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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 61 | Edição 3130 | 30 de novembro a 7 de dezembro de 2016

R$ 1,50

www.arquisp.org.br

Maria Amalia Andery assume reitoria da PUC-SP

Encontro com o Pastor ‘O Advento nos exorta a não perdermos de vista o sentido e o grande rumo da vida’

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Página 3

Editorial Uma nação unida, que supera divisões na busca do bem comum Página 2

Espiritualidade Dom Luiz Carlos Dias: Tempo do Advento e a evangelização Página 5

Sacerdote há 71 anos, Dom Paulo testemunha a esperança Após fazer a profissão de fé, nova reitora da PUC-SP é saudada pelo Cardeal Odilo Scherer em cerimônia de posse, na segunda-feira, dia 28

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP, deu posse na segunda-feira, 28, à professora Maria Amalia Pie Abib An-

Conheça os 7 futuros padres da Arquidiocese No sábado, 3, às 15h, na Catedral da Sé, pela imposição das mãos do Cardeal Scherer, serão ordenados padres os diáconos transitórios Bruno Muta Vivas, Gilson Frank dos Reis, Paulo Gomes da Silva, Túlio Felipe da Silva, Rafael Alves Pereira Vicente, Ailton Bernardo de Amorim e Orisvaldo da Silva Carvalho. O SÃO PAULO apresenta a biografia e a trajetória vocacional dos futuros padres. Páginas 12 e 13

dery como reitora da PUCSP, para o quadriênio 20172020. Também tomaram posse o vice-reitor, professor Fernando Antonio de Almeida, e os pró-reitores.

Dom Odilo afirmou ter convicção de que na nova gestão a pontifícia universidade “escreverá páginas memoráveis em sua história”.

Página 24

Em missão, jovens vivenciam a fé nas periferias existenciais Página 11

Página 23

Pastoral do Menor da Arquidiocese promove 15ª edição do ‘Natal dos Sonhos’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Acidente aéreo com time da Chapecoense abala mundo do futebol

Padre Luiz Claudio Braga preside missa em ação de graças pelos 15 anos do ‘Natal dos Sonhos’

Este ano, o “Natal dos Sonhos” aconteceu na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, na zona Norte da capital, no sábado, 26, com uma celebração eucarísti-

ca pelos 15 anos de existência da iniciativa. Arrecadações de brinquedos para crianças carentes ainda podem ser feitas. Página 14

71 pessoas morreram na queda do avião que levava os jogadores e dirigentes da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, onde o time jogaria a final da Sul-Americana. Página 17


2 | Ponto de Vista |

30 de novembro a 7 de dezembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Editorial

Acreditar numa nação unida

N

a política brasileira, mal dá para confiar naquilo que já aconteceu, quanto mais no que está para acontecer, mas, no momento em que este editorial está sendo escrito, existe um acordo entre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Renan Calheiros, e da República, Michel Temer, para barrar uma anistia ao “caixa dois” durante as votações do projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção, que tramita no Congresso Nacional. O “caixa dois” já está proibido na atual legislação eleitoral, sendo configurado como crime de falsidade ideológica (Artigo 350 da Lei 4.737/1965) e tributária (Lei 8.137/1990). O problema no Brasil raramente é de falta

de leis, mas sim de descumprimento das leis existentes. Por muito tempo, o “caixa dois” foi considerado “normal” e “inevitável” nas campanhas eleitorais. Contudo, há muito vem acontecendo no país um processo crescente de repúdio e combate à corrupção. A operação Lava Jato não caiu do céu num determinado momento, mas é fruto desse longo processo de aperfeiçoamento das medidas de fiscalização e controle, que inclui outros passos importantes, como a Lei da Ficha Limpa e o veto de doação de empresas a candidatos e partidos. Nas eleições municipais deste ano, as campanhas foram mais baratas e o poder econômico dos candidatos contou menos, mostrando uma redução sensível na prática do “caixa dois”.

Isso aconteceu tanto por causa do veto às doações de empresas quanto ao aperfeiçoamento do controle das contas de campanha pela Justiça Eleitoral, que dificultou a existência de gastos não contabilizados. A proposta atual de tipificar o crime de “caixa dois” tem por objetivo intensificar a luta contra a corrupção. A lei não terá efeito retroativo, ou seja, quem for condenado pelo “caixa dois” cometido anteriormente à sua promulgação será condenado com base na legislação já existente. Mas vários políticos viram aqui a oportunidade de uma anistia, que os livraria dessas condenações. A reação, como estamos vendo, mostrou uma unidade nacional rara entre nós. A indignação tomou a

população, contagiou militantes de todas as tendências, gerou protestos e ações de entidades e instituições. Uma nação inteira contra um punhado de políticos que queriam pôr seus interesses particulares acima do bem comum. Até aqui, essa mobilização nacional tem dado resultado. O combate à corrupção vai nos ensinando que o bem comum não é conquista de uma batalha única, mas de uma longa campanha que, com o tempo, vai dando frutos. Vamos aprendendo que podemos ser uma nação unida, que supera suas divisões na busca do bem comum – e que essa união dá certo! Mas, para que as mudanças realmente aconteçam, a vigilância é necessária. Não há democracia sem compromisso pessoal.

Opinião

A drástica queda da pobreza no mundo nos últimos 20 anos Arte: Sergio Ricciuto Conte

Ana Lydia Sawaya É característica de quem tem fé se lembrar sempre, ou ter sempre diante dos olhos, que o mundo não é um caos abandonado ao vento dos impulsos dos homens maus, pois Deus veio nos ajudar de forma definitiva; e o Espírito Santo age interminavelmente na história. Assim, podemos afirmar com o Apóstolo Paulo: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Goethe, no “Fausto”, diz que o diabo é aquele ser que quer sempre fazer o mal, mas acaba sempre fazendo o bem. Ninguém que tenha o olhar um pouco atento pode negar que o mal tenha abundado no mundo nos últimos tempos; mas, se fixarmos ainda o olhar com atenção para escrutinar toda a realidade na sua integralidade, descobriremos fatos surpreendentes. Um exemplo disso são os dados sobre a pobreza tornados públicos na recente Assembleia Geral das Nações Unidas. Diz o relatório que estamos num momento histórico de inflexão, pois: 1. O número de pessoas vivendo na pobreza extrema (US$ 1,90 por pessoa por dia) caiu pela metade em duas décadas, e o número de crianças pequenas morrendo teve queda semelhante – são 6 milhões de vidas salvas todo ano pelas vacinas, incentivo ao aleitamento materno, remédios para pneumonia e tratamentos contra a

diarreia! Assim, argumenta-se que é preciso anunciar ao mundo que o processo mais importante que aconteceu no início do século XXI foi a impressionante redução do sofrimento humano. Em 1981, 44% da população mundial vivia na extrema pobreza (segundo dados do Banco Mundial), e calcula-se que esse número tenha se reduzido para menos de 10% e continua em queda! 2. O relatório cita ainda outros fatos de deixar qualquer um de queixo caído de surpresa. Durante toda a história da humanidade até a

década de 1960, a maioria dos adultos era analfabeta, sendo que atualmente 85% dos adultos no mundo já foram alfabetizados e a proporção está aumentando. 3.  Além disso, a desigualdade no mundo está em queda por causa dos ganhos conquistados pelos pobres em países como a China e a Índia, que contam com cerca de um terço da população mundial. Por isso, a ONU tem como objetivo factível erradicar a pobreza extrema até 2030. 4. Por fim, é necessário considerar que essa transformação da con-

dição humana ocorreu num período de 20 anos, ao passo que a pobreza e as péssimas condições de vida assolaram a maior parte da humanidade por milhares de anos. Esses são fatos que a maioria das pessoas não sabe, porque ninguém quase os noticia. A tradição cristã nos ensina ao contrário, educar-nos a olhar sempre para o fator positivo da realidade, para os dentes brancos da carniça de um cão morto, como dizia um livro apócrifo, para não cairmos na armadilha de sermos instintivamente arrastados pelo mal com a ilusão de que estamos abandonados. Não se trata absolutamente de uma visão otimista da realidade, mas de uma observação atenta e realista, que não pode deixar de constatar desde tempos imemoriais, quando os homens começaram a filosofar, que a maioria dos seres humanos age sobre a Terra em busca do bem, da beleza e da verdade, e com a ajuda de Deus sempre encontrarão caminhos para alcançar essas realidades. O mal existe, mas não é o fator predominante. Enquanto há guerras, terrorismo, assassinatos, corrupção sistêmica, há também milhões de pessoas trabalhando e atuando para diminuir a pobreza no mundo, e que estão sendo bem-sucedidas! Ana Lydia Sawaya é professora da Unifesp, fez doutorado em Nutrição na Universidade de Cambridge e foi pesquisadora visitante do MIT. É conselheira do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO.

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Redator chefe: Daniel Gomes • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Edcarlos Bispo, Filipe David, Nayá Fernandes e Fernando Geronazzo • Institucional: Rafael Alberto e Renata Moraes • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Secretaria de Redação: Djeny Amanda • Assinaturas: Ariane Vital • Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Revisão: Sueli S. Dal Belo • Impressão: S.A. O ESTADO DE S. PAULO • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail • A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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cardeal odilo pedro scherer Arcebispo metropolitano de São Paulo

O

primeiro domingo do Advento nos faz mergulhar em cheio na espiritualidade desse tempo litúrgico, marcado pela espera e pela esperança. De maneira geral, relacionamos logo o Advento com a preparação para o Natal, e isso não está errado: preparamo-nos para acolher no hoje de nossa vida e de nossa história o Filho de Deus Salvador, que já veio ao mundo no evento mais extraordinário que marcou a história da humanidade. Celebramos e recordamos a fidelidade de Deus às suas promessas de salvação. Deus não abandonou a humanidade na solidão, mas veio ao seu encontro e se fez um de nós, assumindo a nossa pobre condição humana – a nossa “carne” – através da Virgem Maria. Sua entrada no tempo e na história é um fato sempre atual: do mesmo modo como aconteceu no seu nascimento histórico, também hoje e em cada época os homens acolhem ou rejeitam sua vinda. Celebrando o Natal com fé, também nós temos a possibilidade de acolher com alegria e gratidão a sua encarnação e o seu nascimento entre nós. Por isso, a preparação do Natal, durante o Advento, se reveste de alegria e ação de graças para os cristãos; e também é marcada pelo desejo de compartilhar com os outros a alegria da nossa fé, para que a recordação do seu nascimento possa alegrar a muitos e abrir seus corações à fé.

Já é hora de acordar Mas a celebração do Advento também possui outra dimensão importante, enquanto nos convida a considerar a espera de sua “vinda gloriosa”. A Igreja crê que Jesus Cristo, um dia, virá e se manifestará glorioso ao mundo “para julgar os vivos e os mortos”; e dará a cada um a recompensa ou o castigo merecidos, de acordo com sua conduta e suas obras durante a vida neste mundo. Professamos nossa fé “na vida eterna” e vivemos neste mundo animados pela grande esperança no cumprimento das promessas de salvação plena. Isso vem expressado de maneira bonita na “Oração do Dia”, do primeiro domingo do Advento, em que nós pedimos a Deus: “Concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste para que, acorrendo com nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos”. A esperança cristã, baseada nas palavras de Jesus Cristo e na fidelidade de Deus, nos faz buscar o reino celeste e desejar a participação na comunidade dos redimidos, junto com Cristo glorioso. A cultura contemporânea está pouco voltada para essa grande esperança e, por isso, nós pedimos que Deus desperte em todos esse desejo do “reino celeste”. Quando será? Onde se realizará esse reino celeste prometido? A vida eterna e os “bens prometidos, que ainda esperamos” são realidades sobrenaturais, que Deus realizará em favor do homem. Nós desejamos saber tudo e, se possível, também controlar tudo; nesse caso, porém, o homem precisa reconhecer o seu limite e que nem tudo está debai-

| Encontro com o Pastor | 3

Festa de Santa Catarina de Alexandria Hospital Santa Catarina

xo do seu poder. No Evangelho do primeiro domingo do Advento, Jesus adverte: Ninguém sabe o dia, nem a hora; estejam sempre preparados para o momento de Deus em sua vida e para acolher, a qualquer momento, a vinda do “Filho do Homem”, Jesus Cristo glorioso, nosso juiz e nossa recompensa (cf. Mt 24, 37-44). Estar preparados significa nutrir “o ardente desejo das coisas celestes”, viver em sintonia com Deus e praticando o bem cada dia; quem o faz, nunca será pego de surpresa. Jesus recorda o que se passou no tempo de Noé: O povo vivia “distraído”, ocupado com suas tarefas e projetos cotidianos, sem se dar conta dos “sinais dos tempos”; sobreveio o dilúvio e quem não estava preparado pereceu, enquanto Noé entrou na arca e se salvou. Pode acontecer que, também hoje, vivamos como se nunca devêssemos deixar este mundo e prestar contas a Deus de nossa vida. O Advento nos exorta a não perdermos de vista o sentido e o grande rumo de nossa vida. São Paulo, na Carta aos Romanos (13, 11-14), é muito direto na sua admoestação aos cristãos que, ao que parece, também viviam “distraídos” e, na rotina da cotidianidade, deixaram-se absorver inteiramente pelo momento presente e pelo gozo da vida: “Já é hora de despertar... a noite vai adiantada e o dia se aproxima. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé”. Por isso, é preciso abandonar as “obras das trevas”, para revestir-se de Cristo Jesus. Ele é a grande luz, que resplandeceu nas trevas para iluminar a todos e para nos conduzir nos caminhos de Deus.

Na sexta-feira, 25, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu missa na sede do Hospital Santa Catarina, na avenida Paulista, por ocasião da memória litúrgica de Santa Catarina de Alexandria (287-305), recordada naquela data.

Futuros padres Rodrigo Felipe

Na manhã do sábado, 26, todos os que serão ordenados padres em 3 de dezembro, às 15h, na Catedral da Sé, bem como os que se tornarão diáconos em 10 de dezembro, às 15h, no mesmo local, realizaram profissão de fé e juramento de fidelidade diante do Conselho Arquidiocesano de Presbíteros.

70 anos da Lareira Padre Sancley Gondim

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, presidiu no sábado, 26, missa na Paróquia Santíssimo Sacramento, na Região Episcopal Sé, em ação de graças pelos 70 anos de fundação da Lareira - Instituição Monsenhor Benedicto M. Calazans, que atua desde 1946 na defesa dos valores da família. (Com informações do Padre Sancley Gondim)

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4 | Fé e Vida |

30 de novembro a 7 de dezembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Liturgia e Vida 2º DOMINGO DO ADVENTO - 4 de dezembro de 2016 Leituras: Is 11,1-10; Rm 15, 4-9; Mt 3, 1-12

Não basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’ Cônego Celso Pedro No caminho preparado para o Advento do Senhor vão conosco Isaías, João Batista e Maria. Com eles, caminhamos pressurosos até Belém para ver o Rebento que acaba de surgir da raiz de Jessé. João Batista é um profeta judeu, preocupado com o seu povo. O Dia do Senhor se aproxima e o povo não está preparado. O machado já está na raiz das árvores, pronto para cortar as que não dão bons frutos. “Convertam-se que o Reino dos Céus está próximo”, clamava João, “e produzam frutos que provem a conversão. Não basta dizer: Sou filho de Abraão”. Atitudes e ações mostrarão quem é filho de Abraão. Não basta dizer “sou católico”, não basta repetir a palavra “misericórdia!” É preciso ver o católico, filho de Abraão, misericordioso em suas ações. João Batista é também o precursor de alguém mais forte do que ele, que está chegando e que batizará com o Espírito Santo e com fogo. É sobre Ele que repousa o Espírito do Senhor. Isaías anunciou João quando ouviu a voz clamando no deserto: “Preparem o caminho do Senhor”, e anunciou Jesus quando viu a raiz de Jessé se erguendo como um sinal entre os povos. João Batista, o profeta judeu, é agora o precursor do Messias. Nem Isaías nem João Batista sabiam

exatamente quem era este que estava por vir. Sabiam, porém, que algo novo estava acontecendo. Um novo nascimento se anunciava. “Eu batizo com água, Ele batizará com o Espírito Santo e com fogo”, dizia João. “Eis que faço novas todas as coisas”, lemos em outra passagem de Isaías. Um novo povo está surgindo, gerado de novo ou regenerado no batismo do Espírito e do fogo. Talvez não seja necessário entender o significado deste batismo e traduzi-lo em termos teológicos exatos. Se pelos frutos conhecemos a árvore, aquele que nasceu de novo no Espírito Santo e no fogo produzirá frutos que demonstrarão a verdade de uma vida nova. Lemos hoje na Carta aos Romanos: “Que Deus vos dê a graça da harmonia e da concórdia, como ensina Cristo Jesus”. Harmonia, concórdia, acolhida são os frutos, não de uma árvore velha carcomida de cupim, mas do Rebento de Jessé sobre quem paira o Espírito. É o que diz também Isaías ao descrever cenas aparentemente impossíveis: O lobo e o cordeiro vivem juntos; o leopardo se deita ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comem juntos; a vaca e o urso pastam lado a lado; o leão come palha; o boi e criancinhas brincam com cobras venenosas. Este sonho de Isaías será realidade quando a Terra estiver repleta do saber do Senhor. Advento, tempo de conversão com frutos visíveis.

Você Pergunta Ajoelhar-se diante de uma imagem não é adoração? padre Cido Pereira

osaopaulo@uol.com.br

A Cleusa não me disse seu sobrenome. Ela é de Guarulhos (SP) e faz uma afirmação de fé, mas coloca uma dúvida: “Sei que não devemos adorar santos, mas se ajoelhar diante de uma imagem de santo caracteriza adoração?” Não, Cleusa. Não é adoração. É necessidade. Quando eu me ajoelho diante da imagem de um santo, é porque eu preciso urgentemente da ajuda dele. Os santos são nossos companheiros. Minha atitude de suplicar alguma coisa a eles de joelhos traduz o grau de meus anseios, de minha necessidade e não a minha adoração. Quanta gente, no desespero, cai de joelhos diante de outra pessoa falando de suas necessidades? É assim que fazemos com os santos, nossos heróis, nossos companheiros, nossos amigos, nossos advogados. Quando a necessidade é muita, pedimos de joelhos a intercessão deles.

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É diferente de quando eu me ajoelho diante do sacrário ou diante da hóstia consagrada. Lá está Jesus, e eu o adoro, sabendo que Ele é tudo e eu sou nada, que Ele é forte e eu sou fraco. Ele é meu Deus, merecedor de minha adoração. Eu quero lembrar a você que nossas orações aos santos são sempre pedindo uma intercessão. A Maria e aos santos, nós podemos falar de nossas necessidades, mas sempre pedindo que Ela e eles intercedam por nós junto ao Senhor. Até porque quem concede as graças não são eles. Eles pedem e Deus atende. Você vai verificar isso nas orações das missas em louvor a Nossa Senhora e aos santos. A gente se dirige a Deus: Senhor, nosso Deus... contando com a intercessão do santo.... Senhor nosso Deus, pela intercessão de santo x ou y, ou de Maria, Mãe do vosso Filho, nós vos pedimos isso e aquilo. Espero que tenha ficado claro, minha irmã, e que você possa esclarecer outras pessoas sobre isso. Fique com Deus.

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Espiritualidade

O Advento e a evangelização Dom Luiz Carlos Dias

Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém

A

liturgia da Igreja Católica conclama os discípulos (as) missionários(as) a se voltarem para a festa da encarnação de Deus entre nós, significado profundo do Natal. Esse fato traz uma alegria que ultrapassa aquela da festa de consumo, pois Deus estende sua tenda em meio à humanidade e lhe oferece a possibilidade de transformação de situações que obstaculizam a vida. Isso anunciam os textos bíblicos proclamados na liturgia do período. O profeta Isaías, a partir de sua experiência de fé veterotestamentária, anunciou a superação de diferenças inimagináveis pela razão humana: “O lobo e o cordeiro viverão juntos... o bezerro e o leão comerão juntos” (11, 6-7). Por isso, pode também aludir para a “transformação de espadas em arados e lanças em foices” (Is 2,4) ou para um processo de concórdia e paz. Certamente, essas palavras do profeta fizeram seus conterrâneos erguerem os olhos e vislumbrarem um horizonte do qual não mais se recordavam ou no qual não mais acreditavam, em

virtude dos percalços da história e ari- sião para a realização da Campanha dez dos corações. Esse perigo ronda as para a Evangelização, entre a Solenipessoas em nossa sociedade e pode in- dade de Cristo Rei e o 3º Domingo do duzi-las a um processo de fechamento Advento. Essa iniciativa “deseja susnos próprios objetivos e desafios en- citar um renovado amor missionário frentados, como, também, à estreita nos fiéis. Assim, seguindo o exemplo busca de realização pela via do bem- do Pai das Misericórdias, que saiu ao encontro dos dois filhos que necessiestar e consumo. João Batista também reavivou a es- tavam de acolhimento e compreensão, perança de seu povo ao anunciar: “O todos anunciarão ao mundo que, não Reino dos Céus está próximo”; “Prepa- obstante nossas faltas e desmerecirai o caminho do Senhor, endireitai suas mentos, somos profundamente amaveredas” (Mt 3,2-3); “Produzi frutos que provem a vossa con- A evangelização versão” (Mt 3,8). Esse requer “uma verdadeira anúncio sensibilizou seus conterrâneos, que, disponibilidade e entrega de todos os lugares generosa, de forma da Judeia, acorreriam pessoal e comunitária” ao profeta do deserto, confessavam seus pecados (Mt 3, 5-6) e assumiam com- dos pelo Pai e podemos fazer a experipromissos edificantes. ência da presença do Senhor no meio Esses profetas cumpriram a mis- de nós” (CE 2016, 16). A evangelização requer “uma versão de anunciar Deus na história da humanidade como Aquele que está dadeira disponibilidade e entrega gepresente, Aquele que é próximo, pro- nerosa, de forma pessoal e comunitávidente, santo e misericordioso (MV ria”. O processo evangelizador não tem 6), e conduziram seu povo a aderir li- outra via que não aquela da entrega vremente ao Reino de Deus. Eis a mis- da própria vida aos outros (Jo 12,24). são da Igreja e de seus discípulos(as) “Quando a Igreja faz apelo ao compromissionários(as) no Advento: teste- misso evangelizador, não faz mais do munhar uma presença misericordiosa que indicar aos cristãos o verdadeiro capaz de transformar as pessoas e a re- dinamismo da realização pessoal” (EG alidade, mesmo em um contexto que 10). Que os discípulos(as) missionários dificulta a acolhida dessa mensagem. (as) vivam na alegria este tempo de doA Igreja no Brasil aproveita a oca- ação para a evangelização.

| Fé e Vida | 5

Fé e Cidadania A Virgem Maria e o poder do feminino Padre Sancley Lopes Gondim Por que para tantas pessoas Maria tem uma importância tão grande? Que significados, valores e símbolos estão por trás disso? O poder do feminino está atrelado à sua figura e é reverenciado sob tantos títulos e festas. É mãe, trabalhadora, autônoma, força, união, amor, que revelam a função da mulher na sociedade. Na comemoração dos 25 anos da Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, publicada por São João Paulo II, em 1988, “o primeiro documento do magistério pontifício dedicado à temática da mulher”, disse o Papa Francisco, em 2013: “Muitas coisas podem mudar na evolução cultural e social, mas permanece um dado: é a mulher que concebe, traz no seu seio e dá à luz os filhos dos homens. E este não é simplesmente um dado biológico, mas encerra em si uma riqueza de implicações. Chamando a mulher à maternidade, Deus confiou-lhe o ser humano de forma inteiramente especial. No entanto, há dois extremos opostos... O primeiro consiste em reduzir a maternidade a um papel social, tarefa que pode pôr de lado a mulher com as suas potencialidades, tanto no âmbito civil como no contexto eclesial. Como reação a este, há outro perigo, em sentido oposto, que consiste em promover uma espécie de emancipação que, para ocupar os espaços tirados ao masculino, chega a abandonar o feminino. E aqui, eu gostaria de ressaltar que a mulher tem uma sensibilidade particular pelas ‘coisas de Deus’, sobretudo para nos ajudar a compreender a misericórdia, a ternura e o amor que Deus tem por nós. Gosto de pensar também que a Igreja não é ‘o’ Igreja, mas ‘a’ Igreja. Ela é mulher, é mãe...” (Discurso aos participantes do Seminário sobre a Carta Apostólica MD, 12/10/13). “A Virgem Imaculada, como testemunha privilegiada dos grandes eventos da história da salvação – mulher da escuta, mulher da contemplação, mulher da proximidade aos problemas da Igreja e das pessoas -, sob a guia do Espírito Santo e com todos os recursos do seu gênio feminino, é o ícone da Igreja” (Discurso do Papa Francisco à Comissão Teológica Internacional, 05/12/14). “Enquanto comunidade consagrada com a dimensão de absoluto de um coração ‘virgem’, para ser ‘esposa’ de Cristo e ‘mãe’ dos crentes. Porém, na perspectiva de complementaridade ‘icônica’ dos papéis masculino e feminino, ficam em evidência duas dimensões imprescindíveis da Igreja: o princípio ‘mariano’, e o princípio ‘apostólico-petrino’... Obrigado a ti, mulher, pelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas” (São João Paulo II, Carta às Mulheres, 29/6/95). As opiniões da seção “Fé e Cidadania” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O SÃO PAULO.


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Cuidar da Saúde Uso irracional de prednisolona pode afetar o crescimento do seu filho Cássia Regina É muito comum pacientes guardarem medicações que sobram após o tratamento de uma determinada doença. E o mais comum entre as mães é que isso aconteça com a prednisolona, que é um corticoide usado em doenças inflamatórias e autoimunes. Essa medicação é muito utilizada em casos de tosse provocada por asma ou bronquite, em artrite reumatoide, lúpus, alergias e gota, melhorando de forma rápida os sintomas. No entanto, alguns cuidados são importantes. Só use a medicação pelo tempo que o médico prescreveu. Não utilize a prednisolona para qualquer tosse ou dor. Você pode até guardar (em lugar fresco e arejado, de acordo com a validade) o restante dessa medicação, mas ela só deve ser usada caso seja prescrita novamente. É muito comum mães usarem a prednisolona que já têm em casa quando o filho está com uma tosse. Porém, a tosse é um sintoma que pode ter diversas causas e o uso dessa medicação, sem uma real necessidade, faz retardar o diagnóstico e pode causar diversas complicações, como retardo no crescimento, osteoporose e a síndrome de Cushing, em que a pessoa fica inchada, com queda de cabelo e aumento da glicemia. São muito válidas as medidas não farmacológicas para o alívio da tosse, pois uma grande porcentagem das causas, tratadas em casa com prednisolona, são de motivação alérgica. Por isso, evite o uso de amaciantes nas roupas e de perfumes, retire ou lave as cortinas semanalmente, não deixe pelúcias no quarto, impeça que animais domésticos subam na cama, limpe a casa com pano úmido, evite usar vassoura e desinfetantes com forte odor. Lembre-se sempre: Consulte o médico antes de medicar seu filho. Um mesmo sintoma pode ser uma nova doença. Dra. Cássia Regina é médica atuante na Estratégia de Saúde da Família (PSF) E-mail: dracassiaregina@gmail.com

Comportamento

Os 1.000 dias – Como construir o alicerce da vida Simone Ribeiro Cabral Fuzaro

Queremos o melhor para nossos filhos. Os queremos felizes, capacitados emocionalmente, intelectualmente e bem-educados. São tantas expectativas que nem sempre sabemos como transformá-las em objetivos e muito menos em como alcançá-los. Então, vamos lá: o primeiro passo é entender o que acontece com os pequenos nessa fase e, aí sim, colocar metas e planejar ações. Os 1.000 dias são os primeiros 3 anos de vida da criança. Ao nascer, temos o sistema neurológico ainda inacabado, o que é excelente, pois exatamente essa característica permite que o ser humano seja altamente adaptável. Será de acordo com os estímulos recebidos pelo meio, que iremos desenvolver nosso sistema nervoso, construindo redes neurais. Segundo Bear, Connors e Paradiso (2002, p.704), “no cérebro humano existem aproximadamente 100 bilhões de neurônios (unidade básica que processa a informação no cérebro) e cada um destes pode se conectar a milhares de outros, fazendo com que os sinais de informação fluam maciçamente em várias direções simultaneamente, as chamadas conexões neurais ou sinapses”. O maior número de sinapses de nossas vidas é estabelecido nos

primeiros 1.000 dias, e essa arquitetura cerebral formada nessa época será a base para todo o futuro. Claro que novas sinapses vão sendo feitas e desprezadas ao longo de toda a vida, mas jamais num ritmo tão acelerado como nos primeiros anos. Sabendo que nesse momento formamos arquitetura básica e que os futuros relacionamentos, aprendizados, comportamentos e saúde serão construídos a partir dessa base, qual o melhor modo de estimularmos os pequenos? Seguem algumas dicas: 1. O maior e mais importante estímulo é um vínculo bem formado. A partir desse vínculo, todos os outros estímulos serão possíveis: Relacionar-se com o bebê com constância, transmitirlhe segurança e amor, interpretar suas manifestações, atender às suas necessidades, permanecer o tempo suficiente com ele para isso. Não basta qualidade, é preciso quantidade. 2. Estabelecer uma rotina adequada. A criança pequena precisa de uma rotina saudável e bem clara – horário de sono (dormir e acordar), de alimentação, banho etc. A rotina organiza o tempo e transmite segurança aos pequenos. 3. Comunicar-se com o pequeno. A comunicação com as crianças nesse período é muito mais pautada em atitudes, gestos e entonação do que propriamente

no conteúdo do que se diz: Imitar as expressões e gestos da criança, repetir seus balbucios, cantar, contar pequenas histórias. Essas experiências reforçam o vínculo e são a base para futuros aprendizados. 4. Brincar. Promover o riso, a diversão; fazer cócegas nos pés, no pescoço; promover brincadeiras na água (molhar os pezinhos, as mãos, bolinhas de sabão); brincar de “tutu/achou” (escondendo o rostinho, as partes do corpo, outros objetos – brincadeira importante no processo de aquisição de linguagem); deixar o pequeno explorar espaços e materiais sem tanto medo de que se machuque. A superproteção tolhe o desenvolvimento das crianças. Cada uma das brincadeiras constitui um rico estímulo para a formação de novas sinapses. 5. Oferecer, com carinho, limites claros e bem definidos. Os limites são um grande bem que se oferece aos pequenos – os protegem contra seus impulsos ainda insensatos, promovem pequenas frustrações que são fundamentais para que comecem a desenvolver o senso crítico e a possibilidade de autonomia. A família é da máxima importância para essa estimulação. Vamos dedicar tempo e amor nesse projeto de “construção”. Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora. Mantém o blog http://educandonacao.com.br

Divulgação

6 | Viver Bem |


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| Pastorais | 7

Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade

Dom Carlos visita escola pública na zona Leste O vigário episcopal para a Educação e a Universidade da Arquidiocese de São Paulo, Dom Carlos Lema Garcia, visitou no dia 16 a Escola Estadual Prof. Wolny de Carvalho Ramos, na zona Leste da capital paulista, que ficou em 12º lugar no ranking do Enem 2015. O Bispo participou de um “Café Filosófico”, idealizado pelo professor Henrique Riguetto Rodrigues, na disciplina de Filosofia. Dom Carlos conversou com um grupo de 40 estudantes do 2º ano do Ensino Médio sobre o tema “A laicidade do Estado Brasileiro e sua contribuição para o desenvolvimento da Educação”. Os alunos, interessados no tema, realizaram pesquisas anteriores à visita do Bispo, apresentando o conteúdo do trabalho desenvolvido, o que serviu de base para que Dom Carlos pudesse ampliar ainda mais os horizontes dos alunos acerca da temática. A vice-diretora da escola, professora Andrea Costa, enalteceu a realização do encontro. “A escola deve propiciar aos alunos o debate e a abertura ao diferente, para ser motivadora da igualdade e contribuir para a diminuição da discriminação e intolerância”, afirmou. Os alunos chegaram à conclusão de que a ignorância e a falta de conhecimento sobre a religiosidade contribuem para o aumento da intolerância. Para o professor Henrique, este é o momento e o campo mais propício para a Igreja alcançar a juventude, para contribuir na diminuição da intolerância religiosa e desmistificar uma visão de que a Igreja está distante da realidade da juventude atual, pois as visitas alcançam um público amplo e diverso, inclusive os ateus. A visita foi concluída com um lance, durante o qual os alunos puderam conversar pessoalmente com Dom Carlos.

Nossa Senhora Aparecida junto a professores e alunos do Instituto Madre Mazzarello Instituto Madre Mazzarello

Professores e estudantes do Instituto Madre Mazzarello expressam devoção a Nossa Senhora Aparecida

Entre os dias 4 e 7, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que tem sido levada aos colégios católicos de São Paulo pelo Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, permaneceu no Instituto Madre Mazzarello, no Alto de Santana, na zona Norte da capital paulista. A imagem foi recepcionada pelos diretores, professores e estudantes com expressões de fé,

cantos marianos e orações. Após os dias de devoção, a despedida da imagem foi marcada com uma procissão conduzida pelos professores acompanhados pelos alunos. “Momento de muito agradecimento pela visita da Rainha e Padroeira do Brasil. ‘Dai-nos a bênção, oh Mãe Querida, Nossa Senhora Aparecida!”, consta no site do Instituto. (Com informações do Instituto Madre Mazzarello)

Pastoral Carcerária Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso Jovens judeus, cristãos e Assembleia nacional reforça a busca por um mundo sem cárceres muçulmanos dialogam sobre A Pastoral Carcerária esteve reunida em assembleia, entre os dias 25 e 27, em Brasília (DF). Participaram da atividade os representantes da coordenação nacional, entre os quais o Padre Valdir João Silveira, coordenador nacional, os membros da Pastoral nos estados, além de Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da CNBB, e o Frei Olávio Dotto, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB. Na carta final da assembleia, a Pastoral reafirma o compromisso de “per-

manente trabalho em busca da promoção da dignidade humana e de um mundo sem cárceres”, e frente o “encarceramento massivo e às torturas e violações da dignidade humana inerentes às prisões e a todo o sistema penal”, se posiciona “de forma contundente pelo necessário desencarceramento e desmilitarização das polícias, da política e da vida”. A íntegra da carta e outras notícias sobre a assembleia nacional da Pastoral Carcerária podem ser vistas no site www. carceraria.org.br

Pastoral da Criança Daniel Zampieri

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, participou no domingo, 27, da assembleia arquidiocesana da Pastoral da Criança, no campus Pio XI do Centro Unisal de São Paulo. Dom Odilo enalteceu o trabalho da Pastoral na Arquidiocese e estimulou que haja diálogo permanente entre os membros da Pastoral e os padres e bispos.

situação de imigrantes e refugiados

Entre janeiro de 1994 e outubro de 2016, mais de 15 mil pessoas, de 102 países, procuraram a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo para solicitar refúgio no Brasil, sendo que nos últimos dois anos predominaram os pedidos dos que vieram de Angola, Nigéria, República Democrática do Congo e Síria. Os principais motivos: perseguições políticas, étnicas, religiosas, por pertencer a um determinado grupo social e generalizada violação de direitos humanos. Esses dados foram apresentados durante o encontro Dialogando pela Paz, promovido pelo grupo de diálogo inter-religioso Jovens pela Paz, no dia 3 de novembro, na Congregação Israelita Paulista; com a participação de jovens judeus, cristãos e muçulmanos. A temática de refúgio e imigração foi tratada pelo Padre Marcelo Monge, diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo; o Rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista (CIP); o Rabino Yonatan Szewkis, da Comunidade Shalom; e o Sheik Rodrigo Jalloul, da Mesquita da Vila Matilde. Ao rememorar o holocausto, o Rabino Yonatan afirmou que a acolhida de vários países ao povo judeu transformou muitas vidas. Ele disse que a comunidade judaica tem uma obrigação moral e

ética em ajudar a quem procura refúgio. “É preciso lembrar que a vida dá voltas. Às vezes, estamos numa situação confortável, mas a qualquer momento isso pode virar e qualquer um de nós pode precisar de ajuda. Falar é fácil! Colocarse no lugar do outro às vezes é o mais difícil. Esse é o desafio que cada um de nós tem: tentar colocar-se no lugar do outro. Eu não posso ser indiferente.” Já o Sheik Jalloul acredita que a imigração é benéfica sob a ótica da cultura de uma nação. “O Brasil é rico de cultura, pois é possível encontrar pessoas de diversos lugares. Isso traz uma riqueza muito grande e torna o povo mais humano.” O drama do refúgio também é vivenciado intensamente por muitos jovens. Maria Cristina Morelli, coordenadora do Centro de Referência para Refugiados da Cáritas Arquidiocesana, explicou que no ano de 2015 a entidade recebeu 415 pessoas entre 15 e 30 anos de idade. E em 2016, até aquela data, a Cáritas já tinha acolhido 1.075 pessoas entre 15 e 30 anos. “São adolescentes e jovens que tiveram que, repentinamente, deixar para trás família, estudo e amigos para salvar as próprias vidas”, concluiu Maria Cristina. (Reportagem: Diego Monteiro)


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Destaques das Agências Internacionais

Filipe David

Correspondente do O SÃO PAULO na Europa

Israel

Incêndios: uma nova onda de ataques terroristas Reprodução de Internet

Parte dos 630 incêndios em diferentes pontos do país pode ter sido provocada por ataques terroristas, dizem autoridades israelenses

Inúmeros focos de incêndio têm se espalhado por todo o país desde o dia 22. Até agora, foram mais de 630 incêndios, tanto no campo como em zonas urbanas. O maior incêndio ocorreu na cidade portuária de Haifa, onde 527 apartamentos foram destruídos e 75 mil pessoas tiveram que ser evacuadas. Após quatro dias de combate ao fogo, foi permitido o retorno dos moradores ao local. Segundo as autoridades, parte dos incêndios foi provocada deliberadamente, o que tem sido considerado um ato terrorista. Aproximadamente 30 suspeitos foram presos. Após um pedido de ajuda internacional, diversos países têm auxiliado Israel enviando aviões-tanque para combater o fogo. Rússia, Reino Unido, Grécia, Itália, Chipre, Croácia, Romênia, Bulgária e Turquia já enviaram sua ajuda, mas o número de incêndios é tão grande que tal auxílio não é suficiente e serão necessários ainda muitos outros para que se controle todos os focos de incêndio. Fontes: BBC/ CNN/ Haaretz/ Jewish Press

França

A direita francesa escolhe François Fillon Terminada a apuração das eleições primárias da direita francesa, o vencedor foi François Fillon, com 66,5% dos votos, praticamente o dobro de seu concorrente, Alain Juppé. François Fillon é casado há 36 anos e tem cinco filhos. Defensor de uma reforma no sistema previdenciário francês, Fillon propõe também a flexibilização da legislação trabalhista. Ele foi primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy entre 2007 e 2012. Durante as eleições primárias, Fillon contou com o apoio de militantes – em

grande parte católicos – da “Manif pour tous”, movimento que se opôs à união entre pessoas do mesmo sexo, aprovado na França em 2013. O movimento também luta contra a ideologia de gênero e outros ataques à família. Embora Fillon tenha votado contra a lei que redefiniu o casamento em 2013, hoje não pretende tentar revogá-la, mas apenas ajustar alguns de seus impactos sobre a filiação. No que se refere ao direito à vida, apesar de se considerar católico, Fillon votou diversas vezes pela ampliação do acesso ao aborto.

A escolha de Fillon para competir contra o presidente socialista François Hollande e a candidata do Front National, Marine le Pen, ocorre num momento em que a França avança na implementação da agenda da cultura da morte. Na educação, o governo procura restringir cada vez mais o ensino privado – que naquele país é quase sinônimo de ensino católico. Ao mesmo tempo, há uma iniciativa para criminalizar a luta pela vida, contra o aborto; segundo

esse projeto, o simples ato de tentar conversar com uma mulher que pretende abortar para dissuadi-la, apresentando informações e argumentos, seria considerado crime, com pena prevista de dois anos de prisão e multa de 30 mil euros. Também os sites e grupos que lutam pela vida via internet seriam afetados, já que o texto inclui explicitamente “todos os meios de comunicação ao público, incluindo transmissão e difusão por via eletrônica ou on-line”. Fontes: Le Figaro/ Politicoscope/ Sens Commun

Cuba

Fidel Castro morre aos 90 anos

Condolências do Papa

Morreu na noite da sexta-feira, 25, o ditador cubano Fidel Castro, que implantou o regime comunista no país após a revolução em fins dos anos 1950. Fidel permaneceu no poder por 49 anos, governando o país com mão de ferro. Sob seu governo, foram feitas dezenas de milhares de presos políticos; 5,6 mil pessoas foram fuziladas; 1,2 mil foram assassinadas extrajudicialmente; 2,1 mil morreram presas e quase 200 desapareceram. O regime cubano também proibiu que a população pudesse deixar o país. Como consequência, mais de 70 mil pessoas morreram tentando fugir ilegalmente da ilha em balsas precárias. Com a implantação do regime comunista, Cuba foi declarada um Estado ateu. A religião foi marginalizada e mais de 400 escolas católicas foram fechadas por “espalhar crenças perigosas entre as

Ao ser informado da morte de Fidel Castro, o Papa Francisco enviou telegrama de condolências ao presidente cubano Raúl Castro. “Ao receber a triste notícia do falecimento do seu querido irmão, o excelentíssimo senhor Fidel Alejandro Castro Ruz, ex-presidente do Conselho de Estado e do governo da República de Cuba, expresso os meus sentimentos de pesar a vossa excelência e aos familiares do falecido dignitário, assim como ao governo e ao povo da sua amada nação. Ao mesmo tempo, ofereço orações ao Senhor pelo seu descanso e confio a todo o povo cubano a intercessão materna de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, patrona do seu país”, expressou o Pontífice. Também a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba manifestou condolências aos familiares de Fidel e às autorida-

pessoas”. A tolerância à religião só retornou oficialmente em 1991, quando o país foi declarado um Estado secular em vez de ateu. Mas ainda hoje há casos de perseguição religiosa, fechamento de igrejas “irregulares”, aprisionamento de líderes religiosos, entre outros. Durante todo o regime comunista, a economia cubana dependeu fortemente do auxílio vindo da União Soviética. Após o fim do regime comunista soviético, em 1991, Cuba entrou em uma profunda crise econômica. Com a chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela – grande exportadora de petróleo –, o País pôde novamente contar com o apoio econômico internacional durante alguns anos. Hoje, também a Venezuela enfrenta uma crise econômica sem precedentes. Fontes: Cuba Verdad/ CSW/ Global Security/ Daily News

des do país. “Pela nossa fé, encomendamos o senhor Fidel Castro a Jesus Cristo, rosto misericordioso de Deus Pai e Senhor da vida e da história, e pedimos ao Senhor Jesus que nada perturbe a convivência entre nós, cubanos. Colocamos sob a proteção da Virgem da Caridade do Cobre, nossa Mãe e patrona, o futuro da pátria”, consta na mensagem. Como chefe de Estado, Fidel Castro encontrou-se com São João Paulo II em 1996, no Vaticano, e em 1998, em Cuba, quando da visita do Pontífice ao país. Já afastado do comando da nação, Fidel teve um encontro com o Papa Bento XVI, em 2012, e mais recentemente com o Papa Francisco, em setembro de 2015, nas duas ocasiões em sua residência em Cuba. Fontes: rádio Vaticano e Conferência dos Bispos Católicos de Cuba (Edição: Daniel Gomes)


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Com informações da Rádio Vaticano

Júlia Cabral

Especial para O SÃO PAULO

No Advento, ampliar o horizonte do coração No domingo, 27, o Papa Francisco meditou sobre o tempo do Advento: “Um novo caminho de fé em que o povo de Deus vai ao seu encontro e Ele vem até nós”, disse o Pontífice. O Evangelho de Mateus faz um paralelo entre o dilúvio e a segunda vinda de Cristo, e pede que os seguidores de

Jesus estejam preparados. “A partir dessa perspectiva, surge também um convite à sobriedade, a não nos deixarmos dominar pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas sim a governá-las. Quando, ao contrário, nos deixamos condicionar e dominar por elas, não conseguimos perceber que há algo muito

mais importante: o nosso encontro com o Senhor que vem para nós. É um convite à vigilância, porque não sabendo quando Ele virá, é preciso estar sempre prontos para partir”, afirmou. O Papa disse, ainda, que “neste tempo de Advento, somos chamados a ampliar o horizonte do nosso coração, a

deixarmo-nos surpreender pela vida que apresenta a cada dia suas novidades. Para isso, é preciso aprender a não depender de nossas seguranças, de nossos esquemas demarcados, porque o Senhor vem na hora que não imaginamos. Vem para nos conduzir a uma dimensão mais bonita e maior”, disse Francisco.

Misericórdia deve ser um compromisso e um estilo de vida permanente O Papa Francisco recebeu, na segunda-feira, 28, na Sala Clementina, cerca de 400 pessoas que contribuíram para o acontecimento do Jubileu extraordinário da Misericórdia. Francisco agradeceu especialmente ao presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella. “A minha intuição, no início, tinha sido simples. O Senhor, como sempre, nos surpreende e vai além de nossas expectativas. Assim, aquele desejo se tornou uma realidade que foi celebrada com muita fé e alegria nas comunidades cristãs espalhadas pelo mundo. A Porta da Misericórdia, aberta em todas as catedrais e nos santuários, fez com que os

fiéis não encontrassem nenhum obstáculo para experimentar o amor de Deus. Aconteceu algo de realmente extraordinário que agora deve ser inserido na vida cotidiana, para fazer a misericórdia se tornar um compromisso e um estilo de vida permanente para os fiéis.” O Papa agradeceu também às autoridades italianas, à Polícia de Roma e à Gendarmaria Vaticana, ao Corpo da Guarda Suíça e a todas as instituições vaticanas, os responsáveis da Região do Lácio. Por fim, agradeceu aos numerosos voluntários, vindos de várias partes do mundo, e aos que colaboraram com o seu trabalho cotidiano, tornando o Jubileu extraordinário um evento cheio de graças.

L’Osservatore Romano

Papa agradece a Dom Fisichella e outras 400 pessoas pelo bom êxito do Jubileu da Misericórdia

Tempo de ir ao encontro de Cristo

Colocar a fé em prática, a serviço dos irmãos

Durante a missa da segunda-feira, 28, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco observou que durante o Advento as Escrituras propõem inúmeros encontros de Jesus: com Maria, no ventre; com São João Batista; com os pastores; com os magos. O Pontífice explicou que, para todos os cristãos, o Advento é “um tempo para caminhar e ir ao encontro do Senhor, isto é, um tempo para não ficar parado”. Ele deu dicas de como deve ser essa preparação para ir ao encontro de Jesus. “Devo rezar com vigilância; devo ser operoso na caridade – a ca-

Em audiência geral, na quarta-feira, 23, na Sala Paulo VI, o Papa falou para milhares de fiéis, inclusive grupos do Brasil, sobre a importância de ensinar e dar bons conselhos. Para o Pontífice, as duas obras espirituais de misericórdia podem ser aplicadas no cotidiano, principalmente a de ensinar. “Pensemos, por exemplo, nas crianças que ainda são analfabetas, carentes de instrução. Essa é uma condição de grande injustiça, que lesa a própria dignidade da pessoa. Sem instrução, as pessoas se tornam fácil alvo da exploração e de várias formas de marginalização social.” Ele falou também sobre a importância de

ridade fraterna: não somente dar esmola, mas também tolerar as pessoas que me incomodam, tolerar em casa as crianças quando fazem muito barulho, o marido ou a mulher quando estão em dificuldade, ou a sogra, não sei... tolerar, tolerar… Sempre a caridade, operosa.” Francisco ressaltou, ainda, que a fé católica sem o encontro com Cristo não é nada. “Sempre me impressionou o que o Papa Bento XVI disse: Que a fé não é uma teoria, uma filosofia, uma ideia: é um encontro. Um encontro com Jesus”.

aconselhar bem. “Expressar misericórdia pelos inseguros equivale a aliviar a dor e o sofrimento que provêm do medo e da angústia que são consequências da dúvida. É um ato de verdadeiro amor pelo qual se ampara e apoia a pessoa na fragilidade da sua incerteza e hesitação. Não façamos da fé uma teoria abstrata, em que as dúvidas se multiplicam, mas uma vida, procurando pô-la em prática no serviço aos nossos irmãos, sobretudo dos mais necessitados. Então, todas as dúvidas desaparecem, porque sentimos a presença de Deus e a verdade do Evangelho no amor que, sem mérito algum da nossa parte, habita em nós e partilhamos com os outros”, aconselhou Francisco.


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Destaques das Agências Nacionais

Daniel Gomes e Júlia Cabral osaopaulo@uol.com.br

CNBB defende que a reforma do ensino médio seja discutida com a sociedade Em nota pública divulgada na quarta-feira, 23, o Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB manifestou “inquietação face à Medida Provisória 746/16, que trata da reforma do ensino médio, em tramitação no Congresso Nacional”. A CNBB considera que o ensino médio no país “não prepara os estudantes para os desafios da contemporaneidade”, mas avalia que a MP é uma busca apressada de soluções. “Questão tão nobre quanto a educa-

ção não pode se limitar à reforma do ensino médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais. Toda vez que um processo dessa grandeza ignora a sociedade civil como interlocutora, ele se desqualifica. É inadequado e abusivo que esse assunto seja tratado através de uma Medida Provisória.” A Conferência lembra, ainda, que

a educação deve formar integralmente o ser humano. “O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental. Há que se contemplar igualmente as dimensões ética, estética, religiosa, política e social. A escola é um dos ambientes educativos no qual se cresce e se aprende a viver. Ela não amplia apenas a dimensão intelectual, mas todas as dimensões do ser humano, na busca do sentido da vida. Afinal, que tipo de homem e de mulher essa Me-

dida Provisória vislumbra? Em um contexto de crise ética como o atual, é um contrassenso propor uma medida que intenta preparar para o mercado e não para a cidadania. Dizer que disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes e música são opcionais na formação do ser humano é apostar em um modelo formativo tecnicista que favorece a lógica do mercado e não o desenvolvimento integral da pessoa e da sociedade.” Fonte: CNBB

Taxa de desemprego fica em 11,8% em outubro

IBGE aponta queda da mortalidade infantil

A taxa de desemprego, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 11,8% no trimestre encerrado em outubro. A taxa é superior aos 11,6% do trimestre que terminou em julho deste ano. Conforme o indicador, 12 milhões de pessoas estão desempregadas no país, número quase igual ao verificado no tri-

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na quinta feira, 24, os dados coletados do Registro Civil 2015, que mostram, entre outros indicadores, a queda da mortalidade infantil no país. A organização retoma estatísticas desde 1940 para mostrar o quanto a morte de crianças vem diminuindo. Naquele ano, 147 mil crianças nascidas vivas no Brasil não chegavam a comple-

mestre que acabou em julho, mas 32,7% superior ao registrado em outubro de 2015. O contingente de pessoas ocupadas chegou a 89,9 milhões de brasileiros, 0,7% a menos (604 mil pessoas) do que em julho de 2016 e 2,6% a menos (1,3 milhão de pessoas) do que em outubro do ano passado. Fonte: Agência Brasil

tar o primeiro aniversário e as de 1 a 4 anos eram pouco mais da metade. Em 1980, os menores de 5 anos representavam 26,7% do total de falecimentos, caindo consideravelmente em 1991 para 12,2% do total. Nove anos depois, representavam 6,9%. No ano passado, os falecimentos de crianças de 1 a 4 anos representavam 3% do total e os de bebês até 1 ano, 2,5%. Fonte: IBGE

Reprodução

DOCAT: da oração à ação Assim como Bento XVI, hoje papa emérito, presenteou os jovens na Jornada Mundial da Juventude de Madrid, na Espanha, com o YOUCAT, Francisco também quis oferecer à juventude algo marcante na JMJ deste ano em Cracóvia, na Polônia. Por isso, surgiu o DOCAT (foto). O “DOCAT – como agir” foi desenvolvido com base em documentos importantes da Igreja. É uma tradução da Doutrina Social da Igreja Católica em linguagem jovem, pois o Papa deseja que a mudança aconteça principalmente pelas mãos dos jovens. “Eu espero que 1 milhão de jovens, mais ainda, que uma geração inteira, seja para os seus contemporâneos uma Doutrina Social em movimento”, diz Francisco. No prefácio, o Pontífice desafia todos os jovens a fazer parte da política e a lutar pela justiça e dignidade humana, principalmente dos mais pobres. “Um cristão que não seja

revolucionário neste tempo, não é cristão.” O documento é dividido em 12 capítulos e responde a 328 questões sobre família, paz, política, economia e a vida como um dom. Com a aprovação oficial da Congregação da Doutrina da Fé e do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, hoje é considerado pelo Vaticano a ferramenta mais eficiente para conhecer com facilidade e rapidez a Doutrina Social da Igreja ou para ensiná-la a outros. Dom Vilson Basso, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, diz que “assim como o Papa Francisco quer 1 milhão de jovens, queremos uma geração inteira que mude a si mesmo, que mude esse planeta pela força do amor e da solidariedade, sendo sal da terra e luz do mundo. Queremos que o DOCAT anime a juventude do Brasil a fazer a sua parte por um mundo melhor”.

Signis Brasil e RCR elegem suas novas diretorias Em assembleia realizada na Casa de Formação Sagrada Família, em São Paulo, foi eleita no sábado, 26, a nova diretoria da Signis Brasil, que será composta pelo Frei João Carlos Romanini, da RedeSul de Rádio (presidente), Padre Eduardo Dougherty, SJ (vice-presidente), Irmã Osnilda Lima, paulina (secretária),

e Padre Sérgio Gheller, da Rede Scalabriniana (tesoureiro). Foram eleitos para o conselho fiscal o Padre Evaldo César Souza, da Rede Aparecida; Roseli Rossi Lara, da Rede Scalabriniana, e Geizom Sokacheski, da Rede Evangelizar É Preciso. “O futuro é sempre incerto, mas nós

temos fé e é isso que nos garante. Temos Jesus. Nós temos também muitos parceiros e parceiras nesta caminhada e eu, como franciscano, tenho sempre a fraternidade de caminhada. Não serei presidente sozinho, seremos juntos. Obrigado pela confiança, esperamos corresponder”, disse o Frei Romanini.

Na sexta-feira, 25, foi eleita a nova diretoria da Rede Católica de Rádio. Por votação unânime, Angela Maria de Morais é a nova presidente, Alessandro Gomes é o primeiro vice-presidente e Frei João Romanini é o segundo vice-presidente. Fontes: CNBB e Signis Brasil


| Reportagem | 11 Luciney Martins/O SÃO PAULO

www.arquisp.org.br | 30 de novembro a 7 de dezembro de 2016

Jovens em missão se perguntam: ‘Quem é o meu próximo?’ Entre os dias 25 e 27, a Pastoral da Juventude da Arquidiocese realizou a Missão Jovem 2016 e convidou os participantes a conhecer diferentes realidades de vulnerabilidade da cidade de São Paulo Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

“Fomos na Cracolândia, que eu só conhecia pela televisão. Ver aquele lugar foi uma experiência muito forte. Percebi que, em primeiro lugar, não devemos julgar”, disse Márcia Matheus, uma jovem de 17 anos da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, da Região Episcopal Santana, que participou pela primeira vez da Missão Jovem, organizada pela Pastoral da Juventude (PJ) da Arquidiocese de São Paulo. A missão aconteceu entre os dias 25 e 27, a partir da Casa de Oração do Povo da Rua, e reuniu aproximadamente 70 jovens. Com o tema “Quem é o meu próximo?” (Lc 10,29), os missionários quiseram ir ao encontro de Jesus presente nas diferentes “Galileias” da cidade. “Pela primeira vez a missão aconteceu neste formato, pois nos anos anteriores éramos acolhidos por uma paróquia e ali realizávamos as atividades. Este ano, porém, pensamos nas realidades das pessoas em situação de cárcere, dos assentamentos de terra e das favelas. Foi uma forma de atender ao convite do Papa Francisco de ser uma Igreja em saída e ir às periferias reais e existenciais do nosso tempo”, falou à reportagem do O SÃO PAULO Marco Aurélio Cardoso, que participa da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e atua na Pastoral da Juventude há dez anos. Os jovens enfrentaram o desafio de conhecer melhor as periferias existentes no centro da cidade, ou seja, situações de fragilidade e vulnerabilidade das pessoas que estão ali na Cracolândia ou em comunidades sem infraestrutura necessária para viverem bem. Na programação da missão, houve momentos de oração, que a PJ chama de mística, de formação, mas principalmente de saída em missão. Os jovens vi-

sitaram no sábado, 26, a Comuna Irmã Alberta, que fica no Km 28 da rodovia Anhanguera e foi ocupada em 2002 por aproximadamente 40 famílias, que acamparam ali para prática agrária e uso da terra, e também alguns centros de detenção na capital paulista. Já no domingo, 27, também divididos em dois grupos, eles foram até as favelas do Moinho, no centro, e do Haiti, na zona Leste da cidade. A missão contou com dois momentos para conhecer a realidade da Cracolândia e conviver um pouco com as pessoas que ali circulam: um na sexta-feira à noite, 25, e outro no domingo, 27, quando aconteceu a celebração de missa às 15h.

Eu mudei muito!

Para Márcia, a experiência da mis-

bém modificou muito sua visão. “Eu achava que eles tinham que sofrer, porque cometeram crime. E isso era totalmente irracional, porque eles são humanos como todos os outros e merecem uma chance de concertar o erro.” A jovem falou, ainda, que conhecer a favela foi um choque para ela. “Para mim, as pessoas moravam daquele jeito porque elas queriam. Eu as via como vagabundas, que não queriam trabalhar. Porém, descobri que não é bem assim. Outra coisa interessante para mim foi ver o quanto eles são unidos na comunidade. Enfim, foi um banho de realidade e foi muito bom. Descobri que eu era muito fechada em relação a tudo. Na minha casa, há pouco diálogo e cresci achando que tudo o que se vê na televisão é verdade”, comentou Márcia. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Participantes da Missão Jovem visitam periferias existenciais da cidade, como a Cracolândia

são mudou significativamente sua vida. “Mexer com a terra, estar um pouco de tempo com aquelas pessoas ali no assentamento, foi ótimo. Percebi que estamos acostumados a não aproveitar as coisas. Estragou? Vamos jogar fora e comprar. Pronto. Eles não. Além disso, eu tinha muito preconceito com as pessoas que estavam em assentamentos, porque achava que elas deveriam ser presas. Vi, porém, que estão ali para mostrar o quanto é importante cuidar do meio ambiente, viver dos frutos que a terra dá”, contou. Ela não pode ir à penitenciária, por ter menos de 18 anos, mas disse que o testemunho dos jovens que foram tam-

Ir ao encontro

Vitória Gudes Lima, atuante na Região Episcopal Brasilândia, também viveu seu primeiro contato com a Cracolândia e ficou impressionada com uma cena que presenciou: “Eu estava distribuindo comida e comecei a conversar com um rapaz, dependente químico, sobre o porquê de ele estar ali. O rapaz estava com dois pães e um suco nas mãos. Chegou, então, outra pessoa com dependência e pediu um pão e ele prontamente deu. Depois, chegou uma segunda pessoa pedindo e ele deu a metade do outro, ficando só com a metade de um pão. Ele estava sem comer há sete

dias. No mesmo fim de semana, porém, vi um homem bem arrumado xingando um usuário de drogas, só porque ele pediu um copo de água. Refleti profundamente sobre essas cenas, e pensei que Deus está no humilde, naquele que sabe partilhar. Agradeço muito à Pastoral por isso.” Já para Jaqueline Barreto Trindade, também da Região Episcopal Brasilândia, a missão foi uma oportunidade para sair da zona de conforto. “A gente acredita só no que ouve falar, mas nem sempre conhece de perto as realidades. Descobri que amar o próximo é cuidar e se preocupar com quem precisa”, disse a jovem. Esse é o quinto ano que a Pastoral da Juventude promove essa missão que, para muitos jovens, ficou marcada como um momento profundo de descoberta. Foi o que testemunhou Matheus de Oliveira Nicesio, da Região Episcopal Belém. “Enquanto caminhávamos da estação de metrô até a Casa de Oração, nos questionávamos sobre o que poderíamos vivenciar no fim de semana e como poderíamos realmente ajudar o próximo. Foi gratificante ver que também marquei a vida de outras pessoas. Ver um menino se despedindo e gritando meu nome, quando saí, foi emocionante, porque ficamos somente meia hora brincando com ele. Foram fortes também os momentos que passei na Comuna Irmã Alberta e na Favela do Haiti, na Vila Prudente, porque fica próximo do lugar onde trabalho, e eu nem sabia disso. No assentamento, fomos muito bem recebidos e seguimos em romaria até o lugar do plantio. Ali, botamos a mão na massa. Achei a favela do Haiti muito bem organizada, os barracos do mesmo tamanho, mas cada um com a cara de quem mora nele. Se pudesse sintetizar a experiência em uma palavra, eu falaria em união. Isso me fez pensar que somos todos interligados por um mesmo objetivo, ser uma Igreja pobre para os pobres.” A missão é um momento de busca e gratidão. As palavras de Daniele Santos expressam o que muitos dos jovens ali presentes gostariam de dizer à Pastoral. “Quero agradecer a todos da PJ que me deram essa oportunidade e por me mostrarem que temos que fazer florescer o amor.” (Colaborou Daiane Zito)


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Sacerdotes para a santif Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

No sábado, 3, a Arquidiocese de São Paulo estará em festa. Sete diáconos transitórios serão ordenados sacerdotes pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano. A missa será às 15h na Catedral da Sé. Serão ordenados Bruno Muta Vivas, 28, Gilson Frank dos Reis, 40, Paulo Gomes da Silva, 37, Túlio Felipe da Silva, 27, Rafael Alves Pereira Vicente, 29, Ailton Bernardo de Amorim, 50, e Orisvaldo da Silva Carvalho, 30. O SÃO PAULO apresenta o perfil dos futuros sacerdotes.

Orisvaldo da Silva Carvalho

“Com o apoio do Padre Juarez de Castro e Marcelo Alves, à época reitor do Santuário São Judas Tadeu, comecei a participar de algumas atividades: grupo de teatro Vivarte, Grupo de Jovens Maranatah, equipe de Liturgia do Santuário, Grupo de Oração João Paulo II e Encontro de Jovens com Cristo. Com o passar do tempo e já ativo na igreja, comecei a perceber o chamado mais profundamente em minha vida, ou seja, a vida religiosa. Lembro-me que na época, muitas pessoas no Santuário percebiam em mim sinais de vocação à vida sacerdotal. Devido a isso, tive uma conversa informal com os padres Juarez e Marcelo, partilhei com eles o meu chamado ao sacerdócio. Confesso que o meu chamado se deu no primeiro dia em que entrei no Santuário para participar da missa e percebi o quanto me chamaram a atenção os gestos do Padre Juarez durante a consagração. Ali, percebi a total entrega a Deus no momento da Eucaristia.” Esse é o relato da vocação de Orisvaldo da Silva Carvalho, que escolheu como lema sacerdotal “O espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me consagrou e me enviou” (Lc 4,18). Com o coração cheio de gratidão, Orisvaldo convida todos os fiéis a participarem da celebração de ordenação.

Primeiras missas:

4 de dezembro, às 12h, no Santuário São Judas Tadeu, na Região Episcopal Ipiranga; e no mesmo dia, às 18h30, na Paróquia Nossa Senhora da Anunciação, na Região Episcopal Santana.

também a vocação ao sacerdócio e fui buscando, estudando, caminhando para chegar até, se Deus quiser, no dia 3, quando isso vai se cumprir na minha vida.”

Primeiras Missas:

4 de dezembro, às 10h, no Centro Guadalupe, casa de acolhida da Missão Belém, próximo ao Metrô Belém, e no mesmo dia, às 16h, no Sítio São Miguel Arcanjo, em Jarinu (SP)

Gilson Frank dos Reis Membro da Missão Belém, Gilson Frank dos Reis afirma com alegria que a sua paróquia de origem é “a rua”. “Eu vim da rua sim, comecei uma caminhada séria depois de um encontro com Deus. Foi quando eu comecei a caminhar na Igreja. Na Missão Belém, foi onde eu comecei a caminhar de verdade”, disse o futuro padre, que escolheu como lema “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”. “Eu vim de uma realidade de rua, onde Deus foi me buscar, me resgatou por meio de uma pessoa. Comecei uma caminhada séria com Deus depois de nove meses. Passei isso há 18 anos, e fui devagarzinho entendendo um pouco o que Deus queria da minha vida”, afirmou. “A sensação é de que não me faltava mais nada, que de verdade eu estou em um caminho que é a vontade de Deus e profundamente também é a minha vontade. Dentro desse caminho, eu entendi

mesmo tempo, uma grande preocupação. Um grande alívio por sentir o coração mais aquietado e preocupação no sentindo de ‘e agora’?” De acordo com Bruno, sua vida mudou por completo. “Espero conseguir servir muito o povo de Deus. Ajudar muito a Igreja a evangelizar, construir o Reino de Deus aqui na Terra e ajudar no quanto for possível as pessoas, por meio da oração a se santificar cada vez mais”, afirmou.

Primeiras Missas:

4 de dezembro, às 12h30, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Região Episcopal Sé, e às 18h, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Região Episcopal Santana.

Bruno Muta Vivas Bruno Muta Vivas é da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, da Região Episcopal Sé. Ele escolheu como lema “Ave ó cruz, sois nossa única esperança”. De acordo com ele, sua vocação surgiu de uma inquietação na oração. “Foi muito simples o chamado vocacional. Foi intenso interiormente, mas exteriormente tiveram poucas coisas concretas.” “Eu senti um grande alívio e, ao

Paulo Gomes da Silva Com o lema “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho”, Paulo Gomes da


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ficação do povo de Deus Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

munidade na Paróquia São Luís Gonzaga, na Região Episcopal Brasilândia. “Eu cheguei na Paróquia aos 19 anos para entrar no grupo de Crisma, procurar ser crismado. Desde criança, eu já sentia um pouco do chamado, mas com 19 anos eu senti realmente o chamado, trabalhando na Paróquia, entrando para ser catequista. Depois, recebi a Crisma, fui catequista e isso foi alimentando um pouco a vocação”, conta. “Desde criança, sempre gostei também da área da saúde. Eu me formei em Fisioterapia, então, o cuidado com os enfermos sempre esteve presente na minha vida, não somente a nível de trabalho profissional, mas também com pessoas, parentes que acabaram adoecendo e isso ligo um pouco com o lema que eu escolhi, o lema de ordenação.”

Primeiras Missas:

4 de dezembro, às 11h, na Paróquia São Luís Gonzaga, na Região Episcopal Brasilândia; e às 19h, na Paróquia São Francisco de Assis, na Região Episcopal Lapa.

Silva vivenciou um namoro de nove anos antes de decidir pela vocação sacerdotal. “Eu me sentia muito feliz em fazer evangelização nos bailes funks, nas favelas e nas biqueiras de droga. Diante disso, eu percebia que isso ia despertando sempre um desejo de ser mais intenso, de fazer mais e eu sempre deixava as coisas do meu relacionamento para fazer as coisas de Deus. Fui percebendo até na direção espiritual que meu coração era voltado todo para isso, para a evangelização, para as coisas de Deus”, detalhou. “Então, diante disso, diante de um discernimento, eu terminei minha relação e fiz um retiro de três meses para escutar profundamente a Deus e ali eu entendi que Ele me chamava à vocação sacerdotal. Depois disso, eu conheci o Padre Gianpietro Carraro, da Missão Belém, que tem um trabalho voltado para os últimos, para os pobres. Identifiqueime profundamente, um padre que morava numa favela, num barraco, no chão. Então, aquilo estimulou muito meu coração e eu falei para mim mesmo: ‘Eu quero caminhar com ele’. Não me sentia chamado a uma vida de paróquia, a um seminário clássico. O meu coração é voltado para os últimos, para a evangelização, para os jovens, em poder trazer as pessoas fora dos quatro muros da Igreja”, contou. Paulo complementa: “Eu sinto como força do meu chamado, da minha vocação, é o que me motiva. Por isso meu lema, ‘Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho’, que tem tudo a ver com a mi-

nha história, com a minha vida, com a minha vocação e com o meu chamado”.

Primeiras Missas:

4 de dezembro, às 10h, no Centro Guadalupe, casa de acolhida da Missão Belém, próximo ao Metrô Belém, e no mesmo dia, às 16h, no Sítio São Miguel Arcanjo, em Jarinu (SP).

se de Assis (SP). Túlio é do Caminho Neocatecumenal e, após passar quatro anos no seminário de Brasília (DF), veio para São Paulo, onde um seminário missionário Redemptoris Mater foi instalado. Sobre sua vocação, Túlio ainda acrescenta que após a conversa com os seminaristas que faziam missão na sua cidade e estavam hospedados em sua casa, ele tomou a iniciativa de entrar em um grupo vocacional, se preparar, entrar em um seminário maior e, atualmente no sexto ano de seminário, será ordenado padre.

Primeiras Missas:

4 de dezembro, às 8h30, na Paróquia Santa Bernadete, na Região Episcopal Belém.

Túlio Felipe da Silva “Eu tinha 13 anos, era um adolescente conversando com eles [dois seminaristas que estavam em missão e ficaram hospedados em sua casa] e eu perguntei uma coisa que para mim era novidade: ‘É possível ser padre e ser feliz?’ E eles me responderam que sim, que eles estavam muito felizes. E aquilo me chamou a atenção, porque na minha cabeça padre era sinônimo de infelicidade.” Essa é a história da vocação de Túlio Felipe da Silva, que é originário da Paróquia Nossa Senhora das Dores, da Dioce-

Ailton Bernardo de Amorim

De família tradicional católica, Ailton Bernardo de Amorim terá como lema sacerdotal “Eu sei em quem pus minha confiança” (2Tm 1,12). Originário da Paróquia Santa Maria Madalena, na Região Episcopal Belém, Ailton conta que sempre gostou de estar na igreja onde recebeu os sacramentos da Primeira Eucaristia e Crisma. “Senti o chamado onde Deus queria muito mais de mim. Na época, era catequista e ajudava em tudo na Paróquia e me sentia muito feliz”, detalhou. “Hoje sei que a vontade de Deus está se realizando em minha vida. E como eu disse no lema ‘eu sei em quem pus minha confiança’, e nesta confiança quero me dedicar totalmente ao Senhor Jesus, o meu ministério sacerdotal”, contou.

Primeiras missas:

Rafael Alves Pereira Vicente

Com o lema “Porão as mãos sobre os enfermos e os curarão”, Rafael Alves Pereira Vicente iniciou sua vida de co-

4 de dezembro, às 10h, na Paróquia Santa Maria Madalena, na Região Episcopal Belém; em 11 de dezembro, às 8h, na Comunidade Espírito Santo, na Região Episcopal Brasilândia; e às 10h, na Comunidade São José, na Região Episcopal Brasilândia. (Colaborou Larissa Freitas)


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Há 15 anos com um Natal dos Sonhos Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo promoveu evento, no sábado, 26, que leva alegria às crianças e adolescentes não só no Natal, mas durante todo o ano

Inclusão e vida Nova

Nayá Fernandes

nayafernandes@gmail.com

Mateus, Alisson, Carlos e Maycon estavam ansiosos para a apresentação que fariam alguns minutos após falarem com a reportagem do O SÃO PAULO. Eles participam do Centro para Crianças e Adolescentes (CCA) Jardim Vista Alegre, na zona Noroeste da cidade, e ensaiaram um teatro para o evento “Natal dos Sonhos”, promovido pela Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo. Este ano, o “Natal dos Sonhos” aconteceu na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, na zona Norte da capital, no sábado, 26. Para comemorar 15 anos de existência, a equipe organizadora realizou uma celebração eucarística, fazendo assim, uma solene ação de graças. Os meninos do CCA Jardim Vista Alegre, juntamente com outras crianças, lembraram, antes do início da missa, o caos. “Por que começar com o caos?”, questionou Sueli Camargo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral do Menor. “Porque depois virá a luz”, concluiu, em um comentário durante a apresentação. A frase, que parece óbvia, pode bem ser uma síntese do trabalho da Pastoral do Menor na Arquidiocese, ser luz e levar a esperança. “A campanha não se reduz no dar e receber brinquedos. Pelo contrário, há um trabalho intenso feito durante o ano e a cada ‘Natal dos Sonhos’ reflete-se um tema, tanto nos colégios católicos quanto nos centros e obras sociais”, explicou Sueli. Muitos voluntários ajudaram a realizar a festa, que contou com a presença de profissionais e alunos de escolas e universidades católicas, como a PUC-SP, o

lação da campanha e em outros projetos, como o apoio aos Conselheiros Tutelares da cidade e a iniciativa “Evangelizando a Casa”, uma ação junto aos adolescentes e jovens apreendidos nas unidades da Fundação Casa.

Celebração do ‘Natal dos Sonhos’ é realizada na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, dia 26

Centro Universitário Assunção, o Colégio Luíza de Marilac, o Colégio Marista e entidades como o Amparo Maternal e o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto.

Uma bela e consistente história

A campanha foi uma ideia e iniciativa do empresário Eli Hadid, fundador da Mega Model Brasil, uma das maiores agências de modelos do país. “Ele procurou Dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo à época. O Arcebispo chamou a Pastoral do Menor, que está principalmente nas periferias, e então começamos. Foram envolvidas as paróquias, depois os colégios católicos e outras entidades”, contou Sueli. As modelos da Mega Model participaram da missa e doaram brinquedos, como tem acontecido todos os anos. Antes do início da missa, presidida pelo Padre Luiz Claudio Braga, assessor arquidiocesano da Pastoral do Menor, as crianças foram acolhidas por Dom Carlos Lema Garcia, vigário episcopal para a Educação e a Universidade da Arquidiocese, que falou sobre o verdadeiro significado do Natal. Na homilia, Padre Luiz Claudio também lembrou às crianças que no Natal o mais importante é o nascimento de Jesus e não os apelos para o comércio.

Em entrevista à reportagem, Sueli falou ainda dos temas que marcaram a campanha ao longo dos anos, como “Doe um brinquedo e ganhe um sorriso”, “Brinquedo é coisa séria”, “Cultura do Natal no Mundo”, “Deus habita esta cidade” e “O amor faz a diferença”. Houve, ainda, um ano em que as crianças foram convidadas a trocar brinquedos que imitam armas por outros, para incentivar a não violência.

E como funciona a campanha?

Além dos temas refletidos com instrumentos pedagógicos nos colégios católicos e nas diferentes instituições da Pastoral do Menor, há uma arrecadação de brinquedos para doar no Natal às crianças em situação de vulnerabilidade. Em cada lugar participantes, se arrecadam brinquedos que podem ser doados pela própria instituição se nesta houver uma obra social que preste qualquer ajuda. Se não, os brinquedos arrecadados são levados à sede da Pastoral do Menor, que contata as entidades que mais precisam para que busquem os brinquedos. “Em alguns dos momentos da entrega desses brinquedos, nós conseguimos participar, mas não em todas, porque a Pastoral ajuda muitas instituições a cada ano”, apontou Sueli, que trabalha junto com Ivan Bezerra dos Santos na articu-

Mickaelly Souza Carvalho e Venício da Silva Araújo entraram pelo centro da igreja carregando o pequeno Gabriel nos braços. Eles, naquele momento, eram para todos José e Maria com o pequeno Jesus. Mickaelly e Venício são surdos e serão modelos para o cartaz de divulgação da Campanha “Natal dos Sonhos” do próximo ano. Os dois frequentaram a Derdic, unidade mantida pela Fundação São Paulo e vinculada à PUC-SP, que atua na educação de surdos e no atendimento clínico a pessoas com alterações de audição, voz e linguagem. Sentadas nos primeiros bancos da igreja ficaram as gestantes e mães que estão no Amparo Maternal com seus bebês no colo. Eram 19, dentre elas Bibija Macumba chamava atenção pela veste africana. Bibija veio do Congo e é mãe de Maravilha, que tinha, no sábado, 1 mês e 20 dias de vida. O Amparo Maternal atende gestantes e mães em situação de vulnerabilidade. As mães têm apoio no pré-parto e podem permanecer na casa por alguns meses após o nascimento dos filhos. É o caso de Tifany Burguesa, venezuelana, mãe de Antares, com 1 mês e 3 dias de vida. Tifany está hospedada no Amparo e não sabe para aonde vai depois. “Deus proverá”, respondeu à reportagem quando foi perguntada sobre a sua situação no Brasil. Elas se abraçavam e mexiam no cabelo uma da outra. As amigas Júlia Lopes, 12, Kathleen Ferreira, 12, Kauany Gabriele, 10, e Ariane Karine, 13, são alunas do CCA Jardim Itápolis, na zona Leste da cidade, e participaram pela primeira vez do “Natal dos Sonhos”. Partilhando sonhos e desafios, elas disseram que, desde que entraram no CCA, muita coisa mudou em suas vidas. “É diferente. Lá temos a oportunidade de sonhar e projetar nosso futuro”, comentou Kathleen. Após a missa, todos foram convidados a comer bolo e guaraná e cantar parabéns pelos 15 anos do “Natal dos Sonhos”.


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Com medo do avanço da Lava Jato, políticos tentam livrar a própria pele Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

| Política | 15

PEC do Teto

Por todo o Brasil, mas principalmente em Brasília (DF), milhares de estudantes e trabalhadores preparam mobilizações contra a Proposta de Emenda à Constituição que pretende criar um teto para gastos públicos (PEC 55, no Senado, e 241, na Câmara). Na capital da República, mais de 300 ônibus compõem a caravana do movimento que se reunirá em frente ao Congresso Nacional para a manifestação. Segundo a organização, não há expectativa de público, porém, espera-se mais gente do que na manifestação do domingo, 27, em São Paulo, quando, segundo os organizadores, 40 mil pessoas participaram do ato. Por sua vez, a Polícia Militar paulista calculou 5 mil pessoas no protesto.

Cai mais um ministro

Após desgaste na tentativa de aprovar emenda que anistiaria o ‘caixa dois’, nova proposta de texto é analisada por congressistas na terça-feira, 29

Edcarlos Bispo

edbsant@gmail.com

O Ministério Público Federal conseguiu mais de 1,5 milhão de assinaturas para apresentar um projeto de lei de iniciativa popular, aos moldes do que foi feito para a Lei da Ficha Limpa, a fim de propor dez medidas de combate à corrupção, que seriam efetivadas por meio de 20 mudanças legislativas. Acontece que no jogo político brasileiro as coisas não parecem ser o que são ou não são o que parecem ser. No meio do chamado “projeto das 10 medidas”, os parlamentares queriam colocar uma emenda que anistiaria todos os acusados de fazer “caixa dois” até o dia da aprovação da lei. “Não será punível, nas esferas penal, civil e eleitoral, doação contabilizada, não contabilizada ou não declarada, omitida ou ocultada de bens, valores ou serviços, para financiamento de atividade político-partidária ou eleitoral realizada até a data da publicação desta lei”, era o texto da suposta emenda vazada por sites de notícias. A prática de “caixa dois” existe no setor público e nas empresas privadas. No mundo político, significa receber doações para campanhas ou atividades partidárias e não registrá-las na Justiça Eleitoral e na Receita Federal. Hoje, o “caixa dois” pode ser enquadrado no crime de falsidade ideológica eleitoral, mas são raros os casos em que isso ocorre. Ao que tudo indica, os parlamentares temem pelo avanço da operação Lava Jato e pela confirmação dos acor-

dos de delação premiada de pessoas ligadas à empreiteira Odebrecht e do acordo de leniência da construtora. De acordo com os jornais Folha de S.Paulo e O Globo, mais de uma centena de políticos, entre deputados, governadores e ministros do governo Michel Temer, estariam entre os delatados por executivos da Odebrecht. Em entrevista ao O SÃO PAULO, o professor e cientista político Leandro Consentino afirmou que após a repercussão negativa da emenda que abertamente anistiava os acusados de fazer “caixa dois”, a proposta poderia vir simplesmente criminalizando o “caixa dois”. Como a lei penal não retroage, ou seja, se o crime foi praticado antes da criação da lei este de fato não existiria, abre-se a brecha jurídica para interpretações e possíveis absolvição dos que cometeram tal crime. Um caminho apresentado pelo professor Leandro seria o possível abandono das dez medidas contra a corrupção. Essa mesma ideia foi defendida pela professora Janaina Paschoal, uma das responsáveis pela elaboração do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em sua conta no Twitter na manhã da terça-feira, 29. “A votação desse projeto das 10 medidas deveria ser cancelada”, manifestou Janaina. “Esse projeto não traz nada de excepcionalmente bom, acresce institutos ruins e ainda abre margem para manobras.” Outro ponto que chama atenção na tentativa de anistia ao “caixa dois” é a união entre partidos que anteriormente se colocavam em lados opostos do

campo político, mas que esqueceram as diferenças e se aliaram para tentar aprovar esse projeto. O professor Leandro ressalta que “em momentos em que a classe política se vê ameaçada, vemos uma dissipação desse jogo situação e oposição”. “A sociedade deu o recado e vem dando recado desde 2013, dizendo que não suporta mais esse tipo de prática; e os políticos, não entendendo esse recado, se opõem às reformas”, destacou. A CNBB manifestou na terça-feira, 29, “veemente repúdio a qualquer iniciativa que vise anistiar o crime de ‘caixa dois’, ou mesmo, abrandar suas penalidades”. Em nota, os bispos destacam que “vivemos uma profunda desconfiança institucional no país, particularmente com relação aos Poderes da República. Notícias de que estaria sendo gestado, na Câmara Federal, um acordo para anistiar o crime de ‘caixa dois’ foram recebidas com indignação pelo povo brasileiro. A reação da população é sinal de que a mesma vem acompanhando com mais atenção a vida política”. Ainda de acordo com os bispos, seria inaceitável, para um parlamento que preza pela honestidade e respeita o mandato recebido, aprovar tal projeto. “Deixar-se guiar, nessa questão, unicamente pela ética ajudará na urgência de ‘reabilitar a política, que é uma das formas mais altas da caridade’ (Papa Francisco). É oportuno, ainda, manifestar a convicção de que é urgente uma séria Reforma Política que não seja simplesmente pontual, mas ampla e debatida com toda a sociedade.”

Geddel Vieira Lima pediu demissão na manhã da sexta-feira, 25, da Secretaria de Governo, em uma carta enviada por e-mail ao presidente Michel Temer. Geddel é acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra no centro histórico de Salvador (BA). Geddel é proprietário de um apartamento em um edifício cuja construção foi embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), subordinado ao Ministério da Cultura.

Impeachment

O PSOL protocolou na segunda-feira, 28, na Câmara dos Deputados, um pedido de impeachment contra Michel Temer. A peça com 23 páginas argumenta que houve advocacia administrativa e tráfico de influência no caso que acabou com a demissão do ex-ministro Geddel. Segundo o líder do PSOL, o deputado Ivan Valente, Temer teria cometido crime de responsabilidade ao pedir que o ex-ministro da Cultura mandasse o caso para a AGU, a Advocacia-Geral da União.

Redução de salários

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou na terça-feira, 29, projeto que reduz os salários de deputados federais e senadores. Pela proposta aprovada na comissão, o salário dos parlamentares passará dos atuais R$ 33.763,00 para R$ 26.723,13. O projeto ainda precisa ser analisado pelo plenário do Senado para, depois, seguir para votação na Câmara dos Deputados. Fontes: EBC, Folha de SP, Congresso em Foco, G1


16 | Fé e Cultura |

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Filipe David

osaopaulo@uol.com.br

Dica de Leitura Teoria e tradição da guerra justa A teoria da guerra justa trata da justificação moral de uma guerra. Este livro discute como teólogos, santos, filósofos e escritores renomados tratam as questões que envolvem conflitos militares. Apesar de este livro tratar da moral de guerras em geral, e não apenas das relacionadas à perseguição aos cristãos, em virtude, porém, de ser esta uma injustiça que vem servindo para justificar guerras ao longo do tempo, sendo nos dias de hoje o fator mais discutido pela Igreja quando questiona os conflitos militares, se discute aqui mais detalhadamente esse aspecto do problema. Ficha técnica: Autor: Pedro Erik Carneiro Páginas: 256 Editora: Vide Editorial

Para Refletir

A reforma protestante e a modernidade

Divulgação

“O que nós chamamos de reforma protestante constituiu a verdadeira revolução religiosa, de forma que foram transtornados tanto a Teologia quanto seu pressuposto metafísico e que, a partir daí, teve efeitos decisivos na Filosofia prática. Meu trabalho em particular e, de forma geral, o livro que ele conclui tratam das consequências das teorias e das opções de Lutero sobre o plano ético, político e jurídico, isto é, o da Filosofia da práxis. O peso que o luteranismo representou sobre esse plano foi tão determinante que é possível afirmar que ele marcou uma ‘inflexão’ que caracterizou toda a modernidade. (...). A escola do tradicionalismo espanhol sempre considerou que ‘a Europa’ não é nada além da secularização da cristandade. O protestantismo teve um papel decisivo nessa transformação: não apenas pela destruição prática da cristandade, que – segundo a expressão de São Bernardo de Claraval – era um agrupamento hierárquico de povos, ligados entre si em conformidade a certos princípios orgânicos em subordinação ao sol do papado e à lua do Império e cuja ruptura de unidade religiosa provocou a ruptura de unidade política, mas também pela revolução intelectual que separou a natureza da graça, e da qual procede o processo geral de secularização. O ‘concerto europeu’ oriundo da paz de Vestfália (1648) não pode ser compreendido sem a separação entre ética e política operada por Maquiavel, sem a afirmação da soberania (ilimitada) teorizada por Bodin e sem a construção artificial do contrato social, explicada primeiro por Hobbes e depois por Locke, Rousseau e Kant.” (Miguel Ayuso) (Trecho de uma entrevista publicada em francês pelo jornal L’Homme Nouveau).

Mostra de presépios no MAS ressalta o Natal e a Sagrada Família Vitor Alves Loscalzo Especial para O SÃO PAULO

Em 1223, a pequena comuna italiana de Greccio ganhou o primeiro presépio de Natal, feito pelas mãos de São Francisco de Assis (1182-1226), com argila e animais de verdade. O Frade obteve autorização do Papa Honório III para celebrar daquela maneira peculiar a memória da Natividade do

Menino Jesus, e seu feito converteu-se em tradição viva, presente até os dias de hoje. A mostra de presépios “Sagrada Família, Família Sagrada”, inaugurada na segunda-feira, 28, no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS), sob a curadoria da designer e empresária Francesca Alzati, apresenta 22 obras. A curadora destaca a expressão humana do presépio, retratando a

simplicidade com que Cristo veio aos homens. “Não é por acaso que dentre os autores dos presépios estão pessoas comuns, como literários, jornalistas, empresários, colecionadores. Feito por uma avó e sua neta, um dos presépios retrata a transmissão de valores dentro da família”, comentou Francesca ao O SÃO PAULO. “O presépio, intenso como a Sagrada Família, faz parte da nossa história, Iran Monteiro/Museu de Arte Sacra

e o resgate dele é imprescindível para reconstruir valores. Células para um mundo melhor, as famílias são o ponto de partida das nossas sociedades”, destacou Francesca. Ciente da forte miscigenação presente no Brasil, a curadora falou da importância do binômio unidade e diversidade. “A diversidade com relação à cultura, etnia e classe social encontra articulação dentro da unidade que representa a família.” As obras estão expostas não apenas nas salas do Museu de Arte Sacra de São Paulo, mas também na sala MAS Metrô Tiradentes (anexo da instituição), convidando as pessoas, em meio à efervescência de um metrô paulistano, a observarem a beleza e a importância da família.

Exposição Sagrada Família, Família Sagrada

Mostra de presépios ‘Sagrada Família, Família Sagrada’ segue até 6 de janeiro de 2017 nas instalações do Museu de Arte Sacra de São Paulo

Curadoria: Francesca Alzati Número de obras: 22 Duração: Até 6 de janeiro de 2017 Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo (avenida Tiradentes, 676, Luz) Tel.: (11) 3326-5393 – agendamento/ educativo para visitas monitoradas Horário: Das 9h às 17h, de terçafeira a domingo Ingresso: R$ 6,00 (estudantes pagam meia); grátis aos sábados.


| Esporte | 17 Amanda Kest/Arquivo pessoal

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Avião que levava jogadores, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, além de jornalistas, caiu na Colômbia, onde time jogaria a final da Copa Sulamericana. 71 pessoas morreram Daniel Gomes

danielgomes.jornalista@gmail.com

O avião não chegou ao seu destino final. A aeronave da companhia boliviana Lamia caiu nas proximidades do aeroporto de Medellín, na Colômbia, na madrugada da terça-feira, 29, e pôs fim à vida de 71 dos 77 passageiros, entre jogadores, dirigentes e integrantes da comissão técnica da Chapecoense, além de profissionais de imprensa e tripulantes do voo. Há uma semana, em 23 de setembro, na Arena Conda, em Chapecó (SC), comandados pelo técnico Caio Júnior, os jogadores Danilo, Gimenez, Bruno Rangel, Marcelo, Lucas Gomes, Sergio Manoel, Filipe Machado, Matheus Biteco, Cleber Santana, William Thiego, Tiaguinho, Josimar, Dener Assunção, Gil, Ananias, Kempes, Arthur Maia, Mateus Caramelo e Aílton Canela foram os protagonistas da classificação da Associação Chapecoense de Futebol para final da Copa Sul-Americana, após o empate sem gols com o San Lorenzo, da Argentina. Todos eles morreram no acidente aéreo. O lateral Alan Ruschel, o zagueiro Neto e o goleiro reserva Follmann sobreviveram e seguem internados em hospitais na Colômbia. Os outros sobreviventes foram a aeromoça Ximena Suarez, o técnico da aeronave Erwin Tumiri e o jornalista Rafael Henzel. O goleiro Danilo, que fez uma defesa dificílima nos minutos finais do jogo da semifinal, foi resgatado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Angústia, solidariedade e fé

Ainda na madrugada do dia 29, tão logo foi confirmada a queda do avião, diretores e jogadores do clube que não viajaram para a Colômbia se reuniram na Arena Condá no aguardo de informações. Desde as primeiras horas da manhã, torcedores se concentraram nas proximidades do estádio, onde, segundo a imprensa local, entoaram cânticos de apoio ao clube e oraram pelas vítimas. À tarde, com as entradas da Arena liberadas, os torcedores ocuparam as arquibancadas e alternaram momentos de profundo silêncio, orações e cânticos. Padre Igor Damo, da Diocese de Chapecó, que atua na Catedral Santo Antônio, esteve no local logo pela manhã. “O clima estava realmente pesado, com bastante comoção e emoção. Não teve quem não derramou lágrimas. Realmente é um momento de muita tristeza”, contou ao O SÃO PAULO. “Nessas horas de tragédias, surgem muitas questões, muitas perguntas, mas procuramos levar

Torcedor da Chapecoense presta homenagem a dirigentes e jogadores mortos em acidente aéreo às vésperas da final da Copa Sul-Americana

a todos essa reflexão de que isso não foi a vontade de Deus, e que Deus está conosco nos momentos difíceis, de sofrimento, assim como nos acompanhou nos momentos de alegria. Não nos abandonará”, comentou o Padre, destacando que toda a população da cidade vivia nas últimas semanas uma intensa animação pela boa fase do clube. Ainda segundo o Padre Igor, diretores da Chapecoense costumavam frequentar a Igreja. “Eram pessoas muito envolvidas, participavam da reunião de Catequese e das celebrações. E alguns jogadores também frequentavam as celebrações, como o goleiro Danilo, muito próximo aqui da comunidade. É por isso que a gente está muito sentido”, disse à reportagem. Em nota, a Diocese de Chapecó também expressou solidariedade aos familiares e amigos dos atingidos pela tragédia e desejou “o descanso eterno às vítimas e a bênção consoladora de Deus”. Uma missa lotou a catedral da cidade no início da noite. Expressões de pesar também foram feitas por outras dioceses, pela CNBB e pelo Papa Francisco, que em comunicado enviado pela Secretaria de Estado do Vaticano ao bispo da diocese colombiana de Sonsón Rionegro, Dom Fidel León Cadavid Marín, lamentou a tragédia e desejou que o Bispo “transmita o sentimento de pêsames de Sua Santidade aos familiares e a todos os que choram por tão sensível perda, junto com expressões de afeto, solidariedade e consolo a todos os afetados pelo trágico acidente”. Clubes do Brasil e de todo o mundo também manifestaram pesar pelo acidente. Alguns já se dispuseram a emprestar atletas e até verbas para a Chapecoense. Um dos gestos mais significativos foi do Atlético Nacional, adversário da Chapecoense na final da Sul-Americana, que pediu à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) que declare a equi-

pe catarinense como campeã do torneio. “Da nossa parte, e para sempre, Chapecoense, campeã da Copa Sul-Americana 2016”, manifestou o Atlético Nacional, em nota. A Conmebol já suspendeu as finais marcadas para os dias 30 e 7 de dezembro, mas ainda não tem uma definição sobre o pedido do time colombiano.

Luto e suspensão das atividades de futebol

Em solidariedade às vítimas do acidente aéreo, o presidente da República, Michel Temer, decretou luto de três dias em todo o Brasil. Em Chapecó, a Prefeitura determinou luto de 30 dias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também decretou luto de sete dias e remarcou a decisão da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro para 7 de dezembro e a rodada final da série A do Brasileirão para o próximo dia 11. No site da entidade, o técnico da seleção bra-

sileira, Tite, expressou suas condolências às vítimas. “Nós, que vivemos de futebol, sentimos muita dor e uma tristeza profunda por vermos companheiros de profissão, no exercício de seu trabalho, ter seus sonhos interrompidos por essa tragédia. Que Deus conforte a todos e que dê luz e força para que sigam em frente”, escreveu o técnico. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, por meio do site da entidade, declarou ser “um dia muito triste para o futebol” e manifestou, ainda, “que neste momento difícil, os nossos pensamentos são para as vítimas, para seus parentes e amigos. A Fifa expressa suas condolências também aos torcedores da Chapecoense, assim como a toda a comunidade e aos meios de imprensa esportiva do Brasil”. (Colaborou Vitor Loscalzo) (Com informações da Agência Brasil, El País, Chapecoense, CBF, Fifa e Globoesporte.com)

César Greco/Agência Palmeiras

ALVIVERDE IMPONENTE - No domingo, 27, o Palmeiras conquistou o Brasileirão de Futebol com uma rodada de antecedência ao vencer a Chapecoense por 1 a 0, no Allianz Parque, diante de quase 41 mil torcedores. Com o título, que o clube não vencia há 22 anos, o Palmeiras se tornou o maior campeão brasileiro da história, com nove conquistas (Na próxima edição, confira reportagem completa sobre a trajetória vencedora do Palmeiras).


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Sé Cônego José Paine festejará 70 anos de sacerdócio no dia 8

Maria Angeles Brugarolas Masllorens

A Paróquia Santa Generosa, no Setor Pastoral Paraíso, realizará em 8 de dezembro, às 12h, missa em ação de graças pelos 70 anos de ordenação sacerdotal do Cônego José Mayer Paine, pároco, que atua na Paróquia desde 1955. Filho mais velho entre oito irmãos, o Cônego nasceu no bairro do Belenzinho em 27 de fevereiro de 1921. Quando criança, frequentou o Grupo Escolar em São Caetano do Sul (SP) e foi coroinha na Paróquia de São João Batista, no Belenzinho. Com os bons exemplos dos pais, Benedita e Américo Paine, aprendeu o amor ao dever, à laboriosidade e especialmente a confiança em Deus; tomou gosto pela oração e pela devoção a Nossa Senhora. Aos 12 anos, ingressou no Seminário Menor de Pirapora (SP), onde fez os estudos secundários, e concluiu sua formação no Seminário Central do Ipiranga, sendo ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1946, na festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, pelo Cardeal Motta, à época arcebispo de São Paulo. Desde então, foi vigário cooperador da Paróquia Senhor Bom Jesus do Brás (1947-48), um dos fundadores e professor do Seminário Menor de São Roque (1948-49), vigário cooperador na Paróquia Santa Cecília (1950-51), professor do Seminário Central do Ipiranga e secretário da Obra das Vocações Sacerdotais da Arquidiocese (1951-54). Em dezembro de 1954, foi nomeado vigário ecônomo da Paróquia Santa Generosa e tomou posse da função em 6 de fevereiro de 1955. Sentindo a iminência da demolição da igreja para atender às imposições do progresso urbanístico da

cidade, percebeu a necessidade de manter um elo de comunicação com os paroquianos. Assim, em 14 de abril de 1968, publicou o primeiro exemplar do Boletim Paroquial (o mais antigo da Arquidiocese). Em dezembro de 1968, foi executada a demolição da igreja, no antigo Largo Guanabara. Passados alguns meses, o Sacerdote sofreu um desastre automobilístico, mas mesmo convalescente estudava como conservar a Paróquia. Para tanto, decidiu sacrificar o salão e a casa paroquial existentes, a fim de permitir a construção da igreja atual. Tudo foi executado com muito trabalho e sacrifício financeiro. Durante dois anos, os atos religiosos realizaram-se no Colégio Maria Imaculada, até a inauguração da atual igreja. Em 22 de fevereiro de 1973, o Cardeal Arns, então arcebispo de São Paulo, nomeou o sacerdote como cônego do Colendo Cabido Metropolitano. Em todo este tempo, os fiéis têm testemunhado a determinação com que o Cônego José Paine se dedica à formação espiritual e à vida sacramental dos paroquianos, à celebração de missa, atendimento de confissões, visita a doentes e famílias, promoção de meditações, recolhimentos, palestras formativas, retiro anual, romarias etc. “A minha alma, cheia de alegria, engrandece ao Senhor, porque, não obstante a baixeza de seu servo, fez de mim seu sacerdote e me colocou nesta Paróquia de Santa Generosa, onde me sinto feliz e realizado, entre as gerações de hoje e de ontem, nestes 70 anos de sacerdócio...”, expressou o Sacerdote.

Brasilândia

Colaboração especial para a Região

Arquivo pessoal

Missa pelos 70 anos de sacerdócio do Cônego José Paine será na Paróquia Santa Generosa

Nery da Silva Oliveira e Katia Maderic

Colaboradores de comunicação da Região

Kátia Maderic

No 1º domingo do Advento, no dia 27, foi realizada a festa da padroeira da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Setor Pastoral Freguesia do Ó, na Vila Carolina, com o tema “Maria, Mãe da Misericórdia”, à luz do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, concluído em 20 de novembro.

Comitê organiza ações para a defesa dos direitos sociais O Comitê em Defesa do SUS da Região Noroeste realizou a sua quinta reunião na quarta-feira, 23, na Paróquia Santos Apóstolos, objetivando o fortalecimento dos movimentos sociais da Região na defesa dos direitos sociais. Inspirados em profetas que denunciavam as injustiças já no Antigo Testamento, como Amós, Miqueias, Isaías, o Comitê alertou para a urgência do povo se unir pela defesa dos direitos, diante

de um mundo em que 120 mil pessoas morrem de fome, e perante a atual crise política e econômica do Brasil. Em 7 de dezembro, às 19h, haverá uma nova reunião na matriz da Paróquia Santos Apóstolos (avenida Itaberaba, 3.907, no Jardim Maracanã), com a participação de Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC), que discorrerá sobre a conjuntura atual do país e as possíveis propostas de ação concreta.


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Permanência na Paróquia Imaculado Coração de Maria - 09/12 a 13/12; Entrega da imagem para o Setor Sapopemba - 14/12; Chegada à Paróquia Imaculada Conceição - 15/12; Chegada à Paróquia São Sebastião 18/12; Chegada à Paróquia Nossa Senhora das

Graças - 24/12; Chegada à Paróquia Santa Maria Madalena - 29/12; Chegada à Paróquia Divino Espírito Santo - 04/01; Chegada à Paróquia Nossa Senhora da Esperança - 11/01; Chegada à Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque - 18/01.

Belém Paróquias acolhem imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida Peterson Prates

Colaborador de comunicação da Região

A imagem fac-símile de Nossa Senhora da Conceição Aparecida segue em peregrinação pelas paróquias da Região Episcopal Belém. Até agora, a imagem já esteve em 50 paróquias. As visitas fazem parte da programação comemorativa dos 300 anos do achado da imagem no rio

Paraíba do Sul, em 1717. Até o mês de fevereiro, todas as paróquias da Região vão receber a imagem. Abaixo segue o calendário das peregrinações: Permanência na Paróquia São Miguel Arcanjo - de 27/11 a 03/12; Permanência na Paróquia Santa Adélia de 03/12 a 08/12; Paróquia São Vicente Pallotti

A Paróquia São Vicente Pallotti e São Pedro, no Setor Pastoral Carrão – Vila Formosa, acolheu a visita de Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, na noite do domingo, 27. Ele presidiu missa na qual ministrou o sacramento da Crisma a jovens e adultos. Concelebrou o Padre Luiz Braz de Resende, SAC, pároco.

Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Na manhã do domingo, 27, os fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Setor Pastoral Carrão – Vila Formosa, participaram da missa na qual Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, conferiu o sacramento da Crisma a dez jovens. O concelebrante foi o Padre Syllas Reschilliani, pároco. Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina

Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Na noite do domingo, 27, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, realizou visita pastoral à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Setor Pastoral Vila Antonieta, e presidiu missa, concelebrada pelo Padre Paulo Eduardo Santos, pároco.

Na noite da sexta-feira, 25, Dom Luiz Carlos Dias presidiu missa e conferiu o sacramento da Crisma aos integrantes da Escola Santa Marina, da Capela Nossa Senhora de Fátima e da matriz da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e Santa Marina, no Setor Pastoral Carrão – Vila Formosa. Concelebrou o Padre Emerson da Silva, SAC, com o serviço ministerial dos diáconos permanentes João Botura e Benedito Silva.

Peterson Prates

Divulgação

A Escola Fé e Política Waldemar Rossi teve no dia 21 as primeiras apresentações de trabalhos de conclusão de curso que os alunos realizam para receber o certificado da Escola e de extensão universitária pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Moradia digna para todos, educação popular e saúde no Brasil foram os trabalhos apresentados. Samantha Freitas, da Ação Educativa, e Célia Rossi, do Movimento Popular de Saúde, comentaram e avaliaram os trabalhos.


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Santana Paróquias contribuem para construir capela na periferia

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

As paróquias da Região Santana estão mobilizadas para ajudar na construção da Capela de São João Batista (Estrada da Cachoeira, 794, no Jardim São João), pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Piedade, no Setor Pastoral Jaçanã, templo que recentemente foi alvo de vandalismo. Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Santana, antes de presidir, no dia 19, a missa em desagravo pela profanação do templo, concelebrada pelo Padre Jairo dos Santos Bezerra, pároco, visitou as obras do novo local de devoção na periferia da zona Norte. Todas as paróquias da Região Santana contribuíram com as coletas das missas realizadas durante as peregrinações dos setores pastorais à Porta Santa da Igreja de Sant´Ana, durante o Jubileu extraordinário da Misericórdia. Para reforçar esse propósito comum, os padres e diáconos reunidos no dia 8

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Santana, diante das paredes da futura Capela de São João Batista

na Cúria de Santana com Dom Sergio resolveram que a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida que percorre a Região Santana ficará na Capela de São

João Batista após o final da peregrinação, o que acontecerá em 25 de fevereiro de 2017. Quem deseja ajudar na construção

da Capela deve ligar para a secretaria paroquial pelo telefone (11) 2995-2793, de segunda-feira a sábado, das 14h às 18h.

Reinaldo Goes

Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres

Na tarde do sábado, 26, Dom Sergio de Deus Borges presidiu missa na Paróquia Nossa Senhora da Livração, no Setor Pastoral Medeiros, concelebrada pelos padres Edilson Landim de Farias, pároco, e Silvano dos Santos, vigário paroquial. Durante a celebração, o Bispo conferiu o sacramento da Crisma a 13 jovens.

Na sexta-feira, 25, os padres Luiz César Bombonato e Humberto Robson de Carvalho, do clero atuante na Região Santana, levaram a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida ao Centro de Treinamento do São Paulo Futebol Clube, durante o treino da equipe futebolística. Eles rezaram as Laudes e abençoaram a todos.

Divulgação

Diácono Francisco Gonçalves

Dom Sergio Borges esteve na Área Pastoral São José, no Setor Pastoral Jaçanã, no Jardim Felicidade, no domingo, 27, para presidir uma missa, concelebrada pelos padres Antônio Pedro dos Santos e Lourenço Lemay, acolitados pelo Diácono Sebastião Augusto. Na ocasião, o Bispo crismou 13 jovens que participam da comunidade.

Subsídio da Novena de Natal

Informe-se na sua paróquia ou nas regiões episcopais Áudios disponíveis no Portal da Arquidiocese de São Paulo http://arquisp.org.br/noticias/especiais/novena-de-natal-2016


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Benigno Naveira

Colaborador de comunicação da Região

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Lapa

Paróquia Santa Maria Goretti recebe imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida Na tarde do sábado, 26, a comunidade de fiéis da Paróquia Santa Maria Goretti, no Setor Pastoral Butantã, acolheu junto com o Padre Amado Lopes de Carvalho, pároco, a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que tem sido levada às paróquias da Região Episcopal Lapa, por conta das comemorações dos 300 anos do achado da imagem no rio Paraíba do Sul, em 1717. Padre Zygmunt Franckowiak, pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Pobres, no Setor Pastoral Butantã, conduziu a imagem até a Paróquia Santa Maria Goretti, acompanhado por uma carreata. A imagem da Padroeira do Brasil peregrinará pela Região Episcopal Lapa até 30 de dezembro, com encerramento na Paróquia São Francisco de Assis, no Setor Pastoral Butantã, onde haverá missa presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região.

Benigno Naveira

Padre Zygmunt Frackowiak e fiéis da Paróquia Nossa Senhora dos Pobres conduzem a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, dia 26 Mariana Al Zaher

Missa no domingo, dia 27, demarca os 15 anos de criação da Paróquia São José Operário

Paróquia São João Batista realiza assembleia paroquial Na tarde do domingo, 27, a Paróquia São João Batista, da Vila Ipojuca, no Setor Pastoral Lapa, realizou assembleia paroquial, presidida pelo Padre Donizetti Fiel Rolim de Oliveira, pároco. Após a oração inicial e a leitura da ata da assembleia de 2015, foram apontadas as atuais urgências da Igreja. Também se falou sobre o 12º Plano Arquidiocesano de Pastoral, que terá vigência de 2017 a 2020, e houve destaque para a 6ª urgência que consta nesse plano, “Igreja – Família de famílias”. Ainda na assembleia foram escolhidos os dois representantes da Paróquia que participarão da reunião do Conselho Regional de Pastoral, marcada para 3 de dezembro na Paróquia São Patrício, no Setor Pastoral Rio Pequeno.

Há 15 anos, sob a intercessão de São José Operário Criada em 3 de dezembro de 2001, mediante decreto do Cardeal Cláudio Hummes, então arcebispo de São Paulo, e instalada no dia 25 de novembro de 2002, a Paróquia São José Operário, no Setor Pastoral Rio Pequeno, completa 15 anos de existência. Por conta disso, no domingo, 27, mais de 250 fiéis participaram da missa festiva presidida pelo Padre Raimundo Ribeiro Martins, SJC, pároco, e concelebrada pelo Padre Julio Cesar de Mello Almo, SJC, assistente-geral da Sociedade Joseleitos de Cristo. Padre Julio, na homilia, refletiu sobre o cotidiano de uma paróquia.

“Todos fazem parte da Paróquia, portanto é necessário que trilhemos o caminho de conversão, de busca de crescimento, porque ao nos fortalecermos da graça de Deus e nos tornarmos cada vez mais cristãos, é a comunidade que cresce também. A nossa alegria é a alegria da comunidade. A nossa tristeza é a tristeza da comunidade”, afirmou. Padre Julio destacou, ainda, que o Evangelho do 1º Domingo do Advento mostra que Cristo vem ao encontro da humanidade, por meio de palavras, da Eucaristia, dos sacramentos e do próximo.

Dom Julio preside missa com Crismas em cinco paróquias O bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, Dom Julio Endi Akamine, presidiu no último fim de semana cinco missas nas quais conferiu o sacramento da Crisma: Na manhã do sábado, 26, na Paróquia Santíssima Trindade, no Setor Pastoral Rio Pequeno; no mesmo dia, à tarde, na Paróquia São João Bosco, no Setor Pastoral Leopoldina; e à noite, na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no Setor Pastoral Pirituba. No domingo, 27, pela manhã, a celebração foi na Comunidade Nossa Senhora Aparecida e São Joaquim, pertencente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Setor Pastoral Leopoldina; e no início da tarde, na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, no Setor Pastoral Leopoldina.

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Ipiranga

Caroline Dupim, Matheus Pereira e Padre Pedro Luiz Amorim Colaboradores de comunicação da Região

Seminaristas congolenses são ordenados diáconos por Dom José Roberto Os fiéis da Paróquia Santa Ângela e São Serapião, no Setor Pastoral Cursino, participaram no domingo, 27, da missa em que os seminaristas Joseph Mampia Motema e Jean-Claude Bafutanga Anizeledi, da congregação dos Missionários da Consolata, foram ordenados diáconos pela imposição das mãos de Dom José Roberto Fortes Palau, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga. Joseph Mampia, terceiro de sete filhos, nasceu em 14 de maio de 1983 na cidade de Idiofa, na República Democrática do Congo. Jean-Claude nasceu em uma família cristã em 21 de dezembro de 1986 em Doruma, também na República Democrática do Congo. Ambos ingressaram no seminário dos Missionários da Consolata na cidade de Kinshasa, naquele país, no ano de 2005, onde cursaram o Propedêutico e a Filosofia. Posteriormente, fizeram o noviciado na cidade de Maputo, em Moçambique, onde realizaram profissão religiosa em 2011. Enviados ao Brasil para concluir sua formação de base, chegaram à Arquidiocese de São Paulo no início de 2012, para iniciar estudos em Teologia na Escola Dominicana de Teologia. Ainda naquele ano, in-

gressaram na PUC-SP, onde concluíram a formação teológica em 2015. Em 2016, eles realizaram o ano pastoral. Jean-Claude na região da Amazônia, prestando seus serviços nas comunidades próximas ao rio Catrimani, em missão junto aos yanomami, e Joseph no centro de Animação Missionária de Cascavel, no Paraná, prestando serviços na animação, na formação e nas pastorais da Arquidiocese de Cascavel. Dom José Roberto, na homilia, desejou “que os nossos novos diáconos sejam humildes em seu ministério, trabalhadores que vão sempre ao encontro dos menos afortunados, levando o amor de Jesus Cristo, e perseverantes na oração”, e frisou que o diácono “simboliza a Igreja, e a Igreja é caridade que se baseia no amor de benevolência”. Após a celebração, houve uma confraternização, rica na troca de experiências e culturas entre os paroquianos e as pessoas que vieram do Congo para participar da ordenação diaconal. Também durante a missa, músicas, vestuários e danças que remetiam às origens dos agora diáconos foram uma marca especial da missa.

Caroline Dupim

Dom José Roberto preside ordenação diaconal dos seminaristas Joseph Mampia e Jean-Claude

No caminho da misericórdia também está a alegria O sábado, 26, foi marcante para o grupo de jovens Saluz, da Comunidade São João Batista, pertencente à Paróquia Nossa Senhora das Mercês, no Setor Pastoral Anchieta. Nesse dia, aconteceu o III Encontro Jovens Adoradores, uma tarde de espiritualidade com animação, partilha, louvores, orações e palestras, com

base no tema “Mas era preciso festejar e se alegrar” (Lc 15,32), remetendo ao caminho feito pelo filho que se afasta do Pai na parábola do filho pródigo. O encontro teve como objetivo levar os jovens a uma experiência pessoal com Cristo e sua misericórdia, a fim de que permaneçam conscientes do agir miseri-

Padre Pedro Luiz Amorim

cordioso de Deus para que sempre que possível se encontrem com a misericórdia em momentos de espiritualidade. O evento contou com a participação de quase 50 jovens de paróquias instaladas na Região Ipiranga, entre as quais a Nossa Senhora de Sião, Imaculada Conceição, São João Clímaco, Santa Ângela e São Serapião, São João Batista (da Vila Guarani), Nossa Senhora das Dores, Santa Cristina e Nossa Senhora Mãe de Jesus, além de jovens atuantes na paróquia anfitriã, Nossa Senhora das Mercês, e na Comunidade Sagrado Coração de Jesus e Santa Paulina, que integram a área pastoral.

Segundo os organizadores do grupo Saluz, no encontro os jovens puderam vivenciar os passos de um filho que após se afastar da casa do pai se arrepende e retorna. Ao final das atividades, os jovens participaram da adoração ao Santíssimo Sacramento, conduzida pelo Frei Elias Ortiz Fernandez, vigário da Paróquia Nossa Senhora das Mercês. “Não devemos ter medo de aceitar o chamado de Jesus, que não exclui ninguém! O cristão deve ser uma pessoa que leva a alegria e o amor de Deus para seus lares e suas famílias. É muito difícil, mas vale a pena!”, enfatizou o Padre durante o momento de adoração com os jovens. Caroline Dupim

A Paróquia Santa Paulina, no Setor Pastoral Anchieta, no bairro do Heliópolis, realizou no sábado, 26, o retiro anual para agentes de pastoral. O dia de recolhimento foi no Seminário de Teologia Bom Pastor, sob orientação do Padre Antônio de Lisboa, que tratou sobre a temática de uma Igreja que vai ao encontro de Deus na busca dos irmãos, utilizando o exemplo de Zaqueu e o da Samaritana. O retiro demarcou o encerramento do ano pastoral de 2016 para a Paróquia.

‘Mas era preciso festejar e se alegrar’ (Lc 15,32) é o tema do III Encontro Jovens Adoradores


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‘PUC-SP escreverá páginas memoráveis em sua história’, diz Cardeal à nova reitora Luciney Martins/O SÃO PAULO

Professora Maria Amalia Pie Abib Andery tomou posse na pontifícia universidade, para o quadriênio 20172020, em solenidade no dia 28 Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com

Em solenidade no Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na segunda-feira, 28, tomou posse como reitora da PUC-SP, para o quadriênio 2017-2020, a professora Maria Amalia Pie Abib Andery. A cerimônia começou na Paróquia Imaculado Coração de Maria (Capela da PUC-SP), onde a nova reitora fez sua profissão de fé pública diante do arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP, Cardeal Odilo Pedro Scherer, acompanhado dos bispos auxiliares membros do Conselho Superior da Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da pontifícia universidade. Também tomaram posse o vice-reitor, professor Fernando Antonio de Almeida, e os pró-reitores da Instituição (leia mais no quadro ao lado). A cerimônia lotou o teatro e contou com a presença de professores, alunos, ex-reitores da universidade, autoridades civis e acadêmicas, entre os quais o secretário estadual da Educação, José Renato Nalini. Doutora em Psicologia Social e professora titular da Faculdade de Psicologia da PUC-SP, Maria Amalia exercia o cargo de pró-reitora de pós-graduação na gestão anterior. Ela foi nomeada pelo Cardeal Scherer a partir da lista tríplice resultante da consulta à comunidade acadêmica, realizada em junho deste ano.

Universidade: promoção de valores

Em seu primeiro pronunciamento, a professora Maria Amalia destacou alguns aspectos que definem a instituição universitária enquanto lugar de formação, produção de conhecimento e compromisso social. “Temos a obrigação, o compromisso, a missão de lhes dar as ferramentas para o trabalho, especialmente intelectual e técnico, tão necessário nas complexas sociedades que construímos”, afirmou. “Temos também a missão de promover valores cidadãos, criar as condições para que aqui os nossos jovens se formem como indivíduos comprometidos com a diminuição da desigualdade, comprometidos com o bem comum”, acrescentou. A nova reitora destacou, ainda, que a universidade tem o compromisso social

Dom Odilo Pedro Scherer em foto ao lado da nova reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery, com os demais membros da reitoria, em cerimônia realizada no dia 28

de formação de cidadania e de concreta ação. “A prestação de serviços é missão da universidade porque é, de um lado, a maneira de devolver ao mundo o que dele se retirou em recursos humanos e materiais e, de outro, porque é na prática que descobrimos necessidades e que é possível checar a pertinência do que produzimos.”

Compromisso

A professora Maria Amalia assumiu o compromisso de “lutar institucional e socialmente onde for necessário junto ao Estado brasileiro em todos os seus níveis pelas condições materiais necessárias para continuidade e crescimento da universidade”. “Expandir nossa missão formadora atualizando, qualificando, diversificando e internacionalizando nossa graduação, pós-graduação e educação continuada. Ampliar e diversificar a produção de conhecimento qualificado na PUC-SP, contribuindo para a solução de problemas humanos e para o avanço da nossa compreensão do mundo”, pontuou a reitora. Segundo ela, uma reitoria deve criar as condições institucionais para a universidade, promover suas virtudes, garantir o seu destino, enfim, dirigir a universidade, garantindo as condições da sua existência. O Cardeal Scherer fez votos de um bom êxito na gestão da nova reitoria em vista do bem da PUC-SP, sobretudo dos estudantes que, como frisou, “são a razão da existência” da instituição. “Tenho a convicção que a PUC-SP, entregue à sua gestão, escreverá páginas memoráveis em sua história, e contribuirá para o bem social e cultural com sua apreciável qualidade acadêmica, sua inserção proativa na vida da cidade e com sua proposta formativa para os profissionais do hoje e do amanhã”, afirmou.

Gratidão à ex-reitora

Ao se dirigir à professora Anna Ma-

ria Marques Cintra, que concluiu o seu mandato de reitora, Dom Odilo expressou o reconhecimento pela sua dedicação à PUC-SP. “Não foi um período fácil, sobretudo pelos percalços enfrentados no início do exercício de seu mandado. No entanto, professora Ana Maria, uma vez reafirmado o estado de direito nesta instituição, sua firmeza e tenacidade no desempenho de seu cargo permitiram-lhe fazer uma gestão profícua que ajudou a universidade a ter uma nova consciência de si própria e a amadurecer a administração das normais tensões internas de uma universidade”, disse.

Balanço positivo

Ao fazer seu último pronunciamento como reitora, a professora Anna Maria agradeceu a todos aqueles que colaboraram com sua gestão, e ressaltou o trabalho conjunto e o diálogo constante com a Fundasp. Sobre os trabalhos realizados nos últimos quatro anos, ela destacou dois aspectos que considerou fundamentais. “Se só depois de 26 anos de balanço deficitário conseguimos um balanço patrimonial positivo no ano de 2015, foi porque trabalhamos em comunhão com a Fundação São Paulo”, afirmou. Anna Cintra também salientou a excelência acadêmica consolidada pelos docentes de diferentes cursos “que colocaram mais uma vez a PUC-SP, no aniversário dos seus 70 anos, no ranking das melhores universidades, ou seja, a segunda entre as instituições particulares do Brasil”.

Vocação da PUC-SP

Dom Odilo salientou que a PUC-SP tem uma história rica que precisa ser honrada não apenas com a justa reverência pelo seu passado, mas ainda mais com novas contribuições e realizações. “É preciso também continuar a honrar os motivos da existência da PUC-SP ex-

NOVA REITORIA DA PUC-SP

Reitora Maria Amalia Pie Abib Andery Vice-reitor Fernando Antonio de Almeida Pró-reitora de Graduação Alexandra Fogli Serpa Geraldini Pró-reitor de Pós-Graduação Márcio Alves da Fonseca Pró-reitora de Educação Continuada Cláudia Elisabete Schwerz Cahali Pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias Antônio Carlos Malheiros Pró-Reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão Marcia Flaire Pedroza

pressados naquilo que é próprio de uma universidade, nos ideais que motivaram a sua fundação e também naquilo que é parte de sua natureza enquanto instituição acadêmica ligada à Igreja Católica”, acrescentou. Para o Cardeal, a PUC-SP possui uma vocação própria. “Cabe-lhe contribuir para a cultura e para a vida social com a sua reflexão sobre Deus, sobre o ser humano, com suas relações e atividades, sobre o mundo e seu significado”, disse. Essa “contribuição diferenciada”, destacada por Dom Odilo, provém da inspiração cristã da instituição e, por isso, a PUC-SP não poderá deixar de partilhar com a sociedade a sua própria identidade. “Há um modo cristão de pensar o ser humano, a moral, a vida social, a economia, a política, a técnica. Sim, o pensamento cristão tem muito a contribuir para os mais diversos âmbitos da busca de saber e da atividade humana.” “Espera-se da PUC-SP que ela seja espaço de busca rigorosa do saber e da verdade, nas suas mais diversas manifestações”, continuou o Arcebispo, destacando que a qualidade acadêmica da universidade e sua credibilidade, frutos de longa dedicação e trabalho sério, constituem um “patrimônio precioso que precisa ser zelado e enriquecido por todos os que fazem parte da comunidade acadêmica”.


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30 de novembro a 7 de dezembro de 2016 | www.arquisp.org.br

Cardeal Paulo Evaristo Arns comemora 71 anos de sacerdócio Arcebispo emérito de São Paulo participou da missa do 1º Domingo do Advento, no dia 27, na Catedral da Sé Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

Ao celebrar 71 anos de sua ordenação sacerdotal, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, pediu que todos sejam promotores da unidade e da fraternidade. Em um breve agradecimento, feito durante a missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, na Catedral da Sé, no domingo, 27, Dom Paulo recordou as intensas orações e pedidos de paz feitos pelo Papa Francisco. “Nós somos responsáveis pela Igreja e queremos cumprir nossa missão de evangelizar por meio da unidade e verdadeira conversão.” Dom Odilo saudou o Cardeal Arns por sua longa vida sacerdotal “colocada a serviço de Deus e da Igreja no anúncio da esperança do Reino de Deus”, referindo-se ao lema episcopal de Dom Paulo, “De esperança em esperança”. Em julho, Dom Paulo também celebrou 50 anos de ordenação episcopal com

Luciney Martins/O SÃO PAULO

missa solene na Catedral. Na ocasião, ele recebeu uma mensagem do Papa Francisco, na qual o Pontífice reconhece sua dedicação “na promoção dos direitos dos pobres, na defesa da vida digna para todos, na ajuda às famílias e aos oprimidos”. Filho de imigrantes alemães, Dom Paulo nasceu em 1921, em Forquilhinha (SC). Foi ordenado sacerdote em 30 de novembro de 1945, na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos). Foi nomeado bispo auxiliar de São Paulo pelo Papa Paulo VI em 2 de maio de 1966. Em 22 de outubro de 1970, foi nomeado pelo mesmo Papa como o 5º arcebispo de São Paulo, sucedendo ao Cardeal Agnelo Rossi. Em 1973, tornou-se cardeal. Ele esteve à frente da Arquidiocese de São Paulo até 1998.

Sempre padre

Aos 95 anos, Dom Paulo está bem de saúde e mora em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Devido à idade, ele vive mais recolhido. Em sua autobiografia, “D. Paulo Evaristo Arns – Da esperança à utopia”, publicada em 2001, o Cardeal Arns afirma: “Qualquer coisa que eu tenha feito em minha vida ou ainda chegue a realizar explica o fato de eu ser padre. Fui por longos anos professor, mas sempre padreprofessor, ao ensinar Literatura, Teologia ou Didática. Escrevi livros e milhares de artigos mesmo antes da ordenação

Dom Paulo é homenageado durante a missa pelos seus 71 anos de sacerdócio, no domingo, 27

sacerdotal. Trazem a marca de padre. Amei muito na vida e passei por situações humilhantes, por calúnias graves e muito difundidas, mas sempre como padre, porque desejei cumprir a missão que

Cristo me confiou. Meu lema de bispo, arcebispo e cardeal – ‘De esperança em esperança’ – foi escolhido na época que eu era um simples padre”. (Colaborou Renata Moraes)

Após restauro, sinos da Igreja da Boa Morte são reinaugurados Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fernando Geronazzo

osaopaulo@uol.com.br

O centro histórico de São Paulo voltou a ouvir o som dos três sinos da bicentenária Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, reinaugurados na quinta-feira, 24. Após passarem por uma restauração e automatização, os três sinos foram abençoados em uma missa presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer. Localizada na esquina da rua do Carmo com a rua Tabatinguera, a Igreja da Boa Morte, como é popularmente conhecida, foi inaugurada em 1810. Depois de três anos fechado para restauro, o templo foi reaberto em 2009 e entregue aos cuidados da Comunidade Aliança de Misericórdia. A reforma da igreja de estilo colonial passou por diversas etapas, desde a remoção e substituição de madeiras que compunham a estrutura do prédio até a recuperação da pintura e das cores originais escondidas por baixo de camadas de tinta, sujeira e cal. Os sinos, porém, não foram restaurados à época. O restauro dos sinos foi patrocinado pelo Grupo Comolatti, que já promoveu o restauro de outras igrejas na cidade. Os trabalhos foram realizados pela Fábrica

Cardeal Scherer reinaugura sinos da histórica Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, no dia 24

de Sinos de Piracicaba e duraram 60 dias. O técnico responsável pela obra, Marcelo Angeli, explicou ao O SÃO PAULO que foi feito um trabalho de restauro e automatização dos três sinos, e revitalização das madeiras que sustentam as peças e a automatização. “Mantivemos os mesmos sinos e sua estrutura, porque essa igreja é um patrimônio histórico” destacou. Com a automatização, os sinos irão tocar diariamente em horários diferentes. O vice-reitor da igreja, Padre Paulo Ramos, informou que, num primeiro momento, os sinos tocarão às 12h e às 18h, horários da oração do Ângelus, e às 15h, hora da misericórdia.

Sinal na cidade

Já virou uma tradição do Grupo Comolatti patrocinar o restauro de sinos de igrejas em São Paulo. Já são nove anos e nove igrejas que tiveram seus sinos restaurados, entre as quais a Catedral da Sé, que teve o seu carrilhão de 61 sinos, o maior da América Latina, reinaugurado em 2010. “Proporcionar o restauro dos sinos desta igreja nos dá uma alegria muito grande para que continue viva na cidade a bonita tradição dos sinos”, afirmou Sergio Comolatti, presidente do grupo empresarial. Ao destacar o valor histórico da igreja, Dom Odilo recordou a história popular de que Dom Pedro I, após proclamar

a Independência do Brasil, no Ipiranga, em 1822, ingressou na Vila de São Paulo pela rua do Carmo, ao som das badaladas dos sinos da Igreja da Boa Morte. Padre Paulo também recordou que os sinos dessa igreja eram o grande meio de comunicação de importantes eventos da cidade, como, por exemplo, para anunciar a chegada dos novos navios do porto de Santos (SP), que sempre traziam alguma novidade da Europa. O Arcebispo também ressaltou que os sinos das igrejas servem para convidar as pessoas à oração, mas também para lembrá-las da presença de Deus. “Não tocam só por tocar ou para incomodar os vizinhos. Os sinos sempre falam um pouco da voz de Deus, chamando também para uma tomada de consciência sobre o que estamos fazendo do nosso dia, para aonde estamos indo. Também nos ajudam a orientar o dia para Deus”, disse. O Cardeal também lembrou que, além do valor histórico, a Igreja da Boa Morte realiza uma missão importante na cidade, sendo a única igreja da capital paulista aberta 24 horas, com adoração eucarística perpétua e atendimento contínuo aos pobres, em especial às pessoas em situação de rua, atividade pastoral desenvolvida pela Aliança de Misericórdia.


O SÃO PAULO - 3130