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Director: José Luís Araújo | N.º 215 | Dezembro de 2013 | Preço 2,00 Euros

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Balanço 2013! E 2014?


4 O utros destaques

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MAGRIL

Manchete

Máquinas Agrícolas Lda

Balanço e antevisão de 2014

No sentido de aquilatar como foi o ano que está a terminar no sector primário, a Gazeta Rural decidiu auscultar a opinião de diversos ‘actores’ do sector, nas mais diversas áreas.

Viseu

Sector cooperativo do Dão mostrou “Invulgar”

Foi apresentado, com pompa e circunstância, o “Invulgar”, um vinho da União das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) dado a provar na Mostra de Vinhos do Sector Cooperativo, que decorreu na Pousada de Viseu.

Vinhos

Jancis Robinson destaca vinhos tintos nacionais

Os vinhos tintos portugueses lideram a escolha de Jancis Robinson, obtendo a pontuação média de 16,5 pontos, numa escala de 20. São vinhos de colheitas entre 1999 e 2012, que posicionam Portugal no primeiro lugar, à frente dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, França, Espanha e Itália.

Marvão

Quinzena Gastronómica da Caça

O Município de Marvão promove, de 21 de Dezembro a 5 de Janeiro, a Quinzena Gastronómica da Caça, período em que os doze restaurantes aderentes do concelho apresentam um conjunto de saberes e sabores, com os melhores pratos de caça da região.

Viseu

Nova Organização de Produtores de Pequenos Frutos Foi apresentada na Guarda, na sede da Associação de Agricultores para a Produção Integrada de Frutos da Montanha, e em Viseu, no auditório da Escola Superior de Tecnologia, a Bfruit - Organização de Produtores de Pequenos Frutos.

SEDE: Lugar o Barbeiro - Est. Aeródromo 3515-342 CAMPO VISEU Tel.: 232 424 182 - E-mail: geral@magril.mail.pt - www..magril.pt FIlial: EN 111 - Quimbres - 3025-528 SÃO SILVESTRE COIMBRA

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Coimbra

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Bruxelas

Dieta mediterrânica ajuda a proteger o estômago

Um estudo internacional, liderado por investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC), revelou que as reacções químicas no estômago geradas pela dieta mediterrânica podem evitar úlceras pépticas.

Produção de leite nas regiões ultraperiféricas

O Parlamento Europeu votou um relatório sobre a manutenção da produção de leite nas zonas montanhosas, desfavorecidas e regiões ultraperiféricas após a expiração do regime de quotas leiteiras, em 2015.

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Feira do Fumeiro no Porto

Montalegre vai promover a Feira do Fumeiro no Porto para atrair novos públicos e criar canais de comercialização, anunciou o presidente daquela autarquia transmontana.


Que balanço de 2013?

No sentido de aquilatar como foi o ano que está a terminar no sector primário, a Gazeta Rural decidiu auscultar a opinião de diversos ‘actores’ do sector, nas mais diversas áreas. Das mais de duas dezenas de pessoas e/ou instituições contactadas, ficam as opiniões de algumas delas, podendo daí deduzir-se que 2013 foi um bom ano para a agricultura em Portugal, havendo renovadas expectativas sobre a evolução que o sector terá nos próximos seis anos, no âmbito do novo quadro comunitário de apoio.

José Martino – CEO da Espaço Visual

“Com o próximo PDR o sector tem a oportunidade de se tornar mais rentável” GR: Que balanço faz de 2013? JM: Para a agricultura portuguesa faço, para o ano de 2013, um balanço positivo porque estão a entrar novos players na agricultura, jovens agricultores e empresários, gente com formação, visão e fibra que irão criar valor e riqueza e fazer com que o equilíbrio das contas da agricultura se faça em 2018. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? JM: O sector primário está no bom caminho, embora na minha opinião devessem mudar algumas políticas na atribuição de fundos ao investimento, acabar com o direito de fundos financeiros para todos e atribui-los aos competentes que queiram desenvolver actividades agrícolas, na dimensão igual ou acima da economia de escala. Os serviços do Ministério da Agricultura deveriam ser avaliados e fechados aqueles que cujo interesse público fosse reduzido e atribuídos meios humanos e orçamento para os outros. GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? JM: O ano de 2014 para o sector agrícola será a continuação de 2013, novos players, novos investimentos, reforço do apoio bancário à actividade e forte expectativa pessoal no desenvolvimento da bolsa de terras. GR: Que oportunidades apontaria para o sector, no âmbito do próximo PDR JM: O sector tem a oportunidade com o próximo PDR de se tornar mais rentável, sustentável e criador de riqueza. 4

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BALANÇO 2013 Adelina Martins, DRAPC

“Foi um ano difícil com sinais de mudança” GR: Que balanço faz de 2013? AM: Um balanço positivo. Em termos globais foi um ano, sem dúvida, difícil mas onde os sinais de mudança começam a ser evidentes e consistentes. Sou uma optimista e os números falam por si, no sector agro-alimentar, não apenas estamos a produzir mais, como estamos a vender melhor o que é muito positivo não apenas para o sector, mas para o país. O sector tem investido muito na melhoria das condições de produção e transformação. Só em 2013 foram aprovados pelo PRODER, na área geográfica da DRAP Centro, 797 novos projectos, com um investimento total de cerca de 79 M€. Quanto à execução e cingindo-nos apenas à região centro, foram validados cerca de 4370 pedidos de pagamento, aos quais correspondeu um investimento total de 150M€. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? AM: Penso que sim. Um objectivo de médio prazo muito claro para o sector agro-alimentar que é atingir a autosuficiência em valor em 2020. Estamos a inovar e a crescer, de forma sustentada ambientalmente, mas também economicamente. Os empresários agrícolas têm aumentado e melhorado a sua produção, investindo no aumento das suas competências e na modernização das suas unidades produtivas e/ou transformadoras com o apoio do PRODER, assumindo uma postura cada vez com maior cariz empresarial. Somos um país pequeno, mas com um enorme potencial e num Mundo cada vez mais global, é fundamental continuar a apostar em estratégias de comercialização que potenciem a exportação. É hoje já comum que sectores distintos de produção participem conjuntamente em eventos nacionais e internacionais de divulgação e transacção. O vinho, as frutas e o azeite, futuro da PAC foram apresentadas, há mais de dois anos, que o são apenas alguns dos excelentes exemplos de que estamos no MAM tem trabalhado intensamente e em conjunto com os rebom caminho. presentantes sector, quer a nível técnico quer político, pelo que as medidas do próximo PDR irão certamente reflectir os contriGR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? butos e prioridades identificados potenciando a articulação com AM: Vai ser um ano de muitos desafios para o sector, por- outros fundos e definindo áreas de complementaridade claras. que é um ano de transição entre quadros de apoio e portanto irá O novo PDR constitui uma aposta clara no aumento da proser um ano de adaptação para todos nós, empresários, organi- dução, com especial enfoque na organização da produção e nos zações do sector e administração pública. Estamos a trabalhar jovens agricultores. Portugal é um dos países da UE com menor para que o novo Plano de Desenvolvimento Rural seja simples, nível de concentração da produção agrícola. O novo PDR irá diacessível, operacional, capaz de dar continuidade à dinâmica ferenciar de forma positiva uma maior organização da produção que o sector tem revelado nos últimos anos. e concentração da oferta em todas as áreas do sector agrícola constituindo uma oportunidade de potenciar economias de esGR: Que oportunidades apontaria para o sector, no âmbito cala ao nível da produção, da capacidade competitiva e de acesdo próximo PDR? so a mercados, tanto em termos nacionais como na conquista de AM: Desde o dia em que as propostas da CE relativas ao mercados de exportação.

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BALANÇO 2013 Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente

“Não houve grandes mudanças em relação a anos anteriores” GR: Que balanço faz de 2013? ANEFA: Foi um ano de investimento consolidado, quer ao nível agrícola, com a elevada taxa de financiamento afecta aos jovens agricultores e ao apoio ao investimento na agricultura e agroindústria, como ao nível florestal, onde finalmente se viu alguns resultados das medidas de apoio à floresta. Continuamos a ter empresas competitivas e projecto de topo, ao nível do que de melhor se faz na Europa e no resto do Mundo. Todavia, não nos podemos esquecer que 2013 foi também um ano fatídico. A área ardida que este ano rondou os 140.000 ha, trouxe com ela uma dezena de vítimas mortais, que infelizmente pagaram, com a própria vida, os erros de uma gestão florestal ineficiente e a neglicência de tantos outros. As vítimas no sector agro-florestal não se ficaram por aqui. Em 2013 voltou-se a registar um aumento do número de acidentes de trabalho, questionando uma vez mais o nível de qualificação dos activos do sector primário. A acrescer aos principais pontos negativos, temos a problemática das pragas e doenças, que continuam a condicionar o correcto desenvolvimento do sector. Infelizmente, chegamos à conclusão que não houve grandes mudanças em relação a anos anteriores, e que portanto não estamos a aprender com os erros do passado, o que na óptica da ANEFA é extremamente preocupante. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? ANEFA: Continuamos a ter um longo caminho pela frente. No entanto, o carácter inovador e empreendedor, de facto, ninguém nos tira. E é nesse empreendedorismo que se deve investir. As empresas estão a passar por muitas dificuldades financeiras, o que muitas vezes condiciona o seu desenvolvimento. Se queremos ter empresas com capacidade exportadora e com produtos e serviços inovadores, então temos de apoia-las. Nunca é demais relembrar que as empresas do sector primário são responsáveis por inúmeros postos de trabalho, pelo combate ao êxodo rural e pela criação de riqueza para a economia nacional. Neste âmbito, temos ainda muito para fazer. Não podemos continuamente desperdiçar verbas comunitárias, nem tão pouco desviar fundos que são necessários à floresta, para fins paralelos. A prestação de serviços deve ganhar dimensão e mérito, para que a profissionalização do sector seja inerente e assertiva. Deste modo, a ANEFA considera que um importante passo era a criação do alvará para os trabalhos agro-florestais, bem como a aposta na formação profissional do sector. Estes dois passos, aliados ao investimento no sector, são os factores chaves para que o caminho, nos leve a bom porto. GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? ANEFA: Mantemos o optimismo para o ano que se aproxima, até porque vamos estar perante um novo quadro comunitário, que poderá possibilitar uma nova vaga de investimento ao sector primário, no entanto, não nos podemos abstrair dos entraves já criados e que teremos de ultrapassar. No caso da floresta, se por exemplo o Regime de arborização e rearborização foi aprovado e está em vigor, não nos po6

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demos esquecer que perdemos a publicação do Código Florestal, e com ela a actualização de uma série de diplomas legais obsoletos e desajustados da realidade. O facto de não termos um quadro legal que acompanhe a realidade e as necessidades do sector torna-se sem dúvida num grave problema. Por outro lado, temos as metas dos PROF´s continuamente suspensas, um programa operacional da sanidade florestal que ainda põe à margem os operadores económicos, e uma precária gestão das áreas florestais. Estas situações são exactamente o que temos de combater para reverter o panorama no sector florestal e permitir que 2014 não seja mais um ano fatídico. Se nada fizermos, e avaliando pelos meses de secura que já levamos, é muito provável que em 2014 a floresta venha novamente a ser também ela uma vítima dos incêndios. GR: Que oportunidades apontaria para o sector, no âmbito do próximo PDR? ANEFA: Dos documentos a que a ANEFA teve acesso, consideramos que as maiores oportunidades que o próximo QCA poderá trazer prendem-se com a simplificação dos processos, não significando com isso a isenção da responsabilidade do beneficiário, sobre a correcta implementação da acção para a qual requer o apoio. Outro aspecto prende-se com o apoio à internacionalização e à certificação de área e de empresas, necessária ao progresso do sector e dos agentes que dele dependem. Talvez o ponto crucial seja a noção de que o apoio deve ser dado à floresta em si ou à agricultura, valorizando uma área mínima de intervenção em detrimento de um valor mínimo de apoio, que muitas vezes apenas se traduziam em gastos indevidos de dinheiros públicos, sem qualquer beneficio directo à floresta ou agricultura nacional.


BALANÇO 2013 Sofia Freitas – Coordenadora da AGIM

“Foi um ano de afirmação para a AGIM e para a fileira dos pequenos frutos” ne numa das mais competitivas a nível nacional. Estimamos que dentro de 5 a 6 anos a fileira dos pequenos frutos atinja os 130 milhões de euros de volume de negócios, acima de tudo fruto dos fortes investimentos que se estão a registar em todo o país na instalação de novos pomares de mirtilo. A fileira dos pequenos frutos, apesar de ser muito recente em Portugal, está a crescer de forma organizada e estruturada, na medida em que existem um conjunto de agentes públicos e privados que estão seriamente empenhados em contribuir para a sua dinamização e animação, sendo o papel da AGIM preponderante nesta dinamização. Note-se que esta assumiu no início de 2013 a representação socioprofissional da fileira dos pequenos frutos em Portugal e assinou uma parceria com o COTHN e com o INIAV que visa criar o cluster dos pequenos frutos em Portugal.

GR: Que balanço faz de 2013? SF: O ano 2013 foi de afirmação para a AGIM e para a fileira dos pequenos frutos, que representamos em Portugal. Foi um ano em que Portugal se afirmou nos mercados externos, em que a produção de pequenos frutos teve um aumento exponencial na procura, tanto para o mercado interno como para o mercado externo, foi um ano em que se instalaram centenas de novos produtores um pouco por todo o país, surgiram e se solidificaram empresas de comercialização e, finalmente, foi um ano rico em eventos que elevaram o nível conhecimento técnico existente em Portugal acerca das diversas culturas de pequenos frutos e que mostraram ao país o potencial desta fileira.

GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? SF: Estamos certos que será um ano de continuidade na aposta nos pequenos frutos. Esta é uma actividade que continuará a atrair cada vez mais produtores, especialmente jovens agricultores. Relativamente à AGIM, será um ano para executar novos projectos e novas actividades de animação e dinamização da fileira em diversas regiões do país.

GR: Que oportunidades aponta para o sector, no âmbito do próximo PDR? SF: O próximo PDR poderá ser crucial para fomentar a profissionalização dos produtores de pequenos frutos em Portugal. Entendemos que se deverá dar primazia e/ou majorar os produtores que já se encontram instalados com áreas aproximadas a 1 ha e que pretendam crescer e ter como actividade principal a produção de pequenos frutos. Será nossa ambição que até 2020 pelo menos 50% dos produtores estejam dedicados a tempo inteiro a esta actividade, pois consideramos este aspecto crucial para se atingirem os níveis de GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? competência que são exigidos para se estar presente e competir SF: Relativamente à fileira dos pequenos frutos, considera- no mercado a nível global. mos que se encontram lançadas as bases para que esta se tor-

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BALANÇO 2013 Rui Costa, Cooperativa Agro-Pecuária Agricultores Mangualde CRL (COAPE)

“Estamos a meio do bom caminho” safiamos e tendências do mercado. A agricultura tem gente nova, com formação superior, de outras áreas que tem verificado que neste sector há oportunidade. A agricultura é hoje tecnologia de ponta, é informatização, é design, são produtos inovadores. Essas pessoas são muito bem-vindas à COAPE e trazem outra experiência e outra visão. Queremos que tenham sucesso e que um dia, quando a crise acabar, não a abandonem. Estão a rejuvenescer o tecido agrícola. Há aqui um regresso, mas não pode ser confundido como regresso ao passado. É uma entrada para a inovação, para novos investimentos, que são muito bem-vindos e que ajudam a modernizar o sector. É um novo olhar. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? RC: Diria que estamos a meio do bom caminho. Poderíamos estar melhor. A última década teve duas partes muito distintas. A primeira até 2007 e a outra daí até agora. Tivemos, em Portugal, na Política Agrícola Comum a mudança de Quadro Comunitário em 2005, mas nos dois primeiros anos as candidaturas estiveram fechadas, pelo que não houve investimento. Só a partir de 2008 se pode fazer um balanço positivo. Desde 2009, com a entrada de um novo Quadro, Portugal investiu na agricultura mais de seis mil milhões de euros em projectos com apoios comunitários. Falo de investimentos que deixam grandes benefícios na economia do nosso país. Neste sector, um portefólio alargado de produtos, onde se destacam os vinhos, as frutas, os hortícolas, o azeite e o concentrado de tomate têm revelado uma dinâmica ímpar, que assenta, de forma crescente, em produtos de excelência, com assinalável valor acrescentado, em muitos casos, com um elevado grau de inovação incorporado. A COAPE, através da sua seção de Frutos Vermelhos (MBERRYS), pretende fazer parte deste portefólio, contribuindo enquanto produtora de frutos vermelhos de excelência. GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? RC: O ano de 2014 será um zero. É um ano em que se inicia um novo Quadro Comunitário e como sabemos, por experiência de quadros anteriores, haverá sempre um tempo para que o estado português clarifique as regras, por forma a operacionalizar e gerar condições de execução deste novo Quadro. No que à COAPE diz respeito, perspectivo um ano de preparação para futuros investimentos, uma grande adesão por parte de jovens ao sector primário e um forte investimento na internacionalização.

GR: Que balanço faz de 2013? RC: Faço um balanço muito positivo. Temos vindo a crescer, ao contrário da economia, fruto da nova dinâmica que introduzimos na COAPE. Soubemos aproveitar as verbas comunitárias para nos modernizarmos, por forma a responder aos novos de8

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GR: Que oportunidades aponta para o sector, no âmbito do próximo PDR? RC: O próximo PDR será garantidamente um instrumento fundamental para o sector primário. Seria importante, antes de partirmos para a execução de um novo Quadro, reflectirmos sobre as oportunidades que existem no país e em cada região. Não podemos executar mais um quadro sem percebermos efectivamente o queremos para cada região. A COAPE sabe o que quer e como diferenciar, procurando sempre produzir em condições de excelência e com valor acrescentado. As oportunidades serão imensas contudo, devemos ter sempre presente que tudo se constrói com muita dedicação e empenho, e que a formação e o conhecimento são indispensáveis ao sucesso de qualquer projecto.


BALANÇO 2013 Rui Dinis – Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (ANCOSE)

“Não verificámos no nosso sector uma mudança significativa”

GR: Que balanço faz de 2013? RD: O balanço de 2013 é de alguma perplexidade, pois não verificámos no nosso sector uma mudança significativa da realidade de 2012. Não podemos dizer que foi pior do que 2012, mas também não embandeiramos em arco, dizendo que foi uma maravilha.

RD: 2014 será o ano zero em termos de Quadro Comunitário, pois ainda não existem os programas dos apoios enquadrados neste Quadro 2014-2020. Deverá haver no primeiro semestre uma de definição estratégica e objectivos a atingir neste Quadro Comunitário e no segundo semestre de implementação dessa mesma estratégia.

GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? RD: O sector primário, no seu todo, tem dado boa conta de si com investimentos significativos, mas em áreas que questionamos se são estratégicas para Portugal, pois não há uma definição de objectivos precisos. Pensamos que poderá estar a dar os primeiros passos de alguma consistência para o futuro em algumas áreas estratégicas.

GR: Que oportunidades apontaria para o sector, no âmbito do próximo PDR RD: O nosso sector tem forçosamente de definir uma estratégia e objectivos a atingir neste PDR. Poderá ser a última oportunidade de conseguir alguns objectivos com apoios financeiros. Assim, pensamos que os principais objectivos devem ser na área de uma produção sustentável, com uma aposta forte na qualidade dos produtos, e ainda uma intervenção muito forte na área na comercialização destes produtos.

GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector?

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BALANÇO 2013 Vasco Avilez – presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa

“Deveríamos estar a preparar-nos para os desafios Europeus e para os novos mercados” GR: Que balanço faz de 2013? VA: O ano de 2013 está a ser muito difícil para os vinhos e em geral e para todo o tecido produtivo português e, claro que, muito difícil para a agricultura. Deveríamos estar a preparar-nos para os desafios Europeus e para os novos mercados, que temos forçosamente de abrir para os nossos vinhos, e estamos parcialmente parados por falta de resposta dos Institutos do Estado. Refiro-me à dificuldade que temos tido em reaver o nosso capital empregue em ações de promoção, que se não nos for devolvido, impedirá que continuemos a fazer a promoção dos Vinhos Lisboa. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? VA: Não lhe sabemos dizer, mas o sector dos vinhos está a conseguir afirmar-se muito bem nos caminhos da exportação. Os Vinhos Lisboa, que em 2012 cresceram 12%, estão agora, no final de Novembro, com um crescimento de 4%, o que em termos absolutos nos põe com 600 mil garrafas vendidas a mais do que no ano anterior. GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? O próximo ano vai ser de enorme esforço para se conseguirem consolidar os crescimentos e as várias iniciativas que temos estado a iniciar. Vamos rever todo o «caderno de encargos» da região Lisboa para a preparar para o futuro próximo; vamos adaptar-nos ainda melhor à estratégia nacional dos “Wines of Portugal” e vamos continuar a olhar para o futuro com criatividade. GR: Que oportunidades aponta para o sector, no âmbito do próximo PDR? Temos, todos os vinhos em geral, portanto além da região Lisboa onde trabalho, que nos dedicar e que nos concentrar onde temos potencial: O Enoturismo! Temos «à mão de semear» uma arma muito poderosa e útil e não temos ainda conseguido nada ou quase nada de francamente positivo! Precisamos de Guias Eno-Turísticos, em papel e em “on line”, precisamos de

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instalações que sejam modelos, precisamos de apostar no futuro e, em vez disso, estamos a perder oportunidades e tempo que depois nunca iremos recuperar. Precisamos de entusiasmar a gente mais nova!


BALANÇO 2013 Arlindo Cunha – Presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão

“A crise obrigou-nos a ter um olhar diferente sobre aquilo que é nosso” GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? AC: Esperemos que o País retome o crescimento económico e que o sector do vinho – e em particular o Dão - consiga tirar partido dessa retoma. Que venda mais e, sobretudo, melhor. GR: Que oportunidades aponta para o sector, no âmbito do próximo PDR? AC: Essencialmente que continuem os apoios à promoção e ao investimento na reestruturação das vinhas, na continuação do Programa Vitis, que se ponha a funcionar um bom sistema de seguros de colheita e que se apliquem também os pagamentos directos às superfícies de vinha, no quadro da nova Política Agrícola Comum (PAC), que irá vigorar de 2014 a 2020.

GR: Que balanço faz de 2013? AC: A campanha foi de boa qualidade até às chuvas de finais de Setembro. A partir daí há um pouco de tudo. Temos que aguardar algum tempo para fazer um balanço final sobre o ponto de vista qualitativo. Em termos da Comissão Vitivinícola conseguimos a acreditação na Norma 45011, o que permite o reconhecimento externo da excelência do nosso trabalho de certificação. Tivemos a aprovação do Projecto da Rota do Vinho do Dão, que iremos agora implementar até 2015. Fizemos uma campanha de promoção do vinho do Dão junto dos media, dos restaurantes e das grandes superfícies. E implementámos as reformas aos procedimentos de certificação e ao Estatuto da Região Demarcada, que o Conselho Geral da CVR tinha aprovado no final do ano passado. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? AC: Penso que este é um momento em que os portugueses descobriram verdadeiramente a importância dos seus recursos endógenos agrícolas e florestais e como estes podem constituir um esteio da nossa economia e um motor das exportações. Ou seja, a crise obrigou-nos a ter um olhar diferente sobre aquilo que é nosso, inflectindo a nosso clássica (e péssima!) propensão cultural para dar mais importância ao que vem de fora. A agricultura tem, manifestamente, futuro em Portugal e na União Europeia. www.gazetarural.com

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BALANÇO 2013 Fernando Figueiredo – Presidente da União das Adegas Cooperativas do Dão

“A economia dita social deve ser olhada de forma diferente” potenciais para suprir muitas das necessidades do consumo de produtos provenientes da agricultura, que hoje são importados de outros países. Nunca se devia ter abandonado e dado subsídios para não produzir. Hoje, verifica-se também que a falta de oportunidades de emprego leva a que se esteja a regressar “à terra”. No entanto, gostaria que os governos olhassem de frente para o sector cooperativo em termos das relações fiscais entre os cooperantes e as suas organizações, no que respeita a IVA, IRS e Segurança Social. A nossa agricultura não é feita de grandes empresas organizadas, mas sim por pequenos agricultores. A economia dita social deve ser olhada de forma diferente, para que se evite a progressiva desertificação.

GR: Que balanço faz de 2013? FF: O ano de 2013, pese embora o facto de o mercado nacional estar em retracção, conseguiu-se ultrapassar os objectivos que estabelecemos. A UDACA cresceu cerca de 15% no seu negócio, fundamentalmente à custa das exportações que compensou a queda das vendas, se bem que não muito acentuada, no mercado nacional. No caso da Adega Cooperativa de Silgueiros, apesar de estar mais restringida ao mercado nacional, mesmo assim conseguiu crescer o seu volume de negócios em cerca de 7%. O balanço é, por isso, positivo. GR: Está o sector primário no bom caminho? FF: É uma pergunta difícil de ser respondida. Eu diria que se está a enveredar por um caminho que nunca se devia ter deixado, isto é, encara-se hoje uma realidade bem diferente daquela que vivemos há alguns anos. O sector primário tem condições

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GR: Como perspectiva o ano de 2014? FF: As perspectivas que tenho para 2014 não divergem muito daquelas que tinha para 2013, no que respeita ao mercado nacional. De facto, a diminuição continua dos rendimentos das famílias leva a que continue a haver retracção do consumo privado e o negócio vai ressentir-se com certeza. No que respeita ao mercado internacional, continuará a ser a nossa tábua de salvação e a nossa aposta, para compensar o que se passa internamente. Convém também realçar o facto de Espanha ter tido uma grande produção de vinho, o que leva a que, como já aconteceu noutros anos, o mercado nacional seja invadido por vinhos daquela proveniência, prejudicando os preços médios pretendidos para os vinhos nacionais. GR: Que oportunidades aponta para o sector, no âmbito do próximo PDR? FF: Sobre esta pergunta, pouco tenho a referir por desconhecer. No entanto, considero que se não formos nós empresários e todas as pessoas envolvidas neste sector a resolvermos os nossos problemas, não serão outros a fazê-lo.


BALANÇO 2013 Humberto Matos (HM), presidente da Associação de Fruticultores da Beira-Távora

“É obrigatório que os ‘pensantes do ar condicionado’ nos ouçam”

GR: Que balanço faz de 2013? A bem da economia nacional, é obrigatório que os “pensantes HM: Contava-se com um ano muito desfavorável, mas de do ar condicionado” nos ouçam, e cumpram melhor o seu papel. todo, não aconteceu. O aumento de produção de maçã deveu- Nós cumprimos com o nosso, até que a voz nos doa. -se, em grande parte, à entrada em produção de novas áreas. Preocupa-me a demora e a execução do Plano de DesenvolvimenContinuamos a ser afectados pelas alterações climáticas, to Rural (PDR 2014-2020). É importante a rapidez na implementação. das quais os agricultores menos responsabilidades têm. GR: Que oportunidade aponta para o sector no âmbito do GR: O sector primário, em Portugal, está no bom caminho? próximo PDR? HM: Já esteve pior. Desperdiçou-se tempo e meios, nem HM: A organização do mercado da produção, com concensempre bem canalizados. tração da oferta, embora não vá ser grandemente incentivada e Julgo que o caminho actual indica-nos novas perspectivas e descomplicada. mais risonhas. O reforço do associativismo e os investimentos de carácter colectivo, para minorar as desigualdades no espaço europeu, GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? como por exemplo a disponibilidade em água. HM: Os empresários agrícolas, continuam a ser homens e Políticas mais sérias, consistentes e pragmáticas na defesa mulheres de fé, mesmo sofrendo de desatenções e de desigual- das produções contra as aleatoriedades climatéricas, assentandades gritantes, em comparação com os colegas europeus, mas do mais na protecção das produções, sem esquecer a perda de somos resilientes. rendimento, a que constantemente estamos sujeitos.

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BALANÇO 2013 José Vasco de Campos - Presidente da Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais (FNAPF)

“Espero que as várias acções florestais continuem a ser apoiadas”

GR: Que balanço faz de 2013? JVC: O balanço é positivo. Embora tivéssemos tido uma área ardida com algum significado, temos que ter em conta que as condições meteorológicas foram extremamente adversas e em anos similares, como 2003 e 2005, a área ardida foi mais do dobro ou o triplo. Realço ainda como muito positivo os investimentos realizados nas áreas florestais, no âmbito do PRODER, que tiveram neste ano uma das melhores execuções de todo o período de apoio. GR: Está o sector primário, em Portugal, no bom caminho? JVC: Sem dúvida que sim. GR: Como perspectiva o ano de 2014 para o sector? JVC: A continuação do trajecto positivo que se tem vindo a verificar.

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GR: Que oportunidades apontaria para o sector, no âmbito do próximo PDR? JVC: Espero que as várias acções florestais continuem a ser apoiadas com dignidade, tendo em conta o serviço público que as florestas realizam. Conto ainda que as áreas de minifúndio, através das Zonas de Intervenção Florestal e do associativismo continuem a merecer a confiança e o apoio público, no sentido de colmatar as deficiências da pulverização da propriedade e do abandono florestal e rural que se verifica, principalmente, no norte e centro de Portugal.

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Apresentação decorreu no Solar do Dão, em Viseu

Porta do Cavaleiros celebra 93 Anos de História das Caves São João Caves São João Tinto Dão 2011 é o vinho que comemora os 93 anos das Caves São João. A apresentação à imprensa decorreu no Solar do Dão, em Viseu, e contou com a presença de elementos da administração da empresa, como Fátima Flores, da terceira geração da família, e a actual gerente Célia Alves, para além do enólogo José Carvalheira e do designer António Quintas, criador do rótulo que nos leva até à década de 50, “Os Anos Dourados” que recordam, também, a quarta década de existência das Caves São João. Estiveram também presentes o presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, Arlindo Cunha, e o Vogal Rui Ribeiro. O lançamento deste vinho insere-se nas comemorações do centenário, em 2020, e é uma homenagem ao início da comercialização dos vinhos da Região Demarcada do Dão e à criação da mítica marca “Porta dos Cavaleiros”. 93 Anos de História Caves São João Tinto Dão 2011 é um vinho de guarda, com estrutura para durar alguns anos, como é, aliás, tradição das Caves S. João, mas pronto para ser apreciado pelos ‘palatos’ mais exigentes. Este vinho foi produzido com a casta nobre do Dão e rainha das castas portuguesas, a Touriga Nacional, com uvas seleccionadas, apresentando poucas notas florais e frutadas, fazendo lembrar, e como era normal, os anos 50. De qualidade excepcional, o 93 Anos de História Caves São João Tinto Dão 2011 é uma edição de coleccionador numerada e limitada a 1193 garrafas de 750ml e 139 Magnuns. Até 2020 Visando as comemorações do centenário, em 2020, as Caves S. João decidiram lançar todos os anos um vinho de qualidade excepcional, com imagens diferenciadas em cada edição, seleccionando para o efeito temas culturais marcantes para a história da Humanidade de cada uma das 10 décadas, entre a fundação das Caves, em 1920, e o seu centenário, em 2020, resultando daí uma colecção de 11 garrafas únicas, de vinhos excepcionais. Em 2010, foi lançado o primeiro vinho, tinto, “90 anos de História”, que versou o tema “The Jazz Singer”, o primeiro filme sonoro em 1927. Em 2011 as Caves S. João lançaram o espumante “91 anos de História”, baseado na emissão radiofónica de Orson Wells sobre uma fictícia invasão marciana (1938), enquanto em 2012 “92 anos de História” recordou a década de 40 e a carta das Nações Unidas, subscrita em 1945.

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Adega de Mangualde encerrou comemorações das “bodas de ouro” A Adega Cooperativa de Mangualde celebrou em 2013 o seu pois de um período de maiores dificuldades. Um jantar no restaucinquentenário. No encerramento das comemorações, os res- rante Cascata de Pedra, em Mangualde, marcou o encerramento ponsáveis da Adega reuniram associados e entidades da região, oficial das comemorações. num evento que mostrou, também, a vitalidade da Adega, de-

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No Concurso Nacional de Inovação BES

Nova tecnologia de detecção de fungos em videiras premiada A IX edição do Concurso Nacional de Inovação BES distinguiu um projecto que possibilita a detecção precoce de fungos infecciosos nas plantas jovens das videiras, que utiliza a tecnologia Screen Wood. Esta tecnologia, ao detectar-se precocemente os fungos infecciosos nas plantas jovens das videiras, permite a sua eliminação antes da implantação de uma nova vinha. Esta análise é realizada através de uma análise por raios X capazes de detectar as estrias características de infecção fúngica no interior das plantas. O projecto foi desenvolvido pela equipa de Ricardo Chagas, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa no decorrer do projecto QREN/Adl. Para além do projecto Screen Wood distinguido no âmbito dos Recursos Naturais, foram ainda premiados mais três projectos, um que pretende desenvolver uma forma de vacinação eficaz contra a malária, e que foi o grande vencedor, e os projectos bioM – Wearable Gesture Recognition e C2C – Supercondensadores que foram os vencedores nos sectores das Tecnologias de Informação e Serviços, e Processos Industriais, respectivamente. Ao conjunto dos projectos distinguidos foi atribuído um valor total de 265 mil euros em prémios. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no espaço do BES Arte & Finança, com a presença do Presidente da Comissão Executiva do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, do CEO da Vision-Box, Bento Correia, além dos representantes de cada um dos projectos a concurso e várias figuras de destaque nas áreas da inovação, ensino e empreendedorismo.

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Mostra de vinhos na Pousada de Viseu foi num sucesso

Sector cooperativo do Dão mostrou um vinho “Invulgar”

Foi apresentado, com pompa e circunstância, o “Invulgar”, um vinho da União das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) dado a provar na Mostra de Vinhos do Sector Cooperativo, que decorreu na Pousada de Viseu. O ‘Invulgar’ reuniu cinco enólogos do Dão, que criaram em conjunto um único vinho, que traduz o expoente máximo do sector cooperativo do Dão. Produto da vindima de 2010, este vinho tem como objectivo colocar no mercado um néctar que transmite em partes iguais as características das Adegas de Mangualde, Penalva do Castelo, Silgueiros e Vila Nova de Tazem, que deram vida a este projecto. Cada Adega seleccionou, daquela colheita, um dos seus melhores vinhos, que foi trabalhado em conjunto pelos cinco enólogos, de que resultou um vinho único que simboliza uma verdadeira reunião de enólogos. Com este vinho o sector cooperativo do Dão pretende surpreender o mercado com um néctar que traduz toda a tipicidade, potencial e qualidade das sub-regiões das Adegas. Mostra de vinhos recebeu boa adesão A Mostra de Vinhos do Sector Cooperativo do Dão, que decorreu na Pousada de Viseu, recebeu largas centenas de amantes dos néctares desta região. Este foi “o segundo evento conjunto do sector cooperativo”, conforme realçou o presidente da UDACA, lembrando que o primeiro “foi na Feira de Nelas”. Fernando Figueiredo ficou satisfeito com a iniciativa, embora admitisse que “contava com mais gente”, realçando, contudo, que quem esteve foram pessoas “que sabem e que gostam de vinho”. Para o presidente da UDACA a iniciativa, acima de tudo, teve como objectivo “desmistificar a ideia de que o sector cooperativo não tem vinhos de excelência e, se dúvidas havia, ficaram dissipadas”. www.gazetarural.com

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Até ao mês de Setembro cresceram 4,5%

Vinhos mantêm subida de exportações em 2013 As exportações de vinho cresceram 4,5%, superando os 500 milhões euros até Setembro de 2013, de acordo com os indicadores do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV). O terceiro trimestre de 2013 foi o mais favorável do ano, com um crescimento de 7,4%, impulsionado pelas exportações extracomunitárias que aumentaram 15,2% e representaram 49% do valor total exportado entre Julho e Setembro. Com esta evolução, a exportação de vinhos durante os primeiros nove meses de 2013 mantém uma subida face ao período homólogo de 2012, de +4,5% em valor e +11,1% em preço médio. Regista-se uma tendência de convergência no preço médio praticado nas exportações intra e extra comunitárias, mantendo-se a União Europeia como destino principal, com um peso de 55% do valor e do volume. O preço médio entre estes dois blocos de países tem vindo a aproximar-se, observando-se que a diferença em 2012 era de 0,18€/litro (U.E.: 2,17€/l e extra-U.E: 1,99€/l) e até Setembro 2013 reduziu-se para 0,05€/litro (U.E.: 2,23€/l e extra-U.E: 2,18€/l). As exportações para países extracomunitários são 45% do valor, com cinco destinos (Angola, EUA, Canadá, Brasil e Suíça) a figurarem no grupo dos 10 principais mercados de exportação dos vinhos nacionais. Para Frederico Falcão, presidente do IVV, “estes dados indicam o contributo muito positivo que o sector do vinho está a dar para as exportações portuguesas. O vinho tem um ciclo anual de exportações que não é constante em todos trimestres e desde 2010 nunca tínhamos tido um 3.º trimestre tão bom. Se considerarmos as vendas para o exterior nos últimos doze meses e compararmos com o ano móvel anterior (out/11 a set/12) penso que podemos apontar para um ano de 2013 em que é possível ultrapassar, mais uma vez, e pelo segundo ano, a barreira dos 700 milhões euros”.

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Para venda centralizada todas as referências dos distribuidores em Angola

Lusovini abre ‘embaixada’ do Vinho do Porto em Luanda

A distribuidora Lusovini investiu quase 100 mil dólares para abrir, em Luanda, a primeira loja dedicada ao Vinho do Porto, juntando vários concorrentes nacionais na esperança de catapultar o baixo consumo do mais conhecido vinho português. “Convidámos para este projecto de venda centralizada todas as referências que os distribuidores nacionais já tinham em Angola, e no princípio do próximo ano vamos convidar os produtores que não têm representação em Angola, mas que podem usar a nossa infraestrutura para enviar as suas referências para Portugal, a partir do nosso centro em Nelas”, explicou o mentor do projecto que junta mais de 20 empresas nacionais.

Casimiro Gomes conta que a ideia de convidar os produtores nacionais que já exportam para Angola a juntarem os seus produtos de vinho do Porto num só sítio, uma espécie de ‘embaixada’ do produto, surgiu pela experiência no mercado angolano. “Estamos há quatro anos e meio em Angola e o que mais nos impressiona é os angolanos não apreciarem o Vinho do Porto, e verificámos que é por falta de informação. Daí surge a necessidade de ir ao encontro de um potencial grande mercado e fazer o caminho longo que é divulgar o Vinho do Porto neste mercado”, acrescenta o gestor da Lusovini, criada em 2009, e que junta 20 produtoras de vinho em Portugal, incluindo uma apenas de vinho do Porto, a Casa Andersen. “Nós oferecemos o espaço [de 240 metros quadrados, metade dos quais na loja aberta ao público e onde se podem fazer provas de vinho ou jantares de empresa, por exemplo], as provas de vinho e as acções promocionais, e eles não pagam nada. O objectivo não é diluir os nossos custos, pois fizemos isto para que estivessem presentes e, como costumo dizer, usassem e abusassem do espaço como se fosse a casa deles”, afirma o gestor. Questionado sobre o custo desta operação de lançamento da nova loja do Vinho do Porto, Casimiro Gomes diz que foram várias dezenas de milhares de dólares, mas não apresenta o valor exacto, preferindo explicar que “enquanto gestor, costumo dizer que podia ser ministro das Obras Públicas, porque nunca derrapo mais de 10% do orçamento, mas neste caso, o panorama foi diferente, porque qualquer coisa que precisássemos, seja decoração, seja caves de vinho, seja mesas e cadeiras, tínhamos de comprar na Europa para manter o nível de qualidade que a classe média-alta e alta, que viaja pelo mundo, conhece”. Estando em Portugal, contrapõe, “a questão resolvia-se com um email e a encomenda chegava 48 horas depois, mas aqui não, razão pela qual qualquer empresa de construção tem um orçamento dez vezes superior ao que teria se a obra fosse em Portugal”. Em Portugal, a empresa criada em 2009 registou uma facturação de cinco milhões de euros em 2012, e prevê crescer mais 20% este ano, para seis milhões, estando inclusivamente a contratar: “Devemos ser das poucas em Portugal a contratar em termos de crise, mas beneficiamos de alguns concorrentes estarem a despedir, e portanto podemos contratar pessoas sem ter de, como se diz no futebol, pagar o passe do jogador”. “Mais do que um empreendimento da Lusovini, queremos que este espaço de formação e de venda, que fica situado na zona da Talatona/Camama, no sul de Luanda, seja um projecto completamente empenhado na divulgação do Vinho do Porto no mercado angolano”, conclui Casimiro Gomes. O mercado angolano representa mais de 40% dos vinhos portugueses exportados, quota que vale 78 milhões de euros, disse em Julho, em Luanda, Filipa Anunciação, gestora da Vinhos de Portugal em Angola. “Angola é, sem dúvida, o principal mercado para os vinhos portugueses em termos de exportação, com mais de 40%”, disse Filipa Anunciação, que falava à margem da 5ª Prova Anual da vitivinicultura portuguesa em Angola. No evento participaram 80 produtores que apresentaram mais de 400 vinhos, produzidos e certificados de todas as regiões demarcadas de Portugal. “Angola compra mais de 40% do vinho exportado, que corresponde a 680 mil hectolitros em 2012 e a 78 milhões de euros em termos de valor”, salientou Filipa Anunciação. www.gazetarural.com

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De colheitas entre 1999 e 2012

Jancis Robinson destaca vinhos tintos nacionais com a melhor pontuação Os vinhos tintos portugueses lideram a escolha de Jancis Robinson, obtendo a pontuação média de 16,5 pontos, numa escala de 20. São vinhos de colheitas entre 1999 e 2012, que posicionam Portugal no primeiro lugar, à frente dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, França, Espanha e Itália. A pontuação resulta da avaliação efectuada às colheitas de 1999 até 2012. Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, afirma que “aquele resultado vem confirmar a consistência de qualidade dos vinhos portugueses, demonstrando que hoje Portugal está a consolidar a sua imagem como país de Grandes Vinhos. Neste sentido o enaltecimento da Jancis Robison, prestigiada crítica de vinho com reconhecimento internacional, que avaliou os vinhos portugueses a par com vinhos de países produtores do novo e do velho mundo vitícola internacional, constitui um enorme estimulo ao trabalho desenvolvido pelos nossos enólogos e uma confirmação que estamos no caminho certo” . Esta informação é divulgada no artigo de Jancis Robinson, em co-autoria com Valentina Romei, publicado no “Financial Times”, jornal económico inglês de referência, no qual Jancis colabora e é colunista. No painel dos vinhos brancos são enaltecidos outros países produtores, nomeadamente Áustria, França, Nova Zelândia e Itália. O sector do vinho e o enquadramento mundial é outro tema analisado no artigo, sendo revelado que nunca se consumiu tanto vinho como agora e esta tendência é liderada pelos EUA, China e Rússia. Os jovens são os maiores consumidores entusiastas nos EUA, onde integram clubes de vinho, participam em cursos de vinho e procuram o turismo de vinho e wine bars. O vinho está na moda tanto na China (o quinto maior produtor internacional e consumidor de vinho) e na Ásia, como na Rússia, e está associado à sofisticação e a um espírito fortemente moderno e ocidental.


De 21 de Dezembro a 5 de Janeiro nos doze restaurantes aderentes

Marvão promove Quinzena Gastronómica da Caça O Município de Marvão promove, de 21 de Dezembro a 5 de Janeiro, a Quinzena Gastronómica da Caça, período em que os doze restaurantes aderentes do concelho apresentam um conjunto de saberes e sabores, com os melhores pratos de caça da região. À semelhança das anteriores, a III Quinzena Gastronómica da Caça pretende promover Marvão enquanto destino gastronómico de excelência e, ao mesmo tempo, realçar os seus produtos endógenos. Por outro lado, esta iniciativa é também uma forma de homenagear os caçadores e afirmar a região enquanto destino turístico de caça. Numa região com forte actividade cinegética, a diversidade de pratos de caça é enorme, graças à utilização da lebre, da perdiz, do pombo bravo, da codorniz, do coelho bravo, do javali e do veado. Pratos que merecem ser degustados e acompanhados pelos excelentes produtos hortícolas e vinhos produzidos no concelho. Canja de perdiz, coelho bravo de cachafrito, arroz de lebre, lombo de veado grelhado com esparregado e castanhas, arroz de pombo bravo, caçolinha de veado com setas, empada de perdiz com salada de agrião e gomos de laranja, ou desfiada de caça com queijo fresco, são algumas das iguarias que pode degustar ao longo da Quinzena Gastronómica da Caça.

Promovido pela União de Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Vila Boa do Mondego

Concurso premeia melhores couves de Natal cultivadas em Celorico da Beira A vila de Celorico da Beira vai acolher, no dia 21 de Dezembro, um concurso de couves de Natal, que tem como objectivo divulgar aquele produto integrante da ementa natalícia e homenagear os antigos horticultores do concelho. O terceiro concurso de couves de Natal, promovido pela União de Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Vila Boa do Mondego, será realizado na praça Sacadura Cabral, no centro de Celorico da Beira. Segundo a organização, o evento começa pelas 9 horas, com a exposição das couves a concurso, terminando pelas 12 horas com um almoço convívio para os participantes, no qual será servido um prato típico local conhecido por “carne d`alguidar”. José Rocha Gonçalves, presidente da Junta da União de Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Vila Boa do Mondego, citado num comunicado divulgado pela Câmara de Celorico da Beira, refere que o evento, realizado pelo terceiro ano, pretende “divulgar os produtos agrícolas do concelho, mais concreta24

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mente as couves” e prestar “uma justa homenagem aos antigos horticultores” do concelho. De acordo com o autarca, a adesão dos agricultores ao concurso natalício tem vindo a aumentar de ano para ano, lembrando que em 2011 inscreveram-se 10 produtores e em 2012 participaram 40, o que “denota o interesse crescente por esta iniciativa por parte dos participantes”. As couves submetidas a concurso serão avaliadas por um júri, composto por três elementos, que premiará a melhor couve de Natal criada no concelho de Celorico da Beira, com base em critérios relacionados com o peso, a aparência e o diâmetro. A organização refere que este ano serão premiadas as dez melhores couves e atribuídos prémios aos dois horticultores mais jovens que participem, para “incentivar os mais novos na arte da horticultura”. O concurso também tem um fim solidário, pois de acordo com a entidade promotora, as couves concorrentes serão oferecidas às famílias mais carenciadas da vila de Celorico da Beira.


Artesanato do concelho em exposição até 10 de Janeiro de 2014

Casa da Cultura de Sátão recebe II Mostra de Artesanato A Casa da Cultura de Sátão tem em exposição a II Mostra de Artesanato que ali estará patente até ao dia 10 de Janeiro de 2014. Nesta mostra, estarão expostos diversos tipos de artesanato, elaborado por artesãos do concelho de Sátão, como tapeçaria, arraiolos, madeira, rendas de bilros, cestaria e artesanato urbano. Esta segunda edição do certame tem como principal objectivo continuar a divulgar os produtos artesanais do concelho de Sátão. O material exposto estará disponível para venda, podendo ser aproveitado para originais prendas de Natal. A Casa da Cultura de Sátão está aberta de terça a sexta-feira das 9 às 13 e das 14 às 18 horas e sábados das 13 às 17 horas. Workshop de bombons chocolate Vai ter lugar na Casa da Cultura de Sátão um workshop de bombons de chocolate, dinamizado pela Pastelaria Rogi de Sátão, no dia 28 de Dezembro, às 14,30 horas. O prazo para a inscrição termina a 21 de Dezembro, realizando-se esta actividade com um número mínimo de 10 participantes. Os interessados devem fazer a sua inscrição, no valor de 40,00€, na Casa da Cultura.

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Bfruit quer garantir comercialização dos produtores accionistas

Nova Organização de Produtores de Pequenos Frutos apresentada na Guarda e em Viseu Foi apresentada na Guarda, na sede da Associação de Agricultores para a Produção Integrada de Frutos da Montanha, e em Viseu, no auditório da Escola Superior de Tecnologia, a Bfruit Organização de Produtores de Pequenos Frutos. A Bfruit nasceu, segundo os seus promotores, da necessidade de agrupar e auxiliar os produtores a produzir com qualidade e em concentrar a produção para exportarem com competitividade. A nova associação já tem contratos de comercialização com operadores estrangeiros, para valorizar pelo menos 30% da produção nacional potencial, segundo revelaram os promotores. A nova associação quer garantir a comercialização dos frutos dos produtores accionistas, colocando ao seus dispor um grupo de técnicos com conhecimentos nesta área, que darão assistência à exploração agrícola e delinearão a ordem de trabalhos para as operações culturais. Fernanda Machado, produtora, é a presidente do conselho de administração da Bfruit e José Martino, da Espaço Visual, é o presidente da Assembleia Geral. Região tem “excelentes” condições para produção de mirtilo e groselha As zonas da Guarda e Viseu têm “condições excelentes” para a produção de frutos vermelhos, nomeadamente de mirtilo e de groselha, disse um elemento de uma nova organização nacional de produtores de pequenos frutos. “Estas culturas precisam de muito frio e a região tem condições excelentes, sobretudo para o mirtilo e para a groselha”, reconheceu Fernanda Machado, presidente do conselho de administração da Bfruit - Organização de 26

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Produtores de Pequenos Frutos. Aquela responsável admitiu que a aposta na produção daqueles frutos vermelhos “pode ter muito sucesso” na região da Guarda devido às condições climatéricas, mas alertou para a necessidade de os produtores se organizarem e de perceberem “como se produz e o que é que o mercado quer”. “Não será difícil os produtores associarem-se”, referiu, indicando que a entidade que lidera dará assistência técnica para “garantir a qualidade e a valorização” dos frutos e também assegurará a sua comercialização. Segundo Fernanda Machado, a organização que lidera tem objectivos bem definidos garantindo a comercialização dos frutos “de todos os accionistas que são produtores”. Os produtores actuais “vão comercializando com algumas entidades que já existem, mas sem regras claras”, alertou a dirigente, observando que futuramente é necessário obedecer a determinadas regras para que os frutos produzidos no território nacional possam entrar “no mercado europeu”. A nova organização de produtores, que pretende ajudar e apoiar os criadores de pequenos frutos a comercializarem o seu produto com mais vantagens, também aponta que no próximo quadro comunitário “podem beneficiar de apoios” os agricultores que “estiverem integrados numa organização de produtores”. O presidente da Associação de Agricultores para a Produção Integrada de Frutos da Montanha, José Assunção, referiu que na região da Guarda “há vários projectos aprovados” no sector da produção de frutos vermelhos, como mirtilo, framboesa, groselha e amora, daí a necessidade de os agricultores serem esclarecidos “sobre as fraquezas e as forças” para “saberem onde querem ir”.


Um homem do Douro à conquista do Dão

Empresa de prestação de serviços agrícolas vai nascer em Viseu Numa altura em que a agricultura está a ter um crescimento significativo, surgem também novas oportunidades de negócio. Uma delas é a prestação de serviços, quando escasseia a mão-de-obra qualificada nalgumas áreas, mas também às novas exigências, por exemplo, na aplicação de produtos fitofármacos. Para responder a diversos apelos, e depois de muitos anos ligado à comercialização de quintas, Manuel Loureiro decidiu avançar para um novo projecto, apesar da família lhe ter pedido para deixar de exercer qualquer actividade, por questões de saúde. Partindo da velha máxima de que “parar é morrer”, o antigo empresário do ramo automóvel decidiu pôr mãos à obra. Como homem de negócios, partiu para o terreno, abordando potenciais interessados, nomeadamente um empresário natural do Sátão, com quem já tem uma parceria, e que tem interesses em Espanha, na região de Rioja. É que, diz

Manuel Loureiro, “o investimento é significativo e temos que abordar as pessoas certas, para que nada fique ao acaso”. A nova empresa, que deverá nascer durante o primeiro trimestre de 2014, vai exercer a actividade de prestação de serviços agrícolas em área tão diversas como a floresta, a viticultura, a fruticultura, entre outras, mas também na gestão de quintas ou propriedades. Uma das áreas a explorar é a gestão de terrenos agrícolas, quer seja de forma directa ou por arrendamento a potenciais interessados. A empresa, segundo o seu mentor, deverá centrar a sua actividade nas regiões do Douro, Dão e Bairrada, e criará cerca de uma dezena de postos de trabalho fixos, nomeadamente pessoal qualificado em diversas áreas, havendo, durante as épocas de maior fluxo de serviço, a contratação de pessoal eventual, para trabalhos sazonais, nomeadamente por alturas das podas, das sementeiras e nas colheitas.

Vidigueira, quando o vinho é uma viagem... alvito Vidigueira cuba

índia

ato I Prenuncio da viagem

ato II a partida

ato IIi a saudade

nAVEGANTE

VILA DOS GAMAS

vIDIGUEIRA

ato IV inspiração Vidigueira / ANTÃO VAZ

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Para resíduos e efluentes dos lagares de azeite

Cooperativa de Murça lançou tratamento inovador com pó de cortiça A Cooperativa de Olivicultores de Murça colocou em funcionamento nesta campanha o protótipo que permitirá o tratamento de resíduos e efluentes dos lagares de azeite com o pó de cortiça para produção de biomassa. Depois de alguns testes do equipamento, a linha de produção entrou recentemente em funcionamento, altura em que o lagar retomou a transformação da azeitona. O director da Cooperativa de Olivicultores, José Aires, salientou que se trata de “uma mais-valia” que vai diversificar as “fontes de rendimento” desta unidade industrial, salientando que o resultado é um produto que “tem muita procura no mercado”. O projecto Biocombus está a ser desenvolvido há alguns anos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto (UTAD). Depois da investigação no laboratório, o desafio foi construir um protótipo que conseguisse transformar o processo que resultou bem a nível laboratorial para a escala industrial. O objectivo deste projecto é resolver dois problemas em simultâneo, os resíduos e efluentes resultantes dos sectores oleícola e da cortiça, juntando-os e transformando-os em biomassa, que poderá ser utilizada como combustível sólido.

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Relatório foi votado no Parlamento Europeu

Produção de leite nas regiões ultraperiféricas após o fim das quotas leiteiras O Parlamento Europeu votou um relatório sobre a manutenção da produção de leite nas zonas montanhosas, desfavorecidas e regiões ultraperiféricas após a expiração do regime de quotas leiteiras, em 2015. O documento reconhece as especificidades destas regiões, defendendo, por exemplo, a possibilidade de maiores apoios à indústria para o transporte do leite, a necessidade de promover o acesso a novos mercados e medidas para a produção artesanal de produtos típicos locais. O relatório da comissão parlamentar da Agricultura centra-se nos territórios onde mais se vai sentir o impacto do fim das quotas leiteiras, como é o caso dos Açores. Os eurodeputados solicitam a concessão de apoio às empresas de transformação, sobretudo às que pertencem a cooperativas, para compensar os custos da recolha e produção de leite, incluindo a produção e o transporte dos produtos acabados nestas zonas, que são mais elevados do que nas regiões favorecidas.

Associação entre a investigação e o sector do leite Os parlamentares instam a Comissão Europeia e os Estados-Membros a integrarem, nos programas comuns de investigação, as pastagens e a produção de leite nas regiões desfavorecidas, com vista a encorajar soluções inovadoras para estas zonas. Esta investigação deve ainda procurar identificar os benefícios do leite e derivados para a saúde dos consumidores.

Organizações de produtores e produção artesanal de produtos típicos O agrupamento de produtores de leite em organizações de produtores deve ser apoiado, de modo a permitir o acesso ao mercado de todas as explorações e a criar parcerias para a promoção do turismo agro-ambiental, diz o documento. As organizações de produtores devem ter a possibilidade de criar programas operacionais financiados pela UE e de promover o acesso a novos mercados. Os eurodeputados defendem a adopção de medidas para permitir a produção artesanal de produtos típicos. Apoios no âmbito do desenvolvimento rural As medidas do segundo pilar da política agrícola comum (relativo ao desenvolvimento rural), como os subsídios compensatórios, os prémios agro-ambientais, as ajudas ao investimento individual ou colectivo na produção, a transformação e a comercialização, as ajudas à instalação de jovens agricultores, os apoios à qualidade, à diversificação, à inovação e à cooperação, incluindo com as autoridades locais, “são de suma importância para garantir a sustentabilidade da produção leiteira nestas regiões”, sublinha o relatório. A comissão parlamentar da Agricultura solicita, por isso, que sejam concedidos aos Estados-Membros e às regiões “o enquadramento legal, o nível de financiamento e a margem de manobra necessária para assegurar o pagamento de subsídios compensatórios suficientes e bem diferenciados e para promover formas de agricultura compatíveis com o ambiente, sustentáveis e biológicas”. Os elevados custos de investimento na produção leiteira em zonas de montanha e nas regiões ultraperiféricas - decorrentes das características particulares do terreno, do afastamento destas regiões, da elevada fragmentação de parcelas e da descontinuidade geográfica das ilhas - devem ser “compensados de forma adequada no âmbito do segundo pilar da PAC”, acrescenta. O relatório reconhece que a orografia e o clima restringem outros tipos de actividade agrícola e que a diversidade agrícola é muito limitada nestas zonas. www.gazetarural.com

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Revela estudo internacional

Dieta mediterrânica ajuda a proteger o estômago Um estudo internacional, liderado por investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC), revelou que as reacções químicas no estômago geradas pela dieta mediterrânica podem evitar úlceras pépticas. “Até agora, o nitrito era sinónimo de molécula altamente tóxica associada ao cancro do estômago e os polifenóis símbolo de antioxidantes”, mas a investigação desenvolvida pelos especialistas da FFUC demonstrou que a reacção destes compostos no estômago “pode evitar o desenvolvimento de úlceras pépticas”, anunciou a Universidade de Coimbra (UC). A pesquisa revelou que “a dieta mediterrânica contém nitritos em quantidades elevadíssimas” (existentes nos vegetais verdes), assim como os polifenóis (presentes nos vegetais, na cebola, no vinho e na maçã, entre outros produtos), que, “em conjunto, produzem óxido nítrico (NO), molécula essencial para proteger o estômago de algumas patologias, através da regulação celular”. A possibilidade de impedimento da formação de úlcera péptica deve-se ao facto de aqueles processos modificarem “a estrutura química de proteínas endógenas que, desta forma, adquirem uma actividade antiulcerogénica previamente inexistente”, adiantam os investigadores. As experiências realizadas em “modelos animais (ratos) e em humanos” permitem concluir que “através da dieta alimentar é possível controlar algumas doenças do estômago, produzindo um regulador celular (NO) por processos puramente químicos”, salientam. “Estamos perante uma mudança de paradigma, porque identificámos nova actividade dos polifenóis e do nitrito no organismo”, afirmam os especialistas, sublinhando que se forma “uma nova equação: a produção de óxido nítrico a partir destas duas moléculas desencadeia uma série de acções e, em caso de inflamação, são formados compostos antiulcerogénicos”. O regulador celular NO é, de facto, considerado “um grande maestro da regulação celular no organismo”, destaca João Laranjinha. O estudo - com artigos publicados em “revistas científicas de referência internacional”, como a “Toxicology” ou a “Free Radical Biology and Medicine”, entre outras - foi desenvolvido durante os últimos cinco anos, com a colaboração do cientista Jon Lundberg, um dos líderes mundiais no estudo da “biologia do

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nitrito, uma nova área com grande impacto biomédico”. Considerou a ministra da Agricultura Distinção da Dieta Mediterrânica pela UNESCO é “selo de qualidade acrescido” A ministra da Agricultura considerou que a classificação da dieta mediterrânica como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO é um “selo de qualidade acrescido” para os produtos portugueses que pode acrescentar mais dinamismo ao sector. “É muito positivo para valorizar os produtos portugueses no estrangeiro», afirmou Assunção Cristas, recordando que “as exportações no sector alimentar têm crescido de forma exponencial”. Para a ministra, a distinção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) “é um selo acrescido” para os produtos portugueses, “de qualidade e de distinção, que pode acrescentar ao dinamismo que já se sente no sector, ainda mais motivação”. “Mais ânimo para os nossos agricultores, para os nossos pescadores e para todo o trabalho que é feito na promoção dos produtos nacionais, seja no mercado interno, seja no mercado internacional”, disse. Assunção Cristas considera que a distinção serve também como “reconhecimento da forma portuguesa de comer”. “Os nossos produtos tradicionais são extraordinariamente bons, têm grande qualidade e correspondem a uma forma muito saudável de alimentação”, afirmou, lembrando que “a dieta mediterrânica é considerada aquela que melhores benefícios traz para a saúde, nomeadamente na prevenção de um conjunto de doenças”. A candidatura da dieta mediterrânica a Património Imaterial da Humanidade foi promovida por Portugal, em articulação com o Chipre e a Croácia. A sua aprovação alarga o reconhecimento da dieta mediterrânica a estes países, depois de a Grécia, Espanha, Itália e Marrocos terem visto, em Novembro de 2010, as suas dietas mediterrânicas na lista do património imaterial da UNESCO. Depois da classificação do fado, há dois anos, Portugal volta a integrar a lista de bens do Património Imaterial e Cultural da Humanidade com a dieta mediterrânica, sendo esta a primeira vez que a região do Algarve vê a sua cultura reconhecida pela UNESCO.


No Concurso Nacional de Doces de Fruta Tradicionais Portugueses

Pera Passa de Viseu recebeu o prémio “Melhor dos Melhores” A Pera Passa de Viseu, produzida e comercializada pela empresa Lobo & Ferreira, de Viseu, venceu o II Concurso Nacional de Doces de Fruta Tradicionais Portugueses ao obter o prémio Melhor dos Melhores. A prova que se realizou no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, foi organizada pelo CNEMA e pela Qualifica e contou com 35 produtos em prova, oriundos de norte a sul do país, incluindo Açores e Madeira. Na categoria de Doces Extremes, compostos por um só fruto, o júri distinguiu com medalha de Ouro o Doce de Damasco, da Demaria Doçaria, e com medalha de Prata o Doce de Abóbora, produzido por Silvina Moreira Doces da Bina de Azeitão. A categoria Doces de Mistura foi ganha pela Demaria Doçaria, com o Doce de Figo e Noz. A Prata distinguiu o Doce de Pera e Moscatel, de Silvina Moreira e o Doce de Frutos Vermelhos, da Casa de Encosturas. Os Sabores da Geninha, de Maria Eugénia Torres, foram os vencedores da categoria Doces de Frutos Secos, com o Doce de Castanha. Apresentado a Concurso pela Frutaçor, o Doce de Ananás obteve medalha de Ouro na categoria Doces de Frutos Semitropicais, secundado pelo Doce de Maracujá, da empresa Alves de Barros, e pelo Doce de Pimpinela, da Valvie, que obtiveram medalha de Prata. O produto vencedor da Categoria Agricultura

Biológica foi o Doce de Amora, do Planalto Dourado Exploração Agrícola. A Casa de Encosturas voltou a ser premiada com o Doce de Limão, na categoria Doces de Citrino. A Geleia de Marmelo e a Geleia de Pimento, ambas produzidas pela Torre Velha, Sag, conquistaram a medalha de Ouro, na categoria Geleias de Frutos, onde foi distinguida com medalha de Prata a Geleia de Maracujá Vermelho, da Frutaçor. O Concurso premiou com medalha de Ouro, a Compota da Laranja” e medalha de Prata a “Compota de Pera Aromatizada com Tomilho”, da 3ÁS – Arte, Artesanato e Animação, na categoria de Compotas. À semelhança do ano passado, a “Marmelada Branca de Odivelas”, produzida pela Ide Vê-las, foi a grande vencedora da categoria de Marmeladas. Categoria onde a medalha de Prata foi atribuída à Torre Velha, Sag. Finalmente, os Doces Picantes foram ganhos pelo “Doce de Morango e Malagueta”, trazidos a Concurso pela Compotas da Terra, seguidos do “Condimento de Morango e Piri-Piri, da Casa da Prisca. Uma vez mais, os resultados do Concurso Nacional de Doces de Fruta Tradicionais Portugueses voltam a comprovar a qualidade, a excelência e a variedade dos produtos portugueses.

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Apresentada na Figueira da Foz

Tecnologia GPS para sector florestal mais sustentável A empresa americana Trimble apresentou, na Incubadora de Empresas da Figueira da Foz, soluções tecnológicas para uma gestão da floresta mais sustentável e que poderá levar ao “relançamento do sector florestal”. A tecnologia GPS (Sistema de Posicionamento Global) desenvolvida pela empresa norte-americana Trimble poderá permitir uma “gestão da floresta mais saudável”, numa altura em que “a madeira, em Portugal, não é um recurso sustentável, estando-se a cortar muito mais do que aquilo que se planta”, explicou Pedro Ramos, director de projectos da empresa portuguesa ForestFin. “Esta tecnologia permite aproveitar melhor os recursos e reduzir os custos”, considerou Pedro Ramos, afirmando que o “software” desenvolvido possibilita o acompanhamento, em tempo real, da máquina que corta no terreno, da quantidade que está a ser produzida, da qualidade da madeira cortada e para onde é distribuída. A abordagem, através de tecnologia GPS, permite interligar “o planeamento, a arborização dos terrenos, a gestão da floresta, o trabalho dos madeireiros e os destinos”, de forma a “aumentar a produtividade”. Para além da preocupação da rentabilização dos recursos, segundo Pedro Ramos, o sistema facilita “a instalação e a monitorização de armadilhas” para insectos, num momento em que as pragas de insectos aumentam “fruto das alterações climáticas e dos fogos”, possibilitando “minimizar e controlar os seus efeitos”. O director de projectos da ForestFin considerou que este produto poderá “atrair investidores para o sector florestal”, afirmando que tem “esperança” que a tecnologia apresentada “relance o sector, trazendo ganhos para as empresas e garantindo uma visão mais global da gestão da floresta”.

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Ministra da Agricultura anunciou uma alteração à lei

Entidades gestoras das ZIF vão poder intervir nas áreas privadas da floresta A ministra da Agricultura anunciou uma alteração à lei que regula as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) que consta de uma medida para reforçar o papel das entidades gestoras, conferindo-lhes mais poderes para poderem intervir nas áreas privadas. A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, visitou a ZIF de Aldeia do Mato, em Abrantes, no âmbito da Semana Europeia da Floresta, tendo apontado para virtudes de uma ZIF “exemplar” a nível nacional, com os seus 101 proprietários de área florestal agregados em torno da gestão de uma área de floresta superior a 1.700 hectares. “Hoje temos 162 ZIF constituídas a nível nacional, que abrangem uma área de 848 mil hectares de floresta, de um total nacional de cerca de três milhões de hectares, o que significa que temos 28 por cento do território nacional agregado em ZIF”, disse a ministra, tendo defendido que estas estruturas são um instrumento fundamental para o exercício de uma gestão integrada e sustentável destas zonas comuns de floresta. As ZIF são áreas florestais que pertencem a vários proprietários, que se organizam para procederem à gestão e defesa comum do seu património, sendo apontadas como a solução para ultrapassar os problemas estruturais das pequenas propriedades sem gestão florestal ou viabilidade económica. A governante pediu aos pequenos proprietários para que se unam em torno de entidades gestoras para constituição de ZIF, um modo de produzir riqueza e defender a floresta, ao permitir reduzir as condições de ignição e propagação de incêndios, fomentar a recuperação dos espaços florestais afectados por incêndios e promover uma gestão sustentável activa, integrada e permanente dos espaços florestais, defendeu. “Este é o caminho para a nossa floresta, agregando proprietários em torno de uma entidade gestora”, vincou a governante. “Com a alteração à Lei das ZIF, que está a ser ultimada”, anunciou, “contamos aumentar significativamente a adesão de proprietários em torno deste conceito e fazer crescer o número de ZIF no território florestal, uma fileira que representa três por cento do Produto Interno Bruto (PIB), tem um peso de 11 por cento no sector da exportação de bens, e tem potencial para crescer mais”. A alteração à lei das ZIF, segundo especificou Assunção Cristas, para além de “simplificar as actuais exigências e facilitar o processo de constituição, vai reforçar os poderes das entidades gestoras e posicionar as ZIF como actores prioritários para absorver fundos do próximo quadro comunitário de apoio”. “As entidades gestoras, em defesa do interesse público, vão poder intervir em áreas de proprietários não aderentes às ZIF”, fez notar. “A adesão ao processo depende de cada um dos proprietários mas as entidades gestoras de ZIF vão ter poderes para intervir em toda a área do condomínio florestal desde que determinada área possa pôr em risco aquilo que é o conjunto da área intervencionada pela ZIF”, vincou.

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OPINIÃO

Um balanço pouco positivo para 2013 na floresta portuguesa Em resposta ao desafio lançado pelo editor da Gazeta Rural para reflectir um balanço do ano que agora finda, começo por recordar que na primeira edição de 2013 escrevi neste espaço de opinião que este ano seria o “ano de todos os desafios”. Desafios internos, na estabilização institucional do ICNF e na conclusão da revisão dos PROF e desafios externos, com destaque evidente para a programação dos fundos comunitários de apoio ao sector florestal no contexto do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020. No entanto, numa leitura critica e atenta dos acontecimentos que marcaram este ano – o pior registo de incêndios florestais desde 2005, a (óbvia) separação dos Ministérios da Agricultura e do Ambiente com a originalidade do ICNF ficar com a dupla tutela de uma Secretaria de Estado de cada um dos dois Ministérios (…) e um PDR ainda por aprovar, são factores negativos que pesam de sobremaneira no cômputo desse balanço. Nos incêndios florestais, já correu muita tinta e continua a correr face às conclusões preliminares apuradas no relatório que analisou o acidente mortal no Caramulo e que identificou falhas humanas na sua origem. Apesar do agravamento dos incêndios florestais terem merecido uma justa preocupação da parte da sociedade civil, o Governo não deu sinais de reagir com a premência que o problema exige. O balanço do desempenho do DECIF em Novembro continuou a não evidenciar quaisquer sinais de uma acção estruturada e integrada entre os três pilares do Sistema Nacional de DFCI para mitigar os problemas que se têm vindo a agravar nos últimos anos e que estão vincados nos grandes incêndios florestais. É urgente avaliar de forma pragmática, séria e sem tabus, os acontecimentos registados nos últimos dois anos, rever o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios e voltar a mobilizar os agentes de protecção civil na estruturação de um compromisso responsável e de longo prazo em torno deste desígnio nacional que é a mitigação do flagelo dos incêndios florestais – sempre que arde um hectare de floresta, o país fica mais pobre! Sobre a dupla tutela a que o ICNF está actualmente sujeito, não disponho de informação concreta que permita uma análise profunda sobre a eficácia seu funcionamento. Mas, numa leitura de leigo, diria que não é uma solução estável nem viável no longo prazo, sobretudo, num sector 34

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que carece de estabilidade e que todos os anos é surpreendido com novidades. Aliás, somente há dias foi publicado em Diário da República o despacho que determina a conclusão do processo de extinção, por fusão, do ICNB e da AFN e respectiva integração no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P. E sobre a conclusão da revisão dos PROF, não há resultados à vista. A resposta do Governo foi prolongar em Fevereiro a conclusão desse processo pelo prazo de mais dois anos. Talvez se esteja a aguardar pela informação actualizada do Inventário Florestal Nacional… Na minha perspectiva, o processo concursal do trabalho de campo para a realização do Inventário Florestal Nacional acabou por constituir a principal marca positiva de 2013. O Inventário Florestal Nacional é uma ferramenta fundamental para se conhecer com profundidade a realidade da floresta, a forma como tem evoluído e, com base nesses elementos, formular a política que melhor se adequa ao desenvolvimento do sector, nomeadamente no segmento produtivo. Nesse prisma, o Inventário Florestal Nacional, constitui também uma peça importante para a revisão da Estratégia Nacional para as Florestas. Durante o meses de Maio e Junho decorreram várias sessões publicas de apresentação do estudo que procedeu à sua avaliação e, do qual, resultou um conjunto sólido de propostas de revisão. Se bem percebi nas palavras do Secretário de Estado das Florestas, esta é (e bem) uma prioridade da acção governativa cujo desfecho não tem ainda um prazo efectivo à vista. Registam-se também atrasos na publicação da legislação nacional que enquadra a aplicação do Regulamento Comunitário de Comércio da Madeira e que entrou em vigor em Março de 2013. Tal como o novo regulamento do comércio de pinhas ainda está por publicar, apesar do seu anúncio já ter sido feito há mais de um ano. Enfim, feitas as contas, o balanço de 2013 é marcado pelos atrasos e sucessivos anúncios inconsequentes da parte dos representantes do Governo e, por isso, pouco positivo. A continuação do bom desempenho do comércio externo de produtos florestais é um aspecto positivo, mas decorre sobretudo da iniciativa do sector privado do que propriamente de estímulos ou políticas com origem na acção do Governo, como sucede na Finlândia ou no Canadá,

países em que a floresta e o sector florestal são, de facto, prioridades da acção governativa. O arranque do novo PDR em 2014 deve constituir uma boa oportunidade para um novo estímulo ao desenvolvimento do sector florestal, complementado com uma nova Estratégia Florestal Nacional, com os PROF revistos, com o PDR aprovado e com um novo corpo gerente do ICNF, 2014 reúne as condições para mobilizar os agentes do sector e inaugurar um novo ciclo para a floresta portuguesa. Miguel Galante Eng. Florestal


Coordenado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Projecto Eurolegume poderá poupar 10 milhões de euros nas importações portuguesas A Universidade de Vila Real coordena um projecto europeu – o Eurolegume – que visa o aumento da produção de leguminosas em Portugal e na Europa e poderá gerar uma poupança de 10 milhões de euros nas importações nacionais. O projecto é coordenado pelo Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e representa um investimento de 6,5 milhões de euros, financiado pela Comissão Europeia em quase cinco milhões de euros. “Entre 80 a 90% das leguminosas secas consumidas em Portugal são importadas. Com este projecto, poderemos vir a reduzir a importação de leguminosas e de produtos derivados em cerca de 20%, o que se poderá traduzir numa poupança na balança comercial na ordem dos 10 milhões de euros”, afirmou hoje, em comunicado, o coordenador do Eurolegume, Eduardo Rosa. A iniciativa, segundo explicou o responsável, insere-se numa estratégia europeia de competitividade e sustentabilidade ambiental, através de práticas agrícolas mais eficientes e amigas do ambiente. Pretende-se também aumentar o consumo de leguminosas, o que se poderá traduzir em benefícios na saúde pública, melhorar o valor nutricional e desenvolver alimentos inovadores, bem como reduzir as importações para alimentação animal. “Um dos contributos científicos principais deste projecto é que vamos criar condições para a menor utilização de fertilizantes, através do desenvolvimento de produtos microbianos mais eficientes na fixação de azoto atmosférico e assimilação de fósforo para o aumento da produtividade das culturas e melhoria da sustentabilidade dos solos”, acrescentou Eduardo Rosa. Para o coordenador este “é também um passo ambiental decisivo”. “Face aos elevados custos dos fertilizantes e ao enorme impacto que têm nas emissões gasosas

e na qualidade dos cursos de água, vamos dar um forte contributo para cadeias de produção agrícola mais sustentáveis e resilientes às alterações climáticas”, referiu o responsável. Os estudos dos investigadores vão incidir nas culturas de ervilha, fava e feijão-frade, mas muitos dos resultados da investigação podem ser extrapolados para outras culturas de leguminosas. O Eurolegume envolve empresas, universidades e centros de investigação de dez países europeus, num total de 18 parceiros. Da UTAD, além do CITAB, são parceiros o Centro de Ciência Animal e Veterinária e o Centro de Genómica e Biotecnologia. “É um consórcio que prestigia a UTAD, os centros de investigação e Portugal e é bastante revelador da abertura cada vez mais frutífera da investigação e das instituições de ensino à sociedade e ao tecido empresarial mais empreendedor nacional e internacional”, concluiu Eduardo Rosa.

Para desenvolver cadeias de produção sustentáveis

Universidade de Vila Real lançou doutoramento para melhorar alimentos hortícolas A Universidade de Vila Real lançou as candidaturas de um curso de doutoramento internacional “inédito” que visa desenvolver cadeias de produção sustentáveis e melhorar a qualidade dos alimentos hortícolas, anunciou fonte da instituição. O doutoramento “Cadeias de Produção Agrícola – da mesa ao campo - AgriChains” é uma iniciativa do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). “Vem preencher uma lacuna a nível mundial, com uma abordagem completamente nova em relacção às cadeias de produção agrícola: é o consumidor final que decide quais as características dos produtos que pretende, mediante a intervenção em todo o processo de produção”, explicou, em comunicado, o director do curso, Eduardo Rosa. Este processo passa pelo cultivo, crescimento, colheita, processamento e venda. Os doutorandos terão formação específica em cada etapa do processo de produção agrícola e acesso às grandes empresas do sector e às opiniões dos consumidores, numa estratégia de conteúdos programáticos integrados no próprio curso e de promoção de emprego, com seminários,

conferências e até estágios e projectos de investigação nessas mesmas empresas. Neste curso, cada aluno vai ter um acompanhamento personalizado. “Vamos atribuir um tutor a cada estudante, assim que seja aceite no nosso programa. O tutor vai conceder apoio pessoal e académico e terá também um papel fundamental na selecção do orientador de dissertação do doutorando”, sustentou Eduardo Rosa. Este doutoramento resulta de uma parceria entre o CITAB, o Centro de Química de Vila Real (CQVR), a Universidade do Minho, (UMinho) a Universidade de Wageningen (Holanda) e a Universidade Politécnica de Valência (Espanha). O AgriChains tem duração de quatro anos e inclui um programa de mobilidade pelas quatro universidades parceiras. Segundo Eduardo Rosa, estas “são instituições com excelente reputação na investigação que desenvolvem no sector primário”. O curso concede ainda oito bolsas por ano, financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia que suportam, além das propinas, deslocações e estadias fora de Portugal. As candidaturas decorrem até 31 de Dezembro, para a primeira edição do programa (2014-2017), que tem início no primeiro trimestre de 2014. www.gazetarural.com

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Mercado contou com elevada participação de produtores

Quintais levaram espírito natalício à praça de Oleiros O mercado de Oleiros d´Os Quintais nas Praças do Pinhal ficou marcado pela forte participação dos produtores da região, por uma significativa diversidade de produtos e pela grande adesão de público. A menos de um mês da comemoração do Ano Internacional da Agricultura Familiar, celebração declarada pelas Nações Unidas para 2014, verifica-se que as pessoas reconhecem cada vez mais este conceito como uma forma de desenvolver e promover pequenas produções locais, que dinamizam a pequena economia. Em plena quadra natalícia, os quintais do Pinhal levaram o espírito do Natal à praça de Oleiros e no recinto não faltou sequer um presépio original, elaborado com frutos e legumes. O programa de animação contemplou a actuação do acordeonista Zé Maria (de Proença-a-Nova) e do Rancho Folclórico e Etnográfico de Oleiros. No final, o palco da praça de Oleiros acolheu ainda a dramatização da peça de teatro “Os Olericultores do Verde Pinhal”, a cargo da Casa da Cultura de Oleiros. Num domingo solarengo e em dia santo (outrora feriado nacional), todos os caminhos levaram até Oleiros onde os melhores produtos do Pinhal estiveram em destaque. Muitos dos visitantes puderam ainda levar para casa algumas das iguarias utilizadas na confecção da Ceia de Natal.

E-mail: paulocosta.viseu@gmail.com

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Cubas de Azeite


Integrada na Escola Agrária de Coimbra

Empresa produz medronheiros por clonagem A Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) está a desenvolver dois projectos de investigação sobre medronheiros, um dos quais com duas ex-alunas que criaram uma empresa para produzir as plantas através de clonagem. “Existe uma procura grande de plantas melhoradas. Havia necessidade de dar resposta e nós, como escola, não tínhamos essa capacidade”, afirma Filomena Gomes, docente e investigadora da ESAC. Durante o estágio curricular com a professora Filomena Gomes, Patrícia Figueiredo e a sua colega Rita decidiram criar a empresa Green Clone, tendo apresentado para o efeito uma candidatura ao Programa de Desenvolvimento Rural (ProDer), para jovens agricultores. A direcção da ESAC concordou que a empresa das antigas alunas ficasse em incubação na escola, onde produzem milhares de medronheiros pelo método de clonagem de espécies silvestres, seleccionadas com a colaboração de agricultores, tendo em conta a qualidade e a quantidade dos frutos produzidos. Segundo Filomena Gomes, “a escola tem vários grupos a trabalhar em cada uma das áreas”: produção das árvores minúsculas em laboratório, plantação, adubagem, poda, eventual rega, colheita dos frutos, embalamento e comercialização para consumo em fresco, transformação em aguardente e doces sem adição de açúcar, entre outras. A edição de um “manual de boas práticas” para o fabrico de aguardente, em colaboração a Universidade do Algarve, é outro dos objectivos dos projectos em curso na ESAC. “A grande utilização do medronho penso que será sempre a aguardente, mas tem outras utilizações, se produzirmos frutos maiores”, preconiza a docente Cristina Franco. Esta especialista em fruticultura salienta que o medronho “pode ser consumido paralelamente com o morango”, com a vantagem de ser colhido no Inverno, quando aquele é vendido “a preços proibitivos”. “O nosso primeiro cliente quis 10 mil medronheiros”, revela Patrícia Figueiredo, da Green Clone. A empresa tem recebido encomendas de todo o país, com destaque para o Centro, tendo alguns compradores “projecto aprovado para a produção do fruto em fresco”, adianta a jovem empresária. “Devidamente conhecido, o medronho pode também ser uma solução para os nossos territórios de baixa densidade demográfica”, corrobora o biólogo Carlos Fonseca, que está a preparar várias parcelas, no concelho de Penacova, para

plantar medronheiros. Este docente da Universidade de Aveiro participa em estudos sobre a cultura desta espécie arbustiva e o aproveitamento dos frutos, no âmbito de quatro projectos envolvendo também investigadores da ESAC e da Universidade de Coimbra. Nos 10 hectares de terreno que possui na zona de São Pedro de Alva, vai desenvolver o seu empreendimento “em duas vertentes: uma mais compatível com a biodiversidade local, fazendo uma intervenção mínima, e outra com máquinas”, tendo em vista a plantação de pomares de medronhos. “É importante demonstrar às populações que é possível ter rendimento das terras, a partir de espécies da nossa flora, e não termos de recorrer todos a espécies exóticas como o eucalipto”, defende o biólogo.

Nos concelhos da Pampilhosa da Serra e Oleiros

Medronho floresce como alternativa económica nas montanhas do Centro A plantação de medronheiros tem vindo a crescer na região Centro por iniciativa de produtores que procuram diversificar as aplicações do fruto, desde o fabrico de aguardente ao consumo do medronho em fresco. Na Pampilhosa da Serra e em Oleiros, o pequeno fruto vermelho deste arbusto “Arbutus unedo” sempre foi colhido para fazer aguardente, após fermentação de dois a três meses. O medronheiro integra a vegetação autóctone de várias regiões de Portugal, como os territórios de baixa densidade demo-

gráfica do Centro. Nas últimas décadas, o fabrico de aguardente medronheira prosperou, sobretudo no Algarve. Só que o negócio passa muito pela compra do fruto ou da massa, após fermentação, a produtores das Beiras que se limitam a colher o medronho silvestre nas serranias de xisto. “É uma planta que se dá bem aqui e que à partida oferece grande rentabilidade económica, desde que seja trabalhada com alguma escala”, afirma José Martins, que possui 36 hectares de medronhal, na Pampilhosa. www.gazetarural.com

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Técnica mais ecológica que aproveita um resíduo agrícola

Investigadores de Vila Real usam caroços de espigas de milho em blocos de betão

Investigadores da Universidade de Vila Real estão a estudar a utilização de granulado de caroço de espiga de milho na produção de blocos de betão, uma técnica mais ecológica que aproveita um resíduo agrícola. Jorge Tiago Pinto, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), disse que os investigadores da Escola de Ciências e Tecnologias estão a estudar aplicações para o caroço das espigas de milho ao nível da construção civil. Depois da sua utilização em material de isolamento térmico e acústico ou betão leve, usado em camadas de regularização de

pavimentos, prossegue-se agora para a produção de blocos de betão. E os resultados, segundo o responsável, são “muito positivos”. Actualmente, nos blocos leves de betão são usados materiais como esferovite, argila expandida ou grânulos de cortiça. O caroço das espigas de milho é considerado um resíduo agrícola, que normalmente é queimado, sem ter qualquer aplicação. Como vantagem desta técnica, Jorge Tiago Pinto destaca a sua “componente ecológica”. Trata-se, segundo acrescentou, de um material de construção “mais amigo do ambiente do que o bloco de betão tradicional”. Os investigadores salientam ainda como vantagens deste produto “o peso específico, a durabilidade, a estabilidade dimensional, a capacidade resistente à compressão e o comportamento ao nível do isolamento acústico a sons aéreos”. Nesta investigação foi desenvolvido um processo de granular o caroço sem “danificar a microestrutura”, que confere ao produto, por exemplo, a capacidade de isolamento térmico e acústico. Foi ainda reduzida a sua capacidade de absorção de água, que pode ser uma desvantagem neste tipo de material. Depois, o processo de produção é idêntico ao fabrico dos típicos blocos de betão. Só que, neste caso, ao cimento, à areia e brita junta-se o granulado do caroço das espigas de milho, em vez do actualmente usado agregado leve. Este estudo tem sido privilegiado pelas parcerias estabelecidas com empresas locais, o que permitiu que os blocos já possam ser fabricados em contexto industrial. Paralelamente foi feito um estudo de viabilidade económica que, segundo Jorge Tiago Pinto, “também mostrou que esta solução alternativa pode ser competitiva”. O investigador acredita que a utilização deste resíduo agrícola poderia até incrementar esta cultura em Portugal ou até se poderia exportar esta técnica inovadora para países como os Estados Unidos da América (EUA), onde a produção de milho é “brutal”.

Afirmou o presidente do CEC

Agricultura tem capacidade para crescer na Região Centro O presidente do Conselho Empresarial do Centro (CEC), José Couto, disse que a agricultura da região “tem capacidade para crescer” e modernizar-se. O sector agro-pecuário da Região Centro tem actualmente condições para “introduzir inovação e melhorar o seu valor acrescentado”, declarou José Couto. O presidente do CEC - Câmara de Comércio e Indústria do Centro falava no final da sessão de balanço do projecto in_Agri - Rede de Oficinas de Inovação para o sector agro-industrial, o qual obteve “excelentes resultados” e apresenta “perspectivas para o futuro”, após dois anos e meio de execução, segundo uma nota da organização. “O facto de terem de pensar num plano de negócios mostrou-se muito importante para algumas empresas”, disse. Algumas acções de formação do projecto in_Agri permitiram “perceber que muitos empresários da agro-indústria não têm conhecimento dos mercados externos e dos processos ligados à exportação”, enfatizou José Couto. 38

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Na sua opinião, é necessário que os agricultores “pensem como empresários”, pois isso “traz-lhes vantagens”. “Este projecto também mostrou que há processos de organização que são muito importantes”, sublinhou o presidente do CEC. Retomando o essencial das suas afirmações no encerramento da sessão, José Alberto Ferreira, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), assegurou à Lusa que “dinheiro não vai faltar”, entre 2014 e 2020, para “criar emprego e riqueza para a região”, incluindo no sector primário. “Haja projectos, que o dinheiro vai existir, com certeza”, referiu. O investigador Henrique Pires dos Santos, responsável do in_ Agris, fez um balanço “extremamente positivo” do projecto, que envolve ainda as escolas superiores agrárias de Coimbra e Castelo Branco, o Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra e o Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS), comum a estas duas instituições.


Se preços na produção não aumentarem

Produtores de arroz prometem acções de luta A Associação Portuguesa dos Orizicultores (APOR) admitiu, em Coimbra, avançar para acções de luta caso o Ministério da Agricultura, em conjunto com a indústria e grandes superfícies, não reveja o preço de produção do arroz. “Não se pede que os produtores de arroz sejam ricos mas que possam viver com dignidade”, defendeu Isménio Oliveira, coordenador da APOR, considerando que a produção de arroz é insustentável, caso o preço na produção não aumente, “no mínimo, para 30 cêntimos por quilo”, numa altura em que os preços rondam os 25 e os 28 cêntimos. Em 2013, o produtor de arroz teve custos de cerca de 2000 euros por hectare, apresentando apenas 1500 euros de receitas, sem contar com o subsídio do Regime de Pagamento Único (RPU), explicou o dirigente, durante a conferência de imprensa realizada hoje de manhã, em Coimbra. Segundo números da APOR, as despesas totais dos produtores de arroz situaram-se nos 1,9 milhões de euros, apresentando receitas de 1,5 milhões de euros. Isménio Oliveira referiu que a resolução da situação “é uma questão de vontade política” por parte do Ministério da Agricultura, que “tem sido muito apático”, em relação aos preços na produção de arroz. Caso o preço não aumente “até 15 de Janeiro”, a APOR está “disponível para lutar por um preço justo”, avançando com a possibilidade de uma ida a Lisboa e de acções de luta nas regiões de produção de arroz. Isménio Oliveira defendeu também que devem ser desbloqueadas verbas para a “finalização das obras hidroagrícolas do Baixo Mondego”, informando que o Ministério da Agricultura considera essas mesmas obras “prioritárias” no próximo Quadro de Referência Estratégica Nacional para 2014/2020. A APOR exigiu que o “escoamento” do stock de arroz nacional deve ser feito em primeiro lugar, e “só depois importar”, existindo, de momento, “30 mil toneladas de arroz carolino em stock”. Para além do baixo preço de produção, o dirigente da APOR sublinhou que os custos com a produção aumentaram “muito” em dez anos, nomeadamente os do gasóleo e dos químicos adquiridos para a produção de arroz. “Estamos a perder dinheiro. Se calhar é melhor estar sossegado e receber o subsídio por hectare”, criticou José Santos, também da direcção da APOR, considerando que a actual situação potencia a utilização dos subsídios para não se produzir. Os industriais e a distribuição “estão a levar todo o lucro”, observou, defendendo “um equilíbrio”.

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Nissan apresentou novo Qashqai A Nissan revelou o novo ícone dos crossovers. O Nissan Qashqai estará à venda a partir de Janeiro de 2014 e combina um design audaz, combinado com uma tecnologia líder do segmento para continuar o sucesso sem precedentes do pioneiro dos crossovers; concepção do interior, materiais e equipamen-

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tos com qualidade premium; uma panóplia de tecnologias que trazem maior conveniência, conforto e dedicação ao condutor no seu segmento e eficiência notável com emissões de CO2 de apenas 99 g/ km. A Nissan é representada em Viseu pela Soveco e em Aveiro, na Entreposto A. Fontes.


ÚLTIMAS Certame espera receber mais de 70 mil visitantes

Montalegre promove Feira do Fumeiro no Porto para atrair novos públicos Montalegre vai promover a Feira do Fumeiro no Porto para atrair novos públicos e criar canais de comercialização, anunciou o presidente daquela autarquia transmontana. Orlando Alves frisou que o objectivo, além de atrair gente ao certame, que se realiza em Janeiro, é promover turisticamente o concelho de Montalegre, no distrito de Vila Real. Nos dias 21 e 22 de Dezembro, produtores de enchidos, pão, mel e produtos agrícolas vão fazer uma “mini Feira do Fumeiro” no Pátio das Cardosas, no Porto, e uma prova de degustação na loja interactiva do Turismo Porto e Norte de Portugal (TPNP), no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. “O aeroporto é um espaço muito movimentado, por isso, pode ser que a mensagem fique e as pessoas comecem a procurar mais Montalegre do ponto de vista turístico”, disse. “Se os compradores não vêm até nós, vamos nós ao encontro deles”, justificou o autarca a aposta na promoção e divulgação do evento. A XXIII edição da Feira do Fumeiro e do Presunto do Barroso realiza-se de 23 a 26 de Janeiro, espera receber mais de 70 mil visitantes e um volume de negócios superior a 1,5 milhões de euros. Orlando Alves frisou que promover o “São João das Chouriças” no Porto é uma forma de criar novos canais de comercialização, impulsionar a actividade económica e divulgar a gastronomia, património, cultura e natureza de Montalegre. E, acrescentou, “é uma forma de combater a interioridade”. O presidente do município relembrou que o ano passado os produtores ficaram satisfeitos com a iniciativa porque deu “bons resultados”. “Temos a consciência que vale a pena. Só falta mobilizar novos e menos novos neste grande desígnio de

reinventarmos a nossa terra e procurarmos saídas para o povoamento do território”, considerou. O objectivo, na sua opinião, é procurar saídas para o retorno de mais-valias direccionado àqueles que ainda acreditam que o Barroso tem futuro.

Aprovada pelo Conselho de Ministros

Bolsa de Terras vai funcionar de forma desmaterializada A forma de ceder as terras do Estado através da bolsa de terras foi aprovada pelo Conselho de Ministros, que definiu que o processo vai ser feito de forma “desmaterializada” e através de concurso, com ou sem negociação. O Conselho de Ministros aprovou também uma resolução que estabelece o procedimento de identificação e disponibilização de prédios do domínio privado do Estado e dos institutos públicos na bolsa de terras. Segundo o comunicado do Conselho de ministros, os prédios do Estado e dos institutos públicos disponibilizados na

bolsa de terras podem ser cedidos onerosamente a terceiros, para utilização agrícola, florestal ou silvipastoril, mediante arrendamento ou venda. “O contrato de arrendamento rural, regulado na lei civil, constitui a forma típica de exploração e utilização destes prédios”, lê-se no referido documento. O procedimento da cedência de terras do Estado vai ser feito de “forma desmaterializada”, através do Sistema de Informação da Bolsa de Terras, e “com garantia da confidencialidade” dos dados pessoais, acrescenta o Governo no documento.

Ano X - N.º 215 Director José Luís Araújo (CP n.º 7515), jla.viseu@gmail.com | Editor Classe Média C. S. Unipessoal, Lda. Redacção Luís Pacheco | Departamento Comercial Filipe Figueiredo, João Silva, Helena Antunes Opinião Miguel Galante | Apoio Administrativo Jorge Araújo Redacção Lourosa de Cima - 3500-891 Viseu | Telefones 232436400 / 968044320 Fax: 232461614 - E-mail: gazetarural@gmail.com | Web: www.gazetarural.com ICS - Inscrição nº 124546 Propriedade Classe Média - Comunicação e Serviços, Unipessoal, Limitada Administração José Luís Araújo Sede Lourosa de Cima - 3500-891 Viseu Capital Social 5000 Euros | CRC Viseu Registo nº 5471 | NIF 507021339 | Dep. Legal N.º 215914/04 Execução Gráfica Sá Pinto Encadernadores - Telf. 232 422 364 | E-mail: ajsapinto@mail.telepac.pt | Marzovelos - Viseu Tiragem média Versão Digital: 73000 exemplares | Versão Impressa: 2500 exemplares Nota: Os textos de opinião publicados são da responsabilidade dos seus autores

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Fidelidade inaugurou nova loja em Canas de Senhorim

A Fidelidade inaugurou a loja de Canas de Senhorim, com a nova imagem da seguradora, após a fusão da Império/Bonança, Fidelidade e Mundial, tendo no mediador Joaquim Nelas Cardoso o responsável pela loja, que representará aquela seguradora no concelho de Nelas. Na ocasião marcaram presença Alvarez Quintero, administrador da Fidelidade, António Sequeira, director comercial para a região norte, e António Morais, director Regional das Beiras.



Gazeta Rural nº 215