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EUROPA

Edição 3 21/01/2012 Venda proibida

em foco

ATÉ ONDE VAI? A trajetória de Messi até ele chegar onde chegou e a análise da pergunta: é possível pará-lo?

E MAIS: O Anti-jogador: a história do mau caráter de Pepe O vistoso futebol do atual Barcelona O desempenho dos novos ricos do futebol Análises de: Rodrigo Moreno Luka Modric Aaron Ramsey

E MUITO MAIS!


ÍNDICE 4 O Anti-jogador 6 Quem quer ser um milionário? 11 Manchester city errou muito antes de acertar 13 O messias da bola 16 Até onde vai o talento de messi? 20 A trajetória de Allegri 22 Rodrigoleador 25 Para onde vai Luka Modric? 27 O novo Paul Scholes? 28 Barcelona, um time imune a saudosistas 30 Barcelona: inovando taticamente 36 Aaron “Awesome” Ramsey 37 O ídolo azul real Para sugestões, críticas e se quiser anunciar na revista, entre em contato pelo botão abaixo.


o

EQUIPE

CRIADOR: João Pedro Almeida (@tdsobreocalcio) DIAGRAMADOR: João Pedro Almeida (@tdsobreocalcio) REVISÃO DE: João Pedro Almeida (@tdsobreocalcio) COLABORADORES: Luis Felipe Mendes (@luismendes_98) Rodrigo Moraes (@rdrmoraes) João Pedro Almeida(@tdsobreocalcio) Caio Dellagiustina(@caio03) Afonso Canavilhas(@afon5o) Eduardo Rocha (@rochaedu) AUTORES CONVIDADOS: Victor Mendes(@VictorMendes8) André Bailich Pedro Lampert(@PedroLampert)

Para bom usufruto da revista digital, é sugerido que leia em tela cheia, o que é possível apenas clicando em qualquer lugar do retângulo no qual a revista está contida. Caso já tenha feito isso, é possível dar ainda mais zoom clicando em qualquer lugar da revista. Para passar as páginas, basta clicar no botar com uma seta, que simula o folhear de uma verdadeira revista. Em baixo, a revista dispõe de um menu com miniaturas de todas páginas e suas respectivas numerações.


O ANTI-JOGADOR Por João Pedro Almeida

Como todos sabem, a música não é feita só de Beatles. Queiram ou não, temos de aceitar o fato de que Restart e afins sempre existirão para fazerem nossos ouvidos sangrarem. O mesmo acontece no futebol. O esporte bretão não é feito só de Messis e outros jogadores geniais (ou nem tanto). Mesmo contra a nossa vontade, Odvan, Domingos e outros trogloditas do mundo futebolístico sempre dividirão o gramado com bons jogadores. Esses “anti-jogadores”, vilões do bom futebol, destoam por sua forma tosca de jogar, quebrando tudo o que vêem pela frente, mesmo que sem malícia na maioria das vezes. Isso acaba dando graça ao futebol às vezes. Mas só às vezes.

Geralmente limitados ao território tupiniquim, os anti-jogadores estão ganhando o mundo. E é o mais-bem sucedido da nova geração quem vem chamado a atenção nos últimos meses. O luso-brasileiro Kléper Laveran Lima Ferreira, o Pepe, é natural de Maceió e atualmente encontra-se na posição de titular do que é tido como o “segundo melhor time do mundo” (não preciso dizer o primeiro). Não satisfeito com essa condição, ainda é titular da zaga da seleção portuguesa. Ao se tornar conhecido quando assumiu a posição no clube merengue, Pepe começou a se notabilizar pelo seu bom senso inexistente, pelas suas pancadas e pelo seu temperamento, digamos, complicado. O zagueiro


começou a ser alvo de críticas e ostentador de uma média invejável de cartões vermelhos. No último “superclássico”, nosso querido Kléper não manteve a sua média e foi somente advertido por um simples amarelo. Ok, mas isso porque o árbitro da partida não viu seu pisão desleal na mão esquerda de Lionel Messi enquanto o argentino estava caído. Sim, após ser derrubado por Callejón, o craque ficou caído e levou uma “patada” do “anti-craque”.

caído duas vezes. Acha que acabou? Ainda deu tempo de agredir Juan Albín antes de ir direto para o vestiário. Alguns dizem que esse foi o estopim para o início do mau-comportamento de Pepe.

O lance obviamente gerou polêmica e revolta. Piqué, Puyol, Iniesta e Busquets (que não um exemplo de fair-play) alfinetaram o jogador, enquanto Wayne Rooney não se contentou com isso e foi além: chamou o zagueiro de idiota em pleno Twitter.

Entre as ilustres vítimas do psicopata da bola, está ninguém mais ninguém menos que Felipe Melo, um de seus grandes rivais na disputa pelo título de jogador mais sem noção do futebol mundial. Em ação pela seleção de Portugal, o jogador merengue acertou um belo pisão no tornozelo do brasileiro, que teve que ser tirado de campo por Dunga. E olha que de pisões Felipe entende bem. Robben que o diga...

Apesar de tudo, ninguém está surpreso com o comportamento de Pepe. Ele já foi além. Seu caso mais grave foi no jogo Real Madrid x Getafe no dia 22 de abril de 2009. No fatídico dia, o luso-brasileiro cometeu pênalti em Javier Casquero e, não satisfeito,.chutou o adversário

Mas enfim, não vou continuar citando as peripécias de Pepe, pois não creio que todas caibam nessa revista. O que podemos tirar de lição é que “vilões do bom futebol” como o zagueiro sempre existirão. E podem até dominar o mundo futebolístico. Viva o anti-futebol!


QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? Por Luis Felipe Mendes

A ‘onda árabe’ que tem atingido os a Europa com seus investimentos milionários no futebol foi algo comemorado pelos clubes medianos. Estava aí a oportunidade para, em pouco tempo, atingir o patamar dos grandes, construindo elencos recheados de estrelas que garantiriam títulos aos montes.

Na prática, não é bem assim que acontece. O dinheiro ajuda, mas não é sinônimo de sucesso instantâneo. O Paris Saint-Germain, novo rico da Europa, pode tirar a prova disso com os dois exemplos do futebol inglês: o Chelsea, de Roman Abramovic, e o Manchester City, do Sheik Mansou bin Zayed.

Para que isso possa ser compreendido melhor, vamos fazer um balanço de como foram os anos desses dois clubes enquanto ricos.


CHELSEA tunas e fracassaram, mas foram erros compensados pelas chegadas de Joe Cole, Lampard e Essien, por exemplo. Contratações bem mais baratas e com resultados muito melhores Agora, os Blues olham para o futuro. Sturridge, Ramires, Mata, Oriol Romeu e David Luiz são a base de uma nova geração vencedora.

os comandantes A ascensão do Chelsea pode se resumir em um nome: José Mourinho. O português foi política contratado logo após conquistar a Europa com o Porto, e não decepcionaria: foram dois títude contratações los da Premier League, três copas nacionais e o estabelecimento dos Blues entre os grandes Apesar dos altos gastos com da Europa. futebol, a gestão Abramovic quase sempre acertou nos O retrocesso com Felipão foi logo corrigido, já reforços. Jogadores como que Guus Hiddink colocou a equipe na semifiCech, Drogba e Robben nal da Champions League. Carlo Ancelotti levieram de mercados mé- vou a equipe a mais um título, mas não resistiu dios, mas estouraram nos a muito tempo. grandes palcos e hoje são referências do futebol mun- André Villas-Boas é visto como a continuação dial. do ‘ideal Mourinho’, embora não esteja conseguindo seguir os passos do mentor. Quando investiu além da conta, geralmente o Chelsea se deu mal. Torres e


SALDO FINAL - NOVE TEMPORADAS TÍTULOS

3 Premier Leagues 3 FA Cups, 1 LeagueCup

Champions League: 1 vice-campeonato 4 semi-finais

AS LIÇÕES

TREINADORES

- Pesquisa de mercado - Planejamento - Treinador com bagagem

- Mourinho - Grant - Scolari - Ancelotti - Villas-Boas

Gastos com contratações: £ 572 milhões (63 mi/temporada)


MANCHESTER CITY chegaram a fechar com três atacantes de uma vez (Adebayor, Tévez e Santa Cruz) e dois jogadores em fim de carreira (Sylvinho e Vieira). No ‘desespero’, o Manchester foi além de sua estrutura, e passou a contratar jogadores de nível mundial. Na leva recente, Agüero, Dzeko, David Silva e Yaya Touré se tornaram os pila-

os comandantes

Para assumir o projeto de crescimento do clube, Mark Hughes foi escolhido como treinador na primeira temporada do Sheik. A inexperiênpolítica cia do comandante teve um impacto direto no de trabalho do City, já que atletas chegavam sem contratações seu consenso, e a equipe nunca ganhava uma Até montar o invejado elen- identidade. co que tem em mãos hoje, o City bateu muito com a Tudo iria mudar com a chegada de Roberto cabeça. Assim que os ár- Mancini no meio da temporada 2009-10. Quase abes assumiram, entrou tudo. A equipe perderia a vaga na Champions em vigor uma política de League na última rodada, e pouco comemorou aproveitar negócios de oca- naquele ano. sião. Robinho, Bridge e Jô, por exemplo vieram nessas Na temporada mais recente, enfim, a taça da Copa da Inglaterra. Porém, os problemas extracircunstâncias. campo com jogadores, como no caso Tévez, e a O fracasso no ano de estreia eliminação precoce na Champions League são levou os Citizens a serem aspectos que nem o experiente italiano consemais agressivos, tanto que guiu vencer.


SALDO FINAL - QUATRO TEMPORADAS TÍTULOS

Premier League - 3º lugar 1 FA Cup

Copa da UEFA/Liga Europa Quartas-de-final (2008/09)

AS LIÇÕES

TREINADORES

- Problemas extra-campo - Falta de planejamento -Contratações obsoletas

- Mark Hughes - Roberto Mancini

Gastos com contratações: £ 457 milhões (114 mi/temporada) Para melhor compreensão do que está sendo abordado, mais um texto complementando o assunto


MANCHESTER CITY ERROU MUITO PARA ACERTAR Por Eduardo Rocha

Alguns resumem o futebol se tratando de dinheiro, outros de paixão. Mas lhes faço uma pergunta, de que adianta dinheiro se na é bem investido? Não precisamos ir muito longe para provar. No Brasil os clubes cariocas estão emaranhados em dividas, possuem verbas, mas não a competência em administrálo. Prefiro me reter em exemplos alem mares. Os blues, Chelsea, foi um clube comprado por Roman Abramovich, bilionário russo que investe em futebol. Os primeiros anos não foram recheados com títulos, o caminho das pedras ainda não era conhecido. Más contratações, treinadores assumindo equivocadamente o posto e outros problemas são normais. Mas assim como todo investimento esperasse um retorno imediato, coisa que no futebol não é bem assim. Hoje o Chelsea é um clube consolidado. Possui um time base, plantel

definido e faz contratações pontuais. Já não é mais um caminhão de jogadores por temporada. Mas o caminhão de dinheiro continua o mesmo. Os caminhões de dinheiro, cifras intermináveis impressionam a qualquer um. É um poço sem fundo, uma conta bancaria nas ilhas Cayman. Torna-se fácil impressionar um atleta com o montante prometido. A pressão por resultados sempre se torna insustentável, a troca de treinador e contratações equivocada é iminente. É claro que com dinheiro tudo se torna mais fácil, mas a chance de erro é maior se não souber como e onde aplicar. Montar um time do zero, com investimentos milionários, contratações estrelares é missão impossível. Existe um período de transição, geralmente leva em torno de dois anos. Tempo suficiente para montar um time base e só assim começar a colher os frutos do


emplacaram. Outros grandes nomes chegaram e não se adaptaram a exemplo de: Adebayor, Tevez.

do trabalho duro. Este é o elo principal do sucesso e o fracasso. O período de TRANSIÇÃO de um clube que irá passar de mediano a gigante em proporção internacional. Se bem feito terá tudo para dar certo, alguns anos e quando acham que o clube se tornou um leão adormecido ele acorda sedento por títulos. Hoje quem encanta é o Manchester City. Clube adquirido por Mansur bin Zayed Al Nahyan, xaque árabe. O clube em poucos anos se tornou quem mais investiu na Europa. Desde 2008, o Manchester City já gastou mais de 600 milhões de libras (R$ 1,68 bilhão) para construir um time repleto e estrelas. Ao longo de quase quatro anos ao Citizens erraram, e muito. Contratações como os sul-americanos: Jô, Roque Santacruz, Sylvinho, Robinho não em-

Após ressaca o sol brilhou com força em Manchester. Nomes como: Mica Richards, Yaya Touré, Nasri, David Silva, Aguero, Dzeko e Balotelli; Elevaram o City a outro patamar no futebol mundial. Os petrodólares não são um problema, o dinheiro não dá em arvore, mas parece. Os resultados e taças no armário precisam chegar. O futebol demonstrado em campo é empolgante. Parece ser o ano do City com reforços pontuais o time esta tomando prumo. Porém a galinha dos ovos de ouro não pode morrer. Exemplos existem aos bocados. Parma e Parmalat pareciam perdurar para o resto da vida, e hoje serve de exemplo que um clube não pode ficar a mercê de um investidor. No Brasil Palmeiras e Juventude sentiram a separação da grande multinacional Italiana. A fonte não pode secar.


O MESSIAS DA BOLA Por Victor Mendes

da Pulga de Rosário para seus rivais é tão grande que Cristiano Ronaldo, talvez o único que possa tirar o prêmio das mãos do argentino nos próximos anos, parece apenas um jogador normal comparado ao blaugrana. Os feitos do português, que conseguiu fazer 41 gols em uma única edição de Liga Espanhola, parecem algo comum quando relacionados com os do blaugrana.

O dia 9 de janeiro de 2012 está eternizado na história do futebol. Foi a data que consagrou, definitivamente, um dos maiores craques pós-Pelé. A premiação de melhor jogador do mundo, que juntou pela segunda vez a Fifa e a Bola de Ouro da France Football, entregou a Messi o troféu de melhor pela terceira vez consecutiva, igualando nomes como Platini, Cruyff, Van Basten, Zidane e Ronaldo. A distancia da

Hoje, o futebol comemora. A relação de Messi com a bola sempre foi de amor. A carreira tem felicidades, lágrimas, como, até o momento, as decepções por ter falhado em duas Copas disputadas, mas nunca faltou sentimento. Messi só existe um. Virão anos, décadas, séculos, gols, sincronias e sinais. Mensagens do além, dos céus, dos gramados. Um camisa 10 de 1,69 de altura que exala genialidade a cada partida. Seu namoro com a bola é precoce. Há mais de 20 anos, numa tarde em família, seu pai, ao lado de tios, primos e amigos, preparava-se para disputar uma tradicional pelada. Faltava um. Quis o destino que a criança Messi, com apenas cinco anos, completasse


uma das equipes. “Dizem que, assim que eu toquei na bola, todos ficaram surpresos, como se já soubesse do que se tratava isso”, disse em uma entrevista ao Mundo Deportivo em 2006. Na família, ninguém suspeitava de que ali brotava um craque. À exceção de sua falecida avó, Celia, mãe de sua mãe. Foi ela quem o presenteou com a primeira bola e convenceu o genro, Jorge Messi, do talento do moleque franzino. O pai não teve escolha: levou La Pulga para treinar no Grandoli, pequeno clube de seu bairro. Durou apenas um ano a aventura do craque no clube. O próximo passo foi a ida para o Newell’s Old Boys, paixão desde sempre e onde Messi sempre ratifica que atuará profissionalmente um dia. O amor do clube com o jogador, no entanto, não foi recíproco. Os Leprosos viraram as costas a Messi justamente quando este mais precisava. Lionel

descobrira que possuia um problema de crescimento. O destino, novamente e, dessa vez, ironicamente, acertou. Foi justamente no maior drama da vida da Pulga que o levou ao clube onde, atualmente, desfila classe e é idolatrado. A profecia que nasceu na Argentina se alastrou à Catalunha. No Barcelona, chegou aos 13 anos. Baixo demais, franzino demais, moleque demais. Acima de tudo, craque demais. Bastou isso para Messi cruzar o Atlântico e fazer história. Viajou com seu pai, deixando em Rosário sua mãe e seus irmãos. Em seu primeiro teste, o gigante da Catalunha não deu chance ao azar. Carlos Rexach o contratou vendo-o jogar por instantes. O catalão fica impressionado até hoje: “Eu o contratei em 30 segundos! Ele me chamou muita atenção. Em meus 40 anos de


futebol, jamais havia visto coisa semelhante. De cinco situações de gol, converteu quatro. E tem uma habilidade excepcional. Me lembrou o melhor Maradona. Seu primeiro contrato eu assinei, simbolicamente, em um guardanapo. Queria contratá-lo o quanto antes. Não podia deixá-lo escapar”, afirma. Senhor do próprio destino, fez do calvário a estrada para a redenção. O destino desafiou, ele respondeu. Messi tem a eterna sede dos imortais. Não lhe satisfaz a arrancada, o drible ou o gol. Tem que estar tudo completo. Não lhe satisfaz se, com apenas 24 anos, possui um currículo invejável. São 3 Champions League, 5 Ligas Espanholas, 2 Mundiais de Clubes, além de Supercopas da Uefa e da Espanha e Copa do Rei. Tem que vir tudo junto. Não lhe satisfaz se, com apenas seis temporadas na carreira, já possui 217 gols e 87 as-

sistências. Já é o segundo maior artilheiro da história do Barcelona, ficando 18 gols atrás de César Rodríguez, o maior. La Pulga faz jus ao “quanto mais, melhor”. O céu é o limite de Messi. Todo mundo já sabe o final, mas não cansa de assistir. Messi não seria o mesmo sem as peças que o destino lhe pregou. Foram as voltas por cima que fizeram dele o que ele é, vitórias e derrotas, baques e recomeços, gols, títulos, arrancadas e dribles, o mundo estupefato com suas jogadas, furacão em campo. Um jornalista pernambucano, Wagner Sarmento, o definiu bem, uma vez. Messi é o pesadelo dos superlativos e o sonho dos neologismos. É preciso inventar novas palavras em que caibam seu brilho. No futuro, talvez Messi se torne um adjetivo. Sinônimo de maior.

PARABÉNS MESSI!


ATÉ ONDE VAI O TALENTO DE MESSI? Por Luis Felipe Mendes e João Pedro Almeida No auge do seu talento, com apenas 24 anos, o pequeno Lionel Messi conquistou na última segunda-feira o seu terceiro título de melhor jogador do mundo da Fifa, consagrando o seu nome ao lado de gigantes do futebol como Pelé, Maradona, Platini, Cruyff, Zidane, Van Basten e Ronaldo. Não é a toa que o argentino recebeu quase metade dos votos dos capitães e técnicos das seleções nacionais, superando seus concorrentes pela terceira vez consecutiva, consagrando o seu nome em definitivo na história do esporte. Mas é impossível não se perguntar, mesmo que ainda não se possa responder, até onde vai o talento de Lionel Messi? Certo apenas é que, no momento presente, Messi está para o Barcelona assim como o Barcelona está para Messi. Com a ajuda de uma equipe recheada de estrelas talentosas, o argentino joga com facilidade e crava números cada vez mais surpreendentes em seu histórico. Na temporada em que coroou o seu ‘tricampeonato’ na Bola de Ouro, Messi marcou 55 gols em 53 jogos, além de 24 assistências.

LIONEL MESSI | ÚLTIMAS TRÊS TEMPORADAS TEMPORADA 2008/2009 2009/2010 2010/2011

JOGOS

GOLS ASSISTÊNCIAS

51 53 55

38 47 53

18 11 24

159

138

53


Com uma assombrosa e crescente regularidade nessas últimas três temporadas, não é difícil esperar que com anos pela frente no futebol, Messi possa manter seus números fantásticos por mais algumas temporadas, podendo ser interrompido apenas por uma grave lesão ou algum completo imprevisto em sua carreira.

quista por sua seleção nacional.

Messi já anunciou mais de uma vez a sua determinação em superar tal meta, ganhando um grande título com a Argentina. Mas com filosofias de jogo diferentes entre a Seleção e o Barcelona, pode demorar mais do que o esperado para que Messi consagre o seu nome com a camisa albiNo entanto, o que parece ser o único celeste. Mas afinal... tabu do jovem camisa 10 é uma con-

quem pode desbancar messi?

Agora sim uma pergunta, já que Messi não é o único talento no futebol atual. Apesar de manter uma regularidade absurda para qualquer jogador, não são poucos os nomes que almejam desbancar o talentoso argentino na hegemonia da Premiação Mundial da Fifa. Confira alguns dos nomes que podem ameaçar o reinado de Messi no futebol mundial.

CRISTIANO RONALDO | REAL MADRID Considerado por muitos o ‘arqui-inimigo’ do argentino, devido à grande rivalidade entre suas equipes, o português Cristiano Ronaldo é o mais próximo de tirar o posto de Messi no reinado atual do futebol, principalmente por também se mostrar extremamente regular com a camisa do Real Madrid. No entanto, apesar de colecionar números impressionantes como o camisa 10 blaugrano, Cristiano ainda tem que superar o fantasma de ‘sumir’ em jogos importantes, vislumbrado novamente no último El Clasico espanhol vencido pelo Barça.


NEYMAR | SANTOS O fenômeno brasileiro continua a impressionar com a camisa do Santos e selou a sua permanência no país até o ano da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Apesar do talento inegável de Neymar, o jovem santista ainda precisa amadurecer para chegar ao nível do argentino, mas conta a seu favor com a juventude dos seus 19 anos, que ainda lhe dá tempo para isso. Se a consagração de Neymar depende da sua ida para a Europa ou da regularidade na Seleção, o certo é que o camisa 11 santista já deu um primeiro passo no hall do futebol mundial ao ser indicado para a Bola de Ouro em 2011, ficando entre os dez primeiros melhores jogadores da última temporada.

WAYNE ROONEY | MANCHESTER UNITED Apesar de seus 26 anos, o atacante do time inglês já pode ser considerado um jogador experiente. Desde seu início promissor no Everton, Rooney é tratado como um dos melhores jogadores do mundo e mesmo tendo sido especulado praticamente todos os anos, nunca ganhou o prêmio da FIFA. É um jogador extremamente habilidoso e virtuoso e tem as grandes características de um atacante completo. Já soma mais de 250 jogos pelo clube mancuniano e mais de 120 gols pelo mesmo. É já há algum tempo considerado o melhor jogador inglês em atividade e um grande candidato à coroa de Messi. Mas ultimamente não feito por merecer.


A TRAJETÓRIA DE ALLEGRI Por Rodrigo Moraes

Massimiliano Allegri é um técnico, no mínimo, competente. Depois de uma carreira de calciatore, que ele mesmo classificou como “medíocre” em entrevista a uma emissora de televisão italiana, o jovem técnico da Toscana assumiu as rédeas de pequenas equipes até chegar ao Cagliari, onde chamou a atenção do gigante vermelho da capital da Lombardia, o Milan. Com títulos e um time competente, Allegri conquistou i tifosi, e com uma personalidade forte e muita confiança, ousou desafiar Silvio Il Cavaliere Berlusconi. Sua carreira como técnico se iniciou em 2004, no comando do Aglianese, na Serie C2 (a quarta divisão itali-

italiana). Com passagens rápidas por SPAL, Grosseto e Sassuolo, onde levou i neroverdi a histórica promoção para a Serie B, seu trabalho recebeu atenção especial de Massimo Celino. O presidente do Cagliari, clube da Sardenha, contratou Max Allegri para o lugar do demitido Davide Ballardini, no começo da temporada 2008/2009. Fazendo um paralelo rápido, nessa mesma temporada, o Milan, sob o comando de Carlo Ancelotti, não disputaria a UEFA Champions League e, mais do que nunca, sofreria perdas irreparáveis ao final desta mesma temporada, como a aposentadoria de Il capitano cuore di drago Paolo Maldini, a saída do bambino


d’oro Kaká e a chegada de Ronaldin- A temporada 2009/2010 de Allegri ho Gaúcho. Ademais, o próprio An- foi ainda melhor quando comparacelotti seria dispensado. da as anteriores, contudo, teve uma curiosidade. O Cagliari Allegriano, Mister Allegri, apesar de um começo sempre jogando em seu 4-3-1-2, desastroso de temporada (derro- mesmo confirmando o bom futebol tas para Lazio, Siena, Juventus, Ata- da temporada anterior, tendo até allanta e Lecce), tendo conquistado guns jogadores convocados para La seu primeiro ponto justamente em Nazionale (Biondini, Marchetti e um empate com o Milan, recebeu o Cossu), terminou em 16º lugar na apoio de Celino. Ao final da tempo- tabela. A surpresa foi que Allegri, rada 2008/2009, com um time sem na verdade, foi surpreendentemente qualquer destaque que valha, o nono demitido do comando técnico do lugar conseguido por Allegri foi Cagliari em abril, antes do final da comemorado e premiado pela Lega na verdade, foi surpreendentemente Calcio, que lhe deu o prêmio Panchi- demitido do comando técnico do na d’Oro, o melhor técnico da Penín- Cagliari em abril, antes do final da sula. temporada, portanto.


Paralelamente, O Milan da temporada 2009/2010 era, apesar da presença de Thiago Silva no comando da defesa, e de Pirlo em boa fase, um time sem brilho, armado em um 4-3-3 construído por Leonardo apenas para que Ronaldinho Gaúcho, a pedido de Berlusconi, retornasse a sua melhor forma da época blaugrana. A derrota nos dois Derbys della Madoninna (0X4 e 0X2 para a Internazionale de Mourinho) dá bem a figura da situação à época.

já o tático de Livorno já corrigiu a rota milanista, que agora divide a liderança com uma impressionante Juventus, que renasce nas mãos de Antonio Conte. Aliás, perguntado mês passado sobre o trabalho do técnico bianconero e se ele poderia ser o “novo Allegri”, Massimiliano respondeu que espera que não, que ele (Conte) faça um bom trabalho mas, ao contrário de Allegri, termine a temporada em segundo lugar.

Assim, finalmente, em junho de 2010, Allegri tomou as rédeas de Milanello. Em sua primeira temporada, recebeu importantes reforços (Ibrahimovic, Robinho e Prince Boateng) e, com uma ótima temporada de Alexandre Pato, Cassano, T. Silva e Abbiati, repetiu o feito de duas lendas do banco milanista (Arrigo Sacchi e Fabio Capello), levantando um Scudetto, o 18º do Milan. Com destaque para as vitórias no Derby della Madoninna.

Recentemente, o comando de Allegri foi desafiado por Alexandre Pato. Em entrevista coletiva, Il papero rossonero alfinetou o técnico, pedindo mais conversa e o comparando com Ancelotti e Leonardo. Tudo indica que isso tenha sido o mais forte indício de que Pato, com um desempenho decepcionante nesta temporada, deseja se juntar aos antigos comandantes no projeto do PSG, turbinado pelo dinheiro árabe, de montar um “Milan in Paris”.

Com um esquema definido, o seu amado e insuperável 4-3-1-2, e muitas peças de reposição e de qualidade (a exemplo de Nocerino e Aquilani) no plantel, a atual temporada do Milan começou claudicante, mas


RODRIGOLEADOR Por Afonso Canavilhas

“Nasceu no Brasil, já jogou em Espanha, marca no Benfica, ninguém o apanha, chama-se Rodrigo e é um GOLEAAAADOR”. A música do conjunto português “Da Vinci” que foi a concurso há muito tempo no Festival Eurovisão foi adaptada por João Ricardo Pateiro, comentarista da rádio TSF, que a ajustou a Rodrigo na perfeição. O jovem atacante nascido no Brasil, mais concretamente no Rio de Janeiro, tem nacionalidade espanhola e é peça fulcral nas camadas jovens da mesma, dando garantias a Vicente Del Bosque de que o ataque da atual campeã do mundo

e da europa Espanha será herdado por alguém à altura do desafio que é fazer com que o país siga na rota dos triunfos. Contratado pelo Benfica vindo do Real Madrid em 2010 por 7 milhões de euros, Rodrigo chegou à Luz acompanhado de Alípio. Ambos figuraram como ilustres desconhecidos aos olhos da maior torcida de Portugal, a do Benfica, e o valor foi prontamente questionado entre a mesma. 7 millhões de euros era sem dúvida um valor muito elevado tendo em conta que se tratava de um jovem. No entanto, Jorge Jesus foi perspicaz e pediu ao diretor desportivo


Rui Costa para avançar com os 7 milhões de euros e fechou Rodrigo, sendo que também chegou à Luz Alípio. Sem espaço no plantel da equipe naquela altura campeã nacional, foi emprestado ao Bolton de Owen Coyle onde certamente poderia evoluir. O campeonato com um nível de jogo altíssimo como é o inglês só poderia fazer de Rodrigo jogador. E foi isso que aconteceu. Aos poucos, foi entrando no time e embora não se tenha notabilizado por ter demonstrado o porquê de ter a alcunha de matador, foi bastante importante em vários capítulos de jogo, o que agradou bastante o técnico Owen Coyle que fez saber junto da direcção do Bolton Wanderers que valia a pena tentar junto do Benfica (embora fosse difícil) assegurar a contratação do jogador em definitivo. Foram feitos vários esforços por parte do clube inglês nesse sentido, mas a transferência foi inviabilizada. Há pouco tempo, já no decorrer do ano 2012, com o grande momento de Rodrigo na Luz a fazer eco um pouco por todo o mundo, o presidente do Bolton veio dizer que durante os contatos com o Benfica pela contratação de Rodrigo, Luís Filipe

Vieira, presidente dos “encarnados”, sublinhou que não fazia intenção de vender o avançado, mesmo que fosse por uma quantia astronômica. Depois de uma temporada na Inglaterra, Rodrigo voltou ao Benfica com o intuito de vingar e prontamente mostrou a JJ que estava para ficar. A pouco e pouco, conquistou o seu espaço e começou a marcar gols. Alguns deles, decisivos. Com os tentos decisivos e os bons jogos, a confiança total chegou e foi entrando a pouco e pouco no onze titular, e quando não figurava nesse lote, era quase sempre o jogador no banco que tinha mais probabilidade de entrar em campo para mudar um jogo.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Rodrigo é muito polivalente na frente de ataque. Tanto pode desempenhar as funções de winger em qualquer dos lados como também de ponta-delança, lugar onde se sente mais à vontade. É um jogador inteligente, com bom toque de bola e exímio no contra ataque. Rápido, poderá vir a melhorar o seu chute de longa distância. A sua capacidade de desmarcação é também sublime, sendo bastante improvável aos olhos da defensa adversária. Rodrigo tem também um bom drible e uma enorme margem de progressão pela frente, durante a qual se tornará um jogador completo e adquirirá a maturidade que tanto vai necessitar em situações de maior pressão e más fases da sua carreira.

OS TOQUES DE JORGE JESUS E OWEN COYLE Owen Coyle e Jorge Jesus são dois treinadores dos quais Rodrigo certamente terá boas recordações. Ambos tiveram desde já um papel preponderante na sua formação. Imaginando Rodrigo como um diamante bruto, com necessidade, por isso, de ser polido, falemos então dos papéis dos dois treinadores na sua carreira. Primeiro JJ, que apostou em si e o trouxe da cantera do Real Madrid para o Benfica por 7 milhões de euros, e depois Owen Coyle, que o trabalhou no futebol mais competitivo do mundo: o inglês. Junto de Coyle, no Bolton, o jogador espanhol adquiriu experiência e voltou para Portugal em grande forma. Aí, e apesar da concorrência que encontrou na frente de ataque, conseguiu ganhar a confiança de Jorge Jesus que apostou em si, e viu resultados bem positivos. Rodrigo tinha crescido como jogador e voltava então à Luz para deixar a sua marca.


O FUTURO DE LUKA MODRIC Por Luis Felipe Mendes deixou bem claro que o Tottenham tem finanças em ótimas condições, não precisando e nem querendo se desfazer de suas principais estrelas por dinheiro.

Quem acompanha o futebol europeu pode ter uma certeza: o futuro de Luka Modric não será com o Tottenham. 2012, 2013 ou 2014. Em um desses anos o meio-campista croata deixará o clube do norte de Londres, com Manchester City, Manchester United e Chelsea sendo os favoritos para a compra do “pequeno croata”. Modric quase abandonou o Tottenham nessa temporada. Só quase. Porque Harry Redknapp (treinador), Daniel Levy (presidente) e Luka ainda querem a permanência nos Spurs, além do contrato do jogador ter duração até 2016. Modric sempre foi muito grato ao Tottenham por levá-lo ao cenário europeu e sempre disse estar feliz no norte de Londres, enquanto Redknapp vê em Modric o seu principal jogador e Levy sempre

As últimas vendas relevantes do Tottenham aconteceram em 2008, quando Dimitar Berbatov e Robbie Keane se transferiram para Manchester United e Liverpool, respectivamente, gerando £50 milhões aos cofres da equipe. Berbatov se encontrava em seu ultimo ano de contrato, ou seja, sua venda era a única opção, enquanto o Tottenham até fez força, mas não conseguiu segurar Keane. Se não conseguir a classificação para a Liga dos Campeões da próxima temporada, os comentários e as especulações sobre as possíveis saídas de nomes como Gareth Bale e Modric ganharão mais manchetes e serão mais comentadas ainda. Uma grave lesão no tornozelo afastou o interesse de grandes clubes por Bale, mas Mo-


Modric vem sendo alvo de gigantes do futebol europeu. Aparentemente, o Manchester United já desistiu de tentar contratar Modric, focando as suas atenções em Wesley Sneijder (para a atual janela). Mas Sir Alex Ferguson é um grande admirador de Modric e certamente voltará a tentar a sua contratação. Por momento, o Chelsea é o grande interessado, tendo uma proposta de £22 milhões recusada recentemente. Porém, o Tottenham já disse que não vende Modric por nenhum valor e muito menos para o Chelsea – rival de Londres. Quem ainda pode levar Modric é o Manchester City. Dinheiro não falta pra os Citizens, que podem oferecer os £35-40 milhões sonhados pelo Tottenham e triplicar o atual salário de £55,000 semanais de Luka.

Mas o mais provável é que Luka continue no Tottenham até o fim da temporada 2011/2012 e, no minímo, até o fim da primeira metade da temporada 2012/2013. Porém, caso o Spurs não consigam a vaga na Liga dos Campeões 2012/2013, Modric certamente abandonará o clube em 2012. Falando sobre as qualidades do jogador, Modric é um craque, quebrando qualquer “regra” de que para um jogador dar certo no Campeonato Inglês é preciso força física. Com 1.70m, Modric consegue, praticamente sozinho, dominar qualquer adversários do futebol inglês. Apesar de não aparecer muito com assistências e gols, Luka consegue, ao mesmo tempo, recuperar muitas bolas e dar um volume de jogo fantástico a equipe. Hoje em dia, ele seria titular em 99% das equipes do planeta


O NOVO PAUL SCHOLES? Por Luis Felipe Mendes

Será que Tom Cleverley pode ser o tão esperado sucessor do agora aposentado (ou não) ídolo mancuniano?

Com a saída de muitos jogadores importantes para o elenco e a temporária aposentadoria de Paul Scholes, o técnico do Manchester United, Sir Alex Ferguson, procura um jogador á altura para suprir a ausência de um dos seus melhores atletas nesses 25 anos no clube inglês. Em tempos de crise financeira na zona do euro, os times acabam sentindo este reflexo negativo nas bolsas européias. Com isto, o número de contratações de grandes jogadores está cada vez mais escasso. Pensando em uma alternativa mais econômica, e que pode render frutos no futuro, a direção do United está in-

vestindo pesado na base. Formado nas divisões inferiores dos Red Devil’s, o meio-campista Tom Cleverley, é uma das apostas de Ferguson para comandar o meio campo do Manchester United na década.

O jovem de apenas 22 anos foi emprestado para Leicester City, Wigan e Watford para adquirir experiência e, depois disso, Cleverley retornou a equipe do norte da Inglaterra, principalmente após a confirmação da saída definitiva de Scholes, um dos homens fortes do grupo mais que vitorioso do United nos últimos anos. Natural de Basingstoke, Cleverley, inclusive, já chamou atenção de Fábio Capello, que o convocou para representar a seleção inglesa, porém, uma lesão adiou sua estreia. A confiança no meio-campista é tão grande que o Manchester United anunciou a renovação de contrato de sua joia por mais quatro anos. Agora, Cleverley precisa provar em campo que o maior clube do país não está equivocado em apostar suas fichas em seu futebol para manter o espírito vencedor que consagrou a era Sir Alex Ferguson.


me deixe mal acostumado e eu não me transforme em um dos chatos que testaram minha paixão pelo jogo. Espero que um dia eu possa contar com saudade que vi esse time espetacular, tendo consciência que uma equipe assim só aparece de vez em quando. que é quase escravo do futebol. Assiste a uma quantidade de jogos interminável, que ameaçam lhe tirar a paixão infantil pelo jogo. Tudo é razão, é a análise fria e cerebral. Perde-se a emoção, tão essencial ao esporte. Confesso que muitas vezes fiquei preocupado por ver que o futebol já não me empolgava com a facilidade de antes. O Barça tratou de resolver esse problema. É a equipe que mais consegue tirar de mim o sentimento de paixão ao olhar com admiração uma jogada bonita que se desenrola. Sem analisar, sem procurar motivos. Apenas olhar, como fazia quando menino. Desconfio que os mais saudosistas sintam-se da mesma maneira e, por isso, reconheçam sem problemas que este Barça já tem seu lugar entre os grandes da história do futebol. Só espero que daqui a alguns anos, o grande esquadrão de Guardiola não


BARCELONA: INOVANDO TECNICAMENTE Por Pedro Lampert

Quando o Barcelona anunciou a contratação de Cesc Fàbregas, muitos acharam um luxo desnecessário. Um grande jogador a fazer parte de um time já fantástico e completo, sem necessidade de contratação de uma estrela mundial como o ex-jogador do Arsenal. Logo após o acerto do Barcelona com Cesc, alguns jornais espanhóis falavam que o Barça poderia passar a jogar no 3-4-3, com Xavi, Sergio Busquets, Andrés Iniesta e o recém-chegado Fàbregas no meio-campo, em um desenho tático sem laterais. No começo, assim como muitos, achava isso improvável e também tinha a impressão que a contratação de Fàbregas era muito mais uma obsessão do clube em ter de volta a sua antiga estrela das divisões de base do que simplesmente um jogador que chegaria para fazer a diferença no já melhor time do mundo.

Porém, em apenas meia temporada, Pep Guardiola já mostra que muitos estavam errados ao achar que esse 3-4-3 (ou algo próximo disso) não poderia ser implantado e que Fàbregas seria apenas mais um. O Barcelona vem jogando no 3-3-4, acomodando Fàbregas como “falso 9” ao lado de Lionel Messi, resultando em 10 gols e três assistências para Fàbregas, que já se tornou fundamental ao time. Falando em desenho tático, o “novo” Barcelona vem jogando no 3-3-4, ou pelo menos como eu considero em “números”, já que podemos ver a equipe de Guardiola no 3-1-4-2, 3-7-0 ou 3-1-6-0.


Porém, por que 3-3-4? Para começar, o fato de a equipe jogar com três zagueiros, preferencialmente Carles Puyol pela direita, Gerard Piqué pelo centro e Eric Abidal pela esquerda. No meio-campo, seguem jogando Xavi, Sergio Busquets e Andrés Iniesta, ou seja, o mesmo trio do 4-3-3 anterior, com Busquets a frente da zaga. Além disso, o time segue jogando com dois extremos bem adiantados, sendo Daniel Alves pela direita e Alexis Sánchez, Pedro Rodríguez, Thiago Alcântara ou David Villa pela esquerda. E, se no 4-3-3, Messi era considerado um “falso 9”, agora existe uma dupla de “falsos 9”, formada pelo argentino e por Cesc Fàbregas. É difícil definir a posição de Messi e Fàbregas em campo, porém “mapas de calor” mostram que ambos ocupam prati-

camente a mesma faixa do gramado, Messi um pouco mais pela direita e Cesc um pouco mais pela esquerda, formando assim uma dupla de falsos atacantes, compondo uma linha de quatro jogadores ofensivos, juntamente com os dois extremos. Entretanto, existe um problema em jogar com esse desenho tático: uma possível fragilidade defensiva. Por esse motivo, Pep Guardiola preferiu jogar com uma linha defensiva de quatro jogadores no derby contra o Real Madrid, disputado na capital espanhola, no dia 10 de dezembro. Veremos qual será a atitude de Guardiola com a chegada da fase de mata-mata da Liga dos Campeões: confiar no ousado 3-3-4 ou voltar a jogar com linha defensiva com quatro jogadores.

Nas páginas seguintes, três desenhos da nova tática preferencial do Barcelona, usada em jogos mais relevantes.


MILAN 2 X 3 BARCELONA | 23/11/2011

3-4-3 usado em um grande jogo, contra o Milan, pela Liga dos Campeões. Apesar do domínio e dos três gols marcados, o esquema tático ainda apresentava dificuldades defensivas, com o meio-campista ofensivo central do Milan, Kevin Prince Boateng, sabendo utilizar muito bem os espaços pelos lados da defesa espanhola.

Mapa de calor


SANTOS 0 X 4 BARCELONA | 18/12/2011

Na surra da final do Mundial de Clubes, o Santos não conseguiu impor a menor resistência contra o Barcelona. Vitória fácil.


ESPANYOL 1 X 1 BARCELONA | 08/01/2012 No derby da Catalunha contra o Espanyol, as coisas não deram certo. Uma atuação incrivelmente discreta ofensivamente e fragilidade defensiva. Enquanto o time esteve pouquíssimo inspirado ofensivamente, o 3-3-4 deixou a desejar defensivamente, com o Espanyol criando muito perigo e explorando momentos em que o Barcelona se defendeu apenas com quatro jogadores – os três zagueiros e mais Sergio Busquets.


AARON “AWESOME” RAMSEY Por Afonso Canavilhas

Aaron James Ramsey nasceu a 26 de Dezembro de 1990 em Caerphilly, no País de Gales. Com apenas nove anos, Ramsey iniciou a sua carreira futebolística no Cardiff City. Permaneceu nas camadas jovens até 2007, altura em que com apenas 17 anos ingressou no plantel sénior, cumprindo 16 jogos e agradando aos scouts do Arsenal, que rapidamente o levaram assinar pelo clube londrino. A partir de 2008, o jogador passou a atuar nos “Gunners”, mas viveria no Emirates aquele que foi até agora o pior momento da sua carreira. 27 de Fevereiro de 2010, Arsenal x Stoke City. À passagem do minuto 66, Ramsey divide um lance com Ryan Shawcross, e acaba com uma fratura na tíbia e fíbula da perna direita. O lance chocou todo o estádio, e não era para menos.

O cenário era aterrador, e pela frente, Ramsey tinha cerca de oito duros meses sem pisar no gramado. Recuperado, para ganhar rexperiência, foi então emprestado ao Nottingham Forest. O empréstimo pouco durou e foi só até ao mercado de transferências de inverno, onde depois de 5 jogos no Forest, se transferiu para o clube que o viu nascer novamente durante o empréstimo: o Cardiff City. No entanto, e como Aaron estava já antingindo níveis suficientemente satisfatórios para voltar a jogar pelo Arsenal, e sua estadia no Cardiff durou cerca de mês e meio, voltando ao Emirates, onde até hoje já realizou 78 jogos. Na seleção do País de Gales, Aaron recebeu duas vezes o prémio de jogador galês do ano, em dois anos consecutivos: 2009 e 2010.


Ramsey tem evoluir e se tornar um dos grandes nomes do atual elenco do Arsenal. Mas para isso, terá que mostrar ainda muito mais do que já mostrou, mas com apenas 20 anos, tem ainda uma longa carreira pela frente e por isso tudo para alcançar. Para já, tem o seu espaço na equipe de Arséne Wenger, podendo atuar como meio campista central ou pelas laterais. Desempenha ambas as funções bastante bem. A médio-centro, faz valer a sua soberba visão de jogo e precisão de passe, e a extremo, dá sempre muito que fazer

ao seu defensor por ser um jogador rápido e de drible fácil. É ambidestro, mas chutapreferencialmente de pé esquerdo. A sua precisão de remate também impressiona qualquer um. Embora não seja um jogador cujas características físicas impressionem ao invés do que acontece com Walcott, é, isso sim, um jogador com muita raça, e não poderia ser de outra forma uma vez que joga no campeonato mais exigente do mundo. Ramsey tem tudo para vingar, agora falta ganhar títulos, coisa que no Arsenal com o passar dos anos se torna cada vez mais raro, derivado de Arséne Wenger ter à sua disposição sempre um plantel jovem que não consegue ser regular.

Passará a solução pela saída quando for um jogador mais adulto à semelhança do que sucedeu com Césc Fábregas? Um jogador só sente realizado ganhando títulos, logo, é natural que se nos próximos anos o Arsenal não investir pensando em conquistá-los, Ramsey e outros jogadores deixem o clube.


ÍDOLO AZUL REAL Por Caio Dellagiustina Se a torcida do Schalke vive carente de títulos, ao mesmo pode comemorar um ídolo no seu time, Raúl. O espanhol que veio do Real Madrid no verão de 2010, mal completou a segunda temporada e já é o jogador preferido da torcida azul real. E tudo isso tem um motivo. Ele conduziu o time na última Liga dos Campeões à inédita semifinal, perdendo apenas para o Manchester United. Nessa temporada, o time de Gelsenkirchen está na briga apenas da Liga Europa, mas para Raúl, a competição é super importante, pelo simples fato de que ele pode ampliar sua marca de maior artilheiro em competições européias. Ele está à frente de Inzaghi, do Milan, mas como o italiano não foi inscrito na Liga dos Campeões, não ultrapassará o espanhol, pelo menos nessa temporada. Porém, o que preocupa a torcida azul real é a renovação de contrato de seu maior ídolo, que vence no final da tem-

porada. Apesar de ele pretender continuar e até encerrar a carreira no clube alemão, ainda há imbróglios a resolver. A situação preocupa, pois a demora pode fazer o ídolo espanhol rumar para um novo time. Tudo se encaminha para uma renovação, mas só saberemos ao final da temporada. Enquanto isso, Raúl curte o que chama de melhor momento na carreira e passa dias ouvindo a música que a torcida fez para ele, uma paródia do hino do clube. Por enquanto, só resta aos torcedores da Veltins Arena aproveitar e curtir os momentos e os brilhantes gols que o espanhol sempre se caracterizou por marcar. Além disso, seus gols são mais do que importantes para ajudar o time a sair da fila de 58 anos sem títulos. Com o título, até mesmo se Raúl sair, sempre ficará na memória do torcedor

do Schalke.


Revista Europa em Foco #3