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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 62 | Edição 3147 | 19 a 25 de abril de 2017

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Jesus Cristo, Senhor da vida, está no meio de nós! A verdade da Ressurreição de Cristo foi celebrada no Domingo de Páscoa, 16, após os fiéis vivenciarem com fé o Tríduo Pascal. Na Catedral da Sé, o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, enfati-

zou que Jesus “ressuscitou e se manifestou vivo e glorioso”. No Vaticano, o Papa Francisco conclamou os cristãos a anunciarem ao mundo o Ressuscitado. Páginas 12, 13, 16 a 22 e 24 Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro com o Pastor

Cardeal Odilo Pedro Scherer: O sínodo dos discípulos de Emaús Página 3

Editorial A Igreja Católica sob a sombra de Jesus Cristo no meio das nações Página 2

Espiritualidade Dom Carlos Lema Garcia: Fortaleza das santas mulheres no Calvário Página 5

Comportamento Dr. Valdir: ‘Mexeu com uma, mexeu com todas’ e a questão de gênero Página 6

Arcebispo de São Paulo pede valorização do dom sacerdotal na Igreja

Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, acende o Círio Pascal na Praça da Sé, dando início à Solene Vigília Pascal, no Sábado Santo, 15

Planos de saúde populares devem ser mais baratos, mas limitados

A vida dos povos indígenas na metrópole

Durante a Missa do Crisma, na Quinta-feira Santa, 13, na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Scherer ressaltou que os padres participam do único e eterno sacerdócio de Cristo e pediu aos fiéis que valorizem e colaborem com o ministério dos sacerdotes. Página 11

O Santo Sudário e os vestígios que testemunham a Ressurreição

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) analisa três propostas para viabilizar os planos de saúde populares, que teriam preços mais baratos que os atuais, porém com abrangência limitada, não cobrindo internações, terapias, emergências e exames mais complexos. Entidades médicas e de direito do consumidor criticam a proposta. Já as operadoras dos planos afirmam que a medida permitirá melhor acesso à saúde para todos.

Kariri-xocó, Guarani Mbya, Pankararu e Tabajara são etnias indígenas que estão na metrópole paulista. Vivendo ou não em aldeias, desenvolvem diferentes atividades para sobreviver, como a divulgação da cultura em escolas e eventos.

Objeto de curiosidade dos cientistas ao longo dos anos, o Santo Sudário é uma prova física das penas que Jesus sofreu em sua carne, e testemunha a Ressurreição de Cristo de modo palpável.

Página 10

Páginas 14 e 15

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2 | Ponto de Vista |

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Editorial

‘Sob a sombra de Cristo no meio das nações’

I

nserida na história e, ao mesmo tempo, sendo prefiguração da hierarquia celeste, a Igreja sempre olha em duas direções: para dentro da sucessão de fatos que chamamos de história e para fora do tempo. A missão que Jesus confiou à Igreja coloca-a, como disse Orígenes, “sob a sombra de Cristo no meio das nações”. Ou seja, vivemos no que o Cardeal Jean Daniélou chamou de “originalidade paradoxal”, atados, pela graça de Deus, a duas ordens de realidade: as que começam e terminam – as realidades corruptíveis, e as que não começam nem terminam – as coisas divinas. No âmbito da história, a Igreja tem sido chamada a responder não só às necessidades imediatas do homem — às quais oferece a sabedoria e a caridade ancoradas na mensagem evangélica

e no tesouro da Tradição que remonta aos apóstolos —, mas também aos seus perseguidores diretos e indiretos, que proclamam a inexistência de Deus, tratam Jesus Cristo como um insignificante mito e chegam a execrar até mesmo a possibilidade de qualquer transcendência. Dos imperadores romanos à tríade formada por Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Michel Onfray, que amplos setores da imprensa reverenciam, passando pelos iluministas da Revolução Francesa — como Volney e Charles Dupuis —, por Nietzsche e e seus herdeiros e pelos marxistas de todas as vertentes — cujo comportamento pode ser sintetizado no cinismo de Stalin, para quem a liberdade de crença deveria existir, mas a religião precisava ser condenada como um obstáculo ao

progresso —, o Cristianismo continua a ser alvo de permanentes ataques. A Igreja sabe, contudo, que as perseguições e injustiças que Cristo sofreu na sua vida pública, bem como as intolerâncias e arbitrariedades que ela própria experimenta, jamais deixarão de existir. E, longe de fugir a essas diferentes perseguições, procura não só manter um diálogo franco com a Filosofia e a Ciência, mas incentiva e produz “rios de ciência”, para usar a expressão com que o Papa Inocêncio IV se referia às universidades. Opondo-se aos que veem os problemas sociais com um sentido de impotência insuperável, exorta seus fiéis à participação política e reafirma a necessidade de uma justiça social que não se esgote no imanentismo. Frente à cultura cada vez mais cética, que perdeu a confiança na razão e

se entrega ao cinismo, a Igreja recorda, como afirmou São João Paulo II, que a fé “incita a razão a sair de qualquer isolamento e a abraçar de bom grado qualquer risco por tudo o que é belo, bom e verdadeiro” (Encíclica Fides et Ratio). Àqueles que só veem Jesus Cristo como exótica personagem literária — e, ao lerem o Evangelho, não conseguem ir além da análise frívola —, a Igreja apresenta seus mártires e milhares de intelectuais que se converteram à fé cristã, como, apenas para lembrar dois nomes recentes, Patrick Kéchichian e Fabrice Hadjadj. Eles são exemplos de que parcela significativa da cultura contemporânea nega-se a repetir a história da figueira estéril e seca; nega-se a ser esterilizada pelo sarcasmo e pelo ateísmo.

Opinião

Da ciência econômica e da justiça na reforma da Previdência Arte: Sergio Ricciuto Conte

Maria Cristina Sanches Amorim A proposta do Poder Executivo para a reforma da Previdência é de grande relevância: alterar o regime de seguridade social construído a duras penas ao longo da história do Brasil, reduzindo o direito ao mínimo bem-estar que o Estado até então garantiu. A polêmica sobre o tema está compreensivelmente acirrada. A ciência econômica pode ajudar a compreender o debate. A ciência econômica não é um amontoado de números que produz leis inexoráveis. Ao contrário, é um conhecimento cuja serventia é ensinar como aumentar o bem-estar e respeito à liberdade das pessoas. Ciência alguma é sinônimo de verdade inquestionável: os cientistas, em quaisquer áreas do conhecimento, têm poucas certezas e muitas, muitas dúvidas. Não é diferente no campo da ciência econômica. Expressões como racionalidade, equilíbrio, eficácia e leis econômicas só têm sentido na perspectiva da justiça social. A proposta do Poder Executivo para a reforma da Previdência pode ser resumida em dificultar o acesso e reduzir o valor do benefício do contribuinte. O governo do presidente Temer alega que o “remédio amargo” é inevitável, única forma de reduzir o

déficit atual e garantir às futuras gerações o recebimento da aposentadoria. Muitas outras vozes já contestaram e continuam contestando a afirmação governamental. Vozes favoráveis e contrárias usam argumentos quantitativos. Compreensível, os números têm curiosa aderência no imaginário popular, quaisquer que sejam, saiam de onde sair, as pessoas tendem a acreditar na tolice que “os números não mentem jamais”. Para além dos números (déficit

ou não déficit, menos trabalhadores para mais inativos etc), há que se pensar nas consequências da proposta do Executivo para uma parcela vulnerável da população, a maioria dos aposentados, e, entre esses, ainda mais vulneráveis, os trabalhadores rurais, as mulheres com dupla ou tripla jornada de trabalho, os brasileiros das regiões mais pobres nas quais a expectativa média de vida é menor. Que tipo de solução a proposta do Governo Temer encaminha?

Qual seu critério de justiça? Se a proposta for aprovada pelo Legislativo, a dificuldade no acesso e a redução do benefício deve provocar maior procura pelos planos de previdência privados – apenas pelos trabalhadores de maior renda, é claro. Os bancos e suas seguradoras seriam beneficiados pelo aumento de demanda. E os trabalhadores, particularmente os mais pobres e as mulheres, que terão pago o custo do ajuste, o que receberiam em troca do sacrifício? Se não é aos mais vulneráveis, a quem serve, afinal, a “nova” Previdência? Que não se atribua à ciência econômica (a supostos critérios “técnicos” inquestionáveis) a justificativa para a proposta do Executivo de reforma previdenciária – o conhecimento em Economia, ao contrário, recomenda a promoção do bem-estar e da justiça sociais. Recursos para reduzir déficit (de magnitude controversa) podem vir de muitas fontes e da redução de outras despesas, como os gastos com os juros que remuneram a dívida pública. Que o Executivo e o Legislativo não se eximam da responsabilidade de escolhas que desconsiderem o princípio de justiça. Maria Cristina Sanches Amorim é economista, professora titular de Economia e coordenadora do grupo de pesquisa Gestão, Economia e Política da PUC/SP.

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Padre Bruno Muta Vivas, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

O

relato sobre o encontro de Jesus ressuscitado com os dois discípulos de Emaús está entre o mais belos do Evangelho de São Lucas (Lc 24,13-35). Os acontecimentos da paixão e morte de Jesus, em Jerusalém, haviam deixado esses discípulos profundamente abatidos e desanimados, a ponto de abandonarem tudo e voltarem para casa, tristes e decepcionados. Enquanto caminham juntos (sínodo), recordam os belos momentos que passaram com Jesus, seu encantamento pelo Mestre e o tempo em que caminharam com ele (sínodo) pela Judeia e a Galileia, durante a sua vida pública, ouvindo sua pregação, vendo seus milagres e deixando-se contagiar pelo entusiasmo que Jesus despertava por toda parte. Mas agora tudo isso havia acabado. As autoridades de Jerusalém condenaram Jesus à morte e todo aquele sonho havia caído por terra. Triste, mas não havia mais o que fazer, senão voltar pra casa e retomar a vida de antes! Enquanto assim refletiam, caminhando juntos (sínodo) para Emaús, mais um peregrino se juntou a eles, compartilhando o seu caminho (sínodo). Primeiro quer saber por qual motivo estão tão tristes e desanimados. Caminhando com eles, vai ouvindo (sínodo). Depois, tenta acordá-los do seu torpor e desânimo, explica-lhes as Escrituras e mostra como os sofrimentos e a morte do Messias já haviam sido anunciados pelos profetas. Como não tinham percebido isso? No final do caminho feito juntos (sínodo), o trecho até pareceu mais curto e eles se sentiram mais leves;

O sínodo dos discípulos de Emaús gostaram do desconhecido e o convidaram a permanecer na casa deles durante a noite. Estar juntos na escuridão da noite, deixa todos mais confiantes e seguros... Talvez, esperavam continuar a conversa ao redor da mesa e desfrutar por mais um pouco da companhia desse novo amigo, feito ao longo do caminho (sínodo). Mas, ao redor da mesa da hospitalidade (sínodo), Jesus se revela ao partir o pão, como havia feito na última ceia. Seus olhos se abrem e eles se dão conta daquilo que seu coração já havia percebido pelo caminho (sínodo), ao lhes explicar as Escrituras! Era ele, o próprio Jesus! Não foi sem razão que seu coração estava novamente confortado e inflamado! Imediatamente, sem ligar para o cansaço, eles percorrem juntos o caminho de volta (sínodo) para Jerusalém, para contar aos outros discípulos sobre o encontro com Jesus ressuscitado. Foi uma experiência tão impactante, uma alegria tão grande, uma luz tão grande, que sua fé, suas forças e seu entusiasmo por Cristo se refizeram imediatamente! Não havia como deixar para o dia seguinte: era preciso correr juntos logo (sínodo) para encontrar os outros e lhes anunciar essa Boa Nova! Em Jerusalém, encontraram os outros reunidos (sínodo), que também tinham belas experiências para compartilhar sobre seus encontros com o Senhor ressuscitado! Escrevendo estas linhas, estou pensando no sínodo que nos propomos a realizar na arquidiocese de São Paulo. Talvez nos encontramos na condição dos discípulos de Emaús: perda do encantamento pela vida cristã e pela missão da Igreja; desmotivação paralisante, que leva à apatia

diante dos desafios enfrentados pela Igreja; tudo parece difícil e que não vale a pena tentar mais nada. Pode ser que nos fixamos em esquemas mentais, pastorais ou até teológicos equivocados ou, pelo menos, não adequados para os tempos e as circunstâncias atuais e nos fixamos no passado, com medo do novo e do surpreendente de Deus no caminho dinâmico da Igreja... Os discípulos de Emaús estavam caminhando para suas casas, abandonando o envolvimento com Jesus e o Evangelho. Faziam o “anti-sínodo”: cheios de lamúrias e amargura, talvez até envergonhados por terem sido discípulos de Jesus, eles somavam suas mágoas e isso os desanimava cada vez mais. Voltavam para casa e se distanciavam da comunidade dos discípulos, da Igreja. Azedume, negativismo e desânimo são contagiosos e levam a perder o amor àquilo que se faz. Podem mesmo levar a perder a motivação profunda de nossa fé e a procurar formas alternativas de fé e de religião... Não é isso que muitas vezes acontece? Jesus fez o caminho com os discípulos de Emaús; explicando as Escrituras, reanimou seu coração. Jesus faz um sínodo com eles. Sínodo significa caminhar juntos, na mesma direção. E eles o reencontram nas Escrituras, no convívio fraterno e no partir do pão (Eucaristia e caridade). Queremos celebrar um sínodo em nossa Arquidiocese para contar nossa situação, perscrutar as Escrituras e deixar que se aqueçam nossos corações. Vamos perceber que Ele não abandonou sua Igreja, mas caminha com ela, renova-a na alegria de crer e de proclamar à cidade de São Paulo a Boa Nova.

| Encontro com o Pastor | 3

Via-Sacra do Povo da Rua Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Vicariato Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua realizou na manhã da Sexta-feira Santa, 14, a Via-Sacra do Povo da Rua, com diferentes grupos, pelas ruas da região central da cidade. O grupo que se concentrou na Praça da Sé, na companhia do Padre Júlio Lancellotti, foi acolhido pelo Cardeal Scherer na Catedral da Sé. A Via-Sacra foi concluída com um almoço em frente ao Pateo do Collegio.

Sínodo arquidiocesano Rafael Alberto

Na manhã da terça-feira, 18, o Cardeal Scherer reuniu-se no Centro Pastoral São José com as coordenações de pastorais da Arquidiocese de São Paulo para apresentar as etapas do Sínodo Arquidiocesano. O Arcebispo manifestou o desejo de que haja uma ampla participação dos fiéis em todos os processos do Sínodo.


4 | Fé e Vida |

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Liturgia e Vida 2º DOMINGO DA PÁSCOA 23 de abril de 2017

Meu Senhor e meu Deus! Cônego Celso Pedro No dia da Ressurreição do Senhor, o discípulo viu e acreditou. Viu o túmulo vazio e acreditou que Jesus estava vivo. Ao anoitecer daquele mesmo dia, os discípulos reunidos viram Jesus ressuscitado. Tomé, o apóstolo, não estava com eles. Quando soube que tinham visto Jesus, não acreditou. Só acreditaria se tocasse em suas chagas. O discípulo acreditou sem ter visto. O apóstolo precisa se converter em discípulo para também acreditar. Por isso, felizes somos nós que não vimos e acreditamos. Jesus aceitou o desafio de Tomé. Oito dias depois da Ressurreição, na sua imensa misericórdia, permitiu que Tomé tocasse em suas chagas. Este domingo é verdadeiramente o Domingo da Misericórdia, para Tomé e para conosco. Para Tomé, que pôde tocar em Jesus e fazer sua profissão de fé. Para conosco, porque podemos crer com tranquilidade que a Ressurreição é um fato e não foi inventada pelos apóstolos. Aí está Tomé, um apóstolo que não acreditou, e, com ele, também outros – ao menos num primeiro momento. Quando Jesus lhe disse: “Não sejas incrédulo, mas fiel”, Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus”. Tomé viu com os olhos, “viu” também com as mãos e com os ouvidos. Sentiu a presença de Jesus com os sentidos externos e com a inteligência e o coração. Sua profissão de fé reconhece que Jesus é Deus e Senhor. Assim como para Tomé, Deus, em sua grande misericórdia, oferece a todos nós nascer de novo para uma esperança viva e uma herança incorruptível. Vivemos ainda no meio de muitas provações, mas com muita alegria pela fé que vê o invisível, vê os últimos tempos, vê a glória da manifestação de Jesus Cristo. Sem tê-lo visto, nós o amamos e nele acreditamos. Isto é para nós, diz o Apóstolo Pedro, “fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obteremos aquilo em que acreditamos: a nossa salvação” (1Pd 1, 8-9). Contam os Atos dos Apóstolos que, no início da Igreja, o número dos cristãos ia crescendo cada dia graças à pregação apostólica e ao exemplo de vida das primeiras comunidades. Muitos se convertiam e ouviam o ensinamento dos apóstolos, celebravam a Eucaristia, rezavam juntos e viviam em comunhão fraterna. Eles se ajudavam com os seus bens conforme a necessidade de cada um. Partiam o pão pelas casas e tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Eram estimados por todo o povo. Se este é o Senhor Jesus, se esta é a nossa fé, se assim é a nossa Igreja, como não transmitir toda essa alegria de vida ressuscitada a todas as pessoas deste mundo? Está errado converter para o bem quem vive no mal? Que todos possam dizer: “Meu Senhor e meu Deus!”

Você Pergunta ‘Traída, perdoei meu marido. Ele morreu. Será que sabe do meu perdão? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

A Maria não me disse seu sobrenome. Ela mora aqui em São Paulo. Foi casada por 19 anos. Há três anos, o marido a traiu, expulsou-a de casa e colocou outra no lugar dela. Apesar disso, ela o perdoou, mas nunca disse isso a ele. Acontece que o ex-marido faleceu. E ela pergunta se ele sabe que foi perdoado pelo que fez. Ô Maria, que sofrimento deve ter sido o seu, menina! A traição machuca o coração da gente. E que força teve você para perdoá-lo. Parabéns! Você cresceu diante de Deus e se libertou

do peso da mágoa, não é mesmo? Agora é hora de orar por seu marido. De pedir a Deus que tenha piedade dele. O perdão durante a vida e o perdão depois que ele morreu poderão ajudá-lo a entrar na vida eterna. Até porque, a misericórdia de Deus não tem limites. Certamente seu ex-marido, agora na eternidade, deve ter se dado conta do erro de negar o compromisso assumido com você no casamento. Na eternidade, sem os limites humanos e a fragilidade desta vida, somos capazes de ver com clareza os erros que cometemos. Repito, Maria, é hora de orar por

ele. Às vezes, eu penso que o arrependimento de nossos erros acontece todo nesta vida mesmo. É que o orgulho, muitas vezes, nos impede de voltar atrás, de pedir perdão. Por isso, é tão bom pedir perdão, porque, recebido o perdão, ficamos livres da culpa e podemos reconstruir nossa vida e refazer laços desfeitos. E é tão bom perdoar, porque nos libertamos da mágoa e podemos tocar a vida com mais alegria e liberdade. Mais uma vez, parabéns por sua capacidade de perdoar, viu Maria? E que Deus ajude você a caminhar com esse coração livre de toda mágoa. Seja feliz, minha irmã!

Atos da Cúria NOMEAÇÃO DE ASSESSOR REGIONAL Em 04 de abril de 2017, foi nomeado Assessor Regional da Infância Missionária da Região Episcopal Sant´Ana, o Revmo. Pe. Robério Crisóstomo da Silva, imc, pelo período de 02 (dois) anos. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE DIÁCONO PERMANENTE COMO ASSISTENTE PASTORAL Em 04 de abril de 2017, foi nomeado Assistente Pastoral “ad nutum episcopi” da Paróquia São João Evangelista, na Região Episcopal Sant´Ana, Setor Pastoral Casa Verde, o Diác. José Luiz Silvério. Em 23 de fevereiro de 2017, foi assinado na Cúria Metropolitana de São Paulo, o convênio entre a Arquidiocese de São Paulo e a seguinte Congregação Religiosa:

- Ordem dos Cônegos Regulares Lateranenses - Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort – Setor Jaraguá - Região Brasilândia. Em 17 de março de 2017, foi assinado na Cúria Metropolitana de São Paulo, o convênio entre a Arquidiocese de São Paulo e a seguinte Congregação Religiosa: - Ordem dos Frades Menores/Franciscanos - Paróquia São Francisco de Assis – Setor Catedral - Região Sé. - Ordem dos Frades Menores/Franciscanos - Paróquia São Francisco de Assis – Setor Vila Mariana - Região Ipiranga. Em 04 de abril de 2017, foi assinado na Cúria Metropolitana de São Paulo, o convênio entre a Arquidiocese de São Paulo e a seguinte Congregação Religiosa: - Província Salvatoriana Brasileira Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Setor Vila Mariana - Região Ipiranga.

Para assinar O SÃO PAULO: Escolha uma das opções e a forma de pagamento. Envie esse cupom para: FUNDAÇÃO METROPOLITANA PAULISTA, Avenida Higienópolis, 890 São Paulo - SP CEP 01238-000 - Tels: (011) 3666-9660/3660-3724 osaopaulo@uol.com.br

- Sociedade do Apostolado Católico Província São Paulo Apóstolo - Brasil - Paróquia São João Batista – Setor Carrão/Formosa - Região Belém. - Sociedade do Apostolado Católico Província São Paulo Apóstolo - Brasil - Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina – Setor Carrão/ Formosa - Região Belém. - Sociedade do Apostolado Católico Província São Paulo Apóstolo - Brasil - Paróquia São Vicente Pallotti – Setor Carrão/Formosa - Região Belém - Sociedade do Apostolado Católico Província São Paulo Apóstolo - Brasil - Paróquia São Tomás More – Setor Rio Pequeno - Região Lapa. - Sociedade do Apostolado Católico Província São Paulo Apóstolo - Brasil - Paróquia Santo Antonio de Lisboa – Setor Tatuapé - Região Belém. - Sociedade do Apostolado Católico Província São Paulo Apóstolo - Brasil - Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos – Setor Aclimação Região Sé.

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Espiritualidade Fortaleza das santas mulheres Dom Carlos Lema Garcia

A

Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade

o contrário do que se costuma dizer, “a mulher é mais forte do que o homem, e mais fiel na hora da dor” (Caminho, n. 982). Isto se vê com muita clareza durante a Paixão de Cristo. No Calvário há uma série de mulheres que já conheciam Jesus há mais tempo. Algumas eram discípulas. Quantas mulheres havia? É difícil saber, porque os evangelistas citam algumas, sem dizer que fossem as únicas. Assim, sabemos, com certeza, que estavam presentes a Virgem Maria, Maria Madalena, outra Maria, mulher de Cléofas e também a mãe de Tiago e João (o único dos apóstolos presente). De fato, quando revivemos a ViaSacra, nos surpreendemos ao verificar que, durante os passos de Jesus em direção ao Calvário, somente as mulheres permaneceram a seu lado. Exceto João, os que fogem e traem Cristo são os homens. Eles haviam prometido permanecer junto de Jesus até o fim, como, em seu nome, disse Simão Pedro a Jesus logo que Ele anunciou que seria entregue à morte: “Ainda que seja preciso morrer contigo, não

te renegarei. E todos disseram o mesmo” (Mt 26,35). As mulheres dão provas de fortaleza e fidelidade maiores que as dos homens. São capazes dessa grande fidelidade porque amam decididamente Jesus e não têm medo de demonstrar esse amor diante de quem quer que seja: “Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam” (Lc 23,27). Nos versículos seguintes, Lucas explica que Jesus se deteve no caminho do Calvário, com a Cruz às costas: “Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. (...) Porque se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?” (23,28; 31). Ainda no caminho do Calvário, há outra mulher determinada e decidida, que não receia passar dos sentimentos à prática. Como sabemos, esse relato não está no Evangelho, mas consta de uma piedosa e antiga tradição, incluída na 6ª estação da Via Sacra: “Uma mulher, de nome Verônica, abre caminho por entre a multidão, levando um véu branco dobrado, com o qual limpa piedosamente o rosto de Jesus. O Senhor deixa gravada a sua Santa Face nas três partes desse véu.” (Via Sacra, São Josemaria). O que o gesto de Verônica nos ensina? Por um lado, a compaixão. Sente as dores de Jesus e não se detém em furar o cerco dos soldados e se colocar diante dele. Com seu lenço, carinhosamente, alivia o sofrimento do Senhor. Tam-

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania bém aprendemos dela a coragem para enfrentar a hostilidade dos que tramam contra o Filho de Deus, a decisão de vencer o medo, de manifestar externamente o seu amor e a sua fidelidade. Verônica também nos ensina a procurar o rosto de Cristo. Olhar nos seus olhos, desejar ver a face de Jesus. Também nós deveríamos conhecer cada vez melhor o rosto e o olhar de Cristo, para atingir a compaixão com os seus sentimentos e viver mais profundamente o Tríduo Pascal. Nosso Senhor sentiu-se de algum modo confortado e agradecido pelo seu amor: recebeu o consolo do seu amparo no momento difícil da agonia e do sofrimento até a morte. Por isso, é lógico que serão essas mulheres as primeiras pessoas a receber a notícia da Ressurreição. Ao percorrermos os últimos dias de Jesus na Semana Santa, devemos aprender do exemplo dessas mulheres e entender que a vida cristã consiste em apaixonar-se por Cristo, que entrega sua vida na Cruz pela nossa salvação, em redenção dos pecados de todos os homens e ressuscita para nos dar a vida eterna. A santidade não se reduz à luta contra o pecado, ainda que isso seja obviamente necessário; a santidade não consiste em fazer coisas cada vez mais difíceis, mas seguir uma pessoa divina: Jesus. Morrer com Ele, para, juntamente com Ele, ressuscitar. Deus quer contar com um novo grupo de homens e mulheres fiéis. Estejamos nós também dentre eles.

Tempo Pascal – Da dor à Esperança Padre Sancley Gondim No Domingo de Ramos, 9, o Papa Francisco disse que “esta celebração tem duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa. Celebramos o Senhor em Jerusalém, aclamado, e ao mesmo tempo a narração evangélica da sua Paixão... E este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que o espera o ‘Crucificao!’, não nos pede para o contemplarmos apenas nos quadros... Ele está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje padecem tribulações como Ele: sofrem com trabalho escravo, dramas familiares, doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, dos interesses que se movem por detrás das armas... Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados... Jesus está em cada um deles, com aquele rosto desfigurado e pede para ser enxergado, reconhecido, amado. Não há outro Jesus. Não temos outro Senhor: humilde Rei de justiça, misericórdia e paz”. A 7ª Estação da Via Sacra no Coliseu, que contempla Jesus e as filhas de Jerusalém (cf. Lc 23,27ss.), recorda o sofrimento dos que perderam seus entes queridos no atentado terrorista contra os cristãos coptas em Alexandria, no Egito, enquanto celebravam o Domingo de Ramos, que se tornou para eles o domingo da Paixão! Marie-Anne Pelletier, que preparou as meditações, diz que “o pranto que Jesus confia às filhas de Jerusalém nunca falta neste mundo. Desce silenciosamente pelas faces das mulheres. E mais vezes invisível no seu coração, como as lágrimas de sangue... Os seus lamentos são também de todos que elas recolhem, num mundo onde há muito para se chorar. Pranto das crianças aterrorizadas, feridos nos campos de batalha que invocam uma mãe, dos doentes e moribundos... Pranto de desvario, que corre pela face deste mundo que foi criado para lágrimas de alegria, na exultação comum do homem e da mulher...”. Peçamos à Virgem Maria, Mãe da Esperança, que permaneceu de pé junto à Cruz com o discípulo modelo de constância no amor, que nos ajude a dizer: Senhor Deus de ternura e de compaixão, cheio de amor e fidelidade, ensinai-nos, nos nossos dias felizes, a não desprezar as lágrimas dos pobres que clamam por Vós... Ensinai-nos a não passar indiferentes junto deles. Ensinai-nos a ter a coragem de chorar com eles. Ensinainos também, na noite dos nossos sofrimentos, das nossas solidões e das nossas decepções, a ouvir a palavra de graça que Vós nos revelastes na montanha: “Felizes os que choram, porque serão consolados” (Mt 5,4). Somente assim, viveremos autenticamente a alegria do júbilo pascal. As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


6 | Viver Bem |

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CuidardaSaúde Mulher com síndrome do ovário policístico pode sim engravidar Cássia Regina A síndrome do ovário policístico, também conhecida como Soap, é um distúrbio hormonal que causa um aumento no tamanho dos ovários, com pequenos cistos. Os sintomas iniciais geralmente aparecem logo após a primeira menstruação, mas, em alguns casos, a doença se desenvolve mais tarde, durante os anos férteis. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, assim como a gravidade, e incluem irregularidade menstrual, excesso de pelos, acne e obesidade. Para ser diagnosticada com a doença, é preciso ter pelo menos dois dos seguintes sinais: ciclo menstrual irregular – seja irregularidade de fluxo menstrual ou irregularidade no intervalo dos ciclos; níveis elevados de hormônios masculinos (andrógenos), que podem resultar em características físicas como excesso de pelos faciais e no corpo, acne severa, calvície de padrão masculino e pequenos cistos nos ovários identificados em ultrassonografia. Os tratamentos incluem pílulas hormonais, medicamento para prevenir o diabetes, estatinas para controlar o colesterol elevado e hormônios para aumentar a fertilidade. Na maioria das vezes, os ovários policísticos impedem que a mulher consiga ter as mesmas chances de engravidar que uma mulher sem o problema. No entanto, mulheres com ovários policísticos podem engravidar sim! Basta que façam um tratamento! Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com

Comportamento

Mexeu com uma, mexeu com todas Valdir Reginato Enquanto se aguarda o que acontecerá na reforma de ensino junto ao Ministério da Educação quanto a incluir oficialmente, ou não, nas escolas, a ideologia de gênero – ou seja, o fim da identidade masculina e feminina entre as crianças – para que siga o que pede aos gritos uma das minorias ditatoriais, o noticiário preencheu páginas com o título: “mexeu com uma, mexeu com todas”. Consequência de mais uma violência covarde, um caso de abuso sexual, desta vez por um conhecido ator de TV, o fato ganhou as proporções de uma declaração de guerra por parte das mulheres que, justificadamente, se uniram em um exército feminino que colocou o acusado no paredão. Sem dúvida, não se poderia esperar outra reação, com características tão pertencentes ao sexo feminino como a ocorrida. Vale a pena refletir sobre o assunto. A revolta, com todo direito, é decorrente da nítida percepção de que não se trata do envolvimento de pessoas assexuadas, ou com livre manifestação de seu comportamento fluído na dependência do que desejam seus impulsos sexuais. Nesse contexto, fica claro, nítido e cristalino, que estamos falando da agressão de um homem a uma mulher. Ainda que um ou ambos (não é o caso conhecido) possam já ter “experimentado” os vários comportamentos alternativos propostos pelos LGBTs, não se deixaria, jamais, na relação em questão, de considerar a agressão como de um homem a uma mulher, porque isto é o que são de fato. Se amanhã, algum dos envolvidos resolver fazer cirurgia para mudança de sexo, tratamento hormonal ou plástica, para que se esqueça o

contrário. A resposta está na educação que cada um é de fato, não se anula que familiar, estruturada em princípios de o dilema “agressão homem contra a amor, respeito, fraternidade, virtudes, mulher” existe, e ponto final. e a convivência com a diversidade das O fato levado no tempo à coincidência com as pressões para que o Micaracterísticas masculina e feminina. nistério da Educação coloque em suas Tenho a ousadia de propor que cartilhas para crianças que elas podem cada um dos que leem esta coluna avalie caso a caso. Na grande maioria deescolher o que serão, oferece mais uma les, a violência é realizada por pessoas argumentação inquestionável quanto que tiveram uma educação familiar ao grave erro que se cometerá se essa deturpada. Quando os pais oferecem determinação for aprovada. os exemplos e apontam a complemenInteressante que, dentre aquelas taridade nas diferenças dos sexos para “todas” que se sentiram solidariamente atingidas, encontram-se várias que uma união saudável, será muito mais defendem a introdução do comportadifícil que os filhos apresentem no fumento LGBT nas escolas. São aquelas turo um comportamento alterado. A que acreditam que os mais deturpados relação amável com a mãe e as irmãs é desejos sexuais podem tudo – magio caminho para o respeito a cada uma camente nos transformam no que quer que infelizmente, ao mesmo tempo desejamos ser –, mas em que assistimos a cada dia na hora de se defender mais manifestações da covardia da agressão masculina, masculina gerando violência lembram-se de que são contra as mulheres, muitos mulheres unidas. Será parecem não querer perceber que alguma das femi- que há um nítido relacionamento nistas teria a coragem desses episódios com a de se manifestar a favor deformação da educação da igualdade de sexos na infância nesta hora? Porque, se assim fosse, não haveria razão para a e a todas as mulheres. Evidentemente, gritaria, pois sendo todos iguais, não o comportamento humano não é matemático, e não podemos mencionar isso poderíamos falar de abusos pela força, como regra, mas muito se aproxima da seja física, seja persuasiva. maioria. Contudo, enquanto fomentarOs fatos não podem ser negados. mos na sociedade meios que estimuInfelizmente, ao mesmo tempo em que lem a promiscuidade, a pornografia e a assistimos a cada dia mais manifestações da covardia masculina gerando igualdade de gêneros etc., se estará cada violência contra as mulheres, muitos vez mais propiciando atos que incitam parecem não querer perceber que há a violência. E continuaremos a ouvir: um nítido relacionamento desses epi“mexeu com uma, mexeu com todas”. sódios com a deformação da educação Eu apoio essa união feminina. na infância. A igualdade de gêneros, Dr. Valdir Reginato é médico de família, muito ao contrário do que alguns faprofessor da Escola Paulista de Medicina e lam, jamais sanará essa violência, pelo terapeuta familiar. E-mail: vreginato@uol.com.br

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Destaques das Agências Internacionais

Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Iraque

França

O retorno dos cristãos? Com a libertação de diversas cidades iraquianas que estavam sob o domínio do grupo terrorista Estado Islâmico, uma parte dos cristãos que fugiram da perseguição começa a tomar coragem para voltar para casa: “250 famílias voltaram à cidade de Teleskof e 40 a uma outra cidade”, contou Dom Louis Sako, patriarca

dos caldeus e representante dos cristãos do Iraque, durante uma reunião com jornalistas sobre a atual situação no país. Segundo o Patriarca, metade dos cristãos refugiados desejam retornar às suas casas na planície de Nínive e em Mossul: “Uma das dificuldades é a confiança. A casa da minha família foi saqueada pelos

vizinhos. É uma situação muito difícil...”, explicou o Patriarca, acrescentando que existem muitos muçulmanos que gostam bastante dos cristãos e que o retorno é possível. A condição é o respeito: “Os muçulmanos devem acolher os cristãos, respeitá-los como eles são”. Fonte : Famille Chrétienne

Argentina

Bispo investiga possível milagre eucarístico Reprodução da internet

Beatificação do Padre Hamel Foram oficialmente abertos os procedimentos em vista da beatificação do Padre Jacques Hamel, assassinado por terroristas muçulmanos em julho de 2016, enquanto celebrava uma missa. Em setembro do ano passado, o Papa Francisco chamou o Padre Hamel de mártir e autorizou a abertura dos procedimentos, que incluem uma investigação diocesana sobre o Sacerdote, sem esperar pelos cinco anos após sua morte, como é previsto pelo código de direito canônico para esses casos. Fonte: Pélerin

4,5 mil adultos batizados Segundo a Conferência dos Bispos da França, 4.503 adultos foram batizados na noite da Vigília da Páscoa. Esse número representa um aumento de 5,6% em relação ao ano passado e 55% em relação a dez anos atrás. A maior parte dos novos batizados vem de meios cristãos, 20% de meios ateus e 5% dos muçulmanos. Fonte: La Croix

Japão O bispo de Rafaela, Dom Luis Fernández, disse que começarão as investigações sobre o que aconteceu quando um grupo de jovens estava diante do Santíssimo Sacramento em adoração e viu uma substância que parecia ser sangue escorrer pela hóstia consagrada. O Bispo foi ao local acompanhado do Padre Alcides Suppo quando soube do ocorrido e retirou a hóstia de lá para prosseguir com a investigação. A Diocese de Rafaela publicou um comunicado, explicando o que deve ser feito:

“Nestes casos e em outros semelhantes, a Igreja pede que, com prudência e moderação, o acontecimento seja julgado com o objetivo de oferecer luz e dar certeza do que aconteceu. Ao longo da história, a Igreja recebeu o testemunho da presença real e substancial de Jesus Cristo na Eucaristia sob esta forma única de manifestação. Os casos não têm sido fáceis nem simples de discernir. Por isso, seguindo o procedimento recomendado pela Igreja, Corpo de

Cristo, o nosso bispo retirou a hóstia da exposição pública, e a reservou convenientemente. Desse modo, começa o caminho de discernimento necessário para que, no seu devido tempo, chegue-se às conclusões corretas”. A nota lembra ainda que, independentemente dos resultados da investigação, devemos exercitar nossa fé no maior de todos os milagres: a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Fonte: ACI

Egito

A coragem da Páscoa Após os atentados que mataram dezenas de pessoas durante a missa no Domingo de Ramos, 9, os cristãos coptas do Egito celebraram a Páscoa sob um forte esquema de segurança e medo de um novo ataque. Para Sandra [não foi identificado seu sobrenome], 27, ir à missa foi um desafio: “Meus colegas me disseram: ‘não vá à igreja, isso é loucura!’. Mas é isso que os terroristas do Estado Islâmico querem. A mensagem deles é: ‘cristãos, fiquem em casa’. Por isso, eu decidi combatê-los pela oração. Vou continuar a ir à igreja, ano após ano, custe o que custar”, disse a jovem à revista Pélerin. Fonte: Pélerin

Menor população recém-nascida dos últimos 100 anos Números divulgados pelo governo japonês informam que a população dos bebês recém-nascidos está abaixo de 1 milhão de bebês pela primeira vez em cem anos. O número de mortos por ano no Japão é de 1,3 milhão, enquanto o número de nascimentos é de apenas 981 mil. O déficit demográfico é o efeito, entre outras coisas, da legalização do aborto no final dos anos 1940, fazendo do Japão um dos primeiros países do mundo a permitir essa prática. A entrada da mulher no mercado de trabalho e a prioridade concedida à carreira em detrimento da maternidade também é uma causa importante. Com uma população cada vez mais idosa e com cada vez menos jovens em idade produtiva, o custo de manutenção da Previdência e infraestrutura se torna cada vez mais difícil. O governo tem tentado contrabalancear a redução populacional com incentivos à imigração de trabalhadores qualificados, mas sem obter os resultados desejados, por enquanto. Fonte: Church Militant


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Destaques das Agências Nacionais

REDAÇÃO

osaopaulo@uol.com.br

Evento debaterá a identidade e missão de educadores e instituições católicas de ensino O Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade da Arquidiocese de São Paulo e as Edições SM organizarão em 6 de maio, das 9h às 17h, o Congresso Católico de Educação, com o tema “Qual é a identidade e a missão dos educadores e instituições católicas de ensino?” Já estão confirmadas as presenças do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, de Dom Carlos Lema Gar-

cia, vigário episcopal para a Educação e a Universidade, e do professor Gabriel Perissé, pós-doutor em Filosofia e História da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na atividade, haverá palestras e workshops com especialistas nacionais e internacionais, abordando temas ligados ao mundo educativo, entre os quais

“Orientações do Papa Francisco sobre Educação”, “Ensino Religioso na Escola Católica”, “Formação integral da pessoa: Maturidade Afetiva”, “A Missão do Educador Católico”, “Mediação de conflitos para construir uma cultura da paz” e “Escolas e sociedade: Iniciativas e parcerias”. O Congresso Católico de Educação acontecerá no Centro Universitário Ítalo Brasileiro (avenida João Dias, 2.046, em

São Paulo). A atividade tem o apoio do Centro Universitário Ítalo-Brasileiro, das Edições Loyola, do Coral e Orquestra Del Chiaro e do Instituto Vertus. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas no site www.congressocatolicoedu.com.br. Haverá emissão de certificado aos participantes. (Com informações do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade)

Tem início a Campanha Nacional Reforma da Previdência apresentada pelo governo traz de Vacinação contra gripe riscos às instituições filantrópicas MInistério da Saúde

O Centro Universitário Assunção (Unifai), na zona Sul de São Paulo, promoveu um debate, em 31 de março, sobre o impacto da Reforma da Previdência para as instituições filantrópicas. O evento contou com a participação de Márcia Moussalem, mestra e doutora em Serviço Social pela PUC-SP com MBA em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); e José Rubens Demoro de Almeida, graduado em Direito e pós-graduado em Formação de Professores pela PUC-SP. De acordo com os professores, a proposta de Reforma da Previdência (PEC 287/16) apresentada pelo governo federal prejudicaria essas instituições, inclusive a própria Igreja Católica, que promove e mantém obras sociais e caritativas. As propostas mais prejudiciais seriam os cortes de financiamentos públicos, o congelamento dos gastos públicos e o fim da imunidade

tributária das instituições filantrópicas. Márcia Moussalem salientou que a falta de estímulo para a filantropia resultaria na queda de doações, que seriam reduzidas justamente em um momento crucial, quando os grupos fragilizados estariam precisando de maior apoio. Em nota recente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reconheceu ser necessário rever a isenção de algumas entidades, mas afirmou ser equivocado eliminar as isenções das instituições filantrópicas que prestam reais serviços aos mais pobres nas áreas da saúde, educação e assistência social. Segundo o professor José Rubens de Almeida para cada R$ 1,00 de imunidade recebida, as instituições filantrópicas retornam R$ 5,92 ao poder público e, além disso, o montante renunciado representa apenas 3% da receita da Previdência. (Com informações de Afonso Ferreira de Lima e Henrique Nunes)

Menos da metade dos contribuintes já fez a declaração do Imposto de Renda Começou na segunda-feira, 17, a 19ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza (gripe), tendo neste ano os professores como integrantes do público prioritário. Desse grupo preferencial, 54,2 milhões devem receber a vacina em todo o país. O Ministério da Saúde tem por objetivo vacinar 90% dessa população prioritária, considerada em risco para complicações por gripe. A meta de vacinação deste ano teve aumento por conta dos índices dos últimos anos, que ultrapassaram 80%. Além dos professores das redes pública e privada, também estão no público-alvo da campanha pessoas a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 5 anos de idade, trabalhadores de saúde, povos indígenas, gestantes, mulheres com até 45

dias após o parto, pessoas privadas de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Portadores de doenças crônicas não transmissíveis, como deficiências específicas, também devem se vacinar, porém não há meta específica de vacinação. Esse público deve apresentar, no ato da vacinação, prescrição médica. Já pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) deverão se dirigir aos postos em que estão registrados para receber a vacina, sem a necessidade de prescrição médica. A campanha seguirá em todo o país até 26 de maio, sendo que no dia 13 do próximo mês acontecerá a data de mobilização nacional. Fonte: Ministério da Saúde

Segundo balanço divulgado pela Receita Federal, na segunda-feira, 17, foram recebidas quase 12,4 milhões das 28,3 milhões de declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), número equivalente a 43,8% do total esperado. O prazo de entrega começou em 2 de março e vai até as 23h59 do próximo dia 28. O programa gerador da declaração está disponível no site da Receita Federal (http://idg.receita.fazenda.gov.br). A declaração do Imposto de Renda é obrigatória para quem recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 28.559,70 no ano passado. Neste ano, a declaração teve uma série de mudanças. As principais são a redução da idade mínima, de 14 para 12 anos, na apresentação do CPF de dependentes, e a incorporação do Receitanet, programa usado para transmitir a declaração

ao programa gerador do documento. Precisa ainda declarar o Imposto de Renda quem recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil; quem obteve, em qualquer mês de 2016, ganho de capital na alienação de bens ou direitos sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros. A Receita Federal pagará a restituição do IRPF em sete lotes, entre junho e dezembro deste ano. O primeiro lote será pago em 16 de junho. Ao fazer a declaração, o contribuinte deve indicar a agência e a conta bancária na qual deseja receber a restituição. Idosos, pessoas com deficiência física, mental ou com doença grave têm prioridade para recebê-la. Fonte: Agência Brasil


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inquéritos da Lava Jato

Em encontro na segundafeira, 17, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato, acertaram que será criado um grupo de força tarefa para acelerar a tramitação das investigações em curso na operação. Ainda não há detalhes sobre quem participará do grupo, quais medidas serão tomadas e como será a atuação para acelerar a tramitação dos processos, que dependem da investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) para serem julgados no Supremo. Com a autorização de Fachin, no dia 11, para que a PGR, a partir das delações de ex-diretores da Odebrecht, investigue mais pessoas, entre as quais oito ministros do Governo Temer, três governadores, 24 senadores e 39 deputados – políticos de diferentes partidos – o número de investigados na Lava Jato saltou de 109 para 195 pessoas. Se houver tramitação normal, os processos criminais podem levar pelo menos cinco anos e meio para serem concluídos, segundo projeções da FGV Direito Rio, e nesse período, muitos dos acusados poderiam obter o benefício da prescrição de pena, por isso há a necessidade de tal força tarefa no STF.

Lucro dos 5 maiores bancos cai 12,1%

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou na segunda-feira, 17, que os cinco maiores bancos do país – Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – concentraram 87% do total das operações de crédito em 2016 e tiveram, somados, uma redução de 12,1% no lucro líquido em relação a 2015, chegando ao valor de R$ 59,6 bilhões. Nesses bancos, houve queda de 0,1% no número total de trabalhadores, sendo que o que mais demitiu foi o Banco do Brasil, que reduziu 8.569 vagas, queda de 7,8% em relação ao ano anterior. Fontes: G1, Agência Brasil e Folha de S.Paulo e Rede Brasil Atual

Planos de Saúde podem ser mais baratos, mas... Agência Brasil

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

Um grupo de trabalho formado por servidores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) avalia, desde o fim de março, a proposta de criação dos chamados planos de saúde populares, que teriam preços mais baratos, porém com uma cobertura menor que a oferecida atualmente. Segundo o Ministério da Saúde, essa seria uma alternativa aos brasileiros que perderam seus planos nos últimos anos – segundo dados da ANS, entre dezembro de 2014 e março deste ano, houve redução de 2,8 milhões de usuários de planos de saúde. A proposta dos planos populares foi encaminhada à ANS pelo Ministério da Saúde após um outro grupo de trabalho, composto por mais de 20 instituições ligadas à saúde suplementar, ter se reunido, a convite do Ministério, para discutir a operacionalização desses planos. O grupo de trabalho da ANS tem inicialmente 60 dias para apresentar um relatório de avaliação final, sendo que deverá ouvir as opiniões de representantes de órgãos de defesa do consumidor, organizações do setor de saúde, entidades médicas, universidades e operadoras dos planos. “Cabe à ANS verificar a legalidade e a pertinência das medidas sugeridas e eventualmente adotar alguma ou parte das medidas”, informou o Ministério da Saúde.

3 propostas

Estão em avaliação para os planos populares três propostas. Uma delas, o “Plano Simplificado”, contempla a cobertura para a atenção primária, incluindo consultas nas especialidades previstas no Conselho Federal de Medicina (CFM) e serviços auxiliares de diagnóstico e terapias de baixa e média complexidade. Nesse caso, não haveria cobertura do plano para internação, terapias e exames de alta complexidade nem atendimento de urgência e emergência e hospital dia (regime de assistência intermediário entre internação e o atendimento ambulatorial). Também foi apresentada a proposta do “Plano Ambulatorial + Hospitalar”, com cobertura de toda atenção primária e atenção especializada de média e alta complexidade. O paciente passaria, obrigatoriamente, por uma avaliação prévia, realizada por um médico da família ou da atenção primária, escolhido pelo beneficiário. A terceira alternativa é o chamado “Plano em Regime Misto de Pagamento”, pelo qual haveria uma contraprestação mensal para cobertura de serviços hospitalares, terapias de alta complexidade e medicina preventiva, bem como, quando necessário, atendimento ambulatorial. Ficaria sob a responsabilidade do beneficiário o pagamento do procedimento, de acordo com valores previstos em contrato.

Ruim para o SUS e para os consumidores

No dia 7, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) publicou um manifesto contra os planos po-

pulares. O texto também foi assinado pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Associação Paulista de Medicina (APM), Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Promotoria de Justiça de Direitos Humanos, Fundação Procon e Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. “As propostas analisadas e votadas por esse grupo de trabalho (criado pelo Ministério da Saúde) preveem a redução da cobertura com a criação de um novo e limitado rol, a liberação de reajustes para os planos individuais, o aumento dos prazos para agendamento de consultas e para o acesso a procedimentos”, criticaram as entidades na nota. Para Mauro Aranha, presidente do Cremesp, a proposta dos planos populares de saúde “é enganosa, porque pode ser popular no preço, com planos mais baratos, mas afetará as camadas mais vulneráveis socioeconomicamente no país, que dependem do atendimento de saúde em sua integralidade, e no momento em que a doença mais se agravar e a pessoa precisar de tratamento de mais complexidade, é justamente quando esses planos não vão oferecer”, opinou ao O SÃO PAULO. O presidente do Cremesp também lamentou que a proposta dos planos populares aconteça “em um momento de desmonte do SUS. Assim, se o paciente tiver um plano barato, sem cobertura completa, quando a doença se agravar, ele vai ter que procurar o SUS para continuar o tratamento, mas o SUS já está sobrecarregado e desfinanciado, assim, ele vai demorar muito para ser atendido”. Também segundo Aranha, os planos de saúde populares representam um retrocesso às conquistas obtidas com a Lei 9.656/98, que regulamenta a saúde suplementar no país. Antes da legislação, as empresas de plano de saúde podiam limitar dias de internação, o atendimento de doenças pré-existentes e alguns procedimentos de cobertura. Ele também alertou que os médicos serão prejudicados se a medida for aprovada. “O trabalho do médico ficará com um risco ético maior, agravado, porque fazemos o diagnóstico de um paciente e pensamos uma melhor forma de tratamento, mas se não tiver como implementá-lo porque a pessoa não pode se internar, ou porque não pode fazer um determinado exame laboratorial mais complexo, o médico ficará de mãos atadas e haverá o risco de o caso não evoluir bem. Isso vai criar um

stress na própria relação médico-paciente”, afirmou.

Livre escolha

A maioria das instituições que estão no mercado de saúde suplementar defende a adoção dos planos populares. Em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo, em 3 de abril, José Cechin, diretorexecutivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) – que representa 18 grupos de operadoras de planos privados de assistência à saúde – manifestou que a medida dará mais possibilidades de acesso à saúde para os brasileiros. “Tomando como dada a capacidade do Estado de atender a população nos serviços de saúde – limitada que está pela dotação orçamentária das três esferas de governo –, cada real que for espontaneamente dedicado por pessoas e empresas à saúde privada será um real para a saúde do brasileiro”, opinou. Ainda segundo Cechin, “o plano popular permitirá o acesso à assistência à saúde sem a necessidade da espera pelo atendimento público. O sistema privado em nada subtrai (nem acrescenta) à capacidade de operação do SUS”. Também para ele, o plano popular “deve contemplar todas as coberturas usuais dos planos existentes e pode custar menos se forem permitidas as condições já listadas no documento enviado à ANS: coparticipação, franquia, regras claras de reajuste que assegurem a economicidade da carteira e estimulem ganhos de eficiência, prazos de atendimento compatíveis com a disponibilidade de infraestrutura regional, entre outras”. Também em defesa dos planos populares, Pedro Ramos, diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), escreveu um artigo no jornal O Povo, do Ceará, em 17 de março, opinando que a medida pode ser uma alternativa para a volta das pessoas aos planos de saúde e também para “trazer aqueles que nunca tiveram acesso à assistência privada, mas sempre a desejaram”. Para Ramos, “é o momento de condicionar as pessoas à livre escolha. Poder optar pelos serviços e atendimentos que decidir ou, até mesmo, que puder arcar no momento. E, quando houver condições, caso desejar ampliar o rol de atendimentos a seu critério, bastará alterar o produto do plano de saúde contratado”, concluiu. (Com informações do G1, O Povo, o Estado de S. Paulo, EBC, Cremesp e Abramge)


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Cardeal Scherer aos padres: ‘Somos chamados à santidade todos os dias’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na missa do Crisma, Arcebispo de São Paulo pede ao povo que valorize e colaborE com o ministério dos sacerdotes Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

Na manhã da Quinta-feira Santa, 13, o clero atuante na Região Episcopal Sé se reuniu com o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, na Catedral Metropolitana para a Missa do Crisma. A celebração foi concelebrada pelo arcebispo emérito, Cardeal Cláudio Hummes, e bispos auxiliares da Arquidiocese. A Missa do Crisma é assim chamada porque nesta celebração são abençoados os óleos usados nos sacramentos do Batismo e Unção dos Enfermos e é consagrado o óleo do Crisma, utilizado nos sacramentos do Batismo, Confirmação, nas ordenações sacerdotais e episcopais, além das dedicações de altares e templos. Também nessa celebração, os padres renovam as promessas sacerdotais diante do Arcebispo, em recordação da instituição do sacerdócio ministerial. Neste ano, as demais regiões episcopais, Belém, Brasilândia, Lapa, Ipiranga e Santana celebraram essa missa na noite da quarta-feira, 12.

Povo sacerdotal

Na homilia, Dom Odilo destacou que os ministros ordenados existem para servirem ao povo de Deus e para ajudálo a viver o testemunho batismal. O Cardeal explicou que pelo Batismo os cristãos constituem um “povo sacerdotal”, ungido para testemunhar ao mundo as grandes obras de Deus e para ele oferecer todos os dias a própria vida como “hóstias santas e agradáveis a Deus”.

Jesus: único e eterno sacerdote

O Arcebispo também ressaltou que na Igreja existe um único sacerdote, Jesus Cristo, sumo e eterno pontífice entre Deus e os homens. Mas recordou que Jesus quis que seu sacerdócio se perpetuasse sacramentalmente no mundo de forma perceptível e visível por meio dos seus ministros. “É em função de seu sacerdócio que nós existimos, para o louvor, glória de Deus e para o serviço aos homens e à Igreja... Para estender a todos a graça da redenção e da salvação”, disse. Dirigindo-se aos padres e bispos, Dom Odilo recordou: “Nós não somos sacerdotes autônomos. E se alguém o exerce dessa maneira está equivocado. Somos sacerdotes de Jesus Cristo, nosso sacerdócio está relacionado a Jesus

Na Missa do Crisma, na Quinta-feira Santa, Dom Odilo Scherer abençoa os óleos usados nos sacramentos do Batismo e da Unção dos Enfermos e consagra óleo do Crisma

Cristo e à Igreja”. O Cardeal reforçou ainda que é Jesus Cristo quem dá sentido, força, vigor e fruto ao sacerdócio dos ministros ordenados. Dom Odilo continuou destacando que, por meio daqueles que Jesus chama, consagra e unge, o Senhor quer continuar a anunciar a Palavra com autoridade e credibilidade, como serviço que Ele presta a todas as pessoas. Também por meio dos sacerdotes, Jesus continua a santificar e congregar seu povo em torno da mesa do altar, assim como quer continuar a exercer sua caridade e misericórdia para com todos enquanto Bom Pastor. “No sacerdócio ministerial que nos foi dado, queridos sacerdotes, nós recebemos um grande dom e nos perguntamos: ‘o que poderei retribuir ao Senhor Deus por graça tão grande que de nossa parte não merecemos?’”, indagou o Arcebispo, acrescentando que cada sacerdote é levado a retribuir a tão grande dom por meio de um serviço dedicado, generoso, alegre e fiel.

Colaboração dos fiéis

Aos fiéis, o Cardeal exortou à valorização do dom sacerdotal na Igreja e a estimarem os sacerdotes, apesar de seus defeitos e limites humanos. “Muitas vezes, pensamos no sacerdote ideal... Mas eu digo que os sacerdotes ideais estarão só no céu. Aqui na Terra, nós temos os sacerdotes humanos, que somos nós e, como as demais pessoas, também temos as nossas fragilidades e necessidades. Somos chamados à santidade todos os dias, mas não somos anjos”. Por fim, o Arcebispo pediu a oração pelas vocações para que não faltem boas e santas vocações que possam ser bem preparadas.

Gratidão do clero

Em nome do clero arquidiocesano, o Cônego Sérgio Conrado saudou o Cardeal Scherer pela Páscoa. “Queremos manifestar a nossa gratidão pelo seu empenho como responsável maior de nossa Igreja, maior no ensinar, santificar e reger a porção do povo de Deus que lhe foi confiada

em cooperação com o presbitério e os bispos auxiliares”, disse, recordando os dez anos da posse de Dom Odilo como arcebispo de São Paulo, que serão completados no dia 29. Cônego Sérgio chamou a atenção à proximidade de Dom Odilo com os padres. E acrescentou que a humanização do pastoreio do Arcebispo tem trazido muitas graças, benefícios, e consequências positivas para a pastoral e para a vivencia presbiteral. “Que o Senhor ressuscitado lhe conceda as melhores bênçãos pascais para que o senhor possa ser cada vez mais um pastor conforme o coração do pastor Jesus Cristo.”

Monsenhores: reconhecimento pelo serviço à Igreja

No final da Missa do Crisma, o Cardeal Odilo Scherer entregou ao Cônego José Mayer Paine, pároco da Paróquia Santa Generosa, no Paraíso, e ao Padre Antonio Fusari, vigário paroquial da Paróquia Santa Margarida Maria, na Vila Mariana, o título de monsenhor capelão de Sua Santidade, conferido pelo Papa Francisco em reconhecimento pelos serviços por eles prestados à Igreja. Aos 96 anos, Monsenhor José Paine manifestou gratidão pela homenagem e resumiu os seus 70 anos de vida sacerdotal com o versículo “Cantarei eternamente as maravilhas do Senhor” (Sl 9). “Depois de ter-me Deus mostrado as maravilhas de sua Igreja neste mundo, só me resta deslumbrar as maravilhas de sua Igreja triunfante. Nas mãos de Nossa Senhora, Mãe da Igreja, e dos corações dos nossos irmãos, depositamos nosso eterno canto de agradecimento ao Santo Padre, o Papa Francisco, e ao nosso querido senhor Cardeal Dom Odilo”, afirmou. Conhecido por seu dom de cantor, Monsenhor Antonio Fusari, 89, agradeceu a homenagem cantando uma canção italiana e uma versão da AveMaria de Schubert. Compartilhou sua alegria com todos os padres e agradeceu a todos aqueles que o ajudaram a crescer na vida sacerdotal, especialmente aos seus pais, Pietro e Francesca.


12 | Reportagem |

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‘O túmulo se abriu,

No domingo de Páscoa, Cardeal Scherer afirma que a Igreja crê na verdade da Ressurreição testemunhada com a vida dos apóstolos

venceu a vida’

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

“Este é o dia que o Senhor preparou para nós. Alegremo-nos e nele exultemos”. Essas palavras do Salmo 118 expressam o mistério central da fé dos cristãos: a Ressurreição do Senhor. Na Catedral da Sé, no dia 16, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, presidiu a missa solene do Domingo da Páscoa. A celebração conclui o ciclo iniciado no Domingo de Ramos, 9, que abriu a Semana Santa, tendo seu ponto alto no Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor, aberto na noite da Quinta-feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor.

Testemunho dos apóstolos

Na homilia, Dom Odilo destacou que a Igreja, baseada no testemunho dos apóstolos, continua ininterruptamente a dizer: “O Senhor Jesus, depois de ter anunciado o Evangelho, depois de ter passado pelos sofrimentos da sua Paixão e Morte, ressuscitou e se manifestou vivo e glorioso”. O Cardeal afirmou que ainda hoje há quem duvide da Ressurreição de Jesus e até mesmo de sua existência. “Naturalmente, podemos duvidar de tudo. Mas duvidar, às vezes, é menos racional do que crer”, disse, acrescentando que esses fatos são confirmados a partir daqueles que afirmam: “Nós vimos, ouvimos, testemunhamos, estivemos com Ele depois de sua morte. Ele esteve entre nós”. Essas testemunhas oculares de Jesus Cristo, continuou o Arcebispo, se deixaram prender, foram açoitadas, torturadas e martirizadas por causa dessa afirmação. “Ora, ninguém dá a vida por causa de um mito, de uma história inventada”. “Já naquele tempo havia quem duvidava da veracidade desses fatos e acusava os primeiros cristãos de loucos. Eles, porém, continuavam a testemunhar o que viram e experimentaram”, proseguiu. Para Dom Odilo, esse mistério de fé não se trata de uma realidade que recai dentro do método das ciências, “mas recai no quadro das experiências

Círio Pascal é aceso com a chama do fogo novo abençoado pelo Cardeal Odilo Scherer na Solene Vigília Pascal, celebrada no Sábado Santo, 15

humanas, assim como as experiências do nosso afeto, da nossa própria existência, fatos sobre os quais estamos convencidos e não precisam de comprovação científica”, apontou. “Nós experimentamos, vimos”.

Passagem

O Cardeal acrescentou que a Páscoa é também a passagem de uma visão simplesmente apegada às realidades deste mundo para as realidades que

Deus prepara para a humanidade. “Passar do homem velho para o homem novo, da infidelidade a uma vida renovada na dignidade, justiça e santidade verdadeira, conforme a dignidade dos filhos de Deus”. “Não venceu a maldade, a violência, a corrupção que o fez morrer, nem a falsidade, a injustiça e morte. O túmulo se abriu, venceu a vida, venceu Jesus Cristo, Senhor da vida, Deus da esperança”, afirmou Dom Odilo. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Vida nova em Cristo

A proclamação da Páscoa foi feita solenemente na noite do Sábado Santo, 15, na Solene Vigília Pascal. Chamada de “mãe de todas as vigílias”, a celebração se inicia com a luz do “fogo novo”, a partir do qual é aceso o Círio Pascal, que representa o Cristo Ressuscitado. Em seguida, há a liturgia da Palavra, com a proclamação das nove leituras que narram a história da salvação desde a criação até o Evangelho da Ressurreição. Também na celebração, 12 rapazes acompanhados pela Missão Belém receberam os sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Na ocasião, todos os demais fiéis renovaram suas promessas batismais e foram aspergidos com a água abençoada na Vigília, em recordação do Batismo. Um dos rapazes batizados é Victor Vinícius de Goes, 21. Ex-dependente químico, o jovem consumia cocaína, maconha e até crack. De origem evangélica, ele contou ao O SÃO PAULO que foi por meio de uma pastora evangélica que ele conheceu a Missão Belém. “Eu buscava ajuda para me libertar das drogas e essa pastora me indicou a comunidade, porque conhecia o trabalho de acolhida dos missionários”. “Não foi simplesmente uma água que foi derramada em minha cabeça, mas senti uma força. É como se eu tivesse renascido”, relatou Victor.


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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Qual é o meu lugar na Paixão de Cristo?

‘Fazei isto em minha memória’ Em união com os católicos em todo mundo, os fiéis na Catedral da Sé celebraram a Missa da Ceia do Senhor na noite da Quinta-feira Santa, 13, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. Na celebração que deu início ao Tríduo Pascal foi recordada a instituição da Eucaristia e também se realizou o rito do Lava-Pés. Neste ano, o Cardeal Scherer, após a homilia, lavou os pés de duas crianças acolhidas em projetos da Pastoral do Menor, dois membros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dois representantes da Sabesp, dois integrantes da coordenação arquidiocesana da Campanha da Fraternidade, um estrangeiro, uma pessoa com deficiência visual e dois indígenas da tribo Fulni -ô, de Pernambuco: Flávia Feany, 24, e seu filho Adrian, 6. Para garantir o sustento da família, Flávia vive parte do tempo em São Paulo e parte na tribo, onde há uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. “Sempre ficamos da Quarta-feira Santa até o dia da Páscoa em atitude de oração”, disse, destacando ser essa uma tradição passada de geração em geração entre os Fulni-ô.

Eucaristia e serviço

Dom Odilo, na homilia, recordou que Jesus realizava com os apóstolos a ceia pascal judaica, mas deu a ela novos sentidos. “Jesus toma o pão e diz: ‘Este pão sou eu, é meu corpo doado por vós’. É o corpo doado sobre a cruz, em que Jesus se entrega pela humanidade, por todos nós. Com o cálice, dando graças a Deus, ele diz ‘é meu sangue, o sangue derramado por vós para a remissão dos pecados, sangue da aliança nova”, afirmou o Cardeal. “Depois de dizer isto, acrescenta: ‘fazei isto em minha memória’. Assim como a ceia pascal judaica se faz em memória da passagem de Deus salvador, de Deus libertador, pelo Egito, salvando seu povo escravo e levando-o à terra da liberdade, Jesus fala de uma aliança nova, aliança da remissão dos pecados, aliança do amor misericordioso de Deus por toda a humanidade”, prosseguiu Dom Odilo, destacando que sempre nas missas se faz memória da ceia pascal de Jesus. Sobre o Lava-Pés, o Cardeal explicou que, com esse gesto, Jesus mostra aos apóstolos e a todos que se o Mestre, de forma humilde e sincera, se coloca em atitude de servir e não de ser servido, isso deve ser repetido por aqueles que o seguem. “A celebração da missa e a recepção da Eucaristia sempre devem estar unidos à caridade, com o serviço ao próximo, com a nossa vida colocada a serviço de quem está perto de nós ou de quem precisa”, disse Dom Odilo. Ao fim da missa, o Cardeal pediu que os católicos tenham especial zelo pela Eucaristia, pois “nela está contido todo o bem da Igreja, que é Jesus Cristo”. Na sequência, o Arcebispo conduziu Santíssimo Corpo do Senhor até a Capela da Ressurreição, onde os fiéis permaneceram em vigília e adoração. (Colaborou Daniel Gomes)

Na Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, celebrada na Sexta-feira Santa, 14, na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, convidou os fiéis a refletir sobre qual posição tomar na cena da Paixão, a partir das personagens apresentadas na narrativa do evangelista São João. “Celebramos no rito aquilo que se realizou de fato na vida de Jesus, sobretudo nos seus últimos dias aqui na terra. Somos convidados a nos unirmos com fé profunda e a aderirmos ao mistério da nossa salvação e redenção que se realizou na vida de Jesus”, afirmou o Cardeal, na homilia.

Judas e Pedro

Ao apresentar cada personagem da Paixão, Dom Odilo destacou os dois apóstolos que têm suas fraquezas ressaltadas: Judas, que traiu o Mestre com um beijo, foi aquele que, embora tendo feito o mesmo caminho dos apóstolos, nunca aderiu plenamente ao seguimento de Jesus. “Judas era um grande corrupto, não era íntegro nem transparente... sua religiosidade não era verdadeira. Fingia ser amigo de Jesus, mas estava interessado em tirar proveito de Jesus”, disse. Já Simão Pedro era um apóstolo sincero, porém fraco, impulsivo, cheio de boa vontade, mas que não conhece a própria fragilidade. “Pedro é fraco e não lembra do vínculo que o une a Jesus, tenta salvar sua pele e nega aquilo que há de mais sagrado”, afirmou o Cardeal, salientando que o apóstolo representa muitos daqueles que são corajosos até que venha a provação. “Ele nos dá o exemplo com o seu arrependimento, o reconhecimento sincero da própria fraqueza”.

Autoridades religiosas

As autoridades religiosas que acusam Jesus representam os que usam mal seu poder religioso, vertendo-o para seus interesses, sem discernir corretamente o significado da própria autoridade. “É muito sério isso hoje... A manipulação religiosa do povo, a instrumentalização da religião. Fazer guerra em nome de Deus, matar os outros em seu nome, manipular as consciências...”, alertou Dom Odilo.

Pilatos e Herodes

Autoridade civil mais próxima, à qual os judeus recorreram para conseguir a condenação de Jesus, Pilatos parecia acreditar na inocência de Jesus. Mas, apegado ao seu poder e sentindo-se ameaçado pelos religiosos, o entrega, lava as mãos e pensa não se comprometer com sua morte. “Pilatos representa tantas au-

toridades apegadas ao próprio cargo que, por conta disso, não cuidam da verdade, da justiça e do próprio ofício em favor do povo, o usam em própria vantagem... Deus nos livre de Pilatos também em nossos dias”, afirmou Dom Odilo. Já o rei Herodes é aquele que está muito convencido da sua posição, não teme a justiça de Deus, nem a dos homens e, por isso, é capaz de fazer qualquer coisa muito seguro de seu poder.

Barrabás e a multidão

Ao falar do assassino que foi solto no lugar de Jesus, Dom Odilo chamou a atenção para a multidão que, manipulada e corrompida, preferiu Barrabás a

Maria, João e as mulheres

Junto da cruz de Jesus estavam sua mãe e outras duas mulheres, acompanhadas de São João. “Eles representam todos aqueles que, em meio às contradições, mantêm firme sua postura, sua fé e moral, mesmo quando o caminho não parece claro”, destacou Dom Odilo, convidando a refletir sobre o perigo do abandono fácil da fé e da Igreja. “Olhando para essas personagens, peçamos a graça do discernimento e da perseverança no caminho da nossa fé”.

Via-sacra

Após a celebração, que tem como ponto alto o rito de adoLuciney Martins/O SÃO PAULO

Jesus. “Será que às vezes as multidões em nossos dias também não são corruptas, ou se deixam manipular? Por que no Brasil demoramos tanto para abrir a boca contra a corrupção, para aclamar com força o respeito pela vida e pela dignidade das pessoas? Por que custa tanto tomar posição quando se trata da verdade, da justiça, da dignidade e da honestidade?”

Soldados

Os guardas que levaram Jesus para ser crucificado também se divertem com Ele sem saber porque havia sido condenado à morte. “Eles não são culpados pela condenação de Jesus. Porém, exageram na execução do condenado, entram no jogo geral do desprezo”, disse o Arcebispo, salientando que esse papel devia levar todos a pensar na dignidade de suas reações, especialmente nas mídias sociais, diante de fatos, notícias e fofocas, e a não aderir com facilidade a acusações, insultos e condenações quando nem se sabe do que se trata.

ração da Cruz, houve uma ViaSacra pelas ruas do centro da cidade, que foi concluída com o tradicional Sermão das Sete Palavras, proferido pelo cantor, escritor e compositor Padre Zezinho, scj. Essa pregação se baseia nas últimas frases ditas por Jesus antes de sua morte: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”; “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”; “Mulher, eis aí o teu filho. Filho eis aí a tua Mãe!”; “Tenho Sede!” “Meu Deus, meus Deus, por que me abandonastes?”; “Tudo está consumado!”; “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!”. Em entrevista ao O SÃO PAULO, Padre Zezinho destacou que nos últimos momentos de sua vida, Jesus conversou com um pecador arrependido, a quem concedeu a salvação, com sua mãe e com o discípulo, entregando um ao cuidado do outro, e ao Pai pedindo perdão pelos que o torturavam. “Isso mostra que até o último momento Ele não pensou em si, mas sempre se preocupou com os outros”, afirmou.


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Campanha da

em aldeias ou espalhados pelos bairros, os povos indígenas lutam para preservar sua cultura das mais diversas formas Nayá Fernandes

A

nayafernandes@gmail.com

urytha Tabajara (foto) estava no Pateo da Cruz, no campus da PUC-SP, em Perdizes, na zona Oeste, vestida com uma blusa verde e usando brincos e colar de penas e sementes. Durante o intervalo do cursinho pré-vestibular que faz na Universidade, em preparação para a prova que pretende prestar no fim deste ano, ela falou com a reportagem do O SÃO PAULO. Na capital paulista, a indígena do povo Tabajara divide o aluguel com uma prima no bairro do Jabaquara, na zona Sul, e já trabalhou numa empresa de telemarketing, como babá, cuidadora de idosos e diarista para conseguir se manter por aqui. A situação de Aurytha é a mesma de muitos indígenas que vem para “a cidade grande” por motivos diversos e aqui tentam estudar ou trabalhar. Ao contrário do que imagina a maioria da população, nem todos os povos indígenas vivem em aldeias. No município de São Paulo, por exemplo, somente os Guarani vivem em aldeias, que estão localizadas nas imediações dos bairros de Parelheiros e do Jaraguá. Outros povos como os Pankararu, os Pankareré ou os Kariri-xocó vivem espalhados pela cidade, concentrados ou não nos bairros. A principal motivação para sair das suas aldeias de origem, na maioria das vezes, é a mesma de qualquer brasileiro: buscar melhores condições de vida para si, suas famílias e seu povo. Foi isso que trouxe Wiryçar (foto na página 15) a São Paulo. Casado e pai de três filhos, o cacique do grupo Kariri-xocó foi praticamente enviado pela sua aldeia para uma missão: divulgar a cultura e levantar recursos para sua família e para os kariri-xocó que ficaram em Alagoas.

Mais de 300 povos que falam 200 línguas no Brasil

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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(IBGE), de 2010, há 305 etnias indígenas no Brasil, que falam 274 línguas diferentes. Embora haja uma situação muito precária dos Guarani, no Jaraguá, onde cerca de 700 pessoas vivem num espaço com 1,7 hectares, impressiona escutar as crianças falando o tupi guarani. Mas essa não é a realidade de muitas etnias. Dos entrevistados para esta reportagem, apenas os Guarani conseguiram preservar a língua. “No Nordeste, os povos indígenas foram proibidos de falar suas línguas. Meus avós contam que viviam como fugitivos. Eram caçados e mortos simplesmente por serem indígenas. Eles já se fizeram de mortos para não serem assassinados de fato. Falar a língua e não o português era definitivamente proibido. Hoje, há uma antropóloga que está fazendo um trabalho de resgate da nossa língua na aldeia”, contou Aurytha, que desde os 8 anos anota as histórias contadas pela avó, Francisca Binga.

Tabajara

Em 2017, Aurytha conseguiu, finalmente, elaborar um projeto de contação de histórias indígenas nas escolas. “Estou tentando há cinco anos, mas só agora, com a ajuda de um professor da PUC-SP, consegui elaborar o projeto” contou à reportagem, enquanto tirava da mochila os livros e folhetos que já escreveu e as antologias das quais participa desde que chegou a São Paulo. A indígena que pretende formar-se em Letras antes de voltar para a aldeia, disse que viveu aqui, em determinado momento, uma crise de identidade que a fez enfrentar uma profunda depressão. “De repente, depois de um ano tentando trabalho sem conseguir nada, desanimei, porque as coisas estavam difíceis demais para mim. Mas pensei que antes eu precisava voltar ao Ceará e falar tudo para minha avó. ‘Filha, você precisa ouvir o rio’ – disse minha avó. Ficamos uns 20 minutos em silêncio a beira do rio. E ela, então, me perguntou se eu tinha aprendido algo. Como minha resposta foi negativa, ela disse: ‘O objetivo do rio é desaguar em um rio maior. Se ele parar, se existir algo que seja obstáculo como o lixo, por exemplo, a água vai apodrecer, porque ele não teve energia para continuar. A mesma coisa vai acontecer com

Luciney Martins/O SÃO PAULO

você. Se desistir, você não vai conseguir continuar. Depois daquela conversa, eu voltei para São Paulo, mas foi totalmente diferente. Comecei a procurar indígenas de outras etnias e me aproximei mais deles. Isso foi muito importante para mim”, comentou Aurytha, que já trabalhou ao lado de Daniel Munduruku, doutor em Educação pela USP, fundador do Projeto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais e membro fundador da Academia de Letras de Lorena (SP), onde mora atualmente com sua família. As aldeias Imburana e Cajueiro ficam no munícipio de Poranga (CE), uma cidade que tem 11 mil habitantes, dos quais mais de mil famílias são das etnias Tabajara e Kalabaça. “Poranga era só mata. Os fazendeiros que procuravam lugar para o gado, a encontraram, mas os Tabajara já estavam lá. A cidade cresceu em volta da aldeia, que fica entre três pedras, em cima de uma serra. No início da habitação, quiseram nos expulsar, mas os povos Tabajara já tinham se juntado aos Kalabaça e com lideranças fortes, conseguiram manter-se ali. Contudo, a terra ainda está em fase de estudo e não foi demarcada”, explicou Aurytha, que é também formada em Magistério.

‘Cultura não tem cor’

Em São Paulo, seu primeiro emprego foi como operadora de telemarketing.

“Demorei um ano para conseguir trabalho. Eu percebi tarde que era preciso acompanhar um determinado padrão de roupa, maquiagem, modo de falar e, principalmente, que eu não podia me apresentar como indígena. No começo, eu chorava muito quando saía de uma entrevista de emprego e, por isso, entrei em depressão”. Além da horta e do artesanato, os indígenas nas aldeias Cajueiro e Imburana sobrevivem da caça e muitos trabalham nas próprias aldeias ou fora delas. “A caça mais comum é o peba [uma espécie de tatu] e a cotia. Temos um ritual próprio para a caça e tudo o que é conseguido, é compartilhado. Além disso, se alguém está numa situação de dificuldade, todos se unem para ajudar”, explicou. Aurytha saiu da aldeia porque desde pequena queria conhecer outras culturas, num lugar que fosse diferente de onde nasceu. “Mas minha avó não me deixava sair. Agora, não quero ir para lá sem contribuir com meu povo, por isso pretendo concluir a faculdade. Quando voltar, vou me colocar à disposição, e eles vão me conduzir. Em São Paulo, aprendi a valorizar minha cultura e adquiri conhecimentos sobre os direitos dos povos indígenas, que eu jamais teria se tivesse continuado ali”, disse a tabajara que recordou à re-


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Guarani Mbya

Ele ficou conhecido no mundo inteiro depois de tirar uma faixa vermelha na qual estava escrito “Demarcação”, durante a abertura da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 2014. Jeguaka Mirim tinha 13 anos na época e é filho de Olívio Jekupê, liderança indígena da aldeia Krukutu, do povo Guarani Mbya. “Foi muito importante, porque naquele momento as comunidades indígenas ficaram mais conhecidas, bem como sua principal luta: a demarcação de suas terras”, disse Olívio, em entrevista ao O SÃO PAULO. Olívio nasceu no Paraná e tem cinco filhos. A aldeia onde ele mora atualmente fica na região de Parelheiros, no extremo sul da capital. Lá vivem cerca 300 pessoas, numa extensão de 25 hectares. Ele é autor de 15 livros, palestrante e um dos fundadores da associação dos Guarani. Na aldeia há uma escola do Estado, um Centro de Cultura Indígena (Ceci), mantido pela prefeitura e a Unidade Básica de Saúde (UBS) Krukutu. Além disso, todas as noites eles se reúnem para rezar na Opy’i – casa de reza. “Passaram-se muitos séculos e muitas dominações, mas os Guarani conseguirem permanecer. A Opy’i é o principal lugar da aldeia”, explicou Olívio. Muitos Guarani trabalham dentro da aldeia, outros fazem artesanato que é vendido quando os indígenas recebem grupos de visitantes. Além disso, uma parcela da população é aposentada e eles se organizaram para divulgar a cultura em escolas e eventos, ocasiões em que recebem, também, alguma ajuda de custo, principalmente para as crianças que cantam no Coral Guarani. “Há cerca de dez anos, tivemos muitos problemas de desnutrição, porque não tínhamos água boa. Agora, temos um poço artesiano e isso nos ajudou muito. Água boa é remédio. Temos uma equipe médica na aldeia e agentes de saúde também. O pajé realiza rezas pelos doentes e ensina as pessoas a prepararem seus remédios naturais”, contou o pai de Jeguaka, que também já publicou dois livros, entre eles os “Contos dos curumins guaranis”.

Kariri-xocó

A aldeia Kariri-xocó fica entre Alagoas e Sergipe, perto da cidade de Arapiraca (AL). Wiryçar Kariri-xocó veio para São Paulo há cerca de oito anos. “Já viajei para lugares como Rio de Janeiro e Santa Catarina, mas tenho ficado mais tempo em São Paulo. Vou, porém, na aldeia duas ou até três vezes por ano. Em janeiro, temos um ritual fechado, o Ouricuri, no qual passamos 15 dias no mato, mais uma semana em retiro. Como sou eu responsável pelo retiro, vou cerca de um mês antes para preparar”, contou Wiryçar, que é casado e tem três filhos, todos nascidos em São Paulo. “Não conseguimos mais sobreviver de caça e pesca e, devido à dificuldade de subsistência, resolvemos vir para divulgar nossa cultura e

biomas brasileiros e defesa da vida

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conseguir sobreviver aqui e lá. Além disso, a região em que estamos sofre muito com a falta de chuva. Trabalho aqui como palestrante, em apresentações nas escolas e eventos. Nesses encontros, contamos a verdadeira história dos Kariri-xocó. A sociedade imagina os índios de 500 anos atrás e não a realidade dos povos hoje”, contou à reportagem o indígena, cujo nome significa protetor da natureza. No momento da entrevista, já passava das 20h e Wiryçar tinha acabado de chegar de Jundiaí (SP), onde havia palestrado e feito apresentações de danças para os estudantes e professores. Os eventos são também uma oportunidade para venda do artesanato trazido do Alagoas. Na aldeia dos Kariri-xocó vivem cerca de 5 mil indígenas. A principal fonte de renda é o artesanato, vendido em todo o Brasil. Há um grupo de mulheres que faz copos e panelas com o barro da própria aldeia e os troca por feijão e farinha no interior do Estado. “Este ano, conseguimos eleger dois vereadores. E há, ainda, aqueles que são professores e agentes de saúde”, explicou Wiryçar. O cacique mora na região do Jaçanã, na zona Norte, e seu último filho, Wiryçar Tenório da Silva tem apenas 6 meses e nasceu no hospital São Luiz Gonzaga. Registrado com nome indígena, situação que só foi permitida pelos cartórios brasileiros após uma resolução do ano de 2012, o pequeno provavelmente irá aprender logo algumas palavras usadas pelos Karirixocó em seus rituais.

Estratégias de resistência

Ao ser perguntado sobre a situação de empobrecimento em que vivem os indígenas nas comunidades urbanas, principalmente os Guarani, que estão nas aldeias do Jaraguá, Daniel Muduruku afirmou que a presença indígena na cidade é sinal de que um modo de vida diferente é possível. “Os indígenas urbanos são fruto de um fenômeno muito comum na sociedade brasileira: a questão territorial, que obriga à migração. Penso também que tal êxodo tem ocorrido por conta da necessidade de buscar melhores condições de vida e formação intelectual ou ainda projeção cultural. Grandes centros costumam oferecer opções viáveis para que os indígenas possam viver suas culturas, por mais contraditório que isso possa parecer. Não se trata, portanto, de uma ‘fuga’, mas de autoafirmação identitária que encontra eco em lugares que precisam refletir sobre o tipo de desenvolvimento que rege um país como o nosso. Realmente, eu penso que nossa presença nos centros urbanos acaba se tornando a consciência necessária para que as pessoas reconheçam que outro modo de vida é possível. Nesse sentido, nossas comunidades indígenas urbanas cumprem um papel fundamental na manutenção de uma utopia. Nossas comunidades – apesar das dificuldades que passam – são verdadeiras ‘ilhas de resistência’”, disse Daniel, que nasceu na aldeia dos Munduruku, no Pará, é autor de 50 livros, entre eles “Meu avô Apolinário”, escolhido pela Unesco para receber menção honrosa no Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância.

Arquivo pessoal

portagem um episódio em que foi demitida do emprego no mesmo dia em que contou sua origem.

| Campanha da


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‘A última palavra de Deus é vida, é Ressurreição’ Vítor Alves Loscalzo Especial para O SÃO PAULO

A última segunda-feira, 17, foi marcada pela alegria e esperança pascal no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na região central de São Paulo. A rotina de atendimento de emergências do segundo andar do hospital foi quebrada pela presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, que presidiu a Santa Missa na liturgia do Domingo de Páscoa, reunindo pacientes, enfermeiros, funcionários, membros da Pastoral da Saúde e o capelão do Emílio Ribas, o Padre João Mildner. Dom Odilo ressaltou aos enfermos que a Ressurreição de Jesus Cristo foi para todos. O Cardeal exortou os participantes da celebração a seguir lutando contra suas enfermidades, unindo suas dores às de Cristo na Cruz. “Desejo uma feliz Páscoa a todos. Lembrem-se: a última palavra de Deus é vida, é Ressurreição. A Ressurreição é a vitória

de Deus sobre tudo aquilo que se opõe ao projeto dele para cada um de nós”, recordou Dom Odilo ao iniciar a celebração. Era visível o esforço que faziam os pacientes – alguns com soro e outros em situação bastante debilitada – para acompanhar a missa e poder viver o mistério pascal. Os que acompanham os doentes, dentre eles, enfermeiros, religiosos, familiares e amigos, também foram mencionados por Dom Odilo. “Vocês fazem o papel das santas mulheres que confortaram e consolaram Nosso Senhor Jesus Cristo no caminho do Calvário e ao pé da Cruz, durante sua Paixão”, reconheceu o Cardeal. “Imagino que vocês que trabalham com os doentes muitas vezes fazem isso, além de cuidar das feridas da alma, confortam e consolam a quem está aqui dentro; ajudando-os a carregar a cruz, na esperança de encontrar a vida e voltar para suas casas”, concluiu Dom Odilo. Ao fim de celebração, foram distribuídos ovos de páscoa aos pacientes e acompanhantes.

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Dom Odilo Scherer conversa com pacientes do Emílio Ribas após a celebração da Páscoa, dia 17

Dom Cláudio: Jesus morre para restaurar aquilo que tínhamos perdido Júlia Cabral

Júlia Cabral

ESPECIAL PARA O SÃO PAULO

Dom Cláudio Hummes batiza criança durante Vigília Pascal

Após fazer a bênção do fogo novo, o Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, presidiu a Vigília Pascal na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Região Sé, no sábado, 15. Na homilia, Dom Cláudio disse ser aquela a noite que já preparava o povo “para a alegria da Ressurreição do Senhor”. Explicou, também, que a celebração da Ressurreição de Cristo é toda embasada no grande projeto de Deus e no Amor por seu povo, que teve início na criação, “mas, depois, vem o pecado dos homens; o querer por si mesmo traçar seu próprio destino e definilo. Deus o tinha feito livre, inteligente e responsável. E o homem não quis mais pedir a luz de Deus; quis seguir seu próprio caminho. Afastando-se de Deus, o homem se afastou da Verdade, do Amor e da Vida. Nessa mesma medida, ele encontrou o erro, o ódio e a morte. Mas Deus não desistiu de seu sonho. Ele possibilitou um novo começo! Ele começa de novo uma grande pedagogia através daquela história de séculos para finalmente enviar o seu Filho. E esse Filho vai carregar sobre si todos os nossos pecados, todas as nossas maldades; Ele os vai

carregar em seus ombros e vai ser pendurado na Cruz”. Dom Cláudio disse ainda que a renovação dos laços com Deus é o maior motivo da festa. “Quando Deus ressuscita Jesus dos mortos, Ele vence a morte; Ele restaura a Verdade, a Vida, o Amor e também a Paz. E por isso, no dia da sua Ressurreição, quando Ele encontra os discípulos pela primeira vez, diz: ‘A paz esteja com vocês’. Jesus não tinha dito isso nenhuma vez; é depois da Ressurreição que Ele diz. Ele havia refeito o caminho entre Deus e os homens; Ele era a própria ponte, através da qual poderíamos chegar de novo a Deus e, assim, chegar à Verdade, ao Amor e à Vida de novo. Por isso, a Igreja celebra a Páscoa”. Por fim, falou sobre a restauração da paz através da Ressurreição, e do dever cristão de continuá-la. “O mundo está ameaçado pelas violências das guerras. Cada dia, cada semana, temos atos de terrorismo pelo mundo afora. Temos ameaça de guerras, temos bombas explodindo, temos gente falando alto e grosso. O Brasil também está muito dividido, com muitos conflitos, está em crise. E a partir daí podemos falar também: Cadê a verdade? Cadê o amor mútuo, cadê a vida? Jesus veio trazer a paz. E é isso que temos que construir”. Dom Cláudio presidiu na manhã do dia seguinte, 16, às 9h, a Missa de Páscoa na Catedral da Sé.

Dom Carlos Lema Garcia visita a Fapcom Redação

osaopaulo@uol.com.br

A Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom) recebeu no dia 4 Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e vigário episcopal para a Educação e a Universidade. Após breve reunião com a direção da Fapcom, Dom Carlos visitou uma das turmas do curso de Filosofia, na disciplina de Filosofia Medieval. O Bispo aproveitou a oportunidade para comentar sobre Santo Agostinho, tema que era discutido em

sala. Além disso, explicou o propósito de sua visita e o trabalho desenvolvido pelo Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade. “Nossa ideia é levar a presença da Igreja, presença do ensino religioso, da solidariedade, a todos da educação. Sabemos que para ter um país e uma sociedade melhor no futuro, nós precisamos de educação de qualidade e essa é uma das nossas preocupações. A Igreja se preocupa com isso”, declarou. Dom Carlos aproveitou para conhecer a Pastoral Universitária da Fapcom, onde

teve contato com os jovens que se reúnem às terças-feiras durante o período do intervalo em um grupo de oração. A visita foi finalizada na sala dos professores, onde o Bispo conversou com os docentes. Ele falou da importância dos professores que levam nas mãos os futuros líderes da sociedade. “Acho sempre válido pensar dessa maneira: dá trabalho ser professor. Imaginem, vocês estão dando aula à noite, acredito que já deram aula de manhã, e amanhã cedo darão aula novamente. A vida do professor precisa de dedicação, mas creio eu que o professor,

antes de tudo, tem uma vocação que o leva a lecionar, é e essa vocação que fala, vamos ajudar essa juventude, vamos dialogar”. O diretor da Fapcom, Padre Antônio Iraildo Alves de Brito, agradeceu a presença de Dom Carlos e ressaltou a importância do dia por ser o aniversário do fundador da Paulus, o Padre Tiago Alberione (1884-1971). O Bispo disse ainda que a Fapcom tem origem no carisma de Alberione, e, de certa maneira, tem uma forma acadêmica moderna da Igreja se manifestar. (Colaborou Matheus Macedo)


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Sé Dom Eduardo vivencia a Semana Santa com a Missão Belém Lucas Santos

Colaboração especial para a Região

O bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Sé, Dom Eduardo Vieira dos Santos, presidiu algumas das celebrações da Semana Santa no Sítio Santa Marta, da Missão Belém, na cidade de Jundiaí (SP). Na Quinta-feira Santa, 13, Dom Eduardo presidiu a Missa da Ceia do Senhor. Segundo Viviana Postiglione, da Missão Belém, “foi uma experiência muito significativa para os nossos queridos irmãos acolhidos, pois a maioria participou pela primeira vez dessa missa, e com simplicidade puderam entrar nesse mistério”, relatou. “Algo que impressionou os irmãos é que tiveram seus pés beijados. Talvez, eles nunca viram um bispo que se ‘rebaixasse’

a tal ponto para beijar os pés de alguém”, completou. Dom Eduardo também presidiu a Solene Vigília Pascal, no sábado, 15, algo que segundo Viviana, “proporcionou aos irmãos acolhidos pela Missão Belém uma experiência especial, pois além de todo rito que por si só já nos introduz no mistério da Ressurreição, três irmãos tiveram a graça de receber o corpo de Cristo pela primeira vez”, recordou. A missa do Domingo de Páscoa, 16, também foi presidida pelo Bispo. Ao final, todos agradeceram por sua presença nesses dias, não só pelas missas, mas também por ter ministrado o sacramento da Penitência para mais de 30 pessoas.

Missão Belém

Dom Eduardo Vieira junto a acolhidos e colaboradores da Missão Belém, em Jundiaí (SP)

Em celebração penitencial, clero se prepara para a Páscoa Centro de Pastoral da Região Sé

Celebração penitencial do clero é realizada na matriz da Paróquia São Francisco de Assis, dia 12

Festa de São Benedito começará dia 26 A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Paulo realizará a Festa de São Benedito 2017, com o tema “Nos braços de São Benedito está nossa fé”, na igreja dedicada ao Santo no largo

AGENDA REGIONAL Segunda-feira, 24, 19h30

Encontro de reflexão promovido pelo Setor Catedral sobre a Carta Pastoral “Viva a Mãe de Deus e nossa!”, do Cardeal Scherer, por ocasião do Ana Mariano Nacional. Será no Mosteiro de São Bento (largo São Bento, próximo ao metrô), com assessoria do Padre Luiz Claudio de Almeida Braga.

do Paissandu, na região central da cidade. A missa de abertura será no dia 26, às 18h, com a entronização da imagem do Santo. Antes, às 17h30, haverá o hasteamento do mastro de São Benedito. Nos dias 27 e 28, as celebrações serão às 18h. No domingo, 30, data da festa solene, haverá missa às 7h30, seguida de procissão às 8h30. Outra missa acontecerá às 9h, na qual se fará a distribuição dos pães bento. Às 15h, para demarcar o término da festa, será descido o mastro de São Benedito. Outras informações podem ser obtidas com o Padre Lázaro Fernandes, capelão, pelo telefone (11) 3223-3611.

Na manhã da quarta-feira, 12, o clero atuante na Região Sé reuniu-se para a celebração penitencial na Paróquia São Francisco de Assis, no Setor Pastoral Catedral, sendo acolhido pelo pároco, Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM, que apresentou um breve histórico do templo, que em 2017 completa 370 anos. Frei Gustavo Wayand Medella, OFM, conduziu o momento de oração, e Frei

José Almy Gomes, OP, o momento de reflexão, após o qual os clérigos se confessaram. Ao término da celebração, Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, dirigiu algumas palavras ao clero. O encontro terminou com almoço oferecido pela Paróquia, do qual participou o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano. Maria Amélia Rebucci/Paróquia Nossa Senhora Aparecida

No Domingo da Páscoa da Ressurreição, 16, o Cardeal Scherer presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Setor Pinheiros, concelebrada pelo Padre Domingos Geraldo Barbosa de Almeida Jr, pároco. Na homilia, Dom Odilo lembrou que os cristãos não podem ser desanimados como estavam os discípulos de Emaús, mas ter esperança e acreditar no Cristo Ressuscitado, que é a luz e que dá a vida nova.

Marcos Vinícius Gomes/Paróquia Santa Cecília

Ellen Brito

Na Sexta-feira Santa, 14, Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Sé, concelebrou a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, na Paróquia Santa Cecília, na região central da cidade. A presidência foi do Padre Ailton Bernardo de Amorim, vigário paroquial, e outro concelebrante foi o Cônego Alfredo Nascimento Lima, pároco. Após a ação litúrgica, o Bispo atendeu algumas pessoas em confissão.

Na Sexta-feira Santa, 14, o grupo de jovens Dynamus, da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, realizou a encenação teatral da Via-Sacra da Paixão de Jesus, na praça Rooselvet, próxima à igreja. A encenação foi preparada pelos jovens desde o começo do ano e teve como propósito especial evangelizar as pessoas que estão viciadas em drogas e álcool, no sentido de que podem encontrar vida nova junto ao Cristo ressuscitado.


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Brasilândia Sacerdotes para ajudar na santificação do povo

Ernesto Dias, Cleber Moraes, Macilene Leite e Júlio Cesar Oliveira

Ernesto Dias

Dom Devair ladeado por Dom Angélico e clérigos que atuam na Região Episcopal Brasilândia

2 mil pessoas acompanham a encenação da Paixão de Cristo no Jardim Peri O grupo de teatro da Paróquia Santa Cruz, no bairro do Jardim Peri, na zona Norte, realizou pelo 10º ano a encenação teatral da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, na Sexta-feira Santa, 14. Com o título “Paixão de Cristo Segundo Todos Nós”, a encenação propôs a reflexão sobre as atitudes de cada pessoa frente ao contexto social, político e religioso, traçando um paralelo entre os relatos bíblicos e a atualidade. Segundo o diretor da encenação, Cleber Moraes, e a coordenadora, Macilene Leite, durante a encenação da vida de Jesus “mostramos o domínio

Padres e diáconos permanentes que atuam na Região Brasilândia participaram, na noite da quarta-feira, 12, na Paróquia São Luís Gonzaga, no bairro de Pirituba, da Missa do Crisma, presidida por Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, e que teve entre os concelebrantes Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC). Na ocasião, Dom Devair abençoou os santos óleos – o óleo para a unção dos catecúmenos, o óleo para a Unção dos Enfermos, e o óleo do Crisma para os grandes sacramentos que conferem o Espírito Santo – e os presbíteros fizeram a renovação das promessas sacerdotais. Dom Devair destacou que cada padre, num dado momento da vida, rece-

Colaboração especial para a Região

beu o chamado de Deus ao sacerdócio e, ao atendê-lo, passou a ajudar na santificação do povo. O Bispo exortou os sacerdotes a sempre lembrarem do momento em que foram tocados por Deus, a refletirem sobre esse encontro e a renovarem a fé pela Palavra de Deus, fortalecendose para dar continuidade à caminhada de evangelização e à condução dos fiéis ao coração misericordioso de Jesus. Ao comparar os sacerdotes que ocupavam o presbitério a “simples vasos de barro”, que estão cheios da graça de Deus pelo sacramento da Ordem, cada qual com suas características e experiências de vida próprias, o Bispo ressaltou aos leigos a necessidade de muita oração, muito amor e misericórdia para que cada padre possa enfrentar as dificuldades cotidianas. Julio César de Oliveira

implacável dos que detém o poder, manipulando a opinião da grande massa em benefício próprio, fazendo do dinheiro, do status e da posição social ‘deuses’ a serem seguidos e cultuados. Cenário muito semelhante ao que vivemos hoje”. A apresentação atraiu um público de aproximadamente 2 mil pessoas. A encenação foi produzida sem patrocinadores e envolveu aproximadamente 70 pessoas entre atores, equipe técnica e músicos. Como gesto concreto, este ano foram arrecadados alimentos não perecíveis para destinar às famílias carentes da comunidade.

A Semana Santa foi vivenciada de modo intenso na Paróquia São José de Vila Palmeira. Neste ano, houve a volta da apresentação da cerimônia judaica na Missa da Ceia do Senhor e o retorno das encenações teatrais sobre a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo (foto). Também aconteceu a missa da ressurreição, com o encontro das imagens do Cristo Ressuscitado com a de Maria, nas primeiras horas do Domingo de Páscoa. Ernesto Dias

Paróquia Santa Cruz

Na Sexta-feira Santa, 14, aconteceu na Escola Estadual José Barbosa de Almeida, no bairro do Morro Grande, a 20ª edição da Encenação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, conduzida pelo grupo de teatro da Paróquia Santa Rita de Cássia, com um elenco de aproximadamente 60 pessoas. Ao final da apresentação, houve a procissão com o Senhor Morto até a Comunidade Nossa Senhora da Alegria/São Paulo Apóstolo. Paróquia Santo Antônio

Cena da encenação da Paixão de Cristo realizada pelo grupo de jovens da Paróquia Santa Cruz

Os fiéis da Paróquia Santo Antônio, na Vila Brasilândia, comemoraram os 28 anos de ordenação sacerdotal do Cônego José Renato Ferreira, pároco, durante as missas do Domingo de Páscoa, 16.


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Belém Com Dom Luiz Carlos, presbíteros renovam promessas sacerdotais Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

Às vésperas do início do Tríduo Pascal, na noite de Quarta-feira Santa, 12, a Região Episcopal Belém celebrou a Missa do Crisma, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no bairro da Água Rasa. A celebração reuniu representantes das 65 paróquias da Região, lideranças leigas, religiosas, diáconos e padres atuantes nos dez setores pastorais. Essa foi a primeira vez que Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, presidiu essa celebração. Antes da missa, Dom Luiz Carlos se reuniu no salão paroquial com o clero atuante na Região para uma breve saudação. Ele recordou sua alegria em servir a Igreja como bispo. “Passado quase um ano, me sinto realizado”, afirmou. “Eu admiro esse clero que aqui está. Padres e diáconos, minha gratidão ao trabalho que vocês desempenham. E que não falte ânimo para a missão”, disse ao presbitério, pedindo comunhão. “Rezem por mim. Conto com vocês!”, completou. Na missa, Dom Luiz Carlos destacou, ainda, que neste período em que está na Região, em suas “andanças”, ouviu muitos testemunhos e relatos que mostram a história de uma Igreja viva, atuante, próxima do povo, dedicada ao povo ao assumir causas como moradia, ações junto a crianças desamparadas. “Quantos trabalhos que mostram uma Igreja corajosa, empenhada e com profunda sintonia com as necessida-

Peterson Prates

Na Missa do Crisma, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no dia 12, Dom Luiz Carlos Dias abençoa óleos que são usados em sacramentos

des do seu povo”, manifestou, na homilia. Perante o Bispo e o povo de Deus, os mais de cem presbíteros renovaram suas promessas sacerdotais assumidas no dia da ordenação. “Percebam como são amados”, disse Dom Luiz Carlos aos padres. Seguindo o rito da celebração, foram abençoados os óleos usados nos sacramentos do Batismo e da Unção dos Enfermos, e foi consagrado o óleo do Crisma, preparado por Dom Luiz Carlos, que misturou bálsamo perfumado ao óleo de oliveira. Na liturgia de consagração, o bispo sopra sobre o óleo, como sinal do sopro do Espírito Santo, seguido da im-

posição das mãos, por todos os presbíteros. O Crisma é utilizado nas ordenações presbiterais e episcopais, na unção de altares e na dedicação de igrejas, e nos ritos de Batismo e Confirmação. Em nome do clero atuante na Região, Padre Rodrigo Thomaz dirigiu uma

mensagem de felicitações pascais a Dom Luiz Carlos no primeiro ano em que celebra a Páscoa como Bispo na Região. “Que a alegria do Evangelho e a luz do Ressuscitado te acompanhem no seu ministério episcopal, e que nunca te falte esperança para seguir”, dizia a mensagem. Paróquia São Pedro Apóstolo

Festa da Paróquia Jesus Ressuscitado Segue até domingo, 23, a festa do padroeiro da Paróquia Jesus Ressuscitado. Durante a semana, as missas acontecerão às 20h. No sábado, 22, a celebração eucarística será às 19h, e no domingo, 23, acontecerão quatro missas, às 8h, 10h, 15h

e 19h. Haverá, ainda, o Almoço de Estrogonofe, às 12h (convites a R$ 20,00) e uma tarde festiva com prêmios, a partir das 14h. A igreja-matriz fica na rua Plutão, 61, na Cidade Satélite Santa Bárbara. Outras informações pelo telefone (11) 2919-2347.

Dom Luiz Carlos Dias presidiu o Tríduo Pascal na Paróquia São Pedro Apóstolo, no Setor Vila Prudente: Na Quinta-feira Santa, 13, a Missa da Ceia do Senhor, com o rito do Lava-Pés (foto); na Sexta-feira Santa, 14, a Paixão do Senhor, tendo também participado, à noite, da Via-Sacra pelas ruas próximas à igreja-matriz, que foi encenada pelo grupo de jovens Libertà. Por fim, na noite do Sábado Santo, 15, a Vigília Pascal.

Peterson Prates

Nayara Oliveira

No dia 5, o clero atuante na Região Belém se reuniu no Centro Pastoral São José para o seu encontro mensal, conduzido por Dom Luiz Carlos Dias e pelo coordenador de pastoral, Padre Marcelo Maróstica. Entre os assuntos em pauta estavam o processo de criação dos Conselhos Pastorais Paroquiais e dos Conselhos de Assuntos Econômicos; e as Coletas da Solidariedade, da Evangelização e dos Lugares Santos. Também a animação vocacional e a nomeação dos assistentes eclesiásticos foi tratada.

Os jovens da Paróquia Nossa Senhora da Esperança, no Setor Sapopemba, realizaram a encenação da Paixão de Cristo no fim da tarde da Sexta-feira Santa, 14. A encenação, que completou dez anos, aconteceu depois da procissão do encontro das imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos. O teatro se deu em vários ambientes, onde os fiéis puderam caminhar até o ponto da crucificação, refazendo o caminho do Calvário.


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Santana Dom Sergio de Deus: Sacerdotes, sejam mestres de oração

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu na noite da quarta-feira, 12, na Paróquia Sant’Ana, a Missa do Crisma, que é um prelúdio do Tríduo Pascal, que se inicia com a missa vespertina da Ceia do Senhor. A celebração eucarística também é popularmente conhecida como “Missa dos Santos Óleos”, porque o bispo abençoa os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagra o óleo do Crisma. A Liturgia cristã absorveu o costume do Antigo Testamento, em que reis, sacerdotes e profetas eram ungidos com o óleo da consagração. Assim, com o santo óleo do Crisma, consagrado pelo bispo, é que os recém-batizados são ungidos e os confirmandos são marcados. Com o óleo dos catecúmenos, os catecúmenos são preparados para o Batismo, e com o óleo dos enfermos, os doentes podem suportar e superar com fortaleza os males e alcançar o perdão dos pecados. Durante a missa, os padres atuantes na Região Episcopal Santana renovaram as promessas sacerdotais pronunciadas no dia da ordenação, o que dá origem

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus abençoa os óleos do Batismo e da Unção dos Enfermos e consagra o óleo do Crisma em missa na Paróquia Sant´Ana

à outra denominação dessa celebração: “Missa da Unidade”, pois é uma das principais manifestações da plenitude do sacerdócio do bispo e símbolo de sua união com seus sacerdotes, expressando a comunhão diocesana em torno da Eucaristia e envolvendo clero e fiéis nessa comunhão eclesial.

Dom Sergio, na homilia, assinalou que um dos óleos é destinado aos catecúmenos e estes indicam que não só os homens procuram Deus, mas que Deus procura os homens. O Bispo dirigiu-se aos sacerdotes orientando-os para que sejam mestres de oração. Ele lembrou que existem di-

ficuldades devido ao ritmo da vida, que traz muitos empecilhos, mas o momento de oração é o primeiro serviço que o sacerdote presta à sua comunidade. Deve ser um grande momento de prioridade. “Deus é a vossa primeira prioridade”, disse Dom Sergio ao parabenizar os padres pelo seu “sim” a Deus.

Diácono Francisco Gonçalves

Paróquia São Benedito

Padre José Pita presidiu na Paróquia Santo Antônio, no Setor Tucuruvi, onde é pároco, a cerimônia da Sexta-feira Santa, 14, em que os fiéis fizeram a adoração à Santa Cruz.

Jovens da Paróquia São Benedito, no Setor Pastoral Jaçanã, encenaram, pelas ruas próximas à matriz-paroquial, a Paixão de Cristo, na Sexta-feira Santa, 14.

Paróquia Jesus no Horto das Oliveiras

Paróquia Sagrada Família

A Paróquia Jesus no Horto das Oliveiras promoveu, no dia 8, a Ceia Judaica de Páscoa (Seder de Pessah), que é tradição na comunidade. Durante o rito, os presentes conheceram alguns elementos da ceia que Jesus, um judeu da Palestina, celebrava todos os anos.

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, presidiu a Vigília Pascal, no Sábado Santo, 15, na Capela Nossa Senhora de Guadalupe, pertencente à Paróquia Sagrada Família, no Setor Pastoral Mandaqui.


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Lapa Com Dom Odilo, clero participa da Missa do Crisma Padre Antonio Francisco Ribeiro e Benigno Naveira Colaboradores de comunicação da Região

Aconteceu na quarta-feira, 12, na Paróquia São João Bosco, no Setor Pastoral Leopoldina, a Missa do Crisma com o clero atuante na Região Lapa, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. Na celebração, foram abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o óleo do Crisma. Na ocasião, os padres também renovaram suas promessas sacerdotais. Dirigindo-se aos padres, Dom Odilo, na homilia, afirmou que Deus concedeu aos sacerdotes a graça de participarem do sumo e eterno sacerdócio de Cristo como ministros ordenados e os escolheu para serem dispensadores dos mistérios divinos na missão de ensinar, celebrar os sacramentos e seguir Jesus Cristo, o Bom Pastor, doando a vida por amor a todos os seres humanos. Ainda segundo o Arcebispo, a Eucaristia une a todos na tarefa comum de construir a Igreja de Cristo e viver com autenticidade a missão na cidade de São Paulo. No final da celebração, o Cardeal convidou os fiéis a rezarem sempre pela santificação do clero e destacou a comemoração do Ano Mariano Nacional, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Arquivo pessoal

Cardeal Scherer preside Missa do Crisma, com a participação do clero atuante na Região Episcopal Lapa, dia 12

Um mistério maior do que a morte Benigno Naveira

Padre Rocha conduz o Círio Pascal em procissão na Paróquia Sagrado Coração de Jesus

Na noite do Sábado Santo, 15, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Setor Pastoral Butantã, os fiéis participaram da Vigília Pascal, presidida pelo Padre Jorge Pierozan, pároco, mais conhecido como Padre Rocha, vigário episcopal da Região Lapa. “Nesta noite santa em que nosso Senhor Jesus Cristo passou da morte para a vida, a Igreja convida seus filhos a se reunirem em vigília e oração”, motivou o Sacerdote, no início da celebração, na bênção do fogo novo, em que foi aceso o Círio Pascal. Em procissão, Padre Rocha entronizou o Círio na igreja, que se iluminou com a chama disseminada por pequenas velas nas mãos dos fiéis. Em seguida, a assembleia acompanhou as oito leituras do Antigo Testamento e os salmos, que contam a história da compaixão de Deus com a humanidade. Após a proclamação do Evangelho, o Pároco destacou na homilia: “O anúncio

da Páscoa é que Cristo ressuscitou. Essa é a nossa esperança, alegria e força”. Padre Rocha ressaltou, ainda, que a Ressurreição de Jesus, narrada pelos evangelistas, não foi uma invenção dos cristãos ou uma estratégia de divulgação dos seguidores de Cristo, pois se assim o fosse não encontraria relevância ao colocar como protagonistas as mulheres nas aparições de Jesus, dado que naquela sociedade elas não eram levadas em consideração. Também o túmulo vazio, segundo o Padre, é um indício importante da Ressurreição, evidenciando que Cristo ressuscitou e não que seu corpo foi roubado. O Vigário Episcopal também afirmou que “a Ressurreição é algo que os discípulos demoraram a entender, porque é um mistério maior do que a morte”. Na sequência, aconteceu a liturgia batismal com a Ladainha de Todos os Santos, a renovação das promessas do Batismo, a bênção da água e a aspersão sobre os fiéis.


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Ipiranga ‘O Senhor nos ungiu em Cristo com o óleo da alegria’

Irmã Gabriela Cristina Triervailer e Caroline Dupim

Na noite da quarta-feira, 12, o clero atuante na Região Episcopal Ipiranga esteve reunido na Paróquia-santuário Santuário São Judas Tadeu para a Missa do Crisma, quando foram abençoados os óleos usados nos sacramentos do Batismo e da Unção dos Enfer-

mos, e consagrado o óleo do Crisma. Na missa presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, aconteceu a renovação das promessas sacerdotais, quando todos os padres renovaram diante da as-

sembleia a sua consagração a Deus. O Bispo, na homilia, explicou a importância dos óleos e o uso de cada um deles em seus respectivos sacramentos; e dirigindo-se aos sacerdotes, agradeceu a todos pela vida doada à Igreja. Dom José Roberto também enfati-

Colaboradoras de comunicação da Região

zou o desejo do Papa Francisco sobre a nova evangelização: que seja por meio da atração, e essa se dá pela alegria vivida na vocação. “O Senhor nos ungiu em Cristo com o óleo da alegria. A alegria deve ser a marca do nosso ministério”, afirmou.

Na Via-Sacra com as dores de Jesus e os sofrimentos dos dias atuais Os jovens da Paróquia Santa Ângela e São Serapião, no Setor Pastoral Cursino, realizaram na Sextafeira Santa, 14, a encenação da Paixão de Cristo, e em cenas paralelas, em cada estação da Via-Sacra, representaram fatos da atualidade que remetem ao sofrimento de Jesus. Foram abordados temas como o aborto, a exclusão e humilhação vivenciada pelas pessoas em situação de rua - assim como Jesus foi humilhado e vilipendiado pelos soldados e sumo sacerdotes -, as guerras que impõem à humanidade condições de fome, injustiça, violência e ódio, e a situação das pessoas que são mortas por anunciarem a fé. “Foi uma inovação este ano na Paróquia, uma obra de criatividade dos nossos jovens, que tiveram a audácia de fazer uma atualização da Via-Sacra, ilustrando com os 14 temas mais candentes do nosso tempo. Para o nosso povo que está acostumado com a Via-Sacra tradicional, a deste ano encantou a todos. Ao meu ver, essa apresentação deve permanecer nos próximos anos, como uma formação catequética”, afirmou o Padre José Lino Mota Freire, pároco, que ao término das cenas convidava as pessoas que assistiam à encenação a refletir sobre o tema retratado. Segundo Alessandra Nascimento, coordenadora do grupo de jovens e uma das idealizadoras da encenação, a ideia principal “foi mostrar às pessoas que a realidade que Jesus viveu é, muitas vezes, a mesma que vivemos hoje. Foram momentos fortes, que nos fizeram refletir e ter a certeza que a história de Jesus não é passada, mas sim atual e presente em nossas vidas”, afirmou.

Caroline Dupim

Jovens durante encenação da Paixão de Cristo na Paróquia Santa Ângela e São Serapião, no Setor Pastoral Cursino, dia 14

Lucas Vinicius, vice-coordenador do grupo de jovens, ressaltou a união e desempenho de todos os jovens. “O grupo estava unido e empenhado em todos

os âmbitos que rodearam esta peça, todos ajudaram na criação do roteiro, na idealização das cenas. Foi muito gratificante desde o início”, comentou.

Dom José Roberto: ‘Acreditamos na vitória de Jesus Cristo sobre a morte’ Equipe de comunicação da Comunidade Maria Imaculada

Dom José Roberto durante rito do Lava-Pés na Quinta-feira Santa na Comunidade Maria Imaculada

Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, presidiu as celebrações do Tríduo Pascal, entre os dias 13 e 15, e do Domingo de Páscoa, 16, da Comunidade Maria Imaculada, pertencente à Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Setor Pastoral Imigrantes. Essa foi a primeira vez que a Comunidade pôde celebrar o Tríduo, já que até o ano passado todas as celebrações do tempo pascal aconteciam na matriz-paroquial. Para Marisol Tapia Rodriguez, integrante da Comunidade, as homilias proferidas nas celebrações conduziram a uma reflexão sobre o que é ser cristão, e a importância da conversão. “Dom José Roberto nos apresentou personagens importantes com suas histórias de conversão, e nos fez perceber a relevância da

liturgia para o fortalecimento da fé cristã”, afirmou. Para Fátima Felicidade, a presença do Bispo “nos fez crescer na fé”; e na opinião de Maria de Jesus Migliorin, a semana foi envolvente e esclarecedora: “Nosso Bispo tem o dom da palavra! Em suas homilias, situava os acontecimentos que parecíamos vivenciar nas passagens”. “Acreditamos na vitória de Jesus Cristo sobre a morte e que a nossa fé na Ressurreição de Cristo é apostólica, e que devemos proclamá-la, assim como os apóstolos fizeram”, afirmou Dom José Roberto, na homilia da missa do Domingo de Páscoa. Em todas as celebrações, ele foi acompanhado pelo Diácono José Ferreira Filho, assistente pastoral na Paróquia. (Com informações da Pascom da Comunidade Maria Imaculada)


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Fé e Ciência

Testemunho da Ressurreição

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Dica de Leitura O novo povo de Deus Filipe David

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Reprodução

O livro “O novo povo de Deus”, do titã da Teologia, Joseph Ratzinger, hoje o papa emérito Bento XVI, que completou 90 anos no domingo, 16, foi publicado originalmente em 1969, apenas quatro anos após o encerramento do Vaticano II e como ressonância direta deste. Mais atual do que nunca, essa obra é oferecida agora pela editora Molokai em edição de luxo para colecionadores; uma oportunidade imperdível a todo fiel católico honestamente interessado em conhecer mais a fundo a natureza e missão da Igreja de Cristo. Quando a Igreja se recusa a trocar a sua doutrina imutável e atemporal pela subjetividade da orientação mundana, que se baseia sempre nas fugidias tendências culturais e pseudocientíficas do momento, é porque sabe que a sua defesa dos valores humanos e morais – valores inegociáveis – precisa continuar sendo como um farol seguro para todo aquele que procura a verdade e a transcendência. Especialmente quando muitos navios naufragam é que se deve intensificar a luz dos faróis. “O novo povo de Deus” articula-se em certas grandes partes, sendo uma delas a reforma católica da Igreja, defendendo, no imediato pós-Concílio Vaticano II, que surgira já uma falsa reforma da Igreja, e definindo critérios que deveriam guiar o verdadeiro renascimento eclesial. Bruno Muta Vivas

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A Sequência de Páscoa – Victimae paschali laudes –, cantada na Igreja durante o Tempo Pascal, contém um dos versos mais tocantes que se ouve na liturgia da Igreja: “Diz-nos, ó Maria, o que vistes durante o seu caminho? Vi o sepulcro de Cristo vivente, o testemunho dos anjos, o sudário e suas vestes: vi a glória da Vida que ressurge!”. Na boca de Maria Madalena, a Igreja coloca as palavras que testemunham a Ressurreição de Cristo, que pregam ao mundo a Boa Nova da Vida que vence a morte. Essencialmente, o fundamento da fé da Igreja é essa mesma pregação apostólica, isto é, o testemunho daqueles que presenciaram os fatos da vida de Jesus e que, pela tradição, foram passando-os àqueles - nós inclusive - que não estiveram presentes historicamente para ver e escutar da boca de Deus feito carne o seu testemunho. Ainda que a pregação dos apóstolos já seja suficiente para levar as pessoas de boa vontade à fé, Deus quis ainda deixar outros vestígios que dão testemunho de sua Ressurreição; e eles são aquilo que conhecemos como o Santo Sudário. Atualmente, existem duas peças de pano que se reconhecem como o Sudário de Cristo; uma delas se encontra em Oviedo, na Espanha, e contém somente a imagem da face de Jesus; a outra - mais famosa - se encontra em Turim, na Itália, e apresenta a imagem de todo o corpo de Nosso Senhor. Seria esta uma prova física das penas que Jesus sofreu em sua carne, dos flagelos à crucifixão, e testemunha da Ressurreição de Cristo de modo palpável. Tamanha alegação fez com que diversos grupos de cientistas se debruçassem sobre o Sudário para testá-lo e, assim, procurar confirmar se, de fato, o que a tradição da Igreja afirma é verdadeiro ou falso. Um dos mais famosos estudos sobre o assunto, conduzido em 1978 por um grupo americano, o Sturp (Projeto de Pesquisa sobre o Sudário de Turim, na sigla original), chegou a conclusões que coincidem com o relato evangélico e outras diversas pesquisas sobre a crucifixão. Em resumo, o que esses pesquisadores encontraram foi uma imagem inexplicável para a ciência. Depois de diversos testes, o que eles puderam con-

cluir é que o tecido não apresenta nenhum tipo de pigmento ou tinta, o que derrubava a tese de que tal pano pudesse ser uma falsificação, realizada por um suposto artista medieval piedoso. Mais ainda, ficou claro para eles que o pano teria tido contato com um corpo real, o que explicava a presença de sangue e das marcas de flagelos presentes na imagem. Assim, concluíram seu estudo afirmando que, de fato, a imagem presente no Sudário não tem explicação científica, de como teria sido produzida nem por quem, e que tal tecido havia tido contato com o corpo de um homem crucificado, fato revelado nos diversos ferimentos encontrados pela imagem. Ainda outras diversas análises parecem corroborar essa tese: o sangue contido na trama do tecido é semelhante ao de um outro milagre, o de Lanciano, em que a hóstia consagrada se transformou em carne e sangue aparentes. Ambos possuem a mesma tipagem (AB+), que é frequente entre o povo judeu. Além disso, testes revelaram a presença de soro sanguíneo no tecido, fato comum àqueles que sofrem duros ferimentos antes da morte. Mas, mais impressionante é a forma como a imagem se apresenta sobre o tecido: não foi pintada, impregnando os fios da trama com tinta, mas foi como que impressa por uma radiação, como a luz ou o calor, como se fosse uma queimadura controlada sobre o tecido. De fato, os Evangelhos relatam a glória de Deus sempre como uma luz muito intensa, radiosa; poderia esta ser a origem da imagem do Sudário, a “glória da Vida que ressurge”, como canta a Sequência Pascal. De qualquer forma, a Igreja sempre teve muita prudência em se manifestar sobre o Santo Sudário, e nunca lhe deu o peso de algo que fosse essencial à fé católica, nem muito menos que fosse a única prova de que Jesus tenha sofrido a morte pela Cruz. Contudo, sempre o venerou como um grande testemunho do quanto Cristo padeceu por amor aos homens, e de que, ainda por esse amor, venceu a morte e conquistou-nos a Vida. Assim, diversos papas foram ao encontro dessa grande relíquia da Paixão do Senhor para a venerar e tirar dela mensagens de grande valor, como o Papa Bento XVI, em 2010: “O Sudário é um Ícone escrito com o sangue; a imagem impressa no Sudário é a de um morto, mas o sangue fala da sua vida. Cada traço de sangue fala de amor e de vida”.

Ficha técnica: Autor: Joseph Ratzinger Editora: Molokai Divulgação

Cinema Colossal Gloria (Anne Hathaway) é uma jovem festeira com problemas com o álcool e homens controladores que, após ser posta para fora de casa pelo namorado, se vê obrigada a deixar Nova Iorque e voltar à sua cidade natal. Ao mesmo tempo, notícias estranhas começam a ser divulgadas: uma criatura gigante está destruindo Seul, na Coreia do Sul. Pouco a pouco, Gloria começa a perceber que a criatura destruidora e seu problema com o álcool e os homens estão de alguma forma conectados. À medida que os eventos começam a sair cada vez mais de seu controle, ela precisará descobrir por que sua existência aparentemente insignificante pode ter um efeito colossal sobre o destino do mundo. O filme estreia nos cinemas na quinta-feira, 27. (FD)


24 | Papa Francisco |

19 a 25 de abril de 2017 | www.arquisp.org.br

A Semana Santa com o Papa Francisco L’Osservatore Romano

Bruno Muta Vivas

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Sacerdotes, ministros da Boa-Nova

Na Quinta-feira Santa, 13, pela manhã, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa Crismal, última celebração litúrgica antes do Tríduo Pascal. Nela, o Pontífice abençoou o óleo dos catecúmenos e o óleo para a Unção dos Enfermos, além de consagrar o Santo Crisma. Recordando o dia da instituição do sacerdócio, o Papa relacionou a missão conferida aos ministros ordenados com a unção realizada por esses santos óleos: “Assim como o Senhor foi ungido pelo Espírito Santo, os sacerdotes, ungidos em seus pecados com o óleo do perdão e no seu carisma com o óleo da missão, devem ungir os outros”. E a Boa-Nova nasce dessa unção, continuou Francisco, que deve ser sempre anunciada como uma verdade jubilosa e misericordiosa: “Que ninguém procure separar estas três graças do Evangelho: a sua Verdade – não negociável –, a sua Misericórdia – incondicional com todos os pecadores – e a sua Alegria – íntima e inclusiva”, concluiu o Papa.

Servir é Amar

Pela tarde, o Romano Pontífice celebrou a Missa da Ceia do Senhor, com a tradicional cerimônia do Lava-Pés; pela terceira vez, o Papa realizou essa celebração num presídio romano, lavando os pés de 12 detentos. Na homilia, Francisco exortou os detentos a realizarem aquilo que o Senhor fez – servir ao outro, dando-se a si mesmo em favor do próximo.

A Cruz, única esperança do mundo

Na tarde da Sexta-feira Santa, 14, na Basílica de São Pedro, o Papa presidiu a ação litúrgica da Paixão do Senhor. A homilia foi encarregada ao pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap.: “Por que, após 2.000 anos, o mundo ainda recorda, como se tivesse acontecido

Pela 3ª vez em seu pontificado, Francisco preside missa da Ceia do Senhor em uma prisão, dessa vez na Casa de Reclusão de Paliano, na Itália

ontem, a morte de Cristo? É que esta morte mudou para sempre o rosto da morte”, disse Frei Cantalamessa. “A cruz não está, portanto, contra o mundo, mas pelo mundo: para dar um sentido a todo o sofrimento que houve, que há e que haverá na história humana. A cruz é a proclamação viva de que a vitória final não é de quem triunfa sobre os outros, mas de quem triunfa sobre si mesmo. Cristo não veio para explicar as coisas, mas para mudar as pessoas”.

A derrota da Cruz, vitória de Deus

Após as 14 estações da Via-Sacra, realizada na noite da Sexta-feira Santa no Coliseu, que recordaram o drama das guerras, dos migrantes, das famílias dilaceradas e das crianças violadas, o Papa fez uma oração em que enumerou motivos de esperança perante as diversas situações vergonhosas do mundo: “A esperança de que a sua cruz transforme nossos corações endurecidos em corações de carne, capazes de sonhar, de perdoar e de amar; transforme essa noite tenebrosa de sua cruz em alvorecer da sua ressurreição. A esperança de que a sua fidelidade não se baseia na nossa. A esperança de que a fileira de ho-

mens e mulheres fiéis a sua cruz continua e continuará a viver fiel como o fermento que dá sabor e como a luz que abre novos horizontes no corpo da nossa humanidade ferida. A esperança de que o bem vencerá não obstante a sua aparente derrota.”

Testemunhas do Ressuscitado

Na noite do Sábado Santo, 15, o Santo Padre celebrou a Solene Vigília Pascal. Na homilia, conclamou os cristãos a cumprirem sua vocação de anunciadores da Ressurreição: “Eis o que esta noite nos chama a anunciar: o palpitar do Ressuscitado, Cristo vive! Vamos a todos aqueles lugares onde pareça que o sepulcro tenha a última palavra e onde pareça que a morte tenha sido a única solução. Vamos anunciar, partilhar, revelar que é verdade: o Senhor está vivo. Está vivo e quer ressurgir em tantos rostos que sepultaram a esperança, sepultaram os sonhos, sepultaram a dignidade. E, se não somos capazes de deixar que o Espírito nos conduza por essa estrada, então não somos cristãos”.

A certeza da Ressurreição

Pela manhã do Domingo de Páscoa,

16, na Praça de São Pedro, o Papa exortou os cristãos a se manterem firmes na certeza da Ressurreição, mesmo diante das dificuldades da vida: “Pensemos um pouco, cada um de nós, nos problemas cotidianos, nas doenças que temos e que alguns de nossos parentes têm, nas guerras, nas tragédias humanas. E, simplesmente, com voz humilde, sem flores, sozinhos, diante de nós mesmos: Não sei como vai acabar isto, mas estou certo de que Cristo Ressuscitou. Eu aposto nisto! Em casa hoje, repitam no coração de vocês, Cristo ressuscitou!”.

Benção Urbi et Orbi

Após presidir a celebração da Ressurreição do Senhor, o Papa Francisco dirigiu-se à sacada central da Basílica de São Pedro para a tradicional Mensagem e Bênção Urbi et Orbi. Em sua mensagem, Francisco salientou as muitas situações adversas no mundo, como a carestia, guerras e tensões políticas, rezando ao Cristo ressuscitado que acompanhe os fiéis em suas necessidades. Recordou, ainda, o sentido da festa da Páscoa. Ao final de sua mensagem, o Santo Padre concedeu a todos a bênção apostólica. (com informações da Rádio Vaticano)

O SÃO PAULO - 3147  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há mais de 60 anos levando informação e formação para os católicos da maior cidad...

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