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A terceira e última etapa regular da Médis Copa Ibérica de 2011 joga-se dentro de duas semanas no Vilamouraténis e será preponderante na definição do elenco de elite que irá discutir o Masters em dezembro.

ARQUIVO JT

Uma radiografia aos problemas atuais do ténis nacional, numa altura em que a Federação Portuguesa de Ténis se viu forçada a adiar a realização do Campeonato Nacional Absoluto – mesmo que não distribuísse quaisquer prizemoney...

MédisCopaIbérica agitaVilamouraténis

ReidosChallengers colocaPortugal pelaprimeiravez notop60mundial PRÓXIMA EDIÇÃO 18 denovembro

MIGUEL BARREIRA

Este número do Jornal do Ténis/Record faz parte integrante do n.º 11.872 de 14 de outubro de 2011 e não pode ser vendido separadamente

RUI PAULO OLIVEIRA

Nacionaladiadoeas váriasrazõesdacrise

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02 x

SEXTA-FEIRA 14 DE OUTUBRO DE 2011

TENDÊNCIAS

Match-point

ÁS

JOÃO LAGOS

RUI MACHADO - é um dos maiores exemplos de sempre do ténis português, potenciando as suas características e chegando ao top 60 após lesões gravíssimas na sua carreira GASTÃO ELIAS - mais vale tarde do que nunca, sendo que no caso dele (20 anos) ainda vai muito a tempo: vai integrar o top 200 mundial pela primeira vez no próximo ranking SEGUNDO SERVIÇO CLUBES - os clubes têm assegurado os principais campeonatos nacionais; é o caso do Carcavelos Ténis nos cadetes e juvenis e Mesão Frio recebe o Absoluto CARLOS SANCHES - não aparece nos écrãs como Carlos Ramos ou Mariana Alves, mas é o mais destacado oficial do ténis português: será supervisor no Masters ATP

Podemosfazermelhor M

uitos portugueses sentirão que o facto de Portugal ter dois jogadores no top 100, apesar de constituir feito inédito, saberá a pouco. No entanto, há que saber reconhecer que semelhante situação até ultrapassará as melhores estimativas estatísticas, se tivermos em linha de conta que a base de matéria prima em que se trabalha, já de si limitada, nem sequer assenta em nenhum estudo prévio das potencialidades e aptidões inatas desses mesmos jovens. Em boa verdade, seria interessante introduzir no sistema de ensino nacional um teste obrigatório sobre as aptidões inatas de cada jovem para a atividade desportiva, criando-se assim uma base de dados e de informação individual de valor incalculável. De facto, se na via escolar são cada vez mais os jovens que recorrem a testes psicotécnicos que os ajudem a fazer as suas opções escolares tendo em vista uma futura via profissional, porque não fazer o mesmo para as potencialidades físicas? Não será igualmente importante conhecermos em tempo oportuno as potencialidades desportivas dos nossos filhos, para os podermos (ou

LIVRE ARBÍTRIO

MIGUEL SEABRA

não) encaminhar para uma prática desportiva mais séria? Quantos jovens não desperdiçarão tempo em demasia na prática intensiva de uma qualquer modalidade, quando não dispõem de aptidões físicas para ir mais além da mediania? E quantos grandes atletas se perderão, em detrimento de carreiras profissionais frustrantes, só porque nunca tiveram conhecimento do seu potencial? Ora, não tendo qualquer possibilidade de alguma vez virmos a beneficiar dos orçamentos milionários de que alguns países beneficiam, designadamente (e não só) os anfitriões dos quatro torneios do Grand Slam que reinvestem milhões dos seus lucros em prol da modalidade, temos de ser criativos no encontrar de soluções que nos ajudem a identificar os nossos talentos, para neles podermos investir e melhor rentabilizar os parcos recursos de que dispomos. Rui Machado e Frederico Gil acabam assim por ser quase como um lance de sorte, um acumular de coincidências (orientação dos pais, capacidade financeira familiar para suportar uma aposta profissional, aptidão natural e capacidade de sacrifício dos próprios, etc.), iguais a mi-

Olé. A escolha da sede da final da Taça Davis entre a Espanha e a Argentina não poderia ter sido melhor para… os portugueses. A opção por Sevilha coloca uma aliciante cimeira ao alcance de uma viagem de automóvel e deve ser aproveitada pelos adeptos nacionais – sobretudo os que desperdiçaram esse ensejo em 2004, também na capital da Andaluzia, quan-

lhares de outros casos e tentativas que saíram frustradas, num esforço inglório para os jovens em causa e seus familiares. É que existem tantos fatores imponderáveis (ex: lesões) que podem sentenciar prematuramente o futuro de um atleta. De facto, enquanto por exemplo Gastão Elias sofre os efeitos de lesões que o têm impedido de confirmar o seu potencial, o Rui bem pode agradecer aos deuses e ao enquadramento técnico e terapêutico que connosco beneficiou quando trocou Barcelona por Portugal, que lhe evitaram uma intervenção cirúrgica que poderia ter comprometido a sua carreira. Temos insistido em afirmar que os tenistas nacionais já beneficiam em Portugal de ótimas condições de treino para uma aposta profissional. Nem todos os nossos atletas assim o entendem e muitos deles continuam emigrados por esse mundo fora, mas a verdade é que os dois exemplos referenciais do ténis português – Machado e Gil – têm assente a sua orientação técnica a partir de solo e profissionais lusos… sem esquecer que conseguiram ir mais longe do que nunca num evento ATP precisamente em território nacional, no Estoril Open. n

do a Armada destruiu os EUA com a colaboração de um rapazola chamado Rafael Nadal. Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente e vibrou com a “fiesta” montada no topo norte do Estádio Olímpico através de uma infraestrutura provisória avaliada em um milhão de euros; o investimento permitiu uma lotação diária à volta de 26.000 aficionados.

«Uma demonstração ao vivo da vocação imperial espanhola», disse-me então o Professor, que estabeleceu uma comparação entre a garra espanhola e o fado lusitano: “Somos como o dia e a noite. Eles são otimistas, voluntariosos e determinados; nós somos pessimistas, resignados e rezingões.” Em tempo de crise, um parecer que dá que pensar…

VERDASCO - a presença na final do Estoril Open foi dos poucos resultados interessantes que o madrileno que tem tantos adetos em Portugal se pode gabar na época em curso

HÁ30ANOS O Jornal do Ténis de há 30 anos mantinha-se na senda de associar artigos do circuito profissional e nacional a peças de instrução técnica e material especializado. O foco da edição de Outubro de 1981 centra-se no período pós US Open e a passagem dos circuitos ATP e WTA para os recintos cobertos; o desaparecimento de Bjorn Borg após a sua derrota na final do Open dos Estados Unidos começa a suscitar perplexidade e perspetiva-se a final da Taça Davis entre os EUA de John McEnroe e a Argentina de Guillermo Vilas e Jose Luis Clerc.

TÉNISNAREDE facebook.com/jornaldotenis twitter.com/jornaldotenis ARQUIVO DIGITAL: lagossports.com » ténis » Jornal do Ténis

TÉNISNATV 6/08

18h30

ATÉ 16 DE OUTUBRO: WTA DE LINZ, ÁUSTRIA DE 17 A 23 DE OUTUBRO: WTA DE MOSCOVO, RÚSSIA (KREMLIN CUP) DE 25 A 30 DE OUTUBRO: WTA CHAMPIONSHIPS, TURQUIA ATÉ 16 DE OUTUBRO: ATP MASTERS 1.000 DE XANGAI DE 17 A 23 DE OUTUBRO: ATP 250 DE ESTOCOLMO E MOSCOVO DE 24 A 30 DE OUTUBRO: ATP 250 DE VIENA E S. PETERSBURGO DE 31 OUTUBRO A 6 NOVEMBRO: ATP 500 DE BASILEIA E VIENA DE 7 A 13 DE NOVEMBRO: ATP MASTERS 1.000 DE PARIS-BERCY

REUTERS

MIGUEL BARREIRA

DUPLA FALTA CRAQUES - lideraram críticas ao calendário, mas são os primeiros a receber chorudos cachês para jogarem mais semanas: Nadal embolsa 1 milhão para jogar Halle em 2012

MASTERS 1000 SHANGHAI. na Sport TV NOTA: a programação é fornecida pelos respectivos canais, pelo que quaisquer alterações de última hora são da inteira responsabilidade dos emissores. Mais informações em http://tv.eurosport.pt e www.sporttv.pt

Director: João Lagos. Editores Record: Miguel Seabra e Norberto Santos. Redacção: Manuel Perez, Pedro Carvalho e Carlos Figueiredo (Jornal do Ténis). Fotografia: Paulo César (editor Record), Arquivo Record e Arquivo Jornal do Ténis. Departamento Gráfico Record: Eduardo de Sousa (director de arte), João Henrique, José Fonseca e Pedro Almeida (editores gráficos), Cristiano Aguilar (editor Infografia) e Nuno Ferreira (coordenador digitalização). Redacção e Publicidade: Rua da Barruncheira, 6, 2790-034 Carnaxide Telefone: +351 21 303 49 00. Fax: +351 21 303 49 30. E-mail: jornaldotenis@lagossports.com


Ténis Nacionale a Crise x 03

SEXTA-FEIRA 14 DE OUTUBRO DE 2011

COMOARECESSÃOAFECTAOAPARECIMENTODEJOVENSTALENTOSECONDICIONAOFUTURO

Nolimiardodéfice NORBERTO SANTOS

n No atual contexto de crise financeira em que mergulha a Federação Portuguesa de Ténis começa a ser verdadeiramente preocupante a falta de perspetiva de uma situação risonha, a curto prazo, para os jovens talentos seguirem as mesmas pisadas de jogadores – todos eles com menos de 24 anos, – e que já estão bem identificados com o circuito profissional. Ao cabo e ao resto, na mente de João Sousa, Gastão Elias e Pedro Sousa não está outro pensamento que não seja um dia mais tarde ingressarem no top 100 mundial e até melhorarem os rankings de Rui Machado e Frederico Gil. É a ordem natural das coisas e se aquele triunvirato já conseguiu de alguma forma exprimir o seu potencial, seria também normal que daqui a algum tempo

Subsistemmeiadúzia detorneioscom prémios.Estaéadura etristerealidade

quando se chega ao ponto de adiar o Campeonato Nacional Absoluto por razões técnicas e financeiras. Em pouco palavras: não há dinheiro para uma prova… mesmo que não tenha prize-money! Trata-se de uma matéria demasiado séria e que já deveria ter merecido a reflexão de muitos agentes, muito antes até de o assunto ser eventualmente abordado numa assembleia geral. O problema não radica nesta direção presidida por José Corrêa Sampaio – nem na anterior. Nasceu há mais de uma década, quando as associações regionais pretenderam receber uma maior percentagem para as suas atividades. Em vez dos 50 por cento, fizeram finca-pé nos 60 por cento e levaram a que um presidente pedisse a demissão. Depois houve uma Comissão de Gestão de triste memória (a sugerir que numa deslocação da Taça Davis fossem apenas três jogadores sem médico ou fisioterapeuta, provocando a demissão do então selecionador nacional) e o passivo a aumentar ao ponto de numa altura ter sido afirmado publicamente que o défice era de 60 mil contos. Por muita boa vontade que a Federação tenha em ajudar as associações não é possível conferir alguma estabilidade a uma direção. E, ao fim deste tempo, as associações estão melhores financeiramente? O que conseguiram fazer para orgulho dos seus clubes e atletas nas suas re-

NACIONAIS. Dos três Campeonatos Nacionais agendados em semanas consecutivas, jogaram-se os de cadetes e juniores. Não houve verba para o Absoluto

ESTREIAEM...MESÃOFRIO!

Nacionalserá emnovembro n O Campeonato Nacional reali-

za-se entre 28 de novembro e 3 de dezembro num novo clube construído em Mesão Frio, na área de Guimarães. De 24 a 27 de novembro tem lugar no mesmo local o Nacional de Clubes.

deração. A questão de imagem é importante. Critérios de competência, apoios aos melhores e enriquecer o quadro competitivo e tornar as coisas mais práticas, objetivas e simples.

SENHORAS. Um ano após a “reforma” de Neuza Silva, Magali de Lattre também abdica e deixa a Seleção Nacional mais empobrecida giões? Para mais, nos últimos anos assistimos ao desaparecimento do Circuito TMN, depois do Circuito CIMA e, por fim, ao School Events. Subsistem meia dúzia de torneios de prize-money. Dura e triste realidade!

Solução. Tentando ultrapassar essa questão de fundo, eis a que se chega a um momento particularmente

DTNprecisa-se. Tal como já tinha de-

VITOR CHI

Adiamento. A situação complica-se

– Aproveitar ao máximo o efeito do Estoril Open como potenciador da modalidade – Criação de um circuito nacional juvenil a culminar num Masters e perspetivar a transferência para os seniores – Cada associação regional deve ter um ponto alto na temporada nos escalões jovens e seniores – Organizar ações paralelas (temáticas) a par dos Campeonatos Nacionais – Concentrações regulares/estágios para os 8 melhores jogadores nacionais (grupo de elite) – Reavaliar o quadro de presenças internacionais das Seleções Nacionais em face da relação investimentoresultados – Sensibilizar clubes e associações para a realização de torneios sem prize-money, de forma a cativar mais adeptos e federados – Aproveitar as condições de infraestruturas no Estádio Nacional para criar um polo de enquadramento técnico a quem queira dar os primeiros passos na modalidade – A área do fomento deve ser articulada com os clubes e associações de forma a ter outra visibilidade para suscitar a adesão de jovens praticantes – Entrada de um diretortécnico nacional

SITUAÇÃO

RUI PAULO OLIVEIRA

houvesse uma outra geração que quisesse ser até mais audaz nesses mesmos objetivos. A evolução de qualquer modalidade pauta-se por princípios muito básicos e se não houver um bom quadro competitivo e renovação de valores o progresso está longe de ser alcançado.

PROPOSTAS

delicado. A Federação quer manter a mesma filosofia de há anos e se quiser introduzir algo de novo não tem dinheiro. Com os cortes de 15 por cento do IDP, torna-se ainda mais complicado manter o mesmo quadro de apoios e enquadramento técnico. A ordem é para cortar. Qual é então a solução? Primeiro que tudo credibilizar a Fe-

fendido há um ano é imprescindível haver um diretor-técnico nacional a tempo inteiro. É incompreensível que uma Federação que tem um CAR, capitães para todas as Seleções Nacionais, selecionadores regionais e quase duas dezenas de associações regionais não tenha um diretor-técnico nacional que dê suporte e coordene toda a atividade nacional. De que vale a pena lançar projetos se não há depois um diretor técnico nacional? Os objetivos não são todos iguais e a diferença faz-se ao apostar em projetos credíveis e que possam rapidamente inverter a tendência do défice do nosso ténis. n

– Saber aproveitar nos próximos tempos a mediatização da presença no top 100 mundial de Rui Machado (27 anos) e Frederico Gil (26 anos) – Apesar de tudo, Portugal é dos poucos países de nível médio europeu com duas figuras de topo. Depois de Nuno Marques e Cunha e Silva, surgiram Emanuel Couto e Bernardo Mota e mais recentemente e em simultâneo Rui Machado e Frederico Gil – Esta situação poderá ajudar a explicar o aparecimento cada vez mais firme e sustentado de outras fornadas (João Sousa, Gastão Elias e Pedro Sousa), o que não tem acontecido nos femininos na mesma proporção – Num desarticulado e pouco expressivo ténis feminino é importante abrir portas para outra jogadora portuguesa visualizar a entrada no top 100, depois de Michelle Brito – Os Campeonatos Nacionais, as provas de maior visibilidade da Federação Portuguesa de Ténis, devem ser um modelo de referência do organismo que dirige o ténis em Portugal e, como tal, devem estar bem enquadrados no calendário. A própria FPT e as associações devem ter uma envolvência mais ativa e dinâmica ao longo de toda a semana dos Nacionais


04 x Portugueses no ranking

SEXT 14 DE

RUI MACHADOELEVAAFASQUIANACIONALNACLASSIFICAÇÃOMUNDIALEÉNÚMEROUM DOCIRCUITOCHALLENGER

Maisumabarreira quefoiquebrada MIGUEL SEABRA n Numa dialética muito semelhante

à verificada entre João Cunha e Silva e Nuno Marques há cerca de duas décadas, Rui Machado e Frederico Gil têm beneficiado da concorrência direta para estabelecerem novos marcos para o ténis português – e depois de o sintrense ter chegado ao 62.º lugar na primavera foi a vez de o algarvio atingir a 59.ª posição no outono. Aos 27 anos, Rui Machado é também o mais “velho” tenista nacional a conseguir a respetiva melhor classificação na hierarquia mundial, pertencendo o recorde de precocidade a Michelle Brito: aos 16 anos foi 76ª. O caso de Rui Machado é peculiar porque premeia a perseverança de um tenista que passou por três graves problemas físicos (um acidente de moto na

2011. Novo máximo português no ranking, quatro títulos e qualificação para o Masters do circuito Challenger: Rui Machado está em grande

Proezas. Rui Machado está prestes Frederico Gil, que apresenta melhoa partir para a América do Sul, onde defende uma importante maquia pontual (a que, há um ano e então sob a batuta de Bernardo Mota, lhe permitiu integrar pela primeira vez o top 100) antes de competir no elitista ATP Challenger Finals. O próximo passo é estabilizarse nos torneios ATP e a sua classificação permitir-lhe-á aceder aos quadros principais de alguns dos melhores eventos do início de 2012, incluindo o Open da Austrália. Depois de somar sete títulos Future em 12 finais, acumulou já oito troféus Challenger em nove finais mas o seu melhor resultado num torneio ATP é a presença nos quartos-de-final do Estoril Open de 2010 – sendo então derrotado por

res índices na Taça Davis e no escalão ATP com uma final (Estoril Open 2010), duas meias-finais (2009) e quartos-de-final num Masters 1000 (Monte-Carlo 2011). Já nos torneios do Grand Slam, Machado venceu dois de seis encontros enquanto Gil ganhou apenas um em 14. Nuno Marques previu, no Estoril Open de 2006, que a então nova geração do ténis português seria melhor do que a dele – e acertou. Na mais recente leva, João Sousa já passou pelo top 200 este ano e Gastão Elias tem a garantia de o imitar na próxima semana, enquanto Pedro Sousa promete melhorar. Pena é que a fulgurante ascensão de Michelle Brito não tenha tido consequência (ainda)... n

RECORDESLUSOSNORANKING OS PICOS DOS MELHORES TENISTAS PORTUGUESES DAS ÚLTIMAS DÉCADAS NAS HIERARQUIAS MUNDIAIS »»» RANKING MASCULINO (ATP):

59.º Rui Machado, a 5 de Outubro 2011 (27 anos)* 62.º Frederico Gil, a 25 de Abril de 2011 (26 anos)* 86.º Nuno Marques, a 25 de Setembro 1995 (25 anos) 108.º João Cunha e Silva, a 15 de Abril 1991 (23 anos) 174.º Emanuel Couto, a 26 de Fevereiro 1996 (22 anos) 186.º Leonardo Tavares, a 16 de Agosto 2010 (26 anos)* 190.º João Sousa, a 6 de Junho 2011 (22 anos)* 194.º Bernardo Mota, a 31 de Março 1997 (25 anos) 214.º Gastão Elias, a 10 de Outubro 2011 (20 anos)* »»» RANKING FEMININO (WTA):

76.ª Michelle Larcherde Brito, a 6 de Julho 2009 (16 anos)* 133.ª Neuza Silva, a 6 de Julho 2009 (25 anos) 142.ª Frederica Piedade, a 15 de Maio 2006 (23 anos) 152.ª Sofia Prazeres, a 9 de Junho 1997 (22 anos) 227.ªMaria João Koehler, a 12 de Setembro 2011 (19 anos)* 334.ª Magali de Lattre, a 20 de Junho 2011 (24 anos)

LUSA

juventude, uma lesão no joelho e uma lesão no pulso) que lhe terão custado quase dois anos de carreira; os quatro títulos Challenger conseguidos em 2011 colocam-no mesmo na liderança de uma classificação mundial alternativa referente a esse escalão (tem 511 pontos em 14 torneios, à frente do francês Éric Prodon com 481 em 22), qualificando-o antecipadamente para um Masters que este ano, em São Paulo e de 14 a 20 de Novembro, acolhe pela primeira vez os oito melhores do circuito Challenger.

EPA

Oalgarviovaipoder jogaroquadro principaldoOpen daAustrália


Portugueses no ranking x 05

TA-FEIRA E OUTUBRO DE 2011

n Um jovem jogador e um jovem treinador sempre em viagem têm opinião abalizada sobre as mulheres mais bonitas do planeta. “Quando fui pela primeira vez à Polónia nem queria acreditar”, desabafou André Lopes. Rui Machado elegeu as croatas de Umag: “Não admira, eles fazem um casting para contratar as hospedeiras do torneio!” n

QUEBRADORECORDE

«Ummarcoeum grandeorgulho» n O inédito acesso ao top 60 suscita emoções mistas a Rui Machado: “É um marco que fica para a minha carreira, porque afinal pensamos no ranking o ano inteiro e o ranking não mente porque os pontos não se compram no supermercado – constituem a análise mais justa do nosso valor e na contabilização dos 18 melhores resultados não há lugar para a sorte, habituamo-nos a ter o ranking como objetivo e como regulador. Por isso ser o português que atingiu a melhor classificação enche-me de orgulho, apesar de não querer ser somente o melhor do meu país; na minha geração fui eu quem comecei a quebrar barreiras, indo para Espanha, ganhando os primeiros pontos ATP e vencendo o primeiro Future até me lesionar. Depois o Frederico conseguiu outros marcos importantes e agora tenho este melhor registo. Mas posso subir ainda mais.” n

NAVÉSPERADACONSUMAÇÃO

Umalonganoite emsuspenso... n O destino quis que Rui Macha-

do tivesse de penar duplamente para concretizar o melhor ranking de sempre de um português na sequência do título em Sczecin, o mais recente e cotado dos quatro Challengers que já ganhou em 2011. “Não se notou tanto nervosismo antes da final, mas o facto de ter sido suspensa até ao dia seguinte tornou tudo mais complicado de gerir”, revela André Lopes. “O Rui tinha recuperado no marcador, adquirido vantagem e ficado tão perto da vitória até que houve a tal interrupção aos 4-1 no terceiro set para voltar no dia seguinte em circunstâncias que se poderiam revelar completamente diferentes. Foi uma espera complicada de gerir e ainda bem que tudo correu bem, mas houve uma ressaca física e emocional que teve proporções maiores pelo estabelecimento de um recorde que significava mais do que um marco pessoal e tornou-se muito difícil ter de jogar um dia depois em Bucareste...” n

celona e regressar a Portugal em 2007, Rui Machado teve diversos enquadramentos técnicos. Primeiro no Lagos Team durante uma complicada fase de lesões, depois no núcleo de João Cunha e Silva, seguidamente com Bernardo Mota no acesso ao top 100 em finais de 2010 e atualmente com André Lopes para um novo recorde. Com uma ressalva: “Nunca irei despedir um treinador se acreditar na maneira como estou a trabalhar e não são os resultados que me irão influenciar: os resultados são uma consequência”, refere o algarvio. “Escolhi o André porque tínhamos pontos em comum, já que ele também viveu e treinou em Espanha, porque tinha disponibilidade total para viajar com capacidade de gestão ao longo da época e abertura mental para poder crescer comigo. E confirmou-se que foi uma boa escolha; num circuito profissional como o ténis, com 25 a 30 semanas de viagem, torna-se tudo muito mais difícil se não existir cumplicidade com o treinador”.

ANDRÉLOPESANALISAASBASESDOTRABALHOFEITOCOM OSEU PUPILO

Fraternidade etranquilidade PARCERIA. Ao cabo de oito meses, o saldo é muito positivo

Sortudo. Aos 33 anos, o leiriense André Lopes deixou para trás um currículo de jogador esquerdino abrilhanta-

Opreparadorfísico PauloFigueiredo éooutroelemento daequipatécnica do com títulos nacionais de infantis, cadetes e juniores – embora nunca fosse mais longe do que um 888.º lugar na hierarquia ATP, alcançado em Março de 1998. “O Rui nem se lembrava de termos jogado um contra o outro nos Açores, mas recordo-me porque ‘levei na pá’. Sempre foi um atleta que admirei; ele queria um trabalho mais personalizado, alguém que o compreendesse e estivesse do lado dele – considerome um sortudo pela oportunidade de trabalhar com alguém com as suas características. Parti para o desafio sabendo que não tinha de inventar muito, porque ele teve uma formação muito boa em Espanha e fez um bom trabalho com os últimos técnicos”.

ARQUIVO/JT

Asmaisbelas sãoaseslavas

n Desde que decidiu abandonar Bar-

Apoiado pelo preparador físico Paulo Figueiredo, acrescenta: “Quando começámos havia três aspetos onde eu acreditava poder fazer diferença: dar uma base mais sólida à esquerda e esquematizar o que poderia fazer com

ela, criando hábitos de mudança de trajetória e maior utilização da esquerda paralela; maior eficácia na movimentação para que chegasse melhor apoiado à execução e recuperasse depois mais rapidamente de modo a per-

manecer mais dentro da jogada e a manter a intensidade que ele traz para o jogo, porque tinha altos e baixos; e trabalhar a concentração de modo a prolongar os momentos bons e a diminuir os menos bons, poupando-o”. n

OAPERFEIÇOAMENTODEUM ESTILOEONAIPEDESPONSORS

Maisequilibradonas pancadasdefundo n “Quando abordei o André não que-

MELHORIA. Esquerda paralela está mais afinada e cria mais desequilíbrio na jogada

VITOR CHI

UMPISCARDEOLHOALESTE

ria sair muito da linha em que tinha vindo a trabalhar porque acreditava que ainda podia evoluir muito nessa linha e continuo a achar que ainda tenho margem”, refere Rui Machado relativamente ao seu estilo dinâmico de comandar o jogo no fundo do campo com a sua poderosa pancada de direita. “E o que temos feito é potenciar o que tenho de melhor e aperfeiçoar as pancadas menos boas, especialmente a esquerda a duas mãos e sobretudo a esquerda paralela – no geral, evoluí muito na esquerda e já não existe uma diferença tão significativa relativamente à direita”; o algarvio acrescenta que “a direita cruzada é a minha melhor pancada pela facilidade em abrir o ângulo e em criar problemas aos adver-

sários. No serviço também melhorei em termos percentuais”. O encontro com Roger Federer para a Taça Davis, conquistando o primeiro set e granjeando muitos pontos de break, despoletou algo: “Foi o desafio mais importante da minha carreira – estava a defrontar o melhor de todos os tempos. Tudo o que envolveu aquele encontro deu-me confiança e fez-me acreditar ainda mais”. E destacou também a vitória sobre Albert Montañes nas meias-finais de Sczecin.

Sponsors. Apoiado pela TMN, transportado pela Air Berlin e equipado pela Yonex, não teve bónus pelo recorde luso no ranking – mas passa a ter argumentos para uma renegociação em alta... n


06 x Médis Copa Ibérica

SEXTA-FEIRA 14 DE OUTUBRO DE 2011

VILAMOURARECEBEADERRADEIRAETAPAREGULARDE2011 ANTESDAREALIZAÇÃODOMASTERS FERNANDO CORREIA

Seleccionarmestres

RANKINGMÉDISCOPAIBÉRICA

MIGUEL SEABRA

MASCULINOS MAIORES DE 35 ANOS

n É já um hábito há décadas – a épo-

Rivalidades. Com as inscrições ainda em aberto, a organização, a cargo da João Lagos Sports, prome-

1.º Tiago Vasques (Portugal), 80 pontos 2.º André Mota (Portugal), 60 pontos 3.º Tiago Dores (Portugal), 45 pontos 4.º José Pereira Lopes (Portugal), 35 pontos MAIORES DE 40 ANOS

FOTOS FERNANDO CORREIA

ca regular da Médis Copa Ibérica conclui-se em grande pompa no sul de Portugal com a realização da última das três etapas tradicionais. Depois do lisboeta CIF e da Ciudad de la Raqueta madrilena, dá-se a transição da terra batida para os hardcourts algarvios do Vilamouraténis e espera-se a participação de mais de duas centenas de tenistas nos múltiplos escalões em compita, tanto em singulares como também em pares homens e pares mistos. Em jogo não estarão apenas troféus, para além de preciosos pontos para o ranking mundial de veteranos da ITF: estão em aberto quatro lugares em cada escalão no Masters Médis Copa Ibérica que se realiza no início de Dezembro. Alguns nomes já sobressaem no lote dos inscritos – a começar pelo de André Mota, antigo número um do ranking da Federação Portuguesa de Ténis e claro vencedor do escalão de menos de 35 anos no CIF; terá como concorrente, entre outros, o conhecido humorista Tiago Dores, que depois de várias incursões nos pares optou por se estrear em singulares na etapa de Madrid para mostrar toda a sua qualidade de jogo. Outro nome de créditos firmados no panorama tenístico nacional é o de Vasco Graça, que enquanto juvenil foi dos melhores da sua geração e que tem estado sempre em destaque na Médis Copa Ibérica, ao lutar pelos troféus de 40 anos: em 2011 foi finalista no CIF e venceu em Madrid.

1.º Vasco Graça (Portugal), 105 pontos 2.º Fernando Granero Alameda (Espanha), 60 pontos 3.º Juan Lopes Carne (Espanha), 45 pontos 4.º Rui Carneiro (Portugal), 35 pontos 4.º Angel Prado Rivero (Espanha), 35 pontos 4.º Daniel Almeida (Portugal), 35 pontos 4.º Gustavo Barreto (Portugal), 35 pontos MAIORES DE 45 ANOS

1.º Eric Mampaey (Bélgica), 120 pontos 2..º Jose Luis Villuendas-Ortiz (Espanha), 80 pontos 3.º JavierLinares Corral (Espanha), 45 pontos 4.º Miguel Angel Rascon (Espanha), 35 pontos 4.º Fernando Pablo Benavides (Espanha), 35 pontos 4.º Francisco Batista (Portugal), 35 pontos MAIORES DE 50 ANOS

MARATONISTAS. André Mota e Vasco Graça serão vedetas lusas num evento em que a participação maciça força a realização de encontros pela noite fora!

Osduelosibéricos deverãomarcarum torneiojogadopor maisde200tenistas te mais um festival de ténis – e alguns nomes auguram excelentes duelos nos escalões mais avançados, apimentados por rivalidades pessoais ou ibéricas. João Lagos vai acompanhar o evento e competir diante do rival portuense Nuno Allegro e do italiano Giuseppe Losego, que ganhou as duas anteriores provas de 2011 nos 65 anos.

António Trindade, o português que passa por ser o mais laureado jogador na história da competição, terá a oportunidade de vingar, na sua superfície preferida (os hardcourts), os êxitos que o espanhol Félix Candela vem registando nos últimos tempos no escalão de 70 anos – parecem ambos destinados a digladiarem-se para sempre!

Ilustres. Entre as restantes vedetas estrangeiras com títulos averbados em 2011, e para além dos papões espanhóis Buenaventura Velásquez e Juan Arcones-Pastor, salienta-se a participação do excelente belga Eric

Mampaey. Os principais nomes estão já garantidos no Masters de Dezembro; uma vitória numa etapa vale 60 pontos e uma final 45, pelo que dois bons resultados em duas etapas valem o acesso à elitista competição de final de ano. Esperam-se grandes maratonas com entrada pela noite dentro, atendendo à maciça participação – e consequente programa carregado – que habitualmente se verifica na etapa algarvia. A par do torneio propriamente dito não faltarão os focos de interesse fora de campo, com o tradicional jantar de confraternização da família ibérica. n

LUÍSAGOUVEIAÉAESPERANÇAFACEÀSIRMÃSESPANHOLAS

Concorrênciadupla

EXCELÊNCIA. Letícia Almirall Garbayo já arrecadou dois títulos este ano

n Para além de outras atrações na cimeira de Vilamoura, um dos grandes destaques na vertente feminina vai para a campeoníssima portuguesa Luísa Gouveia no escalão dos 40 anos – sobretudo na perspetiva de a ver defrontar as irmãs Letícia e Cristina Almirall Garbayo. A popular “Nini” foi semifinalista no CIF e, após ter estado ausente em Madrid, regressa à Médis Copa Ibérica em solo luso para defender as cores nacionais naquele que será o mais competitivo escalão de senhoras, sendo que as

manas espanholas contribuem sobremaneira para o elevar dessa qualidade técnica. Jogaram duas finais este ano, com Letícia a impor-se em ambas as ocasiões nos respetivos duelos fratricidas e a liderar confortavelmente o Ranking Médis Copa Ibérica. No escalão dos 50 anos há uma interessante corrida e também animado despique entre a americana Verónica Lima de Angelis., Isabel Cunha de Eça e Marília Madeira Pinto. Também impossível de prever será a candidatura ao troféu dos 60 anos. n

1.º Ramon Canosa Sendra (Espanha), 95 pontos 2.º JavierJuanco-Martí(Espanha), 60 pontos 3.º Manuel Bofill (Espanha), 45 pontos 3.º Thorsten Kolbe (Alemanha), 45 pontos MAIORES DE 55 ANOS

1.º Juan Arcones-Pastor(Espanha), 120 pontos 2.º Jorge Haenelt(Espanha), 65 pontos 3.º José Bóia (Portugal), 45 pontos 4.º Rogério Matias (Portugal), 40 pontos MAIORES DE 60 ANOS

1.º Buenaventura Velazquez (Espanha), 105 pontos 2.º Frankvan Lerven (Holanda), 80 pontos 3.º Pedro Ocaña-Zapatero (Espanha), 60 pontos 4.º Vicente Pavón (Espanha), 40 pontos MAIORES DE 65 ANOS

1.º Giuseppe Losego (Itália), 120 pontos 2.º Nuno Allegro (Portugal), 65 pontos 3.º Paul Abrahamse (Holanda), 55 pontos 3.º Mário Videira (Portugal), 55 pontos MAIORES DE 70 ANOS

1.º FelixCandella (Espanha), 120 pontos 2.º António Trindade (Portugal), 80 pontos 3.º Manfred Hagl (Alemanha), 70 pontos 4.º JanekStankiewicz (Polónia), 45 pontos FEMININOS MAIORES DE 35 ANOS

1.ª Paula Falcão (Portugal), 60 pontos 2.ª Sandra Valente (Portugal), 45 pontos 3.ª Iwona Domanska (Polónia), 35 pontos 4.ª Marta Coelho (Portugal), 20 pontos MAIORES DE 40 ANOS

1.ª Leticia Almirall Garbayo (Espanha), 120 pontos 2.ª Cristina Almirall Garbayo (Espanha), 90 pontos 3.ª Luísa Gouveia (Portugal), 35 pontos 3.ª EditGronoset(Itália), 35 pontos 3.ª Rosario Barea de Lara (ERspanha), 35 pontos MAIORES DE 50 ANOS

1.ª Veronica Lima De Angelis (EUA), 105 pontos 1.ª Isabel Cunha d’Eça (Portugal), 80 pontos 3.ª Marília Madeira Pinto (Portugal), 70 pontos 4.ª Carmen Lang Verdugo (Espanha), 60 pontos MAIORES DE 60 ANOS

1.ª Vicky Mikolajczak(Bélgica), 60 pontos 2.ª Brigitte Bocken Jacob (Bélgica), 45 pontos 3.ª Carmen Alvarez Leal (Espanha), 35 pontos 3.ªMaria teresa Morillo Solano (Espanha), 35 pontos NOTA: Distribuição dos pontos – vencedor(a): 60 pontos; finalista: 45 pontos; semifinalista: 35 pontos; quartos-de-final: 20 pontos. PUBLICIDADE


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Jornal do Ténis 14 Outubro 2011  

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