EDIÇÃO 5.795 - NOVEMBRO 2016

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A história de dois restauros Artista conta como foi recuperar a imagem de Nossa Senhora Aparecida após o atentado, em 1978 Diálogos - Pág. 3

JORNAL

SANTUÁRIO Ano 115 • nº 5.795

Novembro de 2016

www.jornalsantuario.com.br

Thiago Leon/Santuário Nacional

Santuário Nacional dá início ao Jubileu dos 300 anos A Festa da Padroeira deste ano marcou um momento especial: o início do ano jubilar em preparação ao Tricentenário do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Os fiéis lotaram a Casa da Mãe Aparecida durante os nove dias de novena e, principalmente, durante o dia 12 de outubro. Dentro das festividades, o Santuário Nacional preparou diversas homenagens para honrar e agradecer a Padroeira as inúmeras bênçãos.

Thiago Leon/Santuário Nacional

Destaques - Pág. 8

Andrea Bocelli emociona milhares no Santuário O tenor italiano comoveu o público interpretando clássicos, como Ave-Maria, ao lado do cantor sertanejo, Daniel. Intitulado Primavera Musical no Vale, o concerto reuniu cerca de 45 mil pessoas. Bocelli agradeceu a oportunidade de cantar e orar em um lugar maravilhoso como o Santuário Nacional de Aparecida. Santuário em notícia - Pág. 6

Editora Santuário completa 116 anos

Revista Jovens Doe uma vida de Maria

Ano da Misericórdia

Novembro é o mês do aniversário da Editora Santuário. Ao longo de mais de um século tornou-se símbolo de tradição na publicação de conteúdos importantes para a humanização da cultura e na contribuição para esclarecer e “catequizar” as devoções da religiosidade popular

A Família Campanha dos Devotos ganhou a filha do meio. A mais nova publicação traz conteúdos de entretenimento e evangelização, aproximando ainda mais os jovens a Nossa Senhora Aparecida

Um gesto tão importante, que pode manter viva a esperança do próximo. E o Brasil vem se mostrando consciente desse ato, fazendo com que, em meio ao sofrimento, vidas possam renascer

Neste mês encerra-se o Ano Extraordinário da Misericórdia. O reitor do Santuário, padre João Batista de Almeida, faz um balanço desse momento para a Igreja e partilha a vivência do Jubileu no Santuário

Destaques - Pág. 9

Juventude - Pág. 12

Bem-estar - Pág. 10

Igreja - Pág. 4


FATOS E OPINIÕES

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Jornal Santuário • Novembro de 2016

EDITORIAL

Os frutos da misericórdia

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na sua missão de renovar a atenção da Igreja Católica aos mais pobres e vulneráveis, promovendo valores como a generosidade, humildade e inclusão. Segundo ele, a mensagem do próprio Jesus Cristo era entender a essência de cada pessoa, sem preconceitos, e buscar compreender e expandir os limites da nossa generosidade. Buscar o perdão, perdoar e lembrar de pedir perdão quando estivermos errados. Ao longo deste Jubileu, o Papa promoveu atividades e celebrações relacionadas diretamente com a temática da misericórdia, que aliás, já é reconhecida por muitos como o principal tema de seu pontificado. Entre estes eventos é preciso destacar a Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, sobre o amor na família, que abriu muitas janelas para tratar desta realidade, e as canonizações de santos que são referência de vida dedicada aos mais pobres, como é o caso de Madre

is que é chegado ao fim o ano santo da misericórdia. Decretado em caráter extraordinário pelo Papa em abril de 2015, o Jubileu começou oficialmente no dia 8 de dezembro de 2015 e termina em 20 de novembro de 2016. Inspirado no Jubileu Judaico, o Jubileu cristão é um período de celebração, generosidade e redenção dentro da Igreja Católica. É ocasião para que os fiéis busquem o perdão de Deus e reflitam sobre o sentido e a mensagem do Evangelho. Normalmente, o Jubileu é celebrado a cada 25 anos, mas o Papa pode convocar a celebração em caráter extraordinário, se julgar necessário. Foi assim com o Jubileu da Misericórdia. O último Jubileu havia sido convocado pelo Papa João Paulo II em 2000, para celebrar a entrada do novo milênio. O Jubileu da Misericórdia foi, talvez, o maior esforço do Papa Francisco

Teresa de Calcutá. Nestes e em tantos outros eventos a misericórdia apareceu como fio condutor. Sem dúvida nenhuma, para toda a Igreja o ano santo foi de grande proveito. Inegável legado, o Jubileu da Misericórdia não apenas repercutiu em nossas vidas pessoais, ajudando-nos a fazer a experiência da reconciliação, mas terá desdobramentos importantes na vida de todos os cristãos. A partir dele se tornou impossível imaginarmos uma Igreja autor referencial, fechada em si mesma, e incapaz de dialogar com o mundo. No fundo, o que o Papa conseguiu, e possivelmente era esta também a sua intenção, foi reaviar o espírito do Concílio Vaticano II e fazê-lo concretizar-se de maneira efetiva. Vida longa aos frutos da misericórdia.

Padre Fábio Evaristo, C.Ss.R.

Diretor Editorial

Espaço do Leitor Eu tenho muita fé em Nossa Senhora. Foram muitas coisas que recebi dela. Eu recebi uma grande graça do meu pé e eu levei um pé de cera para deixar na sala das promessas. Eu assisto todos os dias à missa de Aparecida e todos os dias eu rezo para Nossa Senhora. Aparecida Manoela do Carmo, São Paulo (SP) Eu quero agradecer a Mãe Aparecida as muitas bênçãos e muitas graças. Estou muito feliz porque mês passado eu fiz 73 anos, comemorando em Aparecida, no mês da Mãe. Eu agradeço a Nossa Senhora que está curando minha filha que tem câncer. Ela me dá muita força, muita coragem. Maria Divina de Oliveira, Três Marias (MG)

IGREJA E SOCIEDADE

Justiça republicana

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Operação Lava Jato tem sido para o país a maior ação contra a corrupção de nossa história, se considerarmos os valores e a quantidade de políticos e empresários envolvidos. Para a sociedade, há uma expectativa muito grande pela punição efetiva dos culpados, bem como pelo ressarcimento dos prejuízos provocados ao patrimônio público. Tal desejo é nobre e justo. É uma oportunidade importante para que nossa sociedade supere a sensação de impunidade, ou de que os ricos e poderosos são imunes à lei. A carceragem da Polícia Federal em Curitiba ou o Presídio da Papuda, em Brasília, já possui detentos que antes mandavam e desmandavam no país. A ação séria e determinada do Ministério Público e da Polícia Federal tem o apoio da sociedade e pode assustar a classe política que se coloca, muitas vezes, acima do bem e do mal. Não se pode negar, no entanto, que há seletividade nas investigações, bem como uma cobertura parcial que é feita pela grande mídia brasileira. Basta observar a forma como algumas ações

da Operação Lava Jato são acompanhadas de perto – muito perto – por alguns veículos de comunicação, que recebem informações bastante privilegiadas sobre peças do processo. E tal interesse – claramente político partidário – não pode ser ignorado.

“O combate à corrupção e à impunidade é um passo fundamental para moralizar a política brasileira, mas é preciso avançar mais” Esta realidade construída pode fazer com que, após a prisão dos figurões envolvidos no escândalo da Petrobras, possa ser colocado um ponto final na corrupção na máquina pública brasileira. Sabemos que isso não será possível, mas a sensação de ressaca pode criar um ambiente de que a limpeza foi feita.

Mande seu comentário para:

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O combate à corrupção e à impunidade é um passo fundamental para moralizar a política brasileira, mas é preciso avançar mais. A República Federativa do Brasil se tornará mais justa se aproveitarmos a oportunidade da crise e realizarmos uma reforma política verdadeira. Uma reforma que vá além de regras eleitorais, mas que comece na formação dos cidadãos que estão nascendo ou entrando na escola. Infelizmente, o ambiente anda muito politizado em cores partidárias. Cada cidadão precisa vestir as cores da nossa pátria, para que “Ordem e Progresso” deixe de ser slogan de um governo, e volte a ser o lema de uma nação inteira. Irmão Diego Joaquim Missionário Redentorista e Jornalista. Coordenador de Marketing da Scala Editora. Editorialista da Rede Católica de Rádio e comunicador da Rádio Difusora de Goiânia e Rede Pai Eterno de Rádio. Coordenador da Pastoral da Comunicação do Regional Centro Oeste da CNBB e membro da equipe missionária do Santuário-Basílica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Goiânia/GO.

JORNAL

SANTUÁRIO Publicação Mensal dos Missionários Redentoristas R.: Pe. Claro Monteiro, 342 – Centro – Aparecida (SP) Cx. Postal 4 – 12.570-000 www.jornalsantuario.com.br

EXPEDIENTE Diretor editorial: Pe. Fábio Evaristo, C.Ss.R. Conselho editorial: Pe. Ferdinando Mancilio, C.Ss.R. Pe. Mauro Vilela, C.Ss.R. Editor: Allan Ribeiro (MtB 80539/SP) Revisão Ana Lúcia de C. Leite Cristina Nunes Luana Galvão Projeto Gráfico: Rafael Domiciano Diagramação: Bruno Olivoto Comercial: 0800 16 0004 Tiragem: 12.000 Exemplares

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DIÁLOGOS

Jornal Santuário • Novembro de 2016

LANÇAMENTO

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m símbolo da fé brasileira de mais de dois séculos e meio se desfaz em centenas de pedaços ao chão. Há 38 anos, a Imagem da Senhora Aparecida era vítima de um atentado que deixaria os católicos chocados. A esperança de todo um povo se transferiu para as mãos de Maria Helena Chartuni, em um trabalho minucioso de restauro. E a Padroeira do Brasil pôde retornar ao seu trono de forma esplendorosa, para novamente ser venerada pelos devotos. Toda a história que circunda a recuperação da Imagem de Aparecida é contada por Maria Helena no livro A História de dois restauros, da Editora Santuário. Na publicação, a autora apresenta detalhes e fatos inéditos sobre o processo de restauro e como esse trabalho mudou a sua vida. Como foi para senhora receber a notícia que iria restaurar a Imagem de Nossa Senhora Aparecida? Maria Helena Chartuni – Na realidade, como falo no texto do livro, eu não fui procurar. Essa Imagem caiu no meu colo. Eu vi no noticiário e nem pensei em restaurar. Eles [os Redentoristas] foram procurados por muitos restauradores. Eu achei que eu ia restaurar, mas, como não dou valor as minhas intuições, achei que era coisa da minha cabeça. E chegou a minha mão. Quando recebi essa Imagem, eu estava no Museu de Arte de São Paulo – Masp. As pessoas sempre perguntam: o que você sentiu? Eu senti pânico. Ela estava toda esfacelada, em mais de 200

pedaços. Era uma caixa forrada com um cetim acolchoado, onde estavam todos os pedaços. Eu não posso ter ficado muito tranquila com isso. Não era pelo restauro em si, era pelo que ela representava. Era uma pressão tremenda. Eles [os Redentoristas] foram procurar no Vaticano uma orientação para saber para quem levar a Imagem. Eles queriam levar para os museus do Vaticano. Mas o professor Deoclécio Redig de Campos, um brasileiro que vivia lá, falou que não tinha necessidade, era só ir ao Masp, que o diretor de lá iria resolver o problema. Por que o livro recebe o nome de A História de dois restauros? Maria Helena – Na realidade, esse título deveria ser O meu encontro com Nossa Senhora Aparecida e subtítulo A História de dois restauros. Mas a Editora Santuário achou por bem, eu também acho que foi correto, trazer como título A História de dois restauros. Na verdade, foram dois restauros: o que eu fiz com a Imagem dela e o que ela fez comigo. Não vou falar que não era uma pessoa que não acreditava em nada, eu acreditava sim. Mas tive uma adolescência difícil, passei por colégio de freiras... que também foi difícil. Passei por problemas existenciais, como: quem sou?, por que estou aqui?, quem é Deus? Como não recebia resposta, pelo contrário, tive uns traumas no colégio, fiquei com uma indiferença e deixei de lado. Quando veio esse restauro, mudou minha vida. Até então, achava que essa crença em Nossa Senhora Apa-

Reprodução

Livro traz fatos inéditos do restauro da Imagem de Aparecida

A Imagem de Aparecida foi quebrada em mais de 200 fragmentos

recida era um exagero. Eu vim aqui [Aparecida] com 12 ou 13 anos, com as freiras do colégio, mas não gostei, achei-a muito escura. Achava que ela era triangular, como sugere o manto. Quando ela veio para mim, eu descobri que era uma imagem barroca, de terracota. Comecei a restaurá-la e não pensei nada em espiritual, que era privilegiada; a coisa veio depois. Durante o restauro, diversas coisas estranhas aconteceram. Voltei a pedir a Nossa Senhora: a Senhora vai me ajudar, porque estou com um problema enorme, se eu não acertar eu vou para fogueira. Ela me ouviu. Ela estava em frangalhos, em 165 pedações, às vezes milimétricos, e eu pegava um pedaço e colocava em um lugar, e era exatamente lá. No meio daquele caos, eu tinha que classificar

os pedaços, o que eu fazia em um papel branco, mas, de repente, vinha um pedacinho e eu falava “esse lugar deve ser aqui”, e era. O que definitivamente me mudou foi quando terminei e ela foi apresentada à imprensa. Não tinha uma pessoa que entrasse na minha sala e não chorasse. Os devotos me deixaram muito impressionada. Quando ela foi, do Masp até a Dutra, havia um corredor humano, esperando a Imagem passar. Enquanto ela passava, as pessoas choravam. Os caminhoneiros ficaram em cima das cargas. Eu fiquei muito impressionada. Foi aí que eu comecei a ter ideia sobre o que eu tinha tocado. Tanto que no livro eu dedico a todos os devotos de Nossa Senhora. O que a senhora quer com esse livro? Maria Helena – O que eu espero com esse livro é dar meu testemunho com essa história, que foi importante na minha vida, como na vida das pessoas devotas. E é a minha verdade. Estou falando o que eu vivi, a maneira que eu vivi e não a interpretação da verdade. Você pode transmitir para o outro, mas sempre é uma interpretação que o outro está lhe dando. Eu estou falando exatamente o que aconteceu, e muita coisa ninguém sabe, fatos que aconteceram posteriormente e durante o restauro. *Com informações do programa Bem-vindo Romeiro, TV Aparecida Da Redação


IGREJA

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MATRIMONIO

ENCERRAMENTO

Ano Santo fecunda a Misericórdia Congresso evangeliza por plataforma on-line Divina nos corações Reprodução

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No dia 20 de novembro a Porta Santa será fechada no Vaticano, à espera do próximo Ano Santo

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Ano Jubilar terminará na solenidade litúrgica de Jesus Cristo, Rei do Universo, no próximo dia 20. Nesse dia, a Porta Santa será fechada no Vaticano, à espera do próximo Ano Santo. Dessa mesma forma, as dioceses e santuários pelo mundo repetirão o mesmo gesto, uma semana antes, no dia 13. No encerramento deste ciclo, a Igreja é convidada a agradecer a concessão deste tempo extraordinário de graça. Na bula de convocação do Ano Jubilar, Misericordiae Vultus, Francisco pede para que a essência do que foi vivenciado se perpetue. No documento, ele deseja que os anos futuros sejam permeados de misericórdia, para ir ao encontro de todas as pessoas, levando-lhes a bondade e a ternura de Deus, e que a todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós. “Confiaremos a vida da Igreja, a humanidade inteira e o universo imenso à Realeza de Cristo, para que derrame a sua misericórdia, como o orvalho da manhã, para a construção duma história fecunda com o compromisso de todos no futuro próximo”, expressa o Pontífice ao abordar o fechamento da Porta Santa. O reitor do Santuário Nacional de Aparecida, padre João Batista de Almeida, afirma que, ao longo desse ano, Papa Francisco quis nos mostrar o quanto precisamos da misericórdia. Ele recorda as palavras do Santo Padre que colocam que a Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, que é o coração pulsante do Evangelho.

O Redentorista acrescenta que agora temos o compromisso, como cristãos de anunciar a Boa-nova, não só em palavras, mas vivenciando-a no dia a dia, contribuindo para transformar o mundo, acabando com as segregações e desigualdades. No Santuário, padre João Batista destaca que se pode vivenciar o quanto as pessoas buscam a misericórdia. Nos confessionários, foi possível experimentar diariamente o quanto os romeiros que por lá passaram precisam da misericórdia, na vida pessoal, no relacionamento com os outros e em situações diversas. Entre os gestos de destaque, o reitor do Santuário aponta a atitude do Santo Padre em estender às dioceses e aos Santuários a abertura da Porta Santa. “O Papa não quis que as pessoas fossem ao encontro da Porta, mas que a Porta fosse ao encontro das pessoas. Podemos dizer que o Santo Padre usou aquela frase de Jesus: ‘Eu sou a Porta’. É Jesus a Porta que foi saindo ao encontro das pessoas, nos santuários e nas catedrais, salienta o Redentorista. Outro aspecto assinalado pelo reitor do Santuário foi a concessão aos sacerdotes, durante o ano jubilar, da faculdade de absolver os pecados do aborto. Até então, apenas bispos poderiam fazer isso. Com esse ato, Francisco quis com que a indulgência chegasse a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, que fosse ao encontro de todos com o rosto do Pai, que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido. Allan Ribeiro

uperar barreiras físicas para anunciar a Boa-nova, essa é a intenção do 1º Congresso On-line sobre Matrimônio Católico. Reunindo quase 50 nomes que são referência no assunto, a ideia é levar formação católica para todo o Brasil. O evento acontecerá entre os dias 14 e 20 novembro de 2016, e todas as palestras serão transmitidas on-line, de forma gratuita. A iniciativa pretende formar milhares de cristãos católicos, preocupados com temas como: a preparação para o matrimônio católico, a maturidade no relacionamento conjugal, o enfrentamento das crises, a própria salvação, a formação dos filhos, a criação de uma família e, principalmente, seguir a vontade de Deus. O objetivo da organização é acordar as famílias católicas e mostrar que é possível matrimônios mais felizes e realizados. “Nossa ideia é oferecer para quem precisa formação católica de qualidade, com o tempo, cuidado e aprofundamento necessário. O primeiro Congresso é o início desse projeto, que deseja ter famílias santas e facilitar o caminho da santidade para aqueles que querem

isso. A santidade não é opcional, é necessidade. Os homens precisam ver Deus face a face”, ressalta um dos organizadores do evento, Robson Oliveira. Ele explica que elaborar um evento com essas dimensões, fora da plataforma on-line, seria inviável pelo custo para reunir diversos palestrantes e por conta da mobilidade dos participantes que teriam que se deslocar para um local específico. Dessa maneira, as palestras serão ministradas a partir do local onde o palestrante se encontra. Para participar é necessário realizar o cadastro no site do evento (inscricao. congressomatrimonio.com.br), realizando a confirmação da inscrição via e-mail. Cerca de 30 minutos antes de cada palestra, o participante receberá um link de transmissão. É necessário que o usuário entre 15 minutos antes do horário para que possa garantir a participação. A organização estima que cerca de 200 mil pessoas devam assistir às palestras, durante os 7 dias de evento. Allan Ribeiro

VATICANO

Reconhecimento de milagres tem novo regulamento

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Santa Sé publicou o novo Estatuto do Conselho Médico da Congregação das Causas dos Santos, que corresponde à verificação científica dos possíveis milagres para a aprovação das causas de beatificação e canonização. O novo regulamento foi previamente aprovado pelo presidente do Conselho Médico, o Professor Patrizio Polisca. O texto atual se inspira no regulamento precedente, aprovado pelo Beato Paulo VI, em 23 de abril de 1976. Além da adequação linguística e processual, foram introduzidas algumas novidades, como por exemplo: a maioria qualificada para proceder na análise de um suposto milagre é de pelo menos 5/7 ou 4/6; o caso não pode ser reexaminado mais de três vezes; para a revisão do suposto milagre é necessário consultar os novos membros. A finalidade do estatuto é o bem das Causas que não pode prescindir da verdade histórica e científica dos supostos milagres. Como é necessário que as provas jurídicas sejam completas, convergentes e confiáveis, é fundamental que o seu estudo seja efetuado com serenidade, objetividade e competência da parte de médicos altamente espe-

cializados e, num nível diferente, pelo Congresso dos teólogos consultores e pela sessão dos cardeais e bispos para, enfim, ser aprovado pelo Santo Padre, que tem a competência exclusiva de reconhecer um evento extraordinário como milagre verdadeiro. Os milagres não são eventos marginais ao Evangelho e às Causas dos Santos. Jesus anunciou o Reino de Deus com palavras e sinais messiânicos, que realizava para tornar transparente a sua identidade, crível a sua missão e para antecipar as novidades finais do mundo redimido. “A Igreja é convicta de que nos milagres dos santos está o dedo de Deus, que ratifica, por assim dizer, o juízo humano sobre a sua santidade de vida. Essa visão faz parte do sentir da Igreja e foi reiterada várias vezes pelo magistério ordinário até os pronunciamentos de Bento XVI e do Papa Francisco. É historicamente certo que os milagres sempre foram um assunto decisivo para a canonização dos Servos de Deus”, disse ainda o secretário da Congregação das Causas dos Santos, dom Marcello Bartolucci. Da Redação


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SOCIEDADE EM FOCO

ENSINO MÉDIO

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governo federal anunciou, em setembro, a Medida Provisória (MP) que reestrutura e flexibiliza o ensino médio no país. A medida vem provocando debate entre governo, integrantes do setor de educação e protestos de estudantes, que ocupam escolas. A nova estruturação, segundo especialistas, não supre as necessidades do ensino no país. A MP prevê a flexibilização do ensino médio. Português e matemática serão os dois únicos componentes curriculares obrigatórios nos três anos do ensino médio. Os demais componentes curriculares, que deverão ser ensinados no período obrigatoriamente, serão definidos na Base Nacional Comum Curricular, que começou a ser discutida em setembro e deverá ser definida até meados do ano que vem, segundo o Ministério da Educação. De acordo com a MP, cerca de 1,2 mil horas, metade do tempo total do ensino médio, serão destinadas ao conteúdo obrigatório definido pela Base. No restante da formação, os alunos poderão escolher seguir cinco trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas – modelo usado também na divisão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – e formação técnica e

Agência Brasil

Déficit na educação de base coloca proposta em xeque

Português e matemática serão os dois únicos componentes curriculares obrigatórios nos três anos do ensino médio

profissional. A medida também amplia gradualmente a carga horária do ensino médio para 7h por dia ou 1,4 mil horas por ano. O especialista em educação e professor da Universidade de Taubaté (Unitau), Cesar Augusto Eugênio, diz que as medidas impostas pelo governo pouco se traduzem como uma reforma e deixam o ensino médio mais fragmentado. Ele coloca que há pouca base humanística, voltada para a preparação do mercado de trabalho, não havendo muito espaço para que o jovem possa pensar sobre o próprio futuro.

O professor afirma que a estrutura escolar do ensino de base no país não garante ao aluno autonomia para que, ao ingressar no ensino médio, opte maduramente pelas disciplinas que quer cursar. Segundo ele, é necessária uma reforma na educação básica como um todo. A tendência, como apresenta o professor, é que ele não escolha conteúdos que contribuiriam mais diretamente para a sua formação. “Se ele teve uma experiência negativa com o professor e ele não consegue, por falta de maturidade, entender que a matéria não é o professor. Vejo isso como

perda, as escolhas seriam pouco fundamentadas, levianas”, sublinha. Uma pesquisa recente, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mostra que mais da metade dos entrevistados avaliam que essa etapa do ensino não é atraente para os jovens. São maioria os que acreditam que a grade curricular deve mudar. Dentre os entrevistados, 61,4% avaliam que o ensino médio não é atraente e não está adequado à realidade dos jovens de hoje. Allan Ribeiro


SANTUÁRIO EM NOTÍCIA

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TRICENTENÁRIO

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ma das vozes mais emblemáticas da música clássica mundial, Andrea Bocelli, apresentou-se no Santuário Nacional, abrindo a programação de atividades do Tricentenário do encontro da Imagem de Aparecida. Intitulado Primavera Musical no Vale, a apresentação do tenor italiano trouxe um repertório de grandes sucessos, além de músicas sacras. Aproximadamente 45 mil pessoas participaram do show e se comoveram com o espetáculo do tenor. Acompanhado do Coral e Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, regidos pelo maestro Carlos Benini, Bocelli emocionou uma multidão que o assistiu, no último dia 15 de outubro, na Tribuna Papa Bento XVI. O espetáculo teve a participação da soprano cubana Maria Aleida, da solista Caroline Campbell e do cantor sertanejo Daniel. Daniel abriu a noite de sábado com Romaria e Nossa Senhora, entregando depois o palco a Andrea Bocelli, que cantou Messias e Serse. Um dos momentos que mais contagiou o público foi Ave-Maria, com a partici-

pação do sertanejo. Com pouco mais de uma hora e meia, o encerramento foi marcado pelos clássicos Con te partirò, de Sartori, e Turandot (Nessun dorma), de Puccini. Ao todo, 18 músicas compuseram o repertório do espetáculo. Ao término, o tenor agradeceu a participação da orquestra, dos artistas convidados e do público. “Obrigada pela oportunidade de cantar e orar em um lugar maravilhoso. Agradeço a todos o tempo e afeto ao escutar minha música”, expressou. Das mãos do arcebispo de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno Assis, Bocelli recebeu uma réplica da imagem da Padroeira do Brasil. O cardeal também ofertou ao tenor um terço, que ganhou do Papa Francisco e que foi usado por ele durante o show. O espetáculo foi uma realização do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura. O evento aconteceu simultaneamente às comemorações do Jubileu de 300 anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba do Sul.

Allan Ribeiro/JS

Andrea Bocelli interpreta clássicos para público no Santuário

Ao lado do cantor Daniel, o tenor italiano interpretou o clássico Ave-Maria

Andrea Bocelli já demonstrou, diversas vezes, ser um católico fervoroso, defensor da vida e da família, além de devoto da Mãe de Jesus. Ao longo de sua carreira, ele já cantou para três Papas no Vaticano e participou de iniciativas da Santa Sé. Em um vídeo difundido no YouTube, o tenor italiano revelou a história do seu nascimento e elogiou a sua mãe por não o abortar depois de sa-

ber que nasceria com uma deficiência. No vídeo, intitulado Andrea Bocelli conta uma “pequena história” sobre o aborto, o tenor contou que sua mãe, grávida, foi hospitalizada por uma crise de apendicite, mas os médicos, ao terminar os tratamentos, sugeriram-lhe abortar porque o bebê nasceria com alguma deficiência. Da Redação


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ACONTECE EM APARECIDA

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UNIDOS EM CRISTO

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Casa da Mãe Aparecida recebe, dia 19 de novembro, a 26ª edição da Romaria dos Coordenadores e Auxiliares das Santas Missões Redentoristas. O encontro reunirá representantes das cidades que receberam a ação missionária Redentorista nos últimos 10 anos. A celebração no Santuário Nacional deve reunir de 3 a 5 mil participantes. É um momento de reencontro das comunidades com missionários e missionárias para confraternizar e agradecer o dom da vocação. Inspirado na bula de proclamação do Ano da Misericórdia, designada por Papa Francisco, Misericordiae Vultus, a edição deste ano traz como tema No Setor Missionário, viver a misericórdia, e como lema Sede, pois, misericordiosos, como o Pai do céu é misericordioso. A escolha deste ano faz sintonia com a missão dos Redentoristas em anunciar a redenção, a misericórdia e a conversão. A programação tem início logo pela manhã, às 6h, com a acolhida às romarias em frente ao Santuário. Às 9h, acontece a

missa solene, transmitida pela Rede Aparecida. Após a celebração, os participantes são convidados para um momento de aprofundamento do tema, com padre Domingos Sávio, C.Ss.R., no auditório Noé Sotillo, no subsolo da Basílica. O coordenador da Romaria, padre Ivair Luiz, C.Ss.R., explica que ela é uma forma de reavivar nos corações a essência das Santas Missões. Ele lembra que, na quarta fase das missões, os coordenadores e os auxiliares são preparados para dar continuidade à missão depois da partida dos missionários. Como as paróquias e comunidades foram divididas em setores missionários e em grupos de famílias, cabe a esses missionários leigos, coordenadores e auxiliares, manter a missão de evangelização com ardor, entusiasmo e, acima de tudo, zelo pelo setor missionário. “Por isso procuramos reavivar [na romaria] esta chama, fortalecendo-os com formação, oração e celebração, mostrando-lhes o quão são importan-

Arquivo JS

Romaria no Santuário mantém acesa a chama das Santas Missões

A celebração no Santuário Nacional deve reunir de 3 a 5 mil participantes

tes no trabalho apostólico com seus párocos. É preciso continuar vivendo e crescendo em comunidade, unidos a Cristo e à Mãe da perseverança, a Virgem Santíssima”, expressa. Ação missionária Há quase 120 anos as Santas Missões Populares Redentoristas têm feito chegar a diversas localidades o

amor e a constante misericórdia de Deus. O trabalho dura cerca de quatro meses, mas deixa para a comunidade local o anseio de perpetuar a missão. Uma experiência pastoral intensa, que usa da evangelização vivencial para anunciar a Cristo. As Missões têm como objetivo principal evangelizar grupos pastoralmente mais abandonados, respondendo às urgências pastorais da Igreja no Brasil. Esse esforço é dirigido tanto à comunidade de modo geral, quanto a cada um em particular. E toda ação toma como base a palavra de Jesus: Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15). O pároco que desejar a realização das Santas Missões Populares Redentoristas em sua paróquia deve fazer o pedido por escrito ao Conselho Missionário. O pedido será analisado atenciosamente na reunião missionária e, sendo aceito, entrará na lista dos pedidos. Da Redação

Horários do Santuário Nacional de Aparecida Missas

Segunda a sexta: 7h / 9h (TV) / 10h30 / 12h / 16h / 18h Sábado: 6h30 / 9h (TV) / 10h30 / 12h / 16h / 18h (TV) / 20h Domingo: 5h30 / 8h (TV) / 10h / 12h / 14h / 16h / 18h (TV)

Bênçãos para imagens e outros objetos

Ao final de todas as missas

Confissões

Segunda a sexta: das 8h às 11h / das 14h às 16h Sábado: das 6h30 às 16h45 Domingo: das 6h30 às 16h

BatiZADOS

Segunda a sexta: 10h30 e 15h Sábado: 9h / 10h / 11h / 14h / 15h Domingo: 8h / 9h / 10h / 11h / 14h / 15h

Piedade Popular

Consagração: Segunda a sexta, às 11h45 (TV) Segunda a sábado, às 15h (RA) Hora Mariana (Terço): Segunda a sábado, às 14h Novena Perpétua: Quarta, às 15h15 e às 19h30 Procissão Eucarística: Quinta, às 10h Procissão Mariana: Sábado, às 19h, e domingo, às 6h30

MissaS NA MATRIZ - Basílica Velha

Segunda, quarta e quinta: 7h e 18h15 (TV) Terça: 7h / 16h (missa dos doentes) / 18h15 Sexta: 7h / 18h15 / 19h30 Sábado: 15h e 19h Domingo: 19h Bênçãos: Sábado, das 8h às 12h e das 13h às 14h30 Domingo: das 8h às 12h e das 13h às 15h Também ao final de todas as missas Encontros Especiais Coordenadores de Romarias: Sábado, às 10h / Domingo, às 8h Local: Salão Três Pescadores, no subsolo do Santuário

MEMorial Redentorista Visite o Memorial e o túmulo do Servo de Deus, Pe. Vítor Coelho, ao lado da Matriz Basílica. Aberto todos os dias, das 08h às 17h.


DESTAQUES

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300 ANOS

Allan Ribeiro/JS

Brasil dá início ao Jubileu do encontro da Imagem

O carro-andor com a Imagem representou um sol, em referência a Maria como luz que nos guia, para chegar a Jesus

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or nove dias, os brasileiros se prepararam intensamente durante a Novena da Padroeira para vivenciar, no dia 12 de outubro, o início do Ano Jubilar em celebração ao encontro da Imagem nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717. Diversas homenagens foram feitas ao longo das celebrações à Padroeira. Os momentos foram marcados por muita emoção e homenagem dos devotos à Senhora Aparecida. A Novena e Festa deste ano trouxe como tema O rosto misericordioso de Maria. Durante os nove dias, diferentes expressões marianas foram lembradas. Já na festa dedicada a Nossa Senhora Aparecida, as homenagens à Rainha do Brasil começaram nas primeiras horas do dia e atravessaram a madrugada adentro com uma vigília mariana. Durante todo o dia, missas e celebrações fizeram memória e agradeceram a Maria. No período da tarde, às 15h, os fiéis se emocionaram com a consagração a Maria. No início da noite, os romeiros peregrinaram em procissão, da Matriz Basílica ao Santuário Nacional. As celebrações à Padroeira se encerraram com o show e a queima de fogos.

Representando um sol, em referência a Maria como luz que nos guia, para chegar a Jesus, a entrada do carro-andor com a Imagem de Aparecida comoveu os fiéis, durante a missa solene, às 9h. O arcebispo de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno Assis ressaltou que, desde o início da evangelização no Brasil, a devoção a Maria tem sido uma porta aberta para o encontro com Jesus Cristo e que ela é a realização mais perfeita e a expressão mais completa do Evangelho. Ele também caracterizou a relevância do momento atual para o povo de Deus. “Que o Jubileu dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, iniciado hoje na festa da nossa Padroeira, ajude-nos a nos tornar cada vez mais, a exemplo de Maria, discípulos missionários de Jesus Cristo, acolhendo com alegria o seu Evangelho, a sua Palavra de ordem ‘Fazei tudo o que ele vos disser (Jo 5,2)’”, expressou o cardeal sobre o início das atividades do ano jubilar. Ao término de sua homilia, o bispo também pediu à Mãe Aparecida que proteja o país e que cresça em todos a consciência cidadã, na criação de uma

sociedade mais justa, para que todos possam ter acesso a uma vida com dignidade. Um momento importante durante as comemorações foi o lançamento do carimbo e da medalha que marcam o início da celebração dos 300 anos. Participaram desse lançamento dom Raymundo Damasceno Assis, o reitor do Santuário Nacional, padre João Batista de Almeida, e representantes dos Correios e da Casa da Moeda no Brasil. O carimbo comemorativo será destinado às correspondências que saírem dos correios de Aparecida, pelo período de um mês. O carimbo contém a foto da imagem de Nossa Senhora Aparecida, com os escritos Jubileu 300 anos de devoção. A imagem quer representar a história de devoção, que há quase 300 anos une culturas e povos do Brasil. O arcebispo manifestou, ainda, o desejo de que no próximo ano um selo em referência ao Jubileu seja lançado pelos Correios. Já a medalha traz impressa a imagem da Padroeira do Brasil, cunhada com os anos de 1717 e 2017. No verso, o desenho elaborado pelo artista plástico, Cláudio Pastro, faz referência à pesca milagrosa. O cardeal de Apa-

recida realizou a descaracterização do par de cunho original das medalhas, ficando impedida, dessa forma, a cunhagem de novas peças, o que as tornam, a partir do ato, raridades. As medalhas foram produzidas em prata dourada, prata e bronze. Ao todo, são 11 mil exemplares. Dentro deste contexto de celebrações, no dia 8 de outubro, os devotos também conheceram o novo monumento dedicado a Nossa Senhora Aparecida, igual ao inaugurado no mês de setembro, nos jardins do Vaticano e abençoado pelo Santo Padre. Produzida em Verona, na Itália, pela Progetto Arte Poli, a obra tem a assinatura do artista plástico Cláudio Pastro e 3,42 metros de altura, com uma base de 1,13 metros de largura frontal. O corpo do monumento, com 2 cm de espessura, foi confeccionado em Aço Corten e pesa 1.713 kg. A imagem da Santa é de bronze, na cor dourada, e pesa 8 kg. É possível ver uma canoa na base, três pescadores e uma rede, que remetem ao momento do encontro da Imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul. Allan Ribeiro


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DESTAQUES

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CNBB

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m razão do Tricentenário do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Rio Paraíba do Sul, a ser comemorado em outubro de 2017, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu o Ano Nacional Mariano, que teve início na Festa da Padroeira, em 12 de outubro, e será concluído aos 11 de outubro do próximo ano. O Ano é voltado a agradecer e louvar a Deus as graças e os favores recebidos pelo povo brasileiro por intercessão da Senhora Aparecida, assim como fazer memória desse evento histórico e da fé cristã. Dentro das ações que irão compor o Ano Mariano, busca-se desenvolver atividades que ajudem a compreender melhor a devoção a Maria, a refletir a respeito do exemplo e testemunho de Nossa Senhora e, acima de tudo, fazer com que, ao voltar-se os olhos à Mãe do Salvador, possa-se encontrar a figura de Jesus. Em documento divulgado pela Conferência, os bispos expressam que a celebração dos 300 anos é uma

Thiago Leon/Santuário Nacional

Ano Mariano se aprofundará na figura da Senhora Aparecida

Presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha, no Santuário Nacional

grande ação de graças. O texto ressalta que os pescadores se tornaram missionários, pois tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, partilharam com os vizinhos a graça recebida, o que se trata da missão da Igreja no mundo. “Como no episódio da pesca milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu

trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: ‘Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe’”, destaca a publicação, recordando a simbologia do encontro da Imagem. A diretoria da CNBB encerra texto desejando que o Ano Mariano faça crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5). Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, preparam-se, recebendo a visita

da Imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus. O arcebispo de Aparecida (SP), cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, afirma que a presença da Imagem tem levado o povo a um encontro mais íntimo com Jesus Cristo, fazendo com que cada pessoa possa viver melhor sua fé e vivenciar na sua vida a Palavra de Deus. Todas as famílias e comunidades são convidadas a participar intensamente desse Ano Mariano. Dom Damasceno sublinha que o Ano Mariano vem para auxiliar a todos na vivência do Ano Jubilar de Aparecida. “A Igreja no Brasil está convidada, durante o Ano Mariano, a agradecer a Deus os inúmeros benefícios que Ele, pela intercessão da Padroeira do Brasil, tem derramado sobre o país nestes 300 anos.” Da Redação

CELEBRAÇÃO

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umprindo o compromisso de levar a Boa-Nova de Jesus, por meio da mídia impressa, a Editora Santuário chega ao seu 116º aniversário. Sendo referência em publicações de conteúdos de formação humana e cristã, vem trilhando um caminho de evangelização, alcançando milhares de pessoas, em diversas partes do Brasil. Neste novo ciclo que se inicia, são muitas as conquistas a serem celebradas, frutos de um trabalho árduo, em busca do melhor para o público. A Editora Santuário originalmente foi criada para contribuir com o trabalho pastoral realizado no Santuário de Aparecida. Em 10 de novembro de 1900, nascia o Jornal Santuário d’Apparecida, o primeiro produto produzido pela Editora Santuário, que unia a fé do peregrino a um veículo de comunicação. De lá para cá, a família só cresceu. Além da publicação de livros, preocupou-se em produzir outros subsídios de evangelização. Em 1927, nascia o Almanaque de Aparecida – Ecos Marianos, que se dedica, até os dias atuais à propagação da devoção a Nossa Senhora Aparecida. Na década de

Marketing/Editora Santuário

Editora Santuário completa 116 anos de evangelização

Vista aérea da Editora Santuário, em Aparecida (SP)

70, foi a vez do subsídio litúrgico Deus Conosco, facilitando a participação do povo na liturgia. Mais recentemente, há 10 anos, os devotos conheciam a Bíblia de Aparecida, uma tradução mais acessível às Sagradas Escrituras. Hoje, a Editora Santuário tem como eixo principal contribuir com a missão da Igreja, fazendo chegar ao maior número de pessoas os conteúdos produzidos, sobretudo, às pessoas mais simples. E, para que este trabalho se torne cada vez mais sólido, tem obser-

vado as tendências e investido em novas plataformas. O diretor editorial, padre Fábio Evaristo, ressalta que toda a equipe tem se preocupado em adequar e responder aos desafios dos tempos atuais. “Temos investido muito no desenvolvimento de novos materiais e também de novos canais de distribuição daquilo que produzimos, fazendo uso das novas tecnologias”, destaca. Conquistas – Reflexo desse trabalho, a criação do aplicativo Deus

Conosco trouxe ao alcance das mãos uma forma prática e dinâmica de acompanhar a liturgia de cada dia. A nova plataforma é um canal em que os devotos de Nossa Senhora Aparecida podem, por exemplo, enviar seus pedidos de oração, acessar a meditações, conhecer o santo do dia, ter acesso aos conteúdos do Jornal Santuário, entre outras ferramentas. A inauguração da nova livraria Santuário, em São Paulo (SP), também contempla esse pacote de adequações proposto pela Editora Santuário. Localizada a 50 metros da Estação da República, o novo espaço traz um pedaço de Aparecida para o coração da capital paulista. A nova loja é composta por uma área mais ampla, moderna e confortável. Também como resultado dos esforços de toda equipe, a Gráfica Santuário conquistou, este ano, o selo FSC®. A certificação garante a ela sua permanência no mercado, abre novos caminhos e oferece a seus clientes produtos de alto padrão de qualidade, além de contribuir para uma economia viável, garantindo o futuro do nosso planeta. Allan Ribeiro


BEM-ESTAR

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ABRACE A CAUSA

zada, justa e transparente. Todo paciente em lista de espera pode acompanhar sua situação por meio de seu número de inscrição. Os números e resultados estão disponíveis para qualquer cidadão no site da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) ou por consulta ao Ministério da Saúde. A propósito, os resultados, avaliados através da sobrevida do paciente e do órgão transplantado (enxerto), são comparáveis aos dos demais centros transplantadores do mundo. Apesar das boas notícias acima, a necessidade de órgãos para transplante está longe de ser atendida. O número de pacientes aguardando por um órgão para transplante é crescente. Em algumas situações, como na insuficiência hepática (fígado), cardíaca e pulmonar, o transplante é a única opção de tratamento, salvando a vida daquele indivíduo. No entanto, apenas cerca de 35% da necessidade anual de órgãos para transplantes de fígado é atendida, 22% da necessidade de transplantes de coração, e 4,5% da de pulmão. Uma das importantes barreiras para o aumento no número de transplantes é o

SAÚDE

Fábio Pozzebom/Agência Brasil

STF discute acesso a tratamentos de alto custo

O número de transplantes no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos

elevado percentual de recusa das famílias no momento da autorização da doação dos órgãos de seus familiares (44%). Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar aos seus familiares sobre o desejo da doação, pois apenas com a autorização familiar a doação pode ocorrer. É ainda muito importante que todos saibam que jamais um paciente será considerado doador se tiver chances de viver. Isso ape-

nas acontece após a morte cerebral, que é irreversível. A doação de órgãos não mutila ou deforma o seu ente querido, e é um gesto de solidariedade que pode salvar muitas vidas. Tainá Veras de Sandes Freitas Professora de Nefrologia da Universidade Federal do Ceará Diretora da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos - ABTO

Reprodução

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amos começar pelas boas notícias. O Brasil possui o segundo maior programa de transplantes de rim e fígado do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos da América (EUA). Como mais de 90% dos transplantes em nosso país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tomamos a frente dos EUA quando falamos em programa público de transplante. O SUS financia todos os momentos do transplante, incluindo o fornecimento contínuo de medicamentos imunossupressores, aqueles utilizados para prevenir a rejeição. A outra boa notícia é que o número de transplantes no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos. Por exemplo, o número de transplante de rim cresceu 65% desde 2005 e o número de transplantes de fígado cresceu 90% neste período. Este aumento no número de transplantes deveu-se, principalmente, ao aumento na oferta de doadores falecidos (116%). Uma importante característica do programa de transplantes brasileiro é sua estrutura organizada, fiscalizada, hierarqui-

Shutterstock

Quando se doa órgãos, a vida continua para alguém

Quiche de quinoa Ingredientes

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os últimos meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem discutido se os estados devem fornecer medicamentos de alto custo, que não estejam na lista do SUS ou que não tenham registro no país, a pacientes que recorrer à justiça para obter o benefício. Ao longo dos anos, essa judicialização da saúde tem demonstrado um crescimento acentuado, o que levou o Poder Judiciário a trazer a discussão sobre até que ponto os estados devem arcar com esses altos custos. Para a rede pública, dentro da atual conjuntura da economia, a aprovação da medida implica os investimentos de

recursos, que são escassos. Por outro lado, o não fornecimento dos medicamentos implicaria confrontar o direito universal à saúde, previsto pela Constituição Federal. Pacientes com doenças raras ou pobres, por exemplo, seriam afetados caso o STF entenda que não é papel do poder público fornecer os medicamentos. Os governos veem que os usuários que necessitam desse tipo de medicamento são uma minoria e, tendo como ponto de partida o valor elevado dos medicamentos, torna-se inviável o fornecimento. Da Redação

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1 xícara de quinoa em grãos 1 alho-poró em cubos 150 g de peito de peru defumado picado 100 g de queijo prato 30 g de queijo parmesão ralado 2 ovos 1 xícara de leite Sal, pimenta-do-reino branca e orégano a gosto

Modo de preparo Em uma panela com água quente, cozinhe a quinoa por 10 minutos e escorra, reserve. Em outra panela, coloque um fio de azeite e coloque para fritar o alho-poró por 3 minutos. Em seguida, adicione o peito de peru e deixe por mais 2 minutos. Em uma tigela, coloque os ovos levemente batidos, acrescente a quinoa, e os outros ingredientes, mexendo delicadamente. Transfira a mistura da quinoa para uma forma redonda de 25 cm untada com azeite. Leve ao forno preaquecido, por aproximadamente 40 minutos. Sirva em seguida.


Oração, formação e informação no programa da Campanha dos Devotos.

Diariamente – das 20h às 24h Das 24h às 5h

Sintonize: Ondas Ondas Ondas Ondas

AM 820 kHz | FM 90,9MHz Curtas 49 metros - 6135 Curtas 31 metros - 9630 Curtas 25 metros - 11855 Tropicais 60 metros - 5035

kHz kHz kHz kHz

www.A12.com/radio /radioaparecida

RÁDIO


JUVENTUDE

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JOVENS DE MARIA

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s jovens ganharam mais um presente do Santuário Nacional: a Revista Jovens de Maria. Agora, o conteúdo, que antes era apenas on-line, chega até a juventude na forma impressa. Com um conteúdo diversificado, a publicação traz entretenimento, educação, atualidades, games e se estende a assuntos como espiritualidade e fé. A publicação será mais um canal de aprofundamento, fortalecendo a relação entre o público e a Mãe Aparecida. A ideia é trazer uma linguagem jovem e irreverente. O reitor do Santuário, padre João Batista de Almeida, conta que o desejo de criar uma revista específica à juventude já vem sendo semeado há dois anos. Ele coloca que a expectativa é que a publicação seja, além de um apoio do Santuário Nacional para a juventude no Brasil, uma marca da Igreja na vida do jovem. A publicação é uma extensão do trabalho que já vem sendo desenvolvido no Portal A12, há cerca de 4 anos. Algumas sessões são as mesmas do site. Dentro da revista, um ícone indica que o leitor pode ter acesso a mais informações do conteúdo no canal Jovens de Maria. Outro destaque da revista são as histórias em quadrinhos.

Rosane Pereira

Revista do Santuário aproxima juventude a Nossa Senhora

Laura Galvão, editora do site Jovens de Maria, apresenta a Revista ao público

Os personagens dos Devotos Mirins cresceram e agora partilham experiências próprias da juventude. Para planejar todo o projeto inicial da revista, assim como o que será destaque a cada nova edição, uma equipe jovem se dedica a pensar em todos os detalhes. Padre João Batista adianta que nas próximas duas edições o público irá conhecer melhor a proposta da publicação. “As próximas duas edições são de apresentação para a juventude, dizen-

do: ‘olha, chegamos!’. A partir de janeiro começaremos a tratar de assuntos mais pertinentes à juventude. Teremos um momento de catequese, de espiritualidade. Teremos o momento de comportamento para falar das várias realidades que o jovem vive na família, na escola, no trabalho e na sociedade. Teremos também o momento da ciência e do entretenimento”, adianta o redentorista. A proposta da revista vem ao encontro do olhar que o Santuário tem

dedicado à juventude há vários anos. O reitor lembra que o jovem sempre esteve presente na Casa da Mãe Aparecida. Primeiramente, entre 20 e 30 anos atrás, os jovens se faziam presentes na Romaria da Juventude. Posteriormente, o Hallel aproximou ainda mais a juventude. Por último, a criação da Pastoral Juvenil do Santuário vem consolidando a participação desse público não só em atividades extraordinárias, mas em todos os momentos em que os jovens se fazem presentes no Santuário. “Estamos dando os primeiros passos ainda, estruturando as atividades, acolhendo os grupos quando eles vêm, não quando marcamos. A romaria é assim, damos uma data e eles se organizam dentro daquela data. Estamos fazendo diferente. Quando o jovem vem, nós o acolhemos, na data que ele vem e do jeito que ele vem”, expressa o reitor. Para receber em casa a Revista Jovens de Maria, os interessados podem fazer o cadastro presencial no Santuário, pelo site jovensdemaria.com ou pelo telefone 0300 2 10 12 10. Allan Ribeiro

VOCAÇÕES

Família: futuro da Igreja Toda família é uma pequena comunidade. Aquelas que colocam Jesus Cristo como centro de suas vidas são responsáveis também por transmitir os valores cristãos aos seus filhos. O cultivo da fé e a vivência do amor são bases desta pequena Igreja, onde Deus reafirma sua aliança de amor com a humanidade. Como testemunhas de um Deus generoso e que se mantém vivo entre nós, é tarefa também dos pais conversar com os filhos sobre o futuro, e este diálogo inclui palavras sobre vocação. Os pais são os primeiros orientadores vocacionais das crianças e dos jovens. Pais e mães que assumem essa missão em casa influenciam positivamente para uma tomada de decisão madura por parte do jovem. O chamado de Deus é pessoal e individual, e a resposta também é. Porém, este acompanhamento por parte

da família, do pároco e da comunidade é fundamental para uma escolha segura. Deus não consulta os pais se pode ou não chamar o filho. Ele é livre para chamar e o filho deve ser livre para responder. Quando os pais procuram viver conscientemente o sacramento do matrimônio e dão testemunho de sua fé, compreendem facilmente que os filhos são dons de Deus e que receberam dele talentos diferentes. Com esse entendimento, permitem que Deus conduza a vida dos filhos para o caminho ou para a vocação que Ele indicar. A família é a casa das vocações e participa ativamente da missão evangelizadora da Igreja. Ser pai e mãe por vocação é guiar os filhos na descoberta e no amadurecimento da sua própria vocação. Adaptando uma frase de Papa João Paulo II, “o futuro da Igreja passa pela família”. Pense nisso! Secretariado Vocacional Redentorista www.a12.com/vocacional

DESAFIOS DA IGREJA A

Acompanhe duas novas reportagens da série, em novembro, na TV APARECIDA

equipe de jornalismo

da TV Aparecida foi

conhecer de perto a realidade

carcerária nos principais

presídios do país e o trabalho

desenvolvido pela Igreja, dentro e fora das dent

penitenciárias, a partir da Pastoral Carcerária.

CANAL DIGITAL SÃO PAULO 2.1 RIO DE JANEIRO 46.1


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DEUS CONOSCO

Jornal Santuário • Novembro de 2016

6/11/2016/ TODOS OS SANTOS (Ap 7,2-4.9-14, Sl 23, 1Jo 3,1-3, Mt 5,1-12a) A santidade durante muito tempo foi tida pelos cristãos como uma vocação reservada para poucos, geralmente mais comum para os religiosos e para o clero. Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja procura realçar que a vocação à santidade é universal, isto é, apresentada para todos os batizados (Lumen Gentium 39). É Jesus mesmo quem insiste com seus discípulos, dizendo: “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Jesus quis quebrar o privilégio dos fariseus e dos mestres da lei que se imaginavam os mais dignos das bênçãos e do

favorecimento de Deus. Ao reconhecer como bem-aventuradas as pessoas pobres e humildes, Jesus vê em nossas lutas e sofrimentos terrestres ocasiões oportunas para exercitarmos nossa vocação de filhos e filhas de Deus chamados à santidade. É comum as pessoas relacionarem a santidade com uma experiência de vida totalmente isenta de limitações e de dificuldades, imaginando-se os santos como aqueles que nasceram perfeitos. Essa visão pode nos fazer esquecer que os santos são, na verdade, pessoas comuns, sujeitas às mes-

mas dificuldades que todos encontramos na vida. Aliás, são justamente nossos esforços diante das provações e dos desafios do dia a dia que contribuirão para nosso caminho de santidade. Os santos são verdadeiros alunos da vida: muitos deles só alcançaram a santidade mediante tremendos esforços para superar as tentações e os limites pessoais. Outra imagem equivocada que com frequência atribui-se aos santos é a imagem de fazedores de milagres. É importante lembrarmos que os sinais, também conhecidos como milagres,

são sempre oferecidos por Deus a nós de forma gratuita. Os santos que invocamos em nosso auxílio são intercessores e exemplos para nós que, como eles, desejamos seguir o caminho de Jesus. Ser santo nem sempre significa ser capaz de realizar coisas grandiosas e extraordinárias. A santidade é para ser vivida sobretudo nas circunstâncias comuns da vida, nas tarefas simples nem sempre notadas pelos outros. Com certeza todos nós conhecemos pessoas santas que vivem discretamente sua fé. Esses são os bem-aventurados que promovem o Reino de Deus.

13/11/2016/ 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Ml 3,19-20a, Sl 97, 2Ts 3,7-12, Lc 21,5-19) Os acontecimentos negativos presentes em nosso mundo atual, frequentemente destacados exaustivamente com sensacionalismo nos jornais impressos e televisivos, podem criar em nós um profundo pessimismo em relação ao mundo a nossa volta. É comum encontrarmos pessoas que só conseguem enxergar perdição e falta de futuro para a sociedade em que vivemos. Trata-se de uma atitude totalmente diferente daquela que Jesus propôs aos seus discípulos. Jesus também tinha consciência das inúmeras limitações da humanidade

e da sociedade de seu tempo, mas nem por isso abandonou-a à própria sorte. Pelo contrário, empenhou-se para que fossem superadas as divisões e as injustiças, visando a instauração de um mundo mais justo e fraterno. No Evangelho de hoje, encontramos aquela que foi e sempre será a principal estratégia dos discípulos de Jesus frente aos problemas do mundo: resistir às perseguições e provações sem ressentimento e sem temor, vivendo ativamente a fé. Ou seja, o cristão nunca deve se apavorar ou desistir de lutar ao se perceber dian-

te de um desafio ou de uma ameaça. As coisas pavorosas e os grandes sinais que identificamos a nossa volta não podem nos paralisar, mas, antes, serem transformados em ocasião para vivermos nossa fé de maneira criativa e ousada. Essa atitude de resistência criativa é que promoverá o novo tempo sonhado por Jesus para a humanidade. Para a construção deste novo mundo, que colocará abaixo toda injustiça e prepotência do homem, Jesus quer que a própria humanidade tenha sua participação. Ele não quis nos oferecer de mão beijada o

novo mundo para nos tornar também sujeitos de nossa própria libertação. Nossa participação se dá justamente pela resistência e pela perseverança a que somos chamados a viver em todas as horas. “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21,19). É por isso que a esperança precisa estar no cerne da vida dos cristãos. Esses nunca poderão deixar de acreditar na superação das injustiças e da maldade, almejando sempre alcançar a realização do principal sonho de Deus para todos nós: “Que todos tenham vida em abundância” (Jo 10,10).

20/11/2016/ JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO (2SM 5,1-3, Sl 121, Cl 1,12-20, Lc 23, 35-43) Deus sempre enviou pessoas que conduzissem o povo segundo sua lei e vontade. Davi, na primeira leitura, é ungido rei de todo o Israel, pois reconhecem nele um líder solidário e compassivo com as dores do povo. O Senhor o escolhe para ser o chefe-pastor do povo. Como a história bíblica nos mostra, Davi vacilou muitas vezes em sua missão. Jesus, descendente de Davi, é o Filho amado de Deus enviado para estabelecer de modo pleno e definitivo o reino tão sonhado pelo Pai. Jesus nos faz ver a face invisível de Deus, pois é o Primogênito de toda a criação. Ocupando o primeiro lugar em

tudo, Cristo humilhou-se a si mesmo para mostrar-nos que o Reino de Deus não passa pela arrogância e prepotência, mas pelo amor que se doa ao máximo, a ponto de entregar-se à morte de cruz para oferecer a salvação a todas as criaturas. Mesmo sendo provocado por três vezes a descer da cruz e salvar-se a si mesmo, Ele permanece firme e calado. Ele sabe que estes não estão querendo a salvação, mas somente insultá-lo. É para o ladrão arrependido que Jesus se dirige com o coração cheio de misericórdia para perdoá-lo e acolhê-lo no paraíso. Nesta atitude sublime está

a maior manifestação de poder de Cristo, mas o coração fechado dos que o insultavam não foi capaz de reconhecer, declarando-o como derrotado. Hoje celebramos Jesus Cristo, Rei do Universo. Seu trono é a Cruz e sua glória é reconhecida por aqueles que entram na dinâmica silenciosa, profunda e transformadora do amor. Paulo nos ensina que Jesus Crucificado reconciliou todo o universo com o Pai por meio de seu sangue. Em Cristo, caminhamos na luz, libertos das trevas do pecado que nos impedem de ver a manifestação poderosa do amor.

Professemos, comprometidos com a mensagem libertadora da cruz, que Cristo é o Rei do Universo. Para isso, precisamos ser fortes e superar a tentação de salvar a nós mesmos para olhar o irmão que sofre e necessita de nossa ajuda solidária. Só assim entraremos na dinâmica redentora da cruz. A missão não é fácil, mas Cristo nos ensinou que o amor nos encoraja para sermos construtores de seu reino. Louvemos o Senhor por todos os crucificados da história que assumiram Cristo como Rei de suas vidas e se doaram por um mundo mais justo, humano e fraterno!

27/11/2016/ 1º DOMINGO DO ADVENTO (Is 2,1-5, Sl 121, Rm 13,11-14a, Mt 24,37-44) O tempo do Advento marca o início de um novo ano litúrgico. A Igreja nos convida a refazer nossa opção por Cristo, estando sempre prontos a acolhê-lo como único salvador e redentor nosso. A Palavra que meditamos nos chama à conversão. Isaías profetisa um tempo de paz que surgirá quando todos se deixarem guiar pela luz do Senhor. Se a profecia ainda não se cumpriu, é sinal de que ainda as nações estão caminhando nas trevas. Muitas espadas e poucos arados, muitas lanças e poucas foices, muita arma sendo empregada na falsa busca da paz. Esta-

mos mais que convencidos de que não é este o caminho. Se Paulo vivesse em nossos dias, certamente nos enviaria uma carta com os mesmos destaques dessa enviada aos romanos. Um tempo novo chegou, mas ainda estamos no torpor do sono que nos impede de experimentar e fazer acontecer o tempo da graça. A lista feita por Paulo das coisas que destroem famílias e sociedades está muito atual. É hora de acordar para a Vida, ou vamos nos entregando ao sono da morte (pecado) a cada dia, deixando de viver a presença salvadora de Cristo.

Estamos num mundo conectado, veloz. A informação chega rápido em todos os cantos do mundo. No entanto, em vez de despertarmos para a prática da justiça e vivência da fraternidade, acabamos nos vendo sucumbidos pelo peso de tantas desgraças trazidas pela maldade humana. Muitos já não acreditam num mundo como o profetizado por Isaías e por tantos de nosso tempo, pois já se deixaram levar pelos profetas da desgraça. É tempo de renovar a esperança! O Evangelho nos faz pensar como nos preparamos para a vinda do Redentor. Ele continua a nos visitar no cotidiano de

nossa história. É aí que precisamos vigiar para não nos deixarmos levar pela indiferença em relação à vontade de Deus. Não queremos ser pegos de surpresa! Somos de Cristo e queremos preparar bem o Natal do Salvador, colocando-nos em oração vigilante e vivendo com fidelidade a fé cristã. Arregacemos as mangas e nos lancemos inteiramente na construção de um mundo diferente, renovado. Comecemos por mudar nossas atitudes, revestindo-nos do amor de Cristo! Textos: Padre Fábio Evaristo, C.Ss.R. Padre Anísio Tavares, C.Ss.R.


ESPIRITUALIDADE

Jornal Santuário • Novembro de 2016

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LITURGIA

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Papa Gregório XIII, assessorado por astrônomos e outros cientistas, alterou em 1582 o antigo calendário juliano (de Júlio César). Corrigiu as distorções na divisão do tempo civil e o giro da terra ao redor do sol. Mas o ano litúrgico e sua consequente espiritualidade, a rigor, não dependem da astronomia nem de adaptações cristãs de festas pagãs romanas, como a do Sol invictus ao nascimento de Jesus Cristo. Depende só do mistério de Cristo, da sua Páscoa. Nas suas datas, festas, celebrações e em seus ritos, o ano litúrgico não faz outra coisa senão explicitar e atualizar em nosso viver o próprio mistério pascal do Senhor. Esse mistério é atualizado sacramentalmente ao longo do ano. Nele está a centralidade e a prioridade acima de qualquer outra celebração, festa religiosa, rito sacro etc. A espiritualidade cristã nos faz acompanhar a salvação de Deus em Cristo, desde o seio virginal de Maria até a vitória sobre a morte e o pecado com sua ressurreição gloriosa e o envio do Espírito Santo, que Jesus dá aos seus seguidores. Assim, cultivamos a

Reprodução

A espiritualidade do calendário

O mês de novembro guia nossa meditação sobre o tempo e seu valor de eternidade

expectativa da sua segunda vinda, que consumará em definitivo o Reino de Deus com o advento do “novo céu e da nova terra” (Ap 21). O calendário civil marca um período no tempo: um ano chega ao fim. Para o calendário cristão esse final é rico em espiritualidade. O mês de novembro guia nossa meditação sobre o tempo e seu valor de eternidade. Favorece a vivência de valores preciosos do Evangelho como: a atitude bíblica da espera viva, ativa, persistente na vinda definitiva do Senhor, que veio

primeiro na fraqueza da carne e virá por último na glória (Advento). Aviva a consciência da vida enquanto passagem peregrinante na expectativa perene da vitória da justiça, da verdade e do bem. Alimenta o intercâmbio dos dons espirituais partilhados na infinita riqueza do Espírito Santo na Igreja. No fim do ano, as celebrações da comunidade cristã são iluminadas pelo binômio: morte-vida ou vida-morte. As leituras bíblicas da liturgia lembram, com insistência, que existe uma comunhão profunda entre os fiéis da terra e os fiéis do céu. A comemoração dos fiéis defuntos ou “dia de Finados” é inseparável da Comemoração de todos os santos. Pedindo a Deus o descanso eterno para os nossos falecidos, vem à nossa mente o testemunho de sua vida cristã na terra. Eles e elas provaram até com o próprio sangue que a vida terrena só tem sentido e valor se nos conduzir para o céu. Isso supõe que acreditemos na ressurreição da carne e na vida eterna. Padre Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R.

CLÁUDIO PASTRO

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m 1999, o Santuário Nacional de Aparecida, o maior e mais importante centro religioso do Brasil, ganhava ainda mais vida e magnitude. As paredes transformavam-se em painéis coloridos, com azulejos e mosaicos do artista sacro, Cláudio Pastro. Muitas outras obras de Pastro fazem-se presentes no Santuário. Os desenhos da cúpula e do baldaquino do altar central, o nicho que abriga a Imagem de Aparecida, os vitrais, entre tantos outros lugares do Santuário trazem os traços leves do artista plástico. Chamado de Michelangelo brasileiro, o artista teve trabalhos realizados em mais 350 igrejas e catedrais do mundo; o mais recente, o monumento em honra a Nossa Senhora Aparecida, nos Jardins do Vaticano, parte das celebrações do Tricentenário do encontro da Imagem de Nossa Senhora. Durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, o artista sacro produziu as peças litúrgicas utilizadas por Papa Francisco. Pastro desenhou os cálices, os trajes e o mobiliário utilizados pelo Santo Padre durante as cerimônias.

Thiago Leon/Santuário Nacional

A beleza da fé transformada em arte

Cláudio Pastro deixa um grande legado à arte sácra brasileira

Nascido em São Paulo, em 16 de outubro de 1948, Cláudio Pastro dedicou-se a artes, desde cedo, e é considerado por diversos especialistas o brasileiro mais expressivo na área da arte sacra. Formado em Ciências Sociais pela PUC, em 1972, dedicava-se à arte sacra desde 1975, tendo cursado teoria e técnicas de arte na Abbaye Notre Dame de Tournay (França), no Museu de Arte Sacra da Catalunha (Espanha), na Academia de Belas Artes Lorenzo de Viterbo (Itália), na Abadia Beneditina de Tepeyac (México) e no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Pastro faleceu na madrugada do dia 19 de outubro, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo (SP). O sepultamento aconteceu no cemitério do Mosteiro de Nossa Senhora da Paz, em Itapecerica da Serra (SP), e foi precedido da Eucaristia em ação de graças por sua vida e ressurreição. Padre Fábio Evaristo, Diretor Editorial da Editora Santuário, lamenta a perda: “Lamentamos, profundamente, o falecimento de Cláudio Pastro. Por meio de sua arte, presente no Santuário de Aparecida e em tantas igrejas, Pastro foi e será para sempre um verdadeiro missionário de Cristo. Que possa no céu contemplar face a face o mistério, que descreveu com suas obras aqui na terra”. A Editora Santuário presta sua singela homenagem a esse artista, que trouxe beleza e cor a centenas de igrejas do Brasil e do mundo. Toda a equipe está unida em oração por seus familiares. Deixamos os nossos sinceros sentimentos e agradecimentos pelas obras e pelos vários trabalhos realizados em conjunto com a Editora. Mariana Bastos Editora Santuário


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FORMAÇÃO CRISTÃ

Jornal Santuário • Novembro de 2016

PORQUE SIM NÃO É RESPOSTA!

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lá, Regina Célia (São Paulo-SP), tudo em paz? De fato, as narrativas dos Evangelhos sinóticos (Mateus, Lucas e Marcos) mostram que Jesus já adulto foi ao encontro de João, o Batista, para ser mergulhado nas águas do rio Jordão e, assim, inaugurar seu ministério público. Mas esse batismo de Jesus não tem o mesmo sentido do batismo que recebemos Nele, nós que nos tornamos seguidores de Jesus Cristo. Para nós, batizar é aderir ao projeto de Jesus, assumi-lo em nossa vida, e ter nossos pecados perdoados. Por isso, a Igreja entende que o Batismo é um sacramento, ou seja, um sinal de que assumimos o discipulado cristão como razão definitiva de nossa vida. Batizar, ser mergulhado na água, e receber a força do Espírito Santo é o gesto que nos abre as portas das heranças do amor de Deus em Jesus Cristo. A Igreja Católica, durante muitos séculos, também deu mais atenção ao batismo de adultos, ainda que, ao que parece, desde o começo das comunidades cristãs crianças devam ter recebido o batismo em nome da Trindade Santa. Várias passagens referem-se ao batismo de toda a casa, ou seja, de todos os que pertenciam àquele grupo

Reprodução

Por que o batismo é realizado quando a criança é pequena?

familiar, o que deveria incluir crianças, como no caso de Cornélio (At 10, 1ss), a negociante Lídia (At 16,14ss), o carcereiro de Filipos (At 16,31ss), Crispo de Corinto (At 18,8) e a família de Estéfanas (1Cor 1,16). Também alguns santos padres, como Orígenes, Cipriano e Irineu, mostraram o valor de se batizar também as crianças. Outra fonte segura de que o batismo podia ser ministrado para crianças, desde o começa da Igreja está na Didaqué, o primeiro catecismo que se tem notícia.

Obviamente, o batismo de adultos era o foco principal, com a preparação do catecúmeno por meio de séria catequese, até o dia do batismo, que acontecia somente na Vigília Pascal, com a imersão em piscina de água. Até hoje nos sábados santos mantém-se a tradição de realizar o rito batismal na Vigília Santa, com novos batizados e renovação das promessas batismais. Mas o crescimento da Igreja, o aumento do número dos fiéis e a necessidade pastoral foram fazendo com que o rito do batismo assumisse novas perspectivas,

e introduziu-se, tranquilamente, o batismo das crianças, que deveriam ser educadas na fé e, no momento da maturidade, reafirmar sua adesão a Cristo e à Igreja por meio do sacramento da Crisma. Hoje, ainda que se tenha fortalecido o batismo das crianças, segue-se sendo válido e possível o batismo de adultos na Igreja Católica. O Batismo é a porta para a entrada no mundo dos mistérios da fé, é a adesão à comunidade, à comunhão com todas as benesses das heranças espirituais em Jesus Cristo. Quando se batizam crianças, queremos com isso educá-las desde tenra idade para o amor a Jesus e à Igreja Católica. Batizar não é gesto mágico, que vai curar “sapinho” ou livrar a criança de doenças. Batizar é consagrar nossa vida a Jesus Cristo, e essa consagração precisa ser renovada a vida toda. Seja para adultos ou crianças, batismo é coisa séria e marca definitivamente nossa vida!

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