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POESIA (IM)POPULAR BRASILEIRA Julio Mendonça organização de


POESIA (IM)POPULAR BRASILEIRA Organização de Julio Mendonça

1ª edição

São Bernardo do Campo Lamparina Luminosa 2012


P798 Poesia (im)popular brasileira / Julio Mendonça (organizador). - 1. ed., São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012. 304p. ISBN 978-85-64107-03-8

1.Poesia brasileira. I. Título. CDD 869.915

Ficha catalográfica: Sandra Ap. de M. G. A. Moura CRB-8 5980

Coordenação editorial: Christian Piana Organização: Julio Mendonça Consultoria: Reynaldo Damazio, Tarso de Melo Projeto gráfico: Christian Piana Na capa: Sem Titulo, 2012, Dumas (Antonio Carlos Dumas Seixas)

As licenças deste livro permitem copiar, distribuir, exibir, executar e fazer trabalhos derivados somente dos textos de apresentação dos poetas, conquanto que sejam para fins não comerciais, que dêem créditos devidos aos autores de cada texto de apresentação e a editora Lamparina Luminosa, e que as obras derivadas sejam distribuídas somente sob uma licença idêntica à que governa esta.


POESIA (IM)POPULAR BRASILEIRA Organização de Julio Mendonça

1ª edição


SUMÁRIO


Introdução 9 Apresentação 13

ALDO FORTES

Um poeta ocasional full-time 19 por Omar Khouri

EDGARD BRAGA

O duplo salto de Edgard Braga 33 por Reynaldo Damazio

GREGÓRIO DE MATOS O boca de qual inferno? 55 por Carlos Felipe Moisés

JOAQUIM CARDOZO

A arquitetura oscilante da poesia de Joaquim Cardozo 75 por Manoel Ricardo de Lima

MAX MARTINS Flor e pedrarias 95 por Tarso de Melo

OMAR KHOURI

As ficções obscenas de Omar Khouri 111 por Julio Mendonça

PAGU

A mulher do povo 129 por Carolina Serra Azul


QORPO-SANTO

O poeta que escreveu o contrário do que pensava 137 por Julio Mendonça

SAPATEIRO SILVA

Joaquim José da Silva: a desordem da sapataria 161 por Júlia Studart

SEBASTIÃO NUNES

Um poeta contra a infinita suruba capitalista 177 por Fabrício Marques

SEBASTIÃO UCHOA LEITE O poeta cria corvos 199 por Renan Nuernberger

SOUSÂNDRADE

Uma sismografia para Sousândrade 219 por Guilherme Gontijo Flores

STELA DO PATROCÍNIO

Uma aparição de não ser, uma invenção 243 por Carlos Augusto Lima

TORQUATO NETO

A poesia como vidência 259 por Paulo Ferraz

Sobre os autores 283 Sugestões de leitura 289


INTRODUÇÃO


POESIA (IM)POPULAR BRASILEIRA por Julio Mendonça

qual uma faca íntima ou faca de uso interno, habitando num corpo como o próprio esqueleto (...) e tudo o que era vago, toda frouxa matéria, para quem sofre a faca ganha nervos, arestas. de Uma Faca só Lâmina (ou: serventia das idéias fixas) João Cabral de Melo Neto

Toda literatura – de qualquer país ou comunidade linguística do mundo – tem seus autores deslocados, não-canônicos (como se diz no jargão literário). Deslocamento autoconsciente (programático), decorrente de opções estéticas, temáticas, ou por razões geopolíticas. O primeiro caso é o do poeta que assume conscientemente uma poética singular e inconformada com padrões vigentes. No segundo, suas opções estéticas e/ou temáticas – ainda que de modo não consciente das consequências – acabam por conduzi-lo a algum tipo de desajuste ou dificuldade de recepção. No terceiro caso, poetas que produzem obras criativas e importantes encontram poucos leitores e parca fortuna crítica por viverem e produzirem fora dos centros culturalmente mais influentes. É claro que esta é uma tipologia esquemática e, portanto, relativamente arbitrária como toda tipologia; mas, acredito que contribui para compreendermos parcela considerável das mazelas extraliterárias que prejudicam a recepção da obra poética de alguns autores. A maior ou menor impropriedade desses autores para o status quo literário muitas vezes resulta na sua exclusão dos espaços de recepção crítica de maior reputação e os restringe à publicação por meios alternativos em tiragens pequenas e de distribuição local e precária. 11


Entretanto, é fato que são condições incontornáveis da poesia moderna sua impopularidade ou a ressonância em públicos pouco numerosos, seu deslocamento em relação às maiores possibilidades comerciais das outras artes e sua constante sensibilidade para o mal-estar da civilização. Um autor sério, portanto, escreve sem preocupação de ser aceito. A grande poesia sempre se escreve contra seu tempo e lugar. Poesia indigesta, como escreveu Augusto de Campos. Isto não significa que ela esteja condenada à impopularidade ou ao ostracismo. Assim, também, na poesia brasileira. Este livro reúne uma seleção de poemas importantes de alguns poetas brasileiros do passado e do presente que tiveram ou têm sua poesia marcada por algum dos modos de deslocamento apontados acima. Produções poéticas singulares, insubmissas, difíceis de classificar e pouco afeitas aos padrões vigentes na época de sua criação. A forma de organização deste livro é de modo a selecionar quatorze poetas e apresentar cada um deles por meio de um texto escrito por um autor convidado, o qual também providenciou uma pequena antologia do poeta selecionado. Um esclarecimento necessário diz respeito à inclusão de Gregório de Matos num elenco de poetas “deslocados”, já que o “boca do inferno” foi admitido (com rubores e resistências, aqui e ali) no sétimo céu da poesia nacional. Mas, temos que lembrar que a obra de Gregório só foi publicada sem censura três séculos após ter sido escrita; por esta razão, o poeta está aqui, como uma espécie de patrono dos demais indigestos (como sugeriu Reynaldo Damazio). Outros poderiam estar nesta antologia. Não pretendi ser exaustivo nas escolhas; busquei ser exemplar. A escolha levou em conta, entretanto – e paradoxalmente – o fato de que são poetas que, cada um à sua maneira, produziram ou produzem obras que dialogam com a cultura e a fala populares. Nutridos da irreverência da cultura popular, desafiam o crivo da academia e o gosto do público. Pela (im)pertinência, pela (des)esperança, não pela vã glória. Para a realização deste livro foi fundamental a participação – sintonizada com a proposta – dos autores dos textos de apresentação dos poetas e das respectivas antologias. Devo muito, ainda, a Tarso de Melo e Reynaldo Damazio pelas sugestões, pelo diálogo esclarecedor e pelo apoio incondicional. Também estou agradecido a Christian Piana, Omar Khouri, Amálio Pinheiro e Nádia Costa. Por último, mas não menos importante, quero agradecer ao artista plástico Dumas pela obra que criou para a capa deste livro: contundente e crua. 12


APRESENTAÇÃO


por Amálio Pinheiro

A leitura no presente de tão diversos quanto importantes poetas, de meio conhecidos a quase desconhecidos, de diferentes tempos e espaços, nos obriga a repensar a chamada “história da literatura”, já não como evolução unilinear e sucessivamente epocal, mas como mosaico ou marchetaria em palimpsesto. Isto tem grandes consequências, que este livro escancara. Lezama Lima, ao prefaciar uma antologia de poesia cubana, indica que os primeiros poetas eram “prateiros e doceiros”. E aproxima os procedimentos destes e daqueles, em que predomina uma sintaxe que encaixa o heterogêneo: “Esse lavor de ourivesaria foi continuado por Plácido. Por isso na sua poesia notamos a amostragem de um estilo plateresco. Arejamento, penetração da luz por lâminas que a refratam com delicadeza. Vemos como essa escola de ourives de Matanzas tem seus antecedentes naquele quase desconhecido Darío Romano, cujo nome se conhece somente por uma ata de escrivão”1. Ou seja, cada letra ou sílaba bem inserida carrega a voz coletiva e anônima, que constrói cada poema, de todos os profissionais, artesãos, loucos e vagabundos que esculpiram os materiais (a língua falada e escrita, por exemplo) do continente. E nada seria possível sem essa sorte de geopoética de base, feita de pedras, metais, vegetais e bichos. A multiplicidade de autores esquecidos arrasta a multiplicidade de coisas e falas esquecidas, que abalroa a boca e as entranhas de quem os lê. Por isso, ficam também contemplados os não nominalmente mencionados; vale para qualquer um, quaisquer objetos e qualquer atividade cotidiana o involuntário octossílabo de Varnhagem, transcrito na apresentação de Sapateiro Silva: “Era sapateiro no Rio”. Abalroa mesmo, visto que constitui (no sentido de que não pertence ao sujeito constituído pelas categorias duais) esse movimento múltiplo a partir do outro, entrando pelos neurônios e músculos de quem escande os versos. Viveiros de Castro, em diálogo com a “diffèrance” de Derrida e a devoração antropofágica do nosso Oswald, chamou, a essa tatuagem semovente de alteridades, ao modo de versão literária do “perspectivismo ameríndio”, de “diferOnça”: “Chamo a esse duplo e sombrio movimento, essa alteração divergente, de diferOnça, fazendo assim uma homenagem antropofágica ao célebre conceito de Derrida”2. Não por acaso todos esses outros (toda essa natureza 15


enroscada nas palavras) mostram tanto a cara aqui, não como referentes de signos (isto seria muito fácil e ocidentalizante), mas dentro, nas comissuras dos signos. Todos esses outros em devir: índios e quase-índios, caboclos, chulos, loucos e quase-loucos, bichos e quase-bichos, todos deslocados, deslizantes e incrustados, trocando de lugar, se dobrando e se traduzindo. Daí todas essas variantes construtivas sem matriz ou origem dominantes (sem a invariância tipificante do Uno), variantes alegres de sua diferenciação inclusiva, em que as proliferações caboclo-barroquizantes atraem, expõem e metabolizam, por exemplo, o clássico e o baixo calão, junto às invenções gráfico-espaciais. Não é coincidência, portanto, que os experimentalismos mais ou menos radicais ou vanguardistas, ativados e ressituados pela presença e memória dos repertórios e sintaxes urbano-nativos, tenham possibilitado jogos complexos de bricolagem poética, estruturalmente fractais e desviantes, que não cabem nos escaninhos binários do antigo e do moderno. A ideia de marchetaria (essas alteridades conexas embutidas, numa fachada ou no papel) repele radicalmente a de progressão. Haroldo de Campos e Antônio Cândido já o percebiam: “Havia em nosso meio aquilo que se poderia denominar uma congenialidade em relação aos novos experimentos, e que se explicava apenas em parte pelo processo de industrialização em centros cosmopolitas como São Paulo. Antônio Cândido elucida o fenômeno: “no Brasil, as culturas primitivas se misturam à vida cotidiana ou são reminiscências ainda vivas de um passado recente. As terríveis ousadias de um Picasso, um Brancusi, um Max Jacob, um Tristan Tzara, eram, no fundo, mais coerentes com a nossa herança cultural do que com a deles”3. Os conceitos usuais herdados não são suficientes para dar conta da intrusão co-participante de todo esse material divergente, migrante imigrante, em vaivém, da letra aos espaços em branco da página e aos espaços públicos das ruas.

Notas 1

José Lezama Lima. “Prólogo a una antología” em “Confluencias”, Havana, Letras Cubanas, 1988, pg. 103. 2

Eduardo Viveiros de Castro. “Eduardo Viveiros de Castro -Encontros” (org. Renato Sztutman), Rio de Janeiro, Azougue, 2008, pg. 128. 3

Haroldo de Campos. “Ruptura dos gêneros na literatura latino-americana” em “América Latina em sua literatura” (org. Cézar Fernández Moreno), São Paulo, Perspectiva, l979, pg. 293.

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POESIA (IM)POPULAR BRASILEIRA


ALDO FORTES


UM POETA OCASIONAL FULL-TIME por Omar Khouri

Sempre se evoca a máxima de que uma imagem vale por mil palavras. Eu, mesmo sendo um iconófilo, diria: depende da imagem, depende de que palavras e depende do repertório do destinatário de tais mensagens que abarcam imagens visuais ou palavras, isto quando não vêm dosando imagens e palavras, numa justaposição, aglutinação ou numa verdadeira fusão de códigos, como nos ditos ‘poemas intersemióticos’. As palavras têm um peso muito grande (não como aquele peso satírico-metafórico apreciado na comédia As rãs, de Aristófanes) podendo explodir junto a olhos/ouvidos como uma mega-bomba e, nisto, a Poesia, que é tradicionalmente entendida como a “arte da palavra, por excelência” entra como a mais elevada e consistente forma de expressão verbal. Nada supera a força e elevação da palavra em Poesia, muito embora seu significado seja algo escorregadio – já que o verbo poético é oscilante – como já disse, entre outros, o poeta-pensador Paul Valéry. Não à toa a antiga rixa entre filósofos e poetas. A Poesia consegue muito, muitíssimo com pouco - veja-se o exemplo extremo que nos vem do Japão: o haiku: todo um universo em três linhazinhas somando 17 sílabas! E é justamente no fato de a Poesia não pretender uma univocidade (ao contrário: transita da ambiguidade à plurissignificação) que encontramos a sua riqueza. Arte é forma. Poesia é forma. Não é outra coisa que diz o linguista Roman Jakobson, em texto que toca o âmago da questão POESIA (provavelmente a última das grandes teorias sobre a arte da palavra: “Linguística e poética”), quando afirma que a função poética (artística) da linguagem se configura quando se dá a projeção do eixo de seleção sobre o de combinação determinando, este fato, o arranjo. Ou seja, acontece a prevalência da forma. Podemos depreender daí que, de uma prevalência da forma resulta uma potencialização semântica e isto é que faz de um texto um grande texto, capaz de interessar a pessoas de épocas muito diversas, mantendo o mesmo fascínio, e esta foi uma cogitação tanto de T. S. Eliot como de Ezra Pound, entre outros tantos poetas e não-poetas. E, dos artistas, o poeta, além das peculiaridades de seu afazer - que é fundamen21


talmente o de lidar com palavras - é aquele que tem de desenvolver à parte um ofício outro, pois que o ofício de poeta não lhe rende dividendos, não o sustenta – a não ser naqueles casos específicos em que poemas musicados são ouvidos por milhares e milhões de pessoas, não sendo esta a melhor poesia que se possa encontrar, principalmente na contemporaneidade: aquela da qual resultam canções vendáveis. Não se pode falar em “poeta profissional”. A prática da Poesia mostra, como nenhum outro afazer que sonda o Admirável, a inutilidade da Arte e, ao mesmo tempo, o como a Arte é essencial para as sociedades humanas. Como outras artes, a Poesia requer um duro aprendizado, o domínio de técnicas e métodos e o conhecer o poder das palavras, o quanto elas podem render, como enfrentá-las, domá-las, usá-las. E não há propriamente (muito embora até haja algumas) escolas para poetas e para escritores-artistas – estes são, na especificidade do seu afazer, autodidatas. Todos aprendem a fazer uso do código verbal, porém, poucos chegam a ter uma consciência de linguagem. O poeta é alguém que possui consciência de linguagem (é um designer da linguagem, como disse Décio Pignatari). Daí a sua capacidade de, dominando um código que é de todos e do qual todos fazem uso, elaborar coisas incomuns, que só vêm a honrar o idioma que possibilita tais cometimentos: os poemas. Todo idioma está apto a produzir a grande poesia. Um poeta só pode ser grande num único idioma. O idioma da Poesia é exclusivista, suga o poeta, a ponto de não permitir que ele venha a fazer corte a outras línguas. Daí que, longe do idioma de escolha do poeta (geralmente aquele dentro do qual nasceu), ele só poderá produzir, na melhor das hipóteses, peças que ficam no horizonte da medianidade. O Português já produziu e segue a produzir grandes poetas, poesia da melhor qualidade, diferentemente do que alguns possam vir a pensar. E os materiais aí estão, à espera de quem venha a operá-los com engenho e arte. Há pessoas que não se deixam flagrar naquilo que a vida tem de mais prosaico. De fato, em que medida interessaria o cotidiano de quem leva uma vida simples, sem grandes acontecimentos, sem façanhas dignas de um Indiana Jones? De alguém, cidadão comum, dos que não frequentam as mídias. A não ser que, por detrás da aparente calma, haja um vulcão que, a qualquer momento possa entrar em erupção e, daí, brotarem coisas espan22


tosas: de composições musicais a quadros ou poemas! Aí, o interesse passa a ser inevitável, pois passa-se a imaginar o como viveria aquele ser capaz de tamanhas proezas! Mesmo a mesmice desinteressante do cotidiano de um Fernando Pessoa passa a interessar a partir do momento em que se saiba que Pessoa é Pessoa, ou melhor, Pessoas. Vendo-os, quem se interessaria por Rimbaud ou Van Gogh com trinta e poucos anos? Os aficionados da Poesia e da Pintura, certamente! Todo este preâmbulo acontece para que eu possa chegar, ou retardar a chegada, ao nome de Aldo Fortes, uma das figuras da contemporaneidade que, para mim, mais se aproximam da idéia que tenho de poeta, de fazedor. E, embora ainda não haja o necessário distanciamento, e eu não tenha chegado ao estágio de sabedoria, porém com razoável conhecimento da poesia que tem sido produzida no Brasil nos últimos 40 anos, principalmente daquela que ainda não foi reunida em volume, atrevo-me a falar de Aldo Fortes e de tecer alguns comentários sobre a poesia que vem produzindo desde os anos de 1970. O poeta Aldo Fortes (Aldo Henrique Cheminand Fortes) nasceu em Bananal (SP) em 1950, virginiano de 25 de agosto. A pessoa com quem falo, às vezes, por telefone recusa-se a fornecer dados mais detalhados sobre si, o que poderia vir a esclarecer certas questões de ordem biográfica, mais que poética, já que esta se mostra em cada um de seus trabalhos, os quais se mantêm inéditos ou dispersos em revistas que operaram à margem do sistema editorial brasileiro, duraram poucos números, quando não um, apenas, e são, hoje, peças raras. Auto-exilado em sua própria terra, com esposa e dois filhos, apartado do convívio com os poetas amigos, penso que Aldo Fortes seja um autodidata no que respeita ao estudo da Literatura e de idiomas, com alguns dos quais parece ter muita familiaridade - de fato, vim a saber que, terminado o ensino médio – o colegial – chegou a se interessar por algum curso superior, porém, não chegou a ingressar na Universidade. Melhor dizendo, não se interessou por ensinamentos de ordem acadêmica e sua erudição, portanto, adveio de um esforço próprio, solitário. Aldo Fortes é movido por aquela curiosidade que resulta em descobertas: se o poema é chinês, vai fundo e estuda e discute e curte. E antes de se fixar em definitivo – parece – em Bananal, andou por Osasco (20 anos), São Paulo (sempre e por pouco tempo), 23


sertanejou por 8 anos, Rio de Janeiro (10 anos). Nota-se que leu muito, pois discorre com desenvoltura e brilho sobre poetas e artistas em geral. Cultiva, desde sempre, a máxima antropofágica celebrizada em manifesto de Oswald de Andrade: “Só me interessa o que não é meu”. E já chegou àquele estágio de serena maturidade, em que se busca a qualidade onde quer que ela esteja. Sua poesia, em princípio, de um verbo contundente (seu primeiro código é o verbal), foi ganhando com a incorporação de elementos visuais, elementos estes, cada vez mais estruturais nos poemas. E por ter um extremado domínio do verbal é que Aldo Fortes tem a coragem e a competência de realizar os ditos poemas visuais (em verdade intersemióticos), até abdicando (temporariamente) das palavras, que são banidas até do que seria o título da peça, como no “Cage”, publicado em ARTÉRIA 5. Da poesia da Antiguidade Clássica, passando pelo Extremo Oriente, vanguardas européias e concretismo paulista, suas fontes (de inspiração) são muitas. Aldo Fortes teve seu primeiro poema publicado em MUDA (1977), peça que impressionou, pelo cheiro de pastiche (grande o peso de sutis citações), cortes brutais (um petardo), em que o uso proposital do cacófato nocauteia abruptamente: BOCADELA (a boca dela: ela, a Poesia), tirou o menos avisado leitor do estado de letargia! Cultivando um lado Rimbaud com seus muitos desaparecimentos, mas mais Rimbaud na contundência do verbo, Aldo Fortes deixa de circular por esta Paulicéia e, de repente, faz uma aparição ou, o que é mais certo, um telefonema acontece e aí é uma alegria e um comentar compulsivo, tendo em mira as coisas da criação artística e exercendo grande curiosidade com relação ao curso vital dos amigos, também poetas. Trezentas mil palavras por segundo. Muita informação para o mortal comum que sou. Sempre a promessa do envio de cartas contendo críticas e poemas. Cartas que – pelo menos para mim – quase nunca vêm. Porém, nas raras vezes em que nos encontramos em São Paulo, ocasiões em que também compareceram Walter Silveira e Paulo Miranda, tivemos a chance de surripiar poemas, os quais, como que à revelia, foram encaminhados para publicação em revistas. Cheguei a receber, por correio (inacreditável!), uma pasta recheada de poemas muito fortes, os quais vou publicando aos poucos em ARTÉRIA, que teima em existir. Há algum tempo, por telefone, disse-me que havia tido um grave problema de saúde, do qual ainda estava a se recuperar. De qualquer maneira, aproveitava 24


o tempo de repouso para retomar leituras. Tudo indica que sempre produziu bastante, mas quase nada publicou por iniciativa própria, o que tem sido feito por seus amigos poetas, entre os quais eu me incluo. Isto faz com que se pense que seja um poeta bissexto, ocasional, quando em verdade, Aldo Fortes é um poeta em tempo integral! Os que quiserem ler poemas de Aldo Fortes terão de consultar, por enquanto, publicações como ARTÉRIA 6, 7, 8, 9 e 10, MUDA, ZERO À ESQUERDA, ATLAS. Isto o faz conhecido num meio bastante restrito, porém, de grande peso. Numa das vezes em que Aldo Fortes esteve em minha casa (ainda à Rua Dona Veridiana) fiz dele, que se mostrava muito contrariado e arredio, algumas fotos, das quais poucas se aproveitam, já que eu não conseguia foco, dada a sua inquietação. Nesse trabalho de elaboração de uma obra, Aldo vai elaborando, também, uma biografia singular: antimídia, por excelência. Mistérios cercam a vida do poeta. Para os de fora. Que os de dentro talvez nem saibam de sua grandeza como poeta, do valor maior que o seu verbo contém. O poeta trabalha em silêncio. Poesia.

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acasam me sonhos ouando sem pre p. ex. torá torá burning bright o mapa é de e não sei se me caso e mato a poesia tapando a bocadela com a vida

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PLAY JOYCE Segunda Frieira Terça Fera Quarta ferra Quinta fora Sexta Forra Sabbath Domínguas

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esbanjando babas & babélicos pensares suicidas entre galáxias de ácido úrico & olores de noigandres sou o espalha-merda bombardeado por big bangues de boçalidade desatada e felicidade abismática estar vivomorto rindo que lindo ) e a ursa polar farejando a tal – minha tara total – ( varrido num flood de vaselina & escrobundos andróides & nada mais & mais ademais para bêbado sim desde a lama do começar até as roscas dos parafusos embalsamados

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& chupins andrĂłides discrepam do logos & ostras mercuriais esbanjam entelĂŠquia & cadelas fosforentes sangram ĂŠons & zumbis felizes esporram pelas ruas & eu cago andando

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poesia insanidade ra cio ci nada

caralhadas de riscos rabiscos palavras

embucetadas

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EDGARD BRAGA


O DUPLO SALTO DE EDGARD BRAGA por Reynaldo Damazio

O poema mais conhecido e citado de Edgard Braga (1897-1985) talvez seja o brevíssimo “acordei de rolar brancura”, que está no livro Soma, de 1963. Na verdade, trata-se de uma tradução criativa, ou recriação, de outro poema também curto e famoso do célebre poeta italiano Giuseppe Ungaretti (1888-1970): Mattina M’illumino d’immenso (Manhã Deslumbro-me de imenso – tradução de Augusto de Campos)

Braga recupera a imagética do poema original, ou a sensação de plenitude no despertar de um dia ensolarado, luminoso, fazendo um interessante paralelismo sonoro com uso da consoante “r” no lugar do “m” e transportando para o movimento concreto do corpo o conteúdo mais espiritual, metafísico, do texto italiano. Nascido no final século XIX, em Maceió, Alagoas, Edgard Braga formou-se em medicina no Rio de Janeiro, especializando-se em obstetrícia, e estabeleceu-se em São Paulo. Passou pelo simbolismo, acompanhou de perto o movimento modernista da semana de 1922 e conviveu com Oswald de Andrade, tendo feito o parto de seus filhos. Entre os poetas nacionais que apontava como influentes em sua formação destacam-se Cruz e Souza, Augusto dos Anjos e Olavo Bilac. Um panteão pré-modernista, que incluía ainda os romancistas Aluísio Azevedo, Machado de Assis e Lima Barreto. Era um período de formação para Braga, que logo abraçou poéticas internacionais de linhagem bastante variada e que marcaram momentos importantes da literatura na primeira metade do século XX, como Fernando Pessoa, T. S. Eliot, Pablo Neruda e René Char. 35


Além de se dedicar à poesia, Braga também demonstrou interesse por artes plásticas, elemento que teria influência no período tardio de sua produção e que seria fundamental para a consolidação de seu estilo, marcadamente experimental. Portinari, Di Cavalcanti, Cézanne, De Chirico, Picasso estão entre os nomes que apontou como paixões. Como na lista de poetas, os artistas assinalados formam uma tradição poderosa da modernidade e que surgiram no turbilhão das vanguardas que devastaram os padrões clássicos da Belle Époque e do cânone finissecular. Braga acompanhou os ruídos modernistas com algum distanciamento, pois sua poesia seguia ainda modelos do simbolismo, com tendência para uma dicção lírico-metafísica, o uso de métrica e acentuada musicalidade, como aponta o crítico Ruggero Jacobbi ao comentar sua poesia anterior à adesão ao concretismo. Os primeiros livros de poemas de Edgard Braga – A senha (1933) e A lâmpada sobre o alqueire (1946) – foram praticamente renegados pelo autor, tiveram pequena e inexpressiva circulação. Ainda eram livros que hesitavam entre a busca de uma voz elevada, com teor filosófico, e as exigências formais recolocadas em circulação com a Geração de 45. Para Jacobbi, a poesia de Braga se tornará legitimamente metafísica com o livro Odes, de 1951, em que prevalece a estrutura da música de câmara, “de um ‘lied’ onde o piano evoca os desertos da consciência e a voz humana intervém – súbita, patética – a declamar suas inquietações de amor”. O crítico identifica ainda temas caros a Ungaretti, como “despedidas eternas da natureza, acenos à liquidez das coisas, já sem com, já idênticas à morte”. O efêmero e a transitoriedade da existência em contraponto com o pano de fundo do mito (“Deixa o destino ser humano e próprio,/ e o mistério de Dédalo escondido,/ como pássaro cego/ em cada um de nós!”). Patrícia Galvão também comentou os poemas de Odes em artigo publicado no jornal “Fanfulla”, no mesmo ano de publicação do livro, estabelecendo relação com as odes de Ricardo Reis, heterônomo de Fernando Pessoa, e identificando um “complexo de limitações acirradas, como que cometendo a incisão lenta e medida nas janelas do tempo, na fulguração dessa chama triste, a cabeça desarvorada toda fome diante da vida”. 36


O gosto por questões espirituais e sofisticadas do espírito humano, como a passagem do tempo, a fragilidade da existência, a decadência da vida e a presença do mito, aproximava a poesia de Braga ao clima da época, na contramão da ousadia proposta pelos poetas de 22, tanto que Oswald de Andrade via com desconfiança e má vontade os poemas do amigo, a quem costumava chamar de “reacionário” e censurava sua “mania de escrever odes à maneira latina”. Em 1952 Braga lança o livro de poemas em prosa Albergue do vento, explorando novos ritmos e soluções mais plásticas e musicais da linguagem, agora liberto da metrificação. Novamente de acordo com Ruggero Jacobbi, o livro às vezes sucumbe à “eloquência” e apresenta “resíduos de verbalismo”. Em seus resultados mais felizes, no entanto, o crítico reconhecerá a “objetivação mística: episódios, figuras e gestos carregados de uma alusiva antiguidade, de um religioso horror pânico, cujo exemplo na poesia moderna não é difícil de reconhecer nas grandes sequências épicas de um Saint-John Perse”. Ainda na década de 1950, Braga lançará duas outras coletâneas de versos na mesma linha de pesquisa lírico-existencialista, com predominância de certo hermetismo: Inútil acordar (1953) e Lunário café (1954), o primeiro retomando a métrica clássica – em que prevalece o decassílabo – e a metafísica rilkeana, órfica; enquanto no segundo há uma mudança temática curiosa, incorporando mitos afro-brasileiros, elementos do folclore e de memória pessoal, familiar. Até aqui a trajetória poética de Edgard Braga segue o ritmo despretensioso do autor bissexto, publicando sem alarde em pequenas e modestas edições às próprias custas, à margem dos grandes movimentos literários, da crítica, e para escassos leitores. Era conhecido por outros autores, tinha muitos amigos no meio cultural, mas sua obra tateava os recursos técnicos precisos e um universo temático erudito em busca de uma visão muito particular da realidade, entre o psicológico e a mitologia. O desconcerto do mundo detectado pelo poeta se resolvia, em certa medida, com o ideal de uma forma perene, ainda que em crise, ou posta em dúvida pela desilusão, pela incerteza de tempos difíceis. 37


Vista a partir da obra construída até o início dos anos 1960, a poesia de Edgard Braga seria enquadrada, com pouco esforço, no cadinho neo-parnasiano e classicizante da Geração de 45. Uma reviravolta ocorreria na obra e no pensamento do poeta em 1948, no Congresso de Poesia, onde Braga encontraria os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, no momento em que gestavam o movimento de Poesia Concreta. O contato com os “rapazes” de Noigandres foi revelador e a empatia, imediata. Em depoimento a J. J. de Moraes, reproduzido em reportagem para o Jornal da Tarde, em 1977, Braga declara ter ficado “perplexo de perceber a seriedade e a cultura de Haroldo de Campos e o grau de novidade que eles traziam para a poesia brasileira”. A adesão ao concretismo foi uma espécie de renascimento de Braga como poeta. Para além do exercício formal e da pesquisa com a plasticidade gráfica do signo poético, sua poesia se abriria para caminhos e procedimentos inauditos, até mesmo para os parâmetros definidos no programa do movimento. No livro Subúrbio branco, de 1959, já surgiriam poemas que dissolvem a unidade do verso e exploram a espacialização das palavras na página, preparando o “salto mortal” (na expressão de Haroldo de Campos) para o radicalmente novo. No mesmo depoimento a J. J. de Moraes, Braga explica como se deu a mudança: “durante a década de 1960, em contato direto com o espaço branco do papel, entreguei-me aos prazeres da geometria, aos rigores da construção concreta. (...) comecei a escrever as minhas ‘algas geométricas’”. Ao decompor e recompor os poemas dos concretos para captar-lhes o sentido, Braga se libertou do decassílabo, dos temas universais, do hermetismo, e colocou em prática no livro Soma (1963) os poemas estruturais, como móbiles, jogando com a posição dos versos na página, agora transformados em partículas seriadas, fragmentos de imagens e sonoridades que se multiplicam numa constelação de sentidos, como ilustram os breves textos que seguem:

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ilha brilha tranquila (...) pai nosso nosso pão osso nosso pai pão nosso osso nosso nosso pai

Alguns desses poemas foram traduzidos para a língua inglesa pelo poeta escocês Edwin Morgan, no livro Rites of passage – selected translations, de 1976, ao lado de traduções de Maiakovski, Lorca, Montale e Brecht, entre outros. Braga tinha, enfim, achado um modo inovador de lidar com o verso e de, ao mesmo tempo, livrar-se das amarras de uma tradição que pesava em sua consciência torturada pela “ansiedade de superação do meio em que se vive”, como registrou em texto autobiográfico. O mergulho na experimentação da poesia concreta representou não só uma libertação, mas a possibilidade de encontrar um rumo peculiar e inédito na poesia brasileira contemporânea. O encanto com o formalismo concretista de primeira hora durou pouco e Edgard Braga logo começou a explorar materiais e texturas novas e transcendeu não apenas a página impressa, mas o próprio sentido construtivo do poema, estabelecendo um diálogo interessantíssimo com as artes plásticas. A partir de 1964, o poeta se afasta do rigor programático defendido pelos concretos e dá o segundo e mais vertical salto em sua produção, iniciando 39


a série de “tatuagens”, poemas criados com estilete, tinta nanquim, pincéis, letras manuscritas, rabiscos, desenhos, garatujas, manchas e borrões diversos. Cada página se tornou um objeto semântico, ou uma célula de efeitos visuais surpreendentes, como objetos de arte. A soltura, o vigor e a espontaneidade dos traços, rasgos e colagens desses poemas quase à maneira de Duchamp ou de Joan Brossa, trouxe um frescor juvenil à obra de Braga, que seria classificado por Paulo Leminski como “inquieto, desabusado, criativo, o octogenário que a gente quer ser se chegar até lá”. Para o cineasta Júlio Bressane, Braga tinha a “percepção entre o legível e o ilegível”, surpreendendo “a irrupção da palavra no nascedouro”. As dez pranchas (poemas) que compunham o livro-envelope Algo, de 1971, tiveram projeto gráfico de Décio Pignatari, Francisco Eduardo Del Rio Andrade e Luiz Ângelo Pinto, com clichês feitos exclusivamente por uma empresa gráfica. As páginas soltas são acompanhadas de seu negativo, como num espelho dialético, e ocupadas pelo atrito gestual entre palavras e traços. As letras do termo “poema” se decompõem entre ranhuras em uma das pranchas, como se Braga aspirasse entalhar o sentido e a forma diretamente no plano material, ou tatuar os sentidos da poesia na pele-olhar do leitor. A liberdade criativa e a experimentação deslumbrante de Braga se consolidariam em Tatuagens (1976), agora com projeto gráfico de Julio Plaza, livro-caixa com 16 pranchas que desdobravam a coreografia gestual que se tornou marca inconfundível da poesia de Edgard Braga, projetando seu imaginário plástico na superfície maleável da página. Segundo o poeta Duda Machado, “a originalidade de Algo e Tatuagens parece vir de uma conquista lúdica que reelabora os dados contidos na sensibilidade e no horizonte de referências, investindo-os de uma formidável infância”. Os jogos propostos por Braga entre referentes concretos, sejam figuras abstratas, numerais, representações de prédios, ou grafias múltiplas, legíveis ou não, geram novas configurações de sentido e estabelecem com o leitor uma parceria ao mesmo tempo cognitiva e sensorial. Em cada poema-objeto reside um retorno ao princípio criativo, ao gesto primeiro do artesão que busca remodelar a matéria, tome-se como exemplo “Mask of the world”, “Dedos dados”, “Limite do olho”, “Chuva”, entre outros. Edgard Braga ainda publicaria dois poemas-poster na década seguinte, “Murograma” (1982) e “Infância” (1983), superando o espaço do livro de 40


vez. O poeta parecia indicar, numa postura radical, que a poesia não cabia mais na página em branco ou no suporte convencional. Esse processo de ebulição inventiva, perto de completar 80 anos, Edgard Braga descreveu assim: “hoje, escolho o papel para os meus poemas e ora utilizo estiletes, agulha, ora bato no teclado da máquina com olhos na polpa dos dedos, procurando o acerto de Jules Lemaître, quando escreveu que há olhos também na epiderme”. Estava aberta uma trilha independente no projeto dos concretos a partir de uma pesquisa anárquica com a visualidade e seu intercâmbio questionador com a palavra, em que os sentidos verbais e semióticos se projetam para instâncias além da própria palavra e sua materialidade. Pouco antes de morrer, o poeta foi homenageado com a edição de uma antologia de sua obra experimental, acompanhada de fortuna crítica, Desbragada, com organização de Régis Bonvicino, e uma exposição no Centro Cultural São Paulo. Braga manteve o espírito “marginal” e projetou o ideário concretista para dimensões menos cerebrais, conquistando não somente o respeito de poetas ligados ao movimento, como seus fundadores, e se tornando referência para leitores, artistas, críticos e mesmo autores de outras tendências. Tem influência em poetas atuais como Arnaldo Antunes, Lenora de Barros e Ricardo Aleixo, que recuperam – cada a seu modo e com resultados bem diversos entre si – elementos da fabulação plástica inventada por Braga com a mistura de palavras e ícones, nos limites em que qualquer gesto humano se defronta com as infinitas possibilidades de significação. Arnaldo Antunes ressalta, em artigo publicado no caderno Mais!, do jornal Folha de S. Paulo, em 1996, que Braga foi “um precursor do uso da caligrafia na poética experimental brasileira”, valendo-se de “riscos e pinceladas manuais que compunham, decompunham e sobrepunham palavras em novas situações de leituras”. Essa pesquisa com o gestual mais primitivo, espontâneo, voraz, imprevisível e desarticulador de qualquer formalismo ou racionalidade fez da poesia tardia de Edgard Braga um modelo solitário no corpus poderoso da vanguarda concreta e único na literatura brasileira do século XX, garantindo seu lugar entre aqueles que seguiram à margem por serem fiéis ao seu projeto estético e resistiram bravamente à tentação de se acomodar aos rumos da moda.

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MASK OF THE WORLD

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DEDOS DADOS

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LIMITE DO OLHO

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CHUVA

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mal me quer se mal me queres mal    

se mal me queres bem mal queres bem mal se bem queres bem bem me queres se bem mal queres se bem bem mal queres

mal me queres mal me quer                                                           bem bem queres   mal me quer mal me queres bem me se

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GÊNESE um ni nho um vôo um o vo um no vo um

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ilha brilha tranquila

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poema poema poema poema poema poema p贸 m贸

e

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acordei de rolar brancura

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GREGÓRIO DE MATOS


O BOCA DE QUAL INFERNO? por Carlos Felipe Moisés

Futurologia? Melhor não arriscar, mas não é difícil prever que o prestígio, a fama e a influência de Gregório de Matos só tendem a aumentar, século XXI adentro, na esteira do que vem ocorrendo, de forma incipiente desde 1882, data da primeira edição de suas Obras poéticas, sob a direção de Vale Cabral (pois é, a primeira, quase duzentos anos depois do desaparecimento do poeta), e sobretudo desde 1923, quando Afrânio Coutinho organiza, para a Academia Brasileira de Letras, a primeira recolha minimamente confiável de suas Obras. Já agora futurologia de efeito retroativo... Mas a tentação é irresistível. Se a nossa literatura colonial já dispusesse, no século XVII, de um sistema intelectual definido (de acordo com Antônio Cândido1 isto só ocorrerá no século seguinte); se a obra do nosso Boca do Inferno tivesse circulado, desde o início, em forma impressa; se contássemos, então, com um público leitor, mais ou menos regular, e não apenas com alguns ouvintes, ávidos das performances do poeta; é possível admitir que não precisaríamos ter esperado até o século xx para que Mário de Andrade inventasse o nosso “herói sem nenhum caráter”; é provável que o beletrismo cartorial não tivesse fincado tão fundas raízes nas nossas Letras; e é quase certo que, bem antes de Glauco Mattoso, por exemplo, nossos poetas fesceninos e desbocados já tivessem perdido o falso pudor e botado a boca no trombone, con gusto. Para José Veríssimo, Gregório “é o primeiro boêmio da nossa literatura, com a vantagem, sobre os aqui procriados pelo Romantismo, de o ser de nascença e originalmente, e não de macaqueação de Paris. Porque nele se completasse cabalmente o tipo de capadócio, era também insigne cantador de modinhas, tocador de viola, um solfista, como então se chamava”.2 No entanto, só muito recentemente passamos a nos dar conta disso. Para Antônio Cândido, “embora tenha permanecido na tradição local da Bahia, Gregório de Matos não existiu literariamente (em perspectiva histórica) até o Romantismo (...). Antes disso, não influiu, não contribuiu para formar o 57


nosso sistema literário, e tão obscuro permaneceu sob os seus manuscritos, que Barbosa Machado, o minucioso erudito da Biblioteca Lusitana, ignora-o completamente”.3 Os fatos aí estão e o argumento parece irrefutável. Mesmo assim, apesar da ressalva (“em perspectiva histórica”), a afirmação de que Gregório “não existiu literariamente” gerou polêmica, como a travada por Haroldo de Campos (v. “Sugestões de leitura”), que saiu em defesa do poeta baiano, e do Barroco, como se a tese pretendesse denegrir o poeta e seu estilo, e se referisse a algo além do conceito básico de literatura como sistema. Mas, para o que nos interessa, não há necessidade de reavivar tão rumoroso debate. Basta assinalar que deste, e de outros episódios similares, ressalta a inegável importância, assim como a atualidade da poesia de Gregório de Matos, aos olhos do leitor contemporâneo. Afinal, dúvidas e controvérsias calham bem à aura que costuma acompanhar os grandes poetas. E algum mistério. É o que não falta ao nosso Boca do Inferno, a começar por sua biografia, em que os fatos e a lenda se misturam. Nascido em Salvador, de família abastada, estudou com os jesuítas e aos quatorze foi levado a Portugal, para estudar Leis, em Coimbra. Formado, transfere-se para Lisboa, em 1661, casa-se com dona Michaella de Andrade e ingressa na magistratura (o cargo mais elevado que exerceu, a partir de 1672, foi o de procurador da Bahia junto às Cortes). Dona Michaella não lhe deu filhos, mas ele foi buscá-los fora do casamento: Gregório é pai de uma certa Francisca, fruto do seu envolvimento com uma escrava alforriada, Lourença. Consta que nessa fase sua vida era bem dividida entre o convívio com as altas esferas e as folganças boêmias nos bairros periféricos de Lisboa – os mesmos cenários onde, um século antes, o fidalgo pobre Luís de Camões fizera a sua fama de encrenqueiro. Mulherengo, irreverente, exímio colecionador de desafetos, indisposto com tudo e com todos, viúvo desde 1678, Gregório abandona o cargo que exercia (ou é obrigado a fazê-lo, não se sabe) e regressa a Salvador, provavelmente em 1681. Assume as funções de Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia, cargo para o qual havia sido nomeado ainda em Lisboa (mas se recusa a usar batina), volta a se casar e empenha-se com afinco na vida irregular de trovador itinerante, sempre à caça de mulatas assanhadas e freirinhas sapecas, espalhando pelo Recôncavo a sua já agora insuperável fama de Boca do Inferno, cuja verve satírica não perdoa a ninguém. 58


O resultado não podia ser outro: depois de se envolver em várias trapalhadas com gente graúda, é despachado para Angola, em 1694, onde permanece por quase um ano. Consegue retornar, mas, rechaçado pelas autoridades baianas, vai viver em Pernambuco, sob a condição de não escrever mais sátiras, e aí vem a falecer, na miséria, assistido pela mulher, Maria dos Povos, o filho, Gonçalo, e o bispo Francisco de Lima. E temos aí o retrato vivo do tempo barroco, um tempo irremediavelmente dividido entre matéria e espírito, o bem e o mal, contrição e blasfêmia, o sublime e o grotesco, o divino e o humano – assim na vida como na obra de Gregório de Matos. E “dividido” nem sempre significa ora isto, ora aquilo: com frequência, os opostos inconciliáveis se manifestam no mesmo gesto, na mesma atitude, no mesmo poema: do Céu, o poeta transita para o Inferno, e vice-versa, como se isto fosse a coisa mais natural do mundo. “A figura de Gregório de Matos”, afirma Ângela Maria Dias, “pode ser tomada como o pioneiro perfil, tenso e dividido, do intelectual brasileiro. Baiano, filho da aristocracia latifundiária, formado em Direito por Coimbra, começa, ao nível da própria peripécia individual, a confirmar a histórica esquizofrenia do letrado brasileiro: visceralmente filho da terra, culturalmente seduzido pela Metrópole, mãe e estrangeira. Sua obra, como via de mão dupla, reitera o ambivalente convívio entre formação cosmopolita e circunstância brasileira”.4 Qualquer semelhança com os dias de hoje não será mera coincidência: foi ali que tudo começou, naquele tempo barroco tão bem emblematizado na trajetória de vida e na poesia de Gregório de Matos. Com isso, conclui acertadamente a estudiosa, “na falta de imprensa ou de quaisquer outros meios sistemáticos de comunicação social, sua sátira, fugindo aos circuitos convencionais da classe dominante, foi crônica, panfleto, reportagem da Bahia seiscentista. Por ela desfilam, deformados e caricaturais, governantes, padres, juízes, mascates e arrivistas de todo tipo. Nela se reconhecem a praça, o povo, a festa, o corpo, a rua”.5 Mas nada disso teria muita importância não fosse a arte excepcional do poeta, o impressionante arsenal técnico-expressivo barroco, de que ele sabe tirar o máximo proveito: os efeitos sonoros, as onomatopeias, a ironia, o duplo sentido, as antíteses e paradoxos, os cerrados torneios conceptistas, a 59


utilização engenhosa do vocabulário exótico, de extração indígena ou africana, ou proveniente dos usos e costumes populares do Brasil colônia, não hesitando em saltar do baixo calão ao termo erudito, com naturalidade. Pode ser “crônica”, sem dúvida, como destacam Ângela Maria Dias, James Amado e vários outros, mas é acima de tudo poesia, de elevado teor estético, pleno de invenção e criatividade. A breve antologia a seguir, amostra sucinta, pretende dar conta disso. O intuito é seduzir o maior número possível de leitores para a poesia de Gregório de Matos, para que esta deixe de ser apenas um “monumento” histórico e se torne o que sempre foi: uma voz humana, atual, que fala à consciência de todos nós.

Notas 1

“Literatura como sistema”, in Formação da literatura brasileira (v. “Sugestões de leitura”), vol. 1, pp. 25-27. 2

“Gregório de Matos”, in História da literatura brasileira (v. “Sugestões de leitura”), p. 63.

3

Formação da literatura brasileira, p. 26.

4

Gregório de Matos: Sátira (v. “Sugestões de leitura”), p. 14.

5

Idem, p. 27.

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DEFINIÇÃO DO AMOR [...] Tudo uma bebedice, Ou tudo uma borracheira, Que se acaba co dormir, E co dormir começa. O Amor é finalmente Um embaraço de pernas, Uma união de barrigas, Um breve tremor de artérias, Uma confusão de bocas, Uma batalha de veias, Um reboliço de ancas: Quem diz outra coisa, é besta.

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[...] De que pode servir calar quem cala? Nunca se há de falar o que se sente, Sempre se há de sentir o que se fala. Qual homem pode haver tão paciente, Que vendo o triste estado da Bahia, Não chore, não suspire, e não lamente? [...] A ignorância dos homens destas eras Sisudos faz ser uns, outros prudentes, Que a mudez canoniza bestas feras. Há bons, por não poder ser insolentes, Outros há comedidos de medrosos, Não mordem outros não – por não ter dentes. Quantos há que os telhados têm vidrosos, E deixam de atirar sua pedrada, De sua mesma telha receosos? [...]

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Uma cidade tão nobre, Uma gente tão honrada Veja-se um dia louvada Desde o mais rico ao mais pobre: Cada pessoa o seu cobre, Mas se o diabo me atiça, Que indo a fazer-lhe justiça Algum saia a justiçar, Não me poderão negar Que por direito, e por Lei, Esta é a justiça, que manda El-Rei. [...] A Donzela embiocada Mal trajada, e mal comida, Antes quer na sua vida Ter saia, que ser honrada: À pública amancebada Por manter a negra honrinha, E se lho sabe a vizinha E lho ouve a clerezia, Dão com ela na enxovia E paga a pena da lei: Esta é a justiça, que manda El-Rei. [...] A Viúva autorizada, Que não possui um vintém, Porque o Marido de bem 63


Deixou a casa empenhada: Ali vai a fradalhada, Qual formiga em correição, Dizendo que à casa vão Manter a honra da casa; Se a virdes arder em brasa, Que ardeu a honra entendei: Esta é a justiça, que manda El-Rei. [...] Se virdes um Dom Abade Sobre o púlpito cioso, Não lhe chameis religioso, Chamai-lhe embora de frade: E se o tal paternidade Rouba as rendas do convento Para acudir ao sustento Da puta, como da peita, Com que livra da suspeita Do Geral, do Viso-Rei: Esta é a justiça, que manda El-Rei.

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À CIDADE DA BAHIA A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana, e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um frequentado olheiro, Que a vida do vizinho, e da vizinha, Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha, Para a levar à Praça, e ao Terreiro. Muitos mulatos desavergonhados, Trazidos pelos pés os homens nobres, Posta nas palmas toda a picardia. Estupendas usuras nos mercados, Todos, os que não furtam, muito pobres, E eis aqui a cidade da Bahia.

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A nossa Sé da Bahia, Com ser um mapa de festas, É um presépio de bestas, Se não for estrebaria: Várias bestas cada dia Vemos, que o sino congrega. Caveira mula galega, O Deão burrinha parda, Pereira besta de albarda, Tudo para a Sé se agrega.

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DEFINE A SUA CIDADE Mote De dois ff se compõe Esta cidade ao meu ver: Um furtar, outro foder. Glosas Recopilou-se o direito, E quem o recopilou Com dous ff o explicou Por estar feito, e bem feito: Por bem digesto, e colheito, Só com dous ff o expõe, E assim quem os olhos põe No trato, que aqui se encerra, Há de dizer que esta terra De dous ff se compõe. Se de dous ff composta Está a nossa Bahia, Errada a ortografia, A grande dano está posta: Eu quero fazer aposta E quero um tostão perder, Que isso a há de perverter, Se o furtar e o foder bem Não são os ff que tem Esta cidade ao meu ver. 67


Provo a conjetura já, Prontamente como um brinco: Bahia tem letras cinco Que são B-A-H-I-A: Logo ninguém me dirá Que dous ff chega a ter, Pois nenhum contém sequer, Salvo se em boa verdade São os ff da cidade Um furtar, outro foder.

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Que falta nesta cidade? . . . . . . . . . . . . .Verdade Que mais por sua desonra? . . . . . . . . . .Honra Falta mais que se lhe ponha? . . . . . . . . .Vergonha. O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, numa cidade, onde falta Verdade, Honra, Vergonha. Quem a pôs neste socrócio? . . . . . . . . . .Negócio. Quem causa tal perdição? . . . . . . . . . . . .Ambição. E o maior desta loucura? . . . . . . . . . . . .Usura. Notável desaventura De um povo néscio, e sandeu, Que não sabe que o perdeu Negócio, Ambição, Usura. Quais são seus doces objetos? . . . . . . . . .Pretos. Tem outros bens mais maciços? . . . . . . .Mestiços. Quais destes lhe são mais gratos? . . . . . .Mulatos. Dou ao demo os insensatos, Dou ao demo a gente asnal, Que estima por cabedal Pretos, Mestiços, Mulatos. [...] E nos Frades há manqueiras? . . . . . . . . . Freiras. Em que ocupam os serões? . . . . . . . . . . . Sermões. Não se ocupam em disputas? . . . . . . . . . Putas. Com palavras dissolutas Me concluís, na verdade, Que as lidas todas de um Frade São Freiras, Sermões, e Putas. [...] 69


A UMA QUE LHE CHAMOU “PICA-FLOR” Se Pica-flor me chamais, Pica-flor aceito ser, Mas resta agora saber Se no nome, que me dais, Meteis a flor que guardais no passarinho melhor! Se me dais este favor, Sendo só de mim o Pica, E o mais vosso, claro fica, Que fico então Pica-flor.

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Um soneto começo em vosso gabo; Contemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo. Na quinta torce agora a porca o rabo: A sexta vá também desta maneira, Na sétima entro já com grã canseira, E saio dos quartetos muito brabo. Agora nos tercetos que direi? Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais, Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei. Nesta vida um soneto já ditei, Se desta agora escapo, nunca mais; Louvado seja Deus, que o acabei.

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Mancebo sem dinheiro, bom barrete, Medíocre o vestido, bom sapato, Meias velhas, calção de esfola-gato, Cabelo penteado, bom topete. Presumir de dançar, cantar falsete, Jogo de fidalguia, bom barato, Tirar falsídia ao Moço do seu trato, Furtar a carne à ama, que promete. A putinha aldeã achada em feira, Eterno murmurar de alheias famas, Soneto infame, sátira elegante. Cartinhas de trocado para a Freira, Comer boi, ser Quixote com as Damas, Pouco estudo, isto é ser estudante.

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Descarto-me da tronga, que me chupa, Corro por um conchego todo o mapa, O ar da feia me arrebata a capa, O gadanho da limpa até a garupa. Busco uma Freira, que me desentupa A via, que o desuso às vezes tapa, Topo-a, topando-a todo o bolo rapa, Que as cartas lhe dão sempre com chalupa. Que hei de fazer, se sou de boa cepa, E na hora de ver repleta a tripa, Darei por quem mo vase toda Europa? Amigo, quem se alimpa da carepa, Ou sofre uma muchacha, que o dissipa, Ou faz da sua mão sua cachopa.

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Neste mundo é mais rico, o que mais rapa: Quem mais limpo se faz, tem mais carepa: Com sua língua ao nobre o vil decepa: O Velhaco maior sempre tem capa. Mostra o patife da nobreza o mapa: Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa; Quem menos falar pode, mais increpa: Quem dinheiro tiver, pode ser Papa. A flor baixa se inculca por Tulipa; Bengala hoje na mão, ontem garlopa: Mais isento se mostra, o que mais chupa. Para a tropa do trapo vazio a tripa, E mais não digo, porque a Musa topa Em apa, epa, ipa, opa, upa.

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SOBRE OS AUTORES


OMAR KHOURI Nasceu em Pirajuí (SP. Brasil) em 1948. É Mestre e Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, e Livre-Docente em “Teoria e Crítica da Arte”, pelo IA-UNESP. Poeta, editor (Nomuque Edições), promotor de eventos, impressor e crítico ocasional de linguagens. Veiculou seus poemas em publicações coletivas, como Artéria, Zero à Esquerda, Qorpo Estranho, Muda, Caspa, Kataloki, Atlas, Errática e outras. Tem participado de inúmeras exposições de Poesia Visual, no Brasil e em outros países. Atualmente, ocupa-se de um projeto experimental de prosa, donde resultaram vários volumes, já publicados. Vive e trabalha em São Paulo, como professor.

REYNALDO DAMAZIO Nasceu em São Paulo, em 1963. Formou-se em Sociologia pela USP. É autor dos livros O que é criança (Brasiliense, 1988), Poesia, linguagem (Memorial da América Latina, 1998), Nu entre nuvens (Ciência do Acidente, 2001), Horas Perplexas (Editora 34) e organizador de Drummond revisitado (Unimarco, 2002), entre outros. Criou com o designer gráfico Ricardo Botelho o site weblivros, em 1998, e o fanzine literário ZineQuaNon; e integra o conselho editorial do tabloide K - Jornal de Crítica, lançado em 2006. Trabalha como editor, jornalista, tradutor, resenhista de livros e coordena oficinas de crítica literária, criação e quadrinhos.

CARLOS FELIPE MOISÉS Nasceu em São Paulo (SP), em 1942. Poeta, crítico literário, tradutor, exprofessor da USP e outras instituições. Passou duas temporadas nos Estados Unidos, ensinando na Universidade da Califórnia, em Berkeley (1978-1983) e na Universidade do Novo México (1986). Seus livros mais recentes de poesia são Lição de casa (1998) e Noite nula (2008). De crítica: Poesia e utopia (2007), Tradição & ruptura (2012). Traduziu Sartre, Marshall Berman, Joseph Campbell, W.H. Auden e outros poetas e ensaístas. Publicou, ainda, Poesia não é difícil (Biruta, 2012).

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MANOEL RICARDO DE LIMA Nasceu em Parnaíba, no Piauí [1970]. É professor de Literatura Brasileira [UNIRIO]. Publicou Falas inacabadas – objetos e um poema [um livro-transparência com a artista visual Elida Tessler], Embrulho e Quando todos os acidentes acontecem [poemas]; Entre percurso e vanguarda – alguma poesia de P. Leminski, 55 começos e Fazer, lugar – a poesia de Ruy Belo [ensaios], As mãos [novela] e Jogo de Varetas [narrativas]. Organizou Edifício Rogério – textos críticos de Rogério Sganzerla [com Sérgio Medeiros] e as coletâneas A visita [com Isabella Marcatti] e A nossos pés – poemas para Ana Cristina Cesar. Mora no Rio de Janeiro.

TARSO DE MELO (Santo André/SP, 1976) editou as revistas de poesia Monturo e Cacto (com Eduardo Sterzi). Organizou e participou de diversos projetos e obras coletivas. É autor de vários livros, entre os quais destacam-se os de poesia: A lapso (Alpharrabio,1999), Carbono (Nankin, 2002), Planos de fuga e outros poemas (CosacNaify,7Letras, 2005), Lugar algum (Alpharrabio,2007 – escrito com apoio da Bolsa Vitae de Artes), Exames de rotina (Editora da Casa, 2008) e Caderno Inquieto (Dobra, 2012 – com apoio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo). É advogado e professor universitário (FACAMP e Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo), mestre e doutor em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo.

JULIO MENDONÇA (São José do Rio Preto – SP, 1958) é poeta, doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) – SP e trabalha na Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo. Foi diretor do Departamento de Ações Culturais de São Bernardo do Campo e consultor do Pólis - Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais, tendo participado do projeto de mapeamento sociocultural Santo Amaro em Rede, realizado para o SESC. Tem publicado poemas e outros textos em veículos como o Suplemento Literário de Minas Gerais, o almanaque Atlas, o Jornal Dobrabil, a Folha de São Paulo, e as revistas Artéria, ARTEunesp e A Cigarra.

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CAROLINA SERRA AZUL (São Paulo/SP, 1986) formou-se em Letras (português/francês) pela Universidade de São Paulo. Em 2010 especializou-se em Literatura e Cinema na Universidade Paris-Sorbonne (Paris IV). É mestranda em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, desenvolvendo projeto de pesquisa sobre as relações entre a obra de João Guimarães Rosa e o primeiro modernismo brasileiro.

JÚLIA STUDART Nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1979. É poeta e doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina [bolsista CNPq] e Universidade Nova de Lisboa [bolsista Capes/2011]. Publicou os livros de ensaios Wittgenstein & Will Eisner – se numa cidade suas formas de vida e Livro Segredo e Infâmia; a plaqueta Marcoaurélio! com a artista visual Milena Travassos, e organizou o livro Conversas, diferença n.1 – ensaios de literatura etc. Vive no Rio de Janeiro.

FABRÍCIO MARQUES É jornalista e poeta. Faz parte do conselho editorial do Suplemento Literário de Minas Gerais desde setembro de 2009. É autor de Samplers (poemas, editora Relume Dumará, 2000, Prêmios Culturais de Literatura do Estado da Bahia), Aço em flor: a poesia de Paulo Leminski (ensaio, Autêntica, 2001), Meu pequeno fim (poemas, Scriptum,2002), Dez conversas (entrevistas com poetas contemporâneos, edição bilíngüe,Gutenberg, 2004), Sebastião Nunes (organizador, Ed. UFMG, 2008) e A fera incompletude (poemas, Dobra Editorial, 2011 – resultado do Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística Categoria Criação Literária, Funarte, em2008, o livro foi indicado ao Prêmio Portugal Telecom em 2012).

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RENAN NUERNBERGER (São Paulo/SP, 1986) é poeta e mestrando em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP. Publicou Mesmo poemas (Selo Sebastião Grifo, 2010) com apoio do ProAC da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e organizou a antologia comentada de Armando Freitas Filho (EdUERJ, 2011) para a coleção Ciranda da Poesia.

GUILHERME GONTIJO FLORES (Brasília, 1984), formou-se em Letras pela UFES, defendeu uma dissertação de Mestrado na UFMG com a tradução integral das Elegias de Sexto Propércio (que deve sair ainda este ano pela editora Crisálida) e hoje é professor de Língua e Literatura Latina na UFPR. Já lançou traduções de As janelas, seguidas de poemas em prosa franceses, de Rainer Maria Rilke (em parceria com Bruno D’abruzzo), e d’A anatomia da melancolia, de Robert Burton, em 4 volumes. Participa do blog coletivo escamandro e prepara seu primeiro livro de poemas.

CARLOS AUGUSTO LIMA (Fortaleza, 1973) é poeta e professor de Literatura. Publicou Objetos (Alpharrábio, 2002), Vinte e sete de janeiro (Lumme, 2008), Manual de Acrobacias n.1 (Editora da Casa, 2009), O Livro da Espera (Alpharrábio, 2011), Três poemas do lugar (La Barca, 2011). Membro fundador da ong Alpendre - casa de arte, pesquisa e produção (Fortaleza-Ce), ex-coordenador do núcleo de literatura do setor de capacitação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza-Ce), é doutorando em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde desenvolve pesquisa sobre as idéias de fracasso, deriva e silêncio nas narrativas de Antônio Lobo Antunes e J.M. Coetzee.

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PAULO FERRAZ (Rondonópolis/MT, 1974) é poeta e editor, graduado em Direito e mestre em Teoria Literária, ambos na USP. Em 1999 publicou seu primeiro livro de poemas, Constatação do obvio, pelo Selo Sebastião Grifo, fundado por ele, Matias Mariani e Pedro Abramovay. Com ambos editou ainda a revista Sebastião. Em 2007, lançou os livros De novo nada e Evidências pedestres, pelo mesmo selo. Tem poemas publicados em diversas revistas literárias, tais como Cult, Magma, Sibila, Cacto, Jandira, Rattapallax, Poesia Sempre e Estudos Avançados e nas antologias Paixão por São Paulo (Terceiro Nome, 2004), Antologia comentada da poesia brasileira no século 21 (PubliFolha, 2006), Os dias do amor (Ministério do Livro, 2009) e Cidades impossíveis (Portal Editora, 2010). Seu livro De novo nada concorreu na categoria de melhor livro do ano no 3º Premio Bravo! Prime de Cultura, tendo sido traduzido para o espanhol em 2011.

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SUGESTÕES DE LEITURA


ALDOS FORTES por Omar Khouri Do autor: FORTES, Aldo. “Cage”. In: Artéria 5. São Paulo: Nomuque Edições, 1991. ____________. “Heráclito revisitado”. In: Artéria 7. São Paulo: Nomuque Edições, 2004. ____________. “Sem título”. In: Artéria 9. São Paulo: Nomuque Edições, 2007. ____________. “Sem título”. In: Artéria 10. São Paulo: Nomuque Edições, 2011.

EDGARD BRAGA por Reynaldo Damazio Do autor: BRAGA, Edgard. Subúrbio Branco. São Paulo: Clube de Poesia, 1959. _____________. Soma. São Paulo: Edição Invenção, 1963. _____________. Algo. São Paulo: Edições Invenção, 1971. _____________. Tatuagens. São Paulo: Edições Invenção, 1976.

Sobre o autor: ANTUNES, Arnaldo. 40 escritos (org. João Bandeira). São Paulo: Iluminuras, 2000. BONVICINO, Régis (org.). Desbragada. São Paulo: Editora Max Limonad, 1984. SIMON, Iumna Maria e DANTAS, Vinícius. Poesia concreta. Col. Literatura Comentada. São Paulo: Editora Abril, 1982.

GREGÓRIO DE MATOS por Carlos Felipe Moisés Do autor: MATOS, Gregório de. Gregório de Matos - obra poética completa - 2 volumes. São Paulo: Record, 1999. __________________. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 87


Sobre o autor: ÁVILA, Afonso. O lúdico e as projeções do mundo barroco. São Paulo: Perspectiva, 1971. CAMPOS, Augusto de. “Arte final para Gregório”, in Bahia-invenção/antiantologia de poesia baiana. Salvador: Propeg, 1974. - - - - - - - - - - - - - - -, “Da América que existe: Gregório de Matos”, in Poesia, antipoesia, antropofagia. São Paulo: Cortez & Morais, 1978. CAMPOS, Haroldo de. O sequestro do Barroco na formação da literatura brasileira: o caso Gregório de Matos. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 1989. CÂNDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, 2 vols., 2ª edição. São Paulo: Martins, 1964. HELENA, Lúcia. “A tradição antropofágica: Gregório de Matos”, in Uma literatura antropofágica. Rio de Janeiro: Cátedra/INL, 1982. PAES, José Paulo, “Um bacharel no purgatório”, in Mistério em casa. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961. PERES, Fernando da Rocha, Gregório de Matos e Guerra: uma re-visão biográfica. Salvador: Macunaíma, 1983. PÓLVORA, Hélio. Para conhecer melhor Gregório de Matos. Rio de Janeiro: Bloch, 1974. PORTELA, Eduardo. “Gregório de Matos: a tesoura, o tesouro”, in Confluências. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1983. SALES, Fritz Teixeira de. Poesia e protesto em Gregório de Matos. Belo Horizonte: Interlivros, 1975. SPINA, Segismundo. “Gregório de Matos”, in A literatura no Brasil, dir. Afrânio Coutinho. Rio de Janeiro: Sul-Americana, 1955. Vol. I, t. 1. VERÍSSIMO, José. “Gregório de Matos”, in História da literatura brasileira, 5ª ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1969.

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JOAQUIM CARDOZO por Manoel Ricardo de Lima Do autor: CARDOZO, Joaquim. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova

Aguilar, 2009.

Sobre o autor: ANDRADE, Carlos Drummond de. “Prefácio”. In: CARDOZO, Joaquim Moreira. Poemas. Rio de Janeiro: Agir, 1947. ______. Passeios na ilha: divagações sobre a vida literária e outras matérias. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. AZEVEDO FILHO, Leodegário A. de. Poetas do modernismo: antologia crítica. Brasília: INL, 1972. BANDEIRA, Manuel. Antologia dos poetas bissextos contemporâneos. Rio de Janeiro: Zélio Valverde, 1946. _______. Apresentação da poesia brasileira: seguida de uma pequena antologia. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1946. BARROS, Manuel de Souza. A década 20 em Pernambuco [uma interpretação]. Prefácios testemunhos de Barbosa Lima Sobrinho e Joaquim Cardozo. Rio de Janeiro, 1972. ______. “Joaquim Cardozo”. In: ______. Um movimento de renovação cultural. Rio de Janeiro: Cátedra, 1975. BRITO, Mário da Silva. Panorama da poesia brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1959. BRUAND, Yves. “Luís Nunes e o movimento do Recife”. In:______. Arquitetura contemporânea no Brasil. [São Paulo]: Perspectiva, 1981. COUTINHO, Edilberto. “Joaquim Cardozo”. In:______. Presença poética do Recife: crítica e antologia poética. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio; Recife: FUNDARPE, 1983. DANTAS, Maria da Paz Ribeiro. Joaquim Cardozo: ensaio biográfico. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1985. ______. O mito e a ciência na poesia de Joaquim Cardozo: uma leitura barthesiana. Prefácio de Audálio Alves. Rio de Janeiro: José Olympio; 89


Recife: Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco FUNDARPE, 1985. ______. Joaquim Cardozo: Contemporâneo do futuro. Recife: ENSOL, 2003. HOUAISS, Antônio. Seis poetas e um problema. 2. ed. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1967. ______. Homenagem a Joaquim Cardozo: conferência proferida em 12 de dezembro de 1977, no CREA-RJ. Rio de Janeiro, 1977. LEAL, Cesar. “Dimensões temporais na poesia”. In: Entre o leão e o tigre. Recife: FUNDAJ, Massangana, 1988. 343 p., p. 63-76. LEAL, Fernando Machado. Restauração e conservação de monumentos brasileiros; subsídios para o seu estudo: notas de aula. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 1977. LEITE, Sebastião Uchoa. Participação da palavra poética: do modernismo a poesia contemporânea. Petrópolis: Vozes, 1966. LIMA, Manoel Ricardo de. A Estrutura Perfeita - sobre Joaquim Cardozo. Caderno Pensar, Brasília, DF, p. 06-07. 16 setembro de 2006. Edição comemorativa da inauguração de Brasília: 45 anos. ______. Joaquim Cardozo: um encontro com o deserto. Tese defendida em fevereiro/2008. Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC. ______. Joaquim Cardozo, crivo e deserto. Revista Crítica Cultural, Vol. 4, n. 1, Unisul, junho, 2009. ______. Joaquim Cardozo, a astronomia alegre. Revista Intervalo, n. 4, Lisboa, p. 67 – 76, fev/mar 2010, Universidade Nova de Lisboa. ______. O nome que falta [com SOUSA, Edson]. Revista Psicologia e Sociedade [ABRAPSO]. Vol. 21, Edição Especial, 2009. ______. Mario Faustino, Joaquim Cardozo e o arquivo agora. Revista Via Atlântica, n.15, 2009, FFLCH/USP. ______. Joaquim Cardozo e Pancetti, águas sem dono. Revista Crítica Cultural, Vol. 05, n. 01, 2010, UNISUL, Florianópolis. MELO NETO, João Cabral de. “A luz em Joaquim Cardozo”. In:

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CARDOZO, Joaquim. Um livro aceso e nove canções sombrias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; São Paulo: Massao Ohno; Recife: FUNDARPE, 1981. MERQUIOR, José Guilherme. Razão do poema: ensaios de crítica e de estética. 2. ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996. PEREZ, Renard. Escritores brasileiros contemporâneos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964. PY, Fernando. “Joaquim Cardozo: estudo crítico, antologia e notas”. In: Poetas do modernismo. Brasília: INL, 1972. ______. “Joaquim Cardozo”. In: Chão da crítica. Rio de Janeiro: Francisco Alves; Brasília: INL - Pró-Memória, 1984. VALLADARES, Clarival do Prado. “Memória de Joaquim Cardozo, presença de Roberto Burle Marx”. In: MARX, Roberto Burle. Album de serigrafia. Rio de Janeiro, 1979.

MAX MARTINS por Tarso de Melo Do autor: MARTINS, Max. O Estranho. Belém: Revista de Veterinária, 1952. ______________. Anti-Retrato. Belém: Falângola, 1960. ______________. H´era. Rio de Janeiro: Saga, 1971. ______________. O Ovo Filosófico. Belém: Semec, 1976. ______________. O Risco Subscrito. Belém: Mitografe, 1980. ______________. A fala entre parêntesis (com Age de Carvalho). Belém: Grapho/Grafisa, 1982. ______________. Caminho de Marahu. Belém: Grapho/Grafisa, 1983. ______________. 60/35. Belém: Grapho/Grafisa, 1986. ______________. Para ter onde ir. São Paulo: Massao Ohno, A. Massi, 1992. ______________. Não para consolar. Belém: CEJUP, 1992. ______________. Poemas reunidos: 1952-2001. Belém: EDUFPA, 2001. ______________. Der Ohrt Wohin (trad. Burkhard Sieber). Berlim: Kato

Kunst & Verlag, 2006. 91


Sobre o autor: NUNES, Benedito. “Max Martins, mestre-aprendiz”. In: A clave do poético. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

OMAR KHOURI por Julio Mendonça Do autor: KHOURI, Omar. Poemas sob a égide de Eros. São Paulo: Nomuque Edições, 2001. _____________. Poemas da mãe. São Paulo: Nomuque Edições, 2008. _____________. Revistas na era pós-verso: revistas experimentais e edições

autônomas de poemas no Brasil, dos anos 70 aos 90.

Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2003.

PAGU por Carolina Serra Azul Da autora: PAGU. Parque Industrial. Porto Alegre: Mercado Aberto; São Paulo:

EDUFSCar, 1994.

_____. A Famosa Revista (em co-autoria com Geraldo Ferraz). In: Dois

Romances. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959.

_____. Safra Macabra. Contos policiais. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998. _____. Paixão Pagu: uma autobiografia precoce de Patrícia Galvão. Rio de

Janeiro: Agir, 2005.

Sobre a autora: CAMPOS, Augusto de (org). Pagu. Patrícia Galvão. Vida-Obra. São Paulo: Brasiliense, 1982. ___________. O Homem do Povo: Coleção Completa Fac-similar dos Jornais escritos por Oswald de Andrade e Patrícia Galvão (Pagu). São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/ Arquivo do Estado, 1984. GUEDES, Telma. Pagu: Literatura e Revolução: um estudo sobre o romance Parque Industrial. Cotia, SP: Ateliê Editorial; São Paulo: Nankin Editorial, 2003. 92


NEVES, Juliana. Geraldo Ferraz e Patrícia Galvão: a experiência do Suplemento Literário do Diário de S. Paulo nos anos 40. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2005.

QORPO SANTO por Julio Mendonça Do autor: QORPO-SANTO. Miscelânia Quriosa (Org. Denise Espírito Santo). Rio

de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.

______________. Poemas (Org. Denise Espírito Santo). Rio de Janeiro: Contracapa, 2000. ______________. Teatro Completo. São Paulo: Iluminuras, 2011.

Sobre o autor: AGUIAR, Flávio. Os homens precários: inovação e convenção na dramaturgia de Qorpo-Santo. Porto Alegre: IEL, 1975. FARIA, João Roberto. “Qorpo-Santo: as formas do cômico”. In: O Teatro na Estante. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998. FRAGA, Eudinyr. Qorpo-Santo: surrealismo ou absurdo? São Paulo: Perspectiva, 1988. FROSCH, Friedrich. “Qorpo-Santo: a canonização de um certo Campos Leão ou inadaptação x inépcia” In: Terceira Margem: Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Letras e Artes, Faculdade de Letras, Pós- Graduação, Ano XIV, n. 23, jul-dez. 2010. MARQUES, M.V.A. Escritos sobre um Qorpo. São Paulo: Annablume, 1993.

Sobre o grotesco: BAKHTIN, Mikail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1987. KAYSER, Wolfgang. O grotesco – configuração na pintura e na literatura. São Paulo: Perspectiva, 1986. 93


ROSENFELD, Anatol. “A visão grotesca” In: Texto/Contexto. São Paulo: Perspectiva, 1993. SODRÉ, Muniz. “O que é mesmo o grotesco?” In: O império do grotesco. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.

SAPATEIRO SILVA por Júlia Studart Do autor: Site organizado por alunos-pesquisadores da UNICAMP: http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/Sapateiro/index.htm

Sobre o autor: BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1997. ______. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1983. BLAKE, A. V. A. Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, 1883-1902. CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Itatiaia, 1975. ______. “A poesia pantagruélica”. In: O Discurso e a Cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993. MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides – Breve História da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. ROMERO, Silvio. História da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1980. SOUSA, Edson Luiz André de. Uma Invenção da utopia. São Paulo: Lumme Editor, 2007. SÜSSEKIND, Flora e VALENÇA, Rachel Teixeira. O Sapateiro Silva. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1983. VARNHAGEN, F. A. Florilégio da Literatura Brasileira. Tomo II. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1946.

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SEBASTIÃO NUNES por Fabrício Marques Do autor: NUNES, Sebastião. Antologia Mamaluca e Poesia Inédita Volume 1. Sabará-MG, Edições Dubolso, 1988. _______________. Antologia Mamaluca e Poesia Inédita Volume 2. Sabará-MG, Edições Dubolso, 1989.

Sobre o autor: MARQUES, Fabrício. Sebastião Nunes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

SEBASTIÃO UCHOA LEITE por Renan Nuernberger Do autor: LEITE, Sebastião Uchoa. Dez sonetos sem matéria. Recife: O Gráfico

Amador, 1960.

___________________. Antilogia. Rio de Janeiro: Achiamé, 1979. ___________________. Isso não é aquilo. São Paulo: Alternativa, 1982. ___________________. Obra em dobras (1960-1988). São Paulo: Duas

Cidades, 1988.

___________________. A uma incógnita. São Paulo: Iluminuras, 1991. ___________________. A ficção vida. São Paulo: Ed. 34, 1993. ___________________. A espreita. São Paulo: Perspectiva, 2000. ___________________. A regra secreta. São Paulo: Landy, 2002. ___________________. Participação da palavra poética. Petrópolis: Vozes, 1966. ___________________. Crítica clandestina. Rio de Janeiro: Taurus, 1986. ___________________. Jogos e enganos. São Paulo: Ed. 34, 1995. ___________________. Crítica de ouvido. São Paulo: Cosac Naify, 2003

Sobre o autor: LIMA, Luiz Costa. Sebastião Uchoa Leite: resposta ao agora. São Paulo: Dobra Editorial, 2012.

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SOUSÂNDRADE por Guilherme Gontijo Flores Esta bibliografia tem por principal intuito ampliar um pouco aquela já citada de Souza & Manfio, que vai até 2002. Por isso, para além de poucos textos fundamentais do próprio autor reeditados e de alguns estudos mais importantes, listo apenas algo do que há de mais recente.

Do autor: SOUSÂNDRADE, Joaquim de. Melhores poemas. Seleção e notas por Adriano Espínola. São Paulo: Global, 2008. __________. O Guesa. Intro. e org. por Jomar Moraes. São Luís: SIOGE, 1979. __________. O Guesa. Intro. Augusto de Campos. São Paulo: Annablume/Demônio Negro, 2009.

Sobre o autor: ALVES, Gisele. Para um glossário neológico da obra O Guesa de Sousândrade: uma proposta. Dissertação de mestrado. Uberlândia: UFU, 2006. BARTH, Vinicius Ferreira. Comentário ao Canto I de O Guesa, de Joaquim de Sousândrade. Monografia de fim de curso. Curitiba: UFPR, 2010. BRAGA, Pedro. “O universo poético de Harpa de ouro”. In: O riso e o trágico: leituras de Bakhtin e outras leituras. Brasília: LGE, 2010. CAMPOS, Augusto & CAMPOS, Haroldo. ReVisão de Sousândrade. 3 ed. revista e ampliada. São Paulo: Perspectiva, 2002. (Coleção Signos, n. 34). CARNEIRO, Alessandra da Silva. Do tatu fúnebre ao lar-titú: implicações do indianismo no Canto II do poema O Guesa, de Sousândrade. Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP, 2011. CUCCAGNA, Claudio. A visão do ameríndio na obra de Sousândrade. Trad. de Wilma Katinsky Barreto de Souza. São Paulo: Hucitec, 2004. ESPÍNOLA, Adriano. “Relato biográfico.” In: Melhores poemas, por Sousândrade. Seleção e notas por Adriano Espínola. São Paulo: Global, 2008. 96


GONÇALVES, Leo. “O céu e o inferno de Swedenborg”. In: Salamalandro. http://www.salamalandro.redezero.org/o-ceu-e-o-inferno-deswedenborg/. LOBO, Luiza. Épica e Modernidade em Sousândrade. Rio de Janeiro: Presença/Edusp, 1986. MORAES, Jomar. Harpa de oiro. São Luís: Fundação da Universidade do Maranhão, 1969. OLIVEIRA, Rita de Cássia. O poema O Guesa de Sousândrade à luz da hermenêutica de Paul Ricoeur. Tese de Doutorado. São Paulo: PUC-SP, 2009. RIGGI, Fabio. “Sousândrade ri no Inferno”. In: Sibila: poesia e cultura. http://www.sibila.com.br/index.php/estado-critico/1840-sousandrade-rino-inferno. (2010) ROCHA, Marília Librandi. “O ‘caso’ Sousândrade na história literária brasileira”. Revista USP, São Paulo: USP, n. 56, p. 213-220, dez/2002 a jan/ fev/2003. RÊGO, Josoaldo Lima. Espaço, modernidade e literatura: uma leitura de “O Guesa”, de Sousândrade. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo: USP, 2007. REINATO, Pedro Martins. “A própria forma do bárbaro domínio”: elementos da composição poética em O Guesa, de Sousândrade. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo: USP, 2008. WILLIAMS, Frederick G. Sousândrade: vida e obra. São Luís: SIOGE, 1976 WILLIAMS Frederick G. & MORAES, Jomar. Sousândrade: inéditos. São Luís: Departamento de Cultura do Estado, 1970. ____________. Sousândrade: prosa. São Luís: SIOGE, 1978. ____________. Poesia e prosa reunidas de Sousândrade. São Luís: Edições AML, 2003.

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STELA DO PATROCÍNIO por Carlos Augusto Lima Sobre a autora: AGAMBEM, Giorgio. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007. BARRETO, Lima. Cemitério dos Vivos. São Paulo: Editora Planeta; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional. 2004. FOUCAULT, Michel. História da loucura. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2ª ed. HIDALGO, Luciana. Arthur Bispo do Rosário: senhor do labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. PATROCÍNIO, Stela. Reino dos bichos e dos animais é meu nome. Organização e apresentação: Viviane Mosé. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2009. 2ª Ed.

Procurando por Stela: Entrevista com Stela do Patrocínio, espetáculo criado por Lincoln Antonio e Ney Mesquita. http://entrevistacomstela.wordpress.com/ (clicando na home, você pode ouvir poemas de Stela musicados para o espetáculo, além do clip e outras informações). Stela do Patrocínio – A mulher que falava coisas, de Marcio de Andrade, (RJ, documentário, 15 min., cor, video, 2008).

TORQUATO NETO por Paulo Ferraz Do autor: NETO, Torquato. Torquatalia 1, Do lado de dentro. São Paulo: Rocco, 2004. _____________. Torquatalia 2, Geleia geral. São Paulo: Rocco, 2004.

Sobre o autor: ANDRADE, Paulo. Torquato Neto: uma poética de estilhaços. São Paulo: Annablume/FAPESP, 2002. BUENO, André. Pássaro de fogo no terceiro mundo: o poeta Torquato Neto e sua época. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005. FAVARETTO, Celso . Tropicália: alegoria alegria. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007. 98


MONTEIRO, André. A Ruptura do Escorpião – Ensaio sobre Torquato Neto e o mito da Marginalidade. São Paulo, Cone Sul, 1999. RISERIO, Antonio et alli. Anos 70: trajetórias. São Paulo: Itaú Cultura/ Iluminuras, 2005. SALOMÃO, Waly. Armarinho de miudezas. Salvador, Fundação Casa de Jorge Amado, 1993. VAZ, Toninho. Pra mim chega: a biografía de Torquato Neto. São Paulo: Casa Amarela, 2005.

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PONTO DE CULTURA EDITORA LIVRE POPULAR ARTESANAL

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Lamparina Luminosa +55 (11) 4127 0866 +55 (11) 9 8531 9222 k.piana@gmail.com www.lamparinaluminosa.com editoralivrepopularartesanal.blogspot.com

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Este livro foi impresso pela Graphium sobre papel Avena LD 80 g/m2 para a Lamparina Luminosa, em dezembro 2012


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Toda literatura – de qualquer país ou comunidade linguística do mundo – tem seus autores deslocados, não-canônicos (como se diz no jargão literário). Deslocamento autoconsciente (programático), decorrente de opções estéticas, temáticas, ou por razões geopolíticas. Este livro reúne uma seleção de poemas importantes de alguns poetas brasileiros do passado e do presente que tiveram ou têm sua poesia marcada por algum dos modos de deslocamento apontados acima. Produções poéticas singulares, insubmissas, difíceis de classificar e pouco afeitas aos padrões vigentes na época de sua criação.

(da introdução de Julio Mendonça)


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