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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 62 | Edição 3143 | 22 a 28 de março de 2017

R$ 1,50

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Inserção social é a maior conquista da pessoa com Down Luciney Martins/O SÃO PAULO

Encontro com o Pastor O homem é fraco e precisa estar sempre atento e vigilante para não cair em tentação Página 3

Editorial No ‘cabo de guerra’ da Previdência, a população é a corda Página 2

Espiritualidade Dom Carlos: Jesus derramou todo o seu precioso sangue por nós Página 5

Comportamento Rogério Freddi trabalha há 10 anos na importadora de alimentos e acessórios Casa Flora, atualmente no setor de Recursos Humanos

Em 21 de março se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down, que é a trissomia do cromossomo 21 em todas as células de uma pessoa ou em grande parte delas. O SÃO PAULO apresenta as histórias de Va-

lentine e Rogério, que conseguiram se formar e entrar no mercado de trabalho. Também no esporte, brasileiros com Síndrome de Down se destacam pelo mundo. Páginas 14 a 16

Dom Odilo: Cuidar do meio ambiente é um dever moral José A. Teixeira/Alesp

Cardeal Scherer participa da apresentação da CF 2017 na Assembleia Legislativa de São Paulo

Ao participar da apresentação da Campanha da Fraternidade de 2017, na Assembleia Legislativa de São Paulo, no dia 15, o Cardeal Odilo Pedro Scherer convidou a todos ao cuidado com o meio ambiente, não apenas por regras ecológicas, mas também por ser um dever moral. Ele destacou pontos do Magistério da Igreja sobre a ecologia, e lembrou que há décadas a Igreja está atenta a essa realidade.

Valdir Reginato: Não deixem que acabem com as mulheres! Página 6

Com câmaras eclesiásticas, Igreja em SP ampliará pastoral jurídica Luciney Martins/O SÃO PAULO

Página 10

Políticos articulam legalização da prática de caixa 2

9 ações que dependem de você para uma cidade melhor

Com o avanço da Lava Jato, congressistas, legislando em causa própria, querem anistiar quem tenha cometido caixa 2 em campanhas eleitorais. Proposta não é bem vista pelos brasileiros.

No ano em que a CF propõe a reflexão sobre os biomas brasileiros, O SÃO PAULO discute a atual situação do rio Tietê e sugere ações individuais e coletivas em prol do meio ambiente.

Página 11

Páginas 12 e 13

Monsenhor Sergio Tani, vigário judicial da Arquidiocese, fala sobre o curso para agentes de câmaras eclesiásticas, que darão mais agilidade aos processos no Tribunal Eclesiástico. Página 23


2 | Ponto de Vista |

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Editorial

No cabo de guerra da Previdência, nós somos a corda

A

s manifestações que ocorreram em várias capitais brasileiras em 15 de março foram suficientes para mandar a “mensagem” para governo e parlamentares: as reformas previdenciária e trabalhista terão um custo político. Em São Paulo, a “greve geral” não foi tão geral assim. Baseou-se principalmente em categorias que, ao reduzir suas atividades, impactam toda a população, como motoristas de ônibus e metroviários. A maioria dos brasileiros olha com desconfiança para propostas de ajustes da Previdência por parte de quem ganha aposentadorias elevadas; suspeita, também, de governos endividados por gastos cujo retorno social foi pouco visto e

nos quais a corrupção se torna cada dia mais conhecida. É o escândalo de sempre: como privar a população de uma vida mais digna em nome do pagamento de dívidas públicas contraídas por razões que a própria população não entende (e que muitas vezes nascem objetivamente de erros, incompetência e má fé)? Mas é evidente que existe um problema objetivo de sustentação do Estado e que alguma coisa deve ser feita. Se o número de aposentados aumenta sempre e a economia não acompanha esse crescimento, o custo dos inativos vai recair sobre os que estão em atividade – e essa conta terá que ser bem equacionada para não gerar novas injustiças ou quebrar o sistema, deixando a todos sem o mínimo.

Apegados a uma linha de argumentação ou a outra, governo e oposição vão travando seu cabo de guerra, cada lado preocupado em derrotar o oponente, sem perceber que o povo é a corda. E, como diz o ditado popular, a corda sempre estoura do lado mais fraco... Nós também dificultamos a busca de soluções adequadas para os problemas que o Brasil enfrenta, objetivamente difíceis e complexos, quando nos engajamos, geralmente com a melhor das intenções, em debates raivosos e correntes que procuram – nas redes sociais – ridicularizar posições diferentes da nossa. A “corda” – isso é, a sociedade – não pode se deixar arrastar de forma irracional por um dos lados, seja ele qual for, como se a reforma da Previdência fosse

uma peça fechada, que se aprova ou se reprova em bloco. O Papa Francisco sempre insiste na necessidade do dialogar para a superação dos problemas sociais. Esse diálogo pressupõe o esforço sincero de entender os argumentos e as necessidades do outro lado. As mudanças que realmente forem necessárias para o bem-comum, particularmente dos mais pobres, devem acontecer. Aquelas que servirem apenas para garantir ou aumentar o lucro de poucos não devem ser implementadas. A nós cabe discernir, procurando entender os vários aspectos da questão, e fazer pressão para que os políticos decidam em função do que é melhor para a população.

Opinião

Liturgia da Igreja e a exuberante natureza Arte: Sergio Ricciuto Conte

Padre José Ulisses Leva A belíssima mistagogia – iniciação nos mistérios – da nossa Igreja é alicerçada sobre as Verdades dos Mistérios da Encarnação e da Ressurreição. Do nascer ao acaso da vida, somos presenteados pela narrativa do nascimento do Verbo de Deus e Sua gloriosa Páscoa, que nos remete à eternidade. A Campanha da Fraternidade deste ano nos lembra que devemos “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15). A criação é obra maravilhosa do Altíssimo e Onipotente Deus. “Deus, nosso Pai e Senhor, nós vos louvamos e bendizemos por vossa infinita bondade. Criastes o universo com sabedoria e o entregastes em nossas frágeis mãos para que dele cuidemos com carinho e amor” (Oração da CF 2017). A Quaresma também nos remete ao itinerário dos últimos momentos na Terra de Cristo Jesus e marca profundamente o caminho da sua Paixão, Morte e Ressurreição. Além disso, neste ano, recorda-nos, Igreja do Brasil, que devemos cuidar e amar a belíssima obra do Criador. As pessoas que habitam no Hemisfério Norte podem meditar profusamente o período quaresmal. Elas vivem o momento litúrgico entre as estações inverno/primavera. A Páscoa Cristã nos indica a passagem entre o rigoroso inverno, sem vida, para a entrada da estação das flores e o sentido da vida que nasce resplandecente. Vivendo no Hemisfério Sul, entre

as Estações verão/outono, somos agraciados pela natureza, quando as quaresmeiras se apresentam radiantes, combinando com o paramento roxo da Igreja. Somos convidados ao jejum, à oração e à esmola, como nos recorda a Palavra de Deus na celebração da Quarta-feira de Cinzas. Saindo das paróquias e capelas, somos levados também, pela natureza, a refletir sobre o período litúrgico atual. Apreciando-a, especialmente a Mata Atlântica, que cobre boa parte do Estado de São Paulo, como homens e mulheres,

crentes ou não, podemos perceber Deus que não deixa de nos falar na explosão das cores, cercando-nos de carinho na majestosa criação. Como cristãos, é possível ligar a ação litúrgica da Igreja com o colorido das árvores, especialmente quaresmeiras e manacás. Quantos que não professam a fé em Cristo Jesus também podem observar algo diferente nas cores emanadas das árvores, mormente na tonalidade roxa, que enfeita nossas praças, parques e avenidas. A celebração da Quarta-feira de

Cinzas lembrou-nos da nossa efemeridade. Por isso, recordou-nos: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Lemos no Livro do Gênesis que somos feitos do barro e necessitamos do sopro divino para existir: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7). O barro é apenas barro. Deus criou-nos do pó da terra com o sopro divino. Somos seres viventes em Deus. O oleiro trabalha o barro, prepara suas obras de arte que permanecem inanimadas, enquanto Deus infla com o sopro divino por nossas narinas e ganhamos a possibilidade de viver consciente e plenamente. Deus estabeleceu a relação de amor conosco. Soprou em nossas narinas o alento da vida para que respirássemos e cuidássemos uns dos outros e de toda a casa comum. Em tempos como o nosso, como cristãos, somos chamados a viver e celebrar o tempo litúrgico da Quaresma, que nos prepara para a belíssima celebração da Páscoa. Tempo favorável, também, para lembrarmos e cuidarmos de toda a obra da criação. Enquanto cuidamos da Terra, honramos a Deus, respeitamos os outros e passamos a amar a nós mesmos, porque valorizamos e somos valorizados. José Ulisses Leva é padre secular, Doutor em História Eclesiástica pela Pontifícia Universidade Gregoriana e professor da Faculdade de Teologia da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Bruno Muta Vivas, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


www.arquisp.org.br | 22 a 28 de março de 2017

cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

N

a semana que passou, foi deflagrada mais uma operação da Polícia Federal, com o nome enigmático de “Operação Carne Fraca”. A alusão às palavras de Jesus aos discípulos, no início dos sofrimentos de sua paixão, é facilmente perceptível: “vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14,38). E tem o efeito de um alerta nada insignificante! A operação da Polícia Federal denunciou um esquema de corrupção muito preocupante no setor de fiscalização da produção de carnes em alguns frigoríficos e estabelecimentos de produção e transformação de alimentos no Brasil. A questão levantada é especialmente grave, uma vez que envolveu um setor delicado da economia, da saúde pública e da credibilidade da produção da carne, um dos produtos brasileiros mais importantes no mercado externo e interno, e um dos filões mais importantes da economia brasileira. Embora o número de pessoas responsáveis e de unidades de produção envolvidas provavelmente tenha sido bastante restrito e localizado, as consequências do problema revelado podem ser muito graves e devastadoras para a economia. Vai de embrulho a credibilidade de todo um sistema de produção e de fiscalização, onde todos pagam pela desonestidade de alguns. O dano moral

A carne é fraca e econômico pode ser altíssimo! Resta esperar que tudo seja esclarecido, de maneira eficaz, pelas autoridades responsáveis; e a população possa continuar segura daquilo que consome e confiante no serviço de vigilância dos profissionais, que têm esse dever. O nome da operação “carne fraca”, porém, sugere ir mais a fundo na avaliação desse escândalo. Jesus recomenda a vigilância e a oração a seus apóstolos, pois “a carne é fraca”, embora o espírito pareça pronto para enfrentar os desafios e tentações que se aproximam. De fato, pouco antes dessa recomendação, Pedro havia afirmado com toda a sua instável convicção: “Ainda que todos se escandalizem (de Ti), ainda que eu tenha de morrer contigo, eu não te abandonarei!” Com ele, os outros discípulos diziam o mesmo (cf. Mc 14, 27-30). Sua presunção foi demasiado grande; ele e todos os outros, menos João, abandonaram Jesus após a sua prisão; e o próprio Pedro negou conhecer o Mestre diante do medo de também ser preso. O homem é fraco e precisa estar sempre atento e vigilante para não cair em tentação, que está sempre à espreita e pode ser muito forte, derrubando a “carne fraca”. Entre as várias tentações, estão a ganância e a busca do dinheiro fácil e desonesto. O amor ao dinheiro e às riquezas pode tornar-se uma verdadeira idolatria, levando a sacrificar qualquer coisa a esse ídolo atraente e exigente: a justiça, o respeito ao próximo, a dignidade moral e a decência, a responsabilidade social, a família e os deveres familiares, a fé em Deus, os mandamentos e tudo o que se tem como mais sagrado... O amor ao dinheiro, ao poder e às vaidades pode levar à corrupção vergonhosa e repug-

nante em que o Brasil está mergulhado; é uma idolatria sutil e feroz, que destrói a dignidade e faz esconder o rosto de vergonha, se ainda resta algo de dignidade a salvar... Não é sem razão que o Papa Francisco escreveu que a corrupção cheira mal... As consequências sociais e econômicas da corrupção são enormes: com o bem público ou privado que é desviado desonestamente, deixam de ser proporcionados benefícios sociais em educação, saúde, moradia e saneamento básico, entre outros benefícios... E os efeitos devastadores da corrupção pesam mais sobre os pobres e aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica. Por isso, a corrupção também é uma tremenda injustiça e demonstração de egoísmo e falta de senso de solidariedade. Quem se beneficia com o fruto da corrupção faz muitos pagarem o preço de sua desonestidade! Jesus alertou que “a carne é fraca” e recomendou a vigilância e a oração, para não cair em tentação. Estamos todos expostos às fraquezas da condição humana; mas para não cedermos à corrupção, é preciso ter convicções firmes a respeito da dignidade, da justiça e da moralidade de nossas decisões e ações. Uma cultura que esvazia ou dilui os princípios éticos e morais e não os irradia na educação e na comunicação contribui para as fraquezas da carne. Devemos ser honestos sempre; e não porque alguém poderia nos surpreender e denunciar; também não porque a polícia poderia nos prender e punir... A lei moral deve estar inscrita na consciência e nos fazer agir com retidão, sem cálculos nem descontos.

| Encontro com o Pastor | 3

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) realizou, no dia 15, uma sessão solene em homenagem a Dom Duarte Leopoldo e Silva. Nascido em Taubaté (SP) há 150 anos, em 4 de abril 1867, ele foi o primeiro arcebispo de São Paulo, entre 1908 e 1938, e também integrou o IHGSP. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, participou da homenagem e fez memória da importância histórica e religiosa de Dom Duarte. Na ocasião, Dom Odilo também foi empossado como membro titular do IHGSP. “Agradeço mais uma vez pela honra de ser daqui por diante membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Embora não seja minha competência para ser historiador, amo conhecer a História e encontro no seu estudo a contínua luz para o discernimento sobre a vida humana, da sociedade e de seus movimentos, a Igreja e a sua missão”, expressou. O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo é um instituto científico e cultural sem fins lucrativos, constituído em 1º de novembro de 1894, tendo como principal objetivo a pesquisa e divulgação da história e geografia em respeito à cidade e ao Estado de São Paulo. (Com informações do portal Arquisp)

Há 10 anos nomeado arcebispo Em 21 de março de 2007, Dom Odilo Pedro Scherer foi nomeado arcebispo de São Paulo pelo Papa Bento XVI, assumindo a função em 29 de abril daquele ano. Em comemoração aos dez anos de Dom Odilo como arcebispo metropolitano, a Arquidiocese de São Paulo realizará uma celebração festiva em 6 de maio, às 12h, na Catedral da Sé.


4 | Fé e Vida |

22 a 28 de março de 2017 | www.arquisp.org.br

Liturgia e Vida 4º DOMINGO DA QUARESMA 26 de março de 2017

Também nós somos cegos? Cônego Celso Pedro Estamos no tempo da Quaresma, caminhando com Jesus para a Páscoa da Ressurreição. Andando pelas ruas da nossa existência, vemos, com Ele, um homem cego de nascença. Mas também ele pode nos ajudar neste caminho quaresmal, e mesmo nos ajudar a ver. Quaresma é tempo de conversão e, por isso, precisamos ver onde está o pecado, quem é o pecador e buscar todos juntos a conversão. O capítulo 9 do Evangelho de São João, que lemos na liturgia de hoje, é bem movimentado. Lido providencialmente na Quaresma, ele nos leva a procurar quem é o verdadeiro pecador que precisa de conversão. Já de início, os discípulos perguntam se o cego era um pecador e se, por isso, era cego, ou se seus pais eram pecadores e o filho estaria pagando pelos pais. Jesus cura a cegueira daquele pobre homem, e seu gesto desencadeia uma enorme discussão. “Sabemos que esse homem é um pecador”, dirão os fariseus ao que fora cego. Novamente, o pecador volta a ser o cego, agora formalmente acusado: “Tu nasceste todo em pecado”. A agitação termina com o cego curado sendo expulso da comunidade, vindo em seguida a bonança. O cenário então muda, e, num ambiente de tranquilidade, Jesus e o homem curado conversam amigavelmente. – “Você acredita no Filho do Homem? - Quem é para que eu creia nele? – Você o está vendo! – Eu creio!” Agora sim, o que fora cego está vendo e vê o que verdadeiramente importa. Vê a Jesus. O ambiente é calmo e sente-se nele um clima de alegria serena. Da agitação à serenidade, da serenidade à crítica irônica. Jesus então proclama para que todos ouçam, que Ele veio exercer um julgamento: que os que não veem, vejam. Os fariseus entenderam rapidamente o que Jesus estava dizendo. “O senhor está dizendo que nós somos cegos?”, perguntaram eles. Ao que se segue a profunda resposta de Jesus: “Vocês não são cegos, porque o cego não tem pecado. Se vocês fossem cegos, vocês não teriam culpa”. O maior pecador não era o cego, e menos ainda Jesus, que não tem pecado algum. Era quem dizia enxergar. Em toda a cena, os maiores pecadores eram os fariseus que acusavam e julgavam, e não aceitaram com alegria a cura do cego. Talvez o verdadeiro pecador que precisa de séria conversão seja eu. Pare, seja você quem for, e pense se a causa de muitos males não está em você! Peçamos também a Deus que abra os olhos de todos os brasileiros para que contemplem a beleza dos biomas de nosso país, para que se convertam verdadeiramente a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e não destruam a bela natureza criada por Deus. Da Mata Atlântica restam 12,5% da sua área original. O resto já não se pode ver.

Você Pergunta Gostaria de saber se existe momento certo na missa para a homilia e se ela é obrigatória padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

A Marcela não me disse seu sobrenome. Ela quer saber: Existe um momento certo na missa para que os padres façam a homilia para os fiéis? Essa reflexão é ou não obrigatória? Marcela, o momento exato da homilia é imediatamente após a leitura do Evangelho. No passado, a homilia parecia não ser obrigatória, pois o celebrante já partia imediatamente para a Liturgia Eucarística. A homilia, porém, é uma oportunidade ímpar para a evangelização. Podemos defini-la

como uma conversa íntima do pastor com seu rebanho, do padre com sua comunidade onde ele ajuda os fiéis a compreenderem a Palavra de Deus e iluminar a própria vida com ela. Farei uma confissão a você: em meus 45 anos de sacerdócio, jamais deixei de fazer a homilia, não importando o número dos fiéis que participavam da missa. É bom para os fiéis, é bom para mim. Hoje, quando a Igreja nos fala de si como casa da Palavra de Deus, soa estranho ouvir que ainda haja sacerdotes que passem da leitura do Evangelho para o ofertório. Repito: é uma oportuni-

dade que se perde para evangelizar. Nosso povo hoje cresceu na compreensão da importância da Palavra de Deus, e isto é um fruto muito bonito do Vaticano II. Deus permita que nossos padres todos preparem bem a sua homilia e falem a seus fiéis colocando-se também eles como ouvintes da Palavra. Não há necessidade de se prolongar na reflexão. Há necessidade, porém, de falar ao coração do povo, mostrando que, em Jesus Cristo, o Pai preocupou-se e preocupa-se conosco e não desiste de nós. Deixo a você o meu abraço carinhoso e fraterno. Fique com Deus.

Atos da Cúria NOMEAÇÃO DE ECÔNOMO DO TRIBUNAL ECLESIÁSTICO INTERDIOCESANO DE SÃO PAULO Em 03 de março de 2017, foi nomeado Ecônomo do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de São Paulo, de Primeira e Segunda Instância, o Revmo. Pe. Ms. Sancley Lopes Gondim, em decreto que entrou em vigor em 05 de março de 2017. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE PÁROCO Em 12 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias, na Região Episcopal Sant´Ana, no bairro Lauzane Paulista, o Revmo. Pe. Benedito Ferreira Borges, pelo período de 06 (seis) anos. Em 10 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo, na Região Episcopal Sant´Ana, no bairro Parada Inglesa, o Revmo. Pe. Wagner Aparecido Scarponi, pelo período de 06 (seis) anos. PRORROGAÇÃO DA PROVISÃO DE PÁROCO Em 10 de março de 2017, foi prorrogada a provisão de Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Esperança, na Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Vila Mariana, do Revmo. Côn. Dagoberto Boim, pelo período de 01 (um) ano. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE VIGÁRIO PAROQUIAL Em 15 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, na Região Episcopal Brasilândia, no bairro do Parque Panamericano, o Revmo. Pe. Fabrício Mendes de Moraes. Em 14 de março de 2017, foi nomeado

e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Belém, o Revmo. Pe. Kleber Dias de Oliveira, css. Em 14 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Nossa Senhora da Esperança, na Região Episcopal Belém, Setor Pastoral Sapopemba, o Revmo. Pe. Carlos Gonzaga da Silva, CSsR. Em 10 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial da Paróquia Sant´Ana, na Região Episcopal Sant´Ana, Setor Pastoral Santana, o Revmo. Pe. Antônio Simões Dias. Em 5 de fevereiro de 2017, foi nomeado e provisionado Vigário Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Região Episcopal Brasilândia, no bairro da Vila Carolina, o Revmo. Pe. Anderson Adriano Teixeira, RCJ. NOMEAÇÃO E PROVISÃO DE ADMINISTRADOR PAROQUIAL Em 16 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Administrador Paroquial “ad nutum episcopi” da Paróquia Santa Izabel-Santa Luzia, na Região Episcopal Brasilândia, no bairro do Jardim Primavera, o Revmo. Pe. Antônio Leite Barbosa Júnior. Em 11 de março de 2017, foi nomeado e provisionado Administrador Paroquial da Paróquia São Domingos Sávio, na Região Episcopal Sant´Ana, no Setor Pastoral Tremembé, o Revmo. Pe. Salvador Ruiz Armas. PROVISÃO DE DIÁCONO COMO ASSISTENTE PASTORAL Em 18 de março de 2017, foi nomeado Assistente Pastoral “ad nutum episcopi” da Paróquia Cristo Rei, na Região

Episcopal Brasilândia, no bairro do Jardim Britânia, o Diácono Rodrigo Felipe da Silva. NOMEAÇÃO DE DIÁCONO PERMANENTE COMO ASSISTENTE PASTORAL Em 15 de março de 2017, foi nomeado Assistente Pastoral “ad nutum episcopi” da Paróquia Nossa Senhora Mãe e Rainha, na Região Episcopal Brasilândia, no bairro do Parque Panamericano, o Diácono Permanente Francisco Nunes Pereira. Em 10 de março de 2017, foi nomeado Assistente Pastoral da Paróquia São José, na Região Episcopal Ipiranga, Setor Pastoral Ipiranga, o Diácono Permanente Rogério Almeida Alves, pelo período de 03 (três) anos. NOMEAÇÃO DE ASSESSOR REGIONAL DA PASTORAL DO DÍZIMO Em 14 de março de 2017, foi nomeado Assistente Regional da Pastoral do Dízimo da Região Episcopal Sant´Ana, o Revmo. Pe. Marcos Antônio Dias de Almeida, ms, pelo período de 02 (dois) anos. NOMEAÇÃO DE ASSESSOR REGIONAL DA PASTORAL DOS COROINHAS Em 14 de março de 2017, foi nomeado Assistente Regional da Pastoral dos Coroinhas da Região Episcopal Sant´Ana, o Revmo. Pe. Maurício Vieira de Souza, pelo período de 02 (dois) anos. NOMEAÇÃO DE ASSESSOR REGIONAL DA PASTORAL DA JUVENTUDE Em 14 de março de 2017, foi nomeado Assistente Regional da Pastoral da Juventude da Região Episcopal Sant´Ana, o Revmo. Pe. Osvaldo Bisewsk, pelo período de 02 (dois) anos.


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Dar o sangue Dom Carlos Lema Garcia

C

Bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário episcopal para a Educação e a Universidade

onta-se que durante a guerra do Vietnã um orfanato dirigido por um grupo de missionários foi atingido por um bombardeio. Os missionários e duas crianças tiveram morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas, havia uma menina de 8 anos, em estado grave. Foi necessário chamar ajuda via rádio e, ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira da Marinha dos Estados Unidos chegaram ao local. Teriam que agir rapidamente, pois a menina, devido aos traumatismos, perdera muito sangue. Era urgente uma transfusão, mas como fazer? Reuniram as crianças e, entre gesticulações, arranhadas no idioma, tentavam explicar o que estava acontecendo e que precisariam de um voluntário para doar sangue. Depois de um silêncio sepulcral, viu-se um braço magrinho levantar-se timidamente. Era um menino chamado Heng. Ele foi preparado às pressas ao lado da menina agonizante e espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele se mantinha quieto e com o olhar no teto. Passado um momento, deixou escapar um soluço e tapou o rosto com a mão que estava livre. O médico lhe pergun-

Espiritualidade

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Fé e Cidadania A Doutrina Social da Igreja na defesa dos biomas brasileiros

tou se estava doendo e ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas. O médico ficou preocupado e voltou a lhe perguntar, e novamente ele negou. Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso e ininterrupto. Era evidente que alguma coisa estava errada. Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita vinda de outra aldeia. O médico pediu, então, que ela procurasse saber o que estava acontecendo com Heng. Com a voz meiga e doce, a enfermeira conversou com ele e explicou algumas coisas. Aos poucos, o rostinho do menino foi se aliviando... Minutos depois, ele estava novamente tranquilo. A enfermeira, então, explicou aos norte-americanos: “Ele pensou que ia morrer. Não tinha entendido direito o que vocês disseram, e achava que teria que doar todo o seu sangue para a menina não morrer”. Então, o médico se aproximou dele e, com a ajuda da enfermeira, perguntou: “Mas se era assim, por que, então, você se ofereceu para doar seu sangue?” O menino respondeu simplesmente: “Ela é minha amiga!” O pequeno Heng estava disposto a dar a sua vida pela amiga. Quem de nós seria capaz de fazer o mesmo? Será que conhecemos alguma pessoa amiga disposta a dar a vida por nós? Parece que não. Mas existe, sim, Jesus. Na véspera da sua morte, Ele mesmo prediz: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,16). Penso que esse episódio nos ajuda muito a entender a Paixão de Cristo, porque, de certo modo, foi exatamente

isso que Jesus Cristo fez conosco. Ele derramou todo o seu sangue na Cruz, aceitando voluntariamente a sua morte, para evitar a situação lamentável das nossas almas, condenadas à morte eterna, pelo peso dos nossos pecados. São Paulo o explica: “É difícil que alguém queira morrer por uma pessoa justa... Mas Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, quando ainda éramos pecadores” (Rm 5, 7-8) Não sejamos indiferentes à Paixão de Cristo. Jesus, derramando seu sangue, nos oferece uma verdadeira purificação dos nossos pecados. Tudo o que sofreu durante a Paixão foi causado pelos meus pecados e os de todos os homens. Contemplar a Cruz de Jesus deve provocar a dor em nossos corações. Existe uma forma de aliviar o peso da Cruz de Cristo: decidir-nos a romper com os nossos pecados. Chegar ao arrependimento profundo e verdadeiro de quem decide: não quero mais sofrer e fazer sofrer com esses meus pecados. Vamos fazer uma boa confissão nesta Quaresma. Precisamos retificar nossa tendência ao egoísmo, as reações de soberba e de amor próprio. Para preparar a Confissão, façamos um exame de consciência, seguindo dois roteiros: os Mandamentos da Lei de Deus e os sete pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça). Certamente, encontraremos muitos motivos de arrependimento e contrição. Assim, nunca esqueceremos que Jesus derramou todo o seu precioso sangue por nós.

CF 2017 Subsidiariedade e diálogo na defesa do meio ambiente Francisco Borba Ribeiro Neto O princípio da subsidiariedade vem da Doutrina Social da Igreja, mas está presente na organização política de muitos países. Estabelece que o Estado deve apoiar e dar condições para o pleno desenvolvimento das pessoas, mas sem querer dirigi-las ou tutelá-las, resguardando seu protagonismo, suas organizações e sua visão de mundo. O mesmo princípio defende um Estado social, voltado ao bem-comum e não centralizador, autoritário ou assistencialista. Bento XVI, em sua encíclica Caritas in Veritate, considera que a solidariedade e subsidiariedade devem estar juntas, como pilares para o bem-comum (CV 58). Esse princípio é fundamental para a conservação dos biomas. As populações locais são quase sempre aquelas que melhor conhecem os ecossistemas em que estão inseridas, podendo encontrar as práticas mais eficazes para sua conservação. Contudo, muitas vezes, sob a pressão de necessidades econômicas e de grupos de interesse, acabam não se comprometendo com o meio ambiente, prejudicando a médio prazo a si e às gerações futuras. Por isso, é importante uma ação do Estado que não se imponha às populações locais, mas crie condições para que elas possam tomar as decisões mais adequadas para o manejo dos recursos naturais. Um bom exemplo é a gestão das bacias hidrográficas. Os municípios captam e usam a água dos rios, despejando neles os resíduos e esgotos. Assim, cada um tem responsabilidades e interesses com relação à qualidade da água na bacia hidrográfica: recebem a água poluída e poluem a água para quem está mais abaixo no curso do rio. Se cada um for cuidar só da sua água – sem se preocupar com os demais – a situação tenderá a ficar ruim para todos. Cabe aos órgãos estaduais e federais e aos comitês de bacias, que reúnem os municípios e os atores sociais da região, ajudar os municípios a entrar em acordo, conseguindo recursos para as obras necessárias, respeitando seus interesses e o bem-comum de toda a população. Na Laudato Si’, o princípio da subsidiariedade só vem nomeado duas vezes (LS 157, 196), mas todo o Capítulo V da encíclica (LS 163-201), que fala sobre linhas de ação para os governos e organizações sociais, ilustra esse princípio, mostrando o que é necessário para que ele exista: o diálogo. Mas, para haver diálogo é fundamental uma postura de humildade e verdadeiro interesse pelo bem do outro. Esse é o caminho para a defesa dos biomas e para a construção do bemcomum em nossa sociedade. Para aprofundamento, ver as leituras sugeridas em: feculturapucsp.blogspot.com.br/2017/02/CF2017


6 | Viver Bem |

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Cuidar da Saúde Tosse persistente deve ser investigada Cássia Regina A tosse é um reflexo natural do aparelho respiratório para eliminar micro-organismos que estejam afetando as vias aéreas - seja nariz, garganta ou pulmões. Suas causas são variáveis. A tosse seca pode ser causada por fortes odores, como de perfumes, desinfetantes, cremes de cabelo e desodorantes, ou por odores mais delicados, como de amaciantes, colônias de bebê e produtos de beleza facial. Há também algumas doenças que provocam tosse seca, como insuficiência cardíaca, refluxo gástrico, laringite e asma. Além disso, muitos quadros virais ou bacterianos - como um resfriado ou gripe - podem manifestar tosse seca no final ou após o tratamento. Quando devemos nos preocupar com a tosse? Quando for uma tosse persistente que dure mais de 15 dias, acompanhada de febre alta ou outros sintomas, como perda de peso, falta de apetite, dor no corpo e apatia. Toda tosse que dure mais de 15 dias deve ser investigada. Muitas vezes, eliminar os fatores ambientais já é suficiente, mas em caso de tosse persistente é necessário tratamento medicamentoso. Não se automedique, procure o médico. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com

Comportamento

Não deixem acabar com as mulheres Valdir Reginato No último dia 9, fui surpreendido pelo pedido de desculpas de uma comentarista de jornal ao seu âncora, cavalheiro de comportamento exemplar. O motivo: diante dos cumprimentos dele, no Dia Internacional da Mulher, a mesma respondeu de modo indelicado. Lembrei-me que também a presidente do Supremo Tribunal Federal, ao ser cumprimentada por um de seus pares de toga, apresentou um comentário apimentado. O Presidente da República, por sua vez, ao saudar a participação da mulher na sociedade, ressaltou a responsabilidade de seu papel como educadora no lar – verdadeiro termômetro para o comportamento de uma nação –, o que lhe valeu inúmeras críticas por “relegar” a mulher ao papel doméstico. Já um certo “filósofo” “descreveu” tudo o que a mulher sofreu e lutou desde os tempos de Eva até o século XXI, como se sua história se resumisse a uma constante violência entre o lar e a Igreja, sem quaisquer participações positivas na sociedade. E, para concluir, não faltaram manifestações das que desejam retirar essa data do calendário, a exemplo do que em muitos colégios já se fez, retirando o dia das mães para substituilo pelo dia da família. São incríveis os tempos que estamos vivendo, em que até parabenizar uma mulher em um dia dedicado especialmente a sua memória está se tornando um risco. É importante reconhecer os avanços da mulher em seus direitos e participações sociais, assim como afirmar que ainda há muito que fazer. Mas, apesar disso, deve-se recordar que, desde o início dos tempos, a mulher acompanha a história

da humanidade de maneira ativa e participativa, direta e indiretamente. Vou contar um relato estatístico pessoal, que poderá ser confirmado pelos milhares de participantes nesses dez anos de cursos de noivos e para pais em preparação para o Batismo. Trata-se de um fato: pergunto aleatoriamente a um casal na plateia, e nestes dez anos já foram mais de 150 casais: “Para saber com certeza se irão ao convite da festa em minha casa, a quem devo me dirigir?” O placar está em 150 a 0. Eu disse zero. Todos os homens indicaram suas noivas e esposas como sendo quem decide em casa. A isso replico: “Até o demônio sabia disso, e por isso procurou Eva para dar primeiro a maçã e não a Adão. Vejam: nada mudou em milênios”. Recentemente, tivemos conhecimento de que na Europa não se poderá mais entrar em empresas e instituições com símbolos religiosos. É o “laicismo”. A mulher muçulmana não poderá entrar de véu no estabelecimento, pois é uma ofensa. No entanto, se uma jovem se apresentar com metade da cabeça raspada e com a outra metade repleta de cabelo ao estilo espantalho colorido em vermelho, azul e amarelo; com unhas e batom pretos; com tatuagens do demônio do pescoço aos pés; correntes por todo o corpo e furos com argolas no nariz e orelhas, identificando assim sua tribo... não poderá ser barrada – seria discriminação! –... pois isso pode! Uma mulher foi atacada na rua – disse atacada – porque estava andando com um crucifixo no peito. Incomodava um transeunte! Mas duas lésbicas demonstrarem afetos íntimos em praça pública.... isso pode! Uma jovem falar de castidade prématrimonial com seu noivo, por opção

de seus valores morais e religiosos, já está sendo considerado por alguns psicólogos e psiquiatras distúrbio de comportamento por repressão dos pais. Agora, uma mulher transar com alguém pela manhã sem que sequer saiba seu nome, e com outro pela noite porque rolou uma química – não importa se nunca mais se encontrarão –, isto é considerado “amor casual”! Mesmo porque, caso por descuido engravide, haverá quem considere estupro e a lei abortará. Tudo isso é normal e aceitável! São tempos de perseguições... Parece que, desde que o feminismo se disseminou, as mulheres estão em risco de desaparecer, e muitas estão tentando encontrar uma posição na classificação dos inúmeros “gêneros” do LGBT e associados. É preciso que os homens lutem para que as mulheres não deixem de existir. Recordando a anedota de dois caipiras: “Na minha terra só tem macho. Ao que retrucou o outro: A minha é muito melhor: tem homens e mulheres.” A delicadeza sutil, a força interior e a atitude coerente da mulher talvez pudessem ser resumidas em duas passagens do Evangelho de João, em que cita aquela que é modelo de mulher, Maria de Nazaré. Em primeiro lugar, nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. E o Senhor, o próprio Deus, a quem não tinha chegado a hora, fez o primeiro milagre em atenção a sua Mãe (Jo 2,1-11). E depois: “Estavam, de pé, junto à cruz de Jesus, sua Mãe...” (Jo 19, 25), quando todos os homens haviam fugido, exceto o discípulo amado. Por favor, SENHORAS que me leem, não deixem que acabem com as mulheres! Dr. Valdir Reginato é médico de família, professor da Escola Paulista de Medicina e terapeuta familiar.


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| Pastorais/Geral | 7

‘Anjos’ a serviço da vida, juventude e famílias Comunidade Católica Anjos da Vida

Nova comunidade nascida de um grupo de jovens dedica-se à acolhida de famílias feridas Fernando Geronazzo e Júlia Cabral

osaopaulo@uol.com.br

“Ser sinal de conversão para os doentes da alma e caminho de reconciliação com Deus”. Assim a Comunidade Católica Anjos da Vida define seu carisma e missão, tendo nascido na Arquidiocese de São Paulo em 1998, por iniciativa do casal Regy e Vanusa Velasco. Catequistas na Paróquia Santíssima Trindade, na Região Episcopal Santana, Regy e Vanusa sentiram-se chamados a se dedicar à evangelização junto aos jovens e suas famílias. Com o passar dos anos, o grupo paroquial de jovens cresceu e, em 2007, se tornou uma nova comunidade. Em 19 de setembro de 2015, a Anjos da Vida teve sua regra de vida aprovada canonicamente pelo arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer.

Em saída

Atualmente, a comunidade realiza diversas atividades, como Catequese para as crianças, encontros de oração e evangelização da juventude e das famílias. Não obstante, sua missão não se limita ao âmbito interno da Igreja. Inspirada pela exortação apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, na qual ele propõe uma “Igreja em saída” e uma “cultura do encontro”, a Comunidade desenvolve a Intervenção Católica: trata-se de uma missão itinerante promovida por jovens em locais públicos da cidade, como praças, estações de metrô e terminais de ônibus, por meio de manifestações artísticas, pregações e abordagem pessoal.

Famílias

O apostolado da Comunidade Anjos da Vida com as famílias, em especial com os casais, é realizado pelo encontro para casais “Minha família” e o projeto de evangelização “Somos um” (S1). “Minha família” consiste em um encontro de “primeiro anúncio” (querigma) para casais, que aborda, por meio de uma vivência cristã, temas como o amor de Deus na família, o perdão e a reconciliação. O S1, por sua vez, é um projeto formado por diversos grupos de casais - chamados “decúrias” -, que tem como objetivo, por meio de visitas missionárias, acolher novos casais na vida eclesial com momentos de formação e espiritualidade. Ambas as atividades estão abertas aos casais em segunda união e àqueles que apenas coabitam, ou seja, que não contraíram o sacramento do Matrimônio.

passando por um processo de cura dia a dia”. O processo de verificação da nulidade matrimonial da primeira união de Edmilson está avançado. Uma vez declarada nula sua primeira união, ele poderá regularizar na Igreja sua situação com Tatiane. Sobre a participação na Eucaristia, Edmilson afirmou: “Sim, vamos à missa todos os domingos, e temos nosso momento de comunhão espiritual. Entendemos e acolhemos os ensinamentos da Igreja”, relatou.

Esperança

O casal Edmilson Bezerra e Tatiane Leite participa das atividades da Comunidade Anjos da Vida

Os fundadores explicam que, a partir do carisma da comunidade e do que convida o Papa Francisco na exortação apostólica Amoris Laetitia, esses casais não podem ser enxergados somente a partir de sua situação irregular. “Procuramos, antes de tudo, ver cada um como uma pessoa que, como eu, precisa ser curada. E isso requer acolhimento misericordioso e acompanhamento paciente [...]. As pessoas sentem que tipo de olhar as oferecemos: de condenação ou de amor”, disse Vanusa. A partir dessa proximidade misericordiosa e fraterna, a Comunidade consegue orientar cada casal em sua situação específica e inseri-lo na vida da Igreja. “E não se trata simplesmente de permitir a comunhão eucarística; a Eucaristia é alimento, mas não é porta de entrada, nem mesmo na vida sacramental ordinária, e sim o cume. Na Amoris Laetitia, o Papa indica o caminho: acolher, acompanhar, discernir, integrar”, acrescentou a fundadora.

com Deus passa pela reconciliação com a Igreja, o que não se pode reduzir a um ato jurídico, mesmo que este seja importante”, afirmou Vanusa. Edmilson Bezerra Teixeira, 29, e Tatiane Shizido Leite, 34, estão juntos há nove anos, e têm dois filhos. Eles afirmam que chegaram à Comunidade feridos em sua vivência eclesial. “Sentíamo-nos excluídos de tudo. Pelo fato de eu já ter sido casado na Igreja em minha primeira união, fui impedido de participar dos trabalhos de minha paróquia”, explica Edmilson. Eles conheceram a Comunidade por meio de um dos encontros para oração do Terço, realizados semanalmente. “Fomos acolhidos com muito amor e oração. Chegamos muito machucados pelo que o mundo nos oferecia e hoje estamos

Renato Rodrigues Correa, 39, e Elisangela Rodrigues, 39, vivem juntos há 19 anos, têm três filhos, mas não celebraram o sacramento do Matrimônio. Eles conheceram a Anjos da Vida há dois anos por meio do encontro de casais. “Chegamos com muitos problemas em nosso casamento e desajustes em nossa vida pessoal. Não frequentávamos a Igreja e o Renato não tinha religião”, conta Elisangela. A família sofria com o alcoolismo de Renato, vício do qual conseguiu se libertar com apoio da Comunidade. Por falta de informação sobre sua situação irregular em relação ao sacramento, Elisangela conta que comungava sacramentalmente nas missas. Com o auxílio da Comunidade, ela conheceu o ensinamento da Igreja a esse respeito, e compreendeu o que seria o melhor para eles naquele momento. “O Renato logo se interessou em fazer a Catequese para receber os sacramentos. Hoje entendemos o valor da missa para nós. É o nosso encontro pessoal com Deus”. Renato e Elisangela estão de casamento marcado para maio. “A Comunidade foi de extrema importância para essa nossa decisão, pois foi por meio dela que nós viemos a conhecer a Palavra que liberta e que gera vida”, declarou Elisangela.

Sabesp

Integrar

O diferencial do trabalho da Comunidade Anjos da Vida é que os casais em situações especiais são acompanhados desde o início junto aos demais casais. Os fundadores ressaltam que não existe uma metodologia de evangelização própria para os casais que têm o sacramento e outra para os que não o têm: “Não existe família que não tenha feridas. Cada família que chega a nós é inserida em um processo de cura, perdão e reconciliação com a sua história, por meio da vida de oração, da comunhão espiritual e do acompanhamento pessoal; e logo elas são inseridas nos trabalhos de missão da Comunidade, o que é muito importante para que se sintam Igreja, de fato. A reconciliação

Na terça-feira, 21, Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, representou o Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, no lançamento do Programa Água Legal, feito pelo governador Geraldo Alckmin, que irá levar água potável para 160 mil residências da capital e da Região Metropolitana de São Paulo, beneficiando cerca de 600 mil pessoas, que deixarão de usar ligações clandestinas. O programa surgiu como um projeto piloto da Sabesp, com o apoio e parceria de dioceses da área metropolitana, a partir da Campanha da Fraternidade de 2016, que tinha como foco principal o saneamento básico. O sucesso do projeto piloto levou a Sabesp a estruturar o programa.


8 | Pelo Mundo |

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Destaques das Agências Internacionais

Filipe david

correspondente do o são paulo na Europa

Estados Unidos

Cientista e seminarista Um neurobiólogo da Universidade de Yale, Jaime Maldonado-Avilés, com pós-doutorado, decidiu deixar sua carreira acadêmica para ingressar no seminário e se tornar sacerdote. Hoje ele já está no terceiro ano de seminário em

Washington, D.C., nos Estados Unidos. “Esta intuição constante, de que talvez tivesse sido chamado a servir de uma maneira diferente, sempre foi frequente. Em diferentes momentos, a pergunta voltava: se tivesse 90 anos, perto da morte, diria

a mim mesmo que devia ter entrado no seminário?”, explicou o seminarista. Entre seus colegas seminaristas, Jaime encontrou também um doutor em Química, um especialista em Nanotecnologia e um médico. Jaime teve que

Malawi

‘Entre a fome de hoje e a do futuro’ O Padre Piergiorgio Gamba, missionário montfortano, enviou à Agência Fides um testemunho da situação no país: “Para o Malawi, esta quaresma é importante apesar de ser difícil de se orientar, em meio à corrupção que não se reduz, ao contrário, se infiltra em todo canto. Pagase por serviços normais e já pagos, como a instalação da luz elétrica – que falta 15 dias por mês – ou para evitar uma multa por excesso de velocidade... pode-se pagar

para tudo. Além da corrupção, continua a busca às pessoas com albinismo devido à crença da bruxaria, segundo a qual quem obtém uma parte do corpo de um albino fica rico. A pobreza em que o país caiu está infelizmente aumentando. O Center for Social Concern dos Padres Brancos de Lilongwe, que mensalmente publica os dados sobre o estado da economia, informa que o mínimo necessário para uma família de seis pessoas

por mês seria 170.000 malawi kwacha, enquanto hoje, os salários mínimos estão a redor de 18.000 malawi kwacha, pouco mais de um décimo do necessário. (...). O país está frequentemente entre a fome de hoje e a do futuro. Talvez por isso, também o Malawi não consegue pensar no passado e nem no futuro. É a sobrevivência o que conta, hoje”, explicou o Sacerdote. Fonte: Fides

França

A túnica de Cristo exposta para veneração No ano passado, a Basilique de Argenteuil expôs para veneração dos fiéis a túnica de Cristo, atraindo mais de 200 mil peregrinos. Neste ano, a túnica não será desdobrada e exposta como em 2016 (tradicionalmente a túnica é desdobrada e exposta apenas duas vezes por século), mas permanecerá num relicário, onde poderá ser venerada pelos fiéis. A Basílica organiza uma série de atividades para preparar a entrada na Semana Santa, como a via-sacra, confissões contínuas, missa presidida pelo arcebispo de Sens-Auxerre, adoração ao Santíssimo Sacramento, pregação e uma grande procissão acompanhada do Terço da divina misericórdia, terminando com as vésperas. A túnica de Cristo, segundo conta a tradição, permaneceu com cristãos orientais que a veneravam profundamente até o século IX, quando foi oferecida de presente a Carlos Magno pela imperatriz de Constantinopla.

Foto: C.BADET-CIRIC

Fonte: ACI

Sudão do Sul Igreja é a única instituição que ainda funciona Em um país dividido pela guerra civil, sob o flagelo da violência e da fome, a Igreja Católica parece ser a única instituição que continua de pé. A Igreja tem procurado ajudar os mais atingidos pela crise humanitária, num momento em que as diversas partes do Sudão do Sul sofrem com a fome. Quase metade da população está em situação de “insegurança alimentar severa”, segundo o presidente do Sudan Relief Fund, Neil Corkery. O conflito já criou 2,5 milhões de refugiados. Os bispos do país têm denunciado a violência, acusando os soldados do governo de cometer crimes de guerra e alertando que a violência tem impedido a colheita, agravando ainda mais a crise alimentar. “Apesar de nosso chamado a todas as partes, facções e indivíduos para parar a violência, a matança, os estupros, os saques, os ataques a igrejas e a destruição de propriedades continuam por todo o país”, disseram os bispos. Fonte: CNA

Espanha Sacerdote idoso faz apostolado virtual

ças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) quando o seminário foi alvo de um ataque de homens armados de uma milícia local. “Eles derrubaram sistematicamente todas as portas e destruíram tudo o que havia dentro”, contou o Padre Richard Kitenge, reitor do seminário.

O Padre Francisco Javier Olivares, da diocese espanhola de Tuy-Vigo, tem 84 anos, mas isso não impede que seus quatro blogs tenham mais de 30 milhões de visitas e que ele ainda possua um grupo de centenas de pessoas no WhatsApp, para as quais envia diariamente textos para a meditação do dia. “Há dez anos, eu comemorei as minhas bodas de ouro sacerdotais; eu tinha 75 anos e me deram de presente um computador. Então, eu criei alguns blogs e vi que dessa maneira podia fazer muito neste momento”, contou o Sacerdote. Apesar da idade, Padre Francisco não pensa em parar: “Estou aposentado, em breve vou completar 60 anos de sacerdote, poderia me dedicar ao descanso e à música, que eu tanto gosto, mas acho que assim sou mais produtivo no meu trabalho sacerdotal, porque um sacerdote nunca se aposenta da sua condição sacerdotal”, explicou.

Fonte: CNA

Fonte: ACI

A túnica de Cristo, exposta para veneração, atrai 200 mil peregrinos no ano de 2016

Ela permaneceu durante séculos sob os cuidados do monastério de Argenteuil, onde foi escondida – devido às invasões vikings – e reencontrada

tempos depois. Hoje, ela permanece na Basílica Saint Denys d’Argenteuil, ao norte de Paris. Fonte: Famille Chrétienne

Congo Tentando mediar a paz, Igreja é alvo de violência Os bispos do Congo têm tentado negociar um acordo de paz entre o presidente Joseph Kabila, que continua no poder quatro meses após o fim do seu mandato, e a oposição. Recentemente, uma série de ataques tem sido realizados contra igrejas e conventos, em especial um convento carmelita e uma igreja dominicana, que foram saqueados em fevereiro.

renunciar ao seu salário de pesquisador e já não pode ver sua família com a mesma frequência, mas acredita que, se essa é sua vocação, Deus lhe dará a força necessária para vivê-la.

Segundo o Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa, esses incidentes “levam a crer que a Igreja Católica está sendo visada deliberadamente, para sabotar sua missão de paz e de reconciliação”, explicou. Em março, 25 seminaristas tiveram que fugir em um helicóptero das for-


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| Papa Francisco | 9

filipe domingues

Especial para O SÃO PAULO, em roma

Jovens atentos ao passado e prontos para o futuro Quando Maria rezou o Magnificat e disse “O Senhor fez em mim maravilhas” (Lc 1,49), recitou uma “oração revolucionária” de jovem cheia de fé, definiu o Papa Francisco em sua mensagem para a Jornada Mundial da Juventude deste ano, celebrada no Domingo de Ramos em nível diocesano. “Essa pequena mulher corajosa dá graças a Deus, porque Ele a olhou em sua pequenez”, acrescenta. “A fé é o coração de toda a história de Maria. Seu canto nos ajuda a entender a misericórdia do Senhor como motor da história, seja a pessoal de cada um de nós, seja aquela de toda a humanidade.” O Papa convidou os jovens de todo o mundo a não serem “jovens de sofá”. Desse modo, pediu que sejam protagonistas da própria história, seguindo o exemplo de Maria. “Ela não é do tipo que para estar bem precisa de um bom

sofá para se sentar confortável e segura”, comenta. Em vez disso, “se sua prima idosa [Isabel] precisava de ajuda, ela não titubeia e imediatamente se coloca em viagem”, fazendo um percurso de 150 quilômetros para visitar a prima grávida. Nesse sentido, o Papa exorta os jovens a estarem atentos ao passado, por meio da Igreja, para “fazer memória” das intervenções que Deus que realizar por meio de nossas vidas. “A Igreja carrega consigo uma longa tradição, passada de geração em geração, enriquecendo-se ao mesmo tempo da experiência de cada um de nós.” Usando linguagem da tecnologia digital, próximo aos jovens, diz o Papa: “Nossas recordações não devem ficar todas comprimidas como na memória de um disco rígido.” Para ele, não “é possível arquivar tudo numa “nuvem” virtual. É

L’Osservatore Romano

preciso aprender a fazer com que os fatos do passado se tornem realidade dinâmica, refletindo sobre ela e dela tirando lições e sentido para o nosso presente e futuro.” Sobre a afirmação de que os jovens são desmemoriados e superficiais,

comenta: “Não concordo de maneira alguma!”. E diz o Santo Padre: “Mas é preciso reconhecer que, nestes nossos tempos, há necessidade de recuperar a capacidade de refletir sobre a própria vida e projetá-la para o futuro.”

‘O perdão de Deus pelos pecados e faltas da Igreja’, em Ruanda

Canonização de Dom Romero pode acontecer em agosto

Expressar o pesar em nome de toda a Igreja pelo genocídio sofrido por membros da etnia tutsi e manifestar solidariedade pelas vítimas e pelos que ainda padecem as consequências da tragédia, foram alguns dos motivos da audiência oficial do Papa Francisco com o presidente da Ruanda, Paul Kagame. O Papa o recebeu no Vaticano, na segunda-feira, 20. “Em linha com o gesto de São João Paulo II, no Grande Jubileu de 2000, Francisco implorou o perdão de Deus pelos pecados e faltas da Igreja e de seus membros – sacerdotes, religiosos e religiosas – que cederam ao ódio e à violência, traindo sua missão evangélica”, consta na nota divulgada pela Secretaria de Estado do Vaticano. O Pontífice espera que, reconhecendo humildemente a omissão da Igreja na circunstância, possa-se contribuir para “purificar a memória” e incentivar um futuro de paz, confirmando ser possível viver e trabalhar em conjunto, quando a

dignidade do homem e o bem comum são o foco. Os chefes de Estado conversaram sobre a situação político-social da região, especialmente sobre as áreas atingidas por conflitos ou catástrofes naturais. Ambos externaram preocupação quanto ao número de refugiados e migrantes sem assistência por parte da comunidade internacional e de instituições regionais. Ao fim do encontro, Francisco presenteou Kagame com uma medalha que, referindo-se ao país em reconstrução após o genocídio, simboliza “um deserto que se tornou um jardim”. Por sua vez, o Presidente ruandês presenteou o Papa com uma tradicional vara africana, utilizada simbolicamente “para convocar as pessoas”. Francisco ofereceu em 2014 o apoio da Igreja Católica para a reconciliação em Ruanda, por ocasião dos 20 anos do genocídio.

Na manhã de segunda-feira, 20, durante visita ad limina, Papa Francisco recebeu os bispos de El Salvador tendo em vista a canonização de Dom Óscar Romero, assassinado em 24 de março de 1980 durante a guerra civil salvadorenha. Dom José Luis Escobar Alas, arcebispo de San Salvador e presidente da Conferência Episcopal, presente na audiência com o Papa, comentou o andamento do processo. “Em 28 de fevereiro, concluímos a investigação do processo para o milagre. Gostaríamos que o Papa canonizasse Romero em El Salvador e o convidamos a ir ao país em 15 de agosto, dia do centenário do seu nascimento. Talvez, se a Divina Providência quiser, o milagre será aprovado pela Santa Sé e o Papa deverá canonizá-lo em 15 de agosto. Seria uma bênção muito grande para nós! Gostaríamos também que fosse beatificado o Padre Rutilio Grande, o sacerdote jesuíta que morreu mártir, como Romero, em 1977. A fase diocesana da sua causa de beatificação terminou no ano passado e a documentação já chegou à Congregação para as Causas dos Santos”.

Fonte: Rádio Vaticano (redação: Júlia Cabral)

Fonte: Rádio Vaticano (redação: Júlia Cabral)


10 | Pelo Brasil |

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Destaques das Agências Nacionais

Fernando Geronazzo, Vítor Alves Loscalzo e Júlia Cabral osaopaulo@uol.com.br

Campanha da Fraternidade é apresentada na Assembleia Legislativa de São Paulo

Mais de 3,5 milhões de vacinas contra a febre amarela serão enviadas ao Brasil José A. Teixeira/Alesp

O Grupo de Coordenação Internacional para o Fornecimento de Vacinas aprovou que sejam enviadas ao Brasil 3.504.607 vacinas contra a febre amarela. As doses têm como destino as áreas priorizadas a receber um reforço das ações de imunização. A decisão da organização global atende ao pedido do Ministério da Saúde. As doses devem chegar ao país ainda nesta semana e serão distribuídas em locais determinados pelo governo federal.

Bispo de Oeiras (PI) é ordenado no Rio Grande do Norte

Em evento na Assembleia Legislativa de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer fala sobre os propósitos da Campanha da Fraternidade de 2017

A Campanha da Fraternidade (CF) de 2017, cujo início se deu na Quarta-feira de Cinzas – como ocorre todos os anos –, foi apresentada, no dia 15, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O tema neste ano é “Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida”. Tradicionalmente, a campanha promovida pela Igreja Católica no Brasil responde a anseios espirituais e sociais do país e, portanto, transcende o ambiente paroquial. O evento na Alesp teve a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo; Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Mogi das Cruzes (SP); Padre Antônio Carlos Frizzo, coordenador regional da CF; Antônio Evangelista, secretário-executivo da campanha; e Padre Afonso Lobato.

O magistério da Igreja no meio ambiente

Em sua exposição sobre a Campa-

nha da Fraternidade, Dom Odilo perguntou: “Por que a Igreja se interessa por este assunto?” O Cardeal prosseguiu esclarecendo ao público o fato de a prática da vida religiosa acontecer também em meio ao mundo e às pessoas, as quais habitam os mais diversos ambientes. O Arcebispo de São Paulo fez uma síntese sobre o que diz o magistério da Igreja sobre a ecologia, relembrando o pontificado do Beato Paulo VI (1963 a 1978) e enfatizando que já na década de 60 a Igreja dirigia o seu olhar para essa realidade. São João Paulo II, conforme expôs Dom Odilo, também convidou os fiéis a cuidarem do meio ambiente, não apenas por regras ecológicas, mas por um dever moral, assumindo, dessa forma, o papel de cocriadores. A carta encíclica de Bento XVI, Caritas in Veritate, também foi citada pelo

Cardeal. O documento reconhece que a Igreja tem responsabilidade com o meio ambiente e, portanto, deve fazer ouvir a sua voz nos ambientes públicos, “como está acontecendo neste momento”, destacou Dom Odilo.

Ações concretas

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Cardeal Scherer explicou que a arrecadação da Campanha da Fraternidade é realizada no Domingo de Ramos. “Está previsto na regulamentação da campanha que uma parte do que se arrecada vai para a CNBB, formando o Fundo Nacional de Solidariedade. Com esse fundo, a CNBB apoia projetos específicos que são apresentados a um conselho gestor e que estejam alinhados com a campanha. A outra parte da coleta se destina às dioceses, as quais também apoiam projetos de solidariedade social”.

Cardeal Hummes apresenta casos de violação de direitos humanos na Amazônia Nesta semana, entre os dias 21 e 24, o Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, e da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), participa de uma reunião com membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh), em Washington, nos Estados Unidos, para falar sobre os casos de violações dos direitos humanos ocorridos na Amazônia legal. Na sexta-feira, 17, foi realizada junto à Cidh uma audiência sobre o direito do território de comunidades indígenas e comunidades rurais da Pan-Amazônia. A audiência foi solicitada pela Repam,

pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), Confederação Latino-Americana de Religiosos (Clar), Cáritas da América Latina e do Caribe, Conferência Episcopal dos Estados Unidos, lideranças indígenas e campesinas. Na audiência, foram apresentados dois casos brasileiros: O “caso mineração” da comunidade Rural de Vila União, município de Buriticupu (MA), que vem sofrendo impactos pela concessão de suas terras à atividade ferroviária e à extração de minerais. O “caso Acre”, do povo indígena Jaminawa Arara, que vem sendo impactado pela não demarcação de suas terras, invasões e explora-

ção de madeira, projetos de exploração de petróleo e gás natural e constante presença de narcotraficantes na fronteira com o Peru. Dom Cláudio ressalta que essa ação junto à Cidh faz parte de um dos eixos de atuação da Repam sobre Direitos Humanos e Igreja de Fronteira. Segundo ele, são mais de dez casos apresentados à Cidh, e praticamente todos, ligados à questão da mineração. A Cidh é uma das entidades do sistema interamericano encarregado da promoção e proteção dos direitos humanos no continente americano. Fonte: Repam

Na segunda-feira, 20, na Catedral Metropolitana de Natal (RN), aconteceu a ordenação episcopal de Dom Edilson Soares Nobre, nomeado pelo Papa Francisco como 7º bispo diocesano de Oeiras (PI), em 11 de janeiro. Natural de Touros (RN), Dom Edilson nasceu em 9 de maio de 1965 e foi ordenado sacerdote em 6 de abril de 1991. Desde 2012, era vigário-geral e coordenador do Setor de Comunicação da Arquidiocese de Natal. Desde fevereiro de 2016, exercia a função de primeiro pároco da Paróquia de Santana, no bairro de Capim Macio. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira da Rocha, e concelebrada por mais de 20 bispos. Sua posse em Oeiras será em 1º de abril. Fonte: Arquidiocese de Natal

Ceris alerta para golpe contra dioceses, paróquias e casas religiosas O Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), que produz o Anuário Católico do Brasil, e a Promocat Marketing Integrado, responsável pelas edições 2011 e 2015 dessa publicação, alertam para um golpe: “empresas” maliciosas têm ligado para dioceses, paróquias e casas religiosas, dizendo que estas estão em débito por terem adquirido o Anuário Católico e que caso a dívida não seja paga imediatamente, serão protestados. Em nota, o Padre Valdeir dos Santos Goulart, secretário-executivo do Ceris, enfatizou que a instituição “não está executando nenhuma cobrança, simples ou em cartório, de nenhuma paróquia, diocese ou outra entidade da Igreja Católica no Brasil, referente ao Anuário Católico”. Na mesma nota, o Padre informa que a Promocat Marketing “não é mais responsável pelo Censo Anual da Igreja e pela editoração e comercialização do Anuário Católico. A partir deste ano, essa tarefa passa a ser do próprio Ceris”.


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Políticos querem convencer a sociedade de que ter caixa 2 ‘é normal’ Gabirante/Arquivo O SÃO PAULO

Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

O avanço das investigações da operação Lava Jato tem revelado o possível envolvimento de políticos de diferentes partidos – não obstante em diferentes proporções – em operações de caixa 2 eleitoral, com movimentações irregulares de recursos ao longo das campanhas e repasses feitos por fora da contabilidade oficial que todo candidato deve enviar à Justiça Eleitoral. Desde o segundo semestre de 2016, há articulações na Câmara dos Deputados e no Senado para anistiar a prática do caixa 2. Em novembro, parlamentares tentaram inclui-la no projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção, que, inicialmente proposto pelo Ministério Público Federal, postulava justamente o contrário: a criminalização de tal prática, incluindo a responsabilização dos partidos políticos. À época, a tentativa encontrou resistência na sociedade. A CNBB, por exemplo, divulgou nota em novembro manifestando “veemente repúdio a qualquer iniciativa que vise anistiar o crime de ‘caixa 2’, ou mesmo, abrandar suas penalidades”. A conferência dos bispos enfatizou: “Essa prática macula as eleições e estimula a corrupção, corroborando para a confusão entre interesse público e particular”; e ainda desejou “que os membros do Congresso Nacional não apoiem tamanha afronta à dignidade do país. Seria inaceitável, para um parlamento que preza pela honestidade e respeita o mandato recebido, aprovar tal projeto”. A proposta de anistia ao caixa 2 e a tentativa de descaracterizar essa prática como corrupção voltou com toda força ao discurso dos políticos nas últimas semanas após Rodrigo Janot, procuradorgeral da República, ter enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de abertura de inquérito, no âmbito da Lava Jato, de políticos citados nas delações da Odebrecht. José Eduardo Cardoso (PT), ex-ministro da Justiça, por exemplo, disse reconhecer que o caixa 2 é ilegal, mas que nem sempre é sinal de corrupção, pois, “às vezes, se doa o dinheiro sem que você efetivamente saiba a origem. Há situações distintas: a corrupção tem uma origem, caixa 2 tem outra”, afirmou. Também Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-presidente da República, declarou que “há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa 2 para financiamento de atividades políticoeleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”. E até o ministro Gilmar Mendes,

presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), chegou a afirmar que o caixa 2, em alguns casos, pode ser uma opção das empresas para que suas doações sejam desconhecidas, a fim de evitar desgastes com outros políticos.

Imoral

Atualmente, não há uma legislação que tipifique o caixa 2 como crime. No entanto, tal prática pode ser punida, com prisão de até cinco anos, com base no artigo 350 do Código Eleitoral, que proíbe a movimentação de recursos de campanha sem a correta prestação de contas. Além disso, se o recurso de caixa 2 for ilícito, a transação pode ser enquadrada em outros crimes, como peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. Em entrevista ao O SÃO PAULO, o jurista Luiz Flávio Gomes, doutor em Direito Penal, explicou que caixa 2 e corrupção são coisas diferentes, mas igualmente graves. “Caixa 2 significa uma ajuda financeira não declarada na Justiça Eleitoral, que é diferente de corrupção. Corrupção sempre tem uma troca: você me ajuda e eu lhe dou em troca algum benefício público – contrato, empréstimo subsidiado, por exemplo. Na minha opinião, o Congresso está querendo aprovar um ‘suicídio coletivo’, pois é uma imoralidade, um absoluto desprezo dos políticos pela população, que será o estopim que levará a população para as ruas”, afirmou. Ainda segundo o jurista, a proposta dos parlamentares de anistiar o caixa 2 é inconstitucional. “Viola o artigo 37 da Constituição, que cuida da moralidade e da impessoalidade dos atos públicos. Uma lei de anistia, neste caso, viola completamente a moralidade, porque eles estão fazendo a lei para eles mesmos”, detalhou. Paulo Camargo, doutor em Política e professor nas Faculdades Integradas Rio Branco, também lamenta que o Con-

gresso esteja legislando em causa própria e acredita que, caso a anistia ao caixa 2 seja aprovada, haverá poucas perspectivas de mudanças políticas. “O caixa 2 é como um grande balcão de negócios, em que aqueles que representam poderes econômicos muito grandes, têm maior facilidade de adquirilo, enquanto novas lideranças de outros segmentos da sociedade civil não têm esse poder. Fica um jogo muito desigual, em que estes não têm possibilidade de fazer uma campanha eleitoral para ser conhecidos, e assim serem eleitos”, opinou à reportagem.

Tipificação

Sem a certeza de que conseguirão a anistia explícita na lei à prática de caixa 2, alguns políticos já afirmam que uma nova legislação não poderá retroceder para atos já cometidos. No entender do jurista Luiz Flavio Gomes tais discursos não têm fundamento. “Esse argumento é mentiroso, porque parte do princípio de que hoje o caixa 2 não é crime. Isso é mentira. Atualmente, o caixa 2 é crime, está no artigo 350 do Código Eleitoral. Se uma lei nova vier, a regulamentação nova vai valer para os fatos novos, mas os antigos continuam regidos pelo artigo 350 do Código Eleitoral”, garantiu. O jurista também considera que a tipificação do crime de caixa 2 até pode ser dispensável, caso se melhore a redação do artigo 350. “Hoje está muito mal escrito. Então, o que se deve fazer: melhorar a redação dele para fatos futuros e os antigos seguem pelo o que hoje está”. Já Paulo Camargo defende a tipificação do crime. “É importante, porque quanto mais você tipifica, coloca critérios jurídicos, mais argumentos você tem para cercear alguma prática ilegal”, disse, considerando a anistia ao caixa 2 um retrocesso para o país. (Com informações da BBC, Folha de S.Paulo, Agência Brasil, Congresso em Foco e MPF)

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Operação Carne Fraca

Hong-Kong, no continente asiático, comunicou na terça-feira, 21, a suspensão de importações de carne brasileira. A decisão do país que é o maior importador de carne bovina do Brasil é reflexo dos desdobramentos da operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na sexta-feira, 17, com foco na venda ilegal de carnes por frigoríficos. No total, 18 empresas do ramo são alvos das investigações. Segundo a PF, fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária, mediante o recebimento de propina, emitiam certificados sanitários de fiscalização para essas empresas poderem vender carne adulterada. Parte do dinheiro era repassada a políticos do PMDB e do PP. Na tentativa de retomar a credibilidade do Brasil no mercado, o presidente Michel Temer jantou com embaixadores de países que importam a carne brasileira em uma churrascaria em Brasília (DF), no domingo, 19. O governo disse que adotará rigor sanitário ainda maior em relação aos frigoríficos. Além de Hong-Kong, houve vetos de importação da carne brasileira pela China, Chile, México, Japão, Suiça e Coreia do Sul, sendo que este último voltou atrás na decisão.

Nova fase da Lava Jato

A Polícia Federal cumpriu na terça-feira, 21, 14 mandatos de busca e apreensão de uma nova fase da operação Lava Jato, nos estados de Alagoas, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro e também em Brasília (DF). Os alvos dessa fase foram pessoas ligadas aos senadores Valdir Raupp (PDMBRO), Humberto Costa (PT-PE), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), atual presidente do Senado. Esses parlamentares, no entanto, não são alvos dos mandatos, que foram os primeiros expedidos com base na deleção premiada de executivos da Odebrecht.

Emprego a morador de rua

A Prefeitura de São Paulo anunciou na sexta-feira, 17, uma parceria com a rede de restaurantes McDonald’s para criar oportunidades de trabalho a pessoas em situação de rua. Inicialmente, a empresa oferecerá cem vagas. A iniciativa faz parte do programa “Trabalho Novo”. Segundo a Prefeitura, desde o início do programa, 123 pessoas em situação de rua já foram reinseridas no mercado de trabalho. Atualmente, o “Trabalho Novo” conta com 5.500 vagas. A Prefeitura garante que a meta é conseguir, até dezembro, trabalho para as 20 mil pessoas em situação de rua na cidade. Fontes: Agência Brasil, Folha de S.Paulo, G1e Prefeitura de São Paulo


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Campanha da

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Práticas simples e cotidianas pod Nayá Fernandes

V

nayafernandes@gmail.com

iver na metrópole é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para ser protagonista de ações que podem contribuir para o crescimento pessoal e coletivo. A Campanha da Fraternidade de 2017, ao abordar os biomas brasileiros, é um momento importante para a reflexão sobre o que cada um pode fazer para preservar o ecossistema presente nos grandes centros urbanos, onde os biomas originários estão, em grande parte, extintos. Na capital do Estado de São Paulo, a Mata Atlântica, principal bioma da região Sudeste, deu lugar à uma cidade plural, onde existem muitas iniciativas de grupos e comunidades que versam sobre a preservação da natureza. Questões como a falta de água ou a poluição dos rios e mesmo do ar podem ser amenizadas com a ação de uma sociedade participativa e consciente do seu papel. É possível incorporar no dia a dia atitudes que podem fazer a diferença quando o assunto é preservação do meio ambiente e, por consequência, melhor qualidade de vida para todos.

‘Planeta água’

Em 22 de março se comemora o Dia Mundial das Águas. O artigo 3 º da Declaração dos Direitos do Homem afirma que “a água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela,

não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano”. Por outro lado, situações como excesso de chuvas e enchentes são problemas enfrentados constantemente pelos moradores de grandes centros urbanos. E, falando em águas, como seria se a população paulistana pudesse desfrutar das orlas dos rios Tietê e Pinheiros também para o lazer? A despoluição dos rios é um tema que toca a todos, pois moradores e visitantes de São Paulo, em sua maioria quase absoluta, já passaram por suas marginais. Sueli Furlan, doutora em Geografia Física pela USP, defende que seria muito positivo “termos rios vivos em nossa cidade, como em muitas outras grandes cidades do mundo”. Ela ressaltou que o lazer poderia ser muito mais agradável numa cidade onde as águas dos rios são limpas. Além disso, “as pessoas gostam de apreciar e ficar perto dos rios. Muitos poetas cantaram sobre os rios. No rio Tamanduateí existiu a ‘Ilha dos Amores’. Não é poético?”, considerou em entrevista ao O SÃO PAULO. Sobre a falta d’água que afetou diretamente a capital nos últimos anos, Sueli afirmou que há vários fatores envolvidos, e seria errado afirmar que o clima é o único culpado. “Há muita água em nossa região. Estamos na maior metrópole do trópico úmido. É região de cabeceiras de drenagem, mas a intensa descaracterização dos rios mudou

toda a paisagem hídrica do planalto. Ocorre que o principal problema é a degradação da cobertura florestal no entorno dos reservatórios e matas ciliares e, de outra parte, a poluição por esgoto dos rios e da represa Billings” explicou. Atitudes simples, como deixar um espaço com terra e grama em

casa ao projetar uma construção, ou permitir que a árvore não seja cortada apenas por causa de reclamações da vizinhança, são ações que contribuem significativamente para o abastecimento de água na cidade. Isso porque a penetração das águas das chuvas no solo é um dos aspectos essenciais para manter cheios os

9 ações que você pode fazer para pres Nem tudo é responsabilidade do cidadão. Mas ele pode contribuir e muito. Iniciativas como separar o lixo para coleta seletiva ou iniciar uma atividade de jardins suspensos e hortas urbanas são práticas simples e que precisam ser cada vez mais

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Deixe o carro na garagem, caminhe, reveze carona, vá de bicicleta e, sempre que possível, utilize o transporte público – Os gazes e partículas liberados pela queima de combustíveis são um dos principais motivos da poluição do ar;

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 Separe o lixo para reciclagem – Assim você ajuda a diminuir a quantidade de plásticos e outros materiais que não se decompõem com facilidade na natureza;

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 Cuide bem do seu lixo – O lixo acumulado nas ruas é um grande problema ambiental, contribui para a proliferação de pragas e insetos e entope os bueiros em caso de chuvas. Em São Paulo são gerados 15 mil toneladas de lixo por dia, o que corresponde a 3.750 caminhões carregados diariamente;

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ampliadas. Tais hábitos geram resultados diretos e colaboram para a educação ambiental da população, mas sozinhos não são suficientes. De acordo com a avaliação de Mariano, “mudar essa realidade passa, necessariamente, por uma revisão de nos-

 Economize água (sempre!) – Seja na hora do banho ou de escovar os dentes, ou ao optar por lavar o carro utilizando um balde e não a mangueira;

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Reserve um ra ou jardi uma constr proporciona a águas das chu os lençóis freá


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| Campanha da

biomas brasileiros e defesa da vida

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dem mudar, para melhor, a cidade reservatórios de água, como explicou Mariano Caccia, doutor em Geografia Física pela USP e professor da Unesp. Ele analisou a questão da falta d’água em três aspectos: demanda, disponibilidade e distribuição. “A população, assim como as atividades do setor produtivo, crescem e necessitam de volumes cada

vez maiores de água. Além disso, o crescimento do acesso ao consumo verificado nos últimos anos também elevou o volume de água consumido na região metropolitana”, recordou. Por outro lado, Mariano avaliou que a quantidade de água disponível para tratamento e abastecimento público depende, primeiFotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

ramente, de dois aspectos naturais: a quantidade de chuvas e a área de captação dessas águas para armazenagem e utilização. “Ocorre que, para que tenhamos água disponível em maior quantidade e melhor qualidade, certos aspectos da cobertura do solo devem ser observados. Por exemplo, a contínua impermeabilização do solo impede que parcela considerável das águas das chuvas infiltrem, limitando a recarga dos aquíferos de subsuperfície. Assim, essas águas que abasteceriam as nascentes e olhos d’água que mantêm o fluxo dos rios com pequena oscilação ao longo do ano, secam durante as estiagens. Dessa forma, a reposição dos estoques de água armazenada passa a depender quase que exclusivamente da ocorrência frequente de episódios de chuvas. Portanto, a manutenção e preservação da vegetação e da permeabilidade do solo em áreas de mananciais é fundamental para a disponibilidade hídrica”, enfatizou Mariano.

E o Tietê, pode reviver?

Mariano Caccia também fez parte da equipe multidisciplinar que elaborou o Plano de Manejo da APA (Área de Proteção Ambiental) da várzea do rio Tietê. A equipe contou com professores e pesquisadores de diversos departamentos da USP e técnicos da Fundação Florestal de São Paulo, e realizou leituras, levantamentos, trabalhos de campo, análises e correlações. “O plano procurou impor limitações

à degradação dos últimos e importantes ecossistemas ainda existentes no alto curso do rio Tietê e seus afluentes, considerando não apenas a sua importância ecológica, mas também seu papel no sentido de garantir quantidade e qualidade da água para abastecimento público, o Sistema Alto Tietê”, explicou. Ele insistiu também que um aspecto “de suma importância é o papel que as várzeas, ou seja, os terrenos cultiváveis nas margens dos rios, desempenham enquanto área de contenção de águas durante a ocorrência de chuvas intensas, reduzindo os efeitos e os impactos das frequentes inundações que ocorrem a cada verão na cidade de São Paulo e municípios vizinhos”. Tais enchentes acontecem também devido à grande quantidade de lixo jogada nas ruas, o que causa o entupimento dos bueiros, responsáveis pelo escoamento das águas das chuvas. Além disso, o lixo gerado é levado pelas enxurradas e contribui ainda mais para elevar o volume das águas. O professor disse não ter dúvidas sobre a possibilidade de o Tietê ser um rio totalmente despoluído. “Sabemos quais são os problemas, e temos tecnologia e conhecimento para a tarefa. Os demais aspectos para viabilizar essa revitalização são: recursos e vontade política”, concluiu Mariano. Ele lembrou ainda que o projeto de despoluição do rio existe desde 1992 e, portanto, completa 25 anos sem resultados significativos.

servar o meio ambiente na metrópole sos hábitos de consumo, pelo despertar de nossas responsabilidades e de nossa cidadania, e por uma concepção de sociedade mais coletiva”. Sueli, por sua vez, considerou que todas as iniciativas que melhoram a qualidade do ambiente são importantes.

pedaço de terdim ao projetar rução – A terra a penetração das uvas, que mantêm áticos;

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“Destaco as hortas urbanas que estão proliferando na cidade e cumprem a função ambiental e social, pois algumas seguem os princípios da agroecologia, que entre outros aspectos prega a alimentação sem venenos.”

Abra a janela e aproveite a luz do sol – Evite ao máximo desperdiçar energia elétrica, aproveitando a luz do sol e desligando aparelhos eletrônicos quando não estiverem sendo utilizados;

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Plante um ou vários vasos em casa – Se não for possível participar de projetos comunitários de horta urbana, por exemplo, cultive em casa vasos com hortaliças, como cebolinha ou manjericão;

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Não jogue óleo de cozinha ou lubrificantes na rede de esgoto – A ação pode provocar o entupimento do encanamento da casa e contaminar os rios. Estima-se que um único litro de óleo contamina cerca de um milhão de litros de água;

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Plante um jardim vertical em seu prédio ou casa – Esse tipo de iniciativa, além de contribuir com a despoluição do ar, torna a cidade esteticamente mais bonita.


14 | Reportagem |

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‘Dicas do Rogerinho’ para um mundo mais humano Luciney Martins/O SÃO PAULO

21 de março é o Dia Internacional da Síndrome de Down e, embora haja muito a ser feito no que se refere à inclusão, há empresas e grupos que têm ido muito além do cumprimento da lei Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Ele escreve mensagens à mão e as entrega dia a dia para um ou dois dos 250 funcionários que trabalham na Casa Flora, importadora de alimentos e acessórios, localizada na região no Brás, em São Paulo. Rogério Freddi tem 35 anos e, em 2017, completa dez anos de trabalho na empresa que o contratou por meio do presidente, Adilson Carvalhal. Rogério tem dois irmãos e nasceu com Síndrome de Down. “Desde que vim trabalhar aqui, me sinto realizando um sonho e estou feliz em contar minha história para que outras pessoas com a Síndrome, como eu, sintam que é possível”, disse durante a entrevista, que foi acompanhada por Jaqueline Althaus, responsável pelos setores de treinamento e desenvolvimento de Recursos Humanos (RH) da Casa Flora. Rogério começou a trabalhar no setor de cobrança e, em 2013, foi promovido para o RH, onde colabora em atividades como a separação e organização de documentos, catalogação de livros e DVD’s da biblioteca, e é responsável pelas mensagens de aniversário e motivacionais. “Rogério trabalha muito bem e aqui todos gostamos muito dele”, afirmou Adilson que, na década de 1970, começou sozinho e com poucos recursos a importadora que hoje conta com filiais e representantes em todo o país, e tem um dos mais amplos portfólios de produtos do ramo de vinhos e alimentos.

O que é a Síndrome de Down?

É importante ressaltar que a Síndrome de Down não pode ser considerada uma deficiência mental. De acordo com informações do site www.movimentodown.org.br, ela é causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Isso ocorre na hora da concepção de uma criança. As pessoas com Síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, têm 47 cromossomos em suas células, em vez de 46, como a maior parte da população. Isso pode acontecer devido a questões genéticas herdadas ou por um acidente genético isolado. Assim, as pessoas com a Síndrome têm características em comum, como a dificuldade na fala ou no processo de cognição, mas em graus diferentes. Contudo, se forem estimuladas e acompanhadas desde o nascimento, podem ter um desenvolvimento que

Rogério Freddi , o Rogerinho, trabalha há 10 anos na Casa Flora, importadora de alimentos e acessórios, atualmente no setor de recursos humanos

as tornará autônomas ao longo do tempo, tanto emocionalmente quanto profissionalmente.

Um passo de cada vez

No caso de Valentine Maria di Bernard Sollitto – confira a entrevista com a mãe de Valentine na página 15 desta edição – a Síndrome foi causada por um acidente genético, e os pais começaram a estimulá -la quando ela tinha poucos dias de vida. Aos 21 anos, a jovem trabalha no setor administrativo do Hospital Albert Einstein e sente-se feliz com a oportunidade de crescimento. Vanessa di Bernard Sollitto salientou, contudo, que embora a filha tenha tido dificuldades para acompanhar os demais alunos da turma durante a adolescência, pois não estudava em uma escola especializada, ela, a mãe, sempre se empenhou para que Valentine não repetisse sistematicamente uma mesma série, pois ao contrário do que se pensa, essa prática é muitas vezes prejudicial. “Esforcei-me ao máximo para que ela

não se sentisse excluída em relação aos outros jovens da sua idade. Por outro lado, o jovem com Down precisa de um acompanhamento muito mais personalizado para conseguir realizar as atividades que lhes são propostas”, explicou Vanessa. Sobre o novo desafio do trabalho, a mãe disse que, logo no início, Valentine começou a namorar um outro jovem com Down que também trabalhava no Hospital Albert Einstein. “No começo foi bom para ela, mas depois percebemos – eu e a psicóloga que a acompanha – que eram muitas novidades ao mesmo tempo, ou seja, o namoro e o trabalho, e ela estava se sentindo sufocada. Então, conversei com Valentine e perguntei se ela queria mesmo continuar no trabalho. Juntas, chegamos à conclusão que era melhor interromper o namoro”, contou a mãe. “E se acabar o mundo? Eu vou perder meu emprego?”, disse Rogério durante uma conversa informal no grupo de Luciney Martins/O SÃO PAULO

Rogério Freddi com o senhor Adilson Carvalhal, presidente da importadora Casa Flora

oração da Paróquia Santa Rita, do qual ele e Adilson participam, pois moram no mesmo bairro, na zona Sul da capital. O presidente da Casa Flora riu e contou o fato para reforçar o quanto o trabalho é importante na vida de Rogério. Além disso, ele recordou que a inclusão e adaptação do rapaz com Síndrome de Down entre os outros funcionários aconteceu de maneira espontânea, e todos o acolheram com muita alegria.

Uma relação natural

“Bom dia, Diego, como você está e como está sua família? Gostaria de saber também como vai o seu trabalho no dia a dia. Está difícil? Se estiver com alguma dúvida, é só me chamar. Um grande abraço.” O bilhete foi enviado por Rogério para o Diego Lemes que há três anos trabalha no setor financeiro da Casa Flora. Ele tirou da gaveta várias folhas com outros bilhetes assinados por “Rogerinho” e reforçou que a presença dele humaniza e alegra a equipe. As “dicas do Rogerinho” são cheias de humanidade e podem mudar o dia de quem as recebe. Algumas ele copia de livros, mas outras ele afirmou à reportagem que “escreve com o coração”. As histórias de Rogério e Valentine talvez não retratem a condição das pessoas na mesma situação que eles pelo Brasil. Mas, embora existam muitas dificuldades em relação à inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência no mercado de trabalho e na sociedade como um todo, há empresas e grupos que vão além do cumprimento da lei e conseguem, com profissionalismo e humanidade, transformar a diferença numa oportunidade de aprendizado para ambas as partes.


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Vanessa di Bernardi Sollitto

Diferentes caminhos para a inclusão Luciney Martins/O SÃO PAULO

deficiências. Lá ela ficou por três anos, mas percebi que não estava dando passos concretos. Foi quando a matriculei numa escola que aceita somente pessoas com Síndrome de Down, e Valentine concluiu o Ensino Médio, no tempo regular, aos 17 anos.

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Vite e um de março é o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data é um momento de luta e de questionamento: será que a sociedade está preparada para a inclusão das pessoas com deficiência? A experiência de Vanessa di Bernardi Sollitto é, para muitas pessoas, um exemplo de busca e superação. Após ter se casado com Vivaldo Abbud Sollitto, aos 21 anos e, na espera do primeiro filho, o casal se deparou com o nascimento de um bebê prematuro e com Síndrome de Down. “Foi muito difícil no começo, quase um luto, mas, com ajuda da família e de profissionais da saúde, consegui forças para começar a estimular minha filha quando ela ainda tinha dias de vida”, contou Vanessa, durante a entrevista que ela deu ao O SÃO PAULO na sala da residência onde mora a família, na região da avenida Paulista. Valentine Maria di Bernardi Sollitto, hoje com 21 anos, acompanhou toda a entrevista e ajudava a mãe a recordar alguns fatos da sua infância e adolescência. A jovem trabalha como auxiliar administrativa no Hospital Albert Einstein, sonha com uma viagem à Califórnia e é fã da Cher, atriz e cantora dos Estados Unidos da América, que ficou conhecida como “Deusa do Pop”, por reinventar constantemente sua música e imagem.

O SÃO PAULO – Como e quando vocês souberam que a Valentine tinha Síndrome de Down? Vanessa di Bernardi Sollitto – Quando ela nasceu foi um choque para nós. Nada foi detectado durante a gravidez e só depois dos exames e do diagnóstico oficial nós, de fato, nos demos conta da situação. Do dia para noite, eu vi minha realidade transformada. E isso literalmente, pois ela nasceu na madrugada do dia 31 de agosto de 1996. Eu tinha trabalhado aquele dia e à noite a bolsa estourou; não esperava, porque estava ainda no 8º mês de gestação. Valentine é minha primeira filha e a primeira neta da família. Naquele momento, meus pais me ajudaram muito. Eu fiquei com eles durante quatro meses e só depois voltei para casa. Eu já tinha me formado em Direito e estava iniciando a carreia como advogada. Decidimos que eu deixaria o trabalho fora para me dedicar exclusivamente a ela. Logo a levamos para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e, aos 10 meses, ela iniciou a estimulação precoce.

Você sempre prezou que sua filha acompanhasse as atividades próprias para a idade dela. por quê?

Como foram os primeiros anos da Valentine e a decisão de ter outro filho? Começamos a estimulação dela muito cedo. Quando a Valentine ainda tinha dias de vida, eu colocava, por exemplo, uma fralda de pano entre as pernas dela para que a ajudasse na sua formação muscular. Além disso, treinávamos a marcha dela o tempo todo e ela conseguiu dar os primeiros passinhos com 1 ano e 4 meses, tempo considerado adequado para qualquer criança. Ela se desenvolveu muito bem, também em relação à fala. Isso e o diagnóstico de que a Síndrome de Down foi um acidente genético, e não tinha a ver com herança genética nem minha, nem do Vilvado, nos fez ter coragem para o segundo filho. As pessoas também afirmavam que um irmão poderia ajudar no desenvolvimento dela. Então, quando Valentine tinha 2 anos, fiquei grávida do Giovane José di Bernardi Sollitto, que hoje tem 18 anos. Confesso que tivemos muito medo, mas tudo ocorreu bem. E quando a Valentine estava em idade escolar? Foi uma verdadeira saga. Quando ela tinha 3 aninhos, comecei a procurar uma escola que a aceitasse e isso não foi uma tarefa nada fácil. A lei acabava de ser publicada, e as escolas estavam ainda tentando se adequar. [A Lei 9.394/96, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que preconiza “que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currícu-

lo, métodos, recursos e organização específicos para atender às suas necessidades; assegura a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental em virtude de suas deficiências” e que “o atendimento educacional especializado será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular”.] Consegui matricular minha filha numa escola de educação infantil aqui do bairro, mas logo ela precisou ser transferida, pois alcançou a idade para começar uma escola regular. Foi então que encontrei a escola onde ela fez todo o Ensino Primário em turmas com crianças sem nenhuma deficiência. Ela foi muito bem acolhida pelos colegas e professores e se desenvolveu muito bem. Aliás, conseguiu se alfabetizar no tempo previsto. Participava dos passeios, festas e tinha uma convivência com os colegas também fora da escola. Mas, quando chegou a 5ª série, a situação mudou. Era um professor para cada disciplina e nem todos estavam dispostos a elaborar atividades específicas para ela. Além disso, devido à adolescência, a turma se dividia em grupinhos, começavam as paqueras e ela foi ficando sempre mais excluída. Começou a falar sozinha e ter amigos imaginários. Então, recomeçaram minhas buscas por uma escola que tivesse um atendimento especial para ela e encontrei uma escola próxima ao Aeroporto de Congonhas que recebia crianças com diferentes

Sim, sou consciente de que ela não está preparada para fazer tudo, mas sempre me preocupei muito em não a infantilizar. Percebo que um dos erros frequentes dos pais com filhos especiais é justamente esse, uma superproteção que faz com que os filhos sejam eternas crianças mimadas. O Down é prejudicado em muitos aspectos no que se refere à aprendizagem, mas ele pode dar passos significativos se for bem orientado. Eu sempre me pergunto: ”O que uma jovem faz com essa idade? Como se veste? Que lugares frequenta?” É claro que tudo passa pelas regras da minha casa e independentemente de a Valentine ter Síndrome de Down ou não, eu não permitiria certas coisas e tentaria, ao máximo, a orientar de acordo com meus valores. Porém, eu tento ajudála, o máximo possível, a sentir-se incluída na sociedade sendo uma jovem com seus 21 anos. Você chegou a fazer uma graduação em Pedagogia a partir da experiência com a Valentine. como foi? Na sua opinião, o que precisa mudar na escola para que ela seja, de fato, inclusiva? Sim, aos 35 anos, comecei a estudar Pedagogia à noite e após quatro anos concluí o curso. Isso se deu devido ao envolvimento com a situação escolar dos meus filhos. Mas, percebi que a faculdade quase não fala sobre inclusão e as experiências trazidas são, na maioria das vezes, negativas. Fiz meu trabalho de conclusão de curso utilizando o caso da Valentine e defendendo uma escola mais inclusiva. Acredito que as escolas devem considerar cada pessoa em particular e então pensar em como ajudá-la. Seja com um tutor na sala, seja com salas especiais dentro da escola regular ou até mesmo escolas especiais. Acredito que não há uma única solução, as pessoas com deficiência são diversas e, por isso, os caminhos que levam à inclusão também são diferentes.

As opiniões expressas na seção “Com a Palavra” são de responsabilidade do entrevistado e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do jornal O SÃO PAULO.


16 | Esporte |

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Quando o esporte inclui pessoas e reverte placares Prefeitura Municipal de Itanhaém

Vítor Alves Loscalzo

Sobre a síndrome

especial para O SÃO PAULO

Há muito o que se comemorar em 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down. Os portadores da trissomia do cromossomo 21 estão cada vez mais inseridos na sociedade: presentes nas escolas, postos de trabalho e, principalmente, no esporte. Todos sabem da importância do esporte, pois seus benefícios vão muito além de garantir saúde corporal ao praticante. A presença cada vez maior de pessoas com Síndrome de Down no meio desportivo revela como o esporte pode ajudar a virar o placar, permitindo que pessoas tenham uma vida melhor independentemente de cor, credo e da quantidade de cromossomos.

Olimpíada para pessoas com Síndrome de Down

Um exemplo de eventos esportivos internacionais para pessoas com a Síndrome é o Trisome Games (Olimpíada para pessoas com Síndrome de Down), que teve sua primeira edição em julho de 2016, na cidade de Florença, na Itália. Os mil atletas provenientes de 36 nacionalidades disputaram nove modalidades: atletismo, natação, nado sincronizado, ginástica rítmica, ginástica artística, judô, tênis de mesa, tênis e futsal. Com o objetivo de combater certos preconceitos e promover a inclusão, o Trisome Games foi criado por Marco Borzacchini, o presidente da Federação Italiana de Esportes para Pessoas com Dificuldade Intelectual. Durante o evento na cidade de Florença, Marco Boracchini afirmou esperar que esses atletas sejam incluídos nas Paralimpíadas. Outro evento internacional destinado às pessoas com Síndrome de Down é o Campeonato Mundial de Atletismo, que já foi realizado no arquipélago português dos Açores e na África do Sul.

Atletas brasileiros de destaque

Breno Viola, 36, natural do Rio de

Kelly Antunes é uma das melhores nadadoras com Síndrome de Down em ação no mundo

Janeiro, é ator e participou do filme “Colegas”, que conta a história de três jovens com Síndrome de Down. Mas, além de ator, Breno é faixa preta de judô, contando em seu currículo com o 4º lugar nas Olimpíadas para Deficientes Intelectuais, na Grécia em 2011, e com o bicampeonato mundial. Em entrevista ao portal UOL, Breno falou da importância do tratamento “de igual para igual”: “Comecei a fazer judô aos 3 anos. Sempre tive meu irmão mais velho como grande inspiração. Ele também é praticante do esporte. Sou o primeiro down das Américas a conquistar a faixa preta e nunca tive moleza. Na academia, se é para tomar ‘dura’, eu tomo, como qualquer aluno. Sempre fui tratado de igual para igual”.

Nas águas

Considerada a melhor do mundo da categoria, a nadadora Kelly Antunes, de São Paulo, tem mais de 200 premiações, dentre elas o título mundial no México, em 2014. Além de atleta, Kelly é mãe de Igor, 16. No caso dela, a Síndrome não lhe impôs barreiras.

O esporte como meio de inclusão

“É um fenômeno de grande influência na sociedade, não somente voltado para o alto rendimento, mas também para qualquer praticante, apresentando extrema relevância por promover melhoria da saúde física e mental. Os benefícios podem ser observados em diversos aspectos, tais como motor, social e cognitivo”. É o que afirma Natália Monaco, coordenadora de esportes do Instituto Olga Kos. Segundo Natália, em entrevista ao O SÃO PAULO, “independentemente da linha da prática esportiva - competição ou alto rendimento, participação ou educação –, o esporte promove benefícios no aspecto social e cognitivo, pois, em diversos momentos, exige tomada de decisão. Além disso, o esporte é um grande agente facilitador de relações”. Fundado em 2007, o Instituto Olga Kos é uma associação sem fins lucrativos, que desenvolve projetos artísticos e esportivos aprovados em leis de incentivo fiscal. Atende prioritariamente crianças, jovens e adultos com deficiência in-

Descoberta em 1862 pelo médico britânico John Langdon Down, a trissomia do cromossomo 21, ou Síndrome de Down, é causada pela presença de três – ao invés de dois – cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Dentre os distúrbios genéticos, o Down é o mais comum, estimado em um a cada mil nascimentos. Em relatório da universidade britânica Queen Mary University, publicado na revista British Medical Journal, aponta-se que a ocorrência da Síndrome aumentou nas últimas duas décadas. O fato atribuído à decisão de muitas mulheres de postergar a maternidade, em função da carreira profissional. À medida em que a mulher envelhece, seus óvulos também envelhecem, tornando-os menos capazes de serem fertilizados pelos espermatozoides. Além disso, a fertilização desses óvulos “envelhecidos”, sofre maior risco de passar por alterações genéticas. A alteração cromossômica que causa a Síndrome de Down é mais comum em crianças nascidas de mulheres com idade mais avançada. Portanto, há um aumento contínuo no risco de problemas cromossômicos conforme a mulher envelhece.

telectual. Parte das vagas de cada projeto é destinada a pessoas sem deficiência, mas que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Há, portanto, uma interação entre pessoas com e sem deficiência. Foi realizada, no domingo, 19, a Corrida e Caminhada pela Inclusão, promovida pelo Instituo Olga Kos, reunindo 12 mil pessoas no Pacaembu. O evento fez parte das comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down.


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| Fé, Ciência e Cultura | 17

Igreja inimiga da ciência? Bruno Muta Vivas

osaopaulo@uol.com.br

De tempos em tempos, se levanta a ideia - na mídia, nas escolas e em conversas privadas - de que a Igreja porta-se como inimiga da ciência, ou que a Fé vive, e sempre viverá, um antagonismo crônico com a Razão. Essa controvérsia, contudo, não se sustenta nem por aquilo que a própria Igreja ensina, muito menos pela história, marcada pela sua grande atuação no campo científico. De fato, São João Paulo II, na Encíclica Fides et Ratio, afirma que a “fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”, não se opondo uma a outra, mas ambas contribuindo para que o homem encontre a verdade sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre Deus. Como não podia deixar de ser, a Igreja nunca se opôs ao pensamento científico, mas, antes, o propulsionou de diversas formas. E, no intuito de desfazer essa confusão, o jornal O SÃO PAULO se propôs a criar uma nova coluna, “Ciência e Fé”, que trará diversos textos acerca dessas duas grandes frentes do pensamento humano, buscando harmonizá-las e desfazendo diversos preconceitos que assombram sua relação.

Padres cientistas?

No início deste mês, o jornal The Washington Post noticiou, com um certo tom de surpresa, a decisão de um jovem neurocientista da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, de abandonar sua carreira acadêmica e seguir uma nova direção: o sacerdócio. E essa decisão parece não ter sido um caso isolado nos Estados Unidos, e vem se tornando algo relativamente comum entre os jovens que ingressam os seminários norte-americanos. Ken Watts, que trabalha como promotor vocacional, disse à reportagem do The Washington Post que tais jovens cientistas são cada vez mais frequentes e que não

Reprodução

possuem dificuldade alguma em conciliar seu passado acadêmico com o sacerdócio pelo qual optaram; mais ainda, essas pessoas possuem um grande valor à Igreja, no sentido que podem auxiliar a esclarecer diversos pontos morais que dizem respeito à área médica e científica. Claro que, para quem conhece a história da Igreja, esse surgimento de padres cientistas nas paragens norte-americanas não é nenhuma surpresa: a Igreja sempre abundou em pessoas que se dedicaram às ciências, incluindo diversos clérigos, alguns mais famosos, outros só conhecidos por especialistas de suas áreas. Para citar somente alguns desses cientistas, encontramos Nicolau Copérnico, cônego agostiniano, astrônomo propagador da teoria heliocentrista; Nicolau Steno, bispo beatificado por São João Paulo II, fundador da Geologia moderna e grande investigador da Paleontologia; Gregor Mendel, frei agostiniano conhecido como o pai da Genética; Roger Bacon, frei franciscano que deitou as bases da ciência moderna com o método empírico; mais Gregor Mendel, ‘pai da Genética’, é exemplo da conciliação fé e ciência recentemente, temos Georges Lemaître, padre criador da teoria do Big Bang, e até mesmo um padre brasileiro, Roberto Landell de Moura, tido por de Ciências e da Academia Nacional de Medicina, que muitos como o inventor do rádio. possui diversos trabalhos publicados na área médica. Ainda, poucos o sabem, a própria Santa Sé conta com Na atualidade um centro de discussões científicas, a Pontifícia Academia Essa cooperação com a ciência não se encerrou num de Ciências, que conta entre suas fileiras mais de 70 cientistas laureados com o Prêmio Nobel, em diversas áreas do passado mais ou menos longínquo. Pelo contrário, ainda hoje diversos padres se dedicam não só ao estudo conhecimento. Regularmente, tais cientistas se encontram da interface ciência e fé, mas participam ativamente na para discutir temas na interface da ciência e da religião, construção do conhecimento científico. No Vaticano, além de unirem-se para realizar projetos de cooperação por exemplo, existe um observatório astronômico dirimútua, em que a Igreja se coloca como mediadora e intergido por padres jesuítas; mais próximo da nossa realidapeladora; um tema que vem sendo discutido atualmente é de, temos o Padre Anibal Gil Lopes, sacerdote da Arquio do meio ambiente, impulsionado pela Encíclica Laudato diocese de São Paulo, membro da Academia Brasileira Si’, do Papa Francisco.

Dica de Leitura

O magistério mariano do Papa Paulo VI Reprodução

Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

“Em verdade, a realidade da Igreja não se esgota na sua estrutura hierárquica, na sua liturgia, nos seus sacramentos, nas suas ordenações jurídicas. A sua íntima essência, a fonte primeira da sua eficácia santificadora, deve buscar-se na sua mística união com Cristo; união que não podemos pensar dissociada d’Aquela que é a Mãe do Verbo Encarnado, e que o próprio Jesus Cristo quis tão intimamente unida a si para a nossa salvação. De modo que é na visão da Igreja que deve enquadrar-se a contemplação amorosa das maravilhas que Deus operou em sua santa Mãe. E o conhecimento da verdadeira doutrina cató-

lica sobre Maria constituirá sempre uma chave para a exata compreensão do mistério de Cristo e da Igreja (...). Portanto, para glória da Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima ‘Mãe da Igreja’, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que lhe chamam Mãe amorosíssima; e queremos que com este título suavíssimo seja a Virgem doravante honrada e invocada por todo o povo cristão.” (Papa Paulo VI, Discurso na Clausura da Terceira Sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II). Ficha técnica: Autor: Paulo VI Páginas: 148 Editora: Ecclesiae

Filmes

O feitiço do tempo

Phil Connors (Bill Murray) trabalha em uma emissora de televisão como homem do tempo. No inverno, ele é enviado a um pequeno vilarejo na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para cobrir uma festa tradicional da região, o “dia da marmota”. Phil odeia o evento e tudo o que deseja é voltar logo para casa. Qual não é sua supresa quando, no dia seguinte, Phil percebe que acordou exatamente no mesmo dia, e que está vivendo exatamente os memos acontecimentos de novo e de novo e de novo... A cada vez que ele acorda de manhã, Phil acorda no mesmo dia, no pequeno vilarejo, no “dia da marmota”. O Feitiço do Tempo (1993) é um verdadeiro clássico. Além de ser uma comédia engraçadíssima, o filme é uma ocasião para refletir: O que aconteceria se nossas ações não tivessem nenhuma consequência? Com que tipo de vida um homem se torna realmente feliz? (FD)


18 | Regiões Episcopais |

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Brasilândia São José está junto ao povo As paróquias dedicadas a São José, nos bairros de Perus e de Vila Palmeiras, bem como outras seis comunidades na Região Brasilândia que têm o esposo da Virgem Maria como padroeiro, estiveram em festa no domingo, 19. Em Perus, a história da Paróquia está ligada à mobilização das famílias. Conforme recordou Judite Barbosa de Mattos Oliveira, a Comunidade São José Operário, que pertencia à Paroquia Santa Rosa de Lima, foi o local escolhido para ser a sede da nova paróquia, que por votação das famílias, recebeu o nome de São José. Muitas dessas famílias fizeram parte do movimento dos Queixadas, que liderou uma greve na fábrica de cimento de Perus nas décadas de 1960 e 1970 em busca de melhores condições de trabalho e de qualidade ambiental. “Além do pó de cimento que levou muitas pessoas à morte prematura por problemas respiratórios, alérgicos e cancerígenos, outros ficaram com sequelas

Juçara Terezinha e Julio Cesar oliveira Colaboradores de comunicação da Região

Juçara Terezinha Zottis

Fiéis conduzem a imagem de São José, no encerramento da festa do padroeiro da paróquia dedicada ao santo em Perus, no domingo, dia 19

crônicas de saúde”, recordou Benedita da Silva dos Santos Soares, a Ditinha, paroquiana. Judite comentou que neste ano houve intensa participação dos fiéis na festa do padroeiro. A mesma percepção teve Juliana de Castro, que destacou a presença da juventude tanto nas celebrações quanto

nos trabalhos da quermesse. “É gratificante ver a juventude envolvida nas atividades junto com os pais. Isso dá uma alegria1”. Ao longo do domingo, centenas de fiéis participaram das missas na Paróquia e também da procissão festiva que precedeu a solene missa de enceramento, que também pode ser vista

pela web-tv saojose.perus, trabalho desenvolvido pela Pascom paroquial. Na Paróquia São José, na Vila Palmeiras, a festa do padroeiro, entre os dias 10 e 19, foi concluída com a realização de três missas, carreara e uma procissão, além do tradicional bolo de São José e um almoço festivo no salão paroquial.

Missa em memória a João Victor acontecerá no domingo, dia 26

Reforma da Previdência em debate na Igreja Santos Apóstolos

A Região Episcopal Brasilândia realizará no domingo, 26, às 15h, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, Jardim Maracanã), a missa de um mês do falecimento do adolescente João Victor Souza de Car-

A Pastoral Operária convida lideranças, estudantes, professores e a comunidade para o debate sobre a proposta de reforma da Previdência, com assessoria de Roseli Queirós Almeida, do Sindicato dos Tra-

valho, morto em 26 de fevereiro, em frente à loja do Habib´s nas esquinas da avenida Itaberaba com Deputado Cantídio Sampaio, na Vila Nova Cachoeirinha. O caso ainda está sendo investigado.

balhadores em Saúde e Previdência no Estado São Paulo (Sindsprev). O evento será no sábado, 25, às 19h30, na Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, Jardim Maracanã).

Manoel Silva

Vanessa Dias de Oliveira

Na sexta-feira, 17, Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), presidiu, por ocasião da festa do padroeiro, missa na Comunidade São José do Icaraí, da Paróquia Santa Terezinha. “Santo é aquele que ama Deus e prova que ama a Deus. Por isso, vale a pena seguir o exemplo de São José”, disse na homilia.

Na quinta-feira, 16, Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, deu posse ao Padre Antônio Leite Barbosa Júnior, como administrador paroquial da Paróquia Santa Izabel-Santa Luzia, no Jardim Primavera. Ele acumulará essa função com a de pároco da Paróquia São Judas Tadeu, na Vila Miriam.

Katia Maderic

Paróquia Nossa Senhora das Graças

Dom Devair Araújo da Fonseca deu posse, no dia 10, ao Padre Edemilson Gonzaga de Camargo como pároco da Paróquia em Santa Cruz de Itaberaba. Na oportunidade, também houve a apresentação do Cônego Adriano como vigário paroquial.

No dia 12, Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, deu posse ao Padre Reinaldo Torres como pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no bairro da Vila Carolina.


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Belém Pastorais participam da elaboração do Plano de Metas para zona Leste Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

Representantes de movimentos sociais e pastorais e outras lideranças da zona Leste da cidade se reuniram no Centro Pastoral São José, no Belenzinho, no dia 13, para apresentar à Secretaria Municipal de Gestão o que consideram ser prioridades para o Plano de Metas 2017-2020. O plano de metas reúne um conjunto de ações e objetivos que a Prefeitura deve cumprir durante a gestão. O projeto, que funciona como um escopo da administração, deve ser apresentado pelo prefeito em até 90 dias após o início da gestão. O evento, que contou com a participação de 120 pessoas, foi organizado pela Rede Nossa São Paulo e a Rede Nossa Zona Leste, com o apoio da Escola de Fé e Política Waldemar Rossi e o Fórum das Pastorais Sociais da Região Belém. “É isto que nós queremos nesta noite: dar um salto à frente na vida do nosso

povo da zona Leste”, disse o Padre Marcelo Maróstica, coordenador regional de pastoral. Durante o evento, os representantes das 12 prefeituras regionais tiveram espaço para apresentar as demandas da Região, no intuito de fazerem parte do programa de metas do quadriênio. Construção de unidades de saúde, creches, casas de cultura, centro de referência da mulher e canalização de córregos foram algumas das reivindicações. No fim deste mês, a Prefeitura irá divulgar um programa de metas provisório, e também um calendário com 38 audiências públicas, sendo 32 em cada prefeitura regional, cinco temáticas e uma geral. Esse processo de elaboração é para que o plano seja uma construção participativa e atenda às demandas da população. O secretário de Gestão, Paulo Uebel,

Peterson Prates

Com apoio da Igreja, moradores da zona Leste discutem elaboração do Plano de Metas da cidade

foi convidado, mas não compareceu. Ele foi representado por Fábio Alves, que parabenizou a iniciativa do encontro. Luiz França, da Rede Nossa Zona Leste, apresentou as metas comuns à toda zona Leste, entre as quais a expansão da Estratégia de Saúde na Família (PSF), a implantação da Universidade Federal da Zona Leste e do monotrilho.

Centro Pastoral São José completa 30 anos O Centro Pastoral São José, sede da Região Episcopal Belém e do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, completou 30 anos de história, no domingo, 19.

Inaugurado em 19 de março de 1987 pelo Cardeal Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, o Centro Pastoral foi construído com a colaboração da Misereor e Adveniat,

Em julho passado, durante a Semana de Fé e Política, aconteceu no Centro Pastoral o lançamento do Plano de Metas das Periferias. O documento, que foi apresentado aos candidatos à Prefeitura e à Câmara dos Vereadores durante o processo eleitoral, foi retomado por muitos grupos no processo de construção do programa de metas.

AGENDA REGIONAL

iniciativas da Igreja da Alemanha. A placa de inauguração recorda que a missão do Centro Pastoral é “ser sinal de unidade na formação e animação pastoral das paróquias e comunidades”.

Sexta-feira, 24, às 15h Ofício do Beato Dom Oscar Romero (37 anos de martírio) Comunidade São Francisco (Área Pastoral São José Operário) - Favela Ilha das Cobras, na Vila Prudente.

Ipiranga

Irmão Maycon Custódio

Colaboração especial para a Região

Com São José na Igreja, no trabalho e na família Devotos de São José, vindos de diferentes lugares da Região Metropolitana de São Paulo, lotaram as dez missas celebradas no domingo, 19, na Paróquia São José, no Setor Pastoral Ipiranga, nas festividades do padroeiro. Muitos foram para agradecer pelas graças alcançadas por intermédio do esposo da Virgem Maria, que zelou pela Sagrada Família de Nazaré, e também para pedir bênçãos para a família, o trabalho e pela própria saúde. Esse foi o caso da devota Simone Melo. “O coração fica mais feliz, mais acolhido e aconchegante”, disse. Segundo o pároco, Padre Valdenício

Antônio da Silva, NDS, São José é um santo completo, “pois ele cuida do mundo do trabalho, da família, dos bens temporais, do amor e da Igreja, e tem papel especial na vida da Igreja”. Aproximadamente 500 voluntários participaram da organização da festa, que movimentou todo o bairro do Ipiranga, especialmente no último domingo. A Paróquia São José, que em dezembro deste ano completará 97 anos de criação, concluiu as festividades do padroeiro com missa presidida por Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga,

e concelebrada pelo Padre Valdenício e pelos padres Silvio Oliveira, vigário paroquial, e Edivan de Andrade, NDS, também com a presença de diáconos permanentes da Arquidiocese e de centenas de devotos do Santo. Após a celebração, os fiéis saíram em procissão pelas ruas do Ipiranga can-

tando, rezando e pedindo as bênçãos de Deus por intercessão de São José. Muitos fiéis pediam a Deus a graça da chuva, não apenas para São Paulo, mas para localidades do Nordeste brasileiro. A procissão encerrou-se com uma queima de fogos e toques do sino, que já se tornou tradição na Festa de São José.

Diácono Anivaldo Blasques

Selma Britto

Dom José Roberto Fortes Palau preside missa na festa de São José, no domingo, dia 19

Na sexta-feira, 17, na Cúria do Ipiranga, aconteceu a reunião da Comissão dos Diáconos Permanentes da Arquidiocese, presidida pelo Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, com a participação de Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga; do Padre Fernando Cardoso, da Escola Diaconal São José; do Cônego Celso Pedro, que acompanha os diáconos permanentes; e de dois diáconos representantes de cada região episcopal.


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Santana Padre Benedito assume Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, empossou, no dia 12, o Padre Benedito Ferreira Borges como pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias, no Setor Pastoral Mandaqui. Padre Benedito nasceu em Campos dos Goitacazes (RJ), em 20 de dezembro de 1961. Desde sua juventude, participava do grupo de jovens realizando círculos bíblicos junto às comunidades carentes. Nessa missão, sentiu o despertar de sua vocação sacerdotal, mas iria demorar a assumi-la. Somente após trabalhar como bancário e funcionário público, decidiu ser padre. Aos 23 anos, entrou para a Ordem dos Frades Servos de Maria, também conhecidos como servitas, lá ficando até a conclusão dos estudos teológicos, quando se desligou e veio, um ano depois, para a Região Santana, sendo acolhido por Dom Joel Catapan, então bispo auxiliar na Região, que lhe ordenou diácono

Diácono Francisco Gonçalves

Padre Benedito Ferreira Borges com Dom Sergio de Deus Borges durante rito de posse na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Matias

em 1994 e lhe designou para trabalhar na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, com o Padre Nadir Granzotto, a quem considera exemplo de sacerdote. Ordenado padre em 13 de novembro de 1994, Diácono Francisco Gonçalves

A Pastoral da Saúde da Arquidiocese de São Paulo realizou, na Cúria de Santana, no dia 11, um retiro com assessoria do Frei Guilherme Anselmo, com enfoque na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco. Diácono Francisco Gonçalves

ficou vigário naquela igreja e depois atuou nas paróquias Santa Luzia e Nossa Senhora da Anunciação. Entre 1999 a 2003, voltou a fazer parte dos servitas, em Santa Catarina, mas

retornou ao clero diocesano pela Região Ipiranga. Em 2006, retornou para a Região Santana, assumindo a Paróquia Santa Inês. Depois, atuou nas paróquias São Pedro Apóstolo e São Domingos Sávio. Diácono Francisco Gonçalves

A Região Santana, com cinco paróquias dedicadas a São José e com várias comunidades tendo o Santo como patrono, comemorou, no domingo, 19, o Padroeiro da Igreja. Na capela da Cúria de Santana, dedicada a São José, e pertencente à Paróquia Santo Antonio do Tucuruvi, celebraram-se missas presididas pelo Padre José Pita, pároco. Dom Sergio de Deus Borges presidiu missa, às 14h, e ao final abençoou os devotos do Santo. Ao lado da capela, no Centro de Formação Pastoral Frei Galvão, foram montadas barracas de comidas, de artesanato e de objetos religiosos. Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges reuniu, na Cúria de Santana, no dia 8, os diáconos permanentes atuantes na Região para o estudo sobre o 12º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, com vigência de 2017 a 2020. Marcos Rubens

O Padre João Mildner, assessor eclesiástico arquidiocesano da Pastoral da Saúde, abriu o Curso de Agente de Pastoral da Saúde da Região Santana, no dia 11, na Paróquia Sant’Ana. As aulas são realizadas às quintas-feiras no mesmo local. Informações com Gimenes, pelo telefone (11) 99626-1070.

Dom Sergio de Deus Borges compareceu à reunião da Pastoral do Ecumenismo, no dia 11, no Centro de Formação Pastoral Frei Galvão. A Pastoral retoma suas atividades sob a assessoria eclesiástica do Padre Paulo Gozzi e coordenação de Maria José Jordão. Saiba mais detalhes pelo e-mail mariajosejoerdao81@gmail.com.


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Lapa Previdência, Ano Mariano e Plano de Pastoral são temas de atenção do clero Padre Antonio Francisco Ribeiro e Benigno Naveira Colaboradores de comunicação da Região

O clero atuante na Região Episcopal Lapa reuniu-se no dia 14 para refletir sobre a Reforma da Previdência proposta pelo governo na PEC 287/16. O advogado Dr. Celso Mashio Rodrigues, especialista em Direito Previdenciário, apresentou quais são os benefícios da Previdência Social vigente e quais são as mudanças propostas pela reforma. A PEC 287 abarca um conjunto de medidas que, segundo o governo, seriam indispensáveis para evitar a quebra do sistema previdenciário brasileiro. Dr. Celso explicou que a PEC 287 aumenta o tempo de contribuição e reduz o valor das aposentadorias para todos os trabalhadores. Nesse contexto, alguns movimentos sustentam que a PEC 287 não garante, como determina o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “o direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice e outros casos de perda

dos meios de subsistência”, e por isso pedem a realização de uma discussão mais ampla e democrática com a sociedade, a apresentação de estudos econômicos, atuais e demográficos completos, e a transparência na divulgação dos dados da Seguridade Social. Também durante a reunião, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, falou sobre a Carta Pastoral “Viva a Mãe de Deus e nossa!”, escrita por ele por conta do Ano Mariano Nacional. O Arcebispo recomendou que a carta seja distribuída aos fiéis e que os padres desenvolvam nas paróquias as práticas devocionais indicadas, e que tenham atenção especial às peregrinações às igrejas dedicadas a Nossa Senhora Aparecida e também à peregrinação da Arquidiocese ao Santuário Nacional de Aparecida, em 7 de maio. Dom Odilo recomendou também que o 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral seja distribuído aos agentes de pas-

Padre Antonio Francisco Ribeiro

Cardeal Scherer participa da reunião do clero atuante na Região Episcopal Lapa, no dia 14

toral, e que haja momentos de estudo do Plano em âmbito regional, setorial e, principalmente, paroquial. Padre Antonio Francisco Ribeiro, coordenador regional de pastoral, disse que o Plano já está disponível nas paróquias

e que a Região Lapa tem um calendário de estudo para 2017, com continuidade para os próximos anos. Ele também informou que o Conselho Regional de Pastoral indicará na reunião, em 1º de abril, os destaques pastorais da Região.

Comunidade paroquial em festa pelo Dia de São Patrício Gulherme Henrique Bernardo Corrêa

Padre João Carlos Borges incensa imagem de São Patrício em missa solene, na sexta-feira, 17

Os fiéis da Paróquia São Patrício, no Setor Pastoral Rio Pequeno, participaram entre os dias 14 e 17, da 51ª Festa de São Patrício. As comemorações se iniciaram com o tríduo, entre os dias 14 e 16, procurando despertar nos participantes a necessidade da conversão a Cristo e do agir missionário, a exemplo de São Patrício, para evangelizar na realidade da cidade, e tornar a paróquia escola da comunhão. Na sexta-feira, 17, data da memória litúrgica de São Patrício, as chuvas no bairro inviabilizaram a realização da tradicional procissão com a imagem do padroeiro, mas foi celebrada a missa solene, presidida pelo Padre João Carlos Borges, pároco.

Em sua homilia, o Sacerdote lembrou a história de São Patrício que, nascido em uma família rica, acabou sequestrado aos 14 anos e trabalhou como escravo na Irlanda, e que mesmo diante das dificuldades rezava 80 vezes durante o dia e 80 vezes à noite. Após dois anos do sequestro, ele conseguiu voltar para a família. O Sacerdote comentou também que São Patrício vivenciou intensamente a prática do perdão. Ao fim da missa, Padre João Carlos recordou os fiéis do primeiro pároco da São Patrício, o Padre Ciaran Needham (Padre Kirano) e de todos que evangelizaram naquela comunidade paroquial, assim como os muitos leigos e leigas.

Todos são chamados à plenitude de cristãos leigos na Igreja e na sociedade Na manhã do sábado, 18, o Conselho de Leigos da Região Episcopal Lapa, coordenado por Maura Araujo dos Santos e Leila de Castro, realizou o 2° Café Teológico, na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, no Setor Pastoral Lapa. Participaram da atividade os membros das pastorais, que estudaram o Documento CNBB 105 “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo (cf. Mt 5, 13-14)”, com assessoria de Marcia Sgnorelli, integrante do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), atuante na Arquidiocese de Campinas. Também participou o senhor Carlos Sgnorelli. Marcia, em conversa com a Pastoral da Comunicação da Região Lapa, disse que o estudo do documento ajuda a compreen-

der o que é ser cristão leigo e leiga atualmente e toda a dimensão do ser Igreja no mundo e de trazer o mundo para dentro da Igreja, sendo essa a questão primordial que faz com que cada cristão reveja seu papel enquanto sujeito eclesial. Marcia lembrou que “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo: diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o Senhor que realiza tudo em todos” (1 Cor 12, 4-7). A palestrante refletiu que a graça do Batismo é a mesma para os que recebem; por ele, todos têm a mesma dignidade pela graça de Deus. Portanto, diferenças e distinções entre os cristãos (por exemplo, ser papa, bispo, padre, diácono, religioso ou leigo) não fazem com

Benigno Naveira

2º Café Teológico na Região Episcopal Lapa tem como foco o estudo do Documento CNBB -105

que alguém seja melhor ou pior na Igreja de Deus, apesar de cada um ter seu papel próprio e inalienável. Marcia disse ainda que a Igreja não será completa se

não tiver de cada um de seus batizados a compreensão e a vivência da sua própria vocação, já que todas as vocações são pilares que a sustentam.


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22 a 28 de março de 2017 | www.arquisp.org.br

Sé Padres fortalecem a espiritualidade para a Quaresma e a Páscoa em retiro

Padre Luiz Claudio Braga e Lucas Santos Colaboração especial para a Região

Com o tema “Nos passos de Maria: alegrias, dores e glórias”, estiveram reunidos em retiro, em Campos do Jordão (SP), na Vila Dom Bosco, entre os dias 13 e 17, os padres e um diácono permanente atuantes na Região Episcopal Sé. O retiro anual do clero teve como objetivos favorecer a integração com o presbitério - principalmente com os que estão chegando à Região Sé -, fortalecer a espiritualidade dos sacerdotes e prepará-los para a celebração da Páscoa. Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, pregou o retiro à luz do Ano Mariano Nacional. Em suas colocações, o Bispo perpassou os vários momentos da vida de Maria, mostrando que a Mãe de Jesus foi uma discípula dócil, e que, apesar de tantas experiências duras vivenciadas ao lado do filho, ela não se desesperou, não caiu na tentação de crer que Deus a abandonara; ao contrário, ela meditava e guardava tudo em seu coração, pois sabia que sua esperança não seria em vão.

Padre José Roberto Pereira

Clero atuante na Região Sé participa de retiro com Dom José Roberto Fortes Palau, em Campos do Jordão (SP), entre os dias 13 e 17

Os padres aprenderam nesses dias que uma vida sacerdotal associada a Cristo tem como modelo Maria, que se tornou cheia de graça porque esvaziouse de si. Alberto Aoyo

Padre Aparecido dá posse ao Frei Jerry como pároco da Nossa Senhora do Carmo-Basílica

Padre Emerson é empossado na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos Em missa presidida por Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e vigário episcopal para a Educação e a Universidade, no domingo, 19, o Padre Emerson José da Silva, SAC, tomou posse como pároco da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, no Setor Pastoral Aclimação. Além dele, concelebrou a missa o Padre José Elias Fadul, SAC, provincial Palotino.

Padre Emerson nasceu em São Paulo e cursou Filosofia no Instituto São Basílio, em Curitiba (PR), e Teologia na Faculdade Claretiana, na mesma cidade. Ele foi ordenado sacerdote em 14 de julho de 2007, e já desempenhou as funções de vigário paroquial em Rancharia (SP), Mandaguari (PR) e Cambé (PR). De 2011 a fevereiro de 2017, foi pároco da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina, na Região Belém.

Em comunicado aos padres, Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, lamentou por não poder estar presente fisicamente – pois passou re-

centemente por uma cirurgia –, mas disse que rezou a todo instante pelos padres. Todo clero expressou união em oração pela pronta recuperação de Dom Eduardo.

Frei Jerry assume a Paróquia Nossa Senhora do Carmo No domingo, 19, o Frei Jerry de Sousa Fonseca tomou posse como pároco da Paróquia Nossa Senhora do CarmoBasílica, no Setor Pastoral Cerqueira César, durante missa presidida pelo Padre Aparecido Silva, vigário-adjunto da Região Episcopal Sé. Frei Jerry é natural da cidade do Rio de Janeiro. Ele ingressou na Ordem do Carmo em 2005 e fez o noviciado em São Cristovão (SE), em 2009, tendo professado os votos religiosos em janeiro de 2010. Posteriormente, cursou Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais, e Teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo

Horizonte (MG). Em novembro de 2013, professou os votos solenes na Ordem do Carmo e foi ordenado diácono em março de 2014. No mesmo ano, na Solenidade de Todos os Santos, foi ordenado presbítero na matriz auxiliar de Nossa Senhora da Assunção, em Cabo Frio (RJ), tendo como lema sacerdotal “Tornei-me tudo para todos” (1Cor 9,22). Desde 2014, ele exerce o ofício de formador. Ele também foi vigário na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Mogi das Cruzes (SP), e formador dos frades clérigos, estudantes de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Arquivo pessoal

Dom Carlos dá posse ao Padre Emerson como pároco da Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos


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Arquidiocese tornará mais ágil o Tribunal Eclesiástico Luciney Martins/O SÃO PAULO

Monsenhor Sergio Tani, vigário judicial

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

O Tribunal Eclesiástico de São Paulo e a Faculdade de Teologia da PUC-SP irão promover um curso de direito matrimonial e processual canônico, que formará integrantes de pastorais para atuar nas Câmaras Eclesiásticas, que serão instituídas nas regiões episcopais para realizar a investigação pré-judicial ou pastoral que busca verificar a nulidade matrimonial. O curso é fruto de um pedido do arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, e dos bispos auxiliares, com o objetivo de tornar os processos de verificação de nulidade matrimonial mais acessíveis às pessoas. Essa maior acessibilidade foi pedida pelo Papa Francisco

na carta apostólica na forma de Motu Proprio “Mitis Iudex Dominus Iesus” (“Senhor Jesus, meigo juiz”), pela qual foram feitas modificações no Código de Direito Canônico referentes aos processos de nulidade matrimonial. A iniciativa também corresponde a uma das urgências pastorais da Arquidiocese em relação às famílias. “Vamos ampliar a pastoral jurídica, que inclui os serviços de acolhida, escuta e encaminhamento dos casais ou pessoas que vivem a angústia de um casamento desfeito e de uma participação não plena na vida eclesial”, afirmou Dom Odilo no encontro com o clero arquidiocesano em 21 de fevereiro.

Agilidade e acessibilidade

As câmaras eclesiásticas são organismos previstos pela CNBB, em 1986, com a publicação das “Normas para os Tribunais Eclesiásticos Regionais e Interdiocesanos do Brasil”. O documento pede que “constituam-se, enquanto possível, em todas as Igrejas particulares, câmaras eclesiásticas” com a função de colaborar com os bispos diocesanos na administração da justiça. “A câmara eclesiástica não é o tribunal, mas um organismo que auxilia o tribunal, de modo que as pessoas tenham mais acesso às informações para verificar

se houve ou não nulidade matrimonial em casos específicos”, explicou o Monsenhor Sergio Tani, vigário judicial da Arquidiocese de São Paulo e coordenador do curso. Monsenhor Sergio destacou ainda que, com essas medidas, a Igreja não está facilitando ou realizando uma espécie de “divórcio católico”, mas fazendo com que a justiça eclesiástica seja mais ágil, acessível e eficaz, tanto no que diz respeito ao custo do processo, um dos desejos manifestados pelo Papa Francisco, quanto ao que se refere à possibilidade de verificar se houve ou não nulidade, e de se regularizar as situações dos fiéis junto à Igreja. Vale recordar que o processo de nulidade matrimonial tem por finalidade declarar se ocorreu ou não o sacramento do Matrimônio, de acordo com as causas estabelecidas no Código de Direito Canônico, pois o sacramento do Matrimônio é indissolúvel, conforme deixou claro nosso Senhor: “o que Deus uniu, o homem não separe” ( Mt 19,6). O Vigário Judicial reiterou que o Tribunal Eclesiástico continua sendo o ponto de referência para aqueles que desejam verificar a nulidade matrimonial, uma vez que “quem decide, de fato, se uma causa deve ou não ser recebida é sempre o vigário judicial no tribunal”. O curso é destinado a sacerdotes e leigos indicados pelos bispos nas regiões

episcopais, uma vez que o objetivo da iniciativa é preparar oficiais para as câmaras eclesiásticas. Mas também é aberto para outras dioceses e congregações religiosas que desejarem. Haverá turmas matutinas e noturnas. As aulas inaugurais com Dom Odilo Scherer serão no dia 30, das 9h30 às 12h, e dia 31, das 19h às 21h30.

Informações

Período: 06/04 a 13/07/2017 Manhã: quintas-feiras, das 9h às 11h30; Tarde: quintas-feiras, das 19h às 21h30 Local: Cúria da Região Episcopal Santana (avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra,1.877, próximo à estação Parada Inglesa do Metrô) Inscrições: de terça a sexta-feira, das 8h30 às 16h30 Telefones: (11) 3826-5143, com Maria; e (11) 2991-5335, com Izabel Ao final do curso, os alunos receberão declaração de participação fornecida pela Faculdade de Teologia da PUC-SP.

12º Plano é apresentado em detalhes a coordenações de pastorais e organismos Luciney Martins/O SÃO PAULO

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

“Urgências da evangelização na cidade” é o tema do 12° Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo para o quadriênio 2017- 2020. O Plano foi apresentado pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, às coordenações de pastorais das regiões episcopais, setores, vicariatos, pastorais, movimentos, associações, novas comunidades e demais organismos. O encontro aconteceu no sábado, 18, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), na zona Sul da capital paulista. Durante toda a manhã, Dom Odilo, os bispos auxiliares da Arquidiocese e os demais participantes refletiram sobre a aplicação do Plano e outros temas, como o Sínodo Arquidiocesano e os diferentes projetos realizados pelas pastorais e organismos em São Paulo. O calendário arquidiocesano também foi apresentado, e os participantes se reuniram em grupos para depois apresentarem suas considerações em dúvidas na plenária no fim da manhã. “Que possamos compreender as propostas pastorais e olhar na mesma direção nas nossas ações pastorais durante o ano”, disse Dom Odilo na saudação inicial, além de agradecer a todos pela participação. Responsáveis por pastorais como a dos Ministérios Ordenados, do Mundo da

Juntos a Dom Odilo Scherer, membros das coordenações pastorais e organismos exibem exemplares do 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral

Educação, da Vida Religiosa Consagrada, das Pastorais Sociais, movimentos e novas comunidades tiveram a oportunidade de conversar e compartilhar aspectos comuns que podem ser evidenciados e realizados nos diferentes trabalhos e grupos dos quais participam. A apresentação e partilha sobre a animação pastoral, orientada pelo 12º Plano, vêm acontecendo na Arquidiocese em várias etapas, em encontros com os ministros ordenados, seminaristas, com o Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP), com as coordenações de setores, com o Conselho de Presbíteros e outras instâncias que contribuem para o conjunto da organização pastoral. “É desejável que nessas reuniões possamos encontrar as coordenações que são muito importantes, pois são aquelas peças

que fazem com que o motor funcione e ajudam para que o conjunto todo trabalhe bem”, disse Dom Odilo em sua fala inicial. Ele explicou também que o novo Plano, que foi preparado e aprovado em 2016, serve de orientação para os próximos anos na Arquidiocese. “Olhando juntos podemos compreender a proposta do Plano, além de conversar sobre questões como o Ano Mariano Nacional – com destaque para a participação na 116ª Romaria Arquidiocesana a Aparecida (SP), que acontecerá no dia 7 de maio – e o Sínodo Arquidiocesano, que será promulgado em junho deste ano.” O Cardeal destacou ainda que a Igreja tem muitas urgências, mas o Plano auxilia a Arquidiocese a concentrar esforços em algumas delas e assim viver uma pastoral mais efetiva e orgânica. (Colaborou Diego Monteiro)

O 12° Plano de Pastoral possui seis urgências na ação evangelizadora e pastoral: 1ª urgência: Igreja em estado permanente de missão 2ª urgência: Igreja – Casa da Iniciação à Vida Cristã 3ª urgência: Igreja- Comunidade animada pela Palavra de Deus 4ª urgência: Igreja- Comunidade de Comunidades 5ª urgência: Igreja Misericordiosa a serviço da vida plena para todos 6ª urgência: Igreja – Família de famílias


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São José, modelo para a Igreja doméstica, a família Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, celebrou no domingo, 19, missa na Paróquia São José do Belém, na zona Leste da capital. Durante o mês de março, a Paróquia comemora seu padroeiro, cuja festa litúrgica é em 19 de março, mas que neste ano, por ser o 3º Domingo da Quaresma, foi transferida para segunda-feira, 20. Ao longo do dia, milhares de fiéis participaram das nove missas celebradas, bem como da tradicional quermesse de rua com barracas típicas. Este ano, a festa de São José teve um especial significado. Em 15 de agosto, a Paróquia comemorará 120 anos de criação. Ao longo do ano, estão sendo realizadas diversas iniciativas para marcar o aniversário.

Patrono da Igreja

Esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus, São José era celebrado em muitos lugares já nos primeiros séculos do Cristianismo, mas foi no século XV que a data foi fixada em 19 de março e estendida à Igreja no mundo todo. Em 1847, o Papa Pio IX o proclamou padroeiro universal da Igreja, considerando que a paternidade de São José não diz respeito somente a Jesus, mas à própria Igreja, que continua na Terra a missão salvadora de Cristo. São João XXIII incluiu o nome de São José no Cânon Romano, para que todos os cristãos, no momento em que Cristo se faz presente no altar, venerem a memória daquele que gozou da presença física do Senhor na Terra. No início da homilia, Dom Odilo falou da especial devoção que os católicos têm por São José, uma vez que já estava presente no início da Igreja, ao ter a missão de cuidar da Sagrada Família de Nazaré. “Deus confiou a José cuidar da casa de Nazaré. Ele foi do primeiro núcleo da Igreja, a Igreja doméstica”, disse, recordando que cada família cristã é uma Igreja doméstica e deve ter a Sagrada Família como modelo.

Devoção

A devoção a São José é também marcada por símbolos da religiosidade popular, que foram levados pelos fiéis para serem abençoados na festa da Paróquia São José do Belém. “Esses símbolos foram trazidos com as famílias e formaram a comunidade ao longo dos anos, bem como

Luciney Martins/O SÃO PAULO

dos missionários que atuaram por aqui e fazem parte da cultura religiosa do nosso povo”, explicou o pároco, Padre Márcio Leitão. Além do lírio, flor presente na maioria das imagens de São José, sinal da pureza, castidade e entrega a Deus, há também o “cordão de São José”, símbolo originário da Bélgica, que também significa a pureza, fidelidade e disposição para o serviço. Os fiéis costumam cingir a cintura com um pequeno cordão abençoado para pedir proteção contra os males do corpo e da alma. Outra devoção popular é a do “saquinho de São José”, uma pequena sacolinha de pano na qual, ao longo do ano, os fiéis colocam moedas ou uma pequena quantia em dinheiro, pedindo que não falte o necessário para o sustento da família. Então, na festa de São José, os saquinhos costumam ser entregues na Igreja como oferta. Padre Márcio ressaltou que essa prática não pode ser vista como uma superstição para ganhar dinheiro, “mas um sinal de devoção para que, pela intercessão de São José, não falte trabalho para os desempregados, que os pais e mães tenham condições de sustentar dignamente sua família”. Também não falta na festa o tradicional bolo de São José, preparado por voluntárias da comunidade, e que simboliza a alegria da festa, do encontro entre irmãos, e é sinal da partilha em comunidade.

120 anos de história

Quando a Paróquia foi criada, em 1897, as famílias, em sua grande maioria portugueses e italianos, se reuniam em uma pequena capela construída na área de um antigo cemitério, que havia sido transferido para o atual Cemitério da Quarta Parada. Na época, o bairro era repleto de fazendas, casas de campo e pomares. Com o desenvolvimento urbano, chegaram as grandes fábricas que reuniram ao seu redor vilas operárias, como a Vila Maria Zélia, a primeira do país. Hoje, as grandes fábricas deram lugar a condomínios que acolhem milhares de novas famílias. Porém, o ar de cidade interiorana permanece, sendo a maior parte dos moradores idosos, que lá nasceram e lá permanecem até hoje. Para o Pároco, essa transformação do bairro traz novos desafios para a ação evangelizadora da Igreja reunida na Paróquia, que é chamada a ser cada vez mais uma Igreja missionária e “em saída”, como convida o Papa Francisco.

Cardeal Scherer preside missa na Paróquia São José do Belém

Seminaristas missionários recebem ministérios de leitor e acólito Seminário Missionário Arquidiocesano Internacional Redemptoris Mater

Dom Odilo confere ministérios a seminaristas do Seminário Redemptoris Mater, no domingo, 19

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

No domingo, 19, o Cardeal Odilo Pedro Scherer celebrou missa no Semi-

nário Missionário Arquidiocesano Internacional Redemptoris Mater “São Paulo Apóstolo”, no Jaraguá, na zona Noroeste de São Paulo. Na celebração foi conferido o minis-

tério de leitor aos seminaristas Belchior Tobias de Novais, de São Paulo; Elias Honório de Castro, de Brasília (DF); e Jorge Alejandro Hoyos Valencia, da Colômbia. Já os seminaristas Ignacio Torres Julian, da Espanha, e Nicolò Stauble, da Itália, receberam o ministério de acólito. Esses ministérios são uma etapa que antecede a ordenação diaconal dos candidatos ao sacerdócio. Instituído em 25 de janeiro de 2011, essa casa de formação da Arquidiocese visa preparar presbíteros com índole missionária em vista da nova evangelização. “Atualmente, estamos com 18 seminaristas e um presbítero já ordenado (Padre Túlio Felipe de Paiva)”, explicou o reitor do Seminário, Padre José Francisco Vitta, mais conhecido como Padre Kiko. Os seminários missionários Redemptoris Mater foram idealizados por São João Paulo II na década de 1990 e estão

presentes em vários países sob a orientação do Caminho Neocatecumenal. Os alunos desse seminário recebem a mesma formação teológica de outras casas de formação diocesanas. Fazem um ano de pastoral nas paróquias como diáconos e dois anos na diocese como presbíteros, antes de serem enviados em missão pelo bispo local. Esses sacerdotes também ficam à disposição da Igreja Particular para atuarem em realidades de urgência pastoral. Na homilia da missa, a partir do Evangelho do 3º Domingo da Quaresma, que narra o encontro de Jesus com a samaritana à beira do poço, Dom Odilo acentuou a importância de os cristãos beberem do poço da Palavra e do Espírito Santo, a fim de serem testemunhas autênticas de Jesus Cristo. Ele sublinhou ainda a beleza e a necessidade de deixarse impregnar por essa mesma Palavra.

O SÃO PAULO - 3143  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há mais de 60 anos levando informação e formação para os católicos da maior cidad...

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