Matéria sobre o novo disco da banda Nação Zumbi

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SALVADOR QUINTA-FEIRA 15/5/2014

MEMÓRIA Organizado pelo jornalista Antônio Carlos Miguel, com design de Gingo Cardia, volume comemora os 25 anos do evento

Livro reúne imagens e histórias do Prêmio da Música Brasileira

Fernanda Montenegro e Maria Bethânia no camarim, em 2009 Fotos Divulgação

MARIANA PAIVA

A música é das melhores, mas mesmo assim, um pretexto dos bons para encontros inesquecíveis, dentro e fora do palco. Este é o clima do livro 25 Anos do Prêmio da Música Brasileira, organizado pelo jornalista Antônio Carlos Miguel, com design assinado por Gringo Cardia. “É um livro oficial, chapa branca no bom sentido. Lembra como foi cada uma das cerimônias, quem estava lá, e mostra também a adesão da classe artística como um todo: não só o pessoal da música, mas também do teatro, da televisão”, afirma Antônio Carlos.

Memorabília

Em mais de 370 páginas, o livro conta histórias e vai além do simples propósito de ser um registro dos 24 anos do prêmio, que apresentou ontem sua 25ª edição: oferece, antes de tudo, uma importante memória para a música popular brasileira. “O prêmio é muito importante primeiro porque tem como único critério a qualidade musical, não se prende a quesitos como popularidade ou mesmo disposição geográfica”, conta José Maurício Machline, idealizador do evento. Ele conta que uma das maiores preocupações é mapear a produção musical brasileira, mesmo aquela que não chega ao grande público. “Não à toa, conseguimos revelar talentos como a Zabé da Loca, uma grande artista nordestina que morou mais de 25 anos em uma espécie de gruta”, diz.

A cantora Gal Costa na primeira edição, realizada em 1988, sob os olhares atentos de Cazuza e Bebel Gilberto (no canto esquerdo)

25 ANOS DO PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA / ANTONIO CARLOS MIGUEL

Edições de Janeiro/ 376 p./ R$ 120

“O prêmio é muito importante porque tem como único critério a qualidade musical” ZÉ MAURÍCIO MACHLINE, idealizador

Histórias

Em 1988, na edição de estreia do prêmio, o homenageado foi Vinicius de Moraes. Na plateia estavam diversos artistas, como Elizeth Cardoso, esplêndida num vestido de rendas, ao lado de um discreto Renato Russo, de black tie. A discrição do cantor durou

“O livro mostra também a adesão da classe artística como um todo” ANTÔNIO CARLOS MIGUEL, autor

O sorridente encontro de Dorival Caymmi e Emílio Santiago em 89

MÚSICA

Nação Zumbi conta histórias nas faixas do novo CD Vitor Salerno/ Divulgação

LARA PERL

“Quando fica cicatriz fica difícil de esquecer”. Assim surge a voz grave de Jorge du Peixe na primeira faixa do novo disco da Nação Zumbi. Comemorando os 20 anos do clássico Da Lama ao Caos, os músicos pernambucanos reverenciam o passado e o mestre Chico Science com 11 canções inéditas, esperadas há sete anos pelos fãs. O disco leva o mesmo nome da banda e reúne composições assinadas coletivamente por du Peixe (letra), Pupillo (base rítmica), Lucio Maia (guitarra) e Dengue (arranjos de baixo). Já disponível em todas as plataformas digitais, o lançamento da Slap/Natura Musical, produzido por Berna Ceppas e Kassin, também chega hoje às lojas. Toca Ogan (percussão), Gilmar Bola 8, Da Lua e Tom Rocha (alfaias) completam a formação, que vem para Salvador fazer um show no dia 6 de junho, no Clube dos Fantoches. O grupo mostra uma nova sonoridade, mais leve e melódica, envolvida por metáforas de velhos temas, como violência urbana, tempo, expectativas e sonhos. “O trabalho traz uma maturidade musical, uma evolução que é natural. Nossa ideia é sempre trazer diferença a cada disco, com novas intenções. Esse busca contar histórias, em um formato de crônicas, como 11 capítulos de um livro”, considerou du Peixe. Entre as canções, estão Cicatriz, que transita pelo iê-iê-iê

O prêmio, que já se chamou Sharp, tem como uma de suas preocupações mapear a produção musical brasileira, mesmo a que não chega ao grande público pouco, entretanto: bastou subir ao palco para receber o prêmio de Melhor Grupo pela Legião Urbana, Renato começou a brincar. Agradeceu em inglês, como faria no Oscar, e ainda mandou um alô pra Luiz Melodia, “um cara de quem gostamos muito, ali na plateia”. Cazuza, vencedor nas categorias Melhor Cantor e Melhor Música (com Preciso Dizer Que Te Amo, com Dé e Bebel Gilberto), também brincou ao discursar: “Como nunca ganhei medalha no colégio, queria dedicar esse prêmio ao meu pai e à minha mãe!”. O livro passeia por histórias como estas, inclui entrevistas como a da atriz Fernanda Montenegro, que apresentou o prêmio em duas edições, e uma pequena biografia de cada um dos homenageados ao longo destes 24 anos. Dentre os artistas que o prêmio celebrou estão Dorival Caymmi, Maysa, Lulu Santos, Dominguinhos e Ary Barroso. Neste ano, o prêmio – que já se chamou Sharp – escolheu homenagear não um artista, mas um ritmo. Zé Maurício explica a decisão, tomada pelo Conselho Deliberativo do Prêmio, composto por ele mesmo, João Bosco, Wanderlea, Arnaldo Antunes e Gilberto Gil. “Como a edição era comemorativa, tomamos essa liberdade e decidimos homenagear o samba, o mais genuíno ritmo nacional. Mas ano que vem retomamos a tradição de homenagear artistas”, diz. Dentre as lembranças que Zé Maurício carrega com carinho, está a homenagem que o prêmio de 2006 prestou a Jair Rodrigues, falecido na semana passada. “Nesse momento que ele acaba de nos deixar, fico especialmente feliz em ter podido dar a ele flores em vida, com a homenagem que fizemos em 2006. A imagem dele emocionado e alegre, como sempre foi, não me sai da cabeça”.

CURTAS Exposição Como Refazer o Mundo A galeria Luiz Fernando Landeiro Arte Contemporânea (Rio Vermelho) inaugura hoje, às 19 horas, a exposição Como Refazer o Mundo, que reúne trabalhos de 32 artistas contemporâneos e dois coletivos de diversos estados brasileiros, agrupando pintura, desenho, aquarela, gravura, instalação, fotografia, etc. Com curadoria de Divino Sobral, a mostra permanece no local até 30 de julho. Neste sábado, às 17 horas, haverá visita guiada pelo curador, comentando sobre as obras e relações poéticas entre elas.

NAÇÃO ZUMBI

SLAP (SOM LIVRE) COM A NATURA MUSICAL / R$ 24,90 / WWW.NACAOZUMBI.COM.BR

e o bolero pós-moderno, a crônica Bala Perdida, além da ciranda A Melhor Hora da Praia, parceria com Marisa Monte. Lula Lira, filha de Chico Science e cantora do projeto Afrobombas, também participa, na faixa de reggae-funk Defeito Perfeito. Por não haver um conceito que une as canções, o disco levou o nome do grupo. “Também é uma reafirmação, uma volta dos que não foram. A gente não foi embora, fomos dar uma volta, um respiro, mas estamos aqui”, brincou o vocalista. Após o lançamento de Fome de Tudo, em 2007, último álbum de estúdio, os músicos se dedicaram a projetos paralelos. Em 2012, fizeram a histórica apresentação no Marco Zero, que gerou o CD e DVD Ao Vivo no

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Duo Dois Em Um faz show no Canadá

O grupo Nação Zumbi comemora os 20 anos do disco Da Lama ao Caos, mas “olha para a frente”

Recife, mas desde 2011 já estavam compondo para o novo trabalho. Para o guitarrista Lucio Maia, este tempo foi essencial e o disco acabou se tornando seu preferido entre os oito já lançados pelo grupo. “Sabemos a importância do passado, mas olhamos para a frente. O Da Lama ao Caos foi o manifesto, o primeiro grito.

A melhor forma de comemorar seus 20 anos é com novidades”, afirmou o músico. Jorge du Peixe garante que o Recife e o manguebeat ainda estão muito presentes no trabalho. “É como se fosse um outro endereço do mesmo lugar. O tempo passou mas está tudo ali, ainda somos nós”, disse, olhando para o mar da cidade natal,

onde costuma descansar do concreto de São Paulo. E assim, atravessando agoras, dançando novas auroras e comendo o mundo pelas beiradas, a Nação Zumbi se renova e inicia mais uma turnê. NAÇÃO ZUMBI (SHOW) / CLUBE DOS FANTOCHES / 6 DE JUNHO (SEXTA-FEIRA), 21H / R$ 40, VENDAS NA TICKET MIX

No dia 17 de junho, o duo baiano Dois Em Um fará sua primeira incursão internacional. A banda de Luisão Pereira (guitarra, voz) e Fernanda Monteiro (voz, violoncelo) se apresenta no Lula Lounge, um sofisticado restaurante e clube de jazz em Toronto, no Canadá. Outro baiano, Bruno Capinan, este residente na metrópole canadense, se apresenta na mesma noite. O Dois Em Um vai apresentar as canções do seu segundo álbum, Agora (2013), e algumas do primeiro, autointitulado (2010). No segundo semestre, o duo grava o primeiro DVD ao vivo, um projeto contemplado em edital da Natura Musical.


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