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SALVADOR TERÇA-FEIRA 3/6/2014
Fotos Eder Muniz / Divulgação
Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE
“Trazer os meus símbolos para o concreto é uma forma de afirmar o quanto a gente precisa se conectar de novo com a natureza” Os grafites coloridos de Muniz estão espalhados pela cidade. Este painel está no Centro Histórico
Fotos da exposição exploram as obras interagindo com pessoas
EDER MUNIZ, artista plástico
VISUAIS Na mostra Ágora... Agora, na IF Soluções Planejadas, o grafiteiro e artista plástico revela um novo olhar sobre suas pinturas
Eder Muniz expõe fotografias de sua arte urbana LARA PERL
A experiência de andar pelas ruas de Salvador às vezes traz surpresas e imagens inusitadas. Um olhar atento aos muros da cidade pode encontrar personagens mágicos, seres humanos que viram pássaros ou plantas, às vezes mergulhados no fundo do mar, cercados de cores vivas, fantasias e natureza. O responsável por essas imagens é o grafiteiro e artista plástico Eder Muniz, que há anos utiliza os muros da cidade como suporteparapintar.Apartirdesta
quinta-feira, ele vai mostrar sua arte urbana através da fotografia na exposição Ágora... Agora, que será inaugurada na casa de decoração IF Soluções Planejadas (Caminho das Árvores), com a presença de parceiros e diversas manifestações artísticas. As 32 fotos que compõem a exposição, sob a curadoria de Isabela Lemos, são registros do próprio Eder. Ele conta que fotografa seu trabalho para eternizar momentos efêmeros e preservar memórias, já que trata-se de uma expressão que invariavelmente pode desaparecer.
“Já venho documentando o meu trabalho há um bom tempo e, mostrando as fotos para as pessoas, percebi que elas piravam nas imagens porque cada trabalho naturalmente cria um diálogo com o ambiente. O resultado é uma composição que nem eu espero”, contou Eder.
Ágora hoje
Em sua visão, essa relação espontânea entre a obra, a rua e as pessoas é o que caracteriza o grafite. “A grande diferença entre o ateliê e a rua é essa: na rua a gente cria uma rede de re-
lações. É como se cada lugar fosse se tornando um personagem”, disse, acrescentando que os lugares onde pinta são aqueles onde transita e que busca sempre levar “energias positivas” com suas obras. Foi justamente esta reflexão sobre o lugar da arte, permeando cada vez mais locais privados, que deu o nome da exposição. Na Grécia Antiga, a Ágora era um espaço de discussão política e deliberação, em que assuntos da cidade eram conversados. “Um ponto político importante que o grafite traz é a cole-
tividade da arte, essa democratização que busca dividir com a população ao invés de fechar a arte apenas para quem tem grana. Além disso, sempre tem também uma mensagem de afirmação cultural”, reflete. Se muitas pessoas ainda associam essa afirmação à cultura hip hop, Eder acredita que isso está mudando. “Acho que a gentebebeudessefonte,masdepois traduziu isso do nosso jeito. Em Salvador há um movimento forte que se aproxima do hip hop, mas existe outra linha que tem outras referências e quer passar
outra mensagem”, afirma. Em seu trabalho, o contato entre o homem e a natureza está semprepresente.“Trazerosmeus símbolos para o concreto é uma forma de afirmar o quanto a gente precisa se conectar de novo. Às vezes sentimos um vazio e não conseguimosenxergarmaisnada porque estamos perdidos na nossa agenda”, reflete ele. ÁGORA... AGORA / IF SOLUÇÕES PLANEJADAS (ALAMEDA DOS SOMBREIROS, Nº 1110, CAMINHO DAS ÁRVORES) / ABERTURA QUINTA-FEIRA, ÀS 19H. VISITAÇÃO DE SEG A SÁB, DAS 10H ÀS 18H. ATÉ 5 DE JULHO.
Orange Poem, banda/projeto de Emmanuel Mirdad, solta novo EP com Nancy Viegas Coletânea Chico Castro Jr. Jornalista e repórter do Caderno 2+
Ontem, a banda baiana The Orange Poem soltou seu terceiro EP, Wide, para download gratuito (endereço no serviço). Até aí, tudo normal, não fossem alguns fatos incomuns. O EP com três faixas traz a cantora/referência local Nancy Viegas (hoje na Radiola). Já Ground, o primeiro, lançado em janeiro, trazia Glauber Guimarães (Teclas Pretas, Dead Billies) na voz. E o segundo, Unquiet (de abril), saiu com a voz de Rodrigo Pinheiro (Mulher Barbada). Não se trata de uma banda com três vocalistas. É uma banda sem vocalistas, que atua basicamente em estúdio e que recruta um cantor diferente a cada gravação, de acordo com a proposta de cada trabalho. O homem por trás dessa proposta incomum é o escritor/
poeta/produtor cultural/compositor Emmanuel Mirdad – e essa história começou há vários anos, em meados dos anos 1990, quando ele era o relutante vocalista da primeira encarnação da Orange Poem, então uma banda convencional, típica do underground local. “Na época, minha limitação enquanto vocalista ocultou a força dessas canções. Agora, com essa galera, eu mesmo me surpreendi: ‘ah, agora sim’!”, ri Emmanuel.
Salvando canções do limbo
Germano Estácio / Divulgação
“Tiramos os excessos, ajeitamos aqui e ali, rearranjamos e incluímos novos solos, teclados etc. A ideia é no fim do ano reunirmos todas as faixas em um único disco cheio e fazer um show de lançamento”, conta. Pensa que acabou? “Ainda quero gravar mais dois EPs de três faixas até o fim do ano. Um com uma voz bem grave, orquestral, de barítono, que tenha uma pegada ancestral. A definição de Tadeu é ‘ancestrodélica’. E o outro vai ser de rock pesado. Ainda estou vendo alguns nomes do pessoal do hard rock local para este”, conclui.
Rebeca & luvebox Rebeca Matta e o duo luvebox FX se apresentam no Commons Studio Bar quinta-feira. luvebox é o trabalho do guitarrista Junix com a cantora e artista visual Andrea May. Ela e Rebeca, que também milita na área visual, promovem uma exposição conjunta no mezanino do Commons, em cartaz até o dia 30. 20 horas, R$ 20.
Álvaro & Eric = blues
Auxiliado pelo superprodutor Tadeu Mascarenhas, mentor da Radiola e que também passa a fazer parte da Orange Poem, Emmanuel (violão de 12 cordas), Marcus Zanom (guitarra), Fábio Vilas-Bôas (guitarra), Hosano Jr. (bateria) e Artur Paranhos (baixo) recriaram as antigas canções compostas pela banda nos anos 1990. “Tadeu, que foi quem conduziu as gravações originais dos anos 90, tomou um susto. Então salvamos essas músicas que não ficaram legais, estavam no limbo e iam se perder”, diz.
A cada EP de três faixas, um vocal diferente. A ideia de Mirdad é juntar tudo e lançar em CD no fim do ano
A Orange Poem do EP Wide: Mirdad, Nancy e o produtor Tadeu
Programe-se. Quinta-feira: Vitória da Conquista (Viela Café), sexta: Jequié (Pça. Rui Barbosa), sábado: Cruz das Almas (Fornalha Show). E no dia 15, um domingo: Salvador (Parque da Cidade, 11 horas).
GU SIQUEIRA & OFFBEAT
ANDREIA MOTA
INVENTURA
LILLY ALLEN
PROFESSOR DOIDÃO & OS ALOPRADOS
VÁRIOS
Apesar de ser paulista, a banda Gu Siqueira & Offbeat queria mesmo era ser baiana. Cantam – de forma que soa irônica, mas é reverente – Caymmi, Filhos de Gandhy etc. Inclui cover afrobeat de Nega do Cabelo Duro. GU SIQUEIRA &
Tirando a escolha da fonte para dar nome ao CD, a “falha” para por aí. O trabalho da carioca prima por ritmos brasileiros e belos arranjos. Autoral e releituras, como em Inútil Paisagem e Feito Nós.
OS MEUS MUNDOS / INDEPENDENTE /
Vai ter Copa, e não faltam os caça-níqueis. Um dos projetos que surfam na onda é esta compilação em CD triplo. Tem Cartola, Simonal, Alceu... Se o velho espírito de Copa baixar, O.K. Prepare a gelada, vista a amarelinha e som nas caixas!
OFFBEAT / INDEPENDENTE / DOWNLOAD
PRODUCAOANDREIAMOTA@GMAIL.COM
INVENTURA / INDEPENDENTE / R$ 15 /
Após cinco anos sem nenhum lançamento, a cantora britânica retorna com o álbum de inéditas Sheezus. Nas 12 faixas, ela reafirma seu lugar no cenário da música pop e flerta com o hip-hop, fazendo uma homenagem ao disco Yeezus, de Kanye West. SHEEZUS
Nas horas vagas, o senhor Isaac Fiterman solta os bichos com sua banda, Professor Doidão & Os Aloprados. Raul Seixas style, duvida da própria sanidade e avisa: Eu Quero Gozar! Quem não? QUERO REUNIR
PAISAGEM INVISÍVEL / INDEPENDENTE /
O power trio de Alagoinhas Inventura estreia (e bem) com álbum cheio: 13 faixas de um rock veloz e com letras em português. As influências parecem óbvias: Strokes, QOTSA, Los Hermanos. Divertido, pesado e sacudido.
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REGINA DE SÁ
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O duo de pai & filho Álvaro & Eric Assmar faz o show Acoustic Blues no Ciranda Café. Sábado, 22 horas, R$ 15.
OUÇA: ELMIRDAD.BLOGSPOT.COM.BR
Maglore, tour Bahia