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considerações finais
Ao tratarmos de memória social, passamos a compreende-la como um processo coletivo. Do ponto de vista de Maurice Halbwachs (1990), a memória coletiva é um processo vivo e em constantes transformações. Ela é construída e compartilhada por meio da interação entre as pessoas e o ambiente físico em que vivem. Assim com o autor Milton Santos (1991) descreve, o espaço não é simplesmente um recipiente passivo onde os eventos ocorrem, mas sim um produto da ação humana, que é moldado por fatores sociais, culturais, políticos e econômicos. Assim, ao entendermos como se desenvolve a memória social, é fundamental entender o histórico da cidade de São Bernardo do Campo. Dessa forma, é possível compreender as raízes e os valores que moldaram a identidade da cidade, suas transformações ao longo do tempo e os desafios enfrentados pela comunidade. Para atingir nossos objetivos quanto ao uso da memória, coletamos entrevistas de pessoas que possuíam envolvimento com a cidade de São Bernardo do Campo para entendermos como é o imaginário que está vinculado à essa região. Essa abordagem possibilita uma compreensão mais ampla das necessidades e desejos da comunidade local, permitindo que a gestão urbana seja direcionada de forma mais efetiva e inclusiva. Além desse entendimento proporcionado, as entrevistas e depoimentos coletados junto à população permitem a participação ativa dos cidadãos no processo de gestão urbana. Ao ouvir suas histórias, experiências e perspectivas, foi possível identificar as principais necessidades e aspirações da população local. Essa abordagem participativa promove um sentimento de pertencimento e empoderamento dos cidadãos, uma vez que suas vozes são ouvidas e consideradas na tomada de decisões.
A inclusão da população na gestão urbana é uma prática adotada por cidades como Chicago, Vancouver e Medellín. Essas cidades têm se destacado ao envolver os cidadãos em processos participativos que valorizam a memória coletiva e promovem uma gestão urbana mais eficiente e inclusiva. Chicago, nos Estados Unidos, tem investido em programas de participação cidadã, como consultas públicas e reuniões comunitárias, para envolver os moradores na tomada de decisões sobre políticas e projetos urbanos. A cidade também utiliza tecnologias digitais para facilitar o acesso às informações e promover a transparência na gestão. Vancouver, no Canadá, é conhecida por sua abordagem inclusiva e sustentável na gestão urbana. A cidade valoriza a participação da população por meio de comitês consultivos, pesquisas e workshops comunitários. Além disso, Vancouver tem se esforçado para preservar e valorizar a história e cultura local, por exemplo, por meio da revitalização de bairros históricos e da preservação de edifícios emblemáticos.
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Medellín, na Colômbia, passou por uma transformação significativa nos últimos anos, utilizando a memória social como um guia para a reconstrução social e urbana. A cidade adotou uma abordagem inclusiva e participativa, envolvendo os cidadãos em processos de planejamento e tomada de decisões. Essa abordagem resultou em projetos inovadores, como a construção de bibliotecas em áreas vulneráveis e o desenvolvimento de sistemas de transporte público eficientes e acessíveis.
Em comparação com essas cidades, a inclusão da população na gestão urbana em São Bernardo do Campo pode seguir um caminho semelhante. Ao entender o histórico da cidade e analisar os depoimentos da população, é possível envolver os cidadãos em processos participativos, por meio de consultas públicas, audiências, grupos de trabalho e espaços de diálogo. Essa abordagem permite que os moradores se sintam parte ativa da construção e transformação da cidade, garantindo que as necessidades e aspirações da comunidade sejam atendidas, valorizando a identidade histórica e cultural do município. Por fim, vemos que as vivências e experiências estão relacionadas aos espaços urbanos e às edificações presentes no cotidiano, que interferem diretamente na memória, modelam as identidades dos indivíduos e grupos sociais, de modo que o ato de narrar tais memórias possibilita reinterpretar os espaços urbanos e a arquitetura das cidades. Portanto, ao considerar a memória social na gestão urbana de São Bernardo do Campo, temos a oportunidade de compreender profundamente as necessidades, desejos e expectativas da população local. Através do resgate da identidade histórica, da participação ativa dos cidadãos e do combate às desigualdades, é possível promover uma gestão urbana mais inclusiva, responsiva e voltada para o bem-estar da comunidade. Ao valorizar a memória social, a cidade de São Bernardo do Campo poderá se desenvolver de forma mais sustentável, atendendo às demandas da população e construindo um futuro que respeite e preserve sua rica história.