os efeitos da crise financeira. “É uma demonstração do poder de reação do produtor diante da crise”, enfatizou Claudio Pereira. Outro fator é o preço favorável. “Devemos ter uma safra com ótimos preços desde o início até o final. É o momento de recuperação financeira para a grande maioria dos produtores de arroz”, afirmou o presidente.

Conforme Pereira, na safra anterior os preços após a colheita estiveram na casa dos R$ 22 a saca e só atingiram os R$ 38 R$ 39 no final, quando a maior parte dos agricultores já não tinha mais arroz para vender. “A grande maioria vendeu a R$ 27 R$ 28 a saca, no limite dos custos de produção”, explicou. A previsão para 2013 é que os preços sejam favoráveis desde o começo, o que irá beneficiar um número maior de produtores no próximo período. De acordo com o presidente do Irga, o andamento do plantio está de acordo com as expectativas, e a tendência é de estabilidade na produção e no preço do arroz para 2013. Novas cultivares Seis novas linhagens de arroz consideradas promissoras – isto é, com boa resposta em termos de qualidade de grão e rendimento - estão em fase de desenvolvimento na Estação Experimental do Irga, em Cachoeirinha. Segundo a pesquisadora Mara Lopes, são três linhagens de ciclo médio e três de ciclo precoce. Entre as de ciclo médio, duas são específicas para o sistema pré-germinado, sobretudo pela resistência ao acamamento: a IRGA3167-13PG-1PG-5 e a IRGA32173-4PG-2PG-7. A outra linhagem promissora de ciclo médio (IRGA3220-17-8-2) faz parte do programa geral de pesquisa e busca obter boa produtividade e qualidade de grão. As linhagens promissoras de ciclo precoce também integram este programa geral de pesquisa. Elas formam um material de bom desempenho e elevada produtividade, com rendimento observado de 10 mil quilos por hectare, além de resistência à toxidez por ferro no solo. São denominadas IRGA2694-25-3, IRGA3416-6-2-MP-3 e IRGA3476-7-1-MP-4. Conforme Mara Lopes, ainda está em desenvolvimento na Estação Experimental outra cultivar de arroz proveniente da IRGA424 com tolerância aos herbicidas do grupo químico das Imidazolinonas para controle do Arroz Vermelho. Além disso, a pesquisadora informa que durante este anosafra está em fase de ensaio a cultivar IRGA423, com previsão de chegar ao mercado no inverno de 2013.

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Palavra do Produtor

“Quero ser um especialista em viver da terra”

“Devemos aprender com os colonos a produzir de tudo, plantar e criar gado”- Vilnei Haetinger, 44 anos, Porteira Sete, Cachoeira do Sul Vilnei Haetinger faz o plantio em sucessão: após o arroz é plantado azevém, sempre no sistema de plantio direto. Depois entra com o capim sudão e só então volta a plantar arroz naquela área. O segredo, segundo o produtor, é não desmanchar as taipas. Ele trabalha em quatro áreas distintas, cada uma com um sistema diferente. São duas em rotação de arroz com soja de várzea, no inverno; outra com arroz e pecuária e mais uma com quatro cortes: dois com soja, um com arroz e outro com pecuária. “Estou fazendo dois anos de plantio direto com soja, sem preparar o solo. Faço a preparação só no primeiro plantio e o segundo já é colhido no seco”, explica. A ideia é essa: plantar e colher no seco. Plantar o azevém na várzea depois do arroz, segue este princípio de promover a ciclagem de nutrientes no solo, sempre da maneira mais barata possível. “Comecei fazendo uma experiência com três hectares de pastagens cultivadas e a previsão é colocar o azevém em todas as áreas de arroz”, comenta. A rotação com o soja iniciou em 2008 e a cada ano foi avançando um degrau na produtividade. Mas como não produz só arroz, a receita gerada por área é sempre maior.

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“Atualmente temos pressa em produzir. Temos que maximizar o uso da terra tendo o cuidado de não agredir o ambiente e manter a atividade sustentável. Parei de crescer na horizontal e passei a crescer na vertical”, analisa o produtor. O primeiro passo foi fazer o arrendamento total da área a fim de ter autonomia para decidir. “Pagamos mais pela terra, mas a autonomia acabou beneficiando a propriedade como um todo. Um dos resultados foi que não temos mais arroz vermelho devido a uma série de medidas que adotamos após conquistar esta autonomia. Depois veio o plantio direto, passamos a usar tecnologia clearfield e agora estamos plantando soja e criando gado. Temos a pecuária e a soja a serviço da lavoura de arroz”, explica. Vilnei trabalha desde 1992 nesta área e é 100% arrendatário. Ele é a terceira geração de produtores de arroz no local. São 250 hectares de soja, 384 hectares de arroz e mais 350 cabeças de gado Angus. As pastagens são 60 hectares em área de coxilha e 23 hectares em várzea. A previsão é plantar 50 hectares de Capim Sudão neste verão. São 11 funcionários, sendo que dez moram com suas famílias na propriedade localizada na Porteira Sete, em Cachoeira do Sul.


Palavra do Produtor O produtor possui o Selo Ambiental, porém para Haetinger, foi uma consequência do trabalho que já vinha sendo feito. Faltava só a iniciativa de se enquadrar. Participar do Selo serviu também para mobilizar os funcionários a respeito das novas exigências, explicar as normas para uso de equipamentos e sobre o tratamento de resíduos. O produtor investe na qualificação dos funcionários com a assessoria de psicólogos, para trabalhar a motivação e a valorização do papel feminino na lavoura. Ele se mostra engenhoso na solução de problemas básicos no manejo dos materiais da lavoura, de modo que não é preciso força para fazer a operação, só inteligência. Desse modo, ele vê oportunidades de trabalho para as mulheres na lavoura do arroz.

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Fertilidade Segundo Vilnei Haetinger, é um desafio continuar a produzir no solo onde hoje planta. Explica que quando chegou ao local, o produtor anterior tinha parado de plantar porque estava colhendo só arroz vermelho. A primeira coisa que fez foi implantar dois cortes. “É suicídio plantar só um corte. Depois veio o plantio direto e as práticas de menor movimentação

de solo. Com a tecnologia Clearfield ficou facilitado o controle, mas foi o somatório de tudo, o plantio sequencial e a rotação de culturas”, explica. Atualmente o produtor colhe em torno de 7,5 mil quilos por hectare e tem áreas que chegam a 8,5 mil kg. “A gente procura não estragar o solo, para não ter necessidade de preparação. O meu preparo fica em 30% da área. O resto está pronto porque planto e colho no seco. A irrigação fica só 90 dias.” Outra ação foi investir na fertilidade do solo, adotando a agricultura de precisão e a medição das respostas à adubação. “Quero saber exatamente quando a produtividade deixa de responder à adubação”, observa o produtor de Cachoeira do Sul. …................................................................................. Proporção dos ganhos, por atividade: …................................................................................ arroz: 65% da renda soja: 20% Pecuária: 15%

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Meio Ambiente

Boas Práticas

Agrícolas

A preparação do agricultor para o futuro

Tiago Zschornack

A sociedade está cada vez mais preocupada com o meio ambiente e a conservação e a preservação ambiental. No setor agrícola, o assunto vem sendo continuamente debatido, sobretudo porque o segmento poderá trazer contribuição decisiva a essa questão, e tudo dependerá das opções de cada agricultor na hora de realizar o planejamento e estabelecimento da sua lavoura. O Irga tem adotado uma série de recomendações nesse sentido, especialmente no que se refere à indicação de Boas Práticas Agrícolas (BPA) consubstanciada quando da adesão ao Selo Ambiental.

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Segundo o coordenador estadual do Comitê Gestor do Selo Ambiental e pesquisador do Irga, Tiago Zschornack, as Boas Práticas Agrícolas são um conjunto de princípios e recomendações para o uso adequado dos recursos disponíveis na lavoura, visando maximizar o aproveitamento destes fatores de forma a otimizar o seu uso, conservando-os sem degradá-los. Conforme o pesquisador, manejo é um conceito muito amplo e envolve todas as operações na lavoura e na propriedade. Todas as pesquisas do Irga geram recomendações técnicas, chamadas de Boas Práticas Agrícolas. “Os resultados dos ensaios geram a informação técnica que será repassada aos agricultores em forma de recomendações”, revela Tiago. O Manual de Boas Práticas Agrícolas para a lavoura de arroz irrigado no Rio Grande do Sul é um exemplo claro disso. Publicado em 2011, o livro foi elaborado com base no conhecimento científico e tecnológico gerado durante muitas décadas por um grande número de técnicos, os quais atuaram e atuam na geração e difusão de tecnologias para a lavoura orizícola no estado. A publicação técnica foi organizada pelo engenheiro agrônomo e consultor técnico do Irga, Cláudio Mario Mundstock e demais colaboradores.


Meio Ambiente

A publicação contém os princípios e procedimentos adotados na produção do arroz e aplicados no manejo da lavoura, na propriedade e nas etapas que se seguem à colheita. “Há o aperfeiçoamento do uso de recursos naturais, dos insumos agrícolas e do trabalho para o aumento da produtividade e rentabilidade com a adoção de Boas Práticas Agrícolas. Elas propiciam melhorias na qualidade de vida das comunidades e modificações no processo produtivo visando a sustentabilidade ambiental nas áreas cultivadas e adjacências”, conforme consta na página 9 do manual. Segundo Tiago, de forma clara e objetiva, o manual categoriza as Boas Práticas Agrícolas em práticas recomendadas e preferenciais. “Além disso, também dá destaque para aquelas não recomendadas, cujo uso deve ser evitado, pois trazem prejuízos à sustentabilidade da atividade”, enfatiza. Selo Ambiental Dentro do Projeto Tecnologias mais Limpas, a ação de implantação do Selo Ambiental em diferentes regiões está obtendo mais participantes a cada ano. O Selo Ambiental tem regulamento atualizado a cada edição, mantendo a preocupação de preparar o produtor para a certificação e rastreabilidade do

arroz. Neste ano foi decidido retirar do regulamento a apresentação do documento de outorga do uso da água, o que já é exigido pela Fepam. Por outro lado, foi incluído o pedido de licença para o empreendedor operar estruturas de secagem e armazenamento. Por estar em sintonia com as exigências da sustentabilidade, o regulamento do Selo é em alguns casos mais rigoroso do que a Fepam. “Nossos dados mostram que a lavoura do arroz melhora da qualidade da água utilizada, portanto com impacto ambiental positivo”, destaca o engenheiro agrônomo Tiago Zschornack. A proposta apresentada pelo Selo Ambiental é que uma lavoura bem planejada e manejada contribui para a melhoria do ambiente e da produtividade.

Os interessados em adquirir um exemplar do Manual de Boas Práticas Agrícolas podem procurar os Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate), no interior do Rio Grande do Sul ou pode entrar em contato com a Estação Experimental do Irga pelo telefone (51) 3470.0600. A publicação é gratuita.


Evento internacional em Santo Antônio da Patrulha

O Dia de Campo, realizado na Cabanha Manto Azul no dia 10 de outubro, fez parte da programação do II Simpósio Internacional de Integração Agricultura e Pecuária: Como introduzir sistemas integrados de produção. O evento, realizado de 8 a 12 de outubro, em Porto Alegre, contou com a participação de pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, França e Colômbia, que apresentaram e discutiram os avanços nas áreas de pesquisa em integração lavoura pecuária. Na abertura do dia de campo o gerente da Divisão de Pesquisas do Irga, Sérgio Gindri Lopes, foi direto ao ponto: a integração da agricultura e pecuária hoje é diferente do que se fazia tradicionalmente – plantar e criar gado separadamente. “Nesta fazenda temos um bom exemplo deste sistema que integra a produção de arroz com soja e criação de gado. Aqui a produtividade passou de 6.200 para 8 mil quilos por hectare. São 38 sacos a mais por hectare”, observou. A cabanha Manto Azul, dirigida por Maria Eugênia Telles Maciel e seus filhos, ganhou o Selo Ambiental do Irga na edição do ano passado. Na ocasião os pesquisadores apresentaram o que existe de mais avançado em tecnologia para a lavoura do arroz e sobre a implantação do soja em conjunto com pastagens. Deixaram claro que, diante da fadiga da tecnologia Clearfield, a monocultura do arroz perdeu espaço. Assim, o cavalo de batalha do Irga passa a ser a rotação de culturas e a integração com a pecuária, por uma série de motivos. No aspecto econômico reduz a vulnerabilidade do produtor às oscilações de preço, já que vai dispor de mais de um produto para vender - podendo aguardar preços melhores. No aspecto técnico a rotação de culturas

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promove a reciclagem e incorporação de nutrientes ao solo e seguindo as recomendações de manejo é possível controlar as plantas daninhas resistentes a herbicidas. Rotação de culturas na região De acordo com Joselito Telles Maciel, um dos proprietários da cabanha, está é quarta geração na atividade. Para ele, hoje a lavoura de arroz é uma empresa e quando notaram que o arroz vermelho estava atrapalhando, adotaram a rotação de culturas. “Abraçamos a ideia. Passamos todo conhecimento disponível para os nossos funcionários”, ressalta. Observa que a produtividade está chegando no ponto desejado e que foram contratados técnicos para trabalhar na soja, sendo feito de tudo para obter melhores resultados, o que aconteceu após a introdução das pastagens. Está é a segunda safra de soja no local, mas em Santo Antônio a rotação de culturas é feita há 10 anos. “A sequência da rotação que adotamos é dois anos de soja e um de arroz. É um preparo de solo para duas culturas”, afirma. No RS há mais de um milhão de hectares de arroz. Deste total, aproximadamente 250 mil fazem rotação com soja de várzea e há produtores que já consolidaram a prática de integrar as três modalidades: arroz, soja e pastagens para a pecuária. Nestas propriedades a produtividade do soja aumentou de 2,6 mil quilos por hectare para cinco mil. Na média das lavouras, passou de 43 para 62 sacos/ha. No caso da Cabanha Manto Azul, após o arroz é plantado o azevém. Segundo Joselito, a recomendação, de modo geral, é não deixar a resteva parada. Ele afirma ainda

Pablo Badinelli

Dia de Campo


Dia de Campo

que a integração da lavoura com a pecuária gera um melhor aproveitamento dos recursos naturais. Pecuária Nesta propriedade, explica Joselito Telles, a tradição é o plantio de arroz, mas como a cultura enfrenta problemas de preço e infestação de plantas daninhas, foi adotada a integração. Isso se deve à necessidade econômica de aumentar a renda e também para o controle de pragas, com a vantagem de que o custo de produção da soja é menor que o do arroz e ainda ajuda a combater as pragas. Seguindo a lógica da diversificação, a introdução da pecuária veio para aumentar os rendimentos. Como na região de Santo Antônio da Patrulha a água é abundante são necessários maiores cuidados para plantar soja, mas com a sucessão de culturas o impacto da pecuária na compactação do solo é menor. A participação de cada atividade na renda do empreendimento se distribui na proporção de 30% com pecuária, 20% com soja e 50% com arroz. A área de lavoura é de aproximadamente 200 hectares com soja e 400 hectares de arroz, e a parte da pecuária conta com 700 animais da raça Aberdeen. O pesquisador Ibanor Anghinoni, consultor do Irga, alerta que a presença do gado altera a fertilidade do solo. Segundo ele, este é um problema complexo e deve ser visto como um processo de interação dos diferentes elementos: ar, água, solo, plantas e animais. “São setores integrados do problema da fertilidade que, sem dúvida, é afetada pela introdução da pecuária”, observa. Recomendações O desafio para produzir soja na várzea é lidar com o excesso de água no solo, porque há redução de oxigênio para as raízes e a diminuição da biomassa, o que leva a menores rendimentos, explica a pesquisadora Cláudia Lang. São duas estratégias para esse caso: escolher variedades de soja mais adequadas ao excesso hídrico e adotar o sistema de elevação do solo com microcamalhões. “Além disso, deve-se adotar o manejo mais acertado para a cultura. O que já temos é produtividade de 40 sacas nos anos ruins.

Nos anos bons ainda veremos. Indica-se também a adoção de variedades de ciclo precoce com a mesma base genética”, observa. De acordo com Cláudia, no momento estão sendo melhoradas as variedades mais adaptadas ao excesso de água. Ela explica que é recomendado para a introdução do soja usar de 4 a 8 doses de inoculante para nodulação mais eficiente. “É necessário também a aeração do solo na primeira safra, sobretudo se o solo estiver encharcado”, recomenda. Principais dúvidas Equipamentos necessários: plantadeira de soja na várzea, que faz as três operações de uma só vez. Compactação do solo: o pisoteio do gado não causa compactação do solo da lavoura desde que o manejo esteja correto, aí considerando o planejamento de pastagens, a manutenção da altura das plantas e a lotação de animais para cada área. Agenda A seguir a programação para os próximos meses dos Dia de Campo a serem realizados pelo Irga:

Janeiro 2013 Data Local Dia de Campo Municipal 24.01 Rio Grande Dia de Campo Municipal 31.01 Formigueiro Fevereiro Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Regional Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Regional Campanha Dia de Campo Municipal Dia de Campo Municipal Dia de Campo Regional Dia de Campo Regional

05.02 06.02 07.02 08.02 08.02 08.02 14.02 15.02 15.02 18.02

Rosário do Sul São Francisco de Assis Candelária Paraiso do Sul Fiote - Palmares do Sul Tapes Estação Regional - Uruguaiana Alegrete Santana do Livramento Cacequi

19.02 19.02 25.02 26.02 28.02

São Vicente do Sul Rio Pardo Cachoeira do Sul Bagé Estação Regional - Sta. Vitória

Março Dia de Campo Estadual do Irga Dia de Campo Regional PCI 13.03

07.03 EEA AUD - Camaquã

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“O papel do Irga

é ser

protagonista

no processo

produtivo do

setor orizícola “ Claudio Pereira

Presidente do Irga faz um balanço de seus dois anos de gestão.

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Lavoura Arrozeira - Porto Alegre. v.60 - n. 458 / Agosto 2012


Capa Avaliação dos dois anos – A importância da cultura do arroz para a economia do RS fez com que o Irga mantivesse a sua estrutura ativa e dando retorno à sociedade. Em parte devido a atuação do seu Conselho Deliberativo e pelo o envolvimento do setor nas decisões. “O conselho faz um controle social do Irga ele representa os produtores, a indústria, o comércio e as cooperativas. Os conselheiros se reúnem, opinam e participam das decisões e dão todo o suporte para a direção trabalhar”, afirmou.

Ao concluir o segundo ano de gestão, o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz faz uma avaliação da atuação do Irga no período e projeta algumas das ações que deverão ser desenvolvidas no futuro visando aprimorar as condições para o produtor rural ligado à orizicultura no Estado.

Segundo Pereira, foi este controle da sociedade que impediu o Irga de ficar sucateado e defasado em sua função. “A nossa meta é a reestruturação da autarquia como órgão de Estado, fomentador e promotor de políticas públicas para o setor arrozeiro. E é fundamental para a instituição manter os seus recursos humanos”, salientou. Por isso foi elaborado e aprovado o plano de cargos e salários do Irga, como primeiro passo neste sentido. A realização do concurso público vai ser a oportunidade de revigorar a força de trabalho na instituição. “Queremos publicar o edital em 2013 e começar a chamar o pessoal já no segundo semestre. Para a próxima safra pretendemos ter funcionários novos, mas vamos fazer uma transição cuidadosa dos projetos que estão em andamento ou em fase de finalização para evitar que este trabalho venha a se perder”, destacou. Pereira explica que o concurso é uma necessidade urgente do Instituto. De acordo com ele, a parte administrativa será mantida enxuta e a prioridade será o reforço da área técnica e científica da instituição. “Vamos partir para o melhoramento da estrutura física, construindo uma nova sede, fazendo o Centro de Excelência em Difusão e investindo pesado na modernização da pesquisa agrícola. O papel do Irga é ser protagonista neste processo produtivo do setor orizícola no Brasil e na América Latina”, disse. O Irga está entre os cinco maiores institutos de pesquisa do mundo e seus pesquisadores são os melhores do setor, destacou o presidente. Tendências - Fora da Ásia, o Brasil é o país com maior consumo de arroz. Há também o mercado africano, que está começando a ser estudado. “Estão em andamento sondagens em diversos países africanos para dimensionar o tamanho desta demanda, que já se sabe ser enorme”, afirmou Pereira. Em relação a sustentabilidade da cadeia produtiva do arroz, o presidente do Irga disse ter bem claro que a crise do setor decorreu do modelo produtivo.

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Capa

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Rotação - “Estamos incentivando o maior número possível de produtores a abandonar este sistema – a monocultura. Entendemos que o cerne desta crise foi este modelo e agora trabalhamos muito forte para introduzir a rotação e a diversificação de culturas visando fortalecer a renda do produtor. É a diversificação de produtos que vai tornar o arrozeiro em produtor rural, mas sabemos que ele vai se manter um especialista na produção do arroz”, garante Pereira. Segundo ele, daqui em diante o produtor terá que pensar a propriedade como um todo.

Orgânicos - O que enxergamos como sustentável é o modelo agroecológico, no qual o produtor usa insumos que ele mesmo produz na propriedade e ainda pode vender sua produção quando melhor lhe convenha, observou. Segundo o presidente do Irga, são os produtores que devem colocar o preço, tanto nos seus insumos como no que produzem. “Assim ele vão ganhar mais e o ambiente também sai beneficiado. A estratégia comercial que o Irga apoia é reforçar a posição dos agricultores.”, afirmou Claudio Pereira.

De acordo com o presidente, a instituição abriu o leque da pesquisa para obter a sustentabilidade, investindo em culturas com o milho, sorgo e a soja. “Avançamos nestas culturas para oferecer alternativas aos produtores e também estamos investindo na produção de híbridos. Vamos procurar maior eficiência no uso da água, maiores rendimentos, a redução do impacto ambiental e a rotação de culturas – tudo isso vai ser incentivado sem abandonar a pesquisa tradicional em melhoramento genético”, garantiu Pereira.

Este modelo agroecológico está sendo implantado nos assentamentos da reforma agrária no Rio Grande do Sul. O Irga assinou convênio com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, por meio do Departamento de Desenvolvimento Agrário para executar uma série de ações e prestação de serviços técnicos na recuperação do sistema de irrigação e drenagem em assentamentos. Uma equipe de 10 técnicos foi designada para o desenvolvimento do projeto, com a realização de diagnóstico e elaboração de trabalhos,

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Capa propondo soluções e condições de infraestrutura, além do estabelecimento de parâmetros técnicos e recomendações de gestão, operação, manutenção e conservação da água. “Apresentamos, então, este modelo de base agroecológica para o arrozeiro ter condições de fazer frente ao mercado que lhe retira o lucro e, ao mesmo tempo, tornar sua propriedade econômica e ambientalmente sustentável”, explicou Claudio Pereira. Revelou que esta proposta de mudança de modelo veio como compromisso do governador Tarso Genro. “É uma proposta de governo que veio a encaixar neste momento de crise econômica.” Os pequenos produtores demonstraram maior interesse neste novo modelo, mas os grandes começam também a ver os seus méritos, explicou. “De modo geral, percebemos que o mercado que mais cresce é o do arroz orgânico e temos que nos preparar para atendê-lo”, salientou

Desenvolvimento - O projeto de investimento do Centro de Excelência em Difusão e modernização da pesquisa é algo inédito na história do Irga. “Este é o maior investimento que se tem notícia”, afirmou o presidente. “Com este investimento faremos a ampliação do leque de ações do Irga e também vamos democratizar o acesso a este informação, permitindo que mais pessoas possam se capacitar para produzir mais e melhor. O centro de excelência vai dar consequência ao trabalho de pesquisa em tecnologia agrícola”, garantiu Pereira. O Irga lançou em 2011 três novas cultivares - 426, 427 e 428. Como todo melhoramento, estas variedades novas precisam de um prazo maior para serem avaliadas, até se consolidarem nas lavouras. Estas variedades estão começando a se expandir no mercado. “A pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares de arroz são incessantes dentro do Irga e agora também estamos trabalhando em cultivares de soja para a várzea”, destacou. Para a próxima safra está previsto o lançamento da variedade 424 resistente à herbicidas.

Incentivo ao produtor aplicar a rotação de cultura.

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Tecnologia

Centro de Excelência em Difusão de Tecnologia Orizícola

Thalentos Engenharia Ltda.

Irga vai investir R$ 9,2 milhões para modernizar a pesquisa agrícola no Estado

O projeto de modernização da pesquisa e de construção do Centro de Excelência foi elaborado pelo Irga para atender a uma demanda do setor arrozeiro do Rio Grande do Sul. O conjunto de ações propostas vai aumentar a capacidade de pesquisa e difusão de tecnologia agrícola para o setor produtivo, seguindo princípios básicos da agronomia - como a rotação e diversificação de culturas - que aumentam a renda do produtor e reduzem o impacto ambiental da atividade. Conforme o presidente do Irga, Claudio Pereira, o Instituto vai fazer um investimento de R$ 9,2 milhões na construção de Centro de Excelência em Difusão e na modernização da pesquisa agrícola, com recursos financiados pelos BNDES. “Estamos entre os cinco maiores institutos de pesquisa do mundo e nossos pesquisadores são os melhores do setor. Este projeto de modernização tem por objetivo oferecer as melhores condições para a difusão das tecnologias desenvolvidas no Irga”, garante Pereira. Explica que o projeto tem abrangência estadual e vai ampliar a capacidade de pesquisa, sobretudo no interior, tanto em quantidade como em qualidade.

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Segundo o gerente da Divisão de Pesquisas do Irga, Sérgio Gindri Lopes, atualmente a pesquisa é feita em condições precárias e num ritmo bem menor que o desejável. “Esta situação afeta não só os resultados da pesquisa como, de modo indireto, a produção das lavouras”, explica. As principais limitações da pesquisa no âmbito do Irga estão na estrutura antiga, máquinas e equipamentos de campo, laboratórios e logística. Atualmente existem quatro estações em funcionamento e outras duas em implantação. A compra dos novos equipamentos, segundo Lopes, vai dar condições de autonomia para a pesquisa agrícola nestas estações, duplicando a atuação. “Este é um projeto com o Selo Verde e tem prioridade para o Governo. Não pode parar porque foi a realidade da crise financeira que levou à elaboração deste projeto. Veio em resposta a uma exigência do produtor de arroz, para reverter os efeitos da crise”, salienta.


Tecnologia

A justificativa técnica para o investimento, de acordo com Lopes, é que o desenvolvimento de novas tecnologias e cultivares adaptadas a cada região demanda uma pesquisa descentralizada porque há muita variação de uma região produtiva para outra. “Por exemplo, quando uma nova tecnologia está em desenvolvimento e não temos segurança da sua adequação, são instaladas unidades de observação ou de demonstração em propriedades particulares para observar os resultados junto com técnicos locais, produtores e pesquisadores”, explica. E para fazer isso é preciso deslocar os equipamentos até as lavouras. Centro de Excelência “O objetivo é modernizar e ampliar a pesquisa, mas não ficaremos limitados à cultura do arroz”, afirma Sérgio Lopes. A filosofia de trabalho a partir de agora é a diversificação da produção e a adoção da rotação de culturas - uma prática antiga na agronomia, mas muito recente entre os arrozeiros, observa o engenheiro. As novas instalações do Centro de Excelência vão aumentar a capacidade de atuação. “Vamos reformar,

ampliar a aparelhar a atual Estação Experimental de Cachoeirinha para receber e capacitar todos os técnicos envolvidos diretamente na produção do arroz, proprietários, arrendatários e pesquisadores”, revela. Segundo ele, o local vai dispor de toda a estrutura para oferecer o melhor em difusão de pesquisa agrícola, fazendo cursos regulares numa organização permanente e sincronizada com o calendário agrícola do estado. Explica que pesquisadores e extensionistas de todas as áreas vão ter condições adequadas de hospedagem e alimentação durante os cursos e eventos técnicos. O Centro vai contar com auditório, salas de reuniões, biblioteca, sala multimídia e internet, além de uma cozinha experimental. Deverá ter um programa continuado de treinamento e capacitação.

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Ben-Hur Corvello

Sérgio Lopes fala sobre a experiência de irrigação em áreas de várzea

Seminário destaca importância estratégica das culturas de irrigação Organizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) e Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em associação com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Seminário Internacional Água, Irrigação e Alimentação foi realizado nos dias 16, 17 e 18 de outubro, no Centro de Eventos do Barra Shopping Sul, em Porto Alegre. O evento teve como objetivo estimular o uso racional da água na produção sustentável de alimentos, apresentar alternativas tecnológicas para amenizar os efeitos das estiagens e promover o uso responsável dos recursos hídricos. A data da abertura foi escolhida simbolicamente, pois 16 de outubro é o Dia Internacional da Alimentação. Os palestrantes do evento abordaram o tema da irrigação em favor da segurança alimentar.

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Além de ser um dos organizadores, o Instituto Rio Grandense do Arroz teve participação efetiva na programação do evento. O pesquisador do Irga, Sérgio Iraçu Gindri Lopes, ministrou a palestra “Experiência de Irrigação nas Várzeas: Rotação de culturas – arroz, soja, milho e sorgo”, com o professor da Universidade de Arkansas, Merle Anders. Ampliar e diversificar os sistemas de produção

Lopes, apresentou a perspectiva da Instituição para o setor arrozeiro: ampliar a base de produção na Metade Sul para ganhar em competitividade econômica, técnica e sustentabilidade ambiental. Explicou que o Rio Grande do Sul é um estado onde a cultura do arroz começou no final do século XIX e hoje conta com área plantada de um milhão de hectares, 100% irrigada. “O processo de produção do arroz


Seminário irrigado evoluiu em mais de 100 anos de experiência. Temos produtividade média de 7,5 mil kg por hectare e utilizamos vários sistemas, com predominância do cultivo mínimo, que é a fase intermediária entre o plantio direto e o convencional. O que queremos é chegar ao plantio direto verdadeiro para termos rotação e integração de culturas com cobertura vegetal durante todo ano”, salientou. Lopes destacou que grande evolução do arroz no Estado se deve à disponibilidade de água e terra e um bom regime de chuvas, em torno de 1.500 mm por ano.”Nossa meta é produzir um quilo de arroz com um metro cúbico de água. Hoje trabalhamos com sistemas com uma eficiência muito maior, graças a pesquisa para a produção de arroz com menor quantidade de água”, observou. Segundo o pesquisador do Irga, a economia de no uso da água decorre deste processo de trabalhar de forma amigável com o ambiente, ampliando a área irrigada com a mesma quantidade de água disponível. Explicou que este é o principal enfoque da pesquisa agrícola dentro do Irga e no âmbito do governo estadual, no sentido de oferecer alternativas e sistemas de produção viáveis para a metade sul do estado. Integração de Culturas O pesquisar do Irga também abordou um assunto muito importante e muito discutido atualmente, sendo apontado como uma saída para a produção rural do Estado, a rotação de culturas. “Constatamos que no Arkansas eles produzem arroz em 30% da área, outros 30% com soja e o restante com milho numa área muito similar a que temos aqui no Rio Grande do Sul. Como alternativa, o que temos aqui no Estado?”, questinou. Explicou que a produção de arroz no Estado não avança porque existem restrições ao uso da água, o que impede o avanço no mercado internacional porque não manter a oferta do grão. “Nosso objetivo é elevar em até 50% o cultivo de outras culturas nesta mesma área usada pelo arroz irrigado. No ponto de vista agronômico temos benefícios com a integração dos cultivos de arroz, soja e milho. Vemos que plantando arroz uma vez a cada três anos temos os melhores resultados. Buscamos então oferecer estas alternativas para que o produtor possa se manter”, explicou.

A produção de arroz no Arkansas O professor Merle Anders, da Universidade do Arkansas, apresentou um quadro atual da experiência dos agricultores norte-americanos que cultivam arroz irrigado com rotação de culturas. Segundo ele, existem similaridades entre a produção de arroz do Arkansas com a feita no Rio Grande do Sul, sobretudo em termos de solo e tecnologia. Além disso, lá a adoção do sistema de rotação de culturas, alternando arroz, milho, soja e sorgo, trouxe bons resultados. Os produtores norteamericanos, no entanto, enfrentam o desafio de tornar a cultura do arroz sustentável, principalmente devido ao uso da água. Apesar de estarem às margens do rio Mississipi, um dos maiores do mundo, os agricultores do Arkansas usam somente a água captada do lençol freático a grandes profundidades. Diferentemente do Brasil, explicou Merle, “nos Estados Unidos os recursos hídricos fazem parte das propriedades privadas – não têm seu uso regulado por lei. “Por isso, no longo prazo a disponibilidade de água para o arroz pode ficar comprometida porque, dada a característica argilosa do solo, não está acontecendo a reposição da água nos depósitos profundos”, explicou. De acordo com Merle, a pesquisa agrícola mostrou, por exemplo, que a prática de irrigação intermitente reduz a emissão de gás metano, além de economizar água. Eles perceberam que a rotação de culturas traz benefícios à produção do arroz, com aumento de produtividade e também dando maior flexibilidade financeira ao agricultor. “No Arkansas se planta o arroz a cada dois anos, sempre após o cultivo da soja”, observou. Informou que com o adequado manejo dos solos, com plantio direto e o uso racional da água, aumentou a produção nestas áreas. Apesar destes avanços, Merle afirmou que em seu país os produtores se questionam até quando será possível plantar arroz nestas condições. Por fim, salientou que a melhor opção é investir na irrigação para aumentar a produção nas áreas de várzea.

Também destacou que a integração com a atividade pecuária é uma opção que está sendo bastante trabalhada. “Então, é ampliar e diversificar os sistemas de produção na Metade Sul, mantendo o arroz como o principal foco de ação, usando e ampliando a irrigação para outras culturas, aproveitando a estrutura já existente e incrementando os rendimentos da propriedade sem fazer grandes investimentos”, concluiu. Lavoura Arrozeira

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Artigo Técnico

Sementes Certificadas de Arroz: Por que investir? Por que usar?

Felipe Ferreira*

A lavoura de arroz no Rio Grande do Sul evoluiu muito nos últimos 10 anos. Passamos de uma produtividade média de 5.500 kg/ha na safra 2001/02 para aproximadamente 7.400 kg/ha na safra 2011/12. Um aumento de produtividade de 35% em apenas 10 safras. Para uma cultura como o arroz irrigado, pode-se afirmar que houve uma grande evolução tecnológica em bem pouco tempo, principalmente se for comparado com outras grandes culturas comerciais. Mas como podemos explicar este avanço nas lavouras orizícolas do RS? A resposta passa por um conjunto de variáveis como semeadura e entrada da água na lavoura na época recomendada, adubação equilibrada; controle de pragas, doenças e plantas daninhas conforme as recomendações técnicas, desenvolvimento de novas tecnologias, enfim a resposta passa pelo desenvolvimento e o correto manejo integrado da cultura do arroz. Mas e o que a utilização de sementes de qualidade tem a ver com isso? A resposta é: o potencial produtivo de uma lavoura está diretamente relacionado à qualidade da semente utilizada. É a qualidade da semente, além dos atributos genéticos da cultivar escolhida, que irão determinar o quanto mais poderá se colher em uma lavoura. Muitos avanços relacionados à qualidade da semente de arroz ocorreram nos últimos anos. No início dos anos 2000 muitas lavouras eram semeadas com densidade de semeadura entre 150 kg/ha a até 200 kg/ ha. Passados mais de dez anos a maioria das lavouras são semeadas com densidade de 100 kg/ha ou menos. Isso indica um ganho de qualidade nas sementes utilizadas, pois em alguns casos, estamos utilizando 50% a menos de sementes com significativos ganhos de produtividade. Além disso, investir em semente é investir em pureza genética e pureza física. Mas como podemos mensurar os ganhos do investimento em sementes de qualidade? Por que devemos investir em sementes certificadas ao invés de gastarmos dinheiro com sementes comuns (sem origem) ou até mesmo sementes salvas, muitas vezes produzidas sem o planejamento e os cuidados necessários à produção de um material de qualidade?

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Primeiro deve-se responder a esta pergunta com enfoque na pureza genética de uma cultivar. Quando se utiliza sementes certificadas constantemente o produtor deste tipo de semente é obrigado a “renovar” seu material de multiplicação, ou seja, após multiplicar uma semente certificada de segunda geração (C2) o produtor da semente deverá novamente adquirir uma semente certificada de primeira geração (C1) ou semente básica, podendo em alguns casos reiniciar a multiplicação a partir de semente genética. Com isso, no máximo a cada quatro, gerações ocorre a renovação genética da cultivar a ser ofertada no mercado. Isso explica o porquê podese manter uma cultivar no mercado por muitos anos, com a devida pureza genética, como é o caso da cultivar BR IRGA 409, lançada no ano de 1979. Caso não ocorra a renovação do material e o orizicultor insistir em multiplicar continuamente uma cultivar ao longo dos anos, ocorrerá a “erosão” genética deste material, ou seja, haverá a perda da pureza genética da lavoura e da homogeneidade da cultivar. Como resultado prático disso, ocorre a contaminação de áreas limpas e principalmente a perda de qualidade do produto final, ou seja, dos grãos no momento da venda à indústria. Existem cultivares no mercado com alta qualidade industrial que podem perder valor de mercado caso a semente utilizada na lavoura não tenha procedência conhecida. Além disso, a desuniformidade genética em um lote de sementes dificulta todos os tratos culturais da lavoura, como irrigação, adubação nitrogenada, controle de invasoras e por fim, haverá a maturação desuniforme dos grãos, menores produtividades e menor rendimento industrial. Voltando a pergunta anterior, também é possível respondê-la com enfoque na pureza física. O maior problema encontrado nas lavouras do RS ainda é o arroz vermelho, a planta daninha de mais difícil controle e que causa os maiores prejuízos à lavoura. Mas e o que tem haver o uso de sementes certificadas com o controle do arroz vermelho? A resposta está na qualidade dos lotes certificados para comércio. Sementes certificadas C1 e C2 (para cultivares protegidas do IRGA e outras instituições) somente


Artigo Técnico

recebem o certificado caso os lotes analisados nos laboratórios de análises de sementes não apresentem incidência de arroz vermelho. Além disso, um lote de sementes certificadas somente é comercializado após passar por todas as etapas do controle de qualidade da entidade certificadora, desde vistorias nos campos de produção de sementes até a coleta e analise dos lotes de sementes pelos certificadores e laboratórios credenciados. Visando identificar a qualidade da semente utilizada no RS, em relação à incidência de grãos de arroz vermelho, durante as safras 2008/09 a 2010/11 foi realizado um monitoramento da qualidade da semente utilizada pelos orizicultores gaúchos. Foram coletadas, nesses três anos, 596 amostras utilizadas pelos agricultores. Desse total identificou-se que 53% eram amostras de semente oficial (C1, C2, S1 e S2). O restante (47%) eram lotes de semente comum (semente salva ou sem origem). Quando se analisou a incidência de grãos de arroz vermelho nos diferentes grupos de semente (semente oficial e semente sem origem) pôde-se perceber a diferença de qualidade entre os materiais. Do total de amostras (lotes) de semente comum, 62% apresentaram infestação com arroz vermelho. Para os lotes de semente oficial, 83% estavam isentas de arroz vermelho. O fato é que, quando compara-se estes dois grupos de sementes existe uma grande diferença de qualidade entre semente certificada e semente comum, principalmente para cultivares que detém resistência ao uso de herbicidas do grupo químico das imidazolinonas. Nesse caso, ao usar semente salva ou comum, contaminadas com arroz vermelho, podese estar multiplicando nas lavouras grãos de arroz vermelho resistentes a estes herbicidas. A Figura 1 mostra a percentagem de amostras de semente comum contaminadas com grãos de arroz vermelho, por região arrozeira do RS, encontradas no referido monitoramento. Fica evidente que a probabilidade de se estar multiplicando esta invasora nas lavouras é algo real, caso o produtor não invista em sementes certificadas.

45% 63% 41%

72% 85%

70%

% de amostras de semente comum contendo arroz vermelho.

Figura 1. Percentagem de amostras de semente comum contendo arroz vermelho, por região arrozeira. Ensaio Monitoramento da Qualidade da Semente Utilizada no RS. Média Safras 2009/10 e 2010/11.

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Outra questão que deve ser abordada é sobre o antigo hábito de se “salvar” lavouras comerciais para a produção de sementes. Em muitos casos não existe o planejamento e os cuidados necessários à produção de uma semente de qualidade, além disso, não há critérios para estabelecer os padrões mínimos de qualidade desse tipo de semente. O simples fato de se identificar visualmente uma “boa lavoura” (aparentemente livre de plantas daninhas) não é suficiente classificar essa lavoura como uma área apta à multiplicação de sementes. A Figura 2 mostra uma lavoura infestada com uma planta de arroz vermelho (pericarpo preto) com a mesma estatura da cultivar utilizada. Ou seja, caso este campo não seja vistoriado adequadamente (como ocorre no processo de certificação) pode-se estar disseminando este tipo de planta em outras lavouras, o que irá dificultar ainda mais o controle de arroz vermelho nas lavouras do RS.

Figura 2. Planta de arroz vermelho (pericarpo preto) com mesma estatura do arroz cultivado

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Além de existirem plantas de arroz vermelho com a mesma estatura do arroz cultivado também existem grãos de arroz vermelho com diversas tonalidades de cores e tamanhos. Originalmente a planta de arroz vermelho apresentava grão curto, no entanto ao longo dos anos e com o cruzamento com o arroz cultivado, é muito comum encontrarmos nos laboratórios de análises de sementes, grãos de arroz vermelho longo fino (como mostra a Figura 3).

O que devemos refletir com os exemplos apresentados é que na busca de qualidade, produtividade e sustentabilidade, o produtor não pode deixar de utilizar sementes de qualidade, produzidas com um rigoroso controle de qualidade. A viabilidade das lavouras arrozeiras ao longo dos anos depende da utilização de cultivares com origem e procedência conhecida e isso ajuda a entender o porquê investir e usar sementes certificadas de arroz.

Figura 3. Grãos de arroz vermelho com diferentes tonalidades e tamanhos

ATENÇÃO PRODUTOR: Para encontrar sementes certificadas de arroz entre em contato com os técnicos do Irga ou acesse www.irga.rs.gov.br, no link “produtores de sementes certificadas safra 2011/12”. *M.Sc. Engenheiro Agrônomo Coordenador de Projetos da Divisão de Pesquisa da Estação Experimental do Irga.

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Plantas daninhas resistentes a herbicidas As plantas daninhas são a principal praga das lavouras de arroz irrigado na região Sul do RS. A afirmação é do pesquisador do Irga na área de Herbologia, Augusto Kalsing, ao explicar que estas espécies reduzem de 10 a 20% do potencial de produtividade da cultura a cada ano, mesmo com a realização de todas as medidas de controle pelo orizicultor. Segundo o pesquisador, mais de uma centena de espécies de plantas daninhas ocorrem nas lavouras de arroz no RS, destacando-se o arroz-vermelho e o capim-arroz, por apresentarem elevada distribuição e nocividade à cultura. Na safra 2011/12, cerca de 50% das lavouras de arroz do RS cultivaram arroz clearfield, o que representa uma das maiores áreas do mundo com o emprego desta tecnologia. Segundo Kalsing, esta necessidade advém da elevada infestação das lavouras com arroz-vermelho, pois a tecnologia permite controlálo com herbicidas. Mas, explica que o uso de um ou poucos herbicidas por várias safras acarreta no surgimento de biótipos de plantas daninhas resistentes ao produt o. “Se o agricultor não muda a estratégia de manejo e insiste com o mesmo herbicida por várias safras, ele promove a seleção de plantas resistentes”, afirma. Existem, atualmente, seis espécies de plantas daninhas com populações resistentes a herbicidas na lavoura de arroz do RS, distribuídas em todas as regiões do Estado (Quadro 1). De acordo com o pesquisador, a única forma de prevenção do problema é a adoção de práticas de manejo integrado e de sistemas de rotação de culturas. “O orizicultor deve ser estratégico e evitar a ocorrência deste

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Augusto Kalsing

Manejo


Manejo problema com todas as forças, pois o manejo de espécies resistentes é difícil e oneroso”, explica. A seguir, seguem as principais recomendações da pesquisa para o manejo e prevenção de plantas daninhas resistentes a herbicidas na cultura do arroz irrigado. Para manejar e prevenir plantas daninhas resistentes: - Semear a lavoura na época recomendada; - Utilizar somente sementes e produtos com certificação; - Aplicar herbicidas em pré-emergência e no “ponto de agulha”; - Praticar rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação; - Irrigar a cultura logo após a aplicação dos herbicidas em pósemergência; - Impedir a produção de sementes na área das plantas que escaparem ao controle; - Drenar a área cultivada logo após a colheita e destruir a soca com o preparo do solo; - Praticar rotação de sistemas de cultivos na área ao longo do tempo; - Praticar rotação de culturas e/ou de atividades na área ao longo do tempo;

Planta daninha / Mecanismo de ação

/

A rotação de arroz e soja é um dos caminhos mais promissores para o manejo de plantas daninhas nas áreas de várzea do RS, comenta o pesquisador. “Nossas pesquisas mostram que o cultivo de soja por dois anos elimina boa parte do banco de sementes de plantas daninhas e viabiliza o cultivo de arroz”. Segundo ele, esta estratégia de manejo pode recuperar áreas infestadas, sendo importante manter a rotação na sequência: uma safra para cada cultura. Isto requer conscientização de que somente associando-se diferentes culturas, sistemas de cultivo e herbicidas será possível manejar as plantas daninhas de forma eficiente e sustentável nas áreas de várzea cultivadas no RS. Quadro 01 – Plantas daninhas resistentes à herbicidas: principais espécies Arroz vermelho ou preto – Oryza sativa Capim arroz – Echinochloa crus galli e Echinochloa colona Ciperáceas – Cyperus difformis e Cyperus iria Chapéu de couro – Sagitaria monthevidensis Tabela 01 – Relação das plantas daninhas com ocorrência de populações resistentes a herbicidas em lavouras de arroz irrigado, em determinados locais, no RS.

Herbicidas

Arroz-vermelho

Inibidores da ALS

Imazapic, imazapyr e imazethapyr

Capim-arroz

Mimetizador de auxinas

quinclorac bispyribac-sodium, imazapic, imazapyr, imazethapyr e

nibidores da ALS

penoxsulam

Inibidores da ALS

bispyribac-sodium, cyclosulfamuron, imazapyr, imazapic,

Ciperáceas

imazethapyr ethoxysulfuron, penoxsulam e pyrazosulfuron-ethyl Chapéu-de-couro

Inibidores da ALS

bispyribac-sodium, cyclosulfamuron, imazapyr, imazapic,

Inibidores do Fotossistema II imazethapyr ethoxysulfuron, penoxsulam e pyrazosulfuron-ethyl Basagran

Augusto Kalsing

Fonte: SOSBAI (2012)


Artigo Técnico

RELAÇÃO ENTRE O FÓSFORO E O FERRO NA MANIFESTAÇÃO DE SINTOMAS DE TOXIDEZ POR FERRO EM ARROZ IRRIGADO

Humberto Bohnen¹ / Felipe de Campos Carmona² / Ibanor Anghinoni³

(1) Ph.D. em Ciência do Solo, Consultor Técnico da Seção de Melhoramento Genético, EEA/IRGA. (2) Dr. em Ciência do Solo, Pesquisador da Seção de Agronomia, EEA/IRGA. (3) Ph.D. em Ciência do Solo, Professor Titular do Departamento de Solos (UFRGS), Consultor Técnico da Seção de Agronomia, EEA/IRGA.

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A toxidez por ferro é um distúrbio fisiológico relativamente comum em lavouras de arroz irrigado. Vulgarmente, é conhecida como “alaranjamento”, pelo sintoma característico que afeta as folhas das plantas, iniciando pelas mais velhas, em variedades suscetíveis. As perdas em rendimento são variáveis, podendo chegar a 100% em situações extremas. No Rio Grande do Sul, os primeiros relatos de toxidez por ferro ocorreram na década de 1980, o que coincidiu com o lançamento das variedades do tipo moderno BR-IRGA 409 e BR-IRGA 410, reconhecidamente suscetíveis. Entretanto, sintomas semelhantes aos causados pela toxidez por ferro podem ocorrer devido à deficiência de fósforo no arroz, o que pode gerar certo confundimento no diagnóstico do estresse. Plantas deficientes em P apresentam amarelecimento no ápice das folhas. Além disso, há uma interação entre P e Fe na solução do solo em ambiente alagado, o que, em certos casos, reduz a solubilidade de P, tornando-o indisponível às plantas. Outro fator que interfere no suprimento de P ao arroz é a formação da placa férrica ao redor das raízes. Neste caso, o P presente na solução do solo pode ser adsorvido ao ferro oxidado, o que dificulta a sua absorção. O presente trabalho é um estudo preliminar com o objetivo de verificar a relação entre o fósforo e o ferro em um solo cultivado com arroz irrigado e histórico de toxidez por ferro em variedades suscetíveis. Um Planossolo de Restinga Seca, com relatos de sintomas atribuídos à toxidez por ferro, foi cultivado em casa de vegetação, em tanques com 50L de capacidade. No solo de um dos tanques foi adicionado potássio (cloreto de potássio, equivalente a 50kg/ha). No outro tanque, a mesma dose de K mais fósforo (equivalente a 320 kg/ha de supefosfato triplo - SFT). Os adubos foram aplicados no solo alagado e incoporados ao lodo. Nos dois tanques foram plantados, lado a lado, os genótipos EPAGRI 108 e BR-IRGA 409. Quando as plantas atingiram o estádio V3, foi adicionado o equivalente a 50kg/ha de ureia nos dois tanques. Periodicamente, foi feita a extração da solução do solo na profundidade de sete cm, pelo método de sucção, com coletores dotados de filtro milipore 0,45 µm. Nas alíquotas coletadas, foram analisados os teores de ferro e de fósforo. Ao mesmo tempo, foram mantidos recipentes de vidro com o mesmo solo alagado, mas sem plantas e sem fertilizantes, com um dispositivo para extrair a solução do solo. Nesses recipientes, foram feitas coletas de solução em intervalos de 2-3 dias, durante 40 dias, para posterior determinação dos teores de Fe e P. Aos quarenta dias após o plantio, o crescimento dos dois genótipos no tanque sem adubação fosfatada era bem inferior em relação ao tanque em que as plantas receberam o equivalente a 320 kg/ha de superfosfato triplo (Figura 1). Da mesma forma, houve grande variação nos teores de P na solução do solo. A análise indicou 0,03mg/L de fósforo onde não fora aplicado adubo fosfatado e 0,54 mg/L no tanque com adubo fosfatado. Nesta fase, não havia diferença visível entre os dois genótipos no tratamento com adição de fósforo. Sem adubo fosfatado, entretanto, algumas folhas, principalmente no genótipo BR-IRGA 409, apresentavam a parte apical amarelada, ou mesmo morta (Figura 2).


Artigo Técnico

Figura 1. Genótipos EPAGRI 108 (a esquerda de cada tanque) e BR-IRGA 409 (a direita de cada tanque) cultivados em um Planossolo (Restinga Seca), com (A) e sem (B) a adição do correspondente a 320 kg/ha de SFT, 40 dias após o plantio.

Figura 2. Sintomas nas folhas do genótipo BR-IRGA 409 cultivado em Planossolo (Restinga Seca), sem adição de adubo fosfatado, 40 dias após o plantio.

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Artigo Técnico O resultado do teste indicou que uma dose elevada de adubo fosfatado (para os padrões das recomendações em uso atualmente) pode eliminar os sintomas atribuídos à toxidez por ferro. Aparentemente, o problema maior desse solo é a deficiência de fósforo, que pode ser causada pela imobilização do fósforo disponível para as plantas pelos altos teores de ferro na solução. Na Figura 3 são apresentados os resultados das análises da solução do mesmo solo em vaso sem plantas. Com o alagamento, os teores de P e Fe aumentam na solução devido à dissolução de compostos desses elementos, pela ação de elétrons oriundos da atividade dos organismos anaeróbicos. Isto resulta na redução do ferro de valência três (pouco solúvel no ambiente alagado), para valência dois, muito mais solúvel. Esse processo continua enquanto houver provisão de energia para os micro-organismos, assim como reserva de ferro facilmente reduzível. Na Figura 3, se observa

que as concentrações de ferro e fósforo aumentaram até os 30-40 dias após o alagamento. Neste ponto, é provável que a matéria orgânica facilmente oxidável tenha sido consumida e como consequência, a formação de elétrons necessários para redução dos compostos oxidados de Fe e P tenha cessado. No entanto, como já havia uma grande concentração de ferro na solução e o ambiente estava muito reduzido, o ferro possivelmente voltou a se combinar com o fósforo. Este fosfato de ferro (agora com Fe na valência 2) é muito pouco solúvel no ambiente das raízes do arroz cultivado sob alagamento (pH 6-7). Isto retira da solução o fósforo necessário à nutrição das plantas. Somente a adição de mais adubo fosfatado poderia contornar este problema.

Figura 3. Dinâmica da concentração de ferro e fósforo na solução de um Planossolo alagado, proveniente de Restinga Seca em vaso sem plantas de arroz.

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Artigo Técnico

A comprovação desse processo pode ser verificado nas ilustrações contidas na Figura 4. Aos 40 dias após o plantio, foi adicionado em cobertura o corrrespondente a 100 kg/ha de superfosfato triplo no tanque sem fósforo. Aos 80 dias, as plantas mostram recuperação no crescimento, não havendo mais sintomas de deficiência de fósforo.

Figura 4. Aspecto dos genótipos EPAGRI 108 (plantas a esquerda de cada tanque) e BR-IRGA 409 (plantas a direita de cada tanque) aos 80 dias após o plantio, cultivados em um Planossolo com histórico de toxidez por ferro, com a adição de 320 kg/ha de superfosfato triplo imediatamente antes do plantio (A), e 100 kg/ha de SFT aos 40 dias após o plantio (B). Por outro lado, no tanque com adição inicial de adubo fosfatado (320 kg/ha de SFT) aos 80 dias, a cultivar BR-IRGA 409 apresentou sintomas de falta de fósforo, (folhas mais velhas com coloração amarelada nas pontas). Isto indica que gradativamente o ferro adicionado ao solo foi se combinando com o fósforo, formando compostos pouco solúveis, indisponibilizando os fosfatos para a planta de arroz. Os resultados deste teste indicam que uma adubação fosfatada mais generosa do que as doses atualmente recomendadas (SOSBAI, 2010) pode diminuir os efeitos da toxidez por ferro e, com isso, aumentar os rendimentos do arroz em solos com histórico de “toxidez” por ferro. As doses a serem recomendadas deverão ser definidas em experimentos de campo e, provavelmente, serão diferenciadas conforme o tipo de solo e cultivar. No momento, devido a necessidade de estudos mais abrangentes, sugere-se que os agricultores mantenham os níveis de adubação fosfatada de acordo com a recomendação atual, baseada na análise de solo.

AGRADECIMENTOS Agradecemos aos produtores Sandro e Erlon Cunha, assim como ao Téc. Agrícola Gilberto Mori Dotto, pela cooperação prestada ao Irga no desenvolvimento deste trabalho.

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Artigo Científico

Análise da Série Histórica de Preços e Relações de Troca (Insumo-Produto) na Lavoura de Arroz Irrigado

Paulo Rigatto* Robson Pato Scheuermann** Darlan Pez Wociechoski***

Introdução O arroz irrigado é um produto de destaque na economia do Rio Grande do Sul. Com uma área plantada de 1.053 mil hectares nesta última safra (2012) alcançou uma produção de 7.042,5 mil toneladas (IRGA, 2012). Sob a prespectiva econômica, seus preços de comercialização vêm registrando as menores cotações dos últimos dez anos. Mais do que as cotações dos preços recebidos pelos produtores, está na proporcionalidade destas em relação aos preços pagos por insumos e serviços o retrato real do momento por que passa a economia deste importante setor do agronegócio gaúcho. Baseado nisso, o presente estudo teve como objetivo analisar o comportamento das cotações de preços do produto arroz em casca e dos insumos e serviços relacionados à sua produção, assim como suas relações de troca (Insumo/Produto), em uma série histórica de dez anos. Metodologia A metodologia utilizada baseou-se na análise de séries temporais de preços tendo como fonte de dados os preços médios pagos e recebidos pelos produtores no Estado do Rio Grande do Sul (Base de Dados EMATER/RS), envolvendo uma série de dez anos (Jun/2002 - Jun/2012). Primeiramente a série de preços foi deflacionada tendo por coeficiente a Série Índice IGP-DI/FGV (IPEAData, 2012), obtida pela fórmula: (Preço Nominalmês / Número Índicemês) x Número ÍndiceJun/2012. O estudo dos preços pagos baseou-se na análise de um conjunto de insumos (e serviços) com séries de preços disponíveis e que fazem parte dos custos de produção da lavoura de arroz irrigado no Estado do Rio Grande do Sul. São eles: Salário Mínimo Regional (RS), Trator de 90/120 hp, Óleo Diesel (litro), Arroz Semente (saco 50 Kg), Adubo 5-20-20 (ton), Uréia (ton), Herbicida (litro), e o preço do Kilowatt/hora. Para a análise das Relações de Troca Insumo/Produto, os preços dos insumos foram divididos, mes a mes, pela cotação do produto arroz em casca ao longo do período analisado. 46

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Para ilustrar o comportamento do conjunto de insumos e serviços analisados, foi utilizado o indicador “Tecnologia Arroz/ha” (TA) definido como sendo uma “cesta” ponderada de insumos e serviços componentes dos custos de produção do arroz irrigado. Os critérios para composição da TA, basearam-se em metodologia de trabalho desenvolvido por RIGATTO (1997). Os indicadores e ponderações que compõem o TA estão apresentados na Tabela 1 a seguir. Tabela 1 - Critério ponderação dos custos na composição da Tecnologia Arroz/ha analisada na série histórica de preços. INDICADOR

Ano Safra / Período

IGP-DI

DÓLAR

ARROZ

No Ano “Acumulado No Ano “Acumulado No Ano “Acumulado no Período” no Período” no Período”

2003

26,9%

26,9%

6,2%

6,2%

94,1%

94,1%

2004

10,1%

39,8%

8,5%

15,3%

-4,9%

84,7%

2005

6,5%

48,9%

-22,9%

-11,1%

-38,9%

12,8%

2006

1,0%

50,3%

-6,8%

-17,2%

-4,9%

7,3%

2007

4,0%

56,3%

-14,1%

-28,8%

11,0%

19,1%

2008

14,0%

78,1%

-16,2%

-40,4%

65,5%

97,2%

2009

0,8%

79,5%

20,9%

-27,9%

-23,9%

50,1%

2010

5,1%

88,6%

-7,7%

-33,5%

11,1%

66,7%

2011

8,6%

104,8%

-12,1%

-41,5%

-33,9%

10,3%

2012

5,7%

116,4%

29,1%

-24,5%

52,8%

68,6%

Fonte: RIGATTO (1995)

Resultados Como elementos chave dos resultados auferidos pelo presente estudo, estão as variações dos índices utilizados na conversão dos preços no período estudado. A Tabela 2 apresenta as variações percentuais anuais (Safras) e acumuladas no perído de análise de preços (2003-2012), para os três índices utilizados na análise, que foram: inflação (IGP-DI/FGV) (IPEAData, 2012), variação do câmbio (Média Mensal R$/US$) (IPEAData, 2012) e variação no preço do produto arroz em casca (EMATER-RS, 2012). Tabela 2 – Variações percentual dos índices de conversão das séries temporais de preços. Item de Custo

Critério de ponderação/hectare

Pessoal

60% de um salário mínimo

Mecanização

1 % do valor de novo do trator

Óleo Diesel

140 litros de óleo diesel

Semente

2 sacos de 50 quilos

Adubação de Base (5-20-20)

236,34 quilos por hectare

Adubação de Cobertura

153,19 quilos por hectare

Herbicida

5 litros por hectare

Fonte: Resultados de pesquisa.


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Importante ressaltar as variações acumuladas no período de 116,4% para a variação do indice oficial de Inflação medida pelo IGP-DI/FGV; a depreciação de -24,5% do Dólar frente ao Real; e ainda a valorização do produto Arroz em Casca de 68,6% no período de dez anos. Salvo as variações inerentes a um período desta dimensão, cabe referenciar as oscilações sofridas pela cotação do câmbio, pela forte valorização do Real no período estudado, assim como as do arroz em casca, que teve seus preços oscilando significamente ao longo dos últimos dez anos. Ilustrado isso, vamos aos principais resultados encontrados para os demais indicadores analisados. Primeiramente destacamos os valores das séries de preços deflacionadas pelo IGP-DI (FGV) e posteriormente as Relações de Troca Insumo/ Produto. Dado a limitação de espaço, não faremos aqui, referência as oscilações das cotações em dólares, estando estas, assim como a versão digital e interativa do trabalho na integra, disponível na página do Irga no link: http://www.irga.rs.gov.br Preços Deflacionados IGP-DI (FGV)

Gráfico 02 - Cotações Médias Anuais (R$) para a série histórica de Preços do Arroz em Casca (50 Kg). Apesar da recuperação das cotações dentro do último Ano Safra (2012), a sua cotação média para o Ano de 2012, de R$ 25,70/Saco, apenas igualou-se a alcançada no ano de 2011, ficando ambas 37% abaixo da cotação média anual para a série de dez anos, e 121% abaixo da cotação mais alta da série, ocorrida na Safra de 2004 que, em valores atuais, atingiram uma cotação de R$ 56,90/saco de 50 quilos.

Destacamos, inicialmente, o comportamento das cotações do produto Arroz em Casca.

Gráfico 03 - Série histórica (2002-2012) das cotações em Reais (junho 2012) do arroz em casca (50 Kg). Gráfico 01 - Cotações (R$) do Saco do Arroz em Casa (50Kg) – Méidas Anuais e Últimos Doze Meses. Os resultados referentes aos valores deflacionados (Reais), ilustram que o preço do saco do Arroz em Casca apresentou uma forte recuperação ao longo da safra 2012. Depois de atingir a menor cotação da série dos últimos dez anos (R$ 19,70/saco), em junho de 2011, terminou o Ano Safra 2012 cotado ao preço de R$ 28,50/saco, o que evidenciou uma valorização de 44,7%, em termos reais, no período dos últimos 12 meses.

O gráfico 03 acima ilustra de forma clara o comportamento de tendência dos preços do arroz em casca para o período de dez anos onde evidenciamse as tendências de depreciação de suas cotações no período, assim como de forte recuperação nos últimos 12 meses. No que se refere a cesta de insumos e serviços ilustrada pelo indicador TA, no entanto, observa-se que a Safra (2011/2012) apresentou o segundo menor valor da série de dez anos, com valor médio de R$ 2.484/ha, pouco acima da sua menor cotação (Safra 2011) com R$ 2.476/ha, e 15,2% abaixo da média para a série de dez anos que foi de R$ 2.840/ha, conforme ilustrado no gráfico 04, abaixo. Lavoura Arrozeira

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Gráfico 04 - Cotações Médias Anuais (R$) para a Série Histórica da “Tecnologia Arroz/ha”. O Ano Safra onde o indicador TA obteve sua maior cotação (R$ 3.151/ha), permanece sendo o Ano de 2005.

Gráfico 06 - Cotações Médias Anuais (R$) para a série histórica do Salário Mínimo Regional. O SMR foi o único componente do indicador TA que apresentou uma sustentada apreciação de seus valores médios anuais ao longo da série analisada. Ao longo da série de dez anos o SMR registrou uma elevação de 34,2% em suas cotações médias anuais, sendo esta a maior elevação dentre todos os indicadores de insumos e serviços analisados.

Gráfico 05 - Cotações (R$) da cesta de Insumos “Tecnologia Arroz/ha” – Méidas Anuais e Últimos Doze Meses. A TA apresentou um comportamento bastante estável ao longo da última safra (2012), refletidos por cotação máxima de R$ 2.557/ha no mês de Abril de 2012. Quanto aos componentes do indicador TA, podemos destacar o valor do Salário Mínimo Regional (SMR), que obteve sua maior cotação média anual no ano de 2012, de R$ 659, ou 15,8% acima da média da série de dez anos que ficou em R$ 569 por unidade do SMR.

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Gráfico 07 - Cotações Médias Anuais (R$) para a Série Histórica do Trator 90/120 hp. Em contraste ao SMR estão os custos com mecanização, ilustrados aqui pelas cotações de um Trator de 90 a 120 Hps, que obteve a menor cotação média anual no Ano de 2012, equivalente a R$ 119.798/ unidade, ou 23% menor do que a cotação média para a série que foi de R$ 147.102/unidade. O grupo mecanização vem apresentando uma depreciação em suas cotações desde o Ano de 2005, quando atingiu sua maior cotação (R$ 174.187/unidade) ou 45% acima da cotação média para o Ano de 2012.


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Gráfico 08 - Cotações (R$) do trator de 90/120hp – Méidas anuais e últimos doze meses.

Gráfico 10 - Cotações médias anuais (R$) para a série kistórica da tonelada do adubo.

Ao longo do Ano de 2012, o indicador mecanização apresentou pequenas variações encerrando o ano com a menor cotação da série de dez anos cotado a R$ 113.656/unidade.

Os fertilizantes (adubo e uréia), apresentaram alta em suas cotações em relação ao ano de 2011. Após preços recordes registrados em 2009 e uma abrupta queda em 2010 e 2011, em 2012 eles ensaiaram uma recuperação ficando cotados próximo a marca da média para a série de dez anos que registrou R$ 1.112 e R$ 1.230 por tonelada do adubo e da uréia, ou ainda, 5% e 4% abaixo das médias para o período, que foram de R$ 1.172 e R$ 1.274 por tonelada, respectivamente.

A exemplo dos custos relacionados à mecanização, o óleo diesel também teve sua menor cotação da série no ano de 2012, cotado a R$ 2,14/litro. Esta cotação foi 16% menor do que média registrada para a série de dez anos, que ficou em R$ 2,48/litro. O ano de 2006 continua sustentando a cotação mais alta da série de dez anos para o óleo diesel, que foi de R$ 2,78/litro.

Gráfico 11 - Cotações médias anuais (R$) para a série histórica do litro do herbicida. Gráfico 09 - Cotações (R$) para o Litro do Óleo Diesel – Méidas Anuais e Últimos Doze Meses. Assim como no caso dos Tratores, o óleo diesel também sofreu depreciação em suas cotações ao longo dos últimos sete anos, tendo registrado sua menor cotação no último mês de acompanhamento da Série, em junho de 2012, cotado R$ 2,09/litro.

O herbicida também teve na cotação média para 2012 o seu menor valor para a série, cotado a R$ 8,80/litro, ou 88% inferior a média registrada para o período, que foi de R$ 16,50/litro. Excessão feita a 2008 e 2009, as cotações do herbicida sofreram uma depreciação desde 2004, quando atingiu o maior valor da série cotado a R$ 22,30/litro.

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Gráfico 12 - Cotações médias anuais (R$) para a série histórica do Kilowatt/hora. O KWh apresentou pequena alta em sua cotação média anual de 2012 (R$ 0,403/KWh) quando comparado ao ano anterior (R$ 0,396/KWh), interrompendo uma tendência de cinco anos de queda. Nos últimos cinco anos a cotação do KWh situou-se abaixo da média para a série, que foi de R$ 0,472/KWh. Relações de Troca

Gráfico 14 - Cotações médias anuais (em sacos de arroz) para a série histórica do salário mínimo regional. O indicador que mais contribuiu para sustentação das cotações da TA foi o salário mínimo regional (SMR) que alcançou na última safra a maior cotação da série analisada, ou 25,7 Sacos/SMR, 45,2% superior a média da série de dez anos que foi de 17,7 sacos/SMR, e 179% superior a cotação média anual mais baixa da série, ocorrida no ano de 2004, quando atingiu a cotação de 9,2 Sacos/SMR.

Quanto as cotações expressas em unidades do produto ou Relações de Troca Insumo/Produto, a cotação para o indicador TA fechou o ano safra de 2012 em 97 Sacos/ha ou 12,8% superior a cotação média da série de dez anos, que atingiu 86 Sacos/ha.

Gráfico 15 - Cotações (em sacos de arroz) para o litro do óleo diesel – médias anuais e últimos doze meses. Gráfico 13 - Cotações (em sacos de arroz) para a Cesta de Insumos “Tecnologia Arroz” por hectare – Médias anuais e últimos doze meses. Os dados do último ano aafra (2012) demonstram uma queda sistemática das cotações da TA que atingiu 86 Sacos/ha em junho de 2012, cotação igual a média anual dos últimos dez anos da Série.

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O indicador de mecanização finalizou o Ano Safra 2012 cotado a 3.989 Sacos/Trator de 90/120hps. Cotação esta ligeiramente superior às cotações mais baixas dos últimos sete anos, ocorrida em 2009. Apesar de apresentar uma série em declíno no último ano safra (2012), a cotação média para o ano (2012) foi de 4.683 Sacos/Trator de 90/120hps, ou 5,2% supeior a média da série de dez anos, que ficou em 4.453 Sacos/Trator de 90/120hps.


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Gráfico 16 - Cotações médias anuais (em sacos de arroz) para a série histórica do litro do óleo diesel.

Gráfico 18 - Cotações médias anuais (em sacos de arroz) para a série histórica do litro do herbicida.

O Óleo Diesel apresentou comportamento similar, finalizando o ano safra 2012 cotado a 0,073 sacos/litro, depois de também apresentar depreciação em suas cotações nos últimos dois anos.

Os herbicidas, ao contrário, registraram suas menores cotações da série no ano de 2012, com média de 0,34 Sacos/litro, ou 29,2% menor do que a cotação média para o período que foi de 0,48 Sacos/litro.

Gráfico 17 - Cotações médias anuais (em sacos de arroz) para a série histórica do litro do herbicida.

Gráfico 19 - Cotações médias anuais (em sacos de arroz) para a série histórica do Kilowatt/hora.

Com relação aos fertilizantes (adubo e úreia) os dados mostraram que em 2012 os mesmos tiveram cotações elevadas, sendo a segunda maior para o adubo que ficou cotado a 43,3 Sacos/Ton, e a maior cotação média anual da série de dez anos, ou 48 Sacos/ Ton para a Úreia.

A cotação do KWh em 2012 ficou igual a do ano anterior, em 0,016/KWh. Ambas cotações próximas à média da série de dez anos, que foi de 0,014 Sacos/ KWh. Considerações Finais Os dados apresentados confirmam a singular depreciação que os preços do produto arroz irrigado tiveram ao longo das últimas duas safras, assim como a firme recomposição que vêm experimentando ao longo dos últimos 13 meses da série de dez anos analisada. Sob o ponto de vista econômico, no entanto, esta depressão de preços foi acompanhada proximamente por uma redução nas cotações dos principais insumos para a lavoura do arroz irrigado (TA). Excessão feita ao

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salário mínimo regional, os demais insumos também experimentaram reduções em suas cotações, atingindo no seu conjunto, o menor nível dos últimos dez anos da série analisada. Apesar desta depreciação nas cotações dos insumos, no entanto, as análises de relações de troca mostraram que a queda nas cotações do produto arroz irrigado foram superiores às registradas para o conjunto dos insumos e serviços ilustrados pelo indicador “Tecnologia Arroz/ha”, o que resultou em uma sensível apreciação dos valores quando medidos pela Relação de Troca Insumo/Produto, penalizando a atividade nos últimos dois anos. A recuperação que as cotações do produto arroz irrigado vêm sofrendo nos últimos 13 meses (até junho/2012), no entanto, pode sinalizar para uma rápida recuperação do equilíbrio nas Relações de Troca Insumo/Produto para Lavoura do Arroz Irrigado, se esta tendência se mantiver nos próximos meses. Referências EMATER-RS Banco de Dados-Preços 2012. IEPE. http://www.ufrgs.br/iepebanco/ (acesso em 10/07/2012). IPEAData. http://www.ipeadata.gov.br/ (acesso em 20/08/2012). IRGA. http://www.irga.rs.gov.br/uploads/ anexos/1329418135Area_Producao_e_Produtividade.pdf (acesso em 25/09/2012) RIGATTO, Paulo. Relações de troca entre os preços dos insumos para a lavoura arrozeira e o produto arroz irrigado.. In: XXII REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 1997, Balneário Camboriú-SC. ANAIS DA XXII REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO. Pomerode-SC: Gráfica Mayer Ltda., 1997. p. 514-517.

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Nova Diretoria

Elói Thomas é nomeado diretor comercial do Irga O advogado e produtor rural, Elói José Thomas, é o novo diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). A apresentação aos funcionários da autarquia foi na próxima segunda-feira, 03 de dezembro. A nomeação no Diário Oficial do Estado foi publicada no dia 18 de novembro. Thomas é natural de Alecrim, mas Bagé é a cidade onde tem uma atuante carreira política. Foi secretário municipal da indústria e comércio de 1986 a 1988, vereador por dois mandatos de 1989 a 1995, secretário municipal de obras viárias do interior no período de 1998 a 1999, reassumiu o cargo de 2003 até 2007, neste mesmo ano assumiu como secretario municipal de atividades urbanas, onde permaneceu até 2010.

O novo diretor destaca que pretende atender as aspirações da classe arrozeira, estabelecer um dialogo com as classes ligadas ao setor e encaminhá-las junto ao presidente do Irga, Claudio Pereira e ao secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi. Thomas assume a pasta no lugar de Rubens Silveira, que ocupou o cargo por três mandatos. Elói Thomas é advogado formado na Universidade da Região da Campanha (Urcamp), e possui pós-graduação em Gestão Pública na mesma universidade. Filho de pequenos produtores chegou a Bagé na década de 70 para trabalhar como agente da empresa Transportadora Mayer S/A.

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Almanaque Há 50 anos na Revista Lavoura Arrozeira

Novembro de 1962 A edição de novembro da Revista Lavoura Arrozeira trazia um artigo com o seguinte título: “Ensaios de adubação e adaptação de variedades”.

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Dezembro de 1962 A edição de dezembro de 1962 mostrava a situação da lavoura no RS

Janeiro de 1963 Em janeiro a revista trazia um gráfico com as épocas de plantio e colheita da safra 1961/1962


Revista Lavoura Arrozeira  

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