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SALVADOR TERÇA-FEIRA 17/12/2013

MÚSICA Cantora baiana fez shows na Caixa Cultural para celebrar centenário do poeta

3 Joá Souza/ Ag. A TARDE

Maria Creuza revive memórias de Vinicius de Moraes na Bahia

LARA PERL

Maria Creuza começou o show fazendo um brinde. “Não dá para cantar Vinicius sem brindar”, disse, convidando o público da Caixa Cultural a começar uma viagem com o poetinha, que estaria completando 100 anos. “Se ele não tivesse tomado todas, estaria aqui com a gente”, brinca a cantora, sempre emocionada, ao falar do seu maior parceiro musical. Foram quatro apresentações do projeto Feita para o Poeta, que aconteceram entre quinta-feira (12) e domingo (15), com um repertório de sucessos, como Eu Sei Que Vou te Amar, Garota de Ipanema e Canto de Ossanha. São músicas já conhecidas na voz leve e grave de Maria Creuza, que canta sem fazer esforço. A baiana foi escolhida por Vinicius para interpretar suas canções. “Sua voz me acaricia, Mariazinha”, dizia ele. O compositor conheceu a intérprete em um festival universitário da TV Tupi, no Rio de Janeiro, e ela logo chamou sua atenção. Era 1969 e começava uma amizade que durou até a morte do poeta, em 1980.

Carreira

Não demorou para que Vinicius chamasse Creuza para a sua pri-

“Vinicius se alimentou da Bahia. Ele amava essa mágica, o ritmo e a forma de ser do baiano” MARIA CREUZA, cantora

A cantora começou sua carreira como apresentadora no programa Encontro com Maria Creuza, na TV Itapuã

Maria Creuza no palco da Caixa Cultural Salvador, onde fez temporada até o último domingo para apresentar o show Feita para o Poeta

meira temporada fora do Brasil, acompanhados por Dorival Caymmi, na Argentina e Uruguai. O sucesso foi tanto que seguiram para a Europa, com Toquinho. O CD Vinicius de Moraes, Maria Creuza e Toquinho, lançado em 1970, até hoje é considerado um dos melhores discos da MPB. “Foi o meu primeiro e me definiu

como cantora”, avalia ela, que faz shows regulares em Ipanema e viaja o mundo levando os versos do poeta. Quatro dias antes de morrer, Vinicius foi ao Teatro Galeria assistir ao show dos seus “pupilos”, Mariazinha e Toquinho, já com suas carreiras solo consolidadas. Foi a última vez que ela o viu.

Convivência baiana

Se o Rio marcou as primeiras e últimas lembranças de Maria Creuza com Vinicius de Moraes, a Bahia esteve presente em grande parte da convivência. Ele frequentava o terreiro de Mãe Menininha do Gantois, mulher que o ajudou a superar o medo de voar. Comprou uma casa em Salvador e, em um fim

de tarde, bebendo caipirinhas na praia, compôs Tarde em Itapuã. “Vinicius se alimentou da Bahia. Ele amava o ritmo e a forma de ser do baiano”, conta Creuza. Não foi à toa que, no período, estava sempre acompanhado por Maria Creuza e pela sua sétima mulher, a atriz Gessy Gesse, duas baianas.

Gessy acaba de lançar o livro Minha Vida com o Poeta, cujo prefácio é de Creuza. “Tudo que ela escreveu no livro a gente realmente viveu”, revela. As lembranças estão muito vivas em sua memória, assim como ela acredita que a bossa nova está na MPB. “Continua sendo a maior inspiração da música brasileira, não tem jeito”, diz.

FALECIMENTO

Atriz Joan Fontaine, que trabalhou com Hitchcock, morre aos 96 anos nos EUA FOLHAPRESS

A atriz Joan Fontaine, vencedora do Oscar pelo papel de uma mulher insegura que desconfia que o marido (Cary Grant) planeja assassiná-la em Suspeita (1941), de Alfred Hitchcock, morreu no último domingo na sua casa, na cidade de Carmel, na Califórnia. Ela tinha 96 anos.De acordo com sua agente, Susan Pfeiffer, a atriz morreu de causas naturais. Fontaine despontou como uma estrela importante de Hollywood nos anos 1940, ao ser convidada por Hitchcock para protagonizar Rebecca (1940), ao lado de Laurence Olivier. No filme, o primeiro rodado pelo mestre do suspense nos EUA, ela interpreta uma jovem casada com um rico viúvo e assombrada pelo espectro da primeira mulher do marido. Assumir papéis de mulheres frágeis em um ambiente aristocrático se tornaria uma marca registrada da atriz no início da

carreira. Além da estatueta conquistada por Suspeita e da indicação por Rebecca, também concorreu ao Oscar pelo filme De Amor Também se Morre (1943), do diretor inglês Edmund Goulding, no qual vive uma mulher apaixonada por um compositor próximo de sua família. Fontaine esteve na lista de indicadas ao Oscar de melhor atriz por três anos –-1941, 1942 e 1944. Quando levou o prêmio, tinha 24 anos e se tornou uma das mais jovens a conquistar a honraria. O reconhecimento garantiu trabalhos com outros diretores importantes, como Max Ophüls, em Carta de uma Desconhecida (1948), e Billy Wilder, em A Valsa do Imperador (1948).

Irmãs rivais

Uma de suas principais rivais ao longo da trajetória foi a própria irmã: a atriz Olivia de Havilland, também indicada ao Oscar de 1942, no qual Fontaine triunfou. A partir daí, as intrigas entre

as duas só cresceram, e nos anos 1970 houve o rompimento definitivo. Havilland, 97, mora em Paris. Apesar de ser filha de pais ingleses, Fontaine nasceu em Tóquio (Japão), em outubro de 1917, em razão do deslocamento profissionaldopai,umadvogado de patentes. Após entrar para um grupo de teatro, mudou-se para Los Angeles com a família. No fim dos anos 1930, conseguiu um contrato com a RKO. Ainda no começo da carreira, integrou o elenco de comédias e dramas menores, a exemplo de Dolorosa Renúncia (1937). Depois de se tornar uma das loiras de Hitchcock, ganhou espaço em produções maiores como Ivanhoé, o Vingador do Rei (1952), de Richard Thorpe, em que contracena com Robert Taylor e Elizabeth Taylor. Na década de 1980, a atriz se afastou do cinema e passou a se dedicar a séries de TV, com participações em Dark Mansions e Hotel.

Peripécias de cadeirante em performance A performance Cadeira Falando Sem Tabu será apresentada hoje, às 18h30, na Praça das Artes, no campus de Ondina, para marcar o dia internacional da pessoa com deficiência, comemorado no último dia 3. Dirigido e encenado por Estela Laponi, o evento narra, com humor, as experiências de um cadeirante com “múltiplas deficiências” pela cidade. Com entrada franca, a performance integra a série de ações do programa Ufba em Paralaxe – Reinventando Concepções

Vitor Vieira / Divulgação

CURTAS MAM-Ba apresenta obras do seu acervo No mês de dezembro, com a chegada do verão, o Museu de Arte Moderna escolhe apresentar as obras de seu acervo sob uma perspectiva climática, com a exposição É Tropical, Inclusive. A mostra faz parte do programa A Sala do Diretor e será aberta quinta-feira, às 19h. A visitação segue até 18 de março, de terça a sexta, das 14 às 18h. O museu escolheu visitar o seu acervo, guiado por uma leitura alternativa da relação entre o clima e o jeito locais, a Tropicologia. O termo nasce de uma observação do antropólogo Gilberto Freyre, sobre a ne-

cessidade de criação de um campo de pesquisa do estudo sobre a influência do clima tropical na forma de viver.

O museu decidiu a visita ao acervo guiado por uma leitura alternativa da relação entre o clima e o jeito

Avatar ganhará três sequências O diretor canadense James Cameron anunciou que pretende filmar três sequências da ficção científica Avatar na Nova Zelândia, depois de concluir um acordo com o governo de Wellington para aumentar os subsídios de produção. Cameron disse que os longas, com orçamento combinado de no mínimo 415 milhões de dólares, serão filmados em sequência e devem estrear, um por ano, a partir de 2016. Vencedor do Oscar, Avatar estreou em 2009 e foi filmado parcialmente na Nova Zelândia.

Nick Perry / AP

James Cameron anunciou as filmagens na Nova Zelândia

Fashion Bazar acontece no Rio Vermelho Neste sábado, acontece o Fashion Bazar As Perigas. Além da compra de peças novas e usadas, quem for ao evento vai contar com apresentações de artistas convidados, além do palco aberto para participação do público. As Perigas é um projeto de artes integradas que envolve ações como uma série de televisão e eventos como o Fashion Bazar As Perigas!. A série de televisão, que atualmente é o foco do projeto, é baseada em histórias reais e conta as aventuras de cinco amigas muito atrapalhadas que estão sempre pensando em se divertir e

paquerar. O evento acontece sábado, no Passarela Bar, localizado no Largo da Dinha, de 10h às 18h. Entrada franca.

O projeto foi idealizado por Sara Galvão e Clarissa Napolli, que também atuam e assinam os roteiros

Maria Creuza relembra Vinícius de Moraes  

Cobertura do show de Maria Creuza em Salvador. Caderno 2+ do Jornal A Tarde

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