Page 1


FOLHA DE ROSTO

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

3


4

VI VEN D O - H ISTÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


Nas oficinas fiquei cego, me deram uma câmera e nunca mais enxerguei do mesmo jeito. Br u no Bral f p err | O fi ci na Uni ão Impe r i al ( 2006)

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

5


6

VI VEN D O - H ISTÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


SumÁrio

Parte 1: História e histórias. .......... 10 Que ideia é essa?, por Zita Carvalhosa........................................................................12 Cenas do primeiro capítulo, por Christian Saghaard....................................................16 Para fazer acontecer, por Jorge Guedes......................................................................20 Kino-memórias, por Ingrid Gonçalves..........................................................................24

Parte 2: Pensando os processos. .......... 28 Metodologia..................................................................................................................30 Quando a vontade supera a razão, por Paolo Gregori ...............................................38 Provocando olhares, por Mauro D’Addio ....................................................................40 Olhar em toda a parte, por William Hinestrosa ............................................................44 Um convite à autonomia, a partir da montagem, por Marcio Miranda Perez ..............47 Na guerrilha do cinema, por Evaldo Mocarzel..............................................................50 Arejando o debate das quebradas, por Esther Hamburguer .......................................54 Curta jovem periferia, por Gil Marçal ...........................................................................56 Olhares em todos os cantos da cidade, por Rose Satiko G. Hikiji ..............................59 A periferia no centro dos holofotes do tapete vermelho, por Laís Bodanzky..............62 Correndo pelo certo, por Carlos Cortez e Débora Ivanov ...........................................64 Parceria no desenvolvimento da juventude, por Luis Alfaya........................................66 Avaliação de impacto, por Mauricio Bacic Olic, Camila Bigio, Breno Zúnica e Adriana Campos .................................................................................68

Parte 3: Espalhando sementes........... 76 Da TV ao bairro à cidade, por Vanessa Reis................................................................78 Oficinas Kinoforum, ponto de partida e de chegada, por Moira Toledo......................82 Instrumentos para fazer a diferença, por Vânia Silva...................................................86 Coletivos audiovisuais..................................................................................................90 MUCCA........................................................................................................................92 Ecoinformação.............................................................................................................93 SACI.............................................................................................................................93 Filmagens Periféricas...................................................................................................94 Dragão Blasé Produções..............................................................................................95 Arroz e Feijão Cinema e Vídeo.....................................................................................95 Nerama ........................................................................................................................96 Grupo Ecológico e Cultural Tio Pac ............................................................................97 NCA .............................................................................................................................98

Parte 4: Anexos....................... 100 Listagem de oficinas e suas produções ....................................................................102 Participantes e colaboradores................................................................................... 132 Expediente..................................................................................................................134

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

7


FOTO: Pya Lima

8

VI VEN D O - H ISTÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


VIVÊNCIAS

Estava eu lá na Brasilândia só participando de uma reunião, sem ter me inscrito, sem expectativa, sem conhecer ninguém, até que um inesquecível aluno – oh, aquele aluno bendito! – faltou (seja lá quem ele for), e aí saí do banco de reservas rumo ao mundo. A primeira a gente nunca esquece, né? Bom, entre goles de cachaça, cachorros e cinema, fiz meu primeiro curta. Depois, entre bolachas, frio, cinema e cultura, foi a vez do segundo módulo. Aí bateu a questão… Será que nasci pra isso? Lógico que a resposta não veio, mas graças às minhas demissões de um call center e de uma rede de fast food (trabalhava nos dois ao mesmo tempo), eu só tinha uma resposta… Vai ter que ser isso… Talvez a malandragem de saber entrar e sair e o rebolado de vender o almoço para comprar a janta tenham sido fatores determinantes para eu romper a primeira fronteira, a social. Afinal, nunca pensei que entraria em um MIS ou em uma Cinemateca com direito a apresentar cerimônia de abertura e tudo…

Mas como felicidade de pobre dura pouco, aproveitei ao máximo. Tive a oportunidade de ir pra Berlim fazer (o que dessa vez eu sabia que era o que eu amava) cinema… e aquele bicho enorme que era se relacionar com gringos e playboys se transformou em ver e rever colegas de profissão. Hoje faço parte da monitoria das Oficinas Kinoforum e o mais gratificante é saber que, se eu não ajudar ninguém a ser cineasta, pelo menos posso mostrar que as fronteiras sociais e artísticas podem ser rompidas, basta a gente ter um pouco de fé, sorte e paciência. O que posso é agradecer o projeto que hoje me levou a ser um profissional na área, a ter excelentes amigos dos mais variados países, cidades e por aí vai… e ainda me dar a oportunidade de fazer amigos em outras periferias. Eder Augusto | O fi ci na B r asi lândi a ( 2003)

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

9


abertura parte 01


Foi num dia de muita chuva, em uma exibição no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo, que surgiu a ideia de criar um projeto para levar o audiovisual a jovens com pouco acesso à cultura que circula na cidade. Nesta parte, os criadores do projeto e pessoas que participaram desse processo contam suas lembranças sobre os momentos iniciais da iniciativa.


que

ideia é essa? Z it a Ca rva l h o s a produtora cinematográfica, diretora do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e coordenadora executiva dos projetos Kinoforum

Q

uando o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo foi fundado – em 1989 –, nosso objetivo não era só abrir uma janela para a exibição de filmes de curta-metragem em telas de cinema, mas também ampliar cada vez mais o público desse formato. E, conforme o Festival foi crescendo, esse desafio também se tornou maior. Trazer para as salas de exibição do Festival pessoas afastadas das grandes áreas de concentração das opções de cultura e lazer na cidade sempre esteve entre nossos objetivos. Com uma programação de cerca de 400 filmes, exibidos durante quase dez dias em exibições totalmente gratuitas, nós da equipe e os realizadores em geral sabíamos que podíamos oferecer entretenimento de qualidade para mais gente, sobretudo jovens, e que também podíamos usufruir dos novos olhares que esse contato nos traria. Como Maomé não vinha à montanha, decidimos levar a montanha a Maomé. Carregamos nossa Kombi de produção com equipamentos de exibição e levamos uma seleção de curtas-metragens para o Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo. Em meio a uma chuva dessas que a cidade conhece tão bem, montamos nossa tela e projetamos os curtas. A chuva sem dúvida atrapalhou, e o público realmente estava aquém da nossa expectativa. Porém, tivemos uma surpresa muito positiva: mais do que encontrar gente ávida para consumir filmes, encontramos pessoas que viram naqueles poucos minutos de filmes a possibilidade de botar a mão na massa. Saímos de lá com essa ideia latejando. Havia uma demanda que precisava ser atendida, e para isso convidei o Christian Saghaard, jovem cineasta que tinha organizado a projeção, inventivo como poucos, a pensar em um projeto piloto que pudesse ser oferecido a jovens em comunidades carentes, algo que os ajudasse a se apropriar daquela linguagem para dizer o que passava por suas cabeças. Costumo dizer que a linguagem audiovisual é a linguagem mais cara aos jovens, que já nasceram assistindo televisão. Hoje não há quem não se interesse por essa gramática. Ao combinar som e imagem, o audiovisual é mais

12

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


FOTO: Marcos Finotti

do que a união desses dois elementos: é uma nova forma de comunicação, que fala ao racional e à emoção, e coloca o espectador em um mundo de sensações muito mais intuitivo e interativo do que a palavra escrita. Isso foi em parte o que aquele encontro debaixo de chuva nos revelou. Para desenvolver o projeto piloto, contamos com o apoio de muitas pessoas. Todas essas conversas reforçaram ainda mais a ideia que já tínhamos de que o projeto precisava ser trans­ formador e não necessariamente formador. Que precisávamos criar uma ruptura na maneira como as pessoas assistiam o audiovisual, para que pudessem trazer seus próprios pontos de vista para os vídeos. As Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual, portanto, não são um projeto de formação profissional, mas uma provocação transformadora. Ao mostrar para os alunos o que “está por trás” da concepção, produção, captação e edição de um programa ou filme, permitimos que cada aluno desenvolva seu próprio olhar e comece a pensar o mundo de outra maneira, sem acreditar sempre que o que se vê nas telas é a verdade. É uma forma de empoderamento, que transforma espectadores em atores de suas próprias histórias.

A partir de 2002, as Oficinas se tornaram uma atividade paralela do Festival de Curtas, que se desdobra durante boa parte do ano. Daquele projeto piloto até hoje, tivemos mais de 60 turmas, com mais de 1,3 mil alunos. Para comemorar todas essas conquistas, decidimos convidar colaboradores, amigos, pesquisadores, inspirados e inspiradores, e, claro, os alunos a nos contar como foi a experiência de passar pelas Oficinas Kinoforum. Este livro, então, é uma coleção de depoimentos de pessoas que foram tocadas pela possibilidade de encontro gerada pelo projeto. Muitos agarraram essa oportunidade com as duas mãos e transformaram por completo sua maneira de ver e de viver. Outros ampliaram seu leque de amizades, desenvolveram novos olhares, construíram seus próprios caminhos e levaram consigo algo de bom. Outros ainda se incorporaram à própria equipe da Kinoforum e hoje ajudam a dar continuidade a esse trabalho. Produzir este livro nos deu muito prazer. Primeiro, tivemos de parar para refletir sobre o projeto; depois, resgatar documentos, contatos, imagens que nos ajudassem a contar essa história. E então convidar as pessoas, refazer vínculos. Quando os textos começaram a chegar... a emoção foi ainda maior.

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

13


VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

FOTO: Marcos Finotti

14

O relato dessas vivências ajudou a escrever a história e as histórias das Oficinas Kinoforum, cuja atuação, para dizer a verdade, é um trabalho de formiguinha, construído dia após dia. Essa trajetória também contou com a colaboração de apoiadores e patrocinadores que, ao longo do tempo, apostaram nessa ideia e em seu potencial transformador. E o processo não termina depois que a equipe deixa a comunidade. Por isso, também nos dedicamos a selecionar com cuidado parceiros com quem trabalhamos em cada edição. Sempre apostamos na mediação de interlocutores locais, que ajudam a criar empatia e a nos ambientar nos mais diferentes bairros de São Paulo e também em algumas cidades próximas, além de efetivamente servir como sede para as atividades. E, mais do que isso ainda, apostam que o projeto pode fazer a diferença em suas comunidades e que a semente plantada pode continuar dando frutos. Tentamos então traduzir em palavras um pouco do que essa iniciativa agregou ao longo desses dez anos, para os mais diversos atores que trabalharam diretamente nela ou que estiveram por perto. Além dos depoimentos (sempre muito pessoais), também sintetizamos a metodologia desenvolvida para as Oficinas e o resultado de pesquisas externas que reuniram dados quantitativos e qualitativos sobre o projeto. No final, a compilação de todos os vídeos produzidos ao longo desses dez anos e seus integrantes, e um DVD com uma seleção de trabalhos. Convidamos ex-alunos, colaboradores e amigos a votar em seus filmes favoritos pela Internet e combinamos os mais votados com algumas indicações da equipe para formar essa seleção. É claro que muitos vídeos bacanas ficaram de fora, mas todos eles podem ser assistidos no site www.kinooikos.com, outro projeto que surgiu impulsionado pelas Oficinas. Esperamos que tudo isso inspire novos projetos, dê força aos coletivos que surgiram a partir dos encontros promovidos pelas Oficinas – e que ainda batalham para realizar seus projetos – e transmita a satisfação que temos ao olhar para trás e contemplar nossa história e histórias.


FOTO: Marcos Finotti

DEPOIMENTO

Quando as Oficinas começaram, conversei com a Zita e o Christian sobre a abordagem do projeto. Dois conceitos fundamentais foram discutidos lá e ainda norteiam os trabalhos: a não profissionalização do curso e seu caráter de “formação do olhar”. O que vimos, na verdade, é que não se tratava de formar o olhar, pois ele já vinha muito bem formado pela televisão e pelas referências do audiovisual em geral. Veio então a ideia de “deformar” ou, quem sabe, “desenformar o olhar”. Como dizia Oswald de Andrade, é preciso desaculturar para produzir cultura. Dez anos depois, passei um dia com eles em uma Oficina e vejo que os monitores são ex-alunos, pessoas que encontraram seu lugar na sociedade. Acredito que os jovens que têm garra acabam encontrando seu caminho.

Não cabe às Oficinas traçar um caminho, mas apoiar a quem solicita e ajudar a encontrar esse caminho. Às vezes acho que o curso universitário acaba dando tudo de bandeja pro aluno e ele não precisa batalhar por nada... Conheci uma moça em outra oficina que trabalhava como gari. Ela teve a oportunidade de fazer um filme sobre lixo e gostou tanto que tirou férias para acompanhar o festival no qual o filme ia ser exibido. Quem tem garra se vira, encontra dias de folga, batalha. Minha proposta é que essas coisas estejam sempre sendo refletidas, mas que nunca se pare para pensar. A reflexão parte do resultado, com as pessoas envolvidas, para continuar e reorientar a ação. Então é preciso refletir sempre, sem parar de fazer.

Jean-Claude Bernardet | roteirista, diretor e professor aposentado da Escola de Co muni caçõ e s e Ar te s d a U SP

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

15


cenas do primeiro capítulo

C h r ist i a n Sa g h a a rd

cineasta e idealizador das Oficinas Kinoforum, das quais ainda é colaborador pedagógico.

SEQUÊNCIA 1: CAPÃO REDONDO, Zona Sul-SP – EXTERIOR – NOITE CHUVOSA Plano Geral de um grande conjunto habitacional da zona sul de São Paulo. A chuva castiga o início da noite no Capão Redondo. Ao lado dos prédios, vemos um grande terreno plano, de terra, limitado apenas pela mata de uma reserva florestal. Uma grande tela branca é erguida e esticada por um grupo de jovens, bem em frente das barraquinhas fechadas do comércio local. Um projetor de cinema é carregado e posicionado embaixo de um abrigo improvisado com lonas e cordas. Quando a primeira imagem é projetada na tela, alguns pedestres que passavam pelo local desviam seu caminho para chegar mais perto do evento. Vemos as silhuetas de moradores do conjunto habitacional se inclinando de suas janelas para olhar a exibição. Ao longe, ruídos dos diversos aparelhos de TV ligados em noticiários e novelas, rivalizando com o som dos filmes exibidos. A chuva e o vento aumentam e fazem a tela de cinema balançar. Pequenos grupos de espectadores se abrigam embaixo das telhas das barraquinhas. O ruído da chuva ecoa tão forte que encobre o som dos filmes e das TVs. Os projecionistas e monitores da equipe de produção seguram firmemente guarda-chuvas e pedaços de lona para protegerem o projetor de cinema e os equipamentos de som. A chuva aperta e parte do público desiste. Um grupo de jovens moradores do bairro se aproxima da equipe, interessados nos filmes e na tentativa desesperada de continuar projetando durante o temporal. Ouvimos os aplausos dos heroicos e ensopados espectadores no final de cada um dos filmes. Quando a sessão acaba, um pequeno grupo de jovens se aproxima da equipe de produção. Um integrante da equipe pergunta: “Gostou dos filmes?”. Os jovens respondem com outras perguntas: “Como os curtas são feitos? Com que recursos?”. Os jovens continuam a formular perguntas sobre produção audiovisual. “Eu tenho uma ideia, como fazer dela um filme?”. Os organizadores do evento se entreolham, procurando pelas respostas.

16

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


A

Acreditávamos que o domínio básico da linguagem audiovisual diretora do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo (evento que acontece desde 1989), Zita Carvalhosa, poderia permitir que todo cidadão pudesse ter uma postura ao mesmo havia me pedido para organizar exibições ao ar livre e abertas tempo criativa e crítica num mundo cada vez mais sobrecarregado de ao público, com o objetivo de aproximar o festival de populações informação e comunicação audiovisual. Os participantes das oficinas das mais variadas regiões da cidade, sensibilizando esses especta- seriam como “agentes audiovisuais” aptos a promover esse conhedores para a linguagem audiovisual como um todo e contribuindo cimento junto a seu grupo de amigos, sua família e sua comunidade. Para nós, o ensino e a produção audiovisual para toda a população para a formação de público para o cinema brasileiro. A exibição no era uma questão fundamental para o pleno exercício da cidadania. Capão Redondo foi um dos primeiros eventos dessa ação. O desafio era grande, e seria preciso formar uma equipe capaz Apesar da experiência que eu já tinha em realizar exibições em ruas, muros, praças, bares e outros locais alternativos, ficou e entusiasmada. O grupo que elaborou o primeiro projeto das claro, após a exibição no Capão, que faltava muito para que oficinas era formado por Alfredo Manevy, André Francioli, houvesse uma ligação efetiva entre a nossa proposta de apro- Rodolfo Figueiredo e Jorge Guedes. Várias reuniões formais e ximação e nosso público alvo. Nós não esperávamos os ques- informais foram realizadas para discutir os pontos fundamentais tionamentos dos jovens espectadores sobre a produção audio- do projeto. Precisávamos de uma estrutura pedagógica nova, portanto, cada visual… E foi por isso mesmo que, a partir dessa exibição, o projeto Oficinas Kinoforum cresceu como intenção de atuação; era preciso colaborador trouxe ideias e referências de outras experiências fornecer condições para que esses espectadores pudessem atuar que admirávamos, cada uma delas com suas características, como a como protagonistas num novo panorama audiovisual que se vislum- famosa Caravana Farkas, a atuação da ABVP (Associação Brasileira brava. Ou seja, proporcionar o que fosse preciso para que aquele de Vídeo Popular), as intervenções da TV VIVA, o Vídeo das Aldeias, entre outras iniciativas anteriores à nossa. grupo de jovens pudesse fazer seus próprios filmes. A primeira experiência das Oficinas Kinoforum foi realizada em parceria A Zita conversou comigo sobre essas questões e surgiu a ideia de que eu apresentasse um esboço de projeto de oficina audiovisual. com o Centro Cultural Monte Azul, e foi como um tubo de ensaio de cinema Discutimos exaustivamente os conceitos da oficina e os detalhes e pedagogia. O entusiasmo da equipe era tão grande que, apesar das aulas de produção. A Associação Cultural Kinoforum, que entre outros estarem organizadas por horários e divididas por colaborador pedagógico, todos os envolvidos acabaram participando das eventos produz o Festival Internacional de discussões, às vezes ao mesmo tempo e na Curtas-Metragens de São Paulo, ficaria Acreditávamos que o domínio mesma aula. Transformamos o encontro numa responsável pela realização das oficinas. Foi oficina experimental, que serviu para criar a então que o nome Oficinas Kinoforum surgiu, básico da linguagem audiovisual espinha dorsal da estrutura pedagógica. fortalecendo o nome da Associação. O projeto poderia permitir que todo Sobre a relação entre a equipe e as diversas promoveria a troca de saberes e experiências, turmas da oficina, o colaborador André Francioli e daria a possibilidade de que os participantes cidadão pudesse ter uma diz muito bem em blog de sua autoria que da oficina se expressassem criando seus próprios postura ao mesmo tempo criativa “… eram um choque, não eram encontros, roteiros, fotografando, atuando, dirigindo, eram processos gerados no conflito; conflito enfim, realizando curtas digitais. e crítica num mundo cada vez mais de classes, de visões de mundo, conflitos Havia chegado o momento de inverter a sobrecarregado de informação geracionais, raciais, e de entendimentos via de mão única que predominava até então sobre o mundo da imagem…”. no audiovisual brasileiro. e comunicação audiovisual.

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

17


Com o passar dos anos, outros modelos pedagógicos mais longos e detalhados foram amadurecendo, com uma proposta de continuidade a fim de aprofundar e incentivar os participantes e parcerias do projeto, criando novas formas de apoiar núcleos de produção e outras formas de garantir a continuidade dos participantes mais interessados na área audiovisual após o primeiro módulo da oficina. Bom, é claro que todo esse entusiasmo conceitual esbarrou várias vezes em dificuldades e situações novas, críticas e elogios. Afinal, o audiovisual é um instrumento poderoso de reflexão sobre nós mesmos e sobre a realidade ao nosso redor. Faz pensar, analisar e perceber quem somos. O jovem então consegue refletir sobre sua própria condição, utilizando a linguagem audiovisual com conhecimento e personalidade. É claro que o audiovisual instiga grandes esperanças de mudança pessoal e social, e os sucessos e decepções fazem parte do aprendizado dos que se empenharam em prosseguir na área. E foram exatamente as questões novas e não previstas que se transformaram no combustível para aprimorar e moldar o desenvolvimento das Oficinas Kinoforum até os dias de hoje. Quando as Oficinas Kinoforum realizaram sua primeira experiência (quatro oficinas-piloto no segundo semestre de 2001), o panorama da produção audiovisual brasileira era muito diferente do atual, com pouquíssima ou nenhuma participação das classes sociais menos favorecidas na realização e concepção de obras audiovisuais. Hoje temos oficinas audiovisuais espalhadas pelo País, a maioria delas oferecidas para jovens, além de editais específicos para egressos de oficinas audiovisuais, mostras e participações em festivais, fóruns de debates físicos e virtuais. Crescem as formas de incentivos ao ensino e à produção audiovisual em várias regiões e diferentes grupos socioculturais. A questão do ponto de vista e da representação da população no audiovisual mudou radicalmente a partir da entrada do século XXI, quando alguns fatores contribuíram para que esse acesso se concretizasse. Uma das razões apontadas como facilitadora desse acesso foram as câmeras digitais, com preço relativamente cada vez mais acessível, o que primeiramente possibilitava a realização de oficinas 18

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

com produção de qualidade. Com o passar dos anos, sabemos que os modelos de câmera se multiplicaram, e hoje mais da metade dos cidadãos brasileiros tem câmeras instaladas em celulares, gravando milhões de imagens todos os dias. O processo tecnológico foi turbinado com a internet e novos programas de tratamento e edição de imagem. Desde o início da história do audiovisual brasileiro até o final do século XX, a maioria da população brasileira ou não era representada nos filmes, ou era representada apenas do ponto de vista da classe dominante, embora tenham ocorrido algumas propostas estéticas de aproximação. A primeira imagem filmada no Brasil foi captada em 1898 por Afonso Segreto, apenas três anos depois da primeira exibição pública cinematográfica, em Paris. Segreto comprou câmeras e equipamentos de filmagem na Europa e, ao voltar para o Brasil, ainda dentro do navio Brésil, filmou um plano da chegada à Baía de Guanabara (RJ). Uma imagem bastante simbólica da entrada do cinema no nosso país. Das mais diversas propostas de mudança de pontos de vista na produção audiovisual brasileira, vale destacar o Cinema Novo e filmes como Rio 40º (1955) e Cinco vezes favela (1962), nos quais os cineastas, assim como o pensamento jovem politizado da época, subiram o morro com a intenção de apresentar outras perspectivas, dar voz e visibilidade ao povo e fazer denúncia social. Os temas urbanos foram crescentemente tratados pelo cinema brasileiro e a representação da favela passou a privilegiar o debate das grandes questões nacionais. Atualmente, existem centenas de oficinas audiovisuais para jovens, que estão realizando suas produções e trazendo essa linguagem como ferramenta de entendimento e relacionamento com o mundo ao redor. Dispomos de uma produção mais diversificada do ponto de vista de quem realiza, com novos olhares para a criação de suas próprias histórias e a construção de suas obras. O novo e recente Cinco vezes favela, originalmente dirigido por Cacá Diegues, agora tem nova versão feita “Por eles mesmos”. Vozes das cidades de deus e de novos diabos das terras surgem e ganham vida.


beco sem saída

VIVÊNCIAS

Na época eu participava das atividades do Circo Escola São Remo, e a Rita, coordenadora, me falou das Oficinas e perguntou se eu gostaria de participar. Aceitei no ato e curti muito todo o processo que resultou no curta Beco sem saída, que aborda a violência no cotidiano da juventude da periferia. Em 2009, surgiu a oportunidade de desenvolver outro trabalho no campo audiovisual, que foram os curtas O olho do berimbau e Griô urbano, no Ponto de Cultura Amorim Rima, do qual faço parte. Ainda em 2009, fui selecionado pelo edital Nós Na Tela, voltado para jovens diretores egressos de projetos sociais e mais uma vez o destino me pôs ao encontro do meio audiovisual. Desse processo saiu o curta Arquitetura da exclusão, que documenta o processo de pacificação na cidade do Rio de

Janeiro, mais especificamente na comunidade de Santa Marta. Com este curta ganhamos o segundo lugar na Mostra Competitiva Nós Na Tela. Paralelo ao processo de produção do curta, participei das Oficinas Kinoforum Módulo II, quando fizemos a montagem do curta Feito. Participar das Oficinas foi um grande aprendizado. Além de aprender sobre o cinema e o campo audiovisual, também aprendi a me relacionar com as pessoas, a ser mais crítico e também a aceitar as críticas como construtivas. Nessa caminhada conheci vários amigos, alguns já perdi o contato, mas não o aprendizado obtido nas Oficinas. Fico feliz com a continuidade do projeto, e que ele possa transformar ou acrescentar algo na vida de outras pessoas também.

Adelvan de Lima Nunes | O fi ci na São Re mo (2002)

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

19


para

fazer

acontecer J o rg e G u ed es

produtor cinematográfico, sócio da produtora Cinegrama Filmes e atual coordenador das Oficinas Kinoforum.

É

muito motivador para mim escrever sobre esse trabalho, ao mesmo tempo em que vejo a empolgação dos novos alunos que participam da oficina que acontece neste momento, e que – depois de 10 anos – continua fresca, emocionante e viva. Lembro-me bem de quando, em 2001, recebi o convite do Christian Saghaard para integrar a equipe das Oficinas Kinoforum. Um dos idealizadores do projeto e na época coordenador das oficinas, Christian já estava apaixonado pelo processo todo. Ele, Alfredo Manevy e Rodolfo Figueiredo compunham a espinha dorsal do processo. Todos muito empolgados, artistas e criativos, falavam dos alunos com paixão. Precisavam de um produtor para fazer acontecer. Alguém que organizasse tudo, pegasse no pé, cuidasse do todo. Pensasse no cronograma, na estrutura, nos alunos e na equipe. Minha formação em cinema foi sempre direcionada para a produção cinematográfica. Portanto, meu trabalho sempre foi esse: organizar, colocar de pé. E somado a isso, minha paixão por cinema. Produzir e pesquisar para fazer filmes também nos dá oportunidade de conhecer o mundo à nossa volta e de sair de nosso pequeno círculo de vida e relações sociais limitadas. Assim, trabalhar com audiovisual na periferia, fazer essa troca de experiências com os alunos, me pareceu fascinante. E aí, topei, claro. Para trabalhar nas Oficinas, precisamos gostar de cinema, do trabalho social e de desbravar e conhecer pessoas de outros universos e experiências. Estar disposto a enriquecer nosso repertório pessoal. Essa troca é emocionante. Muitas vezes parece que estamos lidando com crianças curiosas. Outras, com artistas ferozes, radicais. Alguns trazem olhares mais contemplativos, uns não sabem bem o que fazem ali, mas sabem que estão gostando de fazer parte e aproveitam cada momento. Claro, só fica quem gosta e posso dizer: normalmente, quem se candidata, fica. De modo que em 2001, quando entrei, já havia acontecido duas oficinas: a do Monte Azul e a da Cohab Raposo Tavares. Regiões bem diferentes uma da outra, mas ambos bairros da periferia de São Paulo.

20

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


Movidos à paixão

Desde o início, sempre tivemos a proposta de apresentar linguagens Minha participação começou no contexto da produção de uma cinematográficas inovadoras e criativas e, ao mesmo tempo, realizar das oficinas mais radicais de nossa história, a da Freguesia do Ó. uma vivência intensa do cinema, simulando um pouco a imersão A fúria dos alunos, o turbilhão criativo, somou-se ao espírito revolu- completa que uma equipe de cinema faz em fase de pré-produção cionário do Christian e do Alfredo, que provocaram, testaram, riram e filmagens. e se divertiram com o radicalismo que surgiu ali. Fomos censurados Para dar o pontapé inicial a cada oficina nas comunidades, pela Polícia e fui chamado a depor por causa da exibição dos curtas propúnhamos um encontro com os alunos selecionados uma hora que saíram desta oficina. Para se ter uma ideia, havia desde um antes de uma projeção de curtas. Nesse encontro, fazíamos uma padre transando com uma melancia até um policial fardado espan- rodada de apresentação dos alunos e, em seguida, assistíamos a cando a câmera com a coronha do revólver. No curta mais ameno, uma projeção aberta ao público, na qual exibíamos diversos curtas, sugeria-se uma troca de casais, em que duas meninas se beijavam dos mais diferentes países. e os dois rapazes saíam abraçados. Atualmente essa exibição aberta à comuO que pude aprender nesse tempo todo nidade ocorre ainda durante as inscrições e Precisavam de um produtor é que a paixão é mola propulsora de nosso os encontros podem se dar posteriormente. trabalho. Foi sempre a base de tudo. No início Os curtas que mostramos hoje são produzidos para fazer acontecer. era um pouco mais caótico, mas, com o tempo, no contexto das oficinas anteriores. Temos Alguém que organizasse tudo, fomos organizando melhor, canalizando o poatualmente uma produção muito vasta e tencial criativo. Muitas contribuições foram achamos ainda mais legal mostrar esses pegasse no pé, cuidasse do todo. recebidas de outros profissionais que vieram vídeos para o público. Pensasse no cronograma, na para dar aulas e colaborar no processo pedaDepois dessa abertura, vinha a primeira gógico, sempre tentando manter o frescor e a aula de fato, dividida entre o coordenador e estrutura, nos alunos e na equipe. liberdade criativa. o colaborador pedagógico. O primeiro falava O ponto principal de nosso trabalho é o mais da evolução da linguagem ao longo da processo de aprendizado dos alunos. O enriquecimento cultural, história e o outro analisava a questão das nomenclaturas e gramátiintelectual e até humano de cada um. E, por consequência, também ca audiovisual. Muitos filmes eram exibidos, de Méliès a Buñuel, do o nosso enriquecimento enquanto educadores e pessoas. Não que- cinema marginal ao cinema de terror do Sam Raimi. remos fazer-obras primas, não queremos ganhar prêmios. Queremos Os alunos, que muitas vezes vinham de realidades de poucos aprender e principalmente fazer e fazer. Entender como se faz e por recursos financeiros e que em sua maioria jamais tinham tido conque se faz filmes. tato com a produção cinematográfica mais inventiva, arregalavam Ao mesmo tempo, vibramos quando saem bons filmes. E torcemos os olhos e davam asas à imaginação. Essa sempre foi a proposta: por isso. Nos esforçamos para mostrar aos alunos que experimentar é mostrar filmes que não passam na TV nem no cinema comercial. Os preciso. Fazer o básico, o tradicional, todos já fazem. A TV, o cinema resultados eram e continuam sendo surpreendentes. comercial. Nós podemos experimentar, fazer diferente. Ter a nossa A divisão da turma em grupos ocorria sempre no final do domingo. cara. Buscamos sempre mostrar isso aos alunos. E acho que eles Os grupos eram divididos por propostas estéticas e ideias de roteiros, também ficam muito felizes quando o resultado salta aos olhos e que extraíamos das próprias fichas de inscrição dos alunos. Divididos, ganha projeção em festivais ou outros contextos que antes eram eles se reuniam para trocar seus contatos e combinar de terminar o muito distantes da realidade deles. roteiro iniciado em sala.

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

21


FOTO: Beth Giroto

No outro final de semana, já saíam para as gravações durante os dois dias inteiros. Nas pausas, assistiam ao material gravado, quando era possível. No último final de semana, se dedicavam à edição e, no final do último dia, à exibição, quando podíamos ver e comentar o resultado do trabalho. Esse dia é sempre triste e divertido. Triste porque já brota uma saudade da turma, e divertido, pois vibramos junto com eles com o resultado. Em outro momento, durante o Festival Internacional de CurtasMetragens de São Paulo, nossa equipe voltava aos bairros das oficinas e mostrava os curtas produzidos ali e em outras edições, numa exibição aberta ao público.

Aperfeiçoando sempre

Uma das grandes dificuldades no início era que os alunos se encontrassem durante a semana. Às vezes chegavam para gravar sem ter decidido nada, o que atrapalhava o trabalho da produção. Não que isso nos assustasse, mas dava um trabalho do cão! Não achávamos que prejudicava o resultado, mas era desgastante e, na minha opinião de produtor, podia ser evitado... Com o passar do tempo, começamos a organizar isso. Passamos a fazer um acompanhamento durante a semana, ligando para os alunos

22

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

e acompanhando o desenvolvimento do roteiro. Isso facilitava o planejamento das gravações e a logística de transporte. Atualmente, esse acompanhamento evoluiu para a divisão dos grupos por temas ainda no primeiro dia de aula. No segundo dia, antes ou depois de fazerem os exercícios práticos de câmera, os grupos se reúnem para escrever os minirroteiros. Com isso, podemos acompanhar mais de perto, pois passamos pelos grupos esclarecendo dúvidas, ajudando-os a pensar as estratégias de produção e o desenrolar das próprias histórias. Durante a semana, ficamos mais preocupados, portanto, com as questões de produção. Outra questão que mudou foi o fato de que atualmente nossa equipe é formada em sua maioria por ex-alunos que se especializaram no uso dos equipamentos de gravação digital e no uso dos softwares de edição, e que hoje acompanham as aulas práticas, gravação e edição dos vídeos. Isso tornou a relação entre equipe e oficineiros muito próxima, pois quebra um bocado a distância entre professor e aluno. Sem contar que as dúvidas de outrora que nossos monitores tiveram são muitas vezes semelhantes às dúvidas dos alunos de hoje. Isso cria uma cumplicidade entre eles. Muitas vezes os olhos brilham


você vê o que eu vejo

com a perspectiva de um dia tornarem-se também instrutores e chego a ouvir palmas e risadas nas aulas, uma cumplicidade empolgante para nós. Continuamos convidando como colaboradores pedagógicos profissionais do mercado, realizadores de curtas ou longas metragens, de ficção ou documentário, para a primeira aula de sensibilização à linguagem cinematográfica e acompanhamento posterior, mas a parte técnica e prática é orientada pelos monitores. Muitos deles também já estão se profissionalizando e trabalhando no mercado em filmes e projetos culturais. Sentimos uma mudança também no perfil dos nossos alunos. A periferia mudou e hoje está muito mais desenvolvida. As pessoas têm acesso às novas tecnologias, e, ao mesmo tempo, as oportunidades de ensino superior se multiplicaram com a proliferação de bolsas de estudo e outros apoios oficiais. Atualmente, vários de nossos alunos acima de 20 anos estão na faculdade. Ainda se encontram pessoas marginalizadas a tudo isso, e nosso acesso a elas parece ser mais difícil. Talvez porque estejam mesmo mais isoladas. De todo esse período em que estamos trabalhando nas Oficinas, vejo que a proposta pedagógica e artística continua com foco no cinema e no criativo, no intuito de experimentar sempre que possível. E isso continua em ação. Porém, a estrutura de nosso trabalho mudou ao longo do tempo e foi evoluindo para um novo patamar de organização. O perfil dos vídeos mudou também e varia conforme a colaboração pedagógica dos profissionais convidados, de acordo com o local, com o perfil dos alunos inscritos e selecionados. E muda também à medida que as pessoas mudam, a situação política do país se altera e as condições sociais se transformam. atualmente, nossa equipe Hoje as Oficinas Kinoforum ampliam seu trabalho e sua influêné formada em sua maioria por cia no universo audiovisual. Várias ex- alunos que se especializaram outras oficinas e projetos estão consolidados também e compleno uso dos equipamentos de mentam o nosso trabalho. A cada gravação digital e no uso dos ano, ampliamos nossos horizontes e aperfeiçoamos o que é possível. softwares de edição, e que hoje Com toda a certeza, nosso amor acompanham as aulas práticas, pelo trabalho nos faz desejar longa vida ao projeto. gravação e edição dos vídeos.

VIVÊNCIAS

Conheci a Kinoforum em novembro de 2010. Antes disso eu não tinha um foco profissional e a Kinoforum me ajudou muito nisso. Porque, além de mostrar uma realidade que eu não conhecia ainda, me ofereceu todas as oportunidades pra conhecer... e assim cresceu um amor pelo cinema, graças à Kinoforum e seus participantes que sempre acreditaram na minha vontade e capacidade! Acho que a Kinoforum foi fundamental pra mim pelo fato de eu estar cada dia mais buscando um espaço no mundo do audiovisual. Ne go Bala O fi ci na V ila Alp ina (2010)

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

23


kino-memórias I n gri d G o n ça l ves foi aluna e produtora das Oficinas Kinoforum, hoje é gerente de salas da Cinemateca Brasileira.

— André, já fez o check-list? — Já tá tudo na Kombi, mina! — Legal, vambora!

“A vida é a imitação de algo essencial, com o qual a arte nos põe em contato” Artaud

24

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

É

ramos dois sempre, eu e o André Oliveira. Essa era nossa conversa padrão de todas as manhãs, antes de sair da Kinoforum a caminho do local onde seriam realizadas as Oficinas. Ele era monitor, acompanhava os grupos durante as gravações e cuidava dos equipamentos. Eu era produtora de set, gerenciava os cronogramas de trabalho e a logística da equipe e dos alunos. Eu e o André sempre estávamos lá, juntos, tentando equacionar a melhor forma de aproveitar os recursos que tínhamos. Em 2004, eu trabalhava como assistente de produção em um canal de televisão. Estava no segundo ano da faculdade de Rádio e TV e tinha conseguido essa oportunidade com o professor Edwin Perez, que era diretor de três programas no canal. Era meu primeiro contato com o universo audiovisual fora do espaço acadêmico, estava muito empolgada. Embora a cidade de São Paulo seja minha terra natal, morei por muito tempo no interior do Estado e, a essa altura, eu não conhecia nada na cidade grande. Edwin me apresentou diversos centros culturais e espaços de pesquisa. Um deles foi a Associação Cultural Kinoforum. O primeiro contato se deu por um compromisso profissional. Dentre minhas atividades como


FOTO: André Oliveira

assistente dele no canal, eu tinha que ir até os realizadores para coletar e depois organizar as mídias dos curtas-metragens que eram exibidos no programa Frame. Um belo dia, fui até a Kinoforum buscar umas fitas com filmes das Oficinas, que seriam exibidos no programa. Até aí, nada de mais. Pega a fita ali, assina aqui, essas coisas. Ao chegar no canal, assisti a alguns curtas das Oficinas e fiquei muito curiosa. Quem fez esses filmes? E se eu quiser fazer um desses também? Alguns dias depois, andando com o Edwin na Vila Madalena, ele encontrou um amigo de faculdade. Era o Jorge Guedes, produtor das Oficinas Kinoforum. Entre uma atividade e outra no canal, papo vai, papo vem, perguntei ao Edwin como eu poderia participar. Ele me disse que tinha que esperar abrir inscrições etc. Fiquei com essa ideia na cabeça, mas segui minha rotina. O ritmo dos estudos somado com o do trabalho estava bem puxado. Na faculdade, conheci a Melina, veterana do curso, que sempre tinha o cabelo colorido, geralmente rosa. Ela fazia alguns trabalhos para o Edwin como operadora de câmera de outro programa que exibia shows de bandas de rock alternativo, o Hangar. Ficamos muito amigas, éramos colegas de trabalho. Finalmente um respiro! As férias de julho estavam para chegar. Eu não fazia ideia de como ia aproveitar esse tempo, pensava em me enfiar em alguma mostra de filmes, como estava me habituando a fazer em todo tempo livre que tinha. Cheguei a assistir a quase todos os filmes do Fellini em uma mostra do CCBB, ouvia muitas coisas do acervo musical do Centro Cultural São Paulo e tinha acabado de descobrir que podia ler jornais e revistas atuais gratuitamente no

Itaú Cultural. Estava começando a gostar da minha cidade materna, muito mais do que do interior. Um belo dia, a Melina me liga. — Abriram inscrições para uma oficina de animação da Kinoforum, é em Pinheiros, superperto. Vamos fazer? — Demorô!!! Vamos nos inscrever já!! Na ficha eu já avisava que não sabia desenhar nadica de nada, mas que gostava de cinema, queria muito aprender e fazer outras coisas que não fossem relacionadas ao desenho em si. Aprovadas e felizes, fizemos o curso juntas. Realizamos o curta-metragem Um amor salgadinho, uma história de amor inusitada entre uma coxinha e um pastel de boteco. Foi muito divertido! Logo soubemos que as inscrições para o Módulo II já estavam acontecendo. Nos inscrevemos e fizemos o curso. As escolhas das áreas foram óbvias: eu escolhi fazer produção e ela, fotografia, claro. Ficamos juntas, éramos duas amigas unidas e felizes em meio a todo aquele universo criativo e novo que se desenrolava nas salas de aula montadas no porão/estacionamento do Centro Cultural São Paulo. Uau! Era tudo que eu queria. Trabalhar com arte na metrópole era bem diferente e muito mais divertido do que ser gerente de loja de perfumes no interior. Foi aí que, em meio a tudo isso, antes mesmo do curta Roda Real, que meu grupo produziu, ser finalizado, que veio o convite do Jorge: — Ingrid, você quer trabalhar conosco nas Oficinas? — Uau, quero sim, claro! Quando começo? — Agora! Você pode por favor organizar aquelas mesas ali e montar o lanche da tarde pro pessoal?

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

25


Depois disso, não parei mais. Sempre que aconteciam Oficinas, e de fora, alunos das Oficinas e equipe do Festival, dançaram muito o Jorge me chamava. Como eram sempre em algum bairro distante ao som das bandas. Fora das oficinas poucas pessoas me conheciam, mesmo o pessoal do centro, tínhamos muitas reuniões sobre o planejamento e o andamento das atividades no caminho. Enquanto a equipe ia na Kombi, eu do Festival não sabia quem eu era, pois o meu trabalho era mais em acompanhava o Jorge no carro dele e fazíamos nossas reuniões de campo, no local das Oficinas. Eu passava pouco tempo no escritório. produção no tempo de translado. Quando ele não ia, eu estava sempre De repente, a Thalita veio me contar que no meio da festa a principal pergunta dentre a equipe do Festival era a identidade da idealizadora conectada com ele pelo celular. Cruzamos a cidade de cabo a rabo, conheci muitos lugares e da festa, que poucos conheciam, mas sabiam que era da equipe. pessoas diferentes. Todas, sem exceção, me ensinaram muito. Foi um sucesso! Fiquei muito feliz! Alguns dias depois a Beth Sá Freire, diretora-adjunta do Festival Algumas mudaram a minha vida e a minha história. Em 2006 aconteceu um fato histórico. As fitas VHS estavam de Curtas, me disse: — Já chega de você só trabalhar nas Oficinas, você precisa vir condenadas ao desuso. O DVD era a nova mídia padrão para fins trabalhar com a gente no Festival! domésticos. Para acompanhar o processo, a Kinoforum resolveu Não cheguei a trabalhar no Festival, mas a Beth logo me indicou lançar o primeiro DVD das Oficinas Kinoforum. Quem me contou isso, todo empolgado, foi o Christian Saghaard, que na época era para produzir uma oficina de realização audiovisual para o Festival Mix o coordenador do curso e atualmente é um grande parceiro meu. Brasil. Produzi essas oficinas e acabei ficando de 2006 até 2009 Eu e o André Oliveira conversando, tivemos a ideia de propor uma por lá, relembrando as épocas da minha faculdade de Rádio e TV festa para lançar esse DVD e coroar esse momento tão importante. inacabada, trabalhando como coordenadora, técnica de áudio, locuDesenhei um projeto, meu primeiro projeto. No final de semana tora e sonoplasta da Web Rádio Mix Brasil. Foi um período muito seguinte, levei para o Christian ver. O André me ajudou a apresentar interessante, no qual me envolvi muito com estudos técnicos de e complementou as ideias. O Christian adorou, colocou o nome de áudio. Também aproveitei a pesquisa musical intensa que eu “Manifesta”. A ideia era simples, juntar a fome com a vontade de realizava diariamente para a rádio para fazer alguns frilas como DJ, comer. Como eu conhecia e tinha amizade com os integrantes de sob o pseudônimo de DJ Lady Acid. Outra longa história, que fica diversas bandas do circuito de rock alternativo da cidade, propus pra outra hora. Além de todas essas oportunidades, através da Kinoforum trabalhei fazer um evento com essas bandas, que não cobrariam cachê, apenas queriam ter seu nome no catálogo do Festival Internacional de em alguns curtas-metragens, fui assistente do Jorge Guedes em Curtas-Metragens de São Paulo, também produzido pela Kinoforum. sua produtora, e também de outros cineastas, dentre tantas outras Como eu era bem novinha na produção de eventos, a Zita comprou portas que se abriram e que tiveram origem nas Oficinas. Outro momento marcante foi a ideia, mas pediu para que a a participação no documentário Thalita Ateyeh, então produtora do Cinema de Guerrilha, de Evaldo Festival, me ajudasse nas negoNo final de 2009, eu estava procurando um Mocarzel, gravado durante uma ciações. Foi um evento incrível, trabalho fixo. Fiz diversos frilas e estava cansada oficina realizada em Sapopemba, no meio do Festival de Curtas! na zona leste. No filme eu partiConseguimos realizá-lo em uma da inconstância dessa vida. Queria virar gente cipo tanto da produção, que se das melhores casas de rock da grande, alugar um apê, essas coisas que a fundiu com meu trabalho de procidade, o Clube Belfiori. Pessoas dutora de set das Oficinas, como que estavam no Festival, do Brasil gente sonha quando começa a se estabilizar na vida. 26

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


FOTO: Pya Lima

do enredo em si, pois o Evaldo adotou um estilo metalinguístico e elegeu os membros da equipe como personagens do filme. No final de 2009, eu estava procurando um trabalho fixo. Fiz diversos frilas e estava cansada da inconstância dessa vida. Queria virar gente grande, alugar um apê, essas coisas que a gente sonha quando começa a se estabilizar na vida. Morava há algum tempo dividindo um apartamento com mais quatro amigos incríveis, mas queria mais privacidade. Novamente bati na porta da Kinoforum. Em agosto de 2009 frequentei o Festival praticamente todos os dias na Cinemateca Brasileira, tentando enxergar alguma oportunidade. Conversando com o pessoal, me disseram que havia vagas na Cinemateca, no setor de Programação. Fui atrás e acabei contratada. Desde então, trabalho na Cinemateca Brasileira, como gerente das salas de cinema, onde atuo coordenando a equipe das salas e cuidando da manutenção geral dos espaços. O mais legal, e o que acredito ter sido meu diferencial no momento da contratação, é que a Cinemateca precisava de mais do que um simples gerente que conferisse o dinheiro do caixa. Eles precisavam de alguém versátil, que tivesse conhecimentos técnicos, administrativos e muito pique para dar conta de todas as transformações que o espaço necessitava. Exatamente os conhecimentos de que eu dispunha, somados em minha trajetória até então. Além de todas essas atribuições, veio um presente muito interessante nesse pacote, que fecha o ciclo que começou anos atrás.

Na Cinemateca, eu supervisiono a equipe de projeção, junto com o projecionista-chefe Alexandro Genaro. Enquanto cuido de diversos detalhes para recepcionar bem os visitantes do espaço, acabo assistindo a muitos filmes ou, pelos menos, muitos trechos. Aprendo muito, diariamente, com as histórias de vida e de profissão desses cavaleiros solitários, que, do alto da cabine de projeção, enquanto o público embarca em uma viagem mágica nas poltronas da sala escura, se preocupam com diversos parâmetros do maquinário de exibição. Em 2010, depois de alguns conselhos dados pela Zita Carvalhosa, resolvi retomar minha vida acadêmica, interrompida depois de dois anos e meio de faculdade de Rádio e TV. Tentei fazer faculdade de Administração, por gostar de gestão e planejamento, mas não gostei tanto do curso e fiz apenas um semestre. Resolvi então tentar prestar vestibular na USP. Estudei muito durante o segundo semestre e consegui! Sou atualmente aluna do curso de graduação em Gestão de Políticas Públicas, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, na USP Leste. A semente que iniciou sua germinação nas Oficinas Kinoforum me fez colher muitos bons frutos em minha vida. Muito além de técnicas cinematográficas, aprendi a me relacionar, a respeitar as opiniões criativas de meus colegas e alunos e aprendi algo que creio ter sido uma das maiores lições que tive na vida: sempre existe outro ângulo para se posicionar uma câmera.

PA RT E 1 : H I STÓR I A E H I STÓR I A S

27


Alguns dos colaboradores pedagógicos que participam ou já participaram das Oficinas Kinoforum falam sobre sua experiência. Convidados que conhecem o projeto também apresentam algumas reflexões. Uma síntese da meto­ dologia e uma seleção de dados interessantes que resultaram de duas pesquisas realizadas com participantes das Oficinas complementam a seção.


metodologia Nas próximas páginas, apresentamos uma síntese dos aspectos essenciais do projeto das Oficinas Kinoforum, como seu público-alvo, objetivos e metodologia, que juntos colaboram para a compreensão do livro como um todo.

FOTO: Beth Giroto

Público-alvo

O projeto foi criado e desenvolvido tendo em mente o público jovem, especialmente moradores de comunidades que pouco frequentam o circuito de fruição, produção e formação cultural, ainda muito concentrado nas regiões centrais da cidade e, muitas vezes, de acesso difícil devido ao alto custo. Mesmo com foco nesse público prioritário, vale destacar que cada oficina tem seu contexto e que, em diversas ocasiões, são selecionados participantes que fogem do perfil, o que é uma opção que valoriza a riqueza do intercâmbio entre diferentes histórias, condições e formas de ver o mundo. O perfil do público foi se alterando em sintonia com as mudanças conjunturais do País. Hoje, os jovens têm muito mais acesso a equipamentos que permitem a gravação e edição de imagens, assim como sua veiculação na internet. Além disso, cresceu o acesso ao ensino superior: segundo o Censo da Educação Superior 2010, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), entre 2001 e 2010, o crescimento do acesso ao ensino superior no Brasil foi de 110,1%. Dessa forma, o projeto pedagógico também sofreu adaptações, para acompanhar as transformações de seu público.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

31


FOTO: Beth Giroto

Objetivos

Os principais objetivos das Oficinas Kinoforum são:  Sensibilizar o modo de olhar dos participantes, contribuindo para

que tenham uma visão crítica em relação aos produtos audiovisuais que acessam e ampliem assim seu repertório cultural;  Aproximar a população do cinema, como forma de expressão popular;  Estimular o crescimento e o interesse do público-alvo, no que se refere à produção audiovisual e cultural como um todo;  Contribuir para consolidar a cidadania cultural dos jovens participantes, especialmente no que se refere à fruição e criação cultural.

Os fatores que transformaram o público-alvo sem dúvida movimentaram as reflexões e discussões sobre os próprios objetivos do projeto. Até que ponto continua a fazer sentido a proposta inicial, já que produzir vídeos se tornou tão acessível com o surgimento de celulares, câmeras fotográficas e computadores cada vez mais baratos? E já que mais jovens das camadas de baixa renda hoje chegam à universidade?

32

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Observando os objetivos da ação, para a aplicação do projeto interessa mais o processo do que o resultado:  a compreensão de elementos da linguagem audiovisual e

no que eles implicam ou podem implicar;

 o exercício da construção de discursos e de interpretação

de produtos audiovisuais em circulação;

 a expressão e a negociação de posições diferentes em

ações coletivas.

Isso porque a realização audiovisual, para qualquer finalidade, implica em responsabilidade para a nova geração de comunicadores em linguagem audiovisual. A formação técnica e/ou profissional é um lado da moeda; mas a cultura como aprimoramento humano e compartilhamento de saberes que potencializam o desenvolvimento pessoal são os aspectos que norteiam o desenho das Oficinas Kinoforum. Assim, a principal motivação do projeto é, partindo do interesse dos próprios jovens, estimular e apoiar a ação de cada um deles como sujeitos da transformação social e cultural de sua comunidade, tendo a arte como meio de crescimento pessoal e coletivo.


FOTO: Mariana Hidemi

Estrutura

pedagógica

A linguagem audiovisual é uma forma privilegiada de comunicação e expressão artística. As Oficinas Kinoforum propiciam o entendimento do fazer audiovisual como ambiente de trocas de saberes e construção coletiva, como mobilizador e multiplicador de ações transformadoras. A metodologia das Oficinas Kinoforum sofreu algumas adaptações no decorrer dos anos, mas suas bases se mantêm as mesmas. Os ajustes e opções foram feitos considerando as demandas, a avaliação das experiências concretas e a reflexão sobre as transformações de contexto e do público a que o projeto se direciona. Portanto, existe uma estrutura, mas a equipe do projeto está sempre atenta às necessidades de mudança. O trabalho começa com a exibição de curtas e trechos de filmes. Toda a discussão teórica durante a oficina é apoiada por material fílmico, obras que utilizam desde a linguagem clássica até a experimental, visando expor os alunos a novas possibilidades, com ênfase na diversidade e com a preocupação de apresentar novas formas de ver e representar o mundo. A partir dessas possibilidades, os participantes tomam contato, então, com a prática e exercitam a construção de seu próprio discurso audiovisual. As oficinas são ministradas em dois módulos diferentes, cujos formatos serão apresentados a seguir. O chamado Módulo I é introdutório, rápido e itinerante, visando a sensibilização audiovisual; o Módulo II surgiu da convergência entre a intenção da equipe de realizar uma atividade de aprofundamento e a demanda de jovens que participaram do Módulo I e demonstraram interesse em continuar a formação. O Módulo II é subdividido em áreas de interesse e oferecido em equipamento público localizado na região central da cidade. O projeto também já ofereceu oficinas com formatos diferentes e pontuais, a partir de necessidades específicas de parceiros e do público envolvido.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

33


oficina módulo i Duração: 50 horas. Formato: aulas durante três finais de semana consecutivos, sábados e domingos, das 9h às 18h. No de participantes: 20. Vídeos realizados: 4, com 5 minutos de duração cada.

O Módulo I se propõe a ser o primeiro contato mediado dos participantes com a linguagem audiovisual. É, por opção, uma oficina de curta duração que visa provocar a reflexão sobre a linguagem audiovisual, estimular o uso dessa linguagem e contribuir para uma ampliação dos horizontes dos participantes, estimulando o trabalho coletivo na construção de um discurso audiovisual. Este módulo é oferecido de forma itinerante. Cada edição ocorre em um bairro da cidade de São Paulo (e eventualmente, outras cidades) e com um parceiro local diferente.

Parceria local

A parceria local é uma das bases da realização do projeto e é a primeira via de comunicação entre a Kinoforum e a comunidade onde será oferecida a oficina. Esse parceiro é uma organização já atuante no bairro onde ocorre a atividade, que conhece o público local e acredita que o projeto pode ser de interesse daquela população. O parceiro cede o espaço para a realização da oficina e é fundamental para a divulgação capilarizada na região. Recebe, ainda, as inscrições, que são feitas no local de realização da oficina. A oficina inicia sua atuação na comunidade com uma exibição de curtas-metragens realizados em edições anteriores, a fim de apresentar o projeto e divulgar as inscrições. A sessão ocorre no espaço do parceiro local, em escolas públicas da região ou mesmo a céu aberto, conforme uma ou outra opção se apresente como mais interessante para aquela localidade.

34

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Seleção

Para participar, os candidatos preenchem uma ficha de inscrição simples, que procura identificar os mais próximos ao perfil do público-alvo, que demonstrem forte motivação e tenham a disponibilidade para se dedicar a essa experiência durante três finais de semana consecutivos, o dia todo. Na ficha são feitas perguntas simples como sobre que tema faria um filme, quais cenas da sua região gostaria de mostrar em um filme, por que gostaria de fazer a oficina e se teve experiência anterior. Também são solicitados dados cadastrais e pessoais, incluindo idade, ocupação, escolaridade e se realizou seus estudos em instituição pública ou privada, sempre visando obter elementos que colaborem no processo de seleção dos participantes. Por exemplo, são prioridade os interessados que morem na região da oficina, que tenham frequentado o ensino fundamental em escolas públicas, sem experiência anterior na área audiovisual. O número médio de inscrições em cada edição do Módulo I é de cinqueta candidatos. Além dos selecionados, é preparada uma lista de espera, para cobrir eventuais desistências.

Equipe

A formação da equipe é um fator decisivo no projeto. Cada edição de oficina Módulo I conta com a participação de um colaborador pedagógico, que é um profissional da área audiovisual convidado pela coordenação e que traz sua experiência para o formato básico da oficina. Ele é o responsável por apresentar aos jovens os elementos da linguagem audiovisual, exercitar a interpretação sobre os conteúdos e orientar a realização dos vídeos em conjunto com o coordenador. Com isso, cada oficina, mesmo com uma estrutura básica, também vê suas rotinas serem quebradas com a rotação de colaboradores pedagógicos, cada um com um olhar e uma proposta junto aos alunos. Tornou-se essencial também a escolha, para a função de monitores de gravação e edição, de jovens que foram alunos do projeto (no início do projeto, os próprios professores precisavam dar conta de acompanhar os participantes). Assim, sua função é ao mesmo tempo técnica, ao repassar os conhecimentos aprendidos, orientar e colaborar na realização das ideias dos participantes, e também pedagógica, pois leva em conta o modo próprio de se relacionar com os novos alunos, já que o monitor viveu uma experiência similar quando foi aluno da oficina.


FOTO: Marcos Finotti

oficina módulo i

(cont.)

Atividades

No Módulo I, a proposta é que toda a realização do vídeo seja coletiva. Assim, quando os participantes fazem suas propostas, é importante deixar claro que o vídeo é do grupo, e não uma realização individual. Assim, propõe-se que os grupos façam um rodízio de funções, para que cada um tenha a oportunidade de conhecer todas elas. A estrutura apresentada a seguir é o roteiro básico de atividades, que pode sofrer adaptações pontuais em cada realização. Início da oficina, quando os participantes conhecem a equipe e os demais selecionados. Aula de linguagem audiovisual, apoiada em material fílmico, debates e discussão sobre modos de produção e experimentação audiovisuais. Cada colaborador tem uma forma particular de dar essa aula e escolhe que atividades serão mais interessantes para o grupo. São apresentadas as propostas dos participantes para os quatro vídeos que serão realizados coletivamente. As propostas são votadas pelos participantes, que se dividem em grupos por afinidades de propostas ou por adesão a uma ideia que interesse a um ou outro. Realizado este processo, os grupos começam a elaborar seus roteiros.

Dia 1

Aula sobre os aspectos práticos da utilização do equipamento de gravação. São realizados exercícios de câmera/som fora da sala de aula, com acompanhamento dos monitores de gravação. Análise e discussão do material gravado

Dia 2

nos exercícios com o colaborador pedagógico. Depois, em grupos, os participantes dão continuidade ao roteiro do vídeo e à organização das necessidades de produção, sempre sob orientação do coordenador e colaborador pedagógico. Durante a semana, a equipe mantém contato com os participantes orientando a produção, organização do cronograma etc. Organização das saídas para gravação. Alunos e equipe do projeto conversam sobre últimos ajustes, sugestões, organização do cronograma do dia. São feitas as gravações dos vídeos. Cada grupo é acompanhado por um monitor de gravação, com orientação do coordenador e colaborador pedagógico.

Dias 3 e 4

Início da edição dos vídeos, realizada com um monitor de edição e supervisionada pelo coordenador de edição, pelo colaborador pedagógico e pelo coordenador do projeto. Os monitores de edição colaboram com os participantes na organização do discurso proposto para o vídeo. Os alunos são incentivados a utilizar músicas com direitos livres, para garantir sua possibilidade de veiculação posterior.

Dia 5

Dia 6

Finalização dos vídeos e apresentação deles para toda a turma e convidados.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

35


FOTO: Ana Paula Rocha

oficina módulo Ii Duração: 200 horas. Formato: aulas durante finais de semana consecutivos, das 9h às 18h. Para a turma de edição, há aulas durante toda a última semana de oficina. No de participantes: 30. Vídeos realizados: 3, com até 10 minutos de duração.

A oficina de realização audiovisual Módulo II tem o objetivo de dar continuidade ao estudo do audiovisual, oferecendo um aprofundamento técnico e teórico sobre a atuação na área. Durante essa oficina, a realização não é mais coletiva, mas uma simulação da estrutura de uma equipe profissional de filmagem, com mais tempo e desenvolvimento técnico em uma função específica: roteiro, direção, produção, fotografia, som ou edição. A estrutura da oficina é a seguinte: São oferecidas seis vagas e os candidatos podem também se inscrever para outras áreas. Acontece antes das outras e os alunos participantes criam três roteiros que serão a base do trabalho dos alunos das outras áreas. Durante quatro encontros de oito horas e mais o trabalho em casa por parte dos alunos, as três duplas desenvolvem roteiros a partir de argumentos enviados no ato da inscrição ou sugeridos no primeiro dia de aula. Os professores alternam as aulas teóricas com a prática da escrita dos roteiros que serão filmados e fazem uma consultoria intensa durante todo o processo. Um produtor e um diretor também participam das reuniões iniciais para a escolha dos argumentos e das reuniões durante o desenvolvimento dos projetos. Isso fortalece a visão sobre os roteiros com base no tripé roteirista, produtor e diretor. O roteirista, preocupado com a estrutura narrativa principalmente; o produtor, com o produto final face ao público-alvo e as condições de produção a que os roteiros estarão submetidos posteriormente; e o diretor, com os aspectos narrativos e de linguagem cinematográfica sugeridos no texto escrito.

1. roteiro

36

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Na etapa seguinte ocorre uma rodada de palestras, divididas em três ou quatro dias, sobre cada uma das áreas de atuação:

2. palestras

 função do produtor e produção nacional;  linguagem cinematográfica e papel do diretor e assistente de direção;  desenho de som no audiovisual;  montagem cinematográfica e fotografia no cinema. Nas palestras, profissionais convidados de cada área contam suas experiências, seus pontos de vista e passam conteúdos importantes para a formação dos jovens, de forma que os alunos tenham mais clareza da importância de cada função da atividade cinematográfica, bem como da interdependência entre elas e suas relações durante a realização audiovisual.


oficina módulo iI

(cont.)

3. a  ulas técnicas Nessa etapa acontecem aulas e produção teóricas específicas, simultâneas, sobre as áreas de Produção (seis alunos), Direção (seis alunos), Fotografia (três alunos), Som (três alunos) e Edição (seis alunos) e a produção dos curtas sob a supervisão e consultoria dos professores de cada área. As equipes dos curtas são formadas por:  dois alunos de direção (um como diretor e outro como assistente de direção);  um aluno de direção de fotografia;  dois alunos de produção (que se revezam nas funções de produtor de set e diretor de produção);  um aluno de som;  dois alunos de edição. A etapa se inicia após uma reunião com todos os alunos, incluindo os autores dos roteiros. Neste dia, os roteiros são contados para todos e é feita a divisão em equipes, a partir do interesse manifestado pelos alunos nos projetos apresentados. A equipe fica atenta ao perfil dos alunos, ajudando nessa definição segundo as características de cada um. Os editores já manifestam sua opinião, mas comumente definem sua participação nos filmes posteriormente, a depender do desempenho nas aulas práticas de edição e de acordo com a avaliação de desempenho e aptidões. Uma possível alteração de equipes ainda pode ocorrer caso se perceba maior facilidade de um ou outro aluno para aquele tipo de filme. Nos seis dias seguintes os alunos entram na pré-produção dos curtas. Os alunos de direção são apresentados à função do diretor e do assistente de direção na realização de um filme e recebem noções de decupagem e enquadramento, além de dirigir e acompanhar a produção dos curtas. Os alunos de produção tomam contato com as exigências da função do diretor de produção,

aprendem a planejar as filmagens, fazer análise técnica dos roteiros, a lidar com as planilhas utilizadas nos filmes, a escrever as cartas de produção, a organizar e conduzir a equipe. Os alunos de fotografia têm aulas práticas e aprendem as técnicas de uso dos equipamentos de gravação e iluminação. Os alunos de som pensam nas estratégias de captação do som de cada curta. Finalmente, os alunos de edição entram em contato com teorias de montagem e editam os vídeos da oficina aprendendo a utilizar o programa Final Cut. Ao longo de cinco a seis dias, os alunos dedicam-se às gravações dos três curtas. O material captado diariamente serve para que os alunos de edição, que continuam tendo aulas e realizando exercícios práticos, iniciem a organização do material gravado. Nessa etapa, as gravações ocorrem com a supervisão dos professores, que supervisionam os sets de filmagem conforme a demanda e a complexidade de cada filme. Pelo menos uma ou duas visitas em cada grupo é efetuada pelo professor da área. O trabalho é reforçado pelos monitores, que também acompanham os grupos.

4. gravação e edição

Os últimos oito dias são dedicados a essa etapa. Os coordenadores e professores fazem reuniões com as equipes de direção e edição de cada filme até que se chegue à versão final do curta-metragem. Ao final do último dia de oficina, há uma exibição dos vídeos realizados para todos os participantes e um balanço final, bem como um bate-papo descontraído de avaliação dos filmes.

5. edição e finalização

Em geral, é a partir da Oficina Módulo II que os alunos passam a dedicar-se mais à área audiovisual como estagiários e aprendizes e ou formaram núcleos de produção ou exibição posteriormente.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

37


FOTO: Rafael Ferreira

disseminação

Depois de finalizados os vídeos, o trabalho de base das Oficinas Kinoforum continua com a divulgação das informações, a distribuição dos vídeos e o apoio aos participantes em atividades que queiram desenvolver na área. Os vídeos feitos em cada oficina passam pelos processos de masterização e finalização na Kinoforum. São legendados e preparados para a autoração de DVDs com a coleção dos vídeos, que será distribuída para os participantes, parceiros e patrocinadores.

Distribuição

Todos os vídeos realizados na temporada são exibidos no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, em sessão especial dedicada à produção das Oficinas Kinoforum. Os participantes são convidados a apresentar seus curtas ao público do Festival, em salas de cinema, e há espaço para debate após a exibição. A partir daí, a equipe das Oficinas Kinoforum inscreve os vídeos da temporada em festivais e mostras nacionais e internacionais, buscando sempre novas janelas de exibição. Os vídeos também são disponibilizados para visualização e download no site KinoOikos.com, com direitos cedidos para usos sem fins lucrativos, podendo ser exibidos em cineclubes, escolas e outros projetos para os quais essa produção possa ser interessante. Para circular em eventos, canais de televisão e outras janelas, o trabalho de base das Oficinas Kinoforum passou a incluir questões jamais imaginadas no início do projeto. O Certificado de Produto Brasileiro (CPB) e a Classificação Indicativas dos vídeos, por exemplo, são necessidades fundamentais para a circulação dos conteúdos.

38

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Outras ações

O projeto das Oficinas Kinoforum tem o objetivo de promover a iniciação dos alunos à linguagem audiovisual, e daí sua curta duração e itinerância em bairros e cidades. A reunião de pessoas durante as oficinas, porém, muitas vezes as motiva a formação espontânea de grupos que querem continuar envolvidos na área audiovisual. Alguns se propõem a continuar realizando vídeos, outros querem levar exibições públicas para seus bairros, montar acervos, entre outras atividades. Conforme surgiram demandas, a Associação Cultural Kinoforum procurou criar formas de apoiar essas ações, em diversas frentes, por meio de:   Empréstimo de equipamentos de gravação e projeção, mediante agendamento (possibilidade que ganhou força a partir do Ponto de Cultura Audiovisual Kinoforum – veja na página 86).  Orientação em programação audiovisual e contatos com realizadores.  Colaboração e orientação na formatação de projetos culturais para editais (Programa VAI, da Prefeitura de São Paulo; Edital Nós na Tela, do Ministério da Cultura etc.).  Integração do jovem à equipe de monitores da oficina.  Divulgação outros cursos e oportunidades de estágio e trabalho.


vontade supera a razão

quando a

Pa o l o G reg o ri

M

inha intervenção foi sempre a de um provocador crítico para despertar nesses jovens a vontade da busca, da surpresa, diante das imagens que o mundo que os cerca pode oferecer. Mas de fato quem se surpreendeu fui eu. As ideias, os medos, as angústias e principalmente a fascinação pela possibilidade infinita de expressão, estampada nos rostos, nos olhos dos oficineiros, é uma experiência única. Jamais vou esquecer o vídeo metalinguístico da Oficina de Santo André (veja na página 114, Oficina 25, Santo André). Simplesmente impagável: a câmera enquanto objeto de desejo, fascínio; um olhar inocente, puro, sobre a tecnologia, uma relação quase fetichista. O projeto das Oficinas Kinoforum não é, pelo menos na minha visão, um programa para formar cineastas. Primeiro formamos o cidadão pensante. Que pensa o audiovisual como uma ferramenta, quem sabe, uma arma (Lênin). Que planta nessas pessoas, distantes dos polos de decisão e de formação de opinião, a semente de que tudo é possível. Nem sempre isso ocorre e, no caminho entre a teoria, a prática e a ação, muita coisa se perde. Mas também se ganha. Depois existe ainda a possibilidade de os oficineiros descobrirem uma vocação, um dom, que, se não é totalmente voltado para o audiovisual, pode abrir uma das portas da percepção, para que eles assimilem melhor tanto a comunidade em que vivem como as relações que estabelecem com pessoas de diferentes classes sociais. É por meio dessa percepção diferenciada que surge a capacidade de “mudar o mundo” e sua própria condição social.

diretor de cinema e professor da FAAP. Desde 2001 é colaborador pedagógico convidado e provocador emérito das Oficinas Kinoforum.

Quanto à qualidade dos vídeos produzidos pelos alunos das Oficinas Kinoforum, é sempre uma questão de referencial. Acredito que a resposta é a via da experimentação. Em momento algum pensei que poderia ajudá-los a fazer “o filme da vida deles”, mas apenas um esboço para uma compreensão do meio. Dessas tentativas surgiram alguns trabalhos que podem ser considerados filmes de qualidade, mas, ainda assim, encaro o processo como um work in progress. A vontade de fazer supera qualquer racionalização em relação ao produto final. A vontade de experimentar revela o potencial, a qualidade desses jovens. Esse desejo apresenta um viés interessante no que diz respeito à dedicação e ao desempenho nas atividades das Oficinas. Os jovens agarram essa oportunidade única como se fosse a maior chance da vida deles. Ao contrário de muitos alunos de instituições universitárias privadas, que não sabem valorizar aquilo que lhes é oferecido, por mimo ou desleixo, o pessoal das Oficinas aproveita toda informação até a última gota. Vampiros do saber. Posso dizer com certeza: o audiovisual brasileiro não é mais o mesmo depois destes dez anos de Oficinas. Primeiro porque os jovens egressos de nossas atividades avançam no mercado de trabalho, cheios de força renovadora, sem os vícios tradicionais do meio. Depois porque obedecem às regras institucionais questionando e operam o campo criativo pensando. Isso vale ouro nos dias que correm, onde tudo é compartamentalizado e superficial.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

39


comedor de papel

VIVÊNCIAS

Nasci e morei em Salvador até os 26 anos e, em 2006, quando ainda estudava Educação Física, conheci por acaso dois produtores que estavam fazendo um documentário sobre culinária e precisavam de ajuda para ir aos pontos gastronômicos mais populares da cidade. Foram somente dois dias de gravação, mas aquilo despertou em mim algo diferente, a rotina de gravação, a câmera, o roteiro, tudo me cativou. Cheguei a SP em julho de 2009, recém-formado e com tudo planejado para minha pós-graduação. Comecei a estudar ergonomia, tema que me chamava a atenção na época, e estava bem satisfeito. Um dia, acessando a internet, vi uma chamada das Oficinas Kinoforum. Não conhecia, mas achei que poderia ser uma boa oportunidade de fazer amizades e aprender um pouco mais

sobre aquele universo que tanto havia me cativado. Meio que caí de paraquedas na oficina, que, sobretudo não é profissionalizante, mas acabou representando a minha inserção no audiovisual. A partir dali, trabalhei em outros lugares e fui entendendo o meio, ficando cada vez mais instigado com as possibilidades que se apresentavam. Em abril de 2010, larguei a pós-graduação, por questões financeiras, e diante de algumas frustrações com a área que havia escolhido comecei a pensar no audiovisual profissionalmente. Fiz mais cursos, até que em agosto de 2011 me inseri por completo, após fazer um curso que tinha sido indicado pela Kinoforum. Comecei a trabalhar em uma empresa do ramo, hoje não dou mais aulas de Educação Física, todo o meu sustento vem do audiovisual, da oportunidade que nasceu com as Oficinas Kinoforum.

Carlos Eduardo Côrtes Conceição | O fi ci na Pi r i tuba (2009)

40

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


provocando

olhares

Ma u ro D ’ A d d i o

cineasta e professor de cinema. Colaborador pedagógico das Oficinas Kinoforum.

A

inda cursava cinema na faculdade quando ouvi falar das Oficinas Kinoforum. Meu interesse no projeto só cresceu conforme me aproximei do Festival de Curtas, como realizador, e das próprias Oficinas, por ter amigos trabalhando no projeto. Em 2007, tive a oportunidade de participar, como colaborador pedagógico, de minha primeira oficina Módulo I, na edição Vila Buarque. Desde então, todos os anos participo do projeto, já se vão aí seis anos, onde entre Oficinas Módulo I e II (no Módulo II ministro o curso de direção) aprendi, troquei, ensinei e vivi intensamente essa rica experiência, e tento agora cumprir esse árduo desafio de organizar resumidamente para o leitor o relato de tal vivência! As Oficinas Kinoforum não têm caráter estanque, devem ser dinâmicas, como a sociedade na qual estão inseridas. O projeto que me acolheu não era o mesmo de sua fundação, afinal o mundo já não era o mesmo e ao menos dois fatores socioeconômicos relevantes revolucionaram o contexto social no qual as Oficinas estão inseridas. O primeiro fator relevante é a ascensão da classe “C”, que não é só econômica, mas também cultural, fruto de inúmeras iniciativas

do terceiro setor que, a meu ver, têm formado jovens mais críticos e engajados. Os reflexos dessa mudança, portanto, não se dão só no que tange ao poder aquisitivo do público-alvo, mas também na postura desses educandos frente a um projeto desse tipo. O segundo fator externo relevante que marca este novo momento das Oficinas é a constante popularização e o barateamento da tecnologia. Nos últimos dez anos, a internet se tornou muito mais acessível, assim como tecnologias de captação, edição e veiculação de conteúdo audiovisual. Hoje um smartphone razoavelmente acessível a alguns integrantes da dita classe “C” pode conter ferramentas para a realização de todas as etapas de uma produção audiovisual. Portanto, o jovem de hoje tem muito mais acesso à tecnologia do que tinha dez anos atrás. Também por isso, nosso foco pedagógico não está na questão técnica, ou seja, no funcionamento das ferramentas, e sim em o que fazer com tais ferramentas. Já houve casos, em Oficinas de alunos muito apegados à questão tecnológica, que ou questionavam a qualidade de nossos equipamentos, ou mesmo propunham empréstimos de equipamentos tecnicamentes mais “na moda”, aparentemente superiores aos

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

41


psycho lover

disponibilizados pela produção, como se a qualidade dos projetos fosse determinada pela ferramenta e não pela ideia! A eles costumo dizer em tom de brincadeira que boa parte dos maiores cineastas da história contou com equipamentos bem mais rudimentares do que qualquer uma de nossas câmeras, portanto não será essa lógica tecnicista a pautar nosso trabalho. O que faria Vertov com uma câmera digital? Apesar dos fatores elencados acima, é notória a influência da linguagem televisiva no repertório da grande maioria dos educandos. Quando o tema é cinema, a maioria apresenta um referencial majoritariamente constituído por produções estadunidenses, portanto, de saída, almejam um tipo de produção que, por diversas razões, não irão realizar. Nosso maior desafio então é incutir neste educando o interesse por um outro tipo de produção cinematográfica e audiovisual. Essa quebra de paradigma é talvez o lado mais cativante e desafiador do trabalho. A aula teórica do Módulo I é completada em um extenso dia de trabalho, no qual o educando acompanha desde o início da história do cinema, assistindo alguns filmes dos irmãos Lumière e de Georges Méliès, passando pelo obrigatório Um cão andaluz, de Luis Buñuel, até trechos de filmes como 2001 – Uma odisseia no espaço, Festa de família, Deus e o diabo na terra do sol, entre outros. São levados a entender a linguagem cinematográfica como constitutiva de uma arte em aberto, com suas infinitas possibilidades, e essa rara beleza de uma arte onírica, sem fronteiras temporais ou espaciais, que nos faz rir, chorar, pensar e sonhar. Uma arte com espaço para os devaneios surrealistas dos anos 1920, para conhecer a vida dos esquimós com Nanook, para a ebulição anterior à Revolução Bolchevique com a clássica cena da escadaria de Odessa e assim por diante, até rolar de rir com o crítico Carlitos de Tempos modernos, enfim, uma arte multifacetada e repleta de possibilidades. Ao longo dessa aula, os sentimentos são distintos, é uma ebulição. Conforme a luz se apaga e a tela se ilumina com tais fotogramas mágicos, a Oficina opera sua transformação. Aqueles educandos não serão mais os mesmos, não se pode sair ileso de um dia acompanhado de Méliès, Kubrick, Eisenstein, Glauber, Jean Rouch e outros que inundam a tela, e tiram o espectador da passividade televisiva para 42

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

VIVÊNCIAS

Foi uma experiência incrível e muito enriquecedora de contatos e aprendizagem. O melhor foi ver a ideia inicial ganhar vida através do roteiro e, depois de sua produção, finalizando com a exibição do curta no Festival Internacional de Curtas. Foi uma experiência única e recomendo a quem quiser ingressar no meio audiovisual. F ernando Berl ezzi | O fi ci na M ód u lo II (2011)


televisões

colocá-lo no templo cinematográfico, onde muitas vezes é demandada uma postura dialética por parte dele. Depois dessa “aula-transe”, está instaurada a proposta do delírio, do caos criativo, nessa intenção constante de desafiar e provocar, no melhor sentido, esses jovens realizadores a olharem sem conforto, sem resignação ou passividade. Reside aí nossa luta por uma vivência pedagógica plena, de constante descoberta e desafio, pautada pelo exercício incansável da criatividade. Essa é minha meta como educador, e também educado nesses anos de Oficinas. Meu esforço é no sentido de provocar, no melhor significado da palavra. Não estou lá para afagos falsos e sim para motivar sempre, mas criticar com coerência. Não tomamos a câmera, o filme é de inteira responsabilidade dos alunos realizadores, as limitações são técnicas e orçamentárias – aliás, como ocorre em qualquer produção audiovisual em maior ou menor grau. Porém, criativamente, eles estão apoderados do processo, por isso não me furto de provocar, estimular e instigar, sempre visando o melhor para o filme que eles mesmos se dispuseram a fazer. Essa experiência dinâmica, vivida em sala, logo vai ao set e eles se deparam com a delícia e a dificuldade de se fazer um filme. Nesse processo poucos desistem, mas muitos crescem, se transformam e ao fim da Oficina já são outros. Tudo é tão breve e intenso, seja para eles ou para nós mesmos. Cada oficina é um rito único. Mesmo tendo vivido várias oficinas, sempre temos uma desafiante jornada a percorrer, tudo é verdadeiro, instável e nosso papel é simplesmente tentar inspirar nesses educandos a possibilidade do exercício pleno da criação e da realização dos filmes. Meu objetivo de educador, ou melhor, talvez, de provocador, é estimular essa centelha criadora, usar minha experiência de realizador para lançar tal faísca e assoprar essa brasa. Afinal, meu foco é atear fogo no devaneio criativo, atiçar o transe e acender essa fogueira interna chamada arte!

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

43


VIVÊNCIAS

Quando pediram para eu escrever um depoimento sobre a minha experiência nas Oficinas Kinoforum, pensei em escrever da forma mais simples e imparcial possível, sem revelar muito de quem sou. Mas conforme fui recordando essa trajetória, percebi que não seria possível contar essa história sem revelar mais sobre mim do que eu gostaria. Cresci vendo filmes. Meu pai é um cinéfilo, que gosta desde filmes muito populares a filmes mais autorais. Sob essa influência, aos 12 anos eu coloquei na cabeça que queria trabalhar com cinema. Não tinha ideia de como, mas queria. Em maio de 2002, com 17 anos, foi anunciado que haveria uma edição das Oficinas Kinoforum na cidade de Santos. A divulgação foi muito ampla, com anúncios nos jornais e TVs locais. Como havia só vinte vagas, achei que não teria chances. Para minha surpresa, fui selecionada. As Oficinas foram intensas. Três fins de semana inteiros, o dia todo, com diversas pessoas cheias de vontade de fazer, mas de formas completamente diferentes. Foi nessa efervescência de olhares que a oficina de Santos aconteceu. No primeiro fim de semana fomos apresentados a trechos de filmes nunca antes vistos ou imaginados por nós. Filmes autorais, universitários, de cineastas que até hoje não consigo pronunciar o nome. Após o primeiro final de semana tivemos que produzir um curta. Foi nesse momento que tudo se transformou: como pensar e fazer filmes após tantos choques na maneira de se ver e pensar a imagem? E essa foi a verdadeira graça das Oficinas. Não importava o quanto sua cabeça já estivesse pronta para ver e fazer filmes, ela

seria abalada e modificada. Eu, por exemplo, cheguei com um certo olhar cinematográfico, que não foi descoberto nas Oficinas, mas que foi extremamente modificado por elas. Apesar de ter a certeza de que as Oficinas mudaram muito a forma como eu via cinema até então, hoje tenho a consciência de que o que mais me chamou a atenção naqueles três fins de semana de maratona audiovisual foi ter saído com a certeza de que produzir cinema não era algo tão distante ou tão impossível assim. Essa sensação permaneceu e, depois de participar de mais duas oficinas, comecei a trabalhar oficialmente com produção. Inicialmente, nas próprias Oficinas Kinoforum, mas, depois de dez anos nessa área, já se foram três longasmetragens, uns oito curtas, duas séries de TV, um longa-metragem em animação, e ainda tenho na gaveta mais alguns bocados de projetos próprios. São dez anos vivenciando, por um lado, a alegria de concretizar esses projetos e, por outro, as enormes dificuldades de viabilizá-los. Vivo essa dualidade desde que comecei, e uma certa aflição, o que me faz falar, pensar e tentar desistir de tudo. Mas há sempre aquela lembrancinha: “ah, é possível”. E pronto, cá estou eu novamente a produzir. Depois de tantos anos, não posso dizer que nutro o mesmo romantismo que tinha em relação ao cinema. Isso seria uma grande mentira. Mas posso afirmar que tenho o mesmo sorriso no rosto quando me lembro das Oficinas Kinoforum. Quando lembro que elas são a grande responsável por manter viva a vontade de continuar produzindo. Nádia Mangol ini | O fi ci n a S a ntos (2002)

44

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


olhar

em toda parte W illiam H i n es t ro s a colaborador pedagógico das Oficinas e coordenador dos programas brasileiros do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

FOTO: Pablo Ancona

“U

m rapaz procurando emprego, seguido por uma câmera.” Essa frase é a base do enredo do curta Tato, produzido nas Oficinas Kinoforum em 2001. Quando o assisti pela primeira vez, essa ideia me saltou aos olhos pela profundidade do que isso poderia representar para quem segurava a câmera. Independentemente de o filme ser o resultado de uma iniciação cinematográfica, o que eu percebia ali era uma imersão no mundo real, na realidade do desemprego daquele Brasil do início dos anos 2000, na falta de perspectiva para uma juventude que precisava ser acompanhada de perto para ser compreendida, assim como fez a câmera. Anos depois, tornei-me colaborador pedagógico das Oficinas Kinoforum em duas temporadas, e as experiências na edição realizada no bairro do Grajaú, em São Paulo, ampliaram minha reflexão acerca da essência do processo das Oficinas. Na parte teórica, desenvolvi com os alunos debates e reflexões sobre o que denominei “olhar em volta”, que consiste em apreender a realidade por meio da sensibilidade e transmitir isso pela linguagem audiovisual. Também busquei debater sobre o processo de criação de imagens, no qual os discursos não precisam ser diretos, e elementos provocativos podem surgir. Entre os exemplos estava um trecho de A bela da tarde, de Luís Buñuel. No segundo fim de semana, uma das alunas, que na época tinha 17 anos, me informou ter conseguido assistir ao filme por inteiro durante a semana anterior. Conversamos sobre o filme. Ela gostou, mas, ao mesmo tempo, considerava certas coisas confusas. Feliz com a dedicação dela, perguntei como ela havia conseguido.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

45


FOTO: Vanessa Reis

A mãe era empregada doméstica e, num dia sem aula, a garota a acompanhou ao trabalho. Chegando lá, a patroa puxou conversa e lhe perguntou o que andava fazendo. Respondeu que fazia um curso de cinema, e a dona da casa a levou até uma sala e mostrou-lhe a sua coleção de DVDs. A aluna das Oficinas recebeu o aval da mulher para retirar qualquer filme, então logo pegou os mais antigos, “quase tudo em preto e branco”, como ela mesma me disse. Entre os escolhidos estava a obra de Buñuel. Logo refleti que o olhar dessa aluna para a estante de filmes já estava sensibilizado pela sua experiência nas Oficinas, o cinema avançava dentro dela. Outro episódio marcante nessa oficina envolveu o grupo que realizou um vídeo sobre um cara que saía para trabalhar sem camisa, vestido apenas com gravata e cueca samba-canção, com o objetivo de ser diferente. Durante as gravações, o grupo fez o personagem caminhar por uma feira livre, onde a reação das pessoas foi expressiva, principalmente por parte dos feirantes. Uma série de xingamentos e ofensas pesadas ao rapaz do grupo que interpretou o personagem. Mesmo assim, todos se mantiveram firmes e finalizaram a gravação. No fim de semana seguinte, realizamos um debate após a sessão na qual exibimos os vídeos dos alunos, e um dos integrantes desse grupo disse que a reação dos feirantes fez com que ele tivesse a

46

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

sensação de ter atingido o objetivo do vídeo. Ali, tudo que o grupo havia refletido acerca do tema fazia sentido. Eles haviam criado o roteiro do filme com a proposta de realizar algo divertido para debater as convenções da sociedade e a liberdade para escapar delas. E o comentário desse aluno no debate me emocionou, pois o processo de realização atingiu um significado relevante pela forma como isso sensibilizou o grupo diante de sua própria proposta de criação. A força das Oficinas Kinoforum reside nas relações que seus alunos estabelecem ao longo do processo de realização. Há uma troca consistente entre o processo pedagógico e os alunos, baseada não apenas na transmissão de um conhecimento específico mas na vivência de criação do audiovisual. Esses dois exemplos do Grajaú expressam o quanto essa troca promove em termos de aprimoramento de olhares e percepções. Considero um desafio buscar uma comunicação mais significativa em torno dessa característica das Oficinas Kinoforum. A exposição dos processos de realização pelos quais passam os alunos pode lançar bases para que possamos refletir sobre as relações entre processo e resultado. Numa sociedade cada vez mais focada em resultados, vale a pena deter o pensamento em torno dos processos, valorizá-lo e integrá-lo cada vez mais à pedagogia para a formação por meio do audiovisual.


fale comigo

VIVÊNCIAS

Em 2007, após sair de um emprego e descontente com os rumos que minha vida profissional tomava, resolvi buscar algum curso, alguma atividade que me abrisse a mente para um novo universo e, depois de uma rápida busca na internet, encontrei as Oficinas Kinoforum, que, coincidentemente, estavam com inscrições abertas para uma oficina pertinho da minha casa. Fiz o Módulo I e desvendei um novo mundo de sons e imagens anteriormente anuviados para mim. Após o Módulo II, onde dirigi meu próprio curta, segui sempre por esse caminho do audiovisual, produzindo meus curtas, ajudando amigos com os deles, mas me estabeleci mesmo como maquiador de efeitos especiais para cinema, área pela qual batalho constantemente pelo reconhecimento do profissional. Posso dizer que a Kino abriu minha mente e modificou para sempre o meu olhar para com o audiovisual, assim como teve um impacto importantíssimo na minha vida! Que venham mais dez anos de Kinoforum! Au drey Mart il iano da Silva O fic in a S a c omã (2 008)

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

47


um convite à a partir da

autonomia, montagem M a rc io M iran d a Perez montador, curtametragista e coordenador da Mostra Latino-Americana do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

À

quele que se inicia no processo de produção audiovisual, o trabalho do editor é talvez um dos mais misteriosos. Se a relação primordial entre o realizador de primeira viagem e a câmera se estabelece a partir do próprio olhar do iniciante, o discurso narrativo da edição surge nebuloso, ao insinuar que a justaposição das imagens pensadas pelo realizador é apenas um e, talvez, o menos intrigante dos caminhos possíveis da finalização de uma obra em vídeo. Nesse sentido, o contato com os alunos das Oficinas Kinoforum sempre representou não apenas uma espécie de desvelamento de um método prático, mas também uma introdução aos modos de pensar que conduzem o processo da edição como um todo. Em vários anos trabalhando na coordenação de edição das oficinas, pude observar atitudes e explorar alguns comportamentos no decorrer da montagem dos vídeos dos alunos. Diante do computador, na manhã do primeiro dia de edição, as reações são diversas: alguns rostos febris experimentam ansiedade à espera de ver concretizada uma ideia às vezes concebida já há anos; outros, mais comedidos, expressam certo abatimento alimentado por desconfianças e expectativas frustradas; há ainda os olhos curiosos, inquietos, que brilham pela sala buscando apenas descobrir, investigar, entender como se costura um filme dentro daquela máquina. Aos poucos, diante das dificuldades impostas pelo material gravado, essas reações se amplificam e se ramificam, e ceticismo, decepção e esperança misturam-se indistintamente. Na prática, começamos a experimentar as pequenas magias essenciais da montagem: verificamos como se altera o sentido de um plano ao chocá-lo com outro, testamos a interferência do som, resgatamos com truques de luz e contraste uma imagem irreconhecível – tímidas letras de um alfabeto que instiga os alunos às suas primeiras palavras audiovisuais. Algo desperta: “O som das britadeiras sobre o rosto da personagem ia ficar bacana, não?”. “Dá pra fazer uma fusão entre a imagem dos

48

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


FOTO: Mariana Hidemi

peixes e a imagem da cidade?”. E assim, a princípio desajeitadas, quase pedindo licença, as intuições se manifestam, e dentro do seu repertório os alunos começam a compreender a linguagem da montagem por si mesmos. Com a familiarização do processo, algumas questões mais complexas vão surgindo, e novos desafios são propostos. Como resolver uma narrativa obtusa que parecia funcionar no papel? Por que a protagonista do meu documentário, pensada como heroína, parece agora ser mera vítima da sua realidade? Por que não consigo contar o que eu queria? Conflitos de toda ordem vêm à superfície; os novos realizadores entreolham-se e descobrem seus próprios discursos éticos, suas concepções de verdade, e provam a experiência de lidar com esses conceitos e trabalhá-los em grupo em torno de um objetivo coletivo e comum. Exercitam assim o desapego fundamental dos editores; abandonam pelo caminho um belo plano que dilui ou briga com a dramaturgia da história, ou um personagem de belo repertório que não rendeu uma boa entrevista. Aprendem com as mãos na massa que um filme se comunica com seu público como um todo e que a mensagem final pode ser ainda mais ampla. Ampla, e até surpreendente: ao final do último dia de edição, durante a projeção dos vídeos para a comunidade, família e amigos,

os novos diretores tornam-se público de suas próprias obras, chegando ao último estágio da concepção e produção de um filme. Sentados ao lado de pessoas que veem seu filme pela primeira vez, emocionam-se e riem com elas no papel duplo de espectadores e cineastas, experimentando um sentido pleno e transformador de realização. Muitos falam do trabalho como se não fosse seu, com certa hesitação em assumir para si as escolhas e soluções que resultaram na obra final; mas não escondem a satisfação e o desejo de fazer mais e melhor. A aplicação dos princípios da montagem, proporcionada pela breve aproximação entre esses jovens e o processo audiovisual nas Oficinas Kinoforum, é provocadora. Nas minhas observações, tem despertado um exercício autopropositivo no qual o aluno se vê impelido a tomar decisões rápidas e precisas, sempre tendo em vista o conjunto do trabalho, invocando-o a um posicionamento diante das problemáticas geradas pela edição. Além disso, e talvez o mais notável: tem encorajado jovens tímidos e humildes a distinguirem no tradicionalmente introvertido papel do editor uma ferramenta estimulante – absorvendo o mecanismo e o raciocínio da montagem, traduzem seus discursos para esse universo, encontrando nele um ambiente desafiador e convidativo no sentido de consolidarem sua autonomia pessoal e profissional.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

49


vênus vitrine

VIVÊNCIAS

As Oficinas Kinoforum fizeram uma diferença na minha trajetória profissional. Cursei a oficina em 2006, quando era estudante de Rádio e TV ainda, e já queria trabalhar com produção. No ano seguinte, tive a minha primeira experiência profissional, como produtor de set das Oficinas. Eu estava muito empolgado para trabalhar na área e no meu primeiro dia me mandaram fazer “supermercado” para as Oficinas. Odeio fazer compras, mas fui sem perder a euforia do meu primeiro job no audiovisual. Chegando lá tive dificuldades para encontrar as coisas, me perdi pelos corredores, até que parei e comecei a pensar: “Será que eu estou na área certa?”. Tudo o que eu queria era sumir daquele lugar. Me segurei para não chorar, respirei fundo e continuei as compras fingindo que tudo aquilo era muito divertido. Fiquei tão desanimado naquele dia que resolvi nem ir para a faculdade. Chegando em casa escrevi um e-mail para a minha professora de produção, relatando o que havia acontecido e questionando se estava no curso certo. Para a minha surpresa, no dia seguinte ela me respondeu dizendo a seguinte frase: “A produção é uma relação de amor e ódio e tenho certeza de que você não está na área errada”. Começaram as Oficinas e deu tudo certo. Percebi a importância do trabalho do produtor, mesmo nas tarefas que me desagradavam. E hoje, cada oficina, cada filme finalizado e cada aplauso conquistado pelos alunos nas exibições me fazem compreender que valeu a pena não ter desistido na primeira dificuldade. Adoro poder fazer parte da equipe das Oficinas! W i l l i a m R i beiro | Ofi ci na coti a ( 2006)

50

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


na

guerrilha do

cinema E va l d o M o ca rzel

FOTO: Henrique Sfeir

cineasta e dramaturgo

04

VA I VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 1 0 AN O S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

N

um mundo globalizado e cada vez mais virtual e imagético, o ensino da linguagem audiovisual é bem mais que um mero exercício de “educação artística”, mas um instrumento político através do qual jovens e pessoas de todas as idades podem repensar a construção da própria imagem nessa “sociedade do espetáculo” que nos envolve e que tanto nos sufoca. As novas tecnologias digitais estão promovendo uma verdadeira revolução não apenas na história do cinema e na história da arte, de modo geral, mas trata-se de uma ampla, geral e irrestrita revolução de costumes em que o poder do discurso audiovisual não está mais apenas nas mãos de pessoas de classe média e de classes mais abastadas, bem-intencionadas ou não. Jovens de periferia, índios, integrantes dos mais diferentes movimentos sociais, defensores da diversidade sexual, enfim, todos aqueles que tradicionalmente eram “personagens” de filmes documentários, hoje estão fazendo uma necessária e emergencial “autoetnografia”, construindo a será mesmo preciso própria visão de mundo na linguagem audiovisual. Nesse contexto histórico tão efervescente, o ensino “acontecer” na mídia das múltiplas possibilidades dessa linguagem fragpara existir? Essa não é mentária de sons e imagens que é o cinema funciona como uma espécie de alento, um combustível para uma das imposições mais intensificar ainda mais essa busca pela construção cruéis e alienantes da da própria imagem, graças às facilidades e à democratização trazidas pelas novas tecnologias digitais. “sociedade do espetáculo”?

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

51


FOTO: Pya Lima

O seminal trabalho das Oficinas Kinoforum cai como uma luva nesse momento histórico tão instigante, mas, ao mesmo tempo, tão alienante, em que o interesse pela vida alheia vira pornografia nos reality shows da televisão e uma frívola veneração de celebridades meteóricas se transforma na palavra de ordem da maior parte dos veículos de comunicação de massa. Qual o grande mal dessa “sociedade do espetáculo” que parece ter tomado conta do mundo? Para o criador dessa expressão hoje tão alardeada em todos os cantos, Guy Debord, trata-se da alienação. Deixamos de viver a plenitude das nossas inquietações mais profundas, da nossa garra mais inovadora e revolucionária, para sublimar as próprias vivências nos astros e estrelas cadentes dessa nossa sociedade dominada pela publicidade e por um consumismo desenfreado que já não cabe mais no planeta. Para um dos continuadores do pensamento de Guy Debord, o escritor, crítico, cineasta e poeta do ensaio Jean-Louis Comolli, que foi editor dos Cahiers du Cinéma de 1966 a 71, talvez o grande espaço de resistência contra a alienação dessa “sociedade do espetáculo” seja o filme documentário, que traz o “real” através de fissuras, frestas, lapsos, silêncios, hesitações, sobretudo riscos, um processo muito arriscado que sempre norteou o trabalho das Oficinas Kinoforum nesses dez anos na periferia da Grande São Paulo.

52

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Tive o privilégio de participar de duas oficinas e acabei realizando dois longas documentais a partir dessas vivências tão marcantes para mim: Jardim Ângela e Cinema de guerrilha. Fui convidado pela produtora Zita Carvalhosa e pelo cineasta Christian Saghaard e gostaria de agradecer a eles mais uma vez através desse texto. Na primeira oficina, realizada no bairro Jardim Ângela, que acabou dando nome ao filme, o que ficou mais marcante para mim foi a divisão clara entre os alunos: metade queria fazer filmes “positivos” sobre o bairro onde moram, que liderou o ranking de violência na Grande São Paulo durante muitos anos, mostrando assim o lado bom da periferia, e a outra metade queria focalizar os problemas da região, sobretudo a violência policial contra os jovens e a relação promíscua com o crime e o tráfico de drogas. Já na segunda oficina, realizada em Sapopemba, que deu origem ao documentário Cinema de guerrilha, a mesma divisão entre os alunos, mas, como não era mais “marinheiro de primeira viagem”, meu olhar se aprofundou e vi com mais nitidez a efervescência criativa da periferia de São Paulo e de toda grande cidade: uma região marcada pela violência, com toda certeza, sempre tão em primeiro plano da mídia sensacionalista, de modo geral, mas também um local fervilhante sob o ponto de vista artístico, embora carente de tudo, principalmente de centros culturais, e sempre à margem de qualquer tipo


de legitimação da indústria cultural. “Você agora está me filmando e eu passo então a existir para a mídia, é isso?”, foi o que ouvi de um jovem poeta, integrante de um grupo de artistas que prega a “arte sabotagem” e que se define como “sampista”. Nesse segundo projeto, meu foco também se voltou para os monitores da própria oficina, que fazem filmes no melhor estilo da chamada “guerrilha cinematográfica”, ministram cursos e promovem exibições em espaços alternativos na periferia. Fico pensando: será mesmo preciso “acontecer” na mídia para existir? Essa não é uma das imposições mais cruéis e alienantes da “sociedade do espetáculo”? O fato é que encarei essas duas oficinas como um corpo a corpo com uma alteridade que não é nem um pouco ingênua na construção da própria imagem, tem uma cultura cinematográfica bastante expressiva graças à internet e que só precisa de poucos recursos e de alguma oportunidade para elaborar um pouco mais a sua visão de mundo na linguagem audiovisual e depois então veicular na web. Aprendi mais uma vez que, em filmes documentários, quando não temos uma resposta para as nossas inquietações e questionamentos, a solução é problematizar. Aprendi também a inaugurar um corpo a corpo com o outro, com a alteridade, jogando na roda a minha visão de mundo de classe média e recebendo de volta um olhar que não é o meu, mas que me renova e me modifica, assim como eu também semeio alguma coisa sem paternalizar ninguém com culpas cristãs. Essas duas oficinas marcaram para sempre a minha vida e estão eternizadas nesses dois documentários. Eu me sinto honrado por ter dado algum tipo de contribuição, por menor que seja, a esse importante trabalho das Oficinas Kinoforum. Que a sensibilização do olhar (e da audição; cinema é som e imagem) dos jovens da periferia de São Paulo continue por muitos e muitos anos. Para concluir esse texto, me vem à mente um depoimento de um jovem monitor, que diz mais ou menos o seguinte no documentário Jardim Ângela, ao ser perguntado sobre qual era a semeadura do cinema na sua vida: “Eu vi a minha vida de fora de mim mesmo. Vi que estava indo por um caminho perigoso, que não era o melhor para mim, e acabei optando por outro”.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

53


Vira-vira

VIVÊNCIAS

Uma coisa que eu sempre gostei foi de filme de terror. Desde pequeno, gostava de me vestir de monstro e sair assustando as pessoas. Eu ficava inventando histórias, a gente sentava perto da fogueira, rachando o bico. Mas claro que não imaginava que fosse fazer um filme. Na verdade, nem pensava no que ia fazer da vida. Mas minha mãe morreu, daí logo depois meu pai morreu também e eu vi que ia ter que dar um jeito na vida. Apareceu um curso de teatro no Monte Azul, eu fui fazer. Daí veio a oportunidade de fazer as Oficinas, e eu fui também. A gente assistiu cada coisa, cada filme, nunca vou esquecer de Cão andaluz. Eu, com minha ideia de filme de terror, queria fazer uma coisa mais ficção, mas, no fim, como a gente não estava muito pronto pra isso, acabamos fazendo o documentário Vira-vira. Foi a primeira Oficina e apesar de ser documentário a gente acabou fazendo umas pirações, entramos com a cadeira no córrego, foi engraçado. As Oficinas acabaram, eu continuei fazendo teatro, até que um dia o Christian

me ligou perguntando se eu tava a fim de fazer um trampo para as Oficinas. Não ia dar, porque a peça ia estrear, mas passou uns dois ou três meses, eu totalmente sem grana, sem trampo, liguei de volta: “Será que aquela vaga ainda tá de pé?”, na maior cara de pau. E tô aí até hoje, fazendo monitoria, trabalhando com o pessoal como assistente de elétrica, de vez em quando dirigindo um clipe de um amigo, fazendo umas coisas minhas, mais terrir do que terror, que é mais divertido. Para mim foi muito importante fazer teatro, entender o trabalho do ator, acho que até nisso eu consigo dar um toque pro pessoal, pra atuação ficar mais natural, sem essa coisa de “ser ou não ser”. Com as Oficinas eu comecei a me interessar em ver filmes diferentes, ter outra visão, entender o que está por trás. E hoje fico reparando na posição de câmera, na quebra de eixo, se falta uma coisa no cenário...

André de Ol ive ira | O fi ci na Monte Azu l (2001)

54

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


arejando o debate nas quebradas E st her H a m b u rg er professora de Crítica e História do Cinema e da Televisão na ECA, USP. Autora de O Brasil antenado, a sociedade da novela

I

ronia é a tônica de O último da fila, curta de 10 minutos, dirigido por Eder Augusto e Rodrigo Valadares em 2003, numa Oficina Kinoforum realizada no Tendal da Lapa. O filme merece menção pelo tom farsesco com que trata a paisagem urbana paulistana, a situação de moradia, trabalho e transporte de uma família de baixa renda. Em tempos em que os documentários baseados em entrevistas orais se impuseram como parâmetro incontornável a filmes que pesquisavam estéticas realistas para tratar do cotidiano de moradores de comunidades paulistanas, O último da fila embaralha registros de gênero, lançando mão de recursos realistas e fantasiosos, caros à ficção e ao documentário. O filme enfatiza a mímica, inventa um palco em pleno centro de São Paulo e se aventura na fantasia subjetiva de seus personagens. A montagem surge como recurso privilegiado em um filme sem falas ou som direto. No plano sonoro há jazz, tecno, clássico, samba e choro. No plano das imagens, há trechos de compilação de material de arquivo de TV, de cinema, além de gravação original. O último da fila conta a história de um jovem e seus pais que se animam a disputar uma vaga de gari, anunciada na primeira página de um jornal popular afixado em uma banca de jornal. O filho, de skate, avista a notícia alvissareira. Deslizando na cidade, esbarra e encara um gari uniformizado de macacão laranja – a figura desse trabalhador braçal volta diversas vezes ao longo do filme para nos avisar do objetivo dos personagens. Em plano fechado, o menino abre uma porta descortinando a casa de sua família, sem teto ou paredes, improvisada no calçadão do Anhangabaú. Móveis postos em um dos terraços servem de suporte para a atuação do pequeno elenco: pai negro, mãe branca e filho mestiço. O pai, na TV. A mãe entre o fogão e a faxina. A precariedade das condições de habitação é sugerida não pelas usuais imagens de barracos em bairros periféricos, mas por um cenário sem paredes, fruto da simples instalação de itens mobiliários, como mesa, fogão, poltrona, no calçadão. Suas falas são incompreensíveis grunhidos eletrônicos. A ação e os gestos dos personagens, pontuados pela inserção recorrente do anúncio da vaga de gari, e um flashback da cena em que o menino avista o anúncio, seguida pela reação da mãe que reza para seus orixás, indicam a direção da narrativa: uma história de busca de emprego.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

55


FOTO: Mariana Hidemi

A sinopse define o filme como “Um conto fantástico, onde 38 mil pessoas brigam por seiscentas vagas de gari”. O termo “fantástico” não descreve o universo narrativo do filme adequadamente, mas aponta para um partido pouco comum à época e à filmografia emergente no chamado “Cinema da Quebrada”: uma sucessão de texturas combinando colagem de imagens provenientes de fontes tão diferentes quanto um filme de Eisenstein e um institucional da empresa de limpeza pública. O último da fila é composto de cinco partes, cada uma com opções de linguagem própria em torno de uma história linear, interrompida por uma sucessão de três digressões oníricas. O filme se inicia em chave realista acompanhando o percurso de um jovem skatista. Guiados por ele, chegamos à sua casa, instalada em pleno Vale do Anhangabaú. No trajeto da casa à busca de emprego, somos apresentados ao sonho de cada um dos protagonistas. O confronto em torno das vagas insuficientes aparece através do recurso ao remix. A sequência final combina essas linguagens. O resultado é interessante e original. Além da ação social e política, oficinas audiovisuais em comunidades por vezes produzem narrativas esteticamente intrigantes. O último da fila lembra o cinema marginal de Ozualdo Candeias. A disputa pelas vagas de gari é sangrenta. A metáfora da guerra aparece de maneira literal, misturada à de revolução, na

56

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

colagem de vinte segundos que simula o confronto que resulta no ferimento e hospitalização de nossos protagonistas. Uma inusitada sequência de compilação inclui stills de jornal, filmes de guerra e trechos da paradigmática sequência da escadaria de Odessa. Nem guerra, nem revolução, o filme se inspira em um conflito ocorrido no Rio de Janeiro por ocasião de uma disputa por vagas de gari. Uma imagem tosca de uma carteira de trabalho na UTI é a metáfora visual escolhida para a condição de desempregados feridos em que os protagonistas terminam o filme. O falso plano/contraplano que relaciona o trio maltrapilho e uma multidão de garis solidários em seus uniformes novos, como no início, ao som de chorinho alegre, encerra com bom humor essa dramatização original sobre a precariedade da vida popular, no centro da periferia. O último da fila é um entre centenas de filmes produzidos nas mais diversas oficinas audiovisuais que desde o início dos anos 2000, depois da experiência da Kinoforum, pipocam ecoando conhecidas iniciativas no âmbito indígena. O filme faz da precariedade um dado a seu favor. Demonstra que o bom humor e a irreverência são recursos eficientes para arejar o debate ideológico e a denúncia de nossas mazelas sociais. E que entre os novos realizadores há os que prometem.


curta jovem periferia G i l M a rça l coordenador do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais - VAI

E

m junho de 2001, o assunto que circulava entre os jovens, na média dos 20 anos e que eram envolvidos com alguma atividade artística no bairro, era o acontecimento de uma oficina de cinema, que ocorreria entre 6 a 15 de julho daquele mesmo ano. Os que tinham se inscrito não falavam de outra coisa, especulavam inclusive quem eram os outros inscritos entre os amigos, se alguém tinha alguma ideia do que queria gravar etc. O bairro do Monte Azul é composto por uma classe média em ascensão e abriga também a famosa favela Monte Azul, conhecida por ter um forte trabalho de educação infantil com diversas creches, que atendem os filhos dos trabalhadores e moradores da comunidade, além de uma estrutura de serviços e acessos gerados pela Associação Comunitária Monte Azul, como ambulatório médico, marcenaria, padaria e, entre outras coisas, um centro cultural. Em 2001, o moleque da favela só via uma câmera na mão de repórteres, quando normalmente cobria alguma morte ou trabalho social, ou ainda poderia ver o misterioso artefato em alguns casamentos, festas de aniversário da classe média ou algo do gênero. “Veja, mas não toque!” Aconteceria a primeira oficina de audiovisual Kinoforum, como uma atividade paralela ao Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. A Kinoforum iniciaria naquele ano um intenso processo de formação de jovens, mais de mil até hoje, nas artes do vídeo, em mais de sessenta oficinas realizadas em diversas regiões da cidade afastadas dos circuitos e centros culturais – a periferia. A formação acontecia em dois finais de semanas intensos, nos quais ocorriam aulas expositivas e trechos de filmes eram exibidos e analisados com os participantes para chamar a atenção para um enquadramento ou algum recurso de som. A oficina organizava ainda os participantes em pequenos núcleos, nos quais cada um ocuparia um papel na produção de um vídeo elaborado por eles mesmos. Outro assunto de destaque eram os profissionais que ministravam as oficinas, pessoas do meio, com grande conhecimento técnico, senso crítico, e sem uma formalidade pedagógica, estabelecendo assim uma relação mais solta, mais tranquila. Dali saíram curtas lúdicos relacionados ao universo das crianças, experimentais de ficção e documentários. Os vídeos digitais produzidos por meus amigos – pelo filho da dona Maria, pelo irmão do Dedé, pela neta da dona Celestina – trouxeram para nós outras dimensões e possibilidades das situações retratadas na caixa mágica da imaginação.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

57


58

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

alguma produção visual, enquanto os projetos de exibição de vídeo chegam ao programa por outras trajetórias. O VAI teve ainda a oportunidade de ter em sua Comissão de Avaliação e Acompanhamento membros representantes da Associação Kinoforum, que contribuíram efetivamente com um olhar mais apurado e experiente na gestão do programa, possibilitando um encontro mais certeiro com as necessidades específicas desses grupos. A via sacra das Oficinas citada no começo deste texto, com a formação, a produção do vídeo, a exibição e o festival, aparece no VAI como grande referencial do que estes jovens vão multiplicar nas suas ações, com suas particularidades, é claro, mas altamente conectadas com este DNA inicial. O melhor momento para discutir essa imagem da periferia é agora, quando já existe um catálogo com 240 filmes produzidos principalmente nestas regiões por seus próprios jovens, por meio das Oficinas Kinoforum, e centenas de outros vídeos produzidos por coletivos articulados por essa e outras histórias, bem como a presença do logo azul extravagante do VAI que abre diversas destas produções.

FOTO: Rafael Ferreira

O Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, badalado, importante no cenário audiovisual brasileiro, é na maioria das vezes o primeiro contato que este jovem vai ter com esse universo. Conhecer as pessoas que frequentam esses festivais, como grandes realizadores, produtores independentes, jovens cineastas, jornalistas, entre outros, é sobretudo articular o repertório apreendido nas oficinas com a potencialidade de contato e articulação. Neguinho que é da quebrada vê outro mundo que nunca viu. Uma das questões feitas pelos próprios jovens era se teria onde continuar uma formação na área do audiovisual, ou mesmo ainda poder atuar profissionalmente na área. Seria ainda realizado o Módulo ll das Oficinas, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos específicos de cada vertente da cadeia produtiva do vídeo. Longe de ser uma questão resolvida, hoje podemos olhar esses dez anos e observar que uma parte significativa desses jovens conseguiu traçar um caminho na produção do audiovisual, seja porque foram cursar universidades de tecnologia, cinema ou comunicação, ou porque desenvolveram um caminho de profissionalização no audiovisual, inserindo-se em produtoras, realizando projetos, peças publicitárias, documentários, registro de eventos, bem como inserção em editais de fomento público como o VAI e o Primeiras Obras, da Prefeitura de São Paulo, ou o edital de Egressos do Ministério da Cultura. Muitos dos grupos e coletivos articulados por jovens que tiveram iniciação nas oficinas de audiovisual encontraram abrigo provisório no Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI, que financia projetos culturais de jovens de baixa renda nas diversas regiões da cidade e nas mais variadas linguagens artísticas. O VAI, com um pequeno recurso, possibilitou a realização de muitos projetos, tanto de produção quanto de difusão da linguagem audiovisual, bem como possibilitou a aquisição de equipamentos, como câmeras, ilhas de edição, equipamentos de áudio e outros recursos técnicos necessários, que teriam impacto direto na trajetória e manutenção destes grupos. É necessário ficar claro que, apesar dos financiamentos citados acima, ainda há um longo percurso a ser traçado para que as políticas públicas deem conta da demanda deste e de outros segmentos da cultura. Como técnico de projetos do VAI, e depois na condição de coordenador do programa, pude notar que os projetos selecionados de jovens que passaram pelas Oficinas Kinoforum, na maioria das vezes, propõem realizar


pueril

VIVÊNCIAS

Minha experiência com as Oficinas Kinoforum aconteceu em 2007 como aluna e, em 2008, quando participei da equipe. Desde então, nunca mais fui a mesma. Na época em que fui aluna, não tinha expectativa nenhuma com minha vida e meu futuro. Era uma recém-formada em Direito, curso que eu fiz como bolsista e sem vontade, mas que era uma chance de “ser alguém na vida” e não levar uma vida tão difícil como meus pais levaram. Afinal, era um orgulho para eles, por ser a primeira da família a se formar. Na faculdade sempre havia um professor, um doutrinador, um filósofo, que nos dizia, através de seus livros e palestras, quem era “o negro”, quem era “o pobre”, quem era “o vulnerável”, quem era “a mulher”, quem era o “bandido”, o que era “a comunidade”, o que era “a periferia”... e isso me frustrava, porque essas observações eram sempre feitas sob a ótica de pesquisas e estudos de pessoas que sequer estiveram em uma favela.

As Oficinas Kinoforum possibilitaram que não só eu, mas tantos outros, pudessem falar com autoridade, através do audiovisual, quem era o negro, quem era o pobre, quem era o vulnerável, o que era a periferia... Pudemos mostrar nossos anseios, sonhos, experiências de vida e histórias. Através da câmera, deixamos de ser alunos para virarmos filósofos de nossas histórias. Isso para mim foi o que de mais valioso aconteceu nas Oficinas: em nenhum momento fiz parte de um projeto para que “meninos de periferia pudessem sair das ruas e ficar livre das drogas e do crime” – como se todos da periferia fossem potenciais drogados e criminosos. Me senti parte de um projeto que acreditou em mim, acreditou no meu potencial e no meu talento. Por isso tudo, depois que eu fiz as Oficinas Kinoforum, nunca mais fui a mesma. Em tempo: achei meu namorido nas Oficinas, e meus melhores amigos também. Sou muito feliz e agradeço a todos por me darem a coragem de mudar. juliana borges | O fi ci na Uni ão Impe r i al (2007)

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

59


olhares em

todos os cantos da cidade Ro se S a t iko G it ira n a H i k i j i

E

antropóloga, professora da USP, realizadora de filmes etnográficos, entre eles Cinema de quebrada (2008), Lá do Leste (2010) e A arte e a rua (2011).

m 2005, os moradores da Cohab Taipas, na zona noroeste de São Paulo, foram surpreendidos com projeções de cinema nos muros de seus prédios, sendo alguns dos filmes produzidos por seus próprios vizinhos. Em 2009, Cidade Tiradentes, distrito no extremo leste de São Paulo, maior conjunto habitacional da América Latina, ganhou sua primeira TV comunitária online. O conteúdo veiculado na WebTVCT pode ser gerado a partir de câmeras digitais ou mesmo de celulares. Projetos como esses parecem inusitados, porque acontecem em locais com pouquíssima ou nenhuma infraestrutura na área da cultura (não há salas de cinema em Taipas nem em Cidade Tiradentes) e são geridos por moradores das próprias regiões, e não pelo poder público ou por entidades privadas. Além do uso criativo do audiovisual e do projeto político de torná-lo acessível para o maior número de pessoas, os idealizadores desses projetos têm em comum o fato de terem se aproximado do cinema por meio de oficinas de vídeo oferecidas em suas comunidades. Vanice Deise e Eder Augusto participaram das Oficinas Kinoforum em 2003, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Realizaram então, com outros participantes da oficina, Cão de fogo, um curta-metragem com toques surrealistas, em que um marido desempregado um dia se torna um cachorro. Mas o filme foi apenas o começo de suas atuações no campo do audiovisual. Desde então, desenvolveram, com apoio do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), o projeto Rolê na Quebrada (2005/6), de oficinas e projeções em Taipas, e dirigiram seus próprios filmes. Eder tornou-se membro da equipe pedagógica das Oficinas Kinoforum. Cláudio Tio Pac participou de uma das primeiras Oficinas Kinoforum, a que ocorreu em 2002 em Cidade Tiradentes. Foi um dos autores de Defina-se, filme produzido na oficina e premiado com uma Menção Honrosa do Festival de Quebéc, no Canadá, que aborda a temática da situação do negro no Brasil, desde a escravidão aos dias atuais, a partir da contraposição de imagens de jornais antigos com fotos da revista Raça e depoimentos de moradores de Cidade Tiradentes. Desde então, Tio Pac envolveu-se em diversos projetos relacionados ao audiovisual, como exibições em praças públicas, a atuação na produtora Filmagens Periféricas, formada por outros participantes das Oficinas Kinoforum, a realização de diversas oficinas por meio do Grupo Ecológico e Cultural Tio Pac, a organização da WebTVCT, contemplada com o projeto Ponto de Cultura em 2009.

60

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


Conheci Eder, Vanice e Tio Pac em 2005, quando fazia uma pesquisa para a realização do filme etnográfico Cinema de quebrada (LISA/2008, na íntegra em https://vimeo.com/31596995). Soube da existência da produção audiovisual periférica em 2004, quando acompanhei a sessão Formação do Olhar durante o 15º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que exibia filmes produzidos em oficinas ou em comunidades de todo o Brasil. Em 2005, realizei uma pequena pesquisa de campo durante a realização da Oficina Kinoforum no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Analisei diversos filmes resultantes de oficinas . Na Kinoforum, jovens, principalmente de bairros periféricos, tem um contato inicial com equipamento de vídeo, conhecem um pouco de história do cinema e linguagem cinematográfica. Em um rico processo de discussão e criação coletiva, produzem curtas, documentários, ficções ou “doc-fics”. Esses curtas são depois exibidos no Festival de Curtas de São Paulo, o mesmo no qual fui surpreendida por imagens tão diversas advindas das periferias brasileiras. Uma característica importante das oficinas, que Clarisse Alvarenga e eu pudemos observar in loco, é a troca entre oficineiros (profissionais, estudantes de cinema ou ex-alunos de oficinas) e participantes. Os primeiros carregam sua bagagem cinematográfica: escolhem os filmes que serão exibidos, transmitem o que julgam interessante sobre a história do cinema e a linguagem cinematográfica, organizam o processo de realização do audiovisual. Os participantes, em geral, escolhem o objeto do filme, definem os argumentos, são os responsáveis pela captação de sons e imagens, pela realização de entrevistas e pela criação da trilha sonora. Após as gravações, as imagens podem vir a ser discutidas coletivamente, antes de se iniciar a edição, que em geral é atribuída a um técnico ligado ao projeto. Mas a principal contrapartida dos participantes no processo das oficinas é sua experiência, construída, sobretudo, no cotidiano das comunidades. Esta constitui-se por vezes no exercício das estratégias 1

2

de sobrevivência, em contextos marcados pela falta – de opções de lazer, de educação, de saúde, de segurança. Mas é também tecida nas redes de sociabilidade densas que constituem a vida em um bairro periférico. O contato com o participante da oficina afeta o oficineiro. Alguns afirmam que as Oficinas mudaram sua forma de pensar e fazer cinema. Moira Toledo, oficineira nas Oficinas Kinoforum, tem convidado vários de seus ex-alunos para suas próprias realizações. “O comprometimento deles com o trabalho é maior. É diferente de um jovem de classe média. Eles renovam, porque trazem um feedback crítico, são criativos e comprometidos”, me contou Moira. No caso dos ex-alunos que são hoje monitores das oficinas, Moira destaca o fato de eles dialogarem com o aluno (geralmente, também morador da periferia) de forma menos hierarquizada: “O argumento de autoridade dele é uma autoridade de trabalho, de experiência”. Nas pesquisas que realizei entre 2004 e 2008, observei que diversos participantes de oficinas decidiram continuar a produzir vídeos, mesmo com câmeras emprestadas e ilhas “invadidas” em momentos de menor movimento. Com isso, o que no início dos anos 2000 se configurava como um projeto de ONGs e alguns visionários de levar para um público maior a linguagem cinematográfica e os meios para a produção audiovisual, foi sendo apropriado como projeto de atuação de coletivos que reivindicam o direito de produzir suas próprias representações. Neste momento, surgem demandas e questionamentos acerca do papel daqueles que pretendem fomentar a prática audiovisual para além dos centros tradicionais de produção de mídia. As críticas dirigem-se à curta duração das oficinas, à falta de apoio para que os coletivos tenham seus próprios meios de produção de filmes, entre outras. Neste momento de comemoração de uma década de atuação, tais críticas revelam que o projeto de “formação de olhares” tem resultados importantes, críticos, inclusive, como os oficineiros que conheci teriam gostado de formar.

1

No artigo em coautoria com Clarisse Alvarenga, intitulado “De dentro do bagulho: o vídeo a partir da periferia”, publicado em Sexta-Feira - Antropologias, Artes e Humanidades, n. 8 (São Paulo: Editora 34, 2006).

2

E m sua dissertação de mestrado, Vídeo e experimentação social: um estudo sobre o vídeo comunitário contemporâneo no Brasil, defendida em 2004 no Multimeios da Unicamp, Clarisse Alvarenga analisou, além das Oficinas Kinoforum, iniciativas como as Oficinas de Audiovisual do projeto BH Cidadania, o TV Sala de Espera de Belo Horizonte, o TV Favela do Rio de Janeiro, entre outras.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

61


espandongado

VIVÊNCIAS

Quando participei, tinha 17 anos e estava no terceiro ano do Ensino Médio. Naquela época, para mim, o cinema era mais uma atividade de lazer do que uma forma de expressão artística. Eu gostava muito de ver filmes (que alugava na locadora do bairro), mas nunca tinha pensado nisso como uma atividade profissional.

Hoje, dez anos depois, sou educadora de audiovisual em projetos sociais, meus alunos têm entre 8 e 17 anos. Sinto que a vivência das Oficinas ainda está muito presente no meu cotidiano de educadora, porque tenho alunos que são muito parecidos com aquela garota que eu era em 2002.

A participação nas Oficinas permitiu-me descobrir o audiovisual como arte e também como uma poderosa ferramenta de comunicação e representação. Eu cresci na periferia da zona leste de São Paulo, e a vivência na oficina me fez refletir de maneira mais profunda sobre algo que eu já intuía: os filmes e programas de TV que eu assistia não me representavam. Então tive acesso a ferramentas e possibilidades narrativas para retratar minhas angústias, sonhos, visão de mundo etc. Esse desejo de contar histórias com imagens permaneceu comigo, e daí procurei outras oficinas, cursos, e acabei me formando em cinema na universidade.

Sobretudo, o que mais ficou para mim daquela oficina foi a percepção de que a educação audiovisual pode dar a crianças e jovens meios de expressão e autorrepresentação que eles não encontram no cinema e nas mídias tradicionais. Quando meus alunos escrevem um roteiro, gravam um vídeo no próprio bairro e colocam no YouTube, eles estão representando. Toda vez que eu vejo um vídeo dos meus alunos ser exibido, sinto uma sensação parecida com aquela que tive nas Oficinas, quando vi as imagens que eu tinha produzido numa tela pela primeira vez.

F rancine Barbos a | O fi ci na CCBB (2002)

62

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


a

periferia no centro dos holofotes do tapete vermelho Laís Bodanzky cineasta e coordenadora do projeto Cine Tela Brasil.

O

cinema sempre foi um lugar para poucos. Um tapete vermelho para poucos. Para subir nesse tapete de veludo era preciso muito dinheiro e conhecimento, aí sim se podia ser o dono da história, o dono da verdade. Vc tem dinheiro? Vc tem amigos com dinheiro? Vc sabe falar a linguagem cinematográfica? Não? Sinto muito, vc não pode pisar aqui. Era assim o cinema até o ano de 1998, quando um primeiro filme feito com uma câmera digital ganhou o grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Era o Dogma chacoalhando a indústria cinematográfica e lembrando que o cinema, antes de tudo, é um lugar para se contar histórias. O cinema é um espaço para colocação de ideias e, mesmo em um filme de puro entretenimento, há uma ideologia por trás. Alguém pensou e colocou seu ponto de vista da realidade no espaço branco da tela. Ou seja, o que está na tela é um recorte da realidade e não “a” realidade. A realidade que os filmes nos mostram é uma ilusão como a caverna de Platão. É possível dizer que a realidade, única, compacta, objetiva, efetivamente não existe. E o que existe, isso sim, são diferentes e fragmentadas interpretações do mundo que habitamos. Dessa forma, para que possamos construir o mosaico de diferentes visões do mundo que permitam entender melhor a realidade em sua plenitude, temos que dar voz às suas várias expressões e pontos de vista.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

63


arte na rua keller

E este é o desafio que as Oficinas Kinoforum se impuseram nestes dez anos de existência. Muitos que jamais se imaginaram cineastas, por não terem acesso ao mundo mágico do cinema, por falta de recursos financeiros ou por falta de quem ensinasse a linguagem cinematográfica, puderam ter o seu recorte da realidade expressado através de som e imagem. Na história recente do audiovisual, estamos vivendo uma revolução silenciosa, a revolução da luz do projetor, como a luz do sol de Platão, que representa conhecimento, educação e consciência. Para o Brasil, este momento tem um significado ainda maior. Com o barateamento dos equipamentos de captação de imagem, nossas periferias começaram a contar suas histórias. E quando uma história que se passa na periferia é contada por quem mora nela, as sutilezas do universo retratado aparecem sem clichês e caricaturas. Portanto, podemos dizer que um novo Brasil começou a ser descoberto, literalmente. Mas não basta fazer, tem que mostrar e estender o tapete vermelho. Aí entra o mérito das Oficinas Kinoforum estarem atreladas ao Festival Internacional de Curta-Metragens de São Paulo, que ventila esta produção para o mundo. Para a autoestima do país, isto tem um valor incomensurável. As Oficinas Kinoforum vão além de ensinar a fazer cinema, são um exercício de cidadania. A equipe de educadores, muitos deles vindos da própria periferia, ensina o aluno a pensar, a ter uma visão crítica e a não ficar passivo diante dos fatos. Essa experiência o aluno leva para a vida, mesmo que não siga a profissão de cineasta depois. Hoje existem no Brasil muitas iniciativas semelhantes, mas as Oficinas Kinoforum foram pioneiras e inspiradoras de todos, inclusive das Oficinas Tela Brasil, da qual sou a coordenadora. Parabéns Zita e equipe, por tanta coerência! 64

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

VIVÊNCIAS

As Oficinas Kinoforum não são apenas uma oficina onde se aprende audiovisual, são uma família onde todos os que chegam nunca mais se vão. Quando comecei a fazer as Oficinas não sabia nada sobre cinema, era tudo novo para mim. Lembro do exercício que minha equipe fez que parecia tudo o que você não pode fazer em curta-metragem. Foi bem legal e engraçado. Lembro das viagens que fazia de ônibus, trem e metrô, mas tudo valeu muito a pena, pois com as Oficinas cresci muito como pessoa e profissionalmente. Paula Moren o O fi ci n a S a comã (2008)


correndo pelo certo C a r lo s C o r t e z e D éb o ra I va n ov Carlos Cortez, roteirista e diretor, e Débora Ivanov, produtora, são os criadores das Oficinas Querô.

C

onhecemos o trabalho das Oficinas Kinoforum desde seu início, lá atrás, há dez anos, quando o abismo entre periferia e centro era bem maior. A proposta de levar o cinema para as comunidades, produzir com os jovens conteúdos que interessavam a eles e depois levar essa produção para exibir no Festival Internacional de Curtas de São Paulo era um movimento para transpor o abismo e indicar um caminho de aproximação. As primeiras turmas tinham sido um sucesso. O interesse e a criatividade da molecada eram muito grandes e, mais do que “alfabetizá-los” no audiovisual, as Oficinas Kinoforum estavam se transformando num importante movimento cultural, dando voz e novas formas de expressão para jovens de regiões mais distantes do centro e de áreas marginalizadas. Estávamos na época no mesmo movimento de “romper o abismo” e, três anos mais tarde, filmamos em Santos o longa-metragem Querô, produzido pela Gullane Filmes. Terminadas as filmagens, os quarenta jovens que fizeram parte do elenco do filme, todos de áreas “difíceis” da Baixada Santista, não quiseram se dispersar e, a exemplo das Oficinas Kinoforum, surgiu a disposição de criar e viabilizar as Oficinas Querô. O projeto existe até hoje e já passaram por ele trezentos jovens. Muitos estão trabalhando na área em TVs, agências de publicidade e produtoras de vídeo e cinema. Alguns estão cursando faculdade de audiovisual e outros já concluíram o curso superior. Cada oficina dura um ano, todos os dias da semana. E, nesse um ano, a molecada aprende que existe o roteiro, e que antes dele tem a pesquisa. Aprende a importância da fotografia, como manusear a câmera e trabalhar com a luz. A importância do diretor, do som e da montagem. Nesse um ano, eles também assistem e debatem muitos filmes e têm contato com profissionais que participaram dessas produções. Passeiam bastante também. Visitam museus, assistem a espetáculos teatrais, participam de festivais, entre outras atividades.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

65


Depois desse primeiro ano, os que mais se destacam são convidados a participar de oficinas avançadas visando à profissionalização em áreas específicas. Podem se especializar em montagem, câmera, roteiro, produção. Em todos os níveis, eles são estimulados a produzir seus próprios filmes. O ano acaba com, em média, quatro filmes finalizados e lançados por eles. Em 2007, a própria molecada sentiu a necessidade de montar uma produtora. Nasceu assim a Querô Filmes, que, além de projetos dos jovens, presta serviços para o mercado. Essa produtora é totalmente gerida por eles e todo o lucro é reinvestido na remuneração dos profissionais envolvidos nos trabalhos e em novos projetos. Alguns jovens também passaram a levar a experiência adquirida ao longo dos anos para escolas da região, tornaram-se “multiplicadores”. Surgiu assim o

Querô na Escola: oficinas de curta duração nas quais são produzidos pequenos conteúdos de interesse dos alunos, vídeos que são postados e exibidos no blog do projeto. Faltava ainda um espaço permanente para organizar e divulgar os filmes e programas dos jovens, por isso criamos uma WebTV. E o desafio agora é criar conteúdo próprio para a internet, expandir ainda mais a rede de comunicação dos jovens e explorar novas linguagens audiovisuais. Aprendemos nesses sete anos de existência que é só criar as oportunidades que o talento, a criatividade e a perseverança da nossa molecada se agiganta e transpõe todos os obstáculos, todos os abismos. Como eles dizem, nós e as Oficinas Kinoforum estamos “correndo pelo certo”.

p... que o pariu!

VIVÊNCIAS

Foi meu primeiro contato com o outro lado do audiovisual, a visão de produtor, no sentido de fazer filmes. Embarquei nessa viagem que estou até hoje, e acho que vai pro resto da vida, junto com grandes amigos que lá conheci também... Foi muito importante pra mim!

F e r n a ndo Fa r i a F r e i ta s O fi ci na S ã o C a rl os (2 0 0 7 )

66

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


parceria no desenvolvimento da

juventude

L u í s A l f aya diretor do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.

O

Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias nasce em 2003 com a missão de promover o desenvolvimento profissional, sociocultural e pessoal de jovens por meio do audiovisual. Desde o início, o Criar procurou trabalhar em parceria com outras organizações, com o objetivo de unir esforços em prol da juventude. Nessa jornada, a Kinoforum esteve sempre presente como uma grande aliada, seja no encaminhamento de jovens para o Programa de Formação, na qualificação de debates promovidos no Cine Criar ou na elaboração da metodologia do Programa Vídeo Criar. A Kinoforum é uma importante instituição no cenário da comunicação popular no Brasil e deu voz a quem até então só dispunha de ouvidos. Mais ainda: deu voz com câmeras nas mãos. E é assim que jovens vêm contando suas histórias por meio das Oficinas Audiovisuais da Kinoforum. Aplausos também para o Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Curta Kinoforum, indispensável espaço de convergências, formação de público, crítica e articulação de realizadores. A parceria entre o Instituto Criar e a Kinoforum deu oportunidade de desenvolvimento para diversos talentos, como é o caso de Bruno Bralpffer. Bruno cursou as Oficinas Kinoforum e foi indicado para o processo seletivo do Instituto Criar em 2007. Aprovado, participou do  Programa de Formação e foi educando da Oficina de Câmera. Recém-formado, teve sua primeira experiência profissional como assistente do fotógrafo J. R. Duran. Posteriormente, foi indicado para a Academia Internacional de Cinema, parceira no Programa de Educação Continuada do Criar, para o curso de Direção Cinematográfica. E, como resultado das oportunidades

aproveitadas, em 2010, Bruno foi contemplado na IV Edição do Prêmio Criando Asas com o roteiro do curta-metragem Nota de corte. O documentário investiga a dificuldade de acesso das classes mais baixas à universidade pública e conta com a participação de especialistas no assunto, como o jornalista Gilberto Dimenstein. Nota de corte foi exibido no 22º Festival Internacional de Curtas, com espaço em mesa de debate, e também circulou por diversos festivais brasileiros e até na pré-seleção da Mostra Brasileira em Chicago. A Kinoforum esteve presente também em um momento essencial do Instituto Criar. Alinhado com tendências nacionais e internacionais de democratização do audiovisual, o Instituto Criar desenvolveu uma metodologia de sensibilização de jovens e do universo das escolas públicas para o potencial do audiovisual como ferramenta de educação, comunicação e transformação social. Trata-se do Programa Vídeo Criar, que leva o Instituto Criar para fora dos muros do Estúdio-Escola, e que já foi aplicado em mais de vinte escolas e cinco organizações sociais. Mais uma vez a Kinoforum apoiou a empreitada e participou do processo que contou com a contribuição de outras importantes entidades. Fruto da seriedade e generosidade das organizações que compartilharam suas metodologias, o Instituto dissemina todo o conhecimento construído coletivamente através do Guia Vídeo na Escola!, disponibilizado para download gratuito para todos os interessados em levar adiante o desafio da democratização do audiovisual. O Instituto Criar tem muito orgulho de ser parceiro da Kinoforum e deseja um sucesso ainda maior nos próximos passos dessa jornada.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

67


moderna idade

VIVÊNCIAS

E dizer que uma simples escolha pode influenciar toda vida... Mudei meu foco pessoal e profissional quando retirei do varal dos Jovens Urbanos uma folha com a inscrição para as Oficinas Kinoforum. Durante as Oficinas, perdi a magia do telespectador, mas ganhei todo o encanto do “luz, câmera e ação”. Sou hoje veterano do Instituto Criar e trabalho fixo numa grande produtora. Lico Cardos o | O fi ci na Laje a d o (2009)

68

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


avaliação

de impacto:

tornar a linguagem audiovisual acessível, caminho possível M a u r ic io Ba c ic Olic , Ca m i l a B i g i o , Bre n o Z ú n ic a e Adri a n a Ca m p o s As duas pesquisas contaram com a participação e colaboração de diferentes profissionais das ciências humanas que compõem os vieses que balizam a construção das pesquisas, assim como das posteriores análises. Mauricio Olic (mestre em antropologia), Camila Bigio (graduada em psicologia), Breno Zúnica (graduando em história) e Adriana Campos (graduada em ciências sociais) são autores deste artigo e integrantes da equipe de pesquisa avaliativa realizada sobre o recorte do 2º quinquênio e da pesquisa em curso (ano de 2012). Ambas as pesquisas contam também com participação de Marcelo Phintener (graduado em ciências sociais), Marcelo Benedito (graduado em geografia) e Mayara Vivian (graduanda em geografia). Já da pesquisa sobre o recorte do 1º quinquênio participaram Silvia Viana Rodrigues (doutora em sociologia) e Adriana Campos (graduada em ciências sociais)

P

ara a Kinoforum, tornar o cinema acessível, tanto em sua apreensão como em sua produção, é um meio para a melhoria das comunidades nas quais se insere. Assim, busca junto a seus participantes e parceiros fazer com que as oficinas ampliem as possibilidades de atuação social, potencializando repertórios individuais e coletivos a partir dos meios audiovisuais. Diante de tais perspectivas, ao longo de seus dez anos de existência o projeto Oficinas Kinoforum avalia de maneira contínua e sistematizada suas ações, seja as que se voltam para os resultados obtidos por seu fazer pedagógico seja aquelas que traçam o perfil de seus participantes. Foram realizadas até o momento desta publicação duas pesquisas avaliativas direcionadas a cada quinquênio de desenvolvimento do projeto, e, a terceira, que inaugura uma nova periodicidade para o processo investigatório, se encontra em fase de coleta de dados para posterior análise. Deste modo, o presente texto busca apresentar os resultados auferidos nas duas pesquisas realizadas

que se debruçaram sobre os recortes dos anos 2001 ao primeiro semestre de 2006, e do segundo semestre de 2006 ao ano de 2011. A avaliação acerca do primeiro quinquênio adotou a pesquisa quantitativa como principal metodologia para coleta de dados, com o objetivo de apresentar, em primeiro lugar, o perfil socioeconômico dos participantes, assim como as expectativas que traziam consigo ao se inscreverem no projeto. Foi analisado também o grau de satisfação dos participantes diante de suas expectativas, ou seja, se elas foram atingidas ou não. No terceiro momento, observaram-se as relações, acessos e interpretações sobre os produtos culturais audiovisuais. A avaliação acerca do segundo quinquênio seguiu este mesmo modelo. No entanto, além da pesquisa quantitativa, foi elaborada uma pesquisa qualitativa para obtenção, análise e comprovação dos dados. Logo, o presente artigo trará uma série de dados e depoimentos que elucidam os aspectos avaliados por ambas as pesquisas.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

69


de atuação do projeto

Antes da apresentação dos dados, julgamos importante ressaltar que as oficinas realizadas pela Associação Cultural Kinoforum estão inseridas em um cenário social mais amplo de transformações que vêm ocorrendo no espaço urbano das grandes cidades. Segundo os sociólogos Robert Cabanes e Vera Telles, essas mudanças atravessam o Estado, a economia e a sociedade, criam novas formas de distribuição da riqueza e apontam para novas perspectivas “de mutações do trabalho e das formas de emprego, a revolução tecnológica e os serviços de ponta, os grandes equipamentos de consumo e os circuitos de ampliação do mercado” (2006: p. 11). Nesse contexto, uma nova experiência urbana surge, imprimindo padrões de mobilidade e acesso à cidade que redefinem os agenciamentos da vida cotidiana. Embora essas transformações tenham atingido os diferentes espaços da metrópole, os territórios periféricos, onde se concentram grande parte das oficinas, sofreram rápidas mudanças a partir dos anos 1980 impulsionadas pela crise do emprego e da renda, fazendo destes territórios áreas de vulnerabilidade social (Cymbalista, 2006). A década de 1990, por sua vez, trouxe, por um lado, grandes empreendimentos comerciais às periferias, como hipermercados e shopping centers, que passaram a explorar o potencial de consumo dessa população, mas, por outro lado, outros elementos têm surgido no cenário das cidades, “como crescimento da violência, o surgimento de grupos de contracultura, como o hip-hop, o surgimento da sociabilidade promovida pelas igrejas evangélicas. Definitivamente, a periferia do início do século XXI não é a mesma periferia operária da década de 1970” (Idem, 2006: p. 47). Portanto, é nesse contexto de uma maior vulnerabilidade social e do crescimento de diversas atividades, sejam elas formais ou informais, legais ou ilegais, lícitas ou ilícitas, que projetos sociais como as Oficinas da Associação Kinoforum encontram “a matéria-prima para elaboração de suas propostas e permitem um interessante contato entre moradores e pessoas de fora” (Magnani, 2006: p. 41). Assim, segundo o antropólogo José Guilherme Magnani, projetos sociais vêm ocupando um lugar antes exercido pela associação de moradores, mas com novas características, pois as associações representavam 70

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

uma interface entre os moradores e os aparelhos do Estado. Os projetos sociais, por sua vez, até podem passar pelo Estado, mas também buscam outras fontes, tais como empresas (nacionais e multinacionais), institutos e instituições internacionais. Nessa perspectiva, a presença desses novos atores tem permitido a criação de agenciamentos que atingem não somente a vida cotidiana da população residente na periferia, mas também dos sujeitos de fora que passam a se relacionar nesses espaços a partir dos projetos sociais.

FOTO: Mariana Hidemi

Cenário


Metodologia

e dados auferidos

Diante deste cenário complexo por suas inúmeras possibilidades de configurações políticas, sociais e culturais, as Oficinas Kinoforum se voltaram para avaliação de seu percurso a fim de transformar sua ação, adequando-a às peculiaridades dos contextos em que se insere, fazendo valer a voz de seus participantes, seus modos de agir e ver o mundo, compartilhando novos e velhos conhecimentos por meio da produção audiovisual. Às equipes de pesquisa foi colocado o desafio de auferir com a maior acuidade possível os aspectos que constituem o fazer pedagógico das oficinas, e como essas práticas reverberaram e foram entendidas por seus participantes, em sua maioria jovens moradores da periferia metropolitana. O primeiro passo foi elencar os objetivos do projeto, quais suas preposições diante deste público e do meio que utiliza para alcançá-lo. Destacando os objetivos, percebeu-se que todos bifurcavam para uma única essência, que dizia respeito à ampliação do capital social e cultural dos participantes tendo como instrumento a produção e os produtos audiovisuais. Esse conteúdo, portanto, foi classificado tecnicamente como o objetivo central da pesquisa. Ora, em todo seu modo operante, do formato temporal (duração de cada módulo) à metodologia de produção, as Oficinas Kinoforum se direcionam ao compartilhamento dos repertórios culturais dos seus aprendizes, ao mesmo tempo em que trabalha com práticas que visam à aquisição de outras formas de expressão, linguagem e cultura. Os questionários para coleta de dados quantitativos e qualitativos1, em ambas as pesquisas, foram aplicados tanto para os participantes como para as instituições parceiras, e tiveram como objetivo contextualizá-los nas esferas econômica, geográfica e social, de modo a mensurar quanto a participação nas oficinas contribui para possíveis transformações dos aprendizes, tanto no que diz respeito a sua vida pessoal, como na sua relação com o espaço em que vive. Priorizando como variáveis de controle o gênero, idade, local de moradia e de participação das oficinas, a pesquisa se baseou em uma

amostra representativa de 20% do universo total de participantes nos mais diferentes módulos oferecidos pelo projeto2, garantindo assim uma representação com a mínima margem de dois pontos percentuais, para mais ou menos. As perguntas (estímulos) e as possibilidades de respostas (múltiplas) se voltaram para dois eixos investigatórios: aprendizagens, tanto técnicas como socioculturais, e o perfil do participante. Acerca do perfil, podemos auferir que se trata de um grupo equânime no que concerne ao gênero, como se pode observar nos gráficos. Há pequenas oscilações de um quinquênio ao outro, o que não altera, porém, a afirmação de equidade. No que diz respeito à faixa etária, as oficinas atingiram um número maior de jovens, que de fato era o público-alvo (18 a 25 anos) almejado. Nesse aspecto ainda, as tabelas abaixo evidenciam que a maioria dos participantes se encontram em classes sociais menos abastadas economicamente, e com escolaridade ainda em curso. gênero 2006

gênero 2011 46% masculino

54% feminino

Perfil socioeconômico

Perfil socioeconômico

2001/06

2006/11

Classe

%

Classe

%

A-B

28

A-B

14

C-D

69

C-D

86

E

03

E

00

Total

100*

Total

100

*Do total da amostra

1

 a segunda edição da pesquisa de avaliação do projeto (2011), houve a revisão dos instrumentais (questionários quantitativos), em relação à primeira pesquisa (2006) – e por conseguinte, nas possibilidades das respostas - visando um N maior entendimento e completude do resultado a que se buscava chegar. Para apresentação nesta publicação, optou-se por unificar as questões e respostas, aproximando-as e evidenciando o comparativo entre as duas pesquisas. Os relatórios completos poderão ser vistos no site das Oficinas Kinoforum.

2

Ao longo de seus 10 anos, as Oficinas se estruturam nos módulos I e II. Em outros anos ocorreram oficinas específicas, de making of e animação.

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

71


Perfil etário

Perfil etário

2001/06

Perfil escolar

2006/11

Recorte**

%

Perfil escolar

2001/06

2006/11

Recorte

%

Escolaridade

%

Escolaridade

%

até 15

03

até 17

05

não alfabetizado

00

não alfabetizado

00

de 15 á 25

74

de 18 a 25

64

fundamental*

10

fundamental*

0

de 25 a 40

23

de 26 a 38

31

médio*

16

médio*

23

40 ou mais

00

39 ou mais

00

superior*

73

superior*

46

Total

100*

Total

100

pós-graduação (latu senso)

00

pós-graduação (latu senso)

30

pós-graduação (strito sensu)

00

pós-graduação (strito sensu)

10

Total

100**

Total

100

*Do total da amostra **Os recortes foram distintos em cada quinquênio, em função da necessidade de observação mais detalhada sobre o público-alvo do projeto, quais sejam jovens de 18 a 25 anos.

* Completo ou incompleto **Do total da amostra

Todavia, no que se refere à escolaridade e perfil socioeconômico, podemos observar um deslocamento entre os dados auferidos nas pesquisas do primeiro e segundo quinquênios do projeto. Esse deslocamento entre níveis maiores de escolarização e menores de renda apontam para perspectivas em que o acesso de segmentos menos abastadas à escolaridade acontece por meio de projetos de incentivo à escolarização, tais como Projovem Urbano (ensino fundamental) e PROUNI (Programa Universidade para Todos). Com relação à contemplação das expectativas existentes no momento de inscrição nas oficinas, 89,5% dos participantes afirmam tê-las atingindo. Logo, podemos dizer que as Oficinas conseguem estimular o desenvolvimento de novos agenciamentos entre seus aprendizes, de modo que podem estabelecer novas relações tanto no campo pessoal e profissional, como em dimensões socioculturais mais amplas.

O que mudou depois de você participar da oficina ou o que acha que poderá mudar? (assinale mais de uma alternativa caso julgue necessário) Adquiri a capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo** Adquiri a capacidade/vontade de atuar em meu entorno social a partir do conhecimento adquirido Adquiri a capacidade para localizar, acessar e usar melhor as informações acumuladas Passei a assistir os programas de TV com o olhar mais crítico Aprendi uma nova linguagem

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

%

2006

2010

14

12

10

6,7

8

9,5

13

11,5

14,0

14,0

Ampliei minha capacidade criativa e imaginativa

19

16,0

Passei a frequentar salas de cinema

3

2,5

Passei a assistir filmes nacionais e/ou mostras de cinema

4

6,7

6

3,4

8

9,8

1

7,8

100%

100%

Comecei a mobilizar atividades culturais em minha comunidade/bairro Me envolvi em um grupo/ um coletivo independente na área de audiovisual cultural ou educativa Comecei a trabalhar na área de audiovisual cultural ou educativa TOTAL

72

%


2006 Percepção sobre

2011

Antes das

Após as

Antes das

Após as

Oficinas

Oficinas

Oficinas

Oficinas

Linguagem/Cultura

54%

50%

44%

62,4%

Diversão/Passatempo

35%

15%

30,3%

18%

Mercadoria

o Cinema

10%

7%

1,9%

9%

Aborrecimento/Tedioso

-

2%

24,7%

0,6%

Outros

-

1%

-

10%

Não mudou

-

25%

-

10%

O conceito sobre cinema é um aspecto que adquire uma nova perspectiva com a participação nas Oficinas, na medida em que passa a ser visto como uma linguagem e um meio de expressão. Ou seja, a visão passiva do cinema como uma mercadoria pronta para o consumo é reinterpretada a partir do momento em que os participantes têm acesso a sua produção e descobrem técnicas e saberes que redimensionam seus olhares sobre o audiovisual. Uma das preocupações das Oficinas Kinoforum, inclusive, é a de que os alunos conheçam e experimentem a linguagem audiovisual, de modo que, ao término de cada oficina, os aprendizes apresentam sua própria produção. Até o término da segunda pesquisa, haviam sido produzidos 210 vídeos, em mais de 50 oficinas. Parte dessas produções fez parte de festivais nacionais e internacionais, sendo todas exibidas nas comunidades nas quais foram produzidas, além de participarem das edições do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

As pesquisas mostram também que o interesse pelo audiovisual, impulsionado e/ou potencializado pelas Oficinas, assim como pela instrumentalização dos jovens participantes acerca dos códigos e possibilidades dos produtos audiovisuais, suscitam a vontade de atuação na área, como mostra o gráfico abaixo: carreira na área audiovisual

Do ponto de vista das dificuldades enfrentadas após a participação nas oficinas, os obstáculos apontados referem-se, principalmente, à questão do mercado de trabalho. A inserção profissional ainda é um fator de extrema preocupação, pois existe uma pressão social, como a da família, por exemplo, assim como a própria demanda pessoal de aquisição de dinheiro para o consumo, o que obriga o jovem a se integrar ao mercado de trabalho em áreas em que se vê impedido de demonstrar seu potencial. Assim, dentro de um cenário macroestrutural que não se revela promissor para novas inserções formais, faltando muitas vezes oportunidades para os jovens, ele acaba exercendo uma atividade em que não se sente produtivo, capaz e dono da sua própria história laboral.

Dificuldades após a realização das Oficinas

% 2006

% 2011

20

26,1

-

17,1

Articulação, no bairro, de meios que viabilizem a realização e exibição de curtas metragens

14

12,1

Acesso a locais de estudo

17

11,1

Acesso a informações sobre audiovisual

9

10,1

Aplicação do conhecimento adquirido para o processo de transformações sociais na comunidade em que vive

9

9,5

Exibir os vídeos produzidos nas oficinas fora da comunidade

11

7

Acesso a locais de exibição de filmes

10

5

Exibir dos vídeos produzidos nas oficinas na comunidade

6

2

Nenhuma – não tem interesse em continuar

4

-

Conseguir ocupação remunerada na área audiovisual Conseguir ocupação remunerada em outra área em que possa aplicar indiretamente os conhecimentos adquiridos na oficinas

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

73


FOTO: Beth Giroto

No entanto, por mais que as Oficinas não tenham como objetivo a inserção dos seus aprendizes no mercado de trabalho do audiovisual, os cursos possibilitam aos seus participantes a aquisição e o aprimoramento de potencialidades que podem ser aplicadas em diferentes contextos, independente do mercado audiovisual. São habilidades que permitem aos participantes a leitura e a compreensão de diversas situações que facilitam sua inserção em diferentes áreas, principalmente no mercado de trabalho, independente da carreira que venha a seguir. Logo, os aprendizes que já estavam no mercado de trabalho durante as Oficinas, mesmo que suas atividades não estivessem diretamente relacionadas ao audiovisual, confirmam usar os conhecimentos práticos e as habilidades adquiridas no seu dia-a-dia. “Quando tenho algum protótipo de produto para demonstrar, ainda uso o conhecimento de captação – enquadramento – edição da oficina. Claro que o foco é outro, mas o conhecimento inicial serviu como base para construir o conhecimento mais específico.” Juliana Gaiba (28 anos, turma de 2004). Consultora de User Experience da Telefônica. “Trabalho em grupo, colaboração, organização e disciplina. Utilizo em atividades em grupo (sejam amigos ou trabalho).” Noel (27 anos, turma 2006,). Callcenter (atendente), informal: fotógrafo e palhaço. A dificuldade de acesso às oficinas, assim como a ausência de equipamentos culturais necessários para dar continuidade ao aprendizado dos cursos, tais como bibliotecas, museus, cinemas e centros culturais, foram problemas levantados pelos participantes. Embora tenham destacado essas dificuldades, os aprendizes demonstraram interesse em procurar novos cursos e articulações, como coletivos e grupos que os mantenham inseridos no meio audiovisual. Essa capacidade de articulação é justamente uma das competências desenvolvidas no decorrer das oficinas. Como estão dando continuidade ao

%

%

2006

2011

Desejam dar continuidade ao aprendizado na área de cinema e vídeo

25

26,3

Para fins profissionais na área de cinema e vídeo

23

25

conhecimento adquirido nas Oficinas?

Como nova forma de expressão

20

22,4

Aquisição de novos pontos de vista sobre o cinema e programas televisivos

16

13,2

Uso em prol da comunidade em que vivo

14

12,3

Não pretende utilizar

1

0,8

Outros

1

-

100

100

Total

74

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


Logo, as expectativas em relação à aquisição e disseminação de conhecimentos específicos, assim como a ampliação de ações socioculturais, mesmo que pontualmente, foram contempladas. Por sua vez, a dificuldade de adquirir equipamentos e recursos para dar continuidade às atividades foram um dos principais problemas levantados. Contudo, segundo os participantes, a realização das Oficinas traz novas possibilidades de organizar conhecimentos específicos e abrangentes (educacionais eletivos), além de servir como disparador e inspirador de (novas) ações. Distribuição das 61 oficinas realizadas no município de São Paulo (até 2011):

Morumbi

OFICINAS realizadas em outras regiões Diadema: 1 Santos: 2 São Sebastião: 1 Guaratinguetá: 1 Santo André: 1 Atibaia: 1 Cotia: 1 Mauá: 1 Jundiaí: 1

PA RT E 2 : P E N SA N D O OS P R OCE SSOS

75


Conclusão

Antes de nos voltarmos às conclusões deste artigo, convidamos o leitor a conhecer as pesquisas em sua totalidade3, não somente por estas contemplarem um detalhamento maior das variáveis articuladas em seus interiores, mas, sobretudo, para um conhecimento mais profundo sobre os percursos trilhados pelo projeto ao longo de seu desenvolvimento. Os resultados e transformações vistos durante as pesquisas avaliativas mostram como o desenvolvimento de habilidades mais amplas, como o trabalho em grupo, desenvolvimento do olhar crítico e organização melhor das informações acumuladas, são fundamentais para o sucesso das oficinas. A satisfação demonstrada pelos participantes aponta que os que lá passaram encontraram no grupo o seu lugar, como um espaço flexível e plural onde o respeito pela individualidade convive com o preceito de coletividade. A partir dessa experiência, os aprendizes tornaram-se potencialmente agentes disseminadores das práticas pedagógicas preconizadas pelos cursos. Essa estratégia de extrapolar um conhecimento técnico sobre o audiovisual, de modo a desenvolver outras competências que podem ser aplicadas na vida cotidiana, permite que a ação das oficinas reverbere para além do projeto, ou seja, crie novos agenciamentos

3

na vida cotidiana de populações, que a princípio não tiveram nenhum contato com as Oficinas. A Kinoforum, portanto, por meio de sua inserção nas comunidades através da linguagem audiovisual, demonstra, empiricamente, contribuir para a formação de um público mais crítico e autônomo, trazendo princípios, metodologias e técnicas capazes de ampliar e aprimorar competências pessoais e sociais, preparando-os para melhor corresponderem e enfrentarem as exigências de um mundo contemporâneo mais plural e colaborativo. Assim as Oficinas, além de proporcionarem transformações importantes na vida de seus participantes, possibilitam também repensar o fazer pedagógico nas instituições parceiras, trazendo um olhar mais crítico e abrangente sobre as formas de ensino e aprendizagem, bem como um novo olhar para o público da comunidade, que passa a ser visto como capaz de transformar e (re)escrever sua história. É certo que muito ainda há de se fazer em territórios de vulnerabilidade social, e que o trabalho realizado pelas Oficinas Kinoforum não são a “pílula mágica” de salvação desses espaços. Contudo, apresentam caminhos em que, a partir da construção de uma linguagem audiovisual feita na periferia e pela periferia, jovens podem se organizar e produzir os discursos de suas próprias vidas.

Link de acesso as pesquisas: www.kinoforum.org/

bibliografia

CABANES, Robert; TELLES, Vera da Silva. Nas tramas da cidade: trajetórias urbanas e seus territórios. São Paulo, Associação Editorial Humanitas, 2006. CYMBALISTA, Renato. “O lugar aonde as pessoas chegam antes da cidade”. In: Sexta-feira, vol. 08 – periferia. São Paulo, Editora 34, 2006, p. 44 – 51. MAGNANI, José Guilherme. “Trajetos e trajetórias: uma perspectiva da antropologia urbana”. In: Sexta-feira, vol.08 – periferia. São Paulo, Editora 34, 2006, p. 30 – 43. 76

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


O trabalho das Oficinas Kinoforum apresentou desdobramentos, como a formação de coletivos ligados ao audiovisual, a criação do site www.kinooikos.org e o Ponto de Cultura Audiovisual Kinoforum. Conheça aqui um pouco dessas experiências.


da TV ao bairro à cidade:

repercussões Va n es s a R ei s atua na coordenação de projetos sociais na Kinoforum, incluindo as Oficinas Kinoforum, Ponto de Cultura e KinoOikos

A

lgo que se faz até quase sem querer durante toda a vida é conhecer coisas novas. Mesmo que não se empreenda uma grande busca, o mundo está aí, novas coisas, pessoas e cenários se apresentam na vida de cada um. O que dita o tamanho dos passos e o comprimento do caminho é como nos relacionamos com essa abertura de horizontes. Desde 2004, acompanho o trabalho realizado nas Oficinas Kinoforum – como aluna e, depois, como integrante da equipe – e chama atenção a série de desdobramentos distintos que essa ação potencializa. O projeto é, para o jovem que participa pela primeira vez, uma dose concentrada de informações, sensações e relações que, dependendo de sua predisposição, podem ampliar seu repertório cultural e instigar mudanças significativas. Vale a pena aqui partir de um caso específico – posso contar o meu – e chegar a uma visão mais geral. Quando soube do projeto me interessei na hora, já que gostava desesperadamente de cinema. Fui uma das alunas de exceção, não estava exatamente no perfil do projeto: fiz oficina no Jardim São Luís, zona sul, mas era uma universitária que morava na zona oeste, no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) e estudava filosofia. Porém, nunca tinha tido a oportunidade de usar uma câmera de vídeo e nem tinha condições de pagar os cursos particulares disponíveis. Durante a oficina, concluí que tinha encontrado o que queria fazer pelo resto da vida – na verdade, me enganei um pouco – e, mais do que em qualquer outra experiência, vi o processo assumir o posto de mais importante do que o resultado. Participei de três diferentes módulos de oficina e, nos três casos, não gostei dos vídeos! Mas o processo... se transformou no próprio resultado.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

79


FOTO: Rafael Ferreira

Na primeira oficina, conheci as pessoas com quem conversava sobre outras possibilidades do audiovisual, e começamos o MUCCA, que tinha o objetivo de realizar exibições gratuitas no Jardim São Luís. Ali começou uma trajetória que não cabe aqui explicar. Depois da segunda oficina, participei da formação de outro coletivo audiovisual, a Dragão Blasé, com mais pessoas que tinham passado pelas Oficinas e que pretendiam continuar experimentando o audiovisual para se expressar. Com o que conheci por trabalhar no projeto, me envolvi ainda no Coletivo de Vídeo Popular. E comecei a conhecer e me interessar pelas relações entre projetos sociais e culturais com as políticas públicas dessas áreas – o que se tornou minha maior área de interesse. Sou um caso na multidão. Mas presenciei processos de mudança – pequenos ou grandes – acontecerem diante dos meus olhos, influenciados por uma multiplicidade de fatores. Isso fortalece minha convicção de que a educação e a cultura que proporcionam uma interpretação ampla das coisas, que mostram suas nuances, que valorizam cooperações abertas às diferenças, são essenciais quando se pensa na construção de um mundo menos competitivo e menos autodestrutivo e, quem sabe, mais igualitário. A primeira mudança e a mais frequentemente relatada pelas pessoas que participam da oficina de realização de vídeo tem sido

80

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

individual: outra forma de olhar os produtos audiovisuais que em todo momento atingem a todos. Os jornais, programas de TV, publicidade, filmes: a partir das oficinas, esses produtos passam pelo olhar de alguém que já fez opções de onde colocar a câmera, de como organizar as imagens e sons pra construir um discurso. Alguém que sabe que aquela sucessão de imagens e sons não é natural ou aleatória. Alguém que assistiu conteúdos que não costumam passar nas TVs abertas, na escola, e que são, quase que por si sós, a concretização de novas formas de ver as coisas. Isso faz muita diferença. Mais consciência é mais compreensão e mais poder de decisão e ação – ainda que seja a ação de simplesmente desligar a TV. Ler e interpretar o mundo influencia a ação de cada um e é sempre mais significativo conforme se adquire novos elementos para a formação da visão de mundo. O processo de interagir com pessoas que você não conhece, para, juntos, escolher e criar as imagens e sons que contarão uma história é um exercício conflituoso e que exige um esforço coletivo. Nem tudo são flores, o vídeo não necessariamente fica do jeito que se quis. Mas o interpretar as demandas dos outros, negociar as suas e chegar a um produto final juntos traz uma vivência


quase viúvos

complexa, sobre despojar-se de uma perfeição ilusória, adquirir autocrítica, um processo essencialmente humanizador. Assim, ficou claro que, para vários dos que passaram pelas oficinas, essa experiência fez brotar ou reforçar a vontade de que aquilo pudesse chegar a mais gente. Dessa vontade, diversas histórias surgiram, de ações culturais coletivas, feitas por quem mal tinha acabado de receber novas informações sobre audiovisual, mas que queria passá-las pra frente, circular o conhecimento. Cada um a seu modo, se apropriando dos meios, foi capaz de aprimorar a ação em seus campos de atuação produzindo, exibindo, distribuindo, frequentemente, nos bairros onde moram os integrantes ou outros locais identificados como excluídos do circuito de produção e fruição cultural do cinema e do vídeo. E mais adiante essas pessoas puderam conhecer os trabalhos de outras, em outros lugares, mas com quem tinham afinidades e ver que fazia sentido. A essa altura, nos distanciamos de alguns dos elementos que influenciaram essas ações; elementos que também passaram por mudanças, por trocas de experiências com outras ações. Mas a cidade vai tendo, aos poucos, algumas de suas ruas e praças mexidas por dentro, alguns de seus bairros experimentando novidades audiovisuais, ao ver outras realidades e a sua própria exibida nas telas. Dessas peças independentes, mas que conversam e podem montar e desmontar mosaicos, é interessante observar que ações pontuais, cada uma em seu perfil, mas realizadas com objetivos claros e envolvimento, em diversos projetos de cunho sociocultural que ganharam a cidade (e o país), são uma forma de experimentar novas fórmulas e relações de criação. E que o passo adiante pode (ou deve?) ser a organização dessas ideias e a busca da construção de políticas efetivamente públicas que possam aproveitar esse acúmulo, às vezes disperso de conhecimento e transformá-lo em ações coerentes com valor público para todos. É claro, a efervescência cultural hoje sentida nas periferias de São Paulo não é desdobramento de uma única ação, de nenhum grupo específico, de uma ou outra arte, cultura, mudança. Uma confluência de encontros, de ideias, de desejos, de acontecimentos políticos é que puderam criar um cenário rico em possibilidades, quando comparado há alguns anos. Mas com o não desperdiçar pequenas possibilidades, alterações mínimas de vivências, de novos acessos, fez parte desse todo. Cada um lida de uma forma com os acontecimentos diários e a diferença nessas formas é que cria a diversidade de caminhos dados. E os que ainda não existem.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

81


VIVÊNCIAS No início de 2007, eu trabalhanva numa agência de promoção e, como o trabalho estava bem puxado, não consegui ir à reunião de uma ONG da qual fazia parte, na região do Cabuçu, em Guarulhos. Pedi para minha amiga Cristina Assunção me substituir. Pouco antes, um amigo havia me chamado para ajudá-lo em um documentário sobre um prédio residencial na região central, mas o que sobrava em entusiasmo nos faltava em técnica. No dia seguinte à tal reunião, encontrei minha amiga que, toda animada, me contou que havia conhecido o Pedro Martins e ele lhe falara das Oficinas Kinoforum. A oficina era totalmente gratuita e os vídeos produzidos seriam exibidos no Festival Internacional de Curtas-Metragens. Isso era simplesmente demais! Fomos fazer a inscrição, eu, ela e o meu amigo. A oficina iria acontecer durante o Carnaval, no galpão da escola de samba União Imperial, na zona leste. Fizemos um documentário sobre a ala das baianas e, a convite do presidente da escola, saímos na escola de samba, vestidas de baianas! Gostei tanto, mas tanto daquele universo, que logo me matriculei no Módulo II para estudar produção. No início do ano seguinte, o Jorge Guedes me indicou para um trabalho como assistente de produção no documentário Um homem de moral, de Ricardo Dias. Foi apenas um dia de trabalho, mas era a primeira vez que estava com uma equipe de filmagem profissional. Em seguida, ele me chamou para fazer a produção de

set das Oficinas Módulo II no Centro Cultural São Paulo e do Módulo I em Jundiaí. Depois dessa experiência, fui trabalhar como produtora na companhia de teatro Os Satyros. Mal tinha me instalado por lá e o Christian Saghaard me chamou para integrar a equipe brasileira da Oficina OMJA. Em 2009, o Jorge Guedes, sabendo que estava fotografando, me convidou para fazer o making of das Oficinas de Módulo II. Era a primeira vez que tinha um trabalho como fotógrafa. Estar ali com os alunos um ano depois de ter descoberto as Oficinas foi muito especial. Durante meus registros fotográficos, busquei retratar fielmente o que se passava nos sets de filmagens, sem muita interferência. Foi um grande laboratório. Depois desse trabalho, comecei a levar mais a sério minhas experiências fotográficas, realizando ensaios fotográficos, making ofs e por aí vai. E, em 2011, um projeto dirigido pela Cristina Assunção foi contemplado pelo edital da prefeitura (VAI). Montamos então o Coletivo Janela da Rua. Convidei uns amigos que conheci durante as Oficinas para compor a equipe. O resultado desse trabalho foi um livreto e um documentário de curta-metragem sobre o bairro Jardim Samara, na zona leste da cidade. Hoje em dia, realizo trabalhos como produtora e fotógrafa freelancer. E certamente muito se deve às Oficinas Kinoforum. Dilvania S antana | O fi ci na Uni ão Im p eria l (2007)

82

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


oficinas kinoforum, ponto de partida e de chegada M o i ra To l ed o cineasta, educadora e pesquisadora. Idealizou o site kinooikos.com

A

política faz parte da minha vida desde que eu era menina. Fazia boca de urna, mesmo antes de poder votar; fui cara-pintada e segui sempre procurando meios para mudar o mundo. Até mesmo quando fui estudar e fazer cinema, sonhava com uma atuação militante. Mas aos poucos fui descobrindo que, na prática, a política estava ficando cada vez mais distante da minha vida de cineasta. Foi numa tarde de abril de 2002, no Tendal da Lapa, que descobri que era realmente possível unir minhas grandes paixões. Convidada por Christian Saghaard para ministrar uma aula especial em uma edição das Oficinas Kinoforum, percebi que existia algo muito novo acontecendo ali, que renovava a experiência do vídeo popular e apontava para uma renovação na arte-educação: uma oficina em que linguagem e tecnologia estavam a serviço da expressão audiovisual de jovens, criando grande impacto positivo em suas vidas. Eu havia realizado anteriormente uma oficina, no Projeto Perifa, junto com o Thiago Ribeiro, na zona oeste de São Paulo, mas o que fazíamos era quase artesanal: captação em película 16mm, um grupo de alunos apenas, aulas longas e criadas uma a uma. Já nas Oficinas Kinoforum, encontrei uma equipe madura, completa, com jovens ex-alunos já atuando como monitores, e que chegava – em brevíssimo período de tempo – a resultados impressionantes. É claro, me apaixonei no ato. E passei a integrar a equipe. As produções resultantes das Oficinas Kinoforum, e as reflexões que dela decorriam, sugeriam ao Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – que promovia as Oficinas – um olhar sobre o tema. E já em 2002 o foco temático do festival foi dedicado a esse tipo de produção. O foco trazia um panorama dos projetos de educação audiovisual que surgiam no país, e também um olhar retrospectivo e histórico sobre os pioneiros. Nascia a Formação do Olhar, e nessa primeira edição, coordenada por Lizandra Almeida, participei como educadora, representando o projeto Perifa.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

83


vamos jogar?

A partir do ano seguinte, a Formação do Olhar se tornou um programa da grade fixa do festival, incluindo um Fórum de Debates, com convidados integrantes ou com poder de diálogo sobre esse tema, e a exibição de um panorama da produção em todo o país – que desde então nunca parou de crescer. Eu participei dessa segunda edição como integrante das Oficinas Kinoforum, ainda fascinada e descobrindo as inúmeras possibilidades dessa forma de ensinar, e seus desdobramentos. O mais notável então era que, a partir das Oficinas Kinoforum e de outros projetos de educação audiovisual, começavam a surgir coletivos e núcleos independentes, que passavam a se engajar em projetos de exibição, circulação, produção e ensino. Surgiam também iniciativas em escolas públicas e desenvolvidas por produtoras audiovisuais. O cenário não parava de se renovar, assim como as questões por ele levantadas. Em 2004, depois de três anos na equipe das Oficinas Kinoforum, assumi a coordenação da seção Formação do Olhar. Naquele ano, para ampliar o foco das discussões, passamos a publicar um tabloide reflexivo, que foi editado até 2009. Das cinco edições, participaram educadores, gestores públicos, pesquisadores, cineastas e alunos, em matérias que buscaram apresentar o movimento construído pelos realizadores populares e promover reflexões pertinentes ao seu desenvolvimento. Em 2006, em meio a exibições, debates presenciais, publicações e interação com fóruns populares, começava a surgir uma demanda por uma janela virtual, para onde pudessem migrar os debates e informações relevantes a esse movimento, e que pudesse tornar acessível sua produção audiovisual. A natureza digital de grande parte das produções inclusive sugeria a possibilidade de se experimentar, dentro do festival, uma mostra online. E assim, na edição de 2007 do Festival, lançamos o site KinoOikos, e a sua primeira mostra online, em que disponibilizávamos todos os vídeos do site para download sem fins lucrativos, através de licenças flexíveis creative commons, como ainda ocorre atualmente. A mostra exibia os vídeos integrantes da mostra Formação do Olhar, que desde então passou também a se chamar KinoOikos. Em quase cinco anos de existência, o site já teve mais de 475 mil visitas de 122 países, e exibe notícias, podcasts, vídeo-aulas, 84

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

VIVÊNCIAS Fazer cinema – palavras que envolvem complexidade, dedicação e vida. O trabalho do pessoal das Oficinas Kinoforum consegue ir muito além de tudo isso. Durante os dois meses de teoria e prática, graças aos conhecimentos da área e, principalmente, aos valores sociais transmitidos, tomei um rumo que sinto muito orgulho de poder trilhar. E assim quero seguir, ensinando o que aprendi e aprendendo o que não vi. Ana Carolina Barão O fi ci na Mód ulo II (2011)


FOTO: equipe e grupos Ponto de Cultura

tutoriais, e mais de quinhentos vídeos produzidos por coletivos, entidades e realizadores populares de dezenove estados do Brasil. Além de um mapa de projetos, um banco de dados constantemente atualizado com informações sobre todas as 213 entidades e projetos cadastrados. O site segue promovendo também a mostra online, que faz parte da programação do Festival. Em 2010, ele foi reformulado e passou a permitir o envio direto de vídeos por parte dos realizadores durante todo o ano. Desde a primeira Formação do Olhar, a produção de vídeos em oficinas e projetos semelhantes alcançou um novo patamar em volume e qualidade. Acompanhei vários realizadores surgindo e crescendo nesses dez anos. Muitas oficinas, cursos e experiências independentes passaram a desenvolver realizações cada vez mais maduras estética e narrativamente, até que alguns passaram a inscrever seus filmes diretamente nos Programas Brasileiros do festival, buscando seu espaço em meio às produções profissionais. Atentos a essa nova mudança no cenário, também nos atualizamos. A partir de 2011, os curtas inscritos na seção Formação do Olhar/

KinoOikos do Festival de Curtas, além da mostra online, passaram a ser avaliados pelo comitê de seleção dos Programas Brasileiros e a serem exibidos também junto às demais produções nacionais, nas salas de cinema. Essa produção – de quebrada, vídeo popular, como quer que se prefira chamá-la – deixou de ser vista como um nicho, o que podemos considerar uma grande conquista. A educação audiovisual é hoje mais do que uma experiência pontual; é uma das formas de arte-educação que mais cresce, decorrência natural de seu imenso potencial transformador, para além da produção em vídeo, com seus ex-alunos desenvolvendo cada vez mais capacidades, explícitas nos inúmeros e variados projetos por eles criados, como novas ONG’s, Pontos de Cultura, coletivos, revistas, sites, blogs, cine-clubes, festivais. E não por acaso foi das salas de aula das Oficinas Kinoforum – suas produções, seus professores e alunos – que nasceu o site KinoOikos. Não por acaso também, das Oficinas Kinoforum vieram muitos dos que que, como eu, cuidaram da seção Formação do Olhar e do site KinoOikos nesses 10 anos. Oficinas Kinoforum, ponto de Partida e de chegada.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

85


vidinha

VIVÊNCIAS

Bom... minha experiência com as Oficinas Kinoforum teve e ainda tem um grande valor pra mim!

acompanhei diversos grupos, e cada um com uma vivência maravilhosa.

Produzimos o vídeo Vidinha, que por sinal é ruim pra caramba! rsrs... mas valeu muito pelo conhecimento.

Mas teve uma em especial que me impressionou bastante! Foi na Oficina Sapopemba em 2006, onde acompanhei o grupo que produziu Especiais. O vídeo traz alguns personagens que falam sobre suas superações. Por serem deficientes físicos, conhecer essas pessoas e histórias me trouxe uma grande lição de vida!

Depois, fiz o Módulo II e quando saí fui indicada para o Instituto Criar e, no Festival de Curtas, fiz parte da equipe de making of do festival! Em 2006, fui convidada a fazer parte da equipe de monitoria, e aí pude acompanhar o trabalho das oficinas mais de perto. Foram muitos lugares, durante o período em que fiquei na monitoria

Todo o conhecimento que adquiri com as Oficinas faz parte da minha história. Não só na parte do audiovisual, mas na história da vida!

Regisl aine domingos | O fic in a S a n to An dré (20 05)

86

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


instrumentos para fazer a diferença Vâ n i a Si l va coordenadora do Ponto de Cultura Audiovisual Kinoforum e, desde 2004, integrante do coletivo MUCCA (Mudança com Conhecimento Cinema e Arte).

M

eu primeiro contato com as Oficinas Kinoforum foi em 2004, e ainda me lembro de que esse universo do cinema era muito distante de mim, moradora do Jardim São Luís (zona sul de São Paulo). Não entendia bem como funcionava. Para mim, cinema era apenas entretenimento, só isso. Naquele momento, o que me fascinava era o contato muito forte que eu tinha com movimentos sociais, pois me interessava muito por coisas que pudessem melhorar a minha situação de vida e das pessoas que estavam à minha volta. Naquele primeiro momento, não conseguia imaginar o que o cinema tinha a ver com isso. Mesmo sem saber bem o porquê, entrei nas Oficinas e me vi imersa em possibilidades que me encantaram muito. Comecei a perceber que o cinema poderia, sim, ser um instrumento para melhorar muita coisa. Não conhecia ninguém na oficina que fiz, mas o mesmo princípio movia a maioria das pessoas que estavam reunidas naquele curso. Quando a oficina chegou ao fim, a inquietação era muito forte. Ninguém queria se distanciar de tudo o que havia aprendido e deixar de fazer parte desse meio. Nunca sonhei em ser diretora de cinema, minha vontade era trabalhar em projetos que utilizassem o cinema como meio transformador. Via que o audiovisual tinha um potencial muito grande de sensibilização e que poderia trazer questões e discussões para comunidade. Era um caminho para a transformação em que eu tanto acreditava.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

87


Poder falar com imagens, sensibilizar com cenas, trazer à tona discussões ou simplesmente deixar que o filme toque as pessoas sem a necessidade de ter um resultado imediato só me faz aprender. Eu, que sempre fui uma pessoa que sentia a necessidade de ver resultados, percebi que nem sempre é assim e descobri esse mundo de imagens, sensações e o poder que isso tem. Após as oficinas, entrei no MUCCA (Mudança com Conhecimento Cinema e Arte), um coletivo que desde o princípio queria promover exibições para a comunidade. Gente como eu, tão inquieta após as Oficinas. Um projeto de exibição significava unir o que sempre quis fazer com aquela experiência que havia tido.

E agora?

Mas nem tudo era tão perfeito assim, porque para levar o projeto era necessário ter equipamentos (que não são baratos!), o que significava dificuldades à frente. Tanto que, no início, tínhamos mais reuniões do que exibições em si. Era bem difícil, vários desistiram nesse caminho, mas pedíamos equipamentos emprestados, pois a vontade de levar o projeto era grande. Com o tempo, comecei a trabalhar na Kinoforum e percebi que a realidade que eu vivia no coletivo era comum a vários jovens que passaram pelas Oficinas. Como é um projeto pontual de sensibilização, que não prevê uma continuidade na comunidade, não existe a intenção de criar raízes em determinado local, e sim ser um instrumento para um primeiro contato dos jovens com o audiovisual. Mas como havia uma procura muito grande por parte desses jovens que queriam de alguma forma continuar o que aprenderam nas Oficinas, nasceram vários grupos espontaneamente e isso só foi crescendo. Numa primeira tentativa, nasceu o projeto Cinema na Comunidade, que tinha como intenção promover exibições nas periferias a partir de parceria com coletivos já existentes. Esse projeto-piloto foi muito válido, porque constatou que a necessidade de uma continuidade realmente existia e que seria muito bacana pensar na exibição de uma forma completa, na programação, produção, desprodução e envolvimento com a comunidade, pensando nisso como um processo pedagógico, de forma a potencializar esses projetos.

88

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Participei dessa iniciativa como aluna, em uma Oficina de Programação e Exibição, ensino de manuseio de equipamentos, programação de filmes e uma introdução à escrita de projetos para a viabilização das exibições. A partir desse piloto, a preocupação era a de pensar em um projeto que pudesse capacitar os jovens, na maioria ex-alunos das Oficinas Kinoforum, e criar então um circuito de exibição. E foi o que aconteceu. Após essa oficina, que tinha alunos e alguns coletivos como o MUCCA (zona sul) e SACI (zona norte), montamos um circuito de exibição com o apoio da Kinoforum, e assim foi possível exibir em bairros como Perus, Jardim Ângela, Parelheiros, Jardim São Remo, Real Parque, Jardim São Luís, Jardim São Carlos, Interlagos e Grajaú. Essa ação foi bem bacana, porque permitia que cada comunidade continuasse a partir daí. O Ponto de Cultura Audiovisual Kinoforum nasceu desse piloto, da necessidade que vários ex-alunos, como eu, demonstraram de atuar em suas comunidades, utilizando a exibição como meio. Em 2009, a Kinoforum foi contemplada no edital de Pontos de Cultura e daí em diante foi possível colocar em prática essa ideia, a de dar um primeiro suporte a jovens que tinham vontade de ter um contato com o universo da exibição, utilizando a experiência que a Kinoforum tem de programar e produzir com o auxílio aos jovens. A partir do edital, foi possível adquirir equipamentos e pensar na aplicação de um projeto sólido de apoio às ações nas comunidades. Pensamos nas palestras que poderiam de fato auxiliar os jovens em seus objetivos e divulgamos a oficina. Foram cerca de cinquenta inscrições e então nos deparamos com a primeira dificuldade: como a inscrição era individual, não havia como identificar claramente os grupos em ação. Vinte e dois jovens foram selecionados para participar da oficina, que foi realizada em dois finais de semana de março de 2010. O projeto continua e consiste em uma Oficina de Programação e Exibição Audiovisual, apoio a exibições durante o ano e empréstimo de equipamentos. É um apoio que vai do teórico ao prático, para aqueles que estão começando seus grupos de exibição. No primeiro dia dessa nova oficina, os jovens têm aulas de Programação Audiovisual, que levantam questões sobre o que exibir, como programar uma sessão, como pensar o filme na exibição, desde a pesquisa até o contato para pedir autorização de exibição.


FOTO: Pedro Martins

Já no segundo dia, a oficina aborda a produção. Os oficineiros têm informações sobre o que é necessário para produzir uma exibição, quais as demandas, como funciona a divulgação na comunidade e a se precaver de certos problemas, para que tudo dê certo. Há ainda uma aula que ensina a manusear os equipamentos, para que aprendam quais são os equipamentos necessários para uma exibição e como montá-los. No Ponto de Cultura, estamos em constante evolução. No primeiro ano do projeto, nem tudo foi exatamente como planejávamos, mas o bacana é que o projeto foi se adequando a realidade do dia a dia e nós da equipe fomos aprendendo a lidar com os desafios que surgiram, como a distância entre os participantes, a aplicação prática em cada realidade e o próprio uso dos equipamentos. Mas, como sempre, entre erros e acertos, no final deu tudo certo.

Apoio à ação local

No segundo ano, uma das mudanças foi focar a atuação para grupos já formados e assim servir de instrumento para as comunidades. O projeto se tornou coadjuvante à atuação dos jovens, pois na verdade o Ponto é só um meio para facilitar o trabalho dos coletivos apoiados. Foi mais fácil trabalhar assim, porque o projeto entrou na comunidade como um facilitador de ações que já existiam e os resultados foram muito maiores, principalmente no envolvimento da comunidade nas projeções. Até o momento, o Ponto de Cultura contou com quarenta alunos, sendo sete formações de grupos que atuaram em diversas regiões da

cidade de São Paulo, como Jabaquara, Bela Vista, Jardim São Remo, Vila Prudente, São Mateus, Jardim Ângela e Paraisópolis, em parceria com os coletivos Vento Oeste, G.R.I.T.O., Íris, Tá na Tela, Cine Independente, Euituitodos e Ecoinformação. Não posso colocar neste texto que a Kinoforum é a “salvadora da pátria”, até porque o aprendizado é mútuo e todos os envolvidos têm crescido nesse processo. O bacana é sentir a evolução, tanto dos grupos quanto da Kinoforum em si. Sabemos que atuar nas comunidades não é fácil, em relação à estrutura e também à aproximação dos moradores. A existência de mecanismos que facilitem a atuação dos grupos é sempre bem-vinda, principalmente quando essas iniciativas agem em conjunto com os jovens, de forma a potencializar seus ideais e seus sonhos... de forma despretensiosa. Hoje, passados oito anos desde que participei da oficina, vejo com os acertos e com os erros que muita coisa ainda precisa ser feita, mas que estamos em outro momento, mais maduro em relação às atividades desenvolvidas na periferia. Esses jovens, como eu, mudaram e os trabalhos desenvolvidos nos bairros são diferentes também. E isso é muito positivo porque, mesmo com muitas dificuldades, há muita gente com muita vontade. Para encerrar esse texto, usarei uma frase que ouço muito na comunidade de Vila Prudente, um dos locais apoiados pelo Ponto de Cultura Kinoforum: “... talvez não mudaremos o mundo, mas faremos a diferença”. Desde o início eu quis fazer a diferença também na minha vida e acredito que, com os instrumentos certos, o nosso grito poderá ser muito mais alto e eficaz.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

89


baianinho

VIVÊNCIAS

Cinema é algo que eu sempre adorei. Assisti a meu primeiro filme no cinema aos 6 anos e desde então fiquei impressionado com a Sétima Arte. Na minha infância, eu via que o cinema nacional era muito pouco representado e acreditava que não teria oportunidades de fazer um filme, mas quando conheci a linguagem do curta-metragem voltei a ter esperança de participar de algum projeto audiovisual. As Oficinas Kinoforum foram isso para mim – a primeira oportunidade de produzir um filme e exibir num festival de verdade, dentro de um cinema. Desde a primeira experiência, não quis parar de produzir, e continuei de alguma forma sempre próximo, acreditando que é possível fazer cinema de qualidade com poucos recursos, desde que se tenha muita imaginação e disposição. Posso ainda não estar no ramo cinematográfico, mas o importante é que, quando a oportunidade chegar, já estou preparado. M a r c i o M o r e no o f i ci na P e ru s (2 0 0 7 )

90

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


Ao longo dos anos de atividade das Oficinas Kinoforum, diversos jovens que participaram do projeto organizaram espontaneamente coletivos de atuação na área audiovisual – ou fortaleceram os grupos que já integravam –, com ações independentes em suas comunidades. Conheça aqui um pouco da trajetória desses grupos.


FOTO: Marcos Finotti

transformando a periferia em cinema

M UC C A – Mudança com conheciment o e a r t e

O

(mucca_cinema@yahoo.com.br)

MUCCA surgiu da junção de um grupo denominado Cineclube com um grupo de jovens que, após as Oficinas Kinoforum, decidiu continuar a trabalhar com artes visuais, principalmente no que diz respeito à exibição e, mais especificamente, o cinema. A partir desse momento, surgiu uma ferramenta de estimulação, provocação e debate sobre um cinema independente e que tivesse uma função de inserção social. Para que esta ideia fosse concretizada, foi, é e será necessário trabalharmos com parcerias e, por isso, as Oficinas Kinoforum têm seu papel fundamental no grupo. O objetivo do MUCCA é transformar espaços públicos e comunitários da periferia da cidade de São Paulo em salas de cinema populares, impulsionando, assim, a transformação social através da descentralização da produção cinematográfica e de informações, e projetar para esse público, independente do local onde ele esteja. Por isso, as projeções são realizadas em campos de futebol até terminais de ônibus, com resultados surpreendentes, que deram assim a possibilidade para milhares de pessoas de camadas populares assistirem e debaterem obras audiovisuais alternativas e temas

de seu cotidiano, sensibilizando também moradores/trabalhadores (as) de regiões em que existem poucas opções de lazer e cultura a participar de um espaço de formação/debate crítico e alternativo e também fazer com que se aproximem do universo cinematográfico independente/não comercial. Ao longo de nossa luta, a Kinoforum nos possibilitou e abriu portas em diversos momentos, mas um que podemos deixar como marco foi o primeiro aniversário do MUCCA, quando reunimos diversos grupos que trabalham com cinema para uma festa. Como não podia deixar de ser, realizamos um grande debate, com a participação de representantes da Kinoforum, ao lado de outro grande nome para a nossa orientação sobre o que queremos, que é o Zagati. Para nós, foi um momento único, superprodutivo e orientador. Prezamos muito o contato direto com o público, por isso sempre realizamos o debate ao final do filme, como forma de deixar um estímulo naquele local, que, no futuro, possa trazer novos frutos, abrir uma porta para um novo grupo de cinema. Com isso também crescemos como pessoas.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

93


E co i nformaç ão

além

(ecoinformaefavelas.blogspot.com.br | ecoemfavelas@live.com)

indo

O

das notícias

Ecoinformação nasceu com o intuito de transmitir informações e notícias aqui na Favela da Vila Prudente. Mas o grupo de quinze jovens achou muito pouco só trabalhar com informações, aí fomos atrás e encontramos as Oficinas Kinoforum. Os integrantes do Ecoinformação – Nego Bala, Artenio, Eliana, Eulmer – e o pessoal do MDF (Movimento em Defesa dos Favelados) então participaram da que aconteceu na Vila Alpina. Assim, criamos um laço de amizade com a Kinoforum. Em 2011, fomos chamados para participar dos encontros das oficinas de Programação e Exibição Audiovisual, do Ponto de Cultura, e fomos contemplados com a possibilidade de fazer quatro exibições. Para a favela, era uma coisa nova, e as pessoas gostaram das ini-

S . A . C.I.

ver

(gruposaci.blogspot.com.br | mjmitos@yahoo.com.br)

para

O

mais

grupo S.A.C.I. (Sócio Alternativo Cinema Independente) nasceu de uma brincadeira de assistir curtas. Assim posso dizer porque, afinal, essa é a verdade. No ano de 2007, as Oficinas Kinoforum ofereceram uma oficina no bairro de Perus. Após a realização dos vídeos, veio a proposta de exibirmos os curtas para a comunidade. Poucos alunos aceitaram o desafio. Na verdade, na época, queríamos assistir mais curtas e sabíamos que esse apoio de ceder os filmes para exibição nos deixaria mais próximos de filmes dos quais talvez nunca tivéssemos contato.

94

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

ciativas de exibições do Ecoinformação, que chegava ao público de cinquenta a cem pessoas. Hoje muitos moradores acham que o Eco Cine Favela tem que continuar. E vai, com mais um ano de apoio da Kinoforum! Neste ano de 2012, fomos contemplados pelo projeto VAI e temos como objetivo resgatar a história da favela e transformá-la em grafite. Vamos ter oficinas de dança com jovens da favela em todas as exibições, com os meninos que dançaram na exibição. Eles agora fazem parte do Ecoinformação. O desafio que temos de enfrentar agora é que não temos equipamento e não temos condição de fazer o jornal impresso para circular dentro da favela.

curtas

Dessa forma iniciamos um grupo sem nome, apenas por diversão. Logo o grupo ganhou um nome e novos integrantes, e começou a ser de verdade. A brincadeira dava frutos, e passamos a ser cobrados, afinal, agora estávamos ao lado de outros grupos que visavam arte e cultura com propostas sociais. A conquista da autonomia foi em 2009, quando fomos contemplados pelo programa VAI da prefeitura de São Paulo. O grupo S.A.C.I. desde então discute como trabalhar o audiovisual nas comunidades carentes de Perus e região.


produtora Tiradentes

F i lmage ns Pe riféricas

(www.funk.tv.br | filmagensperifericas@hotmail.com)

uma na Cidade

A

Cidade Tiradentes é o maior conjunto habitacional da América Latina, com uma população de quase 500 mil habitantes, contando os que vivem na informalidade no bairro. Tem uma extensão de aproximadamente 15 km2, e já foi considerada nas estatísticas a região mais violenta na capital paulista, chegando a ser o lugar em que mais se morre por arma de fogo, principalmente jovens negros. Em meio a essa realidade triste, violenta e miserável, em 2002, após as Oficinas Kinoforum, um grupo de jovens moradores do bairro se mobilizou e criou a Filmagens Periféricas, um coletivo de vídeo que não veio para mudar, mas para ajudar a mudar a realidade onde vivemos. Algumas produções premiadas e aplaudidas, como Defina-se, Vida loka, Aqui fora, Augusta a gosto, entre outros, motivaram ainda mais a vontade de continuar produzindo. Mas vimos que a comunidade, que era nosso principal tema inspirador, não tinha acesso a essas produções. Foi quando fomos contemplados por um projeto da prefeitura de São Paulo e assim conseguimos colocar todas as produções da Filmagens Periféricas e de parceiros dentro de fitas VHS e fazer parcerias com as sete maiores locadoras do bairro. A cada duas fitas locadas, o cliente podia retirar o Cinema de Periferia gratuitamente. Logo várias pessoas já nos reconheciam na rua. Mas muitas pessoas ainda não tinham acesso a locadoras de vídeos, então nos inscrevemos e fomos contemplados com o Petrobrás Cultural Escolha Direta, o que nos permitiu levar uma tela de cinema para um ponto diferente da cidade a cada sábado, durante o ano todo, com informação sobre DST/AIDS e aconselhamento com o Conselho Tutelar. Instalamos uma rádio ao vivo no local e programamos apresentações de bandas de música do bairro, um gênero diferente a cada final de semana. Um dos trabalhos que mais gostamos de ter feito foi uma oficina de vídeo com usuários de drogas e moradores de rua do centro de

São Paulo. Foi um grande aprendizado para nós do grupo e o produto final foi um DVD com todo o processo e encerramento da oficina, algo que, quando foi exibido, a emoção do retorno foi inexplicável. Alguns trabalhos importantes também de grande importância foram realizados, como comerciais para a empresa de telefonia Claro, USP, Instituto Ethos, entre outros. No ano de 2010, as Filmagens Periféricas foram contratadas para registrar um baile funk em uma casa de show. Quando nos demos conta, já tínhamos fechado com mais de dezoito bailes funk, e com mais de um milhão de acessos no Youtube. Hoje estamos trabalhando com funk, com um programa veiculado na internet chamado Funk TV (www.funk.tv.br), que mostra o baile, a dança, a festa e o MC. Nesse programa temos alguns quadros: Dica do MC (o MC dá uma dica para quem quer começar no funk), Funk TV Visita (vamos até a casa do MC para mostrar sua realidade, família e amigos). Hoje somos o maior nome em gravação de DVD de Funk em São Paulo e Baixada Santista, com uma qualidade de imagem e estrutura que impressionam. Conseguimos mobilizar em um dia de gravação de vinte a cinquenta pessoas, às vezes fazemos até três gravações de DVD no mesmo dia. O grupo Filmagens Periféricas já passou por diversas mudanças e integrantes, alguns foram embora, mas outros chegaram. O bom é que todos continuam trabalhando com audiovisual e sempre fazemos trocas. Hoje os principais integrantes do grupo são Negro JC, Montanha, Juninho e Messias. Negro JC, um dos principais nomes do grupo, conseguiu uma das principais realizações em sua vida em 2010: se formou em Rádio TV , sendo o primeiro em sua família a ter uma formação acadêmica. Sem dúvida, um orgulho para todos que o conhecem. O que começou como uma brincadeira, hoje é nossa profissão e leva o sustento para famílias e amigos.

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

95


D ra gão B lasé Pro duções

Autoexperimentando

A

Dragão Blasé Produções foi um núcleo independente de estudo, experimentação e realização audiovisual. Formada a partir da experiência das Oficinas Kinoforum, em 2005, surgiu da necessidade dos integrantes de continuar produzindo em um coletivo livre, sem linhas teóricas, estéticas ou políticas fixas, mas aberta às possibilidades da criação audiovisual. O grupo realizou os vídeos Exercício 1, Do livro de viagens, Uma canção de dois humanos e Mar sem sal. Em 2007, a Dragão Blasé e moradores da favela do Jardim São Remo, em parceria com a Kinoforum, realizaram exibições de filmes brasileiros, no circuito de exibições gratuitas e abertas ao público Cinema na Comunidade. O grupo se dissolveu, mas os integrantes continuam amigos e envolvidos, de diversas formas, em projetos na área audiovisual.

Audiovisual na

(vanicedeise@yahoo.com.br)

F

ZN

oi formado por participantes da Oficina Brasilândia, em 2003. O grupo teve um projeto contemplado no VAI – Programa de Valorização às Iniciativas Culturais, da prefeitura de São Paulo. O Projeto “Rolê na Quebrada”, ação de sensibilização audiovisual, no primeiro ano realizou uma oficina de vídeo e um jornal zine, culminando em um evento com apresentações artísticas e exibição dos curtas realizados nas oficinas do “Rolê na Quebrada” e outras oficinas do país. No segundo ano da iniciativa, foi realizado mais um curta-metragem com moradores da região de Taipas. O coletivo realizou os curtas-metragens Mãe na Obra, Arroz, Feijão e Macarrão, A Jogada e Taipas da cabeça aos pés. O vídeo Algo inusitado foi fruto de uma das oficinas que o núcleo realizou em seu bairro de atuação.

96

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

FOTO: Rafael Ferreira

A r ro z, F e ijão, C inema e Vídeo


alternativas

N E RA MA - N úcleo de Es tudos e Reali za ç ã o Au d iov isu a l M o n t e Azu l

O

Nerama é formado por jovens que compreendem o cinema como forma de expressão e comunicação, acreditando que o cinema não é um meio para o entretenimento ou para expressar uma mensagem política, social ou ideológica; ele é, em si, a própria mensagem, onde a forma é também conteúdo. Pois é arte. Fundado em 2001, o Nerama realizou inúmeras atividades, democratizando o acesso ao cinema através da exibição, o estudo por intermédio de oficinas e a realização audiovisual por meio da produção coletiva. Seu leitmotiv é: “Produzir alternativas”.

Algumas dessas atividades foram: Exibição: Mostras de Cinema Brasileiro no Centro Cultural Monte Azul (2006 e 2008) e no Sacolão das Artes (2010); Mostra Cinema de Quebrada no CCSP – Centro Cultural de Sao Paulo, em parceira com núcleos independentes, articulados através do Fórum Cinema de Quebrada. Realização: seis curtas-metragens exibidos nos principais festivais do País e alguns até fora do Brasil. Estudo: Oficinas de produção audiovisual nos Centros Educacionais Unificados (C.E.Us), escolas públicas e centros comunitários.

FOTO: Pya Lima

Produzir

(nerama@gmail.com)

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

97


dez

G E C Tio Pac

(www.gectiopac.org | gectiopac@gmail.com)

A

anos de

entidade foi criada no dia 1º de maio de 2002, após o curso de empreendedorismo social oferecido pela ONG Ação Educativa em parceria com o Ministério da Justiça e o CENAFOCO (Centro Nacional de Formação Comunitária). No mesmo período, seus fundadores passaram por diversas formações na área do audiovisual, oferecidas pela Associação Cultural Kinoforum. Este ano comemoramos então dez anos do início de nossas atividades. A atuação da entidade tem relação direta com a comunidade da Cidade Tiradentes, através de cursos, reuniões, seminários, eventos diversos e exibições de filmes que são realizados e oferecidos para as diversas faixas etárias. A partir de algumas reuniões articuladas pelo GEC Tio Pac, surgiram inclusive encaminhamentos para os órgãos públicos competentes, visando melhorias para a comunidade. Nesse sentido, a entidade é, também, uma instância de interlocução entre a comunidade e o poder público local. Entre as atividades desenvolvidas, que têm como público, principalmente, jovens moradores da comunidade, estão:  Produção e realização audiovisual;

 Oficinas de produção audiovisual: Ponto de Cultura WEBTV

Cidade Tiradentes;

 Exibições audiovisuais seguidas de debates: Programa Cine

Mais Cultura;

 Biblioteca temática e sala de leitura;  Eventos culturais temáticos;  Oficinas de hip hop.

Não há restrição de faixa etária para participação. Os participantes são estudantes de escolas públicas locais e moradores dos conjuntos habitacionais que compõem a paisagem de Cidatde Tiradentes. Também desenvolvemos, ao longo desse tempo, diversas ações com parceiros, entre elas:

98

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

atuação  Apropriação do Cinema e Televisão – com a Universidade de São

Paulo, na Cidade Tiradentes, 2006 a 2008;

 Seminário Mídias Nativas II – com o Centro de Pesquisas Atopos,

da Universidade de São Paulo, na USP, 2008;

 Mostra Audiovisual Paulista – com FCF, na Cidade Tiradentes,

2006 e 2007;

 Festival Internacional de Curtas de São Paulo – CINUSP, CCBB,

CCSP, Cinemateca, em 2002, 2003, 2004, 2005, 2006;

 Palestra sobre hip hop – com Faculdade Hoyler, em Vargem

Grande Paulista, 2005;

 Aprender e Empreender – com SEBRAE SP, 2005;

 Seminário Plano Nacional de Cultura – com Câmara dos Depu-

tados e Governo Federal;  Formação de Cineclubes em São Paulo – com a Federação Paulista de Cineclubes, em São Paulo, 2009. E participamos dos seguintes projetos e editais:  Programa de Capacitação Solidária – realização de um Curso de

Produção de Vídeo, voltado para jovens da comunidade, que resultou em curta-metragem, produzido pelos jovens, inscrito no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, em 2008;  Programa Cine Mais Cultura – parceria com o Ministério da Cultura, com o objetivo de favorecer o encontro e a integração do público brasileiro com a produção audiovisual de seu país;  Programa Pontos de Cultura – parceria com o Ministério da Cultura e com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com o objetivo de implantar o Ponto de Cultura WEBTV Cidade Tiradentes, que oferece oficinas de produção audiovisual e desenvolve conteúdo para a primeira TV comunitária online do país. Temos como objetivo, para o futuro, alcançar nossa autossustentabilidade.


educação curta, para vídeos curtos

N ú c le o de C omunicação Alternativa ( NC A)

uma

(ncanarede.blogspot.com.br | ncanarede@gmail.com)

O

NCA surgiu em um contexto de educação audiovisual e, não à toa, a primeira coisa que negamos quando resolvemos fazer um coletivo foram as “benditas” oficinas de vídeo, que vinham como a boa nova do além-mar das tecnologias, para os sem rumos da periferia e sua ociosidade. Um discurso bem estranho pairava, ora carregado pela possibilidade de falar da nossa história como a mídia não dizia, ora com o rosto do subemprego na máscara do caboman. Não que o processo de formação audiovisual não tenha sido importante, pois ele abriu portas para o início da caminhada, mas para que propósito fomos inseridos nesse nicho do cinema e vídeo é a grande questão. Pois hoje, quase dez anos depois do primeiro contato com as câmeras, muito pouco mudou. No nosso caso, foi e ainda tem sido muito difícil. E isso porque nós sempre nos dedicamos a ampliar nossa formação técnica e conceitual. Além disso, porém, existe um universo de circunstâncias e questões que impedem o avanço dos que, como nós, optaram pela constituição de um coletivo de produção audiovisual. No princípio, o ímpeto para a formação do Núcleo de Comunicação Alternativa foi a necessidade de gritar. Como já disse John Holloway “no princípio era o grito!”. A sanha de ser ouvido, de propor nosso ponto de vista, de nos desintoxicar da velha imagem construída sobre a periferia e seus moradores e, principalmente, de expor problemas que pouco haviam sido discutidos por nós, pertencentes a essa realidade de exclusão. O grito faz sentido, e sempre fará, mas a rouquidão uma hora chega. E isso oficina nenhuma nos ensinou, e talvez não tivesse mesmo de ser assim, todo processo que nos trouxe até aqui foi importante, porém o cansaço começa a nos acometer. Pois hoje em dia não somos mais os jovens da ONG e sim adultos com responsabilidades e demandas muito maiores que na mocidade. O tempo e as escolhas que fizemos não foram compatíveis com as exigências de mercado. Primeiro porque, por mais que nesse período todo de existência do grupo tenhamos nos especializado e atualizado, o trabalho na área sempre nos foi precário. Quando não tínhamos recursos dos editais de baixíssimo orçamento como o VAI e outros do governo federal, o que nos restava eram os trabalhos em “parceria” com as ONGs, onde a regra era sempre pouca

PA RT E 3 : E SPA L H A N D O SE ME N T E S

99


FOTO: Beth Giroto

verba para muito trabalho e muitas exigências e, quando mesmo essas alternativas eram escassas, o terceiro setor era quem nos acolhia (como aquela mãe que põe seus filhos no farol para mendigar). Segundo, porque a acessibilidade ao conhecimento e a equipamentos necessários à produção nos foi por muitas vezes negada. A teima nos trouxe aqui, não as ONGs. Para as ONGs, por mais que negássemos esse rótulo, nós sempre fomos os filhos rebeldes de seu ventre. Os meninos que deram “certo”. Mas a única certeza que sempre tivemos, mesmo antes das primeiras oficinas de formação, era que, vindo de onde viemos, tudo seria mais complicado. Afinal, nossas mães diaristas nunca puderam bancar FAAP para que nos formássemos para a inserção na pequena brecha do mercado audiovisual. Pois, como enfatizou Alex, integrante do grupo Cinema Nosso, do Rio de Janeiro, em depoimento no trabalho Videolência: “… Se para quem vem das universidades de cinema já é difícil, imagina para quem sai dessas oficinas?”. Não nascemos filhos, nem sobrinhos, nem netos de donos de produtora ou de diretores renomados do cenário nacional. Nosso berço é outro e nos orgulhamos disso, não pelas casas sem reboco, ou pelos esgotos a céu aberto, mas pela dignidade que as pessoas daquele lugar conseguem ter, mesmo nas mais duras condições de subsistência. Somos frutos da antepromessa da vida longa no cinema, mesmo tendo em mãos apenas o disparo curto sem metra-

100

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

gens das produções em vídeo. Ou seja, fomos conclamados para um sonho dantesco sem armas, nem horizontes. Mas falando assim até parece que foi só sofrimento ou que estou fazendo pose de coitadinho. Não, de maneira nenhuma! Toda essa trajetória foi uma escolha do grupo, dos integrantes dessa história. Não há personagens do bem nem do mal, afinal nós aprendemos muito em todo esse processo, hoje somos mais inteligentes e menos inocentes. E pudemos, a partir de uma construção de valores pautados nessa experiência, construir nosso próprio processo formativo. Tivemos bons retornos em nossas oficinas, criadas em cima de uma metodologia que pautava a potencialização do senso crítico para a produção midiática. Fizemos bons amigos e contribuímos para a desmistificação do conteúdo audiovisual despejado em nossos lares. E só pudemos fazer isso pelo incentivo dado pelos educadores que passaram por nossas vidas, nas ruas ou nas próprias ONGs. Em uma avaliação geral, o NCA teve de tirar leite de pedra para que permanecesse vivo como coletivo ainda hoje, podendo afirmar seus valores e princípios e, apesar das barreiras, tudo que esse caminho nos rendeu nos é muito valioso. Pois sabemos que outros irmãos vindos de realidades comuns à nossa sucumbiram no caminho, ou por terem abandonado o sonho por conta de necessidades financeiras, ou por terem se aliado a tudo aquilo que negavam por benefício$ e fama. Nós permanecemos, não sei até quando, nem direito como isso se deu, mas haverá de ser por um propósito digno.


abert. part4


Uma compilação de todos os vídeos produzidos entre o projeto piloto e 2011 pelas Oficinas Kinoforum, com suas equipes de alunos realizadores, além da lista de equipe e colaboradores.


Projeto Piloto (2001) 1. Oficina Monte Azul Parceiro local

Associação Comunitária Monte Azul – São Paulo (SP) Organização não governamental, orientada pelo pensamento antroposófico, que atua prioritariamente pelo desenvolvimento integral do ser humano. Beneficia diretamente mais de cinco mil famílias, através do trabalho de três núcleos estabelecidos na periferia da cidade de São Paulo. Seus programas agregam colaboradores e voluntários, brasileiros e estrangeiros, num modelo de atuação multiplicador e disseminador para muito além dessas comunidades.

 Tato

6’, cor, doc Tato sai à procura de trabalho. Depois de muitas recusas, o jovem skatista, entre uma manobra e outra, fala dos seus desejos e esperanças. Alunos realizadores: Luciano Oliveira, Wesley Campos Rocha,

Thaise Fiuza e Alex Nogueira de Souza

 Rumo

4’, cor, fic Homem atravessa a metrópole, onde as pessoas ficam cada vez mais distantes, até nascer de novo.

Alunos realizadores: Peu (Wesley Pereira Jaime), Rebeca Oliveira e Jaziel da Silva Lins Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / VídeoFestival São

Carlos, 02 / FBCU, 02 e 06 / Mostra de Tiradentes, 03 / Tampere SFF, 06 / Mostra Londrina, 06

 Uma menina como outras mil

4’, cor, fic Atrás da bolha de sabão, uma menina percorre a comunidade do Monte Azul e seus personagens. Alunos realizadores: Beatriz Seigner, João Baptista Pires e José

Alves Jr.

 Vira-Vira

6’, cor, fic O depoimento de um ex-alcoólatra, entremeado com imagens de suas fantasias alcoólicas. Uma Santa Ceia de rappers, regada a vinho e cachaça.

Alunos realizadores: Claudinei Alves de Souza, André Oliveira e Manuel Vanderlei Pinto Araújo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / MoVA Caparaó, 06

2. Oficina COHAB Raposo Tavares Parceiro local

Espaço Cultural da COHAB Raposo Tavares Projeto que visa ao estímulo, valorização, acesso e desenvolvimento de produção cultural no bairro de COHAB Raposo Tavares. Busca congregar desde atividades de formação específica, como oficinas profissionalizantes, até atividades de caráter artístico, como dança, teatro, música e circo, promovendo uma ampla contribuição à qualidade de vida da comunidade.

 Maravilha Tristeza

4’, cor, doc Travessa dos Touros, Cachoeira dos Arrependidos e Rua Maravilha Tristeza.

Alunos realizadores: Andrea Bandoni de Oliveira, Adriano Cenci, Alexandre Denis Domingues, Vanessa Grossman

 O que é que a Cohab tem

6’, cor, doc O alto preço da passagem de ônibus e os movimentos de organização comunitária da Cohab Raposo Tavares. Alunos realizadores: Janete Lima, Emerson Negão, China e Yuri Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02

 Fascinação

3’, cor, fic O encontro mágico entre uma garota cheia de truques e o palhaço de um circo abandonado.

Alunos realizadores: Rafael Nunes Fernandes Costa, Marcel Andrade de Deus e Frederico da Silva Lima Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / MoVA Caparaó, 06

 As causas impossíveis do Santo Expedito

3’, cor, fic Santo Expedito e o destino dos garotos da Cohab Raposo Tavares. Alunos realizadores: Teth Maiello, Igor Martins Fontes, Silfarley

de Oliveira, José da Silva, Nivaldo e Márcio Palhares de Lima (M.A. JAY) Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

PA RT E 4 : A N E XOS

103


fascinação

3. Oficina Freguesia do Ó Parceiro local

Casa de Cultura da Freguesia do Ó – São Paulo (SP) As Casas de Cultura oferecem cursos/oficinas, exposições e acervo histórico da região.

 Super-Gato contra o apagão

5’, cor, doc Um manual prático de ligações elétricas clandestinas. Alunos realizadores: Luís Cláudio de Brito, Fábio José Novaes,

Dâfnis Alessandro, Magno Evans e Diógenes Pires da Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02 / Mostra

de Tiradentes, 03

 Mangue Paulistano 3’, cor, doc O grafite e a polícia.

Alunos realizadores: Cassio Renato Cerqueira, Hector de

Moraes e Elder Giangrossi Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02

 O impulso

7’, cor, fic O romance entre um guardador de carros e uma jovem esportista acaba melhor do que o esperado.

Alunos realizadores: Renato Galvão, Sheila Moura, Bia Bernardo, Fábio Novaes, Carlos de Almeida, Jorge Leandro Monteiro, Alexandra Soares, Jaqueline Souza Rosa, Marcelo Dias Hipólito, César Bucallon e Nina Maria Pinheiro de Britto Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02

 Mentiras verídicas 6’, cor, fic Quero mudar o que vejo!

Alunos realizadores: Katia Apolinário, Renato Galvão, Mariana Regina Ferrareze e Bia Bernardo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02

4. Oficina CCSP Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível.

 507,00 por Hora

4’, cor, exp Experimental sobre o ritmo alucinante das pessoas no metrô. Alunos realizadores: Eduardo M. de Oliveira, Giselle F. Cota,

Lenita Eliasquevitch, Raquel Nishijima e Vivian Carvalho Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02

 O contra-tempo

3’, cor, fic Homem caminha pelo centro da cidade até dar de cara com um contra-tempo. Alunos realizadores: Fabrício Bittar, Lucas Barreto, Luís

Alberto (Beto), Mirian Ritton Magami e Robson Luiz Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Em busca de identidade 3’, cor, fic Desencontro.

Alunos realizadores: Clayton Júnior, Felipe Barros Sá, Lana

Sultani e Paulo Sales Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Um mal invisível

6’, cor, fic Câmera é roubada e continua ligada no trajeto de fuga do ladrão.

Alunos realizadores: Daniela Duarte, Felipe Cruz, Francisco C., Gustavo B., Gustavo L. e Vivian Gonçalves Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / FBCU, 02

104

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM


resistência

Temporada 2002 | coleção petrobras 5. Oficina Cidade Tiradentes Parceiro local

Movimento Cultural Cidade Tiradentes (Mocuti) – São Paulo (SP) O Movimento Cultural Cidade Tiradentes (Mocuti) iniciou suas atividades de auto-organização e sensibilidade em 1991 e passou a existir oficialmente em outubro de 1997.

 Vitória

 Cataclisma

5’, cor, doc O problema do transporte público, a catástrofe vista com bom humor. Alunos realizadores: Luiz Alberto, Mimorina Avelino e Adalberto

Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Mostra BR Geração

Futura, 03

 Lágrimas de Adaobi

6’, cor, fic O destino de dois amigos de infância na Cidade Tiradentes.

3’, cor, fic Animação com fantoches. Uma simples brincadeira de criança ajudando a desfazer preconceitos.

Alunos realizadores: Endrigo Moraes, Donovan e Bob Jay

Alunos realizadores: Marilúcia Ferreira Chaves, Jennifer de

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / VídeoFestival São

Carlos, 02 / Guarnicê de Cinema, 03 / ZoomCineEsquemaNovo, 03 / Mostra de Tiradentes, 03

 Assim que é

5’, cor, doc Rap e samba nas manifestações culturais da Cidade Tiradentes.

Alunos realizadores: Marilze dos Santos Dias, André Luiz da Silva e João Carlos “J.C.” Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / VídeoFestival São Carlos, 02 / FBCU, 02 / Mostra BR Geração Futura, 03 / Mostra de Tiradentes, 03

Paula e Naíza Bezerra dos Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Mostra BR Geração

Futura, 03

 Defina-se

4’, cor, doc Manifesto audiovisual sobre a trajetória dos negros no Brasil, da senzala à periferia da cidade grande. Defina-se. Alunos realizadores: Kelly Regina Alvez, Cláudio N. de Souza e

Daniel M. Hilário Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / VídeoFestival São

Carlos, 02 / Mostra de Tiradentes, 03 / Toronto IFF, 03 / Guelph IDFF, 03 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06 / Mostra Londrina, 06

6. Oficina Tendal da Lapa Parceiro local

Espaço Cultural Tendal da Lapa – São Paulo (SP) As Casas de Cultura são equipamentos públicos de referência cultural, geradores e articuladores de cultura, através da formação, reflexão, exibição, produção, memória e fruição da diversidade cultural presente na cidade de São Paulo.

 Tempo-Tempo

5’, cor, doc Uma visão do Ceagesp, inspirada nos sons do mercadão. Alunos realizadores: André Magro, Érica P. Campos, João Reynaldo,

Mayara A. Ricci, Pedro Ribeiro e Wanessa Gouveia

 Cidade

5’, cor, doc Os preparativos para mais uma grande noite, a vida diurna de uma drag-queen. Alunos realizadores: Chura Aquarone e Priscila Kibelkstis Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Homo Infimus

5’, cor, fic Os caminhos de uma bailarina e de um estudante estão nas mãos de um velho misterioso.

Alunos realizadores: Clarissa Verônica Mastro, Fernanda Carneiro, Luciana Abel Accuri, Marcel Carneiro e Nayana de Sá Gouvêa Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Um filme de cinema

6’, cor, fic A desconcertante fuga de um jovem em busca de alguma razão. Perseguição e fuga.

Alunos realizadores: Ana Carolina Franco, Éryka Picigelli, Felipe Morais e Guilherme Laurito Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Roleta

5’, cor, fic O desespero de um homem levado às últimas consequências.

Alunos realizadores: Kim Borges da Fonseca Cotrim, Paula de Gásperi Viana, Renata de Gásperi Viana e Roberto Luiz de Almeida H. Jr. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / VídeoFestival

São Carlos, 02

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / VídeoFestival São

Carlos, 02 / Mostra de Tiradentes, 03 PA RT E 4 : A N E XOS

105


7. Oficina Jardim São Remo Parceiro local

Programa Avizinhar (USP), Instituto Criança Cidadã, Circo Escola São Remo – São Paulo (SP) O Jardim São Remo é uma comunidade da região oeste da cidade, ao lado da Universidade de São Paulo (USP). O Programa Avizinhar é uma iniciativa institucional da USP que tem como objetivo promover a inclusão socioeconômica das comunidades de baixa renda que vivem nas imediações da Cidade Universitária. O Programa se viabiliza através de ações educativas e culturais, de capacitação para o trabalho e para a cidadania destinadas aos jovens e adolescentes. O atendimento às crianças é realizado em parceria com o Circo Escola São Remo/Instituto Criança Cidadã e com o Projeto Esporte Talento do Centro de Prática Esportiva da USP.

 Interior Favela

9’, cor, doc Sonhos e desilusões dos moradores da favela São Remo, separada de uma universidade pública por um muro. Alunos realizadores: Ivanilda M. M. Silva, Alexsandro C. P. Souza

e Wilson de Jesus Costódio

 Beco sem saída

6’, cor, fic O pesadelo da realidade separando uma mãe do seu único filho.

Alunos realizadores: Ângela da Silva, Mariana Santos J. Neto, Adelvan de Lima Nunes, Deyvison Leandro e Herivelto F. Rocha

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Mostra de

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Mostra BR Geração

Tiradentes, 03

Futura, 03

 Corrupção

5’, cor, doc A rotina de crime e violência de uma favela como todas as outras. Alunos realizadores: Soni, Jonatas, Durval, Elton José dos Santos,

Beni, Cabeça e Danilo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Mostra BR Geração

 Um passeio inusitado

6’, cor, fic Um grupo de amigas procura se divertir no cemitério. Alunos realizadores: Débora Ribeiro de Souza Viana e Roberta

dos Santos Viana Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Mostra de Ilha

Comprida, 06

Futura, 03

8. Oficina Diadema Parceiro local

Casa do Hip-Hop – Diadema (SP) A Casa do Hip-Hop é um dos dez Centros Culturais ligados ao Departamento de Cultura da Prefeitura de Diadema. Realiza atividades gratuitas de formação e difusão cultural, destinadas à população do bairro e imediações. O trabalho objetiva proporcionar o acesso à cultura através de oficinas de iniciação artística, eventos de difusão em música, teatro, dança e leitura. Desenvolve um trabalho com hip hop em oficinas de break, dança de rua, dança soul, grafite, discotecagem, composição e rima (rap). No local é mantido um acervo com livros, revistas, teses e fotos sobre a cultura negra e o movimento hip-hop.

 Imigrantes

4’, cor, fic À beira da estrada, um homem relembra um dia triste.

Alunos realizadores: Danúbia Almeida, Mariane Marques, Patrícia Helena e Robeilton Moraes Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

8’, cor, fic O poder do hip-hop e da dança transformando o destino de jovens da periferia.

Alunos realizadores: Peter Pan, D. J. Ricardo, Marcelo Franco, Regiane R. A. P. e Nina Brown Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Politicopagem

4’, cor, fic A safadeza profissional de alguns homens no país do penta. Alunos realizadores: Flávio Basílio Alves, Luis Rogério S. Vequi,

Marcello F. Santos e Weldo R. Alves Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 A hora

6’, cor, fic Uma mulher e um homem acordam nus na mesma cama, mas não se lembram de nada.

Alunos realizadores: Jorge Eduardo Alves, José Dirceu Strang Simi, Misael Nunes Xavier e Renata Kalman Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

106

 Resistência

 Matiz

6’, cor, fic Um grupo de pessoas encontra nos livros os reflexos de seus desejos. Alunos realizadores: Fabiana Leite da Silva, Gilberto C. Barboza,

Joseane Alfer e Thais Scabio Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Guarnicê de

Cinema, 03


cidade

9. Oficina Santos Parceiro local

Oficina Cultural Regional Pagu – Santos (SP) Incentiva novos talentos, fomenta as diversas expressões artísticas e contempla as várias faixas etárias, com uma programação que abrange as artes cênicas, visuais, música e gestão cultural.

 Muito prazer, mulher!

5’, cor, doc Um grupo de mulheres bem diferentes fala de seus sonhos e decepções. Alunos realizadores: Antoniela Couto Lorenço, Janaína Cardoso,

 Rua da Loucura

4’, cor, fic Estranhos acontecimentos, numa rua guardada por figuras misteriosas.

Juliana Recine, Tacianna Pedrosa e Thaís Brandt

Alunos realizadores: Nádia Mangolini, Priscila dos Santos, Rafael Leite, Ricardo Carvalho e Wellington Leite

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Coisa ruim

6’, cor, fic A felicidade de um casal é abalada por uma visita indesejada. Alunos realizadores: Eduardo Bezerra, Eduardo Ricci, Lucas

Ogasawara de Oliveira, Ludmilla Corrêa e Midian dos Santos Bezerra Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02

 Morte em Santos

7’, cor, fic Para morrer basta estar vivo! Alunos realizadores: Frank Douglas de Araújo Rocha, Juliana

Pasqualini, Leonardo César de Souza Moraes, Maurício Oliveira, Meyre Anne de Brito, Marco Moreira e Sérgio Ricardo Braz Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 02 / Curta Santos, 03 / Mostra de Ilha Comprida, 06

10. Oficina CCBB Parceiro local

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – São Paulo (SP) O Banco do Brasil se preocupa em oferecer espetáculos de qualidade de forma acessível à população. Demonstra seu compromisso com a sociedade brasileira, por meio de seus Centros Culturais e do Circuito Cultural Banco do Brasil, itinerante pelas principais cidades do país, divulgando o que há de melhor na música, cinema, teatro, dança, artes plásticas e literatura. Também realiza atividades criativas, oficinas e eventos que possibilitam a formação cultural do público.

 Os descendentes da 3ª Dinastia

5’, cor, fic Eram os poodles astronautas? Uma investigação histórica e ufológica sobre o assunto.

Alunos realizadores: Natália Coutinho, Luciano Colucci, Ana Carolina Grant, Eliane de O. Nogueira, Julieth Melo Aquino de Souza, Anderson

 Valores de bolsa

6’, cor, doc Afinal, quem são os donos da imagem? Alunos realizadores: Raphael Patapovas, Renato Nery de Souza,

Alessandra Rachel A. Palaia, Marcos Pierry

 Espandongado

6’, cor, fic Um passeio pela metrópole revela personalidades fantásticas, que perambulam pelas ruas e viadutos.

Alunos realizadores: Ana Gabriela Mendes Braga, Daniela Traldi, Francini Nicolau Barbosa de Gusmão, Marília Rodrigues Perracini, Juliano Gouveia dos Santos, Thiago Fernandes Mourão

 As aventuras de Paulo Triunfo

6’, cor, fic O famoso e genial diretor procura novas atrizes no centro de São Paulo.

Alunos realizadores: Thiago Francisco da Silva Brito, Verônica Manevy, Daniel Massaranduba Silva, Cleber Zerbielli, Juliana Gaiba

PA RT E 4 : A N E XOS

107


11. Oficina módulo II (Oficina de desenvolvimento de projetos – piloto) Parceiro local

Centro Cultural Tendal da Lapa As Casas de Cultura são equipamentos públicos de referência cultural, geradores e articuladores de cultura, através da formação, reflexão, exibição, produção, memória e fruição da diversidade cultural presente na cidade de São Paulo.

 Úlalapa

12’, cor, doc Curta digital realizado durante a Oficina Kinoforum de abril de 2002, no Tendal da Lapa. Direção: Vincent Roven e Débora Waldman Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

 Tele visões

14’, cor, doc Documentário sobre a relação do homem com a televisão. Alunos realizadores Direção e roteiro: Luciano Oliveira, Nayana Gouvêa e Thiago de

Brito Argumento: Thiago de Brito Direção de fotografia: Luciano Oliveira Assistência de fotografia: Wesley Campos Rocha Câmera: Nádia Mangolini e Wesley Campos Rocha Som direto: André Oliveira Produção: Ana Carolina Grant e Tony Villanda Produção de set: Nayana Gouvêa Edição e montagem: Daniel Hylario e João Reynaldo Costa Participação em festivais: Fest.Curtas SP,03 / Guarnicê de Cinema, 03 /

ZoomCineEsquemaNovo, 03 / Mostra Curta Cinema, 03 / FAM, 04 / Tangolomango, 04 / Corto Circuito, 04 (Nova York) / Mostra Brésil en Mouvements, 08

 O outro lado da moeda

15’, cor, doc Um pai de família com mais de 40 anos perde o emprego e muda de vida, de classe social e de bairro. Alunos realizadores Direção: Cláudio Nunes de Souza, Dâfnis Alessandro Magno

Dambisky Evans Roteiro: Dâfnis Alessandro Magno, Dambisky Evans, Endrigo Moraes Argumento: Cláudio Nunes de Souza Fotografia: Cleber Zerbielli, Donovan Dantas Santos Som: Mayara Alves Ricci Produção: André Luis da Silva, Chura Aquarone Câmera adicional: Wesley Campos Rocha Som adicional: André Oliveira Edição: João Carlos Ferreira Chaves – JC, Guilherme Laurito Summa – Shepa Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / Audiovisual Paulista, 03

armando o barraco

Temporada 2003 | coleção petrobras 12. Oficina Heliópolis Parceiros locais

União de Núcleos Associação e Sociedade dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco (UNAS) – São Paulo (SP) A UNAS foi fundada no início da década de 1980 e tem como missão promover a cidadania, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento integral da comunidade, a partir da pedagogia libertadora e da construção de novas relações pessoais e sociais. Tem como tripé Autonomia, Responsabilidade e Solidariedade.

 Dia-a-dia

Brasil/SP vídeo, 6’, cor, fic Um rapper e um bandido na luta pela sobrevivência. Alunos realizadores: Maksuel Costa, Márcio dos Santos, Valteir

Santos, Gildivan Bento, Tiago Costa, Marcelo Santos (Pilão), Gilmária Nascimento, Helen Vânia e Cristina Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

108

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Armando o barraco

7’, cor, doc A criatividade nas condições de vida dos moradores de palafitas de Heliópolis.

Alunos realizadores: Rodrigo Valadares, Danilo Barretos, Fabiano Oliveira, Adriana Freitas, Geonilson Dantas, Fábio Dantas (Batóra) Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / AluCine, 03 / Tangolomango, 04 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06 / Mostra Londrina, 06

 A favela é assim

Brasil/SP, videoclipe, 4’, cor, fic Videoclipe do grupo de rap Noção da Rima, realizado pela própria banda, na favela Heliópolis.

Alunos realizadores: Thiago Bispo (Mano Big), Bruno Augusto (Mano China), Dereck Denis (BeatBox), Pablo Ferreira e Adeilton Pereira Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / AluCine, 03 /

Tangolomango, 04


13. Oficina Brasilândia Parceiro local

Associação Cantareira, Projeto Sala 5 e Paróquia Santa Terezinha – Pastoral da Juventude – São Paulo (SP) A Associação Cantareira é uma organização não governamental com a finalidade de atuar nas áreas da comunicação, educação popular, capacitação profissional de jovens e educadores(as) populares, educação ambiental e assessoria aos movimentos populares. O Instituto Sala 5 tem como missão incentivar jovens a gerar oportunidades frente aos problemas que os afligem, por um processo de três fases: formação, intervenção comunitária e empreendedorismo. A Pastoral da Juventude é responsável pela articulação e organização da ação com a juventude. Visa desenvolver um processo global de formação a partir da fé, para formar líderes capacitados a atuarem na própria Pastoral, em outros ministérios da igreja e em seu meio específico, comprometidos com a libertação integral do homem e da sociedade, levando uma vida de comunhão e participação.

um filme de paulo coelho

 Cão de fogo

5’, cor, fic Marido perde o emprego e todas as portas se fecham para ele, restando apenas a bebida e a solidão. Até que um dia ele se torna um cachorro. Alunos realizadores: Vanice Deise, Eder Augusto, Leandro

Martins, Márcio Goulart, Dimas Reis e Vagner Santana.

 Um filme de Paulo Coelho

5’, cor, fic O coelho Paulo dirige com habilidade e destreza. Alunos realizadores: André Antunes, Diana Aparecida, Michele

Cristina e James Alves Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / Tangolomango, 04 /

Mostra de Ilha Comprida, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / AluCine, 03 / Tango-

lomango, 04 / CineEsquemaNovo, 04 / Mostra de Ilha Comprida, 06

 Terror na escola

4’, cor, fic A opressão do sistema escolar na visão de um garoto. Alunos realizadores: Ariane Barroso, Jéssica Pinheiro, Nadja

Silva, Gilmar Cintra e Rogério Fontes

 Estupra, mas não mata 6’, cor, fic O machismo doméstico e social.

Alunos realizadores: Ailton Santana, Edjane Guedes, Ivan Silva,

Sibely Del Vale e Viviane Camargo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

14. Oficina Paraisópolis Parceiro local

Barracão dos Sonhos – São Paulo (SP) Fundado por Dinho Rodrigues, é situado na comunidade de Paraisópolis, região do Morumbi. A entidade tem proporcionado diversas atividades visando a educação, a conscientização e a profissionalização, principalmente através da música. Tornou-se Ponto de Cultura em 2010.

 O paraíso não é aqui

5’, cor, doc Os limites geográficos que separam dois bairros e duas realidades muito diferentes, o paraíso do Morumbi e a favela Paraisópolis. Alunos realizadores: José Lusimar, Lucenilda dos Santos de

Santana, Maria Borges, Nilcivan dos Santos de Santana, Renato de Paula Ferreira e Tiago da Silva Neves

 Gestando

6’, cor, doc/fic A sexualidade e a gravidez na adolescência. Alunos realizadores: Fernanda Mendes, Fausto Felix, Márcia

B. dos Santos, Eliane Borges, Elizângela Almeida e Marta Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / Mostra Curta

Cinema, 03 / Audiovisual Paulista, 04 / Tangolomango, 04 / MoVA Caparaó, 06 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

 A pira (morro para viver)

6’, cor, fic O percurso de um garoto entre a vida e a morte.

Alunos realizadores: Diogo Silva Oliveira, Antônio Sérgio, Maitê Freitas, Jadiel Gerônimo e Wagner Klebeson Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

 Cai na real

5’, cor, doc/fic Ficção sobre um morador da favela Paraisópolis, cercado pelo bairro nobre do Morumbi, que sonha em mudar de vida através dos trabalhos sociais de sua comunidade. Alunos realizadores: Adriano Marvila (Caverinha), Antoniel Nere (Tiné),

Cleide Almeida, Diana Azeredo, Sirlene Santos e Rafaela Xavier Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03

PA RT E 4 : A N E XOS

109


15. Oficina Módulo II Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 O último da fila

10’, 2003 cor, fic Um conto fantástico, em que 38 mil pessoas brigam por 600 vagas de gari. Alunos realizadores Direção: Eder Augusto, Rodrigo Valadares Produção: Maitê Freitas, Nádia Mangolini Assistência de direção: Marilze dos Santos Fotografia: Mariana Ferrarezi Som: Wellington Leite Edição: Vanice Deise, JC

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / Audiovisual Paulista, 03 / AluCine, 03 / Tangolomango, 04

 Sentença

4’, cor, fic Acordar de um sonho pode ser um conflito entre o que foi e o que é.

 Osvaldo São Paulo

8’, cor, doc Este cinza pode ser marrom para ela, mas é cinza.

Alunos realizadores Direção: André Lucena, Lucas Ogasawara Roteiro: André Lucena Assistência de direção: Daniela Traldi Produção: Thaís Brandt; André Luiz Fotografia: Priscila Kibelkstis Som: Daniel Massaranduba Edição: Marilia Perracini, Gilberto Caetano

Alunos realizadores Direção e roteiro: Renato Nery e Elder Giangrossi Assistência de direção: Carlos César Produção: Vivian Carvalho Assistência de produção: Gilmar Cintra Fotografia: Cássio Renato Som: Fabiano Oliveira Edição: Dereck Denis, Diogo Silva Oliveira

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / AluCine, 03 /

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 03 / Tangolomango, 04

Tehran ISFF, 04 / Tangolomango, 04 / Mostra de Ilha Comprida, 06

16. Oficina Santos Parceiros locais

Secretarias da Comunicação (SECOM) e Cultura (SECULT), Oficina Cultural Regional Pagu, Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS) A Oficina Cultural Regional Pagu inclui projetos sociais em suas ações, viabilizadas por meio de parcerias com secretarias de ação social e organizações populares. O MISS (Museu da Imagem e do Som de Santos) é um equipamento da Secretaria Municipal de Cultura e gerido pela COCINE – Coordenadoria de Cinemas. Apresenta como proposta de ocupação que a entidade tenha como preocupação e fundamento o resgate, o resguardo, a catalogação e a perpetuação da vida cultural e artística de Santos e região, utilizando-se dos preceitos da linguagem multimidiática para tal.

 Partidas e chegadas

6’, cor, doc Gravado no porto de Santos, discute a vida de quem se dedica ao mar.

Alunos realizadores: Ísis Appes, Raphael Pereira, Tatiana Oliveira e Virgínia Cidrin Participação em festivais: Audiovisual Paulista, 03 / Festival de Belém, 04 / Ecocine, 04 / Tangolomango, 04

 Waltdisney apresenta

5’, cor, fic A visão do faxineiro Valdisnei sobre os moradores de um conjunto habitacional onde a principal fofoca é sobre dois homens que moram juntos.

Alunos realizadores: Ana Michele Gotz, Carolina Nicotra, Caroline Prado, Maikon Silva e Tatiana Matheus Participação em festivais: Festival de Belém, 04 / Tangolomango, 04

110

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Cara e coroa

5’, cor, fic Uma balada na noite de Santos do ponto de vista de dois jovens que não se conhecem.

Alunos realizadores: Marcelo Geremias, Rodrigo Félix, Vinicius Van Haagen, Cibele Appes e Carla Lopes

 Visões ocultas

5’, cor, fic Ficção em que um fidalgo flagra sua mulher com outro, e, para piorar, ainda se depara com um terrível monstro.

Alunos realizadores: Andréa Bezerra, Hamlet Monteiro, Mariana Carvalho e Wil Vasconcelos

visões ocultas


Temporada 2004 | coleção petrobras 17. Oficina Jardim São Luís Parceiro local

Casa dos Meninos – São Paulo (SP) Entidade social sem fins lucrativos que atende crianças e jovens de 7 a 21 anos, membros da comunidade e de 32 favelas. Promove eventos artísticos e culturais, cursos de inglês e informática, oficinas de percussão, expressão artística, violão, capoeira e teatro. Estimula a formação de um cineclube com participantes das oficinas e exibições na comunidade, com o intuito de debater o cinema. Tem como principal objetivo permitir que todas as pessoas possam se ver, se reconhecer e se mobilizar por transformações em favor do bem comum.

 Não é o que é

6’, cor, doc Um lado muito diferente do bairro Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, que contrasta com o que geralmente é veiculado na mídia. Alunos realizadores: Maria Gabriela da Silva, Paula Szutan,

Paulo Joaquim Júnior, Edvaldo Aleixo, Patrícia Alencar, Marcileia Soares, Mariana Bhering, Alan de Paula Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cultural, 04 / Tangolomango, 04

 Celebridadi

6’, cor, fic Até onde uma jovem pode chegar para alcançar a fama... Alunos realizadores: Almir Nascimento, Ricardo Matavilli, Thiago dos

Santos Silva, Cristiane Garcia Reis, Daylaine Barbosa Cavalcante do lado de k da ponte

 Alheio

5’, cor, fic Um catador de papelão fantasia o dia a dia dos moradores a partir do lixo que eles produzem.

Alunos realizadores: Diana Assennato Botello, Vanessa Reis, Simone Alves de Jesus, David Alves, Douglas Alencar Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cultural, 04 / Tangolomango, 04, Mostra Mosaico São Paulo (CCSP), 06

 Do lado de k da ponte

6’, cor, doc Documentário que aborda os vários estilos e “tribos” de jovens da zona sul da cidade.

Alunos realizadores: Aline Serdeira, Jhair Ferreira da Costa, Vânia Silva, Vanessa Ribeiro Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

18. Oficina São Sebastião Parceiros locais

Projeto São Sebastião tem Alma (Ecocine) e Universidade Aberta do Mar – São Sebastião (SP) A sociedade civil São Sebastião Tem Alma atua desde 1989 nas regiões litorâneas, em projetos nas áreas de meio ambiente, comunicação, educação e cultura, tendo como parceiros a comunidade científica, ONGs, pescadores, agricultores e artesãos. Organiza desde 2002 o Ecocine, festival nacional de obras audiovisuais com temática ambiental, que alia preservação da natureza e da cultura. A Universidade Aberta do Mar (UAM) resultou da necessidade de ordenar essas ações desenvolvidas dentro de uma estrutura de pesquisa, ensino e extensão, capaz de dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos, aliando produção científica e saber tradicional.

 Cadê o caiçara?

6’, cor, doc Documentário sobre a vida dos atuais caiçaras, que não conseguem mais viver da pesca.

 Pipoco no topo

4’, cor, fic Como uma bala perdida pode afetar a vida de todos numa comunidade.

Alunos realizadores: Elis Altmann, Lilian Galvão, Paula Gil,

Alunos realizadores: Alan Kettelut, Ana Lúcia Batista, Emerson

Ricardo Reis Hiar, Wellington Palmeira

Lemos Fidelis, Guilherme Seixas, João dos Santos Silva

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

 Maré

5’, cor, doc A vida do caiçara cuja pesca é atingida pela poluição.

Alunos realizadores: Alexandre Gilberto do Rêgo, Edivaldo Nascimento, Leo Nafalski, Luciano Vieira, Tony Wong Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

Cultural, 04 / Tangolomango, 04

PA RT E 4 : A N E XOS

111


jongo vivo!

19. Oficina Interlagos Parceiro local

CEDECA Interlagos – São Paulo (SP) Aposta no potencial da infância e da juventude contra toda desesperança e todo cinismo do senso comum, buscando dignidade humana a partir da defesa dos direitos da criança, do adolescente e do jovem, construindo experiências de resistência no meio das diversas favelas e loteamentos clandestinos das regiões da Capela do Socorro e de Parelheiros, zona sul de São Paulo.

 Sonho de várzea

5’, cor, fic Um garoto luta para se tornar um jogador de futebol.

 Rolê

7’, cor, fic Após um “rolê”, mais um jovem é levado para a Febem.

Alunos realizadores: Daniel Fagundes, Fernando Muglia, Valdo

Alunos realizadores: Rubens Matos Jr., Juliana Penha, Eliézio

Lira dos Santos

Vieira, Wellington Almeida da Silva, Maurício Elizen

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú

Cultural, 04 / Tangolomango, 04

 As consequências de um erro

5’, cor, fic Ficção que retrata a vida na Febem, com base em depoimentos de ex-internos e amigos.

Alunos realizadores: Vagner Ribeiro Lima, Alan Roberto de Camargo, Cíntia Silva de Souza, Anderson Costa, Rodrigo Leão Bispo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cultural, 04 / Tangolomango, 04 / Mostra Mosaico São Paulo (CCSP), 06

 O sofrimento de uma mãe

6’, cor, fic Documentário sobre as mães de alguns ex-internos da Febem.

Alunos realizadores: Moisés Clarcion Alves, Valdemilson Bento de Jesus, Rafael Ribeiro Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú

Cultural, 04 / Tangolomango, 04 / Jovens Realizadores do Mercosul, 04 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06

20. Oficina Guaratinguetá Parceiros locais

Assoc. Cult. Cachuera! e Programa Escola Família – Guaratinguetá (SP) A Associação Cultural Cachuera! destina-se à pesquisa e divulgação da cultura popular tradicional brasileira e à promoção de eventos na área. Tem como finalidade pesquisar e documentar as manifestações desta cultura, com intuito de organizar e conservar acervos. O Programa Escola da Família é um projeto da Secretaria de Estado da Educação, que funciona nas escolas durante o final de semana, com o objetivo de promover a qualidade de vida e ampliar os horizontes culturais de milhares de crianças, jovens e adultos, semeando e cultivando atitudes positivas por uma cultura de paz nas escolas.

112

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Jongo vivo!

11’, cor, fic A tradição do jongo, o “avô do samba”, a partir do olhar de quem realiza a festa na cidade de Guaratinguetá.

Alunos realizadores: André Luis de Oliveira, André Luis Morgado, Damares Ap. Miranda, Lauro Luiz do Amaral, Hebert José de Oliveira, Max Lucian Carvalho, Rodrigo Martins Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cultural, 04 / Tangolomango, 04 / Mostra das Culturas Populares, 04 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06

 A lenda de Maria Augusta

5’, cor, fic A cidade de Guaratinguetá revela Maria Augusta, seu fantasma mais famoso! Alunos realizadores: Adriano Rodrigo Silva, Élio Rodrigues,

Lucas Julien de Carvalho, Paulo Henrique Marcelino, Richard Carlos, Ricky Nilson de Campos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

 Jongo do amanhã

7’, cor, doc A dança do jongo do ponto de vista das crianças que participam da festa desde a preparação.

Alunos realizadores: João Carlos da Cunha, Maria Regina de Almeida, Sílvia Helena da Silva, Tayne Lusiane Alves, Tiago Galvão Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cul-

tural, 04 / Tangolomango, 04 / Mostra das Culturas Populares, 04 / MoVA Caparaó, 06


21. Oficina de Animação Parceiro local

A Cor da Letra – São Paulo (SP) Centro de estudos, pesquisa e assessoria, que realiza atividades de divulgação e implantação de diversos projetos de leitura. Realiza também a capacitação de grupos de jovens para atuarem em projetos sociais, documentação, formação profissional e ações culturais.

 Blues de sarjeta

5’, p&b, ani Animação com a técnica cartoon, na qual várias situações estranhas acontecem num mesmo prédio da cidade. Alunos realizadores: Daniela Barreira, Diego Ferrua Ramos,

Gabriel Gemenez, Giulianna Nishiyama, Juliana Viturino, Rodrigo Chiquetto, Vinícius Piovani. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Bacuri, 11

 Sobre frutas e garotas

6’, cor, ani Animação que utiliza predominantemente a técnica pixilation. Frutas, uma jovem grávida e seu bebê se comunicam com a maior facilidade...

Alunos realizadores: Edna Maria Felipe, Janiele Gomes, Patrícia Alves Vaz, Patrícia Costa, Robson dos Santos, Valéria Ap. da Silva, Vanice Deise Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / AnimArt!, 04 / MoVA

Caparaó, 06 / Bacuri, 11

 Um amor salgadinho

4’, cor, ani Animação que utiliza predominantemente a técnica da colagem. O desespero e as súplicas de um salgadinho muito especial. Alunos realizadores: Camila Verdum, Ingrid Gonçalves, Juan

Borges Berruesco, Lorenço Menezes Vieira, Melina Galvão, Regiane Bueno, Renata Cristina Freire, Idrani Taccari, Rafael Lobato Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cultural, 04 / Tangolomango, 04 / MFL, 06 / MoVA Caparaó, 06 / Tampere SFF, 06 / Mostra de Ilha Comprida, 06 / FBCU, 06 / Mostra Londrina, 06 / Bacuri, 11

22. Oficina Módulo II Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 Aqui fora

8’, cor, doc Documentário sobre os amantes e os amores que ultrapassam os muros do presídio e sobrevivem mesmo com a detenção. Alunos realizadores Direção e roteiro: Cláudio Nunes e Juliana Cristina da Penha Fotografia e som: Fausto Felix, Marcello dos Santos Produção: Renata Freire, Kelly Regina Alves Montagem: Mariana Bhering, Patricia Alencar

Participação em festivais: 2º lugar na Mostra Competitiva da Mostra de Vídeo de Santo André, 04 / Fest. Curtas SP, 04 / Mostra Vídeo Itaú Cultural, 04 / Tangolomango, 04 / Festival de Atibaia, 06, pelo qual foi indicado ao Festival de Contis, França / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06 / Mostra Londrina, 06 / Mostra Brésil en Mouvements, 08

 Roda real

5’, cor, fic Um homem transita em diversas realidades para testar sua loucura e lucidez.

 Ou dá ou desce

8’, cor, doc O sexo do ponto de vista de quem gosta muito e de quem não gosta.

Alunos realizadores Direção e roteiro: Beatriz Seigner e Paula Gil Fotografia: Melina Galvão Produção: Ingrid Gonçalves, Ricardo Reis Hiar, Hamlet Monteiro Som: Nina Maria Pinheiro de Brito Montagem: Kátia Apolinário, Paulo Joaquim Júnior

Alunos realizadores Direção e roteiro: Raphael Batista, Juliano Gouveia, Vânia Silva Produção: Marcileia S. Lacerda, Carolina Nicotra Fotografia: Guilherme Summa Som: Rafael Ribeiro Montagem: Débora Souza, Daniel Fagundes

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 04

PA RT E 4 : A N E XOS

113


um amor salgadinho

23. Oficina de Making Of Nessa oficina, os integrantes do projeto participaram da realização do making of do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, sob a orientação do jornalista e diretor Kiko Mollica. Foram formados três grupos de alunos, que focaram três diferentes aspectos do evento: bastidores, realizadores e público. O making of oficial foi realizado por Kiko Mollica, que incluiu alunos da oficina em sua equipe.

 Bastidores 8’, cor, doc

Alunos realizadores Direção: Cláudio Nunes (Tio Pac) e Paula Gil Produção: Kelly Regina Fotografia: Diogo Oliveira Som: Endrigo Moraes Edição: Negro JC

 Realizadores 8’, cor, doc

Alunos realizadores Direção: Juliana Penha e Clarissa Mastro Produção: Juliana Penha Fotografia: Clarissa Mastro, Gilmar Cintra, Guilherme Summa,

Juliana Penha Som: Clarissa Mastro, Gilmar Cintra, Juliana Penha Edição: Daniel Fagundes, Gilberto Caetano

 Público 8’, cor, doc

Alunos realizadores Direção: Melina Galvão e Vânia Silva Produção: André Aparecido Fotografia: Vanessa Reis Som: Daniel Hylario Edição: Mariana Bhering

 Curta o Formato 26’, cor, doc

Direção, produção e edição: Kiko Mollica Alunos realizadores Produção: Renata Freire Fotografia: Marcello F. dos Santos Som: Fausto Felix Assistência de edição: Alexandre Gomes Taira Imagens complementares: Canal Brasil

Temporada 2005 | coleção petrobras 24. Oficina Belenzinho Parceiro local

Associação dos Moradores do Casarão – São Paulo (SP) Entidade sem fins lucrativos fundada em 1991. Inicialmente lutava por melhores condições de moradia para os habitantes de cortiços da região central de São Paulo. A partir da construção em mutirão de 182 apartamentos, foi possível realizar outros projetos que atendem a diferentes faixas etárias e são gratuitos, tais como: atividades esportivas, programa de saúde, atividades lúdicas, culturais e, seu maior projeto, a transformação do antigo cortiço em Centro de Cultura e Convivência, o que permitirá aos moradores do bairro do Belém contar com um equipamento cultural, de formação e capacitação profissional. 114

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Gritos da alma

5’, cor, doc Um alfaiate, ex-presidiário, escreve um livro de memórias e pensamentos iniciado durante o período em que esteve no Carandiru. Alunos realizadores: Carlos Pereira Jr., Daniela dos Santos,

Élcio Freitas, Priscila Pereira, Sérgio Luiz

 Sonrria, Bolívia

5’, cor, doc Aspectos da vida de clandestinos bolivianos que vivem em São Paulo.

Alunos realizadores: André Mahaty, Giovani Barros, Márcio Valério, Paula Penedo, Rebelo Junior Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05

Participação em festivais: 3º lugar na Mostra de Vídeo de Santo

André, 05 / Fest. Curtas SP, 05 / Onda Cidadã, 06 / Melhor filme na categoria Crítica Social, Festival Visões Periféricas, 07

 Sabia que isso faz mal? 6’, cor, fic O Ministério da Saúde adverte...

Alunos realizadores: André Nunes, Edson Jesuíta, José Clenildo,

Loren Clair Boppré, Vanessa Stollar, Wilq Vicente Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05

 Filhos do trem

5’, cor, doc Crianças vendem mercadorias nos trens de São Paulo. Alunos realizadores: Fernanda Benichio, Marcelo Domingues,

Reinaldo Silva, Leonardo Rodrigues. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Onda Cidadã, 06 /

Prêmio de Incentivo do Júri, Gramado Cine Vídeo, 06 / Mostra de Vídeo de Santo André, 06 / The Norwegian SFF, 06 / CineCufa, 07 / Mostra Brésil en Mouvements, 08


25. Oficina Santo André Parceiros locais

Movimento em Defesa dos Direitos dos Moradores em Favelas de Santo André e Projeto Criança Cidadã – Santo André (SP) O MDDF tem como missão representar os moradores de favelas e núcleos habitacionais junto aos poderes e órgãos públicos, autarquias, empresas públicas e privadas, defendendo seus direitos e interesses e prestando serviços gratuitos.O Projeto Criança Cidadã atua na área de educação e apoio à família de crianças e adolescentes moradores de núcleos habitacionais em Santo André. Oferece atividades socioeducativas em horário alternado ao da escola e atendimento junto à família, à comunidade e à escola.

 Capuava unida

6’, cor, doc Capuava, bairro de Santo André, e a luta para manter suas moradias.

Alunos realizadores: Diego Marques, J. Cláudio, Maria Aparecida, Ronaldo Borges, Rosana Freitas, Valéria dos Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05

 Making of?

5’, cor, doc Onde está o filme? Vídeo que tem como tema o processo de aprendizado e de captação durante uma das Oficinas Kinoforum, realizado pelos próprios alunos.

Alunos realizadores: Andréa de Oliveira, Gilberto N. Hashiguchi, Sandra Tereza dos Santos, Shirlei Lima de Souza, Priscila Almeida da Silva

 Vidinha

Brasil, 5’, cor, fic Sonhos e passeios do ponto de vista de cachorros da periferia de Santo André.

Alunos realizadores: Alessandro Leite, Aline Santos de Sousa, Aldete Jesus Aragão, Diogo Ricardo, Francine Portas Tribes, Regislaine Regina Domingos. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Mostra de Ilha Comprida, 06

 Hormônios à flor da pele

5’, cor, doc “No meu tempo ou casava ou morria...”. O namoro entre os adolescentes e jovens, hoje e nos tempos antigos. Alunos realizadores: Édipo Alves, Filipe de Oliveira, Rodrigo da

Silva, Wesley Leal

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Curta Cinema, 05 /

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / MoVA Caparaó, 06 /

Onda Cidadã, 06 / Tampere SFF, 06 / Mostra de Vídeo de Santo André, 06

Onda Cidadã, 06

organicidade

26. Oficina Atibaia Parceiros local

Instituto de Arte e Cultura Garatuja – Atibaia (SP) Espaço de criação e difusão artística direcionado a diferentes formas de expressão. É resultado da soma de duas experiências: a de Márcio Zago, artista plástico, e de Élsie da Costa, bailarina e pesquisadora da cultura popular. Ambos respondem pela direção artística do Instituto.

 A bomba

6’, cor, fic Bomba paralisante transforma cidade de Atibaia. Alunos realizadores: Juliana Oliveira, Kaleb Natal, Thiago

 João 100 medo 5’, cor, fic — Sai, Capeta!

Henrique, Vitor Zago

Alunos realizadores: Adriana Oliveira, Gabriela Gonçalves, Liliane Ribeiro, Lorival Batista, Tamires Cardoso

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Festival de Cuiabá, 05 /

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05

Mostra de Vídeo de Santo André, 06 / Onda Cidadã, 06 / Mostra de Ilha Comprida, 06 / Festival do Rio, 06

 Maníacos do parque

4’, cor, fic Enquanto você passeia no parque, “eles” armam a revolução. Alunos realizadores: Caio da Costa Ferreira, Débora Sofia, Érica

 Crepúsculo

6’, cor, fic Uma garota vive entre o passado e o presente.

Alunos realizadores: Ana Laura Bucci, Eduardo Vlad, Júlia Ramos, Paulo Natali (Ace) Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05

Yamaguchi, Giovanna Romaro Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

Mostra de Ilha Comprida, 06 PA RT E 4 : A N E XOS

115


27. Oficina Jardim Ângela Parceiros locais

Projeto RAC – Redescobrindo o Adolescente na Comunidade e Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS-AD) – São Paulo (SP) O Projeto RAC oferece acompanhamento psicossocial e socioeducativo para adolescentes e suas famílias, caracterizados em situação de risco pessoal e social. Oferece cursos gratuitos. O CAPS é um órgão da Secretaria Municipal de Saúde que conta com uma equipe de psicólogos, psiquiatra, assistente social, enfermeira e agentes comunitários. Oferece tratamento para dependentes químicos e acompanhamento para seus familiares.

 Motos

5’, cor, fic A liberdade vem de moto?

 Malditos

5’, cor, fic Uma homenagem aos filmes do gênero “terrir”.

Alunos realizadores: Aline Ferraz Silva, Maurício Luis Menezes, Patrícia Gonçalves de Melo.

Alunos realizadores: Ari Araújo, Camila Oliveira, José Milton,

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / CineEsquemaNovo, 06 / Mostra de Tiradentes, 06 / Onda Cidadã, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

 O lado B da periferia 5’, cor, fic A periferia vista por quem vive nela.

Wanderléia Pimenta. Mostra de Tiradentes, 06

 Mal quisto, mal visto 5’, cor, fic O alcoolismo e a família.

Alunos realizadores: Andréa Ramos da Conceição, Bruno Viana do Nascimento, Fabiano Leite da Silva, Jacy Sousa Guedes, Jonathan Saraiva

Alunos realizadores: Ana Cláudia Silva, Dinalva Paula dos Santos, Nilson Ferreira, Rafael Oliveira (Ghost), Washington Silva

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Mostra de

Mostra de Tiradentes, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

Tiradentes, 06 / Onda Cidadã, 06 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06

o lado b da periferia

28. Oficina Jaguaré Parceiro local

Projeto Cala-boca Já Morreu Entidade que atua na área de educomunicação, desenvolvendo uma proposta de aprendizado contínuo, preocupando-se com a formação sobre o poder dos meios de comunicação social. Realiza oficinas de rádio, vídeo e jornal para integrar também usuários do serviço saúde mental com a comunidade local, propiciando assim oportunidades para que as pessoas aprendam a conviver com as diferenças.

 Dói, mas passa

5’, cor, doc O Bar dos Cornos, reduto de todos...

Alunos realizadores: Cristiane Guterres, Elaine de Oliveira Pereira, Eliana Lotifo Monzano, Rogério Paulo de Souza, Tiago Luna. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Curta Cinema, 05 /

Mostra Outros Olhares, Outras Vozes, CCBB Rio, 05 / Mostra de Tiradentes, 06 / Cinema Paineiras, 06 / MoVA Caparaó, 06 / Onda Cidadã, 06 / Tampere SFF, 06 / FBCU, 06 / Mostra Londrina, 06 / CineCufa, 07

 Organicidade

3’, cor, fic A metrópole como um organismo vivo. Alunos realizadores: Adriana Lima Borges, Daniel Maciel, Francisco

de Assis, Israel José dos Santos, Marcus Vinícius Vasconcelos. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

Mostra de Tiradentes, 06 / Onda Cidadã, 06

116

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Recorte paulistano

4’, cor, fic Curta que articula diversos depoimentos, criando, através da montagem, um diálogo entre os entrevistados. Alunos realizadores: Bruno Moraes Regenthal, Daniel Levenhagem,

Daniela Gomes, Mariana Menquinelli, Sarah Giasseti Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

Mostra de Tiradentes, 06

 Para todos?

4’, cor, doc Contradições na universidade pública. Alunos realizadores: Diogo Cutinhola Cavalcante, Érica Ferreira

dos Santos, Fernando Cabral, Gabrielle Navarro, Thiago Rodrigues Lolo, Vanessa Lau Soares Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

Mostra de Tiradentes, 06


29. Oficina Módulo II Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, é um dos espaços mais democráticos de São Paulo, oferecendo uma excelente e diversa programação cultural, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e, ainda, organizando inúmeras oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível.

 Cactos

6’, cor, fic O “material bruto” de uma relação. Alunos realizadores Direção: Lorenço Vieira, Vanessa Reis Fotografia: Regislaine Domingos Som: Valéria Menezes Produção: Giovani Barros, Gabrielle Navarro Montagem: Fernanda Benichio, Wellington Leite Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

30. Oficina de Making Of  Índios e palhaços

6’, cor, fic Contratam-se: índios e palhaços. Alunos realizadores Direção: Carlos Pereira Júnior, Marcus Vinicius Vasconcelos Roteiro: Carlos Pereira, José Clenildo, Marcus Vinicius Vasconcelos Fotografia: André Tavares Som: André Oliveira Produção: Dinalva Paula dos Santos, Diogo Ricardo Souza Montagem: Érica Santos, Patrícia Melo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 /

Mostra de Tiradentes, 06

 Amanhã

8’, cor, doc O que é o mundo? O que é o fim? Mas de fato, o que acontecerá?

Realização coletiva do making of do 16o Festival de Curtas-Metragens de São Paulo, por alunos, em um novo formato de oficina temática.

 Por um fio 15’, cor, doc

Alunos realizadores: Cristiane Guterres, Dinalva Paula dos Santos, Eduardo Bezerra, Francisco Assis, Marcello Fernando, Marcileia Soares, Patrícia Gonçalves de Melo, Regislaine Regina Domingos, Rodrigo Valadares, Valéria dos Santos Menezes, Wellington Florentino Leite making of

Alunos realizadores Direção e roteiro: Alexssandro Souza, Francisco Assis Fotografia: Marcelo Fernando Som: Fernando Muglia, Tati Cavalcante Produção: Cristiane Guterres, Tati Cavalcante Montagem: André Luiz de Oliveira, Eduardo Bezerra Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 05 / Mostra de Tiradentes, 06 / Onda Cidadã, 06

Mostra de Tiradentes, 06 / Onda Cidadã, 06

Temporada 2006 | coleção petrobras 31. Oficina Cotia Parceiro local

Assistência Social Santo Antônio (ASSA) – Cotia (SP) Entidade sem fins lucrativos, que desenvolve atividades nas áreas cultural e social, atendendo ao público da terceira idade, crianças e adolescentes. As atividades oferecidas, como movimento corporal, yoga, dança de salão, ginástica, teatro, cinema e trabalhos manuais, proporcionam a socialização, melhoria da qualidade de vida, resgate da autoestima e o exercício da cidadania.

 Como se rouba a cena no cinema

6’, cor, doc Transeunte invade gravação e se torna personagem principal deste documentário.

 Pronto para recomeçar

6’, cor, doc/fic Preconceito e ignorância em relação aos portadores de necessidades especiais.

Alunos realizadores: Luís Tadeu Carraca, Marcele Guerra, Otávio Augusto, Rafael Ferreira.

Alunos realizadores: Deborah Azevedo, Rafael Azevedo, Renato Ramos, Talita Ap. Ribeiro, Williams Martins.

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 /

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual

Mostra de Tiradentes, 07 / Vitória Cine Vídeo, 07 / Jovens Realizadores do Mercosul, 07

Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07 / CurtaSE, 07 / Jovens Realizadores do Mercosul, 07

 Cabresto

4’, cor, fic Trabalhar, trabalhar, trabalhar... e a loucura se estabelece, põe cabresto. Alunos realizadores: Daniel de Almeida, Daniela Oliveira,

Guilherme Faccio, Raphael Amário, Victor Ferreira.

 As faces de Mateus

4’, cor, fic As máscaras e disfarces ditando os comportamentos e atitudes.

Alunos realizadores: Ana Paula Victor Malozzi, André Vargas, Mateus Ferreira, Renan Carvalho, William Ribeiro. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 PA RT E 4 : A N E XOS

117


caminhos

32. Oficina Grajaú Parceiro local

Projeto Anchieta – São Paulo (SP) O Grupo Itápolis Ação e Reintegração Social / Projeto Anchieta é uma organização sem fins lucrativos. Atende famílias em situação de vulnerabilidade social, com infraestrutura de educação, meio ambiente, cultura, desenvolvimento comunitário, profissionalização e saúde.

 Acorda!

5’, cor, fic Uma vida se perde numa rotina de repetições.

Alunos realizadores: Aline dos Santos, Camila de Carvalho Alves, Karina Cristaldo do Nascimento, Régis Talles de Lima, Vanessa Domingues Sobral. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07 / Jovens Realizadores do Mercosul, 07

 Mato ou morro

5’, cor, fic Jovem entregador de pizza faz de tudo para atender cliente que mora no topo de um morro da favela. Alunos realizadores: Fábio Ferreira dos Santos, Kleber Araújo

Cavalcanti Fraga, Michel Alfredo de Mouro, Vanessa Luzia Lima, Wanessa Neves da Silva. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 /

Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07

 Vê se você escuta!

4’, cor, exp Um musical original estruturado a partir de ruídos e sons captados.

 Caminhos

4’, cor, doc Duas mulheres, duas origens e caminhos que se cruzam.

Alunos realizadores: Celso Ricardo da Trindade, Eduardo S. de Paulo, Janilson Aparecido da Silva, José Jacó Lucas da Silva, Rodrigo Roberto do Nascimento.

Alunos realizadores: Cibele Araújo, Damaze Silva Lima, Juliana Kelly da Silva (Fuca), Noel Gomes de Brito Filho, Talita Aparecida da Silva Marcelino.

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07 / Festival Visões Periféricas, 07

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 /

Audiovisual Paulista, 06

33. Oficina Real Parque Parceiros locais

Ação Pankararu e Projeto Casulo – São Paulo (SP) A ONG Ação Pankararu, localizada na favela do Real Parque, foi fundada em 2003 por um grupo de índios pankararu, com o objetivo de alavancar projetos visando atender às demandas da comunidade indígena e da comunidade da favela do Real Parque. O Projeto Casulo é um programa que visa o desenvolvimento comunitário do Real Parque e do Jardim Panorama, zona sudoeste da cidade de São Paulo. Focado na educação e na cultura, entendidas em seu sentido ampliado, e nos jovens, em virtude da notória escassez de políticas públicas que os contemplem, da falta de perspectivas na sociedade atual e das potencialidades ainda pouco valorizadas desse segmento etário. 118

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Raiz Pankararu

8’, cor, doc A chegada dos índios pankararu à cidade de São Paulo, nos anos 1950. Documentário realizado pelos descendentes de índios que atualmente habitam a favela do Real Parque. Alunos realizadores: Alan George de Souza, Edcarlos Pereira

do Nascimento, Kellin Greize Segalla Fornita, Tarcísio Henrique Nascimento. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Curta Cinema, 06 /

Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07 / Festival Visões Periféricas, menção afetiva, 07 / Jovens Realizadores do Mercosul, 07

 Na visão dos Pankararu

6’, cor, doc A situação dos índios pankararu nos dias de hoje, do ponto de vista dos próprios descendentes de índios que habitam a favela do Real Parque. Alunos realizadores: Deise Mary da Cruz, Eliene Santos Silva,

Sidney Bezerra Batalha, Taciane Maria do Nascimento. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

 O movimento

4’, cor, doc/fic O mundo das drogas, do vício e do tráfico na visão dos jovens que convivem com esta realidade.

Alunos realizadores: Adriana Paixão de Sousa, Douglas Rosa da Silva, Elenita P. de Lima, Fabiana Silva de Oliveira, Jailvo Agostinho de Souza, Natiele Dias Rodrigues. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 /

Audiovisual Paulista, 06

 X-lobo

5’, cor, fic Terror e humor quando um lobisomem invade a favela. Alunos realizadores: Deivison dos Santos, Felipe A. C. Lacerda

(Caldeirão), Felipe Fortes da Silva M. dos Santos (Tigreis), Rafael Fortes Silveira. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 /

Audiovisual Paulista, 06


34. Oficina Sapopemba Parceiro local

Associação Cultural Constelação – São Paulo (SP) Reúne artistas de diversas camadas da sociedade civil, escolas, ONGs, empresas e espaços, a fim de desenvolver projetos artísticos, educacionais, culturais, ambientais e de informática para crianças e adolescentes em situação de risco social e treinamento e profissionalização para jovens. Desde 2005, tornou-se um Ponto de Cultura em Sapopemba, promovendo cursos de artes plásticas, teatro, cartoon, webdesign.

 Especiais

6’, cor, doc A vida dos especiais, seus triunfos e suas dificuldades.

 Grafite

6’, fic Um jovem inspira-se numa revelação para criar seus grafites.

Alunos realizadores: Cícero do Santos, Divani Natacha de Toledo,

Alunos realizadores: David Aparecido de Moura, Éricka de

Fabíola Chaves Barros, Sandro Acrísio

Freitas, Túlio Magno Ribeiro

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 /

 Sampa isso é sampismo

5’, cor, fic O terrorismo poético, seus atos e seus adeptos.

Audiovisual Paulista, 06

 Memórias de uma vida 5’, cor, fic Terror indescritível e inusitado...

Alunos realizadores: Amanda Aparecida de Melo, Ana Clara

Alunos realizadores: Djavam R. Silva, Jéssica Danielle Honório,

da Costa, Diego Batista Rodrigues, José Fernando Gonçalves, Flávio Andrade da Silva, Waldiael Braz Silva

Luziane D. Oliveira, Marielle B. Alves, Michelle N. Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

fascinação

35. Oficina Parque Santo Antônio Parceiro local

Casa do Zezinho – São Paulo (SP) Entidade não governamental localizada entre os bairros Capão Redondo, Parque Santo Antônio e Jardim Ângela, na zona sul da cidade de São Paulo. A Casa abre a todos os Zezinhos um espaço de ação e de realizações especialmente para crianças e jovens do bairro. É lugar de reconhecimento, de respeito, de inclusão e de amigos.

 Paixão fulminante

5’, cor, doc/fic Durante os dias dos jogos da Copa do Mundo, um garoto esforça-se para se tornar um jogador de futebol.

Alunos realizadores: Jaqueline Ramos da Silva, Izabela Machado Alves de Lima, Luciana Paulino da Silva, Rafael Rocha dos Santos, Vítor Calazans Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07 / CurtaSE, 07

 Tribos

6’, cor, doc O que são tribos? Como se formam? Você faz parte de alguma delas?

 Como nossos pais

3’, cor, fic Dois irmãos em disputa pelo seu canal de TV preferido. Inocência de um lado, violência do outro, eles tomam suas decisões.

Alunos realizadores: Jonathan Damásio da Silva, Márcio G. Rodrigues Dias, Ricardo Barboza, Rodrigo Araújo, Tiago Medeiros dos Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

 Vida na favela

5’, cor, doc Os moradores de uma favela discutem a relação da comunidade com a cidade.

Alunos realizadores: Elen Cristina de Marselha Silva, Glauber Alves da Silva, Juliana Cristina de Moura, Max Paulo da S. Fonseca, Paula Schnaider de Oliveira

Alunos realizadores: Alan Gomes dos Santos, Anderson Moreira dos Santos, Grace Kelly Souza dos Santos, Meryelle Castro Marques, Vanessa Cesário Leopoldino

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

PA RT E 4 : A N E XOS

119


vida na favela

36. Oficina Módulo II Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, é um dos espaços mais democráticos de São Paulo, oferecendo uma excelente e diversa programação cultural, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e, ainda, organizando inúmeras oficinas de arte dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível.

 Um grito

10’, cor, doc/fic Ex-usuários do sistema manicomial descrevem atividades alternativas de convivência, através do trabalho e arte. O documentário propõe a leitura em dois movimentos: internação e recuperação.

 Vênus Vitrine

6’, cor, fic Surge uma nova deusa do belo, uma nova Vênus, quando a garota Letícia rende-se a uma desenfreada busca pela beleza. Alunos realizadores Roteiro: Raphael Amário de Souza, William Ribeiro Direção: Raphael Amário de Souza Assistência de direção: Éricka de Freitas Produção: Daylane Barbosa Cavalcante, Vanessa Domingues

Sobral Fotografia: Fabíola Chaves Barros Som: Glauber Alves da Silva Edição: Luciana Paulino da Silva, Jéssica Daniele Honório Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06 / Mostra de Tiradentes, 07

 Outros olhos

9’, cor, doc/fic A visão de um garoto de rua de 14 anos sobre a vida e a sociedade, e a visão da sociedade sobre o garoto, neste vídeo que mescla documentário e ficção.

Alunos realizadores Roteiro: Francisco de Assis, Maurício Oliveira Direção: Rafael Rocha dos Santos Assistência de direção: Wesley Pereira Jaime Produção: Ricardo da Cruz Costa, Shirlei Lima de Souza Fotografia: Rodrigo Araújo Som: Tiago Medeiros dos Santos Edição: Fausto Felix, Izabela Machado Alves de Lima

Alunos realizadores Roteiro: Camila de Carvalho Alves, Noel Gomes de Brito, Sandro Acrísio Direção: Noel Gomes de Brito Assistência de Direção: Sandro Acrísio Produção: Jaqueline Ramos da Silva, Meryelle Castro Marques Fotografia: Túlio Magno Ribeiro Som: Vanessa Cezário Leopoldino Edição: Bruno Viana do Nascimento, Jonathan Saraiva F. de Lima

Participaçãoemfestivais: Fest.Curtas SP,06 /Audiovisual Paulista,06 / Mostra de Tiradentes, 07 / CurtaSE, 07

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 06 / Audiovisual Paulista, 06

37. Oficina Projeto Daydreams Parceiros locais

Projeto Exchange Daydreams – Berlim (Alemanha) As Oficinas Kinoforum realizaram parte das gravações do curta Táxi para o devaneio, em parceria com o projeto multimídia alemão Daydream (www.weneedyourtalent. com). A parte brasileira do curta foi dirigida por Ansgar Ahlers, idealizador do projeto Daydream, e Dirk Manthey, que trabalharam com uma equipe brasileira de ex-alunos das Oficinas. A outra parte foi rodada em Berlim e Kiel (Alemanha), com Eder Augusto, diretor formado pelas Oficinas, e uma equipe alemã. 120

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Táxi para o devaneio

12’, cor, fic Países diferentes? Pessoas diferentes? Mas o mesmo devaneio: um táxi viaja entre São Paulo (Brasil) e Kiel (Alemanha). O que acontece se você der uma olhadinha para outra parte do mundo? Direção: Eder Augusto, Ansgar Ahlers, Dirk Manthey Roteiro: Ansgar Ahlers Produção executiva: Dirk Manthey, Ansgar Ahlers,

Zita Carvalhosa Direção produção: Jorge Guedes, Dirk Manthey Produção de set: Ingrid Gonçalves, Andreas Pirsher, Christian

Fleisch Diretor de fotografia e câmera: Eder Augusto, Claus Oppermann Diretor de arte: Bjorn Holzhausen Figurino e objetos de cena: Vanessa Sobral, Romana Buroemaster Efeitos especiais: Spooky Cecile

Som direto: André Oliveira, Joerg Berger Montagem: Sammy Mettwalli, Sebastian Matthaus,

Sebastian Bock Edição do som: Jan Doddema Música: Jan Doddema Companhias produtoras: Associação Cultural Kinoforum (Brasil)

e Forseesense (Alemanha) Elenco: Pierre Semmler, Adriano Veríssimo, Daniel Torres, Isabella Parkinson, Guntbert Warn Coordenador das Oficinas Kinoforum: Christian Saghaard Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Curta Antes, 07 /

Vitória Cine Vídeo, 07 / Festival de Curtas de Mairiporã, 07 / FLÕ, 07 / Audiovisual Paulista, 07 / Filmfest Schleswig-Holstein Augenweide, 07 / Internationales Filmfest Emden Norderney, 07 / Filmfestival Molodist, 07 / International Interfilm Short Film Festival, 07 / Sony AXN Filmfestival, 07 / MFL, 08 / Filmfest Wussrzburg, 08 / Landshuter Kurzfilmfestivals, 08 / Shortfilm Slam, 08 / Kultufest Festival, 08 / Festival Ratoeira, 08 / CineCreed, 11


roda baiana

Temporada 2007 | coleção petrobras 38. Oficina União Imperial Parceiro local

G. R. E. S. União Imperial – São Paulo (SP) A Escola de Samba União Imperial, fundada há 25 anos, se destaca por sua presença no carnaval paulista e pelas aulas de percussão, bateria show, apresentações artísticas, bailes e diversos eventos.

 O enredo do meu samba

5’, cor, doc As ideias que originaram a criação do samba de enredo da escola de samba União Imperial. Alunos realizadores: Adílio Gonçalves, Luiz Paulo da Silva, Paulo

Henrique da Costa, Rafael Rodrigo de Araújo Veira, Wellington Nobero

 Skindô!

4’, cor, fic Empresário descobre carnaval e cai no samba.

Alunos realizadores: Andréa Iglesias, Bruno Bralfperr, Juliana Borges, Michelle da Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Festival Ratoeira, 08 / Audiovisual Paulista 07 / MFL, 08

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

 Roda baiana!

6’, cor, doc Documentário sobre a ala das baianas da escola de samba União Imperial, grupo de acesso do carnaval paulistano.

Alunos realizadores: Cristina Adelina de Assunção, Danilo Cruz Dainezi, Dilvania Santana, Fernanda dos Santos Ribeiro.

 Toma sambiste

4’, cor, doc Documentário sobre os efeitos de quem “toma samba”…

Alunos realizadores: Glauber Marques, Gustavo Henrique Barbosa e Castro, Raquel Febrônio, Riccardo Di Stefano, Sílvia Malta. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / FestVídeo, 07 /

Iguacine, 08 / Festival Ratoeira, 08 / Audiovisual Paulista, 07

39. Oficina Perus Parceiro local

Centro Pastoral Santa Fé e Assoc. Resid. por Mutirão Nova Esperança — São Paulo (SP) O Centro Pastoral Santa Fé é uma obra sem fins lucrativos, que se configura com o apostolado social da Companhia de Jesus (jesuítas), oferece uma formação integral aos adolescentes e jovens mais necessitados, para que sejam líderes comunitários. A Associação Nova Esperança formou-se em 1992 e atua no Conjunto Habitacional do Recanto dos Humildes. É fortemente engajada na questão da organização popular, tendo participado da formação do bairro, que foi construído por sistema de mutirão. Ainda hoje trabalha pela moradia, saúde, inclusão social e geração de renda.

 Cultura 360º

4’, cor, doc Recorte sobre o skate e lazer na comunidade de Perus.

Alunos realizadores: Fernando Roberto da Silva, Francicarla de Souza Brito, Janaína Cristina Pinheiro, Leonardo José Cuono, Wesley Cardoso Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Festival Ratoeira, 08 / FestVídeo, 07 / Audiovisual Paulista, 07 / MFL, 08

 Do sertão à garoa

6’, cor, fic Ao chegar em São Paulo, dois nordestionos se deparam com alegrias, dificuldades e muita saudade. Alunos realizadores: Fátima Melo, José Ricardo de Moura,

Josenaldo de Freitas, Marília Araújo, Suely Sales

 Gravidade

5’, cor, fic Rapaz descobre que a namorada está grávida e fica apavorado…

Alunos realizadores: Danilo Prates, Lucilene Oliveira, Marcelo C. Marques, Márcio Moreno, Wellington S. Campos. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

 O resgate de Perus

5’, cor, doc A história do bairro de Perus, desde o início do século passado.

Alunos realizadores: Cátia Borges, Diane Dourado, Lázaro Reis, Talita Maria da Silva, Thays Souza Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / FestVídeo, 07

PA RT E 4 : A N E XOS

121


40. Oficina Vila Buarque Parceiro local

Inst. de Pesq. e Proj. Sociais e Tecnológicos (IPSO) e Pto. de Cultura Vila Buarque – São Paulo (SP) O IPSO é uma entidade civil sem fins lucrativos e apartidária. Tem como finalidade a realização de estudos, pesquisas e projetos que contribuam para a formulação e o conhecimento de novos paradigmas do pensamento e da ação, no âmbito dos desafios político-econômicos que acompanham as transformações tecnológicas em curso e o seu impacto sobre as formas de organização social, cultural e do trabalho.O Ponto de Cultura Vila Buarque surgiu para desenvolver um projeto de atividades culturais e sociais nas áreas de rádio, vídeo, cinema e internet.

 O mingau que virou tutu

5’, cor, fic Videoclipe que discute sons e imagens de um transeunte do centrão de São Paulo. Alunos realizadores: Carlos Augusto Rodrigues, Eduardo Lisboa,

Albano, Thaís Silvestre Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Audiovisual

Paulista, 07 / Festival Ratoeira, 08 / MFL, 08 / Mostra Taguatinga, 08

 Se essa rua fosse minha

4’, cor, doc Adulto relembra sua infância vivida no centro de São Paulo. Alunos realizadores: Gustavo Pereira, Larissa Scaranci, Lucas

Araújo, Luciana Dias, Yona Matiello Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

 Contratempo

5’, cor, fic Menina corre contra o tempo, inspirado no filme Corra, Lola, corra.

Alunos realizadores: Antônio Duarte, Jaqueline Fernandes,

Alunos realizadores: Antônio de Lima Brito, Eliana Maria da

Naruna Amorin, Rafael Carlini, Viviane Almeida

Silva, Fabíola Mamedes, Lucilene Barbosa da Silva, Micaela Carolina Cyrino

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Curta Antes 07 / Audiovisual Paulista, 07 / Festival Ratoeira, 08

 Preserve essa ideia!

4’, cor, doc As ideias e preocupações de adolescentes e jovens de Parelheiros.

Alunos realizadores: Aline Farias, Aparecida de Brito Moura, Ariane Queiroz, Eduardo Barbosa, Jean Pierre Pinto, Rodrigo Cassiano. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

122

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Alunos realizadores: André Luiz Oliveira Marcelo, Danilo José Sagatiba, Danilo Mendes Vieira, Rodrigo da Silva Cruz Oliveira

vitrine do prazer

3’, cor, doc O mundo violento na visão das crianças.

Alunos realizadores: Evandro Alves, Heloísa Pereira Cassiano, Letícia Rodrigues Faustino Gomes, Rafael Camargo, Sabrina Santos Costa

5’, cor, fic A Pomba Gira faz de tudo para conseguir seu homem.

Paulista, 07 / MFL, 08 / Mostra Taguatinga, 08

A Fundação Mokiti Okada cria e desenvolve projetos que promovam na vida humana a conquista da verdadeira saúde, prosperidade e paz. Atua nas áreas de educação, arte e cultura, e em projetos de assistência social e pesquisa, inclusive em escolas públicas, como é o caso da E. E. Paulino Nunes Esposo, em Parelheiros.

5’, cor, fic Como suportar a violência familiar?

 Gira pomba gira

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Audiovisual

Fundação Mokiti Okada e Escola Estadual Paulino Nunes Esposo – São Paulo (SP)

 Contrariando as estatísticas

Alunos realizadores: Andréia Franco, Loane Cibele, Regina

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

Parceiro local

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Curta Antes, 07

6’, cor, doc Sexo, prazer e comércio no centro de São Paulo, do ponto de vista de quatro jovens realizadoras.

Fábio Oliveira, Jorge Aparecido, Ricardo Vieira, Richelio Pereira

41. Oficina Parelheiros

 Como você gostaria que fosse o mundo?

 Vitrine do prazer


42. Oficina Jardim São Carlos

43. Oficina Módulo II

Parceiro local

Parceiro local

Batakerê – São Paulo (SP)

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP)

Realiza atividades educativas e artísticas desde 2003, propondo-se a formar agentes culturais que promovam a transformação da realidade através da arte. Oferece oficinas de dança, capoeira, percussão, fabricação de instrumentos e aulas de música.

Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 Auto azar

5’, cor, fic Jovem sonha em conseguir seu próprio carro. Alunos realizadores: Aline Silva, Diego Lemos de Jesus, Ewerton

Luiz, Lidiane Martins Ferreira, Renata Agudo, Robson Lima Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

 Chapeuzinho controverso

5’, cor, fic Uma hilariante versão do conto da Chapeuzinho Vermelho.

 Foto em branco

6’, cor, fic Rafael, um jovem fotógrafo, por acaso se depara com um envelope com fotos que podem mudar sua vida. Alunos realizadores Direção: Bruno Bralfperr Assistência de direção: Caio da Costa

Ferreira Roteiro: Bruno Bralfperr, Glauber Marques Produção: Cibele Appes, Débora Sofia Fotografia: Danilo Vieira Som: Jonathan Saraiva “Carabina” Edição: Luciana Dias, Yasmin

 Pueril

12’, cor, doc Uma câmera revela o cotidiano de uma creche. Documentário que trata do imaginário infantil de crianças de 3 a 4 anos de idade. Alunos realizadores Direção: Jean Pierre Dominguês Assistência de direção: Fernando Faria

Regina Albano Produção: Dilvania Santana, Gustavo

Sabrina Santos Costa

Henrique Castro Fotografia: Abner Henrique da Silva Som: Ricardo da Cruz Costa Edição: Rodrigo Nascimento,

Trilha sonora: Glauber Marques Elenco: Marcos Santtana, Gislaine

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

Costa

tiello

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 /

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 /

FLÕ, 07 / Mostra Ticket, 07 / Audiovisual Paulista, 07 / MFL, 08

Festival de Curtas de Mairiporã, 07 / Curta Antes, 07 / MFL, 08 / Mostra Taguatinga, 08 / Festival Ratoeira, 08

 Passagem

5’, cor, fic Do pó viemos, ao pó retornaremos.

Alunos realizadores Direção: Regina Albano Assistência de direção: Lilian Penha Roteiro: Carlos Augusto Rodrigues,

Freitas

Yasmin Cristina Domingos Felix

Cristine Felix

9’, cor, fic Drama, suspense e muito humor entre amigos, amantes e empregados que comparecem ao velório de uma defunta milionária.

Roteiro: Fernando Roberto da Silva, Produção: Juliana Borges, Paula Schinaider Fotografia: Rafael de Souza Ferreira Som: Fernando Roberto da Silva Edição: Renata Agudo, Yona Costa Ma-

Alunos realizadores: Lilian Pires Penha, Yasline Domingos Felix,

 Quase viúvos

Rogério Novaes Participação em festivais: Fest. Curtas SP,

07 / Curta Antes, 07

Alunos realizadores: Abner Henrique, Aline Abílio, David E. de

Oliveira, Edeilson Francisco de Lima, Graziele Gonçalves, Tiago Migri Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07

 P… que o pariu!

5’, p&b, fic O trabalho dignifica o homem? Sempre mesmo? Alunos realizadores: Fernando Faria Freitas, Paulo Franco de

Camargo, Rodrigo L. de Souza, Rogério Novaes Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 07 / Festival de Curtas de Mairiporã, 07 / Mostra Ticket, 07

44. Oficina Geração Beleza | Canal futura - fundação roberto marinho Parceiros locais

Projeto Arrastão e Ponto de Cultura Vila Buarque – São Paulo (SP) Jovens alunos da Kinoforum, do Projeto Arrastão e do Ponto de Cultura Vila Buarque realizaram dois interprogramas de dois minutos de duração, participando da edição de São Paulo do Projeto Geração Beleza, realizado pelo Canal Futura, promovido pela Fundação Roberto Marinho em vários estados.

 Belas Isabelas 2’, cor, doc

 Casa Laranja 2’, cor, doc

Alunos realizadores: André Tavares, Eder Augusto, Juliana

Alunos realizadores: Fábio Lima, Regina Albano, André Oliveira,

Borges, Paula Schinaider, Rafael Ferreira

Rodrigo Leite, Dilvania Santana, Karine Oliveira, Patrícia Alencar

PA RT E 4 : A N E XOS

123


Temporada 2008 | coleção petrobras 45. Oficina Sacomã Parceiro local

Casa de Cultura Chico Science – São Paulo (SP) Equipamento cultural da Subprefeitura do Ipiranga. Tem por objetivo o acesso e a inclusão à cultura, proporcionando a seus frequentadores um espaço diferenciado para produção e participação em ações culturais. Semestralmente realizam diversas oficinas nas áreas de música, teatro, dança e artes plásticas, além de realizar festivais, shows e mostras, buscando assim fomentar a atividade artística da região.

 É quente!

5’, cor, fic O dia mais quente do ano, a falta d’água e o aquecimento global provocam uma alucinante corrida pelo último copo de suco do planeta.

Alunos realizadores: Bruno Borges, Fernanda Maciel, Janaína Nogueira de Araújo, Nátalia Meira, Thiago Luiz de Souza. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Cine Cufa, 09

 Ganhando o pão

4’, cor, fic Para comer, vender, amassar, engolir, dividir, pedir, dar, usar, abusar... As duas profissões mais antigas do mundo têm muito mais em comum do que você imagina!

Alunos realizadores: Elisabete de Jesus, Gabriela Souza, Isabella Bargmann, Lívia Quintanilha, Ludmila de Souza Patrício, Marçal Oliveira, Paula Abreu Participação em festivais: Prêmio de melhor filme no Cinefavela 08

 Arte na rua Keller

5’, cor, doc O que é a arte? O que é o belo? O curta propõe uma reflexão sobre o tema ao comparar uma instalação de materiais recicláveis construída por um homem comum da cidade de São Paulo com importantes movimentos artísticos. Alunos realizadores: Aline Soares, Gustavo Henrique S. Ribeiro,

/ Fest. Curtas SP, 08

 É dose

3’, cor, fic Segundo a sabedoria chinesa, a pessoa não é o que ela pensa que é, nem o que os outros falam a seu respeito. A verdade está num terceiro ponto de vista. Qual é o seu?

Paula Moreno, Thiago Alberto Oliveira da Silva, Washington José Oliveira da Silva

Alunos realizadores: Adelita Alves, Amanda Ribeiro, Anderson Piter, Anieri Soares, Audrey Martiliano, Henrique Martiliano

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Jovens Realizadores do Mercosul, 09 / Cine Cufa, 09

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08

46. Oficina Mauá Parceiro local

Nova Era Novos Tempos – Mauá (SP) Instituição fundada em 2002 por um grupo de pessoas sensibilizadas com a falta de estrutura educacional, com a carência de recursos de apoio à criança, ao adolescente e à família, e conscientes de que somente através da educação esse quadro poderia ser transformado. Tem por missão promover a inclusão social, inclusão digital e cidadania de famílias carentes por meio de programas, cursos, apoio educacional, psicológico, psicopedagógico e assistência social.

 Contos da gruta

5’, cor, doc Em um lugar repleto de natureza, muitas histórias se escondem por trás desta bela paisagem.

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

5’, cor, doc/fic Uma mãe que quando jovem sonhava em ser modelo, uma filha disposta a tudo para realizar o sonho, custe o que custar...

Alunos realizadores: Aline Cristiane Vieira da Costa, André Aquiles Pereira Giannicario, Leonardo Silva, Maíza da Mota Castro, Nattana Vaz Costa, Priscila Sena

Alunos realizadores: Bárbara Siqueira, Gislaine Duarte, Leandro Bassi, Luana Veira de Oliveira

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08

 Pelas calçadas

5’, cor, doc De maneira descontraída, aborda a diferente forma de trabalho de três personagens de rua.

Alunos realizadores: Nick Douglas de Morais Moreira, Lucas Maia Gonçalves, David Duarte da Silva, Wictor Miranda Lima, Jéssica Cavalcante Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Jovens Realizadores do Mercosul, 08 / Cine Cufa, 09

124

 Transtorno

 O segredo das armas

5’, cor, fic Uma cidade frente ao confronto iminente. Exército e civis em lados opostos. Pode ser o fim de todos ou a solução dos conflitos por meio da dança. Musical que apresenta a força do hip-hop.

Alunos realizadores: Ana Paula Quintino, Patrícia Cardoso Rodrigues, Fernanda Dantas Turvollo, Reginaldo Gomes Inocêncio. Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Cine Cufa, 09


47. Oficina Jundiaí | coleção instituto tortuga Parceiro local

Fundação Antonio-Antonieta Cintra Gordinho – Jundiaí (SP) Focada na área educacional, oferece cursos de formação humana e formal até nível técnico básico, para população de baixa renda. Nesta oficina foram produzidos um documentário e três curtas de ficção, cujos roteiros foram desenvolvidos a partir de relatos dos sonhos dos próprios realizadores.

 De repente E.T.

5’, cor, fic Comédia sobre garota que, depois de assistir um filme sobre E.T.s, acaba se transformando em um deles.

Alunos realizadores: Jéssica Nayara Gomes, João Vítor da Rocha, Mariane Barroquel, Mariane Zuim, Nathália Angélica Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08

 VerAcidade?

5’, cor, fic Garotas vindas de diferentes lugares desaparecem para se encontrar em um espaço inesperado.

Alunos realizadores: Anamaria Ferreira Lucena, Fernando Augusto Pavam, Luana da Fonseca Roque, Melissa Maciel Cenachi, Paloma Rabassi Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Festival do Rio, 09

 Fazenda Ermida

3’, cor, doc Documentário sobre a Fazenda Ermida, uma construção do início do século passado, um dos marcos na história de Jundiaí, no interior de São Paulo.

Alunos realizadores: Gabriel da Silva Gergye, João Marcos Lacerda dos Santos, Luis Eduardo Carreiro, Magnilson Reis Marcos, Otávio Bernardes Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08

 Ícaro da Silva

5’, cor, fic Garoto sonha em voar, tentando de diversas maneiras inusitadas.

Alunos realizadores: David Wislan S. Silva, Jéssica Martins de Oliveira, Karina Tamires da Silva, Lucas Augusto da Silva, Márcio dos Santos Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Mostra de Vídeo de Santo André, 09 / Jovens Realizadores do Mercosul, 09

48. Oficina Módulo II Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 Baianinho

9’, cor, fic Rogério, metido em confusão, foge de Salvador para São Paulo. No meio de desventuras, sem emprego, sem sorte, mas com muita imaginação, o baianinho vai criando formas de sobreviver. Alunos realizadores Direção: Márcio Moreno Assistência de direção: Gislaine Duarte Roteiro: Gabriela Silva de Souza, Márcio Moreno Produção: Ludmila de Souza Patrício, Natália Meira Fotografia: Anthony Wong Júnior Som: Almir Meireles do Nascimento Edição: Paula Schinaider Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Favela é Isso aí, 09

/ Cine Cufa, 09

 Pêmba

11’, cor, fic A fama não tem preço, mas, para atingir o sucesso, Akim faz pacto com Exu. Tudo por um sapato vermelho carmim. Casa cheia, alma vazia. Alunos realizadores Direção: Thiago Alberto Oliveira da Silva Assistência de direção: Aline Soares Gomes Roteiro: Thiago Alberto Oliveira da Silva, Marçal Oliveira dos

 Sortudo

10’, cor, fic Aquela velha blusa do fundo do armário pode afetar o seu dia muito mais do que você imagina. Alunos realizadores Direção: Gustavo Henrique da Silva Ribeiro Assistência de direção: Anieri Soares Ferreira Roteiro: Gustavo Henrique da Silva Ribeiro, Audrey Martiliano

da Silva

Santos

Produção: Isabella Cardoso Bargmann, Paula Abreu Fernandes

Produção: Amanda Ribeiro dos Santos, Sílvia de Souza Malta Fotografia: Jéssica Cavalcante Santos Som: Diogo Ricardo Souza da Silva Edição: Janaína Cristina Pinheiro Assistente de montagem: Ana Paula Quintino de Oliveira

Fotografia: Ricardo da Cruz Costa Som: Micaela Carolina Cyrino Edição: Paula Moreno da Silva Assistente de montagem: Elisabete de Jesus Severino

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul, 09 / Cine Cufa, 09

de Barros

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 08 / Prêmio de melhor

curta no CineFavela, 08 / Favela é Isso aí, 09 / Cine Cufa, 09

PA RT E 4 : A N E XOS

125


ícaro da silva

49. Oficina OMJA Parceiros locais

OMJA (Office Municipal de Jeunesse D’Aubervilliers) – Paris (França) A OMJA é uma organização francesa que atua nas áreas de lazer, educação e prevenção, estimulando a formação e a expressão dos jovens cidadãos franceses, de 13 a 25 anos. Em 2008, as Oficinas Kinoforum e a OMJA se uniram em uma parceria que ofereceu uma oficina para jovens participantes dos dois projetos, cujo objetivo era a realização de um curta-metragem por esta equipe mista.

 Revanche (Mauvais Perdant) 11’, cor, fic

Equipe Kinoforum Coordenação da equipe brasileira: Christian Saghaard Direção: Luciano Oliveira Fotografia: André Tavares Produção: Dilvania Santana, Ingrid Gonçalves, Priscilla Figueiredo Assistência de produção: Natália Meira Edição: Negro JC Equipe OMJA Coordenação da equipe francesa: Karina Tavares Orientadores: Demba Sokhona, Hicham Chiki Jovens participantes: Cyril Arethas, Demba Diawara, Demba

Kane, Fahim Zeggagh, Ibrahim Bathily, Mady Traore, Nassim Belfoul, Steve Mendy e Tarik Freih

Temporada 2009 50. Oficina Lajeado | coleção cenpec Parceiro local

Projeto Jovens Urbanos do CENPEC – São Paulo (SP)

 OPS...!

4’, cor, doc/fic De repente grávida. E agora? Alunos realizadores: Deise Silva, Juliete Bernardo, Marcela

Programa responsável pela formação de jovens de 16 até 20 anos que habitam as metrópoles. Sua metodologia formativa tem como objetivo promover o desenvolvimento de sensibilidades e o envolvimento reflexivo dos jovens com os territórios da cidade, oferecendo oportunidades para que conheçam e explorem espaços onde estão concentradas práticas juvenis, artísticas, tecnológicas, relativas ao mundo do trabalho, das políticas, das ciências, de promoção da saúde, de lazer e de esportes. O Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que tem como objetivo o desenvolvimento de ações voltadas à melhoria da qualidade da educação pública e à participação no aprimoramento da política social.

126

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Diniz, Rodrigo Souza Participações em festivais: Fest. Curtas SP, 09

 Enchente – Reflexão dos seus atos

4’, cor, doc O problema das enchentes no bairro de Guaianases.

Alunos realizadores: Magda Gonçalves, Michael de Jesus, Paulo Cardoso, William Nunes Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 09 / MOSCA, 10

 Voz do torcedor

4’, cor, doc A violência no futebol, segundo os torcedores! Alunos realizadores: Danieli Barboza, Cícero Tiago, Natália dos

Santos, Patrícia Tavares Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 09 / Festival CineSul, 10 / Festival de Cinema de Várzea, 10


51. Oficina Módulo II | coleção petrobras Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 Fale comigo

9’, cor, fic Fábio está tendo problemas em seu relacionamento com Mariana. Ao mesmo tempo, fenômenos estranhos e alucinações de um passado perturbador vêm assombrá-lo, levando-o a uma encruzilhada. Alunos realizadores Direção: Audrey Martiliano Assistência de direção: Renata de Sousa Agudo Roteiro: Audrey Martiliano e Maíza da Mota Castro Produção: Carlos Eduardo Neves e Magda Gonçalves Varjão Fotografia: William Nunes Som: Leonardo Silva Edição: Jorge Aparecido Paula e Sílvia de Sousa Malta Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 09 / Mostra Goiana de

 Moderna idade

9’, cor, doc Senhores e senhoras com juventude acumulada estão conectados virtualmente, mostrando sempre que é tempo de aprender, conhecer e adaptar-se às novas tecnologias. Alunos realizadores Direção: Marcelo Carvalho Marques Assistência de direção: Nathália dos Santos Alves Roteiro: Marçal Oliveira e Ana Paula Malozzi Produção: Janaína Cristina Pinheiro e Sabrina Santos Costa Fotografia: Diane Dourado dos Anjos Som: Paula Moreno da Silva Edição: Paulo dos S. Cardoso Neto e Cibele Appes

 Clausura

6’, cor, fic Um grupo de jovens contra os muros da metrópole. Alunos realizadores Direção: Rogério Novaes Assistência de direção: Gabriel do Nascimento Roteiro: Rogério Novaes e Fernanda S. Maciel Produção: Fernanda S. Maciel Fotografia: Paula Schinaider Som: Ludmila de Souza Patrício Edição: Jaqueline Ramos da Silva e Mariele Batista Alves Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 09

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 09 / Curta Santos, 09 /

Iguacine, 10 / MOSCA, 10

Filmes Independentes, 10 / Mostra Espantomania, 10

Temporada 2009 | coleção comgás 52. Oficina Americanópolis Parceiros locais

Aldeia do Futuro e Associação Amigos de Americanópolis – São Paulo (SP) A Aldeia do Futuro tem como missão promover atividades educativas para desenvolver o potencial de adolescentes, jovens e mulheres de baixa renda, propiciando-lhes uma referência social e profissional, perspectiva de futuro, capacitação funcional e fortalecimento de valores que possam transmitir para a comunidade. A Associação Educacional, Cultural e Esportiva Americanópolis, fundada em 1962, desenvolve projetos na área cultural e esportiva para atender aos jovens da região e recebe diariamente cerca de cem jovens.

 Pra sempre Colorado

4’, cor, doc Colorado Futebol Clube. As glórias, dificuldades e o legado para as novas gerações.

 Mary Ellen

4’, cor, fic O sonho de ser uma diva hollywoodiana e o choque cultural com o popular nacional.

Alunos realizadores: Adelton Pereira, Alexander Lima, Juenilson de Oliveira, Pedro Neto, Thamires da Silva

Alunos realizadores: Beatriz Albuquerque, Carolini Rodrigues, Juliana Correa, Leila Bana, Luís Gustavo Garcia

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10 / Festival Favela é

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

Isso Aí, 10

 O compositor

5’, cor, fic Lino compõe sua música sem saber que a letra mudaria o destino de sua vida. Alunos realizadores: Douglas Prado, Heryke Vinícius, Thaís Santos

 Time of love

3’, cor, fic Dona Jaqueline relembra momentos marcantes de seu romance.

Alunos realizadores: Alexandre Carvalho, Daiane Andrade, Rubens de Andrade, Maria Janielle, Wesley Martins Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

PA RT E 4 : A N E XOS

127


precisa-se

53. Oficina Pirituba Parceiro local

IACE – Instituto de Ação Cultural e Ecológica – São Paulo (SP) Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que busca conscientizar a população em relação às causas ambientais e sociais, através da educação, atividades lúdicas, música, artes cênicas e multimídia.

 Pulmões urbanos

4’, cor, doc Os impactos ambientais da urbanização nos bairros de Pirituba / Jaraguá.

Alunos realizadores: Danilo Ferrari, Jean Damasco, Ariel Santana, Augusto Rabelo, Kamila Pereira Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10 / CineFavela, 11 /

Festival Favela é Isso Aí, 11

 E se fosse você?

4’, cor, fic Quatro amigos no bosque são misteriosamente capturados como animais. Alunos realizadores: Aline Castanheira, Bianca Marianno, Pedro

Ícaro, Sérgio Silva, Thaís Pissolato, Vítor Ferreira Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

 Sujeira causa doideira

4’, cor, fic Dois garotos atrás de uma bola entram num delírio maluco. Alunos realizadores: Nathália Meira, Eric Sacramento, Jéssica

Rodrigues Faustino, Luiz Carlos, Roger Mayer, Yasmin Alves Poloni Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

 Comedor de papel

4’, cor, fic Poesia no lixo desperta um catador de papel para outra dimensão.

Alunos realizadores: Carlos Côrtes, Daiane Neves, Sibila Gomes, Suelen de Camargo, Verena Pacelli Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

54. Oficina Butantã Parceiro local

Centro Educacional Unificado (CEU) Butantã – São Paulo (SP) Complexo educacional, esportivo e cultural, com programação variada para todas as idades, da Secretaria Municipal da Educação. Os CEUs garantem acesso a equipamentos públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas, contribuindo com o desenvolvimento das comunidades locais.

 Olho no lance

3’, cor, doc Garoto batalha pelo seu sonho na Comunidade São Remo.

 Lados opostos

4’, cor, fic Em um contexto inusitado, nasce um sentimento.

Alunos realizadores: Pedro Fernandes, Kleberson Lima, Clariane

Alunos realizadores: Amanda Gharib, Anna Cláudia, Glaice

Santos, Gil Max Costa, Aline Soares

Mack, Josivânia Araújo, Karina Alvares, Priscila Duarte

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10 / Festival Favela é

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

Isso Aí, 11

 Coma cultural

4’, cor, fic A alienação rouba o espaço da cultura e da arte. Recortes no Butantã. Alunos realizadores: Darília Lilbé, Douglas Ferreira, Graziele

Ribeiro, Rafaella Mozz, Regiane Andrade, Ricardo Chagas Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10 / Festival Favela é

128

Aí,IA11E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM VI VEN D O - Isso HIS TÓR

 Sentido byte

3’, cor, fic Cibele está intensamente ligada à tecnologia e só vive através dela.

Alunos realizadores: Daniela Tomé, Evelin Rodrigues, Janaína Pereira, Joceimar Ribeiro, Paula Rocha, Raphael Ferreira Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10


55. Oficina Artur Alvim

Temporada 2010

Parceiro local

Centro Cultural ArenArt – São Paulo (SP) Associação cultural formada por professores, pais, ex-alunos e colaboradores, com o intuito de promover ações educativas em processos de grupo, na produção e apresentação de espetáculos teatrais para a comunidade.

 O plano

2’, cor, fic O plano é a realização de uma ideia perfeita. Alunos realizadores: Lucas Ruiz, Gaby Souza, Doko Calvacant,

Filipe Almeida, Rick Joker Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

 ½ kg de Melissa

3’, cor, fic Melissa, a assombração de um açougueiro com distúrbios mentais.

Alunos realizadores: Desireé Cantuária, Flávia Moura, Rebecca Oliveira, Fagner Lourenço, Thiago Ribeiro Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

56. Oficina Rec Play | coleção itaú cultural Parceiros locais

Oficinas Kinoforum e Itaú Cultural – São Paulo (SP) O Itaú Cultural contribui para a valorização da cultura de uma sociedade tão complexa e heterogênea como a brasileira. É um instituto voltado para a pesquisa e a produção de conteúdo e para o mapeamento, o incentivo e a difusão de manifestações artístico-intelectuais. Foram oferecidas oficinas de vídeo, em parceria entre a Kinoforum e o Itaú Cultural, a crianças e adolescentes, que foram convidados, durante o processo, a adentrar o universo criativo de Hélio Oiticica. Estas oficinas tiveram como objetivo explorar de forma lúdica as relações entre as artes visuais e o audiovisual. Estimulados pela observação e análise de obras da exposição Hélio Oiticica – Museu É o Mundo, os participantes puderam realizar experiências em filmagem e edição.

 Deu a Louca na Estilista

Brasil/SP, Exp, 2’28”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Lívia Mesquisa

da Silva, Caio Augusto Menezes da Silva, Nina Girard Sálvia, Vinicius S. Souza

Gabriel Q. Teixeira, Nilo Cooke, Gabriel S. Santos, Alexandre Matera, Gabriel S. Wiedemann

Bambozzi, Lucas Araújo Silva, Felix P. Correa Zocchi, Matheus de Araújo Andrade.

 Dançando com Hélio Oiticica

Alunos realizadores: Érika Pereira Elízio,

4’, cor, fic Uma velhinha sonha em ir para a Lua num foguete espacial. Alunos realizadores: Thaís Barros, Fernanda Mendes, Nathan

 A Ira dos 10 Centavos

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

 Dame la hora

4’, cor, fic Uma reflexão sobre o tempo, a urgência, a multidão e a solidão. Alunos realizadores: Rodrigo Espíndola, Emanuela Franco,

Willian Alexandrino, Rebeca Mandujano, Tais Ribeiro Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

Brasil/SP, Exp, 1’51”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Breno M. de Castro,

Luiara da Silva de Souza, Jonathas Clemente das Silveira

Feliciano, Agostinho J. Souza, William Estrela

Brasil/SP, Exp, 2’49”, Cor, Vídeo, 2010

 Hélio Oiticica e o Papagaio Falante

Alunos realizadores: Alice Sampaio Marques

Brasil/SP, Exp, 2’18”, Cor, Vídeo, 2010

 Namoro para Lua

 O Naufrágio da Ilha do Misterioso

Brasil/SP, Exp, 1’56”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Amanda Jentof, Ana

Gabriela A. Torres, Ana Luísa A. Torres, Beatriz Verlangieri, Georgia Biagioni, Júlia B. Albignente, Luísa P. Ferreira, Pérola P. Queiroz Lopes, Violeta P. Queiroz Lopes

 Figuras Artrísticas

Brasil/SP, Exp, 2’55”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Ana Carolina Brandão,

Lucas Fernando A. de Lima, Hugo Lourençato Aures, Jhonatan Alves Campilongo, Paulo Araújo Rodrigues, Marta Alves Ribeiro

 Hélio Oiticica: O Inventor Não é o Artista

Brasil/SP, Exp, 3’09”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Giovanna Alcântara,

Ettore R. Migliorança, Mathias Ravache, João Victor A. da Hora, Camila A. da Hora

 Paz e Terror Neste Mundo de Dor

Brasil/SP, Exp, 2’36”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Vinicius M. Rodrigues, Gabriel S. Wiedemann, Pedro Henrique S. Rizzo, Rafael M. Brandão, Paola Amaraina de C. Acosta, Eduarda Regina da S. Garcia, Pedro Jacob.

 Caocidade

Brasil/SP, Exp, 1’58”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Giovanna G. Giannotti, Cristian Vinicius R. Procópio, Andressa M. de Souza, Fernando Braz R. de Carvalho, Rakelle A. dos Reis, Anderson M. de Souza

 A Reviravolta das Emoções

Brasil/SP, Exp, 1’9”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Amanda de G. Lopes, Bárbra R. Jorge, Carla Z. Vitorino, Ricardo H. A. de Macedo Participação em festivais: Fest. Int.

Curtas SP, 2010

 O Labirinto

Brasil/SP, Exp, 2’48”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Mateus de Melo

Futada, Luiz Carlos Borazanian, Sabrina Lumi Watanabe, Gabriel Zulo

 A Sensação dos Olhares

Brasil/SP, Exp, 2’48”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Amanda Santos de Douza, Ana Flávia O. de Souza, Thereza Christina dos Santos, Raquel dos Santos, Bruna Pereira da Silva.

PA RT E 4 : A N E XOS

129


A alegria que contagia

Brasil/SP, Exp, 1’19”, Cor, Vídeo, 2010

 A Pobre que Virou Rica São Paulo/SP, 3’36”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Júlia Z. Mendes, Enrique

Alunos realizadores: Sabrina L. Alves da Silva,

N. Freitas, Francisco M. J. de Cerqueira, Pedro Goifman, Luna Vicente, Manuela Fonseca, Isabela dos S. Macambyra, Rafael M. Vilela

Catarina Del Carlo M. Gaia, Bárbara F. G. dos Santos, Milena Quaresma Franzini, Natália Fabi Brandi, Clara de Souza Afonso

Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP,

2010

 Tropicália

São Paulo/SP, Exp, 2’45”, Cor, Vídeo, 2010

 Sensações Abstratas

São Paulo/SP, 2’23”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Bruna G. P. Silveira, Kira

S. Biondani, Lucas Donatelli, Alex W. L. Gomes da Silva, Henrique C. Caetano, Bruna A. S. Souza, Júlia Stramandionoli, Beatriz Freitas, Sophia Tagliaferri Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP, 2010

  Um Filme Sem Nome

São Paulo/SP, 1’45”, Cor, Vídeo, 2010

 Re-evolução

São Paulo/SP, 3’17”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Marina Broetto Baptista,

Jade Geovana Silva Moia, Rodrigo dos Santos Espíndola, Andressa Gonçalves, Paulo Roberto Gonçalves

São Paulo/SP, Exp, 3’0”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Bianca M. Provenza,

Chiara M. Provenza, Eduarda A. S. Rizzo, Mariana Jacob, Fátima S. de Castro Acosta, Sara A. de Castro Acosta, Vanessa Ester de C. Acosta Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP, 2010

Alunos realizadores: Mylena Lococo P. F. Pi-

menta, José Eduardo P. Lima, Ariel Moraes, Arnaldo R. Grunow, Débora B. R. Grunow Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP, 2010

  Formas sem controle

São Paulo/SP, Exp, 2’21”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Cristina C. Bersagui,

Nicole Genuca, Alice Genuca, Mayra Genuca, Juliana R. de Souza, Mayara N. Gasparini Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP, 2010

Alunos realizadores: Ana Luiza Broetto, Maria

Luiza Castro, Yohanna Rossi, Leonardo Gomes

 Entre a agonia e a tranquilidade

 O Samba das formas

São Paulo/SP, Exp, 1’50”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Clara L. Oliveira Sena,

Gabriel C. de Almeida, Thiago Ravache, Victor S. Leuzzi Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP, 2010

 Imagético Imaginoso

São Paulo/SP, Exp, 2’46”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Heitor G. de Paula Ramos,

Geovana da Silva Dias, Joice dos Santos Lima, Lucas Rocha de Carvalho, Mikaele S. Gadelha de Mesquita, Ingrid dos Santos Simão.

 O Mundo Vazio

São Paulo/SP, Exp, 3’05”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Pedro de Oliveira Lopes,

Júlia Rodrigues Nogueira, Eduardo Seiji, Lola Costi Martin, João P. Correa Zocchio

 Alien - A invasão da exposição

São Paulo/SP, Exp, 2’12”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Bruno Finotti, Alan Sousa

Santos, Gabriel A. Mendes, Caio Augusto M. da Silva, Jade Steinmetz Participação em festivais: Fest. Int. Curtas SP, 2010

57. Oficina Polos Catraca | coleção itau cultural Parceiros locais

Oficinas Kinoforum, Polos Catraca e Itaú Cultural – São Paulo (SP)

 Cia. de Teatro Tal e Pá

2’, cor, doc O protagonismo juvenil no grupo de teatro Tal e Pá, em Arthur Alvim, São Paulo. Alunos realizadores: Luciano Oliveira, Desirée Cantuária

Fazendo parte do lançamento do projeto Polos Catraca, o Itaú Cultural convida a Kinoforum a retratar por meio da linguagem audiovisual o trabalho com jovens de outras entidades através da música e teatro. Os vídeos foram realizados por jovens que já haviam participado das Oficinas Kinoforum. Leia mais sobre o Itaú Cultural na oficina anterior.

130

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

 Oficina de Hip-Hop

2’, cor, doc A música como elemento transformador na formação do jovem. Alunos realizadores: Luciano Oliveira, Desirée Cantuária Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

cia. de teatro tal e Pá

 O Nosso Teatro

São Paulo/SP, Exp, 3’34”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Lucas Donatelli, Wesley Pereira, Jaqueline Pereira, Caroline Letícia Paula, Vítor André dos Santos

 As Imagens e seus Sons

São Paulo/SP, Exp, 1’16”, Cor, Vídeo, 2010

Alunos realizadores: Ana Júlia de A. C. dos Santos, Natália de A. Soares Moreira, Bruno Finotti, Enzo Zutautas Zanarin, Gabriel Zulo, Júlia Alcântara Felix, João Pedro. S. Dias

 A Dança dos Parangolés

São Paulo/SP, Exp, 2’38”, Cor, Vídeo, 2010 Alunos realizadores: Tumbao Velasquez, Bárbara

S. Santos, Marcela A. P. da Silva, Paulo Henrique L G. da Silva, Paulo Henrique L. G. da Silva, Rayane L. G. da Silva, Rafael Fernandes Sousa, Nayara Santos de Oliveira, Larissa Maciel Batista


58. Oficina Módulo II | coleção petrobras Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um dos espaços mais democráticos de São Paulo, oferecendo uma excelente e diversa programação cultural, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e, ainda, organizando inúmeras oficinas de arte dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 Entre

10’, cor, doc Uma equipe entra no armário de garotas lésbicas, mergulhando no seu universo e debatendo temas como família, casamento e preconceito. Alunos realizadores Direção: Carlos Côrtes, Maira Di Giaimo Roteiro: Carlos Côrtes, Clariane Santos Fotografia: Karina Gonçalves Alvares Edição: Aloysio Letra, Clariane Santos Produção: Rodrigo Espíndola, Wander Raphael Som direto: Thiago Ribeiro

 Feito

9’, cor, fic Um jovem se confronta com psicólogo por acreditar que não pertence a esse mundo. Alunos realizadores Direção: Francisco Paulo, Ana Paula Rocha Roteiro: Francisco Paulo, Janaína da Silva Pereira Fotografia: Sibila Gomes Edição: Verena Eugênia Santos Pacelli, Adelvan de Lima Produção: Desirée Cantuária, Léo Vegas Som direto: Priscila Almeida

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10 / Festival Visões

Periféricas, 11

 Luana Lua

9’, cor, fic Reprimida pela mãe, Luana encontra uma antiga foto de família que causa estranhas mudanças em seu comportamento. Alunos realizadores Direção: Vann Alves, Luiz Garcia Roteiro: Vann Alves, Glaice Mack Fotografia: Danilo Ferrari Edição: Juliana Correa, Suelen de Camargo Produção: Luana Darley, Caio Felipe Som direto: Camila Mariga Edição de som: Mário Cezar Rabello Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 10

Temporada 2010 | coleção furnas 59. Oficina Grajaú Parceiros locais

Comunidade Cidadã e CECI-SP (Centro Cineclubista de São Paulo) – São Paulo (SP) A Comunidade Cidadã foi fundada em 2004, a partir de uma oficina promovida pela Pastoral da Juventude. É formada por jovens que desejam transformar a realidade, no exercício da cidadania e do engajamento da comunidade. O Cineclube Grajaú é um espaço do projeto Circuito Popular de Cinema, que garante uma programação audiovisual permanente na zona sul de São Paulo. É uma iniciativa do CECI-SP.

 8 mil

6’, cor, doc Duas mulheres distintas compartilham uma mesma problemática: a desapropriação.

Alunos realizadores: Elisângela Duarte, Danielle Lima, Maura Pereira, Nayara Carmo Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11 / Festival Favela É

Isso Aí, 11

 Passaredo

3’, cor, exp Jovem paranoico só caminha sobre trilhas e pisos da cor preta, até que as marcas “pretas” acabam e não há mais para onde ir.

 Samba-canção

4’, cor, fic Ele sempre busca modificar o cotidiano, vestindo roupas “incomuns”. Porém, o inesperado lhe ocorre... E ele precisa inovar mais uma vez. Alunos realizadores: Joaquim Wellington Ferreira, Katharine

Enomoto, Mariane da Silva, Ramon de Souza Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

 Virando o jogo

5’, cor, fic Júnior adora estudar e brincar. James só pensa em computador e videogame. Um dia, Júnior e James resolvem dar um jeito nisso.

Alunos realizadores: Luciano Reis, Ester da Silva, Johnny R.

Alunos realizadores: Bruno César Okubo, Kleyton Willyans,

Ferreira, Sérgio Bruno, Henrique Góis

Gabriel Falcão Okubo, Kátia Leal, Leandro Santos Rosa

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

PA RT E 4 : A N E XOS

131


60. Oficina Vila Alpina Parceiros locais

Movimento de Defesa do Favelado (MDF) e Centro de Capacitação da Juventude (CCJ) – São Paulo (SP) O MDF nasceu em 1979, da luta dos moradores das favelas por saneamento básico. Atua hoje em quarenta favelas e tem seis projetos sociais para crianças, adolescentes, jovens e adultos, organizando com eles as principais reivindicações. O CCJ iniciou suas atividades em 1975. A organização é composta por jovens e, entre as frentes de sustentação à juventude, estão os subsídios populares e cursos de lideranças.

 Poderia ser diferente

5’, cor, doc Mulheres casadas falam de seus anos de anulação e aprisionamento e sua luta pela liberdade. Alunos realizadores: Miguel Pereira de Souza, Gabriela Costa,

Elaine Lacerda Barbosa, Eliana Cardozo, Fábio J. Lima Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

 Você vê o que eu vejo?

5’, cor, fic O preconceito está em você mesmo. Será que você vê o que eu vejo?

Alunos realizadores: Eulmer Araújo Silva, Fernando Ribeiro de Lima, Artênio de Alencar, Elaine Alves de Souza, Girlene Santos Silva Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11 / Festival Favela É

 Precisa-se

3’, cor, fic Infância desorientada e infeliz leva a um destino incerto. Alunos realizadores: Marcelo Neves, Natan Batista Castilho,

Rafael Guimarães, Carla Priscila Macedo, Marlon Lacerda das Neves Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

Isso Aí, 11

www.conectado

3’, cor, fic Desventuras de uma sociedade extremamente conectada, onde os que estão offline não são compreendidos.

Alunos realizadores: Nataliane Souza, Ana Paula Troy, Giselle Silva, Jéssica Cristina da Silva, Genilton Santos Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

Temporada 2011 | coleção petrobras 61. Oficina Módulo II Parceiro local

Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Localizado próximo à região central da cidade, o CCSP é um equipamento municipal que oferece uma programação cultural diversificada, realizando mostras, abrigando espetáculos para todas as idades e organizando oficinas de arte, dança, teatro, audiovisual e artes plásticas, de forma gratuita ou a custo muito acessível a todos.

 Cotidianos

9’, cor, doc Aborda a discussão sobre a relação familiar na descoberta da sexualidade e valores familiares que envolvem a fase da adolescência. Alunos realizadores Direção: Gustavo Viana, Eduardo Inácio Roteiro: Gustavo Viana, Jonas Tadeu Pinto Fotografia: Rômulo dos Santos Edição: Fabiano Leite da Silva, Rafael Guimarães Produção: Fernando Berlezzi, Camila Ziviani Elenco: Nathália de Oliveira, Nara Sakarê, David Andrade Som direto: Eduardo Inácio, Juscelino Wabes Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

 Psycho lover

8’, cor, fic Bety e João trabalham num bar noturno. Bety procura um novo amor para sua vida. João já encontrou, mas anseia por ele sozinho, silenciosa e intensamente... Será ele um psycho lover? Alunos realizadores Direção: Maura Pereira, Thaís Alves Roteiro: Anelise Ferrão, Fernando Berlezzi Fotografia: Nego Bala Edição: Miguel Pereira, Fagner Lourenço Produção: Sofia Calábria, Rauny Lima Elenco: Paulo Gabriel, Giuliana Cerchiari, Vivian Salva, Leandro

Destácio, Adriano Antony, Vinícius Paes, Rauny Lima, Tamires Dias, Renato Krueger, Cláudio de Andrade, Lala Lopes Som direto: Luana Bocchino Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11

132

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

 Vamos jogar

6’, cor, fic O garoto Renan dedica seu tempo integral a um programa de TV. Com o tempo, o apresentador desse programa começa a querer mais dedicação de Renan. Alunos realizadores Direção: Ana Carolina Barão, Elisabete Severinee Roteiro: Ana Carolina Barão, Rafael Guimarães Fotografia: Elaine Alves de Souza Edição: Aline de S. Camargo Assis Produção: Anelise Ferrão, Loyanne Lima Elenco: Renatto Krueger, Letícia Rossetti, Renato Cavalcanti,

Gabriel Conceição e Dennis Mendes Som direto: Karina Gonçalves Alvares Participação em festivais: Fest. Curtas SP, 11


equipe e

colaboradores Agradecemos a equipe e colaboradores (nomeados e não nomeados) e a todos os com as Oficinas Kinoforum, sem os quais a realização do projeto não seria possível.

 Adriana

Campos

 Carlos

Côrtes

 Eder

 Aleksei

Habib

 Carlos

Eduardo Neves

 Edina

 Carlos

Reichenbach

 Eduardo

Rodrigo Botosso

 Edwin

Perez

 Evaldo

Mocarzel

 Alex

Peres

 Alfredo

Manevy

 Carlos

 Aloysio

Letra

 Carol

 Ana

Paula Rocha

Ribas

 Christian

Saghaard

Augusto Fuji Bezerra

 Everaldo

Neres Amorim

 André

Colazzi

 Cibelle

Appes

 Fabiana

 André

Francioli

 Daniel

Chaia

 Flávio

 André

Luiz da Silva

 Daniel

Fagundes

 Francisco

 André

Oliveira

 Daniel

Santiago

 Gabriela

Cunha

 André

Tavares

 Danilo

José

 Gilberto

Caetano Alves

 Audrey  Beth

Martiliano

Giroto

 Breno

Zunica

 Camila

Bigio

Gobbato Mosquera

 Débora

Viana

 Glauber

 Desirée

Cantuária

 Guiomar

Ramos

 Henrique

Sfeir

 Diana

Azeredo

 Dilvania

Santana

 Ingrid

Gonçalves

PA RT E 4 : A N E XOS

133


Janaína

Cristina

Finotti

Agudo

 Renata

Gentile

Bosco

 Mariana

 João

Carlos Chaves - Negro JC

 Marina

Vaz

 Renata

Schiavone

 João

Godoy

 Marina

Weiss

 Ricardo

Alves Vasconcelos

 João

Reinaldo

 Mário

Cezar Rabello

 Ricardo

Reis

 Mário

Masetti

 Rodolfo

Figueiredo

Saraiva

Hidemi

 Renata

 João

 Jonathan  Jorge

Aparecido

 Maurício

Bacic Olic

 Rodrigo

Araújo

 Jorge

Guedes

 Maurício

Hirata

 Rodrigo

Dionísio

D´Addio

 Rodrigo

Marins

 José

Esteves

 Mauro

 Juliana

Borges

 Moira

Toledo

 Rodrigo

Nascimento

 Juliana

Nonato

 Nádia

Mangolini

 Rogério

Almeida

 Juliana

Rojas

 Nathália

 Kiko

Mollica

 Noel

 Kira

Pereira

 Pablo  Paolo

 Lays  Léo

Caroline S. Pastore

Dedonno

Meira

Carvalho

 Roney

Freitas

 Silvia

Viana

Ancona

 Thais

Brandt

Gregori

 Thiago

 Patrícia

Alencar

Boccato

Robin

 Paulo

 Lucas

Ogasawara

 Paulo dos Santos Cardoso Neto

 Vanice

 Vânia

 Luciana

Paulino

 Paulo

Santos Lima

 Victor

 Luciano

Oliveira

 Pedro

Martins

 Well

 Marcello

dos Santos

 Priscilla

 Marcelo

Phintener

 Pya

 Marcio

Lacerda

Miranda Perez

 Marcos Antônio

Dias (Marquês)

VI VEN D O - HIS TÓR IA E HIS TÓR IAS DE 10 ANO S D E O FI CI NAS KI NO FO RUM

Figueiredo

Lima

Ribeiro

 Vanessa

 Louis

 Marciléia

134

 Marcos

Reis

Silva Deise

Hugo Borges

Fiorentino

 Wesley

Campos

 Willem

Dias

 Rafael

Ferreira

 William

Hinestrosa

 Regina

Albano

 William

Ribeiro

 Regislaine

Domingos

 Zita

Carvalhosa


Expedien te Produção Editorial

Organização: Lizandra Magon de Almeida, Vanessa Reis e Zita Carvalhosa Edição: Lizandra Magon de Almeida Produção executiva: Zita Carvalhosa Pesquisa e produção de conteúdo: Vanessa Reis Revisão de provas: Olga Sérvulo e Adriana de Oliveira Silva Projeto gráfico e diagramação: Marcus Vinícius Vasconcelos

Colaboração

Adelvan de Lima Nunes, Adriana Campos, Ana Carolina Barão, André de Oliveira, André Tavares Nunes, Audrey Martiliano da Silva, Breno Zúnica, Bruno Bralfperr, Camila Bigio, Carlos Cortez, Carlos Eduardo Côrtes Conceição, Christian Saghaard, Débora Ivanov, Dilvania Santana, Eder Augusto, Elis Marchioni, Esther Hamburguer, Evaldo Mocarzel, Fernando Berlezzi, Fernando Faria Freitas, Francine Barbosa, Gil Marçal, Ingrid Gonçalves, Jean-Claude Bernardet, Jorge Guedes, Juliana Borges, Laís Bodanzky, Lico Cardoso, Luís Alfaya, Marcio Miranda Perez, Marcio Moreno, Mauricio Bacic Olic, Mauro D’Addio, Moira Toledo, Nádia Mangolini, Nego Bala, Paolo Gregori, Paula Moreno, Regislaine Regina, Rose Satiko G. Hijiki, Vanessa Reis, Vânia Silva, William Hinestrosa, William Ribeiro, Zita Carvalhosa

Equipe das Oficinas Kinoforum Coordenação: Jorge Guedes e Vanessa Reis Produção: William Ribeiro Uma realização Associação Cultural Kinoforum. Todos os direitos reservados.

www.kinoforum.org

PA RT E 4 : A N E XOS

135


Vi Vendo...  

Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you