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Ilustração: Karina Sérgio Gomes C o l o m b i n a

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Sumário

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Carta da Editora

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Nasce uma Roseira “Paixão nacional“

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Alea Jacta Est “É hoje...um dia de festa”

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Espaço de Inclusão “Uma boa idéia”

Feijão, Farofa e Harmonia! “São Paulo, Capital Mundial da Gastronomia”

Entrevista: A Rosa de Ferro à Frente da Rosas de Ouro

Os botões da Rosas começam a florir “Brasil de Ontem, Brasil de Hoje”

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Ensaio

Crônica

**Os subtítulos entre aspas são títulos de enredos da Sociedade Rosas de Ouro Foto: Karina Sérgio Gomes

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Carta da Editora O tra bal h o i n te gra do U m O lh ar S o br e a C id a d e f oi mi nh a c ha nc e d e realiza r u m s on h o d e i nf â n ci a . Qua nd o p r o po s to o t e ma, R os e a ni R oc ha s u g e r i u q u e l a nç á s s e mos es s e "o l ha r" s o br e u ma e s c ol a de s a m ba , mai s e s pe cif i cam e n te , a S o ci eda de R osa s de Ouro. Minha empa tia com a sugestã o f oi imedia ta. N un ca s o ube ex pli ca r o c a ri n ho q ue se n ti a p el a e sc ol a , po rqu e, m es mo s e m jama is te r i do à quadra , agua rda va a té al tas horas da ma drugada o seu desfil e na TV. Ess e car inho també m f oi des per ta do em to das as i n te gra n tes do gru po, dura nte a r ealizaç ão de s te tra ba lh o. No ssa liga ção c o m o Car na val era ze r o. A té Wa nis e Ma r ti nez, qu e d e mons tra s er a mais r oquei ra, se re nde u às plu mas e a os pae tês . A sa tisfa ção em fazer a pesqui sa de campo f oi tamanha, que nã o conseguía mos d e cidi r o a s s u n t o pa ra u ma ú ni ca r ep o r ta ge m , p or i s s o a s ol u ção da r ev i s ta . O q u e não i magi ná va mos é o tra bal ho que dá fazer uma pu blicaçã o. Aqui, tem-se rela to s e m f o r ma d e re p or ta g e m d e t odas a s ex p eri ên cia s v i vi das na R os ei ra da Z on a N orte pauli s tana, r e tra tand o um pou co do c o ti diano d e u ma c o munida de qu e vive o Carna val nos 365 dias do a n o. A realiza çã o do pr ojeto nos trouxe uma expe riênci a "quase profi ssi ona l", pois o des ejo de to das era fazer um tra bal ho séri o e um prod u to e di to rial que pude ss e s er e xibi do c o m or gul h o po r to das e m se us p or ti fóli os . E n tre ta n to, a d es co ber ta da ár dua e prazer osa ta re fa d o jo rna lis ta nã o foi a ú ni ca; a fim d e rea lizar mos a se gu nda e tapa d o tra bal ho de A ntr o polo gia, visi tamos os arredores da já querida R osas de Ou ro . E f o mo s le mbra das d e qu e ju nto de u ma bela R osa há vár io s es pi n ho s. Es pi nho s q u e f er em n os s a s oc i e da d e e a n os s a c o ns ci ên cia, por se n tir mos o desc as o d e nos so s g o ve rn a n t es c om a s c o mu nida de s m a i s car e nte s e a p ou c a a s s i s tê nc i a da da pe l a pr ó pria Es co l a e n o s a c harmo s , de c e r to m o do, i n ca pa z e s de r ev er t er a t ri s t e s i t u a çã o e n tã o r e vel a da. Ma s s e o jo r na l i s m o t e m c o mo u ma de suas mai o res vi rtudes a denú ncia de c as os d e inj us ti ça e usu r paçã o, temo s a es pera n ça d e qu e es ta r e vis ta , ao trata r nã o some nte do la do “al egria, al egria” do Ca rna val, mas ta mbé m da vida dura d e muita ge nte que faz pa r te da c o mu nida de e m seu dia-a -dia, s eja u ma c o ntr i buição para to r nar pú bli c o o es tad o d essa s pe ss oas que faz e m par te d e um e s pe tá cul o c h ei o de s o ns e d os m a i s co n hec i d os no mu nd o, mas s o br e a s q ua i s t od os s e cal a m no re s to d o a n o. Karina S érg io Gomes

Diretora Tereza Cristina Vitali

Repórteres Bianca Begliomini, Juliana Couto Melo, Karina Sérgio Gomes, Raquel Porangaba, Roseani Rocha e Wanise Martinez

Coordenador de Jornalismo Welington Andrade

Fotógrafas Juliana Couto Melo e Karina Sérgio Gomes

Expediente

Professor Responsável Celso Unzelte

___________________________ 1 º Ano de Jornalismo - Tuma D Faculdade Cásper Líbero 2006

Editora de Arte e Texto Karina Sérgio Gomes Capa Raquel Porangaba

É expressamente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta revista.

Revisão Roseani Rocha

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Karina Sérgio Gomes

Um Olhar

Sueli e Luiz Antônio, primeiro casal de Mestre-Sala e PortaBandeira, fazem a evolução na decisão do Samba-Enredo.

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História

Nasce uma Roseira

“Um mar de Rosas de Ouro para entregar. Iemanjá, abra os caminhos, minha escola vai passar.” Samba-enredo de 2005 dá a passagem para contar os 35 anos de fundação da Sociedade. Por Karina Sérgio Gomes

U

m g rupo de amig os, Edu ardo Basílio (fu turo pres id en te da So c iedad e), João Roque ( Cajé) , José Ben ed ito d a Silv a ( Ze lão) e Jo sé Luc iano To má s da S ilv a, en tr e uma p e lada e ou tr a, f az p lano s p ara mo ntar uma e s co la d e sa mb a q u e r e p r e s en ta sse a v i l a c ar e n te d a Bra s ilând ia, n a Aven id a S ão Jo ão (pa ss are la do Carn ava l p au lis ta n a d éc ad a d e se ten ta). E o p lano s e concr e tiz a no Carna va l d e 1971, qu ando a So cied ad e Ro sas d e Ouro se apr es en t a n a ave n ida , exa l ta n d o n o samb a a V i l a B r as ilând ia, s eu b a irro d e o r ige m. E e m d e z o ito d e ou tubro do me s mo ano, con segu e m o r eg istro d a e s co la , d a ta q u e ma r c a a f u n d a ç ão e o f lo r esc i me n to d a Ro se ir a no Ca rnav a l d e S ão Pau lo . A s cor e s ofic ia is da Es co la era m a pen as br anco e rosa, e n essa época, só se pod ia desf ilar co m fan tasia s nas co res of iciais de cada escola. Po rém, n ingu ém pod ia con tar qu e dur an te a con-

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f ecção das roup as p ar a as 140 p essoas que p ar ticipar a m d o pr imeiro desf ile of ic ial, em 1 972, cuj o enr ed o e r a “ Br asil de On te m, Brasil de Hoj e”, o te c ido br an co ac ab as se . E ago r a o q u e f az er? N a d a co mo a s ab ed o r ia das mu lh eres n a admin istr ação e o jeitinho br asileiro. Don a Jú lia, ir mã de José Lu ciano To má s , fo i comp r ar o r esta n te do tecido br anco qu e f a ltav a. Mas ao cheg ar à loja, p erc eb eu que o d e c o r azu l e s ta v a e m p r o mo ç ã o . En tã o , in c lu íram o a zu l n as core s of ic ia is pa ra qu e a E sc o la n ão p erd esse pon tos n a sua pr imeir a par ticip ação, pudess e e co n o miz ar n a s f an t a s i as e f a ze r u m d e sf ile ma is co lo rido. Mas nem tudo fo i f lor es nesse pr imeiro Ca rnav a l. De v ido à in exp er iên c ia, e squ ec er a m d e a s s in a r o "li v r o d e p o n t o " ( c o n f irma ç ã o d e q u e a e s co la chegou co mp le ta na Conc en tr aç ão an tes do d esf ile), e perderam v inte pon tos por isso . O ep i-

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Esco la .

s ó d io con tr i b u iu p ar a q u e a R o s ei r a se to r n a s se ma is o r g an iz ad a. O r g an i z a ç ão r eco n h ec id a a t é h o j e, co laborando p ar a u ma ascen são ráp ida. Em 1973 , veio o pr imeiro br ilho d e ouro n a Rosas. Co m o enr edo “Fo r ma ç ão Étn ica ”, c o n qu is tou s eu pr ime ir o títu lo d e c a mp eã , e a v ag a pa ra p ar tic ip ar do G rupo Dois. No ano s egu in te, a E sco la consegue u m esp aço par a mon tar seu "ro se ir a l", ma s n ão s e livrou d a per turbação do s v izinho s, qu e ch egav am a so licitar a po lícia, qu ando in co mod ado s p e lo b aru lho, p o r ex e mp lo . N e ss e me s mo a n o , r e a l iz a s eu p r ime ir o d esf ile no grupo d e acesso para o Grupo U m (hoj e, Grupo Esp ecial), e conqu ista o títu lo d e C a mp e ã com o e n r ed o “ C an t a e c o n ta o s q u a t r o c an to s do Br as il”, sub indo p ar a o grupo das pr incipais esco la s, ond e p er man ece até hoje. E logo, e m s e u p r ime i r o d e sf i le en tr e a s me l h o r es , tor n a-

Reprodução/www.sociedaderosasdeouro.com.br

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No novo lo cal, a Rosas de Ouro consegu iu mo n tar uma infr a- es tru tur a inv ejáv e l, para a época. U m e sp aço pa ra confeccionar a s f an ta s ias e alegor ias para o Ca rnav a l e ensaia r ; agor a, Primeira carteirinha da Escola foi da sem in como esposa de Eduardo Basílio. d ar v iz inho s, qu e ali até en tão não hav ia. O novo terr eno estava p erf eita me nte adub ado p ara a Ro seir a vo ltar :Karina Sérgio Gomes a f lo r ir . Em 1 983, qu ando os d esf iles j á estavam sendo r ealizados n a Aven ida Tiraden tes, co m o en redo “No s ta lg ia” a Ro sa s con segu e s eu primeiro Ouro, o ma is valioso para as esco la s d e Samb a, o títu lo d e Ca mp eã do Ca rnav al no G r u p o U m. E n o ano segu in te rep e tiu a a tu ação , conquistando o títu lo d e Bi-Camp e ã, c on tando a h is tó r ia d a F a cu ldad e de D ir e ito do Largo S ão Fran c is co, c o m o s a mb a “A ve lh a ac ade mi a , b er ço d e h eró is ”. A quadra localizada na rua Rosas de OuEm 1 985, fru stração. A n ação azu l e ro sa ro, próximo à Marginal Tietê. estava cer ta d a conqu ista do Tr i- Camp eon a to, c o m o te ma “ U ma b o a i d é ia ”, ma s i s so n ão a co n t e ceu, e o d e sf i le r en d eu ape n a s o te r ce i r o se V ice- Camp eã do Carn aval 1975, co m o e nre do lug ar; segu iu-se u m j eju m d e cin co anos sem títu“ A Rua ”. los. A Ro se ira às margens do rio - Apesar Co m o en redo “A té de vir de uma seqüência d e bons resu ltados, a v itór ia no Grupo Um n ã o fo i tão r áp id a. Em 1 979 , Edu ardo Basílio, pr esid en te da esco la até 2003 ( ano d e seu f a lecime n to), negocia co m a pr ef eitura d e S ão P au lo o " e mp ré s timo " de u m te rr eno ao lado n a Ma rg inal do Tietê, na Fr egu esia do Ó . A n aç ão a az u l e r o sa p r o t es tou : "Vã o f a z er samb a pr a qu em ali? Pern ilongo, mo squito? Aqu ilo é u m br ejo! " - r ecord a-s e Mar ia He len a, coord en ad o r a d a V e lha G u ard a e E mb a ix a tr iz d o S amb a P au l i s t a. M as q u em r e a l me n te er a " r o s as d e ouro " n ão se in co modou em ter que se lo co mov er até o novo logr adouro, houv e até os que se mu d ar a m p ar a o n d e a Ro se ira e s tá , f o r ma n d o a co mun id ad e M in a s-G ás , lo ca l iz ad a ex a tame n t e a tr ás d a Carnaval na Avenida Tiradentes, em 1980.

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Karina Sérgio Gomes

História

Pavilhão Oficial

q u e e m f i m. . . ” , em 1990, co mp osto p e lo próp r io pr es id en te, Edu ardo Bas ílio , a Rose ira c an tou o c o s tu me p au l is t a d e ir à p r a i a aos f in s d e s e ma n a. E, "a t é q u e e m f i m " , v o l to u a s er C a mp e ã. N ão só c a mp eã , e s i m: T r i- Ca mp e ã. A ma i s n o v a p as sa r e la d o s a mb a, P ó lo Cu ltur al e Espor tivo Gr ande O telo ( sa mbódromo Anhembi) , f o i e s tr e ad a com

Eduardo Basílio

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o Bi- Camp eon ato d a Ro sas d e Ouro em 1 991, c o m o enr ed o “D e p ilo to de fog ão a ch efe da n aç ão ”. E m s egu id a, fo i Tr i-Ca mp eã , co m o s a mb a, a té hoj e, ma is fa mo so da Escola: “Non ducor duco, qual é a minha cara?”. E em 1994, a Ro seira

floriu co m seu ú ltimo ouro, dos último s do ze anos, ao d esf ilar sob o t e ma “Sapo ti”, e m q u e c on tou a h istór ia d a cantor a Âng e la Mar ia. A Rosas de hoje – Atualmente, a Soc ied ad e R o s a s d e O u r o é p r e s idi d a p e la f i lha d e Edu ar d o Basílio, Ang e lina Basílio, qu e ten ta cad a vez ma is " p rof is s ion a liz ar " o Carn av a l, po is ad min is t r a a Es co l a co mo u ma E mp r e sa. E e la a cr ed ita qu e g erar recur sos própr io s seja o fu tu ro de tod as esco las, ma s nunca se esqu ecendo d e pres erv ar a cu ltur a e o fo lclor e n ac ion ais . C o l o m b i n a

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Conhecida por exaltar a Terra da Garoa, a Roseira nos últimos anos tem investido em sambas com temáticas mais sociais. No próximo Carnaval, defenderá “Tellus Matter—O cio da terra” , um enredo que alerta sobre a importância da preservação ambiental. E espera quebrar o se u ma io r je ju m d e doze a no s s e m tít ul os .

HINO OFICIAL JÓIA RARA SEM IGUAL Zeca da Casa Verde O sol quando esconde a tardinha Tem a cor de maravilha Colorindo a minha Brasilândia E eu que namoro a natureza Digo e tenho certeza Que lugar mais lindo não há Agora vamos falar de flores De uma roseira que nasceu neste lugar Deu rosas, muitas rosas coloridas Deu uma Rosa de Ouro Jóia rara sem igual Deu Rosas para você Deu Rosas para o meu amor Deu Rosas para todo o mundo Porque a rosa é a mais linda flor Se você não conhece Venha conhecer Venha colher rosas Ver o sol nascer Colaboração: Bianca Begliomini e Juliana Couto Melo n o v e m b r o

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Feijoada Completa

Karina Sérgio Gomes

Feijão, farofa e Harmonia Harmonia!!

“A Rosas de Ouro com prazer vai te servir. Vem de bandeja tudo que você deseja, pra saborear, sorrir...” O samba-enredo de 1997 ilustra a fartura e a pontualidade do evento promovido por um dos setores da Escola. Por Raquel Porangaba

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aía u ma fin a gar oa so br e a cidad e qua nd o se rea lizou, n o dia d ez e s s e te d e s e te m bro , a pa r ti r d o meio-dia, a 8 ª Feij oada da Ha rmonia , n a q u a dra da S o cie da de R os a s de O u r o. O e ve n to, q ue v em s e r e p e ti n d o d e s d e 1 9 9 9 , é u ma ta rd e d e c onf ra ter niza çã o, co m fe ij oada e cai pi rinh a à v ontad e, pr omo vi da pe la Ha rmonia da escola. A r ealiza çã o a nual d e uma F ei joa da f oi a ma n ei ra qu e a Ha r mo nia da Ro sas de O u r o e nc on t r ou pa ra f i nan ci a r s u a par t e d o Car na val. E s te a no , o e ven to que co n ta com o a p oi o d o At ac ad ist a Ro ld ã o, S ac o l ã o N at u ral d a T er r a, N ex t C ar e S m ir no f f ; v e nd eu ce rc a d e oi toc e ntos c onvi tes, a trez e r eais ca da. D u r a n t e to d o o dom i ng o o e s paç o r es er va do para a c o nf ra te rniza ção e s teve c h ei o: crian ça s bri n can d o, pess oas c ome ndo , bebendo, conversa nd o, da nça nd o ou

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s i m pl es men t e ci rcu l a n d o e n tr e a s m es a s q u e f ora m co lo ca das no c e n tr o da qua dra . A ba nca da em qu e as B aiana s da Rosa s d e O ur o se r via m os c o nvida d os, dis pos tos em fila , e s ta va à esqu erda d e quem e n tra na qua dra. Do ou tr o lad o, n o ba lc ão o nde era s er vi da cai pi ri nha nã o h ou v e fila , po is as pessoas mais em busca de cerveja e r ef rig era n te s podiam c o mprá -los em q ua l q ue r u m d os bar es q u e c i r cu nda m o salã o. N o pa l c o, o s g r u po s d e pag od e E se n, Z a m ba u é e K a i o ba se su ce de ra m na a pr es en ta çã o a o vi vo , que c ome ç ou por v o l ta das t r ez e h ora s e , c om p eq u eno s i n te rvalos, levou o pú bli c o a té às dezesseis horas; quando a Ba teria- miri m da R osas de O ur o to mou a f re n te d o so m. A a ni maçã o fo i mantida a té o té rmino, às vi nte horas. A s mai s d e o i to ce nta s pe ss oas q u e

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al moça ra m na quad ra da R osa s d e Our o f oram a co moda das c o m pre ci são pelo s a nfi triõ es . Q ue m es t ev e na q ua dra n o fim da ta rd e a n te ri or a o e ven to j á dir ia qu e s eria as si m. Falta nd o pouca s horas para os convidados chegarem, o r i tmo d os p r e pa r a ti vo s pa r e cia c a d e n ci a do p o r um mestre de ba te ria: Os al imentos aca ba va m d e s er c ortad os e f ica va m pr onto s para ir a o f og o n o dia se gui n te ; a s me sas já e s tava m d i s tr i b uí da s e pr o n tas para s ere m f or ra da s ; a s úl tima s encomendas ai nda estava m chegando e

o s dir e t or es da Har mo ni a a n dav a m pel o s a l ã o a o tel ef on e, a ce r ta nd o o s úl ti mos de tal h es c o m a cal ma de quem te m tu do sob control e. E c o m o não po de ria d ei xa r d e a c o n te c er e m u m e v en t o c o or den a d o pe l a Ha r mo ni a , a F ei joa da, regada a caipi rinha, cerveja e pa gode, f oi mui to be m orga nizada e se guiu se m i ncidentes. R ealiza ção nota dez, que os membros da Harmonia e a torcida espe ra m repe tir o ano que vem na Aveni da do Samba .

Harmonia?

Fotos: Karina Sérgio Gomes

N EM TO DO mu n do sa be , ma s, as si m c omo a Ba teria ou a Ve lha Gua rda, a Ha r mo nia é u m s e to r i nd e pe n de n te den t r o da o rga niz a ção d e u ma esco l a d e s a mba . O o bj e ti v o c en t ral e c o mu m a todos es tes setores é o bom des e mpe nh o n o car na va l , mas , par a chegar a isso, cada um deles t e m u ma f u nçã o di f er e n te , m embr os e dir i g e n tes es pe cíf ic os , alé m d e se rem re s ponsá vei s pel o provi mento de suas pr óprias alas e depa rtamentos. A f u n çã o da Ha rmo ni a é en s a i a r e s u p er vi s i ona r o s f ol i õe s pa ra q u e ca n tem e da n cem d e a co rd o c om o ri t mo d o s a m ba , t o r na nd o o d es f i l e u m e s p e tá cul o b e m o rga niz a do e b on i t o de s e v e r e ou vi r. É a Ha rmo ni a q u e pla ne ja o de s f i l e, m on ta o s car ros e , e nq u a n to a es c ol a p a s s a p el a a veni da, admi ni stra a evoluçã o das alas e do pes s oal , p a ra q u e t u d o a c ont e ça d en t ro d o t e m p o d e te r mi nad o pela Liga das Es co las d e Sa mba.

A disposição e o trabalho dos anfitriões, do preparo ao momento de servir a feijoada. O resultado é a animação vista na quadra lotada.

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Samba & Enredo

Alea jacta est [a sorte está lançada]

Em busca da consciência ambiental, o sambaenredo 2007 alerta sobre o futuro daquela que nos deu um passado: A mãe terra

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Por Wanise Martinez

sorte f oi lança da. O som aumenta e a qua dra E duar do Ba síli o é m o rada de n o ta s s ol ta s e a co rde s pr o n tos . Cheg ou a hora da esc ol ha da od e qu e s erá c anta da por to da a co muni dad e R osas de Ouro no a no de 2007 . Q ua s e se mpr e n o s egu nd o s em es t re , as escolas de sa mba iniciam o concu rso qu e e s c ol he o s a m ba - en r ed o d o c a r na va l segui n te. O “sa mba de enredo”, enredo cara cterizado em letra de sa mba, é e sc ol hi do m e ti cul osam e n te e de v e se m pre c o nsi de rar alg un s i ten s i m po r ta n tes : p e r ti nê n cia e c oe rê ncia a o te ma, p res e nça d os t ó pico s d o en r ed o f a cil i dad e e assi mila ção do pú blico, bom ritmo e boa musi cali dad e, al ém de mui ta cria ti vi dad e e i ne di tis m o da h is tória a se r c on tada .

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O tema pr oposto para 2007 é a e x p res s ã o l a ti na “T ell us M at t er” (M ãe T e rr a), e con tará toda a s ua e volu ção a té os d ias d e ho j e, f oca nd o pri n ci pal me n te na a tual pr eoc u paçã o mu ndia l: a d eg rada ção da na tureza. S egu nd o o ca rna vale sco Fá bi o B o rge s , est e e nr ed o j á e s ta va g u a r dad o com ele havia algum tempo. “ É o e nr ed o d a c o r a zu l! ” , disse o integra n te da escola. Pa r te da sino ps e di vul gada diz qu e: “ De sde o s p r im órd io s d a c iv i l iz a ç ã o o h om em u s ou os r e cur s os na t u ra i s p ar a s ub s is t ir , e s em e nt ende r a fo r ça nat ur al q u e d a t err a f lu í a, e le t ent ou d esve nd ar os m is t é r io s d a G r a nd e- M ãe , e xplic and o s u a or ig em e o m ilag re da v ida . O h ome m fo i p ovo and o e pe rc or re ndo a T er ra , m as en q u a n t o adm ir a a t er ra d o espa ç o, v ê qu e n em t u d o é a z u l n o p la n eta a zu l, p o is a M ãe

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Darlan canta à nação azul e rosa o sambaenredo escolhido para o Carnaval 2007. C o l o m b i n a

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Samba & Enredo Samba 15 Carnavalesco: Fábio Borges Autores: Marcelo Dias/ Silas Augusto/ Marcio Bueno/ Ricardinho/ Baqueta

Karina Sérgio Gomes

O colorido do samba na quadra Eduardo Basílio

Procura - se um samba - enredo Come çou então, n o d ia c a to rze de j ul h o, a dis pu ta e m b u s ca d e u m s a m ba - en r ed o q u e traduzi sse em vers os a m e nsa ge m q u e a es col a q u e ri a passa r. Os composi tores fizeram as suas criações musica das, totaliza ndo 22 sa mbas, e um a um el es f ora m s endo e l i mi na d os, d u ra n te doi s meses e meio. A s p ess oas es col hi a m um fa vor i to , ca nta va m e vi bra va m c o mo se já f oss e o e sc ol hi do . A ca da elimi na tó ria a expectati va e a tensão c r es cia m. E f oi as si m a té sá ba do , 2 9 d e s e te m b ro : Dia da d e cis ã o. A noi te co me çou co m u ma a pres en ta çã o da Vel ha Gua rda, empol gando as fi éis to r cida s d os sa mba s Dez , Doz e e Quinz e, os fina lista s. Uma o n da de plaqu e tas, be xi gas e ba nde ir olas , se di vidia m e n tre diversos tons de azul e rosa. O i nício da dispu ta f inal começou com o samba Dez , qu e f luiu be m e embalou a ga lera. Logo depois, f oi a vez d o s a m ba D oz e, q u e m a n t e ve o C o l o m b i n a

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Concebida pelo criador No universo a explosão Clareando o firmamento Surge o planeta na imensidão. Das águas nasce o milagre da vida, Nas formas toda sua evolução Do céu, lá do céu, o amor fecunda o seu chão, Oh mãe terra generosa Tu és alimento e proteção. Do oriente ao ocidente foi preciso navegar Para um mundo desvendar.

r i tmo d e c on te n tame n to. E para fi nalizar, o a gi tado sa mba Q u i nz e . Conquistando o espaço E nqua n to ag uarda vam o Vi que a terra é azul… Azul resu l tado, expressa va-s e a celestial a nsi eda de nos ros tos d os Contemplei sua beleza c o m pe t i d ore s e do púb l i co . E m p o u c o te mpo e s ta r i a e s c ol hi da Descobri um paraíso divinal. a ca n çã o q u e h on r a r i a o pa vil hão. Subiu entã o ao pal c o Porém como simples mortal o p u xad or d e s a m ba o f i ci a l da Lutarei contra o mau, chega de R osas : Da rla n. C o m um s o rris o destruição, n o r os t o e u m a vi s o p a r a a Preservar sua essência b a te ria , q u e r ec o me ç ou a t o car , Reciclar a consciência, contra a o i n t é r p r e t e s u r pr e e n de u a devastação, todos e cantou o samba- enredo Brasil, das verdes matas e de 2007 . Era o samba Qui nze. florestas Os a u t or e s : Marcelo A esperança é o que nos resta D i a s, Si l a s Au gus t o, Ma rci o O pulmão do mundo é você B u e no , R i c a r di n h o e Baq u e ta Ouça o clamor da Rosas de s e abra çava m e pula va m e m Ouro mei o às to rcida s que agora Que cada um consiga o seu e ra m u ma s ó, “todas filhas de quinhão u m m es mo ch ão” . Somos filhos do teu chão. Dota do de uma li nguagem si mples e uma Eu vou cantar e alertar i n te r pr e taçã o ro ma nc ea da, o Hoje a Mãe Terra é carnaval sa m ba- en red o e sc ol hi do te m s en si bili dad e, tal co mo ca n tam Inspiração para os meus versos Fonte de energia natural. e al er ta m os es pe ra nç os os d es ce n de n te s da naçã o R os a s d e Ou ro . 1 7

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Entrevista

A Rosa de Ferro à frente da Rosas de Ouro A presidenta da Roseira fala sobre suas recordações e experiências vividas na Escola de Samba. Por Karina Sérgio Gomes D i a 2 5 d e o u tu br o a r e vis ta Colombina , enfi m, cons egui u u ma en t re vi s ta co m a p re s i d e n ta da es col a de s a mba, An gel in a Ba síli o, 47. Só nã o sa bía mos qu e tal da ta ta mb é m ma r ca v a t r ê s a no s de f a l e ci me n t o de E du a r d o Bas í l i o , p a i da e n tre vi s tada e f u nda d or da S oc i e da de R os a s d e O u r o. M e s mo c o m a c oi n ci dê n ci a tr is te , A ng eli na n os co n ce deu a entr evista e demonstrou bo m humor. Tida pel os membros da c o mu nida de co mo u ma “ co ma nda nte d e mã os d e f er ro” , e la afi rma qu e a Ro sas é o s eu ví ci o, e gara n te se “ e mbria gar” da es c ola. A s a l a c o r d e r os a e xi b e na par ed e a t rás da m e s a da pr esi de n ta, o quad ro d o pai e log o a ci ma a flâ mula do ti me d o c o raçã o d e Bas í l i o e da f i l ha : o Pa l m ei ras . A m enin a en é rgi ca , q u e ba tia de f r e n te c om o p a i para d ef e nde r s u a opiniã o, impõe sua presença co m g es t os e ca ra c te rí s ti cas d e u ma l í d er q u e d ef en de c o m u n has e de n te s a s u a p resi dê ncia e a sua Escola .

C - O que mu do u com a vin da da Es cola pa ra a F reg ues ia d o Ó?

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Colombina - Q ual é a s ua re co rda ção s ob re a f un dação da R o sas ? Angeli na Basílio - E u me re co r do be m. Co me cei qua nd o t i n h a 1 3 a no s e vou f a z e r 3 5 a nos d e R osa s de O ur o. Ensaiá v a mo s na r u a , e a s p e s s oas não q u e re m u ma ba te ria na f rente de suas casas . Todo en sai o , m es m o q ua nd o n ós co nsegui mos a nossa primei ra se dinha em 1974, essas pe ssoas c ha ma va m a polí cia. N ós éra mos c hama d os de mal oqu eir os , vaga bu nd os ... E o meu pai, e mes mo o Seu J os é Luc ian o Tomás, nu nca desi s tira m. Eles na scera m ilu minados, com essa m i s sã o : des en v ol ve r e ss e p ro je t o . N o n osso bai rr o de or i gem [Brasilâ ndia] , a gente sofr ia mui to. Mas, Edua rd o Ba síli o ti nha uma visã o de admi nistra dor do futu ro. Em 1979, e le f oi ten tar uma á rea pú bli ca mu nic ipa l, e c on seg uiu es ta e m q ue est a mo s ho je. Tal v ez vo c ês nã o sai ba m, mas e m 1978 /79, isso aqui era um brejã o, meu be m! Angelina Basílio na escolha do Samba-Enredo.

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A B - Aqu i, a Ro sas de Our o te ve a o po r tunida de d e c o n he ce r o m u n d o, e o mu n d o d e c on he c e r o f ol cl or e e a cu l tura de Sã o Paul o. Via jamos o mundo, Améric a Central, Eu r opa ... P orq ue aqui ni ngu ém r ecla mava d e ba rul ho. E a gente cons egui u si m, naqu ela época, construi r uma estrutura i nvejável , para 1979 /80. Porque agora, a s exigências para uma Escola de Sa mba sã o muito maiores. Ma s, nunca renega r ei o bair ro d e orig em. A ge nte s ó cr esc eu vi nd o para cá . C - Em algu m mome nt o a se nh or a não qu is vive r de Ca rnaval ou seus pais não quise ram que se e nvol ve sse? A B - Meu pai pergunta va se eu i a q u e re r i s s o p a ra minha vi da. Ele briga va comi go muito, muito... me manda va embora. Meu pa i dizia: “Você vai f ica r esc ra va da Ro sas de Ou ro” . E u re s po nd ia: “e u s ou, e qu ero, e amo” . Imagina ! Nã o consigo viver sem isso aqui ! C - Alé m d o carg o de pre side nta, a se nh or a já o c up ou ou t ro s. D e qual m a i s g ost ou ? A B - Si m. Fui por ta- band eira , dire tora de ala, d e carnava l, co or de na do ra d e c o missã o d e fr ente , vi c epr esi de n te , a ca mi nhada é lo nga. Eu go s te i de s er c o or de na do ra da Comis são d e F re n te. Po rqu e eu g osto d e qu ebra r para digmas e ad oro me xe r c om a Ig re j a [ ris os] . C - Alguma C o missão de Frente e m especial ? A B - A do [ enredo] Pã o Nosso de Ca da Dia [2002] . D e cid imos c o l oca r os d oze a pó s tolo s, mais J esus Cristo na Comi ssã o de Frente. Comprei br iga com o meu pai, com a Liga [das E s c ol a s de S a mba ] , c om a I g re ja. Fal ta va m d ez d ias para o Car na val, e a I gr eja qui s me pro i bir de sai r c om comissão de frente . Foi horrí vel ; co n vers ei co m a d vo gad o da I gr ej a, r e ce bi u ma “i n timaçã o” dize n do qu e eu não po d eria sai r c o m a co mis sã o d e f re n t e. U m do s re p re sen t a n t es da Ig reja [ nome nã o revelado] disse-me em uma de nossa s “ conversas”: “Onde já se viu, pôr J esus Cri s to pula nd o nu ma es c ola de sa mba !”. Re spon di : “Nã o Pa dr e, eu não vou pôr J esus Cris to, eu vou pôr o seu pr ec o nc ei to na a ve nida !” . M eu pai dizia que não ad ian ta va pega r pesa do . N o dia do de sfile, o [Maurício] Kubrusly [q ue chegou a pr es encia r u ma das br igas de Angeli na com o pai] d iss e duran te o d esfil e: “ Basí lio, sua fil ha ti n ha ra zã o. A sua comi ssão de frente es tá l in da”. Saí m os em t o d os os jo r na i s . Se e u ti ves se t e m p o, t odas a s c omis sões de f rente sai ria m l indas.

Fotos: Karina Sérgio Gomes

Acima, as paixões: Pai e Palmeiras. Abaixo, as mãos tidas como de ferro pelos integrantes da Roseira.

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Entrevista C - Co mo é pre si dir uma Es co la de Sa mba? A B - V o cê pode compara r to da a admi nistra ção d e uma e sco la de sa mba, c o m ce rte z a , c om u ma admi ni stração empresa rial. A dif erença é o am o r. E sse amo r i n er e n te , i n co n di cio nal que vem não sei de onde, que faz você tra bal har 24 horas s e m para r. E temos que ir a trás d e r ec urs os p r óprio s, p o rque s ó a ve r ba da pr ef ei tu ra não é sufi ci ente.

Reprodução/www.sociedaderosasdeouro.com.br

C - Sofreu algum preconce ito por se r mulhe r e a ss u mir a p re sidê nc ia da Es co la? A B – S i m. C e r to s ca rg os s ã o e x tr e ma me n te m a c hi s tas. O n o me já d iz: “ O pr esid e n te”. No mom e n t o, n o u ni v e r s o d a s E s col a s d e S a m ba d o Grupo Espe cial de São Paul o, somos em 14 Escola s, só há duas “ presidentas” eu e a da Moci-

“Não consigo viver sem isso aqui!” tal há 28 an os , co mo c oo rde na os doi s car go s, s e r fun ci oná ria p úb l i ca e p re si de nt a de u ma E s col a ? A B - É c om p l i cad o, m u i t o c o mpl i cad o, mas eu e s to u para me a pos en tar . Eu já vo u faz er trin ta a no s d e s e r vi ç o pú bl i c o , fal ta pouquís si mo pa ra eu me a posentar. No momento, fa ço umas assessorias [a polí ticos, qu e nã o fora m revelad os ] . A n t es , q u a nd o e u e ra vi ce- p res i de n t e d a va pa ra coo r de nar , i r to d o dia. Ma s ho je , al ém d e a d min i s t r a r a Es c ol a , eu s ou c o ns el hei ra d a L iga, a R osa s d e Ou ro pe r te n ce a o G5 (g ru po d e e s c ol a s d o Tur i s mo R e ce p ti vo de S ã o P a u l o: Uni dos de Vila Maria , Uni dos do Peru che, Moc ida de Aleg re , R osas d e Ou ro e X-9 Pau lis ta n a ). En tã o, v o u pou ca s v ez es p or s e mana à p r ef ei tu ra.

C - C o mo é o rela ci ona me nto co m os gr up os religiosos? A B - Ótimo. Terça f ei ra [24 /10 /2006] houve o p r i m eir o a t o e cu mê ni c o na R os a s de Ou r o. F oi u ma n o i te Í M P A R ! ! ! T i vemos as presenças de: Pa dr e Clá ud io , da Ig re ja Ca tól ica; Ma rc os , d o U mba nda-ka rd ec is mo; Bi spa Ci da, da Ig re ja E va ng éli ca; e A n tô nio Ca rl os, d o Can d omb lé . O pa dr e come ç ou ca n ta nd o: “Se v ocê não conh eSaíram com Jesus Cristo. Comissão de Frente do c e, v enh a conh ece r” [exal ta-s e]. E ele d iss e que enredo “Pão Nosso de Cada Dia”. essa casa é mui to séria, qu e a Rosas de Ouro é da de A l e gre . É u m u ni ve rs o “ h ome ns ti c o”, m a - m ui to s éria. .. E u fiqu ei mui to f eliz [ em o ci ona chi s ta. É forte fala r isso, né?! Então, você i ma- s e] . g ina : M eu pai fale c eu, e u era a vi ce- pre sid en te , e u ti nha pas sa d o po r t o d os os s eg me n t os da C – Qua is são os plan os pa ra o f ut ur o? e sc ola . F ora i ss o, eu fal o s e mpre, so u f or ma da A B - S o cial né ? ! Re cic lag em, pre o cu paçã o c o m o m e i o a mb i e n t e , e f i c ar auto- sustentável. Buse m a d mi nis t raçã o. c a r par ceir os q u e a c r edi t e m em Es c ol a s d e C - De q ual f or ma a Ro sas de Ou ro ge ra rec u r- Sa mba. Mas sempre pr eocupa dos em defender o f olclore, a cul tu ra e trazendo ta mbém pr ofi ss o s p ró prio s ? A B - Com parcerias. Eu fa lo sempre na Liga si o na l i z a çã o . Po rque n ó s te m os q u e f or ma r n o da s E sc ol a s de Sa m ba , q ue a R o sas de O ur o e s- vas ba terias , mes tres-sala s, porta- ba ndeiras . t á c o m 3 1 p a r ce i r os . A g e n te f a z s ho ws em c on g re s s os , f or ma tu ra s , eve n t os e a té e m ca s a m e ntos. Te m gente que nã o i ma gina que uma escola tra bal ha o a no todo . F ora is so a in da temo s o P r o j e to S o cia l , há d e z a no s . C – A se nho ra tra bal ha na pre feit ura da Cap i-

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“Gosto de quebrar paradigmas e adoro mexer com a Igreja [risos]”

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Terceiro Setor

Espaço de inclusão

Em 2006, o projeto social da Rosas de Ouro completa dez anos com a proposta de amenizar desigualdades P o r Ro se an i Roch a i da de , e x i s t e u ma a çã o de di s tr ibuição r ianças pe di nd o di nhei ro no g ra tui ta de l ei te, me dia n te cada s tra mento . s e máfo r o é u ma c ena que mui to s Q u e m f o rn e ce o l ei t e é a S e c re ta ri a da s e ha bi tua m a v e r s e m g ra nde c o m oçã o. A gri cul tu ra e Entreta n to, nem todos convivem A ba s t e ci me n t o do p a s s i va m e n t e c o m o p r o bl e ma . P or e x e m plo , E s tad o de S ã o Pa u l o . Edua rdo Ba síli o (1933-2003) funda d or e Quase to d a s as presidente i n m e m o r ia m da e sc ola de sa mba a ti vi dades rea lizada s R osas d e Ou ro . pelo projeto social Há d ez a no s, S e u Ba s í l i o ( como e r a sã o, na verda de, c ha ma do na c omuni dad e), i ndi gn ad o co m a e x ecu t a d os por pr es ença d e cria nças qu e e smolava m nos p a r ce i r os , s en do o fa rói s na re giã o da Fr eg uesia do Ó, de ci diu pa pel da es c ola ce de r c r i a r o pr oj e t o S a mba s e A pr en de na E sc ol a , es paço. A ssi m ocorre a train do os peq ue nos para a qua dra. No com os c u rs os i ní cio, eram trazidos pa ra um café da profi ssi onaliza n tes manhã; depois, começara m a ficar mais ( os de ca be lei rei ra, tempo, po rque com a ajuda de voluntá ri os, maquiagem, passa ra m a ter a ti vida de s co mo aula s de man icu re e d e pila ção da n ça, bri nc ad eira s e te a tr o. Ou tra f or ma de e n v ol vi men to f oi a c r iaçã o da Ba ter iaAna Paula, que já foi Mi ri m, q ue tr ei na a s cr ianças a os d o mi ng os . aluna, assiste a aprenJá no mês d e jul ho , elas são reu nida s pelo diz na oficina de caRe c rei o nas F éria s e pe r manec em na q uadra beleireiro. da s nove às dezessete horas.

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Pa ra a s cr ian ças d e a té s eis ano s de

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Terceiro Setor

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Mulheres aprendem a fazer Trança Afro em oficina promovida pela ONG Cosmética.

e sã o realizados pela ONG Co sméti ca) ; com as ofi ci nas de ball et e ba te ria- mi ri m, r es ponsa bili dad e do P ro je to B ar racão , li gad o à Se c re ta ria de Es ta do da Cul tura; com o Recreio na s Férias, mantido pe la S ecreta ria Mu ni ci pal de Educação; e para f i car em s o m e n te mai s u m e xemp l o , c om a F es ta da s Cria nças, qu e re úne 4 mil de las , e m e ve n t o p r o m o vi do p el o N ú c l e o Es pír i t a D r. Al ber to Sa lva d or. Em 2006, o projeto social da R osas comemora dez anos e a tualmente é c o or de na do pe la psi có lo ga Va nes sa Dias de Oli vei ra, qu e c onta c o m o a poi o d e vo luntá ri os das c o munida de s que a te nd e. A c o or de na do ra a juda , mas també m co bra proa ti vi dade, princip a l me n te d a s mãe s : "D ig o a e las qu e é mu it o fác il v ir em a qu i d izer ' eu qu er o' le i t e , ' e u q ue r o' c es t a bá s i ca , ma s e qu and o eu pe rgu nt o, 'mã e, v oc ê op er o u?', 'm ãe, e st á t om and o se u re med inh o tod o d ia? Pr a que

Em prol da natureza

A [im]possível parceria

O enredo do Carnaval 2007 r ela ci ona do à ne ces sida de de pre se r vaçã o da na tu reza, já re ndeu à R osas de Ou ro parcerias com S OS Ma ta Atlâ ntica, WWF (W orld Wil d Fu nd ), Gr ee npea ce e ou tra s ON Gs, que darã o pale s tra s, i ni cia nd o u m traba lho de sensi biliza ção dos integra n te s da escola. A primei ra f oi sobre a c o ns er va ção d os r ecu rs os hí dri co s. E a e s c ol a pr e te n de e s te nd er es te pen s a me n t o p a ra a l ém d e s eu s a m ba - en red o e d o perí odo de Ca rna val, com a divulga ção g era l da pr es er va ção e re cu pe ra ção do meio-a mbiente. C o l o m b i n a

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u m a m ã e qu e j á t e m c i n c o f i lh os , v a i t e r o s ex t o?", que s ti ona . Seg un do a psi c ól oga, o p r o bl ema n ão é fal ta de i nfo rmaçã o, que pode ser encontrar“a té n a s nov ela s e em p rog ra ma s c om o M a lha ç ão e Re belde” . Já em r ela ção a os cu rs os , a po lí ti ca da es c ola é de que “ semp re c a be m a is u m”. Se pa ra alguns membros da c o mu ni dade mai s pró xi ma a es c ola “ t e m falad o mais d o qu e faz” , pa ra ou tros ela j á f oi d e gra nd e a ju da , s oc o rr en d o em o ca s i õ es i nusi ta das , c o m o d oar pa ssag em p ara uma mãe i r bus car a fi lh a e m P ern ambu c o (a me ni na e ra cui dada pe la a vó , qu e fal ec eu) ou a judar na s despesas funerárias de um jovem da comuni dade, a ssass inado na porta d e cas a . P r o m o ve r o b e m-e s tar s o cia l é u m d os qu esi to s mai s á rd uo s para a so ci eda de e m g era l e t a m bé m para a S o cieda de R os a s d e Our o. A es co la, a p e sa r disso , d e mo ns tra não te me r o desafio.

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A Pa s to ra l da Cri a nça já te n t ou r ealiza r alg uns pr o je tos c o m a R osa s de O ur o, ma s n ã o o b t e ve s uc es so . Po r pa ssar de c asa e m casa u ma vez por mês , a Pas toral p o ssui m ais i nf or maç ão s o br e a v ida da c o mu ni dade q ue a pró pria es cola e pod eria a juda r, numa açã o co n ju n ta. Há d eze ss eis a no s a e n ti dad e a tua n o Ja rd im da s Gra ças , c o mu ni dade a trás da qua dra e uma das ci nc o qu e a R osas ga ran te a ten de r (as ou tra s são : Trivelato, Samaritano , Água Branca e A l d ei n ha) .

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Departamento Jovem

Os botões da Rosas começam a florir Com a linha do logo oficial da Escola, nas cores azul, rosa e branca, o símbolo do novo departamento representa a união e a força integradas na juventude.

“A Sociedade tem muitos jovens, mas essa juventude não tem consciência”, diz Evandro .

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Por Juliana Couto Melo

o s á bad o, 21 de o u tu br o, a S ociedade Rosas de Ouro c o m e m o r o u mai s u m a no d e vid a . C o m pl e ta n d o 35 anos, a festa reuniu freqüentadores, si mpa tiza nte s e quem ma is go s tas se d e u ma ve rda dei ra c o me mora ção. Naqu ele d ia, Angeli na Basí lio, presidenta da Escola , ofi cializ ou o Departa mento Jovem, q ue visa a tua r na inte gra çã o da ju ve n tu de fr eqüe n tad o ra da E sc ola aos proje tos q ue ela des envol ve . O p r o je t o i ni ci a do p or E va n d r o S ou s a , o me ni no das be xigas [v id e quadro], se r virá d e suporte na prepa ração do Carna val e nos p r o je t os s o cia i s , se m p re est i mul a nd o a partici pa ção da juve ntude. Outra meta do De par tamento J o ve m é pr es er var a tradi çã o e his tória da Es co la. “Cr eio qu e o Depa rt am ent o J ove m se ja um e st ág io , u ma p a s sag em; f ut u r amen t e e la p od e s e i n t eg ra r a ou t r o d ep a rta m e n t o, c om o o C u ltu ra l , ou m es m o n a H a rm on i a, t r a ba lh ar n o B ar ra c ão , a s se ss or a r a p re s ide nte”, a f i r ma E va nd ro . A pad rinha do pela V el ha Guar da da Esc ola , o D epa r ta m e n t o de s e n v ol veu p a r ce ri a i nt e r na com a institui çã o Rosas de Ouro, a fi m de atrair Uni versi dades e ONGs pa ra a rea lização de e v en t os ben ef i c en t es, e c o m o D e par ta me n t o Cul tu ral, a través de a ç ões que i n te gr em a E sc ola c o m a Vel ha Gua rda, a fim d e c riar u m e lo e n tr e pr es ente, pas sad o e fu tu ro. O objeti vo é ta mbém aca bar com a C o l o m b i n a

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d i f i cul da de de i n t erag i r co m a E s c ol a . E va n d ro , F er na nda e R i car do , r es p ec ti vam e n te c o or de na do r, se cr etá ria e te so ur eir o do Departamento, al ém de amigos, afirma m que mui tas vezes q uiseram pa rti ci par e não sabia m c o m o. A pos s i bi l i dad e d e c on he ce r a his t ó ri a da R osas de Ou ro, sa ber o sig nifi cado do pavil hão e ou tra s in fo r maç õ es s obre a in s ti tu içã o sã o o f e re ci da s p el o no vo D e par ta m e n t o, q u e e m n e nh u m mo m e n to pre t e nd e s e p r oj e ta r m a i s que qualq uer outra i déia em desenvol vi mento. C o m o r e s p e i to de f i l h o pa r a mã e , o n o v o be bê da c o mu ni dade não plane ja a tr ope lar o u tra s á reas , por ém ad ici o nar cada vez mais o c o nhe ci mento de par tici pa çã o, pr es er var a tradi ção e cul ti var amor pela Rosas de Ouro. O meni no da s Bexi gas Em 2002, Evandro Sousa, f reqü entador a té entã o es porád ic o da Es cola, re sol ve u c o mpra r be xi gas para a ni mar a to r cida n o S a m bó dr om o . A pó s o des f i l e , a pergunta era: quem trouxe as b e xi g a s ? A s s i m, c on h ec eu out r os i n te gra n te s, f ez a mig os , f oi a pr es en ta do a o p re s i d e n te Edua r d o Ba s í l i o e d efi ni ti vame n te c o me ç ou a fr eqü en ta r a Esc ola . C o n he ci do p o r m ui to s como “o menino da s bexigas” , hoje é res ponsá vel pela torcida do Seto r 6, a Torcida Fura cão Azul e Rosa .

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Ensaio

Fotos: Karina SĂŠrgio Gomes

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Ensaio

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O Encanto da Roseira

Crônica

Por Wanise Martinez A h , o ca r n a v a l ! É p o c a t ã o ch e i a d e c o r e s , d e s o n s , d e a l e g r i a . O s s e n t i d os e s tã o a g uç a d o s, o c or a ç ã o d i s pa r a d o . . . m a s . . . e s pe r e , s ó u m m om e n t o ! Pa r e m a m ú s i c a ! ! ! E s ta m o s e m s e t e m b r o . . . e e m s e te m b r o n ã o h á c a r n a v a l ! E m u i t o p r o v a v e l m e n t e , pa r a o s “ b a la d e i r o s d e p la n tã o” nã o me sm o , ma s pa r a e s sa e s co l a d e sa mb a a s p r e pa r a ç õ e s d u r a m o a n o i n t e i r o , i s s o s e m c o n t a r a r e s p o n s a b i l i d a d e s o c ia l qu e , e m p a ra l e l o à s a t iv i d a d e s c a r n a va l e s ca s , e l a a s s um i u . S i m ! C on h ec i u m a e s co l a d e s a m b a . U m a e sc ol a c o m a r o m a n o n om e e b r i l h o n o s o b r e n o m e : R o sa s d e O u r o. A q u e l a m es m a R o s a s q u e f i c a b em p r ó x i m a à Ma r g i n a l T i e t ê e qu e o u t r o r a sa c u d i u a ba t e r i a n a V i la B r a s i l â nd i a . U m a es c o l a d e sa m ba f a m o sa na p a s sa r e l a d o S a m b ó d ro m o pa u l i s t a . U m l u g a r d e r e n o m e p a ra s eu s i n c e s s a n t e s a d m i ra d o r e s. U m l a r a co lh e d o r pa r a m u i t o s f i l h o s q u e c r i a a c a d a dia. Q u a n d o nã o t e m c a r na v a l, t e m pr o j e t o s o c i a l . T e m c r i a n ç a s a p r en d e nd o a d a n ç a r, m ã es a p r e n d e n d o a c o r t a r ca b e l o s , pe ss o a s s e p r of is s i o n a l i z a n d o. A s c om u n i d a d e s a o r e d o r a g r a d e c e m , e o f a r o l – q u e a g o r a ja z va z i o - n ã o é m a i s p a l c o d e j a n e l a s d e v e í c u l o s s e n d o f e c ha d a s à s p r e s s a s e m o e d a s j og a d a s a o l éu , t a n t a s ve z e s c o m d e s c a s o. T od o s e l e s pos s u e m u m s e g u n d o lar. A o e n t r a r n a q u a d r a , d e t u d o m e a d m i r e i . Um c l i m a d e s a m b a n o a r , m e s m o c o m o f r i o q u e f a z ia lá f o ra . A o s p o u c o s , o s f r e q ü e n t a d o r e s f o r a m c h e g a n d o, a s ca d e i ra s f o r a m fa l ta nd o , a m ú s i c a f o i a u m e n ta nd o . C o n v e r sa va c o m p e s so a s d e r e g iõ e s d i f e r e n t e s , d e c l a ss e s s o c i a i s d i v e r g e n t es e d e i d a d e s t ã o d i s t a n t e s u m a s d a s o u t r a s , e s e m p r e a m e s m a a f i r m a ç ã o: “ E u a m o a R o s a s !” . Ma s a f i n a l , q u e a m o r é e ss e ? E s s e a m o r q u e a A n t ro p o l o g i a en t e n d e c om o c u l t u r a l , q u e a S oc i o l o g i a c om p r e e n d e c o m o p a r t e d a i l l u s i o , qu e o J o r n a l i s m o v ê c o m o m a t é r i a d e c a pa , qu e a L í n g ua P o r t u g u es a d e s c r e v e c o m o l i t e r a t u r a e q u e a F o to g r a f ia c o n g e l a c o m o im a g em s en s a c i o n a l . É m a i s d o q u e i s s o . É u m a m o r i n e x p l i c á v e l, q u a s e s u rr e a l . É a l g o a l é m d a m e t a f í s i c a , s i t u a d o a qu é m d e u m a t e r c e i r a m a r g e m d o r i o . U m a p a i x ã o a va s s a l a d o ra qu e s ó q u e m o s e n t e sabe. “ Q u e o r g u lh o v e r m i nh a f i l ha n a a v e n i d a ” , eu o u ç o u ma s en h o r a d i z e r c ho r os a . “ É u ma g r a nd e e mo ç ã o d e f e nd e r o p a v i l h ã o” , s e v a n g l o r i a a po r t a - b a n d e ir a o f i c i a l . “ C a r na va l e s a m ba é m i n ha v id a ” , c o n ta a ma d r i n h a d e b a t e r ia e n q u a n t o so r r i a o p o sa r pa r a u ma f o to . S a n d á l i a s be m a l ta s . V e s t i d o s m ui t o c u r t o s . M a q u i a g e m , a p e t r e c h os e a f i n s. E l a s s e a r r u m a m , s e e m b e l e z a m . S e m v u l g a r i d a d e e co m i n t u i t o m a i o r d e h o n r a r a e s c o l a . “ A R o s a s é u m a fa m í l i a . H á m u i t o r e s p e i t o e s e g u ra n ça a q u i ” , d i z u m a f r e qü e n t a d o r a . T o d a , t o d a a z u l e r o sa . O r o sa q u e v e i o d a f l or – a r os e i r a , m ã e d o s a m a n t e s d o s a m ba . E o a z u l q u e n a s c e u d e h i s t ó r i a s , h i s t ó r i a s q u e o p o v o c on t a . E q u e a l i q ü i d a çã o d e s c o n ta . Q u a n d o e m 7 1 a i r m ã d e um d o s f u nd a d o r e s f o i c o m p r a r o s t e c i d o s p a r a c o n f e c ç ã o d a b a n d e i r a , v i u q u e o a z u l e s t a va e m p r o m o ç ã o e a p r o v e i to u . P a n o s d e to d o s os t i po s . A g u l h a s c o m l i n h a s d e t od a s a s c o r e s. Mu i t a s p l u m a s e pa e t ês . O b a r r a cã o j á s e e n ca r r e g a d e a b ri g a r a s fa n ta s i a s p a ra a a p r e s e n ta ç ã o d o a n o q u e v e m . A f i n a l , a p la c a na e n t r a d a a v is a : “ F a l t a m 1 5 0 d i a s pa r a o n o s s o C a r n a v a l” . A t o d o i n s ta n t e o u ç o q u e “ O C a rn a va l n a R o s a s é d i f er e n t e ! ” e eu n ã o c o n si g o c o m p r e e n d e r . P a ra m i m – u m a l e i g a n o a s s u n t o – é t u d o m u i t o i g u a l . M a s n ã o p a ra e l e s . E d i a n t e d i s s o m e fa l t a m a d j e t i v os p a ra q u a li f i c a r , s o m e m o s a d v é r b i o s p a r a i n t e n s i f i c a r . A l g u m a s f i g u r a s d e l i n g ua g e m a t é po d e m d e s c r e ve r , n o e n ta n t o é m a i s q u e m e t á f or a , p e r s on i f i c a ç ã o o u a n t í t e s e , é q u a s e u m a e x p l osã o ca tá r t i c a . P a r a t o d o i n t e g r a n t e d a e s c o la , c a d a b a t id a na ba t e r i a ex a l a c h e i r o d e r os a s. C a d a e s t r o f e c a n ta d a s a i c o m b r il h o d e o u r o . C a d a n o ta a l c a n ç a d a n a c o n t a g e m d o s p o n t o s é u m a l á g r i m a q u e c a i . E a s l á g r i m a s s ã o d e a mor . A m o r t a l c o m o o d e u m p i e r r ô q u e , e n f i m , e n c o n t r a s u a c o l o m b i n a . Pe r s o n a g e n s d e u m a l i n d a h i s t ó r i a d e ca r n a va l. R eg a d a a R o s a s d e Ou r o .

C o l o m b i n a

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n o v e m b r o

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Ilustração: Karina Sérgio Gomes

C o l o m b i n a

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Wanise Martinez

A Colombina ap贸ia essa campanha! C o l o m b i n a

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Colombina