Perfil do Centro Cultural Plataforma

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SALVADOR 30/12/2013

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O encontro foi marcado de um dia para o outro. A proposta era conversar com Ana Vaneska Almeida, gestora do Centro Cultural Plataforma (CCP). Quando a reportagem do jornal chegou no cine-teatro, quarenta pessoas estavam sentadas em uma grande roda, trocando ideias e fazendo planos para 2014. Elas representavam os grupos culturais que frequentam a “casa”, nome que utilizam quando referem-se ao espaço. “Não faria sentido a casa ser visibilizada se os grupos que fazem cultura no subúrbio também não fossem”, justificou a gestora no início da conversa. O CCP é um teatro com capacidade de 203 espectadores e pertence a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. No entanto, diferencia-se de outros espaços públicos pela forte relação estabelecida com as comunidades existentes em seu entorno. Além do teatro, o CCP funciona como um espaço aberto para encontros, discussões, elaboração de projetos e convergência de linguagens, que possibilita e fortalece a produção artística local. “O CCP representa um nível de organicidade. O subúrbio passou a fazer arte, pensar arte e, ao mesmo tempo, produzir ideias sobre arte”, afirma José Eduardo Ferreira Santos, pesquisador e morador do local. Atualmente, existem 13 grupos residentes, que frequentam regularmente a casa, utilizando o espaço para ensaiar, realizar oficinas, se encontrar e expor seus trabalhos. São eles: o Movimento de Cultura Popular do Subúrbio (artes integradas), Herdeiros de Angola (teatro, dança), Banda Tallllowah (reggae), Grupo de Teatro Dudu Odara, grupo de pagode New Black, Biblioteca Abdias do Nascimento, grupo Break NS (hip-hop), Professora Roqueline Gomes, coletivo Boom CLAP, MC Álvaro Réu, grupo de teatro de rua É Nóis e o Coletivo de Produtores do Subúrbio.

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EDITORA-COORDENADORA: SIMONE RIBEIRO / DOISMAIS@GRUPOATARDE.COM.BR

REPRISE GLOBAL EM JANEIRO, O CANAL VIVA MOSTRA O COMEÇO DA CARREIRA DO ATOR CAUÃ REYMOND NA NOVELINHA MALHAÇÃO 5

MÚSICA PONTO DE EQUILÍBRIO PASSA POR SALVADOR COM TURNÊ DO NOVO DVD 6 Divulgação

Mila Cordeiro/ Ag. A TARDE

Arte suburbana

em casa PERFIL Centro Cultural Plataforma destaca-se por ser um espaço de encontro entre grupos culturais de diversos bairros engajados em uma gestão participativa e horizontal

História

O prédio onde atualmente funciona o CCP existe há mais de 20 anos e foi construído pelo Circulo Operário da Bahia, quando ali funcionava um cinema, administrado pela Fundação Irmã Dulce. “Na época, o cinema era a única opção de lazer para a população de Plataforma no fim de semana”, relembra Dona Lúcia Tinônco, moradora antiga do bairro e integrante da Paróquia São Brás. Depois dessa fase, o espaço passou a pertencer ao estado e ficou fechado durante 14 anos. A reinauguração se deu em 2007, após meses de mobilização de grupos culturais de diversas comunidades, que queriam eleger um gestor que conhecesse a realidade e a produção artística local. “A eleição foi uma grande luta. O governo queria mandar uma pessoa que não entendia nada de cultura e de comunidade e a gente não aceitou”, conta Dona Nauzina Santos, coordenadora da Associação Cultural Herdeiros de Angola, que, desde 2008, utiliza o teatro para realizar oficinas de dança, teatro e alongamento para senhoras. Segundo ela, cerca de 40 grupos de bairros como Periperi, Lobato, São Bartolomeu, Plataforma e Santa luzia se mobilizaram para se reunir e organizar a eleição. “A gente queria uma pessoa que, além de manter o teatro, desse oportunidade para os grupos da comunidade”, afirma ela.

Herdeiros de Angola, Tallowah, Break N.S., New Black, Acervo da Laje, O Terreiro, Perinho Santana, Fabrício Cumming, Platacity, Reforma Cia de Dança, Centro César Borges, Musas, Ivana Magalhães, Projeto Suzana´s Bauten

Gestão participativa

“Produções ricas querem se manter aqui porque o território é fonte de canalização”

“O subúrbio passou a fazer arte, pensar arte e, ao mesmo tempo, produzir ideias sobre arte”

ANA VANESKA ALMEIDA, gestora

JOSÉ EDUARDO F. SANTOS, pesquisador

Ana Vaneska se encaixou neste perfil e abraçou a causa, criando, com os grupos, um novo modelo de gestão. Assim, o espaço começou a aceitar todos os grupos que apareciam para apresentar seus trabalhos e construir novos projetos, mesmo se ele não se encaixasse nas quatro paredes da sala de teatro. Ivam Almeida, músico da banda de reggae Tallowah, relembra como criaram, em 2009, o projeto Lá no Fundo do Quintal, que leva bandas musicais para o fundo do teatro. “Às vezes, a sala não é o espaço ideal para a música dançante, o público não quer ficar sentado, quer levantar e fazer festa. A gente queria resgatar este público”, conta, lamentando o projeto estar parado desde novembro, devido às chuvas de outubro, que danificaram o local.

Assim como este projeto, outros como a sala de leitura, projetos de formação de plateia, entre tantos outros, foram possíveis por articulação entre os grupos e parcerias. “2013 foi um ano muito produtivo para o CCP. Quando a cidade toda ficou parada porque o governo fechou a torneira do dinheiro, a gente continuou produzindo”, reflete Fabrício Cumming, que produziu o 1º Concurso Miss Gay Subúrbio, no último dia 5 de dezembro. Outra característica da gestão é o diálogo entre os grupos e as linguagens. Lukas Santana, de 24 anos, começou fazendo oficinas de teatro com o grupo Herdeiros de Angola e agora trabalha com música, no Break NS. “ O teatro abriu as portas da minha carreira, comecei a trabalhar com música, conheci várias linguagens e venci meus

próprios preconceitos”, pontua o jovem.

Programação

Segundo Ana Vaneska, a programação do teatro é híbrida e abrange o espontâneo, o amador e o profissional, em níveis local, nacional e internacional. “Temos a programação que vem da Diretoria de Espaços Culturais, aquela trazida por grupos que ganham seus próprios editais e a programação predominante que é de quem está aqui, produzindo na casa”, conclui a gestora. Entre as atrações presentes na programação de janeiro destacam-se a temporada do espetáculo Uma Noite Muito Estranha, a Semana Baiana de Hip Hop, e oficinas de Ballet Clássico com Guego Anunciação. CENTRO CULTURAL PLATAFORMA – PRAÇA SÃO BRÁS, 14, PLATAFORMA (3398-2883)


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