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KARINA GALINDO ZANON

PATRIMÔNIO HISTÓRICO COMO TURISMO TERRITORIAL - Santana de Parnaíba Trabalho final de graduação apresentado à Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito à obtenção de título em Arquitetura e Urbanismo

Orientador: Phd. Carlos Andrés Hernández Arriagada São Paulo 2015 3


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KARINA GALINDO ZANON

PATRIMÔNIO HISTÓRICO COMO TURISMO TERRITORIAL - SANTANA DE PARNAÍBA Trabalho final de graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie

BANCA EXAMINADORA:

PhD. ARQ. URB. CARLOS ANDRÉS HERNÁNDEZ ARRIAGADA Universidade Presbiteriana Mackenzie

PhD. ARQ. URB. LUIZ GUILHERME RIVERA DE CASTRO Universidade Presbiteriana Mackenzie

Ms. ARQ. URB. JOSÉ MARIA MACEDO Escola da Cidade 5


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AGRADECIMENTOS Primeiramente, gostaria de agradecer a Deus, pois sem Ele nada disso seria possível e não teria a força que tenho para enfrentar todos os desafios que se apresentam a mim durante toda a minha vida. Depois agradecer a minha família: meus pais, avós e irmã, que apesar de nem sempre entenderem bem as situações as quais somos submetidos dentro da arquitetura, sempre estiveram de braços abertos e dispostos a ajudar e apoiar. Ao meu orientador de monografia, iniciação científica e grupo de pesquisa Dr. Carlos Andrés Hernández Arriagada, por acreditar em mim, me ensinar tudo o que pôde e permitir a concretização desse trabalho. Ao meu orientador de projeto, Prof. Carlos Heck, que com sua sabedoria e experiência enriqueceu meu projeto e minhas ideias sobre a arquitetura. A Umgeher, pelo apoio, paciência e por sempre estar lá. As amigas que caminharam lado a lado, partilhando

vivências nessa busca incessante pela qualidade e auto superação, Amanda, Sylvia e Yasmin: conseguimos! Aos amigos da arquitetura que, mesmo de longe e independentemente da situação sempre estiveram dispostos a sugerir e auxiliar, seja com um croqui ou um café, Mario, Felipe, Renata e Thamyres: mantenham-se firmes! Aos amigos de fora, que a vida trouxe e escolheram permanecer, auxiliando ou apenas esperando um momento mais leve para interagir, Enzo, Danilo e Camila: agradeço o apoio e a paciência. A todos que, direta ou indiretamente, permitiram ou cooperaram para a execução desse trabalho: muito obrigada. A todos que sonham: nunca desanimem, pois a caminhada é árdua, mas a sensação de missão cumprida é indescritível.

“Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.” (Fernando Pessoa) 7


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RESUMO Ao estudar as possibilidades que envolvem a reconversão urbana de um centro histórico com as características de Santana de Parnaíba, abre-se um horizonte de possibilidades quase infinitas, que gera uma série de controvérsias entre arquitetos e urbanistas de todo o mundo. A ênfase desse trabalho é dada na apreensão dos cenários urbanos resultantes de etapas de levantamento de dados e preexistências somada a análise estratégica com foco em turismo. Promovendo um edifício que objetiva valorizar o patrimônio histórico da cidade e região, mesclando biblioteca, museu e escola de restauro no coração do centro histórico da cidade, busca-se reestruturar as relações existentes e gerar novos fluxos e relações entre moradores, turistas e a própria cidade.

Palavras-chave: patrimônio, história, estratégia, reconversão urbana

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ABSTRACT To studying the possibilities around the urban reconversion of an historical center with Santana de Parnaiba caracters, we can look a high number of possibilites that generates some polemics between architects and urbanists around the world. The emphasis of the work takes place in the leisure of urban scenarios resulting from data collection steps and preexistence added strategic analysis focusing on tourism. Promoting a building that aims to enhance the historical heritage of the city and merging library, museum and restore school, in the historic city center, we seek to restructure existing relationships and genertate new flows and relationships between residents, tourists and the the city.

Keywords: heritage, history, strategy, urban review

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SUMÁRIO 15

29 Introdução

Problemática

Centro Histórico

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77 Levantamento de dados

Santana de Parnaíba

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177

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Referências Projetuais

Considerações Finais

Análise Estratégica

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O Projeto

187

Bibliografia

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INTRODUÇÃO

“A cultura é o conjunto de técnicas de produção, doutrinas e atos, transmissível pela convivência e ensino, de geração em geração.” (Câmara Cascudo) 15


Esse trabalho surge como um provocativo a ausência de perguntas feitas sobre as questões de patrimônio histórico e preservação nas cidades brasileiras. Ao estudar e trazer essas questões a tona, principalmente em cidades de pequeno porte, há a recompensa de expandir horizontes e aprofundar conhecimentos sobre a própria cultura e historia e abrir novos panoramas e reflexões nas temáticas correlatas. Usando como referencia cidades de grande e pequena escalas e casos nacionais e internacionais, observa-se que tipo de estratégias são eficientes na transformação de um espaço em polo turístico. Somado a isso, as teorias envolvendo a venda de cidades enquanto turismo trazem os aspectos positivos e negativos dessas aplicações estratégicas. Como local de aplicação de tudo o que foi estudado, foi escolhida Santana de Parnaíba por ser a cidade que concentrou todas as entradas e bandeiras responsáveis pela exploração de toda o entorno e acompanhar com grande proximidade o desenvolvimento da região que seria posteriormente conhecida como Estado de São Paulo.

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Seu centro histórico economicamente congelado é uma potencialidade para estudos de revitalização urbana e impulsionamento econômico através da consolidação de um território turístico. As questões de infraestrutura e a presença de vazios no espaço, somado ao fácil acesso pela Rodovia traz a possibilidade de modificações em aspectos viários e de desenho urbano quando consolidar-se em território turístico. A partir do século XIX quando as questões patrimoniais começaram a ser exploradas e incorporadas na arquitetura na Europa, abriu-se um longo debate sobre que tipo de ações seriam tomadas em relação aos centros históricos, envolvendo as arquiteturas, desenhos urbanos e as primeiras questões de tombamento. Entretanto, a diferenciação e características individuais de cada espaço histórico impossibilita o desenvolvimento de uma única legislação que atenda a todos os territórios. A ausência de consenso entre historiadores e estudiosos sobre espaços a serem preservados e de que forma transforma esse processo em algo muito específico e que necessita de uma série de estudos individuais.


No caso de Santana de Parnaíba, o conjunto de 70 casas de taipa do período colonial gera uma série de controvérsias entre os órgãos de preservação. A ausência de políticas públicas de apoio aos proprietários de imóveis tombados e incentivo a preservação dificulta, em muitos casos, a conservação desses imóveis. O trabalho se desenvolve nas seguintes etapas: - Centros históricos: o primeiro capítulo introduz as principais definições de centros históricos e problemáticas presentes neles; - Problemática: apresenta estudos de casos das cidades de Barcelona, Cuzco e São Luiz de Paraitinga, trazendo bases de estudos e primeiras questões de análises;

- Análise estratégica: Ao acrescer os levantamentos de dados a levantamentos específicos como uso do solo e fluxos, desenvolvem-se estratégias em recortes temporais e aplica-as ao território estudado. - Referências projetuais: Após a análise estratégica, apresenta-se referências arquitetônicas que balizarão o projeto arquitetônico; - Projeto: Apresentação do projeto arquitetônico enquanto resposta ao processo de análise; - Considerações finais: Síntese do processo e conclusões.

- Território: apresenta o território em aspectos gerais e sua história; - Levantamento de dados: traz questões referentes aos planos diretores e gráficos referentes a aspectos econômicos, urbanos, questões de educação e saúde da cidade.

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CENTROS HISTÓRICOS

“O patrimônio situa-se entre o passado e o presente, entre o cosmos e a sociedade, entre a cultura e os indivíduos, entre a história e a memória.” (José Reginaldo Gonçalves) 19


O QUE É UM CENTRO HISTÓRICO E COMO SE CARACTERIZA O colóquio de Quito, documento internacional produzido em 1977, que apresenta diretrizes de integração dos centros históricos diante do crescimento das cidades, definiu centros históricos como “assentamentos humanos vivos, fortemente condicionados por uma estrutura física proveniente do passado, reconhecida como representativos da evolução de um povo”1. Dessa afirmação podemos extrair que um centro histórico é um núcleo habitado, que confere identidade aos habitantes e serve de testemunho dos acontecimentos.

Fig.1.1 – Centro histórico de João Pessoa. A relação entre a praça central e os casarões circundando.

A sua característica principal é a centralidade, definida por GUTIÉRREZ2, como sendo o “núcleo gerador cuja expansão se acelerou aos poucos e cujos limites se definem pelos padrões de uso e pelo caráter residual das renovações municipais”. Muitas vezes formada por uma praça central, em torno da qual se estruturam os lotes e quarteirões [fig.1.1], o centro tem seu valor funcional estabelecido pela concentração de eventos cívicos e religiosos da cidade. Segundo HARDOY (1992), a constituição de um centro histórico não ocorre apenas no âmbito de sua herança material e física, mas também nos remanescentes da

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paisagem natural, além da população, seus hábitos, costumes e atividades produtoras, relações econômicas e sociais, crenças e rituais urbanos; ou seja, há a ampliação do conceito, que será discutido a seguir.

CENTRO HISTÓRICO: UMA BREVE HISTÓRIA Segundo DUARTE JÚNIOR (2010), no final do século XIX, quando o urbanismo floresce, abre-se para estudo as questões patrimoniais, visto o intenso desenvolvimento industrial estava em curso. Somado à recente conclusão das guerras mundiais e a consolidação dos Estados Unidos enquanto potência mundial, provocou duas reações diversas enquanto preservação da cidade antiga da seguinte forma: “No primeiro caso, a recuperação das cidades e sítios de interesse cultural, amparada em novas destinações, alia-se ao planejamento urbano, considerando os valores histórico-artístico e de uso da cidade-monumento e do seu contexto, com procedimentos claros de conservação e restauro, de que é exemplo a notável intervenção realizada em Bolonha, Itália, no início dos anos 70. No segundo [...], será criada uma expressão-

chave, transformada posteriormente numa autêntica “palavra-valise”: renovação urbana. Esse termo [...], serviu de justificativa a ações destrutivas das áreas urbanas de valor cultural agregado [...], num tempo em que progresso e memória não combinavam.”3 A já citada Carta de Quito, em 1964, de forma pioneira, denuncia a degradação do perfil de muitas cidades iberoamericanas, afirmando que “monumentos arqueológicos, históricos e artísticos e, portanto, as cidades históricas, constituíam também recursos econômicos”, defendendo a mobilização dos “esforços nacionais no sentido de procurar o melhor aproveitamento dos recursos monumentais de que se dispunha, como meio indireto de favorecer o desenvolvimento econômico do país”4. Em outras palavras: favorecer os agentes e medidas preservacionistas de forma a revalorizar o patrimônio cultural, focando no interesse público e benefício econômico local. No Brasil, de forma contemporânea houve a presença do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (IPHAN), criado em 1937 para estabelecer políticas e fiscalizar as ações relacionadas ao patrimônio histórico

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e cultural do país. Mesmo com sua ação incisiva no país, vários sítios históricos e cidades acabaram por degradarse em função dos processos urbanísticos, preservacionistas e econômicos estarem desvinculados uns dos outros, de maneira semelhante ao exposto pela Carta de Quito. Houve tentativas semelhantes ao documento de estabelecer diretrizes de preservação em caráter nacional, como os Compromissos de Brasília, em 1970 e Salvador, em 1971, através da associação de ações voltadas a atividade turística. Buscando ser uma ação mais efetiva, é instituído em 1973 pelo governo Federal o Programa de Reconstrução de Cidades Históricas – PCH. Inicialmente, o programa foi incorporado às cidades nordestinas e algumas capitais. Posteriormente, por ação de Rodrigo Mello Franco de Andrade, solicitou-se apoio técnico da UNESCO para proteção dessas cidades. O arquiteto enviado, Michael Parent, responsável pela inspeção dos monumentos históricos franceses, inaugurou, segundo HALÉVY (1998), “uma nova abordagem de preservação das cidades históricas, com uma grande importância dada ao turismo como fator de revitalização”.

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Entretanto, fatores como falta de sustentabilidade econômico-financeira e recursos próprios, acabaram por extinguir o programa em 1983. Somaram-se a esses fatores as questões políticas de distribuição de recursos de forma irregular e desenvolvimento de planos diretores que não tiveram utilidade para preservar as cidades. O fracasso do plano teve como ponto positivo expor a complexidade da questão patrimonial no país. A partir daí surgem novas vertentes de estudo e análise, que culminaram em diversas experiências de reabilitação, fóruns e seminários ligados ao tema. Em 1995, uma parceria entre o Ministério da Cultura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), iniciou um novo programa para preservação cultural do país, enfatizando sítios e conjuntos urbanos e tendo como ideologia a atualização do patrimônio em vista do quadro político e econômico. Nas palavras de TADDEI NETO (2001): “até recentemente, a política oficial de preservação contribuiu para distanciar o patrimônio do povo, que pôde apenas de forma muito tênue, identificar-se com os problemas da oligarquia rural: a cultura dos brancos,


portugueses e católicos [...] de outra parte, a legislação patrimonial gerada durante o período varguista caracterizou-se pela centralização e pelo paternalismo. Ao governo Federal foi reservada a responsabilidade final pela conservação do acervo histórico.”5 A mudança de governo em 2003, segundo DUARTE JÚNIOR, altera o programa em sua estrutura operacional: anteriormente insistindo nas parcerias com as prefeituras e setores privados, apresentando certa autonomia em relação ao IPHAN, agora passa a se aproximar deste e dos programas nacionais de desenvolvimento, culminando na incorporação do IPHAN ao programa, que começa a exercer a função de coordenação técnica. A parceria do programa com a Caixa Federal em 2004 para financiar a recuperação de imóveis privados a juros simbólicos é um dos pontos altos do programa, pelo seu caráter inclusivo. Em contrapartida, há as questões que envolvem a nova destinação de imóveis tombados como edifícios públicos, ou atividades voltadas exclusivamente às questões de

turismo e lazer. De uma forma geral, na atualidade, observam-se dificuldades na geração de parcerias entre o programa, municipalidade e setores privados, considerando-se que, segundo DUARTE JÚNIOR, das 101 cidades elencadas inicialmente para participar do programa, apenas 26 o fazem.

A IMPORTÂNCIA DO CENTRO HISTÓRICO NO CONTEXTO URBANO Segundo BESSA (2014), o início do século XIX foi o período marcado pelo desenvolvimento das ciências, principalmente arqueologia e ciências humanas, que desencadeou um processo de valorização do patrimônio histórico como parte integrante da cultura [fig.1.2]. Os edifícios antigos eram objeto de culto. “relíquias de um mundo perdido, devorado pelo tempo e pela técnica”6. A partir daí, os monumentos e o patrimônio histórico adquirem dupla função – obras que propiciam saber e o prazer, postas à disposição de todos, mas também produtos culturais fabricados, empacotados e distribuídos para serem consumidos.

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Já GUTIÉRREZ (1989) ressalta a importância do conjunto arquitetônico histórico como referencial teórico para a produção contemporânea: “A arquitetura como testemunho histórico [...] é mais do que um simples documento que nos relata um acontecimento, já que a obra ou o conjunto nos permitem recriar hoje, com nossas próprias vivências, não só a concepção original da obra como também as experiências e transformações acumuladas que o homem introduziu no curso da história.”7 Fig.1.2 – Processo de revitalização de edifício de comércio em Bogotá, Colômbia.

Fig.1.3 – Plano urbano de revitalização da orla portuária do Rio de Janeiro. Projeto que agrega patrimônio conservado e renovação urbana. 24

Conforme PAES (2010), na atualidade, voltou à evidência o fenômeno da patrimonialização de bens culturais, que embora nos remetam ao passado e à preservação de sua memória, nos colocam questões importantes sobre a nossa sociedade no presente. É nessa atribuição de valor aos espaços históricos e paisagens que fica claro que tipo de posicionamento tem-se em relação ao passado: o que vale ser lembrado e esquecido, e as formas de categorizar e hierarquizar tudo [fig.1.3]. Aproximando esse processo, tem-se o olhar urbanístico e geográfico das relações cidadecentro.


“Em todo o mundo assistimos a euforia pela recuperação de centros históricos urbanos, muitos abandonados à própria sorte, durante algumas décadas de descentralização, e, agora, reincorporados à economia política das cidades e às logicas da economia global, ofertados aos olhares atentos às singularidades locais como uma nova mercadoria chamada patrimônio cultural.”8 Simultaneamente temos a ocorrência do fenômeno de suburbanização ou expansão fragmentada do tecido urbano. Essa coexistência obriga ações estratégicas de cunho político, econômico e social, que buscaram reorganizar essas correlações, mas que tiveram como consequência a elitização de algumas áreas, como as que aconteceram nas décadas de 60 e 70 em alguns países europeus, e foram estudadas por geógrafos como Neil Smith, Harvey e Hammett. O fenômeno decorrente dessa elitização, alvo de maior debate foi a gentrificação [fig.1.4], termo desenvolvido pela socióloga Ruth Glass em 1950, para definir a substituição ou restrição pelos estratos sociais nas áreas centrais.

Fig.1.4 – Gentrificação em praia de Barcelona.

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O CONCEITO DE PAISAGEM CULTURAL: UMA NOVA POSSIBILIDADE? A ampliação do conceito de patrimônio histórico vem sendo estudada pela UNESCO desde 1990, e tem por objetivo combinar de forma indissociável os aspectos materiais e imateriais deste, que tradicionalmente são pensados em separado.

Fig.1.5 – Cidade de Serro, Minas Gerais. Tem sido objeto de análise pelo seu enquadramento no conceito de paisagem cultural pela topografia acentuada associada ao espaços histórico.

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HARDOY (1992) já declarava a importância de não se analisar os centros históricos apenas do ponto de vista de sua estrutura física. Ele afirma que o patrimônio arquitetônico está unido de forma indissolúvel ao uso do espaço e a população que o habita, e que as ações sobre os centros histórico produzem resultados mais efetivos quando analisada considerando “que o centro, a cidade e o povoado históricos fazem parte de áreas geográficas maiores e seus problemas não podem resolver-se sem considerar essa realidade.”9 Ainda segundo CASTRIOTA (2003), essa ampliação do conceito oferece uma maior perspectiva se aplicada às ideias tradicionais do campo de preservação, visando ampliar a perspectiva sobre os próprios centros históricos [fig.1.5], permitindo, dessa forma, leituras:


“que compreendam justamente as interações entre os aspectos natural e cultural, material e imaterial desses conjuntos, muitas vezes ignorados. A partir dessa compreensão ampliada, parece-nos possível também se propor estratégias de intervenção que, ao combinar esses diversos aspectos, terminam por constituir respostas muito mais completas ao complexo desafio da conservação urbana.”10 Essa ampliação do conceito vem de encontro às diretrizes da metodologia adotada para análise da cidade de Santana de Parnaíba. Essa metodologia, desenvolvida pelo PhD em arquitetura e urbanismo Carlos Andrés Hernández Arriagada, em sua tese de doutorado, pressupõe um levantamento de dados de todo o entorno e análise de todos os parâmetros que englobam a área, questões de primeira e segunda ordem sobre o tema, ações táticas e análise estratégica e temporal.

1 Extraído do documento final do “Coloquio de Quito”, Proyecto Regional de Patrimonio Cultural, PNUD/UNESCO, Quito, 1977. 2 Extraído de GUTIÉRREZ, Ramón. Arquitetura latino-americana. São Paulo: Nobel, 1989. 3 Extraído de DUARTE JÚNIOR, Romeu. Programa Monumenta: uma experiência em preservação urbana no Brasil. Artigo publicado na revista CPC, São Paulo, n.10, maio/out 2010. 4

Idem.

Extraído de TADDEI NETO, Pedro. Politics of historic and cultural heritage in Brazil. In: MARTIN-BROWN, Joan; SERAGELDIN, Ismail; SHLUGER, Ephim (Orgs.). Historic cities and sacred sites – cultural roots for urban futures. Washington: The International Bank for Reconstruction and Development/The World Bank, 2001. P. 41-45. 5

Extraído de CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade, 2001. 6

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Ibidem, p.211.

8 Extraído de PAES, Maria Tereza Duarte e OLIVEIRA, Melissa Ramos da Silva (orgs.). Geografia, turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Annablume, 2009. P. 14 9 Extraído de HARDOY, Jorge Enrique e GUTMAN, Margarita. Impacto de laurbanización em los centros históricos de iberoamerica. Espanha: Editorial Mapfre, 1992. P.30 10 CASTRIOTA, Leandro. Paisagem cultural: novas perspectivas para o patrimônio. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n.162.02, Vitruvius, nv. 2013.

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PROBLEMÁTICA

“A arquitetura constitui um testemunho excepcional na formação da memória histórica dos povos e, por conseguinte, na formação da identidade.” (Ramón Gutiérrez) 29


REESTRUTURAÇÃO DE CENTROS HISTÓRICOS Segundo CIFELLI (2002), a supressão e destruição dos elementos materiais constituintes do espaço urbano é atenuada pela valorização e tombamento de edifícios ou/e conjuntos arquitetônicos. Esses elementos que sobrevivem à temporalidade são considerados por SANTOS (2002)1 como rugosidades [fig.2.1], ou seja, “o que fica do passado como forma, espaço construído, paisagem, o que resta do processo de supressão, acumulação, superposição, com que as coisas se substituem e se acumulam em todos os lugares.”

Fig.2.1 – Exemplo de rugosidade em cidade histórica do Sul do País. Nota-se a coexistência de fachadas antigas e contemporâneas.

Ainda segundo CIFELLI, é a valorização dos bens patrimoniais que faz com que os órgãos de preservação procurem conservar e preservar sua materialidade, focalizando nos atributos estéticos e estilísticos. Entretanto, a dimensão funcional do centro histórico acaba sofrendo diversas variações, como reflexo do presente, interesses mercantis e valorização turística.

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Há dois pontos principais a serem considerados nas


primeiras análises para proposição de revitalização do centro histórico: - A questão dos limites da revitalização: o critério internacionalmente adotado é o de escolher a área mais antiga, com características arquitetônicas semelhantes e na qual existam edificações construídas durante os períodos históricos mais relevantes. No Brasil, o limite do centro acaba sendo decido entre os perímetros de tombamento do CONDEPHAAT e IPHAN.

Fig.2.2 – São Luiz do Paraitinga e as relações existentes entre a cidade e o ambiente natural.

- A análise do espaço geográfico e os objetos que o compõem: é necessário analisar de que forma as ações condicionadas pelo turismo interagem com os objetos [fig.2.2], determinando variações para se adaptarem a nova realidade. A dinâmica dessas relações entre espaço e objetos está relacionada especificamente as estruturas sociais de cada período histórico, e acaba sendo consequência dos condicionantes econômicos, geográficos, de meio ambiente e ideológicos do espaço, que estão em constante mutação. As ações táticas utilizadas para balizar as estratégias de reestruturação do território, são relacionadas essencialmente

Fig.2.3 – Centro histórico de Barcelona. Créditos Pilar Azaña Talán. 31


às questões de enfoque multidisciplinar, visando atingir a área central e seu entorno, já que, segundo HARDOY (1992), “a integração das propostas para os centros históricos dentro dos programas de planejamento urbano e regional aparece como condição imprescindível à ação. O resgate desses testemunhos culturais e a atenção às necessidades socioeconômicas da população residente implica modificações nas políticas do Estado.”2

Fig.2.4 – Centro histórico de São Luiz de Paraitinga. Créditos a2 fotografia e Diogo Moreira.

Como referencial para balizar as análises, foram estudadas três cidades cujo desenvolvimento do centro histórico foi tratado de formas diferentes, sendo dois casos internacionais e um nacional. Cada um deles serviu de apoio a partir de um parâmetro-chave que servirá de base para a análise posterior do território: -REQUALIFICAÇÃO URBANA – Barcelona [fig.2.3]; -REFUNCIONALIZAÇÃO – São Luiz de Paraitinga [fig.2.4]; -SOBREPOSIÇÃO- Cuzco [fig.2.5].

Fig.2.5 –Centro histórico de Cuzco. Créditos 2mag7 32

Segundo SOTRATTI (2002), em Barcelona a requalificação


funcionou bem como alternativa de proteção do patrimônio cultural e desenvolvimento nas políticas urbanas. Tal requalificação se deve aos interesses do capitalismo global em edifícios e espaços livres de alto interesse históricocultural local, através de refuncionalização estratégica, aliada aos interesses de consumo e mercado imobiliário. A Europa apresentou um aumento de 266,2% no número de turistas entre os anos 1950 e 2000, que saltou de 900 mil para 240 milhões. Com destaque para Barcelona, devido ao desenvolvimento do turismo na Espanha, que visava atingir o segundo lugar no ranking mundial das localidades que mais recebem turistas. A cidade é juntamente com Cingapura e Dubai uma das regiões que apresentaram o maior crescimento turístico nesses 50 anos. Segundo BESSA (2014), Barcelona se tornou famosa pelo sucesso na aplicação das políticas de cidade empreendedora. A cidade foi fundada no século I quando os romanos estabeleceram na região da Catalunha uma pequena colônia, em um monte chamado Táber, atual Bairro Gótico, cuja constituição era o núcleo amuralhado tradicional nas colônias romanas. Essa cidade foi se expandindo entre os séculos IV ao XIII até consolidar seu primeiro núcleo urbano,

Fig.2.6 – Mapa de Barcelona antes do Plano Urbano de Cerdá. Aprox. 1738.

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por conta do crescimento econômico gerado pela atividade comercial no Mediterrâneo. A cidade gótica, construída pelos romanos para ser seu novo centro administrativo e nova colônia, foi fundada ao redor desse primeiro centro existente, mas Barcelona manteve os muros no limite

original até o século XVII. A indústria têxtil se desenvolveu, provocando a expansão urbana, e consequentes derrubada dos muros da cidade e aglutinação com os núcleos urbanos lindeiros [fig.2.6].

BARCELONA

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Fig.2.9 – Pavilhões montados para a Expo Internacional de 1888. Fig.2.7 – Mapa de Barcelona após o Plano Urbano de Cerdá. Aprox. 1880.

Fig.2.8 – Salão onde ocorriam as reuniões do Conselho de Cent. Créditos GooseRocker. 35


Segundo BESSA (2014), o plano urbano de Cerdá, que projetou a cidade para fora dos muros em quadrículas de 113x113m e foi aprovado inicialmente em 1859, buscou racionalizar essas relações entre a cidade velha e novos núcleos [fig.2.7]. O resultado foi um tecido onde interagiam construções antigas e novas como próprio urbanismo antigo, de caráter denso e orgânico, com o tecido uniforme do século XX. A organização política de Barcelona iniciou-se no século XII, quando estabeleceu o primeiro parlamento democrático da Europa, que foi denominado “Conselho de Cent” [fig.2.8]. Segundo ÁLVARES (2014), graças a essa atitude e a forma como a cidade se reestruturou posteriormente, ela recebe benefícios do governo espanhol como o de poder desenvolver as normas organizacionais e administrativas de forma mais autônoma.

Fig.2.10 – Planta da Exposição Internacional de 1929.

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Após tais mudanças urbanísticas, a cidade conseguiu atrair para si a sede de dois eventos de grande porte: as Exposições Mundiais de 1888 [fig.2.9] e 1929 [fig.2.10]. Tendo sediado com sucesso esses eventos, o turismo da cidade se internacionalizou e passou inclusive a atrair artistas que aproveitaram a fama da cidade para adotá-la – entre


Fig.2.11 e 2.12 – Processo de planejamento urbanístico e dados de densidade do projeto 22@.

eles destacou-se Gaudí, Domènich i Montaner e Picasso. Estimulados por mecenas industriais e políticos, surgem novos projetos urbanísticos e arquitetônicos, transformando a cidade em uma espécie de “metrópole moderna a que chamavam a ‘grosse Barcelona’3 (grande Barcelona). Os investimentos não se deram apenas nos setores

artístico e arquitetônico. Nesse período, houve um forte investimento no setor social, que reduziu o analfabetismo em 22% em 20 anos. A Guerra Civil Espanhola, ocorrida entre 1936 e 1939, provocou uma pausa nos processos de crescimento cultural. Durante esse período houve processos desordenados de 37


Fig.2.13 – Vista panorâmica atual da cidade. Créditos: José Garrido.

expansão, que degradaram o centro e constituíram cerca de 25 municípios ao redor. Barcelona voltou a ter o turismo e as suas áreas centrais estimuladas no período pós-guerra, tendo o apoio do ditador Franco. Entretanto, o fato dela estar geograficamente localizada num caminho turístico (rota de resorts de Costa Brava), tornou necessário que a cidade conseguisse um novo destaque. No final da década de 70, a cidade desenvolveu um novo projeto de desenho urbano que lhe permitiu sediar mais dois eventos mundiais (Copa do Mundo de 1982 e Olimpíadas de 1992), cujo objetivo foi, segundo BESSA (2014), consolidá-la como centro turístico internacional. Integrado a esse projeto, houve a renovação da área 22a, que ficou conhecida como 22@ [figs. 2.11 e 2.12], um projeto que objetivou construir 3.200.000 m² de áreas de uso produtivo, e 3.500 a 4.000 novas moradias associadas à conversão de uma grande área industrial em polo tecnológico.

Fig.2.14 – Casarões do centro da cidade no auge do desenvolvimento cafeeiro. 38

Estando consolidada enquanto polo turístico internacional, iniciou-se a busca por novos megaeventos e eventos emblemáticos, além da construção de ícones arquitetônicos, para manter a cidade como espaço de interesse turístico.


Abaixo o desenvolvimento turĂ­stico a partir de 1992:

NĂşmero de Turistas recebidos de 1991 a 2004

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Através desses processos, Barcelona consolidou-se como cidade global, definida por SASSEN (1998) como a que constituiu espaços centrais para a implantação e gerenciamento de operações econômicas em escala mundial, tendo suas produções financeiras, serviços e atividades em escala transnacional, configurando um mercado multinacional, em que qualquer empresa pode adquirir produtos e serviços especializados. Fig.2.15 – Carnaval de São Luiz. Evento tradicional que ocorre no centro histórico da cidade.

Barcelona teve diversas alterações na sua paisagem urbana [fig.2.13]. O desenvolvimento apoiado em planos urbanos, objetivavam a inserção total da cidade como turística e polo de atração de grandes eventos, que incluiu, além de iniciativas voltadas ao marketing, infraestrutura viária, hoteleira, comercial e social necessárias à consolidação de uma cidade mais desenvolvida. Já em São Luiz do Paraitinga, a questão foco é a da refuncionalização. O termo é definido por ALMEIDA (2002) como os “processos de intervenção urbanas em áreas degradadas de interesse histórico ou social, aliando modernização a manutenção de valores tradicionais.”

Fig.2.16 – Levantamento do Governo do Estado para estudos de revitalização do centro. 40

São Luiz do Paraitinga, no Alto do Vale do Paraíba do


Sul, entre Taubaté e Ubatuba, teve sua fundação oficial em 1769. Desenvolveu-se concomitantemente ao crescimento cafeeiro [fig.2.14], e consolidou-se enquanto conjunto

arquitetônico composto por aproximadamente 90 casarões do período, que só foi tombado pelo CONDEPHAAT em 1982.

SÃO LUIZ DO PARAITINGA

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Segundo PAIS-LUCHIARI (2007), o turismo na cidade foi visto como potencialidade de desenvolvimento [fig.2.15], associado à sua promoção a estância turística. Conferiu então amparo financeiro oriundo do governo do Estado, desencadeando uma série de intervenções no centro, visando exclusivamente a potencialização deste.

Fig.2.17 – Festa do Divino Espírito Santo. Evento tradicional que ocorre no centro histórico da cidade.

PAES (2002), afirma que esses aportes financeiros, que vêm para recuperar e implementar a infra-estrutura e serviços, e objetivam receber melhor turistas e visitantes [fig.2.16], como o PAC Cidades Históricas (parceria do Ministério das Cidades com o IPHAN e o Programa Monumenta, dos Ministérios da Cultura e Turismo), acabam por afastar grande parte da população para bairros periféricos, descaracterizando o entorno paisagístico do sítio tombado. Para os que ficam, a estratégia adotada é explorar e comercializar as paisagens e edificações tombadas, motivados, segundo HARVEY (2005), unicamente pelo capital, pois: ““(...) o que está em jogo é o poder do capital simbólico coletivo, isto é, o poder dos marcos especiais de distinção vinculados a um lugar,

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dotados de um poder de atração importante em relação aos fluxos de capital de modo mais geral. (...) o capital simbólico coletivo vinculado a nomes e lugares (...) é de grande importância, conferindo a tais lugares grandes vantagens econômicas.” Este fato associado com o novo status normativo adquirido com o tombamento, abriu caminhos, segundo SANTOS (2002), para a atribuição de novos usos para o território. Alterações de grande porte que modificaram a rotina dos moradores da cidade, como a reforma do Mercado Municipal e reforma completa da Praça Oswaldo Cruz, que culminou na alteração das dinâmicas existentes.

Fig.2.18 – Vista atual da cidade.

Ainda segundo Santos (2002), as ações do poder público estimularam esses processos a partir do momento em que suas políticas objetivavam apenas mais turismo, mascarado no discurso falso da valorização da cultura local. Enquanto política pública houve, inclusive, a imposição de um calendário de eventos além do tradicional, que fracassou por falta de apoio local. As questões da seletividade dos espaços que foram alvo de refuncionalização e reforma foi responsável pela Fig.2.19 – A coexistência entre os processos construtivos inca e espanhol. 43


fragmentação, de forma ainda mais intensa, do território. Houve processos para mascarar algumas áreas menos desenvolvidas, através da inserção de edifícios altos e até a repetição aleatória de eventos tradicionais (festa do Divino Espírito Santo) [fig.2.17], que passam a ocorrer mensalmente simplesmente pela questão turística. Esses processos trazem consigo reflexões sobre o real significado da preservação dos espaços: as questões de refuncionalização são extremamente válidas enquanto turismo, a partir do momento em que impulsionam uma economia que individualmente não seria tão dinâmica.

Fig.2.20 – Fortaleza de Sacsayhuamán.

A questão do patrimônio, utilizado como vetor de crescimento econômico através do turismo, merece ser explorada com cuidado e através de políticas publicas que objetivem o desenvolvimento regional como um todo [fig.2.18], visando a diminuição das desigualdades sociais e trazendo aos moradores locais motivos extras para permanecerem na cidade, como o aumento da infraestrutura, possibilidades de ascensão econômica e sua consequente melhoria na qualidade de vida. Diferentemente dos processos anteriores, em Cuzco,

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no Peru, a intervenção no centro histórico foi marcada por sobreposições de traçado e imposições de novos desenhos urbanos pelos colonizadores. A relevância do estudo da cidade está na forma como foi tratada a coexistência de fragmentos históricos com a quadrícula espanhola tradicional [fig.2.19]. A cidade tem suas raízes no Império Inca, fundado no século IX e sua extensão vai desde o Rio Ancasmayo, na

Colômbia, ao norte, até o Rio Maule, no Chile, ao Sul. Fundada próxima ao ano 1438 e localizada a 3399 m de altura, na região andina, a cidade possuía uma estrutura na qual o desenho urbano agregava uma série de simbologias, que consolidavam, segundo GUTIÉRREZ (1990), “o ato de habitar um espaço de maneira mágica, de acordo com as lendas incas”.

CUZCO

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No final do século XV, a cidade tornou-se centro do Império, tendo uma estrutura em que desenho urbano traduzia seu poder político e econômico. Fundamentandose em torno de três áreas urbanas, tinha o núcleo do centro urbano em uma colina triangular delimitada pelos rios Huatanay, Tullumayo e pela fortaleza de Sacsayhuamán [fig.2.20]. A partir do núcleo central da cidade, partiam eixos e linhas radiais que, segundo BELAUNDE (1990), delimitavam as áreas destinadas aos eventos religiosos, e onde convergiam as quatro rotas que levavam às regiões de administração política. O eixo dos caminhos Antisuyo e Cuntisuyo dividia o centro da cidade em duas zonas relacionadas com o poder social: Alto (Hanan) e Baixo (Hurin) [fig.2.21]. O tecido urbano no núcleo central organizava-se da seguinte forma:

Fig.2.21 – Limites do Império Inca e suas subdivisões.

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“A trama urbana do núcleo central estava inserida em aproximadamente 49 ruas, de forma retangular em uma superfície de 40 ha, com uma rede de circulações relativamente retilíneas com ruas de 5,60m a 3,20m, e passagens de


2,40m a 160m de largura, adaptando-se as variações topográficas e estando pavimentadas de adoquines (pedra em formato de prisma retangular usada para pavimentação de ruas e outros usos), possuía uma vala ao centro. Os habitantes da elite real residiam em edifícios denominados “canchas” que eram ruas muradas com entrada e espaço central que organizava as unidades uniespaciais para as funções cotidianas”. (traduzido de GUTIÉRREZ, 1990, p.148).

Fig.2.22 – Praça das Armas, que passou a ter esse nome após a modificação espanhola.

Junto ao núcleo central, havia a zona de expansão urbana com superfície aproximada de 48 ha. Rodeando esse núcleo central havia um cinturão verde com área de 105 ha que dividia centro e periferia. A periferia era composta por 12 bairros satélites que ocupavam 283 ha de área, com uso do solo destinado a campos agrícolas. Em 1553, com a presença espanhola, houve uma série de mudanças na estrutura física da cidade. As questões envolvendo lutas de poder provocaram muitas alterações urbanas relacionadas ao uso do solo dos espaços, em um Fig.2.23 – Ladeiras de San Blas. 47


período de 7 anos. As transformações mais importantes no núcleo central, segundo BELAUNDE (1990), referiram-se as mudanças na grande Praça Huacaypata-Cusipata, que foi dividida em praças menores de acordo com a tradição espanhola. Os estudos de densidade demonstram que para uma casa espanhola tradicional de dois pátios era necessária a área ocupada por oito famílias incas. Os espanhóis logo perceberam que seria necessário ocupar a área adjacente ao núcleo central. A justaposição e sobreposição da cidade espanhola sobre a inca foi pensada de forma a não precisar de mãode-obra andina. Logo, as áreas urbanas e bairros satélites não foram ocupados pelos espanhóis e a reforma dessas áreas restringiu-se aos edifícios religiosos, já que as missões evangelizadoras estavam em curso no século XVII.

Fig.2.24 – Pequenos comércios voltados ao turista, 48

Estando a parte da cidade histórica transformada, seguiuse para parte compreendida entre a Praça das Armas [fig.2.22] e San Blas [fig.2.23]. Observavam-se as diferenças de traçado urbano no contraponto entre o eixo da cidade espanhola, e sua expansão em quadrícula semirregular em


direção ao sudoeste, versus o preexistente eixo sudestenoroeste da cidade inca. Sobre a expansão da cidade espanhola, BELAUNDE (1990) afirma que “a rua deixou de ser somatória de casas com resultados imprevisíveis para tornar-se o embasamento ordenador da trama urbana que respondia a um modelo prévio”. Amparado nessas alterações urbanísticas, o crescimento da Cuzco espanhola acontecia apoiado no auge da produção artesanal e têxtil. Seus centros de intercâmbio complementares aproveitaram, eficientemente, sua hinterlândia4 regional e distribuição de produtos, até conseguirem a independência do comércio em relação aos colonizadores em 1778. O final do século XIX foi marcado por um período de estanque e decadência econômica, que culminou com a perda de vários mercados e crescimento dos vazios urbanos. A partir de 1910 se iniciou um longo período de desenvolvimento com mudanças na infraestrutura de transporte e melhoria urbana.

Fig.2.25 – Carnaval em Cuzco.

A estrutura da cidade sofre novas modificações na forma das ruas e dos espaços urbanos, com prolongamento das vias

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motivadas por ideias e modelos estrangeiros urbanísticos, preocupados principalmente com a funcionalidade das cidades. A partir de 1950, novos terremotos e o processo de migração do campo para a cidade motivaram mais transformações urbanas: o surgimento de órgãos que assumiram a responsabilidade da recuperação da cidade, surgimento da ideia de planificação urbana do centro histórico (1951) e o Plan Piloto de Cuzco, presidida pelo Arq. Luis Miró Quesada, que tinha como ideologia a urbanística do CIAM, os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna que reuniram os grandes arquitetos da época para discutir os rumos das diferentes áreas da arquitetura. Esse plano buscou segregar funções, remover fachadas e alargar ruas para organizar uma rede viária radiocêntrica. Mediante várias críticas, o plano foi aplicado de forma parcial e apenas destruiu parte da região histórica da cidade. Em seguida, agora buscando fortalecer o turismo na região, o governo do Peru solicitou à UNESCO apoio para desenvolver o turismo cultural da região. Isto levou ao desenvolvimento do Plan Copesco (comissão especial para

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coordenar e vigiar o plano turístico e cultural) em 1969. Esse plano teve como proposta incrementar o turismo, que por consequência, estimularia as demandas de produtos agrícolas e industriais, para fazer crescer a economia regional. Em relação ao centro histórico, propunha a restauração dos edifícios históricos e sítios arquitetônicos da região, instalação de estabelecimentos hoteleiros e posteriormente melhorias na rede viária. O plano fracassou, segundo BELAUNDE (1990), quando não impulsionou a economia, visto que as demandas de produtos agrícolas eram supridas por mercados vizinhos. As novas atividades propostas culminaram na retirada de moradores e demolição de edificações estimuladas pela especulação imobiliária, transformando a região numa “cidade de serviços”. Com a explosão demográfica da década de 70 a cidade triplicou de tamanho. Entretanto, não houve mudança na economia. O turismo e atividades complementares de comércio continuam constituindo a principal protagonista da dinâmica urbana [figs.2.24 e 2.25].


Em suma, as grandes falhas no processo de preservação do centro histórico de Cuzco se encontram majoritariamente na ausência de envolvimento da comunidade, e na retirada da função habitacional dos espaços: na falsa ideia de que o turismo internacional sustentaria toda a economia regional, de que mudanças radicais são a resposta para a reestruturação urbana de centros históricos, e na falta de estímulo à consciência coletiva da beleza e potencial destes centros.

1 Extraído de SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica, tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2002. 2 Extraído de HARDOY, Jorge Enrique y GUTMAN, Margarita. Impacto de la urbanización em lós centros históricos de iberoamerica: tendencias y perspectivas. Editorial Mapfre, 1992.

BARCELONA selects international architects for 2004 Universal Forum of cultures. 3

4 Termo definido por HERNÁNDEZ, Carlos, em sua tese de doutorado “Estratégias projetuais no território do porto de Santos” como “zona entre terras – utilizada como entreposto logístico de transferência de mercadorias e de circulação de montantes econômicos globais.”

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SANTANA DE PARNAÍBA

“Santana de Parnaíba Berço de heróis consagrados Cidade dos Bandeirantes Deste solo muito amado” (Autor desconhecido) 53


PRIMEIRAS IMPRESSÕES Um território consolidado e congelado. A impressão daqueles que visitam Santana de Parnaíba na atualidade é exatamente essa. Uma pequena cidade histórica, que não é considerada destino atrativo pela Secretaria de Turismo, mas que tem o respaldo do Ministério da Cultura e Governo Federal enquanto espaço tombado. Fig.3.1 – Vista aérea do centro histórico da cidade.

Uma cidade que enriqueceu com os bandeirantes e a escravidão, de povo tradicional, próxima a São Paulo, e que inclusive já foi mais rica do que a capital. Cenário pitoresco, casarões coloniais as margens do Rio Tietê e que contém remanescentes da Mata Atlântica [fig 3.1]. Subutilizada, quase esquecida, necessita ser reanimada e reconvertida para cidade turística. Merece sediar eventos e ter espaços nos quais expõe sua história de conquistas e descobertas, estimulando os novos desbravadores a encontrar sua própria historia e descobrir, nas rotas turísticas que levam e saem de Santana, as maravilhas arquitetônicas e naturais, que se escondem em pequenos trechos de estrada pouco divulgados [fig 3.2].

Fig.3.2 – Igreja Matriz. 54


SOBRE A CIDADE Santana de Parnaíba apresenta um grande acervo patrimonial e infraestrutura turística em expansão, por conta das peregrinações religiosas. É o segundo município mais rico da região oeste do Estado e possui o 16º melhor IDH do estado, além de agregar uma série de espaços passíveis de ampliação de atividade turísticas, tais como as rotas decorrentes da presença do Rio Tietê, a ferrovia, o Roteiro dos Bandeirantes e um carnaval folclórico que atrai milhares de pessoas para a cidade todos os anos [fig 3.3]. Segundo relatório do CONDEPHAAT, Santana de Parnaíba: “Além do conjunto histórico-arquitetônico, por si só suficientes para dar à cidade um significado especial e conferir-lhe um poder de atração diferenciado em relação aos demais centros urbanos do Estado, Santana possui também um apreciável acervo de manifestações culturais e artísticas típicos, o qual é preciso igualmente preservar. Pouco estimuladas, difundidas e conhecidas pelo público maior, estas

Fig.3.3 – Carnaval de Santana de Parnaíba, festa tradicional.

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manifestações correm sérios riscos de diluírem-se em atividades cada vez mais descaracterizadas e destituídas de significado positivo para a comunidade local. Há que se estimulá-las, de modo a motivar o seu prosseguimento e reintegração ao contexto de relações central e mais dinâmico da cidade. (...) E ainda que Santana não tenha modificado tanto quanto a maior parte das cidades estaduais, ou mesmo brasileiras, os processos sócio-econômicos que se deram

SANTANA DE PARNAIBA

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em seu interior foram suficientes para provocar certo desligamento entre as atividades culturais tipicamente locais e o núcleo primitivo em que antes se movimentavam. (...) Este distanciamento é um dos grandes responsáveis pela perda progressiva da força e da vitalidade, necessários não só à sobrevivência das manifestações, mas principalmente, à conservação de sua beleza e riqueza de criações originais.” (CONDEPHAAT, 1982, p. 100-101)


SANTANA E SUA HISTÓRIA Segundo MORGADO (1987), os primeiros núcleos de povoamento do planalto paulista foram marcados pelos hábitos colonizadores da Coroa Portuguesa, mesclado aos regimes desenvolvidos pelos ocupantes dos primeiros assentamentos. A vida paulistana foi marcada por ter “casa” na vila e “roças” afastadas do centro. A necessidade da casa na cidade era exercer sua função política e de cidadão [fig 3.4]. A lavoura, necessária para produzir e apossar-se dos espaços, tendo como facilidade a mão-de-obra indígena. Já VIVEIROS (2012), ressalta a importância das águas no processo de colonização: Fig.3.4 – Foto da Rua Suzana Dias, 1900. “O Tietê é ó principal acidente geográfico do planalto, não só pela sua dimensão e quantidade de águas, mas também por correr na direção do interior e desaguar no Rio Paraná. O Rio que não corre para o mar era, portanto, a principal via de penetração nos sertões dos domínios portugueses, nos séculos XVI e XVII. A hidrovia percorria suavemente o lado norte do planalto, ladeando a Cantareira, recebendo as águas do

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Pinheiros e contornando o Jaraguá. Era nesse ponto que principiava o sertão e era ali também que o rio começava a ficar acidentado, notandose algumas corredeiras, até chegar à de Parnaíba [fig 3.5]. Adiante, além das corredeiras, o rio percorre gargantas estreitas e logo em seguida torna-se navegável.” A cidade se constituiu no período colonial, na rota dos Bandeirantes, por onde passaram os exploradores que partiram da Vila de São Paulo, de Piratininga, para desbravar o sertão, em busca de riquezas. Sobre esses fatos, VIVEIROS afirma ainda que:

Fig.3.5 – Centro da cidade com vista para o Tietê, 1959.

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“[...] a situação geográfica de Parnaíba tornava a região perfeita para o controle do tráfego, tanto fluvial quanto terrestre, que utilizava o Tietê como fio condutor. Controlar a região de Parnaíba significava dominar uma das principais vias de entrada e saída do planalto paulista. Santana de Parnaíba começava a entrar na História do Brasil por ter sido o ponto final da primeira Entrada1 dos portugueses no interior do país.”


Dentro da questão das entradas, Parnaíba destacou-se pelos seus bandeirantes, que levaram o nome da terra mãe aos mais longínquos pontos, delimitando algumas novas fronteiras. A cidade também é considerada terra mãe, porque a partir do desmembramento de sua sesmaria, originou-se uma série de outras cidades. Entre elas, destacam-se2: Araçariguama [fig. 3.6] – surge com a construção da Capela Nossa Senhora da Penha, por Guilherme Pompeu de Almeida e seu filho, ambos cidadãos parnaibanos. Separouse de Parnaíba em 1844, quando foi incorporada à Vila de São Roque. Emancipou-se definitivamente em 1992. Barueri [fig 3.7] – surge na aldeia de mesmo nome, nas imediações da igreja Nossa Senhora da Escada, construída pelo Padre José de Anchieta em 1560. Disputada entre São Paulo e Parnaíba, passou a fazer parte do segundo território em 1918 e permaneceu até 1948, quando conseguiu sua emancipação.

Fig.3.6 – Fazenda em Araçariguama, década de 50.

Cajamar – Inicialmente chamado de Lavrinhas pela proximidade com o Rio Lavras, em 1938 tornou-se distrito do município de Santana de Parnaíba.

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Jundiaí – O povoado foi fundado por paulistas em território parnaibano. Foi reconhecida em 1651, com a inauguração da capela Nossa Senhora do Desterro. Elevouse a vila em 1655.

Fig.3.7 – Barueri, década de 20.

Pirapora de Bom Jesus – povoado surgido de arraial de mesmo nome, existente na vila de Parnaíba. A fundação da capela se deu em 1680 por um fazendeiro que encontrou uma imagem de Cristo de madeira nas águas do Tietê. Foi desmembrado de Parnaíba em 1959, ano em que se emancipou. São Roque – fundada em território parnaibano na segunda metade do século XVII. Elevada a cidade em 1864, destacase atualmente pela produção de vinhos, cujo cultivo da uva vem da época de sua fundação. Sorocaba [fig 3.8] – em 1654, os filhos de Suzana Dias e seus genros estabeleceram-se com suas famílias a três léguas do Morro de Biraçoiaba, fundando a capela de Nossa Senhora da Ponte. Elevou-se a município em 1842, desmembrando-se da cidade. Itu [fig 3.9] – Povoado fundado em território parnaibano,

Fig.3.8 – Fabrica de tecidos Santa Rosália em Sorocaba, 1924. 60


juntamente com a paróquia Nossa Senhora da Candelária em 1610. Transformada em cidade, desmembrou-se do território em 1842. Além desses citados, a fundação de várias outras cidades e estados brasileiros se deu pelos exploradores parnaibanos. Em São Paulo, temos Cotia, Pindamonhangaba, Tatuí, Queluz e Rio Claro. Também há uma série de cidades nos estados de Alagoas, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais e Piauí. Durante os séculos XVII e XVIII, segundo VIVEIROS (2012), a cidade conheceu certo desenvolvimento, tornando-se uma das principais áreas de mineração da capitania, com mão-de-obra indígena e a presença de importantes famílias portuguesas, como os Dias. Eles eram uma família numerosa que estudiosos afirmam terem sido os fundadores da cidade [fig 3.10]. Como local de passagem de romeiros e centro de recolhimento de impostos da região, a cidade, juntamente com São Paulo, perdeu parte da importância que tinha no período colonial, já que no início do século XVIII, a prosperidade da província se resumia às cidades do Vale

Fig.3.9 – Ginasio esportivo de Itu, década de 50.

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do Paraíba, que eram beneficiadas pelo desenvolvimento consequente da cultura do café. No inicio do século XIX, Santana de Parnaíba era o centro administrativo de uma grande área compreendida por Araçariguama, São Roque e Una, as capelas de Conceição de Voturuna, Nossa Senhora da Escada de Barueri, Nossa Senhora da Piedade e Pirapora do Bom Jesus. Essa última cidade contava com grande prestígio religioso e suas romarias chegavam a reunir mais de oito mil pessoas. Este número era grande, considerando que em 1836, o município parnaibano contava com pouco mais de 4 mil habitantes [fig 3.11].

Fig.3.10 – Inventario de Suzana Dias, 1634.

No entanto, a Vila de Parnaíba chegou ao século XIX com poucas atividades econômicas, sofrendo impacto da não substituição das lavouras de cana de açúcar pelo café, ancorando sua economia na produção de cal, aguardente e rapadura. A situação se agravava com a abertura de novas estradas ligando São Paulo a outras vilas sem passar por Parnaíba. A cidade permaneceu estagnada até o século XX, quando recebe a primeira usina hidrelétrica do país. Em decorrência

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dos contratos assinados com a Light & Power, foi acordada a construção de uma linha de bondes de Barueri à sede da vila. No entanto, segundo MORGADO (1987), não chegou a ser implantados devido a protestos da São Paulo Railway, que detinha posse privilegiada deste trecho. Entretanto, a falsa ideia de retorno ao desenvolvimento como consequência da abertura da usina evapora pouco tempo depois da festa de inauguração. “A inauguração da usina foi um sucesso. Trens especiais da Sorocabana levaram as autoridades até a estação de Barueri, e, ali, dois raríssimos automóveis e vinte e dois troles, além de dezenas de cavalos, aguardavam os passageiros até a festa que estava sendo realizada na usina. Lá estavam o futuro presidente da República, Rodrigues Alves, o advogado da companhia, Alexander Mackenzie, e os prefeitos de São Paulo e Parnaíba. O povo, de longe, acreditou que estava chegando a hora da redenção.”3

Fig.3.11 – Largo da matriz, vista aérea.

No princípio, tudo correu bem. A usina teve sua capacidade aumentada ao longo dos anos e a oferta de energia para

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São Paulo só crescia. Entretanto, esgotada sua capacidade, iniciou-se a construção de outras usinas no entorno, sem as quais hoje não seria possível a estruturação de São Paulo. E a cidade retomou o marasmo na qual estava inserida: “[...] passada a festa de inauguração da usina, os empregos acabaram. O comércio, muito ativo na virada do século, voltou ao que era, com muitas lojas sendo fechadas. O bonde de Parnaíba até Barueri, mesmo sendo previsto numa das cláusulas do contrato de construção da usina, ficou ali mesmo, no papel. A estrada reformada pela Light aos poucos foi se deteriorando. E Parnaíba continuou isolada, à espera de um milagre.”4 Fig.3.12 – Primeira sta casa de Parnaiba, construida em 1909.

Apesar do revés sofrido pela cidade com a usina, aos poucos a cidade retomou um desenvolvimento lento, mas constante, iniciado com a elevação da vila a cidade, em 19 de novembro de 1906. A partir daí, uma série de instrumentos de infraestrutura começaram a surgir. Em 1909, inaugura-se o primeiro hospital, a Santa Casa de Misericórdia de Parnaíba [fig 3.12], e o Mercado Municipal em 1911, que foi instalado

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no prédio do antigo matadouro e ficou lá até a demolição do mesmo em 1922. A vida cultural foi impulsionada pela construção do Cine Teatro Parnahyba em 1912, que posteriormente foi rebatizado para dar continuidade às atividades beneficentes da Sociedade Benemérita Dramática Particular Parnahybense, fundada em 1891. No tocante à infraestrutura urbana, a conclusão do sistema de esgotos da cidade deu-se em 1912. O primeiro período de industrialização foi caracterizado, segundo VIVEIROS, pela expansão de indústrias ao longo do eixo ferroviário e, em 1922, a abertura da estrada que liga São Paulo a Mato Grosso, atual Romeiros. Embora o sistema ferroviário paulista não passasse por Santana de Parnaíba, a construção da Nova Estação de Barueri na linha da Sorocabana em 1875, a treze quilômetros do núcleo urbano, induziu um vetor de urbanização importante.

Fig.3.13 – Voo de passaro, 1970.

Os caminhos ainda muito precários começaram a receber melhorias viárias e serviços de transporte à carroça, tanto a partir da sede de Santana de Parnaíba, quanto de Pirapora do Bom Jesus. O movimento era mais intenso nos finais de semana e feriados, datas em que os fiéis iam a Pirapora adorar a imagem de Nossa Senhora.

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No período da 2ª Industrialização ocorreu a construção da ponte de concreto atual sobre o Rio Tietê, impulsionando a expansão urbana com a implantação, a partir dos anos 70 [fig 3.13], de condomínios residenciais de alto padrão, como o Tamboré e Alphaville. As décadas de 70 e 80 foram marcantes no tocante ao desenvolvimento da cidade, que finalmente engrenou. Nas palavras de VIVEIROS, “Santana de Parnaíba poderia ter adotado o slogan “200 anos em 20, pois nesse período vivemos vinte anos que surpreenderam, tendo em vista os 220 anos anteriores, insípidos e improdutivos.”5 Fig.3.14 – Vista do alto, 1970.

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Na década de 70 começou o processo de loteamento dos bairros consolidados atualmente – Fazendinha, Alphaville, Cidade São Pedro e Colinas do Anhanguera. Isso provocou o aumento na arrecadação do município e também no número de habitantes [fig 3.14]. A construção do anel viário do município facilitou a circulação e eliminaram os ônibus, automóveis e caminhões de passar pela Praça da Matriz. Em 1985, a sede da prefeitura passou para o prédio onde se encontra atualmente e a Sabesp assumiu a rede de água e esgoto da cidade, que sofria com problemas de escassez.


E então, finalmente o desenvolvimento atinge Santana de Parnaíba. A população que, na década de 70 estava em torno de 5390 moradores, dobrou na década de 80, atingiu 35 mil pessoas em 1990 e chegou a marca de 90 mil pessoas próximo a virada do século. Isto ocasionou a invasão de empresas e empreendedores de todos os portes para suprir as necessidades dos novos moradores. Esse aumento na quantidade de estabelecimentos alavancou a arrecadação de tributos e aumentou os indicadores sociais, colocando a cidade num novo patamar.

SANTANA E SUAS POTENCIALIDADES HISTÓRICAS Buscando pensar a cidade de modo mais inteligente, a prefeitura elaborou, em 2001, o Plano de Desenvolvimento Turístico de Santana de Parnaíba, tendo como objetivos principais inserir a cidade no mercado turístico da região Oeste, promover o desenvolvimento socioeconômico e gerar novos empregos para a população, incentivando e redirecionando o turismo da cidade, melhorando os serviços de infraestrutura turística, como alimentação e hospedagem. No mesmo ano, foi criado o Centro de Informações Turísticas e esse fato levou a Embratur a conceder a classificação de “Município Turístico” à cidade.

Fig.3.15 – Bonecos foliões, uma tradiçãoParnaibana.

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Na atualidade, há uma série de eventos que estão inclusos no calendário turístico e cultural da cidade: o carnaval, a festa mais antiga e tradicional [figs 3.15 e 3.16], no qual ainda existem apresentações de blocos e pequenas escolas de samba. A encenação da Paixão de Cristo ocorre na semana santa, ao ar livre. Em maio acontece a festa do trabalhador e a festa do Cururuquara, em louvor a São Benedito, padroeiro dos escravos e em comemoração à abolição da escravatura.

Fig.3.16 – Blocos de carnaval Parnaibanos, uma tradição que perdura até os dias de hoje.

Em junho há a comemoração de Corpus Christi, quando se estende um tapete de serragem colorida de aproximadamente um quilômetro, decorando as principais ruas do centro histórico, por onde passa a tradicional procissão. Na segunda metade do mês, há ainda o encontro de antigomobilismo e festa de Santo Antônio do Suru [fig 3.17], procissão em homenagem ao santo. No segundo semestre, em julho, há a Festa da Padroeira Santa Ana, que reúne fieis numa grandiosa quermesse, shows, procissão e missas. Setembro é marcada pelo clássico desfile cívico e o dia mundial off-road, que reúne jipeiros para passear pelas trilhas da cidade, competições indoor e provas de automobilismo. Em outubro há a festa das crianças, novembro é a comemoração do aniversário da

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cidade, onde há uma grande festa aberta à comunidade e encerrando o ano, há a montagem do presépio de natal, que ocupa uma área de 400 m² na praça quatorze de novembro. Durante o ano em datas variadas também existem as feiras de artes e artesanato e o projeto música na praça. A cidade possui uma série de rotas turísticas, que se transformaram em potencialidades históricas: Rota dos Bandeirantes, Circuito Taypa de Pilão e Caminho do Sol [fig 3.18]. O Ministério do Turismo define, em 2005, roteiro turístico com “o itinerário caracterizado por um ou mais elementos que lhe conferem identidade, definido e estruturado, para fins de planejamento, gestão, promoção e comercialização.”

Fig.3.17 – Foto da festa do suru, uma das mais famosas da cidade.

O Roteiro dos Bandeirantes é um produto turístico recente, resultado da estruturação da oferta turística dos municípios de Araçariguama, Cabreúva, Itu, Pirapora do Bom Jesus, Porto Feliz, Salto, Santana de Parnaíba e Tietê [fig 3.19]. O roteiro é baseado no agrupamento dos atrativos ligados à temática bandeirista, somado às facilidades e acessos aos municípios integrantes, originando, segundo GAVIOLLI (2008) um produto diferenciado e com maior

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Fig.3.18 – Mapa das rotas turísticas iniciadas em Santana de Parnaíba e região.

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valor agregado. O roteiro, segundo GAVIOLLI, foi implementado em decorrência do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil. Chancelado pelo Governo do Estado de São Paulo em novembro de 2003, o Roteiro dos Bandeirantes atingiu um dos principais objetivos da regionalização6, diversificou a oferta turística nacional. Perpassando três regiões turísticas7, o roteiro contempla os segmentos do turismo cultural e do ecoturismo, sendo trabalhado para o consumo no mercado nacional. Segundo FANTI, LUCCHINI (2005), “o roteiro dos Bandeirantes tem como objetivo principal contribuir para o desenvolvimento social, econômico e cultural dos municípios, promovendo a melhoria educacional, a sensibilização para a preservação do patrimônio natural, histórico e cultural, o acesso ao lazer e a recreação, além de estimular o aquecimento da economia regional por meio das oportunidades de negócios que resultem na geração de novos empregos e renda”.

Fig.3.19 – Percurso do roteiro turístico Caminho dos Bandeirantes.

O Circuito Taypa de Pilão8 contempla bens tombados pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico

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Nacional, existentes nas cidades ao sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo, edificados com a técnica da taipa de pilão [fig 3.20]. Essa técnica, muito utilizada no período colonial, consiste em paredes monolíticas estruturais de barro amassado em formas de madeira, denominadas taipais. O Circuito proporciona visitas monitoradas aos bens tombados das cidades de Santana de Parnaíba, Barueri, Carapicuíba, Embu, Cotia e São Roque.

Fig.3.20 – Percurso do roteiro turístico Taypa de Pilão.

Ele oferece seis passeios com diferentes combinações entre as cidades que participam do projeto, por onde, segundo ZILSKIND (2012) acontece um resgate cultural, histórico, artístico e religioso dos primórdios da colonização do território paulista. O Caminho do Sol9 é um traçado que percorre, em sua maior parte, áreas rurais afastadas dos centros urbanos, possibilitando um maior contato com a natureza e momentos de introspecção e descoberta interior. A caminhada contemplativa tem seu início na Pousada 1896 em Santana de Parnaíba, percorrendo 240 km pelas cidades de Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Itu, Salto, Elias Fausto, Capivari, Mombuca, Piracicaba, São Pedro, terminando em Águas de São Pedro [fig 3.21].

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O Caminho do Sol também é considerado, segundo CUTER (2010), um roteiro religioso que começa no centro histórico de Santana de Parnaíba, recebendo o peregrino da Secretaria de Cultura e Turismo um documento chamado “Passaporte do Sol” (Mapa do percurso). Considerado a versão paulista do Caminho de Santiago de Compostela, envolve 12 cidades do interior de São Paulo, percorrendo 240 km, cruzando trilhas e trajetos rurais entre Santana de Parnaíba e Águas de São Pedro, o final da peregrinação se dá junto à imagem de São Tiago. Ao contrário do Roteiro dos Bandeirantes, o Caminho do Sol é, segundo BAPTESTONE (2010), um caminho verdadeiramente construído pelas tradições e crenças e percorrido por milhares de pessoas até os dias atuais.

Fig.3.21 – Percurso do roteiro turístico Caminho do Sol.

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74


1 As entradas eram expedições oficiais, organizadas e financiadas pelo reino, em busca de riquezas e mão de obra indígena, enquanto as Bandeiras tinham as mesmas finalidades, mas saíam por iniciativa de particulares, com ou sem o incentivo das autoridades coloniais. 2 Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Idem.

3

Idem.

4

Idem.

5

O roteiro foi implementado em decorrência do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil. Chancelado pelo Governo do Estado de São Paulo em novembro de 2003, o Roteiro dos Bandeirantes atingiu um dos principais objetivos da regionalização4, diversificou a oferta turística nacional. Perpassando três regiões turísticas5, o roteiro contempla os segmentos do turismo cultural e do ecoturismo, sendo trabalhado para o consumo no mercado nacional. 6

7 O roteiro perpassa as regiões turísticas Cuesta Alto do Paranapanema, Estradas e Bandeiras, Capital Expandida.

Dados da Secretaria do Turismo

8

Idem.

9

75


76


LEVANTAMENTO DE DADOS

“Não se pode gerenciar o que não se pode medir; Não se pode medir o que não se pode descrever.” (Robert Kaplan) 77


PLANOS DIRETORES – UM BREVE HISTÓRICO O Plano Diretor vigente de Santana de Parnaíba é o 2006-2013, uma continuação do plano aprovado em 29 de dezembro de 1997, pela Lei Complementar nº 11, e com vigência estabelecida para o período 1998/2004. Esse plano tinha como caráter definido pela Emenda nº 001, de dezembro de 1997, o processo de planejamento e participação comunitária, tendo essa determinação não atendida.

78

por irregularidades, além das iniciativas de elaboração planos específicos. Como ponto favorável ao plano 1997 temos as medidas de ampliação da arrecadação competência do município e melhoria dos sistemas informação envolvendo cadastros e cartografia [fig.4.1].

de de de de

A forma de analisar o território no Plano atual se deu em unidades territoriais de assentamento, que apresentam acentuadas diferenças de delimitação e identificação, assim estabelecidos no Plano de 1997 [fig.4.2]:

As ações desenvolvidas pelo plano de 1997 deram, segundo a Prefeitura de Santana de Parnaíba, “continuidade ao processo de ordenamento de uso e ocupação do solo, e, mediante projeto, objeto de concurso público, definição de linha de intervenção para a melhoria da urbanização no Centro Histórico”.

-Fazendinha;

Em linhas gerais e segundo os gestores do Plano Diretor vigente, o ordenamento de uso e ocupação do solo, não incorporou as orientações do Plano de 1997 nos aspectos de melhoria na classificação das categorias de usos, introdução de critérios de porte dos empreendimentos, categorização de vias e de áreas sujeitas a regime específico e sanções

-Centro/Refúgio do Bandeirante;

-São Pedro/Colinas da Anhanguera; -Alphaville; -Parque Santana/Isaura;

-Suru/Ingay/Santa Helena; -Cururuquara; -Aldeia da Serra.


Fig.4.1 – Proposições do plano diretor de 1997.

79


Fig.4.2 – Unidades de assentamento estabelecidas no plano diretor de 1997.

80


O PLANO DIRETOR ATUAL A problemática que envolve e direciona o atual Plano Diretor é “SANTANA DE PARNAÍBA – DE UM MUNICÍPIO LIMITADO AO SEU PAPEL HISTÓRICO NO PROCESSO DE POVOAMENTO À POSIÇÃO DE INTEGRANTE FUNCIONAL DA METRÓPOLE”. O ponto-chave dessa problemática está em como lidar com a mudança do município, que inicialmente tinha o perfil de um município do interior, com baixa taxa de crescimento e atividade econômica restrita. Inicialmente limitada ao papel de município, como ponto logístico nos ciclos de exploração e povoamento do interior, o município entra, na década de 90, em processo de metropolização.

dependência das soluções dadas pela metrópole para solucionar esses problemas. Entre vários tópicos de questões regionais, vale destacar as levantadas no anexo A.04 do Plano Diretor 2005/2006 de Santana de Parnaíba: 1- Poluição e espuma no Tietê: com o aumento na quantidade de indústrias e consequente metropolização da cidade, aumentou significativamente a quantidade de espuma; com a crescente urbanização da cidade, algumas áreas se implantam na proximidade do Rio, trazendo problemas;

Ao contrário do ocorrido numa série de municípios da região, Santana não mostrou características negativas de queda na qualidade de vida e oportunidades de trabalho, demonstrando capacidade de tirar proveito dos fatores que o acometem.

2- Transporte e circulação intra-regional: com a ocorrência de movimentos pendulares dos moradores de Santana de Parnaíba, há a necessidade do transporte rodoviário individual para grande parcela da população. Sendo o traçado do município configurado em bolsões que limitam o acesso e saída da cidade, há uma constante de congestionamentos diários;

Conforme a cidade aumenta de tamanho, a cidade acaba se tornando suscetível as condições regionais e crescente

3- Soluções de esgoto sanitário: a expansão urbana ao longo do curso do Tietê coloca em xeque

81


· · · ·

PLANO DIRETOR CONDEMAS MEIO AMBIENTE SANEAMENTO BÁSICO

REALIZADO

TERMO DE REFERÊNCIA COMO ELEMENTO BASILAR PARA REVISÃO DO PLANO DIRETOR

REALIZADO

DIAGNÓSTICOS (CADERNO)

REALIZADO

ABERTURA DO PROCESSO DE REVISÃO DO PLANO DIRETOR NA FORMATAÇÃO PARTICIPATIVA – 1ª. REUNIÃO EM 06/03/13

REALIZADO

CONVOCAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL – 2ª. REUNIÃO 20/03/13

REALIZADO

ELEIÇÃO DOS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL

REALIZADO

ENTREGA DE DOCUMENTAÇÃO PARA HOMOLOGAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DA ENTIDADE

REALIZADO

Site TRANPARENCIA NA CONTRUÇÃO DO PLANO DIRETOR ESTRATEGICO - CONSULTA ON LINE – QUESTIONÁRIO DE INDICADORES

REALIZADO

ELEIÇÃO DOS REPRESENTANTES DA COMISSÃO INTERNA - EXECUTIVO

REALIZADO

COMISSÃO MUNICIPAL DO PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO – 1ª. REUNIÃO OFICIAL QUE UNE O GRUPO PARA INSTRUÇÃO DO PL 24/04/13

REALIZADO

3ª REUNIÃO COM EQUIPE INTERNA – ORIENTAÇÃO PARA ELABORAÇÃO DE SUGESTÕES E MONTAGEM DE GRUPOS TEMÁTICOS – 30/04/2013

REALIZADO

ATUALIZAÇÃO DE DADOS E AMOSTRAGEM DA REALIDADE ETAPA 1

REALIZADO

DIAGNÓSTICOS E ALTERNATIVAS DE NORMAS DE USO

REALIZADO

CONSULTA SETORIAL Á POPULAÇÃO 08 MACROREGIÕES

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “PROF. IMÍDEO GIUSEPPE NERICI” FAZENDINHA – 09/05/13

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “PE ANACLETO DE CAMARGO” COLINAS DA ANHANGUERA EM 14/05/13

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “MANOEL JACOB CREMM” ALDEIA DA SERRA – INGAÍ EM 16/05/13

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “TOM JOBIM” ALPHAVILLE/ TAMBORÉ EM 21/05/13

Fig.4.3 – Cronograma do Novo Plano Diretor. 82

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “DR. SEBASTIÃO F. DE ATHAYDE” SURU – 23/05/13

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “PROFa. ANA A. SANT´ANNA” CIDADE SÃO PEDRO – 28/05/13

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “Tte Cel. GASPAR DE GODOI COLAÇO” CENTRO

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “PROF. ALDÔNIO RAMOS TEIXEIRA” PQ SANTANA I E II

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “AURÉLIO GIANINNI TEIXEIRA” CURURUQUARA

REALIZADO

COLÉGIO MUNICIPAL “MARIA FERNANDES MACHADO DE OLIVEIRA” REFÚGIO DE BANDEIRANTES

Mar / Abril 2014

REUNIÃO PÚBLICA DE APRESENTAÇÃO DOS DADOS ATUALIZADOS, DIAGNÓSTICOS E PROJEÇÕES

REALIZADO

RECEPÇÃO DE PROPOSIÇÕES – ETAPA 2

REALIZADO

CONSOLIDAÇÃO DAS PROPOSIÇÕES DA COMISSÃO, CONSULTAS PÚBLICAS E SITE- ETAPA 2

Fev / Mar 2014

MONTAGEM DA ESTRUTURA DO PL

Dez 13 Jan/Fev/ Mar 14

ELABORAÇÃO DE PROPOSIÇÕES CONSULTORIA + EQUIPE INTERNA – ETAPA 2

Mar / Abr 2014

PLANO DIRETOR/MINUTA/TEXTO E MAPASETAPA 2 E 3

REALIZADO

REUNIÕES SETORIAIS – COMISSÃO INTERNA – ETAPA 2 E 3

Mar / Abril 2014

PROPOSTA DE MINUTA DO PL E APRECIAÇÃO DAS ENTIDADES, COMISSÕES, SOCIEDADE CIVIL – ETAPA 3

Abril 2014

DIVULGAÇÃO

Abril 2014

APRESENTAÇÃO PARA O EXECUTIVO + SECRETÁRIOS – ETAPA 3

Abril 2014

AUDIÊNCIA PÚBLICA – ETAPA 3

Abril / Maio 2014

ADEQUAÇÕES TEXTOS E MAPAS - ETAPA 3

Abril / Maio 2014

ENVIO À SMNJ, PARA PARECER DE CONSTITUCIONALIDADE FORMATAÇÃO E ADEQUAÇÃO

Abril / Maio 2014

ENVIO AO CHEFE DO EXECUTIVO PARA APRECIAÇÃO DE OFÍCIO

Abril / Maio 2014

ENVIO À CÂMARA

as soluções sanitárias desses assentamentos: há uma maior ocorrência de esgoto lançado sem tratamento.

PLANO DIRETOR 2015 – UMA NOVA PERSPECTIVA? Diferentemente dos planos anteriores, o novo plano diretor aprovado em 2013 pressupõe uma gestão participativa dos moradores da cidade. Como políticas de apoio a essa situação, há sessões de consulta pública nas regiões de assentamento definidas no Plano de 1997, como elementos indutores e geradores de diretrizes, que antecedem o plano urbano, conforme calendário em [fig.4.3] e formulário de consulta pública aos moradores disponível na internet [fig.4.4 e 4.5].

CONCLUSÃO Na tentativa de consolidar o município como “fato consumado no contexto metropolitano”1, os planos diretores de Santana de Parnaíba têm se mostrado cada vez mais adequados a um cenário urbano se desenvolve rapidamente nos últimos anos, apresentando ainda grande receptividade a novas possibilidades. A questão da gestão participativa é amplamente defendida


Fig.4.4 – Captura de tela extraída do site do município, evidenciando a importância da gestão participativa.

Fig.4.5 - Questionário do plano diretor participativo extraído do site do município

83


84


pelos arquitetos contemporâneos, a partir do momento em que se está projetando cidades para pessoas. Um dos grandes nomes do tema, o arquiteto Jan Gehl, defende uma metodologia em que reúne população residente, poder público e projetistas num processo colaborativo através de workshops que tragam ideias para a reconversão urbana, e embasem a revisão do novo pano diretor.

mantém a cidade na dependência de verba estatal para complementar a renda da cidade. Essas parcerias, além de estimular o desenvolvimento através de políticas públicas, acabam por criar uma identidade da empresa com a cidade, trazendo oportunidades para os moradores da região e evitando movimentos pendulares.

Segundo Helen Soholt, do escritório dinarmaquês Jan Gehl arquitetura: “É preciso pensar as cidades do século XXI a partir da perspectiva das pessoas, de maneira holística e multidisciplinar, mudar o modelo de negócios e ter uma visão muito forte de como queremos que a cidade seja no futuro para direcionar muitas pessoas de acordo com ela.”2 Portanto, a política adotada pelos dirigentes da cidade e responsáveis pelo Novo Plano Diretor vai de encontro as novas ideias do urbanismo, que implicam num desenvolvimento mais humano do espaço. Entretanto, como crítica a ser levantada, há a inexistência de parcerias público-privadas para desenvolvimento regional, o que

85


2010 2000

0,80 0,60

1991

0,40

2010

0,00

2000

0,20

1991

0,40

0,00

0,60

0,20

0,80

ASPECTOS URBANÍSTICOS

1,00

1,00

A importância da análise gráfica do município em seus vários aspectos permite que as propostas de reconversão urbana possam ser embasadas de forma a desenvolver o potencial máximo do território.

Municípios de Santana de Parnaíba IDH - Índice de Desenvolvimento Humano

O MUNICÍPIO EM GRÁFICOS

Dados 2013 Domicílios com espaço suficiente Domicílios com infraestrutura interna urbana adequada Áreas de risco ocupadas por moradias

86 Fonte dos dados: SEADE

Existência de favelas

SIM

Existência de cortiços

NÃO

Existência de Lei de Outorga Onerosa

NÃO

Existência de Operação Urbana Consorciada

NÃO

71,06%

60,97%

5


A partir desse mapeamento, percebe-se que o desenvolvimento atingido pela cidade nas décadas de 80 e 90 provocou um acelerado crescimento populacional e, consequentemente, ocupando as regiões periféricas do município. Entretanto, esse processo de urbanização se deu da forma mais positiva possível, pelo que podemos perceber nos indicadores levantados. As áreas de risco e favelas são mínimas mediante o tamanho do território, sendo possível sua remoção de forma pacífica.

Municípios de Santana de Parnaíba Número de domicílios permanentes por área

Urbano Rural

EDUCAÇÃO 35.000

Dados 2000

30.000 25.000

Taxa bruta de frequência escolar

87,55%

20.000 15.000 10.000 5.000 0

1980

1991

1996

2000

Média de anos de estudo da população entre 15 e 64 anos

7,56

Taxa de analfabetismo da população de 15 anos e mais

2000 - 7,94% 2010 - 4,5%

2010

Fonte dos dados: SEADE 87


Docentes por nível SANTANA DE PARNAÍBA

Variáveis Santana de Parnaíba Variáveis SãoSantana Paulode Parnaíba Pré escolarSANTANA DE PARNAÍBA 439 Pré escolar 569,69439 1.190 Paulo Fundamental Variáveis Fundamental Santana1.190de ParnaíbaMédio 3.014,94São 206 Médio 206 1.276,73 569,69 Pré escolar 439 1.200

1.200

SANTANA DE PARNAÍBA

Fundamental Médio

1.190 206

800

1.200

600

800

20.000

2001.200

600

3.014,94 BRASIL Variáveis BRASIL Santana de1.276,73 Parnaíba São Paulo 20.000

Pré escolar 439 Fundamental 15.000 1.190 Médio 206

SANTANA DE PARNAÍBA

400

1.000

0

400

800

10.000 800

15.000

3.500

200

200

0

2.500 2.000 1.500

SÃO PAULO

3.500

3.500

5.000

1.000

5.000

3.000

88 Fonte dos dados: SEADE

2.500

3.000

2.000

0

0 2.000

Fundamental 2.500

10.000

15.000SÃO PAULO

500

Pré escolar

0

10.000

0

400

0

BRASIL

15.000

3.000

Médio

Pré escolar

Fundamental

1.500

10.000

1.000

0

500 0

Médio

Pré escolar

Fundamental

Brasil 2.812,32 15.412,47 5.388,60

Brasil 2.812,32 15.412,47 Brasil 5.388,60 2.812,32 15.412,47 5.388,60

5.000

400

600

BRASIL

569,69 3.014,94 1.276,73

20.000

20.000SÃO PAULO

600

200

5.388,60

1.000

1.000

1.000

Brasil

São Paulo 2.812,32 569,69 3.014,94 15.412,47 1.276,73

Médio


SANTANA DE PARNAÍBA

Matrículas por nível

25.000

SANTANA DE PARNAÍBA

SANTANA DE PARNAÍBA 25.000 25.000

Variáveis Santana de Parnaíba escolarSantana de Parnaíba 3.044 VariáveisPré20.000 Fundamental 3.04421.840 Pré escolar 15.000 Médio Fundamental 21.8405.875

Médio

20.000

São10.148,09 Paulo 57.659,03 10.148,09 300.000 18.851,07 57.659,03 Variáveis Santana de Parnaíba Pré escolar 18.851,07 3.044250.000 Fundamental 21.840

5.875

10.000

SANTANA DE PARNAÍBA

25.000

Médio

5.000

20.000

Variáveis Santana de Parnaíba Pré escolar 3.044 Fundamental 21.840 Médio São Paulo 5.875

5.875200.000 BRASIL

20.000

15.000

0

300.000

15.000

15.000

10.000

10.000

BRASIL

SÃO PAULO 60.000

300.000250.000

300.000 250.000

50.000

10.000

40.000

5.000 0

60.000

SÃO PAULO

0

50.000 40.000

60.000 Pré escolar 50.000

Fundamental

Médio

SÃO PAULO

30.000

250.000200.000

47.547,21 Brasil 297.024,98 47.547,21 83.768,52 297.024,98 BRASIL

São Paulo 10.148,09 57.659,03 18.851,07

Brasil 47.547,21 297.024,98 83.768,52

83.768,52

BRASIL

100.000 50.000 0

150.000 100.000

150.000

SÃO PAULO 200.000

50.000

10.000 0

100.000

0

150.000 Pré escolar

Fundamental

Médio

Pré escolar

Fundamental

Médio

50.000

100.000

20.000 10.000

Brasil 47.547,21 297.024,98 83.768,52

30.000 20.000

0

5.000

60.000

200.000

5.000

150.000

São Paulo 10.148,09 57.659,03 18.851,07 Brasil

0

50.000

Fonte dos dados: SEADE 89


Municípios de de Santana de Parnaíba Municípios Santana de Parnaíba - Eucação IDHIDH- Eucação

Tendo esse levantamento de dados, podemos concluir que o desenvolvimento da cidade levou a um aumento significativo na qualidade do ensino, e queda nos índices de analfabetismo. A média de anos de estudo está dentro da média para a RMSP e os índices de analfabetismo estão entre os mais baixos da RMSP.

1,00

1,000,80

TRABALHO

0,60

0,80

Dados 2014

0,40

0,600,20

Total de empregos formais

0,00

0,40 0,20 0,00

1991

2010

1991 2000

1991

2010 90 Fonte dos dados: SEADE

2000

Rendimento médio dos trabalhadores com emprego formal

0,284

2000

0,53 0,725

2010

63.476

R$ 2.360,59


Sem rendimento Até 1/2 salário mínimo

Serviços Comércio atacadista e varejista Indústria Construção Municípios de Santana de Parnaíba Agricultura, pecuária e afins Participação dos empregos por área no total de empregos formais

De 1/2 a 1 salário De 1 a 2 salários De 2 a 3 salários

3 a 5 salários Municípios deDeSantana de Parnaíba De 5 a 10 salários Rendimento das pessoas responsáveis pelo domicílio Acima de 10 salários

0,08% Serviços Comércio atacadista e varejista 4,62% Indústria

Construção Agricultura, pecuária e afins

19,62%

Sem rendimento

15,67% Até 1/2 salário mínimo De 1/2 a 1 salário De 1 a 7,68% 2 salários

11,43% Municípios de Santana de Parnaíba Rendimento das pessoas responsáveis pelo domicílio

De 2 a 3 salários

61,79%

7,20%

13,89%

0,08% Municípios de Santana de Parnaíba Participação dos empregos por área no total de empregos formais 4,62%

17,22% 1,47%

De 3 a 5 salários

De 5 a 109,89% salários Acima de 10 salários

29,43%

Municípios de Santana de Parnaíba Semdomicílio rendimento Rendimento das pessoas responsáveis pelo Até 1/2 salário mínimo De 1/2 a 1 salário

19,62% Comércio atacadista e varejista Serviços

Indústria Construção

Agricultura, pecuária e afins 61,79% 13,89%

De 1 a 2 salários Sem rendimento

15,67%

Até 1/2 salário mínimo De 1/2 a 1 salário De 1 a 2 salários

De 2 a 3 salários 7,68%

De 3 a 5 salários

0,08%

De 5 a 10 salários 7,20%

Acima de 10 salários

De 2 a 3 salários De 3 a 5 salários 17,22% De 5 a 101,47% salários Acima de 10 salários

11,43%

Fonte dos dados: SEADE 91


Embora haja muitas ocorrências de movimentos pendulares, o município apresenta considerável oferta de empregos, sendo inclusive divulgados mensalmente quadros de vagas de trabalho no site da prefeitura. O rendimento médio mensal por família é de aproximadamente seis salários mínimos, e uma grande parte da população possui renda familiar per capita acima de 10 salários mínimos.

MunicípiosdedeSantana Santana dedeParnaíba Municípios Parnaíba IDH - Saúde IDH - Saúde 1,00

1,000,80

SAÚDE

0,60

0,80

0,40

Enquanto número de estabelecimentos de saúde e sua 0,60 0,20 localização na cidade, apresentam infraestrutura adequada aos moradores do município, tendo em vista o IDH referente 0,400,00 a saúde, que está bem acima da média da cidade e apresenta níveis semelhantes ao de países desenvolvidos.

0,20 0,00

1991 1991 2000 1991 2010

92 Fonte dos dados: SEADE

2000

2010 0,747

2000

0,805 0,849

2010


SANTANA DE PARNAÍBA

Estabelecimentos de Saúde 12

12

SANTANA DE PARNAÍBA 10

4

8

2

0

Federais0 Estaduais Municipais Privados

0

6

Variáveis

10.000

10.000

8.000

4

SÃO PAULO

0 SÃO PAULO 0 SÃO PAULO 11 1

10.000

Brasil

São Paulo

50.000

29 181 5.640 8.365

BRASIL BRASIL

50.000 40.000

Brasil 950 1.318 49.753 42.049

40.000

8.000

BRASIL

6.000

30.000

6.000

2

Santana de Parnaíba

Variáveis Santana de Parnaíba Santana de Parnaíba 29 São PauloBrasil 950 Brasil FederaisVariáveis São 0Paulo Federais 0 8 181 29 950 1.318 950 029 Estaduais Federais 0 8 Estaduais 0 49.753 1.318 5.640 181 Municipais 11 6 Estaduais 0 181 1.318 Municipais 11 5.640 42.04949.753 1 8.365 Privados 6 Privados 1 8.365 4 Municipais 11 5.640 49.753 42.049 4 2 Privados Santana de1 Parnaíba 8.365São Paulo 42.049 Variáveis 2 10

6

10

12

10

8

12

SANTANA DE PARNAÍBA SANTANA DE PARNAÍBA

30.000

4.000

50.000

4.000

20.000 20.000

2.000

0

10.000

2.000

8.000

Federais Estaduais

Municipais Privados 6.000

40.000

0 0

10.000 0

Federais Estaduais

Municipais Privados 30.000

SÃO PAULO 4.000

Federais 0 Estaduais

Municipais Privados

BRASIL 20.000

Fonte dos dados: SEADE 93


SANTANA DE PARNAÍBA

SANTANA DE PARNAÍBA

Morbidade hospitalar

SANTANA DE PARNAÍBA 30

15

25

10

20

Variáveis 20 Homens 15 Mulheres 10

20

80.000 70.000

15

60.000

SÃO PAULO

10

50.000 40.000

80.000 30.000

5

70.000

0

20.000 10000

60.000

Homens

Mulheres 50.000 40.000

94 Fonte dos dados: SEADE

30.000

SÃO PAULO

São Paulo 60.597 50.071

Santana de Parnaíba São Paulo 35 60.597 25 50.071

0

80.000

60.000

BRASIL

150.000

40.000 30.000

250.000

BRASIL

200.000

200.000

50.000

Brasil 228.311 192.206

250.000

250.000

70.000

São Paulo Brasil 60.597 228.311 50.071 192.206

São Paulo 60.597 BRASIL 50.071

Santana de Parnaíba Variáveis 0 Homens 35 SÃO PAULO SÃO PAULO 25 Mulheres

0

0

Santana de Parnaíba 35 25

Variáveis Santana de Parnaíba Homens 35 Mulheres 25

5

5

5

Variáveis Homens Mulheres

25

25

10

20

30

30

15

25

35

35

35 30

35

SANTANA DE PARNAÍBA

150.000

100.000

100.000

20.000

50.000

50.000

10000

200.000 0

0

0

Homens

Mulheres 150.000

100.000

Homens

Mulheres

BRASIL

Brasil 228.311 192.206

Brasil 228.311 192.206


SANTANA DE PARNAÍBA 350.000.000

350.000.000

ECONOMIA

300.000.000

Despesas e Receitas orçamentárias 250.000.000

SANTANA DE PARNAÍBA SANTANA DE PARNAÍBA

300.000.000

350.000.000

250.000.000

300.000.000

200.000.000

250.000.000

Variáveis Receitas 200.000.000 Despesas

150.000.000

200.000.000

100.000.000

150.000.000 SANTANA DE PARNAÍBA

279.997.557,66

150.000.000

50.000.000

100.000.000

0

50.000.000

100.000.000

350.000.000

Brasil São Paulo Variáveis Santana de Parnaíba Receitas 349.249.783,03 Variáveis Santana78.137.416.296,94 de Parnaíba São270.856.088.564,26 Paulo Brasil Santana de Parnaíba São Paulo Brasil 232.720.145.984,84 Despesas 279.997.557,66 67.648.215.059,05 Receitas 349.249.783,03 78.137.416.296,94 270.856.088.564, 349.249.783,03 78.137.416.296,94 Despesas 279.997.557,66 270.856.088.564,26 67.648.215.059,05 232.720.145.984,

67.648.215.059,05

232.720.145.984,84

0

50.000.000

SÃO PAULO

300.000.000

Variáveis Receitas Despesas

0

80.000.000.000

250.000.000 200.000.000

SÃO PAULO

150.000.000 100.000.000

60.000.000.000

70.000.000.000

50.000.000.000

60.000.000.000

40.000.000.000

50.000.000.000 40.000.000.000

70.000.000.000

20.000.000.000

30.000.000.000

10.000.000.000

20.000.000.000

40.000.000.000

Receitas

80.000.000.000

30.000.000.000

50.000.000.000

0

70.000.000.000

80.000.000.000

60.000.000.000

50.000.000

Santana de Parnaíba SÃO PAULO 349.249.783,03 279.997.557,66

Despesas

BRASIL

São Paulo Brasil BRASIL 300.000.000.000 78.137.416.296,94 300.000.000.000 270.856.088.564,26 250.000.000.000 67.648.215.059,05 250.000.000.000 232.720.145.984,84 BRASIL

200.000.000.000

200.000.000.000

300.000.000.000

150.000.000.000 150.000.000.000 100.000.000.000

250.000.000.000

100.000.000.000 50.000.000.000

0

10.000.000.000

200.000.000.000

0

Receitas

Despesas

50.000.000.000 0

Receitas

0

Despesas

150.000.000.000

30.000.000.000 20.000.000.000

SÃO PAULO

10.000.000.000

100.000.000.000

BRASIL

Fonte dos dados: SEADE 95


Produto Interno Bruto (Valor Adicionado)

Variáveis Agropecuária Indústria Serviços

SANTANA DE PARNAÍBA

Santana de Parnaíba 636 811.252 3.432.545

São Paulo 11.265.005 193.980.716 406.723.721

Variáveis Santana de Parnaíba São Paulo Brasil 3.500.000 SANTANA DE PARNAÍBA Variáveis Agropecuária Santana de Parnaíba636 São Paulo 11.265.005 Brasil105.163.000 3.000.000 811.252 11.265.005193.980.716 105.163.000 539.315.998 Agropecuária Indústria 636 SANTANA DE PARNAÍBA 2.500.000 BRASIL 3.500.000 1.197.774.001 Indústria Serviços811.252 3.432.545 193.980.716406.723.721 539.315.998 2.000.000

3.500.000 3.000.000

Serviços

3.000.000

1.500.000

1.200.000.000

3.432.545

1.000.000

2.500.000

406.723.721 1.197.774.001 Variáveis Santana de1.000.000.000 Parnaíba São Paulo Agropecuária Indústria Serviços

SANTANA DE PARNAÍBA

3.500.000 500.000

2.500.000

2.000.000

3.000.000

0

1.200.000.000

BRASIL

1.500.000 1.000.000

1.500.000

SÃO PAULO

1.200.000.0001.000.000.000

2.000.000

BRASIL

0

800.000.000

500.000 300000000

600.000.000

800.000.000 600.000.000 200000000

0

500000000

0

SÃO PAULO 500000000 Agropecuária Industria

Serviços

SÃO PAULO

400.000.000

SÃO PAULO

600.000.000 400.000.000

200.000.000

0 400000000

0

200.000.000 Industria

Agropecuária 400.000.000

300000000

200000000

500000000

600.000.000

1.000.000.000

1.000.000.000 800.000.000

500.000

100000000

96 Fonte dos dados: SEADE

Brasil 105.163.000 539.315.998 1.197.774.001

1.000.000400000000

0

500.000

BRASIL

11.265.005 193.980.716 406.723.721

200.000.000 1.200.000.000

500000000 1.500.000

1.000.000

636 800.000.000 811.252 3.432.545 400.000.000

2.500.000

2.000.000

Brasil 105.163.000 539.315.998 1.197.774.001

400000000 100000000

200.000.000

0

Serviços

Agropecuária

Industria

Serviços


5,09%

Municípios de Santana de Parnaíba Composição do valor adicionado a indústria em 2001

%

31,40%

39,59%

Municípios de Santana de Parnaíba Composição do valor adicionado a indústria em 2001 6,25%

34,06% Papel e Celulose Produtos Alimentícios

29,54%

5,09%

Produtos Alimentícios Edição, Impressão e Gravações Outros

Municípios de Santana deComércio Parnaíba Atacadista Comércio Varejista - Distribuição de Combustíveis Composição do valor adicionado a indústria em 2001 29,54% Comércio Varejista - Revendedoras de Veículos

7,34%

31,40%

Edição, 39,59% Impressão e Gravações 23,03% Outros

6,25% Municípios de Santana de Parnaíba

Municípios de Santana de Parnaíba Maquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos Composição do valor adicionado do comércio em 2001 Papel e Celulose

17,67%

Maquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos

5,92%

Comércio Varejista - Supermercados

7,34%

Composição do valor adicionado a5,09% indústria em 2001

Outros

34,06%

Comércio Atacad

Comércio Varejista

Papel e Celulose 0,11% Municípios de Santana de Parnaíba Produtos Alimentícios 23,03% 5,92% Edição, Impressão e Gravações Composição do valor adicionado do comércio em 2001

17,67%

Municípios de Santana Composição do valor a

34,06%

Comércio Varejista - Lojas de Departamento

Comércio Varejista Maquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos- Outros

0%

%

Outros

Comércio Varejista

Comércio Varejista

Comércio Varejista

Comércio Varejista

0,11%

29,54% Comércio Atacadista

Maquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos Papel e Celulose Produtos Alimentícios

Comércio Varejista - Distribuição de Combustíveis

7,34%

Comércio Varejista - Revendedoras de Veículos Comércio Varejista - Lojas de Departamento

Municípios de Santana de Parnaíba Composição do valor adicionado do comércio em 2001 Municípios 0,11% de Santana de Parnaíba Edição, Impressão e Gravações Outros

23,03% 5,92%

Comércio Varejista - Supermercados Comércio Varejista - Outros

Composição do valor adicionado do comércio em 2001

Fonte dos dados: SEADE 97


A economia da cidade é prioritariamente composta por prestação de serviços, comércio e indústria, com ênfase no comercio atacadista, no varejo de distribuição e na produção de máquinas e materiais elétricos. Com uma renda per capita que dobrou nos últimos 10 anos, período em que as indústrias se consolidaram na cidade, aumentando de R$ 759,53 em 2000 para R$ 1.507,66 em 2010, tem-se uma cidade com economia consolidada e em processo de expansão, de acordo com o seu crescimento populacional.

EDUCAÇÃO O levantamento referente aos itens culturais e de esporte revela que a cidade, com sua recente expansão, necessita de mais equipamentos de cultura e lazer para atender as demandas populacionais, que muitas vezes necessitam vir a São Paulo ou ir a cidades próximas como Campinas e Jundiaí em busca desses equipamentos. Cabe ressaltar, nesse ponto, a legitimidade de inserção da proposta de projeto da autora no contexto.

Número de equipamentos culturais 3 2 1 0

98 Fonte dos dados: SEADE

Ginásio

Estádio Escola de samba Cinema

Teatro

Biblioteca Centro cultural

Museu


QUANTIDADE DE VEÍCULOS SANTANA DE PARNAÍBA

SANTANA DE PARNAÍBA

50.000

50.000 40.000

SANTANA DESANTANA PARNAÍBADE PARNAÍBA

40.000

30.000

20.000

30.000

10.000

20.000

50.000

50.000

40.000

40.000

30.000

30.000

20.000

20.000

10.000

10.000

0

0

20.000.000 20.000.000

0

SÃO PAULO SÃO PAULO

15.000.000 15.000.000

10.000

20.000.000

SÃO PAULO

150.518 10.213 178.842 BRASIL

50.000.000 50.000.000

40.000.000 40.000.000

BRASIL

Brasil 47.946.664 2.588.984 578.765 6.245.837 2.732.871 361.501 19.242.916 3.599.581 574.125 29.516 563.861

30.000.000 30.000.000

BRASIL

10.000.000 10.000.000

50.000.000

20.000.000 20.000.000 10.000.000 10.000.000

15.000.000

20.000.000

Brasil 47.946.664 2.588.984 578.765 6.245.837 Brasil Brasil 47.946.664 47.946.664 2.732.871 2.588.984 2.588.984 578.765 578.765 361.501 6.245.837 6.245.837 2.732.871 2.732.871 19.242.916 361.501 361.501 19.242.916 19.242.916 3.599.581 3.599.581 3.599.581 574.125 574.125 574.125 29.516 29.516 563.861 563.861 29.516 563.861

5.000.000 5.000.000

0

Automóveis

São Paulo São Paulo 16.319.979 16.319.979 658.713 155.801658.713 1.692.250 Santana de Parnaíba Variáveis Variáveis Santana de Parnaíba São Paulo São Paulo 155.801 45.076 16.319.979 16.319.979 Automóveis Automóveis 45.076 999.330 1.969 Caminhões Caminhões 1.969 658.713 658.713 1.692.250 Caminhões-trator 331113.446 331 Caminhões-trator 155.801 155.801 Caminhonetes 5.555 5.555 1.692.250 1.692.250 Caminhonetes Caminhonetas 5.464 5.464 999.330 999.330 Caminhonetas 4.133.366 999.330 532 Micro-ônibusMicro-ônibus 532 113.446 113.446 8.989 MonocicletasMonocicletas 8.989 4.133.366 4.133.366 751.108 1.429113.446 Motonetas Motonetas 1.429 751.108 751.108 198 150.518 150.518 Ônibus Ônibus 198150.518 21 10.213 10.213 Tratores Tratores 21 4.133.366 2.120 178.842 178.842 Utilitários Utilitários 2.12010.213 178.842751.108

Variáveis Santana de Parnaíba Santana de Parnaíba Variáveis 45.076 Automóveis 45.076 Automóveis 1.969 Caminhões Caminhões-trator 331 Caminhões 1.969 Caminhonetes 5.555 331 Caminhões-trator Caminhonetas 5.464 Caminhonetes 5.555 Micro-ônibus 532 Monocicletas 8.989 5.464 Caminhonetas Motonetas 1.429 532 Micro-ônibus 198 Ônibus 8.989 Monocicletas 21 Tratores Utilitários 2.120 1.429 Motonetas 198 Ônibus 21 Tratores Utilitários 2.120

Caminhões

Caminhões-trator 10.000.000

0

Caminhonetes

SÃO PAULO

Caminhonetas

0 40.000.000

Micro-ônibus

Monocicletas

30.000.000

50.000.000

0

Motonetas

0

Ônibus

BRASIL

Tratores

Utilitários Fonte dos dados: SEADE 99


20000 10000 0

2002

Frota total de veículos

2006

2010

2014

80000 70000

Número de habitantes x total de veículos (em %)

60000

4,0 3,5 3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0

50000 40000 30000 20000 10000 0

2002

2006

2010

Número de habitantes x total de automóveis (em %) 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0

2002

2006

2010

2014

0,0

2002

2006

2010

2014

2014

Frota total de automóveis 50000 40000 30000 20000 10000 0

2002

2006

2010

Número de habitantes x total de veículos (em %) 100 Fonte dos dados: SEADE 4,0

2014

Número de habitantes x total de automóveis (em %) 6,0

Embora a frota de veículos de Santana de Parnaíba tenha praticamente dobrado nesses últimos dez anos, o crescimento populacional foi maior, logo, a proporção de habitantes x automóvel caiu de 5 para 4 habitantes, o que ainda se encontra abaixo da média da RMSP, mas está em quantidade suficiente para provocar grandes congestionamentos na entrada da cidade nos horários de pico. Devido ao desenho urbano da cidade, torna-se necessário políticas publicas mais efetivas para incentivar o uso de transporte alternativo.


SANTANA DE PARNAÍBA

POPULAÇÃO

SANTANA DE PARNAÍBA

Variáveis 1991 1996 2000 2007 Variáveis2010

120.000

SANTANA DE PARNAÍBA 100.000

120.000

100.000

80.000

80.000

60.000

60.000

40.000

40.000

20.000

120.000

0

20.000

100.000

0

1992

1996

2000

2004

80.000

2008

1992

1991 1996 2000 2007 2010

2000

50.000.000

60.000

SÃO PAULO

40.000.000

40.000

30.000.000

20.000 0

1996

Santana de Parnaíba 37.762 Variáveis 1991 57.099 1996 74.828 2000 2007 100.236 2010 108.813 Santana de Parnaíba

50.000.000

1992

1996

2000 40.000.000 2004

2004

São Paulo Brasil 31.588.925 Santana de Parnaíba São Paulo 146.825.475 Brasil 37.762 31.588.925 146.825.475 33.844.339 156.032.944 57.099 33.844.339 156.032.944 37.032.403 74.828 37.032.403 169.799.170 169.799.170 100.236 39.827.570 183.987.291 39.827.570 183.987.291 108.813 41.262.199 190.755.799 41.262.199São Paulo 190.755.799

2008

37.762 SÃO PAULO 57.099 74.828 100.236 108.813

200.000.000

200.000.000

150.000.000

31.588.925 BRASIL 33.844.339 37.032.403 BRASIL 39.827.570 41.262.199

Brasil 146.825.4 156.032.9 169.799.1 183.987.2 190.755.7

100.000.000

20.000.000

2008

50.000.000 10.000.000

0

150.000.000 1992

1996

2000

2004

2008

0

1992

1996

2000

2004

2008

30.000.000

100.000.000

SÃO PAULO

20.000.000

BRASILFonte dos dados: SEADE

101


Mais de 100 anos 95 a 99 anos 90 a 94 anos 85 a 89 anos 80 a 84 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos

Santana de Parnaíba

Homens

Mulheres

A população do município até a década de 80 apresentava um status de cidade de interior, com taxas de crescimento estagnadas. A partir da década de 90, com a instalação das indústrias, houve um crescimento acelerado e altas taxas de 102 Fonte dos dados: SEADE

São Paulo

Homens

Mulheres

Brasil

Homens

Mulheres

migração, principalmente de famílias jovens, atraídas pelas novas possibilidades de emprego. Atualmente, nota-se um envelhecimento da população e redução das taxas de migração, embora estas ainda continuem altas.


CONCLUSÃO Através do cruzamento de dados, percebemos que o desenvolvimento do município tem se dado de forma acelerada, sendo balizado de modo positivo por instrumentos públicos de gestão, como o plano diretor. Somado a possibilidades de consulta pública à população, as chances de estruturar um território que atenda as necessidades dos moradores, de forma dinâmica e permitam o desenvolvimento econômico mútuo, tornam-se maiores. Como crítica aos métodos de gestão, a ausência de parcerias publico-privadas para desenvolvimento e revitalização de áreas consolidadas ou degradadas como o centro histórico, além de parcerias com bancos para financiar a restauração de edificações tombadas, a juros mais atrativos, torna o município unicamente dependente de verba externa, tornando ações simples em processos burocráticos e morosos. 1 Definição presente no documento A.05 anexo ao Plano Diretor de Santana de Parnaíba 2006/2013. Disponivel em www. santanadeparnaiba.sp.gov.br. Acessado em 27.05.2015. 2 Frase proferida durante o workshop “Espaço Público e Escala Humana: perspectivas de resgate dos espaços públicos”, organizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo, ocorrido em 18/04/2015.

103


104


ANÁLISE ESTRATÉGICA

“Na estratégia, decisiva é a aplicação.” (Napoleão Bonaparte) 105


As intervenções em centros históricos, segundo BESSA e ÁLVARES (2014), enquanto manifestações urbanísticas, paisagísticas e arquitetônicas, têm sido utilizadas porque possuem grande capacidade de transformar a base material dos territórios, contribuindo para dar novo caráter às paisagens, que passam a necessitar de constantes mudanças enquanto território turístico. A análise para o desenvolvimento de cenários estratégicos, se baseia na metodologia desenvolvida por HERNÁNDEZ (2002), em sua tese de doutorado “Estratégias projetuais no território do porto de Santos”, acrescida das considerações de projetos de construção de destinos turísticos, desenvolvida por BESSA e ÁLVARES (2014) em seu livro “A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda das cidades” .

OS PROJETOS DE CONSTRUÇÃO DE DESTINOS TURÍSTICOS O primeiro ponto a ser considerado na transformação de localidades em destinos turísticos é que, segundo BESSA e ÁLVARES (2014), os macroatores, representados por empresas ou organizações externas, se associam a governos para trilhar um conjunto de etapas, cujo objetivo é a venda

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de cidades. A definição de cidade como mercadoria é dada por SINGER (2012): “Produção é tudo: desde o que a dona de casa faz na casa dela até o que o presidente da República faz lá no Palácio do Planalto. Agora, só uma faixa dessa produção se traduz em mercadorias que podem ser tanto bens (materiais) como serviços (imateriais) (...) Então vamos deixar bem claro uma coisa: a forma do produto não tem importância, a mercadoria é um fenômeno social, não natural. Uma mamadeira que a mãe prepara é uma coisa muito material e, no entanto, não é mercadoria, ela não vai cobrá-la do bebê. Um quartel ou uma cadeia é uma coisa muito sólida e, no entanto, não é uma mercadoria: ninguém vai vender ao preso os dias de hospedagem na cadeia. Então, mercadoria é um produto do trabalho humano que é colocado à venda. Essa é a definição de mercadoria.” A partir dessa definição, não é inadequado dizer que a cidade é uma mercadoria turística, já que os eventos e espaços são colocados para consumo mediante pagamento.


A sistematização do processo desenvolvido por BESSA e ALVARES (2014) é resumida abaixo, sendo consideradas obrigatórias as três primeiras etapas, e a última aplicada somente quando se esgotam as capacidades de carga ou quando se deseja renovar o destino.

ETAPAS DO PROJETO TURÍSTICO RECURSOS:

Sistema de objetos + sistema de ações

1 MACROATORES:

Etapa 1: Seleção de recursos turísticos1 A primeira etapa compreende a localização das potencialidades territoriais que podem ser transformadas em mercadorias. Essas potencialidades podem ser tanto referente ao patrimônio natural, quanto material, acrescido das festas, tradições, artesanato local ou modo de vida. Parte crucial desse processo compreende a escolha, ou criação de recursos únicos ou inéditos.

Selecionam um conjunto de objetos e ações que lhes interessam RECURSOS TURÍSTICOS

4 MACROATORES:

Apropriação e dominação

PRODUTOS TURÍSTICOS

3 MACROATORES:

Etapa 2: Transformar recursos turísticos em produtos turísticos2 A transformação compreende a delimitação das áreas que se transformação em territórios turísticos. Dessas frações territoriais, empresas turísticas se apropriam amparadas pelos governos, prevalecendo os projetos turísticos e intenções locais.

2 MACROATORES:

Estratégias de renovação

Um dos discursos DESTINO TURÍSTICO

É abandonado

Sim

Esgotou-se

Não

Continua a ser usado

Fig 5.1 - Sistematização do processo de fabricação de um destino turístico.

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Etapa 3: Transformação dos produtos turísticos em destinos turísticos3 A definição da OMT (Organização Mundial de Turismo) diz que destino turístico é “o lugar para onde tem de se deslocar a demanda a fim de consumir o recurso turístico”4. Segundo a mesma organização, eles são classificados em função de suas dimensões físico-territoriais “um núcleo turístico (Costa do Sol), um município turístico (Benidorm) ou região (Canárias)5. A conversão dos produtos em destinos se dá através dos discursos. É a comunicação e o marketing que promovem os novos cenários criados. Etapa 4: Renovação e/ou ampliação6 Esgotada a capacidade dos destinos turísticos, há o emprego de estratégias de renovação ou ampliação através da criação de novos atrativos. Prosseguindo na metodologia desenvolvida pelos autores, partimos para o detalhamento dos projetos de construção dos destinos turísticos, que são compostos pelas

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“ações de concepção, planejamento, execução e implementação de intervenções no espaço urbano (ou recurso turístico), visando obter um ambiente capaz de atrair visitantes, empresas e eventos. Têm suas bases no território, nos seus recursos materiais, nas relações e comportamentos sociais, e na memória e apropriação do espaço ao longo do tempo.” (BESSA e ÁLVARES, 2014, p.38) O primeiro passo é o de diagnóstico. Ele serve parra investigar a inserção da localidade no contexto mundial, considerando: a) sua inserção geográfica; b) seu posicionamento geopolítico; c) seu posicionamento na economia global; d) sua participação em organismos multilateriais; e) seu fluxo turístico. O ambiente natural e construído é avaliado considerandose o ambiente, a infraestrutura e as paisagens urbanas, juntamente com os atrativos culturais e turísticos.


A memória e as condições de apropriação do espaço são avaliadas a partir do histórico e da evolução da localidade, em termos de seu desenvolvimento, do patrimônio cultural, da evolução do tecido urbano e dos eventos e acontecimentos significativos.

1. Arquitetura icônica;

Por fim, os indicadores socioeconômicos e políticos são avaliados, considerando-se os indicadores econômicos (tais como evolução do PIB, taxas de inflação, nível de emprego, consumo final, concentração de renda, balança comercial, entre outros), os indicadores sociais (expectativa de vida, taxa de analfabetismo, taxa de mortalidade infantil, saúde, alimentação, educação, condições medico sanitárias, qualidade de vida, acesso ao consumo, entre outros), o mix de atividades produtivas, a organização política e suas instituições e o vigor da atividade turística.

5. City marketing;

Passados os processos de diagnostico, a concepção abriga o objetivo a ser alcançado. Depois do estabelecimento dos objetivos a serem atingidos, parte-se para viabilizar o projeto através de patrocínio privado. A partir daí, empregam-se possíveis estratégias de implementação, criando ou recriando paisagens e valorizando os territórios escolhidos:

2. Megaeventos e eventos emblemáticos; 3. Criação e melhoria da estrutura urbana; 4. Intervenções patrimoniais; 6. Marcos legais regulatórios; 7. Parcerias publico-privadas de cunho estratégico. Segundo os autores, há também na literatura a sugestão de adoção de planejamento participativo, que infelizmente não se aplicam na prática, por haver uma maior manifestação contra os projetos turísticos do que a favor dos mesmos. Terminada a parte de analise estratégica, os gestores passam a analisar a situação gerada e os resultados obtidos, enquanto infraestrutura, melhoria de indicadores socioeconômicos e de qualidade de vida, valorização do patrimônio cultural, entre outros. [fig.5.2] Apresenta de forma mais detalhada todo o processo. O grande problema dessa metodologia de análise é

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OS PROJETOS DE CONSTRUÇÃO DOS DESTINOS TURÍSTICOS

Transformar a paisagem urbana para reforçar a imagem pública

Posicionamento na economia global Participação em organizações mundiais Fluxo turístico Meio ambiente urbano

2. Motivações

Posicionamento geopolítico

Promover a sustentabilidade da cidade criando qualidade ambiental para moradores e turístas Melhorar a qualidade de vida dos moradores Tornar-se centro econômico, financeiro e/ou tecnológico regional e/ou internacional

Infraestrutura urbana

Tornar-se centro cultural e/ou turístico regional e/ou internacional

Paisagem urbana

Preparar a cidade para sediar grandes eventos

SITUAÇÃO GERADA

4. Produto Turístico Obtido

Localização geográfica

Atrativos culturáis e turísticos

Atividades turísticas

Captação e realização de eventos megaeventos ou de eventos emblemáticos Criação e melhoria da estrutura urbana Intervenções patrimoniais Marketing urbano (city marketing) Marcos legais regulatórios Parcerias público-privado de cunho estratégico

5. Resutados

Arquitetura icônica

Eventos e acontecimentos significativos

Organizações políticas

Interviu no patrimônio histórico e cultural? Possui equipamentos públicos de qualidade?

Inserção da localidade no circuito turístico regional ou internacional

Evolução do tecido urbano

Atividades produtivas

Sediou eventos emblemáticos?

Aumento do fluxo turístico

Patrimônio cultural

Indicadores sociais

Possui ícones arquitetônicos?

Melhoria na qualidade de vida dos moradores

ATRAVÉS DE INVESTIMENTOS

Indicadores econômicos

Possui infraestrutura urbana e turística de qualidade?

Melhorias nos indicadores socioeconômicos

Histórico e evolução da localidade

Fig 5.2 - Detalhamento do processo de construção de um destino turístico. 110

CONCEPÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO

3. Estratégias

Ambiente natural e constrído Memória e aprimoração do espaço Indicadores sócio-econômicos

1. Recursos Turísticos

Inserção no contexto mundial

AS BASES DOS PROJETOS

Transformações da localidade em centro cultural e/ou econômico e/ou financeiro r/ou tecnológico, regional ou internacional Democratização do espaço urbano e do patrimônio cultural Construção de paisagens urbanas ambientalmente qualificadas e de impacto imagético e midiático Valorização do patrimônio Cultural Maior exposição da imagem pública da localidade


que ele se aplica somente ao espaço delimitado, enquanto centro histórico ou espaço de turismo, ou nas palavras do autor, “centralizam suas ações nas áreas eleitas pelos planejadores por seu potencial para a atração de turistas e negócios e normalmente não intervêm em outras áreas da cidade, produzindo como resultado um contraste entre paisagens turísticas com alta qualidade paisagística ao lado de paisagens do cotidiano, quase abandonadas”7.

sua estrutura atual, caracterizada por uma conformação de diversas infraestruturas.

A metodologia de estratégias projetuais desenvolvida por HERNÁNDEZ (2012), conceitua-se através da aplicabilidade de estratégias que “culminem em panoramas futuros que anteveem as possibilidades de aplicação de um urbanismo tático”8.

Os questionamentos propostos pelas indicações táticas são respondidos pelas ações, que irão balizar a composição das estratégias, que se originam, por sua vez, “em quatro núcleos estruturadores (estratégias), as quais são representadas em diagramas, elaboradas como ações táticas que respondem a questão central do trabalho”.11

As estratégias projetuais se baseiam na hipótese levantada conceitualmente e apontada como premissa para o “desenvolvimento de cenários futuros, sendo esses pensados devido as atuais características do território estudado (indicadores)”.9 A tese aponta, segundo HERNANDEZ (2012), a possibilidade de ser repensado o centro histórico, a partir de suas relações promovidas pelos elementos que compõem

Nesse ponto, nota-se a versatilidade do método, visto que “essa possibilidade cria diversas vertentes, definindo composições e soluções estratégicas para o tecido urbano degradado, estabelecido por meio de definições táticas (ações)”.10

Os grupos estratégicos e elementos que o configuram são panoramas estabelecidos a partir das necessidades econômicas, governamentais, sustentáveis e urbanas, ou seja, respondem não só às questões propostas pelo território, mas também se articulam com as ações táticas, resultando em cenários urbanos variados. E aproximando-se ainda mais das possibilidades reais, são feitos recortes estratégicos em fase, implementando as estratégias em recortes temporais

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Fig 5.3 - Metodologia de análise desenvolvida pelo Prof. Carlos Andrés Hernández Arriagada 112


agrupados de 2,5; 5; 7,5 e 10 anos. Ao lado um diagrama síntese do processo. [fig.5.3] Feitas as devidas considerações, buscou-se estruturar no processo de análise, mesclando os pontos mais pertinentes de cada metodologia, visando obter uma análise mais profunda e precisa. Dessa forma, a metodologia de base utilizada foi a de HERNANDEZ (2012), que apresenta um recorte mais amplo, proposições que excedem os limites da área, e conversam com as áreas adjacentes e cenários mais específicos. Da metodologia de BESSA e ÁLVARES (2014) foi extraído as questões de levantamento, que definem as preexistências para posterior análise, e foram acrescidas ao conjunto de estratégias projetuais da metodologia de HERNANDEZ (2012) as considerações estratégicas referentes ao turismo. A tabela a seguir sintetiza as informações referentes à mescla das metodologias. [fig.5.4]

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OS PROJETOS DE CONSTRUÇÃO DOS DESTINOS TURÍSTICOS As bases dos projetos Indicadores

Inserção no contexto nacional

Ambiente natural e construido preexistencias

Memória e apropriação do espaço

Indicadores socioeconômicos

Fig 5.4 -Tabela-síntese da mescla das metodologias 114

Localização geográfica Posicionamento geopolítico Posicionamento na economia nacional Participação em eventos nacionais Fluxo turístico Meio ambiente urbano Infraestrutura urbana Paisagem urbana Atrativos culturais e turísticos Histórico e evolução da localidade Patrimônio cultural Evolução do tecido urbano Eventos e acontecimentos significativos Indicadores econômicos Indicadores sociais Atividades produtivas Organização política Atividade turística


CONCEPÇÃO E IMPLANTAÇÃO Questões

Ações

Estratégias

Temporalidade

1. Que tipo de estrategias são adequadas para transformar um territorio de preexistências e estagnação num espaço onde coexistam o velho e o novo, de forma dinamica e complexa? 2. Que tipo de infraestruturas são necessárias para balizar o redesenho urbano de forma a atender moradores e turistas? 3. Como o centro histórico pode se configurar não em mero objeto histórico congelado, mas como vetor que impulsiona uma nova economia? Reurbanizar Reconectar Fluxos Descontinuidades Continuidades Eixos nodais Fluxos Arquitetura icônica Megaeventos e eventos emblemáticos Criação e melhoria da estrutura urbana Intervenções patrimoniais City marketing Marcos legais regulatorios Parcerias publico-privadas de cunho estrategico 2,5 Anos 5 Anos 7,5 Anos 10 Anos

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APLICAÇÃO METODOLÓGICA Segundo HERNÁNDEZ (2012), a “aplicabilidade de um urbanismo tático no conjunto definem os cenários futuros desejáveis, permitindo em um prazo superior a dez anos a transformação da paisagem”12 do centro histórico de Santana de Parnaíba. QUESTÕES13 Inicialmente, após a análise dos elementos compositivos do território, HERNÁNDEZ (2012) situa três questões, e as respostas trarão um primeiro olhar de análise que, confrontado com as informações do território, nortearão as próximas etapas. As questões levantadas foram: 1. QUE TIPO DE ESTRATÉGIAS SÃO ADEQUADAS PARA TRANSFORMAR UM TERRITORIO DE PREEXISTÊNCIAS E ESTAGNAÇÃO, NUM ESPAÇO ONDE COEXISTAM O VELHO E O NOVO, DE FORMA DINAMICA E COMPLEXA? O cerne de um projeto de reconversão urbana, nessas

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condições, traz implícita a necessidade de estratégias governamentais e econômicas, que tragam instrumentos passíveis de modificar o território enquanto conceito, através de legislações de apoio, e iniciativas que busquem movimentar a economia local e regional, dada a quantidade de indústrias presentes na localidade. Somado a isso é necessário também a presença de estratégias sustentáveis, que possam balizar as estratégias anteriores, de forma a trazer para o território possibilidades energeticamente viáveis, e que produzam territórios mais aprazíveis para os moradores. E estratégias urbanas também são necessárias para estabelecimento de soluções em potencialidades e deficiências do território. 2. QUE TIPO DE INFRAESTRUTURAS SÃO NECESSÁRIAS PARA BALIZAR A URBANIDADE DE FORMA A ATENDER MORADORES E TURISTAS? Partindo-se do pressuposto de que o centro histórico será convertido num espaço para atração de turistas, é necessária a implementação de infraestruturas de apoio ao morador, de forma a capacitá-lo para funções relacionadas ao turista, como cursos profissionalizantes e incentivo de fundações voltadas aos micro e pequenos empresários. Com isto,


pretendemos ter a infraestrutura hoteleira e de comércio consolidada, sendo ainda necessário o desenvolvimento de arquiteturas de espaços públicos voltados à cultura e turismo, como museus e bibliotecas, que tragam o turista e que a população local também usufrua. 3. COMO O CENTRO HISTÓRICO PODE SE CONFIGURAR NÃO EM MERO OBJETO HISTÓRICO CONGELADO, MAS COMO VETOR QUE IMPULSIONA UMA NOVA ECONOMIA? Aplicando estratégias de revitalização ligadas ao turismo, podemos transformar o espaço atualmente congelado em uma potencialidade no território, a partir de politicas públicas e parcerias público-privadas que tragam infraestrutura ao espaço. AÇÕES TÁTICAS

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descontinuidades, que podem possibilitar a criação de conexões em diversos níveis. A potencialização dos aspectos do território se dá a partir da “aplicabilidade de conceitos indutores e definidores, que caracterizam o espaço”15 através das seguintes ações: 1 - REURBANIZAR - A reestruturação dos usos existentes, promovendo novas dinâmicas e novos pólos de atração. 2 - RECONECTAR - Promover a funcionalidade através de novas ligações entre centro histórico, novos bairros e o entorno verde. 3 - FLUXOS- Implantação de estratégias que orientem caminhos e percursos entre os diferentes momentos da cidade.

As ações estratégicas aplicadas no centro histórico de Santana de Parnaíba possibilitam a conversão da área em território turístico dinâmico, que se relaciona com os bairros vizinhos.

4 - DESCONTINUIDADES - Promover espacialidades no percurso horizontal que ocorrem pela ausência de conectividades em nível.

A homogeneidade do território existente traz uma série de potencialidades, enquanto ausência de eixos nodais e

5 - CONTINUIDADE - As potencialidades originadas pelas diferenças de nível, conectando de forma 117


contínua o território 6 - EIXOS NODAIS - Desenvolvimento de redes urbanas articuladas na criação de uma urbanidade contínua, que impulsione a conectividade.

a. [otimização e integração de espaços]

7 - RECICLAGEM URBANA - A reconversão do desenvolvimento do centro histórico, promovendo novas atividades ao solo urbano.

c. [rede de inovações]

Tendo os panoramas gerados a partir das ações, partese para a proposição de estratégias que promovam a reconversão do espaço histórico. Somando a essa possibilidade a questão da expansão do centro, reduto de economia criativa, através de elementos de turismo, tais como artesanato local e produtos de festividades religiosas. ESTRATÉGIAS ECONÔMICAS16 As estratégias econômicas [fig 5.5] buscam transformar a área central a partir da indução econômica que ocorre pelo incentivo e proposição de territórios com 24h de funcionalidade. São cinco pólos geradores das demais 118

estratégias:

b. [geração de empregos]

d. [integração econômica mútua] e. [grandes projetos urbanos] Os objetivos são estruturar e alavancar a economia existente, além de dinamizá-la em função dos novos horários de funcionamento. As áreas utilizadas são as edificações tombadas cujo uso encontra-se subutilizado ESTRATÉGIAS GOVERNAMENTAIS17 Estabelecidas a partir da necessidade de políticas públicas [fig. 5.6], que embasem e endossem atitudes mais específicas em relação ao tombamento e reforma do centro histórico, além do controle de verbas recebidas dos governos federal e estadual em relação a esse fim.


OTIMIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS ESPAÇOS

GERAÇÃO DE EMPREGOS

REDE DE INOVAÇÕES

Planos de incentivo para empresas e comércio

Convênios com ensino público e privado

Funcionalidade do território 24 horas

Revalorização do comércio local

Criação de espaços de apoio e capacitação a novos empresários

Soluções de conectividade sustentável para infraestrutura

Criação de objetos culturais articulados as preexistências

Investimento no comércio local e em edifícios de serviços e comércio existentes

Criação de relações entre novos espaços econômicos e população residente

Conectar as áreas delimitadas pelo centro

Formação de novos profissionais com a consolidação do polo turistico

Infraestrutura para moradores

Desenvolvimento de bulevares como elemento de transição entre níveis

Fig 5.5 - Estratégias econômicas.

INTEGRAÇÃO ECONÔMICA MÚTUA

GRANDES PROJETOS URBANOS

Potencializar a cultura e o entretenimento incentivando a vida noturna

Criação de novas ligações entre as extremidades da cidade

Valorização e estabelecimento de eixos comerciais Ajustar o adensamento das áreas promovendo infraestrutura Parcerias público-privadas para investimentos locais Reconexão de áreas através de atividades comerciais, habitacionais e institucionais Valorização da imagem do espaço

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PROJETOS GERADORES

COOPERAÇÃO REGIONAL

ACORDOS DE PLANIFICAÇÃO

PARQUE LINEAR

CULTURA DA ÁREA

INSTÂNCIAS

Incentivo ao lazer constante (cinemas, bares, teatros, restaurantes etc)

Programa de eixos verdes conectando toda a região

Viabilidade dos atuais moradores permanecerem na área, evitando gentrificação

Valorização de áreas públicas

Criação e/ou restauração dos pontos turísticos

Organização e colaboração administrativas dos interesses da comunidade

Privilegiar o pedestre com a criação de quadras abertas e maior acessibilidade

Criação de polos educacionais, culturais e turísticos

Trabalhos temáticos entre a comunidade urbana e central

Criação de espaços verdes para uso da população

Integração entre pontos turísticos

Permanência do desenhos das quadras, usufruindo dos vazios para conexões Conceito de engenharia ecológica

Parcerias públicos-privadas

Planos de incentivos fiscais para empresas e comércio

Estabelecimento de eixos comerciais

Fig 5.6 - Estratégias governamentais. 120

Reconversão econômica para um polo turístico

Formalizações de setores com 24h de formalidade


Incluem-se nesse item, as parcerias publico-privadas, e os demais acordos firmados com o objetivo de desenvolver a urbanidade do espaço, com maior qualidade e de forma integrada às ações econômicas. São seis pólos geradores: a. [projetos geradores] b. [cooperação regional] c. [acordos de planificação] d. [parque linear] e. [cultura da área] f. [instâncias] Os objetivos são a promoção de atitudes governamentais, integradas ou não às indústrias privadas, que promovam o desenvolvimento e maior qualidade espacial para os moradores e visitantes. A área de intervenção é ao longo do território, expandindo para as regiões adjacentes, de forma a integrá-las enquanto política pública.

ESTRATÉGIAS DE SUSTENTABILIDADE18 Estabelecidas a partir de quatro núcleos de desenvolvimento [fig 5.7], que permite potencializar os territórios verdes, e integrar os remanescentes de mata atlântica nativa. São eles: a. [preservação do patrimônio] b. [valorização do verde] c. [redução de impactos] d. [desenvolvimento econômico sustentável] A valorização acontece por meio de espaços que integrem a economia e a diversidade local com o aumento e gestão de espaços verdes. Essas ações buscam integrar não apenas o meio ambiente, mas induzem novas economias e possibilidades de produção de energia. ESTRATÉGIAS URBANAS19 As estratégias urbanas [fig.5.8] são utilizadas para a

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PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO

VALORIZAÇÃO DO VERDE

REDUÇÃO DE IMPACTO

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL

Preservação de bens tombados

Revitalização de áreas verdes através da proposição de espaços aprazíveis

Agrupamento de práticas de transporte, criando redes menos poluentes

Reconversão ambiental de espaços subutilizados

Valorização do patrimônio urbano

Diversificação do usos de áreas verdes

Amenização dos impactos de gás carbônicos através de corredores verdes

Aplicação de engenharia ecológica

Reconversão de áreas para cultura e lazer

Criação de áreas verdes através da composição de espaços aprazíveis

Estratégias de aproveitamento de carbono

Promover a ligação entre os parques, criando um grande eixo

Reconversão urbana e revitalização de edifícios degradados

Planejamento para o desenvolvimento de pequenos ecossistemas

Utilização de novas tecnologias a favor de um melhor aproveitamento de recursos

Valorização de edificações emblemáticas

Melhoria na drenagem urbana regional

Fig 5.7 - Estratégias sustentáveis. 122

Planejamento ambiental para o desenvolvimento de uma rede de parques


CONTINUIDADE DE FLUXOS

VALORIZAÇÃO URBANA

RECICLAGEM URBANA

MANIFESTAÇÕES

CONEXÃO OTIMIZADA

RECONQUISTA URBANA

Conexão entre áreas por meio de áreas verdes e/ou equipamentos

Diversificação de usos e adensamento em toda a área de intervenção

Reciclar e recolocar a área no ciclo da cidade através da gestão de novas atividades

Eventos emblemáticos metropolitanos ao longo da área

Implantação de descontinuidades, aproveitamento de espaços vazios

Flexibilidade entre as zonas de transição

Interligação de zonas econômicas

Potencialização de atividades culturais e educacionais nas áreas lindeiras

Recuperação do centro urbano e/ou áreas degradadas

Espaços destinados ao uso público e coletivo, de circulação e espaços aprazíveis

Implantação de eixos nodais que permitam a conexão entre diferentes áreas

Projetos de renovação ao longo do eixo

Promoção de eventos culturais ao longo do parque

Privilegiar a liberdade de circulação por meio de quadras abertas

Zonas de extensão, continuidade e conexões Criação de boulevares de transição entre as áreas da cidade Zonas de extensão, apoio logístico e conexões

Fig 5.8 - Estratégias urbanas.

Criação de quadras abertas

Projeto derenovação e reconversão de áreas subutilizadas Consolidação do centro urbano e recuperação de áreas degradadas

Conectividade com a região periférica

Conexões em diferentes níveis

Conectividade com o entorno

Reconversão econômica, cultural, educacional, urbana e turística Recuperação e implementação do cotidiano urbana Reconversão econômica e urbana através de polo turistico Implementação do cotidiano urbano

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reconquista urbana do centro histórico e desenvolvimento de espaços aprazíveis. As ações induzem à valorização do território e permeabilidade do tecido de forma contínua, sendo otimizada a partir da criação de eixos nodais. Os seis núcleos que compõem esse grupo estratégico são: a.

[continuidade de fluxos]

b. [valorização urbana] c.

[reciclagem urbana]

d. [manifestações] e. [conexão otimizada] f.

[reconquista urbana]

ESTRATÉGIAS TURÍSTICAS As estratégias turísticas [fig 5.9] são elementos indutores de ações, que promovem a consolidação do território enquanto destino turístico, conferindo ao espaço toda infraestrutura de apoio necessária à inserção de um pólo atrativo de turistas. Esta possibilidade de estudo estratégico

124

voltada ao turismo foi extraída da metodologia de BESSA e ÁLVARES (2014), e tem como macroestratégias os seguintes pontos: a.

[arquitetura icônica]

b. [megaeventos e eventos emblemáticos] c.

[criação e melhoria da estrutura urbana]

d. [intervenções patrimoniais] e. [marketing urbano] f.

[marcos legais regulatórios]

g. [parcerias publico-privadas] A aplicação dessas estratégias aconteerá em escala micro aplicada no centro histórico da cidade, e em escala macro na cidade como um todo, com ênfase não apenas no território e em ações de transformação do espaço, mas em políticas publicas e estratégias de marketing. Entretanto, ao analisar a fundo as estratégias turísticas, percebe-se que todas estão relacionadas, ou se fundamentam nos grupos estratégicos propostos por HERNANDEZ


ARQUITETURA ICÔNICA

MEGAEVENTOS E EVENTOS EMBLEMÁTICOS

CRIAÇÃO E MELHORIA DA ESTRUTURA URBANA

INTERVENÇÕES PATRIMONIAIS

MARKETING URBANO

MARCOS LEGAIS REGULATÓRIOS

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Criação de objetos que sirvam de resposta à ausência de marcos

Utilização de megaeventos para encorajar a revitalização urbana

Criação de redes hoteleiras e núcleos capacitores de apoio

Identificação e consolidação dos espaços históricos

Definir a imagem da cidade a ser vendida

Subsídios a grandes empresas que patrocinem o desenvolvimento

Uso de materiais e tecnologias que causem quebra na monotonia da paisagem

Estímulo e marketing dos elementos culturais existentes da cidade

Remodelagem da estrutura viária

Desenvolvimento das novas arquiteturas que complementem o existente histórico

Regulação de planos específicos às potencialidades dos centros históricos

Promoção dos circuitos históricos

Criação de marcos em áreas verdes (pontos de encontro)

Feiras gastronômicas e culturais que mobilizam a comunidade local

Implantação de ícones em áreas centrais degradadas

Espaços de ensino e suporte à economia criativa Suporte aos serviços de infraestrutura básica

Enfatizar a presença do ecoturismo na região

Gestão participativa do desenvolvimento do centro histórico

Parcerias com a comunidade local através de iniciativas mutualistas

Incentivos fiscais para inserção de comércio local e artesanato do centro Regulamentação de intervenções nas parcerias público-privadas

Criação de equipamentos culturais

Fig 5.9 - Estratégias turísticas.

Conversão de áreas degradadas em núcleos comerciais e áreas verdes

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(2012). Logo, opta-se por redistribui-las nos quatro grupos estratégicos existentes e prosseguir com a análise. As definições das macroestratégias, propostas por seus autores, são: As definições das macroestratégias, propostas por seus autores, são:

Fig 5.10 - Centro Georges Pompidou, França.

- Arquitetura icônica – A arquitetura como ícone vem da ideia de inserir um objeto que cause estranhamento na paisagem e motive a visitação. Os autores justificam que “o Centro Pompidou [fig 5.10], uma caixa de vidro emoldurada por estruturas metálicas aparentes implantada na Marrais, bairro histórico de Paris, atrai mais visitantes que o Museu do Louvre”20. FERRARA (2002) ensina que “a informação lógica é silenciosa e apenas sugestiva, porque permanece como qualidade material e formal a disposição atenta de um uso interpretante imponderável e não necessário. Sua interpretação está contida na própria qualidade icônica.”21 A partir dessa definição, se inclui essa macroestratégia no grupo de estratégias urbanas, visto se tratar de ideias

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de reconversão urbana de espaço, mais especificamente, focada na criação de espaços aprazíveis. - Megaeventos e eventos emblemáticos – Muitas vezes, principalmente no Ocidente, há a reutilização de espaços preexistentes para criar espaços de lazer e locais de permanência com caráter mais aprazível. Em alguns casos, uma das estratégias utilizadas é a de realizar grandes eventos para inserir as cidades no panorama turístico internacional [fig 5.11]. Segundo SANCHEZ (1999), “através do planejamento estratégico, realizaram-se reformas completas em algumas cidades, inclusive no que diz respeito ao remodelamento dos desenhos urbanos.”22

Fig 5.11 - Abertura da Copa do Mundo 2014, São Paulo, Brasil.

A conclusão dos autores é que “os grandes eventos emblemáticos são uma forma de as cidades poderem criar uma imagem em nível internacional e atrair investimentos externos com o objetivo de promover o crescimento de longo prazo.”23 A desvantagem desse processo, é que os espaços revitalizados se tornam reféns das grandes empreiteiras de construção civil e da especulação imobiliária, mantendo a segregação dos espaços.

A partir dos pontos levantados, a melhor inserção

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desse grupo estratégico se dá no grupo das táticas urbanas, devido à política liberal, mais notadamente no quesito manifestações. - Criação e melhoria da estrutura urbana – Melhorar os aspectos visuais de uma localidade não é o suficiente para inseri-la num contexto turístico, é necessário intervir na infraestrutura adjacente de forma a transformar o local de passeio em um espaço aprazível de visitação [fig. 5.12]. Os autores definem esses investimentos em estrutura urbana como Fig 5.12 - Reforma da Avenida Diagonal de Barcelona.

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“aqueles realizados no sistema viário e mobilidade urbana, na infraestrutura paisagística, como parques, praças e jardins, na rede hoteleira, nos equipamentos de suporte dos serviços de saúde (hospitais, postos de saúde), educação, cultura (museus, teatros, cinemas e centros culturais) e segurança, nos aeroportos, portos e rodoviárias, na rede de telecomunicações, saneamento básico, no suprimento energético, entre outros.”24


Porém, nessa situação, segundo a lógica do planejamento estratégico, o foco está nas questões de resultados rápidos e eficiência, que é uma questão contrária às atuais políticas de planejamento participativo.

variam “da restauração à reutilização, passando pelo miseem-scène e animação cultural, a valorização do patrimônio histórico apresenta múltiplas formas, de contornos imprecisos que quase sempre se associam”.

A partir do momento em que se está tratando de infraestrutura urbana, sua inserção se dá no grupo de estratégias urbanas pelas questões de macro análise e aplicação.

A questão das intervenções patrimoniais se encontra no âmbito da política pública, se encaixando, desse modo, no grupo de estratégias governamentais.

- Intervenções patrimoniais – O patrimônio passa a ser valorizado como parte integrante da cultura, a partir do século XIX e avanço do desenvolvimento das ciências. Passam também a ser integrados a cultura, e os edifícios viram objetos de culto, “relíquias de um mundo perdido, devorado pelo tempo e pela técnica.”25 Segundo os autores, “uma das técnicas mais empregadas de intervenções patrimoniais tem sido a de inserir estruturas arquitetônicas arrojadas em edifícios antigos [fig 5.13] como forma de renovar a novidade e atrair turistas.”26 Além disso, várias são as formas de intervir no patrimônio, e são raras as vezes em que se aplica apenas uma delas. CHOAY (1999) define essas intervenções que

- Marketing urbano – Também denominado marketing, consiste

de

city

“no emprego de ações, estratégias de análise, planejamento, execução e controle dos processos que ocorrem num determinado território, objetivando atender às necessidades e expectativas dos moradores, turistas e empresas e contribuir para melhorar a competitividade da localidade no seu ambiente concorrencial.”27 O ponto principal das questões de marketing urbano está na veracidade das informações vendidas: tem que haver condições para cumprir o que o destino turístico promete, já que mexe diretamente com as expectativas dos turistas.

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O contraponto dessa situação ocorre quando as ações de marketing acontecem no âmbito de camuflagem, e espetacularização de situações que, ao invés de estimular o desenvolvimento, apenas exaltam as disparidades locais. Essa questão de marketing se encaixa enquanto iniciativa para impulsionar as dinâmicas e economias locais, ou seja, se encaixa de forma mais precisa no grupo de estratégias econômicas. - Marcos legais regulatórios – Definido pelos autores como

Fig 5.13 - Reforma de casarão para se tornar a Biblioteca de São Luiz de Paraitinga.

“o conjunto de peças legislativas, normas e procedimentos instituídos pelos governos dos países ou localidades que, direta ou indiretamente, interferem no seu design urbano, seja na fase de concepção, planejamento, implementação ou controle.”28 Podemos exemplifica-los enquanto planos diretores, operações urbanas e legislações específicas. Seu objetivo principal é controlar e fiscalizar o desenvolvimento da localidade turística.

130


A questão que vai contra esse aspecto é a má utilização dessa situação para constituir atos de exceção que beneficiem empresas de forma específica, como é o caso das legislações associadas a FIFA, que dão isenções de todo o tipo às empresas parceiras e proíbem a venda de produtos “concorrentes” às marcas patrocinadas durante os eventos. Observando essa questão de regulamentação, nota-se que essa macroestratégia se insere no grupo de estratégias governamentais, pois é ele o responsável pelo desenvolvimento dessas políticas. Após essa reflexão, tem-se as estratégias turísticas transformadas da seguinte maneira

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ARQUITETURA ICÔNICA

MEGAEVENTOS E EVENTOS EMBLEMÁTICOS

CRIAÇÃO E MELHORIA DA ESTRUTURA URBANA

INTERVENÇÕES PATRIMONIAIS

MARKETING URBANO

MARCOS LEGAIS REGULATÓRIOS

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Criação de objetos que sirvam de resposta à ausência de marcos

Utilização de megaeventos para encorajar a revitalização urbana

Criação de redes hoteleiras e núcleos capacitores de apoio

Identificação e consolidação dos espaços históricos

Definir a imagem da cidade a ser vendida

Subsídios a grandes empresas que patrocinem o desenvolvimento

Uso de materiais e tecnologias que causem quebra na monotonia da paisagem

Estímulo e marketing dos elementos culturais existentes da cidade

Remodelagem da estrutura viária

Desenvolvimento das novas arquiteturas que complementem o existente histórico

Regulação de planos específicos às potencialidades dos centros históricos

Promoção dos circuitos históricos

Gestão participativa do desenvolvimento do centro histórico

Parcerias com a comunidade local através de iniciativas mutualistas

Criação de marcos em áreas verdes (pontos de encontro)

Feiras gastronômicas e culturais que mobilizam a comunidade local

Implantação de ícones em áreas centrais degradadas

Espaços de ensino e suporte à economia criativa Suporte aos serviços de infraestrutura básica

Enfatizar a presença do ecoturismo na região

Incentivos fiscais para inserção de comércio local e artesanato do centro Regulamentação de intervenções nas parcerias público-privadas

Criação de equipamentos culturais Conversão de áreas degradadas em núcleos comerciais e áreas verdes

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Que irão associar-se aos grupos estratégicos existentes da seguinte forma:


PROJETOS GERADORES

COOPERAÇÃO REGIONAL

Incentivo ao lazer constante (cinemas, bares, teatros, restaurantes etc)

Programa de eixos verdes conectando toda a região

OTIMIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS ESPAÇOS

GERAÇÃO DE EMPREGOS

REDE DE INOVAÇÕES

INTEGRAÇÃO ECONÔMICA MÚTUA

GRANDES PROJETOS URBANOS

MARKETING URBANO

Planos de incentivo para empresas e comércio

Convênios com ensino público e privado

Funcionalidade do território 24 horas

Potencializar a cultura e o entretenimento incentivando a vida noturna

Criação de novas ligações entre as extremidades da cidade

Definir a imagem da cidade a ser vendida

Revalorização do comércio local

Criação de espaços de apoio e capacitação a novos empresários

Soluções de conectividade sustentável para infraestrutura

Valorização e estabelecimento de eixos comerciais

Promoção dos circuitos históricos

Privilegiar o pedestre com a criação de quadras abertas e maior acessibilidade

Criação de objetos culturais articulados as preexistências

Investimento no comércio local e em edifícios de serviços e comércio existentes

Criação de relações entre novos espaços econômicos e população residente

Ajustar o adensamento das áreas promovendo infraestrutura

Enfatizar a presença do ecoturismo na região

Permanência do desenhos das quadras, usufruindo dos vazios para conexões

Conectar as áreas delimitadas pelo centro

Formação de novos profissionais com a consolidação do polo turistico

Infraestrutura para moradores

Desenvolvimento de bulevares como elemento de transição entre níveis

Parcerias público-privadas para investimentos locais

Criação de polos educacionais, culturais e turísticos

ACORDOS DE PLANIFICAÇÃO Viabilidade dos atuais moradores permanecerem na área, evitando gentrificação Trabalhos temáticos entre a comunidade urbana e central

PARQUE LINEAR

CULTURA DA ÁREA

INSTÂNCIAS

INTERVENÇÕES PATRIMONIAIS

MARCOS LEGAIS REGULATÓRIOS

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Valorização de áreas públicas

Criação e/ou restauração dos pontos turísticos

Organização e colaboração administrativas dos interesses da comunidade

Identificação e consolidação dos espaços históricos

Subsídios a grandes empresas que patrocinem o desenvolvimento

Criação de espaços verdes para uso da população

Integração entre pontos turísticos

Formalizações de setores com 24h de formalidade

Desenvolvimento das novas arquiteturas que complementem o existente histórico

Regulação de planos específicos às potencialidades dos centros históricos Gestão participativa do desenvolvimento do centro histórico

Parcerias com a comunidade local através de iniciativas mutualistas

Incentivos fiscais para inserção de comércio local e artesanato do centro

Reconversão econômica para um polo turístico

Parcerias públicos-privadas

Regulamentação de intervenções nas parcerias público-privadas

Planos de incentivos fiscais para empresas e comércio

Conceito de engenharia ecológica

Reconexão de áreas através de atividades comerciais, habitacionais e institucionais

Estabelecimento de eixos comerciais

Valorização da imagem do espaço

PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO

VALORIZAÇÃO DO VERDE

REDUÇÃO DE IMPACTO

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL

CONTINUIDADE DE FLUXOS

VALORIZAÇÃO URBANA

RECICLAGEM URBANA

MANIFESTAÇÕES

CONEXÃO OTIMIZADA

RECONQUISTA URBANA

ARQUITETURA ICÔNICA

MEGAEVENTOS E EVENTOS EMBLEMÁTICOS

CRIAÇÃO E MELHORIA DA ESTRUTURA URBANA

Preservação de bens tombados

Revitalização de áreas verdes através da proposição de espaços aprazíveis

Agrupamento de práticas de transporte, criando redes menos poluentes

Reconversão ambiental de espaços subutilizados

Conexão entre áreas por meio de áreas verdes e/ou equipamentos

Diversificação de usos e adensamento em toda a área de intervenção

Reciclar e recolocar a área no ciclo da cidade através da gestão de novas atividades

Eventos emblemáticos metropolitanos ao longo da área

Implantação de descontinuidades, aproveitamento de espaços vazios

Flexibilidade entre as zonas de transição

Criação de objetos que sirvam de resposta à ausência de marcos

Utilização de megaeventos para encorajar a revitalização urbana

Criação de redes hoteleiras e núcleos capacitores de apoio

Valorização do patrimônio urbano

Diversificação do usos de áreas verdes

Amenização dos impactos de gás carbônicos através de corredores verdes

Aplicação de engenharia ecológica

Interligação de zonas econômicas

Potencialização de atividades culturais e educacionais nas áreas lindeiras

Recuperação do centro urbano e/ou áreas degradadas

Espaços destinados ao uso público e coletivo, de circulação e espaços aprazíveis

Implantação de eixos nodais que permitam a conexão entre diferentes áreas

Projetos de renovação ao longo do eixo

Uso de materiais e tecnologias que causem quebra na monotonia da paisagem

Estímulo e marketing dos elementos culturais existentes da cidade

Remodelagem da estrutura viária

Reconversão de áreas para cultura e lazer

Criação de áreas verdes através da composição de espaços aprazíveis

Estratégias de aproveitamento de carbono

Promover a ligação entre os parques, criando um grande eixo

Zonas de extensão, continuidade e conexões

Promoção de eventos culturais ao longo do parque

Feiras gastronômicas e culturais que mobilizam a comunidade local

Espaços de ensino e suporte à economia criativa

Reconversão urbana e revitalização de edifícios degradados

Planejamento para o desenvolvimento de pequenos ecossistemas

Utilização de novas tecnologias a favor de um melhor aproveitamento de recursos

Criação de boulevares de transição entre as áreas da cidade

Privilegiar a liberdade de circulação por meio de quadras abertas

Valorização de edificações emblemáticas

Melhoria na drenagem urbana regional Planejamento ambiental para o desenvolvimento de uma rede de parques

Zonas de extensão, apoio logístico e conexões

Criação de quadras abertas

Projeto derenovação e reconversão de áreas subutilizadas Consolidação do centro urbano e recuperação de áreas degradadas

Conectividade com a região periférica

Conexões em diferentes níveis

Conectividade com o entorno

Reconversão econômica, cultural, educacional, urbana e turística Recuperação e implementação do cotidiano urbana

Criação de marcos em áreas verdes (pontos de encontro) Implantação de ícones em áreas centrais degradadas

Suporte aos serviços de infraestrutura básica

Reconversão econômica e urbana através de polo turistico

Criação de equipamentos culturais

Implementação do cotidiano urbano

Conversão de áreas degradadas em núcleos comerciais e áreas verdes

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ANÁLISE DIAGRAMÁTICA

O desenvolvimento do processo de análise estratégica se deu através de estudos dos seguintes parâmetros, além dos já citados no capítulo anterior:

1. LEVANTAMENTO

a. Uso e ocupação do solo

b. Verticalidade

c. Estado de conservação

d. Idade das edificações

e. Topografia

f. Fluxos

g. Patrimônio

h. Análise territorial

2. ESTRATÉGIAS

a. Estratégias Econômicas

b. Estratégias Governamentais

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c. Estratégias Sustentáveis d. Estratégias Urbanas

Que ao serem aplicados no território produzem os seguintes diagramas de análise: 3. APLICAÇÃO NO RECORTE TEMPORAL a. Estratégias momento 1 – 2,5 anos b. Ações estratégicas momento 1 c. Estratégias momento 2 – 5 anos d. Ações estratégicas momento 2 e. Estratégias momento 3 – 7,5 anos f. Ações estratégicas momento 3 g. Estratégias momento 4 – 10 anos h. Ações estratégicas momento 4


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1 Extraído de BESSA, Altamiro Sérgio Mol e ÁLVARES, Lucia Capanema. A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda de cidades. Belo Horizonte: 2014. Editora C/ ARTE.

Idem.

2

Idem.

3

OMT, 2001, p.47.

4

Idem

5

Idem

6

Extraido de ARRIAGADA, Carlos Andrés Hernández. Estratégias projetuais no território do porto de Santos. Tese de doutorado apresentada a Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, 2007. 7

Idem.

8

Idem.

9

Idem.

10

Idem.

11

Idem.

12

13 Conceito extraído de ARRIAGADA, Carlos Andrés Hernández. Estratégias projetuais no território do porto de Santos. Tese de doutorado apresentada a Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, 2007.

Idem.

19

Extraído de BESSA, Altamiro Sérgio Mol e ÁLVARES, Lucia Capanema. A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda de cidades. Belo Horizonte: 2014. Editora C/ ARTE. 20

21 FERRARA, Lucrécia D’Aléssio. Design em espaços. São Paulo: Edições Rosari, 2002. 22 SÁNCHEZ, Fernanda. Políticas urbanas em renovação: uma leitura dos modelos emergentes. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, Campinas, n.1, p.115-132, 199. 23 Extraído de BESSA, Altamiro Sérgio Mol e ÁLVARES, Lucia Capanema. A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda de cidades. Belo Horizonte: 2014. Editora C/ ARTE.

Idem.

24

25 CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: Unifesp, 1999. 26 Extraído de BESSA, Altamiro Sérgio Mol e ÁLVARES, Lucia Capanema. A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda de cidades. Belo Horizonte: 2014. Editora C/ ARTE.

Idem.

27

Idem.

28

Idem.

14

Idem.

15

Idem.

16

Idem.

17

Idem.

18

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REFERÊNCIAS PROJETUAIS

“A arquitetura é, antes de mais nada, construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando determinada intenção.” (Lucio Costa) 147


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Feitas as análises territoriais e aplicadas as estratégias ao território, parte-se para a concepção e desenho da arquitetura que possa atender as necessidades do território. Entretanto, uma etapa importante que precede o desenho, é o estudo de referências projetuais, que enriquece e inspira a produção arquitetônica. As características principais buscadas nas referências foram as seguintes: 1 - Programa e inserção no entorno histórico – Carré d’Art, Norman Foster; 2 - Elementos de fachada que tragam a cultura local associada a questões de insolação e ventilação naturais – Instituto do Mundo Árabe, Jean Nouvel; 3 - Inserção em topografia acidentada – John Cranko Ballet School, 3xn Arquitekter.

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CARRÉ D’ART, NORMAN FOSTER Nîmes, França, 1984-93 Resultado de um concurso de arquitetura de 1984, que propunha construir um programa multifuncional de midiateca e estruturas de museu, numa superfície de 6000 metros quadrados, em frente ao templo romano denominado Maison Carrée, que remonta ao século 1 a.C e se encontra em perfeito estado de conservação,. Buscando dialogar diretamente com o edifício existente, a solução é um paralelepípedo envidraçado com um amplo pátio interno. A transparência mantém a ênfase do visitante no entorno histórico, especificamente no monumento romano. O programa abriga, nos níveis superiores, coleções permanentes de arte, que se privilegiam da luz natural proveniente do pátio; abaixo existem as salas destinadas às exposições temporárias, e o térreo contém uma biblioteca. Os andares subterrâneos ocupam salas de conferência, cinema e lojas.

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O ponto forte desse projeto é a forma como o programa se distribui num edifício monolítico, que não destoa do entorno histórico. A ideia do concurso era propor um edifício que estimulasse a revitalização da praça onde está inserido o terreno, e projeto foi confiado ao autor do edifício. A materialidade da arquitetura também chama muita atenção, porque é esteticamente muito interessante, sem competir com o monumento existente.


““Luz” e “cultura” são termos-chave do projeto.” (Giovanni Leoni)

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INSTIITUTO DO MUNDO ÁRABE, JEAN NOUVEL Paris, França, 1987 Durante a maior iniciativa de desenvolvimento liderada pelo governo francês, os chamados “Grands Projets”, Jean Nouvel foi o vencedor de um concurso para desenhar o que ficaria conhecido como Instituto do Mundo Árabe, e posteriormente se tornaria um destino famoso entre a população local e os turistas. Buscando criar uma conexão entre a cultura árabe e a francesa, o edifício se destaca pela sua fachada livremente inspirada no muxarabi, elemento arquetípico árabe, que possui um sistema composto de centenas de diafragmas sensíveis à luz, regulando a quantidade dela que é permitido entrar no edifício, e seu movimento desloca o padrão geométrico, que oscila livremente entre quadrados, círculos e formas octogonais, concedendo, dessa forma, uma estética interessante e em constante mudança, associada a ganhos ambientais. Localizada em um ponto de transição entre bairros e cenários urbanos dentro de Paris, suas fachadas também

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refletem essa mudança: ao sul está a Paris moderna e os muxarabis retráteis, enquanto ao norte está a cidade histórica e a fachada norte, espelhada. O programa do projeto é bastante pragmático enquanto espaço cultural, que busca atrair o maior número de visitantes: abriga museu, biblioteca, exposições temporárias, mas nada especificamente ligado à cultura árabe. O elemento compositivo da fachada é o maior atrativo do projeto. A releitura sublime do elemento de composição árabe, associado à tecnologia produziu uma fachada interessante e sustentável, que foi inclusive premiada pela qualidade do design, com os prêmios Aga Khan para Architecture, em 1989, e o Equirre d’Argent para arquitetura francesa, em 1987.


“O instituto é a vitrine do mundo árabe em Paris. Não é, no entanto, um edifício árabe, mas ocidental.” (Marco Casamonti)

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JOHN CRANKO BALLET SCHOOL, 3XN ARKITEKTER Sttutgart, Alemanha, 2011 Com localização e vista privilegiadas para o centro de Stuttgart, o projeto é a nova sede da escola de ballet da cidade. Estando localizado numa região predominantemente habitacional de grande declividade, o edifício busca se abrir nos três eixos de direção. A composição do volume ocorre através das caixas torcidas em torno de uma das arestas, em movimento ascendente, deixando claros os programas presentes em seu interior, que contém, nos níveis mais baixos, salas de ensaio e camarins, administração e refeitório nos níveis intermediários, e internato nos andares superiores. Todo o edifício é cortado por uma escada que ocupa um vazio central. O deslocamento dos níveis cria terraços abertos, para serem utilizados como espaço de convivência e relaxamento. A grande qualidade desse projeto se encontra na forma como respeita a topografia do terreno, deslizando

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suavemente sobre ele, ao mesmo tempo em que traz a sensação de movimento suave na composição arquitetônica, como saudação ao uso que abriga. Outro ponto que chama a atenção é o vão central, enquanto elemento integrador de espaços e fonte de iluminação natural, que também apresenta uma delicadeza formal associada à sensação de movimento decorrente do giro do vazio.


“O volume é composto por caixas que são torcidas ritmicamente de forma uniforme em torno de uma coluna em movimento ascendente - como se fosse um edifício dançarino agradável realizando a pirueta perfeita.” (3xn Arkitekter)

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O PROJETO

“Qualquer que seja sua aparência, diga que é uma resposta ao seu entorno; se estiver fora de escala, diga que é um marco; se estiver inexplicavelmente fora de escala, diga que é um ícone.” (Ivor Samuels) 157


O terreno escolhido foi em um lugar emblemático dentro do centro histórico da cidade: uma área entre as ruas Suzana Dias e Estrada dos Romeiros, antes ocupada por comércios abandonados, a qual foi incorporada a área verde sem uso da esquina. Buscando desenvolver uma arquitetura que responda à questão: - Que tipo de arquitetura e usos devem ser inseridos, visando complementar as infraestruturas existentes, e proporcionar um espaço aprazível para a população? A partir daí, foi organizado um programa com o foco principal nas questões de memória e patrimônio, que necessitam ser explorados de forma mais ativa, para poderem revitalizar o centro da cidade: organizar um espaço que agrupe uma escola de restauro, um museu e uma biblioteca, além de incentivar a ideia da praça já existente. Como o terreno atravessa a quadra, e possui um desnível de doze metros de uma ponta a outra, a divisão dos programas de modo a deixar a biblioteca mais próxima ao centro da cidade, e transformar o museu em elemento de

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atração, principalmente para quem chega na cidade pelo acesso pela Estrada dos Romeiros. A escola de restauro foi colocada na praça, permitindo a promoção de eventos e exposições dos trabalhos dos alunos nela. Enquanto forma de arquitetura, a inspiração veio da distribuição das casas coloniais existentes e sua divisão. Ambos os blocos são quadrados, com um vão central, onde está concentrada a circulação vertical através de escadas helicoidais, no caso da biblioteca, e ovais, com passarela, trazendo visuais semelhantes às obtidas no projeto de reformulação da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Os dois volumes trazem pequenos balanços nas fachadas, reflexo dos pequenos giros em torno de um mesmo eixo dos volumes de cada pavimento. No primeiro pavimento da biblioteca e terceiro do museu, na cota 108,50, foi pensada uma praça que integre os volumes e permita a conexão interna entre eles. Através da escadaria lateral, que liga os dois níveis de ruas, também é possível acessar esse espaço central. O bloco do museu, que possui frente para a Estrada


dos Romeiros, tem uma cobertura de laje em balanço, protegendo o acesso e mesclando com o acesso da escola de restauro, e ao mesmo tempo, possuindo esse espaço como final do eixo transformado em escadaria na lateral do terreno, que atua como um pórtico coroando o espaço. O programa do museu tem como objetivo servir de espaço para exposições referentes à Santana de Parnaíba e toda a região do Oeste Paulista, focalizando nas questões do bandeirismo e sua história, da mata atlântica preservada e as belezas naturais nas proximidades, e ainda ter um espaço onde as experiências das pessoas que fizeram as rotas turísticas (Caminho do Sol, Circuito da Taipa e Rota dos Bandeirantes), possam expor suas visões de trajetos. O espaço abriga no térreo a recepção, loja de souvenirs e parte administrativa; no pavimento superior há uma área dedicada a exposições permanentes e uma surpresa para o visitante: uma passarela de vidro que liga o volume do museu ao pavimento superior da escola de restauro, que contém os laboratórios de processamento, documentação e restauração, possibilitando aos visitantes acompanhar os processos e entendê-los melhor, enquanto estes acontecem, como se estivessem do lado de fora de uma vitrine.

O pavimento superior é dedicado a exposições permanentes, e o terceiro pavimento tem foco nas exposições temporárias, fazendo com que o visitante faça todo um percurso e conheça a história da cidade, antes de visitar as exposições que trazem esses olhares para o espaço arquitetônico. No ultimo pavimento, duas surpresas para os visitantes: o restaurante avarandado que possui vista privilegiada para os remanescentes de mata Atlântica e para o Tietê, e uma pequena ponte que liga o último pavimento do museu ao ultimo pavimento do prédio de bibliotecas, e possui uma área aberta com vista para a praça e a Igreja Matriz, local de concentração de todos os grandes eventos que são sediados pela cidade. O bloco da biblioteca, como já dito anteriormente, acaba tendo dupla função: partindo da mesma premissa e referência na casa bandeirista, apresenta circulação central através de escada helicoidal. Contendo, no térreo, parte do acervo de livros, acervo de periódicos, espaço de estudo e toda estrutura de empréstimo e devolução de livros. O acervo fica concentrado no segundo pavimento, juntamente às salas de estudo. O terceiro agrupa a área de livros raros, além da área livre, dedicada a contemplação da cidade.

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Enquanto fachada, o objetivo era fazer um tributo ao elemento vazado, que se concretizou ao transformar o desenho em chapa metálica e aplicar como fachada dupla ao

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norte, enquanto proteção solar, e na fachada sul enquanto elemento de composição.


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Implantação 164 Sem escala


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Detalhes construtivos

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CONCLUSÃO Enquanto comentários levantados na apresentação do projeto, as considerações a serem exploradas dizem respeito, principalmente, a proximidade dos dois volumes que acaba por “sufocar” a praça interna do projeto, sendo sugerido suprimir parte dos volumes, e criar um espaço de maior amplitude e com mais insolação e ventilação. Também se levantou a questão estrutural, em função dos vazios centrais, que devem ser pensados com moderação.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

“A satisfação reside no esforço, não no resultado obtido. O esforço total é a plena vitória.” (Mahatma Gandhi) 179


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Ao iniciar os estudos relacionados ao patrimônio histórico, instigada por interesses pessoais que se somaram a trabalhos em grupos de pesquisa, fui surpreendida pela diversidade de subtemas a serem explorados e possibilidades de desenvolvimento desse trabalho. A escolha do território aconteceu ao perceber a importância do município na história do país, e ver que ele acabou “caindo no esquecimento” ao longo do tempo. A partir daí, orientei o trabalho de forma a pensar, apoiada no âmbito econômico, as possibilidades de revitalização e reconversão urbana do espaço num pólo turístico, tendo as preexistências locais como potencialidades para tal. Depois de uma série de estudos, a conclusão é que o município realmente possui uma série de atrativos, capazes de se articular na produção de um destino turístico e impulsionar a economia local, já que em outros parâmetros a cidade apresenta bons indicadores. As tentativas de políticas participativas promovidas pelo governo trazem um novo horizonte na forma de pensar os espaços urbanos, capaz de modificar a forma dos moradores de enxergar os espaços da cidade.

A aplicação da metodologia de estratégias projetuais no espaço permitiu a produção de uma série de cenários urbanos, possibilidades de intervenção e deixou evidente a necessidade de se pensar a cidade, não apenas no aspecto urbanístico, e sim nas vertentes que o condicionam e que se interpõem a ele, como sustentabilidade e economia. Por último, creio que este trabalho tenha servido como reflexão, para que eu possa pensar a cidade enquanto espaço para pessoas, que as convide a refletir que a cidade também é delas, e elas têm tanta obrigação de pensar esse espaço quanto eu. Quem sabe não está despontando uma nova vertente de pensamento, que integra aspectos multidisciplinares e envolve de forma efetiva todos os participantes do projeto “cidade”?

“Emitir hipóteses é reconciliar a dúvida e a esperança. Mais do que nunca temos necessidade das duas.” (Marc Augé) 181


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BIBLIOGRAFIA

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SASSEN, Sáksia. The global city: New York, London, Tokyo. New Jersey: Princeton University Press, 1998. HARVEY, David. The Enigma of Capital: And the Crises of Capitalism. New York: Oxford University Press, 2005. VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

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SOTRATTI, M. A. . A Requalificação Urbana e a Mercantilização do Patrimônio Cultural: o caso do Centro Histórico de Salvador - Pelourinho. In: PAES, M.T.D.; OLIVEIRA, M.R.S.. (Org.). Geografia, Turismo e Patrimônio Cultural. 1a.ed.São Paulo: AnnaBlume, 2009, v. , p. 139-154.


GUERRA, Abilio. Carnaval caipira em São Luiz do Paraitinga. Chuva, suor, cerveja e chita. Minha Cidade, São Paulo, ano 07, n. 079.01, Vitruvius, fev. 2007

MORGADO, Naira Iracema Monteiro. O espaço e a memória: Santana de Parnaíba. Dissertação de mestrado em história. Campinas: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, 1987.

SANTOS, Carlos Murilo Prado; PAES-LUCHIARI, Maria Tereza Duarte . A espetacularização do patrimônio cultural de São Luiz do Paraitinga-SP. Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 088.11, Vitruvius, set. 2007

HERNÁNDEZ Arriagada, Carlos Andrés. Estratégias projetuais no território do Porto de Santos. Dissertação de doutorado em Arquitetura e Urbanismo. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2012.

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185


186


ILUSTRAÇÕES: CRÉDITOS

187


[INTRODUÇÃO] Fig. 1.1

Centro histórico de João Pessoa. A relação entre a praça central e os casarões circundando. Disponível em <historiadobrasil13.blogspot.com/2010_01_01_archive.html>

Pág. 20

Fig. 1.2

Processo de revitalização de edifício de comércio em Bogotá, Colômbia. Disponível em <www.es.slideshare.net>

Pág. 24

Fig. 1.3

Plano urbano de revitalização da orla portuária do Rio de Janeiro. Projeto que agrega patrimônio conservado e renovação urbana. Disponível em <fernandonogueiracosta.wordpress.com>

Pág. 24

Fig 1.4

Gentrificação em praia de Barcelona. Disponível em <thisbigcity.net/it/32206/>

Pág. 25

Fig 1.5

Cidade de Serro, Minas Gerais. Tem sido objeto de análise pelo seu enquadramento no conceito de paisagem cultural pela topografia acentuada associada ao espaços histórico. Disponível em <www.vitruvius.com.br>

Pág. 26

[PROBLEMÁTICA]

188

Fig. 2.1

Exemplo de rugosidade em cidade histórica do Sul do País. Nota-se a coexistência de fachadas antigas e contemporâneas. Disponível em <https://rugosidades.files.wordpress.com/2012/11/img235.jpg. >

Pág. 30

Fig. 2.2

São Luiz do Paraitinga e as relações existentes entre a cidade e o ambiente natural. Disponível em <http:// www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/07.079/1931.>

Pág. 31

Fig. 2.3

Centro histórico de Barcelona. Créditos Pilar Azaña Talán. Disponível em <https://www.flickr.com/photos/ piazta/8218033646.>

Pág. 31


Fig 2.4

Centro histórico de São Luiz de Paraitinga. Créditos a2 fotografia e Diogo Moreira. Disponível em <http:// saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia2.php?id=237057. >

Pág. 32

Fig 2.5

Centro histórico de Cuzco. Créditos 2mag7. Disponível em <https://www.flickr.com/photos/90pli8/13828010265/ sizes/l. >

Pág. 32

Fig. 2.6

Mapa de Barcelona antes do Plano Urbano de Cerdá. Aprox. 1738. Disponível em <http://www.swaen.com/ zoomV2.php?id=5920&referer=antique-map-of.php.>

Pág. 33

Fig. 2.7

Mapa de Barcelona após o Plano Urbano de Cerdá. Aprox. 1880. Disponível em <http://densityatlas.org/userimages/92-3.jpg.>

Pág. 35

Fig. 2.8

Salão onde ocorriam as reuniões do Conselho de Cent. Créditos GooseRocker. Disponível em <http:// gooserocker.blogspot.com.br/2014_02_01_archive.html.>

Pág. 35

Fig. 2.9

Pavilhões montados para a Expo Internacional de 1888. Disponivel em <http://en.wikipedia.org/wiki/1888_ Barcelona_Universal_Exposition#/media/File:DiariOficialExpo-1066r.jpg. >

Pág. 35

Fig. 2.10

Planta da Exposição Internacional de 1929. Disponivel em <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Exposi%C3%A7%C3%A3o_Internacional_de_Barcelona_de_1929#/media/File:Expo1929-PlanolUbicacions.jpg. >

Pág. 36

Fig. 2.11 Fig. 2.12

Processo de planejamento urbanístico e dados de densidade do projeto 22@. Disponivel em <http:// www.22barcelona.com/documentacio/22bcn_1T2010_cat.pdf. >

Pág. 37 Pág. 37

Fig. 2.13

Vista panorâmica atual da cidade. Créditos: José Garrido. Disponivel em <https://www.flickr.com/photos/ joseag/9175402274/sizes/l/.>

Pág. 38

Fig. 2.14

Casarões do centro da cidade no auge do desenvolvimento cafeeiro. Disponível em www. adorosaoluizdoparaitinga.com.br

Pág. 38

Fig. 2.15

Carnaval de São Luiz. Evento tradicional que ocorre no centro histórico da cidade. Disponível em <www. saoluizdoparaitinga.sp.gov.br>

Pág. 40

189


Fig. 2.16

Levantamento do Governo do Estado para estudos de revitalização do centro. Disponível em <www.cultura. sp.gov.br>

Pág. 40

Fig. 2.17

Festa do Divino Espírito Santo. Evento tradicional que ocorre no centro histórico da cidade. Disponível em <www.brasildefato.com.br>

Pág. 42

Fig. 2.18

Vista atual da cidade. Disponível em <www.explorevale.com.br>

Pág. 43

Fig. 2.19

A coexistência entre os processos construtivos inca e espanhol. Disponível em <www.viajarpelomundo.com>

Pág. 43

Fig. 2.20

Fortaleza de Sacsayhuamán. Disponível em <www.viajarpelomundo.com>

Pág. 44

Fig. 2.21

Limites do Império Inca e suas subdivisões. Disponível em <www.viajarpelomundo.com>

Pág. 46

Fig. 2.22

Praça das Armas, que passou a ter esse nome após a modificação espanhola. Disponível em <www. viajarpelomundo.com>

Pág. 47

Fig. 2.23

Ladeiras de San Blas. Disponível em <www.viajarpelomundo.com>

Pág. 47

Fig. 2.24

Pequenos comércios voltados ao turista. Disponível em <www.viajarpelomundo.com>

Pág. 48

Fig. 2.25

Carnaval em Cuzco. Disponível em <www.viajarpelomundo.com>

Pág. 49

[SANTANA DE PARNAÍBA]

190

Fig. 3.1

Vista aérea do centro histórico da cidade. Disponível em <www.santanadeparnaiba.sp.gov.br/>

Pág. 54

Fig. 3.2

Igreja Matriz. Disponível em <www.santanadeparnaiba.sp.gov.br/>

Pág. 54

Fig. 3.3

Carnaval de Santana de Parnaíba, festa tradicional. Disponível em <www.visaoeste.com.br>

Pág. 55


Fig 3.4

Foto da Rua Suzana Dias, 1900. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 57

Fig 3.5

Centro da cidade com vista para o Tietê, 1959. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 58

Fig 3.6

Fazenda em Araçariguama, década de 50. Disponível em <www.aracariguama.sp.gov.br/>

Pág. 59

Fig 3.7

Barueri, década de 20. Disponível em <www.barueri.com.br>

Pág. 60

Fig 3.8

Fabrica de tecidos Santa Rosália em Sorocaba, 1924. Disponível em <www.sorocaba.com.br>

Pág. 60

Fig 3.9

Ginásio esportivo de Itu, década de 50. Disponível em <www.flickr.com>

Pág. 61

Fig 3.10

Inventario de Suzana Dias, 1634. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 62

Fig 3.11

Largo da matriz, vista aérea. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 63

Fig 3.12

Primeira Sta. Casa de Parnaíba, construída em 1909. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 64

Fig 3.13

Vôo de pássaro, 1970. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 65

Fig 3.14

Vista do alto, 1970. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 66

Fig 3.15

Bonecos foliões, uma tradição Parnaibana. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 67

191


Fig 3.16

Blocos de carnaval Parnaibanos, uma tradição que perdura até os dias de hoje. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 68

Fig 3.17

Foto da festa do Suru, uma das mais famosas da cidade. Extraído de VIVEIROS, Ricardo. A vila que descobriu o Brasil: a incrível história de Santana de Parnaíba. São Paulo: 2014. Geração Editorial.

Pág. 69

Fig 3.18

Mapa das rotas turísticas iniciadas em Santana de Parnaíba e região. Desenvolvido pela autora.

Pág. 70

Fig 3.19

Percurso do roteiro turístico Caminho dos Bandeirantes. Disponível em <www.roteirodosbandeirantes.com.br>

Pág. 71

Fig 3.20

Percurso do roteiro turístico Taypa de Pilão. Disponível em <www.cidadespaulistas.com.br/prt/cnt/tur-rot-taypa. html>

Pág. 72

Fig 3.21

Percurso do roteiro turístico Caminho do Sol. Disponível em <www.extremos.com.br>

Pág. 73

[LEVANTAMENTO DE DADOS]

192

Fig. 4.1

Proposições do plano diretor de 1997. Disponível em <www.santanadeparnaiba.sp.gov.br>

Pág. 79

Fig. 4.2

Unidades de assentamento estabelecidas no plano diretor de 1997. Disponível em <www.santanadeparnaiba. sp.gov.br>

Pág. 80

Fig. 4.3

Cronograma do Novo Plano Diretor. Disponível em <www.santanadeparnaiba.sp.gov.br>

Pág. 82

Fig. 4.4

Captura de tela extraída do site do município, evidenciando a importância da gestão participativa. Disponível em <www.santanadeparnaiba.sp.gov.br>

Pág. 83

Fig. 4.5

Questionário do plano diretor participativo extraído do site do município. Disponível em <www. santanadeparnaiba.sp.gov.br>

Pág. 83


[ANÁLISE ESTRATÉGICA] Fig. 5.1

Sistematização do processo de fabricação de um destino turístico. Extraído de BESSA, Altamiro Sérgio Mol e ÁLVARES, Lucia Capanema. A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda de cidades. Belo Horizonte: 2014. Editora C/ARTE.

Pág. 147

Fig. 5.2

Detalhamento do processo de construção de um destino turístico. Extraído de BESSA, Altamiro Sérgio Mol e ÁLVARES, Lucia Capanema. A construção do turismo: Megaeventos e outras estratégias de venda de cidades. Belo Horizonte: 2014. Editora C/ARTE.

Pág. 150

Fig. 5.3

Metodologia de análise desenvolvida pelo Prof. Carlos Andrés Hernández Arriagada. Extraído de HERNÁNDEZ Arriagada, Carlos Andrés. Estratégias projetuais no território do Porto de Santos. Dissertação de doutorado em Arquitetura e Urbanismo. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2012.

Pág. 152

Fig. 5.4

Tabela-síntese da mescla das metodologias. Desenvolvida pela autora.

Pág. 154

Fig. 5.5

Estratégias econômicas. Adaptada pela autora.

Pág. 159

Fig. 5.6

Estratégias governamentais. Adaptada pela autora.

Pág. 160

Fig. 5.7

Estratégias sustentáveis. Adaptada pela autora.

Pág. 162

Fig. 5.8

Estratégias urbanas. Adaptada pela autora.

Pág. 163

Fig. 5.9

Estratégias turísticas. Adaptada pela autora.

Pág. 165

Fig. 5.10

Centro Georges Pompidou, França. Disponível em <www.paris.es>

Pág. 166

Fig. 5.11

Abertura da Copa do Mundo 2014, São Paulo, Brasil. Disponível em <www.raisport.rai.it>

Pág. 167

Fig. 5.12

Reforma da Avenida Diagonal de Barcelona. Disponível em <www.lavanguardia.com/>

Pág. 168 193


Fig. 5.5

Reforma de casarão para se tornar a Biblioteca de São Luiz de Paraitinga. Disponível em <www1.folha.uol.com. br>

Pág. 170

[REFERÊNCIAS PROJETUAIS]

194

Fig. 6.1

Carre d’Art. Disponível em <www.fosterandpartners.com>

Pág. 189

Fig. 6.2

Instituto do Mundo Árabe. Disponível em <www.archdaily.com>

Pág. 191

Fig. 6.3

John Cranko Ballet School. Disponível em <www.3xn.dk>

Pág. 193


195


Profile for Karina Zanon

TFG MACKENZIE - Patrimônio histórico como turismo territorial - Santana de Parnaíba  

Trabalho final de graduação apresentado à Universidade Presbiteriana Mackenzie para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista

TFG MACKENZIE - Patrimônio histórico como turismo territorial - Santana de Parnaíba  

Trabalho final de graduação apresentado à Universidade Presbiteriana Mackenzie para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista

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