Meu Nordeste, Meu Sertão!

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MEU PAIS NORDESTE!

AQUI NÃO

Eu falo maínha, paínho, títio. Eu ando de chinela, tempero o Brasil. Meu T não é mudo e só falo o que deve, eu ja não tenho mais medo mundo eu tenho uma raiz que me rege. Eu sou da paz, lhe recebo la em casa mas se eu fica brabo ai a minha vista logo embaça, porque eu sou parente de Lampião e não aceito conversa torta. Um povo arrochado não tem quem aguente. O fraco da gente é só cuscuz e farofa.

Sempre vai ter quem se deixa levar pelas as arisias e ilusões dos salvadores dessa patria dos barões.

Deixe ta!

Ser capitão do mato, é uma saida dos covardes.

Eles só esquecem que igualdade é unica e verdadeira verdade. A gente não volta mais pra senzala, nem pra cozinha,nem pro armário e eu berro bem alto que pra você me ouvi: FACISTA, SANGUE RUIM,CABRA

PEIA SE SAIA PEGA O BECO DAQUI.

Eu do nó em pigo d’água,eu belisco o azuleijo,eu tiro leite de pedra e pra fome e seca eu não deito.

Meu coração emocionado que só me obriga a dizer,num tem nada nesse mundo que eu não possa fazer.

DE

Eu não quero ser rico e eu lhe digo novamente:

Eu quero beber, eu quero comer, eu quero ter casa pra morar e paz pra minha gente. Meu povo é forte e meu sotaque é lindo. Não mexa comigo, que eu sou NORDESTINO!

Diego Marcel, Filipe Toca, Mídia Ninja e Gabiel Gianni.

CORDÉIS

O

poeta

da roça - Patativa do Assaré

Sou fio das mata, cantô da mão grosa Trabaio na roça, de inverno e de estio A minha chupana é tapada de barro Só fumo cigarro de paia de mio

Sou poeta das brenha, não faço o papé De argum menestrê, ou errante cantô Que veve vagando, com sua viola Cantando, pachola, à percura de amô Não tenho sabença, pois nunca estudei Apenas eu seio o meu nome assiná Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre E o fio do pobre não pode estudá Meu verso rastero, singelo e sem graça Não entra na praça, no rico salão Meu verso só entra no campo da roça e dos eito E às vezes, recordando feliz mocidade Canto uma sodade que mora em meu peito.

Ai se sesse - Zé da Luz

Se um dia nós se gostasse

Se um dia nós se queresse

Se nos dois se empareasse

Se juntin nós dois vivesse

Se juntin nós dois morasse

Se juntin nós dois durmisse

Se juntin nós dois morresse

Se pro céu nos assubisse

Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse

A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice

E se eu me arriminasse E tu com eu insistisse pra que eu me aresolvesse E a minha faca puxasse E o bucho do céu furasse Talvez que nos dois ficasse Talvez que nos dois caísse E o céu furado arriasse e as virgem todas fugisse.

As Misérias da ÉpocaLeandro Gomes de Barros

Se eu soubesse que esse mundo Estava tão corrompido Eu tinha feito uma greve Porém não tinha nascido Minha mãe não me dizia A queda da monarquia Eu nasci, fui enganado Pra viver neste mundo Magro, trapilho, corcundo, Além de tudo selado.

Assim mesmo meu avô Quando eu pegava a chorar, Ele dizia não chore O tempo vai melhorar. Eu de tolo acreditava

Por inocente esperava Ainda me sentar num trono Vovó para me distrair

Dizia tempo há de vir Que dinheiro não tem dono.

O romance do pavão misteriosoJosé Camelo de Melo Resende

Eu vou contar uma história De um pavão misterioso Que levantou vôo na Grécia C om um rapaz corajoso Raptando uma condessa Filha de um conde orgulhoso. Residia na Turquia Um viúvo capitalista Pai de dois filhos solteiros

O mais velho João Batista Então o filho mais novo Se chamava Evangelista.

O velho turco era dono Duma fábrica de tecidos Com largas propriedades Dinheiro e bens possuídos Deu de herança a seus filhos Porque eram bem unidos (...) Eu vou contar uma história De um pavão misterioso Que levantou vôo na Grécia Com um rapaz corajoso Raptando uma condessa Filha de um conde orgulhoso. Residia na Turquia

Um viúvo capitalista Pai de dois filhos solteiros

O mais velho João Batista

Então o filho mais novo Se chamava Evangelista.

O velho turco era dono Duma fábrica de tecidos Com largas propriedades Dinheiro e bens possuídos Deu de herança a seus filhos Porque eram bem unidos (...)

Cartilha do Povo - Raimundo Santa Helena

Ninguém nasceu neste mundo para sofrer e virar santo Deus nos fez para gozar mais do que derramar pranto mas na panela do povo só tem farofa de ovo quando almoço não janto E todo trabalhador ao teto vai ter direito a um salário compatível pelo que faz ou foi feito Quem lavrar terra é dono não haverá abandono para quem tiver defeito Contestação não é crime onde há democracia só ao cidadão pertence a sua soberania

Do poder coercitivo Jesus foi subversivo na versão da tirania eu sou dono do meu passe faço arte sem patrão Só quem tem capacidade deve ser oposição por que lutar pelos fracos é tatear no buraco da densa escuridão

A peleja do Cego

Aderaldo

com Zé

Pretinho

Firmino Teixeira do Amaral Apreciem, meus leitores, Uma forte discussão, Que tive com Zé Pretinho, Um cantador do sertão, O qual, no tanger do verso, Vencia qualquer questão. Um dia, determinei A sair do Quixadá Uma das belas cidades Do estado do Ceará. Fui até o Piauí, Ver os cantores de lá. Me hospedei na Pimenteira Depois em Alagoinha;

Cantei no Campo Maior, No Angico e na Baixinha. De lá eu tive um convite Para cantar na Varzinha.

Ser nordestino - Bráulio Bessa

Sou o gibão do vaqueiro, sou cuscuz sou rapadura Sou vida difícil e dura Sou nordeste brasileiro

Sou cantador violeiro, sou alegria ao chover

Sou doutor sem saber ler, sou rico sem ser granfino

Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser Da minha cabeça chata, do meu sotaque arrastado Do nosso solo rachado, dessa gente maltratada

Quase sempre injustiçada, acostumada a sofrer Mais mesmo nesse padecer eu sou feliz desde menino

Quanto mais sou nordestino, mais orgulho tenho de ser Terra de cultura viva, Chico Anísio, Gonzagão de Renato Aragão Ariano e Patativa. Gente boa, criativa

Isso só me dá prazer e hoje mais uma vez eu quero dizer Muito obrigado ao destino, quanto mais sou nordestino Mais tenho orgulho de ser.

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Meu Nordeste, Meu Sertão! by laetitiaego - Issuu