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REAL GAZETA

DO ALTO MINHO

MARÇO 2019 - NÚMERO 19

ENTREVISTA

EXÍLIO À FORÇA

INFANTE D. DINIS

AMADEO DE SOUZA CARDOSO

CENTENÁRIO DA MONARQUIA DO NORTE

VISITA AO FUNDÃO E À COVILHA DE

O SONHO DA RESTAURAÇÃO

S.A.R. D. AFONSO DE BRAGANÇA

LEGITIMISTA IRREDUTÍVEL

UM PORTUGUÊS ILUSTRE...

JOÃO DE LEMOS

FERNÃO DE MAGALHÃES


EDITORIAL Vivemos numa República, não vivemos numa monarquia! “As relações familiares não podem ser preponderantes nas decisões do país. Vivemos numa República, não vivemos numa monarquia. Alguém tem de prestar esclarecimentos, e esse alguém é o responsável máximo, o primeiro-ministro”, referiu no dia 28 de Março o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão. Num ponto estamos de acordo com o Senhor deputado. Vivemos numa república e não numa monarquia! Numa monarquia é tudo muito mais escrutinado. E não encontramos, em nenhum dos actuais governos das monarquias europeias, laços de tão forte consanguinidade como existem no actual governo da república portuguesa! E se recuarmos até ao último governo da Monarquia Constitucional, que foi liderado por João Franco, também não encontramos semelhantes teias e laços familiares. Parece impossível que um reputado jurista tenha uma afirmação pejorativa destas que ofende a memória de alguns dos fundadores do PPD, que eram monárquicos, e os monárquicos portugueses, que são democratas – alguns dos quais militam no PSD - e defendem a ética e transparência. Numa monarquia a democracia, o respeito pelas instituições e a qualidade de vida da população são muito maiores. Senão vejamos: - No Índice de Percepção da Corrupção 2018 (IPC) divulgado no mês de Janeiro pela “Transparency Internacional”, podemos constatar que dos dez países com mais transparência no mundo e consequentemente menor índice de corrupção, sete são monarquias, sendo a lista de países encabeçada pela Dinamarca, aliás, os três primeiros lugares do ranking são ocupados por países monárquicos e Portugal perdeu um lugar no ranking de 180 países, descendo do 29.º para o 30.º. - Na última lista do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), publicado em Setembro de 2018, que compara, para os diversos países do mundo, factores como a riqueza, a alfabetização, a educação, a expectativa de vida e a natalidade, verificamos que o primeiro lugar é ocupado pela Noruega, que é uma monarquia, aparecendo Portugal em 41.º Lugar. - No Relatório Mundial de Felicidade de 2018 (2018 World Happiness Report), que mede o índice de felicidade de 156 países com base em seis pilares - produto Interno Bruto (PIB) per capita, liberdade social, confiança, esperança de vida saudável, generosidade e apoio social -, publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, nos 10 primeiros lugares, estão sete países monárquicos, aparecendo Portugal em 77.º lugar. - No Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2018, organizado pelos Repórteres sem Fronteiras, os três primeiros países são monarquias, Noruega, Suécia e Holanda e nos 10 primeiros lugares, estão 6 países monárquicos. - O Índice de Democracia, compilado pelo The Economist Intelligence Unit 2018 Democracy Index para examinar o estado da democracia em 167 países, avalia os países em cinco critérios - o processo eleitoral e pluralismo, as liberdades civis, o funcionamento do governo, participação política e cultura política -, em 2018 dos cinco primeiros lugares 4 são Monarquias, consideradas como democracias plenas, sendo o ranking liderado pela Noruega. Portugal aparece em 27 lugar, classificado neste relatório como uma democracia imperfeita. E, como diz o Dr. Fernando Negrão, não vivemos numa Monarquia. Infelizmente!!! José Aníbal Marinho Gomes Presidente da Direcção da Real Associação de Viana do Castelo


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AMADEO DE SOUZA CARDOSO - (1887-1918) (Arquivo privado).

AMADEO DE SOUZA CARDOSO e a Grande Guerra: “Exílio à força” – 1914-1918 mundo artístico. Este jovem artista esteve sempre envolvido pelos laços fortes e indeléveis à família e à Terra –

Amadeo de Souza Cardoso (1987-1918) ocupa entre as figuras portuguesas de maior projeção intelectual, cultural e artística do século XX um lugar cimeiro. Foi o primeiro e o maior modernista português 1 que viveu e conviveu com as vanguardas entre 1911 e 1914 em Paris. É necessário e de toda a justiça, apresentar Amadeo na sua pluralidade e equipará-lo com os maiores do seu tempo, os seus pares, nomeadamente Picasso, Matisse, Braque, Kandinsky, Juan Gris, entre outros. O pintor amarantino privou com alguns deles, nomeadamente Modigliani, Brancusi, Brunelleschi, Sónia e Robert Delaunay, Otto Freudlich, Arquipenko, Apollnaire, Max Jacob, Marc Chagal, Boccioni, Walter Pach. Foi este último, uma das figuras que pôs o pintor amarantino na ribalta do

Casa de Manhufe, Mancelos (Arquivo privado).

Manhufe em Amarante, entranhados no seu íntimo. Um contexto familiar católico e conservador, não

(1) Não nos esqueçamos que em 1913 Amadeo foi convidado a participar na Internacional Exhibition of Modern Art mais conhecida pela Armory Show que se realizou nos Estados Unidos da América, em três cidades Nova York, Chicago e Boston… Amadeo, a partir daqui, consagrou-se como um dos grandes modernistas da Pintura e o 1º modernista Português.

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Rei Dom Carlos. Desenho aguarelado, c. 1908 (colecção privada).

Rei Dom Carlos. Desenho (CAM-FCG, CPC0057).

obstante, empreendedor, assim como um território natal saturado de ruralidade, geraram em Amadeo uma tensão positiva que não obstruiu, antes facilitou, harmonizando contradições e paradoxos, a emergência de um vanguardista projectado para além do seu tempo. Um dos aspectos fascinantes da sua personalidade foi viver numa bivalência, isto é, coexistiu em entre dois mundos distintos: as suas raízes, vida tradicionalista, como católico, monárquico e outros valores morais e o outro da vida de um artista nas vanguardas europeias. O perfil bifronte ou bivalente em Amadeo dá-se de uma forma harmoniosa e tranquila. O artista vive e convive ao mesmo tempo com o tradicionalismo e com o modernismo. Na sequência da evocação do Centenário da Monarquia do Norte de 1919 não queria deixar de referir Amadeo de Souza Cardoso que para além de

Rei Dom Carlos. Desenho aguarelado, c. 1908 (CAM-FCG, CPC0039).

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Rei Dom Manuel II. Retrato a óleo do Infante Dom Manuel trajado de «neto» Autor: AMADEO com a inscrição «D. Manoel II, Rei de Portugal» - c. 1908-1909

ter sido um dos grandes pintores do seu tempo era também um monárquico assumido em que retratou Dom Carlos I e pintou Dom Manuel II inspirado de uma fotografia trajado de “neto”. Em 1901 em Amarante, Amadeo, com treze anos, no Carnaval participou trajado de “neto”. No desenho do Ex-libris do pintor amarantino vamos encontrar toda uma imagética heráldica enriquecido com um

Iinfante D. Manuel trajado de «neto», (fotografia de Augusto Bobone). Sintra, 6-9-189 (Cortesia: Coleção Eduardo Nobre)

Ex-libris de Amadeo, Junho de 1912. (arquivo privado)

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Amadeo de Souza Cardoso, trajado de «neto». Fotografia de 24-02-1901. (arquivo privado)

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epitáfio - Juin accomplir c`est vaincre -1912, em que invoca a ideia de cumprir uma missão que é preciso lutar para vencer para criar um Portugal “novo” com a eventual vitória da 2.ª incursão Monárquica de Paiva Couceiro, que gorou. O objetivo central deste trabalho de investigação 2 é explorar e compreender os meandros ainda ocultos e inexplicados das razões que a Grande Guerra causou no percurso da vida e na obra do pintor Amarantino. Amadeo de Souza Cardoso a residir em Paris desde finais de 1906, costumava visitar o nosso país e a casa dos pais em Manhufe, Mancelos (Amarante) com alguma assiduidade. Numa dessas curtas visitas à família, em finais de julho de 1914, tomou conhecimento do início da Grande Guerra. Apanhado desprevenido, e por uma i n j u n ç ã o d o G ove r n o p o r t u g u ê s , o p i nt o r amarantino fica impossibilitado de sair do país por ter ficado apurado para o serviço ativo do Exército, por processo iniciado em 12 de julho de 1907. Devido a ausência de Amadeo, tendo sido entretanto convocado para se apresentar no distrito de recrutamento sediado no Regimento de Infantaria n.º 20 em Guimarães 3, para prestar juramento de fidelidade, em 9 de novembro de 1907, o pai José Emygdio de Souza Cardoso (18561925), dirigiu-se ao referido Regimento e requereu 4 o adiamento, pedido que foi deferido . No final do ano de 1907, em 31 de dezembro, já em Portugal, Amadeo deslocou-se com o pai ao quartel em Guimarães, para prestar o juramento de fidelidade à Pátria. Como parte integrante do Processo n.º 252, existe o formulário com os dados pessoais e características físicas: “[...] Amadeu Cardoso, estudante, solteiro,

Atelier de Amadeo no ribeiro, Manhufe (arquivo privado).

com 20 anos, com olhos, cabelo e barba pretos, nariz e boca regular, rosto redondo, altura 1m70, cor 5 de pele natural [...]” . Com o preenchimento desta documentação pessoal e com o exame médico, Amadeo é destinado para o serviço ativo do Exército com incorporação no Regimento de Infantaria n.º 1, em Lisboa, recebendo o n.º 4666 R. [...] 31 de Dezembro de 1907 no D.R. n.º 20 (data em que prestou juramento de fidelidade e onde Distrito de Recrutamento do Regimento do Quartel de Infantaria de Guimarães) [...] activo do exercito (Serviço a que foi destinado – activo do exercito, da armada ou 2.ª reserva) [...] recruta (qualificação de praça). Reg.to d'Inf.a n.º 1 (Unidade activa ou reserva a que foi destinado) [...] por ter servido a obrigação activo (Motivo porque é encorporado ou tranferido para a 2.ª reserva) [...] n.º 4666 R (número de matrícula no regimento de reserva em que se 6 encorporou) [...] . Amadeo, em 1912, registou-se no consulado de 7 Portugal em Paris , com a caderneta militar como forma de identificação da nacionalidade portuguesa8.

(2) Comunicação apresentada a 19 de Abril de 2018 na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – Vila Real, integrada no Congresso Internacional Portugal na (e no Tempo da) Grande Guerra. (3) Arquivo Geral do Exército (doravante AGE) – Livro de Recrutamento n.º 20, 6.ª Divisão Militar (Guimarães) – Concelho de Amarante. Livro de Recrutamento, 1907, com 128 fls. e 479 processos individuais. O Processo n.º 252 refere-se a Amadeu Cardoso e ocupa os fls. 62v-63. No fl. 63, com data de 11 de julho de 1907, está referido que foi “proclamado”. ( Doravante, os documentos militares de Amadeo são referidos por Processo n.º 252). (4) AGE – Processo n.º 252, fl. 63. (5) AGE – Processo n.º 252, fl. 63. Cf. tb. Memória da Família Sousa Cardoso. (6) AGE – Processo n.º 252, fl. 63. (7) Processo iniciado em 27.05.1911. Cf. Arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros (doravante AMNE) – Livro de Emolumentos (1.03.1912 a 31.08.1913), cota L-125-A, processo n.º 555. Amadeo encerra a matrícula no consulado de Portugal em Paris. 10 de abril de 1912 é a data de chegada do registo de matrícula, Cf. AMNE – Livro de matrículas de cidadãos portugueses (3.11.1912 a 15.12.1913), cota L-84, fl. 7 (AMNE). (8) Amadeo encerra a matrícula no consulado de Portugal em Paris. 10 de abril de 1912 é a data de chegada do registo de matrícula, Cf. AMNE – Livro de matrículas de cidadãos portugueses (3.11.1912 a 15.12.1913), cota L-84, fl. 7 (AMNE).

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então em Vigo (Espanha), com data de 11 de julho de 1916, a dada altura faz referência à Grande Guerra, comentando que em Portugal, segundo a lei em vigor, até os estrangeiros a viver no país se deviam apresentar ao serviço militar para servir a pátria: “[...] Au Portugal, selon les décrets en vigueur maintenant, tous les étrangers sujets des pays alliés doivent se présenter au service militaire – pour ainsi faciliter à chacun la possibilité de servir sa

Em Portugal, com situação militar indefinida, Amadeo instalou-se no seu “quartel-general”, o atelier do Ribeiro, em Manhufe, durante ano de 1914, onde começou a trabalhar nos vários projetos artísticos que trouxera de Paris, além de pôr em dia a correspondência que recebia do estrangeiro. No atelier, quando tinha a companhia de amigos ou a presença de outros artistas, uma das perguntas habituais que a eles fazia era saber “se guerra estava a acabar” 9. A partir do início de 1915, retomou o ritmo de “trabalho com força”, frase que utilizava com 10 alguma frequência . Amadeo “retido” em Portugal, ficou com a noção da distância a que o país se encontrava da França, distância medida em quilómetros, mas também em Arte. O cenário do conflito bélico, em curso, foi responsável pelo exílio de Amadeo e de grande parte dos artistas portugueses a estudar em Paris, além da vinda do casal Delaunay para Portugal. A residência “Villa Simultannée”, em Vila do Conde, será o local de atração e de inspiração pictórica para os artistas que farão parte da “Corporation Nouvelle”, o casal Sonia (1885-1941) e Robert Delaunay (1885-1979), Amadeo de Souza Cardoso, Eduardo Vianna (1881-1967), José Almada Negreiros11 (1893-1970), José Pacheco (Pacheko) (1885-1934), Vlamidir Baranoff-Rossiné (18881944), Guillaume Apollinaire (1880-1918) e o escritor Blaise Cendrars (1887-1961). A declaração de guerra da Alemanha a Portugal, em 9 de março de 1916, apesar de já haver combates em África desde 1914, procedeu-se à mobilização geral do exército em todo o país. A notícia pôs o jovem pintor Amadeo preocupado, porque a partir desta data poderia ser “chamado” a qualquer momento para cumprir o serviço militar obrigatório, mas tinha esperança que, entretanto, a 12 guerra terminasse . Numa carta de Amadeo para Robert Delaunay,

Regimento de Infantaria n.º 13, Vila Real - Bilhete Postal (arquivo privado). 13

patrie, bien entendu [...]” . Apesar de ficar livre do serviço militar no seu país de origem, Robert era obrigado, periodicamente, a deslocar-se a Vigo para regularizar a situação militar 14. Nove dias depois da declaração de guerra, numa carta de Amadeo para Robert Delaunay, de 18 de março de 1916, este escreve: “[...] eu não devo e não posso fazer a expedição dos quadros neste momento, por isso não contem comigo [...]”. Provavelmente talvez seja esta uma das razões de Amadeo para recusar, a partir desta data, todos os convites internacionais dirigidos pela “Corporation Nouvelle” e pelo crítico de arte norte-americano Walter Pach (1883-1934), para participar em exposições. Nos finais da preparação da exposição de pintura (Abstracionismo) no Salão de Festas Jardim Passos Manuel (1 a 12 de novembro de 1916) no Porto, nos

(9) Informações da Rosa, criada da Casa do Ribeiro. (10) Informação verbal de António Amadeu de Sousa Cardoso. (11) Almada Negreiros correspondeu-se com este grupo, mas nunca se deslocou a Vila do Conde na altura em que lá residiram os Delaunay. (12) Memória da família de Amadeo de Souza Cardoso. Informação verbal de António Amadeu Ramalho Pinheiro e Castro de Sousa Cardoso, transmitida por seu Pai, António Eugénio de Souza Cardoso. (13) FERREIRA, 1981, pp. 181-182. (14) Ibidem.

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do serviço militar, libertando-se do “exílio à força” que muito o atormentava, permitindo-lhe regressar à tão desejada cidade de Paris e também a hipótese de levar avante as duas exposições que se iriam realizar em novembro e dezembro de 1916, respetivamente, no Porto (Salão de Festas Jardim Pa s s o s M a n u e l ) e e m L i s b o a ( L i g a N ava l Portuguesa). O pintor e escultor italiano Amadeo Modigliani (1884-1920), grande amigo de Amadeo, também ficou isento do serviço militar por motivos de saúde, mantendo-se em Paris até à sua morte ocorrida em 1920. Sabe-se que enquanto decorreu a exposição de pintura de Amadeo, no Porto, o pai José Emygdio de Souza Cardoso, em 8 de novembro de 1916, se deslocou à Tesouraria da Fazenda Pública de Amarante, para pagar a quantia de 24$00 para remissão do serviço militar, nos termos do artigo 1.º da Lei n.º 624, de 23 de junho de 1916, regularizando a situação do filho, o qual poderia ausentar-se definitivamente do país a partir de 18 então , obtendo pouco dias depois o passaporte. Amadeo registou-se no consulado de Portugal em Paris19, com a sua caderneta militar como forma de identificação da nacionalidade portuguesa20. No campo político, os primeiros tempos de 1917 foram agitados, sobretudo com a participação de Portugal na Grande Guerra. Neste período Sidonista, no concelho de Amarante, José Emygdio de Souza Cardoso fundou e liderou o partido “monarchico”, indo ao encontro dos ideais do filho Amadeo, que sempre entusiasmou e apoiou o pai (21). Em finais de 1917 realizaram-se as eleições para a

primeiros dias de outubro, Amadeo foi a p a n h a d o desprevenido, ao receber a notícia de que tinha de se apresentar no Regimento de Infantaria n.º 13, da 6.ª Divisão Militar, em Vila Real. FIG. 12 - Major Gonçalo Pereira Pimenta de Castro (1868-1952) - arquivo privado O Regimento de Infantaria n.º 13 (RI 13), com o apelido histórico de “Infantaria do Marão”, aquartelado em Vila Real, era uma unidade da estrutura base do Exército Português e tinha as secretarias, instaladas em casas particulares da família Francisco Botelho, na rua do Carmo. Por ocasião da 1.ª Guerra Mundial, um dos batalhões do RI 13 foi integrado no Corpo Expedicionário Português enviado para França onde combateu na frente ocidental. Em 12 de outubro de 1916, Amadeo apanha o comboio de vila Meã com destino a Vila Real e compareceu no RI 1315, então sobre a chefia do comandante-interino, o Major Gonçalo Pereira Pimenta de Castro (1868-1952) 1 6 , onde foi examinado por uma junta de revisão do Distrito de Recrutamento, ficando isento da guerra por incapacidade física (“falta de robustez”): “[...] Isento, definitivamente pelo n.º 4 – falta de robustez, pela junta de revisão do D.R. [Distrito de Recrutamento]. n.º 13, em 12 de Outubro de 1916, nos termos do D[ecreto] n.º 2406, de 24 de Março de 1916 [...]” 17 Como resultado, Amadeo livrou-se, em definitivo,

(15) Por esta altura, dois primos de Amadeo foram chamados para comparecerem em Vila Real no dia 11 de outubro, no mesmo Quartel de Infantaria n.º 13, da 6.ª Divisão Militar de Vila Real. Foram eles Francisco Lopes Ferreira Cardoso, alistado e considerado apto para oficial miliciano pela Junta de Revisão, na sessão de 22.08.1917 (AGE – Junta da Revisão da 6.ª Divisão do Exército, 1909, documento de folha de matrícula de Francisco Ferreira Cardoso) e Fernando Ferreira Cardoso, da Casa da Pena, considerado apto para o serviço militar, ficando a pertencer às tropas territoriais até 1945 (AGE – Regimento de Infantaria de Reserva n.º 20, matrícula n.º 5434 R, 1908, documento de folha de matrícula de Fernando Queirós Ferreira Cardoso). (16) No ano de 1916 o oficial Gonçalo Pereira Pimenta de Castro é colocado com o posto de major como comandante do 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 13 em Vila Real. Meses depois é nomeado Comandante Interino do Regimento de Infantaria n.º 13 (AGE – Processo individual do Coronel Gonçalo Pereira Pimenta de Castro, Caixa n.º 29 66). Gonçalo Pereira Pimenta de Castro, oficial militar e administrador colonial, foi governador de Timor. Cf. ABREU, 2008, pp. 303-304. Vd. CASTRO, 1949. (17) “Isento definitivamente pelo n.º 4, pela junta da revisão do D.R. n.º 13” AGE – Processo n.º 252, fl. 63). (18) AGE – Processo n.º 252, fl. 63. (19) Processo iniciado em 27.05.1911. Cf. Arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros (doravante AMNE) – Livro de Emolumentos (1.03.1912 a 31.08.1913), cota L-125-A, processo n.º 555. (20) Amadeo encerra a matrícula no consulado de Portugal em Paris. 10 de abril de 1912 é a data de chegada do registo de matrícula, Cf. AMNE – Livro de matrículas de cidadãos portugueses (3.11.1912 a 15.12.1913), cota L-84, fl. 7 (AMNE). (21) Flor do Tâmega, de 23.06.1918, p. 2. Informação verbal da Família Sousa Cardoso.

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AGE - Processo n.º 252, de Amadeo Cardoso, fl 63 (AGE)

AGE - Processo n.º 252, de Amadeo Cardoso, fl 63 (AGE)

Câmara de Amarante, ganhas por uma coligação de monárquicos, evolucionistas e independentes, 22 liderados por José Emygdio de Souza Cardoso . Quando tomou posse como Presidente da Câmara, nos Paços do Concelho, em 2 de janeiro de 1918, fez-se acompanhar de Amadeo e mais família23. No dia 28 de outubro de 1916, o Jornal de Notícias, nas vésperas da inauguração da exposição de pintura no Porto, anunciou a morte de Umberto 24 Boccioni (1882-1916), pintor e escultor italiano, do movimento futurista ocorrida em 17 de agosto de 1916, em combate na Grande Guerra. A notícia refere Boccioni como amigo de Amadeo em

Paris: “[...] Boccioni era camarada e amigo do pintor portuguez Amadeo de Sousa Cardoso que vive desde ha muito em Paris, onde Boccioni, Marinneti, Picasso e outros fez parte dos que revelaram uma nova era de Arte [...]”. Alguns artistas e poetas, amigos de Amadeo dos tempos de Paris, foram vítimas diretas do conflito da Grande Guerra. O escritor, crítico e teórico de arte moderna Guillaume Apollinaire, ficou gravemente ferido, vindo a falecer de pneumónica em 6 de novembro de 1918; o poeta, romancista e 25 modernista, Blaise Cendrars , colaborador na revista Portugal Futurista de 1917, gravemente

(22) “[...] O dr. Lago Cerqueira foi estrondosamente vencido [...] no tempo áureo do «democratismo triunfante». Nessas eleições, José Emygdio de Souza Cardoso (meu tio), liderou uma frente «anti-democrática e anti-demagógica», a que chama «Partido neutro Conservador» ou «Bloco neutro Conservador». O ambiente em que as eleições se realizaram era «agressivo» e «belicamente espectaculoso», já que houve «assembleias eleitorais militarmente guarnecidas». Mas nem estas circunstâncias, conseguiu intimidar os eleitores, que souberam «conduzir-se com coragem, dignidade e brio invulgares». Nessa luta decidida e heróica, que mobilizou e agitou todo o concelho, o papel preponderante que nela exerceram os elementos componentes do antigo concelho de Santa Cruz (Vila Meã), que foram lealíssimos e dedicados e constituíram um baluarte inexpugnável [...]”. Cf. Arquivo Privado da Família Ferreira Cardoso – A Casa da Pena. 1855-1939 – Apontamentos – Memórias – Recordações de Infância e de Família, por Fernando Cardoso, em 2 volumes. Vd. QUEIRÓS, 2009, p. 47. António Joaquim Machado do Lago Cerqueira, abastado proprietário e vitivinicultor, nasceu em Amarante no dia 11 de outubro de 1881. Exilado a partir de 1927, regressou mais tarde a Amarante onde viria a falecer a 20 de outubro de 1945. Cf. QUEIRÓS, 2009, pp. 25-56. (23) Adriano de Magalhães e Menezes de Lencastre ajudou Amadeo na realização da exposição “Abstracionismo”, em dezembro de 1916, em Lisboa (vd. Memória da Família Souza Cardoso). José Teixeira de Queiroz Vaz Guedes foi bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Conservador do Registo Predial e senhor da Casa de Soutelo, em Amarante. Cf. VALENTE, p. 59. (24) Em maio de 1916, Boccioni foi recrutado para o exército italiano e designado para um regimento de artilharia na Sorte de Chievo, perto de Verona. (25) Em 1912, já em Paris, torna-se amigo de Apollinaire, Chagall, Léger, Modigliani e Delaunay e Amadeo entre outros. Blaise Cendrars era de franco-suíço.

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Robert et Sonia Delaunay. Contribution à l'histoire de l'art modern portugais (années 1915-1917). Paris: Fondation Calouste Gulbenkian / Centre Culturel Portugais / Presses Universitaires de France (1ère édition: 1972). QUEIRÓS, António José (2009) – “As eleições Municipais em Amarante na Primeira República”. II Congresso Histórico de Amarante, vol. I, tomo I, Política, Sociedade e Cultura. Amarante: Câmara Municipal.

ferido numa batalha, sofrendo a amputação do braço direito; o pintor August Macke (1887-1914), entrou no serviço militar em 8 de agosto de 1914 e morre em combate a 26 de setembro do mesmo ano, por coincidência, o dia corresponde à data do casamento religioso de Amadeo. Na sua estadia em Paris, Amadeo estabeleceu uma grande amizade com o pintor e escultor alemão Otto Freundlich (1878-1943). Capturado durante a 2.ª Guerra Mundial, em 1943 foi deportado após uma denúncia como judeu, morrendo, pouco tempo depois, num campo de extermínio. No dia 25 de outubro de 1918, em férias de verão em Espinho, na casa dos pais, com 30 anos de idade, contaminado pela “pneumónica”, epidemia ou gripe espanhola trazida pelos soldados vindos da Grande Guerra, Amadeo de Souza Cardoso encontra-se inesperadamente com a morte, 17 dias depois de assinado o Armistício, pondo fim ao terrível conflito. Numa Europa que irá ficar dividida por trincheiras, a Grande Guerra foi um rude golpe na crescente internacionalização da pintura de Amadeo de Souza Cardoso.

Abstract The central aim of this article is to explore and understand the still hidden and unexplained meanders of the reasons that the Great War caused in the life course and in the work of the painter Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918). Amadeo occupies a top place among the Portuguese figures of great intellectual, cultural and artistic projection of the 20th century. In fact, it is now consensual that he was not only one of the greatest painters of his time, but also the great pioneer of Modernism in Portugal. This communication is also included in the evocation of the 1st centenary of the death of the Amarantino painter, 1918-2018.

Referências ABREU, João Gomes de (2008) – Figuras Limianas – Terra Rica da Humanidade. Ponte de Lima: Município. CASTRO, Coronel Gonçalo Pereira Pimenta de Castro (1949) – As Minhas Memórias – Na Metrópole e nas Colónias, 2.º vol., Lisboa: Edições Expansão. DAMÁSIO, Luís Pimenta de Castro - Amadeo, Vida e Arte pelo Município de Amarante com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e CITCEM/FLUP, 2510 - 2018, Amarante. DAMÁSIO, Luís Pimenta de Castro e SILVA, Armando Malheiro, - António Cândido, Sidónio Pais e a elite política amarantina, 1850-1922, elementos para o estudo das raízes familiares de Amadeo de Souza Cardoso, 2000, Município de Amarante. FERREIRA, Paulo (1981) – Correspondance de quatre artistes portugais – Almada Negreiros, José Pacheco, Souza-Cardoso, Eduardo Vianna – avec

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Key words: Amadeo de Souza Cardoso, incorporation and exempt military servisse; pneumonic; dead. Resumé L'objectif central de cet article est d'explorer et de comprendre les méandres encore cachés et inexpliqués des raisons que la Grande Guerre a causées au cours de la vie et dans l'œuvre du peintre Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918). Amadeo occupe une place de choix parmi les personnalités portugaises de la plus grande projection intellectuelle, culturelle et artistique du XXe siècle. En fait, il est désormais consensuel qu'il n'était pas seulement l'un des plus grands peintres

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de son époque, mais aussi le grand pionnier du modernisme au Portugal. Cette communication entre également dans l'évocation du 1er centenaire de la mort du peintre Amarantino, 1918-2018.

Luís Pimenta de Castro Damásio

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Doutor em História de Arte Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2016). Investigador associado no CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar, Cultura, Espaço e Memória / FLUP. Participa e organiza congressos nacionais e internacionais. Autor de diversos trabalhos publicados sobre História Familiar, Social, Património Cultural, Arquitectónico e de Arte Portuguesa do século XX.

Mots-clés: Amadeo de Souza Cardoso; incorporation et exemption du service militaire; pneumonique, la mort.

NOTA INFORMATIVA A Direcção da Real Associação de Viana do Castelo, com mandato para o triénio 2017-2020, cumprimenta V. Exas, desejando desde já a continuação de um bom ano de 2019. A Real Associação de Viana do Castelo tem um plano de actividades e orçamento para 2019, aprovado em Assembleia Geral, que inclui diversas iniciativas, que vão desde a organização de conferências à publicação da Real Gazeta do Alto Minho, órgão oficial de comunicação da Real Associação de Viana do Castelo, do qual muito nos orgulhamos, e que se pretende sejam executadas com a participação de todos os associados, simpatizantes e entidades que entendam colaborar, com o intuito de contribuir e ajudar a dinamizar o ideal Monárquico que todos nós abraçamos convictamente. Atendendo à necessidade imperiosa que temos em angariar recursos financeiros necessários ao normal funcionamento da Real Associação, e tendo em conta que uma das competências da Direcção é a cobrança de quotas, eu, em nome da Direcção e na qualidade de Vice-Presidente, venho por este meio solicitar a V. Exas. a regularização da QUOTA DE ASSOCIADO REFERENTE ao ano de 2019, no valor de 20,00 € (vinte euros), preferencialmente por transferência bancária, para: Titular da Conta: Real Associação de Viana do Castelo Entidade bancária: Caixa de Crédito Agrícola Agência: Ponte de Lima IBAN: PT 50 0045 1427 40026139242 47 Número de conta: 1427 40026139242 SWIFT: CCCMPTPL Caso seja possível, pede-se o favor de enviarem por e-mail (real.associacao.viana@gmail.com e pedrogiestal@gmail.com) informação da regularização da quota (ex: comprovativo), após o que procederemos de imediato à emissão do recibo de liquidação. Cordiais cumprimentos e saudações monárquicas, Pedro Giestal Vice-Presidente da RAVC

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AMADEO DE SOUZA CARDOSO


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O SONHO DA RESTAURAÇÃO CENTENÁRIO DA MONARQUIA DO NORTE Numa cerimónia presidida pelo Coronel Henrique de Paiva Couceiro, a 19 de Janeiro de 1919, no Monte Pedral, no Porto, deu-se o Acto Formal de Restauração da Monarquia Portuguesa:

hasteando novamente a sua antiga Bandeira Azul e Branca. Aponta-vos Ela os caminhos do Valor, da Lealdade e da Bravura, por onde os portugueses do passado conquistaram a grandeza e a fama que ainda hoje dignifica o Exército de Portugal perante as nações do Mundo! Juremos segui-la, soldados! E ampará-la com o nosso corpo, mesmo à custa do próprio sangue! E com a ajuda de Deus, e com a força das nossas crenças tradicionais, que o Azul e Branco simbolizam, a nossa Pátria salvaremos! Viva El-Rei D. Manuel II! Viva o Exército! Viva a Pátria Portuguesa!

Soldados! Tendes diante de vós a Bandeira Azul e Branca! Essas foram sempre as cores de Portugal, desde Afonso Henriques em Ourique, na defesa da nossa terra contra os moiros até Dom Manuel II mantendo contra os rebeldes africanos os nossos domínios em Magul, Coolela, Cuamato, e tantos outros combates que ilustraram as armas portuguesas. Quando em 1910 Portugal abandonou o Azul e Branco, Portugal abandonou a sua história! E os povos que abandonam a sua história são povos que decaem e morrem. Soldados! O Exército é, acima de tudo, a mais alta expressão da Pátria e, por isso mesmo, tem que sustentá-la e tem que guardá-la nas circunstâncias mais difíceis, acudindo na hora própria contra os perigos, sejam eles externos ou internos, que lhe ameacem a existência. E abandonar a sua história é erro que mata! Contra esse erro protesta, portanto o Exército, MARÇO 2019 - NÚMERO 19

Os homens da República Velha não haviam cumprido quaisquer promessas, antes se instalaram no cadeirão e usaram o poder em proveito próprio, pelo que o regime caminhava em agonia para o remate inexorável. Fracassara a democracia e o parlamentarismo, enredados que estavam as personalidades e os partidos em lutas intestinas pelo poder pessoal. Com o governo de Pimenta de Castro, em Janeiro de 1915, que revogara as limitações à liberdade de 11

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uma autonomia bastante grande, pois o Governo Civil do Porto já não acatava mesmo a generalidade das ordens do governo central. Isso levou ao assassinato do Presidente-Rei, mas mesmo depois do seu assassinato a ideia de mudança já estava plantada, até porque a sua morte e a liberdade novamente cerceada empurravam o Comandante Paiva Couceiro e os monárquicos Manuelistas para a acção, sim a hora era de acção e não de palavras. Henrique de Paiva Couceiro, por altura de Janeiro de 1919, vivia no Palácio dos Condes da Ribeira, em Santo Amaro, onde recebia amiúde os oficiais e jovens políticos cansados da deliquescência política republicana e que ansiavam por uma nova ordem. Foi neste ambiente, que se idealizou, projectou e iniciou a revolta monárquica. A restauração da Monarquia não p a s s a v a , inicialmente por um golpe m i l i t a r, p o i s goradas a 1ª e 2ª Incursões Monárquicas, Coronel Paiva Couceiro Paiva Couceiro batia-se agora por um plebiscito, em que democraticamente o Povo determinasse qual o regime em que pretendia ser governado: Monarquia ou república. Mas morto Sidónio voltaria a ditadura revolucionária republicana, a depuração política, batalhões civis de carbonários (rebaptizados de Formigas-brancas) armados a velar às esquinas das ruas, prisões políticas, etc. Henrique Mitchell de Paiva Couceiro desde cedo se notabilizou como militar, como na acção militar que conduziu em Humpata e pela sua extraordinária viagem de exploração - que no regresso a Lisboa o faria ser recebido em Glória -, ou no cargo de ajudante de campo do comissário régio António

associação que desde o 5 de Outubro de 1 9 1 0 confinavam os monárquicos à clandestinidade - El-Rei Dom Manuel II, Monarca no exílio, havia encorajado os s e u s correligionários El-Rei Dom Manuel II de Portugal a organizaremse em partidos e a fazer propaganda para restaurar a Monarquia pelo voto e não pelas armas, pelo que entre Abril e Maio de 1915 abriram-se 55 Centros Monárquicos no Norte e no Centro do País. Só que perante isto, em 14 de Maio de 1915, toda a horda republicana se entrosa mais uma vez, com a Maçonaria e o Partido Republicano (Democrático) de Afonso Costa a cerraram fileiras e com a Marinha e 15.000 civis armados da Formiga-branca (ex-Carbonária) a subjugarem o Exército e a depor o governo, colocando o Partido Democrático de Afonso Costa de novo alçado no poder, que, imediatamente, tratou de remeter os monárquicos, novamente, à ilegalidade. Eram tempos de agitação em todo o país, perante o desgoverno da 1ª República com fome, greves, ausência de ordem pública, enormes perdas humanas e financeiras com a Grande Guerra, e que levaram à República Nova de Sidónio Pais, que a 8 de Dezembro de 1917, afastou do poder grande parte dos republicanos dos partidos tradicionais, particularmente os do Partido Democrático, passando a convidar individualidades monárquicas para alguns cargos públicos. Com Sidónio Pais no poder e o restabelecimento do sufrágio universal, a opção das urnas voltou a ser possibilidade para os Monárquicos. Com o apoio dado por Sidónio Pais aos monárquicos, estes tiveram de novo uma grande influência, ao ponto de no Porto já existir MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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prometeram eles! Tirania, privilégios de seita, delações e vinganças – foi o que nos deram!

Ennes, em Moçambique, onde se distinguiu no combate de Marracuene, travado a 2 de Fevereiro de 1895. Pelos seus feitos, foi alvo de diversas condecorações e homenagens: chegado a Lisboa, em Fevereiro de 1896, foi proclamado Benemérito da Pátria, por decisão unânime das Cortes, como reconhecimento pela apreensão de Gungunhana, com uma pensão anual de 500$000 réis - que recusou receber durante a república. Foi o único Português a ser agraciado com os três graus da Torre e Espada. Ainda, integrado nas listas do Partido Regenerador-Liberal, foi eleito deputado às Cortes para a legislatura de 1906 a 1907. Depois voltou a Angola como Governador-Geral, onde foi um extraordinário administrador colonial. Na Revolução republicana do 5 de Outubro de 1910, Paiva Couceiro foi um dos poucos comandantes militares que se bateu com denodo para travar o monturo, mas sem sucesso. Nas palavras do próprio: "Depois pedi a minha demissão de oficial. E pedi-a porque, depois de tantos anos de sacrifícios e de trabalhos à sombra das cores azul e branca e dos castelos e quinas da nossa bandeira não me acho com forças para abandonar o símbolo onde me habituei a ler escrita a história do meu País.". Depois, subiu as escadas do Ministério da Guerra, entregou a sua espada e disse: "Entrego a minha demissão e saio do País para conspirar. Prendam-me se quiserem". Sem resposta, voltou as costas sem que alguém tentasse prendê-lo. Depois, no exílio, auto-imposto organizou as Incursões Monárquicas de 5 de Outubro de 1911 e 6 e 8 de Julho de 1912 com a entrada de colunas de Realistas vindos da Galiza, secundadas por levantamentos populares em algumas localidades nortenhas. Proclamação de Paiva Couceiro na 1.ª Incursão Monárquica a 5 de Outubro de 1911:

REGENTE PAIVA COUCEIRO

O nosso País era dantes aquele em que as claridades do sol quase perene, e a limpidez azul de um céu sem mancha, fielmente retratavam os primores de carácter, e as humanas tendências de um povo afectuoso e nobre! Azul e branco tínhamos por cores. O nosso País é hoje um outro muito diverso, - de desconfiança e de ódios verdes, que envenenam o mesmo ar que se respira, - de pistolas Browning a atestarem, de dentro do bolso a cada português, as paixões vermelhas de sangue, que nos conturbam o espírito nacional! Verde e vermelho temos agora por emblema; e, à força, verdes e vermelhos nos querem fazer! Bandeira, religião e tradições, tudo, - sem dó nem respeito, - nos ofenderam, espezinharam ou destruíram! Em nome do Povo, dizem eles. Decerto não falam, nem obram, em nome do Povo, esses mesmos para quem o Povo não passa de uma retórica de fórmulas aparentes, mas que mascaram o mais opressor dos fundos jacobinos! Portugueses, fomos enganados! Viva a Pátria e a Liberdade, com a nossa velha Bandeira Azul e Branca!

AO POVO! Portugueses! Esses homens que, sob o falso nome de republicanos, se proclamaram, - por entre bombas de dinamite e tiroteios, - governantes da nossa gloriosa Pátria, estão-nos enganando! Liberdade, Igualdade, Fraternidade nos MARÇO 2019 - NÚMERO 19

Mas regressando a 1919, o governo republicano, de novo empoleirado, há muito havia perdido o controlo de certas zonas do País em detrimento de Juntas Militares de Lisboa e Porto, e a política dúbia 13

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que elencava um conjunto de situações que justificaram uma sublevação monárquica. O lugartenente do Rei envia o documento a Paiva Couceiro onde escreve à margem: “Go on! Palavras d'El-Rei / Não vejo razão para plebiscito / Não julgo difícil o reconhecimento / assinado Ayres d' Ornellas/ 14 Jan. 1919”. Paiva Couceiro decide então iniciar o golpe, mesmo sabendo que apenas parte da tropa aquartelada em Lisboa estava do seu lado: Cavalaria 2 Lanceiros D'El-Rei e 4, Infantaria 5 e 16 e grupos de baterias de Queluz. Às 13 horas do dia 19 de Janeiro de 1919, o Comandante Henrique de Paiva Couceiro, à frente de um milhar de soldados e algumas peças de artilharia, entra no Porto e Restaura a Monarquia Constitucional, na pessoa d'El-Rei Dom Manuel II, depositário de 771 anos de História de Portugal! A Monarquia é restaurada primeiro no Monte Pedral, no Porto, onde estavam reunidas em parada as tropas monárquicas, contingentes de Infantaria 6 e 18, de Cavalaria 9, de Artilharia 5 e 6, do grupo de metralhadoras, da Polícia e da Guarda Republicana, e ainda um pelotão de Cavalaria 11 diante de Paiva Couceiro, uniformizado de oficial de Artilharia, e, montando a cavalo. As forças ouvem a proclamação monárquica, lida por Satúrio Pires, fiel apoiante e grande amigo do Coronel Paiva Couceiro, e, depois, o alferes Calainho de Azevedo, de Cavalaria 9, desfralda a Bandeira Azul & Branca. Depois, em desfile as tropas seguiram pelas ruas do Porto até ao quartel-general onde estava o Governo Civil, na Praça da Batalha. Era tal a maré de gente a apoiá-los nas ruas que o automóvel onde seguia Paiva Couceiro só com muita dificuldade lá chegou. Aí, às 15 horas, foi lida por Baldaque de Guimarães objectivos do movimento, assim como a atribuição a Paiva Couceiro da Regência do Reino em nome D'ElRei Dom Manuel II de Portugal, após o que a banda da Guarda voltou a tocar o Hino da Carta ouvindo-se simultaneamente 21 tiros de salva do Quartel da Serra do Pilar. No fim, foi desfraldada a Bandeira Azul & Branca. A Junta Governativa do Reino, que ficou sob a presidência do Comandante Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, tomou posse às 17 horas, na sala de reuniões da Junta Geral do Distrito,

arbitrada pelo adesivo Canto e Castro, na Presidência, não apresentava qualquer solução para dirimir os problemas portugueses: o comandante de Cavalaria 9 e mais alguns oficiais eram de opinião, que se devia 'romper com Lisboa' e formar-se no Norte 'um governo'. Com o atentado que tirou a vida a Sidónio e o revolverismo da Formiga-branca novamente na praça, perante o radicalismo e a caça às bruxas que o partido democrático republicano de Afonso Costa trouxe, era o Agora ou nunca! A Junta Militar do Norte já nada fazia para conter e muito menos neutralizar os conspiradores. Paiva Couceiro continuava a receber os conjuradores, vindos de todos os quadrantes da sociedade portuguesa da época. O Quartel-general Monárquico acomodouse no Hotel Universal do Porto, sendo aí formada uma Junta Monárquica. O movimento restaurador deliberou, por unanimidade, que Paiva Couceiro era o homem certo para liderar a Causa. Foi à volta da Junta Monárquica que se concentraram, então, as maiores forças monárquicas que, em Janeiro de 1919, iam fazer a restauração da Monarquia. O Comandante Paiva Couceiro tomou a decisão de aceitar liderar o movimento contra-revolucionário que reporia a Monarquia legítima. Em 17 e 18 de Janeiro o jornal de tendências monárquicas PÁTRIA publica duas instigações pró-monarquia: 'Salvemos Portugal porque ou o faremos agora ou nunca mais o poderemos conseguir'; e 'Quando veremos romper o sol da libertação? Não sabemos nós mas temos a esperança de que não havemos de morrer sem ver tremular as brisas que nos vêm do mar nessa bandeira azul e branca que nasceu em Ourique.' Nesse mesmo dia 18 de Janeiro de 1919, foram entregues todas as ordens aos comandantes revoltosos; os Integralistas – embora preferissem uma maior preparação, com António Sardinha e Luís de Almeida Braga a chegarem ao Porto na manhã do dia 18 - e os Miguelistas acabam por apoiar a contra-revolução monárquica. Faltava somente a anuência real do Senhor Dom Manuel II na pessoa do Seu lugar-tenente, Ayres de Ornellas. Este último possuía o célebre Memorando elaborado pelo Rei, MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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Castelo a adesão foi total! A 25 de Janeiro de 1919, Viana do Castelo restaura a Monarquia Portuguesa, no seguimento do movimento contrarevolucionário monárquico conhecido por Monarquia do Norte. Agora era a vez de Viana do Castelo, onde a adesão ao movimento foi total, e por entre 'Vivas à Monarquia!' e 'Vivas a El-Rei Dom Manuel II!' – que anos antes o bom e justo Povo da capital do Alto Minho recebera em apoteose – proclama a Monarquia que havia sido ilegitimamente afastada pela revolução do 5 de Outubro de 1910. Estava reposta a legalidade na Viana da Foz do Lima, onde os notáveis da região – baluarte dos Monárquicos- sem qualquer temor – apesar das cruéis represálias que depois sofreriam, às mãos das milícias e do regime republicano alvoraram, novamente, a Bandeira Azul e Branca por entre manifestações exuberantes da população arredada que estava há nove anos de saudar as cores da Pátria e da Nação fundada por Sua Mercê El-Rei Dom Afonso I Henriques e que já vinham de

MEMORANDO REAL

perante a presença do representante da Diocese do Porto, reverendo D. Teófilo Salomão, que receberia o j u r a m e n t o d o s m e m b ro s . A c o m i s s ã o d a Restauração declarou em vigor a Carta Constitucional e indicou como ministros da Junta Governativa do Reino: o Conde de Azevedo, o Visconde do Banho, o Coronel Silva Ramos, Luís de Magalhães e Sollari Allegro. Gerou-se, imediatamente, uma grande manifestação popular espontânea de apoio à Restauração da Monarquia e, por toda a cidade, as bandeiras realistas azúis e brancas foram colocadas nas janelas, varandas e principais monumentos como na Torre dos Clérigos - que para o efeito foi escalada exteriormente por um intrépido rapaz de 20 anos, António Gonçalves Dias de Azevedo, a 21 de fevereiro de 1919 -, no Palácio da Bolsa, no Castelo do Queijo, etc. O entusiasmo a Norte do país foi gigantesco: voltando a Bandeira Azul & Branca a tremular, fanal das glórias da Pátria, a tremular a cada recanto! Todo o Norte e algumas povoações do centro aderiram à Monarquia: o Minho e grande parte da Beira eram completamente realistas. Em Viana do MARÇO 2019 - NÚMERO 19

1º DIÁRIO DA JUNTA GOVERNATIVA DO REINO COM AS PROCLAMAÇÕES

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decretos da Junta, reguladores da vida política, social e económica dos portugueses: fixando preços, feriados, o regime político, nomeações de oficiais e funcionários do estado, abolição do escudo, abolição do registo civil, requisição de veículos com «motor de explosão» e a regularização das relações com a Igreja. Os mais importantes foram o decreto de abolição da República, o do restabelecimento da Carta Constitucional Portuguesa de 29 de Abril de 1826 e o da reinstituição da Religião Católica e Apostólica Romana com religião oficial, e, por exemplo, em todos os espectáculos com orquestra, tocavao hino da Carta. A linha da frente monárquica ficou perto de Ovar. O Sul manteve-se, quase na sua totalidade,

TRAULITEIROS

republicano. No Porto, perante alguma reacção violenta dos radicais republicanos surgiram, espontaneamente, brigadas civis – depreciativamente apelidados pelos republicanos d'os Trauliteiros -, para defender a Monarquia e prender os republicanos. Por sua vez as tropas monárquicas controlavam completamente a capital do Norte. A Monarquia a Norte perseverava. Entretanto, a sul, do lado republicano, foi imediatamente realizada uma reunião com o Presidente do Conselho, Tamagnini Barbosa, onde participaram os partidos republicanos, que – apesar dos ódios figadais – como aquando da revolução republicana se uniram para reagir à possibilidade de perda das sinecuras. Nessa reunião participaram todos os nomes republicanos de relevo como José

PROCLAMAÇÃO DA MONARQUIA DO NORTE

seu pai e avô de Portugal, Dom Henrique, Conde de Portucale. No Porto, a Junta procurou então organizar política, militar e administrativamente o território fiel, nomeando governadores civis para as principais cidades do Norte e Centro: Porto, Braga, Viana do Castelo, Aveiro, Vila Real, Bragança, Viseu e Coimbra. Criou ainda um órgão de Imprensa, emitiu moeda e começou a legislar. Foi pois criado o Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, o Diário da Monarquia, onde foram publicados todos os MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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Relvas, Alberto da Silveira, Carlos da Maia, Barros Queiroz, Egas Moniz, Brito Camacho, António José de Almeida e Afonso Costa. Trataram logo de reconstituir os pelotões civis armados que antes constituíam a Carbonária, mas que agora se chamava de Formiga-branca. Também, os militares republicanos foram igualmente convocados para uma reunião em Campolide, onde iriam iniciar a contra-revolução. Aí, foi aprovado o manifesto designado por Pacto do Corpo de Tropas. No Sul, as tropas monárquicas lideradas por Ayres d'Ornellas, lugar-tenente d'El-Rei D. Manuel II, que sempre servira a Pátria e o Rei com valentia, fosse como militar ou, ulteriormente, como Ministro de Estado e da Marinha no Ministério de João Franco, estavam estacionadas, em Monsanto, ponto estratégico para bombardear e dominar a cidade de Lisboa, enquanto as republicanas se agrupavam para atacar essas posições. A 24 de Janeiro de 1919, Ayres d'Ornellas telegrafa de Monsanto a Paiva Couceiro, informando: 'Situação óptima. Bandeira azul e branca acaba de ser içada em todos os quartéis. Temos 30 bocas-de-fogo e três batalhões de infantaria, toda cavalaria, muita polícia e inúmeros civis. As adesões continuam. Viva a Monarquia! . Ayres de Ornellas.' Em Monsanto, a Bandeira Azul e Branca foi hasteada pelo capitão Júlio da Costa Pinto e pelo herói Comandante João de Azevedo Coutinho, exgovernador-geral de Moçambique (1905-1906), Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima, 53.º Governador Civil do Distrito de Lisboa, e, por duas vezes, Ministro da Marinha e Ultramar (1909-1910) nos últimos governos da Monarquia Constitucional P o r t u g u e s a . A i m p l a n t a ç ã o d a Re p ú b l i c a reformara-o compulsivamente em 1910, no posto de capitão-de-fragata, já que se manteve fiel aos ideais monárquicos. Fez parte da conspiração monárquica que ocorreu em diversas cidades portuguesas a 21 de Outubro de 1913, conhecida por Primeira Outubrada, dirigido por ele em Lisboa, só que o golpe foi contido porque o governo tinha um infiltrado entre os conspiradores. Assim, em Janeiro de 1919, juntamente com Ayres d'Ornellas, foi um dos líderes da revolta que em Lisboa apoiou a MARÇO 2019 - NÚMERO 19

IÇAR DA BANDEIRA EM MONSANTO

contra-revolução Monarquia do Norte, chefiada pelo Regente Coronel Paiva Couceiro, participando, Azevedo Coutinho activamente na tomada de Monsanto. Mas os estudantes académicos radicais de Lisboa, futuros bacharéis pífios como os que os armavam, tinham-se reunido no dia 22 de Janeiro de 1919, no quartel das Janelas Verdes e formaram um Batalhão Académico, receberam cada um uma espingarda e um braçal verde com as iniciais VA (Voluntários Académicos), para participar no recontro do Monsanto, onde com batalhões ou companhias de Voluntários Civis e grande parte da Marinha – onde foram pescados a generalidade dos primos da Carbonária para fazer a Revolução de 1910 -, atacaram as forças monárquicas. Os confrontos, em Lisboa, prolongaram-se por 5 dias, durante os quais se defrontaram ferozmente Monárquicos e republicanos em larga superioridade numérica, com uma intensa batalha de artilharia, que fez muitos mortos e feridos de ambos os lados, tendo morrido ao todo 39 pessoas e ficado feridas 330. As forças monárquicas, cercadas, ficaram sem mantimentos 17

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e munições e sem possibilidade de evacuação e tratamento dos feridos. Sem munições, os monárquicos foram atacados por todos os lados, inclusive foram bombardeados pelos hidroaviões republicanos pilotados por Sacadura Cabral e Santos Moreira, e, assim, Ayres de Ornellas com algumas centenas de monárquicos do Regimento de Lanceiros 2, forças de Cavalaria 4, 7 e 9, tiveram que se refugiar no forte de Monsanto, só que com terreno pouco propício para a arma de cavalaria, acabariam por capitular. Apesar desta derrota dos monárquicos, o país encontrava-se claramente dividido e continuava a ser governado por dois ministérios, um republicano em Lisboa e outro monárquico no Porto. Contudo era a Norte, que a Monarquia tinha prevalecido. Após a vitória de Lisboa, as forças republicanas dirigem-se ao Norte do país, começando por submeter toda a Beira, incluindo a sua capital Viseu e muitas outras povoações. Seguiram depois para a Régua e Albergaria, que após violentas refregas dominaram. Muitas unidades militares do Norte ao saberem da vitória dos republicanos em Monsanto, passaram-se então para o lado republicano. Na cidade do Porto, os radicais republicanos começaram a manifestar o seu apoio à República, reunindo-se no Monte da Virgem. As forças republicanas dominavam toda a logística do país, por terra, mar e ar, apresentando uma grande vantagem em relação às forças monárquicas. Controlavam os abastecimentos de comida e munições, a pequena força aérea de hidroaviões e essencialmente dominavam todos os portos do país. As forças monárquicas em inferioridade clara de 10 para 1 decidiram constituir companhias de reservistas como o formado pelos estudantes da Universidade do Porto, de ideologia monárquica – que na Monarquia tinham constituído a Mocidade Monárquica e a retintamente monárquica Legião Azul - e que ficou conhecido por Real Batalhão Académico do Porto. Outros eram formados por gente pobre dos campos, sem preparação e mal equipada, mas fiel ao Rei. A Monarquia soçobrava… Os hidroaviões republicanos pilotados pelos aviadores portugueses, Arthur Sacadura Cabral e MARÇO 2019 - NÚMERO 19

COMANDANTE AZEVEDO COUTINHO

Santos Moreira, ao serviço do governo republicano, alternam em lançar panfletos antimonárquicos com alguns bombardeamentos bem sangrentos. Paiva Couceiro, com intuito de anular essa inferioridade aérea, tenta, então, comprar em Espanha um biplano para combate com os hidroaviões, ataque ao solo com metralhadoras e lançamento de bombas leves, mas que não chegaria, já que cinco dias depois estaria tudo terminado, pois o governo republicano além de desbaratar as forças monárquicas pelo ar, para ganhar superioridade numérica usou na reconquista territorial alguns batalhões do Corpo Expedicionário Português, que tinham combatido na Flandres durante a Grande Guerra, e muitos destes, assim como os Formigas, iam-se infiltrando nas unidades monárquicas, mormente na Guarda Real, sedeada na cidade Invicta. Na manhã de 13 de Fevereiro, ainda foi realizada uma cerimónia na sede do Batalhão Real do Porto, 18

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monárquicos, o desgoverno, a instabilidade política, a ditadura de partido único, a anarquia, a fome, a violência e o revolverismo. Aproveitando o fim da Monarquia do Norte, acabaram com o sidonismo, e reimplantaram o regime parlamentar antidemocrático e de lutas intestinas. Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, o último grande Herói português, o grande patriota, o Comandante Monárquico, exila-se em Espanha. Após 25 dias chegava ao fim a Monarquia do Norte. Portugal perdera o seu momento! 'Só é vencido aquele que reconhece a sua derrota', diria, mais tarde, Paiva Couceiro.

AYRES D'ORNELLAS, LUGAR-TENENTE D'El-REI

onde foi descerrado um retrato d'El-Rei Dom Manuel II e a Junta Governativa do Reino, ainda publicou o seu 15º Diário da Junta, derradeiro acto oficial da Monarquia do Norte. Paiva Couceiro encontrava-se fora do Porto, a inspeccionar o tropel em Espinho. Aqui anunciaram-lhe a insurreição republicana no Porto. Avançou com as tropas monárquicas para o Porto, mas no caminho, os populares iam avisando os soldados da coluna monárquica em marcha, da revolta republicana, e estes desertam quase na totalidade. Nesse mesmo dia, a Guarda Real revoltou-se e restabeleceu a República, acabando de vez com a guerra civil e o sonho da Restauração da Monarquia. Os ministros da Junta Governativa do Norte e muitos militares monárquicos foram presos, julgados sumariamente e condenados a penas de prisão seguidas de degredo. Durante esse período, em todo o Norte, foram cometidas enormes violências contra os presos políticos: os velhos republicanos repuseram no poder a fórmula da República Velha com as perseguições aos

Abstract Failing the Old Republic, on 19 January 1919, in Porto, the Restoration of the Monarchy was proclaimed by Colonel Paiva Couceiro, Regent in the name of King D. Manuel II of Portugal. All the North and some settlements of the Center joined the Monarchy. As the monarchical forces were in clear numerical inferiority of 10 to 1, and much worse equipped, relative to the republican troops, the counterrevolution of the Northern Monarchy failed. Key words: Monarchy; Restoration; Couceiro Resumé A défaut de l'ancienne République, le 19 janvier 1919 à Porto, la restauration de la monarchie est proclamée par le colonel Paiva Couceiro, régent, au nom du roi D. Manuel II du Portugal. Tout le nord et certaines colonies du centre ont rejoint la monarchie. Comme les forces monarchiques étaient nettement inférieures à 10 contre 1 et beaucoup moins bien équipées que les troupes républicaines, la contrerévolution de la monarchie du Nord échoua. Mots clés: Monarchie; Restauration; Couceiro Miguel Villas-Boas

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PARLAMENTO EUROPEU Alunas da Escola Secundária de Ponte da Barca visitam o Parlamento Europeu

Três alunas do 9.º ano de escolaridade da Escola Secundária de Ponte da Barca visitaram o Parlamento Europeu, em Bruxelas, nos dias 22 e 23 de março. Maria Miguel Gusmão, Maria Gomes e Joana Fernandes, acompanhadas pelos professores António Barbosa e Rosa Maria Arezes, foram recebidos pelo eurodeputado José Inácio Faria, eleito pelo Movimento Partido da Terra / PPE. A visita surge na sequência do primeiro lugar conquistado pelas alunas num concurso “Prémio Europeu de Excelência”, promovido pela Real Associação de Viana do Castelo, subordinado ao tema “5 de outubro de 1143 - O dia em que Portugal nasceu”, que o eurodeputado patrocinou. A chegada à cidade de Bruxelas ficou marcada por um jantar convívio com o eurodeputado, José Inácio Faria, no restaurante Amadeo, um dos restaurantes que integra o cartaz gastronómico da cidade. A sua peculiar decoração, bem como a ementa, costelas “a volonté”, fizeram o encanto de todos, numa noite muito animada e de saudável convivência. Após o jantar, houve ainda tempo para um périplo pela MARÇO 2019 - NÚMERO 19

zona histórica da cidade. No segundo dia, a comitiva teve oportunidade de apreciar a beleza e grandiosidade da “Grand Place”, património mundial da Unesco em 2018. Provida de uma arquitetura monumental, onde se destaca o prédio do “Hotel Ville” com a sua elevada torre de aproximadamente 96 metros. Puderam ainda visualizar algumas pinturas e outros artefactos elaborados por artistas de rua. Seguiu-se, como não podia deixar de ser, uma visita

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PARLAMENTO EUROPEU


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pelas luxuosas “Galeries Royales Saint-Hubert”, onde sobressaem as afamadas lojas de comércio de chocolate e de artesanato.

A sul da Grand Place, a fotografia obrigatória, junto à estátua do “Manneken Pis”, fonte datada de 1619.

Michele”, impressionante pela sua beleza artística. A sua fachada concebida ao gosto do estilo gótico, não deixa ninguém indiferente. Não menos exuberante, o seu interior marcado pela estatuária bíblica, pela rica decoração dos retábulos e colunas espiraladas, bem como pelos seus magníficos arcos ogivais.

Para além destes locais, ao longo das ruas puderam visualizar todo o tipo de produtos comercializados, desde os chocolates, pastelaria com os famosos waffles, livrarias com todo o tipo de literatura, com destaque para as “As aventuras de Tintin e Milú”. Tempo ainda para uma deslocação à catedral de “São

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PARLAMENTO EUROPEU


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centro puderam viajar pela Europa e conhecer, de forma mais completa, os 751 representantes dos cidadãos europeus.

Dando cumprimento ao programa da visita, as alunas, juntamente com outros professores e alunos da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, visitaram a Comissão Europeia, onde assistiram a uma sessão de esclarecimento orientada pelo eurodeputado, que se debruçou sobre as competências e funções do Parlamento Europeu, e sublinhou os constantes desafios.

Segundo as premiadas, “foram dois dias de um intenso e alargado conhecimento que ficarão para sempre gravados na nossa memória!”. Para terminar, cumpre-nos agradecer à Real Associação de Viana do Castelo por nos ter proporcionado um concurso que culminou nesta inesquecível viagem.

Esta delegação teve ainda oportunidade de visitar o hemiciclo que acolhe 751 eurodeputados de 28 países, onde se debatem os mais importantes e variados assuntos europeus e se fazem as votações que ficam registadas para a História. Por fim, uma vista ao “Parlamentarium”, espaço interessante pelo seu carácter interactivo que proporciona a todos os visitantes conhecimentos acerca da origem e evolução da União Europeia. Neste MARÇO 2019 - NÚMERO 19

Rosa Arezes e António Dantas Barbosa

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PARLAMENTO EUROPEU


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precisam de ser corrigidos. O híper- individualismo, o egoísmo, o materialismo e o ódio ao homem são alguns sintomas desta patologia que abomina a família e a destrói, o feminismo.

O feminismo é uma patologia que está a tomar conta da nossa Cultura. Invadiu-nos. Contaminou-nos e colonizou-nos face à nossa indolência de “idiotas úteis”.

HOMENS DE TODO O MUNDO

INDIGNAI-VOS! Sim, é ainda preciso corrigir algumas distorções relacionais vividas no seio de algumas famílias que a ferem, tantas vezes de morte. Por exemplo, numa família não há tarefas domésticas masculinas e femininas. É natural que um homem goste de cozinhar e outro não ou que, com as mulheres se passe o mesmo. Numa família há tarefas a fazer. Ponto. E devem ser feitas por aquele (pai, mãe, filho ou filha) que as sabe executar e não porque são tarefas “masculinas” ou “femininas. E, seja-me permitido dizer e desabafar que não gosto de brunir ou coser botões, pois não sei nem acho “piada” a estas tarefas. Mas gosto de cozinhar, varrer (não aspirar) o chão, lavar os tachos (sobretudo se tenho de os polir com “palha de aço”, o que me dá um grande prazer!)…

O machismo é outra patologia social e familiar. Mas, na moda, mesmo na moda, “in”, está o feminismo furioso, agressivo e desabrido. No fundo, estamos a assistir ao desenvolvimento de uma nova antropologia de onde se apagou o Homem na sua dualidade complementar. Assistimos a um ataque cerrado, furioso, impiedoso e constante de uma ideologia, o feminismo, que está a minar os alicerces de uma civilização que possuía aspectos que tinham de ser corrigidos a bem de uma sã convivialidade e alteridade entre homens e mulheres , sem o domínio de um sobre o outro, pois ambos, na diferença, são feitos para a complementaridade e não para a supremacia de um sobre o outro. Sim, há ainda, muitos aspectos que MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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INDIGNAI-VOS


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patologia ataca as raízes dos indivíduos, das famílias e da própria sociedade. As feministas furiosas e praticantes, em regra, se são mães, não querem saber de que um “pai é uma referência essencial para as crianças” e que, por isso, têm o direito a saber quem ele é e ao convívio com este, a conhecer as suas raízes paternas. Um filho não é um direito. Esquecem que uma criança tem direitos, mas não são um direito de ninguém. Quereremos ser coniventes, por passivos, à implosão da paternidade e da filiação? O ódio contra a figura do Pai é tal que corremos o risco de ter uma sociedade de órfãos de pai vivos, mas d e s c o n h e c i d o s , i n c ó g n i t o s , c a d a ve z m a i s numerosos. Como já escrevi várias vezes, e não receio repetir-me, um “Pai não é nem pode ser de modo algum um mero fornecedor de espermatozoides” de que um qualquer “banco de esperma”. Um espermatozoide (ou um ovócito) não pode ser considerado como uma

E em quase 50 anos de casado nunca me recusei a fazer qualquer tarefa doméstica ou familiar (dar banho aos filhos e agora aos netos, mudar fraldas, etc.) por ser um homem! Posso pedir à minha Mulher se não se importa de coser um botão de uma das minhas camisas, não por ela ser mulher (aliás, os grandes costureiros são homens), mas porque não simpatizo com essa tarefa, cheia de minudências! E não me choca nem admira que a minha Mulher, que não gosta de lavar tachos me passe a “empreitada”, até porque sabe que eu gosto! De facto, não há tarefas masculinas ou femininas. Há trabalhos de e em casa que são precisos ser feitos. Mais nada. Um dos sintomas mais graves da patologia feminista é o horror que muitas mulheres têm à maternidade, fruto de uma relação sexual normal entre um homem e uma mulher, e que recorrem à “Procriação Medicamente Assistida” – PMA – recusando-se a saber quem será o Pai do bebé e, deste modo, ferindo o direito do filho saber quem é o seu pai. Esta MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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INDIGNAI-VOS


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mercadoria de um qualquer armazém. Escolhido de acordo com as preferências das candidatas a mães, um espermatozoide, assim triado, é um verdadeiro eugenismo e contraria um princípio fundamental do darwinismo: a variabilidade da espécie, pondo em risco esta e o natural funcionamento da Natureza. É um ataque à ECOLOGIA HUMANA. Aqui fica um grito: “HOMENS de todo o mudo: indignai-vos!”.

Abstract Decadent societies suffer, like human beings, from various pathologies. For years, our society has suffered from the pathology of feminism. She hates the male and the male with a very visible hatred. In the name of equality between men and women (which is a good in the fields of rights), a war is combated by all means against what is the nature of the human: complementarity. It is foolish to deny a child's right to know who his father is or to say that there is a right to have a child! ... The author rises against this kind of dictatorship. The dictatorship of feminism invites men to be indignant and to oppose it.

Celle-ci haïsse l`homme et le masculin avec une haine bien visible. Au nom de l`égalité entre homme et femme (ce qui est un bien dans les domaines des droits) on mène une guerre, par tous les moyens, contre ce qui est de la nature du humain: la complémentarité. On arrive à la folie de nier le droit d`un enfant de savoir qui est son père ou, bien, à dire qu`il y a le droit à avoir un enfant!...L `auteur se soulève contre cette sorte de dictature. La dictature du féminisme et invite les hommes à s`y en indigner et à savoir s`en opposer. Mots clés: féminisme, sociétés, décadent, dictature.

Key words: feminism, society, decadent, dictatorship. Resumé Les sociétés décadentes souffrent, comme les êtres humains, de diverses pathologies. La nôtre souffre, depuis des années de la pathologie du féminisme.

título propriedade periodicidade director redactor edição edição digital endereço web email

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Carlos Aguiar Gomes

REAL GAZETA DO ALTO MINHO REAL ASSOCIAÇÃO DE VIANA DO CASTELO TRIMESTRAL JOSÉ ANIBAL MARINHO GOMES PORFÍRIO SILVA

FICHA TÉCNICA

CENTRO DE ESTUDOS ADRIANO XAVIER CORDEIRO lc-design.pt www.realvcastelo.pt real.associacao.viana@gmail.com

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ENTREVISTA A D. DINIS


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ENTREVISTA A

S.A.R. D. Dinis de Bragança

«Eu costumo dizer que não existem cores que ficam melhores juntas que azul e branco. Isto funciona para as cores de Nossa Senhora, a monarquia e, obviamente, para o Porto.»

D. Amélia. São, portanto, enormes as ligações do grande clube com a Família Real Portuguesa?

RGAM. – O Infante D. Dinis, enquanto Duque do Porto, não poderia deixar de ser sócio do Futebol Clube do Porto, certo?

D. Dinis – Eu costumo dizer que não existem cores que ficam melhores juntas que azul e branco. Isto funciona para as cores de Nossa Senhora, a monarquia e, obviamente, para o Porto.

D. Dinis – Fui feito sócio honorário pelo Presidente do clube, o Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa no meu batizado e desde aí fui e sempre serei.

RGAM. – Pode revelar-nos um pouco sobre o que estuda, quais são os seus gostos e passatempos?

RGAM. – O F. C. Porto transporta as cores da Bandeira de Portugal da altura da sua criação; e além de retintamente “monárquico”, o Foot-Ball Club do Porto foi fundado, em 28 de Setembro de 1893, no dia dos aniversários natalícios d' El-Rei D. Carlos I e da Rainha MARÇO 2019 - NÚMERO 19

D. Dinis - Eu tenho uma grande paixão por história. Gosto muito de jogar golfe e ténis embora precise de

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ENTREVISTA A D. DINIS


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instituição recebeu o Prémio Nobel da paz em 2012. Quando estive a estagiar no Parlamento Europeu apercebi que há de facto um movimento para a criação de uma federação europeia. Atualmente discute-se muito a ideia de formar um “exército europeu” e muitas pessoas vêem isto como um passo para uma federação. Temos de tomar em conta que os Estados Unidos da América são muito diferentes do Estados Membros da União Europeia e que o mesmo sistema pode não funcionar da mesma forma no nosso Continente. Por enquanto digo que não sei o suficiente para convictamente dar uma resposta bem formada.

praticar muito mais. Atualmente estou num ano sabático e pretendo fazer um curso universitário em Economia ou Gestão. RGAM. – É um facto que o Senhor D. Dinis está a estagiar na Comissão Europeia? D. Dinis - Estive a estagiar no Parlamento Europeu durante três meses e recentemente voltei a Portugal. Além disso tive a oportunidade de conhecer a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e também de visitar a OTAN em Bruxelas. RGAM. – Em vez de - como devia ser - se “construir” uma sociedade da Europa das Nações (modelo Intergovernamental) que respeite as individualidades dos Estados e das Nações, a União Europeia está a caminhar para um Estado artificial, os Estados Unidos da Europa ou a Europa Federal, com poderes reais, acima dos legítimos representantes das Nações. O que pensa disso?

RGAM. – E as classes dirigentes da U.E. parece que não querem ver, um crescente afastamento dos Povos do modelo proposto e em vigor e uma rejeição crescente dos partidos que apoiam essa via? D. Dinis – Atualmente vemos uma onda eurocética em muitos países europeus que rejeita o modelo federalista para o qual parece que estamos a caminhar. A resposta poderia ser um modelo de confederação inspirado na confederação Suíça que

D. Dinis – O grande objetivo da União Europeia é promover a paz entre países. Aliás, foi por isso que a MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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respeita, desde da idade média, as diferenças culturais e políticas dos cantões. Esse modelo garantiu a unidade nacional suíça onde nenhum cantão quis abandonar a confederação apesar de terem duas tendências religiosas e quatro línguas.

RGAM. – Aliás, não é nas Monarquias Europeias, que o desejo de um modelo de União Intergovernamental, aquele em que se preservam a Autonomia da sua Nação, do seu País, do seu Estado, mais se verifica? D. Dinis - O modelo de união intergovernamental europeia baseado nas monarquias mais recente é o Sacro Império Romano-Germânico e este exemplo não é aplicável hoje em dia. Temos de ter em conta que no século XX as monarquias mudaram drasticamente o s e u p a p e l n a s o c i e d a d e . O m o n a rc a é a personificação do país e é isso que vemos nas monarquias europeias e no resto do mundo. As monarquias europeias são exemplos de boa governação, de honestidade, de estabilidade e de respeito pela democracia. Neste aspeto, uma união intergovernamental seria mais viável entre monarquias.

RGAM. – Invés de um Estado Soberano supranacional que decida em matérias como a Segurança, a Defesa, a Política Externa, a Justiça e os Assuntos Internos, o melhor para a Europa parece ser um regresso aos primórdios do projeto europeu: o da Europa das Nações Soberanas; verdade? D. Dinis – Eu não sou a pessoa mais qualificada para dizer o que é e o que não é o melhor futuro para a Europa, mas tenho a certeza que para um passo tão ambicioso como esse, é importante ver os prós e os contras não numa visão de 5 ou 10 anos, mas de 50 ou até 100 anos. Se o melhor é voltar para a CECA ou avançar com a ideia de uma federação não sei dizer, mas no estado em que a União Europeia está é que não pode continuar por muito mais tempo.

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RGAM. – Parece que a Coroa é a instituição chave das Nações, até porque é uma ressalva capital contra determinações políticas autoritárias e conserva e eleva a democracia suprimindo qualquer tentativa negativa de poder. Porque a Monarquia hereditária

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Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte” escolheria um lado do debate - conforme o partido político a que pertencesse - no momento em que se soube o resultado do referendo. A m o n a rq u i a é s i m p l e s m e n t e u m s i s t e m a governativo mais estável que uma república e, se alguma vez os portugueses tiverem uma situação que divida o nosso país em dois, como o Reino Unido ou a Bélgica, muito provavelmente desejaríamos que também fossemos um reino.

sempre foi símbolo da identidade portuguesa e afiançadora da existência da Nação, não seria, hoje, ter um Rei, como Chefe de Estado, o maior garante da continuidade de Portugal? D. Dinis - Em relação a “suprimir qualquer tentativa negativa do poder” vou ter de perguntar como é que nós consideramos o que é uma tentativa negativa porque essa definição é subjetiva. Eu creio que uma pessoa que esteja politicamente mais afiliada à esquerda pode ter uma ideia diferente que uma pessoa que esteja politicamente mais afiliada à direita no que diz respeito à definição de “tentativa negativa de poder”. Dito isto acredito que se não houvesse monarquia na Bélgica, ou seja, se houvesse um presidente belga, provavelmente escolheria apoiar ou os flamengos ou os valões e hoje em dia não existiria uma Bélgica. Outro exemplo – e o exemplo mais claro – é o do Reino Unido e da crise do Brexit. Se não fosse pelo apoliticíssimo da Rainha a crise estaria num caos maior do que agora. Espero que na altura em que esta entrevista sair a crise já esteja resolvida, mas estou convicto que um “presidente da república unida da MARÇO 2019 - NÚMERO 19

RGAM. – Senhor Dom Dinis, quer deixar algumas palavras finais aos monárquicos e aos portugueses em geral? D. Dinis – A minha família e eu estamos muito gratos pelo vosso patriotismo e pelo trabalho desenvolvido a favor da restauração de Portugal. RGAM. – Muito obrigado, Vossa Alteza Real. Entrevista realizada por Miguel Villas-Boas para a Real Gazeta do Alto Minho da Real Associação de Viana do Castelo

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«O monarca é a personificação do país e é isso que vemos nas monarquias europeias e no resto do mundo. As monarquias europeias são exemplos de boa governação, de honestidade, de estabilidade e de respeito pela democracia.»

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REIS ESTRANGEIROS DE PORTUGAL

D. FILIPE II Nascimento – 14 de Abril de 1578, Madrid, Espanha. Morte – 31 de Março de 1621, Madrid, Espanha. Está sepultado na Cripta Real del Monasterio de El Escorial, Real Sítio de San Lorenzo de El Escorial, Comunidade de Madrid, Espanha. Reinado - 13 de Setembro de 1598 a 31 de Março de 1621. Consorte – D. Margarida de Áustria. Dinastia – Filipina Cognome – “O Pio” ou o “Piedoso” O estilo oficial de D. Filipe II como Rei era: “Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Portugal, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, de Maiorca, de Sevilha, da Sardenha, de Córdova, da Córsega, de Múrcia, de Jáen, dos Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas de Canária, das Índias Orientais e Ocidentais, Ilhas e Terra Firme do Mar-Oceano, Conde de Barcelona, Senhor da Biscaia e de Molina, Duque de Atenas e de Neopátria, Conde de Rossilhão e da Cerdanha, Marquês de Oristano e de Gociano, Arquiduque de Áustria, Duque da Borgonha, do Brabante e de Milão, Conde de Habsburgo, da Flandres e do Tirol, etc.”

da Áustria. D. Fernando (17 de Maio de 1 6 0 9 — Flandres, 9 de Novembro de 1641), infante de Espanha, Infante de Portugal (até 1640), Governador dos Países Baixos espanhóis, Cardeal da Santa Igreja Católica, arquiduque da Áustria, Arcebispo de Toledo e comandante militar durante a Guerra dos Trinta Anos. D. Margarida (Lerna, 25 de Maio de 1616 – 11 de Março de 1617), infanta de Espanha e de Portugal (até 1640). D. Afonso (22 de Setembro de 1611 – 16 de Setembro de 1612), infante de Espanha e de Portugal (até 1640). Pai

D. Filipe I

Mãe

D. Ana da Áustria

Como Rei de Portugal, foi Grão-Mestre das seguintes Ordens: Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo Ordem de São Bento de Avis Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem de Sant'Iago da Espada Antiga e Muito Nobre Ordem da Torre e Espada Filhos D. Ana de Áustria (Valladolid, 22 de Setembro de 1601 – Paris, 20 de Janeiro de 1666), infanta de Espanha e de Portugal (até 1640), casou com o rei Luís XIII de França. D. Filipe III de Portugal, IV de Espanha (1605-1665). D. Maria Ana de Espanha (El Escorial, 18 de Agosto de 1606 – Linz, 13 de Maio de 1646), infanta de Espanha e de Portugal (até 1640), casou com Fernando III, imperador do Sacro Império Romano-Germânico. D. Carlos de Áustria (Madrid, 14 de Setembro de 1607 – 30 de Julho de 1632), infante de Espanha e de Portugal, arquiduque

D. Filipe em pessoa «de amavel presença, teve o cabelo louro, os olhos azues, a bocca grossa, e mui córada com beiço debaixo derrubado, o corpo bem feito, e de boa grossura mais sobre pequeno, que grande. Foi de condição afável, mais inclinado á brandura, e misericordia, que a rigor, e aspereza, e sobretudo amigo de remunerar serviços com largas mercês» (Brito, p. 119) .


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S.A.R. D. AFONSO DE BRAGANÇA VISITA AO FUNDÃO E Á COVILHÃ No final da manhã teve lugar um almoço em Aldeia de Joanes no restaurante “O Parque”, que contou com a presença da Dra. Alcina Cerdeira, Vereadora da Câmara Municipal do Fundão. Também em Vale de Prazeres, concelho de Fundão, realizou-se uma visita guiada à “Quinta da Porta”, orientada pelo seu proprietário, o Doutor José Tomaz Pinto de Castelo-Branco, tando brindado os presentes com um simpático lanche. À noite, após o jantar no restaurante anteriormente referido, Sua Alteza Real o Senhor Dom Afonso de Bragança e restante comitiva, assistiu no Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, a um Concerto Musical onde, sobe a direcção dos professores Luís Gaspar Dâmaso e Luís Vieira, actou a orquestra da “Escola Profissional de Artes da Covilhã (EPABI)” No dia seguinte, deslocou-se Sua Alteza Real o Príncipe da Beira ao Parque natural da Serra da Estrela, tendo em vista o início do segundo dia de reflorestação, onde o aguardavam, à semelhança do

No passado dia 16 de Fevereiro, Sua Alteza Real o Príncipe da Beira – Dom Afonso de Bragança, iniciou a sua visita à Beira Interior no Seminário Diocesano do Fundão, onde, de manhã, foi recebido por elementos Real Associação da Beira Interior, Causa Real, Juventude Monárquica Portuguesa, Real Associação do Ribatejo, Câmara Municipal do Fundão, Agrupamento de Escuteiros da Fraternidade Dom Nuno Álvares do Fundão e de Teixoso (Covilhã) e por cidadãos do Fundão. Após esta recepção, a comitiva deslocou-se para o Parque natural da Serra da Gardunha, onde se encontrava o senhor Vítor Baptista Félix, Presidente da Junta de Freguesia de Alcongosta (Fundão) e o Dr. Paulo Pires Águas, Vereador da Câmara Municipal do Fundão. Depois dos contactos iniciais deslocouse a comitiva para a Serra da Gardunha, onde se deu início à campanha de reflorestação, tendo sido plantadas 1.500 árvores (carvalho) a que se juntaram vários medronheiros trazidos pelo Monárquico José Figueiredo. MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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VISITA DE D. AFONSO


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The official visit of the Prince of Beira ended the next day with the reforestation of the Serra da Estrela Natural Park and a visit to the city of Covilhã.

dia anterior, vários membros da Real Associação da Beira Interior, da direcção da Causa Real, da Juventude Monárquica Portuguesa, da Câmara Municipal da Covilhã, do Agrupamento de Escuteiros Juniores da Covilhã, da plataforma “Guardiões da Serra da Estrela”, assim como o Eng.º Rafael Neiva do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e diversos cidadãos. Finda esta recepção a S. A. R. o Senhor D. Afonso, teve início a reflorestação da Serra da Estrela, onde foram plantados 1.000 sobreiros e 200 ervedeiros, numa acção altruísta perante a região e natureza, seguindo-se um almoço oferecido pela autarquia da Covilhã, no qual esteve presente o Vereador José Serra dos Reis, após o que se iniciou uma visita guiada à cidade da Covilhã, terminado assim este périplo do Senhor D. Afonso de Bragança por terras das beiras.

Key words: Reforestation, Gardunha, Serra da Estrela, D. Afonso de Bragança Resumé Les 16 et 17 février, une action de reboisement a eu lieu dans le parc naturel de Gardunha et dans le parc naturel de Serra da Estrela, en présence du prince de Beira, Dom Afonso de Bragança. Le programme comprenait une visite à Quinta da Porta à Vale Prazeres où une conférence sur l'histoire de cette propriété a été organisée par son propriétaire. La journée s'est terminée par un concert dans la salle noble de la mairie de Covilhã, à laquelle ont participé des groupes de Escola Profissional de Artes da Covilhã (EPABI). La visite officielle du prince de Beira a pris fin le lendemain avec le reboisement du parc naturel de Serra da Estrela et une visite à la ville de Covilhã.

Abstract On the 16th and 17th of February, a reforestation action was held in the Gardunha Natural Park and in the Serra da Estrela Natural Park, which was attended by the Prince of Beira, Dom Afonso de Bragança. The program included a visit to the Quinta da Porta, a farm in Vale Prazeres, where a conference on the history of such property was held by its owner. The day ended with a concert in the Noble Hall of the Town Hall in Covilhã, in which groups of the Escola Profissional de Artes da Covilhã (EPABI) participated.

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Mots-clés: Reboisement, Gardunha, Serra da Estrela, D. Afonso de Bragança.

Rui Mateus 34

VISITA DE D. AFONSO


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ABSTENÇÃO ELEITORAL O QUE ESTÁ A FAZER À LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA? eleição em causa» (Freire e Magalhães, 2003). Assim, a abstenção eleitoral será o não exercício do direito de voto na escolha dos representantes políticos, na eleição em causa, por parte dos indivíduos que dispõem de capacidade eleitoral ativa. Os níveis médios de participação eleitoral no conjunto de países que compõem o «Ocidente liberal» (Diamond, 2017) rondam os 70% (Anderson, Blais, Bowler, Donovan, Listhaug, 2005). Fazendo o cálculo a contrario, isto significa que a abstenção eleitoral rondará os 30%. Ora, qual a percentagem a partir da qual podemos inferir estar perante um problema de abstenção, que nos faça questionar sobre uma possível corrosão de legitimidade? Poderíamos sugerir que existe um problema de abstenção quando a sua taxa é anormal. Este será o caso de taxas anormalmente baixas num país com vincada tradição abstencionista (sendo os Estados Unidos da América e a Suíça os típicos casos de escola), ou estranhamente elevadas em países com reiterada elevada afluência às urnas (Luxemburgo, Bélgica, Áustria). Uma taxa anormal poderá também referir-se a um aumento progressivo da percentagem de eleitorado não votante. Ainda, poderá traduzir os casos em que o resultado não é

Este projeto procura responder à questão «o que está a abstenção eleitoral a fazer à legitimidade da democracia?» Iremos primeiro explorar algumas hipóteses para que possamos chegar a uma conclusão verosímil. METODOLOGIA Em primeiro lugar, procuraremos saber o que é a abstenção eleitoral, bem como as modalidades que assume. Em seguida, tomaremos os conceitos de legitimidade e democracia para descortinar qual a importância das eleições. Passaremos depois aos índices de democratização e à importância do sufrágio no plano das perceções do eleitorado. Por fim, analisaremos as condições para-eleitorais dos regimes democráticos. Esperamos com isto poder tirar conclusões bastantes para responder à nossa questão de investigação, «o que está a abstenção eleitoral a fazer à legitimidade da democracia?» A ABSTENÇÃO ELEITORAL A) O QUE É Definimos a abstenção eleitoral através da definição a contrario do que seja a participação eleitoral, «o conjunto dos indivíduos que, dispondo de capacidade eleitoral ativa exerceram o seu direito de voto na escolha dos representantes políticos, na MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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ABSTENÇÃO ELEITORAL


eleitoral, porque o benefício de votar não compensa os custos (Downs, 1957).

vinculativo em virtude da eleição ter sido pouco participada (como é o caso dos referendos em Portugal de 1998 e 2007). Para efeitos deste trabalho, porém, consideramos uma taxa anormal de abstenção aquela em que o número de eleitores não votantes é igual ou maior que a taxa que elegeu o vencedor. Mais adiante perceberemos porquê.

LEGITIMIDADE E DEMOCRACIA A) TEORIAS DA DEMOCRACIA E DA LEGITIMIDADE As teorias da democracia e da legitimidade dizemnos que o elemento fulcral do sistema democrático é eleitoral. Isto é, sem sufrágio, não há democracia (Locke, Segundo Tratado do Governo Civil, 1681, Tocqueville, 1835, Mill, Sobre a Liberdade, 1859, Weber, Economia e Sociedade, 1922, Schumpeter, 1942, Lipset, 1960, Dahl, 1998). Sem alternativas, não há sufrágio (Dahl, 1998). Sem partidos políticos, não há alternativas (Schumpeter, 1942). Sem uma sociedade civil viva e orgânica, não há partidos (Lipset, 1960). Sem as liberdades de expressão, de imprensa, de associação, pensamento e demais

B) A ABSTENÇÃO ENQUANTO INÉRCIA SOCIAL P e n s a m o s s e r s e g u ro a f i r m a r q u e t o d o s conhecemos pelo menos uma pessoa que nunca foi votar, ou que a última vez que votou foi há tanto tempo, que já nem sabe precisar-nos a data. Esta aparente despreocupação é o que chamamos de inércia social. A verdade é que há pessoas a quem a política nada diz. Os motivos prendem-se, a nosso ver, com a natureza humana, na qual se

afins, não há sociedade civil (Tocqueville, 1835). Sem as liberdades cívicas, o homem não se realiza (Locke, 1681). Se o homem não se realiza p o l i t i c a m e n t e , n ã o e n co n t r a a fe l i c i d a d e (Aristóteles, Política, século IV a.C.). Sem esperança na felicidade, resta apenas a morte.

baseia a teoria da divisão do trabalho de Adam Smith (A Riqueza das Nações, 1776), com a consequente desproporção de tempo disponível de cada um para a política, que segundo Aristóteles incapacita politicamente os cidadãos com outros ofícios (Política, séc. IV a.C.) Ainda, para muitos a política é vista como um luxo (Tocqueville, 1835).

B) LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA ELEITORAL A legitimidade do regime reside no consenso entre os cidadãos que lhes permite viver em segurança, entre pares e em relação ao Estado, e viver o pleno dos seus direitos protegidos contra a lógica da selva (domínio pela força) (Locke, 1681). Este contrato social (Hobbes, Leviatã, 1675, Locke, Segundo Tratado do Governo Civil, 1681, Rousseau, Contrato Social, 1762) é o que explica o consentimento dos derrotados (Anderson, Blais, Bowler, Donovan, Listhaug, 2005), isto é, o porquê de cada eleição não

C) A ABSTENÇÃO COMO ATITUDE PROGRAMÁTICA Existe uma parte considerável dos abstencionistas cujo comportamento eleitoral é fruto de uma reflexão sobre política. Já não é uma inércia social, na medida em que usaram do seu tempo para pensar as eleições, e concluíram pela abstenção como a melhor atitude de entre as alternativas, com a informação disponível à data (Araújo, 2002). Na verdade, se fosse feita uma análise de custobenefício, o resultado seria o da reiterada abstenção MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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cidadãos. No entanto, votar não é tido como assim tão importante, bastando a possibilidade de o fazer. O mais curioso neste contexto é que quem vota não consegue ser demovido da crença na utilidade do seu voto. Mesmo havendo uma baixíssima probabilidade do voto ser decisivo em determinada eleição, isto é, de ser o voto do desempate, a maioria dos eleitores crê que o seu voto é decisivo (Blais, 2000). Por um lado, existem eleições em que de facto se ganha ou perde por um voto, como é o caso das eleições autárquicas. Por outro, a mobilização gerada pelos corpos intermédios, nos períodos eleitorais, tem um efeito psicológico decisivo na formulação desta convicção no eleitorado. Contribui também para esta realidade a constatação de uma certa rotatividade que se gera na sequência de ciclos eleitorais de todas as democracias. A expectativa de se fazer parte da maioria na vez seguinte motiva a comportamentos eleitorais contrários aos intuídos pela teoria da escolha racional (Downs, 1957). Ou por outras palavras, votar não compensa, mas ainda assim fazemo-lo na esperança de desta vez sairmos vitoriosos. É, ainda, relevante o sentido de dever cívico em votar. O resultado de todos estes aspetos é uma politização da população que dota os períodos eleitorais de movimento bastante para que cada eleição seja disputada o suficiente para os vários índices detetarem uma vivacidade política do país que a qualifica como uma democracia participativa.

representar uma disrupção no sistema, mas sim a estabilidade do mesmo. O consentimento dos derrotados consiste no assentimento da ordem imposta pelo resultado de certa eleição. É dele que depende a continuidade do sistema (Nadeau and Blais, 1993 cit. em Anderson, Blais, Bowler, Donovan, Listhaug, 2005), por dois motivos. Por um lado, os perdedores são numerosos. Na verdade, «as democracias só raramente são governos de maiorias, o que implica que o número de cidadãos que não votaram no governo incumbente normalmente ultrapassa o dos cidadãos que o fizeram» (Anderson, Blais, Bowler, Donovan, Listhaug, 2005). Por outro, a derrota cria incentivos fundamentais para que haja mudanças institucionais no sistema político (Riker, 1983 cit. em Anderson, Blais, Bowler, Donovan, Listhaug, 2005). Por isto é que considerámos acima uma taxa anormal de abstenção aquela em que o número de eleitores não votantes é igual ou maior que a taxa que elegeu o vencedor. OS ÍNDICES DE DEMOCRATICIDADE E AS TAXAS DE ABSTENÇÃO Ao longo do último século, talvez fruto da profetização do triunfalismo democrático (Fukuyama, 1992), múltiplos índices de democratização emergiram na ordem internacional (Freedom House, World Bank, OCDE, The Economist Intelligence Unit's Index of Democracy, entre outros). Não só a realização de eleições livres, justas e frequentes é uma determinante decisiva nestas avaliações, como também as taxas de participação política assumem a sua relevância. Ora, tem sido curioso observar que não se encontra correlação entre o grau de democraticidade e as taxas de abstenção, ou por outro, é possível um país ser considerado muito democrático, e, no entanto, verificarem-se taxas anormais de abstenção. Procuraremos o porquê nas secções seguintes.

CONDIÇÕES PARA-ELEITORAIS DOS REGIMES DEMOCRÁTICOS A ida às urnas não esgota a participação política, assim como a oportunidade de mandatar o poder não se esgota no momento eleitoral. Não se esgota sequer na vida partidária, que está em declínio (Belchior, 2015). Nos regimes totalitários havia muita participação sem que dela se pudesse subtrair um mandato para um legítimo exercício de poder (Braga da Cruz, 2015). O tecido humano que compõe o eleitorado assenta em primeiro lugar na orgânica da sociedade civil. É através dela que se dá a primeira concretização da

A CRENÇA NA IMPORTÂNCIA DO SUFRÁGIO Poder votar é considerado vital para a maioria dos MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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BELCHIOR, Ana Maria, Confiança nas Instituições Políticas, FFMS, 2015, Lisboa. BLAIS, André, To vote or not to vote?: the merits and limits of rational choice theory, University of Pittsburgh Press, 2000, Pittsburgh. BRENNAN, Jason, Contra a Democracia, Gradiva, 2017, Lisboa. CRUZ, Manuel Braga da, Política Comparada, Cruz Editores, 2015, Maia. DAHL, Robert, On Democracy, Editora Universidade de Brasília, 2001, Brasília. DOWNS, Anthony, An Economic Theory of Democracy, Harper & Row, 1957, New York. FREIRE, André e MAGALHÃES Pedro, A abstenção portuguesa em perspetiva comparativa, em Revista de Assuntos Eleitorais n.º 7, março de 2003. LIPSET, Seymour Martin, Political Man (1960), Cópia Privada. SCHUMPETER, Joseph, Capitalism, Socialism & Democracy, Routledge, 1994, London. TOCQUEVILLE, Alexis de, Da Democracia na América (1835), Princípia, 2001, Cascais.

lei. Isto é, as ações que tomamos individualmente determinam as políticas tomadas pela maioria democrática. As políticas de migração, por exemplo, dependem em grande medida da disponibilidade popular para acolher e integrar migrantes (Burbidge, 2017). Intuímos que um dos motivos pelos quais o voto não é, em si mesmo, razão de satisfação com a democracia (Belchior, 2015), é porque a participação política não se esgota nele. As greves, manifestações, debates, lobbies, associações, federações, fundações, imprensa, e inúmeras outras formas de participação cívica são muito relevantes e constituem o âmago da sociedade civil. É por este motivo que todas estas manifestações são reprimidas, ou encenadas, em regimes ditatoriais. CONCLUSÕES Definimos o que é a abstenção, e o critério sob o qual a temos por relevante. Caracterizámo-la enquanto comportamento eleitoral. Encadeámos os conceitos de democracia, legitimidade e eleições. Constatámos a ausência de correlação entre os índices de democraticidade e as taxas de abstenção, e percebemos que tal se deve, sobretudo, ao movimento que se gera entre eleitores e corpos intermédios em períodos de eleições. Por fim, relevámos o papel da sociedade civil. Como ficamos, então, quanto à nossa questão de investigação? O que está a abstenção eleitoral a fazer à legitimidade da democracia? A nossa resposta não pode deixar de ser condicional. A abstenção eleitoral não prejudica a legitimidade democrática enquanto as eleições não esgotarem a participação política. Só assim é possível manter o caráter concorrencial dos mandatos (Schumpeter, 1942), a conformação de valores (Lipset, 1960), a poliarquia de Dahl (Sobre a Democracia, 1998) e sobretudo, a liberdade (Tocqueville, 1835)

Abstract This project tries to provide for an answer to the matter of the electoral abstention and its effects on the legitimacy of democracy as a regime. Firstly, we will approach some hypothesis so we can arrive to a satisfactory conclusion. Key words: elections, electoral abstention, democratic legitimacy, civil society. Resumé Cet projet cherche une réponse à la question «quel est la relation entre l'abstention électorale et la légitimité de la démocratie?» D'abord, nous irons poser quelques hippothèses pour lesquelles nous chercherons des bonnes conclusions. Mots clés: élections, abstention électorale, légitimité démocratique, société civile.

BIBLIOGRAFIA ANDERSON, Christopher J., BLAIS, André, BOWLER, Shaun, DONOVAN, Todd, LISTHAUG, Ola, Losers' Consent Elections and Democratic Legitimacy, Oxford University Press, 2005. MARÇO 2019 - NÚMERO 19

Carmo Pinheiro Torres Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Juventude Monárquica Portuguesa

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FERNÃO DE MAGALHÃES UM PORTUGUÊS ILUSTRE, A QUEM A CIVILIZAÇÃO MUNDIAL MUITO DEVE. e nem uma linha sobre o assunto! A gente de Cabo Verde organizou uma gigantesca reunião em Lisboa, ocorrência de uma importância significativa para a vida portuguesa, e nem uma palavra a propósito... O 25 de Novembro, que salvou a revolução do 25 de Abril de uma nova ditadura, ficou no esquecimento completo da nossa comunicação social. É demais…! Claro que os canais de televisão privados têm preocupações com as audiências. Apesar de ser uma má justificação, tal ainda se compreende. Mas a Rádio Televisão Portuguesa, órgão oficial, que vive à custa dos nossos impostos, não tem qualquer

A televisão portuguesa parece apenas estar interessada nos problemas do futebol, mortificando permanentemente os ouvintes com as diatribes do antigo presidente do Sporting e do actual presidente do Benfica, intoxicando a população com as desgraçadas tragédias causadas pela má gestão do património público e comprazendo-se com escandaleiras graves, como o miserável roubo de armamento das forças armadas, ocorridos neste infeliz País, autenticamente a saque. Digo isto porque uma equipe portuguesa de deficientes venceu o Europeu de Andebol, em cadeira de rodas, MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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FERNÃO DE MAGALHÃES


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desgraça perante a ordem estabelecida e perante os olhos do Rei D. Manuel I, que não aceitou os seus serviços nem o projecto de uma viagem ao Oriente, pelo Ocidente. Como tinha levado a sua vida a planear a execução de tal sonho, resolveu deslocarse a Sevilha e oferecer os seus préstimos ao Rei de Espanha. Procurou o Rei Carlos V, em Valladolid, que o recebeu de braços abertos, entusiasmado com a possibilidade de atingir as Ilhas Molucas por mares não reservados à navegação portuguesa, nos termos do Tratado de Tordesilhas. Com uma equipe constituída por elementos de diversas nacionalidades, entre eles os irmãos portugueses, Francisco e Rui Faleiro, notáveis astrónomos que muito colaborariam na resolução dos intricados problemas, surgidos em plena navegação. Partiram cinco embarcações do porto andaluz de San Lucár de Barrameda, em 20 de Setembro de 1519, com uma equipagem de 265 homens. Atravessaram o Oceano Atlântico até às costas do Brasil, na zona perto do Cabo de Santo Agostinho, cerca de Pernambuco, rumando então para Sul e, passando pelo actual Rio de Janeiro. Bordejaram posteriormente o estuário do Rio da Prata e atravessaram o golfo de S. Martin, navegando até ao extremo Sul, onde encontraram um Estreito a que chamaram de Todos os Santos e que actualmente se chama Estreito de Magalhães. Tal estreito, com o comprimento de cerca de 600 quilómetros e apenas um punhado de metros de largura, separa o continente Sul Americano das Terras do Fogo, fazendo a comunicação do Oceano Atlântico com o Oceano Pacífico. Percorrido o referido estreito, começou então a travessia do Pacífico, rumando a esquadra até às Ilhas Marianas. Desembarcaram já em Cebu, nas actuais Filipinas, em 6 de Março de 1521. Em seguida, desembarcaram na Ilha de Mactán, em 27 de Abril

desculpa de se divorciar do objectivo cultural de levar ao público as notícias que interessam a toda a comunidade como elementos integradores da nossa história. Qual a razão desta conversa fiada, perguntar-meão os meus amigos?!!!. Na verdade, a razão é muito simples. Na vizinha Espanha estão a preparar-se grandes homenagens a Fernão de Magalhães, o navegador português que realizou a primeira viagem de circum-navegação, em 1519, através dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Cá em Portugal, nem um simples murmúrio se ouve sobre o assunto!!! Vão me dizer que tal viagem foi ao serviço de Espanha e não de Portugal, mas tal não tem qualquer relevância, pois não deixa de ser um acontecimento que alterou completamente a visão do Universo e que modificou completamente os conceitos científicos que perduravam na época. Mas, entremos nas páginas da história que são bem elucidativas. Fernão de Magalhães nasceu em Sabrosa em 1480, segundo uns. Todavia, outros referem, actualmente, a possibilidade de ter visto a luz do dia, no Porto, onde por essa altura se mantiveram os seus progenitores. Como elemento da pequena aristocracia da província, alistou-se na armada de D. Francisco de Almeida, tendo andado pela Índia ao serviço da coroa portuguesa e, após regressar ao Reino, lá voltou diversas vezes, entrando em várias expedições militares, tendo sido inclusivamente ferido. Todavia, nunca perdeu a ocasião de proceder às suas investigações científicas, nas permanentes deambulações e viagens marítimas. Segundo a má língua, descobriram ter feito pessoalmente negócios com negociantes árabes, actividade comercial na altura completamente vedada aos cidadãos particulares, o que o levou a cair em MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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FERNÃO DE MAGALHÃES


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Boa Esperança, em 1488, e de Vasco da Gama, no caminho da Índia em 1498, Fernão de Magalhães demorou pouco mais de um ano, para vencer o terror do desconhecido e desvendar os mistérios ignotos do Oceano Pacífico. Uma empresa e uma vitória que coroa toda a preparação científica do navegador português e do País onde nasceu. Será infame que os nossos responsáveis continuem quedos e mudos sobre esta matéria e não iniciem uma grande homenagem nacional a Fernão de Magalhães, o primeiro navegador que levou a cabo uma viagem de circum-navegação do globo terrestre, vai fazer quinhentos anos.

de 1521, onde Fernão de Magalhães foi atingido mortalmente por uma frechada atirada por um indígena. Foi então substituído na chefia da esquadra pelo castelhano Juan Sebastian El Cano. Iniciado o regresso, chegaram a Espanha somente em 7 de Setembro de 1522, reduzida a armada a duas embarcações “Trinidad” e “Victória” e a tripulação a dezoito homens…! Sobre este acontecimento, os responsáveis portugueses guardam irritante silêncio. A Senhora Ministra da Cultura, além de não ter currículo que se veja, nem de raspão deve saber quem é Fernão de Magalhães…! Ora, se os portugueses demoraram um século a conhecer o Oceano Atlântico, as suas correntes, ventos e terras circundantes, bem como o Oceano Índico, período que medeia do início dos descobrimentos, antes de 1415, descoberta da Ilha da Madeira, até à passagem de Gil Eanes pelo Cabo Bojador, em 1434, de Bartolomeu Dias pelo Cabo da MARÇO 2019 - NÚMERO 19

António Moniz Palme

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FERNÃO DE MAGALHÃES


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EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO

MONARQUIA DO NORTE CONFERÊNCIA - BRAGA animado e rico na troca de opiniões. A Conferência foi aberta por mim, na qualidade de anfitrião e Presidente da Direcção da Real Associação de Braga, após o que se assistiu a um momento musical com a Soprano da Orquestra Príncipe da Beira, Marline Apolinário, que brindou os presentes com o Hino Monárquico. O primeiro conferencista a usar da palavra foi o Professor Doutor Pedro Villas-Boas Tavares, que faz uma excelente intervenção, subordinada ao tema: «"Boas e más notícias" de há cem anos, a Norte! - Reflexões políticas sobre as causas de uma causa chamada a produzir efeitos.»; considerando as boas notícias o dia 19 de Janeiro de 1919 e as más notícias, o dia 13 de Fevereiro de 1919. O conferencista faz uma viagem pelo ânimo e espírito vivido no norte durante este período, levando a audiência a viver momentos pouco conhecidos, mas muito relevantes dos acontecimentos da época e de clarificação do que foi a adesão do povo nos diferentes Concelhos da região a este movimento restaurador monárquico.

A 19 de Janeiro de 1919, por volta das 13h30, era proclamada a Monarquia, Henrique de Paiva Couceiro restaurava, assim, a Monarquia Constitucional no norte do país até ao dia 13 de Fevereiro de 1919. Não querendo deixar de recordar esta data, as Reais Associações do Braga, Viana do Castelo e Porto, colaboraram na evocação o seu centenário. Assim, no dia 16 de Fevereiro no Auditório da Junta de Freguesia de S. Vitor, em Braga, teve lugar uma Conferência, organizada pelas Reais Associações Braga e de Viana do Castelo, que contou com a presença dos historiadores Professor Doutor Armando Malheiro e o Professor Doutor Pedro Villas-Boas Tavares, docentes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com os temas: "O equívoco monárquico: a Monarquia do Norte e a Revolta de Monsanto" e «"Boas e más notícias" de há cem anos, a Norte! - Reflexões políticas sobre as causas de uma causa chamada a produzir efeitos». Antes da conferência, realizou-se um almoço de convívio com os palestrantes, momento muito MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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CONFERÊNCIA MONARQUIA DO NORTE - BRAGA


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Termina a intervenção com uma visão do que fica do movimento monárquico, com o fim desta tentativa restauracionista monárquica, até aos nossos dias. Após as duas intervenções, o público, muito interessado, interagiu com os palestrantes e até entre si, o que levou a uma perda da noção de que as horas iam passando, sem que a conferência tenha perdido o interesse ou a vontade de alguém sair do auditório. Para além de diverso público, estiveram presentes vários membros das Reais Associações de Braga e Viana do Castelo, entre os quais o seu Presidente, o Dr. José Aníbal Marinho Gomes assim como uma representante da Real Associação do Porto, D. Maria Antónia Bettencourt. Marcaram também presença dois membros da Juventude Monárquica Portuguesa (Porto), o Presidente da Direcção, Jorge Araújo e Pedro Sousa, Secretário-Geral.

O Professor Doutor Pedro Villas-Boas Tavares, deixa no final uma mensagem de homenagem a Henrique de Paiva Couceiro, incitando os monárquicos a serem mais audazes e verticais na acção política, isto é, não acomodados e mais interventivos na sociedade. O Professor Doutor Armando Malheiro, toma a palavra de seguida com uma magnífica intervenção, cujo tema era: "O equívoco monárquico: a Monarquia do Norte e a Revolta de Monsanto"; explica o tema com a seguinte questão: tratou-se de uma contra-revolução ou de uma restauração? O conferencista inicia uma exposição de vários factos da envolvente político-social da época, que terão potenciado a iniciativa monárquica do dia 19 de Fevereiro de 1919. Salienta o facto da adesão popular ter sido enorme à restauração da monarquia no norte de Portugal. Existiam gestos que a Junta Governativa executa, como um verdadeiro governo da nação, num acto de governação pura e de corte com o que a república tinha implementado até então. Tínhamos, efectivamente, dois governos à época.

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Gonçalo Pimenta de Castro

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CONFERÊNCIA MONARQUIA DO NORTE - BRAGA


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VAMOS DAR LUZ A MOÇAMBIQUE Falta comida nos centros de abrigo e muitos milhares continuam sem electricidade (nas aldeias da Beira a energia era proporcionada por geradores, que foram levados pelas cheias). Num gesto duplamente simbólico de apoio e de esperança no futuro, iniciamos no dia 23 de Março, uma campanha de recolha de velas e de lanternas (preferencialmente lanternas de dínamo, lanternas solar e dínamo) para serem enviadas ao povo irmão de Moçambique que tanto delas, agora, também precisa. A iniciativa partiu das estruturas locais da Causa Real - as Reais Associações de Braga e Viana do Castelo - em colaboração com a Associação Cultural

A Causa Real solidariza-se com o povo moçambicano, intimamente ligado ao povo português através dos laços da lusofonia, colaborando nesta Causa Maior de apoio às vítimas do Ciclone Idai, na zona da Beira, que assim se chama em honra do Príncipe da Beira, Dom Luís Filipe – que foi o primeiro membro da família real portuguesa a visitar Moçambique e, em 1907, levou, em mão, o decreto real que concedia à Beira (originalmente chamada Chiveve) o estatuto de cidade. A situação mantém-se crítica. As estradas ficaram muito danificadas, quase todas as pontes têm sinais de destruição ou desapareceram por completo. MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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DAR LUZ A MOÇAMBIQUE


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Ÿ Sede do Grupo Paínhas (PA Grupo), Av.ª Conde da

Luso-Moçambicana, a Confederação Empresarial do Alto Minho (CEVAL), a Paínhas, S. A., empresa cujo lema é «juntos somos + energia», e a Fundação Caixa Agrícola do Noroeste - podendo estender-se a outros pontos do país. A Luz para Moçambique podia ser entregue nos seguintes locais:

Carreira, n.º 11 – de 2ª a 6ª feira, das 8.30-12.30 e das 14.30-18.00. Ÿ Paínhas, S. A., Zona Industrial 2ª Fase, Lote 11 - S. Romão do Neiva - de 2ª a 6ª feira, das 8.30-12.30 e das 14.30-18.30. LISBOA Ÿ Rua do Pau de Bandeira, 24 A - 2ª a 6ª, das 10h00 às 18h00.

BRAGA Ÿ Igreja da Lapa (disponibilizada para o efeito pela Milícia de Santa Maria Portugal) – às 2ª e 5ª feiras, das 16 às 18h.

Para quem preferir apoiar monetariamente, a Causa Real vai colaborar com a Fundação à Igreja que Sofre (Fundação AIS), apelando a todos os simpatizantes que enviem os seus donativos através do

VIANA DO CASTELO Ÿ Sede da CEVAL, Largo João Tomás da Costa, n.° 41 – de 2ª a 6ª feira, das 8.30-12.30 e das 14.3017.30. MARÇO 2019 - NÚMERO 19

IBAN PT50 0269 0109 0020 0029 1608 8. 45

DAR LUZ A MOÇAMBIQUE


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evocação do Centenário da Monarquia do Norte, no Porto, começou no dia 19 de Janeiro, com uma conferência em parceria com a Real Associação de Lisboa, no Ateneu Comercial do Porto, subordinada ao tema “Cem anos da monarquia do norte – uma história de resistência”, na qual foram oradores o historiador Prof. Dr. Nuno Resende e o Dr. Carlos

No Centenário da Monarquia do Norte, a Real Associação do Porto promoveu a evocação do movimento que, há cem anos, visou restabelecer a monarquia em Portugal. O objetivo desta evocação foi histórico, realçandose ser esse o fim que também nos move hoje, embora o nosso caminho seja a implementação da

EVOCAÇÃO DA

MONARQUIA DO NORTE Bobone. Esta conferência, muito apreciada pelo numeroso público que assistiu, foi noticiada pela Lusa, pelo Jornal Expresso e pelo Jornal de Notícias, tendo este último enviado uma repórter e publicado várias notícias dos nossos eventos. A segunda conferência da Real Associação do Porto,

Monarquia de forma pacífica e democrática. Nunca é de mais lembrar que a monarquia contra qual os republicanos lutaram no início do século passado, pouco tem a ver com as monarquias europeias de hoje, que ambicionamos para Portugal no século XXI. O programa da Real Associação do Porto de

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CONFERÊNCIA MONARQUIA DO NORTE - PORTO


história da gastronomia portuguesa, foi coordenado pelo Chefe Hélio Loureiro, de quem são as palavras que se seguem: “Num primeiro momento, Bolinhos de bacalhau desde o Visconde de Vilarinho de São Romão a Bento Maia. Esta receita resulta da introdução em Portugal no século XIX da batata, cultivada em grande escala, que teve como grande obreiro o senhor Conde de Vilarinho de São Romão, que escreveu um magnifico livro de cozinha, com receitas tão simples quanto originais para a época, como um fabuloso esparregado de grêlos e outro de urtigas. Foi ele quem patenteou a receita dos bolinhos de bacalhau! Num segundo momento, Carne de vitela no tacho à portuguesa. A carne de vitela à portuguesa foi um termo que começou a ser usado só no seculo XX e abusado nos anos quarenta, sendo uma receita onde o uso do vinho tinto e do Porto lhe conferem a terminologia à portuguesa, noutras receitas será o que levar

em parceria com a Real Associação de Braga e com a Real Associação de Viana do Castelo, realizou-se também no Ateneu Comercial do Porto, no dia 2 de Fevereiro, tendo sido orador o historiador Prof. Dr. A r m a n d o M a l h e i r o e o D r. L u í s C a b r a l , respetivamente, sobre os temas: “O equivoco monárquico: a Monarquia do Norte e a Revolta de Monsanto” e “No Centenário da Monarquia do Norte: os Manuscritos do 2.º Conde de Azevedo na Biblioteca Pública Municipal do Porto”. Esta conferência foi igualmente muito participada e apreciada, tendo também sido divulgada, pelo Jornal de Matosinhos, com uma excelente reportagem do José Maria Cameira, nosso membro da direção. Finalmente, a Real Associação do Porto realizou um jantar, no dia 15 de Fevereiro, no Clube de Leça, com um menu da época, no qual tivemos a honra de ter a presença de Sua Alteza Dom Miguel de Bragança, Duque de Viseu. O menu do jantar, inspirado em três momentos da MARÇO 2019 - NÚMERO 19

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CONFERÊNCIA MONARQUIA DO NORTE - PORTO


inspiração adicionou gemas, açúcar e chocolate derretido, envolvendo tudo em nuvens de claras… um poema! Embora a sua arte fosse a pintura.”

tomate. Num terceiro momento, Mousse de chocolate de Toulouse-Lautrec a Portugal . Esta sobremesa tem uma pequena história. Estávamos nos anos vinte do século XX e foi servido na Embaixada de França uma mousse de chocolate que fez furor! Passados uns dias em toda a Lisboa as cozinheiras trocavam receitas que tinha chegado via Embaixada e em menos de nada era sobremesa de todos os Clubes Lisboetas e no Porto. A mousse de chocolate nasceu, assim, num cabaré pelas mãos de Tolouse Lautrec, que num dia de MARÇO 2019 - NÚMERO 19

E assim termino deixando todos com água na boca…

Jorge Leão

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POETAS MONÁRQUICOS PORTUGUESES

JOÃO DE LEMOS LEGITIMISTA IRREDUTÍVEL Natural da Régua – onde ainda hoje é considerado uma figura literária de destaque – João de Lemos Seixas de Castelo Branco, viu a luz do mundo em 6 de Maio de 1819. Um ano antes, pois, da revolução vintista e, decerto, um início de vida pautado por toda a turbulência política que atingiu o Reino dessa época. Não obstante, João de Lemos rumaria Coimbra, onde se licenciou em Direito.

t r a d i c i o n a l i s t a A N a ç ã o . Fo i , e n t re t a n t o , colaborando em diversos periódicos e revistas, onde deixava quer as suas impressões políticas, quer também os seus poemas. Tudo somado valeu-lhe o exílio em Londres… A sua obra literária (a que há a acrescentar o teatro) consta de diversas publicações em que se destaca o Cancioneiro, em três volumes (I – Flores e Amores; II – Religião e Pátria; e III – Impressões e Recordações), talvez a súmula de vida do ilustre poeta reguense. Mas o seu saudosismo e o seu lirismo ficaram imortalizados no poema A Lua de Londres, escrito precisamente nessa cidade da sua proscrição, onde o grande astro raramente se vê no céu. Ei-lo, o poema:

Não terá combatido na Guerra Civil – era muito novo ainda. Mas viveu intensamente o movimento do ultra-romantismo e, porventura assim, abraçou a causa legitimista para todo o seu sempre. É neste contexto que vem a desempenhar diversas missões diplomáticas ao serviço do Senhor D. Miguel, já expatriado, e a dirigir, a partir de 1848, o jornal

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POETAS MONÁRQUICOS PORTUGUESES


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É noite. O astro saudoso rompe a custo um plúmbeo céu, tolda-lhe o rosto formoso alvacento, húmido véu, traz perdida a cor da prata, nas águas não se retrata, não beija a flor no campo a flor, não traz cortejo de estrelas, não fala de amor às belas, não fala aos homens de amor.

Tu vens, ó Lua, tu deixas talvez há pouco o país onde do bosque as madeixas já têm um flóreo matiz; armaste no ar a doçura, do azul a formusura, das águas o suspirar. Como hei-de agora entre gelos Dardejar teus raios belos, fumo e névoa aqui amar?

Vastas terras de tijolo, estátuas, praças sem fim retalham, cobrem o solo, mas não me encantam a mim. Na minha pátria, uma aldeia, por noites de lua cheia, é tão bela e tão feliz!... Amo as casinhas da serra coa luz da minha terra nas terras do meu país.

Meiga Lua! Os teus segredos Onde os deixaste ficar? Deixaste-os no arvoredo das praias de além do mar? Foi na terra tua amada, nessa terra tão banhada por teu límpido clarão? Foi nas terras dos verdores, na pátria dos meus amores, pátria do meu coração!

Quem viu as margens do Lima, do Mondego os salgueirais; quem andou por Tejo acima, por cima dos seus cristais; quem foi ao pátrio Douro sobre fina areia de ouro raios de prata esparzir não pode amar outra terra nem sob o céu de Inglaterra doces sorrisos sorrir.

Eu e tu, casta deidade, padecemos igual dor; termos a mesma saudade, sentimos o mesmo amor. Em Portugal, o teu rosto de riso e luz é composto; aqui, triste e sem clarão. Eu, lá, sinto-me contente; aqui, lembrança pungente faz-me negro o coração.

Oh! que foi…. Deixaste o brilho nos montes de Portugal, lá onde nasce o tomilho, onde há fontes de cristal; lá onde viceja a rosa, onde a leve mariposa se espaneja à luz do Sol; lá onde Deus concedera que em noite de Primavera se escutasse o rouxinol.

Das cidades a princesa tens aqui; mas Deus igual não quis essa lindeza do teu e meu Portugal. Aqui, a indústria e as artes; além, de todas as partes, a natureza sem véu; aqui, ouro e pedrarias, ruas mil, mil arcantes; além a terra e o céu!

Eia, pois, ó astro amigo, Voltemos aos puros céus. Leva-me, ó Lua, contigo, preso num raio dos teus. Voltemos ambos, voltemos, que nem eu nem tu podemos aqui ser quais Deus nos fez; terás brilho, eu terei vida, eu já livre, tu despida das nuvens do céu inglês.

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POETAS MONÁRQUICOS PORTUGUESES


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Além do inconformismo e da saudade, uma ponta realista das diferenças climatéricas (chamemoslhes assim), dos modos do quotidiano. É sempre difícil um português aclimatar-se na Grã-Bretanha. João de Lemos ansiava pelo regresso ao seu berço. E logrou esse intento em 1846, por altura da Patuleia. Provavelmente vinha disposto a combater. Entrou na barra do Douro num navio inglês, disfarçado de marinheiro. Com ele vinha João Machado Pinheiro, depois o 1.º Visconde de Pindela. Através dos re l a t o s d e s t e ú l t i m o , f i c a m o s a s a b e r, o desembarque foi complicado, ambos exilados, figuras malgradadas no regime vigente. (Tolhe-os o Serra do Pilar, da Armada Real.) Mas conseguiramno, embora em vésperas da Convenção de Gramido. Acorrem juntos, contra Costa Cabral, à Junta do Governo Supremo do Reino, já em vão. Depois, João Machado escreveria o seu A Lua de Londres, não diria um plágio, mas uma inspiração imediata na genialidade do seu Amigo. Plausivelmente, no exílio, outra vez… Com a Regeneração foi o reencontro de cada um consigo mesmo. A pacificação. João de Lemos tornou definitivamente a Portugal, onde morreria na Figueira da Foz, a 16 de Janeiro de 1890.

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Abstract João de Lemos Seixas de Castelo Branco, was born in Peso da Régua and graduated in Law from the University of Coimbra. Romantic poet of the nineteenth century, Portuguese journalist and playwright, was exiled in London for support to the legitimist cause of D. Miguel. Key words: João de Lemos, poeta, legitimista, D. Miguel. Resumé João de Lemos Seixas de Castelo Branco est né à Peso da Régua et est diplômé en droit pour l'Université de Coimbra. Poète romantique du XIXe siècle, journaliste et dramaturge portugais, a été exilé à Londres pour soutenir la cause légitimiste de D. Miguel. Mots clés: João de Lemos, poète, légitimiste, D. Miguel.

João Afonso Machado

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POETAS MONÁRQUICOS PORTUGUESES


REAL GAZETA DO ALTO MINHO

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

REAL ASSOCIAÇÃO DE VIANA DO CASTELO

Restauração da Independência de Portugal”, “5 de Outubro de 1143 – o Dia em que Portugal nasceu” para o 1.º, 2.º e 3.º Ciclos de escolaridade e Ensino Secundário, que decorreram nas escolas do Alto Minho, nos anos lectivos 2015/16 e 2018/2019. Estreitamento de relações com as escolas aderentes e patrocinadores do Concurso: Eurodeputado Inácio Faria, Fundação D. Manuel II; Fundação Caixa Agrícola do Noroeste, Minho Fumeiro, CEVAL e Hop Consulting. Organização de workshops e outros eventos a agendar futuramente, na Casa da Terra em Ponte de Lima, em parceria com a empresa Minho Fumeiro – “Ementas Reais”. Abril/Maio: Reais conversas com… consiste em encontros informais com personalidades de relevo nacional para lembrar tradições, momentos históricos e a sua relação com a actualidade. Depois do sucesso das iniciativas “A Feira de Ponte”, “Fernão de Magalhães, as Terras da Nóbrega e outras histórias...”, encontra-se já agendada a próxima iniciativa Reais Conversas com...” Prof. Dr. Armando Malheiro, Prof. Dr. Pedro Villas-Boas Tavares, com o tema: Monarquia do Norte - 100 Anos. Maio/Junho: Roteiros pelo Alto-Minho: Consiste em

Realizou-se no passado dia 2 de Março a Assembleia Geral Ordinária da Real Associação de Viana do Castelo, presidida pelo Eng.º Francisco Calheiros, Conde Calheiros, com a seguinte ordem de trabalhos: Apreciação e votação do Relatório e Contas; Apreciação e votação do Plano de Actividades e Orçamento e Outros assuntos de interesse para a Associação. O Relatório e Contas de 2018 bem como o Plano de Actividades para 2019 foram aprovados por unanimidade. O Conselho Fiscal propôs à assembleia um voto de louvor pelo “excelente desempenho que a direcção revelou, através das actividades desenvolvidas na prossecução dos objectivos da Real Associação”, voto este que submetido ao plenário foi aprovado por unanimidade. Do Plano de Actividades, destaca-se a dinamização do Centro de Estudos Adriano Xavier Cordeiro, promovendo a realização de iniciativas de carácter formativo, desenvolvendo acções de informação monárquica dirigidas ao público em geral. Na Assembleia Geral ficaram aprovadas e calendarizadas as seguintes actividades: Acompanhamento dos alunos premiados nos Concursos “O Primeiro de Dezembro de 1640 – A

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visitas a locais e monumentos históricos do Alto Minho, aberta aos associados e simpatizantes, bastando para tanto uma prévia inscrição. Na sequência dos “Roteiros pelo Alto Minho”: “Circuito Mariano das Terras da Nóbrega” e “Circuito Românico da Ribeira Lima”, que tiveram lugar em 2017 e 2018 nos concelhos da Ponte da Barca, Vila Verde e Ponte de Lima, e que se traduziu num rotundo sucesso, a Real Associação de Viana do Castelo vai continuar com a iniciativa, desta vez no co n ce l h o d e Mo n ç ã o , e m p a rce r i a co m a Turinóbrega. Julho, dia 2 - Evocação do 86.º Aniversário da Morte de El-rei D. Manuel II; Julho, III Torneio de Ténis “Portugal Real 100% Alto Minho” (Maratona Nocturna). Julho, dia 7: Conferência sobre “O Torneio de Valdevez e a sua importância na formação de Portugal”. Co-organização com o GEPA - Grupo de Estudos do Património Arcuense (arcos de Valdevez) Setembro – Comemoração do 29.º Aniversário da Real Associação de Viana do Castelo - Iniciativa evocativa do 29.º Aniversário da Real Associação de Viana do Castelo, que se celebra a 7 de Setembro de 2019 (local e programa a definir oportunamente); Novembro, dia 30 – Co-Organização do Jantar dos Conjurados (local e programa a definir oportunamente; em 2019 será na área geográfica da Real Associação de Braga); Novembro/Dezembro - Edição das intervenções no Jantar dos Conjurados 2014, “A Restauração de MARÇO 2019 - NÚMERO 19

1640 e a Independência de Portugal e os seus reflexos em Ponte de Lima” do Dr. José Aníbal Marinho Gomes, “Para uma releitura dos «papéis» justificativos da Restauração”, do Prof. Dr. Pedro Vilas Boas Tavares. Aprovou-se o reforço da dinamização da página da internet e redes sociais ao longo do ano, no intuito de divulgar, promover e defender a instituição real, corporizada na Coroa e nas tradições de Portugal.

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Real Gazeta do Alto Minho | N.º 19  

Boletim Informativo da Real Associação de Viana do Castelo, Março 2019

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